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Rio de Janeiro, novembro de 2016

4.3 Indicadores macroeconômicos

A tabela 3 apresenta os indicadores macroeconômicos que a literatura empírica citada

no início desta seção identifica como os mais relevantes para avaliar ou antecipar o risco

de problemas de balanço de pagamentos, na forma de crises cambiais ou de rápidas

reversões do deficit em TCs. Entre todos, há três que, na atualidade, parecem ser os mais

relevantes para condicionar o grau de vulnerabilidade externa do país.

1) Câmbio real − a tabela mostra que o câmbio real efetivo 13 manteve-se sobrevalorizado

por vários anos, ao menos quando comparado com o nível médio dos últimos vinte

anos. O uso de outras métricas pode indicar resultados um pouco diferentes, mas

não altera o diagnóstico de um câmbio persistentemente valorizado, ainda que

o nível de valorização tenha se reduzido em 2015. Na verdade, a desvalorização

ocorrida neste ano, no âmbito de uma recessão e de um processo de redução

do deficit em TCs, só reforça os achados da literatura empírica que sugerem

ser este indicador um dos que se mostram mais robustos e consistentes para

prever problemas de balanço de pagamentos. Na verdade, no caso brasileiro,

o câmbio real apresenta-se como importante fator de vulnerabilidade não

apenas em função de seu comportamento nos últimos anos, mas também pela

tendência histórica de o país alternar períodos de câmbio real muito valorizado

com períodos de forte subvalorização.

2) Grau de abertura da economia – o país apresenta um grau de abertura muito

baixo e sem tendência de aumento nos últimos anos. O salto observado entre

2014 e 2015 deve-se, mais uma vez, à redução do PIB em dólares e não ao

aumento dos fluxos de comércio. Com efeito, em um ranking de 122 países, o

Brasil ocupava a última posição em termos de grau de abertura da economia,

atrás, inclusive, de países latino-americanos como Argentina, Chile e Colômbia

(FGV, 2013). Além de estudos que sugerem uma relação positiva entre grau de

abertura e ritmo de crescimento econômico, um grau de abertura muito baixo

torna o país mais vulnerável porque, em vista de um determinado nível de deficit

em TCs como proporção do PIB, o país precisa fazer um esforço muito maior

em termos de aumento das exportações ou de redução das importações para

conseguir alcançar uma determinada meta de redução do deficit (conforme o

exemplo apresentado anteriormente nesta seção). Na prática, isso significa que

13. Taxa efetiva real de uma cesta de 24 moedas, utilizando-se o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) da FGV como

deflator. Informações coletadas no Ipeadata. Disponível em: .

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