Agosto/2015 - Biomais 10

jota.2016

Visitantes - Grupo Jota Comunicação

Turbina aérea: tecnologia leva energia eólica a comunidades mais isoladas

revista biomassa energia

COMPACTO E

RENOVÁVEL

PELLET DE MADEIRA

GANHA FORÇA

NO BRASIL

COMPACT AND

RENEWABLE

WOOD PELLETS GAIN

STRENGTH IN BRAZIL

RODRIGO DE CASTRO

COMISSÃO DE

MINAS E ENERGIA

LEILÃO DE ENERGIA

BIOMASSA POUCO VALORIZADA


Projetos

dimensionados

de acordo com as

necessidades do

cliente

Tecnologia

para queima de

combustíveis

com até 60%

de umidade

Assistência:

24 horas

para você

Há mais de 60 anos

no mercado.

Modelos de Caldeiras:

Aquatubulares

Capacidade de 15.000 a 60.000 Kgv/h

Flamotubulares

Capacidade de 300 a 40.000 Kgv/h

BENECKE IRMÃOS & CIA LTDA.

Rua Fritz Lorenz, 2170

89120-000 • Timbó • Santa Catarina • Brasil

Fone: +55 47 3382 2222 • Fax: +55 47 3382 2290

Cel.: +55 47 8872 9641 / 47 8873 0364

E-mail: vendas@benecke.com.br

www.benecke.com.br


SUMÁRIO

04 | EDITORIAL

Energia é vida

05 | CARTAS

06 | NOTAS

16 | ENTREVISTA

22 | PRINCIPAL

34| PELO MUNDO

Energia que vem do ar

42 | PROCESSO

Energia da digestão

46 | CASE

Produção de papel

mais econômica

52 | ESPECIAL

58 | BIOMASSA

64 | ARTIGO

72 | AGENDA

74| OPINIÃO

O poder da biomassa

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 03


EDITORIAL

ENERGIA É VIDA

Se produzidos dentro dos padrões de

qualidade, os pequenos pellets de madeira se

mostram muito poderosos para gerar energia

JOTA COMUNICAÇÃO

EXPEDIENTE

Diretor Comercial / Commercial Director: Fábio

Alexandre Machado (fabiomachado@revistabiomais.

com.br) • Diretor Executivo / Executive Director: Pedro

Bartoski Jr (bartoski@revistabiomais.com.br) • Diretora

de Negócios / Business Director: Joseane Knop

(joseane@jotacomunicacao.com.br)

Quando o preço da tarifa de energia elétrica bate recordes consecutivos significa

que algo está errado. Esta é a opinião do nosso entrevistado, o deputado Rodrigo Batista

de Castro, presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara. Energia e meio

ambiente têm uma relação de interdependência, uma simbiose que sustenta o desenvolvimento

humano. O mundo precisa de energia e o meio ambiente não suporta

mais agressões.

São nos momentos de dificuldades que surgem as superações. Para esta edição da

Revista BIOMAIS, preparamos reportagens que demonstram a criatividade e a capacidade

humana de driblar as adversidades. Uma invenção curiosa batizada de Bat (morcego

em inglês), equipada com uma turbina eólica, é capaz de gerar energia para as

comunidades mais remotas do mundo. Outra grande sacada são os pellets de madeira,

personagens principais da reportagem de capa. O biocombustível está ganhando

terreno mundo afora. Enquanto isso, no Brasil ainda esbarra em questões que pouco

empolgam a produção industrial do produto. Ouvimos especialistas para saber mais e

porque o Brasil ainda não aproveita todo o potencial energético dos pellets.

JOTA EDITORA

Diretor Comercial / Commercial Director: Fábio

Alexandre Machado (fabiomachado@revistabiomais.

com.br) • Diretor Executivo / Executive Director: Pedro

Bartoski Jr (bartoski@revistabiomais.com.br) • Redação

/ Writing: Rafael Macedo - Editor, Davi Etelvino,

Larissa Angeli (jornalismo@revistabiomais.com.br) •

Dep. de Criação / Graphic Design: Fabiana Tokarski

- Supervisão, Fabiano Mendes, Bruce Cantarim,

Fernanda Domingues, (criacao@revistabiomais.

com.br) • Tradução / Translation: John Wood Moore •

Dep. Comercial / Sales Departament: Gerson Penkal,

José Pinheiro (comercial@revistabiomais.com.br)

• Fone: +55 (41) 3333-1023 • Dep. de Assinaturas /

Subscription: - Monica Kirchner - Coordenação, Elaine

Cristina, (assinatura@revistabiomais.com.br).

A REVISTA BIOMAIS é uma publicação da

JOTA Editora - Rua Maranhão, 502 - Água Verde -

Cep: 80610-000 - Curitiba (PR) - Brasil

Fone/Fax: +55 (41) 3333-1023

www.jotaeditora.com.br

Veículo filiado a:

A REVISTA BIOMAIS - é uma publicação bimestral e independente,

dirigida aos produtores e consumidores de energias limpas e alternativas,

produtores de resíduos para geração e cogeração de energia, instituições

de pesquisa, estudantes universitários, órgãos governamentais,

ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS não se responsabiliza por

conceitos emitidos em matérias, artigos, anúncios ou colunas assinadas,

por entender serem estes materiais de responsabilidade de seus autores.

A utilização, reprodução, apropriação, armazenamento de banco de

dados, sob qualquer forma ou meio, dos textos, fotos e outras criações

intelectuais da REVISTA BIOMAIS são terminantemente proibídas sem

autorização escrita dos titulares dos direitos autorais, exceto para fins

didáticos.

ENERGY IS LIFE

When the electric energy tariff hits consecutive records, it means that something is

wrong. We do not want to question the jurisdiction of the Government here; we leave that

to our interviewee, Deputy Rodrigo Batista de Castro, Chairman of the Mines and Energy

Commission of the House of Deputies. Energy and environment have an interdependent

relationship, a symbiosis that sustains human development. The world needs energy, and

the environment cannot support more degradation. We are in times of difficulties that

arise from excessive intervention. For this Issue of Revista BIOMAIS, we prepared several

stories that demonstrate the creativity and the human ability to dribble around adversities.

A curious invention called Bat, equipped with a wind turbine, is capable of generating

energy in the most remote communities in the world. Another great story is about wood

pellets, the main characters of the cover story. Biofuel is gaining ground around the world.

Meanwhile, in Brazil, it is still coming up against issues that make the industrial production

of the product of little interest. We heard from experts to learn more and why Brazil does

not yet take advantage of all the energy potential of pellets.

REVISTA BIOMAIS is a bimonthly and independent publication, directed

at clean alternative energy producers and consumers, producers of residues

used for energy generation and cogeneration, research institutions, university

students, governmental agencies, NGO’s, class and other entities, directly and/

or indirectly linked to the Segment. REVISTA BIOMAIS does not hold itself responsible

for concepts contained in materials, articles, ads or columns signed

by others; these are the responsibility of their authors. The use, reproduction,

appropriation, databank storage, in any form or means, of the text, photos and

other intellectual property of REVISTA BIOMAIS are strictly forbidden without

written authorization of the holder of the authorial rights, except for educational

purposes.

04

www.REVISTABIOMAIS.com.br


Gerando energia para o mundo.

AQUECEDORES DE FLUIDO

TÉRMICO

• Capacidade: 1 a 10 Gkal/h

• ∆T 20ºC até ∆T 40ºC

CALDEIRAS FLAMOTUBULARES

• Capacidade: 1 a 40 ton/h vapor

• Pressão de trabalho: 10 a 23 kgf/cm²

CALDEIRAS AQUATUBULARES

• Grelha rotativa ou fixa refrigerada a água

• Vapor saturado ou superaquecido

• Capacidade de 10 a 60 ton/h vapor

• Pressão de trabalho de 15 a 68 kgf/cm²

Gerando soluções

tecnológicas de energia

Rua Lilly Bremer, 322 • Bairro Navegantes • Rio do Sul • Santa Catarina

Tel.: (047) 3531-9000 • Fax: (047) 3525-1975

bremer@bremer.com.br • www.bremer.com.br


CARTAS

SEGUNDA GERAÇÃO

Sou orientador de Iniciação Científica e tenho interesse em informações a respeito do álcool de

segunda geração. Acredito que existam projetos, inclusive para produção de álcool a partir do lixo.

Lino José Cardoso dos Santos - São Paulo (SP)

ALTERNATIVAS

Gosto de saber das novidades a respeito de energia renovável e fontes sustentáveis. O planeta precisa alternativas

energéticas que não agridam tanto o meio ambiente.

Foto: divulgação

Matheus de Lima - Rio de Janeiro (RJ)

CONHECIMENTO

A Revista BIOMAIS é fonte de conhecimento técnico, sempre com artigos bem embasados e reportagens interessantes.

Ótima Revista.

José Ricardo Duarte - Porto Alegre (RS)

ECOELÉTRICO

Em passagem por Curitiba pude ver um ônibus do projeto Curitiba Ecoelétrico.

Já tinha lido a matéria sobre eles na BIOMAIS e ficado curioso.

Renato Manfroi - Niterói (RJ)

Imagem: reprodução

REVISTA

na

mídia

www.revistabiomais.com.br

www.facebook.com.br/revistabiomais

informação

biomassa

energia

www

Publicações Técnicas da JOTA EDITORA

06

www.REVISTABIOMAIS.com.br


A FORÇA DESTE PISO

GARANTE A AGILIDADE DAS

MINHAS CARGAS E DESCARGAS,

COM SEGURANÇA.

Ideal para realizar carregamentos e descarregamentos horizontais,

o sistema de Piso Móvel da Hyva é amplamente utilizado em aplicações

veiculares e estacionárias, garantindo a segurança

e a agilidade no transporte de materiais, como: cereais, silagem, lixo

municipal, pneus, cavaco de madeira, carvão vegetal, mercadorias

paletizadas, bagaços e biomassa em geral.

A eficiência hidráulica do sistema possibilita alta produtividade,

sendo capaz de compactar em até 30% as cargas, além de permitir

o transporte de quantidades de até 120m 3 , em um único semirreboque.

Tenha a força da tecnologia Hyva ao seu lado, com

atendimento especializado e qualidade de excelência.

SISTEMA PISO MÓVEL

Central de Atendimento

(54) 3209.3437

CILINDROS

E KITS HIDRÁULICOS

GUINDASTES

ARTICULADOS

PISO

MÓVEL

FORÇA QUE MOVE O MUNDO

www.hyva.com.br


NOTAS

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil Foto: Compagás

FASE FINAL

O projeto de ampliação da rede de distribuição de gás natural

para atender os Campos Gerais no Paraná, realizado pela

Compagas (Companhia Paranaense de Gás), está na fase final.

O investimento na região já soma mais de R$ 86,6 milhões. As

obras, que ligam os municípios de Ponta Grossa, Carambeí e

Castro, estão em ritmo acelerado, dos 78,6 km (quilômetros)

de extensão, restam apenas 1,7 km de trechos em rocha a serem

finalizados no segundo semestre de 2015. O objetivo da

Compagas é fornecer a infraestrutura de atendimento necessária

às indústrias da região e atrair novos investidores. Essa

ampliação da malha de distribuição vai atender a demanda

industrial, que na região conta com indústrias como Evonik

e Cargill. A Companhia também vai iniciar um projeto de implantação

da rede de distribuição residencial em Ponta Grossa.

Ao longo de 2015, serão mais de R$ 2 milhões em investimentos

e o total nessa expansão será de aproximadamente

R$ 5 milhões para a construção de 6 km de rede, até 2018.

Dessa forma, a cidade se consolida como a primeira do Estado

do Paraná a ter abastecimento residencial urbano de gás natural,

depois de Curitiba.

SMART GRID

A Conferência Internacional de Energias Inteligentes - Smart

Energy 2015, que será realizado entre os dias 19 e 21 de outubro

em Foz do Iguaçu (PR), vai abordar a melhor utilização do sistema

elétrico e os desafios energéticos do próximo ano. Os focos

de debate serão: as ações em eficiência energética; a atualização

das redes de distribuição de energia atuais para a inserção de

novas fontes de geração; e a melhor utilização de todo o sistema

elétrico para evitar desperdícios. Painéis de apresentação com

a participação de especialistas nacionais e internacionais, seminários,

oficinas e mesas-redondas também farão parte da programação.

O público vai conferir ainda debates sobre políticas

públicas para o desenvolvimento de energias renováveis, smart

grid, o futuro da biomassa, projetos e ações em andamento no

Estado do Paraná e no Brasil, a visão da Copel (Companhia Paranaense

de Energia) no contexto das energias renováveis, logística

reversa, eficiência energética, barreiras regulatórias e comerciais

e experiências de outros países. Informações e inscrições no

www.smartenergy.org.br/2015.

CONSUMO EM VISTA

O Sebrae identificou um aumento de 15,5%, entre maio de 2014 e abril

de 2015, na procura de pequenos empreendedores por soluções que reduzam

o consumo de energia em seus negócios. Nesse período, 3,8 mil donos de

pequenos negócios procuraram, em todo o país, os programas do Sebrae em

busca de apoio para investimento em soluções de inovação e tecnologia. Uma

pesquisa do Sebrae concluiu também que as pequenas empresas têm conseguido

baixar em 20% o consumo de energia. Os números refletem o desempenho

de 3,9 mil empresas atendidas no ano passado por meio do programa

de apoio à inovação e sustentabilidade, o Sebraetec. Após adotar ações do

programa, 82% dos entrevistados confirmaram uma redução na conta de luz.

Foto: Cataratas do Iguaçu S.A

08

www.REVISTABIOMAIS.com.br


NOTAS

Foto: Marcello Casal Jr/ABr

TROFÉU TRANSPARÊNCIA

A Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) integra

pela 12° vez consecutiva a lista das 20 empresas mais transparentes

do país, entre as corporações de capital aberto com faturamento

acima de R$ 5 bilhões. O reconhecimento veio com

o Troféu Transparência, concedido pela Anefac-Fipecafi-Serasa

Experian. A cerimônia de entrega do prêmio às vencedoras do

19º Troféu Transparência será realizada no dia 24 de setembro,

em São Paulo. Para o superintendente de Controladoria da

companhia, Leonardo George de Magalhães, isso representa o

reconhecimento externo do esforço da Cemig em ser transparente

na divulgação das operações. “Como empresa do setor de

energia elétrica e de gás, com mais de 10 milhões de clientes, e

também de capital aberto, com milhares de acionistas em todo

o mundo, ser transparente e prover informações úteis e de qualidade

à sociedade é um dever. Dessa forma, graças ao talento

e comprometimento da equipe, é que abraçamos o desafio da

busca contínua de melhoria na qualidade das Demonstrações

Financeiras da Cemig, sendo que esse troféu vem indicar que

estamos no caminho certo”, declara Leonardo.

AMPLIAÇÃO RENOVÁVEL

Fernando de Noronha recebeu um reforço na geração

de energia renovável: a usina solar Noronha II foi ampliada. A

ação é resultado da parceria entre o Governo de Pernambuco,

a Administração da Ilha e a Celpe (Companhia Energética de

Pernambuco) com recursos investidos na ordem de R$ 6,4 milhões.

Foram instalados 1.836 módulos de silício policristalino

sob uma área de concreto de 8 mil m² (metros quadrados). O

sistema que converte a radiação solar em energia elétrica terá

potência instalada de 550 kWp (quilowatt-pico) e vai gerar cerca

de 800 MWh/ano (megawatt/ano), o que corresponde a 5% do

consumo da ilha. Com a usina solar em operação, deixarão de

ser consumidos, anualmente, 200 mil litros de biodiesel em Noronha.

A nova unidade geradora de energia renovável integrará

o sistema elétrico da ilha juntamente com a Usina Solar Noronha

I, construída nas instalações físicas do Comando da Aeronáutica.

Juntas, as duas usinas serão responsáveis por cerca de 10% da

energia consumida no arquipélago. Inicialmente, com a entrada

em operação das usinas solares fotovoltaicas, o sistema elétrico

de Fernando de Noronha será monitorado com o objetivo de

definir a melhor estratégia para maximizar a geração renovável.

Foto: Hermínio Oliveira/ABr

Foto: Chuck Kennedy/TWH

ENERGIA LIMPA

Os EUA (Estados Unidos da América) querem poupar US$ 155 mil milhões

entre 2020 e 2030 com o plano de energia limpa. O presidente norte-americano,

Barack Obama, apresentou o Clean Power Plan, que pretende reduzir

as emissões de dióxido de carbono em 32% até 2030 nos EUA e aumentar em

30% a produção de energias renováveis. “Estou convencido que as alterações

climáticas são o maior desafio que nós, e as gerações futuras, enfrentamos”,

disse Obama. Com o plano estima-se que a população daquele país também

economize em média quase US$ 85 por ano na sua fatura energética anual

até 2030. A aprovação deste plano acontece meses antes de 200 países

reunirem-se em Paris para tentarem chegar a acordo sobre as emissões de

dióxido de carbono, para encontrar um substituto do Protocolo de Quioto. Desta forma, Barack Obama apontou que os países responsáveis

por 70% do total mundial de emissões já mostraram abertura para chegar a acordo e que os EUA devem estar no pelotão da frente.

10

www.REVISTABIOMAIS.com.br


Energia renovável

Especializada na fabricação de

Fornalhas para queima de biomassa

para geração de gás quente

L A N Ç AME N TO

CALDEIRA

FLAMOTUBULAR

VERTICAL

IFC - ZEUS

Para geração

de vapor e

energia

Í

FORNALHA GÁS QUENTE HÉRCULES

V E M

A

É construída sobre um chassi metálico compacto, que dispensa onerosas obras civis. Possui sistema

inovador de sustentação e acionamento das grelhas, através de braços mecânicos eliminando

sistema de unidade hidráulica, mancais e rolamentos, diminuindo significativamente as paradas

para manutenção.

COMBUSTÍVEIS:

CAVACO DE MADEIRA SERRAGEM CASCA DE ARROZ PELLETS BRIQUETE BAGAÇO DE CANA

CAPIM ELEFANTE LODO INDUSTRIAL OUTROS SOB CONSULTA

WWW.IMTAB.COM.BR

COMERCIAL@IMTAB.COM.BR

TEL.: (47) 3534-0396

NOVA UNIDADE IMTAB EM CONSTRUÇÃO

RUA ALFREDO HVIZDALECK, 229 - CENTRO

AGROLÂNDIA - SANTA CATARINA


NOTAS

Foto: Neide Furukawa/Embrapa

GERAÇÃO POR

BIOMASSA CRESCE

O Brasil registrou uma capacidade instalada

de 10,6 GW (gigawatts) em usinas de

energia elétrica movidas à biomassa no final

de abril, de acordo com dados da Ccee (Câmara

de Comercialização de Energia Elétrica),

que também reportou a produção de 2,2 GW

médios em eletricidade pelas plantas no mês,

que marca o início da safra de cana-de-açúcar.

A capacidade das 231 usinas a biomassa do

país representa pouco menos que a potência

da hidroelétrica de Belo Monte, que está

sendo construída no Pará e somará 11,2 GW.

A geração das usinas de biomassa, predominantemente

bagaço de cana, teve um avanço

de 21% em abril em relação ao mesmo mês de

2012, com destaque para a produção das usinas

instaladas em São Paulo (941 MW médios),

Mato Grosso do Sul (322 MW médios), Goiás

(288 MW médios) e Minas Gerais (189 MW

médios). Em tempo: um estudo NEO (Energy

Outlook), elaborado pela Bnef (Bloomberg

New Energy Finance), prevê que o Brasil deverá

atrair US$ 300 bilhões em investimentos

para geração de energia elétrica até 2040. A

pesquisa aponta que a maior parte desses investimentos

(70%) irá para projetos solares e

eólicos. Serão adicionados 250 GW (gigawatts)

de nova capacidade nos próximos anos, chegando

a 383 GW, um aumento de 189% sem

sua capacidade total. Sendo que 89% desse resultado

será composto de energias renováveis,

inclusive de pequenas e grandes hidrelétricas.

INCENTIVOS

PARA SETOR

Durante a inauguração da

primeira unidade de produção

de etanol 2G da Raízen, o

ministro de Minas e Energia,

Eduardo Braga, ressaltou as

ações do ministério em apoio

ao setor sucroenergético do país. Ele destacou a eliminação total dos tributos

federais sobre a comercialização do etanol carburante e também sobre a oferta

de financiamentos para estocagem e renovação do canavial. Além disso, a

representatividade da produção brasileira foi frisada pelo ministro durante o

evento. “Aqui está sendo apontado o caminho para que a indústria sucroenergética

consolide seu espaço na economia brasileira e na economia mundial. Os

produtos de cana já representam 15,7% da oferta interna de energia brasileira,

se considerarmos o etanol anidro, o hidratado e a bioeletricidade gerada pela

biomassa da cana. Ou seja, está quase do tamanho de uma Belo Monte, ficando

atrás apenas da hidroeletricidade e do gás natural.” Além dos tributos, o governo

federal também está incentivando na produção da cana por meio do Plano

Conjunto Bndes-Finep de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial, chamado

Paiss, o qual visa contribuir com investimentos de até R$ 4 bilhões.

TRABALHO

CONJUNTO

O ACT (Acordo de Cooperação

Técnica) assinado

em julho entre a Apex-Brasil

(Agência Brasileira de

Promoção de Exportações

e Investimentos) e a Absolar

(Associação Brasileira de

Energia Solar Fotovoltaica)

tem como objetivo alavancar

o setor para atrair mais

investimentos estrangeiros para o Brasil. Juntas, as duas instituições vão trabalhar

para promover o segmento no Brasil para os principais investidores

internacionais, localizados nos EUA (Estados Unidos da América), na Europa e

na Ásia. “A parceria é importante porque precisamos do setor privado para desenvolver

no Brasil ações e estratégias que o país precisa para se tornar cada

vez mais atrativo. O investimento estrangeiro direto é fundamental não só para

desenvolver a cadeia de energia solar como para diversificar a matriz energética”,

afirma David Barioni Neto, presidente da Apex-Brasil. A união das duas instituições

acontece em um momento efervescente do setor: o governo federal

brasileiro anunciou a realização de mais dois leilões de energia solar ainda este

ano. De acordo com as regras, os vencedores terão três anos para começar a

oferecer o produto para o governo.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Foto: Nasa/SDO

12

www.REVISTABIOMAIS.com.br


NOTAS

Foto: divulgação

TECNOLOGIA

PARA BIOMASSA

A Caldema acaba de lançar o alimentador Shark Teeth para bagaço

e palha de cana-de-açúcar e outras biomassas. Ele pode ser aplicado

tanto no projeto de novas caldeiras como em caldeiras já existentes

da Calderma ou de outras fabricantes. Por possuir as pás serrilhadas e

construídas em inox 410-D o produto evita o encabelamento do bagaço

e da palha nos rotores alimentadores e a interrupção na alimentação.

Além disso, o Shark Teeth tem maior durabilidade contra corrosão

(cloro/enxofre) e abrasão (areia) devido às impurezas e partes verdes

(folhas/pontas) encontradas no bagaço. O alimentador possui carcaça

em chapas de inox SA 240 410-D parafusadas para facilitar a montagem.

Internamente conta com dois rotores dotados de dentes de tração

construídos na própria chapa de inox e eixo em barra laminada SAE

1045, sustentados por mancais de rolamento. As engrenagens de transmissão,

interligadas a um acoplamento com capa metálica de proteção

entre alimentador e o acionamento, são fixadas em uma das extremidades

dos eixos dos rotores. O acionamento é compacto de fácil instalação

e adaptação e é composto por um motorredutor com potência de 5

HP e fator de serviço mínimo de 1,5; o acoplamento entre motorredutor

e alimentador é flexível sem necessidade de lubrificação.

RECORDE

EM PRODUÇÃO

Segundo dados do MME (Ministério de Minas e Energia),

o Brasil bateu recorde na produção diária de energia

eólica. O registro ocorreu em 20 de julho, quando foram

produzidos 2.989,2 MWmed (megawatts médios). A

energia é suficiente para o abastecimento de cerca de 13

milhões de pessoas, levando-se em conta o consumo de

energia elétrica residencial de 166 KWh/mês. O nordeste,

líder em produção de energia eólica, produziu 2.282,0

MWmed, enquanto a região sul gerou 707,3 MWmed. Em

um ano, a produção da energia eólica, que representa

cerca 3,5% do total da matriz de energia do Sistema Interligado

Nacional, cresceu 179%. No mês de maio, foram

gerados 1.536 GW/h pelos ventos, 57% a mais do que em

abril. De acordo com o MME, em oito anos, a expansão

dos parques eólicos pode fazer a produção representar

11% da matriz elétrica brasileira. Segundo o PDE (Plano

Decenal de Energia), a participação das fontes de energia

renováveis na matriz pode chegar a 83,8% até 2023.

Foto: Marcos Santos/USP

HOMENAGEM

A Revista BIOMAIS faz uma homenagem em memória de Anderson

Kaiser, diretor comercial da Bruno Industrial. Anderson nasceu em Videira

(SC), no dia 14 de janeiro de 1977. Na adolescência mudou-se com a

família para Campos Novos (SC). Filho de Arlete e Ivo Kaiser, era formado

em Engenharia Mecânica e dedicou a vida profissional à Bruno Industrial.

Trabalhou intensamente no avanço tecnológico dos equipamentos para o

setor florestal e de biomassa fabricados no Brasil. Parte da evolução destas

máquinas se deve ao esforço incansável de Anderson por um mercado

mais competitivo. Ele faleceu no dia 27 de julho, após um acidente de carro

quando viajava à trabalho. O empresário deixa esposa e dois filhos.

Foto: divulgação

14

www.REVISTABIOMAIS.com.br


ENTREVISTA

• RODRIGO DE CASTRO •

ERROS QUE

SUCATEARAM

O SETOR DE

ENERGIA

Foto: divulgação

C

rítico vigoroso da política estabelecida pelo Palácio do Planalto, em especial ao setor energético, o

deputado federal Rodrigo de Castro (PSDB/MG) fala dos erros que desestabilizaram a estrutura de geração

e distribuição e os custos desses equívocos para o país. Rodrigo ainda ocupa a função de presidente

da Comissão de Minas e Energia da Câmara e segundo ele, é preciso uma mudança drástica e estrutural,

que passa pela desburocratização de licenciamentos ambientais até a diversificação da matriz energética.

Algo que deveria começar imediatamente.

ERRORS THAT HAVE TURNED THE

ENERGY SECTOR INTO SCRAP

A

vigorous critic of the policy established by the Presidential Palace, in particular for the Energy Sector, Rodrigo

de Castro, Federal Deputy (PSDB/MG), talks about the mistakes that have destabilized the energy generation

and distribution structure and the costs of these misconceptions for the Country. de Castro occupies the role of

Chairman of the House Mines and Energy Commission, and according to him, there is a need for a dramatic and

structural change, from the environmental licensing bureaucracy to the diversification of the energy matrix. Something that

should start immediately.

16

www.REVISTABIOMAIS.com.br


PERFIL:

Nome: Rodrigo Batista de Castro

Local de nascimento: Viçosa (MG)

Formação: Graduação em Administração

de Empresas pela Ufmg (Universidade

Federal de Minas Gerais) e Direito pela

PUC Minas (Universidade Católica de

Minas Gerais); Pós-Graduação em Gestão

Estratégica pela Ufmg, Mestrado em

Gestão Estratégica das Organizações

pela Fead (Centro de Gestão

Empreendedora).

Cargo: Deputado Federal, presidente

da Comissão de Minas e Energia

PROFILE:

Name: Rodrigo Batista de Castro

Place of Birth: Viçosa (MG)

Education: Business Administration,

Ufmg (Federal University of Minas Gerais);

Law, PUC Minas (Catholic University of

Minas Gerais); Post Graduate Studies in

Strategic Management, Ufmg; Masters in

Organizational Strategic Management,

Fead (Entrepreneurial Management

Center).

Function: Federal Deputy, President

of the Mines and Energy Commission

of the House of Deputies

A que se deve a alta na fatura de energia elétrica do brasileiro

nos últimos meses?

Deve-se principalmente aos erros seguidos do governo do

PT, com relação ao setor elétrico. Especialmente à medida provisória

que baixou a tarifa. Por conta das eleições, a presidente

Dilma artificialmente forçou uma queda de 20% na tarifa energética.

Isso desarticulou todo o setor e as empresas entraram

em uma crise sem precedentes. As ações da Eletrobras viraram

pó e com isso o setor entrou em colapso. Como o governo sustentou

isso artificialmente precisou voltar atrás depois de uma

ameaça real de quebra do setor. Permitiu aumentos de 60% e

até mais de 100% dependendo do segmento.

Qual o cenário atual do setor energético do país?

Temos uma crise estrutural grande. O governo não investiu,

ou investiu pouco, na geração de energia. Privilegiou os investimentos

em usinas térmicas, que são as mais caras, que geram

energia suja e que não resolvem o problema. O governo não

quis encarar a possibilidade de racionamento e é nesse cenário

que o Brasil caminha atualmente. O consumidor é quem paga

a conta.

O que o governo está fazendo para fornecer energia

sustentável à população?

Muito pouco. O Brasil poderia estar investindo de maneira

muito mais sólida em energias renováveis. É certo que tivemos

alguns passos nesse sentido, mas poderia ser muito mais efetivo

se os leilões acontecessem com mais presenças. Para isso

precisaríamos de maior segurança jurídica. Isso poderia atrair

muito mais a iniciativa privada, especialmente nesse momento

em que o governo federal não tem recursos. Toda vez que o

Why the increase in the Brazilian electricity bill in recent

months?

This is due mainly to the continuous errors of the Worker Party

Government (Partido dos Trabalhadores), in relation to the Electricity

Sector. Especially, the provisional measure that lowered the tariff.

Because of the elections, President Dilma (Rousseff) artificially

created a 20% reduction in the electrical energy tariff. This caused

discontinuity in the whole Sector, and the electric companies spiraled

into an unprecedented crisis. Shares of Eletrobras turned to dust,

and with this, the Sector entered into collapse. As the Government

sustained this artificially, it needed to undo its actions as there was

a real threat of the Sector breaking down. The Government allowed

for 60% increases, and up to more than 100%, depending on the

segment.

What is the current scenario for the Energy Sector in the

Country?

We have a large structural crisis. The Government has not invested,

or invested very little, in electric energy generation. It has focused

on investments in thermal power plants, which are the most

expensive, generate dirty energy and don’t solve the problem. The

Government does not want to face the possibility of rationing and it

is within this scenario that Brazil lives these days. It is the consumer

who pays the bill.

What is the Government doing to provide sustainable energy

to the population?

Very little. Brazil could be investing in a much more solid way

in renewable energy. It is true that we have taken some steps in this

direction, but they could have been much more effective if the auctions

took place with a bigger presence. For this, we would need gre-

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 17


ENTREVISTA

governo fez intervenções, principalmente motivado por razões

ideológicas, ele afugentou os investidores.

Os parques eólicos do nordeste estão prontos, mas não

estão fornecendo energia para o sistema? O que falta?

Estão prontos, mas não têm ligação com as torres de energia.

Nos últimos anos o governo não se debruçou sobre as leis

de licenciamento ambiental, um processo moroso no Brasil. É

difícil para os empreendedores, não existem garantias, não há

critério e o governo não avançou nada nesse ponto. Este é outro

grande gargalo que nós temos.

O que os países desenvolvidos estão fazendo que poderia

ser adaptado para o Brasil?

Algo que já existe na Europa, nos EUA (Estados Unidos da

América) e em alguns países da América do Sul é a portabilidade

em termos elétricos. O consumidor pode escolher a concessionária,

assim como acontece com a telefônica móvel. No

Brasil isso é uma realidade apenas para grandes empresas, mas

o governo poderia avançar com isso para os consumidores residenciais.

Em sua opinião é viável investir em energia nuclear?

Temos alguns mitos e precisamos de um diálogo muito

mais franco sobre a energia nuclear. Daqui 20 anos o Brasil vai

precisar muito mais da energia nuclear. Energia nuclear é cara

no país, basta recordar dos escândalos dos preços na construção

de Angra. Nós importamos uma tecnologia cara e há coisas

muito mais modernas. O Brasil poderia abrir a possibilidade das

indústrias privadas participarem desse setor.

Por que não conseguimos um preço mais atrativo para

o etanol?

É um pecado o que está sendo feito em relação ao etanol.

O Brasil detém essa tecnologia alternativa de energia renovável,

está na vanguarda, no entanto o programa foi sucateado.

As indústrias sucroalcooleiras atravessam o pior momento da

história graças à falta de apoio e à intervenção do governo no

setor de combustíveis.

E o pré-sal, frustrou as expectativas da Petrobras?

A obrigatoriedade da Petrobras em participar da exploração

do pré-sal é um erro, nesse momento em que a empresa não

tem a mínima condição financeira. Há um projeto do senador

Ricardo Ferraço que, ao meu entender, é bastante proveitoso.

Ele resguarda esse patrimônio brasileiro, já que dá à Petrobras a

primazia sem a obrigatoriedade, como é hoje, de participar do

processo. Poderíamos estar muito mais adiantados nesse setor.

ater legal certainty. This would attract more private initiatives, especially

needed at this time, when the Federal Government doesn’t

have the resources. Every time, the Government intervenes, mainly

motivated by ideological reasons, investors are chased away.

Wind farms in the Northeast are ready, but they’re not providing

power to the system. What’s missing?

Yes, they are ready, but there is no connection to the energy distribution

towers. In recent years, the Government has not taken in

anything about what the environmental licensing laws are causing

in Brazil, lengthy delays in approval. It’s hard for businesses, there

are no guarantees, no criteria and the Government has not moved

forward on these points. This is another major bottleneck that we

have.

What are developed Countries doing that could be used in

Brazil?

Something that already exists in Europe, in the US and in some

other Countries in South America, portability in electricity supply

terms. Consumers can choose their electricity supplier, just as for

mobile phones. In Brazil, this is a reality just for large enterprises, but

the Government could proceed applying it to residential consumers.

In your opinion, is it feasible to invest in nuclear power?

We have a few myths, and we need a much more honest dialogue

on nuclear energy. In 20 years, Brazil will need more nuclear

energy. Nuclear energy is expensive in the Country; just remember

the price scandals during the construction of Angra. We import an

expensive technology and there are much more modern ones. Brazil

could open up the possibility for private industries to participate in

this segment.

Why isn’t there a more attractive price for ethanol?

It’s a sin what is being done about ethanol. Brazil is at the forefront

in technology for this alternative renewable energy; however,

the program was scrapped. The sugar/alcohol producers are going

through the worst moment in their history, thanks to the lack of support

and excessive Government intervention in the fuel sector.

And the pre-salt, are the expectations for Petrobras being

frustrated?

The requirement that only Petrobras can participate in the exploration

of the pre-salt is a mistake at this point, in that the Company

does not have the minimum financial condition. Senator Ricardo

Femmy has presented a bill that, to my mind, is quite gainful.

It protects this Brazilian heritage, since it gives Petrobras primacy,

without requirement, as it stands today, that only it participates in

the process. We could be much more innovative in this Sector. Unfor-

18

www.REVISTABIOMAIS.com.br


ENTREVISTA

Infelizmente o setor de energia é uma área em que a presidente

Dilma colocou a mão com muito mais força e em tudo que ela

colocou a mão foi um desastre completo para o Brasil. Hoje nós

estamos pagando um preço caro por esse desarranjo no setor. E

o mundo está avançando muito mais do que nós no Brasil.

tunately, the Energy Sector is an area where President Dilma has too

vigorously stirred the pot, and, as in everything that she touches, it

has become a complete disaster for Brazil. Today, we’re paying dearly

for this breakdown in the Sector. And the world is moving forward

much faster than Brazil.

Como o Brasil está em relação à tecnologia para energias

renováveis?

Em energia solar ainda estamos engatinhando. Mas em energia

eólica avançamos muito nesses últimos tempos. Claro que

contando com uma participação vigorosa da indústria nacional.

Mas não vejo dicotomia entre indústria nacional e indústria internacional.

O que não pode acontecer é o Brasil ter dependência

exclusivamente de tecnologia importada. Claro, deve ser efetivada

a nossa produção de tecnologia e realmente isso tem avançado

muito. Mas se o governo tivesse priorizando isso, fazendo

os leilões com efetividade, teríamos naturalmente uma indústria

muito mais desenvolvida. Em relação a países desenvolvidos

como a Alemanha nós estamos muito atrás, no entanto temos

um potencial eólico muito maior.

Quais os trabalhos que a comissão desenvolve

em relação a energias de fontes

renováveis?

Há projetos de incentivo de

energia renováveis, como eólica,

que estão tramitando em

nossa comissão. A gente

tem se dedicado a incentivar

esse setor. Temos

também projetos de

lei que facilitam a geração

de biomassa.

No que diz respeito

a licenciamento

ambiental, fizemos

um seminário e

uma audiência pública

sobre o tema

e incluímos no diálogo

a Comissão

de Meio Ambiente

e Desenvolvimento

Sustentável da Câmara

dos Deputados. É

nesta comissão que está

tramitando a revisão do

licenciamento ambiental no

Brasil, com medidas simplificadoras.

“Nos últimos anos o

governo não se

debruçou sobre as

leis de licenciamento

ambiental, um processo

moroso no Brasil”

What is the position of Brazil in relation to technology for

renewable energy?

In solar energy, we are still crawling. But in wind power, we have

very much moved ahead in recent times. Of course, with vigorous

participation by domestic industry. But, I see no dichotomy between

domestic industry and international industry. What can’t happen is

that Brazil becomes wholly dependent on imported technology. Of

course, our production technology should become more effective,

and it has really advanced very much. But if the Government had

prioritized it, carrying out auctions with effectiveness, naturally, we

would have a much more developed industry. In relation to developed

Countries, like Germany, we are far behind; however, we have a

much larger potential as to wind power.

What is the Commission developing in relation to

energy from renewable sources?

There are renewable energy incentive

bills, such as for wind, which are

going through the discussion

stages in our Commission.

We are dedicated to encouraging

this segment.

We also have bills that

facilitate biomass

generation. With

regard to environmental

licensing,

we held a seminar

and a public hearing

on the topic,

and we included

in the dialogue, the

House Commission

on the Environment

and Sustainable

Development. This is

the Commission that

is reviewing and revising

environmental licensing in

Brazil, proposing simplified

measures.

20

www.REVISTABIOMAIS.com.br


COMUNICAÇÃO

REVISTAS

VÍDEO

WEBSITES

MARKETING

TV

PRODUÇÕES

INTERNET

EVENTOS

PUBLICIDADE

www.jotacom.com.br

contato@jotacom.com.br

+55 (41) 3333-1023


PRINCIPAL

22

www.REVISTABIOMAIS.com.br


PEQUENOS

NOTÁVEIS

SE PRODUZIDOS DENTRO DOS PADRÕES

DE QUALIDADE, OS PELLETS GERAM UMA

VEZ E MEIA MAIS ENERGIA QUE A LENHA

CONVENCIONAL

FOTOS DIVULGAÇÃO

THE NOTABLE

LITTLE ONES

IF PRODUCED WITHIN QUALITY

STANDARDS, PELLETS CAN

GENERATE ONE AND A HALF

TIMES MORE ENERGY THAN

CONVENTIONAL WOOD

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 23


PRINCIPAL

O

uso da biomassa para a geração de energia

é uma tendência mundial consolidada.

A questão é qual das opções disponíveis é

mais eficiente. O pellet de madeira se destaca

por ser mais limpo e liberar menos fumaça que a lenha

convencional. Países europeus e os EUA (Estados Unidos

da América) já utilizam em larga escala. O Brasil mostra

crescimento no potencial e produção do combustível

compacto e renovável. Mas a estrutura e política de geração

de energia é uma âncora que segura o setor por aqui.

Entre as razões estão o baixo teor de umidade e reduzida

emissão de gases, como óxido de nitrogênio ou compostos

orgânicos voláteis. Os pellets podem ser usados

no aquecimento comercial e residencial de ambientes,

gerar energia elétrica em plantas industriais e, até mesmo,

em usinas termoelétricas.O avanço desta tecnologia

resultou em caldeiras de combustão altamente eficientes.

Os tratamentos industriais durante o processo produtivo

de compactação, chamado de peletização, também contribuíram

para alcançar um material mais seco.

T

he use of biomass for power generation is a

consolidated worldwide trend. The question is:

which of the available options is more efficient.

The wood pellet stands out for being cleaner

and releasing less smoke than conventional wood. European

Countries and the US already use pellets on a

large scale. Brazil has shown a growing potential market

for the production of this compact and renewable fuel.

But the structure and politics of energy generation is an

anchor holding the segment down.

Amongst the reasons for use, there are the low moisture

content and reduced emissions of gases, such as

nitrogen oxides or volatile organic compounds. Pellets

can be used in commercial and residential heating, and

generating electric power at industrial plants, even in

thermal power stations.

The advances in this technology have resulted in

highly efficient combustion in boilers. Industrial treatment

during the production compression process,

called pelletizing, has also contributed in achieving a

24

www.REVISTABIOMAIS.com.br


VANTAGENS DOS PELLETS

REDUZ A

DEPENDÊNCIA

ENERGÉTICA DE

COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

(GÁS E PETRÓLEO)

TÊM ORIGEM EM FONTES

RENOVÁVEIS (FLORESTAS

PLANTADAS)

UMA TONELADA

DE PELLETS PRODUZ A

MESMA QUANTIDADE

DE ENERGIA QUE UMA

TONELADA E MEIA DE

LENHA

Outra grande vantagem dos pellets é ter tamanho

reduzido. Isso permite definir a dose da unidade e a quantidade

a ser queimada para produção de energia. Para

quadros comparativos, uma tonelada de pellet produz a

mesma quantidade de energia que uma tonelada e meia

de madeira.

Os pellets de madeira ocupam menos espaço de armazenamento

e são facilmente transportados.

Uma análise divulgada pela Abipel (Associação Brasileira

das Indústrias de Pellets) feita com pellets produzidos

no Brasil e obtidos diretamente com os produtores

em embalagens comerciais comprovou a eficiência do

produto.

Seguindo normas padrões da Abnt (Associação Brasileira

de Normas Técnicas) as análises mostraram que

os pellets têm densidade energética de até 4,32 vezes

maior que a serragem e 3,41 vezes maior que o cavaco.

Essa maior quantidade de energia por unidade de volume

demonstra uma das vantagens dos pellets quando comparado

a outras biomassas não compactadas.

drier material.

Another big advantage of pellets is reduced size. This

allows one to set the unit dose and quantity to be burnt

in energy production. For comparative purposes, a ton

of pellet produces the same amount of energy that a

ton and a half of wood.

Wood pellets take up less storage space and are easily

transported.

An analysis published by Abipel (Brazilian Association

of Pellet Producers) using pellets produced in Brazil

and obtained directly from producers, commercially

packaged, proved the efficiency of the product.

Following Abnt standards (Brazilian Association

for Technical Standards), the analysis showed that the

pellets have an energy density up to 4.32 times that of

sawdust and 3.41 that of chips. This greater amount of

energy per unit volume demonstrates one of the advantages

of the pellets when compared to other non-compacted

biomass.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 25


PRINCIPAL

CONSUMO EM LARGA ESCALA

A utilização de pellets pelo setor industrial é maior em

países onde a produção de energia elétrica está baseada

na queima de biomassa. Suécia, Dinamarca, Holanda,

Bélgica e Reino Unido são os principais consumidores em

larga escala do produto. Na Alemanha, Itália e Áustria,

e também na América do Norte, a demanda é focada

no aquecimento de residências. De acordo com Celso

Oliveira, presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Pellets,

Biomassa e Briquete) em 2013 a estimativa era de que o

mercado global de pellets chegaria a US$ 9 bilhões em

2020, sendo a Europa o maior mercado consumidor. Dois

anos depois as expectativas são ainda mais otimistas. A

UE (União Europeia) planeja até 2020 produzir aproximadamente

20% de toda a energia do bloco com recursos de

fontes renováveis, e os pellets fazem parte desta conta. “O

mercado de pellets está se tornando cada vez mais globalizado.

O principal foco dos negócios internacionais é a

UE que, em 2013, importou 3,75 milhões de t (toneladas)

da América do Norte e da Rússia”, afirma Celso. Como

forma de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, os

LARGE-SCALE CONSUMPTION

The use of pellets by the Industrial Sector is greater in

Countries where power production is based on burning

biomass. Sweden, Denmark, Holland, Belgium and the

United Kingdom are major large-scale consumers of

the product. In Germany, Italy and Austria, and also in

North America, demand is focused on heating homes.

According to Celso Oliveira, President of IBP (Brazilian

Institute of Pellets, Biomass and Briquettes), in 2013, it

was estimated that the global market for pellets would

reach US$ 9 billion in 2020, where Europe would be the

largest consumer market. Two years later, expectations

were even more optimistic. By 2020, the European Union

plans to produce approximately 20% of all energy consumed

by the Block from renewable resources, and pellets

are part of this account. “The pellet market is becoming

increasingly globalized. The main focus of international

trade is on the European Union that, in 2013, imported

3.75 million metric tons from North America and Russia,”

says IBP President Celso. As a way to reduce emissions

of greenhouse gases, the Governments of Sweden and

26

www.REVISTABIOMAIS.com.br


“O MERCADO DE PELLETS ESTÁ

SE TORNANDO CADA VEZ MAIS

GLOBALIZADO. O PRINCIPAL FOCO

DOS NEGÓCIOS INTERNACIONAIS

É A UNIÃO EUROPEIA, QUE EM

2013 IMPORTOU 3,75 MILHÕES DE T

(TONELAS) DA AMÉRICA DO NORTE E

DA RÚSSIA”

CELSO OLIVEIRA,

PRESIDENTE DO IBP

(INSTITUTO BRASILEIRO DE PELLETS,

BIOMASSA E BRIQUETE)


PRINCIPAL

governos da Suécia e dos EUA têm subsidiado a compra

de aquecedores movidos a pellets em substituição aos

movidos a óleo.

(IN) VIABILIDADE

Segundo o presidente da Abipel a viabilização de projetos

para produção de pellets no Brasil ainda depende de

estudo das questões logísticas, eficiência de produção e

disponibilidade de madeira próximo ao empreendimento.

“Apenas oportunidades únicas de mercado fogem

dessa regra, a exemplo da planta que deve ser concluída

no início de 2016, no Rio Grande do Sul, pertencente à

empresa Tanac, que tem contrato de suprimento de longo

prazo com o Grupo Drax.”

No desenvolvimento de um estudo de viabilidade

vários fatores podem inviabilizar um projeto, explica ele,

“logística, preço do frete, nível de automação, falta de

tecnologia, baixa eficiência produtiva, estrutura portuária,

não atendimento às normas internacionais, custo da

energia elétrica... a lista é grande.” O presidente fundador

da Abipel, Dorival Pinheiro Garcia, supõe que a indústria

de pellets de madeira no Brasil está sendo inviabilizada

pelo altíssimo preço da energia elétrica praticada. “De

que adianta sermos um país de forte base florestal se

somos tão fracos na produção e distribuição da energia

elétrica?”, questiona ele. “Desse jeito jamais conseguiremos

produzir pellets com preços competitivos com os

EUA e Canadá”, conclui.

MERCADO GLOBAL

O Brasil tem grande potencial de aproveitamento de

biomassa florestal para produção de pellets. Europa e EUA

são os grandes produtores mundiais do produto. Em 2011

havia 650 plantas industriais que produziam pellets na

América do Norte e Europa. De acordo com o European

Pellet Centre (Centro Europeu de Pellet), em 2013 a Europa

concentrava 52% e os EUA, 41%, das plantas industriais

de pellet no mundo.

No Brasil existem projetos de cunho experimental

e outros visando escalas comerciais, com o objetivo de

consolidar essa fonte de energia no país.

O Brasil tem cerca de 14 indústrias que produzem

pellets com capacidade instalada para produzir até 460

mil toneladas/ano. A maior parte delas opera nas regiões

sul e sudeste do Brasil, principalmente para aproveitar os

subprodutos das inúmeras indústrias de base florestal

destas regiões.

the US have funded the purchase of pellet-fed heaters

to replace the oil-powered heaters.

(UN) FEASIBILITY

According to Dorival Pinheiro Garcia, President and

Founder of Abipel, the feasibility for pellet production

projects in Brazil still depends on the study of logistical

issues, production efficiency, and availability of timber

near the project. “Only unique opportunities escape that

rule, like the plant that should be completed at the beginning

of 2016, in Rio Grande do Sul, belonging to the

company, Tanac, which has long-term supply contract

with the Drax Group.”

In the development of a feasibility study, several

factors can derail a project, he explains: “logistics,

shipping costs, automation level, lack of technology,

low production efficiency, port structure not meeting

international standards, electricity costs, etc., the list

is long.” Abipel President Dorival thinks that the wood

pellets industry in Brazil is being poisoned by the high

price of electricity. What’s the point of being a Country

with a strong forestry base if we are so weak in the production

and distribution of electricity?” he asks. “This

way, we will never be able to produce pellets at prices

competitive with those of the United States and Canada,”

he concludes.

GLOBAL MARKET

Brazil has a large potential for making use of forest

biomass for the production of pellets. Europe and the

US are the major producers of the product. In 2011, there

were 650 industrial pellet producing plants in North

America and Europe. According to the European Pellet

Centre, in 2013, Europe accounted for 52% and the U.S.

for 41% of the industrial pellet plants in the world.

In Brazil, there are experimental and other-oriented

projects aimed at commercial scale, with the purpose of

consolidating this power supply in the Country

Brazil has about 14 companies that produce pellets

with an installed capacity to produce up to 460 thousand

tons/year. Most of these operate in Southern and

Southeastern Brazil, mainly to take advantage of the

by-products from other forest-based companies in the

regions.

The Abipel (Brazilian Association of the Pellet Industries)

President Dorival Pinheiro Garcia, explains that

since the emergence of pellets in Europe as a cheaper

28

www.REVISTABIOMAIS.com.br


PLANTAS

INDUSTRIAIS

DE PELLETS

NA EUROPA

E NOS EUA

70 115 195 236 285 442 518 565 594 600 623 650

2000 2011

NÚMERO DE INDÚSTRIAS

Seu fornecedor mundial para tecnologias

de processamento de biomassa

ANDRITZ é um dos principais

fornecedores de tecnologias,

sistemas e serviços relativos

a equipamentos industriais

para peletização de biomassa.

Nós oferecemos maquinas

para produção de combustiveis

liquidos, solidos e pellets de

resíduos agrícolas, industriais

ou domésticos (lixo). Fabricamos

e fornecemos maquinas

para cada processo dentro da

linha de procuçãod e pellets.

ANDRITZ Feed & Biofuel Technologies

Rua Progresso, 450, Pomerode – SC – 89107-000 – Brazil

Telefone: +55 (47) 3387 9146, andritz-fb.br@andritz.com

www.andritz.com/ft


PRINCIPAL

Dorival explica que desde o surgimento dos pellets

na Europa como opção de energia mais barata do que o

petróleo, no final da década de 70, o número de indústrias

ao redor do mundo que produzem este biocombustível

subiu de 70 para mais de 900. “No Brasil, essa forma

de energia renovável só apareceu 20 anos depois. Por

aqui o surgimento dos pellets está mais relacionado à

necessidade de agregar valor aos resíduos das indústrias

madeireiras”, afirma.

O presidente, que também é engenheiro industrial,

lembra que a Abipel foi criada 2006 com dois objetivos

básicos: obter dados consistentes da indústria nacional

e desenvolver o mercado interno para a utilização deles.

“O primeiro objetivo foi atingido, pois temos dados bem

representativos da indústria aqui instalada. O segundo,

porém, ainda está em andamento. Convencer os empresários

de que os pellets podem ser uma opção renovável

e sustentável de energia para o negócio não é tarefa

fácil, sobretudo se não houver vantagens econômicas

than oil energy source option, at the end of the 70’s, the

number of companies around the world producing this

biofuel has increased from 70 to more than 900. “In Brazil,

this form of renewable energy only appeared 20 years

later. Here, the emergence of pellets is more related

to the need to add value to sawmill wastes,” he states.

Abipel President Dorival, who is also an industrial

engineer, reminds us that Abipel was created in 2006

with two basic objectives: to obtain consistent data

about the domestic industry and develop the internal

market for pellet use. “The first goal was achieved, because

we have good data, representative of the industry

here. The second, however, is still in progress. Convincing

businessmen that pellets can be a renewable and

sustainable energy option for business is no easy task,

especially if there are no economic advantages which

justify a change in energy supply,” he ponders.

Some advances have been achieved in recent years.

Companies have emerged that adapt systems to burn

30

www.REVISTABIOMAIS.com.br


que justifiquem a mudança do suprimento de energia”,

pondera ele.

Alguns avanços foram obtidos nesses últimos anos.

Surgiram desde empresas que fazem adaptação a qualquer

sistema para queimar pellets, até novos produtos e

novas aplicações para a linha pellets. Cresceu também o

conhecimento dessa forma de energia pelos empresários

e pela população em geral. “Muitas vezes falava de

pellets (energia) e as pessoas entendiam como paletes

(estrado de madeira). Mas essa fase inicial foi superada”,

lembra Dorival.

A principal aplicação dos pellets de madeira no Brasil

é para geração de energia térmica em indústrias. Alguns

setores comerciais que possuem forno também utilizam

o combustível. Segundo um levantamento feito pela Abipel,

99% da produção interna é utilizada por indústrias,

pellets, and new products and new uses for the pellet

lines have come about. Also, the knowledge of this form

of energy by entrepreneurs and the general public has

grown. “I often used to say “pellets” and people understood

“pallets”. But this initial phase has been surpassed,”

says Dorival.

The main application for wood pellets in Brazil is for

thermal power generation in companies. Some commercial

businesses also have ovens that use the fuel.

According to a survey made by Abipel, 99% of domestic

production is used by industry, pizza parlors, bakeries,

hotels, water parks, swimming academies, painting kilns,

hot electroplating and dry cleaners. The rest (1%) is

intended for other functions where they are not burnt.

Pellets are used as the traditional kitty litter and to combat

diseases such as dengue fever. These specific appli-

ENTRADA: Matéria-prima

Bripell é um CSR (Combustível Sólido Renovável), um mini briquete.

Seu formato possibilita ser transportado a Granel ou em Bags,

podendo ser armazenado por longo período de tempo. Devido ao

seu tamanho o Bripell é ideal para alimentação automatizada em

caldeiras e secadores em geral

Matérias primas utilizáveis:

Sabugo e Palha

do Milho

Folha e Caule

do Milho

Casca do

Amendoim

Serragem

de Madeira

Pontas e Palha

de Cana de

Açúcar

Fibras em

Geral, Capim

e outros

SAÍDA: Bripell

A Bripell é fabricante de máquinas e equipamentos para

secagem e compactação de biomassa, nós construímos e

montamos plantas que produzem o Bripell

Rua Osvaldo Cachoni, 120

Distrito Industrial - Ipaussu/SP

(14) 3344.1334

bripell@bripell.com

www.bripell.com


PRINCIPAL

pizzarias, padarias, hotéis, parques aquáticos, academias

de natação, estufas de pintura, galvanoplastia à quente e

lavanderias. O restante (1%) é destinado à outras funções

que não a queima. Pellets são usados como a tradicional

areia do gato e para combater doenças como a dengue.

Nessas aplicações específicas, o baixo teor de umidade

dos pellets, em torno de 6 a 10%, favorece a secagem

do ambiente.

Os desenvolvedores de equipamentos para a queima

dos pellets defendem que o combustível é economicamente

muito competitivo quando comparado ao gás

natural ou ao óleo BPF (baixo ponto de fluidez), combustíveis

utilizados pela área industrial. Considerando

a questão das emissões dos gases que geram o efeito

estufa, as vantagens dos pellets é ainda maior. São biocombustíveis

neutros nas emissões dos gases do efeito

estufa. Os gases emitidos na queima são recuperados

no crescimento das árvores que vão gerar os pellets. Isso

equilibra as emissões para a atmosfera, ao contrário dos

derivados do petróleo. “Questões ambientais e os novos

acordos de redução de emissões assinados pelos países

desenvolvidos são fortes propulsores do mercado internacional

de pellets de madeira, deixando-o em destaque

e aumentando a procura por essa fonte de energia de

baixo carbono”, destaca Dorival.

A Aebiom (Associação Europeia de Biomassa) prevê

um consumo de 50 milhões de toneladas de pellets

para 2024, o que representa mais de três vezes o consumo

atual. Esse biocombustível já é considerado um dos

maiores produtos de biomassa sólida comercializados

internacionalmente.

No Brasil, os padrões de qualidade do ar são estabelecidos

por meio da Resolução nº 436 do Conama (Conselho

Nacional de Meio Ambiente), que define os limites

de emissões para poluentes atmosféricos provenientes

dos processos de geração de energia térmica a partir da

combustão da madeira.

Um estudo sobre as emissões gasosas de monóxido

de carbono de três tipos de pellets produzidos com pinus,

eucaliptos e casca de pinus, mostraram que os pellets de

madeira atendem, com folga, os limites impostos pela

norma vigente do Conama. A utilização energética da

casca de pinus, no entanto, está condicionada ao uso de

tecnologias de controle das emissões e dos particulados.

cations, take advantage of the low moisture content of

the pellets, around 6 to 10 percent, favoring drying the

environment.

The developers of equipment for burning pellets

maintain that the fuel is economically very competitive,

when compared to natural gas or heavy oil, fuels used

in the industrial area. Considering the issue of gas emissions

that cause the greenhouse effect, the advantages

of pellets is even greater. They are neutral biofuels in

greenhouse gas emissions. The gases emitted in burning

are retrieved in the growth of the trees that will generate

the pellets. This balances atmospheric emissions,

unlike petroleum derivatives. “Environmental issues and

new emission reduction agreements signed by developed

countries are strong boosters of the wood pellet

international market, putting them in the spotlight and

increasing demand for this low-carbon energy source,”

says Dorival.

Aebiom (European Biomass Association) forecasts

a consumption of 50 million tons of pellets for 2024,

which represents more than three times the current consumption.

This biofuel is already considered the largest

products of solid biomass marketed internationally.

In Brazil, air quality standards are established by

Resolution No. 436 of Conama (National Environment

Council), which sets emission limits for air pollutants

originating from thermal energy generation processes

from wood combustion.

A study on gaseous carbon monoxide gas emissions

from three types of pellets produced with Pine, Eucalyptus

and Pine bark, showed that the wood pellets handily

meet the limits imposed by the current Conama

regulations. The energy use from Pine bark, however,

is conditional on the use of emission and particulate

control technologies.

32

www.REVISTABIOMAIS.com.br


“QUESTÕES AMBIENTAIS E OS

NOVOS ACORDOS DE REDUÇÃO

DE EMISSÕES ASSINADOS PELOS

PAÍSES DESENVOLVIDOS SÃO FORTES

PROPULSORES DO MERCADO

INTERNACIONAL DE PELLETS DE

MADEIRA”

DORIVAL PINHEIRO GARCIA,

PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA

DAS INDÚSTRIAS DE PELLETS

CARROCERIAS BACHIEGA

PISO MÓVEL

DIVISÃO

40

CARROCERIAS BACHIEGA

ANOS

TRADIÇÃO

Ideal para o transporte de cavaco de madeira, pó de serra,

bagaço de cana de açúcar, casca de arroz, carvão vegetal,

moinha de carvão, casca de amendoim, entre outros.

Adaptamos o sistema de piso móvel também nos

equipamentos usados dos nossos clientes com a mesma

qualidade e eficiência.

Carrocerias Bachiega, 40 anos de tradição, qualidade e

confiança.

TRABALHAMOS COM

LOCAÇÃO DE SEMIRREBOQUES

COM PISO MÓVEL

www.carroceriasbachiega.com.br

Fones: (19) 3496-1555 | (19) 3496-1381


PELO MUNDO

ENERGIA

QUE VEM

DO AR

Turbina eólica flutuante e móvel

permite abastecer comunidades

isoladas

FOTOS DIVULGAÇÃO

34

www.REVISTABIOMAIS.com.br


REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 35


PELO MUNDO

m

ACESSO DA

POPULAÇÃO

MUNDIAL

A ENERGIA

ELÉTRICA

2010

2012

83%

85%

Cerca de 1,1 bilhão de pessoas vivem

sem energia elétrica no mundo

Fonte: Banco Mundial

36

www.REVISTABIOMAIS.com.br


U

ma estatística chamou a atenção quanto

ao acesso da humanidade para a

energia elétrica, na pesquisa divulgada

pelo Banco Mundial. A estimativa é que

para cada sete pessoas no mundo, uma ainda vive

sem eletricidade. Cerca de três bilhões de pessoas

cozinham utilizando combustíveis poluentes. A

maioria delas vive em locais afastados das cidades,

sem acesso às linhas de transmissão. Porém,

um equipamento que parece ter saído de filmes

de ficção científica pode ser a resposta.

Apesar da taxa de acesso à eletricidade ter

aumentado de 83% em 2010 para 85% em 2012,

cerca de 1,1 bilhão de seres humanos ainda estão

sem acesso à energia elétrica no mundo. Avanços

significativos aconteceram na Índia, mas de acordo

com o relatório na África Subsaariana o progresso

ainda está lento. Quase nenhum avanço

foi feito para fazer com que as pessoas trocassem

combustíveis como querosene, diesel ou madeira

para cozinhar. “Estamos indo na direção certa

para encerrar a pobreza energética, mas ainda

longe da linha de chegada”, explica a diretora sênior

de energia do Banco Mundial, Anita Marangoly

George. O relatório alertou que indicadores

tradicionais podem superestimar o acesso à energia

porque o fornecimento elétrico é limitado ou

inconstante em muitas comunidades.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 37


PELO MUNDO

MORCEGO

Uma curiosa tecnologia pode ser parte da

solução para comunidades remotas ou em que

o acesso para implantar torres de linhas de transmissão

é difícil. Trata-se de uma turbina eólica

implantada dentro de um dispositivo flutuante,

o BAT (Buoyant Airborne Turbine), que traduzido

livremente significa turbina aérea flutuante. Acoplado

a um balão de gás hélio em formato circular,

o conjunto fica preso por um cabo de aço de

100 m (metros) até 600 m acima do solo. A turbina

gera energia na altitude em que estiver. Essa energia

é transmitida pelo mesmo cabo que recolhe o

equipamento na doca. Quando chega ao solo a

energia é armazenada em baterias. Dependendo

das circunstâncias pode ir direto à rede de distribuição

ou para subestações.

O equipamento móvel pode ser usado para

gerar energia em comunidades isoladas geograficamente

ou assoladas por desastres naturais. O

projeto foi desenvolvido conjuntamente por ex-

-alunos do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts)

e da Universidade Harvard, que criaram

a startup Altareos, em 2010, com a intenção de

lançar o equipamento no mercado. “Há ventos

constantes logo acima de nós, o BAT possibilita

que qualquer região gere energia eólica. Desaparecem

as limitações de locais considerados sem

ventos.

Os resultados são animadores e já nos possibilitam

a aceitar pedidos antecipados para entregas

em 2017”, conta Juliano Froehner, da Altaeros

Brasil.

38

www.REVISTABIOMAIS.com.br


BAT

600m

1.200W/m 2



Briquetes de

qualidade e

alta resistência

Briquetadeiras para biomassas

ECO-D com extrusão a quente

A Bioware acaba de assinar uma parceria com a Ecodevices

Ltda. (www.ecodevices.com.br) para disponibilizar no

mercado uma nova linha de máquinas destinada a atender o

setor dos produtores de briquetes, contribuindo na

modernização e no melhoramento do desempenho deste

segmento da indústria nacional.

As briquetadeiras para biomassas ECO-D trabalham sob o

princípio da extrusão a quente, o qual permite obter

briquetes de elevada qualidade, altamente homogêneos e

com alta resistência mecânica que podem ser usados em

posteriores processos de carbonização ou gaseificação. O

calor e a pressão exercida na matriz transformam a lignina da

biomassa em um aglomerante natural, dispensando o uso de

aditivos artificiais.

As briquetadeiras ECO-D são máquinas compactas e

silenciosas, de baixo custo de manutenção e operação

robustas e não necessitam fundação especial para a

instalação.

Compactas

Silenciosas

Baixo custo de

manutenção

TURBINA

DE 3MW

120m

400W/m 2

A linha de máquinas briquetadeiras que a Bioware

comercializa atende desde universidades (protótipos

experimentais e laboratoriais) até escala industrial com

capacidades de produção acima de uma tonelada por hora.

A Bioware ajusta as máquinas de acordo com necessidade

particulares de cada cliente, usando materiais de última

geração e técnica de engenharia de superfícies avançadas

para melhorar o desempenho das máquinas.

Rua Uirapuru, 185

Jd. São Gonçalo, Barão Geraldo

Campinas – SP

+55 19 3579.8802 / 3579.9423

bioware@bioware.com.br

www.bioware.com.br


PELO MUNDO

O BAT conta com amplos sistemas de sensores

de monitoramento do clima. Desta forma, é

possível alinhar o seu posicionamento de forma

eficiente para buscar o vento na posição correta e

recolher automaticamente quando a possibilidade

de intempérie for percebida. O sistema pode

operar em até mil pés de altitude, o que equivale

a três vezes a altura que opera uma turbina eólica

convencional. Juliano explica que as unidades são

padronizadas. “Os modelos menores geram 30

kW-hora (Quilowatt-hora) , enquanto que os modelos

maiores chegarão a 300 kW-h. Em alguns

anos, teremos modelos de 1 MW-hora.”

A inovação está em fase de testes comerciais

em Fairbanks, no Alasca. A empresa que distribui

energia na região investiu US$ 1,3 milhão no projeto.

A parceria foi importante para que a startup

iniciasse os testes reais. Antes disso, durante um

período experimental no Estado do Maine, nos

EUA (Estados Unidos da América), um protótipo

demonstrou o potencial de sucesso da tecnologia.

A energia gerada pelo BAT é mais barata do

que a de geradores com diesel ou querosene. A

tendência é que fique ainda mais barata, com os

modelos de maior capacidade.

EXPANSÃO

Os próximos passos serão levar o BAT para

lugares onde não há energia elétrica ou onde

predomina a utilização de fontes poluentes. Cada

equipamento tem capacidade para abastecer até

12 casas, explicam os engenheiros que criaram o

sistema. A turbina pode ainda ser transportada e

instalada de forma simples, sem necessidade de

guindastes, torres ou furos no subsolo, fatores

que em alguns casos inviabilizam ou encarecem

BATS PELO MUNDO

ALASKA, ESTADOS UNIDOS, ILHA DE PÁSCOA E JAPÃO

40

www.REVISTABIOMAIS.com.br


demasiadamente a implantação de usinas eólicas.

O objetivo é expandir, levar o aerogerador

flutuante a pontos remotos, onde a energia elétrica

não está acessível, como em ilhas, florestas,

fronteiras e algumas regiões isoladas do planeta.

Há previsão para o equipamento começar a

operar também nos EUA e Japão. “Também há

contatos avançados para um teste na localidade

de Poike, região norte da Ilha de Páscoa, principalmente

em função do baixo impacto visual. No

Brasil, há encaminhamentos para mineradoras e

para plantações de soja, que precisam do equipamento

para viabilizar a irrigação em áreas distantes.

Queremos montar uma linha de produção

do BAT na cidade de Rio Negrinho (SC)”, revela

Juliano.


PROCESSO

ENERG A

DA DIGESTÃO

BIODIGESTORES SÃO ÓTIMAS ALTERNATIVAS

PARA GERAR ENERGIA EM PEQUENAS

E GRANDES PROPRIEDADES RURAIS

O

biodigestor é um reservatório para gerar

energia através de biomassa. Misturada

com água, a matéria entra em decomposição

e libera gases voláteis. Durante a

crise do petróleo, na década de 1970, a tecnologia dos

biodigestores se propagou pelo Brasil. Neste processo

o biogás é obtido a partir da quebra de moléculas da

matéria orgânica (biomassa). Dentro do biodigestor a

biomassa é digerida por bactérias anaeróbicas.

Para ser eficiente é importante que o espaço esteja

muito bem vedado. A fermentação da matéria

gera o gás metano. O saldo do material é utilizado

como fertilizante para plantas e não é recomendado

para agricultura. É comum encontrar biodigestores

em propriedades rurais, onde há fartura de biomassa.

Existem biodigestores de produção contínua e

descontínua. A produção contínua pode acontecer

por um longo período, sem que haja a necessidade

42

www.REVISTABIOMAIS.com.br


de abrir o equipamento. A biomassa é colocada no

biodigestor ao mesmo tempo em que o biofertilizante

é retirado.

Na produção descontínua, a biomassa é colocada

dentro do biodigestor que é totalmente fechado e

só será aberto após a produção de biogás. Esse processo

pode levar até 90 dias. Após a fermentação da

biomassa, o biodigestor é aberto, limpo e novamente

carregado para um novo ciclo de produção de biogás.

TIPOS DE BIOMASSA (MATÉRIA ORGÂNICA)

Excrementos animais, matéria vegetal, restos de

alimentos, cascas de cereais, e até dejetos humanos

podem ser utilizados no biodigestor.

UTILIZAÇÃO

O biogás alimenta fogões, motores de combustão

interna, chocadeiras, secadores de grãos. Também

pode ser utilizado para gerar energia elétrica para a

Ilustração: REFERÊNCIA

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 43


PROCESSO

propriedade. Altamente inflamável o biogás deve ser

usado com extremo cuidado.

TIPOS DE BIODIGESTORES

Biodigestor da Marinha - É um modelo tipo horizontal,

tem a largura maior que a profundidade, sua

área de exposição ao sol é maior, aumentando a produção

de biogás. Sua cúpula é de plástico maleável,

tipo PVC, que infla com a produção de gás, como um

balão. Pode ser construído enterrado ou não. A caixa

de carga é feita em alvenaria, por isso pode ser mais

larga evitando o entupimento. A cúpula pode ser retirada,

o que ajuda na limpeza. A desvantagem nesse

modelo é o custo da cúpula.

Biodigestor Chinês - Construído em alvenaria é um

modelo de peça única. Desenvolvido na China, onde as

propriedades eram pequenas, é enterrado para ocupar

menos espaço. Tem custo mais barato em relação aos

outros, pois a cúpula é feita em alvenaria. Sofre pouca

variação de temperatura.

Biodigestor Indiano - Sua cúpula móvel, geralmente

é de ferro ou fibra. Ela se movimenta para cima e

para baixo, de acordo com a produção de biogás.

Nesse tipo de biodigestor o processo de fermentação

acontece mais rápido, pois aproveita a temperatura

do solo que é pouco variável, favorecendo a ação das

bactérias. Ocupa pouco espaço e a construção, por ser

subterrânea, dispensa o uso de reforços como cintas

de concreto. Caso a cúpula seja de metal, deve-se aplicar

um produto antioxidante. Por ser um biodigestor

que fica no subsolo, é preciso ter cuidado, evitando

infiltração no lençol freático. Existentes biodigestores

feitos em concreto, ou metal, coberto com lona vedada.

Esta deve ter duas saídas, com duas válvulas, nas

quais restos orgânicos são despejados.

INSTALAÇÃO

O biodigestor deve ser instalado em um local bastante

arejado, para dispersar odores ruins quando estiver

sendo carregado. Para evitar a entrada de ar e

o vazamento de gás, o biodigestor deve estar bem

vedado. A instalação do biodigestor deve ser o mais

próximo possível da fonte produtora de biomassa.

Também é importante que haja uma fonte de água

próximo ao biodigestor.

OPERAÇÃO E CARREGAMENTO

Alguns cuidados devem ser tomados ao carregar

ou limpar um biodigestor, pois o gás produzido é altamente

inflamável.

A biomassa deve ser preparada antes de ir para o

biodigestor, ficando uma ou duas semanas do lado de

fora, para que o excesso de umidade seja eliminado.

Em seguida, mistura-se água na mesma proporção

de biomassa para acelerar o processo de fermentação.

O carregamento e a descarga de gás devem ser

feitos simultaneamente, evitando a modificação na

pressão interna do gás. Antes de fazer a limpeza do

biodigestor é fundamental certificar que todo o gás

foi retirado.

MODELO CHINÊS MODELO DA MARINHA MODELO INDIANO

Ilustração: REFERÊNCIA

44

www.REVISTABIOMAIS.com.br


O carregamento e a descarga de gás devem ser feitos

simultaneamente, evitando a modificação na

pressão interna do gás. Antes de fazer a limpeza

do biodigestor, é fundamental certificar

que todo o gás foi retirado


CASE

PRODUÇÃO

DE PAPEL MAIS

ECONÔMICA

TECNOLOGIA PERMITE FABRICAÇÃO

DO PRODUTO COM ALTA EFICIÊNCIA

NO CONSUMO ENERGÉTICO

FOTOS FABIO ORTOLAN

46

www.REVISTABIOMAIS.com.br


REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 47


CASE

O

s gastos com energia das empresas que

fabricam papel estão entre as maiores

despesas do setor. Para otimizar o consumo

em relação a produção o grupo

austríaco IBS, com representação no Brasil, desenvolveu

um sistema que está alcançando resultados surpreendentes.

Batizado de iTable, é operado por meio

de um monitor que permite o controle automático

do processo de produção e formação do papel. Bastam

alguns cliques para acertar variantes que antes

eram ajustadas manualmente. Valores pré-estabelecidos

por especialistas ditam o ritmo da produção. “O

que as empresas mais procuram ultimamente é economia

e redução de custos. É exatamente isso que a

IBS está oferecendo”, conta o diretor geral da IBS do

Brasil, Abilio Franco.

Com uma fábrica de papel para embalagens em

União da Vitória (PR) uma das metas da empresa Novacki

era a redução dos gastos com energia. O gerente

industrial da empresa, José Roberto Mateus, conta

que após o primeiro mês operando com o novo

sistema os resultados já puderam ser comprovados.

“A promessa era de um ganho de aproximadamente

5% na produção. Isso foi colocado em contrato, como

garantia. Para nossa surpresa está indo além”, comemora

Mateus. “O principal detalhe no controle de

48

www.REVISTABIOMAIS.com.br


“A PROMESSA ERA DE UM

GANHO DE APROXIMADAMENTE

5% NA PRODUÇÃO. ISSO FOI

COLOCADO EM CONTRATO,

COMO GARANTIA. PARA NOSSA

SURPRESA ESTÁ INDO ALÉM”

JOSÉ ROBERTO MATEUS,

GERENTE INDUSTRIAL DA NOVACKI

O campeão de peso pesado MAGNUM FORCE 6400

MAIS UM 6400T

VENDIDO PARA

KLABIN

Simplesmente o melhor!

CBI

CBI do Brasil

www.cbidobrasil.com

®


CASE

vácuo que agora é feito automaticamente. No sistema

antigo o operador fazia manualmente, sem ter a

sensibilidade necessária para os ajustes”, explica ele.

Com apenas um mês operando o iTable a empresa

elevou aproximadamente 10% sua produção sem

aumentar o consumo de energia. “Nossa média era

de 202 t (toneladas) por dia. Já estamos com 220 t.

Ainda não exploramos todo o potencial que está instalado.

Acreditamos que podemos melhorar ainda

mais nosso desempenho”, conclui ele.

MAIS PRODUÇÃO, MESMO CONSUMO

Quando iniciou suas atividades em junho de 2011

a Papel Tangará, sediada em Pinheiro Preto (SC), produzia

cerca de 300 t de papel tissue por mês. Atualmente

a produção está em 1.200 t. Apesar de ainda

não operarem com o iTable, a empresa vem fazendo

ajustes na máquina que produz papel com equipamentos

fornecidos pela IBS e a meta é chegar em

1.450 t/mês. “Fornecemos papel para ser convertido

em papel higiênico, guardanapo e papel toalha em

todo o Brasil”, explica Sidnei Melotti, um dos sócios

da Papel Tangará.

Todas as caixas de vácuo instaladas na empresa

são fornecidas pela IBS. “Depois que instalamos as

novas caixas de vácuo aumentamos a produção, que

era entre 900 e 980 t, para 1300, 1500 t”, conta Sidnei.

“Só com caixa de vapor, que é a parte principal do

feltro, diminuímos o consumo de energia em 30 kWh,

o que em um mês corresponde a R$ 8.820. Aumentamos

nossa produção em quase 30% consumindo a

mesma quantidade de energia”, comemora.

50

www.REVISTABIOMAIS.com.br


Secadores rotativos

MADEC

A Madec elabora e fabrica sistemas para secagem de cavacos para

queima em fornalhas e caldeiras. Projeta também unidades de

secagem para materiais destinados a briquetes e pellets, dentre os

quais destacamos o bagaço de cana e a serragem.

Lavador de gases Trocador de calor Moagem de erva-mate

Arrastador de correntes Esteira alimentadora Captação de pó

Estação de tratamento

de água e esgoto

Fornalhas automatizadas

para biomassa

Elevadores de caneca/

Classificador rotativo

Rod.BR 153, Km 49

Bairro Bela Vista - Erechim, RS

Telefones: (54) 3519 6511

(54) 3321 3810

www.madecmaquinas.com.br


ESPECIAL

VALOR

ABAIXO

DE

MERCADO

52

www.REVISTABIOMAIS.com.br


SETOR DE

BIOMASSA

BUSCA PREÇOS

COMPETITIVOS

PARA VIABILIZAR

OS INVESTIMENTOS

EM FONTES

DE ENERGIA

RENOVÁVEIS

FOTOS DIVULGAÇÃO

A

vanço de tecnologias e a necessidade

em gerar energias sustentáveis estão

abrindo espaço para a biomassa na

matriz energética nacional. O uso desta

fonte renovável, no entanto, tem esbarrado em

trâmites burocráticos e, segundo empresários do

setor, na falta de incentivos do governo federal

para viabilizar economicamente projetos para geração

de energia por meio dessa fonte.

Foto: José Reynaldo da Fonseca

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 53


ESPECIAL

Durante a 26ª Reunião Pública da diretoria da

Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) foram

estabelecidas as regras e Preço Inicial do Produto

Disponibilidade, como é oficialmente nominado

o valor máximo do MWh (Megawatt-hora) para

leilões. As diretrizes valem para a contratação de

energia de novos empreendimentos de geração

de fontes hidroelétrica, eólica e termoelétricas a

biomassa ou a gás natural, com início de suprimento

em 1º de janeiro de 2018.

O preço-teto estabelecido para fonte termoelétrica

a biomassa e a gás natural foi de R$ 218/

MWh. Para fonte eólicas o valor estabelecido foi de

R$ 184/ MWh, enquanto que para empreendimentos

hidroelétricos será de R$ 216/MWh.

BAIXA PARTICIPAÇÃO

Foram cadastrados 586 projetos das fontes

eólica, biomassa, de PCHs (Pequenas Centrais Hidroelétricas)

e gás natural que totalizaram 23.206

MW de potência habilitável. A fonte biomassa

apresentou 24 projetos, com potência habilitável

de 1.114 MW, representando apenas 4,8% do total

cadastrado.

O valor de R$ 218/MWh para a fonte biomassa

preocupa empresários do setor. De acordo com o

gerente em bioeletricidade da Unica (União da Indústria

de Cana-de-Açúcar), Zilmar Souza, embora

o preço-teto em relação à 2014 tenha se elevado,

frustrou expectativas e não será capaz de atrair investimentos,

de forma robusta, para a atividade de

bioeletricidade no setor sucroenergético. “O leilão

TIPO

QUANTIDADE POTÊNCIA HABITÁVEL (MW)

Eólicas 513 12.512,8

Pequenas Centrais Hidroelétricas 28 360,16

Termoelétricas a Biomassa 24 1.114,76

Termoelétricas a Gás Natural 21

9.218,3

Total Geral 586 23.206,02

Foto: divulgação

54

www.REVISTABIOMAIS.com.br


que aconteceu em abril teve um preço-teto de R$

281 por MWh. Mesmo sendo um leilão para entrega

em 2020, não vejo porque tanta diferença de

preço entre os dois leilões (R$ 281 para R$ 218). O

ideal seria que tivesse um preço superior ao último,

o que sinalizaria que o governo realmente quer

estimular o retrofit (reforma) das usinas e o aproveitamento

da palha para a geração de energia.

Neste nível, esses investimentos não avançarão”,

comenta o especialista.

No mercado livre de energia elétrica o cenário

também preocupa. O PLD (Preço de Liquidação de

Diferenças), que apresentou por várias semanas

em 2014 valores acima de R$ 800/MWh, agora, para

a primeira semana de agosto, no submercado sudeste/centro-oeste,

teve um preço de R$ 121,29/

MWh no patamar mais pesado de carga (horas do

dia em que há maior consumo de eletricidade).

O PLD é divulgado semanalmente pela Câmara

de Comercialização de Energia Elétrica e serve de

base para o preço da energia elétrica no mercado

de curto prazo. “Com a redução do PLD e do preço

da energia nesse mercado, boa parte das oportunidades

de aquisição de biomassa complementar

para uma geração extra se torna inviável. Isto está

associado à coleta da palha e ao transporte dessa

biomassa própria e de terceiros até as usinas, cujas

distâncias são significativas. Com o PLD atual não é

possível uma remuneração adequada, como aconteceu

em 2014”, explica Zilmar.

Neste nível, esses

investimentos

não avançarão”

Zilmar Souza,

gerente em

bioeletricidade

da Unica

Foto: Niels Andreas

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 55


ESPECIAL

Foto: divulgação

NOVO CENÁRIO

Para o diretor técnico da Unica, Antonio de

Padua Rodrigues, o faturamento adicional que

algumas unidades conseguiram no ano passado,

com a venda extra de energia, auxiliou a reforçar

o caixa das usinas.

“O cenário agora é outro. Com a redução dos

preços de curto prazo da energia, não veremos

o mesmo fôlego da safra passada para a renda

da bioeletricidade e que ajudou as empresas a

manter em dia o pagamento de suas obrigações,

de fornecedores de cana a de serviços” avalia ele.

O diretor técnico avalia que no mercado regulado,

dos leilões federais, também é importante ter

continuidade na melhora do preço para permitir

o retorno do investimento em bioeletricidade de

modo contínuo e consolidado. A atividade de venda

de energia precisa ter previsibilidade quanto

à rentabilidade. Este é um tema relevante para o

setor. Um ambiente estável e remunerador para a

bioeletricidade significa trazer renda para todo o

setor sucroenergético.

Recentemente, a bioeletricidade foi um dos

motivos para a Unica e a Orplana (Organização

de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do

Brasil) criarem um grupo técnico para rever as

normas do Consecana (Conselho dos Produtores

de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de

São Paulo). São estas normas que estabelecem um

mecanismo de pagamento da cana com base em

um percentual da receita média anual da indústria.

“O problema do Consecana não é a falta de

regras ou de um sistema de pagamento da cana-

-de-açúcar com critérios técnicos bem definidos.

O que estamos observando nos últimos anos é a

falta de preços dos produtos da cana-de-açúcar e

da energia que não remuneram os custos da produção

agrícola e do processamento industrial,”

defende Antonio.

56

www.REVISTABIOMAIS.com.br


O que estamos

observando é a

falta de preços dos

produtos da canade-açúcar

e da

energia que não

remuneram os custos

da produção agrícola

e do processamento

industrial”

Antonio de Padua Rodrigues,

diretor técnico da Unica

Foto: Niels Andreas


BIOMASSA

AGENDA

ESTRATÉGICA

PARA ENERGIA

PERSPECTIVAS APONTAM MAIOR

PARTICIPAÇÃO DA BIOMASSA NA

MATRIZ ENERGÉTICA NACIONAL

Foto: divulgação

58

www.REVISTABIOMAIS.com.br


REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 59


BIOMASSA

BIOMASSA É RESPONSÁVEL

POR GERAR 26,2% DA

ENERGIA RENOVÁVEL NO

BRASIL

16,1 %

BAGAÇO DA CANA-DE-AÇÚCAR

1,2%

OUTROS

8,3%

LENHA E CARVÃO

D

e acordo com a CNA (Confederação de

Agricultura e Pecuária do Brasil), nosso

país é o que dispõe da maior e melhor matriz

energética limpa no mundo. Do total

de energia renovável gerada no Brasil, 26,2% vem da

biomassa. Grande parte vem do bagaço de cana-deaçúcar

(16,1%); lenha e carvão são responsáveis por

8,3%. Por isso a entidade quer criar ferramentas para

ampliar o uso de todo esse potencial.

AGENDA PARA BIOMASSA

A Comissão Nacional de Silvicultura e Agrossilvicultura

da CNA pretende criar uma agenda estratégica

para dinamizar o setor e aumentar o potencial da

biomassa, que ainda é pouco explorado. “Temos um

potencial considerável para exploração econômica

de produtos das florestas, sejam elas plantadas ou

nativas, tais como energia, papel e madeira”, observa

o presidente da comissão, Walter Vieira Rezende.

60

www.REVISTABIOMAIS.com.br


Foto: divulgação

Para a entidade, os principais entraves para o setor

são: baixos preços estabelecidos para energia de biomassa,

oferta maior que a procura, e falta de políticas

públicas para o setor. “Queremos aumentar a competitividade

da biomassa florestal na matriz energética

nacional e vamos integrar no processo a visão acadêmica,

o setor privado e o governo. Além disso, vamos

buscar soluções para melhorar os rendimentos dos

produtores”, acrescenta Walter.

DE ACORDO COM A CNA

OS PRINCIPAIS ENTRAVES

PARA O SETOR DE BIOMASSA

SÃO: BAIXOS PREÇOS

ESTABELECIDOS PARA

ENERGIA DE BIOMASSA,

OFERTA MAIOR QUE

PROCURA, E FALTA DE

POLÍTICAS PÚBLICAS

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 61


BIOMASSA

Foto: governo de São Paulo Foto: divulgação

Foto: divulgação

Um estudo feito pela UNB (Universidade de Brasília)

indica que cerca de 21 milhões de t (toneladas) de

resíduos oriundos de serrarias e da indústria moveleira

e madeireira deixam de ser aproveitadas no Brasil

todos os anos. Esse potencial representa 4,1 Mega

TEP (tonelada equivalente de petróleo) ou 1,4% de

toda oferta interna de energia no Brasil em 2013.

ENERGIA ALTERNATIVA

A biomassa segue como uma das alternativas no

combate à crise energética do país. Mesmo em menor

escala, quando comparada à energia solar e eólica,

a energia gerada por biomassa representa parcela

importante na matriz energética nacional. A expectativa

é que o setor sucroenergético tenha expansão

neste ano. Por isso, o segmento de cogeração deve

contribuir para uma maior diversificação da matriz

energética no país. A cogeração é definida como um

processo de produção e utilização combinada de calor

e eletricidade, proporcionando o aproveitamento

de mais de 70% da energia térmica proveniente dos

combustíveis utilizados no processo.

A perspectiva, apontada por especialistas no assunto,

mostra um cenário em que a cadeia produtiva

de açúcar e álcool tem potencial para aumentar

a oferta de energia entre 10% e 15% em 2015, sobre

os 20,8 mil GWh (Gigawatt-hora) gerados em 2014. A

quantidade do ano passado já foi 21% maior que em

2013.

A previsão atual é baseada na capacidade instalada

e também considera o uso de materiais como o

cavaco de madeira.

62

www.REVISTABIOMAIS.com.br


“QUEREMOS AUMENTAR

A COMPETITIVIDADE DA

BIOMASSA FLORESTAL

NA MATRIZ ENERGÉTICA

NACIONAL”

WALTER VIEIRA REZENDE

PRESIDENTE DA COMISSÃO NACIONAL DE

SILVICULTURA E AGROSSILVICULTURA DA CNA

Foto: Gustavo Froner

FINALMENTE

A LENHA FÁCIL

Com apenas um clique ou uma

ligação você tem a comodidade

de ter a lenha na sua indústria,

comércio ou residência

INDUSTRIAL COMERCIAL DOMÉSTICA

NOVIDADE

GANHE TEMPO E DINHEIRO:

Alugamos máquinas

para processamento

da lenha

CONFIRA!

www.lenhafacil.com.br

contato@lenhafacil.com.br

WhatsApp: (41) 9211 9337

FÁCIL


ARTIGO

OPORTUNIDADES

E DESAFIOS

MATÉRIAS-PRIMAS

OLEAGINOSAS PARA

A PRODUÇÃO DE

BIOQUEROSENE

64

www.REVISTABIOMAIS.com.br


FOTOS DIVULGAÇÃO

BRUNO GALVÊAS LAVIOLA

Pesquisador da Embrapa Agroenergia

GUY DE CAPDEVILLE

Pesquisador e chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 65


ARTIGO

O

Brasil pode ser considerado um dos países

mais privilegiados em termos de vocação

agrícola no mundo. Possui localização

ideal na região tropical, com alta incidência

de energia solar, regime pluviométrico adequado e

conta com grandes reservas de terras agricultáveis, o

que permite planejar o uso agrícola em bases sustentáveis,

sem comprometer os grandes biomas nacionais.

Pode-se considerar que o Brasil é um dos únicos países

do mundo em que é possível produzir alimento e energia

sem que ocorra competição direta por área e recursos

naturais. Existem, no Brasil, cerca de 90 milhões de

ha (hectares) de áreas para a expansão agrícola, sem

considerar mais de 200 milhões de ha de pastagens

com algum grau de degradação que, após recuperadas,

podem ser usadas na produção de alimentos

e bioenergia. Todas estas condições fazem do Brasil

um país com grande capacidade para a produção de

alimentos, biocombustíveis e de outros derivados de

óleos vegetais para atender tanto o mercado nacional,

quanto internacional.

BIOQUEROSENE

Recentemente, tem sido crescente o interesse da

aviação nacional e internacional na produção de bioquerosene

para substituir parte da demanda do querosene

de origem fóssil. O consumo atual de querosene

de aviação no Brasil é de aproximadamente oito milhões

de m³ (metros cúbicos) anuais, com projeções de

demanda, para o ano de 2020, de cerca 12 milhões de

m³ de querosene. Atualmente a indústria da aviação é

responsável por cerca de 2% das emissões de dióxido

de carbono no mundo, com projeções crescentes que

estimam atingir 3% até 2030. Neste contexto, a indústria

da aviação estabeleceu metas para a mitigação dos

impactos ambientais atribuídos ao setor, buscando

reduzir em 50% as emissões de dióxido de carbono

até 2050. Embora a produção ainda não esteja regulamentada,

observa-se no Brasil e no mundo diversas

movimentações para implementar e tornar viável a

produção comercial de bioquerosene. Desde o ano de

2010 têm sido realizados no Brasil diversos voos experimentais

tripulados, com diferentes proporções de

PODE-SE CONSIDERAR QUE O

BRASIL É UM DOS ÚNICOS PAÍSES

DO MUNDO EM QUE É POSSÍVEL

PRODUZIR ALIMENTO E ENERGIA

SEM QUE OCORRA COMPETIÇÃO

DIRETA POR ÁREA E RECURSOS

NATURAIS

66

www.REVISTABIOMAIS.com.br


DESDE O ANO DE 2010

TÊM SIDO REALIZADOS NO

BRASIL DIVERSOS VOOS

EXPERIMENTAIS TRIPULADOS,

COM DIFERENTES

PROPORÇÕES DE MISTURAS DE

BIOQUEROSENE DERIVADOS

DE DIVERSAS FONTES DE

MATÉRIAS-PRIMAS

fios quanto ao uso das matérias-primas oleaginosas e

as estratégias do desenvolvimento da cadeia de produção

de bioquerosene de aviação no Brasil passam por

gargalos técnico-científicos-políticos relativos à sua

produção, seu processamento industrial e à sua integração

com cadeias produtivas regionalizadas.

Dentre as oleaginosas cultivadas, a soja se destaca

atualmente como a principal candidata a fonte de

matéria-prima oleaginosa para a produção de bioquerosene

a curto prazo, já que é a única entre todas que

atende na totalidade a três parâmetros básicos e essenciais

para a sustentabilidade de um possível programa

de bioquerosene no Brasil. O primeiro parâmetro refere-se

ao domínio de um pacote tecnológico, em que

o Brasil é a referência mundial no desenvolvimento de

tecnologias para a produção de soja em áreas tropicais

e subtropicais. O segundo parâmetro refere-se à escala

de produção, sendo a soja a principal oleaginosa produzida

no Brasil, representando quase 50% da produção

nacional de grãos. Por fim, o terceiro critério referemisturas

de bioquerosene derivados de diversas fontes

de matérias-primas, como óleo de pinhão-manso, óleo

de macaúba e até mesmo óleo de fritura. Resultados

recentes têm demonstrado ganhos positivos no uso do

bioquerosene, com aumento de eficiência, diminuição

da temperatura na turbina e redução das emissões de

poluentes.

PRODUÇÃO

O bioquerosene pode ser produzido por diversos

processos e matérias-primas, como biomassas lignocelulósicas,

fontes sacarinas, amiláceas e óleos vegetais.

Neste artigo será dado foco apenas a discussões referentes

às fontes oleaginosas e não serão consideradas

as características físico-químicas do óleo para a produção

do bioquerosene.

Existe no Brasil um grande número de espécies nativas

e exóticas que produzem óleo em frutos e grãos,

com diferentes potencialidades e adaptações naturais

a distintas condições de clima e solo do país. Os desa-

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 67


ARTIGO

A SOJA É A PRINCIPAL

OLEAGINOSA PRODUZIDA

NO BRASIL, REPRESENTANDO

QUASE 50% DA PRODUÇÃO

NACIONAL DE GRÃOS

-se à logística de distribuição espacial da matéria-prima

ao longo do território nacional, sendo a soja uma das

únicas matérias-primas com produção em todas as regiões

do país.

Embora estes critérios façam da soja, em curto prazo,

a principal candidata a fonte de matéria-prima para

produção de bioquerosene, e considerando ainda que

a soja é atualmente a principal fonte de matéria-prima

para produção de biodiesel, é importante ponderar

que não é estratégico para o país depender apenas de

uma única fonte de matéria-prima, até porque os dois

setores concorreriam entre si por esta fonte. Neste sentido,

torna-se necessária a busca e o desenvolvimento

contínuo de outras oleaginosas com maior adensamento

energético e que atendam a critérios relacionados

à diversificação e a regionalização.

Das oleaginosas disponíveis para diversificar a produção

em médio prazo, pode-se considerar as opções

como o dendê (palma-de-óleo), algodão, girassol, canola,

entre outras. Estas oleaginosas possuem domínio

tecnológico (cultivares, sistema de cultivo, ...), porém

carecem de ações para ampliar a escala de produção,

considerando a regionalização da produção. Muitas

destas oleaginosas são opções interessantes para diversificar

a produção regional, mas a área plantada e a

produção ainda são consideradas baixas para atender

a demanda de biocombustíveis. Um exemplo é a cultura

do dendezeiro (palma-de-óleo), cuja produtividade

pode atingir 4 mil kg/ha (quilograma por hectare) de

óleo, o que supera em oito vezes a produtividade da

soja (500 kg/ha), sendo excelente fonte de matéria-prima

para região norte do Brasil.

A longo prazo podemos considerar as oleaginosas

perenes e anuais que ainda não estão domesticadas

como o pinhão-manso, a macaúba, a camelina e outras.

Estas oleaginosas apresentam grande potencial

68

www.REVISTABIOMAIS.com.br


RODUTO DE MADEIRA

DE REFLORESTAMENT

para cultivo nas regiões centro-sul e nordeste do Brasil,

porém, para que sejam opções economicamente viáveis

necessitam de pesquisas para o desenvolvimento

de cultivares e de sistemas de cultivo. A mobilização e

os investimentos do setor privado em P&D (Pesquisa e

Desenvolvimento) podem acelerar a geração de tecnologias

direcionadas a estas espécies. Para este grupo

de oleaginosas, primeiro será necessário desenvolver

o domínio tecnológico para que sejam iniciadas ações

buscando a escala de produção. Como muitas destas

espécies são de ciclo longo, será necessário mais tempo

para que possam ser completamente domesticadas.

Uma estratégia interessante será trabalhar estas

espécies em sistemas agroflorestais incluindo seu consórcio

com culturas anuais que possam compensar o

custo do investimento nos anos iniciais de uma cultura

perene. Neste grupo de oleaginosas, a macaúba vem

tendo destaque nas pesquisas quanto ao potencial de

rendimento, que gira entre 3.000 a 6.000 kg/ha de óleo.

LOGÍSTICA

Uma particularidade do bioquerosene que difere,

por exemplo, de biodiesel, é que a produção da matéria-prima

e a sua conversão em bioquerosene não

devem ocorrer de forma pulverizada no país, mas sim

em arranjos produtivos no entorno dos centros consumidores

(aeroportos). Em muitos casos, o centro de

fornecimento de matéria-prima está distante do centro

de transformação, o que eleva os custos, principalmente

de logística, e aumenta os riscos à sustentabilidade.

A matéria-prima deve estar próxima o suficiente para

que o transporte não inviabilize a produção econômica.

Não podemos, por exemplo, produzir óleo de dendê

(palma-de-óleo) no Estado do Pará para abastecer

a demanda de bioquerosene do aeroporto de Brasília

(DF). Neste contexto, para o estabelecimento de um

programa de produção de bioquerosene, torna-se crucial

um estudo prévio dos entornos dos principais aeroportos

do Brasil no que se refere a demanda potencial

de bioquerosene e do zoneamento das principais

matérias-primas existentes e potenciais de serem produzidas

na região. Desta forma, poder–se-á planejar a

produção da matéria-prima considerando as demandas,

as espécies disponíveis (domínio tecnológico),

aptidão das culturas para as regiões e a viabilidade de

industrialização local do bioquerosene de aviação. Os

usos e demandas atuais das matérias-primas, como por

O Pellet da Koala Energy é sinônimo de

qualidade e confiabilidade sendo

distribuído tanto para o mercado interno,

como para o mercado externo, seguindo

os mais rígidos padrões de qualidade

internacional -

EnPlus – A1

, sendo uma

das pioneiras neste setor no Brasil.

KOALA ENERGY LTDA. EPP

Rua Capitão Osmar Romão da Silva, 303

Centro - Rio Negrinho - SC - 89.295-000

Fone: (47) 3644-2028

www.koalaenergy.com.br / exportacao@koalaenergy.com.br

P

O


ARTIGO

exemplo, para produção de biodiesel na região, também

é algo que deve ser analisado neste processo de

planejamento.

O custo de produção da matéria-prima, bem como,

da produção do bioquerosene devem se equiparar ao

preço de produção do querosene de aviação, caso contrário

a competitividade do biocombustível será comprometida.

A adoção ou desenvolvimento de processos

de produção de bioquerosene que possam gerar

concomitantemente outros produtos no conceito de

biorrefinaria podem ser interessantes para viabilizar a

produção do bioquerosene de aviação a preços mais

competitivos. Outra questão que pode impactar nos

custos de produção são os investimentos da certificação

da produção de matéria-prima. A certificação da

produção da oleaginosa e a produção em bases sustentáveis

é algo que vem ganhando importância no

setor dos biocombustíveis de aviação. A certificação

tem impactos no custo de produção, porém pode aumentar

a competitividade do bioquerosene nacional e

sua inserção no mercado mundial.

MATRIZ ENERGÉTICA

Nos próximos anos a participação dos biocombustíveis

na matriz energética brasileira e global aumentará

gradativamente em caráter irreversível. O bioquerosene

de aviação poderá ter papel importante não só

por diversificar a matriz energética, mas também por

equacionar questões como à distribuição de renda e à

segurança ambiental. Embora a soja seja atualmente

a oleaginosa com maior escala de produção no país,

torna-se fundamental a utilização de matérias-primas

de maior densidade energética, e o desenvolvimento

tecnológico destas para dar suporte à sua incorporação

na matriz energética de biocombustíveis. A palma-

-de-óleo (foto abaixo) e as espécies alternativas, como

pinhão-manso e palmeiras nativas (macaúba, tucumã,

babaçu e inajá), em função das maiores produtividades

O BIOQUEROSENE SÓ SE

TRANSFORMARÁ EM REALIDADE

NO PAÍS SE FOREM REALIZADOS

INVESTIMENTOS SIGNIFICATIVOS

E CONSTANTES EM PESQUISA E

DESENVOLVIMENTO DAS MATÉRIAS-

PRIMAS E DAS TECNOLOGIAS

RELACIONADAS

70

www.REVISTABIOMAIS.com.br


ATUALIZE SUAS INFORMAÇÕES

ASSINANDO AS PRINCIPAIS

REVISTAS DO SETOR

PARA O ESTABELECIMENTO DE

UM PROGRAMA DE PRODUÇÃO

DE BIOQUEROSENE, TORNA-SE

CRUCIAL UM ESTUDO PRÉVIO

DOS ENTORNOS DOS PRINCIPAIS

AEROPORTOS DO BRASIL

LIGUE AGORA PARA NOSSA

CENTRAL DE ATENDIMENTO

0800 600 2038

Pagamento nos Cartões de Crédito em até 3X sem juros

potenciais e das aptidões edafoclimáticas, são ótimas

opções para atender às demandas quantitativas e

ecorregionais de óleo. Além do domínio tecnológico,

deve-se considerar a produção de bioquerosene em arranjos

produtivos de forma a garantir e potencializar a

logística e o suprimento da matéria-prima nas diversas

fases da produção, além de envolver os distintos atores

associados ao sistema produtivo (produtores, comunidades,

associação, instituições de capacitação e etc.).

Obviamente, o bioquerosene só se transformará em realidade

no país se forem realizados investimentos significativos

e constantes em pesquisa e desenvolvimento

das matérias-primas e das tecnologias relacionadas,

para que se tornem não apenas alternativas viáveis,

mas também, alternativas sustentáveis pelo investimento

na sua cadeia produtiva, nas soluções sociais,

ambientais e econômicas para acomodar a mudança

global de comportamento sócio-ambiental imposta

pelo mercado interno e externo.


AGENDA

AGOSTO

Agosto

Greenbulding Brasil 2015

Data: 11 a 13

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.expogbcbrasil.org.br

OUTUBRO

Outubro

Renexpo

Data: de 1 a 4 de outubro

Local: Augsburg (Alemanha)

Informações: www.renexpo.de

Fenasucro & Agrocana

Data: 25 a 28

Local: Sertãozinho (SP)

Informações: www.fenasucro.com.br

V Conferência Internacional de Materiais e Processos

para Energias Renováveis

Data: 7 a 9

Local: Porto Alegre (RS)

SETEMBRO

Setembro

Intersolar South America

Data: 1 a 3

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.intersolar.net.br

Eco Bahia Ambiental

Data: 9 a 12

Local: Salvador (BA)

Florestal&Biomassa

Data: 23 a 25

Local: Lages (SC)

Informações: www.florestalbiomassa.com.br

Seminário Nacional de Produção e Transmissão de

Energia Elétrica

Data: 18 a 21

Local: Foz de Iguaçu (PR)

Informações: www.xxiiisnptee.com.br

NOVEMBRO

Novembro

XV FIMAI - Feira Internacional de Meio Ambiente

Industrial e Sustentabilidade

Data: 11 a 13

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.fimai.com.br

III Fórum Brasil África

Data: 19 e 20

Local: Recife (PE)

Informações: www.forumbrazilafrica.com

Acesse:

www.portalreferencia.com.br


DESTAQUE

Destaque

Intersolar South America

Data: 1 a 3 de Setembro

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.intersolar.net.br

Com eventos nos quatro continentes a Intersolar atende a indústria

de energia solar e seus parceiros. A intenção é aumentar a percentagem

do consumo mundial deste modelo de energia. O evento é um

encontro de empresas, tecnologias e profissionais dos mercados mais

importantes do mundo.

Imagem: reprodução

√ Novidades

√ Máquinas

√ Equipamentos

√ Produtos

√ Insumos

√ Mercado

√ Cases

√ Tecnologia

A Revista Celulose & Papel

é um canal de comunicação

exclusivo ao mercado e por isso

muito mais eficaz e direcionado

Atualize suas informações

assinando a

CELULOSE & PAPEL !

Central de atendimento

0800 600 2038

pagamentos nos cartões em até 3x sem juros

www.celulosepapel.com.br


OPINIÃO

O PODER

DA BIOMASSA

Foto: divulgação

O

consumo mundial de energia acompanha dois

fatores. O primeiro é o crescimento populacional:

quanto mais pessoas no mundo, maior é

a necessidade de energia. O segundo fator é o

momento econômico, comprovado com a Revolução Industrial

e com o surgimento da indústria automobilística, que

refletiram diretamente na produção e consumo de energia.

A atual crise econômica, vivida em diversas partes do globo

e especialmente no Brasil, tem apontado para novas possibilidades.

Os aumentos dos preços da energia elétrica e de

combustíveis fósseis, derivados do petróleo, estão levando o

mercado a investir em outros tipos de geração de energia,

que possam servir como alternativa em tempos de crise, ao

mesmo tempo em que diminuam o impacto da atividade humana

no meio ambiente.

O termo biomassa engloba uma infinidade de materiais

que podem ser classificados como tal. As principais fontes

são: florestas energéticas, cana-de-açúcar, resíduos de indústrias

de base florestal (cavacos, serragem, maravalha e etc.),

dejetos de animais, resíduos de colheita de cereais entre outros.

No Brasil, atualmente cerca de 15,8% da matriz energética

vêm de fontes que utilizam biomassa. Apesar da maior

participação do bagaço de cana neste índice, a madeira tem

aumentado gradativamente sua parcela. Isto devido ao crescimento

das indústrias de papel e celulose, as quais consomem

um considerável volume de madeira para geração de

vapor.

As principais vantagens que a biomassa florestal tem sobre

outros tipos de matéria-prima são: ser renovável, sequestrar

e armazenar carbono durante seu ciclo, poder calorífico

atrativo para cogeração de energia podendo gerar entre

3.000 a 4.200 kcal/kg (quilocalorias por quilograma) - dependendo

do teor de umidade de equilíbrio.

Amparado pela lei, o pequeno proprietário pode utilizar

a biomassa nativa existente em sua propriedade, desde que

não tenha cunho comercial e sim a subsistência das atividades

praticadas dentro de seus limites territoriais. O consumo

máximo permitido é de 15 m³ (metros cúbicos) de tora a cada

cinco anos. O material lenhoso morto pode ser aproveitado

sem restrições. Porém, aquele que for pego cortando vegetação

em APP (Áreas de Proteção Permanente) será penalizado.

Dependendo da área danificada a multa oscila entre R$ 500

a R$ 5 milhões.

O crescimento no consumo de biomassa oriunda de

florestas energéticas reflete alguns fatores da realidade nacional.

A escassez hídrica no sudeste brasileiro e o aumento

descabido da tarifa de energia elétrica estão entre eles. A

energia gerada com o uso de biomassa é menos afetada economicamente

pelas ações climáticas, pois consegue armazenar

energia em forma de matéria. O avanço das tecnologias,

o melhoramento genético e a adaptação de novas progênies

na produção de florestas energéticas só tendem a potencializar

esta fonte energética.

Por Mauro Murara Junior

Diretor executivo da ACR (Associação Catarinense de Empresas Florestais)

Foto: divulgação

74

www.REVISTABIOMAIS.com.br


TRANSPORTE

OTIMIZAÇÃO

RESULTADO

EXCELÊNCIA NA INDÚSTRIA DE BIOMASSA

Sistemas Especiais

de Manuseio

• Mesas elevadoras

• Manipulação

• Soluções customizadas

Linhas de Acabamento

para Painéis de Madeira

• Resfriamento de chapas

• Manipulação

• Lixamento

• Armazenamento

Preparação de

Partículas & Reciclagem

• Pátios de toras

• Sistemas de alimentação

• Linhas de picagem

Tecnologia de Secagem

• Secadores de lâminas de madeira

• Secadores Industriais

Tecnologia de Prensagem

• Prensas para linha de revestimento

• Prensas para linha de portas

• Prensas para indústria de madeira

• Prensas de ciclo curto

• Prensas industriais

Madeira Sólida

• Indústria de Serrarias

• Linhas de Remanufatura

Rua General Potiguara, 1115 | CIC | Curitiba | PR | Brasil | CEP 81050-500

Fone +55 41 3347 2412 | +55 41 3347 4545 | indumec@indumec.com.br

More magazines by this user