Abril/2017 - Revista Biomais 20

jota.2016

Visitantes - Grupo Jota Comunicação

Geração: resíduos de madeira abastecem mercado de energia verde

revista biomassa energia

PCHs

FONTE LIMPA DE PRODUÇÃO DE ENERGIA

COMPROVA POTENCIAL BRASILEIRO

SHP’s

CLEAN SOURCE OF ENERGY GENERATION

REVEALS BRAZILIAN POTENTIAL

DANIEL FURLAN

PERSPECTIVAS

EMIRADOS ÁRABES

PARA O BIODIESEL INVESTEM EM FONTES RENOVÁVEIS


Participe da 7ª edição do Ecoenergy e saiba mais sobre o uso racional dos recursos renováveis para

a geração de energia não poluidoras como o sol, o vento, a biomassa, os resíduos agrícolas e até

mesmo o lixo urbano. O tema principal deste ano será Planejamento Estratégico e Superação de

Gargalos para a Decolagem de Projetos em Energia Solar no Brasil.

Alavancagem da Energia Solar

pautada na regulamentação

e sinergia entre agentes do

mercado.

PROGRAMAÇÃO

23 DE MAIO 24 DE MAIO 25 DE MAIO

Financiamento e Gestão

de Projetos de Energia

Solar Fotovoltaica, Eólica e

Termossolar.

BIOMASS DAY

Otimização do pontecial da

Biomassa para geração de

Energia Elétrica e Bioprodutos.

Perspectivas para CSP no Brasil,

tributação de Energia Solar,

geração de empregos verdes e

programas de capacitação.

Pagamento online em até 6x no cartão de crédito:

À vista no boleto bancário:


FOTOS BIOMAIS

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SUMÁRIO

04 | EDITORIAL

De olho no futuro

ENTREVISTA

06 | CARTAS

08 | NOTAS

14 | ENTREVISTA

18 | PRINCIPAL

24| PELO MUNDO

Novos rumos

Foto: divulgação

iodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis, que pode ser obtido por diferentes processos

– a alternativa renovável e sustentável, opção ecológica ao petróleo, permite reduzir a importação desta fonte, além

de diminuir consideravelmente a poluição. Em entrevista à BIOMAIS, Daniel Furlan, gerente de economia da Abiove

B

(Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), fala sobre o mercado de óleos vegetais, a projeção de produção

de soja para atender esta nova demanda e perspectivas futuras para o setor. Confira:

PRINCIPAL

B

• DANIEL

FURLAN •

COMPETITIVO SEM

PERDER A ESSÊNCIA

COMPETITIVE WITHOUT LOSING THE ESSENCE

iodiesel is a biodegradable fuel derived from renewable sources, which can be obtained from different processes – a renewable

and sustainable alternative, eco-friendly option to petroleum, leading to reductions in imports from this source, in addition to

considerably decreasing pollution. In an interview with BIOMAIS, Daniel Furlan, Manager of Economics for Abiove (Brazilian

Association of Vegetable Oil Producers), talks about the vegetable oil market, soybean production projections to meet this new

demand, and future prospects for the Sector. Check it out:

28 | TECNOLOGIA

Aproveita-se até o bagaço

32 | CASE

Oasis no deserto

12

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RESERVA

ESTRATÉGICA

FOTOS DIVULGAÇÀO

PCHS CONSOLIDAM MOMENTO DE EXPANSÃO

INICIADO HÁ MAIS DE 10 ANOS

O

mercado de energia hidrelétrica representa a

maior fonte de geração de energia do Brasil

e do mundo – o setor corresponde a cerca de

20% do total de energia gerada no mundo.

Nesse contexto, ganham destaque as PCHs (pequenas centrais

hidrelétricas), que passam por ciclo de expansão no

mercado brasileiro na última década.

As PCHs operam de modo similar às grandes usinas – as

pás das turbinas são movimentadas pelo fluxo de água e alimentam

geradores que produzem energia. A diferença está

no volume de energia gerado: as pequenas centrais geram

no máximo 30 MW, volume suficiente para abastecer até 6

mil residências de classe média. Com esse volume de produção,

as PCHs atendem a áreas próximas à sua localização, o

que implica em menores perdas na transmissão de energia;

elas apresentam apenas 3% de perda na transmissão, contra

10% observados nas grandes usinas do país – o limite recomendado

pelo padrão internacional é de 6%.

O crescimento do setor de PCHs atende a uma demanda

específica do mercado brasileiro. As pequenas centrais

atuam como reserva estratégica no sistema de geração de

energia, um papel que foi fundamental durante a crise do

STRATEGIC RESERVE

SHP’S CONSOLIDATE A MOMENT OF EXPANSION

INITIATED MORE THAN 10 YEARS AGO

T

he hydroelectric energy market represents the largest

source of Brazil’s generated energy, and the

world’s generated energy, with the Sector representing

about 20% of the total energy generated in the

world. In this context, SHP’s (small hydropower plants) have

to be noted, as they have undergone an expansion cycle in

the Brazilian market over the last decade.

SHP’s operate similarly to large power plants – the turbine

blades are moved by a water flow and feed generators

that produce energy. The difference is in the amount

of energy generated: small hydro power plants generate,

at the most, 30 MW, enough to power up to 6 thousand

middle-class homes. With this production volume, SHP’s

serve areas close to their location, which implies lower

energy transmission losses; they have only a 3% loss in

transmission, against 10% observed in large power plants

in the Country – the limit recommended by international

standards is 6%.

SHP Sector growth has met a specific demand in the

Brazilian market. The small hydro plants act as a strategic

reserve in the energy generation system, a role that was

crucial during the 2001 energy supply crisis. With their role

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 17

38 | ESPECIAL

44 | ARTIGO

ESPECIAL

SEM

DESPERDÍCIO

48 | AGENDA

50| OPINIÃO

Donald Trump ou “nada é tão ruim

que não possa piorar”

34

RESÍDUOS DE MADEIRA DESCARTADOS PELA

INDÚSTRIA, AGRICULTURA E DA CONSTRUÇÃO

CIVIL ABASTECEM O MERCADO DE ENERGIA

RENOVÁVEL

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 35

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 03


EDITORIAL

DE OLHO NO FUTURO

Ilustra a capa desta edição da BIOMAIS uma

PCH, fonte de geração limpa de energia

JOTA COMUNICAÇÃO

EXPEDIENTE

Diretor Comercial / Commercial Director: Fábio

Alexandre Machado (fabiomachado@revistabiomais.

com.br) • Diretor Executivo / Executive Director: Pedro

Bartoski Jr (bartoski@revistabiomais.com.br) • Diretora

de Negócios / Business Director: Joseane Knop

(joseane@jotacomunicacao.com.br)

Recentemente, o Brasil passou por dificuldades no setor elétrico:

aumento no custo da produção e do preço da energia, apagões, falta

de chuva e os baixos níveis nos reservatórios das hidrelétricas do país.

Houve ainda falta de planejamento e investimento no setor energético

com volume para suprir a demanda e as perdas de eficiência energética.

Diante deste cenário, trazemos em nossa reportagem principal, um

panorama sobre as PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), importante

complemento para nossa matriz hidrelétrica. Tratamos, ainda, do reaproveitamento

de resíduos de madeira, no Brasil e no mundo, para geração

de energia e contamos como os países dos Emirados Árabes Unidos,

berço do petróleo, estão agora olhando para as energias renováveis. Boa

leitura.

JOTA EDITORA

Diretor Comercial / Commercial Director: Fábio

Alexandre Machado (fabiomachado@revistabiomais.

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Bartoski Jr (bartoski@revistabiomais.com.br) • Redação

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WITH AN EYE ON THE FUTURE

Recently, Brazil went through difficulties in the Electric Energy Sector:

increasing production costs and electric energy prices, blackouts, lack of

rainfall, and low levels of hydroelectric plant reservoirs. There was also lack

of planning and investment in the energy sector at a volume necessary to

meet demand and energy efficiency losses. Given this scenario, in our main

story, we give an overview on SHP`s (Small Hydropower Plants), an important

component of our hydroelectric energy matrix. We also cover the recycling

of wood waste in Brazil and in the world, as to power generation, and

explain how the countries of the United Arab Emirates, birthplace of oil, are

now looking to renewable energies. Pleasant reading.

Veículo filiado a:

A REVISTA BIOMAIS - é uma publicação bimestral e independente,

dirigida aos produtores e consumidores de energias limpas e alternativas,

produtores de resíduos para geração e cogeração de energia, instituições

de pesquisa, estudantes universitários, órgãos governamentais,

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didáticos.

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at clean alternative energy producers and consumers, producers of residues

used for energy generation and cogeneration, research institutions, university

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purposes.

04

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CARTAS

INICIATIVA

Interessante iniciativa adotada pelos países do Reino Unido, onde resíduos alimentares geram

energia. Precisamos pensar no futuro do planeta e modelos como este precisam ser adotados.

João Fleury – Curitiba (PR)

Foto: divulgação

CRESCIMENTO

Parabéns por incentivar e retratar fielmente o crescimento do mercado de energia solar, que promete movimentar

mais de R$ 100 bilhões nos próximos 15 anos.

Marcio Charnescki – Blumenau (SC)

BATE-PAPO

Excelente entrevista com Ricardo Blandy! Sempre bom ouvir representantes de empresas de sucesso em nosso setor

que podem servir de exemplo para boas e novas iniciativas.

Fábio Marconi – São Paulo (SP)

INUSITADO

Nunca imaginei que pudéssemos gerar combustível a partir do esgoto. Uma alternativa

viável e inusitada para alimentarmos nossos veículos.

Ana Matta – Belo Horizonte (MG)

Foto: divulgação

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informação

biomassa

energia

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Publicações Técnicas da JOTA EDITORA

06

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NOTAS

Foto: divulgação

REPRESENTATIVIDADE

A predominância de fontes renováveis na matriz energética

brasileira deve se manter estável em 2017. Segundo estimativas

do MME (Ministério de Minas e Energia), a participação deve ser

de 43,8% do total. Já na oferta interna de energia elétrica, a proporção

das renováveis será bem mais significativa, com previsão

na casa dos 83%; a energia hidráulica deve continuar como a

mais importante na matriz elétrica de 2017, respondendo por

67,9%. A eólica, por outro lado, deve passar de uma proporção

de 5,3% para 6,5%, enquanto a biomassa de 8,8% para 9,0%, de

2016 para 2017. As produções de petróleo e gás natural também

registraram crescimento: 15,3% e 13,1%, respectivamente.

CONSUMO DE GÁS

NATURAL RECUA

EM SÃO PAULO

A cidade de São Paulo consumiu, no primeiro bimestre

de 2017, 756 milhões de m3 (metros cúbicos) de

gás natural. O total consumido é 11,25% menor que o

verificado nos mesmos meses de 2016, quando atingiu

851 milhões de m³. A maior queda no consumo de gás

natural no Estado foi registrada no setor de termogeração,

passando de 112 milhões de m³ no primeiro bimestre

de 2016, para 3 milhões de m³, uma queda de

97,3%. Já a cogeração de energia elétrica (sistemas de

geração distribuída de energia elétrica) apresentou um

crescimento de 11,6%. De 44 milhões de m³ no primeiro

bimestre de 2016, a cogeração subiu para 49 milhões de

m³ em 2017.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

MESMO NA CHUVA

Uma equipe de cientistas de duas universidades da

China desenvolveu painéis solares capazes de gerar energia

também em dias de baixa insolação. Os painéis funcionariam

inclusive com chuva ou nevoeiro e no período

noturno. Segundo a imprensa oficial chinesa, as placas

podem representar uma revolução fotovoltaica, afinal a

principal inovação dos painéis é o uso de um novo material

chamado LPP (sigla em inglês de fósforo de longa

persistência). Esse material pode armazenar energia solar

durante o dia para que seja colhida à noite.

08

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NOTAS

COMPLEXO EÓLICO NO CEARÁ

Depois de receber autorização da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica),

o Complexo Eólico Santa Mônica entrou em operação comercial plena

no Ceará. Localizado no município de Trairi, o empreendimento custou R$ 460

milhões. O Complexo possui quatro parques eólicos: Santa Mônica, Cacimbas,

Estrela e Ouro Verde. Neles, funcionam 36 aerogeradores com capacidade instalada

total de 97,2 MW (Megawatts), o suficiente para abastecer uma cidade

de 170 mil habitantes.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

ENERGIA TÉRMICA

NO JAPÃO CAIRÁ

40% ATÉ 2030

A demanda por energia térmica irá diminuir

consideravelmente no Japão até 2030.

É o que diz o novo relatório publicado pelo

Instituto de Economia da Energia e Análise

Financeira. O documento - Japão: Maior Segurança

Energética Através de Transformações

Elétricas Renováveis em uma Economia

Pós-Nuclear -, destaca o potencial para melhorar

a segurança energética nacional por

meio de energias renováveis, especialmente

energia solar e eólica offshore; a publicação

também prevê que muitas das 45 usinas a

carvão atualmente projetadas não chegarão

a ser construídas.

DE VENTO EM POPA

O vento pode ser a solução para um transporte marítimo mais eficiente no século

XXI. A tecnologia de navios movidos à energia eólica vai ser testada nos próximos

dois anos; a responsável é a Norsepower Oy, em parceria com a Maersk Tankers, o

ETI (Energy Technologies Institute) e a Shell Shipping & Maritime. Se os dispositivos

economizarem tanto combustível como esperado, a Maersk Tankers poderia usá-los

em seus navios maiores. O interesse justifica-se pela proximidade das novas regras

de controle da poluição marítima, que devem entrar em vigor em 2020.

Foto: divulgação

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NOTAS

TURBINA EÓLICA A PREÇO DE

SMARTPHONE

A energia eólica pode se tornar mais acessível para residências. É o que pretendem

dois irmão indianos, por meio da startup Avant Garde Innovations. Arun

e Anoop George desenvolveram uma turbina eólica residencial cujo valor de venda

estimado está em 50 mil rupias, cerca de R$ 2.300. Os irmãos projetaram a turbina

eólica domiciliar, com o tamanho das pás de um ventilador de teto que podem

gerar de 1 a 3 KWh (Quilowatt horas) de energia elétrica diária. A quantidade

é suficiente para alimentar uma residência na Índia. Um dos objetivos principais

dos irmãos é acabar com a pobreza energética e turbina já recebeu diversos prêmios

de reconhecimento internacional. O produto deve logo chegar ao mercado.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

SOL E AR

A adição de capacidade nos setores de

energia eólica e solar em todo mundo atingiu

recorde em 2016: as duas fontes totalizaram

166 gigawatts. O anúncio foi feito pela agência

ONU Meio Ambiente, que divulgou um relatório

sobre energias renováveis. Apesar do recorde,

graças à redução de custos no setor, os

investimentos em energias renováveis foram

menores; ao todo foram investidos US$ 242

bilhões em 2016, período em que também foi

registrada a diminuição das emissões de gases

de efeito estufa geradas pelo setor de energia,

o que foi possível graças aos investimentos da

China e dos EUA (Estados Unidos da América)

em fontes renováveis.

ENERGIA SOLAR 24H NO HAVAÍ

A ilha de Kauai, no Havaí, é conhecida por suas densas florestas e belas

cascatas. Apesar da abundância de luz solar, ela é dependente do óleo diesel,

fonte de eletricidade cara e poluente. Mas esse quadro deve mudar: a

Tesla, empresa do Vale do Silício, que mira um futuro mais limpo e sustentável,

concluiu seu megaprojeto de instalação de uma fazenda solar na

ilha e instalou um conjunto de baterias para armazenamento de energia

durante os picos de produção. Com isso, os habitantes de Kauai vão poder

consumir eletricidade de fonte renovável, mesmo durante a noite ou períodos

de pouca produção. Os custos com o novo projeto ficarão menores

do que a energia gerada a partir do uso do diesel.

Foto: divulgação

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ENTREVISTA

• DANIEL

FURLAN •

Foto: divulgação

COMPETITIVO SEM

PERDER A ESSÊNCIA

B

iodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis, que pode ser obtido por diferentes processos

– a alternativa renovável e sustentável, opção ecológica ao petróleo, permite reduzir a importação desta fonte, além

de diminuir consideravelmente a poluição. Em entrevista à BIOMAIS, Daniel Furlan, gerente de economia da Abiove

(Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), fala sobre o mercado de óleos vegetais, a projeção de produção

de soja para atender esta nova demanda e perspectivas futuras para o setor. Confira:

COMPETITIVE WITHOUT LOSING THE ESSENCE

B

iodiesel is a biodegradable fuel derived from renewable sources, which can be obtained from different processes – a renewable

and sustainable alternative, eco-friendly option to petroleum, leading to reductions in imports from this source, in addition to

considerably decreasing pollution. In an interview with BIOMAIS, Daniel Furlan, Manager of Economics for Abiove (Brazilian

Association of Vegetable Oil Producers), talks about the vegetable oil market, soybean production projections to meet this new

demand, and future prospects for the Sector. Check it out:

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PERFIL:

PROFILE:

Nome: Daniel Furlan

Name: Daniel Furlan

Formação: Bacharel em Ciências

Econômicas pela USP (Universidade de São

Paulo), Mestre em Economia também pela

USP e Doutorando em Economia Aplicada

na mesma universidade

Cargo: Gerente de Economia da Abiove

(Associação Brasileira das Indústrias de

Óleos Vegetais)

Education: B.Sc. in Economic Sciences, USP

(University of São Paulo); M.Sc. in Economics,

USP; and PhD. in Applied Economics, USP

Function: Manager of Economics for Abiove

(Brazilian Association of the Vegetable Oil

Producers)

O biodiesel - que emite cerca de 70% menos CO2 do

que o diesel comum - tem conquistado importante papel

na matriz energética nacional. Por que ele é importante

para o clima e para a economia?

A avaliação de Ciclo de Vida das emissões de Gases de

Efeito Estufa do biodiesel mostra que ele reduz as emissões

em mais de 70% em relação ao diesel mineral. Além disso,

o biodiesel reduz as emissões de materiais particulados. Essas

características tornam-no um produto benéfico ao meio

ambiente e à qualidade do ar, tema particularmente sensível

nas grandes cidades. Também é importante mencionar

que o biodiesel é um combustível renovável e permite a

transformação de resíduos (gorduras animais, óleo de cozinha

recuperado, etc.) em energia. O biodiesel também contribui

com a geração de empregos no campo e na indústria

de forma direta e indireta. Proporciona ainda a substituição

do diesel mineral importado, o que se traduz em economia

de divisas internacionais e geração de renda no Brasil.

O óleo de soja ainda representa o maior percentual

da produção de biodiesel fabricado no Brasil?

Sim, o óleo de soja respondeu por 77% dos óleos e

gorduras utilizados na produção de biodiesel. Isso se deve

à eficiência da produção agrícola brasileira (o Brasil é o segundo

maior produtor mundial de soja) e da indústria processadora,

a qual fornece ao mercado farelo proteico e óleo

de soja para diversos usos no mercado doméstico e para

exportação.

Biodiesel – that emits about 70% less CO2 than

common mineral diesel – has come to play an important

role in the national energy matrix. Why is it important

for the climate and for the economy?

According to Ciclo de Vida, greenhouse gas emissions

from biodiesel show that it reduces emissions by more than

70% in relation to mineral diesel. In addition, biodiesel reduces

particulate matter emissions. These characteristics

make it a product that is beneficial to the environment and

air quality, a particularly sensitive topic in major cities. It is

also important to mention that biodiesel is a renewable fuel

that can come from the transformation of waste (animal

fats, recovered cooking oil, etc.) into energy. Biodiesel also

leads to the generation of jobs in the field and in industry,

both direct and indirect. It also leads to the replacement

of imported mineral diesel which translates to foreign exchange

savings and income generation in Brazil.

Does soybean oil still represent the highest percentage

of production of biodiesel manufactured in Brazil?

Yes, soy oil accounted for 77% of the oils and fats used

in the production of biodiesel. This is due to the efficiency

of Brazilian agricultural production (Brazil is the world’s second

largest producer of soy) and in industrial processing,

which provides the market with protein meal and soybean

oil for various uses in the domestic and export markets.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 15


ENTREVISTA

Até quando a soja

consegue abastecer

esse mercado?

Existe ampla capacidade

de aumento

da produção de

biodiesel pela cadeia

produtiva da soja.

Em 2017, a Abiove

prevê exportações

de soja em grão de

mais de 60 milhões

de toneladas. Estas, se

processadas no Brasil,

são capazes de gerar

mais de 12 milhões de

toneladas de óleo de soja.

Para se ter uma proporção

do uso de óleo para biodiesel,

atualmente são destinados cerca

de 3 milhões de toneladas para

atender à mistura de 8% de biodiesel

no diesel mineral (B8).

Quais seriam as potenciais alternativas

para crescer em representatividade e

consequentemente em números gerais?

O biodiesel proporciona grandes oportunidades

de agregação de valor aos óleos e gorduras. Exemplos

disso são a produção a partir do óleo de palma (o Brasil

usa pequena parte dos 7 milhões de ha (hectares) de terras

aptas para cultivo), aumento da recuperação das gorduras

animais e de óleo usado de cozinha. Esses são caminhos

que podem gerar milhares de empregos na produção e

distribuição desses produtos.

Voltando à questão ambiental, um dos objetivos

mais ambiciosos do compromisso brasileiro no histórico

Acordo de Paris prevê, até 2030, a participação de 18%

de biocombustíveis na matriz energética do país. Como

estamos nessa meta?

Essa meta é bem vinda, mas aquém do potencial de

produção de energias renováveis no Brasil. Até 2020, a

Abiove defende adoção de 20% de biodiesel no diesel mineral

(B20) em ônibus urbanos e, até 2030, que o B20 seja

implantado de forma obrigatória em todo o diesel comercializado

no país. O Brasil deve se comprometer a metas de

O biodiesel também

proporciona geração

de empregos no

campo e na indústria

de forma direta

e indireta

Until when

can soy continue

to supply

this market?

There

is ample

capacity for

increased production

of biodiesel

from the

soy production

chain. In 2017,

Abiove predicts

soybean exports of

more than 60 million

tons. These, if processed

in Brazil, would be able to

generate more than 12 million

tons of soybean oil. For the use of

soy oil for biodiesel, about 3 million tons

are currently destined to meet the 8% of biodiesel

blended into mineral diesel (B8).

What are the potential alternatives to

increase its share and what are the overall

numbers?

Biodiesel provides good opportunities for

adding value to oils and fats. Examples of

this are its production from Palm oil (Brazil

currently only uses a small part of 7 million

hectares of land suitable for cultivation)

and increasing the recovery of animal

fats and used oil. These are the ways

that can generate thousands of jobs

in the production and distribution

of these products.

Returning to the environmental issue, one of the

most ambitious goals of the Brazilian commitment in

the historic Paris agreement envisages that by 2030,

biofuels will represent an 18% share in the Country's

energy matrix. How are we as to this goal?

This goal is welcome, but short of the production potential

of renewable energies in Brazil. By 2020, Abiove defends

the adoption of the use of 20% biodiesel in mineral

diesel (B20) in city buses and, by 2030, that B20 becomes

mandatory for all diesel fuel sold in the Country. Brazil

16

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participação de renováveis mais altas, visto que essas fontes

de energia proporcionam benefícios econômicos, sociais e

ambientais.

O cronograma de ampliação da mistura obrigatória

de biodiesel no diesel fóssil: dos atuais 7% deve aumentar

para 8%, 9% e 10% até 2019. No que esse aumento

percentual de biodiesel na mistura do diesel comum

contribui efetivamente?

Esses cronogramas previstos em lei proporcionarão à

sociedade brasileira usufruir dos benefícios econômicos, sociais

e ambientais gerados na cadeia produtiva do biodiesel.

Importante mencionar que a lei também prevê o B15 assim

que os testes em motores forem concluídos e a critério do

Cnpe (Conselho Nacional de Política Energética).

De que formas a indústria de biodiesel pode, ou já

busca, auxiliar o país da perspectiva social?

O biodiesel tem como importante instrumento de

integração o Selo Combustível Social. Por este

mecanismo, parcela importante das

compras de matérias primas

advém da agricultura familiar,

o que beneficia mais de 70

mil famílias de agricultores

por todo o país.

Com a ampliação

da mistura, os

benefícios para

os agricultores

também serão

estendidos.

O Brasil deve se

comprometer a metas de

participação de renováveis

mais altas, visto que

essas fontes de energia

proporcionam diversos

benefícios

should commit itself to these higher renewable share goals,

given that these energy sources provide economic, social

and environmental benefits.

The timetable for the expansion of the compulsory

blending of biodiesel in mineral diesel: the 7% last year

should increase to 8%, 9% and 10%, each year to 2019.

What does this biodiesel percentage increase effectively

contribute to the common diesel mixture?

This timetable, foreseen by law, will allow Brazilian

society to obtain the economic, social and environmental

benefits generated in the biodiesel production chain. It is

important to mention that the law also provides for the

possible use of B15 as soon as the engine tests are completed

and at the discretion of Cnpe (National Energy Policy

Council).

How will, or already is, the biodiesel industry seeking

to assist the Country in the social perspective?

The integration of biodiesel into the Social

Fuel Seal program has become an important

tool. Through this mechanism,

an important portion of raw

material purchases comes

from family agriculture,

which benefits more

than 70 thousand

farming families

throughout the

Country. With

the expansion

of the share

in mixtures,

the benefits to

farmers will also

be extended.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 17


PRINCIPAL

RESERVA

ESTRATÉGICA

FOTOS DIVULGAÇÀO

PCHS CONSOLIDAM MOMENTO DE EXPANSÃO

INICIADO HÁ MAIS DE 10 ANOS

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STRATEGIC RESERVE

SHP’S CONSOLIDATE A MOMENT OF EXPANSION

INITIATED MORE THAN 10 YEARS AGO

O

mercado de energia hidrelétrica representa a

maior fonte de geração do Brasil e do mundo

– o setor corresponde a cerca de 20% do total

de energia gerada em todo planeta. Nesse contexto,

ganham destaque as PCHs (Pequenas Centrais Hidroelétricas),

que passaram por ciclo de expansão no mercado

brasileiro na última década.

As PCHs operam de modo similar às grandes usinas – as

pás das turbinas são movimentadas pelo fluxo de água e alimentam

geradores que produzem energia. A diferença está

no volume de energia gerado: as pequenas centrais geram

no máximo 30 MW (Megawatt), volume suficiente para abastecer

até 6 mil residências de classe média. Com esse volume

de produção, as PCHs atendem a áreas próximas à sua localização,

o que implica em menores perdas na transmissão de

energia; elas apresentam apenas 3% de perda na transmissão,

contra 10% observados nas grandes usinas do país – o

limite recomendado pelo padrão internacional é de 6%.

O crescimento do setor de PCHs atende a uma demanda

específica. As pequenas centrais atuam como reserva estratégica

no sistema de geração de energia, um papel que foi

fundamental durante a crise do abastecimento de energia

T

he hydroelectric energy market represents the largest

source of Brazil’s generated energy, and the

world’s generated energy, with the Sector representing

about 20% of the total energy generated in the

world. In this context, SHP’s (small hydropower plants) have

to be noted, as they have undergone an expansion cycle in

the Brazilian market over the last decade.

SHP’s operate similarly to large power plants – the turbine

blades are moved by a water flow and feed generators

that produce energy. The difference is in the amount

of energy generated: small hydro power plants generate,

at the most, 30 MW, enough to power up to 6 thousand

middle-class homes. With this production volume, SHP’s

serve areas close to their location, which implies lower

energy transmission losses; they have only a 3% loss in

transmission, against 10% observed in large power plants

in the Country – the limit recommended by international

standards is 6%.

SHP Sector growth has met a specific demand in the

Brazilian market. The small hydro plants act as a strategic

reserve in the energy generation system, a role that was

crucial during the 2001 energy supply crisis. With their role

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 19


PRINCIPAL

PCHS

DESATIVADAS

PODERIAM

OPERAR

NOVAMENTE COM

AS ESTRUTURAS

JÁ EXISTENTES,

APENAS COM

A TROCA DE

EQUIPAMENTOS

DANIFICADOS OU

MODERNIZAÇÃO

DE SEUS SISTEMAS

em 2001. Com o seu papel consolidado a partir daquele

momento, o setor vem presenciando uma expansão nos últimos

anos.

POTENCIAL

Com baixo impacto ambiental e redução de perdas na

transformação de energia, as PCHs representam um setor

com potencial de crescimento para o mercado de energia

brasileiro. Além das vantagens ambientais, os incentivos públicos

como a isenção na tarifa de transmissão e a garantia

de venda de energia por 30 anos colocam as pequenas centrais

no mapa de investidores e pesquisadores – estes, voltados

para a avaliação do potencial energético na recuperação

de PCHs desativadas.

Segundo dados do Cerpch (Centro Nacional de Referência

em PCH), vinculado à Unifei (Universidade Federal

de Itajubá), de Minas Gerais, existem no Brasil mais de mil

pequenas centrais desativadas, parte delas implantadas no

começo do século 20, durante a primeira onda de expansão

do uso de energia elétrica no Brasil.

Esse número elevaria a potência instalada total das usinas

do país em 300 MW, suficiente para abastecer 60 mil casas.

Os números, apesar de tímidos, são representativos no

longo prazo, de acordo com o professor José Luz Silveira, do

becoming consolidated from that moment on, the Sector

has been witnessing an expansion over recent years.

POTENTIAL

With a low environmental impact and reduced losses

in energy transformation, SHP’s represent a sector with a

constant growth potential. In addition to the environmental

benefits, public incentives, such as the transmission fee

exemption and a guaranteed energy sale for 30 years, have

put the small energy generators on investor and research

maps – those aimed at the assessment of the energy potential

with the reactivation of the deactivated SHP’s.

According to Cerpch data (National Reference Center

for SHP’s), linked to Unifei (Federal University of Itajubá),

in Minas Gerais, there exists in Brazil more than one thousand

deactivated small generating plants, some of them

installed at the beginning of the 20th century, during the

first expansion wave for the use of electricity in Brazil.

This number could increase the total installed capacity

of energy generating plants in the Country by 300 MW,

enough to supply energy to 60 thousand homes. According

to Professor José Luz Silveira, from the Department

of Energy and the Graduate Energy Program of the Engineering

School of Unesp in Guaratinguetá, in the interior of

20

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EXISTEM NO

BRASIL MAIS DE

MIL PEQUENAS

CENTRAIS

DESATIVADAS,

PARTE DELAS

IMPLANTADAS

NO COMEÇO DO

SÉCULO 20

departamento de energia e do programa de pós-graduação

de energia da Faculdade de Engenharia da Unesp (Universidade

do Estado de São Paulo) de Guaratinguetá, no interior

de São Paulo. “Apesar de representar um potencial pequeno,

se as PCHs que estão paradas por problemas técnicos não

forem reformadas e reativadas, o país terá que investir em

novas usinas geradoras”, alerta Silveira. “Como a principal atividade

de investimento hoje são as usinas térmicas movidas

a gás natural, poderemos ter sérios problemas pela frente.”

As PCHs desativadas poderiam operar novamente com

as estruturas já existentes, apenas com a troca de equipamentos

danificados ou modernização de seus sistemas. O

potencial econômico é somado à possibilidade de obter créditos

de carbono pelos benefícios ambientais da repotencialização

das pequenas centrais.

A possibilidade de comercialização dos créditos de carbono

obtidos torna o investimento mais atraente, com uma

redução do tempo de amortização do investimento. “Em vez

de quatro anos e quatro meses, o tempo de retorno passa

a ser de três anos e seis meses, aumentando a atratividade

econômica do empreendimento”, diz Dinara Silva Gyori, pesquisadora

da Unesp responsável por um estudo sobre a PCH

Sodré de Guaratinguetá, inaugurada em 1912 e desativada

desde 1992.

the State of São Paulo, these numbers, though timid, are

representative in the long run, “Despite a low potential, if

the SHP’s that are shut down for technical problems are

not rehabilitated and reactivated, the Country will have

to invest in new generating plants,” analyzes Professor

Silveira. “As the main investment activity today is geared

towards natural gas-fired thermal plants, we could face

serious problems ahead.”

Deactivated SHP’s could once again operate using

existing structures, just with the replacement of damaged

equipment or modernization of their systems. Added to

the economic potential is the possibility of obtaining carbon

credits from the environmental benefits of bringing

the small hydro plants back online. The possibility for the

sale of these carbon credits makes the investment even

more attractive, with a shorter amortization of investment.

“Instead of four years and four months, the economic return

is reduced to three years and six months, increasing

the economic attractiveness of the project,” says Dinara

Silva Gyori, Research Scientist at Unesp, responsible for

the study of the Sodré SHP in Guaratinguetá, inaugurated

in 1912 and disabled in 1992. According to data from the

Federal Government, small hydropower generating plants,

already designed and with their power potential assessed

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 21


PRINCIPAL

COM BAIXO

IMPACTO

AMBIENTAL E

REDUÇÃO DE

PERDAS NA

TRANSFORMAÇÃO

DE ENERGIA, AS

PCHS REPRESENTAM

SETOR COM

POTENCIAL DE

CRESCIMENTO

CONSTANTE

Segundo dados do governo federal, as pequenas centrais

já projetadas e potenciais avaliadas e registradas pela

Aneel somam 17 mil MW. Segundo estudo feito pelo Cerpch,

o potencial teórico para PCHs ainda não inventariadas é de

cerca de 14 mil MW, com o maior mercado consumidor e o

maior potencial hídrico reunidos na região sudeste

Já de acordo com dados dos relatórios do Plano Decenal

de Expansão de Energia 2010-2019 e pela Matriz Energética

Nacional 2030, a potência instalada das PCHs no Brasil é estimado

em 11.366 MW até 2030, o que representa 3,3 vezes a

potência instalada de 2010.

MERCADO LIVRE

Uma das vantagens econômicas das PCHs é a possibilidade

de operar no mercado livre de energia, onde não existe

a obrigatoriedade de aceitar os valores cobrados pela distribuidora

local, sendo possível negociar os preços praticados

em cada contrato.

Criado em 1995, o mercado livre de energia contempla

apenas pequenas centrais hidrelétricas e vem crescendo nos

últimos anos. Em 2016, o número de indústrias consumidoras

mais que dobrou, ultrapassando a marca de quatro mil

clientes. “Dois motivos explicaram esse movimento no ano

passado: a forte alta das tarifas de energia elétrica das distribuidoras

no mercado cativo e os preços do mercado livre

significativamente baixos”, explica Rafael Carneiro, head de

and registered with Aneel (National Agency for Electric

Energy), add up to 17 thousand MW. According to a study

carried out by Cerpch, the theoretical potential for SHP’s

scheduled but not yet built is about 14 thousand MW, with

the largest consumer market and the largest hydro energy

potential in the Southeastern Region.

According to data from the 2010-2019 Ten-year Energy

Expansion Plan and the 2030 National Energy Matrix report,

the installed capacity of SHP’s in Brazil is estimated

to be 11,366 MW by 2030, which is 3.3 times that installed

in 2010.

FREE MARKET

One of the economic benefits of SHP’s is the ability

to operate in the free energy market, where there is no

obligation to accept the values paid by local distributors,

whereby it is possible to negotiate prices for each contract.

Created in 1995, the free energy market, which includes

only small hydroelectric power plants, has been growing in

recent years. In 2016, the number of consuming companies

more than doubled, surpassing the mark of 4 thousand

customers. “Two reasons explain this movement last year:

the sharply higher electricity tariffs set by distributors on

the captive market and significantly lower open market

prices,” says Rafael Carneiro, Head of Energy at XP Investimentos.

It is expected that this number will double again

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POTÊNCIA

INSTALADA DAS

PCHS NO BRASIL

É ESTIMADO EM

11.366 MW ATÉ

2030, O QUE

REPRESENTA 3,3

VEZES A POTÊNCIA

INSTALADA DE

2010

Energia da XP. A expectativa é que esse número dobre novamente

até o final de 2017.

Desde sua criação, essa é a segunda onda de crescimento

do mercado livre de energia no Brasil. A primeira ocorreu

durante o apagão de 2001, diante da necessidade de empresas

grandes consumidoras de energia que não tinham sua

demanda atendida pela rede local.

Agora, a adesão é liderada por pequenas e médias empresas

que tentam evitar os preços altos praticados pelo

mercado cativo. “A elevação dos custos do mercado regulado

combinada ao momento econômico desfavorável está

forçando as empresas a buscarem o mercado livre, que hoje

é um mercado sólido e muito atrativo”, completa Carneiro.

Desde o começo da atual onda de crescimento, em 2015,

o preço da energia no mercado livre caiu em média 80%,

para cerca de R$ 80/MW no curto prazo. Essa queda representa

uma economia de até 30% para o consumidor, quando

comparado com o mercado cativo. Essa economia pode ser

prevista já no estabelecimento do contrato, que podem ter

seus preços negociados diretamente entre o consumidor e

a distribuidora para todo o período de vigência, como explica

Cristopher Vlavianos, presidente da Comerc: “Isso dá

previsibilidade de custo ao consumidor, que já sabe quanto

vai pagar pela energia durante a vigência do contrato, sem

surpresas no final do mês.”

by the end of 2017.

Since its creation, this is the second wave of growth in

the free energy market in Brazil. The first occurred during

the 2001 "blackout", with the needs of large power consuming

companies that didn’t have their demand satisfied

by the local network.

Now, this need is being fulfilled led by small and medium-sized

companies that seek out a way of avoiding

the high prices charged by the captive market. “The high

costs in the regulated market combined with unfavorable

economic conditions is forcing companies to seek the free

market, which today is a solid and very attractive market,”

adds XP Investimentos Carneiro.

Over the short term, since the start of the current wave

of growth in 2015, the price of energy on the free market

has fallen, on average 80%, to about US$ 80/MW. This

drop represents a savings of up to 30% for the consumer,

when compared to the captive market. These savings can

be anticipated in the establishment of a contract, which

can have prices negotiated directly between the consumer

and distributor for the entire contracted period, as explains

Christopher Vlavianos, President of Comerc: “this provides

a predictability of cost to the consumer, who already knows

how much he will have to pay for energy during the term

of the contract, with no surprises at the end of the month.”

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 23


PELO MUNDO

NOVOS RUMOS

FOTOS DIVULGAÇÃO

BERÇO DO PETRÓLEO, EAU (EMIRADOS ÁRABES

UNIDOS) INVESTEM EM ENERGIAS RENOVÁVEIS

24

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E

m uma região conhecida pela exploração de

petróleo, o setor de energias renováveis cresce

no Oriente Médio e norte da África. De acordo

com relatório da Ernst & Young (EY), os investimentos

no setor em 2016 somaram US$ 8,7 milhões:

as negociações no setor de energia e serviços públicos

tiveram liderança na área, superando um período de atividade

lenta no ano anterior.

Para o líder em Transações de Energia do Oriente

Médio da EY, David Lloyd, o destaque será o programa

de energia renovável da Arábia Saudita. O objetivo do

programa é gerar 3,45 GW (Gigawatt) em energia renovável

até 2020 e 9,5 GW até 2023, por meio de uma

matriz de energia diversificada e voltada para o desenvolvimento

da economia local.

“A Arábia Saudita sempre foi um grande multiplicador

para a região, porque se os sauditas encontrarem

um jeito de fazer funcionar no seu país, eles seguem

para outros lugares”, revela Browning Rockwell, diretor

executivo da Aliança Solar do CGH (Conselho de Cooperação

do Golfo). “Eles podem impulsionar o desenvolvimento

de energia solar em outros mercados.”

Do mesmo modo, destaca-se o investimento no

Parque Solar Mohammad Bin Rashid Al Maktoum, em

Dubai, nos EAU (Emirados Árabes Unidos). A transação

contempla um projeto de geração de energia solar, que

integra o plano de abastecer 7% da demanda de energia

em Dubai com fontes renováveis até 2020, aumentando

para 25% em 2030 e 44% em 2050.

Além do novo parque solar, o fundo Dubai Green

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 25


PELO MUNDO

Fund recebeu US$ 27 bilhões para fomento a projetos

de sustentabilidade, como startups de energia limpa. O

investimento é parte da iniciativa de tornar Dubai a capital

verde do mundo nas próximas décadas. “Nosso objetivo

é equilibrar as nossas necessidades econômicas

com os nossos objetivos sustentáveis”, afirma o primeiro-ministro

e vice-presidente dos EAU, Sheikh Mohammed

bin Rashid al-Maktoum em anúncio oficial. “Quem

não pensa em energia não pensa no futuro. O governo

dos EAU teve a conquista de estabelecer uma estratégia

de energia unificada para o país.”

Demais países do Oriente Médio estão mudando

sua estratégia doméstica e econômica para além do petróleo.

Nos EAU, a expectativa é de uso de 12% do abastecimento

de energia por combustíveis fósseis mais

limpos até 2050, contra 38% de gás e 44% de energias

renováveis.

Já no Irã, a estimativa é de uma transição completa

para energias renováveis até 2030, de acordo com pesquisa

da Universidade de Tecnologia de Lappeenranta,

na Finlândia. O país, em processo de reabertura, anseia

uma modernização da sua infraestrutura de eletricidade

e pretende atrair investidores para leiloar projetos de

energia solar e eólica que somam US$ 12 bilhões.

POTENCIAL

Segundo a pesquisa da Universidade de Tecnologia

de Lappeenranta, os países produtores de petróleo do

Oriente Médio e norte da África têm potencial para o

desenvolvimento de sistemas lucrativos de uso energias

renováveis nas próximas duas décadas. A expectativa

é que os países do Oriente Médio invistam um total

de US$ 670 bilhões nos próximos 25 anos.

De acordo com dados do relatório da Internati CCG,

os países que atingirem as metas de energias renováveis,

poderão poupar até quatro bilhões de barris de

petróleo e reduzir as emissões em 1,2 gigatoneladas até

2030.

“Esperamos que comecem a construir. Como é barato,

faz todo sentido”, analisa a economista especializada

nos mercados de energia na consultoria britânica

Bloomberg New Energy Finance, Elena Giannakopoulou.

“A luz solar na região é confiável e eles têm problemas

que a energia solar pode resolver, como a confiabi-

26

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lidade de abastecimento.”

O movimento em direção à energia renovável ainda

está em seus passos iniciais. Hoje, as fontes renováveis

representam menos de 5% da capacidade de geração

de energia na região. Mas a expectativa é de crescimento,

sobretudo na energia solar, uma vez que a região

conta com um dos maiores números de dias ensolarados

por ano no mundo. A Jordânia, cujo mercado de

energia solar vê crescimento, conta com uma média de

330 dias ensolarados por ano.

A estimativa de crescimento da energia renovável

no país é incentivada pelo rei Adullah II, que inaugurou,

em 2015, uma usina de energia solar para o abastecimento

de energia elétrica do seu palácio e corte, incluindo

uma nova frota de carros elétricos. A expectativa

é que a iniciativa dê o tom do mercado de energia

no país. Na cidade de Petra, a usina solar Shams Ma’na

começou a operar em 2016 e gera energia suficiente

para abastecer 35 mil residências.

Um cenário similar se desenha no Marrocos, que

atualmente importa cerca de 90% da sua energia consumida;

há um projeto de construção da maior usina solar

do mundo utilizando tecnologia solar concentrada, que

usa espelhos ou lentes para focar a luz solar que então

gera calor para ativar turbinas. A primeira fase do projeto,

o complexo solar de Noor, começou a operar no

começo do ano passado. O objetivo é empregar energia

solar em 50% da produção de energia no país até 2025,

com a energia solar correspondendo a um terço da demanda.

“No passado, quando me reunia com ministros de

energia em alguns dos países ricos em petróleo, alguém

falava sobre energia renovável e a reunião era encerrada

em um nanossegundo”, pondera o presidente da General

Electric no Oriente Médio e norte da África, Nabil

Habayeb. “Hoje, muitos estão ansiosos para discutir isso.

Você sendo rico em petróleo ou não, essa é uma forte

tendência.”

Para o mercado, estima-se que a mudança não seja

passageira. “As pessoas estão cansadas porque já houve

muita promessa e muito hype”, reitera Rockwell. “Mas

agora muitos países estão chegando a um ponto em

que não tem mais alternativa além de levar a sério a

energia renovável.”

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 27


TECNOLOGIA

APROVEITA-SE

ATÉ O

BAGAÇO

RESÍDUOS DE CANA

VIRAM ENERGIA COM A

AJUDA DE TECNOLOGIA E

EQUIPAMENTOS MODERNOS

FOTOS DIVULGAÇÃO

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 29


TECNOLOGIA

D

a cana vem o açúcar e o etanol, combustível

para as máquinas. O que sobra do processo,

o bagaço, e a palha que fica no campo, também

podem ser transformados em energia.

O material processado, a biomassa, gera energia térmica,

que por sua vez produz energia elétrica.

Atualmente o Brasil ainda não aproveita todo o potencial

energético da palha da cana como poderia. Estudos

indicam que aproximadamente 50% da palha gerada

pode ser utilizada, com ganhos para a área agrícola e

meio ambiente. Para cada 10 mil toneladas de palha de

cana é possível gerar até 153 MW (Megawatts).

TECNOLOGIA

Empresa brasileira do segmento sucroenergético, a

Jalles Machado desenvolve produtos em paralelo com

foco no desenvolvimento sustentável. Eles já exportam

açúcar orgânico para a Áustria e a Holanda. O investimento

em mão de obra especializada e em novas tecnologias

está trazendo resultados significativos. São cerca

de 4,5 milhões de t (toneladas) de cana processadas em

média a cada ano. Tudo isso gera aproximadamente 250

milhões de litros de etanol e 205 mil toneladas de açúcar.

Além dos dois principais produtos (açúcar e etanol)

a Jalles Machado também produz látex e energia a partir

da cana-de-açúcar.

A utilização de biomassa para gerar energia é um

dos diferenciais da empresa. Com o bagaço e a palha da

cana ela desenvolve o processo de cogeração. O início

desse processo foi em 2000, com a instalação de uma

central termelétrica. A empresa se tornou pioneira em

Goiás na cogeração de energia a partir do bagaço de

cana. Além de suprir o consumo de energia elétrica da

própria usina, o excedente da produção é comercializado,

gerando uma receita adicional.

A capacidade de cogeração é de 40 MW e 48 MW em

duas unidades, energia suficiente para abastecer uma

cidade com cerca de 300 mil habitantes. Para transformar

todo esse resíduo a Jalles Machado investiu em um

triturador modelo HG6000E, da fabricante Vermeer. O

equipamento foi comprado em 2015 depois de uma

criteriosa avaliação de mercado. “Tivemos contato com

consultores e empresas que estavam realizando a tritu-

30

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ação de palha de cana para alimentação de caldeira”,

explica Eduardo Oliveira Pimenta, gerente de manutenção

industrial da Jalles Machado.

Depois de recolhida e enfardada a palha da cana alimenta

o triturador, que transforma e prepara tudo para

alimentar as caldeiras. De acordo com o gerente industrial,

o triturador HG6000, que é elétrico, processa aproximadamente

25 t/h (toneladas por hora). “Avaliando as

opções do mercado e decidimos que o equipamento

era o que mais se enquadrava na nossa necessidade,

com custo compatível às nossas possibilidades”, avalia.

No início algumas dificuldades técnicas limitavam

as operações. “Após a instalação de uma mesa de alimentação

de fardos e um sistema de exaustão de poeira

melhoramos significativamente as operações. O

suporte técnico da Vermeer sempre atuou e apoiou na

busca de soluções para os problemas enfrentados”, lembra

Eduardo.

O BRASIL

AINDA NÃO

APROVEITA TODO

O POTENCIAL

ENERGÉTICO DA

PALHA DA CANA

COMO PODERIA

Para cada

10 mil

toneladas

de palha

de cana é

possível

gerar até 153

Megawatts

(MW) de

energia

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 31


CASE

OÁSIS NO

DESERTO

FOTOS DIVULGAÇÃO

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LAS VEGAS REINVENTA FORMA COMO LIDA

COM RECURSOS NATURAIS; NO ESTADO,

11,5% DA ENERGIA CONSUMIDA VÊM DE

FONTES RENOVÁVEIS

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 33


CASE

L

ocalizada em uma região desértica, com um

dos climas mais secos dos EUA (Estados Unidos

da América), a cidade de Las Vegas, em Nevada,

vem explorando seu potencial ao abraçar as suas

condições climáticas, antes vistas como desafio, agora

como uma ferramenta para iniciativas sustentáveis.

O programa de recuperação de água adotado pelo

município ganhou reconhecimento mundial ao cortar o

consumo de água em 37% na última década. Nos prédios

do governo local, o uso de energia solar reduziu

os gastos públicos em US$ 5 milhões ao ano – a cidade

possui alguns dos maiores conjuntos de painéis solares

dos EUA, além do maior número de prédios com certificação

Leed. Juntamente com as iniciativas públicas, os

cassinos também vêm adotando medidas e programas

que tornam os grandes eventos mais sustentáveis do

que parecem.

“O que as pessoas não sabem é que Las Vegas foi

fundada ao redor de uma nascente”, diz Lauren Boitel,

34

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da Green Chips, uma ONG local dedicada à promoção

da sustentabilidade na região. “Esse era o único motivo

que as pessoas paravam aqui, porque tínhamos recursos.

Vegas precisa aceitar a ideia de que precisa administrar

bem esses recursos.”

As iniciativas para preservação dos recursos naturais

começaram em 2002, após uma seca abaixar o nível do

rio Colorado em 75% do seu volume natural. Com esse

desafio, o governo local mudou a perspectiva de soluções

temporárias para adotar medidas em longo prazo.

“Queríamos ter certeza que a solução alcançasse todo

mundo”, explica Bronson Mack, representante da Autoridade

para Água do Sul de Nevada. “Não empurramos

isso nem para os nossos consumidores residenciais, nem

para os cassinos. Procuramos meios de conservar água e

incentivar a todos.”

O resultado dessas iniciativas transformou Las Vegas

em um modelo de conservação e um estudo de caso

para cidades do mundo inteiro. De acordo com Mack, a

região viu sua população crescer em meio milhão desde

2002, e o consumo de água diminuir em mais de 30%.

As iniciativas de desenvolvimento sustentável se estendem

para os cassinos, que contam com sistemas de

EM 2016,

O ESTADO

DUPLICOU A SUA

CAPACIDADE DE

ENERGIA SOLAR,

PASSANDO DE

1.033 MW PARA

2.191 MW

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 35


CASE

reciclagem e manejo de resíduos, aumento no uso de luzes

de LED e outras medidas de conservação de energia.

Um dos destaques é o resort MGM, que investiu em sistemas

inovadores de climatização e trocou a iluminação

tradicional por LED, o que levou a uma diminuição do

consumo de energia em aproximadamente 120 milhões

de KWh (Quilowatts hora) – e a expectativa é diminuir

em mais 20% nos próximos cinco anos.

“Você pode se sentir exuberante usando a águas das

piscinas e dos spas”, explica Yalmaz Siddiqui, vice-presidente

de sustentabilidade corporativa do MGM Resorts.

“Mas mesmo que tenha uma perda inevitável por evaporação,

a grande maioria da água é reciclada, graças ao

investimento da cidade em infraestrutura.”

ENERGIA SOLAR

O maior potencial da região é a energia solar, graças

à grande quantidade e à infraestrutura robusta das antigas

usinas de energia termoelétricas instaladas na região.

A rede pública de energia abriu recentemente uma

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nova usina, Boulder II, com capacidade para abastecer

até 25 mil residências na região. No começo do ano, a

companhia SolarReserve anunciou um projeto de US$ 5

bilhões para geração de energia solar, que poderá abastecer

cerca de 500 mil residências por meio de sistemas

solares concentrados – cada um dos dez sistemas terá

um espelho circular para concentrar calor em uma torre

de 195 m (metros) de altura. Ideia, claro, comprada pelos

cassinos da região.

De acordo com Boitel, a rede pública do Estado de

Nevada, tem um portfólio robusto voltado para energia

solar e geotermal. No Estado, 11,5% da energia consumida

vêm de fontes renováveis, com mais de 360 mil residências

abastecidas por energia solar, de acordo com

números da Seia (Associação de Indústrias de Energia

Solar). Em 2016, o Estado duplicou a sua capacidade de

energia solar, passando de 1.033 MW para 2.191 MW. A

expectativa é que o número duplique novamente nos

próximos cinco anos.

“Acreditamos que o Estado de Nevada pode ser líder

no uso em escala de energia solar”, projeta Sean Gallagher,

vice-presidente de assuntos estaduais da Seia. “Os

consumidores querem energia solar. É isso que está incentivando.

E os serviços públicos têm que encontrar

meios de dar aos consumidores o que eles querem.”

CASSINOS ADOTAM

MEDIDAS E PROGRAMAS

QUE TORNAM OS GRANDES

EVENTOS MAIS SUSTENTÁVEIS

DO QUE PARECEM

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 37


ESPECIAL

SEM

DESPERDÍCIO

FOTOS BIOMAIS

38

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RESÍDUOS DE MADEIRA DESCARTADOS PELA

INDÚSTRIA, AGRICULTURA E CONSTRUÇÃO

CIVIL ABASTECEM O MERCADO DE ENERGIA

RENOVÁVEL

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 39


ESPECIAL

NOVA ZELÂNDIA AQUECE

A INDÚSTRIA DE GERAÇÃO

DE ENERGIA POR MEIO

DO APROVEITAMENTO DE

RESÍDUOS DA INDÚSTRIA

MADEIREIRA

M

ateriais que tradicionalmente terminariam

em aterros sanitários estão abastecendo

um setor da indústria de energia renovável,

baseada em resíduos de madeira descartados

pela indústria, agricultura e da construção civil.

Um destaque nesse mercado é a Greenleaf Power

LDD, companhia norte-americana que opera usinas de

geração de energia renovável em cidades do Estado da

Califórnia. “Estamos focados em um segmento de resíduos

que ninguém quer, e reciclamos e transformamos

em energia”, orgulha-se Hugh Smith, presidente e CEO

da Greenleaf. “Faz todo sentido pegar materiais que já

foram utilizados uma vez e transformá-los em energia

ou combustível que pode ser utilizado mais uma vez."

40

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TUDO SE APROVEITA

A alocação de resíduos industriais na geração de energia

dá destino a toneladas de descartes. Na indústria de

produtos de madeira, cerca de 40% das toras terminam

como serragem, cavaco e outras partículas que representam

uma fonte potencial de energia, de acordo com Steve

Kelley, chefe do departamento de biomateriais florestais

da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos EUA

(Estados Unidos da América), para a Bioenergy Collection.

“Quando você corta um cilindro em retângulos, você perde

muita madeira boa nesse processo.”

Os resíduos adotados por essas plantas incluem

descartes da indústria madeireira, resíduos retirados de

áreas desmatadas nos centros urbanos, árvores danificadas

por infestações, resíduos da agricultura, madeira

de demolição e descartes da construção civil, desde que

não tenham passado por tratamentos químicos que podem

liberar poluentes no processo de transformação em

energia.

A FORMA MAIS SIMPLES

DE TRANSFORMAR

RESÍDUOS EM ENERGIA

É PELA QUEIMA: O

PROCESSO GERA ENERGIA

EQUIVALENTE A ATÉ 70%

DA GERADA POR CARVÃO

TRANSFORMAR RESÍDUOS

EM ENERGIA DE MODO

MAIS EFICIENTE E

MAIS SUSTENTÁVEL É

FUNDAMENTAL PARA O

PLANETA


ESPECIAL

PROCESSO GERA ENERGIA

EQUIVALENTE A ATÉ 70%

DA ENERGIA GERADA POR

CARVÃO

De acordo com estudo realizado por pesquisadores

da Universidade Federal do Amazonas e da Universidade

do Estado do Pará, algumas espécies de madeira usadas

em serrarias da região, como guajará e muiracatiará, podem

apresentar rendimento de cerca 35% do seu volume

destinado para a fabricação de artefatos, com os 65% restantes

podendo ser destinados para a geração de energia

juntamente com a serragem resultante do corte.

No Distrito Federal, a Cooperativa Sonho de Liberdade

emprega ex-detentos para trabalharem no processo

de análise e triagem dos resíduos de madeira. Na primeira

triagem, os resíduos são destinados para a produção de

móveis, tijolos e utensílios. Os resíduos não selecionados

nessa etapa são triturados e comercializados como matéria-prima

para a geração de energia térmica.

42

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PELO MUNDO

A forma mais simples de transformar esses resíduos

em energia é pela queima. O processo gera energia equivalente

a até 70% da energia gerada por carvão – volume

suficiente para gerar energia elétrica e abastecer parcialmente

as próprias indústrias.

Na Nova Zelândia, a iniciativa de gerar energia a partir

desses resíduos é incentivada pela autoridade para a

Eeca (Conservação e Eficiência Energética). A intenção

é aquecer a indústria de geração de energia por meio

do aproveitamento de resíduos da indústria madeireira,

como cavaco, serragem e descartes do corte de madeira.

“Em escala global, essa é a perspectiva”, acredita

Smith, da Greenleaf. “Com 10 bilhões de pessoas produzindo

resíduos todos os dias, não podemos continuar a

acumular isso em aterros. É crucial para o planeta desenvolvermos

a tecnologia necessária para servir as nossas

necessidades de modo inteligente e economicamente

viável e transformar resíduos em energia de modo mais

eficiente e mais sustentável do que fazemos hoje.”

ALGUMAS ESPÉCIES

DE MADEIRA USADAS

EM SERRARIAS,

COMO GUAJARÁ

E MUIRACATIARÁ,

PODEM TER 65%

DE SEU TOTAL

DESTINADOS À

GERAÇÃO DE ENERGIA


ARTIGO

OS DESAFIOS DAS GRANDES

REDES DE SUPERMERCADOS

PARA ELEVAR A EFICIÊNCIA

ENERGÉTICA DE SUAS LOJAS

FOTOS DIVULGAÇÃO

*POR FERNANDO BACELLAR, GERENTE DE ENGENHARIA, E ANDRÉ FIGUEIREDO,

DESENVOLVIMENTO DE NEGÓCIOS, DA GREENYELLOW

44

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O

mundo inteiro já despertou para a necessidade

de se preparar para uma era

pós-petróleo. Até os países produtores

já buscam alternativas, não apenas para

diversificar sua receita, mas buscar soluções de longo

prazo para esse novo momento da economia mundial.

Grandes produtores de petróleo como a Arábia Saudita,

Kuwait, Qatar e outros países do Golfo Pérsico já

estão se movendo na diversificação de suas atividades

além do petróleo.

No Brasil, imaginou-se que o pré-sal resolveria todos

os problemas, mas a queda vertiginosa dos preços

do petróleo e o escândalo da Lava Jato revelaram o

engano dessa estratégia. Hoje o país se vê diante do

desafio de redefinir sua política energética de maneira

a priorizar investimentos na infraestrutura necessária

para atrair projetos não apenas na área de petróleo.

Para agravar o quadro, a turbulência econômica

enfrentada pelo Brasil, com uma recessão paralisante,

moeda com valor em queda e desemprego em ascensão,

o caminho para a recuperação econômica parece

assustador. É verdade que o uso da energia diminui durante

uma recessão porem isso não minimiza a necessidade

de seu uso mais eficiente. Países como os EUA

(Estados Unidos da América) tiveram um aumento da

demanda de energia de apenas 17% nos últimos 25

anos enquanto seu PIB (Produto Interno Bruto) cresceu

83%, indicando uma melhoria de 56% em produtividade

energética.

No setor energético as mudanças climáticas vêm

forçando o país a recorrer sistematicamente a fontes

térmicas como carvão, gás, óleo diesel e combustível

desde 2012 para complementar sua oferta de energia

elétrica, onerando os custos da energia em toda a cadeia

produtiva, além dos altos furtos de energia que

dificultam os serviços públicos.

O Brasil tem a oportunidade de realizar avanços

durante a crise, priorizando a eficiência energética e

a geração de energia distribuída como parte de um

compromisso de longo prazo para melhorias de infraestrutura.

Se nada for feito, a tendência é que essa participação

aumente cada vez mais, principalmente a partir de

2025, quando o potencial hidrelétrico brasileiro estará

esgotado.

Neste cenário, fontes renováveis ganham papel

cada vez mais importante em uma matriz elétrica diversificada,

sustentável e eficiente. E ressalta a impor-

tância de se buscar eficiência energética em todos os

segmentos, através de novas tecnologias, processos e

equipamentos que proporcionem o uso racional nos

setores industrial, comercial, residencial e de edificações

públicas e particulares, melhorando a disponibilidade

energética, reduzindo custos e aumentando

ganhos.

Empresas que investem em projetos de eficiência

energética podem economizar recursos, ganhar competitividade

e amenizar a pressão sobre o aumento da

oferta de energia.

E como fica o setor varejista neste ambiente? Com

o país em crise, o volume de vendas do comércio varejista

brasileiro registrou queda de 4,3% em 2015. Este

foi o pior desempenho do setor dentro da série histórica

do levantamento, iniciada em 2001, pelo Ibge (Instituto

Brasileiro de Geografia e Estatística). Os destaques

negativos para o resultado global foram: móveis e eletrodomésticos

(-14%); hipermercados, supermercados,

produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,5%); tecidos,

vestuário e calçados (-8,7%) e combustíveis e lubrificantes

(-6,2%).

Diante deste cenário o GPA (Grupo Pão de Açúcar)

está implementando este ano projetos de eficiência

energética em sistemas de refrigeração, ar-condicionado

e iluminação em mais de 150 lojas do Rio de Janeiro,

São Paulo e região nordeste do país, cerca de 20

por mês até dezembro, em continuidade ao trabalho

iniciado em 2015. O programa é implantado pela GreenYellow,

empresa do Grupo Casino, e tem a proposta

de reduzir o impacto do varejo no meio ambiente, reduzir

custos operacionais e aumentar o desempenho

das lojas. Com estas mudanças, a diminuição média

de consumo total de energia esperada, em média, em

cada uma das unidades, está em 25%.

As adaptações começaram com os hipermercados

(137) e agora se estendem para as redes Extra Supermercado

e Pão de Açúcar. Cinco centrais de distribuição

também estão sendo modificadas. A conclusão

deste trabalho, prevista para o final de 2017, consolidará

aproximadamente 500 lojas modificadas e está

prevista daqui a dois anos.

A energia (89 GWh) que deixou de ser consumida

nos Hiper Extra já beneficiados é equivalente ao consumo

residencial de uma cidade como Campos de Jordão

(SP) por um ano.

As ações são customizadas para cada uma das lojas,

de acordo com as demandas e características de cada

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 45


ARTIGO

negócio. Lâmpadas antigas estão sendo substituídas

por leds e novas linhas de iluminação automatizadas

permitem alternar a luminosidade nos diversos ambientes

aproveitando a iluminação natural e horários

de baixa frequência de clientes. Acrescenta-se ainda a

adoção de melhorias no sistema de refrigeração com o

fechamento de ilhas e balcões com portas de vidro, instalação

de inversores de frequência e automação bem

como novas regulagens no ar condicionado, o que reduz

a necessidade da produção de frio considerando a

temperatura de fora e de dentro da loja.

Todas as intervenções são permanentemente monitoradas

por uma equipe da GreenYellow que recebe

alarmes se acontece alguma não conformidade e imediatamente

entra em contato com o responsável da

loja para as devidas correções. Isto é feito durante toda

a vigência do contrato para garantir que a economia

mínima projetada seja obtida.

“A HORA DO PROSSUMIDOR”

Outra medida em desenvolvimento é a geração

distribuída, que através da resolução normativa 482/12

possibilita que consumidores produzam sua própria

energia elétrica. Esta resolução, que recentemente foi

revisada para a RN 687/15, está movimentando o mercado

de energia brasileiro, que passa a ter a figura do

“prossumidor”, que provém da junção de produtor +

consumidor, um neologismo para indicar o novo papel

do consumidor na sociedade pós-moderna, possibilitando

que qualquer consumidor gere, pela primeira

vez, a sua própria energia elétrica.

Apesar do enorme potencial solar, o Brasil ainda

tem poucos projetos instalados e está muito atrás de

países como Alemanha, que em determinados dias do

ano consegue gerar mais de 50% de toda a demanda

por eletricidade utilizando apenas a energia proveniente

do sol.

Aqui no Brasil, com aproximadamente 30 MW

instalados, a energia solar fotovoltaica distribuída representa

apenas 0,02% da matriz de energia elétrica

nacional. Entretanto, devido ao aumento tarifário dos

últimos anos e ao desenvolvimento da tecnologia, a

geração distribuída vem crescendo exponencialmente.

Apenas no primeiro semestre de 2016, foram instalados

mais projetos fotovoltaicos do que a soma de

todos os anos anteriores:

Atentos à conjuntura e oportunidades do setor

elétrico, a GreenYellow, em conjunto com o GPA, vem

desde o começo do ano mapeando as lojas do grupo

em todo o país para reduzir as despesas com energia

elétrica utilizando também a irradiação solar.

Um primeiro projeto piloto de 300 kWp está em desenvolvimento

e entrará em operação ainda neste ano.

Mais de mil painéis fotovoltaicos serão instalados sobre

Unidades Fotovoltaicas: Instalações por ano

2256

1274

3 52

274

2012 2013 2014 2015 2016

Fonte: Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)

46

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1.050.000

950.000

850.000

750.000

650.000

550.000

450.000

Economia de 106

TWh/ano em

2030

10% DO CONSUMO

} Eficiência

Energética

106 twh/ano

é equivalente

à geração de

uma Itaipu.

350.000

2008 2010 2012 2014 2016 2018 2020 2022 2024 2026 2028 2030

o telhado de uma das lojas do grupo, ocupando uma

área de dois mil metros quadrados. A energia gerada

pelos painéis ficará em torno de 10% mais barata que a

energia da distribuidora local.

O Grupo Pão de Açúcar possui milhões de metros

quadrados disponíveis em telhados de supermercados,

postos de combustíveis e centros de distribuição

espalhados por todo o território nacional, mas principalmente

nos centros urbanos. A geração solar é uma

alternativa nobre na ocupação de uma área que, até o

momento, não havia nenhuma aplicação rentável para

o grupo.

Outro ponto importante na utilização dos telhados

é a geração de energia dentro do centro de carga, que

além dos benefícios socioambientais, reduziriam os

elevados investimentos na transmissão e distribuição

da energia.

Outros modelos estão sendo avaliados pela GreenYellow,

principalmente o conceito de auto consumo

remoto. A nova resolução da Aneel permite a construção

de uma usina de até 5 MW, conectá-la na rede da

distribuidora e compensar a geração em unidades consumidoras

espalhadas na área de concessão da mesma

distribuidora aonde foi instalada a usina. Este modelo

potencializa a disseminação da fonte no país, uma vez

que apenas uma usina pode abastecer dezenas ou até

mesmo centenas de pontos de consumo, com uma geração

mais otimizada por serem construídas em solo

e ainda contar com a possibilidade do uso de trackers

(rastreador solar) que aumentam em 20% o volume de

energia gerado pelas placas. Outra grande vantagem

da usina compartilhada é a operação, a manutenção e

o monitoramento que ficam centralizados em apenas

em um só local.

Além de já ser mais barata que a energia da rede

em algumas regiões do país, a energia solar é uma fonte

de energia limpa e previsível, que possibilita mitigar

riscos como o hidrológico, regulatório e cambial que

influenciam diretamente na precificação dos elétrons

que circulam nas redes das concessionárias brasileiras.

Essa previsibilidade tem muito valor para alguns setores,

principalmente para setores como o supermercadista,

que já tem na energia elétrica a sua segunda

maior fonte de custo e precisam de estabilidade na

precificação dos insumos para operar com eficiência

e competitividade.

Recentemente o MME (Ministério de Minas e Energia)

apresentou o Pnef (Plano Nacional de Eficiência

Energética)que incorpora ao planejamento de expansão

do setor elétrico a redução de 10% do consumo de

energia até 2030.

Em abril deste ano o Brasil e outros 194 países,

dentre os quais China e EUA (Estados Unidos da América)

assinaram acordo sobre clima nas Nações Unidas

se comprometendo a reduzir em 9,8% da energia até

2030.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 47


AGENDA

MAIO Maio 2017 2017

ePower China

Data: 4 a 6

Local: Xangai (China)

Informações: http://www.china-epower.com/en/

JULHO Julho 2017 2017

All Energy

Data: 10 a 11

Local: Glasgow (Reino Unido)

Informações: www.all-energy.co.uk/

Fiee (Feira Internacional da Indústria Elétrica)

Data: 25 a 28

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.fiee.com.br/

Saudi Power

Data: 14 a 16

Local: Riad (Arábia Saudita)

Informações: http://www.saudi-power.com

ExpoSolar Colômbia

Data: 19 a 21

Local: Medellín (Colômbia)

Informações: http://feriaexposolar.com/?lang=en

AGOSTO Agosto 2017 2017

Brasil Wind Power

Data: 28 a 31

Local: Rio de Janeiro (RJ)

Informações: www.brazilwindpower.org/

Enersolar+

Data: 23 a 25

Local: São Paulo (SP)

Informações: enersolarbrasil.com.br/

Acesse:

www.portalreferencia.com.br


DESTAQUE

Destaque

Brasil Wind Power

Data: 28 a 31 de agosto

Local: Rio de Janeiro (RJ)

Informações: www.brazilwindpower.org

Um dos maiores eventos de energia eólica da América Latina

proporciona oportunidades de networking e negócios que envolvem

este mercado. Durante três dias, o visitante encontra as principais

autoridades setoriais para debater o crescimento do mercado

brasileiro durante o congresso e players do mercado para a feira de

negócios, em um setor que movimenta bilhões ao ano.

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OPINIÃO

DONALD TRUMP OU

“NADA É TÃO RUIM

QUE NÃO POSSA PIORAR”

Foto: divulgação

NÃO É DE ADMIRAR QUE O SR. TRUMP, PRESIDENTE DOS

EUA (ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA), TENHA TOMADO A

INICIATIVA DESTRAMBELHADA DE DESMONTAR A POLÍTICA

AMERICANA DE COMBATE ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

ESTABELECIDA POR SEU ANTECESSOR

H

á poucos dias, Trump foi derrotado na sua primeira

grande batalha legislativa, a tentativa de desmontar

o sistema público de saúde do país, conhecido

como Obamacare. Imediatamente voltou-se contra

seu segundo grande alvo eleitoral: tudo e qualquer coisa relacionados

a prevenir e mitigar efeitos das mudanças climáticas

globais, que ele não crê existir. Por meio de ato executivo, porque

via legislativo talvez encare sua segunda grande derrota,

deu início a mudanças nas regras de um jogo já em curso que

colocavam os EUA (Estados Unidos da América) nos trilhos do

necessário ajuste para enfrentar o problema. Há quem acredite

ser esse o passo inicial para a retirada do país da convenção do

clima da ONU (Organização das Nações Unidas), embora seja

certo que isso não acontecerá sem renhida luta política judicial

interna. Mas nada a estranhar até aqui considerando-se os

passos do presidente desde sua posse, que mostra sempre que

seu discurso eleitoral é também o seu perigoso mapa de rota.

Tomando agora duas questões mais concretas para exemplificar

a enganosa, senão desastrosa, rota vale lembrar: (1) em

março de 2015 o respeitadíssimo e capitalista FMI (Fundo Monetário

Internacional) divulgou relatório dando conta do estrago

global em termos de finanças públicas do setor carbonífero

(petróleo, carvão e gás), com subsídios anuais totais da ordem

de US$ 2,3 trilhões, dinheiro público mal usado, cujo corte

reduziria imediatamente as emissões globais de carbono em

20%, além de salvar 1,6 milhão de vidas anualmente perdidas

associadas às externalidades desse setor de atividades; e (2) há

campanhas e programas regulares nos EUA de desinvestimento

financeiro em relação ao setor carbonífero, com destaque

para os fundos de investimentos das grandes fundações filan-

trópicas, do conjunto da igreja católica e também das grandes

universidades americanas. No caso das fundações, destaque

para a Rockeffeler Foundation e a Rockeffeler Brothers Foundation,

nascidas das fortunas familiares construídas exatamente

no setor carbonífero, que há anos decidiram limpar suas carteiras

desses investimentos sujos.

Mencionado ciência, indispensável lembrar que os EUA

têm a melhor do planeta a considerar as muitas dúzias de Nobel

recebidos, que o fazem o campeão científico planetário. E

é nesse contexto, coincidentemente com o mau passo presidencial,

que a prestigiosa revista Nature publicou os resultados

de estudo confirmando crença antiga: as mudanças climáticas

não estão apenas mudando padrões do tempo meteorológico

e aumentando a probabilidade de ondas de calor, chuvas fora

do padrão e inundações severas, mas levando a novos e piores

padrões climáticos, bem definidos geográfica e temporalmente,

e assim aumentando ainda mais os danos causados.

A inteligência americana, porém, parece estar do outro

lado. Mesmo assim, Trump é, seguramente, um desses homens

que pode piorar o mundo que conhecemos. Pelo menos não

o fará sem severa resistência interna, política e judicial, o que

nos deixa alguma esperança, conforme nota conjunta já pelos

governadores da Califórnia e de Nova Iorque, duas locomotivas

da economia e da democracia americanas, bem como pela

ação de poderosos grupos ambientalistas americanos que já

estão contratando conceituadas bancas de advogados para

desafiar na justiça a iniciativa.

Por Miguel Serediuk Milano

Engenheiro Florestal, MSc, Doutor, ex-professor da Ufpr e ex-professor visitante da Colorado State University,

especialista em sustentatbilidade, hoje consultor independente e conselheiro de várias organizações

nacionais e estrangeiras. Também é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza

Foto: Gisele Koprowski

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