Março/2016 - Referência Florestal 172

jota.2016

Visitantes - Grupo Jota Comunicação

48

CULTIVO MÍNIMO

Biomassa da colheita

faz bem para o solo

ECONOMIA VERDE

Acordo do clima

finalmente engrena

70 ENTREVISTA

Thiago Valente Novaes,

presidente do Ideflor-Bio

Virtual Forest

Real Inventory provides

exact data tree by tree

Floresta virtual

Inventário real traz dados exatos

árvore por árvore


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SUMÁRIO

ANUNCIANTES

DA EDIÇÃO

Agroceres ................................................................... 88

Bruno Industrial ......................................................... 57

36

Carrocerias Bachiega .............................................. 69

D’Antonio Equipamentos ..................................... 83

Denis Cimaf ................................................................... 04

58

Dinagro ........................................................................... 02

Exte .................................................................... 21

70

Fezer ........................................................................... 23

H Fort ................................................................................ 11

Himev .............................................................................. 83

Editorial

Cartas

Bastidores

Coluna Ivan Tomaselli

Notas

Alta e Baixa

Biomassa

Aplicação

Frases

Entrevista

Principal

Silvicultura

Manejo Florestal

Espécie Comercial

Pesquisa e Desenvolvimento

Especial

Artigo

Agenda

Espaço Aberto

08

10

12

14

16

20

22

24

26

28

36

48

52

58

66

70

76

84

86

J de Souza ........................................................................ 51

John Deere .................................................................... 09

Mill Indústrias .............................................................. 27

Minusa Forest .............................................................. 07

Oregon ............................................................................ 87

Rotobec ........................................................................ 25

Smart Matrix ................................................................ 35

TMO ................................................................................. 15

Waratah ......................................................................... 13

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S I MPL Y BE T TER


EDITORIAL

Ano XVIII - Edição n.º 172 - Março 2016

Year XVIII - Edition n.º 172 - March 2016

Uma viagem ao mundo

virtual é o mote da capa desta

edição, que traz como tema

da reportagem principal o

inventário florestal real, serviço

prestado pela Smart Matrix

MUNDO REAL

Estamos vivendo uma crise de identidade com o uso das tecnologias digitais. Alguns

achando que as pessoas estão se afastando e outros que os meios de comunicação

nos aproximam cada vez mais. Pontos de vista a parte, para o setor florestal

pode-se dizer que as novas mídias estão encurtando distâncias, facilitando o planejamento

das intervenções na floresta e munindo os gestores com informações mais

precisas. Essa evolução pode ser acompanhada na reportagem que ilustra a capa

desta edição. Ela traz uma tecnologia inovadora e 100% nacional que permite passear

virtualmente pela floresta, estimar números, distâncias, mapear árvore por árvore,

fazer projeções. Vale muito a pena conferir, parece que estamos 20 anos à frente. Outra

reportagem que está imperdível trata das resoluções da COP21, reunião do clima

realizada no final do ano passado em Paris. Finalmente houve uma clara sinalização

de ações que podem ser aproveitadas pelo setor florestal para o fortalecimento da

economia verde. Ainda reservamos espaço para matérias técnicas e práticas sobre o

manejo florestal de nativas, cultivo mínimo do solo e Ilpf (Integração Lavoura Pecuária

Floresta). Tenha uma excelente leitura!

EXPEDIENTE

JOTA COMUNICAÇÃO

Diretor Comercial / Commercial Director

Fábio Alexandre Machado

fabiomachado@revistareferencia.com.br

Diretor Executivo / Executive Director

Pedro Bartoski Jr

bartoski@revistareferencia.com.br

Diretora de Negócios / Business Director

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Redação / Writing

Rafael Macedo - Editor

editor@revistareferencia.com.br

jornalismo@revistareferencia.com.br

Colunista

Ivan Tomaselli

Depto. de Criação / Graphic Design

Fabiana Tokarski - Supervisão

Fabiano Mendes

Bruce Cantarim, Fernanda Domingues

criacao@revistareferencia.com.br

Tradução / Translation

John Wood Moore

Cartunista / Cartunist

Francis Ortolan

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comercial@revistareferencia.com.br

fone: +55 (41) 3333-1023

Depto. de Assinaturas / Subscription

Monica Kirchner - Coordenação

Alessandra Reich

assinatura@revistareferencia.com.br

THE REAL WORLD

We are living through an identity crisis due to the use of digital technologies. Some people

think that we are moving away from each other, while others think that the new medias, more

and more, bring us closer together. Whatever point of view, for the Forest Sector, it can be said

that the new medias are making the distances shorter, facilitating the planning of forest interventions

and arming managers with more accurate information. This evolution can be followed

in the story that illustrates the cover of this issue. It demonstrates an innovative and 100% national

technology, which allows one to take a virtual walk through the forest, estimate numbers,

distances, map tree by tree, and make projections. Well worth checking out, it looks like we

are 20 years ahead. Another story that should be read covers the resolutions, from the climate

meeting, COP21, held late last year in Paris. Finally, there are clear signs of actions that can be

used by the Forest Sector as to the strengthening of the green economy. We even reserved space

for technical material and practices on native forest management, minimum soil cultivation and

Crop and Livestock Forest Integration (Ilpf). Very pleasant reading!

08 www.referenciaflorestal.com.br

ASSINATURAS

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A Revista REFERÊNCIA - é uma publicação mensal e independente,

dirigida aos produtores e consumidores de bens e serviços em madeira,

instituições de pesquisa, estudantes universitários, orgãos governamentais,

ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento de base florestal. A Revista REFERÊNCIA do Setor

Industrial Madeireiro não se responsabiliza por conceitos emitidos em

matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes materiais

de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação,

armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos

textos, fotos e outras criações intelectuais da Revista REFERÊNCIA são

terminantemente proibidos sem autorização escrita dos titulares dos

direitos autorais, exceto para fins didáticos.

Revista REFERÊNCIA is a monthly and independent publication

directed at the producers and consumers of the good and services of the

lumberz industry, research institutions, university students, governmental

agencies, NGO’s, class and other entities directly and/or indirectly linked

to the forest based segment. Revista REFERÊNCIA does not hold itself

responsible for the concepts contained in the material, articles or columns

signed by others. These are the exclusive responsibility of the authors,

themselves. The use, reproduction, appropriation and databank storage

under any form or means of the texts, photographs and other intellectual

property in each publication of Revista REFERÊNCIA is expressly prohibited

without the written authorization of the holders of the authorial rights.


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de pneus. Só de olhar, você já percebe a diferença.

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CARTAS

TECNOLOGIA

MISSIVA

Por Silvio Cesar Amarante -

Piratini (RS)

Capa da Edição 171 da

Revista REFERÊNCIA FLORESTAL,

mês de fevereiro de 2016

Venho por meio desta

demonstrar minha inteira

satisfação com a assinatura

da Revista REFERÊNCIA,

pela qual tem promovido

tal crescimento intelectual

e conhecimento nos meios

dos negócios, através da sua

informação e de suas reportagens mundo afora. Elevar

excelente atendimento feito por Mônica a qual agradeço.

Gostaria de dar ênfase ao passado dos desbravadores,

que das matas fizeram emergir cidades de hoje, um

passado sempre presente naqueles que batalharam no

ramo madeireiro florestal.

MANEJO

FLORESTAL

Por Genuário Freitas -

Paragominas (PA)

Faço o manejo florestal

e sempre procuro

informações sobre o

tema para que possa atualizar a maneira com que faço

minha colheita. Espero sempre por matérias com esse

objetivo.

Imagem: reprodução

Foto: REFERÊNCIA

Por Wilson Carvalho -

Três Lagoas (MS)

Gosto quando envolve

floresta com a tecnologia,

porque a economia é de

tempo e dinheiro. Por

isso as reportagens sobre

mecanização são minhas

preferidas.

CAR

Por Carlos Eduardo

Tarantini - Vitória

da Conquista (BA)

Fiquei muito satisfeito ao

ler na edição de março

do ano passado da REFERÊNCIA FLORESTAL que o CAR

(Cadastro Ambiental Rural) seria prorrogado. Tive mais

tempo de me preparar e agora estou com a propriedade

em dia.

SEM FALTA

Por Adriano Silva

- Porto Velho (RO)

As matérias

sobre eucalipto

me interessam,

sou assinante

da REFERÊNCIA

FLORESTAL e recebo

religiosamente a

Revista. Gostaria de

exaltar o compromisso com o leitor.

Foto: REFERÊNCIA Imagem: reprodução

Foto: REFERÊNCIA

Leitor, participe de nossas pesquisas online respondendo os e-mails enviados por nossa equipe de jornalismo.

As melhores respostas serão publicadas em CARTAS. Sua opinião é fundamental para a Revista REFERÊNCIA FLORESTAL.

E-mails, críticas e

sugestões podem ser

enviados para redação

revistareferencia@revistareferencia.com.br

Mande sua opinião sobre a Revista do

Setor Florestal ou a respeito de reportagem

produzida pelo veículo.

10

www.referenciaflorestal.com.br


´


BASTIDORES

CHARGE

Charge: Francis Ortolan

REVISTA

VISITA

Na primeira semana de março

fomos a campo para realizar a

reportagem que ilustra a capa da

edição de abril. As informações

são quentíssimas e há novidades.

Aguardem.

Fábio Bachi Alves dos Santos

operador de autocarregável,

Sidnei Nascimento gerente

Florestal da Malda, Rafael

Macedo editor da REFERÊNCIA

FLORESTAL e Heuro Tortato

diretor comercial da TMO

Forest

Foto: REFERÊNCIA

Foto: REFERÊNCIA

Deydre Tortato do

departamento de exportação

e marketing da TMO Forest,

Sérgio Braz Gugelmin

empresário florestal, Heuro

Tortato diretor comercial da

TMO Forest, Bruno Felipe

Paese, Márcio Rodrigo de

Souza operador de harvester

e Elson Paese empresário

florestal

12

www.referenciaflorestal.com.br


COLUNA

Foto: divulgação

Ivan Tomaselli

Diretor-presidente da Stcp

Engenharia de Projetos Ltda

Contato: itomaselli@stcp.com.br

A DESVALORIZAÇÃO CAMBIAL E A

TENDÊNCIA DAS EXPORTAÇÕES DE

PRODUTOS DE MADEIRA

Vamos percorrer ainda um longo caminho até a retomada da economia, nesse

meio tempo o mercado externo é o remédio

N

a última coluna foi discutido o assunto da desvalorização

cambial e as perspectivas para 2016. Vale a pena

voltar ao tema. Já não se espera uma recuperação da

economia nacional em 2016, e é provável que a crise continue em

2017. Talvez 2018 seja um ano de retomada.

A figura abaixo apresenta a evolução do câmbio nos últimos

24 meses. Houve flutuações ao longo dos meses, mas a linha de

tendência mostra uma desvalorização do câmbio praticamente

constante, a uma taxa média de 2,2% ao mês, acumulando 70%

no período. Se esta tendência for mantida no final de 2016 a taxa

de câmbio terá crescido outros 30%.

EVOLUÇÃO DA TAXA DE CÂMBIO

janeiro de 2014 -.

O impacto da desvalorização foi importante para melhorar

as exportações, mas o resultado foi menor que o esperado. Em

geral o crescimento das exportações em volume acompanhou a

desvalorização do real, mas com a queda nos preços a evolução

das exportações em valor foi inexpressiva.

Como esperado, o mercado internacional se tornou uma

alternativa à queda da demanda nacional para produtos de madeira.

No entanto o crescimento das exportações foi menor que o

esperado, e alguns produtos mantiveram os volumes de exportação

praticamente inalterados.

EXPORTAÇÕES MENSAIS DE PRODUTOS DE

MADEIRA SELECIONADOS (BASE VOLUME)

A desvalorização da moeda nacional melhorou (momentaneamente)

a competitividade dos produtos brasileiros no mercado

internacional, e isto deveria teoricamente impulsionar as

exportações.

A segunda figura apresenta a evolução em volume das exportações

de serrados e painéis de compensado (coníferas e tropicais)

nos últimos 24 meses. As linhas de tendências indicam que no

período ocorreu um crescimento de 2% e 2,4% ao ano para compensados

e serrados de coníferas, e uma queda nas exportações de

madeira serrada tropical. O crescimento do compensado tropical

foi superior a 3% ao ano, no entanto a base inicial é muito baixa -

menos que quatro mil m³ (metros cúbicos) foram exportados em

É importante sempre lembrar que os preços de produtos de

madeira no mercado internacional não deverão ser mais favoráveis

no curto e médio prazo, e a tendência é de estabilidade ou novas

quedas de preço. Além disto, a inflação deverá ter impactos nos

custos de produção nos próximos meses, e as margens deverão

declinar. Este cenário, associado à continuidade da crise nacional,

indica que tanto 2016 como 2017, serão anos difíceis para a indústria

brasileira de produtos de madeira sólida.

É importante sempre lembrar que os preços de produtos de madeira no

mercado internacional não deverão ser mais favoráveis no curto e médio

prazo, e a tendência é de estabilidade ou novas quedas de preço

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NOTAS

REGRAS EM

SERVIÇOS

Foto: divulgação

Proprietários de Rppns (Reservas

Particulares do Patrimônio Natural)

paranaenses terão apoio financeiro

para elaborarem planos de manejos,

ações de educação ambiental, pesquisa

ou proteção das áreas. A resolução

da Sema (Secretaria Estadual do Meio

Ambiente) que estabelece as normas

para os projetos de pagamentos por

serviços ambientais às Rppns foi publicada

em fevereiro. Com as regras

gerais definidas, a Sema e o IAP (Instituto

Ambiental do Paraná) lançarão em

março a chamada pública para os proprietários

de Rppns que queiram concorrer ao primeiro edital de PSA (Pagamentos por Serviços Ambientais)do Estado.

Pela resolução, poderão concorrer aos recursos do PSA todos os proprietários dentro do território do Paraná, sejam elas

reservas estaduais, federais ou municipais, desde que tenham a documentação em dia, comprovando que a área não

tenha débitos ambientais. Outra exigência é o registro da propriedade Siscar (Sistema de Cadastro Ambiental Rural), que

comporta todas as informações da propriedade.

ESPONJAS DE CARBONO

Um grupo internacional de cientistas, com

integrantes brasileiros, publicou a análise sobre

o padrão de crescimento das florestas secundárias

na região neotropical, que vai do México ao

Estado de São Paulo. Eles concluíram que as capoeiras

demoram, em média, apenas 66 anos para

repor 90% da biomassa (portanto, do estoque de

carbono) que possuíam antes do desmatamento.

Uma floresta em regeneração sequestra 11 vezes

mais carbono do que uma mata virgem na Amazônia.

Somente na Amazônia, 22% de toda a área

desmatada é ocupada por matas em regeneração,

segundo dados do Projeto Terraclass, sob coordenação

do Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais).

Esse número é provavelmente ainda maior na

Mata Atlântica, que tem menos de 10% de sua cobertura florestal original.

Foto: divulgação

16

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GOVERNO ACRIANO DEFINE AÇÕES

PARA FORTALECER SETOR

Foto: Paula Amanda/Secom

Os secretários de Estado de Meio Ambiente, Edegard

de Deus, e da Sedens (Desenvolvimento Florestal,

Indústria, Comércio e Serviços Sustentáveis), Fernando

Lima, e o diretor-presidente do Imac (Instituto

de Meio Ambiente do Acre), Paulo Viana, reuniram-se

para discutir um calendário de ações integradas para

o fortalecimento das atividades de manejo florestal

madeireiro em florestas públicas e propriedades particulares.

A definição das ações tem como objetivo

traçar um plano de trabalho que será executado pelos

três órgãos como forma de fortalecer todo o setor

florestal, de forma integrada. O manejo florestal é uma das atividades que, com o apoio do governo do Estado, vem

garantindo bons resultados à indústria florestal. O titular da Sedens frisou que o Estado tem moveleiros, serrarias e toda

a cadeia que apresenta grande demanda.

MÁQUINAS

NA FLORESTA

A Fibria deu mais um passo para atender

o Projeto Horizonte 2, que está construindo

uma nova linha de produção da unidade de

Três Lagoas (MS). Mesmo antes do início das

operações, previsto para ocorrer no último

trimestre de 2017, a empresa já adquiriu -

junto à empresa Komatsu - novas máquinas

que serão responsáveis por colher, descascar e

baldear a madeira até a beira da estrada para

ser transportada para a fábrica. O investimento

nos novos equipamentos será superior a R$

100 milhões. Com o aumento de produção e a

aquisição dos harvesters e forwarders, a Fibria

pretende abrir mais de 700 novos postos de trabalho dedicados ao processo de colheita durante todo o ano de 2016. As

obras do Projeto Horizonte 2 começaram em 2015 e seguem dentro do cronograma. Com investimento de R$ 8,7 bilhões,

a Unidade de Três Lagoas terá a capacidade de produção aumentada em 1,75 milhão t (toneladas) de celulose/ano totalizando

3,05 milhões t de celulose/ano.

Foto: divulgação

Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

17


NOTAS

IDENTIFICAÇÃO E

CLASSIFICAÇÃO

Foto: Fablicio Rodrigues/Almt

Preocupados com a manifestação positiva do

Indea (Instituto de Defesa Agropecuária) quanto à

volta da obrigatoriedade da Classificação e Identificação

da Madeira, diretores do Cipem (Centro de

Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira),

reuniram-se com o deputado Dilmar Dal’ Bosco e

com o secretário de Estado de projetos estratégicos,

Gustavo Oliveira, em busca de esclarecimentos. De

acordo com os empresários, Mato Grosso é o único

Estado brasileiro a exigir esse procedimento, o que

acaba tornando o mesmo menos competitivo. Eles

explicam que a perda de competitividade está ligada aos altos valores fixados pelo Estado, uma vez que o cálculo do Icms

sobre a venda das madeiras bruta e industrializada é feita a partir da classificação estabelecida pelo Indea. A identificação de

produtos florestais deixou de ser obrigatória em 2013, quando Dilmar Dal’ Bosco liderou um movimento entre os parlamentares

mato-grossenses pela revogação da Lei Complementar nº 235/2005, que determinava o procedimento de classificação

rodoviária nas madeiras extraídas no Estado.

R$ 2 MILHÕES DE

RETORNO

Os municípios de Juruti, Santarém, Aveiro, Monte Alegre e Almeirim,

no oeste do Pará, recebem neste mês mais de R$ 2 milhões em

recursos do Ideflor-Bio (Instituto de Desenvolvimento Florestal e da

Biodiversidade), por meio do Fundeflor (Fundo Estadual de Desenvolvimento

Florestal). Os recursos são referentes a 30% do valor arrecadado

na safra de 2015 com as áreas de concessões florestais. O valor

é distribuído como contraprestação pelo uso econômico de recursos

florestais de seus respectivos territórios, conforme legislação vigente.

Esse é o terceiro ano do repasse de recursos aos municípios. O segundo

Plano de Aplicação do Fundeflor, executado em 2015, beneficiou

os municípios de Juruti, Santarém, Aveiro e Monte Alegre, que tinham

áreas de concessão florestal outorgadas pelo Ideflor-Bio. No ano passado

os valores repassados chegaram a pouco mais de R$ 1,7 milhão.

Por meio da concessão florestal, o patrimônio florestal é gerenciado

de forma a combater a apropriação indevida de terras públicas, evitando assim a exploração predatória dos recursos existentes,

a conversão do uso do solo para outros fins, como pecuária e agricultura, e promovendo uma economia em bases

sustentáveis e de longo prazo.

Foto: divulgação

18

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OS SEM

FLORESTA

A Araupel sofreu novo

ataque feito por integrantes

do MST (Movimento de Trabalhadores

Rurais Sem Terra).

O grupo invadiu um viveiro

e destruiu cerca de 1,2

milhão de mudas de pinus

que estavam sendo preparadas

para o plantio em uma

área de reflorestamento

da Araupel, em Quedas do

Iguaçu (PR). O prejuízo foi

calculado em R$ 5 milhões.

Desde julho de 2014, quando

a fazenda de reflorestamento

foi invadida por centenas de famílias, o clima é tenso na região e a titularidade da área vem sendo disputada na

justiça. “Há mais de um ano a Araupel tem a seu favor um mandado de reintegração de posse e aguarda o cumprimento

por parte do governo do Estado”, revela o departamento jurídico da Araupel. Neste período, a Araupel calcula perdas de

mais de R$ 35 milhões com as invasões.

A justificativa para o ataque do MST é que o ataque realizado por 5 mil mulheres faz parte da Jornada Nacional de

Luta das Mulheres Camponesas, que este ano tem como lema: “Mulheres na luta em defesa da natureza e alimentação

saudável, contra o agronegócio”.

Foto: divulgação

SÓ QUEREMOS TRABALHAR

Em novembro do ano passado, funcionários da Araupel protestaram em frente à sede do governo do Paraná, em

Curitiba (PR). O grupo de cerca de 1,2 mil pessoas pedia providências e a retirada dos integrantes do MST acampados na

fazenda. Os manifestantes levaram até a capital vários tratores, caminhões e maquinários que desde estão estavam na

área ocupada.

A empresa recebeu o

Prêmio REFERÊNCIA 2015

pela conduta exemplar

que mantém ao longo

desses anos, em especial

no ano passado, mesmo

sofrendo ataques sistemáticos.

Enquanto isso

o governo do Paraná se

mantém omisso no cumprimento

de suas obrigações.

Foto: divulgação

Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

19


ALTA E BAIXA

EXPORTAÇÕES CRESCEM EM JANEIRO

No primeiro mês de 2016, a receita de exportações de celulose, painéis de madeira e papel totalizou US$

646 milhões, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o total foi de

US$ 588 milhões. O saldo da balança comercial do setor de janeiro é de US$ 555 milhões, valor 23,1%

maior na comparação com o mesmo período de 2015. De acordo com os dados da Ibá (Indústria

Brasileira de Árvores), o volume das exportações de celulose totalizou 959 mil t (toneladas) em

janeiro de 2016, crescimento de 4,4% em relação ao mesmo período de 2015. Em relação ao

segmento de painéis de madeira, o volume exportado no primeiro mês do ano somou 54

mil m³ (metros cúbicos), crescimento de 50%, e as exportações de papel atingiram 156

mil t no primeiro mês deste ano, volume 1,3% maior que o mesmo mês em 2015.

ALTA

EM PROL DAS NASCENTES

O programa de proteção de nascentes será a nova frente de recuperação ambiental de Santa Catarina.

Todas as cadeias produtivas compreenderam que, para garantir água de qualidade e suficiente para

atender as necessidades do campo, da cidade e da rica biodiversidade brasileira, é necessário preservar

as nascentes. A iniciativa tem amplitude nacional e, em território catarinense, será desenvolvida pela

Faesc (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina), Senar (SC), sindicatos e cooperativas

que definiram um primeiro grande passo: a realização de 50 treinamentos para produtores, neste

primeiro semestre, mediante convênio com a Cooperativa Central Aurora Alimentos. Manter a nascente

preservada minimiza os riscos de erosão, poluição ou outros acidentes naturais, e os provocados pela

intervenção humana.

MAIS VULNERÁVEIS

Floresta Amazônica e a caatinga estão entre os ecossistemas mais vulneráveis às mudanças climáticas e

podem sofrer mais do que a maioria das regiões do globo com a variação da temperatura e das chuvas

causada pelo aquecimento global. A descoberta faz parte de um estudo publicado ontem na revista Nature

que descreve um novo método de avaliar a sensibilidade de diferentes áreas do mundo às alterações

do clima. Entre os biomas mais ameaçados, também estão a tundra, típica das regiões geladas do ártico;

porções da Floresta Boreal, que cobre parte do Canadá e do Alasca; o leste da Austrália; e as matas temperadas

encontradas em regiões alpinas.

BAIXA

CONCORRÊNCIA ILEGAL

Oficialmente, Moçambique exporta 100 milhões de dólares de madeira para a China.

Entretanto, as estatísticas chinesas contabilizam a importação de quatro vezes mais - US$

400 milhões - da matéria-prima, segundo publicação do site África Monitor. A discrepância

entre os números divulgados oficialmente e a quantidade real de madeira que entra na China

tem aumentado. Relatórios preparados por organismos internacionais, como os da NU Comtrade

(uma ferramenta da Organização das Nações Unidas para monitoramento), compilados pelo World

Resources Institute, mostram que US$ 300 milhões em madeira moçambicana chegaram ao território

chinês de forma ilegal.

20

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BIOMASSA

SERINGUEIRA

COMO BIOMASSA

A

principal árvore utilizada para a produção de biomassa

é o eucalipto. Mas Albino de Sousa, gerente

de operações da FL Florestal, conta que o processo é

viável também com a Hevea brasiliensis, mais conhecida como

seringueira. “Começamos a utilizar a seringueira no Mato

Grosso, há um ano e ela tem se mostrado bastante viável. A

performance é melhor ou igual a do eucalipto, com a vantagem

de se tornar mais barata no final do processo”, explica

Albino. A expectativa para o mercado de biomassa florestal é

de que melhore em dois ou três anos. “Apesar da crise econômica

as indústrias estão buscando novas alternativas. Cadeiras

movidas com óleo combustível ou gás estão fazendo a substituição

por biomassa florestal”, afirma ele.

Foto: divulgação

TERMINAL

PARA PELLETS

O

Porto do Rio Grande (RS), acaba de

ganhar um terminal exclusivo para o

embarque de pellets de madeira. Com

o aumento das exportações do produto para a

Europa está havendo a necessidade de ampliar o

canal de escoamento de pellets. O mercado europeu,

onde 37% da energia consumida é gerada

a partir de carvão mineral, busca substituir esta

fonte, que gera impacto no efeito estufa, pela biomassa

com elevado poder calorífico. Parte dessa

demanda será suprida, entre outros fornecedores,

pela unidade silvoindustrial que está sendo

instalada no município de Pinheiro Machado (RS),

dimensionada para produzir 600 mil toneladas de

pellets por ano. A estimativa é que com a nova estrutura,

o terminal portuário deverá atingir 60 mil

t/mês (toneladas) de pellets exportados ao mês.

Foto: REFERÊNCIA

22

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APLICAÇÃO

INTELIGÊNCIA

GEOGRÁFICA

A

Cenibra (Celulose Nipo-

-Brasileira), empresa especializada

na produção de

celulose branqueada de fibra curta de

eucalipto, com sede em Minas Gerais,

implantou a plataforma Arcgis para

mapear suas propriedades e gerenciar

a colheita florestal. A iniciativa,

que teve início em 2005, envolve todo

o processo de colheita, silvicultura de

precisão, meio ambiente, gestão e

planejamento florestal, e geoprocessamento

da empresa, e trouxe mudanças

significativas no dia a dia dos gestores rurais. Segundo Emanuel Elidio, engenheiro civil na Cenibra, um dos grandes

desafios superados na implantação do GIS foi a condição geográfica da Cenibra, localizada em uma área acidentada. “A

expertise da Imagem, referência no mercado de GIS corporativo, nos permitiu agilizar o planejamento florestal, de modo a

identificar as condições de florestas plantadas, fazer a modelagem de estradas, replanejar estradas, conhecer o relevo por

meio de imagens em alta definição via processamento Lidar (tecnologia de sensoriamento remoto que permite a visualização

de mapas tridimensionais), feito na plataforma Arcgis Desktop”, conclui.

Foto: divulgação

PERGUNTAS E

RESPOSTAS SOBRE A

ILPF

Imagem: divulgação

A

Embrapa acaba de lançar um livro, em

formato de PDF, sobre questões da Ilpf

(Integração Lavoura, Pecuária e Floresta).

O material conta com a colaboração de mais de 100

autores, em quase 400 páginas e 20 capítulos. Ele

pode ser baixado ou acessado online gratuitamente

pelo endereço www.embrapa.br. A intenção da entidade

é contribuir com o incremento desse modelo de agronegócio muito mais moderno. Segundo a Embrapa, com

o aumento da demanda por alimentos e a evolução tecnológica na produção, a atividade agrícola moderna passou a

caracterizar-se por sistemas padronizados e simplificados de monocultura. Esse sistema de produção agropecuária

predomina nas propriedades rurais em todo o mundo. Os diferentes sistemas de Ilpf, adotados segundo os conceitos

da agricultura conservacionista, proporcionam ao agroecossistema uma produção mais sustentável de alimentos,

fibras, madeira, energia, e ainda um aumento da renda do produtor tornando-se também um provedor de serviços

ambientais.

24

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FRASES

Essa medida

desvaloriza o

segmento, uma

vez que tem se

comprovado um

valor superior a 65%

de aproveitamento.

Temos que aprender

a estimar os que

trabalham para o

crescimento do país,

dessa forma vamos

enterrar o setor

florestal de vez

Resposta do senador Jorge Viana

sobre a proposta de emenda feita

pelo Ibama (Instituto Brasileiro do

Meio Ambiente e dos Recursos

Naturais Renováveis) e SFB (Serviço

Florestal Brasileiro ) para redução

do CRV

Houve uma intempestividade no assunto, ele não

é novo estamos discutindo isso há mais de 30 anos,

se houver alguém que use um rendimento maior é

só comprovar que obterá autorização

Paulo Fontes, diretor de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas, afirmando

que é plausível a redução do CRV (Coeficiente de Rendimento Volumétrico) no

beneficiamento das toras para 35%

O governo está sensível às demandas trazidas

pelo setor produtivo. Desde que assumimos

estreitamos esse diálogo, sempre buscando

conciliar o desenvolvimento econômico com a

conservação ambiental, porém, algumas medidas

mais duras precisam ser adotadas neste momento

em razão do aumento do desmatamento ilegal

verificado no ano passado

Ana Luiza Peterlini, secretária da Sema MT (Secretaria de Estado de Meio

Ambiente) sobre Decreto nº 420 que estabelece normas mais rígidas ao

manejo florestal

Mato Grosso ficará em desvantagem em

relação aos outros Estados produtores de

madeira, a exemplo de Rondônia e do Pará,

devido aos altos impostos cobrados. Há casos

em que alguns tipos de madeiras comercializadas

nos Estados vizinhos chegam a ser até 40% mais

baratas que as daqui

Foto: Agência Brasil

Fernando Zafonato, presidente em exercício do Cipem (Centro de

Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira) sobre a possibilidade do

Indea (Instituto de Defesa Agropecuária) voltar a exigir a a classificação e

identificação da madeira

26

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ENTREVISTA

Foto: divulgação

Thiago Valente Novaes

LOCAL DE NASCIMENTO

Belém (PA) - 27/10/1983

October 27, 1983, Belém (PA)

ATIVIDADE/ ACTIVITY:

Presidente do Ideflor-Bio (Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará)

President of the State of Pará Institute for Forestry and Biodiversity Development (Ideflor-Bio)

FORMAÇÃO/ ACTIVITY:

Engenheiro Florestal pela Ufra (Universidade Federal Rural da Amazônia)

Forestry Engineering, Federal Rural University of the Amazon (Ufra)

O

primeiro contrato de concessão de uma floresta pública

para realização do MFS (Manejo Florestal Sustentável)

foi autorizado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), em

2008. Foi uma quebra de padrão que mostrou a possibilidade

de explorar economicamente uma área florestal pertencente ao

Estado de forma sustentável. O Estado do Pará obteve o primeiro

contrato em 2011. Atualmente estão sob este modelo 544.061,11

ha (hectares) de florestas nativas, localizadas na região oeste do Estado.

Conversamos Thiago Valente Novaes, presidente do Ideflor-

-Bio (Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade

do Pará), autarquia responsável por gerir as florestas públicas para

produção sustentável. Ele falou sobre os resultados aferidos, até o

momento positivos, levando em conta que se passaram somente

cinco anos desde o primeiro contrato que está enquadrado em

um regime de duração de 30 a 40 anos. Ele garante que o sistema

é viável economicamente e que a entidade trabalha para sanar

dificuldades dos concessionários, como concorrência desleal com

a atividade ilegal e estabelecer um índice específico que balize os

reajustes anuais do preço da madeira.

Florestas públicas bem manejadas

Well managed public forests

T

he first concession contract for carrying out Sustainable

Forest Management (SFM) in a public forest was authorized

by the Federal Supreme Court (STF), in 2008. It was a

new pattern that showed the possibility of economically exploiting

a forested area belonging to the State in a sustainable way. The

first contract in the State of Pará was signed in 2011. Currently,

there are 544,061.11 hectares (ha) of native forests being exploited

under this model, located in the Western Region of the State.

We talked with Thiago Valente Novaes, President of the State of

Pará Institute for Forestry and Biodiversity Development (Ideflor-

-Bio), the local authority responsible for managing the public forests

for sustainable production. He talked to us about the results

so far being positive, considering it’s been only five years since the

first contracts were signed that have a duration between 30 and

40 years. He ensures that the system is proving economically viable

and that the entity is working to address difficulties, such as

unfair competition from illegal activities and establishment of a

specific index that sets annual price adjustments.

28

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Quantas florestas estão sob concessão atualmente, onde estão

e por quantos anos? São quantos hectares no total e quantos

passíveis de serem manejados?

Hoje o Estado do Pará possui 11 contratos de concessão assinados,

envolvendo oito empresas, contabilizando um total de 544.061,11

ha de floresta em regime de concessão, estão localizados nos

municípios de Santarém, Juruti, Aveiro, Almeirim e Monte Alegre.

Se fizermos um desconto médio de 13% de áreas não manejáveis,

APP (Áreas de Preservação Permanente) e inacessíveis, teremos

uma área líquida manejável de aproximadamente 475.948,57 ha.

Qual seu conceito sobre o resultado das concessões das florestas

públicas no Pará?

A concessão florestal é, pela sua própria natureza, um processo de

longo prazo, prova disso está no período de vigência dos contratos

definido pela própria lei, que estipula intervalos de 30 a 40 anos

para cada contrato de concessão. O Estado do Pará assinou seu

primeiro contrato de concessão florestal ao final de 2011, na região

oeste, portanto, temos um universo de análise de aproximadamente

quatro anos de execução contratual. Se estabelecermos

como critérios de análise dos resultados aspectos relacionados:

destinação do patrimônio florestal; garantia de origem do produto

florestal; monitoramento das atividades e cláusulas contratuais;

manejo florestal; geração de emprego; manutenção da paisagem

e dos serviços ambientais e ecossistêmicos, podemos concluir que

até o presente momento, o processo de concessão de florestas

tem mostrado ótimos resultados para o Pará.

O modelo empregado atende a necessidade dos concessionários

e ao que o Estado esperava?

O modelo empregado no Estado ainda não pode ser considerado

pronto e acabado, posso afirmar que muitos problemas já foram

equacionados, porém ainda temos alguns pontos, já conhecidos,

que precisam ser solucionados ou ajustados e garanto que devam

existir situações que ainda não tiveram a oportunidade de aparecer,

principalmente pelo tempo de execução percorrido, estamos

falando de aproximadamente 10% do tempo de contrato. No entanto,

conclusões preliminares indicam que o modelo apresentado

é capaz de gerar bons resultados para todas as partes envolvidas.

Alguns fatores associados ao mercado e ao câmbio podem fazer

com que esses bons resultados demorem mais ou menos para

chegar, o fato é que estamos tratando de um produto (madeira)

que apresenta uma boa cotação de valor e com potencial e capacidade

de adquirir excelentes valores agregados, além de já se

encontrar disponível na floresta.

Quais são as maiores dificuldades e o que está sendo feito para

solucionar os problemas?

Por parte dos concessionários temos algumas colocações recorrentes

como, por exemplo: o custo de transação das concessões

ainda estar muito elevado, a concorrência com o mercado ilegal

afeta as relações comerciais e a ausência de um índice específico

Currently, how many forests are under the concession regime,

where and for how many years? How many hectares in

total and how many that can be managed?

Today the State of Pará has 11 concession contracts signed involving

eight companies, accounting for a total of 544,061.11

ha of forest under concession, which are located in the municipalities

of Santarém, Juruti, Aveiro, Almeirim and Monte

Alegre. If we account for an average discount of 13% of manageable

areas for Permanent Preservation Areas (APP) and

being inaccessible, we will have a net manageable area of approximately

475,948.57 ha.

What’s your thinking on the results to date of the public forest

concessions in the State of Pará?

The forest concession is, by its very nature, a long-term process;

proof of this is in the contract life period as defined by the

law itself, which stipulates a period of 30 to 40 years for each

concession agreement. The State of Pará signed its first forest

concession contract at the end of 2011, in the Western Region,

so we have a universe for analysis of about just four years of

contract execution. If we set as criteria for the analysis of the

results the following related aspects: use of forest heritage;

product Guarantee of Origin; activity and contractual clause

monitoring; Forest Management; employment generation;

landscape maintenance; and, environmental and ecosystem

services, we can conclude that up to now, the forest concession

process has shown excellent results for the State.

Does the model being employed meet the needs of concession

holders and deliver what the State expected?

The model being employed in the State still cannot be considered

“ready and finished”. I can say that many problems

have already been addressed, but we still have several points,

already known, that need to be addressed or adjusted, and I

guarantee that situations exist that have not yet appeared,

primarily due to the short time the concession process has run,

we’re talking about only 10% of contract life. However, preliminary

findings indicate that the model is able to generate

positive results for all parties involved. Some factors associated

with the market and the exchange rate may cause these

positive results to take a longer or shorter time to appear. The

fact is that we are dealing with a product (timber) that offers

value with the potential and ability to acquire excellent value

added, in addition to being readily available from the forest.

What are the major difficulties and what is being done to

solve the problems?

On the part of the concession holders, we have some recurring

complaints such as: the transaction cost of the concessions is

still very high, competition with the illegal market affects commercial

relations, and the absence of a specific index, or similar,

that reflects timber price behavior and variation to set the

Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

29


ENTREVISTA

ou similar que reflita o comportamento e a variação de preços

da madeira, para subsidiar os reajustes anuais (apostilamento

dos contratos). Por conta dessas colocações, o Estado não tem

medido esforços para estudar possibilidades de reduzir o custo

de transação por meio de melhorias e ajustes, dentro dos limites

legais, nos contratos, temos intensificado a rotina de operações

de fiscalização com o objetivo de eliminar extrações ilegais de

madeira e, por fim, estamos em vias de contratação de um novo

estudo de preços de madeira para obter elementos balizadores

de reajuste dos valores praticados atualmente até que tenhamos

um índice capaz de refletir, com níveis de segurança, a variação de

preços da madeira. Em última análise, posso afirmar que estamos

caminhando muito bem, dentro do que se esperava e as perspectivas

são promissoras para o processo de concessão. Ainda não

temos nenhum outro modelo que seja capaz de concorrer com o

que se pratica hoje. Imagine que depois de algumas décadas de

luta entre o setor florestal e os órgãos de comando e controle,

se conseguiu estabelecer uma relação onde o poder público é

capaz de selecionar, através de critérios definidos em edital, as

melhores propostas dentro de aspectos sociais, agregação de

valor, eficiência, qualidade ambiental e preço, após isso é firmado

um contrato que irá estabelecer as regras dessa relação e ao

final desse processo temos como resultado o patrimônio público

florestal preservado, a prestação de serviços ambientais mantidas,

empregos gerados e movimentação na economia.

Quais foram os principais ajustes ao longo desses anos para

melhorar o processo e a gestão das florestas?

Além do amadurecimento de forma geral na gestão dos contratos,

tivemos avanços em relação ao entendimento da garantia

contratual, aprimoramento das metodologias de verificação

em campo, elaboração de novas diretrizes que correspondem

ao detalhamento das cláusulas contratuais, tornando-as mais

transparentes e objetivas e o aumento da periodicidade de

pagamento que garantiu ao concessionário o dobro do prazo

que ele tinha para efetuar a quitação dos débitos referentes aos

produtos comercializados e transportados, evitando o acréscimo

de juros e multas.

Muitos empresários reclamam da dificuldade em obter viabilidade

econômica no manejo florestal e ainda mais quando estão

sobre concessão de florestas públicas por causa das exigências

annual adjustments (as contained in contracts). On account

of these, the State has made much effort to study possibilities

of reducing the transaction costs through improvements

and adjustments, within legal limits, in the contracts. Also we

have intensified the supervision with the goal of eliminating

illegal timber extraction and, finally, we are in the process of

contracting a new timber price study for the elements underpinning

the readjustment values used today, until we find an

index capable of reflecting, with a level of security, timber price

variations. In the final analysis, I can say that we are moving

ahead very well, within what was expected and the prospects

are promising for the concession process. We still don’t have

any other model that is able to compete with that being used

today. Just think that after several decades of in-fighting between

the Forest Sector and the monitoring and controlling

agencies, a relationship was established where the Government

is able to select, through criteria set out in a public bidding

process, the best proposals as to social aspects, adding

value, efficiency, environmental quality and price, after which

a contract is signed that will establish the rules of the relationship

and at the end of this process, we have as a result the

public forestry heritage being preserved, the provision of environmental

services maintained, jobs generated, and increased

economic activity.

What were the main adjustments made over the years to improve

the process and forest management?

In addition to the overall maturation in the management of

contracts, we had advances in relation to the understanding of

contractual guarantees, improvement in verification methodologies

in the field, drafting of new guidelines that correspond

to the details of contractual terms, making them more transparent

and objective, and an increased payment period, which

has ensured that the concession holder has double the period

to effect the discharge of debts relating to products marketed

and transported, reducing or avoiding interest and fines.

Many entrepreneurs complain of the difficulty in obtaining

economic viability in forest management and even more so

when they are talking about public forest concessions because

of the requirements. How do you evaluate this situation?

“Ainda não temos nenhum outro modelo que seja

capaz de concorrer com o que se pratica hoje”

30

www.referenciaflorestal.com.br


a mais. Como avalia essa situação?

Não tenho a crença na ausência de viabilidade econômica, mesmo

porque se, realmente, não existisse viabilidade não teríamos concorrentes

nas licitações e tão pouco teríamos contratos chegando

ao seu quarto ano de operação/exploração. Acredito que possam

existir dificuldades e riscos como em todos os negócios, porém,

o histórico que temos não nos leva a caminhos de inviabilidade.

Também não imagino que chegará um dia em que esse tipo de

reclamação deixará de existir, afinal, apesar do interesse comum

convergir no sucesso e nos bons resultados ambientais, sociais e

econômicos desse processo, existem interesses divergentes que

culminam em discussões como a viabilidade econômica.

Normalmente qual é o modelo dos empresários concessionários:

venda de madeira em toras ou beneficiamento em serrarias

próximas às áreas? Qual a exigência por certificação FSC?

O perfil dos atuais concessionários é quase uniforme com pouquíssimas

variações entre eles, 80% das empresas já atuavam no

setor florestal e no Pará antes de serem concessionários, portanto,

são pessoas que já tinham intimidade com os bônus e os ônus do

negócio. Por força de contrato existe a obrigatoriedade de que

um percentual da madeira seja minimamente beneficiada no

município onde ela é extraída, nesse caso, mesmo as empresas

que vendiam o produto em tora, tiveram que fazer investimentos

na verticalização de parte dessa produção, no entanto, alguns

concessionários já possuíam serraria ou até mesmo indústria.

O fato é que o processo de concessão também busca estimular

a verticalização e a agregação de valor ao produto florestal. No

contrato de concessão não existe a exigência para que o concessionário

seja certificado, porém, aqueles que, por necessidade de

mercado ou vontade pessoal, quiserem certificar sua área, poderão

receber bonificação no preço pago pelo produto explorado,

desde que a bonificação não torne o preço inferior à proposta

apresentada no ato da licitação.

Quais são as principais espécies comercializadas e qual o mercado?

São muitas as espécies que podem ser observadas nas autorizações

de exploração dos concessionários, se considerarmos

o volume autorizado para exploração teremos como as cinco

mais recorrentes: jatobá (Hymeneae courbaril), maçaranduba

(Manilcara huberi), ipê (Tabebuia serratifolia), tauari (Couratari

guianensis) e angelim (Dinizia excelsa). Quanto ao mercado, atualmente

parece ser bem distribuída essa produção para atender

o mercado interno e externo.

Como incentivar a produtividade dos manejos - o que é essencial

para a atividade - e ao mesmo tempo manter a biodiversidade

florestal?

É importante entender que um projeto de manejo florestal já traz

em suas diretrizes e objetivos básicos a manutenção da biodi-

I haven’t heard of the absence of economic viability, even if,

in reality, there was no economic viability, we wouldn’t have

had any competitive bidding nor would we have contracts going

into their 4th year of operation/exploitation. I believe that

there may be difficulties and risks as in all businesses; however,

the story that we have does not lead us along an unviable

path. Also, I can’t imagine that there will come a day when this

kind of claim will cease to exist, after all, despite the common

interest converging as to the success and good environmental,

social and economic results of this process, there are divergent

interests that culminate in discussions as to economic viability.

Typically, what is the concession business model: sale of timber

as logs or processed in sawmills near the areas? What is

the demand for FSC certification?

The current concession holder profile is almost uniform with

very few variations amongst them, 80% of companies already

operated in the Forest Sector, and in the State of Pará, before

they became concession holders; therefore, they are people

who were already intimate with the pluses and the negatives

of the business. By virtue of the contract, there is the requirement

that a minimum percentage of income benefits the municipality

from where it is extracted, in this case, the companies

that sell the product as logs, must make investments in

verticalization for part of this production; however, some concession

holders already owned a sawmill or even a processing

unit. The fact is that the concession process also stimulates

verticalization and adding value to the forest product. In the

concession contract, there is no requirement that the concession

holder be certified; however, those who are, due to necessity

or just willingness, want to make sure their area can

receive a price bonus paid for the product, as long as the bonus

doesn’t affect the price set in the proposal made at the time

of bidding.

What are the main species being sold and what is the market?

There are many species that can be observed in the concession

holder’s Permits to Operate; if we consider the volume authorized

for exploration, the five most exploited are: Jatobá (Hymeneae

courbaril), Maçaranduba (Manilcara huberi), Ipê (Tabebuia

serratifolia), Tauari (Couratari guianensis) and Angelim

(Dinizia excelsa). As for the market, product sales currently appear

to be well distributed meeting domestic and international

market demands.

How do you stimulate forest management productivity -

which is essential for the activity - and, at the same time,

maintain forest biodiversity?

It is important to understand that a forest management project

already includes guidelines and basic objectives as to biodi-

Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

31


ENTREVISTA

versidade e do ecossistema, garantia de estoque de madeira por

meio do controle de parâmetros fitossociológicos, manutenção

de matrizes para garantia do material genético dos indivíduos que

apresentam melhores condições dentro do sistema, a redução

máxima de impacto durante a exploração através de planejamento

de corte e arraste, o planejamento de estradas e pátios para

otimizar o espaço a ser aberto e afinal tem-se a manutenção da

paisagem e do bioma em sua totalidade. A afirmação que faço é

tão pertinente que para os licenciamentos de projetos de manejo

florestal são dispensáveis os EIA/Rima (Estudos de Impactos

Ambientais e posterior relatório de impactos), por entender que

o projeto já garante a mitigação e a compensação de possíveis

danos que podem ser causados. Não podemos, de forma alguma,

confundir a atividade florestal madeireira executada através de

um Pmfs (Plano de Manejo Florestal Sustentável) com o desmatamento

ilegal ou até mesmo com a supressão vegetal. O plano de

manejo tem o dever de resultar em todas as garantias já citadas e

outras que eventualmente não tenham sido citadas. Precisamos,

cada vez mais, investir no monitoramento inteligente, eficiente

e eficaz desses projetos para garantir que todas essas diretrizes

sejam materializadas no campo.

De que forma a entidade apoia os concessionários e faz o controle

da gestão dessas florestas?

As principais formas de apoiar os concessionários são: o reduzido

tempo de resposta que damos as solicitações; o esforço permanente

no aprimoramento do processo de gestão, para reduzir o

custo de transação e a garantia de um monitoramento eficiente do

contrato para que não sejam contestadas a lisura e a idoneidade

do processo. Trabalhamos com uma equipe pequena, porém

especializada no tema. De forma reduzida o planejamento do

monitoramento das concessões se divindade em três aspectos: jurídico,

monitoramento do cumprimento das cláusulas contratuais

(escritório) e monitoramento das cláusulas contratuais (campo).

Outro investimento que fazemos é na transparência e acesso a

informação, pois além de ser uma exigência legal, entendemos

que é salutar para o processo. Temos muitas informações e

produtos disponíveis em nosso site eletrônico (www.ideflorbio.

pa.gov.br) e pretendemos implementar um sistema específico

de gestão dos contratos de concessão que irá incluir um módulo

público para facilitar a troca, o acesso, o controle e a segurança

das informações.

Recentemente as cidades de Juruti, Santarém, Aveiro, Monte

Alegre e Almeirim, receberam mais de R$ 2 milhões em recursos

do Ideflor-Bio. Como está repartido o retorno aos municípios e

ao Estado no final de cada safra?

Por determinação legal, ao final de cada safra o montante arrecadado

pelas concessões através do Fundeflor (Fundo de Desenvolvimento

Florestal do Estado do Pará) é distribuído da seguinte

forma: Fundeflor 40% (linhas de fomento previstas no decreto nº.

versity and ecosystem maintenance, timber stock guarantees

through phytosocialogical parameter controls, matrix maintenance

to guarantee the genetic material of the individuals that

have better conditions within the system, maximum impact reduction

during operations through felling and drag planning,

road and yard planning to optimize the space to be opened,

and landscape and entire biome maintenance. This statement

is borne out by the licensing of forest management projects

being subject to Environmental Impact Studies and subsequent

Environmental Impact Reports (EIA/Rima), for understanding

that the project guarantees the mitigation and compensation

for any possible damages that may be caused. We simply cannot

confuse the forest logging activity performed through a

Sustainable Forest Management Plan (SFMP) with the illegal

deforestation or even with vegetal suppression. The Management

Plan must result in all the guarantees mentioned above

and others that eventually have not yet been cited. We need to

increasingly invest in smart, efficient and effective monitoring

of these projects to ensure that all these guidelines are carried

out in the field.

In what way is the entity supporting the concession holders

and carrying out management control of these forests?

The main ways to support the concession holders is in: reduced

response time that we give to their requests and continue ongoing

efforts to improve the management process, to reduce

the transaction cost and to guarantee efficient monitoring of

the contracts so that they are not contested as to the compliance

and suitability of the process. We work with a small team,

but specialized as to the subject. In a synthesized form, concession

monitoring planning is divided into three aspects: legal,

monitoring of compliance with contractual clauses (office) and

monitoring contractual clauses (field). Another investment

that we make is in transparency and access to information,

which as well as being a legal requirement, we believe is beneficial

to the process. We have much information and products

available on our website (www.ideflorbio.pa.gov.br) and we

intend to implement a specific concession agreement management

system, which will include a public module to facilitate

information exchange, access, control and security.

Recently the municipalities of Juruti, Santarém, Aveiro, Monte

Alegre and Almeirim, received more than R$ 2 million in

Bio-Ideflor funds. How is the return divided between the municipalities

and the State at the end of each crop?

As determined by contract, at the end of each crop, the amount

collected from the concessions by the State of Pará Forest

Development Fund (Fundeflor) is distributed as follows: 40%

Fundeflor (funding lines provided for in Decree No. 2,237/2010

as amended by Decree No. 1,051/2014, governing Fundeflor),

30% Ideflor-Bio (maintenance and functioning of the Institute)

32

www.referenciaflorestal.com.br


“O modelo empregado no Estado ainda não pode ser

considerado pronto e acabado, posso afirmar que

muitos problemas já foram equacionados, porém

ainda temos alguns pontos, já conhecidos, que

precisam ser solucionados ou ajustados”

2.237/2010 alterado pelo decreto nº. 1.051/2014 que regulamenta

o Fundeflor), Ideflor-Bio 30% (manutenção e funcionamento do

instituto) e municípios 30% (projetos). Importante ressaltar que

os 30% de direito dos municípios são distribuídos proporcionalmente

ao quantitativo de área de concessão que está inserida em

cada município, ou seja, os municípios que possuem mais áreas

de concessão em sua circunscrição têm direito a uma porção

maior dentro do percentual destinado aos municípios. Os 40%

destinados ao Fundeflor são destinados a programas e projetos

que estejam em consonância com as linhas de fomento previstas

no decreto. Anualmente se elabora um plano de aplicação com o

montante arrecadado na safra anterior somado ao remanescente

que não conseguiu ser executado no último exercício que é apreciado

pela Comef (Comissão Estadual de Florestas) e em seguida

é posto em execução (o plano de aplicação pode ser consultado

no site do Ideflor-Bio).

Qual o montante gerado pelas florestas públicas sob concessão

a cada safra? Há perspectiva de aumento nos próximos anos?

Apesar dos primeiros contratos datarem o ano de 2011, a arrecadação

só é percebida a partir de 2012 devido à carência que o

próprio contrato traz em virtude da elaboração e licenciamento

do projeto de manejo florestal que levam algum tempo para sua

elaboração e aprovação. Metodologicamente o pagamento pela

madeira de concessão só é realizado 60 dias após a emissão das

guias florestais. A arrecadação está diretamente relacionada

com a execução da exploração, o tamanho da área explorada

anualmente e a comercialização do produto. Pelas prospecções

feitas pelo instituto existe uma tendência de aumento gradativo

nesses indicadores, somado ainda a oferta de mais áreas para

novas concessões. Em 2016 está no planejamento do Ideflor-Bio

a publicação de mais um edital de concessão, o que, certamente,

deverá influenciar no aumento de áreas exploradas e, consequentemente,

aumento na arrecadação, garantindo um maior valor de

aplicação em projetos e aumento na arrecadação dos municípios.

Está previsto a abertura de novas licitações para concessão?

Caso esteja poderia detalhar (local, tamanho de área, prazos...)?

and 30% municipalities (projects). It is important to note that

the municipal share, 30%, is distributed in proportion to the

amount of concession area in each municipality, i.e. the municipalities

that have more concession areas in their constituency

are entitled to a larger share within the percentage for municipalities.

The 40% intended for the Fundeflor is for programs

and projects that are in line with the funding lines provided for

in the governing Decree. Annually, an implementation plan is

devised for the amount raised in the previous harvest along

with any remaining funds not spent in the latest financial year

and presented to the State Forestry Commission (Comef) for

comments and then is put in execution (the implementation

plan can be consulted on the Ideflor-Bio website).

What is the amount raised from public forests under concession

for each crop? Is there a possibility of increases in the

coming years?

Although the first contracts date back to the year 2011, collection

only began in 2012 due to a grace period as a result of

the time for contract preparation and adoption. Methodologically,

the payment for the timber harvested under concession

is only made 60 days after liberation of the forestry licenses.

Fee collection is directly related to operations, the size of the

area exploited annually, and the marketing of the product. In

the surveys carried out by the Institute, there is a trend for a

gradual increase in these values, plus there ae still further areas

to be offered as new concessions. In 2016, the Bio-Ideflor

plans include the publishing of another bid notice, which, certainly,

should influence an increase of harvested areas and,

consequently, an increase in the fees collected, guaranteeing

a higher value to be applied in projects and an increase in municipal

fees.

Are new concession bids forecast? Could you provide some

details (location, area size, deadlines, etc.)?

Our 2016 plan calls for the publication of new bids in the Western

Region of the State of Pará.

Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

33


ENTREVISTA

Sim, dentro do nosso planejamento em 2016 teremos a publicação

de um edital na região Oeste do Pará.

Quais são os resultados do Ideflor-Bio no fomento para produção

de mudas? A autarquia atingiu a meta a que se propôs?

O Ideflor-Bio não possui metas relacionadas à produção de mudas,

dentro do programa Municípios Verdes. As metas do instituto estão

atreladas a quantidade de áreas restauradas ou reflorestadas.

A produção de mudas faz parte do caminho a ser percorrido para o

alcance dessa meta, assim como a construção dos viveiros e todos

os seus insumos, a capacitação dos produtores que são proprietários

ou posseiros das áreas, a correção do solo, a mecanização

de área e, finalmente, o plantio. Essa ação tem dois apelos muito

fortes, a questão ambiental que fica bastante evidente quando

se propõe a restaurar ou reflorestar áreas alteradas e a questão

social, pois o público alvo desses projetos são os agricultores

familiares que compõe a parcela do setor produtivo que mais

necessita de apoio para dar início a um ciclo de produção.

Existe o objetivo de expandir a área florestal plantada com espécies

nativas no Estado ou essas mudas são direcionadas para

recomposição de manejo e áreas degradadas?

Certamente o Pará tem amplo interesse em aumentar sua área

reflorestada/restaurada, as mudas produzidas pelos projetos de

fomento do Instituto correspondem a uma das variáveis dessa estratégia.

É certo, também que, sozinhos e em um curto espaço de

tempo, esses projetos não tem o condão de modificar a realidade

da região, dessa forma, para incentivar a restauração florestal o

Estado, além dos projetos com agricultores familiares, está apostando

em ações como o incentivo a Regularização Ambiental por

parte dos pequenos, médios e grandes produtores através do PRA

(Programa de Regularização Ambiental), o apoio cada vez maior

no ordenamento ambiental utilizando como principal ferramenta

o CAR (Cadastro Ambiental Rural), a garantia de incentivos para

a redução do desmatamento ilegal como, por exemplo, o Icms

Verde, o planejamento e a execução de fiscalizações ambientais,

monitoramento das áreas e lançando mão da inscrição dos

infratores na LDI (Lista do Desmatamento Ilegal) e dessa forma,

favorecendo os produtores que executam suas atividades à luz

da legalidade.

What are the results of Ideflor-Bio as to stimulating seedling

production development? Has the regulator reached the goal

it set out?

Ideflor-Bio has not set out actual goals related to seedling production

within its Municípios Verdes program (Green Cities).

The goals of the Institute are linked to the amount of recuperated

or reforested areas. Seedlings production is part of

the process being taken in achieving this goal, as well are the

construction of nurseries and all its inputs, producer training

for those who are area owners or squatters, soil remediation,

area mechanization and, finally, planting. This action has two

very important appeals: the environmental issue that is quite

apparent when it proposes to recuperate or reforest altered

areas, and the social issue, because the target audience of

these projects is the family farmers who make up the part of

the productive sector that most needs support to initiate a production

cycle.

Is there a goal to expand the forest area planted with native

species in the State or are these seedlings directed to the recuperation

of degraded and managed areas?

Certainly, the State of Pará has broad interest in increasing its

reforested/recuperated areas, the seedlings produced by development

projects of the Institute correspond to one of the

variables in this strategy. It is also true that alone and in a

short time, these projects don’t have a magic wand to change

the reality of the Region, thus, to encourage the forest recuperation

in the State, in addition to the projects with farmers,

it is betting on actions such as the Environmental Regularization

incentives on the part of small, medium and large producers

through the Environmental Regularization Program

(PRA) increasing support in environmental planning using as

the main tool the Rural Environmental Register (CAR) to guarantee

incentives to reduce illegal deforestation, for example,

IMCS Verde (Green State Sales Tax), the planning and carrying

out environmental inspections, the monitoring areas, and the

recording of offenders on the List of Illegal Deforestation (LDI)

and in that way, favor producers who carry out their activities

under the light of legality.

“Se, realmente, não existisse viabilidade não teríamos

concorrentes nas licitações e tão pouco teríamos

contratos chegando ao seu quarto ano de operação/

exploração”

34

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Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

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Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

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“São 100 milhões de

pontos em apenas dois

hectares de florestas, o

que proporciona uma

qualidade gráfica de alta

definição”

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Charles Roberto Stempniak

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PRINCIPAL

Foto: divulgação

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SILVICULTURA

MENOS

É MAIS

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CULTIVO MÍNIMO

DO SOLO REDUZ

INTERVENÇÕES

E CONSERVA

NUTRIENTES

IMPORTANTES

Fotos: divulgação

O

s resíduos das colheitas florestais ganharam

grande importância ao longo dos

anos. O que era um problema para a implantação

de novos ciclos, passou a ser considerado

combustível limpo. Porém, outra grande função desse

material que fica depositado no solo é a capacidade

de transferência de nutrientes e proteção, evitando,

ou pelo menos, diminuindo muito a necessidade

de reposição de elementos essenciais ao crescimento

da floresta. Essa é a base do cultivo mínimo do solo.

O cultivo mínimo é um sistema de preparo de

solo no qual são realizadas poucas intervenções, devido

à manutenção da superfície coberta por resíduos

orgânicos, normalmente restos culturais. Na prática

normalmente é efetuada a subsolagem apenas

da linha de plantio ou o coveamento, mantendo os

resíduos florestais sobre o solo.

De acordo com estudo realizado pelo professor

da disciplina de Solos Faef (Faculdade de Ensino

Superior e Formação Integral) em Garça (SP), José

Henrique Tertulino Rocha, até a década de 1980, os

resíduos florestais eram vistos apenas como empecilho

para as operações de reforma das plantações de

eucalipto. “Tinha-se também o conceito de que o eucalipto

necessitava de um preparo de solo intensivo

para atingir boas produtividades”, aponta.

De acordo com pesquisa realizada por José Hen-

Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

49


SILVICULTURA

rique, que também é doutorando em Recursos Florestais

pela Esalq-USP (Escola Superior de Agricultura

Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo), áreas

manejadas sob o sistema de cultivo mínimo, apresentam

a mesma produção de madeira do que em

áreas manejadas sob o sistema de cultivo intensivo.

“A principal vantagem da manutenção dos resíduos

florestais sobre o solo, que resulta em ganhos de

produtividade em curto prazo, é a redução na exportação

de nutrientes.” Por esse motivo, quando esses

resíduos são removidos, são necessários maiores investimentos

com fertilização.

A manutenção dos resíduos da colheita têm ainda

outros efeitos, aponta o professor: proteção contra

erosão, redução da evaporação da água na superfície

do solo, o aumento do conteúdo e da qualidade da

matéria orgânica do solo. “São benefícios da manutenção

dos resíduos que não resultam em ganhos de

produtividade em curto prazo e são de difícil valoração

financeira, mas são extremamente importantes”,

ressalta.

Foi observado que a remoção dos resíduos florestais

reduz em 50% o carbono orgânico oxidável da

camada superficial do solo, e que 75% dessa redução

ocorrem nas frações mais lábeis. O estudo buscou

também entender a dinâmica e os fatores que interferem

na decomposição dos resíduos florestais.

De acordo com o professor, a técnica de intervir

pouco no solo é utilizada em mais de 95% das plantações

de eucalipto e pinus no Brasil, podendo ser

usada tanto no plantio quanto na reforma dos povoamentos.

Não existem situações em que a técnica não seja

recomendada. “O único ponto-chave é que a viabilidade

está estritamente relacionada com o uso de

herbicidas, tanto pré quanto pós emergentes”, aponta.

O cultivo mínimo passou a ser adotado no Brasil

na década de 1990, na época foi estimado pelas empresas

florestais a redução de aproximadamente 30%

nos custos de preparo do solo para o replantio.

No caso da reforma de povoamentos necessita-

-se de equipamentos apropriados para o coveamento

ou subsolagem, por causa da presença de resíduos

lenhosos que podem danificar as máquinas e implementos

não adaptados. “Em alguns casos em que encontram-se

grandes quantidades de resíduos flores-

50

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tais, antes da subsolagem utiliza-se um equipamento

para afastar os resíduos da linha de plantio chamado

de estrovenga ou limpa-trilho”, recomenda José

Henrique. As operações consistem na dessecação das

daninhas em área total, normalmente com o uso de

glifosato, subsolagem ou coveamento (dependendo

da declividade), a aplicação de herbicida é feita pré-

-emergente e plantio.

VANTAGENS DO CULTIVO MÍNIMO

• Mantém ou melhora as propriedades químicas, físicas e biológicas do solo

• Reduz a erosão e o depauperamento

• Aumenta a eficiência do uso de fertilizantes

• Reduz os custos de implantação

• Reduz as perdas de água por escoamento superficial e evaporação

• Reduz os estresses térmicos do solo

• Reduz a exportação de nutrientes


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Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

53


MANEJO FLORESTAL

P

ara que o MFS (Manejo Florestal Sustentável)

tenha viabilidade econômica o ponto de partida

é a elaboração precisa e rápida do plano de manejo.

Para auxiliar produtores florestais nesse sentido foi

criado o Modeflora (Modelo Digital de Exploração Florestal).

A tecnologia, implementada em 2007, está chegando

à terceira geração e foi utilizada em aproximadamente

300 mil ha (hectares) de florestas nativas no Acre,

Rondônia e Amazonas. O sistema foi desenvolvido pela

Embrapa Florestas em parceria com a Embrapa Acre.

O Modeflora é uma ferramenta de inventário, planejamento,

execução e monitoramento florestal, por meio

da capacitação dos órgãos ambientais da região norte

e de técnicos da iniciativa privada. Ele integra GPS (Sistema

de Posicionamento Global), SIG (Sistema de Informação

Geográfica) e SR (Sensoriamento Remoto). O uso

desses recursos permite representar previamente no

computador os aspectos espaciais da realidade florestal,

de modo que o planejamento prévio respeite as características

ambientais da área de MFS, com uso de técnicas

exploratórias de baixo impacto, redução de custos e ganhos

de produtividade.

“A tecnologia Modeflora foi validada em uma área

correspondente a 5.947 ha, localizada no município de

Porto Acre (AC), sendo que o ajuste ocorreu em 2.214 ha.

Durante o período de 2006 e 2008 a tecnologia foi testada

em mais 11.800 ha de floresta”, recorda Daniel Papa, engenheiro

florestal e analista de transferência de tecnologia da

Embrapa Acre.

Neste período, a inovação deixou de ser uma exclusividade

do setor florestal do Acre, expandido o uso para mais

três Estados da região norte - Rondônia, Amazonas e Pará

-, além de se tornar um parâmetro de eficiência no uso da

floresta em editais do programa de concessões florestais

do SFB (Sistema Florestal Brasileiro). “O que motivou o

desenvolvimento do Modeflora foi a quantidade de danos

ambientais causados pelo manejo, baixa eficiência das atividades

florestais e diversidade da Amazônia nos diferentes

Estados brasileiros”, explica Daniel. De acordo com ele, o

manejo florestal de precisão visa justamente o desenvolvimento

de planos de manejo específicos para cada região,

sem seguir um formato sistemático de planejamento, mas

sim considerando as condições locais da área para elaboração

do projeto.

Atualmente, a tecnologia Modeflora já está no terceiro

estágio tecnológico, com agregação de sensor Lidar (Light

Detection and Ranging) aerotransportado e uso de Vants

(Veículo Aéreo não Tripulado). Em 2015 foram explorados

54

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LINHA DO TEMPO

aproximadamente 18.500 ha com a metodologia, referentes

a 15 planos de manejo no Acre (45%), Rondônia

(35%) e Amazonas (20%). “No Pará estão sendo feitos

os primeiros testes com a tecnologia e ainda não estão

sendo contabilizados no monitoramento.”

O profissional explica que o Modeflora proporciona

ao engenheiro e equipe informações confiáveis a respeito

da estrutura da floresta, condições de relevo e disposição

dos cursos d’água. “Com isso o plano de manejo

pode ser elaborado respeitando-se as condições ambientais

da área, provocando menores danos à floresta

feitos pela implantação da infraestrutura de pátios, estradas

e trilhas”, aponta. Quanto à questão econômica,

o planejamento gera redução de custos operacionais em

função da qualidade dos dados coletados no inventário

e microzoneamento, evitando erros de planejamento,

melhor localização de pátio, menor distância de arraste

e maior qualidade do monitoramento das atividades de

campo.

O avanço tecnológico do Modeflora pode

ser representado por três momentos

GERAÇÃO 1: Uso de receptores GPS com

chip de alta sensibilidade permitiu a coleta

de coordenadas geográficas dentro do

sub-bosque da floresta.

GERAÇÃO 2: Uso de sistema LiDAR

aerotransportado para fazer uma

varredura à laser na floresta.

GERAÇÃO 3: Uso de Vant para registro

fotográfico da floresta por meio de

estereoscopia eletrônica.

INVESTIMENTO

A empresa que se interessar em adotar o Modeflora

precisa adquirir receptores de sinal de satélite, conhecidos

como GPS, além de programas de geoprocessamento,

sejam eles pagos ou livres. A equipe de engenheiros,

técnicos e pessoal de campo precisa ser capacitada para

que possam aprender a utilizar o receptor GPS e os programas

de geoprocessamento.

O custo dos receptores é de, aproximadamente, R$

1.500. São necessários quatro receptores para as etapas

de inventário e microzoneamento, e mais quatro aparelhos

para a etapa de execução do projeto (abate de árvores,

abertura de estradas e pátios, e arraste de toras).

“Os programas pagos têm valor aproximado de R$ 30

mil, porém há versões disponíveis para estudantes (modo

treinamento) que são de baixo custo, como também podem

ser substituídos com programas livres”, indica o engenhei-

Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

55


MANEJO FLORESTAL

ro florestal e analista de transferência de tecnologia da

Embrapa Acre.

NA PRÁTICA

Normalmente, a adoção da tecnologia é feita em

etapas, na medida que a equipe vai se adaptando ao

novo sistema de planejamento e execução de projetos

de manejo. O primeiro passo para quem quer adotar o

Modeflora é utilizar receptores GPS na etapa de inventário

florestal e microzoneamento do terreno e hidrografia.

A partir dos dados coletados em campo com o receptor

GPS, o engenheiro responsável pela elaboração

do projeto de manejo analisa os dados e inicia o planejamento

de pátios e estradas seguindo as técnicas de manejo

florestal de precisão. A Embrapa oferece, por meio

de parcerias com outras instituições, capacitações para

técnicos e profissionais interessados.

Após a conclusão do projeto de manejo no escritório,

o plano de exploração da área é transferido para o

receptor GPS e em seguida entregue aos operadores de

motosserra, trator de esteira, skidder, que irão executar

em campo o que foi projetado no escritório.

O uso do dispositivo na execução do projeto é o principal

instrumento responsável pela confiabilidade de

que será feito em campo o que foi planejado pelo escritório

de engenharia da empresa. Isso garante ganhos econômicos

e menor dano ambiental, conforme plano de manejo.

“A precisão do receptor GPS varia de 3 m a 15 m (metros),

dependendo do tipo de equipamento. Os receptores

Gnss (Sistema Global de Navegação por Satélite) mais

recentes variam de 3 m a 5 m de precisão. Já modelos de

receptor L1/L2 variam de 0,5 m a 1 m de precisão”, detalha

Daniel.

LIDAR

Um dos avanços mais importantes no Modeflora foi

a introdução do sistema de perfilamento a laser ou Lidar.

Ele faz o sensoriamento remoto ativo, uma tecnologia que

mede propriedades da luz refletida de modo a obter a distância

de um determinado objeto. “O sistema de varredura

a laser possui como princípio de funcionamento a emissão

em alta frequência de pulsos de laser, a partir de uma plataforma

aerotransportada”, explica Marcus Vinício de Oliveira,

engenheiro florestal e pesquisador da Embrapa Acre.

Os dados Lidar permitem o desenvolvimento de modelos

digitais do terreno (descrevendo a topografia e hidrografia)

e de dossel de alta resolução no terreno (0,15 m) muito

superiores aos modelos produzidos por GPS de navegação

usados no Modeflora. “As informações que servem de refe-

56

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ência para o planejamento de todas as operações florestais

como a determinação de áreas de preservação

permanente e de acesso restrito podem ser obtidas com

muito maior precisão”, completa.

Os custos da utilização dessa tecnologia variam

em função do tamanho das áreas a serem amostradas,

das distâncias entre essas áreas e as empresas que fornecem

serviços o Lidar. “Por exemplo, em áreas entre

1.000 e 2.000 ha na Amazônia estes custos estão entre

R$ 30 e R$ 40 por ha amostrado. Em florestas no sul do

país esses custos com certeza serão bem mais baixos.”

Recentemente a Embrapa publicou um livro (Uso do

Lidar como ferramenta para o manejo de precisão em

florestas tropicais) que sumariza metodologias para a

elaboração de modelos para o planejamento e monitoramento

do manejo em florestas nativas. A tecnologia

foi usada em escala operacional na floresta estadual do

Antimary no Estado do Acre em 2010, 2011 e 2015. Também

tem sido usado pelo SFB para avaliação de estoque

de biomassa e impactos de operações florestais nas concessões

florestais.

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ESPÉCIE COMERCIAL

CIÊNCIA DA

P

R O

D

U

T

I

V

I

D

A

Foto: REFERÊNCIA

D E

58

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PROGRAMA QUE

REÚNE EMPRESAS

E INSTITUIÇÕES

DE PESQUISA

MOSTRA

CAMINHOS PARA

OBTER PLANTIOS

DE PINUS MAIS

EFICIENTES

Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

59


ESPÉCIE COMERCIAL

U

m estudo exclusivo sobre a produtividade do pinus

acaba de completar 10 anos com resultados importantes

e que já estão sendo aproveitados pelas

empresas participantes. Os pesquisadores do Pppib (Programa

Cooperativo sobre Produtividade Potencial do Pinus no

Brasil), conduzido pelo Ipef (Instituto de Pesquisa e Estudos

Florestais) relacionaram fatores de produtividade com a alocação

de carbono de cada espécie de pinus, exposição à luz,

região, efeitos de diferentes manejos hídricos entre outros.

São respostas que guiam produtores no caminho do rendimento

e qualidade da madeira.

A área plantada no Brasil é de 7,74 milhões de ha (hectares),

deste total o pinus ocupa 1,59 milhão de ha, concentrados

principalmente no Paraná (42,4%) e em Santa Catarina

(34,1%), de acordo com os dados mais recentes da Ibá

(Indústria Brasileira de Árvores). Diante de uma parcela não

tão significativa no montante de florestas cultivadas comercialmente

e por ser um cultura de ciclo longo normalmente a

busca por rendimento tornou-se indispensável.

Depois que diversas empresas mostraram interesse

de obter estudos voltados exclusivamente para o pinus e o

entendimento do Ipef que era necessário estabelecer uma

pesquisa diante das limitações da produtividade florestal, do

manejo e a garantia da sustentabilidade dos plantios nasceu

o Pppib, em janeiro de 2006. Á frente da organização do programa

estava o pesquisador José Luiz Stape e 10 empresas

florestais. Atualmente o programa conta com nove participantes:

Arbogen, Arauco do Brasil, Duratex, Florestal Vale

do Corisco, Gerdau, Juliana Florestal, Klabin, Renova Floresta

e West Rock, além da parceria com a Esalq/USP (Escola Superior

de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São

Paulo).

Os projetos estabelecidos dentro do programa estudam

os processos que controlam o crescimento do pinus subtropical

(Pinus taeda) e tropical (Pinus caribaea var. hondurensis),

nos aspectos referentes à folha, árvore e povoamento, sob

o efeito de diferentes regimes hídricos e nutricionais, sistemas

de manejo (com e sem desbaste) e qualidade operacional

(estratificação de plantio). “No entanto, o Pppib também

investiga as questões relativas às interações destas florestas

com o meio ambiente, no tocante à sustentabilidade da

produção e sua associação com o uso e eficiência da água e

nutrientes”, detalha Isabel Deliberali, pesquisadora do Ipef e

responsável pelo programa cooperativo.

As linhas de pesquisa descritas no box da página 61 buscam

identificar, no curto e médio prazo, os principais fatores

que controlam a produtividade do pinus, para permitir

a melhoria do manejo em diferentes finalidades (produção

Foto: Valterci Santos

60

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12ª REUNIÃO DO PROGRAMA COOPERATIVO SOBRE

PRODUTIVIDADE POTENCIAL DO PINUS NO BRASIL

REALIZADA EM 2015 NO MUNICÍPIO DE RIO NEGRINHO (SC)

Foto: divulgação

visando fibras/biomassa, ou individual visando produtos sólidos).

“Além disso, a participação de estudantes de graduação

e pós-graduação nas pesquisas é parte da proposta do Pppib

visando a capacitação profissional, atuando nesse intercâmbio

de conhecimento teórico e prático”, completa Isabel.

RESULTADOS

De acordo com a pesquisadora, nestes últimos 10 anos, o

projeto gerou uma enorme quantidade de resultados sobre

a ecofisiologia do pinus no Brasil, que eram desconhecidos

até então.

Dentro da linha de pesquisa sobre fotossíntese, a engenheira

florestal Rafaela Lorenzato Carneiro, em seu mestrado,

desenvolveu um estudo para caracterizar as taxas fotossintéticas

e a condutância estomática do Pinus taeda e Pinus

caribaea var. hondurensis, aos cinco anos de idade em Itatinga

(SP), sob diferentes manejos hídricos e nutricionais. Segundo

a pesquisadora, a espécie tropical parece ser responsiva

as mudanças de clima em relação a captura de carbono

em nível foliar, enquanto o Pinus taeda é pouco responsivo,

mantendo a mesma taxa durante todo o ano. Em relação aos

manejos hídricos e nutricionais testados, não foram encontradas

diferenças significativas entre suas taxas comparado

ao tratamento controle (sem qualquer manejo).

A engenheira florestal Isabel avaliou o balanço total de

alocação de carbono deste mesmo experimento anterior, dos

seis aos oito anos idade. Ela constatou que as diferenças de

produtividade entre as espécies são justificadas pelas estra-

OBJETIVOS DO PPPIB:

Estimar a produtividade potencial e a

eficiência do uso de recursos para uma

espécie subtropical (Pinus taeda) e uma

espécie tropical (Pinus caribaea var.

hondurensis) no Brasil;

Determinar o efeito do regime hídrico,

nutricional e manejo no balanço,

alocação e estoque de carbono nas

florestas;

Testar como a estrutura e dominância em

um povoamento afeta sua produtividade

por meio de desbaste, qualidade

silvicultural e replantio tardio;

Caracterizar as taxas de fotossíntese e

suas variações por efeitos genéticos,

climáticos e edáficos.

Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

61


ESPÉCIE COMERCIAL

tégias de distribuição do gás nos entre os componentes da

árvore. O Pinus taeda particiona mais carbono para produção

e manutenção de raízes e menos para produção de tronco

do que o Pinus caribaea var. hondurensis. Entre tratamentos

ainda não foi encontrada diferença significativa, mas há uma

tendência da planta particionar mais carbono para o tronco

e menos para a raiz nos tratamentos com maior disponibilidade

de recursos, justificando as maiores produtividades

nesses manejos.

“Esses estudos detalhados geram resultados que ajudam

a entender mais a fundo as diferentes respostas das espécies

ao manejo, clima e solo e também podem ser usados para

calibração de modelos ecofisiológicos de produção, ainda

inexistentes para essas espécies no Brasil.”

Na questão silvicultural e de sustentabilidade dos plantios,

estudos desenvolvidos pela engenheira florestal Juliana

Biruel Munhoz mostraram que os plantios de Pinus taeda no

território brasileiro estão aquém do potencial produtivo e

que há, portanto, uma possibilidade concreta de aumento da

produtividade em povoamentos de baixa e média produtividade

utilizando fertilização. Em sua tese de doutorado, avaliou

mais de 250 parcelas de Pinus taeda no sul do Brasil com

aproximadamente 13 anos de idade, submetidas aos tratamentos

com e sem fertilização e desbaste. Segundo a pesquisadora,

o agrupamento dos sítios de Pinus taeda por classes

de solos mostrou-se essencial para avaliar a efetividade da

fertilização e da fertilização em conjunto com o desbaste,

onde 82% das parcelas avaliadas responderam significativamente

a este último tratamento (fertilizado + desbastado),

com ganhos de até 64% em volume.

Juliana também estudou a ecologia da produção desta

espécie, caracterizando o uso da luz e seu efeito no crescimento

dos povoamentos. Neste estudo, foi possível identificar

padrões de produtividade em função do uso da luz.

Os povoamentos mais produtivos foram mais eficientes em

transformar a radiação solar absorvida pela planta em madeira.

Além disso, sem qualquer fertilização e desbaste nos

plantios de Pinus taeda no Brasil, ficou evidente que a utilização

dos recursos naturais de forma mais eficiente ocorreu em

regiões mais frias e com maior fertilidade do solo.

Um estudo com sensoriamento remoto também está em

andamento nas parcelas do Pppib com o objetivo de desen-

DELINEAMENTO 2 INSTALADO NAS ÁREAS

DA FLORESTAL VALE DO CORISCO

Foto: divulgação

62

www.referenciaflorestal.com.br


volver um modelo de estimativa da produção de madeira do

pinus em função de índices de vegetação e de área foliar, tendo

grande aplicabilidade para pesquisadores e silvicultores.

ÁREA EXPERIMENTAL (DELINEAMENTO 1) COM PINUS

TAEDA (ESQUERDA) E PINUS CARIBAEA VAR. HONDURENSIS

(DIREITA) EM ITATINGA, AOS 8 ANOS DE IDADE

Foto: divulgação

PRODUTIVIDADE

Devido à abrangência das parcelas avaliadas nesse projeto

encontraram-se produtividades para o Pinus taeda variando

de 15 m³ a 50 m³ ha-1 ano-1 (metros cúbicos por hectare

ao ano) e de 33 m³ a 54 m³ ha-1 ano-1 para o Pinus caribaea

var. hondurensis, entre oito e 14 anos de idade.

Nos estudos desenvolvidos em algumas dessas áreas no

sul do Brasil com Pinus taeda observou-se que as produtividades

mais elevadas estão relacionadas com os maiores teores

de matéria orgânica do solo, quantidade de nitrogênio

disponível, condição climática mais amena e com baixo déficit

hídrico. Também se verificou que as respostas da fertilização

isolada e aliada ao desbaste ocorreram em áreas menos

férteis, com menor teor de matéria orgânica do solo e menor

CTC (capacidade de troca de cátions).

O Pinus caribaea var. hondurensis teve ganhos em produtividade

nos tratamentos com maior disponibilidade hídrica

tanto no Estado de São Paulo quanto em Minas Gerais, porém

neste último a resposta foi maior já que a região possui

grande déficit hídrico no outono e inverno. Assim, a espécie

tropical mostrou maior resposta à fertilização no experimento

em Itatinga, onde o solo é um latossolo vermelho distrófico,

típico de baixa fertilidade e o déficit hídrico não é tão

pronunciado.

PARCELA DE PINUS TAEDA DO DELINEAMENTO

2 COM AS ÁRVORES IDENTIFICADAS, EM

JAGUARIAÍVA (PR), AOS 14 ANOS DE IDADE

Foto: divulgação

QUESTÕES A RESPONDER

Uma grande questão que está sendo muito debatida

pelos pesquisadores é o entendimento das grandes variações

de produtividade que o gênero possui, já que no Brasil

a produtividade do Pinus taeda é mais que o dobro da produtividade

no local de origem. “Umas das grandes apostas,

além da diferença de clima e solo, seria a captura de carbono

dessa espécie, porém os estudos de fotossíntese mostraram

que não houve grandes variações dessas taxas, assim como

nos dados de fenologia que mostraram que a longevidade e

crescimentos das acículas são semelhantes aos encontrados

nos EUA (Estados Unidos da América)”, sugere Isabel.

Quando se observa a foto que mostra as duas espécies

estudadas no Pppib lado a lado é possível ver uma grande diferença

entre elas. Uma das hipóteses para essa disparidade

de crescimento seria em relação à captura de carbono dessas

espécies, porém os estudos mostraram que a maior diferença

de produtividade está na maneira como elas alocam o carbono

capturado pela árvore, a mais robusta prioriza o tronco

e a outra a raiz.

Já os estudos com IAF (Índice de Área Foliar) mostraram

Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

63


ESPÉCIE COMERCIAL

ser de grande potencial para operacionalizar esses parâmetros

nas empresas como sendo um fator de decisão para interferências

silviculturais nas áreas de plantio e relacionar o

melhoramento genético dessas plantas com a eficiência dos

usos dos recursos que estão disponíveis a elas.

Muitas das informações fornecidas pelo projeto eram até

então desconhecidas no Brasil e serão de fundamental importância

para a elaboração de um zoneamento de plantio

do gênero, manejo florestal a ser aplicado e para validação

de modelos ecofisiológicos de produção que permitirão a

predição de produtividade para novas áreas. Além disso, as

empresas podem utilizar alguns desses resultados, como os

de fotossíntese e balanço de carbono na planta, como ferramentas

para o estabelecimento de estratégias de seleção

de clones ou até mesmo para hibridação. “O grande banco

de dados desse projeto permitirá tirar diversas conclusões e

certamente iremos melhor entender os fatores de influência

na produtividade desses plantios”, aponta a responsável pelo

Pppib.

Na sequência, o estudo com sensoriamento remoto será

concluído, a caracterização dos solos e fertilização das florestas

mais detalhadas e ampliar o conhecimento do nível genético

das parcelas estudadas para, assim, “conseguirmos avaliar

separadamente a influência do clima, solo e manejo na

produtividade das espécies e na efetividade da fertilização”.

NA PRÁTICA

Uma das grandes virtudes do Ppppib está na união de instituição

de pesquisa e setor produtivo. As informações saem

do campo e são absorvida pelas empresas que melhoram

diversas etapas do processo produtivo. “Por meio dos trabalhos

do Ppppib, a Juliana Florestal pôde conhecer melhor a

dinâmica de crescimento e interações com o meio do pinus,

sendo esta a única espécie cultivada pela nossa empresa”, reconhece

Reinaldo Hoinacki, engenheiro florestal da Juliana

Florestal.

Os profissionais da empresa que realiza plantios na região

de Santa Catarina acreditavam que com o avanço do melhoramento

genético e das tecnologias aplicadas aos tratos

silviculturais e culturais já haviam atingindo o ápice da produtividade

da espécie. “Com as informações adquiridas junto

ao programa verificamos que ainda há muita informação

sobre a cultura do pinus a ser descoberta e que os resultados

após, consolidados e colocados em prática irão nos fornecer

ganhos qualitativos e quantitativos”, completa Reinaldo. Um

exemplo será a utilização da classificação de IAF por meio de

imagens de satélite, ferramenta que será de grande utilidade

para classificação de produtividade dos diferentes sítios da

empresa.

A Klabin participou do projeto desde a fase inicial. A empresa

possui duas áreas experimentais na Unidade Florestal

TORETES DE PINUS EMPILHADOS

NO CAMPO

Foto: Valterci Santos

64

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DETALHE DE COLHEITA DE FLORESTA

PLANTADA

Foto: REFERÊNCIA

de Telêmaco Borba (PR) e 72 parcelas gêmeas divididas em

florestas no Paraná e Santa Catarina.

“O projeto busca quantificar e compreender quais os

principais fatores que controlam a produtividade de pinus no

Brasil através de experimentos que manipulam o regime de

água e de nutrição disponíveis para os plantios”, define James

Stahl, pesquisador de solos e manejo da Klabin.

Nas duas áreas experimentais são realizados diversos estudos

em florestas com nove anos de idade. Na Área 1 - que

possui 4,23 ha - é estudado o manejo (com e sem desbaste),

nutrição (com e sem adubação) e redução de precipitação

(parcela com exclusão de entorno de 25% da água da chuva

sobre o solo). Na Área 2 - com 1,38 ha - avalia-se a nutrição

(com e sem adubação) e homogeneidade (três níveis homogeneidade

na parcela). Nas parcelas pareadas, 36 no Paraná

e 36 em Santa Catarina, são comparadas amostras com e sem

adubação e com e sem desbaste instaladas em plantios com

idades entre sete e oito anos. O segundo desbaste será realizado

aos 14 anos.

“Tivemos uma condição variada de resposta aos tratamentos

testados”, avalia James. Em algumas parcelas houve

resposta positiva à adubação após o primeiro desbaste com

ganhos de 10% a 20% em produtividade. Mas na média geral

a resposta a esse procedimento ainda é baixa. “Outro resultado

importante foi que verificamos que até oito anos de

idade para a região de Telêmaco Borba não houve queda de

produtividade com a redução de 25% da água da chuva sobre

o solo, vale ressaltar que este é um resultado de meia rotação

que deve ser considerado somente ao final do ciclo.”

Apesar das pesquisas ainda estarem em andamento, a

Klabin já pode utilizar o ensaio de uniformidade para demostrar

a importância de evitar ao máximo a heterogeneidade

no primeiro ano de plantio, e os reflexos na produtividade.

Está no plano da empresa ampliar ainda mais os estudos.

“Faremos uma quantificação completa de biomassa e

alocação de carbono, investigando, por exemplo, se nos tratamentos

onde foi realizada adubação as árvores de pinus

alocam menos carbono no sistema radicular, já que disponibilizamos

uma condição de fertilidade do solo melhor para o

crescimento das plantas”, adianta o pesquisador de solos e

manejo. “Com o projeto estamos aprimorando as bases científicas

de forma cooperativa para melhor quantificar e compreender

os fatores que controlam a produtividade de pinus,

espécie esta que já vem sendo plantada a mais de 50 anos

aqui no Brasil”, conclui James.

Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

65


PESQUISA E DESENVOLVIMENTO

Foto: Ana Karina Salman

BOI NA

SOMBRA

66

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PESQUISADORES DESENVOLVEM

PLANILHA ELETRÔNICA PARA

CALCULAR QUANTIDADE DE

SOMBREAMENTO EM ÁREA QUE

INTEGRA FLORESTA E GADO

Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

67


PESQUISA E DESENVOLVIMENTO

Foto: Henrique Cipriani

A planilha está disponível no portal da Embrapa Rondônia

(www.embrapa.br/documents/1354309/1529241/Calculo+de+sombra/833846d1-4ec9-4cb8-ac2a-60149fd45c25)

68

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Foto: Henrique Cipriani

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Foto: dilvulgação

Foto: REFERÊNCIA

Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

71


ESPECIAL

Foto: Arnaud Boissau/COP21

72

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Foto: REFERÊNCIA

Foto: Arnaud Boissau/COP21

Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

73


ESPECIAL

Foto: divulgação

“Todos se

comprometeram

com o conceito da

progressividade, ou

seja, a cada cinco

anos haverá um

processo de revisão

e os compromissos

só podem ficar

mais ambiciosos,

diminuindo espaço

para retrocessos”

FÁBIO MARQUES,

da Plantar Carbon e membro da

Coalizão Brasil Clima, Florestas e

Agricultura

74

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VERDES

Na emissão de Ggreen Bond, o emissor capta recursos

para financiar exclusivamente projetos sustentáveis, tais

como energia renovável, eficiência energética, gestão

sustentável de resíduos, transporte de baixo carbono,

projetos florestais, etc. Os títulos também podem ser

usados para financiar projetos com benefício social, como a

melhoria da saúde e dos serviços sociais. Há duas principais

fontes de especificações que auxiliam no enquadramento de

projetos elegíveis para Green Bond: o Green Bond Principles

e o Climate Bonds Standard

Foto: REFERÊNCIA

* Fonte: Febraban (Federação Brasileira de Bancos)

“Quando o Brasil

assume que precisará

de mais de 20 anos

para fazer uma lei

ser cumprida, passa

uma mensagem

muito negativa para

o mundo”

RODRIGO DE ALMEIDA,

sócio-diretor do Grupo Index

Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

Foto: REFERÊNCIA

75


ARTIGO

PERDAS DE SOLO, ÁGUA E NUTRIENTES

POR EROSÃO HÍDRICA EM UMA ESTRADA

FLORESTAL NA SERRA CATARINENSE

* As tabelas, imagens e referências

bibliográficas foram suprimidas por

questão de espaço. Essas informações

podem ser acessadas pelo link:

http://cascavel.ufsm.br/revistas/

ojs-2.2.2/index.php/cienciaflorestal/

article/view/19616

Foto: Fabio Ortolan

O

uso do solo influencia a erosão hídrica, sendo

que, em geral, em estradas dentro de áreas reflorestais

são altas as perdas de solo, água e

elementos químicos. O trabalho objetivou quantificar as

perdas de solo, água e elementos químicos causadas pela

erosão hídrica durante 17 meses, sob chuva natural, em

uma estrada dentro de uma área de reflorestamento de pinus.

O estudo foi realizado no município de Campo Belo do

Sul (SC), na Florestal Gateados Ltda., em um solo Nitossolo

Háplico típico. Para a coleta da água e do solo, foi utilizada

a Roda Coshocton. As perdas de solo foram de 19,65 t/

ha -1 (toneladas por hectare) , enquanto as perdas de água

equivaleram a 37% do volume de chuva precipitado no período

experimental. Houve correlação linear e positiva entre

altura de chuva e perdas de água por escoamento superficial,

entre altura de chuva e perdas de solo por erosão, e

entre perdas de solo e perdas de água por erosão hídrica.

Os teores dos elementos químicos estudados em geral foram

altos nos sedimentos da erosão hídrica, superiores aos

teores encontrados na camada superficial do solo na qual a

erosão se originou e muito superiores aos encontrados na

água da enxurrada. Portanto, para sistemas de exploração

do solo em que as perdas de sedimentos são altas, como é

o caso de estradas florestais, as perdas de nutrientes causadas

pela erosão hídrica estão mais relacionadas às perdas

de sedimentos do que às perdas de água.

No cultivo de florestas, o preparo do solo por métodos

não conservacionistas, como a abertura de sulcos na direção

da pendente do terreno e com revolvimento do solo, é

uma operação de manejo que acelera a erosão hídrica, em

especial nos períodos de ocorrência de altas precipitações

pluviométricas (Cavichiolo, 2005). O fenômeno decorrente

da aceleração da erosão também pode ocorrer na colheita

da floresta, quando mecanizada e realizada de forma inadequada,

devido à redução da cobertura superficial e ao aumento

da compactação do solo. Em especial, a inadequada

locação da rede viária em relação às cotas do relevo, resulta

em sérios problemas de erosão hídrica devido à captação

e condução de água no leito das vias e consequente entrada

de enxurrada concentrada em áreas fragilizadas nas

cotas mais baixas do terreno. Nessas condições, a erosão

superficial, principalmente em sulcos, pode evoluir para a

76

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LUCIANE COSTA DE OLIVEIRA

ENGENHEIRA AGRÔNOMA, DRA. PELO IFSC (INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO

DE SANTA CATARINA), CAMPUS LAGES

ILDEGARDIS BERTOL

ENGENHEIRO AGRÔNOMO, DR. PELO DEPARTAMENTO DE SOLOS E RECURSOS

NATURAIS, UFSC (UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA)

FABRÍCIO TONDELLO BARBOSA

ENGENHEIRO AGRÔNOMO, DR. PELO DEPARTAMENTO DE SOLOS E RECURSOS

NATURAIS DA UFSC

MARI LUCIA CAMPOS

ENGENHEIRO AGRÔNOMO, DR. PELO DEPARTAMENTO DE SOLOS E RECURSOS

NATURAIS, UFSC

JOSÉ MECABÔ JUNIOR

ENGENHEIRO AGRÔNOMO, MSC. PELA IFSC, CAMPUS LAGES

formação de voçorocas, na própria estrada ou em talhões

adjacentes, segundo Cavichiolo (2005).

Em relação à rede viária para uso florestal, geralmente

há um ineficiente sistema de drenagem associado à inexistência

de controle e prevenção da erosão nas estradas.

Ao serem submetidas ao tráfego pesado de máquinas e

composições veiculares de carga, durante as operações de

colheita e transporte de madeira, o escoamento superficial

acelera-se no leito da estrada e, consequentemente, ocorrem

o assoreamento e a poluição de mananciais (Camargo

Corrêa, 2005).

No cultivo de florestas, Neary e Hornbeck (1994) estimaram

que mais de 90% dos sedimentos de erosão eram

provenientes das estradas destinadas à colheita, já que

nelas a interceptação de água da chuva é nula. Os autores

observaram que nessas estradas a taxa de erosão era aumentada

em quatro vezes, enquanto na fase de construção

de estradas, dentro da área de exploração da floresta, essa

diferença poderia chegar a 120 vezes, mesmo em áreas não

perturbadas, mas com elevado declive.

Disso depreende-se que as estradas apresentam o

maior efeito impactante na erosão hídrica em relação ao

restante da área cultivada, especialmente durante a fase de

colheita da floresta (Souza et al., 2001). Christopher (2002)

observou que as maiores perdas de solo ocorriam durante

e imediatamente após a construção das estradas, devido à

instabilidade do solo e aos distúrbios causados no terreno

pela passagem de caminhões e equipamentos. Na ausência

ou em condições de inadequado dimensionamento de revestimento

do leito da estrada e com ineficiente sistema de

drenagem, diminui a permeabilidade do solo e aumenta o

escoamento superficial, propiciando o aumento de erosão,

principalmente quando se trata de condições de maior declividade,

comum em áreas florestais (Camargo Corrêa et

al., 2009).

As estradas em florestas cultivadas em geral são submetidas

a tráfego leve, às vezes temporário. O tráfego pesado

e muito pesado, quando ocorre normalmente é em

sentido único, ocasionado geralmente por meio de veículos

com capacidade de carga entre 30 t e 40 t e, às vezes, acima

de 40 t. Nos últimos anos, aumentou a necessidade dessas

estradas nas florestas cultivadas, devido ao aumento do vo-

Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

77


ARTIGO

Foto: REFERÊNCIA

lume de tráfego de veículos de alta tonelagem, aumento

das distâncias de transporte em rodovias de baixa qualidade,

devido à necessidade de trafegabilidade durante todo

o ano e de estradas com maior vida útil (Camargo Corrêa

et al., 2009).

Uma estrada florestal de boa qualidade, do ponto de

vista de trafegabilidade e de controle da erosão, sob condição

de tráfego pesado, deve apresentar várias características,

tais como: inclinação lateral de aproximadamente

7%, do centro para as laterais, de forma a abaular o leito,

para conduzir a enxurrada para locais distantes da estrada

até drenos ou áreas revestidas com vegetação densa; alto

raio hidráulico e superfície rugosa; mínima quantidade de

sedimentos soltos na superfície e disponíveis para o transporte

pela enxurrada; restos culturais ou outras formas de

cobertura do solo nos canais, dispostos de forma intercalada

e no sentido transversal ao relevo; presença de pontes

e/ou bueiros para a passagem do fluxo de água de um lado

para outro da estrada; maior proporção possível de estradas

cascalhadas; um programa regular de manutenção nos

períodos de chuvas não erosivas; uma zona de proteção do

curso de água adjacente ao fluxo dos drenos das estradas.

A estrada florestal influencia negativamente alguns processos

hidrológicos em áreas com declive. Isto ocorre por

receber diretamente a água da chuva na superfície, sem

interceptação, por iniciar a enxurrada quase que imediatamente

após o início da chuva devido à forte compactação

do solo, por concentrar o escoamento superficial, em vez

de dividi-lo, sobre o leito e, principalmente, nos canais de

drenagem adjacentes (Christopher, 2002).

A ocorrência de erosão hídrica em estradas de uso florestal,

segundo Camargo Corrêa (2009), é responsável por

99,7% das perdas totais de solo que ocorrem na floresta

como um todo. Isto evidencia a importância de um adequado

planejamento de estradas nessas áreas, de maneira a

atender às necessidades da propriedade, mas com a menor

densidade possível, a fim de minimizar a ocorrência de

erosão.

Dessa forma, o objetivo do presente trabalho foi quantificar

as perdas de solo, água e produtos químicos dentre

eles nutrientes de plantas, provenientes de uma estrada de

uso florestal, sob chuva natural.

78

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MATERIAL E MÉTODO

O trabalho foi realizado em campo, na empresa Florestal

Gateados Ltda., situada no município de Campo Belo do

Sul (SC), localizada a 67 km (quilômetros) do município de

Lages, durante o período de setembro de 2009 a janeiro de

2011. O clima da região é mesotérmico úmido, classificado

como Cfb, segundo Köppen (1948), com temperatura variando

de 13°C a 25°C (Graus Celsius) e com chuvas distribuídas

durante todo o ano, totalizando, em média, 1841 mm

(milímetros) anuais. A altitude média da região é de 1017 m

(metros) e o relevo caracteriza-se como ondulado. O solo é

um Nitossolo Háplico típico.

Algumas características do perfil, descrito próximo ao

local do experimento, encontram-se na Tabela 1. Para determinar

a macroporosidade (Ma), microporosidade (Mi),

porosidade total (Pt) e densidade do solo (Ds), foram coletadas

amostras não deformadas, em anéis volumétricos

com 5 cm de altura e 5 cm de diâmetro, enquanto para

determinação de silte (Sil), argila (Arg) e areia (Are), coletaram-se

amostras deformadas. A porosidade foi determinada

com o uso da mesa de tensão; para os macroporos

utilizou-se a altura de 60 cm de sucção, para os microporos,

a altura de 100 cm de sucção e a porosidade total foi obtida

pela soma de macro e microporos. A textura do solo foi

determinada utilizando o Método Internacional da Pipeta

(GEE & Bauder, 1986). A densidade do solo foi obtida pela

razão entre o peso do solo seco a 105°C e o volume do anel

no qual o solo foi coletado.

Dentro da área da parcela experimental, instalada na

estrada, foram coletadas, em um único local, amostras do

solo deformadas para determinar algumas características

físicas e químicas do solo, cujos valores encontram-se na

Tabela 2. A distribuição de tamanho e estabilidade dos

agregados estáveis em água (DMP e DMG) foi feita pelo método

de Kemper e Cheppil (1965). Para determinar matéria

orgânica, pH em água, do alumínio trocável e capacidade de

troca de cátions no solo seguiu-se a metodologia recomendada

por Tedesco et al. (1995). Para determinação dos teores

de potássio, cobre, ferro, zinco e manganês no solo, foi

determinado digerindo-se as amostras em solução de água-

-régia para posterior diluição, conforme método descrito

por Pierangeli (1999) e leitura no Espectrofotômetro de Absorção

Atômica de alta resolução, de fonte contínua, com

atomização através de chama ar-acetileno. O teor de fósforo,

potássio, cálcio, magnésio e carbono orgânico, foi determinado

nos sedimentos da erosão e no solo da parcela,

pela metodologia recomendada por Tedesco et al. (1995).

A determinação dos teores de ferro, cobre, zinco, manganês

e potássio, semitotais, nas amostras de sedimentos, foi

realizada por Espectrofotômetro de Absorção Atômica de

alta resolução, de fonte contínua, com atomização através

de chama ar-acetileno, após extração com água-régia (Pierangeli,

1999), com modificações. Para obtenção dos teores

de fósforo na água da enxurrada, o método usado foi de

Murphy & Riley (1962).

Um único tratamento, sem repetição, foi estudado.

A unidade experimental, ou parcela, instalada na estrada

apresentava 19 m de comprimento no sentido do declive

e 4 m de largura, totalizando 76 m 2 (Figura 1), com declividade

média de 9,8%. Na instalação da parcela experimental,

levou-se em consideração o nível do terreno, que havia

sido rebaixado em 0,7 m, devido à construção do leito da

estrada e ao efeito da erosão em anos anteriores. Desse

modo, a erosão hídrica quantificada e analisada, ocorrida

no tratamento, era do topo da camada do solo referente

ao horizonte B/A. Para instalação da parcela, procedeu-se

do seguinte modo: drenos foram construídos na cabeceira

e nas laterais da parcela, com o objetivo de isolar a área útil

da mesma do restante da área da estrada.

Na cabeceira, o isolamento foi melhorado com a colocação

de uma prancha de madeira associada ao dreno. Com

isso, desviou-se o excedente de enxurrada que provinha da

parte superior e dos barrancos da estrada e evitou-se que o

escoamento superficial de dentro da parcela saísse da mesma.

Para quantificar o volume de chuva no local do experimento,

foi colocado um coletor a céu aberto (pluviômetro),

distante 10 m do local da parcela e fora da floresta. Para a

coleta de água e sedimentos decorrentes do escoamento

superficial, foi usado um equipamento denominado Roda

Coshocton (Figura 2), colocado ao final da pendente da parcela

experimental. A Roda foi conectada por meio de uma

mangueira a um balde plástico com tampa, com capacidade

para 60 l (litros) de água.

Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

79


ARTIGO

Este equipamento é constituído de uma calha coletora

e de uma roda divisora de enxurrada, o qual foi desenvolvido

pelo Departamento de Agricultura dos EUA (Estados

Unidos da América) (Parson, 1954). O equipamento coleta

aproximadamente 1% da enxurrada ocorrida na área e incidente

sobre o conjunto calha e roda. Alguns cuidados são

necessários com relação ao uso deste equipamento. A roda

divisora de enxurrada é acionada por meio da impulsão

causada pelo fluxo de água incidente sobre ela, rompendo

a inércia da mesma. Para que a inércia da roda seja rompida

pela ação da água, é necessário que a calha seja colocada

de modo a apresentar um leve desnível para frente (em direção

à roda) e para o lado esquerdo (olhando de traz em

direção à roda). Além disso, é importante manter o equipamento

com cobertura de tela, protegido da queda de

objetos sobre a roda (folhas, galhos, etc.), e manter limpa

a área ao seu redor, sem vegetação no entorno que possa

interferir no funcionamento da roda. Por isso, é necessário

constante monitoramento do ambiente no entorno da roda

e do equipamento como um todo.

As perdas de água por escoamento superficial foram

determinadas pelo valor da medição direta do volume coletado

pela Roda Coshocton, multiplicado por 100. Para perda

de solo, era realizada a coleta das amostras contendo a

suspensão de água e sedimentos contida no balde e, após

a retirada total da água, o peso seco dos sedimentos secos

era também multiplicado por 100. A altura da lâmina

de enxurrada contida dentro do balde coletor conectado à

Roda Coshocton foi medida com o auxílio de uma régua de

madeira graduada, com 1 m de comprimento, colocada no

centro do balde. Considerando que a altura e o diâmetro

do balde eram conhecidos, tornou-se possível determinar o

volume de enxurrada total contida no recipiente. O volume

de água medida no balde igualmente foi extrapolado para

a área total da parcela experimental e depois por hectare.

Os sedimentos contidos na enxurrada, depositados no

leito da Roda Coshocton, foram coletados com espátula e

acondicionados em balde previamente identificado. Em laboratório,

o balde foi levado à estufa 60°C até a secagem.

O valor da massa seca dos sedimentos obtidos na calha coletora

foi somado ao valor da massa seca de sedimentos na

enxurrada e presentes no balde coletor. O valor do somatório

de solo perdido foi extrapolado para a área total de cada

parcela experimental.

A coleta de enxurrada foi realizada semanalmente, respeitando-se

o final das precipitações acumuladas no período.

Foram coletadas amostras de enxurrada para o cálculo

das perdas de água e solo e para as análises químicas. As

amostras foram obtidas do recipiente coletor de enxurrada

após intensa agitação, a fim de homogeneizar a enxurrada.

As amostras foram coletadas em frascos plásticos de 400

ml (mililitros), com 4 repetições. Ao chegarem ao laboratório,

três frascos eram pesados e adicionavam-se três gotas

de Hcl 0,5 N, para acelerar a floculação e decantação dos

sedimentos. Após 24 horas, a alíquota de água era retirada

da amostra e o frasco com o restante de água e sedimentos

era levado à estufa a 60°C até secagem. Os sedimentos

restantes no fundo do frasco eram retirados com espátula e

armazenados para posterior análise química. O quarto frasco

coletado ficava sob refrigeração para posterior análise

química para análise da água da enxurrada.

Previamente à determinação dos nutrientes na água da

enxurrada, as amostras foram filtradas e uma alíquota de

20 mL de cada amostra foi acidificada com 0,5 ml de HNO 3

concentrado.

Essa alíquota foi armazenada fora de refrigeração, em

potes plásticos lavados com solução limpeza de HNO 3

a 3%,

até o término das leituras e foram determinadas também

por Espectrofotômetro de Absorção Atômica de alta resolução,

de fonte contínua, com atomização através de chama

ar-acetileno.

Foto: REFERÊNCIA

80

www.referenciaflorestal.com.br


RESULTADOS E DISCUSSÃO

A erosão hídrica sobre a estrada estudada acarretou

elevadas perdas de solo durante o período experimental,

totalizando 149,335 kg na parcela de 76 m² (Tabela 3), equivalentes

a 19,65 t ha -1 , valor esse semelhante aos encontrados

por Camargo Corrêa (2005) estudando erosão hídrica

em estradas de uso florestal no município de Itaiópolis (SC),

durante 15 meses. As perdas de solo foram ocasionadas por

1936 mm de chuva que produziram 716 mm de enxurrada,

equivalente a 37% da precipitação total do período de estudo.

Os valores de perda de solo variaram desde essencialmente

zero até 10,001 kg na parcela, enquanto a enxurrada

variou de zero a 53 mm e, a chuva, de zero a 159 mm. Este

comportamento é normal, pois, as perdas de água na forma

de enxurrada são fortemente influenciadas pelo teor de

água no solo antecedente à ocorrência das chuvas, enquanto

as perdas de solo sofrem menos esse efeito, conforme

cita Kohnke (1968).

Segundo Bertol e Almeida (2000), para o Nitossolo em

questão, a tolerância de perda de solo é de 12 t ha -1 ano -1 ,

ou seja, pouco mais da metade do que foi perdido durante

os meses avaliados. Esses números reforçam os cuidados

que se deve ter na implantação e manutenção das redes viárias

nos empreendimentos florestais, pois as estradas são

as principais causadoras de enxurradas, quando comparadas

aos demais usos do solo estudados.

As relações apresentadas na Figura 3, todas lineares e

positivas, indicam valores de coeficiente de correlação relativamente

baixos, porém, significativos. Na Figura 3A que

relaciona perda de água com altura de chuva, percebe-se

que em muitos casos ocorreram elevadas perdas de água

com alturas de chuva relativamente baixas, explicadas principalmente

porque, em solo descoberto e compactado,

como é o caso da estrada, a infiltração de água no solo é

baixa. Além disso, é possível que essas chuvas tenham ocorrido

sobre o solo já úmido por chuvas anteriores. No caso

da relação das perdas de solo com altura de chuva, houve

maior dispersão dos pontos na Figura 3B, significando que

tanto chuvas de baixo volume ocasionaram elevadas perdas

de solo, quanto chuvas de alto volume ocasionaram baixas

perdas de solo.

Nesse caso, o fator preponderante da variabilidade dos

dados foi a variação no teor de água no solo antecedente

às chuvas. O aumento de enxurrada ocasiona aumento

nas perdas de solo, o que pode ser observado na Figura 3C.

As perdas de solo relacionaram-se com as perdas de água,

com maior coeficiente de correlação do que nas outras relações,

evidenciando que o aumento na taxa de enxurrada

se refletiu em aumento de energia de desagregação e transporte

de sedimentos.

Os teores de fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca) e magnésio

(Mg) presentes nos sedimentos da erosão, tanto nos

retidos no balde de armazenagem quanto na calha coletora,

foram maiores do que aqueles contidos na camada

superficial do solo da qual a erosão se originou (Tabela 4),

conforme verificado também por Seganfredo et al. (1997).

No caso do fósforo, a razão foi de 1,25 para os sedimentos

do balde e de 1,81 para os da calha. As razões foram respectivamente

de 2 vezes e de 2,2 vezes, enquanto para o Ca e

Mg, as razões foram respectivamente de 1,2 e 1,4 vezes e

de 1,5 e 1,9 vezes. Isso indica claramente que a erosão ocorrida

na estrada em questão apresentou elevado potencial

de enriquecimento em locais nos quais se depositou fora

da estrada, em relação aos elementos anteriormente discutidos,

conforme verificado também por Schick et al. (2000).

Provavelmente, isto é devido à textura do material

transportado, o qual é mais rico em silte e argila do que

o solo do qual se originaram os sedimentos, uma vez que

estas partículas são mais facilmente transportadas e contêm

maiores teores de nutrientes adsorvidos, conforme

demonstraram Freitas e Castro (1983).

De modo geral, o cálcio e magnésio são perdidos em

grandes quantidades nos sedimentos da erosão (Castro et

al., 1983; Dedececk et al., 1986; Bertol, 1994), especialmente

o cálcio que está adsorvido aos coloides do solo, o que

facilita o seu transporte nos sedimentos. Para o caso dos

elementos zinco (Zn) e manganês (Mn), também os teores

contidos nos sedimentos, sejam eles no balde ou na calha,

foram maiores do que os contidos na camada superficial do

Março de 2016 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

81


ARTIGO

solo, gerando uma taxa de enriquecimento importante, o

que não ocorreu com o cobre (Cu) e o ferro (Fe) (Tabela 5).

No caso do zinco, a taxa de enriquecimento gerada

pelo teor do elemento nos sedimentos do balde foi 11, enquanto

para os sedimentos da calha foi de 22 em relação

ao teor no solo (Tabela 5). Para o manganês, as referidas

taxas foram respectivamente de 40% e de 55%. Assim, especialmente

o zinco apresentou um elevadíssimo poder de

contaminação do ambiente em que o material da erosão se

depositou, fora da estrada, não se desprezando também o

potencial do manganês.

Schick et al. (2000), analisando água de enxurrada,

quantificaram maiores teores de potássio do que de fósforo.

Segundo os autores, isso ocorre em razão da maior

solubilidade deste elemento, em relação ao fósforo, o que

facilita seu transporte pela água e também porque está presente

em maior quantidade no solo do que o fósforo. Os

teores de macro e micronutrientes encontradas na água da

enxurrada foram baixos em relação aos contidos no solo e

nos sedimentos (Tabela 6). Assim, as perdas destes elementos

por erosão estão mais relacionadas com os sedimentos,

por estarem nestes adsorvidos do que na água da enxurrada,

devido à baixa solubilidade desses elementos.

No caso do cálcio, magnésio, potássio e fósforo, a relação

dos teores no solo para a água foi respectivamente de

27; 36; 314; e 212, enquanto para cobre, zinco, manganês e

ferro, a relação foi respectivamente de 5.900; 34; 3.714; e

353.652 (Tabela 6). Considerando as perdas totais dos macro

e micronutrientes estudados, adsorvidos aos sedimentos

e solúveis na água da enxurrada (Tabela 7), verifica-se

que a erosão produzida na estrada estudada transportou

30,49 kg/ha -1 de cálcio; 2,98 kg/ha -1 de magnésio; 21,40 kg/

ha-1 de potássio; 0,40 kg/ ha -1 de fósforo; 0,22 kg/ ha -1 de

cobre; 0,30 kg/ ha -1 de zinco; 0,26 kg/ ha -1 de manganês;

e 2.145 kg/ ha -1 de ferro total. Esses dados reforçam a necessidade

de cuidados na implantação e manutenção das

redes viárias nos empreendimentos, pois as estradas são as

principais causadoras de enxurradas, quando comparadas

aos demais usos do solo estudados.

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CONCLUSÕES

As perdas de solo na estrada de uso florestal foram de

19,65 t/ ha -1 , enquanto as perdas de água equivaleram a

37% do volume de chuva precipitado no período experimental.

Houve correlação linear e positiva entre altura de

chuva e perdas de água por escoamento superficial, entre

altura de chuva e perdas de solo por erosão, e entre perdas

de solo e de água por erosão hídrica, na estrada de uso florestal

estudada. Os teores dos elementos químicos estudados

em geral foram altos nos sedimentos da erosão hídrica,

superiores aos teores encontrados na camada superficial

do solo da qual a erosão se originou e muito superiores aos

encontrados na água da enxurrada.

Indústria e Comércio de Máquinas


AGENDA

MARÇO 2016

MARCH 2016

JUNHO 2016

JUNE 2016

Lançamento Anuário Estatístico ACR

17

Lages (SC)

www.acr.org.br

Cibio 2016

15 e 16

Curitiba (PR)

www.congressobiomassa.com

ABRIL 2016

APRIL 2016

JULHO 2016

JULY 2016

Fiema Brasil 2016

5 a 8

Bento Gonçalves (RS)

www.fiema.com.br

Eucalipto 2016

12 a 14

Uberlândia (MG)

www.sif.org.br

III Seminário sobre controle de plantas daninhas na

cultura do eucalipto

19 e 20

Piracicaba (SP)

www.ipef.br/eventos/

Mercoflora 2016

14 a 16

Chapecó (SC)

www.mercoflora.com.br/sobre-a-feira

AGOSTO 2016

AUGUST 2016

Dia de campo Florestal

17

Botucatu (SP)

www.diadecampoflorestal.com.br

DESTAQUE

LANÇAMENTO ANUÁRIO ESTATÍSTICO ACR

17 de março

Lages (SC)

www.acr.org.br

No dia 17 de março a ACR (Associação Catarinense

de Empresas Florestais) lançará, em Lages (SC), o

Anuário Estatístico 2016 – ano base 2015. Este estudo

terá informações detalhadas sobre o setor florestal

catarinense e vai atualizar os números levantados na

última edição. A publicação serve como referência para o

planejamento de futuros empreendimentos florestais.

Imagem: reprodução

84

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ESPAÇO ABERTO

TOLERÂNCIA - ATRIBUTO

DE PESSOAS DE SUCESSO

Foto: divulgação

Por IBC (Instituto Brasileiro de Coaching)

T

olerância é um dos principais fatores para alcançar o

sucesso, pois uma pessoa que possui esse atributo é

mais assertiva em suas tomadas de decisões e atitudes.

A partir de uma postura mais racional e menos impulsiva,

age com paciência e discernimento diante das situações.

Os tolerantes possuem maiores possibilidades de conquistarem

cargos de liderança e de exercer sua gestão de

forma efetiva e com alto desempenho. O líder tolerante é capaz

de estabelecer relacionamentos saudáveis em cenários

de estresse, além de ser habilidoso em gestão de conflitos,

competências determinantes para promover um clima organizacional

positivo e motivado.

Independentemente de sua posição no trabalho, essa

habilidade deve ser colocada em prática diariamente. Deste

modo, você promoverá a boa convivência e um clima agradável

para se trabalhar, além de reforçar sua imagem pessoal,

agindo com cordialidade e polidez. Pessoas de sucesso são

cercadas de boas relações.

Cuidar de sua qualidade de vida tanto no âmbito profissional

quanto pessoal é essencial para aumentar sua capacidade

de tolerância, mantendo o bem estar e equilíbrio mesmo

diante de adversidades. Dê importância apenas ao que

agrega e te torna melhor!

DICAS PARA MANTER A TOLERÂNCIA

Com a evolução tecnológica e a globalização, algumas

mudanças ocorreram no estilo de vida das pessoas, inclusive

na forma de interagirem umas com as outras. Com tantos

compromissos diários, dedicar tempo para investir nas rela-

ções, tem se tornado uma tarefa cada vez mais desafiadora,

promovendo isolamento dos indivíduos, e com isso, a impaciência

e intolerância em lidar com o próximo.

Ouvir na essência significa demonstrar interesse verdadeiro

pelo outro, se colocando inteiramente presente no diálogo.

Deste modo, você passa a estabelecer relacionamentos

mais construtivos e saudáveis.

Suspenda o julgamento

Ao longo de nossa vida iremos lidar com indivíduos de

diversos perfis, cada um com seu jeito de falar, de comportar,

com suas opiniões, crenças e valores. Naturalmente, em

meio a essa vasta diversidade de personalidades, estamos

propensos a conhecer algumas pessoas com o qual não nos

identifiquemos, neste momento é preciso exercitar a tolerância,

principalmente, se houver necessidade de manter contato.

Procure se colocar no lugar do outro e compreenda como

reagiria em seu lugar, isso te ajudará a ser mais paciente e

tolerante para lidar tranquilamente com eventuais divergências.

Força Interior

Na busca do sucesso e realização, é fato que teremos

altos e baixos ao longo de nossa trajetória. Nesse sentido,

manter-se tolerante fará toda a diferença para lidar com os

obstáculos com mais leveza e serenidade. A tolerância é a raiz

de sua força interior, necessária para vencer cada novo desafio

e permanecer seguindo em ritmo constante em direção as

suas metas e objetivos.

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