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Revista Criticartes 5 Ed

Revista Criticartes - Ano II, nº. 5 - 2016

ENTREVISTA

ENTREVISTA Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05 Mário Carabajal: O Brasil encontrase no estágio imediatamente seguinte ao observado no ápice da ‘crise’. Evidenciam-se traços de saída e recuperação. Contudo, “a produção literária tem sofrido suas consequências, com grande impacto e profundas alterações no fazer literocultural”. Se por um lado as grandes editoras deixaram de investir no escritor brasileiro, por outro, a crise os conduziu a confrontação do que se lhes verdadeiramente importa – retirando o escritor de uma ‘fila de espera’ de contratos extraordinários com grandes editoras, para, confrontado, sustentar-se em sua autovalorização, passando a investir pessoalmente naquilo que acredita e produz – o livro. Particularmente observei reações diametralmente opostas nos escritores. Tanto aqueles que demonstravam se deixar atingir pela crise, desmotivando-se em seu fazer literário, quanto àqueles determinados, obstinados e destemidos, emergindo da ‘crise’ com ânimo e maior autoconfiança, abandonando o ‘mito’ de o escritor depender de um ‘grande nome de editora’ à conquista de seus sublimes ideais. Frente ao ‘abismo’ porque ‘passou’ o Brasil, ergueu-se um escritor com maior foco, consciente e independente, resultando em um aumento percentual dos índices de produção literária. Isto, se considerando o aumento de autores que ingressaram no mercado literocultural brasileiro. Estes, não apenas conscientes, mas com forte determinação em auxiliar o país à superação da crise. Ainda, em consequência da crise, passam a ocupar a lacuna deixada pelas ‘grandes editoras’, novas editoras, em franca ascensão, como a Alternativa de Porto Alegre, Presidida pelo Editor Milton Pantaleão; Life Editora, do Mato Grosso do Sul, Presidida pelo Editor Valter Jeronymo. Mais recentemente, soma-se a este novo perfil editorial brasileiro, a Rede Mídia de Comunicação e Editora Sem Fronteiras, do Rio de Janeiro, sob a Direção Geral e Editorial da competentíssima Jornalista Dyandreia Portugal, identificando-se com este universo consciente de independentes escritores, em uma grande, plausível e progressista parceria, apostando no pensador brasileiro e sua obra. Oportunizando a todo escritor, a visibilidade e propagação do conjunto de sua obra. Todavia, além deste importante momento, deve o escritor focar nas possibilidades de distribuição e comercialização de sua obra, de onde se lhe retornará, com os merecidos lucros, seus investimentos. As múltiplas consultas às editoras garantem ao escritor independente sua satisfação e pleno atendimento de suas expectativas. Em especial, deve o autor independente discutir o ‘preço de capa’ e condições de pagamento, dentro de uma realidade ‘custo/benefício’ de mercado e investimentos. Dedicando especial preocupação com o custo final da obra aos seus leitores. Criticartes: Quais os impactos positivos e negativos da Semana da Arte Moderna no Brasil? Mário Carabajal: Nobre jornalista Fernandes, seu questionamento, mais uma vez, nos remete a Identidade, desta vez, cultural brasileira. O que se busca? Um Brasil voltado exclusivamente para si ou aberto ao Mundo? Há que se respeitar os argumentos daqueles que defendem pontos de vista antagônicos. Quem erra, sob as máximas de ensaios, erros e acertos de sistematização, mesmo em ensaios errôneos postulatórios, objetiva contribuir à evolução média da Nação. Incorporar-se ou não elementos culturais produzidos fora do Brasil, deve precipuamente, em nossa visão, passar antes pela análise crítica do que se define como cultura e sua antítese – a anticultura. Entendendo-se que o conceito de cultura extrapola quaisquer tentativas de limitação, há que se fazer um esforço conjunto para di- - 6 - cotomizar cultura boa e cultura má. Cultura e anticultura. A responsabilidade do Estado limita-se a uma formação obrigatória mínima de nossos jovens. Daí para frente, abandonados, é um verdadeiro ‘salve-se quem puder’. A força do capital e restrição seletiva de horizontes formativos, por outro lado, dá maior ênfase à ‘fugaz corrida de tolos’, em detrimento as reais aspirações dos seres. Logo, tolhidos de seguirem o caminho científico que os realizaria plenamente, para muitos, sem criatividade e competências pessoais, o que passa a importar é a entrada intrépida, desmedida e sem quaisquer pudores de incessantes e ilimitados ‘capitais’. Sobretudo, em um país com tantos exemplos negativos, em especial, àqueles emanados pela classe política, refletindo os ‘transtornos de identidade’ sobre o ser em formação da própria personalidade. Poucos, no entanto, se atrevem apontar objetivamente para a anticultura, independentemente se gerada dentro ou fora de nossas fronteiras. Apontar ‘objetivamente’ para a ‘anticultura’ significa expor-se, ao assumir uma postura. Posicionamento o qual, para àqueles que usurpam da liberdade, é associado à censura. Por ocasião da Semana da Arte Moderna, de um lado aqueles que buscavam por uma identidade cultural própria e genuína para o Brasil. De outro, aqueles que aludiam a um fazer cultural sem fronteiras, incorporando-se o que era também produzido em outros países. Sabidamente havia de se fazer algo em relação ao que ser aceito, incorporado e validado à práxis cultural brasileira. Acredito haverem sido estes os maiores objetivos da Semana da Arte Moderna em 1922: clarificar pontos de desequilíbrio da ‘balança cultural’. A priori, tais objetivos, atingidos ao serem geradas discussões que perduram ainda nos dias atuais. Em nossas análises e visões, de pretensas contribuições, ser brasileiro não se faz excludente à incorporação de culturas internacionais. Contudo, sob um olhar inteligente, crítico e comedido, capaz de otimizar experiências e cul- www.revistacriticartes.blogspot.com.br

ENTREVISTA Revista Criticartes | 4º Trimestre de 2016 / Ano II - nº. 05 turas, independentemente de sua origem e época, livre, contudo, de psicossugestões e induções anticulturais contrárias a natural ordem ‘humanoevolutiva’. Não obstante, aos leitores da Revista Criticartes, dirigida por este exime sociólogo, jornalista e poeta, Rogério Fernandes Lemes, solicito, se escritores, jornalistas, professores e ou cientistas, dedicarem espaço, em suas produções, à análise de ‘letras de músicas’ com poderes psicossugestivos anticulturais, apontando ‘critico-construtivamente’ tais resultados aos seus autores, na esperança que estes, confrontados pelas críticas, redimensionem e redirecionem suas inequívocas capacidades aglutinadoras e conducionais, para tornarem-se ‘artistascidadãos’ do bem, auxiliando na difícil condução de uma imensa população, como a brasileira, com prazerosas e estimulantes produções musicais, em harmonia e equilíbrio com as necessidades humanas de saúde e hábitos saudáveis à construção de personalidades fortes e com perspectivas de longas e saudáveis existências. Criticartes: Qual sua percepção sobre a ética e a estética na literatura brasileira atual? Teria alguma crítica à produção brasileira? Mário Carabajal: Ética e estética caminham juntas. Difícil suas desvinculações. “O bom gosto e os valores contributivos difundidos através dos livros somam-se e ganham forma, a priori, em mentes de escritores com comprovada maturidade humana, política e social”. Quando de seu distanciamento, a obra encontra naturais obstáculos em meios de maiores exigências. Contudo, não é incomum de obras sem estes valores primordiais serem contempladas como se profícuas fossem. Mas, ainda assim, cumprem relevante papel, ainda que pela formação do hábito da leitura, em leitores principiantes, menos exigentes. Não nos compete criticar a forma e formato como nossos escritores expressam-se. Em especial, por admitir que a produção literária, individualmente, passa por estágios psicomaturacionais de seus autores, desde aquelas sem quaisquer pretensões, traduzindo pulsões, latências e nuances emocionais daqueles que escrevem, as quais são reveladas como autoterapia, iniciando com uma problematização, evoluindo a uma confrontação de conceitos e ideias catexizadas – interiorizadas, pelos contundentes valores axiológicos – externos, conquistando em suas finalizações respostas de equilíbrio e momentâneo bem estar àquele que as produz. Isto, por emergirem a mente a partir de ‘inquietações’ emocionais, atendendo por extensão, aqueles em estágios psicomaturacionais semelhantes, detentores e vivenciadores de momentos experienciais de equivalência ao escritor. Inequivocamente os fatores emocionais sempre estarão presentes e influenciando quaisquer produções literárias, mesmo àquelas científicas. T u d o t e m u m a o r i g e m . Absolutamente nada tem vida própria. A interdependência e atuação ‘dinamicomental’ de todos os seres está para o escritor como o macro para o microcosmo. No universo ou como apontam as teorias mais atuais, universos, não se observa o fenômeno da ação. Tudo é reação. Logo, quaisquer estágios porque passe a dinâmica mental de escrita daqueles que transitam no mundo producente literário, obedece a leis e ordens intrínsecas evolucionais, inerentes a todos os seres. Logo, a ética e estética correspondem ao estágio cultural médio da Nação, demonstrado em intrínsecas amostras de produções literárias, musicais, Leis, prolatações de sentenças judiciais, teses, dissertações, monografias, Estatutos sociais... Atrás da Ética e Estética existem seres, com maiores ou menores domínios, com- - 7 - petências e saberes. Por trás dos seres, existem sistemas educacionais, acessos à leitura, organizações culturais e heranças ‘sociofamiliares’ civilizatórias. Sob tais premissas, pode-se enunciar o ensaio de serem, Ética e Estética, fruto da evolução humana, em seus respectivos estágios de correspondências. O Brasil, em nossa análise, conta com fortes elementos, nas pessoas de seus escritores, jornalistas, pesquisadores, professores e profissionais dos mais amplos segmentos, como também de organizações voltadas à cultura, à conquista de níveis de excelência Ética e Estética – veja-se exemplo concreto no jornalista Rogério Fernandes Lemes, ao apontar em seu questionário de entrevista para a Ética e Estética, passando a inferir perspectivas evolucionais no fazer literário de um país gigante como o Brasil. Potencializando a produção literária de qualidade ao inferir referenciais de observância àqueles que escrevem. Criticartes: Como recebeu a informação do prêmio Nobel de Literatura 2016 ser concedido ao cantor Bob Dylan? É fato que a decisão não agradou e tem gerado muitas críticas. Mário Carabajal: Bob Dylan enquanto ‘escritor/poeta’ se expressa em composições poéticas musicalizadas altamente críticas. Onde satiriza a cultura americana de exaltação ao espírito patriótico de incentivos à xenofobia, guerra e ódio contra russos, reservando um conceito de Deus aos mais altos propósitos da política americana. Em suas letras, Dylan, soma a seu tempo ao colocar questões como a segregação racial e diversidade. Aponta para a necessidade de uma justiça imparcial, independente da cor da pele. Seria um tanto pretencioso de minha parte escrever sobre a vasta obra de Bob Dylan, merecedor, sem dúvidas, desta Imortal honraria. Particularmente, se Bob Dylan, Adail Maduro Filho (roraimense), Daniel Chaves (paranaense - autor de 5 mil provérbios, superando o pró- www.revistacriticartes.blogspot.com.br

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