Revista Julho 2017 final final 321

cristiano149090

Revista Cultural e histórica sobre Mariana

Julho /2017

Mariana

Revista Histórica e Cultural


A Mariana - Revista Histórica e Cultural é

uma publicação eletrônica da Associação

Memória, Arte, Comunicação e Cultural de

Mariana. O periódico tem o objetivo divulgar

artigos, entrevistas sobre a cidade de Mariana.

A revista é uma vitrine para publicação de trabalhos

de pesquisadores. Mostrar a cultura de uma

forma leve, histórias e curiosidades que marcaram

estes 321 anos da primeira cidade de Minas.

Mariana - Revista Histórica e Cultural Revista

Belas Artes é um passo importante para a

divulgação e pesquisa de conteúdos sobre a

cidade de Mariana. Esperamos que os textos

publicados contribuam para a formação de uma

consciência de preservação e incentivem a

pesquisa.

Os conceitos e afirmações contidos nos artigos

são de inteira responsabilidade dos autores.

Colaboradores:

Prof. Cristiano Casimiro

Prof. Vitor Gomes

Agradecimentos:

Arquivo Histórico da Municipal Câmara de Mariana

IPHAN - Escritório Mariana

Arquivo Fotográfico Marezza

Museu da Música de Mariana,

Fotografias:

Cristiano Casimiro, Vitor Gomes, Caetano Etrusco

Arquivo Marrrezza - Marcio Lima

Diagramação e Artes: Cristiano Casimiro

Capa: Desenho de Mariana - 1891

Associação Memória Arte Comunicação e Cultura

CNPJ: 06.002.739/0001-19

Rua Senador Bawden, 122, casa 02


Indice

321 ANOS DE MARIANA 4

Cristiano Casimiro

306 ANOS DA CÂMARA DE MARIANA 16

Cristiano Casimiro

PRIMEIRA ELEIÇÃO EM MINAS 18

Cristiano Casimiro

MARIANA EM QUADRÕES 20

Acervo Marrezza.


Mariana

321 Anos

Cristiano Casimiro


Mariana 321 Anos

05

Domingo, 16 de julho, comemoramos o aniversário de

Mariana. 321 anos da história da primeira cidade de do

Estado de Minas, por isto temos que comemorar,

conhecer e nos orgulhar do nosso passado, para que

ele possa servir como reflexão para o futuro. A história

de Mariana começa assim...

As notícias da descoberta de ouro na região conhecido

com Sertão dos Cataguases, hoje Minas Gerais, se

espalharam pelo Brasil e chegaram a Portugal, milhares

de pessoas acorreram à região em busca de riqueza.Os

bandeirantes paulistas liderados por Salvador

Fernandes Furtado de Mendonça encontraram ouro em

um rio batizado de Ribeirão Nossa Senhora do Carmo

em homenagem a virgem do monte Carmo.O capelão

da comitiva, Padre Francisco Gonçalves Lopes ergueu

o primeiro altar da terra mineira, em uma tarde de

Domingo , 16 de julho de 1696.

Às suas margens nasceu o arraial de Nossa Senhora do

Carmo, que logo assumiria uma função estratégica no

jogo de poder determinado pelo ouro. O local se transformou

em um dos principais fornecedores deste

minério para Portugal.

Entre 1708 e 1710, ocorreram vários conflitos armados

na zona aurífera, envolvendo de um lado paulistas e de

outro portugueses e elementos vindos de vários pontos

do Brasil, que é conhecido pela história como Guerra do

Emboabas. Os episódios da Guerra dos Emboabas

levaram a Metrópole (Portugal) a desmembrar do Rio

de Janeiro a capitania constituída por São Paulo e

Minas Gerais, a fim de melhor policiar a região, enviando

para ao 1º povoamento em 1709 , o Arraial do

Ribeirão do Carmo, o governador Antônio de

Albuquerque Coelho de Carvalho, que ali fixou residência,

conseguindo, em pouco tempo, serenar os espíritos

e estabelecer a ordem.


Vitor Gomes

No seio dolente das idas idades

Em meio ao silêncio, fiquei a sorrir...

A Deusa de outrora só tinha saudades,

Chorando o passado, esperando o porvir!

Hino de Mariana

Letra: Alphonsus Guimaraens

Melodia : Antônio Miguel


Mariana 321 Anos

05 07

Em 1711, sendo já considerável o desenvolvimento do

arraial, um ato do citado governador, de 8 de abril,

elevou-o à categoria de vila, sob a denominação de Vila

de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo de

Albuquerque, nome que seria modificado, quando de

sua confirmação por dom João V, em 14 de abril de 1712,

para Vila Leal de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo.

Este acontecimento exigiu a implantação, segundo as

determinações metropolitanas, uma estrutura administrativa

e judiciária representada pela Casa Câmara e

Cadeia na Vila do Carmo. Assim em 04 de julho de 1711,

foi criada a primeira Câmara das Minas Gerais como

mesmo status da Câmara da cidade do Porto em

Portugal.

A vila, em pouco tempo, transformou-se em principal

centro de comércio e instrução de Minas Gerais. O

sucessor de Albuquerque, Dom Brás Baltazar, encontrou

várias dificuldades em solucionar a cobrança do

quinto por bateia utilizada na exploração do ouro.

Temendo uma guerra civil, comunicou-se com o governo

metropolitano, que ordenou fosse o imposto cobrado

sobre o montante do metal extraído e sobre as indústrias

e profissões. Essa providência acalmou momentaneamente

os ânimos.

Retirando-se Dom Baltazar e tendo assumido o governo

Dom Pedro de Almeida Portugal, Conde de Assumar,

rompeu-se o equilíbrio penosamente mantido pelos

seus antecessores, lavrando nos espíritos o incêndio da

revolta. Assumar pede ao Rei de Portugal tropas para

conter o grande fruxo de pessoas e a instabilidade da

região. Em 1719, chegam a Minas Gerais duas companhias

de dragões enviadas de Lisboa, que constituíram

os famosos Dragões Reais de Minas ou Tropa de

Dragões do conde de Assumar. Os soldados “Dragões”

tiveram um papel importante na revolta de Vila Rica ,

motim chefiado por Filipe dos Santos, sobre o qual

recaiu implacável a justiça do governador. Como decorrência

desse acontecimento foi criada, a 2 de dezembro

do mesmo ano. A capitania Independente de Minas

Gerais.


Vitor Gomes

Entre os coros das litanias

Que vêm do céu, na asa do luar,

Vivo de mortas alegrias,

Sempre a sonhar, sempre a sonhar!


Mariana 321 Anos

05 09

Um projeto urbanístico se fez necessário, para a Primeira

capital das Minas Gerais, sendo elaborado pelo

engenheiro militar José Fernandes Pinto de Alpoim. Ruas

em linha reta e praças retangulares são características da

primeira cidade planejada de Minas e uma das primeiras

do Brasi.

O livro ,Temo de Mariana I, publicado pelo departamento

de história da UFOP ( Universidade Federal de Ouro

Preto) descreve o espaço urbano da nova cidade:

Nesta época alguns preceitos e procedimentos da

“escola” de engenharia militar portuguesa são

incorporados às cartas régias, como normas a serem

seguidas na fundação de cidades. Os documentos

mencionam a determinação de um local para uma praça e

para os principais edifícios públicos e faz-se exigências

quanto a abertura de ruas, que deveriam ser “largas e

direitas”, e quanto ao aspecto das moradias, “...sempre

fabricadas na mesma figura uniforme pela parte exterior,

ainda que na outra parte interior as faça cada um

conforme lhes parecer para que desta sorte se conserve

sempre a mesma formosura da Villa e nas ruas della a

mesma largura que se lhes assignar na fundação”. Dom

João V não fez grandes exigências em relação à forma

que deveriam ter as habitações em Mariana. A idéia da

época era que todas as casas fossem iguais, apesar do

plano em Mariana não ser tão detalhado como em outros

locais, os quais chegavam a metrificar a fachada dos

edifícios.


Cristiano Casimiro

Quem é que me vem perturbar o meu sono

De bela princesa no bosque a dormir?

ue há muito caiu sobre o solo o meu trono,

Que era emperolado de perlas de Ofir!


Mariana 321 Anos

11

No dia 29 de outubro de 1730, João Lopes de Lima,

estabeleceu uma linha de Correio Ambulante entre Rio

de janeiro- São Paulo- Minas do Ouro, afim de que, dada

a extensão do crescimento demográfico da nova terra

descoberta: o Eldorado mineiro que atraía numerosas

caravanas de aventureiros à cata de ouro, pudesse ter

melhores e mais rápidos meios de comunicação, sendo,

então, Mariana o ponto convergente de todo o movimento

extrativo do ouro.

Em 1745, por ordem do rei de Portugal D. João V, a vila

de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo foi elevada à

cidade com o nome de Mariana – uma homenagem à

rainha Maria Ana D'Austria, sua esposa. Neste mesmo

ano, pela bula Candor lucisaeternae, o Papa Bento XIV

criou a diocese de Mariana, desmembrada do Rio de

Janeiro, juntamente com a diocese de São Paulo e as

prelazias de Goiás e Cuiabá. A criação dessa diocese

marca novo momento na geopolítica de colonização do

sertão mineiro. Com sua instalação, modificam-se as

relações entre as diversas esferas do poder. Torna-se

mais complexo o quadro de forças políticas configurado

pela atuação das irmandades, câmaras locais, clero e

autoridades.

A igreja matriz dedicada a Nossa Senhora da Conceição

foi elevada à categoria de catedral de Nossa Senhora da

Assunção.Transformando-se no centro religioso do

Estado, nesta mesma época a cidade passou a ser sede

do primeiro bispado mineiro. Para isso, foi enviado, do

Maranhão, o bispo D. Frei Manoel da Cruz. Sua trajetória

realizada por terra durou um ano e dois meses e foi

considerada um feito bastante representativo no Brasil

colônia. A chegada do bispo as terras mineira foi celebrada

com a maior festa do período colonial: O Áureo Trono

Episcopal – festa ocorrida em mariana para homenagear

o primeiro bispo de Minas. l..


Caetano Etrusco

De estrelas o céu sobre mim recama; Há luz

no zênite e clarões no nadir...

O campo auriverde da nossa auriflama,

É todo esperança: esperei o porvir!


Em Mariana há uma exceção à regra geral das fachadas

mineiras: a Rua Direita. O antigo “caminho de cima” só

recebeu sua feição atual a partir de 1745, quando ele foi

“arruado” (regularizado) segundo o plano de Alpoim.

Havia um documento, um acórdão da câmara, o qual

determinava que todos os pretendentes a edificações do

lado esquerdo da rua as fizessem “de maior nobreza”

dando os fundos para o Palácio de Assumar, que se

tornou mais tarde residência episcopal. Assim, até hoje

podemos perceber que deste lado da rua as casas têm,

em geral, dois andares e sacadas, enquanto do lado

oposto, são em geral, casas mais baixas, de um só

pavimento.

“Mapa da cidade de Mariana” que se encontra na

Mapoteca do Itamaraty, Rio de Janeiro. No “mapa” as

quadras são mais numerosas e semelhantes entre si do

que na realidade (abaixo). Mas o detalhe mais

surpreendente é a demonstração da série de edifícios

inundados pelo ribeirão do Carmo, o que faz pensar que

a representação possa ter sido feita na época do

desaparecimento da rua, por ocasião das grandes

enchentes de 1743, e, portanto, antes da definição do

13


Cristiano Casimiro

Agora bem sinto, no peito, áureos brilhos;

De novo me voltam as perlas de Ofir...

Aos doces afagos da voz dos meus filhos,

Mais belas que outrora, eu irei ressurgir.


15

Mariana, onde Minas Mostra seus Segredos

Ela é mãe de toda Minas

Ela é Maria e Ana.

É a primeira...

Na suas brumas a história de Minas foi tecida.

Nas suas montanhas as idéias de liberdade

foram lançadas.

Em teu ribeirão-ventre, Minas nasceu.


Acervo Marrezza.

306 anos da

Câmara Municipal de Mariana


Cristiano Casimiro

17

Em 1711, com o fim da Guerra dos

E m b o a b a s , D o m A n t ô n i o d e

Albuquerque, com o intuito de conseguir

um maior controle da região

mineradora, criou as primeiras vilas.

Nessa época, o arraial do Carmo

contava com uma numerosa população,

o que justificava a ascensão a um

novo patamar: o de vila. Assim, em

abril daquele ano, o povoado passou a

Vila de Nossa Senhora do Ribeirão do

Carmo de Albuquerque.

A primeira providência a ser tomada

quando da criação de uma vila era a

determinação do seu termo, ou seja,

as fronteiras do novo município, e a

delimitação do rossio, terreno público

administrado pela Câmara, segundo

as Ordenações do Reino. Outras

premissas para criação de uma Vila

eram a construção de uma casa para

abrigar a Câmara e a Cadeia; a ereção

de um pelourinho, símbolo da justiça e

da autonomia do município, e a adequada

conservação da Igreja Matriz.

A Câmara Municipal de Mariana foi

fundada em 1711 sendo, portanto, a

mais antiga de Minas Gerais. No dia 4

de abril de 1711 convocou-se a junta

para se preparar a eleição da nova

C â m a r a d e V i l a d o C a r m o .

Exatamente três meses depois, dia 4

de julho, ocorreu no Palácio em que

morava o Governador e Capitão Geral

Antônio de Albuquerque Coelho de

Carvalho a primeira eleição livre do

Estado de Minas Gerais e, no dia

seguinte, tomaram posse os eleitos: o

Capitão-Mor Pedro Frazão de Brito

para juiz mais velho, Joseph Rebello

Perdigão para juiz mais moço, Manoel

Ferreyra de Sá, para vereador mais

velho, Francisco Pinto de Almendra,

para segundo vereador, Jacinto

Barboza Lopez, para terceiro vereador

e Torcato Teyxeira de Carvalho,

para procurador.

As eleições dos membros da câmara

no Reino e nas colônias seguiam as

Ordenações do Reino. A Câmara de

Mariana, primeira de Minas, tinha o

mesmo “status” da Câmara do Porto

de Portugal e foi a mais importante de

Minas durante o período colonial.


Cristiano Casimiro


Primeira Eleição em Minas 18

Em 1711, no dia 04 de julho ocorreu na Vila de

Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo a

primeira eleição livre em Minas, e os eleitos

tomaram posse para Câmara da Vila do

Carmo.

As Câmaras eram formadas por seis

integrantes: o "mais velho" e o "mais moço"

eram os juízes, que dividiam a presidência da

Casa, três vereadores e um procurador. A

eleição era feita no sistema Chamado

Ordenação de Pelouro.

Eleição por pelouros foi um sistema eleitoral

estabelecido em Portugal por Dom João I em

1391, conhecida como Ordenação de

Pelouros, é considerado o mais antigo e

clássico sistema eleitoral.

A Ordenação dos pelouros normatizava a

eleição do corpo político camarário (juízes,

vereadores e procuradores) que presidia e

representava a comunidade. A Lei dos

Pelouros determinava que em cada vila ou

cidade se organizassem, permanentemente,

listas de pessoas idôneas ao exercício dos

referidos cargos, chamados “homens Bons”.

Cada nome aí recenseado seria escrito em

papel, recolhido numa bola de cera,

guardadas numa arca dos pelouros, de onde

se fazia o sorteio.

A eleição era indireta, competia ao

corregedor chamar à Câmara juízes,

vereadores, procurador e homens bons para

escolher seis pessoas, que duas a duas,

separadamente, indicariam pessoas idôneas

para o exercício dos cargos, em rol distinto

para cada um deles. Ao corregedor régio,

mas também ao ouvidor, em terras de

donatário ou ao juiz mais velho na falta de

magistrado régio letrado na terra, competia,

associando os votos, selecionar os mais

votados, apurando uma lista "pauta" dos

eleitos. Cada um dos nomes da pauta era

encerrado num pelouro, guardado em uma

arca, para oportuno sorteio por uma criança

de até 7 anos de idade . (O nome pelouro

advém do formato das bolas de cera que

eram similares ao feitio de projéteis usados

em certas armas de artilharia).

Símbolo da primeira eleição em Minas

Gerais, a urna de madeira utilizada na

votação de 1711 é uma das relíquias

preservadas pelo Museu Arquidiocesano de

Arte Sacra em Mariana. O objeto, segundo a

entidade, foi esculpido em cedro com

detalhes em ouro, é de origem portuguesa.

( Foto)

Na eleição da Cãmara da Vila do Carmo , em

1711, foram eleitos: O capitão Mor Pedro

Frazão de Brito, para juiz mais velho, Joseph

Rebello Perdigão, para juiz mais moço,

Manoel Ferreyra de Sá par vereador mais

velho, Francisco Pinto de Almendra, para

segundo vereador, Jacinto Barboza Lopez,

para terceiro vereador e Torquato Teyxeira de

Carvalho, para procurador.

Inspiradas na organização política que existia

em Portugal na época, as antigas câmaras

concentravam funções dos atuais Três

Poderes:. Executivo, Legislativo e Judiciário.

Era a Câmara quem punia, fiscalizava, criava

as leis e ainda administrava a vila.

As atas de reuniões da Câmara de Mariana,

que estão no AHCMM – Arquivo Histórico da

Câmara Municipal de Mariana revelam

detalhes curiosos sobre as funções dos

vereadores, que se reuniam às quartas-feiras

e sábados e trabalhavam de graça. Era um

trabalho voluntário, exercido geralmente por

pessoas mais velhas e que gozavam de

“certo” respeito na vila.

O camarista, senador ou juiz, nomes dados

aos integrantes das Câmaras do período

colonial até o início do século XX, tinham

poderes bem amplos. As Câmaras tinham o

poder legislativo (fazer leis), o poder

executivo (executar obras e administração da

localidade) e o poder judiciário (julgar e dar

sentenças). Esta forma que temos hoje: o

legislativo, o executivo e o judiciário

independentes só tomou forma na década de

1930, com a constituição de 1934 com a

d i s s o c i a ç ã o d o s p o d e r e s , c o m

independência do executivo, legislativo e

judiciário; além da eleição direta de todos os

membros dos dois primeiros.


Mariana em Quadrões

Mariana em quadrões foi um projeto desenvolvido pelo prof. Cristiano Casimiro, o artista

plástico Emerson Camaleão e Sandra Daniele.O Projeto contou como apoio da Prefeitura

Municipal de Mariana através da Secretaria Municipal de Cultura , Turismo e Patrimônio e

foi inserido na Jornada Mineira do Patrimônio Cultural de 2011, promovida pela Secretaria

de Cultura do Estado de Minas Gerais - Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico

de Minas Gerais (IEPHA / MG)


1696

Em 16 de julho de 1696, bandeirantes paulistas liderados por Salvador

Fernandes Furtado de Mendonça encontraram ouro em um rio

batizado de Ribeirão Nossa Senhora do Carmo. Às suas margens

nasceu o arraial de Nossa Senhora do Carmo, que logo assumiria uma

função estratégica no jogo de poder determinado pelo ouro. O local se

transformou em um dos principais fornecedores deste minério para

Portugal. Assim nasceu Minas Gerais no leito de um ribeirão coberto

de ouro. As margens deste ribeirão surgiu o primeiro arraial, a primeira

vila e a primeira cidade de Minas.


1711

Sendo já considerável o desenvolvimento do Arraial do Ribeirão de

Nossa Senhora do Carmo, o governador Antônio de Albuquerque

Coelho de Carvalho em 8 de abril de 1711, elevou-o à categoria de vila,

sob a denominação de Vila de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo de

Albuquerque. Este acontecimento exigiu a implantação, segundo as

determinações metropolitanas, uma estrutura administrativa e judiciária

representada pela Casa Câmara e Cadeia na Vila de Nossa Sra. do

Ribeirão do Carmo. Assim em 04 de julho de 1711, foi criada na Vila de

Nossa Senhora do Carmo a primeira Câmara das Minas Gerais como

mesmo prestígio da Câmara da cidade do Porto em Portugal.


1719

No século XVIII são criados no Brasil os primeiros corpos de Cavalaria

regular e auxiliar. Surge, assim, na Vila de Nossa Senhora do Carmo

(Mariana) em Minas Gerais, duas Companhias de Cavalaria criadas em

20 de junho de 1719 por Carta Régia do mesmo ano. Primeiro Quartel

de Dragões da Capitania de Minas Gerais foi construído em Minas

Gerais era localizado na atual Praça Minas Geral , sendo que a

pastagem para os animais estendia até a fazenda do Bucão. (Praça

Minas Gerais /Rua Dom Silvério e Colina do São Pedro ). O quartel

construído aos moldes da arquitetura militar portuguesa tinha sua

frente voltada para o ribeirão do Carmo e torres de guarda para o leste e

oeste. Esta fortificação foi demolida quando Villa N S.do Carmo foi

elevada a cidade de Mariana em 1745, e o tração urbano foi alterado.


1720

A vila, em pouco tempo, transformou-se em principal centro de comércio

e instrução de Minas Gerais. O sucessor de Albuquerque, dom Brás

Baltazar, encontrou várias dificuldades em solucionar a cobrança do

quinto por bateia utilizada na exploração do ouro. Temendo uma guerra

civil, comunicou-se com o governo metropolitano, que ordenou fosse o

imposto cobrado sobre o montante do metal extraído e sobre as

indústrias e profissões. Essa providência acalmou momentaneamente

os ânimos. O governo dom Pedro de Almeida, Conde de Assumar,

rompeu-se o equilíbrio penosamente mantido pelos seus antecessores,

lavrando nos espíritos o incêndio da revolta. Até meados de 1720. A vila

viveu dias agitados, culminando o mal-estar reinante no motim chefiado

por Filipe dos Santos, sobre o qual recaiu implacável a justiça do

governador. Como decorrência desse acontecimento foi criada, a 2 de

dezembro do mesmo ano. A capitania Independente de Minas Gerais.


1730

No dia 29 de outubro de 1730, João Lopes de Lima, morador em Atibaia,

São Paulo, vindo com o seu irmão Francisco Augusto de Lima e o Padre

Manoel Lopes, além de muitos outros bandeirantes ilustres, sendo estes

os primeiros moradores da Ribeirão do Carmo, de comum acordo com o

Governador Arthur de Sá Menezes, estabeleceu uma linha de Correio

Ambulante entre Rio- São Paulo-Mariana, afim de que, dada a extensão

do crescimento demográfico da nova terra descoberta: o Eldorado

mineiro, com o seu opulento ribeirão, que atraía numerosas caravanas

de aventureiros à cata de ouro, melhores e mais rápidos meios de

comunicação para contatar com as autoridades reais, em São Paulo e

Rio de Janeiro, sendo, então, Mariana o ponto convergente de todo o

movimento extrativo do ouro.


1745

A Carta Régia de 23 de abril de 1745, expedida por dom João V, elevou

a vila à categoria de cidade, com o nome de Mariana, em homenagem à

rainha dona Maria Ana d'Áustria.Mariana foi a primeira vila de Minas

Gerais e a primeira localidade da capitania a receber foros de cidade.

Um projeto urbanístico se fez necessário, para a Primeira Capital das

Minas Gerais, sendo elaborado pelo engenheiro militar José Fernandes

Pinto de Alpoim. Ruas em linha reta e praças retangulares são

características da primeira cidade planejada de Minas


1745

Em 6 de dezembro de 1745, foi criado o primeiro bispado das Minas

Gerais, mediante bula do papa Bento XIV, sendo seu primeiro titular

Dom Frei Manuel da Cruz. Para Celebrar a chegada do primeiro bispo

das Minas gerais foi organizada uma das maiores celebrações católicas

na Minas Colonial: o Áureo Trono Episcopal, ocorrida em 1748, teve

como objetivo comemorar a criação do bispado de Mariana, com um

variado programa de cerimônias públicas suntuosas. A celebração tinha

como personagem principal, mais do que o metal precioso, a sociedade

minerada, agora com sua própria sede eclesiástica. O Áureo Trono

Episcopal, foi um espetáculo visual: janelas adornadas com colchas de

damasco e seda, flores, alegorias, figuras a cavalo luxuosamente

vestidas. Foi uma das maiores festas do período colonial Mineiro.


1750

Em 20 de dezembro de 1750 foi criada em Mariana a primeira Escola nas

Minas Gerais. O Seminário de Mariana foi criado pelo seu primeiro

bispo, dom Frei Manoel da Cruz no auge do ciclo do ouro, sob a proteção

de Nossa Senhora da Boa Morte, Inicialmente foi confiado à direção da

Companhia de Jesus, posteriormente, o Seminário foi entregue aos

cuidados do próprio clero local. O Seminário Nossa Senhora da Boa

Morte foi e é referência de em educação e formação de padres e leigos

para Minas e o Brasil.


1762

Nascido em Mariana, batizado em 18 de outubro de 1762 Mariana, Foi

um o mais importante artista do Barroco-Rococó mineiros e teve uma

grande influência sobre os pintores da sua região, através de numerosos

alunos e seguidores, os quais, até à metade do século XIX, continuaram

a fazer uso de seu método de composição, particularmente em trabalhos

de perspectiva no teto de igrejas. Documentos da época fazem

freqüentemente referências a ele como professor de pintura. Pouco se

sabe sobre sua vida e formação artística e nem todas as suas criações

estão documentadas, mas deixou sua marca na história da arte no

Brasil. Sendo considerado o maior pintor do barroco mineiro.


1762

Foi somente em 1748, com a remodelação urbana da vila para se

transformar em cidade, o governador Gomes Freire, juntamente com o

Ouvidor Geral e os oficiais da Câmara, decidiram que o terreno mais

adequado para a construção da nova Casa de Câmara e Cadeia, seria

nas proximidades do antigo Quartel dos Dragões. O Projeto de

construção da imponente Casa de Câmara e Cadeia foi feito por José

Pereira dos Santos em 1762, é uma obra-prima da arquitetura civil

colonial. A obra foi iniciada em 1768, tendo sido executada pelo famoso

pedreiro e mestre-de-obras português José Pereira Arouca. A Câmara

foi instalada no novo prédio em 1798, três anos após o falecimento do

mestre Arouca.


1819

O Barão de Eschewege, estabeleceu-se em Mariana em 1819 e aproveitando dos

dados coletados por seus sócios ingleses da Geological Royal Society, adquiriu

diversas frentes de lavra mineral na região, e até meados de 1821 lavrou ouro a céu

aberto e iniciou a lavra de sub-solo no antigo arraial de São Vicente, hoje, Passagem

de Mariana, tendo fundado ali a primeira empresa de mineração do Brasil a

Sociedade Mineralógica de Passagem. Com a emancipação política do Brasil, em

1822, criam-se maiores condições para os investimentos britânicos em Minas e no

Brasil. Tais investimentos na mineração aurífera subterrânea predominaram durante

todo o século XIX, merecendo destaque a Imperial Brazilian Mining Association, que

logo foi seguida pelo estabelecimento de várias outras sociedades inglesas


1836

Fundada em 7 de abril de 1836, é considerada hoje a quarta banda de

música mais antiga do BrasSociedade Musical São Caetanoil e a

terceira banda mais antiga de Minas, conforme registro fornecido pala

FUNARTE. É a mais antiga do Município de Mariana. Nestes 175 anos

de vida ininterrupta, vem desenvolvendo o ensino gradativo e gratuito

na comunidade e difunde a arte por meio da música para várias

gerações. Além disso, apresenta-se em solenidades cívicas e

religiosas de Monsenhor Horta, abrilhantando também as festividades

das inúmeras localidades em que se apresentou. O Nome da

corporação é homenagem ao antigo nome do distrito de Monsenhor

Horta.


1749

Através da solicitação do Bispo de Mariana, Dom Antônio Ferreira Viçoso, as Filhas

da Caridade de São Vicente de Paulo da França vieram o Brasil. Em Mariana

criaram a primeira Casa de Educação Vicentina fora da Europa.Foram destinadas

pela Superiora Geral da Congregação, em Paris ,doze Irmãs francesas para

residirem em Mariana, aqui chegando no dia 3 de abril de 1849, depois de uma longa

viagem que durou três meses, feita por mar até o Rio de Janeiro e a cavalo do Rio a

Mariana. Enquanto aprendiam a Língua Portuguesa, desde o início, as jovens irmãs

se ocupavam das visitas domiciliares, cuidando dos doentes e pobres. No ano

seguinte, as portas da Casa da Providência foram abertas para o ensino e em 10 de

março de 1850 foi oficialmente fundado o Colégio Providência. O primeiro Colégio

para Mulheres em Minas Gerais. Foi de Mariana, deste Colégio, que se irradiaram

para todo o país e outras regiões das Américas, os Colégios Vicentinos.


1911

Alphonsus Guimaraens é o pseudônimo de Afonso Henrique da Costa

Guimarães, nascido em 24 de julho de 1870. A poesia de Alphonsus de

Guimaraens é marcadamente mística e envolvida com religiosidade

católica. Sua obra, predominantemente poética, consagrou-o como um

dos principais autores simbolistas do Brasil. Em referência à cidade em

que passou parte de sua vida, é também chamado de “o solitário de

Mariana”. O hino da cidade de Mariana foi escrito em 1911 por Alphonsus

de Guimaraens e tem sua melodia composta por Antônio Miguel. O hino

possui a forte característica de Alphonsus de voltar suas poesias à morte

de sua mulher amada. Entretanto, também, exalta a capacidade que

temos , apesar dos contra tempos , sempre nos reerguermos

Aos doces afagos da voz dos meus filhos,

Mais bela que outrora eu irei ressurgir...


1914

Estação da cidade de Mariana foi inaugurada em 1914, quando foi aberto o

prolongamento do ramal, de Ouro Preto até essa cidade. Permaneceu como ponta

de linha até 1926, quando o ramal foi estendido até Ponte Nova. Pelo menos até

1980 ainda havia movimentação de passageiros que podiam se utilizar dos trens

mistos. Depois, a estação foi fechada, passou um tempo abandonada. Em 2006

sofreu uma grande reforma para ser a estação final do trem turístico de Ouro Preto a

Mariana operado pela VALE. O prédio em estilo eclético é um dos mais belos já

construídos para estação em todo o interior de Minas Gerais.


Mariana 321 Anos

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