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Dar é o melhor remédio

Dar é o melhor remédio Desde março deste ano que mais de 70 estudantes da U.Porto percorrem as farmácias da cidade para garantir medicamentos gratuitos a várias famílias carenciadas da zona da Vitória. Por enquanto, “contentam-se” com um “Porto com + Saúde”. No futuro, querem ajudar a salvar vidas em todo o país. Junto ao balcão da centenária farmácia Aliança, em plena Baixa do Porto, Teresa Couto e Carina Vieira atiram o melhor sorriso a quem chega. Estão habituadas a fazê-lo desde que começaram a pôr de parte os livros do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da U.Porto (FFUP) para dedicarem algumas horas por semana a sensibilizar os utentes daquela e de outras farmácias portuenses a ajudarem a custear os medicamentos de um grupo de idosos da cidade. “O que fazemos é garantir que doentes crónicos que não tenham acesso a medicação por dificuldades financeiras consigam tê-la gratuitamente”, apresenta Teresa Couto, presidente da Associação Cura+ e um dos rostos principais do projeto “Porto com + Saúde”. O nome diz tudo. Ou, pelo menos, assim o idealizaram Joana Carvalho e Sara Batista, as duas estudantes – hoje diplomadas – da FFUP que, em 2015, descobriram durante um estágio extracurricular aquilo que lhes passava ao lado entre as quatro paredes da faculdade. “Elas aperceberam-se de que havia um número muito grande de pessoas que não conseguiam pagar a medicação de que precisam para sobreviver”, explica Teresa Couto. Face à inexistência de um projeto de voluntariado voltado especificamente para estudantes de ciências farmacêuticas, decidiram juntar dois em um e criar a sua própria associação, mobilizando para isso outros colegas da faculdade. Teresa foi um deles. “Foram entrando cada vez mais pessoas e, no caminho, fomo-nos rodeando de professores e profissionais de saúde que nos ajudaram a desenvolver todo o circuito do projeto”. A faculdade foi a primeira a apoiar. Seguiram-se algumas das que são hoje as farmácias parceiras da Cura+ e a Associação Nacional de Farmácias (ANF). À equação juntou-se por fim o Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora da Vitória, ao qual coube a tarefa sinalizar os primeiros “alvos” do projeto. Condição: sofrerem de uma doença crónica e não terem possibilidades financeiras (rendimento mensal per capita inferior a 100 euros) para comprar a sua medicação sujeita a receita médica. No terreno desde março de 2016, a fase “beta” do “Porto com + Saúde” começou por envolver três farmácias (atualmente são seis), onde as equipas de estudantes voluntários entram em ação três dias por semana, durante duas horas. Tempo suficiente para distribuírem sorrisos, entregarem brochuras e explicarem aos clientes ao que vêm. Seguidamente, “a pessoa pode fazer um donativo dirigido, a partir de uma lista que temos com os medicamentos que são necessários para cada doente. Ou então um donativo não dirigido, no valor que acharem apropriado. Posteriormente, os doentes dirigem-se às farmácias e, mediante a apresentação da receita médica, recebem o seu medicamente de forma gratuita e anónima”, explica Teresa Couto. A verdade é que, menos de um ano após o arranque do projeto, os resultados não podiam ser mais encorajadores. Abrangendo inicialmente 40 agregados familiares por mês, o “Porto com + Saúde” deve chegar a 60 famílias até março de 2017. ”Hoje em dia, já conseguimos pagar os medicamentos de todos os doentes exclusivamente com os donativos que angariamos nas farmácias”, refere a finalista da FFUP. Em tempos de crise, vem também ao de cima o espírito solidário de quem, muitas vezes, dá o que (não) pode. “Há pessoas que até nem têm possibilidades, mas sentem que querem contribuir e dão aquilo que podem dar”. As palavras da futura farmacêutica fluem com a naturalidade de quem já se habituou aos microfones e às máquinas fotográficas, o preço a pagar pelo “feedback muito positivo” que o projeto vai tendo no exterior. A começar pelas farmácias parceiras. “Os estudantes estão muito envolvidos e integram-se perfeitamente na nossa rotina de trabalho. Por outro lado, é muito positivo porque o número de pessoas a precisar deste apoio é cada vez maior”, nota Sónia Correia, farmacêutica-adjunta da Farmácia Aliança. Pelo meio, “estamos sediados na Casa das Associações, que nos cedeu um espaço incrível, mantemos a parceria com a FFUP, a nossa casa-mãe, e sentimos muito apoio das farmácias e dos parceiros comerciais porque eles veem os resultados a acontecer”, completa Teresa Couto. A ANF também viu. Tanto que atribuiu à Cura+ o Prémio João Cordeiro – Inovação em Farmácia 2015, na categoria de responsabilidade social. FAZER A DIFERENÇA Mas o que leva afinal tantos estudantes a abdicarem de parte do seu tempo para ajudar a salvar a vida de quem não conhecem? A resposta podia multiplicar-se pelos 110 colaboradores que compõem a estrutura da Cura+, incluindo os mais de 70 voluntários que dão a cara pelo “Porto com + Saúde”. Entre estes destacam-se os estudantes da FFUP, mas também há quem venha das faculdades de Belas Artes e de Economia. A diversidade é bem-vinda. “Os voluntá- quadro de honra Texto Tiago Reis Fotos Egídio Santos 50 Campus UP 0.indd 50 06/01/17 16:03

Teresa Couto, Sónia Correia e Carina Vieira (da esq. para a dir.). COMO AJUDAR? Para apoiar o “Porto com + Saúde” basta deixar o donativo pretendido numa das seis farmácias aderentes – Aliança (Rua da Conceição), Lemos (Praça de Carlos Alberto), Vitália (Praça da Liberdade), Moreno (Largo de São Domingos), Clérigos (Rua dos Clérigos) e Parente (Rua das Flores). Em alternativa, pode fazê-lo através de transferência bancária para o NIB da Associação Cura+: 0033 0000 4547 4174 5320 5 Os interessados podem ainda associar-se à campanha como voluntários. Mais informações em http://www. curamais.com/ ou através do e-mail geral@curamais.com. rios podem candidatar-se através do nosso site ou falar diretamente connosco. Depois são distribuídos de acordo com as suas características pelos vários departamentos da associação”. Contas feitas, “neste momento temos um banco de voluntários que nos permite dar a todos a oportunidade de participarem”. No caso de Teresa Couto, a experiência “tem sido muito gratificante. Todos sabemos que há pessoas que passam dificuldades extremas, mas é diferente vermos isso ao nosso lado. Ao mesmo tempo, é ótimo sentir que posso fazer a diferença na cidade que me acolheu”. “Fazer a diferença na vida das pessoas” foi também o que levou Carina Vieira a juntar-se ao projeto depois de ter descoberto a Cura + durante uma feira de voluntariado na FFUP. Um ano depois, o balanço é “muito positivo” para a estudante do 4.º ano de Ciências Farmacêuticas e atual coordenadora do departamento de intervenção social da associação. “É um projeto muito motivador, exige muita comunicação e é uma forma de crescermos profissionalmente, porque um dia vamos estar à frente de um balcão a contactar com esta realidade”. LEVAR SAÚDE A TODO O PAÍS A poucos meses da conclusão do projeto piloto, e já com outro projeto na forja – o “Polimedicação + Segura”, destinado a ajudar doentes polimedicados a gerir a sua medicação da forma mais adequada –, é com confiança e ambição que Teresa Couto e os restantes estudantes encaram o futuro. “Por enquanto, esperamos atingir todas as farmácias da zona da Vitória. Posteriormente, queremos chegar a todas as regiões da cidade do Porto”. E prometem não ficar por aí. “O nosso objetivo a longo prazo é conseguir alastrar as farmácias Cura+ para mais cidades do país, a começar pelas que têm faculdades de ciências farmacêuticas [Covilhã, Coimbra, Lisboa e Algarve] ”. O remate surge em forma de mote: “Queremos um Portugal com mais saúde!”. 51 campus 000 Campus UP 0.indd 51 06/01/17 16:03

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