2017_0619 - Revista LEVE 2a edição

dougdougmonteiro

LEVE REVISTA DO HOSPITAL ALEMÃO OSWALDO CRUZ

ED. 2 • MAR/MAI 2017

LEVE

REVISTA DO HOSPITAL ALEMÃO OSWALDO CRUZ

MAR/MAI 2017

+

CONVERSA

O PIANISTA

MARCELO

BRATKE CONTA

COMO FOI

ENXERGAR PELA

PRIMEIRA VEZ

AOS 44 ANOS

NA COZINHA

A CHEF ROBERTA

JULIÃO, DO CAFÉ

DA FEIRA AO

BAILE, TRAZ UMA

RECEITA DE BOLO

SAUDÁVEL

MENTES

CURIOSAS

TIRE SUAS

DÚVIDAS SOBRE

TATUAGEM

EXPERIÊNCIAS

QUE TRANSFORMAM

PESSOAS QUE ENFRENTARAM

MOMENTOS DIFÍCEIS COM O APOIO E

O CARINHO DOS ANIMAIS

A ERA DAS

SUPERMÁQUINAS

COMO A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

VEM REVOLUCIONANDO NOSSAS

VIDAS E O QUE PODEMOS ESPERAR

DO FUTURO DESSA TECNOLOGIA


CONSELHO DELIBERATIVO

Presidente do Conselho Deliberativo

Marcelo Lacerda Soares Neto

Vice-Presidente do Conselho Deliberativo

Edgar Silva Garbade

Conselheiros

Bernardo Wolfson

Dietmar Frank

Julio Munoz Kampff

Klaus von Heydebreck

Lidia Goldenstein

Mário Probst

Mark Albrecht Essle

Ronaldo Lemos

CONSELHO FISCAL

Presidente do Conselho Fiscal

Michael Lehmann

Vice-Presidente do Conselho Fiscal

Weber Porto

Conselheiros

Beate Boltz

Charles Krieck

Ernesto Niemeyer Filho

Kurt Hupperich

CEO

Paulo Vasconcellos Bastian

Superintendente de

Desenvolvimento Humano

Cleusa Ramos Enck

Superintendente de Educação e Ciências

Dr. Jefferson Gomes Fernandes

Superintendente Assistencial

Fátima Silvana Furtado Gerolin

Superintendente Médico

Dr. Mauro Medeiros Borges

Superintendente Operacional

Dr. Fabio Futoshi Katayama

Diretor Clínico

Dr. Gilberto Turcato Junior

Vice-Diretor Clínico

Dr. Marcelo Ferraz Sampaio

COMITÊ EDITORIAL

Cleusa Ramos Enck

Dr. Jefferson Gomes Fernandes

Fátima Silvana Furtado Gerolin

Dr. Mauro Medeiros Borges

Dr. Fabio Futoshi Katayama

GERÊNCIA DE MARKETING

E COMUNICAÇÃO

Melina Beatriz Gubser

Coordenação Editorial

Michelle Barreto

Apoio Editorial

Rafael Peciauskas e Sílvio César Carvalho

Diretor Geral Douglas Monteiro

Editora-Chefe Alana Della Nina

Editor Marcos Diego Nogueira

Diretor de Arte Danilo Costabile

Produção Carol Lomelino

Atendimento Ana Paula Alcantara

Produção gráfica Sérgio Almeida

Projeto editorial Alana Della Nina

Projeto gráfico Danilo Costabile

Realização Conteúdo Urbano

Colaboram nesta edição: Texto André

Julião, Dunia Schneider, Lígia Nogueira, Maitê

Casacchi, Matthew Shirts, Maurício Dehó,

Patrícia Haiat, Rodrigo Cardoso, Ronaldo

Lemos Foto André Klotz, Claus Lehmann,

Gustavo Scatena, Kiko Ferrite, Lars Norgaard

e acervo do Hospital Ilustração Marquetto

Revisão Maitê Casacchi

Tiragem 10.000 exemplares

Contato: revistaleve@haoc.com.br

Abusca incessante por uma vida melhor

tem motivado o homem a desenvolver

novas ferramentas ao longo dos séculos.

Os avanços da tecnologia são a

prova de que é possível inovar sempre

com soluções que facilitam o dia a dia

das pessoas e das organizações – caso

do tema da nossa matéria de capa, que

aborda a evolução da inteligência artificial

(IA), ciência que busca humanizar

as máquinas, tornando-as mais autônomas

na resolução de problemas.

De origem grega, a palavra tecnologia é uma junção de dois termos:

téchne (arte, técnica, ofício) e logos (estudo, conhecimento).

Partindo dessa premissa, faz mais sentido enxergá-la além do avanço

de aparatos eletrônicos: é preciso entender a tecnologia como

evolução. Seja por meio do aperfeiçoamento de técnicas ou pela

criação de ferramentas, o objetivo é, invariavelmente, mudar a vida

das pessoas para melhor.

Aplicada à saúde e seus muitos campos de abrangência, tecnologias

como a inteligência artificial têm o poder de causar grandes

transformações, gerando impacto na sociedade. E, por acreditar que

a tecnologia é um ponto-chave para revolucionar a medicina, proporcionando

os melhores resultados em terapêuticas e qualidade de

vida para todos, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz busca se reinventar

para evoluir continuamente e contribuir para o avanço sistêmico da

saúde do país. Com esse propósito, a Instituição tem intensificado os

investimentos na área em pesquisa e tecnologia para inovar sempre.

Esperamos que você goste deste segundo número.

Um abraço e boa leitura,

Equipe Revista LEVE

Editorial


9

6 Colunas

Estar Bem

Ronaldo Lemos, nosso colunista

convidado, fala sobre como usar

a tecnologia a favor da saúde

Comer Bem

A nutricionista das estrelas

Patrícia Haiat lista os alimentos

ideais para cada fase da vida

9 Por aí

Museus que não estão no

circuito mais conhecido de

São Paulo, mas valem –

e muito – a sua visita

NO DIGITAL

Este ícone significa que a matéria que você

está lendo também tem vídeo na LEVE digital.

Baixe já! O aplicativo gratuito está disponível

para iOS e Android.

Você

na LEVE

Nossos leitores contam o

que acharam da primeira

edição da revista

14 Inovação

Lançamentos que deixam a vida mais fácil, prática e

tecnológica: o termômetro superpreciso, a pulseira

saudável e a caixa de som mais moderna do momento

16 Curadoria

Com a ajuda do cantor e compositor Ivan Lins,

selecionamos boas opções em livros, álbuns,

filmes e internet

20 Capa

O futuro da inteligência artificial, ciência que visa

revolucionar cada vez mais nossas vidas.

Na contramão, o biohacking, que promete

aumentar as capacidades humanas

Sumário

26 Horizontes

Nossa seleção vai levá-lo a um mergulho em

quatro dos mares e rios mais bonitos do mundo

30 Conversa

O pianista Marcelo Bratke conta o que mudou

em sua vida após a cirurgia que lhe deu a

visão, aos 44 anos

34 Tech

De que maneira os aplicativos estão mudando a

forma como cuidamos da saúde e estreitando a

relação entre médicos e pacientes

38 Raio X

Conheça o be-a-bá dos nutrientes essenciais para

a manutenção da saúde e da qualidade de vida

42 Em Movimento

Quer começar a correr? Antes, confira as dicas do

nosso ortopedista para praticar com segurança

este esporte

46 Na Cozinha

A chef Roberta Julião, do café Da Feira ao Baile,

aceita o desafio saudável e, com a ajuda do chef

do Hospital, dá cara nova para sua receita de bolo

de melado com especiarias

48 Especial Saúde

Nosso especialista em hérnia abdominal discute o

problema e o tratamento

26

Olá,

Gostei muito da revista LEVE. Conteúdo muito

agradável, realmente leve! Conheço muitas

revistas de outros hospitais, mas nenhuma, até

agora, atingiu este nível (na minha modesta

avaliação). A Revista LEVE está 100% na frente.

Parabéns à equipe!

ELAINE COIMBRA, DE SÃO PAULO, VIA E-MAIL

Que delícia, Dr. Lee! Adorei. Vou fazer.

Obrigada pela receita.

VILMA LÚCIA SHIRAISHI, DE SÃO PAULO,

VIA FACEBOOK

Parabéns pela iniciativa!

RITA VENTURA, DE SÃO PAULO, VIA FACEBOOK

LEITORES DA

LEVE

Quer comentar, opinar ou sugerir?

Mande seu e-mail para:

revistaleve@haoc.com.br

20

Fotos: Nelson Kon / Lars Norgaard / Shutterstock

52 Destinos

Encante-se com as ilhas dos Açores, em Portugal

56 Mentes Curiosas

Tudo o que você sempre quis saber

sobre tatuagem

58 Experiências

que Transformam

Histórias de pessoas que contaram com a ajuda de

animais para superar momentos difíceis

62 Por Dentro do Hospital

O Hospital Alemão Oswaldo Cruz dá continuidade

ao seu plano de expansão

66 Crônica

Matthew Shirts, o cronista desta edição, conta por

que trocou o carro pelo pedestrianismo

52

4 LEVE 02 . MAR/MAI 2017

5


RONALDO LEMOS

é mestre em direito pela Harvard, diretor do

ITSrio.org e pesquisador do MIT Media Lab no

Brasil. Integra, ainda, o Conselho Deliberativo

do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Estar bem

DO SOFÁ A 5 QUILÔMETROS EM 9 SEMANAS

A

TECNOLOGIA MUDOU TODAS AS

DIMENSÕES DA VIDA HUMANA.

COM A SAÚDE NÃO PODERIA

SER DIFERENTE. A FORMA COMO

NOS CONECTAMOS À REDE E

OS SERVIÇOS QUE CHEGAM

POR MEIO DELA MODIFICARAM

A MANEIRA COMO PENSAMOS

NOSSO BEM-ESTAR.

Um exemplo acontece no território da prevenção. Sem alarde,

presenciamos a popularização de aparelhos para medir a prática

de atividade física. São muitos os exemplos: Fitbit, Jawbone,

Moov etc. São dispositivos que incentivam uma relação mais objetiva

com a saúde, baseada em dados. Estimulam a prática de exercícios

(caminhadas, corridas e pedalada) e também o acompanhamento

da alimentação, repouso, batimentos cardíacos e mais.

Em outras palavras, são propulsores de comportamentos saudáveis.

Não é incomum usuários postarem em suas redes sociais

a atividade física praticada a cada dia, usando os dados desses

aparelhos. Essa iniciativa é não só um orgulho pessoal, mas um

poderoso incentivo (baseado em peer-pressure) para que outras

pessoas do círculo social façam o mesmo.

Lembrando que não é preciso nem comprar um aparelho especial.

O próprio celular, com seu conjunto de sensores, torna-se

um excelente incentivador de hábitos saudáveis com os aplicativos

certos. Um dos meus favoritos chama-se Couch to 5k (“Do

Sofá aos 5 Quilômetros”). Ele cria um programa de atividades

para sedentários. Se seguido por 9 semanas (são 20 a 30 minutos

por dia), leva a pessoa a completar uma corrida de 5 quilômetros.

É claro que, antes de começar a praticar exercícios, é

sempre bom consultar o médico. A partir daí, a tecnologia tornase

parceira de toda hora.

Ilustrações: Shutterstock

A ALIMENTAÇÃO E AS FASES DA VIDA

C

PATRICIA DAVIDSON HAIAT

é conhecida como a nutricionista

das estrelas e é membro do Centro

Brasileiro de Nutrição Funcional e do

Institute for Functional Medicine

RIANÇAS ESTÃO EM FASE DE

CRESCIMENTO, ADOLESCENTES PASSAM

POR MUDANÇAS HORMONAIS, ADULTOS

ESTÃO NO AUGE DA FERTILIDADE E

IDOSOS ENFRENTAM AS MUDANÇAS

METABÓLICAS.

Como cada faixa etária possui uma característica diferente, é preciso investir

com cuidado na alimentação, para garantir o fornecimento de nutrientes

em níveis adequados. Conseguir conciliá-los nas refeições em família pode ser

um desafio, mas truques como mudar a forma de preparo e ter criatividade na

cozinha são fundamentais para criar uma memória afetiva e reforçar os laços

familiares junto à comida.

Recomendo, a seguir, os tipos de alimentos ideais para cada fase da vida.

• 0 a 2 anos. O leite materno contém todos os nutrientes e anticorpos necessários

para o bebê até os 6 meses de idade. Depois, podem ser introduzidos alimentos complementares,

como frutas, legumes, raízes e proteína animal.

• 2 a 11 anos. Deve-se investir na variedade para garantir o consumo de diversos

nutrientes, principalmente proteínas (frango, peixe, carne, ovos) e carboidratos

(frutas, arroz, batata, inhame, aipim).

• 12 a 20 anos. O aumento acelerado de peso e estatura demanda mais energia

e nutrientes. O típico arroz com feijão, bife e legumes é uma boa opção de refeição

principal. É importante não exagerar em alimentos que combinem açúcar e gordura.

• 20 a 30 anos. O indicado é manter uma dieta equilibrada e variada. Nos lanches

intermediários, frutas e oleaginosas são boas opções. Nas refeições, reduzir o consumo

de carboidrato para equilibrar a menor queima calórica.

• 30 a 40 anos. Há maior acúmulo de gordura localizada. Vale investir em alimentos

termogênicos, como pimenta, canela e gengibre. Opte por ingredientes

naturais e orgânicos, vegetais variados e proteínas magras.

• 40 a 60 anos. Priorize boas fontes de cálcio e magnésio como brócolis, couve

e gergelim. Reforce o consumo de amêndoas, castanhas e avelãs, que contêm

ômega 3. As frutas vermelhas e roxas têm antocianinas, que retardam o envelhecimento

da pele e protegem o coração.

• Terceira idade (a partir de 60 anos). Beba muita água e consuma proteínas

(carne magra, peixes, aves) e folhas verde-escuras. Sopas variadas, com legumes

e hortaliças, são ótimas opções de jantar.

Comer bem

6 LEVE 02 . MAR/MAI 2017

7


MUSEU DA IMIGRAÇÃO

As suas origens remetem a

1887, ano em que foi fundada a

Hospedaria de Imigrantes, local

que tinha como função acolher

e encaminhar ao trabalho

viajantes trazidos pelo

governo. Fechada em 1978, a

Hospedaria recebeu cerca de

2,5 milhões de pessoas de mais

de 70 nacionalidades

Por aí

Bons programas para

aproveitar o melhor

de São Paulo

FÁCIL ACESSO

O museu fica próximo às

estações Bresser e Brás

do metrô

HISTÓRIA

É o principal responsável pela

preservação da memória das pessoas

que chegaram ao Brasil em meados do

século 19 e 20

CONSTRUÇÃO

De arquitetura centenária, o

museu conta com uma parede

de madeira onde se encontram

mais de 14 mil sobrenomes de

pessoas que passaram pela

antiga hospedaria

Foto: André Savastano

A arte da cidade

Museus não faltam em São Paulo. Pelo contrário: quando você acha

que já viu todos, fica sabendo de outros, menos badalados, mas tão

interessantes quanto. Para você não perder nada, selecionamos museus

fora do circuito conhecido que merecem a visita

POR MAITÊ CASACCHI

9


Por aí

Catavento Cultural

Por aí

Se engana quem pensa que o Catavento é só para crianças.

Apesar da forte vocação para o ensino de ciências, o espaço,

que ocupa 9 mil metros quadrados do histórico Palácio das

Indústrias, é um ótimo programa também para quem já passou

da idade escolar. Em suas quatro seções – Universo, Vida,

Engenho e Sociedade –, espalhadas em 250 instalações, é

possível saber mais sobre meteoritos, o interior da Terra, as

viagens do homem à Lua, Darwin, fotossíntese, ondas sonoras,

eletromagnetismo, nanotecnologia e preservação do planeta,

dentre vários outros assuntos. Interatividade é um dos pontos

fortes do museu, por isso, se prepare para uma viagem no

tempo com a exposição Dinos do Brasil, que, por meio da

realidade virtual, apresenta aos visitantes os dinossauros que

viveram no território onde hoje é o nosso país. E mais: explore

o interior de uma caverna, entre em uma bolha de sabão e

teste sua força em um experimento de mecânica.

ONDE FICA: Avenida Mercúrio, s/n,

Parque Dom Pedro II

HORÁRIOS: terça a domingo, das

9h às 16h (permanência até as 17h)

PREÇO: R$ 6

Museu do

Futebol

ONDE FICA: Rua

Visconde de Parnaíba, 1316

HORÁRIOS: terça a

sábado, das 9h às 17h, e

domingo, das 10h às 17h

PREÇO: R$ 6 (gratuito

aos sábados)

Museu da Imigração do

Estado de São Paulo

Mais conhecido como Memorial do Imigrante, o museu ocupa hoje o prédio onde

funcionou a Hospedaria dos Imigrantes, que alojou viajantes recém-chegados ao Brasil

para trabalhar nas fazendas do interior paulista, entre os anos 1880 e 1970. A visita ao

ONDE FICA:

museu é uma viagem de volta a esse tempo, com o passeio de maria-fumaça Av. e Paulista, os cômodos 1578

que reproduzem a hospedaria original. Mas a casa não fica só na história: as exposições

permanentes e temporárias convidam o público a refletir sobre a imigração e o encontro HORÁRIOS: de

Aos domingos, das 10h às 17h

culturas proporcionado por esse fenômeno mundial – tema extremamente atual.

Fotos: Divulgação / Shutterstock

Instalado dentro de um estádio de

futebol, o Pacaembu, este museu leva o

visitante-torcedor a uma “peregrinação”

pela história do esporte. E de forma

lúdica: as 16 salas de exposição contam

com recursos audiovisuais (como

projeções, narrações e imagens em

3D) que tornam o passeio bastante

interativo. Merece destaque a sala

Copas do Mundo, que, além de exaltar

a participação da Seleção Brasileira

em todas as edições do torneio e

a conquista de cinco títulos, dá um

panorama político e cultural de cada

Copa, globalmente e no país onde foi

realizada. O museu disponibiliza também

um Centro de Referência, com biblioteca,

midiateca e banco de dados online, só

sobre o esporte.

ONDE FICA: Praça Charles Miller, s/n

HORÁRIOS: terça a domingo, das 10h às 18h

(horários diferenciados em dias de jogo no estádio)

PREÇO: R$ 10 (gratuito aos sábados)

10

LEVE 02 . MAR/MAI 2017

11


Por aí

Por aí

ONDE FICA:

Parque do Ibirapuera,

Avenida Pedro Álvares

Cabral, s/n, portão 10

Casa-Museu

Ema Klabin

Tarsila do Amaral, Victor Brecheret,

Lasar Segall e Marc Chagall estão

entre os atrativos desta casa

construída nos anos 1950 para

abrigar a coleção de arte da

empresária Ema Klabin, e que hoje

é uma fundação aberta a visitação.

Além de consagrados artistas

brasileiros e europeus, o acervo, de

cerca de 1.500 obras, dispõe também

de arte africana, pré-colombiana

e oriental, peças de mobiliário e

prataria. Mas, se ainda faltar motivos

para visitar os cerca de 900 metros

quadrados da Casa-Museu, fique

de olho na intensa agenda de

encontros, oficinas e palestras que

a instituição disponibiliza.

ONDE FICA: Rua Portugal, 43

HORÁRIOS: quarta a domingo, das 14h às 17h

(permanência até as 18h)

PREÇO: R$ 10 (gratuito aos fins de semana)

Museu Brasileiro de

Escultura – MuBE

ONDE FICA:

Avenida Europa,

218

HORÁRIOS:

terça a domingo,

das 10h30 às 18h

PREÇO: Gratuito

Só o edifício no qual o MuBE está instalado já vale a visita. Projetado

por Paulo Mendes da Rocha, o prédio, todo em concreto aparente,

tem espaço expositivo ao ar livre, com grandes esculturas que fazem

parte de seu acervo, e jardim assinado por Burle Marx. No subsolo,

três salas acolhem mostras de fotografia e pintura e garantem

o silêncio e a quietude que todo apreciador de arte deseja. Com

uma tradicional Feira de Antiguidade e Design aos domingos e

diversas exposições gratuitas ao longo do ano, o MuBE tem ainda

outro chamariz: ele é vizinho ao Museu da Imagem e do Som, o que

possibilita que seu passeio se torne um agradável “dois em um”.

Fotos: Nelson Kon / Divulgação

HORÁRIOS:

terça a domingo, das 10h às

17h (permanência até as 18h)

PREÇO: R$ 6

Museu Afro Brasil

Localizado no Parque do Ibirapuera, em construção projetada por Oscar Niemeyer, o museu é

uma verdadeira viagem pela identidade brasileira, observada pelo viés das influências africanas.

Entre suas 6 mil peças encontram-se gravuras, esculturas, fotografias, pinturas e documentos

históricos, que falam sobre a religião, a escravidão, a arte e o trabalho africanos e afrobrasileiros.

Obras nacionais e estrangeiras, produzidas do século 18 até a atualidade, compõem o acervo. Além

das exposições temporárias e de longa duração, o local conta com um teatro e uma biblioteca,

especializada nos temas do tráfico de escravos e da abolição da escravatura.

12

LEVE 02 . MAR/MAI 2017

13


Inovação

Inovação

Sons do futuro

Não é de hoje que a marca

dinamarquesa Bang & Olufsen

é sinônimo de pureza sonora e

design inovador. E as caixas de

som BeoSound1 são prova de que a

companhia continua surpreendendo

no que diz respeito a essas duas

características. Seu formato cônico

permite que as batidas dos graves

soem de forma a oferecer uma

experiência sonora em 360 graus.

Além disso, as múltiplas opções

de conectividade, como Bluetooth,

AirPlay e Google Cast, permitem

acesso rápido à maioria dos

dispositivos móveis e aplicativos de

música mais atuais. Um sensor de

presença posiciona automaticamente

o aparelho na direção do usuário. É

um passo à frente na já prazerosa

experiência de escutar as suas

músicas favoritas.

Preço: 1.295 €

bang-olufsen.com

Totalmente wireless,

permite reproduzir

áudio de qualquer

lugar da casa com alta

performance.

Oferece acesso

integrado a

serviços de

música como

Spotify e Deezer,

ou às rádios do

Tune In.

Seu driver acústico

se localiza no topo

das caixas, criando

uma experiência de

som esférica em

360 graus.

Sensores de

proximidade

fazem com

que operações

básicas, como

ajuste de volume,

sejam controladas

intuitivamente.

16 sensores

infravermelhos

proporcionam

medição precisa

em apenas dois

segundos.

Seu aplicativo

para smartphone

armazena dados

da saúde dos

usuários e monta

uma linha do tempo

com o registro

dos sintomas e

outras informações

relevantes.

A tela mostra

a temperatura

do paciente e

também, por meio

de indicativos

coloridos, a

necessidade

de tratamento

imediato.

Em boa

companhia

De olho na febre

Precisão e velocidade no diagnóstico

são elementos fundamentais quando

falamos de saúde, e o Withings Thermo,

da Nokia, é uma evolução nesses dois

quesitos: trata-se de um termômetro de

alta precisão que possui um sensor que

encontra o ponto mais quente da testa –

onde está localizada a artéria temporal –,

oferecendo, instantaneamente, a leitura

exata da temperatura. Customizado

de acordo com a idade e o perfil do

usuário, o gadget não só relata o nível

de temperatura, mas analisa sintomas

relacionados e notifica a possível

urgência de atendimento médico – tudo

em um aplicativo que você pode baixar

no seu celular.

Preço: 99,95 €

withings.com/eu/en/products/thermo

Cada carga de

bateria tem

duração de

cinco dias.

O GPS mapeia

as atividades

físicas e envia

as informações

diretamente para

o smartphone.

Fotos: Divulgação

A pulseira esportiva que é uma

verdadeira companheira de

quem faz exercícios. Assim é a

Fitbit Charge 2, que, com sua

tela de fácil visualização, mostra

informações como o número

de batimentos cardíacos e o

gasto calórico. Conectada a um

aplicativo para smartphone,

ela ainda sincroniza agenda e,

por meio de um GPS, mapeia

suas atividades físicas, levando

em conta dados como o peso,

a altura e a idade. Ainda

apresenta a função Relax, com

exercícios de respiração de até

cinco minutos para a hora de

repouso, e revela a quantidade e

a qualidade do sono do usuário.

Preço: US$ 149

fitbit.com/charge2

Conectada a um aplicativo, a

pulseira esportiva monitora

batimentos cardíacos, qualidade

do sono e gasto calórico, e, entre

outras funções, sincroniza agenda,

ligações e alertas.

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LEVE 02 . MAR/MAI 2017

15


Curadoria

Curadoria

FILMES

FILME

Ivan escolhe

Convidado desta edição, o

músico Ivan Lins indica o

filme Cinema Paradiso, do

diretor Giuseppe Tornatore,

como uma de suas

preferências culturais

ALIADOS

Uma dupla de espiões (Brad Pitt e Marion

Cotillard) em missão para eliminar um

embaixador nazista se apaixona e decide se

casar. Tudo vai bem até vir à tona a suspeita

de uma ligação dela com os alemães.

MÚSICA

INTERNET, O FILME

Uma convenção de

youtubers rende inúmeros

conflitos entre pessoas que

possuem um objetivo em

comum: a fama.

JACKIE

Natalie Portman revela a história

de Jacqueline Kennedy e os dias

que sucederam o assassinato de

seu marido, John F. Kennedy, então

presidente dos Estados Unidos.

TRAINSPOTTING 2

Já se vão 20 anos

desde a primeira

aventura da turma de

Mark Renton (Ewan

McGregor). Nessa

continuação, ele e

seus três amigos

se envolvem com o

mercado britânico

da pornografia.

G T’AIME

A estreia do grupo capitaneado

pela cantora, compositora e

modelo Geanine Marques é

recheada de delicadas músicas de

amor cantadas em inglês.

LANÇADA EM 1988,

a saga italiana que relata

a amizade entre o menino

Toto e o projecionista de sua

pequena cidade, Alfredo, é uma

verdadeira ode ao cinema e

às delicadezas das relações

humanas. A película caiu nas

graças do cantor, pianista

e compositor Ivan Lins não

apenas pela sensibilidade de

sua história, mas também pelos

climas sonoros propostos ao

longo da obra: “É um filme

delicado e com uma das mais

belas trilhas que já ouvi”, conta

o compositor, referindo-se às

músicas de Ennio Morricone

feitas especialmente para o

longa-metragem dirigido pelo

italiano Giuseppe Tornatore, de

Malèna e Estamos Todos Bem.

“Cinema Paradiso conta uma

história emocionante”, diz Ivan.

IVAN LINS

é músico e compositor, autor

de sucessos como “Madalena”

e “Depende de Nós”

Fotos: Divulgação

ARTHUR VEROCAI

NO VOO DO URUBU

Um dos maiores maestros e

arranjadores brasileiros, Verocai

volta com um disco inédito

após oito anos, com arranjos

sofisticados e as participações

especiais de Criolo e Mano Brown.

THE XX

I SEE YOU

A dupla britânica Romy

Madley Croft e Oliver Sim – o

XX – prova, em seu recémlançado

terceiro álbum, que

o indie pop é assunto sério.

FANTASTIC NEGRITO

THE LAST DAYS OF OAKLAND

A banda aposta nas raízes do rock para fazer uma sonoridade

própria e o álbum foi indicado ao Grammy como o melhor de

blues contemporâneo de 2016.

DICA

DO

IVAN

CHICO BUARQUE

CONSTRUÇÃO

“Em especial, a música ‘Olha Maria’.

Nela, a melodia de Tom [Jobim] é

uma das mais belas que já ouvi. E a

letra de Chico é primorosa.”

16

LEVE 02 . MAR/MAI 2017

17


Curadoria

LIVROS

DICA

DO

IVAN

QUELÉ, A VOZ DA

COR – BIOGRAFIA

DE CLEMENTINA

DE JESUS

A primeira biografia

completa da cantora

brasileira é lançada 30

anos após a sua morte.

Ed. Civilização Brasileira

POR QUE FAZEMOS O

QUE FAZEMOS?

O filósofo e escritor Mario

Sergio Cortella desvenda

as principais e mais

comuns preocupações

das pessoas com relação

ao trabalho.

Ed. Planeta

O ANO EM QUE DISSE

SIM – COMO DANÇAR,

FICAR AO SOL E SER

SUA PRÓPRIA PESSOA

Questionada por sempre

dizer não, Shonda

Rhimes, produtora das

séries Grey’s Anatomy

e Scandal, impôs para si

o desafio de passar um

ano dizendo sim. E, agora,

conta em livro como foi a

experiência.

Ed. Best Seller

BURACOS NEGROS

O físico Stephen Hawking

publica sua teoria

sobre um dos maiores

mistérios do universo: os

buracos negros.

Ed. Intrínseca

LIVRO DOS ABRAÇOS

“Eduardo Galeano coloca

nesse livro contos e

crônicas plenos de uma

mensagem bela, muitas

vezes instrutiva, para se

olhar a vida de uma forma

mais bonita.”

Ed. L&PM

APPS

CAFÉ BRASIL

Um ótimo jeito de se

manter informado

sobre política, música,

filosofia e atualidades

em geral.

portalcafebrasil.com.br

LEITOR CABULOSO

Aqui a literatura é debatida por quem entende: escritores e

leitores assíduos. leitorcabuloso.com.br

NÃO OUVO

Conversas descontraídas e cheias de bom humor com convidados

que falam sobre o que há de mais atual no mundo digital.

naosalvo.com.br/category/nao-ouvo

NETFLIX

“Costumo usar a Netflix com frequência,

por causa das séries e dos filmes. A oferta é

substanciosa.” netflix.com

DICA

DO

IVAN

Fotos: Divulgação

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LEVE 02 . MAR/MAI 2017


Capa

TECNOLOGIA QUE SE RENOVA E NÃO PARA DE EVOLUIR,

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL ALCANÇA NOVOS PATAMARES,

SOBRETUDO NA ÁREA DA SAÚDE. ENTENDA O QUE VEM PELA

FRENTE E O QUE PODE MUDAR NA NOSSA VIDA

POR ANDRÉ JULIÃO

Foto: Shutterstock

20 LEVE 02 . MAR/MAI 2017

21


Capa

ocê já deve ter se

surpreendido com uma situação como a seguinte:

ao pesquisar um destino para as suas próximas férias,

surge justamente um anúncio de ofertas de

passagens na sua página do Facebook. Esse processo,

cada vez mais rápido e preciso, só é possível

por conta da inteligência artificial (IA), tecnologia

que busca recriar nas máquinas a inteligência humana

e a capacidade de pensar de forma independente,

também conhecida por computação cognitiva.

Mas anúncios direcionados, rotas de aplicativos

de mapas e até o foco automático da máquina fotográfica

são aplicações já bastante corriqueiras

da IA. O que vem por aí era, até pouco tempo, coisa

de ficção científica.

Carros autônomos, que não precisam de um motorista

humano, por exemplo, já são uma realidade

em algumas partes dos Estados Unidos. Sua disseminação

poderá poupar milhões de vidas futuramente,

perdidas todos os anos em acidentes automobilísticos.

Ainda a serviço da saúde e qualidade

de vida, a IA já está atuando também diretamente

nos hospitais. “Na área da saúde, ela pode melhorar

os diagnósticos e os tratamentos, além de auxiliar

na redução de erros”, diz o Prof. Dr. Jefferson

Gomes Fernandes, superintendente de Educação

e Ciências do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Em

março, ele foi palestrante na Conferência MEDinIS-

RAEL, um dos mais importantes eventos do mundo

sobre healthcare e novas tecnologias e equipamentos

hospitalares e médicos, no qual a inteligência

artificial foi amplamente abordada. “A capacidade

de processamento e absorção volumosa de informações,

associada à possibilidade de aprendizado,

faz com que a IA seja uma grande auxiliar dos médicos

e profissionais da saúde”, diz o especialista.

MÁQUINAS PODEROSAS

Atualmente, o supercomputador Watson, da IBM, é

um dos mais requisitados nessa área. Em 2011, ele

ficou conhecido ao vencer participantes de um programa

de perguntas e respostas. Desde então, vem

aumentando sua capacidade de absorver informações

e dar soluções rápidas em áreas que vão desde

a culinária até as últimas descobertas sobre o câncer.

No ano passado, pesquisadores da Universidade

de Tóquio, no Japão, divulgaram ter salvo uma mulher

graças ao Watson. A paciente, com leucemia, não

Fotos: Shutterstock


Na área da saúde, a inteligência

artificial pode melhorar os

diagnósticos e os tratamentos,

além de auxiliar na redução de erros”

WATSON IBM

O sistema cognitivo da IBM,

um ícone da inteligência

artificial, trabalha cada vez

mais a serviço da saúde. A

unidade IBM Watson Health

do Brasil vem firmando

parcerias com hospitais,

universidades, institutos de

pesquisa e startups

22

LEVE 02 . MAR/MAI 2017

23


Capa

havia respondido satisfatoriamente ao tratamento.

Os médicos, então, forneceram informações genéticas

dela ao supercomputador, que as cruzou com

milhões de dados sobre câncer disponibilizados por

institutos de pesquisas internacionais e em artigos

científicos. Em dez minutos, o Watson detectou mutações

genéticas típicas de um outro tipo de leucemia,

bastante raro. Em pouco tempo, o tratamento

dela foi bem-sucedido.

“A informação médica disponível no mundo dobra

a cada 73 dias. É impossível para um humano

se manter tão atualizado”, explica Eduardo Cipriani,

líder da unidade IBM Watson Health no Brasil. “Por

isso, queremos ajudar a otimizar a área de saúde

como um todo”, diz o executivo. Além de hospitais

e universidades, a empresa tem parcerias com a

indústria farmacêutica, institutos de pesquisa e

startups. Uma delas é a brasileira Laura Networks.

Criada no ano passado, seu primeiro sucesso foi um

sistema de gerenciamento de risco de ocorrência

de infecção generalizada, a sepse. “A Laura analisa

as informações do prontuário médico e avisa o grau

de risco de cada paciente desenvolver a sepse”, diz

Marcelino Costa, CEO da empresa. Com isso, previne

a ocorrência da infecção, que, no Brasil, mata

250 mil pessoas por ano. Outras versões fazem,

ainda, gerenciamento de bancos de sangue (que

inclui até convocar doadores via SMS) e outros serviços

da rotina hospitalar.

O barulho causado pela inteligência artificial

não é recente, mas, até pouco tempo atrás, não se

discutiam suas possibilidades como hoje. Seja na

área médica, seja como facilitadora para o cotidiano

das pessoas, a tecnologia promete estar cada

vez mais presente – e humana.

De olho no futuro

Em desenvolvimento, o projeto de inteligência artificial do Hospital irá trazer

melhorias a diversas áreas – da saúde à administração

O Hospital Alemão Oswaldo Cruz em breve poderá contar com a IA. “Hoje, 86%

do que se tem feito no hospital pode ter o auxílio da inteligência artificial”, diz

o engenheiro Ernesto Araújo, professor da Universidade Anhembi-Morumbi,

instituição parceira na implantação. Desde atividades administrativas até outras

como análise de risco, diagnóstico, prognóstico e conduta terapêutica, diversas

áreas da Instituição poderão ter essas supermáquinas como parte do time.

Foto: Lars Norgaard

A tecnologia que nos habita

ENTENDA O BIOHACKING, CONCEITO QUE BUSCA AUMENTAR AS

CAPACIDADES HUMANAS E TORNAR A CIÊNCIA MAIS PRÓXIMA DOS CIDADÃOS

Na contramão da humanização das máquinas promovida pela

inteligência artificial, corre outra tendência importante, embora

em uma fase mais embrionária: o biohacking, tecnologia que visa

aumentar as capacidades humanas por meio de implantes de ímãs ou

peças eletrônicas no corpo. O termo é uma junção de “bio” (vida) com

“hacking”, que, em linhas gerais, quer dizer a modificação de programas

de computador, criando novas funcionalidades ou adaptando antigas. Em

vez de modificar softwares, porém, os biohackers buscam transformar o

corpo humano a fim de dar-lhe novas habilidades. No entanto, ainda há uma

grande discussão sobre a segurança dessa prática para a saúde.

“Humanos têm usado tecnologia com esse fim por milênios, da agricultura

ao fogo, de lanças a roupas, mas não costumamos pensar sobre isso”, diz Ryan

O’Shea, cofundador da Grindhouse Wetware, startup americana que criou o

Circadia 1.0, aparelho que mede a temperatura corporal e envia a informação

via Bluetooth para um tablet. Embora com funções limitadas, o Circadia

alcançou um sucesso essencial para o desenvolvimento do Northstar, uma

versão menor e mais simples. O’Shea explica que essa primeira versão apenas

acende luzes de LED, mas a próxima “vai incluir reconhecimento de gestos,

além de permitir aos usuários interagir com a chamada internet das coisas:

trancar portas, acender luzes, ligar o carro ou talvez até chamar um Uber”.

MOVIMENTO CIBORGUISTA

Fundada em 2010 pelos artistas Neil

Harbisson e Moon Ribas, a Cyborg

Foundation se dedica a “ajudar humanos

a se tornarem ciborgues” e a “promover

o ciborguismo como um movimento

social e artístico”. Pelo exemplo do

próprio Harbisson, é fácil entender por

que eles escolheram a palavra ciborgue

em vez de biohacker: ele nasceu com

acromatopsia, uma condição que o

impede de enxergar as cores. Em 2004,

implantou uma antena no crânio, ligada

a uma câmera, que capta as cores e as

converte em diferentes ondas sonoras

que ressoam na sua cabeça, permitindo

que ele “ouça as cores”, como define.

NEIL HARBISSON

Fundador da Cyborg Foundation,

nasceu com uma condição que

o impede de enxergar cores.

Implantou um dispostivo no crânio

que capta as cores e as converte

em diferentes ondas sonoras que

ressoam em sua cabeça

MADE IN BRAZIL

Uma outra categoria de biohacker, porém, aposta que as ondas cerebrais,

captadas por sensores já disponíveis no mercado, são suficientes para nos

transformar em super-humanos. Os estudantes da Universidade Federal

do Rio de Janeiro Willian Barella, Fernando Limoeiro e Luna Gonçalves

foram os únicos brasileiros no evento Hack the Brain 2015, ocorrido na

Holanda. O dispositivo desenvolvido por eles capta a atividade cerebral e

altera a iluminação do ambiente com luzes de diferentes cores, de acordo

com o grau de concentração do usuário. “Existe uma comunidade global

dessas neurotecnologias abertas e tentamos acompanhar, democratizar e

popularizar isso”, diz Barella. Para Vinicius Maracajá Coutinho, doutor em

bioinformática pela Universidade de São Paulo e professor da Universidad

Mayor, no Chile, o biohacking tem o poder de levar a biotecnologia de

vanguarda para mais perto dos cidadãos. “Além disso, pode acelerar o

desenvolvimento de soluções para problemas reais no mundo atual”, diz.

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LEVE 02 . MAR/MAI 2017

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Horizontes

MERGULHO

PROFUNDO

QUATRO DESTINOS PARA

APRECIAR A RICA FAUNA E

AS GRANDES BELEZAS DO

FUNDO DE MARES E RIOS

POR DUNIA SCHNEIDER

Sharm El-Sheikh

Egito

Se você pensa que as grandes belezas do Egito

ficam só na areia, precisa conhecer Sharm El-

Sheikh, balneário queridinho dos europeus e um

dos destinos mais procurados pelos mergulhadores no

mundo. Localizada na ponta sul da Península do Sinai,

lugar rodeado por recifes de corais que podem chegar

a 100 metros de profundidade, a charmosa cidade

é banhada pelas águas mornas e cristalinas do mar

Vermelho. Flutuar entre jardins de corais e nadar com

golfinhos, tartarugas, barracudas e até com o temido

tubarão-galha-branca-oceânico são algumas das

experiências concorridas da região. Outra atração

que chama a atenção são os objetos curiosos

encontrados nas águas egípcias. Carros, motos

e até uma locomotiva – herdada do Thistlegorm,

navio derrubado na Segunda Guerra Mundial –

transformaram lugares como o Estreito de Tiran

e o Parque Nacional de Ras Mohammed nos mais

procurados pelos fãs da prática aquática. A melhor

época para mergulhar por lá é o verão, entre

junho e agosto, quando fica mais fácil ver peixes

e tubarões em cardumes. É possível comprar os

passeios nas inúmeras lojas e agências da cidade.

Resorts e hotéis, como o da rede Four Seasons

Hotels & Resorts, também oferecem o serviço.

fourseasons.com/sharmelsheikh

Fotos: Shutterstock

Tailândia

Ásia

Com mais de 2 mil quilômetros de extensão,

a costa tailandesa, banhada pelo oceano

Índico, oferece inúmeros pontos de

mergulho de extrema beleza subaquática. Em

meio ao clima tropical, águas calmas e claras

abrigam tubarões, baleias, arraias e recifes de

coral. A ilha paradisíaca de Koh Tao (ilha da

Tartaruga) é indicada para os iniciantes – lá

é onde as pessoas mais fazem cursos para

aprender a prática em todo o planeta. Mas

é nas ilhas Phi Phi, que serviram de cenário

para o filme A Praia (1999), protagonizado

por Leonardo Di Caprio, que todo mundo

quer chegar. Afinal, a cor da água, que varia

entre o azul-piscina e o verde-esmeralda, é

quase inacreditável e faz do lugar um dos

pontos mais bonitos do país. Na ilha Phuket,

é possível viver duas experiências: visitar o

Ponto dos Tubarões, para se deparar com

tubarões-leopardo, e ver os destroços do ferry

King Cruise. Os mais experientes optam pelas

ilhas Similan, no mar de Andaman. Exóticas

e inabitadas, elas abrigam inúmeras espécies

marinhas. Os meses de novembro e fevereiro

são os mais indicados para o turismo.

bigbluediving.com

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LEVE 02 . MAR/MAI 2017 27


Horizontes

Bonito

Brasil

Em Bonito, há muita vida povoando as

águas transparentes dos lagos e dos

rios. As características geográficas

– que fazem do Mato Grosso do Sul um

paraíso para o ecoturismo e atividades

de aventura – atraem mergulhadores de

todos os níveis. Os principiantes podem

relaxar em águas rasas com a ajuda de um

snorkel. Os mais experientes costumam se

aventurar em busca das belezas ocultas,

como as da caverna do Abismo Anhumas,

lago subterrâneo a 72 metros abaixo

da superfície da Terra, ou pelo Aquário

Natural, que, mesmo em meio a cardumes

de piraputangas, dourados e corimbas, tem

sua vegetação densa e plantas subaquáticas

como atração principal. Já a Lagoa

Misteriosa, localizada na cidade de Jardim,

a uma hora de carro de Bonito, encanta

pela sua profundidade de mais de 240

metros. Suas águas são tão transparentes

que, a 30 metros abaixo da superfície, é

possível olhar para cima e ver as árvores

que cercam o lago. A melhor época para

visitar a cidade é de dezembro a março, no

período das chuvas, quando a vegetação

está mais verde e os animais aparecem

mais. Agências como a Venturas Viagens

disponibilizam roteiros e passeios.

venturas.com.br

Fotos: Shutterstock

Belize

América Central

Mar em tons de esmeralda, praias

de areias brancas, palmeiras,

muitos hotéis e restaurantes.

Belize, um pequeno país espremido entre

a Guatemala e o México, proporciona tudo

isso. Mas o que atrai os apaixonados pelo

mergulho é a maior barreira de corais do

hemisfério Norte (cujas águas oferecem

alta visibilidade e temperatura média

de 26°C) e, claro, o famoso Great Blue

Hole, o maior buraco azul do mundo, com

300 metros de largura e 124 metros de

profundidade. Localizado próximo ao centro

de um pequeno atol chamado Lighthouse

Recife, a 70 quilômetros da principal ilha do

país, o lugar ficou famoso em 1971, quando

o explorador Jacques-Yves Cousteau o

indicou como uma das melhores regiões

para mergulho no mundo. A fauna também

chama a atenção dos viajantes. Na Gladden

Spit and Silk Cayes Marine Reserve, uma

reserva de águas azul-turquesa, cânions

e imensos paredões submersos a 36

quilômetros da cidade de Plancencia, é

possível ver meros, moreias, tartarugas,

polvos, lagostas, arraias e tubarões em um

único dia. A melhor época para mergulhar

em Belize é de fevereiro a junho, quando

as chuvas são mais escassas. Os tours,

que podem ser comprados em lojas ou

em hotéis como o El Secreto, partem

diariamente às 6h da manhã de San Pedro,

uma das maiores cidades do país.

www.elsecretobelize.com

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LEVE 02 . MAR/MAI 2017

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Conversa

MARCELO BRATKE JÁ ERA UM PIANISTA COM FAMA

INTERNACIONAL QUANDO, AOS 44 ANOS, UMA

CIRURGIA LHE DEU A VISÃO – E MUDOU A SUA

FORMA DE ENCARAR O MUNDO

POR MARCOS DIEGO NOGUEIRA FOTOS KIKO FERITE

A

VIDA

EM

CORES

Uma história com requintes de

fantasia. Assim seria uma leitura

fiel da vida do pianista

Marcelo Bratke. Aos 12 anos,

prestava atenção ao pai tocando

Chopin ao piano e logo

já estava dedilhando a mesma

música, o “Prelúdio n. 4”, que

tinha aprendido “de ouvido”.

No ano seguinte, estreou a temporada da Orquestra

Sinfônica do Estado de São Paulo, a Osesp,

como convidado do maestro Eleazar de Carvalho,

e, logo no seu primeiro concerto, ganhou um prêmio

da Associação Paulista de Críticos de Arte. Tinha

descoberto sua profissão.

No entanto, havia suas limitações de visão:

Bratke nasceu com apenas 3% no olho direito e

por volta de 7% no esquerdo, decorrência de catarata

congênita e ambliopia, além de estrabismo

causado pela catarata. Praticamente cego, Bratke

desenvolveu suas habilidades como pianista utilizando-se

dos seus outros sentidos com mais apuro

e sensibilidade. Mas a dificuldade de enxergar foi

atrapalhando cada vez mais a sua rotina, até que,

aos 44 anos, descobriu um tratamento em Boston

(EUA), que veio a recuperar 95% de sua visão no

olho esquerdo e 10% no direito. Era 2004 e Bratke

viu pela primeira vez o rosto de sua esposa, a artista

Mariannita Luzzati, com quem estava fazia dez

anos. Se apaixonou pela segunda vez, como costuma

dizer. Era o ápice desse conto de fadas que

ele chama de vida, coroado meses depois com sua

estreia no Carnegie Hall, em Nova York.

Hoje, aos 56 anos, Bratke dá palestras sobre Heitor

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LEVE 02 . MAR/MAI 2017

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Conversa

Villa-Lobos – ele é um dos maiores especialistas sobre

o assunto no mundo –, comanda projetos para televisão

e rádio e dirige uma orquestra para jovens talentos,

a Camerata Brasil. Também realiza cerca de 60

concertos por ano em grandes casas de espetáculo. Vivendo

entre Londres e São Paulo, o pianista abriu um

espaço na agenda para contar à reportagem da LEVE

um pouco mais da sua história. Confira a seguir.

Você levou 44 anos para encontrar a cura para

sua visão. Como foi esse processo? Eu pensava

em desistir de procurar novas possibilidades porque

era um trauma muito grande. Minha família

considerava isso um tabu, então ninguém comentava

sobre o assunto. Na escola, eu não enxergava

o que estava na lousa e tinha vergonha de falar

para o professor. Isso foi me causando bloqueios

ao longo dos anos. Depois dos 40, comecei a ficar

com a vista cansada, o que tornou ainda pior o

que restava da minha visão. Aí realmente não dava

mais. Eu era atropelado por bicicleta, batia cabeça

no poste, entre outras coisas que me davam vergonha.

Minha mulher, Mariannita, foi quem me deu

coragem para buscar a cura. E é ela quem cuida da

minha saúde até hoje.

A história sobre a primeira vez que você enxergou

a sua esposa, logo após a cirurgia, é fascinante.

Como você pensa nela hoje, 13 anos depois?

Na vida, a gente procura momentos felizes.

Embora não saibamos muito bem o que isso significa,

é o que buscamos. Já faz algum tempo que eu

operei, enxerguei a minha mulher e o mundo pela

primeira vez, e lembro disso como um ponto realmente

alto da minha história.

Como é o seu cotidiano hoje? O que mudou desde

a cirurgia? Recentemente, tirei minha carteira

de motorista e foi libertador. Hoje consigo entrar

no elevador e apertar o 11º andar, por exemplo. Antigamente

era no tato. Continuo usando bastante

esse sentido, claro, mas agora também posso ver

as coisas, lê-las. Ainda não desenvolvi uma leitura

rápida, mas gosto de olhar para tudo. Adoro andar

de metrô em Londres e ver todas aquelas pessoas

de etnias diferentes, as peles, os lábios, os olhares.

Não tem lugar melhor que Londres para observar o

mundo inteiro. É um passatempo muito legal.

32 LEVE 02 . MAR/MAI 2017

Como ficou sua relação com o palco após a operação?

Operei entre maio e junho e meu primeiro concerto

após a cirurgia foi em setembro, quando fiz a

minha estreia no Carnegie Hall. Eu sempre entrava no

palco com muito medo da plateia, que era uma coisa

escura e que fazia um barulho. Nunca sabia se tinha

muita gente ou não. Então, quando cheguei ao palco

do Carnegie, consegui ver aquela plateia lotada – foram

2.800 pessoas. Eu enxerguei, na décima fileira,

uma pessoa com um sorriso no rosto e entendi que

quem ia ao meu concerto não estava ali para me julgar.

Aquilo me relaxou. A possibilidade de enxergar o

público fez com que eu me sentisse mais íntimo dele.

Apesar de músico erudito, você já tocou com cantoras

como Sandy e Fernanda Takai. Como anda

seu flerte com o pop? Me interessa a naturalidade

dos músicos pop. É muito legal ver como as pessoas

desenvolvem um talento sem nenhuma barreira entre

a música e a personalidade delas. Isso não acontece

na música erudita. Ela tem um texto que você precisa

obedecer e é por meio desse texto que a sua personalidade

aparece, ou não.

Como você cuida da saúde aos 56 anos de idade?

Faço ioga três vezes por semana e natação, duas.

Também caminho nos fins de semana. Faço muito

exercício, o que me mantém com o espírito jovem e

sem dores. Se eu faltar em alguma dessas atividades,

minha mulher briga comigo.

Existe algum cuidado específico para as mãos? O

principal é o jeito como se cortam as unhas. Se a unha

encravar e começar a doer, tenho que cancelar o concerto,

esteja onde estiver. É uma dor terrível.

Se você pudesse escolher um compositor para

fazer uma peça baseada na sua história, quem

seria? Acho que seria o austríaco Alban Berg. Ele

só publicou uma obra para piano, a “Sonata Opus 1”,

por volta de 1906. É um trabalho instável e emocional,

que percorre todas as tonalidades. Uma surpresa

a cada curva, como foi a minha vida – e continua

sendo. Essa composição nunca estaciona e, no fim,

chega ao fá menor, uma tonalidade muito escura

que traduz a incógnita, a incerteza. Gravei essa obra

duas vezes e de jeitos totalmente diferentes. Ela

tem uma vida incrível.


A possibilidade

de enxergar

o público fez

com que eu me

sentisse mais

íntimo dele”

33


Tech

SEMPRE

PERTO

COMO APLICATIVOS VÊM PERMITINDO

UM CONTATO MAIS DIRETO ENTRE

MÉDICOS E PACIENTES

CPOR REDAÇÃO

onsultar o saldo bancário, paquerar,

jogar ou saber como está o trânsito

já não são mais as únicas funções dos

aplicativos de smartphones e tablets.

Hoje, essas ferramentas são, também,

uma realidade na área da saúde e

vêm ajudando a aproximar e facilitar

as relações entre médicos e pacientes

– além de causar, aos poucos, uma

revolução na forma como as pessoas

cuidam da própria saúde.

Pense, por exemplo, em um paciente

com diabetes, que precisa aplicar insulina

e verificar regularmente seus níveis

de glicemia. No geral, essa rotina

requer um acompanhamento à distância,

exigindo que o indivíduo tome nota

dos dados necessários – do outro lado,

o médico depende da precisão dessas

informações para fazer a avaliação

adequada. Agora, há diversos apps

que tornam o processo mais prático,

eficiente e confiável, desde ferramentas

simples, que coletam esses dados

Ilustração: Shutterstock

34

LEVE 02 . MAR/MAI 2017

35


Tech

DR. HENRIQUE SERRA

Gerente de Saúde

Populacional do Hospital

Alemão Oswaldo Cruz

Para baixar

Cinco aplicativos gratuitos

que valem o download

MEDICINIA

Voltado tanto para médicos como para pacientes, o aplicativo facilita a comunicação

entre esses dois públicos e tem como premissa garantir a segurança e a

confidencialidade das informações. Disponível para Android e iOS.

SABES

O aplicativo do Hospital

Alemão Oswaldo Cruz é

uma plataforma de dados

que poderão ser cruzados e

acompanhados

e facilitam o envio, a programas mais complexos, integrados

a aparelhos externos de medição. Exemplo

desse último caso, o aplicativo FreeStyle Libre ajudou

o bancário Tarcizio Gomes Dias Jr., 45 anos, a

monitorar seus níveis de glicose por meio de um sensor

no braço, ligado a um aparelho externo. “Ele monitora

a glicose constantemente e transfere os dados

diretamente para o aplicativo. Com isso, cria os

relatórios, que podem ser enviados por e-mail para o

médico”, explica. Outro diferencial do programa é a

coleta de dados da rotina do paciente, informando,

em um momento de pico ou de baixa de glicose, qual

atitude tomar. “É uma tecnologia muito eficiente e,

para mim, o sensor é bem melhor do que ter que ficar

furando o dedo”, conclui Tarcizio.

O controle de diabetes é só um exemplo do uso

dos aplicativos. Há também programas como o Diário

Cefaleia, em que o paciente informa no app

seus problemas com dores de cabeça e comunica

com maior precisão os sintomas ao seu médico. Já

o Cardiograph mede a frequência cardíaca de um

modo diferente: ele utiliza a câmera de vídeo do celular

e salva os relatórios.

SAÚDE DELIVERY

Há ainda uma gama de aplicativos auxiliares, que

facilitam a marcação de exames e consultas, por

exemplo, ou dão aquela mãozinha para quem sempre

se esquece de tomar seus remédios, com alertas

nos horários indicados.

Para o Dr. Henrique Serra, gerente de Saúde Populacional

do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, essa é uma

área em franco crescimento, mas que ainda precisa ser

direcionada para as funções que realmente farão mais

diferença na relação médico/paciente e na junção de

elementos, como o uso da informação para conseguir

diagnósticos e soluções mais rápidas e precisas.

Nesse sentido, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz

já investe no seu próprio aplicativo: o SABES, uma

plataforma que une informações e permite o cruzamento

e o acompanhamento detalhado desses

dados. “O objetivo é reunir todas as informações

em três ambientes principais: do paciente, do médico

e do gestor de RH corporativo. A ideia é coletar

dados de dezenas de lugares e criar uma base que

nos ajude a entender o risco maior de indivíduos e

empresas e traçar planos de ação para elas agirem

e melhorarem suas populações”, detalha o especialista.

O SABES é um aplicativo que surgiu como uma

ferramenta de controle de saúde populacional dos

nossos colaboradores.

O fato é que ele, como outros aplicativos que não

param de surgir, mostra que a evolução é promissora

e veio para ficar.

Fotos: Gustavo Scatena / Divulgação

DOCTORALIA

Para os médicos, esse aplicativo

otimiza a agenda de consultas.

Para os pacientes, oferece ampla

lista de profissionais e ajuda

o usuário a não se perder no

calendário de consultas. Disponível

para Android e iOS.

DOCPAD

Permite cadastro de contatos, histórico

médico e a lista de profissionais de

confiança do usuário, para facilitar o

cuidado por parte do próprio paciente

ou de seus cuidadores. Os médicos

podem acessar os exames antes da

consulta e agilizar atendimentos.

Disponível para Android e iOS.

PILLBOXIE

Sabe aquela lista crescente de

remédios para tomar? Com

esse app, fica mais fácil o

médico dar o direcionamento

e o paciente não se perder na

hora de se medicar. Disponível

para iOS.

SOCORRO

Aqui, o paciente pode armazenar

todos os seus dados em relação a

doenças, alergias, medicamentos

e contatos, para que, em caso

de emergência, profissionais de

saúde possam coletá-los e otimizar

o atendimento. Disponível para

Android e iOS.

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LEVE 02 . MAR/MAI 2017

37


Raio X

SAÚDE

NO PRATO

O DR. ANDREA BOTTONI, NUTRÓLOGO DO HOSPITAL

ALEMÃO OSWALDO CRUZ, EXPLICA O PAPEL DE NUTRIENTES

ESSENCIAIS AO BOM FUNCIONAMENTO DO ORGANISMO

POR RODRIGO CARDOSO

Foto: Shutterstock

Não se deve crucificar quem exagera no almoço de domingo,

saboreia com gosto a picanha da churrascaria ou se lambuza

com o bolo de aniversário. A situação complica quando maratonas

gastronômicas como essas são praticadas com frequência,

como pontua o médico nutrólogo Dr. Andrea Bottoni, do Hospital

Alemão Oswaldo Cruz. Para ele, não existe alimento perfeito

ou ruim, que salve, cure ou prejudique. Da mesma forma,

não crê ser correto demonizar ou santificar os nutrientes que

ingerimos. “Eles não fazem milagre sozinhos”, pondera o especialista.

É certo, no entanto, que eles promovem saúde e atuam

na prevenção de doenças quando aliados a hábitos saudáveis – leia-se, só para citar três

deles, alimentação balanceada, tempo para lazer e exercícios físicos.

Italiano residente no Brasil há 21 anos – e de sotaque marcante de Roma, sua cidade

natal –, o Dr. Bottoni defende a máxima “quanto mais colorido o prato, melhor”,

reforçando que importante mesmo é buscar equilíbrio entre o que se consome nas

refeições. A seguir, o nutrólogo esmiúça a atuação de cada nutriente e o poder deles

na promoção de qualidade de vida.

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LEVE 02 . MAR/MAI 2017

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Raio X

DR. ANDREA BOTTONI

Médico nutrólogo do Hospital

Alemão Oswaldo Cruz

CÁLCIO

Destaca-se na formação

e manutenção de ossos e

dentes. Importante para

a contração muscular,

controla a transmissão

de impulsos nervosos e

os batimentos do coração

e ajuda a evitar o câncer

de cólon.

CARBOIDRATOS

Servem como combustível

e reserva de energia e são

a base da alimentação

humana. Também chamados

de açúcares, consumidos

moderadamente convertemse

em calor. Em excesso,

podem gerar hiperglicemia,

obesidade, diabetes etc.

COBRE

É armazenado no fígado e

tem papel importante na

síntese de hemoglobina. Ao

atuar como antioxidante,

combate radicais livres que

aceleram o envelhecimento

e aumentam as chances

de câncer.

CROMO

Importante para o

metabolismo da glicose,

é essencial para a ação

da insulina e para a

energia. Vital na síntese

de proteínas, colesterol

e lipídeos.

FERRO

Responde pela produção

da hemoglobina, proteína

responsável pelo

transporte de oxigênio e

gás carbônico no sangue.

Potencializa a função dos

leucócitos e, portanto,

é importante à saúde do

sistema imunológico. Uma

alimentação carente em

ferro pode resultar

em anemia.

FÓSFORO

Está relacionado à

mineralização óssea e

dos dentes, mas participa

também da formação

do DNA, mantém o pH

normal e auxilia o corpo na

utilização das vitaminas.

IODO

Cerca de 75% desse

elemento se concentra na

tireoide, uma vez que é

fundamental para a síntese

dos hormônios tiroidianos.

O consumo inadequado

dele pode causar

hipotireoidismo.

LIPÍDEOS

São gorduras que

constituem uma importante

reserva energética. Sem

elas, algumas vitaminas

(A, D, E e K) não poderiam

ser usadas pelo nosso

organismo. Fazem parte

de todas as células e são

precursores de compostos

como os hormônios, que

são necessários a muitas

funções vitais.

MAGNÉSIO

A maior parte se encontra

nos ossos. Essencial para

o bom funcionamento dos

músculos, do sistema

nervoso e do coração.

POTÁSSIO

Mantém estável a pressão

arterial e regula o equilíbrio

hídrico e a contratura

das fibras musculares.

Encontra-se em maior

grau no interior das células.

A deficiência dele leva

à hipertensão.

PROTEÍNAS E

AMINOÁCIDOS

As proteínas são fonte

de energia e respondem

pela construção das

células – unhas, músculos,

pele, cabelos, tendões e

cartilagens são quase que

exclusivamente formados

por elas. Importante

para a produção de

hormônios, os aminoácidos

são queimados, em sua

maioria, para a geração

de energia. O hormônio

insulina, por exemplo, é

composto por uma cadeia

de aminoácidos.

SELÊNIO

Primordial na produção de

enzimas que neutralizam os

radicais livres, é também

fundamental para o correto

funcionamento da tireoide e

seus hormônios.

SÓDIO

O funcionamento adequado

de músculos e nervos

necessita dele, importante,

ainda, para o equilíbrio

dos líquidos e do pH

do sangue.

VITAMINA A

Faz parte da formação

da retina, portanto, é

fundamental para a visão.

Aumenta a imunidade e a

resistência contra agentes

infecciosos e protege

contra gripe e resfriado,

além de ser importante

para o crescimento.

VITAMINA B1

Essencial para a melhora

da capacidade de

aprendizado, uma vez que

compõe as membranas

neuronais. Age no

metabolismo de gorduras

e carboidratos e, assim,

é fundamental para a

liberação de energia.

Foto: Shutterstock

VITAMINA B2

A falta dela causa tontura, pele seca, dores

generalizadas e problemas visuais. Melhora o

funcionamento das reações do organismo e é

essencial para o crescimento e desenvolvimento.

VITAMINA B3

Ajuda na produção de ácidos no estômago e

redução do colesterol.

VITAMINA B5

Age na síntese de ácidos graxos e hormônios

e é importante para o metabolismo celular.

Está envolvido na liberação de energia

de carboidratos.

VITAMINA B6

Atua no metabolismo de aminoácidos e na

síntese de neurotransmissores. Diminui os

sintomas de tensão pré-menstrual e combate

a arteriosclerose.

VITAMINA B9

Combate a arteriosclerose. É necessária

para a formação e maturação dos leucócitos

na medula óssea e das hemácias e está

envolvida no metabolismo e na síntese de

material genético.

VITAMINA B12

Essencial na síntese de DNA, dos hormônios e

neurotransmissores e na formação dos nervos

da medula espinhal. Combate a arteriosclerose.

VITAMINA C

Melhora a imunidade, reduzindo a

suscetibilidade a infecções. Exerce papel

importante na produção de colágeno e na

saúde das gengivas.

VITAMINA D

Regula as concentrações sanguíneas

de cálcio e fosfato por ações junto ao

intestino, ao osso, à paratireoide e ao

rim. Tem grande importância na

prevenção e tratamento da osteoporose

e do raquitismo.

VITAMINA E

Potente antioxidante que previne o dano

celular, contribui com a prevenção de

doenças cardiovasculares e do câncer.

VITAMINA K

Previne a osteoporose ao participar do

processo de formação óssea. É também

necessária para a coagulação do sangue

e a cicatrização, além de reduzir o risco

de doenças cardiovasculares ao inibir a

calcificação arterial.

ZINCO

Essencial para o funcionamento de órgãos

reprodutivos e produção de esperma.

Melhora o paladar e o olfato. A falta dele,

em crianças, pode causar redução da massa

óssea e da atividade motora.

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LEVE 02 . MAR/MAI 2017

41


Em Movimento

NA SUA

PASSADA

QUER CORRER? SAIBA POR ONDE COMEÇAR: DESDE DICAS DE PREVENÇÃO E

PREPARAÇÃO ATÉ A ESCOLHA DA PISTA E DO TÊNIS ADEQUADOS PARA VOCÊ

DA REDAÇÃO

Foto: Shutterstock

SNO DIGITAL

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eja em parques, praias, ruas ou em cima de uma

esteira, a corrida é um esporte simples e libertador,

que a cada dia ganha mais adeptos. No entanto,

na busca por uma vida mais saudável ou pela

adrenalina de se desafiar, não basta colocar roupas

leves, um par de tênis e sair correndo.

Antes mesmo de pôr o pé no asfalto, na terra

ou na grama, um primeiro passo é fundamental:

consultar profissionais que façam com que essa experiência

seja segura. Conforme recomenda o Dr.

Gabriel Pecchia, ortopedista especialista em joelho

e trauma do esporte do Hospital Alemão Oswaldo

Cruz, buscar uma avaliação médica é primordial

para evitar lesões e ter vida longa caminhando e

correndo. “Hoje existe a medicina do esporte, que

faz uma triagem, com avaliação cardíaca e ortopédica,

checando se o paciente tem alguma contraindicação.

Essa especialidade analisa as articulações

e os músculos. Assim, pode avaliar com mais precisão

se a pessoa está liberada para a atividade física

e em que nível”, explica o especialista.

Em seguida, além de um médico, é importante

ter o acompanhamento de um educador físico. Esse

profissional não apenas organiza treinos, mas tem

uma preocupação muito importante, paralela à corrida

em si: o fortalecimento muscular. “Fortalecer

os músculos é uma prática essencial para evitar

lesões. É preciso fazer um bom trabalho, para só

depois começar a corrida e ir progredindo”, afirma

o ortopedista. Isto é, antes de qualquer atividade física,

principalmente as de alto impacto, músculos e

articulações têm de estar preparados, de modo que

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LEVE 02 . MAR/MAI 2017

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Em Movimento

Fortalecer os músculos

é essencial para evitar

lesões. É preciso fazer

um bom trabalho,

para só depois

começar a corrida”

Siga seu caminho

Saiba qual é o circuito e o modelo de tênis

ideais para todos os níveis de corredores

não se desgastem e, assim, previnam lesões. Imagina

como seria frustrante ter de parar toda a sua rotina

de exercícios para curar um problema no joelho

e, tempos mais tarde, retomar o esporte em um nível

inferior ao que você já tinha alcançado? Prevenção é

sempre o melhor caminho.

AQUECENDO OS MOTORES

Para entrar em ação, ainda há mais algumas decisões

a se tomar, como o tipo de piso, o circuito e

o tênis ideal para cada pessoa. Os mesmos profissionais

podem ajudar nessas escolhas, baseando-se

nas condições físicas e no objetivo de cada um.

Já na hora da corrida, é importante dosar o ritmo

no começo. Alternar períodos mais longos de

caminhada com poucos minutos de corrida, sem

exageros, é uma forma de garantir um desenvolvimento

gradual no esporte.

Para quem precisa de uma forcinha na parte psicológica

para não desistir, o segredo é se manter

focado e programar bem suas atividades. Traçar

um objetivo e segui-lo à risca é outra dica preciosa.

E, para quem é ligado em tecnologia, há opções

para aproveitar a experiência ainda mais. Aparelhos

e aplicativos que marcam a distância percorrida, velocidade

e calorias gastas ajudam quem quer saber

todos os detalhes de sua corrida e auxiliam a medir

a evolução da atividade. Aos fãs de música, um bom

fone de ouvido e aquela playlist que empolga também

são boas pedidas.

Feito tudo isso, agora sim: é só vestir roupas leves,

calçar o par de tênis e pronto. Bora correr?

Parque da Aclimação Parque do Ibirapuera Parque da Água Branca

INICIANTES

São Paulo é recheada de

parques planos e belos cenários

para quem está começando.

Parque da Aclimação, Villa-

Lobos e Parque do Trote são

alguns exemplos.

MIZUNO EMPOWER

É um tênis mais barato e indicado

para quem está começando. O solado

de borracha de carbono garante

durabilidade e o amortecimento supre

o necessário no início dessa jornada.

Preço: R$ 150

Fotos: Shutterstock / Divulgacão

INTERMEDIÁRIOS

O Parque do Ibirapuera é bom

para quem quer alçar voos mais

altos. Tem diversos tipos de

piso e tabuletas que informam

a distância e ajudam a marcar o

espaço corrido.

ADIDAS SUPERNOVA GLIDE BOOST 8

Atende tanto os iniciantes como quem já tem

experiência. O destaque do modelo é o reforço

na entressola, que utiliza a tecnologia Boost,

um amortecimento com milhares de cápsulas

que “devolvem” a energia usada na passada.

Preço: R$ 400

AVANÇADOS

O Parque da Água Branca oferece a

possibilidade de um percurso com mais subidas

e descidas. A Cidade Universitária (USP)

também é bastante concorrida para quem já

corre há mais tempo, mas lá é necessário ter

atenção especial com os ciclistas e os carros.

REEBOK ZPUMP FUSION 2.0

Indicado para treinos longos, meia maratona

e maratona, chama atenção pela tecnologia

Pump, uma câmara de ar junto ao cabedal que

é ajustável por um botão. Você enche e esvazia

para que ele se ajuste melhor.

Preço: R$ 500

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LEVE 02 . MAR/MAI 2017

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Na Cozinha

DO MELADO

AO AGAVE

A CHEF ROBERTA JULIÃO, DO CAFÉ

DA FEIRA AO BAILE, ACEITOU O

NOSSO CONVITE E MODIFICOU

UMA DE SUAS MAIS TRADICIONAIS

RECEITAS DE BOLO. PARA DEIXAR O

QUITUTE MAIS SAUDÁVEL, CONTOU

COM A AJUDA DO NOSSO CHEF

Bolo de Melado com Especiarias

Ingredientes

2 xícaras de açúcar

1 xícara de manteiga

3 xícaras de farinha de trigo

320g de melado de cana

1 colher de sopa de fermento

em pó

Modo de preparo

• Ferva o leite, desligue o fogo,

adicione as especiarias, tampe

a panela e deixe descansar por

10 minutos. Coe e reserve.

• Bata a manteiga, o açúcar

e as gemas por cerca de 10

minutos, até a mistura ficar

esbranquiçada.

• Adicione aos poucos o

melado, a farinha e o leite até

que se incorporem à massa.

Bata na velocidade mais baixa

1 colher de café de canela em pó

1 xícara de leite aromatizado

com especiarias (canela em pau,

cardamomo, noz-moscada, cravo,

anis-estrelado, fava de baunilha)

6 ovos separados

da batedeira e reserve.

• Bata as claras em neve.

• Adicione o fermento à

massa, misture bem e

adicione aos poucos e

delicadamente as claras

em neve.

• Asse em forno baixo préaquecido,

por cerca de

45 minutos.

• Decore com crocante ou

canela em pó por cima.

POR RODRIGO CARDOSO

FOTOS ANDRÉ KLOTZ

é muito da feira ao baile.” Roberta

Julião, hoje com 30 anos,

cresceu ouvindo essa frase da

“Isso

mãe, Vera, que costumava usá-la

para se referir ao ecletismo de algumas peças

de roupa. Mais tarde, a expressão inspiraria

o nome do blog que Roberta criou em 2008,

para dar dicas de lugares para comer que iam

do pastel da feira livre ao restaurante sofisticado.

Formada em administração de empresas,

a chef sempre soube que seu prazer era

mesmo a comida. O blog fez tanto sucesso –

recebia 100 mil acessos por mês – que Roberta

deixou a profissão (chegou a dar expediente

em um banco) para encarar uma pós-graduação

em gastronomia no Senac.

No ano seguinte, começou a vida de dólmã

como estagiária. A passagem pelas cozinhas do

D.O.M., Dalva e Dito e Epice deu rodagem à chef,

que, atualmente, toca o seu próprio negócio no

bairro de Pinheiros, em São Paulo. O espaço gastronômico

que une doces, cafés e tortas foi bati-

zado de Da Feira ao Baile, claro.

Hoje, o destaque da gastronomia da chef são

os bolos. “No primeiro ano aqui, vendemos 5,7

toneladas deles”, conta ela, que recebeu nossa

reportagem para preparar o cultuado Bolo de

Melado, uma tradicional receita mineira de sua

avó materna, turbinada com especiarias.

“A cozinha é uma ciência. Por mais intuitiva

que seja, hoje, e por mais que eu tenha aprendido

a fazer coisas na raça, foi bom aprender que

doce é uma química e que a receita dele é como

uma conta matemática. Se errar uma regra de

três para aumentar ou diminuir a receita, não vai

dar certo”, conclui Roberta.

Chef do Hospital Alemão Oswaldo Cruz,

Alexandre Ribeiro esteve presente no passo a

passo da criação de Roberta. E, respeitando a

aritmética culinária da chef, contribuiu substituindo

alguns ingredientes, como o melado de

cana por xarope de agave, provando que é possível

deixar o bolo mais saudável sem perder

o sabor. “De origem natural e vegetal, o néctar

de agave é rico em ferro, cálcio, potássio e

magnésio”, explica Alexandre, que definiu o resultado

– agora devidamente batizado de Bolo

de Agave – como irresistível.

As dicas

do chef

Alexandre

Ribeiro, do

Hospital

Alemão

Oswaldo Cruz

TROCAR O AÇÚCAR REFINADO PELO AÇÚCAR DEMERARA

“É o meio-termo entre o açúcar mascavo e o refinado. O demerara passa

por um refinamento leve, sem aditivos químicos, que mantém sua coloração

mais escura e conserva as vitaminas e sais minerais da cana-de-açúcar. Mais:

pode ser utilizado em qualquer receita e não altera a cor nem o sabor. Como

é um açúcar mais grosso, o ideal é passá-lo por um processador.”

TROCAR A FARINHA DE TRIGO PELA FARINHA DE ARROZ

“É rica em proteínas e contém alto nível de vitaminas do complexo B, fibras e

minerais. Ao contrário da farinha de trigo, não possui glúten. Assim, é ótima

opção aos celíacos ou para quem tem certa intolerância a essa proteína.”

TROCAR O MELADO DE CANA PELO XAROPE DE AGAVE

“É o suco de vegetal doce extraído das folhas da planta agave, que é

semelhante ao cacto. Também conhecido como néctar de agave, ele se

caracteriza pelo alto poder adoçante. Além disso, de origem natural e

vegetal, é rico em ferro, cálcio, potássio e magnésio. Pode, também, ser

um ótimo substituto do açúcar de mesa e dos adoçantes artificiais.”

NO DIGITAL

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LEVE 02 . MAR/MAI 2017

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Especial Saúde

O PONTO

FRACO DO

ABDOME

PARA TRATAR AS HÉRNIAS DA PAREDE ABDOMINAL,

O HOSPITAL ALEMÃO OSWALDO CRUZ INAUGUROU

SEU CENTRO DE HÉRNIA, QUE OFERECE ABORDAGEM

MULTIDISCIPLINAR PARA O PROBLEMA

POR MAITÊ CASACCHI

S

empre que um conteúdo corporal – como

gordura, órgão e cartilagem – atravessa um

orifício no tecido que o reveste, estamos

diante de uma hérnia. Frente a essa palavra,

a maioria das pessoas pensa logo na

dor de quem sofre de hérnia de disco, uma

condição na coluna vertebral. Mas nosso

tema aqui é outro: a hérnia da parede abdominal.

Em comum, a única coisa que a hérnia

de disco e a hérnia abdominal têm é o

primeiro nome. “A hérnia da parede abdominal

é um problema na fáscia, tecido que

envolve todos os nossos músculos, inclusive

os do ventre. Nos pontos de fraqueza

da parede do abdome formam-se orifícios

por onde as vísceras podem escapar e formar

uma saliência”, esclarece o cirurgião

Dr. Sergio Roll, um dos maiores especialistas

em hérnia do Brasil e coordenador do

recém-inaugurado Centro de Hérnia do

Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Levantar


Nossa maior busca

é pela qualidade de

vida do paciente,

possibilitando

que ele retome

suas atividades

e diminuindo as

chances de recidiva

da hérnia”

Dr. Sergio Roll

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LEVE 02 . MAR/MAI 2017

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Especial Saúde

ABORDAGEM

MULTIDISCIPLINAR

Cirurgia robótica e

videolaparoscopia são

opções de técnicas

usadas no tratamento

da hérnia abdominal


O sobrepeso, o uso

excessivo de corticoide

e o cigarro podem

alterar as fibras de

colágeno no corpo,

contribuindo para o

surgimento da hérnia”

Dr. Sergio Roll

Método seguro

As telas são recursos bastante utilizados para o fechamento

da parede abdominal em cirurgias de correção da hérnia.

Feitas de polipropileno ou de poliéster, elas cobrem o orifício

da hérnia e criam uma camada protetora dos pontos de

fraqueza abdominal, reduzindo as chances de que ela volte a

aparecer no mesmo local, a chamada recidiva.

Tipos de hérnia abdominal

INGUINAL: Ocorre na região da virilha e é a mais comum

entre as hérnias abdominais.

FEMORAL: Também chamada de crural, ocorre quando

há passagem de conteúdo abdominal pelo canal femoral e

pode resultar em protusão na região da virilha e da coxa.

UMBILICAL: Pode ser de nascimento (que, em geral,

fecha-se naturalmente na primeira infância) ou adquirida,

por um defeito na cicatriz do umbigo. Em mulheres, pode

ser provocada por gestação com ganho excessivo de peso.

EPIGÁSTRICA: Nesse caso, é a linha mediana do

abdome, acima ou abaixo do umbigo, a atingida. É

possível ser acometido por duas ou mais hérnias

epigástricas ao mesmo tempo.

DR. SERGIO ROLL

Especialista em hérnia e coordenador

do Centro de Hérnia do Hospital

Alemão Oswaldo Cruz

INCISIONAL: É resultado da cicatrização e/ou do

fechamento inadequados da parede abdominal depois

de uma cirurgia. É a hérnia que mais apresenta

chances de recidiva.

peso, espirrar ou tossir com vigor são movimentos

que aumentam a pressão intra-abdominal. Para quem

tem esse orifício já dilatado, esses estímulos são suficientes

para forçar para fora gordura ou parte de um

órgão (em geral, o intestino) e provocar a protuberância

típica da hérnia abdominal.

POR QUE ISSO?

A hérnia abdominal está ligada a uma predisposição

a produzir colágeno do tipo I ou III de maneira

insatisfatória. Mas há outras circunstâncias que podem

enfraquecer pontos da fáscia muscular, como

envelhecimento, obesidade, diabetes, uso de medicamentos

à base de corticoide, queda da imunidade

e tabagismo. Também não é raro que uma hérnia

apareça depois de uma cirurgia – como a de redução

do estômago, por exemplo –, em especial se o

fechamento da parede abdominal não for feito corretamente

ou se a cicatrização não for boa. Nesse

caso, a hérnia é do tipo incisional (saiba mais sobre

os tipos de hérnia abdominal no box ao lado).

Para o tratamento da hérnia ventral, a cirurgia é

o procedimento mais indicado. O conteúdo corporal

pode sair através dele e entrar de novo, espontaneamente,

na cavidade abdominal. Em alguns casos,

pode ser necessária uma massagem que coloque-o

de volta ou, ainda, as vísceras podem sair e ficar

encarceradas, formando o tal calombo permanente.

Em episódios mais sérios – as chamadas hérnias

complexas –, a porção que fica para fora do orifício

deixa de ser irrigada e necrosa. “Realizada eletivamente,

a cirurgia de correção da hérnia abdominal

é simples. Se for feita em um momento de emergência,

pode ser uma operação muito mais complicada”,

avalia o Dr. Roll.

TRATAMENTO INTEGRAL

“A cirurgia de hérnia abdominal evoluiu muito nos

últimos 20 anos, mas ainda são poucas as instituições

especializadas, como o Centro de Hérnia do

Hospital Alemão Oswaldo Cruz, que tratam a hérnia

com abordagem multidisciplinar, do pré ao pós-operatório”,

conta o médico.

Alguns diferenciais contribuem para a excelência

da Instituição no tratamento da hérnia, a começar

pelo fato de que o Centro oferece intervenção com

técnica aberta, com videolaparoscopia e com técnica

robótica, de acordo com a especificidade do caso.

“Nem sempre a opção mais moderna é a mais indicada;

há situações em que a cirurgia aberta é a melhor.

Usamos, inclusive, técnicas mistas quando necessário”,

explica. Ele enfatiza, ainda, que a presença de

um cirurgião plástico é parte importante do enfoque

adotado: “Esse profissional é fundamental em casos

de cirurgia bariátrica em que, além da sobra de pele, o

paciente tem hérnia”.

Um fisiatra (especializado em reabilitação) também

integra o corpo clínico do Centro de Hérnia.

Além de dar orientações pós-operatórias – em especial

para atletas, que constituem grande parte

dos pacientes –, o fisiatra atua no pré-operatório de

casos em que o conteúdo que saiu pela abertura da

hérnia é bastante volumoso. “Pode ser necessário

aumentar a cavidade abdominal ou fazer os músculos

relaxarem para que alças intestinais voltem

ao lugar”, explica o Dr. Roll. O trabalho de um nutricionista,

de enfermeiros especializados em feridas

e em fisioterapia respiratória ou motora completa a

abordagem multidisciplinar.

“O sucesso de uma cirurgia depende dessa atuação

multidisciplinar. Para operar um tabagista,

por exemplo, é preciso preparar seu pulmão, ou ele

pode virar um tossidor crônico, fazendo com que a

hérnia volte. Com uma avaliação integral, fica mais

fácil garantir a qualidade de vida do paciente e seu

retorno às atividades, e também minimizar as chances

de complicações pós-operatórias e de recidiva.

Seja qual for o tamanho do problema, o Centro de

Hérnia tem condições de dar solução completa a

ele”, diz o médico.

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LEVE 02 . MAR/MAI 2017

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Destinos

OBRA DA NATUREZA

Quase 2 mil vulcões

deram origem às várias

ilhas que formam o belo

Arquipélago dos Açores,

em Portugal

UM PARAÍSO NO MEIO DO

OCEANO

NO ARQUIPÉLAGO DOS AÇORES, A 1.600

QUILÔMETROS DO CONTINENTE EUROPEU, AS ÁGUAS

FERVEM, O VINHO NASCE NA LAVA NEGRA E AS

PAISAGENS VULCÂNICAS IMPRESSIONAM COM SEUS

CAMPOS VERDEJANTES EM UM HORIZONTE AZUL

POR DUNIA SCHNEIDER

Foto: Shutterstock

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LEVE 02 . MAR/MAI 2017

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Destinos

Não são só as belas paisagens

que fazem do

Arquipélago dos Açores

um lugar especial. Descoberta

pelos navegantes

portugueses por volta

de 1400, a região tem

características geográficas que revelam

um contraste de formas nunca visto em

outro lugar da Terra. O motivo? O território

português fica em cima de três

placas tectônicas (Americana, Africana

e Euroasiática), responsáveis por provocar

uma intensa atividade vulcânica

na região. Desse movimento, brotaram

lá quase 2 mil vulcões, que, mais tarde,

fizeram nascer ilhas perdidas nas águas

do oceano Atlântico.

Das principais, nove “filhas da lava”

formam um conjunto de ilhas distribuído

em 600 quilômetros de mar – abrigo para

cerca de 250 mil habitantes. Na região

central ficam as ilhas de São Jorge, Graciosa,

Terceira, Pico e Faial. No leste, São

Miguel e Santa Maria. Já na região ocidental,

as ilhas de Flores e do Corvo. São verdadeiros

jardins secretos com cenários

deslumbrantes, costas escarpadas, praias

de águas cristalinas, lagoas em tons de

azul e verde (as chamadas “caldeiras”,

que surgiram nas crateras dos vulcões),

cavernas, águas termais e uma grande

variedade de espécies animais e vegetais.

Isso sem falar da culinária típica, que, por

si só, já é um bom motivo para incluir os

Açores no seu próximo roteiro de viagens.

Para completar, o clima, mesmo imprevisível,

se mantém ameno ao longo do ano,

com temperaturas entre 16ºC e 25ºC. De

barco, avião, caminhando ou pedalando,

veja, a seguir, o que é possível conhecer

em algumas das ilhas.

Ilha das Flores

Considerada uma das

ilhas mais bonitas do

arquipélago, é integrada à

rede mundial de Reservas

da Biosfera pela Unesco e

famosa pelas cascatas e

lagoas. Aliás, ver as Sete

Lagoas (Negra, Branca,

Seca, Rasa, Comprida,

Lomba e Funda) alojadas

dentro da caldeira de

um dos vulcões é uma

experiência inesquecível. Se

for época da floração das

hortênsias, mais ainda: as

margens verdes das lagoas

ganham tons incrivelmente

azulados e rosados na

presença delas.

Ilha do Faial

Que tal visitar o vulcão mais jovem do planeta? O Vulcão de Capelinhos, que só tem 59 anos,

sacudiu a Ilha do Faial em 1957, com 450 terremotos e uma noite de destruição. Depois,

adormeceu suavemente e deixou como herança uma paisagem cinzenta. Foram tantas cinzas

que saíram dele que o tamanho da ilha aumentou em 2,4 quilômetros quadrados.

Ilha de São Miguel

Na maior e principal ilha do

arquipélago, onde vive metade da

população açoriana, as atrações

são muitas. Para ver paisagens

extraordinárias, pode-se fazer

uma caminhada pelos trilhos

da Lagoa do Canário até o

Miradouro da Grota do Inferno.

A vista, considerada uma das

mais lindas da ilha, revela lugares

impressionantes como a Caldeira

das Sete Cidades e a Lagoa de

Santiago, dois “buracos” repletos

de água e cercados pela vegetação

pincelada por diversos tons de

verde. Vale tomar um banho nas

águas termais da Piscina Natural

da Ferraria, rodeada por rochas

de lava negra. Se estiver fresco,

que tal tomar o mais antigo chá

da Europa? Perto dali, é possível

conhecer as plantações do Chá

Gorreana, cuja fábrica foi fundada

em 1883. Para completar, o Vale

das Furnas guarda várias iguarias,

entre elas o “cozido das caldeiras”,

feito em fornos naturais gerados

pela atividade vulcânica, na terra

mesmo, e as águas, que têm

sabor, cor e são famosas por curar

diversas doenças.

Fotos: Shutterstock

Ilha do Pico

Além de ser o pico mais alto de Portugal, com 2.351

metros de altitude, esse lugar tem vinhedos seculares

fincados em uma região, ao pé do monte, que é

considerada Patrimônio Mundial pela Unesco. Conhecer

os vinhos que surgem das vinhas plantadas sobre

pedras basálticas é mergulhar também na história dos

habitantes dessa ilha, já que a vinicultura começou no

século 15, com a chegada dos primeiros moradores.

Ilha de Santa Maria

Aqui, a dica é fazer uma caminhada pelo deserto – sim, o arquipélago tem um! Chamado

Barreiro da Faneca ou Deserto Vermelho, trata-se de uma região semidesértica cuja superfície,

de relevo ondulado, é formada por argilas vermelhas, resultantes da alteração dos piroclastos

(fragmentos de rocha que são expulsos pelos vulcões durante a erupção).

54

LEVE 02 . MAR/MAI 2017

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Mentes Curiosas

DESVENDE OS MITOS E VERDADES DA TATUAGEM

POR DUNIA SCHNEIDER

ILUSTRAÇÃO MARQUETTO

TATUADOS NÃO PODEM DOAR NEM RECEBER

SANGUE? Não há uma regra específica para isso. Apesar de

não proibirem, os bancos de sangue costumam considerar a

tatuagem uma contraindicação pela falta de conhecimento

das condições em que ela foi feita. Alguns sugerem aguardar

um ano após a realização da tatuagem, tempo que pode

revelar algum tipo de contaminação.

Há pelo menos 5 mil

anos o homem tatua

a pele. No Ocidente,

essa prática foi identificada

em meados

do século 18, quando

marinheiros exibiam

desenhos inspirados

na arte corporal de povos aborígenes.

No século 19 e no início do 20, a prática

passou a ser vista com preconceito,

já que presidiários, prostitutas e soldados

viraram adeptos. Com o tempo, as

tattoos (ou tatau, “marca” no idioma

polinésio) acabaram influenciando roqueiros,

motoqueiros, hippies, punks,

entre outras tribos urbanas, e se transformaram

em sinônimo de atitude.

Hoje, como forma de expressão corporal,

é bastante comum ver diferentes

versões de desenhos – inclusive em 3D

– e estilos pigmentados com tinta preta,

colorida ou branca. Mas, afinal, como a

tatuagem funciona na pele? Faz mal?

Vicia? O Dr. Eduardo Bertolli, cirurgião

oncológico especializado em pele do

Centro de Oncologia do Hospital Alemão

Oswaldo Cruz, nos ajudou a entender

um pouco melhor sobre a prática

que ganha cada vez mais adeptos.

COMO FUNCIONA O

PROCESSO DA TATUAGEM?

Cada picada da agulha representa

um trauma superficial, que se

regenera rápido. A própria reação

imunológica do corpo – ao enviar

células para eliminar a tinta,

considerada um corpo estranho

– retém micropartículas dos

pigmentos e mantém a tatuagem

visível, geralmente para sempre.

SE AS CÉLULAS DA PELE

SE RENOVAM, POR QUE A

TATUAGEM NÃO SAI? Porque ela

é feita nas camadas mais profundas

da pele. Das três camadas – a

epiderme (mais externa), a derme

(intermediária) e a hipoderme (mais

profunda) –, a única que está em

constante renovação é a epiderme.

DE QUE SÃO FEITOS OS

PIGMENTOS DAS CORES? As

tatuagens definitivas são feitas

geralmente com pigmentos à base

de derivados de metais. A tinta

preta, por exemplo, é feita de

carvão; a azul, de sais de cobalto; o

verde, de sais de cromo; o branco,

de óxido de titânio; e por aí vai.

TATUAGEM CAUSA ALERGIA?

Sim. Principalmente as com tinta

vermelha, cuja fórmula inclui sais

de cádmio, metal que pode causar

câncer, e, muitas vezes, mercúrio,

considerado tóxico. Uma alternativa é

usar o vermelho carmim, feito de um

pequeno inseto. Pesquise sempre as

marcas aprovadas pela Anvisa.

POR QUE A AGULHA TEM

QUE SER DESCARTÁVEL?

Essa é uma regra muito

importante para evitar riscos

de infecções pelo contato

com o sangue. Se a agulha for

reutilizada, pode haver risco de

contaminação, inclusive por HIV.

QUALQUER

TATUAGEM PODE SER

REMOVIDA?

Depende da extensão,

da cor, do tempo de

existência dela e das

tecnologias utilizadas na

remoção. Se o pigmento

estiver muito profundo

ou a cor for muito

escura, é mais difícil.

Seja como for, nenhum

método oferecido hoje

é totalmente eficaz na

primeira vez.

PODE FAZER RESSONÂNCIA MAGNÉTICA SOBRE A

ÁREA TATUADA? De modo geral, antes de fazer o exame,

é aplicado um questionário para investigar as condições da

tatuagem. As máquinas utilizam ímãs para localizar algo

atípico no corpo e os metais das tintas podem ser sensíveis aos

campos magnéticos criados.

TATUAGEM PODE CAUSAR CÂNCER DE PELE? Por si só,

a tatuagem não é considerada um fator de risco. A questão é

que ela dificulta a visualização durante a avaliação da pele –

principalmente as com cores muito escuras. Desenhos feitos

para esconder a cicatriz resultante da retirada de um câncer,

por exemplo, podem atrapalhar a detecção de uma possível

evolução da doença.

TATUAGEM VICIA? Apesar de muitas pessoas jurarem

que sim, não existe nada comprovado sobre o assunto. O que

provavelmente acontece é que, depois de fazer a primeira, se

a pessoa gostou do resultado, ela quer repetir a experiência.

Mas isso tem a ver com estética, não com vício.

A PESSOA TATUADA NÃO PODE IR À PRAIA OU

TOMAR SOL? Mito! A recomendação é bem comum, mas

não chega a ser uma proibição. Nos primeiros dias, é bom

evitar a exposição exagerada para não estimular um processo

inflamatório, que pode desbotar o desenho. A dica é sempre

se expor ao sol usando filtro solar.

DIABÉTICOS NÃO PODEM FAZER TATUAGENS? Se a

glicemia estiver totalmente controlada, não há riscos, mas é

sempre bom evitar tatuar a pele em locais onde são aplicadas

as injeções de insulina. Vale lembrar a importância de contar

com orientações médicas, já que os diabéticos correm mais

risco de ter infecções.

CERTOS ALIMENTOS NÃO PODEM SER INGERIDOS NOS

PRIMEIROS DIAS DEPOIS DE SE FAZER UMA TATUAGEM?

Isso vale não só para as tatuagens, mas para a cicatrização em

geral. O ideal é comer alimentos ricos em vitamina C (frutas ácidas

como laranja, tangerina e limão) e zinco (carnes, peixes e vegetais

verde-escuros), que ajudam no processo.

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Experiências que Transformam

AMOR

INCONDICIONAL

COMO O CARINHO E O

COMPANHEIRISMO DOS ANIMAIS

PODEM AJUDAR AS PESSOAS A

SUPERAR PROBLEMAS E A REALIZAR

MUDANÇAS POSITIVAS

POR LÍGIA NOGUEIRA

FOTOS CLAUS LEHMANN E GUSTAVO SCATENA

Thays Martinez, 43 anos

Deficiente visual desde os 4 anos, a advogada formada

pela Universidade de São Paulo (USP) é fundadora do

Instituto Iris de Responsabilidade e Inclusão Social,

consultora e palestrante motivacional, além de autora do

livro Minha Vida com Boris – A comovente história do cão

que mudou a vida de sua dona e do Brasil (Globo Livros).

Ela se tornou símbolo da luta pelo direito de cães-guia

circularem livremente no país.

u tinha 7 anos quando ouvi falar em cão-guia pela

“Eprimeira vez. Eles eram mais comuns nos Estados

Unidos e na Europa. Pensei: um dia vou ter um desses

para mim. Com o passar do tempo, comecei a sentir falta

de ter autonomia para me locomover. Iniciei as buscas

fora do país e recebi o Boris em 2000. Ele promoveu

mudanças impressionantes, não só pela questão técnica,

de segurança, de andar com maior velocidade, mas mexeu

com a minha autoestima e a minha autoconfiança –

decidi experimentar outras áreas profissionais, fui morar

sozinha, minha vida afetiva mudou. Mas as pessoas não

tinham a menor ideia do que era um cão-guia. O problema

mais sério foi com o metrô de São Paulo. Um dos

primeiros trabalhos do Instituto Iris foi a elaboração da

lei, aprovada em 2005, que garante acesso livre aos cãesguia

em qualquer local. Hoje, tenho um cão-guia chamado

Diesel. A transição para um novo cão guia foi dolorosa,

mas aprendemos a nos conhecer e a nos respeitar.”

Marina Piantino, 30 anos

A pesquisadora contou com o apoio de sua

cachorrinha Mel para superar a depressão na

adolescência. Hoje, ela é dona da Pudim, uma

cadelinha de 3 anos que, além de companheira

inseparável, ajuda Marina a se adaptar à vida

na nova cidade.

uando era adolescente, sofri muito

“Qbullying e tive uma depressão terrível.

Tinha mudado de cidade havia pouco tempo, não

conhecia ninguém, não tinha amigos na escola

e virei a menina estranha, a menina feia. Foi um

pouco demais na época. Fiz tratamento com um

psiquiatra e um psicoterapeuta e a Mel se tornou

o meu apoio. Por causa dela, virei vegetariana

também. Ela ficou bem velhinha e morreu no

ano passado, mas tenho outra cadelinha agora, a

Pudim, que resgatei das ruas. Hoje, ela me ajuda a

lidar com a ansiedade gerada pela minha mudança

para São Paulo – vim do interior de Minas Gerais.

Já tive muitas crises de pânico, mas saber que ela

precisa de mim me dá forças para encarar o dia a

dia. Só o carinho dela já me deixa mais calma.”

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Experiências que Transformam

Ana Luiza Gresenberg Berbari, 17 anos

Um AVC isquêmico aos 7 anos de idade fez com que a estudante ficasse

com os movimentos do lado esquerdo do corpo comprometidos. Depois de

algumas tentativas, encontrou nos cavalos um caminho para a recuperação.

empre gostei de cavalos. E, embora minha relação com eles fosse

“Sboa desde pequena, depois do AVC eu não quis mais montar.

Tentei a equoterapia, mas descobri que não era para mim, porque eu

tinha problemas motores. Meu instrutor sugeriu, então, que eu fizesse

um preparo paralímpico, ou paraequestre, mas eu não gostava da ideia

de competir porque tinha muita vergonha de mim mesma. Até que, com

a ajuda de uma amiga, descobri uma aula chamada volteio. É como uma

ginástica que se faz em cima do cavalo. Fiz durante um ano e pouco, o

que ajudou a melhorar minha percepção das coisas e a dominar melhor

o cavalo. Agora faço aulas mais focadas em adestramento. Minha

autoestima melhorou e estou feliz com a possibilidade de participar de

uma prova paraequestre. O cavalo que eu monto se chama Ziggy e ele é

cego de um olho, mas isso não faz diferença. Ele é muito manso, aceita

todos os comandos. Minha professora diz que a gente forma uma equipe.”

O Hospital Alemão Oswaldo Cruz oferece aos pacientes

internados um serviço especial: eles podem receber

a visita de seus pets no Bosque do Hospital. A visita é

realizada com a autorização do médico responsável e

com o acompanhamento da equipe assistencial. O cão

também precisa estar com a vacinação em dia. Essa

iniciativa tem como objetivo promover bem-estar aos

pacientes, já que está comprovado que o convívio com

animais de estimação contribui para a redução do risco

de doenças cardíacas, além de amenizar a ansiedade e a

depressão e elevar a autoestima.

Izildinho dos Santos, 62 anos

Há 11 anos, quando sofreu um AVC, o advogado contou

com a presença de sua cachorrinha de estimação, Luna,

para ajudá-lo a se recuperar. E foi a fiel companheira

quem novamente fez a diferença em um momento

delicado: Luna foi visitar Izildinho no Bosque Bem-Estar

do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, enquanto o advogado

aguardava uma cirurgia da artéria abdominal.

u sabia que seria emocionante tanto para mim

“Ecomo para ela: no momento em que fui chegando

no bosque do Hospital, ela estava lá, cercada por

colaboradores e outros pacientes, mas nada impediu que

as lágrimas rolassem. Luna, uma mistura de beagle com

paulistinha, sempre esteve ao meu lado. Quando tive o

AVC, ela me passou energias positivas e fez com que eu me

sentisse seguro. O carinho que a gente busca nem sempre

vem dos humanos; às vezes, vem de um animalzinho.

Agora, me preparando para uma cirurgia de grande porte,

estava sem ver a minha menina havia dez dias. Liguei para

o setor responsável, fiz a solicitação e liberaram a visita

dela. Sou grato por esse gesto de humanidade.”

NO DIGITAL

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está lendo também tem vídeo na LEVE digital.

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Por Dentro do Hospital

Por Dentro do Hospital

Fachada da Unidade

Referenciada Vergueiro

Instituto Social Hospital

Alemão Oswaldo Cruz

dá início a um novo

modelo de gestão para

a saúde pública

Crescimento à vista

Com a Unidade Referenciada Vergueiro, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz

continua seu plano de ampliação

Em continuidade ao seu plano de expansão,

o Hospital Alemão Oswaldo Cruz efetivou

contrato de locação com a Fundação Zerrenner

e iniciou a estruturação da operação localizada

no antigo Hospital Santa Helena, localizado

na Rua Vergueiro, região central de São Paulo.

O novo Hospital será chamado de Unidade

Referenciada Vergueiro e terá implementação

gradativa, com início das atividades previsto para

o primeiro semestre. A nova plataforma possui

25.500 metros quadrados de área construída e

poderá empregar em torno de 1.200 colaboradores,

nas áreas administrativa e assistencial, ao longo

de sua implementação.

O projeto prevê, também, investimentos de

R$ 140 milhões até o fim de 2017 para a reforma

das instalações, aquisição de tecnologia de ponta

e preparação do espaço para ser especializado

em média e alta complexidade. “Estávamos em

busca de uma oportunidade para a abertura de

uma nova unidade, que nos dará ganho de escala,

fundamental para garantirmos a perenidade

e sustentabilidade da Instituição”, explica Paulo

Vasconcellos Bastian, CEO do Hospital Alemão

Oswaldo Cruz.

Ao longo das próximas edições, traremos

mais informações sobre essa importante iniciativa

de nossa Instituição.

Fotos: Arquivo Hospital Alemão Oswaldo Cruz

O

Instituto Social Hospital Alemão Oswaldo

Cruz, que integra o pilar Responsabilidade

Social do Hospital Alemão Oswaldo Cruz,

passou a administrar o Complexo Hospitalar dos

Estivadores, em Santos, litoral sul de São Paulo.

Os atendimentos aos pacientes encaminhados

pela prefeitura tiveram início em fevereiro.

Segundo a diretora do Instituto Social Hospital

Alemão Oswaldo Cruz, Ana Paula Pinho,

o objetivo é replicar no setor público o modelo

assistencial do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

“Assim poderemos promover práticas humanizadas,

com foco em qualidade e segurança do

paciente”, afirma.

A previsão é que, no primeiro ano de gestão, o

poder público municipal repasse cerca de R$ 68

milhões para que o Instituto realize o gerenciamento

do complexo, com implantação realizada

em três fases.

PASSO A PASSO

Na primeira fase, funcionará o Pronto Atendimento

Obstétrico, o Centro Obstétrico com uma

sala de cesárea e três de PPP – Pré-parto, Parto

e Pós-parto –, o alojamento conjunto e a UTI

neonatal. Já na segunda, o escopo de atendimento

será estendido para as áreas de clínica

médica, clínica cirúrgica e UTI adulto. Por último,

o hospital será ampliado para sua capacidade

total, com centro obstétrico com cinco salas

de PPP e duas salas de cesárea, alojamento conjunto,

UTI neonatal, clínica médica/cirúrgica e

UTI adulto com praticamente o dobro de leitos.

A conclusão dessa implantação está prevista

para o fim do segundo semestre de 2017.

TRANSPARÊNCIA NA GESTÃO

DOS RECURSOS

Criado em novembro de 2014, o Instituto Social

Hospital Alemão Oswaldo Cruz concentra

as atividades do Hospital Alemão Oswaldo

Cruz voltadas para a gestão de hospitais públicos.

O Instituto permitiu à Instituição intensificar

suas atividades na área pública, além de

garantir transparência na gestão dos recursos

sob sua responsabilidade.

“Ainda no âmbito da Responsabilidade Social,

há oito anos o Hospital Alemão Oswaldo

Cruz atua na área pública como um dos seis

hospitais de excelência do Programa de Apoio

ao Desenvolvimento Institucional do Sistema

Único de Saúde (PROADI-SUS), do Ministério

da Saúde, e agora dá um novo passo para levar

sua expertise ao setor público por meio de

nosso Instituto Social”, diz Paulo Vasconcellos

Bastian, CEO do Hospital.

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Por Dentro do Hospital

Por Dentro do Hospital

Debatendo

o coração

Entre os dias 8 e 11 de março, o Hospital

Alemão Oswaldo Cruz realizou o

I Congresso Internacional Brasil-Alemanha

de Cardiologia. O evento contou

com 30 conferencistas de nove

países e reuniu cerca de 226 participantes,

que debateram temas como

cardiologia clínica, cirurgia e imagem

cardiovascular, insuficiência cardíaca

e cardiologia intervencionista.

“Encontros como esse têm o objetivo

de favorecer a troca de experiências

e proporcionar o aprendizado contínuo

que nossa profissão requer”,

diz o Dr. Marco Aurélio Magalhães,

presidente do Congresso e Coordenador

do Centro de Cardiologia e

da Hemodinâmica do Hospital. Na

opinião do presidente da Sociedade

Brasileira de Cardiologia, Dr. Marcus

Bolívar Malachias, é preciso ampliar

as discussões entre os médicos sobre

como reverter o dado de aproximadamente

mil mortes diárias, no

Brasil, por doenças cardiovasculares.

Corujão do bem

Desde janeiro deste ano, os pacientes do

Sistema Único de Saúde (SUS) podem realizar

exames de imagem no Hospital Alemão

Oswaldo Cruz. A iniciativa faz parte de uma

parceria entre o Hospital e a Prefeitura Municipal

de São Paulo no Programa Corujão

da Saúde. Com isso, os pacientes são encaminhados

pela Rede Municipal, por meio do

Siga Saúde (siga.saude.prefeitura.sp.gov.

br), e podem realizar exames de tomografia

computadorizada, ressonância magnética

e ultrassonografia mamária no Complexo

Hospitalar, próximo à Avenida Paulista (das

19h às 6h), e na Unidade de Sustentabilidade

Mooca (das 16h às 22h), e os resultados

podem ser retirados nas próprias unidades.

Mais de 7 mil exames deverão ser realizados

no âmbito do programa.

Dia Mundial do Rim

Inclusão social: um compromisso

do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

O Programa Juntos Somos Mais, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, está selecionando

pessoas com deficiência para contratação. Esta iniciativa visa a inclusão

social por meio de oportunidades de trabalho. Acesse www.hospitalalemao.org.br

e cadastre seu currículo na seção Trabalhe Conosco.

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O Centro de Obesidade e Diabetes do Hospital

Alemão Oswaldo Cruz promoveu uma

ação em parceria com a Sociedade Brasileira

de Nefrologia na semana do Dia Mundial do

Rim (8 de março) para conscientizar a população

de que a obesidade é um dos fatores

de risco para doenças renais. No Parque do

Ibirapuera, houve aferição de pressão arterial,

cálculo do Índice de Massa Corporal e

do risco cardiovascular e teste de glicemia

capilar. O objetivo da ação foi alertar para a

importância de se adotar um estilo de vida

saudável, que é a melhor maneira de garantir

o bom funcionamento dos rins.

Fotos: Gustavo Scatena / Bruno Sandini / Acervo Hospital / Shutterstock

Toda mulher é uma história

Em março, mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher,

colaboradoras do Hospital Alemão Oswaldo Cruz participaram de uma

ação especial. Convidadas pelo Hospital, elas gravaram depoimentos

sobre os desafios de ser mulher na área da saúde e compartilharam

suas histórias pessoais de superação. O resultado final você confere na

playlist do Hospital no YouTube.

NOSSAS

COLABORADORAS

Na fileira de cima: Fátima

Silvana Furtado Gerolin,

Joyce Rebouças, Dra. Maria

do Socorro e Nídia Souza.

Nesta fileira: Cleusa Ramos

Enck, Luísa Blanco Fechio e

Silmara Alves Pereira

NO DIGITAL

Assista ao vídeo desta matéria na

playlist Revista LEVE do canal do

Hospital Alemão Oswaldo Cruz no

YouTube: youtube.com/user/

HospitalOswaldoCruz

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MATTHEW SHIRTS é colunista da rádio

BandNews FM. Foi redator-chefe da National

Geographic Brasil e cronista do jornal O Estado

de São Paulo e da revista Veja São Paulo. É

autor dos livros “A Feijoada Completa” (2016)

e “O Jeitinho Americano” (2010)

UMA RECEITA PARA A MEIA-IDADE

OSTO DE DIZER QUE, AO ATINGIR A

MEIA-IDADE, ALGUNS SE DIVORCIAM,

OUTROS COMPRAM UMA BMW,

ENQUANTO EU, MAIS PROSAICO,

VENDI O VELHO HONDA E PASSEI A

FAZER TUDO A PÉ OU DE TRANSPORTE

PÚBLICO EM SÃO PAULO. DESCOBRI O

GPEDESTRIANISMO.

C

M

Y

CM

MY

CY

CMY

Crônica

Em todos os casos, entenderia depois – seja na compra de uma

moto, em uma separação ou na vontade de caminhar –, o impulso é o

mesmo: uma busca desengonçada e um pouco tardia por liberdade.

No começo, os amigos paravam para oferecer carona. Era

frequente: descia eu a calçada da Rua Cardeal Arcoverde, em Pinheiros,

eles brecavam no meio da rua, gritavam e faziam gestos

exagerados para eu entrar no automóvel. Os carros de trás buzinavam,

furiosos. Os motociclistas freavam e saíam abanando a cabeça

em desaprovação. A ideia dos amigos era simpática. Baseia-se

no pressuposto de que tudo é melhor acompanhado e de carro, não

sozinho e a pé.

E eu queria era mesmo andar. É um pouco esquisito, reconheço,

mas faz bem, estou convencido disso. Leria, mais tarde, que

três caminhadas de 20 minutos por semana ajudam a combater

sintomas depressivos. Tendo a acreditar nos benefícios psíquicos

das caminhadas. Com o tempo, minha disposição melhorou. Aventurei-me

por bairros antes desconhecidos, como Vila Medeiros e

Bom Retiro, do qual virei frequentador assíduo e fã. Dificilmente

faria essas viagens de reconhecimento de automóvel. Lá descobri

docerias, vendas e restaurantes coreanos, judaicos e vietnamitas,

um mundo novo onde, muitas vezes, nem sequer se fala português.

É como fazer turismo em casa. Areja a cabeça, expande os

horizontes e fortalece as pernas. Não há nada melhor para um

explorador veterano.

Caminhar faz bem. Para o corpo e a alma.

K

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