Agosto/2016 - Biomais 16

jota.2016

Visitantes - Grupo Jota Comunicação

Energia Verde: Embrapa crê que Biomassa pode suprir futuras demandas

revista biomassa energia

MÓVEL E AUTOMÁTICO

PISO OTIMIZA PRODUÇÃO

JOSÉ ROBERTO

DE MORAES

FUTURO RENOVÁVEL

ALÉM DO KETCHUP

TOMATE PODE GERAR ENERGIA


TRANSPORTE

OTIMIZAÇÃO

RESULTADO

EXCELÊNCIA NA INDÚSTRIA DE BIOMASSA

Sistemas Especiais

de Manuseio

• Mesas elevadoras

• Manipulação

• Soluções customizadas

Linhas de Acabamento

para Painéis de Madeira

• Resfriamento de chapas

• Manipulação

• Lixamento

• Armazenamento

Preparação de

Partículas & Reciclagem

• Pátios de toras

• Sistemas de alimentação

• Linhas de picagem

Tecnologia de Secagem

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• Secadores Industriais

Tecnologia de Prensagem

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• Prensas industriais

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Rua General Potiguara, 1115 | CIC | Curitiba | PR | Brasil | CEP 81050-500

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SUMÁRIO

04 | EDITORIAL

Inovações necessárias

06 | CARTAS

08 | NOTAS

14 | ENTREVISTA

22 | PRINCIPAL

30| PELO MUNDO

Metrô solar

34| BIOMASSA

Florestas energéticas

38 | PROCESSO

Muito além do ketchup

42 | CASE

Siemens inaugura

nova sede

46 | ESPECIAL

54 | FEIRA

No lugar certo

58 | ARTIGO

64 | AGENDA

66| OPINIÃO

Energia na nova era econômica

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 03


EDITORIAL

INOVAÇÕES NECESSÁRIAS

Estampa a capa desta edição a carroceria

da Bachiega, que automatiza de forma não

convencional o processo de transporte da

cana-de-açúcar

JOTA COMUNICAÇÃO

EXPEDIENTE

Diretor Comercial / Commercial Director: Fábio

Alexandre Machado (fabiomachado@revistabiomais.

com.br) • Diretor Executivo / Executive Director: Pedro

Bartoski Jr (bartoski@revistabiomais.com.br) • Diretora

de Negócios / Business Director: Joseane Knop

(joseane@jotacomunicacao.com.br)

A palavra inovação normalmente é usada quando algo que é desenvolvido

pouco se parece com padrões conhecidos. Em uma época

de globalização recorrente, a capacidade para inovar representa uma

vantagem competitiva fundamental e necessária, além de ser um fator

estratégico para a sustentabilidade. Foi pensando nisso que produzimos

a BIOMAIS deste mês. Em nossas páginas destacamos diversas iniciativas

inovadoras, como a utilização de gordura animal para produção de biodiesel,

além de analisarmos os desdobramentos da nova Lei de Biocombustíveis,

sancionada em março. Há, ainda, o case de sucesso da nova

sede da Siemens, em Munique (Alemanha), projeto pensado de maneira

100% sustentável, além de processos de produção de energia de fontes

até então pouco usuais, como o tomate. Fazemos isso porque acreditamos

que a essência de uma boa inovação é questionar a lógica convencional

e, a partir do pensar diferente, brotam ideias que revolucionam a

sociedade. Excelente leitura!

JOTA EDITORA

Diretor Comercial / Commercial Director: Fábio

Alexandre Machado (fabiomachado@revistabiomais.

com.br) • Diretor Executivo / Executive Director:

Pedro Bartoski Jr (bartoski@revistabiomais.com.

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Murilo Basso, (jornalismo@revistabiomais.com.br) •

Dep. de Criação / Graphic Design: Fabiana Tokarski

- Supervisão, Fabiano Mendes, Fernanda Maier,

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(comercial@revistabiomais.com.br) • Fone: +55 (41)

3333-1023 • Dep. de Assinaturas / Subscription: -

Monica Kirchner - Coordenação, Alessandra Reich,

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A REVISTA BIOMAIS é uma publicação da

JOTA Editora - Rua Maranhão, 502 - Água Verde -

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Veículo filiado a:

A REVISTA BIOMAIS - é uma publicação bimestral e independente,

dirigida aos produtores e consumidores de energias limpas e alternativas,

produtores de resíduos para geração e cogeração de energia, instituições

de pesquisa, estudantes universitários, órgãos governamentais,

ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS não se responsabiliza por

conceitos emitidos em matérias, artigos, anúncios ou colunas assinadas,

por entender serem estes materiais de responsabilidade de seus autores.

A utilização, reprodução, apropriação, armazenamento de banco de

dados, sob qualquer forma ou meio, dos textos, fotos e outras criações

intelectuais da REVISTA BIOMAIS são terminantemente proibídas sem

autorização escrita dos titulares dos direitos autorais, exceto para fins

didáticos.

NECESSARY INNOVATIONS

The word innovation is typically used when something is developed

that little resembles known standards. In the existing era of globalization,

the ability to innovate represents a fundamental and necessary competitive

advantage, in addition to being a strategic factor for sustainability. It was

with this in mind that we produced this month’s BIOMAIS. In our pages, we

highlight several innovative initiatives, such as the use of animal fat for biodiesel

production, and in addition, we analyze the consequences of the new

law on Biofuels, sanctioned in March. There is also the successful case of the

new Siemens headquarters in Munich, Germany, a 100% sustainable project

including energy production processes using hitherto unusual sources, such

as the tomato. We do this because we believe that the essence of good innovation

is to question conventional logic and, from that “thinking differently”,

come ideas that revolutionize society. Pleasant reading!

REVISTA BIOMAIS is a bimonthly and independent publication, directed

at clean alternative energy producers and consumers, producers of residues

used for energy generation and cogeneration, research institutions, university

students, governmental agencies, NGO’s, class and other entities, directly and/

or indirectly linked to the Segment. REVISTA BIOMAIS does not hold itself responsible

for concepts contained in materials, articles, ads or columns signed

by others; these are the responsibility of their authors. The use, reproduction,

appropriation, databank storage, in any form or means, of the text, photos and

other intellectual property of REVISTA BIOMAIS are strictly forbidden without

written authorization of the holder of the authorial rights, except for educational

purposes.

04

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CARTAS

MUDANÇA

Animador o panorama atual para aproveitamento da energia gerada pelos ventos em nosso

país. Que seja algo constante em nossa matriz energética.

Vitor Ranaldi – Florianópolis (SC)

Foto: divulgação

EFICIÊNCIA

Excelente entrevista com Alexandre Moana, presidente da Abesco (Associação Brasileira das Empresas de Serviços

de Conservação de Energia). Ser eficiente é essencial para aqueles que querem evoluir de maneira sustentável.

Ana Kruguer – Cuiabá (MT)

MODELO

A Alemanha sempre foi e será um exemplo a ser seguido, sobretudo no que tange as energias renováveis.

Ótima reportagem!

Omar Struck – Londrina (PR)

INUSITADO

Bom saber que é possível extrair energia ecologicamente correta de onde menos se

espera. Parabéns pela reportagem: Banana para energia!

Angélica Feris – Porto Velho (RO)

Foto: divulgação

REVISTA

na

mídia

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informação

biomassa

energia

www

Publicações Técnicas da JOTA EDITORA

06

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NOTAS

ENERGIA DE SOBRA

A energia solar está em grande expansão no Chile. A exposição

solar privilegiada no norte leva a uma enorme produção

de eletricidade nas centrais solares. Porém, não havendo forma

de ligação, essa eletricidade não alcnça outras partes do país.

Por isso, o excedente é distribuído de forma gratuita pela região

ao redor. Consciente das dificuldades dos produtores, o governo

chileno avançou com um plano para fazer a ligação entre as

centrais até ao próximo ano. Também está sendo desenvolvida

uma linha de distribuição e transporte de energia elétrica – que

conta com 753 km (quilômetros) - que vai ajudar a solucionar o

congelamento na zona norte.

Foto: divulgação

BAMBU EM FOCO

Estudos analisam o potencial do bambu nativo (taboca)

que nasce no sudoeste da Amazônia para a produção

de energia a partir da planta. A conclusão é que a

exploração comercial do bambu tem grande potencial,

o que favorece o setor de produção de energia. Porém,

ainda existem pesquisadores contrários a comercialização

fora de locais controlados. Os principais pontos a serem

avaliados são: a dispersão nativa da espécie em território

amazônico e amplitude do emprego da taboca

em setores como imobiliário e construção civil. Apesar

destas questões, a produção da taboca já é utilizada na

indústria alimentícia, na produção de papel e celulose e

na biomassa para a geração de energia elétrica.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

ISENÇÃO DE ICMS

Uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Paraná

discutiu a adesão ao convênio 16/2015, do Confaz (Conselho Nacional de

Política Fazendária). Esse convênio isenta da cobrança do Icms (Imposto

sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) a geração de energia em casa

por fontes renováveis. O projeto de lei 378/2015, de autoria do presidente

da casa, deputado Ademar Traiano (PSDB), acredita que assim é possível

incentivar a micro e a minigeração de baixa tensão no país. Até o momento,

16 Estados brasileiros já aderiram à isenção da cobrança do Icms sobre a

energia produzida por residências, propriedades rurais e micro e pequenas

indústrias a partir de fontes renováveis.

08

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UNIVERSIDADES RENOVÁVEIS

A produção de energia renovável no Brasil está chamando a atenção dos

governos estaduais. Com a grande demanda de projetos e a falta de mão de obra

especializada na área, algumas universidades já estão desenvolvendo cursos

voltados para esse tipo de produção. Três universidades do Piauí irão ofertar

novos cursos; de acordo com o governo do estado, 30 milhões de reais serão

investidos na Universidade Estadual do Piauí (Uespi). A liberação de novos cursos

foi anunciada pelo governador Welligton Dias e a previsão é que mais de quatro

mil vagas sejam ofertadas. “Estou defendendo que possamos atuar nessas áreas

novas como geologia, temos gás, petróleo, essa área de engenharia mecatrônica,

área da energia elétrica voltada para energia solar, eólica, biomassa, e destaco a

mineração, já que precisa de mais engenheiro da mineração”, disse.

PARQUE SOLAR

AUTORIZADO

O governo de Minas Gerais concedeu

a licença de instalação da Usina Solatio

Brasil Gestão de Projetos Solares Ltda, em

Pirapora, no norte do Estado. A liberação

garante um investimento de R$ 6 bilhões

na instalação de todo o sistema de geração

de energia fotovoltaica de Minas. De acordo

com o projeto, será implantado um parque

solar fotovoltaico composto por 10 usinas

de 30 MW (megawatts) cada, uma linha de

transmissão de 9,2 km (quilômetros) e 138

kV (quilovolt), uma área de manutenção de

0,6 ha (hectares) e uma subestação de 1,5 ha

e 138 kV. Essa foi a segunda fase do processo

para implantação do empreendimento;

a primeira foi a licença prévia, concedida

em junho de 2015. Em maio deste ano, uma

equipe interdisciplinar foi montada para

analisar o processo. A terceira etapa será a

Licença de Operação, que neste caso, trata

da rede de distribuição.

Foto: divulgação

BRASILEIRAS ENTRE AS PRINCIPAIS

EMPRESAS DE ENERGIA LIMPA

Acaba de ser divulgado

o relatório Carbon Clean

200 TM (Clean200TM) com

a lista das 200 principais

empresas de energia limpa

com capital aberto no

mundo. O ranking inclui

três companhias brasileiras:

Weg, São Martinho e CPFL

Energias Renováveis. "O

Clean200 quase triplicou o

desempenho em relação

a seu homólogo reserva-

-pesada de combustíveis

fósseis ao longo dos últimos

dez anos, mostrando que as empresas de energia limpa estão oferecendo retorno

concreto e mensurável para os investidores", destacou Toby Heaps, presidente da

Corporate Knights e co-autor do relatório.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 09


NOTAS

DIRETORA-GERAL DA

UNESCO VISITA ITAIPU

A diretora-geral da Unesco (Organização das Nações Unidas

para a Educação, a Ciência e a Cultura), Irina Bokova, defendeu a

energia elétrica como estratégia central na luta contra a pobreza

e a proteção do meio ambiente. O posicionamento foi firmado

durante evento na usina hidrelétrica de Itaipu. Irina esteve na

região para assinatura do termo que eleva o CIH (Centro Internacional

de Hidroinformática) como instituição de categoria 2

dentro do PHI (Programa Hidrológico Internacional) da Unesco.

Essa categoria posiciona o centro como parte da chamada Família

das Águas da Unesco, tornando-se referência na formulação

de políticas para o segmento. A diretora ainda elogiou o esforço

de Itaipu por apoiar um programa tão emblemático para erradicar

a pobreza.

CARROS COM

ENERGIA SOLAR

A empresa chinesa Hanergy apresentou quatro protótipos

de carros elétricos com painéis solares fotovoltaicos.

Os carros podem ser carregados enquanto são

conduzidos ou também se ligados a estações de eletricidade

para viagens mais longas. O objetivo é iniciar a

produção em série nos próximos três anos. Os quatro

modelos são um utilitário, um monovolume, um familiar

e um esportivo. Ainda não há preços definidos para

a comercialização, mas a Hanergy tem como objetivo

apresentar soluções nos próximos três anos.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Foto: divulgação

CINESOLAR EM GOIÁS

Goiás recebeu o projeto que exibe filmes de forma gratuita a partir de

energia solar. O Cinesolar leva filmes nacionais para cidades brasileiras que

não possuem cinema. O grupo viaja pelo país em uma van equipada com uma

placa fotovoltaica. Ela capta energia solar enquanto viaja e equipamentos que

a transformam em energia elétrica para carregar baterias que vão ser usadas

nas projeções dos filmes. Também é levado material para montar uma tela de

200 polegadas em área aberta e equipamento de som, além de cadeiras para o

público se acomodar. A idealizadora do projeto, Cynthia Alario, explicou que a

equipe procura levar o cinema de forma sustentável para quem não tem acesso

à arte, além de divulgar a produção nacional e mostrar as vantagens de energias

renováveis. A ideia foi inspirada em um programa holandês.

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NOTAS

EÓLICA CHEGA A 42% NA

DINAMARCA

A Dinamarca bateu o recorde de geração de energia eólica em 2015, com 42%

da eletricidade produzida a partir desta fonte. E durante 60 dias do ano, algumas

regiões do oeste do país foram capazes de produzir mais energia eólica do que

conseguiam consumir. Tudo isso foi realizado enquanto duas de suas principais

fazendas eólicas estavam desligadas, com problemas técnicos. Se elas estivessem

funcionando, o número total poderia aumentar para 43,5%. Essa energia não

abastece somente a Dinamarca, ela é trocada ou vendida para Alemanha, Suécia

e Noruega.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

BIODIESEL

BOMBANDO

A produção brasileira de biodiesel atingiu

1,552 milhão de m³ (metros cúbicos) no acumulado

de 2016 até o mês de maio, quando

foram produzidos 309 mil m³. Os dados são do

Boletim Mensal de Combustíveis Renováveis,

divulgado mensalmente pela Secretária de Petróleo,

Gás Natural e Combustíveis Renováveis.

Em maio, a capacidade ficou em 7,123 milhões

de m³/ano (594 mil m³/mês). Desse total, 91%

são referentes às empresas detentoras do Selo

Combustível Social. Das 48 unidades aptas a

operar comercialmente, 37 detinham o Selo

Combustível Social. A capacidade média instalada

era de 148 mil m³/ano (412 m³/dia). Com

relação ao etanol, o consumo em maio foi de

2,13 bilhões de litros, sendo 0,8 bilhão de litros

de anidro e 1,3 bilhão de litros de hidratado.

Em 2016, já foram consumidos 10,5 bilhões de

litros.

ENERGIA SOLAR PARA

TRATAMENTO DE ESGOTO

O biólogo Rodrigo Berté criou em uma alternativa para criar um sistema

de tratamento de esgoto movido à energia solar. A estrutura não utiliza

produtos químicos. O projeto é composto por um módulo formado a

partir de tubos de plástico, no estilo colmeia. Na prática, são duas colmeias

que ficam girando para manter o tratamento biológico e a formação de

bactérias que degradarão o material sólido, melhorando a qualidade para

o lançamento em rios, parques e florestas. Trata-se de tecnologia inédita

na busca de uma solução para diminuir os impactos provocados pela ação

humana. Além de colocar em prática os princípios da sustentabilidade, a

iniciativa instalada em São Francisco do Sul (SC) é uma atividade de aprendizagem

que promove a ampliação dos horizontes de sensibilização ambiental

e recebe a visita de centenas de alunos todos os anos.

Fotos: divulgação

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ENTREVISTA

• JOSÉ ROBERTO

DE MORAES •

Foto: divulgação

SUSTENTÁVEL

E EFICAZ

T

odo ano, com o aumento populacional e do consumo, cresce a demanda mundial por energia. Por isso é necessário

buscar fontes alternativas que não degradem os recursos do planeta, nem comprometam a sobrevivência das diversas

espécies que nele habitam. Claro, ainda há muito o que evoluir quanto ao uso eficiente das energias renováveis, mas

elas estão cada vez mais próximas da adoção em larga escala. Em entrevista à BIOMAIS, José Roberto de Moraes, CEO

da Atlantic Energias Renováveis, aborda os projetos desenvolvidos pela empresa para o setor e a importância de considerar

também o âmbito social. Confira:

SUSTAINABLE AND EFFECTIVE

E

very year, with the increase in population and, particularly, consumption, the world demand for energy keeps growing. So it is

necessary to seek alternative sources that do not degrade the planet's resources, or compromise the survival of the diverse species

that inhabit it. Of course, there's still a lot to evolve as to the efficient use of renewable energy, but they are increasingly close to the

large-scale adoption. In an interview with BIOMAIS, José Roberto de Moraes, CEO of Atlantic Energias Renováveis, discusses the

projects developed by the Company for the Sector and the importance of considering the social context as well. Check it out:

14

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PERFIL:

Nome: José Roberto de Moraes

Formação: Graduado em Engenharia

Elétrica pela Universidade Mackenzie

(SP), com MBA em Finanças Corporativas

pelo Insper e certificação PMP (PMI)

Cargo: CEO da Atlantic Energias

Renováveis

PROFILE:

Name: José Roberto de Moraes

Education: Electric Engineering, Mackenzie

University, São Paulo, MBA in Corporate

Finance, Insper, and PMP Certification (PMI)

Function: Chief Executive Officer of Atlantic

Energias Renováveis

Em quais segmentos de energias renováveis a Atlantic

trabalha atualmente?

Somos uma empresa brasileira que desenvolve, implanta

e opera projetos de geração de energia elétrica provenientes

de fontes renováveis em parques eólicos e PCHs

(Pequenas Centrais Hidroelétricas). Estabelecemos um

modelo de negócios com maior segurança e rentabilidade

para os investidores, mantendo o compromisso de fornecer

energia limpa e confiável.

Quais os projetos envolvendo energia eólica desenvolvidos

pela empresa?

Hoje a Atlantic possui três projetos em operação: os

parques Eurus II com 30 MW (megawatts) de potência instalada

e 50,67% de fator de capacidade; Renascença V com

30 MW de potência instalada e 50,25% de fator de capacidade,

no Rio Grande do Norte; e o Complexo Eólico Morrinhos

com180 MW de potência instalada e 57,08% de fator

de capacidade, na Bahia. Há, ainda, dois complexos em fase

de implantação: o complexo de Santa Vitória do Palmar, no

Rio Grande do Sul, além do Complexo de Lagoa do Barro,

no Piauí.

Em que ponto estão as obras do Complexo Eólico

Santa Vitória do Palmar (RS) e do Complexo Eólico de

Lagoa do Barro?

O Complexo de Santa Vitória do Palmar está em implantação

desde agosto de 2015. O empreendimento, que

começa a operar ainda em 2016, contará com 69 aerogeradores

responsáveis por uma potência instalada de 207 MW,

enquanto o Complexo Eólico de Lagoa do Barro, no Piauí,

In which segments of renewable energy does Atlantic

currently work?

We are a Brazilian company that develops, installs and

operates electricity generation projects from renewable

sources, such as wind farms and small hydropower plants.

We have established a business model that provides investors

with greater security and profitability, maintaining the

commitment to providing clean, reliable energy.

What are the projects involving wind power being

carried out by the Company?

Today, Atlantic has three projects in operation: Eurus

II with 30 MW of installed capacity at a 50.67% capacity

factor; Renaissance V with 30 MW of installed power at a

50.25% capacity factor, in the State of Rio Grande do Norte;

and the Wind Farm Complex Morrinhos with 180 MW of installed

capacity at a 57.08% capacity factor, in the State of

Bahia. There are also two complexes in the implementation

phase: the Santa Vitória do Palmar Complex, in Rio Grande

do Sul, and the Lagoa do Barro Complex, in the State of

Piauí.

At what point are the works of the Santa Vitória do

Palmar Wind Farm Complex in Rio Grande do Sul and

the Lagoa do Barro Wind Farm Complex?

The Santa Vitória do Palmar Wind Farm Complex began

being installed in August 2015. The project, which begins

to operate in 2016, will feature 69 wind turbines and

account for 207 MW of installed power, while the Lagoa do

Barro Wind Farm Complex, in Piauí, should begin operations

in 2018. In full operation, it will feature eight wind far-

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 15


ENTREVISTA

deve iniciar sua operação

em 2018. Em pleno funcionamento,

ele contará

com oito parques

eólicos e potência

instalada de 195 MW.

O investimento será

de R$ 1,3 bilhão.

O Complexo Eólico

Santa Vitória do

Palmar é considerado

o maior projeto da

Atlantic. Qual será sua

capacidade?

O complexo contará

com 12 parques eólicos

que totalizam 69 aerogeradores

que produzirão, juntos,

207 MW de potência, suficientes

para abastecer cerca de 400

mil residências. Um dos grandes

diferenciais desse empreendimento

é a fundação direta, sem estacas, um

dos primeiros no Estado do Rio Grande

do Sul. Investimos também em sondagens

geotécnicas para identificar as características

do terreno. Essa solução de engenharia trouxe ganhos

como redução de custos e tempo de produção.

As torres de concreto de 120 m (metros) são fabricadas

na própria obra, garantindo segurança e agilidade da

entrega, além de otimizar os investimentos.

Na fase atual, estamos realizando as montagens de turbinas

eólicas, conduzido pela empresa Acciona Windpower

Brasil. Além disso, o Transformador 275 MVA 500 kV (quilovolts),

fabricado pela WEG, foi montado no complexo. O

equipamento vai conectar o complexo ao nível de tensão

de 525 kV.

Existe alguma previsão de quando eles entrarão em

operação?

A previsão é que os parques comecem a entrar em operação

em setembro.

Sobre as PCHs, como elas operam?

A PCH é uma usina de pequeno porte cuja capacidade

instalada é superior a 1 MW e inferior a 30 MW, com área

de reservatório inferior a 3 km² (quilômetro quadrado). Essa

"A PCH é uma usina de

pequeno porte cuja

capacidade instalada é

superior a 1 MW e inferior

a 30 MW, com área de

reservatório inferior a 3 km².

Essa potência é suficiente

para abastecer uma

cidade de 65 mil

habitantes"

ms with an installed

capacity of

195 MW. The

investment

will be in the

order of R$

1.3 billion.

The Santa

Vitória do

Palmar Wind

Farm Complex

is considered the

biggest Atlantic

project. What will

be its capacity?

The Santa Vitória do

Palmar Wind Farm Complex

will feature 12 wind farms totaling

69 wind turbines, and together,

will produce 207 MW of power, enough to

power about 400,000 homes. One of the major

differentiators of this venture is the direct foundation,

without piles, one of the first in the State of

Rio Grande do Sul. Due to this, we invested heavily

in geotechnical surveys to identify the characteristics

of the terrain. This engineering solution

has created savings such as reduced costs and

time to production. The 120 m concrete towers

were manufactured in on site, ensuring security

and ease of delivery, in addition to optimizing

investments. In the current phase,

we are assembling wind turbines, work

being carried out by Acciona Windpower

Brasil. In addition, the 275

MVA 500 kV Transformers, manufactured

by WEG, were assembled on

site. The equipment will connect to the complex at a 525

kV voltage level.

Is there any prediction as to when they will come

into operation?

The forecast is that the parks begin to come into operation

in September.

Looking at the “Small Hydro Plants”, how do they

work?

The SHP is a small-sized plant, whose capacity is grea-

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ENTREVISTA

potência é suficiente para abastecer uma cidade de 65 mil

habitantes. Essas centrais são instaladas em rios de pequeno

e médio porte, resultando em menores impactos ambientais.

Por essa razão, as PCHs são fonte de energia mais

limpa que as grandes centrais hidrelétricas.

Neste segmento, poderia destacar algum projeto

específico?

Operamos a PCH Rondinha, em Passos Maia (SC) com

potência instalada de 9,6 MW.

Energias renováveis sempre estão ligadas à sustentabilidade.

Quais ações a empresa desenvolve nesse

sentido?

Tratamos o desenvolvimento sustentável como componente

indissociável de nossa estratégia de negócios. O

crescimento, seja da produção ou da empresa, só é válido

quando acompanhado de ações que reduzem os impactos

ambientais e promovem a integração com a comunidade

e seu bem-estar. Os investimentos em fontes energéticas

renováveis e limpas cumprem com todos os requisitos

ambientais exigidos para licenciamento

pelos órgãos competentes, e contribuem

para a redução de emissão

de gases que podem levar ao

efeito estufa. Em todas as

localidades em que estamos

inseridos, estabelecemos

um relacionamento

próximo com

a comunidade para,

juntos, tentarmos

encontrar soluções

às questões locais.

Projetos de educação

e comunicação

e ações sociais

também estão

em nossa pauta

sustentável. Apoiamos,

por exemplo, a

manutenção do Centro

Educacional João

Paulo II, que oferece

complemento educacional

a 300 crianças

carentes em Piraquara (PR).

Desenvolvemos também

"Tratamos o

desenvolvimento

sustentável como

componente

indissociável

de nossa estratégia

de negócios"

ter than 1 MW and less than 30 MW, with a reservoir area of

less than 3 km². The power generated is enough to supply a

town of 65 thousand inhabitants. These power plants are

installed on small and medium-sized rivers, resulting in

lower environmental impacts. For this reason, SHP’s are a

source of cleaner energy than that from large hydropower

plants.

In this segment, could you highlight some specific

project?

We operate the Rondinha SHP, in Passos Maia (SC) with

an installed capacity of 9.6 MW.

Renewable energy is always linked to sustainability.

What actions is the Company taking in this direction?

We treat sustainable development as an integral component

of our business strategy. Growth, be it in production

or in the Company, is only valid when accompanied

by actions that reduce environmental impacts and promote

integration with the community and its well-being.

Investments in renewable and clean energy

sources comply with all environmental

requirements required for licensing

by the competent bodies, and

contribute to the reduction

of gas emissions

that can lead to the

greenhouse effect.

In all the locations

in which we

operate, we have

established a

close relationship

with

the community

and, together,

we try to find solutions

to local issues.

Education and

communication projects

and social activities

are also part of our

sustainable objectives. For

example, we are providing

support for the maintenance

of the John Paul II Educational

Center, which offers an educational

18

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ENTREVISTA

ações de reflorestamento

como no entorno

do Complexo Eólico

Morrinhos (BA), recuperando

a vegetação

nativa de ipês.

Uma ação que

chama a atenção é o

programa de rádio:

Ao Som do Vento;

que está no ar na 98

FM Nuporanga (BA).

Como surgiu essa iniciativa

por parte da

Atlantic? Qual a receptividade

dele nas comunidades

ao redor do Complexo

Eólico Morrinhos?

Em parceria com a consultoria

Marrikah, a Atlantic Energias Renováveis

criou o programa que, desde

2012, veicula informação e educação

na 98 FM Nuporanga, a emissora mais ouvida

no município. Foram sorteados quase

100 rádios entre os moradores, para atender à

população que não possuía um aparelho em casa.

São cinco inserções diárias, trazendo conteúdo relevante

à comunidade tanto sobre educação, como a respeito

dos impactos positivos e negativos desencadeados

pela operação, bem como sobre os programas realizados

para mitigar ou potencializar esses impactos. O sucesso do

programa inspirou a reproduzi-lo também em Santa Vitória

do Palmar, no Rio Grande do Sul. A Rádio América FM 90.3

veicula seis inserções diárias de segunda a sábado. Entre os

temas abordados, estão o conceito de licenciamento ambiental

e suas etapas, a importância da energia eólica e da

construção do parque na localidade, além de informações

sobre saúde, importância da reciclagem e valorização histórica

da região. A recepção pela população de ambas as

regiões foi muito positiva.

"As centrais são

instaladas em rios de

pequeno e médio porte,

resultando em menores

impactos ambientais. Por

essa razão, as PCHs são

fonte de energia mais

limpa que as grandes

centrais hidrelétricas"

complement

to 300 needy

children in

Piraquara

(PR). We

also develop

reforestation

projects

around the

Morrinhos Wind

Farm Complex in

Bahia, recuperating

the native ipê

vegetation.

An action that

draws attention is the

radio show “Ao Som do

Vento” (The Sound of the Wind),

which is on the air in Nuporanga (BA),

98FM. How did this come about as an initiative

of Atlantic? What is its receptivity in the

communities surrounding the Morrinhos Wind

Farm Complex?

In partnership with Marrikah consulting,

Atlantic Energias Renováveis created the program

that, in 2012, began broadcasting information

and education on Nuporanga FM 98, the most

listened to radio station in the City. We raffled

off almost 100 radios amongst the residents,

to meet the needs of a population that did

not have one at home. There are five

daily broadcasts, providing relevant

content to the community both

about education, and the positive

and negative impacts triggered by

our operation, as well as on the programs being carried out

to enhance or mitigate these impacts. The program's success

inspired it to be broadcast in Santa Vitória do Palmar,

in Rio Grande do Su as well. Radio America FM 90.3 broadcasts

six insertions per day, Monday to Saturday. Amongst

the topics covered are the concept of environmental

licensing and its steps, the importance of wind energy, and

the construction of the Wind Park in the locality, as well as

information about health, importance of recycling and the

historical role of the Region. The reception by the population

of both Regions has been very positive.

20

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PRINCIPAL

Foto: Joseph Xu

GORDURA

ENERGÉTICA

BIODIESEL PRODUZIDO

A PARTIR DE GORDURA

ANIMAL JÁ GANHA

CORPO NO BRASIL E

AMPLIA OPORTUNIDADES

PARA O MERCADO

DE COMBUSTÍVEIS

RENOVÁVEIS

22

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FAT ENERGY

BIODIESEL PRODUCED

FROM ANIMAL FAT IS

ALREADY GAINING BODY

IN BRAZIL AND EXPANDS

OPPORTUNITIES IN THE

RENEWABLE FUEL MARKET

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 23


PRINCIPAL

Foto: Thiago Gomes

A produção de biodiesel

a partir de resíduos

de gordura é uma

alternativa à demanda

mundial por petróleo

C

om baixo custo, alto aproveitamento e a capacidade

de dar destino a um grande volume de resíduos

da indústria pecuária, o biodiesel produzido

a partir de gordura animal ganha cada vez mais

corpo em um país com 212,3 milhões de cabeças de gado, 13

milhões de t (toneladas) de carne de frango e 3,13 milhões de

t de carne suína. No Brasil, a matéria-prima já representa cerca

de 20% da produção de biocombustíveis. Para os próximos

anos, a expectativa é de crescimento, sobretudo no mercado

de exportação.

O processo de produção do biodiesel à base de gordura

animal é o mesmo dos produzidos a partir de gordura vegetal

– o óleo reage com um tipo de álcool, geralmente metanol,

na presença de um catalisador, em uma sequência de reações

que dão origem à molécula do biodiesel. Neste caso, a diferença

está no tipo de matéria-prima utilizada para a reação: no

lugar dos óleos vegetais como óleo de soja, mamona, buriti ou

dendê, entra o sebo residual do abate de animais e processamento

de carne.

Outra particularidade na produção está no processo de

hidrogenação da gordura animal, que ocorre por meio da

reação com hidrogênio a alta temperatura e alta pressão. O

resultado é uma molécula basicamente pura, mas sintética, de

hidrocarboneto, isto é, uma substância idêntica ao diesel convencional.

“O produto é composto por todas as boas moléculas,

sem as partes nocivas”, explica Jeff Bigger, vice-presidente

de desenvolvimento da Syntroleum, empresa norte-americana

de pesquisa e desenvolvimento de combustíveis.

No Brasil, são produzidos a cada ano cerca de 2,5 milhões

de t de gordura resultante do abate industrial de bovinos, aves

W

ith low cost, high yield and ability to provide

a destination for the large volume of waste

from the livestock industry, the volume of biodiesel

produced from animal fat grows more

and more in a country with 212.3 million head of cattle,

13 million metric tons of chicken and 3.13 million metric

tons of pork. In Brazil, it already represents about 20% of

the raw material used in biofuel production. Over the next

few years, the expectation is for growth, especially in the

export market.

The biodiesel production process from animal fat is

based on the same as that used from vegetable fats: the

oil reacts with a kind of alcohol, usually methanol in the

presence of a catalyst, in a sequence of reactions that give

rise to a molecule of biodiesel. In this case, the difference is

in the type of raw material used for the reaction: in place

of vegetable oils, like soybean, castor, buriti or palm, enter

fats from animal slaughter and meat packing wastes.

Another particularity in the production is in the animal

fat hydrogenation process, which occurs through the reaction

with hydrogen at high temperature and high pressure.

The result is a basically pure, but synthetic, hydrocarbon

molecule, i.e. a substance identical to conventional diesel

fuel. “The end product is composed of all the good molecules

without the harmful ones,” explains Jeff Bigger, Vice

President of Development at Syntroleum, an American fuel

research and development company.

Each year, in Brazil, about 2.50 million metric tons

of animal fat are produced resulting from the industrial

slaughter of cattle, poultry and swine. The use of this by-

24

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e suínos. O uso desse subproduto na produção de combustível

renovável dá destino a um grande volume de resíduos que

seriam descartados no ambiente. Esse aproveitamento posiciona

a gordura animal como uma das matérias-primas mais

vantajosas na produção de biodiesel.

“Há muitas fontes diferentes e todas tem potencial de ser

convertidas em biodiesel”, afirma Douglas Tiffany, especialista

em biocombustíveis na Universidade de Minnesota. “Mas a

grande vantagem da gordura de origem animal é que é muito

mais barata do que o óleo vegetal. O maior ponto forte dessa

matéria-prima são as possibilidades de fornecimento.”

MEIO AMBIENTE

As vantagens ambientais também contribuem para que

a gordura animal seja uma possibilidade promissora da produção

de biocombustível. Quando comparado com combustíveis

fósseis, o biodiesel à base de gordura animal reduz as

emissões de gases do efeito estufa em até 83%. Essa redução

é duas vezes maior que as observadas em biodiesel convencional.

Além das vantagens ambientais, o uso da gordura animal

também traz vantagens econômicas. O rendimento da con-

-product in the production of renewable fuel could lead to

removal of a large volume of waste that would be disposed

of in the environment. This use makes animal fat one of

the most advantageous feedstocks for the production of

biodiesel.

“There are many different sources and all have the potential

to be converted into biodiesel,” states Douglas Tiffany,

Specialist in Biofuels at the University of Minnesota.

“But the big advantage of using animal fat is that it's much

cheaper than vegetable oil. The greatest strength of this

raw material is the possibilities of supply.”

ENVIRONMENT

The environmental benefits also contribute to animal

fat becoming a promising possibility for use in biofuel production.

When compared with fossil fuels, animal fat-based

biodiesel reduces greenhouse gas emissions by up to

83%. This reduction is twice that observed for conventional

biodiesel.

In addition to the environmental benefits, the use of

animal fat also has economic advantages. The efficiency

of animal waste conversion into biofuel can reach 70%.

AF Anuncio Revista.pdf 1 15/08/2016 17:20:19

C

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ALTERNATIVA PARA COMPLEMENTAR A

PRODUÇÃO DE ETANOL

A NexSteppe, multinacional americana sediada na Califórnia e dedicada

à comercialização de sementes de sorgo, desenvolve matérias-primas escaláveis

e confiáveis para os mercados de biocombustíveis, biocombustão e bioprodutos.

Para atender a demanda por biocombustíveis, a empresa desenvolveu uma linha

de produtos específica denominada MALIBU, Sorgo Etanol, que é diferenciado do

Sorgo Sacarino por possuir uma genética melhorada e manejo mais prático.

Os híbridos da linha MALIBU são ideais para as usinas que pretendem

aumentar sua produção de etanol e apresentam os seguintes benefícios:

Aumento da janela de produção de etanol na usina

Genética melhorada e manejo prático

Possibilidade de postergar a colheita de cana e aumento de ATR

Extração de potássio do solo em áreas de concentração de vinhaça

Saiba mais:

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PRINCIPAL

Foto: Jonas Oliveira

O baixo custo reforça

a posição da gordura

animal como uma

matéria-prima com

potencial para o mercado

de combustíveis

renováveis

versão de rejeito animal em biocombustível pode chegar a

70%. A isso se somam a maior estabilidade de oxidação quando

comparado com óleos vegetais, maior vida útil para armazenamento

em relação ao biodiesel convencional, e maior

número de cetano, responsável pela medição da qualidade de

ignição de um combustível e da partida e funcionamento de

um motor.

O mercado do biocombustível de gordura animal tem horizontes

de prospecção do mundo inteiro. Nos EUA (Estados

Unidos da América), cerca de um terço dos óleos e gorduras

produzidos são de origem animal. Atualmente, essa produção

é de cerca de 5 milhões de t por ano.

POR AQUI

No mercado brasileiro, a JBS Biodiesel é pioneira na produção

desse tipo de combustível. O biodiesel à base de gordura

animal é produzido a partir do sebo resultante do processamento

de carne bovina. Com duas usinas em operação no

país, a empresa possui a maior estrutura verticalizada de produção

de biodiesel no mundo, com capacidade para produzir

anualmente 200 milhões de litros do combustível.

A expectativa é que a maior parte do biodiesel produzido

nas usinas da JBS seja voltado para o mercado de exportação,

sobretudo o mercado europeu. “Acreditamos que o mercado

externo será cada vez mais importante, visto que nosso produto

possui um diferencial de sustentabilidade cada vez mais

The greater stability of oxidation when compared to vegetable

oils can be added, leading to a longer storage life

in relation to conventional biodiesel, as well as a higher

cetane number, responsible for measuring the ignition of

a fuel and the ignition and operation quality of an engine.

There are worldwide prospects for the use of biofuel

from animal fats. In the USA, about one third of the fats

and oils produced are of animal origin. Currently, this production

is about 5 million tons per year.

AROUND HERE

In the Brazilian market, JBS Biodiesel is a pioneer in the

production of this type of fuel. Animal fat-based biodiesel

is produced from tallow resulting from beef processing.

With two plants in operation in the Country, the Company

has the largest vertical biodiesel production structure in

the world, with capacity to produce 200 million liters of

fuel annually.

The expectation is that the majority of biodiesel produced

in JBS plants will be destined to the export market,

mainly the European market. “We believe that foreign

markets will become increasingly important, since our

product has a sustainability differential that is increasingly

required by foreign customers, especially those of the

European Community,” says Alexandre Pereira, Director

of JBS Biodiesel.

26

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exigido por clientes estrangeiros, especialmente da Comunidade

Europeia”, destaca Alexandre Pereira, diretor de biodiesel

da JBS.

“Devido às diretrizes criadas pelos governos dos países europeus,

o mercado de energia viu um aumento da demanda

por biocombustíveis sustentáveis e devidamente certificados.

Ao longo dos últimos sete anos a importância dos biocombustíveis

sustentáveis vem aumentando significativamente,

portanto a estratégia em originar produtos em vários países

garante à Argos a flexibilidade de obter os mais sustentáveis

produtos para sua mistura. Por isso a empresa desenvolve

cada vez mais parcerias com fornecedores que têm como diretriz

manter a sustentabilidade na sua cadeia produtiva, como

é o caso da JBS”, afirma Manfred Wefers, da Argos.

A Argos, maior distribuidora independente de combustíveis

do norte da Europa, é o parceiro mais antigo da JBS no

mercado de biodiesel. A parceria começou quando a JBS deu

início às suas atividades de exportação de biodiesel de gordura

animal, em 2014. “Estávamos observando o mercado externo

há tempos, mas os preços praticados não estavam atraentes.

Foi quando apareceu essa oportunidade de negócio com

a Argos”, explicou Pereira. Na ocasião, a empresa holandesa

“Due to the guidelines set up by the Governments of

the European Countries, the energy market has seen an

increase in demand for sustainable and duly certified biofuels.

Over the past seven years, the importance of sustainable

biofuels has increased significantly, so the strategy

of supply from different countries guarantees Argos the

flexibility to achieve the most sustainable products for its

mixtures. For this, more and more, the Company is developing

partnerships with suppliers that have as a guideline

keeping its productive chain sustainable, as is the case for

JBS,” states Manfred Wefers of Argos.

Argos, the largest independent fuel distributor in Northern

Europe, is the oldest JBS partner in the biodiesel

market. The partnership began when JBS initiated animal

fat biodiesel export activities, in 2014. “We had been observing

the foreign market for some time, but the prices

weren't attractive. That's when this business opportunity

with Argos turned up,” explains JBS Biodiesel Director Pereira.

On the occasion, the Dutch company acquired 6.7

million liters of biodiesel, leading to significant Brazilian

participation in the world trade market.

Beef tallow gives rise to approximately 20% of the bioxx

xx


PRINCIPAL

adquiriu 6,7 milhões de litros de biodiesel, impulsionando a

participação do mercado brasileiro no comércio mundial do

setor.

O sebo bovino dá origem a cerca de 20% do biodiesel produzido

no Brasil, o que o posiciona como a segunda matéria-

-prima mais utilizada para a produção desse tipo de combustível

no país, atrás apenas do óleo de soja. Por retirar um resíduo

da indústria frigorífica, um mercado considerável no cenário

nacional, o sebo bovino é considerado uma das melhores fontes

de biocombustível no mercado.

“Visto que o Brasil é um grande produtor de carnes, a geração

de resíduos ricos em gordura é constante. A produção

de biodiesel a partir destes resíduos é uma alternativa à demanda

mundial por petróleo. Além disso, seu uso diminuirá a

necessidade de descartar os resíduos no meio ambiente, minimizando

sua disposição em lagoas de tratamento e menor

emissão de gases do efeito estufa, principalmente CO, CO2”,

afirma Gilberto Schmidt, pesquisador da Embrapa Suínos e

Aves.

diesel produced in Brazil, which positions it as the second

most used raw material for the production of this type of

fuel in the Country, only behind soybean oil. By making use

of a Meat Packing industry waste, a considerable market is

being created on the national scene, and beef tallow is considered

one of the best sources for biofuel on the market.

“As Brazil is a major meat producer, fat-rich waste generation

is constant. The production of biodiesel from fat

waste is an alternative to the global demand for fuel oils.

In addition, its use will decrease the need to dispose of

the waste in the environment, minimizing its disposal in

treatment ponds and greenhouse gas emissions, especially

CO2,” says Gilberto Schmidt, Research Scientist at Embrapa

Suínos e Aves.

Reciclagem de carcaças

A Secretaria da Agricultura e da Pesca de Santa Catarina

está desenvolvendo um projeto piloto para reciclagem de carcaças

de animais mortos por causas naturais em criadouros

para produção de biodiesel e fertilizantes.

A proposta pretende reduzir o prejuízo dos criadores que

perdem com a morte natural de animais em suas propriedades

rurais. De acordo com dados do Mapa (Ministério da Agricultura,

Pesca e Abastecimento) o volume de carcaças de animais

mortes por causas naturais no Estado de Santa Catarina

atinge a marca de 300 mil t por ano. O volume equivale a cerca

de 2,5% do rebanho de aves e suínos do Estado. O procedimento

atual para descarte dessas carcaças é a compostagem,

que causa problemas trabalhistas e ambientais para a indústria

pecuária.

Ao proporcionar aproveitamento para as carcaças que se

transformariam em resíduo, o projeto aumenta a biosseguridade

e diminuir os impactos ambientais da indústria pecuária

na região.

A proposta prevê a criação de Unidades Processadoras de

Referência dedicadas ao processamento e destinação adequada

das carcaças coletadas, além da comercialização dos

produtos finais.

O projeto, que começou a ser implantado em Santa Catarina

no começo deste ano, conta com o apoio do Mapa, da Embrapa

e da Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento

Agrícola de Santa Catarina). A expectativa é que a iniciativa

seja aplicada em todo o território nacional.

Carcass Recycling

The State of Santa Catarina Secretary of Agriculture

and Fisheries is developing a pilot project for biodiesel and

fertilizer production from recycling carcasses of animals

that have died due to natural causes.

The proposal aims to reduce breeder losses due to the

natural death of animals on their farms. According to the

Ministry of Agriculture, Fisheries and Food Supply (Map)

data, the volume of animal carcasses due to deaths by

natural causes in the State of Santa Catarina hit the 300

thousand metric ton mark per year. The volume is equivalent

to approximately 2.5% of the poultry and swine population

in the State. The current procedure for disposition

of these carcasses is composting, which causes labor and

environmental problems for the livestock industry.

By making use of the carcasses and not transforming

them into waste, the project aims to increase biosafety and

reduces the environmental impact of the livestock industry

in the region.

The proposal provides for the creation of Processing

Reference Units devoted to processing and proper disposal

of carcasses collected, in addition to the sale of the final

products.

The project, which began to be implemented in the

State of Santa Catarina earlier this year, has the support of

Map, Embrapa and the State of Santa Catarina Integrated

Agricultural Development Company (Cidasc). The expectation

is that the initiative spreads throughout the Country.

28

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Foto: Imprensa MG

O biodiesel à base

de gordura animal é

produzido a partir do

sebo resultante do

processamento de

carne bovina

QUANDO

COMPARADO COM

COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS,

O BIODIESEL À BASE

DE GORDURA ANIMAL

REDUZ AS EMISSÕES

DE GASES DO EFEITO

ESTUFA EM ATÉ 83%


PELO MUNDO

METRÔ SOLAR

FOTOS DIVULGAÇÃO

FOTO DIVULGAÇÃO

30

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PROJETO PROMETE

TORNAR TRANSPORTE

PÚBLICO CHILENO 100%

SUSTENTÁVEL

O Chile foi o primeiro país da América do Sul a taxar a emissão

de carbono: para cada tonelada liberada, as usinas térmicas

com capacidade superior a 50 MW pagam cinco dólares

O

metrô de Santiago, capital do Chile, pode

ser o primeiro do mundo abastecido a partir

de energia solar. Uma das patrocinadoras

da ideia, a empresa SunPower, anunciou recentemente

o projeto. O metrô de Santiago é o segundo

maior da América Latina, com cinco linhas e 100 estações.

Em média, 2,5 milhões de passageiros são transportados

por dia.

Com a conclusão da linha seis, que terá uma estação

no turístico Estádio Nacional, o número deve chegar a 3,7

milhões no próximo ano. A SunPower conta com o apoio

de uma empresa parceira, a Total Energy, na construção de

uma usina solar de alta eficiência para gerar esse montante

energético. O projeto El Pelícano deve produzir sozinho

100 MW (megawatts) de energia. A construção começa

ainda neste ano, estando prevista para ser concluída no

final de 2017.

“Este contrato está expressando o compromisso do

Chile com um mundo mais sustentável. Estamos orgulhosos

da parceria com o metrô no desenvolvimento de uma

nova maneira de alimentar sistemas de transporte público

através de uma energia competitiva, confiável e limpa”, comentou

o vice-presidente sênior do setor de Negócios e

Operações da Total Energy, Bernard Clément.

Conhecido como Oasis, o sistema aplicado na usina

solar é um bloco modular totalmente integrado. O formato

tem implementação rápida e de baixo custo, sendo

ideal para produzir energia limpa em grande escala, sem

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 31


PELO MUNDO

A SunPower conta com o apoio de uma empresa parceira,

a Total Energy, na construção de uma usina solar de alta

eficiência para gerar esse montante energético

usar muito espaço. A tecnologia usa ainda um processo de

limpeza automatizado dos painéis, o que reduz em 75% a

quantidade de água usada, quando comparado a processos

tradicionais, e ainda melhora a eficiência do sistema

em até 15%.

NAÇÃO ECOLÓGICA

Em um prazo de dois anos, 60% da energia que alimenta

o metrô deve ser originária de fontes solar e eólica.

Devem ser investidos US$ 500 milhões no projeto, equivalente

a R$ 1,8 bilhão. Além de reduzir as emissões de gás

carbônico – que são altas para padrões latino-americanos

O METRÔ DE

SANTIAGO, CAPITAL

DO CHILE, PODE SER O

PRIMEIRO DO MUNDO

ABASTECIDO A PARTIR

DE ENERGIA SOLAR

– o governo pretende fomentar e impulsionar a utilização

das chamadas “energias renováveis não convencionais”. A

estimativa é reduzir em 130 mil t (toneladas) as emissões

anuais de gás carbônico. Em 2015 o metrô emitiu, ao todo,

159 mil toneladas do gás.

Em um ano o Chile produz 4,6 toneladas métricas do

gás por pessoa. O total é pouco, perto da média dos países

desenvolvidos, algo em torno 11 toneladas. Mas, de

qualquer forma, bem acima da América Latina e do Caribe,

onde as emissões anuais são, em média, de 2,4 t métricas.

Vale lembrar que em 2014 o Chile foi o primeiro país da

América do Sul a taxar a emissão de carbono: para cada

tonelada liberada, as usinas térmicas com capacidade superior

a 50 MW pagam cinco dólares.

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EM UM PRAZO DE

DOIS ANOS, 60%

DA ENERGIA QUE

ALIMENTA O METRÔ

DEVE SER ORIGINÁRIA

DE FONTES SOLAR E

EÓLICA


BIOMASSA

Foto: Zig Koch

34

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FLORESTAS

ENERGÉTICAS

EMBRAPA CRÊ QUE BIOMASSA

ORIGINÁRIA DE FLORESTAS

PODE SUPRIR FUTURAS

DEMANDAS ENERGÉTICAS

O

Brasil é referência na produção de etanol e

cogeração de energia em usinas a partir do

uso do bagaço de cana-de-açúcar. Também

nos destacamos no cenário mundial pelas

extensas áreas florestais nativas com possibilidade de

manejo sustentável, além de florestas plantadas com

perspectivas de crescimento. Estudos indicam que área

plantada de eucalipto e pinus no país atingiu 6,66 milhões

de ha (hectares), sendo 76,6% correspondentes ao

plantio de eucalipto. Ao todo, são estimados 7,2 milhões

de ha de florestas plantadas para fins comerciais – os dados

são da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores).

Mesmo assim, o setor de bioeletricidade continua

baseado quase totalmente na indústria sucroenergética,

contando com uma participação ainda pequena de

outras fontes; de acordo com especialistas, o potencial

da biomassa para geração de energia ainda é pouco

explorado. O Ben 2014/Relatório Síntese (Balanço Energético

Nacional) aponta que hoje a biomassa representa

7,6% da matriz energética brasileira, ocupando a terceira

posição, atrás da fonte hidráulica, com 70,6%, e do gás

natural, com 11,3%.

“Na maioria das vezes, as questões relativas ao uso

da madeira para energia são tratadas de forma marginal,

principalmente no momento da tomada de decisão de

ordem estratégica para o país, quer seja no âmbito do

setor energético, quer seja no âmbito do setor florestal”,

explica o engenheiro agrônomo, doutor em Ciências

Florestais e pesquisador da Embrapa Florestas, professor

Antônio Bellote.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 35


BIOMASSA

Foto: divulgação

Foto: divulgação

DE OLHO NO FUTURO

No segmento de biomassa, números oficiais confirmam

o protagonismo da geração a partir do bagaço de

cana-de-açúcar. Estatísticas do Banco de Informações de

Geração da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica)

apontam que 383 empreendimentos de cogeração a

partir do bagaço de cana estão em atividade no país. Por

outro lado, a Ibá indica a geração anual de cerca de 41

milhões de t (toneladas) de resíduos madeireiros oriundos

da indústria de processamento de madeira e da colheita

florestal, capazes de gerar energia equivalente a

1,7 GW (gigawatt) por ano.

Ainda segundo este levantamento, a biomassa de

base florestal representa 15,8% da geração de energia

elétrica a partir de biomassa – biogás, casca de arroz, capim

elefante e óleo de palma equivalem a apenas 1,8%.

“A produção de carvão vegetal no Brasil ainda é dependente

da exploração de matas nativas, embora esteja

crescendo a importância do carvão vegetal, oriundo de

plantações florestais comerciais. Os principais Estados

produtores de carvão vegetal no Brasil são Minas Gerais,

Mato Grosso do Sul, Maranhão, Bahia e Goiás”, revela o

consultor florestal da MCA Consultores Agroflorestais,

Moacir Medrado.

A produção de biomassa florestal em larga escala,

com o desenvolvimento de tecnologias de conversão em

energia, ainda é um desafio para o mercado interno. “O

investimento é diretamente proporcional ao que almejamos

em termos de aumentar a participação de energia

renovável na matriz energética brasileira. Se queremos

manter apenas o uso tradicional, ou seja, lenha e carvão,

ou se queremos desenvolver tecnologias de alto valor

36

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agregado, como etanol, bio-óleo, celulignina e hidrogênio,

por exemplo”, avalia Bellote.

“Em todos esses casos há necessidade de aumentar

a área plantada. Para a situação atual, onde a biomassa

florestal é utilizada para lenha, carvão, estamos falando

em passar de 6 milhões de ha hoje plantados para 13

milhões, isto é, plantar mais 7 milhões de ha”, completa.

Uma rede de pesquisas foi desenvolvida em cinco

unidades da Embrapa, em parceria com universidades.

Um de seus vários projetos tem por objetivo estudar a

obtenção de produtos diversificados a partir da biomassa

florestal, como o bio-óleo, o gás síntese e o próprio

etanol.

“O gás de síntese já é utilizado na indústria, mas tem

hoje o petróleo como fonte principal. No caso do gás,

por exemplo, a ideia é desenvolver processos para obtê-

-lo eficientemente a partir de biomassa florestal”, conclui

Mônica Caramez, pesquisadora da Embrapa Agroenergia

e coordenadora do subprojeto Avanços Tecnológicos

na Produção de Bio-óleo, Gás de Síntese, Hidrogênio e

Etanol a partir de Biomassa Florestal.

Foto: Embrapa

Foto: divulgação

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tecnologia. Os PICADORES FLORESTAIS PLANALTO

são fabricados em diversos tamanhos e modelos. Por

serem Máquinas que trabalham em terrenos dobrados,

possuem rodados tandem, são rebocados por trator, pá

carregadeira ou escavadeiras, com isso facilita o manejo

dentro da floresta. São equipados com rotores de facas

segmentadas ou facas inteiras, vindo ao encontro das

necessidades do cliente.

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MUITO

ALÉM DO

KETCHUP

BIOMASSA DE TOMATE SURGE COMO

ALTERNATIVA PARA GERAÇÃO DE ENERGIA

FOTOS DIVULGAÇÃO

38

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U

ma forma, no mínimo, incomum e bem criativa

começa a ser usada para aproveitar as sobras

dos tomates que não servem mais para

consumo ou processamento. Os rejeitos do

tomate agora podem ser transformados em energia

elétrica.

A descoberta foi feita por um grupo de pesquisadores

da South Dakota School of Mines & Technology.

E o mais interessante é que os restos do fruto podem

estar em qualquer estado: amassados, infestados por

bichos ou restando apenas pele e sementes das sobras

da industrialização de produtos derivados, como o ketchup

e extratos.

A equipe de cientistas criou uma célula de combustível

que usa bactérias para quebrar o material orgânico

no rejeito de tomate, o deixando oxidado. Esse processo

químico gera uma carga elétrica e também neutraliza

o dejeto. Assim, ele acaba não emitindo mais gases de

efeito estufa. Esse projeto piloto envolve uma célula a

base de combustível biológico que utiliza resíduos de

tomate que sobraram das colheitas.

A EQUIPE DE

CIENTISTAS CRIOU

UMA CÉLULA DE

COMBUSTÍVEL QUE

USA BACTÉRIAS PARA

QUEBRAR O MATERIAL

ORGÂNICO NO

REJEITO DE TOMATE, O

DEIXANDO OXIDADO


PROCESSO

“Minha esperança é que esse tipo de descoberta

possa ser usado em áreas rurais onde se tem muito lixo

agrícola e não tem necessariamente acesso a fornecimento

de energia, situações comuns, sobretudo, em

países em desenvolvimento”, afirma Alexander Fogg,

pesquisador que deu início ao projeto.

O processo poderia funcionar também em outros tipos

de lixo alimentício. Mas com o tomate os resultados

são melhores. Isso porque os pesquisadores descobriram

que ele contém micronutrientes essenciais para a

geração de energia.

Todo o processo leva algumas semanas para ser

concluído e a produção energética do tomate começa

a diminuir entre 10 e 14 dias. O Estado norte-americano

da Flórida produz, por ano, cerca de 400 mil t (toneladas)

de uma mistura de tomates danificados, comidos por

pragas e de sementes descartadas devido à produção

de molhos industriais. De acordo com os cálculos dos

pesquisadores, essa quantidade poderia gerar eletricidade

suficiente para abastecer a Disney World por

90 dias.

O ESTADO DA FLÓRIDA DESCARTA, POR ANO,

CERCA DE 400 MIL TONELADAS DO FRUTO

DE ACORDO COM PESQUISADORES, A QUANTIDADE

DE TOMATE DESPERDIÇADA, SE CONVERTIDA EM

ENERGIA, PODERIA GERAR ELETRICIDADE SUFICIENTE

PARA ABASTECER A DISNEY WORLD POR 90 DIAS

REJEITOS DE TOMATE

NORMALMENTE

SÃO TRANSFERIDOS

PARA ATERROS

SANITÁRIOS. LÁ, ELES

ACABAM LIBERANDO

GÁS METANO,

O QUE IMPACTA

DIRETAMENTE NO

EFEITO ESTUFA

40

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Esses rejeitos normalmente são transferidos para

aterros sanitários. Lá, eles acabam liberando gás metano,

o que impacta diretamente no efeito estufa e

no aquecimento global. Para evitar este problema foi

desenvolvida uma célula de combustível dedicada à

transformação de resquícios em eletricidade.

Como as bactérias possuem uma grande ação oxidante,

são capazes de gerar corrente elétrica a partir dos

resíduos. Os pigmentos que a fruta contém são grandes

mediadores de energia. Além disso, possuem a capacidade

de impedir a emissão de gases do efeito estufa,

durante o processo.

Atualmente, o projeto gera apenas 0,3 watts de eletricidade

a cada 10 mg (miligramas) de subproduto de

tomate. A ideia, claro, é aperfeiçoar para aumentar a

escala. A pesquisa vem sendo conduzida sob a supervisão

de Venkartaramana Gadhamshetty. Em abril, esse

trabalho foi apresentado em um encontro da American

Chemical Society, considerada a maior sociedade científica

do mundo.

O PROCESSO LEVA ALGUMAS SEMANAS PARA

SER CONCLUÍDO E A PRODUÇÃO ENERGÉTICA DO

TOMATE COMEÇA A DIMINUIR ENTRE 10 E 14 DIAS


CASE

Foto: divulgação

42

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SIEMENS

INAUGURA

NOVA SEDE

CONCEITO SUSTENTÁVEL DO

EMPREENDIMENTO COMBINA

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA COM

PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE

FOTOS DIVULGAÇÃO

E

m cerimônia com a presença de colaboradores,

acionistas e representantes do governo local,

a Siemens inaugurou sua nova sede em Munique,

na Alemanha. A nova sede foi projetada

para atender às mais rígidas demandas ambientais. A

energia consumida é retirada exclusivamente de fontes

renováveis, e as emissões anuais de CO2 (Gás Carbônico)

foram reduzidas para níveis super baixos.

Em comemoração ao 200º aniversário do nascimento

do fundador da empresa, o trecho da via que dá

acesso ao novo prédio está sendo rebatizada de Werner-

-von-Siemens-Strasse, homenageando as conquistas do

empreendedor.

A divisão da empresa dedicada a empreendimentos,

Siemens Real Estate, foi responsável pela implementação

e execução do projeto. As novas instalações, com

45 mil m² (metros quadrados) para acomodação de 1,2

mil funcionários, começarão a funcionar nos próximos

meses.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 43


CASE

O NOVO PRÉDIO CONTA UM

ESPAÇO COM CAPACIDADE PARA

ARMAZENAR ATÉ 200 BICICLETAS,

EQUIPADO COM UMA ESTAÇÃO

PARA RECARREGAR BICICLETAS

ELÉTRICAS

“Com a nossa nova sede, pretendemos estabelecer

um símbolo de trabalho conjunto para o empreendedorismo

global, para integração em sociedade e para a

tomada de ações em concordância com os princípios de

sustentabilidade. A partir disso queremos delinear o futuro

da nossa organização”, afirmou o presidente e CEO

da Siemens AG, Joe Kaeser. “O novo prédio será sempre

um lugar para respeito mútuo e diálogo, sem se prender

a estruturas hierárquicas.”

Construído de acordo com planos projetados pela

empresa de arquitetura Henning Larsen, todos os aspectos

do empreendimento foram planejados para atender

às demandas de em espaço de trabalho moderno. Todas

as estações de trabalho foram projetadas para o máximo

aproveitamento da luz natural pelas janelas que se

estendem verticalmente. Os colaboradores podem ajustar

a ventilação, aquecimento e ar condicionado de cada

área individualmente. Os espaços amplos dispõem de

grandes áreas de convivência e colaboração entre de-

AS ESTAÇÕES DE TRABALHO FORAM

PROJETADAS PARA O MÁXIMO

APROVEITAMENTO DA LUZ NATURAL

PELAS JANELAS QUE SE ESTENDEM

VERTICALMENTE

44

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partamentos diferentes, além de áreas tranquilas para

desenvolver trabalhos que exigem maior concentração.

O conceito sustentável do empreendimento combina

eficiência com proteção do meio ambiente. Todo o

consumo de energia é originário de fontes renováveis.

Um sistema de energia fotovoltaica está instalado no

terraço e é operado com o auxílio de uma laje que ajuda

a resfriar o ambiente no verão e aquecer nos períodos

mais frios.

Essas medidas possibilitaram reduzir a emissão

de CO2 para cerca de 9 kg/m² (quilograma por metro

quadrado), o que representa uma redução de 90% em

comparação à antiga sede. Para a construção, a empresa

utilizou apenas materiais com baixo índice de substâncias

nocivas ao meio ambiente, além de dar preferência

a materiais produzidos a partir de fontes locais.

O novo prédio conta um espaço com capacidade

para armazenar até 200 bicicletas, equipado com uma

estação para recarregar bicicletas elétricas. Além disso,

para incentivar novos conceitos de mobilidade, o novo

espaço da Siemens está equipado com 21 vagas de estacionamento

preparadas para recarregar carros elétricos.

O maior critério para seleção do projeto foram os

objetivos de garantir que a nova sede fosse incorporada

harmonicamente ao espaço urbano, além de garantir

acesso aberto ao público. Com a abertura da nova sede

da Siemens, os habitantes e visitantes de Munique tem

acesso quase irrestrito às áreas verdes do prédio, além

de poder circular pelas vias de acesso e aproveitar as

áreas de descanso e os espaços culinários disponíveis.

O CONCEITO SUSTENTÁVEL DO

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ESPECIAL

Foto: divulgação

NOVAS

OPORTUNIDADES

46

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XX

FOTOS BIOMAIS

LEGISLAÇÃO PERMITE

EXPLORAR POTENCIAL

IMENSURÁVEL DO

BIODIESEL; NO ENTANTO,

É PRECISO SUPERAR

ALGUNS ENTRAVES

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 47


ESPECIAL

O

novo marco regulatório do biodiesel

está em vigor desde o dia 23 de março

deste ano, quando foi sancionado pela

presidente afastada Dilma Rousseff. A

legislação determina o aumento da mistura no óleo

diesel vendido no país; agora o índice de biodiesel no

diesel fóssil passou de 7% para 8% até 2017 e sofrerá

aumentos progressivos: 9% até 2018 e 10% até 2019. A

intenção é diminuir a necessidade de importação do

combustível e abrir portas para novos investimentos

da indústria, que agora passa a focar também mercados

estrangeiros.

“Este é um projeto singular porque tem impactos

positivos em diferentes áreas. Importante para que

o país contribua com as metas apresentadas na COP

21, fundamental porque dinamiza a economia e proporciona

ao setor a previsibilidade, fortalece a matriz

energética brasileira com energias limpas e auxilia o

combate à poluição”, explica o senador Donizeti Nogueira

(PT-GO), autor do projeto do marco regulatório.

“Há um impacto enorme para uma matriz energética

limpa, renovável, baseada na agricultura familiar,

e que dará um melhor aproveitamento à soja. Deixaremos

de vender uma parte enorme de soja in natura,

para que ela seja processada no Brasil, gerando emprego

e renda”, complementa o relator da proposta na

Câmara dos Deputados, Evandro Gussi (PV-SP), destacando

que a proposta, sobretudo, beneficia agricultores

familiares e valoriza a produção brasileira de soja.

A mudança também foi bem recebida pelos especialistas

na área, afinal além de garantir aumento na

demanda pelo produto menos poluente, ao estipular

O mercado doméstico

deve ser impulsionado

nos próximos anos

pelo aumento da

mistura do biodiesel

no uso do diesel fóssil

Foto: Rafael Neddermeyer

48

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O PROJETO TEM IMPACTOS

POSITIVOS EM DIFERENTES

ÁREAS: É IMPORTANTE PARA

QUE O PAÍS CONTRIBUA COM

AS METAS APRESENTADAS

NA COP 21 E DINAMIZA A

ECONOMIA

Foto: Monica Damaso

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ESPECIAL

Ano passado Brasil

produziu 3,94 bilhões

de litros de biodiesel

depois do aumento

da mistura para 7%

por litro; números que

levaram o país a disputar

com a Alemanha a

segunda colocação

na produção mundial

Foto: Monica Damaso

datas, permite planejamento aos empresários do setor

– vale lembrar que grande parte da indústria nacional

tem trabalhado com altos índices de capacidade ociosa

nos últimos anos.

“Em um primeiro momento a capacidade ociosa

tende a ser ocupada. Mas conforme avança o percentual

de mistura, incentiva a abertura de fábricas e a

venda para o exterior. Além disso, o marco regulatório

permite ao país trabalhar com índices acima de 10%,

sem a necessidade de uma nova lei”, explica o analista

da Abiove (Associação Brasileira Indústrias Óleos Vegetais),

Daniel Furlan Amaral.

Segundo o projeto, o percentual pode alcançar até

15% nos próximos anos. Para isso, é necessário que se

façam testes em motores e que haja a aprovação do

Conselho Nacional de Política Energética.

“Para o agricultor, é uma excelente notícia. Fizemos

cálculos prévios na BSBios e percebemos que

atualmente 16 milhões de t (toneladas) de soja são

processadas e o óleo destinado à produção. Mantendo

estes mesmos percentuais, em 2019 serão 40 milhões

no ano para poder atender à demanda. É mais do que

duplicar o processamento em três anos”, compara o

diretor-presidente da empresa BSBios e presidente da

Aprobio (Associação dos Produtores de Biodiesel do

Brasil), Erasmo Carlos Battistella.

IMPULSO NECESSÁRIO

O mercado doméstico deve ser impulsionado nos

próximos anos pelo aumento da mistura do biodiesel

no uso do diesel fóssil. Mas para conquistar território

estrangeiro, empresas brasileiras precisam vencer antes

entraves tributários internos. Apesar da grande

quantidade de soja (sua principal matéria-prima), o

excesso de impostos faz com que as indústrias percam

competitividade no cenário internacional.

“Temos um produto de qualidade, pesquisa de

ponta, mas não conseguimos olhar para fora. A Euro-

50

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O MERCADO DOMÉSTICO

DEVE SER IMPULSIONADO

NOS PRÓXIMOS ANOS PELO

AUMENTO DA MISTURA

DO BIODIESEL NO USO DO

DIESEL FÓSSIL

Foto: Monica Damaso

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pa tem grande demanda pelo produto e insumos em

quantidade insuficiente. Seria um cliente potencial”,

avalia o diretor superintendente da Ubrabio (União

Brasileira de Biodiesel e Bioquerosene), Donizete

Tokarski.

Um exemplo é o Icms (Imposto Sobre Circulação

de Mercadorias e Serviços) cobrado sobre a soja. As

unidades de processamento são obrigadas a pagar

12% de imposto para comprar grão de outros Estados.

Comprar de produtores situados na mesma unidade

federativa onde as fábricas estão instaladas acaba

sendo uma das alternativas para fugir desta taxação.

“Na Argentina, isso não existe. Não há cobrança de

tributo entre as províncias. Lá, as fábricas instaladas

próximas ao porto para facilitar a exportação, podem

comprar insumo de qualquer parte do país. Aqui (na

região centro-oeste), os principais produtores do grão

não têm porto”, pondera o secretário-geral da Abiove,

Fabio Trigueirinho.

A demora para o ressarcimento de créditos de PIS

e Cofins sobre biodiesel é outro empecilho para o setor.

Estipulado em regra desde 2014 e previsto para

acontecer em poucos meses, o procedimento pode

demorar um tempo bem maior. O motivo é a falta de

pessoal na Receita Federal para executar o trabalho.

Segundo Trigueirinho, nesse caso, o tempo consome

boa parte do capital de giro dessas empresas.

EVOLUÇÃO NATURAL

Ano passado, o Brasil produziu 3,94 bilhões de litros

de biodiesel depois do aumento da mistura para

7% por litro, o chamado B7. Esses números levaram o

país a disputar com a Alemanha a segunda colocação

na produção mundial.

Atualmente, a capacidade instalada na indústria

brasileira é de processar 7,34 bilhões de litros por ano.

Hoje, 53 usinas estão autorizadas pela ANP (Agência

Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis)

para produzir e comercializar nos leilões bimestrais de

abastecimento do mercado interno de combustíveis.

Hoje, 53 usinas estão

autorizadas pela

ANP para produzir

e comercializar nos

leilões bimestrais

de abastecimento

do mercado interno

de combustíveis

Foto: divulgação

52

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Foto: divulgação

HÁ UM IMPACTO ENORME

PARA UMA MATRIZ

ENERGÉTICA LIMPA,

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FEIRA

NO LUGAR

CERTO

FOTOS DIVULGAÇÃO

FENASUCRO & AGROCANA REÚNE AS

MELHORES OPORTUNIDADES PARA O

SETOR SUCROENERGÉTICO

54

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A

bioenergia gerada a partir da cana-de-açúcar

é uma das mais viáveis soluções para diminuir

os custos da produção e do fornecimento

da energia gerada pelas hidroelétricas e

de combustíveis fósseis – e essa alternativa tem crescido

significativamente nos últimos anos, aquecendo o mercado.

Com esse mote, acontece a Fenasucro & Agrocana

nos dias 23 a 26 de agosto, em Sertãozinho (SP). Evento

que tem tudo para gerar ótimos negócios.

No primeiro trimestre de 2016 as usinas produziram

722,6 MW (megawatts), o que representa um aumento

de 10,5% em relação ao mesmo período de 2015. Os dados

são da Ccee (Câmara de Comercialização de Energia

Elétrica).

Segundo a associação Irena (International Renewable

Energy), desde 2014, o Brasil é o país com maior capacidade

instalada de geração por meio de biomassa, com

A BIOENERGIA

REPRESENTA EM

CAPACIDADE

INSTALADA

APROXIMADAMENTE

10% DA MATRIZ

ENERGÉTICA

NACIONAL

Destaque na

Fenasucro & Agrocana

Após o sucesso da utilização do piso móvel na movimentação ou descarga

de carvão vegetal e biomassa, grandes empresas que utilizam bagaço de

cana-de-açúcar em seu processo produtivo, seja para geração de vapor ou

cogeração de energia, estão exigindo de seus transportadores a transição da

descarga lateral para piso móvel, motivados, sobretudo, pela redução do custo

operacional, maior agilidade e segurança na descarga proporcionadas por este

sistema inovador.

Sempre pensando em otimizar o processo de transporte, a Carrocerias

Bachiega, enfatiza a segurança com agilidade. Ela desenvolveu o sistema de

enlonamento automático transversal - que movimenta do lado do motorista

(esquerdo) para o lado do acompanhante (direito) ou vice versa. Essa tecnologia

evita que o motorista precise subir em cima da carga para cobri-la, evitando

quedas acidentais.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 55


FEIRA

15,3% do total mundial. Em 2015, a oferta de energia

obtida por meio da biomassa teve um crescimento de

cerca de 7%, com um total de mais 22 TWh (terawatts/

hora). A bioenergia representa em capacidade instalada

aproximadamente 10% da matriz energética nacional. E

de acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica),

80% da bioenergia é derivada da cana-de-açúcar.

Para manter esta tendência de crescimento, é preciso

investimento na modernização das unidades fabris e o

melhor aproveitamento da biomassa.

APLICATIVO PARA FOMENTAR OS NEGÓCIOS

Sucesso nas últimas edições, a Fenasucro & Agrocana

novamente irá disponibilizar seu aplicativo para download.

A ferramenta tem a finalidade de gerar negócios

e facilitar o planejamento para quem comparecerá ao

evento. O app funciona em aparelhos com Android e

iOS. Ele traz todas as notícias e informações técnicas da

feira, além do mapa atualizado, da lista de empresas que

participarão e os produtos disponíveis. O aplicativo também

permite ao usuário ter acesso à programação dos

eventos de conteúdo, criar alertas para o início de cada

um e também obter informações sobre os palestrantes.

Neste ano, serão mais de 200 horas de palestras, debates,

seminários e workshops.

Para o gerente geral da Fenasucro & Agrocana, Paulo

Montabone, o mundo digital não pode ser desprezado

pelas empresas expositoras e visitantes e a internet hoje

tem grande contribuição na formação de opinião. E as

ferramentas digitais dependem apenas do aquecimento

das informações de cada uma. “As empresas conseguem

mais resultados efetivos de compra e venda e nós alcançamos

a meta juntos: fechar cada vez mais negócios visando

o crescimento do setor”, reflete.

UM DOS FOCOS DE

ATENÇÃO NA CADEIA

SUCROENERGÉTICA

É O PROCESSO DE

TRANSPORTE E

LOGÍSTICA

56

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PROGRAMA-SE

A Fenasucro & Agrocana é realizada pelo Ceise

Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético

e Biocombustíveis) e promovida pela

Reed Exhibitions Alcantara Machado. A feira acontece

de 23 a 26 de agosto, no Centro de Eventos

Zanini, em Sertãozinho (SP). A grade de eventos

de conteúdo tem funcionamento das 8h às 18h e

a área de exposição das 13h às 20h.

PARA MANTER

TENDÊNCIA DE

CRESCIMENTO

É PRECISO

INVESTIMENTO NA

MODERNIZAÇÃO

DAS UNIDADES

FABRIS E O MELHOR

APROVEITAMENTO

DA BIOMASSA


ARTIGO

Fonte: divulgação

ESCOLHENDO A

TECNOLOGIA ADEQUADA

PARA A QUEIMA DA

BIOMASSA

FELIPE SAYEG - GERENTE GERAL DO GRUPO

DSJ, MESTRANDO EM ENGENHARIA MECÂNICA

PELA UNISANTA (UNIVERSIDADE SANTA

CECÍLIA) E ENGENHEIRO AMBIENTAL PELA

UNISEB CENTRO UNIVERSITÁRIO

58

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D

iariamente nos deparamos com noticias

de catástrofes ambientais, aquecimento

global, aumento de doenças e epidemias.

E muitas destas notícias têm um fator comum:

o homem. Na verdade o aumento populacional,

a globalização e o aumento do poder aquisitivo

são alguns dos fatores responsáveis pelos problemas

apresentados, pois a cada dia mais se exige o aumento

da produção de energia, bens de capital e alimentos,

contribuindo diretamente para o aumento da poluição

mundial.

Falando em poluição, muito se tem feito para melhorar

equipamentos e processos produtivos visando

sempre fazer mais com menos, e esta é a definição mais

simples de eficiência.

Entrelaçada com a palavra eficiência podemos

afirmar que está a palavra “ambiental”, que atualmen-

te é uma das grandes vertentes de discussão mundial.

Desde os primeiros encontros para discutir o futuro do

planeta, a ECO 92, muita coisa mudou, porém há ainda

muito a ser realizado e por esta razão podemos afirmar

que estamos e estaremos sempre em um processo de

melhoria contínua.

Ambientalmente falando, o Brasil possui uma matriz

energética privilegiada em comparação com a matriz

energética mundial, conforme pode ser observado

na figura a seguir.

Percebemos que apesar da biomassa ser bastante

representativa em nossa matriz energética, o potencial

é ainda maior que o utilizado atualmente; podemos dizer

que o etanol, a cogeração de energia, dentre outros

usos da biomassa, precisam ainda de incentivos e melhorias

em suas regulamentações.

O nosso foco neste artigo é a apresentação das

Matriz energética mundial, em 2005, e do Brasil, em 2007.

FONTES NÃO-RENOVÁVEIS: 87,3% FONTES RENOVÁVEIS: 12,7% FONTES NÃO-RENOVÁVEIS: 54,1% FONTES RENOVÁVEIS: 45,9%

Energia

nuclear

6,3%

Energia

hidrelétrica

2,2%

Biomassa

10%

Outras fontes*

0,5%

Petróleo

35%

Energia

hidrelétrica

14,9%

Outras fontes*

3,2%

Petróleo

37,4%

MUNDO

MUNDO

Biomassa

27,8%

BRASIL BRASIL

Gás natural

20,7%

Carvão mineral

25,3%

Energia nuclear

1,4%

Carvão mineral

25,3%

Gás natural

20,7%

*Incluiu energias solar, eólica e geotérmica.

Fonte: MME (Ministério das Minas e Energia)

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 59


ARTIGO

tecnologias para queima de biomassa e tentar mostrar

como elas podem influenciar na escolha dos equipamentos,

porém esta breve apresentação de biomassa

e problemas ambientais se faz necessária, devido a

grande importância deste material para a melhoria do

nosso meio ambiente.

TECNOLOGIAS DISPONÍVEIS

A tecnologia brasileira para conversão da energia

contida na biomassa em energia térmica é uma das

melhores do mundo. Este processo ocorre em caldeiras,

as quais em sua maioria são aquatubulares ou mistas

(fornalha aquatubular e corpo fogotubular).

283,6 milhões tep (2,1% da energia mundial)

Biomassa:

28,6%

Renováveis

Brasil: 42,4%

Oecd: 8,2%

Mundo: 13,2%

Hidráulica e

Eletricidade

13,8%

Petróleo

e Derivados

39,2%

Urânio

1,5%

Carvão

Mineral

5,4%

Gás

Natural

11,5%

Biomassa:

Lenha: 9,1%

Produtos da cana: 15,4%

Outras: 4,1%

Aquatubulares

Mistas

Vantagens

Melhor resposta a variação de carga;

Possibilidade de vapor a alta pressão;

Possibilidade de altas temperaturas de vapor;

Possibilidade de alta produção de vapor;

Fácil substituição de tubos;

Fácil Operação;

Construção Fácil;

Preços mais baixos;

Desvantagens

Necessidade de profissionais mais qualificados;

Necessidade de melhor qualidade de água;

Preços mais altos;

Menor eficiência;

Pressão limitada;

Temperatura limitada;

60

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de biomassa, reciclagem, celulose e papel

Soluções em equipamentos

Montagem

Reformas

A seguir tentaremos apresentar algumas das principais

tecnologias utilizadas e uma pequena comparação

entre elas, para auxiliar o processo de compra

destes equipamentos.

A primeira comparação que devemos realizar é entre

caldeiras aquatubulares e mistas conforme descritos

abaixo:

Após definir o tipo de caldeira, existem inúmeros

sistemas de queima da biomassa, e esta definição é

muito importante e está diretamente relacionada com

o tipo de combustível a ser utilizado. Basicamente podemos

dividir estes sistemas de queima em três:

1. Grelhas Fixas;

2. Grelhas Móveis;

3. Leitos Fluidizados;

As mais simples e de menor valor de implantação

são as grelhas fixas, que são indicadas para combustíveis

que em sua maioria queimam em suspensão,

como o bagaço de cana, o pó de serragem, além de cavaco

de madeira e cascas picadas. Estas grelhas podem

ser basicamente divididas em duas, a grelha basculante

e a grelha flat pin-hole.

A grelha basculante é uma das alternativas mais

tradicionais para queima do bagaço de cana no Brasil,

além de uma larga utilização na América Latina, nesta

grelha a descarga de cinzas acontece por seção com

acionamento automático, e sua retirada pode ser realizada

com água ou vapor e também manualmente.

Abaixo podemos acompanhar um desenho esquemático

deste tipo de grelha.

Visando a queima de biomassa com maiores teor

de umidade, foi desenvolvida a grelha fixa inclinada

conhecida como flat pin-hole, com um funcionamento

totalmente automático e com controle do intervalo de

limpeza modulado com as condições específicas de

cada combustível. Devido a ausência de partes móveis

é comprovadamente a grelha com menores custos de

manutenção; seus elementos fundidos são resfriados

com água, o que permite altas temperaturas de ar de

combustão.

Diferentemente das grelhas fixas, temos as chamadas

grelhas móveis, e sua principal representante é a

grelha rotativa. Este tipo de grelha é uma alternativa

para queima de biomassa que possuem maiores gra-

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Fabricação e Montagem de estruturas metálicas;

Montagem e manutenção de caldeiras.

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ARTIGO

Grelha Basculante

Fonte: DSJ Engenharia

Elemento Aspersor

Fonte: DSJ Engenharia

Gralha Pin Hole

Fonte: DSJ Engenharia

nulometrias e devido a estas características “queimam”

em cima da grelha.

A grelha rotativa é uma opção ideal para combustíveis

com alto teor de cinzas, como carvão e resíduos

florestais. Estes combustíveis exigem a movimentação

contínua da grelha e este movimento garante a retirada

de cinzas automaticamente, porém devido aos

componentes móveis e acionamentos desta grelha, ela

necessita de atenção especial para que sua parada não

interrompa a operação da caldeira.

NOVOS SISTEMAS

Agora um sistema de queima já muito utilizado na

Europa e que esta se inserindo na queima de biomassa

é o BFB (Leito Fluidizado Borbulhante). Este sistema de

queima é indicado para combustíveis com alto teor de

umidade e baixo poder calorífico. O BFB é formado por

um grande volume de areia, que se fluidiza ao receber

uma quantidade de ar por baixo, a alta pressão, com

bicos de sopragem adequadamente dimensionados.

Esta massa de areia é aquecida por queimadores e em

seguida o combustível começa a ser injetado, queimando

no leito de areia.

Este tipo de queima possui uma eficiência melhor

do que as grelhas fixas e móveis. Quando falamos de

combustível não queimado neste tipo de grelha podemos

considerar que há redução de 0,1 a 0,3%, contra 1

a 3% nas grelhas fixas e móveis –assim esta opção de

queima consumirá menos combustível do que as grelhas

convencionais.

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Já pensando na escolha do sistema de queima a

serem adotados em sua caldeira, alguns pontos devem

ser levados em consideração:

1. Umidade do Combustível: para combustíveis

com teor de umidade maior que 52%, o ar de combustão

deverá possuir maiores temperaturas e para isto as

grelhas flat pin-hole, Rotativas e os leitos fluidizados

são as melhores escolhas. E o ideal é que os elementos

fundidos destas grelhas possuam maiores teor de cromo

para que tenham uma vida útil mais elevada.

2. Granulometria: quando o combustível a ser

utilizado possuir diâmetros maiores que 50 mm, as grelhas

rotativas e o leito fluidizado são mais indicados.

3. Potência Instalada: o consumo de energia da

própria planta geradora de vapor é um item extremamente

importante na avaliação da tecnologia de queima

a ser utilizada, pois ao compararmos o consumo

de energia em um sistema de leito fluidizado com os

sistemas convencionais, grelhas fixas e móveis, o consumo

será maior, já que os ventiladores requerem uma

maior potência devido a necessidade de alta pressão e

vazão de gases para fluidizar o leito de areia. Apesar do

menor consumo de combustível nos leitos fluidizados,

uma conta deve estar sempre na cabeça do comprador

deste tipo de tecnologia, este menor consumo de

combustível será suficiente para compensar a energia a

mais requerida pelo sistema?

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CONCLUSÃO

Com este artigo tentamos apresentar algumas das

principais tecnologias na queima de biomassa e geração

de vapor. No momento da aquisição destes equipamentos,

além destes principais itens apresentados,

deverão ser avaliados outros fatores secundários, assim

o auxilio de técnicos experientes no processo de aquisição

é um ponto de extrema importância para o sucesso

no momento da compra.

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AGENDA

AGOSTO Agosto 2016 2016

Dia de Campo Florestal

Data: 17

Local: Botucatu (SP)

Informações: diadecampoflorestal.com.br/

Intersolar South America

Data: 23 a 25

Local: São Paulo

Informações: www.intersolar.net.br/pt/inicio.html

Fenasucro & Agrocana

Data: 23 a 26 de Agosto

Local: Sertãozinho (SP)

Informações: www.fenasucro.com.br/

Expointer

Data: 27 a 04

Local: Porto Alegre (RS)

Informações: www.expointer.rs.gov.br/inicial

SETEMBRO Setembro 2016 2016

Exposucata

Data: 13 a 15

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.exposucata.com.br/

Xcbpe – Congresso Brasileiro de

Planejamento Energético

Data: 26 a 28

Local: Gramado (RS)

Informações: www.xcbpe.com.br

OUTUBRO Outubro 2016 2016

Abtcp

Data: 25 a 27

Local: São Paulo (SP)

Informações: http://abtcp2016.org.br/pt/930-2/

NOVEMBRO Novembro 2016 2016

Birec (Brazil International Renewable

Energy Congress)

Data: 7 a 10

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.bireccongress.com/

Smart Energy 2016

Data: 16 a 18

Local: Curitiba (PR)

Informações: www.smartenergy.org.br

Acesse:

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DESTAQUE

Destaque

Fenasucro & Agrocana

Data: 23 a 26 de Agosto

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OPINIÃO

Foto: divulgação

ENERGIA NA NOVA

ERA ECONÔMICA

A

necessidade de mudanças ambiciosas no setor

energético nacional já transparecia nas metas

fixadas pelo Brasil no Acordo de Paris, com promessas

de elevar a 23% a participação de fontes

alternativas renováveis na matriz energética nacional e promover

a conservação de 10% de energia pelo ganho de eficiência.

O desafio torna-se ainda mais imperioso quando se

constata que o setor respondeu, sozinho, por um terço do

1,2 bilhão de t (toneladas) de CO2 equivalente emitido pelo

país em 2010, segundo o último inventário brasileiro de GEE

(gases de efeito estufa), cuja revisão foi publicada em maio.

Mais do que um ideal, a economia de baixo carbono

é uma realidade que tem exigido de governos e empresas

mudanças profundas nos sistemas produtivos e nas

relações de negócios do mercado global. Nesse cenário,

a gestão energética torna-se vital para a recuperação da

competitividade brasileira, bem como para a retomada do

crescimento em bases sustentáveis.

No Brasil, o Conselho de Líderes do Cebds (Conselho

Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável)

iniciou uma série de análises e propostas, em conjunto

com consultores especializados, com o intuito de prover

elementos para discutir a inclusão brasileira na nova ordem

global de baixa emissão de carbono.

Para colaborar com essa imensa tarefa, os estudos Financiamento

à Energia Renovável: Entraves, Desafios e Oportunidades

e Consumo Eficiente de Energia Elétrica: Uma

Agenda para o Brasil, recém-publicados, apontam medidas

de curto e de longo prazos para o país sair da incômoda posição

de 15ª economia em eficiência energética dentre 16

países avaliados, em 2014, pelo Conselho Americano para

uma Economia Energeticamente Eficiente. O maior potencial

de evolução foi encontrado na indústria, consumidora

de 38% da energia gerada, mas os investimentos necessários

na eficiência esbarram na dificuldade de acesso a linhas

de crédito e acabam na coluna de passivos das empresas.

A conta dessas distorções é paga por todos. Se o Brasil

apenas cumprisse a meta inscrita no acordo, isso já representaria

baratear em 17% a tarifa de eletricidade, reduzir

em 10% a emissão GEE pelo setor, diminuir 24% dos custos

operacionais do SIN (Sistema Interligado Nacional) e economizar

42% em produção de energia. Na ponta do lápis, são

R$ 58 bilhões de diferença até 2030.

Tal economia poderia impulsionar significativamente o

segmento de fontes alternativas renováveis, que hoje responde

por meros 11% do mercado e permanece às voltas

com dificuldades de financiamento, riscos cambiais, políticas

de nacionalização inconsistentes e entraves burocráticos.

Outras saídas seriam o uso de fundos temáticos multilaterais

e a diversificação de instrumentos de captação financeira,

além da criação de um fundo público de hedge cambial.

Padronização de contratos, mudanças regulatórias e o

desenvolvimento de novos canais de negociação são outras

possibilidades de grande poder transformador.

Mapear essas oportunidades foi apenas o primeiro passo

do Conselho de Líderes do Cebds em direção a um diálogo

necessário com o poder público e com a sociedade

sobre os benefícios da eficiência energética e do favorecimento

às fontes alternativas renováveis na matriz elétrica

nacional.

Por Marina Grossi

Economista e presidente do Cebds (Conselho Empresarial

Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável)

Foto: divulgação

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