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Revista Dr. Plinio 207

Junho de 2015

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O pensamento filosófico de <strong>Dr</strong>. <strong>Plinio</strong><br />

Foi sendo composta, dessa forma, uma suprema ordem<br />

em que a graça, o sangue católico, por assim dizer,<br />

foram tecendo essa relação humana, de maneira que<br />

quando o Império do Ocidente caiu, o melhor dele estava<br />

de pé, que era o ideal de uma ordem perfeita de relacionamento<br />

entre os homens. E isto foi o que alimentou<br />

a esperança dos católicos e a sofreguidão com que o Papa<br />

São Leão III coroou Carlos Magno.<br />

Carlos Magno quis fazer o Império Romano e saiu o<br />

feudal, porque não distinguia bem uma coisa da outra.<br />

Ele, de fato, no mais fundo de sua alma queria o que desabrochou.<br />

No consciente, ele queria o romano; no subconsciente<br />

ele tendia, germinativamente, para o feudal, e<br />

nisso ele foi original.<br />

O pariato<br />

Encontram-se na Idade Média umas manifestações<br />

dessa vinculação de alma particularmente nobres, densas,<br />

como, por exemplo, a ideia do pariato. A noção de par<br />

tem alguma coisa disso. É uma determinada vinculação,<br />

um determinado comércio de almas que faz com que o<br />

par, sendo semelhante a outro, se deleita nessa semelhança,<br />

sem ter vontade de aproveitar-se do outro para subir,<br />

porque ele se deleita nessa semelhança e nessa paridade, e<br />

dela se nutre mais do que se ele fosse superior.<br />

Um político tipo César Borgia, do século XVI, já é um<br />

que quer subir, que não compreende o pariato a não ser<br />

como os cavalos numa corrida que estão todos juntos:<br />

abre aquela cancela e saem para a corrida. Tais políticos<br />

entendem o pariato como uma coisa destrutiva de si própria.<br />

E o pariato não é isto. É o deleite de ter comércio<br />

com seu igual, de sustentá-lo e sustentar-se na recíproca<br />

contemplação, sem ambição de destruição. E na subordinação<br />

a um superior, que era o suserano, que preenchia<br />

o vácuo e tornava a ambição da emulação impossível.<br />

Havia tal noção da força desse pariato, que, quando<br />

um dos pares fazia algo que superava os outros, todos<br />

se sentiam honrados e eram levados a empurrar para a<br />

frente a honra coletiva, dando outra contribuição e mantendo<br />

essa semelhança nutritiva.<br />

Isso foi destruído pela Revolução, e hoje não se compreende<br />

mais.<br />

Essa relação de pariato — estável, digna, uma flor do<br />

convívio humano — é o mútuo respeito entre iguais. É<br />

uma coisa que me deleita: ver iguais que se encontram<br />

e fazem reverência um para o outro. Em certo sentido, a<br />

mera reverência do inferior ao superior não tem a beleza<br />

da reverência entre iguais.<br />

Eu ainda peguei algo disso nas maneiras antigas, no<br />

trato entre amigos de uma geração que ficava entre a de<br />

meus pais e de meus avós. Encontravam-se na rua, por<br />

exemplo, cumprimentavam-se com certa solenidade.<br />

Exatamente tinha algo daquele mútuo apreço carregado<br />

de respeito, em que entrava uma das coisas mais nobres<br />

da alma do homem, que é o respeito por si mesmo, e<br />

que não é a visão vaidosa, não tem nada de comum com<br />

a vanglória. É o respeito de si por ser quem é. Dois iguais<br />

se encontram, se deleitam, se respeitam:<br />

é o festim da sustentação<br />

mútua.<br />

A compagnonnage<br />

Rick Morais (CC 3.0)<br />

Henrique de Borgonha recebe a investidura do Condado Portucalense, em<br />

1096, das mãos de Afonso VI de Leão e Castela - Palácio de Versailles, França<br />

Como eu dizia há pouco, não desejando<br />

romper isso para ser mais<br />

do que o outro — o que é fruto da<br />

Revolução —, mas querendo manter-se<br />

iguais; e um, elevando-se,<br />

procurar elevar o outro consigo.<br />

Quando alguém da categoria se<br />

sobressaía, todos se sentiam convidados<br />

a se elevar também. Assim<br />

se passava na classe nobre do pariato,<br />

mas que tinha na classe plebeia<br />

uma expressão muito bonita,<br />

que era a compagnonnage, que se<br />

traduz hoje inadequadamente por<br />

companheirismo, camaradagem.<br />

O termo, em português, se deteriorou<br />

ao máximo, mas a com-<br />

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