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14 Essas concepções

14 Essas concepções sobre o ser homem e o ser mulher, embora tenham a aparência de naturais, não o são, e a maior prova disso é a grande variedade de características existentes para cada sexo, que muda de acordo com a sociedade e o período histórico: “O feminino e o masculino são construídos, interpretados e internalizados, portanto personalizados, dependendo das características específicas da sociedade em que homens e mulheres vivem, do ciclo de suas vidas e de suas vivências subjetivas como homens e mulheres que pertencem a uma raça, etnia e classe social determinadas.” (Duque-Arrazola, 1997, p. 351) Ao feminino cabe o mundo privado e a esfera do cuidado, e ao masculino cabe o mundo público. Temos com isso uma hierarquização dos papéis de gênero em nossa sociedade, uma vez que o mundo público é mais valorizado: quantas vezes você já escutou alguém dizer que uma mulher que “só” cuida das tarefas domésticas (dando conta da limpeza, organização, alimentação e cuidado emocional de todos/as os/as moradores/as da referida residência) não trabalha? Agora, vamos pensar em quais são os brinquedos e brincadeiras típicos de cada gênero: meninas brincam de casinha, com panelinhas, bonecas, ferros de passar, vassouras... Também brincam de princesas à espera de um príncipe para que possam viver felizes para sempre. Já os meninos brincam de carrinho, de “lutinha”, eles são super-heróis que salvam o mundo e fazem coisas importantes na esfera pública. Agora, nós perguntamos: alguma coincidência com o parágrafo acima?

15 Esses padrões (muitas vezes irreais) de feminilidade e de masculinidade trazem consequências para a subjetividade de meninas e meninos. As garotas devem estar dentro de um ideal estético e de comportamento reforçados por uma pressão social que se traduz de forma bastante violenta. Os garotos, por sua vez, devem se comportar de forma “viril”, não demonstrar sentimentos (ou falar sobre eles), o que por si só também é uma violência. Vivemos numa sociedade que, imbuída por esses estereótipos machistas, legitima diversas formas de violência contra as mulheres (agressões, estupros, linchamentos morais etc.) e também contra os homens (as principais causas de óbitos de jovens do sexo masculino são os acidentes de trânsito e armas de fogo – e não por acaso, quais são os principais brinquedos dos meninos? Carrinhos e armas). Os processos de aprendizagem cultural em torno da sexualidade estão intimamente relacionados aos códigos de gênero vigentes no contexto social em que os/as sujeitos/as estão inseridos/as. Há, assim, um inescapável imbricamento entre gênero e sexualidade. Também as idades consideradas adequadas para a expressão da sexualidade dependem de convenções sociais variáveis. Na construção do gênero feminino há uma subsunção do sexo à afetividade, frequentemente referida pela literatura como uma dimensão relacional do gênero feminino, ou seja, a mulher sempre dependeria do outro (e este outro seria sempre um homem) para vivenciar sua sexualidade. Já a sexualidade masculina é socialmente modelada no sentido de ser portadora de sentido em si mesma, como se retivesse uma intrínseca qualidade instrumental (Heilborn, 2004), sendo a disposição para a atividade sexual e a valorização do número de parceiras bons exemplos disso. No que diz respeito à sexualidade, temos um duplo

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