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Revista Dr. Plinio 222

Setembro de 2016

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PERSPECTIVA PLINIANA DA HISTÓRIA<br />

altesses.eu (CC3.0)<br />

Cenas da vida de São Luís IX (detalhe)<br />

Catedral de Notre-Dame, Paris, França<br />

ção luzidia, solar, que ela não era anteriormente.<br />

As vistas panorâmicas desenhadas<br />

de Paris, do tempo dos Valois, representam<br />

um casario com muitos restos<br />

do pitoresco medieval, mas, de si,<br />

era uma montoeira de burgueses. Os<br />

nobres moravam em casas um pouco<br />

acasteladas, mas feias, sem brilho.<br />

Levavam uma vida mais rica do<br />

Na sua expansão, o “Rei-Sol” insinuava<br />

que aquilo era um padrão universal<br />

que todos deviam imitar. Ele<br />

considerava que o ser imitado por<br />

todos era o auge dessa porfia. Ora,<br />

tal porfia não precisava ter esse auge,<br />

mas que todos se inspirassem ali<br />

para melhorar características próprias,<br />

conservando os regionalismos.<br />

E Luís XIV quis acabar com os regionalismos<br />

nacionais e de fato os<br />

eliminou.<br />

Não obstante, no sentido cultural<br />

Luís XIV encheu a França da luz dele,<br />

e transformou toda a vida meio<br />

burguesona da França, de maneira a<br />

todo o país ficar luzidio de uma certa<br />

luz de Versailles.<br />

Uma coisa característica: no reinado<br />

dos Valois havia em Paris o<br />

Louvre, com aquela corte muito bonita,<br />

mas fora dela uma cidade completamente<br />

comum, uma maçaroca<br />

de casas com uma ou outra igreja<br />

bonita. Não tinha o esplendor de<br />

vida que Luís XIV lhe deu, que inspirou<br />

nos franceses o desejo de cada<br />

um adornar a sua existência com<br />

uma beleza, uma distinção, proporcionada<br />

a seus meios, fazendo com<br />

que a França inteira ficasse uma naque<br />

o plebeu, mas não com o esplendor<br />

que depois a existência dos nobres<br />

teve.<br />

Luís XIV inaugurou uma coisa na<br />

qual a nação inteira se sentiu interpretada<br />

e subiu até ele. Foi um regente<br />

de orquestra que fez com que<br />

o último francês, do último recanto,<br />

começasse a tocar seu instrumento à<br />

maneira do rei, como se ele dissesse<br />

aos franceses: “França sou eu, França<br />

sois vós. Entrai na minha orquestra<br />

e a França inteira fará ouvir seu<br />

som no mundo!” E foi o que aconteceu.<br />

Resultado: a atração enorme de<br />

gente indo para a França, e a expansão<br />

desse brilho por todo o orbe.<br />

...introduz-se a frivolidade<br />

Gustavo Kralj<br />

Composição representando a sucessão na Casa dos<br />

Bourbons - Museu de Arte Nacional, Londres, Inglaterra<br />

Por outro lado, Luís XIV inseriu<br />

nesse mundo de elegâncias a frivolidade.<br />

O Príncipe de Krue, um grande<br />

militar da corte austríaca que frequentava<br />

muito a corte francesa e<br />

era famoso pelo seu espírito, deixou<br />

memórias nas quais ele conta que,<br />

em sua juventude, quando entrava<br />

um grande marechal num salão,<br />

era o ornato do ambiente e a con-<br />

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