Dezembro/2016 - Biomais 18

jota.2016

Visitantes - Grupo Jota Comunicação

Mais madeira: Cresce demanda por recurso para geração de energia

revista biomassa energia

LOOKING TO

THE FUTURE

RENEWABLE ENERGY IN

THE DONALD TRUMP ERA

OLHANDO PARA O FUTURO

ENERGIAS RENOVÁVEIS

NA ERA DONALD TRUMP

MARINA GROSSI

PARCERIA

SUSTENTÁVEL

QUATRO DIAS SÓ COM ENERGIA LIMPA

PORTUGAL COMPROVA QUE É VIÁVEL


TRANSPORTE

OTIMIZAÇÃO

RESULTADO

EXCELÊNCIA NA INDÚSTRIA DE BIOMASSA

Sistemas Especiais

de Manuseio

• Mesas elevadoras

• Manipulação

• Soluções customizadas

Linhas de Acabamento

para Painéis de Madeira

• Resfriamento de chapas

• Manipulação

• Lixamento

• Armazenamento

Preparação de

Partículas & Reciclagem

• Pátios de toras

• Sistemas de alimentação

• Linhas de picagem

Tecnologia de Secagem

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• Secadores Industriais

Tecnologia de Prensagem

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Rua General Potiguara, 1115 | CIC | Curitiba | PR | Brasil | CEP 81050-500

Fone +55 41 3347 2412 | +55 41 3347 4545 | indumec@indumec.com.br


SUMÁRIO

04 | EDITORIAL

Próximos passos

06 | CARTAS

08 | NOTAS

12 | ENTREVISTA

18 | PRINCIPAL

24| PELO MUNDO

Portugal renovável

30| EVENTO

Sendi recebe público recorde

34 | PROCESSO

Nano energia

38 | CASE

Gigante consciente

42 | ESPECIAL

46 | PRÊMIO REFERÊNCIA

50 | ARTIGO

56 | AGENDA

58| OPINIÃO

A força do sorgo

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 03


EDITORIAL

PRÓXIMOS PASSOS

A arte da capa desta edição ilustra incertezas

sobre as políticas mundiais relativas à energia

limpa após as eleições norte-americanas

JOTA COMUNICAÇÃO

EXPEDIENTE

Diretor Comercial / Commercial Director: Fábio

Alexandre Machado (fabiomachado@revistabiomais.

com.br) • Diretor Executivo / Executive Director: Pedro

Bartoski Jr (bartoski@revistabiomais.com.br) • Diretora

de Negócios / Business Director: Joseane Knop

(joseane@jotacomunicacao.com.br)

Até 2050, a demanda por energia elétrica no Brasil deve triplicar,

segundo estimativas da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e do

Ministério de Minas e Energia. Estima-se também que a demanda por

madeira para produção de energia deve crescer 100% até 2020. Atender

essas necessidades com um sistema confiável, sustentável e acessível aos

consumidores é um desafio. E ao mesmo tempo, apresenta uma série de

boas oportunidades não só de negócios, mas de desenvolvimento da

indústria, de formação de mão de obra qualificada e de inclusão social.

Pensando nisso, trazemos em nossa reportagem principal uma reflexão

sobre possíveis desdobramentos da eleição de Donald Trump para comandar

a maior potência econômica do globo e suas implicações para o

mercado de energias renováveis. Mostramos também, nas próximas páginas,

iniciativas como o Projeto Elphis, que fornece energia para refugiados

na Grécia e uma entrevista com Marina Grossi, presidente do Cebds

(Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável).

Tenha uma ótima leitura!

JOTA EDITORA

Diretor Comercial / Commercial Director: Fábio

Alexandre Machado (fabiomachado@revistabiomais.

com.br) • Diretor Executivo / Executive Director: Pedro

Bartoski Jr (bartoski@revistabiomais.com.br) • Redação

/ Writing: Rafael Macedo - Editor, Murilo Basso,

(jornalismo@revistabiomais.com.br) • Dep. de Criação

/ Graphic Design: Fabiana Tokarski - Supervisão,

Fabiano Mendes, Fernanda Domingues, Fernanda

Maier, (criacao@revistabiomais.com.br) • Tradução

/ Translation: John Wood Moore • Dep. Comercial

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revistabiomais.com.br) • Fone: +55 (41) 3333-1023 •

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- Coordenação, Alessandra Reich, (assinatura@

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A REVISTA BIOMAIS é uma publicação da

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A REVISTA BIOMAIS - é uma publicação bimestral e independente,

dirigida aos produtores e consumidores de energias limpas e alternativas,

produtores de resíduos para geração e cogeração de energia, instituições

de pesquisa, estudantes universitários, órgãos governamentais,

ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS não se responsabiliza por

conceitos emitidos em matérias, artigos, anúncios ou colunas assinadas,

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dados, sob qualquer forma ou meio, dos textos, fotos e outras criações

intelectuais da REVISTA BIOMAIS são terminantemente proibídas sem

autorização escrita dos titulares dos direitos autorais, exceto para fins

didáticos.

NEXT STEPS

By 2050, the demand for electric energy in Brazil should triple, according

to estimates by the Empresa de Pesquisa Energética and the Ministry

of Mines and energy. It is estimated that the demand for timber for energy

production should grow 100% by 2020. Meeting these needs with a reliable,

sustainable and affordable system for consumers is a challenge. While at

the same time, it can lead to a number of good opportunities not only for

business, but also for industry development, skilled labor training and social

inclusion. With that in mind, we have as our main story a reflection about

the possible effects of the election of Donald Trump to command the largest

economic power in the world and the implications for the renewable energy

market. Also, found on the following pages are initiatives like the Elphis

Project, which provides energy for refugees in Greece, and an interview with

Marina Grossi, President of the Brazilian Business Council for Sustainable Development

(Cebds). Very pleasant reading!

REVISTA BIOMAIS is a bimonthly and independent publication, directed

at clean alternative energy producers and consumers, producers of residues

used for energy generation and cogeneration, research institutions, university

students, governmental agencies, NGO’s, class and other entities, directly and/

or indirectly linked to the Segment. REVISTA BIOMAIS does not hold itself responsible

for concepts contained in materials, articles, ads or columns signed

by others; these are the responsibility of their authors. The use, reproduction,

appropriation, databank storage, in any form or means, of the text, photos and

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purposes.

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CARTAS

VOLTA AO MUNDO

Renan Colombo – Rio de Janeiro (RJ)

Ótima reportagem sobre o projeto Solar Impulse 2. Parabéns a toda equipe da

Revista BIOMAIS!

Foto: divulgação

ENTREVISTA

Helena Bello – Florianópolis (SC)

Parabéns pelo bate-papo com Alexandre Heringer, presidente da Efficientia, do grupo Cemig. Uma ótima

reflexão sobre os caminhos em direção a um futuro sustentável.

PLANTANDO ENERGIA

Anderson Kaczorowski – Curitiba (PR)

Florestas e biomassa de madeira se consolidam como alternativas para suprir nossas

demandas energéticas em um futuro cada vez mais próximo.

OTIMISMO

Bruno Pontalti – São Paulo (SP)

Estive na última Fenasucro & Agrocana e, como apontou a reportagem, as perspectivas

para 2017 são animadoras. Continuemos fomentando o setor.

Foto: Renato Lopes

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na

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informação

biomassa

energia

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Publicações Técnicas da JOTA EDITORA

06

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NOTAS

Foto: divulgação Foto: divulgação

ENERGIA

INESPERADA

Pequenos agricultores do nordeste estão transformando

esterco dos animais em biogás para usar na

cozinha. O biodigestor usa o dejeto dos animais para

gerar energia renovável e que não polui o meio ambiente.

A invenção está sendo usada em São Bento do

Una, no agreste de Pernambuco. Para uma casa com

cinco pessoas, são suficientes as fezes de dois bovinos

adultos, 10 suínos ou 100 aves. Depois do primeiro

abastecimento, o biodigestor demora 15 dias para começar

a emitir o gás. Já no tanque de descarga, sai o

biofertilizante. Trata-se de um esterco já com quantidade

menor de gases e rico em nutrientes.

GLOBALIZAÇÃO DA

ENERGIA

A transição global para as energias renováveis está acelerando

em um ritmo mais rápido que o previsto. Quem ficar para

trás enfrentará riscos financeiros cada vez maiores. Estas são as

principais conclusões do mais novo estudo do Ieefa (Instituto de

Economia e Análise Financeira de Energia), que analisa os principais

eventos nos mercados globais de energia ao longo de 2016

e revela o ritmo assustador da mudança global em andamento.

"Ao longo de 2016, assim como no ano anterior, indicativos de

uma grande mudança nos mercados de energia estavam em

toda parte, mas quando examinados globalmente, a escala e o

ritmo da mudança são simplesmente surpreendentes, embora

não inteiramente inesperados", explica Tim Buckley, diretor de

Estudos de Finanças do Ieefa. Para ele, a velocidade e a natureza

global desta mudança é muito diferente de tudo o que temos

visto no mercado de energia nos tempos modernos, desde áreas

tão diversas como baterias e tecnologias de veículos elétricos até

a regularidade na queda das tarifas de energia solar e o financiamento

para programas de energias renováveis em países em desenvolvimento.

“Este é um momento emocionante e indica que

grandes progressos estão sendo feitos para a transição da nossa

economia global”, completou.

ENERGIA SOLAR PODE

ALIMENTAR O CARRO DO FUTURO

Uma equipe de pesquisadores do Centro de Inovação Grupo Fiat Chrysler,

em Betim (MG), pesquisa o uso de células fotovoltaicas em automóveis para

converter a luz solar em energia elétrica. Segundo o líder da equipe, o engenheiro

Toshizaemom Noce, a ideia é seguir o princípio dos painéis solares e a

energia gerada seria armazenada também na bateria do veículo. Isso diminuiria

o consumo de combustível. Como consequência, a emissão de poluentes também

cairia, reduzindo o impacto ambiental e gerando economia. As pesquisas

começaram há um ano e esse tipo de tecnologia já é usado nos EUA (Estados

Unidos da América), Europa e Japão, mas é a primeira vez que começa a ser

pesquisada no Brasil.

Foto: divulgação

08

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NOTAS

EQUIPAMENTOS PARA RECICLAGEM

A fabricante de equipamentos para geração de cavaco, Bruno Industrial, está trabalhando

em um projeto inovador no Brasil: a Central de Reciclagem de Resíduos Sólidos Urbanos. A

central da Bruno Industrial é composta por abridor de sacos, peneira de discos, separador balístico,

separador de leves e pesados, extrator de metais e não metais, cabines para segregação

manual e granulador, equipamentos dispostos conforme a necessidade e forma de destinação

do cliente. O diretor presidente da empresa, Arno Rui Schaly, lembra que o destino correto

dos resíduos é uma das grandes preocupações do mundo em função da elevada produção de

resíduos. “No mundo existe cada vez menos local apropriado para o descarte correto desses

resíduos, que acabam superlotando os aterros ou muitas vezes, esses descartes indo direto

para o meio ambiente. Preocupada com esses parâmetros envolvendo a sustentabilidade e

ainda, em oferecer equipamentos mais acessíveis que os importados, a Bruno está lançando a

Central de Reciclagem de Resíduos Sólidos Urbanos, um equipamento 100% nacional e único

no Brasil, uma nova opção para os empresários que se preocupam com o presente e o futuro

de nossas cidades”, enfatiza Arno.

Foto: divulgação

BIOMASSA DA

CANA-DE-AÇÚCAR

A energia gerada a partir de biomassa

do bagaço de cana-de-açúcar

pode abastecer mais da metade dos

consumidores do Estado de São Paulo.

É o que diz a Cogen (Associação da

Indústria de Cogeração de Energia).

Segundo a associação, a capacidade

instalada para esse tipo de energia é de

10,8 GW (gigawatts). Já a Unica (União

da Indústria de Cana-de-Açúcar) estima

que o Brasil possui potencial para

implementar adicionalmente cerca de

20 GW de cogeração de biomassa da

cana-de-açúcar, potencial que engloba

apenas as áreas já plantadas de cana-

-de-açúcar no Brasil. Em parceria com a

Thymos Energia, a Cogen e a Unica prepararam

um estudo para definir o valor

de referência a fim de possibilitar a comercialização

da cogeração da biomassa.

A viabilização da realização de um

leilão de biomassa e biogás no início

de 2017 também é discutida. Para isso,

as entidades estão conversando com o

Ministério de Minas e Energia.

USINA DE

PELLETS

NEGROS É

IDEALIZADA

NA AUSTRÁLIA

Um estudo de viabilidade busca

transformar restos de madeira em combustível renovável por uma usina de pelletização

negra. A ideia é construir a estrutura no município de Tamar Valley, na

Tasmânia. O estudo é desenvolvido pela empresa australiana de capital privado

New Forests. O investimento feito para a realização do estudo – calculado em

US$ 5 milhões – busca encontrar uma oportunidade de utilizar os pellets de biomassa

na alimentação das caldeiras das indústrias. Assim, os pellets substituiriam

o carvão, combustível fóssil. Produzidos na cor preta, os pellets serão capazes de

entrar nas usinas de energia existentes sem precisar fazer qualquer modificação.

A ideia inicial dos empresários é importar o produto para o Japão, onde existem

várias usinas de energia. Se o estudo for aprovado, a New Forests vai fornecer

uma plantação de madeira 100% certificada e com fibra longa para a usina de

pellet.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

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ENTREVISTA

• MARINA

GROSSI •

Foto: divulgação

PARCERIA

SUSTENTÁVEL

A

atuação do setor empresarial para conter impactos ambientais e no combate às mudanças climáticas é fundamental.

Elas são atores de peso, com grande influência sobre outras esferas da sociedade, contribuindo diretamente para

a sustentabilidade e na busca por um futuro mais eficiente e renovável energeticamente. Em entrevista à BIOMAIS,

Marina Grossi, economista e presidente do Cebds (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável),

reflete sobre o papel do setor e como a união das empresas aos governos é essencial para o desenvolvimento do país.

SUSTAINABLE

PARTNERSHIP

T

he role of the Business Sector in restraining environmental impact and in combating climate change is essential. It is the actor with

the greatest influence on other spheres of society, contributing directly to sustainability, and in the search for a more efficient future

and renewable energy. In an interview with BIOMAIS, Marina Grossi, Economist and President of the Brazilian Business Council for

Sustainable Development (Cebds), reflects on the role of the Sector and how the union of the business world with Government is

essential to the development of the Country.

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PERFIL:

Nome: Marina Grossi

PROFILE:

Name: Marina Grossi

Formação: Economista, atuou como

negociadora do Brasil na COP (Conferência

das Partes) e coordenou o Fórum Brasileiro

de Mudanças Climáticas entre 2001 e 2003

Education: Economics, a Brazilian

Representative to Conference of the Parts

(COP) and coordinated Brazilian Forum on

Climatic Change between 2001 and 2003

Cargo: Presidente do Cebds (Conselho

Empresarial Brasileiro para o

Desenvolvimento Sustentável)

Function: President of the Brazilian Business

Council for Sustainable Development (Cebds)

Como surgiu o Conselho de Líderes do Cebds?

Sempre tínhamos encontros informais entre CEOs. E

antes da última campanha eleitoral, pensamos que com as

propostas que tínhamos, precisávamos levá-las aos candidatos

da época. Decidimos que tínhamos que colocar alguns

critérios para os políticos para podermos conversar

com a sociedade, decidir quais eram as propostas que poderiam

ser replicadas, que tinham aderência na sociedade e

que contribuíam para a sustentabilidade e levassem maior

competitividade ao país. Com base nesses três critérios, conversamos

e chegamos a 22 propostas. O objetivo era que o

setor empresarial conseguisse dialogar com a alta liderança

do setor governamental, de forma pontual e efetiva.

O que ele pretende?

Acreditamos que o desafio que temos pela frente, sobretudo

a questão da sustentabilidade, não pode ser pensado

apenas através das empresas, tampouco só com o

governo ou até mesmo só pela sociedade. Todos precisam

estar em sinergia. Nossa pretensão é ter um plano de trabalho,

executá-lo, expor quais são os custos e mostrar porque

aquilo precisa ser feito; algo completamente exequível,

como funciona dentro de uma empresa. Não são propostas

genéricas, é realmente necessário construir uma nova agenda

para o Brasil.

No ano 2016 ratificaram-se grandes acordos inerentes

à sustentabilidade. Como pretendem atuar neste

momento tão específico?

Para implementá-los, para se ter grandes projetos, precisa

primeiramente enxergar, ao lado do governo, quais são

How did the Cebds Leadership Council come about?

We always had informal meetings amongst CEOs. And

before the last election campaign, we thought our proposals

needed to be taken to the candidates. We decided that

we had to put forward some criteria for politicians so that

we could talk with society, decide which proposals could be

replicated, and would contribute to sustainability and lead

to greater competitiveness for the Country. Based on these

three criteria, we held conversations and arrived at 22 proposals.

The goal was that the Business Sector would engage

in dialogue with top Government Sector officials in a timely

and effective way.

What was the final intention?

We believe that the challenge that we have ahead of us,

especially as to the issue of sustainability, cannot be conceived

only through the business world, or by the Government

or even just by society. You need to have everybody in sync.

Our intention is to have a work plan, execute it, disclose

the costs and demonstrate why it needs to be carried out;

something completely feasible, how it would work within

a company. They are not generic proposals, it is really necessary

to build a new agenda for Brazil.

In 2016, far ranging agreements were ratified inherent

on sustainability. How do you intend to act at this

very specific moment?

To implement them, there needs to be large projects,

and firstly, you need to see, along with the Government,

what the legal barriers are and what can be done to put

them into practice. Our part is to show the cost of doing this,

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 13


ENTREVISTA

as barreiras legais e o que

ele pode fazer para colocá-los

em prática. Nossa

parte é mostrar o custo

disso, quais os ganhos

e como tirar projetos

do papel.

Quais as ações

voltadas ao setor

energético?

Há tanto a parte

voltada ao financiamento

de energia renovável

como a parte de eficiência

energética. Nos comprometemos

em Paris, no ano

passado, a não subir nossa

emissão de gases poluentes e

também a aumentar a participação

da energia renovável no país em

23%, atingir essa meta na matriz elétrica

de renováveis não hídricas até 2030.

Para esse objetivo, uma das questões que

precisamos debater passa pelo financiamento

para essas fontes renováveis. De que forma

organizamos isso em um momento de recessão, um

momento em que você não pode simplesmente estar

solicitando subsídios? Você precisa de uma readequação

dentro dessa realidade que a está enfrentando. Não pode

existir, por exemplo, certas discrepâncias; como para o uso

de combustíveis fósseis você ter cinco vezes mais estímulos

que para produção de energias renováveis. Pensando

nisso, chegamos a formular diversas propostas, algumas

arrojadas, mas elas precisam da concordância tanto do

governo, como da sociedade, para avançarem.

“Para se ter grandes

projetos, precisa

primeiramente enxergar,

ao lado do governo, quais

são as barreiras legais e

o que ele pode fazer para

colocá-lo em prática”

the benefits and

how to get the

projects off the

ground.

What are

the activities

directed

towards the

Energy Sector?

There's both

the part aimed at

how to arrange the

financing of renewable

energy and the part

aimed at creating energy

efficiency. We made commitments

in Paris last year not

to increase our emission of polluting

gases and also to increase the participation of

non-hydro renewable energy in the Country to at

least 23% of the energy matrix by 2030. For this

goal to be reached, one of the issues that needs to

be discussed is the matter of the financing for these

renewable sources. How is this to be organized

in a time of recession, at a time when you can't

simply request subsidies? You need a readjustment

within this reality that is the Country is

facing. For example, there cannot be certain

dichotomies; such as that involving the use

of fossil fuels where there are five times

more stimuli than for renewable energy

production. Thinking this way, we

have made various proposals, some

daring, but they need the agreement

of both the Government and society to go forward.

Hoje o Bndes (Banco Nacional de Desenvolvimento

Econômico e Social) ainda é o grande financiador de empréstimos

para fonte renováveis?

Sim, ele abrange por volta de 60% dos projetos. É claro

que ele irá continuar no seu papel de sinalizar esse caminho

de baixo carbono, mas ele tem hoje muito mais limitações

do que tinha antes. Então, uma das várias soluções que propomos

para o Bndes é que, ao invés dele financiar diretamente

uma empresa, ele possa fazer um hedge cambial, um

seguro cambial.

Currently, is the National Economic and Social Development

Bank (Bndes) still the largest provider of

financing for renewable sources?

Yes, it arranges financing for around 60% of all projects.

Of course, it will continue in this role of signaling a low-carbon

path, but it now has more limitations than it had before.

So, one of several solutions that we propose for Bndes

is that instead of providing direct financing for a project,

it provides a currency hedge, as insurance against movements

in the foreign exchange rate.

14

www.REVISTABIOMAIS.com.br


Como essa alternativa proposta nos ajudaria efetivamente?

Hoje o capital no Brasil está escasso e caro. Porém, lá

fora está barato e o mundo inteiro está querendo investir

em energias renováveis. Por isso propomos que o Bndes

ao invés de emprestar diretamente, seja um garantidor do

câmbio: nenhuma empresa pode pegar dinheiro lá fora com

o dólar a R$ 4 ou mesmo a R$ 3, e depois quando for pagar,

o dólar estar R$6 ou R$ 5. Então o seguro garante que você

não vai sofrer um abalo brusco, que terá uma segurança nos

empréstimos. É um modelo que funciona perfeitamente em

país como a França, por exemplo.

Dentre as metas que o Brasil apresentou na Cop

21, está a melhoria de eficiência energética de 10% até

2030. Não se trata de uma meta pouco ambiciosa?

Existe essa impressão de que há um potencial muito

maior no país no que tange a eficiência energética para ser

explorado, por isso também estudamos como atingir 15% e

como atingir 20% até 2030: quanto isso custaria em termos

de investimento por parte das empresas e do governo,

mas também quanto isso geraria de

economia nos custos de recuperação

no sistema elétrico, quanto

geraria de redução na tarifa

de energia elétrica. Nesse

aspecto, apontamos

que se chegarmos

a 20% até 2030, a

tarifa de energia

elétrica pode cair

cerca de 27%.

Qual é o

real papel do

setor empresarial

para as

políticas de

sustentabilidade

e como ela

está atrelada a

competitividade

de uma empresa?

Vou citar o exemplo

da energia eólica

no Brasil. Ela enfrentou

ceticismo no início, era

“Uma das várias

soluções que propomos

para o Bndes é que, ao

invés dele financiar

diretamente uma

empresa, ele possa

fazer um hedge cambial,

um seguro cambial”

How would this alternative proposal effectively

help us?

Today, capital in Brazil is scarce and expensive. However,

abroad it is cheap and the whole world is looking to

invest in renewable energy. That is why we propose that

Bndes, instead of lending directly, become a foreign exchange

guarantor: no company can borrow money abroad

with the dollar at R$ 4 or even R$ 3, and then when repayment

comes due, the dollar is R$6 or R$5. So this insurance

guarantees that a company won't suffer a sudden jolt, and

there will be some security as to loan repayment. This is a

model that works perfectly in a country such as France, for

example.

One of the goals that Brazil presented at COP 21

was the improvement of energy efficiency by 10% by

2030. Isn’t this goal a little ambitious?

There is this impression in this Country that there is a

very large potential regarding possibilities for exploring

energy efficiency, so we also studied how to achieve a 15%

savings and how to achieve a 20% saving by 2030: how

much it would cost in terms of investment by businesses

and Government, as well as how

much it would generate recuperation

cost savings in the electric

system, as to generating a

reduction in electric energy

rates. In this regard,

we point out that if we

get a 20% reduction

by 2030, the electric

energy rates might

fall by about 27%.

What is the

real role of the

Business Sector

as to sustainability

policies and

how is it tied to a

company's competitiveness?

I cite the example

of wind energy in Brazil. It

faced skepticism at first, it was

extremely expensive and did not

take off, but all of a sudden, not as a

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 15


ENTREVISTA

extremamente cara e não

deslanchava, mas de

repente, não fruto de

um planejamento, mas

sim por termos recursos

naturais abundantes,

situações favoráveis

à ela, acabou acontecendo.

Em um cenário

geral, como temos diversos

fatores inerentes

à sustentabilidade, uma

biodiversidade riquíssima,

uma incidência solar absurda,

acaba-se construindo um

cenário favorável. De qualquer

forma, tudo acontece por

uma conjunção de fatos, não por

planejamento. Por isso queremos

que o tudo seja planejado desde o

início. Os ganhos são muito maiores

quando se planeja do que simplesmente

deixar tudo acontecer.

Qual é o potencial de conservação de energia

elétrica no Brasil e quais são as medidas necessárias

para superar as barreiras que existem hoje

e atingir níveis de conservação satisfatórios no Brasil?

Existe uma dificuldade de calcular esse potencial total,

até porque existe uma necessidade de atualização dos

dados. Chegamos ao potencial de 20%. Existem outros

pesquisadores que dizem que potencial pode chegar até

a 40%. Existem muitas medidas de assistência energética

que são simples. Por exemplo, uma mudança de hábito de

tirar equipamentos que ficam stand by em casa da tomada.

São ações muito simples com custo baixo e um retorno de

investimento. Algumas barreiras que identificamos são simplesmente

comportamentais. Para outras medidas um pouco

mais complexas como, por exemplo, a troca de motores

elétricos na indústria por versões mais eficientes, esbarram

em questões de orçamentos, outros empecilhos estruturais

e, para superar algumas dessas barreiras, propomos diversas

medidas que o governo poderia tomar, como o estabelecimento

de níveis menos compulsórios de eficiência

energética para equipamentos; hoje há níveis mínimos de

eficiência energética obrigatórios para poucos equipamentos.

Então poderíamos atuar nesse sentido.

“A criação de linhas de

financiamento específicas

seria uma forma de

diminuir riscos, afinal

trariam condições mais

seguras e favoráveis aos

investimentos”

result of planning,

but rather because

we had abundant

natural resources,

favorable

situations, so

it ended up

happening. In the

overall setting, as

we have several

factors inherent in

sustainability, a rich

biodiversity and an absurd

solar incidence, we

have ended up building a

favorable scenario. Anyway,

everything happened due to

a combination of facts, not due to

planning. That's why we want everything

to be planned from the beginning. The gains are

much larger when planned than when simply let

to happen.

What is the potential for electric energy

conservation in Brazil and what are the necessary

measures to overcome the barriers that

exist today and achieve satisfactory conservation

levels in Brazil?

There is a difficulty in calculating the total

potential, not least of all because there

is a need to update the data. We believe

in a 20% potential. But, there are other

researchers, who say that this potential

could be up to 40%. There are many

energy measures that are simple to take. For example, a

change of habit at home: removing the plug from the socket

for equipment that is on stand-by. There are very simple

low cost actions with a good return on investment. Some

of the barriers identified are simply behavioral. For other

more complex measures, as for example, the exchanging of

electric motors in an industrial operation for more efficient

versions is caught up in budget issues or other structural

impediments, and to overcome some of these barriers, we

propose several measures that the Government could take,

such as the establishment of compulsory minimum energy

efficiency levels for equipment; today minimum energy

efficiency levels are required for very few machines. So, we

should act accordingly.

16

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Quais os fatores que inibem o investimento na geração

de fontes renováveis de energia, como pequenas

centrais hidrelétricas, energia eólica e fotovoltaica?

Hoje em dia o financiamento está muito focado no financiamento

público. No caso de equipamentos fotovoltaicos,

a indústria brasileira não conseguiu pegar o timing

para produzir esses painéis. Para a eólica, isso não é um problema,

mas para a fotovoltaica é. Existe a tecnologia solar

térmica, que o Brasil tem grande potencial de exploração,

mas ainda não possui nenhuma usina. Já para a geração

distribuída existe uma barreira importante de financiamento,

porque não há linhas específicas para um consumidor

que quer, por exemplo, colocar painéis fotovoltaicos em sua

casa.

What factors inhibit investments in energy generation

from renewable sources, such as from small hydropower

plants, wind farms and photovoltaic power

stations?

Today, financing is very much focused on public financing.

In the case of photovoltaic power stations, Brazilian

industry didn’t succeed in getting the timing right as to producing

these panels. As to wind, that was not a problem,

but for photovoltaic it was. Solar thermal technology exists,

and Brazil has a large potential for its exploitation, but there

still no photovoltaic power stations. As to distributed generation,

there is an important financing barrier, because

there are no specific lines available to a consumer who wants,

for example, put solar panels on his home.

Quais as soluções para a diminuição dos riscos de

investimentos na geração de energia alternativa nos

aspectos financeiro, regulatório e de mercado?

Temos algumas propostas nesse sentido. Existe um

nicho de captação externa. Para acessá-los,

há uma necessidade de redução do

risco cambial. É onde entra nossa

proposta de realização de um

hedge cambial público. Na

esfera regulatória, existe

uma necessidade

de inserção dessas

fontes de energia

eólica, uma garantia

para geração

distribuída também

de que a

energia gerada

excedente possa

ser vendida

para a rede, a

qual passa por

uma mudança

regulatória

muito necessária.

A criação de

linhas de financiamento

específicas

seria uma forma de

diminuir riscos, afinal

trariam condições mais

seguras e favoráveis aos

investimentos.

“Como temos diversos

fatores inerentes à

sustentabilidade, uma

biodiversidade riquíssima,

uma incidência solar

absurda, acaba-se

construindo um cenário

favorável”

What are the solutions for reducing the risks of

investment in alternative energy generation as to the

financial, regulatory and market aspects?

We have several proposals in this sense. There is a niche

of external funding. To access them, there is a need

to reduce the currency risk. This is where

our proposal for a public currency

hedge comes in to play. In the

regulatory sphere, there is a

need to insert these wind

power sources into

the power matrix

with a guarantee

for distributed

generation so

that the surplus

energy generated

can be

sold to the net,

and this must

go through a

much-needed

regulatory change.

The creation

of specific funding

lines would be one

way to decrease risks,

after all they provide

more secure and favorable

conditions for investment.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 17


PRINCIPAL

OLHANDO

PARA O

FUTURO

ELEIÇÃO DE TRUMP PODE

REPRESENTAR UM RETROCESSO

DE ANOS DE POLÍTICAS

DE APOIO A ENERGIAS

ALTERNATIVAS

FOTOS DIVULGAÇÃO

18

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LOOKING TO THE

FUTURE

THE TRUMP ELECTION COULD

REPRESENT A REVERSAL IN YEARS

OF POLICIES IN SUPPORT OF

ALTERNATIVE ENERGIES

N

o cenário norte-americano, o setor de energia

limpa encontrou apoio na administração

de Barack Obama, que teve como um de suas

políticas a luta contra o aquecimento global

e mudança climática por meio de diversos subsídios

para tecnologias sustentáveis. Agora, a eleição de Donald

Trump, que afirmou que o aquecimento global é uma

fraude inventada pela China, pode representar um retrocesso

de anos de políticas de apoio a energias alternativas.

A posição do presidente eleito em relação a políticas

de sustentabilidade foi além da afirmação de não existência

do fenômeno de aquecimento global. Em sua campanha,

Trump prometeu cancelar o acordo pela mudança

climática assinado em Paris no ano passado e revogar o

Plano de Energia Limpa iniciado por Obama, medida já

apoiada pelos republicanos membros do Congresso. Com

o poder de estabelecer ou rescindir ordens executivas voltadas

para o setor de energias renováveis, o presidente

eleito afirmou ter intenções de diminuir ou até mesmo eliminar

a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (Estados

Unidos da América).

Com a possibilidade de mudanças nas políticas de

apoio a energias limpas, o clima é de incerteza nos setores

de energia solar, eólica e outras fontes renováveis.

Esse cenário já afeta as ações de algumas das principais

empresas do setor. Na primeira semana após o resultado

das eleições, a Guggenheim Solar ETF e a Markter Vectors

Solar Energy ETF, dois dos maiores produtores de painéis

solares, tiveram uma queda de 4,1% e 6,4%, respectivamente,

no preço de suas ações. A depreciação é um reflexo

da incerteza para o futuro das energias renováveis no

cenário mundial.

O

n the American scenario, the Clean Energy

Sector found support in the Barack Obama

administration, which had as one of its

principal policies the fight against global

warming and climate change through various subsidies

for sustainable technologies. Now, the election of

Donald Trump, who has stated that global warming is

a fraud concocted by China, can represent a reversal

in years of policies in support of alternative energies.

The position of the President-elect in relation to

sustainability policies has gone beyond the assertion

of the non-existence of the global warming phenomenon.

In his campaign, Trump promised to cancel

the climate change agreement signed in Paris last year

and repeal the clean energy plan started by Obama,

as already endorsed by the Republican members of

Congress. With the power to establish or rescind executive

orders aimed at the Renewable Energy Sector,

the President-elect has claimed he has the intention

to diminish or even eliminate the USA Environmental

Protection Agency.

With the possibility of changes in the policies that

support clean energy, the climate is one of uncertainty

in the Solar, Wind and other Renewable Sources Sectors.

This scenario is already affecting the decisions of

several of the main companies in the Sector. In the first

week after the election results, the price for the shares

of two of the largest producers of solar panels, Guggenheim

Solar ETF and Market Vectors Solar Energy ETF,

fell 4.1% and 6.4%, respectively. The depreciation is a

reflex to the uncertainty as to the future of renewable

energy on the world stage.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 19


PRINCIPAL

A posição do presidente eleito em relação a políticas de sustentabilidade foi

além da afirmação de não existência do fenômeno de aquecimento global

Entretanto, as expectativas para o setor ainda são favoráveis

ao levar em conta os processos políticos e administrativos

que separam as promessas de campanha e a

implementação efetiva de políticas. “No final, o que Trump

fala e o que é realmente implementado são duas coisas

completamente diferentes”, afirmou Yuan-Sheng Yu, analista

de energia da Lux Research.

Mesmo que nem todas as medidas propostas por

Trump saiam do papel, as previsões para o setor ainda são

negativas. Em um relatório publicado poucos dias depois

das eleições presidenciais, Yu afirma que a geração de

energia por fontes renováveis ao longo de dois mandatos

de Trump cresceria apenas 2,4% até 2024.

O número representa uma queda drástica em relação

aos últimos anos. Somente no ano passado, a geração de

energia eólica cresceu 4% e a solar, 28%. A queda fica mais

evidente em comparação com os números projetados em

um cenário de vitória de Hillary Clinton. De acordo com o

relatório de Yu, o aumento previsto na geração de energia

renovável seria de 56,9% ao longo de dos mandatos,

graças a sua plataforma política centrada em energias

renováveis. Essa diferença coloca a administração Trump

como responsável por um aumento em 3,4 bilhões de t

(toneladas) de gases do efeito estufa.

Apesar das projeções, as políticas do presidente eleito

podem mudar significativamente ao longo de sua administração.

“Trump muitas vezes afirma alguma coisa,

mas quando ele faz pesquisas ele meio que volta atrás,

e acredito totalmente que isso acontecerá com questões

referentes a energia”, afirmou a apoiadora de Trump e pre-

However, expectations by the Sector still are favorable

taking into account the political and administrative

processes that separate campaign promises and effective

policy implementation. “In the end, what Trump says

and what is actually implemented are two completely

different things,” says Yuan-Sheng Yu, Energy Analyst

for Lux Research.

Even if not all of the measures proposed by Trump

are set in motion, predictions for the Sector are still

negative. In a report published a few days after the

presidential election, Lux Energy Analyst Yu stated that

energy generation from renewable sources over two

terms of a Trump administration would grow only 2.4

percent by 2024.

The number represents a drastic fall when compared

to recent years. Last year alone, wind power generation

grew 4% and solar, 28%. The decline is more

evident in comparison with the numbers projected in

the scenario of a Hillary Clinton victory. According to

the Lux Energy Analyst Yu report, the projected increase

in the generation of renewable energy would be 56.9%

over the Clinton mandates, thanks to her political platform

centered on renewable energies. That difference

puts a Trump administration being responsible for an

increase in 3.4 billion tons of greenhouse gases.

Despite the projections, the policies of the elected

President can change significantly throughout his administration.

“Trump has often said something, but

when he does his research, he reverses his position as

to what he said, and I totally believe that this will ha-

20

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EM SUA CAMPANHA,

TRUMP PROMETEU

CANCELAR O

ACORDO PELA

MUDANÇA

CLIMÁTICA

ASSINADO EM PARIS

NO ANO PASSADO E

REVOGAR O PLANO

DE ENERGIA LIMPA

INICIADO POR

OBAMA

sidente da Green Tea Coalition and Conservatives for Energy

Freedom, organização do setor conservador voltada

para políticas do setor de energia.

Essa posição é reforçada por Jigar Shah, investidor do

mercado de energia solar e cofundador da empresa do

setor financeiro Generate Capital. “Durante a campanha,

Trump disse todo tipo de coisa que ele acreditava que as

pessoas queriam ouvir. Mas quando você olha para os documentos

oficiais sendo publicados recentemente, dissecar

o setor de energia solar e eólica não está em nenhum

desses documentos”, ressaltou.

Outro ponto a favor dessa expectativa é o destaque

dado por Trump durante a campanha para a geração de

empregos e o aquecimento da economia. Com base nisso,

algumas parcelas do mercado de energias renováveis

defendem que as oportunidades econômicas trazidas

pelo setor serão priorizadas nas políticas de Trump. “O

presidente eleito Trump está em busca de resultados e

empregos. Ele quer ser visto como o piloto dos carros vencedores

e construtor de uma economia vencedora”, disse

Mindy Lubber, presidente da ONG de incentivo ao desenvolvimento

sustentável Ceres. “E não tem como negar que

a energia sustentável vai ser parte disso”, completou.

Essa é a expectativa partilhada pela Associação de Indústrias

de Energia Solar dos EUA, de acordo com o porta-voz

da organização Dan Whitten. “Está claro para mim

que, pelo menos entre as pessoas com as quais conversamos,

eles entendem o papel importante da energia solar,

o crescimento dessa indústria, a criação de empregos e

ppen with matters relating to energy,” stated a Trump

supporter and President of the Green Tea Coalition and

Conservatives for Energy Freedom, a Conservative Sector

organization focused on Energy Sector policy.

This position is reinforced by Jigar Shah, an investor

in the solar energy market and co-founder of Generate

Capital, a company in the Financial Sector. ”During

the campaign, Trump said all kinds of things that he

believed people wanted to hear. But when you look at

the official documents recently being published, dismembering

the Solar and Wind Energy Sectors is not

amongst any of these documents,” he noted.

Another point in favor of this expectation is the

emphasis given by Trump during the campaign for the

generation of jobs and economic stimulation. On this

basis, some portions of the renewable energy market

argue that economic opportunities brought about by

the Sector will be prioritized in Trump policies. “President-elect

Trump is looking for results and jobs. He

wants to be seen as the driver of the winning car and

builder of a winning economy,” says Mindy Lubber, President

of Ceres, a non-profit organization advocating

sustainability leadership. “And there's no denying that

sustainable energy will be part of it,” she adds.

This expectation is shared by the US Solar Energy Industries

Association, according to Dan Whitten, organization

spokesperson. “It's clear to me that, at least

amongst the people with whom we spoke, they understand

the important role of solar energy, growth of this

industry, job creation and its role in economic growth.”

Likewise, the global competition in the growing renewable

energy market can represent a driving force

for the President-elect's policies. “There already is voracious

global competition to determine which country

will be the largest producer of technologies and services

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 21


PRINCIPAL

Com o poder de estabelecer ou rescindir ordens executivas voltadas para o setor de

energias renováveis, o presidente eleito afirmou ter intenções de até mesmo eliminar a

Agência de Proteção Ambiental dos EUA

seu suporte no crescimento da economia.”

Do mesmo modo, a competição global pelo mercado

crescente de energias renováveis pode representar uma

força propulsora para políticas do presidente eleito. “Já

existe uma competição global voraz para determinar qual

país será o maior produtor de tecnologias e serviços no setor

de energias renováveis”, ressaltou Sam Adams, diretor

do escritório norte-americano do World Resources Institute,

organização de pesquisa ambiental com sede nos EUA.

Nesse cenário, a expectativa é que uma retração dos

EUA na produção de energias renováveis custe uma posição

de liderança no mercado mundial, perdendo sua posição

de destaque possivelmente para a China.

Em 2015, os investimentos mundiais em energias renováveis

foram duas vezes maiores do que os novos investimentos

em carvão e gás. Pela primeira vez na história,

países em desenvolvimento investiram mais do que

os países desenvolvidos, segundo dados do relatório de

investimentos em energias renováveis da ONU.

“Até 2020, energia eólica e energia solar devem ultrapassar

a geração de energia por combustíveis fósseis em

praticamente todos os lugares”, defende Sue Reid, vice-

-presidente dos programas de energia e clima da Ceres.

“O que realmente está em jogo agora é o potencial dos Estados

Unidos de buscar e manter uma grande parcela do

mercado global de energias limpas. A China foi um ponto

muito comentado na COP22 pela sua promessa de expanin

the Renewable Energy Sector,” notes Sam Adams,

Director of the U.S. Office of the World Resources Institute,

an environmental research organization based

in the United States.

In this scenario, the expectation is that a US downturn

in renewable energy production could cost the US to

lose its leading position in the world market, possibly

to China.

In 2015, global investments in renewable energy

were two times larger than new investments in coal

and gas. For the first time in history, according to the

renewable energy investment report by the UN, developing

countries invested more than developed countries.

“By 2020, wind and solar energy should exceed

energy generation by fossil fuels in virtually all places,”

argues Sue Reid, Vice President of Energy and Climate

Programs for Ceres. “What's really at stake now is the

potential of the United States to seek and maintain a

large portion of the global market for clean energy.

China was a very much commented point at COP 21

by its promise to expand its leadership in clean energy.

“Under this scenario, the renewable energies market

could represent a relief valve for the economic anxiety

that had boosted the Trump candidacy and his promise

to return jobs to rural America.

In 2015, the solar energy industry generated 209

thousand jobs in the Country, according to data from

22

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dir sua liderança nas energias limpas.”

Nesse cenário, o mercado de energias renováveis

pode representar um alívio para a ansiedade econômica

que impulsionou a candidatura de Trump e sua promessa

de retornar empregos para a zona rural dos EUA.

Em 2015, a indústria de energia solar gerou 209 mil

empregos no país, segundo dados do Departamento de

Energia dos EUA. Esse número representa um crescimento

de 20% em relação ao ano anterior. “Isso é mais do que

a indústria de combustíveis, mais do que a indústria de

cimento, mais do que óleo e gás, mais do que carvão”,

afirma Shah. “Se Trump realmente quer trazer empregos

de volta, o jeito mais confiável de trazer empregos para a

zona rural é com energia limpa.”

Já a indústria eólica emprega cerca de 88 mil pessoas,

de acordo com a Associação Americana de Energia Eólica.

“Nós estamos colocando dinheiro nos bolsos de produtores

rurais que hospedam as turbinas, o que mantém

as fazendas na família e as famílias na fazenda”, disse Tom

Kiernan, executivo-chefe da associação, em uma declaração

a respeito do resultado das eleições. A expectativa

é complementada por Whitten, que reforça a crença das

intenções do presidente eleito. “Esse é o tipo de coisa que

nenhum presidente gostaria de atrapalhar”.

EM UM RELATÓRIO

PUBLICADO POUCOS

DIAS DEPOIS

DAS ELEIÇÕES

PRESIDENCIAIS,

ESTIMA-SE QUE

A GERAÇÃO DE

ENERGIA POR FONTES

RENOVÁVEIS AO

LONGO DE DOIS

MANDATOS DE TRUMP

CRESCERIA APENAS

2,4% ATÉ 2024

Mesmo que nem todas as medidas propostas por

Trump saiam do papel, as previsões para o setor

ainda são negativas

the U.S. Department of Energy. This number represents

an increase of 20% over the previous year. “That's more

than the fossil fuel industry, more than the cement industry,

more than oil and gas, more than coal," says

Shah. “If Trump really wants to bring jobs back, the

most reliable way to bring jobs to the rural area is with

clean energy.”

The wind industry already employs about 88 thousand

people, according to the American Wind Energy

Association. “We're putting money in the pockets of

farmers that host the turbines, which keeps the farms

in the family and the families on the farm,” says Tom

Kiernan, Chief Executive of the Association, in a statement

about the election results. The expectation is

complemented by US Solar Energy Industries Association’s

Whitten, who reinforces his belief in the intentions

of the President-elect. “This is the sort of thing

that no President wants to get in the way of.”

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 23


PELO MUNDO

24

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PORTUGAL

RENOVÁVEL

LUSOS ATENDERAM TODA DEMANDA

ENERGÉTICA DO PAÍS DURANTE MAIS DE

QUATRO DIAS SOMENTE COM FONTES LIMPAS

FOTOS DIVULGAÇÃO

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 25


PELO MUNDO

N

o início de maio, Portugal atendeu sua demanda

energética com energia renovável

durante pouco mais de quatro dias. Por

exatamente 107 horas seguidas, os 10,4

milhões de habitantes portugueses receberam energia

elétrica, exclusivamente, de fontes eólica, solar e hídrica.

Paradoxalmente, o país já foi considerado o 27º mais

poluente da Europa e há três anos tinha o carvão como

líder de sua matriz energética. Agora, porém, pode comemorar

o fato de nenhuma emissão de combustível

fóssil ter sido registrada no período compreendido entre

às 6h45 do dia 7 de maio até às 17h45 do dia 11.

26

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O resultado foi confirmado pela Zero (Associação

Sistema Terrestre Sustentável), com colaboração da

Apren (Associação Portuguesa de Energias Renováveis).

Para chegar à conclusão, as entidades avaliaram

dados das REN (Redes Energéticas Nacionais).

“Não foi preciso recorrer a nenhuma fonte de produção

de eletricidade não renovável, em particular à

produção em centrais térmicas a carvão ou a gás natural”,

informou um comunicado emitido pela Zero durante

o período.

A associação espera ir ainda mais longe, já que estes

dados apontam que o país pode ser mais ambicioso

em uma transição para um consumo líquido de energia

elétrica 100% renovável. Isso traria grandes reduções

das emissões de gases com efeito de estufa, causadoras

do aquecimento global e das consequentes alterações

climáticas.

“Se chuva e vento permitem estes recordes na primavera,

torna-se imperioso fomentar e avaliar as mais-

-valias do aproveitamento da energia do sol e, assim,

assegurar que no verão também venhamos a ter contribuições

significativas de fontes de energia não emissoras

de gases poluentes”, defendem ambientalistas.

TENDÊNCIA EUROPEIA

O anúncio veio depois que a Alemanha atendeu

praticamente toda sua necessidade energética por

fontes limpas. A Dinamarca também faz isso e ainda

exporta as sobras da produção eólica. No Reino Unido,

nos últimos meses, a geração de energia também foi

completamente isenta do carvão.

De acordo com o Eurostat (Gabinete de Estatísticas

da União Europeia), o progresso português foi expressivo.

Em 2013, por exemplo, o vento era responsável por

7,5% da matriz energética do país. Ano passado, esse

índice aumentou para 22%.


PELO MUNDO

NÃO FOI PRECISO

RECORRER A

NENHUMA FONTE

DE PRODUÇÃO

DE ELETRICIDADE

NÃO RENOVÁVEL,

EM PARTICULAR

À PRODUÇÃO

EM CENTRAIS

TÉRMICAS A

CARVÃO OU A

GÁS NATURAL

28

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Atualmente, Portugal possui cerca de 5 GW (gigawatts)

de potência eólica instalada. A capacidade

de geração a partir do vento aumentou 500 MW (megawatts)

em três anos. A porção é suficiente para atender

o consumo energético de 3,4 milhões de habitantes.

O resultado só foi possível devido aos esforços para

melhorar a capacidade de armazenamento de energia

e a gestão dos excedentes, além de compensar as variações

meteorológicas. O plano é passar a vender o

excedente produzido em breve.

NOVOS DESAFIOS

A alteração de cenário português reduz expressivamente

a emissão de poluentes nocivos à atmosfera

e contribui com a mitigação das mudanças climáticas.

Além disso, favorece um impacto significativo na economia

local, motivado pela queda das importações de

combustíveis fósseis. Contudo ainda há desafios que

precisam ser vencidos: mesmo sendo a região com

maior exposição solar da Europa, o setor fotovoltaico

ainda engatinha em Portugal, atendendo somente cerca

de 1% da demanda energética. Além disso, apenas

5% dos veículos do país são hoje movidos a biocombustíveis.

PARADOXALMENTE,

O PAÍS JÁ FOI

CONSIDERADO O 27º

MAIS POLUENTE DA

EUROPA E HÁ TRÊS ANOS

TINHA O CARVÃO COMO

LÍDER DE SUA MATRIZ

ENERGÉTICA


EVENTO

SENDI RECEBE

PÚBLICO RECORDE

FOTOS DIVULGAÇÃO

30

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EXPOSITORES SATISFEITOS MARCAM A XXII

EDIÇÃO DO MAIOR EVENTO DE DISTRIBUIÇÃO

DE ENERGIA ELÉTRICA DA AMÉRICA LATINA

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 31


EVENTO

C

oncessionárias de energia públicas e privadas

de todo o Brasil participaram do Sendi

2016 (XXII Seminário Nacional de Distribuição

de Energia Elétrica), que aconteceu de 7

a 10 de novembro, no Curitiba ExpoTrade, na capital paranaense.

Considerado o maior evento do segmento na

América Latina, o Sendi reuniu cerca de três mil pessoas

nos quatro dias de realização.

Promovido pela Abradee (Associação Brasileira de

Distribuidores de Energia Elétrica) e coordenado pela

Copel, o Seminário foi palco da apresentação de novas

tecnologias, relacionamento de negócios, debateu sobre

novas tendências e integração de profissionais das

principais concessionárias brasileiras. Composto por

painéis com mostra e debates de trabalhos técnicos, o

encontro centralizou a programação em quatro eixos:

inovação, ética, gestão regulatória e clientes.

De acordo com Nelson Fonseca Leite, que há seis

anos preside a Abradee e já participou de sete edições

do evento, o Sendi nunca recebeu tantas pessoas desde

a primeira edição, há 54 anos. “Além da quantidade,

é importante destacar o interesse do público presente,

que lotou os auditórios e marcou presença nas apresentações

dos trabalhos técnicos”, afirmou. O público

também agradou aos 80 expositores presentes, que demonstraram

otimismo em relação à recuperação do país.

“As empresas perceberam, durante a feira, a retomada da

confiança dos investidores no país, projetando um novo

momento da economia”, ressaltou Leite.

É o caso da multinacional Siemens que, apesar de

não ter sofrido tanto os efeitos da retração, acredita que

2017 será de retomada do crescimento do setor elétrico.

“Percebemos um aquecimento dos negócios durante o

Sendi, que nos proporciona uma aproximação com os

clientes, gerando futuros negócios”, ressaltou o engenheiro

de vendas da empresa, Luiz Braga Júnior.

A WEG, que fornece soluções para geração, transmissão

e distribuição de energia, também comemorou

os resultados da XXII edição do evento. “É sempre muito

bom participar, pois nossos principais clientes estão na

feira. E o evento é ideal para a prospecção de novos negócios.

Aqui plantamos a semente para depois efetivarmos

os projetos”, argumentou o gerente de vendas da

empresa catarinense, Marco Antônio de Azambuja.

O evento contou com a presença de duas missões

internacionais – uma do Reino Unido e outra do Canadá,

que promoveu uma roda de negócios com empresários

canadenses e brasileiros no setor de distribuição

de energia e saiu do SENDI muito satisfeita com a forma

com que o assunto foi tratado no evento. Nesta edição,

776 trabalhos técnicos foram inscritos, dos quais 200

foram selecionados para apresentação em sessões técnicas

e 80 em formato de pôster. As mostras englobaram

23 temas do mercado de distribuição de energia e

aconteceram simultaneamente em 12 salas do evento.

“Representantes de concessionárias de todo o Brasil

trouxeram as melhores práticas e possibilitaram essa

troca de conhecimentos e experiências entre os diversos

ABRADEE DESTACOU TAMBÉM A

RELEVÂNCIA DOS TEMAS DEBATIDOS E O

GABARITO DOS PALESTRANTES PRESENTES

32

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players do mercado”, afirmou o presidente da Copel Distribuição,

Antônio Guetter.

O presidente da Abradee destacou também a relevância

dos temas debatidos e o gabarito dos palestrantes

presentes. “Tivemos, nesta edição, o primeiro ministro

a participar do Sendi na era democrática. O último

foi em 1980, no governo Figueiredo: César Cals”, lembrou

Nelson, referindo-se à participação do ministro de Minas

e Energia, Fernando Coelho Filho. O ministro, por sua vez,

ressaltou uma série de ações adotadas em quase seis meses

de gestão - como, por exemplo, o resgate do papel

que cada órgão governamental desempenha na adoção

das políticas públicas para o setor. “Havia uma disputa de

espaço onde se confundia o que era papel do governo,

da agência reguladora e de outros setores envolvidos da

área de geração, transmissão e distribuição. Procuramos

estabelecer uma nova dinâmica de relacionamento. Parece

apenas palavrório, mas para quem investe no setor

elétrico, este ambiente de harmonia gera tranquilidade

na tomada de decisões”, concluiu o ministro.

O EVENTO CONTOU AINDA COM

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PROCESSO

NANO

ENERGIA

FOTOS DIVULGAÇÃO

34

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MÉTODO DÁ USO PARA MATERIAL DE

DESCARTE COMUM: A POLPA DE MADEIRA

A

ssoalhos podem ser feitos de um grande

número de materiais sustentáveis, fazendo

deles uma opção ecológica para residências

e estabelecimentos comerciais. Agora, no

entanto, os assoalhos podem ser ainda mais sustentáveis,

graças a um método simples e barato desenvolvido

por engenheiros de materiais da Universidade de

Winsconsin-Madison, que permite converter os passos

dados nos assoalhos em energia elétrica.

Xudong Wang, professor associado de engenharia

e ciência de materiais na UW-Madison, seu aluno de

pós-graduação Chunhua Yao e seus colaboradores publicaram

os detalhes da inovação na edição de 24 de

setembro do jornal Nano Energia.

O método dá uso para material de descarte comum:

a polpa de madeira. A polpa, que já é um componente

comum de assoalhos, é feita parcialmente de nanofibras

de celulose. Esse componente é feito de minúsculas

fibras que, quando quimicamente tratadas, produzem

uma carga elétrica ao entrar em contato com nanofibras

não tratadas. Quando as nanofibras são incorporadas ao

assoalho, elas são capazes de produzir eletricidade que

pode ser captada para alimentar lâmpadas ou carregas

baterias.

Graças ao baixo custo da polpa de madeira, que

pode ser encontrada em grande volume nos descartes

de diversas indústrias, os assoalhos que contam com

essa nova tecnologia podem ser tão baratos e acessíveis

quantos aqueles produzidos com materiais convencionais.

Apesar de existirem materiais similares capazes de

gerar energia por passos, eles costumam ser caros, não-

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 35


PROCESSO

QUANDO AS NANOFIBRAS

SÃO INCORPORADAS AO

ASSOALHO, ELAS SÃO

CAPAZES DE PRODUZIR

ELETRICIDADE QUE PODE SER

CAPTADA PARA ALIMENTAR

LÂMPADAS OU CARREGAS

BATERIAS

-recicláveis e não práticos para reprodução em larga

escala.

A pesquisa de Wang foca no uso da vibração para

gerar energia elétrica. Durante anos, o pesquisador tem

usado diferentes materiais com a intenção de maximizar

os méritos de uma tecnologia chamada nanogerador

triboelétrico (TENG). A triboeletricidade é o mesmo fenômeno

que produz eletricidade estática nas roupas.

De acordo com Wang, as nanofibras de celulose quimicamente

tratadas são uma alternativa simples, efetiva

e de baixo custo para exploração dessa fonte mecânica

de energia tão abundante.

A inovação da equipe da UW-Madison é o mais novo

avanço em um campo de pesquisa em energia renovável

chamado “roadside energy harvesting” (colheita

de energia de rua, em tradução livre), que pode, em

determinadas situações, competir com a energia solar.

Pesquisadores como Wang que estudam os métodos

desse tipo de captação de energia enxergam o chão

como uma fonte de energia renovável com potencial

muito maior do que as reservas limitadas de combustíveis

fósseis.

“Esse método de captação de energia exige uma

reflexão acerca dos locais com energia abundante

que pode ser coletada”, explica Wang. “Nós estamos

trabalhando muito em coletar energia de atividades

humanas. Um meio é construir alguma coisa e colocar

humanos nisso, outro meio é construir algo que já tem

o acesso constante de pessoas. Nesse sentido, o chão é

o local mais usado.”

Assoalhos de alto tráfego em corredores e locais

como estádios e shoppings que incorporem essa

tecnologia podem produzir um volume significativo

36

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de energia, de acordo com Wang. Com as nanofibras

apresentando apenas um milímetro de espessura, os

assoalhos podem incluir diversas camadas de unidade

funcional para uma maior produção de energia.

Wang defende que a tecnologia Teng pode ser facilmente

incorporada em todos os tipos de assoalhos,

uma vez que esteja pronta para comercialização. Agora,

o pesquisador está otimizando a tecnologia e espera

construir um protótipo educacional em uma área de

grande circulação no campus da UW-Madison para demonstrar

o conceito.

“O teste inicial no nosso laboratório mostrou que

funciona para milhões de ciclos sem nenhum problema”,

afirma Wang. “Nós ainda não convertemos esses

números para um ano de vida útil ou para um assoalho,

mas eu acredito que com um design adequado

a unidade pode ter uma sobrevida maior do que a do

próprio assoalho”.

ASSOALHOS DE

ALTO TRÁFEGO EM

CORREDORES E LOCAIS

COMO ESTÁDIOS

E SHOPPINGS QUE

INCORPOREM ESSA

TECNOLOGIA PODEM

PRODUZIR UM VOLUME

SIGNIFICATIVO DE

ENERGIA


CASE

GIGANTE

CONSCIENTE

Foto: divulgação

38

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GOOGLE SE TORNA

REFERÊNCIA DE

DESENVOLVIMENTO

SUSTENTÁVEL

FOTOS DIVULGAÇÃO

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 39


CASE

C

om sua posição de liderança em tecnologia,

a Google pretende conquistar também o

mercado de energia renovável. A empresa

vem se tornando referência de desenvolvimento

sustentável ao reunir iniciativas globais de sustentabilidade

com o objetivo de tornar suas atividades

100% abastecidas por energia limpa.

“Quando a Google fala sobre sustentabilidade, uma

das grandes áreas que pensamos é a energia porque

essa é uma peça central no funcionamento da nossa organização”,

afirmou o diretor de energia e sustentabilidade

Rick Needham.

A preocupação da empresa com o desenvolvimento

sustentável está ligada a inovação. “Nós pensamos a

respeito do que podemos fazer para garantir que estamos

operando de modo sustentável e os meios que podemos

oferecer para um mundo mais sustentável. Nós

questionamos o que podemos fazer para chegar a um

ponto em que energia sustentável é uma opção para todos”,

explica Needham. “O Google é uma empresa que

pode mudar o mundo.”

O discurso da companhia se reflete nas suas iniciativas

pelo desenvolvimento sustentável. Em três anos, o

Google somou mais de US$ 1 bilhão em investimentos

em energia renovável. Desde 2010, a empresa investiu

US$ 38,8 milhões em duas usinas eólicas na Dakota do

Norte, nos EUA (Estados Unidos da América), seguido

da firmação de um contrato, poucos meses depois, para

comprar energia de uma usina eólica no estado de Iowa.

Atualmente, a companhia tem acordos firmados para

gerar mais de 260 MW (Megawatts) de energia eólica

para abastecer seus data centers.

A intenção da empresa é que outras companhias

sigam seu exemplo. “Nós ficamos sabendo que outras

empresas estão observando essas mudanças e achamos

que isso é ótimo”, afirma Needham.

Enquanto isso, em uma localização secreta próxima

ao seu campus de Mountain View, na região do Vale do

Silício, funciona o Google[x], subdivisão composta por

engenheiros dedicados a desenvolver projetos de inovação

em energia renovável que visam multiplicar o potencial

sustentável da organização.

Entre os esforços de vanguarda da empresa está a

expansão global dos seus investimentos em energia renovável.

Em 2013, o Google anunciou US$ 260 milhões

em investimentos no projeto Jasper de energia solar, na

África do Sul. O projeto, que marcou a primeira iniciativa

da empresa em outro continente, é uma das maiores

usinas fotovoltaicas do continente africano.

“Nós olhamos para os mercados emergentes como

EM TRÊS ANOS, O

GOOGLE SOMOU MAIS

DE US$ 1 BILHÃO DE

INVESTIMENTOS EM

ENERGIA RENOVÁVEL

40

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espaços em que os nossos investimentos podem ter um

grande poder transformativo”, diz Needham. “Se fizermos

esses investimentos em lugares onde a geração de

energia é mais baseada em carvão e combustíveis fósseis,

é um jeito de termos mais impacto, principalmente

em regiões com grandes intenções de colocar seu país

em um caminho mais sustentável.”

Nesse caminho, a empresa anunciou em abril uma

busca por investimentos para a criação do Centro de Soluções

de Recursos, uma organização sem fins lucrativos

dedicada a criar e estabelecer certificações de energia

renovável na Ásia. A organização seria a primeira do tipo

no continente e simplificaria o processo de compra de

energia limpa nos países asiáticos.

Com o fim das dificuldades para compra de energia

renovável no continente asiático, o Google pretende

aumentar sua participação tanto no mercado asiático

quando no mercado de energia renovável.

De acordo com a empresa, esse tipo de iniciativa

ajuda a garantir que a energia adquirida realmente se

origina em fontes limpas. Essa garantia tem importância

especial para o Google, que pretende abastecer seu

data center em Taiwan com energia renovável.

O projeto, que seria o primeiro da empresa na Ásia,

vem acompanhar outras iniciativas em demais partes do

globo. Além da usina na África do Sul, a Google está envolvida

com projetos no Quênia, na Suécia e em diversas

regiões dos Estados Unidos.

Essas inovações podem colocar a Google na vanguarda

do setor, de acordo com Gary Cook, analista de

TI do Greenpeace. “O Google certamente pode ganhar

liderança nesse espaço”, afirmou. “O Google tem sido

uma força revolucionária em outros setores, e nós precisamos

de um pouco de revolução no setor de energia

para quebrar o status quo das empresas de energia suja.

O setor de tecnologia pode desempenhar um papel

muito importante e pode até mesmo transformar o setor

de energia.”

DESDE 2010, A

EMPRESA INVESTIU

US$ 38,8 MILHÕES

EM DUAS USINAS

EÓLICAS NA DAKOTA

DO NORTE

COM O FIM DAS

DIFICULDADES PARA

COMPRA DE ENERGIA

RENOVÁVEL NO

CONTINENTE ASIÁTICO O

GOOGLE IRÁ AMPLIAR SEU

ALCANCE

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 41


ESPECIAL

42

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MAIS

MADEIRA

DEMANDA POR RECURSO PARA

GERAÇÃO DE ENERGIA CRESCERÁ NOS

PRÓXIMOS ANOS

FOTOS BIOMAIS

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 43


ESPECIAL

C

om o crescimento da demanda no mercado

de energias renováveis, o aumento

da participação de países emergentes no

mercado mundial de o alto potencial de

produção de madeira no país, o Brasil apresenta um

potencial de liderança no mercado global de energia.

Nesse cenário, o mercado de biomassa de madeira

para geração de energia vive um momento de expectativas

otimistas para os próximos anos.

Na Europa, a madeira representa quase metade

de toda matéria-prima usada na geração de energia

renovável. Em países como Polônia e Finlândia, a madeira

chega 80% da demanda de energia renovável.

A meta na União Europeia é chegar a 20% de toda

sua energia sendo gerada por fontes renováveis até

2020. A expectativa de consumo de pellets até esta

data, por exemplo, é de 25 a 30 milhões de t (toneladas).

Para isso, uma grande parcela do volume deverá

vir de importações, principalmente do Canadá e da

América do Sul.

NESSE CENÁRIO, AS

OPORTUNIDADES

PARA O MERCADO

BRASILEIRO SÃO

ALIADAS AO

ALTO POTENCIAL

DE PRODUÇÃO

DE MADEIRA

NO TERRITÓRIO

NACIONAL

Hoje, o Brasil ocupa o terceiro lugar no ranking mundial de

consumidores de biomassa

44

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Nesse sentido, um esforço coletivo acabou sendo

criado para incentivar a produção de biomassa. No

setor ambientalista, a defesa é da geração carbono

neutra por biomassa de madeira; na energia, a cogeração

de energia por biomassa é uma alternativa para

diminuir a queima de carvão; no setor governamental,

a biomassa de madeira passou a ser vista como a única

alternativa capaz de cumprir as metas estabelecidas.

Essa tendência é esperada em todo o mercado

global. Segundo dados da Agência Internacional de

Energia, as energias renováveis representarão o maior

crescimento do setor de energia nos próximos cinco

anos, impulsionado por uma queda nos preços e

aumento da participação de economias emergentes.

Nesse cenário, as oportunidades para o mercado

brasileiro são aliadas ao alto potencial de produção

de madeira no território nacional. “Não há ninguém

no mundo que plante árvores como nós. Na Finlândia,

cujo PIB (Produto Interno Bruto) é fortemente dependente

da indústria florestal, o ciclo de rotação do é de

70 anos. Aqui temos ciclos de sete, oito anos”, afirma

Washington Luiz Esteves Magalhães, pesquisador da

Embrapa Florestas.

A combinação do clima e solos favoráveis e o forte

desenvolvimento de pesquisas e inovações em manejo

florestal posicionam o Brasil como um possível

participante de peso no mercado mundial. Hoje, o país

ocupa o terceiro lugar no ranking mundial de consumidores

de biomassa para a produção de energia, atrás

somente da China e da Índia.

Atualmente a maior parte desse volume é produzido

por bagaço de cana-de-açúcar, mas a expectativa

é que a biomassa de resíduos florestais conquiste uma

parcela maior desse mercado. Segundo dados da EPE

(Empresa de Pesquisa Energética), a previsão é que

a produção de energia a partir de biomassa florestal

chegue a 22 TWh (Terrawatts-hora) até 2020.

De acordo com a projeção da EPE, o Brasil tem

potencial para duplicar a área florestal plantada nas

próximas décadas, chegando a 3,8 milhões de ha (hectares)

destinados à produção de energia renovável.

Com esse crescimento, o mercado brasileiro encontra

potencial para se consolidar entre os maiores

produtores de energia renovável no mundo. Atualmente,

o país tem se destacado no setor, juntamente

com outros países emergentes como China, Índia e

África do Sul.

Para consolidar essa posição, são necessárias ino-

MAIOR VOLUME É

PRODUZIDO POR

BAGAÇO DE CANA-

DE-AÇÚCAR, MAS A

EXPECTATIVA É QUE A

BIOMASSA DE RESÍDUOS

FLORESTAIS CONQUISTE

UMA PARCELA MAIOR

DESSE MERCADO

vações técnicas e científicas no setor, de acordo com

o pesquisador da Embrapa Agroenergia José Dilcio

Rocha. “É necessário fazer muitas inovações neste setor”.

Para isso, são necessárias mudanças nas políticas

públicas de investimentos e incentivos à adoção de

fontes de energia alternativas de geração por meio

de biomassa florestal.

Essa necessidade se aplica especialmente ao Brasil,

mas entende-se aos demais países na corrida pelo

mercado de energia renovável. “As configurações das

políticas atuais, mesmo combinadas com as mudanças

de passo sendo feitas pelas energias renováveis, não

serão suficiente”, afirma Seb Henbest, executivo da

Bloomberg New Energy Finance.

Com a implementação de novas tecnologias e o

aumento da oferta de leilões específicos para esse tipo

de energia, o potencial de expansão do mercado brasileiro

pode ser aproveitado a nível nacional e aquecido

para o cenário global.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 45


PRÊMIO REFERÊNCIA

FOTOS MARCOS MANCINNI

PRÊMIO

REFERÊNCIA

2016

A 14ª EDIÇÃO DO EVENTO DESTACOU INICIATIVAS

QUE CONTEMPLARAM INVESTIMENTOS, AÇÕES

SOCIAIS, DEFESA DO SETOR FLORESTAL,

PERENIDADE DE INDÚSTRIAS IMPORTANTES E ÉTICA

O

Prêmio REFERÊNCIA chegou à 14ª edição

mantendo o mesmo propósito pelo qual foi

criado em 2002: reconhecer e divulgar iniciativas

de destaque de importantes setores

produtivos do Brasil que são tema das publicações promovidas

pelo GRUPO JOTA. O evento deste ano aconteceu no

dia 21 de novembro, no Espaço Torres, em Curitiba (PR) e

contou com mais de 100 convidados. “Homenagear estas

pessoas é essencial, pois são responsáveis por iniciativas

que contribuíram para o desenvolvimento social, ambiental

e econômico do Brasil, porém que nem sempre são

valorizadas como deveriam”, disse Fábio Machado, diretor

comercial do GRUPO JOTA. “Ao premiar as 10 práticas

mais inovadoras do setor industrial, florestal, madeireiro,

biomassa e de celulose, esperamos incentivar aqueles que

fazem a diferença e inspiram outros a ir além.”

46

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PREMIADOS

ABPM

A Abpm (Associação de Preservadores de Madeira) foi criada para fortalecer e dar voz ao

setor de tratamento de madeira, em 2016 a Abpm foi incisiva na defesa destas empresas ao

intervir junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) quando a agência propôs submeter

à consulta pública uma proposta de ato normativo que alteraria de forma bastante significativa

os critérios e exigências para avaliação e classificação toxicológica para preservativos de

madeira. Diante disso, a Abpm rapidamente criou uma comissão formada por representantes

das indústrias químicas a ela associadas - Jimo, Lanxess, Lonza, Montana, MSM Química – e IPT

(Instituto de Pesquisas Tecnológicas) para analisar e discutir o texto da Anvisa. Os representantes

demonstraram que manter categorias de produtos de uso e finalidades completamente

diferentes – agrotóxicos e preservativos de madeira – na mesma normativa traria aos órgãos

reguladores uma série de controvérsias e conflitos. Por meio da atuação da Abpm foi excluído

do texto sob consulta pública a relação dos produtos preservativos de madeira, justificando que

eles têm tratamento legal completamente distinto dos agrotóxicos e afins. “Gostaria de parabenizar

a REVISTA REFERÊNCIA INDUSTRIAL por mais este evento”, agradeceu Elcio Lana, vice-presidente

da Abpm, ao receber o troféu. “Agradecemos o reconhecimento, pois foi um trabalho

muito importante para o nosso setor. O sucesso dessas ações junto à Anvisa se deve muito à

diretoria anterior da Abpm, aqui representada pelo Flávio Geraldo, ex-presidente da Abpm.”

Elcio Lana, vice-presidente da Abpm, e Joseane

Knop, diretora de negócios do GRUPO JOTA

Ali Abdul Ayoub, diretor de negócios florestais da

WestRock, Gisela Maria Pedrassini e Pedro Bartoski

Jr, diretor executivo do GRUPO JOTA

WESTROCK

Comemorando 60 anos da sua divisão florestal em 2016, a WestRock iniciou a implantação

do primeiro pomar clonal de sementes de pinus de terceira geração do Brasil, um marco

inédito para a silvicultura brasileira. Tal feito permitirá que as florestas plantadas da empresa

alcancem índices de crescimento acima da média nacional e mundial, rompendo fronteiras

produtivas.

“Quero agradecer especialmente o GRUPO JOTA pelo apoio e reconhecimento que é

dado ao setor”, disse Ali Abdul Ayoub, diretor de negócios florestais e administrativos da WestRock.

“Nós estamos completando, em 2016, 60 anos de Divisão Florestal. Este terceiro pomar

é um marco para nós, não apenas pela capacidade produtiva, que supera qualquer uma no

mundo: demos um passo à frente porque acreditamos na capacidade do Brasil.”

MOLDURARTE

Sinônimo de molduras de madeira de alta qualidade no Brasil, a Moldurarte segue

sendo referência em inovação e lançamento de tendências: com equipamentos de última

geração, cada uma das molduras atende aos mais rigorosos padrões do mercado

mundial garantindo a confiança e preferência por seus produtos.

“A confiança e preferência por nossos produtos nos permitiu ampliar ainda mais o

mercado de atuação da marca”, disse o gerente de produção da Moldurarte, Luis Gustavo

Heidrich. “O Prêmio REFERÊNCIA é uma honra e só temos a agradecer por tal reconhecimento.”

Luis Gustavo Heidrich, gerente de produção da

Moldurarte, e Joseane Knop, diretora de negócios

do GRUPO JOTA

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 47


PRÊMIO REFERÊNCIA

FAMOSSUL

Com investimento de R$ 12 milhões, a Famossul, uma das maiores

fabricantes nacionais de portas de madeira, inaugurou a nova fábrica

em Estância (SE), a primeira fora do Paraná. Já de início, a unidade gerou

o faturamento de R$ 6 milhões por mês, com capacidade produtiva de

20 mil conjuntos de portas mensais.

“Nossa nova fábrica entrou em funcionamento em agosto deste

ano”, disse Guido Greipel Junior, diretor comercial da Famossul, ao receber

o prêmio. “A Famossul, hoje, é uma fábrica de portas com capacidade

de produção de 70 mil conjuntos de portas por mês, agradecemos

o reconhecimento.”

Guido Greipel Junior, diretor comercial da Famossul, e

Fábio Machado, diretor comercial do GRUPO JOTA

Joseane Knop, diretora de negócios do GRUPO

JOTA, e Paulo Pupo, superintendente da Abimci

que representou a Guararapes

GUARARAPES

Os painéis de MDF se tornaram um dos principais produtos comercializados

pela Guararapes com a inauguração da nova linha de produção

em Caçador (SC). Com investimento de R$ 230 milhões, a empresa

triplicou sua capacidade para 600 mil m³ (metros cúbicos), gerando 160

empregos diretos.

“O GRUPO JOTA mata um leão por dia. Não é fácil vender seis produtos

tecnicamente e visualmente bonitos como fazem, em tempos tão

difíceis para as mídias especializada”, agradeceu o superintendente da

Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente),

Paulo Pupo, que representou a Guararapes no recebimento

do prêmio.

MADEFLONA

Criada em 2007 com o objetivo de proteger e dar valor à floresta

amazônica, a Madeflona se consolidou como a maior detentora de planos

de manejo florestal sustentável do Estado de Rondônia, com uma

área manejada de 105 mil ha (hectares), uma das maiores do país. Neste

ano ela foi modelo e inspirou representantes de 25 países que estivem

nos visitando para conhecer como procede a primeira concessão florestal

brasileira.

“Não é fácil trabalhar com concessões do governo: é muito complicado

na área da madeira, temos que competir com quem não cumpre

a lei. Nós seguimos todos os detalhes e somos vigiados o tempo todo”,

disse Jonas Perutti, diretor da Madeflona, que arrancou risos dos presentes

ao dizer que “mata não um, mas dois leões por dia” no trabalho

diário.

Jonas Perutti, diretor da Madeflona, e Pedro

Bartoski Jr, diretor executivo do GRUPO JOTA

48

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MUNDO VERMEER

O Mundo Vermeer, evento promovido pela fabricante de equipamentos em

sua sede em Valinhos (SP), teve como premissa básica mostrar a hospitalidade da

marca, reunindo especialistas dos segmentos florestal e de biomassa, os principais

ramos em que a empresa atua.

“Foi muito bacana ser lembrado para este ano no Prêmio REFERÊNCIA”, agradeceu

Thiago Marcon, coordenador de marketing da Vermeer Brasil. “Realmente, este

foi um ano ímpar para a marca e, com tamanho sucesso, é uma honra estar aqui.”

Thiago Marcon, coordenador de marketing

da Vermeer Brasil, e Pedro Bartoski Jr, diretor

executivo do GRUPO JOTA

Francisco Razzolini, diretor de projetos e

tecnologia industrial da Klabin, e Joseane Knop,

diretora de negócios do GRUPO JOTA

KLABIN

Empresa líder na produção de papéis e cartões para embalagens, a Klabin

inaugurou neste ano a fábrica de celulose em Ortigueira (PR), o maior investimento

privado da história do Paraná, orçado em R$ 8,5 bilhões e capacidade

produtiva de 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano.

“Somos uma empresa que tem se reinventado ao longo de toda sua trajetória”,

disse Francisco Razzolini, diretor de projetos e tecnologia industrial da

Klabin. “Esse empreendimento em Ortigueira é um marco na nossa história e na

história privada do Paraná.”

NP TRANSPORTES E BIOMASSA

A NP Transportes e Biomassa realiza todos os anos um jantar de confraternização,

no município de Ponte Alta do Norte (SC), para arrecadar brinquedos para

crianças em estado de vulnerabilidade social. A iniciativa é elogiável e agrega valor

ao institucional da marca, sempre preocupada com o bem estar da comunidade

em que está inserida.

“Fazer um discurso para todas essas celebridades aqui não é muito fácil”, elogiou

o diretor Fabio Calomeno, responsável pela iniciativa. “A decisão de um evento

social começou há alguns anos e, hoje, ajudamos mais de 1.600 crianças. Agradeço

aos patrocinadores e ao GRUPO JOTA por acreditar no nosso evento.”

Fabio Calomeno, diretor da NP Transportes

e Biomassa, e Fábio Machado, diretor

comercial do GRUPO JOTA

MANOEL MARCHETTI

Fundada em 1956, a Manoel Marchetti participa ativamente do desenvolvimento

sustentável de Santa Catarina, com produtos de base florestal

e matérias-primas ecologicamente corretas, renováveis e certificadas. Com

seis décadas de tradição, o trabalho do mercado externo da empresa já

cobre mais de 30 países e foi a motivação para o recebimento do Prêmio

REFERÊNCIA, entregue a Sérgio Manoel Todesco.

Sérgio Manoel Todesco, representante da

Manoel Marchetti, e Fábio Machado, diretor

comercial do GRUPO JOTA

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 49


ARTIGO

POTENCIAL DOS

RESÍDUOS DE

FOTOS DIVULGAÇÃO

ABATEDOUROS AVÍCOLAS

COMO MATRIZ LIPÍDICA

PARA PRODUÇÃO DE

BIODIESEL

50

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POR CAROLINA ROMBALDI

TOMIELLO, GRADUADA EM

ENGENHARIA QUÍMICA DA

ESCOLA DE ENGENHARIA DE

LORENA DA UNIVERSIDADE DE

SÃO PAULO

RESUMO

A

produção de Biodiesel no Brasil tem originado

a necessidade de matrizes lipídicas

de alto rendimento, baixo custo e que não

comprometam a cadeia alimentar ou façam

parte do mercado internacional de commodities.

O Brasil é o segundo maior produtor de frangos para

corte no mundo e o abate é fonte de uma grande quantidade

de resíduos como sangue, penas, ossos e gorduras

que são altamente poluentes. A indústria avícola

vem reaproveitando esses resíduos no enriquecimento

de rações animais, o que vem tendo restrições legais

devido à possibilidade de transmissão de doenças.

Uma alternativa sustentável é o uso da gordura aviária

residual como matéria-prima para a produção de biodiesel.

O óleo de frango representa uma fonte barata

e abundante de lipídios, podendo contribuir com uma

parcela significativa das matrizes lipídicas do Programa

Nacional de Produção e Uso do Biodiesel. Nesse trabalho,

foram verificadas experimentalmente a influência

da temperatura, com delineamento experimental nas

temperaturas de 30ºC, 45ºC e 60ºC (Graus Celsius), e

dos catalisadores básicos Hidróxido de Sódio e Hidróxido

de Potássio na produção de Biodiesel de óleo de

frango por reação de transesterificação em reator submetido

a ondas ultrassônicas.

Obteve-se rendimento máximo de 98,9% com o

uso de Hidróxido de Sódio como catalisador a 45ºC.

Ambos os catalisadores apresentaram rendimento semelhante

até a temperatura 45ºC, acima disso o hidróxido

de sódio teve queda de rendimento. As análises

de rendimento foram realizadas por Ressonância Magnética

Nuclear (RMN¹H).

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 51


ARTIGO

1 - INTRODUÇÃO

O diesel é o principal combustível de origem fóssil

utilizado em veículos de transporte e uma importante

fonte energética para equipamentos industriais (Saniet

al., 2013). Devido à alta poluição gerada pela queima

dos derivados do petróleo e de provirem de uma fonte

não renovável de energia, há iniciativas governamentais

na busca de combustíveis de fontes renováveis e

menos poluentes (Mitre et al., 2012). Dentre as matrizes

renováveis destacam-se a cana de açúcar, para produção

de etanol, e gorduras de origem vegetal e animal,

para a produção de biodiesel (Motta, 2012).

O Biodiesel pode ser sintetizado por diversas rotas,

sendo a reação de transesterificação básica a mais utilizada

pela indústria devido ao baixo custo do catalisador

e alta velocidade de reação (Araujo, 2009). O processo

de transesterificação de gorduras utiliza etanol

ou metanol em presença de um catalisador, sendo que

o etanol possui indústria consolidada no país, por este

motivo utilizado no presente trabalho (Coelho et al.,

2013). Como matriz lipídica no Brasil utiliza-se o sebo

bovino e óleos vegetais de palma, mamona, pinhão

manso, babaçu e principalmente o óleo de soja, que

corresponde a 80% da matriz para produção de biodiesel.

As principais desvantagens do uso de óleo de soja

para produzir biodiesel é a direta concorrência com os

estoques alimentares e as flutuações do mercado internacional

de soja, uma das principais commodities bra-

sileiras (Guabiroba et al., 2014).

Atualmente, as gorduras residuais do abate de

frangos são recicladas em indústrias de insumos para

rações animais (Centenaro et al.,2008). Porém, devido

às crescentes restrições legais do uso de produtos de

origem animal em rações de bovinos e a possibilidade

de contágio de doenças ameaçam essa destinação

(Brasil, 2004). Há projetos de pesquisa e indústrias que

vem investigando a síntese do biodiesel a partir do

óleo de frango obtendo um combustível de qualidade.

A gordura residual de frangos pode representar uma

matriz sustentável para a produção de biodiesel, pois

promove o reciclo desse efluente com alto potencial de

poluição e é uma matriz de baixo custo e fora do pregão

internacional de commodities (Abdoli et al., 2014).

2 - OBJETIVOS E JUSTIFICATIVA

Em vista do cenário atual de pesquisa de matrizes

para a produção de biodiesel, o presente trabalho teve

como objetivo a avaliação do óleo de frango como

fonte lipídica para a reação de transesterificação, e o

estudo da influência de temperatura e dos catalisadores

homogêneos básicos em reator submetido a ultrassom.

O projeto justifica-se pela necessidade de reaproveitar

os resíduos do abate de frangos e da procura de

fontes renováveis e menos poluentes para a produção

de combustíveis.

52

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3 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Óleo de Frango como Matéria-Prima

para o Biodiesel

Uma grande variedade de óleos e gorduras é utilizada

para produzir biodiesel, como a partir de óleos

vegetais crus, resíduos de óleo vegetal, óleo de algas

e gordura animal (Martín; Grossmann, 2014). As principais

espécies vegetais fontes de óleo para o biodiesel

no Brasil são soja, algodão, palma, mamona, girassol e

babaçu (Pinto et al., 2005). Dentre as gorduras animais,

destaca-se no país o uso de gordura bovina e em menor

proporção os lipídios provenientes de aves e peixes

(Guabiroba et al., 2014).

No Brasil, as principais fontes lipídicas para o biodiesel

são o óleo de soja e o sebo bovino, como representado

pelo perfil nacional de matérias-primas utilizadas

na produção de Biodiesel (figura 3) (ANP, 2014).

O alto custo do óleo de soja diminuí a competitividade

do biodiesel, comparando-se, por exemplo, valores

médios de R$ 1,77 o litro do óleo de soja contra R$ 1,33

o litro da gordura animal em 2009. O óleo residual de

fritura apresenta baixo custo, porém a oferta disponível

é drasticamente menor do que a quantidade de

combustível à base de petróleo e há irregularidade

na oferta (Guabiroba et al., 2014). A gordura de frango

tem-se mostrado promissora para a produção de biocombustível

com satisfatória qualidade e preço, vindo

a ser uma alternativa ao uso de óleos vegetais de alto

valor agregado (Abdoli et al., 2014).

O Brasil é o segundo maior produtor de frangos

para corte no mundo, com 12,9 milhões de toneladas

por ano (CoasulL, 2011). A produção nacional de frangos

para corte concentra-se principalmente na região

Sul e Sudeste do Brasil, porém, há tendência de crescimento

na região Centro-Oeste, devido à produção de

insumos agrícolas para fabricação de rações animais,

o que pode ser visualizado no gráfico de evolução da

produção brasileira de frango por região (figura 4).

Há forte influência na indústria avícola de fatores econômicos,

como balança comercial e juros, devido ao

grande mercado de exportação. Os maiores mercados

consumidores são a Ásia, Oriente Médio e União

Europeia. Dentre os fatores que estimularam a posição

do Brasil como maior exportador de carne de frango,

encontra-se as epidemias de gripe aviária na Europa e

Ásia e os surtos da Encefalopatia Espongiforme Bovina

na América do Norte, melhorias da cadeia produtiva e

comércio favorável entre Brasil, Ásia e Oriente Médio

(Voilà; Triches , 2013).

Durante o processamento da carne de frango

FIGURA 3 - Perfil nacional de matérias-primas utilizadas na produção de Biodiesel.

Maio / 2014

Gordura

Bovina

17,74%

Gordura de Frango

2,07%

Óleo de Algodão

0,34%

Óleo de Soja

78,08%

Outros Materias

Graxos 0,75%

Óleo de Fritura

0,56%

Gordura de Porco

0,45%

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 53


ARTIGO

FIGURA 4 - Gráfico de evolução da produção brasileira de frango por região.

FRANGO

Evolução da participação regional em 25 anos

1986 e 2011

1886

CENTRO-OESTE

NORDESTE 2011

8%

CENTRO-OESTE

11%

NORDESTE

9%

SUDESTE

36%

SUDESTE

23%

SUL

53%

SUL

55%

NORTE

1%

NORTE

2%

Fonte: Avisite, 2014

Fonte dos dados básicos: Apinco

Elaboração e análises: Avisite

nos abatedouros, é produzida grande quantidade de

efluentes de material orgânico, constituindo importante

fonte de poluição industrial quando não tratado. Há

três efluentes principais: sangue, penas e carcaça com

vísceras não comestíveis. As vísceras não comestíveis,

juntamente com peças condenadas constituem matéria

prima para a obtenção de graxas e farinhas (Moraes

1999).

Os restos do abate de frangos correspondem a

30% do peso do animal abatido, sendo em torno de

2% a 2,5% correspondentes a gordura abdominal e

10% de peso em pele, altamente rica em gordura. A

indústria avícola vem adicionando o óleo de vísceras

de aves às rações, com as vantagens do baixo custo e

alto conteúdo energético. Porém, a grande quantidade

de ácidos graxos insaturados desse óleo favorece o

desenvolvimento da rancidez oxidativa, o que prejudica

o crescimento das aves (Centenaro et al., 2008). No

Brasil, é proibida a utilização de produtos destinados

à alimentação de ruminantes que contenham em sua

composição proteínas e gorduras de origem animal,

pois apresentam risco de transmissão de botulismo e

Encefalopatia Espongiforme Bovina, conhecida popularmente

como "Doença da Vaca Louca" (Brasil, 2004).

Uma alternativa para a gordura residual das aves é a

produção de óleo para servir de matriz para a fabricação

de biodiesel.

A gordura de frango, com composição descrita na

tabela 1, à exceção de outras gorduras animais como o

sebo bovino e suíno, apresenta consistência líquida, devido

à menor quantidade de ácidos graxos saturados.

Essa propriedade favorece a reação pela diminuição

54

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do ponto de fusão dos lipídeos (Gomes, 2010). A fração

rica em e oleína apresenta maior teor de insaturações,

sendo responsável pelo menor ponto de fusão, evitando

a cristalização do biodiesel e diminuindo o ponto

de névoa e entupimento. Pode-se realizar a separação

das frações de insaturadas e saturadas através de uma

cristalização a temperatura baixa em que frações de saturadas

irão cristalizar e se depositar ao fundo do tanque,

sendo a camada superior líquida rica em oleína. O

fracionamento dá-se em três etapas: homogeneização,

em que o óleo é aquecido a uma temperatura superior

a seu ponto de fusão, cristalização e filtração ou centrifugação

(Ferrari; Koller, 2009).

O processo industrial de separação de frações do

óleo, a winterização, utiliza-se de solventes para auxílio

do processo, como o hexano, e é largamente empregado

na indústria do óleo de soja e milho (Cunha et al.,

2009).

O DIESEL É O PRINCIPAL

COMBUSTÍVEL DE ORIGEM FÓSSIL

UTILIZADO EM VEÍCULOS DE

TRANSPORTE E UMA IMPORTANTE

FONTE ENERGÉTICA PARA

EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS

(SANIET AL., 2013). DEVIDO À ALTA

POLUIÇÃO GERADA PELA QUEIMA

DOS DERIVADOS DO PETRÓLEO

E DE PROVIREM DE UMA FONTE

NÃO RENOVÁVEL DE ENERGIA, HÁ

INICIATIVAS GOVERNAMENTAIS

NA BUSCA DE COMBUSTÍVEIS DE

FONTES RENOVÁVEIS E MENOS

POLUENTES (MITRE ET AL., 2012)

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AGENDA

FEVEREIRO Fevereiro 2017 2017

ABRIL Abril 2017 2017

Energy Now Expo

Data: 8 e 9

Local: Telford (Reino Unido)

Informações: www.energynowexpo.co.uk

Power-GEN Brasil

Data: 25 a 27

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.pennwell.com/events.html

MARÇO Março 2017 2017

MAIO Maio 2017 2017

Mexico Wind Power

Data: 1 e 2

Local: Cidade do México (México)

Informações: www.mexicowindpower.com.mx/2017

All Energy

Data: 10 a 11

Local: Glasgow (Reino Unido)

Informações: www.all-energy.co.uk

Recam Week

Data: 7 a 9

Local: Cidade do Panamá (Panamá)

Informações: www.recamweek.com

Enersolar+

Data: 23 a 25

Local: São Paulo

Informações: enersolarbrasil.com.br

Sweet 2017

Data: 15 a 17

Local: Gwangju (Coréia do Sul)

Informações: www.sweet.or.kr

JULHO Julho 2017 2017

Feira Internacional da Indústria Elétrica

Data: 25 a 28

Local: São Paulo

Informações: www.fiee.com.br

Acesse:

www.portalreferencia.com.br


DESTAQUE

Destaque

Enersolar+

Data: 23 a 25

Local: São Paulo

Informações: enersolarbrasil.com.br

A Enersolar+ Brasil (Feira Internacional de Tecnologias

para Energia Solar) chega em sua VI edição apresentando

as mais recentes tecnologias, produtos e serviços voltados

para o setor de energias sustentáveis, renováveis e limpas.

Organizada pela Cipa Fiera Milano, a feira acontece anualmente

todo o mês de maio, juntamente com o Ecoenergy

(Congresso de Tecnologias Limpas e Renováveis para a

Geração de Energia), que em 2017, realizará a sua sétima edição. É a oportunidade ideal para lançar e apresentar produtos e

serviços, além de prospectar e posicionar sua marca junto a toda a cadeia produtiva dos segmentos de Energia Solar, Eólica,

Biomassa, Gtdc e afins.

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OPINIÃO

Foto: divulgação

A FORÇA DO SORGO

BIOMASSA NA GERAÇÃO

TERMOELÉTRICA

E

xiste, há muito tempo, no imaginário das pessoas

uma tendência à demonização automática da geração

de energia nas usinas termoelétricas. Claro,

podem pensar, como defender algo que além de

exigir altos investimentos em infraestrutura ainda polui

nosso ar e destrói nossas florestas?

Apesar de correta, esta visão está desatualizada. Atualmente,

não é preciso queimar combustíveis poluentes

como óleo, gás ou madeiras oriundas da floresta amazônica

para produzir energia nas caldeiras.

O que é possível, no entanto, é queimar uma biomassa

com balanço poluente neutro e com disponibilidade escalável.

Como? Investindo no cultivo de biomassas dedicadas,

ou seja, culturas cultivadas com objetivo de fornecerem

matéria-prima específicas para a produção de energia, calor

e vapor nas termoelétricas. As emissões se equilibram,

pois o CO2 liberado pela planta na queima, foi aquele que

ela captou do ambiente para crescer e produzir biomassa.

O Palo Alto é o primeiro sorgo registrado e plantado em

larga escala no Brasil com finalidade específica na produção

de biomassa dedicada para caldeiras. Cultura de ciclo curto,

atinge o ponto de colheita em um intervalo de apenas 120

a 140 dias após o plantio. O Brasil possui vantagens globais

em termos de clima, geografia, infraestrutura e know how

para sua produção. Em média, 1 t (tonelada) de sorgo biomassa

pode produzir de 0,33 MW (Megawatts) - níveis atuais

- até 0,60 MW - novas tecnologias de conversão.

Não existe país nenhum no globo com maior aptidão

para produzir biomassa a custos baixos como o Brasil. Exigindo

menos água e oferecendo mais resistência ao calor

do que outras culturas, o sorgo apresenta a escalabilidade

de uma cultura de sementes e rapidamente constitui uma

base confiável de matéria-prima para todo o ano em indústrias

de geração de energia.

Com alternativas complementares como o Palo Alto, diversas

indústrias e usinas de poderão ampliar seus projetos

de cogeração e ou até mesmo iniciar sua participação nesse

mercado, contribuindo para a melhoria e diferenciação da

matriz energética brasileira. Uma maior participação desse

setor na malha energética do país trará contribuições estratégicas

e significativas no que diz respeito aos custos e

investimentos em linhas de transmissão, no incentivo à produção

agrícola e na garantia de fornecimento de energia às

indústrias e ao consumidor final.

A energia elétrica produzida por meio da biomassa dedicada,

além de ser uma fonte renovável, tem a vantagem

de estar próxima dos grandes centros de consumo, reduzindo

os custos de distribuição. A potência instalada do setor

sucroenergético está estimada em cerca de 5 mil MW, mas

há potencial para que ela dobre e chegue a 10,2 mil MW em

2020. As térmicas à biomassa são parceiras da modernização

e diferenciação da matriz energética brasileira, contudo,

mais importante, é uma maneira de mantê-la renovável

e escalável, sem depender das hidrelétricas. É tempo de

interromper a disseminação de falsas informações e incentivar

a geração da energia vinda do campo.

Por Tatiana Gonsalves

Vice-Presidente Comercial da Nexsteppe para a América do Sul

Foto: divulgação

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