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Revista Criticartes 5 Ed

Revista Criticartes - Ano II, nº. 5 - 2016

Artigo

Artigo Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05 Por isso eu vos digo, com o passar dos anos, as secas que neste chão de Porto da Folha (e outras regiões do semiárido) sempre fizeram parte da rotina, estão se intensificando e durando mais a cada ano. Com isso, a produção de ração cai, o preço sobe, o pasto para o gado diminui ou até mesmo acaba e os pecuaristas têm que comprar alimentos e água para seu rebanho. Dessa forma, o custo para criar esses animais fica muito alto, chegando a acabar com o lucro, isso quando não se perde todo o investimento perante a morte de um ou vários animais da boiada. O gado bovino em sua grande parte não é adaptado ao nosso clima, porém, os agropecuaristas daqui insistem nessa criação. Diante desses fatos, resolvi entrevistar dez criadores vizinhos de minha residência (a fazenda) que criavam cabras e passaram a criar vacas. Destes, oito afirmaram ter mudado o tipo de criação pelo fato da cabra ser muito arisca e proporcionar maiores gastos e cuidados com o cercado, se comparado à vaca. Dois dos entrevistados disseram ter feito à troca, pois visavam maiores lucros que viriam num menor tempo. O que me intriga, é saber que todos têm a noção que por mais lucros que a vaca dê no período de chuvas, este será gasto na seca com ração e água para as mesmas, enquanto a cabra, exige pouca ou nenhuma ração em ambos os períodos, graças a sua adaptabilidade. Agora, diante dos fatos apresentados acima lhe pergunto, será que vale a pena ter lucros com as vacas na época das chuvas para depois gastar na seca? Com certeza não! Com essa atitude, os sertanejos enfraquecem sua economia, e tornam-se dependentes dos grandes comerciantes que fazem “gato e sapato” do pequeno criador. Desmatar: é preciso? Luciene de Oliveira Estudante da 3ª série do Ensino Médio Monte Alegre de Sergipe, SE O desmatamento é um problema recorrente em nosso país, com danos incalculáveis. Tal prática surgiu com o “descobrimento do novo mundo, ‘pelos portugueses’” por volta do século XV. Desde então, as matas brasileiras sofrem com a derrubada de árvores para o abastecimento de grandes indústrias. Quando se fala em biomas desmatados vem à mente de todos, as exuberantes florestas amazônicas, mata atlântica, cerrado que somam 86,3% do território brasileiro. É verdade, essas áreas sofrem constantemente com os efeitos da degradação de suas matas, no entanto, temos outro bioma com valor também inestimável que está desaparecendo rapidamente, causando transtornos para os moradores da região e em longo prazo para as demais. Estou me referindo à Caatinga (10% do território nacional), apesar de ser esquecida por muitos e insignificante para outros ela é o único bioma exclusivamente brasileiro e de suma importância para a manutenção do equilíbrio ecológico. Assim, vemos que é essencial a sua preservação, mas, na realidade ela vem sofrendo severamente com a derrubada de suas árvores. Segundo o IBAMA, cerca de 260 mil caminhões com lenha advinda da caatinga são transportados para atender a demanda energética apenas do estado de Pernambuco. Estima-se que 30% da energia usada pelas indústrias da região venham de lenha da caatinga. Aqui em Monte Alegre de Sergipe, a situação não é diferente. A madeira da mata branca é posta abaixo e alimenta os fornos de padarias, caieiras, fogões à lenha (nas pequenas residências), além de abastecer as madeireiras e serrarias. Algumas das atividades citadas ocorrem de forma ilegal perante a lei, uma vez que no artigo 46 da lei n° 9.605/1998, receber ou adquirir madeira, lenha, carvão etc., sem a exibição de licença do vendedor, configura crime ambiental. Mas, aqui na região não há fiscalização, então, os moradores promovem as queimadas, tanto para limpar o terreno, pois, segundo eles é necessário para a agricultura, tendo em vista que o milho plantado na terra queimada cresce mais forte, como também para aumentar a renda (por meio da venda de carvão) que é muito baixa. E assim, o ciclo da poluição/desmatamento é repassado ao longo das gerações. Contudo, pesquisas revelam que a prática citada mais acima, causa perdas consideráveis na biodiversidade, com o desaparecimento de plantas e animais (Araújo Filho e Barbosa, 2000) e declínio de sua produtividade (Menezes et al. 2005). É necessário deixar o solo descansar, recuperando-se assim dos danos. Entretanto, as práticas do passado ainda continuam em voga. Vemos o uso intensivo da terra, o que encurta o tempo de repouso, deixando o solo pobre em nutrientes, prejudicando as próximas plantações, gerando transtornos para a caatinga (que está com suas espécies em extinção) e para a população, pois, com terras inférteis a produção de alimentos diminui, por conseguinte os preços aumentam. O que resta é um simples questionamento: é mesmo necessário? - 48 - www.revistacriticartes.blogspot.com.br

Artigo Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05 Por onde andam as histórias? José Thiago Dantas Costa Estudante da 3ª série do Ensino Médio Monte Alegre de Sergipe, SE Quem nunca se sentou ao redor de uma fogueira e se pôs a ouvir ou a contar uma história? Foi esse o questionamento feito por mim a 10 entrevistados, sendo cinco com idades inferiores a 18 anos, e cinco outros com idade superior a 40 anos. Os cincos jovens afirmaram não ter o hábito de realizar programas desse tipo, enquanto com faixa etária superior a 40, afirmaram que já tiveram tal hábito, mas que não o exercem atualmente. A história oral, não somente é importante para promover a intenção social, como também é responsável por conservar e propagar narrativas ao longo do tempo, como explica e complementa Antônio Roberto Xavier em um dos seus artigos: "A história oral é considerada como fonte identitária de um povo, capaz de retratar as realidades, as vivências e os modos de vida de uma comunidade e suas mais variadas sociabilidades". Antigamente, as pessoas daqui do sertão de Monte Alegre de Sergipe, SE, sentavam-se sempre em pequenos grupos, a fim de compartilharem feitos dos seus antepassados. Estes contos ganhavam vida respirando pela oralidade, cuja função era perpetuar as histórias. A pesquisa inicialmente comentada deixa explícito o desaparecimento das histórias no cotidiano sertanejo. Observa-se que no correr do relógio, os costumes e as histórias vanescem não tanto por serem ignoradas, mas sim pelo feito de terem sido substituídas por outros meios de entretenimento. Atualmente, ver-se uma interrupção no processo de repasse de narrativas, uma vez que não há uma preocupação por parte dos profissionais da história da região, em absorver e imprimir essas histórias. Pensava-se, também, que na medida em que o sertão se desenvolvesse, no sentido educacional, as histórias orais iriam adotar a matriz escrita. A contrariedade é que no contexto do advento da alfabetização e da cultura literária, a globalização se fez presente e impediu a existência de um grande e exótico acervo literário regional. O entretenimento gerado por filmes, novelas, reality shows entre outros, apagaram aquela velha fogueira e baniram todas aquelas histórias para o reino do esquecimento. Outro agravante dar-se pelo fato de que, aqueles repartidores de folclore estão parecendo-se, com estes, estão indo surpreendentes fatos fictícios e reais que poderiam estar fornecendo cultura literária identitária do sertão para seus conterrâneos. A mudança de hábitos, o desaparecimento de valores e tradições figuram como questões “bobas”, no entanto, é aparato de estudos em história, Antropologia, Sociologia e Filosofia. Certamente, daqui a alguns anos, todos se lembrarão da figura de Chico Bento, estarão prontos a assistirem o mesmo. O revés é que dificilmente alguém irá ver, em algum sertão desse Brasil um “Tabaréu” e menos ainda ouvirão uma outra história. Então descobriremos que a padronização ultrapassou e encobriu nossa identidade cultural. SINOPSE - Pauperremia A obra de Gerson Lourenço traz um instigante Manifesto denominado Cauilinismo e finaliza com um enigmático poema concreto que presentificam a vida e a poesia em tempo de uma democracia fragilizada. Entre a vida e a poesia, o poeta diante do caos, propõe uma operação cirúrgica à aclamada democracia em estado de choque e mantidas por MPs antidemocráticas. Frente a isso, poeta brada: há de se libertar e de se igualar a todos por meio de uma educação capaz de ser rio corrente e não asas acorrentadas. Autor: Gerson Lourenço Contato: poetasinocentes@hotmail.com - 49 - www.revistacriticartes.blogspot.com.br

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