Outubro/2016 - Biomais 17

jota.2016

Visitantes - Grupo Jota Comunicação

Viagem espetacular: Avião movido somente à energia solar girou o mundo

revista biomassa energia

PLANTANDO ENERGIA

BIOMASSA FLORESTAL GANHA TERRENO

PLANTING ENERGY

FOREST BIOMASS IS

GAINING GROUND

ALEXANDRE HERINGER

FUTURO RENOVÁVEL

24ª FENASUCRO & AGROCANA

VEJA OS DESTAQUES DA FEIRA


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mais inteligente de transformar materiais

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SUMÁRIO

04 | EDITORIAL

Renovação eficiente

06 | CARTAS

08 | NOTAS

12 | ENTREVISTA

18 | PRINCIPAL

24| FEIRA

Feira mostra otimismo

30| EDUCAÇÃO

Maratona do conhecimento

34 | TECNOLOGIA

Tecnologia que transforma

38 | EVENTO

Futuro solar

42 | ESPECIAL

50 | ARTIGO

56 | AGENDA

58| OPINIÃO

A transformação através da energia solar

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 03


EDITORIAL

RENOVAÇÃO EFICIENTE

A muda germinando na pilha de cavacos

representa as oportunidades que estão

surgindo para o aproveitamento da biomassa

florestal pelo setor de energia no Brasil

JOTA COMUNICAÇÃO

EXPEDIENTE

Diretor Comercial / Commercial Director: Fábio

Alexandre Machado (fabiomachado@revistabiomais.

com.br) • Diretor Executivo / Executive Director: Pedro

Bartoski Jr (bartoski@revistabiomais.com.br) • Diretora

de Negócios / Business Director: Joseane Knop

(joseane@jotacomunicacao.com.br)

Não existe melhor palavra para definir energias renováveis do que

revolução. Expressão clara dos ideais de um mundo sustentável, ecologicamente

correto e, porque não, mais duradouro. De qualquer forma,

são elas, hoje, o maior exemplo da forma como avanços tecnológicos

podem ser importantes aliados na busca pela preservação do planeta.

Por isso, nesta edição da Revista BIOMAIS, refletimos sobre o assunto: em

nossa reportagem principal, apontamos como resíduos de madeira ou

florestais podem ser aproveitados para geração de energia. Além disso,

conversamos com Alexandre Heringer, diretor-presidente da Efficientia,

empresa do grupo Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), que

fala sobre projetos e possibilidades futuras para a companhia. Contamos

ainda a história de Portugal, que por pouco mais de quatro dias supriu

toda sua demanda energética por meio de fontes renováveis. Excelente

leitura!

JOTA EDITORA

Diretor Comercial / Commercial Director: Fábio

Alexandre Machado (fabiomachado@revistabiomais.

com.br) • Diretor Executivo / Executive Director: Pedro

Bartoski Jr (bartoski@revistabiomais.com.br) • Redação

/ Writing: Rafael Macedo - Editor, Murilo Basso,

(jornalismo@revistabiomais.com.br) • Dep. de Criação

/ Graphic Design: Fabiana Tokarski - Supervisão,

Fabiano Mendes, Fernanda Domingues, Fernanda

Maier, (criacao@revistabiomais.com.br) • Tradução

/ Translation: John Wood Moore • Dep. Comercial

/ Sales Departament: Gerson Penkal, (comercial@

revistabiomais.com.br) • Fone: +55 (41) 3333-1023 •

Dep. de Assinaturas / Subscription: - Monica Kirchner

- Coordenação, Alessandra Reich, (assinatura@

revistabiomais.com.br).

A REVISTA BIOMAIS é uma publicação da

JOTA Editora - Rua Maranhão, 502 - Água Verde -

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www.jotaeditora.com.br

Veículo filiado a:

A REVISTA BIOMAIS - é uma publicação bimestral e independente,

dirigida aos produtores e consumidores de energias limpas e alternativas,

produtores de resíduos para geração e cogeração de energia, instituições

de pesquisa, estudantes universitários, órgãos governamentais,

ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS não se responsabiliza por

conceitos emitidos em matérias, artigos, anúncios ou colunas assinadas,

por entender serem estes materiais de responsabilidade de seus autores.

A utilização, reprodução, apropriação, armazenamento de banco de

dados, sob qualquer forma ou meio, dos textos, fotos e outras criações

intelectuais da REVISTA BIOMAIS são terminantemente proibídas sem

autorização escrita dos titulares dos direitos autorais, exceto para fins

didáticos.

EFFICIENT RENEWAL

There is no better word to define renewable energy than revolution. A

clear expression of the ideals of a sustainable, environmentally friendly and,

why not, more long lasting world. No matter, it is the best example of how

technological advances can be important allies in the quest for the preservation

of the planet. So, in this issue of Biomais, we reflect on the subject:

in our main story, we point out how timber and forestry residues can be

made used of for power generation. In addition, we talked with Alexander

Heringer, Director-President of Efficientia, a Companhia Energética de Minas

Gerais Group company (Cemig), who talks about the projects and future

possibilities for the Company. We also offer a story from Portugal, where for

a little more than four days it supplied all its energy needs through the use of

renewable sources. Pleasant reading!

REVISTA BIOMAIS is a bimonthly and independent publication, directed

at clean alternative energy producers and consumers, producers of residues

used for energy generation and cogeneration, research institutions, university

students, governmental agencies, NGO’s, class and other entities, directly and/

or indirectly linked to the Segment. REVISTA BIOMAIS does not hold itself responsible

for concepts contained in materials, articles, ads or columns signed

by others; these are the responsibility of their authors. The use, reproduction,

appropriation, databank storage, in any form or means, of the text, photos and

other intellectual property of REVISTA BIOMAIS are strictly forbidden without

written authorization of the holder of the authorial rights, except for educational

purposes.

04

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CARTAS

ALTERNATIVA

Excelente reportagem sobre biodiesel produzido a partir de gordura animal, que representa

uma oportunidade significativa para o mercado de combustíveis renováveis.

Louise França – Salvador (BA)

Foto: Joseph Xu

CONTEÚDO

Parabenizo toda a equipe pelo conteúdo da edição número 16. Revista com temática atual e assuntos relevantes para

o setor.

Tadeu Santos – São Paulo (SP)

EXEMPLO

Ótima entrevista com José Roberto de Moraes, CEO da Atlantic Energias Renováveis, mostrando a necessidade de

buscar fontes alternativas que não degradem os recursos ambientais. Parabéns!

Elias Saliba – Manaus (AM)

INICIATIVA

Interessante a alternativa adotada pelo governo solar, focando seu transporte público em

energias renováveis. Uma iniciativa a ser copiada.

Helena Saad – Goiânia (GO)

Foto: divulgação

REVISTA

na

mídia

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informação

biomassa

energia

www

Publicações Técnicas da JOTA EDITORA

06

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NOTAS

Foto: divulgação

BIODIESEL GERA

ECONOMIA

Como o quarto maior consumidor de combustíveis do

mundo, o Brasil deve importar óleo diesel ainda em 2016; é o

que prevê a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural

e Biocombustíveis). Segundo o diretor-superintendente da

Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene), Donizete

Tokarski, uma das alternativas para mudar essa realidade

é aumentar a porcentagem de biodiesel no diesel, que

hoje é de 7%. Até 2019, essa quantidade passará para 10%,

mas o Cnpe (Conselho Nacional de Política Energética) já sinalizou

que essa parcela pode chegar a 15%. “Dados de 2015

demonstram que 77,30% do biodiesel tem a soja como principal

matéria-prima, seguida do sebo bovino, óleo de frituras

e óleo de caroço de algodão”, disse Tokarski.

ETANOL PODE SER

SOLUÇÃO

Utilizado em células de combustíveis em automóveis,

o hidrogênio pode ser obtido por meio da cadeia

produtiva do álcool. Esse processo começa quando o

etanol é aquecido e bombeado para o interior de um

reator. Depois, o catalisador estimula uma série de reações

químicas. Ao final, essas reações geram um gás

com elevado teor de hidrogênio. Gases estes – monóxido

de carbono, dióxido de carbono e metano, por

exemplo – que são removidos e o hidrogênio é purificado.

Na cadeia de produção, quando é usada uma

fonte renovável, como o álcool, acontece um processo

sustentável do ponto de vista ecológico, diferente de

quando é utilizado um combustível fóssil.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

UFSC PRODUZIRÁ ENERGIA PARA

ÔNIBUS ELÉTRICO

Alunos, professores e técnicos da Ufsc (Universidade Federal de Santa

Catarina) que têm suas atividades no Sapiens Parque, em Florianópolis, vão

ser transportados em um ônibus 100% elétrico. A mudança acontece a partir

de dezembro deste ano. O próprio Centro de Pesquisa vai gerar a energia

necessária para que o veículo circule. As recargas serão feitas pela rede que

estará presente no campus e no parque. O percurso será feito quatro vezes

ao dia pelo veículo. Ao todo, 50 Km (quilômetros) serão percorridos entre ida

e volta, com emissão zero de poluentes.

08

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APP USA

ENERGIA

RENOVÁVEL

PARA

RECARREGAR

CELULAR

Os usuários de telefone celular

agora podem carregar seus aparelhos

com energia renovável. A

novidade se deve a um aplicativo,

chamado ZIIT. O Instituto Totum, encarregado

da gestão do Programa de

Certificação em Energia Renovável,

foi quem desenvolveu o aplicativo.

O instituto foi criado pela ABEEólica

(Associação Brasileira de Energia

Eólica) e pela Abragel (Associação

Brasileira de Energia Limpa). O ZIIT já

está disponível gratuitamente para

download. Ele pode ser instalado nos

sistemas operacionais IOS e Android.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

MATO GROSSO

DE OLHO EM

BIOENERGIA

A produção de etanol de milho deve se

consolidar em Mato Grosso, que atualmente

conta com 10 usinas de etanol. Para o presidente

da Aprosoja (Associação dos Produtores

de Soja e Milho de Mato Grosso), Endrigo

Dalcin, a bioenergia é uma realidade para o

Estado e é preciso organizar a distribuição

desse etanol. “Sabemos que vamos evoluir

a construção de usinas puras de etanol de

milho, o que precisamos é analisar toda a

cadeia. Vamos precisar, por exemplo, de uma

cadeia de eucalipto, para poder fornecer madeiras

para as caldeiras”, projeta Dalcin.

ENERGIA SOLAR SERÁ A MAIS

BARATA EM 2020

Os investimentos em energia solar quadruplicaram nos últimos anos. Hoje,

o Brasil tem 3.981 conexões de energia solar, o que aponta um futuro com foco

nas energias renováveis. Belém, Fortaleza, e Rio de Janeiro, Recife e Goiânia têm

atualmente o melhor retorno dos projetos de baixa tensão realizados em pequenos

negócios, condomínios, hospitais, shopping centers e residências. Segundo

estimativa, em 2020 a energia solar vai ser a forma mais barata de produzir eletricidade,

com diminuição de preço em 60% até 2040.

Foto: divulgação

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 09


NOTAS

TÉRMICAS A BIOMASSA

GANHAM ESPAÇO

As térmicas a biomassa ganham mercado no Brasil. Com a ampliação

dos incentivos fiscais de energia renovável, em 2011, projetos

estão sendo viabilizados, principalmente, por meio de leilões

do governo. Atualmente, existem 523 usinas térmicas a biomassa

no país, segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). A

maioria dessas usinas eram abastecidas com combustíveis fósseis.

Porém, com a onda de sustentabilidade e vantagens das “usinas

verdes”, elas foram convertidas à biomassa. A potência total dessas

unidades é de 13 GW (gigawatts). Isso representa cerca de 32% do

total de usinas térmicas no país.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

PELLETS GANHAM

ESPAÇO NO PIAUÍ

A Ecopellets do Brasil será instalada na

ZPE (Zona de Processamento de Exportação)

de Parnaíba, no Piauí. A empresa vai implantar

e operar uma unidade industrial destinada

a produzir combustível sólido a partir de biomassa

na forma de pellets e briquetes. A instalação

foi autorizada pelo ministro da Indústria,

Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira.

O investimento foi orçado em cerca de R$ 7,2

milhões. Desse valor, R$ 6,4 milhões serão supridos

por fornecedores nacionais. O empreendimento

deve gerar 47 postos de trabalho

diretos quando estiver em plena operação e a

aquisição da biomassa deve injetar mais R$ 6

milhões ao ano na economia local.

ISENÇÃO DE IPI PARA

VEÍCULOS ELÉTRICOS

Onze projetos de lei serão analisados pela CMA (Comissão de Meio Ambiente,

Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle). Entre os projetos,

está o que concede isenção de imposto nas operações com automóveis

movidos a energia elétrica. O Projeto de Lei 415/2012 foi apresentado pelo

senador Eduardo Amorim (PSC-SE). Ele isenta do Imposto sobre IPI (Produtos

Industrializados) os veículos movidos a energia elétrica e produzidos

nos países do Mercosul.

O projeto recebeu

parecer favorável na

forma de um substitutivo

do relator na CMA,

senador Paulo Rocha

(PT-PA). Ele propôs um

texto com dispositivos

que garantam que os

fabricantes repassem

para o preço ao consumidor

a totalidade da

isenção tributária.

Foto: divulgação

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ENTREVISTA

• ALEXANDRE

HERINGER •

Foto: divulgação

FUTURO

SUSTENTÁVEL

E

m seus negócios, a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) prioriza os recursos providos de fontes de energias

renováveis para compor sua matriz energética. Em 2011, a empresa adquiriu participação acionária na Renova Energia,

que atua na geração de energia por meio de fontes renováveis como energia eólica e PCH (Pequenas Centrais Hidrelétricas).

Hoje, aproximadamente 98% da geração de energia da Cemig é proveniente de fontes renováveis como hidráulica

e eólica, o que proporciona à empresa baixa emissão de GEE (gases de efeito estufa). Em entrevista à BIOMAIS, Alexandre

Heringer, diretor presidente da Efficientia, empresa do grupo, reflete sobre projetos e possibilidades futuras para a companhia.

Confira:

SUSTAINABLE FUTURE

A

s a business, the Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) prioritizes resources from renewable energy sources to compose

its energy matrix. In 2011, the Company acquired equity interest in Renova Energia that generates power from renewable

sources such as wind farms and Small Hydropower Plants (SHP). Today, approximately 98% of Cemig's energy generation comes

from renewable sources like hydro and wind power, which leads to the Company having low greenhouse gas emissions

(GHG). In an interview with BIOMAIS, Alexander Heringer, Renova Energia Efficientia, a Company in the Cemig Group, reflects on projects

and future possibilities for the Company. Check it out:

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PERFIL:

Nome: Alexandre Heringer

PROFILE:

Name: Alexandre Heringer

Formação: Bacharel em Engenharia

Elétrica pela PUC-MG (Pontifícia

Universidade Católica) com especializações

no setor de energia solar no Brasil e

exterior

Cargo: Diretor presidente da Efficientia,

empresa do Grupo Cemig

Education: Electrical Engineering, Catholic

Pontificate University, Minas Gerais (PUC-

MG) specializing in Solar Energy in Brazil and

Abroad

Function: Director-President of Efficientia,

part of the Companhia Energética de Minas

Gerais Group (Cemig)

Em que momento surgiu o interesse da Cemig por

novas matrizes energéticas? Qual o posicionamento

dela com relação à sustentabilidade?

Na década de 1980, a Cemig começou um amplo programa

de instalação de painéis coletores solares planos

para aquecimento de água. Tanto que Belo Horizonte é conhecida

como a “capital solar do Brasil”, graças em grande

parte, ao apoio da Cemig. Em 1990, instalamos a primeira

usina eólica conectada à rede do Brasil, a Usina do Morro do

Canelinho. Então começamos a iniciar medições de vento

em vários lugares, acabamos por fazer o mapa eólico de Minas

Gerais, depois o mapa solar. Agora, estamos construindo

o mapa da biomassa do Estado. E o grande projeto é a

Usina Solar Fotovoltaica do Estádio Mineirão. Há seis anos,

a Cemig adquiriu ações da Renova, que é nosso braço de

desenvolvimento dos assuntos renováveis de grande porte,

tendo praticamente 20% de todos os parques eólicos do

Brasil.

Qual o percentual de energia fornecida pela Cemig

proveniente de fontes renováveis?

O porém é que as usinas eólicas não estão nem aqui em

Minas Gerais. Elas estão na Bahia, no Ceará, em outros lugares,

em associação com outras empresas, tendo a Cemig

um percentual. Na realidade, como a energia hidrelétrica é

considerada renovável, praticamente 98% do nosso parque

é renovável. No nosso portfólio, só temos uma usina térmica,

algumas eólicas e o resto é composto por hidráulicas.

Os impactos ambientais, por mínimos que sejam

com fontes alternativas de energia, são inevitáveis.

At what point did Cemig become interested in new

energy matrices? What is its position with respect to sustainability?

During the 80’s, Cemig began a broad program for the

installation of flat solar collector panels for water heating.

So much so that Belo Horizonte (BH) is known as the "Solar

Capital of Brazil", thanks in large part to the work of Cemig.

In 1990, we installed the first wind power farm connected

to the Brazilian network, the Morro do Canelinho Plant. We

began to take wind measurements in several places, ending

up with a wind map for the State of Minas, then a solar map.

Now, we're building up a biomass map. And the big project is

the Photovoltaic Solar Plant in Mineirão. Six years, Cemig acquired

shares of Renova, which became our major renewable

development business arm, owning nearly 20% of all the wind

farms in Brazil.

What percentage of the energy provided by Cemig comes

from renewable sources?

The fact is that the wind farms are not here in the State

of Minas Gerais. They're in the States of Bahia, Ceará, and

others, and in association with other companies, with Cemig

having only a percentage. In reality, as hydroelectric energy is

considered renewable, almost 98% of our energy generation

park is renewable. In our portfolio, we only have one thermal

generating plant, several wind farms and the rest consists of

hydroelectric generation.

The environmental impacts, even though minimal

when using alternative energy sources, are inevitable.

How do you compensate for them?

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 13


ENTREVISTA

Como compensá-los?

Pelo fato de termos

um parque grande de

energia renovável, o

impacto existe, mas é

mínimo. No caso de

empreendimentos

hidráulicos, fazemos

todo o estudo, o

inventário, tudo o que a

legislação pede – licença

prévia, de instalação

e de operação. Inclusive

somos conhecidos como

uma empresa que tem

muita excelência nessa área.

Já nos projetos eólicos, como

não temos grandes empreendimentos

em Minas Gerais ainda, só

o Morro do Camelinho, que tem 22

anos, ajudamos a criar alguns procedimentos.

Ela tem pouco impacto porque

as pás giram lentamente. Além disso, tem

toda uma legislação pertinente que a Cemig

segue.

Qual a participação da Cemig no desenvolvimento

do veículo elétrico aqui no Brasil?

Teve um programa em que a Cemig fez um convênio

com a Itaipu e a Fiat. Como somos uma empresa que no

futuro terá que fornecer energia para veículo elétrico, queremos

conhecer bastante essa tecnologia para podermos

mensurar quais serão as providências e antecipar como seria

uma aplicação de larga escala do veículo elétrico. Estamos

estudando a mobilidade automotiva elétrica a fundo,

para podermos nos preparar para o futuro.

Como é a atuação da Cemig no que diz respeito a

pesquisas e desenvolvimento de geração sustentável

de energia elétrica?

Temos essa empresa que presido, a Efficientia, que busca

tornar mais eficientes os processos que demandam energia

de grandes empresas e médias empresas do setor industrial

e comercial. Já fazemos esse suporte há muito tempo, porque

a eficiência energética é o meio mais ambientalmente

correto de você usar energia. E há outra empresa, a Renova,

que trabalha com grandes empreendimentos. Atualmente

estamos empenhados na ideia de um aproveitamento da

“Praticamente 98%

do nosso parque é

renovável. No nosso

portfólio, só temos

uma usina térmica,

algumas eólicas e o

resto é composto por

hidráulicas”

By the fact of

having a large

renewable energy

Park, the impact

is there, but it is

minimal. In the

case of hydro, we

carry out all the

necessary studies,

an inventory, and

all that legislation

requires – obtaining

prior, installation and

operating licenses. We

fulfill all requirements, and

we are known as a company

that has a lot of excellence in this

area. For the wind farm projects, as

we have no large enterprises in the State of

Mines yet, just Morro do Camelinho, which has been

operating for 22 years, we have helped create some

procedures. It has little impact because the blades

revolve slowly. In addition, there is all the pertinent

legislation that Cemig complies with.

Is Cemig participating in electric vehicle

development here in Brazil?

We had a program in which Cemig had an

agreement with Itaipu and Fiat, to acquire a

vehicle to study, but not to develop. But as

we are a company which in the future

will have to supply power to electric

vehicles, we wanted to get to know a

lot about this technology, so that we

can determine what arrangements we may have to make and

anticipate what large-scale use of electric vehicles would be

like. We are carefully studying electric automotive mobility, in

order to prepare for the future.

What are Cemig's activities with regard to the research

and development of sustainable electric energy generation?

We have this company that I preside over, Efficientia, which

seeks to make processes that require large energy use more

energy efficient within large and medium-sized enterprises in

the Industrial and Commercial Sectors. We've been doing this

for a long time, because energy efficiency use is the most environmentally

correct way to use energy. And there is another

14

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ENTREVISTA

geração distribuída. Estamos com um grupo muito avançado

nisso, para aproveitar os benefícios das resoluções 482 e

687 da Aneel.

A Cemig tem uma atuação com energia fotovoltaica

no Estádio de Futebol Mineirão. Como é a atuação da

empresa nesse segmento de energia?

Desde a década de 1980, já tínhamos um programa de

instalação de painéis fotovoltaicos no interior. Hoje, nosso

grande projeto é o do Mineirão, que foi inaugurado em

maio de 2013, feito especialmente para a Copa do Mundo.

Até hoje, é uma das maiores instalações solares sobre estádio

no mundo. O que nos levou a estudar novos empreendimentos.

Quais seriam esses empreendimentos?

Um junto da Topmig, outro do Copasa. Também temos

um projeto em Uberlândia com a Algar Telecom, de quase

R$ 4 milhões, previsto para ser entregue em junho de 2017.

Temos o Village 1, que é um condomínio com 95 casas que

estamos colocando energia solar; já entregamos a Algar Tec

também em Uberlândia, que é uma usina de 300 KW (quilowatts)

de pico.

company, Renova, which works with large projects. Currently,

we are committed to the idea of distributed generation use.

We are a very advanced Group as to this, and make use of the

benefits provided by Aneel Resolutions 482 and 687.

Cemig has a photovoltaic system in operation in Mineirão

(soccer stadium). How is the Company's performance

in this energy segment?

Since the 80`s, we have had a program of installing photovoltaic

panels in the interior of the State. Today, our major

project is in Mineirão, which began in May 2013, carried out

especially for the World Cup. To this day, it is one of the largest

solar installations on a stadium in the world. This led us to studying

new ventures.

What are these ventures?

One is the Topmig venture, another is the Copasa venture.

We also have an almost R$ 4 million project in Uberlândia

with Algar Telecom, set to go into operation in June 2017. We

have the Village 1 project, which is in a condominium with 95

houses, where we are installing solar energy; also in Uberlândia,

and we already have put the Algar Tec project into operation,

which is a 300 kW peak generating plant.

A Cemig tem convênios com diversas universidades

de Minas Gerais. Como funciona essa relação e qual a

importância de estabelecer parcerias com o meio acadêmico?

Essas relações se dão principalmente através dos programas

de eficiência energética e programas de P&D. Praticamente

todos os nosso projetos de P&D têm

o envolvimento do meio acadêmico. Como

se tratam de projetos de inovação e

que necessitam de uma massa crítica

mais científica, as universidades e

centros de pesquisas são nossos

parceiros preferenciais. Inclusive,

temos um projeto feito na

área de energia junto com o

Cefet daqui de Belo Horizonte,

Unidade 2: temos uma usina

solar experimental lá, usando

concentradores solares. Estamos

tentando fazer a segunda

parte desse projeto e viabilizar

custos para dar continuidade.

Nosso envolvimento com universidades

é significativo.

“Estamos estudando

a mobilidade

automotiva elétrica

a fundo, para

podermos nos

preparar para o

futuro”

Cemig has agreements with several universities in

the State of Minas Gerais. How does this relationship

work and what is the importance of establishing these

partnerships with academia?

These relationships are mainly in energy efficiency and

R&D programs. Virtually all our R&D projects have

the involvement of academia. As they deal

with innovation and need a more

scientific critical mass, universities

and research institutions are

our preferred partners. Also,

we have a project being

carried out in the area of

energy, together with

Cefet in BH, Unit 2: we

have an experimental

solar power plant there,

using solar concentrators.

We're trying to

start the second part

of this project by finding

the funds to continue. Our

involvement with universities

is significant.

16

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PRINCIPAL

PLANTANDO

ENERGIA

FOTOS DIVULGAÇÃO

RESÍDUOS DE

MADEIRA VEM

ATRAINDO ATENÇÃO

POR SEU POTENCIAL

ECONÔMICO E

AMBIENTAL

18

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PLANTING ENERGY

TIMBER RESIDUES ARE BEGINNING TO ATTRACT

ATTENTION AS TO THEIR ENVIRONMENTAL AND

ECONOMIC POTENTIAL

Bioenergia produzida a partir de biomassa ganha espaço cada vez maior

no horizonte de possibilidades de geração de energia limpa

O

crescimento nas iniciativas de desenvolvimento

sustentável no cenário mundial, juntamente

com o agravamento da crise hídrica no Brasil,

vem criando novas demandas de alternativas

renováveis para geração de energia. Nesse contexto, a energia

produzida a partir de biomassa florestal ganha espaço

cada vez maior no horizonte de possibilidades da geração

limpa.Com as inovações no mercado de bioenergia, os resíduos

de madeira vêm atraindo atenção por seu potencial

econômico e ambiental ao dar destino a um volume de descartes

que acaba, na maioria, ocupando áreas cultiváveis.

O diferencial da biomassa de resíduos florestais é o uso

de todas as partes da árvore, não apenas do tronco, mas também

da casca, galhos, ramos, folhas e até mesmo raízes. Essa

biomassa pode ser convertida em biocombustível sólido,

G

rowth in sustainable development initiatives

on the world stage, along with the worsening

water crisis in Brazil, have created

new demand for renewable alternatives

for the generation of energy. In this context, the energy

produced from forest biomass is increasing space on

the horizon of clean generation possibilities. With the

innovations in the bioenergy market, timber residues

have been attracting attention for their economic and

environmental potential as to providing a way of removing

a large volume of waste, which for the most part

occupy arable areas.

The difference for forest biomass residue is in the use

of every part of the tree, not just the trunk, but also the

bark, twigs, branches, leaves and even the roots. This

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 19


PRINCIPAL

líquido ou gasoso, que é então queimado para geração de

energia ou utilizado como substituto em processos industriais.

No caso dos resíduos florestais, as árvores são alternativas

viáveis para a produção de energia limpa por converterem

energia solar em biomassa por meio do processo de fotossíntese,

que captura CO 2

(gás carbônico) da atmosfera.

A maior parte da biomassa de resíduos florestais utilizada

na produção de bioenergia tem origem nos resíduos e descartes

de processos de manufatura. Esse tipo de bioenergia

vem representando uma parcela significativa da energia utilizada

pelo setor de celulose e papel, em grande parte devido

à viabilidade econômica de converter em energia um resíduo

que seria encaminhado para descarte ou queima final.

“O aproveitamento energético e racional da biomassa

tende a promover o desenvolvimento de regiões menos favorecidas

economicamente, por meio da criação de empregos

e da geração de receita, reduzindo o problema da dependência

externa de energia”, explica o professor doutor do

Lqmbio (Laboratório de Qualidade da Madeira e Bioenergia)

da UFG (Universidade Federal de Goiás), Carlos Sette Júnior.

Tradicionalmente, os processos de geração de energia

por biomassa florestal se baseiam na queima de casca de árvores

ou resíduos do processo de produção de polpa. No entanto,

vem ocorrendo um aumento no uso de outros resíduos

para geração de bioenergia, como galhos, raízes, árvores de

baixo valor comercial e descartes naturais encontrados no

ambiente, além do plantio destinado especificamente para a

geração de energia.

biomass can be converted into solid, liquid or gaseous

biofuel, which is then burnt to generate energy or used

as an substitute in industrial processes.

In the case of forest residue, trees are viable alternatives

for the production of clean energy by converting solar

energy into biomass through the photosynthesis process,

which captures CO2, or carbon, from the atmosphere.

Most of the biomass from forest residues used in the

production of bioenergy originates in the waste and residue

from manufacturing processes. This type of bioenergy

is beginning to represent a significant portion

of the energy used in the Pulp and Paper Sector, largely

due to the economic feasibility of converting waste into

energy that would normally be forwarded for disposal

or burning.

“The rational use of biomass for energy tends to

promote the development of less economically favored

regions, through the creation of jobs and the generation

of revenue, reducing the problem of external energy dependence”,

explains Carlos Sette Júnior, Professor at the

Federal University of Goiás (UFG) Timber and BioEnergry

Quality Laboratory (LQMBio).

Traditionally, the energy generation process is based

on forest biomass by burning tree bark or residues from

the pulp production process. However, an increase in use

of other wastes for bio-energy generation is beginning,

such as the use of branches, roots, trees of low commercial

value and natural wastes found in the environment,

in addition to plantings designed specifically for energy

Segundo o Balanço Energético Nacional, a participação da

biomassa na matriz energética brasileira é de 27%

No caso dos resíduos florestais, as árvores são alternativas viáveis para a

produção de energia limpa por converterem energia solar em biomassa

por meio do processo de fotossíntese, que captura CO 2

da atmosfera

20

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O diferencial da biomassa de resíduos florestais é o uso de

todas as partes da árvore, não apenas do tronco

Nesse cenário, a biomassa de resíduos florestais representa

uma fonte de matéria-prima para produção de energia renovável.

Quando essa biomassa tem origem em florestas manejadas

de modo sustentável e é replantada regularmente, as

emissões de gases do efeito estufa equilibram as originadas a

partir de combustíveis fósseis.

Esse sistema, que torna a produção carbono neutra, se

deve ao processo de fotossíntese realizado durante a vida

natural da árvore, que captura carbono da atmosfera e converte

em energia. Ao utilizar a árvore inteira na produção de

bioenergia, eliminando descartes, o carbono é convertido

efetivamente em energia renovável.

Entre as vantagens do uso de resíduos florestais para a

produção de energia está a melhoria de aproveitamento

quando comparado a biomassa de origem agrícola, como milho

ou cana-de-açúcar. Segundo o Balanço Energético Nacional,

a participação da biomassa na matriz energética brasileira

é de 27%, a partir da utilização de lenha de carvão vegetal

(11,9%), bagaço de cana-de-açúcar (12,6%) e outros (2,5%).

Isso demonstra um mercado ainda pouco explorado no uso

de resíduos florestais, apesar de representar uma alternativa

mais eficiente e mais sustentável em comparação aos resíduos

agrícolas, que ainda apresentam altos níveis de emissão de

carbono e competem com a produção de alimentos.

Do ponto de vista econômico, o uso desse tipo de bioenergia

representa menores perdas para a indústria madeireira,

que encontra um destino para seus descartes e pode

diminuir a pegada de carbono do seu processo produtivo. A

limpeza da área, com a retirada de grandes volumes de resíduos,

também simplifica as próximas operações de preparo

do solo e novo plantio, o que reduz custos de produção nos

processos subsequentes.

generation.

In this scenario, biomass from forest residues represents

a source of raw material for the production of

renewable energy. When this biomass comes from sustainably

managed forests and is replanted regularly, the

greenhouse gas emissions originating from fossil fuels is

being balanced out.

This process is carbon-neutral due to the photosynthesis

process during the natural life of the tree, capturing

carbon from the atmosphere and converting it into

energy. When using the entire tree for bioenergy production,

eliminating any residues, the carbon is effectively

converted into renewable energy.

Amongst the advantages of the use of forest residues

for energy production is an improved utilization rate

when compared to that of agricultural origin biomass,

such as corn or sugar cane. According to the National

Energy Balance, the contribution of biomass in the

Brazilian energy matrix is 27%, from charcoal (11.9%),

sugarcane bagasse (12.6%) and others (2.5%). This demonstrates

a still little explored market in the use of

forest residues, in spite of representing a more efficient

and more sustainable alternative when compared to

agricultural residues, which have high levels of carbon

emissions and compete with food production.

From an economic point of view, the use of this type

of bioenergy represents smaller losses for the forest-based

industry, providing a destination for its residues and

lowering the carbon footprint of its production process.

Cleaning up areas with the removal of large volumes of

waste, also simplifies the next soil preparation operations

and new plantings, which reduces production costs

in subsequent processes.

“Bioenergy is becoming increasingly important, both

in generating electricity and in the production of biofuels

from biomass, and Brazil has excellent soil and climate

conditions for the expansion of agricultural and forestry

biomass in the national energy matrix,” says UFG Professor

Sette. “The Country has the knowledge and the

technology needed for the production of forest biomass

for energy, with a competitive advantage on the world

stage,” he adds.

After harvesting planted areas, the residue materials

represent a significant portion of the production

volume. The amount of material varies according to

factors such as the quality of the timber, the type of soil

and terrain, the harvest system and the timber market,

amongst others.

Despite these variables, the volume of residues can be

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 21


PRINCIPAL

“A bioenergia está se tornando cada vez mais importante,

tanto para a geração de eletricidade como para a produção

de biocombustíveis a partir da biomassa e o Brasil possui

excelentes condições edafoclimáticas e territoriais para a

ampliação da participação da biomassa agrícola e florestal

na matriz energética nacional”, diz Sette. “O país detém o conhecimento

e a tecnologia necessários para a produção de

biomassa florestal para energia, com vantagem competitiva

no cenário mundial”, completa.

Após o corte de áreas plantadas, os materiais descartados

pela indústria representam uma parcela significativa do volume

de produção. A quantidade de material varia de acordo

com fatores como a qualidade da madeira, o tipo de solo e

terreno, o sistema de colheita e o mercado madeireiro, entre

outros.

Apesar das variáveis, o volume de resíduos pode ser estimado

com precisão, o que possibilita um planejamento de

uso viável. Na maioria dos casos, essa quantidade varia entre

500 e 700 m 3 (metros cúbicos) por ha (hectare), o que origina

um volume expressivo de resíduos após o corte de grandes

áreas florestais.

Os resíduos florestais gerados após o corte correspondem

a pelo menos 50% do volume total. No Brasil, essa parcela

de descarte está presente nos mais de sete milhões de

hectares de florestas plantadas de eucalipto e pinus, considerando

apenas os dois maiores cultivos de reflorestamento.

A parcela de resíduos florestais produzidos após o corte

inclui troncos danificados por infestações, fogo ou deformidades,

além das partes da árvore que não são normalmente

usadas pela indústria madeireira. Esses resíduos correspondem

apenas às partes deixadas no ambiente, que não são

levadas para processamento – os resíduos de manufatura

respondem por menos de 10% do volume total processado.

Um dos desafios para a expansão do uso desse tipo de

biomassa, os custos de transporte do material podem ser

minimizados ao manter as distâncias curtas e aproveitar os

equipamentos, materiais e veículos utilizados no processamento

da matéria-prima da indústria.

O grande desafio para a biomassa florestal é o transporte.

“Nem sempre tem floresta plantada em locais que precisam

de energia”, pontua o pesquisador da Embrapa Florestas Washington

Luiz Esteves Magalhães.

Em geral, a colheita e o transporte respondem por 40

a 60% do custo do negócio e, por isso, o raio de produção,

transporte e consumo costuma ficar entre 80 e 100 km (quilômetros).

ESSA BIOMASSA PODE

SER CONVERTIDA EM

BIOCOMBUSTÍVEL SÓLIDO,

LÍQUIDO OU GASOSO,

QUE É ENTÃO QUEIMADO

PARA GERAÇÃO DE

ENERGIA OU UTILIZADO

COMO SUBSTITUTO EM

PROCESSOS INDUSTRIAIS

OUTRAS ALTERNATIVAS

“Processos termoquímicos como a pirólise e a gaseificaestimated

with precision, enabling feasible use planning.

In most cases, this amount varies between 500 and 700

m3 per hectare, which leads to a significant volume of

residue after large forest areas have been harvested.

The forest residues generated after the harvest correspond

to at least 50% of the total volume. In Brazil,

this portion is present in more than 7 million hectares

of eucalyptus and pine planted forests, considering just

the two largest replanted species.

The portion of forest residues produced after harvesting

includes infested, fire damaged or deformed trunks,

in addition to the parts of the tree that are not normally

processed by the forest product industry. These residues

correspond only to the parts left in the environment,

which are not removed for processing – manufacturing

residues account for less than 10% of the total volume

processed.

One of the challenges for the expansion of the use of

this type of biomass material is the transport cost, which

can be minimized by keeping distances short and making

use of equipment, materials and vehicles used in the raw

material processing industry.

The big challenge for forest biomass is the transport.

“Not every planted forest is located in places that need

power,” points out Washington Luiz Esteves Research

Scientist at Embrapa Florestas.

In general, harvest and transportation account for 40

to 60% of the cost of doing business and, therefore, the

production, transport and consumption radius tends to

be limited to between 80 and 100 km.

OTHER ALTERNATIVES

“Thermochemical processes like pyrolysis and gasification

are alternatives for utilization of residues ge-

22

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ção são alternativas para aproveitamento de resíduos gerados

tanto no campo quanto nas agroindústrias, resolvendo

um problema ambiental e gerando mais receita", explica Rossano

Gambetta e pesquisador da Embrapa Agroenergia.

Dessa forma, o uso de resíduos florestais como biomassa

na geração de energia elétrica, térmica e coprodução não

limitam o uso dessa matéria-prima. Entre os produtos que

utilizam o material, destacam-se a celulose, papel, painéis

reconstituídos de madeira, como MDF, aglomerado, chapas

duras, entre outros.

Uma possibilidade ainda pouco explorada no setor são os

resíduos de arborização urbana, que ainda têm como destino

principal o aterro sanitário. O uso deste tipo de resíduo para

geração de energia, ou para compostagem e lenha, em menor

escala, pode representar um redirecionamento para um

volume de descarte que ocupa os aterros urbanos.

Do mesmo modo, os resíduos de madeira na construção

civil representam uma parcela inexplorada do mercado de

biomassa para geração de energia.

nerated both in the field and in agribusiness, solving an

environmental problem and generating added income,”

says Rossano Gambetta, a Research Scientist with Embrapa

Agroenergia.

In this way, the use of forest residues as biomass is

not limited to electrical and thermal energy generation

and in co-generation. Amongst the products that use the

material are pulp, paper and reconstituted wood panels,

such as MDF, particleboard, hardboard, and others.

Another still little explored possibility in the Sector

is the use of residue from urban afforestation, which is

still being mainly sent to landfills. The use of this type of

residue to generate energy, or for composting and fire

wood, on a smaller scale, can represent a redirecting of

material that would normally occupy an urban landfill.

Likewise, the timber wastes in construction represent

an untapped source of biomass for power generation.


FEIRA

24

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FEIRA MOSTRA

OTIMISMO

MAIOR E PRINCIPAL FEIRA DO SEGMENTO

REALIZADA EM SERTÃOZINHO (SP)

CRESCEU 3,5%

Foto: Renato Lopes

C

onsiderada o termômetro do setor sucroenergético

e atraindo compradores do mundo

todo que buscam soluções e novas tecnologias,

a XXIV Fenasucro & Agrocana confirma o

cenário de retomada. O balanço final divulgado pela organização

do evento apresenta um crescimento de 3,5%

em volume de negócios, o que equivale a R$ 2,9 bilhões, e

supera a expectativa que era manter o mesmo número da

edição passada (R$ 2,8 bilhões).

As rodadas de negócios nacionais e internacionais

impulsionaram o comércio na feira gerando cerca de US$

390 milhões e mais de US$ 130 milhões em prospecções.

As mais de 700 reuniões comerciais foram fruto das rodadas

de negócio internacionais promovidas pelo Projeto

Brazil Sugarcane Bioenergy Solution, uma parceria entre

o Apla (Arranjo Produtivo Local do Álcool) e a Apex-Brasil

(Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos)

e das rodadas nacionais, promovidas pelo Ceise

BR (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético

e Biocombustíveis) e Reed Exhibitions Alcantara

Machado. Participaram compradores de todos os Estados

do Brasil e de países como Argentina, Bolívia, Colômbia,

Costa Rica, Cuba, El Salvador, México, Nicarágua, Peru,

Uruguai e Venezuela.

Segundo o gerente geral da Fenasucro & Agrocana,

Paulo Montabone, o aumento do volume de negócios de-

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 25


FEIRA

monstra a força da feira para o setor. “Os números refletem

aquilo que vimos antes e durante os dias de Fenasucro &

Agrocana. Muitas empresas apostaram e vieram pela primeira

vez porque acreditaram que o evento seria o ponto

de partida da retomada”, comenta. “Esta edição foi marcada

por um clima bastante positivo e realmente acreditamos

que a feira representou a ponte para a retomada do

setor sucroenergético”, completou Paulo Gallo, presidente

do Ceise Br.

A feira também se consolida como plataforma de alternativas,

soluções e inovações tecnológicas, reunindo mais

de mil marcas que apresentaram produtos voltados para

toda cadeia produtiva canavieira. De acordo com João

Bissiano Herrada, representante da Citrotec, que participa

da feira há sete anos, a edição de 2016 teve um balanço

muito positivo, principalmente, em relação ao perfil dos

visitantes. “Este ano tivemos muitas visitas que estavam

fora de nossa programação, incluindo grupos estrangeiros.

Foi possível fechar vários negócios durante o evento e

encaminhamos muitos outros. Tivemos um incremento de

cerca de 80% entre vendas concretas e possibilidades de

projetos futuros”, afirma Herrada.

Para o representante da TGM, Adalberto Marchiori, a

participação também superou as expectativas, principalmente,

em relação à procura de serviços como o planejamento

dos processos de manutenção. “Foi muito positivo.

A qualidade do público está melhor, tivemos muitos

negócios fechados e temos um número significativo de

projetos em andamento com boa perspectiva de concluir

a venda. Percebemos também um aumento significati-

O GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO, GERALDO

ALCKMIN, RESSALTOU A IMPORTÂNCIA DA RETOMADA

DO CRESCIMENTO DO SETOR SUCROENERGÉTICO PARA

IMPULSIONAR A ECONOMIA

RODADAS DE NEGÓCIOS NACIONAIS E INTERNACIONAIS

IMPULSIONARAM OS NEGÓCIOS NA FEIRA GERANDO

CERCA DE US$ 390 MILHÕES E MAIS DE US$ 130

MILHÕES EM PROSPECÇÕES

Foto: Rafael Cautella Foto: Rafael Cautella

“A feira reflete a realidade do segmento

sucroenergético e do país. Existem vários

grupos com intenção de estudar e fazer

algum investimento para aumento da

moagem em função da sucumbência de

outros, então nos sentimos otimistas com

relação ao futuro breve do segmento”

Maurício Moisés,

diretor de negócios da Caldema

Foto: divulgação

26

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“Tivemos a oportunidade de demonstrar

aos visitantes o funcionamento de nossos

equipamentos – como a gaiola com

descarga automática traseira por meio de

piso móvel e também nosso sistema de

enlonamento automático. É um momento

em que fortalecemos a imagem da

empresa, mostramos a qualidade do nosso

produto e os benefícios provenientes da sua

utilização”

Fábio José Bachiega,

diretor da Carrocerias Bachiega

Foto: divulgação

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FEIRA

A FEIRA TAMBÉM SE CONSOLIDA COMO

PLATAFORMA DE ALTERNATIVAS,

SOLUÇÕES E INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS,

REUNINDO MAIS DE MIL MARCAS

O BALANÇO FINAL DIVULGADO

PELA ORGANIZAÇÃO DO EVENTO

APRESENTA UM CRESCIMENTO DE

3,5% EM VOLUME DE NEGÓCIOS

Foto: Rafael Cautella Foto: Sérgio Masson

vo de empresas interessadas em já agendar o processo

de manutenção, o que também é muito positivo”, afirma

Marchiori. Na edição deste ano, a TGM comemorou entre

outras negociações, a venda de quatro redutores para um

grupo brasileiro de usinas e um pacote de produtos para

empresas da Argentina.

Para a SEW Eurodrive, a Fenasucro & Agrocana foi estratégica

para fortalecer relacionamentos comerciais. “Tivemos

a visita de clientes importantes e prospecção de

novos negócios, além de receber clientes como a Usina

Cerradinho”, afirma Sarah Leitão, representante da empresa.

Em 2016, 35 mil visitantes compradores passaram pela

feira – em 2015 o número foi de 33 mil – vindos de todos

os Estados brasileiros e 46 países de todos os continentes

do mundo.

QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL FOI

DESTAQUE NA FEIRA

Um dos principais atrativos da XXIV edição da Fenasucro

& Agrocana foi a grade de eventos de conteúdo, que

passou de 90 para mais de 200 horas nesta edição.

Passaram pelo Espaço de Conferências José Felix Silva

Junior cerca de 5 mil pessoas – três mil a mais que na

edição passada. Palestras, workshops, debates, encontros

e seminários, disseminaram novos conhecimentos e tendências

para que o setor sucroenergético se prepare para

entrar em uma nova era.

Os eventos de conteúdo discutiram, por exemplo, a

perspectivas de mercado, inovações em automação in-

“Percebemos que o público estava um

pouco mais animado em relação ao setor

sucroenergético. Há uma certa tendência de

voltar a investir, principalmente na área de

açúcar. E algo mais voltado para a área de

manutenção, de retrofit, do que investimento

em equipamentos novos. Mas o que deu para

perceber foi uma animação maior em relação à

feira do ano passado, pela parte econômica do

país. Creio que isso já está começando a refletir

no número de propostas”

Carlos Henrique Dalmazo, representante do

departamento comercial da Exgen

Foto: divulgação

28

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UM DOS PRINCIPAIS ATRATIVOS DA XXIV EDIÇÃO

DA FENASUCRO & AGROCANA FOI A SUA GRADE

DE EVENTOS DE CONTEÚDO, QUE PASSOU DE 90

PARA MAIS DE 200 HORAS NESTA EDIÇÃO

Foto: Sérgio Masson

Foto: Sérgio Masson

dustrial, comunicação para o setor, transporte e logística,

custos agrícolas, irrigação e fertirrigação, entre outros.

“Todos os nossos visitantes encontraram na Fenasucro

& Agrocana diversos conteúdos para enriquecer e se aprimorar

profissionalmente. O setor está diante de um novo

ciclo marcado por crescimento e, por isso, apostamos na

qualificação para que os profissionais do setor estejam

preparados para enfrentar os novos desafios que vêm por

aí”, explica Igor Tavares, diretor do Portfólio de Energia da

Reed Exhibitions Alcantara Machado.

A próxima edição da Fenasucro & Agrocana já tem

data para acontecer: 22 a 25 de agosto de 2017. A feira é

realizada pelo Ceise Br e organizada pela Reed Exhibitions

Alcantara Machado.


EDUCAÇÃO

30

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MARATONA DO

CONHECIMENTO

SEMINÁRIO NACIONAL DE

DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA

ELÉTRICA É CONSIDERADO O

MAIOR EVENTO DO SETOR NA

AMÉRICA LATINA

FOTOS DIVULGAÇÃO

C

uritiba (PR) vai receber 300 estudantes de

todo o Brasil para o Hackathon Sendi 2016

uma maratona de programação voltada ao

setor de energia. Realizado pela Abradee (Associação

Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica)

e organizado pela Copel, Universidade Positivo e Senai/

Centro Internacional de Inovação – C2i, o evento acontece

de 4 a 6 de novembro, no Expotrade.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site

www.sendi.org.br. As vagas são limitadas por área de atuação

e divididas igualmente em quatro desafios. Podem

participar estudantes de graduação e pós-graduação de

todo o Brasil. As equipes serão formadas por cinco integrantes,

sendo obrigatório um desenvolvedor, um designer

e um estudante de negócios. “Alunos de outras áreas

também são bem-vindos e quanto mais heterogênea a

equipe, mais chance de saírem boas ideias”, afirma Fabiano

Nezello, coordenador do evento.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 31


EDUCAÇÃO

CURITIBA VAI RECEBER 300 ESTUDANTES DE

TODO O BRASIL PARA O HACKATHON SENDI

2016 – UMA MARATONA DE PROGRAMAÇÃO

VOLTADA AO SETOR DE ENERGIA

Com a mentoria de especialistas do setor de distribuição

de energia, desenvolvimento de software, plataformas

embarcadas e modelagem de negócio, as equipes

terão 30 horas para apresentar uma solução para um dos

quatro desafios: “Relacionamento Inteligente com o Consumidor”;

“Energia Inteligente”; “Operação e Automação

Inteligente de Redes de Distribuição” e “Soluções para Cidades

e Instalações Inteligentes.”

AS EQUIPES SERÃO

FORMADAS POR CINCO

INTEGRANTES, SENDO

OBRIGATÓRIO UM

DESENVOLVEDOR, UM

DESIGNER E UM ESTUDANTE

DE NEGÓCIOS

32

Os projetos concluídos serão selecionados por uma

comissão julgadora, levando-se em conta a criatividade,

originalidade, utilidade prática e possibilidade de implementação.

Os dois melhores projetos de cada desafio

serão premiados e passam para a segunda fase, que escolherá,

entre as oito melhores, a equipe campeã, que vai

ganhar, entre outros prêmios, uma viagem para a Itália,

com visitas técnicas a empresas inovadoras. Cada intewww.REVISTABIOMAIS.com.br


grante da equipe que conquistar o segundo lugar vai ganhar,

entre outros prêmios, um smartphone Quantum Fly,

lançamento da Positivo Informática. Todos os participantes

que apresentarem seus projetos serão contemplados

com uma inscrição para o Sendi 2016 – XXII Seminário Nacional

de Distribuição de Energia Elétrica –, que acontece

de 7 a 10 de novembro.

O Hackathon Sendi 2016 marca o início das atividades

do maior evento de distribuição de energia elétrica da

América Latina – o Sendi 2016, que reúne representantes

das maiores distribuidoras de energia públicas e privadas,

do Brasil e exterior, para a apresentação de novas tecnologias,

AS EQUIPES TERÃO 30 HORAS PARA

APRESENTAR UMA SOLUÇÃO PARA

UM DOS QUATRO DESAFIOS

PICADORES FLORESTAIS

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TECNOLOGIA

TECNOLOGIA

QUE

TRANSFORMA

GASODUTO LEVA ENERGIA

E GERA EMPREGOS

NO NORDESTE

FOTOS DIVULGAÇÃO

34

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U

m grande investimento está transformando

a pequena Goianinha, na região do litoral sul

do Rio Grande do Norte. A cidade, com pouco

mais de 22 mil habitantes, fica a cerca de 60

km (quilômetros) da capital, Natal. Uma área destinada

exclusivamente à atividade industrial começou a ser

construída no município. A primeira empresa a se instalar,

uma fábrica de revestimentos cerâmicos do Grupo

Elizabeth, está próxima de ser concluída. Quando alcançar

operação máxima, a unidade será a maior do gênero

na América Latina. O governo do Estado já sinalizou

que outras empresas de grande porte têm intenção em

investirem no polo industrial.

Wesley Rocha, secretário de comunicação do município,

conta que todos na região estão animados com

o empreendimento. Segundo ele já foram contratados

cerca de 300 profissionais pela fábrica de cerâmicas.

“Temos protocolo de intenção assinado com outras oito

empresas. É uma perspectiva bem animadora”, lembra.

O fornecimento de energia ao distrito industrial

foi providenciado pela Potigás (Companhia Potiguar

de Gás). A companhia contratou uma empresa especializada

em infraestrutura subterrânea, para construir

um gasoduto entre o empreendimento e a rede de gás

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 35


TECNOLOGIA

A DISTRIBUIÇÃO É

FEITA ATRAVÉS DE UMA

REDE DE GASODUTOS

SUBTERRÂNEOS QUE

SOMAM 379 QUILÔMETROS

DENTRO DO ESTADO

natural, distribuído e comercializado no Rio Grande do

Norte. A rede de gasodutos subterrâneos soma 379 km

(quilômetros) dentro do Estado. A malha de distribuição

atende residências, postos de combustíveis, indústria e

comércio nos municípios de Natal, Macaíba, Parnamirim,

São Gonçalo do Amarante, Extremoz, Ielmo Marinho,

Parnamirim, Mossoró e, agora, Goianinha.

Com o objetivo de incentivar o consumo de gás

natural e fomentar a atividade econômica no Estado,

o governo criou o programa RN Gás +. O gasoduto de

Goianinha é a menina dos olhos do programa, que terá

como primeira grande missão alimentar o maior forno

da América Latina para uma produção mensal de um

milhão de metros quadrados de pisos e revestimentos.

A previsão é que a empresa comece a operar no

segundo semestre deste ano e crie até 600 vagas de

empregos diretos.

O duto de distribuição de gás natural canalizado que

vai atender o polo industrial de Goianinha tem um total

de 8,5 mil m (metros) de tubulação. O investimento chegou

a R$ 5,2 milhões, com a construção da infraestrutura

e com os tubos em aço de 6 polegadas e espessura de 7,7

mm (milímetros). Ao longo da extensão foram implantadas

duas estações de redução de pressão e medição.

A Cerâmica Elizabeth, primeira indústria que irá utilizar

o combustível deve iniciar a produção com consumo

médio de 40 mil m³ (metros cúbicos) por dia. A previsão

é que no auge da produção a fábrica utilize 120 mil m³ de

gás por dia. A expectativa do poder público é que o gasoduto

impulsione a economia da região com a atração

de novas indústrias, recolhimento de ISS (Imposto Sobre

Serviços) para o município e geração de 800 empregos

diretos e indiretos neste primeiro momento. A cidade

também será beneficiada com a oferta de gás natural

canalizado para os segmentos comercial e residencial

a preços competitivos.

36

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A OBRA

Ao longo dos mais de 8 km do lançamento do gasoduto

surgiram alguns desafios. Mesmo assim, as obras,

que começaram no final do mês de janeiro foram concluídas

antes do prazo previsto em contrato, que era

de 120 dias. “No total, foram instalados mais de 8,5 mil

m de tubulação com o investimento de mais de R$ 5,2

milhões, com recursos próprios da Companhia, para

atender à demanda do Polo Industrial de Goianinha”,

afirma o diretor técnico comercial da Potigás, José Ricardo

Bezerra.

De acordo com o supervisor de obras de método

não destrutivo, Moacir Pereira, a instalação do gasoduto

foi dividida em frentes. A primeira delas cruzou o bairro

de Lagoa do Poço, uma comunidade de baixa renda que

inicialmente se mostrou contrária à obra. “No início, os

moradores estavam mobilizados em não nos deixar passar

com o gasoduto, por medo de explosão ou receio de

que a obra danificasse as ruas do bairro.” Moacir conta

que o trabalho de convencimento teve participação da

prefeitura de Goianinha, que fez campanha informativa

em rádio e chamou representantes da associação de

moradores para o debate. Nestas ações foi explicado aos

moradores que a implantação do gasoduto seria subterrânea,

através do método não destrutivo e que não

seriam abertas valas nas ruas. A geração de empregos

também influenciou no convencimento dos moradores,

que terão um distrito industrial nas proximidades.

A COMPANHIA CONTRATOU

UMA EMPRESA ESPECIALIZADA

EM INFRAESTRUTURA

SUBTERRÂNEA PARA

CONSTRUIR UM GASODUTO

ENTRE O EMPREENDIMENTO

E A REDE DE GÁS NATURAL


EVENTO

FUTURO SOLAR

INTERSOLAR REUNIU ESPECIALISTAS E

NOVIDADES TECNOLÓGICAS PARA

ENERGIA FOTOVOLTAICA

FOTOS DIVULGAÇÃO

38 www.REVISTABIOMAIS.com.br


E

ntre os dias 23 e 25 de agosto o Expo Center Norte,

em São Paulo (SP), recebeu o principal evento

sobre energia solar da América do Sul. A Intersolar

South America levou ao mercado tudo sobre

tecnologia para geração e distribuição de energia solar,

além dos principais especialistas sobre o assunto.

De acordo com os organizadores, a Intersolar South

America aborda métodos de produção eficientes, financiamentos

e planejamentos de projetos. Exposições e

conferências oferecem oportunidade para uma percepção

aprofundada dos tópicos centrais sobre energia fotovoltaica,

tecnologias de produção, armazenamento e tecnologias

solares térmicas.

ENCONTRO NACIONAL DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

Paralelamente à Intersolar South América, aconteceu

o Enie (XVI Encontro Nacional de Instalações Elétricas),

que tem entre o público-alvo, provedores de serviços de

energia e telecomunicações. Em 2012, o evento reuniu

167 expositores, 600 congressistas e um público de mais

de sete mil visitantes qualificados.

Lançado em 2012 e já disponível no Brasil o instalador

de estacas PD10 da Vermeer, foi um dos destaques do

encontro. Projetado para atuar nas instalações de usinas

fotovoltaicas. Este é o único equipamento da categoria no

qual o operador tem a opção de trabalhar sentado ou com

o auxílio de um controle remoto. O PD10 é equipado com

Exposições e conferências oferecem oportunidade para percepção

aprofundada dos tópicos centrais sobre energia fotovoltaica, tecnologias

de produção, armazenamento e tecnologias solares térmicas

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 39


EVENTO

diversas inovações tecnológicas, entre elas o sistema de

auto prumo, capaz de garantir o ângulo exato para instalação

vertical das estacas. Ele também possui um receptor

a laser integrado, o que torna as instalações precisas e aumentam

a produtividade da operação.

Trata-se de um equipamento exclusivo para a instalação

das placas solares em usinas de energia fotovoltaica.

A solução da Vermeer foi projetada para atuar com baixo

custo operacional na instalação de painéis solares. A máquina

conta com o sistema de monitoramento remoto

Insite. Isto possibilita um alto nível de gerenciamento de

informação quanto ao desempenho.

A versatilidade é uma das principais características

do PD10. Ele é capaz de instalar estacas de diferentes tamanhos;

3m, 4,6m ou 6,1m (metros) de altura. A alta performance

do equipamento deve-se em parte ao martelo

hidráulico, com potência de 1.500 joules, o que o torna o

mais rápido do mercado na categoria de instaladores de

estacas.

A Intersolar South America trouxe para o mesmo local

tudo sobre tecnologia para geração e distribuição de

energia solar

Para construção de infraestrutura subterrânea, a Vermeer

possui uma linha completa de perfuratrizes direcional

horizontal e valetadeiras

40

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INFRAESTRUTURA SUBTERRÂNEA

Para construção de infraestrutura subterrânea a Vermeer

possui uma linha completa de perfuratrizes direcional

horizontal (Navigator) e valetadeiras; que podem fazer

desde microvalas para instalação de microdutos, até valas

maiores para obras de saneamento. O destaque do espaço

da Vermeer no evento é a Minivaletadeira RTX250.

Equipamento de pequeno porte, a Minivaletadeira

RTX250 tem produtividade muito superior que máquinas

convencionais, como retroescavadeira, por exemplo. A

RTX250 é compacta, com esteiras, é adaptável a diversos

tipos de terreno, inclusive áreas arenosas.

A minivaletadeira tem como grande diferencial a execução

de valas precisas com enorme produtividade. O

equipamento faz valas com paredes retas e fundo limpo,

possibilitando que o material retirado seja reaproveitado

na obra. Ela foi projetada para executar valas entre 10 e 20

cm (centímetros) de largura e até 1,20 m de profundidade.

A produtividade é em média de 600 m/dia, dependendo

das condições de solo, o que significa duas vezes mais do

que é feito por retroescavadeiras.

A INTERSOLAR SOUTH

AMERICA ABORDA

MÉTODOS DE

PRODUÇÃO EFICIENTES,

FINANCIAMENTOS E

PLANEJAMENTOS DE

PROJETOS


ESPECIAL

42

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VOLTA

AO

MUNDO

SOLAR IMPULSE 2,

LANÇADO EM 2014, VIAJA

AO REDOR DO MUNDO

UTILIZANDO APENAS

ENERGIA SOLAR

FOTOS DIVULGAÇÃO

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 43


ESPECIAL

O

primeiro avião movido a energia solar

completou uma viagem pioneira ao

redor do mundo em julho deste ano. A

jornada do Solar Impulse 2 começou em

Abu Dhabi, em março de 2015, seguindo pela Ásia até

o Japão, de onde partiu para o Havaí, prosseguiu pelos

EUA (Estados Unidos da América) até o Egito, retornando

para o ponto inicial nos Emirados Árabes Unidos.

A viagem somou mais de 42 mil Km (quilômetros) de

percurso divididos em 17 etapas, passando por quatro

continentes, três mares e dois oceanos, o último deles

sendo o Oceano Atlântico na etapa final da viagem.

“O Atlântico é a parte simbólica do voo”, revelou

Bertrand Piccard, um dos líderes do projeto. “É simbólico

porque todos os meios de transporte sempre

tentaram cruzar o Oceano Atlântico, os primeiros barcos

a vapor, o primeiro avião, os primeiros balões, os

primeiros dirigíveis, e agora o primeiro avião movido

a energia solar.”

O conceito do Solar Impulse surgiu em 1999, quando

o piloto Bertrand Piccard voou ao redor do mundo

a bordo de um balão. Durante a viagem, Piccard percebeu

a grande quantidade de combustível utilizado

no percurso, o que despertou um desejo de garantir

que sua próxima viagem ao redor do globo fosse totalmente

livre combustíveis fósseis e emissões de gases

do efeito estufa.

MUITA PESQUISA

Depois de cinco anos de pesquisa, Piccard lançou

oficialmente o projeto Solar Impulse em 2004, em

parceria com o piloto André Borschberg. Então foram

O primeiro avião movido a

energia solar completou uma

viagem pioneira ao redor do

mundo em julho deste ano

44

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A jornada do Solar Impulse

2 começou em Abu Dhabi,

em março de 2015, seguindo

pela Ásia até o Japão, de onde

partiu para o Havaí

mais cinco anos trabalhando na primeira versão do

primeiro projeto, a dupla lançou o primeiro protótipo

em dezembro de 2009.

O primeiro voo consistiu de um percurso de 350 m

(metros), a um metro de altura do solo. Com a segunda

versão do projeto, o Solar Impulse 2, lançado em 2014,

a dupla deu a partida no projeto de primeira viagem

ao redor do mundo utilizando apenas energia solar,

com previsão inicial de ser completada em 5 meses.

O Solar Impulse 2 tem a largura de um Boeing 747,

mas pesa apenas 5 t (toneladas) – 36 vezes mais leve do

que as 178 t do modelo mais utilizado de Boeing 747,

e mais próximo do peso de um carro. A eletricidade

que alimenta a nave é gerada por 17 mil painéis fotovoltaicos

localizados nas asas e fuselagem, carregando

as baterias de alta eficiência que alimentam os quatro

motores de 17,4 cavalos.

O cockpit de aproximadamente 4 m³ (metros cúbicos)

é suficiente para abrigar o piloto deitado. O

esforço físico e mental de permanecer confinado em

um espaço pequeno, em uma única posição, fez com

que incluíssem exercícios, yoga e meditação ao treinamento

de Piccard e Borschberg, que se revezaram

no comando da viagem ao redor do globo.

“Cada minuto da viagem é um minuto de suspense,

um minuto de desafio, e o fato de que eu posso

permanecer voando sem combustível ou poluição

por quatro dias e quatro noites é algo completamente

novo”, afirmou Piccard. “Tenho a sensação de estar em

uma história de ficção científica, parece que já estou

no futuro.”

O tamanho reduzido da cabine, construído com

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 45


ESPECIAL

O SOLAR

IMPULSE PASSOU

POR QUATRO

CONTINENTES,

TRÊS MARES E

DOIS OCEANOS,

O ÚLTIMO DELES

O ATLÂNTICO, NA

ETAPA FINAL DA

VIAGEM

46

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material leve para manter o peso reduzido da nave, foi

um dos maiores desafios para a equipe envolvida no

projeto. A construção do espaço foi resultado de uma

parceria com a Covestro, que disponibilizou polímeros

de alta tecnologia para a composição do cockpit,

aliando leveza a alta resistência e isolamento térmico.

“A Covestro ficou responsável pelo projeto do

cockpit devido a experiência com materiais. Desenvolvemos

materiais extremamente leves para o Solar

Impulse 2, uma vez que leveza sempre foi um dos critérios

principais para a equipe Solar Impulse”, explica

Bernd Rothe, líder da equipe de desenvolvimento de

materiais da Covestro. “As metas eram altas e o espaço

de tempo foi um desafio. A equipe Covestro encontrou

soluções que foram discutidas com a Solar Impulse e

melhoradas em conjunto.”

Os esforços da Covestro se alinharam às expectativas

da equipe do Solar Impulse 2. “Nós precisávamos

dos melhores materiais, que deveriam ser os mais

leves e resistentes possíveis para sequer podermos

levantar voo. Além disso, deveriam oferecer o melhor

desempenho possível no quesito isolamento térmico

para que nós, pilotes, pudéssemos sobreviver às temperaturas

extremamente baixas”, completa Piccard.

TECNOLOGIA DE PONTA

O Solar Impulse 2 foi construído com espuma

rígida de poliuretano microcelular, para isolamento

térmico; policarbonato, extremamente resistente e

duas vezes mais leve que vidro; e revestimento de

poliuretano, utilizado na maior parte da fuselagem

para proteger dos elementos naturais e evitar superaquecimento.

Em um avião leve movido a uma alternativa ino-

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ESPECIAL

vadora de combustível, a simplicidade deu o tom do

projeto. Para evitar as possibilidades de erros que

vem atrelados a um sistema mais complexo, uma das

funcionalidades deixadas de lado inicialmente foi o

sistema de resfriamento.

Além de tornar o avião leve e silencioso, a inovação

tecnológica do Solar Impulse 2 permitiu completar o

percurso mais longo e desafiador do projeto. Foram

8,9 mil km de voo de Nagoya, no Japão, até Kalaeloa,

no Havaí, completados em 118 horas ininterruptas

atravessando o Oceano Pacífico, batendo o recorde

mundial de mais longo voo único sem paradas.

Juntamente com o feito histórico, a duração e distância

da viagem recorde superaqueceu e queimou

uma parte das células de bateria e mostrou a necessidade

de um sistema de resfriamento no avião. O resultado

foi uma parada forçada logo após a primeira

parte da viagem, no Japão.

Com alguns meses de intervalo até a etapa seguinte,

a equipe teve a oportunidade de substituir todas as

baterias e ainda fazer melhorias no software e design

do avião. O tempo também foi aproveitado pelo piloto

Bertrand Piccard para captar recursos adicionais para

o projeto, que já vinha ganhando atenção do mercado

em sua primeira etapa da viagem global.

O atraso não foi motivo para abalar a confiança da

equipe envolvida no projeto, que passou mais de uma

década se preparando, projetando o avião e refinan-

O tamanho reduzido da cabine,

construído com material leve

para manter o peso baixo

da nave, foi um dos maiores

desafios para a equipe

48

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do o design em viagens curtas experimentais. Para

os envolvidos no projeto, o ponto principal não é o

tempo de viagem, mas demonstrar as possibilidades

de uso de tecnologias sustentáveis e energia limpa.

“No mundo atual, se quisermos melhor qualidade de

vida, criar empregos, ter lucros na indústria e desenvolvimento

sustentável para o planeta, precisamos de

novas tecnologias limpas, porque é isso que o planeta

precisa”, pondera Piccard.

O tempo em solo possibilitou ainda que a equipe

desse o passo inicial em uma nova versão do Solar

Impulse, menor, mais leve e totalmente automatizada.

Em um avião operado sem piloto, torna-se possível realizar

viagens mais longas, sem pousos e intervalos em

solo. As possibilidades para esse tipo de nave incluem

o potencial de permanecer em voo por tempo indefinido,

o que permitiria projetos como mapeamento

meteorológico mais preciso ou levar internet para países

em desenvolvimento, entre outras expectativas

para o futuro.

Para Piccard, essas expectativas envolvem sobretudo

a substituição de combustíveis fósseis. “Quando

estou pilotando um avião solar que tem capacidade

de voar eternamente, fico com a impressão de já estar

vivendo 30 anos no futuro. E quando pouso, tenho a

impressão de estar voltando para o passado, penso

‘Uau, eles ainda usam motor a combustão!”

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ARTIGO

ANÁLISE ENTRE

PROCESSOS E

MATÉRIAS-PRIMAS

PARA A PRODUÇÃO

DE BIODIESEL

FOTOS DIVULGAÇÃO

POR VANESSA PECORA GARCILASSO

*Tese apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Energia do

Instituto de Energia e Ambiente da USP (Universidade de São Paulo)

para obtenção do título de Doutor em Ciências.

50

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INTRODUÇÃO

A

busca por alternativas ao uso de combustíveis

fósseis vem se tornando cada vez mais

necessária. O crescente aumento do preço do

petróleo, somado aos problemas ambientais

causados pela intensificação do efeito estufa, compõe um

cenário no qual a utilização de fontes renováveis de energia

se torna fundamental para garantir a sustentabilidade

das futuras gerações e o equilíbrio do ambiente.

Neste sentido, os biocombustíveis vêm se destacando

por serem uma fonte de energia alternativa de maior viabilidade

para o setor de transporte, que é um dos setores

onde há maior consumo de energia.

A utilização de biocombustíveis tem sido guiada, principalmente

nos países desenvolvidos, por diversos fatores,

podendo-se destacar a redução da dependência de

combustíveis fósseis na matriz energética e a redução das

emissões de gases causadores do efeito estufa.

Com isso, os biocombustíveis, em especial o biodiesel,

tornaram-se uma importante alternativa para a substituição,

total ou parcial, dos combustíveis não renováveis,

acarretando na diminuição dos impactos causados pela

utilização de combustíveis fósseis.

No Brasil, a utilização de biocombustíveis líquidos já

faz parte da realidade nacional há várias décadas, desde

a introdução do Proálcool em 1975, o que garantiu posição

de destaque ao país, ainda mais recentemente com a

introdução dos automóveis bicombustíveis (veículos flex).

Entretanto, considerando que a matriz brasileira de

transportes é majoritariamente rodoviária, o desafio atual

é viabilizar a produção em larga escala, de maneira sustentável,

de biocombustíveis líquidos para uso em motores

diesel, uma vez que as barreiras para a utilização do etanol

em motores ciclo Otto já foram quase todas superadas.

De acordo com a ANP, o consumo nacional de combustíveis

cresceu 5% em 2013, em comparação a 2012,

totalizando cerca de 132 bilhões de litros. O consumo

de óleo diesel cresceu 4,6% entre 2012 e 2013, passando

de 55,9 bilhões de litros para 58,4 bilhões de litros (EBC,

2014).

De acordo com a Petrobras, a importação de óleo

diesel estava entre 150 e 160 mil barris por dia em 2012

(aproximadamente 24 milhões de litros por dia = 8,7 bilhões

de litros por ano), podendo chegar entre 280 e 300

mil barris por dia em 2014 (aproximadamente 45 milhões

de litros por dia = 16,3 bilhões de litros por ano), ou seja,

um aumento de 87% em um curto período de tempo. Em

2015, a tendência é que as importações diminuam devido

ao início de operação de novas refinarias, podendo atingir

o volume de 100 mil barris por dia (Exame.com, 2012).

Além de ser utilizado no setor de transporte, representando

cerca de 80% do consumo brasileiro, cerca de 5% do

óleo diesel consumido no Brasil ainda é destinado ao setor

energético, principalmente para a geração de energia em

comunidades isoladas da Amazônia (EPE, 2013).

A utilização de biodiesel evita a poluição do ar melhorando

a saúde das pessoas, ao contrário do diesel comum

que lança toneladas de dióxido de enxofre, hidrocarbonetos

pesados oriundos da queima incompleta, sem falar na

enorme emissão de dióxido de carbono e outras partículas

que causam problemas respiratórios e dermatológicos.

Além disso, a produção desse biocombustível aumenta o

número de empregos tanto no campo quanto na indústria

em virtude de sua fabricação reclamar mão de obra

especializada e cuidados com as culturas que fornecem a

matéria-prima.

Além dos ganhos ambientais e sociais, o biodiesel

ainda apresenta ganhos tecnológicos, pois é um ótimo lubrificante

para o motor, podendo aumentar sua vida útil.

Para a utilização deste biocombustível, não precisa de nenhuma

adaptação em caminhões, tratores ou máquinas.

Sua utilização pode ser direta e não deixa qualquer tipo

de resíduos que possa comprometer o desempenho do

motor.

Neste contexto, a produção e uso do biodiesel justifica-se

como opção interessante para substituição/mistura

ao diesel comum, com vantagens ambientais, sociais e

tecnológicas.

Nos últimos anos, políticas de incentivo à produção

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 51


ARTIGO

deram início à inserção do biodiesel na matriz energética

nacional através do Pnpb (Programa Nacional de Produção

e Uso do Biodiesel). No ano de 2005, a Lei nº. 11.097

determinou a introdução do biodiesel na matriz energética

brasileira e, atualmente, fixa o valor em 6%2 para o

percentual mínimo obrigatório de adição de biodiesel ao

óleo diesel comercializado ao consumidor final.

Apesar do importante avanço proporcionado pela introdução

legal do biodiesel no país, existem ainda muitas

questões relacionadas à sua produção e uso que precisam

ser discutidas, tais como as diferentes condições de cultivo

de matérias- primas e as diferentes rotas tecnológicas

para a obtenção do mesmo.

A diversidade de espécies de plantas oleaginosas

existentes e outras matérias- primas com potencial de

aproveitamento para produção de biodiesel no Brasil foram

vistas como vantagens no que se refere à segurança

de abastecimento no país por ocasião da introdução do

Pnpb.

Entretanto, apesar da grande variedade de oleaginosas

no país, de acordo com ANP (2013a), a soja é a principal

matéria-prima utilizada para produção de biodiesel

no âmbito do Programa Nacional Brasileiro, com 77,4%

de participação, seguida pela gordura bovina (16,8%) e

o óleo de algodão (4,3%), além da utilização marginal de

outras fontes.

Os produtores da cadeia produtiva da soja exerceram

papel fundamental para o êxito do programa de biodiesel,

pois quando foi lançado, o setor da soja era o que se encontrava

mais bem preparado para atender o mercado de

biodiesel, pois já produzia em escala e era competitivo no

mercado internacional.

Inicialmente, o principal objetivo do programa foi introduzir

o biodiesel na matriz energética nacional com

foco na inclusão social e no desenvolvimento regional.

Os produtores que adquirirem percentuais mínimos de

matéria-prima de agricultores familiares recebem o Selo

Combustível Social e podem usufruir dos benefícios de

redução dos tributos federais incidentes sobre os biocombustíveis,

conforme discutido nos capítulos adiante.

Quanto à utilização de outras culturas como girassol,

dendê, mamona, etc., para a produção de biodiesel, um

dos problemas está relacionado à questão agronômica

pela falta de informação científica e comercial da cultura a

ser utilizada, ou na questão da caracterização dos óleos a

serem utilizados, como por exemplo, a viscosidade, entre

outros. Além disso, as barreiras econômicas relativas aos

outros usos finais dessas culturas, que apresentam altos

custos de oportunidades, podem inviabilizar sua utilização

para a produção de biodiesel, conforme discutido no

Capítulo 3.

A variedade de matérias-primas para produção de

biodiesel, a competição entre produção de culturas energéticas

versus cultura de alimentos, as condições socioeconômicas

de cultivo e sustentabilidade ambiental da

obtenção/cultivo das matérias-primas, dentre outros, impactam

de maneiras diferentes os sistemas energéticos e

ambientais relacionados.

Com relação à parte tecnológica, atualmente no Brasil

a rota convencional para produção de biodiesel é a transesterificação

metílica, reflexo também da tendência adotada

no mundo, principalmente em países que possuem

projetos de biodiesel em estágio mais avançado, como a

Alemanha.

No contexto brasileiro a possibilidade de utilização de

álcool etílico na produção de biodiesel é de grande interesse,

considerando as condições particulares do Brasil,

onde são produzidos volumes expressivos de uma maneira

sustentável. Entretanto o uso de etanol para este

fim ainda é pouco difundido. Apesar de tratar- se de um

combustível renovável, com vantagens reconhecidas, são

poucos os estudos que analisaram sua viabilidade do ponto

de vista da sustentabilidade de sua cadeia produtiva,

refletindo poucos investimentos em projetos de grande

porte para essa rota.

Além disso, conforme apresentado adiante, o uso de

etanol como reagente para a produção de biodiesel ain-

52

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da apresenta alguns inconvenientes quando comparado

ao metanol, como maior consumo no processo além de

proporcionar formação de emulsões com facilidade, o que

torna o processo de purificação dos produtos finais mais

complicado.

A preocupação recorrente com os aspectos de sustentabilidades

dos produtos faz com que cada vez mais sejam

necessários estudos de ACV, a fim de que toda a cadeia

produtiva seja considerada e os diferentes impactos ambientais

sejam analisados.

Conceitualmente, a ACV é uma metodologia utilizada

para avaliar os impactos ambientais causados por um produto

ou serviço durante todo o seu ciclo de vida ou cadeia

de produção. Por meio de uma abordagem conhecida

como "do berço ao túmulo”, a ACV avalia todos os estágios

do ciclo de vida de um produto, desde a extração das

matérias-primas dos sistemas naturais até seu uso final,

incluindo as etapas de transporte de matérias-primas e

insumos, além de disposição dos resíduos.

Nesse sentido, a fim de permitir a comparação entre

as matérias-primas disponíveis no país e processos de

produção, visando identificar as oportunidades de melhorias

para a cadeia produtiva do biodiesel, foi desenvolvido

este trabalho.

A originalidade do trabalho está na comparação dos

processos e matérias-primas para a produção de biodiesel,

realizada a partir das análises e resultados do estudo

de ACV do projeto Bioacv (mencionado adiante na estrutura

do capítulo 5), além da análise e proposição de políticas

públicas para um biodiesel sustentável no Brasil.

Após a introdução e a contextualização, o capítulo 2

“Panorama Geral sobre o Biodiesel” descreve a situação do

biodiesel no Brasil e no mundo além das vantagens sociais

e ambientais, energéticas e estratégicas da utilização de

biodiesel como combustível no Brasil.

No capítulo 3 “Matérias-Primas para a Produção de

Biodiesel” são discutidas as diferentes matérias-primas

para a produção de biodiesel no Brasil, incluindo as principais

oleaginosas, a gordura animal e os principais álcoois

utilizados. Este capítulo também aborda a questão da utilização

de solo para produção de matérias-primas e sua

evolução no Brasil, além de considerações sobre a possibilidade

de produzir biodiesel por meio de óleos residuais.

Em sequência, o capítulo 4 “Aspectos Científicos e Tecnológicos

da Produção de Biodiesel” apresenta os processos

de obtenção de biodiesel e as principais tecnologias utili-


ARTIGO

zadas. Este capítulo também aborda as propriedades do

biodiesel, baseadas em dados de literatura, além de apresentar

as considerações sobre a glicerina obtida no processo

de transesterificação.

O capítulo 5 “Estudo da Avaliação do Ciclo de Vida para

a Produção de Biodiesel” apresenta uma revisão a cerca da

utilização da metodologia de ACV para avaliação de biocombustíveis,

bem como as definições do estudo de ACV

para a produção de biodiesel, de acordo com as fases da

execução previstas pela Abnt (2009), considerando o objetivo

e escopo do projeto, detalhamento dos sistemas de

produto, as fronteiras do sistema, procedimentos de alocação

e métodos de avaliação de impactos.

Foram analisados os sistemas de produção de biodiesel

utilizando o óleo de soja e a gordura animal, a partir de

duas rotas: etílica e metílica (Projeto Bioacv). Para a elaboração

deste estudo foram utilizados dados reais de operação

de duas plantas de biodiesel, sendo uma localizada

em Catanduva (SP), que produz biodiesel etílico a partir de

diversas matérias-primas, e a outra localizada em Lins (SP),

que produz biodiesel a partir de gordura animal.

Foi realizada análise comparativa das diferentes rotas

de produção e das matérias-primas consideradas, bem

como a determinação dos impactos ambientais decorrentes

da metodologia de ACV, pois até então não há estudos

que consideram dados do processo em escala industrial e

comparam seus desempenhos ambientais.

Este capítulo apresenta também os detalhes do levantamento

de dados considerados para elaboração dos

ICV’s, bem como os resultados obtidos para os sistemas

analisados.

O capítulo 6 “Barreiras e Políticas para a Produção de

Biodiesel Sustentável no País” apresenta uma breve discussão

sobre as barreiras e políticas para efetivar a utilização

do biodiesel na matriz energética brasileira.

E, finalmente, no capítulo 7 “Conclusões” são apresentadas

as conclusões do estudo desenvolvido, incluindo as

principais contribuições do mesmo, além de seus impactos

finais. São também apresentadas as interfaces entre os

resultados obtidos e as contribuições no que se refere à

sustentabilidade, às limitações existentes e as possibilidades

futuras para desdobramentos do tema.

RELEVÂNCIA DA PESQUISA

O crescente consumo de petróleo e o aumento na

demanda mundial de energia fez com que vários stakeholders

contribuíssem para o desenvolvimento de novas,

renováveis e viáveis fontes de energia. Com o desafio da

substituição total ou parcial dos combustíveis fósseis na

matriz energética mundial, surgiu um grande interesse

dos pesquisadores sobre o uso de biocombustíveis, por

sua renovabilidade, e na maioria dos casos, menor emissão

de poluentes para atmosfera.

O alto índice de emissões de GEE no Brasil é devido à

atividade agropecuária, desde a emissão de metano pelos

ruminantes até o desmatamento e mudança na ocupação

do solo causados pela expansão da atividade. Entretanto,

nas grandes cidades e regiões metropolitanas, os altos índices

de emissões referem-se ao setor de transporte devido

a sua dependência dos combustíveis tradicionais, causando

problemas ambientais e na saúde da população.

O Brasil vem atuando de forma expressiva no uso de

fontes alternativas de energia. Assim como o etanol, que

já se consolidou como uma alternativa à gasolina, o biodiesel

apresenta significativo potencial para ser a opção

renovável frente ao diesel mineral, proporcionando a redução

da dependência do setor de transportes em relação

aos derivados do petróleo (Sugawara, 2012).

O biodiesel foi introduzido na matriz energética brasileira

, quando o governo federal considerou estratégico

para o Brasil promover um combustível renovável que

pudesse fomentar o desenvolvimento regional, gerar emprego

e renda no campo, além de reduzir a necessidade

da elevada importação de diesel (Bndes Setorial, 2007).

Desde 2005 o Brasil vem aumentando significativamente

a sua produção de biodiesel. Apesar da intenção do

Governo Federal em basear o programa no sistema de

agricultura familiar, o uso da mamona e da palma como

matéria-prima não se concretizou por diversos problemas

(Obermaier et al., 2010), concentrando a atual produção

principalmente no óleo de soja (74,5%) e na gordura animal

(15,6%) (MME, 2012), que são subprodutos da exportação

de carne e farelo.

A utilização de forma sustentável do biodiesel como

54

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aditivo no óleo diesel contribui não apenas para a redução

das emissões atmosféricas, mas também permite reduzir

o consumo de óleo diesel no país. Considerando que o

Brasil ainda importa diesel puro para atender à demanda

do país, a adição de 7% (ou mais) de biodiesel no diesel

contribui para minimizar este impacto nas importações e

no balanço de pagamentos do país.

Por meio da determinação dos impactos ambientais

decorrentes das rotas de produção e das matérias-primas

consideradas no estudo de ACV apresentado no Capítulo

5, espera-se que este trabalho contribua para o cenário

técnico e científico por utilizar uma abordagem ainda não

realizada, pois até então não há estudos que consideram

dados do processo em escala industrial e comparam seus

desempenhos ambientais.

O resultado deste estudo ainda permitirá a avaliação

da situação atual do biodiesel no Brasil, incluindo as barreiras

existentes quanto à utilização de outras matérias-

-primas, além da soja e gordura animal, para a produção

de biodiesel, bem como seu uso de forma sustentável no

país a partir da análise de políticas públicas e propostas

adequadas para o programa de biodiesel existente.

Objetivo

Esta tese tem por objetivo analisar as matérias-primas

e os processos de produção de biodiesel, bem como analisar

as políticas e propor adequações para o programa de

biodiesel existente, visando sua sustentabilidade no Brasil.

As análises são realizadas com base no estudo de ACV ambiental

da produção de biodiesel a partir das duas matérias-primas

mais utilizadas no país: soja e gordura animal,

contemplando as duas rotas de produção: etílica e metílica

(Projeto BIoacv – CNPq, desenvolvido pelo IEE/USP3,

conforme apresentado no Capítulo 5).

Esta pesquisa objetiva também alguns temas específicos

como a análise do panorama geral do biodiesel no

Brasil e no mundo, análise dos aspectos científicos e tecnológicos

da produção de biodiesel, bem como análise do

conceito, metodologia e abordagens da ACV.

Este trabalho pretende contribuir com a produção e

uso de biodiesel no Brasil em função das matérias-primas

utilizadas e processos de produção, considerando os principais

impactos dessa cadeia, se forma a subsidiar a sustentabilidade

do biodiesel no país e políticas públicas para

biocombustíveis.

OBS: versão parcial, para versão integral entrar em contato

com o Programa de Pós- Graduação em Energia do Instituto

de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo

através do email: contato@iee.usp.br

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AGENDA

OUTUBRO Outubro 2016 2016

ABRIL Abril 2017 2017

Abtcp

Data: 25 a 27

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.abtcp2016.org.br

Power-Gen Brasil

Data: 25 a 27

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.pennwell.com/events.html

NOVEMBRO Novembro 2016 2016

MAIO Maio 2017 2017

Windaba

Data: 2 a 4

Local: Cidade do Cabo (África do Sul)

Informações: www.windaba.co.za

Emart Enegery

Data: 3 e 4

Local: Amsterdã (Holanda)

Informações: www.emart-energy.com

Birec (Brazil International Renewable

Energy Congress)

Data: 7 a 10

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.bireccongress.com

Enersolar+

Data: 23 A 25

Local: São Paulo

Informações: enersolarbrasil.com.br

JULHO Julho 2017 2017

Feira Internacional da Indústria Elétrica

Data: 25 a 28

Local: São Paulo

Informações: www.fiee.com.br

Smart Energy 2016

Data: 16 a 18

Local: Curitiba (PR)

Informações: www.smartenergy.org.br

Acesse:

www.portalreferencia.com.br


DESTAQUE

Destaque

Birec (Brazil

International

Renewable Energy

Congress)

Data: 7 a 10 de novembro

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OPINIÃO

Foto: divulgação

A TRANSFORMAÇÃO

ATRAVÉS DA ENERGIA

SOLAR

H

oje estou aqui para falar da transformação da

qual a energia solar faz parte. Para aqueles que

não conhecem a fundo a energia solar fotovoltaica,

sua tecnologia por si só é fantástica. Poder

gerar energia, sua própria energia, através da luz do sol já é

uma grande transformação. Mas hoje, nesse exato momento,

o mundo está passando por uma transformação épica,

que daqui a muitos anos nós iremos olhar e perceber o

quão importante ela foi.

Os países estão em uma fase importante de transição

de uma matriz suja, que gera energia com fontes poluentes

ou que inundam grandes áreas de florestas, para fontes limpas,

que tem praticamente um efeito inócuo sobre o meio

ambiente e que não emitem carbono, o que é algo muito

importante. O que está acontecendo no mundo é parte de

um processo muito grande e a Energia Solar é extremamente

importante. Podemos citar várias tecnologias, como a

bateria, por exemplo. Daqui a algum tempo poderemos armazenar,

em grandes quantidades, a energia que hoje nós

produzimos com os sistemas fotovoltaicos. Essa tecnologia

está se aperfeiçoando.

Podemos falar sobre a medição inteligente da nossa

produção e consumo de energia. Podemos, também, falar

sobre os carros elétricos, que são agora uma tecnologia já

fortemente críveis. Muita gente já percebeu que essa transição

é inevitável. O mundo está mudando muito rapidamente.

E não simplesmente porque precisamos parar de poluir,

mas porque essas tecnologias estão se tornando cada vez

mais viáveis. As pessoas querem essas tecnologias porque

elas são melhores do que as outras. De fato, são alternativas

melhores. Então, o próprio mercado está levando o mundo

para uma transição energética e tecnológica. Isso está apenas

começando!

Este ano os EUA (Estados Unidos da América) irão ultrapassar

1 milhão de residências com sistemas solares

fotovoltaicos instalados. A Alemanha, por sua vez, conta

com milhões de sistemas instalados, sendo que as energias

renováveis já ocupam a maior parte da sua matriz energética.

Mas se pensa que isso é muito, digo o contrário. Isso

é pouco. O mundo está apenas começando a adotar essas

novas tecnologias e acreditamos que podemos fazer parte

e mudar esse cenário juntos. Temos uma certeza: falar sobre

esse assunto, sobre novas tecnologias, sobre a energia solar

no futuro, compartilhar o máximo de conhecimento que

pudermos sobre a energia solar é, sem sombra de dúvida,

uma excelente via para fortalecer e acelerar o processo de

transição.

Por José Renato Colaferro

Sócio e diretor de operações da Blue Sol Energia Solar

Foto: divulgação

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