Warren Buffett e a Análise de Balanços
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o longo clc nais dc 50 auos ntLranrlo rro rlisprrurkr nrcrcurkr Iìn:rncciro<br />
nnrcr'ìcano, \X/allcn lJLrÉhrr clcscrrvolvcLr rrnr urúiodo rirtico prlrt sclcouar<br />
¿ìs crrpresas nas
Mary <strong>Buffett</strong> e David Clark<br />
ruffiforrffiffi ffiea#fuec<br />
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tr ä esaáååsm <strong>de</strong><br />
ffiÅå-ÅNÇffiS<br />
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SFXTANT¡
'lltLrlo origina[; W.orc I]uJJett dnd the ll1teryrct/]tion oJ Fitl4nciíl slr¡t¿nl¿ n¿s<br />
Copyright O 2008 por ìvla¡y Buffert e Davicl Clark<br />
Copyrìght cla ttadLrçáo O 20Ì0 Por GMT Eclitores Ltda<br />
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tfti¿uÇdo<br />
Marcello Lino<br />
prepuro tle originais<br />
Cristiâne Pac¿tnowski<br />
rcÿis¿¡o<br />
Al]a Lucia Machaclo, C¡isthiane Ruiz e Luis Amélico Cosla<br />
pnjeto grq¡ico e Lli,1íraftl(tçito<br />
Abrerfs System<br />
cclPcl<br />
ìvliÌialn Lerner<br />
tlnp t cssão e Icabane nto<br />
Yangraf Grálica e Eclitora l.tda<br />
CIP-BRASIL, CA'I}.LOGAÇÀO'NÀ-FONTE<br />
SINDICATO N,A.CIONAI, DOS ÈDITORIS DE LIVROS, RI<br />
Inlrndrrçrìo<br />
SUMARIO<br />
c¿\pirur,o 1.: A gran<strong>de</strong> revelaÇão que fez cle <strong>Warren</strong><br />
<strong>Buffett</strong> a pessoa mâj.s ricâ do mundo<br />
cApirulo 2: On<strong>de</strong> Bulfett comeÇa sua busca pela<br />
empresa excepcionaL<br />
cApÍrulo 3: Consistência é o caminho cle <strong>Buffett</strong><br />
pâra a riqlreza<br />
(<br />
^rirur.o<br />
+: Visio gcraì das <strong>de</strong>monstraçoes<br />
financeiras: on<strong>de</strong> o ouro está escondido<br />
cApÍruLo 5: On<strong>de</strong> <strong>Buffett</strong> vai buscar informações<br />
[inanceiras<br />
9<br />
t3<br />
t9<br />
22<br />
23<br />
)5<br />
IJÐû¡tt, Mâry<br />
]Ndrreo tsufett e â análise <strong>de</strong> balanços/lvlary BLrfIett e Dâvid Clîrk ItrâdlLção d€<br />
Nl rccllo Linol. Rio <strong>de</strong> Jâneiror Sextnnte,20l0<br />
]iÀduçáo <strong>de</strong>: Wnr¡en <strong>Buffett</strong> and the interpretâtion of lìn¿ncial stûtements<br />
ISUN 978-8s-7s42-554-1<br />
l Bufett. <strong>Warren</strong>, 1930-. 2. Emplesâs - Fin¡ìnças. 3 Sociedâ<strong>de</strong>s comerciåis -<br />
Iìinânçâs. 4. Inves timentos - <strong>Análise</strong>. 5. Investimentos _ Processo <strong>de</strong>cisórìo 6- Balanço<br />
(Contrbilida<strong>de</strong>). L Clark, David, I955-. II. Titulo.<br />
l0-088s<br />
-lbdos os direitos reservaclos, no Blasil, por<br />
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CDDj 332.6<br />
CDtr::l:16.76<br />
A DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO<br />
cÁPilulo 6: Por on<strong>de</strong> Bu[[ett começa:<br />
a <strong>de</strong>monstração do r-.esultado do exercício<br />
cÀpÍrulo 7: Receita: por on<strong>de</strong> o dinheiro entra<br />
c^pirulo 8: Custo clos bens vendidos: para<br />
Buffet[, quanto mais baixo melhor<br />
c¡\piTrjlo 9: Lucro bruto/Margem <strong>de</strong> lucro bruto:<br />
números essenciais para Bulfètt em sua<br />
busca por investlmento <strong>de</strong> longo prazo<br />
c.¡rirurc¡ 1.0: Despesas operacionais: sob o olhar<br />
âtento cle <strong>Buffett</strong><br />
, .\r'r | | | , ) I [: Dcspcsas tle ventl:rs, gerais e<br />
aalnìinistrâtivâs<br />
28<br />
30<br />
31<br />
33<br />
36<br />
37
()\riiLil-o l2: Pesquisa e <strong>de</strong>senvolvimento: por que<br />
IJuflett se mantém a distância 40<br />
c;rpirr.rL-o l3: DepreciâÇão: uma <strong>de</strong>spesa que <strong>Buffett</strong><br />
não pocle ignorar 4)<br />
*rlirulo 14: Despesa com juros: o que Bu{fett<br />
náo quer 45<br />
c¡\pi'rrrr-o 15: Ganho (ou perda) com a vencla<br />
cle ativos e Outtos 48<br />
cÁpilulo Ì6: Lucro antes dos imposros: o número<br />
c¡ue Bulfett usa 50<br />
cl\pÍ]ur.o 17: lmposto <strong>de</strong> renda pago: como Bullett<br />
sabe quem está dizenclo a verda<strong>de</strong> 57<br />
clpÍrLJr,o lB: Lucro lÍquiclo: o c¡ue Buffert está<br />
'<br />
ProcurSncto<br />
5+<br />
cìi\pinr-o l9: Lucro por ação: como Buffert distingue<br />
vencedores <strong>de</strong> per<strong>de</strong>clores 57<br />
O BALANÇO PATRIMONIAL<br />
c¡.pirulo 20: O balanço patrimonial em geral<br />
c¡.piruro 2l: A[rvo<br />
c¡pirulo 22i Ciclo do ativo circulante: como se<br />
ganha dinheiro<br />
c¡.piruro 23: Caixa e inveslimentos <strong>de</strong> curto prazo<br />
a recompensa cie Bulfett<br />
r ¡rrluro 2-l: f stoque: o que 3 emprcsír precisrì<br />
comprar e ven<strong>de</strong>r<br />
clpiruLO 25: Contas a receber, saìdo lÍquido:<br />
clinheiro <strong>de</strong>viclo à empresa<br />
cApÍrulo 26: Despesas pagas antecipadamente/<br />
I)emais ativos circulantes<br />
c¡piruro 27: Ativo circulante total e o coeficiente<br />
<strong>de</strong> liqui<strong>de</strong>z<br />
62<br />
65<br />
67<br />
6B<br />
cApi'rur-o 28: Atlvo imobiìizado: para <strong>Buffett</strong>, não<br />
tê-lo po<strong>de</strong> ser uma boa coisa<br />
c,qpÍruro 29: Fundo <strong>de</strong> comércio<br />
c¡rrrurn lO: Ativos rntangiveis: medindo o<br />
incomensurável<br />
c.rpiruro 3l: Investimen[os cie longo prazo: Lìm<br />
dos segredos do sucesso cle <strong>Buffett</strong><br />
c¡.pÍruro 32: Demais âtivos <strong>de</strong> longo prazo<br />
c¿\pirtir.o 33: Ativo lotal e retorno sobre o ativo total<br />
c.qpÍruro 34: Passivo circulante<br />
cÀFirulo 35: Contas a pagar, <strong>de</strong>spesas provisìonadas<br />
e <strong>de</strong>mars passivos circulantes<br />
c,rrrruro Jó: Drvida <strong>de</strong> curto prazo: como issrr<br />
po<strong>de</strong> acabar com uma instituição financeira<br />
cApi'ruLo 37: DÍvida <strong>de</strong> longo prazo a vencer e os<br />
problemas que isso po<strong>de</strong> causar<br />
cApÍrulo 38: PassÌvo circulante total e o coeliciente<br />
<strong>de</strong> liquiclez<br />
clpirur-o 39: Dívida cle longo prazo: algo que boas<br />
emprcsas nao tem em prolLrsio<br />
c¡.rÍrulo 40: lmposto <strong>de</strong> renda difericlo,<br />
pâtticipação minontána e <strong>de</strong>mais passì.vos<br />
cnpÍrulo 41: Passivo total e coeficiente cle<br />
enclividamento em relação ao patrimônio<br />
líquido<br />
7I<br />
73<br />
:,.<br />
75<br />
76<br />
c¡pÍruro 42: Patrimônio líquido/Valor conrábil<br />
c¡pÍrur o 43: Açoes preferenciais e ordinárias:<br />
reserva <strong>de</strong> capital (emissão <strong>de</strong> açoes)<br />
c¡\pirulo 44: Lucro acumulaclo: o segredo cle<br />
Buffctt p..rra sÈ LolnJI riquissinro<br />
c¡\pirulo 45: AÇöes em tesouraria: Buflett gosta<br />
cle vêlas no baìanço patrimoniaì<br />
109<br />
110<br />
113<br />
n6<br />
,:a..<br />
7B<br />
B1<br />
83<br />
B5<br />
87<br />
88<br />
90<br />
91<br />
93<br />
96<br />
98<br />
r00<br />
t03<br />
105
(:^riruilo 46: Retorno sobre o pâirimônio líquido<br />
i.¡r,iLul.r¡ 47: O problema cla alavancagem e as<br />
slrpresas que ela po<strong>de</strong> causar<br />
A DEMONSTRAÇÂO DE FLUXO DE CAIXA<br />
118<br />
120<br />
INTRODUÇAO<br />
c.\pirulo 48: A <strong>de</strong>monstraçáo <strong>de</strong> fluxo <strong>de</strong> caixa:<br />
aon<strong>de</strong> <strong>Buffett</strong> vai para achar o clinheiro 124<br />
ar¡\r'Írur.o 49: Despesas com âtivos fixos: não tê-las<br />
é um dos segredos para enriquecer<br />
c¡.pÍrul-o 50: Recompra <strong>de</strong> aÇoes: o método isenlo<br />
Apêndice<br />
Glossário <strong>de</strong> termos selecionados<br />
Agrct<strong>de</strong>cimentos<br />
I27<br />
cle impostos <strong>de</strong> <strong>Buffett</strong> para aumentar o<br />
patrlmônio dos acionistas 130<br />
A AVALIAÇAO DA EMPRESA COM UMA<br />
VANTAGEM COMPETITIVA DU RÁVEL<br />
c¡piruro 5l: A i<strong>de</strong>ia revolucionária <strong>de</strong> <strong>Buffett</strong><br />
clo equity bond e como isso o tornou<br />
rìquissimo 134<br />
crriruro 52: O rendimento cada vez maior criaclo<br />
pela vantagem competitiva durável 138<br />
cApi-luLo 53: Mais maneiras cle avaliar uma empresa<br />
com umâ vantagem competitiva durável 140<br />
cAfl ruro 54: Como Bu[[ert <strong>de</strong>terminr o momento<br />
certo para comprar umâ empresa fantástica I43<br />
c¡pÍruro 55: Como <strong>Buffett</strong> cletermina que está<br />
na hora cle ven<strong>de</strong>r 145<br />
147<br />
151<br />
r5B<br />
D,l.^trt. 12 anos, <strong>de</strong> 1981 a 1993, fui nora cle <strong>Warren</strong> Buffert,<br />
o investidor <strong>de</strong> maior sucesso e, atualmente , o maior filantropo<br />
do mundo.<br />
Logo após me casar com Peter, o filho <strong>de</strong> <strong>Buffett</strong>, e bem antes<br />
do munclo fora <strong>de</strong> Wall Street ouvir lalar do ìnvestidor, visitei<br />
a casa da famílla em Omaha. Enquanto estava lá, conheci um<br />
pequeno grtrpo <strong>de</strong> estudantes aplicados que pesquisavam â sabedo¡ia<br />
do mestre e que se autoclenominavam "buflettologistas".<br />
David Clark, um dos buffettologistas <strong>de</strong> maior sucesso, mantinha<br />
ca<strong>de</strong>rnos repletos <strong>de</strong> i<strong>de</strong>ias meticulosas e infinitamente fascinantes<br />
<strong>de</strong> <strong>Warren</strong> <strong>Buffett</strong> sobre investimentos. Seus ca<strong>de</strong>rnos foranr<br />
a base que eu e ele usamos mais tar<strong>de</strong> para dâr forma aos best-<br />
-sellers internaclonais <strong>de</strong> investimentos O Ido <strong>de</strong> <strong>Warren</strong> <strong>Buffett</strong>,<br />
BulJettology (<strong>Buffett</strong>ologia), The BulJettology Worhbooh (O manual<br />
da buffettologia) e The New But'Jettology (A nova buffettologia),<br />
¿ìtualmente publicaclos em 17 idiomas, entre os quais hebraico,<br />
¿irabe, chinês e russo.<br />
Depois do sucesso <strong>de</strong> O Tao <strong>de</strong> W(trren BuJkt\ estive com Davicl<br />
em Omaha, no encontro anual da Berkshire Hathaway, em<br />
2007, e durante o almoço começamos â conversar sobre a históriâ<br />
cla análise cle investÌmentos. Ele ressaltou que, no fim do<br />
sécnlo XIX e no inÍcio do XX, essa âtivida<strong>de</strong> se concentrava<br />
sobretuclo em <strong>de</strong>terminar a solvência e a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> geraqdo<br />
cle lucros cle uma empresa com o propósito cle analisar os<br />
scus titLrlos. Davicl também mencìonou que Benlamin Graham,<br />
il ctecano ctc Wall Street e mentor cle Buffert, havia adaptado as<br />
9
i:,''<br />
:<br />
t(:cnicls inicrâis <strong>de</strong> análise <strong>de</strong> rírulos para a análise <strong>de</strong> açoes<br />
r.rr tLinÍr'i;rs.<br />
ñlas Grahan nunca fez clistinção en[re as empresas que pos-<br />
.llìcur urìla vântagem competitivâ <strong>de</strong> longo prazo e as que não<br />
llo$srrcrll em reiação às suas concortentes. Ele só estava intercss;rclo<br />
em saber se a companhia tinha ou não capaciclacle cle<br />
gctrcão cìe L,rcro suficiente para tirála dos apuros econômicos<br />
cluc haviam acarretado a queda verliginosa da cotação <strong>de</strong> suas<br />
açöcs. Ele não estava in[eressado em ter participâção em uma<br />
orgirnização por 10 ou 20 anos. Se a cotâção náo se movesse<br />
ctcpois cle doìs anos, ele caía fora. lsso não significa que Graham<br />
percleu o barco; ele simplesmente não embarcou naquele que o<br />
tcrÌa t¡ansformado, como aconteceu com <strong>Buffett</strong> em 2008, no<br />
hr¡me m mais rico do mundo.<br />
Br-rlfetr, por outro lado, <strong>de</strong>pois <strong>de</strong> iniciar sua carreira com<br />
Glaham, <strong>de</strong>scobriu a tremenda geração cle riqueza <strong>de</strong> uma<br />
cftìpresa que tinha uma vantagem competitìva <strong>de</strong> longo prazo<br />
em relação às suas concorrentes. Ele constatou que, cluanto<br />
rnais tempo você mantivesse sua pârticipaÇão em uma <strong>de</strong>ssas<br />
cornpanhias fantásticas, mals rico ficaria. Graham provavelmente<br />
te¡ia dito que todas essas empresas têm cotaÇÕes excessivas,<br />
mas Bullett percebeu que não precisava esperar que o mercado<br />
acionário oferecesse uma cotação <strong>de</strong> barganha e que, mesmo<br />
¡ragando um preço justo, po<strong>de</strong>rla ficar riquíssimo com aquèlas<br />
cmpresas.<br />
Ele <strong>de</strong>senvolveu um conjunto único <strong>de</strong> ferramentas analíticas<br />
para iclentilicar essas empresas especiaLs. Embora baseado na<br />
vclha linguagem <strong>de</strong> Graham, seu novo método possibilÌtava quc<br />
ele cleterminasse se uma empresa podia sobreviver aos problcnìas<br />
que estava enlrentando no momento. O métoclo cle Buf fctt<br />
também informava se a empresa em questão tinha ou n¿io L(nliì<br />
vanragem competitiva duráve1 que o tornaria riquíssimo no lorr-<br />
¡io prazo.<br />
l0<br />
ì.ì<br />
::,<br />
,.-..:<br />
Ao fim do almoço, perguntei a Davicl se ele julgava possível<br />
criar um guia sucinto e lácil <strong>de</strong> usar para interpretar as <strong>de</strong>mons-<br />
Lraçóes financeiras <strong>de</strong> uma empresa utilizando o conjunto único<br />
cìe ferramentas que <strong>Buffett</strong> havia <strong>de</strong>senvolvido para <strong>de</strong>scobrir<br />
aquelas companhias maravilhosamente rentáveis.<br />
Eu tinha em mente um livro direto e simples que ensinasse<br />
os invesridores a interpretar as <strong>de</strong>monstrações financeiras <strong>de</strong><br />
uma companhia e procurar os mesmos tipos <strong>de</strong> organização que<br />
<strong>Buffett</strong>. Um livro que não apenas expìicasse o que são balancos<br />
patrimoniais e <strong>de</strong>monstraçóes do resultado do exercÍcio, mas<br />
que apontâsse o que os investidores <strong>de</strong>vem procurar se, como<br />
Buffet¡, esliverem em busca <strong>de</strong> uma empresa que tenha uma<br />
vântagem competitiva <strong>de</strong> longo prazo.<br />
David adorou a i<strong>de</strong>ia e, em um mês, comeÇamos a envia¡ um<br />
para o outro os capítulos do livro que está em Suas mãos âgora.<br />
Esperamos que <strong>Warren</strong> BulJett e a anúIise <strong>de</strong> balanços o aj'.s.<strong>de</strong> a<br />
dar o mesmo salto qualitativo do megainvestidor, possibilitanclo<br />
que você vá âlém dos velhos mo<strong>de</strong>los <strong>de</strong> avaliação <strong>de</strong> Graham e<br />
<strong>de</strong>scubra, como <strong>Buffett</strong>, o fenomenal po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> geração cle ricluezr<br />
<strong>de</strong> longo prazo <strong>de</strong> uma empresa com uma vantagem competitiva<br />
durável em relação às concorrentes. Ao mesmo tempo, vocè<br />
vai se libertar das custosas manipulaÇoes do mercado linanceiro<br />
e terá a oportunj.cla<strong>de</strong> <strong>de</strong> se unir ao crescente número <strong>de</strong> investidores<br />
inteligentes <strong>de</strong> todo o mundo que esrão se tornando rremenclamenle<br />
ricos ao seguir os passos <strong>de</strong>sse investidor lendário<br />
e brilhante.<br />
M¿\RY BUFFE-T-T<br />
tt
CAPiTULo I<br />
A gran<strong>de</strong> revelação que fez <strong>de</strong> <strong>Warren</strong> <strong>Buffett</strong> a<br />
pessoa mâis rica do mundo<br />
D lara entenclel esta gran<strong>de</strong> revelação, precisamos compreencier a<br />
"Voc¿ prectsd enten<strong>de</strong>r <strong>de</strong> contabilida<strong>de</strong> e <strong>de</strong>ve compreencler<br />
cLs nLLdnces <strong>de</strong>ssa ciência. Esse é o idíoma dos negocios,<br />
um idioma inperJeito, porém, d menos clLLe esteict<br />
tlisposto a<br />
Jazer o est'orço rle aprencler contabilicln<strong>de</strong><br />
- como ler e analisar cletnonstrações Jinanceiras -,<br />
nao cleveria escolher açoes por conta propria."<br />
WARREN BUFFETT<br />
natureza clas Bolsas cle Valores e <strong>de</strong> seus maiores players. Embora<br />
pteste mui[os serviços para empresas, nos últimos 200 anos<br />
Wall Street também tem funcìonado como Lrm gran<strong>de</strong> cassino<br />
no qual jogaclores, ao moclo clos especuladores, läzem gran<strong>de</strong>s<br />
apostas na direção das cotâÇoes das aÇoes.<br />
Em seus primórdios, alguns <strong>de</strong>ssesjogadores obtiveram gran-<br />
l)rr5íì cst¿ìo sLlbin([o rápìclo o bastante, o computadÒt as compra; se<br />
rst¿h cainclo rápido, o compllrador as vencle. lsso cria muita movinìclìtiìçâo<br />
cle compra e venda <strong>de</strong> milhares <strong>de</strong> açoes dilerentes.<br />
Nro é incomum para esses investidores info¡matizados compr.ìr<br />
L{nr:r ação num dia e vendê-la no dia seguinte. Gestores <strong>de</strong><br />
Iunclos herþ usam esse sistema e po<strong>de</strong>m ganhar muitíssimo druhcilo<br />
pala seus clientes. Mas há uma cilada: eles também pocicm<br />
per<strong>de</strong>r altas somas. E, quando per<strong>de</strong>m dinheiro, os clientes<br />
(se aincla tiverem algum dinheiro sobrando) pegam o que sobrou<br />
e vào embora à procura <strong>de</strong> um novo analista que escolha açóes<br />
pala eles.<br />
llsse frenesi especulativo <strong>de</strong> compra e venda vem acontecenclo<br />
há muito tempo. Uma das maiores agitaçoes <strong>de</strong> todos os tempos,<br />
na clécacla <strong>de</strong> 1920, fez com que as cotaçÕes das açöes chegassem<br />
à estratosfera. Mas, em ]"929, veio a quebra da Bolsa, levanclo as<br />
cotâçóes a <strong>de</strong>spencar.<br />
No inÍcio da década <strong>de</strong> 1930, um jovem e empreen<strong>de</strong>dor analista<br />
cle Wall Street chamado Benjamin Graham percebeu que a<br />
rnaiorra dos maj.s famosos investidores em aÇoes não dava a mÍnima<br />
importância parâ os âspectos econômicos <strong>de</strong> ìongo prazo<br />
clas empresas que estavam compranclo e ven<strong>de</strong>ndo. O único [ator<br />
relevante era se as cotaçoes das açÕes estavam, no curto prazo,<br />
subinclo ou caindo.<br />
Graham também percebeu que, quando estavam domìnâdos<br />
por seu frenesi especulativo, aqueles investidores às vezes faziam<br />
com cLue as cotaçóes subissem até atingir nÍveis ¡itlÍculos<br />
cm lelação às realidacles econômicas <strong>de</strong> longo prazo do mercaclo<br />
cm que as empresas âtuavam. Também percebeu que aquelcs<br />
ncsmos famosos investidores às vezes provocavam a quecla cLlts<br />
àçöcs a nÍvels insanos que, da mesma forma, não levavam cltt<br />
contâ âs perspectivas <strong>de</strong> longo prazo das companhias. Era ncsscr;<br />
nlvcis insanamente baixos c1r-re Graham via uma opot tr-tniclreltr<br />
lhntástic:r pala ganhar clinhei¡o.<br />
t.r<br />
Ele chegou à conclusão c1e que, se comprasse aquelas "empresas<br />
subvalorizadas", com cotÍlçÒes abaixo <strong>de</strong> seu valor intrínseco<br />
<strong>de</strong> longo prazo, o mercado acabaria por reconhecer o seu erro e<br />
as reavaliaria para crma. Depois que isso acontecesse, ele po<strong>de</strong>ria<br />
vendê-las com lucro. Essa é a base do que conhecernos hoje<br />
como investimento em valor. Graham foi o pai <strong>de</strong>sse paradigma<br />
<strong>de</strong> investimento.<br />
O que temos <strong>de</strong> perceber, no enlanto, é que ele, na verda<strong>de</strong>, não<br />
se impoltava com o tipo <strong>de</strong> empresa que estava compranclo. Em seu<br />
mundo, toda companhia tinha um preço no qual se tornava uma<br />
barganha. Quanclo começou a praticar o investimento em valor nos<br />
idos da d¿cada <strong>de</strong> 1930, ele se concentrava em achar empresâs que<br />
estivessem senclo negociadas a menos da meta<strong>de</strong> do valor que elas<br />
tinham em caixa. Ele chamava isso <strong>de</strong> "comprar um dólar por 50<br />
centavos". Também aplicava outros parâmelros, como nuncâ pagar<br />
mais clo clue l0 vezes o lucro <strong>de</strong> uma empresa e ven<strong>de</strong>r a ação se<br />
ela subisse 50olo. Se nâo subisse em clois anos, ele a vendla cle qualquerjeito.<br />
Sim, a sua perspectiva erâ um pouco mais longa do que<br />
a dos especulaclores <strong>de</strong> Wall Street, mas, na verda<strong>de</strong>, ele não tinha<br />
interesse algum na sj.tuação da companhia dali a 10 anos.<br />
<strong>Buffett</strong> apren<strong>de</strong>u sobre investimento em valor com Graham na<br />
Universida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Columbia, na década cle I950, e clepois, pouco<br />
antes <strong>de</strong>ste se aposentar, foi trabalhar para ele como analista em<br />
sua lìrma em Wall Street. L¿, <strong>Buffett</strong> trabalhou ao lado do famoso<br />
investidor em valor Walter Schloss, que ajudou a instruir o<br />
jovem <strong>Warren</strong> na arle <strong>de</strong> i<strong>de</strong>ntrficar situaçóes <strong>de</strong> subvalorização,<br />
recomendando a leitura das <strong>de</strong>monstrâçóes linanceiras <strong>de</strong> milhales<br />
cle empresas.<br />
Depois que G¡aham se aposentou, <strong>Buffett</strong> voltou para a sua<br />
Omaha natal, on<strong>de</strong> Leve tempo <strong>de</strong> pensar sobre a metodologia<br />
cle G¡aham longe da multidao enlouquecedora <strong>de</strong> Wall Street.<br />
llu|anLe esse período, percebeu algumas coisas inquietanles nos<br />
fnsinanìenlos cle seu mentor.<br />
l5
.4 primeira era qne nem toclas as empresas subvâlorìzadas <strong>de</strong><br />
raham eram reavaliadas para cima; algumas, na vercla<strong>de</strong>, acab¿rvrm<br />
imlo À falência. Em cada grupo <strong>de</strong> companhias vencellorts,<br />
também havia umas poucas per<strong>de</strong>doras, que reduziam<br />
mrrito o <strong>de</strong>sempenho geral. Graham lentava se proteger <strong>de</strong>ssa<br />
situîçâo com uma carteira <strong>de</strong> açoes amplamente diversificada<br />
c1uc, muitas vezes, continha 100 empresas ou mais. Ele também<br />
aclotava uma estratégia <strong>de</strong> se lj.vrar <strong>de</strong> qualquer ação que nào<br />
subissc clepois <strong>de</strong> dois anos. Mas, no fim das contas, muitas <strong>de</strong><br />
srri,rs "açoes subvalorizadas" permaneciam subvalorizadas.<br />
Buffetr clescobriu que um punhado <strong>de</strong> organizaçoes que ele e<br />
Graham haviam comprado e posteriormente vendido por causa<br />
cla regra dos 50o/o continuavam a prosperar ano íìpós ano; ao<br />
rnesmo tempo, constatou que as cotaçÕes das açöes <strong>de</strong>ssas empresas<br />
estavam muito mais altas do que no momento em que<br />
Ciraham as havia vendiclo. Era como se eles tivessem comprado<br />
passagens para uma viagem <strong>de</strong> trem até Bonança, mas tivessem<br />
saltado bem antes <strong>de</strong> terem chegado à estaçào porque não sabiam<br />
para on<strong>de</strong> o trem estava indo.<br />
<strong>Buffett</strong> <strong>de</strong>cidiu que podia melhorar o clesempenho do seu<br />
mcntor apren<strong>de</strong>nclo mais sobre a economìa empresarial daquelas<br />
"superestrelas". Então, começou a estudar as suas <strong>de</strong>monstraçöes<br />
financeìras, tentanclo enten<strong>de</strong>r o que as tornava investimentos<br />
cle longo pr^zo Íao fantástìcos.<br />
Ele clescobriu que todas aquelas "superestrelas" sebeneficiav¡m<br />
. clt: rlgum Lipo <strong>de</strong> vantrgem competitiva que criâvâ uma situaçao<br />
cconômica semelhante a um monopólio, possibilitando que elas<br />
cobrassem mais ou ven<strong>de</strong>ssem mais produros. Dessa mancint,<br />
ganhavam muito mâis dinheiro do que as concorrentes.<br />
;þ' Buttctr râmbém percebeu que, se a vantagem competitiva .lc<br />
unÌa empresa pu<strong>de</strong>sse ser manticla por um perÍoclo longo -.se:<br />
losse "cltrriivel" -, então o seu valo¡ subjacente continualia a aumcntâr<br />
âno allós ano. Por causa cle um aumento continlro (lo<br />
valor subjacente da empresa, fazia mais sentido para <strong>Buffett</strong><br />
manter o iñvestimento pelo maior tempo possÍvel, tendo maior<br />
\) Ele também percebeu que o mercado -<br />
oportunicla<strong>de</strong> <strong>de</strong> lucrar com a sua vantagem competiliva.<br />
por meio dos investidores<br />
em valor ou dos especuladores, ou <strong>de</strong> uma combinação<br />
dos dois - reconheceria em algum momento futuro o aumento<br />
do valor subjacente da companhia e empurraria a cotação cle<br />
suas aÇoes para cima. Era como se a vantagem competitiva durável<br />
da empresa tornasse aqueles investimentos uma profecia que<br />
se realizava sozinha.<br />
Havia mais uma coisa que Buflett consi<strong>de</strong>rava ainda mais mágica<br />
do ponto <strong>de</strong> vista financei¡o. Como tinham mo<strong>de</strong>los <strong>de</strong> negócios<br />
tão fantásticos a seu favor, não havia chance <strong>de</strong> aquelas<br />
-¡ companhias algum dia <strong>de</strong>clararem falência. Isso signiflcava que,<br />
quanto mais para baixo os especuladores <strong>de</strong> Wall Street jogassem<br />
a cotação das açoes, menor seria o risco <strong>de</strong> ele per<strong>de</strong>r seu<br />
clinheiro ao comprar umâ pârticipação. A cotação mais baixa das<br />
å açoes também signilicava maior potencial <strong>de</strong> valorização e obtenção<br />
<strong>de</strong> gânhos. E quanto mais tempo ele mantÌvesse aquelas<br />
participaçÕes, mais tempo teria para âproveitât as ótimas condiçoes<br />
econômicas subjacentes daquelas empresas.<br />
Tudo isso era uma contradição complera da máxima <strong>de</strong> Wall<br />
St¡eet <strong>de</strong> que, para maximizar seus ganhos, você precìsava aumentar<br />
o risco subjacente. <strong>Buffett</strong> havia clescoberto o Santo Graal<br />
clos investimentos: um investimento no qua1, enquanto seu risco<br />
climinuÍa, o seu potenciâl cle ganhos aumentava.<br />
Para facilitar ainda mais as coisas, <strong>Buffett</strong> percebeu c¡ue nào<br />
precisava mais esperar que Wall Street oferecesse uma barganha.<br />
[le podia pagar um preço justo por uma daquelas superempresas<br />
e, ainda assim, sair ganhando, contanto que mantivesse o<br />
investimento por tempo suficiente. E, para acrescentar a cereja a<br />
um bolo .já <strong>de</strong>licioso, percebeu que, se mantivesse o investimen-<br />
!o no longo prazo e nunca o ven<strong>de</strong>sse, podia efetivamente adiar<br />
lô 17
...{ il, iìrìi)()stos sobre ganhos <strong>de</strong> capital para um futuro distanLe,<br />
per'rritÌlt(lo (lLrc o seu investimento ficasse lsento <strong>de</strong> impostos<br />
lno lpós ano enquanto fbsse mantido.<br />
Vcjamos um exemplo: em 1973, Buflett investiu US$ l1 milhócs<br />
na .[he Washington Post Company, um jornal com uma<br />
viìÌìtâgem competitiva durável, e até hoje permanece fiei a esse<br />
invcslimento. Em 2008, 35 anos <strong>de</strong>pois, o seu valor cresceu<br />
âré atingir estratosférico US$ 1,4 bilhao. Nada mal em investir<br />
LJS$ l. L milhoes e ganhar US$ I,4 bllháol E a melhor parte é que,<br />
por rìuncâ te¡ vendido uma única ação, <strong>Buffett</strong> aincla não pagou<br />
r.l nì tt]stão sequer <strong>de</strong> imposto sobre seu ìucro.<br />
Glaham, por outro laclo, com sua regra dos 50%, teria vencticlo<br />
o rnvestimento <strong>de</strong> <strong>Buffett</strong> na Washtngton Post em 1976,<br />
por aproximadamente US$ 16 milhóes, e teria pâgo um impos[o<br />
. sobre ganhos cle capital (o lucro). Pior ainda, os renomaclos ana-<br />
IisLas cle açoes <strong>de</strong> Wall Street provavelmente teriam compraclo<br />
c venclido essas âçÕes mil vezes nos últimos 35 anos para obter<br />
ganhos intermitentes <strong>de</strong> l0olo ou 20%, pagando ìmpostos a cada<br />
vencla. Mas <strong>Buffett</strong> âproveitou o rnveslimento para obter o excepcronal<br />
retorno <strong>de</strong> IZ.4600/o e, até hoje, ainda nao pagou nenhum<br />
tosl¿lo cle imposto sobre seu ganho <strong>de</strong> US$ 1.,4 bilhao.<br />
lil<br />
:,.ì.<br />
On<strong>de</strong> <strong>Buffett</strong> começa sua busca<br />
pela empresa excepcional<br />
^Antes <strong>de</strong> comeÇarmos a proclrrâr a empresa que nos tornara<br />
ticos, ou se¡â, uma empresa com uma vantagem competltlvâ durável,<br />
é Írtil saber on<strong>de</strong> prûcurar. <strong>Buffett</strong> percebeu que essas srìperempresâs<br />
têm três mo<strong>de</strong>los básicos <strong>de</strong> negócios: ven<strong>de</strong>m um<br />
produto exclusivo, prestam um serviço exclusivo ou compram e<br />
ven<strong>de</strong>m a baixo custo um produto ou serviço <strong>de</strong> que o público<br />
sempre precisa.<br />
Vamos analisar cacla um <strong>de</strong>sses mo<strong>de</strong>los.<br />
Ven<strong>de</strong>r um produto exclusivo: esse é o mundo <strong>de</strong> Coca-Cola,<br />
Pepsi, Wrigley, Hershe¡ Budweiser, Coors, Kraft, The Washington<br />
Post, Procter & Gamble e Philìp Morris. Por meio do processo<br />
<strong>de</strong> necessida<strong>de</strong> e experiência do consumidor, e da promoção<br />
publicrtána, esses fabricantes inseriram as histórias <strong>de</strong> seus<br />
produtos em nossâs mentes e, assrm, nos induziram a pensar<br />
neles quando vamos satisfazer uma necesslda<strong>de</strong>. Quer mascar<br />
urn chiclete? Você pensa na Wrigley. Está com vonta<strong>de</strong> <strong>de</strong> tomar<br />
luma cerveja gelada após um dj.a cheio no trabalho? Você pensa<br />
na Budweiser. E as coisas realmente melhoram com uma Coca-<br />
-C.ola.<br />
CAPÍTULo 2<br />
tsuffett gosta <strong>de</strong> pensar que essas companhias conquistarâm<br />
um lugar na mente clo consumidor e, quando isso acontece, seus<br />
¡rroclutos nunca precisam ser moclificaclos, o que, como você<br />
ttescobrirá, é Lrm ponto favorável. A empresa também consegue<br />
tobrar preços mais altos e vencler uma quantida<strong>de</strong> maior dos<br />
sct.ts plocltrtos, criando todo tipo <strong>de</strong> eventos econômicos maravilhosos<br />
c¡ue apârecem em suas <strong>de</strong>monstraçóes financeiras.<br />
l9
Vr:ntlcr trm scrviço exclusivo: esse é o munclo <strong>de</strong> Moody's Corp.,<br />
t'lñR Ulock lnc., AnÌerlcan Express Co., The Service Master Co.<br />
r Wclls l;argo & Co. Tal como os médicos e os advogaclos, essas<br />
cnìprcsas plestâm serviços c1e que as pessoas precisam e pelos<br />
(lr.r¿ìis estâo dìspostas a pagar - mas, ao conlrário clos méclicos<br />
c clos actvogados, essas empresas são instituiçÕes, não pessoas<br />
rspecÍlicâs. Quando você pensa em câlcular os seus impostos,<br />
pe nsa na H6zR Block, nâo emJack, o sujeito na H&R BÌock que<br />
laz os cálculos. Quando <strong>Buffett</strong> comprou uma participaÇão no<br />
Salomon Brothers, um banco <strong>de</strong> investimentos (agora parte do<br />
Citigroup), pensou que es[ivesse compranclo uma instituição. Porem,<br />
cluando os principais talentos começaram a <strong>de</strong>ixar a firma<br />
e a levar consigo os mâiores clientes, ele percebeu que se tratava<br />
cle uma empresa <strong>de</strong> talentos especÍficos. Em firmas <strong>de</strong>sse tipo,<br />
os [uncionários po<strong>de</strong>m exigir e obter uma grancle parte clo lucro,<br />
o que <strong>de</strong>ixa um total bem menor para os proprietários/âcionistas<br />
da empresa. E não é assim c¡ue os investidores ficam ricos,<br />
O n'roclelo econômico <strong>de</strong> prestação <strong>de</strong> um se¡viÇo exclusivo<br />
pocte ser fenomenal. Uma emptesa não precisa investir muito<br />
clinheiro reprojetando seus proclutos nem tem <strong>de</strong> gastar uma fortuna<br />
construindo uma fábrica ou a¡mazenando sua produção.<br />
fiirmas que prestam serviços exclusivos e que conquistam umâ<br />
posiÇáo na mente do consumidor po<strong>de</strong>m gerar margens melhores<br />
clo que as das companhias que ven<strong>de</strong>m pt'oclutos.<br />
Comprar e ven<strong>de</strong>¡ a baixo custo um procluto ou serviço cle que<br />
o púrblico sempre precisa: esse é o mundo <strong>de</strong> Wal-Mart, Costcct,<br />
Nebraska Furniture Mart, Borsheim's Jewelers e Burlingron Northern<br />
Santa Fe Railway. Aqui, as gran<strong>de</strong>s margens são trocâdas<br />
pelo volume, ou o aumento do volume mais do c¡ue compensll<br />
a reclução clas margens. O segredo é set ao mesmo tempo compraclol<br />
e vencledor a baixo custo, o que permite que voce tenhâ<br />
margens mais altas do que as da concorrcncia e aincla scja u<br />
vcnclector a baixo custo <strong>de</strong> um produto ou serviÇo. A irnagem c[.r<br />
::]:<br />
melhor preço clo mercaclo fica associada à i<strong>de</strong>ia clo consumidor<br />
cle on<strong>de</strong> cornprar. Em Omaha, quem precisa <strong>de</strong> um fogão novo<br />
vai atrás da maior variedacle e do melhor preço na Nebraska Furnitnre<br />
Mart. Quer <strong>de</strong>spachar os seus pertences para o oulro lado<br />
do paÍs? A Burlington Northe¡n S¿ìntâ Fe lìailway tem I melhor<br />
oferta. Você morâ numa ciclacle pequena e quer a maior varieda<strong>de</strong><br />
com os melhores precos? Viì ao Wal-Mart.<br />
É simples assim: vencla um proclu[o ou serviço exclusivo ou<br />
seja o compraclor e ven<strong>de</strong>dor a baixo custo <strong>de</strong> um procluto ou servìço<br />
e você irá lucrar, ano após ano, como se tivesse quebrado a<br />
banca em Mon¡e Carlo.<br />
)0 2\
CAPIIULO J CAPiTULo 4<br />
Consistência é o caminho <strong>de</strong> <strong>Buffett</strong><br />
para a riqueza<br />
Visão geral das <strong>de</strong>monstrações financeirâs:<br />
on<strong>de</strong> o ouro está escondido<br />
A scgundr gran<strong>de</strong> revelaçio <strong>de</strong> <strong>Buffett</strong> ¿ que a "consistência" dâ<br />
vântagem competitiva gera toda a riqueza. A Coca-Cola ven<strong>de</strong> o<br />
rnesmo produto hâ I22 anos e muito provavelmente o venclerá<br />
pebs próximos séculos.<br />
É essa consistência do produto que cria a constância nos lucros<br />
cla empresa. Se esla não precisa ficar mudando seus produtos,<br />
também não precisa investir milhöes em pesquisa e clesenvolvimenlo<br />
nem terá <strong>de</strong> gastar bilhöes reequipando a sua fábrica<br />
para procluzir o mo<strong>de</strong>lo a ser lançado no ano que vem. Assim,<br />
o clinheiro vai se multiplicando nos cofres cla companhia, o que<br />
signilica que ela não precisa contrair muitas dívidas e, por sua<br />
vez, evita que pague muitos juros, permitindo que acumule mui<br />
to ctinheiro para expandir suas operaçÒes ou recomprar as açoes,<br />
o cLue aumenta o lucro e a cotaçáo das suas aÇoes - lornando os<br />
aclonrslas mâls rlcos<br />
Porlanto, c¡uando está analisando as <strong>de</strong>monstraçoes financeiras<br />
<strong>de</strong> umâ empresa, <strong>Buffett</strong> está procurando consistência.<br />
Ac¡r-rcla companhia consislentemente tem margens brutas altas?<br />
'[em consistentemente pouca ou nenhuma dÍvida? NrTo preciszr<br />
gasta[ consistentemente gran<strong>de</strong>s somas em pesquisa e <strong>de</strong>senv()lvimento?<br />
Apresenta lucros constantes? Apresenta um crescirrenlo<br />
conslante do lucro? É essa "consislência" que aparece nas<br />
cLemonsLraçoes lìnanceiras que indica a <strong>Buffett</strong> a "durabilictaclc"<br />
da vantagem competitiva da companhra.<br />
T:<br />
.E por meio cla analise das <strong>de</strong>monstraçoes financeiras que Btrflett<br />
garimpa empresas com uma vantagem competitìva clurável. São<br />
elas que the inlormam se ele está analisando uma companhia<br />
medíocre, sempre atolada em resultados ruins, ou uma organização<br />
cLLìe tem uma vântagem competitiva durável e que vai torná-<br />
-lo ricluissimo.<br />
As <strong>de</strong>monstraçoes financeiras po<strong>de</strong>m ser <strong>de</strong> três tipos: a <strong>de</strong>monstraÇão<br />
do resultado do exercicio, o balanço parrimonial e a<br />
clemonstraçào clc fluxo <strong>de</strong> caira.<br />
A <strong>de</strong>monstraçáo do resukado clo exercício nos inl'orma quân-<br />
Lo dinheiro a empresa lucrou durante <strong>de</strong>te¡minado perÍodo. Os<br />
contadores clas empresas trâdicionalmente geram <strong>de</strong>claraçoes<br />
cle resultado para os âcionislas a cada trimestre e ao lìm do ano<br />
fiscal. Com a análise da <strong>de</strong>monstração do resultado do exercÍcio<br />
<strong>de</strong> uma empresa, <strong>Buffett</strong> pocle <strong>de</strong>terminar parâmetlos tais<br />
como as margens das vendas, o seu relorno sobre o parrimônio<br />
c, sobretudo, a constância e a clireção dos seus lucros. Todos<br />
esses fatores são necessários para <strong>de</strong>terminar se a companhia<br />
esLá ou não se beneficiando <strong>de</strong> uma vantagem competitiva<br />
clurável.<br />
O balanço patrimonial nos informa quanto dinheiro a em-<br />
Presâ lem no banco, suas contas a receber, seus estoques, suas<br />
plol:liecla<strong>de</strong>s, o que chamamos <strong>de</strong> seu ativo; e quanto ela <strong>de</strong>ve,<br />
o que conhecemos como passivo. Ao subtrair o passivo do ativo<br />
oblemos o pâtrimônio liquido da companhia, ou seja, o valor<br />
(p(e scus sócios possuem investido nela.<br />
).) 2i
'Ll'rclicionalmente, as empresas gelaln Lìm balanço patrimon<br />
irrl ¡rala os acionistas ao lìm cle cada trimestte e ao lìm do ano<br />
contábll olr fiscal. <strong>Buffett</strong> apren<strong>de</strong>u a usar alguns dos itens clo<br />
balanço patrimonial - como a quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> ativo dÌsponÍvel da<br />
cnìpresâ ou o seu endividamento <strong>de</strong> longo prazo - como indicaclores<br />
da exis[ência <strong>de</strong> uma vantagem competitiva durável.<br />
A cleûìonstração <strong>de</strong> fltrxo <strong>de</strong> caixa, por suâ vez, acompanha<br />
0 clinhei¡o que entra e sai da empresa. Essa clemonstrâçao serve<br />
parra monitorar quanto dinheiro a companhia está gastanclo em<br />
melhorias dos at'ivos fixos. Também monitora as venclas e as recompras<br />
cle títulos e aÇoes. Uma empresa geralmente emile uma<br />
clernons[raçao <strong>de</strong> fluxo <strong>de</strong> caixa junto <strong>de</strong> suas outras <strong>de</strong>monstraçeres<br />
financeiras.<br />
Nos capítulos a seguir, iremos explorar cletalhadamente os<br />
itens e os indicadores da <strong>de</strong>mônstração do resultado do exercicio,<br />
do balanço patrimonial e da <strong>de</strong>monstração <strong>de</strong> fluxo <strong>de</strong> caixa<br />
clue <strong>Buffett</strong> usa para <strong>de</strong>scobrir se a cmpresa em questão tem ou<br />
nào uma vantagem competitiva durável c¡ue o tornará rico no<br />
longo prazo.<br />
'Jl<br />
J<br />
liir<br />
cAPÍTULo 5<br />
On<strong>de</strong> <strong>Buffett</strong> vai buscar<br />
informações financeiras<br />
\_f<br />
1\a mo<strong>de</strong>rna era dr internet. hâ clezenas <strong>de</strong> lonres nas quâis<br />
po<strong>de</strong>mos facilmente encontrar as <strong>de</strong>monstraçöes financeiras<br />
<strong>de</strong> uma empresa. O acesso mais fácil é por meio do MSN.com<br />
(http://moneycentral.msn.com/investor/home,asp) ou c1a página<br />
<strong>de</strong> finanças do Yahool (www.linanceyahoo.com).<br />
Nós consultamos os dois sites, mas o MSN.com, da M'icrosoft<br />
NeLwork, oferece <strong>de</strong>monstraçóes financeiras mais <strong>de</strong>talhaclas.<br />
Para começar, encontre o campo no qual <strong>de</strong>ve digìtar o símbolo<br />
das cotaçoes das açoes em ambos os sires e clepois digite o<br />
nome da empresa. Clique nele quando aparecer, e tanto o MSN.<br />
com quânto o Yahoo! irão cli¡ecìonálo para a página contendo a<br />
cotação das açóes da companhia em questão. À esquercia, você<br />
verá o cabeçalho "Finance", sob o qual estão três hiperlinks c¡ue<br />
o levarão ao balanço patrimonial, à <strong>de</strong>monstraÇão do resultado<br />
do exercício e à <strong>de</strong>monstraçâo <strong>de</strong> fluxo <strong>de</strong> caixa. Em cima disso,<br />
sob o cabecalho "SEC", há um hiperlink parâ clocumentos<br />
apresentados zì U.S. Securities and Exchange Commisslon (SEC),<br />
equivalente à Comissão <strong>de</strong> Valores Mobìliários brasileira. A cada<br />
trimestre, todas as empresas cle capiral aberto clevem apresentar<br />
ctcmonstraçoes linanceiras à SEC; esses clocumentos sao conhecidos<br />
como 10Qs.ù Também é apresentado à SEC um documen-<br />
'<br />
iìclatório apresentaclo à SEC a cada t¡lr¡estÌe peÌa maiot partc clas emptesas<br />
rlc câpitnl aberto. tncluias clemonsttaçòes financeiras e lornecc um pânoraÍt¿t<br />
(:ontírìuo cla concliÇão financeira da empresa ao longo clo ano. O relatório clcve<br />
¡r: t lciLo ¿rpírs cacla unì (los très primeiros t¡imest¡es clo ano lìscal cla empresa e<br />
..ìcr ilprcsenti(io à SEC em até 45 clias após o fim cle cacla trimestre (N. clo E.)<br />
25
to rhanlrclo I0K, clue é o relatório antral da empresa. Nele estão<br />
corìticlîs as clemonstraçöes [inanceiras da companhìa para aquele<br />
ano contáL¡il ou fiscal. <strong>Buffett</strong> leu milhares <strong>de</strong> lOKs ao longo dos<br />
arrcls, pois esses documentos representam os melhores relalórios<br />
clos núrme¡os <strong>de</strong> uma empresa, sem todas as firulas que po<strong>de</strong>m<br />
ser colocadas no relatório anual apresentado aos acionistas.<br />
No Brasil, a melhor fonte <strong>de</strong> consulta disponÍvel é o site<br />
wwwbmfbovespa.com.br, da BM6¡F Bovespa, que Îoi criada em<br />
2008 com a integraÇão entre a Bolsa cle Mercadorias & Futuros<br />
(tlMÂzF) e a Bolsa cle Valores <strong>de</strong> Sào Paulo (Bovespx). Ao entrrr<br />
A DEMONSTRAÇAO DO<br />
RESULTADO DO EXERCICIO<br />
nele, você <strong>de</strong>ve clìcar em aÇöes e, em segulcla, pesquisar â emplesa<br />
na qual está interessado.<br />
É possível acessar dados da companhia e <strong>de</strong> seus principais<br />
acionistas, relatórìos linanceiros, informaçóes relevantes e o hist()rieù<br />
(le cotiìÇoes rlas açöes.<br />
Fxistem outrâs fontes <strong>de</strong> consulta importantes, como a Comissão<br />
cie Valores Mobiliárlos (www.cvm.org.br), a Bloomberg<br />
e portais como Terra e UOL, mas o melhor lugar para encontrar<br />
toclos os dados é a BMF& Bovespa.<br />
-<br />
"E necessario ler um zilhao <strong>de</strong> relatórios anuais<br />
e <strong>de</strong>monstraçoes financeírus cle empresas."<br />
'W¡nnrr Bu¡¡rlr<br />
"Alguns homens leem a Playboy. Eu leio relatórios anuais."<br />
.<br />
I<br />
ț ¡<br />
W¡nn¡N Br lsr¡rr<br />
.¡ti
Por on<strong>de</strong> <strong>Buffett</strong> começa:<br />
a <strong>de</strong>monstração do resultado do exercício<br />
Demonstração do resultâdo do exercício<br />
(em milhóes <strong>de</strong> R$)<br />
Receilê<br />
custo dos bens vendidos<br />
Lucro bruto<br />
De5pesas operacionais<br />
cÁPiTrJt-tl 6<br />
Despesãs <strong>de</strong> vendas, ger¿ìs e êdminjstr¿tìvas<br />
Pesquisã e <strong>de</strong>senvolvimento<br />
Deprecjaçáo<br />
Lucro operacional<br />
Despesa com jLrros<br />
Ganho (perda) com a venda <strong>de</strong> ativos<br />
Oulros<br />
Lucro antes dos imposlos<br />
lmposto <strong>de</strong> ¡endâ pago<br />
Lucro líquido<br />
10.000<br />
3.000<br />
7.000<br />
2.100<br />
1.000<br />
700<br />
3.200<br />
200<br />
1.275<br />
225<br />
1.500<br />
525<br />
91\<br />
E) ....<br />
óullctt senrpre começr pel:r clemonstr-açio do resLtltado clo exerctcio.<br />
Ela revela ao investidor os restlltados das operaçóes da empresa<br />
em cleterminado perÍodo. Tradicionalmente, é apresentada a cacla<br />
trimestre e ao fim clo ano e fica claro o perÍoclo a que se refere - por<br />
exemplo, cle lo <strong>de</strong> janeiro cle 2007 a 3l cle <strong>de</strong>zemb¡o <strong>de</strong> 2007.<br />
A clerlonstração clo resultaclo do exercicio tem très conPonentcs<br />
básicos: a receila, as clespesas, que são subtraÍclas cla receita,<br />
o qLle rìos informa se a empresâ teve lucro ou prejuizo.<br />
2fÌ<br />
.<br />
Nos primórdìos da análise <strong>de</strong> açoes, os principâis analistas,<br />
como Benjamin Graham, o mento¡ <strong>de</strong> <strong>Buffett</strong>, se concen[râvâm<br />
simplesmente no fato cle a companhia gerar ou nâo lucro e davam<br />
pouca ou nenhuma atenÇão à viabiÌida<strong>de</strong> <strong>de</strong> longo prazo <strong>de</strong><br />
sua fonte <strong>de</strong> receita. Graham não se importava se a conrpanhia<br />
erâ um empreendimento excepcional com condiçóes econômicas<br />
a seu favor ou se era um clos milhares cle negócios medÍocres<br />
que lutavam para sobreviver. Ele compraria uma participaçâo<br />
em uma empresa ruim num piscar <strong>de</strong> olhos se achasse que po<strong>de</strong>ria<br />
obter um preÇo suficientemente baixo.<br />
A sacada <strong>de</strong> <strong>Buffett</strong> foì, em parte, dividir o mundo corporativo<br />
em clois grupos cliferentes: empresas excelentes que tinham uma<br />
vânlâgem competitiva durável em relação às suâs concorrentes -<br />
essas organizações o tornariam rico se ele conseguisse comprar<br />
suas aÇöes a uma cotacão justa e mantêlas por tempo suliciente<br />
-<br />
e empresas medÍocres que se esforçavam para sobreviver, ano<br />
após f,no, pm um mcrca(lù eùmpelitivo. O que as tornrvr investimentos<br />
ruins a longo prazo.<br />
Em sua busca por uma <strong>de</strong>ssas companhias incríveis, <strong>Buffett</strong><br />
percebeu que os componentes individuais da <strong>de</strong>monstração do<br />
¡esultado do exercício podiam revelar se a empresa possuÍa a<br />
vantagem competitiva durável <strong>de</strong> longo prazo geradora da ri<br />
c¡ueza extraordinária que ele lanlo cobÌçava. Não apenas se ela<br />
ganhara dinheiro, mas que tì.po <strong>de</strong> margens tinha, se precisava<br />
gastar muito com pesquisa e <strong>de</strong>senvolvimento para manler sua<br />
vântagem competitiva e se erâ necessário usar muita alavancagem<br />
para ganhar dinheiro. Esses fatores englobam o .tipo <strong>de</strong> inlolmação<br />
que <strong>Buffett</strong> gârimpa nas <strong>de</strong>monstrações <strong>de</strong> resultado a<br />
f im <strong>de</strong> conhecer a natureza clo motor econômico cle uma empresa.<br />
Para ele, a fonte do lucro é sempre mais imporlante do que o<br />
próprio lucro.<br />
29
cAPÍTULO 7 CAPiTULo 8<br />
Receita: por on<strong>de</strong> o dinheiro entra<br />
!<br />
Custo dos bens vendidos: para <strong>Buffett</strong>,<br />
quanto mais baixo melhor<br />
Demonslrâção do resultado do exerclcio<br />
(em milhóes <strong>de</strong> R$)<br />
J Receitã<br />
Custo dos bens vendidos<br />
LLrcro bruio<br />
10.000<br />
3.000<br />
7 000<br />
l<br />
:<br />
';<br />
Demonstrãção do resultado do exercí(ìo<br />
(em milhöes <strong>de</strong> R$)<br />
Receita<br />
-+ Custo dos bens vendidos<br />
Lucro bruto<br />
10.000<br />
3 000<br />
7 000<br />
A primcira linha <strong>de</strong> <strong>de</strong>monslrrçào do resuìtado do exercicio c<br />
sempre â receita total ou bruta. lrata-se do volume <strong>de</strong> produtos<br />
ou serviÇos vendiclos pela empresa duranle o período em<br />
cLuestão, que é ¡elatado trimestrâl ou anualmente. Se estivermos<br />
procluzindo caìçados e tivermos vendi.lo R$ 120milhoesemum<br />
ano, essa é a receita que iremos informar naquele ano em noss¿l<br />
clemonstraÇão do resultado do exercÍcio.<br />
lodavia, o lato <strong>de</strong> ter uma receitâ aka não significa que uma<br />
cmpresa está tendo lucro - é necessário <strong>de</strong>duzir as clespesas da<br />
receita total. Receita total menos clespesas é igual a receita lÍquicla.<br />
A cilra da receita total por si só não nos revela nada até sub-<br />
Ir¿ìirmos as <strong>de</strong>spesas e <strong>de</strong>scobrirmos qual é a receita lÍquicla.<br />
Depois cle dar uma olhada na receita [otal cle uma companhla,<br />
Lìullctt começa uma longa e minuciosa âptlração das <strong>de</strong>spesas.<br />
Porc¡ue ele sabe que um dos gran<strong>de</strong>s segredos para se ganhar<br />
Lnais clinheiro é gastar menos dinheiro.<br />
l()<br />
\Ì l.\r clemonstraçào clo resultado do exercício, bem embaixo da<br />
iinha da Receita, encontra-se o Cusro dos bens vendidos, também<br />
conhecido como Cus[o das vendas. Ele represenla o custo<br />
cler compra <strong>de</strong> bens que a empresa está reven<strong>de</strong>ndo ou o custo da<br />
ruratéria-prima e da máo <strong>de</strong> obra usadas na fabricação dos pro-<br />
(tutos que está ven<strong>de</strong>ndo. "Custo das vendas" em geral é usado<br />
ruo lugar <strong>de</strong> "custo dos bens venclidos" se a companhia estiver<br />
fbrr-recendo serviços em vez <strong>de</strong> produtos. São essencialmente a<br />
nlesma coisa - mas um é Ìigerramente mais abrangente clo que o<br />
otrtro. Sempre temos <strong>de</strong> ìnvestigar exatamente o que a empresa<br />
tslá incluinclo em seus cálculos cle custo dos bens vendiclos ou<br />
tlc custo das vendas. lsso nos dá uma boa i<strong>de</strong>ia <strong>de</strong> como a equipe<br />
ilc gcslão está pensando a resperto da companhia.<br />
Llm exemplo simples cle como umâ empresa pocle calcular o<br />
iì{u cLrsto dos bens vendidos seria: comece informândo o custo<br />
ù iìsloclue cla en'rpresa no ìnÍcio do ano; acìì.cione o crìsto para<br />
$lurìcntar o estoque clurante o ano e, clepois, sublraia o valor<br />
Ýn clinheiro do esloque restante no tìm do ano. Assj.m, se uma<br />
JI
cornpanhia começa o ano com R$ tO milhoes em estoque, gasta<br />
lì$ 2 milhOes em compras e termina o perÍodo com um estoque<br />
cujo valor é <strong>de</strong> R$ 7 mìlhÕes, o cusro dos bens naquele perÍocio<br />
seria <strong>de</strong> R$ 5 milhoes.<br />
Embora não nos revele muito acerca do fato cle â empresa ter<br />
ou náo uma vantagem competitiva durável, o custo dos bens<br />
vendidos por si só é essencial para <strong>de</strong>terminar o Lucro br-.uto da<br />
companhia, que é uma cifra fundamental para ajuclar <strong>Buffett</strong> a<br />
estabelecer se ela tem ou náo uma vantagem competitiva <strong>de</strong> longo<br />
prazo. Discutiremos isso mais cletalhadamente no próximo<br />
capítulo.<br />
Lucro bruto/Margem <strong>de</strong> lucro bruto:<br />
números essenciais para <strong>Buffett</strong> em sua<br />
busca por investimento <strong>de</strong> longo prazo<br />
Demonstraçåo do resultado clo exercic¡o<br />
(em milhões <strong>de</strong> R$)<br />
) Receil¿<br />
Custo dos bens vendidos<br />
r Locro bruto<br />
CAPi,IULO 9<br />
10 000<br />
3.000<br />
7 000<br />
Lucro brukr R$ 7.000 "<br />
Receita R$ [0.000 = ìvlargcû dc lucro b¡uLo 70%<br />
Se subtrairrnos cla Receita total cla empresa o valor informaclo<br />
como Custo clos bens venclÌclos, oblenos o l-ucro bruto: a quanticlacle<br />
cle clinheiro c¡ue ela ganhou com su?ì receita total após<br />
snbû-.air os cuslos rle mâtériâ-prima e mào <strong>de</strong> obra usadas para<br />
procluzir os bens. Não inclui categorias como clespcsas cte venclas<br />
e'aclministrativas, cleprecÌurção e tlespesa comJuros.<br />
Por si só, o lncro brnto nos revela muito pouco, mas poclemos<br />
Lìsâr esse núrmcro par..a calcular a mâlgem cie Luc¡o brulo<br />
cla empresa, c¡ue porle nos inlormtrr muito sobre â suâ natureza<br />
economtc¿t<br />
Lucro bruto * Reccita total = Vlalgctr cLe lucrr l¡ruto<br />
'll<br />
A perspecriva clc Iluffett é procurâr cornpanhias que tenham<br />
algum tipo cle vanlagem competiliv¿1 cli¡rável, com as qr"tais pocle<br />
lucrar no longo plazo. Ele clescobriu rlue companhias com excelentes<br />
conctiçoes econômicas cle longo prazo lttncionanclo a seu<br />
l-l
lavor Lenctem â ter margens <strong>de</strong> lucro bruto clnstdntemente mats<br />
altas cLo clue as outras.<br />
As margens cle luc¡o bruto <strong>de</strong> empresas que Buffet já i<strong>de</strong>ntificou<br />
como lendo uma vantagem compelitiva durável são as das<br />
seguintes organizaçoes: a Coca-Cola, que apresen[a uma margem<br />
<strong>de</strong> lucro bruto constante <strong>de</strong> 60% ou superior; a empresa <strong>de</strong><br />
rírtíng Moody's, 73%; a Burlington Norrhern Santa Fe Railway,<br />
6lolo; e a Wrigley Co., 5lo/o.<br />
Compare essas excelentes companhias com várias ouLras que<br />
conhecemos e que têm condiçôes econômicas <strong>de</strong> longo prazo<br />
luins, como a United Airlines, que vive entrando e saindo cla<br />
bancarrota e tem uma margem <strong>de</strong> luc¡o bruto <strong>de</strong> 14%; a problemática<br />
montadora General Motors, que alcança parcos 2l%;<br />
a antes problemática mas atualmente rentável U.S. Steel, com<br />
meros 17%; e a Goodyear Tire, cujos pneus roclam em qualquer<br />
terreno, mas que, em uma economia ruìm, está atolacla em pouco<br />
impressionanles 20olo.<br />
O que gera uma alta margem <strong>de</strong> lucro bruto é a vantagem<br />
cÕmpetitiva durável da empresa, que the proporciona a liberdacle<br />
cle estabelecer o preço <strong>de</strong> seus produtos e serviços bem acima<br />
dos custos. Sem possuir uma vanlâgem competitiva, as companhias<br />
têm <strong>de</strong> reduzir o preço do procluto ou serviço que esrão<br />
ven<strong>de</strong>nclo. Essa queda, é claro, reduz suas margens <strong>de</strong> lucro e,<br />
portânto, sua rentabilida<strong>de</strong>.<br />
Como uma regra muito geral (e existem exceçóes): empresas<br />
com margens <strong>de</strong> lucro bruto <strong>de</strong> 40% ou superiores tenclem a<br />
ter algum tipo <strong>de</strong> vantagem competitiva durável. Companhias<br />
coìn margens cle lucro bruro abaìxo <strong>de</strong> .10% em geral atuam em<br />
se[ores altâmente compeLitivos, nos quais a concorrênci¿Ì eslá<br />
aletancto as margens <strong>de</strong> lucro geral (existem exceÇóes aqui tambi:n.r).<br />
Uma margem <strong>de</strong> lucro bruro <strong>de</strong> 20% ou inferior costuma<br />
scr um borL indicador <strong>de</strong> um setor extremamente competitivo,<br />
i<br />
:<br />
I<br />
no qurl nenhuma empresa pocle criar uma vantagem competrtiva<br />
sustentável em relação às concorrenles. E uma companhia<br />
em um selor extremamen[e concorrido, sem clualquer tipo <strong>de</strong><br />
vântagem competitiva a seu favor, nunca vai nos tornar rico5 no<br />
longo prazo.<br />
Embora nao seja à prova <strong>de</strong> falhas, o teste cla margem cle lucro<br />
bruto é um dos primeilos indicador-es <strong>de</strong> que a empresâ em questao<br />
tem algum tipo cle vantâgem compelitiva clurável constante.<br />
tsuffett enfatizâ muito a palavra "clurável" e, para que tenhamos<br />
segurânça, temos <strong>de</strong> moni.torâr as margens anuais cle lucro brulo<br />
clos últimos 10 anos para garantir que há "consistência". <strong>Buffett</strong><br />
sabe qne, c¡uando procuramos orgânizaçóes conì uma vantagem<br />
competitìva clurável, "consistência" é a palavra-chave.<br />
Mas uma empresa com uma margem alta <strong>de</strong> lucro bruto pocle<br />
pelcler-. o rumo <strong>de</strong> várias maneiras e ser privada <strong>de</strong> sua vanlagem<br />
competitivâ <strong>de</strong> longo prazo. Uma clelas é ter muitas clespesas <strong>de</strong><br />
vcnclas e aclministrativas, oulra é ter aìtos custos <strong>de</strong> pesquisa e<br />
rur.na terceira é ter altos custos <strong>de</strong> juros sobre cLÍvidas. Qualquer<br />
um clesses très custos pocle clestruir as condlções econômicas da<br />
cûrpÌesa.<br />
l+ 35
L<br />
C rr Pl' r LrLO Ì0 cÀPiTULo 11<br />
Despesas operacionais: sob o olhar<br />
atento <strong>de</strong> <strong>Buffett</strong><br />
Despesas <strong>de</strong> vendas, gerais e administrativas<br />
Demonstração do resultado do exercic¡o<br />
(em m lhóes <strong>de</strong> R$)<br />
i<br />
I<br />
Demonstração do resultado do exercicio<br />
(em mihóes <strong>de</strong> R5)<br />
Receita<br />
Custo dos bens vendidos<br />
Lucro bauto<br />
10.000<br />
3.000<br />
7 000<br />
Receita<br />
Custo dos bens vendldos<br />
r Lucro bruto<br />
10 000<br />
3.000<br />
7 000<br />
') Despesâs operacionais<br />
Despesas <strong>de</strong> vendas, gerais e adnìinistratlvas<br />
Pesquisa e <strong>de</strong>senvo vimento<br />
Depreciaçåo<br />
LLrcÍo operacional<br />
2 100<br />
1.000<br />
700<br />
3 2AO<br />
Despe5di o[ìetàctonats<br />
I ) Despesãs <strong>de</strong> vendas, gerais e acln'rinistrativas<br />
Pesquisa e <strong>de</strong>senvolvimento<br />
Deprec¡açáo<br />
Lucro operac ona<br />
2.100<br />
1 000<br />
100<br />
3.200<br />
I<br />
Logo:rbrixo cte linha clo Lnclo bruto na clemonstração clo resul-<br />
Iaclo clo exercício vem um gr tqro cle clespesas chamaclas operacionais.<br />
Trata-se cte toclos os cuslos associaclos a clespesas cle venclas<br />
e aclminislra[ivas para a comercialização clos procltrtos, pesqlus¿r<br />
e clesenvolvimento <strong>de</strong> novos proclutos, ciepreciação e amortizaÇão<br />
(encargos cle cleLerioração) e a abrangenLe categoria "ou[ros", c¡ue<br />
inclui torlt5 r) (lespesiìs nto opcrtcioníìi5 e n.ru rcLùrr(nlsr.<br />
Ao serem somados, esses lançamenLos correspon<strong>de</strong>m às <strong>de</strong>spesas<br />
operacionais totâis dâ empresâ, cLue sào então subtraÍclas<br />
clo hrcro bruto para nos informal o lucro ou o preillízo operacional<br />
clzr emptesa. Como toclos esses lançamcnlos causan-L impacto<br />
n¿r rliì[l.ueza econômica cle longo plzrzo cl:r companhia, é: melhor<br />
tteclicaLmos os próxlmos capítulos a ulna análise cle cacla um<br />
rlcl¡:s. como Bullett faria.<br />
:,"11<br />
. ':r:: '<br />
::<br />
Na ctemonstraçaìo clo ¡esnkaclo clo exercÍcLo, é t'to ilem l)espesas<br />
ctc venclas, gerais e aclminislrativas (VCìA) c¡ue a ernpresa inlorma<br />
snas ctespesas cliretas e incltretas corn venclas, bem como toclas<br />
as clespesas gerais e aclministraLivas dllrânle o períoclo contábiì<br />
fais clcspes;rs incluem os salários cla gerência, gastos com publiciclacle,<br />
com vragens, custas.judiciais, comj.ssoes, toclos os cusLos<br />
rh lòlha cle pagamenLos e gastos.lesse tipo.<br />
|.m uma companhia como ¿r Coca-Cola, essas cìespe sars alin-<br />
{rrÌl a casa clos bilhoes e câusam um [ren-Lcnclo impacLo em setl<br />
rlstrlt:rclo hnal. Como Lrìna porcenLagem clo lucro bruto, t¿is<br />
tlcslrcsas variam muilo cle empr-esa para etrrpresa. Vâriâm a[é em<br />
rr r'¡1:r n iz:rcircs como a Coca-Cola, rlue tem uma vânlagem coni¡'lil.iv¡<br />
cturá\,e1. conslanLemenle, esla gilsla, en'r n'réclia, 59% c]o<br />
:i¡,'Lr lucro brulo cm clespes:,rs VCìA. Uma empre sa como a ìvloocly's<br />
lir<br />
il
gasta conslanlemente, em média, 25olo, e a Procter & Gamble gas-<br />
Ia constantemente 6Ì%. "Constantemente" é a palavra-chave.<br />
As companhias que não têm uma vantagem competitivâ durável<br />
sofrem com a concorrência inlensa e mostrâm gran<strong>de</strong>s variaçoes<br />
nas <strong>de</strong>spesas VGA como porcentagem do lucro bruto. A<br />
GM, ao longo dos últimos cinco ânos, passou cle um palamar <strong>de</strong><br />
gasto cle 28olo para um <strong>de</strong> 83o/o clo seu lucro bruto com clespesas<br />
VGA. A Ford, nos úìtimos cinco anos, gastoll entre 89o/o e 7BOÕ/o<br />
clo seu luc¡o bruto com clespesas VGA, o que significa que está<br />
per<strong>de</strong>ndo clinheiro loucamente. O que acontece é que as vendas<br />
começam a cair, o que signilìca uma quecla na receila, mas as<br />
clespesas VGA permanecem as mesmas. Se a empresa não consegue<br />
cortáJas suficien¡emente rápiclo, começa a dilapidar cada<br />
vez mai.s o seu lucro bruto.<br />
Na busca por uma complnhra Lom uma vantrgem competitiva<br />
durável, quanto mals baixas forem as clespesas VGA, melhor.<br />
Se lor possível mantê-lâs constanLemenLe baixas, melhor ainda.<br />
No mundo dos negócios, quaìc1uer número abaixo <strong>de</strong> 30% e<br />
consi<strong>de</strong>rado fantástico. No entan[o, há várias empresâs que possuem<br />
uma vantagem competitiva durável cuias <strong>de</strong>spesas VGA se<br />
encontram numa faixa entre 30% e 80%. Mas, se virmos uma<br />
organização que está repeticlamente rnoslranclo <strong>de</strong>spesas VGA<br />
acima <strong>de</strong> B0o/o, é provável que estejamos lidanclo com um setor<br />
altamente competitivo, no c¡ual nenhuma companhia tem uma<br />
vântâgem competitiva sustentável.<br />
Também existem empresas com ciespesas VGA baixas e méclias<br />
c¡ue <strong>de</strong>stroem as suas condiçóes econômicâs <strong>de</strong> longo prazo<br />
com altos custos cle pescluisa e clesenvolvimenro, dispêndios<br />
com ativos lixos e/ou <strong>de</strong>spesas com juros sobre as suas dívidas.<br />
A lntel é um exemplo pertêito <strong>de</strong> uma empresa qlre tem Lrm<br />
coefrciente baixo cle <strong>de</strong>spesas VGA em relação ao lucro bruto<br />
n1¿ìs cLlre, por causa clos altos clrstos com pesquisa e <strong>de</strong>senvolviruento,<br />
viu suâs concliçoes econômicas <strong>de</strong> longo prazo serem<br />
l<br />
l<br />
;<br />
.'<br />
l.<br />
)<br />
:t<br />
reduzidas a um patamar médlo. No entanto, se a lntel parasse <strong>de</strong><br />
reaìizar pesquisa e <strong>de</strong>senvolvimenlo, o seu atual lote <strong>de</strong> produtos<br />
ficaria obsole[o em 10 anos e ela teria <strong>de</strong> fechar.<br />
A Goodyear Tire tem um coeficiente <strong>de</strong> 72o/o <strong>de</strong> <strong>de</strong>spesas VGA<br />
em relação ao lucro bruto, mas seu alto dispêndio cont ativos<br />
Iixos e suas <strong>de</strong>spesas com juros - sobre a dívicla usada para [rnanciar<br />
seu clispêndio com ativos fixos - arrastam a fabricante<br />
<strong>de</strong> pneus para o vermelho [ocla vez què há recessão. Entretanto,<br />
se não contraÍsse clívidas para realizar todos aqueles dispêndios/<br />
melhorias com a[ivos fixos, a Gooclyear não petmaneceria competitivâ<br />
por muito tempo.<br />
Bnllett apren<strong>de</strong>u a ficar longe <strong>de</strong> companhias amaldiçoadas<br />
com <strong>de</strong>spesas VGA constantemente altas. Ele evìta empresas<br />
clesse tipo, a <strong>de</strong>speito da cotação, porque sabe qLre suas conc'liçoes<br />
econômicas cle longo prazo inerentes são tão ruins que<br />
mesmo uma cotação baixa clas açöes não salvará os inveslidores<br />
ile toda uma vida <strong>de</strong> resuhaclos medíocres.<br />
l¡r 39
Pesquisa e <strong>de</strong>senvolvimento: por que<br />
<strong>Buffett</strong> se mantém a distância<br />
Denonstraçáo do resultado do exercício<br />
(em ¡¡ilhões <strong>de</strong> R$)<br />
Re(eita<br />
Custo dos bens vendidos<br />
-+ Lucro bruto<br />
Despêsas operaciona s<br />
c ¡\ PiTr II o l2<br />
Despe5as <strong>de</strong> vendas, çJeÉis e administrat v¿ìs<br />
) Pesquisa e <strong>de</strong>senvol/imento<br />
Depreciação<br />
Lucro operàcional<br />
r0.000<br />
3.000<br />
7.000<br />
2.100<br />
1.000<br />
700<br />
3 200<br />
LJ rLem lcsLLr,lisa c cle scnr.olvtmento é muilo ir.nportanle para<br />
iclentilìcarmos empresas com Ltma vÂnIagem competitiva clltrável.<br />
O que parece Llma vantagem competrtrva cte longo prazo<br />
mlulas vezes é Llmâ \¡antagen confcricla à companhia por uma<br />
pa[ente ou algnm avanço lecnológico, como no caso das er.npresas<br />
lãtmaceuLicas. Mars, eLn algum momento, a pa[cnle vai expirâr<br />
e a vantagem competitiva vai clesaparecer.<br />
Se essa vantagen'L é o resultaclo cÌe algum avanço tecnológrco,<br />
scmpre há â âmeaça cle clue uma nova tecnologia o substitlta. E<br />
por-isso que a Microsolt Letn tanto meclo clos avanços tecnológiæs<br />
rio Google. A vantagem competìtìvâ cle hoje poclc acabar.se<br />
tornanclo a obsolescência cle amanhã.<br />
l:ssas crtrpresas ptecisam não apenas g;rsl:rr enormcs c¡uantirlrrlcs<br />
cle ctinheiro com P&D, mas, por estarenÌ consLantementc<br />
tcnclo cle invcnt¿ìr novos produtos, Lambérn reprojetam e atu¿ìlizar.n<br />
seus prograrras cle vendas, o que significa qlre tambéÌn tem<br />
clespesas cle venclas e aclministrarivas muito gran<strong>de</strong>s. Pense no<br />
seguinte: a Merck precisa gastar 29olo clo seu lucro bruto em P&D<br />
e .19% em <strong>de</strong>spesas cle venclas, gerais e aclministrativa,( (VGÂ),<br />
que, combinaclas, consomem no total 78% clo seu lucro bruto. E<br />
mais: se nao inventar o próximo meclicamento c[Le vai alcançar<br />
venclas multibrìionáÌias, a Merck & Co. percterá sLìa vilntagern<br />
competitivâ cluanclo âs pâtenLes exisLenLes expirarem.<br />
¡\ lntel, embora seja lÍ<strong>de</strong>r- em seu acelerado setor, cleve constantemente<br />
gast¿rr cercâ cle 30% clo seu lncro bruto em PðlD;<br />
se não o lizer, perclerá a suâ vanLagem compêlitiva em apenas<br />
algnns anos.<br />
r\ ùloocly's, en'rpresa cle ra¿ilg cle titulos, é há muito tempo<br />
uma clas lavoritas cle <strong>Buffett</strong>, e por um bom motivo. El¿ì não tem<br />
ciespesas cle PcAD e gasta ern méclia apenas 25% do seu lucro<br />
bruLo com clespesas VGA. A Coca-Cola, c¡ue t:tnbém não tem<br />
custos rle PáD, mas c¡ue tem <strong>de</strong> fäzel n-ruita publicidacle, aincLa<br />
íìssim gasta em méclia 59olo clo se u Luc¡o brulo em clespesas VGA.<br />
Com a Moocty's e a Coca CoLa, <strong>Buffett</strong> não precisa passar-. a noile<br />
cln claro achanclo ciue alguma pxtente v:ìiexpirlr ou que:ì cornpanhia<br />
não vai ganhar a corricta pelo próximo grancle avanço<br />
Lccnológico.<br />
l:is. entao. r regra dc Brrflctt: crnplcsrs rlrre ¡rreL islnt invcctit'<br />
rÌìtrito em P6qD têm um lalha inerenle em sua vanta€îem competitÌva<br />
que vai sempre pôr suas condiçoes econôrnicas <strong>de</strong> longo<br />
l)r.ìt(ì cm tisco. o Lllrc cignificx qtlÈ nio siìo segLtr:ìs.<br />
['], se nao são seguras, ele não es¡á inte¡essado nelas.<br />
-t0 +t
Depreciação: uma <strong>de</strong>spesa que <strong>Buffett</strong><br />
náo po<strong>de</strong> ignorar<br />
'r I odas as maquinas e os edificios acabam sofrendo <strong>de</strong>sgaste ao<br />
longo do tempo, esse <strong>de</strong>sgâste é apresentado na <strong>de</strong>monstração<br />
do resultado do exercício sob o ìrem Deprecração. Basicâmente,<br />
o valor cla <strong>de</strong>preciação <strong>de</strong> alguma coisa em <strong>de</strong>termìnado ano é<br />
uma <strong>de</strong>spesa alocada em contraposição ao rendimento daquele<br />
mesmo ano. Isso faz sentido: é possível dizer que o valor cla<br />
<strong>de</strong>preciaçao <strong>de</strong> um ativo foi usaclo na ativida<strong>de</strong> da empresa que<br />
gerou o renclimento naquele ano.<br />
Um exemplo: imagine que uma máquina <strong>de</strong> impressão é comprada<br />
pela grâltca XYZ por R$ I milhão e rem uma vicla útil <strong>de</strong><br />
l0 anos. Em razao clessa vida útil, a Receita Fe<strong>de</strong>ral não permtre<br />
que a empresa <strong>de</strong>duza integralmente o valor total no ano em que<br />
a compra foi realizada. Em vez disso, a <strong>de</strong>spesa com a máquina<br />
cteve ser clistribuÍda ao longo clos l0 anos em que ela estiver em<br />
,t)<br />
cÂPÍruLo l3<br />
Demonslração do resultado do exercicio<br />
(em mrlnoès ce ti))<br />
ReceÌta<br />
Custo dos bens vendidos<br />
-+ Lucro bruto<br />
Despesas operacionais<br />
Despesas <strong>de</strong> vendas, gerais e adminislrativas<br />
Pesquisa e <strong>de</strong>senvolvimento<br />
) Depreclaçâo<br />
Lucro operaciooal<br />
10.000<br />
3.000<br />
7.000<br />
2.100<br />
1.000<br />
700<br />
3.200<br />
uso, o que significa que aXYZ irâ <strong>de</strong>preciar a máquina <strong>de</strong> impressão<br />
a uma razáo <strong>de</strong> R$ 100 mil por ano. A <strong>de</strong>preciação é um<br />
custo real dos negócios, pois, em algum momento no futuro, a<br />
máquina cle impressáo terá <strong>de</strong> ser subs[ituÍda.<br />
A compra da máquina fará com que - no balanço patlimonial<br />
- R$ I milhao sejam acrescentados ao ativo imobilizaclo. Então,<br />
nos 10 anos seguintes, o custo <strong>de</strong>precìado <strong>de</strong> R$ 100 mil por<br />
ano aparecerá na <strong>de</strong>monstração do resullado do exercÍcio como<br />
uma <strong>de</strong>spesa. No balanço patrimonial, a cada ano, R$ 100 m1l<br />
serão subtraidos da conta clo ativo imobilizado. O <strong>de</strong>sembolso <strong>de</strong><br />
R$ I milhao para a compra da máquina aparecerá na <strong>de</strong>monstraQao<br />
<strong>de</strong> fluxo cle caixa sob o item dispêndio com ativos imobilizados.<br />
GostarÍamos <strong>de</strong> enfatizar que a clespesa <strong>de</strong> R$ I milhao<br />
com a máquina não é apresentada no ano da compra, mas ti<br />
alocada como uma clespesa <strong>de</strong> <strong>de</strong>preciação na <strong>de</strong>monstraçâo do<br />
resultado do exercício em parcelas <strong>de</strong> R$ 100 mil ao longo <strong>de</strong> um<br />
perÍodo <strong>de</strong> 10 anos.<br />
Uma bela sacada que os profissionais <strong>de</strong> finanças <strong>de</strong> Wall Street<br />
perceberam é que, <strong>de</strong>pois <strong>de</strong> a máqulna <strong>de</strong> impressao se¡ comprada<br />
e quitada, a <strong>de</strong>preciação anual cle R$ 100 mil não representa<br />
mais nenhum <strong>de</strong>sembolso achcional <strong>de</strong> dinheiro, mas reduz o lucro<br />
que é informado anualmente à Receita Fe<strong>de</strong>ral nos 10 anos<br />
seguintes. lsso significa que, numa peßpectiva <strong>de</strong> curto prazo,<br />
a grâlica XYZ tem um custo anual que, na verda<strong>de</strong>, não está se<br />
traduzindo em nenhum <strong>de</strong>sembolso aciicional <strong>de</strong> dinheiro. Porlânto,<br />
os encarregados das finanças em Wall Street po<strong>de</strong>m voltar<br />
íì acrescentâr aquele custo cìe R$ 100 mil ao lucro, o que significa<br />
que o fluxo <strong>de</strong> caixa da empresa agora pocle suporrar mais dÍvidas<br />
para novos investimentos. O mercado fìnanceiro tem um acrônimo<br />
para esse novo cálculo clo luc¡o: eles o chamam <strong>de</strong> LAJIDA, ou<br />
sejâ, Lucro Antes <strong>de</strong> Juros, Impostos, Depreciaçâo e AmortizaÇão.<br />
lluffet¡ afirma que, ao usar o LAJIDA, os analistas <strong>de</strong> Wall<br />
5treet estáo ìgnorando que, no fim, a máquina sofrerá <strong>de</strong>sgaste<br />
43
c â cr.nprcsa lerá cle gastar oLltro Ìrìtlhão clc reals para comprar<br />
uma nova. Mas agora a companhia está sobrecarregacla corn Ltma<br />
tonelacl¿r cle clÍviclas clecorrentes clos novos investimenLos e Ialvez<br />
n:ìo seja capaz cle financiat a compra cle nma nova máquina.<br />
Bul[ett acreclita qtre a clepreciação é uma clespesa real e setnpre<br />
cleve ser incluÍcla em qualcprer cálculo <strong>de</strong> lucro. Se fizéssemos o<br />
contrário, estaríamos nos iludinclo â cLrrlo prazo, acreclitanclo<br />
que a empresa está lucranclo mais do que realnente esl¿i. E ninguém<br />
fica rico corn ilusÕes.<br />
O qr,re Bulfett clescobriu é que companhias que têm utÌta vantagern<br />
competitiva durávei tenclem a ter custos cte <strong>de</strong>preciação<br />
rnais baixos em relaÇão ao lucro b¡uto clo que as eüpresas qlle<br />
sofrem os inconvenienles cle uma concorrência intensa. por<br />
exemplo, a clespesa <strong>de</strong> clepreciação da Coca-CoÌa lica constantemente<br />
por volta cle 6% do lucro b¡uto, e a da Wrigley, outra<br />
companhia com unla vant¿ìgem competitlvít clurável, também<br />
lìca por volta <strong>de</strong> 7o/o. .lâ a <strong>de</strong>spesa cle clepreciação cla procrer 6¡<br />
Camble, olrtra empresa favorira <strong>de</strong> <strong>Buffett</strong> há muito tempo, frca<br />
ern aproximadamente Bo/o. Compare com o caso cla Gr\4, que aLua<br />
nlrm setor altamente competilivo e com uso intensivo cle capital.<br />
A sua <strong>de</strong>spesa cle clepreciação consot.ne en[¡e 22olo e 57olo cto<br />
lucro bruto.<br />
Como no caso cle clualquer clespesa clue consome o lucro l¡ruto<br />
Despesa<br />
cle uma empresa, <strong>Buffett</strong> clescobriu que menos sempre signilìca<br />
mais - cluanclo se trala cle aumentâ¡ o resultaclo linanceiro.<br />
...<br />
il<br />
Cr\P¡TULO I4<br />
com juros: o que <strong>Buffett</strong> nâo quer<br />
Demonstração do resultado do exerci(io<br />
(em milhöes <strong>de</strong> R$)<br />
Receita<br />
custo dos bens vendidos<br />
) lüaro bnrto<br />
Despesas opeÍacionais<br />
Despesas <strong>de</strong> vendas, ger¿is e ¿dministr¿tiv¿s<br />
Pesquisa e <strong>de</strong>senvolvimento<br />
Depreciaçáo<br />
Lucro operacional<br />
10.000<br />
3.000<br />
7 000<br />
2.100<br />
1.000<br />
700<br />
3.200<br />
l De5pe5¿ corn juros 200<br />
.:::, lJcspcs:r conr juros e o lançrmento clos juros pagos, clurante o<br />
trimestre ou o ano, sobre a clivicla cLLle â empresaì apresenLa no<br />
balanço patr-imonial como passivo. Fmbora seja possÍvel para<br />
uma companhia receber mais juros clo que pagar, como no câso<br />
clc um banco, a maioria das empresas lablis e <strong>de</strong> vârejo pâgâ<br />
rrrrrilo mlis jLrrrrs do qLrc leccbc.<br />
'fiat¿r-se cte um custo financeiro, não operacional, que lìca isollclo,<br />
pois não está ligado a nenhum processo proclutivo ou cle<br />
vcncla. Em vez clisso, os juros refletem o endividamenLo total<br />
(lLìc a empfesa apresenla em seu balanço. Quanto maior o endivicliu.nento,<br />
maior a cluanticlacle cle juros a ser paga.<br />
r\s companhias que pagam muitos juros em relaçao ao sell<br />
lucto operacional tenclem a ser <strong>de</strong> dois tipos: uma empresâ que<br />
44<br />
45
1'<br />
I<br />
'))<br />
i;'<br />
;.:<br />
eslá num setor altamente competitiÿo, no qual gran<strong>de</strong>s invesrimenlos<br />
em ativos fixos são necessários para manler a Competi,<br />
tivida<strong>de</strong>, ou uma organização com conclições econômicas excelentes<br />
que contraiu a dÍvida ao ser comprada em uma aquisiçào<br />
alavancada.<br />
O que <strong>Buffett</strong> <strong>de</strong>scobriu é que as empresas com uma vantagem<br />
competitiva du¡ável muitas vezes têm pouca ou nenhuma<br />
clespesa com juros. A Procter & Gâmble gasta apenas B% clo setr<br />
lucro operacional em <strong>de</strong>spesas com juros; a Wrigley Co. necessita<br />
gastar, em média, 7olo. Compate essas duas companhias com<br />
a Goodyear, que atua no setor <strong>de</strong> pneus, altamente competitivo e<br />
com uso intensivo <strong>de</strong> capital. A Gooclyear precisa gastar, em m¿_<br />
dia, 49o/o do seu lucro operacional com o pagamento <strong>de</strong> juros.<br />
Mesmo em empresas altamente competitivas, como as do setor<br />
<strong>de</strong> aviação, a quânticla<strong>de</strong> <strong>de</strong> lucro operacional gasta com juros<br />
pocle ser usada para i<strong>de</strong>ntificar organizaçóes com uma vantagem<br />
competitiva. A constantemente rentável South\¡/est Airlines gasta<br />
apenas 9% do seu lucro operacional com o pagâmento <strong>de</strong> juros,<br />
ao passo que a sua concorrente Uni¡ed Airlines, que vive enlrando<br />
e saindo da bancarrota, gasta 61%. Outra combalida concorrente<br />
da Sourhwest, a American Airlines, gasta astronômicos<br />
92% do seu lucro operacional com o pagamento <strong>de</strong> juros.<br />
Em geral, as empresas que possuem uma vantagem competi-<br />
Liva - e que são as preferidas <strong>de</strong> Buffe¡t na categoïia <strong>de</strong> produtos<br />
cle consumo - têm <strong>de</strong>spesas com juros inferiores a 15% do lucro<br />
operacional. Mas preste atenção, pois a porcentagem cla <strong>de</strong>spesa<br />
com juros em relação ao lucro operacional varia muito <strong>de</strong> um<br />
se[or pâra outro. Por exemplo: o Wells Fargo, um banco no qual<br />
IJuffett cletém uma particìpaÇão <strong>de</strong> |4o/o, gas1a aproximadamente<br />
30% clo seu lucro operacional com o pagamento <strong>de</strong>juros, o que<br />
pocle palecer alto em comparaÇão com a Coca-Cola, embora, na<br />
vr:rclacLe, entre os cinco maiores bancos dos Estados Unidos, o<br />
Wells f-argo seja o que tem o coeficiente mais baixo e atrativo.<br />
.t6<br />
i:<br />
.<br />
:,<br />
:,<br />
;<br />
::<br />
'a:<br />
O Wells Fargo também é o único com um nível <strong>de</strong> roting A^A da<br />
Standard & Poor's.<br />
O coeficiente <strong>de</strong> <strong>de</strong>spesa com juros em relação ao lucro operacional<br />
também po<strong>de</strong> indicar o nÍvel cle perigo econômlco no<br />
qual uma empresa se encontra. Tome como base os bancos <strong>de</strong><br />
investimentos, que, em média, gastam com o pagamento <strong>de</strong> juros<br />
cercâ <strong>de</strong> 70% <strong>de</strong> seu lucro operacìonal. Um olhar atento teria<br />
ì<strong>de</strong>ntificado que, em 2006, o Bear Stearns informou clue es[ava<br />
gastando 70% do setr lucro operacional com o pagamento <strong>de</strong><br />
juros.<br />
No entanto, no trimestre que termlnou em novembro <strong>de</strong> 2007,<br />
a porcentâgem cla clespesa com juros em relação ao lucro operacional<br />
havia saltado para 230%. lsso significa que o banco teve<br />
<strong>de</strong> mergulhar no patrimônìo líquido dos seus acionistas para coblir<br />
a dilerença. Em uma operaçáo altamente alavancada como a<br />
do Bear Stearns, isso era o pre lncio cle um <strong>de</strong>sastre.<br />
Em marco <strong>de</strong> 2008, o outrora po<strong>de</strong>roso Bear Stearns, cujas<br />
açÕes já haviam sido negocladas a até US$ 170 no ano anrerior,<br />
foi forçado a se fundir com o JP Morgan Chase & Co. com um<br />
valor <strong>de</strong> apenas US$ 10 por ação.<br />
47
c<br />
^rn<br />
uru 15<br />
Ganho (ou perda) com a venda <strong>de</strong> ativos e Outros<br />
Demonstração do resultado do exercício<br />
ciamenlo e a vencla cle patcntes, se lorem categorizaclos como<br />
algo ciue não pertence ao cu¡so normal dos negócios.<br />
Às .'ezes, evenlos não recorrentes po<strong>de</strong>m ajuclar muito o re,<br />
sultaclo financeiro cle rtma empresa. Por serem eventos t1alo reclrti:núcs,<br />
Btiflett ac¡eclita que eìes clevem ser removiclos cle clualcluer<br />
cálcu1o clo lucro líc¡uido para cle terminar se uma companhia tem<br />
oll não Lìma vantâgem competitiva cLurável.<br />
(em miJhões <strong>de</strong> R$)<br />
Oespesas operacronais<br />
Despesas <strong>de</strong> vendas, gerãis e administrãtivas<br />
PesqLlisa e <strong>de</strong>senvolvimento<br />
Depreciaçáo<br />
Lucro operacionâl<br />
Despesa com jLlros<br />
r G¿nho (perda) com ¿ vendð <strong>de</strong> ativos<br />
J OLrtrôç<br />
2.100<br />
1.000<br />
700<br />
3.200<br />
200<br />
1.275<br />
225<br />
\{uando umr empres.ì vcnrle Lrm ativo (clue não o estoque), o<br />
lucro ou o prejuÍzo geraclo pela vencla é r.igistraclu.o¡ åo"fr"<br />
(o Lr perrla) com a vencla cle ativos. O lucro é a cliferença entre os<br />
).<br />
't:<br />
i:<br />
pro\¡entos cla vencla e o valor contábil lnûsLraclo nos liv¡os cla<br />
empresâ. Se esta tem um eclifício peb c1r-ral pagou R$ I milhao<br />
e , <strong>de</strong>poÌs cle clepreciá-lo para R$ 500 ,.,-,,1, o u.,ì.I.u por R$ B0O<br />
rnil, vai registr.ar um ganho cle R$ l0O mil r--elarivo ¿ì vencta<br />
rlesse ativo. Da mesrna manei<br />
Rii .l 0 0 m., a companhr a,";irì:,,i:'L':lîî j::l:itiï ff;<br />
mil.<br />
O mesmo se aplica ao lançamento,,Outros,,. É nesse itenL que<br />
cvcr.ttos nâo operacionais, Ìncomuns e infrec¡uenles geraclor.es cle<br />
lc(cita ou clcspesa s;1o con¡abilizaclos r.ra .[.,.r.ron.r.uIn clo resul_<br />
l¡rclo clo cxer.cÍcict. Tais eventos poclem incluir acordos <strong>de</strong> licen_<br />
Itl<br />
49
a<br />
l..<br />
I<br />
ìr.<br />
CAPITULo I6<br />
Demonstração do resultado do exer(¡cio<br />
(em milhóes <strong>de</strong> R$)<br />
Despesas operacionais<br />
Despesas <strong>de</strong> vend¿s, gerais e aclministrativas<br />
Pesquisa e <strong>de</strong>senvolv¡mento<br />
Depreciaçáo<br />
Lucro antes dos impostos: o número<br />
que <strong>Buffett</strong> usa<br />
Lucro operacional<br />
Despesa com juros<br />
Ganho (perda) com a venda .le ativos<br />
Outros<br />
J Lucro antes dos impostos<br />
2.100<br />
1.000<br />
70a<br />
3.200<br />
200<br />
1.275<br />
225<br />
1.500<br />
tos <strong>de</strong> impostos, <strong>Buffett</strong> consi<strong>de</strong>rou que US$ 22 milhoes após<br />
impostos correspondiam a US$ 45 milhöes antes dos impostos.<br />
Para comprar uma empresa que lhe ren<strong>de</strong>sse US$ 45 milhoes<br />
antes clos impostos, ele teria <strong>de</strong> gaslâr entre US$ 250 milhoes e<br />
US$ 300 milhÕes. Portanto, ele viu os rírulos da WPPSS como<br />
um negócio que ele estava comprando com 50% cle <strong>de</strong>sconto, em<br />
relação ao preço das outrâs companhias cotn concliçóes econômicas<br />
semelhantes.<br />
Buffert sempre levou em consi<strong>de</strong>ração o lttcro cle uma empresa<br />
antes dos impostos. lsso lhe permile pensar sobre uma companhia<br />
ou um inveslimento em relação a orìlros investimentos.<br />
Esse também é um dos pilares da sua revelação <strong>de</strong> que uma<br />
empresa com uma vantagem competitiva du¡ável é, na verda<strong>de</strong>,<br />
uma espécie <strong>de</strong> e(Uitt boncl, com um cupom ou uma laxa <strong>de</strong><br />
juros crescente. Iremos explorar essa teoria do equity borul mats<br />
<strong>de</strong>talhadamente no lim do livro.<br />
t(r Lucro antes dos impostos" clesigna o lucro <strong>de</strong> uma empresâ<br />
apos:r <strong>de</strong>duçio <strong>de</strong> Iodas as <strong>de</strong>snesas m,c ,hrÞc ,- .,,r,]^^clo<br />
imposto cre renda. É , ;r.:Tii: iläli:: Í: ïliåi:<br />
retorno qlle eslá obtendo ao compra¡ toda uma companhia, ou<br />
uma participação parcial, por meio cla aquisição <strong>de</strong> suas ações<br />
no mercado aberto.<br />
Com a exceÇâo <strong>de</strong> investimentos isenros <strong>de</strong> impostos, todos<br />
os retornos <strong>de</strong> investimentos são calculados or_,r". áo, impostos.<br />
E, como todos os investimentos competem entre si, é mâis fácil<br />
pl.'nsar sobre eles <strong>de</strong> lorma equânime.<br />
Quanclo comprou US$ l3g milhoes em rírulos isentos <strong>de</strong> im_<br />
¡rostos da \,Vashingron public porve¡ Supply Sysrem (WppSS),<br />
qr-te lhe renclcram US$ 22,7 milhoes por ano em clivi<strong>de</strong>ndos isen_<br />
t0<br />
5l
c,r Pir u Lo l7<br />
Imposto <strong>de</strong> renda pago: como <strong>Buffett</strong> sabe<br />
quem está dizendo a verda<strong>de</strong><br />
Demonstraçáo do resultado do exercfcio<br />
(em milhóes <strong>de</strong> R$)<br />
nirrnero inlormado como ìucro operacionaL antes ctos inpostos.<br />
Se o valor não for muLLo próximo âo relatado pela companhia<br />
cûmo imposto cle rencta pago, é mell-ror começar a clescon[iar.<br />
Ao longo clos anos, <strong>Buffett</strong> aprendcu (Lr-lc ts utÌìprcsJs clue tentalï<br />
enganar a Receita ger¿llmente Lamllém le nlam eng¿lnar seLts<br />
acionistas. O melhor cle uma organìzaçâo clue possLìr uma vantagem<br />
competitiva cle longo prâzo é c1lle ela ganha tanto clinheir-o<br />
cìue nào precisa enganar ninguém para ter Lrm belo resnltaclo.<br />
Despesôs operacionâis<br />
Despesês <strong>de</strong> vendas, gerais e administrãtivas<br />
Pesqu¡sa e <strong>de</strong>senvolvimento<br />
Depreci¿ção<br />
Lucro operac¡onal<br />
Despes¿ com juros<br />
Ganho (perda) com a vencla <strong>de</strong> ãtivos<br />
Outros<br />
Luc¡o antes dos impostos<br />
j lmposto <strong>de</strong> rend.r paqo<br />
2.100<br />
1 000<br />
7A0<br />
3.200<br />
200<br />
1.275<br />
225<br />
1.500<br />
525<br />
Lomo toclo conirihirintc, ts cmpresas americanas têm cle pagar<br />
impostos sobre a sua rencla. Ëloje, nos Estaclos Uniclos,.rr. uu'tu.<br />
corresponcle a aproximaclatnente 35% cla ,"*to quun.lo pngor,<br />
os impostos são registraclos na <strong>de</strong>monslraÇào alo a"arltualo'alo<br />
:l<br />
:ì<br />
:t<br />
exercÍcio no item Imposto cle r.encla pago.<br />
O clue é interessante no lmposro cle rencla pago é que esse<br />
lançamento rellete o ve¡clacleiro lucro ao ",.pr.ru"nnr",<br />
io, i__<br />
¡r'stos. Às vezes, elas gostam cle cleclnra, .1,-re .r,ã" g;;;;;;"<br />
m:ris clo clue ¡ealmente estão. (Sllrpreencl.nt., ,.,¡ol) ï*o .ln,<br />
rnauciras cle verificar se estão clizenclo a verclacle é por meio<br />
tkr i:x¡*rc cla p,blicação <strong>de</strong> suas clemonst.rco., ur_ruoì., u"lrJu<br />
c¡urnto rlc imposro cle r.encla está senclo pago. Calctrle 35% clo<br />
:;,1<br />
53
.il<br />
..:<br />
c.\PiTULo l8<br />
Lucro líquido: o que <strong>Buffett</strong> está procurando<br />
Demonstração do resullâdo do exercício<br />
(em milhões <strong>de</strong> R$)<br />
Despesas oper¿cionais<br />
Despesas <strong>de</strong> vendas, gerais e administrativas<br />
Pesquisa e <strong>de</strong>senvolvimento<br />
Depreciação<br />
Lucro operâcional<br />
Despesa com luros<br />
Ganho (perda) com a venda <strong>de</strong> alivos<br />
Outros<br />
Lucro antes dos impostos<br />
lmposto <strong>de</strong> renda pago<br />
+ Lucro líquido<br />
2.100<br />
1.000<br />
700<br />
3.200<br />
200<br />
1.275<br />
225<br />
1.500<br />
Depois qu" todas as <strong>de</strong>spesas e os impostos são <strong>de</strong>duzidos cla<br />
receita, obtemos o Lucro lÍquido da empresa. É nesse irem que<br />
verificamos quanto dinheiro ela ganhou <strong>de</strong>pois <strong>de</strong> pagar o imposto<br />
<strong>de</strong> renda. Existem alguns conceitos que <strong>Buffett</strong> aplica ao<br />
analisar esse número e que o a.;udam a <strong>de</strong>terminar aa u<br />
"o_pn_<br />
nhia tem uma vantagem competitiva clurável ou nao. Enrao, ior<br />
que não começamos por aÍ?<br />
A primeira etapa na lista é saber se o lucro lÍquiclo está ou nâo<br />
mosL¡anclo uma tendência histórica <strong>de</strong> alta. O lançamento do Iu<br />
cro lÍqniclo cle um único ano não vale nada para <strong>Buffett</strong>; ele está<br />
intc¡erssaclo em saber se existe ou não consistência no lucro e<br />
525<br />
975 ,:l'<br />
l:i<br />
ll,l<br />
.,::<br />
se a [enclência <strong>de</strong> longo prazo é alta - dois fatores que signlficam<br />
a "clurabilidacte" da vantagem competitiva. Para o investìdo¡, o<br />
percurso não precisa ser sem percalços, mas ele está procurando<br />
uma tendência <strong>de</strong> alta.<br />
Mas note: por callsa <strong>de</strong> programas <strong>de</strong> recompra clc açöes, è<br />
possÍvel que a tendênciâ histórica clo lucro lÍquiclo <strong>de</strong> umâ empresa<br />
seja diferen¡e da sua tendência histórica <strong>de</strong> lucro por ação<br />
Os programas <strong>de</strong> recompra <strong>de</strong> açoes aumentam o luc¡o por açâo<br />
reduzindo o número <strong>de</strong> ações em circulação Se uma companhia<br />
diminuir o número <strong>de</strong> ações em circulação, restringilá a<br />
quantidacle <strong>de</strong> açóes que estáo sendo usadas para dividir o lucro<br />
líquido cla empresa, o que, por sua vez, aumentará o lucro por<br />
ação, apesar <strong>de</strong> o lucro líquido real não ter aumentado Em casos<br />
extremos, o progrâma <strong>de</strong> recompra <strong>de</strong> aÇÓes <strong>de</strong> uma organizaçao<br />
po<strong>de</strong> até Serar um âumento do lucro por ação, aincla que ela<br />
esteja sofrendo uma reduçao clo lucro líquiclo<br />
Embora a maior parte das análises financeiras se concen[re no<br />
lucro por açáo <strong>de</strong> uma empïesa, <strong>Buffett</strong> analisa o lucro líquido<br />
<strong>de</strong>la para saber o que realmente está acontecendo<br />
O que ele apren<strong>de</strong>u é que as empresas com uma vantagem<br />
competitiva durável apresentam uma porcentagem mais alta <strong>de</strong><br />
Iucro 1íquido em relação à receita lotaì do que as concorrentes'<br />
<strong>Buffett</strong> afirmou que, se pu<strong>de</strong>sse escolher entre uma companhia<br />
que está lucrando US$ 2 bilhoes com uma receita toral cle US$ l0<br />
bilhöes e uma que está lucrando US$ 5 bilhoes com uma receitâ<br />
total <strong>de</strong> US$ lO0 bilhoes, optaria pela primeira lsso porque a<br />
empresa com um lucro lÍquido <strong>de</strong> US$ 2 bilhoes está ltlcran'lo<br />
20% sobre a receila total, ao passó que a que lem um lucro <strong>de</strong><br />
US$ 5 bilhöes está lucrândo apenas 5olo sobre a receita total.<br />
Entâo, embora a receita to[al nos informe muito pouco acerca<br />
clas condiçÕes econômicas da empresa, o coeficiente do lucro ìi<br />
quiclo em relaçáo a ela po<strong>de</strong> nos revelar muito a respeito das con-<br />
(liçóes econômicas <strong>de</strong> tal companhia em comparaçao com outrâs<br />
,t 55
;' "':'<br />
t'<br />
:<br />
Ilrna empr.esa fantástica como a Coca_Cola tem um luc¡o cle<br />
2.1(/o cla lcceita toral, e a incrivel lvtoocly,s lucra 3l%, o clue reflete<br />
as condiçoes econômtcas strperlativas clos seus mercaclos. Mas<br />
ttrna companhia como a Southr,ves¡ Air-lines [tcra apenas 7olo, o<br />
cpre rellete a natureza alLarlente competiLiva clo setor cle aviação,<br />
c,\PiTULO 19<br />
Lucro por ação: como <strong>Buffett</strong> distingue<br />
vencedores <strong>de</strong> per<strong>de</strong>dores<br />
a<br />
no c¡uaL nenhumâ empresa tem uma vantagem competitiva cle<br />
Ìongo plazo em t.elação às concorrentes clo mesmo selor. pot olt_<br />
¡r-.o laclo, a General Molors, mesmo em um ólinìo auo _ quanclo<br />
não está perclencLo clinheiro _, lucra apenas 3olo cla receita tolal.<br />
Isso inclica as condiçòes econorniels ruins inrrcnlcs .ìù super_<br />
r'ornpct it ivL) S( tor I U tomùhil tst i( ù<br />
Urna regra simples (e há exceeòes) é que, se Ltlrra emplesa está<br />
¿ìpresentanclo um histórico cle lncros ìÍquiclos superiores a 20%<br />
cla receita total, há boas chances cle ela estar se l¡eneficianclo cle<br />
algurn tipo cle vantagem competitiva <strong>de</strong> lor.rgo plazo. Da mesma<br />
maneira, se uma conpanhla e stá constânlemenle apt.esentanclo<br />
Iucros liqriidos inleriores a l0% cla receita total. é bastante pto_<br />
vável que o seu setor cle atltacão seja altamente competiLivo, sem<br />
c¿ue nenhuma empresa tenha uma vantagem competitrva clurá_<br />
vel. lsso, é claro, cleixa Llma enorme zona cle inclefinição relativa<br />
às organizâçÕes que hrcram entre l0o/o e 20olo cla receita total,<br />
uma área que está repleta cle empresas qne poclem ser óttmos<br />
investimentos <strong>de</strong> longo p¡azo e qlte ninguém aincla garimpou.<br />
- Uma das exceÇoes a essa regra são os bancos e as insLituiçoes<br />
financeiras, nos quais um coeliciente mlrito alto cle lucto lÍquiclo<br />
em relação à receita total em geral signihca ciesleixo po, purr.<br />
clo clepartamento cle gestão <strong>de</strong> risco. Embora pareÇam or.nÀr"r,<br />
os núrmeros na verdacle inclicam a acertacão cle um risco maior<br />
para a obtenção cle dinheiro lácil, o que, no jogo clos emprésti_<br />
mos, normalrnente é Ltl11a receita para se ganhar clinhei,-.o rápiclo<br />
:'r custa cle urn clesastre no longo prazo. Ë t.rão é com clesas[r-es<br />
linar.rcciros c¡ue nos tornamos ricos.<br />
;(,<br />
at,<br />
L.,l lucrcr por .ìÇ.ìo e o lucro lÍc¡urdo cla empresa no ¡reríoclo<br />
em cLuestao clrvicliclo por cacla nma cle str¿rs ¿tçoes. Esse é rÌìn<br />
nirmero rnìportante no munclo dos investimentos porciLle, normalmente<br />
, cluanto mais uma companhla lucra por açÀo, mais<br />
a[Lâ é a cotâeãû alas suas âÇöes. Pâra clete[min¿ìr o [Llcro por<br />
ação cle uma empresa, pegamos o lucro líquido que eìa obteve<br />
e o clivi.llmos peio nilmero cle âçóes em circulâÇão. Por exemplo:<br />
se ela tem um lucro líquiclo cle R$ l0 n'Lilhoes em urn ano<br />
e um milhão cie aqÕes em circulação, o seu lucro por-. ação serJ<br />
cie R$ 10.<br />
Embola o luclo ¡ror aÇào cle um Ítnico ano não possa ser nsacìo<br />
para iclentif icar r-rma cornpanhir com unraì vlnlrgcnr r:rrmpe tiLiva<br />
cÌnrável, esse mesmo nilmero ao longo cle r"rm períoclo cle 10 anos<br />
pocle nùs inclicar com bastante clareza se ela Lem uma vantagem<br />
compeliliva .lurávcl a seu favor. O qr.re Br-rffett procLlrâ é Llm qlradro<br />
cle lncro por aç¿ìo ao longo cle um períoclo cìe l0 anos clue<br />
clernonslle conslância e Llma tenclência cle alla.<br />
Algo rnais oLr menos ¿ìsslm:<br />
2008<br />
2007<br />
2006<br />
2005<br />
2004<br />
2003<br />
2002<br />
rì$ 2,95<br />
R$ Z,68<br />
tì$ 2,37<br />
Iì1;2,17<br />
R$ 2,06<br />
rì$ r,95<br />
R$ l,ór5<br />
51
'.<br />
2001<br />
2000<br />
I999<br />
1S98<br />
Rx; t,60<br />
R$ 1,48<br />
R$ 1,30<br />
R$ r.,42<br />
lsso mostra a Buffeft que a empresa constantemente tem lu_<br />
cros com uma tendência <strong>de</strong> aha no longo prazo _ um excelente<br />
srnal <strong>de</strong> que a companhia em questão tem algum tipo cle van_<br />
lagem compelitiva <strong>de</strong> longo prazo a seu favor. Lucros cons_<br />
tantes geralmente são um sinal <strong>de</strong> que ela está ven<strong>de</strong>nclo um<br />
produto ou um mix <strong>de</strong> produtos que não precisa passar pelo<br />
dispendioso processo cle mudança. A tendência d.e alta nos Ìu_<br />
cros significa que as condrçÕes econômicas cla companhia são<br />
suficlentemente boas para petmitir que ela faça as clespesas<br />
necessárias a fim <strong>de</strong> aumentar sua participação <strong>de</strong> mercaclo<br />
por meio <strong>de</strong> publicida<strong>de</strong> ou <strong>de</strong> expansão, ou então que ela<br />
use lerramenlas <strong>de</strong> engenharia financeira, como a recompra<br />
cle âçöes.<br />
':ì:.<br />
::a¡,<br />
Esse quadro <strong>de</strong>monstra uma tendência cle baixa, pontuada<br />
por c¡ueclas, o que informa a <strong>Buffett</strong> que essa empresa está em<br />
L1m setor âltâmenle competÍivo sujeito a gran<strong>de</strong>s expansóes e<br />
retraçóes. As expansoes aparecem quando a clemanda é maìor<br />
clo que a oferta; quando a clemanda é gran<strong>de</strong>, a companhia aumenla<br />
sllâ produção para sâtisfâze-la, o que aut-nenta os custos<br />
e acaba geranclo um excesso <strong>de</strong> oferla no selor. O excesso <strong>de</strong><br />
otèrta provoca a queda dos preços, o que significa que a empresa<br />
per<strong>de</strong> dinheiro até o surgimento <strong>de</strong> um novo perÍoclo <strong>de</strong> expansao.<br />
Existem milhales <strong>de</strong> companhias assim, e as clesvairadas<br />
variaçóes na cotaÇão das açóes, causadas pelos lucros erráticos<br />
cla empresa, criam a ilusão cle oportunidacles cle compra para<br />
os investidores em valor tradicionais. Mas o que eles realmente<br />
estão comprândo é uma longa e lenla vragem cle barco que não<br />
chegará a lugar algum.<br />
As empresas clas quais <strong>Buffett</strong> mantém distância têm um quaclro<br />
rle lucros erretico mais ou menos asslm:<br />
2008<br />
2007<br />
2006<br />
2005<br />
2004<br />
2003<br />
2002<br />
2001<br />
2000<br />
r 999<br />
1998<br />
R$ 2,50<br />
R$ (0,45) prejuÍzo<br />
R$ 3,89<br />
R$ (6,05) prejuízo<br />
R$ 6,39<br />
R$ 5,03<br />
R$ 3,35<br />
R$ 1,77<br />
R$ 6,68<br />
R$ 8,53<br />
R$ 5,24<br />
ilì<br />
59
o BALANÇO PATRIMONTAL<br />
"Uma clas coisas rpte vocè irít <strong>de</strong>scobrir - cpLe é<br />
it'Ltelesý:LnLe t n(L quúl d-s p¿.s.sod.s nûo ptns n 0 su|icicnLc<br />
-<br />
corn ct maioriu rias emprtsas e dos utdivíduos e<br />
qre ct rticla tc:ncla u atucú-Io em sett elo mctis froco.<br />
MinluL experiêttcia me mostroLL que estes sclo os ¿lois<br />
principt:Lis elos tt'Lctis Jrctcos: bebitlct e alwctncagem -<br />
e tlc:cu'tcctgenr signLJicct dinhr:iro emp rtstctdo."<br />
\MA Rììì:N BìiriFr, f l<br />
::la'
O balanço patrimonial ctn gcratl<br />
lJ-a clas primelras mediclas que <strong>Buffett</strong> aclota cluaucto estit<br />
ten[anclo <strong>de</strong>scobrir se uma empresa tem ou não uma vântagem<br />
competìtiva clurável é ver cÌuanto ela possui em ativos - pense<br />
em dinheiro e proptiedacles - e quanto ela cleve a lornececlores,<br />
bancos e <strong>de</strong>benturistas. Para isso, ele examina sett balanço<br />
patrimonral.<br />
Ao contrárto das clemons[raÇoes cle resttltaclo, os balanços pa-<br />
¡rimoniais se relerem apenas a cleterminada clata, não a u1n ano<br />
ou um trimestre. Po<strong>de</strong>mos gerar um balanço patrimonial para<br />
qualquer dj.a clo ano, mas ele será relativo só àquela clata espectfrca.<br />
O <strong>de</strong>partan'rento contábil <strong>de</strong> uma empresâ gera esse balanço<br />
no lim <strong>de</strong> cada trimestre liscal. Consi<strong>de</strong>re-o um instantâneo da<br />
condìçáo financeira cla companhia na clata especí[ìca em c¡ue ele<br />
foi geraclo.<br />
Um balanço patrimonial é cliviclido em cluas partes: a primeira<br />
compreen<strong>de</strong> toclos os âLivos, e existem mllitos tipos cliferentes<br />
lncluem-se Câixa, lnveslimentos, Contas a receber, Estoqnes e<br />
imobilizaclo.<br />
^tivo A segunda patte do balanço patrimonial compreen<strong>de</strong> o passivo<br />
e o pâtrimônio líquido.<br />
Sob o passivo, enconlramos duas calegorias clilelentes:<br />
Passivo circulante e Passivo exigÍvel a longo prazo (ou nào<br />
ciLcLrìante). O primeiro significa o clinhelro c¡tle é cleviclo no<br />
¡lr lzo cle eìlé Lrm ano, incluinclo Conlas a pagar, Despesas provisionrcl¿rs,<br />
Divicla cle curto prazo e Dívida <strong>de</strong> longo prazo a<br />
vcn(:c I<br />
r:,rli1Ur.o 20<br />
).<br />
I<br />
I<br />
i<br />
a<br />
¡<br />
O passivo exigÍvel a longo prazo é o que vencerá dali a mais <strong>de</strong><br />
urn ano e inclui dinheiro <strong>de</strong>vido a fornecedo¡es que ven<strong>de</strong>ram<br />
bens, ¡rlbutos dilericlos, empréstimos bancários e <strong>de</strong>bêntures.<br />
Buffet¡, em sua busca por empresas com uma vantagem competitiva<br />
durável, está procurando algumas coisas especÍficas em<br />
cada categoria <strong>de</strong> ativo e passivo, que examinaremos um pouco<br />
mais adiante.<br />
r\gora, se pegârmos toclo o ativo e subtrairmos clele o passivo,<br />
obteremos o patrimônio hc¡uido cla companhia. por exemplo: se<br />
uma empresa tem US$ 100 mil <strong>de</strong> âtivo e US$ 25 mil <strong>de</strong> pass!<br />
vo, o seu patrimônio líquiclo é cte US$ 75 mil. Mas, se ela rem<br />
US$ 100 mil <strong>de</strong> artvo e US$ Ì75 mil cle passivo, o seu patrimônio<br />
líquiclo negativo é <strong>de</strong> US$ 75 mil.<br />
Ativo - P¡ssivo = P¡tlrnìoûLo LtqLÌido<br />
Esse é o fim da carrilha do balanço parrimonial. Então, vamos<br />
ver como Buflètr a apÌica a tocìas as suas subcaregorias para i<strong>de</strong>ntificar<br />
uma empresa com uma vantagem competitiva durável em<br />
relaçao às suas concorrentes.<br />
) 63
f<br />
Balanço patrimon¡äl<br />
cÂPirrir-o 2l<br />
(em mìlhoes <strong>de</strong> R$)<br />
Ativo<br />
caix¿ e ìnvestlmentos <strong>de</strong> cu¡to pÍazo<br />
Estoque tota<br />
Contas a receber<br />
Despesôs pa9ãs antecipadamente<br />
Demais at¡/os circLl antes<br />
Atlvo circulânte total<br />
Ativo imobiIz¿ìdo<br />
Fundo <strong>de</strong> comércio, valor Iíquido<br />
At vos intangiveis, valor liqL¡ìdo<br />
lnvestimentos <strong>de</strong> longo Prazo<br />
Demâìs êtivos <strong>de</strong> longo prazo<br />
Deflìais ativos<br />
Ativo náo circulãnte total<br />
Atlvo total<br />
4.704<br />
2.220<br />
3.317<br />
2.260<br />
0<br />
12.005<br />
B 493<br />
4.246<br />
7.863<br />
1.177<br />
2.67 5<br />
0<br />
31.054<br />
43 059<br />
Passivo<br />
Cont¡s ¡ p¿U¡r<br />
Despes¡s provr5r(xrô(l¡5<br />
Dívid¿ cle curlo pr¿zo<br />
Dívid¿ cle longo pf.rzo ¡ vcncer<br />
Dem¿is passrvos circul¡ntos<br />
Passivo crrcul¿ntc total<br />
Divicla dè longo prazo<br />
lmposto <strong>de</strong> renda diferido<br />
Pãftlcipaçáo mìnoritári¿<br />
Dem¿is pâsslvos<br />
Pâssivo nåo c rcu ilnte total<br />
Passivo total<br />
Pãtrimônio l¡qu¡do<br />
Açoes preferencjãls<br />
Açóes ordLnárias<br />
Reserva <strong>de</strong> capital (emissão <strong>de</strong> açóes)<br />
LLrcro acumulado<br />
Açóes em tesourari; - orclinárias<br />
PatrLmôn o ltqLrido toìâl<br />
Passivo totale pãtrimônio líquido<br />
r.380<br />
5.535<br />
5 919<br />
133<br />
2Sa<br />
t3.225<br />
3.271<br />
1.890<br />
0<br />
3.1 33<br />
8.300<br />
21 .525<br />
0<br />
1 .296<br />
1.374<br />
36.235<br />
-23.315<br />
21.534<br />
43 059<br />
Balanço patrimon¡al/At¡vo<br />
(em mìlhóes <strong>de</strong> R$)<br />
Câ xa e invesiimentos cJe cuÍto pr¿zo<br />
Ëstoque total<br />
Contâs a receber<br />
Despesas pagas ¿ntecipadâmente<br />
Demãis âtivos circulêntes, total<br />
Ativo clrculante<br />
Ativo lmobi zãdo<br />
Fundo <strong>de</strong> comércio, valor iquido<br />
Ativos intangiveÌs, vðÌor iquido<br />
lnvestimentos <strong>de</strong> longo pturzo<br />
Demais ¿tivos <strong>de</strong> longo prazo<br />
Dem.ris ativos<br />
Atlvo não circulante<br />
Ativo total<br />
Ativo<br />
4.204<br />
2.220<br />
3.317<br />
2.260<br />
0<br />
12.005<br />
8.493<br />
4.246<br />
7 .463<br />
7.171<br />
2 615<br />
0<br />
31.054<br />
43.059<br />
,-F<br />
l oclos os btns cla cmprcsa - o clinheiro, o âtivo imobilizaclo,<br />
¿1s pâlentes e [ucio o qlre constitui liqueza - são reglstraclos no<br />
balanço patrimonial sob o cabeqalho Ätivo.<br />
No baLanço patrimonial, os profissionais cla contabrlicla<strong>de</strong> diviclilam<br />
há muito lempo o Ativo empresarial em clois grupos<br />
clistrntos: Ativo circulanle e Ativo não circulante.<br />
O Ativo circulante é constituÍdo por "caixa", "investimen[os<br />
cle curto prazo", "contas a receber", "estoqtre" e um funclo geral<br />
chamaclo cìe "clemars ativos circlllantes". Iìecebe o nome cle ativcr<br />
circul¿ìnte porque tais a[ivos estâo imecltatamente clisponíveis,<br />
65
poclem ou serão convertidos em clinhciro cnì Llìn PerÍoalo muito<br />
curto (em até um ano). Tais atìvos esL¿ìo listaclos no balanço<br />
patrimonial por or<strong>de</strong>m cle liqui<strong>de</strong>z (orr scja, a lapiclcz com que<br />
po<strong>de</strong>m ser lransformados em dinheiro). O clue elìe tcm cle importante<br />
é a suâ disponibilicla<strong>de</strong> para ser trânslormaclo em ciinhei¡o<br />
e gasto caso as condiçoes econÒmlcas cla empresa colìlecem a se<br />
<strong>de</strong>te¡iorar e outras fontes cle capital <strong>de</strong> giro coticlieno corrlecem<br />
a evaporar. (Se você näo consegue imaginar fontes cle capital <strong>de</strong><br />
giro evaporancio do dia para a noite, pense no Beat Stearns.)<br />
Toclos os outros ativos são os náo cj.rculantes, o qr"re signilica<br />
qlre náo serão, ou não pocleráo ser, convertidos em clinheiro no<br />
ano seguinte; eles eslão listaclos em uma c¿ìlegoriâ separada logo<br />
abarxo clo Ativo circulante. Nessa categoria, enlram os lnvestimentos<br />
cle Longo Prazo, Ativo imobilizado, Funcìo cle comércro'<br />
Ativos Intangivcir e Dcm:ìis Aliv(ìç<br />
Em conjunto, esses dois grupos cle alivos constituem o ativo<br />
total. lndividual e coletivamente, pûr meio <strong>de</strong> sua natureza e<br />
quantidacle, eles informam a Buffetl muitas coisas acerca clo caráter<br />
econômico <strong>de</strong> uma companhla e se eìa possui ou não â cobiçada<br />
vantâgem compelitivâ durável que o tofnará riquíssimo<br />
I<br />
!<br />
!,<br />
1<br />
:<br />
1<br />
,:<br />
:<br />
t-l<br />
''t<br />
:l<br />
Ciclo do ativo circulante: como se ganha dinheiro<br />
Ealanço patr¡monial/Ativo<br />
(em mrlhoes <strong>de</strong> R$)<br />
-r<br />
-r Estoque totâl<br />
+ Contâs a receber<br />
Caixa e investimentos <strong>de</strong> curto prazo<br />
Despesas pà!lâs antecipadamente<br />
Demais ativos circulantes<br />
Ativo cìrcu ântÊ t.rt.1l<br />
cepfrulo 22<br />
4.204<br />
2.220<br />
3 311<br />
2.264<br />
0<br />
12.005<br />
LJ at jvo circut:rntc tambem ú conhecido cotno "ativo cle giro" cla<br />
einpÌesa porque Ìaz parte clo ciclo clo caixa que compta estoque;<br />
em seguida, o estoque é vendido a fornecedores e se [orna contas<br />
a receber. As contas a recel¡er, quanclo pagas pelos lornecectores,<br />
voltam a se totnar caixa. Caixa -+ Estoque -+ ConLas a receber<br />
) Caixa. Esse ciclo se repete conlinuîmcnle, e c asslm que uma<br />
companhia ganha dinheiro.<br />
Os diferentes elementos do ciclo clo ativo circulante poclem<br />
revelar muilas coisas a Bulfelt acerc¿r cla natureza econômica cÌa<br />
empresa e se ela lem ou não uma vantagem competitiva clurável<br />
no me¡cado<br />
rfl 67
T<br />
Caixa e investimentos <strong>de</strong> curto prazo:<br />
a recompensa cle <strong>Buffett</strong><br />
Balanço patrimon¡al/Ativo<br />
(em mfhões <strong>de</strong> R$)<br />
) Caixa e ìnvestimentos <strong>de</strong> curto prazo<br />
Estoque tolâ<br />
Contâs a receber<br />
Despesas pagas antecip¿d¿ì¡¡ente<br />
oemãis ativos circulantes<br />
Ativo circLrlante total<br />
c,rpilu ro 23<br />
4.204<br />
2.220<br />
3.311<br />
2.260<br />
0<br />
12.005<br />
t_f<br />
LJ ma das primeims coisas que <strong>Buffett</strong> faz é analisa¡ o âlivo para<br />
ver <strong>de</strong> quanto caixâ e inves[imentos cle curto prazo uma elnpresa<br />
clispöe: certilicados <strong>de</strong> <strong>de</strong>póslros bancários, letras <strong>de</strong> três meses<br />
clo Tesouro ou outros ativos com grancle liqui<strong>de</strong>z. Uma cifra alta<br />
em caixa e investimen[os <strong>de</strong> curto prazo poclem informar a <strong>Buffett</strong><br />
duas coisas: c¡ue uma companhia tem uma vantagem competitiva<br />
e está gerando montes <strong>de</strong> drnheiro, o que é uma boa coisa,<br />
ou que essa empresa acabou cle ven<strong>de</strong>r um negÓcio ou umâ tonelacla<br />
cle títulos, o que po<strong>de</strong> não ser uma boa nolícia. Uma quântida<strong>de</strong><br />
baixa ou a ausencia cle ativo clisponÍvei em geral significa<br />
c¡ue ela tem condiçöes econÔmicas ruins ou meclíocres Para <strong>de</strong>scobrir<br />
qual das duas opÇoes é a válicla, vamos analisar com um<br />
pouco mâis cle profundiclacìe o ativo disponÍvel.<br />
As empresas tracliclonalmente guarclam muilo ativo cìisponivel<br />
para respaldar suâs operaçóes. Consiclere-o um enorme talão<br />
cle cheqr-res. Mas, se es[amos ganhanclo mais clo que estamos<br />
,<br />
I<br />
1:<br />
tl<br />
,<br />
gastancto, o alivo disponÍvel começa a se acumular e isso cria<br />
um problema <strong>de</strong> investimento: o qtre fazer com o excealente? eue<br />
problema interessante!<br />
Corno o clinherro recebe uma taxa llaixâ cte remuneraçao em<br />
uma contâ bancária ou em um certilicaclo <strong>de</strong> <strong>de</strong>pósito, é melhor<br />
empregar o aLrvo clisponÍvel em operaçóes comerciais ou inveslimentos<br />
qlte geÌam uma taxa <strong>de</strong> reto¡no mais alta. o que vocé<br />
quer ter? Um certilicado cle clepósito bancário cLue está ren<strong>de</strong>ndo<br />
7% sobre o capital investiclc¡ oll LÌm âpartamento que lará o seu<br />
inveslimento lencler l2olo? Você escolhe o apar[amento. O mesmo<br />
acontece com Lrma empresa. O clinheiro var en[rando e, se<br />
não for gasto coln custos operaciorLais, comeÇa â se acumula¡.<br />
Enqlrânto se acumtrla, a companhia precisa <strong>de</strong>cictir o c¡ue fazer<br />
com ele. Tradicionalmenle, elas usam o exceclente cle caixa para<br />
expanclir suas operaÇoes, compram inlegralmente novas empresas,<br />
invesLem parcralmente na Bolsa <strong>de</strong> Valo¡es, recompram<br />
suas ações oLì pagam c[iviclendos aos actonistas. Mas, com muira<br />
frequência, elas simplesmenre guardam o exce<strong>de</strong>nte para clias<br />
dilÍceis. Nunca estamos financeiramente preparados em nosso<br />
mundo sempre rrutável e <strong>de</strong>safiaclor.<br />
Uma empresa tem basicamente três maneiras <strong>de</strong> gerar uma<br />
montanha <strong>de</strong> ctinheiro. Po<strong>de</strong> vencler novos tÍtulos ou participação<br />
patrimonial ao pÍrblico, o que gera uma grancle quantidâ<strong>de</strong><br />
cle caixâ antes <strong>de</strong> ele ser colocaclo em uso. Também po<strong>de</strong> vencler<br />
um negócio extstente ou outros ativos <strong>de</strong> sua proprieda<strong>de</strong>. Ou,<br />
r'nlíio. x companhir lem unl negócio cm cut-so que gerr m.ris<br />
dinheiro do que gasta. É essa l-rìpótese cle uma montanha <strong>de</strong><br />
clinheiro gerada que realmente chama a atenção <strong>de</strong> Bulfet¡. Uma<br />
empresa que tem um exce<strong>de</strong>nte <strong>de</strong> caixa por causa <strong>de</strong> um negócio<br />
em anclamento muiLas vezes tem algum tipo cle vantagem<br />
competitiva durável a seu [ãvor.<br />
Ao analisar uma companhia que esteja passanclo poì. Ltm problerna<br />
cle curto ptazo, fazenclo com que a mÍope Wall Street<br />
(fì 69
ecluza a cotaÇão clas sllas açöes, <strong>Buffett</strong> exarnina o ativo disponível<br />
ou os valores mobiliários negociáveis acumulados para<br />
saber se a empresa terá fôlego fìnanceiro Prrr sllpcrllr ¡ crise na<br />
qual se meleu.<br />
Então, eis a regra: se virmos muito alivo clisponÍvel e valores<br />
mobiliários negociáveis e pouca, ou nenhuma, tlivida, é bem<br />
provável clue a companhia consiga superar os tempos clifíceis'<br />
Mas, se está precisanclo muito cle dinheiro e se percebe sentacìa<br />
sobre uma pilha cle dÍvidas, a organizaÇão provavelmente é ul.I1<br />
navio que está afunclanclo e c¡tìe nem mesmo o mais habllicloso<br />
gestor po<strong>de</strong>rá salvar.<br />
Um teste simples para verificar exatamente o que está gerânclo<br />
tocìo o ativo disponÍvel é lazer a análise dos balanços patrimoniais<br />
clos (ìltimos sete anos. lsso revelará se o ativo clisponível<br />
acumttlado fot criaclo por um evenlo único - tal como a venda<br />
cle novos tÍtulos ou açÕes, oll a venda cle um aLivo ou c1e um<br />
negócio existente -, ott se foi gerado por operaçÕes comerciais<br />
em curso. Se virmos um monte <strong>de</strong> dividas, prûvavelmente nào<br />
estârelflos lidando com uma empresa excepcional Mas, se vÌrmos<br />
um monle cle arivos clisponÍveis se acumulanclo, pouca ou<br />
nenhuma clívicla, e nenhttma venda cle aÇóes ou ativos, e além<br />
disso notarmos também um histórico cle Lucro constante, provavelmenle<br />
estatemos diante <strong>de</strong> uma companhìa excelente com a<br />
vantagem competitivâ clurável que <strong>Buffett</strong> está procuranclo - o<br />
tipo <strong>de</strong> organização que nos tornará ricos no longo prazo<br />
Parâ não esquecermos: ativo clisponíveì é essenciâl em tempos<br />
tliliceis, portanto, çc nos o tivermoq e no>S:ls con(olrÈntes ní1o.<br />
nós é que vamos cia¡ as câl tas.<br />
E clar as cartas é tão bom quanto dizem<br />
.<br />
i<br />
.]'.<br />
cÀPiruLo 24<br />
Estoque: o que a empresa precisa<br />
compfar e ven<strong>de</strong>r<br />
Balanço patr¡mon¡al/At¡vo<br />
(em milhôes <strong>de</strong> R$)<br />
Caixa e investimenlos <strong>de</strong> curto prazo<br />
r Êstoque total<br />
Contas a feceber<br />
Despesas p¿gas antecipadamente<br />
Demals ôtivos circuÌantes<br />
Alivo circulante total<br />
4.204<br />
3.311<br />
2.260<br />
0<br />
12 005<br />
O Er,oqu" é fo¡maclo pelos procluLos cla empresa que estão<br />
armazenados para se¡em vendidos aos seus clienles, e também<br />
pelos proclutos em fase <strong>de</strong> labricação e pela matéria-prima, nas<br />
rndústrias. Como um balanço parrimonial se refere sempre a um<br />
clia especÍlico, a quantida<strong>de</strong> encontracla no balanço patrimonial<br />
é o valor do estoque da empresa nâquela datâ.<br />
Em muitas companhias, há o risco <strong>de</strong> o estoque se torna¡ ob,<br />
soleto. Mas, como cliscutimos pteviamente, as empresas fabris<br />
com uma vantagem competitiva durável ¡êm urn pon[o a selt [a_<br />
vor, pois os produtos que elas ven<strong>de</strong>m nunca muclam e, portanto,<br />
nunca se tornam obsole¡os. Essa é uma vânlagem que Buffetr<br />
cluer ver.<br />
Ao tentar i<strong>de</strong>ntificar uma companhia fabril com Ltmâ vântagem<br />
competitiva durável, procure um es[oque e ì-ìm lucro liquido<br />
([ue estão cons[an[emente em aumento. lsso inclica que ela eslá<br />
cncontrando maneiras tenláveis cle aumenta¡ as venclas, e esse<br />
70<br />
7l
I<br />
aumenlo exigiu um alunen[o clo estocluc pîra que ela puclesse<br />
satisfazer seus pecliclos em lempo.<br />
Empresas fabris cotn estoques que âumcnLânì r:apiclamente<br />
clurante alguns anos e que, clepois, com ¿ì ùrcstì1¿ì rapÌclez, são<br />
recluzidos, murto provavelmente läzem parlc cie um seto¡ altamenle<br />
competi[ivo sLÙeito a expansÓes e reltaçoes. l: ninguém<br />
enriquece com retraÇoes.<br />
i<br />
.<br />
:<br />
cÀPfTULo 25<br />
Contas a receber, saldo líquido: dinheiro<br />
<strong>de</strong>vido à empresa<br />
Balan(o patrimonial/Ativo<br />
(enì milhóes <strong>de</strong> R$)<br />
::<br />
Caixa e rnvestimenlos <strong>de</strong> curto pr¿zo<br />
Estoque total<br />
ì Contas a receber<br />
Despesas pagas ãntecipaclamcnte<br />
Demais ativos circLilantes<br />
Ativo c rcL¡l¿nte totâl<br />
4.204<br />
2.220<br />
3 317<br />
2.260<br />
0<br />
12.005<br />
L/uando rìmt ernpres¿r vcndc seus proclutos, ìsso é leito com<br />
base em um pagamento à vlsta ou coln prâzo cie 30 dias ou mais<br />
após o recebimento ctos bens por parte do comprador. As venclas<br />
nessa espécie cle Limbo, no qual a entracla cle carxa é posrergada,<br />
clão origern a Contas a receber. Trata-se <strong>de</strong> clinheiro clevido à empresa.<br />
Como cerla porcentagem cle compraclores aos c¡uais loram<br />
vencliclos bens nâo eletuará o pagamento, uma quanticlacle estimacla<br />
cle clÍvidas rncobráveis é <strong>de</strong>duzida clas Contas a receber. e<br />
essâ provisão é abatida do lucro.<br />
O Conlas a receber por si só nos informa muito pouco sobre<br />
î \'anlagenl competitiva <strong>de</strong> longo prazo da empresa. No entanto,<br />
csse valor nos revela rnuito sobre as vár-.las empresas do mesmo setor.<br />
Em setores muiLo competitìvos, algumas companhias tentarào<br />
ganhar vantagem oferecendo me[rores concliçoes cle pagamento -<br />
cm vez cle 30 dias, elas poclem oferecer aos compradores l20 clias.<br />
lsso aca¡retará um âumento nas vendas e nas contas a receber.<br />
t)<br />
73
Se utna em¡)r'esa está constantemente mostranclo unìa porccnt¿lgem<br />
mars baixa <strong>de</strong> Contas a ¡eceber ern relaç¿1o às Vendas<br />
l¡rutas clo c¡ue suas concorrentes, geralmente é ¡rorqne ela tem a<br />
seu favor algum tipo <strong>de</strong> vantagem competitiva quc as outras não<br />
têm.<br />
:<br />
:<br />
.!<br />
'ìi<br />
]<br />
t<br />
cAPirulo 26<br />
Despesas pagas antecipadamente/<br />
Demais ativos circulantes<br />
Balanço patrimonial/At¡vo<br />
(em milhões <strong>de</strong> R$)<br />
Caixâ e investimentos <strong>de</strong> curto prazo<br />
Estoque totãl<br />
Contâs a receber<br />
-+ Despesâs pagas anlecipadâmente<br />
r Demais ativos circulantes<br />
Ativo circulante total<br />
4.204<br />
2.220<br />
3.311<br />
2 260<br />
0<br />
12.005<br />
f\s ^ empresas às vezes pagam pol bens e serviços que vâo receber<br />
no futuro próximo, embora ainda não tenham tomado<br />
posse dos bens ou ¡ecebido os benelícios do serviço. Apesar <strong>de</strong><br />
não terem siclo recebidos, estao pagos, portanto, são âtivos. Eles<br />
são lançados como a[ivo circulante na conta <strong>de</strong> Despesas pagas<br />
antecipadamente. Prêmios <strong>de</strong> seguros para o ano seguinte, que<br />
são pâgos previamente, seriam uma clessas <strong>de</strong>spesas pagas <strong>de</strong><br />
maneira antecipada. As Despesas pagas antecipadâmente nos<br />
oferecem poucas informaçoes sobre a natureza cla companhia ou<br />
sobre uma eventuâl vantagem competitiva durável.<br />
Os clemais ativos ci¡culantes são âtivos que estarao disponÍveis<br />
no prazo <strong>de</strong> um ano, mas qlle ainda não foram recebidos<br />
pela empresa, Aí estão incluidas restiruiçoes diferidas <strong>de</strong> tributos,<br />
que <strong>de</strong>vem ser recebidas em até Ltm âno, mas que aincla não<br />
estão com a companhia.<br />
1+<br />
75
l:<br />
:<br />
Ativo circulante total e o coeficiente cle liquiclez<br />
Ealanço patr¡moniâl<br />
(em milhöes <strong>de</strong> R$)<br />
Caixa e investimerìtos <strong>de</strong> curto pr¿zo<br />
Esloque total<br />
Contas a receber<br />
Despesas pag¿s antecipâdamente<br />
Dem¿is ãtivos circulantes<br />
) Ativo circulante total<br />
cÁPirUr.O 27<br />
4.208<br />
2.22A<br />
3 317<br />
2.260<br />
0<br />
17 00s<br />
O A,luo circulante total é um nÍrmero que há muiLo tempo clesempenha<br />
um papel importânte na análise financeira. Os analistas<br />
têm tracticionalmente argllmenlaclo que a subrração clo<br />
passivo circulanle clo ativo crrculante inclica se uma empresa<br />
pocle cumprir suas obrigaçöes cie curto prazo. Eles <strong>de</strong>senvolve,<br />
ram o coeficiente <strong>de</strong> hquiclez, qlle cleriva cla clivisão clo atrvo<br />
circulante pelo passivo circulante - quan[o mais alto o coeficiente,<br />
maior a liquiclez cla empresa. Um coeliciente cle liquiclez<br />
superior a I é consi<strong>de</strong>¡ado bom, e clualquer coisa abarxû cle 1 e<br />
consicleracla ruim. Neste caso, acredita-se que a companhia terá<br />
clificutclacle em cumprir suâs obrigaÇoes cle cllr.to prazo junto a<br />
seus credores.<br />
O mais curioso em muitas empresas que possuem Lìma vântagem<br />
competitiva durável é que, com bastante frequência, seu<br />
coeficiente <strong>de</strong> liquiclez fica abaixo clo mágico l. O cla Moody's<br />
fica em 0,64; o cla Coca-Cola, em 0,95; o da P¡octer 6¡ Gamble,<br />
i<br />
..<br />
em 0,82; e o da Anheuser-Busch, em 0,88. De uma perspectiva<br />
tradicional, isso stgnifica que tais organrzaçóes poclem rer cliliculda<strong>de</strong>s<br />
para pagar stras obrigaçoes cle curto prazo. O que está<br />
realmente acontecenclo é que seu pocler <strong>de</strong> gerar lucro é tão lorte<br />
que elas poclem facrlmenLe cobrir seu passivo cilculante. Da<br />
mesma maneira, por causa <strong>de</strong> seu lremendo pocler <strong>de</strong> geraçâo<br />
cle luclo, essas companhias não têm problema para utilizar. com<br />
baixo custo o me¡caclo cle papéis comerciais caso precisem cle<br />
mais ativo cle curto prazo.<br />
Elas também poclem pagar generosos dìvi<strong>de</strong>nclos e realizar recompras<br />
cle açóes, que são iniciativas que recluzem as reservas<br />
<strong>de</strong> ativo circulante e ajuclam a pLtxar o coeficiente <strong>de</strong> liquiclez<br />
para menos <strong>de</strong> L Mas é a consistência clo seu po<strong>de</strong>r cle geraçâo<br />
<strong>de</strong> lucro, uma consequência cle sua vantagem competitivâ c[urável,<br />
que garante que essas empresas possam cobrir seu passivo<br />
ci¡culante e n¿to sejam vÍtimas clas vicissitucles clos ciclos cle negócios<br />
e clas Lecessöes.<br />
Ëm suma, há muitas companhias com uma vantagem compelrLiva<br />
clurável cLue Lêm coelìctentes cle liqui<strong>de</strong>z inferrores a L.<br />
Elas criam uma anomalia que torna esse coeficiente quâse inútil<br />
para que possamos i<strong>de</strong>ntificar se uma empresa tem ou não uma<br />
vanlagem competitiva clu¡ável.<br />
76<br />
77
T<br />
I<br />
Ativo imobilizado'. para <strong>Buffett</strong>, não têlo<br />
po<strong>de</strong> ser uma boa coisa<br />
Bâlânço patr¡mon¡al/Ativo<br />
(em milhóes cle R$)<br />
Ativo circulante total<br />
+ Ativo ìmobilizâdo<br />
Fundo <strong>de</strong> comércio, valor líquldo<br />
Ativos inlanglveis, valor líquido<br />
lnvestimentos <strong>de</strong> longo prazo<br />
Demôis ativos <strong>de</strong> longo prazo<br />
Demais atìvos<br />
Ativo náo aircul¿nte tot¿l<br />
Ativo total<br />
cAPÍTlJr.o 28<br />
12.005<br />
8.493<br />
4.246<br />
7.863<br />
7.771<br />
2.675<br />
0<br />
31 054<br />
43 059<br />
\-J valor total das propriedacles <strong>de</strong> uma empresa, da sua fábrica e<br />
<strong>de</strong> seus equipamentos é indicaclo no balanço patrimonial como um<br />
ativo. O lançamento correspon<strong>de</strong> ao seu valor original menos a <strong>de</strong>preciaÇão<br />
acumulacia. Depreciação, como explicamos ante¡iormente,<br />
é o que acontece à medida que o ativo imobilizado sofre <strong>de</strong>sgaste;<br />
a cada ano, o ativo imobilizaclo percle um pouco clo seu valor.<br />
Companhias que não têm uma vantagem competiliva <strong>de</strong> longo<br />
prz'zo enfrentam concorrência constante, o que signìfica qtre<br />
elas precisam o tempo toclo aprimorar suas instalaçÕes fabris<br />
para lenlarem se mantel competitivas, muitxs vezes antes que os<br />
equipamentos estejam <strong>de</strong>sgastados. lsso, é claro, cria nma <strong>de</strong>spesa<br />
constante que muitas vezes é bastante significal-iva e vai se<br />
acumulando no valor do ativo imobilizado lançado pela empresa<br />
em seu balanço patrimonial.<br />
.<br />
::,:<br />
.il<br />
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,<br />
:<br />
Uma companhia com uma vantagem competitiva clurável não<br />
precisa mo<strong>de</strong>rnizâr constantemente sua fábrica e seus equipamenlos<br />
para se manter competitiva. Veja o caso da fabricante <strong>de</strong><br />
chicìetes Wl:igley. Ela cónstruiu uma fáb¡ica c¡ue procluz goma<br />
<strong>de</strong> mascar e só precisa mo<strong>de</strong>rnizar as instalaçÕes e os equipamentos<br />
quando eles estiverem clesgastaclos.<br />
A empresa c¡ue possui uma vantagen competitìva durável,<br />
portanto, substi[tri seu ativo imobilizado à medicla que ele vai se<br />
<strong>de</strong>sgastando, ao passo que a que nao tem uma vantagem competitiva<br />
clurável tem <strong>de</strong> substituir seu ativo imobilizado para se<br />
manter par a p:ìr com r con(orrenci:Ì.<br />
Uma companhì.a com uma vântagem competitiva durável será<br />
capaz cle flnanciar internamente fábricas e equipamentos novos.<br />
Mas uma que nâo lenha essa vantagem será forçada a contrair<br />
clívicìas para financiar sua necessiclacle constante <strong>de</strong> reequipar<br />
suas lábricas para se manter em dia com a concorrència.<br />
Vemos isso ao observar uma empresa com uma vânlagem<br />
competitìva <strong>de</strong> longo prâzo, como a Wrigley, que tem um ativo<br />
imobilizado <strong>de</strong> US$ l,,i bilhao, dividas no valor <strong>de</strong> US$ I<br />
bilhao e um lucro <strong>de</strong> aproximaclamenre US$ 500 milhóes por<br />
ano. Compare-a com uma companhia sem uma vantagem competitiva<br />
clurável, como a GM, que tem um ativo imobilizado <strong>de</strong><br />
US$ 56 bilhoes, dÍvidas no valor <strong>de</strong> US$ 40 bilhoes e teve prejuÍzo<br />
nos últimos clois anos.<br />
Goma <strong>de</strong> mascar não é um produro que muda muito, e a marca<br />
Wrigley garante uma vantagem competitiva em relação às empresas<br />
r.ivais. Mas a GM tem <strong>de</strong> competir cli¡etamente com todas as<br />
monladolas <strong>de</strong> automóveis do planeta, e seu mix <strong>de</strong> produtos precisa<br />
ser constantemente atllaìizado e reprojetado para permanecet<br />
à frente da concorrência. lsso significa que as fábricas da GM precisam<br />
ser regularmente reec¡uipadas para produzir novos bens.<br />
Produzir goma <strong>de</strong> mascar é um negócio muito melhor e rentável<br />
para os acionistas do que produzir ca¡ros. Pense no seguinte:<br />
79
:<br />
il<br />
US$ 100 mil investicìos na Wrigley em 1990 valeriam aproximadamente<br />
US$ 547 mil em 2008. Mas US$ Ì00 mil investrdos<br />
na GM em 1990 valeriam cerca cle US$ 97 mit cm 2008. lsso<br />
significa uma difêrença cle US$'160 mil a lhvor clos ¿rcionistas<br />
c,\PÍTrlt o 29<br />
Fundo <strong>de</strong> comércio<br />
::<br />
da Wrigley. Eles foram mascando chicle te alegrctncÍìte rLtmo :ì<br />
riqlreza, ao passo que os acionistas da GM viram suir riciueza<br />
<strong>de</strong>rrapar e <strong>de</strong>spencar <strong>de</strong> uma ribanceira.<br />
Como <strong>Buffett</strong> costuma clizer, fab¡icar um procluto conststenle,<br />
que não precisa muclar, signilica tel lucro conslîn[e. Um procluto<br />
sólido sìgnifica qlre você não plecis¿ì gastar monles cle dinheilo<br />
mo<strong>de</strong>rnizancto seu ativo imobilizâcio só par:ì se manter<br />
competitivo, o que libera muito clinhciro para oLttros empreendimentos<br />
rentáveis. Para enriquccer, Lemos pl-imeiro <strong>de</strong> ganhar<br />
clinheiro, e ganhar muLLo ajucia. Ut.na clas maneiLas é nào ser<br />
obrigaclo a gastar grancles quan[ias para se manter par a par com<br />
::ì concorrencia.<br />
ìl<br />
.i..<br />
Balanço Patrilnonial/At¡vo<br />
(em rnilhoes <strong>de</strong> R$)<br />
Ativo circu ante total<br />
Ativo imobiIzado<br />
e Fundo <strong>de</strong> coméÍcio, vaior líqu do<br />
Outros ¿tlvos intangfveis, v¿lor lfqLrido<br />
lnvestimentos (particip¿çóes perm¿nentes em oütr¿s er¡pr€lsãs)<br />
lnvestimentos (outros direitos)<br />
Ativo náo circulante totâl<br />
Ativo toial<br />
12.005<br />
4.493<br />
4.246<br />
7.863<br />
7.177<br />
2 615<br />
31.054<br />
43.059<br />
L/uencto a Exxon tompm r empresa petrolÍfera XYZ e paga um<br />
valor superior ao seu valor contábil, o exce<strong>de</strong>nte é lançado no<br />
balanço patrimonral daquela como fundo cle comércio. Se complarmos<br />
muitas companhias por um valor superior ao seu valor<br />
contáblì, acabaremos com um lundo c1e comércio alto no nosso<br />
balanço patrimonial.<br />
O lunclo <strong>de</strong> comércio costumava ser abaticlo clo hrcro cla empresa<br />
por meio cle um processo cle clepreciação, o que causava<br />
um débito anual em relaçâo ao lucr-o na <strong>de</strong>monsrraçáo <strong>de</strong> resultaclos.<br />
Mais recentemen[e, o Fasb (Financial Accounting Stanclards<br />
Boarcl)* <strong>de</strong>cicliu que o funclo cle comér'cio só teria <strong>de</strong> ser<br />
'r' Comissâo cle Padröes cle ConLabilicla<strong>de</strong> Firal]ceìra, órg,ro cllLc estabeiece os<br />
pr-incÍpios ger¿ris aclot¿ìclos n¿l elabolação cle <strong>de</strong>nonstr¿ltivos linanceiros e/ou<br />
relatórios <strong>de</strong> empresas nos Estaclos Unidos. (N. clo E.)<br />
80 BI
T<br />
:<br />
amortizado se a empresa à qual estava vinculaclo estivesse per<strong>de</strong>ndo<br />
valo¡.<br />
Toda vez que cons[atamos um aumento no funclo cle comércio<br />
<strong>de</strong> uma empresa ao longo <strong>de</strong> alguns anos, poclemos <strong>de</strong>duzir<br />
que o motivo são aquisiÇoes <strong>de</strong> outras companhÌas. lsso po<strong>de</strong><br />
ser uma boa coisa se a organização estivel comprando outras<br />
c,\PiT u Lo 30<br />
Ativos intangíveis: medindo o incomensurável<br />
que também tenham uma vantagem competitiva dur'ável. Se a<br />
conta <strong>de</strong> fundo <strong>de</strong> comércio permanece igual ao longo clos anos,<br />
é porqlle a empresa está comprando outra companhia por um<br />
valor inferior ao seu valor contábil ou não está lazendo nenhuma<br />
aquisição.<br />
Balan(o patr¡mon¡al/At¡vo<br />
(em milhóes <strong>de</strong> R$)<br />
Ativo circulante total<br />
Ativo imobilizado<br />
12 005<br />
8 493<br />
As empresas que têm algum tipo cle vantagern competitiva clurável<br />
c¡uase nuncâ são vencliclas por um valor rnferior ao valor<br />
Fundo <strong>de</strong> comércio, valor líquido<br />
+ Ativos intangÍveis, valor líquido<br />
lnvestimentos <strong>de</strong> longo pr¿zo<br />
4 246<br />
1.463<br />
7.777<br />
contábil. Dìzemos qLrase nunca, mas, às vezes, isso acontece. E,<br />
l<br />
Demais ativos <strong>de</strong> longo pÍazo<br />
2 615<br />
quando acontece, po<strong>de</strong> ser a gran<strong>de</strong> chance <strong>de</strong> uma vicÌa.<br />
At vo náo circulante tolãl<br />
Ativo total<br />
31 .054<br />
43 059<br />
1\tivos ^ intangiveis nào poclem ser tocados fisicamente e incluem<br />
patentes, direitos aulorais, marcas registradas, franquias e coisas<br />
<strong>de</strong>sse tipo. Há muito tempo, uma empresa podia lançar no item<br />
ativos intangÍveis qualquer avaliação antiga que consi<strong>de</strong>rasse<br />
válida. lsso causou algumas avaliaçÕes mui[o interessantes e<br />
muitos abusos. Atualmen[e, as companhias não poclem lançar<br />
ativos intangíveis <strong>de</strong>senvolvidos internamente no balanço patrimonial.<br />
lsso pôs um fim a adulteraçoes clo baÌanço pâtrimonial<br />
com avaliaÇoes lantasiosas cle ativos intangíveis.<br />
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i:'r<br />
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Os alivos intangíveis que sâo adquiridos dè terceiros, no entanto,<br />
são lançados no balanço patrimonial com seu valor iusto.<br />
Se um ativo tem uma vida finita - como Llma patente -, o seu<br />
valor é amortizado ao longo <strong>de</strong> sua vida útil com uma <strong>de</strong>dução<br />
lançada anualmente na <strong>de</strong>monstração do resultado do exercício<br />
e no balanço patrimonial.<br />
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83
1<br />
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Um fenômeno estranho ocone com empresas clue se beneliciam<br />
cle uma vantagem competitiva clurável. Vejamos o exemplo<br />
cla Coca-Cola Company: a marca Coca-Cola vale mais <strong>de</strong><br />
US$ 100 bilhÕes; no entanto, por ter siclo clesenvolvicla inter namente,<br />
o seu valor real como ativo intângÍvel nâo é ¡efleticlo no<br />
balanço patrimonial cla companhìa. O mesmo se aplica à Wrigle¡<br />
à Pepsi Co., ao McDonald's e até mesmo ao Wal-Mart. Cacla uma<br />
clelas rem uma vantagem competiliva clnrável vincuLada clrretamente<br />
ao seu nome; porém, o valor do seu ativo mais valioso, o<br />
seu nome, nao é reconheciclo em serl balanço patrimonial.<br />
Esse é um dos motivos pelos quais o pocler cla vantagem competitiva<br />
durável <strong>de</strong> aumentar a riqueza clos acionrstas permaneceu<br />
esconcliclo dos investiclores por LanLo tempo. Â menos qlre<br />
comparem l0 anos cle clemonsLr¿ìÇoes cle ¡esultaclo, os investiclores<br />
náo lenì como saber cla eristência <strong>de</strong> tal vantagem competìtiva<br />
ou clo seu potenciâl para torná-los riquíssimos. Foi assin-r qtre<br />
<strong>Buffett</strong> pO<strong>de</strong> comprar gran<strong>de</strong>s participaçôes em.empresas tão visÍveis<br />
como a Coca-Cola enquanto todos observavam. No entanto,<br />
ninguém sabia por que ele estava fazenclo aquilo. A Coca-Cola<br />
era cara clemais para fazer sentido para os investiclores em valor<br />
que seguiam Graham, e a sua cotação não era slrficienlemente<br />
volátil para ser interessante para os negociantes cle Wall Street.<br />
O que <strong>Buffett</strong> conseguin ver loi a vantagem competitivâ {lurável<br />
da Coca-Cola e o po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> geração cle lucro no longo prazo por<br />
ela proporcionaclo. Um po<strong>de</strong>r cle geração cte lucro c¡ue, ao longo<br />
do tempo, o ajudarla a se tornar o homern mais rico clo mundo.<br />
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cAPiruro 3l<br />
Investimentos <strong>de</strong> longo prazo: um dos<br />
segredos do sucesso <strong>de</strong> <strong>Buffett</strong><br />
Bãlanço palrimon¡al/At¡vo<br />
(em milhões <strong>de</strong> R$)<br />
Alivo circulante total<br />
Ativo imobil'zado<br />
Fundo <strong>de</strong> comércio, vâlor líquido<br />
Ativos intanqíve s, vâlo¡ líquido<br />
) lnvestimentos <strong>de</strong> longo prazo<br />
Demais ativos <strong>de</strong> lonqo prazo<br />
Ativo não circulante total<br />
Aiivo total<br />
12.005<br />
8.493<br />
4.246<br />
7 .463<br />
7.777<br />
2.615<br />
31.054<br />
43.059<br />
E -f,ss¿t c uma contr clc :rtivos, no bâlanço patrimonial <strong>de</strong> uma<br />
empresâ, no c¡ual é registraclo o vai.or clos investimentos <strong>de</strong> longo<br />
prazo (superiores a um ano), lais como açoes, títulos e imóvers.<br />
Essa conta lnclui investimentos nas afiliaclas e subsicliárias cla<br />
companhia. O que é interessante na conta cle investimentos cle<br />
longo prazo é que essa classe cle ativo é lânÇacla nos hvros com<br />
seu preço <strong>de</strong> custo ou cle mercaclo, o que fol mais baixo. Mas<br />
o lançamento não pocle ser leito com um preÇo superior ao do<br />
cllsto mesmo que os investimentos tenhâm se valorizaclo. lsso<br />
signitìca que uma empresa pocle ter nm ativo muito valioso cpre<br />
está lançaclo em seus livros com um valor consicle ravelmente<br />
mais baixo do que o seu pre Ço cle mercado.<br />
Os investimentos cle longo prazo poclem nos inlolma¡ muito<br />
acerca cia lenclência cle investimentos cla clireção cla empresa.<br />
Ela investe em olltras companhias que Ìlossuem v¿tntagens<br />
8+ 85<br />
:
:...:<br />
t::<br />
ii<br />
f:<br />
I<br />
f:l<br />
competitivas duráveis ou que estão em mercâdos âltamente competitivos?<br />
Às vezes, vemos a ec¡uipe <strong>de</strong> gestão cte urna emples:l<br />
maravilhosa [azendo investimentos em negócios medÍoc¡es simplesmente<br />
porque acha que mâior é melhor. Em algumas ocasioes,<br />
vemos algum gestor iluminado <strong>de</strong> uma empresa meclÍocre<br />
fazendo investimentos em organizaçöes que têm Llma vantagem<br />
competitiva durável.<br />
Foi assim que <strong>Buffett</strong> transformou a sua hokling, a Berkshire<br />
Hathawa¡ no império que é hoje. Ela já loi urna empresa medíocre<br />
no altamente competitivo setor têxtil. Bu[[ett comprou uma<br />
participação controladora, parou <strong>de</strong> pagar cliviclenclos a fim cle<br />
acumular ativo disponÍvel e, clepois, usou o capital <strong>de</strong> giro da<br />
companhia para comprar uma seguraclora. Em seguida, ulilizanclo<br />
o ativo da segutadora, ao longo <strong>de</strong>'10 anos, loi comprando<br />
empresas qlre possllíam vantagens competitivas duráveìs.<br />
Se você aL¡ibuir uma vantâgem competitiva durável a uma<br />
empresa medÍocre várias vezes, ela se tornará uma gran<strong>de</strong><br />
companhia.<br />
li<br />
i<br />
il<br />
Balanço patr¡mon¡al/Ativo<br />
(em m noes <strong>de</strong> tt$)<br />
Ativo circulante total<br />
Ativo imobilìzado<br />
c,rpiruro 32<br />
Demais ativos <strong>de</strong> longo prazo<br />
Fundo <strong>de</strong> comércio, valor líquido<br />
Ativos lntangfveis, valor líqutdo<br />
lnvestimentos <strong>de</strong> longo prazo<br />
) Demais ativos <strong>de</strong> longo prazo<br />
Ativo náo circLllante total<br />
Ativo totãl<br />
12.005<br />
8.493<br />
4.246<br />
7.863<br />
7.777<br />
2 615<br />
31.054<br />
43 059<br />
P"rlse em "Demais ativos <strong>de</strong> longo prazo" como um conjunto gi-<br />
.a): 'a,<br />
gante <strong>de</strong> ativos <strong>de</strong> longo prazo - com vida util superior a um ano<br />
que não sâo regisrrados nâs categorias <strong>de</strong> Ativo imobilizadc¡,<br />
-<br />
liundo <strong>de</strong> comércio, Arivos intangÍveis e Investimentos <strong>de</strong> longo<br />
:t)<br />
;ì<br />
:j<br />
fl<br />
t::<br />
prazo. Um exemplo cle lançamento na rubrica Demais ativos <strong>de</strong><br />
Longo prazo seriam <strong>de</strong>spesas pagas antecipaclamenre e resti[uiçoes<br />
<strong>de</strong> tributos que <strong>de</strong>verão ser recebidas nos anos seguintes.<br />
Os Demais ativos <strong>de</strong> longo prazo têm pouco a nos informar<br />
acerca cla eventual vantagem competitiva durável da empresa em<br />
questão.<br />
B6<br />
B7
c ÁPrr u ro 33<br />
Ativo total e retorno sobre o ativo total<br />
Balânço patr¡monìal/Ativo<br />
(er¡ milhões <strong>de</strong> R$)<br />
Atìvo circulante total<br />
Ativo imobìlizado<br />
tundo <strong>de</strong> (omérclo, vêlor líquido<br />
Ativos intangíveìs, valor líquìdo<br />
lnvestìmentos <strong>de</strong> ongo pr.rzo<br />
Dem¿is ãtivos <strong>de</strong> longo prazo<br />
Ativo náo ciraul¿nÌe totð<br />
) Ativo total<br />
12 005<br />
8.493<br />
4.246<br />
7 863<br />
7.771<br />
2.675<br />
31.054<br />
43.459<br />
Procter & Gamble tem um ativo cte US$ .1,t3 bilhoes e utr retotno<br />
sobre o alrvo cle 7%. Mas unra companhia como a Moocly's,<br />
qlle tem Lun ativo cle US$ .1,7 bilhäo, apresent¿ì um retorno sobre<br />
o ativo <strong>de</strong> 43olo.<br />
llmbora muitos analis[as algumentem qlte quânto maior o<br />
retorno sobre o ati.vo, melhor, Bullett clescobriu que retornos<br />
sobre o aLivo ¡ealmente altos poclem inciicar urn aspecto vulnerável<br />
na durabilicla<strong>de</strong> cla vantagem competiti\,â cle uma empresa.<br />
Levantar LISIIì 43 brlhOes para enlrental a Coca,Cola é uma<br />
tarefa impossÍvel - não há chance cle isso aconrecer. lvlas levantar<br />
US$ 1,7 bÌLhao para enlì-entar a Moody's é algo possível. Apesar<br />
cle o coelicienle cle retorno cla Moocly's ser muito super-ior ao<br />
cla Coca-Cola, a clulabiiiclacle cla vanragem competitiva claqllela<br />
companhia é lnulto mais lraca por causa clo cuslo mais baixo<br />
pâta Se entr¿ì[ no Seu negócio.<br />
A liçâo é que, às vezes, maìs pocle na verclacte significar mcnos<br />
no longo prazo.<br />
Aciicionanclo o Ativo circulante ao A.Ltvo cle longo prazo (uão<br />
circulante) obtemos o Ativo total cla empresa. O Ativo lotal corr-esponcle<br />
ao Passivo total acresciclo tlo Patrimônro 1íquido. Eles<br />
estao balanceaclos entre si, e é por essa râzaìû cLLìe o clocumento<br />
¡ecebe o nome <strong>de</strong> Balanço palrlmonrai.<br />
Esse núrmero é imporlante para clclcrtninat cm clue meclicla a<br />
companhia é eficienle na utilização clos seus ativos. Para rneclir<br />
sua eficìêncra, analistas cLiaLam o cr¡eficiente <strong>de</strong> telorno sobre<br />
o ativo, que é calculado cliviclìnclo-sc o lucro lic¡r-ticlo pelo ativo<br />
total.<br />
No enlanlù, o capital sempre represenla uma balreira para a<br />
entrada em qualquer setor, e Llrn clos fatores cltte ajncta a Lornar<br />
durável a vantagem competitivâ rte umâ empresa é o custo dos<br />
ativos necess¿irros parâ se entrâr r1o jogo. A coca-Cola tem um<br />
ativo <strong>de</strong> US$ 43 bilhoes e urn retorno sob¡e o aLivo <strong>de</strong> |2o/o, a<br />
B8<br />
B9
:La<br />
r:l<br />
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'll<br />
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c,\ PiT u Lo 34<br />
Passivo circulante<br />
cAPÍruLo 35<br />
Contas a pagar, <strong>de</strong>spesas provisionadas<br />
e <strong>de</strong>mais passivos circulantes<br />
Balanço paÍimon¡al/Pãss¡vo<br />
(em milhões <strong>de</strong> R$)<br />
Balanço patrimon¡âl/Passivo<br />
(em milhões <strong>de</strong> R$)<br />
Contãs à pagar<br />
Despesas provìsionadês<br />
Divida <strong>de</strong> curto prazo<br />
Dfvida <strong>de</strong> longo prazo a vencer<br />
Dema¡s pãssivos cìrculantes<br />
Passivo circulante total<br />
1380<br />
5.53 5<br />
5.919<br />
133<br />
258<br />
13.225<br />
J Conlas a pagar<br />
i Despesàs provisionadas<br />
Dívida <strong>de</strong> curto prazo<br />
Dívida <strong>de</strong> longo prazo ¿ vencer<br />
> Demais passivos circulantes<br />
Pass vo cýcul¿nte total<br />
1.380<br />
5.53 5<br />
5.919<br />
133<br />
258<br />
112)\<br />
LJ passivo circuhnte sào ¿s dlvidas e obrigaçöes que a empresa<br />
tem a salclar e que vencerão no prazo cle até um ano. Esses itens<br />
são encontrados no balanço patrimonial nos lançamenlos Contas<br />
a pagar, Despesas provisionaclas, DÍvrda cle curto prazo, Dívìda<br />
<strong>de</strong> longo prazo a vencer e Demais passivos circulantes. Vamos<br />
clar uma olhacla nesses lançamentos e ver o c¡ue eles po<strong>de</strong>m nos<br />
informar acerca <strong>de</strong> uma evenlual vantagem competitiva durável<br />
<strong>de</strong> uma companhia em relação às slras concorrentes.<br />
,:l<br />
;;<br />
.É\s contas r prgrr sào o d in heiro <strong>de</strong>viclo a fornecedores que<br />
vencleram a crédito bens e setviços à empresa. Fazemos um pe,<br />
clìclo cle 500 quilos <strong>de</strong> papel e o fornecedor o envia com urna<br />
falura, ou seja, uma conta a pagar.<br />
As clespesas provisionadas são gastos em que a companhia<br />
incorreu, mas que ainda precisam ser pagos. Essas <strong>de</strong>spesas incluem<br />
trìbulos sobre venclas, salários, encargos sociais e aluguel<br />
a pagar. Contratamos alguém e inf'or-mamos que ele será pago no<br />
firn do mês; cada dia trabalhaclo até o fim do mês é contabilizado<br />
como Lrma <strong>de</strong>spesa provisionada.<br />
Os clemais passivos são um lindo geral para dÍvidas <strong>de</strong> curto<br />
prazo que não entram em nenhuma clas categorias mencionadas<br />
anleriormente.<br />
Conlas a pagar, Despesas provisionaclas e Dernars passivos<br />
circulantes nos revelam muito sobre a siluaçao atual <strong>de</strong> uma<br />
empresa, mas, como lançamentos in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ntes, nos ìnformam<br />
90 91
!:.<br />
pouco sobre â nalureza econômica <strong>de</strong> longo prazo cla companhia<br />
e sobre uma eventual van[agem competitiva clurável. -lbdavia,<br />
a c¡uantidacìe cie díviclas cle curlo e longo prazos pocle nos tevela¡<br />
muito sobre as condiÇöes econômicas cle longo przrzo cte<br />
uma empresa e se ela tem ou nao umaì vxnlxgcrn (onpetiLrva<br />
clurável.<br />
c,rPiruLo 36<br />
Dívida <strong>de</strong> curto prazo: como isso po<strong>de</strong> acabar<br />
com uma instituição financeira<br />
Balanço patrimon¡al/Pâssìvo<br />
(em milhões <strong>de</strong> R$)<br />
Contas a pagar<br />
Despesas provisionadâs<br />
) Dív da <strong>de</strong> curto prêzo<br />
Dívida <strong>de</strong> longo prazo a vencer<br />
Demais passivos clrculantes<br />
Passivo circul¿nte tot¿l<br />
1.380<br />
5.53 5<br />
5.919<br />
133<br />
258<br />
13.225<br />
..:':<br />
.:.<br />
Diui.l, ,1. curto prazo é o clinheiro cleviclo pela empresa e com<br />
vencimento no próxrmo ano. Nesse item estão incluÍdos títulos<br />
negociáveis e emprés[imos bancárlos <strong>de</strong> curto prazo.<br />
Flistorrcamen[e, o dinheiro <strong>de</strong> curto prazo tem sido mais barato<br />
clo que o cle longo prazo. lsso srgnifica que é possível ganhar<br />
clinheiro contrainclo empréstimos no curto prazo e oferecendo<br />
empréstimos no longo prazo.<br />
Por exemplo, contraÍmos empréstimos <strong>de</strong> curto prazo a 5o/o e<br />
empresLamos esse clinheiro no longo prazo a7o/o - parece muito<br />
fácil. Mas o problema com essa estratégia é que o dinheiro que<br />
tomâmos emprestaclo é cle curto prazo. Isso sìgnifica que temos<br />
<strong>de</strong> quitar a dívida no prazo máximo <strong>de</strong> um ano, o que é bastante<br />
fácil - simplesmente tomamos emprestado mais dinhei¡o cle curto<br />
prazo para pagar a dÍvicla <strong>de</strong> curto prazo que está vencendo.<br />
No jargão financeiro, isso é conhecido como "rolar a clivicla". E<br />
[uclo lunciona bem até as raxas <strong>de</strong> juros no cur[o prazo sallarem<br />
92 93
para um palâmar superior ao cla taxa <strong>de</strong> longo prazo clos empréstimos<br />
que conceclemos, que era <strong>de</strong> 7o/o. CIztro. aquela parecia<br />
uma ótì.ma i<strong>de</strong>ia quando as laxas <strong>de</strong> juros <strong>de</strong> curto prazo estavam<br />
em 5%, mas, agora que pularam para B%, lemos cle refinanciar<br />
a nossa clivida cle curto prazo a uma taxa superior à qlte Ltsamos<br />
para concecler emprésumos. E lsso não nos cleixa felizes.<br />
OLÌtrâ parte cia equação clesaslrosa cla ton'La¿la cie empréstimos<br />
é o que aconLece quando et-rìpreslamos toclo o clinheiro a<br />
longo pr-azo, mas nossos creclores <strong>de</strong>cì<strong>de</strong>m não nos emPrestar<br />
maìs nenhum dinheiro a culto prazo. De repenLe, Lemos <strong>de</strong> <strong>de</strong>volver<br />
tûclo o chnheiro que lomamos empreslaclo a curto prazo<br />
e clue emprestâmos a longo prazo. lvlas não tetÌ1os esse clinheilo<br />
porqrìe o emprestamos a longo ¡razo, rì cLltc slgniftcf, que não o<br />
rcccb( remùs .lc voltl ¡or mllilùs r muitos anos.<br />
Foi o que aconteceu com o Bear Stearns: eles fìzeram empréstimos<br />
a curto prazo e compraram valores mobiLiários lastreaclos<br />
em hipotecas, usando-os como Saranlla pâr¿l os empréstimos <strong>de</strong><br />
curto prazo. Mas, um clia, seus credores disseram: 'Achamos que<br />
a garântia náo vale o clue vocês nos informaram, porlan[o, não<br />
vamos emprestar mais clinheiro para vocès e queremos receber<br />
âs somas que já emprestamos." Não f'oi umâ posiQão mllito conlortável<br />
para o Bear Stearns.<br />
A maneira mais inteligenle e segura cle ganhar clìnheiro no<br />
setor bancário é tomar empresLaclo a longo prazo e conce<strong>de</strong>r empréstrmos<br />
<strong>de</strong> longo prazo. É por isso que os bancos estáo sempre<br />
tentando nos prencler com certificaclos cle ctepósito ]¡ancário <strong>de</strong><br />
cìois anos ou mâis. Não é o clinhei¡o clue se ganha faciln-renle<br />
contrâindo empréstimos cle cutlo prazo e conceclenclo empr-éstimos<br />
cle longo prazo, mas é Ltma maneira mais sensâta e muito<br />
mais conservadora cle ganhar clinheìro. E é isto qne queremos cle<br />
um banco e cle um banqueiro: sensatez.<br />
Quando o assunto é investir em insliluiçoes financeiras, Bulfett<br />
sempre se manteve a clistância <strong>de</strong> empresas que contraem mais<br />
empréstimos â clrrto prâzo clo clue a longo prazo. Sua institurQão<br />
favorita, o Wells Fargo, tem US$ 0,57 em cliviclas cle curto prazo<br />
para cada clólar em clÍvidas <strong>de</strong> longo prazo. Mas um banco arrojado,<br />
como o Bank o[America N.4., rem US$ 2,09 em clíviclas cle<br />
curto prazo para cacla dólar em clÍviclas <strong>de</strong> longo prazo. Â lição<br />
é: nunca se enriquece c¡uando se eslá no laclo em <strong>de</strong>svantagem<br />
<strong>de</strong> um <strong>de</strong>sastre Îinanceiro.<br />
Em períodos financelramente contut-bados, são os bancos estáveis<br />
e conservadores corno o Wells Fargo que Lêm a vantagem<br />
competitiva em relaÇão às institltiçoes arrojaclas e dinâmicas que<br />
colocaram a si mesmas em uma posìção difÍcil. A "clurabilida,<br />
cle" correspon<strong>de</strong> à es¡abiliclacle resultante do caráter conservaclor-<br />
da instituição. O banco tem dinheiro quando os outros têm<br />
perclas, o que cria oportunicla<strong>de</strong>s. As ìnstituj.çÕes arrojadas que<br />
contraem empréstimos cle cur[o prazo muitas vezes ficam à mercê<br />
cle mudanÇas repentinas em seus me¡caclos cle crédito, o que<br />
pÕe loda a sua operação em rlsco e correspon<strong>de</strong> a uma percla <strong>de</strong><br />
qualquer tipo <strong>de</strong> clurabÌliclacle em seu moclelo <strong>de</strong> negócios. E, no<br />
mundo dos negócios, a clurabilicla<strong>de</strong> <strong>de</strong> uma vantagem compet!<br />
tiva é muiro semelhante à virgindacle - é mais fácil protegêìa clo<br />
que recuperáJa.<br />
s4 95
c¡.rlruro 37<br />
Divida <strong>de</strong> longo prazo a vencer e os problemas<br />
que isso po<strong>de</strong> causar<br />
está passanclo por momentos chlÍceis por causa <strong>de</strong> um evento<br />
Írnico resolvÍvel - como uma subsidiá¡ia em um negócio diferente<br />
que está per<strong>de</strong>ndo muito dinheiro -, é melhor verificar o<br />
horizonte e saber quanto da clÍvicla cle longo prazo vai vencet nos<br />
ânos seguintes. Uma quanticla<strong>de</strong> excessiva <strong>de</strong> dÍvidas vcncíveis<br />
Balanço patrimonìål/Pass¡vo<br />
(em milhôes <strong>de</strong> R$)<br />
Contas ã pa9ãr<br />
Despesas provisionadas<br />
Dívida <strong>de</strong> curto prazo<br />
-) Dfvida <strong>de</strong> longo Prazo ã vencer<br />
Demar5 passivos<br />
Passivo circuJantê total<br />
1.380<br />
5.535<br />
5.919<br />
'133<br />
13.7<br />
em um Írnico ano pocle assustar os investidores, o que nos clará<br />
uma cotaÇão mais baixa para comprarmos umâ pârticipaÇào.<br />
Em uma companhia medíoc¡e c1ue está passanclo por proble_<br />
mas sérios, Lìma quanticla<strong>de</strong> excessiva cle clívidas a vencer no<br />
próximo ano pocle gerar problemas <strong>de</strong> lluxo <strong>de</strong> caixa e falência,<br />
o que também é Llma morte certa para o nosso investimento.<br />
Este capítulo cliz respeito à clívicla cle longo prâzo a vencer e cìue<br />
tem cle ser paga no ano segllìnte Ë1a não é um passivo circulante<br />
anual para a maioria clas empresas. No entanto' algunas grancles<br />
companhias lêm tlma parte cle slrâ dívicla c1e longo prazo vencÍvel<br />
no prazo cle um ano. lsso pocle causar problemas quanclo<br />
algumas a agrupam com a clivida cle crìrlo prazo no balanço<br />
patrimonial, crianclo a iltrsão <strong>de</strong> cpìe a organização contabiliza<br />
mais diviclas cle curlo prazo do que realmente tem'<br />
Normalmente, empresas comumavantâgem competitì\/a clurável<br />
precisam cle pollca ou nenhuma divicla cle longo prâzo pâra mânter<br />
suas operaÇÕes e, portanto, têm f(lrca ou nenhuma clÍvicla <strong>de</strong> longo<br />
prâzo a vencer. Portanto, se estamos liclando com uma companhia<br />
que tem muitas cliviclas cle longo prâzo â vencet, esta provavelmente<br />
não possui uma vantâgem competitiva cle longo prazo<br />
Tocla vez que estamos comprando uma partìcìpação em uma<br />
empresa clue tem Llma vantagem competitiva durável, mas c¡ue<br />
96<br />
97
CA!ITU LO 38<br />
Passivo circulante total e o coeficiente<br />
<strong>de</strong> liqui<strong>de</strong>z<br />
concliçoes econômicas menos favoráveis. Eml¡ora se]â muito importante<br />
para clererminar a liqui<strong>de</strong>z <strong>de</strong> uma empresa com uma<br />
qualidacle entre inlerior e méclia, esse coeficiente é pouco útil<br />
para nos inlormar se uma companhia tem ou não Llma vantagem<br />
competitiva durável.<br />
Balanço patrimon¡al/Pâssivo<br />
(em milhóes <strong>de</strong> R$)<br />
1.380<br />
Contas a Pagar<br />
5.535<br />
De5pesas provisionadas<br />
5.919<br />
Dívida <strong>de</strong> curto Prazo<br />
Dívida <strong>de</strong> longo Prazo a vencer<br />
254<br />
Demâis passivos<br />
-r Passivo circulante total 13.225<br />
l<br />
::<br />
l<br />
Divrclinclo o Ativo circulante total pelo Passlvo circulante total,<br />
poclemos cleterminar a liqui<strong>de</strong>z dn empresa - qurnto maior<br />
o.o"fi.i"r-r," cle liquiclez, maior a clisponibilicla<strong>de</strong> linanceira da<br />
companhia e a sua capaciciacle cle pagar os passivos ci¡culantes<br />
no momento do vencimento<br />
Um coeficiente c1e ìicluiclez acima <strong>de</strong> I é consi<strong>de</strong>raclo bom e<br />
qualquer coisa abaixo cle 1, ruim Neste caso' acreclita-se que a<br />
companhia poclerá ter clificuiclacle para cumprir as suas obrigaçóes<br />
<strong>de</strong> curto prazo junto aos creclores<br />
Como cliscutimos no capítulo 27, no entanto' emplesas com<br />
uma vantagem competitiva chrrável muitas vezes Lêm coeficientes<br />
c1e liquiclez inferiores a 1. O c¡ue causa essa anomalìa é o<br />
imenso po<strong>de</strong>r cle gelação <strong>de</strong> lucro clue â vantagem competitiva<br />
durável crìa.<br />
Em suma. voce tem um quadro econômico corrente que nâo<br />
exige o "colchão <strong>de</strong> liquiclez" necessárlo a uma companhia com<br />
911 99
c,rpíruro 39<br />
Dívida <strong>de</strong> longo prazo: algo que boas<br />
empresas não têm em Profusáo<br />
Desse nodo, uma clas maneiras para nos ajuclar a i<strong>de</strong>ntrficar<br />
ulna empresa excepcional é verificar a c1uantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> d¡vlda cle<br />
longo prazo em seu baLanço palrimonial. Não eslamos interessados<br />
apenas na data clo úrltimo balanço, queremos saber a carga cle<br />
Balanço palr¡mon¡al/Pass¡vo<br />
(em mÌlhoes <strong>de</strong> R$)<br />
Passivo circLllante total<br />
) Dlvida <strong>de</strong> ìongo prazo<br />
Tributos diferidos<br />
Participaçáo minoritárìa<br />
Demais pas5ivos<br />
P¿ssivo não circu!ãnt-" total<br />
Passìvo total<br />
13 225<br />
3.211<br />
1.890<br />
0<br />
3 133<br />
8.300<br />
21 .525<br />
diviclas <strong>de</strong> longo prazo que ela anclou arras[anclo nos itltimos .ì.0<br />
anos. Se, nesse periodo, houve pouca ou nenhuma clÍvicla cle longo<br />
prazo em seu balanço patrimonial, é bastante provável que aquela<br />
companhia [enha algurna lbrte vantagem competitiva a seu favor.<br />
As aquisiçöes htstóricas <strong>de</strong> BufferL inclicam que, em qualquer<br />
ano, a empresa <strong>de</strong>ve ter um L,rcro líquiclo anual sulicienre para<br />
qr"ritar todas as dÍviclas com o lucro obtido num perÍoclo cle très<br />
ou quatro anos. A Coca-Cola e a Moocly's, qrìe têm uma vantagem<br />
competitivâ <strong>de</strong> longo prazo, pocleriam quirar todas as clíviclas cle<br />
longo prazo em um único ano; e a Wrigley e a The Washingron<br />
Posr Company poclem fazer isso no período <strong>de</strong> dois anos.<br />
Mas companhias como a GM on a Ford, ambas no altamente<br />
Diui.lu .1. longo prazo significa obrigaçoes com vencimentos<br />
em qualquer momento a1ém do período <strong>de</strong> um ano No balanço<br />
patrimonìal, esse daclo é lançado como passivo <strong>de</strong> longo prazo<br />
Se a divida tem vencimento no prazo cle até um ano, lrata-se<br />
<strong>de</strong> uma dívida <strong>de</strong> curto prazo e é lançada no passivo circulante<br />
cla empresa. Na busca por uma companhia excelente com uma<br />
vantagem competitiva <strong>de</strong> longo prâzo, â quânticla<strong>de</strong> <strong>de</strong> dÍvida<br />
<strong>de</strong> longo prazo lançacla pela empresa em seus livlos informa a<br />
<strong>Buffett</strong> muiro acerca da natureza econômica da organização<br />
O investidor apren<strong>de</strong>tl que empresas que têm uma vantagem<br />
competìtiva clurável muitas vezes [êm poucâ ou nenhuma dÍvicla<br />
<strong>de</strong> ìongo prazo em seu balanço patrimonial lsso porque elas<br />
são tão rentáveis que se autofinanciam quando precisam expandir<br />
seus negócios ou realizar aquisiçöes Portanto, raramente há necess'idacle<br />
<strong>de</strong> tomar empïestadas gran<strong>de</strong>s quantidacles rle dinheiro<br />
:l.ìr'<br />
ì:ìj:l<br />
,,:1.<br />
:r..¡<br />
lr.<br />
competiLivo setor auLomorivo, pocterlam gastar cada tostão clo<br />
lucro líc¡uido obtido nos últimos IO anos e mesmo assim nâo<br />
conseguirìam saldar a quantida<strong>de</strong> maciça <strong>de</strong> dÍvidas cle longo<br />
prazo lançada em seus balanços patrimoniais.<br />
A conclusão é que as empresas qlle têm um po<strong>de</strong>r cle geraçâo<br />
cle lucro suficiente para quitar sua dívicla <strong>de</strong> longo prazo em me_<br />
nos <strong>de</strong> três ou quâtro anos são boas candidalas em nossa busca<br />
por umâ companhia excelente com uma vantagem competitiva<br />
cle longo prazo.<br />
Mas preste atenÇão: graças à alta rentabilida<strong>de</strong> e ao fato cle<br />
tetem pouca ou nenhuma clÍvida, essas organizaçÕes muitas vezes<br />
são alvos cle aquisiçoes alavancadas. Isso acontece quanclo o<br />
comprador toma emprestadas enornres quantidacles cle clinheiro<br />
c apresenta como gârantia o lluxo <strong>de</strong> caixa da empresa para [i_<br />
nanciar a aquisição. Após a aquisiçâo alavancada, a companhia<br />
Iica sujeita a uma enorme dívida, Foi isso que âconteceu com a<br />
aqrìisicão c1a \JR/Nabisco no lim da décacla <strong>de</strong> 1980.<br />
t00 101
Se tudo o mais indicar que a empresa em qüestão tem uma<br />
vant¿rgem compelitiva durável, mas ela liver uma ronelada <strong>de</strong> clÍvida<br />
em seu balanço patrimonial' talvez esta tenha sido causada<br />
por umâ aquisição alavancacìa Em casos clesse ttpo, os tÍtulos da<br />
companhia muitas vezes são a melhot aposta' pois o po<strong>de</strong>r <strong>de</strong><br />
geração cle lucro estará concentrado na quitação da dívida, não<br />
no crescimento cla emPresa<br />
tL regra aqui é simples: pouca ou nenhuma dÍvida <strong>de</strong> longo<br />
prazo sìgnifica uma boa apos[a no longo prazo<br />
CAPÍTULo 4O<br />
Imposto <strong>de</strong> renda diferido, participação<br />
minoritária e <strong>de</strong>mais passivos<br />
Balanço patr¡monial/Pâssivo<br />
(em milhöes <strong>de</strong> R$)<br />
Passivo circulante total<br />
Dívida <strong>de</strong> longo prazo<br />
) lmposto <strong>de</strong> rend¿ dìferido<br />
r Participação minoritária<br />
-+ Dema¡s passivos<br />
Passivo náo circulante total<br />
Pâssivo total<br />
13.225<br />
3.217<br />
1.890<br />
0<br />
3.133<br />
8.300<br />
21.525<br />
L/ item lmpu'to <strong>de</strong> rcnrh clilêritlo representf, 05 impostos <strong>de</strong>viclos,<br />
mas que não foram pagos, sendo posrergados para exercícios<br />
futuros. Esse núlmero nos informa pouco sobre uma evenlual<br />
vantagem competitiva clurável <strong>de</strong> uma empresa.<br />
Já o item Participaçâo minoritáriâ no balanço parrimonial é<br />
bem mais interessante. euanclo uma companhia adquire aÇoes<br />
<strong>de</strong> outra com a intenção <strong>de</strong> mantêlas, o preço pago pelas açÕes<br />
é lançado nos livros como um ativo sob a clenominação ,,lnvesti_<br />
mentos (patticipaçóes permanenles em outras empresas)". Mas,<br />
ao adquirir mais <strong>de</strong> 80% das ações <strong>de</strong> outra companhia, é possÍvel<br />
transportar todo o balanço patrimonial clela para o seu.<br />
f) mesmo po<strong>de</strong> ser lèt¡o com a <strong>de</strong>monstração clo resultaclo clo<br />
cxercicio<br />
Um exemplo: a aquisição cle 90% da Nebraska Furnirure Mart<br />
por parLe da Berkshire. Como havia aclquirido rnais cle g0o/o cla<br />
102<br />
t03
i'<br />
NFM, a Berkshire pô<strong>de</strong> lançar lO0o/o do renclimento da NFM em<br />
sua clemonstração do resultado clo exe¡cício e aclicionar 100% do<br />
âtivo e do passivo da NFM âo seu bâlanço patrimoniaL. O que a<br />
Participação minoritária representa é o valor clos 10% da NFM<br />
que a Berkshlre não possriì. lsso é registrado como um passivo<br />
para balancear a equaÇäo, uma vez qne ela iançou em seus livros<br />
100% clo ativo e do passivo cla NFM, apesar cle ser dona cle 90%<br />
da empresa.<br />
E o que lsso tem a ver com â iclentificaÇâo <strong>de</strong> uma empresa<br />
que possui uma vantâgem competlliva clurável? Não muìto' mas<br />
é inleressante saber o que é e o clue näo é importânte em nossa<br />
busca pela companhia com Llma vantagem competitiva durável<br />
Demais passivos é Lrma categoriâ genérica na qual as empresas<br />
lançam vários tlpos cle clÍvlda. Nela estâo incluídos passivos<br />
como valores exigidos em processos (trabalhistas, cÍveis, etc)<br />
conlra a empresa, benefícios nâo correntes, juros sobre passivos<br />
tributários, multas não quitaclas e inslrumenlos clerivativos<br />
Nada disso nos ajucla em nossâ busca por ttma companhia com<br />
uma vantagem competitiva durável.<br />
104<br />
Passivo total e coeficiente <strong>de</strong> endividamento em<br />
relação ao patrimônio lÍquido<br />
Bâlâhço patrìlnonial/Pass¡vo<br />
(em milhões <strong>de</strong> R$)<br />
Pãssivo circuLãnte total<br />
Dívida <strong>de</strong> longo prazo<br />
lmposto <strong>de</strong> renda dlferido<br />
Pãr cipãção minoritáriã<br />
Dem¿is pâssivos<br />
Passivo não c rcuLante total<br />
+ Pàssivo total<br />
c,rPÍrulo 4I<br />
13.225<br />
3.271<br />
1.890<br />
0<br />
3.133<br />
8.300<br />
21 .525<br />
O Passiuo total é a soma cle roclo o passivo cta empresâ. Tratâ-se<br />
cle um número impoltante que pocle ser usaclo para nos infol<br />
mar o coeficiente <strong>de</strong> endividamen[o em relação ao palrimÒnio<br />
lÍquido, que, com uma pec1uena moclificação, pocle ser usaclo<br />
para nos ajuclar a iclentifica¡ se uma companhia tem ou não uma<br />
vântâgem competitiva durável.<br />
O coeficiente cle encliviclamento em relação ao patrimônio lLquiclo<br />
lem sido hisloricamente utilizado para nos ajudal a i<strong>de</strong>ntificar<br />
se uma empresa Lem oll não usaclo clíviclas para financiar<br />
âs suas operaçÕes ou a sua participação patrimonial (clue inclui<br />
o lrrcro lcurnttlaclo). r\ complnhil conì umr vlntxgen) (ôrìrl)cti-<br />
Liva clnrável usa o sell pocler cle geração cle lucro para flnanciar<br />
as próprias operaÇoes e, por[anlo, <strong>de</strong>veria teoricamente mostrâr<br />
r.tm nível mais elevado <strong>de</strong> parrimônio lÍquido e um nÍvel mais<br />
h:rixo clc pa'sivo lolxl. A rLue nf,o pos5Lti Ltmi v.ìntJgcm cumpeti-<br />
105
tiva usa cliviclâs para linanciar as próprias operaçÕes e, portanto,<br />
<strong>de</strong>verá moslrar uma situação oposta, um nÍvel <strong>de</strong> patrimônio<br />
líquiclo mais baixo e um nÍvel mais elevaclo <strong>de</strong> passivo total.<br />
A equaçâo é: Coeficiente cle encliviclamento em ¡elaÇão ao Patrimônio<br />
liquiclo = Passivo Lotal + Patrimônio líquiclo.<br />
O ploblema em usar o coeficiente cle endivrdamento em relaÇao<br />
ao patrimônio líquido como inclicaclor é que as condições<br />
econômicas clas empresas que possuem vantagens competitivas<br />
cluráveis sâo tão boâs que elas não precisam <strong>de</strong> uma grancle<br />
quânticla<strong>de</strong> cle capital próprio/lucro acumulado em seu baÌanço<br />
patrimonial para Íazer o seu trabalho; em alguns casos, não precisam<br />
<strong>de</strong> quânticla<strong>de</strong> alguma. Por causa do seu grancle pocler<br />
<strong>de</strong> geração <strong>de</strong> lucros, elas muitas vezes gastam o capital próprio/lucro<br />
acumulaclo para recolrrprar suas aÇÕes, o que reduz a<br />
sua base <strong>de</strong> capital próprio/lucro acumulado. lsso, por sua vez,<br />
aìÌmenLa seu coeficiente <strong>de</strong> enclividamento em relação ao patrimônio<br />
lÍquiclo, m.uitas vezes fazendo com que o coeficiente se<br />
pareça com o <strong>de</strong> uma companhia mec[Íocre - sem uma vantâgem<br />
competj.tiva dllrável.<br />
A Moody's, uma das lavoritas cle Buflett, é um excelente exemplo<br />
<strong>de</strong>sse lènômeno. As condiçoes econômicas lavoráveis são tão<br />
forles que â empresa não precisa manter nenhum patrimônio<br />
líquiclo. Na vercla<strong>de</strong>, ela gastou todo o seu recomprando as pró,<br />
prias âçóes. O seu patrimônj.o lÍquido é negativo. lsso significa<br />
que o seu coeliciente <strong>de</strong> endiviclamento em relação âo patrimônio<br />
líquiclo se parece mais com o da GM - uma companhia sern<br />
uma vantagem competitiva durável e com um pattimônio lÍquido<br />
negativo - clo que com o da Coca-Cola, que possui umâ vantagem<br />
competitiva durável.<br />
No entanto, se voltarmos a aclicionar ao patrimônio lÍqutdo<br />
da Moody's o valor cle roclas as açöes em tesourarla que ela adquiriu<br />
em recomprâs, o seu coeficiente <strong>de</strong> endividamento em<br />
relação ao parrimônio lÍquido cai para 0,63, alinhado com o da<br />
Coca-Cola corrigido pelas açoes em tesouraria, que é cle 0,51. A<br />
GM continua com um patrimônio líquìdo negativo mesmo com<br />
a adição do valor <strong>de</strong> suas açöes em tesourarìa, que são inexistentes,<br />
pois a companhia não tem dinheiro para recomprat as<br />
próprias acoes.<br />
É facil ver o contraste entre as empresas que têm e as que<br />
não lêm uma vântagem competj.tiva durável quanclo analisamos<br />
o coeficiente <strong>de</strong> enclividamento em relaçào ao pâtrimônio<br />
lÍquido corrìgido pelas açóes em resour-aria. Ä Procter 6¿<br />
Gamble, que tem umâ vantagem competitiva durável, tem um<br />
coeficiente corrigido cle 0,71.; a Wrigley, por sua vez, 0,68 - o<br />
que significa que, para cacla clólar <strong>de</strong> patrimônio liquido, ela<br />
tem US$ 0,68 em dÍviclas. Compare a P{¡G e a Wrigley com a<br />
Goodyear Tire, clue tem um coeficiente corrigiclo <strong>de</strong> 4,35; ou<br />
com a Ford, 38,0. lsso significa que, para cada dólar <strong>de</strong> patrimônio<br />
lÍquiclo, a Fo¡d tem US$ 38 em clívidas - correspon<strong>de</strong>nclo<br />
a US$ 7,2 bilhoes em parrimônio lÍquido e US$ 275 bilhoes<br />
em clÍvidas.<br />
No caso cle insrlruiçoes linanceiras como bancos, os coeficientes<br />
ten<strong>de</strong>m a ser, em média,'muito mais ahos do que os clas empresas<br />
fabris. Os bancos tomâm emprestadas quanticlacles enormes<br />
<strong>de</strong> dinheiro e, <strong>de</strong>pois, as usam para conce<strong>de</strong>r empréstimos,<br />
lucrando com a diferença entre o que pagaram pelo clinheiro e o<br />
que cobram pelos emprés[imos concedidos. lsso gera um passivo<br />
enorme, que é compensaclo pÒr um ativo gigantescû.<br />
Em média, os gran<strong>de</strong>s bancos americanos rêm US$ 10 cle passivo<br />
para cada dólar <strong>de</strong> patrimônio liquido lançado em seus livros.<br />
É isso que Bu[[ett quer dizer quanclo alirma que os bancos<br />
s¿ìo operaçóes altamente alavancadas. Contuclo, há exceçóes, e<br />
uma <strong>de</strong>las é o M6¿T Bank, um clos lavoritos <strong>de</strong> <strong>Buffett</strong> há muito<br />
tempo. O M&T tem um coeficiente <strong>de</strong> 7,7, que ref lete as práticas<br />
mais conservacloras <strong>de</strong> concessáo <strong>de</strong> empréstimos aclolactas pela<br />
equìpe <strong>de</strong> gestão.<br />
106 lo'/
A regra é simples: â menos que estejamos analisanclo uma instituição<br />
linanceira, tocla vez que vemos um coeficiente corrigìdo<br />
<strong>de</strong> enchviclamento em relaçâo ao patrimônio lÍquido abaixo <strong>de</strong><br />
0,80 (quanto mais baixo melhor), ha uma boa chance <strong>de</strong> a empresa<br />
em queslão tel a cobiÇacla vantagem competitiva durável<br />
que estâmos procuranclo.<br />
tAPiruro 42<br />
Patrimônio lÍquido/Valor contábil<br />
E encontrar o que estamos procuranclo é sempre bom, especialmente<br />
se nosso objetivo e enricluecer.<br />
Balanço patr¡monial/Patrimôn¡o líqu¡do<br />
(em milhões <strong>de</strong> R$)<br />
Passivo total<br />
Açoes preferenciais<br />
Ações ordinárias<br />
Reserva <strong>de</strong> c¿pllal (emissáo <strong>de</strong> ações)<br />
Lucro acumulado<br />
Açóes er¡ tesouraria - ordioárias<br />
+ Patrimônro líquido total<br />
21 .525<br />
0<br />
1 .296<br />
7.374<br />
36.235<br />
-23.37 5<br />
21.534<br />
Passivo totale patrmönio Iqurdo 43.059<br />
f\o snbtlair o passjvo total do ativo total, obtém-se o patrimônio<br />
lÍquido <strong>de</strong> uma empresa, rambém conhecido como valor contábiÌ.<br />
Trata-se <strong>de</strong> todo o clinheilo que os proprielários/acionistas<br />
investiram inicialmente acresciclo clo que ganharam clepois e<br />
cleixaram na companhia para que ela continuasse funcionando.<br />
O Patrimônio liquido e lançaclo como Capital social realizado,<br />
qne inclui açoes preferenciais e orciinárias, Reservas cle capital e<br />
[-ucro acumulado.<br />
108 r0q
4<br />
l:<br />
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CÂPiTUI-O 43<br />
L<br />
:I<br />
Existe um segundo tipo cle participâção paLrimonial chamadcr<br />
¡<br />
Ações preferenciais e ordinárias: reserva<br />
capital (emissão <strong>de</strong> ações)<br />
<strong>de</strong><br />
ação preferencial. Os acionistas prefèrenciais não têm clireito a<br />
voto, mas têm direito a um clivicienclo fixo ou ajustável que <strong>de</strong>ve<br />
ser pago anles que os acionistas orclinários recebam os seus. Os<br />
acionistas preferenciais também têm prioridacle ern lelação aos<br />
orclinários caso a empresa <strong>de</strong>clare falência.<br />
No que cliz respeito ao balanço patrimonial, as açóes preferen-<br />
Patr¡mônio llqüido<br />
(em milhões <strong>de</strong> R$)<br />
+ Açóes preferenciais<br />
+ Açôes ordinárias<br />
) Reserva <strong>de</strong> capital (emissão <strong>de</strong> açoes)<br />
Lucro acumolado<br />
Açóes em tesourarÌa ordinárias<br />
Patrimônio líquido tota<br />
0<br />
1 .296<br />
7 31a<br />
36.235<br />
-23.37 5<br />
21 534<br />
ciais e as ordinárìas são lançadas nos livros com seu val.or nominâÌ,<br />
e todo o clinheiro que excecle o valor nominal e que loi pago<br />
cltrando a companhia ven<strong>de</strong>u a açáo cleve ser lançaclo nos livros<br />
como "Reserva cle capital (emissão <strong>de</strong> acoes)". Porranto, se a aÇão<br />
preferencial da empresa tem um valor nominal <strong>de</strong> US$ 100/ação<br />
e loi vendida ao púrblico por US$ 120/ação, o valor cle US$ 1.00<br />
por aÇao será lançaclo nos lìvros sob o ìtem capital realizaclo -<br />
açóes preferenciais e US$ 20 por aÇão serão lançaclos sob o item<br />
reserva cle capital.<br />
T-T<br />
LJma empresa po(le levanrar capital novo ven<strong>de</strong>nclo títulos ou<br />
açöes (participação patrimonial) ao público. O dinheiro levantado<br />
com a venda <strong>de</strong> [Ítulos como <strong>de</strong>bêntures tem <strong>de</strong> ser restituiclo<br />
em algum momento no luturo. E dinheiro emprestado. Mas,<br />
ao levantar clinheiro ven<strong>de</strong>ndo ações prelerenciais ou orclinárias<br />
(chamadas <strong>de</strong> "participação patrimonial") ao público, a companhla<br />
nunca tem cle restituir ac¡ueìe clinheiro, porc¡ue ele é setr<br />
para sempre, para que ela laca o cpie bem enten<strong>de</strong>r.<br />
As açoes ordìnárias representâm os controladores da empresa.<br />
Os clonos cle açoes clldinárias são proprietários cla companhia<br />
e têm o dileito cle eleger um conselho dìretor, que, por sua<br />
vez, contralará Ltm executivo,che[e para dirigir a oÌ'gânização.<br />
Os acionis[as orclinários recebem divi<strong>de</strong>nclos se o conselho diretor<br />
aprovar o seu pagamento. E, se toda a empresa for venclicla,<br />
são os acionistas ordinários que licam com toclo o valor<br />
da venda.<br />
It0<br />
O mesmo se aplica às ações olclinárias, c¡ue po<strong>de</strong>m ter um va-<br />
1or, por exemplo, cle US$ l/açào. Se a ação foì venclicla ao público<br />
por US$ lO/ação, ela será lançacla no balanço patrimonial como<br />
US$ I por ação sob o item açoes ordinárias e US$ 9 por ação no<br />
item reserva <strong>de</strong> capital (emissão <strong>de</strong> açoes).<br />
O c¡ue é curloso é que as empresas que têm uma vantagem<br />
competitiva durável tenclem a não possuir açÕes preferenciais.<br />
lsso se cleve, em parte, à sua rendência a não ter dÍvicla alguma.<br />
Ë, embora do ponto <strong>de</strong> vistâ técnico sejam umr partictpxçio pa-<br />
Lrimonial, pois o dinheiro originalmente recebiclo mìnca precÌsa<br />
ser reslìtuÍclo, as açóes preferenciais luncionam como urna dÍvicla,<br />
pois os divi<strong>de</strong>ndos precisam ser pagos.<br />
Mas, ao con[rário dos juros pagos pol uma dÍvicla, que são<br />
cteclutÍveis do lucro antes clos impostos, os divi<strong>de</strong>ndos p¿rgos às<br />
açties prefêrenciais não o sáo, o que tencle a enca¡eceL muito o<br />
clinheiro obtido com a emlssão <strong>de</strong> açoes preferenciais. Por se<br />
t.rat¿rr cle um dinheiro caro, as empresas gostam cle se manter<br />
uI
iq..,r:<br />
'.]:: :<br />
distantes <strong>de</strong>le, se possível. Portanto, um dos incticaclores c¡ue<br />
procuramos em nossa busca llor Llma companhia com uma vantagem<br />
competitiva clurável é a ausência cle açÕes pr-.eferenciaì.s na<br />
estrutrlra do seu capltal.<br />
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C¡\PÍTULo 44<br />
Lucro acumulado: o segredo cle <strong>Buffett</strong><br />
para se tornar riquíssimo<br />
Patr¡mônio liqu¡do<br />
(em milhóes <strong>de</strong> R$)<br />
Açoes preferenciais<br />
Ações ordioáriâs<br />
Reserva <strong>de</strong> capital (emissáo <strong>de</strong> açöes)<br />
) Lucro acumulado<br />
Ações em tesour¿ria - ordináÍas<br />
Pâtlmônio lfquido total<br />
0<br />
1 .296<br />
1.374<br />
36.235<br />
-23.375<br />
21 .534<br />
N'T<br />
L\o tim das Lonras, o lucro liquido <strong>de</strong> uma empresa po<strong>de</strong> ser<br />
pago como ctivi<strong>de</strong>ndo, usado para recomprar as próprias açoes,<br />
ou po<strong>de</strong> ser retido para man[er o crescimenLo do negócio. euancto<br />
isso acontece, é lançado no balanço patrimonial sob o cabeçalho<br />
<strong>de</strong> patrimônio lÍquido como lucro acumulaclo.<br />
Se o lucro é acumulado e a ¡entabilida<strong>de</strong> é utilizacla, o quaclro<br />
econômico <strong>de</strong> longo prazo cta empresa pocle melhorar muito. Foi<br />
ä política cle Wa¡ren <strong>de</strong> reter 100% do lucro lÍquiclo da Berkshire<br />
c¡ue ajr-rdou a laze¡ com que as açÕes cla companhia subissem <strong>de</strong><br />
tJS$ 19 cacla uma em 1965 para US$ 78 miÌ cacla uma ern 2007.<br />
Para <strong>de</strong>scobrir o lucro lÍquido anual que será aclicionaclo ao<br />
ILrcro acumulado cla empresa, pegamos o lucro lÍquiclo após rmpostos<br />
e ctecluzimos o valor c¡ue ela pagou em clj.r,i<strong>de</strong>ndos e os<br />
rtispêndios com a recompta cie açÕes clurante aquele âno.<br />
Em 2007, a Coca-CoLa teve um lucro lÍc¡uiclo após impostos cle<br />
LlSiì 5,9 bilhöes e gasrou US$ 3,1 bilhoes em cliviclendos e recomttz<br />
ltl
pra cle açoes. lsso cleu a ela um renclimento <strong>de</strong> aproximadamente<br />
US$ 2,8 bilhoes, que foram adicionados ao lttcro acumulailo.<br />
Este é um nitmero que vai senclo agtegado, o que significa<br />
que o novo lucro acttmulaclo cle cacta ano é aciiclonaclo ao lttcr-.o<br />
acumulado total clos anos anteriores. l)a mesma maneirâ, se a<br />
empresa percle dinheiro, o prejuÍzo é subtraíclo clo qtte ela acumulou<br />
no passacio. Se percle mais clinherro clo que acutrlulou, o<br />
lu,. r,.-t rt umLLl.ulo s.rr unr númcrù ncgf,l ivo.<br />
De tockrs os núrmeros em urn balanço patrimonì.al que poclern<br />
nos ajuclar a cleLelminat se uma companhia tem ou não uma<br />
vantagem competjtlva clurável, esLe e o rnris inlporLantc. Ë inìportante<br />
porqlle, se uma empresâ não está fazenclo acltÇoes ao<br />
seu lucro acumulado, o seu patrimônio lÍquicio não está crescenclo.<br />
Se este não está clescenclo, é pouco provável qlle nos lornemos<br />
lic¡uÍssimos no longo prazo.<br />
Simphficancio: a taxa cle crescimento clo lucro acttn.tulaclo cle<br />
uma empresa é um bom inclicador para sabermos se ela eslá se<br />
beneficianclo ou não cle uma vantagem competitiva clu¡ável. Velamos<br />
algumas das companhias lavori¡as cle Buflètt clue possuem<br />
uma vântagem competitiva durável: a Coca-Cola vem aumentando<br />
seus lucros acumltlaclos há cinco anos a Llma lâxa anual <strong>de</strong><br />
7,9olo; a Wrigle¡ a saborosos I0,9%; a Burlingron Notthe¡n Santa<br />
Fe Railway, a velozes ].5,60lo; a Anheuser-Busch, a inebriantes<br />
6,4%; o Wells Fargo, a sóliclos 14,2%; e a Berkshrre l{athaway, clo<br />
próprio Bulfett, a incornparáveis 23%.<br />
Nem todo o crescimenlo clo luc¡o acurnulado se <strong>de</strong>ve a um<br />
aumento adicional nas vendas <strong>de</strong> proclulos existentes; uma<br />
parte se <strong>de</strong>ve a âquisiçoes <strong>de</strong> ou[ras enìpresas. Quando duas<br />
companhias se funclem, os seus lucros acumulados são combinaclos,<br />
o qlìe gera um valor ainda maior. Pot exemplo, em<br />
2005, a Procter & Gamble viu seu lucro âcumlllado pular <strong>de</strong><br />
US$ 13 bilhoes para US$ 3l bilhoes quanclo se funcliu com a<br />
The GiLlette Co.<br />
It4<br />
,:::.<br />
Um clos gran<strong>de</strong>s segreclos clo sucesso cle Buflett com a Be¡kshire<br />
Hathaway é que ele interrompeu os pagamentos cle diviclenclos<br />
no dia em c¡ue assumiu o controle cla empresa. Isso permitiu que<br />
100% do lucro lÍquido anual fosse adicionaclo ao lucro acumulado.<br />
À meclida.que oportunicla<strong>de</strong>s iam aparecenclo, elc investia o<br />
lucro acumulado em companhias clue ganhavam aincla mais Entáo<br />
âquele clinheiro era adicionado ao lucro acumulado e, clepors,<br />
invesliclo em operaçoes ainda mars lucrativas. Com o passar clo<br />
tempo, o crescente lucro acun.rulaclo cla Berkshire allmenLou a<br />
sua capacicla<strong>de</strong> <strong>de</strong> ganhar cacla vez mais clinheiro. Entre 1965 e<br />
.2007, a expansão cle seu lucro acumulado ajudou a aLìmentar o<br />
seu rendimento antes clos impûstos cte US$ 4 por aÇão em 1965<br />
para US$ 13.023 por açâo em 2007, o que corresponcle a uma<br />
taxa méciia <strong>de</strong> crescimento anual cle aproximaclamente 2lo/o.<br />
A. teoria é simples: cluanto nais luc¡o a empresa retiver, mais<br />
rápido o seu lucro acumulaclo crescerá, o quÈ, por sua vez, aumentará<br />
a taxa <strong>de</strong> crescimento do lucro futuro. O macete, e<br />
claro, é que ela precisa continuar â comprar companhias que<br />
possuem vanlagens competilivas duráveis. E loi exatamenle isso<br />
que Bulfett lez com a Berkshire Hathaway. Eia é como uma galinha<br />
clue nào apenas conlinua a pôr ovos <strong>de</strong> ouro, mas cle cacla<br />
um <strong>de</strong>sses nasce uma nova galinha que poe mais ovos cle ouro.<br />
Bufle¡t clescobriu que, se você mantiver esse processo tincionanclo<br />
por rempo suficiente, vai acabar contabilizanclo o seu patrimônio<br />
líquiclo em bilhóes, não apenas em milhoes.<br />
1t5
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Ações em tesouraria: <strong>Buffett</strong> gosta <strong>de</strong> vê-las<br />
no balanço patrimonial<br />
Bala¡ço patr¡moniâl/Patrimönìo llqu¡do<br />
(em milhöes <strong>de</strong> R$)<br />
Açôes preferenciaìs<br />
Açóes ordinárias<br />
Reserva <strong>de</strong> capital (emissâo <strong>de</strong> açoes)<br />
Lucro acumulado<br />
-+ Açöes er¡ tesourar â - ordinárias<br />
Patrimônio lfcluido total<br />
c,rpÍruro 45<br />
0<br />
1 .296<br />
7.378<br />
36 235<br />
-23.37 5<br />
21.534<br />
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quando compra suas próprias aÇóes c ¿ts mantém como açÕcs<br />
em tesouraria, a empresa está reduzinclo o seLl capìtal próprio,<br />
o que aumenta o relo¡no sobre o patrimônio lÍc¡urclo. Como um<br />
retorno alto sobre o patrimônio lÍquido é un sinal clc vrnLagem<br />
competiliva du¡ável, é bom saber se o alto ¡etoÍno cstiì scnclo<br />
geraclo por engenharia linanceira, conclìçoes econômìcas excep_<br />
cionais ou por uma combinaçao clas cluas coisas. para sabcr ir<br />
que está acontecendo, converta o valor negativo clas açöes cm<br />
Lesouraria em um nútmero positivo e adicione_o ao palrimônlo<br />
lÍc1urdo, em vez <strong>de</strong> subtraí-lo. Depois, clivicla o iucro líc¡uiclo cla<br />
companhia pelo novo pâtrimônio líquido total. O resukaclo cles_<br />
sa ope¡aÇão é o tetorno sobre o patrimônio sem os efeifos cla<br />
engenharia financeira.<br />
Vamos terminar esle capÍrulo com uma regra sìmples: a presença<br />
cle açöes em tesouraria no balanço patrrmonial e um his_<br />
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tórico <strong>de</strong> recotnpra <strong>de</strong> aÇÕes são bons incticaclores cle clue a em_<br />
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uma empresa recompra suas próprias açoes, cluas cot-<br />
Quando<br />
sas poclem ser leitas: ela po<strong>de</strong> canceláìas ou rete-lâs com a possibilida<strong>de</strong><br />
<strong>de</strong> revenclê-las mais târ<strong>de</strong>. Se fo¡em canceladas, elas<br />
cleixam <strong>de</strong> existir. Mas, se a companhia as letém com a possìbilida<strong>de</strong><br />
cle revendê-las mais tarcle, elas sâo lançaclas no balanÇo<br />
patrì.monial, no grlrpo cle contas clo patrimônio lÍquido, como<br />
âçóes em tesouraria.<br />
As aÇoes em tesourâria não têm direito a voto, assim como não<br />
recebem divì<strong>de</strong>nclos, e, embora sejam incliscutivelmente um ativo,<br />
sâo lançaclas no balanço patr imonial como um valor negativo<br />
porque representam uma recluÇâo clo patr'ìmÔnio lÍquido<br />
As empresas com uma vântagetn competitiva durável, graças a<br />
suas ótimas condiçÕes econômicas, [enclem a ter mLìito clinheiro<br />
livre c¡ue po<strong>de</strong> ser gasto com â recompra clâs próprlâs aÇÕes.<br />
Devemos aten[ar pata muìtas out¡as dinâmicas fìnanceiras no<br />
que cliz respeito às aÇoes em tesouraria. Uma <strong>de</strong>las é a seguinte:<br />
presa em ques[ão tem uma vantâgem compeLitiva clu¡ável a setL<br />
lavor.<br />
ll6<br />
117
c,rpÍruro 46<br />
Retorno sobre o patrimônio líquido<br />
<strong>Buffett</strong> <strong>de</strong>scobriu que as empresas que sc beneficiam cle uma<br />
tzanragem competitiva durável ou cle longo prazo apresentam um<br />
relorno sobre o parrimônio lÍquiclo acima cla r.néclia. A compa_<br />
nhia favorita c1e Buffetr, a Coca-Cola, apresenta Lrrn retorno cle<br />
30olo sobre o parrimônio lÍquido; a Wrigley, <strong>de</strong> 24%; a Flershe¡t5<br />
iìprescnti otimos I Jolo: c x pepsi ítl¡nge l+o/,.<br />
Passe para um setot altamente competitivo como o da aviaçâo,<br />
:<br />
Bãlanço patr¡moniâl/Patr¡mônio llqu¡do<br />
(em milhóes <strong>de</strong> R$)<br />
Açôes preferenciais<br />
Açôes ordinárias<br />
Reserva <strong>de</strong> capital (emjssáo <strong>de</strong> ãçóes)<br />
Lucro ãcumulôdo<br />
Açöes em tesouraria - ordinárias<br />
Patrimôoio lfquido total<br />
0<br />
1.296<br />
36.235<br />
-23.375<br />
21 .534<br />
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no qnal nenhuma empresa tem uma vantagem competitiva suslentável,<br />
e o retorno sûbre o patrimônio cai clramatìcamente. A<br />
United Airlines, em um ano em que ganha clinheiro, atinge l5yo;<br />
e a American Airlines ganha 4%. A Detr¿ Air Lines e a Norttrwesr<br />
não ganham nacla porque não ob¡êm lucro.<br />
Um retorno alto sobre o patrimônio significa que a companhia<br />
eslá usrìndo bem o lucro que está sendo reticlo. Com o passar clo<br />
I<br />
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tempo, esses re[ornos altos sobre o palrimônio se acumulam e<br />
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Sa fo.-oa acionistas cle uma empïesa, estaremos muilo interessados<br />
na capacicla<strong>de</strong> c{a equlpe cle gestão <strong>de</strong> alocar o nosso clinheiro<br />
para c¡ue consigamos ganhar ainda maj.s Se a ec¡uipe faz<br />
um trabalho ruim, não ficamos satisfeitos e po<strong>de</strong>mos âté ven<strong>de</strong>r<br />
as nossas açöes e j.nvestj.r em outlo ne8ócio Mas' se esriver realmenle<br />
fazenclo um ótimo trabalho, po<strong>de</strong>mos até compral uma<br />
pârticrpaÇão mâior na empresa, jtlnlo com toclas as outlas pessoas<br />
clue eslao ìmpressionadas com a capactdacle da ecluipe <strong>de</strong> gestão<br />
em utilizar cle lorma rentável o patrimÒnio dos acionistas'<br />
Com esse propóslto, os ânalistas financeiros <strong>de</strong>senvolveram o<br />
inclice c1e retotno sobre o patrimônlo ìÍquido, a lim <strong>de</strong> lestar a<br />
efìciêncla cla equipe cle gestão em alocar o cìinheiro dos aclonistas.<br />
Tra[a-se <strong>de</strong> um lndice muito importanle para <strong>Buffett</strong> em sua<br />
busca pela empresa com uma vantagem competitiva durável'<br />
rl1.<br />
aumentam o valor subjacenLe da empresa, que, ao longo clo tem_<br />
po, acabará senclo reconhecido pelo mercado acronário por meio<br />
<strong>de</strong> um aumento clâ cotação das açoes claquela companhia.<br />
Portanto, a regra é: um ¡eto¡no alto sobre o parrimônio lÍquiclo<br />
significa "po<strong>de</strong> vir". Um ¡e[o¡no baixo significa ,,lìque longe,,.<br />
ì<br />
l<br />
-ì<br />
I<br />
ReLorno sobte o paLrimônio líquiclo = l-ucro líc1uicÌo +<br />
PâtÌirnônio liquiclo<br />
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c,4. P IruLo 47<br />
O problema da alavancagem e as surpresas<br />
que ela po<strong>de</strong> causar<br />
.:'<br />
t<br />
poucas ga¡antias cleixaram cle pagar snas hipotecas, oll seja, pa,<br />
raram <strong>de</strong> pagar os juros. Esses mLÌtuários não rinhatl Lrmâ fonle<br />
durável <strong>de</strong> renda, o que significava, em úllima insrânciâ, cLue os<br />
bancos cle rnvestimentos também não tinhâm<br />
Ao avaliar a qualiclacle e a durabiliclacle cla vantagem competr-<br />
:l:l<br />
tiva <strong>de</strong> uma empresa, <strong>Buffett</strong> aprencleu a evitar companhras que<br />
'a<br />
t.<br />
usam muita alavancagem parâ gerar lucro. No curto prazo, elas<br />
Alnunn.ug"- é o ttso cle clíviclas para aumentar o lucro da empresa.<br />
EsLa toma emprestaclos US$ l0O milhÓes a 7olo e utiliza<br />
esse clinheiro, ganhanclo l2%. lsso signiftca c¡ue está lucrânclo<br />
5olo além clo custo clo capìtal. Consequentemente US$ 5 milhÓes<br />
são lançaclos no resultaclo financeiro, aumenLando o lucro e o<br />
retorno sobre o patrimônio.<br />
O problema é que a alavancagem po<strong>de</strong> fazer com que a companhìa<br />
pareça ter algum ripo <strong>de</strong> vantagem competitiva, quândo,<br />
na verclacie, está apenas usanclo uln gran<strong>de</strong> volume cle clÍvidas'<br />
Os bancos <strong>de</strong> investimentos <strong>de</strong> Wall Street são famosos pelo<br />
uso cle uma gran<strong>de</strong> quanti(lac1e cle alavancagem para gerar lttcro'<br />
Nesse caso, eLes contraem um empréstimo cie US$ì 100 bilhÓes<br />
a, por exemplo, 6%, clepois empreslam esse dinheiro a 7%, o<br />
clue significa que estão lucranclo 1olo sobre os US$ 100 bilhoes,<br />
o que corresponcle a US$ 1 bilhão. Se este valor apârecer ano<br />
após âno, criará a aparência <strong>de</strong> alguma vantagem competiliva<br />
clurável, embora não seja o caso.<br />
O problema é c¡ue, embora o banco cle investlmentos pareça<br />
ter consistência em seu fluxo c1e lttcro, a fonte que está pagando<br />
os juros tâlvez não consiga mânler os pâgamentos.<br />
lsso aconteceu na ïecenle crise clo crédiLo subprine, que custou<br />
aos bancos centenas cle bllhoes cte clólares. Eles lomaram emprestacìos<br />
bilhóes cle dólares a, por exemplo, 6010 e conce<strong>de</strong>ram<br />
empréstimos a Bo/o para compradores cle imÓveis com poucâs garantias,<br />
o que gerou muìlo lucro para os bancos Mas, c¡uanclo a<br />
economia comeÇou a <strong>de</strong>rrapar, os compraclores cle imóveis com<br />
',<br />
:::,:<br />
:.l<br />
parecem ser a galinha que poe ovos <strong>de</strong> ouro, mas, no lim das<br />
contas, nao são.<br />
I<br />
l<br />
:<br />
120<br />
121
.ay,:-t¡,1::<br />
A DEMONSTRAÇAO DE<br />
FLUXO DE CAIXA<br />
"Ha uma gran<strong>de</strong> dtJerença entre d empresa que<br />
cresce e requer mLtito capital pttrL crescer e (1<br />
empresLl que cresce e nal requer úpital."<br />
WARRLN BUFFETT<br />
t<br />
:
A <strong>de</strong>monstração <strong>de</strong> fluxo <strong>de</strong> caixa: aon<strong>de</strong> <strong>Buffett</strong><br />
vai para achar o dinheiro<br />
A<br />
'É\ mriorir chs rmpresas usr o que é chamaclo cle Regime cle<br />
Competência Contábil, âo contrário do Regime <strong>de</strong> Caixa. Com<br />
a plirneira modalida<strong>de</strong>, as recei[as sâo lançaclas c¡uanclo os bens<br />
sâem porta afora, mesmo c¡ue o compraclor leve anos pat:â pâgi-<br />
-los. Na seguncla, as vendas só são registradas quanclo há enlracla<br />
cle clinheiro. Como quase toclas as cornpanhlas oferecem algum<br />
tipo <strong>de</strong> créclìto parâ seus compradores, a utilizâçâo do Regime<br />
cle Compelência é consì<strong>de</strong>racla mais vantajosa, pois permite que<br />
elas lancem as vendas a crédlro como receita na <strong>de</strong>monslraÇão<br />
clo rrsulLatlo tlo cxercr. io.<br />
c APi'r'u Lo 48<br />
Visto que o Regime <strong>de</strong> Con-Lperência Contábil permite c¡Lle<br />
venclas a crédlro sejam Ìançadas como receita, tornou-se necessário<br />
para as empresas monitorar sepaì'adamenLe o dinheiro que<br />
realmente entra e sai clo seu caixa. Com esse propósito, os contaclores<br />
criaram a clemonstração <strong>de</strong> fluxo cle caixa.<br />
Uma companhia pocle ter muio clinheiro entrando com a vencla<br />
cle açóes ou títulos e aincla ass:im não ser renlável. (Da mesma maneira,<br />
uma empr-esa po<strong>de</strong> ser rentável com muilas venclas a créclito<br />
e não muito dinheiro entranclo.) A clemonstração cle fluxo <strong>de</strong> caixa<br />
irá nos info¡mar apenas se a or-ganização está recebendo mais dinheiro<br />
clo que está gastândo ("Îluxo cle caixa positivo") ou se está<br />
gastanclo mais clo que está recebendo ("lluxo cle caìxa negâtivo").<br />
As <strong>de</strong>monstraçöes <strong>de</strong> uxo cle caixa são como as cìemonstraçóes<br />
clo resultado clo exercicio, pois sempre se referem a um período específico.<br />
Os contadores cla empresa geram uma <strong>de</strong>monstração clesse<br />
tipo a cada três meses e mais Llma out¡a no fim clo ano fiscal.<br />
A <strong>de</strong>monstração <strong>de</strong> fluxo <strong>de</strong> caixa é cliviclicta em Lrês seÇöes.<br />
Primeiro, temos o fluxo <strong>de</strong> caixa <strong>de</strong> atividacles operacionais.<br />
Essa área começa com o lucro lÍc¡uido e soma o valor cla clepreciação<br />
e da amortização. Embora <strong>de</strong> um ponto <strong>de</strong> vista contábil<br />
sejam clespesas reais, a <strong>de</strong>pteciação e a amortização n:lo consomem<br />
dinherro algum, pois representam o que já foÍ gasto anos<br />
antes. O resultaclo é o Caixâ total clas atividacles operacionais.<br />
(em mìlhóês <strong>de</strong> R$)<br />
Lucro líquido<br />
Depreciação<br />
Amortizaçáo<br />
Caixa total das ¿tividãdês operacionais<br />
(em milhóes <strong>de</strong> R$)<br />
Despesas com ativos fixos<br />
Demais ¡tens <strong>de</strong> fluxo <strong>de</strong> caÌxa <strong>de</strong> investimento<br />
Caixa totâldãs âtivìda<strong>de</strong>s <strong>de</strong> investimento<br />
5.981<br />
1.163<br />
125<br />
7 .269<br />
Depois, vem o fluxo <strong>de</strong> caixa <strong>de</strong> operaÇoes <strong>de</strong> investimento.<br />
Essa área inclui um lançamen[o para toclas as <strong>de</strong>spesas com ativos<br />
lixos lêitas clurante tal perÍodo contábil. As <strong>de</strong>spesas com<br />
ativos fixos são sempre um númrro negârivo pùrque represcntâm<br />
gastos, o que acarrela um esvâziâmento do caixa.<br />
Também estão incltrídos nessa categoria os Demais itens <strong>de</strong><br />
fluxo <strong>de</strong> caixa cle investimento, que é a soma <strong>de</strong> todo o dinheiro<br />
gasto e recebido pela compra e venda <strong>de</strong> ativos que geram receita.<br />
Se há mais saícla clo que entrada, o número é negativo. Se há<br />
mais entrada do que saÍda, o númerô é posrtivo.<br />
Esses clois lançamentos são somados e resultam no Caixa total<br />
clas arivida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> inveslimento.<br />
(1.648)<br />
(5.071)<br />
(6.719)<br />
Por fim, há a secão do fluxo <strong>de</strong> caixa <strong>de</strong> atìvida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> financiamento,<br />
que mecle o fluxo cle entrada e saída <strong>de</strong> dinheiro cle uma<br />
t)4 t25
.'..::.<br />
empresa geraclo por operaçoes financeiras. Nele estão incluÍdas<br />
todas as saÍdas <strong>de</strong> dinheiro para o pagamento <strong>de</strong> divi<strong>de</strong>ndos.<br />
Tâmbém estão ìncluiclas a venda e a compra cte açÕes da companhia.<br />
Quanclo estâ vencle açóes para flnancìar uma nova fábrica,<br />
há entracla <strong>de</strong> clinheiro. Quanclo recornpra as próprias açoes, ha<br />
saÍda <strong>de</strong> dinheiro. O mesmo acontece com os tÍtulos: quancio<br />
são vencliclos, há entracla cle clinheiro; na recompra, há saÍda cle<br />
clinheiro. Esses très lançamentos sáo somaclos para gerar o Caixa<br />
total das ativÌdacles <strong>de</strong> linanciamento.<br />
(em mllhóes <strong>de</strong> R5)<br />
Divi<strong>de</strong>ndos pagos<br />
Emissão (resgate) <strong>de</strong> âções, líquido<br />
Emissão (resgate) <strong>de</strong> dívidas, líquido<br />
Caix¿ total <strong>de</strong> ativlda<strong>de</strong>s <strong>de</strong> financiamenio<br />
(r.149)<br />
(219)<br />
4 341<br />
913<br />
Se adicionarmos o Caixa total clas ativicla<strong>de</strong>s operacionais, o<br />
Caixa total das ativida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> investimento e o Caixa total das<br />
aLivida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> financiamento, obteremos o Resukado linal <strong>de</strong><br />
CâIXâ<br />
(em milhóes <strong>de</strong> R$)<br />
Cãlxa totãl d¿s ¿ìividã<strong>de</strong>s operacionais<br />
C¿lxa total das ativida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> investimento<br />
Caixa totêl das ativida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> financiar¡ento<br />
Result¿do final dè câìxâ<br />
O que <strong>Buffett</strong> <strong>de</strong>scobriu é que algumas das informaçöes encontraclas<br />
na clemons[raÇão cìe fluxo cle caj.xa cle uma empresa<br />
po<strong>de</strong>m ser muito úteis para nos aluclar a cleterminar se ela esti<br />
ou nâo se benelìcrando <strong>de</strong> uma vantagem competltiva durável.<br />
Então, vamos ârregaÇar as mangas e mergulìrar na <strong>de</strong>monstrâção<br />
<strong>de</strong> fluxo <strong>de</strong> caixa para verificar o que ele analisa quanclo procura<br />
a companhia que vai gerar seu próximo bilhao.<br />
1.269<br />
(6.719)<br />
973<br />
1.523<br />
.:<br />
.::<br />
Despesas com ativos fixos: não tê-las é um dos<br />
segredos pâra enriquecer<br />
Demonstração <strong>de</strong> fluxo <strong>de</strong> ca¡xa<br />
(em milhões <strong>de</strong> R$)<br />
J Despesas com âtivos fixos<br />
c.rPiTU r.0 49<br />
Demais ltens <strong>de</strong> fluxo <strong>de</strong> caixa <strong>de</strong> investimento<br />
Caixa total das alivida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> investimento<br />
(1.648)<br />
(5.071)<br />
(6.719)<br />
^A. dcsl'tesrs com tt.r\ os [ixos síio valoïcs lragus por ativos imobilizados,<br />
tais como máquinas ou imóveis. -tìrnbém incLuem cles,<br />
pesas com alivos intangíveis, como palentes. São basicamente<br />
ativos gaslos ao longo cle um período superior a um ano por meio<br />
cle clepreciação ou amortização. As clespesas com ativos [ixos sâo<br />
regrstradas na clemonstração cle lluxo cle caixa nas operaçöes cle<br />
tnvestrmenIo<br />
A compra <strong>de</strong> um novo caminhão para a sua empresa é uma<br />
clespesa com ativo fixo; o valor clo caminhão será lançaclo como<br />
clepreciação ao longo <strong>de</strong> sua vida útil - por exemplo, seis anos.<br />
Mas a gasolina usacla no caminhão é nma <strong>de</strong>spesa correnle,<br />
com o sell preço integral <strong>de</strong>cluziclo clo lucro clurante o ano em<br />
cLtrso<br />
()uando o assunto é fazer rlespesas com âtivos fìxos, nem todas<br />
as cornpanhias sâo lguâj.s. Algumas precisam [azer enormes<br />
clespesas com ativos fixos sitnplesmente para conLinuâr opetanclo.<br />
Se permanecerem altas durante alguns anos, elas poclerão<br />
começar a Ler um impacto prof undo no lucro.<br />
126 t27
Bufle¡t clisse que é por isso que nunca lnves[iu em companhias<br />
telefonicas - os tremendos gastos com ativos fixos para<br />
a construÇao <strong>de</strong> recles <strong>de</strong> comunicação atrapalham mui[o suas<br />
condiçöes econômicas <strong>de</strong> longo prazo.<br />
Em geral, para clar continuiclacle às suas operâçöes, uma empresa<br />
que possui uma vântagem competitiva durável gasta uma<br />
fatia menor cle seu lucro com <strong>de</strong>spesas com ativos fixos clo que<br />
uma que não possui vântagem competitiva clurável. Vejamos alguns<br />
exempìos.<br />
A Coca-Cola, uma clas companhìas favoritas <strong>de</strong> <strong>Buffett</strong> ha<br />
muito tempo, lucrou nos Írltimos l0 anos um total <strong>de</strong> US$ 20,21<br />
por açàù e gâstou apenas US$ 4,01 por- aÇão, ou 20% do seu<br />
lucro total, em <strong>de</strong>spesas com ativos fixos no mesmo perÍodo. A<br />
Moocly's lucrou US$ 1,1,24 por ação nos últimos 10 anos e gastou<br />
irrisórios US$ 0,84 por ação, ou 6% clo seu lucro total, em clespesas<br />
com atìvos fixos.<br />
Compare a Coca-Cola e a Moocly's com a GM, que, nos illtimos<br />
l0 anos, teve um lucro total <strong>de</strong> US$ 31,64 por açao após<br />
subtrair as percias, mas queimou astronômicos US$ 140,42 por<br />
ação em <strong>de</strong>spesas com ativos fixos. Ou com a fabricante cle<br />
pnèus Goodyear, que, no mesmo período, teve um lucro rotal <strong>de</strong><br />
US$ 3,67 por ação após subtrair as perdas, e <strong>de</strong>spesas totais com<br />
âtivos [ixos <strong>de</strong> US$ ]4.88 por ição.<br />
Se a GM usou 444% do que ganhou para cobrir <strong>de</strong>spesas com<br />
ativos fixos e a Goodyear, 950%, <strong>de</strong> on<strong>de</strong> salu todo esse clinheiro<br />
extra? De empréstimos bancários e cla venda <strong>de</strong> toneladas cle novas<br />
ciividas (títulos) ao público. Essas inìciativas aclescentam<br />
mais dÍvidas ao balanço patrimonial <strong>de</strong>ssas empresas, o que, por<br />
sua vez, aumenta a quanrida<strong>de</strong> <strong>de</strong> dinheiro gasto com o pagamento<br />
<strong>de</strong> juros, o que nuncâ é bom.<br />
Mas tanto a Coca-Cola quanto a Moody's têm lucro exce<strong>de</strong>nte<br />
suficiente para realizar programas <strong>de</strong> recompra <strong>de</strong> açÕes que<br />
reduzem o número <strong>de</strong> açÕes em circulação e, âo mesmo tempo,<br />
Ì28<br />
chminuem as clÍviclas <strong>de</strong> longo prazo ou as mantêm ellì um pa_<br />
lamâr baixo. Ambas as inlciaLivas são grancles pontos positivos<br />
para <strong>Buffett</strong> e o ajuclam a iclenriftca¡ a Coca,Cola e a Moocly's<br />
como companhias que têm uma vantagem competitiva clllrável<br />
a seLt favor.<br />
Quanclo analisamos a clespesa com ativos fixos em relação ao<br />
lucro lÍquiclo, simplesmente somamos o total cle clespesas com<br />
ativos fixos cle uma ernpresa ao longo cle 10 anos e compatantos<br />
esse núlmero com o lucro lÍquiclo total cla organizaçâo naqtrele<br />
mesmo perÍoclo. Analisamos nm períoclo cle lO anos porque as_<br />
sim temos uma perspectiva cle longo prazo realmente boa acer-ca<br />
clo que está acontecenclo naquela empresa.<br />
Historiciìme nte, as companhils com umn vtntagem conrpcLi_<br />
tiva clu¡ável iêm gasraclo uma porcentagem bastante pequena cle<br />
seu lucro lic¡rido em clespesas com ativos fixos. A Wrigley, por<br />
exemplo, gâsta anualmente cerca <strong>de</strong> ,l9olo; a Altria, aproximacla_<br />
nrente 20%; a Procter õ1 GambLe. ZBo/o; a pepsico, 36yo; a Ameri_<br />
can Express, 23%, a Coca- Col a , 2-Oa/o; e a Moody's, 67o.<br />
Bu[Ietr <strong>de</strong>scobriu que, se uma companhia e stá historicamente<br />
gastanclo 50% ou menos do sen lucro lÍquiclo annal em clespe_<br />
sas com ativos fixos, aquele é um bom lugar.para procurarmos<br />
uma vantagem competitiva durável. Se ela está constanlemenle<br />
gastanclo menos cle 25%, é muito provável que isso aconteça por<br />
catrsa cla existêncla cle nma vantagem competitiva cluráveI a seu<br />
[avor.<br />
t2q
Recompra <strong>de</strong> ações: o método isento<br />
<strong>de</strong> impostos <strong>de</strong> <strong>Buffett</strong> parâ aumentar<br />
o patrimônio dos acionistas<br />
Demonst¡açáo <strong>de</strong> flúxo <strong>de</strong> caixa<br />
F[rxo.]e caixa <strong>de</strong> alivida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> finêociãmento<br />
(em milhoes <strong>de</strong> R$)<br />
Divl<strong>de</strong>ndos pagos<br />
+ Emìssáo (resgate) <strong>de</strong> âções, lfquido<br />
Emissáo (resgate) <strong>de</strong> dívidas, líqujdo<br />
c¿\PÍluLo 50<br />
caix¿ total <strong>de</strong> ativid¿<strong>de</strong>s <strong>de</strong> financiamento<br />
(3.149)<br />
\219)<br />
4.341<br />
913<br />
cipaçâo clos acionislas restantes na empresa - c anmenta o lucro<br />
por açào da companhia, o c¡ue acaba acarretanclo uma alta na<br />
cotaÇão da aÇão.<br />
Vejamos um exemplo: se a organização lucrou Iìlj t0 rniltrÕes c<br />
tem um milhão cle açÕes em circnlação, o lucr-o por aç¿ro scria cte<br />
R$ 10. Se aumentarmos o n(rmero cle açoes em cir,culaçáo para<br />
dois milhões, o lucro por ação cairá para R$ 5. Da tncsrna nancr<br />
ta, se redtrzrrmos o número cle açóes em cir.culaçâo par-a 500 uil,<br />
o Lucro por ação âLrmenlará para R$ 20. enanto maior o núrmero<br />
cle ações em circulaç:ao, menor o ltrcro por ação, e quanlû menor<br />
o número cle açóes ern circltlação, maior o lucro por ação. EnLão,<br />
recompranclo as suas próprlas ações, a empresa pocle aumenlar<br />
o seu lucro por aÇão, embor-a o lucro lÍquiclo não tenha solriclo<br />
nenhum acréscimo. A melhor parte é cllle há um aur¡ento clo<br />
patrimônio clos acionistas que só setá tributaclo quanclo as açóes<br />
forem vendidas. É como um presente que gera oulros presentes.<br />
Na <strong>de</strong>monstração <strong>de</strong> fluxo cle caixa acima, a empresa examinada<br />
pagou R$ 3.149 milhÕes em diviclendos' recomprou algumas<br />
aÇoes próprias por R$ 219 milhöes e ven<strong>de</strong>u R$ '1.341 milhoes<br />
em novas díviclas. Tudo isso gerou para a companhia umâ soma<br />
lÍquicla <strong>de</strong> R$ 973 milhoes em caixa provenientes <strong>de</strong> ativicla<strong>de</strong>s<br />
cle financiamento.<br />
As empresas que têm uma vanta€lem compelitiva dllrável a seu<br />
favor ganham muito dinheiro, o que gera o adorável problema<br />
cla necessicla<strong>de</strong> <strong>de</strong> fazer alguma coisa com esse capital Se não<br />
quiserem ficar com o dinheiro paraclo, náo puclerem reinves[jr<br />
no negócio existente ou não consegllirem encontrar um novo<br />
negócio no qual tnvesrir, elas poclerão pagar diviclenclos aos seus<br />
rcionistls ou Llsar o clinheiro parl rccomprJr suos il(Óes<br />
Um truque que <strong>Buffett</strong> aclora é usar parte do clinheiro exce<strong>de</strong>nte<br />
da companhia para recomprar suas próprias açoes lsso<br />
recluz o número cle açoes em circulação - o que aumenta a partii30<br />
Buffe¡t é tão fã clesse mecanismo cle engenharia financeira que<br />
incentiva o conselho clireto¡ cle todas as excelentes empresas nas<br />
qnais invesliu a recomprar âçÕes em vez cle aumcntar os clivi_<br />
clendos. Ele usou essa táLica na GEICO e aincla a aplica na The<br />
Washington Post Company.<br />
Para clescobri¡ se Lrma companhia está recompranclo su:rs<br />
âçÕes, vá até a clemonstração cle lluxo <strong>de</strong> caixa e rtê uma olhacla<br />
cur Fluxo cle caixa cle ativicla<strong>de</strong>s cle invesrimento. Lá, você enconlrará<br />
um lançamenlo chamaclo "Emissão (resgate.) cle açocs,<br />
lir¡uiclo". Esse lançamenlo inclica o total lÍc1uiclo clas venct¿rs e<br />
rcconìpras clas açÕes cia empresa. Se esta recompra as próprirs<br />
;rçócs ano após ano é porc1ue provavelmenle tem Ltnla v¿ìnlagem<br />
(orìpetitiva durável cFre está Eleranclo toclo o caixa extra pâra<br />
r¡ic isso possa ser feilo.<br />
Lrm outras palavras, trm clos inclicaclores cla prescnça cle uLna<br />
\Ì;lrtiìgem competÍlìva clurável é um "hisrórico" cle r.ecompta ou<br />
r';tnce lamento clas próprias açóes.<br />
l-tI
:a:<br />
:.<br />
A AVALIAÇÃO DA EMPRESA COM UMA<br />
VANTAGEM COMPETITIVA DURÁVË L<br />
"Procuro empresas cLUd sitLLaçd.o clali a i0 otr f5 cutos eu<br />
acho tlue posso preÿer. Veja o cctso da goma <strong>de</strong> mascar<br />
Jabricada pela Wrigley. Acrediut qLLe û internet não vcLi<br />
mudcLr a maneira como d,s pessods mascam chiclete."<br />
W/\RREN BUtìT'8T1.<br />
'....: .l:li','<br />
. aa;::.::
A i<strong>de</strong>ia revolucionária <strong>de</strong> <strong>Buffett</strong> do equíty bond<br />
e como isso o tornou riquÍssimo<br />
No fim cla clécacla cle 1980, Buffert cleu uma palestra na Universiclacle<br />
cle CoÌumbia sobre como emplesâs com urtìa vatltagelll<br />
competitiva clnrável mosL-'am tanLa força e previsibiiidacle no<br />
crescimento clo lucro a ponlo clesse aumento transformat suas<br />
aÇóes em uma esp écre <strong>de</strong> eqtLtLy bonrl (tÍtulo com participação patrimonral)<br />
com um cupom ou um pa€iamento <strong>de</strong> juros cada vez<br />
mais alto. O "LÍtulo" (bond) são as acÕes/participação paLrimonial<br />
(a1uiÿ) cla companhia e o "cupom/pagamento <strong>de</strong> juros" é o<br />
seu lucro antes clos impostos. Não os divrclendos qlle a emPresa<br />
Ìlaga, mas o seu próprio ltlcro antes dos impostos.<br />
<strong>Buffett</strong> con.rpra uma companhia inteÌra cla seguinte n-Laneira:<br />
ele analisa o lucro antes dos impostos e pergunta se a compra é<br />
um bom negócro em relaÇâo à lorçr chs contliçÒcs do mercado<br />
em que ela atua e ao preco cllìe está sencto pediclo. Ele usa o mesmo<br />
raciocÍnio c¡uanclo es[á aclc'¡uirlnclo ttma parlicipaÇão pâr-.cÌal<br />
em uma empresa por meio do mercaclo cle açoes.<br />
O c¡ue atrai Blrffett na convelsão conceitual clas açÓes cle uma<br />
empresa em participação patrimonial/títulos é que sLìa vantagem<br />
competitiva clurável cria conclicoes econÔmicas subiacentes clue<br />
são tão forles a ponro cle causâl Llnl aumenlo conlÍnuo do seu<br />
lucr-o. Esse alrmenlo acarrela tlma ai[a na coLaÇão das açÓes cla<br />
companhia c¡rando a Bolsa cle Valores reconhece o crescimento<br />
no seu valol subjacenle.<br />
Por[anlo, mesmo clue lsso possa pârecer repetitivo, para BufletL<br />
as açoes <strong>de</strong> uma etrpresa que posslli uma vanlagem competitiva<br />
clurável são o equivalente ¿ì parLicipacão patrtmonial/títulos, e o<br />
1t4<br />
a Llma [axa anual <strong>de</strong> aproximadamente l5olo. Depois, ele se percAPÍruLo<br />
51<br />
lucro an[es dos impostos cla empresa é o equivalente âû cllpom<br />
ou ao pagamento <strong>de</strong> juros cle um tí[ulo normal. Mas, em vez <strong>de</strong><br />
ser fixo, o cupom ou a taxa <strong>de</strong> juros do tÍtulo conlinua crescenclo<br />
ano após ano, o que aumenta naturalmente o valor cla participxção<br />
patrimonial/tÍtulo a cada ano.<br />
É o que acontece quanclo <strong>Buffett</strong> compra uma pârticipação<br />
em uma companhia com uma vantagem competitiva clurável.<br />
.- O lucro por âçåo continua a aumentar âo longo do tempo - seja<br />
por causa do crescimento dos negócios, da expansáo clas operaçóes,<br />
cla aquisição cle novos negócios ou da recompra cle açoes<br />
com o dinheiro que vai se acumulando nos cofres da empresa.<br />
O aumenlo do lucro gera um respectivo allmento no retorno<br />
clue <strong>Buffett</strong> está obtendo sobre o investimento original no equiÿ<br />
bo¡rd.<br />
Vamos analisar um exemplo para ver como a teoria funciona.<br />
No fim da década <strong>de</strong> 1980, Buffe¡t comeÇorì a comprar açòes<br />
cla Coca-Cola por um preço méclìo <strong>de</strong> USlì 6,50 po¡ ação clj.anre<br />
<strong>de</strong> um lucro antes dos impostos <strong>de</strong> US$ 0,70 por ação. Hisroricamente,<br />
o lucro cla Coca-Cola estava crescendo a umâ taxa<br />
anual <strong>de</strong> aproximadamente l5%. Vendo isso, Buffetr pôcle argumentar<br />
que havia simplesmente comprado um ecluity bond da<br />
Coca-Cola que estava pagando uma taxa cle juros iniciais antes<br />
clos imposlos cle 10,7olo pâra um investimento <strong>de</strong> US$ 6,50. Ele<br />
também pô<strong>de</strong> argumentar que essa rentabilidacle aumentaria ao<br />
Longo do tempo â uma taxa anual projetacla cle l5olo.<br />
Entencla que, ao contrário dos investidoles em valor que se<br />
baseavam na teoria cle Graham, <strong>Buffett</strong> nao estava dizendo que<br />
a Coca-Cola valia US$ l0 e eslava sendo negociacla a US$ 6,50<br />
por aQão, ou seja, estava "subvalorizada". Ele estava dizenclo que,<br />
a US$ ó,50 por ação, estava senclo oferecicta uma taxa <strong>de</strong> relorno<br />
rnicial antes clos impostos cle 10,7%, relativamente isenta cle risco,<br />
que ele esperava que aumentasse ao longo clos 20 anos seguintes<br />
l3s
î<br />
guntou se acLtlele era ur]l investimento atrâente eln compâraÇão<br />
com as taxas cle rtsco e cte retorno <strong>de</strong> oulros investimentos.<br />
Pa¡a os investiclores em valor cllte se baseiam na teoria c1e<br />
Graham, uma taxa cle juros anles cle impostos <strong>de</strong> 10,7o/o com um<br />
crescimento anual cle 15olo não seria icleal porque eles só eslão<br />
interessaclos na cotação cle mercaclo cta aÇão e, a clespeito clo que<br />
acontecer com a empresa, não têm inlenção alguma <strong>de</strong> ul¿lnter o<br />
investimento por um períocto superior- a aproximaclamente clois<br />
anos. Mas, para Bu[fett, que plane¡a manter o ecptity bortd pot 20<br />
anos ou mâis, esse é o investimento tlos sonhos.<br />
Por que esse é o invcslimenlo clos sonhos clele? Porque, a<br />
cacla ano que passâ, o retorno sobre o seu investimento inlciâl<br />
realmente aurnenta e, nos útltitnos anos, os rÌúmcros tùmeçarânr<br />
a se acumular'. Pense no segttinte: o investine nto inicial<br />
cle <strong>Buffett</strong> nâ The Washington Post Company cLlstotl US$ 6,34-r<br />
por aÇão. Trinta e quatro anos clepoìs, em 2007, a empresa cie<br />
míclia está tencto um lucro antes clos impostos cle US$ 54 por<br />
açáo. Isso dá aos ec1uiLy bontls cle <strong>Buffett</strong> nâ The Washington<br />
Post Company uma ren¡abilida<strong>de</strong> atnal antes clos irnposlos cle<br />
849%. (E você estava se petguntanclo como Bu[[ett ficolt tão<br />
ricol)<br />
Então, como ele se saiu com os ¿ì¿lLlitJ bonds da Coca-Cola?<br />
Em 2007, o hìcro ¿ntes clos impostos havia cresciclo a uma<br />
taxa anual <strong>de</strong> aproximadamente 9,35%, atlnginclo US$ 3,96 por<br />
ação. lsso signrfrca c¡ue <strong>Buffett</strong> po<strong>de</strong> alirmal c¡ue os seus eqaity<br />
bontls cla Coca-C,:la eslào gerando um relorno antes clos imposlos<br />
<strong>de</strong> US$ 3,96 por ação sobre um Ìnvestimento oriSinal<br />
<strong>de</strong> US$ 6,50 por aÇão, o que correspon<strong>de</strong> a ttma rentabiliclacte<br />
efetiva antes clos impostos <strong>de</strong> 600/o e uma rentabilicla<strong>de</strong> efeliva<br />
após ìmpostos cle 40%.<br />
O mercaclo acionário, ao ver o seu retorno, acabará valc;rizan'<br />
clo ao longo do tempo os eqLLity bontls <strong>de</strong> Buffetl para que eles<br />
reflitam esse aumento cle valor.<br />
t36<br />
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Pense no seguinte: com as taxas cle<br />
.juros crn¡rlcs:u i:ris clc longo<br />
prazo em aproxrm¿rclamente ó,5% em 2007, Lts ctluity bondslaçóes<br />
cle Buflêtt r-ra The Washington Post Company, com um lucto/<br />
pâgamenLo cle juros antes dos impostos <strong>de</strong> USI]ì 54 por açiìo, valiam<br />
aploximaclamente US$ 830 cada um nac¡uele ano (tJS$ 54<br />
+ 0,065 = US$ 830). Em 2007, as aÇÕes cla The Washlngton<br />
Post Company estâvam senclo negociadas em Lìma faixa entre<br />
US$ 726 e US$ 885 por aÇão, ou seja, alinhaclas ao valor capitalrzaclo<br />
clo equíty bond <strong>de</strong> US$ 830 por ação.<br />
Poclemos Lestemunh¿rr o mesmo fenômeno <strong>de</strong> valorizaÇão no<br />
mercaclo acionário clos e c.¿Lriÿ bonds <strong>de</strong> Bulfett na Coca-Coia. Em<br />
2007, eles tiveram um lucro antes dos impostos cle USllì 3,96 por<br />
equity bond/acã,o, o c¡ue corresponcle a um lucÌo apÓs impostos <strong>de</strong><br />
US$ 2,57 por eqLLitj boncllaçã,o. Capitahzaclo a uma taxa cle juro<br />
empresarial <strong>de</strong> 6,5%, o lucro antes clos impostos <strong>de</strong> US$ 3,96<br />
vale aproximactamente US$ 60 por er¡uiÿ boncl/açãro (US$ 3,96 -<br />
0,065 - US$ 60). Em 2007, o valor clas açóes cla Coca-Cola no<br />
mercado esteve entre US$ 45 e US$ 64 por ação.<br />
Bulfett aprencleu cLue, se comprar ttma companhia qlle possui<br />
L(ma vantagem competitiva dttrável, o mercado acionárro, ao<br />
longo clo tempo, vai estipuiar Llma colaçâo para os equity bondsl<br />
açóes cla empresa que reflita o valor <strong>de</strong> seu lucro em relação a<br />
rentabiliclacle clos títulos empresariars <strong>de</strong> longo prazo. É verclacle,<br />
em alguns dias, que o mercaclo acionário está pessimista e, em<br />
outros, altamenle otimista, mas no fim sào as taxas <strong>de</strong> jur-os <strong>de</strong><br />
longo prazo que <strong>de</strong>terminam a realida<strong>de</strong> econômica do valor clos<br />
investimentos cle longo prazo.<br />
137
'f<br />
O rendimento cada vez maior criado pela<br />
vantagem competitiva durável<br />
Ḏ Íara insistir um pouco mflis no assllnto, pois sem dúvic1a vale a<br />
pena, vamos dar uma olhacla em algumas oulrâs empresas favoritas<br />
cle Buflett que possuem uma vanlagem competitiva durável,<br />
a lim <strong>de</strong> verificar se o renclimen[o cle seus equriÿ bondslaçoes<br />
aumentolì ao longo do tempo.<br />
Em 1998, a Moody's relatott um lucro após impostos <strong>de</strong><br />
US$ 0,4Ì por aÇão. Em 2007, esse número atingiu a marca<br />
<strong>de</strong> US$ 2,58 por aÇão. Buflett pagou US$ 10,38 por ação pelos<br />
equity bonds cla empresa e hoje eles estão âpresentando um lucro<br />
após impostos cle 24o/o, o que equivale a um rendimento antes<br />
clos impostos cle 38%.<br />
A American Express, em 1998, teve um lucro após imposlos<br />
<strong>de</strong> US$ 1,54 por ação. Em 2008, havia aumentado para US$ 3,39<br />
por aÇao. <strong>Buffett</strong> pagou US$ 8,48 por acao pelos seus ¿rltti¿ÿ<br />
bonris da Amex, o que significa que, atualmente, eles apresentam<br />
umâ taxa <strong>de</strong> retorno após impostos cle 40%, o que ec¡uivale a<br />
uma taxa <strong>de</strong> retorno cle 6l% antes clos impostos.<br />
A Procter 6Í Gamble, favorita <strong>de</strong> longa clata cle <strong>Buffett</strong>, teve um<br />
lucro após impostos <strong>de</strong> US$ 1,28 por ação em 1998. Em 2007, fol<br />
<strong>de</strong> US$ 3,31 por ação. <strong>Buffett</strong> pagou US$ t0,1"5 por aÇão por seus<br />
eqLLitJ botlds da Procter & Gamble, qlle agora apresentam uma<br />
taxâ <strong>de</strong> retorno após impostos cIe 3)ok, o que correspon<strong>de</strong> a um<br />
retorno antes clos impostos <strong>de</strong> '19%.<br />
No caso da See's Cand¡ ButÞtt comprou a empresa inteira<br />
por US$ 25 milhóes em 1972. Em 2007, o seu lucro antes clos<br />
impostos foi <strong>de</strong> US$ 82 milhoes, o que signilica que os ¿qtti¿l<br />
t38<br />
cAPirr¡r.o 52<br />
bonds da See's agora estão geranclo um Ìcndirnenlo anLtal antes<br />
dos impostos cIe 329o/o sobre o invesrrmento originâi.<br />
Em todas essas companhias, a vantagem competitiva durável<br />
lez com que o lucro aumentasse anualmente, o qrìe, por-. sua vez,<br />
aumentou o valor subjacenle cla próprÌa empresa. Sirr, o mercado<br />
acionário po<strong>de</strong> <strong>de</strong>morar a reconhecet esse aLìmento, mas isso<br />
acaba acon[ecenclo, e <strong>Buffett</strong> ganhou com esse "acontecimenlo"<br />
multâs vezes<br />
t39
:i'Ì<br />
l<br />
:<br />
.<br />
f'<br />
Mais maneiras <strong>de</strong> avaliar uma emplesa com uma<br />
vantagem competitiva durável<br />
Lomo já foi dito antes. em 1987 BuffeLt começou a comprar aÇÕes<br />
da Coca-Cola por uma cotação média <strong>de</strong> US$ 6,50 cada uma<br />
cliante cle um lucro antes clos impostos <strong>de</strong> US$ 0,70 por açáo; isso<br />
ecluì.vale a um lucro após impostos cle US$ 016 por aÇão. Histor<br />
icamenle, o lucro da Coca-Cola lem cresciclo a uma laxa anual<br />
cle cerca cle lOo/n.<br />
Venclo isso, <strong>Buffett</strong> pocleria argumen[ar c¡ue havia compraclo<br />
um ¿q[ity bon¿l da Coca-Cola que estava pagando uma taxa <strong>de</strong><br />
juros inicial antes clos impostos <strong>de</strong> 10,7o/o sobre o seu investimento<br />
cle US$ ó,50. Ele também po<strong>de</strong>ria argumentar que aquele<br />
rendimento antes clos impostos aumentaria ao longo do tempo a<br />
uma taxa anual projetada cle L0% (a taxa ânual médiâ <strong>de</strong> crescimento<br />
do lucro cla Coca-Cola nos 10 anos anteriores a 1987).<br />
Se, em 1987, ele lìvesse projerado no fnturo o crescimento <strong>de</strong><br />
l0% do lucro, poclerìa ter argumentaclo c¡ue, em 2007, a Coca-<br />
-Cola leria um lucro por aÇão antes clos impostos <strong>de</strong> US$ 4,35 e<br />
um lucro após rmpostos cle US$ 2,82 por ação. lsso significari,r<br />
c'¡ue, em 2007, o retorno antes dos impostos cle seus eqLriry bon¿ls<br />
cla Coca-Cola teria alcançaclo 66%, o que corresponcle a um retorno<br />
após impostos <strong>de</strong> 43%.<br />
Então, qlranlo valìa em 1987 urn retorno antes dos impostos<br />
cle 66% sobre um cc¡uity bontl tIeUS$ 6,50 ern 2007? Depencle cla<br />
taxa <strong>de</strong> <strong>de</strong>sconto que usâr mos. Se usatmos 7%, que correspon<strong>de</strong><br />
aproximaclamente à taxa <strong>de</strong>juros cte longo prazo naquela época,<br />
obteremos um valor retro¿rtivo clescontaclo cle aproximaclamente<br />
17%. Ao mukipllcarmos 17% pelos US$ 6,50 por ação que ele<br />
t40<br />
c<br />
^PiTU<br />
r () 53<br />
pagou, obtemos US$ì 1,10 por ação. Multiplicânclo US$ 1.,10 pelo<br />
coeficrente cotaçâo/lucro cle 'ì.4 da Coca-Cola em 1987, obtemos<br />
US$ 15,40 por ação. Portanto, em 1987, Buflett poclcria ter argumentado<br />
que estava comprando rm eqLLity bond por US$ 6,50<br />
por ação e que, se o mantivesse por 20 anos, o seu valor intrÍnseco<br />
em 1987 se¡ia <strong>de</strong> US$ 15,40 por açâo.<br />
Em 2007, o lucro antes clos impostos cla Coca-Cola havia crescido<br />
a uma [axa anual <strong>de</strong> 9,35ok até atingir US$ 3,96 por âção,<br />
o que correspon<strong>de</strong> a um lucro após impostos <strong>de</strong> US$ 2,57 por<br />
ação. lsso significa que Bulfett po<strong>de</strong> argumentar que serìs e¿Ìuity<br />
bonds cla Coca-Cola estão gerantlo agora um lucro antes clos imposros<br />
<strong>de</strong> US$ 3,96 por âçâo sobre o seu investimento original<br />
<strong>de</strong> US$ 6,50 por aÇão, o que correspon<strong>de</strong> a um rendimento atual<br />
antes dos impostos <strong>de</strong> 60% e após impostos <strong>de</strong> 40olo.<br />
A Bolsa cle Valores em 2007 avaliou os equíLy bon¿k <strong>de</strong> Buffe¡¡<br />
numa faixa enrre US$ '15 e US$ 64 por acão. Em 2007, a Coca-<br />
-Cola teve um lucro antes clos impostos <strong>de</strong> US$ 3,96 por eqLLity<br />
bond/açãto, o c¡ue equivale a um lucro após impostos <strong>de</strong> U5$ 2,57<br />
por eqLLity boncl/ação. Capitalizaclo à laxa <strong>de</strong> iuros empresarial cle<br />
6,5%, o lucro antes dos impostos cla Coca-Cola <strong>de</strong> US$ 3,96 por<br />
ação vale aproximadamente US$ 60 por equity bontllação (US$ 3,96<br />
+ 0,065 = US$ 60). lsso está alinhado ao valor cle 2007 no mercaclo<br />
acionário, que ficou entre US$'15 e US$ 64 por açâo.<br />
Com o mercaclo avalianclo os eqLLitJ bonds da Coca-Cola em<br />
US$ 64 por ação em 2007, Bu[fetL pôcle calcular que teve uma laxa<br />
<strong>de</strong> lucro anual cor-r.rposlo com impostos diferidos <strong>de</strong> .l.2,ll% sobre<br />
o investimento original. Pense nisso como um tÍtulo que pagou<br />
uma taxa <strong>de</strong> retorno anual cle 12,llo/o sem a incidência <strong>de</strong> tributos<br />
sobre osjuros pagos. E não apenas isso: você po<strong>de</strong> reinvestil to.los<br />
os juros recebidos em mais tíLulos qlle esravam pagando 12,11o/o.<br />
Sim, algum dia você vai ter <strong>de</strong> pagar impostos c¡uando ven<strong>de</strong>r<br />
seus eqt¿i¿y bonds, mas. se náo os ven<strong>de</strong>r, continuará ganhanclo<br />
12,11olo isentos <strong>de</strong> impostos ano após ano inclefiniclamente.<br />
tJr
I<br />
,:<br />
ti,<br />
ii<br />
il<br />
l<br />
Não acredita? Pense no segujnte: Bu[Ièrt rem aproximadamen¡e<br />
US$ 40 bilhoes em ganhos cle capital em suas acÕes da<br />
Berkshire e até hoje não pagou um tostão <strong>de</strong> imposro. A maior<br />
acumulacâo <strong>de</strong> ric¡ueza privada cla hisrória do munclo e nenhum<br />
tostáo pago ao fisco.<br />
Existe algo meìhor?<br />
l<br />
I<br />
c^ PiruLo 54<br />
Como <strong>Buffett</strong> <strong>de</strong>termina o momento certo par¿r<br />
comprar uma empresa fantástica<br />
.l\ï<br />
I\o mundo cle Bu[tÞtL, o preço que você paga diretamente alita<br />
o retorno sobre o seu investimento. Como ele está consicleranclo<br />
a ação cle uma empresa com uma vantagem competitiva cluriivel<br />
i.<br />
uma espécie <strong>de</strong> equity bond, c¡uanto maìs alto o preço pago, rnrìnor<br />
a tâxâ <strong>de</strong> relorno inicial e menor a taxa cle retorno sobre o<br />
lucro cla empresa em 10 anos.<br />
Vejamos um exemplo: no fim da década <strong>de</strong> 1.980, Buftètt começou<br />
a comprar açÕes da Coca-Cola a um preÇo méclio clc<br />
::.<br />
t,<br />
l.<br />
.).<br />
'.1:.,<br />
US$ 6,50 por ação cLante <strong>de</strong> um lucro cle US$ 0,46 por ação, o que<br />
equì.vale a uma taxa <strong>de</strong> retorno inicial <strong>de</strong> 7olo. Em 2007, a Coca-<br />
-Cola tinha um lucro <strong>de</strong> US$ 2,57 por ação. lsso significa clue<br />
<strong>Buffett</strong> po<strong>de</strong> argumentar que seu er¡Lrity boir¿l cla Coca-Cola estava<br />
pagando US$ 2,57 por aÇão sobre seu investimcn[o originâl<br />
<strong>de</strong> US$ 6,50, o clue equivale a um retorno cle 39,9olo. Mas, se<br />
ele tivesse pago US$ 21 por cacla ação da Coca-Cola no fim cla<br />
clécada cle 1980, a sua taxa inicial <strong>de</strong> reto¡no teria siclo <strong>de</strong> 2,2o1''.<br />
Em 2007, essa taxa só teria atingiclo l2olo (US$ 2,57 * US$ 2l<br />
= \2o/o), o cÌue <strong>de</strong>finitivamente não é um número tâo iìLraenle<br />
quanto 39,9%.<br />
Portanto, quanto mais bâixo o preço que você pagxr llot uma<br />
empresa que possui uma vantagem competitiva clurhvel, melhor<br />
será o resultaclo no longo ptazo - e <strong>Buffett</strong> sempre se importâ<br />
com o longo prazo. No entanto, essas empresas raramenlc, oLr<br />
nunca, são vendidas a um preÇo <strong>de</strong> barganha, segunclo a perspectiva<br />
cla velha escola <strong>de</strong> Graham. É por isso que os gcstores<br />
.le investimentos que seguem a doutrina <strong>de</strong> valor clefenclicla por<br />
142 143
.<br />
,'<br />
Gr:lham nunc¡ são clonos cle superempresas; para eles, essas<br />
companhias sâo ca¡as <strong>de</strong>mais.<br />
Então, quanclo você compra uma partictpaçao nessas empre_<br />
sas? Em momentos <strong>de</strong> baixa clo mercaclo, para colneçr.. Emúora<br />
sua coraÇão aincla possa parecer alta quando comparacla à cle<br />
"outras barg¿Ìnhas do mercado em baixa", no longo ptazo elas<br />
Iealmenle são o melhor negócio. E, oc¿rsionalmente, até mesnro<br />
uma companhia com uma vantagem competitiva pocle estragar<br />
tudo e fazer alguma besteira, o que fará com que a corrçãoie<br />
suas âçoes caia no curto plazo.<br />
Pense na New Coke. BullètL clisse que uma oportunidacle<br />
maravilhosa cle cornpra pocle se apresentar quanclo Llma ótima<br />
empresa clepara com um problema solucionável que aconLece<br />
apenas uma vez. O essencial aqui é o lato cle o problema ser<br />
solucionável.<br />
Quanclo você cleve manter clistância cìessas superempresas?<br />
No auge <strong>de</strong> um mercaclo em aha, quando elas sâo negociaclas a<br />
coeficientes <strong>de</strong> cotação/lucro historicamente altos. Nem mesmo<br />
umâ empresa que conta com uma vantagem competitiva durável<br />
po<strong>de</strong> se clesvencilhar cle ¡esultaclos mcclioeres pera invesricìorcs<br />
qlre pagam um preço alto <strong>de</strong>mais na ent¡acla.<br />
CÄPiTUI-o 55<br />
Como <strong>Buffett</strong> <strong>de</strong>termina que e.stá na<br />
hora <strong>de</strong> ven<strong>de</strong>r<br />
\l<br />
l\o munclo cle Bulfett, vocè nunca vencleria uma clessas ein_<br />
presas maravilhosas conlanto que ela manlivesse sua vântagcm<br />
competitivâ clurávei. O simples morivo r que, quanro ,n"is te,¡_<br />
po você mantiver a participâção em uma emprcsa clesse ripo,<br />
melhor será o reslrltaclo. l)a mesma manei¡a, se em algur.n mo,<br />
menLo você venclesse urt <strong>de</strong>sses grancles investimentos, eslâria<br />
conviclanclo o fisco à festa, e isso, muitas vczes, Lorna muito clil!<br />
cil il rtre[a tlc 5e lornrr ri(luisjimo.<br />
Pense no seguinte: a empresa cle Bulfert tem cerca cle US$ 36<br />
bilhoes em ganhos <strong>de</strong> capital resuhantes clos seus tnvestimentos<br />
em companhias com vantagens competitivas duráveis. É um pa_<br />
trimônio pelo cluâl ele ainda não pagou nenhum tostao<br />
"m<br />
impos_<br />
tos e, se ele conseguir fazer ludo à suâ maneira, nur,r.o prguå.<br />
Mesmo assim, há momentos em que é vantajoso vencler uma<br />
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<strong>de</strong>ssas empresas maravilhosas. O primciro nlo,rran,o e quanclo<br />
você p¡ecisa <strong>de</strong> clinheiro para fazer um investimento em uma<br />
companhia ainda mais excepcional a um preço melhor, o que às<br />
vezes acontece.<br />
O segunclo mornento é quanclo pârece que a empresa vai per,<br />
<strong>de</strong>r a sua vântagem competitiva clurável. lsso acontece perio..li_<br />
camente, como no caso cle jornais e estaçöes cle televisão. Ambos<br />
costumavaln se¡ negócios fantásticos. Mas a internet apareceu<br />
e, cle tepente, a clurabilidacle cle sua vantagem competitiva foi<br />
colocada em questào. E você não quer manLer o seu dinheiro<br />
144<br />
no longo prazo em uma companhla que possui uma vantagem<br />
competitiva questionáve1.<br />
145
iì<br />
O terceiro momento é quando osmercados estâo em aka, quanclo<br />
a Bolsa <strong>de</strong> Valores, em um frenesi insano cle compras, faz com c¡ue<br />
âs cotaÇoes <strong>de</strong>ssas empresas fantásticas disparem. Nesses casos, a<br />
cotação corren[e <strong>de</strong> vencla da companhia exce<strong>de</strong> em muito as suas<br />
reaìrclacles econômicas cle longo prazo. E as realicla<strong>de</strong>s econÔmicas<br />
cle longo prazo <strong>de</strong> üma empresa são como a gravidacle quanclo a<br />
cotaçãû das açÕes atinge â estratosfera. Com o tempo, vào acabar<br />
trazendo â cotação <strong>de</strong> volta ao palamar realista. Se a cotaÇão subir<br />
<strong>de</strong>mais, as concliçoes econômicas <strong>de</strong> vencla e cle aplì.cação clos proventos<br />
em outro investimenlo poclem ser mais vantajòsas clo que<br />
os benelícios <strong>de</strong> manlel â participação na empresa.<br />
Pense nisso cla seguì.nte maneila: se pu<strong>de</strong>rmos proietar que a<br />
companhia lucrará US$ 10 milhoes nos próximos 20 anos e alguém<br />
nos oferecer hoje US$ 5 mìlhoes por toda a empresa, nÓs aceitamos?<br />
Se só puclermos j.nvestil os US$ 5 mrlhoes a uma taxa <strong>de</strong> retorno<br />
composta anual cle 2olo, provavelmente não, poìs os US$ 5 milhOes<br />
investiclos hoje a urna taxa <strong>de</strong> reto¡no composta anual <strong>de</strong> Zo/o só va'<br />
leriam US$ Z4 milhoes no 20o ano. Não é muilo para nós Mas, se<br />
puclermos conseguir uma tâxa <strong>de</strong> retorno composta anual cle 8%,<br />
os nossos US$ 5 milhoes se t¡ansformarão em US$ 23 milhÒes no<br />
204 ano. De repente, a vencla parece um ótimo negócìo.<br />
Uma regra simples é que, quândo vemos coelicientes <strong>de</strong> cotação/renclimento<br />
cle 40 ou mais nessas superempresas, e isso<br />
vez por outrâ acon[ece, talvez seja a hora <strong>de</strong> vencler. Mas, se ven<strong>de</strong>rmos<br />
em um mercaclo em forte alta, náo clevemos comprar<br />
algo que esteja senclo negociado a 40 vezes o rendimento Em<br />
vez disso, <strong>de</strong>vemos dar um tempo, aplicar em bônus do Tesonro<br />
dos Estados Uniclos e esper¿ìr a próxima baixa. Porque sempre<br />
haverá uma próxima baixa esperando para nos oferecer a opor-<br />
¡unicla<strong>de</strong> <strong>de</strong> ouro para comprar uma participação em uma ou<br />
mais companhias com uma vantâgem compelitiva durável c¡r-re,<br />
no longo prazo, vão nos lornar riquÍssimos.<br />
t46<br />
Exalanente como <strong>Warren</strong> Buffe[t.<br />
Mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> balanço patrimonial <strong>de</strong> uma empì.esÍr<br />
(em milhóes <strong>de</strong> R5)<br />
que possui uma vantagem competitiva durável<br />
Atvo disponivel e investimentos <strong>de</strong><br />
Istoque total<br />
Contas â recêber, s¿ do líquido<br />
Despesas p¿9as ¿ntec padamente<br />
Dernaìs ativos circulanles<br />
Ativo cicul¿nte lot¿l<br />
Ativo imobilzado<br />
Fundo <strong>de</strong> coñìércio, v¿lor lfquido<br />
Atìvos intangívers, valor Jíquido<br />
lnvestimentos <strong>de</strong> longo prâzo<br />
Demais ållvos <strong>de</strong> longo prazo<br />
Demais ¿1ivos<br />
Ativo não circul¿nte total<br />
Allvo totål<br />
APÛNDIcIì<br />
Balanço pâtr¡mon¡al<br />
4 2AA<br />
2.2?0<br />
2.260<br />
0<br />
l2 005<br />
8.493<br />
4.246<br />
I 863<br />
1.117<br />
2,675<br />
0<br />
31.054<br />
43 059<br />
Cont¿s a p¿gàr<br />
Despêsas provrsionadäs<br />
Dlvida <strong>de</strong> curlo p¡¿zo<br />
D¡/ida <strong>de</strong> ongo prãzo ä ven
Mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> balanço patrimonial <strong>de</strong> uma empresa medÍocre<br />
que não possui uma vantagem competitiva durável<br />
Mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> <strong>de</strong>monstração do resultado clo exercício cle uma<br />
empresa que possui uma vantagem com¡letitiva durrirvel<br />
(em milhóes <strong>de</strong> R$)<br />
(em milhóes <strong>de</strong> R$)<br />
Atlvo disponívele invenimentos <strong>de</strong><br />
Estoque total<br />
Contas a receber, saldo líquldo<br />
Despesas pagas antecipådamente<br />
Demais ativos ci¡culanles<br />
Fundo <strong>de</strong> comércio, valor lfquido<br />
Ativos rnlanglveis, valor lfquido<br />
lnvesìimentos <strong>de</strong> longo prâzo<br />
Dem¿is ativos <strong>de</strong> longo prazo<br />
Demais alivos<br />
Ativo não circulanle tot¿l<br />
28 000 Contas a pagar<br />
22.464<br />
Despesâs provisronadås<br />
5.758<br />
10.190<br />
69.lal<br />
260<br />
5<br />
108.242<br />
40.o12<br />
136<br />
333<br />
43.778<br />
22 675<br />
5.O16<br />
I 12.610<br />
220.a52<br />
Dlvrda <strong>de</strong> curto prazo<br />
DÍvida <strong>de</strong> longo prâzo å vencer<br />
Demais passivos circulântes<br />
Pagsivo circulðnte total<br />
Dfvida <strong>de</strong> longo pràzo<br />
Lmposto <strong>de</strong> r-"nda diferido<br />
ParticipãCão rìrino¡itária<br />
Demai5 passlvos<br />
Passivo náo c rculante totãl<br />
Patrimônio llquido<br />
Ações preferencals<br />
Açóes ord náriðs<br />
Reserva <strong>de</strong> cåpi1al (emissão <strong>de</strong> ¿(õet<br />
Açóês em tesourariå - ordinárias<br />
Parrimônio líquido total<br />
32.919<br />
920<br />
258<br />
62 323<br />
133.271<br />
5.890<br />
o<br />
3.133<br />
142.300<br />
204.623<br />
150<br />
880<br />
7 314<br />
1.421<br />
0<br />
16.229<br />
,,ì:.:,.<br />
,'lr<br />
Receit¿<br />
Custo dos bens vendidos<br />
Lucro bruto<br />
Despesas operac¡onais<br />
Despesas <strong>de</strong> vendas, gerâis e administ¡ativas<br />
Pesquisa e <strong>de</strong>senvolvimento<br />
Deprec ação<br />
Luc¡o operacion¿l<br />
.Despesa com juros<br />
Ganho (perda) com a venda <strong>de</strong> alivos<br />
Outros<br />
Lucro ¿nles dos impostos<br />
lmposto <strong>de</strong> rendê paqo<br />
Lucro Ìrqurdo<br />
)lJ.813t<br />
't0.406<br />
I8 4!i I<br />
t0.200<br />
0<br />
1.107<br />
7.144<br />
456<br />
1.215<br />
50<br />
1 .913<br />
2:79:e.<br />
5 144<br />
Passivo lot¿l e patrimôn o liquido 22O.a52<br />
148 r49
Mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> <strong>de</strong>monstração do resultado do exercício <strong>de</strong> uma<br />
empresa que não possui uma vântagem competitiva duráveÌ<br />
GLossÁRro ¡E Trnrros Srr-¡cro¡r,ruos<br />
(em milhóes <strong>de</strong> R$)<br />
Recelta<br />
Custo dos bens vendidos<br />
172.4s5<br />
142.587<br />
Lucro bruto 29.868<br />
Despesas operac¡ona¡s<br />
Despesas <strong>de</strong> vendas, gerais e administrativas<br />
Pesquisa e <strong>de</strong>senvolvimento<br />
Deprecrâçáo<br />
Lucro operacional (prejuizo)<br />
Despesa com juros<br />
G¿nho (pe¡da) com a venda <strong>de</strong> ativos<br />
Outros<br />
Lucro anÌes dos impostos (preiuízo)<br />
lmposto <strong>de</strong> renda pago<br />
Lucro lÍqúido (prejulzo)<br />
20.1to<br />
5 020<br />
6 800<br />
\2.122)<br />
10.200<br />
402<br />
35<br />
(11.95s)<br />
0<br />
(r 1.9ss)<br />
açoes em circulação: Açoes ordinárias cle propneciaclc rLos invcsticlo,<br />
res. Nâo abrange as aCões em tesouraria, mas inclui as a(Õcs litrriL¡clas<br />
cle proprieclacle dos executrvos cla empresa.<br />
Um lLrmento drl,mdtrco t10 número tle cLçoes cm cu-cullaçlo cro lrrnç cic<br />
aþrrns rtnos, sem c¡ue haja um cumcnto clo hLcro, geralmenk signilica c¡rt ct<br />
emprcsû estat venclendo novcrs ctções p(Lro ormutLar a prripría busL: tb cctprtttl<br />
a<br />
Jim rle compenscu' o Jato tle ser mcdíocre. <strong>Buffett</strong> |nonL¿l/' (listàn(:iu dt.<br />
co mpanhict s ne tlí o c re s.<br />
açöes em tesouraria: Açoes que loram recompraclas pela eL.n¡trcsa. As<br />
aÇoes em tesouraria não däo clireÍto a volo olr a leccbct cliviclcnclcls c<br />
não clevem ser ÌncluÍclas nos cálculos cle açoes em citculação.<br />
A posse cle dç()es em tesoutítria nos revdlcL cpte unlr .lompn.rhia tdvtz<br />
knha unta vcLntclgem compctitiÿú durdÿel.<br />
ações ordinárias; Valores mobiliários que represenram pâ¡ ticipação<br />
na empresa. Os portadores cle açóes orclinárias tem c[ireiLo a elegcr.unr<br />
conselho ctiretor, rcceber divi<strong>de</strong>nclos e ¡ecolher.todos os provcntos (l¿t<br />
vcncla cle uma companhra após o pagamento cle toclas as clÍviclas<br />
BLtfJett (. Ltiquecc u co mp rdn(lo i;¿çoes or(linírias.<br />
açoes preferenciais: Capital social que paga um diviclenclc¡ cs¡rccilico<br />
c não clá direito a voto.<br />
Etnpresas que possuem Ltmd ÿantcKn compeLi.t\o clw íLÿ¡il tcn(lem û nä0<br />
I t\ ûço es p reJe renciaís.<br />
alavancagem: A quantida<strong>de</strong> cle dívidas <strong>de</strong> Lrma empresa cm relaçiro acr<br />
rcL.r patrimônio lÍquido.<br />
150 l5I
A presença cle ttncL grcutclt tlttctnttclatb tle cLhvanutgcn cluttnte um período<br />
longo ent gerol signrJica cprc a cc-ttttpctnhia nao Lt'n'L Lütrt7 ÿ(I11LcI8en1<br />
,<br />
'|r¡l¡ riliv,r {/lrrÌ'v( 1.<br />
arnortização: BasicamenLe, é o mcsrno cLue cLeprcciação, mas se apiiczr<br />
a ativos intangiveis, como funclo cle cor¡.rétcio e p¿Ìtentes<br />
A clcprccictçúo se ctplicû (I (tL¡ÿos tûtrgíÿeis, cortto tLmr: liLbriccL O prttbbntct<br />
¿lds p¿tt¿n¿cs, por exemplo, ¿ qLrc elds tlato s0f?l?l rοlinle¡Ìt¿ untct cleprccittçaLo,<br />
entak), selr cus¿o ¿ clisttibuíck¡ (a¡nortiudo) cto longo dc vririos anos<br />
ativo: Algo clue é cle proptieclacle cla emptesa e clevc sel usado ¡rara<br />
getar lucto no luturo.<br />
I¿r n it¡:r-s ¿1¿iv0s ¿ t ttnct br¡ct coisct Tu tlluitas tÍ¡ÿos que Proùtzem mLLito<br />
clinheira é tinclct mellnr.<br />
ativo circulante: Ativos que estão imecliatâmcnte disponiveis ou cllte<br />
cleveráo estar clisponÍ\'eis no pr¿lzo l:náxlmo cle um ano Eles são enconrractos<br />
no balanço partimonial c inclucm o ativo clisponivel, o alivo<br />
rcalizável a cLlr[o pl-âzo, as conlas a r-eceber, o esloqlte e as clespesas<br />
pagas antecipadamente.<br />
ativos intangÍveis: Ativos como patentes c clileilos aulorais, qtìe não<br />
são palpáveÌs, mas qlte poclem gerar lucro<br />
P¿ns¿ ncsses (úiÿos coì110 mot'LttpóIios prote[làos por lei, o que ¿ LLm ttpo<br />
cla tantctgem conlpttit¡vû dLúIÿeI- O iuLictt problentt tlds P'rretrr¿s ¿ 4ue ¿l'is<br />
(rc(Lb(un expir(u1do au perckw)o ct stLu profeçdo QLrando isso ncantcß, qual'<br />
qtLtr em¡tresa do munrlo potk proc\Lzir cLt¡vrele bem e a ontpctnltkt original<br />
per<strong>de</strong> atrmtagem cornpûitiva cLtr(weI ptu¡otri.rttatla ¡tlrt ¡n lt nle EfL'r ¡sso<br />
<strong>de</strong> med¡ccLl'tlc tos<br />
qLrc BLLJlctt tem se nl lti(lo d distatnctú tle labrtcunÍts<br />
balanço patrinonial: Um sttmário do ativo, do passivo e clo capltal<br />
prtiprio c1e uma empresa em uma clala especifica, por exemplo, o lil.n<br />
clo ano fiscal.<br />
IJ m bctlcmçÌ patrtnanicú muLitas vez¿s é tlescrito como LÜn ¡nstantdneo (lLI<br />
concliçao Jinanceira<br />
<strong>de</strong> umtt companhia etn um úníco clict tlo ano Nú10 cxist¿<br />
bcrlotlço p[úrimonial cpLe compreetclct tm periodo mcLís longo O ]¡ctlunco<br />
patrinlotli( inforncL clLt tLo ÿoc.' kme qLtanto cl(y(.. Suhtr¡ri¿r uìr ¿i¡rirrlr0c<br />
obterci o valor tlo seu patrimônio.<br />
coeficiente cle liqui<strong>de</strong>z: O coeficiente cLe atlvo cir.cul¡nrc çrnr r.claçiìo<br />
ao passivo cir-culante.<br />
O cocfiaienrc (.1( liluklez não ¿ ¡ruùto íLtíI na husccL l¿: unr¿r ürrl)¡i:sr:l r:¡rnr<br />
umú ÿont(Wm (.ompetitiytL tlw'ciyel<br />
contas a receber: I)inheìro clevicLo à etnpresa por lrctrs ou serviços<br />
vendiclos e que aincla não foram pagos.<br />
Ter muitds contûs ú ratcbcr é L]mtt boa coisa, mds ¿et tDtlilo ¿linhc¡lt, cllt<br />
cttixct é ttinclct n'telhor.<br />
custo dos bens venclidos: O custo clo estoclue vencli(lo clur.antc urri<br />
perioclo especí[ico, ou o cLtsto para obter mâtéri¿ts-prinìas c fabl.jclu<br />
pr-.o cl u tos acabarclos.<br />
[Jm boixo cttsto àos bens vencliclos cm rclctçeto òL rccr:itú ¿ LolLt (:()isa boct:<br />
¿usfos clftL\ .s¿io rltills.<br />
custos VGA: L)espesas com venclas, gerais e aclministrativas quc Ln
É o qtrc mostrcr oncle estao todos osbens, mß voc¿ preciscl r.ttalisctr as <strong>de</strong>monstruções<br />
rle vitios anos se realmente qLiser sûbü o que estít \contercnclo<br />
As comptnhícts que possuem umú vcuttc5tm competitiÿü tlurúvr:l lenclenl<br />
d ter LLm bdLxo dispenclio com dtiÿos |ixos .<br />
<strong>de</strong>preciação: Os alivos tangÍveis sofrem clesgaste dr-llante o uso À medrcla<br />
que vão sofrendo <strong>de</strong>sgaste, aplica-se a eles a <strong>de</strong>preciação<br />
<strong>de</strong>preciação acumulada: O total cLe tocla a clepreciação, on o clecréscimo<br />
cìo valor <strong>de</strong> um ativo.<br />
Os contulores gostam cle manter registro <strong>de</strong> tuclo, até d.e cptanto vttlor as<br />
coisas per<strong>de</strong>m. Peße n( dcprecittç[Io tLcumttktcla como uma gttnule lttta cle<br />
Iixo t¡ue wcê po<strong>de</strong> veriJicar parcL tlescobrir qtranto os útivos da empresû se<br />
clepreciaram.<br />
clespesa com juros; A quantldacle cle dinheiro que uma empresa paga<br />
em juros relativos âs suas dívÌdas <strong>de</strong> cuÌ lo e longo prazos.<br />
Empresas que ndo possLrcm LLfuLL v/j' tûgem compüitív| d,Lu (vel tetãem a<br />
ter uma gran<strong>de</strong> <strong>de</strong>spescL com juros porqLLe tcm nluitas díÿi¿(ts. As t¡ue possuem<br />
Ltma ÿantagem compeLitiÿcL (lLLrítvel tendtm d nclo ter clíÿida nenlumLt<br />
e, portanto, tem poLtcû ou netlhLln.rJ clespesa cotn juros.<br />
<strong>de</strong>spesa com pesquisa e <strong>de</strong>senvolvimento: A quanttdacle <strong>de</strong> dinheiro<br />
que uma empÍesa gasta em cletetminaclo período criando e aprimoranclo<br />
novos procìutos.<br />
Companhias que possllem umã vantagtm cotnpetitivcL clur(wel ten<strong>de</strong>t¡t a<br />
ter povcct otr nenhuma <strong>de</strong>spesa cont pex¡uisú e <strong>de</strong>set'Lvolÿinlento.<br />
<strong>de</strong>spesas operacionais: Os custos <strong>de</strong> uma empresa que não estão diretamente<br />
vincuLados aos custos <strong>de</strong> produção cle seus bens.<br />
Quanto nteno res, mellnr.<br />
<strong>de</strong>spesas pagas antecipadamente: Um ativo circulante que represen-<br />
La uma <strong>de</strong>spesa paga antes do peÌÍoclo contábil no qual o benelício <strong>de</strong><br />
ral <strong>de</strong>spesa será recebido.<br />
dispêndio com ativos fixos: A quantia clue a empresa gasla anualmente<br />
para cons[ruir inhaestrLlturas novas ou mo<strong>de</strong>rnizar as anLigas.<br />
dívida <strong>de</strong> longo prazo: DÍ\,icia que tem uma data clc vcltcitncnto sLlpelrol<br />
a urn ano<br />
EmprestLs com uLma vtultcrym competitiva dn-dyd tcntk:nt tL It:¡ poLk:t:t oLt<br />
nenlutmc clíy¡cla tie longo pt-teo.<br />
empresa mediocre: Uma companhia que nâo possui uìna \,.[tt.âgcm<br />
competitiva durável e so[re intensa pressâo da concorrência.<br />
Esse e o tipo (Ie empresa que vai <strong>de</strong>txd-lo pobre t longo prcLzo.<br />
empresa subvalorizada: Uma con.rpanhia que está senckt vcuclicla no<br />
lnerca(Lo acionário a uma cotação inlèrior ao seu pauimôt.rio cle Longo<br />
plazo.<br />
Benjun'Lin Grcthcur cotnproLt tnlpresûs subvaloriztLclcLs e gcnhou nilhots.<br />
Bttl.fett comprou empresas cotlt um( yûrLtagem can1)et¡tvct clLLrível e gtuthLtu<br />
bilhoes.<br />
estoque: Matéria-prima e produLos acabacLos ou em al¡1um estágio cle<br />
acabamento e que serão vencliclos aos clientes cle una emplesa.<br />
5¿ cts ven¿l¿rs cstato cüindÒ e o esto(lue estú ¡j'Ltmentetl(lo, ttllhí<br />
ctLiclctclo.<br />
flnxo <strong>de</strong> caixa: A quanticlacle cle caixa geraclo pela empresa durante<br />
clcterminaclo perÍodo. É monitoraclo pela ctemonstlaçâo cle flnxo cle<br />
c¿ìLXa<br />
fundo <strong>de</strong> comércio: O valol exceclente cle um alivo em rclaÇâo âo valor<br />
cleclarado nos livros contábeis.<br />
LJmú tmpresa tem unl yalor .ontúbLl plr açao cle LJS$ l0 c es¿¿i.scndo<br />
rtntli(lt t Luil(L cotítçen cle US$ 15 por úçao. O.s U5$ -5 cxc¿d¿nk s cnt rtlcLtrlo<br />
cto ÿ(lor rcntabil sao lunçatlos cotno Jmt)o tle comûci,o se cL cotn¡tcurhicr<br />
ýti crntprutla por otLtrct.<br />
l..AJtDA: Lucro antes cLe juros, impostos, <strong>de</strong>preciação e alnorrização<br />
154 t55
As e rn¿rcsas que nao gtnhtm clinheiro crmcun o LAJIDA. Bulktt o co11s:<br />
tkrct vunct bobagem. -[orkL vez t¡ue vLtcê oLtvir û eqape <strong>de</strong> gestão ntentionuntlo<br />
cssc tërmo, signiJicct c¡ue a contpcut]ruct nã0 ten LIma v(ltttúg¿m conpeLitiÿcL<br />
¡LLrúvcI<br />
lucro acumulado: Lucro lÍc¡uido acumulackr pela empresa que não foi<br />
pago corrro cllvi<strong>de</strong>ncìo.<br />
LJm aumento sólitlo tlo lucro ctcumulatlo ¡to longo p razo ë umã os sin¿t¿s ¡l¿<br />
+te ut a en'Lpresa possui umd ÿdnfdgenl comPetit¡vcL (ILLr(Ne|.<br />
lucro bruto: Provenlos da vcnda <strong>de</strong> um procluto. Vendas menos o<br />
custo clos bens ou serviços vendic'los igual a lrtcro brulo.<br />
Recomencla-se compaÌûr oLüros ¡tútneros cont o lucto bruto.<br />
lucro líquido: O lucro cle uma emplesa <strong>de</strong>pois que lodos os cuslos, as<br />
clespesas e os impostos são cteduziclos cla recetta.<br />
QtLanto mcLior o lvcro liqtticlo, melhor. Quanto mûis constartte o Ltcrc líc¡uiclo,<br />
n'LaíorcLprol'tctbiliclcLcleclectemptesaterumûv'Llcßc conLpeLitivct {lLuíLÿel.<br />
lucro operacional: C) luclo da empresa com as operaçoes corlenles<br />
É igual ao lucro an[es da <strong>de</strong>clução do pagamento <strong>de</strong> juros e tributos<br />
Lambém chamaclo cle LAJI (lucro anles cle juÌos e imPoslos).<br />
rnargern bruta: O coelicicnte clo lucto brr.tro em telaçào às vendas.<br />
QLLínto mû¡s altct, nxlhor. Entpn:scLs cotn tmû vcÙ.ttcllKm competitiv(t ¿Lç<br />
tdvel tenclem u ter margcns bruttts oltas.<br />
nivel <strong>de</strong> rating AAA: A maior nota que a Stanclarcl õ¡ Poor's atribui a<br />
r rm¡ cnllres,ì l.ol su¡ soLiticz Iin.tn,.cir:r.<br />
Ndo dá púrd ser ìntlhor'. A cotttpctnhict é ¿le oLrto sc recebe essû not(l.<br />
..<br />
i t,<br />
:..-..<br />
l:r,.<br />
t::<br />
::1:<br />
patrimônio lÍquido: O valor líquickr da cmpresa. ¡\tivo total rlenos<br />
passiYo lotal igual a patrimônio 1Íquido.<br />
receita: Dlnheiro recebiclo ou que <strong>de</strong>verá sel tcccbiclo r:o¡n I vencla<br />
dos produtos ou serviços <strong>de</strong> Lrma emplesa.<br />
A receitu é rntclc tuclo corneça, nuts nutcct ¿eye se r uyrcla Ü.nn? ct t¡nicúl I ) ldll¿ l-<br />
ru <strong>de</strong> se ayctlictr umt ehrprcÿ1, ú menos (lLtc yocë trabalhe ent \Vctll -S¿ ra¿¿ c (r.Ýq,¿<br />
tentanclo vencler ao público uma comptLnhiû, (Ue ncto ganhd (l¡ì1hr:iro r{guirr.<br />
retorno sobre o patrimônio: O lucro lÍquiclo <strong>de</strong> una emprcsa ciiYrcÌr,<br />
do pelo seu patrimônio lÍquido.<br />
E wnct clcLs maneiras pøtL BuJJett dizer se uma onprle tcnr Lrnu ÿant(t,<br />
gem contpet¡tiya dLtravel. Quanto maior, melhor.<br />
tÍtulo ou obrigação: Um valor mobrliário que representa uma clivicLa<br />
cLe longo prazo, por exenplo, clebêntures.<br />
Empresas cotn ÿantagerLs comþeLitiyas dLu-íLÿe¡s naro t¿m Loltû grüule<br />
quúntidû<strong>de</strong> clc obrtgaçoes porque nao cosLumûm ter mLLLIus (lîÿiclds. E t1üo<br />
ter muitds ¿ív¡(l s ¿ bom.<br />
valor contábil: lbdo o ativo da empresa menos toclo o passivo. Drvrcla<br />
esse nirmero pela quanticlacle <strong>de</strong> açoes em circulaCâo e I'ocê ol¡terá o<br />
valor con¡ábil por ação cla empresa.<br />
O aumanto clo valor contûbil ¿ algÒ bom; d retluçao tlo valor torLtúb¡l é ruit11.<br />
vantagem competitiva: Uma condicão <strong>de</strong> superioricla<strong>de</strong> cm rclaÇão às<br />
concorrentes que permite à empresâ gairhar mais dinheiro.<br />
Qurrnto muis cdixa LLma companhia pu.cler gerctr, mais jdizes /rcaúo scu-s<br />
¿r.ionis¡ds. Buflett só (.std intertssatlo em empresns c¡tre tenhant L¡nû vdnt.]-<br />
g:.m Lonlpúitiÿa ¿úrt. possd ser met'Lti¿.r por. unt períoclo lorLgo.<br />
passivo: O qLle â emplesa tem cLe pagat aos outtos.<br />
O ptLssivo ( listatlo no bctlctnço pcrtrimoniol dct campanhtu. Uma enpreut<br />
clevc LLLtu pcLrcL ler o llÌ¿nor púrssivo possivel.<br />
passivo circulante: Dinheiro cleviclo no pÍazo rnáxiì1to cle nm ano<br />
vantagenì coÌnpetifiva clurável: Uma vantagem competirivir cm lclaçâo<br />
às concorrentes <strong>de</strong> uma emplesa que pocle ser manticlir pol un.r<br />
pcriodo longo.<br />
llsse é o segieclo clo sucesso (lc Bulktt c o t11otiÿo pan ÿoce ß :u bn(lo<br />
rsic livro.<br />
t56<br />
L57
Acr¡orcriurNros<br />
CONHEÇA OUTRO TITUI-O DOS AUTOIìËS<br />
O Tao <strong>de</strong> <strong>Warren</strong> Buffèt<br />
Somos muito gratos a <strong>Warren</strong> Buflett por sua gentileza, generosida<strong>de</strong><br />
e sabedoria ao longo dos anos. Mesmo um milhao cle<br />
ilgrxrl(cimentos nio seri,ìm suli, ientes.<br />
Eu, Mary, gosraria cle clechcar este livro às pessoas mais importantes<br />
da minha vj.da: meus fill.ros, Erica, Nicole e Sam, clue<br />
me clao muiro amor e feliciclacle, fazentlo com que me orgulhe<br />
cleles toclo ctia; rninhas irmãs, Dorothy ìvl;rnley, por sempre me<br />
erpoial em todas as situâçóes, e Laura Sir Mons, em cluem sempre<br />
me ir.rspiro para viver cla maneir-.a mais plena. AJrm Manley, meu<br />
cunhado, que sempre nos incentiva a alcançar a perlèição por<br />
meio da prática incansável.<br />
David gostaria <strong>de</strong> agraclecer a KaLe e Dexler por seu âmor, a<br />
Sam e Ancìy por serem ótimos irmãos e a Cìndy Connolly e Bob<br />
Eisenberg por serem os amigos fantásticos que sempre lotam.<br />
E, por fim, porém não menos imporlante, nós dois gostaríamos<br />
cle agr-acÌecer ao finaclo Beqamin Graham, que plantou â<br />
árvore sob a qual toclos estamos sentados.<br />
'1. :r:.:'<br />
.:i:<br />
,r:].<br />
':a.<br />
.a..,,<br />
Nunca houve um investidor tão bem-suceclicto cLn¿ltlLo Wârren<br />
<strong>Buffett</strong>. O mlrnclo inteiro sabe clisso, e a rnelhor provâ c'Lutì patrimônio<br />
avaliaclo em US$ 52 bilhoes pela tevisra forbes, ccliciìo<br />
2007 - fortuna su[iciente para c[aL- a <strong>Warren</strong> um lugal no ¡tcicliir<br />
dos homens mais ricos clo munclo. Menos conlrccicto ó o lato<br />
<strong>de</strong> que nunca houve um j.nvestidor capaz cle expressar clc [or.<br />
mâ apârentemente tão simples, em palavras acessÍvcis ¿ì ntaiorii.ì<br />
das pessoas, uma sabedoria financeira e empresarraI baseacla em<br />
valores que hoje multos. consicle¡am fora cle mocla: inrcgrLclactc,<br />
trabalho clu¡o e bom senso.<br />
A profuncliclacle clo pensamento <strong>de</strong>sse gênÌo clas linanças -<br />
sem falar dos resultados práticos que ela o levou a alcançar - e<br />
tão imp¡essionante que <strong>de</strong>u origem a uma escola cle eslncliosos,<br />
chamados cle "buffettologlstas", <strong>de</strong>dicaclos a soncla¡ cacla senticlcr<br />
ocullo em suâs tiraclas cle estilo <strong>de</strong>spretensioso e irreverente. Os<br />
mais clestacados enrre os " buffeftologisras" são Mary Br-rffctt, ex-<br />
-no¡a <strong>de</strong> <strong>Warren</strong>, e David Clark, auto¡es <strong>de</strong> O Tao cle <strong>Warren</strong><br />
Bltflett.<br />
Com esse livro <strong>de</strong> leitura fácil e prazerosa, os autores conseguem<br />
a pr-oeza <strong>de</strong> capturar por inteiro o espírilo cle <strong>Warren</strong><br />
<strong>Buffett</strong>. As citaçóes traduzem as estratéglas práticas <strong>de</strong> War'-<br />
ten, Iornecenclo exemplos irteis para todo investiclor - grancle<br />
ou peqrleno - e mo<strong>de</strong>los que qualc¡uer um po<strong>de</strong> seguir'. O Zro<br />
cle <strong>Warren</strong> Brrl/€t¿ inspira, diverte, aguca a mente e olèrece uma<br />
compreensão inestimável sobre os investimentos, que qualcluer<br />
r.rm pocle apìiclr a sur vicl:r linanceirr.<br />
l58
¡'l¡rrr¡ Jr:: ¡'lq f.!r'?iåÝ:r<br />
.çri1¡ tårrl!¡,:¡rt, i,,<br />
i:r¡¡.ig9l¡t r!tÝ.-r*<br />
ÿ4lli?:rlt¡l{S¡t, ¡\'-;i¡,¡1irr<br />
ç¡sie åê;rá {i+rr ìÞ!{i-t? lirlr:}rr.:*t ,ri¿¡irr{ì<br />
a !. ¡ ¡ei,,.¿;...a<br />
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g' t! ¿ a.z\." 2<br />
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{åq ý$+Ì?i¡tt'cs-r¡è Ýíit¡$&ri êrÈÝtl, iÿ}1;rì':\,<br />
A<br />
o longo clc rnais clc 50 lnos ltLrtatltlo rto tlis¡rLrutlo trlclcltclo [ìtl:ttlcclttl<br />
amelic¿rno, \farten IltrfftrL clcsclluolvcLt lllll llltilollo Lîtrico llala scle-<br />
ciOn:rL ns clÌìprcsâs nas quais iDvesririr scLr cir¡tirî1, I\rI lrreì() rlu atìlilisc clos<br />
balanços clc unra cOnr¡r:rnhia, clc Lìri cir¡rirz .lc ircrrIrLrl;rt rttìu lìrt rtrtla clc bilhi¡cs<br />
cle clólarcs, a¡losratlclo iìpctÌits rlill (ìlflillìi;/iì!Óç5 t¡ttc llossttílttn tttn:r<br />
v¿u)tlrgcnì cotnperiLiva