17.01.2017 Visualizações

PME Magazine - Edição 3 - Janeiro 2017

A PME Magazine está de volta com uma edição dedicada ao empreendedorismo e à tecnologia. Tim Vieira é a figura em destaque.

A PME Magazine está de volta com uma edição dedicada ao empreendedorismo e à tecnologia. Tim Vieira é a figura em destaque.

SHOW MORE
SHOW LESS

Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!

Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.

janeiro <strong>2017</strong> | TRIMESTRAL | <strong>Edição</strong> n.º 3<br />

DIRETORA: MAFALDA MARQUES<br />

tim<br />

vieira<br />

APRENDER A DAR MAIS DO QUE A RECEBER<br />

LISPOLIS<br />

25 ANOS DO POLO TECNOLÓGICO DE LISBOA<br />

SAPHETY<br />

TECNOLOGIA PORTUGUESA VINGA NA AMÉRICA LATINA<br />

ELETROESTIMULAÇÃO<br />

O FUTURO DO FITNESS


ÍNDICE<br />

p4 Figura de Destaque<br />

Tim Vieira e a aposta no mercado português<br />

p12 Sucesso<br />

LISPOLIS e o balanço dos seus 25 anos<br />

p16 Internacional<br />

Saphety e a aposta no Brasil e na Colômbia<br />

p20 ambiente<br />

O exemplo ‘verde’ da Empresa de Arquivo de Documentação<br />

p22 Responsabilidade Social<br />

A importância da diversidade no local de trabalho<br />

p26 Empreeendedorismo<br />

A Tomatino como exemplo de um franchising de sucesso no Norte<br />

p30 rh<br />

A relevância do executive search para as <strong>PME</strong><br />

p32 Gerir para Medir<br />

A importância do planeamento estratégico na formação<br />

p34 Marketing<br />

A Luvin e a gestão da presença social das celebridades portuguesas<br />

p38 BI<br />

Vincent Gillet, o novo ‘vice’ do marketing da Hertz<br />

p40 Tecnologia<br />

p40- Rapid Fit&Well e a nova tendência do Fitness<br />

p42- A Web Summit e o impacto na vida portuguesa<br />

p44 Agenda<br />

O Fórum Angola-Portugal está à porta<br />

p46 Opinião<br />

António Ramos Pires e a necessidade de um sistema de gestão<br />

da qualidade<br />

ficha técnica<br />

<strong>PME</strong> MAGAZINE<br />

Diretora: Mafalda Marques<br />

Editora: Ana Rita Justo<br />

Redação: Denisse Sousa<br />

Vídeo e Fotografia: Diogo Gomes/BeMySelf<br />

Direcção de Arte: Carlos Alberto Cavaco<br />

Digital Manager: Filipa Capela<br />

Colaboradores: Paulo Veiga, Alda dos Santos Neves e<br />

António Ramos Pires<br />

Estatuto Editorial<br />

(leia na íntegra em www.pmemagazine.com)<br />

Departamento Comercial<br />

Email: publicidade@pmemagazine.com<br />

Propriedade: Massive Media Lda.<br />

NIPC: 510 676 855<br />

Morada sede entidade proprietária/editor:<br />

Urb. Nova do Tereco, 7 – Tourinha<br />

2665-018 Azueira<br />

Redação:<br />

Av. Colégio Militar, 18C – galeria 8<br />

1500-185 Lisboa<br />

Telefone:<br />

217 112 690 | 96 453 31 02 | 934 952 854<br />

Email: info@pmemagazine.com<br />

N.º de registo na ERC: 126819<br />

<strong>Edição</strong> n.º: 3<br />

2 <strong>PME</strong>


Editorial<br />

Preparemo-nos para o melhor<br />

Dizem que o povo português é fatalista, tem medo, chora muito e pouco faz<br />

para melhorar a sua condição de vida.<br />

Desconfio dos estereótipos e rótulos que nos vamos colocando ao longo do<br />

tempo – faz parte do nosso ADN, mas é algo que temos de aprender a ir<br />

controlando, porque nem tudo é mau na nossa essência portuguesa.<br />

É isso que nos diz Tim Vieira, sul-africano de ascendência portuguesa e que,<br />

quis o destino, decidiu vir para Portugal dar seguimento aos seus investimentos.<br />

Descontraído e simpático, trocando instintivamente o português e o inglês<br />

enquanto fala, assim se apresenta este empresário que nos mostrou um pouco<br />

do que é dar e receber no mundo dos negócios e que deixa muitos e bons<br />

conselhos aos empresários portugueses.<br />

Dedicamos esta terceira edição da <strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong> ao empreendedorismo e<br />

à tecnologia, com a LISPOLIS a mostrar que os seus 25 anos de existência<br />

muito fizeram para ajudar a implementar e a melhorar boas empresas em<br />

Portugal.<br />

A Saphety, pioneira na criação de sistemas de faturação eletrónica, abre-se ao<br />

mundo e mostra-nos o que é trabalhar além-fronteiras com um projeto sólido.<br />

Passamos a pente fino o que significa ser uma empresa verde, com a Empresa<br />

de Arquivo de Documentação a dar o seu bom exemplo, e mostramos como<br />

podemos honrar os nossos compromissos de diversidade no local de trabalho.<br />

Fomos ainda conhecer os bastidores de quem gere a vida online das celebridades<br />

portuguesas.<br />

Não nos podíamos despedir sem fazer um balanço da Web Summit e do<br />

impacto que este megaevento teve na vida do empreendedorismo português.<br />

E porque esta tem de ser cada vez mais uma preocupação do mundo<br />

empresarial, António Ramos Pires, presidente da Associação Portuguesa de<br />

Qualidade, alerta-nos para a necessidade de ter um sistema de gestão de<br />

qualidade em cada empresa.<br />

Muitas coisas boas estão para acontecer em Portugal e o investimento em<br />

tecnologia tem tido um papel fulcral neste desenvolvimento. Preparemo-nos,<br />

pois, para o melhor, porque daqui para a frente é sempre a subir.<br />

Ana Rita Justo editora<br />

<strong>PME</strong><br />

3


4 <strong>PME</strong><br />

Tim Vieira nasceu na África do Sul


"Os portugueses têm de<br />

aprender a vender mais”<br />

Tim Vieira<br />

FIGURA EM<br />

DESTAQUE<br />

Facilmente reconhecemos a sua cara e o seu sotaque inglesado do Shark Tank, programa no<br />

qual se notabilizou como um dos mais aventureiros tubarões. Acionista em vários investimentos<br />

em Portugal e além-fronteiras, agora com 41 anos, Tim Vieira quer focar-se em ajudar os<br />

outros a fazerem prosperar os seus negócios<br />

Por: Mafalda Marques<br />

Fotos: Diogo Gomes/BeMySelf<br />

<strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong> – Nasceu na África do Sul, mas foi em<br />

Angola que arriscou nos negócios, porquê?<br />

Tim Vieira – Eu arrisquei logo na África do Sul, comecei cedo e<br />

correu muito bem na África do Sul, depois correu menos bem e<br />

quando eu decidi dar um ‘time off’ veio a oportunidade de Angola,<br />

aí sim, tentei outra vez e fui para Angola. Era para ir apenas por<br />

seis meses, ver como era e ajudar uma empresa a começar e,<br />

depois de ver o potencial que Angola tinha e tudo o que estava a<br />

acontecer, decidi ficar e fazer crescer negócios em Angola. Tive<br />

bons sócios, isso tudo é importante e tudo correu bem para o<br />

sucesso.<br />

<strong>PME</strong> M. – Como descobriu que queria ser empreendedor?<br />

T. V. – Acho que foi por volta dos 12 anos. O meu pai era engenheiro<br />

de aviação e quando eu tinha 12 anos ele decidiu sair e abrir um<br />

negócio [n. d. r. supermercado]. Era um negócio em que precisava da<br />

família inteira. Eu fiquei logo apaixonado pelo negócio: falar com<br />

pessoas, todos os dias era diferente… Se calhar foi essa a vantagem<br />

que eu tive. Entrei, fui logo importante no negócio, tinha jeito<br />

e dos 12 anos para a frente percebi que para mim ia ser sempre<br />

negociar e fazer negócio.<br />

<strong>PME</strong> M. – Como é que chega a Lisboa?<br />

T. V. – Cheguei de Angola e passei cá mais ou menos um ano,<br />

quando estava a trabalhar entre Angola, África do Sul e Portugal.<br />

Vinha cá de férias, mas depois de passar cá algum tempo em<br />

Cascais, há cerca de oito anos, tivemos de decidir se íamos voltar<br />

para África do Sul e ficar sediados no Cabo ou se vínhamos para<br />

Portugal. A minha esposa e eu decidimos vir para Portugal e foi<br />

uma boa decisão: dois dos meus filhos nasceram em Angola e a<br />

mais pequena nasceu cá e a partir daí fiquei mais ligado a Portugal<br />

do que à África do Sul. Vendi os negócios que tinha na África do<br />

Sul e comecei a abrir em Portugal. Acredito que temos sempre de<br />

estar perto dos negócios e então fiquei mais em Angola e Portugal.<br />

Em Portugal, naquele tempo era difícil com a crise. Todos diziam<br />

que era bom para viver mas não para abrir negócios. Comecei<br />

com as framboesas [ver caixa], em 2010, as framboesas começaram<br />

a correr bem e o meu sócio também investiu comigo. Começámos<br />

a investir mais e mais, veio o Shark Tank, vieram mais outros<br />

[negócios] e agora também estou a investir em Portugal.<br />

<strong>PME</strong> M. – Como foi a sua experiência de tubarão no<br />

Shark Tank?<br />

T. V. – Foi muito bom, conheci bons investidores, todas as pessoas<br />

vinham com ideias e conheci empreendedores e é isso que gosto<br />

de fazer. Gosto de conhecer pessoas que querem melhorar a vida<br />

e ali passou muita gente que queria melhorar a vida. Em termos<br />

de negócio, temos 30% que estão a correr muito bem, 20% que<br />

estão mais ou menos e os outros não vão ser grandes negócios:<br />

uns não vão dar e outros já estão a voltar a ficar de novo com<br />

as pessoas e aquelas pessoas estão a tentar, estão a melhorar e a<br />

fazer o que gostam. Consegui ajudar muitos [empresários], outros o<br />

negócio não dava. Sempre pensei em ter 10% de sucesso, porque<br />

normalmente são esses os números e ali correu muito melhor do<br />

<strong>PME</strong><br />

5


que isso, se calhar até melhor do que na vida real de um investidor.<br />

Mas no geral acho que foi uma boa experiência. Conheci muito<br />

boas pessoas.<br />

<strong>PME</strong> M. – O que é que o chamou à atenção nestes<br />

negócios?<br />

T. V. – Primeiro era o facto de as pessoas terem coragem de virem<br />

a um programa de televisão falar do seu negócio, num país em que<br />

quase toda a gente diz que o segredo é a alma do negócio. E essas<br />

pessoas foram lá, falaram e não é fácil com cinco pessoas à frente<br />

a fazerem perguntas difíceis… Aí comecei, mais do que escolher os<br />

negócios, a escolher as pessoas. Eu não fui lá com negócios fechados<br />

na cabeça. Queria investir nas pessoas e dar uma oportunidade de<br />

terem sucesso, acho que foi isso que aconteceu. Investi em cerca<br />

de vinte negócios e cinco deles estão muito bem, têm futuro,<br />

temos um que agora vai para Espanha, outro que só vendia online<br />

e já está em lojas e isso é bom. Há outros negócios onde investimos<br />

e vamos ter retorno devagar, mas os nossos business plans não<br />

são de um ano. é um mercado maduro e muito concorrente em<br />

várias áreas. Mas foi muito bom, no fim também fiz amigos e isso<br />

foi bom.<br />

<strong>PME</strong> M. – Prefere então focar-se nas pessoas…<br />

T. V. – Sim, porque já vi muitos bons negócios, mas com as pessoas<br />

erradas corre tudo mal. E já vi negócios que têm de ser mudados<br />

e adaptam-se porque as pessoas têm o mérito de ter visão para o<br />

futuro, porque o negócio não é tudo. Acho que 10% é o negócio e<br />

90% são as pessoas, caso contrário as empresas não aguentam.<br />

<strong>PME</strong> M. – Como é que essas pessoas se destacaram?<br />

T. V. – É sempre a coragem, energia, a paixão pelo que fazem, mas<br />

muitas vezes é a persistência e eles estarem à espera de ter um<br />

mentor que pode ajudar a abrir algumas portas. Acho que os que<br />

tiveram mais sucesso foram os que não esperavam que eu entrasse<br />

e fazer o negócio todo, mas começavam logo a fazer negócio e<br />

usavam-me para abrir as portas e para avançar. Também aqueles<br />

que adaptaram os seus negócios quando viram que não estava<br />

exatamente o que eles achavam que ia ser, eles adaptavam-se e<br />

começavam a ter sucesso.<br />

“Às vezes até faz<br />

bem trabalharem<br />

para alguém,<br />

porque no fim<br />

vão perceber o<br />

que é ter de<br />

pagar salários”<br />

<strong>PME</strong> M. – Que conselhos pode dar a quem quer abrir o<br />

seu próprio negócio?<br />

T. V. – É sempre difícil, mas acho que é a experiência. Primeiro<br />

é preciso ir lá para fora, às vezes até faz bem trabalharem para<br />

alguém e ganharem aquela experiência ao custo de alguém,<br />

porque no fim vão perceber o que é ter de pagar salários, fazer<br />

vendas, o que é ter um bom produto, bons fornecedores, abrir<br />

mercado, tudo isso. E às vezes quando a pessoa não tem experiência<br />

entra e às primeiras dificuldades parece que não vão ultrapassar.<br />

E quando trabalhamos num mercado e começamos a ver que<br />

a persistência é que ganha… acho que os portugueses também<br />

têm de aprender a vender mais. Muitas vezes vamos cortar custos,<br />

quando às vezes se vendermos mais os custos não são tão importantes.<br />

Pensem também em mercados maiores do que Portugal, que<br />

6 <strong>PME</strong>


FIGURA EM<br />

DESTAQUE<br />

Aos 41 anos, Tim Vieira quer transmitir o seu<br />

conhecimento a outros empresários<br />

não é impossível vender nos Estados Unidos, Espanha, Alemanha.<br />

Pergunto muitas vezes se já mandaram um email para fora de<br />

Portugal e dizem: ‘Não mandei ainda’. Recomendo que mandem,<br />

porque vão ver que há resposta, ainda mais agora, com o sucesso<br />

que Portugal está a ter e muitas pessoas interessadas em Portugal.<br />

É o tempo certo para fazerem essas pontes.<br />

<strong>PME</strong> M. – Criou o BraveGeneration em Portugal. Que<br />

projeto é este?<br />

T. V. – Junto com alguns sócios temos lá fundos. A ideia é investir<br />

em algumas empresas, em mercados diferentes, não temos propriamente<br />

um foco. E queremos usar o network e o investimento<br />

que pusemos para ter sucesso em empresas. Fora do Shark Tank<br />

já investimos em várias empresas: investimos em energia, em<br />

moda, em agricultura, em apps, estamos a investir em empresas<br />

diferentes, sempre a tentar ver qual é a nossa mais-valia, não só o<br />

dinheiro, mas mais do que isso.<br />

<strong>PME</strong> M. – Qual é o conceito BraveGeneration?<br />

T. V. – O que é diferente é que pomos muito a mão na massa, não<br />

estamos a gerir apenas por ter fees, temos pessoas de advocacia,<br />

que dão apoio, temos o lado administrativo, e não estamos ali a<br />

enviar faturas, o nosso big picture é ganharmos com a empresa.<br />

Suportamos esses custos, temos aqui espaço para as pessoas virem<br />

trabalhar, isso é uma das coisas que estamos a fazer mais: quando<br />

investimos as pessoas têm de vir para ao pé de nós, porque acreditamos<br />

que aí vão ganhar muito mais sinergias e ao vê-los todos<br />

os dias irão ter mais hipóteses de sucesso. É um pouco isso, não<br />

estamos a investir para hoje, mas para criar uma empresa que valha<br />

mais no futuro.<br />

<strong>PME</strong> M. – Os seus investimentos estão só focados no empreendedorismo?<br />

T. V. – Não só. Também tenho investimentos no imobiliário, estamos<br />

com um projeto no Alqueva, um em Cascais, estamos a ver<br />

um projeto nos Açores... Acreditamos que o imobiliário em Portugal<br />

nos próximos três anos vai continuar a crescer. Com grandes<br />

empresas não estou muito envolvido, tento usá-las para sinergias e<br />

para trabalharem com as nossas e a ideia é que as nossas pequenas<br />

comecem a crescer e um dia tenham mais valor ao trabalharem<br />

<strong>PME</strong><br />

7


8 <strong>PME</strong><br />

Além do BraveGeneration, Tim Vieira investe<br />

em diferentes áreas de negócio


FIGURA EM<br />

DESTAQUE<br />

com as grandes ou que as grandes fiquem mais interessadas em terem<br />

ações nessas empresas. As grandes empresas boas cá já sabem<br />

o que estão a fazer e não consigo acrescentar valor. Eu gosto de<br />

poder acrescentar valor e isso é nas pequenas, build ups…<br />

“Gosto de poder<br />

acrescentar<br />

valor”<br />

<strong>PME</strong> M. – Muitas vezes as <strong>PME</strong> não conseguem crescer.<br />

Como inverter essa tendência?<br />

T. V. – É preciso vender mais e encontrar mais mercado. Não podemos<br />

ter vergonha ou medo, ou pensarmos que somos inferiores<br />

do que os produtos que estão lá fora. Em Portugal antes pensavam<br />

que os produtos estrangeiros eram melhores e agora estamos<br />

a perceber que afinal estávamos errados e que o que temos cá<br />

é bom. E agora é elevar isso a um próximo passo, que é abrir<br />

mercados lá fora. Acho que em termos de <strong>PME</strong> às vezes pensam<br />

que é o Governo que tem de fazer esse trabalho por nós. Eu nunca<br />

vi nenhum governo ideal que faça o que todos pensam que devia<br />

fazer. Está um pouco nas nossas mãos. A verdade é que Portugal<br />

tem network lá fora, só que nós esquecemo-nos e achamos que ir<br />

vender ao Porto é que é importante, ou ir do Porto vender para<br />

Lisboa. E normalmente isso até é mais difícil, porque há clubes<br />

de futebol e fica uma barreira, porque quem vem do Porto não é<br />

do Benfica e quem é do Benfica não é do Porto. E lá fora ninguém<br />

quer saber isso, querem ver o nosso produto, querem saber se<br />

temos preço, se conseguimos produzir as quantidades que estão<br />

à procura. Acho que é nisso que Portugal tem de concentrar-se e<br />

dar um foco grande na exportação. Estamos com mercados bons<br />

no turismo, estão todos a vir para cá e a gastar e tudo isso é bom,<br />

porque estão a ver os nossos produtos, a nossa comida, a roupa,<br />

tudo o que é feito cá. E quando forem para fora já começam a<br />

comprar. Estamos agora no ponto certo de avançar com isso, é<br />

mesmo pensar muito em vendas para fora.<br />

<strong>PME</strong> – Mas grande parte das <strong>PME</strong> é de serviços. Como<br />

exportar os nossos serviços para outros países?<br />

T. V. – Acho que o mundo está muito incerto. Estamos com<br />

o Brexit, Trump nos Estados Unidos e tudo isso, pelo menos<br />

Portugal pode usar isso para uma vantagem. Estamos cá, fazemos<br />

serviços, temos bom preço, bons profissionais, falamos línguas.<br />

Era começar a fazer o que aconteceu na Índia, o outsource. Acho<br />

que se Portugal tiver o mínimo de sucesso nisso, não teremos<br />

pessoas que cheguem para fazer o serviço. Já estou a sentir nos<br />

programadores que está a ficar difícil encontrar pessoas e já há<br />

portugueses que estavam lá fora a voltar para cá. E já não chegam<br />

cá a falar em salários mínimos, estão a ser bem pagos, porque já há<br />

procura e já há pessoas a querem fazer hubs. Na Web Summit, devo<br />

ter falado com mais de dez pessoas que estão a pensar fazer cá<br />

hubs. E não só. Já vi empresas como a MisterFly, EasyJet a montarem<br />

cá e tudo isso é bom, aí é que vamos começar a ter procura de<br />

mão de obra. Não será só termos de ser empreendedores para ir<br />

lá para fora, mas também os que vêm para cá vêm criar riqueza. É<br />

win-win. Temos de mostrar que somos bons, sólidos, não ser complicados,<br />

pouca burocracia – ainda muitos estrangeiros pensam<br />

que temos mas já não é bem assim. Não vender só o sol, mas o que<br />

de bom temos cá: jovens qualificados que falam línguas…<br />

“Dar é melhor do que receber”<br />

<strong>PME</strong> M. – É muito procurado para fazer mentoring. Qual é<br />

a mais-valia para as empresas?<br />

T. V. – Chegamos a uma altura na nossa vida em que nos<br />

apercebemos que dar é melhor do que receber e acho que há<br />

grandes pessoas nos negócios que já estão a perceber isso.<br />

Também temos muitos jovens que estão a começar a ter sucesso lá<br />

fora e estão a abrir-se para serem mentors. Não precisamos de ser<br />

velhinhos para dar mentorship. Conheço pessoas com 25 anos que já<br />

podem dar bom mentoring, porque já fizeram alguma coisa e sabem<br />

qual é o caminho para ajudar alguém a ter sucesso. Acho que o<br />

mentoring, os business angels vão melhorar muito aqui em Portugal.<br />

Acho que é um bom caminho. Pessoalmente, gosto de poder dar<br />

de volta e o que me faz mais contente é ver alguém a começar<br />

a ter sucesso. O que eu peço de volta é que não se esqueçam de<br />

<strong>PME</strong><br />

9


FIGURA EM<br />

DESTAQUE<br />

abrir portas para outros, porque Portugal é um mercado difícil.<br />

Em distribuição temos grandes canais, mas já são tão eficientes<br />

que já não ajudam os pequenos. Acho que essas empresas grandes<br />

vão ter de começar a perceber que têm de ajudar startups e isso<br />

vai ser interessante. E essas próprias empresas terem pessoas que<br />

podem ser mentores para empresas pequenas. Isto é um ecossistema<br />

que está a ser criado, com boas incubadoras e aceleradoras e<br />

com portugueses que querem sucesso e não estão com inveja nem<br />

tentam bloquear. Na Web Summit vi muito mais pessoas com essa<br />

postura do que com a de estarem fechados e não quererem ajudar.<br />

Parece que estamos no caminho certo, vai ser um ecossistema<br />

forte.<br />

<strong>PME</strong> M. – Dá muita atenção à sua família. Como concilia<br />

os compromissos familiares com os profissionais?<br />

T. V. – Nunca é perfeito. A minha família acha que eu deveria estar<br />

mais tempo com eles. Eu às vezes acho que também podia ter<br />

mais tempo com as empresas onde estou a investir. É sempre uma<br />

guerra. A verdade é que quando estamos com uns ou com outros<br />

temos de ter tempo de qualidade. Estar mais desligados, ter comunicação.<br />

É isso que eu tento. Os fins de semana são da família,<br />

mas não é perfeito. A minha ideia é daqui a um ano relaxar um<br />

bocadinho mais. Já começamos a perceber quais as startups que<br />

vão ficar e quais não vão.<br />

Às vezes também levo a minha família a viajar, os meus filhos<br />

aprendem um bocado, já foram a várias reuniões comigo e põem<br />

gravata e tudo, mas é difícil.<br />

O que ajuda é que eu tenho uma boa equipa. Às vezes não precisam<br />

de mim e quando as empresas já não são tão startups começam a<br />

precisar menos do Tim.<br />

Agora também já não faço emails, só trabalho através do<br />

WhatsApp, SMS ou telefone, as pessoas têm de me ligar ou enviar<br />

SMS e assim gastam menos do meu tempo, porque dantes era um<br />

email por tudo. Agora têm de pensar bem antes de me enviarem<br />

um pedido. E isso ajuda-me muito. Emails é tão fácil e eu tinha de<br />

responder quando estava com a família. Agora com um telefonema,<br />

2, 3 minutos, é muito mais fácil.<br />

Tenho a minha assistente, que me ajuda muito, mas não sou<br />

daquelas pessoas que tem tudo certinho. Sei o que tenho a fazer<br />

durante o mês, mas há muita coisa que entra lá no meio, porque<br />

10 <strong>PME</strong><br />

eu não consigo dizer não facilmente, então entra sempre mais uma<br />

reunião ou alguma coisa que não estava lá, mas eu também não<br />

gosto de ser organizado. Tenho um bocado de África em mim e<br />

vou deixar dessa maneira.<br />

“Tenho um<br />

bocado de<br />

África em mim e<br />

vou deixar dessa<br />

maneira”<br />

<strong>PME</strong> M. – O que faz do ponto de vista mental e físico<br />

para se focar?<br />

T. V. – Em termos físicos devia fazer muito mais [risos]. Estou<br />

constantemente a dizer que tenho de perder dez quilos, mas em<br />

Portugal não é fácil e há sempre uma desculpa. Aí vou mudar,<br />

porque tenho de fazer um pouco mais, antes fazia muito [exercício]<br />

e agora faço pouco e como muito.<br />

Em termos mentais, sou cristão, vou à igreja ao domingo e isso<br />

dá-me para pensar e estar focado e muitas vezes penso lá em coisas<br />

que me fazem mais forte mentalmente. Não faço muita meditação,<br />

porque começo a pensar em mais coisas para fazer e isso não é<br />

ideal. Mas tenho aquele tempo durante a semana em que consigo<br />

focar-me e depois tenho valores em que acredito, tento viver por<br />

eles, ser um exemplo, vejo os meus filhos e tento com que eles<br />

vejam como sou e isso ajuda-me a ter uma mente forte.<br />

Gosto muito de delegar e de deixar as pessoas crescer à minha<br />

volta. O pior que posso fazer é ter pessoas que não estão a crescer<br />

mais à minha volta, fico eu mais irritado do que eles! Gosto de<br />

trazer valor, mas gosto que cresçam e andem para a frente com<br />

isso. Não faço nada de especial, quero é começar a andar mais de<br />

bicicleta, porque dá para pensar mais.


Boa disposição e despreocupação são<br />

características vincadas deste empresário<br />

tim vieira<br />

Tim Vieira nasceu a 18 de julho de 1975 em Joanesburgo, na África do Sul, filho de pais<br />

portugueses. Frequentou a Universidade da África do Sul (UNISA), onde estudou dois anos<br />

em Gestão /Administração de Empresas, mas só mais tarde terminou o curso, já na Chicago<br />

BOOTH School, em Londres. Em 1993 abriu o seu primeiro negócio, uma cervejaria, na África do<br />

Sul.<br />

Em 2001, mudou-se para Angola, onde começou a investir. Atualmente, possui juntamente<br />

com o seu sócio, Nuno Traguedo, um dos mais relevantes grupos de Media – a Special Edition<br />

Holding –, que emprega mais de 500 colaboradores e que detém algumas das principais<br />

agências de publicidade, eventos, ativações de marca e planeamento de meios (TBWA/Angola,<br />

Original Brands, Multileme, Onmedia). Além disso, tem ainda empresas de media em Moçambique<br />

e no Gana.<br />

Atualmente, em Portugal, é também CEO da BraveGeneration, tendo investimentos em diversas<br />

áreas com o sócio Rafael Nacif.<br />

É sócio em empresas focadas na produção de framboesas e mirtilos (Green Meridian), distribuição<br />

de Sci-Mx, produtos nutricionais (RefreshJump, S.A.), fornecimento de WiFi gratuito<br />

em áreas públicas (On-Fi), distribuição de energia (Luzboa), serviços de motoristas (DrivU),<br />

entre outras atividades.


12 <strong>PME</strong>


LISPOLIS: o polo tecnológico<br />

de Lisboa fez 25 anos<br />

casos de<br />

sucesso<br />

a lispolis é uma associação privada sem fins<br />

lucrativos, constituída em 1991, tendo desenvolvido<br />

o primeiro pólo tecnológico português em lisboa.<br />

uma iniciativa criada pelo professor josé veiga<br />

simão, que, na altura como ministro da indústria e<br />

depois presidente do ineti, decidiu criar uma área<br />

adjacente ao campus de ineti para acolher as<br />

startupup que fossem originadas dos projetos de<br />

investigação na área de engenharia e tecnologia.<br />

a área do polo tecnológico em telheiras,<br />

freguesia de carnide, tem cerca de 12 hectares, com<br />

26 lotes, mas por haver dificuldades de financiamento<br />

em determinadas fases, ainda não terminou a<br />

sua área de expansão. conta com mais de 100<br />

empresas instaladas, mais de 1500 postos de<br />

trabalho qualificados e um número de associados<br />

importante. em entrevista à pme magazine,<br />

o diretor-geral do primeiro polo tecnológico<br />

português conta a sua história e desvenda por onde<br />

passa o futuro.<br />

Por: Mafalda Marques<br />

<strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong> – Qual o conceito original da<br />

LISPOLIS?<br />

Cândido dos Santos – Acolher empresas viradas para a<br />

inovação e prestar serviços de desenvolvimento a outras empresas.<br />

Existe uma rede de parques de ciência e tecnologia em Portugal,<br />

da qual fazemos parte, e estes parques acabam por ter características<br />

diferentes uns dos outros. Há parques que ficam fora das cidades,<br />

em antigas zonas industriais, há parques dentro das Universidades.<br />

O polo tecnológico de Lisboa é uma versão urbana do parque<br />

de ciência e tecnologia e pretende apoiar o lançamento e desenvolvimento<br />

de <strong>PME</strong> para as apoiar no seu desenvolvimento em<br />

<strong>PME</strong><br />

13


casos de<br />

sucesso<br />

inovação.<br />

<strong>PME</strong> Mag. – Como é que apoiam o desenvolvimento das<br />

empresas que se alojam na LISPOLIS?<br />

C. S. – O apoio é feito através de vários serviços que prestamos,<br />

não só a instalação no parque é muito facilitada pelas infraestruturas<br />

que já estão preparadas para receber uma empresa com<br />

o mínimo de burocracia e para poderem começar a trabalhar<br />

sem grandes problemas do foro administrativo, contratação de<br />

infraestrutura. Ou seja, há uma facilitação nos serviços que as<br />

empresas precisam para trabalhar. Existe também o networking<br />

com as empresas que já cá estão, o que é muito potenciado pelo<br />

facto de as empresas partilharem espaço e os colaboradores e<br />

responsáveis das empresas se encontrarem nas instalações de uso<br />

comum de forma organizada e ocasional. E, finalmente, existem<br />

os serviços especializados no financiamento, na internacionalização,<br />

no apoio a candidaturas a programas de financiamento de apoio às<br />

empresas.<br />

<strong>PME</strong> Mag. – A LISPOLIS faz a ponte no apoio às empresas?<br />

C. S. – A LISPOLIS foi desenvolvendo capacidades próprias nesse<br />

sentido. Continuamos a apoiar as empresas, mas muitas das que<br />

estão instaladas no polo não são startups. Temos uma incubadora,<br />

mas a tipologia de empresa mais presente no polo é a que já<br />

funcionou noutras instalações, que se transferiu para aqui por<br />

causa dos benefícios de estar num parque de ciência e tecnologia.<br />

Muitas vezes essas empresas já têm capacidade própria para encontrar<br />

os meios de apoio que necessitam uma vez que têm contactos<br />

nas universidades, têm projetos em curso, conhecimentos nos<br />

gabinetes de apoio do IA<strong>PME</strong>I. De qualquer forma, sempre que<br />

necessário intervimos.<br />

sem apoio comunitário, mas com participação das entidades que<br />

queriam instalações. Em 2008 tivemos mais um problema, com<br />

a crise financeira, que atrasou o nosso desenvolvimento e neste<br />

momento estamos a recuperar. Enquanto no princípio o projeto<br />

do parque era algo estranho e mal percebido por uma série de<br />

entidades, uma vez que não havia apoio às empresas nascentes,<br />

neste momento há um enquadramento favorável, diversidade de<br />

destino para as empresas escolherem. As empresas podem escolher<br />

dentro do ecossistema de Lisboa qualquer sítio para se instalarem,<br />

como surgiu recentemente no Mercado da Ribeira. O facto de<br />

termos ocupação elevada mostra que a LISPOLIS tem conseguido<br />

recentemente enfrentar a situação que existe no mercado e fazer a<br />

sua quota-parte no lançamento de iniciativas.<br />

“A Lispolis é<br />

o primeiro parque<br />

tecnológico<br />

de Portugal”<br />

<strong>PME</strong> Mag. – Ainda há espaço para aumentarem o polo?<br />

C. S. – Temos capacidade de construir 90 mil metros quadrados<br />

brutos para acolher empresas e temos atualmente cerca de metade<br />

construído, ou seja 45 mil. Além disso, a Câmara Municipal de<br />

Lisboa tem um plano chamado “Plano Pontinha-Carnide” que<br />

engloba quer o campus do Lumiar, quer o parque de Ciência e<br />

Tecnologia do polo tecnológico de Lisboa e outra área de expansão<br />

do parque, reservando o PDM para acolher empresas. A<br />

tendência agora é que essa nova zona da cidade venha a consolidar-se,<br />

quer pelo aumento da dimensão do parque de ciência e tecnologia<br />

quando for considerado necessário e criação de novas zonas para<br />

acolher empresas. Essa zona vai até à da [nova] Feira Popular, o que<br />

irá trazer uma nova centralidade para aqui, uma vez que a Feira<br />

Popular vai dinamizar a rede de transportes públicos. É um dado<br />

relevante para o polo tecnológico, porque temos boas ligações<br />

rodoviárias e boa capacidade de estacionamento nesta fase.<br />

<strong>PME</strong> Mag. – Como foi o crescimento ao longo destas<br />

duas décadas?<br />

C. S. – O crescimento inicial foi apoiado pelo PEDIP, Programa<br />

Específico de Desenvolvimento da Indústria Portuguesa, e teve<br />

relevância no arranque do projeto e financiou uma série de<br />

edifícios. A partir de 2000 dá-se o crescimento das TIC, que<br />

depois têm uma crise em 2002 e sentimos também esse efeito<br />

no polo. A partir daí apostámos na construção de mais edifícios<br />

14 <strong>PME</strong>


<strong>PME</strong> Mag. – Quantas startups, <strong>PME</strong> e multinacionais<br />

aloja a LISPOLIS?<br />

C. S. – 50% das empresas são TIC. São empresas que resistiram<br />

bem à crise financeira, apesar de terem diminuído o número de<br />

colaboradores que ocupam no parque – as empresas podem passar<br />

de salas grandes para salas mais pequenas. Há uma grande mobilidade<br />

interna e isso é importante porque as empresas quanto<br />

mais espaço ocupam mais custos mensais têm. Cerca de 5% das<br />

empresas são startups, as multinacionais não chegam a 5% e 45%<br />

são <strong>PME</strong>.<br />

<strong>PME</strong> Mag. – Qual o perfil do empreendedor da<br />

LISPOLIS?<br />

C. S. – Quem já trabalhou em grandes ou pequenas empresas já<br />

teve uma experiência de mercado de trabalho durante vários anos<br />

e que decidiu, por variadas razões, tentar lançar um projeto.<br />

<strong>PME</strong> Mag. – Como é que a LISPOLIS ainda pode crescer?<br />

C. S. – Atualmente estamos a promover mais a imagem e a marca<br />

LISPOLIS. Fizemos um refreshment na nossa imagem e<br />

continuamos a sua divulgação. Eu costumo dizer que os maiores<br />

divulgadores da nossa imagem são as pessoas que vêm ao polo.<br />

Já tivemos e temos empresas que são bem-sucedidas, como a<br />

empresa que fez o software para os passaportes eletrónicos, a<br />

Vision-Box. A Focus BC tem o projeto da GeoEstrela em parceria<br />

com a Junta de Freguesia da Estrela. A Energy Pulse Systems tem<br />

um projeto científico que incide sobre o uso de impulsos elétricos<br />

na melhoria da extração de sumos e vinho. A ID Mind e EPL na<br />

robótica.<br />

<strong>PME</strong> Mag. – Como dinamizam a vossa comunidade<br />

empresarial?<br />

C. S. – Temos reuniões periódicas de divulgação de empresas,<br />

projetos, ideias, iniciativas ou legislações que interessam às empresas.<br />

Temos iniciativas de carácter social com a Junta de Freguesia,<br />

escolas, com o comércio local com quem temos protocolos de<br />

prestação de serviços às empresas de forma favorável, em termos<br />

de preços ou prestações de serviços no local. Dinamizamos<br />

iniciativas como recolha de sangue e a vinda de empreendedores<br />

de refeições rápidas. Temos uma newsletter semanal, o site e estamos<br />

a instalar mais serviços através desses meios para as empresas<br />

receberem as faturas eletrónicas e poderem reservar salas através<br />

do smartphone.<br />

<strong>PME</strong> Mag. – Qual a relação com outros polos nacionais e<br />

internacionais?<br />

C. S. – Temos uma relação com os polos nacionais através da<br />

TECPARQUES. Fomos durante muitos anos um dos três administrados<br />

da TECPARQUES, participamos sempre nos órgãos sociais<br />

como membro da direção ou do conselho fiscal. E a nível internacional<br />

é através da IASP [Internacional Association of Scientific Parks],<br />

somos full members e todos os contactos que são necessários fazer<br />

com outros parques a nível internacional podem ser conseguidos<br />

através da IASP e eles enviam-nos sempre iniciativas caso queiramos<br />

concorrer ou apresentar empresas. O último pedido que nos<br />

veio do IASP veio da área veterinária e laboratorial através do Polo<br />

Tecnológico da Andaluzia e neste momento andamos à procura<br />

de uma empresa que responda a este pedido. Com Espanha existe<br />

uma reunião anual entre a TECPARQUES e a associação espanhola<br />

de parques de ciência e tecnologia. Estas reuniões são alternadas<br />

entre Espanha e Portugal, a não ser que haja uma reunião do IASP<br />

em Portugal ou em Espanha. Este ano foi em Espanha e em <strong>2017</strong><br />

será em Portugal, ainda sem parque definido. Vai ser uma reunião<br />

onde irão participar membros do Ministério da Economia e onde<br />

se irá falar da problemática dos parques de ciência e tecnologia. Em<br />

Espanha os parques tecnológicos são um movimento fortíssimo.<br />

Cândido dos Santos é o diretor-geral da LISPOLIS, entidade<br />

gestora do Polo Tecnológico de Lisboa<br />

(Foto: LISPOLIS)<br />

<strong>PME</strong><br />

15


LÁ FORA<br />

Saphety aposta na América Latina<br />

Integrante do grupo Sonae, a Saphety conta<br />

com 15 anos de mercado e é pioneira na área<br />

das compras eletrónicas. Rui Fontoura, CEO há<br />

seis anos, falou com a <strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong> sobre a<br />

internacionalização da empresa.<br />

Por: denisse sousa<br />

A Saphety é, atualmente, o maior operador de faturação eletrónica<br />

em Portugal e foi uma das primeiras empresas a atuar na área<br />

de desmaterialização de documentos comerciais. Trabalha com<br />

empresas um pouco por todo o mundo e recentemente entrou na<br />

América do Sul, abrindo escritórios nos dois maiores mercados<br />

latinos: o Brasil e a Colômbia.<br />

Com cerca de 130 colaboradores, a Saphety atua transversalmente<br />

em todos os setores, mantendo uma presença forte em todo o<br />

fornecimento do retalho, mas tendo também presença na administração<br />

pública, saúde e por todos os restantes setores.<br />

Apesar de providenciar serviços em mais de vinte países, a base de<br />

operações fica sempre em Portugal.<br />

“Somos uma empresa que atua na área do software as a service,<br />

temos uma estrutura de software que está sempre em Portugal,<br />

por isso o serviço que damos a qualquer empresa em qualquer país<br />

do mundo é sempre feito a partir de um software que aqui está<br />

instalado”, explica Rui Fontoura, CEO da empresa.<br />

Para o responsável, a internacionalização só faz sentido quando<br />

a empresa sabe se tem potencial ou não para o fazer e este foi o<br />

caso da Saphety.<br />

“Não existe um conjunto de passos que tenha de se seguir, como<br />

se fosse um guião. A primeira coisa é perceber se a empresa tem<br />

capacidade ou se, dentro da sua oferta, tem algo diferenciador<br />

para que consiga ter sucesso noutro país, porque ir para outro<br />

país vender o que já existe dificilmente se irá conseguir. Depois,<br />

é preciso selecionar os mercados onde se quer atuar e a partir daí<br />

selecionar os países onde se entende que a oferta da empresa tem<br />

mais potencial”, sustenta.<br />

Rui Fontoura considera que a já reconhecida presença do grupo<br />

Sonae no Brasil e o facto de a legislação na faturação eletrónica ser<br />

favorável à oferta da Saphety facilitaram a entrada da empresa no<br />

país do Carnaval.<br />

“No Brasil, optámos por comprar uma pequena empresa que já<br />

tivesse uma base de clientes e daí fazer crescer o negócio.”<br />

Já na Colômbia, um país com 50 milhões de habitantes e a terceira<br />

maior economia da América Latina, o CEO conta que o método<br />

de entrada foi diferente: “Abrimos uma empresa do zero, contratámos<br />

pessoas locais e estabelecemos uma estratégia de venda.”<br />

Para apostar na Colômbia foi necessária muita pesquisa e recorrer<br />

a indicadores económicos que dessem uma previsão de quando a<br />

Colômbia seguiria os passos do Brasil, na aprovação de uma legislação<br />

favorável à faturação eletrónica.<br />

“Nós apostámos que na Colômbia essa legislação própria iria entrar<br />

em vigor dois ou três anos depois de entrarmos no mercado e<br />

isso aconteceu o ano passado”, conta<br />

No norte da Europa, a Saphety não tem escritórios abertos, mas a<br />

venda de serviços é feita a partir dos escritórios em Portugal.<br />

“Isso permite-nos ir à Suécia, onde temos um grande cliente,<br />

vender uma solução, mas depois a implementação desta solução é<br />

feita aqui e o serviço é todo prestado de Portugal. Localmente, em<br />

cada país onde estamos presentes ou temos clientes, temos equipas<br />

de desenvolvimento de negócio e uma pequena equipa de suporte<br />

técnico local, mas o suporte técnico mais alargado é feito a partir<br />

daqui.”<br />

Em África ainda não surgiram oportunidades de internacionalização,<br />

principalmente devido à inexistência de legislação<br />

favorável: “Para a nossa área de atuação, contratação eletrónica,<br />

faturação eletrónica, com a exceção da África do Sul, neste momento<br />

não temos essa intenção. Há outras áreas geograficamente<br />

16 <strong>PME</strong>


que estão mais perto do nosso tipo de soluções como a América<br />

Latina, talvez o Médio Oriente.”<br />

Adaptar-se a diferentes<br />

contextos<br />

Além de trabalhar com a América Latina, a Saphety mantém<br />

relações comerciais com países como a Suécia, Finlândia e<br />

Dinamarca e aqui as culturas de fazer negócio entram em choque.<br />

Para Rui Fontoura, as diferenças maiores ocorrem na gestão<br />

de expectativas: “Os nórdicos não criam expectativas, mas não<br />

impedem a possibilidade de fazer negócio, enquanto os latinos<br />

criam mais expectativas, mas não necessariamente oportunidades<br />

de negócio”.<br />

O responsável sublinha ainda a extraordinária capacidade de adaptação<br />

dos portugueses e das empresas portuguesas a estas<br />

diferentes culturas de negócio: “E uma mais-valia para nós.”<br />

A Saphety é o maior operador de faturação eletrónica em Portugal<br />

(Foto: Saphety)<br />

“Grupo Sonae dá-nos solidez e<br />

confiança”<br />

Apesar de a Saphety fazer parte do grupo Sonae, menos de 20%<br />

do negócio é feito dentro do grupo. Rui Fontoura rejeita a ideia de<br />

estar “dependente do grupo”, mas assume algumas vantagens desta<br />

ligação.<br />

“Obviamente, quer em Portugal ou em qualquer país onde atuamos,<br />

fazer parte do grupo Sonae dá-nos uma solidez financeira,<br />

uma confiança que passamos aos nossos clientes, diferente do que<br />

se fôssemos uma empresa de pequena dimensão”, sustenta.<br />

A solidez da Saphety também advém das certificações que a<br />

empresa conseguiu ao longo dos anos. Em julho de 2008, a<br />

Saphety recebeu a certificação ISO 9001, que se refere ao nível<br />

do Sistema de Gestão da Qualidade e permite apostar na melhoria<br />

contínua e ser regularmente avaliada no seu desempenho. Em<br />

julho de 2016, recebeu a certificação ISO 27001, que reconhece<br />

a Segurança da Informação nos processos de desenvolvimento,<br />

gestão e operação das plataformas de negócio.<br />

Com o número de ataques cibernéticos sofridos por parte de<br />

grandes empresas, a Saphety vê no investimento na segurança uma<br />

forma de manter não só os seus clientes a salvo, mas também a<br />

própria empresa.<br />

<strong>PME</strong><br />

17


“A ISO 27001 é uma certificação de segurança de informação. É a primeira forma que a Saphety tem de<br />

garantir aos seus clientes que existe uma série de procedimentos, da nossa parte, feitos de forma a garantir<br />

a segurança de informação. Por outro lado,<br />

trabalhamos com empresas especializadas de forma a garantir que os nossos sistemas estão sempre atualizados<br />

e que fazemos tudo o que é possível para evitar qualquer perda de informação.”<br />

Empresas como o LinkedIn, Yahoo ou Ebay foram alvos de ataques cibernéticos no passado. Para isso, a<br />

Saphety conta com mecanismos para evitar o pior: “Trabalhamos com empresas especializadas de forma<br />

a garantir que fazemos tudo o que é possível para estarmos protegidos. Depois, se na pior das hipóteses<br />

acontecer alguma coisa, temos toda uma redundância, um backup para recuperar o que eventualmente foi<br />

perdido.”<br />

2015 de crescimento e <strong>2017</strong> de expansão<br />

Em 2015 a Saphety registou um crescimento de 10% no volume de faturação: “Temos conseguido crescer<br />

todos os anos, o que é importante para nós. Em 2015, já fizemos mais de 40% do negócio no mercado<br />

internacional, o que significa que já não estamos tão dependentes do mercado português. Foi um ano de<br />

adaptação aos mercados onde estamos, nomeadamente, Colômbia e Brasil, mas globalmente um ano positivo.”<br />

Em 2016 a Saphety continuou a crescer, em especial em clientes internacionais com crescimento superior<br />

a 45%. A previsão da Saphety para <strong>2017</strong> é de atingir um crescimento superior a 20%, baseado na consolidação<br />

dos mercados atuais e entrada em novos mercados. A estratégia passa por continuar a evoluir a sua<br />

oferta de forma a aumentar o seu posicionamento nos seguintes cinco setores: público, retalho, telecomunicações,<br />

automóvel e saúde.<br />

“Queremos que estas duas operações [Colômbia e Brasil] tenham o seu ano de verdadeira consolidação e<br />

crescimento. Vamos apostar mais em Espanha, apesar de considerarmos que temos o mercado ibérico, na<br />

realidade, temos mais Portugal que Espanha, mas para o ano vamos focar-nos mais em Espanha.”<br />

Além disso, Rui Fontoura quer “consolidar a aposta em transformar a Saphety numa empresa que tem mais<br />

de 50% do seu negócio feito no mercado internacional”.<br />

“Queremos claramente aumentar a nossa participação internacional e vender um pouco por todo o mundo.<br />

Não temos tenções de abrir mais escritórios, porque já temos dois escritórios em dois países fundamentais,<br />

de grande dimensão, de referência para toda a América Latina. Por isso o nosso objetivo é consolidar<br />

e fazer destes dois negócios duas operações em crescimento e com uma dimensão grande e que façam a<br />

diferença.”<br />

<strong>2017</strong> será o ano de consolidação das ações feitas no Brasil e Colômbia<br />

(Foto: Saphety)<br />

18 <strong>PME</strong>


LÁ FORA<br />

Rui Fontoura, CEO da Saphety<br />

(Foto: Saphety)<br />

<strong>PME</strong><br />

19


AMBIENTE<br />

Como ser uma empresa verde<br />

Por: Paulo Veiga, CEO da EAD – Empresa de Arquivo de Documentação<br />

O paradigma da sustentabilidade sofreu uma grande alteração ao<br />

verificarmos que estamos a gastar mais energia do que realmente<br />

precisamos, ou seja, estamos a queimar grandes quantidades de<br />

gás e petróleo, prejudicando assim o ambiente. Esta mudança<br />

é uma oportunidade inteligente e estratégica para as empresas<br />

aproveitarem, uma vez que podem representar uma grande<br />

redução de custos (diretos e indiretos), a médio prazo, bem como<br />

uma melhor gestão de risco.<br />

Empresas com práticas ambientalmente responsáveis geram bons<br />

negócios para todos, aliás, um empreendedor bem sucedido e<br />

ambientalmente responsável caracteriza-se pela capacidade de<br />

prever, conter e aproveitar o risco, transformando-o em oportunidade.<br />

Este universo ambiental é, desde há algum tempo a esta<br />

parte, uma oportunidade para o crescimento económico com o<br />

uso racional e eficiente dos recursos naturais. As empresas devem,<br />

portanto, encarar a responsabilidade social como uma estratégia<br />

significativa de modo a manter ou até aumentar a sua rentabilidade<br />

e potenciar o seu desenvolvimento. A crescente consciencialização<br />

do consumidor na procura de produtos, serviços e bens que<br />

conciliem a relação equilibrada entre ambiente, comunidade e<br />

economia é prova disso mesmo.<br />

A EAD – Empresa de Arquivo de Documentação, SA - é o testemunho<br />

de uma empresa verde, fruto, não só, da sua certificação<br />

segundo o referencial NP EN ISO 14001:2012, desde 2007, mas<br />

também da nossa constante preocupação na diminuição da nossa<br />

pegada ecológica. Ser uma empresa sustentável representa um<br />

desempenho financeiro mais lucrativo, uma vez que todas as ações<br />

tomadas neste sentido são um investimento para o futuro da Companhia<br />

e de todos nós.<br />

O facto de termos uma empresa com um sistema de gestão ambiental,<br />

por si só, não nos caracteriza como uma empresa verde. Há<br />

inúmeras ações que podem ser implementadas à parte da Norma<br />

e que a EAD há muito implementou, gerando lucro e diferenciando-nos<br />

do mercado.<br />

Enumeramos as mais proeminentes:<br />

- Papel: O nosso core business. O papel é o nosso maior resíduo,<br />

pelo que colaboramos com um operador autorizado para proceder<br />

20 <strong>PME</strong><br />

à sua destruição, segura e confidencial. No ano transato reciclámos,<br />

entre papel e cartão, cerca de 420 toneladas.<br />

- Frota: a EAD dispõe de frota própria com um total de dez viaturas<br />

e o único combustível utilizado é o gasóleo, pelo que foi<br />

efetuada a avaliação de impacte ambiental da mesma, tendo em<br />

conta que há matéria-prima consumida e emissão de poluentes<br />

decorrentes da sua utilização. Não obstante, a Companhia tem<br />

vindo a adotar algumas medidas com o objetivo de reduzir os<br />

consumos, das quais se destacam a implementação de um sistema<br />

de GPS nas carrinhas que visa, além da segurança da informação e<br />

localização dos mesmos, saber os seus consumos e limites de velocidade.<br />

Este sistema também permite a rentabilização de rotas.<br />

- Eletricidade: sendo a eletricidade e os combustíveis os principais<br />

consumos energéticos da EAD, tomámos algumas medidas para<br />

o seu decréscimo através, por exemplo, da divulgação de boas<br />

práticas ambientais; ações de formação; detetores de presença<br />

em áreas de ocupação temporária; monitorização de consumos<br />

(verificar desvios e atuar em conformidade); utilização do sistema<br />

de free-cooling, colocado na sala de data center, cujo objetivo é o<br />

aproveitamento do ar frio da rua injetando-o no interior da sala,<br />

para que o equipamento de ar condicionado esteja desligado nestas<br />

situações e utilização de lâmpadas LED.<br />

- Água: no seu dia-a-dia apenas se utiliza este recurso em WC e<br />

copas, uma vez que possuímos furo próprio. Mais recentemente,<br />

colocámos um reservatório de 42.000 litros para o aproveitamento<br />

da água da chuva por forma a ajudar a baixar o consumo da água<br />

da rede, na rega do jardim.<br />

Um último apontamento para os nossos fornecedores, uma vez<br />

que houve um reforço nos fornecedores que fazem manutenções e<br />

que têm legislação ambiental e de segurança a cumprir.<br />

Uma vez que o papel é o nosso maior ativo, como curiosidade,<br />

deixamos uma nota: a produção de papel apenas corresponde<br />

diretamente a 11% da extração de madeira, cabendo a outras<br />

indústrias a maior fatia de responsabilidade, a energia com 55%<br />

e a construção (móveis, casas, etc) com 25%. Acresce que 7%<br />

do excedente de produção pode ser reutilizável e o mesmo papel<br />

pode ser reciclado entre 7 a 10 vezes, pois sendo formado por<br />

fibras oriundas da celulose, estas degradam-se a cada reciclagem.


Cada 50 Kg de papel usado transformado em papel novo evitam<br />

que uma árvore seja cortada.<br />

Em suma, as empresas são grandes responsáveis pela produção<br />

de resíduos, seja através da necessidade de matérias primas, seja<br />

através do refugo do processo de produção. A mudança para<br />

práticas sustentáveis terá que incluir a diminuição da procura de<br />

matérias-primas, a redução de desperdícios e a eventual transformação<br />

dos resíduos em recursos. Só assim se consegue um mundo<br />

sustentável. No atual momento em que vivemos é necessário olhar<br />

para o futuro e tentar antever de que forma podemos agir para<br />

promover um crescimento económico sustentável e a geração de<br />

riqueza para a sociedade em que estamos inseridos.<br />

AMBIENTE<br />

Paulo Veiga fundou a EAD há 24 anos<br />

(Foto: ead)<br />

<strong>PME</strong><br />

21


˝A diversidade cabe a todos˝<br />

Carla Calado<br />

A carta para a diversidade é uma iniciativa da União Europeia abraçada por 16 países. Em Portugal<br />

é construída colaborativamente e assinada por 103 organizações empregadoras de todos<br />

os setores de atividade. Carla Calado, da Fundação Aga Khan, explica a iniciativa em Portugal e<br />

os seus efeitos na sociedade.<br />

Por: Mafalda Marques<br />

A carta portuguesa para a diversidade descreve medidas concretas<br />

que podem ser tomadas para promover a diversidade e a igualdade<br />

de oportunidades no trabalho, independentemente da identidade<br />

cultural, origem étnica e social, orientação sexual, género, idade,<br />

caraterísticas físicas, estilo pessoal, religião, local de origem, entre<br />

outros. Um movimento de aprendizagem contínua.<br />

A Fundação Agha Kan, membro da comissão executiva, sente que<br />

a ligação com o mundo empresarial, a nível da inclusão laboral das<br />

pessoas com que trabalham, é um desafio.<br />

“Vimos de mundos diferentes, o terceiro setor e o setor empresarial.<br />

Nesse sentido, começámos a trabalhar o lado de lá. Porque<br />

é que temos tantos obstáculos no que toca a incluir as pessoas?<br />

O que se passa dentro das organizações? Que preocupações têm?<br />

Como é que são estes obstáculos e como podem ser trabalhados?<br />

É preciso trabalhar isto do ponto de vista das empresas, porque<br />

nós, a partir do terceiro setor, não conseguimos perceber estes<br />

obstáculos”, explica Carla Calado, gestora de projetos na área da<br />

inclusão económica da Fundação Aga Khan.<br />

Assim, decidiram fazer emergir esse ponto de vista em parceria<br />

com o GRACE (Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania<br />

Empresarial), que faz parte do CSR Europe, uma organização europeia<br />

de responsabilidade social mandatada há cerca de dois anos<br />

para gerir o processo das cartas da diversidade a nível europeu. As<br />

cartas para a diversidade são todas diferentes. Cada país escreve o<br />

seu texto e quem assina assume o compromisso da valorização da<br />

diversidade dentro das organizações.<br />

“Temos todo o tipo de empresas, desde duas pessoas a multinacionais<br />

com milhares de pessoas. A diversidade cabe a todos, deve ser<br />

promovida em qualquer contexto e é um tema em que devemos<br />

estar alertas. Inclusive temos organizações do terceiro setor que<br />

só gerem voluntários e também têm questões da diversidade para<br />

abordar”, sustenta.<br />

O objetivo é que cada país tenha a sua carta e que seja apoiada de<br />

alguma forma por um organismo estatal para que tenha legitimidade,<br />

não precisando que seja liderada por ele.<br />

“No nosso caso começou por uma conversa entre nós [Fundação<br />

Aga Khan] e o GRACE, e, mais tarde, o Alto Comissariado para as<br />

Migrações [ACM], até porque o próprio ACM estava a pensar criar<br />

uma carta para a diversidade na área cultural”, revela.<br />

O GRACE lançou o desafio aos seus associados e cerca de 30 organizações<br />

aceitaram e uniram-se para contruir a carta. O GRACE<br />

liderou essa reflexão, analisou as várias cartas que já existiam e<br />

lançou o mote sobre como queriam que a carta portuguesa fosse.<br />

“Houve dois tópicos essenciais. O primeiro é que queríamos que<br />

a carta fosse escrita na positiva e não na negativa, sobre o que<br />

devemos fazer e não sobre o que não devemos fazer como está na<br />

lei, com um tom de promoção e valorização. O segundo é que<br />

queríamos que fosse abrangente na questão da diversidade e que<br />

não fechasse portas à quantidade de ‘caixinhas’ em que colocamos<br />

as pessoas, desde o género à deficiência. Na carta estão designadas<br />

21 diversidades, mas há espaço para outras porque é um conceito<br />

em evolução. E a diversidade é tudo, cada pessoa é diferente e<br />

única das outras.”<br />

A carta foi escrita e chegou-se à conclusão que era importante incluir<br />

outros organismos do estado. Contactaram o INR – Instituto<br />

Nacional de Reabilitação, a CITE – Comissão para a Igualdade do<br />

Trabalho e do Emprego e a CIG - Comissão para a Cidadania e Igualdade<br />

de Género. Foram ainda convidados o IEFP – Instituto de<br />

22 <strong>PME</strong>


Emprego e Formação profissional e o IA<strong>PME</strong>I para uma conversa<br />

preliminar. À data, o GRACE, ACM e a Fundação Aga Khan, bem<br />

como o ISCTE, fazem parte da comissão executiva da carta.<br />

Da parte do Governo, a secretária de Estado para a Cidadania<br />

e Igualdade, Catarina Marcelino, é quem mais tem dado a cara<br />

sobre o assunto. Entre os signatários há grandes empresas que vão<br />

promover a carta e os procedimentos para a cumprir. Ainda com<br />

pouca visibilidade pública, as reuniões são um espaço para partilha,<br />

reflexão honesta e verdadeira. A 31 de março de 2016 foi feita a<br />

cerimónia oficial no Palácio da Ajuda com a presença de Catarina<br />

Marcelino e da secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas<br />

com Deficiência, Ana Sofia Antunes. Nesse dia, 70 organizações<br />

assinaram a carta.<br />

Ser signatário é fácil: a adesão é livre e as empresas apenas têm de<br />

concordar com o que está escrito na carta, mesmo que ainda não<br />

tomem medidas para promover a diversidade. À data conta com<br />

103 signatários.<br />

“Apenas colocamos uma exigência: que as empresas participem<br />

em pelo menos um evento durante o ano. Temos organizações<br />

que estão em todos os grupos de trabalho, temos outras que não<br />

conseguem ir”, explica Carla Calado.<br />

Na reunião geral de signatários a 21 de junho 2016, com 40<br />

signatários, foi refletido como seria o sistema de governança deste<br />

processo, como seria a sustentabilidade por se tratar de um grupo<br />

informal. Foram criados três grupos de trabalho que, no fundo,<br />

são provisórios para a implementação deste processo. O primeiro<br />

grupo, liderado pelo ISCTE, foca-se na monitorização, em criar<br />

ferramentas e instrumentos que permitam às organizações fazer<br />

uma avaliação interna da sua situação. O segundo grupo, liderado<br />

EMPREENDEdorismo<br />

RESPONSABILIDADE<br />

SOCIAL<br />

pelo ACM, criou um prémio e o terceiro, liderado pela Fundação<br />

Aga Khan, trata do alinhamento de conceitos com o objetivo de<br />

refletir sobre o que é a diversidade.<br />

“O nosso objetivo não é ser um movimento exclusivista, mas sim<br />

de aprendizagem e reflexão. Qualquer organização que esteja<br />

interessada em saber mais, aprender e desenvolver a sua organização<br />

nesse sentido é bem-vinda. Claro que, se a organização<br />

assina mas não participa em nada não beneficia em nada. Isto não<br />

é um seminário de boas práticas, mas um grupo de frontalidade,<br />

honestidade e aprendizagem, como nós dizemos, uma comunidade.”<br />

Um movimento colaborativo<br />

O movimento deseja ainda criar um banco de recursos para que<br />

<strong>PME</strong><br />

23


EMPREENDEdorismo<br />

RESPONSABILIDADE<br />

SOCIAL<br />

todas as organizações possam trazer as suas mais-valias, não só<br />

em termos materiais, mas também com especialistas na área da<br />

diversidade. Feito e aprovado o plano de atividades para <strong>2017</strong>, a<br />

ideia é que, semestralmente, haja uma reunião geral organizada<br />

pela comissão executiva e uma conferência anual que faça o<br />

balanço da carta com uma componente interna para os signatários<br />

e uma componente externa para o público em geral.<br />

“Estamos a pensar nas organizações que não estão sediadas em<br />

Lisboa. A carta é nacional, mas não podemos centrar todas as<br />

nossas operações na capital, por isso vamos colaborar com o roteiro<br />

da Caravana da Cidadania, que é uma iniciativa da Secretaria<br />

de Estado para a Igualdade e do ANIMAR, procurando envolver e<br />

percorrer o país até o final de <strong>2017</strong>.”<br />

Comissão executiva da Carta para a Diversidade<br />

ACM –Alto Comissariado para as Migrações, IP<br />

CIG –Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género<br />

CITE –Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego<br />

GRACE –Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial<br />

INR –Instituto Nacional para a Reabilitação, IP<br />

Fundação Aga Khan Portugal<br />

ISCTE – Instituto Superior Ciências do Trabalho e Empresa<br />

Carla Calado trabalha Paulo Veiga na Fundação fundou a Aga EAD Khan há 24 há anos dez anos<br />

(Foto: Fundação Aga Khan)) (Foto: ead)<br />

24 <strong>PME</strong>


pub


EMPREENDEdorismo<br />

26 <strong>PME</strong><br />

’slow food, fast pasta’<br />

(Foto: tomantino)


Comida italiana com um<br />

gosto à portuguesa<br />

EMPREENDEdorismo<br />

Há no Norte de Portugal uma cadeia de restaurantes de comida italiana que dá<br />

que falar. Conversámos com Paulo Freire, responsável pela Tomatino sobre o que<br />

faz da marca um caso de sucesso na área da restauração naquela região.<br />

Por: Denisse Sousa<br />

A Tomatino nasce em janeiro de 2012 pelas mãos<br />

do sócio fundador Paulo Alexandre Freire. Nesse<br />

mesmo ano, junta-se o atual sócio José Paulo<br />

Miranda. A primeira Tomatino abriu no Braga Parque<br />

e conta já com presença no Arrábida Shopping, Gaia<br />

Shopping, Guimarães Shopping, Via Catarina Shopping<br />

(Porto), no 8ª Avenida (São João da Madeira),<br />

Maia Shopping, Nova Arcada (Braga).<br />

Atualmente com 65 colaboradores, a Tomatino procura<br />

diferenciar-se dos outros franchisings de comida<br />

italiana com os melhores produtos, atendimento e por<br />

deixar o “maior sorriso de satisfação na face dos nossos<br />

clientes em cada prato de massa que servimos”, explica<br />

Paulo Freire.<br />

Mais do que apenas comer, a Tomatino espera criar uma<br />

experiência única e diferenciada para os clientes que ali<br />

escolhem fazer as suas refeições. Procura principalmente<br />

que os seus clientes partilhem afetos à mesa, numa refeição<br />

equilibrada e que aprofundem a experiencia da degustação<br />

numa mistura de sabores.<br />

Slow food, fast pasta<br />

A Tomatino junta três conceitos que ajudam na construção<br />

da sua marca: conceito de comfort food (comida de conforto)<br />

uma vez que consideram os seus pratos saudáveis, mas também<br />

“gulosos e aconchegantes”, o show cooking (cozinha ao vivo) onde<br />

criam o espetáculo da comida para quem quer ver e slow food, que<br />

se refere ao tempo para confecionar e ao tempo para degustar.<br />

Todos estes elementos são complementares para o produto final<br />

que chega ao prato do cliente.<br />

“A Tomatino consegue conciliar um produto tradicional, familiar<br />

e caseiro – slow, com um serviço rápido, transparente e simples –<br />

fast. Ou seja, ‘slow food, fast pasta”.<br />

Paulo Freire explica que o objetivo da Tomatino não é criar receitas<br />

de massa portuguesas, mas sim oferecer “o mais fielmente<br />

possível, o que é uma boa pasta italiana”.<br />

“Obviamente que tudo fazemos para adaptar o conceito aos gostos<br />

e sensibilidade dos portugueses”, ressalva?<br />

Apesar da prevalência de clientes do sexo feminino, com a faixa<br />

etária principal entre os 25-40 anos, a Tomatino orgulha-se de ter<br />

clientes “desde os 3 aos 90 anos”.<br />

Expansão além Norte em cima da<br />

mesa<br />

Com presença apenas em centros comerciais situados no Norte do<br />

país, Paulo Freire explica que a expansão da marca “tem sido feita<br />

por razões de controlo de proximidade” apenas no Porto e Norte.<br />

A expansão para outras zonas geográficas é uma possibilidade<br />

presente no espirito do sócio fundador mas “é algo que está, por<br />

razões óbvias, muito dependente de encontrar os parceiros certos<br />

ou aquele a quem entregar a imensa responsabilidade de estar à<br />

frente duma loja Tomatino, cuja reputação e credibilidade têm que<br />

se preservados e acautelados.”<br />

<strong>PME</strong><br />

27


EMPREENDEdorismo<br />

Investir num negócio de sucesso<br />

A reputação da marca, credibilidade, penetração de mercado e notoriedade são fatores que Paulo Freire<br />

enumera como motivos fortes para se investir num franchising da Tomatino.<br />

“A isso junta-se um crescimento sólido a dois dígitos ao longo dos quatro anos da marca e a rentabilidade a<br />

par ou acima da média típica do setor.”<br />

Além disso, é um conceito maduro, sustenta o responsável, “comprovado, testado, de know-how e processos<br />

bem estabelecidos e perfeitamente replicáveis, seja via franchising, seja em novas unidades próprias”.<br />

Como casa mãe, a Tomatino cede o direito de utilização da marca, formação e apoio permanente de modo<br />

a que o franchisado possa alcançar sucesso. O contrato com o franchisado é de seis anos e conta com um<br />

investimento total de 75.000 mil euros, aos quais acresce o IVA, com royalties de 5%.<br />

No ano de 2016, a Tomatino espera crescer cerca de 15% em vendas brutas. Considerando todas as unidades<br />

o crescimento pode mesmo chegar aos 30, 35%. A aposta na tecnologia e em novas soluções digitais<br />

existentes, como menuboards, permitiu ainda agilizar, modernizar e tornar a comunicação nas lojas mais<br />

apelativa.<br />

“Também introduzimos uma app de fidelização de clientes no final de 2015 que está a dar os seus frutos<br />

estando o objetivo de premiar os clientes a ser cumprido.“<br />

Paulo Freire, sócio fundador da Tomatino<br />

(Foto: tomantino)<br />

28 <strong>PME</strong>


EMPREENDEdorismo<br />

A Tomatino cede o direito de utilização da marca, formação e apoio permanente ao franchisado<br />

(Foto: tomantino)<br />

<strong>PME</strong><br />

29


h<br />

Caça talentos<br />

nas <strong>PME</strong><br />

O Executive Search cresceu rapidamente em<br />

Portugal e em diversos segmentos<br />

profissionais. Ao longo das últimas décadas,<br />

o recrutamento de executivos feito por<br />

pesquisa direta espalhou-se por todo o<br />

mundo, evoluiu e sofisticou-se. A <strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong><br />

falou com alguns especialistas na área<br />

para perceber como as <strong>PME</strong> podem beneficiar<br />

desta ferramenta de recrutamento.<br />

Por: Mafalda Marques<br />

As empresas de Executive Search surgiram após a Segunda Guerra<br />

Mundial nos Estados Unidos da América, numa fase de grande<br />

crescimento económico. Nos últimos anos, a crescente importância<br />

das pessoas, a globalização, a complexidade do mundo dos<br />

negócios e o acesso a novas ferramentas de recrutamento tem<br />

levado as empresas a tornar-se crescentemente exigentes, o que<br />

tem originado a necessidade de serviços mais especializados.<br />

Para José Bancaleiro, managing partner da Stanton Chase<br />

Portugal, “no Executive Search não chega dominar as técnicas de<br />

recrutamento, tem de se entender o negócio, conhecer o setor,<br />

perceber a cultura e a forma de funcionamento”.<br />

O Executive Search, ou caça talentos, é um trabalho de consultoria<br />

especializada que inclui um profundo trabalho de análise<br />

do negócio, setor, empresa e função, a pesquisa de potenciais<br />

candidatos no mercado alvo previamente acordado com o cliente,<br />

a avaliação de candidatos com utilização de metodologias avançadas<br />

30 <strong>PME</strong><br />

José Bancaleiro é managing partner da Stanton Chase Portugal<br />

(Foto: Stanton Chase Portugal)


h<br />

e eficazes, o apoio na negociação das condições de admissão e o<br />

acompanhamento da sua integração.<br />

A procura deste serviço por parte das <strong>PME</strong> tem vindo a crescer,<br />

especialmente entre as que são lideradas por gestores mais qualificados<br />

e nos setores mais competitivos.<br />

“Investir em encontrar a pessoa certa pode ser o melhor investimento.<br />

Pode significar a diferença entre o sucesso e o fracasso<br />

dum projeto. No caso do Executive Search, costumo dizer que, mais<br />

do que no preço, focamo-nos no valor que aportamos para o cliente<br />

e que se traduz na vantagem competitiva de que advém de ter<br />

a melhor pessoa do mercado para um projeto ou função chave”,<br />

justifica José Bancaleiro.<br />

São muitos os setores que procuram esta solução de recrutamento,<br />

desde as <strong>PME</strong> às grandes empresas, de empresas nacionais e<br />

multinacionais, privadas ou públicas.<br />

Como todas as atividades, o Executive Search tem os seus “segredos”<br />

e as suas dificuldades, diz o responsável: “ Uma das principais é<br />

fazer o fit entre o candidato e a cultura da empresa cliente”.<br />

Inicialmente, o Executive Search era usado por grandes empresas e<br />

multinacionais. Gradualmente, as <strong>PME</strong> começam a utilizar este<br />

serviço devido à especificidade de algumas funções, bem como<br />

devido à dificuldade em encontrar candidatos adequados para essas<br />

funções e que possam ser mais-valias para a organização.<br />

“Por vezes existem candidatos muito fortes tecnicamente, mas que<br />

não se adaptam à cultura da empresa. Outras vezes temos candidatos<br />

com um fit completo com a cultura empresarial mas com<br />

algumas lacunas em termos de competências técnicas. Conseguir o<br />

candidato que reúna ambas as vertentes é a situação mais complicada”,<br />

explica Nuno Tinoco Fraga, da Hire & Trust.<br />

Atualmente, os setores industrial, retalho e produtos de grande<br />

consumo são os que mais utilizam estes serviços. Em termos<br />

de áreas funcionais, comercial, logística e produção são as mais<br />

procuradas, afirma o responsável.<br />

Mas afinal quanto custa o serviço, caso uma <strong>PME</strong> precise recorrer?<br />

“Habitualmente entre 28 e 33% do salário anual fixo e variável do<br />

candidato selecionado”, justifica José Bancaleiro.<br />

Caçar talentos pode parecer, aparentemente, mais caro, mas o<br />

tempo que se poupa no processo de recrutamento a encontrar<br />

o candidato ideal para o ADN da empresa justifica claramente o<br />

investimento ao invés de cometer o chamado “erro de casting”.<br />

<strong>PME</strong><br />

31


A IMPORTÂNCIA DO<br />

PLANEAMENTO ESTRATÉGICO<br />

GERIR<br />

PARA<br />

MEDIR<br />

NA FORMAÇÃO<br />

Por: Alda dos Santos Neves, partner da B-Training, Consulting<br />

O processo de planeamento estratégico é uma realidade cada<br />

vez mais presente nas empresas portuguesas fruto de uma maior<br />

sensibilização dos seus gestores para a necessidade de se fazer uma<br />

gestão mais criteriosa dos diversos recursos da empresa para se<br />

criarem produtos e serviços cada vez mais competitivos, como<br />

forma de garantir a sua sustentabilidade futura.<br />

Um dos principais objetivos do planeamento estratégico é levar<br />

o gestor a pensar sobre a situação presente da empresa e como<br />

pretende que a mesma esteja no futuro, procurando traçar no<br />

presente um caminho a seguir rumo a esse futuro pretendido.<br />

Neste processo, a empresa vai definir onde e como pretende atuar,<br />

que oportunidades deve e não deve agarrar e, quais os recursos<br />

necessários para atingir os seus objetivos pretendidos.<br />

Neste âmbito, o planeamento estratégico assenta em ferramentas<br />

específicas como as declarações de Missão, Visão e Valores,<br />

a análise SWOT que é uma reflexão acerca dos Pontos Fortes e<br />

Fracos, numa perspetiva de análise interna, e das Oportunidades<br />

e Ameaças a que a mesma está sujeita, numa perspetiva externa.<br />

As Análises do Meio Envolvente Geral e Especifico são igualmente<br />

ferramentas importantes que consistem, em termos gerais, na<br />

análise dos contextos Político-Legais, Económicos,<br />

Socio-Culturais e Tecnológicos em que a empresa está inserida<br />

e em termos específicos, na análise dos Clientes, Concorrentes,<br />

Fornecedores e Comunidade onde a empresa está inserida.<br />

Em termos práticos, esta reflexão estratégica termina com a<br />

elaboração de um mapa estratégico construído em torno dos<br />

temas estratégicos relevantes no qual são definidos objetivos<br />

estratégicos e iniciativas estratégicas que se refletem em planos<br />

de ação que a empresa executa para cumprir com os objetivos<br />

estratégicos propostos. Estes planos de ação devem traduzir para<br />

cada objetivo estratégico metas quantificáveis e exequíveis, acompanhadas<br />

de iniciativas ou atividades de implementação, indicadores<br />

de controlo/acompanhamento e monitorização, recursos<br />

humanos, materiais e financeiros envolvidos e calendarização<br />

prevista.<br />

No seu todo, o planeamento estratégico visa o alinhamento de<br />

todos os recursos de forma a concentrar e focalizar a empresa no<br />

32 <strong>PME</strong><br />

caminho que é necessário percorrer para garantir o seu futuro e<br />

sustentabilidade pretendidos.<br />

Transpondo o presente raciocínio para as organizações que<br />

prestam serviços de Formação (fornecedores de formação e departamentos<br />

de formação), e entendendo o cliente numa<br />

perspetiva externa e interna, o planeamento estratégico assume-se<br />

igualmente como fundamental para a eficácia, rentabilidade e<br />

qualidade das suas práticas de gestão.<br />

Sendo a Formação assumidamente uma variável fundamental do<br />

desenvolvimento do fator humano nas organizações, o acompanhamento<br />

e/ou a antecipação do desenvolvimento de competências<br />

técnicas e transversais, em função dos objetivos estratégicos organizacionais,<br />

implica que a Formação seja integrada e integre toda<br />

uma lógica de planeamento estratégico.<br />

É importante que toda a abordagem organizacional da gestão da<br />

formação tenha, como ponto de partida, um diagnóstico e um<br />

plano de ação estratégico para se conseguir alcançar as metas e os<br />

objetivos delineados. Neste âmbito, é essencial a implementação<br />

de um plano de atividades estratégico, tendo em vista a promoção<br />

de um planeamento e desenvolvimento organizacional contínuo<br />

do serviço de Formação.<br />

Em paralelo com existência de um planeamento estratégico de<br />

toda a atividade, é igualmente fundamental o compromisso da Direção,<br />

para que exista persistência e convergência de atitudes para<br />

o alcançar dos objetivos definidos, e um acompanhamento em<br />

permanência das tendências do mercado, assente em indicadores<br />

de monitorização que preconizam a revisão da atividade e a gestão<br />

da melhoria contínua. Neste âmbito, o planeamento estratégico<br />

assume igualmente um papel fundamental na gestão da qualidade<br />

da Formação.<br />

Perante o exposto, a B-Training, Consulting tem procurado contribuir<br />

para a afirmação de uma gestão da qualidade da Formação,<br />

assente num pensamento de planeamento estratégico, apoiando<br />

centenas de clientes na conceção e implementação de Planos de<br />

Atividades Estratégicos, enquanto requisito fundamental do<br />

referencial de qualidade Sistema de Certificação de Entidades<br />

Formadoras, regulado pela Direção-Geral do Emprego e das<br />

Relações de Trabalho (DGERT).


Alda dos Santos Neves fundou a B-Training em 2007 com Mafalda Costa<br />

(Foto: B-Training)<br />

<strong>PME</strong><br />

33


marketing<br />

Tiago Froufe conheceu Cristina Ferreira quando fazia consultoria para a TVI<br />

(Foto: LUVIN)<br />

34 <strong>PME</strong>


marketing<br />

O fabuloso mundo dos<br />

influenciadores digitais<br />

O que têm em comum Cristina Ferreira, Cláudia<br />

Vieira, Ana Rita Clara, Pedro Teixeira e Luís<br />

Borges? Todos têm a sua presença digital<br />

gerida pela Luvin. Falámos com Tiago Froufe,<br />

impulsionador do blog Daily Cristina e, por<br />

consequência, desta agência pioneira na<br />

gestão da imagem dos grandes influenciadores<br />

de tendências do momento.<br />

Por: Ana Rita Justo<br />

Há caras e vozes que nunca esquecemos e seguimos como se de<br />

uma religião se tratasse. Já não vivem só no pequeno ecrã. Estão<br />

na vida de todos os portugueses através de blogs pessoais e de<br />

páginas nas redes sociais. Trabalho que a agência digital Luvin tem<br />

desenvolvido, com a apresentadora Cristina Ferreira à cabeça e um<br />

exclusivo rol de personalidades amadas pelos portugueses.<br />

Tudo começou em 2014. Tiago Froufe trabalhava como consultor<br />

digital para a TVI, onde ajudou a traçar uma estratégia para as<br />

redes sociais e foi o responsável pelo lançamento do blog Daily<br />

Cristina, de Cristina Ferreira, e respetivas páginas nas redes<br />

sociais, bem como de Manuel Luís Goucha. A explosão de<br />

curiosidade não se fez esperar.<br />

“Dez minutos depois de começarmos o programa [n. d. r. Você na TV]<br />

e anunciarmos as páginas tivemos logo 12 mil pessoas a fazer like<br />

na página da Cristina – o Manuel Luís não foi tanto mas também<br />

foi semelhante. Foi interessante vermos, ao longo dos meses<br />

<strong>PME</strong><br />

35


marketing<br />

seguintes, que existia muito potencial e que havia muito por se<br />

explorar em Portugal”, conta Tiago Froufe à <strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong>.<br />

Da vontade de criar um blog nasceu então a Luvin para estruturar<br />

trabalho. Cristina Ferreira não se deixou intimidar e avançou sem<br />

medos – também ela é sócia desta agência.<br />

Na altura também o próprio Tiago Froufe e o ator Pedro Teixeira,<br />

amigos de longa data, assinavam o blog Bons Rapazes, que passou<br />

a integrar o portefólio da Luvin. Seguiram-se Cláudia Vieira, João<br />

Manzarra e hoje em dia também a apresentadora Ana Rita Clara<br />

(autora do blog Ana272), os modelos Luís Borges (autor do blog<br />

The Afro Boy) e Ruben Rua e o ator Fernando Luís integram o<br />

curto, mas valioso, rol de clientes da agência.<br />

O objetivo, esse, é claro. Os agenciados da Luvin sentem a necessidade<br />

de aproximarem-se mais dos seus fãs e, assim, darem<br />

visibilidade a projetos pessoais, que de outra forma não conseguiriam,<br />

explica Tiago Froufe, dando como exemplo o caso de Cristina<br />

Ferreira.<br />

“Precisávamos de mostrar ao público quem é a Cristina, de facto, e<br />

através do Daily Cristina sentimos que houve um reposicionamento<br />

e uma proximidade muito maior com o público, porque já não<br />

é só a Cristina da televisão. É a Cristina que está ligada à moda,<br />

empreendedora, que está em todas as frentes e que consegue<br />

lançar um perfume, uma linha de sapatos, tudo dentro da área<br />

do lifestyle, que ela gosta muito e que não conseguia passar nem<br />

explorar só com a sua presença no programa.”<br />

Conteúdo faz a diferença<br />

Como, então, reposicionar todas estas celebridades no mundo<br />

digital? O responsável máximo da Luvin conta-nos que é o “cuidado<br />

com o conteúdo” publicado que faz a diferença. A Luvin faz<br />

a estratégia, mas são os agenciados que escrevem os seus textos,<br />

mantendo assim a autenticidade do que se quer transmitir. Uma<br />

coisa é certa: a informação tem de ser relevante.<br />

“A grande maioria das nossas discussões são em torno disto: ‘As<br />

pessoas vão olhar para isto? O que é que isto tem de relevante?’<br />

Não é uma montra, só. Temos de trazer relevância para o conteúdo”,<br />

sustenta.<br />

Conteúdo, mas também estratégia, como aconteceu no lançamento<br />

do perfume para homem da apresentadora da TVI, MEU. A Luvin<br />

juntou-se a alguns meios de comunicação social, que passaram<br />

a notícia de que o blog e redes sociais de Cristina Ferreira tinham<br />

sito pirateados. Vários outros meios foram atrás e deram a notícia,<br />

que culminou no final do dia com um direto do Facebook para o<br />

lançamento do perfume, em plena Moda Lisboa: “Conseguimos<br />

gerar o buzz pretendido para no final do dia criarmos um direto<br />

que chegou a mais de 200 mil pessoas”.<br />

É desta forma, também, que se consegue garantir que as grandes<br />

marcas são as primeiras a quererem associar-se a estas celebridades.<br />

Tiago Froufe dá o exemplo do blog Bons Rapazes, que já se associou<br />

a marcas como a BMW ou a Yves Saint Laurent: “É muito<br />

relevante marcas com esta importância e com um posicionamento<br />

tao interessante terem interesse que colaboremos com elas e que<br />

criemos conteúdo para elas. É sem dúvida um carimbo de qualidade”.<br />

Números que falam por si<br />

Num mundo em que a esfera digital ganha cada vez mais terreno,<br />

é aqui que estas celebridades querem estar e onde os fãs as querem<br />

ver. Todos os meses, o blog Daily Cristina tem mais de 2,2 milhões<br />

de pageviews. O Bons Rapazes chega aos 500 mil, enquanto o blog<br />

de Ana Rita Clara congrega cerca de 325 mil visualizações todos os<br />

meses. Já o blog de Luís Borges chega aos 300 pageviews por mês.<br />

Também nas redes sociais é possível perceber a dimensão destes<br />

novos mundos. A página de Cristina Ferreira no Facebook tem<br />

mais de 1,6 milhões de seguidores, sendo ela, atrás de Cristiano<br />

Ronaldo, a “portuguesa como mais portugueses a segui-la no Facebook”,<br />

sublinha Tiago Froufe.<br />

Números impressionantes são também os de Cláudia Vieira, que<br />

chega a mais de um milhão de fãs no Facebook e a cerca de 374<br />

mil pessoas no Instagram. João Manzarra lidera o ranking masculino,<br />

com quase 900 mil fãs no Facebook. Pedro Teixeira (660<br />

mil fãs), Luís Borges (16 mil), Ana Rita Clara (138 mil), Fernando<br />

Luís (113 mil) e Ruben Rua (61 mil) também apresentam númer-<br />

36 <strong>PME</strong>


marketing<br />

os consideráveis.<br />

A tendência será sempre para crescer e isso muito tem que ver com os novos estilos de vida. No caso dos homens, menos expansivos<br />

do que o público feminino, os blogs têm uma importância ainda mais peculiar, reforça Tiago Froufe: “Temos mensagens de homens que<br />

veem, por exemplo, máquinas de barbear e perguntam porque sugerimos aquilo. São pessoas que procuram referências reais, porque<br />

não têm tempo, disponibilidade ou paciência, e acabam por seguir uma série de blogs ou pessoas que são referências e tomam as suas<br />

decisões com base nisso. Os blogs são bons porque existe uma utilização, não é só uma montra.”<br />

Depois de dois anos cheios de sucesso, a Luvin quer dar agora continuidade ao trabalho “premium”, assim mantendo o número de clientes<br />

restrito.<br />

“Acreditamos que não existem, de facto, muitas celebridades em Portugal, portanto, não vale a pena estarmos a trabalhar com projetos<br />

que dificilmente vão vingar”, remata.<br />

Líder da Luvin também assina o blog Bons Rapazes, com Pedro Teixeira<br />

(Foto: LUVIN)<br />

<strong>PME</strong><br />

37


Francisca Matos na Uniplaces<br />

A Uniplaces, plataforma online para<br />

alojamento de estudantes universitários,<br />

anunciou a contratação de Francisca<br />

Matos para o cargo de Head of People &<br />

Culture.<br />

BI<br />

Vincent Gillet é o novo vice-presidente de marketing<br />

da Hertz<br />

Por: Denisse Sousa<br />

Vincent Gillet é o novo vice-presidente de<br />

marketing internacional da Hertz e ficará<br />

responsável pela estratégia e planos de<br />

marketing para as marcas Hertz, Dollar,<br />

Thrifty e Firefly em toda a Europa, Médio<br />

Oriente, África, Ásia e América Latina.<br />

Vincent Gillet conta com uma experiência de 23<br />

anos em marketing em toda a Ásia, EUA e Reino Unido nos setores<br />

automóvel, viagens e retalho de vinho e bebidas espirituosas.<br />

Para Matt Jauchius, diretor de marketing do grupo, “a participação<br />

de Vincent no desenvolvimento da estratégia global de marketing<br />

da Hertz será essencial para continuar a comunicar através de<br />

mensagens consistentes com os nossos clientes em todo o mundo.”<br />

Gillet tem ainda no seu currículo experiência com customer-led<br />

marketing, inovação de produto, recuperação de marcas, plataformas<br />

digitais best-in-class, e desenvolvimento de parcerias.<br />

Marco Silva é o novo diretor de marketing<br />

da Continental<br />

Marco Silva é o novo diretor de marketing<br />

para o mercado português da multinacional<br />

alemã Continental AG.<br />

Nuno Verónica como novo diretor da Lexmark<br />

Ibérica<br />

Empresa líder em tecnologia mundial, a<br />

Lexmark Ibérica anunciou Nuno Verónica<br />

como Annuities & Channel Manager em<br />

Portugal e Espanha, na área focada no<br />

desenvolvimento das relações comerciais.<br />

Andrea Rubei chega à Microsoft Portugal<br />

Andrea Rubei troca a Microsoft italiana<br />

pela portuguesa, onde terá a seu cargo a<br />

definição e implementação da estratégia<br />

de marketing da marca.<br />

Sofia Merlini assume a comunicação do grupo<br />

Master DentaL<br />

Sofia Merlini é a nova diretora de comunicação<br />

do grupo Master Dental, que conta<br />

com cinco clínicas dentárias em Portugal.<br />

Rute Neto é a nova senior account da PHD<br />

Rute Neto é a mais recente contratação da<br />

PHD, tendo em vista o reforço da equipa<br />

que trabalha a comunicação integrada da<br />

Volkswagen.<br />

38 <strong>PME</strong>


pub<br />

Eletroestimulação, a nova<br />

tendência do fitness<br />

TECNOLOGIA<br />

Inicialmente utilizada pela NASA e atletas<br />

olímpicos como forma de recuperação<br />

muscular, a eletroestimulação começa a<br />

operar uma transição suave para o fitness<br />

e tem cada vez mais adeptos. Falámos com o<br />

responsável pela Rapid Fit&Well em Portugal<br />

para perceber melhor os benefícios desta<br />

modalidade.<br />

Por: Denisse Sousa<br />

Em Portugal, a Rapid Fit&Well é uma das marcas que levou o conceito<br />

da eletroestimulação da fisioterapia para o fitness. Presente<br />

no país desde julho de 2015, a marca veio revolucionar a forma de<br />

fazer exercício físico. Atualmente conta com três centros abertos<br />

em Lisboa (Avenida Elias Garcia, Parque das Nações e Campo de<br />

Ourique) e um em Leiria e procura captar mais adeptos à eletroestimulação<br />

em todas as capitais de distrito.<br />

A eletroestimulação, como é conhecida hoje, provém, essencialmente,<br />

da fisioterapia, onde era utilizada pelos atletas de alta competição<br />

com o objetivo de trabalhar certas zonas musculares com<br />

maior intensidade e precisão. Atualmente, a eletroestimulação está<br />

bastante desenvolvida e é utilizada em praticamente toda a Europa,<br />

tanto na fisioterapia como no fitness.<br />

Trocando por miúdos, a eletroestimulação são impulsos artificiais<br />

que provêm de um dispositivo próprio, administrados na pele por<br />

cima do músculo através de elétrodos. Os impulsos fazem com<br />

que o músculo contraia, replicando o movimento natural quando<br />

trabalhado.<br />

A máquina capaz de administrar estes impulsos é a da Xbody, que<br />

é o pilar da Rapid Fit&Well. Através da máquina são colocadas as<br />

intensidades que se pretende trabalhar em cada zona muscular e<br />

as mesmas podem variar consoante os objetivos e as patologias<br />

de cada cliente. A máquina foi das primeiras de eletroestimulação<br />

Ricardo Onofre, master franchisor da Rapid Fit&Well<br />

a utilizar um ecrã em LED, onde é possível controlar os grupos<br />

musculares dos clientes, aumentar ou diminuir a intensidade de<br />

impulsos e visualizar vídeos de sessões.<br />

“A nova máquina da Xbody funciona através de Wireless, deixando<br />

assim de existir o cabo espiral. Com esta máquina, também será<br />

possível realizar sessões em simultâneo a seis clientes”, explica<br />

Ricardo Onofre, o master franchisor da Rapid Fit&Well.<br />

O equipamento da Xbody disponível dos centros da Rapid<br />

Fit&Well permite a realização de sessões de construção muscular<br />

e cardiovascular de alta intensidade “através de impulsos elétricos<br />

sincronizados e que fazem atuar em simultâneo cerca de 90% dos<br />

músculos, incluindo os mais profundos, com 30 a 40 contrações<br />

por segundo em cada músculo, num total de cerca de 40.000 contrações<br />

numa sessão de 20 minutos”, adianta o responsável.<br />

“Esta tecnologia é composta pela máquina de eletroestimulação<br />

muscular, colete e calção, composto por 18 elétrodos espalhados<br />

pelo corpo”, descreve Ricardo Onofre.<br />

Como forma complementar à eletroestimulação, nos centros<br />

também estão disponíveis equipamentos de fitness, como por<br />

exemplo TRX, bosu, trampolim, elásticos, pesos ou o step. Além<br />

disso, esta tecnologia vem ainda com treinador virtual, para que<br />

seja possível criar e guardar o próprio exercício, combinado com<br />

os exercícios do cliente.<br />

<strong>PME</strong><br />

39


TECNOLOGIA<br />

No entanto, a “magia” da eletroestimulação está nos fatos especiais<br />

que o cliente veste para fazer exercício, desenhados para<br />

servir corpos maiores ou mais delgados. Antes de ser colocado<br />

no corpo, os elétrodos do fato são molhados com água morna e o<br />

cliente também, de forma a facilitar a transmissão dos estímulos<br />

artificiais. O fato pode ser ligado diretamente à máquina que dá os<br />

impulsos necessários para o treino.<br />

Uma tecnologia para resultados<br />

rápidos<br />

“Na Rapid Fit&Well, as sessões são de 20 minutos e são acompanhadas<br />

por um treinador certificado, que efetua um levantamento<br />

das necessidades de cada cliente e desenha as sessões, conforme<br />

os objetivos de cada um”, explica Ricardo Onofre. Objetivos que<br />

variam desde perder peso, reduzir gordura e celulite, aumentar<br />

a massa muscular, fortalecer zonas específicas, braços, bíceps e<br />

tríceps, glúteos ou pernas.<br />

O responsável revela ainda que, em 20 minutos, é possível trabalhar<br />

cerca de 350 músculos, com rendimento muito elevado,<br />

equivalendo a aproximadamente 60 a 90 minutos de um treino<br />

convencional: “Com duas sessões semanais, ao fim de um mês, já é<br />

possível ver resultados expressivos”.<br />

“As sessões são bastante agradáveis e convenientes, sendo ideais<br />

como complemento a um exercício tradicional ou como substituto<br />

para todas as pessoas que não possam (por razões de saúde ou<br />

outras) ou não queiram nem tenham tempo para despender numa<br />

metodologia de fitness tradicional.”<br />

No início de cada sessão é ainda fornecida ao cliente uma bebida<br />

isotónica, rica em vitaminas e minerais, para dar energia e hidratar<br />

e após a sessão é oferecida uma segunda bebida rica em proteína,<br />

para repor os níveis consumidos.<br />

40 <strong>PME</strong>


TECNOLOGIA<br />

Uma tendência para<br />

manter<br />

Tanto em Portugal como na Europa, o<br />

mercado da eletroestimulação continua o<br />

seu crescimento. Ricardo Onofre prevê que<br />

a tendência se mantenha, uma vez que cada<br />

vez mais há uma maior preocupação com a<br />

saúde e um aumento da realização da atividade<br />

física no geral.<br />

Outro aspeto a salientar, explica o master<br />

franchisor, “está relacionado com a cada vez<br />

maior falta de tempo e com a necessidade<br />

de se atingir objetivos rapidamente e dado<br />

que as sessões de eletroestimulação são<br />

apenas de 20 minutos consegue satisfazer<br />

rapidamente a necessidade de rápidos resultados<br />

em pouco tempo”.<br />

“As sessões de eletroestimulação, enquadram-se<br />

nas grandes tendências mundiais<br />

do fitness, que são a realização de sessões<br />

acompanhadas por profissionais, a redução<br />

do tempo do treino e o aumento da intensidade<br />

das sessões.”<br />

<strong>PME</strong><br />

41


TECNOLOGIA<br />

Lisboa mais à frente<br />

Por: Ana Rita Justo<br />

“Nunca aconteceu que mais de mil dos maiores investidores mundiais<br />

estivessem em Portugal ao mesmo tempo.”<br />

A frase é de Paddy Cosgrave, o grande responsável pela Web Summit<br />

e por trazê-la para Portugal em 2016, algo que irá repetir-se este e<br />

no próximo ano.<br />

Um evento único, que reuniu 53.056 pessoas de 166 países<br />

diferentes. Ao todo, 1490 startups estiveram representadas num<br />

dos maiores eventos tecnológicos do mundo.<br />

De Portugal, foram 66 as startups convidadas a estar presentes,<br />

entre elas a Farfetch, Codacy, Uniplaces, Zaask e até a Raize, uma<br />

bolsa de empréstimos online, que permite às pequenas e médias<br />

empresas portuguesas diversificarem as suas fontes de financiamento.<br />

Até agora, mais de 200 empresas já se financiaram através<br />

desta plataforma, que já congrega sete mil investidores diferentes.<br />

Os planos para o futuro, explicou à <strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong> Afonso Eça,<br />

um dos fundadores, passa por aumentar esta rede.<br />

“Vamos continuar a apoiar as <strong>PME</strong>. Para o próximo ano queremos<br />

fazer 20 milhões de euros em empréstimos e apoiar entre as 500 e<br />

as mil empresas.”<br />

Deporto em destaque<br />

O desporto foi outro dos temas quentes nesta Web Summit, com<br />

o antigo internacional português Luís Figo a apresentar a nova<br />

aplicação móvel da Dream Football, plataforma criada pelo ex-futebolista<br />

para auxiliar os clubes na caça aos talentos no futebol.<br />

O projeto tem como acionistas João Guerra e Tim Vieira e a nova<br />

app permite aos jovens filmarem, editarem e publicarem os seus<br />

vídeos de jogadas de futebol, que serão depois analisados por uma<br />

equipa de especialistas de scouting para que os melhores possam<br />

vir a ser selecionados pelos clubes.<br />

“Queremos criar valor para os miúdos que joguem em equipas<br />

42 <strong>PME</strong><br />

Três dias de empreendedorismo e mais de 50 mil pessoas vindas de todo o mundo. Portugal<br />

entrou finalmente na rota da tecnologia com a Web Summit<br />

amadoras ou nas ruas”, defendeu Luís Figo.<br />

Rui Costa e Nuno Gomes, da estrutura do Benfica, também<br />

aproveitaram a Web Summit para falar sobre a academia encarnada,<br />

o Caixa Futebol Campus, e sobre a formação no futebol,<br />

enquanto o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, falou dos<br />

seus planos para tornar o clube de Alvalade no maior de Portugal.<br />

Um projeto para crianças<br />

Vem, contudo, da Dinamarca o grande protagonista desta Web<br />

Summit: os mentores do Kubo-Robot foram os grandes vencedores<br />

do Pitch do evento, enfrentaram a concorrência de mais de<br />

200 startups e levaram para casa cem mil euros de financiamento.<br />

O projeto consiste num robô cuja missão é ensinar às crianças os<br />

princípios básicos da programação. O robô tem, assim, a forma<br />

de cubo, e está dotado de um sistema de inteligência artificial que<br />

reconhece sinais básicos, como setas ou cores. Funciona como um<br />

jogo em que o robô tem de percorrer um caminho num tabuleiro<br />

de jogo, sendo a criança quem coloca pequenos cartões no tabuleiro<br />

com as ordens para o robô seguir. Os criadores defendem<br />

que, desta forma, as crianças aprendem a controlar o robô através<br />

da utilização das ordens certas, sendo esta a base da programação.<br />

Um mundo de oportunidades<br />

Da saúde, à justiça, à realidade virtual, muitas foram as invenções<br />

que chegaram a esta Web Summit. Nunca Lisboa conheceu um<br />

mundo tão grande de oportunidades.<br />

Para o fundador, Paddy Cosgrave, não se trata apenas de uma<br />

oportunidade para ajudar a economia portuguesa: “Todos se focam<br />

nos hotéis, e na economia local, mas esse ponto de vista é de curto<br />

prazo, penso que há uma visão de mais longo prazo de benefício,<br />

mas tudo depende do que as startups fazem disto”.<br />

Este ano há mais.


pub<br />

<strong>PME</strong><br />

43


AGENDA<br />

AEP organiza primeiro Fórum<br />

Angola-Portugal<br />

Por: Denisse Sousa<br />

A AEP - Associação Empresarial de Portugal organiza, em parceria com a AICEP<br />

Portugal Global e a Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola, o I<br />

Fórum Empresarial Angola-Portugal, que irá realizar-se entre os dias 22 e 27 de<br />

janeiro, no Hotel Epic Sana em Luanda, Angola.<br />

Tendo em conta a importância da presença no mercado angolano para preservar<br />

as boas relações bilaterais entre os dois países, a AEP pretende levar a cabo esta<br />

iniciativa, com a organização simultânea de uma mostra de produtos e serviços<br />

em Luanda.<br />

Serão feitas, ainda, várias ações de prospeção de mercado entre empresários<br />

portugueses e angolanos.<br />

Os interessados podem inscrever-se aqui.<br />

Workshop “Investimento na ASEAN - Associação de<br />

Nações do Sudeste Asiático”<br />

Data: 8 Fevereiro<br />

Local: Algés - Núcleo de Lisboa e Vale do Tejo da ANJE<br />

A ANJE organiza o workshop “Investimento na ASEAN - Associação de<br />

Nações do Sudeste Asiático” no dia 8 de fevereiro. A iniciativa pretende<br />

revelar vantagens que as economias dos países membros da ASEAN podem<br />

proporcionar às empresas nacionais.<br />

Mais informações aqui<br />

FEIRA SENCON <strong>2017</strong><br />

Data: 22 a 25 de fevereiro<br />

Local: Dakar, Senegal<br />

A SENCON <strong>2017</strong> tem como objetivo promover as relações bilaterais e<br />

comerciais entre os diferentes mercados e o Senegal, através da criação<br />

de pontes estratégicas no setor da construção. Para mais informações e<br />

inscrições clique aqui.<br />

Papergift<br />

Data: 2 a 7 de março<br />

Local: FIL - Lisboa<br />

A FIL recebe a Papergift, uma feira dedicada aos sectores profissionais<br />

da papelaria, escritório, escrita e desenho, didático e pedagógico, gift e<br />

serviços associados. Mais informações em Papergift.<br />

44 <strong>PME</strong>


AGENDA<br />

Portugal Print<br />

Data: 9 a 11 de março<br />

Local: Exponor – Porto<br />

OA Exponor recebe o Portugal Print - Feira das Artes Gráficas e Têxtil<br />

Profissional.<br />

Mais informações em PortugalPrint.<br />

Green Business Week<br />

Data: 15 a 17 de março<br />

Local: Centro de Congressos de Lisboa -Lisboa<br />

A Fundação AIP organiza, no Centro de Congressos de Lisboa, o Green<br />

Business Week, o maior evento nacional de transferência de conhecimento.<br />

Consulte o site da FIL para mais informações.<br />

Bolsa de Turismo de Lisboa<br />

Data: 15 a 19 de março<br />

Local: FIL - Lisboa<br />

A FIL recebe a BTL, o salão de referência para a indústria do Turismo Nacional.<br />

Esta é provavelmente a viagem de negócios mais importante do ano<br />

para si e para a sua empresa. Saiba mais sobre a BTL.<br />

<strong>PME</strong><br />

45


opinião<br />

A importância de um sistema<br />

de gestão da qualidade nas <strong>PME</strong><br />

Por: António Ramos Pires, professor universitário e presidente da Associação Portuguesa para a Qualidade (APQ)<br />

As empresas portuguesas sabem que a qualidade é um fator fundamental<br />

de competitividade. Contudo, as <strong>PME</strong> nem sempre têm<br />

esta convicção transformada em práticas e procedimentos. Com<br />

frequência dão prioridade a outros fatores de competitividade<br />

(custos, prazos, tempos de resposta, tecnologia), esquecendo que<br />

a qualidade pode não ser um fator suficiente para alcançar uma<br />

posição competitiva, mas é sem dúvida necessário, porque sem ele<br />

os outros fatores deixam de fazer sentido. A crise económica só<br />

tornou esta realidade mais evidente.<br />

Esta realidade fica bem expressa quando se analisam os investimentos.<br />

Estes tendem a ser feitos com relativa facilidade quando<br />

se trata de equipamentos (por vezes caros), mas com mais<br />

dificuldade quando se trata da introdução de técnicas e métodos<br />

da gestão e da qualidade. Temos verificado que os investimentos<br />

são feitos de acordo com duas prioridades: a primeira tem a ver<br />

com a satisfação de exigências dos clientes; a segunda tem a ver<br />

com a perceção dos benefícios. Quando alguma destas situações<br />

se verifica, os empresários não têm objeções a investir o que for<br />

necessário, porque muitas vezes estão em causa prejuízos avultados,<br />

se não mesmo a própria sobrevivência. Contudo, as energias<br />

ficam muito concentradas nos aspetos mais de curto prazo, ficando<br />

prejudicados os de melhoria e otimização e aprendizagem organizacional.<br />

Em muitos casos, os benefícios não são quantificados e comparados<br />

com os investimentos, o que retira alguma legitimidade aos argumentos<br />

da qualidade, no que respeita a investimentos nesta área.<br />

Noutros casos, os benefícios da implementação de sistemas de<br />

gestão da qualidade (SGQ) são mais difíceis de quantificar, mas são<br />

da maior relevância. Por exemplo, aquela implementação tem sido<br />

identificada como um grande momento de aprendizagem da organização,<br />

ao integrar conhecimentos exteriores com a sua própria<br />

experiência acumulada.<br />

Por outro lado, os impactes dos SGQ podem ser vistos por setores<br />

de atividade e mesmo por áreas funcionais. No âmbito da certificação<br />

existem diferenças, mas não são conclusivas em termos de<br />

menos ou piores empresas com sistema de gestão da qualidade<br />

certificados. Na procura da excelência (ou de elevados desempenhos),<br />

e tomando como referência as candidaturas aos níveis de<br />

excelência da EFQM e ao Prémio de Excelência do SPQ (Sistema<br />

Português da Qualidade), as empresas portuguesas não estão nos<br />

mesmos números relativos dos restantes países europeus. Contudo,<br />

a apetência para a inovação e a experimentação são uma<br />

constante nos setores com maior exposição externa. A qualificação<br />

das pessoas é consensualmente reconhecida como imprescindível,<br />

mesmo quando não existem sistemas formais de gestão dos recursos<br />

humanos, como é o caso de muitas <strong>PME</strong>.<br />

A aposta na qualidade é reconhecida quer nacional, quer internacionalmente.<br />

Contudo, a conquista de novos mercados internacionais<br />

tem uma única chave de entrada: a qualidade dos produtos<br />

em primeiro lugar, e a capacidade de resposta aos fatores de<br />

competitividade em segundo lugar, tais como a capacidade técnica,<br />

os prazos de entrega, a flexibilidade, a logística, os preços, e a<br />

confiança. Os empresários sabem que as recompensas existem e<br />

são valiosas, mas que não são acessíveis com facilidade, requerendo<br />

muito trabalho coerente e persistente.<br />

46 <strong>PME</strong>


António Ramos Pires é docente universitário e presidente da APQ<br />

(Foto: apq)<br />

<strong>PME</strong><br />

47


www.pmemagazine.com

Hooray! Your file is uploaded and ready to be published.

Saved successfully!

Ooh no, something went wrong!