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GAZETA DIARIO 288

06 Opinião Foz do

06 Opinião Foz do Iguaçu, segunda-feira, 22 de maio de 2017 O Corvo e as cartas Ai, ai, ai. O Corvo viu a caixa postal congestionada sobre assuntos políticos recentes e nacionais. Para variar, anônimos a dar com pau. O que custa assinar a informação? Quando enviam uma nota e não informam corretamente o autor, ela é automaticamente anulada. Algumas pessoas revelaram os dados, mas também pedem para não publicar seus nomes. Que medo é esse? Bom, vamos à coluna, pois nem tudo é Temer, Aécio, JBS e Lava Jato. Uma leitora saiu da rotina política e escreveu a nota que está em algum lugar abaixo: Balangandã Seo Corvo, não sei entender a vida de algumas pessoas. Veja, sou uma aposentada do ofício docente, viúva, estou quase nos 80 anos. Trabalhei a vida toda, eu e meu marido, e tudo o que conseguimos é o apartamento onde vivo. Quase todo o meu rendimento (aposentadoria) é para pagar condomínio e comprar medicamentos. Pois bem, sábado passado, no edifício em frente ao meu, do outro lado da rua, num andar da mesma altura (quarto andar), havia uma festa. A música era alta, luzes piscavam, as vozes foram aumentando com o passar da noite e lá pelas tantas, a mulherada corria pela sala balançando as tetas de fora e os homens pelados. Como o senhor costuma dizer: que barbaridade! Como pode uma coisa dessas? E o pior é que em dias de semana, os moradores de lá parecem pessoas normais e têm filhos, inclusive. Que pouca vergonha, Corvo! Além de não dormir, tive que presenciar aquela esbórnia coletiva. É uma pouca vergonha. Noêmia Bastos O Corvo responde: prezada leitora, o Corvo vive recebendo cartas sobre esses desabafos coletivos e "sodomistas". O que se pode fazer? Tem gente que gosta de levar a vida desta maneira, de dia parece ser uma coisa, mas de noite é outra. Infelizmente isso faz parte da sociedade moderna, quando os seus princípios se deturpam. Este Corvo imagina a situação da senhora ao ver um evento desses. Em todos os casos, obrigado pela colaboração. Não aguento mais Corvo, o que aconteceu com os nossos telejornais? Estão repetindo as mesmas notícias o tempo todo, com os trechos das delações e essa aparente ladroagem em que se converteu o Brasil. Antes era o conteúdo da delação do carinha da JBS; agora é saber se ela é falsa ou verdadeira. Até quando isso vai? Deviam colocar esses caras num pau de arara, assim iam criar vergonha. R.B.N O Corvo responde: prezado, não se justifica a violência e sim a presença da Justiça, como está havendo. Apesar da desordem e corrupção no setor político, muitos coadjuvantes estão indo para a cadeia e isso já é um avanço. Devemos confiar na Justiça. Por outro lado, não há como deixar de noticiar tais fatos. É a maneira de como se apresenta a evolução da notícia. Mas o Corvo aborda um pouco do que pensa sobre isso em algumas notas a seguir. Aguenta firme, isso já vai acabar e algo mais começará. C'est la vie! R Verdadeiro ou falso? Antes ouvimos as gravações entre o presidente Temer e o empresário dono da JBS; agora acompanhamos a discussão sobre a veracidade do material, cortes e edições. Alguns peritos garantem que as gravações são verdadeiras e as edições não comprometeram a íntegra dos diálogos. Como uma conversa de horas não será cortada para ser exibida nos meios de comunicação? Isso é normal, como também é necessário fazer edição para preservar a integridade da prova. Neste caso, "editar" quer dizer cortar e escolher as partes mais agravantes. O Corvo pergunta: a opinião dos peritos mais sérios do país não é suficiente? Aula de espionagem O jornal Folha de São Paulo publicou na edição de ontem que a "JBS teve uma aula de delação 15 dias antes de gravar a conversa com Temer". Segundo a matéria, o procurador da República Anselmo Lopes e a delegada da PF Rúbia Pinheiro explicaram ao advogado dos irmãos Wesley e Joesley Batista como funcionaria a delação premiada. Daí, Joesley, um dos homens mais ricos do país e o maior produtor pecuário do mundo, passou numa barraquinha de tranqueiras do Paraguai, comprou um gravador mequetrefe e foi conversar com o presidente Michel Temer. Deu uma de inspetor Closeau, o protagonista de A Pantera Cor de Rosa. Claro que a gravação seria contestada, diante da porcaria que é, toda cheia de ruídos e falhas. Bem que a delegada da PF poderia emprestar um equipamento mais eficiente ao empresário, já que o espírito da "ação" era "controlada". Até este Corvo já gravou a voz de corruptos com mais eficiência. Se Joesley usasse o gravador do celular, teria uma gravação mais audível. Outro fiasco E no meio de um momento tão instável, com o Ministério Público de olho em tudo, com Temer e Joesley investigados em algumas ações, o empresário entra no Palácio do Jaburu sem ser revistado, imagina? E se no lugar do gravador ele levasse uma faca ou arma de fogo e atentasse contra o presidente? Uma coisa assim não tem explicação! Opa, tem sim, é um indício que Joesley era velho conhecido de Temer, por isso tinha passaporte livre para visitá-lo. A greve continua! O Corvo recebeu várias fotos de agentes penitenciários do Paraná em suas manifestações contra a PEC 287 na manhã de ontem. Houve concentração de frente à Pefi 1. A paralisação é de três dias. Começou dia 21 e termina hoje. Papagaiada Depois de tudo, o presidente faz declarações tentando enfraquecer a delação. Mas não explica o batom na cueca em várias situações. No mínimo, ele, Michel Temer, é quem deveria gravar Joesley Batista. Se fizesse isso hoje possuiria uma contraprova que salvaria o seu pescoço e desmentiria com eficiência o empresário. Temer, diante da gravidade das revelações do dono da JBS, poderia mandar prendê-lo no ato. No entanto, preferiu prevaricar. Ou faltou coragem e experiência, ou pode ser conivências. Bom, a Justiça está aí para decidir o final dessa novela. Tomara isso não demore, porque o Brasil está quebrando de novo. O mais enrolado Muito mais complicado que Michel Temer está o senador afastado Aécio Neves. Contra ele há provas elaboradas pela Polícia Federal. Está com o rabão comprido preso na ratoeira. Tédio O Corvo não quer entediar os leitores como faz o resto da imprensa nacional, batendo na mesma tecla, por isso vamos deixar a Lava Jato e migrar para a Pecúlio. Houve um fato na semana passada e que merece ser registrado: um político envolvido no imbróglio e em razão disso fora do exercício, teria procurado um banco para pedir um crédito. Sem salário e impossibilitado de movimentar outras contas bancárias, não viu outra solução para se safar. Ele teria se sentado em frente ao gerente e durante a conversa começou a esbranquiçar. De certo se lembrou de quando precisou responder a perguntas dos delegados; mas o gerente só queria atualizar as informações. Não deu para segurar, o homem soltou uma bufa. Mas uma bufa profissional! O cheiro afastou quem estava por perto e o gerente colocou um guardanapo no rosto. Que barbaridade! Todo mundo viu! Na sequência... A mamãe natureza nos ensina que uma coisa vem antes da outra. Depois da bufa, o político levantou, olhou para um lado, para outro, e não conseguiu segurar: sujou as calças ali mesmo. Que cena mais medonha. Quem estava por lá e contou para o Corvo disse que foi a visão do inferno! Pior do que a ocasião em que outro réu teve que levantar a perna e plugar a tornozeleira (quase sem carga na bateria) na tomada do gerente, por coincidência o mesmo. O coitado tem vivido grandes emoções em sua agência; corre o risco de precisar consultar um psicólogo! Os sintomas De posse da informação o Corvo resolveu telefonar para um médico para entender um pouco mais de como se dão esses fenômenos surpreendentes? O médico, que não quis se identificar, explicou que é normal isso acontecer. As pessoas quando estão em situação de aflição similar a alguns réus, se enchem de remédios por conta própria e isso, em várias ocasiões, causa mal-estares incomuns e incontroláveis. Se borrar é um dos sintomas; o vivente às vezes está caminhando, não percebe, e a coisa sai e desce pelas pernas, sujando meia, sapato e se esparramando pela calçada. A cagada não é pequena, começa ao manusear o dinheiro público e termina na cueca! Quem mandou aprontar? Solução Sabendo da informação, diagnóstico e da quantidade de gente envolvida com a Operação Pecúlio, o Corvo resolveu checar as farmácias e vai revelar aqui, com exclusividade, um fato inédito: é verdade a evidência da automedicação, onde muita gente chega ao balcão e tenta negociar com os farmacêuticos medicamentos tarjanegra sem prescrição médica! Os profissionais sabendo da responsabilidade e temendo a lei não vendem, apenas oferecem soluções paliativas, como é o caso do uso de fraldas geriátricas, muito providenciais em caso de evitar o derramamento de substâncias indesejáveis, mas avisam que o produto não segura certos efeitos, portanto, eles não são inodoros!

Foz do Iguaçu, segunda-feira, 22 de maio de 2017 Política 07 FORO PRIVILEGIADO Deputada Claudia Pereira segue sendo investigada pela Justiça Mulher de Reni Pereira é alvo de inquérito policial, suspeita de participação em parte dos crimes atribuídos ao ex-prefeito; defesa nega as acusações Bruno Soares Reportagem Investigações contra Claudia Pereira poderão desencadear novas etapas da Operação Pecúlio A deputada estadual Claudia Pereira (PPC), ex-primeira-dama de Foz do Iguaçu, segue alvo de um inquérito policial por figurar como suspeita de participação em alguns dos crimes atribuídos ao seu marido, Reni Pereira (PSB), conforme denúncias já formalizadas pelo Ministério Público Federal (MPF) à Justiça Federal. Por possuir foro privilegiado em razão do cargo eletivo que ocupa, as investigações contra a parlamentar tramitam junto ao Tribunal Regional Federal 4ª Região (TRF-4), com sede em Porto Alegre (RS). De acordo com uma fonte do MPF ouvida pela reportagem do jornal Gazeta Diário, não há previsão para conclusão do inquérito e possível oferta de denúncia. A expectativa é de que o envolvimento da deputada no maior escândalo de corrupção já registrado na história administrativa da prefeitura desencadeie as próximas etapas da "Operação Pecúlio". Claudia foi apontada por delatores como beneficiária direta de ilícitos supostamente praticados por Reni durante sua gestão na prefeitura. Entre eles, a compra de votos para sua eleição à Assembleia Legislativa do Paraná e desvios de dinheiro público do caixa do Executivo Municipal. "Possivelmente, Reni, juntamente com sua esposa, Claudia, eleita deputada estadual em 2014, estão, desde o início do mandato do primeiro investigado, movimentando recursos públicos federais desviados por meio de um grupo empresarial de instituições não-financeiras", afirma a procuradora regional da República, Antônia Lélia Neves Sanches. A oferta de exames de mamografia realizados por meio de uma unidade móvel em Foz do Iguaçu com objetivo eleitoreiro fundamenta parte das acusações contra Claudia. A afirmação faz parte do termo de colaboração premiada fechado pela Justiça Federal com o técnico de radiologia da Secretaria Municipal da Saúde, Reginaldo da Silveira Sobrinho. Segundo a delação de Sobrinho, a criação de um "mamóvel" em Foz do Iguaçu tinha a finalidade de contribuir com a eleição da então candidata. "Um dos carros-chefe da candidatura de Claudia Pereira para a Assembleia Legislativa no ano de 2014 era a promessa da instalação de um mamóvel em Foz do Iguaçu", declarou à PF o técnico de radiologia. Além de ser acusada na delação de Reginaldo, Claudia Pereira é mencionada também por compra de votos em troca de combustível. A denúncia está contida em um relatório da Polícia Federal, que periciou farto material em poder do empresário Fernando Bijari, outro delator da "Operação Pecúlio". Vale-combustível A Polícia Federal apreendeu computadores e documentos em poder do empresário. Parte dos documentos indicou "que a campanha eleitoral da deputada estadual Claudia Pereira se utilizou da compra de votos mediante o fornecimentos de vale-combustível a eleitores da região", diz o relatório. A deputada foi eleita com quase 30 mil votos. "Os eleitores recebiam cerca de 10 litros de combustível, a serem retirados na rede de postos Tonin, possivelmente, em troca de voto na candidata", acrescenta o relatório. Material de propaganda da deputada foi apreendido na residência do empresário. Junto com os "santinhos" havia vales de combustível do referido posto. "Os indícios aqui demonstrados reforçam a tese de que os investigados apoiaram as campanhas políticas da deputada estadual Claudia Pereira e de seu esposo, o prefeito Reni Pereira, com o intuito de obterem vantagens econômicas futuras em processos licitatórios e nomeações de aliados em cargos públicos", consta do relatório da Polícia Federal anexado ao inquérito de Claudia Pereira. A deputada nega envolvimento nas acusações. R