Views
1 year ago

Julho/2015 - Revista VOi 121

Grupo Jota Comunicação

• PRINCIPAL Ari

• PRINCIPAL Ari Portugal Foto: Fabio Ortolan Tunel imperial É difícil descobrir o que é mais surpreendente, o local escolhido para a construção da cave ou a história do empresário Ari Portugal, responsável por essa inusitada aventura. Em 1999, quando adquiriu uma área de 45 ha (hectares) localizada nos fundos da Estação Ferroviária de Roça Nova, em Piraquara, a ideia inicial era construir um hotel fazenda. “O fato do local ser uma área de preservação natural e patrimônio nacional tombado motivou na escolha do espaço”, frisa Ari. No ano seguinte, em um leilão público o empresário arrematou um túnel ferroviário desativado – localizado a 140 metros da estação e construído em 1883 no Brasil Império – e uma litorina sucateada que integrariam o projeto da pousada. O resultado? Nada de hotel, mas sim uma cave para maturação de espumantes. Parece inusitado, mas Ari descobriu que o túnel conseguia manter a temperatura em 16°C no inverno e 17°C no verão. Condição mais que adequada para a aventura. Deste processo surgiu a parceria com a vinícola Cave Geisse, de Pinto Bandeira (RS), que passou a fornecer o espumante semielaborado. “A bebida vem engarrafada, mas com as leveduras. Fazemos a guarda, a maturação e os processos finais na estrutura erguida dentro do túnel.” O projeto é audacioso e deste porte o único no mundo. “Todos que vêm visitar ficam impressionados”, valoriza Ari. Aberto ao público há cerca de cinco meses o passeio que inclui visitas guiadas pela cave/túnel, degustação, e almoço (servido dentro da antiga estação de trem) é integralmente realizado pela família: pai, mãe, filha e filho trabalham unidos no que virou um sonho, a Cave Colinas de Pedra. O projeto tem chamado atenção da mídia nacional e internacional e já rendeu reconhecimento à família como o título de case inédito concedido no Congresso Latino Americano de Enoturismo. 32

Foto: Valterci Santos Rosi Cler Durigan Tradicao secular Parada obrigatória em Santa Felicidade, o bairro mais italiano e turístico de Curitiba, a vinícola Durigan dispensa apresentações. Mas algo precisa ser evidenciado: a história dessa família no segmento já ultrapassa um século. Para entender melhor é necessário voltar a 1873, ano no qual Isidoro Durigan veio ao mundo na cidade italiana Giavera Del Montello. Tempos mais tarde, em 1888 – ano da abolição da escravatura - chegou ao Brasil vindo com a família a bordo de um navio a vapor. Instalaram-se primeiro em Morretes e só mais tarde se relocaram para o local que hoje é o bairro Santa Felicidade. “Meu nono (avô) que começou o parreiral. A primeira produção foi a graspa”, conta Rosi Cler Durigan, neta de Isidoro. Mais tarde, o casal Bortolo Romani Durigan – filho de Isidoro - e Rozalina Colodel Duringan, pais de Rosi Cler, deram continuidade ao trabalho. “Lembro-me de ajudar minha mãe desde pequena, eu e meus nove irmãos. Com cinco anos já estava vendendo uva atrás do balcão, mas não era um sofrimento e nem penoso. Fazíamos com prazer e orgulho”, conta Rosi. “A produção começou apenas com um balaio e eu e minha mãe lavávamos as garrafas com chumbo uma a uma. O vinho era engarrafado na mangueira. Hoje a Durigan é enorme”, destaca Rosi que ganhou uma escultura na loja anexa à vinícola, fruto da dedicação de décadas ao vinho e à Durigan. Atualmente a vinícola e as lojas pertencem a um dos irmãos de Rosi, Olívio Durigan que foi o responsável por erguer as estruturas. Uma curiosidade: a fonte em frente à loja maior é uma homenagem à Itália e retrata a família de Olívio. Consolidada na fabricação de vinhos de mesa, a vinícola deu mais um grande passo recentemente: a produção de vinhos finos que deixou a variedade de produtos ainda mais rica. JULHO 33