Setembro/2016 - Referência Industrial 178

grupojota

Visitantes - Grupo Jota Comunicação

ENTREVISTA - Presidente do Sima, Irineu Munhoz, fala sobre os próximos desafios de Arapongas

I N D U S T R I A L

Voltando

a crescer

Polo moveleiro de Bento Gonçalves

busca soluções para retomar o mercado

Principal – Curso para marceneiros visa cada vez mais a atualização tecnológica dos profissionais


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

SUMÁRIO

SUMÁRIO

ANUNCIANTES DA EDIÇÃO

Arch Química/Lonza 67

34

Bruno Industrial 57

DRV Ferramentas 19

Engecass 21

Feicon 31

40

44

Fhaizer 25

Giacomelli 23

Gaidzinski 49

H. Bremer 15

Homag 07

Indumec 17

Manoel Marchetti 29

Mill Indústrias 68

Montana Química 02

MSM Química 13

Planeta Industrial 63

Rossin 53

Salvador 47

Siempelkamp 05

SKH 63

Vantec 11

Weinig 09

04 Editorial

06 Cartas

08 Bastidores

10 Coluna Flavio C. Geraldo

12 Notas

20 Aplicação

22 Alta e Baixa

24 Frases

26 Entrevista

32 Coluna Abimci Paulo Pupo

34 Principal O marceneiro se modernizou

40 Construção Civil

44 Especial De volta aos trilhos

50 Madeira Tratada

54 Química na Madeira

58 Artigo

64 Agenda

66 Espaço Aberto

SETEMBRO | 03


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

EDITORIAL

Ano XVIII - Edição n.º 178 - Setembro 2016

Year XVIII - Edition n.º 178 - September 2016

Nesta edição nosso destaque

é a passadeira de cola da Indumec

QUALIFICAR PARA

INOVAR

Abraham Lincoln foi um dos mais memoráveis estadistas

dos Estados Unidos da América, e também uma personalidade

histórica do século XIX. Ficou lembrado não por acaso:

liderou seu país durante a maior crise interna - a guerra civil

norte-americana – aboliu a escravidão e, não obstante, foi

responsável pela modernização da economia que permanece

até hoje como a maior do mundo.

São homens como Lincoln que moldam o futuro de

países, cidades e empresas. Esta edição de REFERÊNCIA

INDUSTRIAL faz paralelo à uma de suas frases mais lembradas:

“me dê seis horas para derrubar uma árvore, e passarei

quatro afiando o machado.” Aqui, falamos sobre as inovações

na marcenaria brasileira e como os principais cursos do país

se adaptaram às necessidades e exigências de um mercado

em constante evolução; em busca de reestabelecimento, o

polo moveleiro de Bento Gonçalves busca alternativas à crise;

mostrando que há mais caminho para a madeira do que mourões

e postes, estudantes de Santa Catarina criam um painel

de madeira laminada tão resistente quanto o concreto. Uma

excelente leitura para você!

QUALIFY TO INNOVATE

Abraham Lincoln is one of the most memorable statesmen

in the United States, and also an historical 19th century

personality. He was remembered not by chance: he led his

country during the biggest internal crisis – the American civil

war – abolished slavery, and through all this, was responsible

for the modernization of an economy, which remains today as

the largest in the world.

There are men like Lincoln that shape the future of countries,

cities and companies. This issue of REFERÊNCIA INDUSTRIAL

parallels one of his most remembered phrases: “give me six hours

to chop down a tree, and I will spend the first four sharpening

the axe”. In this issue, we talk about innovations in the Brazilian

woodworking trade and how the main qualification courses in

the Country have adapted to the needs and requirements of a

market in constant evolution; about how, in the search of re-

-establishment, the Bento Gonçalves furniture manufacturing

center seeks alternatives to the crisis; and show that wood fence

posts and poles is not the only road for wood, as students from

the State of Santa Catarina have created a laminated wood

panel, as strong as concrete. A great read for you!

EXPEDIENTE

JOTA COMUNICAÇÃO

Diretor Comercial / Commercial Director

Fábio Alexandre Machado

fabiomachado@revistareferencia.com.br

Diretor Executivo / Executive Director

Pedro Bartoski Jr

bartoski@revistareferencia.com.br

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joseane@jotacomunicacao.com.br

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Colunista / Columnist

Flavio C. Geraldo

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Fotógrafos: Mauricio de Paula

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fone: +55 (41) 3333-1023

Tradução / Translation

John Wood Moore

Depto. de Assinaturas / Subscription

Monica Kirchner - Coordenação

Alessandra Reich

assinatura@revistareferencia.com.br

A Revista REFERÊNCIA - é uma publicação mensal e independente, dirigida

aos produtores e consumidores de bens e serviços em madeira, instituições de

pesquisa, estudantes universitários, orgãos governamentais, ONG’s, entidades de

classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente ligados ao segmento madeireiro.

A Revista REFERÊNCIA do Setor Industrial Madeireiro não se responsabiliza por conceitos

emitidos em matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes

materiais de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação,

armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos textos, fotos e

outras criações intelectuais da Revista REFERÊNCIA são terminantemente proibidos

sem autorização escrita dos titulares dos direitos autorais, exceto para fins didáticos.

Revista REFERÊNCIA is a monthly and independent publication directed at the

producers and consumers of the good and services of the lumberz industry, research

institutions, university students, governmental agencies, NGO’s, class and other entities

directly and/or indirectly linked to the forest based segment. Revista REFERÊNCIA does

not hold itself responsible for the concepts contained in the material, articles or columns

signed by others. These are the exclusive responsibility of the authors, themselves. The

use, reproduction, appropriation and databank storage under any form or means of

the texts, photographs and other intellectual property in each publication of Revista

REFERÊNCIA is expressly prohibited without the written authorization of the holders

of the authorial rights.

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

CARTAS

Capa da Edição 177 da

Revista REFERÊNCIA INDUSTRIAL,

mês de agosto de 2016

Tecnologia

Benefícios

Por Marcos Tuleski - Araucária (PR)

Impressionante pensar que há 10 anos era impossível

imaginar uma autoclave controlada a quilômetros de

distância. A tecnologia da Fhaizer surpreende e serve de

referência, literalmente, para nós do meio.

Por Antônio Tomazzi -

Linhares (ES)

Construção civil com madeira

é o tipo de lobby

que só traz benefícios.

Vale a pena levantar essa

bandeira, assim como a

publicação vem fazendo

nas suas últimas edições.

Foto: divulgação

Expectativa

Por Túlio Bragança - Uruguaiana (RS)

Não pude comparecer à última edição da Formóbile, mas

pelo que li na REFERÊNCIA deu para ver que o setor está

novamente entrando nos trilhos. Espero um 2017 bem

melhor que este ano!

Foto: REFERÊNCIA Foto: REFERÊNCIA

Marcenaria

Por Túlio Bragança - Uruguaiana (RS)

Leio a REFERÊNCIA INDUSTRIAL e sempre acompanho

os assuntos relacionados à marcenaria. Parabéns pela

seleção de temas.

Leitor, participe de nossas pesquisas online respondendo os

e-mails enviados por nossa equipe de jornalismo.

As melhores respostas serão publicadas em CARTAS. Sua opinião

é fundamental para a Revista REFERÊNCIA INDUSTRIAL.

revistareferencia@revistareferencia.com.br

Foto: divulgação

06 |

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E-mails, críticas e sugestões podem ser

enviados para redação ou siga:


Abrindo a porta da sua imaginação.

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

BASTIDORES

Rafaela Laurentino, gerente

local da Wood-Mizer, e

Gerson Penkal,

departamento comercial

da JOTA EDITORA

Foto: REFERÊNCIA

SERRARIAS DE PRIMEIRA CLASSE

A REFERÊNCIA INDUSTRIAL esteve presente na sede da filial

brasileira da Wood-Mizer, em Ivoti (RS), para registrar as serrarias

de qualidade internacional da empresa.

Gerson Penkal,

departamento

comercial da JOTA

EDITORA, e Denerlei

Antonioli, marketing da

Guerra

Foto: REFERÊNCIA

PAZ NA ESTRADA

Visitamos a empresa Guerra,

em Caxias do Sul (RS).

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

COLUNA

Flavio C. Geraldo

Arch Proteção de Madeiras - Grupo Lonza

Contato: flavio.geraldo@lonza.com

Foto: divulgação

UÉ, CADÊ TODO MUNDO?

De 400 usinas convidadas para o aniversário de 47 anos da Abpm, estiveram representadas somente 13

A

Abpm (Associação Brasileira de Preservadores

de Madeira) completou 47 anos de existência

no último dia 25 de agosto. Não são muitas

as instituições representativas de setores da economia

que perduram por tanto tempo. Recentemente, na sua

Assembleia Geral Ordinária para a eleição e posse da

sua nova diretoria, realizada em 11 de agosto, a associação

inovou. Além de ter aberto o convite a todas as

usinas de tratamento de madeiras do país, temperou

a sua pauta com algumas apresentações voltadas ao

interesse direto dessas empresas. Uma apresentação

realizada pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas),

convidando a uma reflexão: afinal, qualidade é somente

custo adicional ou representa ganhos efetivos?

Além da apresentação do IPT, a Abpm atendeu a um

velho sonho de consumo dos seus associados e demais

empresas: por mais simples e desafiador que possa

parecer, o tema abordando análises de custos para formação

de preços da madeira tratada é pouco observado

por muitas empresas do nosso setor. Finalmente, foram

apresentados os resultados de uma pesquisa de opinião

conduzida junto a todas as usinas de tratamento de

madeiras do Brasil, objetivando uma análise crítica

a respeito da atuação da Abpm e quais as sugestões

de novos caminhos para que o setor possa entrar em

uma nova dimensão de negócios. O momento é mais

do que oportuno. Há claras indicações de que haverá

uma gradativa recuperação da economia, inclusive com

a retomada de investimentos em infraestrutura e programas

sociais, incluindo os setores elétrico, ferroviário

e habitacional. Para não falar do segmento da pecuária,

extremamente promissor se considerarmos os novos

acordos comerciais de exportação de carne bovina in

natura para os EUA (Estados Unidos da América), com

perspectivas de ampliações para o Canadá, México,

Coreia do Sul e Japão. Tal atividade econômica reflete

de forma direta e positiva no mercado de mourões de

eucalipto tratado.

De tudo o que foi colocado, os presentes foram

provocados com a seguinte reflexão: se considerarmos

os segmentos consumidores de madeira tratada – aqui

representados pelos mercados de postes, dormentes,

componentes da construção e madeiras para o uso

rural – como seria o setor de preservação de madeiras

no Brasil se a Abpm não existisse? A resposta fica com

cada um, valendo apenas o registro que, sem as normas

da Abnt (Associação Brasileira de Normas Técnicas),

muito provavelmente não haveria espaço para esses

mercados. Afinal, normas são direcionadores de qualquer

mercado consumidor e vale registrar que, sem

exceção, todas as normas técnicas relacionadas a produtos

de madeira tratada nasceram sob o teto da Abpm.

Muitas outras páginas seriam necessárias para algumas

outras considerações a respeito, valendo a menção ao

importante programa de autorregulamentação setorial

criado com base no binômio qualidade/legalidade, o

Qualitrat, através do qual uma empresa tratadora de

madeiras pode diferenciar-se com a obtenção de um

selo de qualidade. Aliás, o alcance dos objetivos de

exportações de carnes in natura para vários países de

maior grau de desenvolvimento só foi possível com as

comprovações de cumprimento de exigências constantes

para obtenção de selos de qualidade.

Das 400 usinas de tratamento convidadas insistentemente

para o evento, com convite de participação

gratuita às palestras do mais alto nível, estiveram representadas

somente 13 empresas. Uma participação

pequena, que a despeito das importantes contribuições

das empresas que estiveram presentes, o setor perde

mais uma oportunidade de poder ampliar ainda mais

as discussões setoriais, tão necessárias à saúde dos

negócios. Ué, que pena!

O setor perde mais uma oportunidade de poder ampliar

ainda mais as discussões setoriais, tão necessárias à saúde

dos negócios

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

NOTAS

Foto:divulgação

Mais alto edifício

híbrido de madeira

O arquiteto japonês Shigeru Ban, vencedor do Prêmio

Pritzker 2014, está projetando o edifício Terrace House em

Vancouver, Canadá. O empreendimento tem sido tratado pelos

desenvolvedores como a mais alta estrutura de madeira

híbrida do mundo, apesar do tamanho ainda não ter sido divulgado.

A primeira imagem conceitual deu a entender que

será uma torre revestida de vidro com telhado inclinado e, na

parte superior, uma estrutura plena de madeira, apoiada por

um núcleo de concreto e aço.

Shigeru Ban é conhecido por seus trabalhos anteriores

com produtos alternativos como papelão, plástico e entulho.

Ele utiliza esses materiais para fornecer abrigos de emergência

em lugares que passaram por grandes catástrofes naturais,

e o Terrace House deve ser sua primeira empreitada em

grande escala.

Parceria entre

Senai-PR e

Alemanha

Estudantes da Escola Técnica de Stuttgart, na Alemanha,

estiveram no Paraná em agosto para executar

e apresentar um protótipo mobiliário, desenvolvido em

conjunto com alunos e professores do Senai (Serviço

Nacional de Aprendizagem Industrial) no Paraná. Desde

1999, as duas instituições têm uma parceria para o Projeto

de Imóveis, no qual os estudantes precisam desenvolver

o protótipo conforme uma temática pré-selecionada.

Neste ano, o tema do projeto é Marcenaria Fina. Quatro

alunos do Senai participam, além de dois docentes e

um interlocutor. Da equipe alemã estiveram envolvidos

dois professores, três designers e dois técnicos. Esta edição

do evento acontece na unidade do Senai em São José

dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (PR).

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Famossul inaugura

unidade em Sergipe

Com origem na cidade de Piên (PR), a Famossul chegou ao município

de Estância (SE) em agosto. Essa é a primeira unidade industrial

da empresa fora do Paraná, com investimento de cerca de R$

12 milhões para a fabricação de portas e componentes de madeira,

gerando logo de início 60 novos postos de trabalho.

A previsão é de que mais 40 vagas sejam abertas até o final do

ano. Na nova planta, que soma 8 mil m² (metros quadrados) de área

construída, foram instalados equipamentos nacionais e importados

de alta tecnologia, todos visando o trabalho de qualidade e seguindo

os padrões de segurança do mercado.

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Foto: divulgação

REFERÊNCIA INDUSTRIAL

NOTAS

Encontro do

Congresso Moveleiro

Novo tipo de

chapa para

móveis

A Eucatex apresentou no segundo semestre

a sua nova chapa para fundos de móveis, a HPP

Eucatex BP. O lançamento é uma inovação voltada

para gavetas, tamburatos e revestimentos de

paredes. Pode ser também utilizado na fabricação

de móveis residenciais, comerciais e corporativos.

O substrato HPP é produzido com madeira

proveniente de florestas com certificado FSC (Forest

Stewardship Council), apresentando menor

absorção de umidade, mais estabilidade e maior

resistência na montagem e desmontagem, o que

permite performance de qualidade e fabricação

eficaz.

Uma das novidades da VII edição do Congresso Nacional

Moveleiro será o Encontro de Negócios promovido pela Fiep

(Federação das Indústrias do Estado do Paraná). O evento

acontece nos dias 14 e 15 de setembro, em Curitiba (PR). O

Congresso deste ano propõe repensar as formas das empresas

de atuar no mercado. O objetivo da atividade, inserida na

programação do evento principal, é agilizar o fechamento de

negócios com baixo custo para vendedores, que evitam gastos

elevados com viagens ao exterior. Participam empresas

de perfis variados, com grande participação de empresas iniciantes

no mercado, que pretendem dar os primeiros passos

no mercado global.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Incentivo à exportação

moveleira no Norte

O Ministério da Indústria e Comércio Exterior lançou em agosto

dois novos programas no Acre e Rondônia: o Pnce (Plano Nacional

da Cultura Exportadora) e o Brasil Mais Produtivo. “A indústria é um

dos principais motores do desenvolvimento e deve manter o seu

papel de protagonismo na recuperação do Brasil”, disse o ministro

Marcos Pereira, durante o lançamento dos programas.

O Pnce tem o objetivo de aumentar o número de empresas que

operam no comércio exterior e, consequentemente, aumentar as

exportações de produtos e serviços. Em Rondônia, a partir do critério

de priorização de impacto local, foram feitos estudos técnicos

que definiram duas aglomerações do setor moveleiro como focos

para as consultorias: o Arranjo Produtivo Local de Madeira e Móveis

de Ariquemes e o APL de Madeira e Móveis de Ji-Paraná.

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

NOTAS

Prospecção

africana

Em parceria com a Apex (Agências Brasileira de

Promoção de Exportações e Investimentos), o Sindmóveis

realizou uma missão prospectiva à África do

Sul, visando ampliar oportunidades no mercado de

exportações moveleiras. Vale ressaltar a importância

da visita: o país é o segundo maior valor em produção

do setor no continente, atrás apenas do Egito, com

geração de US$ 1,5 bilhão em 2015. A missão passou

por Johannesburgo, Cidade do Cabo e municípios da

região.

Foto: divulgação

Estudo inédito

de planejamento

madeireiro

As equipes do CAV (Centro de Ciências Agroveterinárias)

e o Sindimadeira (Sindicato das Indústrias de

Serrarias, Carpintarias e Tanoarias de Lages) realizarão

no segundo semestre um inventário inédito de todas as

florestas plantadas na Serra Catarinense. A Fiepe (Fundação

Instituto de Apoio ao Ensino Pesquisa e Extensão) e o

sindicato firmaram convênio de cooperação técnica com

o objetivo de apresentar um relatório sobre a área total de

florestas comerciais na região serrana, denominado como

Distribuição Espacial das Florestas Plantadas na Região

Serrana de Santa Catarina.

A ideia da Fiepe é acelerar o processo desse tipo de

pesquisa na região. Os professores Marcos Bendito Schimalski

e Veraldo Lisenberg foram designados para coordenar

o estudo.

Foto: divulgacão

Inmes lança

esquadrejadeira

Com design inovador e custo acessível, a esquadrejadeira FF-300

da Inmes chegou ao mercado no segundo semestre, permitindo mais

qualidade e produtividade aos usuários. A máquina tem um moderno

sistema de regulagem do riscador, com uma mesa móvel de 2800 mm

(milímetros) de comprimento e 360 mm de largura, toda em alumínio de

alta qualidade. É garantida a maior flexibilidade de corte, reto ou em ângulo, com alta produtividade e qualidade. A seccionadora

IM-2900 V45 também tem o corte mais rápido da categoria, com velocidade de 45 m/min (metros por minuto).

Foto: divulgacão

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

NOTAS

Foto:divulgação

Construção

sustentável

A WWF (World Wide Fund for Nature) Brasil lançou durante

o evento GBC (Greenbuilding Brasil Conferência) o primeiro

vídeo, de uma série de cinco produções, que irá abordar o

uso da madeira na construção civil. Com pouco mais de dois

minutos, a animação voltada ao público não especializado

enumera as razões pelas quais construir com madeira é mais

vantajoso para construtoras, incorporadoras e empreiteiras.

Vale lembrar que o setor é responsável por cerca de 47%

da emissão de gases de efeitos estufa do mundo, por isso

medidas para diminuir esse índice são urgentes. Os próximos

vídeos irão abordar questões como manutenção da madeira,

o que é manejo de florestas, viabilidade econômica e a possibilidade

do uso da madeira em grandes obras.

Especialização

gratuita em móveis

O Sebrae (SP) está com 240 vagas abertas para quem

quer se capacitar para trabalhar por conta própria no setor

de madeira e mobiliário. Os cursos de formação inicial

em estofador de móveis e pintor de móveis são gratuitos

e estão disponíveis em todo o Estado de São Paulo,

dentro do Super MEI (Microempreendedor Individual),

programa recém-lançado pelo Sebrae (SP) voltado à

qualificação do MEI.

Ao todo, são oferecidas 50 mil vagas em 164 cursos

de capacitação em 18 áreas de atuação como beleza,

alimentos e bebidas, automotivo e comércio varejista,

entre outros. As inscrições para o Super MEI podem ser

realizadas pelo site www.supermei.sebraesp.com.br.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Tutorial madeireiro

A indústria de móveis e materiais ganhou um novo

banco de dados importante: acesso a conhecimentos detalhados

sobre aplicações, serviços técnicos e inovações da

Henkel para colagem de madeira. As informações estão disponíveis

em dez idiomas, incluindo português, no site oficial

da empresa, que pode ser acessado tanto de computadores,

como tablets e smartphones.

O novo site de suporte técnico também inclui um recurso

chamado: Casa Interativa da Henkel; que é uma ilustração

demonstrando aplicações mais comuns. Além disso, o website

permite contatar diretamente o time de especialistas

em adesivos para discutir as aplicações mais específicas.

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

APLICAÇÃO

APARADORES

LUXUOSOS

Foto:divulgação

A

Doka Bath Works, empresa especializada

na comercialização de banheiras e acessórios

para banheiros, apresenta ao mercado

sua nova linha de aparadores Belle. Para proporcionar

uma decoração diferenciada para as salas

de banho, a marca aliou qualidade a um design requintado,

criado por designers especializados que

buscaram unir a beleza nas formas, curvas e cores

do estilo vitoriano em um único móvel. Como matéria-prima,

a madeira de reflorestamento e MDF

foram escolhidas, disponíveis em duas cores: o fosco

preto e branco.

PENTEADEIRA

DE MDF

A

Meu Móvel de Madeira,

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em mobiliário

e itens decorativos assinados e

com produção 100% nacional,

apresenta a Penteadeira de parede

Camarim, que atende à

demanda dos clientes da marca

ao se inspirar nos espaços de

maquiagem das celebridades.

Assinada pelo estúdio de criação

MMM Design, a penteadeira

é fixada na parede, o que economiza

espaço e auxilia na organização

das maquiagens, sem

comprometer a funcionalidade e ergonomia dos ambientes.

A peça é produzida em MDF e madeira de pinus com acabamento branco giz.

Foto: divulgação

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

ALTA E BAIXA

ALTA

PRIMEIRO SUPERÁVIT DO SETOR

MOVELEIRO EM 2016

As vendas no comércio varejista de móveis aumentaram 7,7% em volume de peças e 7,6% nas

receitas no mês de maio, feito inédito este ano e que reafirma os sinais de reaquecimento da

indústria. Em relação à balança comercial da indústria de móveis, as exportações brasileiras

foram de US$ 284 milhões no primeiro semestre de 2016. Já as importações somaram US$ 278,6

milhões no semestre. Com estes resultados a balança comercial do setor moveleiro registrou

superávit de US$ 5,4 millhões no ano de 2016, até este período.

VENDAS DA INDÚSTRIA CRESCEM 2%

O faturamento industrial voltou a crescer em junho, depois de três meses de queda. Na comparação com maio deste

ano, as fábricas brasileiras aumentaram sua produção em 2%, em dados divulgados pela CNI (Confederação Nacional da

Indústria). "Mesmo sem indicar reversão do ciclo recessivo, os dados mais diretamente ligados à produção registraram

crescimento na comparação com o mês anterior nas séries dessazonalizadas", avaliou a CNI.

POLO MOVELEIRO DE BH LIQUIDA ESTOQUES

Mais de 200 lojas do polo moveleiro da Avenida Silviano Brandão, no Bairro da Floresta, em Belo Horizonte, estão realizando

um megaliquidação com descontos de até 50% dos preços em toda a linha de móveis e complementos, com a

finalidade de manter a saúde financeira dos negócios. A ideia é aumentar o faturamento em mais de 70%, uma vez que

a queda nas vendas do comércio ao longo da avenida está estimada em 40% para este ano.

BAIXA

GRUPO ROMERA DEMITE 500

FUNCIONÁRIOS

A presidente do grupo Romera de Arapongas (PR), Anunciata Luiza Menegon Romera lamentou

o corte de mais de 500 colaboradores, ocorrido no mês passado. Segundo ela, esse é o primeiro

corte significativo da história da empresa, especialista na produção de móveis, e foi necessário

para salvar outros 3 mil empregos, em jogo devido à recessão econômica.

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

FRASES

Nos últimos dois anos, a indústria perdeu

quase um milhão de vagas no mercado de

trabalho. Nesse cenário que a economia

começa a dar sinais de recuperação, o

comércio exterior é o refúgio

Foto: Agência Brasil

Marcos Pereira, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio,

falando sobre a inauguração de dois programas de incentivo à

exportação moveleira no Acre e Rondônia

Infelizmente, a crise está aí e todos nós sabemos. Como

consequência, tivemos que dispensar 500 colaboradores para

salvar o emprego de 3 mil

Tatá Romera, presidente do Grupo Romera, do polo moveleiro de Arapongas (PR), sobre o corte de

funcionários ocorrido em agosto

O setor ficou muito viciado e acostumado aos grandes

empreendimentos. Ainda que tenha dado sinais de esgotamento, a

administração pública não foi ativa para apoiar a micro e pequena

empresa, apostando apenas nas grandes. Isso é fruto da falta de

políticas de desenvolvimento

Arlindo Villaschi Filho, economista e professor da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo), sobre o

Espírito Santo ter a maior queda na produção industrial entre os 15 maiores Estados do Brasil

Não podemos perder de vista que o

nosso setor é considerado como segmento

estratégico, pelo seu papel no processo

de expansão e modernização de todos os

segmentos produtivos da economia

Foto: divulgação

João Carlos Marchesan, presidente da Abimaq (Associação

Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), em

comunicado oficial

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

ENTREVISTA

IRINEU

MUNHOZ

FORMAÇÃO PROFISSIONAL

EDUCATION:

Bacharel em Agronomia pela Escola Superior de Agronomia

de Paraguaçu Paulista

Agronomy, Superior School of Agronomy Paraguaçu Paulista

Foto: divulgação

CARGO

PROFESSION:

Presidente do Sima (Sindicato das Indústrias de Móveis de

Arapongas) e diretor da Caemmun Movelaria

President of Arapongas Class Association of Furniture

Manufacturers (Sima) and Director of Caemmun Movelaria

Prova de fogo

Fire proof

S

er diretor de um sindicato moveleiro em tempos

de crise é tarefa difícil, maior ainda se se tratar do

segundo maior polo do Brasil. Para o presidente

do Sima (Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas),

Irineu Munhoz, apesar dos números negativos – foram mais

de 2 mil demissões desde 2015 – a expectativa é que 2016

seja um ano em que a estabilidade seja retomada, para no

ano seguinte haver crescimento nas vendas. Leia a seguir

a entrevista e saiba os projetos do Sima para o segundo

semestre.

B

eing a Director of a furniture class association in

times of crisis is difficult, even if it is the second largest

furniture manufacturing center in Brazil. For

Irineu Munhoz, President of the Arapongas Class Association

of Furniture Manufacturers (Sima), despite the negative

numbers – more than 2000 layoffs since 2015 – the expectations

for 2016 is for a year when stability will be resumed,

leading next year to be one of growth in sales. Read the interview

below and find out a little about the Sima projects for

the second half.

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O ano de 2015 foi o primeiro, desde 2000, em que o

faturamento do Sima diminuiu em relação ao período

anterior. O que esperar deste ano?

Temos expectativas de finalizar o ano com certa estabilidade

em relação a 2015, pois já sentimos alguns sinais

de melhora na confiança dos clientes para os próximos

meses. Acreditamos que o pior momento da crise já passou.

O polo moveleiro de Arapongas é o segundo maior

do país. Qual o significado de um local tão influente para

a economia moveleira ter perdido quatro indústrias no

último semestre, e três terem entrado em recuperação

judicial?

A crise econômica é geral e está influenciando os negócios

em todas as regiões e segmentos, em alguns segmentos

com maior ou menor intensidade. É absolutamente

normal que algumas empresas enfrentem dificuldades,

esteja onde estiver. Esse evento não é privilégio do polo

de Arapongas: ele é nacional. O mais importante é saber

que todas as empresas do nosso polo moveleiro não têm

medido esforços para atravessar essa turbulência e, acredito,

vamos retomar em breve o caminho do crescimento.

Arapongas é responsável pela geração de mais de

10 mil empregos diretos dentro do setor. O que pode

ser feito para impedir o fechamento de mais postos de

trabalho, em curto prazo?

O que se pode fazer é o que tem sido feito pelas empresas

do polo, ou seja: a adequação do volume de produção

em relação aos novos patamares de venda, a redução de

custos de toda natureza e a busca por novos mercados.

Polos como os de Belo Horizonte (MG) e Bento

Gonçalves (RS) têm tentado reanimar o mercado com

liquidações de imóveis, muitas vezes com até 50% de

desconto. Arapongas pretende seguir esse caminho?

É natural que em momentos de crise surjam muitas

promoções, para incentivar a compra pelos lojistas. Estamos

mais focados na redução de custos, na adequação

do volume de produção e na abertura de novos mercados.

Nossas empresas são enxutas e estão trabalhando com

margens achatadas devido às atuais circunstâncias. Além

disso, vivemos um momento em que os custos estão aumentando,

achatando ainda mais as margens. O que não

condiz com descontos, pois na realidade as empresas estão

com necessidade de aumentar os preços para recompor

suas margens a níveis saudáveis.

Só em 2015, Arapongas perdeu 20% da sua mão

de obra moveleira, cerca de 1.900 trabalhadores. Em

uma cidade deste tamanho, isto acaba afetando outros

setores da economia, como mercados, shoppings e

farmácias. Acredita que deveria haver uma cooperação

da prefeitura do município e, quem sabe, até mesmo do

Estado na recuperação do polo?

Toda ajuda é importante neste momento de desafios

que estamos enfrentando. Mas temos que lembrar que

2015 was the first year since 2000, when Sima sales

revenue declined when compared to the previous period.

What is expected for this year?

We have expectations to end the year with a certain stability

in relation to 2015, because we feel that there some

signs of improvement in consumer confidence over the next

few months. We believe that the worst moment of the crisis

has passed.

The Arapongas furniture manufacturing center is the

second largest in the Country. What is the significance of

such an influential center to the furniture economy having

lost four producers in the last six months, with three

having declared bankruptcy?

The economic crisis is overall and is influencing business

in all regions and segments, in some segments with greater

or lesser intensity. It is absolutely normal that some companies

face difficulties, wherever they are. This has not happened

just in Arapongas: it is national. The most important

thing is that all the companies of our furniture producing center

have not economized their efforts on getting through this

turbulence, an, I believe, we will soon resume on the path of

growth.

Nossas empresas

são enxutas e estão

trabalhando com

margens achatadas

devido às atuais

circunstâncias.

Além disso, vivemos

um momento em

que os custos

estão aumentando,

achatando ainda mais

as margens

SETEMBRO | 27


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

ENTREVISTA

os resultados de algumas ações de apoio público só são

sentidos em médio prazo. As empresas estão juntando

seus esforços fazendo o dever de casa, para não depender

somente dessa ajuda e alcançar resultados mais rápidos.

Quais as expectativas em relação ao Congresso

Moveleiro? Acredita que o segundo semestre é uma

oportunidade de gerar mais negócios que o primeiro?

O Congresso Moveleiro, em sua 7ª edição, já é certamente

um dos principais eventos do ano para o segmento,

sempre abordando assuntos e discussões atuais para a

realidade dos negócios. Nesta edição trará eventos importantes

para a cadeia moveleira, como um todo. O segundo

semestre do ano costuma ser melhor que o primeiro,

principalmente devido ao calendário de campanhas do

varejo como black friday, Natal, pagamento do 13º salário.

Acreditamos, sim, em uma melhora substancial.

Como o Sima tem visto as feiras que ocorreram

este ano, como a Formóbile, que reduziu seu tamanho,

porém o consenso geral foi de um certo otimismo para

os próximos meses?

O segmento de feiras, como todos os outros, sentiu

o impacto da crise. Mesmo com formato um pouco mais

reduzido, as feiras de móveis e as de fornecedores têm trazido

bons resultados e expectativas positivas ao mercado.

Dentro de um contexto de recessão acentuada,

muito se fala em corte de gastos. Em vez de demitir

funcionários, o que pode ser feito dentro das empresas

para evitar um quadro maior de desemprego na cidade?

Desde o ano passado, as empresas do polo fizeram

um grande esforço na redução de seus custos e despesas,

Já sentimos alguns

sinais de melhora na

confiança dos clientes

para os próximos

meses, acreditamos que

o pior momento da crise

já passou

Arapongas is responsible for generating more than 10

thousand direct jobs within the Sector. What can be done

to prevent the laying off of more jobs in the short term?

All that can be done is to continue what is being done by

the companies in the manufacturing center, i.e.: set production

volume levels in relation to the new sales volume levels,

reduce all costs wherever possible, and search out new markets.

Manufacturing centers such as those in Belo Horizonte

(MG) and Bento Gonçalves (RS) have been trying to

survive the market downturn with the sale of furniture

items, often at a discount of up to 50%. Do Arapongas

producers intend to follow this path?

It is natural that in times of crisis many promotions arise

to encourage buying by retailers. We're more focused on

cost reduction, setting appropriate production levels and the

opening up of new markets. Our companies are lean and are

working with lower margins due to current circumstances. In

addition, we live at a time when costs are rising, decreasing

margins even more. Discounts are not in the wind; in fact,

businesses need to raise prices to recover their margins and

return them to healthier levels.

Just in 2015, Arapongas laid off 20% of its furniture

making workforce, about 1,900 workers. In a Municipality

of this size, this ends up affecting other sectors of

the economy, such as super markets, shopping malls and

pharmacies. Do you believe that the Municipality or, who

knows, even the State should cooperate in the recovery of

the manufacturing center?

All help is important in this time of the challenges that

we are facing. But we have to remember that the results of

any public support action are felt only over the medium term.

Companies are coming together in their efforts doing their

homework, and do not depend on only the above type of help

to achieve faster results.

What are the expectations in relation to the National

Furniture Manufacturers Congress (Congresso Nacional

Moveleiro)? Do you believe that the second half of the

year is an opportunity to generate more business than in

the first?

The National Furniture Manufacturers Congress is in its

7th year, and is certainly one of the main events of the year

for the segment, always focusing on current issues and discussion

of the reality of the business. This year the Congress

will have important events for the furniture chain as a whole.

The second half of the year tends to be better than the first,

mainly due to the timing of retail campaigns (Black Friday,

Christmas, and 13th month salary). Yes, we believe that there

will be a substantial improvement.

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

ENTREVISTA

incluindo a redução do quadro de pessoal. A adequação do

volume de produção à demanda é um dos principais pontos

trabalhados em 2016, otimizando os custos dos estoques.

E todas as empresas estão buscando novos mercados, seja

interno ou com foco na exportação.

A falta de incentivos fiscais e a alta carga tributária

são a reclamação da maioria das empresas que passam

por dificuldades no atual momento. Com o governo

atual cortando gastos onde pode, acredita que o setor

industrial será olhado com bons olhos em 2017?

Não há como retomar o crescimento do país sem estimular

a produção industrial e o consumo, nos próximos

anos. Mesmo assim, somos um dos países com a maior

carga tributária do mundo e sofremos constantes ameaças

de novos tributos ou a majoração dos existentes. O

setor industrial, na maior parte das vezes, é quem paga

a conta da ineficiência pública. Precisamos de um plano

de crescimento para os próximos anos, que seja levado a

sério e respeitado.

Quais as ações do polo de Arapongas para ficar por

dentro das tendências mundiais? Existe algum tipo de

excursão de profissionais para feiras internacionais?

Hoje em dia, as tendências e novas tecnologias chegam

muito rápido ao mercado brasileiro. Por isso, as feiras nacionais

têm sido uma fonte importante de conhecimento

e atualização para as empresas. Mesmo assim, o Sima

também estimula a participação das empresas em feiras

internacionais, orientando os seus associados que desejam

participar desses eventos, e também promovendo

caravanas.

Não há como

retomar o

crescimento do país

sem estimular a

produção industrial

e o consumo nos

próximos anos

How does Sima see the trade fairs that occurred this

year, such as Formóbile, which was reduced in size, but

the general consensus was of a certain optimism for the

coming months?

The trade fair segment, like all others, has felt the impact

of the crisis. Even in a bit smaller format, furniture and supplier

trade fairs have seen good results with positive expectations

for the market.

Within the context of a sharp recession, much is said

about cutting costs. Rather than lay off employees, what

can be done within companies to avoid a larger unemployment

picture in the Municipality?

Starting last year, companies in the manufacturing center

have made a great effort to reduce their costs and expenses,

including payroll reductions. Setting appropriate production

volume levels as to demand is one of the main points in

2016, leading to optimized inventory costs. And every company

is seeking out new markets, whether domestic or with

a focus on exporting.

The lack of tax incentives and the high tax burden are

the complaint of most companies that are going through

difficulties at the current time. With the current Government

cutting spending where they can, do you believe

that the Industrial Sector will be looked at favorably in

2017?

No, there's no way for the Country to return to economic

growth without stimulating industrial production and consumption

in the coming years. Still, we are one of the countries

with the highest tax burden in the world and suffer the

constant threat of new taxes or increases in existing ones.

The Industrial Sector, for the most part, is who is paying for

public inefficiency. We need a growth plan for the next few

years that is taken seriously and respected.

What actions are being taken by the Arapongas manufacturing

center to stay on top of world trends? Are you

organizing some sort of trade missions to attend international

fairs?

Nowadays, the trends and new technologies arrive very

quickly in Brazil. Therefore, national fairs have been an important

source of knowledge and updating for businesses.

Even so, Sima also stimulates the participation of companies

in international fairs, helping its members wishing to attend

these events, and also promoting trade missions.

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

COLUNA ABIMCI

Paulo Pupo

Superintendente da Associação Brasileira da Indústria de

Madeira Processada Mecanicamente

Contato: abimci@abimci.com.br

Foto: divulgação

MADEIRA: A NOVA PROTAGONISTA DA CONSTRUÇÃO

O setor precisa fazer parte das soluções práticas que o país busca para o déficit habitacional

A

indústria da madeira processada tem pela frente

uma das oportunidades mais contundentes

para transformar a maneira como se consome

essa matéria-prima no mercado interno e o consequente

e necessário aumento do consumo per capita no país.

Estamos diante de uma nova oportunidade real, que

caminha a passos largos na indústria da construção civil:

o uso da madeira como fonte primordial no sistema

wood frame.

São muitas as frentes de trabalho, entidades, empresas

e instituições engajadas nesse importante movimento

de transformar a forma como se constrói no Brasil.

Inovar os modelos tradicionais utilizados na construção

civil no Brasil para um método industrializado, consolidado

nos principais países de primeiro mundo, promete ser

um divisor de águas no que diz respeito à qualidade das

habitações, ao conforto térmico e acústico, à sustentabilidade

com menor geração de resíduos e utilização de

um material proveniente de uma fonte renovável. Mas

o que deve estar no radar dos industriais madeireiros é o

potencial de mercado que essa oportunidade pode gerar.

Com um déficit habitacional que ultrapassa os 5,7

milhões de residências, segundo dados do Ibge (Instituto

Brasileiro de Geografia e Estatística), o país precisa, além

de vontade política, de soluções práticas. Soluções, essas,

que certamente partirão da iniciativa privada e das quais

o setor de madeira precisa fazer parte.

A Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira

Processada Mecanicamente), por exemplo, está

atenta a tudo isso e fazendo a sua parte. A entidade tem

atuado fortemente com ações institucionais, de promoção

comercial e técnicas. São muitos os momentos nos

quais podemos participar de eventos levando os dados

do setor, apresentando as vantagens competitivas dos

produtos brasileiros, as conquistas alcançadas pelas empresas

por meio da melhoria da qualidade e do trabalho

do Pnqm (Programa Nacional de Qualidade da Madeira),

além de todo o debate e da atuação da entidade para

o desenvolvimento e atualização das normas técnicas.

Um dos destaques recentes está no trabalho que vem

sendo realizado na coordenação do Grupo de Trabalho

da Comissão de Estudos da Abnt (Associação Brasileira

de Normas Técnicas) para a construção da norma do

wood frame.

Todo esse envolvimento árduo, que exige articulação

política e institucional, presença em encontros e reuniões,

atualização técnica, desenvolvimento de conteúdos

e monitoramento das principais discussões nacionais,

tem alguns objetivos: defender os interesses dos associados

e, acima de tudo, garantir a sustentabilidade

dos negócios das empresas. Um setor que tem a chance

de se reinventar e oferecer soluções mais inovadoras e

adequadas aos novos tempos precisa estar unido e se

preparar para todo esse movimento de transformação.

Em recente evento no Paraná, presenciamos in loco

a construção do primeiro edifício em madeira no Brasil,

no sistema wood frame, com três pavimentos, em apenas

poucos dias de trabalho no canteiro de obras. E isso não

é simples de ser conseguido!

São ações focadas dentro do conceito de construção

industrializada, com boa escala, com tecnologia avançada

e produtos certificados, dando as garantias que o

mercado exige, que o déficit habitacional do Brasil será

minimizado. E os produtos de madeira certamente serão

os protagonistas deste futuro, que já está bem mais perto

do que muitos imaginam.

Os produtos de madeira certamente serão os

protagonistas deste futuro, que já está bem mais perto do

que muitos imaginam

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

PRINCIPAL

O MARCENEIRO SE

MODERNIZOU

CURSOS DE MARCENARIA

SE REINVENTAM PARA

ATENDER ÀS DEMANDAS

DE UM MERCADO

CONSUMIDOR CADA VEZ

MAIS ECLÉTICO; SAIBA

O QUE AS PRINCIPAIS

ESCOLAS DO SETOR

OFERECEM NOS DIAS

ATUAIS

Fotos: REFERÊNCIA

Foto: Valterci Santos

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WOODWORKING MODERNIZES

TWOODWORKING COURSES ARE BEING

REMODELED TO MEET THE DEMANDS OF AN

INCREASINGLY ECLECTIC CONSUMER MARKET;

LEARN WHAT THE MAJOR SECTOR SCHOOLS

OFFER IN THE PRESENT DAY

SETEMBRO | 35


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

PRINCIPAL

Riverson Tobias, do Senai-PR,

trabalha de acordo com as

demandas industriais. “As

necessidades da indústria

são um reflexo daquilo que o

consumidor quer”

seguro dizer que há pelo menos três mil anos existe

uma cultura de respeito às técnicas da marcenaria,

É

uma das profissões mais antigas da história e que,

impressionantemente, atravessou todo esse período sem

nenhum momento em que não fosse crucial para o desenvolvimento

da sociedade. Mais do que isso, jamais permaneceu

estagnada e continua a evoluir no Brasil, de acordo com as

necessidades de um mercado cada vez mais eclético. Por isso

os meios para a especialização desses profissionais estão

aumentando, são cursos, escolas e até aulas particulares,

todos embasadas em tendências de mercado e na marcenaria

contemporânea.

Um dos primeiros filósofos da antiguidade, o chinês

Mozi acreditava que o trabalho feito à mão criava disciplina

tamanha que os homens que dispusessem dessa habilidade

seriam os mais aptos a assumir cargos de chefes de Estado,

justamente por seu esmero no ofício. Tal ideia ainda permanece

em ações realizadas por indústrias e polos moveleiros

do Brasil, que em muitos casos fazem parcerias com escolas

para produzir marceneiros aptos a atender suas demandas.

Anteriormente vistos como de segunda mão, os cursos

técnicos ganharam mais espaço nos últimos anos e hoje

são vistos de tanta importância para o mercado de trabalho

quanto uma graduação. Em nossa reportagem, trazemos

a visão dos coordenadores de alguns dos principais cursos

da região sul e sudeste do país, com suas previsões para o

mercado marceneiro.

t is safe to say that for at least three thousand years

there has been a culture of respecting woodworking

I

techniques, one of the oldest professions in history and

that, amazingly, went through all this period when at no time

it was not crucial to the development of society. More than

that, in Brazil, it has never remained static and continues

to evolve according to the needs of an increasingly eclectic

market. Thus ways for specialization of these professionals

are increasing; there are courses, schools and even private

lessons, all based on market trends and contemporary

woodworking.

One of the first philosophers from antiquity, the Chinese

philosopher Mozi believed that work done by hand creates

discipline, such that men who have that ability would be the

most apt to assume positions of Head of State due to their attention

to their craft. This idea still remains behind the actions

being carried out in Brazil's furniture industry and manufacturing

centers, which in many cases have created partnerships

with schools to produce woodworkers and furniture makers

qualified to meet their demands. Previously seen as “second

hand”, these technical courses have gained more space in

recent years, and today, are even being seen as important for

the labor market as well as producing graduates In our story,

we show the vision of the coordinators of several of the major

courses in the South and Southeast of the Country, with their

predictions for the furniture making market.

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TENDÊNCIAS NAS ESCOLAS DE MARCENARIA

Influente entre os designers e marceneiros paulistanos, a

escola OficinaLab surgiu na Barra Funda como resultado da

antiga escola LabMob.

O espaço se estruturou no sentido de ensinar arquitetos

e designers da cidade a projetar e produzir o próprio móvel,

além de entender o processo de produção do mobiliário.

“Hoje o mercado de produção de mobiliário se especializou

na produção seriada e móveis de MDF. O preço deste tipo

de produção acabou por utilizar uma mão de obra menos

qualificada, preços baixos e baixa qualidade de mobiliário

ou produção autoral de qualidade e preço proibitivo”, conta

Alex Uzueli, proprietário da escola, que acredita que as novas

tendências surgiram justamente deste contexto. “Acredito

que nossa demanda nasce exatamente deste processo estar

sendo questionado. Percebemos que há espaço para inovação,

mas um primeiro passo seria ter no Brasil o que já existe fora,

já que tanto materiais quanto ferramentas de alta qualidade

são escassos por aqui.”

A OficinaLab foca seus processos de formação de marceneiros

que tenham domínios no uso de máquinas CNC (comando

numérico computadorizado), impressão 3D e corte a

laser. Também busca criar uma cultura de maior conhecimento

de materiais e processos da marcenaria, de forma que haja

uso mais racional e ao mesmo tempo amplo de madeiras de

reflorestamento ou manejo de áreas nativas. “Temos diversos

cursos, mas o que mais atrai público é o curso de projeto

e construção”, conta Alex. “Este curso tem foco em design

associado ao aprendizado de boa técnica de marcenaria.

Há diversos outros cursos, como workshop de técnicas para

construção de pequenos barcos, poltrona, bancos, mesas,

horta residencial, entalhe e móveis de designers clássicos,

entre outros. Porém, um bom marceneiro não se faz apenas

TRENDS IN FURNITURE MAKING SCHOOLS

Influential amongst furniture designers and makers

from the State of São Paulo, OficinaLab, a school established

in Barra Funda, emerged as a result of the old LabMob

School. The space is structured in order to teach architects

and designers from the area to design and manufacture the

furniture itself, as well as to understand the furniture production

process. “Today, the furniture manufacturing market

specializes in prebuilt and MDF furniture, where the price of

this type of production is more accessible by using less-skilled

manpower and due to low furniture quality, or in authorial

quality production with its exorbitantly high prices,” says Alex

Uzueli, Owner of the School, who believes that our demand

has emerged due to this trend. “I believe that our demand

was born exactly because this process is being questioned.

We realize that there is room for innovation, but a first step

would be to have in Brazil what already exists abroad, in

both high quality materials and tools, which are scarce here.”

OficinaLab focuses on the furniture maker training process

for using Computer Numerical Control (CNC), 3D printing

and laser cutting. It also seeks to create a culture of better

knowledge of woodworking materials and processes, so that

there is a more rational and, at the same time, a broader use

of wood from replanted forests or from the management

of native forest areas. “We have several courses, but that

which attracts the largest public is the course of design and

construction,” says School Owner Alex. “This course has a

focus on design associated with the learning of good woodworking

techniques. There are several other courses, such

as a technical workshop for the construction of small boats,

chairs, benches, tables, residential gardens, wood sculpting,

and classic designer furniture, amongst others. However, a

good furniture maker is not made only with the proper use of

A OficinaLab foca seus

processos de formação de

marceneiros que tenham

domínios no uso de

máquinas CNC (comando

numérico computadorizado),

impressão 3D e corte à laser

SETEMBRO | 37


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

PRINCIPAL

com bom uso das máquinas e entendimento dos processos,

mas sim com muita prática.”

Coordenador da Marcenaria do Senai-PR (Serviço Nacional

de Aprendizagem Industrial), Riverson Tobias trabalha

de acordo com as demandas industriais, ao contrário da

OficinaLab. “Nós desenvolvemos os nossos cursos de acordo

com as necessidades, e as da indústria são um reflexo daquilo

que o consumidor quer. Algum tempo atrás, nós estávamos

dizendo o seguinte: há uma grande necessidade por móveis

multifuncionais. São móveis como o sofá que vira cama, o

armário tem partes embutidas por fora que aumentam ou a

mesa que aumenta. Atualmente, uma das grandes necessidades

que estamos vendo é a questão da marcenaria fina, que

está tendo demanda maior. É um móvel pequeno, feito à mão,

artesanalmente, com alguns conceitos da marcenaria clássica”,

relata Riverson, que aposta em um aumento da procura

por móveis rústicos, devido à beleza decorativa.

O Senai (PR) busca se manter atualizado nas disciplinas

do curso, adaptando anualmente as tarefas. “Hoje, nós temos

os cursos de gestão na área moveleira, qualificação em

marcenaria, marcenaria fina e acabamento em superfície de

madeira”, explica ele, que ressalta o diferencial do curso ser

the machines and a good understanding of the processes, but

also with a lot of practice.”

Riverson Tobias, Coordinator of Woodworking for the

National Service of Industrial Learning for the State of Paraná

(Senai-PR), works according to industrial demands, unlike

OficinaLab. “We have developed our courses according to

needs, and those of the industry that are a reflection of what

the consumer wants. Some time ago, we used to say the

following: there is a large need for multifunctional furniture.

There is furniture such as the sofa that turns into a bed, or a

closet with embedded parts on the outside that for example

can fold down, or tables that can be extended. Currently, one

of the biggest needs that we see is the issue of good quality

furniture making, which is becoming more in demand. It could

be in a small piece of furniture, handcrafted, handmade, with

several concepts of classical furniture making,” says Senai-PR

Coordinator Riverson, who bets on an increase in demand for

rustic furniture, due to its decorative beauty.

Senai-PR seeks to keep up-to-date as to course disciplines,

adapting tasks annually. “Today, we have management

courses in the furniture area, woodworking qualification, fine

furniture making and wood surface finish,” explains Senai-PR

Coordinator Riverson, who emphasizes that the difference of

the course is that it is directly related to the industry, genera-

Alunos do Senai (PR), durante aulas do curso de marcenaria

de São José dos Pinhais (PR)

“A GRANDE TENDÊNCIA QUE

OBSERVAMOS AQUI, NOS ÚLTIMOS

ANOS, É A AUTOMATIZAÇÃO. OS

CURSOS TÉCNICOS DAQUI TÊM TRAZIDO

UM OLHAR DIFERENCIADO, FAZENDO

COM QUE A ÁREA TENHA RESULTADOS

MAIS ASSERTIVOS E DE ACORDO COM A

TENDÊNCIA DO MERCADO”

RAFAEL MANTOVANI CARDOSO, DO SENAI (MG)

A indústria de Ubá (MG) tem utilizado em seu parque industrial seccionadoras

convencionais e CNC, esquadra bordas, filetadeiras, lixadeiras banda larga e

de perfil e furadores convencionais, entre outros

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diretamente associado às indústrias, gerando empregos na

maioria dos casos para os formados. “Vemos que a marcenaria

está ganhando alguns rumos. Se for considerar a redução de

preço, o investimento futuro será em coladeiras de borda e

furadeiras múltiplas. Agora, se for pensar em móvel com alto

valor agregado, em que você vai ter peças exclusivas, aí nós

voltamos para esquadrejadeiras e ferramentas manuais.”

Um dos polos moveleiros mais importantes do país, o

município de Ubá tem, na maioria, marceneiros formados

pelo Senai (MG). Responsável pelo curso na cidade, Rafael

Mantovani Cardoso conta que o curso marceneiro é adaptado

à realidade industrial da cidade, que é o trabalho com chapas.

“Há um relacionamento estreito com o Intersind (Sindicato

Intermunicipal das Indústrias do Mobiliário de Ubá) e também

diretamente com as indústrias, onde buscamos sempre direcionar

nossas práticas à realidade das industrias do nosso polo

moveleiro”, conta ele, que afirma que o mercado busca cada

vez mais profissionais capacitados, devido à alta na busca por

móveis rústicos. “Os produtos deste tipo são mais originais,

pois utilizam madeira maciça em sua maioria, dependendo

de profissionais especializados na marcenaria tradicional.”

Em Ubá, são oferecidos cinco tipos de cursos para profissionalizar

o setor: aprendizagem em marceneiro, qualificação

em marceneiro e montador de móveis, técnico em móveis e

design de móveis. “A grande tendência que observamos aqui,

nos últimos anos, é a automatização. A indústria tem utilizado

em seu parque industrial seccionadoras convencionais e

CNC, esquadra bordas, filetadeiras, lixadeiras banda larga

e de perfil e furadores convencionais, entre outros”, conta

Rafael. “Além do polo ter um histórico de trabalho empírico,

os cursos técnicos daqui têm trazido um olhar diferenciado,

fazendo com que a área tenha resultados mais assertivos e

de acordo com a tendência do mercado.”

ting jobs in most cases for the graduates. “We see that woodworking

is expanding as a work area. If you are considering

price reduction, future investments will be in edge gluers and

multiple drills. Now, if you're thinking about high added value

furniture, where there are one-off pieces, then we go back to

the sliding table saw and hand tools.”

In one of the Country's most important furniture manufacturing

centers, the Municipality of Ubá, most furniture

makers are trained by Senai-MG. Rafael Mantovani Cardoso,

responsible for the course in the Municipality, says that the

woodworking course is adapted to the Municipality’s industrial

reality, which is working with panels. “There is a close

relationship with the Ubá Intermunicipal Class Association

of Furniture Manufacturers (Intersind) and also directly with

companies, where we always seek to direct our practices to

the reality of our furniture manuacturers,” says Rafael Mantovani,

who claims that the market is increasingly looking for

qualified professionals, due to the higher demand for rustic

furniture. “This type of product is more original, because it is

manufactured from solid wood for the most part, and depends

on traditional specialized furniture making professionals.”

In Ubá, five types of courses are offered to professionalize

in the sector: learning woodworking, furniture making and furniture

assembly qualification, technician in furniture making,

and furniture design. “In recent years, the major trend that

we observe here is to automation. The industry used to use

conventional tools such as overhead panel saws and CNC’s,

edgers, hand files, broadband and profile sanders, and drilling

machines, amongst others, in their industrial parks,” says

Rafael. “In addition the manufacturing center has a history

of empirical work, the technical courses here have created a

distinctive look, so that the area has more assertive results

and in accord with market trends.”

MARCENARIA COMO HOBBY

Não só a indústria tem buscado mudanças nos cursos

ofertados aos marceneiros, mas os próprios consumidores se

tornaram uma parcela significativa dos aprendizes no ofício. A

Confraria da Madeira, surgida em Porto Alegre (RS) em 2012, é

a primeira escola da cidade a oferecer o curso como um hobby.

“Apesar do foco no DIY (do it yourself), nossos participantes

não perdem conhecimento quando comparado a cursos tradicionais”,

conta André Campos, diretor da Confraria. “Além

de focar em um mercado que tende a crescer muito nos próximos

anos, inovamos no formato. Vemos as marcenarias e

indústrias como complemento e não competição às nossas

ofertas. Aqui as pessoas desenvolvem projetos básicos e de

baixa complexidade, enquanto que trabalhos mais elaborados

serão executados pelas grandes fábricas dos polos nacionais.”

WOODWORKING AS A HOBBY

Not only has the industry sought changes in the courses

offered to woodworkers, but consumers themselves have

become a significant portion of apprentices of the craft. The

Confraria da Madeira (Brotherhood of Wood), which arose in

Porto Alegre (RS) in 2012, is the first school in the district to

offer courses as a hobby. “Despite the focus on ‘do it yourself’

(DIY), our participants do not lose out on knowledge gained

when compared to traditional courses,” says André Campos,

Director of the Confraria. “In addition to focusing on a market

that tends to grow in the years ahead, we have innovated in

format. We see the furniture makers and manufacturers as

a complement and not competition to what we offer. Here

people learn how to carry out basic and low complexity designs,

while more elaborate designs are carried out by large

manufacturers in the domestic producer centers.”

SETEMBRO | 39


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

CONSTRUÇÃO CIVIL

DURO COMO

CONCRETO,

SUSTENTÁVEL

COMO MADEIRA

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA

FLORESTAL DA UDESC DESENVOLVE PAINEL CLT

RESISTENTE E COM BAIXO INVESTIMENTO

Foto: divulgação

40 |

www.referenciaindustrial.com.br


O

município de Lages (SC) tem pouco mais de 150

mil habitantes, mas pode ser responsável por

uma grande mudança de mentalidade em toda

a construção civil brasileira. Ainda escassos no país, os investimentos

em CLT (Cross Laminated Timber) começaram

a tomar forma na Udesc (Universidade do Estado de Santa

Catarina) a partir de uma disciplina do Curso de pós-graduação

em Engenharia florestal. Ministrada pelo professor

doutor Rodrigo Figueiredo Terezo, a matéria: a madeira na

construção; levou os alunos Talitha Rosa, Débora Ciarnoschy,

Leonardo Kuhn e Rodolfo Jacinto à empreitada inédita de

desenvolver um painel CLT no Brasil. Para isso, no entanto,

foi necessária dedicação e foco nos estudos do painel.

A madeira sempre foi o material mais utilizado para a

construção de habitações desde a antiguidade, devido principalmente

à acessibilidade e fácil trabalhabilidade. Com a

exploração excessiva das florestas nativas diminuindo assim,

a quantidade de árvores com grandes alturas e diâmetros,

vários países passaram a buscar nas florestas plantadas

a alternativas para manter o material no mercado. Essas

florestas possibilitaram o desenvolvimento de diversos

produtos estruturais para utilização na construção civil, tal

como o CLT, também conhecido como Madeira Laminada

Colada Cruzada.

“Conseguimos ajuda de uma madeireira local, que

doou gentilmente todas as peças de Pinus taeda após conversamos

sobre o que seria executado”, conta Talitha. “Em

junho, conseguimos colar o primeiro painel. Ainda há muito

o que estudar, mas em relação aos custos de produção, já

conseguimos obter resultados positivos. Acreditamos que

a madeira terá um grande potencial para o mercado da

construção. Já existem diversas obras requisitadas por um

“O USO DA MADEIRA NA

CONSTRUÇÃO CIVIL AUXILIA

NA CAPTURA DO CO 2

E, COMO

ELA É MANTIDA NA SUA FORMA

NATURAL, ESSE CARBONO É

APRISIONADO, AJUDANDO A

DIMINUIR OS PROBLEMAS DO

EFEITO ESTUFA”

TALITHA ROSA, COORDENADORA DO PROJETO

DA UDESC

Foto: Mirella Guedes

SETEMBRO | 41


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

CONSTRUÇÃO CIVIL

poliuretano com 200g/m² (gramas por metro quadrado). As

peças foram colocadas na prensa manual onde ficaram por

24h (horas) a frio. Após esse período, a pressão foi retirada

e o painel ficou em descanso por mais dois dias, para cura

final do adesivo.

As pranchas de madeira com menor classificação foram posicionadas

na camada interna, sendo as peças de melhor classificação

posicionadas nas camadas externas

público mais seletivo, e isso não impede que ela seja utilizada

para construção de moradias para a população em geral.”

O painel CLT é feito de madeira reflorestada e pode ser

um bom concorrente do concreto, uma vez que a madeira

tem grande capacidade de suportar grandes cargas também

e é possível construir edifícios habitacionais apenas com

este tipo de painel. O maior obstáculo que o setor enfrenta

é o cultural: boa parte das empresas ainda acredita, erroneamente,

que madeira não serve para construção. “Esta

tecnologia já está disponível há tempos”, ressalta Talitha,

explicando que no Brasil é que ainda há certo pioneirismo

quanto aos estudos com CLT. “Um dos mais importantes

benefícios a se ressaltar nele é o fato de ser, além de tudo,

um material renovável. Não precisamos desmatar a Amazônia

para conseguir madeiras para esses produtos: é possível

ter excelente qualidade usando madeiras provenientes de

florestas plantadas. O uso da madeira auxilia na captura

do CO², e como a madeira é mantida na sua forma natural,

esse carbono é aprisionado por um longo tempo, ajudando

a diminuir os problemas do efeito estufa.”

Os parâmetros de fabricação seguiram os passos das

grandes empresas produtoras, mas de maneira artesanal.

Primeiramente, foi feita a classificação das peças em relação

aos seus defeitos e uso estrutural. As pranchas de madeira

com menor classificação foram posicionadas na camada

interna, sendo as peças de melhor classificação posicionadas

nas camadas externas. Todas as peças foram aplainadas,

deixando as espessuras uniformes em todo o sentido longitudinal.

Para melhor adesão da cola na madeira, um jato

de ar comprimido foi passado logo após o aplainamento,

desobstruindo os poros com possível resíduos do processo.

Posteriormente aplicou-se o adesivo estrutural à base de

Foto: Talitha Rosa

OS PRÓS DO CLT NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Do ponto de vista construtivo, a madeira é um excelente

isolante térmico e acústico, sem empecilho de ser utilizada

em edifícios comerciais, também. É um material que resiste

a grandes cargas quando comparado à sua massa, diminuindo

custos com fundações. Há também a vantagem estética:

uma construção em madeira chama muito mais atenção que

uma em concreto e aço.

Nos dias atuais, o país que mais se destaca na produção

do material é a Áustria, localizada na Europa Central. Nos

últimos 10 anos, as construções em madeira passaram de

25% para 39%, composto em grande parte por edifícios

habitacionais. Esses edifícios foram em sua grande maioria

construídos com os painéis de CLT, aumentando o consumo

do material dentro do próprio país, que juntamente com

a exportação alavancou a produção em 860% em apenas

12 anos.

O CLT é um painel estrutural fabricado com madeira

e adesivo. Os painéis são construídos sempre em número

ímpar de camadas (3, 5, 7, ou até 9, dependendo da necessidade).

As camadas são posicionadas perpendicularmente

uma em relação à outra. Essa orientação resulta em excelentes

características de resistência e rigidez. É um material

que pode ser utilizado como paredes e placas de entrepisos,

substituindo assim vigas e pilares.

No Brasil, o conhecimento do potencial do material

fabricado ainda é incipiente. Primeiro, por não haver empresas

que fabriquem o painel CLT e pelas pesquisas estarem

iniciando.

BOM CUSTO BENEFÍCIO E ALTA RESISTÊNCIA

Com os tempos de cada etapa cronometrados, juntamente

com a quantidade utilizada de material, transporte

e processamento de todas as etapas, os alunos da Udesc

puderam calcular o custo por m² de painel CLT.

Comparando o m² de alvenaria de vedação com o tijolo

É UM MATERIAL QUE PODE

SER UTILIZADO COMO

PAREDES E PLACAS DE

ENTREPISOS, SUBSTITUINDO

ASSIM VIGAS E PILARES

42 |

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de 6 furos - 5,7 x 9 x 19 cm (centímetros) - sem o acabamento,

o CLT custaria 42% menos, e quando comparado com a

alvenaria estrutural com blocos de concreto o CLT ficou 57%

menor. Salienta-se que os custos do painel foram calculados

sob uma produção artesanal, e o valor utilizado para

a madeira foi baseado sob a madeira serrada proveniente

das primeiras toras do reflorestamento. Uma empresa que

pudesse beneficiar toda a matéria-prima desde o momento

de chegada da tora, poderia tornar o material mais competitivo,

reduzindo o custo final de produção por ter o processo

mais industrializado.

O painel também foi comparado ao concreto quanto à

sua resistência a cargas em relação ao seu peso próprio. Para

um painel CLT com 6 x 100 x 300 cm, a força máxima que

ele resiste é de aproximadamente 6,5tf (toneladas/força), já

um painel com as mesmas dimensões, porém de concreto

resistiria 14,8 tf. Mas o grande ponto é essa força em relação

ao peso próprio do material. Relacionando a densidade da

madeira com o volume do painel de pinus taeda, o mesmo

pesaria 72 kg (quilos), já o painel em concreto pesaria cerca

de 414 kg, quase 6 vezes mais pesado que o de CLT.

Dividindo-se a capacidade de resistência de cada painel

com seu respectivo peso, têm-se os seguintes resultados:

para o painel de concreto, o mesmo resistiria a 35,76kgf/

m³ (quilogramas/força por metro cúbico), já o painel CLT

resistiria a 91,18 kgf/m³, isso é 2,5x mais que o painel de

concreto. Parece pouco ao pensar em um painel de 3 m³

(metros cúbicos). Porém, se esses valores forem estimados

para uma grande obra, o conjunto todo não pesaria muito

e resistiria a mais forças que os métodos convencionais de

construção, gerando economia nos alicerces das obras. Isso

é um grande resultado, indicando um alto potencial para o

uso desse produto também aqui no Brasil.

O FUTURO DO CLT NO BRASIL

A pesquisa com os painéis em CLT está progredindo.

O próximo passo do trabalho contemplará a avaliação do

painel em testes laboratoriais para determinar a resistência

mecânica, o seu comportamento em relação às cargas de

impacto e sua capacidade de resistir ao fogo.

COMPARADO AO M² DE

ALVENARIA DE VEDAÇÃO COM

TIJOLO, SEM O ACABAMENTO, O

CLT CUSTARIA 42% MENOS

Foto: Talitha Rosa

O CLT é fabricado com madeira e adesivo, com painéis construídos

sempre em número ímpar de camadas

SETEMBRO | 43


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

ESPECIAL

DE VOLTA

AOS

TRILHOS

Fotos: divulgação

44 |

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UM DOS MAIORES

FABRICANTES DE MÓVEIS DO

PAÍS, O MUNICÍPIO DE BENTO

GONÇALVES ENCONTRA

SOLUÇÕES PARA AGUENTAR A

Fotos: divulgação

CRISE QUE LEVOU À QUEDA DE

FATURAMENTO

SETEMBRO | 45


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

ESPECIAL

N

ão é novidade que 2016 tem sido uma das

épocas mais duras para os que dependem da

indústria moveleira como um todo: do enxugamento

nos postos de trabalho ao fechamento de empresas

de pequeno e médio porte, o consenso é que é

hora de rever processos. Reflexo da crise econômica que

castiga o país há pelo menos três anos, o município de

Bento Gonçalves, localizado no coração do Rio Grande

do Sul, teve um primeiro semestre complicado. Porém,

ações criativas tomadas por empresas e entidades vêm

amenizando a fase difícil e preparando o segmento para

a retomada que deve começar no próximo ano.

O fraco desempenho das finanças criou um efeito dominó

no setor dentro do município, um dos maiores do

Brasil: após fechar mais de 1.100 empregos em 2015, o

primeiro semestre de 2016 registrou uma queda de 318

empregos diretos na indústria de móveis de Bento Gonçalves,

acentuando ainda mais a crise. Nem tudo está

perdido, no entanto, como demonstrou a última edição

da Affemaq Serra Gaúcha: as possibilidades de negócios

gerados na feira apontam para a injeção de R$ 11,9 milhões

em um futuro breve no município gaúcho.

“AS EMPRESAS QUE TÊM

CONSEGUIDO EVITAR DEMISSÕES

FAZEM REDUÇÃO DE JORNADA E

UTILIZAÇÃO DOS BANCOS DE HORAS.

O TRABALHO TEM SIDO VOLTADO

A AMENIZAR OS EFEITOS DA CRISE

EVITANDO AO MÁXIMO NOVAS

DEMISSÕES” – HENRIQUE TECCHIO,

PRESIDENTE DO SINDMÓVEIS

A PALAVRA DOS DIRETORES

Em entrevista exclusiva, o presidente do Sindmóveis

(Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves),

Henrique Tecchio, conta que apesar dos reveses a

cadeia moveleira continua com enorme representatividade

dentro do município: é responsável por cerca de 7

mil empregos diretos. “No Rio Grande do Sul, foram perdidos

1.018 empregos, sendo que a indústria de móveis

encerrou o semestre com 37.760 postos de trabalho diretos”,

dimensiona ele, que acumula junto ao Sindmóveis

um cargo administrativo na Bentec Móveis. “Em relação

ao Brasil, a indústria de móveis fechou 8.881 empregos

no primeiro semestre de 2016, encerrando o semestre

com 250.697 postos de trabalho diretos.”

Para o Sindmóveis, uma das saídas da crise é investir

na diversificação de mercados e estratégias de promoção

comercial. “A própria Movelsul Brasil – feira realizada a

cada dois anos pelo Sindmóveis – é uma dessas ações”,

conta Tecchio. “Adicionalmente, a entidade promove o

design, tecnologia e sustentabilidade do setor moveleiro.

Nesse sentido, as ações desenvolvidas pelo Sindmóveis

como o Salão Design, premiação nacional de design realizada

desde 1988, e o Projeto Orchestra Brasil, de promoção

às exportações dos fornecedores da cadeia moveleira,

têm como objetivo aumentar a competitividade das

indústrias moveleiras valorizando tais atributos.”

Já para Fabrício Zanetti, presidente da Affemaq (Associação

dos Fornecedores para as Indústrias de Madeiras

e Móveis), o atual cenário serve consolidar as empresas

preparadas para um cenário recessivo, uma vez

que souberam prever a movimentação do mercado. “As

empresas sólidas e estruturadas já estão há algum tempo

buscando alternativas e novas estratégias para superar

os obstáculos impostos pela crise no mercado”, acredita

o executivo. “Algumas com novas linhas de produtos, outras

com condições diferenciadas, enfim, criando alternativas

para minimizar os impactos.”

O pessimismo não resolve crises, e esta é uma tecla

que o diretor do Sindmóveis também bate, uma vez que

não acredita em uma retomada dos empregos perdidos

em curto prazo, apesar de ver com olhos otimistas o ano

que vem. “O desempenho negativo generalizado está

afetando de forma aguda os empregos no setor”, acredita

Tecchio, remetendo às crises políticas e socioeconômicas

que decorreram da recessão econômica. “Não existe

uma previsão de que os níveis de contratação e produção

sejam retomados neste ano. As empresas que têm conseguido

evitar demissões fazem redução de jornada e

utilização dos bancos de horas. O trabalho das empresas

tem sido voltado a amenizar os efeitos da crise evitando

ao máximo novas demissões.”

A alta da inflação e a diminuição do crédito também

são, na visão de Tecchio, um dos principais entraves para

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o bom desempenho de Bento Gonçalves. “Além desses

fatores, também enfrentamos uma série de dificuldades

como o precário ambiente de negócios, burocracia,

impostos e falta de infraestrutura, que comprometem a

competitividade de toda a indústria brasileira”, lamenta.

“No nosso entender, é preciso uma rede fortalecida de

fornecedores para subsidiar a indústria de móveis. Nesse

sentido, a realização da Affemaq em Bento Gonçalves

beneficia o polo moveleiro de forma integral. Defendemos

o associativismo como estratégia de fortalecimento

integral da cadeia moveleira. Quanto mais organizada e

desenvolvida for a cadeia produtiva, melhor para a eficiência

econômica e crescimento do setor.”

O PIOR JÁ FICOU PARA TRÁS

Segundo boletim divulgado pelo Banco Central, a expectativa

geral para o país é que haja queda de 14,5% na

produção de móveis, sendo que em 2015 esse indicador

já havia caído 14,6%. A boa notícia, segundo os analistas,

é que o pior ficou para trás. O segundo semestre deve ser

de leve alta no comércio, devido principalmente às datas

festivas e ao 13º salário, que devem alavancar as vendas

de mesas, cadeiras e estofados.


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

ESPECIAL

SOLUÇÕES PARA OS FABRICANTES

Entre diversas fabricantes de móveis da cidade, poucas

quiseram revelar a queda na sua produção anual. A

Volttoni, cujo carro-chefe é a venda de sofás e cadeiras,

foi franca quanto ao período que o polo atravessa. “A nossa

queda de produção e de entrada de pedidos caiu de

20% a 25%, desde 2015”, revela Andrei Ferro, diretor da

empresa, que revela que diversas atitudes foram tomadas

desde então, porém com pouco sucesso. “Já tentamos

várias: promoções, cartelas com lojistas e também

expusemos nosso trabalho na última feira Movelsul, que

ocorreu aqui em Bento, em março. De uma forma geral,

podemos dizer que essa tem sido a atuação de boa parte

dos fabricantes daqui.”

A expectativa para o segundo semestre é de melhora,

no entanto: a alta no comércio, com as datas festivas

e recebimento do 13º salário, é de crescimento de 8% a

10% nas vendas. Números que poderiam ser até maiores,

na visão de Andrei Ferro, caso houvesse uma distribuição

logística melhor para o polo. “Estamos na ponta do país,

e com isso os fretes acabam se tornando caros”, conta

ele, que comercializa mensalmente 3 mil peças. “As estradas

que nos ligam são uma calamidade. O que todo

mundo comenta, e que vejo também, é que muitas pessoas

estão endividadas com financiamento de inúmeras

coisas. Com as pendências pra pagar, isso faz todo mundo

ficar sem gastar e congela o comércio. As empresas

só fecham negócios que haviam sido feitos antes dessa

situação econômica. Em se tratando de maquinários, não

temos comprado nada há tempos.”

O que se tem visto para contornar tais problemas

e evitar demissões é otimizar custos, como redução de

energia elétrica e reaproveitamento de madeira. “A energia

elétrica infelizmente ainda não conseguimos baixar,

mas mas geramos um aproveitamento de madeira até

23% maior do que tínhamos anteriormente, com a colagem

dos painéis. Hoje temos 38 funcionários, mas em

2015 tínhamos 50. Não demitimos ninguém neste período,

mas também não repusemos quem acabou saindo

da empresa.”

EMPRESAS COMO A VOLTTONI

ESPERAM UM CRESCIMENTO NAS

VENDAS, ATÉ O FIM DO ANO, DE

8% A 10%

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“AS EMPRESAS SÓLIDAS E

ESTRUTURADAS JÁ ESTÃO HÁ

ALGUM TEMPO BUSCANDO

ALTERNATIVAS E NOVAS

ESTRATÉGIAS PARA SUPERAR OS

OBSTÁCULOS IMPOSTOS PELA

CRISE NO MERCADO”

FABRÍCIO ZANETTI,

PRESIDENTE DA AFFEMAQ


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

MADEIRA TRATADA

MUITA

MADEIRA

PARA

CONSTRUIR

Fotos: Cesar Cinato

Nova diretoria - Elcio Lana, Silvio Lima, Gonzalo Lopez

e Gisleine da Silva

50 |

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NOVA DIRETORIA DA

ABPM ASSUME PARA O

BIÊNIO

2016-2018 E SE

COMPROMETE A

AUMENTAR O PAPEL

DA MADEIRA NA

CONSTRUÇÃO CIVIL

BRASILEIRA

E

m um evento ocorrido em agosto na cidade de

São Paulo (SP), a Abpm (Associação Brasileira de

Preservadores de Madeira) realizou eleição que

definiu a diretoria para o biênio 2016-2018. Os eleitos foram

Gonzalo Lopez, do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas)

como presidente; Elcio Lana (Arch Química), como

vice-presidente; Sergio Boff (Canteiro Construções) como

diretor secretário; e Silvio Lima (Montana Química) como

diretor tesoureiro.

Criada em 25 de agosto de 1969, a Abpm atua como

fórum nacional do setor de proteção de madeiras no Brasil,

representando o segmento industrial madeireiro junto

aos órgãos reguladores e poderes legislativo e executivo.

O evento serviu para a nova diretoria mostrar seu plano de

ação e também discutir medidas de melhorias para a área.

O ex-presidente da Abpm, Flávio Geraldo, frisou a

importância da aplicação das normas técnicas do setor

A nova diretoria relacionou quatro desafios como os principais

para o biênio 2016-2018: aprimorar o relacionamento

com os associados; ampliar o número de empresas certificadas

pelo Qualitrat; aumentar o quadro associativo e realizar

o IX Encontro Brasileiro de Preservação de Madeiras

até o primeiro semestre de 2018.

Com o objetivo de buscar novas alternativas e soluções

para o segmento, outro destaque foi a apresentação dos

resultados da pesquisa de opinião realizada, no final de

2015, com todas as usinas de preservação de madeira do

país associadas ou não à entidade.

Para o ex-presidente Flávio C. Geraldo, a enquete é um

bom indicador que sinalizou, entre outras coisas, como

um dos desafios da nova gestão, a conscientização dessas

empresas tanto a respeito da aplicação das normas técnicas

quanto do cumprimento da legislação vigente. “Não

se trata de coincidência que mercados fortes na utilização

de madeira tratada no Brasil - em especial os de postes,

mourões, dormentes e carretel para bobinas - têm Normas

Técnicas há anos”, afirmou.

A REFERÊNCIA INDUSTRIAL entrevistou, com exclusividade,

o novo presidente, Gonzalo Lopez, que você lê a

seguir.

Quais são as suas expectativas para o mandato?

A visão da diretoria e da coordenação técnica que a

cerimônia atendeu à nossa expectativa. Poucos associados

puderam estar presente, mas acredito que isso demonstra

parte dos nossos problemas como associação, no sentido

de mobilizar o associado e sensibilizar quem ainda não é.

Na gestão que se encerrou essa semana, nós tivemos avanços

significativos no sentido de tentar entender as usinas

de preservação e como elas viam a Abpm: o que entendiam,

o que já conheciam sobre essa parte de normatização

e afins. Acho que isso é um ponto de partida essencial,

devemos nos debruçar sobre essas informações para buscar

a sensibilização das empresas que ainda não são associadas.

Acho que cada um tem que fazer um pouquinho em

relação a isso, porque nem sempre as ações que a Abpm

pode se debruçar vão refletir adequadamente em cada um

dos nichos de atuação dos associados.

Como vê a indicação da diretoria? Acredita que ela esteja

focada no mesmo objetivo?

Não tenho dúvida quanto a isso. Pessoalmente, só

conhecia o Elcio Lana. Nós tivemos contato no passado,

quando fui coordenador técnico da Abpm nos anos 80.

Uma das diretorias adjuntas formadas era a de normatização,

a qual o Élcio Lana era o responsável. Nós tivemos

uma grande interação sobre elaboração e levantamento

de informações, que resultaram no texto da Norma de Preservação

16.143, emitida em 2003.

SETEMBRO | 51


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

MADEIRA TRATADA

Já há uma data-base para o IX Encontro Brasileiro de

Preservação de Madeira, que vocês mencionaram querer

realizar em breve?

Estipulamos que esse IX Encontro tem que sair até o final

do primeiro semestre de 2018. Esse é um desafio. Acho

que uma de nossas primeiras tarefas será definir datas e

estimativas de locais, porque isso é mais que previsto para

levantar a forma como vai ser feito o evento, de que maneira

ele vai ser tocado e qual a sua duração. Eu acho que

do ponto de vista desse grande encontro, nós temos ainda

algumas coisas para ajustar.

Uma das primeiras expectativas anunciadas por você

como presidente é poder expandir o mercado madeireiro

para o setor da construção civil. Tem ideia de quais medidas

ajudariam isso a se realizar em curto prazo?

Isso envolve uma situação bastante complexa. De

pronto, nós temos que buscar quem é usuário de madeira

tratada para a construção civil e ressaltar, junto a esses

personagens que já utilizam, o teor de qualidade em relação

ao material. Nós temos empresas que, por um motivo

ou outro, muitas vezes não atingem critérios de qualidade

por uma série de razões: desconhecimento, questão técnica,

equipamentos ou até velocidade de comercialização.

Do ponto de vista do material, de madeira preservada, há

que se tomar alguns cuidados. Tem que se instaurar uma

cultura de prevenção para que a madeira dure mais, para

que as intervenções no futuro não sejam drásticas e nem

haja algum tipo de ocorrência. Nós precisamos buscar informações

de onde está essa demanda de madeira preservada

e quais seriam os futuros personagens dela. Precisamos

entrar nesse circuito para mostrar os benefícios do

controle de qualidade adequado, identificar fornecedores

e ressaltar junto.

Quando a Abpm foi fundada, lá no final dos anos 60,

existia esse problema em relação à posse de madeira: era

um material muito utilizado, mas não se tinha muito controle

em relação às primícias e forma de tratamento. Isso

trouxe muito prejuízo no ponto de vista da observação do

que era o material. Muita gente não queria usar. Mas no

caso de postes de madeira para eletrificação rural naquela

época, era um material que tinha pouca possibilidade

de substituição. Nossas ações precisam ser convergentes

e incisivas no sentido de mostrar que existe essa madeira

tratada legalmente obtida e trazer benefícios para toda a

O EVENTO SERVIU PARA A

NOVA DIRETORIA MOSTRAR

SEU PLANO DE AÇÃO E

TAMBÉM DISCUTIR MEDIDAS

DE MELHORIAS PARA A ÁREA,

ESTABELECENDO QUATRO

DESAFIOS COMO PRINCIPAIS

PARA O BIÊNIO 2016-2018

Humberto Tufolo, ex-diretor tesoureiro, passou o

bastão para Silvio Lima, da Montana Química

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cadeia. E só vamos conseguir isso juntos ao associado e em

parceria com o não-associado.

Um dos principais objetivos da Abpm junto à construção

civil é aumentar o número de empresas adeptas do

Qualitrat. Poderia dizer aproximadamente quantas empresas

participam hoje disso e quantas você espera que

tenham aderido até o final do seu mandato, em 2018?

Nós temos poucas empresas estabelecidas. São duas

empresas com Qualitrat, uma em cada tipo do certificado.

Eu gostaria de trazer todas, não só para a Abpm como para

a Qualitrat. Mas uma das ações que nós entendemos que

deva ser importante para conseguir agregar o nosso associado

ao Qualitrat é a adaptação: fazer o mercado entender

e exigir o certificado de qualidade. Esse vai ser o ponto

essencial: que a questão de madeira tratada esteja ligada a

todos os parâmetros de qualidade e usar essa necessidade

de mudança de paradigma, de como o mercado vê a madeira

tratada e tratá-la como um material específico e fazer

com que o associado entenda esse potencial mercado

e se junte a nós. Hoje em dia é necessário técnico especialista

em cada um dos materiais utilizados.

Gonzalo Lopez - novo presidente da Abpm

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

QUÍMICA NA MADEIRA

54 |

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TRATAMENTO

E USO DO

BAMBU

Fotos: divulgação

CONHEÇA MAIS SOBRE AS CARACTERÍSTICAS

E PROPRIEDADES DE TRATAMENTO DA

GRAMÍNEA, QUE POSSUI MAIS DE 1.200

ESPÉCIES NOS TRÓPICOS

A

lgumas das características do bambu são semelhantes

às da madeira. Por isso, necessita

de técnicas especiais que permitam aperfeiçoar

as vantagens das suas múltiplas aplicações. O

bambu é uma gramínea de rápido crescimento e que

chega à idade de reprodução aos três anos, a partir dos

quais permite cortes anuais. Com exceção da Europa,

quase todos os continentes possuem espécies nativas

de bambus sendo, entretanto, mais disseminadas nos

trópicos, região em que podem ser encontrados 75

gêneros e cerca de 1.250 espécies, que vão desde pequenas

gramíneas até unidades gigantescas com 40 m

(metros) de altura por 30 cm (centímetros) de diâmetro.

ANATOMIA, QUÍMICA E PROPRIEDADES

DO BAMBU

O bambu possui um caule oco, denominado colmo.

O colmo de um bambu possui cerca de 60% de tecido

parenquimatoso, 40% de fibras e 10% de vasos. As fibras

agrupam-se em feixes distribuídos ao longo dos

vasos.

Embora os vasos sejam facilmente permeáveis, não

há fluxo lateral devido à ausência de raios, como se observa

na madeira. Além de ser responsável pela baixa

permeabilidade do bambu, esse arranjo anatômico res-

SETEMBRO | 55


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

QUÍMICA NA MADEIRA

ponde também pelas variações de densidade observadas

na faixa de 500-800 kg/m³ (quilogramas por metro

cúbico).

DURABILIDADE NATURAL DO BAMBU

Os extrativos contidos no bambu, como resinas,

graxas e taninos não têm toxicidade suficiente para

conferir durabilidade natural contra agentes xilófagos

(fungos e insetos). O elevado teor de amido do bambu

torna-o suscetível ao ataque de fungos manchadores e

brocas (famílias Bostrichidae e Lyctydae).

A durabilidade natural do bambu é muito baixa, dependendo

da espécie envolvida e da classe de uso. Sob

cobertura e fora de contato com o solo, o bambu sem

tratamento pode durar até quatro anos. O bambu deve

ser colhido nas épocas do ano em que há menor teor

de amido.

SECAGEM DO BAMBU

Como regra geral, recomenda-se a utilização de

colmos maduros para diminuir os problemas de fendilhamento

e a ocorrência de colapso. Sua secagem ao ar

processa-se durante dois a três meses e pode ser efetuada

com os colmos na posição vertical (secagem mais

rápida), ou na posição horizontal, usando-se neste caso

espaçadores apropriados entre as camadas.

Devido à suscetibilidade a fungos e a insetos, haverá

a necessidade de um tratamento provisório, com

uma mistura de produtos de ação profilática, até que

seja feito o tratamento definitivo.

TRATAMENTO DO BAMBU

Tomando como base as premissas anteriores sobre

a baixa durabilidade natural do bambu frente aos agentes

xilófagos, juntamente com a baixa permeabilidade

aos agentes xilófagos, seu tratamento só é possível por

difusão, no caso de colmos verdes, ou por pressão em

se tratando de colmos abaixo do ponto de saturação

das fibras (H= 20-22%).

Pelo fato de o Brasil possuir um parque industrial

com mais de 400 unidades, com capacidade ociosa, é

que se pode afirmar que os processos sob pressão, além

de serem confiáveis do ponto de vista ambiental, estão

aptos à produção de um produto final mais uniforme

e passível de ter a sua qualidade controlada. Há, por

exemplo, no município paulista de Cunha, uma usina

que tem tratado quantidades apreciáveis de bambu,

para várias aplicações, sobretudo para fins artesanais.

Entretanto, deve ser lembrado sempre que o bambu

tem diferenças em relação à madeira, de forma que

seus colmos (roliços) são sujeitos ao colapso. Na forma

de taliscas, o bambu não apresenta esse tipo de problema.

Alguns autores recomendam que antes do tratamento

de bambus roliços sejam feitos furos de 10mm

entre os septos dos colmos e em lados opostos. Essa

técnica equilibra a pressão dos dois lados do bambu,

evitando a possível ocorrência de colapso das peças,

além de melhorar a uniformidade da penetração.

Outra forma de minimizar a ocorrência de colapso

é baixar a pressão de trabalho dos usuais 12,0 kgf/

cm² para algo em torno de 7,0kgf/cm², por um período

de uma a duas horas. Para compensar a diminuição da

pressão, trabalha-se com concentrações mais elevadas

de preservativo (5-6% m/m).

Quanto aos preservativos recomendados, há unani-

56 |

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midade na literatura consultada e específica sobre o tratamento

de bambu. Se por um lado o CCA proporciona

fixação mais rápida e maior resistência à lixiviação, por

seu turno, o CCB, por força da grande mobilidade iônica

do boro, é mais recomendável para espécies de bambu,

mais refratárias ao tratamento preservativo, sendo opção

única para aqueles que desejem competir no mercado

externo, principalmente o europeu.

Por Ennio Lepage, pesquisador e

consultor técnico da

Montana Química

e-mail: elepage@montana.com.br

BAMBU NO MUNDO

No Vietnã há muito tempo o bambu é empregado

na construção de casas, principalmente na zona rural

e, hoje, já é empregado na construção de resorts e restaurantes

temáticos de regiões turísticas;

São produzidos, anualmente, de 15 a 130 toneladas

de produtos confeccionados com bambu;

Este pequeno país é o terceiro maior exportador

de bambu, suplantado apenas pela China e pela Indonésia;

Em 2010 as exportações desses países, em mobiliário

e artesanato, atingiram a cifra de 350 milhões de

dólares, prevendo-se um crescimento anual de 10%-20%

ao ano;

Na Costa Rica há programas de construção de

habitações em regime de mutirão. Na América do Sul

também se observa um quadro de uso crescente do bambu

em alguns países, especialmente Equador e Colômbia;

No Brasil, embora ainda haja uma forte restrição

quanto ao uso de materiais renováveis na construção

(madeira e bambu em maior escala), o movimento ecológico

que varre o planeta pode propiciar condições para a

reversão desse preconceito.

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

ARTIGO

UTILIZAÇÃO DE

RESÍDUOS DE

COMPENSADOS,

MDF E MDP PARA

PRODUÇÃO

DE PAINÉIS

AGLOMERADOS

CRISTIANE WEBER

Engenheira Florestal, doutoranda do programa de pós-graduação em Engenharia

Florestal, na Ufpr (Universidade Federal do Paraná)

SETSUO IWAKIRI

Engenheiro Florestal, Dr., Professor Titular do Departamento de Engenharia e

Tecnologia Florestal, na Ufpr

58 |

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RESUMO

E

ste trabalho teve como objetivo avaliar o potencial

de uso de resíduos originados da produção de painéis

compensados, MDF e MDP para fabricação de

painéis aglomerados. A resina UF (ureia-formaldeído) foi

utilizada na produção dos painéis, em proporções de 6%

e 10% com base no peso seco das partículas de madeira,

juntamente com 2% de catalisador (base sólido de resina)

e 1% de parafina (base peso seco das partículas). O delineamento

experimental foi composto por 10 tratamentos com

três repetições cada, totalizando 30 painéis. Os painéis

foram produzidos com resíduos nas proporções de 100%,

50-50% e 33-33-33%.

Para avaliação qualitativa, os painéis foram submetidos

aos seguintes ensaios das propriedades físico-mecânicas:

densidade, absorção de água e inchamento em espessura,

flexão estática, arrancamento de parafusos (superfície

e topo) e tração perpendicular à superfície. Os resultados

foram avaliados conforme os requisitos da Abnt (Associação

Brasileira de Normas Técnicas). As avaliações gerais

dos resultados das propriedades físicas e mecânicas dos

painéis indicaram a viabilidade técnica de uso de resíduos

de MDF, MDP e compensados de forma pura e misturadas,

para produção de painéis aglomerados. A possibilidade de

uso de resíduos contribui de forma significativa em termos

econômicos e ambientais.

INTRODUÇÃO

Os problemas relacionados às questões ambientais

como a poluição e a geração de resíduos e suas consequências,

estão, em muitos casos, associados aos processos

produtivos. O melhor aproveitamento da matéria-prima,

por meio de processos que incorporem os princípios de

gestão ambiental, vem ganhando importância nas indústrias

e instituições de pesquisas, pois, além dos benefícios

ambientais e sociais, trazem vantagens econômicas às empresas.

Um indicador desta demanda ambiental é a adesão

das empresas aos processos de certificações ambientais e

florestais, solicitados pelos mercados, especialmente os

SETEMBRO | 59


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

ARTIGO

internacionais, exigindo do setor produtivo a responsabilidade

ambiental e social na exploração dos recursos florestais,

com a máxima preservação possível destes recursos.

O consumo de madeira em grande escala pelos diversos

setores da sociedade faz com que surjam discussões

e questionamentos sobre os impactos dos resíduos madeireiros

ao ecossistema, instigando a ciência florestal no

desenvolvimento de pesquisas sobre soluções mitigadoras

dos impactos ambientais gerados nos processos produtivos,

onde a matéria-prima madeira é o principal componente.

Neste contexto, existe a demanda por estudos para

viabilizar a utilização de resíduos de painéis de madeira,

oriundos do setor moveleiro, da construção civil e outros

setores, onde ocorre elevado descarte desses produtos,

para produção de “novos” painéis reconstituídos de madeira.

Essas pesquisas podem favorecer o melhor aproveitamento

da matéria-prima, proporcionando maior valor

agregado ao produto. Os resíduos de painéis de madeira

possuem potencial econômico ainda pouco explorado pelas

indústrias. A alternativa de seu aproveitamento na produção

de novos painéis é uma ideia que vem ao encontro

do apelo social atual, favorável à adoção de materiais que

provoquem o mínimo impacto ambiental ao ecossistema.

O Brasil possui tecnologia avançada na produção de

painéis de madeira reconstituída. É também o país com o

maior número de fábricas de última geração. Com investimentos

contínuos em tecnologia e automação, as empresas

construíram versáteis e modernos parques industriais

destinados à instalação de novas unidades, à atualização

tecnológica das plantas já existentes, à implantação de

linhas contínuas de produção e aos novos processos de

impressão, de impregnação, de revestimento e de pintura

(Abipa, 2010). As utilizações dos painéis de madeira estão

diretamente associadas às propriedades físicas e mecânicas

dos mesmos.

As restrições técnicas para o uso e a aplicação de diferentes

tipos de painéis de madeira envolvem características

como resistência mecânica, estabilidade dimensional,

uniformidade da superfície, usinabilidade, resistência

à fixação de parafusos, entre outros. Os principais usos e

aplicações dos painéis de madeira estão associados principalmente

aos segmentos da construção civil e de móveis,

em função das suas características tecnológicas (Abimci,

2009). Os principais parâmetros do processo produtivo

de painéis aglomerados estão relacionados à matéria-

-prima e às variáveis de processamento e são amplamente

descritos por Maloney (1993) e Moslemi (1974). Quanto à

matéria-prima, as características da madeira como densidade,

extrativos e geometria das partículas interferem no

processo de colagem e qualidade dos painéis produzidos.

No caso de partículas obtidas a partir da transformação

de painéis como compensados, MDF e MDP, algumas

características são diferenciadas, tendo em vista que estes

painéis possuem na sua estrutura a resina polimerizada,

parafina, e já passaram por processo de prensagem à alta

temperatura na prensa. Trata-se de um tema ainda pouco

explorado e carente de publicações no Brasil. Já, o uso de

resíduos de madeira sólida tem sido foco de algumas pesquisas

publicadas em periódicos científicos. Iwakiri (2000)

utilizou resíduos de madeira de espécies de Eucalyptus

provenientes de serrarias; Iwakiri (2012) avaliou o potencial

de uso de resíduos de serrarias de nove espécies de

madeiras tropicais para produção de painéis aglomerados.

Tendo em vista estas peculiaridades em termos de matéria-prima

e carência de estudosw sobre a utilização destes

materiais na produção de aglomerados, este trabalho

foi desenvolvido com o objetivo de avaliar a viabilidade de

A pesquisa consistiu de

um experimento com 10

tratamentos e três repetições,

totalizando 30 painéis

60 |

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Os resíduos de painéis foram

transformados em cavacos e,

posteriormente, processados

em moinho de martelos

uso de resíduos de painéis compensados, MDF e MDP para

produção de painéis aglomerados.

MATERIAIS E MÉTODOS

Os resíduos de painéis compensados, MDF e MDP,

todos compostos por madeira de Pinus spp, foram obtidos

em empresas fabricantes de painéis de madeira, na

região metropolitana de Curitiba (PR). Estes resíduos são

gerados nas operações de esquadrejamento e de painéis

desclassificados no controle de qualidade do produto final.

O destino atual deste material nas indústrias é a geração

energética através da queima. Os resíduos de painéis foram

transformados em cavacos e, posteriormente, processados

em moinho de martelos, onde passaram por peneiras

com três diferentes tamanhos de malhas, 18, 12 e 6 mm

(milímetros), sendo utilizadas para produção dos painéis as

partículas que passaram pela malha de 12 mm e ficaram

retidas na malha de 6 mm.

A pesquisa consistiu de um experimento com 10 tratamentos

e três repetições, totalizando 30 painéis, nos quais

foram analisados os três diferentes tipos de resíduos de

painéis e misturas destes, além de dois teores de resina UF.

Os resíduos foram utilizados na produção de painéis de forma

pura (100%) ou misturados. As proporções de misturas

das partículas, provenientes de resíduos de compensados,

MDP e MDF, foram de 50% nos painéis com dois tipos de

resíduos e 33% nos painéis com os três tipos de resíduos.

A resina UF foi utilizada nas proporções de 6 e 10% de sólidos,

a emulsão de parafina foi aplicada na proporção de

1%, ambas em relação à quantidade de massa seca de partículas.

O catalisador - sulfato de amônia - foi aplicado na

proporção de 2%, base sólido de resina. Estes componentes

foram adicionados por meio de aspersão, com auxílio

de uma pistola, no aplicador do tipo tambor rotatório. A

densidade nominal calculada para os painéis foi de 0,80 g/

cm³ (gramas por centímetro cúbico).

O colchão de partículas foi formado manualmente,

utilizando-se uma caixa de madeira, com dimensões de 50

cm (centímetros) de largura por 50 cm de comprimento,

colocada sobre uma placa de alumínio, na qual as partículas

correspondentes a um painel, foram distribuídas uniformemente.

Em seguida, o colchão de partículas foi pré-

-prensado e separadores de 15 mm foram colocados em

duas laterais opostas para delimitar a espessura do painel.

Os painéis foram prensados em uma prensa de pratos com

aquecimento elétrico, à temperatura de 160°C (graus celsius),

pressão específica de 4,0 Mpa (megapascal) e tempo

de prensagem de 8 minutos. Após a prensagem, os painéis

foram esquadrejados e acondicionados em câmara climatizada,

com temperatura 20 ± 3°C e umidade relativa de 65

± 5%, para estabilização final para ensaios.

A avaliação da qualidade dos painéis produzidos com

resíduos compreendeu a determinação das seguintes propriedades

físicas e mecânicas: massa específica aparente,

absorção de água e inchamento em espessura, após 24 horas

de imersão em água; flexão estática; arrancamento de

parafusos (superfície e topo) e tração perpendicular à superfície,

de acordo com os procedimentos descritos na EM

(European Norm). Os valores obtidos nos ensaios foram

comparados com os requisitos das Normas EN 312:2003 e

NBR 14810-2:2006. Os resultados de densidade dos painéis

dos 10 tratamentos foram avaliados inicialmente através

da análise de variância. Constatadas as diferenças significativas

entre as densidades, foi realizada a análise de covariância.

Todos os testes foram aplicados ao nível de 95% de significância,

e o programa estatístico utilizado para a análise

foi o Statgraphics Plus. Havendo a rejeição da hipótese de

igualdade, foi aplicado o Teste de Tukey para comparação

das médias entre os tratamentos.

SETEMBRO | 61


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

ARTIGO

Observa-se que os painéis com

resíduos de MDF e proporção de

10 e 6% de resina apresentaram

os menores valores de teor de

umidade

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Densidade e teor de umidade dos painéis

Os resultados indicam que os painéis compostos com

100% de partículas de resíduos de MDF, MDP e compensados

e 10% de resina não apresentaram valores médios

de densidade diferentes estatisticamente. Os valores médios

de densidade dos painéis compostos por misturas de

resíduos também não foram estatisticamente diferentes,

demonstrando que as misturas de partículas de diferentes

tipos de resíduos não interferiram significativamente nesta

propriedade. Entre estes tratamentos, os painéis produzidos

com os três resíduos apresentaram a maior média

(0,763 g/ cm³), enquanto os painéis produzidos com resíduos

de compensados e MDF apresentaram a menor média

(0,730 g/cm³).

Os painéis compostos com 100% de partículas de resíduos

de MDF, MDP e compensados e 6% de resina também

não apresentaram diferenças estatísticas entre os

valores médios de densidade. Na comparação entre os

painéis produzidos com 10% e 6% de resina, verificou-se

diferença significativa apenas entre os painéis produzidos

com resíduos de MDP, nos quais ficou evidente a influência

do maior teor de resina na densidade dos painéis. Com

relação aos resultados de teores de umidade dos painéis,

verifica-se que existem diferenças estatísticas significativas

entre as médias dos painéis. Os valores médios variaram

entre 7,34% e 8,96%. Pode-se constatar que os painéis

compensados, cujo resíduo foi utilizado nos tratamentos 2

e 9 de forma pura, originalmente não receberam adição de

parafina no processo produtivo, justificando, desta forma,

a maior higroscopicidade em relação aos demais tratamentos

deste experimento. Os resíduos de MDF e MDP, por terem

recebido a aplicação de parafina durante o processo

produtivo, a aplicação adicional de mais 1% de parafina na

manufatura destes painéis experimentais, resultaram na

redução da higroscopicidade destes painéis. Observa-se

que os painéis com resíduos de MDF e proporção de 10 e

6% de resina apresentaram os menores valores de teor de

umidade, o que pode ser justificado pela maior proporção

de parafina que, provavelmente, foi determinante para o

teor de umidade inferior.

Em referência a trabalhos publicados sobre painéis de

madeira, que comprovam a baixa umidade de equilíbrio

em produtos de madeira reconstituída, podemos citar:

Hillig, Haselein e Santini (2004) que encontraram valores

entre 3,74% e 8,78% para painéis do tipo flakeboards de

Pinus elliottii, Eucalyptus grandis e Acacia mearnsii; Cabral

et al. (2007) encontraram valores de 9,62% a 9,94% para

painéis de madeira aglomerada produzidos com Eucalyptus

spp. e Pinus elliottii; e Carneiro et al. (2009) com valores

de 9,10% a 10,23% para painéis de madeira aglomerada de

Pinus elliottii, colados com ureia-formaldeído e adesivos

tânicos.

De maneira geral, os teores de umidade dos tratamentos

ficaram um pouco abaixo dos valores observados em

outros trabalhos. Isto pode ser explicado pelo fato desse

material ter passado por aquecimento na fabricação inicial

dos painéis e ter sido novamente submetido ao aquecimento

a altas temperaturas neste processo produtivo, o

que pode ter contribuído para redução de sítios higroscópicos.

A redução na higroscopicidade também pode ser

causada pela incorporação de resina e parafina, ambas

redundantes neste experimento, deixando o painel menos

reativo à água.

ABSORÇÃO DE ÁGUA E INCHAMENTO

EM ESPESSURA

Os valores médios de absorção de água após 24 horas

de imersão variaram de 16,17% a 57,41%. Os resultados

indicam maior absorção de água dos painéis produzidos

integralmente com compensados e também os efeitos negativos

da incorporação deste material em misturas com

resíduos de MDF e MDP. Estas variações podem ser atribuídas

ao fato de que na produção de compensados não foi

utilizada a emulsão de parafina. Os menores índices de absorção

de água foram obtidos para os painéis produzidos

62 |

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com resíduos de MDF e MDP em função da dupla adição de

parafina, no processo industrial e no laboratório.

Com exceção de painéis produzidos com resíduos de

compensados, não foram constatadas diferenças estatísticas

entre os painéis produzidos com 6% e 10% de resina.

Para os painéis produzidos com misturas dos três tipos de

resíduos, observa-se que a inclusão de resíduos de compensados

aumenta significativamente a absorção de água.

Os valores médios de inchamento em espessura após 24

horas de imersão em água variaram entre 6,42% e 32,26%.

Os maiores valores médios de inchamento em espessura

foram obtidos para painéis produzidos com 100% de resíduos

de compensados, seguidos de painéis com 50% de

compensados. A redução no teor de resina de 10% para

6% resultou em aumento significativo de inchamento em

espessura para painéis de resíduos de MDP e compensados.

A mistura de resíduos de MDP, MDF e compensados

não contribuíram para o aumento no inchamento em espessura

dos painéis. Os painéis produzidos com 100% de

resíduos de MDF apresentaram médias de inchamento

em espessura estatisticamente inferiores em relação aos

demais tipos de painéis. A mistura de resíduos de MDF na

composição dos painéis contribuiu para redução do inchamento

em espessura. Portanto, pode-se afirmar que a incorporação

de parafina no material original e no processo

de manufatura em laboratório reduziu significativamente

os valores médios de inchamento em espessura, quando

comparados com os painéis de resíduos de compensados.

Com relação aos resultados apresentados na literatura,

Iwakiri (2000) obteve para painéis produzidos puros ou em

misturas a partir de resíduos de serrarias de três espécies

de eucaliptos (Eucalyptus maculata, Eucalyptus grandis e

Eucalyptus tereticornis), com densidade nominal de 0,75

g/cm³, e duas proporções de resina UF (8 e 12%), valores

médios de absorção de água entre 37,37% a 50,80%, e de

23,51% a 38,81% para inchamento em espessura, ambos

após 24 horas de imersão em água. Numa outra pesquisa

realizada por Iwakiri (2005), com painéis aglomerados de

Pinus spp, com densidade de 0,650 g/cm³ e 8% de resina

UF, os valores obtidos para absorção de água e inchamento

em espessura foram de 126,58% e 29,99%, respectivamente,

após 24 horas de imersão em água. Pode-se afirmar

que os resultados obtidos nesta pesquisa para painéis

aglomerados produzidos com resíduos de MDF, MDP e

compensados foram satisfatórios em relação aos resultados

de outras pesquisas.

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AGENDA

SETEMBRO 2016

MARÇO 2017

Fesqua

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São Paulo (SP)

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OUTUBRO 2016

Expovale

11 a 19

Lajeado (RS)

www.expovale.org.br

FEVEREIRO 2017

Zow

7 a 9

Bad Salzuflen (Alemanha)

www.zow.de

Delhi-Wood

1 a 4

Nova Déli (Índia)

www.delhi-wood.com

Fimma

28 a 31

Bento Gonçalves (RS)

www.fimma.com.br

ABRIL 2017

Prowood

21 a 25

Gante (Bélgica)

www.prowood-fair.be

Expo Arquitetura

Sustentável

4 a 7

São Paulo (SP)

www.expoarquiteturasustentavel.com.br

DESTAQUE

CONGRESSO NACIONAL MOVELEIRO

14 e 15 de setembro

Curitiba (PR)

www.congressomoveleiro.org.br

Com o tema Repense a forma e reinvente o mercado, a edição de

2016 discutirá as oportunidades e as ferramentas para indústria

moveleira no atual cenário econômico. O Congresso Nacional Moveleiro

começou há 10 anos, como um seminário, e hoje é um dos mais

importantes eventos do setor no país. A última edição superou as

expectativas, levando uma média de 2.000 pessoas em dois dias de evento.

Imagem: reprodução

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

ESPAÇO ABERTO

A IMPORTÂNCIA DO ACABAMENTO EM

MÓVEIS DE MARCENARIA

"D

etalhes fazem a diferença”. Você já ouviu essa

expressão. Desde um acessório que compõe

um look a uma peça de decoração em uma casa,

pequenos e sutis cuidados têm o poder de trazer personalização,

identidade e autenticidade. Além da qualidade da

matéria-prima empregada, existem outras características

fundamentais que determinam o valor do produto. Em um

móvel, por exemplo, um acabamento diferenciado pode

deixar o ambiente completamente renovado, moderno

e aconchegante, valorizando ainda mais a decoração e o

próprio mobiliário.

O consumidor está cada vez mais exigente, prezando

não só pelo bom custo benefício, como também se atentando

mais aos detalhes e pensando na maior durabilidade

dos móveis, uma vez que o investimento em marcenaria

e planejados tende a ser um pouco mais alto. Por outro

lado, as empresas de marcenaria também têm dado maior

atenção à finalização de peças, que vão diferenciar o projeto

e o trabalho frente aos concorrentes. E aí que surge

a demanda por produtos com tecnologia inovadora que

apresentam diferencial estético e versatilidade, agregando

valor ao produto final, como acontece com as fitas de borda

de PVC (Policloreto de Vinil), por exemplo, que se tornaram

elemento essencial para o acabamento do móvel.

As fitas de borda oferecem maior sofisticação para o

mercado moveleiro, por terem design arrojado e diferentes

tipos de cores, desenhos, brilhos e texturas, o que permite

combinações ousadas e personalizadas. Os modelos de 1

mm (milímetro) e 2 mm são ótimas opções para diversas

aplicações em móveis de sala, quarto e até mesmo em

banheiro e cozinha, trazendo criatividade e estilo, além de

também estarem em alta no design de interiores. Isso tudo

com bom custo benefício, já que a fita de borda representa

uma parcela pequena do investimento, se considerar o

projeto por completo e os diversos benefícios que traz. O

produto pode ser aplicado em painéis de MDF e MDP, entre

outros e, graças ao seu fácil manuseio e aplicação, tende a

ter um acabamento mais duradouro e elegante. Para compor

um pacote completo e tornar a mobília item de decoração,

é importante também investir em profissionais especializados,

que dominem as ferramentas e materiais a serem

utilizados na composição dos móveis, além da utilização de

ferramentas apropriadas para esse tipo de aplicação, aliando

qualidade, beleza e exclusividade.

Nos próximos anos, teremos cada vez mais automação,

tecnologia e matérias-primas mais resistentes, uma vez que

a durabilidade se torna mais importante que a aparência na

hora da escolha do mobiliário. Os cuidados com o acabamento

são parte fundamental desse quebra-cabeça para elevar

o padrão do produto. Tudo isso resulta na valorização do

móvel, trazendo vantagens para ambas as partes: os fabricantes,

os profissionais de marcenaria e o consumidor final.

Foto: divulgação

Por Camila Bartalena

Executiva da Rehau

Acesse:

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PRODUTOS INOVADORES

Soluções para projetos construtivos

PROTEÇÃO DE MADEIRAS

Uma empresa do Grupo Lonza

Sistemas analíticos

na usina.

Automação.

O inovador CA-B. Acabamento base óleo

para madeiras

Aditivo repelente à água.

Uso em autoclave com

CCA e CA-B.

Novos rumos

Aditivo colorante.

Uso em autoclave

com CCA e CA-B

CCA

A marca do CCA.

Controles Laboratoriais na Usina

Controles de Operação

Novos Produtos

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Capacitação Técnica

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