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30 ¹A

30 ¹A heteronormatividade visa regular e normatizar modos de ser e de viver os desejos corporais e a sexualidade De acordo com o que está socialmente estabelecido para as pessoas, numa perspectiva do patriarcado. Entretanto, são essas duas dimensões que possibilitam que preconceitos, estereótipos e atitudes violentas sejam reproduzidos cotidianamente. Construímos nossas identidades e nossa vivência perpassados/as por essas dimensões, que, como já vimos, muitas vezes deixam marcas no nosso corpo. Não há como lidar com seriedade diante dos conflitos se não levarmos em consideração esses aspectos fundamentais. Vivemos numa sociedade na qual circulam diversos valores machistas e heteronormativos¹, e isso também nos constitui enquanto sujeitos/as e implica diretamente em nossa forma de ver o mundo e em nossas ações. Se pararmos para pensar, podemos perceber que em praticamente todos os nossos conflitos a questão de gênero e/ou sexualidade está presente, em maior ou menor grau. Como já discutimos anteriormente, muitas vezes as questões que envolvem gênero e sexualidade são vistas a partir de uma perspectiva moralizante e, consequentemente, estigmatizadora. A partir de “verdades” construídas socialmente, julgamos as pessoas que não se enquadram nos padrões estabelecidos (sem contar que para estar dentro dos padrões também é necessária uma boa dose de violência consigo mesmo/a e com os/as outros/as). Há um tabu social em falar sobre essas questões, e a proposta das práticas restaurativas é justamente a construção de espaços seguros de fala e escuta. Nesse processo, a elaboração de uma atitude empática ganha destaque: dar valor à experiência do/a outro/a e legitimar suas escolhas e vivências como tão importantes quanto as minhas próprias. Essa mudança de perspectiva é a chave fundamental para uma convivência não violenta. Ser e deixar o outro ser, não permitir que a sua própria maneira de estar no mundo seja tomada

²A ideia é que os sujeitos também tenham agência e possam interferir nas estruturas e que o movimento não seja somente da estrutura para o indíviduo. 31 como parâmetro para todas as outras pessoas, afinal, há tantas formas de viver quanto há pessoas neste mundo... Assim sendo, além de uma mudança individual também apostamos em ações coletivas como forma de intervenção e transformação das estruturas sociais². São necessárias discussões e reflexões acerca das construções culturais para que os conflitos não fiquem individualizados de modo a esconder as dimensões sociais que estão atravessando a referida situação. Diariamente, milhares de mulheres são violentadas – das mais diversas formas – em nosso país; cotidianamente, a população LGBT sofre diferentes consequências por não se enquadrar nos padrões heteronormativos; todos os dias, meninos e meninas (mesmo que heterossexuais) são vítimas de preconceitos por terem atitudes e gostos que não condizem com o que a sociedade entende como adequado para o seu gênero. É preciso ter cuidado para não tratar cada caso desses como algo isolado e entender que cada uma dessas situações está situada numa estrutura social definida. Desse modo, o processo restaurativo deve abrigar um duplo movimento: entender a situação específica, detectar sentimentos e, necessidades dos/ as envolvidos/as a fim de que possa ser construída uma atitude empática e ao mesmo tempo, o/a facilitador/a e o/a cofacilitador/a devem estar atentos para as dimensões estruturais e culturais presentes na situação para que essas reflexões sobre a sociedade como um todo também possam vir à tona, de modo a escancarar preconceitos, estereótipos e violências que são naturalizadas em nosso cotidiano.

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