Informação Educação | IERGS 2017

IERGS

ESCOLAS TRANSFORMADORAS: ideais transformadores que formam sujeitos realmente conscientes SALA DE AULA INVERTIDA: outra educação é possível EDUCOMUNICAÇÃO: levar ou não as novas tecnologias para sala de aula? UNIASSELVI: liderança e conhecimento em expansão

InformAção | Educação

Daniela

Hirschmann

3

Daniela Hirschmann é Mestre em Ciências da Educação e

professora convidada da Pós-Graduação UNIASSELVI, nos

polos IERGS. Dentre as suas atividades de maior estímulo aos

acadêmicos está a publicação em livro dos artigos desenvolvidos

no decorrer dos cursos de especialização. Defensora da

educação continuada, a mestre assegura que a difusão do conhecimento

científico por meio das obras tem peso considerável

nos avanços das ciências acadêmicas e, principalmente, da

sociedade.

Mestre Daniela Hirschmann durante lançamento do livro editado

com alunos da Pós-Graduação UNIASSELVI em Educação.

Editorial

A educação é feita de desafios, mas não apenas disso. Na construção

coletiva do saber, almeja-se também a criatividade, permeada pela necessidade

da reinvenção em toda a sua magnitude e importância para a sala de aula.

Muitos dos problemas percebidos na educação atual estão vinculados à má interpretação,

uma consequência dos ruídos na comunicação entre professor e aluno

e das fragilidades entre conteúdo e conhecimento. O diálogo se mostra como a

única fórmula para romper tais empecilhos.

A atual edição da revista IERGS Informação Educação provoca, por diferente

olhares, a necessidade de formar pessoas que questionem, que sejam criativas,

que possuam a capacidade de imaginar e pensar novos rumos para a sociedade. É

preciso refletir o ambiente escolar e remodelar as funções do professor, do aluno

e da sociedade, entendendo que será inevitável inverter as lógicas vez ou outra.

No ensinar do professor e no aprender do aluno, cabe a todos os atores envolvidos

no processo preocupar-se com a qualidade e com a garantia permanente da

educação, que é teórica, prática, social e humana.

Boa leitura.

EXPEDIENTE

Revista Informação Educação

IERGS – Instituto Educacional do

Rio Grande do Sul

Diretoria: Saul Hoegen e Silvana Hoegen

Jornalista: Jonas Amar (MTB/RS 14.065)

Arte: Michele Tyszkiewcz

Marketing: Danielle Siqueira

comunicacao@iergs.com.br

IERGS – Quantos livros já foram editados

pela professora em parceria com os

estudantes?

Até o presente ano já organizei seis obras,

sendo a quarta edição do livro “Reflexões

Contemporâneas em Educação” e a segunda

edição da obra “Construindo Saberes”.

IERGS – Quais as proposições abordadas

nos livros?

D.H. – Os livros são coletâneas de textos

com diferentes temas, que os alunos

realizaram em suas práxis no campo da

educação. São experiências construídas

durante a trajetória da pós-graduação

que resultam em livros inovadores, pois

trazem um conjunto de reflexões para o

debate sobre a educação.

IERGS – A publicação é atividade bastante

comum em linhas de Mestrado e

Doutorado. Quais os benefícios de promover

na Especialização?

D.H. – O livro é um projeto materializado

e publicá-lo é uma conquista. É a imensa

vontade de compartilhar ideias. A vantagem

de desenvolver uma pesquisa é que

alunos com artigos publicados desde

cedo podem ganhar pontos na seleção

para programas de pós-graduação, como

mestrado ou doutorado, e conquistam

pontos em provas de títulos em concursos

públicos. Enfim, é um investimento para o

próprio currículo, já que o livro tem registro

na Biblioteca Nacional.

IERGS – A atividade acadêmica da publicação

de artigos é proveitosa também

para as atividades práticas dos profissionais?

D.H. – Com certeza. A difusão do conhecimento

científico por meio do livro tem

peso considerável nos avanços do conhecimento

acadêmico e, principalmente, da

sociedade. Muitas vezes o público regular


O mercado de trabalho

para a Pedagogia

está bastante amplo e

vai muito além das

escolas de ensino de

Educação Infantil,

Fundamental e Médio


só tem acesso ao que é produzido nos

meios acadêmicos quando um título é

publicado e todos os assuntos são muito

pertinentes na sociedade, nas escolas e

para os docentes.

IERGS – Qual a sua expectativa para os

novos profissionais da Educação que estão

chegando ao mercado de trabalho?

D.H. – Que eles saibam usar suas competências,

que são na verdade uma combinação

de conhecimentos, habilidades e

atitudes, demonstradas através do nosso

desempenho em diversas situações pessoais

e profissionais. A pesquisa científica

está presente em todos os currículos das

universidades, demonstrando sua importância

no meio profissional. O mercado de

trabalho exige cada vez mais e já não basta

ter conhecimentos teóricos, mas sim a

realização de práticas que buscam a produção

de novas ideias e conhecimentos.

IERGS – A Pedagogia na sociedade de

hoje está carregada de novas responsabilidades?

D.H. – O mercado de trabalho para a Pedagogia

está bastante amplo e vai muito

além das escolas de ensino de Educação

Infantil, Fundamental e Médio. Profissionais

de Pedagogia podem trabalhar em

consultorias, assessorias, editoras de livros

didáticos, empresas produtoras de cursos

EAD, escolas de idiomas e espaços ainda

mais específicos, como hospitais, bibliotecas,

museus, brinquedotecas, ONGs e

órgãos públicos ligados à educação. Além

de tudo, ainda é possível atuar com treinamentos

e coordenação em empresas

privadas.

IERGS – A educação continuada é importante

na área?

D.H. – Educação Continuada é a necessidade

de atualização constante de conhecimentos,

como característica imposta

pelo mercado de trabalho. É também

inerente ao desenvolvimento da pessoa

humana e relaciona-se com a ideia de

construção do ser. A aquisição de conhecimentos

é e sempre será necessária.

3


InformAção | Educação

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4 5

UNIASSELVI

sonho do Ensino Superior chegou

de maneira diferente de

O

como Jonni Carbajal Schneid havia

planejado. Foi aos 41 anos que o desejo

da Licenciatura em História começou

a ganhar forma com as aulas

no polo IERGS, em Porto Alegre.

“Minha esposa me incentivou a estudar

quando me casei aos 28 anos.

Penso que a parte mais importante

foi me conscientizar que deveria me

qualificar, porque estava perdendo

espaço e talvez não conseguisse

Jonni Carbajal,

Professor formado pela UNIASSELVI/IERGS

e novo garoto-propaganda

Liderança e conhecimento

em expansão

emprego onde pudesse sustentar

minha família. Eu estava há quase 25

anos sem estudar e ter um professor

para dar suporte foi importantíssimo.

Cresci muito depois de voltar e

penso que hoje não tenho um limite

onde parar”, envaidece o atual garoto-propaganda

UNIASSELVI para o

Rio Grande do Sul.

A escolha da sua imagem para a campanha

2017 da UNIASSELVI não foi à

toa. Jonni é a representação fiel do

novo estudante universitário, experiente

e profissional, capaz de perceber

na educação a oportunidade de

mudar os rumos da própria história.

“A UNIASSELVI apostou na escolha

de histórias de crescimento, superação

e sucesso de egressos, de Norte

a Sul do Brasil. As histórias refletem

diretamente o dia a dia e a luta dos

nossos estudantes. No Sul, o Jonni é

o exemplo efetivo de que a educação

transforma a vida das pessoas.

Foi exatamente isso que buscamos

contar: que cada um constrói a sua

história”, reforça Luiz Gonzaga Foureaux

Neto, diretor de Marketing e

Comercial do Grupo UNIASSELVI.

O acesso à faculdade após os 30

anos consolida-se como tendência.

Está ligado a fatores econômicos

e à inovação na forma de ensinar e

aprender, é o que aponta a última

pesquisa Educa Insights de avaliação

do Censo da Educação Superior.

Em apenas quatro anos, o número de

matrículas no Ensino Superior saltou

para mais de 83 mil na capital Porto

Alegre, um aumento de 5,2%. Desse

total, mais de 20 mil universitários se

matricularam no Ensino a Distância

(EAD), representando um crescimento

de 14,6% de público, enquanto a

modalidade exclusivamente presencial

apresentou um avanço de 2,9%

no mesmo período¹.

¹2010-2014


NOVO PERFIL

DO ALUNO

A pedagoga Tânia Silva Costa se

adaptou muito bem à modalidade

EAD UNIASSELVI. Ela cursou os quatro

anos da Licenciatura, intercalou

o aprendizado com as atividades

profissionais e formou-se aos 50

anos de idade.

“Através da UNIASSELVI realizei o

sonho da graduação em Pedagogia,

de ensinar e orientar. Acho que abrir

caminhos é minha vocação. A experiência

foi enriquecedora, com ótimos

tutores e colegas queridas. No

EAD consegui o tempo necessário e

aprimorei meus conhecimentos de

forma atual e pertinente. Recomendo

sempre aos amigos que, como

eu, tiveram que adiar seus estudos”,

reforça a atual professora.

O professor-tutor complementa

o material disponibilizado pela

faculdade, agrega com a sua

experiência profissional e nos

estimula a continuar estudando, a

ultrapassar nossos desafios e a ir

além de nossos limites pessoais

- Patrícia da Costa

Estudante de Licenciatura em Geografia

no polo UNIASSELVI/IERGS.

DIPLOMA

AOS 30

Conforme os resultados Educa Insights,

os estudantes de EAD em Porto

Alegre possuem, em primeiro lugar,

entre 31 e 40 anos de idade (36% do

total), seguidos dos alunos com idade

entre 21 e 30 anos (29%) e, em

terceira posição, os acadêmicos com

faixa etária entre 41 e 50 anos (21%).

A pesquisa ainda mostra que a maioria

está no mercado de trabalho

(81%), se enquadra às classes B (32%)

e C (58%) e sua satisfação nos estudos

está ligada à infraestrutura do

polo (nota geral 56), ao professor-

-tutor (nota 48) e ao material didático

entregue gratuitamente (nota 53),

entre outros fatores.

Para os alunos veteranos de Porto

Alegre, a qualidade do Ensino a Distância

aparece como o primeiro fator

na decisão de escolha. Os outros

motivos mais relevantes são os valores

das mensalidades, a modalidade

com aula uma vez por semana e a

presença do professor-tutor em sala.


DEDICAÇÃO E

RESPONSABILIDADE

A formanda Patrícia da Costa reforça

essa convicção. Estudante de Licenciatura

em Geografia no polo UNIAS-

SELVI/IERGS, a futura professora é

entusiasta da exclusiva modalidade

EAD com tutor em sala. “Ele conhece

a dificuldade do aluno e ajuda

na compreensão de questões mais

complexas. O professor-tutor complementa

o material disponibilizado

pela faculdade, agrega com a sua experiência

profissional e nos estimula

a continuar estudando, a ultrapassar

nossos desafios e a ir além de nossos

limites pessoais”, conta a estudante.

Os estímulos e os privilégios de estudar

EAD movimentam-se na falta de

tempo, nos custos, didática e outras

condições relevantes para a conquista

de uma graduação ou pós-graduação.

Com o Ensino a Distância crescendo

exponencialmente no mundo,

também aumenta a necessidade de

mais dedicação, disciplina e responsabilidade.

Certamente, para mais de

um milhão de pessoas no Brasil², as

vantagens de estudar EAD são muito

maiores do que os desafios que aparecem.

²1.108.021 de matrículas em 2015/2016, segundo o

Censo EAD.BR, da ABED - Associação Brasileira de

Educação a Distância.


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6 7

Um recurso de Arteterapia facilitador

na hora do ensinar e aprender

Constantemente a escola busca

novas formas de aproximação

com seu aprendiz. Didática motivadora,

conteúdo significativo e

conhecimentos múltiplos são condições

para uma educação conciliadora,

coletiva e em conexão com a

realidade do aluno. Nessa busca, novas

formas de expressão são muito

bem-vindas e a música é uma ótima

alternativa.

“Trabalhei música em escolas onde

as crianças eram carentes, inclusive

de atenção. Acredito que o mais importante

no aprendizado com Arte é

gerar diversão, mas também amor,

preenchendo um grande vazio que

existe em algumas delas”, relembra

a professora de música Cintia Rodrigues.

Quando entrou em sala de aula, a

musicista Cintia entendeu que o projeto

Mais Educação almejava outras

formas de aprendizagem no período

inverso. “Mesmo simples, as aulas

contribuíram para a coordenação

motora e o desenvolvimento social

e do raciocínio das crianças. A música

ampliou a relação do trabalho em

conjunto, de disciplina, noções de

ritmo e afinação, e para as crianças

que queriam dançar e cantar, as aulas

despertaram a imaginação dentro

de um cenário puramente cultural”,

diz.

Música é mais do que relaxamento, é

composição, criação e dança. É participar,

manter atenção e aprender.

Um exemplo transformador vem da

associação sem fins lucrativos Sol

Maior, de Porto Alegre. Fundada em

2007, um dos seus principais projetos

hoje é a Escola de Música Usina

de Talentos, que leciona para 350

crianças e jovens oficinas de instrumentos

musicais, canto, coral e

dança, ministradas no Multipalco do

Theatro São Pedro e ACBERGS.

“O projeto tem como público-alvo

crianças e adolescentes na faixa de

zero a 17 anos, que estejam matriculados

no ensino público regular.

Eles recebem passagens, lanches e

acompanhamento sistemático nas

suas demandas sociais. A aposta do

ensino de música é usar a arte como

ferramenta capaz de mudar o futuro

e a vida dessas pessoas”, divulga

Maria Teresa Campos, presidente da

Sol Maior.

Com tantos predicados, como trabalhar

a musicalidade prevista

nos Parâmetros Curriculares Nacionais?

Essa é uma questão de múltipla

escolha e a resposta mais adequada

reside na criatividade. “Pode-se levar

a música de diversas formas, desde

audições musicais e confecção estilizada

de materiais, até desenvolver

o gosto pelo aprendizado de determinados

instrumentos”, diz Patrícia

Cruz, especialista em Arteterapia,

professora convidada da Pós-Graduação

UNIASSELVI/IERGS e educadora

especial da SMED (Secretaria Municipal

de Educação) de Porto Alegre.

A promoção da arte estimula compreensões

nas crianças, jovens e

adultos. “Todo processo de arte

tem uma função importante no desenvolvimento

do sujeito. A música

contribui para que a sensibilidade se

desenvolva, com ritmo e criatividade.

Seja ao aprender um instrumento

ou ao apreciá-lo, a prática de música

potencializa a aprendizagem cognitiva,

particularmente no campo do

Arte é gerar

diversão, mas “também amor


raciocínio lógico, da memória, do

espaço e do raciocínio”, informa a

especialista.

É fundamental que o ensino da música

seja feito de modo agradável e

divertido para que o ambiente cause

efeito positivo em todos os envolvidos,

facilitando a integração entre

professor e alunos. Musicalização

em sala é mais do que uma experiência

estética, mas uma metodologia

facilitadora do processo de ensino e

aprendizagem e contribui diretamente

no desenvolvimento cognitivo,

linguístico, psicomotor e socioafetivo

do aluno.

As atividades artísticas fortalecem

a identidade e ampliam as possibilidades

de comunicação e expressão,

além de criar uma relação íntima

entre conhecimento e emoção. Tal

como um remédio, a música tem

várias funções, que tocam a mente,

mexem com o corpo e vibram no

coração. Em sala de aula, a música

torna-se um afinado instrumento em

prol da educação.


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9

LEVAR OU NÃO AS NOVAS MÍ DIAS PARA A SALA DE AULA?

Ensino Fundamental, Médio

ou Superior: sempre será um

desafio manter alunos motivados.

Educar exige abertura e estímulo

para que o ensino seja colaborativo

e coletivo, mesmo quando

o conteúdo é tradicional. Em vez de

proibir, aproveitar as virtudes digitais

em sala de aula pode ser uma

alternativa de engajamento com os

alunos.

Aos 20 anos, Lucas Max Faraco Ramos

mantém uma rotina intensa que

divide entre o Ensino Médio e o seu

trabalho, consertando aparelhos

eletrônicos em Porto Alegre. Sempre

conectado, o companheiro pode

até ficar silencioso, mas não desliga

nem mesmo dentro da sala de aula.

“Eu conheço absolutamente tudo

de aparelhos eletrônicos. Sempre

que tenho um celular na mão eu fico

conversando ou jogando”, confessa

Lucas, que garante prestar atenção

em todas as aulas.

A preferência pelo online é quase

unânime e uma aula analógica nesse

cenário pode estar fadada ao desinteresse

e à monotonia. Portanto,

é importante reconhecer que a comunicação

simultânea faz parte das

qualidades das novas gerações de

estudantes.


Um dos maiores

desafios dos

professores é o

de mediar o uso de

tecnologias em

sala de aula


“Um dos maiores desafios dos professores

é o de mediar o uso de tecnologias

em sala de aula, assim como

o de trabalhar com toda a informação

que está na palma da mão. Muitos

espaços educativos têm utilizado

a educação híbrida como alternativa

para uma comunicação simultânea

entre as diferentes gerações tecnológicas,

o que favorece o diálogo

para a superação das diferenças”,

assegura Maria Cristina Cavalcanti,

professora convidada da Pós-Graduação

UNIASSELVI/IERGS, no curso de

Docência do Ensino Superior.

Não se trata de permitir o uso indiscriminado

de celulares em sala de

aula, mas é significativo compreender

que há potencial nos aparelhos

e aplicativos digitais para se transformarem

em ferramentas úteis no desenvolvimento

dos estudantes.

Professora-tutora da Graduação

UNIASSELVI/IERGS, Patrícia Albuquerque

gosta de incentivar seus

alunos a criar grupos de comunicação

e a utilizar as redes digitais para

potencializar as aulas da faculdade.

Pragmática, ela articula a troca de

informações pertinentes ao ensino,

explorando as possibilidades que a

rede oferece.

.

“Sou muito entusiasta da internet e

indico muito alguns vídeos do You-

Tube como complemento dos estudos.

Gosto que eles criem grupos no

Facebook para trocarmos informações

extras, links e materiais de trabalho”,

reforça a professora, que calcula

sua participação em pelo menos

oitos grupos digitais apenas com os

estudantes universitários.

COMO FAZER A TECNOLOGIA

UMA ALIADA DA EDUCAÇÃO

1 4

Crie um grupo por

turma em aplicativo

ou rede social.

As possibilidades online são infinitas

na educação. Aparelhos e redes

podem inclusive relativizar o pouco

tempo em sala de aula. Basta que

haja a troca de informações antes e

depois dos encontros, propor novos

temas e dar continuidade a assuntos

já trabalhados. Outra ideia prática é

propor atividades semanais de pesquisa

ou discussão, incentivando os

estudantes a desenvolverem seus

projetos.

Além da educação simultânea e contínua,

a naturalidade com que tudo é

tratado nos ambientes virtuais também

é ótima oportunidade de aprendizado.

Assim, surge um excelente

espaço para se trabalhar os códigos

da informalidade e formalidade, que

coexistem no nosso dia a dia, cada

qual com a sua hora e lugar mais

apropriados.

Tira-dúvidas colaborativo:

as questões podem ser

postadas no grupo para

gerar discussões e soluções,

construindo conhecimento

juntos.

.

2

Seja moderador das discussões.

Assim, o grupo se mantém em

um ambiente virtual educativo

com conversas aderentes ao

tema proposto.

5

Adiante a matéria.

Assim os alunos chegam

na sala de aula com o

conhecimento nivelado.

3

Canalize os temas. Um tema

discutido na escola pode ser a

discussão do dia no grupo.

Desafios podem ser passados no

grupo para que todos resolvam.


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COLAR OU

NAO COLAR?

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10 11

Me passa

a questão?

O ALUNO COLOU?

É HORA DE DISCUTIR AVALIAÇÃO E REGRAS

A cola pode manifestar insegurança e mostrar que o aluno

não se ajusta ao ensino que privilegia a “decoreba”.

O estudante também pode estar se recusando a quebrar a cabeça

para provar que sabe coisas pelas quais não se interessa.

Se o professor avaliar continuamente, passando tarefas menores,

gradativas e sequenciais, pode verificar com clareza a

aprendizagem do aluno em vários momentos e de forma

complementar. Uma redação pode propiciar ao aluno

responder de forma mais criativa e singular os conteúdos.

Dar uma olhadinha rápida para

o lado, sussurrar uma ajuda ou

fazer aquela pesquisa relâmpago

no celular durante uma avaliação

estão no mesmo patamar das respostas

anotadas no braço, no tênis,

na borracha e onde mais se imaginar.

A realidade nas salas de aula

mostra que essas são apenas algumas

das muitas possibilidades existentes

para se burlar os métodos de

aplicação de provas das escolas. O

principal motivo? Conquistar bons

resultados nas avaliações e passar

de ano.

Não foi diferente com a Natali Cristina

de Oliveira, aluna do Ensino Médio

da Escola Estadual Antônio de

Castro Alves. Ela alcançou todas as

médias para ser aprovada, mas pode

ter recorrido vez ou outra a uma ajuda

de mérito duvidoso. “Eu já colei.

Provavelmente em Química e Matemática

porque tinha muita dificuldade

nessas matérias. Não entendia.

Os adolescentes colam muito, talvez

porque não estudam o suficiente”,

confidencia a estudante.

bendo que é um desvio de conduta

rechaçado pelos educadores.

O professor Roberto Silva ampliou

as possibilidades de avaliação. Ele

comanda aulas de Língua Espanhola

para 12 turmas na Escola Estadual

Anne Frank, em Porto Alegre. Embora

a prova exista no cronograma

da disciplina, o professor faz

uso dela apenas como alternativa.

“Eu aplico prova, mas apenas

uma vez por semestre.

Costumo fazer vários

trabalhos, pois assim

posso avaliar melhor os

alunos, incluindo fala,

Apesar de os alunos sentirem que se

trata de uma prática errada, trapacear

nas avaliações continua sendo

bastante corriqueiro. Forjar uma resposta

é algo que grande parte dos

estudantes já fez, faz ou conhece alguém

que costuma fazer, mesmo sa-

escrita e desenvolvimento.

Eu acredito

mais nesses

pequenos

trabalhos,

porque vejo a

evolução e o

crescimento deles

na disciplina e vou


acompanhando tudo. Muitas vezes

eles nem sabem tudo o que avalio”,

aponta o professor.

Se o estudante faz de conta que

entendeu, o professor não fica

sabendo qual a sua real condição

e não pode ajudá-lo


Bastante comum é cobrar do aluno

o resultado final e não o aprendizado,

o que realmente quebra a lógica

escolar de avaliação. Para o pedagogo

Ariel das Neves Medeiros, professor-tutor

da Graduação UNIASSELVI/

IERGS, a questão que se coloca a

partir daí possui dois ângulos: “Como

prática de aprendizagem, a cola é

prejudicial ao aluno na sua formação

profissional. Por outro lado, a sua

formação ética fica comprometida,

pois esse mesmo educando infringe

normas que existem para todos.

Qual seria sua postura para outras

decisões, quando entende que as

regras e normas podem ser burladas

para atingir seus objetivos?”, indaga

o professor.

O momento do professor refletir é

exatamente quando a fraude ocorre,

pois mostra que o aluno não está

seguro e, mesmo sem ter aprendido,

ele finge que sabe para não ser punido.

“Se o estudante faz de conta

que entendeu, o professor não fica

sabendo qual a sua real condição e

não pode ajudá-lo”, reflete em artigo

Jussara Hoffmann, consultora gaúcha

e doutora em avaliação.

A cola é resultado de uma aprendizagem

não significativa, pois o aluno

não cola aquilo que entende. Pode

demonstrar ao mesmo tempo que

os estudantes não estão absorvendo

o conteúdo, mas também a falta de

aprimoramento didático do professor.


12

InformAção | Educação

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Alunos em contato com a natureza

no pátio da escola Amigos do Verde.

13

TRANSFORMADORAS

ideais inovadorEs e criativIDADE ESTÃO

NOS PRINCÍPIOS DE escolas QUE formaM

sujeitos realmente transformadores

P

ESCOLAS

ara além do aperfeiçoamento pedagógico,

a escola também tem

a oportunidade de se preocupar

com os cidadãos que ela ajuda a desenvolver.

É possível formar indivíduos que

pertençam ao mundo de maneira criativa

e sensível, com valores para desenvolver

habilidades e competências que

sejam realmente transformadoras.

É o que vem acontecendo desde 1984

na escola Amigos do Verde, de Educação

Infantil e Ensino Fundamental, no

Bairro São João, em Porto Alegre. O espaço

é um recanto verde, onde as crianças

têm a oportunidade de desfrutar de

uma área de proteção ambiental aberta

e natural. A busca é por uma aprendizagem

mais humana, com visão ecológica

e sustentável, acolhendo a diversidade e

respeitando as particularidades e riquezas

de cada um.

São 180 crianças matriculadas na escola

Amigos do Verde, que têm a natureza

como fonte de aprendizado. A horta, a

composteira, as árvores, os animais presentes,

as praças e até a alimentação

viva integram os processos de ensino e

se mesclam ao conteúdo habitual das

séries iniciais.

Atividade escolar no pátio

da escola Amigos do Verde.

“É muito fácil contemplar os conteúdos

da grade curricular indicada pelo MEC

e ao mesmo tempo fazer uma escola

prazerosa e transformadora”, garante a

professora Silvia Lignon Carneiro, fundadora

da Escola. “Na prática, a gente

trabalha com projetos de estudos que

vêm dos alunos e dos professores, conforme

a necessidade deles. Os temas

são definidos por consenso e todos têm

de estar satisfeitos. É assim que as crianças

ficam felizes e estimuladas e a gente

ganha mais brilho no olho”, reforça.

O colégio Amigos do Verde é o único no

Rio Grande do Sul a integrar a rede Escolas

Transformadoras, projeto internacional

de apoio a instituições de ensino

que repensam seus processos de educação

e acreditam no potencial de cada

pessoa. Idealizada pelo Instituto Alana

e Ashoka, a rede atende 15 escolas no

Brasil organizadas em rede, numa relação

de troca e aprendizados constantes.

“O esforço da nossa equipe é muito

importante, pois são pessoas que acreditam

nestas propostas de educação

coletiva. A gente está sempre buscando

autoconhecimento, o que chamamos

de auto-eco-conhecimento aplicado

em vivências com os alunos, equipe e

pais. Estamos sempre nesse constante

aprender e evoluir”, conta Silvia.

AMBIENTE

MOTIVADOR

Para a psicopedagoga Karen Cris Sartori,

professora-tutora UNIASSELVI/IERGS

e especialista em Ambientes de Aprendizagem,

uma escola transformadora é

aquela que permite ao aluno construir

sua caminhada com regras, mas sem


Eu tenho certeza que

a gente está formando

pessoas com outro

propósito de vida


autoritarismos; com diálogo, sem imposições

e com uma gestão preocupada

com a formação do cidadão.

“Nosso grande desafio é ter o olhar

inovador e desafiador de que o público

mudou. Para podermos ter um sistema

de ensino que propicie uma nova sociedade

é necessário também que o professor

perceba que ele faz parte do processo

de aprendizagem, mas ele não é o

processo do aluno e que é no ambiente

escolar que eles devem aprender a se

desenvolver como um todo”, comenta

a especialista.

APRENDIZAGEM

SIGNIFICATIVA

A escola pode oferecer aprendizagens

significativas através das suas experiências.

Plantar, alimentar os animais, produzir

papel reciclado e separar o lixo são

exercícios possíveis e interessantes para

um ambiente educativo de qualidade.

Em vez do protecionismo, a escola trabalha

a autonomia, respeitando a organização

de cada criança. Na busca pela

inovação, os projetos da escola Amigos

do Verde são construídos coletivamente

como parte de um processo de aprendizagem

dinâmico e prazeroso.

“Eu tenho certeza que a gente está formando

pessoas com outro propósito de

vida, com novos valores, mais honestas

consigo e com menos máscaras. Elas

estão fazendo o que a sociedade exige,

mas são mais autênticas e felizes e isso

nos dá certeza que estamos no caminho

certo”, diz Silvia.

PROPOSTA

TRANSFORMADORA

Uma proposta pedagógica transformadora

contribui para a formação de

pessoas que se reconheçam em um sistema

que valoriza os sentimentos, atos

e os pensamentos. Se todo processo de

ensino pode ser melhorado, uma leitura

ao pé da árvore também é aula e o aluno

está apto a participar do seu próprio

desenvolvimento.

Projetos lúdicos integram o calendário

pedagógico da Amigos do Verde.


14

InformAção | Educação

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SALA DE AULA

INVE TIDA

Outra educação é possível

R

Muitos educadores já perceberam

as vantagens de adotar a metodologia

de sala de aula invertida.

Trata-se de um modelo que altera a

lógica tradicional de ensino, geralmente

com a colaboração da tecnologia, incentivando

diversas atividades fora da

sala, enquanto o tema de casa vira atividade

interna. A proposta é organizar

aulas menos expositivas, mais produtivas

e participativas, capazes de engajar

os alunos no conteúdo e utilizar melhor

o tempo e os conhecimentos do professor.

Lucas de Melo Bonez é escritor, diretor

e professor de Letras e reúne grande

experiência com salas de aula. O professor-tutor

da Graduação UNIASSELVI/

IERGS reconhece vantagens de trabalho

no modelo tradicional, mas defende um

equilíbrio entre as metodologias, que seja

capaz de fomentar a curiosidade e aguçar

o lado científico dos estudantes, dando

embasamentos a discussões que tornem

a inversão mais prática.

“Eu tenho certeza que a sala de aula invertida

traz benefícios muito fortes para o

estudante e para nós mesmos. O estilo de

trabalho é uma transformação no planejamento,

na didática e na relação professor-aluno.

À medida que tu te tornas muito

mais um mediador de conhecimentos

do que o detentor dele, tu humanizas o

ensino e faz com que o estudante vivencie

cada passagem de forma mais prática,

intervindo no conhecimento de acordo

com sua cultura e sua realidade”, pondera

o professor.

ALUNO 2.0

Como alternativa ao método tradicional,

no modelo de sala invertida o aluno estuda

os conteúdos básicos antes da aula,

desfrutando de vídeos, textos, arquivos

em áudio, games e outros recursos possíveis.

Em sala, o professor aprofunda o

aprendizado com exercícios, estudos de

caso e conteúdos complementares, esclarecendo

dúvidas e estimulando o intercâmbio

entre a turma.

Um dos principais benefícios reside exatamente

na otimização do tempo em sala

de aula, que dedica mais espaço para o

tema focal, dinâmicas e construção de

conhecimentos, garante a orientadora

educacional e Mestre em Educação Fabiani

Ortiz Portella.

“Essa perspectiva exige a mediação constante

do educador no ajuste das discussões.

Sua função é provocar, interagir,

discutir, criticar, analisar e envolver os diferentes

estudantes no desafio de aprender.

Na vivência do processo em grupo,

vão emergir condições de aprendizagem

que deverão ser potencializadas para formar

alunos ativos através da aprendizagem

colaborativa”, defende a Especialista

em Psicopedagogia Clínica e professora

convidada da Pós-Graduação UNIASSEL-

VI/IERGS.

Ao transformar o modelo tradicional,

a sala de aula invertida faz com que os

alunos estudem em casa em seu próprio

ritmo, comunicando-se com colegas e

professores por meio de discussões online.

Para complementar, engajamento e

motivação são estimulados pelo professor

em sala de aula.

É através de exercícios práticos que muitos

estudantes compreendem melhor o

que leem nos livros. Com mais espaço

para a troca de vivências em sala, desvendam-se

mais dúvidas, diminuem os

medos, surgem novos prazeres e diversas

outras potencialidades no processo de

ensino e aprendizagem. Outra educação

é possível e o aluno pode tornar-se protagonista,

aprendendo de forma mais autônoma,

mais consciente e com mais apoio

do professor.

Como tudo

começou?

Em 2007, os professores Jonathan

Bergman e Aaron Sams, da Woodland

Park High School (Colorado, Estados

Unidos), descobriram um software

que permitia gravar apresentações.

Eles passaram, então, a utilizar o programa

para postar online as aulas, permitindo

que alunos que tinham faltado

pudessem acessar o conteúdo.

A sua metodologia se espalhou, fazendo

com que professores de diversas partes

usassem vídeos online e podcasts para

ensinar o conteúdo fora da sala de aula. O

tempo de classe passou a ser utilizado para

trabalhos colaborativos e exercícios importantes

sobre o tema estudado online.

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