Abril/2016 - Referência Industrial 173

jota.2016

Visitantes - Grupo Jota Comunicação

ENTREVISTA - Iara Gomes Abade, primeira mulher a assumir a presidência do Sindimov (MG)

I N D U S T R I A L

NR-12

descomplicada

Fabricantes de máquinas se

adaptam à norma de segurança

Unraveling

NR-12

Machine manufacturers

adapt to the safety standard

Legislação – Redução do índice de aproveitamento no beneficiamento de toras gera polêmica


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

SUMÁRIO

SUMÁRIO

ANUNCIANTES DA EDIÇÃO

30

Affemaq 75

Baukus 11

Bottene 29

Cerumaq 15

Contraco 65

Engecass 17

Fezer 57

40

04 Editorial

06 Cartas

08 Bastidores

44

Formóbile 23

Giacomelli 13

H. Bremer 09

HB Máquinas 71

Homag 07

Mill Indústrias 76

Montana Química 02

MSM Química 19

Planeta Industrial 71

Razi Máquinas 49

Siempelkamp 05

Vantec 21

10 Coluna Flavio C. Geraldo

12 Notas

18 Aplicação

20 Alta e Baixa

22 Frases

24 Entrevista

28 Coluna Abimci Paulo Pupo

30 Principal Encarando a NR-12

40 Construção Civil

44 Marcenaria

50 Especial Controle versus eficiência

58 Tecnologia

62 Madeira Tratada

64 Química na Madeira

66 Artigo

72 Agenda

74 Espaço Aberto

ABRIL | 03


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

EDITORIAL

Ano XVIII - Edição n.º 173 - Abril 2016

Year XVIII - Edition n.º 173 - April 2016

Estampa a capa

desta edição a Opti 599,

otimizadora de corte de alto

desempenho da Bottene

NORMAS E A REALIDADE

Padrões e normas são essenciais para que qualquer atividade

evolua, seja realizada de forma correta e tenha isonomia

competitiva. É o caso da tão comentada NR-12, uma atualização

nas diretrizes para a indústria de máquinas em relação

à segurança. Acompanhe na reportagem, que ilustra a capa

desta edição, o que evoluiu na implementação desta regulamentação

ao longo do tempo em que ela foi se ajustando

para a realidade da indústria de máquinas brasileira. Ainda

no campo das normas, confira as novas adequações para

indústria de beneficiamento de toras nativas sobre o novo

CRV (Coeficiente de Rendimento Volumétrico) que passou de

45% de aproveitamento para 35%. Parece um contrassenso

considerar mais desperdício quando a indústria busca modernização

na conversão de matéria-prima em produto acabado.

Tudo em nome do combate à ilegalidade.

Nossa entrevistada desta edição, Iara Gomes Abade, é a

primeira empresária a assumir a presidência do Sindimov –

MG (Sindicato das Indústrias do Mobiliário e de Artefatos de

Madeira no Estado de Minas Gerais), e conta tudo sobre sua

posse e o setor moveleiro mineiro.

Uma excelente leitura!

STANDARDS AND REALITY

Standards are essential for any activity in order that it evolve,

if implemented correctly and providing competitive equality.

In the case of the much talked about Regulatory Standard NR-

12, updated guidelines for the machinery industry in relation to

worker safety. Follow the story illustrated on the cover of this

issue, which shows how the implementation of this regulation

has evolved over time as it adjusts to the reality of the Brazilian

machine manufacturing industry. Still on standards, check out

the new adjustments for industry in the processing of native

logs, the new Coefficient of Volumetric Efficiency (CRV) is now

set at 35% use, down from 45%. This would seem to be a contradiction

considering more waste when industry is searching for

modernization in the conversion of raw materials into finished

products. All this in the name of combating lawlessness.

Our interviewee in this Issue, Iara Gomes Abade, is the first

businesswoman to become president of the State of Minas

Gerais Syndicate of Wood Furniture and Handicraft Industries

(Sindimov-MG), and spoke about her tenure and the Furniture

Sector in the State.

Very pleasant reading!

EXPEDIENTE

JOTA COMUNICAÇÃO

Diretor Comercial / Commercial Director

Fábio Alexandre Machado

fabiomachado@revistareferencia.com.br

Diretor Executivo / Executive Director

Pedro Bartoski Jr

bartoski@revistareferencia.com.br

Diretora de Negócios / Business Director

Joseane Knop

joseane@jotacomunicacao.com.br

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0800 600 2038

Veículo filiado a:

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Marina de Capistrano

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Colunista / Columnist

Flavio C. Geraldo

Paulo Pupo

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Fabiana Tokarski - Supervisão

Fabiano Mendes

Bruce Cantarim

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criacao@revistareferencia.com.br

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Fotógrafos: Mauricio de Paula e Valterci Santos

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comercial@revistareferencia.com.br

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Tradução / Translation

John Wood Moore

Depto. de Assinaturas / Subscription

Monica Kirchner - Coordenação

Alessandra Reich

assinatura@revistareferencia.com.br

A Revista REFERÊNCIA - é uma publicação mensal e independente, dirigida

aos produtores e consumidores de bens e serviços em madeira, instituições de

pesquisa, estudantes universitários, orgãos governamentais, ONG’s, entidades de

classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente ligados ao segmento madeireiro.

A Revista REFERÊNCIA do Setor Industrial Madeireiro não se responsabiliza por conceitos

emitidos em matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes

materiais de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação,

armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos textos, fotos e

outras criações intelectuais da Revista REFERÊNCIA são terminantemente proibidos

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institutions, university students, governmental agencies, NGO’s, class and other entities

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

CARTAS

Capa da Edição 172 da

Revista REFERÊNCIA INDUSTRIAL,

mês de março de 2016

Força feminina

Bola pra frente

Por Glauber Rocha,

Sorocaba (SP)

Por Carla Lobo,

Campo Grande

(MS)

Muita boa a reportagem

sobre as mulheres na marcenaria.

Hoje em dia não

existe mais distinção de

profissão de homem e mulher

e isso é muito bom. As

mulheres são caprichosas

e têm muito jeito para o

ofício. Valeu REFERÊNCIA por levantar este tema.

Feira

Por Leonardo Alves,

Curitiba (PR)

Parabéns à Revista

pela cobertura da Lignum.

Estive no evento

e gostei bastante.

Acho que a região de

Curitiba merece uma

feira voltada ao segmento

madeireiro.

Achei bem fiel a reportagem e

os produtos destacados foram apropriados.

Foto: divulgação Foto: REFERÊNCIA

Gostei de ver que

mesmo em uma

conjuntura de

crise as empresas

continuam

investindo em

tecnologia e inovação. Não adianta só ficar reclamando

que a situação está ruim, temos que fazer a nossa parte.

Parabéns pela escolha das empresas destacadas na cobertura

da Feira Lignum.

Informação

Por Célio Penha,

Santo Antônio da

Platina (PR)

Leio todo mês a REFE-

RÊNCIA INDUSTRIAL

inteira. Os assuntos

abordados são bastante relevantes para o setor. Já estou

ansioso esperando a próxima edição.

Leitor, participe de nossas pesquisas online respondendo os

e-mails enviados por nossa equipe de jornalismo.

As melhores respostas serão publicadas em CARTAS. Sua opinião

é fundamental para a Revista REFERÊNCIA INDUSTRIAL.

Foto: REFERÊNCIA

Imagem: reprodução

revistareferencia@revistareferencia.com.br

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E-mails, críticas e sugestões podem ser

enviados para redação ou siga:


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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

BASTIDORES

Na foto, Adhmar Vieira de

Araújo Neto, diretor de filial

da FV de Araújo, Marina

de Capistrano, jornalista

GRUPO JOTA e José Paulo,

gerente da FV de Araújo

Foto: Mauricio de Paula

NA ESTRADA

Durante nossa viagem para Tunas do Paraná, pausa para foto

nas dependências da FV de Araújo

Na foto, Alessandro

Agnoletti, gerente geral

de vendas Homag,

Virgilio Cacciatori,

diretor da Homag no

Brasil, Joseane Knop,

diretora de negócios

GRUPO JOTA e Bert

Krieger, vice-presidente

regional do leste

europeu Homag

CREDIBILIDADE

Realizada em Curitiba (PR), convenção de vendas da Homag

representa novo posicionamento da marca frente ao mercado

Foto: REFERÊNCIA

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COLUNA

Flavio C. Geraldo

Arch Proteção de Madeiras - Grupo Lonza

Contato: flavio.geraldo@lonza.com

A REPÚBLICA DE CURITIBA

Semana Internacional da Madeira, realizada na capital paranaense, é prova de que apoiar e prestigiar eventos

setoriais significa investimento

Foto: divulgação

F

oi animador o cenário apresentado em Curitiba

(PR) durante a Semana Internacional da Madeira,

ocorrida no início de março. Mencionar que

os atuais distúrbios de natureza política, econômica e

de credibilidade, pelos quais o Brasil está passando,

já ficou até um pouco enfadonho, diante de tantas

indefinições e fatos muito desabonadores à atual

administração. Vale sim mencionar que Curitiba, além

de estar sendo o polo das maiores ações voltadas à

moralização do nosso país, credencia-se também definitivamente

como o mais importante polo do setor

industrial madeireiro. Foram cinco dias de trocas de

informações técnicas de alto nível, inclusive com eventos

internacionais, além de vários outros de caráter

comercial e estratégico ao setor. Para o segmento de

proteção de madeiras, a Expo Madeira & Construção

foi notável. Indústrias do setor, incluindo fabricantes de

produtos químicos preservativos de madeiras e afins e

usinas de tratamento de madeiras, quebraram o círculo

vicioso da timidez de se fazerem presentes em eventos

como esse. Dentro das proporções que esse segmento

representa no contexto industrial madeireiro, o número

de expositores, conhecidos como tratadores de madeira,

foi notável. Foi uma oportunidade única de rever

profissionais que há muito estavam fechados em seus

territórios de atuação e, principalmente, de atualizar

e trocar experiências com olhos no futuro, discutindo

novas ideias e possibilidades de negócios. O setor estava

precisando de algo assim, a chamada chacoalhada.

Daqui para frente, os desafios são vários. Primeiramente,

não deixar escapar as ideias discutidas e abraçar as

oportunidades surgidas, por menores e mais remotas

que sejam. Em segundo lugar, ter a disposição e consciência

que apoiar e prestigiar eventos setoriais significa

investimento. O retorno se dá em renovação de ideias,

possibilidades de inovações, oportunidade de novos negócios

e parcerias e, no mínimo, oportunidade de rever

velhos amigos. Vale nos remeter ao passado distante,

quando na Idade Média o movimento das Cruzadas foi

o responsável pelo crescimento das rotas comerciais

entre o Ocidente e o Oriente. No ponto de confluência

das principais rotas comerciais, realizavam-se grandes

feiras. Nelas, podiam-se vender e comprar mercadorias

vindas de diversas partes do mundo. Da mesma forma

que hoje as empresas precisam se proteger de inimigos,

como as incertezas advindas de instabilidades

políticas e econômicas, os mercadores daquela época

procuravam também se proteger concentrando-se em

lugares próximos a uma zona fortificada, cercada de

muralhas, os chamados burgos. Em suas andanças os

mercadores haviam aprendido a importância da união.

Eles viajavam em grupos por estradas, mares e regiões

desconhecidas, para se proteger contra assaltantes

e piratas ou mesmo para obter melhores negócios.

Assim, com o tempo, foram surgindo associações de

artesãos e de comerciantes, cujo objetivo principal era

defender os interesses econômicos de seus membros.

Obstáculos aos negócios sempre existiram e a união,

a troca de experiência e a busca de parcerias para o

desenvolvimento de oportunidades sempre foram

fundamentais à sobrevivência. A República de Curitiba

deu essa oportunidade, resta agora aos empresários do

setor o fortalecimento do espírito de continuidade e a

confiança em mudanças necessárias.

Obstáculos aos negócios sempre existiram e a união,

a troca de experiência e a busca de parcerias para

o desenvolvimento de oportunidades sempre foram

fundamentais à sobrevivência

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

NOTAS

Häfele Brasil

inaugura showroom

Foto:REFERÊNCIA

Abimóvel tem nova

diretoria

A posse oficial da nova diretoria da Abimóvel (Associação

Brasileira da Indústria do Mobiliário) aconteceu em

março na Urca (União Recreativa e Cultural Artefama), em

São Bento do Sul (SC). Daniel Lutz, em seu segundo mandato

frente à entidade, foi reeleito para o triênio 2016/2018.

Na ocasião, o empresário recordou o início de sua atuação,

quando assumiu em 2013 e se deparou com uma situação

de caos e má gestão. O executivo salientou as mudanças

e o trabalho realizado para que, ao final do ano passado,

chegassem aos resultados e metas alcançadas. Entre os

participantes que prestigiaram a ocasião, estava presente

o presidente da Movergs (Associação das Indústrias de Móveis

do Estado do Rio Grande do Sul), Volnei Benini, entrevistado

especial da edição de março da revista REFERÊNCIA

INDUSTRIAL. Ainda em seu discurso de posse, Daniel falou

sobre o foco da entidade, que será embasado em seis fatores,

entre eles a busca por uma indústria mais consciente

dos seus objetivos e compromissos com o setor, com o país

e a permanente melhoria da competitividade.

A Häfele Brasil, especialista em ferragens e acessórios

para móveis, instalou o seu primeiro showroom premium em

Curitiba (PR). Localizado no bairro do Boqueirão, dentro da

Rudegon, revenda de materiais para fabricação de móveis,

o espaço segue o conceito: Mais vida por metro quadrado;

reunindo mais de 260 soluções em apenas 39 m² (metros

quadrados).

Miniambientes funcionais foram montados, afim de

permitir a visualização do produto em situações reais de

uso, bem como possibilitar o teste e manuseio de cada solução.

O showroom conta com Sound System – sistema embutido

que transforma móveis em verdadeiros propagadores

de som.

Para Rudolf Hamm Filho, diretor e sócio-proprietário

da Rudegon, o principal motivo para a realização desta parceria

com a Häfele Brasil foi viabilizar o acesso de soluções

diferenciadas aos seus clientes por meio do respaldo de uma

empresa de nome internacional.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Fusão no mercado de

aspiração e pintura industrial

Para expandir a participação no mercado, Marcelo Zulian proprietário das empresas

Aspersul e Orange, após meses de negociação com Renato Nunes e Ezequiel

Nieto, detentores das empresas Arpi e Arply fecharam acordo de fusão criando

o Grupo Arpiaspersul. A intenção dos sócios, publicada em nota oficial, é entregar

ao mercado um produto de qualidade com preço justo e no menor prazo de entrega

possível. Os empresários, durante o processo de negociação, concluíram que a

união de forças proporcionará aos clientes um acréscimo significativo em tecnologia,

know-how, assistência técnica e excelência em atendimento. Com a fusão, as marcas

assumiram posicionamentos distintos: Aspersul (projetos especiais), Arpi (produtos

padronizados), Orange (repintura automotiva), Arply (suprimentos e equipamentos

de pintura) e Filtratec (filtros Especiais).

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

NOTAS

Design e

inovação

Foto: divulgação

Madeira

transparente

Pesquisadores suecos acabam de criar a madeira transparente,

que poderá substituir o vidro na fabricação de estruturas

como janelas e fachadas e principalmente reduzir, de forma significativa,

os custos de produção de painéis solares. Dentro de

alguns anos, será possível até transformar as próprias janelas

e paredes de casas e edifícios em painéis solares. O novo material

foi desenvolvido pelo Real Instituto de Tecnologia sueco

(KTH - Kungliga Tekniska Högskolan), com sede na capital sueca.

Para criar a madeira transparente, os pesquisadores suecos

desenvolveram um processo químico de remoção da lignina, um

componente natural da parede celular da madeira. O efeito de

transparência é obtido através de tecnologias de manipulação

em nanoescala, ou seja, em escala atômica e molecular. O resultado

é uma lâmina de madeira natural, mas visualmente transparente.

Como parte da programação do II Seminário

Internacional da Madeira e Mobiliário, o Senai

(Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial)

do Amapá lança o Prêmio de Design e Inovação

em Móveis de Madeira. O vencedor ganhará um

curso de extensão em design no Instituto Europeu

de Design, em São Paulo. O concurso tem como

objetivo promover a inovação e design de móveis

em madeira, de modo a incentivar a investigação

criativa, reforçar a formação e promover a visibilidade

e comercialização dos produtos. Podem

participar alunos graduando ou graduados, dos

cursos de design de produto, arquitetura e urbanismo,

design de interiores e tecnologia moveleira,

das instituições de ensino do Estado do Amapá

reconhecidas pelo MEC (Ministério da Educação).

Os interessados deverem se inscrever pelo site do

Senai (AP) até o dia 10 de maio. O candidato terá

de criar um móvel sob a temática: Móveis in natura

– a natureza perto de você. O produto poderá

ser constituído de até três matérias-primas na sua

composição, sendo 80% em madeira, obrigatoriamente.

Imagem: divulgação

Foto: divulgação

Mestres da

marcenaria

A riqueza de texturas da madeira brasileira acaba de dar

as caras na Tok&Stok. Batizada Mestres da Marcenaria, a

nova coleção Tok&Stok traz móveis ecologicamente e socialmente

corretos criados, com exclusividade, por importantes

nomes do design nacional que entendem do assunto.

O critério para a escolha de cada nome envolvido no projeto

reflete o elo que os profissionais têm com a matéria-prima

em sua trajetória profissional. Os projetos são assinados por Alain Blatché, Baraúna, Carlos Motta, Claudia Moreira Salles, Paulo

Alves, Pedro Useche e Zanini de Zanine.

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NOTAS

Foto: divulgação

Rehau comemora

40 anos no Brasil

A fornecedora de inovações e soluções à base de polímeros

para os setores da indústria, construção e automotivo,

Rehau, completa 40 anos de atividades no Brasil. A

empresa alemã chegou por aqui em 1976 e desde então a

sua história caminha ao lado da evolução do mercado de

móveis no país. A sede da empresa, localizada no município

de Cotia, na região metropolitana da capital paulista,

produz soluções em polímeros, fitas de borda, superfícies

de alto brilho para móveis, materiais poliméricos de alto

desempenho para acabamentos para móveis. Possui ainda

mais cinco filiais no Brasil: em Arapongas (PR), Belo

Horizonte (MG), Brasília (DF), Caxias do Sul (RS), Mirassol

(SP), Brasília (DF) e Recife (PE). No mundo, está presente

em 170 localidades, em 54 países, e possui mais de 20 mil

colaboradores. Só no Brasil, a companhia emprega mais

de 400 pessoas. Desde 2008, a marca tem apresentado

crescimento representativo de 15% ao ano e tem apostado

no crescimento dos negócios no Brasil.

Prêmio Madeiras

Alternativas

O Salão Design é um concurso internacional de design

de móveis, promovido pelo Sindmóveis (Sindicato das Indústrias

de Construção e Mobiliário de Bento Gonçalves), do Rio

Grande do Sul. A vencedora do Prêmio Madeiras Alternativas,

concurso promovido pelo evento que valoriza produtos de

madeiras da Floresta Amazônica, deste ano foi a peça Aparador

Mogno, fabricada com mogno africano (Khaya ivorensis),

de Paulo Alves. O designer carrega a inventividade e maestria

no trabalho com madeira quase como uma herança da sua infância

no interior e da convivência com o trabalho de Lina Bo

Bardi, arquiteta que se destacou no movimento modernista

brasileiro.

Foto: divulgacão

Belas Artes em Milão

O Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, uma das mais tradicionais

instituições de ensino superior do Brasil, participa em abril, pela primeira

vez, do Salão Satélite de Milão, mostra que acontece paralelamente - e

nas dependências - do Salão do Móvel de Milão, apresentando o trabalho de

jovens designers e estudantes de todo mundo. Na XIX edição, o tema deste

ano, Novos materiais, Novo design, sublinhará os meios e técnicas de produção

que prometem revolucionar a produção contemporânea de design e,

mais uma vez, vai colocar em evidência o talento da nova geração de profissionais,

funcionando como uma plataforma para que eles possam compartilhar

seu trabalho com fabricantes potenciais e com a mídia internacional. A Belas Artes será a única faculdade brasileira

presente no evento.

Foto: divulgacão

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

APLICAÇÃO

ELÉTRICO

DE MADEIRA

Foto:divulgação

Foto:divulgação

A

Toyota surpreendeu durante

a Semana de Design de Milão,

realizada de 10 a 20 de abril,

com o protótipo do elétrico Setsuna. O

conversível da marca japonesa emprega

vários tipos de madeira como o cedro

japonês e o vidoeiro japonês e não

contém qualquer elemento em fibra de

aço, plástico ou carbono. O modelo de

seis baterias tem autonomia de 25 km

(quilômetros) e velocidade máxima de

45 km/h.

ALTO E BOM SOM

Foto: divulgação

A

combinação de um sistema de áudio de alta qualidade e a eficiência acústica da madeira garantem alta definição

de som. Esta é a característica principal dos headphones fabricados pela paulista Leaf. Um sistema

único de laminação permitiu que a marca chegasse em tiaras flexíveis e resistentes. A produção é toda feita

à mão. A empresa produz, também, óculos e capas para celular em madeira.

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

FRASES

Foto: Miguel Ângelo/CNI

A indústria está extremamente

apreensiva com o caos econômico, ético

e político que enfrentamos. Não podemos

aceitar que os interesses maiores dos

brasileiros sejam postos em segundo plano

em favor de disputas de poder, que têm

norteado parte dos homens e das mulheres

públicas deste país

Robson Braga de Andrade, presidente da CNI (Confederação Nacional da

Indústria), à espera de uma saída para a conjuntura adversa do Brasil

A desvalorização cambial do real traz uma oportunidade para atuar

no comércio exterior, mas só isso não é o suficiente; a empresa precisa

pensar em longo prazo e consolidar os clientes internacionais

Reinaldo Tockus, gerente de Relações Internacionais da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), sobre

como o mercado externo deve ser encarado, não como uma fuga, mas como cliente que merece fidelidade

Somos a favor de empresários e trabalhadores, pois nosso

momento econômico - resultado da crise política - trouxe sequelas

como o aumento de custos, demissões e investimentos em espera. O

país está parado, estacionado em local perigoso e proibido. E quem

paga esta multa diária são todos os brasileiros

Henrique Tecchio, presidente do Sindmóveis (RS), em manifesto aberto a favor do Brasil

A inovação nos mantém

mais competitivos

Foto: REFERÊNCIA

Manoel Francisco Moreira, diretor da Agência de

Desenvolvimento da Cadeia de Madeira do Médio Rio Tibagi,

ressaltando que o investimento do setor produtivo em novas

alternativas e do Estado na educação são os dois passos mais

importantes para a indústria de madeira no Brasil

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ENTREVISTA

IARA GOMES

ABADE

LOCAL DE NASCIMENTO

PLACE OF BIRTH:

26/06/1967, em Belo Horizonte (MG)

June 26, 1967, Belo Horizonte (MG)

FORMAÇÃO PROFISSIONAL

EDUCATION:

Formada em administração de empresas pela Faculdade de

Ciências Gerenciais do Centro Universitário UNA

Business Administration, School of Accounting Sciences at Centro

Universitário UNA

Foto: Sebastião Jacinto Júnior

CARGO

PROFESSION:

Diretora administrativa e financeira da Artdeco Móveis e

Presidente do Sindimov – MG (Sindicato das Indústrias do

Mobiliário e de Artefatos de Madeira no Estado de Minas

Gerais)

Administrative and Financial Director of State of Minas

Gerais Syndicate of Wood Furniture and Handicraft

Industries (Sindimov-MG)

Um marco para Minas Gerais

A milestone for Minas Gerais

O

ano de 2016 ficará marcado para sempre na

memória do Sindimov – MG (Sindicato das Indústrias

do Mobiliário e de Artefatos de Madeira no

Estado de Minas Gerais). Pela primeira vez na história uma

empresária assume a presidência da instituição, fundada

em 1933. Iara Gomes Abade foi empossada para comandar

o sindicato pelos próximos três anos. Ela atua desde 2012

no Sindimov tendo como função a governança do projeto

Orkidea, que consiste em uma plataforma que facilita e

promove negócios do setor de móveis e decoração, servindo

de elo entre arquitetos, designers, indústrias moveleiras,

empresas e consumidores. Conversamos com a presidente

que exaltou a força da indústria moveleira mineira.

T

he year 2016 will be marked forever in the memory

of the State of Minas Gerais Syndicate of Wood Furniture

and Handicraft Industries (Sindimov-MG). For

the first time in its history, a businesswoman assumes the

Presidency since the institution was founded in 1933. Iara

Garcia Abbot was appointed to command the Syndicate for

the next three years. Starting in 2012, she has been active in

Sindimov responsible for the governance of the Okidea Project

that consists of a platform that facilitates and promotes

business in the Furniture and Decoration Segments, serving

as a link between architects, designers, furniture makers,

businesses and consumers. We talked to the President who

extolled the strength of the State of Minas Gerais furniture

industry.

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ABRIL | 25


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

ENTREVISTA

Em Minas Gerais

as empresas do

setor moveleiro são

responsáveis

pela geração de

cerca de 38 mil

empregos formais

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Devemos continuar

trabalhando muito e

acreditando que, como

sempre, somente isso

será capaz de nos

fazer atravessar

crises políticas e

econômicas

ABRIL | 27


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

COLUNA ABIMCI

Paulo Pupo

Superintendente da Associação Brasileira da Indústria de

Madeira Processada Mecanicamente

Contato: abimci@abimci.com.br

Foto: divulgação

NOVAS PERSPECTIVAS PARA O SETOR MADEIREIRO

Situação atual que coloca em evidência economia, política e ética exige ação do setor produtivo que não pode

ser um espectador passivo à espera de uma resolução que o beneficie

I

niciamos o segundo trimestre do ano com ainda

mais desafios. Depois do sucesso dos eventos da

Semana Internacional da Madeira, em especial

pela excelente participação dos empresários do setor

no encontro Wood Trade Brazil, na reunião plenária da

Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira

Processada Mecanicamente) e nas feiras Lignum Brasil

e Expo Madeira & Construção, temos a partir de agora a

tarefa de empregar, da melhor maneira possível, as informações

apresentadas, as análises realizadas e a troca de

experiências adquiridas. Em um momento tão delicado

como o qual vivenciamos, diante dos fatos políticos e

econômicos do país, nada mais urgente que contar com

conhecimento para tomar as decisões corretas.

Não há como negar o cenário de incertezas que se

instalou no país, mas percebemos, em muitas rodas de

conversas ao longo dos dias em que estivemos reunidos,

que é preciso estar atento também às oportunidades que

se apresentam. As possibilidades ressaltadas pelos palestrantes

do encontro Wood Trade Brazil, por exemplo,

passam pela inovação, que pode estar na diminuição da

produção para equalizar a oferta com a demanda; na diversificação

da produção com novos produtos ou agregar

valor aos produtos existentes; na busca pela exportação

ou no aumento de exportação para aqueles que já são

exportadores, ação essa que precisa ser pensada e operacionalizada

com muita cautela e com conhecimento

prévio do mercado a ser atingido; no aumento da área de

atuação; no atendimento a outros setores do mercado e

na redução de custos desnecessários à operação. Outra

estratégia apontada como fundamental é o associativismo

e a troca de informações e experiências. Todos

passos viáveis, que dependem, exclusivamente, de pla-

nejamento das indústrias e de uma melhor participação

associativa dos empresários.

Paralelo a essas possibilidades apresentadas aos

empresários, não podemos deixar de pensar na urgente

necessidade de levarmos adiante a discussão da transparência,

do combate à corrupção e da sustentabilidade

das empresas, temas esses que foram destaque do

evento promovido pela Fiep (Federação das Indústrias

do Paraná), com apoio da Abimci, também durante a

Semana Internacional da Madeira. Nada mais oportuno

nesse momento, em que estamos presenciando grandes

conglomerados empresariais sendo desnudados por práticas

nocivas a qualquer tipo de atividade digna do setor

produtivo, com números apresentados de corrupção

que certamente não cabem na calculadora da maioria

esmagadora de empresários honestos do nosso país.

Saímos desses eventos com uma certeza: a união

em torno de ações que permitam o desenvolvimento do

setor, contribuam para o crescimento do país, melhorem

a qualidade dos produtos e estimulem o consumo da

madeira no mercado interno é o que fará a diferença

daqui para frente. Precisamos agir, apesar do governo e

das decisões políticas e econômicas atuarem na maioria

das vezes contra o setor produtivo.

Será preciso ainda mais ação sim, mas com isso poderemos

colher bons frutos no futuro, baseando nossos

negócios em planejamento, qualidade, informação e

respeito ao cliente.

Que tenhamos a sabedoria de usar positivamente

todo o conhecimento adquirido para fazer dos nossos

negócios fortalezas diante das incertezas conjunturais e

de comportamento nocivos a qualquer tipo de sociedade

organizada.

Em um momento tão delicado nada mais urgente que

contar com conhecimento para tomar as decisões corretas

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SOMOS sinônimo de segurança E PROTEÇÃO

CONSTRUINDO RESPEITO ENTRE O HOMEM E A NATUREZA

AGILIDADE NO ATENDIMENTO

Atuamos no mercado da construção civil desde 1993, visando atender às normas de segurança e bem estar de nossos colaboradores,

principalmente no que tange à NR-12 e visando aprimorar a qualidade de nossos produtos e a produtividade, adquirimos em 2015 uma

linha de SCANNER com duas otimizadoras totalmente automatizada da fabricante italiana Bottene, através de seu representante no Brasil,

Simas Soluções Industriais.

Desta forma, preenchendo uma lacuna, que além de atender as normas da NR-12, com esta parceria superamos anseios e necessidades de

nossa empresa.

Estamos muito satisfeitos com o funcionamento do equipamento e com a forma e a agilidade no atendimento da Simas/Bottene sempre

quando se faz necessário, gerando produtividade contínua.

Muito se fala em parceria, e a Simas/Bottene tem de fato mostrado isto na prática.

LEOMAR SPIESS / DIRETOR INDUSTRIAL DA MADESP MOLDURAS

SISTEMA DE PROTEÇÃO

A linha de SCANNER OPTI SCAN 4 e OPTI 599 da Bottene representada no Brasil pela empresa Simas

Soluções Industriais nos atende com dedicação, compromisso e confiança e apresenta ótima eficiência

operacional aliado a um sistema de proteção que atende as normas de segurança gerando um ambiente

seguro para as pessoas que trabalham neste equipamento.

AUGUSTO DE COLLO / DIRETOR INDUSTRIAL DA MADEMAFRA MADEIRAS

EFICIÊNCIA OPERACIONAL

A OTIMIZADORA PUSH180 XL adquirida da Bottene está equipada com todos os itens de segurança

necessários para atender as normas, é efetivamente muito segura além de extremamente ágil e robusta,

possui um excelente atendimento no pós-venda e assistência técnica.

MARCIO HILGENSTIELER / DIRETOR INDUSTRIAL DA INDÚSTRIA DE MÓVEIS SAFARI

SIMAS SOLUÇÕES INDUSTRIAIS LTDA.

Está a frente com soluções para os clientes que consideram os

custos de produção de extrema importância

Rua Bernardo Hannemann, 57 - São Bento do Sul/SC

+55 47 3633.2773 | www.bottene.it

REPRESENTANTE EXCLUSIVO

BOTTENE NO BRASIL


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

PRINCIPAL

ENCARANDO

A NR-12

Fotos: REFERÊNCIA

Foto: Valterci Santos

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FABRICANTES DE MÁQUINAS PARA O

SETOR DE MADEIRA PROCURAM SE

ADAPTAR À ATUALIZAÇÃO DA NORMA

REGULAMENTADORA QUE TEM A MISSÃO DE

DIMINUIR ACIDENTES DE TRABALHO

MEETING

NR-12

MACHINE MANUFACTURERS

FOR THE FOREST PRODUCT

SECTOR SEEK TO ADAPT TO

THE UPDATED REGULATORY

STANDARD THAT HAS THE

OBJECTIVE OF REDUCING

WORK-RELATED ACCIDENTS

ABRIL | 31


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

PRINCIPAL

A NR-12 e seus anexos definem referências técnicas, princípios

fundamentais e medidas de proteção para garantir a saúde e a integridade

física dos trabalhadores e estabelece requisitos mínimos para a prevenção

de acidentes e doenças do trabalho nas fases de projeto e de utilização

de máquinas e equipamentos de todos os tipos, e ainda à sua fabricação,

importação, comercialização, exposição e cessão a qualquer título, em

todas as atividades econômicas, sem prejuízo da observância do disposto

nas demais NR (Normas Regulamentadoras) aprovadas pela Portaria nº

3.214, de 8 de junho de 1978, nas normas técnicas oficiais e, na ausência ou

omissão destas, nas normas internacionais aplicáveis

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ABRIL | 33


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

PRINCIPAL

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"Se há distinção no acesso aos

recursos financeiros, nada mais justo

que se fizesse a mesma distinção

entre grandes e pequenos no

momento de se estabelecer prazos

e condições de adequação a tais

normas e legislações"

Iara Gomes Abade,

diretora administrativa e financeira da Artdeco

Móveis e atual presidente do Sindimov (MG)

ABRIL | 35


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

PRINCIPAL

"Qualquer implantação de uma

norma, principalmente com a

complexidade da NR-12, deve ter um

plano adequado à realidade"

Mauro Pereira Schwartsburd,

presidente do Simov (PR)

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ABRIL | 37


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

PRINCIPAL

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O não cumprimento das disposições legais e regulamentares sobre

segurança e medicina do trabalho acarretará ao empregador a aplicação

das penalidades previstas na legislação pertinente. Notificação, autuação,

interdição ou ações regressivas pelo Inss (Lei 8.213 / 91)

ABRIL | 39


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

CONSTRUÇÃO CIVIL

BONS OLHOS

PARA A MADEIRA

UTILIZAÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA TRATADA COMO

PRINCIPAL ELEMENTO EM SISTEMAS CONSTRUTIVOS

É UMA SOLUÇÃO VIÁVEL NO PAÍS

Fotos: divulgação

N

ão é novidade para os profissionais do

segmento que a aplicação da madeira

na construção civil, algo que faz parte

da cultura norte-americana e europeia, ainda não

pegou no Brasil. Para mudar a visão distorcida do

material construtivo que a madeira ganhou por

aqui, por erros cometidos há muitos anos, leva

tempo. Mas só por meio da informação e novos

investimentos é que vai se conseguir ampliar o uso

da matéria-prima.

Para mudar o cenário que permeia a cultura da

alvenaria instalada no Brasil é preciso mostrar os

benefícios da madeira a industriais e construtoras.

“Porém, faltam profissionais de nível superior, técnico

e operacional devidamente capacitados para

trabalhar com a madeira em sistemas construtivos”,

salienta o gerente de mercado América Latina da

Arch Proteção de Madeiras – Grupo Lonza, Flavio

C. Geraldo.

Outro fator muito importante mencionado por

Flavio é a necessidade que temos em desenvolver

empresas que estejam aptas à produção de peças industrializadas

e tratadas, dentro de estritos padrões

dimensionais e gerais, que possam atender grandes

demandas com a garantia da qualidade, rapidez,

economia e competitividade. O que abre espaço

para a concorrência de outros materiais. “Estruturas

metálicas de telhados têm surgido como uma

significativa ameaça à consolidação de estruturas

industrializadas de madeira tratada no mercado da

construção”, preocupa-se.

Para ele, como um dos possíveis caminhos dentro

deste cenário, o industrial precisa ter a visão de

um sistema de produção industrializada, onde peças

são produzidas dentro de padrões, com economia

de escala e qualidade. “Por outro lado, o mercado

precisa ser atingido, primeiramente, com informações

sobre as vantagens competitivas da madeira

como material construtivo. Apenas para mencionar

uma dessas vantagens, a madeira cultivada vai diretamente

ao encontro dos preceitos da tão falada

sustentabilidade, pois trata-se de um recurso natural

renovável de ciclo curto, produzido pela única fábrica

não poluente do mundo, a árvore”, explica Flavio.

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Normalmente as madeiras tratadas

utilizadas são obtidas em cultivos de pinus

(como no caso da foto) e eucalipto

ABRIL | 41


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

CONSTRUÇÃO CIVIL

O mercado precisa ser atingido com

informações sobre as vantagens

competitivas da madeira como

material construtivo

O produto CCA pode ser utilizado

para qualquer tipo de peça em

qualquer situação de uso

Flavio Geraldo: “Confiamos no futuro,

em especial quanto ao uso da madeira

tratada em sistemas construtivos”

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NOVA OPORTUNIDADE

Por acreditar no crescimento da madeira tratada

na construção civil, além de outras áreas, Flavio

Geraldo ressalta a importância da instalação de uma

fábrica de produtos de tratamento de madeira no

Brasil. A Arch instalou sua planta na cidade de Salto

(SP), local estratégico em termos de logística há

cerca de 120 km (quilômetros) da capital do Estado.

Apesar das instalações já estarem em funcionamento,

a inauguração oficial acontece no dia 26 de abril.

"As modernas instalações estão estrategicamente

localizadas para atender o mercado com maior versatilidade,

não somente do Brasil, mas também em

outros países cujos mercados sejam estratégicos,

em especial os países que fazem parte do Mercosul",

destaca Flavio.

Após alguns anos atendendo o mercado sul-

-americano, a empresa com sede na Suíça percebeu

a necessidade de ter uma unidade local para a

produção do preservativo do tipo CCA (Arseniato

de Cobre Cromatado). "Este é só o primeiro passo

para a inserção de novas formulações e produtos no

mercado local, assim como aconteceu nas outras

fábricas da empresa pelo mundo", comemora Flavio.

ABRIL | 43


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

MARCENARIA

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MARCENARIA

COMO HOBBY

EMPRESA DE SANTA CATARINA DISPONIBILIZA CURSOS PARA QUEM QUER

APRENDER TÉCNICAS DE UM DOS OFÍCIOS MAIS ANTIGOS DO MUNDO

Fotos: divulgação

ABRIL | 45


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

MARCENARIA

A

marcenaria é um dos hobbies que vêm atraindo

cada vez mais adeptos em todo país. A ideia

consiste em você mesmo fabricar o objeto em

madeira, do seu jeito, que pode ser até a própria prancha

de surf. O Estaleiro Kalmar, localizado em Itajaí (SC), tem

disponibilizado cursos neste sentido, além de fabricar produtos

em madeira voltados para o segmento marítimo.

A história do Estaleiro começou há 34 anos. Fundado

por Erik Kreuger, depois passando paras as mãos de seu

filho, Lars Kreuger, falecido em 2008. Lorena Kreuger,

filha de Lars, está à frente da empresa hoje, e conta que

o foco principal da marca é trabalhar com marcenaria

naval, dentro das áreas de esporte e recreio, tanto com

reforma e reparos, como no desenvolvimento de produtos

próprios. “Em todos os casos vendemos sempre o

serviço de marcenaria, e na parte elétrica e de motor nós

terceirizamos os serviços”, revela.

As madeiras mais utilizadas em embarcações são:

cedro rosa, freijó, caixeta, compensado naval e teca para

áreas externas, como decks.

Na época que assumiu o cargo de direção, com 23

anos, Lorena diz que só foi possível manter a arte viva

devido ao bom trabalho desenvolvido por um time leal,

competente e comprometido. “Esse foi um dos legados

de meu pai. Depois de 26 anos à frente do Kalmar, ele nos

deixava como herança uma empresa forte e saudável,

com reputação e mercado”, ressalta. No aspecto administrativo,

no entanto, era preciso evoluir. Foi então que

surgiu a ideia dos cursos voltados para hobbystas.

“Boa parte do nosso faturamento vem da marcenaria

naval, mas também executamos uma linha de móveis

residenciais, que corresponde a uma parcela de 15% da

empresa, e uma linha de produtos esportivos: canoas,

remos, pranchas de SUP (Stand Up Padle), que também já

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chegou a representar em torno de 15%. É uma linha bem

diversificada para enfrentar os altos e baixos da indústria

naval”, explica Lorena que complementa, “marcenaria

sempre tem demanda, mas é um momento de atenção”.

CURSOS

Existe um projeto paralelo ao Estaleiro Kalmar que

se chama Oficina Kalmar, onde os cursos são ministrados

anexos ao estaleiro. Segundo Lorena, a nova empresa

consiste em um espaço de aprendizado que já está em

funcionamento. “Os cursos são voltados para quem realmente

quer conhecer, não precisa ter uma base prévia

de marcenaria. Sem restrições quanto à experiência. Os

produtos produzidos pelos alunos em aula podem ser

levados para casa”, diz.

Como exemplo de um móvel disponível para produção

em um dos cursos, a poltrona Krat é projeto de um

arquiteto holandês, e que ao final do curso de um dia

o aluno aprende a fabricar e montar o móvel. “É bem

interessante e tem dado certo. A nossa intenção é manter

a agenda sempre cheia de opções variadas”, aponta

Lorena. Informações adicionais podem ser encontradas

em: www.kalmar.com.br.

FAÇA VOCÊ MESMO

A empresa oferece diversas modalidades de iniciação

à marcenaria. No workshop de um dia a inteção é ensinar

técnicas de marcenaria básica a participantes que nunca

tiveram contato com a atividade. O curso é de caráter

prático e os alunos aprenderão a usar as principais ferramentas

manuais de marcenaria na fabricação de um

produto simples, que poderá ser escolhido entre as sugestões

oferecidas no curso, com carga horária de oito horas.

No curso de introdução à marcenaria os alunos

ABRIL | 47


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

MARCENARIA

aprendem as técnicas básicas do trabalho com madeira,

de forma prática e teórica. Em 16 horas de atividades, os

alunos aprenderão sobre a madeira e suas características,

e terão contato prático com as principais técnicas em

preparação da madeira, encaixes simples, inclusão de

ferragens, colagem, fixação e acabamento.

Serão utilizadas ferramentas elétricas e manuais,

para que o aluno possa conhecer e testar tanto as formas

mais modernas de trabalho em madeira como as antigas.

Ao final do curso, o aluno colocará em prática o conhecimento

adquirido, fabricando uma caixa de ferramentas

em madeira, que poderá levar pra casa.

VAMOS SURFAR

Alaias são pranchas de madeira sem quilha, típicas

do Havaí, que marcam o início do surf. A fabricação de

uma Alaia envolve métodos simples de marcenaria, como

colagem de tábuas, corte, shape com plaina manual e

elétrica, além de lixadeira, e neste curso, o aluno passará

por todas as etapas até finalizar a sua própria prancha.

O curso tem duração de 15 horas, distribuídas em uma

sexta-feira à noite, sábado e domingo.

CLÁSSICO HOLANDÊS

A poltrona Krat é um clássico do design, projetada

pelo famoso arquiteto holandês Geritt Rietveld. Neste

curso, de carga horária de oito horas, os alunos terão

contato com técnicas simples de marcenaria como corte,

montagem e acabamento. Ao final, os participantes

levarão sua própria cadeira para casa.

O estaleiro Kalmar possui uma linha de

produtos esportivos, incluindo pranchas

de SUP (stand up padle), que já chegaram

a representar em torno de 15% do

faturamento da marca

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

ESPECIAL

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CONTROLE

X

EFICIÊNCIA

REDUÇÃO DO

APROVEITAMENTO NO

BENEFICIAMENTO DE TORAS

DE MADEIRA NATIVA FOI A

SOLUÇÃO ENCONTRADA

PARA COMBATER A

ILEGALIDADE

Fotos: divulgação

ABRIL | 51


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

ESPECIAL

Antes da Resolução Conama 411/2009, o Ibama

(Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos

Naturais Renováveis) considerava o coeficiente

de rendimento volumétrico de 55% de madeira

serrada (incluso o aproveitamento), ou seja, o fator

de conversão de 1,8. Com a Resolução Conama

411/2009, o coeficiente de rendimento volumétrico

foi reduzido para 45%, ou seja, para o fator de

conversão de 2,2

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ABRIL | 53


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

ESPECIAL

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Para o Serviço Florestal Brasileiro,

a medida é de extrema importância

para o combate ao desmatamento

ilegal, fato que não convence o setor

empresarial madeireiro

ABRIL | 55


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

ESPECIAL

Alguns pontos que estão sendo considerados na defesa

do atual índice de conversão, principalmente por partes

das empresas da região norte do Brasil, e que não

estão sendo considerados pelo Ibama, são a espessura

da casca, a espessura do alburno, os diferentes níveis

de conicidade das toras, a maior ou menor ocorrência

de ocos e as diferentes densidades da madeira. Outras

características como o menor ou maior valor financeiro

da madeira obtido na sua comercialização, o nível tecnológico

das indústrias e o nível de treinamento da mão de

obra utilizada nas indústrias, também são condicionantes

decisivas que influenciam diretamente no coeficiente de

rendimento volumétrico das toras.

Após vários encontros realizados nos últimos meses,

de tentativa de alinhamento entre o setor produtivo e o

governo, a presidência do Ibama propôs que o setor produtivo

- que discorda dessa proposta devido aos prejuízos

que essa redução causará -, coordenado pela CNI,

apresentasse uma proposta de emenda com regra de

transição para adequação à redução do CRV. A ideia é

que a emenda proponha prazo de um ano para entrar

em vigor e salvaguarda ao empreendedor por conta de

atraso na análise dos estudos de CRV pelo órgão ambiental.

As propostas e os posicionamentos do setor produtivo

já foram apresentados e estão agora sob avaliação do

departamento jurídico do MMA.”

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

TECNOLOGIA

ATUALIZAÇÃO

Fotos: REFERÊNCIA

SEMINÁRIO SOBRE

MODIFICAÇÕES E

RETROFIT, JÁ REALIZADO

NA ALEMANHA PELA

SIEMPELKAMP, TRAZ PELA

PRIMEIRA VEZ AO BRASIL

A OPORTUNIDADE DE

ATUALIZAÇÃO E TROCA DE

INFORMAÇÕES ENTRE A

INDÚSTRIA DE CHAPAS DE

MADEIRA

A

Praia do Campeche, em Florianópolis

(SC), foi o local escolhido para o I Seminário

de Modificações Siempelkamp. Entre

os dias 1 e 3 de abril, as principais produtoras

de MDF e MDP (aglomerado) do país participaram

do evento que reuniu, entre outros, colaboradores

da Arauco, Masisa, Berneck, Fibraplac, Sudati

e Bonet. Após a apresentação dos participantes,

seguiram-se as apresentações da SLS Brasil (Siempelkamp

Logística e Serviço) e da sede em Krefeld

(Alemanha), expostas por Martin Kemmsies, (gerente

executivo na América Latina), Michael Willemen

(chefe de modernização e modificação da

SLS), e Volker Schölzke (gerente de modificações

elétricas), respectivamente.

Todos os participantes do seminário possuem

equipamentos fabricados pela Siempelkamp. Por

isso, o foco das palestras foi mostrar evoluções

possíveis de serem implementadas nas fábricas já

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PARTICIPANTES SE REUNIRAM NA PRAIA

DO CAMPECHE, EM FLORIANÓPOLIS (SC)

PARA O I SEMINÁRIO DE MODIFICAÇÕES

SIEMPELKAMP

em funcionamento, e apresentar melhorias e atualizações

nas plantas que produzem painéis MDF

e MDP.

“O braço de pós-vendas da Siempelkamp (SLS)

conta com mais de 120 funcionários em cinco continentes.

Com dez profissionais em nossa sede em

Curitiba (PR), somos responsáveis pelo serviço

de pós-venda em todas as fábricas existentes da

marca na América Latina. Mundialmente a SLS assessora

mais de 1.000 plantas, por exemplo, com

peças de reposição e serviços técnicos. No quesito

modificações e retrofit, são modernizadas quaisquer

plantas da Siempelkamp, além da Küsters,

Metso e Bison (todas marcas que pertencem à fabricante

alemã), por mais antiga que seja, com o

propósito de aumentar a sua capacidade; diminuir

os custos de operação com a economia de energia,

resina ou de madeira; e até de se adequar a NR-12”,

explicou Martin.

No segundo dia também foi apresentada uma

palestra do gerente de vendas da Büttner (Alemanha),

Gottfried Bluthardt, firma do grupo Siempelkamp.

A Büttner é líder em tecnologia de secagem

e energia térmica, e presente em muitas plantas

dos participantes do seminário. Ênfase foi dada a

melhorias de eficiência de queima de combustível

e economia de energia.

Para Paulo Costa, gerente de projetos da Berneck

de Curitibanos (SC), a marca trabalha com

dois pontos: pós-venda e implementação de projetos.

“No quesito projetos, podemos dividir novamente

em duas partes: a primeira é o que pode

ser feito, ou o que eles chamam de modificações e

retrofit; e a segunda parte, que é a mais importante

para mim, são os projetos novos. Nós já tínhamos

um bom conhecimento sobre tudo o que eles estão

apresentando; mas o que foi importante são os detalhes

técnicos, como funciona a nova tecnologia

ABRIL | 59


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

TECNOLOGIA

EQUIPE SIEMPELKAMP: VOLKER SCHÖLZKE, RODRIGO

SUCHOMEL, MICHAEL BEHRLA, MARTIN KEMMSIES,

FÁBIO PICCOLO, MICHAEL WILLEMEN, MARIA CRISTINA

MOOSMAYER E LUCIANO COLLETTI

que eles estão desenvolvendo”, observa Paulo.

No quesito inovação, o gerente da Berneck cita

que a prensa MDP da Siempelkamp recém-inaugurada

em Curitibanos já possui toda a tecnologia

apresentada no seminário, e está funcionando há

apenas 20 dias. “Nós ainda estamos aprendendo

sobre o funcionamento dela e viemos aqui para,

além de auxiliar esta planta nova, ver o que pode

ser implementado para as próximas plantas, além

das plantas antigas”, aponta.

Vale ressaltar aqui que todas as quatro prensas

da Berneck são da fabricante alemã. “No quesito

prensas, a Siempelkamp é líder de mercado não só

em vendas, mas em tecnologia. Não sei como está

agora, mas no passado ela representava 80% do

mercado da América Latina”, pressupõe Paulo, que

tem seu número reafirmado por Michael Willemen,

chefe de modernização e modificação da SLS, que

diz que sim, os 80% ainda são representados pela

Siempelkamp em toda América Latina.

O gerente de manutenção da Masisa de Ponta

Grossa (PR), Edison Meira, explica que o intuito em

participar do evento foi o de tomar conhecimento

das novas tecnologias que são ofertadas pela Siempelkamp,

bem como das melhorias que podem ser

implementadas para quem possui equipamentos

de gerações anteriores, como é o caso da Masisa.

A Masisa possui equipamentos Küsters, adquirida

pela Siempelkamp, e boa parte das melhorias que

foram apresentadas têm conexão com estes equipamentos

da geração anterior.

Sobre novas aquisições, Edison revela que a

empresa se interessa pela aplicação em controladores

de velocidade, uma vez que o cenário da

energia elétrica brasileira está complicado, com

custos muito altos. “Este é o principal ponto da

apresentação aqui para a Masisa. Vim aqui em especial

para ver esta melhoria, pois temos o intuito

de implementar ainda este ano”, diz.

A Arauco do Brasil esteve representada por Rui

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COLABORADORES DA FIBRAPLAC, MASISA,

BERNECK, ARAUCO, SUDATI E BONET

PARTICIPARAM DO EVENTO

Marcos Faria de Souza, coordenador de engenharia,

e Alberty Carneiro de Oliveira, coordenador de

processo, ambos da planta de Jaguariaíva (PR). A

Arauco conta hoje com uma prensa SL7 inaugurada

em 2013, e outra prensa Küsters, startada em 2001.

Para Rui, algumas dúvidas foram esclarecidas.

“Não sabia, por exemplo, que já havia upgrade

para nossa prensa que iniciou em 2013”, comenta.

Também foi de grande valia para as duas atualizações

interessantes para prensas Küsters.

“Temos bons resultados com a linha Siempelkamp,

desde a formadora até a prensa. Estes que

podem ser melhorados empregando as tecnologias

apresentadas pelas modificações”, enaltece Rui. Já

Alberty explica que o objetivo foi o de conhecer

os equipamentos, principalmente o Eco Resinator

MDF e o prato de distribuição de pressão. “Como

atuo na área de processos, estes dois temas foram

os mais relevantes. Fiquei bem satisfeito com as informações

recebidas”, conclui.

I SEMINÁRIO DE MODIFICAÇÕES

SIEMPELKAMP APRESENTOU AS SOLUÇÕES

DA MARCA PARA SEUS CLIENTES

ABRIL | 61


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

MADEIRA TRATADA

PONTO

DE

PARADA

ELEVADA

DURABILIDADE E

BAIXA MANUTENÇÃO

DE PONTOS DE ÔNIBUS

PROJETADOS COM

MADEIRA TRATADA

PROPORCIONAM

BELEZA CÊNICA EM

GAROPABA

Foto: divulgação

A

intensificação do uso das madeiras reflorestadas

tratadas na construção civil tem sido gradativamente

crescente no Brasil ao longo dos últimos

anos, pois os benefícios são diversos e duradouros.

A abrangência dos projetos construtivos têm alcançado

obras de cunho residencial, comercial e, até mesmo, em

trabalhos urbanísticos, como foi o caso dos pontos de ônibus

desenvolvidos em Garopaba (SC), cidade do litoral catarinense.

O engenheiro civil da prefeitura João Manoel do Nascimento,

coordenador da obra, salienta que o modelo

adotado pelo município de Garopaba apresenta o uso de

dois itens básicos: madeiras tratadas somadas ao telhado

verde como solução para a cobertura. “Devido aos inúmeros

benefícios que esse tipo de telhado gera às edificações,

aos seus usuários e ao entorno da obra, ele foi escolhido. A

beleza cênica que o projeto proporciona torna mais bela a

paisagem das ruas da cidade”, explica João.

O projeto foi desenvolvido pelas arquitetas Vanda Elizabeth

Zanella e Simone Zamboni Cervera do escritório

Vez das Árvores, referência na região em projetos de baixo

impacto, pois trabalham com madeiras de reflorestamento

e madeiras recicladas. Segundo Vanda, o projeto do

Ponto de Parada de Ônibus teve a intenção de melhorar a

qualidade para o usuário do transporte coletivo e da população

em geral, levando em conta estética, conforto térmico,

além do aspecto de ser uma parada mais humanizada.

62 |

MADEIRA EMPREGADA

Tanto no edital da licitação pública, como no memorial

descritivo anexo ao projeto, que as madeiras utilizadas na

construção do ponto de ônibus deveriam ser da espécie reflorestada

de pinus e autoclavadas por meio de tratamento

industrial em autoclave utilizando produto preservativo,

adquiridas a partir de usinas de tratamento que apresentassem

todas as licenças de operação junto aos seus órgãos

reguladores. Assim como foi necessária a apresentação

de testes que mostrassem itens básicos que medem a

qualidade desse tipo de material, por exemplo, quanto a

penetração e a retenção da solução preservativa. A matéria-prima

utilizada na obra veio de plantios de Pinus elliottii,

fornecida pela Terra Sol Madeiras Ecológicas. Como explica

o gerente técnico-comercial da marca, Thiago Streck

Peres, o tipo de madeira é inovadora, pois apresenta exwww.referenciaindustrial.com.br


celente desempenho e cunho sustentável. “Por isso cada

um dos itens foi dimensionado levando em consideração

os fatores estéticos e funcionais mencionados no desenvolvimento

do projeto arquitetônico, porém, de forma que

estivessem de acordo com o desempenho estrutural que

cada um dos elementos estaria sujeito”, ressalta.

Dessa forma, as madeiras tratadas correspondem a

totalidade das estruturas do ponto de ônibus, assim como

os fechamentos laterais e posterior, ripados vazados, e ainda

aos bancos para descanso do frequentador à espera do

ônibus.

A execução do trabalho contou com a instalação de

placas de vidro temperado fixas às madeiras no fechamento

posterior dos pontos, trazendo transparência e maior

conforto aos usuários em períodos de frio ou com maior

incidência de ventos, e até mesmo em dias chuvosos.

“A escolha da madeira tratada como material a ser utilizado

na construção do ponto de ônibus se deu em função

do material possuir elevada durabilidade e baixa manutenção,

fatores importantíssimos em espaços públicos, nos

quais enfrentamos bastante dificuldade em realizar manutenções

periódicas, sem falar que a origem é proveniente

de áreas de reflorestamento, preservando a extração de

madeiras nativas”, aponta o engenheiro João.

Ele complementa pontuando que as madeiras também

passam a sensação de aconchego, além de se apresentarem

como um material que simboliza a característica

construtiva predominante na região, ou seja, associada à

rusticidade.

O arquiteto e paisagista Guto Terra foi o responsável

pela execução da cobertura verde, e teve preocupação

com a utilização de uma vegetação de baixa manutenção e

que remetesse a espécies predominantes nas praias de Garopaba.

“Com o uso de um jardim suspenso em uma parada

de ônibus temos o aumento da qualidade ambiental das

cidades, trazendo um impacto positivo na temperatura e

umidade do ar, sendo uma solução que contribui para uma

paisagem urbana harmônica, com mais vida, mais verde

e tornando o momento de espera do ônibus mais agradável”,

destaca Guto. Esta solução paisagista vem inovando

o visual urbano de Garopaba e serve de exemplo para a

população estar atenta à problemática relativa ao impacto

que uma construção civil poderá gerar nas cidades e no

meio ambiente.

ABRIL | 63


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indústria da construção é uma importante

consumidora de recursos, muitos não-renováveis,

e importante geradora de resíduos em

quantidades razoáveis, mesmo com a adoção das boas

práticas construtivas empregadas nos modelos atuais.

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cenário econômico e na relação social para que tenhamos

uma evolução sustentável.

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técnicas da engenharia florestal e industrial-madeireira,

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sustentável para as demandas da arquitetura e

da engenharia civil moderna.

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DIMENSIONAL E

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PAINÉIS FABRICADOS

COM PARTÍCULAS

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ORIUNDAS DE EMBALAGENS

DE PINUS SP.

BENEDITO ROCHA VITALI

ANGÉLICA DE CÁSSIA OLIVEIRA CARNEIRO

ANA MÁRCIA MACÊDO CARVALHO

Departamento de Engenharia Florestal, UFV (Universidade Federal de Viçosa)

PAULO IVAN LIMA ANDRADE

CARLA PRISCILLA TÁVORA CABRAL

Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais da UFV

66 |

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O

s painéis de madeira reconstituída são amplamente

utilizados em mobiliário e na construção civil.

Durante o processo produtivo desses painéis, é

necessário que a madeira seja transformada em partículas,

fazendo que a exigência em termos de qualidade da matéria-

-prima não seja tão grande. Com isso, torna-se possível a utilização

de resíduos. Sob essa perspectiva, a indústria de painéis

de madeira reconstituída ocupa posição estratégica no cenário

geopolítico, uma vez que as políticas públicas no Brasil e no

mundo têm-se desenvolvido no sentido de reduzir, reutilizar e

reciclar aquilo que é descartado como resíduo, conforme estabelecido

pela Lei nº 12.305/10, segundo a qual fica instituída a

Política Nacional de Resíduos Sólidos.

A maior parte da matéria-prima destinada à produção dos

painéis de madeira reconstituída no Brasil advém de plantios

florestais. Entretanto, a utilização de resíduos pode representar

para a indústria redução no custo de produção. Dessa

maneira, maiores investimentos poderiam ser direcionados à

melhoria da estabilidade dimensional desses painéis, que ge-

ralmente apresentam alta absorção de água e inchamento em

espessura.

Em parte, esses problemas ocorrem devido ao principal

adesivo utilizado, uréia-formaldeído, que apresenta baixa

resistência à umidade. Entretanto, propriedades como geometria

das partículas, densidade e higroscopicidade da madeira

também refletem significativamente na qualidade dos

painéis.

O tratamento térmico da madeira é alternativa promissora

na melhoria das suas propriedades tecnológicas. A ação

da temperatura garante, entre outras vantagens, um produto

com maior estabilidade dimensional e resistência à degradação

biológica (Stamm et al., 1946; Araújo et al., 2012).

A ação do calor promove modificações químicas diferenciadas

nos constituintes fundamentais da madeira. Conforme

Byrne e Nagle (1997), a madeira começa a ser degradada a

temperaturas próximas de 200ºC (graus Celsius), com o início

da decomposição das hemiceluloses, componentes que mais

contribuem para a higroscopicidade da madeira, por apresen-

ABRIL | 67


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

ARTIGO

tarem elevada quantidade de grupamentos hidroxílicos e estrutura

completamente amorfa.

A celulose, por sua vez, apresenta resistência moderada,

em função da presença de regiões cristalinas. A lignina é o

componente da madeira mais resistente à degradação térmica.

Apesar disso, ocorrem modificações significativas em

sua estrutura, que podem ser constatadas pelo aumento na

concentração de compostos fenólicos na madeira tratada termicamente

(Esteves et al., 2008).

Boonstra et al. (2006) avaliaram o efeito do prétratamento

térmico de partículas de Picea abies e Pinus sylvestris sobre

as propriedades de painéis de madeira reconstituída, utilizando

vapor sob alta pressão num primeiro estágio e, posteriormente,

aquecimento a 180ºC em atmosfera de N2. A estabilidade

dimensional dos painéis aumentou, enquanto a ligação

interna foi reduzida.

Apesar disso, Paul et al. (2006) verificaram que painéis do

tipo OSB produzidos com partículas de Pinus sylvestris, tratadas

a 220 e 240ºC em um secador rotatório, tiveram redução

significativa no inchamento em espessura sem, no entanto,

afetar a ligação interna.

Diante desses resultados, observou-se que o efeito do tratamento

térmico nas propriedades dos painéis pode ser bastante

diferenciado. Em parte, isso se deve às características

peculiares da madeira de cada espécie utilizada. Entretanto,

as condições em que se realiza o tratamento térmico, como

características da atmosfera (oxidante ou inerte, seca ou úmida)

e a aplicação de pressão influem diretamente sobre as

propriedades do produto final.

O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito do tratamento

térmico nas propriedades de painéis de partículas produzidos

com madeira proveniente de resíduos de embalagens de

Pinus sp.

MATERIAL E MÉTODOS

Para a produção das partículas, foram utilizados resíduos

madeireiros provenientes de embalagens do tipo caixas, que

são constituídas por painéis compensados e madeira sólida de

Pinus sp.

As embalagens foram desmontadas, removendo-se os

pregos e grampos. Em seguida, o material foi cortado e processado

em um picador de cavacos. Posteriormente, os cavacos

foram reduzidos a partículas em moinho de martelo.

Na sequência, as partículas passaram por um peneiramento

manual, em peneiras com malha de 2,5 mm (milímetros), recolhendo-se

a fração retida nessa malha.

As partículas foram tratadas termicamente nas temperaturas

de 180, 200 e 220ºC durante 15 minutos, depois de atingida

a temperatura desejada. O teor de umidade inicial das

partículas foi de aproximadamente 12%.

O tratamento térmico foi realizado em um torrificador rotatório

que consiste de um cilindro rotatório, acionado por um

motor elétrico e aquecimento a GLP (gás). A temperatura foi

monitorada por meio de um termômetro analógico, localizado

em uma das laterais do cilindro, e controlada, regulando-se

FORAM DETERMINADAS AS SEGUINTES

PROPRIEDADES DAS PARTÍCULAS:

• UEH (Umidade de equilíbrio higroscópico) nas

condições de temperatura de 20 ± 3º C e 65 ± 5%

de umidade relativa;

• Densidade básica segundo a metodologia

proposta por Vital (1984);

• Perda de massa: as partículas foram pesadas

antes e depois do tratamento térmico,

descontando-se o teor de umidade após o

equilíbrio.

a entrada de gás.

Para a produção dos painéis, o teor de umidade das partículas

foi ajustado para 3%. Os painéis foram produzidos nas

dimensões de 40 x 40 x 1,5 cm, com densidade aparente desejada

de 600 kg/m3 (quilograma por metro cúbico).

Foi utilizado o adesivo à base de uréia-formaldeído, na

quantidade de 8% sobre a massa de partículas secas. Utilizou-

-se o catalisador sulfato de amônio, no teor de 1,5%, sobre a

quantidade de sólidos do adesivo.

As partículas termorretificadas foram misturadas a partículas

não tratadas, nas proporções de 25, 50, 75 e 100%.

Foram produzidos também painéis com partículas sem tratamento

térmico (testemunhas).

O adesivo foi aplicado nas partículas, empregando-se um

encolador dotado de uma pistola pneumática. A prensagem

foi realizada em prensa mecânica de pratos planos, a uma

pressão de 32 kgf/cm² (quilograma força por centímetro quadrado)

e na temperatura de 180ºC, durante 8 minutos.

As propriedades de AA (absorção de água), IE (inchamento

em espessura) e resistência à TP (tração perpendicular) dos

painéis, foram determinadas de acordo com a Norma Abnt/

NBR 14810-3 (2002). Os corpos de prova foram climatizados

até a umidade de equilíbrio em temperatura de 20 ± 3ºC e 65 ±

5% de umidade relativa, utilizando-se uma câmara climática.

A absorção de água e o inchamento em espessura foram

comparados aos valores máximos estabelecidos pela Norma

DIN 68 761 (1) (1961). A resistência à tração perpendicular

foi comparada com o valor requerido pela Norma Abnt/NBR

14810-3 (2002).

Avaliou-se a molhabilidade dos painéis, depositando uma

gota de adesivo de aproximadamente 30 µL (microlitro) sobre

a superfície da amostra e utilizando uma seringa com capacidade

de 1 mL (mililitro) e graduada em intervalos de 10 µL,

que foi posicionada a uma altura fixa de 8 mm.

Após um período de dois minutos, obteve-se uma fotografia,

com dimensões de 1280 (H) x 1024 (V) pixels, utilizan-

68 |

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do o software Pixelink capture e uma câmera Pixelink, modelo

PL-A662, acoplada a uma lupa estereoscópica Zeiss Stemi

2.000-C. O procedimento foi repetido 10 vezes para cada tratamento,

sendo realizado em um ambiente com temperatura

de 20 ± 2ºC e 65 ± 5% de umidade relativa. O ângulo de

contato entre o adesivo e a superfície das amostras foi obtido

utilizando o software AxioVision.

O experimento foi analisado segundo um delineamento

inteiramente casualisado em um fatorial 4x3x3, sendo quatro

proporções de partículas termorretificadas (25, 50, 75 e 100%)

adicionadas aos painéis, três temperaturas de tratamento

(180, 200 e 220ºC) e três repetições, totalizando 36 painéis.

Foram produzidos três painéis com partículas sem tratamento

térmico (testemunhas), perfazendo um total de 39 painéis.

Verificadas a normalidade dos dados e a homogeneidade

da variância, o efeito dos tratamentos foi determinado através

de análise de variância, empregando-se o software estatístico

Saeg. Observadas as diferenças significativas, as médias

foram comparadas entre si, utilizando o teste de Tukey

a 95% de significância. Para comparar as médias dos painéis

produzidos com partículas termorretificadas com a testemunha,

utilizou-se o teste de Dunnett a 95% de significância.

RESULTADOS

A maior rugosidade da superfície, normalmente observada

em painéis de madeira, e a superfície da madeira sólida,

bem como os espaços vazios entre as partículas, dificultaram

a mensuração do ângulo de contato. Não obstante, observou-

-se que o ângulo de contato médio dos painéis fabricados

com partículas não termorretificas foi igual a 57º. Nos painéis

fabricados com partículas termorretificadas, observaram-se

ângulos de contato médios iguais a 62, 66 e 71º, para termorretificação

aos 180, 200 e 220ºC, respectivamente.

DISCUSSÃO

O aumento do ângulo de contato e a consequente redução

na molhabilidade dos painéis indicam redução dos grupamentos

hidroxílicos nas partículas tratadas termicamente,

gerando uma superfície parcialmente inativada. Além disso,

é provável que o tratamento térmico tenha alterado a estrutura

dos componentes da parede celular, principalmente das

polioses, além da plasticização da lignina, resultando na redução

da molhabilidade dos painéis, conforme sugerido por

Hakkou et al. (2005). Outrossim, Vernois (2001) observou que

tratamentos térmicos acima de 200ºC tornam a superfície da

madeira parcialmente hidrofóbica, de maneira que a absorção

de adesivos e vernizes fique mais lenta em relação à de uma

madeira não tratada. Isso acontece porque a energia superficial

da madeira é afetada pela temperatura, reduzindo a sua

molhabilidade. Além disso, segundo Jennings (2003), a tensão

superficial e a viscosidade do líquido, bem como a rugosidade

superficial e a porosidade da madeira, são fatores que influenciam

no ângulo de contato. A porosidade, por exemplo,

impede que a gota se equilibre e mantenha sua conformação,

permitindo a penetração do líquido na madeira (César, 2011).

A redução da umidade de equilíbrio, à medida que se aumentou

a temperatura de tratamento das partículas, também

indica redução na quantidade de grupamentos OH disponíveis

para adsorção de água (Paul et al., 2006; Araújo et al., 2012).

Isso provavelmente é decorrente da degradação das polioses,

que é o componente mais higroscópico da parede da célula

lenhosa. Entretanto, a ocorrência de ligações cruzadas na lignina

e a degradação das regiões amorfas da celulose também

podem contribuir para a redução da higroscopicidade (Tjeerdsma

et al., 1998).

A redução no teor de umidade de equilíbrio das partículas

possibilita, em princípio, a produção de painéis com maior estabilidade

dimensional. Entretanto, a degradação dos grupos

hidrofílicos e a consequente redução na molhabilidade podem

dificultar a ação do adesivo na consolidação do painel, uma

vez que a adesão química é resultante do contato entre os

grupos hidroxílicos da madeira e as moléculas do adesivo.

Segundo Girard e Shah (1991), a madeira começa a sofrer

degradação térmica a partir de 180ºC, com a liberação

de dióxido de carbono, ácido acético e alguns componentes

fenólicos e a consequente perda de massa. Neste trabalho, as

perdas de massa das partículas tratadas a 180 e 200ºC não diferiram

entre si. No entanto, nas partículas aquecidas a 220ºC,

observou-se perda de massa igual a 10,56%, que foi significativamente

superior ao verificado nas demais temperaturas.

ABRIL | 69


REFERÊNCIA INDUSTRIAL

ARTIGO

Os valores foram, também, numericamente superiores aos

observados por Paul et al. (2006), que constataram perdas

máximas de massa de 2% nas temperaturas de 180, 200 e

220ºC, ao realizarem o tratamento térmico de partículas de

Pinus silvestris utilizando um secador rotatório em escala laboratorial.

Entretanto, o processo foi realizado numa atmosfera

com reduzido teor de oxigênio, e as partículas entraram

no equipamento com um teor de umidade de 4%. Dessa maneira,

as variáveis do processo utilizadas por aqueles autores

podem ter contribuído para a menor perda de massa.

Além da perda de massa, o tratamento térmico da madeira

provoca redução no seu volume, o que pode ocasionar

redução na densidade. Neste trabalho, à exceção das partículas

tratadas a 180ºC, todas as demais apresentaram maior

densidade que as não tratadas. Isso indica que a contração volumétrica

da madeira foi maior do que a sua perda de massa.

Com diminuição dos grupamentos OH disponíveis para

adsorção das moléculas de água, pode ocorrer aproximação

das microfibrilas de celulose após o tratamento térmico, o que

resulta na contração volumétrica da madeira (Vital; Trugilho,

1997).

A absorção de água dos painéis produzidos com partículas

termorretificadas não diferiu significativamente da testemunha,

isso provavelmente se deve ao fato de os adesivos à base

de ureia-formaldeído se degradarem quando em contato com

a água. Dessa maneira, mesmo com a utilização de partículas

menos higroscópicas, não houve redução significativa na

absorção de água dos painéis fabricados com partículas termorretificadas

quando comparadas com a testemunha. No

entanto, excluída a testemunha e analisando o efeito da temperatura

e da proporção de partículas termorretificadas na

composição dos painéis, observou-se que aqueles produzidos

apenas com partículas tratadas a 220ºC absorveram significativamente

menos água em relação aos demais. Reduções

significativas na absorção de água também foram obtidas por

Mendes (2010), ao produzir painéis do tipo OSB com partículas

tratadas a 200 e 240ºC.

Possivelmente, devido à redução nos grupamentos hidroxílicos,

as partículas termorretificadas tiveram menor percentual

de água de adesão, reduzindo a absorção de água pelo

painel. Comparando o efeito dos tratamentos apenas sobre

chapas fabricadas com partículas termorretificadas, observa-

-se que tanto a proporção de partículas termorretificadas

quanto a temperatura de termorretificação interferiram no

inchamento em espessura, porém não afetaram significativamente

a absorção de água. De modo geral, o aumento da

temperatura, bem como o incremento na quantidade de partículas

termorretificadas, resultou na redução do inchamento

em espessura. Apenas nos painéis produzidos com partículas

tratadas a 180ºC não se observou essa tendência. Melhor estabilidade

de chapas fabricadas com partículas termorretificadas

foram também percebidas por Mendes (2010) e por Paul

et al. (2006). Esses resultados indicaram que, mesmo com a

utilização de um adesivo não resistente à água, a incorporação

de partículas termorretificadas nos painéis pode aumentar

significativamente a estabilidade dimensional, conforme

foi observado, também, por Goroyias e Hale (2002), que estudaram

o efeito do tratamento térmico de partículas strand

nas temperaturas de 200, 210, 220, 230, 240, 250 e 260ºC, por

um período de 20 min.

De acordo com Kelly (1977), o inchamento em espessura

dos painéis de madeira reconstituída ocorre devido à liberação

das tensões de compressão oriundas do processo de

prensagem e, também, devido ao inchamento das partículas

de madeira.

Possivelmente, as partículas submetidas ao tratamento

apresentaram menor inchamento, em decorrência da redução

dos grupamentos hidroxílicos disponíveis para adsorção

da água nos constituintes da parede celular. Além disso, com

o aumento da densidade das partículas termorretificadas,

menor quantidade destas foi necessária durante a formação

do colchão para obter a densidade predeterminada do painel.

Dessa maneira, a taxa de compactação, as tensões de compressão

foram reduzidas e, consequentemente, os painéis

apresentaram menor inchamento em espessura.

Possivelmente, a redução na higroscopicidade das partículas

termorretificadas fez que elas absorvessem menos

água, resultando em menor inchamento. Aliado a esse fato,

os painéis com partículas termorretificadas tiveram redução

nas tensões de compressão devido à menor taxa de compactação,

que, por sua vez, está associada à maior densidade das

partículas tratadas termicamente.

A resistência à tração perpendicular, também conhecida

como ligação interna, é importante parâmetro na avaliação

da qualidade de um painel, pois está diretamente associada

à adesão das partículas de madeira. Os resíduos de embalagens

de madeira utilizados para produção das partículas, por

terem sido gerados de compensado, eram compostos de adesivo

polimerizado, o que poderia afetar a ligação interna dos

painéis. Contudo, pode-se observar que a testemunha apresentou

resistência à tração perpendicular igual a 0,89 Mpa,

valor similar ao obtido por Iwakiri et al. (2001) em painéis de

partículas fabricados com mistura de cinco espécies de pinus,

obtendo resistência à tração perpendicular média igual a 0,85

Mpa. Dessa maneira, conclui-se que o resíduo de adesivo polimerizado

na matéria-prima não afetou a adesão entre as

partículas.

Observa-se, contudo, que, apesar de o tratamento térmico

melhorar a estabilidade dimensional dos painéis, a utilização

de partículas termorretificadas reduziu entre 40 e 60% a

resistência à tração perpendicular dos painéis, em comparação

com a testemunha. Resultados semelhantes também foram

observados por Boonstra et al. (2006) e Mendes (2010),

ao produzirem painéis do tipo OSB utilizando partículas termorretificadas.

Entretanto, Paul et al. (2006) e Mendes (2010)

não observaram diferença significativa de resistência à tração

perpendicular em painéis do tipo OSB produzidos com

partículas termorretificadas. Entretanto, vale destacar que

esses autores utilizaram adesivos à base de melamina-uréia-

-fenolformaldeído e fenolformaldeído, que formam ligações

70 |

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cruzadas durante a polimerização do adesivo, aumentando a

resistência da linha de cola (Pizzi; Mittal, 1994).

Sernek et al. (2004) afirmaram que o tratamento térmico

das partículas acima de 180ºC pode reduzir a resistência

à tração perpendicular dos painéis, devido à movimentação

dos extrativos para a superfície das partículas e, também, à

inativação parcial dessa superfície. Isso ocasiona diminuição

dos grupamentos OH disponíveis, acarretando redução na

adsorção química entre a madeira e o adesivo. Além disso, a

condensação de componentes produzidos pela degradação

térmica da madeira na superfície das partículas, como o alcatrão,

pode ter reduzido a permeabilidade da superfície, prejudicando

a adesão.

Considerando apenas os painéis contendo partículas termorretificadas,

a maior resistência (0,52 Mpa) foi observada

nos painéis contendo 25% dessas partículas. A resistência dos

painéis contendo 50% de partículas termorretificadas foi igual

a 0,44 Mpa, valor significativamente inferior ao anterior. Nas

proporções de 75 e 100%, obtiveram-se resistências iguais a

0,37%, valor significativamente inferior aos observados nas

proporções iguais a 25 e 50%.

Aumento na temperatura de termorretificação de 180

para 200 e 220ºC ocasionou perda significativa de resistência

à tração perpendicular (0,46; 0,42; e 0,40 Mpa, respectivamente).

Contudo, apesar da redução da resistência à tração

perpendicular, todos os painéis produzidos com partículas

termorretificadas atenderam à exigência da Norma Abnt/NBR

14810-2 (2002), que estabelece um valor mínimo de 0,35 MPa

(mega pascal) para painéis de média densidade.

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CONCLUSÃO

A termorretificação das partículas é um tratamento que

reduz tanto a adsorção quanto a absorção de água, melhorando

a estabilidade dimensional dos painéis. As propriedades

mecânicas podem ser reduzidas. O efeito da adição de partículas

termorretificadas nas propriedades físicas e de resistência

à tração perpendicular dos painéis foi maior quando

a termorretificação ocorreu acima de 200ºC. Os resíduos de

embalagens de Pinus sp. podem ser utilizados satisfatoriamente

como matéria-prima para a produção de painéis do

tipo aglomerado.

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Minas Gerais)

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Ubá (MG)

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MAIO 2016

Salão de Gramado

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Gramado (RS)

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JULHO 2016

ForMóbile

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São Paulo (SP)

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construção civil na América Latina, é um espaço para a realização de

negócios com grandes marcas do mercado. Em 2015 foram movimentados

R$ 600 milhões durante os cinco dias de evento, segundo

a organização. A feira acontece de 12 a 16 de abril, no Anhembi, em

São Paulo. Para as marcas, essa é uma oportunidade de ampliar as

possibilidades de networking.

Imagem: reprodução

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REFERÊNCIA INDUSTRIAL

ESPAÇO ABERTO

E LA NAVE VA

O

Brasil pode atualmente ser comparado a um navio.

Um grande navio à deriva por causa dos erros de

navegação cometidos pela capitã e seus imediatos.

Os passageiros pagam caro pela passagem e são pessimamente

atendidos pela tripulação, que é muito maior do que deveria ser.

Os ratos saíram do porão e estão passeando livremente pelo

convés. As caldeiras deixaram de funcionar a pleno vapor. O

pior é que a comandante e os seus imediatos não têm a menor

noção, competência e senso de urgência para colocar o navio

no rumo correto.

Uma verdadeira tragédia é o contínuo processo de redução

da produção industrial no Brasil. O PIB (Produto Interno Bruto)

industrial encolheu 8,3% em 2015. No Paraná a retração foi de

9,6%. Embora o Brasil seja um celeiro de jovens e criativos empreendedores,

falta confiança para investir num país que tem

uma das maiores cargas tributárias do mundo. Se somarmos

todos os tributos chegarão a mais de 100 tipos diferentes. Na

Europa, o tempo gasto por uma empresa para administrar os seus

impostos é de 260 horas por ano. Enquanto aqui são necessárias

pelo menos 2.600 horas, dez vezes mais!

O custo decorrente de uma legislação trabalhista totalmente

ultrapassada, uma infraestrutura insuficiente para atender as

necessidades da indústria e das reformas fiscal e tributária tão

faladas, porém, sempre adiadas, dificultam ainda mais a retomada

do crescimento industrial.

Pode-se acrescentar a burocracia descomunal, lenta, ineficiente

e desnecessária que faz com que o custo transacional no

Brasil seja altíssimo. Não há luz no fim do túnel, por enquanto.

Mesmo que o Brasil tenha trabalhadores qualificados, a

afirmação de que o custo da mão de obra seja um fator competitivo

importante não se confirma. O custo de um empregado na

indústria chega a mais de 140% do seu salário nominal. Diante

disso, enquanto não reduzirmos significativamente os encargos

sobre a folha de pagamento não seremos competitivos.

É essencial que a produtividade da indústria seja aumentada

por meio da qualificação dos trabalhadores e pelo investimento

em máquinas mais modernas e eficientes, afinal o nosso parque

industrial está parcialmente sucateado.

O fato é que não podemos competir com outros países em

igualdade de condições, quanto mais gerar valor econômico agregado.

O custo da energia elétrica (kWh) no Brasil, por exemplo,

é um dos maiores do mundo. Diante disso, segmentos eletrointensivos

como os de alumínio, papel e celulose, petroquímicos

e siderúrgicos são duramente afetados. A elevada participação

da energia elétrica no custo total da produção inibe consideravelmente

os investimentos em novas fábricas no país.

Estamos novamente diante de grandes desafios que precisam

ser tratados com urgência se não quisermos ser o eterno país

do futuro. Em curto prazo, precisamos encaminhar o ajuste fiscal

para combater o déficit público que em 2015 atingiu mais de R$

114 bilhões. A inflação na casa dos dois dígitos também assusta

e corrói a renda de milhares de brasileiros que estão perdendo o

emprego. Assim como a alta taxa de juros, que precisa ser reduzida

consideravelmente se quisermos voltar a crescer de maneira

sustentável e com os investimentos necessários.

O Brasil é um país com condições excepcionais para crescer,

é muito maior do que qualquer crise, mas deve ser repensado

para que daqui algumas décadas seja esse Brasil que almejamos.

Precisamos fazer a nossa lição de casa.

Enquanto isso lá em Brasília, la nave va, (...) fazendo água!

Foto: divulgação

Por Andreas Hoffrichter

Diretor da AHK PR (Câmara de Indústria e Comércio Brasil-Alemanha), cônsul honorário

da Alemanha em Curitiba e conselheiro de administração certificado pelo Ibgc (Instituto

Brasileiro Governança Corporativa)

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