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Aviacao e Mercado - Revista - 3

Os Aero Boeros ainda

Os Aero Boeros ainda estão presentes em vários aeroclubes do Brasil, servindo como aeronaves de instrução e como rebocadores de planadores. Essas aeronaves argentinas chegaram por aqui entre os anos de 1987 e 1994, quando o governo brasileiro adquiriu 366 aeronaves Aero Boeros; trata-se de modelos 115 com 306 aeronaves e 180 com 60 aeronaves, cedidos às escolas de aviação do país. Segundo dados do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), poucos aviões do lote comprado da Aero Boero ainda continuam em operação nos aeroclubes do país. O Aero Boero 180 é a versão mais potente do AB-115. Diferentemente desse e de seu motor Lycoming de 115 cavalos, o AB-180 é equipado com um motor de 180, que permite ser usado tanto em voos de instrução quanto no reboque de planadores. De acordo com Leonardo Dutra, a grande maioria das aeronaves AB-115 está com a Inspeção Anual de Manutenção (IAM) vencida. Além disso, 32 das 60 aeronaves inicialmente adquiridas ainda estão em operação e 22 estão com o IAM vencido. Dutra também realizou uma expedição em visita a vários aeroclubes pelo Brasil para ver de perto a realidade dos Aero Boeros; onde encontrou, no aeroclube de Bebedouro, encontrou um AB 115 abandonado, ao relento, deteriorando-se. Leonardo Dutra é piloto comercial, administrador de empresas, doutor em Relações Internacionais, com pós-doutorado em RI. Tem experiência como instrutor teórico em escolas de aviação e como professor do ensino superior em universidades brasileiras e europeias. É o idealizador do Clube Aero Boero para aficionados por AB. Elaborou e divulgou em seu site um relatório detalhado da situação dos Aero Boeros no Brasil, que são da união, com base em informações atuais e oficiais extraída de dados oficiais disponibilizados pela ANAC.) A conexão dos Aero Boeros com o Brasil começou em 1987, quando a fabricante Aero Boero venceu a concorrência internacional do Ministério da Aeronáutica do Brasil, para comprar aviões de instrução básica e para reboque de planadores, visando à modernização dos aeroclubes. Aqui, nessa época, ainda se utilizavam aeronaves obsoletas, com idade média de 50 anos, como os: Paulistinha CAP-4 e P56-C, Piper J3 e PA-18, Sala VIP entre outros. Aero Boero Essas aeronaves não possuíam rádio VHF, partida elétrica, luzes de navegação noturna nem GPS. A Aero Boero apresentou os menores valores e recebeu a homologação e certificação dos AB-115 e AB-180 pelo CTA (Centro Técnico Aeroespacial) no dia 26 de outubro de 1989, depois de uma equipe brasileira passar 12 dias na fábrica de Morteros, onde foram feitas algumas modificações, seguindo as normas brasileiras. Foram encomendados apenas sete AB-180RVR e 20 AB-115 Trainer. Mas ficou acertada a encomenda de um lote com 100 aeronaves em 1988 e, posteriormente – no ano seguinte –, outros 350 foram encomendados, incluindo os AB-180. Os primeiros exemplares chegaram ao Brasil em dezembro de 1990; e os últimos, em janeiro de 1994. Um total de 366 aeronaves foram entregues, sendo 306 AB 115 Trainer e 60 AB 180. Mas as dificuldades financeiras enfrentadas pela empresa na Argentina e os problemas com a economia brasileira fizeram a Aero Boero atrasar a entrega de aviões no Brasil, pois a companhia não pode cumprir as suas obrigações. Os outros 84 aviões encomendados não foram entregues porque o governo brasileiro não tinha dinheiro para comprá-los, por estar passando por uma crise financeira desde 1993. Cada avião custou 74 mil dólares. O Aero Boero foi criticado por muitos brasileiros pelo fato de não poder realizar algumas manobras acrobáticas previstas na formação de pilotos, como o parafuso, feito anteriormente com os antigos Paulistinhas, o que trouxe um retrocesso na formação de pilotos. Os assentos não eram reguláveis em distância e em altura, e o trem de pouso era localizado muito à frente do CG (Centro de Gravidade e não possuía amortecedores). Porém, a favor do aero Boero estava a boa visibilidade para o piloto, a razão de planeio de 11:1 e o baixo custo operacional. A empresa Aero Boero surgiu como a Aero Talleres, fundada pela família Boero em maio de 1956, na cidade de Morteros, região noroeste da província de Córdoba, na Argentina. Sua finalidade era realizar serviços de manutenção e reparos em diversas aeronaves, utilizadas principalmente na pulverização de lavouras. Os irmãos César Hernesto e Héctor Boero acumularam muita experiência na reconstrução de algumas partes de aeronaves, sendo que alguns aviões necessitavam ser reconstruídos após acidentes, o que os levou a construir muitas fuselagens de tubos de aço soldados, além de asas e de realizar a pintura total de aviões. Em 1958, após a realização desses serviços, com o amparo de uma nova legislação protecionista argentina, os irmãos Boero resolveram partir para o desenvolvimento e fabricação de aeronaves próprias; César e Héctor Boero uniram-se a Celestino Barale para desenvolver um protótipo do futuro Aero Boero AB-95, o antecessor do Aero Boero AB-115, que voou pela primeira vez em 1959 e foi certificado em 1962, quando foi iniciada a produção em série. As primeiras entregas foram feitas um ano depois. 08 Aviação & Mercado Aviação & Mercado 09

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