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O FUTURO MUSEU DE

O FUTURO MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL E DA CIÊNCIA São da responsabilidade do mármore os trabalhos de captura e irradiação da luz que nos recebe no átrio daquele que será o futuro Museu de História Natural e da Ciência da U.Porto. Resultado da fusão do Museu de História Natural e do Museu da Ciência / Núcleo da Faculdade de Ciências, originalmente a funcionar desde 1996, este museu integra um Polo Central, localizado no Edifício Histórico da Reitoria, e outro que inclui a Galeria da Biodiversidade – Casa Andresen e o Jardim Botânico do Porto. O Polo Central abrange as coleções históricas de geologia, paleontologia, zoologia, arqueologia e etnografia, botânica (incluindo o Herbário da U.Porto – PO) e ciência. Com exemplares de arte africana, asiática e da Melanésia, grande parte das coleções provém do Instituto de Antropologia Dr. Mendes Correia que realizou algumas das maiores expedições e missões antropológicas organizadas pelo governo português. Com dois séculos e meio de aquisições, as coleções multiplicaram-se na sua tipologia e diversidade, daí que se justifique um investimento na investigação. “Temos coleções muito relevantes” que carecem de “uma investigação e enriquecimento permanentes, sendo que não há, em Portugal, nenhum museu de história natural e da ciência que tenha investigação ativa sobre o património”, esclarece Nuno Ferrand. Do átrio, que ficará na ala sul do Edifício Histórico da Reitoria, dá para ver a porta que esconde uma das joias mais importantes de todo o complexo: o Laboratório de Química Ferreira da Silva. Depois de os outros museus em Coimbra (século XVIII) e Lisboa (século XIX) terem recuperado os seus laboratórios, “nós tivemos a sorte de ter aqui um laboratório excecional, de início do século XX”, explica Nuno Ferrand. “Vamos contar três séculos de história da química num eixo nacional”. Está a ser trabalhada a possibilidade de haver um programa comum para que “as pessoas que visitam as três cidades possam entender essa história e a contribuição da investigação que foi feita em Portugal na área da química”. O Laboratório do Porto é dos inícios do século XX, período de excelência da art déco, e embora tenha sofrido algumas alterações ao longo do tempo, vai ser feito um trabalho de reconstituição e contextualização. “Há muitos episódios de ligação à cidade que vão ser recuperados, mas também a relação de Portugal com outros países, nomeadamente na exportação de vinhos para o Brasil e a respetiva análise que aqui era efetuada”. Sendo que este laboratório corresponde também à matriz da Bial, a empreitada contará com o apoio daquela farmacêutica. O mecenato estende-se ainda à Mota-Engil para aquele que será o “aspeto mais icónico” do museu: o Pátio dos Dinossauros. Em dezembro de 2015, o Museu de História Natural de Berlim anunciou ao mundo a sua nova superstar. Com 66 milhões de anos, Tristan, o Tyrannosaurus rex de 13 metros de comprimento, chegou de Montana, nos Estados Unidos. No Porto, a narrativa vai ser outra: a de proximidade. Com histórias que ainda não foram contadas. “Não vamos trazer para aqui os TRex”, afirma Nuno Ferrand. “Vamos trazer os dinossauros que têm sido encontrados em Portugal e que nos colocam, neste momento, na sétima posição do mundo em termos de interesse paleontológico. Os dinossauros que têm sido encontrados na Lourinhã são de facto excecionais”. O diretor do futuro Museu, Nuno Ferrand, o Professor da FBAUP Luís Mendonça e o consultor catalão Jorge Wagensberg constituem a equipa que pensou o discurso expositivo e museológico dos Leões e da Galeria da Biodiversidade, entre os quais haverá uma ligação temática, fazendo com que quem entre no Polo Central saia com vontade de continuar a visita na Casa Andresen, e vice-versa. GALERIA DA BIODIVERSIDADE - CASA ANDRESEN Porquê salvar uma espécie? Porque é pura beleza; porque chegou até aqui depois de quase 4.000 milhões de anos de evolução. Ou “só” porque nela pode estar a solução para um problema que ainda nem surgiu. Quando entrar no portão que dá acesso ao Jardim Botânico, olhe para o chão. Terá a “Árvore da Vida” rente aos pés. Faz lembrar o tronco de uma árvore, esta obra de Luís Mendonça que representa a distribuição da diversidade das espécies. Do humano ao fungo, estamos a pisar quatro mil milhões de anos de vida. Meio caminho andado para subir as escadas da Galeria da Biodiversidade - Casa Andresen e encontrar o caracol riscado (Cepaea nemoralis) que, tal como Beethoven na música, é um maestro na apresentação de diferentes variações sobre o mesmo tema. Para lembrar que, quanto maior for a diversidade genética de uma espécie, mais protegida está contra a incerteza do meio ambiente. E qual é a forma que carece de uma superfície mínima, para encerrar um volume, permitindo assim uma perda de calor mais lenta? Também é a forma mais difícil de ser mordida por uma boca cujo diâmetro seja menor… O ovo, claro. Sabia que o esférico cai do ninho mais facilmente do que o ovoide? Haverá uma relação entre a forma geométrica e a função que um ser vivo desempenha no ambiente? Há seres vivos parecidos porque partilham uma história, outros porque partilham um destino. As perguntas vão funcionando de anzol, nesta aventura pelas espécies que, também aqui, retoma a narrativa de proximidade. Se é verdade que há revoluções científicas associadas a grandes viagens como as de Charles Darwin ou Alfred Wallace, também é verdade que Portugal foi pioneiro na descoberta do planeta e é porque a biodiversidade também se escreve em português que vai ser resgatado o contributo de exploradores como Alexandre Rodrigues Ferreira (1756 - 1815). cultura Texto Anabela Santos Fotos Egídio Santos 30 Campus UP 0.indd 30 06/01/17 16:02

A Galeria da Biodiversidade - Casa Andresen, cuja inauguração está prevista para os próximos meses, aposta em momentos e elementos “tremendamente fortes do ponto de vista estético” e num “cruzamento entre arte e ciência que nos vai distinguir a nível nacional e internacional”. A herança do universo de Sophia (de Mello Breyner Andresen) está na metáfora do esqueleto da baleia que se impõe no hall de entrada. “E a partir daí irá nascer tudo o resto”, acrescenta Nuno Ferrand. Há ainda um projeto para “desacantonar” o Jardim Botânico, ou, visto de outra forma, de “botanização” do Campo Alegre. Ainda pertence ao papel, esta ideia de expandir o jardim pela rua. UM ROTEIRO PARA A PROMOÇÃO DA CULTURA CIENTÍFICA cerca de 40 anos depois. O suficiente para fazer parte da memória coletiva. Porque o tema “está em todas as agendas” e porque é essencial vincar a importância do mar num país como Portugal, interessa resgatar a memória do que foi a investigação marinha. É fundamental, sublinha Nuno Ferrand, “perceber por que motivo essa investigação arrancou na U.Porto e recuperar os trabalhos de uma pessoa absolutamente fundamental na criação do museu, e na biologia, que foi o professor Augusto Nobre”. Com a integração do Polo do Mar, este novo o roteiro científico terá início no centro do Porto e terminará na Foz do Douro, efetivando, concluí Nuno Ferrand, “a noção de campus ou de ciência espalhada pela cidade”. Sob a matriz de divulgação e promoção da cultura científica há uma cidade campus que está a nascer. A U.Porto viu recentemente aprovados 1,9 milhões de fundos comunitários para o processo de reabilitação do Museu de História Natural e da Ciência, “um contributo significativo que vai permitir consolidar a obra que está em curso e abrir novas frentes”, esclarece Nuno Ferrand. A realização da Conferência Anual do Ecsite, em junho de 2017, que trará ao Porto cerca de 350 organizações e mais de mil pessoas empenhadas em comunicar ciência, será um dos momentos importantes para apresentar “este novo projeto sobre divulgação e comunicação de ciência. Em vez de um edifício teremos uma instituição espalhada pela cidade, da qual as pessoas vão poder desfrutar através de um programa conjunto. É uma obra complexa, que vai continuar nos próximos anos”. A última fase deste projeto leva-nos até à Avenida Montevideu, na Foz. A Estação de Zoologia Marítima Dr. Augusto Nobre foi criada em 1914 e as obras de construção do edifício começaram logo de seguida. Com 36 aquários para exposição de animais de água doce, salobra e salgada, o aquário público abriu portas em 1927, para as fechar 31 campus 000 Campus UP 0.indd 31 06/01/17 16:02

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