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Força do vento: Brasil é o quinto país que mais investe em energia eólica<br />
revista biomassa energia<br />
FLORESTAS<br />
ENERGÉTICAS<br />
MATRIZ VERDE<br />
DE MÚLTIPLO USO<br />
Ano I • N°<strong>04</strong><br />
Setembro <strong>2014</strong><br />
ENERGY<br />
FORESTS<br />
MULTIPLE USE<br />
GREEN MATRIX<br />
SUANI TEIXEIRA COELHO<br />
BIOMASSA MERECE<br />
MAIS ATENÇÃO<br />
BRIQUETE<br />
ALTERNATIVA SUSTENTÁVEL
50 ANOS DE EXPERIÊNCIA<br />
NA INDÚSTRIA MADEIREIRA<br />
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Tecnologia de Secagem<br />
• Secadores de lâminas de madeira<br />
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Tecnologia de Prensagem<br />
• Prensas para linha de revestimento<br />
• Prensas para linha de portas<br />
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• Indústria de Serrarias<br />
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Rua General Potiguara, 1115 | CIC | Curitiba | PR | Brasil | CEP 81050-500<br />
Fone +55 41 3347 2412 | +55 41 3347 4545 | indumec@indumec.com.br
sumário<br />
<strong>04</strong> | Editorial<br />
Potencial de sobra<br />
ENTREVISTA<br />
05 | CArtas<br />
• SUANI TEIXEIRA COELHO •<br />
06 | notas<br />
12 | entrevista<br />
18 | PRIncipal<br />
Foto: divulgação<br />
FORTE POTENCIAL<br />
N<br />
os últimos anos mostrou-se necessário olhar com mais atenção para as chamadas fontes<br />
renováveis de energia. Neste cenário, a nossa matriz enérgica, que é predominantemente<br />
hidroelétrica, ganhou novos parceiros para geração de energia, como a PCH (Pequena<br />
Central Hidroelétrica), eólica, solar e biomassa. A última, presente em diferentes tipos no país, se faz<br />
mais expressiva e abundante no bagaço e na palha da cana-de-açúcar, que juntas teriam potencial<br />
equivalente a uma usina do nível de Itaipu. Em entrevista exclusiva para a BIOMAIS a coordenadora<br />
do Cenbio (Centro Nacional de Referência em Biomassa) Suani Teixeira Coelho fala dos entraves,<br />
desafios e futuro para a produção e cogeração de energia proveniente da biomassa no Brasil.<br />
30| pelo mundo<br />
Gols & energia<br />
34 | empresa<br />
Vento a beira-mar<br />
Foto: divulgação<br />
PRINCIPAL<br />
12<br />
A STRONG POTENTIAL<br />
I<br />
n recent years, it has proved necessary to look more closely at the so-called renewable energy sources. In this<br />
scenario, our energetic matrix, which is predominantly hydroelectric, has gained new partners for the generation<br />
of energy, such as SHPS (Small Hydroelectric Power Stations), wind, solar and biomass. The latter is<br />
present in different types throughout the Country, and has become more expressive and abundant when considering<br />
sugarcane bagasse and straw, which together have a power potential equivalent to the output of the Itaipu<br />
Generating Station. In an exclusive interview with BIOMAIS, Suani Teixeira Coelho, the coordinator of Cenbio<br />
(National Reference Center on Biomass), speaks of the obstacles, challenges and future for energy production and<br />
cogeneration from biomass in Brazil.<br />
FLORESTA PARA<br />
www.REVISTABIOMAIS.com.br<br />
ENERGIA<br />
BIOMASSA FLORESTAL TEM POTENCIAL<br />
PARA SE TORNAR PROTAGONISTA NA<br />
MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA<br />
FOREST FOR ENERGY<br />
Forest biomass has the potential<br />
to become the protagonist in the<br />
Brazilian energy matrix<br />
38 | processo<br />
Solução compactada<br />
42 | ESPECIAL<br />
18<br />
www.REVISTABIOMAIS.com.br<br />
ESPECIAL<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 19<br />
48 | ARTIGO<br />
56 | AGENDA<br />
BONS VENTOS<br />
Mesmo com produção recente, a energia eólica já se<br />
tornou a segunda fonte mais competitiva a integrar a<br />
matriz energética nacional. Avanço tecnológico, qualidade<br />
do vento brasileiro e a crise energética de 2001 foram os<br />
principais fatores que fizeram o governo olhar com mais<br />
atenção para o poder dos ventos<br />
FOTOS DIVULGAÇÃO<br />
58| OPINIÃO<br />
Biomassa na matriz elétrica brasileira?<br />
42 www.REVISTABIOMAIS.com.br<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 43<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />
03
editorial<br />
Potencial de sobra<br />
Uma composição com plantio de eucalipto<br />
ao fundo, principal espécie utilizada para<br />
produção de biomassa florestal, ilustra a<br />
capa desta edição.<br />
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dirigida aos produtores e consumidores de energias limpas<br />
e alternativas, produtores de resíduos para geração e cogeração de<br />
energia, instituições de pesquisa, estudantes universitários, órgãos<br />
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e/ou indiretamente ligados ao segmento. A Revista <strong>Biomais</strong> não se<br />
responsabiliza por conceitos emitidos em matérias, artigos, anúncios<br />
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de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação, armazenamento<br />
de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos<br />
textos, fotos e outras criações intelectuais da Revista <strong>Biomais</strong> são<br />
terminantemente proibídas sem autorização escrita dos titulares dos<br />
direitos autorais, exceto para fins didáticos.<br />
A energia é uma das principais preocupações mundiais, em especial no Brasil.<br />
De tempos em tempos ficamos à beira de racionamentos, aumentos nas contas de<br />
luz quando o governo recorre a sistemas auxiliares e por aí vai. O lado positivo de<br />
tudo isso é que vivemos em um país que reúne condições para o uso de praticamente<br />
todo o tipo de fonte de energia. Em duas reportagens especiais abordamos<br />
esse tema. Uma delas trata das florestas energéticas. Termo mais atual quando se<br />
utiliza a biomassa florestal para esse fim. Em outra traçamos o panorama atual da<br />
geração de energia eólica no país que cresce em ritmo acelerado. Em entrevista exclusiva<br />
para a BIOMAIS a doutora em Energia pela USP (Universidade de São Paulo),<br />
Suani Teixeira Coelho, expõe de forma muito convincente os motivos de se investir<br />
em biomassa para energia. De acordo com ela, o bagaço e a palha da cana-de-açúcar<br />
disponíveis no Brasil teriam potencial equivalente a uma usina do nível de Itaipu.<br />
Confira essas e outras informações nesta edição que está imperdível.<br />
Potential to spare<br />
Energy is a major worldwide concern, particularly in Brazil. From time to time, we<br />
are on the verge of rationing, having increases in electricity bills, when the government<br />
uses auxiliary systems in times of drought, and so on. The positive side of all this is that<br />
we live in a Country that brings together all the conditions for the use of virtually every<br />
type of energy source. In two special stories, we address this issue. One deals with energy<br />
forests - the term currently in use when the forest biomass is used for this purpose.<br />
In another, we outline the current panorama of wind power generation in the Country<br />
that has grown by leaps and bounds. In an exclusive interview with Revista BIOMAIS,<br />
Suani Teixeira Coelho, PhD in Energy from USP (University of São Paulo), very convincingly<br />
exposes the reasons to invest in biomass for energy. According to her, cane sugar<br />
bagasse and straw available in Brazil has the energy potential equivalent to the Itaipu<br />
generating station. Checking this out and the other information in this issue is a must.<br />
Revista <strong>Biomais</strong> is a bimonthly and independent publication, directed<br />
at clean alternative energy producers and consumers, producers of<br />
residues used for energy generation and cogeneration, research institutions,<br />
university students, governmental agencies, NGO’s, class and other entities,<br />
directly and/or indirectly linked to the Segment. Revista <strong>Biomais</strong> does not<br />
hold itself responsible for concepts contained in materials, articles, ads or columns<br />
signed by others; these are the responsibility of their authors. The use,<br />
reproduction, appropriation, databank storage, in any form or means, of the<br />
text, photos and other intellectual property of Revista <strong>Biomais</strong> are strictly<br />
forbidden without written authorization of the holder of the authorial rights,<br />
except for educational purposes.<br />
<strong>04</strong><br />
www.revistabiomais.com.br
cartas<br />
Surpresa positiva<br />
Tive contato recentemente com a segunda edição<br />
da Revista BIOMAIS e confesso que fiquei surpreso, pois<br />
procurei durante algum tempo por uma revista do setor sem<br />
sucesso.<br />
Sou engenheiro mecânico e entre outras coisas trabalho<br />
com projetos relacionados com combustão, secagem e<br />
energia no setor papeleiro. Tenho recentemente um artigo<br />
independente sobre recuperação de resíduos sólidos para<br />
fins energéticos, especificamente o controverso resíduo<br />
de papel higiênico, o qual gostaria que fosse publicado na<br />
Revista BIOMAIS.<br />
Agradeço!<br />
Geraldo Rizanti – Marília (SP)<br />
Olá Geraldo,<br />
Nosso objetivo é exatamente esse, contribuir para o<br />
setor energético com informações de qualidade e relevância.<br />
Quanto ao artigo, sempre estamos abertos a receber materiais<br />
relacionados à energia. Os profissionais e acadêmicos que têm<br />
interesse em publicar seus trabalhos na BIOMAIS podem nos<br />
enviar por e-mail. Eles passarão por uma avaliação editorial e<br />
se estiverem de acordo com nossos padrões serão publicados,<br />
como no seu caso, veiculado na página 48 desta edição.<br />
Solução para o setor<br />
A BIOMAIS esta de parabéns! As matérias são claras e de<br />
grande importância para todos deste setor que procuram<br />
soluções e máquinas.<br />
As plantações voltadas para produção de cavaco e<br />
pellets de biomassa estão aumentando muito e isso não tem<br />
volta. Os mercados interno e externo estão em constante<br />
crescimento há alguns anos e têm duas forças importantes<br />
contribuindo para isso: a atividade econômica e renovável.<br />
Mara de Nadai - Curitiba (PR)<br />
CBI do Brasil<br />
REVISTA<br />
na<br />
mídia<br />
www.revistabiomais.com.br<br />
www.facebook.com.br/revistabiomais<br />
informação<br />
biomassa<br />
energia<br />
www<br />
Publicações Técnicas da Jota Editora<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 05
NOTAS<br />
Biomassa do<br />
bambu<br />
A biomassa gerada pelo bambu é a fonte<br />
de energia para uma indústria cerâmica<br />
no município de Panorama, localizado a<br />
680 km (quilômetros) da capital São Paulo.<br />
Segundo dono do empreendimento, José<br />
Gonçalves, a partir do momento em que<br />
passou a usar o bambu como matéria-prima<br />
o negócio ficou mais rentável. Ele garante<br />
que o uso da espécie traz mais economia<br />
em comparação com outras formas de biomassa.<br />
O empresário vai ampliar o plantio,<br />
principalmente depois que soube que há<br />
linhas de financiamento para estes projetos.<br />
Foto: divulgação<br />
EUA investem em<br />
etanol 2G<br />
Ao longo do ano quatro usinas dedicadas<br />
à produção de etanol celulósico, também chamado<br />
de 2G (segunda geração) deverão entrar<br />
em operação em escala comercial nos EUA (Estados<br />
Unidos da América). As novas estruturas<br />
pertencem à americana DuPont, à espanhola<br />
Abengoa, à parceria entre a americana Poet e a<br />
holandesa DSM, e a Quad County Corn Processors.<br />
Três delas entraram em funcionamento<br />
no mês de junho.<br />
A usina da DuPont tem potencial estimado<br />
em 113 milhões de L (litros) por ano. Já a fábrica<br />
da Abengoa Bioenergy terá capacidade<br />
para produzir em torno de 95 milhões de L de<br />
etanol por ano e 21 MW (megawatts) de bioeletricidade.<br />
A terceira usina, que leva o nome<br />
de Projeto Liberdade, da Poet-DSM também<br />
tem capacidade para produzir 95 milhões de L<br />
de etanol 2G por ano e deverá utilizar cerca de<br />
770 t (toneladas) de palha seca de milho por<br />
dia. Ainda em construção, a quarta usina, Quad<br />
County Corn Processors, converte fibra de<br />
grãos em etanol celulósico, óleo de milho, que<br />
pode ser utilizado na produção de biodiesel.<br />
Foto: divulgação<br />
Google premia inovações<br />
O Google está oferecendo prêmio de US$ 1 milhão para uma inovação que<br />
torne o uso da energia solar e eólica mais prática para uso cotidiano. A premiação<br />
será concedida para quem apresentar um aparelho maior que um laptop que<br />
transforme de maneira eficiente a corrente elétrica em alternada. Em associação<br />
com o Ieee (Instituto de Engenheiros em Eletricidade e Eletrônica), o Google apoia<br />
o Littlebox Challenge (Desafio da Caixinha, na tradução em português).<br />
O desafio principal é miniaturizar os transformadores de energia à décima parte<br />
de seu tamanho atual. “Existem muitos desafios a serem superados, mas quem<br />
o fizer poderá ajudar a mudar o futuro da eletricidade. Um inversor menor poderia<br />
ajudar a criar microrredes de baixo custo em partes remotas do mundo. Ou permitir<br />
a manutenção das luzes de uma residência acesa durante um apagão por<br />
meio da bateria do carro elétrico. Pode ainda permitir outros avanços que nós nem<br />
sequer temos pensado ainda”, diz Google, em seu blog oficial.<br />
Foto: divulgação<br />
06<br />
www.revistabiomais.com.br
Água e vento<br />
predominantes<br />
A maior parte da eletricidade consumida em Portugal é retirada<br />
da água e do vento. É o que aponta os dados da Apren<br />
(Associação Portuguesa de Energias Renováveis). Segundo a<br />
análise, entre janeiro e julho de <strong>2014</strong>, as energias renováveis representaram<br />
70% do consumo. Apesar de ser uma diminuição<br />
de 76% em relação ao valor até junho, de acordo com a Apren, é<br />
ainda o mais elevado desde que há registros para este período<br />
do ano.<br />
Mesmo com a predominância de um clima mais seco nos<br />
meses de junho e julho, e por isso um período em que as centrais<br />
a carvão funcionam mais, as renováveis apresentaram um bom<br />
desempenho, especialmente as eólicas que foram a segunda<br />
fonte de energia a abastecer o consumo nacional.<br />
As eólicas e as barragens são as energias renováveis<br />
mais significativas na produção elétrica de Portugal,<br />
mais precisamente 60,9%, sendo que as barragens<br />
foram responsáveis por 35,6% do<br />
consumo e as eólicas por 25,3%. Em<br />
seguida a biomassa, cuja produção<br />
representa 5,3% do consumo e<br />
as pequenas centrais hídricas<br />
são responsáveis por<br />
3,5%.<br />
Foto: divulgação<br />
Leilão favorece<br />
biomassa<br />
O MME (Ministério de Minas e Energia) definiu em<br />
R$ 197 por MWh (Megawatts hora) o custo marginal do<br />
próximo leilão A-5, marcado para 30 de setembro. O preço-teto<br />
para o produto por quantidade foi fixado em R$<br />
158 por MWh, enquanto o produto por disponibilidade<br />
termelétrica (gás, biomassa e carvão) ficou em R$197 por<br />
MWh, valores mais competitivos em comparação aos que<br />
vêm sendo praticados. Já para o produto por disponibilidade<br />
solar e eólica, o preço inicial será de R$137 por MWh.<br />
Os valores de partida do certame foram divulgados pela<br />
diretoria da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).<br />
Os projetos habilitados ainda não foram oficialmente<br />
divulgados pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética),<br />
contudo já se sabe que as usinas Apertadinho, Ercilândia,<br />
Foz do Piquiri, Comissário, no Paraná, e Divinópolis, em<br />
Goiás, não conseguiram a licença ambiental a tempo de<br />
participar do certame.<br />
Foto: Alcides Okubo Filho\ Embrapa<br />
Europa vai consumir mais pellets<br />
Um relatório técnico de energia desenvolvido pela Aebiom (Associação Europeia<br />
de Biomassa) constatou aumento na demanda por pellets e biomassa para produção<br />
de eletricidade até 2020, quando o consumo deve chegar a 29 milhões de t (toneladas).<br />
Segundo o estudo, boa parte desse montante seja importada da América do Norte e do<br />
Brasil. Outro dado divulgado pela Aebiom mostra o crescimento da importância da biocombustível<br />
em escala global. De acordo com o relatório, a quantidade de eletricidade<br />
produzida a partir de biomassa no mundo vai subir em torno de 9% por ano até 2020.<br />
Foto: divulgação<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 07
NOTAS<br />
Cerradinho<br />
Bioenergia terá<br />
mais 90 MW<br />
A TGM acaba de consolidar o fornecimento de mais 90<br />
MW (megawatts) para a Cerradinho Bioenergia, localizada<br />
em Chapadão do Céu (GO). O equipamento é preparado<br />
para atender os processos de produção de açúcar, etanol de<br />
primeira e segunda geração, etanol de milho e energia elétrica<br />
com ciclo regenerativo, complementando os 80 MW já<br />
instalados.<br />
O desenvolvimento do projeto permitiu atender os<br />
diversos processos industriais, maximizando a geração de<br />
energia elétrica e proporcionando um incremento da energia<br />
disponível para exportação. “O ciclo regenerativo, além de aumentar a eficiência da planta, gera<br />
mais vapor com o mesmo combustível, utilizando parte do mesmo para aquecer o condensado que<br />
retroalimenta a caldeira”, disse José Paulo Figueiredo, diretor de engenharia da TGM.<br />
Foto: divulgação TGM<br />
Nota de<br />
falecimento<br />
A Revista BIOMAIS presta uma homenagem ao<br />
engenheiro indiano Gurmukh Sarkaria, 89 anos, coordenador<br />
geral do projeto de construção da Itaipu,<br />
falecido no dia 29 de julho, em Santa Rosa, no Estado<br />
norte-americano da Califórnia. O engenheiro<br />
foi vítima de complicações de um infarto, e deixou<br />
esposa e duas filhas.<br />
Considerado um dos maiores especialistas em<br />
construção de hidrelétricas do mundo, Gurmukh foi<br />
quem criou o layout e escolheu o local ideal para<br />
a implantação da Itaipu. Também foram dele algumas<br />
das principais decisões sobre a obra, como o<br />
formato da barragem e do vertedouro.<br />
Foto: Caio Coronel/Itaipu Binacional<br />
Mais atraentes<br />
Pela primeira vez o Brasil está em décimo lugar em atratividade para<br />
investimentos em energia renovável, segundo índice da EY (Ernst & Young).<br />
Atualizado trimestralmente, a pesquisa analisa o mercado de fontes<br />
limpas em 40 países e o Brasil subiu duas posições no ranking em relação<br />
ao último levantamento.<br />
De acordo com a análise da EY, a expectativa é que a energia eólica<br />
lidere novamente os investimentos no Brasil, no entanto, o interesse por<br />
energia solar está crescendo rapidamente com as novas previsões de capacidade<br />
de geração. O obstáculo em energia solar no Brasil é a exigência<br />
de elevado CL (Conteúdo Local), que trata da política do governo federal<br />
para a concessão de financiamentos do Bndes (Banco Nacional de Desenvolvimento<br />
Econômico e Social). Além disso, 60% dos equipamentos<br />
devem ser fabricados no país. O primeiro lugar na lista é ocupado por<br />
EUA (Estados Unidos da América), seguido por China, Alemanha, Japão,<br />
Canadá, Reino Unido, Índia, França e Austrália.<br />
Foto: divulgação<br />
08<br />
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NOTAS<br />
Aproveitamento energético<br />
A Usina de Tratamento de Biogás do Aterro Dois Arcos, inaugurada em agosto, no<br />
município de São Pedro da Aldeia (RJ) , vai transformar em gás natural cerca de 600<br />
t (toneladas) de lixo recolhidos nos municípios cariocas São Pedro da Aldeia, Búzios,<br />
Iguaba Grande, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Casimiro de Abreu, Silva Jardim e Araruama.<br />
O investimento de R$ 18 milhões é de uma parceria entre as empresas Osafi, proprietária<br />
do Aterro Dois Arcos, e a Ecometano, do grupo MDCPar, voltada para produção de<br />
gás natural de fontes renováveis.<br />
A princípio o combustível produzido será entregue no gasoduto da CEG-Rio a partir<br />
de abril de 2015. Enquanto isso, o gás será comprimido e chegará aos consumidores<br />
por meio de galões. “O combustível será misturado com o gás natural já fornecido pela<br />
CEG-Rio, de metano puro, e distribuído aos clientes sem custos adicionais”, afirma a coordenadora<br />
do Programa Rio Capital da Energia, Maria Paula Martins.<br />
O empreendimento inicia com a produção diária de 6 mil m³ (metros cúbicos) de gás<br />
e, em oito anos, esse volume deverá subir para 20 mil m³. A estimativa de produção da<br />
usina é de 5 milhões de m³ de biogás purificado por ano.<br />
Foto: divulgação<br />
Normas para uso<br />
de biogás<br />
Um projeto de lei em tramitação na Câmara<br />
dos Deputados estabelece normas para geração,<br />
transporte, filtragem, estocagem e geração<br />
de energia elétrica, térmica e automotiva com<br />
biogás. As regras constam do Projeto de Lei<br />
6559/13, do deputado Pedro Uczai (PT-SC) e se<br />
referem especificamente à exploração das atividades<br />
econômicas de geração de energias com<br />
biogás originado do tratamento sanitário de resíduos<br />
e efluentes orgânicos, em especial os gerados<br />
em atividades de produção agropecuária<br />
e agroindustrial de que tratam a Lei 12.187/09.<br />
De acordo com a proposta, as energias geradas<br />
com biogás, ou qualquer outra aplicação com seus gases componentes, serão isentas de tributação e não poderão receber<br />
qualquer tipo de subsídio sobre os preços da energia. Em relação à fiscalização, as atividades de produção de biogás<br />
estão sujeitas também às normas técnicas, aos marcos legais, aos regulamentos do setor de energia e à legislação ambiental<br />
aplicável.<br />
As atividades geradoras de biogás poderão ser exercidas por produtores rurais, cooperativas agroindustriais, indústrias,<br />
empresa ou consórcio de empresas constituídas sob as leis brasileiras, com sede e administração no país. Elas serão reguladas<br />
e fiscalizadas pela União.<br />
Foto: divulgação<br />
10<br />
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Da TECNOLOGIA<br />
à produção,<br />
pioneira e LÍDER<br />
em MARAVALHAS<br />
LANÇAMENTO<br />
PMF 4/2400<br />
• A PMF 4/2400 É CAPAZ DE PRODUZIR ATÉ 30m 3 /h<br />
DE MARAVALHAS<br />
• MARAVALHAS QUALIFICADAS COM A ESPESSURA<br />
DESEJADA<br />
• REDUZ O RISCO DE DOENÇAS AOS ANIMAIS E<br />
ATÉ POSSÍVEIS FERIMENTOS CAUSADOS PELA<br />
CAMA DESQUALIFICADA<br />
• MAIOR PRODUTIVIDADE COM MENOR CUSTO<br />
OPERACIONAL<br />
• SISTEMA AUTOMATIZADO DE ALTA TECNOLOGIA<br />
• MELHOR APROVEITAMENTO DO ESPAÇO FÍSICO<br />
TTF 1500<br />
TRANSPORTADOR DE TORAS<br />
Equipamento para abastecimento<br />
automático de toras de madeira.<br />
Secador para Maravalhas<br />
Prensa Enfardadeira<br />
Plainas para Maravalhas<br />
Fone: (54) 3242 2640<br />
www.fortex.ind.br
entrevista<br />
• Suani teixeira Coelho •<br />
Foto: divulgação<br />
Forte potencial<br />
N<br />
os últimos anos mostrou-se necessário olhar com mais atenção para as chamadas fontes<br />
renováveis de energia. Neste cenário, a matriz enérgica brasileira, que é predominantemente<br />
hidroelétrica, conta com parceiros para geração de energia, como a PCH (Pequena<br />
Central Hidroelétrica), eólica, solar e biomassa. A última, presente em diferentes tipos no país, se faz<br />
mais expressiva e abundante no bagaço e na palha da cana-de-açúcar, que juntas teriam potencial<br />
equivalente a uma usina do nível de Itaipu. Em entrevista exclusiva para a BIOMAIS a coordenadora<br />
do Cenbio (Centro Nacional de Referência em Biomassa) Suani Teixeira Coelho fala dos entraves,<br />
desafios e futuro para a produção e cogeração de energia proveniente da biomassa no Brasil.<br />
A Strong Potential<br />
I<br />
n recent years, it has proved necessary to look more closely at the so-called renewable energy sources. In this<br />
scenario, our energetic matrix, which is predominantly hydroelectric, has gained new partners for the generation<br />
of energy, such as SHPS (Small Hydroelectric Power Stations), wind, solar and biomass. The latter is<br />
present in different types throughout the Country, and has become more expressive and abundant when considering<br />
sugarcane bagasse and straw, which together have a power potential equivalent to the output of the Itaipu<br />
Generating Station. In an exclusive interview with BIOMAIS, Suani Teixeira Coelho, the coordinator of Cenbio<br />
(National Reference Center on Biomass), speaks of the obstacles, challenges and future for energy production and<br />
cogeneration from biomass in Brazil.<br />
12<br />
www.revistabiomais.com.br
Perfil:<br />
Nome: Suani Teixeira Coelho<br />
Local de nascimento:<br />
Rio de Janeiro (RJ)<br />
Data: 13 de junho de 1948<br />
Formação: Doutora<br />
em Energia pela USP<br />
(Universidade de São Paulo)<br />
Profile:<br />
Name: Suani Teixeira Coelho<br />
Place of Birth:<br />
Rio de Janeiro (RJ)<br />
Date of Birth:<br />
June 13, 1948<br />
Education: PhD in Energy USP<br />
(University of São Paulo)<br />
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Qual é demanda energética no Brasil hoje?<br />
A demanda enérgica ta BIOMAIS.<br />
nacional é dividida em diferentes áreas.<br />
Temos que pensar no setor elétrico e no setor de transportes.<br />
No elétrico HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
a demanda é crescente e, ultimamente, para complementar<br />
a energia elétrica gerada pelas hidroelétricas foram ativadas<br />
várias térmicas a fósseis que são poluentes e mais caras,<br />
ao invés de utilizar energias renováveis. No setor de transporte<br />
também temos<br />
Fone:<br />
um aumento<br />
0800.600.2038<br />
cada vez maior no consumo de<br />
combustíveis líquidos, até porque houve recentemente a redução<br />
do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados), o que gera<br />
o aumento da frota e consequentemente forte pressão sobre a<br />
demanda no consumo. Por outro lado, a gasolina tem preços indiretamente<br />
controlados pelo governo e esse controle indireto,<br />
que faz com que a Petrobrás não possa aumentar o preço nas<br />
distribuidoras, gera automaticamente o controle de<br />
preço sobre o etanol que precisa competir com<br />
a gasolina no mesmo mercado.<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.com.br<br />
As fontes alternativas têm participação<br />
expressiva nesse cenário a<br />
ponto de ajudar a suprir boa parte<br />
da demanda ou ainda há muito a<br />
se fazer?<br />
A participação da energia eólica<br />
tem crescido bastante até porque<br />
desde 2000 o Proinfa (Programa<br />
de Incentivo às Fontes Alternativas<br />
de Energia Elétrica) vem tendo uma<br />
série de incentivos do governo. A biomassa<br />
não tem incentivo nenhum e<br />
ainda assim tem que competir nos leilões<br />
“ Não adianta a energia<br />
eólica produzida no<br />
nordeste ser mais<br />
barata que a biomassa,<br />
o gasto final dela vai ser<br />
maior porque tem que<br />
adicionar o custo de<br />
transmissão no sistema<br />
interligado”<br />
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What is demand for energy in Brazil, today?<br />
National demand for ta energy BIOMAIS. is divided into different areas. We<br />
have to think of the electricity sector and the transportation sector.<br />
In the electricity HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
sector, the demand growing and, lately, to complement<br />
the electricity generated by hydroelectric, various thermal<br />
e-mail: generating assinatura@revistareferencia.com.br<br />
stations have been activated using fossil fuels that are<br />
polluting and more expensive, instead of using renewable energy.<br />
In the transport sector,<br />
Fone:<br />
we<br />
0800.600.2038<br />
also have a growing increase in the consumption<br />
of liquid fuels, because recently there was a reduction of<br />
the IPI (Tax on Industrialized Products), which led to the increase in<br />
the vehicle fleet, and consequently, increased pressure on consuming<br />
demand for energy. On the other hand, gasoline prices are indirectly<br />
controlled by the Government and this indirect control, such<br />
that Petrobras cannot increase the price to the distributors, automatically<br />
generates price controls on ethanol that has<br />
to compete with gasoline in the same market.<br />
Do alternative sources play a significant<br />
role in the scenario to the<br />
point of helping to supply much of<br />
the demand or is there still much<br />
to do?<br />
The share of wind energy has<br />
grown considerably since 2000<br />
because Proinfa (Program of Incentives<br />
for Alternative Electricity<br />
Sources) brought with it a number<br />
of government incentives.<br />
However, biomass was not included<br />
and has no incentives and still<br />
has to compete in auctions with<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 13
entrevista<br />
com a eólica. Apesar disso, 7% da nossa capacidade instalada<br />
para a geração de energia elétrica vêm de bagaço de cana. Certamente<br />
que isso poderia ser muito maior se tivéssemos leilões<br />
feitos de forma mais inteligente.<br />
Atualmente qual é a fonte de energia que se mostra mais<br />
promissora para investir?<br />
Com certeza a biomassa. No caso da eólica existem parques<br />
no nordeste que foram construídos, mas não estão em operação<br />
porque não têm a linha de transmissão para ser interligado com<br />
a rede. Existe uma diferença entre a capacidade instalada nominal<br />
e a capacidade que efetivamente está sendo gerada. No caso<br />
da biomassa, as usinas de cana estão na região sudeste, já interligadas<br />
na rede. Não há a necessidade de construção de novas<br />
redes de transmissão e, além disso, tem-se a vantagem adicional<br />
de estar gerando energia próximo ao centro de consumo que é a<br />
própria região sudeste.<br />
Há muitos problemas de logística em relação a energia<br />
eólica gerada no nordeste?<br />
Além de precisar construir a linha de transmissão que está<br />
faltando, ainda necessita entrar no sistema interligado e trazer<br />
para o sudeste que é onde está o centro de carga principal. Temos<br />
o problema de logística que precisa ser levado em conta<br />
e os investidores têm que olhar para isso para fazer um investimento<br />
que de fato tenha futuro e possa operar e não ficar<br />
parado como aqueles que estão lá em cima.<br />
wind. Nevertheless, 7% of our installed capacity for electricity generation<br />
comes from sugarcane bagasse. Surely that could be much<br />
higher if we had more intelligently carried out auctions.<br />
Currently, what is the energy source that shows itself to be<br />
more promising as to investment?<br />
Surely, it is biomass. In the case of wind farms, they already exist<br />
in the Northeast. They have been built, but are not in operation because<br />
they do not have the necessary transmission lines to be connected<br />
to the national grid. There is a difference between the nominal<br />
installed capacity and the actually being generated capacity. In<br />
the case of biomass, the sugarcane mills are in the Southeast, and<br />
are already interconnected to the national grid. There is no need to<br />
build new transmission lines and, moreover, this type of generation<br />
has the added advantage of being close to cities, therefore, generating<br />
energy near the major consumption centers, which are in the<br />
Southeast Region, itself.<br />
Are there many logistical problems in relation to wind<br />
power being generated in the Northeast?<br />
Besides having to build transmission lines that are missing, it is<br />
necessary for the energy to be introduced into a system interconnected<br />
with the Southeast, the main energy consuming center. We have<br />
logistics problems that need to be taken into account and investors<br />
have to look at this before making any investment that actually has<br />
a future, and is able to be put into operation, not remain<br />
isolated like those up there.<br />
A geração de energia por vias alternativas<br />
tais como eólica, solar e biomassa,<br />
está recebendo a atenção das empresas?<br />
Como está a proporção dessas<br />
fontes no âmbito geral de geração<br />
no país?<br />
Primeiramente temos que dividir<br />
a biomassa em categorias, porque<br />
diferentemente da eólica, da PCH<br />
(Pequena Central Hidroelétrica) e da<br />
solar, na biomassa existe uma variedade<br />
de fontes muito grande, então<br />
tem o bagaço de cana que é o maior<br />
componente e tem a maior participação,<br />
o biogás, a casca de arroz, no Rio<br />
Grande do Sul. A situação da biomassa é<br />
diferente das outras energias renováveis<br />
porque tem diferentes tipos e para cada<br />
tipo é um empreendimento diferente, tem<br />
“Precisa ter os<br />
mesmos incentivos do<br />
governo para todas<br />
as fontes de energia<br />
renováveis, e a eólica fica<br />
com todos eles,<br />
a biomassa e a PCH<br />
não têm incentivo<br />
nenhum”<br />
Power generation through alternative<br />
means, such as using<br />
wind, solar and biomass, is<br />
gaining the attention of<br />
companies? What is the<br />
proportion of these sources<br />
within the general<br />
framework of generation<br />
in the Country?<br />
First, we have to divide<br />
the biomass into categories,<br />
because unlike wind,<br />
SHPS’s (Small Hydroelectric<br />
Power Station) and solar, for<br />
biomass there is a large variety<br />
of sources, there is sugarcane bagasse,<br />
the largest component, and<br />
has the largest participation, and there is<br />
biogas and rice husks in Rio Grande do Sul. The<br />
14<br />
www.revistabiomais.com.br
que levar tudo isso em consideração. Mas hoje temos<br />
tecnologia para todos. As caldeiras para casca<br />
de arroz, por exemplo, foram desenvolvidas<br />
especificamente para esse tipo de biomassa<br />
por causa do conteúdo de sílica. Já temos<br />
tecnologia suficiente para ser usada inclusive<br />
em condições de exportar para outros<br />
países em desenvolvimento. Recentemente<br />
fui a Moçambique onde discutimos o acesso<br />
à energia que na África é dramático. Em<br />
Moçambique apenas 20% da população tem<br />
acesso à energia elétrica e lá tem usinas de<br />
açúcar, que certamente, se fossem usadas tecnologias<br />
mais eficientes de cogeração com bagaço<br />
de cana, poderiam ter um excedente de energia<br />
que seria distribuído na zona rural, ajudando a diminuir<br />
este déficit de energia. Mas alguns países da África<br />
já estão fazendo isso como Quênia e Sudão.<br />
O que falta para melhorar esse cenário no Brasil, ou seja,<br />
aumentar a participação da biomassa na matriz energética<br />
nacional?<br />
O sistema de leilões não favorece muito a biomassa. Muitos<br />
defendem os leilões regionalizados para levar em conta a questão<br />
de logística e localização. Hoje a biomassa gerada aqui em<br />
São Paulo, que já está próxima ao centro de carga, compete com<br />
a eólica que está lá em cima e que ainda tem todo o custo de<br />
transmissão para trazer para o sudeste. Não adianta a energia<br />
eólica produzida no nordeste ser mais barata que a biomassa,<br />
o gasto final dela vai ser maior porque tem que adicionar o<br />
custo de transmissão no sistema interligado. Precisa ter os<br />
mesmos incentivos do governo para todas as fontes de energia<br />
renováveis, e a eólica fica com todos eles, a biomassa e a PCH<br />
não têm incentivo nenhum. A energia solar ainda não é competitiva<br />
porque é muito cara, então só é viável em pequenos projetos<br />
pilotos na região amazônica onde não tem fonte nenhuma para<br />
competir. No caso das outras tem que ter o mesmo tratamento.<br />
São todas renováveis, se não tem equilíbrio acaba acontecendo<br />
uma distorção de mercado. Uma solução seria fazer os leilões exclusivos.<br />
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Quais são as perspectivas<br />
ta BIOMAIS.<br />
de demanda energética para<br />
os próximos anos no país?<br />
As HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
perspectivas dos planos do governo são de aumentar e os<br />
investimentos são sempre feitos nas hidroelétricas, tem as novas<br />
e-mail: hidroelétricas assinatura@revistareferencia.com.br<br />
Amazônia que estão sendo construídas, que o<br />
governo vê como complementação às térmicas a combustíveis<br />
Fone: 0800.600.2038<br />
situation of biomass is different<br />
from other renewable<br />
energy sources because<br />
there are different types<br />
and each type involves<br />
a different industrial<br />
process, which needs<br />
to be taken into consideration.<br />
But today,<br />
we have the technology<br />
for all. Boilers using<br />
rice husks, for example,<br />
have been developed<br />
specifically for the type<br />
of biomass because of the<br />
silica content. We have sufficient<br />
technology to be used<br />
so as to be in a position to<br />
export this technology to other<br />
developing countries. I recently<br />
visited Mozambique where we discussed<br />
the access to energy, which in<br />
Africa is a dramatic problem. In Mozambique,<br />
only 20% of the population has access<br />
to electricity and there are plenty of sugar<br />
mills, which, if they used sugarcane bagasse cogeneration<br />
technologies more effectively, could produce<br />
a surplus of energy that could be distributed in the rural<br />
areas, helping to reduce this energy deficit. Some African countries<br />
are already doing this, such as Kenya and Sudan.<br />
“Acho que pode não<br />
ocorrer um apagão<br />
energético, mas precisamos<br />
das políticas adequadas. Se<br />
continuarmos aumentando<br />
o consumo fica complicado<br />
e essas questões são muito<br />
políticas também”<br />
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What is missing to improve this scenario in Brazil, i.e., increasing<br />
the share of biomass in the national energy matrix?<br />
The auction system does not favor biomass. Many argue regionalized<br />
auctions take into account the issue of logistics and location.<br />
Today, biomass generated here in São Paulo, which is close to<br />
the consuming centers, already competes with wind power being<br />
generated in the Northeast even before taking in all the transmission<br />
costs incurred to transmit the power to the Southeast. It doesn’t<br />
matter that energy produced from wind in Northeast is cheaper<br />
than that produced from biomass, if the final expense is higher because<br />
you have to add the<br />
ta<br />
cost<br />
BIOMAIS.<br />
of the interconnected transmission<br />
system. There must be the same government incentives for all renewable<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
energy sources, right now wind has all of them, while, biomass<br />
and SHPS’s have none. Solar energy is not competitive because<br />
it e-mail: is still very assinatura@revistareferencia.com.br<br />
expensive, so it is only feasible small pilot projects<br />
in the Amazon Region where there are no other competing power<br />
Fone: 0800.600.2038<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 15
entrevista<br />
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fósseis, o que acaba não sendo algo interessante. Mesmo nos<br />
planos do governo que preveem o aumento importante nas renováveis,<br />
na biomassa, por exemplo, a previsão é de multiplicar<br />
ta BIOMAIS.<br />
por 15 a potência instalada, mas se não tiverem as políticas para<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
caminhar desta forma não adianta.<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.com.br<br />
Como está o mercado de cogeração de energia no Brasil?<br />
O problema é Fone: todo de 0800.600.2038<br />
economicidade e de políticas. Poderíamos<br />
atingir patamares muito maiores usando as políticas adequadas.<br />
E como já temos a introdução da colheita de cana crua,<br />
passamos a ter um adicional de biomassa que é a palha da cana.<br />
Apenas 40% a 50% precisam ficar no campo, o resto pode ser<br />
levado para usina aumentando o potencial de energia elétrica<br />
excedente. E para isso também temos tecnologia.<br />
Aprendemos algo com a crise de energia de 2001 e 2002?<br />
Acho que ainda não aprendemos muito<br />
a fazer eficiência enérgica e reduzir o<br />
consumo de energia. Melhoramos<br />
de forma geral, não só as empresas<br />
como a população<br />
também. Aprendemos bastante,<br />
mas ainda se pode<br />
ir mais longe. Inclusive<br />
em situações de maior<br />
dificuldade.<br />
Apesar das negativas<br />
do governo,<br />
existe o risco de apagão<br />
energético no<br />
Brasil?<br />
Essa é uma pergunta<br />
muito difícil porque<br />
depende de uma série de<br />
fatores. Existem respostas<br />
de todos os tipos. Têm especialistas<br />
que acham que pode<br />
existir, mas é uma questão de<br />
racionalizar. Acho que pode não<br />
ocorrer um apagão energético, mas<br />
precisamos das políticas adequadas. Se<br />
continuarmos aumentando o consumo<br />
fica complicado e essas questões são muito<br />
políticas também.<br />
“O sistema<br />
de leilões não favorece<br />
a biomassa. Muitos<br />
defendem os leilões<br />
regionalizados para levar<br />
em conta a questão de<br />
logística e localização”<br />
Para ter acesso a este conteúdo, assine a Revis-<br />
sources. All others have to have the same treatment. All are renewable,<br />
if there is no balance, there ends up being market distortions.<br />
ta BIOMAIS.<br />
One solution would be having exclusive auctions.<br />
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What are the prospects for the demand for energy over the<br />
coming<br />
e-mail:<br />
years<br />
assinatura@revistareferencia.com.br<br />
the Country?<br />
The perspectives of Government plans are for continuous increases,<br />
and investments Fone: are continuing 0800.600.2038<br />
to be made in hydroelectric<br />
power generation, such as the new hydroelectric plants in the Amazon<br />
currently being built, while the government sees thermal generation<br />
from fossil fuels as a complement, which ends up not being<br />
something very interesting. Government plans provide for the significant<br />
increase in the use of renewable sources, such as biomass,<br />
for example, forecast to multiply by 15 times the already installed<br />
capacity, but if policies are not created in this direction, this will not<br />
happen.<br />
How is the market for energy cogeneration in Brazil?<br />
The problem is all in the economic and political feasibility.<br />
Much higher levels could be achieved with the appropriate<br />
policies. With the introduction of raw cane harvesting,<br />
we now have an additional biomass, straw.<br />
Only 40% to 50% needs to remain in the field, the<br />
rest can be transported to a cogeneration plant<br />
increasing the potential for surplus electricity.<br />
And for this, we also have all the necessary technology.<br />
Did we learn anything from the<br />
2001\2002 energy crisis?<br />
I don’t think we have yet learnt to generate<br />
energy efficiently or to reduce energy consumption.<br />
Overall, there has been an improvement, not<br />
just by companies but by the population also. We have<br />
learnt a lot but there is still more to learn. Especially in<br />
more difficult situations.<br />
Despite government denials, do we run the risk of an electric<br />
energy blackout?<br />
This is a very difficult question because it depends on a number<br />
of factors. There are all types of responses. There are experts who<br />
think that it exists, but it will be only a matter of rationing. I don’t<br />
think an energy blackout will occur, but we need more suitable policies.<br />
If we continue increasing consumption, things become complicated.<br />
As well, these issues are also very political.<br />
16<br />
www.revistabiomais.com.br
Quem merece receber o Prêmio Referência <strong>2014</strong>?<br />
Envie sua indicação, com os critérios de sua escolha, para<br />
jornalismo@revistareferencia.com.br<br />
As ações das empresas ou de personalidades que se destacaram durante<br />
o ano serão premiadas!<br />
10 de novembro de <strong>2014</strong><br />
Espaço Torres - Curitiba (PR)
PRINCIPAL<br />
Floresta para<br />
energia<br />
Foto: divulgação<br />
Biomassa florestal tem potencial<br />
para se tornar protagonista na<br />
matriz energética brasileira<br />
18<br />
www.revistabiomais.com.br
Forest for energy<br />
Forest biomass has the potential<br />
to become the protagonist in the<br />
Brazilian energy matrix<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 19
PRINCIPAL<br />
Foto: divulgação<br />
“É possível produzir energia utilizandose<br />
da lignina que é extraída da madeira no<br />
processo de cozimento e da parte sólida<br />
(cascas e lascas) que são geradas durante o<br />
descascamento e picagem das toras”<br />
20<br />
www.revistabiomais.com.br
A<br />
biomassa florestal como fonte de<br />
energia sempre esteve presente na<br />
realidade brasileira e mundial. O uso<br />
pode ser doméstico com fogões à lenha ou comercial<br />
alimentando enormes caldeiras. No Brasil<br />
por volta dos anos 70 o uso dessa fonte se intensificou<br />
e ganhou espaço na matriz energética nacional,<br />
no entanto logo perdeu força. Passados 20<br />
anos, na década de 90, ela apareceu novamente<br />
como uma promissora fonte de energia alternativa.<br />
Com o destaque recebido uma nova expressão<br />
passou a ser usada para denominar a origem<br />
dessa madeira:<br />
a Revista<br />
florestas<br />
BIOMAIS.<br />
energéticas.<br />
De acordo com Mario Sant’Anna Júnior, vice<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
-presidente de florestas energéticas da Ibá (Indústria<br />
Brasileira de Árvores), esse termo está voltado<br />
ao plantio de florestas que destinam os produtos<br />
a uma ou mais rotas com.br de conversão da madeira ou<br />
biomassa para a produção de energia. Ou seja, se<br />
uma floresta Fone: tem uma 0800.600.2038<br />
parte do plantio que resulta<br />
em geração de energia ela pode ser chamada<br />
de floresta energética.<br />
“Atualmente a madeira é um forte componente<br />
na matriz energética brasileira. Setores produtivos<br />
importantes, como a siderurgia e outros segmentos<br />
industriais são altamente dependentes<br />
desse insumo”, analisa Mario.<br />
Muito dessa força da biomassa florestal se<br />
deve às indústrias de celulose. A maioria já tem<br />
como fonte de energia a madeira que não é aproveitada<br />
durante o processo produtivo. “É possível<br />
produzir energia utilizando-se da lignina que é<br />
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e-mail: assinatura@revistareferencia.<br />
F<br />
orest biomass as an energy source has<br />
always been present in Brazilian and global<br />
reality. Its use can be at home in wood<br />
stoves, or commercially, providing fuel for huge<br />
boilers. In Brazil, sometime in the 70’s, the use of this<br />
source intensified and gained ground in the Brazilian<br />
energy matrix; however, it soon lost some of this<br />
ground. After 20 years, in the 90s, it appeared again<br />
as a promising alternative energy source. With the<br />
notice it received, a new expression came to be used<br />
to denote the origin of this wood: energy forests.<br />
According to Mario Sant’Anna Júnior, Vice President<br />
of Energy<br />
a Revista<br />
Forests for<br />
BIOMAIS.<br />
Ibá (Brazilian Industry of<br />
Trees), this term is geared to planted forests that are<br />
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designed to produce products where one or more<br />
uses involves the conversion of the timber or biomass<br />
into energy. That is, if a forest has a part of the<br />
plantation resulting com.br<br />
in power generation, it can be<br />
called an energy forest.<br />
“Currently Fone: timber 0800.600.2038<br />
is a strong component in the<br />
Brazilian energy matrix. Important productive sectors<br />
such as steel making and other industries are<br />
highly dependent on this input,” says Mario.<br />
Much of the strength of forest biomass is due to<br />
pulp manufacturers. Most already use it has as an<br />
energy source by using the timber which is not used<br />
during the manufacturing process. “It is possible to<br />
generate energy using the lignin that is extracted<br />
from the timber during the cooking process, as well<br />
as any solid pieces (bark and slivers) that are generated<br />
during the debarking and chipping.” Power is<br />
generated by combustion in boilers for steam gene-<br />
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e-mail: assinatura@revistareferencia.<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 21
PRINCIPAL<br />
extraída da madeira no processo de cozimento e<br />
da parte sólida (cascas e lascas) que são geradas<br />
durante o descascamento e picagem das toras.” A<br />
energia é gerada por meio de queima em caldeiras<br />
para a geração de vapor, passando por conjuntos<br />
de turbinas e geradores que transformam<br />
o calor em energia elétrica.<br />
Aproveitando esse mercado promissor estão<br />
surgindo empresas que têm a atividade voltada<br />
para o plantio de florestas e venda de cavaco exclusivamente<br />
para a geração de energia.<br />
No Brasil e no Mundo<br />
De acordo com Mario, a biomassa representa<br />
a quarta ter acesso fonte de energia a este em conteúdo,<br />
nível global. “O<br />
Para<br />
Brasil é o terceiro maior usuário de madeira para<br />
assine a Revista BIOMAIS.<br />
energia no mundo. Em primeiro lugar estão Índia<br />
e China respectivamente.”<br />
Ele acredita que o Brasil tem vocação natural<br />
para a produção de florestas energéticas. Características<br />
como abundante disponibilidade de terra,<br />
grande incidência com.br solar, regime de chuvas ideal e,<br />
principalmente, mão de obra qualificada. “Nosso<br />
país tem Fone: buscado 0800.600.2038<br />
inserir tecnologias mais limpas<br />
e sustentáveis na matriz energética. Várias linhas<br />
em desenvolvimento em diferentes instituições<br />
de pesquisa e empresas do setor têm buscado<br />
viabilizar e tornar mais competitiva a transformação<br />
de florestas em energia, com linhas que visam<br />
a compactação de biomassa florestal, a produção<br />
de bio-óleo, celulignina, álcool e outros derivados<br />
de alto valor agregado, que devem promover o<br />
aumento da densidade energética da biomassa.”<br />
O relatório da FAO (Food and Agriculture Organization)<br />
chamado “O Estado das Florestas do<br />
Mundo”, mostra que, ainda em <strong>2014</strong>, uma em<br />
cada três famílias de países em desenvolvimento<br />
utiliza a madeira como principal fonte de combustível<br />
para cozinhar. A mesma publicação tam-<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.<br />
Foto: divulgação<br />
22<br />
www.revistabiomais.com.br
ation, through a series of turbines and generators<br />
that convert heat into electricity.<br />
Taking advantage of a promising market, companies<br />
are emerging that have started planting<br />
forests and selling the chips exclusively for power<br />
generation.<br />
In Brazil and in the World<br />
According to Mario, biomass is the fourth largest<br />
source of energy on a global level. “Brazil is the<br />
third largest user of timber for energy in the world.<br />
The first and second are India and China, respectively.”<br />
He believes that Brazil has for a natural potential<br />
Para for the ter production acesso of energy a este forests, conteúdo,<br />
with features<br />
such as abundant availability of land, abundant<br />
assine a Revista BIOMAIS.<br />
sunlight, an ideal rainfall regime, and especially, a<br />
skilled labor force. “Our country has sought to use<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
cleaner and more sustainable technologies in the<br />
energy matrix. Several lines are being developed by<br />
different research institutions and companies in the<br />
industry searching for com.br ways to become more competitive<br />
and enable the transformation of forests<br />
into energy, Fone: especially 0800.600.2038<br />
as to compaction of forest<br />
biomass, the production of bio-oil, cellulignin, alcohol<br />
and other high added value derivatives, which<br />
could increase the energy density of biomass.”<br />
The report of the FAO (Food and Agriculture Organization)<br />
called “The State of the World’s Forests”,<br />
showed that even in <strong>2014</strong>, one in three households<br />
in developing countries use wood as the main source<br />
of cooking fuel. The same publication also cites<br />
that energy from wood provides more than half of<br />
the total available energy in 29 countries worldwide.<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.<br />
Foto: divulgação<br />
Compensating<br />
Mario Sant’Anna insists and ensures us that<br />
this energy matrix is compensating. He even cites<br />
an article by Ederson Augusto Zanetti, Embrapa Fo-<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 23
PRINCIPAL<br />
Hidrólise<br />
Reação de quebra de ligação química de uma molécula<br />
com a adição de uma molécula água. Nessa reação ocorre<br />
a quebra da molécula de água em íons de hidrogênio (H+)<br />
e hidroxila (oH–) que se ligam às duas moléculas<br />
resultantes da quebra.<br />
Processo que transforma combustíveis sólidos ou líquidos<br />
em uma mistura de gases, chamada gás de síntese. este<br />
gás pode ser queimado diretamente e até transformado<br />
em combustíveis líquidos. Utiliza-se como matéria-prima<br />
materiais geralmente ricos em carbono.<br />
Pirólise<br />
Reação de análise ou decomposição que ocorre pela ação<br />
de altas temperaturas. Acontece uma ruptura da estrutura<br />
molecular original de um determinado composto pela<br />
ação do calor em um ambiente com pouco ou nenhum<br />
oxigênio. Por exemplo: carbonização.<br />
Combustão<br />
Geração de energia por meio da queima da<br />
madeira. seja ela em toras, cavaco, pellets, etc.<br />
Dessa reação é liberado calor e luz<br />
24<br />
www.revistabiomais.com.br
ém cita que a energia proveniente da madeira<br />
proporciona mais da metade da disponibilidade<br />
total de energia em 29 países no mundo.<br />
Compensa<br />
Mario Sant’Anna é taxativo e garante que essa<br />
matriz energética compensa. Ele inclusive cita um<br />
artigo feito por Ederson Augusto Zanetti, da Embrapa<br />
Florestas, no qual foi feita uma comparação<br />
entre o balanço energético do milho cultivado<br />
nos EUA (Estados Unidos da América), da beterraba<br />
da Alemanha, da cana de açúcar brasileira<br />
e do eucalipto bentamii plantado no Brasil. Esse<br />
último superou todos os demais em capacidade<br />
de gerar energia por meio da queima, inclusive a<br />
cana-de-açúcar. Para ter acesso a este conteúdo,<br />
Pesquisas divulgadas pelo Instituto de Economia<br />
Agrícola assine do a Estado Revista de São BIOMAIS.<br />
Paulo mostraram<br />
que o custo de produção de uma unidade energética<br />
da madeira é de R$ 7,05 enquanto o da<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
cana é de R$ 13,33, quando se consideram as produtividades<br />
de 80 t/ha/ano (toneladas por hectare<br />
ao ano) de cana e 24 t/ha/ano de eucalipto.<br />
com.br<br />
Paulo Moraes, diretor da FL Florestal, acrescenta<br />
que Fone: além do 0800.600.2038<br />
eucalipto o pinus também é<br />
bastante utilizado. “Até mesmo árvores nativas de<br />
florestas plantadas podem ser matéria-prima.”<br />
Já falando em regiões do Brasil que têm mais<br />
incidência de florestas energéticas Paulo e Mario<br />
concordam que é Minas Gerais. “O Estado possui<br />
a maior área de florestas plantadas do Brasil, com<br />
pouco mais de 22% da área brasileira”, esclarece o<br />
vice-presidente.<br />
O que dificulta o processo, segundo o vice<br />
-presidente, é o campo econômico no que diz respeito<br />
ao custo de colheita e transporte de madeira.<br />
“Nos EUA a distância máxima entre a biomassa<br />
e a planta de produção de energia que a consome<br />
não pode ser superior a 80 km (quilômetros) para<br />
que a operação seja economicamente viável.” Ele<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.<br />
rests, in which a comparison was made between the<br />
energy balance of corn grown in the USA, beets in<br />
Germany, sugarcane in Brazil and eucalyptus bentamii<br />
planted in Brazil. The latter exceeded all others<br />
in ability to generate power by burning, including<br />
sugarcane.<br />
Research published by the State of São Paulo<br />
Institute of Agricultural Economics showed that the<br />
cost of producing one unit of energy from timber<br />
is R$ 7.05 while from cane, it is R$ 13.33, when you<br />
consider the productivity of 80 mt/ha/year for sugarcane<br />
and 24 mt/ha/year for eucalyptus.<br />
Paulo Moraes, director of FL Florestal, adds that<br />
as well as eucalyptus, pine is also widely used. “Even<br />
planted native forests can be used for raw material.”<br />
Para When ter talking acesso about which a este region conteúdo,<br />
in Brazil has<br />
the highest incidence of energy forests, both Paulo<br />
and Mario assine agree a that Revista it the State BIOMAIS.<br />
of Minas Gerais.<br />
“The State has the largest area of planted forests in<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
Brazil, with just over 22% of the total planted area,”<br />
says the vice president.<br />
What complicates the process, according to the<br />
Ibá Vice President, is the economics with respect<br />
com.br<br />
to timber harvesting and transportation costs. “In<br />
the United Fone: States, the 0800.600.2038<br />
maximum distance between<br />
the biomass and the energy generation plant that<br />
consumes the biomass cannot exceed 80 km for the<br />
operation to remain economically viable.” He explains<br />
that in Brazil this does not occur.<br />
Another problem pointed out by Mario is the<br />
lack of Government investment. “Despite its proven<br />
potential, forest biomass does not receive the necessary<br />
attention from the Government in the design of<br />
the Brazilian energy matrix.” He believes that given<br />
the current energy crisis, the low production costs of<br />
forest biomass, as a result of high productivity, show<br />
that is necessary to rethink the use of timber as an<br />
energy source. Even with the Government’s efforts<br />
to diversify sources, priority is given to hydropower<br />
and wind power at the expense of thermal energy<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 25
PRINCIPAL<br />
PROJETO FLORESTAS<br />
ENERGÉTICAS<br />
A Embrapa Florestas criou o<br />
projeto Florestas Energéticas, com<br />
o pensamento de que o uso de<br />
biomassa para energia pode ser<br />
melhorado e potencializado e é<br />
preciso investir em pesquisa<br />
científica.<br />
Seu objetivo é desenvolver,<br />
otimizar e viabilizar alternativas ao<br />
uso de fontes energéticas<br />
tradicionais não-renováveis por<br />
meio da biomassa de plantações<br />
florestais de forma sustentável.<br />
Estruturar, nas diversas regiões do país,<br />
populações de espécies florestais para<br />
oferta de germoplasma com tecnologias<br />
silviculturais apropriadas e necessárias<br />
à expansão de plantios de florestas<br />
para a produção de biomassa<br />
em quantidade e qualidade apropriadas<br />
para uso energético;<br />
Desenvolver, otimizar e viabilizar<br />
alternativas de uso da biomassa florestal,<br />
como fonte renovável, para diversificar<br />
a matriz energética nacional<br />
de forma sustentável;<br />
Obter produtos de alto valor agregado<br />
da biomassa florestal, destinados à geração<br />
de energia, por meio do aprimoramento de<br />
tecnologias ou ajustes de processos para<br />
a obtenção de um extrato enzimático rico de<br />
atividade celulólitica e seu efeito na hidrólise<br />
de uma matriz lignocelulosica pré-tratada,<br />
pirólise, acidólise e oxidação parcial<br />
utilizando a mesma matriz;<br />
Efetuar estudos sobre a viabilidade,<br />
competitividade e sustentabilidade das cadeias<br />
produtivas de plantios florestais energéticos,<br />
bem como dos coprodutos resultantes<br />
na obtenção de biocombustíveis.<br />
O projeto "Florestas Energéticas" é multi-institucional<br />
e conta com a participação de cerca de 70 empresas<br />
públicas e privadas de todo país lideradas pela<br />
Embrapa Florestas, Esalq/USP (Escola Superior de<br />
Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São<br />
Paulo), Embrapa Meio Ambiente e Embrapa<br />
Agroindústria de Alimentos.<br />
26<br />
www.revistabiomais.com.br
explica que no Brasil isso não acontece.<br />
Outro problema apontado por Mario é a falta<br />
de investimento do governo. “Apesar do seu<br />
comprovado potencial, a biomassa florestal não<br />
recebe do governo a atenção necessária na concepção<br />
da matriz energética brasileira.” Ele acredita<br />
que diante da atual crise de energia os baixos<br />
custos de produção da biomassa florestal, decorrentes<br />
da alta produtividade, mostram que é<br />
necessário repensar o uso da madeira como fonte<br />
de energia. Mesmo com as iniciativas do governo<br />
de diversificação da matriz energética, existe uma<br />
priorização para a energia hidroelétrica e eólica<br />
em detrimento da termoelétrica a biomassa.<br />
O setor de florestas energéticas, apesar de<br />
seus atributos positivos, enfrenta diversos entraves<br />
para seu crescimento, tais como altos impostos<br />
e taxas, falta de incentivos de curto, médio e<br />
longo prazos, processos de licenciamento ambiental<br />
Para excessivamente ter acesso a morosos este conteúdo,<br />
e burocráticos,<br />
resultando em custos com significativa tendência<br />
de aumento.<br />
assine a Revista BIOMAIS.<br />
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e-mail: assinatura@revistareferencia.<br />
Espécies<br />
De acordo com Mario, uma característica essencial<br />
da biomassa utilizada como fonte de energia<br />
é o poder calorífico. com.br Esse parâmetro define a<br />
quantidade de energia térmica que se libera durante<br />
a combustão Fone: 0800.600.2038<br />
completa de uma unidade de<br />
massa ou de volume de combustível. São vários<br />
os fatores que podem influenciar a produção de<br />
biomassa para bioenergia, como a escolha da espécie,<br />
manejo, adubação, espaçamento e o ciclo<br />
de corte da cultura.<br />
Diferentes espécies e seus híbridos podem ser<br />
utilizados para formação de florestas energéticas.<br />
O setor siderúrgico, por exemplo, trabalha com<br />
plantios do gênero eucalipto em que predominam<br />
as espécies Eucalyptus urophylla, Eucalyptus<br />
grandis e seus híbridos. “Espécies como o Eucalyptus<br />
camaldulensis, Eucalyptus tereticornis, Eucalyptus<br />
pellita, entre outros, podem agregar qualidade<br />
à madeira como crescimento, densidade, resistência<br />
a pragas e doenças e tolerância ao déficit<br />
hídrico”, aponta vice-presidente de florestas energéticas<br />
da Ibá. Novos esforços com intuito de utilização<br />
em nível comercial do gênero Eucalyptus<br />
corimbia têm sido empreendidos devido às caracfrom<br />
biomass.<br />
The energy forest sector, despite, its positive<br />
attributes, faces several barriers to growth, such as<br />
high taxes, lack of short, medium and long-term<br />
incentives, and lengthy and bureaucratic environmental<br />
licensing processes, resulting in significantly<br />
upward trending costs.<br />
Species<br />
According to Mario, an essential feature of the<br />
biomass used as an energy source is the calorific<br />
value. This parameter defines the amount of thermal<br />
energy that is released during the complete<br />
combustion of a unit mass or volume of fuel. There<br />
are several factors that can influence the production<br />
of biomass for bioenergy, such as the choice<br />
of species, management, fertilization, spacing and<br />
harvesting cycle.<br />
Different species, and hybrids thereof, may be<br />
used Para for the ter formation acesso of a energy este forests. conteúdo, The steel<br />
industry, for example, works with Eucalyptus genus<br />
plantations assine a where Revista the predominate BIOMAIS. species are<br />
E. urophylla, E. grandis and their hybrids. “Species<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
such as E. camaldulensis, E. tereticornis, and E. pellita,<br />
amongst others, can add quality to the timber as<br />
to growth, density, resistance to pests and diseases,<br />
and tolerance to drought,” com.br says the Ibá Vice President<br />
of Energy Forests. New efforts aimed at using<br />
the genus Fone: E. corimbia 0800.600.2038<br />
at a commercial level have<br />
been undertaken due to the characteristics of productivity<br />
and density, with good tolerance to drought<br />
and emerging pests.<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.<br />
Energy<br />
Uses for energy generated by forest biomass<br />
are diverse: from firewood to supply homes, farms<br />
and small industries to the production of bio-oil,<br />
briquettes and charcoal. “There are different routes<br />
for converting forest products into energy, such as<br />
combustion, gasification, pyrolysis or hydrolysis,”<br />
explains Mario.<br />
He states that combustion is very much used<br />
predominately over other methods of conversion of<br />
timber into energy. “You can get a range of products<br />
that generate different types of energy, e.g. steam,<br />
heat, electricity, gas, fuel, methane, coal, fuel oil and<br />
ethanol.”<br />
The charcoal, also known as a bio-reducer, is the<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 27
PRINCIPAL<br />
terísticas de produtividade e densidade, com uma<br />
boa tolerância à seca e às pragas emergentes.<br />
Energia<br />
Os usos da energia gerada pela biomassa florestal<br />
são diversos: desde lenha para abastecimento<br />
de residências, propriedades rurais e pequenas<br />
indústrias até produção de bio-óleo, briquetes e<br />
carvão vegetal. “Existem diferentes rotas que permitem<br />
converter produtos florestais em energia,<br />
como combustão, gaseificação, pirólise ou hidrólise”,<br />
explica Mario.<br />
Ele afirma que a combustão apresenta-se com<br />
absoluto predomínio sobre as demais rotas de conversão<br />
da madeira em energia. “É possível obter<br />
uma gama de produtos que geram energia nessas<br />
diferentes Para ter rotas, acesso como por a este exemplo, conteúdo,<br />
vapor, calor,<br />
eletricidade, gás combustível, metano, carvão, óleo<br />
combustível assine e etanol.” a Revista BIOMAIS.<br />
O carvão vegetal, conhecido também como<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
biorredutor, é o principal uso da energia florestal.<br />
“O Brasil é hoje o maior produtor mundial de biorredutor,<br />
com sua produção destinada principalmente<br />
às indústrias de ferro<br />
com.br<br />
gusa, aço e ferroligas”, exalta<br />
Mario. Ele entende que esse é um diferencial brasileiro,<br />
que tem Fone: uma alternativa 0800.600.2038<br />
genuína à siderurgia.<br />
O reflorestamento e as florestas voltadas para fins<br />
energéticos cumprem um papel importante que<br />
reduz a pressão sobre as florestas nativas.<br />
Para a geração elétrica Paulo explica que o<br />
meio de produção é exatamente igual ao da canade-açúcar.<br />
A madeira é queimada em uma caldeira<br />
e o vapor proveniente dessa queima movimenta a<br />
turbina geradora de energia.<br />
Em números o diretor da FL Florestal estima<br />
que as florestas de Minas Gerais têm capacidade<br />
energética de 7 mil MW (megawatts). “É claro que<br />
as florestas ali plantadas são destinadas para os<br />
mais diversos fins, e estes números somente ilustram<br />
o potencial, mas outros fatores limitariam esta<br />
estimativa, como logística de transporte, local de<br />
instalação de termelétricas, uso do eucalipto para<br />
carvão, por exemplo.”<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.<br />
“Atualmente a madeira<br />
é um forte componente<br />
na matriz energética<br />
brasileira. Setores<br />
produtivos importantes,<br />
como a siderurgia e outros<br />
segmentos industriais são<br />
altamente dependentes<br />
desse insumo”<br />
main use of forest energy. “Brazil is now the world’s<br />
largest producer of bio-reducers, with its production<br />
destined mainly to the pig iron, steel and ferroalloy<br />
industries,” exalts Mario. He understands that this is<br />
a difference in Brazil, which provides a genuine alternative<br />
for steel making. Reforestation and planted<br />
forests Para geared ter acesso for energy play a este an important conteúdo, role in reducing<br />
pressure on native forests.<br />
As assine to electrical a Revista power generation, BIOMAIS. FL Floresta Director<br />
Paulo explains that the means of production<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
exactly the same as that for cane sugar. The wood<br />
is burned in a boiler and the resulting steam coming<br />
from this boiler drives a combustion turbine, generating<br />
energy.<br />
com.br<br />
In numbers, the FL Florestal director estimates<br />
that the forests Fone: in the 0800.600.2038<br />
State of Minas Gerais have a<br />
power generation capacity of 7,000 MW. “It is clear<br />
that the planted forests in the State are intended for<br />
other purposes, and these numbers only illustrate the<br />
potential, but other factors also limit this estimate,<br />
such as transport logistics, location of thermal plants,<br />
use of eucalyptus for charcoal, for example.”<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.<br />
28<br />
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Fotos: Portal da Copa<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 31
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32<br />
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A<br />
Copa do Mundo <strong>2014</strong> já acabou e o que fica para<br />
nós brasileiros são as lembranças do mundial e<br />
os tão comentados legados. Em Belo Horizonte<br />
não foram só as obras de mobilidade urbana que chamaram<br />
atenção dos moradores. Com capacidade para mais de<br />
62 mil pessoas o estádio Governador Magalhães Pinto, ou<br />
Mineirão como é popularmente conhecido, se destaca pela<br />
capacidade de gerar energia.<br />
Com a instalação de seis mil módulos fotovoltaicos a<br />
usina do Mineirão tem uma potência instalada de 1,42 MWp<br />
(Megawatts-pico). Toda a energia produzida é injetada na<br />
rede de distribuição da Cemig (Companhia Energética de<br />
Minas Gerais) e consegue abastecer aproximadamente 900<br />
residências de médio porte.<br />
Para que a eletricidade chegue à rede de transmissão foi<br />
construída uma subestação de alimentação situada dentro<br />
do estádio. De toda a energia produzida, 10% serão utilizados<br />
pela Cemig e o restante abastecerá o próprio complexo.<br />
Modelo alemão<br />
Para A iniciativa ter acesso de instalar a este uma central conteúdo, geradora assine de energia a<br />
a partir dos raios do sol no Mineirão foi inspirada nos estádios<br />
de Freiburg, Revista considerada BIOMAIS.<br />
a capital solar da Alemanha,<br />
e de Berna, na Suíça, além de outros estádios solares construídos<br />
para a Eurocopa 2008.<br />
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No Mineirão, a usina começou a ser montada em dezembro<br />
de 2012, com os trabalhos de preparação e impermeabilização<br />
Fone:<br />
da cobertura<br />
0800.600.2038<br />
para a montagem das estruturas<br />
metálicas de suporte das placas fotovoltaicas. A usina<br />
contribuirá para que o estádio seja reconhecido como uma<br />
edificação sustentável e obtenha a certificação de Green<br />
Building.<br />
“A instalação da usina solar do Mineirão honra um calendário<br />
de ações sustentáveis implementadas na obra de<br />
modernização do estádio desde as primeiras demolições<br />
até os dias de hoje. É um privilégio ter em funcionamento a<br />
primeira usina solar dos estádios da Copa de <strong>2014</strong>”, destaca<br />
Tiago Lacerda, secretário da Secopa (Secretaria Municipal<br />
Extraordinária da Copa do Mundo <strong>2014</strong>).<br />
O projeto de solarização do Mineirão foi elaborado pelo<br />
Ideal (Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas<br />
na América Latina) e pela Ufsc (Universidade Federal<br />
de Santa Catarina), com execução da Cemig e autorização<br />
da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).<br />
A Cemig planeja implementar ainda um sistema fotovoltaico<br />
no Mineirinho, ginásio anexo ao estádio, que terá<br />
potência de gerar 1,1 MWp. O processo está em fase de elaboração<br />
de edital.<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.com.br<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 33
empresa<br />
A pequena usina de geração aproveita<br />
a localização da Câmara: o prédio está<br />
situado à beira-mar<br />
34<br />
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Vento a<br />
beira-mar<br />
Turbina eólica fornece parte da energia consumida<br />
pela Câmara Municipal de cidade catarinense<br />
Fotos Divulgação<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 35
empresa<br />
D<br />
urante uma reforma na Câmara Municipal de São José (SC), em<br />
2009, os vereadores tiveram a iniciativa de tornar o prédio sustentável.<br />
Além de ações como recuperar água da chuva e fazer<br />
o uso de claraboias para aumentar a luminosidade natural, o ponto alto<br />
do projeto foi a instalação de uma turbina para geração de energia eólica.<br />
Além da economia o enorme cata-vento mostra a todos que passam em<br />
frente à Casa de Leis que é viável fazer uso de fontes sustentáveis.<br />
O vereador Amauri Valdemar da Silva, que era presidente do Legislativo<br />
na época da reforma, conta que a pequena usina de geração aproveita<br />
a localização da Câmara: o prédio está situado à beira-mar, no centro histórico<br />
de São José, local alvo de constantes ventos. “Ao pesquisar encontramos<br />
um fornecedor aqui da grande Florianópolis (SC) mesmo. Então<br />
conseguimos encaixar no orçamento”, ressalta o vereador. Ele estima que<br />
na Para época ter foram acesso gastos R$ a 28 este mil com conteúdo, a compra dos assine materiais a necessários Revista<br />
e a instalação.<br />
O equipamento pode produzir BIOMAIS. mais de 500 kWh (quilowatts por hora)<br />
de energia limpa por mês mesmo com rajadas de vento consideradas fracas<br />
para a região,<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
de 6,5 m/s (metros por segundo). Amauri explica que a<br />
turbina eólica não supre toda a necessidade do edifício. “A empresa nos<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.com.br<br />
prometeu abastecer 20% do total, mas estimamos que a realidade seja de<br />
15%”. O aerogerador instalado ao lado do prédio catarinense é similar ao<br />
Fone: 0800.600.2038<br />
que funciona na Casa Branca, sede do governo dos EUA (Estados Unidos<br />
da América), em Washington.<br />
Por ser uma projeto inovador ele foi fonte de estudos da Ufsc (Universidade<br />
Federal de Santa Catarina). A intenção era avaliar a produtividade<br />
e viabilidade da fonte de energia. De acordo com o vereador, uma equipe<br />
composta por professores e alunos fez um levantamento de dados junto<br />
ao Ministério da Agricultura para colher informações sobre os ventos da<br />
região. A pesquisa concluiu que seria mais interessante trocar a turbina de<br />
lugar e instalá-la no telhado do prédio, assim ela receberia rajadas maiores<br />
e teria a capacidade produtiva aumentada.<br />
Entretanto Amauri ressalta que a iniciativa teve como maior objetivo<br />
apresentar outra fonte de energia para a cidade. “Uma semente foi plantada<br />
na época e o mais importante foi criar uma questão educacional. Nossa<br />
intenção foi fazer com que as pessoas se preocupassem com outras fontes<br />
de energia. Essa tarefa foi cumprida.”<br />
36<br />
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“Uma semente foi<br />
plantada na época e o<br />
mais importante foi criar<br />
uma questão educacional.<br />
Nossa intenção foi fazer<br />
com que as pessoas se<br />
preocupassem com outras<br />
fontes de energia. Essa<br />
tarefa foi cumprida”<br />
Para realizar um processamento apropriado da Biomassa o mais importante é o<br />
equipamento correto, a Nicoletti Picadores localizada na cidade de Itapetininga/SP<br />
tem os melhores equipamentos para desenvolver o serviço. Picadores a<br />
tambor ideal para produção de biomassa a partir de cascas de pinus, eucaliptos,<br />
resíduos florestais, resíduos de construção civil e restos de serraria.<br />
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processo<br />
Solução<br />
compactada<br />
Resultado do processo de secagem e prensagem<br />
de serragem, os briquetes garantem alto poder<br />
calorífico para produção de energia<br />
Fotos Divulgação<br />
38<br />
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U<br />
m dos quesitos mais importantes para que<br />
o uso de determinada biomassa seja viável<br />
é a logística e o poder calorífico que ela<br />
reúne, ponto forte do resíduo madeireiro compactado.<br />
O briquete é um dos preferidos por diversas<br />
indústrias. Nesta reportagem detalhamos como é a<br />
produção de combustível e mostramos porque ele é<br />
tão requisitado. Revista BIOMAIS.<br />
O nome vem de um processo chamado briquetagem<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
no qual os restos de madeira, pó de madeira,<br />
serragem, são compactados em uma pressão muito<br />
elevadas até a formação de toras de tamanho padronizado<br />
dando origem aos briquetes.<br />
Considerado Fone: lenha 0800.600.2038<br />
de qualidade, os briquetes são<br />
produzidos a partir da compactação de resíduos lignocelulósicos<br />
utilizando pressão e temperatura. Por<br />
meio da briquetagem consegue-se um combustível<br />
com maior homogeneidade granulométrica, maior<br />
densidade e resistência à geração de finos.<br />
Para ter acesso a este conteúdo, assine a<br />
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Com formato cilíndricos ou poligonais, com volumes<br />
geralmente variáveis entre 0,8 cm³ (centímetro<br />
cúbico) e 30 cm³ cada, os briquetes podem substituir<br />
a lenha em instalações que utilizam esta como fonte<br />
energética, principalmente para uso industrial.<br />
De acordo com o presidente da AbibBrasil (Associação<br />
Brasileira das Indústrias de Biomassa e Energia<br />
Renovável), Celso Revista Oliveira, BIOMAIS.<br />
este produto possui diversas<br />
vantagens. “O briquete é o combustível sólido<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
limpo que existe no mercado, sua combustão libera<br />
pouco CO 2<br />
, além de que os preços dos briquetes<br />
têm um custo menor do que no preço de outros tipos<br />
de combustíveis”, garante.<br />
Para ter acesso a este conteúdo, assine a<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.com.br<br />
Fone: 0800.600.2038<br />
Produção<br />
Na fabricação de briquete, as matérias-primas<br />
podem variar de serragem, maravalha, bagaço de<br />
cana-de-açúcar, entre outros. O diâmetro do briquete<br />
quando feito a partir de madeira para queima em<br />
“O briquete é o<br />
combustível sólido mais<br />
limpo que existe no<br />
mercado, sua combustão<br />
libera pouco CO2,<br />
além de que os preços<br />
dos briquetes têm um<br />
custo menor do que no<br />
preço de outros tipos de<br />
combustíveis”<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 39
processo<br />
VANTAGENS DOS BRIQUETES<br />
• O briquete é o combustível sólido mais limpo que existe no mercado;<br />
• Possui uma umidade extremamente reduzida, permitindo que a<br />
combustão seja mais eficiente e libere menos CO 2<br />
;<br />
• Não há necessidade de cortar árvores para a produção de briquete,<br />
pois a matéria-primeira utilizada é o resíduo florestal;<br />
• O preço dos briquetes tem um custo menor do que os preços de outros<br />
tipos de combustíveis;<br />
• O armazenamento do briquete é seguro, porque não possuem os riscos<br />
associados ao gás e o petróleo e não há fugas nem perigo de explosão.<br />
caldeiras, fornos e lareiras é de 70 mm (milímetro) a<br />
100 mm e com comprimento de 250 mm a 400 mm.<br />
Existem também os briquetes de 28 a 65 mm que são<br />
usadas em estufas, fogões com alimentação automática,<br />
grelhas e a churrasqueiras, Revista BIOMAIS.<br />
etc.<br />
A produção do briquete é realizada por um equipamento<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
mecânico denominado prensa briquetadeira<br />
de pistão, geralmente movido a motor elétrico e<br />
pesando e-mail: de assinatura@revistareferencia.<br />
6 a 10 t (toneladas). O equipamento possui<br />
uma bica superior por onde entra a serragem seca,<br />
uma câmara intermediária<br />
com.br<br />
para onde a serragem é<br />
conduzida por um motorredutor de eixo vertical em<br />
Fone: 0800.600.2038<br />
hélice. Na câmara de briquetagem a serragem é comprimida<br />
a elevadas pressões e passa por um guia de<br />
resfriamento horizontal externa.<br />
Para ter acesso a este conteúdo, assine<br />
No trajeto entre a serragem vinda do pátio e o briquete<br />
já entregue na fornalha do consumidor, existe<br />
o fluxo do produto em sua cadeia, que pode ser caracterizado<br />
em 11 etapas. Entre elas estão: o transporte<br />
e serragem a Revista para o peneiramento; BIOMAIS. transporte dos<br />
retalhos para cominuição; transporte da serragem<br />
fragmentada HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
para o peneiramento; peneiramento da<br />
serragem. O material é então conduzido ao secador<br />
e-mail: rotativo, onde assinatura@revistareferencia.<br />
entra com umidade entre 20% e 55% e<br />
sai entre 8% a 15%. É realizada a secagem e separação<br />
das partículas por meio<br />
com.br<br />
de um ciclone, o descarregamento<br />
da serragem seca e peneirada no depósito<br />
Fone: 0800.600.2038<br />
situado entre a exaustão e a briquetadeira. Após o<br />
resfriamento os briquetes são embalados e armazenados<br />
na sala de expedição.<br />
Para ter acesso a este conteúdo, assine<br />
40<br />
www.revistabiomais.com.br
No<br />
Brasil<br />
uma das primeiras iniciativas de utilização industrial do processo de<br />
briquetagem ocorreu no início da década de 60 na Csbm (Companhia<br />
Siderúrgica Belgo Mineira), na usina de João Monlevade, em Minas<br />
Gerais, com a instalação de um equipamento da empresa alemã<br />
Humboldt, para briquetagem de finos de carvão vegetal.<br />
CURIOSIDADES<br />
a Companhia Brasileira de Briquetes, situada em Mateus Lemes (MG),<br />
iniciou as atividades de prestação de serviços de briquetagem, principalmente<br />
de finos de carvão vegetal, com uma máquina de fabricação<br />
japonesa, para uso doméstico e na siderurgia, em fornos Cubilot.<br />
Em<br />
1965<br />
CBI<br />
®<br />
Magnum Force 5400<br />
“DURO DE MATAR 2”<br />
“DURO DE MATAR 2”<br />
CBI Magnum Force 5400 na MTL Reciclagem de Madeira em São Paulo<br />
www.cbidobrasil.com<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 41
ESPECIAL<br />
Bons Ventos<br />
42<br />
www.revistabiomais.com.br
Mesmo com produção recente, a energia eólica já se<br />
tornou a segunda fonte mais competitiva a integrar a<br />
matriz energética nacional. Avanço tecnológico, qualidade<br />
do vento brasileiro e a crise energética de 2001 foram os<br />
principais fatores que fizeram o governo olhar com mais<br />
atenção para o poder dos ventos<br />
Fotos Divulgação<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 43
ESPECIAL<br />
N<br />
ão é de hoje que a força do vento é usada<br />
para produzir energia. Um dos exemplos<br />
mais antigos são os moinhos, ícones dos<br />
Países Baixos, mas utilizados desde a Antiguidade.<br />
A energia eólica era transformada em mecânica e<br />
destinada à moagem de grãos e bombeamento de<br />
água. No mundo moderno, o uso desse tipo de fonte<br />
natural passou ser comercialmente viável a partir de<br />
meados da década de 1990, principalmente nos países<br />
da Europa. Apesar do custo extremamente alto<br />
na época, o continente não tinha muitas opções. Já<br />
o Brasil vive a um Revista cenário diferente. BIOMAIS. Possui grande disponibilidade<br />
de recursos para geração de energia e<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
a eólica vem crescendo a índices impressionantes<br />
não por imposição, mas por ser competitiva.<br />
Na última década a energia eólica ganhou atenção<br />
especial do governo brasileiro por ser renovável,<br />
com.br<br />
limpa e apresentar um custo cada vez mais atrativo.<br />
O princípio<br />
Fone:<br />
da energia<br />
0800.600.2038<br />
eólica no país começou devagar,<br />
primeiro engatinhou, depois, com a considerável<br />
ajuda do Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes<br />
Alternativas), deu os primeiros passos. Por mais<br />
contraditório que possa parecer outro belo empurrão<br />
ao setor veio por causa de crises. A energética<br />
de 2001, que mostrou ser necessário ampliar as fontes<br />
da matriz nacional, e a econômica que atingiu<br />
a Europa em 2009, e fez com que os fabricantes de<br />
aerogeradores enxergassem no Brasil um mercado<br />
Para ter acesso a este conteúdo, assine<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.<br />
em potencial. Assim a energia eólica se tornou a segunda<br />
fonte mais competitiva.<br />
“O Brasil sempre produziu energia a partir de<br />
fontes hidroelétricas, que já são renováveis. No final<br />
dos anos 90, tivemos alguns investimentos em<br />
termoelétricas que eram utilizadas apenas para a<br />
segurança do sistema. As primeiras tentativas com<br />
eólica aqui não deram certo primeiro pela questão<br />
da competitividade e segundo pelo fato de não<br />
precisarmos muito dessa hipótese. O Brasil nunca<br />
enfrentou o a problema Revista de dependência BIOMAIS. enérgica, diferente<br />
da Europa que tinha uma produção de energia<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
dependente dos combustíveis fósseis e consequentemente<br />
dos países exportadores de petróleo”,<br />
e-mail:<br />
contextualiza<br />
assinatura@revistareferencia.<br />
a presidente executiva da Abeeólica<br />
(Associação Brasileira de Energia Eólica), Elbia Melo.<br />
com.br<br />
Desde os anos 2000, a Europa segue fazendo os<br />
investimentos em fontes renováveis, mesma época<br />
Fone: 0800.600.2038<br />
na qual o Brasil passou por uma crise de suprimento<br />
de energia, em 2001 e 2002, quando ocorreu inclusive<br />
o programa de redução de consumo, mas sem<br />
cortes à população. Nessa experiência percebeu-se<br />
que o país precisava começar a olhar para outras<br />
fontes de geração de energia para aumentar a segurança,<br />
uma vez que os reservatórios hidroelétricos<br />
estavam se tornando mais escassos para atender<br />
ao crescimento da demanda. “Foi nesse momento<br />
que nasceu o primeiro programa de subsídio que<br />
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Energia eólica: Vantagens e oportunidades<br />
Demanda nacional de energia<br />
Capacidade instalada<br />
Potencial de geração<br />
Custo médio<br />
126 GW<br />
4.8 GW<br />
350 GW<br />
r$ 130 MW/h<br />
44<br />
www.revistabiomais.com.br
contemplava também a fonte eólica, o Proinfa. Na<br />
ocasião se contratou a energia eólica a um custo de<br />
R$ 320 por MW/h (megawatt/hora), enquanto eram<br />
pagos 60 MW/h para hidroelétrica”, compara Elbia.<br />
Do Proinfa foi criado o primeiro parque para<br />
a geração de energia eólica localizado em Osório<br />
(RS,) que entrou em operação em 2006, com a contratação<br />
de 1300 MW. Em 2009, tendo em vista os<br />
fortes investimentos que aconteceram na Europa<br />
destinados a esta tecnologia, a fonte tornou-se mais<br />
competitiva e o custo de investimento mais baixo.<br />
As torres que eram de 50 m (metros) passaram a ter<br />
100 m e as máquinas que eram de menos de 1 MW<br />
de potência atingiram 1.6 MW, o que aumentou a<br />
produtividade do parque eólico tornando o custo<br />
de produção menor.<br />
“Em 2009 teve início o que chamamos de fase<br />
competitiva da fonte eólica no Brasil, quando foi realizado<br />
o primeiro leilão no qual foram contratados<br />
1.8 GW (gigawatt) a um preço de mais ou menos<br />
R$ 180, muito a Revista menor do BIOMAIS.<br />
que os primeiros R$ 320<br />
pagos no Proinfa. Depois disso vários leilões foram<br />
realizados. HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
Em 2010 tivemos dois leilões, que foram<br />
contratados 2 GW, já ao preço de R$ 150. O limite<br />
e-mail: de preço ocorreu assinatura@revistareferencia.<br />
em 2011 com a contratação de 2,7<br />
GW, recorde de contratação até o momento, ao preço<br />
de R$ 100 por MW/h.<br />
com.br<br />
Esse cenário fez com que a<br />
fonte eólica se tornasse a segunda mais competitiva.<br />
Hoje é vendida em média por R$ 130 o MW/h”,<br />
Fone: 0800.600.2038<br />
calcula Elbia.<br />
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Competitividade<br />
A Ccee (Câmara de Comercialização de Energia<br />
Elétrica) é responsável pela comercialização de<br />
energia elétrica no mercado brasileiro. A energia<br />
proveniente de fonte eólica pode ser vendida por<br />
meio do Proinfa e dos leilões do ACR (Ambiente<br />
de Contratação Regulada) e do ACL (Ambiente de<br />
Contratação Livre). Esse modelo de leilões é um dos<br />
fatores que faz com que a fonte eólica no Brasil seja<br />
muito mais competitiva do que na Europa, onde o<br />
modelo de contratação se dá por meio de subsídios.<br />
Até o momento, a energia eólica foi contratada<br />
em 11 leilões, sendo quatro deles LER (Leilão de<br />
Energia de Reserva) - cujo o objetivo é elevar o patamar<br />
de segurança no fornecimento de energia elétrica<br />
ao SIN (Sistema Interligado Nacional) - , um LFA<br />
Matriz Elétrica Brasileira (GW)<br />
7,7 (6%)<br />
DERIVADOS<br />
DE PETRÓLEO<br />
12,9 (10%)<br />
GÁS NATURAL<br />
4,8 (4%)<br />
EÓLICA<br />
Fonte: Abeeólica/Aneel<br />
12 (9%)<br />
BIOMASSA<br />
3 (3%)<br />
CARVÃO<br />
87,4 (66%)<br />
HIDRELÉTRICA<br />
2 (1%)<br />
TERMELÉTRICA NUCLEAR<br />
1,5 (1%)<br />
TERMELÉTRICA OUTRAS<br />
*A fonte fotovoltaica<br />
possui 11,3 MW<br />
de capacidade<br />
instalada<br />
Hoje o Brasil tem 4.8 GW de capacidade<br />
instalada para geração de energia eólica,<br />
isso significa que com esse maquinário disponível<br />
o país está apto a gerar 2.4 GW de produção,<br />
que corresponde a 4% da matriz nacional. A fonte<br />
hidroelétrica, a mais abundante, tem 66% de capacidade<br />
instalada, seguido pelo gás natural com<br />
10% e biomassa com 9%. “De produção efetiva<br />
2% é de energia eólica, mas somando tudo que já<br />
foi vendido e contratado o Brasil terminará 2018<br />
com 14 GW, cerca de 8% da matriz”, avalia Elbia<br />
Melo, da Abeeólica.<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 45
ESPECIAL<br />
Ranking Mundial – Capacidade Instalada - 2013<br />
1 China 91,42<br />
2 EUA 61,09<br />
3 Alemanha 34,25<br />
4 Espanha 22,96<br />
5 Índia 20,15<br />
13 Brasil 3,46<br />
2012<br />
15º Colocado<br />
2,5 GW<br />
2013<br />
13º Colocado<br />
3,4 GW<br />
<strong>2014</strong><br />
10º Colocado<br />
Perspectiva<br />
Fonte: GWEC (Global Wind Energy Council)<br />
(Leilão de Fontes Alternativas), três em Leilão A-3,<br />
processo licitatório para a contratação de energia<br />
elétrica proveniente de empreendimentos de geração<br />
novos realizado com três anos de antecedência<br />
do início do suprimento, e três em Leilão A-5, realizados<br />
com cinco anos de antecedência.<br />
O último Boletim das Usinas Eólicas, elaborado<br />
pela Ccee, referente ao mês de maio de <strong>2014</strong>, mostra<br />
que a capacidade instalada das usinas eólicas<br />
associada à energia comercializada nos leilões do<br />
ACR correspondeu a 52% do total de 3.331 MW, enquanto<br />
os montantes associados à energia comercializada<br />
no Proinfa e no ACL representaram 29% e<br />
19%, respectivamente. O mês de maio de <strong>2014</strong> foi<br />
encerrado com 131 usinas eólicas em operação comercial<br />
no Brasil.<br />
Além do modelo de contratação, de acordo com<br />
a presidente executiva da Abeeólica, outro fator<br />
que faz com que a energia brasileira seja mais barata<br />
que a produzida na Europa, por exemplo, é a<br />
natureza do vento nacional. “A produção do vento<br />
no Brasil é muito maior. Hoje a Europa produz energia<br />
eólica subsidiada a preço de R$ 300 MW/h usando<br />
a mesma tecnologia empregada aqui. Por que a<br />
dela custa R$ 300 e a minha R$ 130? Pela questão<br />
do vento do Brasil e pelo modelo de contratação”,<br />
justifica a presidente. “Por essa razão a energia eólica<br />
tem tido uma trajetória crescente de investimento.<br />
Com a tecnologia vigente hoje temos no Brasil<br />
o potencial eólico de 350 GW. A nossa necessidade,<br />
se somar todas as fontes que existem, é de 126 GW.<br />
Isso significa que o potencial eólico brasileiro é três<br />
vezes maior que a necessidade de energia elétrica.<br />
Do ponto de vista da oferta, podemos dizer que a<br />
energia eólica é infinita no Brasil”, garante Elbia.<br />
Tendo em vista toda a conjuntura nacional, a<br />
presidente executiva é positiva em relação ao futuro<br />
da fonte renovável no país: “o Brasil terminou<br />
2013 na 15° posição de capacidade instalada e vai<br />
encerrar <strong>2014</strong> em 9°. Sucessivamente estamos entre<br />
os cinco primeiros países que mais investem e<br />
aumentam a capacidade instalada. Dizer que vamos<br />
46<br />
www.revistabiomais.com.br
alcançar a China, que aumenta ao ano 18 GW só de<br />
eólica, é impossível. Dificilmente vamos alcançar os<br />
EUA (Estados Unidos da América), mas podemos,<br />
certamente, nos aproximar da Espanha e Alemanha”,<br />
almeja.<br />
Atlas Eólico<br />
Hoje as usinas eólicas estão concentradas no Rio<br />
Grande do Sul e nos Estados do nordeste brasileiro.<br />
Isso porque são nessas regiões que estão os melhores<br />
ventos. O primeiro Atlas do Potencial Eólico Brasileiro,<br />
desenvolvido<br />
a Revista<br />
em<br />
BIOMAIS.<br />
2001, mapeou com riqueza<br />
de detalhes quais eram os locais mais propícios para<br />
implementação de parques eólicos. Naquela época,<br />
a tecnologia vigente era ainda cara se comparada a<br />
empregada na atualidade, mas o resultado já acusou<br />
que o Brasil tinha potencial para produzir 143<br />
GW. com.br<br />
“Com os equipamentos de 2001 os ventos melhores<br />
estavam<br />
Fone:<br />
no<br />
0800.600.2038<br />
nordeste e no sul. Quando a tecnologia<br />
evolui, a torre vai ficando mais alta e a máquina<br />
mais potente, começa a traçar outras regiões<br />
potenciais que antes não eram economicamente<br />
viáveis, como Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.<br />
Esses Estados têm vento, mas não é um vento<br />
competitivo. No nordeste o vento é a constante e<br />
unidirecional, enquanto no Rio Grande do Sul tem<br />
certa constância e velocidade muito alta”, explica<br />
Elbia.<br />
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e-mail: assinatura@revistareferencia.<br />
Mercado potencial<br />
Com o crescente interesse do governo e o aumento<br />
da contratação de energia eólica nos leilões, as multinacionais<br />
fabricantes de aerogeradores, disputam<br />
uma acirrada concorrência em solo nacional. Entre as<br />
principais destacam-se Wind Power, subsidiária da argentina<br />
Impsa - que teve falência decretada pelo Tribunal<br />
de Justiça de Pernambuco em agosto deste ano<br />
- a americana General Electric, a dinamarquesa Vestas,<br />
a indiana Suzlon, a francesa Alston e a espanhola Gamesa,<br />
que fechou em julho último dois contratos para<br />
fornecimento de 214 MW de energia.<br />
Os acordos incluem a instalação de 166 MW para a<br />
CER (Companhia de Energias Renováveis) nos parques<br />
eólicos da Bahia e 48 MW para Eletrosul, subsidiária da<br />
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Eletrobrás, no Rio Grande do Sul. Em nota a empresa<br />
divulgou que se Revista responsabilizará BIOMAIS. com o fornecimento,<br />
transporte e instalação de 83 turbinas eólicas nos<br />
parques HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
Assuruá I, Assuruá VI, Capoeiras I, Capoeiras II,<br />
Curral de Pedras II, Curral de Pedras IV, localizados no<br />
e-mail: parque eólico assinatura@revistareferencia.com.br<br />
Xique-Xique, Bahia. Para a Eletrosul<br />
serão fornecidas 24 turbinas nos parques eólicos Coxilha<br />
Seca, Capão Fone: do 0800.600.2038<br />
Inglês e Galpões, no complexo<br />
eólico Cerro Chato, em Santana do Livramento. Esta é<br />
a segunda vez que a Gamesa fecha contrato com a CER<br />
e primeira com a Eletrosul.<br />
A empresa afirmou ainda que o Brasil é um dos<br />
mercados prioritários para a Gamesa, que já havia realizado<br />
outro acordo em maio de <strong>2014</strong> com a Ventos do<br />
Sul. “Este contrato nos consolida como um dos principais<br />
fabricantes no Brasil, uma posição que se baseia<br />
em nossa liderança em tecnologia e nosso conhecimento<br />
local, combinado com o compromisso com o<br />
desenvolvimento das comunidades como criadores<br />
de emprego e geradores de riqueza através desenvolvimento<br />
de uma cadeia de abastecimento local”, acredita<br />
Edgard Corrochano, CEO da Gamesa no Cone Sul.<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 47
ARTIGO<br />
Considerações sobre<br />
a recuperação de<br />
papel higiênico para<br />
fins energéticos<br />
Fotos ARQUIVO PESSOAL<br />
Geraldo Rizanti<br />
Engenheiro<br />
S<br />
e rompermos tabus e preconceitos, assim como<br />
algumas determinações regidas pelas normas<br />
de higiene, poderemos aproveitar o grande<br />
potencial energético existente no volume de papel higiênico<br />
utilizado e simplesmente jogado fora (e, por conseguinte<br />
os demais papéis sanitários). Estaríamos assim,<br />
dando utilidade ao dejeto humano.<br />
De maneira<br />
Revista<br />
geral, não queremos<br />
BIOMAIS.<br />
assumir a responsabilidade<br />
do que fazer com ele após utilizarmos, mas queremos<br />
nos livrar dele. Se olharmos o problema com uma<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
ótica adequada, questionando sobre o que podemos<br />
fazer de útil com o grande volume de papéis sanitários<br />
produzidos anualmente e br descartados como rejeito, em<br />
maior parte, inadequadamente, com certeza vamos encontrar<br />
utilizações Fone: interessantes 0800.600.2038<br />
para eles. Temos equipamentos<br />
e processos tecnológicos suficientes para serem<br />
aplicados, e deixarmos de agir como se estivéssemos vivendo<br />
nos séculos passados, jogando-os para a natureza<br />
dar conta deles.<br />
Hoje já estamos na casa dos milhões de toneladas de<br />
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e-mail: assinatura@revistareferencia.com.<br />
papéis sanitários produzidos por ano e simplesmente<br />
descartados sem aproveitamento desse recurso disponível.<br />
Somente de papel higiênico, ou seja, exclusivo<br />
para uso em banheiros, vamos fechar 2013 com uma<br />
produção em torno de 800 mil t (toneladas), o equivalente<br />
a 445,5 MW (megawatts) de energia que podem<br />
ser utilizadas para Revista gerar eletricidade BIOMAIS. ou vapor para diversos<br />
processos industriais.<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
Esse é o tema desse trabalho, uma breve consideração<br />
sobre a recuperação, tratamento e geração de vapor<br />
a partir do papel higiênico até então rejeitado. Não<br />
se trata de um estudo de viabilidade<br />
br<br />
técnico-econômica,<br />
e sim de um chamado à prospecção de soluções técnicas<br />
que produzam Fone: benefícios. 0800.600.2038<br />
Esse estudo foi elaborado para um ambiente de indústria<br />
de papel sanitário (tissue), recuperando o papel<br />
higiênico através de logística reversa, e gerando vapor<br />
para o processo de secagem de um novo volume de papel<br />
produzido.<br />
Para ter acesso a este conteúdo, assine a<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.com.<br />
48<br />
www.revistabiomais.com.br
1. PRODUÇÃO E CONSUMO DE PAPEL SANITÁRIO NO<br />
BRASIL<br />
O quadro que segue mostra o crescimento da produção<br />
industrial, e o consumo doméstico:<br />
Na denominação de Papel Sanitário estão incluídos os<br />
seguintes produtos:<br />
• Papel higiênico;<br />
Para • Guardanapos; ter acesso a este conteúdo, assine a<br />
• Lenços;<br />
Revista BIOMAIS.<br />
• Toalha de cozinha;<br />
• Toalha de mão.<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
e-mail:<br />
Dentro<br />
assinatura@revistareferencia.com.<br />
deste mix, o produto de maior representatividade<br />
de produção e consumo é o papel higiênico, conforme mostra<br />
o quadro abaixo: br<br />
O balanço importação e exportação de papel sanitário<br />
não será considerado Fone: por 0800.600.2038<br />
não ser representativo, conforme<br />
sugerido pelos dados Bracelpa abaixo:<br />
• Exportação 2011 e 2012: 17.000 toneladas = 0,85 % da<br />
produção;<br />
• Importação 2011 e 2012: 20.000 toneladas = 1,0 % da<br />
produção.<br />
Para o presente trabalho consideraremos apenas a produção<br />
e consumo doméstico do papel higiênico, devido aos<br />
seguintes fatores:<br />
• Maior quantidade em volume e massa;<br />
• Por conseguinte, maior quantidade em potencial energético;<br />
• Hábito popular de acondicionar separadamente dos outros<br />
resíduos.<br />
Para ter acesso a este conteúdo, assine a<br />
2. CLASSIFICAÇÃO E DESCARTE DO PAPEL HIGIÊNICO<br />
É interessante entendermos onde está situado o papel<br />
Revista BIOMAIS.<br />
higiênico atualmente, dentro da classificação de resíduos<br />
sólidos. A NBR100<strong>04</strong>/20<strong>04</strong> classifica os resíduos relação<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
ao potencial de risco ao meio ambiente e à saúde, conforme<br />
abaixo.<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.com.<br />
CLASSE I: São os resíduos perigosos, de acordo com suas<br />
propriedades físicas, químicas br ou biológicas, apresentam riscos<br />
à saúde e ao meio ambiente. Possuem inflamabilidade,<br />
corrosividade, reatividade, Fone: 0800.600.2038<br />
toxidade e patogenicidade.<br />
CLASSE II: São os resíduos não perigosos, subdivididos<br />
em:<br />
CLASSE IIA: Resíduos não inertes. Apresentam biodegradabilidade,<br />
solubilidade em água e combustibilidade. Enquadram-se<br />
aqui os restos de alimentos e o papel higiênico.<br />
CLASSE IIB: Resíduos inertes; não são decompostos facilmente.<br />
Enquadram-se aqui o plástico e a borracha.<br />
Em relação à origem e natureza, a classificação dos resí-<br />
Fonte: Bracelpa<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 49
ARTIGO<br />
Fonte: Bracelpa<br />
duos sólidos é:<br />
• Domiciliar;<br />
• Comercial;<br />
• Varrição e feiras livres;<br />
• Serviços de Saúde;<br />
• Portos, Aeroportos e Terminais rodoviários e ferroviários;<br />
• Industriais;<br />
• Agrícolas;<br />
• Construção Civil.<br />
Na origem domiciliar, ou seja, provenientes de residências,<br />
Para os resíduos ter acesso contêm: a restos este de conteúdo, alimentos, produtos assine deteriorados,<br />
embalagens, retalhos, jornais, revistas, papéis higiê-<br />
a<br />
Revista BIOMAIS.<br />
nicos, toalhas e lenços de papel, fraldas, etc.<br />
A maior parte do descarte de papel higiênico e demais<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
papéis sanitários, vêm das residências. Estabelecimentos<br />
públicos, ou de concentração de pessoas, são isoladamente,<br />
grande geradores de descarte de papel higiênico, como: portos,<br />
aeroportos, Fone: terminais 0800.600.2038<br />
rodoviários e ferroviários, indústrias,<br />
escolas, hotéis, hospitais, escolas, etc. Aqui podem ser<br />
incluídos os condomínios residenciais.<br />
O papel higiênico usado oriundo de hospitais pode ser<br />
tomado como pertencentes à Classe I, devido à sua patogenicidade.<br />
Em relação à responsabilidade pelo gerenciamento dos<br />
resíduos sólidos temos dois grupos.<br />
O primeiro grupo refere-se aos RSU (Resíduos Sólidos Urbanos):<br />
• Resíduos domésticos ou residenciais;<br />
• Resíduos comerciais;<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.com.br<br />
• Resíduos públicos.<br />
O segundo grupo, dos Resíduos de Fontes Especiais:<br />
• Resíduos industriais;<br />
• Resíduos da construção civil;<br />
• Rejeitos radiativos;<br />
• Resíduos de portos, aeroportos e terminais rodoferroviários;<br />
• Resíduos agrícolas;<br />
• Resíduos de serviços de saúde.<br />
Para ter acesso a este conteúdo, assine a<br />
A presença do papel higiênico acontece significativamente<br />
no Primeiro Grupo.<br />
Revista BIOMAIS.<br />
É interessante entendermos os conceitos usuais de resíduos<br />
e rejeitos.<br />
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Resíduo é o que sobra de um processo natural ou atividade<br />
humana e que ainda pode ser aproveitado. Pode ser dividido<br />
em duas categorias:<br />
• Recicláveis: Fone: podem 0800.600.2038<br />
ser aproveitados como matéria-prima<br />
em algum processo produtivo, como por exemplo, o metal,<br />
o plástico, o vidro, o papel, óleo comestível, etc...<br />
• Orgânicos: resultantes da alimentação, jardinagem e<br />
agrícola, que podem ser aproveitados nos processos de compostagem,<br />
produzindo compostos orgânicos.<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.com.br<br />
Rejeito é o resíduo que por seu estado de subdivisão,<br />
deterioração ou de higiene, não se obtém qualquer aproveitamento;<br />
seu potencial de utilização foi esgotado. Onde se<br />
encontra o papel higiênico.<br />
Usualmente o descarte do papel higiênico acontece com<br />
50<br />
www.revistabiomais.com.br
o acondicionamento em sacos plásticos, inseridos nos cestos<br />
de coleta em banheiros. Estes sacos são geralmente misturados<br />
com outros contendo resíduos orgânicos, para serem<br />
coletados e destinados a aterros sanitários, ou lixões a céu<br />
aberto.<br />
Além de inserir na natureza grandes quantidades de sacos<br />
plásticos (inertes, praticamente não degradáveis), facilitam<br />
Para a proliferação ter acesso de vetores a este de conteúdo, doenças, como, assine ratos, baratas,<br />
moscas, micróbios, aves e répteis, e contribuem para a<br />
a<br />
Revista BIOMAIS.<br />
contaminação do lençol subterrâneo do solo pela liberação<br />
de chorume, altamente tóxico, formado pela decomposição<br />
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dos resíduos orgânicos.<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.com.br<br />
3. POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS<br />
Conforme Lei Fone: Federal 0800.600.2038<br />
número 12305, de 02/08/2010,<br />
e Decreto Federal número 74<strong>04</strong>, de 23/12/2010, que regulamenta<br />
a Lei, devemos alterar a visão dos resíduos sólidos<br />
para:<br />
Foco<br />
Gestão compartilhada em toda a sociedade;<br />
Princípio<br />
O reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e reciclável<br />
como um bem econômico e de valor social, gerador de<br />
trabalho e renda, e promotor de cidadania.<br />
Objetivo<br />
Não gerar, reduzir, reutilizar, reciclar, tratar, e por fim, dispor<br />
adequadamente na natureza.<br />
Para Mudança ter acesso na Aplicação a este conteúdo, assine a<br />
Buscar a diferença entre resíduos sólidos e rejeitos:<br />
Revista BIOMAIS.<br />
Resíduos sólidos são materiais, substâncias, objetos ou<br />
bens descartados, resultantes de atividades humanas em sociedade,<br />
que possam ser reaproveitados, e tenham valor eco-<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
nômico. Envolve a reutilização, reciclagem, compostagem,<br />
recuperação e aproveitamento energético, entre outros.<br />
Rejeitos são Fone: resíduos 0800.600.2038<br />
sólidos que depois de esgotadas<br />
todas as possibilidades de tratamento e recuperação dos processos<br />
tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis,<br />
não apresentem outra alternativa que não a disposição final<br />
ambientalmente adequada.<br />
Mudança Técnica na Aplicação<br />
Resíduos: destinação final ambientalmente adequada.<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.com.br<br />
“Hoje já estamos na casa<br />
dos milhões de toneladas<br />
de papéis sanitários<br />
produzidos por ano e<br />
simplesmente descartados<br />
sem aproveitamento desse<br />
recurso disponível”<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 51
ARTIGO<br />
Exemplo de cestos de papel higiênico em banheiros:<br />
Envolve a reutilização, reciclagem, compostagem, recuperação<br />
e aproveitamento energético, ou outras.<br />
Rejeitos: disposição final ambientalmente adequada, a<br />
ser implantada até agosto de <strong>2014</strong>.<br />
Para Sistema ter acesso de Logística a este Reversa conteúdo, assine a<br />
Sistema de retorno dos produtos ao fabricante, após o<br />
uso pelo consumidor.<br />
Revista BIOMAIS.<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
4. POTENCIAL ENERGÉTICO DO PAPEL HIGIÊNICO<br />
REJEITADO<br />
Mantendo as proporções de crescimento verificadas nos<br />
quadros do capítulo Fone: 2, podemos 0800.600.2038<br />
fechar o ano de <strong>2014</strong> alcançando<br />
um volume de descarte de papel higiênico usado em<br />
torno de 800 mil t, que fatalmente serão lançados para os lixões<br />
e aterros.<br />
Considerando o poder calorífico inferior dos papéis, de<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.com.br<br />
4200 Kcal/Kg (quilocalorias por quilograma), esta quantidade<br />
produzida e jogada fora, contém um potencial energético de<br />
3.360.000 tcal/ano (toneladas de caloria por ano), ou o equivalente<br />
a 445,5 MW.<br />
Para Este ter potencial acesso energético a este pode conteúdo, ser utilizado assine em vários a<br />
segmentos indústrias para gerar vapor de processo, ou até<br />
mesmo, gerar energia<br />
Revista<br />
elétrica<br />
BIOMAIS.<br />
em usinas termoelétricas. Contudo,<br />
neste trabalho estamos considerando sua utilização<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
nas próprias indústrias de papel sanitário (tissue), devido à<br />
maior sinergia para uma implantação de processos com a<br />
finalidade de recuperação e reutilização do papel higiênico<br />
para fins energéticos, Fone: indo 0800.600.2038<br />
de encontro à Política Nacional de<br />
Resíduos Sólidos.<br />
Vamos considerar uma indústria tissue hipotética, que<br />
utiliza além do vapor, gás para a secagem do papel produzido<br />
em capotas de alto rendimento, as seguintes variáveis<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.com.br<br />
52<br />
www.revistabiomais.com.br
de processo:<br />
• Pressão de geração de vapor nas indústrias de papel:<br />
15,0 kgf/cm² (quilograma de força por centímetro quadrado)<br />
manométrico;<br />
• Retorno de condensado para a caldeira: 60 ºC (graus Celsius);<br />
• Calor total para geração de vapor nesta pressão: 607,1<br />
Kcal/Kg de vapor;<br />
• Rendimento de combustão para combustíveis sólidos:<br />
50%.<br />
Nestas condições, temos que 1 kg de papel higiênico<br />
recuperado, produz 3,5 kg de vapor. Uma comparação interessante<br />
que podemos fazer, considerando indústrias tissue<br />
que utilizam na secagem também o gás natural ou liquefeito<br />
de petróleo, o consumo específico de vapor pode chegar até<br />
1 kg de vapor/kg de papel produzido, nestes casos, 1 kg de<br />
papel Para higiênico ter acesso recuperado a este pode conteúdo, gerar vapor para assine produzir a<br />
3,5 kg de papel novo.<br />
Equivale dizer Revista que se uma BIOMAIS.<br />
indústria produtora, que se<br />
enquadra nestas condições, recuperar toda a quantidade de<br />
papel HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
produzido, irá reutilizar para gerar vapor de aproximadamente<br />
30% desse volume recuperado. O excedente poderá<br />
ser comercializado para outros consumidores.<br />
Com este ponto de vista, um sistema de logística reversa<br />
Fone: 0800.600.2038<br />
aplicado na indústria tissue, pode ser economicamente viável<br />
e traria vantagens como:<br />
Redução do custo direto da produção de vapor;<br />
• Redução da queima de lenha in natura, e consequente<br />
redução de desmatamento;<br />
• Destinação específica ao resíduo de papel higiênico;<br />
• Redução significativa do descarte de papel higiênico e<br />
saco plástico;<br />
• Geração de atividade rentável e mão de obra.<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.com.br<br />
Assim, o ciclo do papel higiênico, com a introdução de<br />
mais uma escala, se torna de maior eficiência, pois seu descarte<br />
estaria gerando energia para produzir novo produto.<br />
Outras indústrias, que não a de papel tissue, poderiam<br />
também ser beneficiadas, com a queima de resíduos de papel<br />
sanitário em caldeiras para geração de vapor para seus<br />
processos. O balanço de carbono na atmosfera não sofreria<br />
alteração, pois já haveria a queima de outros combustíveis<br />
para esta finalidade. De qualquer maneira, há que se estudar<br />
adequações dos filtros para contenção dos particulados no<br />
escape das chaminés das caldeiras.<br />
5. DESCARTE E COLETA SELETIVA DO PAPEL<br />
HIGIÊNICO<br />
O consumo de papel higiênico no Brasil pode ser diferenciado<br />
em dois segmentos:<br />
• Doméstico: consumo pontual em residências, onde o<br />
rejeito de papel higiênico é feito primeiramente, depositando-o<br />
em um cesto no próprio banheiro, em saco plástico para<br />
lixo ou oriundo de supermercado; depois de cheio este saco<br />
é lacrado (amarrado) e descartado como lixo comum em lixeira,<br />
junto com o lixo orgânico, à espera do coletor de lixo.<br />
• Coletivo: consumo em locais específicos, como, indústrias,<br />
clubes, hotéis, restaurantes, shopping centers, aeroportos,<br />
Para estações ter acesso rodoviárias, a este etc... Aqui conteúdo, pode-se incluir assine alguns a<br />
condomínios residenciais. O rejeito também é feito no próprio<br />
banheiro em Revista cesto com BIOMAIS.<br />
sacos plásticos. Nestes locais,<br />
há uma pré-armazenagem em recintos destinados para essa<br />
finalidade, HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
também junto o lixo orgânico, à espera do<br />
coletor de lixo.<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.com.br<br />
Coleta Seletiva<br />
Fone: 0800.600.2038<br />
Uma vez que o rejeito do papel higiênico desde a conclusão<br />
de seu uso é feito separadamente dos demais, sua inclusão<br />
em um sistema de coleta seletiva tende a ser mais simples.<br />
Tanto no consumo doméstico como no coletivo se faz<br />
necessário um modo de descarte em que o papel higiênico fique<br />
isolado do lixo orgânico para o início de sua recuperação.<br />
Por sua vez, a logística do sistema de coleta atual, com os<br />
tradicionais caminhões coletores, que misturam todo o tipo<br />
de lixo que neles são depositados, necessita de revisões, para<br />
atender o volume de descarte de papel higiênico canalizando-o<br />
para ser tratado em uma estação de recuperação, antes<br />
de ser utilizado na geração de energia.<br />
O fluxograma à seguir mostra o ciclo do papel higiênico<br />
com a adição da seleção pelos usuários e o transbordo no<br />
canteiro de recebimento de lixo.<br />
O fluxograma mostra o ciclo do papel higiênico desde a<br />
produção até o retorno e utilização na caldeira, para a geração<br />
do vapor utilizado para a produção. Uma melhoria seria<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 53
ARTIGO<br />
abolir o saco plástico para conter o papel higiênico usado. O<br />
fabricante poderia criar embalagem de papel, retornável contendo<br />
o produto após o uso, levando aos usuários instruções<br />
e incentivos para a coleta seletiva. Essa ação contribuiria para<br />
a redução do descarte de sacos plásticos na natureza, e aumentaria<br />
a eficiência do processo, reduzindo a separação de<br />
materiais não destinados à queima. A embalagem também<br />
seria recuperada juntamente com o papel higiênico para a<br />
geração de vapor.<br />
Para ter acesso a este conteúdo, assine a<br />
Revista BIOMAIS.<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
6. ESTAÇÃO DE RECUPERAÇÃO PARA O PAPEL<br />
HIGIÊNICO<br />
Nas indústrias tissue, na própria planta industrial, existe<br />
uma sinergia para a instalação de uma estação de recuperação,<br />
devido a alguns fatores como: o uso corrente de mão de<br />
Fone: 0800.600.2038<br />
obra qualificada, utilidades industriais, energia disponível e<br />
tratamento de efluentes. Uma estação de recuperação básica<br />
para papel higiênico usado pode ser composta dos seguintes<br />
processos:<br />
• Separação;<br />
• Lavagem;<br />
• Prensagem;<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.com.br<br />
• Secagem;<br />
• Briquetagem;<br />
• Embalagem (em caso de comercialização de excedentes).<br />
Separação<br />
Pode ser um processo mecânico ou manual, com as devidas<br />
proteções e padrões de higiene individuais. Tem a finalidade<br />
de separar o papel Revista higiênico BIOMAIS. do saco de plástico que o<br />
contém, e algum outro corpo estranho, sendo este o rejeito<br />
desse processo, HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
que pode ser direcionado para outra finalidade<br />
específica, e não ser descartado na natureza.<br />
Lavagem<br />
Destinado à remoção dos dejetos orgânicos agregados<br />
Fone: 0800.600.2038<br />
no papel higiênico usado. Neste processo pode ser utilizada a<br />
agitação mecânica por rotores, tambor rotativo ou rosca sem<br />
fim. A água recuperada na indústria pode ser utilizada, e após<br />
o processo de lavagem destinada para a ETE (Estação de Tratamento<br />
de Efluentes).<br />
Prensagem<br />
Tem o objetivo de retirar a maior parte da água presente<br />
no papel higiênico lavado. À priori a prensa ideal seria do tipo<br />
Para ter acesso a este conteúdo, assine a<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.com.br<br />
54<br />
www.revistabiomais.com.br
de rosca contínua. A água separada deve ser canalizada para<br />
a Para ETE. ter acesso a este conteúdo, assine a<br />
Secagem<br />
A finalidade é complementar Revista BIOMAIS.<br />
a retirada de água do papel,<br />
para atingir níveis de umidade compatíveis para a compactação.<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
O secador pode ser do tipo túnel contínuo, ou do tipo<br />
rotativo. O calor necessário para a secagem do papel pode ser<br />
obtido pela recuperação do calor residual contido nos gases<br />
de escape das caldeiras.<br />
Fone: 0800.600.2038<br />
Briquetagem<br />
Para o processo de briquetagem o papel precisa estar<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.com.br<br />
próximo de 16% de umidade. Aqui a massa de papel é aglomerada<br />
Para ter em pequenos acesso blocos. a este O ideal conteúdo, é que a compactação assine a<br />
seja em briquetes pequenos, na forma de discos, para aumentar<br />
o rendimento Revista da combustão BIOMAIS. em fornalhas. A máquina<br />
necessária é uma briquetadeira de êmbolo.<br />
Após HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
a briquetagem o papel já estará nas dimensões e<br />
características apropriadas para a combustão na fornalha da<br />
caldeira. Em caso de excedente de briquetes de papel, este<br />
pode ser embalado e comercializado para outras indústrias.<br />
e-mail: assinatura@revistareferencia.com.br<br />
Fone: 0800.600.2038<br />
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 55
AGENDA<br />
AGOSTO<br />
Agosto<br />
Seminário Cadeia do Valor Elétrico<br />
Data: 25<br />
Local: São Paulo (SP)<br />
Informações: viex-americas.com<br />
Conferência Biogás e Bioeletricidade<br />
Data: 26 e 27<br />
Local: São Paulo (SP)<br />
Informações: www.paginasustentavel.com.br<br />
Brasil Windpower<br />
Data: 26 a 28<br />
Local: Rio de Janeiro (RJ)<br />
Informações: www.brazilwindpower.org/pt/<br />
SETEMBRO<br />
Setembro<br />
Congresso Internacional de Biomassa<br />
Data: 01 a 03<br />
Local: Campo Grande (MS)<br />
Informações: www.congressobiomassa.com<br />
Smart Grid Fórum <strong>2014</strong><br />
Data: 09 a 11<br />
Local: São Paulo (SP)<br />
Informações: www.smartgrid.com.br<br />
Ecce – Congresso e Exposição de Conversão<br />
de Energia<br />
Data: 14 a 18<br />
Local: Pittsburgh (EUA)<br />
Informações: <strong>2014</strong>.ecceconferences.org<br />
OUTUBRO<br />
Outubro<br />
Congresso Internacional de Bioenergia<br />
Data: 01 a 03<br />
Local: São Paulo (SP)<br />
Informações: www.bioenergia.net.br<br />
Biotech Fair - VII Feira Internacional de<br />
Tecnologia em Bioenergia e Biocombustíveis<br />
Data: 01 a 03<br />
Local: São Paulo (SP)<br />
Informações: www.eventobioenergia.com.br<br />
VI Supre<br />
Data: 21 a 23<br />
Local: São Paulo (SP)<br />
Informações: www.supre.funcoge.org.br<br />
Power-Gen Brasil<br />
Data: 21 a 23<br />
Local: São Paulo (SP)<br />
Informações: www.powerbrasilevents.com<br />
Expobiomasa - Feria de los Profesionales de la<br />
Biomasa <strong>2014</strong><br />
Data: 21 a 23<br />
Local: Valladolid (Espanha)<br />
Informações: www.expobiomasa.com<br />
NOVEMBRO<br />
Novembro<br />
World Biomass Power Markets Brasil<br />
Data: 03 a 05<br />
Loca: São Paulo (SP)<br />
Informações: www.greenpowerconferences.com<br />
Feiplar Composites & Feipur <strong>2014</strong><br />
Data: 11 a 13<br />
Local: São Paulo (SP)<br />
Informações: www.feiplar.com.br<br />
XII STPC<br />
Data: 16 a 19<br />
Local: Rio de Janeiro (RJ)<br />
Informações: stpccigre.com.br<br />
Renex South America<br />
Data: 26 a 28<br />
Local: Porto Alegre (RS)<br />
Informações: renex-southamerica.com.br/<br />
56<br />
www.revistabiomais.com.br
DEZEMBRO<br />
Dezembro<br />
Power-Gen International<br />
Data: 09 a 11<br />
Local: Orlando (EUA)<br />
Informações: www.power-gen.com<br />
Destaque<br />
Destaque<br />
Smart Grid Fórum <strong>2014</strong><br />
Data: 09 a 11 de setembro<br />
Local: São Paulo (SP)<br />
Informações: www.smartgrid.com.br<br />
Feira internacional dirigida ao mercado de energia da América Latina. No evento<br />
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OPINIÃO<br />
Biomassa na Matriz<br />
Elétrica Brasileira?<br />
Por Suani T. Coelho<br />
Doutora em Energia, Prof.a da Universidade de São Paulo, Coordenadora do Centro Nacional de<br />
Referência em Biomassa – Cenbio/IEE/USP – suani@iee.usp.br<br />
Foto: divulgação<br />
Javier F. Escobar<br />
Pesquisador do Centro Nacional de Referência em Biomassa – Cenbio/IEE/USP, Doutorando em<br />
Energia (IEE/Poli/FEA/IF), Universidade de São Paulo – escobar@usp.br<br />
ENERGIA MENSAL / ENERGIA ANUAL<br />
1,8<br />
1,6<br />
1,4<br />
1,2<br />
1,0<br />
0,8<br />
0,6<br />
0,4<br />
0,2<br />
0,0<br />
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Figura 1. Complementaridade da biomassa com relação<br />
à energia hidroelétrica<br />
PERÍODO DA SAFRA DA BIOMASSA: ABRIL A OUTUBRO<br />
HIDROELÉTRICA UTE BIOMASSA EÓLICA<br />
jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez<br />
Fonte: ONS<br />
O<br />
tema das energias renováveis na matriz elétrica<br />
brasileira vem sendo discutido há muito tempo,<br />
em particular nos períodos de seca e baixa hidraulicidade<br />
como novamente enfrentamos agora.<br />
Como já vem sendo discutido em várias publicações<br />
(Goldemberg e Coelho, 2013), desde a década de 80, a cada<br />
período seco na região sudeste, os órgãos oficiais solicitavam<br />
às universidades o milagre. Como complementar a geração<br />
Revista BIOMAIS.<br />
hidroelétrica com seus reservatórios baixos pela falta de chuva?<br />
Da HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
parte dos órgãos governamentais o desconhecimento<br />
ainda existente com relação à geração descentralizada,<br />
cujos benefícios ainda não eram reconhecidos; da parte dos<br />
setores envolvidos, a falta de interesse por uma nova forma<br />
de energia cuja Fone: produção 0800.600.2038<br />
era considerada arriscada...<br />
A figura 1 abaixo ilustra a complementaridade da biomassa<br />
(bagaço de cana) em relação à hidroeletricidade.<br />
A biomassa é uma estratégia fundamental, pois o período<br />
de geração de eletricidade nas usinas da região (SE) e (CO)<br />
correspondem ao período da safra de cana (entre abril e novembro),<br />
o que por sua vez é justamente a época de chuvas<br />
mais reduzidas, onde as barragens das hidroelétricas apresentam<br />
níveis mais baixos e, portanto, uma menor oferta.<br />
Esse cenário poderia ainda, ser mais favorável se pensarmos<br />
em produção de madeira para geração de energia de base<br />
com termoelétricas a cavaco e/ou pellets de madeira.<br />
Com a lei do Proinfa, em 2000, novas esperanças apareceram,<br />
mas de curta duração. Após a aprovação da lei, as<br />
simulações de tarifas feitas pela academia não foram aceitas<br />
pelo governo, considerando que eram muito elevadas<br />
para biomassa. A conseqüência foi ainda pior para as contas<br />
públicas, pois, cumprindo a lei, a diferença de potencia<br />
foi direcionada na sua maior parte para energia eólica, com<br />
tarifas muito superiores às da biomassa, acarretando gastos<br />
adicionais por parte da Eletrobras. Em seqüência, políticas<br />
Para especiais ter para acesso a energia a eólica este foram conteúdo, consideradas assine indispensáveis<br />
e incentivos fiscais foram então destinados à mesma,<br />
a<br />
visando à incorporação Revista das BIOMAIS.<br />
energias renováveis na matriz<br />
energética brasileira, e a energia eólica (mesmo sendo intermitente)<br />
HTTP://www.revistabiomais.com.br<br />
passou a ser extremamente competitiva economicamente,<br />
de forma que atualmente corresponde à maioria<br />
da energia contratada nos leilões.<br />
Quanto aos empreendimentos de biomassa, principalmente<br />
a geração<br />
Fone:<br />
de excedentes<br />
0800.600.2038<br />
com resíduos de cana e de<br />
madeira apesar das vantagens ambientais e estratégicas e<br />
do enorme potencial (mais de 10 000 MW), os mesmos continuam<br />
na sua maioria sem se viabilizar, sem incentivos e<br />
tendo que competir com a energia eólica subsidiada e com<br />
combustíveis fosseis.<br />
Na presente dificuldade de reservatórios das hidroelétricas<br />
novamente com baixos níveis, o planejamento do setor<br />
aciona termoelétricas a combustíveis fósseis (poluentes e<br />
mais caras) e a biomassa nem sequer é considerada como<br />
uma opção. O Brasil está passando, assim, de uma matriz<br />
energética limpa com predominância de renováveis para<br />
uma matriz energética com maior participação de fósseis,<br />
elevando suas emissões de carbono cada vez mais.<br />
De fato, parece que o país está na contramão da sustentabilidade<br />
ambiental energética.<br />
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58<br />
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INDISCUTIVELMENTE LÍDER EM PICADORES<br />
planalto<br />
A PLANALTO lidera a fabricação de Picadores Florestais no Brasil. Possui<br />
a mais avançada Tecnologia. Os Picadores Florestais Planalto são<br />
fabricados em diversos tamanhos e modelos. Por serem Máquinas que<br />
trabalham em Terrenos dobrados são rebocados por Trator, Pá<br />
carregadeira ou Escavadeiras, com isso facilita o manejo dentro da<br />
Floresta. São equipados com Rotores de facas segmentadas ou facas<br />
inteiras, vindo ao encontro das necessidades do Cliente.<br />
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Rod. BR 282 - Km 346 | Distrito de Macrozona de Expansão Urbana<br />
Campos Novos - SC | CEP 89620-000 - Cx. Postal: 32<br />
Tel/Fax: (49) 3541-7400 | comercial@planaltopicadores.com.br