Lar Cristão

neriellopez

Edição 154 - janeiro/fevereiro 2017

Sumário

12 Para que o príncipe não vire sapo ou

a fada uma bruxa

Judith Kemp

16 Com quem me casarei?

Paulo Eduardo Klawa

20 Espere o companheiro ideal

Alcindo Almeida

22 Os opostos se atraem?

Marcos Garcia

29 Conjugalidade harmônica

Carlos Catito

32 Cuide de sua saúde emocional e mental

antes de se casar

Elisabete Bifano

34 Cuide da saúde administrativa e

financeira da família

Paulo de Tarso

Artigos

24 Adoração em família

Ronaldo Bezerra

30 Linguagens do amor

Magali Leoto

36 Finanças em família

Ivonildo Teixeira

38 Comunicação & ação

Marcos Quaresma

40 Namoro cristão

Fernando de Paula

44 A família nas mãos de Deus

Salovi Bernardo Junior

46 Pais e filhos, amigos para sempre

Giovani Luiz Zimmermann

48 Fique por dentro

50 Agenda Ministéro Lar Cristão

6

Antes de decidir,

pergunte a Deus

Jaime Kemp

4 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


janeiro/fevereiro 2017

A Revista Lar Cristão é uma publicação

da Editora Fôlego Ltda. dirigida à família

brasileira. Seu conteúdo oferece orientação

bíblica, clara e segura.

Diretor

Jaime Kemp

Editores

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Jaime Kemp, Luiz Antonio Caseira, Márcia M.

d’Haese, Marcos Antonio Garcia, Paulo de Tarso,

Ivonildo Teixeira, Magno Paganelli, Judith Kemp,

Dora Bomilcar, Julio Lima.

Conselho Editorial

Rev. Hernandes Dias Lopes – Igreja Presbiteriana

de Vitória (Vitória/ES); Dr. Luiz Antonio Caseira –

médico e missionário de Vencedores por Cristo

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Dias Ribeiro – diretor de Atletas de Cristo (SP/SP);

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Batista de São Gonçalo (S. Gonçalo/RJ); Pr. Armando

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Uma escolha para

toda a vida

Em sua nova edição, a revista Lar Cristão toca em um tema de extrema

importância que interessa especialmente aos jovens.

Há muitos anos havia um programa humorístico na televisão em que

dois padres atendiam em sua paróquia casais com problemas. Eles sempre

diziam uma frase que se mostrou muito mais do que um jargão usado

numa cena de comédia para um costume da sociedade moderna: “Casa,

separa; casa, separa”.

Às vezes me pergunto se há pessoas que se casam já pensando na

possibilidade de um divórcio. Se isso acontece, o que será que significa para

elas a vida a dois, o compartilhar, o doar-se, o amar, o tornarem-se uma só

carne? Será que os jovens não sonham mais em casar, ter filhos, viver a vida

ao lado de alguém que amam?

Eu sei que o mundo mudou e continua mudando, aceleradamente, mas

também sei que as pessoas querem ser felizes, e o casamento é uma área

delicada, que merece toda atenção, respeito e cuidado. Por isso esta edição

da LC ressalta a importância de voltar-se para Deus e pedir sua orientação

para fazer a escolha certa do marido ou da esposa. A sua Palavra revela

segredos e é um guia para aqueles que casam com o desejo de serem felizes

para sempre.

Como deve ser a pessoa?

O que você deve observar?

Deus significa para ele(a) o mesmo que para você, isto é, Ele também é

seu Salvador e Senhor?

O fato de estar apaixonada(o) é o bastante?

Será que você ama de verdade ou é só uma paixão?

Afinidades são importantes?

Ele(a) é emocionalmente estável?

Como ele(a) administra o dinheiro que ganha também entra nessa

observação?

E sobre filhos e sua criação?

E as perguntas não param por aí.

Leia as páginas a seguir e encontre orientações, sempre priorizando a

perspectiva divina, que certamente a(o) ajudarão a tomar uma das decisões

mais importantes de sua vida. Não há fórmulas mágicas. O amor não

depende apenas de sentimentos, mas também da razão.

Quando você decide amar alguém por toda a sua vida e ser feliz ao lado

dessa pessoa, torna-se ainda mais importante fazer a escolha certa.

Jaime Kemp

Pra início de conversa


Escolhendo sabiamente seu futuro cônjuge

Antes de decidir,

pergunte a Deus

JAIME KEMP

Durante os anos de adolescência

e juventude, a decisão mais importante,

aquela que certamente

influenciará sua vida nesta terra e por toda

a eternidade, é a escolha de comprometer-

-se com Jesus Cristo e segui-lo por todos os

seus dias.

A segunda decisão mais importante,

se a pessoa decidir casar-se, é a escolha

do futuro cônjuge. Não há dúvida de que

essa decisão também impactará intensamente

todas as áreas da sua vida. As

consequências de uma decisão equivocada

podem ser desastrosas para a pessoa e para

sua futura família. Quantas vezes jovens

casados, que fizeram a escolha errada, têm

compartilhado comigo, chorando, que

estão sofrendo muito por causa disso. Suas

explicações sobre a razão de terem tomado

uma decisão precipitada são diversas:

• Eu me tornei um filho pródigo;

• Eu me afastei do Senhor durante

um tempo;

• Eu caí em tentação;

• Eu me afastei da Palavra de Deus;

• Eu não aceitei os conselhos dos

meus pais e conselheiros.

É muito perigoso tomar uma decisão

tão importante quando esquecemos nosso

primeiro amor, Jesus, e nos deixamos

influenciar por “amigos” que nos levam

para longe dos caminhos do Senhor.

A obediência à

Palavra sempre traz

a bênção de Deus.

Se o jovem quer

ter um casamento

abençoado, é fator

determinante seguir

os conselhos de

Deus. A Bíblia nos

ensina como podemos

tomar decisões

corretas e como

seguir a vontade de

Deus.

Quando o povo

de Israel estava

pronto para entrar

na terra prometida,

Deus escolheu

Josué, um discípulo

de Moisés, para

ser seu líder. Josué

lançou um desafio

ao povo: “Portanto,

agora, temam

a Deus, o Senhor.

Sejam seus servos

sinceros e fiéis. Esqueçam

os deuses

que os antepassados

adoraram... eu

e a minha família

serviremos a Deus,

o Senhor (Josué

24.14-15 – BLH).

No início, Israel

se comprometeu a

servir o Senhor, po-

rém, com o tempo,

o povo começou a

tomar decisões erradas

porque permitiu

ser influenciado

por costumes e

religiões dos povos

ao seu redor.

Daniel, vivendo

longe de sua terra,

feito prisioneiro

e servindo a um

rei que não temia

a Deus, precisou

tomar algumas decisões

importantes

em sua vida. Lemos

em Daniel 1.8 que

ele “... resolveu que

6 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


não iria ficar impuro por comer a comida

e beber o vinho que o rei dava”. Contestando

a determinação da autoridade

suprema daquele lugar, Daniel decidiu

honrar e obedecer ao Senhor, e isso não

aconteceu somente em uma ocasião, mas

em outras também.

Deus abençoou grandemente a sua

vida. O jovem Daniel foi escolhido para

assumir uma posição de alta liderança

não só no governo desse rei pagão, mas de

vários outros, e sempre fazendo sobressair

seu testemunho como servo de Deus.

Lembre-se de que muitas vezes decisões

corretas são difíceis de ser tomadas.

Tentações atraentes podem conduzir ao

pecado. Podemos ter de pagar um alto

preço em troca de alguns momentos de

alegria.

Durante mais de cinquenta anos de

ministério no Brasil aconselhei milhares

de jovens. Acredito que, com esse aval,

ganhei suporte para orientar jovens que

estão prestes a iniciar um namoro, noivado

ou casamento. Acima de tudo, é claro,

tenho a autoridade da Palavra de Deus.

Minha oração é que alguns desses conselhos

possam apontar a direção aos jovens

nessa área.

1. Não tome decisões importantes

quando você não está em

comunhão com o Senhor.

Um irmão, muito meu amigo, está

passando por sérias crises em seu relacionamento

conjugal. Ele me confessou

que tem andado longe do Senhor. Ele

namorou e casou com uma moça que

não conhecia a Jesus Cristo como Salvador

e Senhor da sua vida. Hoje ele se

preocupa muito com os filhos por causa

da influência da mãe, que nem sempre é

positiva.

2. A Palavra de Deus deve ser seu

guia nas decisões cruciais de sua

vida.

Lembre-se de que muitas vezes

decisões corretas são difíceis de ser

tomadas. Tentações atraentes podem

conduzir ao pecado.

Leia, estude e

medite na Palavra.

Ela é vida para

quem a procura,

para quem a encontra.

Quando eu tinha

18 anos e estava na

faculdade, escrevi

em algumas páginas

da minha Bíblia:

“A Palavra de Deus

me afastará do

pecado ou o pecado

me afastará da

Palavra de Deus”.

Leia o testemunho

do jovem Davi em

Salmos 119.11.

Um dos princípios

básicos sobre

o namoro está em

2 Coríntios 6.14:

“Não vos ponhais

em jugo desigual

com os incrédulos...”.

Poderia ser

mais claro?

3. No processo

de escolha

de seu futuro

cônjuge este é

meu conselho:

ore, ore e ore.

Ore com seus

pais. Ore com

seus amigos. Ore

com seu pastor.

Ore com a pessoa

que você pretende

namorar. Gostaria

de sugerir que

você dedicasse ao

menos um mês de

oração antes de

tomar essa decisão

tão importante.

4. A Palavra de

Deus nos diz:

“Na multidão de

conselheiros há

segurança”.

Quais são as

pessoas que fazem

parte da sua “multidão

de conselheiros”

particular?

Seus pais? Seus

amigos cristãos que

mantêm comunhão

com o Senhor?

Escute bem o que

eles têm a dizer. Se

eles têm dúvidas

quanto à sua escolha,

espere, pise no

freio. Não tenha

pressa.

5. Sugiro um

período de

pelo menos

três meses

de o que eu

chamo “amizade

profunda”.

Um tempo separado

para orar, conviver

com a pessoa,

procurar observar

como ele(a) age e

reage em atividades

saudáveis para que,

assim, os dois possam

conhecer melhor

um ao outro.

Durante esse período

é importante

orar juntos. Conheço

casais que não

fizeram isso uma

única vez durante

todo o seu namoro

e noivado. Que

triste! Se ambos não

desenvolverem essa

prática no namoro

e noivado, provavelmente

não terão

esse hábito durante

o casamento.

6. Esteja certo(a)

de o que você

sente por aquela

pessoa é

real-mente

amor verdadeiro

(1 Coríntios 13.4-5)

E não simplesmente

uma paixão

romântica, uma

janeiro/fevereiro 2017 | Lar Cristão 7


Escolhendo sabiamente seu futuro cônjuge

fascinação, uma

atração física, um

impulso sexual. Em

meu livro Eu amo

você, reservei um

capítulo exatamente

sobre a diferença

que existe entre

amor verdadeiro e

paixão romântica.

Você conhece a diferença?

Jamais uma

pessoa deve se casar

baseada somente na

paixão. Ela acaba.

Ela não mantém

um casamento por

seis meses!

7. Não tome

uma decisão de

tal importância

somente para

agradar outra

pessoa.

Refiro-me

especialmente aos

pais. Por exemplo,

o pai ou a mãe que

não conhecem os

princípios bíblicos e

não têm valores cristãos

podem querer

que sua filha se case

com um homem

apenas porque ele

pode lhe garantir segurança

financeira.

8. Não se

envolva em

um namoro ou,

pior, casamento

antes de

resolver

qualquer tipo de

conflito que se

interpuser entre

vocês.

Suponhamos

que seu namorado

ou noivo tenha um

relacionamento

turbulento com o pai.

Há amargura, ressentimento

e até ódio

entre eles. A graça de

Deus precisa intervir

nessa situação antes

de você se decidir

pela evolução do

relacionamento. Se

vocês iniciarem um

casamento sem esse

conflito ter sido resolvido,

pode ser que

quando surgir um

desentendimento,

a raiva ou a amargura

do marido em

relação ao pai seja

projetada na esposa.

Conflitos não resolvidos

também na área

de finanças podem

ser usados nas mãos

do diabo para criar

desconfianças e contendas

entre o casal.

Sempre recomendo

aos noivos que estudem

os princípios a

respeito de finanças

antes de se casarem.

Na minha apostila

do curso “Família,

Ideia de Deus” há

um modelo de orçamento

familiar que

pode servir como

ponto de partida para

o casal nessa área.

Certamente, um

bom diálogo sobre o

assunto os poupará

de muitos desentendimentos

no futuro.

9. Uma boa

escolha de

um futuro

cônjuge exige

maturidade.

Geralmente, os

jovens com 15, 16

anos não sabem o que querem. As características

que eles(as) admiram quando

têm essa idade não são necessariamente

as mesmas que admirarão quando forem

mais velhos. Por isso, uma jovem de 16

anos de idade ou um rapaz de 18 anos

deve namorar durante 3, 4 anos para amadurecer

e estar convicto da escolha.

10. Em meus seminários sobre “Namoro,

Noivado, Casamento e Sexo”,

tenho dialogado com a juventude

sobre as qualidades positivas de um

futuro marido, futura esposa.

Eu desenvolvi esse estudo depois que

minha filha Melinda, ainda na adolescência,

me perguntou: “Pai, o que é um bom

homem, um homem de Deus?”. Depois

de refletir, preparei uma lista com doze

qualidades importantes:

Retrato de um Rapaz Atraente

1. Tem Jesus como Salvador e Senhor

de sua vida.

2. Tem uma vida espiritual com Deus.

3. É sensível às necessidades da sua

namorada.

4. Tem disposição de comunicar-se,

dialogar com ela.

5. É consciente da potencialidade,

dons, capacidades e talentos da namorada

e encoraja-a a desenvolvê-los.

6. Assume uma liderança carinhosa e

firme em seu relacionamento.

7. É um rapaz honesto, íntegro.

8. Respeita e honra seus pais.

9. Possui alvos na vida e caminha decididamente

para alcançá-los.

10. É um rapaz humilde.

11. Tem boas maneiras.

12. Não força a namorada a mudar seus

padrões na área do relacionamento físico.

E, claro, depois precisei desenvolver

uma lista de qualidades positivas de uma

garota para que os rapazes tivessem uma

ideia de como escolher sua futura esposa:

8 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


Retrato de uma Garota Atraente

1. Tem Jesus como Salvador e Senhor

de sua vida.

2. Tem uma vida espiritual com Deus.

3. Respeita e honra seus pais.

4. Sabe ouvir atentamente e sabe guardar

segredos.

5. É comunicativa, mas não é “faladeira”.

6. Vê a potencialidade do namorado e o

encoraja a desenvolvê-la.

7. É companheira e amiga.

8. Tem o hábito de orar.

9. É carinhosa.

10. Sempre que necessário sabe seguir

a liderança do namorado.

11. É cuidadosa com a aparência – é

feminina, mas não fica se esforçando excessivamente

para provar isso.

12. Tem interesse sincero pelas

pessoas.

Jovem, Deus

tem um plano

maravilhoso para

você. O Senhor está

mais interessado na

pessoa com quem

você vai se casar

do que você mesmo.

Espere n’Ele,

pois Ele tudo fará:

“Agrada-te também

do Senhor, e ele

satisfará o desejo

do teu coração”

(Salmos 37.4).

Deus me deu

esse versículo

quando eu estava

inquieto e inseguro

em relação a essa

área de minha vida.

Deus não falha.

Ele prometeu que

vai satisfazer seus

desejos. Tenha

certeza de que seus

desejos estão sob

a aprovação dos

padrões de Deus e

espere n’Ele. Deus

sabia exatamente

que tipo de esposa

eu precisava e me

deu Judith, três

filhas e três lindos

netinhos. Como

Ele é fiel! Judith

e eu estamos para

celebrar 52 anos de

casados.

Ele será fiel com

você também. Basta

confiar e esperar

n’Ele.

Jaime Kemp é doutor

em Ministério Familiar e

diretor do Ministério Lar

Cristão. Foi missionário

da Sepal por 31 anos

e fundador dos

Vencedores por Cristo.

É palestrante e autor

de 50 títulos. Casado

com Judith, é pai de

três filhas e avô de três

netos.

10 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


Escolhendo sabiamente seu futuro cônjuge

Para que o príncipe não vire

sapo ou a fada uma bruxa

JUDITH KEMP

O

amor é uma necessidade emocional,

um ato da vontade que responde

a uma avaliação intelectual

da personalidade total da outra pessoa.

O amor não é apenas um sentimento,

uma emoção ou um momento de romantismo,

mas algo intencional.

Você está passando por uma vitrine,

quando, de repente, um objeto chama sua

atenção. Talvez um sapato, um celular, um

carro, uma joia. Imediatamente, aquilo o(a)

fascina. Aparentemente, o objeto também

está encantado com você. É impossível resistir,

então você o compra, sem se importar

com as consequências.

Algum tempo depois, quando aquilo já é

seu e não há como devolvê-lo, você percebe

palavra que descreve

o sentimento de

muitos recém-casados.

Um dos propósitos

do namoro e

do noivado é que

o casal se conheça.

São períodos apropriados

para ambos

descobrirem como

é a personalidade, o

temperamento, os

hábitos, os costumes

de cada um; se têm

afinidades e entendimento

mútuo. Se

o nível intelectual

é condizente. Se o

relacionamento se

baseia somente na

atração física ou

existem sentimentos

realmente profundos.

Para o verdadeiro

amor, o maior

amigo é o tempo.

Também é importante

considerar

as expectativas de

cada um a respeito

do outro antes do

casamento. Será que

elas são realistas?

Casar com expectaque

cometeu um

grande erro:

• o sapato é incômodo

e machuca

muito seu pé;

• o celular não

funciona direito;

• o carro já quebrou

algumas vezes

e é muito difícil

encontrar as peças

necessárias;

• a joia é definitivamente

maravilhosa,

mas você

praticamente não

pode usá-la porque

corre o grande risco

de ser assaltada.

Se você soubesse

de tudo isso

antes, certamente

não faria a compra.

Na verdade, você

cedeu à atração e ao

impulso, sem pensar

nas possíveis consequências.

Infelizmente,

isso também acontece

com casais com

apenas um, dois ou

três anos de casamento.

Desilusão é a

tivas irreais por certo

trará desilusões ao

casamento. Naturalmente,

todo casal

tem expectativas

quanto ao cônjuge

e ao casamento.

Algumas conscientes

e outras não. As inconscientes

permanecem

latentes, e as

pessoas não percebem

que elas criam

frustrações, ansiedades

e insatisfações no

relacionamento.

Se, ao se casar,

um homem imagina

que sua esposa

terá sempre uma

aparência jovial, um

corpo perfeito, sem

flacidez ou alguma

celulite e não

engordará um quilo

sequer, conforme

passarem os anos ele

ficará muito frustrado.

Se o espelho não

o avisar que ele também

já não é mais o

mesmo, há o enorme

perigo de seus

olhos o enganarem

e levá-lo a procurar

12 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


O verdadeiro amor mostra atos

de bondade no cotidiano. Eles

cuidam do lado emocional do

relacionamento.

alguém que, ilusoriamente, o faça retornar

ao passado, a ser como era antes.

Se a mulher recém-casada acha que não

há a menor possibilidade de seu marido

ganhar uma barriguinha (ou “barrigona”),

ficar careca ou grisalho, talvez mais acomodado

e cansado, ela sofrerá desilusões.

A aparência física não tem força suficiente

para garantir um casamento bem-sucedido.

Foi manchete em 2016 o divórcio de

Angelina Jolie e Brad Pitt, considerado um

dos casais mais lindos do mundo. Não há

beleza que segure crises e provações apenas

por si mesma.

Em 1 Coríntios 13.4-7, há uma lista completa

sobre as quinze características do amor.

Quero destacar cinco desses itens:

Quem ama é paciente. Como já disse, o

amor precisa de tempo para conhecer a outra

pessoa, seu caráter, sua personalidade, suas

virtudes e defeitos; para descobrir as diferenças

individuais, familiares e intelectuais. Há

pessoas que se esforçam para esconder certas

fraquezas, mas o tempo ajuda a observar e

analisar se é com aquela pessoa que queremos

passar o restante de nossa vida.

Também é necessário tempo para perceber

como a pessoa reage às nossas fraquezas

e falhas, quando as descobrir. Tempo para

saber como o outro age quando é contrariado,

como responde às pressões que a vida

traz, se é organizado ou descuidado, trabalhador

ou preguiçoso, se é higiênico ou não;

para reparar como se relaciona com os pais e

para saber o que pensa sobre Deus.

O amor é sempre um processo de crescimento.

Durante o namoro e o noivado é

importante ambos

se envolverem em

várias atividades

diferentes que

podem colocá-los

em xeque diante de

situações reais. Dessa

forma, terão oportunidade

de analisar

as reações de cada

um em meio a vários

tipos de pressões e

circunstâncias.

A paixão faz as

pessoas dizerem e

fazerem coisas para

não perder a outra.

Ela também encoraja

os apaixonados

a tentar mudar a

personalidade básica

e o estilo de vida do

parceiro para ajustá-

-lo àquilo que idealizaram.

O problema

é que uma simples

paixão não tem força

para mudar as características

negativas da

outra pessoa.

Mas o apaixonado

é otimista e

pensa: Talvez ele(a)

mude! E se não

mudar? O que estou

dizendo é que o

amor verdadeiro faz

com que aceitemos

a pessoa como ela é

e não como gostaríamos

que ela fosse.

Quem ama é

bondoso. O amor é

um sentimento extraordinário,

porque

está sempre pronto a

dar, dar e ainda dar.

Demonstrar interesse,

atenção, afeto

e disposição para

doar-se é uma arte

e um fator essencial

para que um relacionamento

seja feliz e

seguro.

Precisamos

lembrar que o amor

é dinâmico, não é

estático. Julgamos

que o amor profundo

e verdadeiro pode

se desenvolver sem

nenhum esforço de

nossa parte. Mas não

é assim. O verdadeiro

amor mostra atos

de bondade no cotidiano.

Eles cuidam

do lado emocional

do relacionamento.

Há aqueles

que acham que

pequenas demonstrações

de afeto e

atenção não passam

de bobagens. Mas

a vida conjugal é

feita de uma série de

acontecimentos, e o

casal feliz é aquele

que sabe intercalar

pequenos gestos,

como dar de presente

uma flor, preparar

a refeição preferida,

entre esses eventos.

Quem ama não é

ciumento. Um relacionamento

é bem

sucedido quando

duas pessoas com

personalidades diferentes

compartilham

mutuamente tudo

o que elas são, tudo

o que fazem e seus

sonhos para o futuro.

Ao mesmo tempo

em que o relacionamento

progride

e elas dividem tudo

entre si, é crucial

que desenvolvam

outras amizades.

Isso contribuirá

para que continuem

crescendo quando

estiverem separadas.

O amor não

é autocentralizado,

mas outrocentralizado;

ele

não procura seus

próprios interesses.

Ninguém é propriedade

de ninguém.

Quando amamos

alguém, nós o deixamos

livre.

Quem ama não

se exaspera. O amor

verdadeiro não olha

com romantismo

para as realidades da

vida, mas procura

ser aberto, enfrentar

as dificuldades e

resolvê-las objetivamente.

Esconder

fraquezas, evitar assuntos

polêmicos ou

esquivar-se de conversar

sobre falhas

de comportamento

janeiro/fevereiro 2017 | Lar Cristão 13


Escolhendo sabiamente seu futuro cônjuge

revelam falta de honestidade

e realismo

no relacionamento.

O amor verdadeiro

confronta. Ele

procura resolver os

pontos de discórdia

ou irritação porque

sabe que toda

relação passa por

momentos difíceis.

Esse é um dos preços

de um casamento

feliz, e muitos casais

não estão preparados

para pagá-lo.

O amor real usa as

aflições para tornar o

relacionamento mais

profundo.

Quem ama não

é egoísta. Há vários

motivos para os

jovens namorarem e

casarem. Um deles é

sentirem-se seguros.

Outro é porque

necessitam de

atenção. Há aqueles

que cobiçam uma

posição social, mas a

vida não se resume à

abundância de bens.

Alguns buscam fugir

de um ambiente

familiar adverso. Porém,

muitas vezes, o

casamento se baseia

na aparência física.

Uma vez casados,

será que alguém

tem a ilusão de

que a aparência da

pessoa contribuirá

para a superação das

dificuldades que possam surgir? Que nada!

Aparência não ajuda em nada.

Essas cinco características do amor verdadeiro

são qualidades básicas para a escolha de

um marido ou esposa. Elas abrangem requisitos

essenciais para a construção e desenvolvimento

de um casamento feliz e equilibrado.

Elas falam sobre personalidade, caráter,

aparência e inteligência que se destacam por

meio de ser paciente, bondoso, não arder em

ciúmes, não procurar os próprios interesses.

O amor não pode parar de crescer ao

perceber que o(a) namorado(a), noivo(a),

marido ou esposa dá “suas mancadas”. Ninguém

é capaz de preencher todos os espaços

vazios que temos em nossa vida ou todas as

nossas expectativas.

Contudo, sempre podemos contar com

a orientação da Palavra de Deus, um guia

eficaz para nos ajudar a ponderar se uma

pessoa corresponde àquilo que esperamos de

um cônjuge.

Acima de tudo,

Deus nos ama

profundamente e,

antes de nós mesmos,

não quer que

nosso príncipe vire

um sapo ou nossa

fada uma bruxa. Seu

maior desejo é que

“sejamos felizes para

sempre”.

Judith Kemp é esposa

do pr. Jaime Kemp, mãe

de Melinda, Márcia

e Annie e avó de três

netos. É enfermeira,

escritora e palestrante.

14 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


Escolhendo sabiamente seu futuro cônjuge

Com quem me

casarei?

PAULO EDUARDO KLAWA

Escolher a pessoa certa para se casar é

uma das decisões mais importantes

de nossa vida, pois afetará todo o

nosso futuro. Segundo a psicologia, quando

escolhemos alguém, não podemos desprezar

o conceito de idealização que está intrinsecamente

relacionado a essa escolha. Nesse

processo, podemos atribuir ao outro qualidades

de perfeição, admirando-o como alguém

que só tem características positivas. Na idealização,

vemos o outro de forma parcial, ou

seja, de forma idealizada como sonhamos e

desejamos, fechando os olhos para seus erros

e falhas, colocando-o em um lugar impossível

de ser alcançado, o que pode levar muitos a

futuras frustrações.

Escolher alguém com base na idealização

ou apenas em aspectos temporários, como

finanças, posição social, sucesso e atributos

físicos, é um grande perigo! Temos de nos

lembrar de que as coisas mudam; o mundo

dá voltas, amadurecemos, envelhecemos,

podemos perder nossos bens. Sucesso e glória

neste mundo normalmente são passageiros.

Devemos nos humilhar e pedir que o Espírito

Santo nos conduza em nossas escolhas (João

16.13). Ele sabe quem será melhor para nós.

Só Ele conhece o futuro e está pronto a nos

levar a viver o melhor desta terra. Não podemos

nos esquecer de que Ele também nos

concede a sabedoria.

A Bíblia nos ensina a buscarmos e amarmos

a sabedoria (Provérbios 4.5), pois ela

será nossa grande

aliada na estrada da

vida. A sabedoria

nos ajudará a ter

uma imagem clara

do tipo de cônjuge

que queremos ter.

Dizem que quanto

maior a expectativa

ou a idealização,

maior poderá ser a

frustração, porém

não podemos iniciar

um grande projeto

como o casamento

sem nenhuma expectativa

e motivação.

Devemos buscar um

cônjuge que venha a

ser conforme nossos

sonhos, sabendo e

reconhecendo que

ninguém é perfeito.

Não podemos

definir as características

de um cônjuge

ideal, pois a ideia de

“pessoa ideal” é um

tanto subjetiva, mas

algumas características

importantes em

um cônjuge não podem

ser negligenciadas,

e quero destacar

algumas:

Espiritualidade

– Nosso sistema

de crenças, que é

formado ao longo

de nossa vida, irá

influenciar nossas escolhas.

Acreditamos

na Palavra, vivemos

a Palavra e devemos

buscar alguém que

16 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


ande nessa verdade.

“Andarão dois juntos,

se não estiverem de

acordo?” (Amós 3.3).

A Bíblia nos ensina a

não nos prendermos

a um jugo desigual

(2 Coríntios 6.14).

Quando buscamos

um cônjuge com a

mesma fé, podemos

ter a certeza de que,

juntos com o Senhor,

iremos vencer todas

as dificuldades. “… o

cordão de três dobras

não se quebra tão

depressa” (Eclesiastes

4.12). Antes

de fazermos uma

aliança, é importante

verificarmos os frutos

(do Espírito) do

outro que testificam

sua fé.

Segundo A. W.

Tozer, “o testemunho

vigoroso, orações

frequentes e altos

louvores podem ser

inteiramente coerentes

com a espiritualidade,

mas é importante

compreender

que estas coisas não

a constituem em si

mesma, nem provam

que ela está presente”.

Essas coisas podem

ser usadas como

máscaras. O homem

espiritual de verdade

tem um desejo

ardente de ser santo,

é capaz de sofrer

Uma frase bastante conhecida

foi proferida por Thomas Edson:

“Mostre-me um homem 100%

satisfeito e eu lhe mostrarei um

fracassado”.

pelo evangelho, entende que todas as coisas

cooperam para o bem daqueles que amam a

Deus (Romanos 8.28) e tem seu prazer na lei

do Senhor.

Não pode haver comunhão entre luz e

trevas. Se você quiser ser feliz no casamento,

busque um cônjuge que ame a Deus sobre

todas as coisas.

Ambição – Quem não quer ser bem

sucedido, crescer, prosperar e progredir,

principalmente construindo uma história de

sucesso ao lado da pessoa amada? O desejo

de prosperidade é uma virtude, contanto que

isso não se torne ganância/ambição egoísta ou

avareza que domine o coração.

Ambição não é pecado quando o alvo é

alegrar o cônjuge e, sobretudo, glorificar a

Deus com aquilo que se conquistou. Em sua

carta, Tiago não está condenando a ambição,

e sim a ambição egoísta: “… pois onde há inveja

e ambição egoísta, aí há confusão” (3.16).

Uma frase bastante conhecida foi proferida

por Thomas Edson: “Mostre-me um

homem 100% satisfeito e eu lhe mostrarei

um fracassado”. Se você quiser crescer e ter

sucesso em seu casamento, busque alguém

que tenha sonhos e projetos concretos.

Autenticidade – Ser autêntico é ser verdadeiro.

A Bíblia nos ensina que pelos frutos

podemos conhecer uma árvore, assim como

pelas atitudes podemos conhecer alguém.

Infelizmente, há muito gato se passando

por lebre. Muitos usam máscaras em seus

relacionamentos,

não são verdadeiros,

falam uma coisa e

fazem outra. Buscar

conhecer uma pessoa

que seja autêntica é

um grande desafio.

Por meio da sabedoria

podemos perceber

algumas características

de uma pessoa

autêntica:

• Tem

opinião própria e

não tem medo de se

expressar sem ferir o

próximo. Tem uma

escala de valores

clara e vive de acordo

com ela, colocando

sempre Deus em

primeiro lugar. Sabe

e reconhece que

todos somos especiais

aos olhos de Deus e

valoriza a individualidade

de cada um.

É honesta com os

outros e consigo mesma.

Não trai, mesmo

quando ninguém

está vendo. Tem uma

autoestima elevada,

sabe que é filha de

Deus.

• Reconhece

seus limites e não

se amolda a este

mundo. Influencia

positivamente os outros

e principalmente

seu cônjuge. Traz segurança

emocional,

financeira e espiritual

à família.

Quando for

escolher seu cônjuge,

procure alguém

autêntico.

Criatividade

– Hoje, muitos

casamentos têm

sido minados e

destruídos pela

mesmice. Para que

isso não aconteça, é

importante buscar

um cônjuge que

seja criativo. Com a

sabedoria e a criatividade,

o casamento

será sempre renovado.

Pessoas criativas

normalmente

são alegres, têm

boas ideias e estão

abertas a receber

boas ideias de seu

cônjuge. Acreditam

em milagres; sabem

que Deus sempre

trará algo novo para

sua vida, não desanimam,

buscam

alternativas para

enfrentar as dificuldades

de forma

otimista. Pensam

fora do quadrado,

janeiro/fevereiro 2017 | Lar Cristão 17


Escolhendo sabiamente seu futuro cônjuge

criam mais de 1000 maneiras de dizer “eu

te amo!”.

São pessoas que gostam de conhecer lugares

diferentes, fazem surpresas, jantares à luz

de velas, deixam bilhetes apaixonados pela

casa, fazem serenatas, declarações de amor,

tudo isso com seu toque especial. Se você não

quiser mornidão em seu casamento, busque

alguém criativo.

Bom pai/mãe – Criar filhos nos dias atuais

não é tarefa fácil para ninguém. Desejamos

ter filhos bem-educados, porém temos de nos

lembrar de que é por meio dos pais que se

transfere um legado biológico, cultural, psicológico

e espiritual para os filhos. Sabemos

que as crianças aprendem muito mais com as

atitudes dos pais do que com seus conselhos.

Não há como saber se o cônjuge será um bom

pai ou mãe, mas observando suas atitudes em

família é possível ter uma boa visão de como

ele será no futuro.

Bons filhos geram

bons pais e bons pais

geram bons filhos.

É muito importante

observar qual é o tipo

de família do futuro

cônjuge, porque

provavelmente isso

irá reproduzir sua

vivência futura. Se

o outro honra pai e

mãe, certamente irá

reproduzir essa verdade

em seus filhos.

Se você quiser que

seu futuro cônjuge

seja bom pai/mãe

para seus filhos,

busque alguém que

honre pai e mãe.

Bons casamentos

terão uma maior

chance de um final

feliz quando já no

princípio do relacionamento,

no

namoro/noivado,

existir respeito, amor,

reciprocidade e

cumplicidade entre

o casal. Muitos se

decepcionam em

seus casamentos,

cientes da falta de

princípios existentes

desde o início da

relação. Portanto,

faça boas escolhas

por meio da sabedoria

e da direção do

Espírito Santo, pois

isso levará você a ter

um casamento feliz e

abençoado por Deus.

PARE, PENSE,

OBSERVE, ORE,

CASE E SEJA

FELIZ!

Paulo Eduardo Klawa é

pastor e vice-presidente

da Primeira Igreja

Batista da Lapa e

diretor e professor do

Seminário Teológico

Batista da Lapa.

Casado com Andréa

Alves Klawa, tem dois

filhos: Gabriel e Felipe..

18 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


Escolhendo sabiamente seu futuro cônjuge

Espere o

companheiro

ideal

ALCINDO ALMEIDA

Vivemos um tempo bem complicado,

difícil e um pouco caótico, porque

somos os que têm presenciado uma

geração de jovens que vive um mundo onde

parece que o relacionamento a dois é descartável.

A realidade do relacionamento a

dois é algo absolutamente superficial, por

isso vemos tantos casais que não se casam

mais, apenas vão morar juntos e mantêm o

compromisso enquanto se suportarem, ou

enquanto um não ferir o outro em algum

detalhe da relação.

O fato é que vivemos um tempo bem

diferente no que diz respeito aos valores da

família, quanto ao preparo para o namoro,

para o noivado e para o casamento. A grande

verdade é que a geração de jovens hoje tem

atropelado as etapas que precedem um preparo

normal para um casamento.

Eu sou fruto de uma geração que se

reunia nos fins de semana para orar, e como

jovens confessávamos os pecados juntos na

presença de Deus e orávamos pelo futuro

relacionamento afetivo com alguém. Levávamos

isso muito a sério porque a nossa

geração sonhava em constituir uma família

unida nos caminhos do Senhor. Era muito

raro uma garota ou um garoto buscar um

relacionamento fora dos padrões bíblicos.

A maioria de nós buscava um tempo de

reflexão séria mesmo quanto ao companheiro

ideal. A grande pergunta é: por que

esta geração perdeu essa visão tão séria e tão

relevante?

No livro Namoro – um ensaio para o

casamento, o teólogo Jean Francesco diz que

realmente os tempos mudaram. Houve uma

época em que as

famílias arranjavam

o casamento. Um

tempo em que

havia um romantismo

para escolher o

parceiro ou parceira

para se casar.

O rapaz trocava

olhares com a moça

e vice-versa. Havia

um poema para se

declarar. Até serenata

se fazia nessa

época para um início

de namoro. Houve

um tempo em que

se pedia a moça em

namoro e só depois

o casal se beijava.

Na minha época, eu

ficava na sala da casa

da minha namorada

(Erika – minha

esposa) e o pai dela

ficava lá junto com a

gente. E na hora de

ir embora, dávamos

uns beijos rápidos, e

o pai ficava de olho.

Havia muito respeito

naquele tempo!

Jean aborda esse

tema e diz que “o

tempo mudou muito

e ninguém mais

parece acreditar que

um amor poderia

durar para sempre. A

virgindade deixou de

ser um tabu entre os

jovens. Alguns casais

que eram impedidos

de se relacionar sexualmente

pelos pais

iam escondidos para

os chamados motéis

da vida”.

E chegamos ao

tempo em que os

jovens começaram a

usar o termo “ficar”,

que persiste na geração

atual. Um dia,

enquanto andava

pelo pátio de um colégio,

ouvi a conversa

de uma menina que

estava disputando

com outra sobre o

número de rapazes

com os quais ela

ficaria naquela noite.

Eu não acreditava no

que estava ouvindo.

Na verdade, achei

que estava em outro

planeta.

Acredito que não

temos como deixar

de olhar para esse

momento atual da

nossa juventude e

dos nossos adolescentes.

Eles têm

recebido a influência

da sociedade, que é

liberal, que não cultiva

valores e princípios.

Uma sociedade

em que você pode

20 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


ser o que quiser sem

questionar absolutamente

nada. Mas

nós temos os valores

éticos e bíblicos

do Reino de Deus.

Nós criamos nossos

filhos de maneira

diferente. A criação

deles é segundo o

ensinamento das Escrituras

Sagradas no

coração deles, com

as verdades delas não

somente na teoria,

mas sobretudo na

prática de vida.

Nessa perspectiva,

quero deixar dois

conselhos para uma

visão de esperar o

companheiro ideal:

O cristão deve

esperar por

um namoro na

presença do

Senhor

A Bíblia nos ensina

que Deus desenvolveu

nossos corpos

em macho e fêmea

para desfrutarmos

o prazer e para nos

fazer desejar um

ao outro dentro do

casamento. Aliás,

a visão bíblica para

casamento é sexo.

Quando há o ajuntamento

do homem

com a mulher no ato

sexual, aconteceu

o casamento. Isso

significa que quando

no namoro acontece

uma relação sexual,

quando dois corpos

se encontram intimamente,

aconteceu

o casamento.

Diante dessa realidade,

não se pode

brincar de namorar nem perder a dignidade

no relacionamento de namoro e noivado. A

Bíblia diz que devemos agir de maneira séria

na santidade de vida. “Porque esta é a vontade

de Deus, a vossa santificação; que vos

abstenhais da fornicação. Que cada um de

vós saiba possuir o seu vaso em santificação

e honra. Não na paixão da concupiscência,

como os gentios, que não conhecem a Deus”

(1 Tessalonicenses 4.3-5).

O convite é para o respeito mútuo, é

para o rapaz respeitar a moça e vice-versa.

O namoro assim é vivido na presença do

Eterno Deus. Sem hipocrisia, sem mancha,

mas os dois curtindo o tempo de namoro

e se preservando para o dia do casamento.

Jean diz algo bem precioso sobre o namoro:

“O namoro é uma maneira de nos conectar

para realmente durarmos com o outro. Mas,

esse conceito de duração tem sido deturpado

pouco a pouco no nosso tempo. O namoro,

que no sistema cristão é uma preparação para

o casamento, tem se reduzido a uma conexão

frágil, a uma relação meramente instantânea

e descartável”.

É preciso cultivar o relacionamento, que

é um estágio para o casamento. Os rapazes

precisam valorizar mais as moças da comunidade

e respeitá-las como pessoas que têm

dignidade, honra e caráter. Precisamos pedir

mais ao Senhor para que aconteça uma mudança

na mentalidade dos jovens hoje para

desejarem um relacionamento mais sério e

santo, um relacionamento que é vivido realmente

na presença do Senhor.

Deve-se orar pela pessoa que Deus

preparará para o casamento

Os princípios bíblicos para namoro,

noivado e casamento são suficientes para nos

nortear dentro da vontade de Deus. No quesito

casamento, é preciso buscar a direção do

Eterno Deus, não há outra forma mais segura

que essa! Os jovens têm perdido a noção

da oração no coração, esse tempo em que se

pergunta para Deus: “Senhor, é essa moça

que tens preparado para o meu coração? É

esse moço, Senhor?”.

Não se pode deixar de lado essa visão

preciosa de começar um namoro orando,

pedindo a direção do Eterno. Não se começa

a namorar para ser feliz ou se realizar

simplesmente como pessoa que busca prazeres

e conquistas.

Não, não! O namoro

é para se relacionar

com o outro, para

aprender a se doar

para o outro, por isso

a ideia de que é um

estágio para o casamento.

É o tempo

de conhecer o outro

e descobrir se é a ele

que se quer dedicar

o coração, o amor, a

amizade e a convivência

mútua até a

morte! Nessa lógica,

o namoro passa a ser

algo sério visando ao

casamento.

Como Jean diz:

“Ter uma aliança

é muito mais que

estar junto, é uma

responsabilidade de

compromisso com

o outro, envolvendo

fidelidade e durabilidade

para sempre.

É uma união profunda

com a pessoa

amada a ponto de

aceitá-la por inteiro

e não partes de nós

mesmos que estão

na pessoa”.

Zygmunt

Bauman diz que

“vivemos uma era

da modernidade

líquida, num

mundo repleto de

sinais confusos,

propenso a mudar

com rapidez e de

forma imprevisível

– é fatal para

nossa capacidade de

amar. Uma vez que

damos prioridade a

relacionamentos em

‘redes’, as quais podem

ser tecidas ou

desmanchadas com

igual facilidade – e

frequentemente sem

que isso envolva nenhum

contato além

do virtual –, não sabemos

mais manter

laços a longo prazo”

(Amor líquido: sobre

a fragilidade dos

laços humanos. Rio

de Janeiro: Jorge

Zahar, 2004, p. 6).

Acredito que os

laços profundos que

na verdade precisamos

é com Deus,

porque vivemos

uma realidade complicada

na espiritualidade

da vida. Deus

nos mostra, por

meio das Escrituras

Sagradas e do nosso

tempo de oração, a

direção que devemos

tomar para o

namoro, noivado e

casamento.

Que o Eterno

Deus nos dê sabedoria

para ensinar

nossos filhos, netos,

jovens e amigos a

visão das Escrituras

para que tenham

relacionamentos

sadios, puros e que

exaltam o Eterno!

Alcindo Almeida é

membro da equipe

pastoral da Igreja

Presbiteriana em

Alphaville, na cidade de

Santana de Parnaíba.

Ele é casado com Erika

de Araújo Taibo Almeida

e pai de Isabella.

janeiro/fevereiro 2017 | Lar Cristão 21


Escolhendo sabiamente seu futuro cônjuge

Os opostos se

atraem?

MARCOS GARCIA

Você já escolheu seu futuro esposo ou

esposa? Quais são os seus critérios

para essa escolha? Certa vez, estava

em um casamento, como padrinho, e fui

surpreendido pelo pastor que conduzia a

cerimônia. Ele se dirigiu à noiva e disse:

“Tenho certeza de que você orou para se casar

com um crente, certo?”. Então ele mesmo

respondeu: “Crente até o diabo é, crê e treme

na presença do Senhor. O que você precisa

é encontrar um discípulo do Senhor!”. A

partir dessa experiência, pergunto: o que tem

motivado sua procura ao pensar em alguém

para dividir sua vida, seu futuro, seus sonhos

e projetos?

Em geral, aprendemos que “os opostos

se atraem”, mas é preciso ter cuidado, pois

o casamento é para a vida inteira; continuo

acreditando no “até que a morte os separe”!

Assim, algumas áreas devem ser levadas em

consideração quando se vai escolher alguém

para dividir os sonhos e a vida por meio do

casamento. Tenho

ministrado sobre casamentos

e cito que

existem áreas mais

fortes em termos de

possibilidades de

conflitos: dinheiro,

comunicação,

hábitos pessoais...

Por isso, ao escolher,

preste atenção.

A primeira área

que destaco é a

financeira. O casamento

não pode ser

comparado a um

sistema de condomínio,

em que cada um

assume uma despesa

da casa. Cuidado

com a história do

“meu dinheiro e o

seu dinheiro”. Se não

houver uma compreensão

de renda familiar,

seu casamento

está fadado a muitas

crises nessa área. Um

casal que pretende

viver uma união, mas

são opostos, pode de

fato gerar uma tragédia.

Ou os opostos

podem se completar,

caso um aceite

a ajuda do outro.

Por exemplo, se um

gasta mais e o outro

é mais econômico,

eles podem se ajudar

e crescer juntos. O

casamento é um

espaço de construção

de sonhos, mas

suas realizações, em

alguns momentos,

passam pela vida

financeira.

A segunda área

é a comunicação.

Quando estamos

apaixonados, namorados,

noivos, temos

grande dificuldade

em ver defeitos no

outro. Comunicação

no lar é um desafio.

Preste atenção como

ele ou ela trata seus

pais, como eles se

comunicam no lar.

A forma como eles

se relacionam em

casa poderá se refletir

em seu casamento.

“Ah, ele vai mudar,

ela vai mudar…”

Será? Não temos

o poder de mudar

ninguém; mudanças

acontecem se houver

desejo de mudar.

Para isso, é preciso

uma consciência da

necessidade de uma

comunicação saudável.

Dialogar é um

grande desafio, mas

é possível. Busque

formas criativas de

falar e ouvir, estratégias

para viabilizar

a construção do

casamento. “Duas

pessoas andarão

juntas se não estiverem

de acordo?”

(Amós 3.3). Seja na

área financeira ou na

comunicação, o casamento

é construído

com acordos.

A terceira área é a

dos hábitos pessoais.

Muitas vezes achamos

que o outro ser,

totalmente diferente,

é maravilhoso... Mas

o casamento deve

ser um espaço de

mudanças mútuas.

Tenho insistido: não

casamos para ser felizes,

mas para fazer

o outro feliz. Nos

aconselhamentos,

costumo brincar com

os noivos: “Viram os

22 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


defeitos? É daí para

pior”. Depois dos risos,

compartilho com

eles que os hábitos

pessoais, as manias,

tendem a ficar mais

acentuados a cada

ano que passa. Certos

hábitos poderão

não mudar, por isso

preste atenção. Não

mudamos ninguém

no casamento. As

pessoas podem

mudar se desejarem

mudar, se buscarem

ajuda para isso, até

mesmo se reconhecerem

a necessidade de

mudança.

Ligadas aos

hábitos pessoais estão

as expectativas dos

papéis no lar. Compreender

a cultura

da formação familiar

é fundamental, por

isso, ao se preparar

para o casamento,

avalie como é sua

família, o papel do

pai, da mãe, como é a

família dele ou dela,

como eles se organizam

como família.

Depois, reflitam

como vocês vão viver

como marido e mulher,

o papel de cada

um na formação

familiar. Quando os

filhos chegarem, será

um novo tempo, de

novos ajustes e novo

aprendizado.

A sua estrutura

familiar deve ter

como parâmetro a

Palavra de Deus, os critérios de um homem

e uma mulher que têm o caráter de Cristo.

Como casal e individualmente vocês precisam

procurar se parecer a cada dia com Cristo. Os

opostos se atraem, mas devem se completar,

transformar e crescer. Creia, o casamento é

propósito de Deus. A família está no coração

de Deus.

Duas dicas:

• Tenho atendido inúmeros casais,

e muitos poderiam não estar passando por

alguns problemas se tivessem se preparado

melhor para o casamento. Assim, um curso

de noivos e o acompanhamento pastoral são

indispensáveis no período de preparação para

o casamento.

• Faça com seu namorado ou noivo,

em um papel, duas colunas e liste dez

qualidades e cinco limitações do outro e

depois avaliem como isso pode impactar o

sonho e o projeto do casamento. Veja se o

outro concorda com sua avaliação e comecem

uma boa conversa.

Leiam textos bíblicos

e livros voltados para

a construção de um

casamento.

Marcos Garcia é pastor

na Catedral Metodista

de São Paulo, no bairro

da Liberdade, mestre

e doutor em Ciências

da Religião, Teologia

Prática e Sociedade pela

Universidade Metodista

de São Paulo, professor

no Centro Metodista de

Capacitação – Cemec e

palestrante em encontro

de casais. É casado com

Ivana e tem dois filhos:

Mateus e Larissa.

janeiro/fevereiro 2017 | Lar Cristão 23


Adoração em Família

UM ESTILO DE VIDA

A que ele se referia? Simples: à oração do casal. O apóstolo

assumia que casais cristãos oram juntos em casa. E a oração

é uma das formas de adoração que a Bíblia nos ensina.

Quando marido e mulher oram juntos, eles estão oferecendo

culto a Deus ao se colocarem na dependência do Senhor!

Essa é uma imagem poderosa que exerce grande influência.

2. A adoração em família é o melhor caminho para

falar de Jesus aos filhos.

Quem melhor para falar do amor de Deus aos filhos do

que os próprios pais? Somos nós, pais, que construímos

neles a imagem de quem é Jesus. Não são os professores

da escolinha bíblica. É responsabilidade nossa! As oportunidades

que nossos filhos têm com esses professores a

cada semana é limitada em comparação com o tempo que

podemos gastar com eles todos os dias.

Nos dias de hoje, em qualquer conversa entre duas

pessoas, surge – sem exceção – um assunto específico:

a falta de tempo. Alguns até arriscam uma

frase: “Seria muito bom se o dia tivesse mais duas ou três

horas”. Mas, na verdade, isso é falso. Se o dia tivesse 30

horas, em vez de 24, com certeza também aproveitaríamos

mal o tempo. Sabe por que isso acontece? Porque nossa

vida está pautada pelo urgente e não pelo mais importante.

Por exemplo, a maioria dos cristãos que conheço afirmaria

que a adoração em família é importante, mas 90% não

separa tempo para colocar isso em prática. Por quê? É isso

mesmo que você está pensando: “Falta tempo”.

Eu quero, então, de forma bem prática, mostrar que a

adoração em família é importante, praticável e necessária.

Ela não é nenhum bicho de sete cabeças, apenas precisamos

fazer desse momento uma prioridade. Por isso, devemos

compreender que:

1. Nossos lares são um lugar de adoração.

O apóstolo Pedro exorta os maridos a viverem

com suas esposas “em entendimento” (1 Pedro 3.7).

3. O exemplo de vida espiritual madura na família vai

além das quatro paredes da casa.

A prática da adoração familiar promove, continuamente,

confissão, perdão e restauração que todas as famílias saudáveis

precisam. Dentro de casa, nossos filhos veem o pior e

o melhor de nós. Mas um homem e uma mulher que estão

cientes da sua imperfeição e da consequente dependência do

Espírito Santo se voltarão incansavelmente para a Bíblia e

para a centralidade de Cristo em casa. E a influência disso é

enorme! Os vizinhos percebem que há algo diferente nessas

pessoas. Os amiguinhos dos filhos notam que, diante de

determinadas situações, as atitudes são diferentes das que

estão acostumados a ver.

A adoração em família é um espaço para que pais

e filhos, juntos, se apresentem regularmente diante de

Deus, em humildade, reconhecendo seu pecado e a

necessidade do Salvador. Uma família que prioriza esse

estilo de vida estará construindo sua casa sobre a rocha:

“Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram

os ventos e deram contra aquela casa, e ela não

caiu” (Mateus 7.24-27).

Ronaldo Bezerra é pastor, músico, cantor, compositor e líder nacional de louvor e adoração da Comunidade da Graça, SP. É

casado com Simone e tem dois filhos.

24 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


Escolhendo sabiamente seu futuro cônjuge

Conjugalidade

harmônica

CARLOS CATITO

Dentre os vários pesquisadores que

investigam fatores que determinam

o sucesso ou o fracasso em casamentos,

chamou a minha atenção o trabalho do

Gottman Institute (https://www.gottman.

com), que há mais de 20 anos se preocupa

em saber o que leva um casamento a ser bem

sucedido. Esse instituto afirma que 50% dos

casais iniciam um relacionamento com um

alto risco para o fracasso – por quê?

Eu e minha esposa somos terapeutas de

casais e em nossa prática clínica temos observado

alguns elementos que contribuem

para o fracasso matrimonial. O primeiro e

mais importante elemento é NÃO desenvolver

a AUTONOMIA da vida adulta.

Pessoas que se mantêm emocionalmente

dependentes dos pais tornam-se pessoas

inseguras e JAMAIS casam para valer (no

sentido pleno da palavra casamento). Há

relatos em que rapazes chegam a chorar

durante a lua de mel por sentirem falta da

mãe. Alguns esperam que o cônjuge faça

esse papel parental em sua vida e se frustram

quando não se veem correspondidos

nisso. O primeiro quesito bíblico para

entrar em um casamento ainda é o maior

fator de saúde para o sucesso matrimonial:

deixar pai e mãe! (Gênesis 2.24).

Outro elemento

muito comum dentro

de nossa sociedade

é a busca de

um relacionamento

em que o outro é

um OBJETO para

meu desfrute e não

um SUJEITO com

o qual me relaciono.

Assim, a busca por

um relacionamento

é muito mais uma

busca de alguém

que satisfaça todos

os meus caprichos

e jamais se oponha

aos meus desejos.

Todavia, essa visão,

gerada pelo excesso

de individualismo

e egoísmo característicos

de nossos

dias, rapidamente se

transforma em mágoa

e ressentimento

quando surgem

contrariedades. É

preciso mudar a

percepção do EU/

MEU para o NÓS/

NOSSO, em que

ambos são sujeitos

relacionais que constroem

JUNTOS a

harmonia conjugal,

sendo essa uma

conquista diária que

demanda investi-

mento de tempo,

diálogo e energias

– não acontece

magicamente, nem

com a velocidade de

um fast food!

Por fim, e de

igual importância,

está a transparência

no relacionamento!

Iniciar um relacionamento

baseado

em segredos, omissões

e/ou mentiras

é atentar contra a

saúde emocional do

futuro casal. É preciso

um grau saudável

de abertura e transparência

em temas

como finanças (saber

quanto cada um

ganha e como administra

seu dinheiro),

tempo livre (quais

os hobbies de cada

um e o valor que se

dá a eles), amizades

(como são escolhidas),

etc. Caso não

exista transparência,

o casal vai viver

uma “república

conjugal” e nunca

um casamento de

verdade – viverão

debaixo do mesmo

teto, dividirão

tarefas e contas, mas

nunca participarão

efetivamente da vida

um do outro!

Com certeza, poderia

enumerar outros

elementos que

contribuem para o

sucesso de um bom

casamento e que

podem ser trabalhados

desde o início do

namoro, mas estar

atento aos elementos

mencionados já

será de grande valia

na construção de

uma conjugalidade

harmônica!

Carlos Catito é

psicólogo, terapeuta

familiar - com

mestrado e doutorado

em Psicologia - e

coordenador para o

Brasil da Associação

Internacional de

Assessoramento e

Pastoral da Família -

Eirene. É casado com

Dagmar há 34 anos e

tem dois filhos e três

netos.

janeiro/fevereiro 2017 | Lar Cristão 29


Linguagens do Amor

AMOR COMPARTILHADO E SACRIFICIAL

Não há mais dúvidas! Nossas relações pessoais foram

afetadas pelas relações virtuais. Estamos conectados

via smartphones, tablets e notebooks e nos distanciando

do contato real. Sem a presença palpável do outro, como ter

certeza do que esperar? Todas essas transformações refletiram

na linguagem do amor dos nossos dias.

AMOR E TECNOLOGIA

O celular é um dos objetos mais usados em nosso tempo e

por todos. Mergulhamos na sua tela e ali encontramos de tudo.

Temos um mundo de opções nas mãos: informação, contato e

diversão. Transferimos essa facilidade para os relacionamentos

interpessoais, tornando-os superficiais. Enquanto se conversa

com uma pessoa em um aplicativo, há sempre mais alguém

esperando em outro. Afinal, posso falar com qualquer pessoa

com um simples toque na tela.

A tecnologia em si não é um mal. Ela é uma ferramenta

importante e necessária em nosso tempo. Não há como viver

sem ela. Hoje estamos conectados virtualmente e há muitas

vantagens nisso. O problema está em quem a usa e como faz

uso dessa tecnologia. Temos a escolha de usá-la bem ou mal.

A dificuldade é que muitos passaram a resolver seus problemas

de relacionamento sem enfrentá-los na vida real. As soluções

dos seus conflitos são feitas no mundo virtual, mandando seus

recados on-line, iniciando, vivendo e até rompendo relações na

realidade virtual. Há pessoas que fazem até sexo virtual!

Li a notícia de um casal que namorou por mais de um

ano pela internet, terminaram o relacionamento e nunca se

viram pessoalmente! Eram de países diferentes, e ela jura que

o amou profundamente! Você também deve conhecer histórias

semelhantes.

Isso não quer dizer que não haja possibilidades de pessoas se

conhecerem pela internet e depois chegarem a se casar! Existem

histórias de amor que deram certo! Mas em algum momento

aconteceu um encontro presencial e foi dada continuidade ao

relacionamento na vida real.

AMOR INDIVIDUALISTA

Uma característica de nosso tempo é que as pessoas estão

mais autocentradas e mais egocêntricas. As inquietações e

frustrações trouxeram um fenômeno nas relações: a “Geração

Cupcake”. Ouvi esse termo da jornalista Inês de Castro, da

Rádio BandNews, de São Paulo, caracterizando o individua-

lismo presente nas relações afetivas. Cada um quer viver por

si mesmo. As pessoas não querem vínculos muito profundos,

porque se bastam. Dizem: “Eu mesmo celebro a minha festa”,

“Eu mesmo como o meu bolo”, “Amo você enquanto satisfaz

minhas necessidades. Caso contrário, fico aqui comigo mesmo,

na minha festa particular”. É o amor que se preocupa mais

com sua satisfação pessoal, com seu prazer momentâneo. O

outro é mais uma peça no jogo da vida.

Como construir relacionamentos sólidos e duradouros em

tempos de relações instáveis e tão individualistas?

Foi Deus quem criou as relações afetivas e deu o caminho

para uma boa convivência. No meio de tantos “achismos”

e conclusões sobre o assunto, devemos recorrer ao Autor e

o maior exemplo de amor: Deus, que é amor e nos amou

primeiro.

AMOR COMPARTILHADO E SACRIFICIAL

Em Eclesiastes 4.9-12, lemos: “É melhor ter companhia do

que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de

duas pessoas. Se um cair o outro pode ajudá-lo a levantar-se. Mas

pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se!

E se dois dormirem juntos, vão manter-se aquecidos. Como,

porém, manter-se aquecido sozinho? Um homem sozinho pode

30 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


ser vencido, mas dois conseguem defender-se. Um cordão de três

dobras não se rompe facilmente”.

Esse texto nos ensina a importância dos vínculos e por que

precisamos compartilhar nossa vida com outra pessoa. Temos

a necessidade de:

• Companhia (é melhor ter companhia do que estar

sozinho);

• Amparo (se um cair o outro pode ajudá-lo a levantar-se);

• Acolhimento (e se dois dormirem juntos, vão manter-se

aquecidos);

• Proteção (um homem sozinho pode ser vencido, mas

dois conseguem defender-se);

• Alianças (um cordão de três dobras não se rompe

facilmente).

Portanto, como seres humanos precisamos uns dos

outros

Ao decidir obter vínculo com profundidade, são necessários

dedicação e atitude. É o que define o apóstolo Paulo, na

maior declaração de amor, em 1 Coríntios 13.4-7: “O amor é

paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não

se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se

ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com

a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê,

tudo espera, tudo suporta”.

Este é o amor ágape, um amor disposto a sacrificar-se. É

um exemplo do amor de Deus por nós, pois Ele nos amou

primeiro (“Nós amamos porque ele nos amou primeiro” – 1

João 4.19), manifestado na entrega do seu filho Jesus Cristo,

que morreu na cruz por nós (“Mas Deus demonstra seu amor

por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos

pecadores” – Romanos 5.8).

Com esse amor é que Ele nos capacita a amar uns aos outros.

Deus é o nosso grande professor sobre o amor ágape. Com

a sua ajuda podemos ser pacientes, bondosos, não orgulhosos,

não buscar os próprios interesses, não maltratar, nem guardar

rancor. Tudo suportar, sofrer, esperar e ainda crer.

Além de tudo isso, poderemos construir um relacionamento

em que se exerce o “amor compartilhado”, em que há espaço

para si, para o outro e ao mesmo tempo ter um espaço em

comum aos dois. Nesse lugar, eles construirão seus

sonhos, projetos, ideias e ideais. Sem competitividade,

orgulho, inveja e interesses, mas com incentivos,

Uma característica de nosso

tempo é que as pessoas estão

mais autocentradas e mais

egocêntricas.

reconhecimento, partilha e perseverança. Esse espaço comum

inclui também:

Ouvir o coração do outro: aprendendo a dar-lhe liberdade

para fazer avaliações a nosso respeito, mesmo que estas nos

desagradem. O cônjuge nos ama e escolheu viver conosco

– por isso não quer nos destruir, mas sim aperfeiçoar para

conviver melhor. Existem coisas que não percebemos em nós.

Só quem vive conosco nota e pode usar isso para nos ajudar

(no caso de um amigo ou cônjuge) ou para nos prejudicar

(nossos inimigos);

Ajudar quando o outro está sobrecarregado: mesmo que o

cônjuge atarefado não peça! Temos de usar o “desconfiômetro”,

adiantando-nos na oferta de ajuda quando vemos, por exemplo,

que a esposa está com muitas tarefas e ainda tem diante de si uma

pia cheia de louça para lavar – é óbvio que ela precisa da ajuda

do marido compreensível! Ou então um marido sobrecarregado

com trabalho e precisa de ajuda para alguma área – se o outro

está mais livre, por que não se oferecer para ajudar?

Esse caminho não é o mais fácil! Vai contra a filosofia e o

comportamento vigentes na atualidade, que valorizam muito

mais o individual, o prazer rápido e momentâneo. Mas temos,

em primeiro lugar, o compromisso com Deus de amar o outro

como Ele nos ama. Por isso, temos de estar dispostos ao quebrantamento,

ao perdão e a colocar em prática as características

do amor ágape e de um amor compartilhado.

Alguém já disse: “Conectar-se é para máquinas, humanos

se relacionam”. O amor só será individualista, descartável, sem

profundidade se permitirmos que ele fique assim!

Identificar o que não nos permite um relacionamento

com mais profundidade e lutar contra isso é o primeiro

passo. Depois, ao colocar em prática o que Deus nos orienta

sobre o amor, teremos uma “luz para o caminho”

de um relacionamento mais sólido, duradouro e

compartilhado.

Magali A. Henriques Leoto é psicóloga, escritora e palestrante. Formada em Educação Artística, Música Sacra e Psicologia

pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atua em Psicologia Clínica e Coaching. Casada com Sérgio Leoto.

janeiro/fevereiro 2017 | Lar Cristão 31


Escolhendo sabiamente seu futuro

Cuide de sua saúde emocional

e mental antes de se casar

ELISABETE BIFANO

O

casamento é um marco na vida de

uma pessoa, do qual, com certeza,

podemos contar o antes e o depois.

E nunca é demais lembrar que, segundo os

nossos princípios bíblicos e cristãos, é para

toda a vida.

Para tão grande passo, é importante

conhecer-se para poder se cuidar e, consequentemente,

garantir sua saúde conjugal.

Para ter saúde no seu casamento, é

preciso que você tenha a autoimagem

equilibrada. Sua autoestima não pode ser

nem depreciada, nem muito elevada. Você

precisa reconhecer suas potencialidades e

suas limitações, reconhecer a pessoa que,

de fato, você é.

A maneira como você se vê e se sente

interfere diretamente em seu desempenho

profissional e em seu relacionamento

interpessoal. Aceitando-se e gostando-se,

você terá muito

mais facilidade de

aceitar e gostar do

seu cônjuge do jeito

que ele é.

Todas as pessoas

possuem qualidades

e defeitos, é

algo inerente ao ser

humano. Entretanto,

há defeitos que

levam à infelicidade

pessoal e relacional.

Para ter saúde conjugal,

é preciso reconhecer

se você tem

algum defeito de

caráter, como, por

exemplo, autopiedade,

raiva, rebeldia,

intolerância, orgulho,

egoísmo, sempre

pôr a culpa nos

outros, indiferença,

insatisfação, ódio de

si mesmo, vaidade,

inveja, etc. Se você

percebe que algum

desses sintomas faz

parte frequente de

sua vida, procure

ajuda profissional

imediatamente. Os

defeitos de caráter

levam ao afastamento,

estresse,

depressão, tensão,

ansiedade, etc.

Outro problema

que certamente

arruína a saúde

da vida conjugal é

o vício, que é um

hábito repetitivo

que causa prejuízo

à pessoa e aos que

com ela convivem.

E aqui não me

refiro somente às

drogas ilícitas, mas

também às lícitas,

como os medicamentos.

Além disso,

comer demais,

falar demais, sexo

demais, pornografia,

ciúmes, preocupações,

entre outros,

podem ser vícios

não detectados que

precisam ser tratados

e abandonados

para que você tenha

uma vida conjugal

saudável.

Assuntos familiares

mal ou não

resolvidos também

podem trazer prejuízo

ao casamento.

Se a vida na família

de origem não foi

satisfatória, é possível

que também não

o seja na nova vida

32 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


Saúde conjugal.

Este é o lema. Para

você ter um casamento

saudável, é preciso

reconhecer os problemas

e enfrentá-los.

conjugal. É difícil

sentir harmonia e

paz com o cônjuge

se com sua família

de origem você

não sente harmonia

e paz. Caso

a inquietação e a

insatisfação sejam

contínuas, será

necessário saná-las

com o membro ou

membros da sua família,

a fim de viver

em harmonia em

seu casamento.

A depressão é uma doença de causa

emocional ou física que traz sérias consequências

à saúde conjugal. A pessoa afetada

pela depressão pode viver constantemente

triste, ou irritada, ou entediada. A pessoa

sente angústia, ansiedade, desânimo, falta

de energia, entre tantos outros sintomas.

O tratamento consiste em terapia, uso de

medicamentos, acompanhado por um neurologista

ou psiquiatra, e a compreensão e

apoio dos familiares. Além da falta de qualidade

na vida do depressivo, medicamentos

que inibem a libido também podem trazer

prejuízo à vida conjugal. Ajustar a terapia e

os medicamentos é um passo básico para se

tomar antes do casamento.

Saúde conjugal. Este é o lema. Para

você ter um casamento saudável, é preciso

reconhecer os problemas e enfrentá-los.

Se uma doença emocional ou mental está

à espreita para arruinar sua vida conjugal,

procure meios de resolvê-la

ou de lidar

com ela da melhor

forma possível.

Elizabete Augusta

de Souza Bifano é

psicóloga clínica, pósgraduada

em Terapia

de Casal e Família,

formada em Educação

Religiosa pelo IBER

e membro da equipe

do Oikos – Ministério

Cristão de Apoio à

Família. Casada há 32

anos com o Pr. Gilson

Bifano, é mãe de

Susanne e de Alana.

janeiro/fevereiro 2017 | Lar Cristão 33


Escolhendo sabiamente seu futuro cônjuge

Cuide da saúde administrativa

e financeira da família

PAULO DE TARSO

Vivemos em família. Pelo menos é

assim que deve ser, considerando

a família cristã (pai, mãe e filhos).

É uma fórmula de Deus que sempre deu

certo, mas certamente tem sido duramente

atacada pelo nosso inimigo número 1,

Satanás, e pelos seus seguidores. Mas não

vamos desistir, pois não há razão para isso.

A família, quanto mais unida estiver, pode

resistir às ciladas do inimigo. E pode ainda

mais: fazer diferença na sociedade adotando

um padrão

bíblico, e por isso

saudável, na forma

de administrar seu

dinheiro. E, como

eu costumo dizer, o

sucesso não se restringe

a apenas um

aspecto da administração

do dinheiro,

mas na adoção de

vários princípios sobre

os quais quero

comentar com você

(Lucas 16.11).

Dívida

Vamos evitar

o endividamento.

Normalmente,

quando nos endividamos,

declaramos

nossa incapacidade

de criar reservas

financeiras, por isso

precisamos contar

com recursos de

terceiros. Isso não

é bom para a saúde

financeira de sua

família. Geralmente,

o endividamento

resulta em pagamento

de juros que,

no Brasil, são muito

altos. Então, uma

boa parte dos recursos

é desperdiçada,

quando poderiam

ser usados de outra

forma, para beneficiar

a própria

família. Outra coisa

importante é que

o endividamento,

quando sai de

controle, em geral

causa tensões nos

relacionamentos

entre marido e

mulher e também

com os filhos. A solução

para o mal do

endividamento está

no planejamento

(Provérbios 22.7).

Investimento

O investimento

é a real solução

para o problema

do endividamento.

Ele começa quando

a família tem a

capacidade de não

gastar tudo o que

ganha e separa uma

parte do dinheiro

para criar suas

próprias reservas

financeiras. É o

que eu chamo de

montar o seu próprio

banco. Comece

separando algo em

torno de 10% da

renda da família.

Será um ótimo

início. Isso vai gerar

uma reserva para

emergências. Vai ser

34 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


Vamos evitar o endividamento.

Normalmente, quando nos

endividamos, declaramos nossa

incapacidade de criar reservas

financeiras, por isso precisamos

contar com recursos de terceiros.

muito bom. A partir daí, comece a traçar os

outros objetivos que vocês, como família,

querem alcançar. Uma viagem em família,

a compra de um imóvel ou de um carro. O

planejamento é adequado para qualquer

objetivo. Não se esqueça de orar para colocar

diante de Deus todas essas necessidades.

Por último, não deixe o dinheiro parado.

Procure uma forma de aplicá-lo que vença

a inflação e ainda

gere um resultado

positivo ao final de

cada mês (Provérbios

21.20).

Generosidade

Este é um dos

princípios mais

maravilhosos de

gestão do dinheiro.

A generosidade está

presente em todos

os momentos nas

pessoas e famílias

que levam Deus a

sério. Lembra-se

dos cinco pães e

dois peixinhos na

multiplicação que

Jesus fez? Ou da

viúva pobre? Pois

então, o dízimo

não pode ficar de

fora. Muito menos

a oferta. Procure

também ajudar a

sua família, seus filhos

ou pais idosos.

E o que dizer dos

pobres? Eles estão

aguardando a ajuda

de sua família (Provérbios

11.24-25).

Sucesso!

Paulo de Tarso é

engenheiro civil e

mestre em Teologia.

É o idealizador e

organizador do Site,

Palestra e Seminário

“Finanças para a

Vida” e do Projeto

Educação Financeira

para Todos. www.

financasparaavida.

com.br​

janeiro/fevereiro 2017 | Lar Cristão 35


Finanças em Família

VIVENDO UMA VIDA FINANCEIRA SAUDÁVEL

Fazemos um planejamento

Anualmente, procuramos fazer um planejamento

do que desejamos alcançar, qual é a

direção de Deus, que vamos ter por meio de

orações e meditação na sua Palavra. Dwigth

D. Einsenhower afirmou: “Os planos não são

nada, planejar é tudo”. Se tivermos paz no coração,

vamos em frente, senão entendemos que

a hora ainda não chegou. Mais do que planos,

temos um planejamento.

Poupamos para ter dinheiro e, se possível,

comprar à vista

Sempre ouvi de meu pai: “Quem tem dinheiro

na mão pode chegar ao balcão e ‘meter

a banca’”. Quando alguém chega a uma loja

dizendo “quero comprar e pagar à vista”, tem

um bom desconto e um atendimento VIP.

Há pouco tempo, a infidelidade conjugal era o

maior motivo para a separação de casais. Hoje,

a maioria dos conselheiros conjugais afirma que

a má relação da família com o dinheiro tem sido o fator

determinante para destroçar famílias que estavam unidas

por anos.

Neste artigo, quero compartilhar com você alguns

princípios que eu e minha família temos seguido para

sermos bem sucedidos na área financeira. Creio que se

você segui-los, também alcançará uma vida financeira

saudável.

Jesus é o Senhor da nossa vida e das nossas

finanças

Consequentemente, tudo que Ele tem nos permitido

conquistar é d’Ele. Temos a consciência de que de

onde viemos nada trouxemos e para onde iremos nada

levaremos.

Pesquisamos e pedimos sugestões

Fazemos no mínimo três orçamentos

das melhores lojas com os melhores preços

e pedimos informações com amigos que são

modelos de bons mordomos. Claro, oramos sempre antes,

pois pratico o que aprendi com minha sogra: “Deus tem

sempre coisas boas e baratas para quem é fiel e generoso”.

Procuramos comprar na hora certa

Analisar como está a situação do mercado financeiro

e sentir se é para esperar mais um pouco ou comprar o

quanto antes. Quando o mercado está oscilando muito,

um pouco de cautela não faz mal a ninguém. Aliás, já dizia

John Templeton: “O momento de grande pessimismo é o

melhor para comprar, e o momento de grande otimismo

é o melhor para vender”.

Temos critérios nas compras e começamos com as

prioridades

Sejam compras em curto, médio ou longo prazo,

as prioridades são respeitadas. A não ser que seja algo

36 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


emergencial, quem chegar precisa entrar na fila. Quando

começamos a mobiliar o nosso apartamento, a cada ano

colocávamos alguns móveis e fazíamos alguma reforma,

até chegarmos àquilo que entendíamos ser o ideal.

Evitamos o desperdício e aproveitamos as sobras de

alimentos

Compramos o necessário. Nada de jogar fora a comida

que recebemos do Pai. Se sobrar, fazemos o famoso

“mexidão”, e os pães viram torradas. Mas na maioria das

vezes doamos aos mais necessitados.

Programação para atingir os objetivos

Festa de quinze anos

Quando nossas filhas completaram quinze anos, uma

queria uma festa e a outra queria fazer uma excursão à

Disney. Elas puderam realizar seu sonho porque desde que

nasceram comprei dois cofrinhos e durante quinze anos

enchi-os e ainda separei algum trocado que mensalmente

era depositado em uma caderneta de poupança. Assim que

os cofrinhos enchiam, o valor também ia para a poupança.

Se a família não tiver uma boa renda, será pega de surpresa!

Comprar um cofrinho e abrir uma caderneta de poupança

logo que os filhos nascem é algo divino.

Férias

Reservamos algum valor mais os direitos das férias.

Viagens em datas especiais

Não foram poucas as vezes em que usamos as milhas

aéreas como dinheiro para as passagens ou pontos para

as viagens em família.

Aniversários

Geralmente minha esposa e minhas filhas escolhem

almoçar em um daqueles restaurantes que só dá para

ir uma vez a cada seis meses. E sempre compramos um

presente que caiba no orçamento e agrade a todos.

O valor do presente não está no seu preço, mas na

consideração da lembrança.

Formaturas

O que seria da família se não tivesse uma reserva extra?

Jamais conseguiria ter a alegria e a honra de ver um filho

ou filha recebendo o tão almejado diploma da faculdade.

A caderneta de poupança, o cofrinho ou uma reserva em

algum investimento fazem toda a diferença quando o

assunto é formatura.

Consagramos o dízimo e ofertamos com muita

alegria ao Senhor Deus

O primeiro dinheiro que sai dos recursos que Deus

coloca em nossa mão é o dízimo, que não é uma oferta,

e sim as primícias de toda a nossa renda, conforme descreve

Salomão em Provérbios 3.9-10. No mesmo livro

de Provérbios, Salomão afirma que as ofertas são inseparáveis

do dízimo (11.24-25). Em sua visão, o dízimo

é uma maneira de honrarmos a Deus, de atribuirmos a

Ele o seu devido valor, mas a oferta é uma radiografia

do nosso coração, que revela se somos generosos ou não.

Para ele, a oferta atrai vitórias financeiras na vida de

quem a pratica (Provérbios 11.25). Depois da entrega

do dízimo, separamos imediatamente uma oferta mensal

de gratidão, mais as ofertas missionárias mundiais, que

são quatro durante o ano, as ofertas missionárias locais

e também contribuímos quando somos solicitados por

Deus. Tenho alegria de dizer que toda a minha família

é dizimista e ofertante ao Senhor.

Saldo

Depois de receber os recursos, oramos agradecendo

ao Senhor, separamos imediatamente a parte sagrada e

saldamos nossos compromissos agendados. Todo o dinheiro

que sobra fica como prevenção ou vai para uma

caderneta de poupança, até conseguirmos um valor para

fazer um investimento.

Esses são princípios que a nossa família vem aprendendo

com o Eterno. São bíblicos, práticos, simples

e funcionam. Foi Ele quem nos deu, e tudo

o que Ele nos dá funciona e multiplica!

Ivonildo Teixeira é pastor e fundador emérito da Igreja do Nazareno da Praia de Itapoã, em Vila Velha – ES, autor de 39 livros e

palestrante na área financeira. É casado com Mônica e pai de Samanta e Talita.

janeiro/fevereiro 2017 | Lar Cristão 37


Comunicação & Ação

É POSSÍVEL BRIGAR,

MAS VAMOS BRIGAR LIMPO

“Quando a pessoa se sente compreendida, ela se abre e se

faz compreender melhor” (Paul Tournier)

Comunicar com habilidade não é tarefa das mais

simples entre os seres humanos. Muitos diálogos,

que começaram mansos e tranquilos, terminaram

em discussões acaloradas e até em agressões físicas,

inclusive no ambiente familiar. Neste nosso mundo

rápido, do qual esperamos soluções instantâneas, nos

irritamos quando expressamos o que pensamos e sentimos

e não somos entendidos e atendidos de imediato.

Nosso mundo é líquido, nas palavras do sociólogo

Zygmunt Bauman, e num mundo líquido, muita coisa

importante escorre entre os nossos dedos, o que acaba

aumentando a ansiedade nas relações entre as pessoas.

E a comunicação não foge à regra. Nem sempre nos comunicamos

bem, pois geralmente somos superficiais ao

expressarmos ideias e sentimentos no processo de enviar

e receber informações.

Que elementos atrapalham a comunicação na família

e quais podem facilitar nosso entendimento? Sem ter a

intenção de dar a última palavra no assunto, é possível

perceber que algumas ações prejudicam diretamente a

saúde de nossa comunicação e outras podem fazer com

que a troca de ideias e sentimentos no ambiente familiar

dê um salto de qualidade.

Vamos chamar os elementos que atrapalham a boa

comunicação de briga suja, e os elementos que ajudam

a boa comunicação de briga limpa.

A briga suja – É comunicar com preconceito, buscando

controlar o outro, usando estratégias prontas, sentir-se

superior na discussão e especialmente pensar que já tem

a resposta pronta. Nessa briga não há espaço para diálogo

(dia + logos = palavras através de). Diálogo é um fluxo

de palavras que trafega entre as pessoas que conversam,

não é a exposição de fatos entre duas partes. Se um lado

está bloqueado, é intransigente e tem absoluta certeza de

que apenas seus pensamentos e sentimentos são corretos,

essa será uma briga suja, provocará uma competição

constante, e no final um lado entenderá que venceu e o

outro se sentirá derrotado, gerando rancor e outros maus

sentimentos. Mas, na verdade, ambos fracassaram na

tentativa de encontrar a melhor solução.

A briga limpa – Começa com a autoestima elevada e

leva as partes a “negociar” as diferenças de forma construtiva,

sem abrir mão de convicções e valores. Procura,

de forma desarmada, ouvir com o ouvido e com o coração

a fala e o sentimento do outro, observando as vantagens

e desvantagens possíveis para o assunto em discussão. É

a busca por uma terceira opção, em geral não percebida

pelas partes em diálogo, mas que será encontrada se for

buscada de forma adequada. Após uma briga limpa, as

partes envolvidas podem experimentar profunda satisfação

e um crescimento significativo no processo de

comunicação.

38 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


Conta-se a história de um casal que recebeu a notícia

de que seus parentes, que moravam em outra cidade,

iriam passar o Natal com eles, mas a casa deles ainda

não tinha um ambiente adequado para receber tanta

gente. A mobília era pequena, tendo como relíquia o

sofá novo. O marido então sugeriu que o jantar fosse no

estilo americano. Cada um faria seu prato e encontraria

um lugar na casa para jantar. A esposa rejeitou essa ideia:

“De jeito nenhum, as crianças vão derramar comida e

bebida no meu sofá novo; vamos para um restaurante”.

O marido disparou: “Nem pensar. Na véspera de Natal

os restaurantes estão lotados e é tudo muito caro”. Então

começou a discussão. Nenhum dos dois abriu mão

da sua opinião, até que a esposa ironicamente

disse: “Então vamos fazer na rua”. O marido

disse: “Bonito, o que os vizinhos vão dizer?”, e a

esposa retrucou: “Se forem os vizinhos da frente, nada,

porque eles vão viajar”. Eureca! Uma luz brilhou sobre

a cabeça dos dois, que pensaram em conversar com o

vizinho, que possuía um espaço grande com uma mesa

enorme. Após a conversa, o jantar aconteceu na casa

do vizinho, e ambos ficaram satisfeitos. Eles brigaram,

mas brigaram limpo e cresceram na relação por meio do

processo de comunicação, que é complexo e incompleto,

mas possível de acontecer quando desejamos o melhor

para todos. Provérbios 15.1 diz que “a resposta branda

desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira”. Este é

um excelente referencial para uma comunicação sadia.

Desafio para 2017: que tal só entrar em brigas limpas

nas discussões com seu cônjuge nesse novo ano?

Que o Senhor, com a sua graça, nos ajude no

desenvolvimento de nossa comunicação.

Marcos Quaresma é psicólogo em formação, mestre em Aconselhamento, assessor familiar, psicopedagogo, bacharel em

Teologia, missionário da Sepal, docente da Eirene do Brasil e credenciado da Envisionar.

janeiro/fevereiro 2017 | Lar Cristão 39


Namoro Cristão

“...ESCOLHAM HOJE...”

A

escolha é o primeiro passo em uma decisão, bem

como a responsável pela direção que iremos tomar,

seja na vida, seja no momento. A escolha também é a

forma de demonstração mais significativa do amor de Deus

para com a humanidade, pois por meio dela Ele nos deu a

liberdade de o seguirmos por amor e não por obrigação.

Nossas escolhas, portanto, determinam para onde vamos.

Afinal, nosso futuro é plantado na decisão tomada hoje. Um

casamento maravilhoso (porque não existe casamento perfeito)

começa num namoro acima da média. E este começa

exatamente na postura: em vez de procurar uma pessoa

perfeita, deve-se procurar ser a pessoa perfeita.

Todas as escolhas e decisões da nossa vida são tomadas

ou para fugir de algo que nos trará dor, ou para nos levar a

um lugar de satisfação e prazer. O que acontece é que, infelizmente,

algumas vezes olhamos para a dor em curto prazo

ou para o prazer em curto prazo, enquanto temos de olhar

a vida em longo prazo.

Por exemplo, fazer exercício produz dor nos músculos em

curto prazo, mas nos abençoa em longo prazo para termos

uma saúde melhor. Portanto, desse ponto de vista a dor nos

traz algo positivo. Da mesma forma, gastar tempo em oração

e leitura da Palavra com o(a) namorado(a) parece ser perda

de tempo, mas na verdade constrói uma base forte para um

futuro brilhante ou evita uma decisão errada.

Comer um chocolate pode nos dar prazer, mas as suas

calorias podem nos fazer mal em longo prazo, trazendo problemas

físicos e na saúde. Dessa forma, o prazer curto não

proporciona o prazer em longo prazo, bem como avançar

o sinal no namoro – se agarrar mais do que deve ou fazer

sexo –, realmente a curtíssimo prazo, na verdade durante

os quinze minutos que isso irá durar, pode trazer prazer,

mas em curto prazo trará vergonha e preocupação, e em

longo prazo pode trazer um casamento cheio de incertezas

e medo. Portanto, o prazer temporário não trará um prazer

duradouro.

Hoje podemos namorar e escolher, o que até alguns anos

atrás ou em culturas como a indiana não era possível.

Então, por que não usar bem essa chance de escolher?

Afinal, a escolha é a ferramenta mais poderosa que

temos para sermos quem queremos ser e para podermos ter

a família que desejamos ter.

Se você vai escolher, escolha bem, escolha o melhor.

Pense no tipo de vida que gostaria de ter, pense no tipo de

personalidade que você tem e que personalidade gostaria que

seu cônjuge tivesse, pense em quantos filhos gostaria de ter,

pense em que tipo de cidade gostaria de morar, com quais

amigos desejaria passar o tempo, que formação acadêmica

está buscando ter e se aquela pessoa serve o mesmo Deus

que você (afinal, a Bíblia é bem clara sobre termos famílias

que buscam a Deus).

Talvez você gaste vinte minutos escolhendo o vestido que

irá colocar para ir à igreja. Talvez você gaste trinta minutos

vendo notícias de futebol e escolhendo o melhor gol da rodada.

No entanto, eu gostaria de saber quanto tempo você

disponibiliza para escolher a pessoa da sua vida e quanto

tempo investe colocando você e seu futuro cônjuge na presença

de Deus.

Digo por experiência que escolher Jesus como Senhor e

Salvador na sua vida é a escolha mais importante que irá fazer.

Se quiser ter um casamento fantástico, escolha bem como

conduzir seu namoro cristão como também a pessoa

que irá compartilhar a sua vida.

“… escolham hoje a quem irão servir…” (Josué

24.14-15).

Fernando de Paula é é formado em Teologia pela London School of Theology.

Pastor secretário da Aliança Pastoral no Reino Unido.

40 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


A Família nas Mãos de Deus

UM PLANO DE DEUS

A

família é um plano de Deus, e na Bíblia encontramos

toda a orientação para que ela se estruture e viva feliz:

qual é a função do pai, da mãe e dos filhos, como deve

ser o relacionamento entre eles no lar e qual é o papel a ser

desempenhado por cada um dentro e fora de casa. Porém, o

que Deus mais espera é que a família decida servi-lo.

O livro de Provérbios mostra vários conselhos para

cada membro da família, e quando esses ensinamentos estão

em nossa mente e os seguimos, muitos dos conflitos são evitados

e vive-se em paz no lar.

A história de minha família nas mãos de Deus começou

com meu avô Antônio Bernardo Júnior, que tomou a decisão

de colocar sua vida sob a direção de Deus e confirmou-a em

16 de fevereiro de 1919, sendo batizado junto com sua esposa,

Isaura Angélica Bernardo, em 27 de julho de 1920. Em outubro

de 1924, foi ordenado ao ministério da Palavra. Assim criou

sua família nas mãos de Deus.

Meu pai, Salovi Bernardo, que veio dessa criação de

uma família na dependência de Deus, pôde experimentar um

cuidado da parte do Senhor providenciando cada necessidade

do seu lar. Ele foi ordenado ao ministério da Palavra em 23 de

outubro de 1953, sendo orador naquela noite seu pai Antônio

Bernardo Júnior. Em 9 de janeiro de 1954, casou-se com

Cenyra Pinel Bernardo e foram morar na cidade de Marília,

onde nasceram seus oito filhos, criados na presença do Senhor.

Lembro-me muito bem dos cultos em minha casa com

minhas sete irmãs, e à medida que crescíamos começaram a

surgir oportunidades de sermos os dirigentes do culto, e como

levávamos isso a sério! Nossa primeira experiência com Cristo

aconteceu dentro de nosso lar.

Recordo-me que quando tinha dez anos confirmei minha

decisão de aceitar a Cristo como meu Salvador e Senhor. Na

minha infância, adolescência e juventude, cresci em intimidade

com Deus, sendo embaixador do Rei e servindo a igreja em

vários ministérios. Na denominação, fui líder da Juventude

Batista do Estado de São Paulo e integrante do Conjunto Som

Maior. Fui ordenado ao ministério da Palavra em 22 de outubro

de 1983, e meu pai fez a oração consagratória e depois

pregou no culto de posse na Primeira Igreja Batista

em Araras. Em 14 de janeiro de 1984, casei-me com

Emilce Mendes de Almeida Bernardo e tivemos dois

filhos: Cíntia Almeida Bernardo e Cristiano Almeida

Bernardo, que foram criados com o seguinte versículo em sua

mente: “… eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Josué

24.15b). Meu filho também é pastor, casado com Joicelu da

Mota Bernardo, e também está criando sua filhinha Rebecca

da Mota Bernardo nos caminhos do Senhor. Minha filha

Cíntia se casará com Daniel Zocchio e formarão um novo lar

que serve ao Senhor.

Narrei essa pequena história para demostrar que uma

família nas mãos de Deus instrui os seus, como diz a Bíblia

em Deuteronômio 6.6-9: “E estas palavras que hoje te ordeno

estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás

assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-

-te, e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão,

e te serão por testeiras entre os teus olhos. E as escreverás nos

umbrais de tua casa e nas tuas portas”.

Deus é fiel e quer abençoar sua família. Fica a minha

pergunta agora: você deseja a bênção de Deus em seu lar?

Então tome a decisão que minha família tem tomado

há quatro gerações e verá as mesmas bênçãos sobre

você também. Nem sempre foi um mar de rosas, mas

sempre tivemos a presença de Deus cuidando de cada

um de nós.

Salovi Bernardo Junior é pastor da Primeira Igreja Batista de Sumaré, primeiro vice-presidente do Lar Batista de Crianças e segundo vice-

-presidente da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil. É casado com Emilce Mendes de Almeida Bernardo e pai de Cíntia e Cristiano.

44 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


Pais e Filhos, Amigos para Sempre

SEGUNDO OS PRINCÍPIOS BÍBLICOS

Nesta era da pós-modernidade, vivemos, como Igreja,

o reflexo do que acontece nos casamentos já

realizados, bem como nos filhos desses casamentos

amoldados ao padrão deste mundo, cada vez mais conectados

e próximos de quem é distante e cada vez mais distantes de

quem está tão próximo. Com isso, os pais não tiram tempo de

oração e não compartilham suas lutas e conflitos, ajudando

um ao outro, como marido e mulher cristãos, e por consequência

não o fazem com os filhos, buscando, nesses conflitos,

conhecer e praticar os princípios da Palavra.

Já compartilhamos em edições anteriores da revista Lar

Cristão como desenvolvemos com cada um dos nossos quatro

filhos um laço de amor e amizade. Assim, quando se tornaram

adolescentes e começaram a ter as paixões infantojuvenis,

sempre tivemos tempo para ouvi-los, orientá-los e,

quando necessário, proibi-los e discipliná-los. É claro

que muitas vezes houve confrontos e discordâncias

veementes, mas por causa das noites da família, dos tempos

de qualidade juntos, das orações, dos ensinos e práticas da

Palavra, pudemos ajudá-los a evitar relacionamentos e casamentos

fora do plano de Deus. Hoje, pela amizade e temor do

Senhor que desenvolvemos, todos os quatro, seus cônjuges,

os onze filhos e nós, apesar das lutas, erros e provações, temos

experimentado uma família que é um “pedacinho do céu” e

tem sido inspiração e referência para muitos!

E também podemos ajudar nossos netos quanto ao valor

da virgindade, da pureza e a buscar um casamento honrado

e o valor que isso tem para seu futuro e eternidade, conforme

os textos de Deuteronômio 22.13-30; Eclesiastes 11.7-10;

12; Lucas 17.26-30; 1 Tessalonicenses 4; 1 Timóteo 5.4, 8;

Hebreus 13.4; Apocalipse 19.5-10 e 21.1-8. Leia, medite e

aplique esses textos!

Deixo aqui algumas dicas para você viver: 1 – Se você não

tem tirado tempo para amar a Deus, adorando-o, orando por

sua vida e família, arrependa-se e confesse agora. 2 – Em seguida,

confesse a seus pais, cônjuge e filhos seu pecado de não

priorizar o cuidado de sua família, conforme 1 Timóteo 5.4,

8. 3 – Busque ler e aplicar a Palavra, ouça materiais em áudio

e vídeo e leia livros fundamentados na Bíblia e no exemplo

familiar dos autores. 4 – Passe a separar um tempo semanal

ou quinzenal com seu cônjuge, com cada um dos seus filhos e

de vocês como família de Deus para perguntar no que “você”

pode mudar para fazê-los mais felizes, para perguntar e ouvir

as lutas e tristezas de cada um. 5 – Peça que eles orem por

você e, diariamente, ore por cada um deles e com cada um

deles, e como família levem as cargas uns dos outros diante

de Deus Pai. 6 – Busque ajuda de casais que são exemplo (1

Pedro 5.5-10). 7 – Seja exemplo de filho de Deus e discípulo

de Cristo para seu cônjuge e filhos e referência de casamento

e lar cristão, para que seus filhos e netos sigam não a igreja ou

os colegas de fora, mas a igreja “em casa”, conforme Efésios

5.21-33 e 6.1-4. 8 – Nunca se esqueça de que as mudanças

de prioridades e hábitos não acontecem instantaneamente,

mas não retroceda, pois Deus quer revelar Cristo por

meio de suas atitudes, conforme Filipenses 1.6 e todo

o capítulo 3; Colossenses 3 e 1 Pedro 3.

Giovani Luiz Zimmermann nasceu em Jaraguá do Sul e é autor de livros com temática para família.

Casado com Elizabeth e pai de quatro filhos.

46 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


Fique por Dentro

Maior que a

tempestade

Rinaldo Seixas

Mundo Cristão

Uma mulher que

reflete o coração

de Jesus

Elizabeth George

United Press

O grande livro

dos heróis da

Bíblia

SBB

Mensagens

selecionadas

para a vida

Hernandes Dias

Lopes

Hagnos

Bíblia

Sagrada com

caderno para

anotações

SBB

Dinheiro, uma

vitrine que

fascina

Ivonildo Teixeira

Fôlego

Promessas

Patrícia Mel

Um novo tempo

Danielle Cristina

O milagre sou

eu

Eyshila

48 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017


Esta seção é gratuita, e os lançamentos devem ser enviados para a Caixa Postal 16.610 – CEP 03149-970 –

São Paulo – SP aos cuidados de Editora Fôlego – Seção Fique por Dentro / Lar Cristão.

Bíblia em ação

Sergio Cariello

Geográfica

Talmidim52

Ed René Kivitz

Mundo Cristão

Bíblia brasileira

de estudo

Editor Luiz Sayão

Hagnos

A maior de todas

as histórias

Kevin Deyoung

Geográfica

Bíblia momento

com Deus

SBB

Você e eu –

a Bíblia

do bebê

SBB

Piedade e paixão

Hernandes Dias

Lopes

Hagnos

Garota cristã

Aliny Gomes

Pórtico

Bíblia live

Vários Autores

Geográfica

janeiro/fevereiro 2017 | Lar Cristão 49


Agenda Ministério Lar Cristão

MARÇO

9/3 à 16/4/2017

Portugal – palestras diversas

Coord.: Quintino Novaes

familianovais.apecp@gmail.com

Fone.: 00xx351-265.281.255

ABRIL

28 à 30/4/2017

Igreja Evangélica na Flórida, EUA

MAIO

5 à 7/5/2017

Igreja Batista Memorial do Mallet, RJ

Curso: Família Ideia de Deus

Coord.: Dilene

memorialdomallet@gmail.com

Fone: 21-3332-0135

26 à 28/5/2017

Igreja Batista de Porto União, PR

Curso : Família Ideia de Deus

Coord.: Pr Paulo

paulo_lazarino@bol.com.br

Fone: 42-3522-5036

JUNHO

16 à 18/6/2017

Igreja Assembléia de Deus em Taguatinga, DF

Curso: Família Ideia de Deus

Coord.: Pr Tiago

tiagoungido@gmail.com

Fone: 61-3475-3639

50 Lar Cristão | janeiro/fevereiro 2017

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