Julho/2015 - Referência Florestal 165

jota.2016

Visitantes - Grupo Jota Comunicação

52

BURACO NA

ESTRADA

Desafio da logística no Brasil

60

PINUS AMEAÇADO ENTREVISTA

Programa combate a

vespa-da-madeira no sul do país

Marcílio Caron Neto,

executivo da Ibá

Menos metal

mais madeira

Fueiros mais leves aumentam

a segurança e eficiência

no transporte

Less metal

more timber

Lighter weight bunks increase

safety and efficiency in transportation


SUMÁRIO

ANUNCIANTES

DA EDIÇÃO

Agroceres ...................................................................... 84

Argus Engenharia ...................................................... 17

36

Oregon ............................................................................ 83

CBI do Brasil ................................................................... 45

D’Antônio Equipamentos ..................................... 59

52

Denis Cimaf ................................................................... 11

Dinagro ........................................................................... 02

Exte ............................................................................. 35

70

H Fort ................................................................................ 13

Himev .............................................................................. 59

Editorial

Cartas

Bastidores

Coluna Ivan Tomaselli

Notas

Alta e Baixa

Biomassa

Aplicação

Frases

Entrevista

Principal

Espécie

Especial

Silvicultura

Economia

Mão de Obra

Artigo

Agenda

Espaço Aberto

06

08

10

12

14

24

26

28

29

30

36

46

52

60

64

70

74

80

82

J de Souza ........................................................................ 51

John Deere .................................................................... 07

Madal Palfinger .......................................................... 25

Mill Indústrias .............................................................. 27

Minusa Forest .............................................................. 05

PenzSaur ........................................................................ 63

Rotobec .......................................................................... 09

Timber Forest .............................................................. 19

Unibrás ........................................................................... 21

Unylaser ......................................................................... 23

04 www.referenciaflorestal.com.br


O baixo nível de ruído e a alta

qualidade do estofamento oferecem

conforto na cabine.

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manual da grade do radiador para

facilitar a limpeza.

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foram desenvolvidas para a alta

exigência dos equipamentos

florestais.

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estabilidade para a máquina na

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S I MPL Y BE T TER


EDITORIAL

Ano XVII - Edição n.º 165 - Julho 2015

Year XVII - Edition n.º 165 - July 2015

Na capa desta edição o destaque é o

caminhão equipado com fueiros de

metal leve e resistente, produzidos

pela ExTe, que permitem carregar

mais madeira com segurança

PELAS ESTRADAS

É chover no molhado dizer que a logística nacional está entre os maiores gargalos

para a indústria, incluindo a de base florestal. Por isso somente reclamar não vai alterar

o panorama. Pensando assim algumas empresas mudaram conceitos internos,

ganharam mais produtividade e diminuíram o custo do transporte. Com uma frota

renovada, equipada com implementos confeccionados com metal leve e resistente,

foi possível carregar mais madeira pelas estradas, com economia de combustível,

freios e pneus. Os ganhos no carregamento dos conjuntos foram de 10%. De forma

complementar, a reportagem especial mostra os pontos críticos da logística para o

segmento florestal, o que pode ser melhorado e quais impactos positivos o novo

PIL (Programa de Investimento em Logística), que contará com investimentos de R$

198,4 bilhões nos próximos anos, poderá trazer. No campo da silvicultura o destaque

é o programa de erradicação da vespa-da-madeira que está sendo realizado na região

sul. A praga tem potencial de acabar com plantios inteiros. Fique de olho também nas

oportunidades. Na editoria Espécies Comerciais, o destaque é a macaúba. Uma palmeira

que dispõe de produtos não madeireiros com usos múltiplos, principalmente

para a indústria de cosméticos e biocombustíveis. Boa leitura!

EXPEDIENTE

JOTA COMUNICAÇÃO

Diretor Comercial / Commercial Director

Fábio Alexandre Machado

fabiomachado@revistareferencia.com.br

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Pedro Bartoski Jr

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Redação / Writing

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Ivan Tomaselli

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Depto. de Assinaturas / Subscription

Monica Kirchner - Coordenação

Elaine Cristina

assinatura@revistareferencia.com.br

ON THE ROAD

To say the obvious, Brazilian logistics is amongst the major bottlenecks for industry, and

this includes the Forest-based Sector. Just complaining won’t change this panorama. Thinking

this way, several companies have changed internal concepts and gained more productivity and

decreased the costs of transport. With a renewed fleet, equipped with implements made from

lighter and high-strength metal, more timber is being transported on the roads, and with fuel

savings, and with less brakeage and tire wear. The gains in truck loads have been 10%. As an

adjunct, a special report shows the critical points in logistics for the forest segment, what can be

improved, and what positive impacts the new PIL will bring (Logistics Investment Program), with

investments programmed to reach R$ 198.4 billion over the coming years. In the field of forestry,

the highlight is the wood wasp eradication program being carried out in the south. The pest has

the potential to wipe out entire plantations. Keep an eye also on the opportunities. The Section

Espécies Comerciais (Commercial Species) features macaúba, a multiple-use palm tree that offers

non-timber products, mainly for the cosmetic and biofuel industries. Pleasant reading!

06 www.referenciaflorestal.com.br

ASSINATURAS

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dirigida aos produtores e consumidores de bens e serviços em madeira,

instituições de pesquisa, estudantes universitários, orgãos governamentais,

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ligados ao segmento de base florestal. A Revista REFERÊNCIA do Setor

Industrial Madeireiro não se responsabiliza por conceitos emitidos em

matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes materiais

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to the forest based segment. Revista REFERÊNCIA does not hold itself

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property in each publication of Revista REFERÊNCIA is expressly prohibited

without the written authorization of the holders of the authorial rights.


O jOgO mudOu.

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as regras.

Projetados a partir de sugestões de nossos clientes, a John Deere

tem o orgulho de apresentar os mais resistentes e mais produtivos

equipamentos que já oferecemos ao mercado: nossa nova

Série M de Harvesters e Feller Bunchers de esteira.

Só de olhar, você já percebe a diferença. Na verdade, nossos

equipamentos só estão esperando para demonstrar sua força.

JohnDeere.com.br/Florestal


CARTAS

INFORMAÇÃO

Capa da Edição 164 da

Revista REFERÊNCIA FLORESTAL,

mês de junho de 2015

Por Fernando Heer,

Morungaba (SP)

Gosto da Revista, as

matérias são interessantes

e sempre trazem

informações importantes.

É o principal veículo de

comunicação que utilizo. Agradeço à equipe.

RECOMENDO

Por Gabriel Biagotti - Unibrás

Ribeirão Preto (SP)

Estamos bem satisfeitos com a

Revista REFERÊNCIA FLORESTAL.

Recomendo a assinatura da

Revista, que traz sempre novidades e

informações técnicas do setor.

Imagem: reprodução

LONGA DATA

Por Juliano Alves - Campo Grande (MS)

Assino a REFERÊNCIA FLORESTAL há anos, é importante me

manter atualizado sobre o meio florestal. Tenho grande

interesse nas florestas plantadas.

RETORNO

Por Rodrigo Anthar - Argus

Vinhedo (SP)

Foto: divulgação

Estamos muito contentes com a atração de novos negócios

decorrentes da divulgação na Revista REFERÊNCIA

FLORESTAL. Logo no primeiro anúncio que publicamos na

Revista, já recebemos retorno de clientes interessados em

nossos produtos.

TOMADA DE DECISÕES

Por Guilherme Conrado - São Paulo (SP)

Foto: divulgação

É indispensável para o meu dia a dia.

Trabalhamos no setor florestal e

precisamos estar informados

antes de tomar decisões

importantes.

Imagem: reprodução

Leitor, participe de nossas pesquisas online respondendo os e-mails enviados por nossa equipe de jornalismo.

As melhores respostas serão publicadas em CARTAS. Sua opinião é fundamental para a Revista REFERÊNCIA FLORESTAL.

E-mails, críticas e

sugestões podem ser

enviados para redação

revistareferencia@revistareferencia.com.br

Mande sua opinião sobre a Revista do Setor

Industrial da Madeira ou a respeito de

reportagem produzida pelo veículo.

08 www.referenciaflorestal.com.br


BASTIDORES

CHARGE

Charge: Francis Ortolan

REVISTA

Grande time

Várias rodas de conversa

aconteceram durante a Três Lagoas

Florestal, uma delas reuniu um

grande time do setor no estande da

Fezer. A conversa girou em torno das

potencialidades do setor florestal no

Brasil e pelo mundo.

Encontro

Na feira Três Lagoas Florestal, a

equipe da FMC Soluções Agrícolas

esteve presente e a diretora de

novos negócios do GRUPO JOTA,

Joseanne Knop, aproveitou a

oportunidade para visitar o estande

da empresa e conversar sobre

expectativas e tendências do setor.

Família reunida

A família Bachiega, das

Carrocerias Bachiega

aproveitou o evento em Três

Lagoas para conhecer as

novidades do mercado florestal.

Um belo momento de união

registrado na feira.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Na foto, da esquerda para a direita: Adriano

Andrade; Ademir de Lima e Gustavo Renê

Mostiack, da Fezer; Altamiro Schlindwein da

Schlindwein Indústria e Comércio de Portas;

Jaiame Silva, da TMO Forest e Jamil Venturi

Na foto, da esquerda para

direita: Gustavo Canato;

Kedilei Duarte; Fabio

Marques; e Joseanne Knop

Na foto, da esquerda para

a direita: Sheila e Fabio

Bachiega com as filhas

Amanda e Thais Bachiega

10

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COLUNA

Foto: divulgação

Ivan Tomaselli

Diretor-presidente da Stcp

Engenharia de Projetos Ltda

Contato: itomaselli@stcp.com.br

LENTAMENTE ESTAMOS VOLTANDO

AO MERCADO INTERNACIONAL

Recessão da economia nacional e valorização do dólar são incentivo às

exportações, melhor alternativa de momento para as fabricantes de produtos

de madeira

E

m fevereiro passado, nesta coluna, perguntava se o

setor florestal iria voltar ao mercado internacional,

pois existiam claras perspectivas de uma desaceleração

na economia nacional, com o início de um novo período de

recessão. A volta ao mercado internacional seria estimulada

não somente pela queda de demanda no mercado nacional,

mas também pela desvalorização do real, principalmente

frente ao dólar.

Hoje está claro, o Brasil está enfrentando uma grave recessão

econômica. A construção civil e os investimentos de

uma forma geral recrudesceram, e como resultado a demanda

no mercado nacional para produtos de madeira entrou em

declínio. O governo tem divulgado ações para promover o

ajuste fiscal e atrair investimentos, especialmente em obras

de infraestrutura, e com isto voltar a um ciclo de crescimento

econômico. No entanto existem dificuldades e uma mudança

na trajetória deverá ocorrer somente no médio prazo.

De meados de 2014 ao início de 2015 o real desvalorizou

aproximadamente 30%, atingindo em fevereiro uma cotação

em relação ao dólar de R$ 2,80. Do início do ano até junho

ocorreu uma desvalorização adicional de 10%. As sucessivas

desvalorizações do real, e infelizmente, a falta de ganhos em

produtividade têm sido importantes para melhorar (momentaneamente)

a competitividade no mercado internacional dos

produtos brasileiros.

O efeito da recessão da economia nacional, juntamente

com o efeito da desvalorização do real, teve impacto nas

exportações do setor de produtos de madeira sólida e pode

ser observado no quadro ao lado. O maior crescimento foi nas

exportações basicamente de produtos primários de madeira

sólida, tendo sido menor no caso do mercado de produtos de

madeira de valor agregado (pisos, portas e outros).

A análise indica que, considerando a redução da demanda

no mercado nacional e a desvalorização cambial recente (acumulada

em aproximadamente 40%), o aumento das exportações

foi menor que o esperado. O maior aumento nas exportações

de produtos de madeira sólida foi no caso do compensado

tropical (61%), no entanto a base é muito baixa, e os volumes

exportados são ainda muito pequenos comparados com as

estatísticas de décadas passadas. Analisando regionalmente

o impacto parece ser mais alto. O Mato Grosso, por exemplo,

aumentou as exportações totais de produtos florestais em

aproximadamente 22% no período.

Deve-se, no entanto, considerar a sustentabilidade do

processo. Não parece que os segmentos envolvidos na produção

e comercialização de produtos de madeira sólida estejam

investindo, e mudando de mercado com base a ganhos de

competitividade na operação. Se for uma mudança de mercado

meramente baseada em uma redução da demanda interna e

da desvalorização cambial, o processo não será sustentável.

Variação nas Exportações de Produtos de Madeira (Janeiro a Maio)

PRODUTO

Madeira serrada tropical

Compensado tropical

Lamina tropical

Madeira serrada de pinus

Compensado fenólico de pinus

2014

1000 m³

139

9,5

5,0

367

515

2015

1000 m³

158

15,2

4,9

462

583

VARIAÇÃO

(%)

+13

+61

-2

+23

+13

O maior aumento nas exportações de produtos de madeira

sólida foi no caso do compensado tropical (61%), no entanto

a base é muito baixa, e os volumes exportados são ainda muito

pequenos comparados com as estatísticas de décadas passadas

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NOTAS

PALESTRAS

ONLINE

Imagem: divulgação

As palestras dos dias de campo sobre a Ilpf

(Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) estão

disponíveis pelo Canal Empraba via youtube. As

filmagens do projeto Transferência de Tecnologia

em Ilpf foram feitas no Mato Grosso, mas devem

incluir novos Estados para que informações

de outros biomas sejam repassadas. O intuito,

que tem apoio da Rede de Fomento à Ilpf, é

não deixar os conteúdos restritos somente para

quem participa do evento, além de facilitar que

dúvidas sejam tiradas pelo meio virtual. Palestras sobre manejo de espécies florestais, controle de formigas e adubação

estão entre as já liberadas. Os vídeos duram entre 15 e 50 minutos e são feitos por pesquisadores da Embrapa, professores

universitários, consultores e representantes de instituições parceiras. Para acessar basta entrar na playlist dentro

do canal palestras Ilpf.

EXPORTAÇÕES

EM ALTA

Segundo o Mdic (Ministério do Desenvolvimento,

Indústria e Comércio Exterior), o Mato Grosso registrou

um aumento de 21,82% na quantidade de madeira exportada.

O resultado é referente ao período de janeiro

a maio deste ano, comparado com o mesmo período

de 2014. O Estado embarcou 43,5 mil t (toneladas) de

produtos em 2015, fazendo com que a receita de vendas

externas alcançasse US$ 38,428 milhões, 3,94% a mais

que no mesmo período do ano passado. Produtos como a madeira tropical em bruto (+614%), a madeira compensada folheada

(+53,14%), a madeira tropical serrada (15%), a madeira de cerejeira cerrada (5,63%) e a madeira perfilada (7,53%)

foram destaques na comercialização. Já a madeira serrada/cortada em folhas (-18,32%), a madeira de ipê serrada (-48,73%),

a madeira em bruto (-14,47%), a madeira de cedro serrada (-3,42%) e os móveis de madeira para cozinha (-27,54%) apresentaram

queda nas vendas. Para o presidente do Cipem (Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira

do Estado de Mato Grosso), Geraldo Bento, as condições de comercialização da madeira no mercado interno devem ser

melhoradas. Segundo Geraldo, um reajuste neste ano no preço mínimo dos produtos madeireiros inviabilizaria ainda mais

a comercialização interna. Fatores como o alto custo de produção e o atraso na aprovação dos projetos de manejo florestal

também contribuem para esse arrefecimento das vendas internas.

Foto: divulgação

14

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BAMBU É APOSTA

DE INVESTIMENTO

Foto: Gilberto Assunção

Em parceria com o Governo do Acre, o Ministério da Ciência,

Tecnologia e Inovação está criando um CVT (Centro

de Vocação Tecnológica) para capacitação e beneficiamento

do bambu em Rio Branco. Além do desenvolvimento de

pesquisas, toras da planta serão transformadas em laminados.

O bambu já é usado pela indústria chinesa e colombiana,

em que, depois de tratado, o material pode ser aplicado

na construção de casas, pisos, decks de piscina e, inclusive,

embarcações. Mesmo sendo popular em todo o Brasil, estima-se

que apenas a região amazônica possua 6 milhões de

ha (hectares) da planta, por isso, o ministério iniciou, em junho, o repasse dos R$ 2,4 milhões ao Estado. O Governo do Acre

está dando uma contrapartida de R$ 196 mil e será responsável pela manutenção do espaço. De acordo com a secretária de

Ciência e Tecnologia do Estado do Acre, Renata Souza, os cursos de capacitação para extrativistas e agricultores começam em

agosto. A construção da parte física do projeto está prevista para o início de 2016. A secretária revelou, também, que o Estado

já está negociando com uma empresa norte-americana que deseja montar uma fábrica de pisos de bambu no município de

Xapuri. Segundo o secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do Ministério, Eron Bezerra, o comércio da matéria-

-prima bruta é menos lucrativo que a venda de produtos tratados industrialmente. Para dar uma ideia da diferença, ele deu o

exemplo com a madeira: 5 m 3 (metros cúbicos) de madeira bruta na Amazônia, o equivalente a uma árvore média da região,

custa cerca de R$ 1 mil, mas, se essas toras forem serradas e transformadas em pranchas de um palmo de grossura, os mesmos

5 metros cúbicos passariam a valer R$ 3 mil.

FLORESTAS

PLANTADAS

Segundo o presidente da Reflore/MS (Associação Sul-

-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas

Plantadas), Moacir Reis, a área plantada com florestas no

Mato Grosso do Sul pode chegar até 5 milhões de ha (hectares),

caso haja necessidade e mercado. O raciocínio de Reis é

um indício do próximo planejamento estratégico, que deverá

ter validade para os próximos dez anos e que será feito para o

setor florestal, no sentido de aumentar a área plantada com

eucalipto. O governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, tem ressaltado o fato de o Estado ter 10 milhões de ha

de áreas degradadas que poderiam ser utilizadas pelo setor florestal. Porém, Moacir Reis explica que a apesar da disposição

de terras apropriadas para o plantio de florestas, serão as necessidades e o mercado que definirão o quanto será aumentado

em termos de área plantada. “Caso o mercado necessite, poderemos ter uma área de 5 milhões de ha com florestas plantadas.

Isso precisa de planejamento e, pelo o que dispomos hoje, chegaríamos a esta área em 2040”, afirma Moacir. Na avaliação

dele, a preocupação socioambiental do setor florestal do Estado será enfatizada pela Reflore/MS, para que o desenvolvimento

da indústria de base florestal não esbarre em detalhes que possam travar investimentos.

Foto: divulgação

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

15


NOTAS

MAIS PRODUTIVIDADE

NA ESTRADA

As empresas que transportam madeira

pelas estradas estão optando por implementos

mais leves para alcançar mais produtividade.

A solução está nos fueiros com metal

mais leve e resistente. “Ao mesmo tempo

que aumentam a capacidade de carga do

conjunto, no retorno ocorre a diminuição

do consumo de combustível e desgaste dos

pneus, pois o implemento fica mais leve com

os fueiros produzidos com aço de alta resistência.

Para o Brasil, produzimos modelos de

fueiros a partir de 123 kg (quilos) a unidade,

no exterior fornecemos para operações que

usam fueiros com 77 kg a unidade”, ressalta

Régis Puccini, gerente comercial da Unylaser, fabricante dos fueiros Raptor.

A empresa também fabrica os painéis e barrotes em aço de alta resistência. Eles reduzem ainda mais o peso do implemento,

um exemplo é o painel Raptor que pesa somente 272 kg a unidade em comparação aos painéis tradicionais que

superam os 500 kg”, compara Régis.

A empresa oferece soluções de fueiros com hastes fixas e hastes removíveis. Os produtos atendem à norma internacional

de segurança DIN EN 12642 Code XL. “Desenvolvemos soluções customizadas para cada necessidade de operação, primeiro

analisamos as características para somente após indicar o modelo para aplicação.”

De acordo com Régis, no Brasil a maioria das operações estão utilizando o fueiro com haste fixa pelo custo e peso

menor que o removível. “Essa tendência é justificada pelas avaliações feitas por analistas de custo e logística dos grandes

transportadores, que mostram que o índice de reparo nas hastes é baixo ou nulo”, avalia Régis. A Unylaser faz parte do

grupo PCP Steel, que tem mais de 35 anos de atuação no mercado de aços de alta resistência.

Foto: divulgação Foto: Unylaser

16

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NOTAS

PLANO

DE AÇÃO

Foto: Fiep

CAR AUMENTA

INSCRITOS

Segundo o SFB (Serviço Florestal Brasileiro), o CAR (Cadastro

Ambiental Rural) já recebeu a inscrição de mais de 1,5

milhão de imóveis rurais. Com isso, 53,56% da área passível

de cadastro, avaliada pelo Censo Agropecuário Ibge (Instituto

Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2006, está regulamentada.

Hoje, segundo o boletim informativo do CAR e a relação

de dados do Sicar (Sistema Nacional de Cadastro Ambiental

Rural), 212,92 milhões de ha (hectares) estão registrados,

sendo que 21 milhões foram só no mês de maio. Considerando o valor total das áreas inscritas, a região norte aparece com

maior participação com 71,46 milhões de ha que correspondem a 75,32%. Já a região sul é a que tem menos destaque

com 286 mil imóveis registrados (17,54%). Todos os cadastros, segundo o diretor geral do SFB, Raimundo Deusdará Filho,

passarão por análise técnica, feita pelos Estados, Distrito Federal e por um módulo eletrônico desenvolvido pelo SFB com

apoio da Universidade Federal de Lavras (MG). É importante lembrar que o CAR é um registro eletrônico obrigatório para

regularização ambiental das propriedades e posses rurais do Brasil. Foi criado pela Lei 12.651/12 (Novo Código Florestal)

e é uma ferramenta importante para auxiliar no combate ao desmatamento e no planejamento da recuperação de áreas

degradadas. O prazo para o cadastramento se encerra em 5 de maio de 2016.

Imagem: divulgação

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NOTAS

GOVERNO PRETENDE

ESTIMULAR

EXPORTAÇÕES

Imagem: divulgação

O Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior)

tornou público o Plano Nacional de Exportações. O Brasil é a 7ª economia

do mundo e é o 25º país em termos de exportações de bens. Em relação

ao volume total de exportações no mundo, o país aparece com participação

de 1,2%. Segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional), o comércio

mundial poderá crescer 4,8% no período de 2015 a 2020. Atualmente, para

cada US$ 1 bilhão exportado são mobilizados aproximadamente 50 mil

trabalhadores. O Plano terá vigência até 2018 e tem intuito de aumentar

as exportações brasileiras a partir da ampliação do número de empresas no

comércio exterior, inclusive com uma maior participação das micro, pequenas

e médias empresas, e da diversificação da pauta, com foco nos produtos de

maior densidade tecnológica. O Plano contempla, também, medidas para ampliação das exportações do agronegócio e

para a recuperação das exportações de produtos manufaturados, além disso, está estruturado em cinco pilares: acesso

a mercados: promoção comercial; facilitação de comércio; financiamento e garantias às exportações e aperfeiçoamento

de mecanismos e regimes tributários para o apoio às exportações.

METAS CONJUNTAS

A última visita da presidente Dilma Rousseff aos

EUA (Estados Unidos da América) rendeu uma pauta

recheada de compromissos firmados junto com o

presidente Barack Obama. Entre os tópicos da pauta

foram abordadas metas conjuntas para enfrentar os

desafios das mudanças climáticas. Ficou acertado

que os EUA irão reduzir de 26% a 28% as emissões de

gases do conjunto de sua economia até 2025, tendo

por base o ano de 2005. “O Brasil implementará

políticas com vistas à eliminação do desmatamento

ilegal, em conjunto com o aumento ambicioso de

estoques de carbono por meio do reflorestamento

e da restauração florestal”, relata o documento. Para tanto, o Brasil pretende restaurar e reflorestar 12 milhões de ha (hectares)

de florestas até 2030 e espera que, até lá, a utilização de fontes renováveis fique entre 28% e 33% de toda a sua matriz

energética. Os dois países pretendem também lançar um Programa Binacional de Investimentos em Florestas e Uso da Terra,

visando melhorar as condições de atração de investimentos no manejo sustentável. No documento, os presidentes ressaltam

a necessidade de apoio financeiro continuado e robusto. Brasil e EUA querem ainda revitalizar o trabalho da Aliança Global de

Pesquisa sobre Gases de Efeito Estufa provenientes do setor agropecuário e assinar declaração de intenções sobre soluções

para incêndios florestais em ambientes tropicais.

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

20

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O CONTROLE ESTÁ EM SUAS MÃOS

DDG 0800 18 3000

A SOLUÇÃO ECONÔMICA

PARA

EXTERMINAR FORMIGUEIROS


NOTAS

CORTE E

DERRUBADA

PROIBIDOS

Foto: Ana da Silva Lédo/Empraba

Está proibido o corte e a derrubada da

mangabeira (Hancornia speciosa) - árvore símbolo

do Sergipe - em todo o território nacional.

A proposta é um Projeto de Lei 1066/15 do

deputado João Daniel (PT-SE) e foi aprovada

pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento

Sustentável da Câmara dos Deputados

no mês de julho. Órgãos especializados da

administração pública (municipal, estadual ou federal) serão exceções do projeto, mas, para que possam realizar

corte ou derrubada, devem fazer antecipadamente um pedido que contenha as justificativas da ação. Quem será

responsável pelas decisões é o MMA (Ministério do Meio Ambiente). Se a proposta não for cumprida, haverá multa

no valor de R$ 1.500 por mangabeira cortada e os infratores também estarão sujeitos às penas previstas por outros

crimes ambientais. Com a Lei, o plantio da árvore será obrigatório na implantação de projetos de reflorestamento

em regiões nativas e em locais que a mangabeira seja usada como meio de subsistência e alimentação.

CONHECIMENTO

SIMPLIFICADO

Editada pela Edusp (Editora da Universidade de São

Paulo) e pela Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz

de Queiroz da Universidade de São Paulo), a Enciclopédia

Agrícola Brasileira já está disponível em versão online,

impressa e monolíngue. A publicação apresenta caráter

multidisciplinar, abrangendo áreas como a Fitotecnia,

Zootecnia, Engenharia Rural, Tecnologia Rural, Economia

Rural e Engenharia Florestal sobrepondo a outras áreas

como Agricultura, Botânica, Ciência do Solo, Entomologia,

Física e Meteorologia, Fitopatologia, Genética, Horticultura,

Matemática e Estatística, Química e Zoologia. O dicionário

também possui a proposição de uma microestrutura dos verbetes adequada ao redimensionamento de dicionários bilíngues

que tenham como ponto de partida enciclopédias; a caracterização morfossintática e semântica dos termos integrantes; a

especificação dos processos preferenciais de criação de termos da área; entre outros.

Imagem: reprodução

22

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ALTA E BAIXA

ALTA

CONCESSÃO FLORESTAL

Oriximiná (PA) foi o primeiro município brasileiro a se habilitar para receber recursos gerados pelo uso econômico

das florestas públicas federais. Em junho, um repasse de R$ 753 mil, referente à produção de madeira sustentável

na Flona (Floresta Nacional) de Saracá-Taquera, foi enviado do SFB (Serviço Florestal Brasileiro) para

o município. O repasse é previsto pelo artigo 39 da Lei de Gestão de Florestas Públicas, N° 11.284/2006,

que determina que parte do valor pago ao SFB pelo manejo das florestas federais seja distribuído

entre o Icmbio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade), o Fndf (Fundo Nacional de Desenvolvimento

Florestal) e os Estados e municípios que abrigam as florestas concedias. Em Oriximiná,

o recurso será utilizado segundo o plano de aplicação aprovado pelo Conselho Municipal de

Meio Ambiente. Há também possibilidade de estruturação da gestão ambiental do município,

como a aquisição de uma sede para o conselho de meio ambiente e a compra de equipamentos e veículos

para a prefeitura. Pelas projeções do SFB, o município poderá receber cerca de R$ 5 milhões nos próximos

cinco anos. Os repasses são regulares e irão variar de acordo com a produção de cada unidade de manejo da

Flona de Saracá-Taquera. Os municípios paraenses de Faro e Terra Santa também serão beneficiados. Já Rondônia,

Itapuã do Oeste, Cujubim, Candeias do Jamari e Porto Velho possuem recursos a receber referentes

ao uso econômico da Flona de Jamari, no caso dos dois primeiros, e da Flona de Jacundá, nos dois segundos.

CLASSIFICAÇÃO DE MUDAS

Engenheiros estudam a adaptação de um sistema computacional para seleção de plantas em mudas de eucalipto.

Desenvolvido pela empresa Mvisia com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado

de São Paulo) e por meio do programa Pipe (Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas), o sistema foi criado

para classificar mudas de violeta, porém poderá ser adaptado para outras variedades vegetais. “A partir das

fotos das mudas, nosso sistema identifica um conjunto de parâmetros que possibilita classificá-las, com até

80% de acerto”, afirma o engenheiro Luiz Lamardo Silva, sócio-fundador da Mvisia, empresa atualmente incubada

no Cietec (Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia). Para organizar os critérios de classificação,

um conjunto de 300 mudas são utilizadas como referência. Em seguida, as mudas são divididas em 75

unidades formando subconjuntos A, B, C, D. Cada muda é fotografada duas vezes e são técnicas computacionais

que permitem extrair 26 parâmetros, em que uma filtragem para a remoção de atributos irrelevantes ou

redundantes reduz o número de parâmetros para 11.

NÃO É LEGAL

Segundo o Greenpeace Brasil, Portugal voltou a ser importador de madeira ilegal proveniente do Brasil e

da África. Quatro empresas portuguesas foram denunciadas por trazerem produtos florestais vindos da

República Democrática do Congo. Um estudo da organização não governamental Global Witness afirma que

Portugal é o terceiro importador mundial de madeira do Congo, com um quarto do total, e está envolvido

em processos de produção e exportação ilegal do produto. O regulamento europeu do Icnf (Instituto da

Conservação da Natureza e Florestas) não permite a entrada de madeira ilegal

na Europa.

BAIXA

PLANO NACIONAL DE EXPORTAÇÃO PREJUDICOU

EXPORTADORES

Mesmo com o lançamento do PNE (Plano Nacional de Exportação), no dia 24 de junho, os

exportadores brasileiros continuam aguardando medidas consideradas imediatas, uma delas

é a volta das aprovações do Proex Equalização (Programa de Financiamento à Exportação), que

está interrompido desde outubro de 2014, em que os recursos foram totalmente tomados. Este ano,

o orçamento destinado ao programa foi aprovado e as normas e regulamentos estão vigentes e inalteradas.

Essa atitude havia criado uma expectativa aos exportadores, mas mesmo depois de seis meses

esperando uma posição do governo, ainda não há mudança. O Cofig (Comitê de Financiamento e Garantia

das Exportações), encarregado de discutir o tema, cancelou uma reunião que iria debater a situação e não deu

previsão para um novo encontro.

24

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BIOMASSA

EUCALIPTO

PARA ENERGIA

Foto: REFERÊNCIA

S

egundo o secretário de Desenvolvimento Econômico de

Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, a produção de eucalipto

deverá, em 2017, chegar em 1 milhão de ha (hectares)

no Estado - atualmente, a área plantada é de 820 mil ha. O

aumento na demanda proporciona mais chances para a criação

de quatro usinas, que vão gerar energia elétrica por meio de

biomassa. Para o secretário, “essa capacidade de produção vocaciona

o Estado para a geração de energia elétrica verde, que

por sua vez deixa de ser um subproduto de produção de celulose

e passa a ser um produto final com as construções de usinas”.

As unidades serão instaladas em Costa Rica, Ribas do Rio Pardo

e Água Clara. “Prevemos para novembro um novo leilão, se conseguirmos

que o valor se estabeleça em no máximo R$ 270 por

MW/h (Megawatts/hora), com certeza as quatro usinas serão

construídas. Percebemos o mercado extremamente favorável

para que o Estado também seja um exportador de energia por

base em biomassa”, aposta o secretário.

ENERGIA DE BIOMASSA PODERÁ

ABASTECER 1,3 MILHÃO DE PESSOAS

C

om a ampliação das fábricas de celulose da Eldorado

e da Fibria, o Mato Grosso do Sul terá 330 MW/h

(Megawatt/hora) de excedente na geração de energia

produzida com biomassa. A quantidade é suficiente para

abastecer uma cidade de 1,3 milhão de habitantes e poderá

ser vendida para a Central Energética Nacional. Segundo o gerente

de Recuperação e Utilidades da Eldorado Brasil, Murilo

Sanches da Silva, a partir da biomassa gerada e processada

na fábrica, é possível gerar 80 t/h (toneladas/hora) de vapor.

Após a extensão da Eldorado Brasil, será possível fabricar

328 MW/h com consumo de 155 MW/h e excedente de 170

MW/h, podendo ser direcionado também à Central para distribuição.

Já a Fibria/MS passará a produzir 385 MW/h, com

consumo de 225 MW/h e excedente de 160 MW/h direcionados

ao Sistema Nacional de Energia. A base em biomassa é

produzida através das florestas de eucalipto.

Foto: divulgação

26

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APLICAÇÃO

DIFÍCIL

ACESSO

U

m projeto da Associação de

Conservação Amazônica pretende

monitorar a área de

preservação peruana cuidada pela organização

que atualmente conta com apenas

cinco guardas que monitoram por

terra uma área de mata fechada, sem

entradas pavimentadas. Guiado por um

controle remoto, o drone é equipado

por câmeras, que registram, em tempo

real, as florestas da região. Cada drone

custa US$ 5 mil e tem a aparência um

pouco diferente das tradicionais, pois

não possuem hélices de helicópteros,

assemelhando-se a pequenos aviões usados em aeromodelismo. Segundo o estudante de biologia da WFU (Wake

Forest University) Max Messinger, que auxilia no desenvolvimento do projeto, os aviões são capazes de voar a 300 pés

e alcançam uma distância de até 16 quilômetros no piloto automático. Além disso, é possível usar coordenadas de

GPS para enviar o drone a regiões específicas ou programar um voo padrão de varredura de uma área da reserva. O

estudante revela ainda que as imagens de satélite são boas para grandes operações, mas que a resolução nem sempre

é elevada o suficiente para identificar o desmatamento em áreas pequenas; sem contar as imagens que costumam ser

prejudicadas pela incidência de nuvens.

Foto: Amazonía Andina

CONTROLE

TECNOLÓGICO

Foto: divulgação

C

om intuito de economizar água, tempo

e dinheiro uma equipe californiana de

especialistas criou um controlador inteligente

para irrigação apelidado de Blossom. O dispositivo

funciona por meio de um aplicativo que

se adapta às condições climáticas do local em que

a rega será feita. O ajuste é realizado em tempo real e a rega também pode ser customizada de acordo com os

diferentes tipos de plantas, incluindo agendamento e monitoração através de um painel que pode ser controlado

por um computador, smartphone e tablet. O Blossom tem capacidade de economizar 30% de água usada para

irrigar plantações, funciona em ambientes internos e externos, além de possibilitar a organização de 12 áreas

vegetativas, memorizando nome, foto e tipo de planta.

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FRASES

Na medida em

que o governo do

Estado prioriza

os projetos de

manejo também

reforça o combate

ao desmatamento

ilegal, já que

o manejo é

uma forma de

exploração

sustentável da

madeira que

valoriza a floresta

em pé

A secretária da Sema (Secretaria

de Estado de Meio Ambiente),

Ana Luiza Peterlini, sobre a

força-tarefa com projetos de

manejo florestal realizados pela

secretaria.

Precisamos nos unir para resolver o problema,

porque se uma das dificuldades é a falta de técnicos,

precisamos buscar uma solução em conjunto

O deputado Oscar Bezerra (PSB) sobre os prejuízos ao setor florestal causados pelos

manejos não liberados na Sema (Secretaria de Meio Ambiente).

Atualmente são mais de 300 projetos na Sema

(Secretaria de Meio Ambiente) à espera de análise e

liberação. Com a descentralização será realizada forçatarefa

para zerar estes passivos

O presidente do Simenorte (Sindicato dos Madeireiros do Extremo Norte de Mato Grosso),

Frank Rogieri, sobre a implantação do projeto piloto de desconcentração da Sema.

Precisamos da isenção de imposto de resíduos para

que possamos dar um destino a eles e da isenção do

Icms do frete da comercialização interestadual, ou

melhor, intermunicipal, para que possamos viabilizar

as espécies de madeira que nós temos de valor

menos agregado e que está ficando na floresta

Geraldo Bento, presidente do Cipem (Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras

de Madeira do Estado de Mato Grosso), sobre as dificuldades enfrentadas com

diversas secretarias do setor.

Nós queremos chegar no Brasil a desmatamento

ilegal zero até 2030

Foto: Governo do Mato Grosso

A presidente Dilma Rousseff sobre o compromisso firmado nos EUA (Estados Unidos

da América) com o presidente Barack Obama que visa recuperar 120 mil km²

(quilômetros quadrados) de florestas e zerar o desmatamento ilegal em 15 anos.

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

29


ENTREVISTA

Foto: divulgação

Marcílio Caron Neto

LOCAL DE NASCIMENTO

Brusque (SC)

Brusque (SC)

ATIVIDADE/ ACTIVITY:

Diretor executivo da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores)

Executive Director of Ibá (Brazilian Tree Industry)

FORMAÇÃO/ ACTIVITY:

Engenheiro Florestal e Administrador de Empresas pela Ufpr (Universidade Federal do Paraná)

Forestry Engineering and Business Administration, Ufpr (Federal University of Paraná)

Menos restritivo e mais produtivo

Less restrictive and more productive

O

setor de base florestal está começando a ser mais reconhecido

pelo governo e pela sociedade pelas virtudes

econômicas e ambientais. Não faltam argumentos

para mostrar que é responsável por muitos postos de trabalho e

na geração de riquezas para o país. Ainda assim existem arestas

que precisam ser aparadas, principalmente quando se compara o

segmento com atividades que geram impacto ao meio ambiente,

o que na prática é um contrassenso. O diretor executivo da Ibá (Indústria

Brasileira de Árvores) fala com exclusividade para a REFE-

RÊNCIA FLORESTAL das mudanças por quais o setor vem passando

e aponta alguns entraves que ainda precisam ser solucionados.

G

overnment and Society are beginning to recognize the Forest-based

Sector due to its economic and environmental

virtues. There is no shortage of arguments to show that it

is responsible for many jobs and the generation of wealth for the

Country. There are still several notions that need to be overcome,

especially when comparing the Sector with activities that generate

impact on the environment, which in practice is a contradiction.

The Executive Director of Ibá (Brazilian Tree Industry) speaks exclusively

to REFERÊNCIA FLORESTAL about the changes, which the

sector is undergoing, and some of the obstacles that still need to

be resolved.

30

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A silvicultura está enquadrada como uma atividade de

significativo impacto ambiental em resolução do Conama,

o que não se comprova na prática. Quais as consequências

para o setor florestal em estar nesse nível de classificação?

Consta da resolução Conama nº 01, de 1986, que os projetos

agropecuários acima de mil ha (hectares), devem

apresentar EIA (Estudo de Impacto Ambiental) e Rima

(Relatório de Impacto Ambiental). Neste contexto, o legislador

entende que a agropecuária inclui a silvicultura

por serem atividades agronômicas. A resolução Conama

Nº 237, de 1997 cria a Licença Ambiental para atividades

consideradas efetivas ou potencialmente causadoras de

significativa degradação do meio ambiente, inserindo a

silvicultura no rol das atividades que necessitam de licença

para serem implantadas. As normas classificam o plantio de

árvores e depois a formação de bosque, de igual impacto

degradatório, que a construção de uma hidroelétrica, de

uma autoestrada ou da exploração minerária.

O que pode ser feito para mudar esse status?

Há a necessidade de reparar e atualizar as normas aos

tempos atuais, uma vez que, o status regulatório é dos

anos 80, e esta gravada em resoluções do Conama. Sendo

necessárias leis ordinárias, para evitar judicialização do

processo licenciatório. A pesquisa e a ciência fornecem

todos os argumentos para comprovar que a formação e o

cultivo de árvores não ocasionam significativa degradação

ambiental, bem pelo contrário, protegem o solo, são

verdadeiros filtros de ar, e são consumidores de carbono.

A legislação pode mudar de Estado para Estado, mas as leis

federais valem igualmente para todos. Existe algum projeto

para unificar ou padronizar os regimentos do setor?

As normas ambientais eram de competência federal, até a

promulgação da Lei Complementar nº 140, de 2011, que

trata da cooperação entre a União, os Estados, o Distrito

Federal e os Municípios nas ações administrativas decorrentes

do exercício da competência comum relativas

à proteção da paisagens naturais notáveis, à proteção do

meio ambiente, ao combate à poluição. Por sua vez os Esta-

Forestry is considered as an activity having a significant

environmental impact, under Conama (National Council

for the Environment), which isn’t demonstrated in practice.

What are the consequences of this for the Forest

Sector being classified as such?

In Conama resolution nº 01, 1986, farming projects above

thousand ha require an EIA (Environmental Impact Assessment)

and Rima (Environmental Impact Report). In this

context, the legislators considered that arming includes

forestry, due to it being an agronomic activity. The 1997

Conama resolution No. 237 created the need for an environmental

license for activities considered to effectively

or potentially cause significant degradation of the environment,

forestry is in the list of activities that require a

license to be implemented. The rules classify tree planting

and later the formation of the forest, as having a degrading

impact, the same as that for the construction of a hydroelectric

plant, a highway or a mining operation.

What can be done to change this status?

There is a need to repair and update the rules to current

times, since the regulatory status is still the same as created

in the 80’s, and recorded in Conama Resolutions. Ordinary

Laws are necessary to prevent the legal licensing

processes. Research and science provide all the arguments

to prove that the formation and cultivation of trees do not

cause significant environmental degradation; on the contrary,

they protect the soil, are true air filters, and are consumers

of carbon.

The legislation may change from State to State, but Federal

Laws are valid equally for everyone. Are there any

projects to unify or standardize the regimen of the Sector?

Environmental standards were of Federal jurisdiction, until

the enactment of Complementary Law No. 140, in 2011,

which deals with cooperation between the Federal Union,

the States, the Federal District and the Municipalities in

the administrative actions arising from the exercise of

common jurisdiction, concerning the protection of notable

“As normas classificam o plantio de árvores e depois

a formação de bosque, de igual impacto degradatório,

que a construção de uma hidroelétrica, de uma

autoestrada ou da exploração minerária”

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

31


ENTREVISTA

dos adequam as legislações a sua peculiaridades de clima,

solo e de bioma. Por este motivo, observamos diferentes

exigências legais a serem cumpridas pelos empreendedores

florestais no território nacional.

A participação do PIB (Produto Interno Bruto) nacional

não seria um indicativo da importância econômica do

segmento?

Em 2013, o setor brasileiro de árvores plantadas adicionou

ao PIB - R$ 4,8 trilhões - cerca de R$ 56 bilhões, representando

1,2% de toda riqueza gerada no país e cerca de

24% do valor adicionado ao PIB pelo setor agropecuário.

Em relação a 2012, o crescimento do setor foi de 5,9%,

enquanto o Brasil fechou o ano com crescimento de 2,3%.

Em termos marginais, cada ha plantado com árvores no

Brasil adicionou ao PIB nacional em 2013 cerca de R$ 7,4

mil/ano. Para efeito de comparação, o complexo soja –

importante referência nacional – adicionou R$ 4,8 mil/ano

por ha plantado e a pecuária, R$ 2,5 mil/ano.

E quanto à geração de empregos?

O setor de árvores plantadas empregou diretamente

somente em 2013 cerca de 630 mil pessoas, crescimento

de 1,6% em relação à quantidade de pessoas empregadas

no ano anterior (620 mil). Considerando os indicadores

de multiplicação do modelo de geração de empregos do

Bndes (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e

Social) de 1999, estima-se que em 2013 o número total de

postos de trabalho gerados direta, indiretamente e pelo

efeito renda da atividade florestal seja da ordem de 4,40

milhões. É importante ressaltar que a sinergia existente entre

os diferentes ramos da indústria de produtos de árvores

plantadas permite a formação de arranjos produtivos em

regiões localizadas for de grandes centros urbanos, o que

apoia significativamente o desenvolvimento do interior do

país. Alguns dos bons exemplos de municípios beneficiados

são Telêmaco Borba (PR), Rio Negrinho (SC), e Itapeva (SP),

devido a grande concentração de empresas nessas regiões.

natural landscape, the protection of the environment, and

the fight against pollution. As such, the States made their

laws according to peculiarities of their climate, soil and

biome. For this reason, there are different legal requirements

to be met by the forest businesses throughout the

Country.

Is not the Sector’s share of GDP indicative of the economic

importance of the Sector in Brazil?

In 2013, the Brazilian Planted Tree Sector added about R$

56 billion to the R$ 4.8 trillion Brazilian GDP, representing

1.2% of all wealth generated in the Country, and about

24% of the value added to GDP by the Farm Sector. In relation

to 2012, the Sector’s growth was 5.9%, while economic

growth in Brazil ended the year at 2.3%. In marginal

terms, each hectare planted with trees in Brazil, added

about R$ 7.4 thousand to national GDP in 2013. For comparison,

the soybean complex – an important national reference

– added R$ 4.8 thousand per hectare planted, and

livestock, R$ 2.5 thousand per hectare of pasture.

What about jobs?

Just in 2013, the Planted Tree Sector directly employed

about 630 thousand people, an increase of 1.6% compared

to the number employed in the previous year (620

thousand). Considering the Bndes (National Economic and

Social Development Bank) multiplication indicators in the

1999 job creation model, it is estimated that, in 2013, the

total number of jobs generated directly, indirectly and

from the income effect by the forestry activity is of the order

of 4.40 million. It is important to note that the synergy,

existing between the different productive segments of the

Planted Tree Sector, leads to the formation of segments

in localized areas outside of major urban centers, which

significantly support the development of the interior of the

Country. Some good examples of benefited municipalities

are: Telêmaco Borba (PR), Rio Negrinho (SC), and Itapeva

(SP), because of the high concentration of companies in

“O Mapa retorna, após 29 anos, a emanar a

política de desenvolvimento

florestal no país”

32

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“O mercado torna-se ofertador de matéria-prima

de diâmetros avantajados quando a procura e

o preço são atraentes”

A mudança de vínculo do setor de florestas plantadas, que

até o ano passado estava associado ao MMA (Ministério

do Meio Ambiente) e agora está com o Ministério da Agricultura,

já é um passo importante. O que pensa sobre isso?

A determinação do poder executivo em reconhecer que o

setor de árvores plantadas é competência institucional do

Mapa (Ministério de Estado da Agricultura, do Abastecimento

e Pecuária), atendeu ao pleito antigo da atividade

florestal e da indústria consumidora de material lenhoso.

O Mapa retorna, após 29 anos, a emanar a política de

desenvolvimento florestal no país.

Nos últimos anos houve expansão e fortalecimento das

associações estaduais, que tem o segmento florestal e

madeireiro em comum. De que forma esse associativismo

é visto pelos órgãos e gestores públicos e como isso reflete

nos processos regimentais?

As entidades estaduais representam o setor de árvores

plantadas em seus respectivos Estados, e desempenham

papel importante, para a política e para o desenvolvimento

da atividade, bem como participam da Ibá. Compartilham

com as secretárias de agricultura dos Estados o fomento

do plantio do eucalipto e do pinus, inserindo os pequenos

e médios produtores agrícolas na produção de madeira, e

na regularização ambiental das propriedades rurais.

Pela primeira vez o Brasil tem um representante no cargo

institucional máximo do setor de base florestal mundial.

A presidente executiva da Ibá, Elizabeth de Carvalhaes,

assumiu a presidência do Icepa (International Council of

Forest and Paper Associations). O que isso representa para

o setor em nosso país?

A presidente executiva da Ibá, Elizabeth de Carvalhaes, pela

liderança e competência alçou em 2015 a presidência da

Icfpa, que representa mais de 30 associações nacionais e

regionais florestais e de papel ao redor do mundo. Juntos os

membros da Icfpa representam mais de 90% da produção

global de papel e metade da produção mundial de madeira.

A entidade serve como um fórum para seus membros

voltado à discussão de temas relacionados à floresta e à

these regions.

The change of the link of the Planted Forest Sector, which

until last year was with the Ministry of the Environment,

and now is with the Ministry of Agriculture, is an important

step. Can you say something about this?

The determination of the Executive Power to recognize

that the Planted Tree Sector is the institutional competence

of the MAP (Ministry of Agriculture, Livestock and

Supply), answered the old demand by the forest activity

and timber material consumer industry. MAP returns, after

29 years, to be responsible for the forest development

policy in the Country.

In recent years there has been an expansion and strengthening

of State Associations, which have the interest of

the Forestry and Forest Sectors in common. In what way

are these Associations seen by the public authorities and

how does this reflect on the regimental processes?

State Entities represent the Planted Tree Sector in their respective

States, and play an important role, as to policy

and the development of the activity, as well as participating

in Ibá. They share with the State Secretaries of Agriculture

as to promoting the planting of eucalyptus and pine,

inserting the small and medium agricultural producers in

the production of timber, and the environmental regularization

of rural properties.

For the first time, Brazil has a representative in charge

of a world forest-based institution. Elizabeth de Carvalhaes,

the Executive President of Ibá, assumed the Presidency

of ICFPA (International Council of Forest and Paper

Associations). What does this mean for the Sector in our

Country?

Elizabeth de Carvalhaes, Executive President of Ibá, due

to her leadership and competence took on the Presidency

of ICFPA in 2015, an association which represents more

than 30 national and regional forestry and paper associations

around the world. Together, ICFPA members represent

more than 90% of the global paper output and half

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

33


ENTREVISTA

indústria de celulose de interesse internacional. Além de

ter status de consultora junto à Ecosoc (Concelho Social e

Econômico das Nações Unidas) e a FAO (Organização das

Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).

As empresas que procuram utilizar o eucalipto para

produção de móveis e outros produtos que precisam de

toras com maior diâmetro estão encontrando grande

dificuldade para achar essa matéria-prima. Atualmente o

que se planta é eucalipto de curta rotação. Acredita que

estamos abrindo mão de um mercado com alto valor de

produto agregado?

Para termos toras de eucalipto com diâmetros compatíveis

com as necessidades da indústria moveleira e para estruturas

de obras civis de grande envergadura, em que há a

necessidade de madeira de alta resistência físico/mecânica,

necessita-se de clones nos quais as características de alta

densidade e resistência sejam preponderantes, e provenientes

de cultivos manejados ao longo do tempo. Esses

fornecerão toras de diâmetro adequado para tais usos. O

mercado torna-se ofertador de matéria-prima de diâmetros

avantajados, quando a procura e o preço são atraentes.

Em quais pontos e com que velocidade iremos avançar

com a conclusão do Pndf (Plano Nacional de Desenvolvimento

de Florestas Plantadas) ?

O Pndf está sendo atualizado, pelos técnicos do Mapa, da

SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) e com a colaboração

da Ibá. Estamos em estreita conexão na atualização,

e levantamento de informações para contextualizar o setor

de árvores plantadas, e a indústria consumidora de insumos

lenhosos. Prognóstico este que disponibilizará instrumentos

para alavancagem da área florestal no país. Esperamos até

o final deste ano, concluir com os estudos, para que no ano

de 2016 o governo possa estruturar a política de desenvolvimento

da produção florestal para o Brasil.

of world timber production. The entity serves as a forum

for its members aimed at the discussion of topics of international

interest related to the forest and pulp industry. As

well, it has consulting status with Ecosoc (Economic and

Social Council of the United Nations) and FAO (United Nation’s

Food and Agriculture Organization).

Businesses looking to use eucalyptus in furniture making

and other products need larger diameter logs and

are finding it very difficult to find the raw material. Currently,

what are being planted are only short rotation

eucalyptus trees. Do you believe that we are giving up a

high value added product market?

To have eucalyptus logs with diameters compatible with

the needs of the furniture industry, and for large-scale

construction structures where there is the need for high

physical/mechanical wood resistance, clones are required,

where the high density and resistance characteristics are

prevalent and grown in long-term managed forests. These

will provide logs with diameters suitable for such uses.

The market becomes a supplier of these raw materials

with large diameters, when demand increases and prices

become attractive.

At what point and how fast are we moving forward with

the completion of PNDF (National Plan for the Development

of Planted Forests)?

PNDF is being updated, by the technicians from MAP, SAE

(Strategic Affairs Secretariat) and with Ibá collaboration.

We are closely linked in to the update, surveying information

to contextualize the Planted Tree Sector and the consumer

industry, which uses timber inputs. This prognosis

provides tools to leverage the forest area in the Country.

We hope by the end of this year, to complete the studies,

so that in 2016, the Government can structure the forest

production development policy for Brazil.

“O setor de árvores plantadas empregou diretamente

somente em 2013 cerca de 630 mil pessoas,

crescimento de 1,6%”

34

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Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

37


PRINCIPAL

Q

uem precisa transportar madeira sabe do impacto

que a logística tem no custo final do produto.

O objetivo sempre é movimentar pelas estradas

o máximo de matéria-prima possível por caminhão.

Mas existe o limite do Pbtc (Peso Bruto Total Combinado),

estabelecido pelo código Nacional de Trânsito, que varia

conforme o conjunto e não pode ser excedido. Para ampliar

a capacidade de carga muitas empresas acharam uma

solução: diminuir o peso do reboque. Assim se transporta

menos metal e mais madeira. É exatamente o que estão

fazendo algumas companhias que modernizaram suas frotas.

Agora estão mais seguras, com maior disponibilidade

produtiva e saindo para a estrada mais carregadas do que

antes. Conheça alguns casos de sucesso que mostram ganhos

significativos conquistados com a aplicação de novos

conceitos.

A Fibria está entre as gigantes na produção de celulose

de eucalipto. A capacidade produtiva anual da empresa é

de 5,3 milhões de t (toneladas) do produto. A base florestal

38

T

hose who need to transport timber know the impact

that logistics has on the final cost of the product.

The goal is always to keep moving on the roads

with as much raw material as possible loaded on the truck.

But this is limited to the GCW (Gross Combination Weight),

established by the national traffic code, which varies according

to truck (and trailer) and cannot be exceeded. To

expand cargo capacity, many companies found a solution:

decrease the weight of the trailer. So if there is less metal,

more timber can be transported. That’s exactly what some

companies are doing by modernizing their fleets. Now the

trucks are safer, more productive, and on the road loaded

with more than before. We provide some success stories

that show the significant gains achieved with the applicawww.referenciaflorestal.com.br


da empresa é de 962 mil ha (hectares). Se a produção é tão

expressiva, claro que o volume de madeira transportado

e os recursos destinados para essa atividade também são

altos. Por isso, uma das missões constantes do departamento

que gerencia a logística da empresa é incrementar

a produtividade do transporte e diminuir custos. Foi com

esse pensamento que surgiu a ideia de reduzir o peso dos

reboques que levam a madeira para a fábrica.

O projeto desenvolvido em parceria com a Ufscar (Universidade

Federal de São Carlos) criou um novo modelo de

carroceria que utiliza aço mais resistente e leve. O resultado

foi imediato. Os novos tritrens (caminhões de nove eixos),

que podem alcançar até 74 t de Pbtc, ganharam 10%

a mais na capacidade de carga. Uma das alterações que

possibilitou esse ganho dos veículos foi o rebaixamento da

caixa de carga.

Marcelo Luis Claus, consultor de Operações Florestais

da Fibria, explica que o peso padrão de um conjunto completo

de tritrem, incluindo três carretas e o cavalo, é ao

redor de 29 t (peso tara). “Com a nova tecnologia, o peso

do conjunto cai para cerca de 23 t, uma redução de aproximadamente

20%”, destaca.

A empresa vai adotar a nova tecnologia em todos os

cerca de 500 caminhões que compõem a frota. “Esta nova

tecnologia mudará os conceitos de transporte. Isto, não

apenas no setor madeireiro, mas também em vários outros

tipos de transporte, como o da cana-de-açúcar, cujos

equipamentos se assemelham aos utilizados no carregamento

de madeira”, aposta Marcelo.

Quanto ao custo de fabricação da nova carroceria, o

consultor de Operações Florestais comenta que é praticamente

o mesmo de um conjunto tradicional. “Como o aço

é de alta resistência, são utilizadas seis toneladas a menos,

o que representa uma economia significativa de matéria-prima.

Porém, o custo de aquisição desse material é

maior. Desta forma, há certo equilíbrio”, explica Marcelo.

MAIS MADEIRA

Outra gigante do setor florestal, a Suzano Papel e Celulose,

também iniciou o processo de modernização da frota.

De acordo com Domingos Raimundo Filho, consultor de

engenharia viária, o impacto do transporte no preço final

da madeira posto em fábrica é de 33%. Valor considerável

para quem movimenta anualmente 15,6 milhões de m³

(metros cúbicos). Para aumentar o volume carregado por

caminhão a empresa optou pela troca de fueiros fabricados

com material mais leve que o tradicional. Além disso, o

tion of this new concept.

Fibria is among the giants in eucalyptus pulp production.

The Company’s annual production capacity is 5.3 million

mt, with a 962 thousand ha base forest. If production

is so expressive, it is clear that the volume of timber and resources

transported for this activity is also large. So, one of

the missions in the department that manages the logistics

of the enterprise is to increase transportation productivity

and decrease costs. It was with this in mind that the idea

came about of reducing the weight of the trailers that carry

the timber to the mill.

The project, developed in partnership with UFSCar

(Federal University of São Carlos), has developed a new

type of trailer body that uses lighter weight and higher

strength steel. The result was immediate. The new tri-trains

(nine-axle trucks), which have a 74 mt GCW limit, gained 10

percent more in capacity. One of the changes that enabled

this gain was the lowering of the cargo box.

Marcelo Luis Claus, Forest Operations Consultant for

Fibria, explains that the standard weight of a complete tritrain,

including three Flatbeds and the tractor, is around

29 mt (tare weight). “With the new technology, the weight

falls to about 23 mt, a reduction of approximately 20%,”

he notes.

The Company will use this new technology in all it’s

about 500 trucks in the fleet. “This new technology will

change the concepts of transportation. That is, not just in

the Forest Sector, but also for several other types of transport,

such as sugarcane, where the equipment resembles

that used in the transport of timber,” bets Marcelo.

As to the cost of manufacturing of the new body, the

Forestry Operations Consultant comments that it is virtually

the same as a traditional body. “As the steel is highstrength,

six tons less steel are used, which represents a

significant savings in raw material. However, the cost of

this material is higher. Thus, there is a balanced trade-off,”

explains Consultant Marcelo.

MORE TIMBER

Another giant in the Forest Sector, Suzano Papel e Celulose,

also initiated the fleet modernization process. According

to Domingos Raimundo Filho, Consultant in Road

Transport Engineering, the impact of transport on the final

price of the timber delivered at the factory is 33%. A

considerable value when considering that 15.6 million m³

is delivered annually. To increase the volume carried by a

truck, the Company opted for the exchange of the bunks

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

39


PRINCIPAL

quesito segurança também pesou para a mudança. “Buscávamos

no mercado um produto com maior resistência

visando à segurança no transporte de madeira, pois estávamos

tendo muita quebra com o fueiro convencional,

com risco de queda de madeira nas estradas”, aponta Domingos.

Em junho de 2014, a empresa iniciou testes com os

fueiros ExTe, fixados em um conjunto tritrem de aço estrutural.

“Os resultados superaram nossas expectativas, e

no período de 10 meses não foi necessária nenhuma manutenção

corretiva, isto conferiu ao equipamento maior

disponibilidade mecânica e consequentemente maior produtividade”,

avalia o consultor. Em março deste ano, a Suzano

realizou um experimento que deixou o conjunto ainda

mais leve. O tritrem remodelado foi desenvolvido em

aço de alta resistência, o mesmo material empregado nos

fueiros da marca sueca. “Após os resultados dos testes, a

Suzano adquiriu 90 conjuntos confeccionados com o metal

e equipados com fueiros ExTe”, revela Domingos.

De acordo com ele, o aumento da capacidade na caixa

de carga foi de 10%. A redução no peso total, levando em

consideração somente os fueiros, foi de 1,4 t na comparação

com o implemento convencional. Outro ponto levantado

pelo consultor foi o menor consumo de combustível

e maior disponibilidade mecânica do equipamento. Hoje

a frota disponível para atender a empresa é de 750 equipamentos

no total. “Até o final de 2015 serão ampliados

em 15% os conjuntos tritrem equipados com fueiro ExTe”,

projeta.

for ones made from a lighter material than traditionally

used. In addition, the Security Department also weighed

in on the change. “We were looking for a product on the

market, with greater strength for safe timber transportation,

because there had been considerable breakage with

the conventional bunk, with the risk of timber falling on the

road,” notes Domingos.

In June 2014, the Company began experimenting with

the ExTe bunks, on a structural steel tri-train. “The results

exceeded our expectations, and in a 10 month period, no

corrective maintenance was required, leading to a high

equipment mechanical availability and, consequently,

greater productivity,” says Consultant Domingos. In March

of this year, Suzano conducted an experiment that made

the equipment even lighter. A refurbished tri-train was developed

using high-strength steel, the same material employed

in the bunks from the Swedish Company. “After the

results of the experiments, Suzano acquired 90 trucks made

from the metal and equipped with ExTe bunks,” reveals Domingos.

According to him, the capacity increase in each cargo

box was 10%. The reduction in total weight, taking into account

just the bunks, was 1.4 t in comparison with conventional

equipment. Another point raised by the consultant

was the lower fuel consumption and greater mechanical

availability of the equipment. Today, a 750 vehicle fleet

is available to meet the Company’s transportation needs.

“By the end of 2015, the number of tri-trains equipped with

ExTe bunks should increase by 15%,” he forecasts.

PÉ NA ESTRADA

A BBM Serviços e Transportes, com sede em São José

dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (PR), movimenta

pelas estradas do Paraná e Rio Grande do Sul 230

mil t de toras por mês. A frota disponível conta com 110 bitrens

florestais, dos quais cerca de 85% utilizam os fueiros

Invenção da ExTe, braçadeira trazida

para o Brasil 8 anos atrás

40

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Primeiros fueiros produzidos pela ExTe

já superavam tecnologia da época

ExTe, além de 40 conjuntos Romeu e Julieta, todos equipados

com o implemento mais leve e resistente. Os dois

tipos de conjunto possuem, conforme a lei, comprimento

máximo de 19,80 m (metros) e Pbtc de 57 t.

“Mesmo possuindo um valor inicial de investimento

maior do que os demais fueiros padrões, o ExTe garante

a viabilidade econômica porque entrega maior vida útil,

baixa necessidade de manutenção e o mais importante,

maior disponibilidade do conjunto como um todo”, avalia

Luís Felipe Günther Bastos, analista de projetos.

MENOS METAL, MAIS MADEIRA

A ExTe, empresa sueca com 116 anos de know-how,

foi pioneira em trazer para o Brasil os fueiros fabricados

com metal mais leve e resistente. “Nosso lema é transportar

mais madeira do que aço, isso traz retorno para o

investimento”, considera Olle Melin, consultor florestal e

responsável pelas vendas do produto no Brasil. “Quando

começamos no país percebemos que praticamente todos

os fueiros fabricados por aqui eram muito pesados.” De

acordo com ele, os equipamentos variavam entre 200 Kg

(quilos) e 250 Kg. “Então a ExTe lançou o modelo S12 com

170 Kg”, completa. A empresa ainda conta com modelos

mais leves, a partir de 140 Kg. Ele ressalta que neste peso

estão incluídos todos os acessórios como os apertadores

de cintas. “Por isso logo pensamos: podemos ajudar as

empresas brasileiras a transportar mais madeira.” Ele comentou

que no início não foi fácil convencer o consumidor

nacional, acostumado com material pesado, das vantagens

do aço. “Mas hoje provamos”, comemora. O produto mais

leve proporciona cerca de 30% de carga a mais por cami-

ON THE ROAD

BBM Serviços e Transportes, based in São José dos Pinhais,

in Metropolitan Curitiba (PR), transports 230 thousand

tons of timber logs per month on the roads of the States of

Paraná and Rio Grande do Sul. The available fleet has 110

forest bi-trains, of which about 85% use ExTe bunks, plus

40 tractor trailers, all equipped with lighter and resistant

equipment. The two types meet the legal regulations, with

a maximum length of 19.80 m and GCW of up to 57 mt.

“Even with an initial investment higher than for other

bunks, the ExTe bunks ensure the economic viability because

they deliver a longer life, lower maintenance and

most importantly, greater availability of the truck as a

whole,” says Luis Felipe Günther Bastos, Project Analyst.

LESS METAL, MORE TIMBER

ExTe, a Swedish company with 116 years of know-how,

was a pioneer in bringing to Brazil a bunk manufactured

from lighter and more resistant metal. “Our motto is to carry

more timber than steel, this leads to a better return on

the investment,” considers Olle Melin, Forestry Consultant

and Responsible for Sales of the product in Brazil. “When

we started in the Country, we realized that virtually all of

the bunks made here were very heavy.” According to him,

the equipment ranged from 200 kg to 250 Kg. “So ExTe

launched its model S12 weighing 170 kg.” The Company

also has lighter models, starting at 140 kg. He notes that

this weight includes all the accessories like straps fasteners

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

41


PRINCIPAL

nhão, algo em torno de dois a quatro m³, garante Olle. “O

resultado é menos uso de diesel, porque o material é mais

leve, além de possibilitar ao motorista manter a velocidade

do caminhão por igual.”

A ExTe tem uma fábrica na Suécia e outra na Finlândia.

As duas fábricas são responsáveis por produzir os fueiros

da Exte. Todos os produtos seguem os sistemas de segurança

para transporte de carga: Luffman, System 2000 e

Com 90. A ExTe exporta para 24 países, e possui planos de

aumentar esse número. A ideia do proprietário da marca

para o Brasil foi trabalhar próximo do mercado de transporte

e em especial das companhias florestais. “Por isso

estabelecemos uma linha de produção no país”, afirma

Kjell Jonsson. A empresa sueca desenhou todas as ferramentas,

acessórios e enviou para Brasil. Assim a fabricação

nacional segue exatamente os processos feitos pela

matriz na Suécia. Na fábrica da Emex do Brasil, responsável

pela produção da ExTe no Brasil, localizada em Indaiatuba

(SP), todo o metal é cortado a laser e as dobras têm tole-

“Soon, we can help Brazilian companies to transport more

timber.”

He commented that in the beginning it was not easy

to convince the Brazilian consumer, accustomed to heavy

material of the advantages of steel. “But today, we proved

it,” he celebrates. The lighter product provides about of

30% more load per truck, about two to four m³, ensures

Olle. “The result is less use of diesel, because the material

is lighter, besides enabling the driver to maintain the truck

speed.”

ExTe has a factory in Sweden and another in Finland.

These two factories produces ExTe bunks and Stakes, all

products following System Luffman, System 2000 and Com

90 for safe load transportation. Exte exports to a total of

24 countries, and increasing. The idea of the Brand holder

for Brazil is to work close to the transport market, particularly

that of forest companies. “That is why we established

a plant in the Country,” says Kjell Jonsson. The Swedish

Company designed all the tools, accessories and sent them

42

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ância máxima de 0,6 mm (milímetros). Todos os técnicos,

soldadores, dobradores e atendimento foram treinados

pelo staff da ExTe para manter o padrão internacional da

empresa.

Outro ponto forte dos fueiros produzidos pela empresa

é a instalação do produto. “Há 28 anos aparafusamos

o primeiro fueiro no chassi de um reboque”, lembra Olle.

Por ser aparafusado há menos estresse nos chassis se comparado

ao sistema em que o implemento é soldado. Esse

modelo facilita a manutenção e também diminui o número

de intervenções. Caso uma haste do fueiro seja danificada

durante o carregamento ou descarregamento de toras,

leva-se apenas 20 minutos para que seja trocada e o reboque

esteja pronto para rodar. “Não há necessidade de

cortar aço, nem soldar e dispensa o trabalho com material

pesado. Quando a base do fueiro tem que ser trocada, o

reparo leva apenas 30 minutos. Essa é uma enorme vantagem

quando se fala em custos.”

De acordo com Olle, a flexibilidade é uma das qualidades

do fueiro da ExTe. Ele pode ser acoplado em qualquer

carreta, independentemente da marca, novo ou recondicionado,

graças ao sistema de fixação por parafusos,

podendo ser montado inclusive em implementos antigos.

“Normalmente o reboque dura menos do que o fueiro”,

Os fueiros passam por um

teste de 2 milhões de ciclos

para garantir a segurança e

eficiência das hastes

“O resultado é menos uso de

diesel, porque o material é mais

leve, além de possibilitar ao

motorista manter a velocidade

do caminhão por igual”

Olle Melin,

Consultor florestal e responsável pelas vendas do

produto no Brasil

to Brazil, so that Brazilian manufacturing follows exactly

the procedures as those of the headquarters in Sweden. At

the Emex do Brasil, located in Indaiatuba (SP), responsible

for the production of ExTe in Brazil, all the metal is laser

cut and the folds have a maximum tolerance of 0.6 mm.

All technicians, welders, folders and service workers were

trained by ExTe staff to maintain the Company’s international

standard.

Another strong point of the bunks produced by the

Company is in the installation. “28 years have passed since

we bolted the first bunk on the chassis of a trailer,” says

Olle. Using bolts, there is less stress on the chassis compared

to the system in which the implement is welded. This

model facilitates maintenance and also decreases the number

of interventions. If a bunk pole is damaged during the

loading or unloading of logs, it takes only 20 minutes to be

changed, leaving the trailer ready to be used. “There is no

need to cut or weld steel, with no need for heavy equipment.

When the removable beam of the bunk has to be

replaced, the repair only takes 30 minutes. This is a huge

advantage when it comes to costs.”

According to Olle, flexibility is one of the qualities of

ExTe bunks. Exte can fit and be mounted at any trailer, new

or reconditioned, thanks to the system of fixing by bolts and

they can even be mounted on old trailers. “Normally the

trailer lasts less than the bunk,” he guarantees. Therefore,

it is common for the equipment for the loading and trans-

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

43


PRINCIPAL

garante. Por isso é comum que o equipamento para a

acomodação e transporte das toras passe do implemento

antigo para um novo na medida que a frota vai sendo

renovada.

LEVE COMO O AÇO

A ExTe fabrica produtos com diferentes designs. Cada

um deles é projetado para alcançar a capacidade máxima

em toneladas e altura das pilhas. No Brasil o B1 suporta 6 t

e o B2 9 t, os dois são certificados de acordo com o ISO (sigla

em inglês para Organização Internacional para Padronização).

A ExTe tem uma parceira muito sólida e longa com

a fabricante de aços – Ssab Swedish Steel Ab, e no Brasil,

a Ssab Swedish Steel Comércio de Aço Ltda, atendendo a

todas as normas da Suécia, apoia também os produtos na

Emex Brasil. Como a fabricante possui uma gama extensa

de combinações de aço com outros metais, os designers da

ExTe testam cada produto para indicar a aplicação exata.

Vale ressaltar que uma coisa é usar o aço de alta resistência,

porém o mais importante é saber como soldá-lo. “Caport

of logs to go from an old trailer to a new one as the

fleet is being renewed.

AS LIGHT AS STEEL

ExTe manufactures products with different designs.

Each of them is designed to achieve the maximum capacity

in tons and bundle height. In Brazil, the B1 supports six

tons and B2 nine tons, and the two are certified according

to the ISO (International Organization for Standardization).

ExTe has had a solid and long-lasting partnership with the

Swedish metals manufacturer - Ssab Swedish Steel Ab, and

in Brazil, the Ssab Swedish Steel Comércio de Aço Ltda, attending

to all the norms and regulations from Sweden, also

supporting the products of Emex Brazil. As the manufacturer

has an extensive range of combinations of steel with

other metals, the ExTe designers test each alloy for the right

use. It is worth mentioning that it is one thing to know how

“Estabelecemos

uma linha

de produção no

Brasil para ficarmos

próximos do mercado

florestal nacional”

Kjell Jonsson,

proprietário da ExTe

44

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lor de mais destrói o material. Também é imprescindível

saber onde colocar os reforços e qual espessura correta.

Tudo isso já faz parte do know-how da ExTe, e da Emex”,

garante Olle.

Todo novo modelo de fueiro, ou quando há alteração

no design, é submetido a uma exaustiva bateria de provas

antes de ser lançado ao mercado. Um cilindro hidráulico é

utilizado para realizar o teste de esforço. São dois milhões

de ciclos antes que ele finalmente seja aprovado. “Atualmente

somos até copiados, algumas empresas pensam

que é simples usar um material leve e produzir”, aponta.

Mas, segundo Olle, o design do implemento é algo importante.

A segurança também é um fator crucial quando se pensa

em fueiros. Uma falha durante o transporte na estrada

com certeza causará prejuízos e com risco enorme de morte

ou ferimentos graves a motoristas. Por isso o desenho

das peças é pensado para segurar firmemente a carga por

meio de sistema automático de amarração. “Fazemos testes

que aprovam a capacidade dos fueiros, a qualidade do

material, seguimos padrões internacionais e por isso garantimos

a segurança dos produtos”, afirma Olle.

to use high-strength steel, but it is more important to know

how to weld it. “Too much heat destroys the material. It is

also essential to know where to reinforce and the correct

thickness. All of this is part of ExTe, and Emex, know-how,”

says Olle.

All new bunk models, or when there is design change,

are subjected to an exhaustive battery of tests before being

released to the market. A hydraulic cylinder is used to

perform the stress test. Two million cycles are performed

before the product is finally approved. “Currently, we are

even copied, some companies think that is simple to produce

similar products using a light material,” he notes. But

according to Olle, the design of the implement is very important.

Safety is also a crucial factor when thinking about a

bunk’’. A failure during transport on the road will surely

cause damage with huge risk of death or serious injury to

the drivers. Therefore, the part’s design is thought out to

firmly hold the load through during automatic tie down.

“We carry out tests on bunk capability, the quality of the

material, which follow international standards and that’s

why we guarantee the safety of our products,” says Olle.

MADEPLANT escolheu CHIPMAX 484T

“ Nosso objetivo sempre

foi ter um CBI para ter

uma excelência em

produção de chips ”

Celso Correa,

Madeplant

ChipMax 484T com motor CAT C-18, 765 hp e sistema

de controle IQAN Parker, desafia os operadores a

conseguir um desempenho que nenhum outro picador

de árvores ou toras faz. Compacto e confiável, a

produção ultrapassa a da concorrência.

Simplesmente o melhor!

CBI

CBI do Brasil

www.cbidobrasil.com

®

CBI - A Terex Brand


ESPÉCIE

Fotos: REFERÊNCIA

Foto: Mauro Guanandi

46

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PALMEIRA QUE

VALE OURO

Nativa brasileira, macaúba, abre novas possibilidades de

investimento para plantios comerciais com vistas a produtos

não madeireiro

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

47


ESPÉCIE

palmeira macaúba (Acronomia aculeata) vem

chamando muito atenção em diversas regiões

do país, principalmente, pela possibilidade de

48

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Requisitada na indústria de cosméticos, biocombustível e até

direcionada para a produção de ração, a macaúba pode ser

totalmente aproveitada, desde a madeira até os frutos, que são

fonte do produto principal da planta: o óleo

Foto: Governo de São Paulo

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

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ESPÉCIE

Por ser um cultivo florestal, ou seja, uma planta rústica,

os cuidados são praticamente os mesmos empregados

na cultura dos eucaliptos, em que há controle de

daninhas, adubação de cobertura e prevenção contra

cupins e formigas. A maior diferença é que, no caso da

macaúba, há colheitas anuais e, consequentemente, é

preciso fazer adubações também anuais para repor a extração

de nutrientes. No 5º ano de plantio, a palmeira

pode atingir 25 mil kg (quilogramas) de frutos por ha/

ano e pode chegar, após 100 anos, à 16 m (metros) de

altura. O fruto é colhido com o corte do cacho maduro,

semelhante ao processo de colheita do dendezeiro.

Em seguida, os cachos são levados para a esmagadora,

onde serão processados para retirar o óleo, que pode ser

destinado para vários mercados, como o de biocombustíveis.

Já o resíduo da prensagem, conhecido como farelo,

é comercializado como ração animal. “É importante

observar que o produtor produz e vende o coco da macaúba

in natura. Para explorar estes produtos é preciso

investir na unidade industrial”, lembra Pimentel.

A espécie foi pauta do Plano Nacional de Agroenergia,

lançado pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária

e Abastecimento) no início deste ano. A intenção

da política é realizar um adensamento energético mais

intenso, para que o nível de produção passe de 500 kg

(nível atual) para 5 mil kg de óleo/ha. Com isso, haverá

competitividade em relação ao biodiesel, que promoverá

a segurança energética nacional. Para que a fonte

energética não esgote, o extrativismo sustentável é

estudado. Será necessária a realização de um inventário

detalhado a área dos maciços, o planejamento da

conservação e uso dos recursos disponíveis, a definição

de tipos de atividades permitidas e a elaboração de normas

de uso da área.

PASSOS PARA A ADUBAÇÃO DAS MUDAS

01

02

03

04

A partir daí a

Na cova, colocar

cerca de 1kg

de fosfato

natural reativo

e calagem;

Cobrir com N

(nitrogênio) e K

(potássio);

Ao longo da

formação da

cultura (entre

o 1º e 4º ano),

fazer adubações

crescentes até

chegar o início

da produção no

5º ano;

adubação é feita

com base na

estimativa de

produtividade.

50

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Foto: José Carlos Paiva/Imprensa MG


ESPECIAL

EM BUSCA DA

LOGÍSTICA IDEAL

GOVERNO ANUNCIA SEGUNDO PACOTE DE

INVESTIMENTOS PARA CONCESSÕES EM

INFRAESTRUTURA. MAS SERÁ QUE DESTA VEZ DECOLA?

52

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Foto: arquivo

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

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ESPECIAL

A

logística nacional padece e isso trava a produção,

encarece os produtos finais e compromete

a competitividade. Mesmo em momentos de

produção industrial baixa, como o atual, a falta de infraestrutura

adequada atrapalha o setor produtivo, em especial

o segmento de base florestal, que possui demandas

ainda mais específicas. O governo federal anunciou recentemente

a nova fase do PIL (Programa de Investimento

em Logística), com previsão de investimentos de R$ 198,4

bilhões nos próximos anos, que vai privatizar aeroportos,

rodovias, ferrovias e portos. Conversamos com especialistas

na área para saber quais os grandes gargalos para o

setor florestal e se esta iniciativa pode melhorar o quadro.

O Ibge (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),

divulgou recentemente o mapa da logística dos transportes

no Brasil. Trata-se da compilação mais recente de

dados de agências reguladoras que mostram o panorama

do transporte. Segundo o estudo, 61,1% de toda a carga

transportada no país usa o sistema modal rodoviário; 21%

passa por ferrovias; 14% pelas hidrovias e terminais portuários

fluviais e marítimos. Apesar dos dados serem de

2009, o Ibge informou que pelas projeções realizadas pela

CNT (Confederação Nacional dos Transportes) esses percentuais

continuaram basicamente os mesmos em 2015.

O que confirma a predominância do transporte rodoviário.

Na avaliação do engenheiro Carlos Afonso Saias, responsável

pelo Grupo de Estudos de Infraestruturas, Logística

e Projetos Especiais da Pöyry, o cenário da logística

nacional para o setor de base florestal é deficitário e com

baixo índice de diversidade de modais e, quando disponíveis,

apresentam baixa eficiência de integração.

Os custos de logística do segmento são fortemente

influenciados pelas condições precárias da infraestrutura.

É comum, em algumas regiões e em alguns projetos de

maior capacidade, que as próprias empresas realizem investimentos

em infraestruturas de acessos para garantir

níveis seguros de operação. “Isso faz com que os custos de

logística, em média, representem de 13% a 20% do custo

total da produção, com algumas unidades chegando a até

25% do custo total.”

No caso do setor florestal, a logística de abastecimento

pode ser uma operação muito mais complexa do que

a de escoamento do produto final. Nesse sentido, a estrutura

da logística e a participação de diferentes modais

de transporte variam de empresa para empresa, de setor

para setor, e é altamente dependente das condições regionais.

Normalmente, as empresas do setor transportam

carga sobre pneus, em especial a indústria da madeira.

“Algumas empresas, como a de celulose, escolheram sites

que contemplam uma sinergia entre os modais rodoviário

e fluvial, outras rodoviário, fluvial e ferroviário”, aponta

Marcio Funchal, diretor da Consufor. Já o modal marítimo

é basicamente usado na exportação.

Foto: arquivo

54

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“OS CUSTOS DE LOGÍSTICA, EM MÉDIA,

REPRESENTAM DE 13% A 20% DO CUSTO

TOTAL DA PRODUÇÃO, COM ALGUMAS

UNIDADES CHEGANDO A ATÉ 25% DO

CUSTO TOTAL”

CARLOS AFONSO SAIAS,

RESPONSÁVEL PELO GRUPO DE ESTUDOS DE INFRAESTRUTURAS,

LOGÍSTICA E PROJETOS ESPECIAIS DA PÖYRY

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

55


ESPECIAL

“A AGRICULTURA TRANSPORTA PARA

ESTOQUE, OU SEJA, A CARGA VAI

PARA UM SILO. JÁ NO FLORESTAL

A MOVIMENTAÇÃO É FEITA PARA O

CONSUMO POR ISSO O FLUXO É MUITO

MAIOR”

CARLOS MENDES,

DIRETOR EXECUTIVO DA APRE

(ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE EMPRESAS DE BASE FLORESTAL)

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PONTOS CRÍTICOS

Muito tem que ser feito para que a logística nacional

proporcione o fluxo necessário para o escoamento da produção.

Segundo elencaram os especialistas ouvidos pela

REFERÊNCIA FLORESTAL, nas estradas pavimentadas os

fatores críticos são o dimensionamento da capacidade de

transporte das rodovias do país, planejadas nos anos 60 e

70, atualmente muito defasadas para os volumes atuais

de movimentação de produtos no país, e a conservação

da faixa de rodagem.

Contudo, o setor é altamente impactado também pela

precariedade das rodovias estaduais e municipais, normalmente

de leito natural, utilizadas na logística de abastecimento.

A precariedade de conservação é tão grande

que alguns Estados da região amazônica desenvolveram

leis que tornam proibido o tráfego de veículos com madeira

em certo período do ano (safra e entressafra). “Em

resumo, isso implica que durante praticamente metade

do ano não se transporta madeira nesses Estados”, ressalta

Marcio.

“A agricultura transporta para estoque, ou seja, a carga

vai para um silo. Já no florestal a movimentação é feita

para o consumo por isso o fluxo é muito maior. Se esse

transporte é interrompido a indústria fica desabastecida”,

afirma Carlos Mendes, diretor executivo da Apre (Associação

Paranaense de Empresas de Base Florestal).

Em vários outros Estados nos quais o setor se concentra

nas florestas plantadas, se torna cada vez mais

comum as empresas assumirem o papel do Estado como

investidores na estrutura viária, como forma de garantir

o abastecimento de suas indústrias. “Por isso é necessário

uma relação muito próxima entre governo estadual e

municipal. E nisso o Estado tem participado muito pouco”,

aponta Carlos Mendes. “As empresas estão dispostas, até

porque já fazem por conta própria, o que falta é uma linha

de crédito do governo federal para abastecer o estadual e

o municipal.”

Foto: arquivo

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

57


ESPECIAL

LUZ NO FIM DO TÚNEL?

O novo pacote de investimentos anunciado pelo governo

federal é segunda tentativa de modernizar parte

da infraestrutura do país. A primeira versão do PIL não

despertou muito interesse de empresas, e grande parte

dos recursos disponíveis não chegou a ser usada. Agora

foram feitos ajustes no modelo de concessão, que promete

ser mais atrativo. Dos R$ 198,4 bilhões, R$ 69,2 bilhões

devem ser aplicados entre 2015 e 2018. O restante será

investido ao longo dos próximos 30 anos.

“O pacote previsto apresenta metas bastante ousadas”,

analisa Marcio, diretor da Consufor. Ele avalia que os

efeitos práticos para o setor florestal poderão ser sentidos

somente no longo prazo. Boa parte das obras, principalmente

as de maior impacto, ainda não possuem estudo

técnico preliminar.

O especialista acredita que os benefícios do PIL, se

ocorrerem da forma divulgada, só serão observados pela

economia brasileira no longo prazo. Até 2018 não deve

haver impactos significativos que tragam melhorias para

as florestas. “Nesse contexto, recomendamos que as empresas

do setor mantenham a estratégia conservadora de

continuar a planejar e executar a logística do seu negócio

de modo independente e customizado.”

Foto: Iveco

58

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Disco de corte para Feller

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utilização de até 18 ferramentas

• Diâmetro externo e encaixe central

de acordo com o padrão da máquina

“RECOMENDAMOS

QUE AS EMPRESAS

DO SETOR

MANTENHAM A

ESTRATÉGIA

CONSERVADORA

DE CONTINUAR

A PLANEJAR E

EXECUTAR A

LOGÍSTICA DO

SEU NEGÓCIO

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DIRETOR DA CONSUFOR

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o objetivo de atender necessidades de trituração de grandes

áreas, principalmente regiões de cerrado e outras,

permitindo a substituição da tradicional queima da

vegetação.

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SILVICULTURA

PEQUENA VILÃ

VESPA-DA-MADEIRA REQUER MANEJO

FLORESTAL ADEQUADO E CONTROLE

BIOLÓGICO NAS PLANTAÇÕES DE PINUS

Fotos: Francisco Santana

60

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Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

61


SILVICULTURA

HISTÓRICO

Na década de 40, a vespa-da-madeira foi detectada

na Nova Zelândia onde causou grandes

prejuízos à silvicultura local. Com o passar dos

anos o inseto foi migrando para outros países

e continentes, chegando ao Uruguai em 1980.

No Brasil, conforme relata Susete Penteado,

pesquisadora da Embrapa Florestas, o primeiro

registro de infestação por meio deste inseto

ocorreu em 1988, no Rio Grande do Sul. Para

se ter uma ideia do nível econômico de danos,

de uma única árvore emergiram 1.700 insetos,

conforme constatou um trabalho da Embrapa.

Em 1993 a praga foi detectada no sul do Paraná.

AÇÃO

Para a eficácia do controle biológico é fundamental

que a inoculação seja realizada da forma correta. No programa

da Embrapa, o silvicultor recebe o nematoide e

o hidrogel para fazer a mistura. Depois são preparadas

algumas árvores-armadilhas, ou seja, alguns indivíduos

são estressados para que fiquem atraentes à praga. São

feitos então orifícios de 30 em 30 cm (centímetros) para

que a mistura seja injetada. “O nematoide vai penetrar

na árvore e se alimentar do fungo que a vespa libera na

hora da postura. Quando ele encontra a larva, penetra

nela e vai para o aparelho reprodutor do inseto. Os ovos

ficam inférteis. Ela coloca de 300 a 500 ovos, que neste

caso contém até 200 nematoides, então ajuda na disseminação

por meio do parasitismo natural”, explica Susete

Penteado, pesquisadora da Embrapa Florestas.

A época ideal para inoculação vai de junho a agosto,

período no qual a presença de larvas é mais abundante.

“A erradicação total da praga é extremamente difícil, pois

nunca 100% das vespas serão esterilizadas. A praga atualmente

encontra-se em níveis aceitáveis de infestação,

porém não podemos relaxar quanto ao monitoramento,

pois a multiplicação é alta”, adverte Mauro.

Portanto, mesmo em períodos nos quais a praga

encontra-se controlada empresas e silvicultores não podem

desleixar no cuidado. Em pleno trabalho de inoculação

de nematoides, a Florestal Rio Marombas, de Santa

Catarina, constatou neste ano que parte da plantação foi

62

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CUIDADOS

Confira algumas

razões que tornam

o plantio de pinus

mais suscetíveis à

infestação:

• Ausência de manejo florestal adequado;

• Ausência de inimigos naturais;

• Estressamento das plantas;

• Plantios em sítios ruins;

• Alta densidade de plantas;

• Desbastes atrasados.

Fonte: Embrapa Florestas

atacada pela vespa. Com 22 mil ha de pinus plantados

o destino da madeira atende a diferentes setores como

indústria de celulose, chapas e processamento mecânico.

“Com a ajuda da ACR estamos tentando entre julho

e agosto fazer uma aplicação massal do parasitoide para

baixar o nível de proliferação. Não conseguimos medir

ainda o nível de infestação, mas acredito que não teremos

perdas econômicas com esse controle”, relata o

engenheiro florestal da empresa, Evandro Cozer. “O que

temos que fazer agora é arregaçar as mangas e trabalhar

nesses meses para alcançar um percentual alto de esterilidade.

De maio a junho do ano que vem vamos conseguir

enxergar os resultados”, frisa.

INFORMAÇÕES

Para obter os nematoides e auxílio

técnico para que a inoculação seja

eficiente, o silvicultor da região sul pode

entrar em contato com as associações de

empresas florestais de cada Estado:

Paraná: (41) 3233-7856

www.apreflorestas.com.br

Santa Catarina: (49) 3251-7300

www.acr.org.br

Rio Grande do Sul: (51) 3221-6116

www.ageflor.com.br

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

63


ECONOMIA

PRODUTORES CONHECEM

ALTERNATIVAS PRODUTIVAS

NA AMAZÔNIA

64

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PROJETO BIOMAS NA AMAZÔNIA

MOSTRA AVANÇOS OBTIDOS

POR MEIO DE 22 EXPERIMENTOS

QUE CONTEMPLAM O CAMPO

ECONÔMICO E PROTEÇÃO

AMBIENTAL

Fotos: Ronaldo Rosa

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

65


ECONOMIA

P

roporcionar viabilidade econômica à floresta

e ao mesmo tempo proteger espécies nativas.

Essa é uma das missões do Projeto Biomas na

Amazônia. No dia 19 de junho, mais de 150 produtores

rurais e aproximadamente 30 técnicos e agrônomos visitaram

a área experimental localizada na Fazenda Cristalina,

há 100 quilômetros de Marabá (PA). Lá foram

implantados 22 experimentos e 6 deles já apresentam

resultados significativos, que geraram interesse dos produtores

rurais que visitaram o local. O Projeto Biomas é

realizado pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura)

em parceria com a Embrapa.

Os profissionais que participaram do evento tiveram

contato com diversas áreas de interesse para quem deseja

investir em floresta nativa e exótica, lavoura e pecuária,

além de orientações quanto a questões legais como

no aproveitamento econômico das áreas de Reserva Legal

e conservação do solo.

“É um ato de coragem implantar um projeto que

testa diversos tipos de árvores na Amazônia, pois aqui

temos árvores imensas. Mas o Projeto Biomas tem esse

propósito brilhante: mostrar o quanto a árvore é importante

e pode trazer benefícios para a propriedade rural”,

disse Adriano Venturieri, chefe-geral da Embrapa Amazônia

Oriental, na abertura do dia de campo.

FLORESTA E AGRICULTURA

Na primeira estação de experimentos do dia de campo,

o pesquisador Rafael Alves, da Embrapa Amazônia

Oriental, apresentou quatro arranjos de SAF (Sistema

66

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Agroflorestal) no qual o taperebá é combinado com banana,

abacaxi, maracujá, mamão e cupuaçu. O experimento

foi instalado neste ano e traz o taperabá como o

elemento arbóreo presente nos quatro arranjos.

A frutífera foi escolhida por ter boa aceitação no

mercado da região e ter a característica de desfolhar em

determinada época do ano, o que favorece a entrada de

luz para as outras culturas. No experimento são avaliados

dez clones de taperebazeiros colhidos na região. “O

objetivo é trazer essa planta para um sistema de produção

e selecionar clones que tenham as características de

interesse do mercado, como boa produtividade e quantidade

de polpa”, explicou o pesquisador.

Em outro experimento com SAFs, foi testada a

mandioca como a primeira cultura, plantada junto às

espécies florestais castanheira e mogno africano. O engenheiro

agrônomo, Antônio José de Menezes, analista

da Embrapa Amazônia Oriental, explica que após a mandioca,

foi plantado o abacaxi na área que ainda está em

desenvolvimento no local. “Em 2016, serão plantadas as

mudas de bananeira, e em 2017 será o cupuaçu e cacau

em consórcio”, explica Rafael.

O agrônomo já contabilizou os primeiros resultados

do sistema: a mandioca teve uma produtividade média

de 27 t (toneladas) por ha (hectare). O número é bastante

positivo em relação à produtividade média do Estado,

que é de 16 t por ha. Antônio Menezes atribui esse resultado

aos tratos culturais e ao manejo do solo, detalhes

que irá apresentar no dia de campo.

“É UM ATO DE CORAGEM

IMPLANTAR UM PROJETO

QUE TESTA DIVERSOS TIPOS

DE ÁRVORES NA AMAZÔNIA,

POIS AQUI TEMOS ÁRVORES

IMENSAS. MAS O PROJETO

BIOMAS TEM ESSE

PROPÓSITO BRILHANTE:

MOSTRAR O QUANTO A

ÁRVORE É IMPORTANTE E

PODE TRAZER BENEFÍCIOS

PARA A PROPRIEDADE

RURAL”

ADRIANO VENTURIERI, CHEFE-GERAL

DA EMBRAPA AMAZÔNIA ORIENTAL, NA

ABERTURA DO DIA DE CAMPO

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

67


ECONOMIA

ÁRVORES FORAGEIRAS

Em outra estação do dia de campo foi apresentado o

experimento para alimentação de bovinos com árvores.

Além de proporcionar conforto ao gado, a árvore introduzida

no pasto também pode servir de alimento ao animal

para complementar a dieta.

O trabalho de avaliação de espécies arbóreas forrageiras,

que servem de alimentação, iniciou em 2013, e

estão sendo testadas quatro espécies de leguminosas

nativas da região amazônica - popularmente conhecidas

como burdão de velho, jurema, mungulu e mutamba

preta - e uma espécie exótica de origem mexicana, a gliricídia.

A pesquisa avalia o desenvolvimento das plantas em

função dos cortes e a qualidade nutricional delas sob as

condições do produtor. “A ideia é fornecer uma alternativa

para a alimentação animal de valor nutricional superior

às gramíneas utilizadas na região, além de indicar a

melhor forma de plantio e manejo das plantas”, explica

Rosana Maneschy, engenheira agrônoma do Núcleo de

Meio Ambiente da Universidade Federal do Pará e coordenadora

da pesquisa.

Ela explica que a escolha das espécies é fruto de um

trabalho anterior da universidade, que identificou árvores

presentes em pastagens do sudeste do Pará com potencial

para compor sistemas silvipastoris, que integram

a produção pecuária e florestal. O levantamento indicou

59 espécies, sendo nove com características adequadas

para alimentação do gado. “Para este experimento

do projeto Biomas foram selecionadas quatro espécies

nativas e uma exótica em função da disponibilidade de

sementes na região”, relata a pesquisadora.

VOÇOROCA

A recuperação de áreas de voçoroca, nome que em

tupi guarani significa terra rasgada, também foi uma

das experimentações apresentadas no dia de campo.

Em uma área onde a vegetação e o solo foram retirados

para outros usos – construção de estradas, fundações de

obras, por exemplo – acaba deixando o subsolo exposto.

Com a compactação do subsolo, as chuvas fortes, enxurradas

e a erosão, formam-se buracos e depressões no

solo onde não cresce mais vegetação alguma. “O rasgo,

ou o buraco, causado pela voçoroca é como uma ‘cicatriz’

que vai ficar por muito tempo na área”, afirma o especialista

em recuperação de áreas degradadas, Alexander

Resende, pesquisador da Embrapa Agrobiologia/RJ.

A área de voçoroca da fazenda ocupa cerca de 300

m² (metros quadrados), com inclinações de até 2 m (metros)

de profundidade. “Só para ter uma ideia, conside-

68

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ando que todo o buraco das voçorocas já foi ocupado

por solo, na área da Fazenda Cristalina se tem uma perda

de quase 6 mil m³ de solo, ou seja, quase 600 caminhões

de solo perdidos, que foram parar nos cursos d’água,

gerando outro problema: o assoreamento”, conta o pesquisador.

A primeira ação da pesquisa foi reduzir a quantidade

de água que chega à voçoroca, a partir do uso de práticas

mecânicas, como terraços, drenagens e bacias de

contenção. Como o processo de erosão só tende a aumentar,

o pesquisador explica que a ideia é fazer com

que a água permaneça mais tempo na área e perca o

seu poder de enxurrada. “Foram implantadas oito bacias

de contenção na área, que são pequenas represas, que

podem armazenar até cerca um milhão de litros de água

de chuva”, detalha Alexander Resende.

Além de agir na contenção do processo erosivo, as

bacias são pontos de água para matar a sede dos animais,

e ainda funcionam como uma irrigação contínua

das áreas do entorno. No entanto, outra medida fundamental

é manter a área com vegetação. “Nem todas as

espécies se adaptam a essa condição de extrema degradação,

por isso aproveitar o que a própria natureza pode

nos trazer é fundamental. Espécies de plantas da família

das leguminosas, como os ingás e favas, se associam a

bactérias fixadoras de nitrogênio e fungos, estratégias

que possibilitam o seu desenvolvimento nesses ambientes

onde não há oferta de nutrientes e água”, explica

Resende.

EUCALIPTO

Diferentes formas de combinar o eucalipto em sistema

Integração Ilpf (Lavoura-Pecuária-Floresta) foi outro

experimento mostrado no dia de campo. O sistema é

formado por faixas de lavoura de 25 m (metros) e entremeados

por linhas de eucaliptos. Entre as linhas já houve

o cultivo de duas safras, uma de milho e outra de soja. “A

rotação de culturas melhora a qualidade do solo, contribui

para a ciclagem de nutrientes e diminui a incidência

de pragas e ervas daninhas”, explica o pesquisador Roni

de Azevedo, da Embrapa Amazônia Oriental.

bém pôde ouvir as explicações do pesquisador Gustavo

Curcio, da Embrapa Florestas, sobre a área de reserva legal

nas propriedades rurais. Segundo ele, essa entidade

jurídica é um local de conservação e não obrigatoriamente

de preservação. Isso significa que ela pode ser manejada

para obtenção de produtos – principalmente aqueles

que venham atender às necessidades da propriedade

como lenha, madeira para mourões, frutas etc.

No entanto, de acordo com Curcio, um equívoco frequente

entre os produtores que buscam implantar áreas

de reserva legal para atender à legislação é situá-la nas

áreas adequadas ao sistema produtivo. “Ao contrário

disso, deve-se escolher as áreas mais frágeis dentro da

propriedade, onde há a menor qualidade de solo e relevo,

pois a reserva legal nunca vai produzir tanto quanto a

área do sistema produtivo”, recomendou o pesquisador.

DIFERENTES FORMAS DE

COMBINAR O EUCALIPTO

EM SISTEMA INTEGRAÇÃO

ILPF (LAVOURA-PECUÁRIA-

FLORESTA) FOI OUTRO

EXPERIMENTO MOSTRADO

NO DIA DE CAMPO. O

SISTEMA É FORMADO POR

FAIXAS DE LAVOURA DE 25

METROS E ENTREMEADOS

POR LINHAS DE

EUCALIPTOS. ENTRE AS

LINHAS JÁ HOUVE O CULTIVO

DE DUAS SAFRAS, UMA DE

MILHO E OUTRA DE SOJA

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

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MÃO DE OBRA

É ELE

QUEM DÁ

O PONTAPÉ

INICIAL

Fotos: divulgação

NESTA SEÇÃO ESPECIAL

VAMOS MOSTRAR

O TRABALHO DO

ENGENHEIRO AGRIMENSOR,

RESPONSÁVEL POR

COLETAR AS INFORMAÇÕES

INICIAIS QUE MOLDAM O

EMPREENDIMENTO

70

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Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

71


MÃO DE OBRA

A

ntes de uma obra começar, seja no campo ou

na cidade, há um trabalho muito importante

a ser realizado. Todas as medições do espaço,

os detalhes em relação ao tamanho e relevo do terreno,

ficam a cargo do engenheiro agrimensor. É o profissional

que trabalha com as descrições detalhadas do espaço

físico onde será realizada a obra ou empreendimento

florestal, no monitoramento da operação e na definição

dos espaços a serem utilizados em cada caso.

Desde o Egito Antigo a função da agrimensura já

existia a fim de avaliar os danos provocados pelas enchentes,

restabelecimentos de fronteiras e divisão das

propriedades. Atualmente, o profissional também administra,

prevê e mapeia possíveis problemas com o decorrer

de uma obra, utilizando dados observados na área a

ser construída. De acordo com João Vitor Daufembach,

engenheiro florestal, especialista em agrimensura e to-

72

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MÉDIA SALARIAL DE UM

ENGENHEIRO AGRIMENSOR

• 6 horas = 6,00 salários mínimos

• 7 horas = 7,25 salários mínimos

• 8 horas = 8,50 salários mínimos

* o salário mínimo está R$ 788,00

pografia, “toda obra de engenharia necessita de informações

iniciais como tipo de relevo, dimensões da área a

ser trabalhada, além da coleta de informações adicionais

que facilitem no planejamento futuro da obra, como distância

de rios, estradas e benfeitorias”, explica.

Durante sua formação, o engenheiro agrimensor estuda

matérias como topografia, cartografia, sistemas de

posicionamento geográfico, de informações geográficas

e sensoriamento remoto. Os cursos nas universidades

têm duração média de 4 a 5 anos e, após esta etapa o

aluno deverá possuir um diploma que será registrado

junto ao Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia).

João Vitor esclarece que “por ser um trabalho

que envolve atividades de campo e muito conhecimento

em cálculos, é importante que a pessoa goste de matemática

e do trabalho de campo conciliado ao escritório.”

Para o aperfeiçoamento na área, ele explica que existem

cursos de pós-graduação em Georreferenciamento

de Imóveis Rurais e Urbanos, sendo essencial para a

obtenção de credencial no Incra (Instituto Nacional de

Colonização e Reforma Agrária). Ainda segundo o engenheiro,

existe um amplo mercado de trabalho, já que

o Brasil possui uma extensa superfície de terras, mas o

ingresso na área pode ser um pouco difícil no começo

devido ao alto custo dos aparelhos (computador, GPS,

Estação Total e software de desenho e processamentos).

A atuação na área de topografia para imóveis rurais

e urbanos como demarcações de terras e delimitações

de espaços, bem como, o levantamento das informações

coletadas a campo, permitem a redução dos custos da

obra como escavações e diminui os impactos ambientais

causados pelas construções.

João Vitor conta que trabalha na área há 5 anos, demarcando

terras e fazendo o georreferenciamento de

imóveis rurais e urbanos. Ele diz que por ser uma profissão

antiga e presente no meio rural onde vivia, decidiu

que esta seria sua área de atuação. “Sempre gostei de

trabalhar no campo e com aparelhos que traziam em si a

tecnologia, vi neste um mercado de trabalho com portas

abertas e um futuro promissor.” Ele chama a atenção ainda

para o constante avanço tecnológico disponibilizado

no mercado. “É preciso estar atento às novas tecnologias,

além do aperfeiçoamento dos conhecimentos seja

por meio da leitura ou participando de cursos”, pontua.

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

73


ARTIGO

DA PORTEIRA PARA

FORA: AÇÕES

SOCIOAMBIENTAIS

DE UMA EMPRESA

FLORESTAL BRASILEIRA

Fotos: Cenibra

VINÍCIUS NASCIMENTO CONRADO

MESTRANDO EM CIÊNCIA FLORESTAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA

NASCIMENTOCONRADO@YAHOO.COM.BR

ELIAS SILVA

PROFESSOR TITULAR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA

ESHAMIR@UFV.BR

JOÃO VICTOR RODRIGUES DOS SANTOS

GRADUANDO DE ENGENHARIA FLORESTAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA

JOAO.V.RODRIGUES@UFV.BR

74

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INTRODUÇÃO E OBJETIVO

O

segmento florestal do Brasil vem experimentando

inúmeros avanços tecnológicos, o que têm

lhe permitido alcançar recordes de produtividade

e atender o mercado nacional e uma expressiva parcela

do internacional.

Na verdade, esses avanços experimentados pelas empresas

foram acompanhados de problemas e riscos da

porteira para fora. Em outros termos, com a evolução da

conscientização social e ambiental e em um mundo onde o

acesso à terra está cada vez mais restrito, as empresas florestais,

devido às grandes extensões que ocupam os seus

plantios e às transformações no uso do solo que proporcionam,

se tornaram alvos constantes de cobrança por parte

de seus stakeholders – definidos aqui como qualquer grupo

ou indivíduo que foi afetado ou pode afetar a realização dos

objetivos da organização ou empresa.

Sendo assim, na administração dos seus ativos, projetos

e planos a executar, necessita considerar e incorporar

os princípios de RSE (Responsabilidade Social Empresarial)

para bem se relacionar com as comunidades do entorno

de seus empreendimentos, assim como com funcionários,

acionistas, fornecedores, clientes, representantes de órgãos

públicos e de entidades não governamentais, entre

outros. Ou seja, todos aqueles capazes de interferirem na

imagem e na capacidade produtiva da empresa.

Diante desta situação, este estudo teve por objetivo geral

diagnosticar e interpretar as ações realizadas no campo

socioambiental de uma destacada empresa florestal brasileira,

qual seja, a Cenibra (Celulose Nipo Brasileira S/A), por

meio do seu Instituto, e de forma complementar propor

aperfeiçoamentos do processo.

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

75


ARTIGO

AS AÇÕES SÃO ESCOLHIDAS

EM SINTONIA COM AS

NECESSIDADES DAS

COMUNIDADES, AO MESMO

TEMPO EM QUE SE TORNA

POSSÍVEL ELEGER MUNICÍPIOS

PRIORITÁRIOS

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METODOLOGIA

O OBJETO DE ANÁLISE

A CENIBRA E O INSTITUTO CENIBRA

Fundada em 13 de setembro de 1973, a Cenibra está lo-

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

77


ARTIGO

78

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CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

O pensamento de que as empresas florestais são meras

plantadoras de essências florestais precisa ser ponderado

com a realidade de algumas delas. A generalização normalmente

feita pelo leigo é até compreensível, pois se baseia

no desconhecimento. Todavia, é preciso que os profissionais

da área se inteirem das ações socioambientais de várias

delas, a fim de compreender que, se da porteira para

dentro vai bem, já existem avanços significativos da porteira

para fora.

Constatou-se que empresa não faz autopromoção por

meio de suas ações ou de seu instituto, pois o foco é o público

alvo, ou seja, os seus stakeholders. Deduz-se disto que

o aprimoramento da relação da empresa com as comunidades

surge como efeito secundário, uma vez que as pessoas

atendidas passam naturalmente a reconhecê-la como sua

legítima parceira.

Como proposta de aperfeiçoamento do processo, há

necessidade de expandir as ações para as outras áreas, haja

vista a concentração de esforços na mesorregião do Vale do

Rio do Doce.

Em termos de recomendação, e na medida em que se

reconhece que a Cenibra e o Instituto Cenibra se constituem

num modelo a seguir, que outras empresas do segmento

florestal brasileiro incorporem esta filosofia de trabalho em

sua rotina e no relacionamento com as comunidades inseridas

em seu raio de influência. Por fim, que as entidades

que congregam as empresas florestais brasileiras, dentre

elas a SIF (Sociedade de Investigações Florestais), deveriam

promover eventos específicos para a apresentação, debate

e divulgação das ações de cunho socioambiental levadas

a efeito por suas associadas. Nestes encontros, além

de representantes das empresas florestais, poderiam ser

convidados outros atores sociais, dentre eles, pessoas das

comunidades e de organizações não governamentais, entre

outras, sempre com o intuito de aumentar a massa crítica

sobre a questão e lograr aperfeiçoamentos do processo.

É PRECISO QUE OS

PROFISSIONAIS DA ÁREA

SE INTEIREM DAS AÇÕES

SOCIOAMBIENTAIS DE VÁRIAS

DELAS, A FIM DE COMPREENDER

QUE, SE DA PORTEIRA PARA

DENTRO VAI BEM, JÁ EXISTEM

AVANÇOS SIGNIFICATIVOS DA

PORTEIRA PARA FORA

Julho de 2015 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

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AGENDA

JULHO

JULY

OUTUBRO

OCTOBER

BioTech Fair

15 a 17

São Paulo (SP)

www.biotechfair.com.br

Eucalipto 2015 - Simpósio sobre Tecnologias de

Produção Florestal

20 a 22

Uberlândia (MG)

www.sif.org.br

AGOSTO

AUGUST

VIII Congresso Brasileiro de Melhoramentos de Plantas

3 a 6

Goiânia (GO)

www.sbmp.org.br/8congresso/

NOVEMBRO

NOVEMBER

Fimai - XVI Feira Internacional de Meio Ambiente

Industrial e Sustentabilidade

10 a 12

São Paulo (SP)

www.fimai.com.br

Forst Messe 2015

Luzern (Suíça)

20 a 23

www.forstmesse.com

Agrocampo

11 a 22

Maringá (PR)

www.srm.org.br

SETEMBRO

SEPTEMBER

XIV Congreso Forestal Mundial

7 a 11

Durban (África do Sul)

www.fao.org/forestry/wfc/es/

Fiam - VIII Feira Internacional da Amazônia

18 a 21

Manaus (AM)

www.suframa.gov.br/fiam

Feria Forestal Argentina 2015

Posadas (Argentina)

17 a 20

www.feriaforestal.com.ar

80

www.referenciaflorestal.com.br


DESTAQUE

VIII CONGRESSO BRASILEIRO DE

MELHORAMENTOS DE PLANTAS

3 a 6 de agosto

Goiânia (GO)

www.sbmp.org.br/8congresso/

Na semana de 3 a 6 de agosto de 2015 será realizado

em Goiânia (GO), o VIII Congresso Brasileiro de

Melhoramentos de Plantas, que reunirá mais de 1.500

participantes de diversos segmentos para debater

os principais temas ligados à área. A partir destas

discussões será formulado o norte para pesquisas e o

desenvolvimento tecnológico no país em prol de uma

agricultura moderna e sustentável. A inscrição para o

evento pode ser feita online ou no local, os valores estão

disponíveis no site.

Imagem: reprodução

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ESPAÇO ABERTO

O VIDRO TEMPERADO

E A SEGURANÇA DA

INFORMAÇÃO

Foto: divulgação

Por Fernando Misato

Especializada em Segurança da Informação

A

TI (Tecnologia da Informação) nem sempre é de fácil

entendimento. Aliás, a maioria das vezes não o é. A segurança

da TI pode ter uma compreensão ainda mais

difícil. Parte dessa dificuldade esta na própria característica dos

profissionais da tecnologia que são mais adeptos às descrições

técnicas. Por isso, muitas vezes, nós enquanto técnicos, comumente

utilizamos metáforas de fatos cotidianos para traçar um

paralelo com as explicações do mundo da tecnologia da informação.

E é o que se segue.

Recentemente precisei comprar vidros para uma sacada da

minha casa. Fiz o que manda o modelo mental do comprador

moderno. Fui à internet pesquisar alguns vidraceiros nas imediações

de onde moro. Solicitei por email orçamentos com as medidas

desejadas. Até aqui tudo bem. As surpresas começaram com

o recebimento das propostas. As variações de preços foram muito

grandes. Coisa de 200%. Se há essa disparidade, significa que

há algo para aprender ou não estou me fazendo compreender.

Chamei alguns candidatos a fornecedor. Os mais baratos foram

os que entregaram propostas com vidros simples (fazem lâminas

quando quebram). Os medianos foram os que entregaram com

vidros temperados. Os mais caros entregaram com vidros temperados

laminados duplos. Aliás, um dos que me propôs vidros

temperados laminados duplos também recomendou uma rede

de proteção. Não por acaso foi o que mais perguntou sobre a

minha casa. Cheguei a considera-lo inconveniente. Para que ele

quer saber a idade de meus filhos, se tenho animal de estimação,

que andar ficava a sacada, que tipo de piso uso?

Vivendo e aprendendo. Tive a oportunidade de aprender

que quem propõe vidro temperado ou vidro simples em sacada

deveria ser preso. E existem vários prédios muitos altos com

vidro desse tipo. Em caso de acidente, se o vidro quebrar, o que

fica na sacada é um vazio. Se existe criança nesse caso o risco

é alto. Também há o risco dos pedaços caírem na cabeça de alguém.

O erro de alguns vendedores de vidros foi fixar a atenção

nas medidas que encaminhei. Não tiveram o cuidado de perguntar

o uso e se deixaram levar pela ingenuidade/ignorância do

comprador. Os piores foram os que reduziram o valor para tentar

vender. Reduziram valor, reduzindo a segurança. No mercado

de vidros não há critérios para especificar segurança.

Pode parecer absurdo. Mas no mundo da segurança da informação

corporativa ainda temos vendedores de vidros temperados

para sacadas para proteger os computadores das empresas.

Nós enquanto empresários de qualquer segmento, não

temos obrigação de saber comprar softwares para proteger

nossos negócios. Longe disso. Sabemos que os computadores

hospedam a empresa inteira. Os computadores emitem notas

fiscais, fazem faturamento, enviam propostas, gravam dados de

clientes, gravam projetos, gravam tudo do negócio e acessam

os bancos. Compreender os riscos de uma sacada de vidro parece

ser mais fácil. A proteção de computadores exige cuidados

bastante diferentes e mais complexos. O patrimônio da TI a ser

protegido tem valores diferentes dos das sacadas. Cada um a

seu valor, ambos exigem profissionais experientes para a melhor

solução de proteção. Queremos o menor risco. De preferência,

sem depender somente do bom senso de amadores e muito menos

da sorte.

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