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Revista Criticartes 5 Ed

Revista Criticartes - Ano II, nº. 5 - 2016

Artigo

Artigo Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05 http://papodehomem.com.br Um jardim para o poeta Maria Eugênia Amaral Dourados, MS @: mariaeugenia.amaral@gmail.com - 16 - Há meses que trabalho nele, planejando, organizando, encomendando mudas e plantando. Uma jabuticabeira, dezenas de chuvas-de-ouro fixadas em uma antiga mangueira, canteiros de alecrim, lavanda e amendoinzinho, além de duas árvores para colher pitangas e acerolas. Um jardim feito com e para os sentidos: para olhar, tocar, colher, cheirar, comer. Mas sempre faltava um pé de alguma coisa, cobertura para algum canteiro, uma muda pra transplantar... E hoje, ao sentir o aroma do alecrim e me alegrar com os primeiros botões da alamanda amarela, decidi que o jardim estava pronto. Foi então que encontrei um joão-de-barro caído, agonizante sobre o gramado. Um calafrio me percorreu e pensei, com tristeza profunda: “O poeta está partindo...”. Ontem mesmo eu havia conversado com amigos sobre sua hospitalização e a fragilidade de sua saúde. A tristeza não me atingiu em vão. Manoel de Barros foi embora e deixou órfãos incontáveis: borboletas, pedras, sapos, árvores, lesmas, jabutis, pássaros, rios e até o vento. Nem o cachorro Ramela escapou. Ficamos todos à deriva, buscando terra firme, sem asas, com ramos caídos, pernas e patas sem chão. Faz muito tempo que nos conhecemos, e no começo achei muito esquisitas aquelas suas palavras, à primeira vista tão sem pé nem cabeça — como se a alguma delas faltasse cabeça ou pé. E então, baixando a guarda e deixando-me contaminar por suas invencionices, fui abduzida em 1985. A nave alienígena foi um livro seu. Na época, coordenando um grupo de pesquisa na UFMS, estudávamos sobre biodiversidade de plantas aquáticas e sua fauna associada. E eu passava a vida envolvida com questões a serem respondidas sobre padrões e processos reguladores, com planilhas, análises estatísticas e uma parafernália de teorias e hipóteses sobre a diversidade biológica no Pantanal. Foi quando li em seu “Livro de pré-coisas” que “no Pantanal ninguém pode passar régua. Sobremuito quando chove. A régua é existidura de limite. E o Pantanal não tem limites” — e uma revelação me atingiu como um raio. Eu era uma besta! Tanto trabalho, tanta pesquisa, e o poeta matava a questão a pau, nua e crua. Nunca mais fui a mesma. Hoje não tem mais jeito; vou deixar a tristeza me derrubar. Mas amanhã, prometo, vou dançar de cabelos soltos no jardim, dando bom dia às lesmas e beija-flores, celebrando a alegria de ter em mãos (a ao alcance de minha compreensão) poemas como os seus. Obrigada, Manoel de Barros! Publicado no dia 13/11/2014 em: www.mariaeugeniaamaral.com www.revistacriticartes.blogspot.com.br

Homenagem Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05 Nosso Manoel... Bianca Marafiga Dourados, MS @: biancamarafiga@hotmail.com Renovando o homem usando borboletas, Arquitetando silêncios... Em uma casa ou em uma rua sem nome. Ele, um homem simples. Escuta a voz dos passarinhos que recitam, E canta a canção das cigarras que arrebentam o verão. O glorioso... E não um Manoel qualquer... Aquele criado no mato, Que aprendeu a gostar das coisinhas do chão, Antes mesmo das coisas celestiais. Aprendeu mais com as abelhas do que com aeroplanos. Manoel não queria significar, Apenas queria assim como eu, Inventar caminhos com novas palavras. Hoje não mais apenas Manoel de Barros, mas Manoel dos Céus, “Fecho os olhos, descanso. Os ventos levam-me longe... Longe” E assim, por aqui ficam os poetas que Manoel inspirou. Fica também a certeza de que encontrou por lá, Coisas mansas, e a liberdade para o silêncio das formas e das cores. Manoel Venceslau Leite de Barros Joabnascimento Camocim, CE @: joaobnascimento55@gmail.com Aos dezenove dias do mês Ano de mil novecentos e dezesseis O mês era dezembro Manoel de Barros nascia Trazendo consigo a poesia A hora exata eu não lembro. Aquele pequeno menino Com alcunha de “neguinho” Precisava estudar Aos oito anos de idade Partiu pra outra cidade Para o colégio se internar. Marcos Coelho Dourados, MS @: sagitariusdin@hotmail.com Menino Manoel... Barros de Manoel... Barros – Olaria... Barros – Poesia... Manias de Manoel... Carrossel Quebrado... Garoto Levado... Quinquilharias... Desprezos e Incertezas... Durezas e Asperezas... Sentir dualizado... Impossível de ser decifrado... Apenas sentido, domado... Bugigangas... Roncos de Bugio... Pé de Cedro... Corumbás e Cuiabás... Letras, Cigarras, Lesmas... Caracóis... Águas e Chão... Um Encontro amoroso... Fecundante... O Dialeto Manoelês... O Seu Ressonante poema... Ser de Bugre e de Brejo... Águas: Início das Aves... dos Peixes... dos Homens... Manoel – de Barros – de Brejo – de Tudo... TUDO: Poesia... Matéria – Química – Essência. Original – Origem: Menino – Poesia... Após ter um monumento pichado Um livro que nunca foi publicado O livrou certa vez da prisão A dona da pensão o protegeu Aos policiais o livro ele deu “Nossa senhora de minha escuridão”. Com um ano de idade Mudou-se pra outra cidade Foi morar em corumbá Na região do pantanal Viveu no meio de curral Deixava a cidade de Cuiabá Após dez anos de internato Com os livros teve contato Do padre Antonio Vieira Partiu para o rio de janeiro Foi comunista e grafiteiro Quase foi preso ao dar bobeira. - 17 - Com o seu idealismo Aderiu ao comunismo Formou-se em advocacia Foi membro da “juventude comunista” Assim de vez ele conquista Tudo aquilo que queria. www.revistacriticartes.blogspot.com.br

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