Ed 6 - Oscar 2017 - Gratuita

almanaque21

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1 PRÊMIO | 4 INDICAÇÕES

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E

m seu segundo longa-metragem, Barry Jenkins

apresenta uma história muito pessoal, misturando

experiências suas do passado com as de

Tarell Alvin McCraney, escriba da peça em que

Moonlight: Sob a Luz do Luar se baseia. Portanto,

o slogan do filme (“A história de uma vida”) não

parece exagerado de forma alguma. Acompanhamos a

trajetória do jovem Chiron em três momentos distintos

de sua existência, quando criança, interpretado por

Alex Hibbert; quando adolescente, vivido por Ashton

Sanders; e adulto, com Trevante Rhodes no papel.

Não espere momentos épicos ou uma trama intrincada.

Aqui, temos um drama introspectivo, uma história

de formação na qual o protagonista busca encontrar

seu lugar no mundo, tentando entender as mudanças

pelas quais passa. Seria possível resumir a trama em

poucas linhas, inclusive. O que mais importa em Moonlight

são as relações e não, necessariamente, as

ações.

Dividido em três capítulos, o longa-metragem

começa com o segmento intitulado “Little”, o apelido

de Chiron quando criança. Perseguido pelos colegas de

colégio, o garoto se esconde em um apartamento

abandonado até ser encontrado por Juan (Mahershala

Ali), um traficante de drogas que se condói com a situação

do tímido Chiron. Ele o acolhe em sua casa, com

sua esposa Teresa (Janelle Monáe), e acaba servindo

como uma figura paterna, ausente da vida do garoto.

Sua mãe, Paula (Naomie Harris), é viciada em drogas

e tem relacionamento turbulento com o filho. Chiron

recebe um conselho importante de Juan em um de

seus encontros: “Em algum momento, você precisa

decidir quem será. Não deixe ninguém tomar essa

decisão por você”. No segundo segmento, “Chiron”, o

jovem é um adolescente, ainda introspectivo, que segue

perseguido pelos seus colegas. Sem Juan para

lhe dar conselhos, com a mãe ainda abusando das

drogas, o rapaz encontra algum conforto na amizade

com Kevin (Jharrel Jerome), uma relação que terá

impacto significativo no futuro do menino. No terceiro

ato, “Black”, Chiron, já adulto, segue os passos de

Juan, abandonando sua Miami natal e vivendo em

Atlanta. Quando recebe uma ligação de Kevin, amigo

que não vê há anos, ele resolve retornar.

Nos primeiros minutos de Moonlight, Barry Jenkins

parece querer chamar atenção para sua câmera,

fazendo movimentos circulares em um planosequência

que apresenta uma parte da vizinhança de

Liberty Square, Miami, e introduz o personagem Juan,

a figura que servirá de modelo para Chiron. Aqui, o

diretor nos comunica que usará de diferentes artifícios

para chamar a atenção para passagens que julga importantes.

Um bom exemplo dessa utilização criativa

dos recursos é a cena em que Paula grita para a câmera

(no caso, para Chiron), envolta em luz difusa e

em velocidade reduzida. Embora seja um longametragem

que busca mostrar a realidade de um rapaz

descobrindo a si mesmo, Jenkins e seu diretor de fotografia

James Laxton escolheram uma cinematografia

longe da documental, dando um toque plastica-

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mente belo para as cores,

reforçando, principalmente, o

preto e o azul. Assim, cenas

como a da praia, entre Chiron

e Kevin, ou a cena em que

Juan ensina o menino a nadar,

saltam aos olhos, surgem

em toda sua beleza poética.

Como trata-se de uma

história intimista, a interpretação

dos atores é imprescindível

para entendermos por

que passa cada personagem.

Mahershala Ali é, sem sombra

de dúvidas, o grande destaque

do primeiro segmento.

Juan percebe o quanto Chiron

está perdido e acaba o acolhendo

em sua asa. Sabendo

que não é o melhor exemplo

a ser seguido, o traficante

busca encorajar o menino a

encontrar a si mesmo. Ele se

envergonha de ser, de alguma

forma, responsável pela

condição da mãe de Chiron,

algo que o assombra. Naomie

Harris também é destaque,

fazendo frente a Ali, mas ganha

mais tempo para mostrar

a decadência de Paula. Curiosamente,

a atriz teve apenas

três dias para filmar todas as

suas cenas, mas não se percebe

qualquer restrição de tempo na interpretação

angustiante de Harris. Ela, que tentava escolher papéis

que retratassem a mulher negra em luz positiva, resolveu

aceitar o personagem após Jenkins mostrar que

Paula não é um estereótipo, mas um retrato verdadeiro

de sua mãe.

Quanto a Chiron, os três atores que o interpretam

tem ótimos momentos. Personagem dificílimo, o

protagonista desta história é bastante introvertido,

limitando os seus intérpretes ao silêncio, com eles

tendo de passar as informações com balançar da cabeça

ou com os olhos apenas. Jenkins não quis que

os três Chiron se encontrassem e trocassem informações

sobre a performance. Portanto, cada um pode

fazer do seu jeito o papel. Enquanto o pequeno Alex

Hibbert cativa pela força dos olhos, o adolescente

Ashton Sanders tem uma atuação que vai de zero a

cem em poucos segundos, mostrando o estalo de

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Chiron depois de tanto abusos que recebeu na vida.

Enquanto isso, Trevante Rhodes parece um tanto deslocado,

com seus músculos e atitude confiante no início

de seu segmento. Isso, no entanto, é apenas uma

máscara, uma forma de recomeçar em outro lugar

com uma identidade alternativa.

Com trilha sonora belissimamente composta por

Nicholas Britell, dando um toque lírico para diversas

cenas, Moonlight: Sob a Luz do Luar é um filme robusto,

artisticamente bem construído e socialmente relevante.

Depois de um Oscar sem atores negros indicados,

a presença maciça deste ano, com filmes tão

bons quanto este, Estrelas Além do Tempo e Um Limite

Entre Nós mostra uma mudança de paradigma dentro

da Academia. Nenhum desses três títulos está na

premiação à toa, como se precisassem de uma chance

para concorrer. Todos eles são ótimos, cada um à sua

maneira, e mostram o talento e a versatilidade desses

profissionais. Moonlight era o único que poderia bater

o favorito La La Land no Oscar de Melhor Filme, algo

que acabou acontecendo no final das contas. Vitória

mais que merecida.

MOONLIGHT: SOB A LUZ DO LU-

AR (Moonlight)

EUA – 111 min – 2016

Diretor: Barry Jenkins

Roteiro: Barry Jenkins, Tarell Alvin

McCraney

Com Trevante Rhodes, Ashton Sanders, Alex

Hibbert, André Holland, Mahershala Ali, Naomie

Harris, Janelle Monáe, Jharrel Jerome, Jaden

Piner

Vencedor de 3 Oscar: Melhor Filme, Roteiro

Adaptado e Ator Coadjuvante (Ali)

Indicado a mais 5 Oscar: Melhor Diretor, Atriz

Coadjuvante (Harris), Fotografia, Montagem e

Trilha Sonora

Distribuição: Diamond Films

Cotação: 9

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