Momentos Memoráveis Sebrae/SC

alespinheiro

Lembranças, memórias e vivências

MOMENTOS

MEMORÁVEIS

DO SEBRAE/SC

LEMBRANÇAS,

MEMÓRIAS E

VIVÊNCIAS

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 1


Conselho Deliberativo

Sergio Alexandre Medeiros - Presidente do Conselho Deliberativo

Alaor Francisco Tissot - Vice-Presidente do Conselho Deliberativo

Entidades

Federação do Comércio do Estado de Santa Catarina - FECOMÉRCIO

Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina - FAESC

Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina - FACISC

Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina - FCDL

Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC

Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina - FAMPESC

Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina - BADESC

Banco do Brasil S.A.

Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE

Caixa Econômica Federal

Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras - CERTI

Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Sustentável - SDS

Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI/DR-SC

Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC

Conselho Fiscal

Titulares

Hamilton Peluso

Lourival Pereira Amorim

Fernando Pisani de Linhares

Suplentes

Gilson Angnes

Erimar de Souza

Marcos José da Silva Arzua

Diretoria Executiva

Carlos Guilherme Zigelli - Diretor Superintendente

Anacleto Angelo Ortigara - Diretor Técnico

Sérgio Fernandes Cardoso - Diretor de Administração e Finanças

Organizadores

Marcondes da Silva Cândido - Gerente

Alessandra Pinheiro - Gestor

Ano 2015

2 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


SUMÁRIO

PREFÁCIO

RELATOS VALIOSOS - INSPIRAÇÕES E LIÇÕES DE VIDA

NADA QUE O TRIATLO NÃO RESOLVA - Adriano Oliveira Alves

FAZER COM DEDICAÇÃO - Ailton Schmidt

OS DESAFIOS FORAM MUITOS - Alcides Cláudio Sgrott Filho

DESAFIOS CONTAGIANTES - Altair Lucínio Fiamoncini

DESAFIOS, ENCARGOS E REALIZAÇÕES - Altenir Agostini

ETERNAS RECORDAÇÕES - Amauri Emílio Pires

SUPERAÇÃO - Ana Lídia de Souza

UMA VIDA PLENA - Anacleto Ângelo Ortigara

A CONVICÇÃO DO EXEMPLO - Antínio Alberto Vieceli

O INESQUECÍVEL PASSEIO DE ESCUNA - Antônio Fernando R.Aragão

UM SERRANO NA GERMÂNIA - Antônio Hélio Oliveira de Souza

VIVER A EXPERIÊNCIA E TRANSFORMAR - Arildo Metzger Jacobus

25 ANOS DE SEBRAE - Carlos Armando Carreirão

AO GUILHERME - Os colaboradores

O SEBRAE COMO ENTE TRANSFORMADOR - Carlos José Dias

SEBRAE: NOSSA NAVE MÃE - Carlos Roberto Gomes Meneses

COMPROMETIMENTO - Cláudio Augusto Nienkoetter

UM SINGELO APERTO DE MÃO - Cláudio Ferreira

À CLEIDE COM CARINHO - Cleide Maria Nienkoetter

UMA FAIXA NA RODOVIA?! - Donizete Boger

SOMOS UM AGENTE DE MUDANÇA - Edgar Macedo Júnior

LINHA DE FRENTE - Eliane da Rosa Figueira Costa

EXPERIÊNCIAS E CONQUISTAS - Eliete Maria de Carvalho

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LEMBRANÇAS E REFLEXÕES - Eugênio de Souza Martinez

ABRACE O SEBRAE - Fátima Leontina Ferreira

JÁ SINTO SAUDADES - Frederico Mauro Rebhaim

COMPROMETIMENTO E APRENDIZADO - Gilson Alberto do Santos

O SEBRAE É UMA ESCOLA - Ionita Rosa Lunelli

GOSTO DE ALEGRAR A VIDA - Iracema Pires Ferreira

UM INTELECTUAL, UM CARIJÓ E UM BAIXINHO - Jaime Arcino Dias Júnior

LIÇÕES DA JÂNIA - Jânia Maria Campos Schmidt

A EXTENSÃO DA NOSSA CASA - Jefferson Paulo Gomes Marchiorato

UM TELEGRAMA GUARDADO COM CARINHO - Jefferson Reis Bueno

POSSO DIZER QUE SOU FÃ DO SEBRAE - Joel Soares Fernandes

DIAS MARCANTES ACONTECEM - Juliana Faria Klann Schmitt

ENCONTROS E REENCONTROS - Kátia Regina Raush

COMPETÊNCIA E RESPONSABILIDADE - Luiz Carlos da Silva

PRÓ-ATIVIDADE PARA ACERTAR - Luiz Roberto Pires

EQUILÍBRIO E PERSEVERANÇA - Márcio Paulo Ribeiro

NOSSAS ESCOLHAS - Marcondes da Silva Cândido

O SEGREDO: ACOMPANHAMENTO INTENSIVO - Marcos Regueira

CADA UM DE NÓS COMPÕE A SUA HISTÓRIA - Margarete da S.Becarri de Abreu

VI O SEBRAE/SC ACONTECER - Margareth Wendhausen

MUITA EMOÇÃO EM UMA DUPLA FORMATURA - Maria de Lourdes Heidenreich

O BALOEIRO E O NOME FANTASMA - Maria Inês Paludo Gregianin

UMA VEZ SEBRAE, ETERNAMENTE SEBRAE - Mônica Guimarães Fontanella

FAÇA ALGO QUE VALHA A PENA - Murilo Emanoel Gelosa

SEBRAE GRAVADO NO PEITO: LITERALMENTE - Osni RogérioVieira Branco

COMPROMISSO COM RESULTADOS DOURADOUROS - Paulo Roberto Moresco

SEBRAE: UMA PÓS-GRADUAÇÃO - Paulo Teixeira do Valle Pereira

VALORIZE E AGRADEÇA - Renato Rosa Xavier

OS DESAFIOS DA LIDERANÇA - Ricardo Monguilhott de Brito

VIVÊNCIAS E EXPERIÊNCIAS - Roberto Tavares de Albuquerque

MUITOS JÁ DEIXARAM SUA MARCA - Robson Schappo

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CARINHO PELAS PESSOAS - Sérgio Fernandes Cardoso

COMECEI JÁ SENDO EMPRESTADO… - Sérgio Henrique Pereira

TODO DIA UM NOVO APRENDIZADO - Soraya Tonelli

CORAGEM, INOVAÇÃO E INICIATIVA - Spyros Achylles Diamantaras

FAZER COM EXCELÊNCIA E DEDICAÇÃO - Sueli Vieira Sarmento Bernardi

MINHA HISTÓRIA - Telma Elita Simon

EM TEMPO DE OPEN INNOVATION - Urandi Flores Boppré

GRANDES AMIZADES - Valmira Maria da Silva

O QUE VIVENCIEI NO SEBRAE - Vera Lúcia Concer Prochnow

GRATIDÃO E RECONHECIMENTO - Wanderley Wilmar de Andrade

COLOCAR A MÃO NA MASSA - Wilson Sanches Rodrigues

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HISTÓRIAS PITORESCAS - PARA LER E RECORDAR

O CORO DE GATO - Sérgio Henrique Pereira

O DELEGADO E A BOMBA - Eugênio de Souza Martinez

O PASSEIO DE ESCUNA - Antônio Fernando Rolemberg Aragão

A SOMBRINHA DE PRAIA - Maria de Lourdes Heidenreich

45 REAIS POR UMA SUGESTÃO?! - Alessandra Pinheiro

O ESPECIALISTA INTERNACIONAL - Sérgio Henrique Pereira

LINHA DE FRENTE - Eliane da Rosa Figueira Costa

O TOCA-FITAS - Osni Rogério Vieira Branco

A DESCOBERTA DO PAINTBRUSH - Edgar Macedo Júnior

O PALESTRANTE SHOW - Sérgio Henrique Pereira

A BARBA DO CALISTO - Maria de Loudes Heidenreich

GRUDADA NO FERRO DE PASSAR - Fátima Leontina Ferreira

EMPURRANDO O FUSCA LADEIRA ACIMA - Gilson Alberto dos Santos

O BALOEIRO E O NOME FANTASMA - Maria Inês Paludo Gregianin

SEM PARABRISAS, SEM LENÇO E SEM DOCUMENTO… - Paulo Teixeira do

Valle Pereira

APRESENTAÇÕES - Spyros Achylles Diamantaras

AH, OS NOMES... Spyros Achylles Diamantaras

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O DESPERTADOR - Maria de Lourdes Heidenreich

NÃO TEM COMO ADIVINHAR - Spyros Achylles Diamantaras

O CARRO DE SOM - Edgar Macedo Júnior

A KOMBI DA ASSOCIAÇÃO - Maria de Lourdes Heidenreich

A PERUCA - Maria de Lourdes Heidenreich

VENDE-SE PACU - Maria de Lourdes Heidenreich

UM TIJOLO PARA O PAI - Maria de Lourdes Heidenreich

O PAPAI NOEL DE PALHOÇA - Wilson Sanches Rodrigues

A MALA DE DINHEIRO - Marcondes da Silva Cândido

O FUTURO - Wilson Sanches Rodrigues

O BOLETIM DE OCORRÊNCIA - Alcides Cláudio Sgrott Filho

QUEM COMEU O BOLO? - Marcondes da Silva Cândido

LISA’S - Joel Soares Fernandes

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FICA A SAUDADE...

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PREFÁCIO

O

desejo de reunir as histórias do Sebrae/SC sempre foi demonstrado por diversos

empregados nas conversas de corredor, nas viagens à trabalho, nos eventos e ou

confraternizações. O serviço prestado pela nossa instituição e a sua missão, além

de naturalmente gerar o convívio diário entre as pessoas na jornada de trabalho, sempre

demandou deslocamentos aos municípios, diversas reuniões, proporcionando uma maior

interação entre as equipes. São muitos os fatos marcantes, os aprendizados, os momentos

engraçados e pitorescos vividos e juntar num livro com o objetivo de registrar e compartilhar

sempre nos pareceu um desafio distante, diante da infinidade de atividades e objetivos

do dia a dia.

Não há dúvidas de que esta interação gerou bons frutos e muitos, inclusive, estabeleceram

fortes laços que ultrapassam as fronteiras da organização. Surgiram grandes

amizades e até mesmo a oficialização de relações familiares, como casamentos e apadrinhamentos

de matrimônios e de filhos. O Sebrae cresceu, e acompanhou o crescimento

de cada um, como pessoa e como profissional em diversos ciclos marcantes e históricos.

Foi o primeiro estágio, o primeiro emprego ou o único trabalho de muitos. E, como todo

ciclo possui o seu início e fim, o ano de 2015 é marcado como um dos fechamentos mais

importantes dessa jornada. O desligamento incentivado de vinte e um colegas, projeto capitaneado

pela Diretoria Executiva e muito aguardado por diversos empregados, tornou-

-se a mola propulsora para que este livro finalmente fosse elaborado e publicado. Todos

aqueles que decidiram partir para novos desafios levam um pouco de cada um de nós, mas

inevitavelmente, deixam muitas saudades, além de conhecimentos, experiências e, acima

de tudo, o exemplo do que é ser um profissional íntegro, verdadeiro e ético.

A história desta instituição é aquilo que foi, é, e seguirá sendo construída pelo seu

time, e todos são parte fundamental: os muitos que já passaram e deixaram as suas mar-

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cas, os que partem agora, aqueles que aqui permanecem e os que virão futuramente. Este

livro é um registro em forma de relatos dos empregados que atuam em prol dos pequenos

negócios há mais de quinze anos e representa não a história completa, mas apenas este

momento da história. Resume as narrativas que conseguimos captar, respeitando o tempo

e o desejo individual de cada um de contribuir. Num primeiro momento todos foram

convidados a enviar os seus relatos na forma de pequenos textos e, em seguida, apoiamos

na escrita coletando os conteúdos por meio de entrevistas, transcrevendo em texto para

ajustes e validação dos seus autores. A correria de fim de ano, os compromissos inadiáveis

e as metas a atingir foram os maiores desafios a serem superados por eles para fazer a sua

narrativa. Estimamos que cada um precisaria dedicar poucos minutos para elaborar o seu

relato, e para a nossa surpresa muitos se estenderam no tempo, nas entrevistas a conversa

fluiu, as lembranças de tempos passados voltaram, momentos marcantes foram revividos

e as emoções transbordaram a escrita. A saga dos que escreveram seus textos sem o apoio

das entrevistas diziam: “Estou com o Word aberto”, “Nossa como é difícil escrever”, “Ih!

Esqueci”, “Faço a noite em casa”. Durante as leituras e contatos para ajustes e revisão surgiram

outros momentos de gargalhadas, novas memórias brotaram, desabafos, alegria,

gratidão, angústias, choros, risadas e reflexões.

Cada história conta com uma particularidade especial, a personalidade e desejo

de cada um é que faz deste livro uma rica e diversificada descrição dos tão progressivos e

inovadores anos da nossa empresa. Alguns relatos foram cronológicos, outros demonstram

expertise, outros detalham passagens, fatos marcantes e alguns até pitorescos. A

cultura, a experiência e a infinita alegria de pertencimento de ter contribuído a sua maneira

a esta grande e vitoriosa história do Sebrae/SC é a grande lição, aumentando ainda

mais a responsabilidade dos que ficam em cumprir com alegria e excelência a tão nobre

missão de atender os pequenos negócios, seguindo sempre firme, “lutando com alegria” e

acreditando na possibilidade de fazer, por meio das nossas atitudes, um mundo mais justo

e sustentável.

O agradecimento muito especial a todos os que de alguma forma contribuíram

estimulando, relembrando e se regozijando com o movimento deste livro. Aos autores que

compartilharam seus relatos, o agradecimento maior pela doação de parte de si. Aos cole-

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gas que partem neste ano de 2015 todo o nosso louvor e desejo de sucesso em suas novas

e nobres missões. Na síntese de todos os nossos desafios para a realização deste trabalho,

das alegrias e tristezas evidenciadas, a grande lição que tiramos é o sentimento inabalável

da gratidão que estampa as páginas que seguem. A saudade que fica releva um sentimento

de quem viveu intensamente momentos jamais vividos e que jamais serão esquecidos,

como expressou Casemiro de Abreu no poema meus oito anos::

Oh! que saudades que tenho da aurora da minha vida,

Da minha infância querida que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores, ...

Organizadores

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RELATOS

VALIOSOS

INSPIRAÇÕES E

LIÇÕES DE VIDA

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12 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


NADA QUE O

TRIATLO NÃO

RESOLVA

O SEBRAE EXIGE DEDICAÇÃO E É MUITO

IMPORTANTE ESTAR SEMPRE ATUALIZADO.

Adriano Oliveira Alves

Eu entrei no Sebrae/SC quando tinha 17 anos, comecei como oficce boy, ou

contínuo, como chamavam na época. Depois de um ano, perguntaram se

eu gostaria de trabalhar na representação estadual do Instituto Nacional

de Propriedade Industrial – INPI.

Estavam fazendo uma seleção interna e o gerente, Urandi, tinha uma lista de possíveis

candidatos, que incluía o meu nome. Eu nem imaginava o que era o INPI; estava me

formando no ensino médio, mas aceitei o desafio. Foi assim que me tornei funcionário,

com carteira assinada, com apenas 18 anos de idade.

Nesse período inicial, eu fiquei desenvolvendo atividades de registro de marcas e

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patentes e, quando o Sebrae/SC devolveu a representação para a Junta Comercial, eu fui

deslocado para trabalhar dentro da própria junta, e repassar para as pessoas que iriam

assumir, os procedimentos da função. Fiz essa transição, o que durou em torno de seis

meses, ensinando como fazer os registros de marcas e patentes.

Voltando ao Sebrae/SC, continuei trabalhando na área de registro de marcas e

foi, também, o momento em que iniciei meu curso superior em administração de empresas.

Quando surgiu a Gerência de Projetos Regionais e Setoriais, que tinha o Marcondes

como gerente e reuniu, também. as atividades da Gerência de Tecnologia – que se transformou

em um núcleo de tecnologia – passei a trabalhar com o Sebraetec e o Projeto de

Eficiência Energética. Esses eram os que mais me demandavam, mas havia outros ainda

em que eu auxiliava.

A nossa missão, neste sentido, era apoiar a transferência de tecnologia, ou seja,

aproximar o cliente, e a sua necessidade, da empresa com competência para assessorá-lo

em determinado assunto. São temáticas que a equipe interna do Sebrae /SC não domina,

mas pode acionar as empresas credenciadas de inovação e tecnologia para suprir a demanda.

Para ter ideia, no ano de 2015, foram realizados, por meio desta solução, 2.000

projetos e, em cada projeto, há várias empresas a ser atendidas.

Nunca trabalhei na ponta, ou seja, no atendimento direto ao cliente. Também

não gosto de falar em público e nem de aparecer muito. Eu gosto do trabalho de gestão

de projetos, dessa área administrativa, e me realizo desenvolvendo essa atividade. Exige

atenção e concentração; afinal, somente via Sebraetec, neste ano, foram investidos aproximadamente

R$ 60 milhões. E, no próximo ano, todas as empresas beneficiadas passarão

por relatórios de auditoria, o que, hoje ocorre apenas com uma amostra delas.

Para aliviar o estresse, nas horas vagas, eu faço triatlo: nado, pedalo e corro. Este

ano, não tenho treinado tanto; pois meu filho está participando da escolinha de futebol, aos

sábados, e eu o acompanho. Antes, este era um dos meus horários de treinamento do triatlo.

Mesmo assim, continuo treinando durante a semana, mas são treinos avulsos: ou

é só natação, ou só corrida, e não o circuito completo. Acordo cedo para treinar natação,

antes de vir para o trabalho. As pessoas falam da falta de tempo para fazer exercícios físicos;

por exemplo, ano passado, às 6h30min da manhã eu já estava nadando. Quem quer,

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encontra tempo. E isso vale para tudo na vida. É força de vontade, desejo de fazer, e incluir

na rotina.

No Sebrae, minha rotina, de certa forma, é repetitiva. Exige muita leitura e muita

atenção para fazer a correta liberação dos recursos. Inclusive alguns projetos são reprovados,

ou precisam de revisão, mas nada que o triatlo não resolva (risos). O Sebrae exige

dedicação e é muito importante estar sempre atualizado e continuar estudando.

Quanto a histórias pitorescas deste período, não me lembro de muita coisa. Eu

mais faço parte da plateia do que estou entre os envolvidos nas peripécias. Mas lembro de

um fato ocorrido em uma viagem.

No Sebraetec, quando os projetos recebiam apoio financeiro, a gente realizava

auditoria, na empresa beneficiada, para verificar a aplicação desses recursos. Eu nunca

havia feito este tipo de trabalho, mas o Urandi disse:

- Você vai gostar de fazer isso. Vai viajar.

Nessa minha primeira viagem, fomos eu e o Sérgio Pereira, para a cidade de Pinhalzinho,

no Oeste do estado. O nosso gerente nos orientou a nunca entramos os dois na

empresa, pois o empresário não se sentiria confortável. O Sérgio, que já tinha experiência,

disse para eu ficar tranquilo, pois era algo muito rápido; em uns 20 a 30 minutos estaria

tudo resolvido. Chegamos à empresa, eu entrei e o Sérgio ficou na rua, esperando. O empresário,

neste dia, atrasou mais de meia hora para me receber e a atividade de auditoria

também foi muito demorada, durou quase uma hora. Era um dia de verão, muito sol e

muito calor mesmo.

Quando eu saí da empresa, estava o coitado do Sérgio, do lado de fora, na rua,

embaixo de uma árvore, tentando se proteger do sol escaldante, chupando um picolé; e, do

lado dele, um cachorro sentado. Era a cena da desolação. Ele me disse:

- Poxa cara, já é o quarto picolé. Arrumei até um amigo pra me fazer companhia,

de tanto que você estava demorando.

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16 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


FAZER COM

DEDICAÇÃO

AS PESSOAS QUE TRABALHAM

NO SEBRAE/SC SÃO MUITO

ATENCIOSAS E CARINHOSAS.

Ailton Schmidt

Estou quase completando 37 anos de Sebrae/SC. Comecei a trabalhar no

Sebrae com 19 anos de idade, na área administrativa. Ao longo desse tempo,

recebi convites de outras unidades e gerências para desenvolver novas

atividades, mas eu sempre gostei de trabalhar nesse setor.

Para mim, é uma satisfação organizar os materiais dos cursos do Sebrae/SC. Acho

interessantes os materiais que têm dinâmicas, outros trazem tarjetas coloridas, letras diferentes.

Um exemplo é o do curso Lidere sua Equipe de Trabalho, que tem muitas dinâmicas

de grupo e vários materiais adicionais. É preciso ter uma grande atenção para

organizar tudo. Para mim, de certa forma, é uma terapia organizar isso, tanto o material

que vai para os escritórios regionais, quanto o material que retorna. É um momento em

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 17


que minha concentração fica voltada para isso e mais nada. Há quem não gostaria dessa

atividade, mas, para mim, não deixa de ser algo prazeroso.

Há, claro, muitas outras atividades que realizo no setor administrativo. Já fui, também,

motorista substituto, busquei autoridades em aeroporto, organizei muitos materiais.

Hoje, sou responsável pelo almoxarifado em tempo integral. São muito materiais, tanto de

cursos, quanto outros materiais em si – como livros, folders, cartilhas – que ficam lá, organizados,

e são solicitados pelas unidades do estado. Sempre fui proativo e disposto a colaborar

em qualquer atividade que me fosse solicitada, ou na qual meu trabalho fosse necessário.

Lembro de um fato, da época em que entrei no Sebrae, nos anos 80. O Sebrae/SC

tinha uma frota de fuscas e um consultor, o Célio Furtado, hoje professor da Universidade

em Itajaí, ligou no Sebrae, para o administrativo, e disse:

- Ailton, vem me socorrer. Estou aqui na garagem e furou o pneu. Vem me ajudar,

a chave não entra no parafuso.

Fui até lá, mas o problema era apenas uma capa que revestia o parafuso e ele não

havia se dado conta de tirar. Logo percebi isso e trocamos rapidamente o pneu. Esse é o

meu jeito de ser, sempre ajudando no que for preciso.

As pessoas que trabalham no Sebrae são muito atenciosas e carinhosas. Foi muito

bom trabalhar no Sebrae. Sinto que sempre fui bem quisto por todos. Tenho um filho

de 20 anos, que faz publicidade e propaganda. Ele trabalha em uma agência e também faz

alguns trabalhos, como freelancer, em horários fora do expediente. Certa vez, ele foi convidado

pelo Sebrae para fazer um trabalho de arte, mas como a agenda dele de trabalho

estava lotada, não pôde atender a demanda. Ele até me disse:

- Pai, fiquei triste, mas estou com muito trabalho agora e não consigo atender

mais nada.

Ele tem apenas 20 anos, mas é bem dinâmico e criativo. Tenho orgulho dele. Ele

é simpático igual ao pai (risadas). Ele é resultado da educação que eu e minha esposa passamos

para ele.

Acho que as pessoas devem agarrar, com todas as forças, as possibilidades do

Sebrae/SC. Desenvolvam seu trabalho corretamente. Aproveitem todos os cursos e capacitações

que o Sebrae/SC oferece, pois são todos muitos bons. Realizando o seu trabalho

com dedicação, é possível progredir. Isso o Sebrae/SC oferece e vale muito a pena.

18 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


OS DESAFIOS

FORAM MUITOS

FORAM GRANDES APRENDIZADOS

QUE ATÉ HOJE NÃO ESQUEÇO

Alcides Cláudio Sgrott Filho

Uma das épocas mais marcantes da minha vida, no Sebrae/SC, aconteceu

quando fui convidado para assumir a agência de Brusque, como agente

local. Eu morava em Florianópolis, na Barra da Lagoa e, para assumir

esse desafio, deixei minha esposa e meu filho de apenas dois meses de idade.

Comecei a trabalhar em uma cidade baseada na cultura germânica, foi difícil criar

relacionamento com as pessoas, inicialmente. Além disso, eu não conhecia ninguém e, tanto

na hora do almoço quanto ao final do dia, às 18hs, o comércio todo já fechava as portas.

A empresa nos exige um pouco de doação, mas alguns anos se passaram, e tive

a grata satisfação de ter meu trabalho reconhecido. Fui convidado para assumir, como

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 19


coordenador regional, na Foz do Itajaí. Uma satisfação assumir o novo desafio, colocar a

regional entre as três maiores do estado, nas metas e nos projetos, e ter uma equipe competente

e trabalhadora, na busca dos nossos resultados.

Minha história, no Sebrae/SC, começou em setembro de 1989. Fiquei sabendo

que havia vagas para trabalhar no CEAG, uma empresa prestadora de serviço do governo

do estado.

Neste período, o governo estava realizando um programa chamado PIDSE, no

qual cada município recebia um estudo completo dos setores primário, secundário e terciário

e suas oportunidades de desenvolvimento.

Eu estava cursando ciências econômicas na Fepeve, hoje Univali. Minhas atividades

de trabalho, na época, eram fazer as correções e tabulações de dados com vários colegas,

num ambiente muito agradável. Ficávamos nas grandes mesas, trabalhando em grupo.

Depois disso, tivemos um período mais difícil, no Sebrae/SC, pela falta de recursos.

Colegas foram cedidos para trabalhar em outros órgãos, alguns trabalharam com menores

salários, outros saíram para tocar suas vidas em empresas privadas, Isso perdurou

até que novos projetos surgiram.

Lembro de um destes projetos, o Padem. Foi montada uma equipe para trabalhar

no interior de São Paulo, abrangendo 25 municípios. Na sede do Sebrae/SP, eu e o Spyros

ficávamos fazendo a tabulação dos dados e a montagem dos relatórios.

Dessa etapa da minha vida é que vem à memória um período de grandes desafios.

Fui para São Paulo, realizar os trabalhos de repasse de metodologias e tabulações de dados,

ao mesmo tempo em que produzia o meu trabalho de conclusão do curso de graduação,

também construía a minha casa na Barra da Lagoa e, ainda, realizava os preparativos

para o meu casamento. Ufa! No dia 11 de dezembro foi a minha formatura e, no dia 12, o

meu casamento.

Desses tempos, tenho algumas recordações, como, por exemplo, quando novato,

ter que arrumar as cadeiras dos auditórios, minuciosamente. O saudoso mestre Colombelli

levava a gente para eventos de apresentações de projetos, nos municípios, e ensinava, desde

a arrumação das cadeiras, alinhadas nos mínimos detalhes, até o treinamento da apresentação

para o grande público. Foi um grande aprendizado que, até hoje, não esqueço.

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Outro fato que não esqueço é a realização do Proder, na Serra Catarinense. Fomos,

eu e o Spyros, realizar as atividades do projeto nas cidades de Rio Rufino e Urupema.

Viajávamos com um carro (Gol), dividido entre nós dois. Um dia eu ficava com o carro, em

Urupema, e no outro o Spyros utilizava, em Rio Rufino.

Era um dia chuvoso, fazia muito frio, e o Spyros me deixou na Prefeitura de Urupema

e saiu para seu trabalho em Rio Rufino. Na segunda curva da estrada, a pasta que

estava no carona caiu. O Spyros, dirigindo, se esticou todo para pegá-la, mas perdeu a

direção e acertou um posto de luz. O detalhe é que era o poste que tinha o único transformador

do centro da cidade. Resultado: detonou o carro e a cidade ficou sem energia o dia

todo.

Ele chegou, todo assustado, à prefeitura, relatando o fato. Fomos fazer o boletim

de ocorrência e o delegado, após consultar os seus arquivos, nos disse que era a primeira

ocorrência da cidade.

Estar no Sebrae/SC significa amizade, segurança, honestidade, irmandade, liderança,

educação e respeito. Seja sempre proativo no que você faz. Tenha iniciativa em tudo

que você puder, mas também seja humilde em buscar informações, caso não saiba ou não

tenha segurança.

Por fim, agradeça todos os dias a Deus por ter saúde e um trabalho desafiador e

que proporciona bons momentos e muito aprendizado.

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22 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


DESAFIOS

CONTAGIANTES

TRABALHAR NO SEBRAE É CONTRIBUIR

PARA O DESENVOLVIMENTO

SOCIOECONÔMICO

Altair Lucínio Fiamoncini

Sempre era dito, à época da contratação e ainda por muito tempo, que o

CEAG/Sebrae “era uma cachaça”. Essa colocação tinha o sentido de que as

pessoas que atuavam na empresa eram “apaixonadas” pelos trabalhos que

desenvolviam. De fato, rememorando a história vivida, o que motiva é saber que, como

consultor ou instrutor, por meio de ações organizadas, temos a capacidade de ajudar muitas

pessoas que, por consequência, melhoram suas empresas e beneficiam outras tantas

pessoas.

Entrei no CEAG em 1987. A oportunidade ocorreu a partir de um colega de aula e

de movimento estudantil na UFSC, que já trabalhava na empresa. Esse colega era Sandro

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Afonso Morales, morava na ‘república’ – como era chamada a casa de estudantes – e, um

dia, ele me informou que o CEAG estava recrutando consultores. Eu não estava formado,

mas o Sandro insistiu que eu verificasse se poderia participar, porque estava faltando somente

a entrega do trabalho de conclusão de curso. Com o estímulo dele, fui até o CEAG,

participei do processo seletivo e fui classificado. A partir daquela data, participei do curso

com funcionários do CEAG de Santa Catariana e do Paraná, para aprender a ser consultor

e instrutor.

Uma das memórias mais marcantes foi o primeiro curso APN – Administração

de Pequenos Negócios que ministrei. Isso aconteceu após passar um ano acompanhando

e aprendendo com consultores e instrutores mais experientes. Com a aprovação do supervisor

do Pro-Micro (Programa de Capacitação e Crédito para MPEs, à época), Eugênio

de Souza Martinez, eu realizei, então, a minha primeira capacitação para empresários.

Por falar em capacitação, lembro de uma de que participei, na qual foi realizada

uma dinâmica de grupo. Cada participante da capacitação, entre outras demandas, deveria

se identificar com um animal. Quando da minha apresentação, informei que gostaria

de ser um “cavalo”, porém um cavalo selvagem. A partir daí, passei a ser apelidado de

“cavalo selvagem”. A história se espalhou e o colega de trabalho Gesser, numa oportunidade,

me chamou de “cavalo alado”. Mais recentemente, a colega Vera, de ‘cavalo xucro’.

Brincadeira que, até hoje ocorre entre os colegas.

Outra memória gratificante é do trabalho como agente de articulação na região

da AMUREL – Associação dos Municípios de Região da Laguna. Realizei muitos trabalhos

de desenvolvimento setorial e territorial, e o trabalho mais marcante foi a realização do

Proder Comcenso, em Tubarão, que ocorreu entre 2001 e 2006. Ao final da primeira etapa,

o prefeito municipal à época – Carlos Stupp - foi eleito o Prefeito Empreendedor de

Santa Catarina, como resultado desse trabalho.

Sinto-me gratificado por ter contribuído intensamente para o desenvolvimento

socioeconômico da cidade de Tubarão e região. Aos colegas que chegam, digo que aproveitem

a oportunidade de trabalhar no Sebrae. Os desafios que surgem são contagiantes,

empolgantes e emocionantes. Mas lembrem de promover o equilíbrio entre a vida pessoal

e os dias de trabalho.

24 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


DESAFIOS

ENCARGOS E

REALIZAÇÕES

QUEM QUER TRABALHAR POR UM PROPÓSITO,

POR UMA CAUSA, ESTÁ NO LUGAR CERTO.

Altenir Agostini

Os anos de 1999 e 2000 foram um divisor de águas no modo de trabalho

do Sebrae/SC, que saía de um modelo pulverizado de pontos de atendimento

– os Balcões SEBRAE – para um modelo de atendimento por

meio de parcerias com entidades empresariais. A implantação deste novo modelo trouxe

consigo diversas dificuldades em alguns municípios, que tiveram os seus balcões fechados,

ou estavam na iminência de tê-los e acabaram perdendo-os.

O tratamento dispensado ao Sebrae/SC – e por consequência ao seu agente de

articulação – não foi muito bom em alguns municípios. O primeiro prefeito que visitei,

logo após assumir, foi do município que havia sido escolhido para receber o Proder Com-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 25


senso. Audiência marcada para as 9 horas; cheguei com 20 minutos de antecedência e

sentei na antessala do prefeito. A secretária pediu que aguardasse, pois o prefeito já estava

chegando. Duas horas e algumas ligações do prefeito depois, eis que ele chega, com cara de

poucos amigos. Convidou-me para entrar e já foi disparando:

- Deixei você me esperando de propósito e só estou te atendendo porque você não

vai embora e eu preciso usar minha sala!” Atônito, parei o movimento de sentar na cadeira

pela metade e ainda ouvi: “Estou com a pessoa contratada para ser a atendente do Balcão

SEBRAE esperando para ser chamada e agora não vai mais ter Balcão. O que eu digo para

a minha sobrinha?

Em outro município, a secretária do prefeito na época era a filha dele. E era ela

que iria ser a responsável pelo Balcão. Cada vez que eu ligava para marcar uma audiência

com o prefeito, ela dizia: “Ah, é do Sebrae... vocês estão vindo montar o Balcão Sebrae

aqui? Não? Então, liga de novo quando for para trazer o Balcão!! Tive que esperar a nova

eleição e torcer para o prefeito perder para poder voltar à cidade dele.

Essas situações me deixaram preocupado e levei-as ao nosso superintendente

(não época, o Dr. Kieling), que respondeu com uma frase que lembro e uso até hoje: “Não

se preocupe. O Sebrae/SC quer trabalhar com quem quer trabalhar!” Essa frase me deixou

mais animado, e logo depois assinamos parceria com a Associação Comercial e Industrial

de Curitibanos, que foi a segunda entidade empresarial credenciada no Estado.

Em outro cidade, o prefeito eleito foi um político folclórico, bonachão e último

exemplar do coronelismo político local. Gabava-se de conhecer 85% da população pelo

nome. “Se não pelo nome, sei de que família é!” costumava dizer. Alguns dias depois da

posse, marquei uma audiência e fui me apresentar como o representante do Sebrae/SC na

região. Não deu muita bola para a conversa, até perguntar se eu tinha parentes na cidade

e descobrir que eu era sobrinho do parceiro de baralho dele, tio Ângelo Righes, que havia

falecido recentemente. A partir daí, meio que como a reverenciar o amigo falecido, passou

a me “adotar’ em algumas ocasiões. Se eu ficasse duas semanas sem ir à Prefeitura, ele

mandava me ligar para ir lá tomar um cafezinho. Numa dessas vezes ele me chamou, pediu

um cafezinho e continuou a fazer o que estava fazendo, sem dirigir uma palavra a mim.

Apanhei um jornal e comecei a ler. Meia hora depois a secretária entra preocupada na sala,

26 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


me chama num canto e pergunta: “Vocês brigaram?” “Faz trinta minutos que estão aí sem

conversar...”. Voltei até o prefeito, agradeci o café e quando fui me despedir ele disse: “Senta

aí! Tenho que ir no Fórum dar um depoimento, mas vou deixar eles esperando mais um

pouco! Depois digo que foi por tua causa” completou, rindo.

Em outra oportunidade, fui com ele a uma reunião, no carro da Prefeitura. No

banco de trás, dois pacotes de cigarro. Meio que para puxar conversa, falei: Prefeito, o

senhor já tem uma certa idade, deveria parar de fumar! Ele me olhou sério e disse: Você

já me viu fumando alguma vez? Humm... não! Respondi ainda tentando lembrar dele fumando...

Mas então por que esses pacotes de cigarro? E ele, sem cerimônia: “mas tu é

burro, heim! Eu não fumo, mas meus eleitores fumam!!!

Vivências e convivências que fazem parte dos nossos dias de trabalho.

Atualmente, temos na Coordenadoria Regional Serra dois projetos pelos quais

tenho especial carinho: o de Turismo de Experiência na Serra e o de Revitalização de Espaços

Comerciais de Lages, ambos com potencial de modificar a realidade dos territórios

onde estão sendo implementados.

Essa missão de modificar a vida das pessoas e a oportunidade de acompanhar

experiências de sucesso e empreendimentos que se consolidaram, com o apoio do Sebrae

é única. Destaco todo o trabalho realizado desde 2003, durante a implantação da Usina

Hidrelétrica de Campos Novos – ENERCAN. A criação do Fundo de Desenvolvimento,

que aportou mais de um milhão de dólares em duas dezenas de negócios apoiados desde

o início pelo Sebrae/SC, no âmbito do Projeto ENERCAN, ajudou centenas de famílias

lindeiras e mudou a vocação econômica de municípios como Abdon Batista.

Iniciei no Sebrae/SC em fevereiro de 2000, como agente de articulação em Curitibanos,

após ter experiências profissionais em grandes e pequenas empresas. Logo que

entrei no Sebrae/SC, o querido e falecido colega Hercílio me disse: o Sebrae é uma cachaça,

você não vai querer largar mais! Após 15 anos nesta casa, a família Sebrae me presenteou

com diversos amigos ao longo deste tempo. Alguns alçaram novos vôos, outros permanecem

na instituição. Independentemente da lotação e do cargo, sempre encontramos em

nossos colegas uma palavra amiga, um gesto de carinho e um coleguismo genuíno.

Para as novas gerações eu digo que, mais que um emprego, o Sebrae é uma mis-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 27


são. Quem quer trabalhar por um propósito, por uma causa, aceitando os desafios e encargos,

está no lugar certo.

28 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


ETERNAS

RECORDAÇÕES

O COMPROMISSO DE

FAZER SEMPRE O MELHOR.

Amauri Emílio Pires

Eu era motorista de ônibus e diretor do sindicato dos motoristas quando resolvi

ir até o Sebrae, buscar informações para me aperfeiçoar na função de

diretor do sindicato. Nesse dia, para minha surpresa, fui convidado pelo

então diretor do Sebrae/SC, senhor Paulo Ferreira, para participar de uma seleção para

motorista da empresa. Isso aconteceu no ano de 1991. Eu aceitei o convite e participei do

processo seletivo, que aconteceu na semana seguinte. Participaram dez candidatos e eu fui

o primeiro colocado. A vaga era para motorista e para atender o então superintendente,

senhor Vinicius Lummertz.

Meu maior desafio veio no ano 2000, quando minha esposa, Fátima, começou a

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 29


ficar doente. Eu estava sozinho para cuidá-la, tinha a incumbência de exercer minha função

de motorista e, ao mesmo tempo, fazer o papel que até então era dela, como cuidar

da casa e fazer almoço. Todas as semanas eu a levava e trazia da hemodiálise. Não posso

deixar de relatar que também passei a atender e cuidar dela como enfermeiro. Mesmo

assim, sempre tive a preocupação com a qualidade do meu trabalho, tanto para com o

Sebrae, quanto com o superintendente. Graças a Deus, desempenhava as duas funções

com muita dedicação e o carinho, até os últimos dias da vida da minha esposa. Valeu meu

esforço. Sinto-me realizado e com a certeza que fiz o melhor. Hoje eu posso afirmar que

cumpri minha missão.

Uma das minhas lembranças mais marcantes, e que me deixou muito feliz, é da

época em que o senhor Carlos Guilherme Zigelli assumiu como superintendente. Tive a

dignidade de ir até sala dele e colocar meu cargo de motorista à disposição. Então, ele me

respondeu: “vou precisar muito de você e foste muito bem recomendado”. Confesso que

foi gratificante para mim.

Durante tantos anos de trabalho, muitos fatos pitorescos aconteceram. Certa

vez, na cidade de Criciúma, que eu não conhecia muito bem, saí de um evento e estava

conduzindo o senhor Moresco. Era noite e precisávamos nos dirigir ao hotel no qual estávamos

hospedados.

- Sabes o caminho do hotel? - Perguntou o Sr. Moresco.

- Não sei.

- Então, segue aquele carro da frente, que é do senhor Peluso, pois vamos para o

mesmo hotel.

Com essa instrução, eu fui seguindo o carro. Mas, algum tempo depois, nos demos

conta de que aquele carro da frente não tinha nada a ver com o nosso itinerário. De

repente, o motorista que conduzia o outro carro entrou em sua garagem. E só faltou entrarmos

juntos, pois tínhamos perdido de vista o carro do senhor Peluso.

Outro fato, quase trágico, aconteceu quando eu conduzia os senhores Carlos Zigelli

e Sérgio Cardoso, na BR 101, na região de Itajaí. Fui fazer a ultrapassagem de um

caminhão. Estando já quase no meio da ultrapassagem, o motorista joga o veículo “para

cima” do nosso carro, nos pressionando, literalmente, para cima da mureta de concreto

30 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


que divide as pistas da rodovia. Sorte que, em um impulso muito rápido, reduzi a velocidade

e voltei para trás do caminhão, impedindo uma tragédia.

A família Sebrae/SC foi, para mim, um aprendizado muito bom. Convivi, realmente,

com pessoas legais, seres humanos muito especiais e gentis. Digo que a paz, a

honestidade e a solidariedade reinam em cada um dos seus colaboradores.

Os momentos felizes que vivi foram muitos. Ressalto as festas e as confraternizações

de Natal e fim de ano. São festas memoráveis, que ficarão na minha mente como

uma eterna recordação.

A mensagem àqueles que estão chegando para integrar o quadro de funcionários

do Sebrae/SC, que sejam bem-vindos e possam desenvolver atividades com o compromisso

de fazer sempre o melhor para que o Sebrae/SC mantenha-se em primeiro lugar na

qualidade dos seus serviços.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 31


32 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


SUPERAÇÃO

AQUI A GENTE FAZ TUDO E MAIS UM POUCO,

SEMPRE COM MUITA DEDICAÇÃO.

Ana Lídia de Souza

Por informação trazida pelo meu irmão, fiquei sabendo que estava acontecendo

o processo seletivo para datilógrafa, no então CEAG. Era 1984 e eu

tinha 19 anos. Cursava administração na UFSC á noite, e fazia estágio na

agência Caixa Econômica Federal da Beira Mar. Mas estava á procura de trabalho integral.

O objetivo era trabalhar em uma empresa na qual eu pudesse ficar após formada.

Participei do processo com mais 12 candidatas; fizemos prova prática e, depois,

fui chamada para entrevista com o diretor, Antônio Alves Filho. Alguns semestres depois,

ele foi meu professor de administração financeira.

Fui aprovada, éramos cinco funcionários no setor. Conheci a Elena Loch, a chefe

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 33


do setor era a Terezinha Blatt, que já havia sido secretária executiva, com ela aprendi muito.

Anos mais tarde, também fui secretária, na Gerência e na Diretoria Executiva, e pude colocar

em prática tudo o que ela me ensinou. Ainda hoje nos falamos, esporadicamente, mas é

uma amizade pura e verdadeira; uma das poucas daquela época, mas muito marcante.

Um ano depois, comecei a namorar um colega da empresa, 13 anos mais velho.

Eu nunca gostei de homens da minha idade. Ele já tinha sido casado e, na época, tinha um

filho de 10 anos.

Tive que enfrentar a família, principalmente minha mãe, que era totalmente contra,

pela diferença de idade e por ele ter um filho e ser extremamente “mulherengo”. Nada

disso era motivo para eu deixá-lo; estava apaixonada e queria viver aquele momento.

No ano seguinte, a empresa abriu uma unidade na cidade de São Bento do Sul. Decidimos

ir e “juntamos as trouxas”. Eu estava com 22 anos. No papel, nunca casamos. Transferi

a faculdade e acabei me formando lá. E o filho dele foi conosco, já me chamando de mãe.

Dois anos depois, fomos convidados a voltar para a sede, em Florianópolis. Ele

foi trabalhar na área de consultoria e eu fui demitida. Por quê? Até hoje não sei. A justificativa

que recebi era de que não tinha lugar para mim; mas sei que foi algo pessoal entre o

meu então marido e um diretor da época.

E a vida seguiu. Arrumei trabalho na Escola de Inglês Yazigi. Estava lá, bem feliz,

quando, um dia, o telefone tocou. Era o diretor administrativo do CEAG, recém- empossado,

Paulo Ferreira. Ele me convidou para voltar e trabalhar na Diretoria Executiva, junto

com ele e o então Superintendente, Vinicius Lummertz.

Meu marido, nesta época, era gerente de consultoria e não iria gostar muito deste

meu retorno ao Sebrae. Expus esta situação, mas o Paulo Ferreira me disse:

- Deixa isso comigo. Preciso de alguém de confiança e que conheça os processos

da empresa, não podemos perder tempo.

Sete meses depois de ter sido demitida, fui convidada a voltar e, então, permaneci

até decidir aderir ao Plano de Demissão Incentiva, em 2015.

Eu nunca gostei muito de ser secretária. Esse negócio de ficar chamando doutor

prá cá, doutor prá lá, sem o cara ser mesmo doutor; ficar mentindo, dizendo que o chefe

não está, quando ele está, não era para mim. Na primeira oportunidade, solicitei para tra-

34 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


alhar em outra área, afinal, já estava formada. E, para minha alegria, fui atendida. Passei

para o setor de editoração, onde cuidávamos basicamente das publicações.

Surgiu, então, a oportunidade de trabalhar no setor de gestão de pessoas. Apaixonei-me

pela área e iniciei uma grande amizade com o Cláudio Nienkoetter.

No decorrer destes acontecimentos, estava indo para a segunda gravidez. O mais

velho estava com 9 meses e eu, grávida de novo. Chorei que me acabei. Mas como enfrentar

desafios nunca foi problema para mim, que venha o segundo! Quando o segundo filho

tinha poucos meses, decidi fazer pós-graduação em gestão de pessoas.

E assim vi a área crescer, mudar, entrar gerente, sair gerente. E eu e o Cláudio,

firmes, lá. Eu AMAVA aquela área, adorava ajudar meus colegas, fazer as programações de

capacitações, o LNT - Levantamento de Necessidades de Treinamento, organizar e coordenar

as capacitações, negociar com os hotéis. Enfim, tinha a chance de realizar e aplicar

o que tinha aprendido na pós.

Começa, então, meu envolvimento com a Asebrae. Fui, durante anos, diretora social.

Inicia também meu envolvimento com o Saesc - Sindicato dos Administradores, onde

fui, por mais de 15 anos, delegada sindical; representando meus colegas nas reuniões de

negociação dos acordos coletivos, muitas vezes sendo chamada para conversar, in off, por

gerentes e colegas que não entendiam.

Eu nunca fui contra a empresa, nem contra os colegas; queria apenas ajudar nas

negociações, que tudo fosse feito pelo melhor para ambas as partes. Passei por algumas

situações difíceis, inclusive com ameaça de demissão que nunca deu em nada. Ufa!

Em 2008, eu já estava cansada do setor e a querida Soraya Tonelli, retornando de

Brasília, me chamou para trabalhar com ela, na Unidade de Educação e Empreendedorismo.

De brinde, me deu a missão de fazer a gestão do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios,

da Junior Achievement, do Sebrae In Company, além de muitas outras coisas. No Sebrae,

a gente faz tudo e mais um pouco, sempre com muita dedicação e felicidade.

Em 2012, sou premiada (risos), passo a gerenciar também, com muito orgulho,

o Prêmio MPE Brasil. Alguns colegas acharam que eu não ia dar conta, o que para minha

alegria foi um grande desafio. Eita prêmiozinho que deu trabalho, mas o resultado simplesmente

foi maravilhoso.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 35


E assim fiquei com eles até meu desligamento, sendo, inclusive, agraciada pelo

trabalho desenvolvido, nas cerimônias de reconhecimento, em Brasília.

Quando meu marido (ex) virou diretor, foi bom mostrar, para alguns colegas,

que a minha competência, dedicação e amizade não mudou. Eu continuava sendo a Ana

Lídia,do RH; a vida particular e profissional eram distintas. O povo confunde demais.

O Sebrae/SC era, ou foi, em alguns anos, uma empresa bem mais feliz, mais humanizada,

mais pura. O clima organizacional era mais leve, mais amigo, as festas mais

gostosas. Ele significa aprendizado. Quase tudo que sei, as oportunidades, as capacitações,

as viagens, a rede de relacionamento, os melhores amigos, até meus filhos, devo ao

Sebrae/SC.

São muitas histórias vividas; engraçadas, tristes, felizes. Antes dos anos 90, tínhamos

uma turma da pesada na sede; da bagunça, ninguém entrava na empresa sem

que essa turma aprontasse alguma. Nela estavam: Iracema, Ênio Vieira, Cláudio, Cleide,

Elena, Frederico, Colombelli, Norton, Juscelino, Renato Xavier, Ailton, Renato Lebarbenchon

e tantos outros. Boas bagunças fizemos.

Lembrei-me, agora, de outra passagem interessante, de quando iniciei meu voluntariado

nos programas da Junior Achievement. Um dia, sentei com meus filhos no

almoço e disse:

- Hoje, a mãe vai chegar bem mais tarde, porque vou dar aulinha em um colégio

à noite.

Um deles perguntou:

- E você vai ganhar dinheiro com isso?

- Não, vou ganhar conhecimento e experiência.

O outro respondeu: - Ô mãe, como tu és burra!

Aos que permanecem, digo que aproveitem para aprender, mas com cautela; não

se afobem, tenham paciência A nova geração é muito imediatista, quer retorno muito

rápido e nem sempre obtém.

Aproveite e crie sua rede de relacionamento. Isso não tem preço. Faça tudo para

ser feliz na empresa. Se não estiver sendo, vá embora, como eu fui; mas sem falar mal da

empresa, com muito orgulho e, principalmente, AMOR!

36 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


UMA VIDA PLENA

PRIORIZE O EXERCÍCIO

PLENO DA SUA VOCAÇÃO,

DOS SEUS SONHOS

E VALORES.

Anacleto Ângelo Ortigara

Meu encontro com o Sebrae/SC remete ao ano de 1994, quando tive a

oportunidade trabalhar como consultor, instrutor e palestrante. Naquela

época, estava iniciando o movimento de implantação de conceitos

e processos de qualidade total nas empresas. Esses conceitos tiveram origem na

cultura japonesa, que chegava ao Brasil, e o Sebrae/SC iniciou a difusão às empresas que

demandavam por esses protocolos. Eu trabalhei, com mais ênfase, como instrutor e consultor

do Programa de Qualidade Total do Sebrae, por um período de dois anos, mas também

atuei nas áreas de marketing, vendas e recursos humanos.

Em 1995, assumi a direção da UNOESC – Campus de São Miguel do Oeste, que

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 37


exigiu grande dedicação e, por isso, afastei-me das atividades de consultoria. Por outro lado,

todo o aprendizado e vivência que tive no Sebrae/SC, levei para o ambiente acadêmico. Permaneci

na universidade até o ano de 2003, quando fui chamado para uma conversa com o

então presidente do Conselho Deliberativo, doutor Pacheco, na qual relatei minha admiração

pelo Sebrae/SC e minha experiência profissional. Ao final, ele confirmou que o meu nome

seria considerado na composição da nova diretoria, que seria eleita pelo Conselho Deliberativo.

E assim ocorreu, alguns dias depois, o Conselho Deliberativo realizou a assembleia na

qual eu fui eleito para o primeiro mandato, no cargo de diretor técnico do Sebrae/SC.

Porém, até a chegada desse dia importante, aconteceram alguns encontros e reencontros

interessantes, e até mesmo pitorescos. Eu tenho uma amizade muito antiga e

verdadeira com o Sérgio Cardoso, que remonta há mais de 30 anos. Certo dia, eu e minha

esposa nos encontramos com o Sérgio e a sua esposa, ao acaso, no Box 32 do Mercado Público.

Era um sábado, ano de 2002, por volta do meio-dia. Foram muitos assuntos e uma

conversa tão agradável, que se estendeu até o final do dia, quando o pessoal da limpeza já

iniciava as suas atividades, aguardando a nossa partida.

Dentre os assuntos, também falamos sobre o Sebrae/SC, quando Sérgio comentou

da possibilidade de composição de uma nova diretoria. Posteriormente, ele me apresentou

ao doutor Zigelli e falou do meu histórico profissional.

Pouco tempo depois, estive na Casa da Agronômica, para uma conversa com o

então Governador, Luiz Henrique da Silveira, o qual considerava o meu nome para ocupar

um cargo na direção da UDESC, devido ao meu histórico na gestão da universidade. Nessa

época, eu ocupava o cargo de vice-prefeito na cidade de São Miguel do Oeste, juntamente

com a direção da universidade, e justifiquei-me ao governador, dizendo que o único motivo

para sair da minha cidade seria atuar junto à Diretoria Técnica do Sebrae/SC, dada

à natureza das atividades anteriores, afinidade profissional/ bem como, o interesse em

dar continuidade à formação acadêmica com um doutorado, com tema ligado a área dos

pequenos negócios.

Lembro-me ainda que, pouco antes da eleição do Conselho Deliberativo do Sebrae/SC,

eu recebi um telefonema tratando desse assunto e dizendo que eu assumiria a

Direção Administrativa; o que me levou a informar que, nesse caso, declinaria do convite,

38 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


pois, de acordo com as minhas convicções e experiência de vida, aliadas a vocação e a paixão

de atuar com pequenos negócios, o mais indicado seria a Diretoria Técnica. Acredito

que a pessoa que se afasta de suas convicções, não tem uma vida com desfrute pleno, pois

simplesmente cumprir uma tarefa, é subtrair parte valiosa de uma existência.

Iniciei as atividades contando com apoio e confiança do Dr. Zigelli e do doutor

Alaor, que com e respeito e amizade, consolidaram minhas convicções de exercer a gestão

do Sebrae/SC fundamentado em comprometimento e respeito à minha vocação. Sempre

procurei me expressar de forma harmoniosa e não ofensiva. Mesmo nos pontos divergentes,

procuro apontar a discordância da ideia, mas a preservação da boa relação com seu

portador.

Foi um grande reencontro e uma satisfação poder, em um segundo momento,

conviver novamente com o Sérgio Cardoso, que assumiu a função de diretor administrativo,

nessa nova gestão da Diretoria Executiva. Ao longo desse tempo, mantivemos uma

relação de mútuo respeito, tanto entre os membros da diretoria, sob a liderança do doutor

Zigelli, bem como para com os membros do Conselho Deliberativo. Uma relação decente

e equilibrada, pois todos os que estão em seus cargos os merecem e são dignos do meu

respeito.

Chegamos aos dias atuais e muita coisa aconteceu nesse período. Considero, sobretudo,

que o tempo de Sebrae se constituiu no grande tempo de expansão da minha

vida. Expandi as fronteiras do meu conhecimento. Eu estendi o meu saber. Entendi melhor

muitos princípios da vida e, com eles, eu produzi o meu dia a dia para fazer o melhor

a quem depende do meu desempenho, como profissional e ser humano.

O Sebrae/SC tem sua missão e eu procuro estar sempre sintonizado com ela. Todavia,

também tenho a minha missão de vida que é: “contribuir para a emancipação humana”.

Eu faço isso onde quer que eu esteja. Em sala da aula, em palestra, em ambiente

profissional e até mesmo informal, essa é minha missão e eu não me afasto dela. Dessa

forma, não cabe, na minha vida, qualquer dispêndio de tempo para conspirar para o mal,

ou ter conduta que contrarie a melhoria da vida das pessoas que estão ao meu redor. Esse

sempre será o meu princípio de vida.

Também tenho claros os meus valores, que se constituem na modelagem do que

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 39


penso e do que, efetivamente, faço. Sincronizar os meus valores com os valores das organizações

onde atuo, se constitui num imperativo ao bem-estar que postulo em tudo o que

faço. Em última instância, eu busco a paz, que é um ponto de chegada de todas as buscas

na vida. Estar em paz é o desejo derradeiro. Ao exercitar minha missão e viver meus valores

encontro paz, e é isso que, acredito, justifica minha existência.

Ao proferir uma palestra, procuro transmitir conhecimento e, na medida em que

consigo, estou em paz. Estar em paz é um sentimento de saciedade. Vem antes da felicidade,

que é uma consequência. É fazer aquilo que está ao seu alcance, sem furtar-se de usar o seu

conjunto de forças para viver bem. Estar em paz pode, inclusive, ser um momento de total

turbulência, em que existe a entrega do seu melhor para vivê-lo intensamente. Resulta em

uma convicção de que: fiz o meu melhor, lutei dentro dos princípios do bom combate.

Estar no Sebrae/SC é o grande momento da minha vida. A simplicidade de entrar

no prédio do Sebrae/SC, subir as escadas, viver no ambiente que vivo e estar cercado de

pessoas que me fortalecem e também me desafiam, em diversos níveis, é algo fantástico.

Estar no Sebrae/SC é um marco da minha vida profissional. Um desafio pessoal de construir

uma conduta que mereça o espaço que estou ocupando e que auxilie as pessoas a

também se desenvolverem. O Sebrae/SC foi, também, uma grande chance de encontrar

meus próprios elementos emancipatórios.

Estar no Sebrae/SC é ser exigente consigo mesmo, antes de qualquer outra coisa.

No dia a dia, é fundamental encontrar convergência entre os seus valores, objetivos e

missão e os do Sebrae/SC. A missão do Sebrae/SC é pública, é conhecida e é percebida. A

missão de cada um é definida na individualidade do ser. Segurança, salário e carteira assinada

são uma visão muito reducionista para uma vida.

Descobrir quem sou, como cheguei a esse ponto e quais passos devo dar para me

dirigir ao que ainda pretendo ser, no SEBRAE ou em qualquer outro ambiente da vida, é

um fator chave para viver a plenitude. Ir além da simples realização de tarefas. Fazer a conexão

dessas tarefas com as características pessoais, levará ao fortalecimento da carreira.

Executar tarefas conectadas com um propósito de carreira e de forma prazerosa, é o que

permite o exercício pleno da minha vocação, dos meus sonhos e dos meus valores. Fazer

isso no Sebrae/SC é uma conquista.

40 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


A CONVICÇÃO

DO EXEMPLO

NÃO ADIANTA EXIGIR DOS OUTROS

AQUILO QUE NÃO SE FAZ.

Antônio Alberto Vieceli

Eu não descobri o Sebrae/SC. Foi o Sebrae que me descobriu. Eu trabalhei

em outras empresas, por diversos anos, em cargos também de diretoria.

Acredito que o fato que me trouxe ao Sebrae/SC foi um trabalho que realizei,

em um banco público, e que acabou extrapolando as fronteiras do próprio banco.

Com isso, o presidente do conselho do Sebrae/SC, na época, me convidou a fazer parte da

diretoria, na função administrativa.

Sempre tive uma filosofia própria, penso dinheiro público deve ser administrado

com muito mais austeridade do que se fosse dinheiro da casa da gente, dinheiro próprio.

Tem gente que diz que é economia de palito, como em um restaurante. Para mim econo-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 41


mia de palito existe numa mineradora, numa terraplanagem, e existe em um banco.

Na época que trabalhei no banco, havia um funcionário que conversava frequentemente

comigo sobre as atividades. Em cima da minha mesa, havia um porta-clips. Pois

sempre que ele sentava para conversar, pegava um clips e desdobrava todo. Um dia eu

disse a ele:

- Olha, quando você vier novamente traz uns clips de casa, ou arranje um que não

quebre e possa ser reutilizado. Se cada funcionário desperdiçar um clips por dia, e formos

fazer a conta, imagine a quantidade que isso significa em uma empresa, ao final de um ano.

No Sebrae/SC, foram quinze anos de trabalho em que me senti privilegiado. Só

tive alegrias. Com referência ao Sebrae, existe um conceito de unanimidade, quando falamos

com clientes, parceiros, ou até mesmo em eventos. Se você estiver com uma caneta

com o marca do Sebrae/SC, não há quem não tenha algo de bom a falar sobre essa empresa.

São 15 anos ouvindo esse tipo de opinião. De como essa empresa contribuiu aqui, ali

e acolá. Isso é realmente um privilégio. Esse sentimento é o que mais me marca, até hoje.

Essa unanimidade em torno da marca Sebrae/SC. Tenho orgulho de dizer que trabalho no

Sebrae/SC.

Tenho boas lembranças de todos os colegas que trabalharam comigo. Ao longo

desses anos, algo que gostei muito de ver acontecer foi o surgimento de novas regras para

o crescimento na carreira, as novas formas de avaliar os funcionários; o que permitiu que

muitos progredissem de forma mais justa.

Também muito me emocionou a garra dos colegas que passaram por problemas

de saúde e nunca desistiram. Essas foram grandes lições de vida no Sebrae/SC. Para quem

fica, minha mensagem é: vá à luta, persista, não desista, você chega lá.

42 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


O INESQUECÍVEL

PASSEIO DE ESCUNA

TER PRESIDIDO A ASSOCIAÇÃO FOI UMA

EXPERIÊNCIA MUITO GRATIFICANTE.

Antônio Fernando Rolemberg Aragão

Esse ano, completo 22 anos de Sebrae. Apesar de não ser carioca, me mudei do Rio

de Janeiro para cá. Minha vinda para Florianópolis teve um fator motivador que

foi a minha esposa e o meu cunhado, ambos médicos, que estavam vindo trabalhar

aqui na cidade.

Em Florianópolis, trabalhei por três anos em uma empresa privada de telefonia. Foi onde

conheci o colega Sabino, que trabalhou comigo nessa empresa, e estava voltando a trabalhar no

Sebrae/SC. Foi lá que também conheci um consultor da área de tecnologia da informação e que,

mais tarde, viria a trabalhar no Sebrae/SC.

Eram tempos em que começava-se a falar em sistemas de atendimento e outras tecnologias

muito embrionárias para a época. Ambos esses colegas me avisaram que haveria a abertura

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 43


de um edital de contratação no Sebrae/SC. Eu aproveitei a oportunidade e enviei o meu currículo.

Inicialmente, não recebi contato; até que fui chamado para fazer uma entrevista. Acabou dando

tudo certo e eu fui selecionado para ingressar no quadro, na área de informática; o gerente era o

Alcionei e, na equipe, também estavam o Luciano Pinheiro, o Alexandre Lino e o Sérgio Vicente.

A questão de informática era muito recente. Para ter ideia, havia um pequeno computador,

que era o servidor, e conectado a ele, estavam apenas alguns terminais espalhados pela casa.

A partir dessa data, começamos o trabalho; estava em crescimento o uso da tecnologia, tanto no

Sebrae/SC, como em outras empresas. Muito dependia do que era possível investir na época com

aquisição de equipamentos que eram bem mais dispendiosos do que são hoje. Quando migramos

para a sede da Avenida Rio Branco é que se deu um grande salto no uso da tecnologia.

Depois vieram atividades como o suporte para a informatização das unidades distribuídas

no estado. E quando surgiu a internet, que era algo muito inovador, eu passei a viajar pelas

unidades para explicar o que era, como poderia ser usada, como era o acesso, e tudo mais. Hoje, é

algo tão corriqueiro que nem nos damos conta de como foi esse processo poucos anos atrás.

Ao longo dessa minha trajetória, eu também fui convidado a trabalhar numa área chamada

Gerência de Informação. Estava sendo criada pelo grupo um pequeno programa, um software

de gestão para as pequenas empresas. Esse material ficava armazenado em disquetes que continham

programas básicos como planilhas de custos, de formação de preço, entre outros.

Novamente viajei pelo estado, para explicar o uso do material; fazia a instalação e demonstrava

os programas para a equipe de atendimento que depois repassaria aos clientes. Os empresários

faziam uma inscrição prévia para receber tanto a capacitação sobre o tema, quanto para

aprenderem a usar o sistema que era fornecido em disquetes. Mais tarde, voltei a trabalhar no

setor de informática e continuei as atividades de suporte necessárias ao bom funcionamento da

empresa.

Uma fase diferente foi quando assumi a presidência da Associação dos Funcionários, uma

gestão que se estendeu por seis anos. Tenho boas recordações do trabalho que realizamos naquela

época. Fizemos eventos diferenciados para os colegas, inclusive em locais especiais com o Costão

do Santinho. O meu foco era proporcionar algo diferenciado, sair do corriqueiro, para que as pessoas

pudessem experimentar coisas novas, além de integrar e celebrar com os colegas de trabalho.

Foi uma experiência muito gratificante. Dentre muitas ações, não posso deixar de relatar o nosso

grande e inesquecível passeio de escuna.

A ideia era promover uma confraternização entre as pessoas. Contratamos a melhor es-

44 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


cuna, com espaço para 120 pessoas. Um barco todo equipado com alimentação, bebidas, entretenimento,

música; ou seja, o melhor que pudemos encontrar. O itinerário previa a saída pela Baía Sul,

passando pela Ilha de Anhatomirin, e retornando ao ponto de partida. Um passeio entre amigos,

tanto que não estava prevista nenhuma parada, e nossa rota levaria de 3 a 4 horas, entre ida e volta.

Esse passeio foi realizado no mesmo dia da festa de confraternização de final de ano do Sebrae/

SC. Muitos colegas vinham, do interior do estado, para participar da reunião e da confraternização,

e aproveitamos a oportunidade para integrar as pessoas, por meio do passeio de barco.

A saída era prevista para o sábado de manhã, do píer do Iate Clube de Florianópolis. Na

véspera, simplesmente, desceu o céu: trovões, trovoadas, relâmpagos e muita chuva. Nós já havíamos

pago o passeio adiantado e perderíamos a oportunidade. Eis que o sábado fez um belo dia,

um pouco de nevoeiro e um expectativa de sol ao longo do dia. Partimos às 9 horas da manhã, com

lotação de umas 90 pessoas, todas muito alegres.

Na escuna, rumo a Enseada dos Golfinhos, comidas, bebidas, boa conversa, e chegamos

ao nosso destino. Na enseada, as pessoas podiam descer um pouco, apreciar a paisagem e até mergulhar

se tivessem vontade. A água estava muito agradável para um banho de mar. Eis que, de

repente, não mais que de repente, o vento muda de rumo. O comandante, no estilo velho lobo do

mar, põe os olhos no horizonte e diz:

- Melhor chamar todos a bordo e partirmos logo. Esse vento vai agitar o mar.

Recolhemos todos os passageiros e partimos. E foi então que tudo aconteceu

Começou uma tormenta e nós todos em alto-mar. Os olhos fixos no horizonte. O caminho

que, antes parecia tão curto, agora era de uma distância aterradora. O mar ensandecido.

Chacoalhava mais que carroça em estrada de chão. A escuna ia lá em cima e descia, ao balanço das

ondas. Balanço é apelido. Estava mais para mar em fúria. Depois, soubemos que foi um dos piores

dias para a navegação naquele ano.

O grupo de pessoas se dividiu em três grandes facções: os “apavorados”, os “enjoados” e

os “alienados”. Da mesma forma que se distribuíram, geograficamente, dentro da embarcação; afinal,

os semelhantes se atraem. Os “apavorados” ficaram no andar térreo, de onde era possível ver

o horizonte e acompanhar cada metro navegado. Uniam-se em orações, em olhares esbugalhados,

em expressões de clemência, para que tudo terminasse logo. Os “enjoados” agruparam-se no porão

da embarcação. Não havia lugar pior para se aglomerarem, pois é onde mais fortemente sente-se

o agito do mar. Nem o melhor argumento os faria sair dali. Igual vespas, mesmo sem vespeiro,

permaneciam no mesmo lugar. Faltam palavras para descrever a cena do porão: náuseas, vômito,

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 45


anger de dentes e comoção pública. Dentre os enjoados, também estavam os “em pânico”, que

vestiram o colete salva-vidas e viraram estátua, não conseguiam sair do lugar.

Já o grupo dos “alienados” escolheu, por território, o ático, a cobertura da embarcação.

O andar mais alto e mais perigoso. Já diz a sabedoria popular que, com um copo de bebida (ou

vários), muito covarde fica corajoso; só pode ser. Eram os mais alegres. Penso até hoje nisso. Continuavam,

alguns, a dançar; outros riam do perigo; outros chegavam bem perto da borda da embarcação,

uma pequena mureta, para dali melhor ver o mar revolto; o que, para eles, devia ser algo

realmente muito bacana de apreciar. Permaneciam com os copos na mão, a fim de não desperdiçar

os gêneros alimentícios e “bebitícios”. Alienados, pois, creio, ou não perceberam a gravidade da

situação, ou perceberam, mas não deram a mínima; como já diz outro ditado: não existe mar feio,

foi você que bebeu pouco.

A escuna ia e voltava. Ia e voltava. Passamos por outra embarcação que estava à deriva,

muito menor do que a nossa. Os apavorados ficaram ainda mais apavorados. Os animados do ático

bradavam em cumprimentos ao pessoal da pequena escuna. Pareciam saudar um time de futebol

que entra em campo. Uivos e gritos. Já os enjoados, não viram nada. Estes só perceberam a situação

quando, pelo rádio, nos foi solicitado retornar para fazer o resgate daquelas pessoas. Aí, eles se

aperceberam que mudamos de rumo e que ficariam ainda por mais tempo enjoados.

Então ocorreu o salvamento. Éramos a embarcação mais próxima que poderia auxiliá-los.

Tratava-se de um pequeno grupo de turistas, da cidade de Maravilha, que viam o mar pela primeira

vez. Quando estes começaram a adentrar em nosso barco, seus semblantes eram pálidos, olhos

arregalados, e agarravam-se a nós, literalmente com todas as forças. Tinham as mãos trêmulas e

geladas. Agarravam-se com as unhas e não queriam soltar, tamanho era o medo. Apavorados. Com

todos salvos, seguimos viagem.

E nossa escuna subia e descia, num balanço interminável. Chegamos todos bem à costa,

são e salvos. Alguns nem tão sãos. Entretanto, a festa de confraternização que aconteceria à noite

ficou prejudicada, muitos passaram mal e acabaram não participando.

Ao longo de 22 anos, foram muitos momentos que vivi.

De um tempo para cá, vivemos dias de coisas mais rápidas, mudanças e novos conhecimentos.

Somos uma empresa de múltiplo conhecimento, temos uma grande capilaridade de atuação

e, para quem chega, digo que aproveite tudo o que for possível, busque sempre estar capacitado

e atualizado, e conheça as demais unidades, além do seu próprio posto de trabalho. Procure fazer o

seu melhor na consolidação da marca Sebrae/SC junto aos clientes.

46 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


UM SERRANO

NA GERMÂNIA

TRABALHAR NO SEBRAE/SC É

FAZER GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO

AO MESMO TEMPO.

Antônio Hélio Oliveira de Souza

Eu comecei como estagiário, no CEAG, logo após ter saído da Varig Brasília.

Na época, eu cursava administração de empresas e um professor me

chamou para um estagio no CEAG, no Distrito Federal. O objetivo do meu

estágio era manualizar uma série de processos em empresas ligadas à administração pública

federal.

A primeira foi a Novacap, que realizava ajardinamento de Brasília. Lá, fiz o manual

de patrimônio e de materiais. Fui para a Caesb (tratamento de águas) e desenvolvi

o manual do setor de compras, além do meu trabalho de conclusão de curso. Meu último

trabalho, em Brasília, foi em uma empresa de transporte coletivo, realizando a mesma

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 47


função de manualização de processos.

Meu retorno a Santa Catarina se deu em função do falecimento do meu pai. Retornei

ao estado e fiz contato com o Senhor Peluso, relatando a minha experiência e meu

desejo de, agora, ficar aqui no estado. Ele disse que poderia me auxiliar e que havia uma

vaga no Sebrae. Assim que cheguei de viagem, iniciei meu trabalho e fui enviado, juntamente

com o colega Osmar, à cidade de Maravilha, para desenvolver o Promicro. Foi o

projeto mais bonito do Sebrae/SC que eu vi até hoje.

Durante o dia nós realizávamos consultoria, com orientação dirigida em cada empresa

participante. À noite, era a vez dos cursos e palestras em todas as áreas: gestão, estoque,

custos, vendas. Lembro-me que usávamos slides como forma de ilustrar o conteúdo.

Viajamos de ônibus e permaneceríamos por 15 dias, para depois retornar novamente

de ônibus. Acabamos por alugar uma casa para passar esse período, ficamos apenas

a primeira noite no hotel. Dessa forma, sairia mais em conta. Foi meu primeiro trabalho

e, acho, o primeiro Promicro do Estado. Esta foi a cidade onde aprendi a dirigir e onde

também bati um fusca do Sebrae/SC no carro do delegado. Eu estava indo buscar cartolina

e pincel atômico, para ajudar uma loja a fazer cartazes de promoção, e não vi que outro

veículo se aproximava.

Numa outra viagem de trabalho; retornando da cidade de Caçador, eu e o colega

Eugênio, estávamos passando por Lebon Régis. Era inverno, uma noite fria, muito fria, e

o carro parou de andar. O Eugênio perguntou:

- O que foi, tchê?

Eu disse:

- Não sei.

Saí do carro e abri o capô para ver o que era. Era o cabo do acelerador, que tinha

arrebentado. Sorte que tínhamos barbante. Amarramos no carburador e depois no acelerador

e seguimos viagem.

Depois vim para Lages, minha terra natal, bem na época do inverno. Em seguida,

fui designado para Blumenau, para fazer outro trabalho. Então me apaixonei pela cidade

de Blumenau, aprendi a conviver com as pessoas e seus hábitos. O povo alemão é bastante

desconfiado, principalmente com gente que chega de fora, não tem pele branquinha, nem

48 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


olho azul (risos). Acredito que a minha forma de tratar e respeitar as pessoas foi determinante

para conquistar a confiança deles. Fui muito bem aceito.

Recebi agora, em 27 de novembro de 2015, uma homenagem, na Câmara de Vereadores,

e alguns empresários deram seu depoimento. Foi algo muito especial, depois de

tantos anos de dedicação àquela região.

No final dos anos 90, vivemos uma época muito difícil no Sebrae/SC, de falta de

recursos financeiros, salários parcelados e até redução do salário em 30%, também com

redução da jornada de trabalho proporcionalmente. Cada um tinha que se virar em busca

de novas fontes de recursos financeiros. Nesse período, a diretoria disse:

- Não queremos demitir, mas temos que nos virar para manter todos empregados.

A partir disso, pensei em soluções. Como eu já tinha um bom relacionamento na

cidade, negociei, durante um longo tempo um convênio, entre CEAG e a Prefeitura, um

projeto para a cidade, que denominei “Extensionismo Urbano”, já aprovado de antemão

pela diretoria do Sebrae/SC. O projeto envolvia a Prefeitura e a FURB. Minha função era

ministrar os treinamentos previstos e auxiliar nas consultorias. A FURB cedeu dois alunos

para ajudar, como estágio curricular. Foi quando o Aloisio iniciou, era um dos alunos cedidos

na época e permanece, até hoje, no Sebrae/SC; agora como funcionário.

No Natal de 99, não tínhamos como receber o pagamento, ou o 13º salário. Nós,

lá em Blumenau, estávamos com um astral horrível. Logo em seguida, veio a notícia de

que receberíamos o pagamento. Todos ficaram felizes, mas não tínhamos planejado nenhuma

viagem de fim de ano. Decidi ir com minha família para São Joaquim. Antes da

viagem, parei em uma banca para comprar o jornal, e, ali, o rapaz me disse:

- Você viu o que aconteceu? Faleceu um senhor do Banco do Brasil, em um acidente

na BR 101, em Balneário Camboriú.

Logo pensei:

- Será que era nosso coordenador?

Fiquei sabendo que sim e posterguei minha viagem para poder ir ao velório.

Como eu era o mais antigo, assumi interinamente o lugar dele, e depois fui efetivado na

coordenadoria regional.

Foi nesta época que decidi criar minha família em Blumenau. Meu filho mais ve-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 49


lho tinha uns seis anos de idade. A pequena tinha três e o último ainda não tinha nascido.

Consegui educar meus filhos nessa cidade, o que é muito gratificante.

Uma das pessoas com quem aprendi muito foi o Eugênio. E não apenas questões

técnicas, mas também humanas, como por exemplo, não fazer diferença entre as pessoas

e tratar todos da mesma maneira. Ele sempre deixou claro, também, que estamos ali para

ensinar quem mais precisa; para repassar conhecimento.

Também me trazem boas recordações as experiências que o Sebrae oportunizou,

como a realização da primeira Feira do Empreendedor, em Blumenau; as viagens internacionais

e as missões, na América do Sul e, inclusive, na Alemanha, em Hannover.

Nesta viagem para Hannover, aconteceram muitos fatos inusitados. A começar

pela orientação de que, para entrar na Alemanha, não era necessário o visto. Realmente

não era, mas havia uma escala na França e ficamos todos retidos em uma sala até que o

Celso Lino conseguiu, depois de muito esforço, nos liberar para seguirmos viagem. Dos 12

empresários da comitiva, apenas cinco tinham o visto.

Seguimos para Hannover e a programação tinha um dia livre. Eu queria visitar

Berlin e convidei alguns empresários, que não aceitaram por conta a chuva. Fui sozinho

para Berlim. Visitei os locais que queria e estava liberado às 22 horas; então, percebi que

a minha passagem estava marcada para as 2 horas da manhã. Comprei outra passagem,

para adiantar o horário. Já dentro do trem, acomodado, uma fiscal me abordou e eu não

compreendia o que ela falava em alemão. Ela, nervosa, falava muito rápido:

- Ten demark

Eu não entendia nada. Até que outra pessoa me trouxe um folheto em espanhol,

dizendo que eu tinha que pagar dez marcos (moeda alemã) pela viagem. Só então pude

pagar a diferença e seguir viagem. Outro fato inusitado da viagem foi que fiquei hospedado

no mesmo quarto que o Guido Búrigo, só que tivemos que dormir na mesma cama, era

uma cama de casal.

Para fechar com chave de ouro esta viagem, marcamos de estar todos, no mesmo

horário no aeroporto, para fazer o check-in da volta. Dali a pouco, notamos um movimento

da polícia alemã no aeroporto; uma mala havia sido encontrada embaixo no balcão.

Acharam que era uma bomba deixada ali. O medo do terrorismo pairava no ar. Na verdade,

50 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


um membro do nosso grupo havia esquecido a bagagem embaixo do balcão (risos).

O meu objetivo de criar e educar meus filhos em Blumenau foi atingido. Sou muito

grato ao Sebrae/SC e tenho muito orgulho deles. Um está em São Paulo e é executivo

em uma grande empresa. Minha filha mora em Salvador, é formada em Direito. Meu filho

mais novo está fazendo faculdade ainda, também em São Paulo; cursa administração e foi

eleito, agora, diretor financeiro da Empresa Júnior da FGV. Estão todos bem e felizes.

Digo que a nossa equipe de Blumenau é uma das mais integradas que conheço.

Não tem distinção entre as pessoas, todos ajudam em todas as atividades e são comprometidos

com o resultado final. Precisa fechar malote, precisa fazer cópias; quem estiver

disponível ajuda. Gosto muito de valorizar quem entra como estagiário. Sempre digo que

a pessoa faz a graduação e a pós-graduação juntas, trabalhando no Sebrae/SC; do tanto

que se aprende ao atender o nosso cliente. Fortalecer essa perspectiva promove integração

e o surgimento de um funcionário comprometido, no futuro.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 51


52 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


VIVER A

EXPERIÊNCIA E

TRANSFORMAR

O RETORNO PARA COM A SOCIEDADE

NOS FAZ DIFERENTES.

Arildo Metzger Jacobus

O

grande desafio de trabalhar com a temática do empreendedorismo é ter

que, rapidamente, transformar tudo em experiência. Pois é essa experiência

que nos deixa preparados para repassar ao empreendedor aquilo que

possa transformar. O retorno para com a sociedade nos faz diferentes. É a certeza do papel

preponderante na formação de uma sociedade justa, acolhedora e vencedora que desejamos.

O poder de atração do Sebrae/SC é surpreendente. Quem trabalha, mesmo que

indiretamente, com o Sebrae/SC, tem a nítida percepção do quão instigante é essa empresa

e a sua missão. Com base na minha experiência profissional de mais de 35 anos, sendo

15 anos no Sebrae/SC – com passagens por cidades como São Lourenço do Oeste, Cha-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 53


pecó, Xanxerê, Itajaí e, agora, São Miguel do Oeste – além de ter passado pela iniciativa

privada, governo estadual, multinacional e empresa própria, posso afirmar que a missão

do Sebrae/SC o torna a mais satisfatória emoção da efetividade.

No ano 2000, trabalhando como gerente de Desenvolvimento Regional do Governo

Estadual, atuava em uma parceria com o FORUMCAT, entidade que congregava os

Fóruns Regionais de Desenvolvimento. Nesta governança, dentre outras entidades, o Sebrae/SC,

claro, estava presente. Foi a partir desse trabalho que tive contato mais próximo

com pessoas que, hoje, são meus colegas de trabalho, como o Ênio e o Udo. Na época, o

Sebrae estava inaugurando uma agência na cidade de São Lourenço do Oeste. Foi o surgimento

de uma oportunidade e o início da minha carreira nesta empresa.

Antes desta data, destaco um fato pitoresco. Ainda atuando no governo estadual,

fui realizar uma palestra, na cidade de São Miguel do Oeste, sob o tema da Ferrovia do

Corredor Bioceânico. Ao concluir a exposição do assunto aos presentes, um participante

pediu a palavra e disse:

- “Isto, aham, não vai acontecer, duvido.”

Eis que, passados 16 anos, estou hoje trabalhando com ele, na cidade de São Miguel

do Oeste, é o Udo.

Este fato destaca o grande compromisso que temos, quando nos dirigimos ao

nosso público e a repercussão daquilo que falamos. Outro fato do qual me recordo é que

consegui levar o colega e gerente, Urandi, da sede em Florianópolis para uma reunião da

Incubadora Tecnológica de São Lourenço do Oeste. O evento contou com um excelente

público presente e ele, empolgado com o que viu, começou assim o seu discurso:

- Quando cheguei a esta cidade percebi o quão pujante, desenvolvida e acolhedora

ela é. Gostaria de agradecer ao meu colega ‘Aurino’ pelo convite.

De Arildo, fui nomeado Aurino. Bom, fui chamado a falar e comecei falando assim:

- Gostaria muito de agradecer a presença do nosso gerente de Inovação e Tecnologia,

o ‘Jurandir’, pela sua presença.

Desse episódio, podemos retirar o que temos na gênese desta empresa, um “ar”

de espontaneidade que flexibiliza o relacionamento e permite um ótimo clima de convivência

entre nós.

54 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


25 ANOS

DE SEBRAE

SEGUINDO EM FRENTE E

APRENDENDO, CADA UM

CONSTRÓI SUA HISTÓRIA.

Carlos Armando Carreirão

A

cordei cedo hoje. São 5h30min; o céu começa a clarear, vagarosamente.

É mais um dia chuvoso, neste extenso outubro de 2015. Os pássaros

iniciam seu despertar, aos poucos, e vão compondo uma orquestra que

aumenta em número de participantes, na composição musical do alvorecer. O tilintar das

gotas de chuva que batem na janela do meu quarto mistura-se ao canto dos pássaros,

lembrando-me que começa mais um dia, que é necessário despertar e cumprir minha nova

rotina diária. É preciso tratar do meu tempo, dar novos significados e sentidos ao aqui e

agora de minha vida. O futuro chegou.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 55


Hoje, tenho todo o tempo disponível para mim e para os meus familiares. Posso

fazer o que quiser, como quiser e estar onde quiser. Esse contexto que compartilho começou

25 anos atrás e tem como pano de fundo uma interrupção de carreira involuntária.

Iniciava-se o ano de 1990. Comecei a década desempregado e diante do caos no

ambiente institucional. Meus últimos anos haviam sido dedicados ao ramo de comunicação

de massa - 6 anos no grupo RBS e depois no Jornal de Santa Catarina, em Blumenau.

Com a troca de acionistas, fui desligado dessas funções. Quando Collor assumiu a Presidência

da República, o País literalmente parou. Eu estava desempregado, sem dinheiro

(Collor confiscou contas bancárias de empresas e pessoas físicas) e sem perspectivas de

trabalho - não havia ofertas de emprego. Meses se passaram, e eu procurando trabalho

em Blumenau e Florianópolis. Consegui uma promessa de trabalho no governo do estado,

um cargo de destaque por conta do relacionamento com um secretário de estado e seus

interesses nos meios de comunicação. Em fevereiro de 1990, com o falecimento do Governador

do Estado, desfez-se aquela promessa de trabalho.

Em junho de 1990, caminhava na rua Felipe Schimdt, quando encontrei um amigo

que trabalhava no CEAG e conhecia meu histórico profissional. Fez questão de me

apresentar a seus diretores, com vistas a uma oportunidade de trabalho. No segundo dia

de julho, fui contratado com a matrícula 435, após passar por diversas entrevistas que me

deixaram no maior apuro. Questionaram-me se eu sabia ministrar aulas – e isso era algo

de que não gostava - tinha sido professor por seis meses no Colégio Cenecista (CNEC) de

Concórdia e achei a experiência horrível. Precisei afirmar que sim, que tinha sido professor

e coisa e tal. Fui entrevistado pelo Secretário de Estado de Indústria e Comércio, que,

ao avaliar minhas experiências como gerente da RBS e diretor do Jornal de Santa Catarina,

disse: “Você está preparado para começar a faturar para a empresa com consultoria,

por isso autorizo a sua contratação imediata.”

Seis meses de desemprego me fizeram redirecionar toda a minha perspectiva de

carreira e minha visão de futuro. Nesse período, tive a oportunidade de refletir sobre a

carreira construída e entendi ser preciso agregar novas habilidades, que me permitissem

abrir novas oportunidades. Entendia que deveria sair da área administrativa e financeira

e me tornar mais empregável. O CEAG seria uma boa oportunidade, ser consultor e ins-

56 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


trutor poderia ser um belo caminho, pensei. Precisava estudar e entender o papel desses

dois novos personagens a desempenhar dali para frente. Por meses e meses me tornei um

“rato de biblioteca” para entender esses novos papéis. O de consultor foi mais fácil; pois

fui gestor de duas empresas e havia convergência de conhecimentos. Como instrutor, levei

até onde pude, até deixar de praticar essa atividade.

Precisei ser muito resiliente para lidar com os novos desafios. Falar em público

nunca foi algo que dominasse e gostasse, mas tive que dar palestras inesperadas e com

públicos grandes, por vezes com um grande orador político ao lado. Não foi fácil para mim,

possivelmente nem para a plateia. Precisei aprender a dar entrevistas ao vivo a veículos de

comunicação - que sufoco, nas primeiras vezes! Tinha que levar conversas, por horas, sem

qualquer interesse em estar ali, mas era parte de minhas atividades. Éramos muito bem

recebidos em todo o estado. Percebia que nossa presença fazia diferença para as comunidades

em que intervínhamos.

Noutros períodos, a empresa exigia que fôssemos bons vendedores de serviços

- eram épocas nas quais tínhamos que agregar rapidamente novas habilidades. Noutros

momentos, precisávamos ser bons articuladores; habilidade que exigia saber negociar

com líderes empresariais e com o setor público. Enfim, foram inúmeras as situações que

me levaram a agregar novas habilidades e a me aperfeiçoar como cidadão e profissional.

Sei que muitos colegas de trabalho aproveitaram bem esse período de aprendizado e levam

consigo, até hoje, as lições e muitas histórias.

A nova carreira estava indo muito bem. As primeiras promoções aconteceram

de forma natural, de acordo com os desafios a que eu me expunha. Tive oportunidade

de percorrer todos os degraus de promoções, até o último grau da carreira de consultor.

Passei por funções bastantes distintas, enquanto os aprendizados eram assimilados e me

transformavam em alguém melhor. Consultor, instrutor, coordenador, gerente, diretor e

representante do Sebrae em Portugal.

O Sebrae me proporcionou muitas oportunidades de adquirir conhecimento técnico.

Participei de inúmeros eventos, interagi com personalidades nacionais e internacionais,

conheci alguns países que me permitiram ter melhor compreensão do mundo e de

mim mesmo. Os anos se passaram e a maturidade se instalou. Era hora de pensar melhor

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 57


o meu futuro. Em 2005, comecei a planejar o momento de minha saída da empresa. Passei

a estudar assuntos ligados a planejamento pessoal e familiar. Enquanto prosseguia com

minha careira, fui construindo planos para o futuro.

Meus últimos anos no Sebrae repetiram os melhores momentos de minha carreira.

Entre 1992 e 1996, fui gerente do Balcão Sebrae e depois, diretor. De 2010 a 2015, sem

função de chefia, pude engendrar um projeto que havia tempo estava em segundo plano

em nosso território. Com o apoio efetivo da diretoria, consegui dar vazão ao potencial da

área de acesso a serviços financeiros no Sebrae-SC. Conseguimos interagir e movimentar

o sistema financeiro nacional aqui em Santa Catarina. Operadoras de microcrédito passaram

a ter projetos estruturantes, em parceria com o Sebrae. Mais de 50 cooperativas

de crédito reforçaram suas relações com as MPEs e com o Sebrae-SC; bancos públicos e

privados percorreram o estado em nossas caravanas. O Banco Central do Brasil e o BNDES

passaram a frequentar eventos em SC. Entendo que levei, até meus últimos dias de Sebrae,

um toque daquilo a que me propus em 1990: seguir um caminho que abrisse novas

oportunidades.

Agora, é preciso tratar do meu tempo, dar novos significados e sentidos a este

momento de minha vida. O futuro chegou.

A história que começou com uma interrupção involuntária de carreira agora tem

uma interrupção voluntária, fruto de planejamento pessoal e de uma visão de futuro que

os anos de Sebrae-SC me ajudaram a lapidar.

58 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


AO

GUILHERME

UM ESPECIAL RECONHECIMENTO

Carlos Guilherme Zegelli

Dentre os inúmeros momentos importantes da gestão do superintendente,

Carlos Guilherme Zigelli, a decisão de construir a moderna e atual

sede própria do Sebrae/SC, constituiu-se na realização de um sonho há

muito pretendido pelos clientes, empregados e dirigentes da nossa instituição.

A decisão de construir uma nova sede sintetiza e materializa um pouco dos resultados

e conquistas alcançados ao longo da história. Na verdade, o sonho de uma sede própria

remonta à origem do Sebrae/SC, que passou pelas denominações de Ibagesc e CEAG/

SC, e esteve, anteriormente, localizado em vários endereços.

A primeira sede, em 1972, foi um antigo casarão, localizado na Praça Pereira Oli-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 59


veira, próximo ao Teatro Álvaro de Carvalho, no centro da capital. Outra sede, já por volta

de 1974, foi um casarão rosa localizado na esquina das ruas Nereu Ramos e Marechal Guilherme.

Os dois casarões deram lugar a novos edifícios. Na sequencia, no final da década

de 70, a entidade muda-se para a rua Esteves Junior, depois para a avenida Rio Branco (ao

lado da Junta Comercial), e de lá, para a esquina da rua Trajano com a Conselheiro Mafra

(antigo prédio do IPESC), bem no centro da capital.

Em seguida, transfere-se para a rua Tenente Silveira, ocupando três andares do

Edifício Apolo. Em 1994, depois de muitas andanças, o Sebrae/SC consegue adquirir sua

primeira sede própria, localizada na avenida Rio Branco. Um prédio novo, que precisou de

adaptações para atender às necessidades e que, diante da crescente demanda dos empreendedores

catarinenses, tornou-se, rapidamente, pequeno e insuficiente.

Finalmente, em agosto de 2013, conseguimos inaugurar a nova e atual sede do

Sebrae/SC, localizada no Parque Tecnológico Alfa. É o tão sonhado Edifício Antonio Edmundo

Pacheco (in memoriam), assim denominado em homenagem ao ex-presidente do

Conselho Deliberativo. Uma sede ampla, moderna e funcional, que conta com salas de

reuniões e treinamento, além de auditórios modeláveis. Há, também, espaço qualificado

para prestação de serviço e o prédio conta com infraestrutura de comunicação de última

geração. São mais de 6,2 mil metros quadrados de área a serviço da comunidade empreendedora

catarinense.

Esta nova sede representa não só a capacidade de articulação e o processo exemplar

de construção de uma grande obra, mas, também, uma visão de futuro calcada numa

cultura inovadora, que coloca o Sebrae/SC na vanguarda das suas ações e atividades. Isso

é o que permite à instituição realizar, com dignidade, a nobre missão de atender os pequenos

negócios.

Várias iniciativas foram levadas a efeito para a tão sonhada construção, contudo,

como repete com frequência o nosso superintendente: “as palavras convencem, mas os

exemplos é que arrastam” e nos permitem construir um espaço melhor.

Assim, um Sebrae/SC, inicialmente itinerante, finalmente encontra o seu próprio

e merecido lugar.

Os empregados do Sebrae/SC

60 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


O SEBRAE

COMO ENTE

TRANSFORMADOR

UM PROTAGONISTA CAPAZ DE EMPREENDER

MELHORES POLÍTICAS PÚBLICAS PARA AS EMPRESAS.

Carlos José Dias

P

ara acentuar sua contribuição no desenvolvimento dos pequenos negócios,

é fundamental para o Sebrae atuar de forma integrada, transversal e

sistêmica buscando alavancar, aprimorar e aperfeiçoar permanentemente

parcerias, soluções e ferramentas capazes de transformar o seguimento mais inovador e

competitivo.

Lembro-me ao chegar ao Sebrae, em junho, de 1998. Naquele momento o país

atravessava certa incerteza e instabilidade econômica, em Santa Catarina, para se ter uma

idéia, o funcionalismo público estadual chegava a estar com três meses de salários atrasados.

No início de junho eu fiz uma entrevista com um gerente, o qual me respondeu que eu

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 61


não tinha o perfil para trabalhar no Sebrae/SC. Alguns dias depois voltei a fazer uma nova

entrevista com o Enio Gentil Vieira, o qual me disse que eu tinha o perfil exatamente da

pessoa que ele necessitava para trabalhar, pois precisa de uma pessoa para contribuir nos

controles dos contratos e serviços, devido ao aumento do volume imposto pela execução

do PRODER 126. Na época ele coordenava a Gerência de Administração e Planejamento.

E foi assim, que iniciei a minha vida profissional no Sebrae/SC.

Esse cenário percebido em 1998, vai ter um reflexo maior no Sebrae no final do

ano de 99 início de 2000 onde foi necessário realizar um ajuste orçamentário, implicando

num realinhamento e uma adequação no modelo de atuação do Sebrae/SC. Na ocasião,

mudou toda a diretoria executiva e assumiram o Senhor Antonio Carlos Kieling, Ubiratan

Rezende e o Viecelli. Essa é a composição da diretoria que realizou a reengenharia e reformulação

no Sebrae/SC.

No final de 1999 fui convidado a assumir a extinta Gerência de Apoio Administrativo,

onde passei a me envolver com toda a organização e montagem de infraestrutura

da feira do Empreendedor daquele ano. Nesta época o Sebrae tinha uma capilaridade de

138 pontos de atendimento espalhados em várias cidades do Estado. Devido aos ajustes

a serem feitos, acabei assumindo a responsabilidade de fechar ou desativar muitos destes

pontos de atendimentos que eram chamados de: agentes Sebrae, balcão Sebrae e posto

avançado a maioria operavam em parceria com as Prefeituras Municipais ou Entidades

Empresariais.

A desativação destas estruturas foi um período bastante doloroso para todos.

Muitos prefeitos e entidades estavam resistentes em fechar alguns pontos. Era uma situação

conflituosa que precisava ser resolvida. Para que o ajuste orçamentário do Sebrae/SC

pudesse ser realizado, com o fechamento das unidades alguns funcionários foram transferidos

de local de trabalho e outros também demitidos de suas funções. Foi algo que gerou

muito descontentamento e desgaste junto ao corpo funcional, envolveu muitas pessoas,

funcionários antigos que já tinham uma história com o Sebrae. E, também, por essas pessoas

atenderem de forma muito costumizada os empresários da região onde elas prestavam

serviço, e possuírem um vinculo com a comunidade, pois tinham envolvimento com

as lideranças empresariais e representantes da comunidade. Eu escutei muitas histórias

62 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


em vários cantos do Estado. Tudo isso foi me marcando muito. Eu tinha apenas dois

anos de Sebrae e estava na linha de frente convivendo diretamente com tudo isso, e não

conhecendo com muita clareza o histórico da organização.

Passada essa reformulação, pelo que me lembro bem, em meados de 2001, no

segundo semestre o Carlos Guilherme Zigelli chega ao Sebrae. Essa é até uma passagem

interessante, eu era o Gerente Administrativo e o Luiz Sabino era o Gerente de Recursos

Humanos. O Guilherme estava na sala sentado com o Ubiratan, quando fui chamado

e recebi a incumbência de apresentar o Zigelli para a casa, para todos os funcionários.

Eu disse a ele – Mas isso é atribuição do Sabino, não minha. Ao que ele me respondeu

– Quero que você faça isso, pois o pessoal tem uma grande simpatia com você. Foi um

momento que me marcou, essa declaração do diretor.

Quando o Zigelli chegou, ele iniciou um processo de pensar a empresa diferente.

Já estávamos com as finanças reorganizadas, com um bom ponto de equilíbrio, uma

boa saúde financeira. Passou-se a uma filosofia de aumentar o orçamento todos os anos,

prospectar novas fontes de receita, cuidar rigorosamente da gestão financeira, investir

na execução de novos projetos priorizando atender o segmento das micro e pequenas

empresas e melhorando a infraestrutura das nossas agencias de atendimento.

Recordo-me de que em 2002 iniciamos um processo de implantação das agências

de atendimento e de articulação, foram 25 agências de articulação criadas em todo

o Estado. Então o Sebrae percebeu uma demanda reprimida, no estado, de pessoas que

buscavam o atendimento e os conhecimentos do Sebrae e não tinham um local como referência.

Nessa época, as agências de articulação das 10 principais cidades foram transformadas

em agências de atendimento e articulação. Foi onde vimos a diferença que o

Sebrae faz. Anteriormente, o atendimento era prestado via entidades credenciadas. Por

mais que a entidade estivesse comprometida e seus funcionários capacitados, não era a

mesma coisa que um atendimento direto do Sebrae. Feito por pessoas com a expertise

do Sebrae/SC.

As agências de atendimento foram ganhando melhores estruturas, onde era

possível rodar todo o ciclo de atendimento com cursos, palestras, reuniões e atendimento

direto aos empresários. Foi um investimento e um fortalecimento da marca Sebrae,

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 63


gerando maior visibilidade, com uma melhor infraestrutura, despertamos o interesse

de novos parceiros que permitiu a consecução de novos projetos, contribuindo para alcançar

nosso objetivo, relativo a evolução orçamentária, e expandindo nossa área de

atuação nos diversos segmentos da economia do nosso Estado.

O que me deixa marcado ao longo desses anos de Sebrae, é que ele está a mercê

do ambiente macroeconômico no seu propósito, como organização, da busca do desenvolvimento

sustentável das micro e pequenas empresas. O Sebrae empreende um esforço

de atuar como protagonista nas políticas públicas, mas existe uma grande dificuldade,

considerando os interesses envolvidos, como por exemplo, de governo e de agentes

financeiros, o que dificulta que o Sebrae seja atuante tanto quanto sua capacidade e

conhecimento o permitiriam ser. É perceptível que a massa de empresários reconhece

o Sebrae como seu grande defensor, mesmo eles tendo alguma filiação em entidades de

classe, eles o percebem assim, um grande defensor dos direitos e do atendimentos das

suas necessidades. Eu gostaria de ver o Sebrae no futuro tendo um maior poder decisório

para transformar o ambiente de desenvolvimento das micro e pequenas empresas.

Não digo o Sebrae construindo uma política de Estado, não seria isso. Mas sim sendo

mais ouvido pelos entes públicos, trabalhando em sintonia com estes na busca de soluções

para que o empresário possa focar o seu esforço no negócio e na agregação de valor

em produtos e não em burocracias que dificultam o seu desenvolvimento.

Podem até dizer que isso é utopia, sei que é difícil, mas essa sintonia fina permitiria

um ambiente mais propício para o desenvolvimento das empresas. Isso iria solidificar

ainda mais a marca do Sebrae e a sua missão.

64 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


SEBRAE:

NOSSA NAVE MÃE

ELA É UM ORGANISMO VIVO, QUE SENTE,

QUE PENSA E QUE AMA O SEU TRABALHO.

Carlos Roberto Gomes Meneses

C

heguei ao Sebrae/SC por que Deus me ama, só pode ser. A minha vida foi

pontilhada de coisas boas. Eu sempre fui em frente, ouvia um rangido, era

uma porta se abrindo. Cheguei aqui em 1987, foi difícil conseguir um emprego

e, naquela época, o pessoal era um pouco avesso a pessoas de fora. Tentei algumas

colocações, mas quando sabiam que eu era de fora, as portas se fechavam. A partir disso,

fui dar aula no IBEU. Um amigo meu sabia que eu falava inglês e me falou de uma vaga

temporária; então, fui dar aulas de inglês.

Um dos meus alunos era o gerente de vendas do Hotel Diplomata e, por intermédio

do superintendente desse mesmo hotel, eu fui fazer um curso. Neste curso, eu conheci

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 65


o Wilson Sanches, que era gerente do Hotel Porto do Sol, localizado no Morro das Pedras.

Ao longo de sete dias de curso, criamos uma afinidade e fizemos alguns trabalhos juntos.

Depois disso, um dia, o Wilson me ligou dizendo que havia uma oportunidade no CEAG/

SC. Estavam montando um departamento de hotelaria e procuravam técnicos da área, o

que fez o Wilson lembrar de mim. Eu vivi a minha vida toda em hotel, nasci em um hotel

e trabalhei em hotel. Conheço relativamente bem essa área.

Marcamos uma entrevista no Edifício Apolo, o casal de consultores já estava à

espera. Quando cheguei ao local, pensei:

- Eles gostaram de mim.

A gente conhece as pessoas pelo olhar. Eu estava de terno. Trabalhava de terno.

Ou seja, 80% do caminho cumpri com minha apresentação pessoal. Conversei com eles e

me fizeram uma proposta, cujo trabalho seria desenvolver apostilas; pois não havia nada

formatado para a hotelaria. Iniciamos o trabalho eu, o Wilson, o Wando, do Hotel Faial,

e o João Pinheiro, do Hotel Castelmar. Estava formada a nossa equipe de trabalho com

o objetivo de criar apostilas, cursos e consultorias nessa área. Foram seis meses de um

trabalho maravilhoso.

Depois disso, soubemos que os diretores do Sebrae/SC estavam pensando em nos

efetivar, mas com uma condição: primeiro lançariam o novo produto no mercado e, quando

houvesse demanda, fariam uma aplicação piloto em campo. Tivemos, em seguida, uma

demanda da Rede Ataliba e eu fui chamado para executar, já que o tema predominante era

gestão de pessoas. O Wilson pediu para ir junto, queria saber como seria o processo e eu

achei ótimo fazer um trabalho em dupla; pois tinha muito material para carregar e tudo

mais. Além disso, dividíamos a apresentação do conteúdo. A avaliação foi fantástica, o

cliente gostou muito da capacitação.

A diretoria, então, nos chamou para conversar. O diretor, Vinícius Lummertz,

nos apresentou a avaliação e afirmou que estava nos contratando. Eu olhei para o Wilson,

o Wilson me olhou, olhamos para os diretores, e eu disse:

- Podemos ir lá fora conversar um pouco?

Nós saímos, os dois, e eu disse:

- Olha Wilson! Estamos há seis meses trabalhando em quatro consultores: eu e

66 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


você, no tema recepção e governança, o João, em manutenção, e o Wando, em controles.

Nós quatro nos completamos. Eu não vou ficar à vontade de ser admitido sozinho, sendo

que todos trabalharam até agora.

Sugeri ao Wilson dizermos aos diretores que a gente iria aguardar o teste de campo

dos outros colegas para, então, entrarmos todos juntos. O Wilson concordou em falarmos

isso. Voltamos à sala e expressamos aos diretores nosso pensamento. Os dois se

entreolharam e o Paulo Ferreira disse:

- Agora vou pedir, então, que vocês saiam novamente porque nós vamos conversar.

Saímos. O Wilson perguntou:

- E agora, o que será?

Eu disse:

- É coisa boa.

Vi, na cara deles, que eles tinham gostado. Chamaram-nos novamente e disseram:

– Estamos muito satisfeitos com o caráter de vocês, com a ética, com o senso de

equipe.

Então, eles decidiram admitir os quatro. Isso me emociona até hoje. Foi assim

que eu entrei no Sebrae/SC; com o pé direito, fazendo a coisa certa, da melhor forma,

como o meu pai e a minha mãe me ensinaram. A maneira correta sempre dá certo. Fomos

considerados profissionais de alta qualidade, não só técnica, mas também ética.

O turismo sempre foi minha paixão. Criei, com uma equipe, o Programa Estadual

de Turismo aqui de Santa Catarina. Uma visão sociológica do turismo, do impacto da atividade

que ele gera em uma sociedade; e minha pós-graduação foi nesta área. Assim, no

ano de 1992, por demanda do Vinícius Lummertz, iniciamos a criação de um projeto de

turismo, com enfoque em três regiões definidas pela diretoria.

O turismo é um setor econômico importantíssimo, depende de produtos, de serviços,

de pessoas vocacionadas e preparadas, de divulgação correta e tantas outras coisas

mais. As regiões selecionadas foram Tijucas, Tabuleiro e Criciúma. O objetivo foi fazer um

levantamento socioeconômico voltado ao turismo.

Em Tijucas, a população estava abalada com a desativação da indústria de açúcar

na região. Muito desemprego. Uma cidade à mercê, procurando alternativas. Mas, na

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 67


época, já havia a provável beata Paulina, hoje santificada; portanto, havia algumas possibilidades

de turismo religioso. No caso da região do Tabuleiro, uma paisagem lindíssima;

mas 70% dentro de um parque de preservação onde nada podia ser explorado. E a região

de Criciúma, dominada pela extração de carvão, pelas carboníferas e mineradoras. Com o

fechamento dessas empresas, houve uma favelização à beira da rodovia.

Depois desse levantamento, era preciso criar uma metodologia de intervenção

com foco no turismo. Aproveitei o conhecimento da universidade, na qual era professor,

para desenvolver o projeto. Na região Sul, era perceptível um potencial ligado à cultura

italiana, ao cultivo da uva e à fabricação do vinho, além da proximidade com a praia e a

exuberância da paisagem. Foram 16 municípios envolvidos, ativamos muitos potenciais

e, hoje, a região já se tornou bem conhecida como destino.

Percebemos que o trabalho sério tem uma força tão grande que não é necessário

pedir para as pessoas divulgarem. Isso acontece naturalmente. O trabalho vocacionado,

feito com o coração, expande como luz, clareia tudo. Muita gente foi agregando, chegando

e participando.

Certo dia, o pessoal do Sebrae/SC me perguntou qual o nome, a sigla do projeto.

Lembro de estar em um hotel, no sul do estado, no banho, quando me ocorreu a ideia. Saí

do banho, peguei um papel e anotei o nome PRESTO – Projeto Regional de Serviços de

Turismo Organizado. Nesse mesmo dia, o projeto foi lançado oficialmente.

Dentre tantas recordações, lembrei, agora, de uma viagem. Fui lançar um guia de

hospedagem alternativa, que apresentava muitos estabelecimentos ainda não conhecidos

e que, até então, não tinha apoio para divulgação. Lançamos esse guia com a parceria da

Federação Catarinense dos Municípios – FECAM, com informações de todas as cidades

do estado. Participei das reuniões das 21 regiões de associações de municípios para falar

sobre esse projeto.

Fiz um lançamento, à noite, na cidade de Caçador e tinha outra apresentação no

dia seguinte, às 10 horas, em Lages. Eu estava adoentado, já no terceiro dia com febre;

estava quase pra morrer, terrível. Eu pensei:

- Se eu deitar nesse hotel para dormir, amanhã eu não acordo,

Decidi, então, viajar na mesma noite. Eram quase dez horas da noite. Peguei o

68 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


carro e saí direto para Lages. Foi muita chuva pelo caminho. Era muita água, chuva forte.

O limpador de para-brisa não dava conta e eu quase não via a estrada. Parei o carro no

acostamento, tinha muita febre. A vontade era deitar no carro e dormir. Minha esperança

era enxergar alguma luz de outro carro para me guiar. Debrucei-me sobre volante e comecei

a chorar. O que eu estava fazendo ali, uma hora dessas. O que fazer? Só pensava no

compromisso do dia seguinte.

O Sebrae/SC não coloca supervisores atrás da gente, nem pergunta o que a gente

fez ou não fez. Mas a empresa sabe que a gente faz, pelo resultado que aparece depois. Era

uma paixão, uma grande vontade de fazer acontecer. Eu cumpri a minha meta e estava no

evento, no dia seguinte, para fazer a apresentação.

Estou com 70 anos e 25 anos deles no Sebrae/SC. Foi o melhor período da minha

vida, o mais produtivo, em que eu mais aprendi. Lidei com pessoas fantásticas e inteligentes.

Em uma reunião de meia hora, no Sebrae/SC, a gente resolve coisas que, em reuniões

intermináveis com pessoas de fora, não se resolve. A gente discorda, numa reunião, e parece

que está brigando, mas não é, são todos tentando acertar. A gente sabe disso. Acabou

a reunião, não fica mágoa. Sabemos que não é nada pessoal, pois estamos sempre tentando

achar o melhor caminho para fazer aquilo funcionar. É um presente de Deus.

Por falar em pessoas, trabalhei um tempo na área de gestão de pessoas e há duas

ações das quais me orgulho muito em ter batalhado junto com os colegas. Primeiro, a possibilidade

de fazer, primeiro, a seleção interna para os cargos, antes de abrir vaga externa,

para dar oportunidade às pessoas da casa.

Depois, o incentivo à graduação. O Sebrae/SC, na época, apoiava financeiramente

a pós-graduação, mas não a graduação. Os mais antigos não haviam cursado o ensino superior

e tinham dificuldade em se formar. Consegui, depois de construir um bom parecer

técnico justificando esse apoio, que colegas pudessem, então, cursar a graduação. Muito

me emocionou poder participar do evento de graduação dos colegas beneficiados por esse

incentivo da empresa.

O que eu estou relatando aqui vem do tempo da emoção. Do tempo em que trabalhávamos

com emoção, e o saber técnico era a nossa razão. O Sebrae/SC sempre foi a nave

mãe para onde a gente vem, todos os dias, com nossas cápsulas de conhecimento pessoal

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 69


que, acopladas às trazidas pelos demais, nos permitem realizar nossa missão especial. Não

olhe o Sebrae/SC como um prédio, ou uma máquina de trabalho. Ela é um organismo vivo,

que sente, que pensa e que ama o seu trabalho. Ele é único no que faz.

70 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


COMPROMETIMENTO

UM SEBRAE QUE ME MARCOU

PELO COLEGUISMO.

Cláudio Augusto Nienkoetter

Eu saí da cidade de São Bonifácio aos 18 anos para estudar em Florianópolis

onde havia sido selecionado para estudar no Instituto Estadual de Educação.

Estava procurando emprego há um mês e meio e surgiu a oportunidade

de trabalhar no Sebrae/SC, antigamente chamado de Ibagesc, através do contato de

um conhecido do meu pai. Essa pessoa era o Celso Lino que ligou para o meu pai em São

Bonifácio e pediu que eu fizesse uma entrevista para a vaga de office boy. Fiz a entrevista

com o Paulo Ferreira, que na época, trabalhava na área de pessoal, e passei.

Fui admitido em 07/04/1975. Trabalhei em quase todas as áreas administrativas

do Sebrae, contabilidade, tesouraria, almoxarifado, gestão da frota de veículos e serviços

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 71


gerais, e depois de alguns anos fui para o setor de pessoal onde estou até hoje. Sou gestor

do Sebrae Previdência há mais de 10 anos, respondo por esse plano desde a sua implantação

em 2005.

O Sebrae de anos atrás me marcou pelo coleguismo, todos eram muito amigos,

as festas de confraternização eram muito divertidas, tínhamos o nosso futebol, as brincadeiras

e momentos de descontração eram frequentes. Também tiveram momentos difíceis

quando passamos por uma redução de salários e de carga horária de trabalho. Nessa época

meu sogro tinha táxi e caminhão e cheguei a fazer alguns “bicos” para ter uma renda

extra. O trabalho que o Sebrae fazia antes era diferenciado mais de muito competência e

reconhecimento.

Fiz 40 anos nessa empresa agora em abril. Sempre trabalhando comprometido

para dar à minha família todo o necessário. Os empregados da época mais antiga não

tinha auxílio-creche, mas sempre consegui priorizar o colégio das crianças. Hoje vejo os

meus filhos criados. Agora já tenho netos e posso acompanhar o crescimento deles de perto.

Sou muito grato por todos esses anos bem vividos.

72 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


UM SINGELO

APERTO DE MÃO

VALORIZAR A VISÃO DE COLETIVIDADE,

A COERÊNCIA, A DEDICAÇÃO E O EXEMPLO:

UMA LIÇÃO DE HOJE E SEMPRE.

Cláudio Ferreira

Comecei a trabalhar no Sebrae em 1993. Naquele tempo, ainda cursava administração,

na UFSC, na sétima fase. Lembro que comentava com minha

mãe do interesse em trabalhar no Sebrae/SC, influenciado pelos estudos

de administração e disciplinas como administração de pequenos negócios. Dizia sem saber

que um dia estaria aqui.

Por sinal, os professores falavam muito bem da instituição e de sua capacidade

em contribuir na nossa formação. Para completar, tive oportunidade de assistir uma palestra

do consultor Sandro Morales, na UFSC. Até então, um perfil de profissional que não

conhecia. Ele mostrava dinamismo, otimismo e profissionalismo, sob a ótica do empreen-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 73


dedorismo e dos pequenos negócios como alavancadores de uma transformação individual

e coletiva, orientado pela atuação de uma instituição chamada Sebrae.

Nesta época, surgiu a oportunidade e não desperdicei. Fui ao Sebrae, me apresentei

ao trabalho e aos desafios. Cheguei a uma sala e encontrei um japonês, com uma

cara muito séria e propositadamente carrancuda (Seizo), ao lado de outro colega, que

também fez o mesmo estilo (Tonolli). Pensei:

- Essa turma deve ser bem exigente pelo jeito, ou não foram com a minha cara.

Mas que nada, era mesmo para chamar a atenção. Depois, começaram uma conversa

mais descontraída e apresentaram um pouco do PRODER e o Cadastro Industrial de

Santa Catarina, nos quais eu iria auxiliar com o meu trabalho.

Algum tempo depois, recebi meu primeiro grande desafio no Sebrae: trabalhar com

atendimento ao público, no chamado Balcão Sebrae. Lembro que o gerente da época falou:

- Estamos precisando de alguém com seu perfil (se soubesse do meu grau de timidez,

com cerca de 22 anos) para atuar no balcão de Florianópolis. É uma grande oportunidade,

você vai aprender muito lá.

Respondi:

- Sim, eu gosto de novos desafios. Só preciso me preparar receber alguns treinamentos,

preciso de cerca de uma semana. Quando começo?

- Amanhã.

- Ahhhn?! Certo.

Naquela época, a internet mal estava em gestação nas empresas. Para ter informação,

íamos até a biblioteca às pressas, consultávamos alguns manuais ou conversávamos

com os profissionais mais experientes para poder atender os clientes. No Balcão

Sebrae, tive grandes professores, como Lamark, Osni e Paulo Voltolini.

Eis que estou instalado na mesa, depois de uma hora falando com os professores,

e vem a pergunta básica.

- Já podes atender? Tem cliente esperando.

- Simmmm... (nem um pouco convencido). Pode chamar.

Chega meu primeiro cliente a ser atendido pelo Sebrae. (Que momento histórico).

Pensei:

74 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


- Tomara que seja um desses casos de linhas de empréstimos (naquela época era

muito demandado), que disseram que era bem fácil.

- (Clientes) Olá somos jornalistas e gostaríamos de abrir uma assessoria de imprensa,

quais os procedimentos de abertura desse tipo de atividade? Como o Sebrae poderá

nos ajudar?

Poxa, comecei bem. Acho que vou virar notícia. Sabe lá como... mas sobrevivi.

Essa foi minha primeira prova de fogo no atendimento, e depois viriam muitas

outras. Em vários momentos, o trabalho se tornava muito gratificante, mediante o agradecimento

e reconhecimento dos clientes pelos serviços prestados. Até presentes chegavam

a trazer, mesmo comigo afirmando que fazia parte do meu trabalho ajudar e que não

havia porquê fazerem isso.

Depois foram surgindo outros convites, ou mesmo a procura por outras atividades.

Dessa forma, atuei, até hoje, em cinco unidades diferentes, no Sebrae: Gerência de

Estudos e Pesquisas, Regional Grande Florianópolis, Gerência de Informação, Unidade de

Apoio Logístico e Unidade de Gestão Estratégica.

A passagem pela área de estudos e pesquisas foi a que mais me absorveu, nesses

anos. São idas e vindas, nessa área, até hoje. É nessa atividade que tive a maior oportunidade

de atingir o reconhecimento profissional. O que mais gostei de fazer foi o estudo

Santa Catarina em Números, um desafio que muitos não entendem como vencemos. Nele,

é possível mostrar, com clareza, as características socioeconômicas de cada município de

Santa Catarina, informações reconhecidas pelo seu valor.

Mas, nesses anos todos, depois do desafio de dar entrevista ao vivo, na CBN, e

fazer apresentação para o conselho deliberativo, nada me marcou mais do que um singelo

aperto de mão.

O fato aconteceu em Anitápolis, quando fui a campo entrevistar produtores de

fumo, depois de um verdadeiro rally para chegar à propriedade rural. Fui recebido pelo

casal de agricultores que, com um olhar de desconfiança, se apresentou e, com boa a educação

que é comum no meio rural, cada um me cumprimentou. Mas não foi um cumprimento

qualquer. Tive a oportunidade de perceber, em cada calo das suas mãos e, em

especial, na mão extremamente inchada e com resquícios de terra da esposa, o quanto

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 75


significamos para aquelas pessoas: uma oportunidade de mudança para uma vida menos

sofrida e de mais oportunidades. Creio que eles perceberam minha identificação com os

problemas deles, motivo que os fez, depois, ofereceram os agrados de um bolo caseiro e

um café. Nesse encontro, pude conhecer um pouco mais para quem realmente existimos

e nos justificamos.

Para mim, que valorizo a visão de coletividade, de coerência, de dedicação e o

exemplo, esse singelo ato é uma lição de hoje e sempre. E salve o empreendedorismo e as

instituições e pessoas que o apoiam. Junto com a educação, é o caminho mais curto para

romper a fronteira da injustiça social e permitir a prosperidade de pessoas, territórios e

nações.

Falando em educação, agradeço a minha mãe (Iracema) que contribuiu muito

para eu estar aqui, gostar de me dedicar as boas causas e saber valorizar as coisas mais

simples da vida e que, depois desses anos todos, vai nos deixar. Obrigado por tudo e aproveite

seu merecido descanso.

76 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


À CLEIDE

COM CARINHO

UM HOMENAGEM SINGELA

DAS COLEGAS DENISE E KÁTIA.

Cleide Maria Nienkoetter

Conheci a minha querida amiga Cleide – ou Keity Marrone, para os íntimos

– assim que fui chamada, no processo seletivo em 2003. Na época, ela

trabalhava com o Projeto de Marcas do Sebrae/SC, na antiga GIAT – Gerência

de Inovação e Acesso à Tecnologia. Lá, conheci toda a história dessa grande mulher

guerreira e pensava:

- Essa deve ter um cromossomo extra!

Ela era daquelas supermulheres: além de trabalhadora, muito dedicada ao Sebrae,

continuava sendo supermãe, superamiga, e sempre dedicada ao próximo, até mais do que

a si mesma.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 77


A Cleide entrou no Sebrae/SC, há 37 anos, em 05 de janeiro de 1978. Ingressou

na empresa como telefonista, foi galgando o seu espaço e tornou-se auxiliar administrativa

nos anos 90. Quando a conheci, já atuava como procuradora do INPI no Projeto de

Marcas do Sebrae/SC.

Uma das passagens mais marcantes, para mim, na antiga GIAT, foi perceber a

gratidão do empresário dono da marca “Da Magrinha”, quando conquistou o seu certificado

de registro da marca. Ele veio até o Sebrae celebrar a conquista e ofereceu, para toda a

equipe da GIAT, um “lanche degustação”, com produtos da marca. A granola era uma delícia

e, na época, fazia o maior sucesso. Está certo que alguns produtos estavam em fase de

teste e nem tudo caia tão bem quanto à famosa granola. Não vou citar nomes, mas vi uns

colegas saírem correndo, quase fechando a glote, porque tinham comido um biscoitinho

que “fervia” de tanta pimenta. São os ossos do ofício.

Foram muitas boas histórias que marcaram a sua linda e íntegra trajetória. Sempre

prestativa, bem-humorada e humana, apoiava tudo e a todos: na GIAT eram workshops

de inovação, incubadoras, crédito, SST, PAS, Design, 5S, prefeito empreendedor, projetos

internos de excelência em gestão; na UAC era o grande projeto PREC; e na UAI, finalizou

sua passagem, auxiliando principalmente no Prêmio Mulher de Negócios.

Este prêmio é um reconhecimento estadual e nacional às mulheres que transformaram

seus sonhos em realidade. Mulheres cuja vida é exemplo para tantas outras que

sonham ser empreendedoras. Acho que os objetivos do prêmio refletem aquilo que percebemos

na Cleide, um exemplo de pessoa, como profissional, colega e mulher.

Cleide, obrigada por fazer parte dessa história e da nossa história.

Por Denise Stuart

78 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


Mudar a Cleide de lugar era algo muito complicado.

Conheci a Cleide alguns anos depois de entrar no Sebrae, mais especificamente

quando ainda tínhamos o INPI funcionando no terceiro andar do Edifício Apolo, na Rua

Tenente Silveira. Havia muitos arquivos e muitos documentos, era uma papelada danada.

Era uma área em que quase não entrávamos. Como se fosse outro Sebrae, o tal Departamento

para Registro de Marca.

Após algumas modificações de estrutura, conheci e comecei a trabalhar com a

Cleide; nesse tempo, já estávamos na Avenida Rio Branco. Mudar a Cleide de área e de

andar era sempre muito complicado, devido aos vários arquivos de INPI que sempre a

acompanhavam (risos). Num determinado momento, o Sebrae/SC descontinuou o registro

de marcas e a Cleide passou a ser apoio a todos nós, que trabalhávamos na Unidade de

Tecnologia, com o Urandi.

Acompanhei a Cleide em muitos momentos da vida, temos filhos de idades bem

próximas e assim vivemos muitas coisas em momentos parecidos. Temos várias passagens

alegres e tristes juntas. Não gosto muito de lembrar de algumas, mas, sem dúvida, a que

sempre me faz rir sozinha é a “sugestão de 45 reais”! Rindo alto aqui.

Por Kátia Regina Raush

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 79


80 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


UMA FAIXA

NA RODOVIA?!

UM APRENDIZADO:

LIDAR COM AS ADVERSIDADES.

Donizete Boger

Houve uma época em que o ator Lima Duarte, reconhecido nacionalmente,

participou de um comercial de televisão criado pelo Sebrae. Ele convidava

as pessoas a irem ao Sebrae. Foi justamente nos três primeiros

meses de existência do Balcão Sebrae em Jaraguá do Sul, no qual eu atuava sozinho, tendo

que atender a duas linhas telefônicas e ao público, que chegava a todo instante. Não

parava um minuto de atender as pessoas. O burocrático ficava para depois do horário do

expediente.

Mas meu início no Sebrae/SC se deu da seguinte maneira. Depois de um ano

residindo na Inglaterra (eu morava em Joinville antes disso), em janeiro de 1993, voltei

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 81


ao Brasil, mais especificamente para Jaraguá do Sul; pois minha esposa já havia voltado

de Londres, com trabalho naquela cidade. Iniciei minhas atividades dando aulas de inglês

para um grupo de alunos da Escolinha da WEG e, depois, fui trabalhar numa fábrica de

instrumentos de madeira usados na construção civil. Em julho, surgiu a oportunidade de

atuar como consultor de Núcleos Setoriais na Associação Comercial e Industrial de Jaraguá

do Sul – ACIJS. Nessa época, iniciava-se, em Santa Catarina, a parceira da Fundação

Empreender com a Câmara da Baviera na Alemanha, que, mais tarde, se tornaria o Projeto

Empreender.

Informaram-me, na época, que eventualmente eu poderia até trabalhar no Sebrae.

Nunca tinha ouvido essa sigla antes e nem fazia ideia do que poderia ser. No fim das

contas, acabei mesmo entrando no Sebrae/SC, em primeiro de julho de 1993; atuando no

Balcão Sebrae, como funcionário da ACIJS. Cumpri essa atividade por três meses, quando

mudamos para Joinville e fui contratado pelo Sebrae/SC para atuar na Gerência Regional

de Joinville, que acabara de iniciar suas atividades.

O Sebrae/SC tem um grande significado. Houve vezes, é claro, em que até cogitei

sair da instituição, mas foi a qualidade do relacionamento com as pessoas dessa casa que

me fez pensar melhor e permanecer. E também o tipo de atividade que desempenhamos:

AJUDA! Esse sentimento de poder contribuir um pouco com o desenvolvimento de pessoas

e regiões é muito gratificante.

Dentre as coisas que recordo está um período, mais no começo da minha atividade,

em que participávamos de uma grande quantidade de capacitações em Florianópolis.

Era impressionante o número de vezes que íamos para a capital para nos capacitar!

Pensando em deslocamento e reuniões, um momento marcante foi a ocasião em

que eu e o gerente regional de Joinville fomos até a cidade de Itapoá para uma reunião

com lideranças e o empresariado em geral. Eis que, no caminho, quando estávamos entrando

pela rodovia de acesso da cidade, nos deparamos com uma faixa, bem chamativa,

pendurada de poste a poste, sobre a estrada. Nela, os dizeres garrafais: VOCÊ PRECISA DE

DINHEIRO? NÃO PERCA: REUNIÃO SEBRAE, eram seguidos da indicação de data e local.

Isso sim foi uma grande loucura. Ficamos pasmos, sem saber se devíamos rir ou chorar.

Aos que hoje chegam ao Sebrae/SC, digo que nunca parem de se preparar. E, se

82 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


em alguns meses, não estiverem certos de que isso é mesmo o que vocês querem, melhor

buscarem outra coisa para fazer. Aqui é preto no branco! Ou gostou e é isso que desejam

fazer, ou terão dificuldades em lidar com as adversidades que surgem, diariamente, na

nossa atividade.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 83


84 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


SOMOS UM AGENTE

DE MUDANÇA

AQUI É UM LUGAR EM QUE SE

TRABALHA MESMO. E SE TRABALHA

COM PRAZER E COM SATISFAÇÃO.

Edgar Macedo Júnior

Uma coisa que eu quero deixar clara aqui é que eu tive muita sorte de

trabalhar no Sebrae/SC. Na verdade não acredito em sorte, acredito em

Deus. Por que, na minha área que é a economia, é um dos melhores lugares

para um profissional que se forma, poder exercer todos os seus conhecimentos na

prática. Foi uma grande escola. Aqui aprendi tanto a realizar os trabalhos técnicos, como

também a apresentá-los, a negociar, a me relacionar, tanto com parceiros, com empresários,

com prefeitos e até mesmo com governador. Sou muito grato por tudo que aprendi.

Meu primeiro e único emprego até hoje. E pretendo me aposentar aqui, mas ainda falta

um tempinho...

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 85


Eu estava cursando economia e surgiu uma vaga de estágio no CEAG. Entrei na

área de desenvolvimento regional. Eram tempos em que fazíamos tudo a mão, escrevendo

a lápis e a caneta. Tem um fato interessante dessa época. Eu trabalhava meio período e

estávamos fazendo um trabalho que era uma tabulação de dados. Lembro de estarmos

todos juntos fazendo o trabalho, volta meia ocorria uma brincadeira, umas risadas. Até

que o gerente chegou e disse, “O que vocês estão fazendo, deixa eu dar uma olhada nisso.

Poxa Edgar, você produziu só a metade em relação ao outros. Ficam aí dando risada”. Eu

respondi, mas eu trabalho a metade do tempo que os outros, só meio período. (risos). Era

um tempo em que o cafezinho ainda era servido por uma copeira. Cada um tinha direito

a pegar um copinho só, era um copinho pequeno de café. Quem era mais amigo dela até

conseguia pegar dois.

No ano de 1988, em me formei e ingressei como funcionário, na atividade de

consultoria. Deixaram-me um mês ‘cozinhando’ em uma sala fechada, cheia de livros e me

diziam, vai lendo, vai estudando isso daí... Minha primeira atividade foi fazer o centro de

custos do CPD, computador era conhecido por CPD – Centro de Processamento de Dados.

Era uma sala com computadores e impressoras matriciais e ali apenas duas ou três pessoas

que eram os especialistas podiam entrar. Um grupo realmente seleto e á parte do resto da

casa. Para entrar na sala do CPD, só batendo na porta e pedindo licença. O objetivo do meu

trabalho era levantar os custos do CPD para o qual montei uma bela planilha.

Depois disso, comecei a acompanhar algumas consultorias em campo com o Dagoberto,

o Hercílio, o Celso Lino, o Laerte... mais tarde, aconteceu o PIDSE (1989) naquela

época, onde fizemos um diagnóstico econômico para todos os município de Santa Catarina.

Foi um trabalho gigantesco, escrito a mão e uma equipe de suporte que fazia tabelas e

datilografava tudo. Depois de tudo pronto chegou a hora de apresentar os resultados nas

comunidades. Nunca gostei disso, nem mesmo em sala de aula.

Fizemos um mutirão para apresentar os resultados, várias equipes, cada uma foi

para uma região do Estado. Eu lembro que acompanhava e assistia. Um dia o consultor Norton

(já falecido), me disse, vais acompanhando e prestando atenção, vou fazer várias e daqui

a pouco você começa a me ajudar, fazendo uma parte comigo para treinar. Até aí tudo bem.

Até que chegou o dia em que eu iria fazer a apresentação sozinho. Moral da his-

86 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


tória: não consegui dormir na noite anterior, não almocei, não conseguia me alimentar,

muito ansioso e preocupado. Chegou a noite e eu consegui fazer, deu tudo certo. Entretanto,

fomos jantar depois do evento e eu não consegui comer nada ainda. Cheguei ao hotel,

passei mal. Parei em frente ao espelho e me encarei. Isso foi algo muito marcante para

mim. Eu disse a mim mesmo “Vamos ter uma conversa séria. Você está trabalhando numa

empresa em que esse tipo de atividade é comum. Aqui é isso. Sempre tem trabalhos para

apresentar. Você precisa aprender a trabalhar em público. Ou você se acostuma, ou você

pede demissão.” E daí por diante segui em frente.

O Sebrae/SC foi pioneiro na realização de projetos de apoio ao desenvolvimento local/regional.

Tudo começou em 1984, no Município de Pinhalzinho, cidade essencialmente

agrícola na época. Estavam perdendo os seus jovens por falta de alternativas de emprego e

renda, quando foi feito um trabalho de diagnóstico. A situação era muito clara, ou eles esperariam

a chegada de um investimento de fora, ou criariam um movimento próprio, de dentro

para fora. Desse pensamento surgiu um grupo de pessoas da cidade que dispunham de certo

capital e juntos começaram a montar alguns negócios aproveitando as potencialidades locais.

Nascia a atuação do Sebrae/SC na área de desenvolvimento local. Para se ter uma idéia, os

resultados desse tipo de projeto, extrapolaram as fronteiras, chegando, em 1991, aos ouvidos

da Vale do Rio Doce, por meio da ONU. Eles nos procuraram para poder conhecer o tipo de

metodologia que havíamos desenvolvido. Ou seja, promoção do desenvolvimento regional a

partir de um diagnóstico. O objetivo deles era replicar a ação em regiões de mineração que

congregam comunidades carentes que precisam de auxílio.O próprio Sebrae/SP nos acionou

nesse sentido (1992/1993). Ficamos lá por dois anos aplicando a metodologia, qualificando a

equipe deles e repassando a nossa experiência.

Algo que me recordo é do tempo que fomos para São Paulo fazer o repasse da

metodologia de desenvolvimento regional. Para começar fomos de avião. Eu nunca tinha

andado e já foi algo muito legal. Chegando lá fomos ao Sebrae/SP para uma reunião onde

discutimos como o projeto iria acontecer e ficou definido qual região do Estado cada um

iria atuar. Pensamos ok, tudo organizado, a equipe deles vai acompanhar. Na realidade a

equipe deles não estava preparada para acompanhar. Não tinham selecionado as pessoas.

Simplesmente terminou a reunião e disseram “nós locamos alguns carros, vocês passam

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 87


na locadora e vão para o interior, nas regiões designadas.” Não havia equipe para nos

acompanhar, não havia negociação com as cidades, nem com prefeitos ou parceiros. Absolutamente

nada. Fomos jogados aos leões. A única coisa que realmente existia era um

contrato assinado entre o Sebrae/SP e o Sebrae/SC.

Tivemos que fazer tudo do zero. Imagina não conhecer a cidade, pegar um carro e

ter que chegar em um destino. Comprei um mapa, na época não tinha GPS, para me localizar

e saber por onde começar. Foi muito doido. Cada um de nós foi sozinho para um lugar

diferente. Eu cheguei em Pirassununga me instalei em um hotel e pensei “O que vou fazer

agora”. Procurei Sindicato do comércio Varejista, parceiro do projeto, que não sabia nada

sobre o trabalho, além do que, o povo de lá desconfiava muito, alguns achavam até que a

gente era ‘enganador’, vendedor de mentiras. Para eles todos os sulistas eram gaúchos...

daí eu dizia não ofendam. Depois de uns dois meses chegaram os reforços da equipe do

Sebrae/SP para ajudar. Mas o início foi difícil, na cara e na coragem.

Na época dos projetos regionais e setoriais trabalhei com uma turma ‘boa’ (risos).

Com atividades como passear dentro do carrinho de supermercado que tínhamos

na gerência para carregar caixas e publicação. Ou colar fita adesiva em toda a porta do

banheiro, como se não bastasse, ainda escorar um móvel, só para ver a estagiária sair de

lá derrubando tudo. Ou então, fugir da Margareth que ficava cobrando os relatórios, ela

ficava igual um cão de guarda atrás da gente. Um dia ela estava atrás de mim, escutei a voz

dela de longe e no nosso andar o miolo do andar era os elevadores e dava para correr em

volta. Ela vinha por um lado e eu corri para o outro lado, para fugir dela, nisso eu passei

correndo e tinha um grupo fazendo reunião... O Marcondes baixou a cabeça e balançou-a

em sinal de reprovação como quem diz: “Isso não tem mais jeito mesmo”...

Mas com a experiência desses anos o que eu recomendo é: aqui é um lugar em que

se trabalha mesmo. E se trabalha com prazer e com satisfação. Essa satisfação está em ver

os resultados que acontecem junto aos clientes. O Sebrae/SC é um agente de mudança,

principalmente em um contexto de uma sociedade como a nossa. Nesse momento agora

de crise, por exemplo, todo mundo pode até parar, mas a gente tem que trabalhar dobrado.

Agora muito mais do que antes as micro e pequenas empresas precisam da gente.

88 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


LINHA

DE FRENTE

DE ONDE VEIO O “PANO DE CHÃO”...?

Eliane da Rosa Figueira Costa

O

ano de 1999 foi muito importante para mim. Costumo dizer que iniciei

e fechei o ano com chave de outro. No dia 11 de janeiro de 1999,

assinava a minha portaria de admissão no Sebrae/SC e, no dia 11 de

dezembro de 1999, casava, em Florianópolis. Ambos os eventos, até aquele ano, eram os

mais importantes da vida.

Em 2002, mantinha firme o fato de que 1999 foi único; porém, como estava vivendo

um processo de separação, o segundo fato marcante foi ficando para trás.

Hoje, posso garantir que iniciei o ano de 1999 com chave de ouro e ainda não fechei

essa porta. Então, espero poder fazer parte da história do Sebrae/SC por mais alguns

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 89


anos. E a chave de ouro? Sigo com ela guardada em caixa especial, construída e solidificada,

dia após dia, mantida em lugar de destaque na minha vida.

Foram muitos os fatos marcantes ao longo de 16 anos, perto dos 17, de dedicação

quase exclusiva a essa empresa viciante, no melhor dos sentidos.

Achei interessante contar sobre fato ocorrido, quando do meu retorno da minha

segunda licença-maternidade, depois da gestação de Pietra, ocorrida no período de julho

de 2013 a fevereiro de 2014.

Na semana em que retornei de licença, fui informada de que havia uma reunião

com a rede de credenciados da Grande Florianópolis, na sede do Sebrae, e que eu deveria

fazer uma apresentação.

Logo que soube, fiquei muito preocupada. As mulheres que já tiveram filhos sabem

bem o motivo, assim como os homens que também já viram suas esposas passarem

por isso. Depois de um período em que a mulher não sai de casa para nada, assiste televisão

no mudo para não acordar o bebê, tem como metas únicas e vitais trocar fraldas, amamentar,

dar banho e ninar uma criança; sendo “mãe em tempo integral”, o vocabulário, o

encadeamento lógico, o simples diálogo, do início ao fim, sem esquecer de alguma palavra

importante, no meio da fala, são coisas quase impossíveis de serem conseguidas, depois

de 7 meses de foco no bebê.

E foi com isso que me deparei no meu retorno da licença-maternidade. Sabia que

seria um grande desafio, pois já tinha passado por isso quando do retorno da licença da

minha primeira filha, Valentina, em 2012.

E assim ocorreu. Comecei a minha fala com um nível de concentração de 150%.

Nada me tirava o foco em cada palavra que eu dizia. Não podia, em hipótese alguma, perder

meu raciocínio; pois se isso ocorresse, sem dúvida, não saberia nem mais dizer quem

eu era.

Enquanto falava e percebia todos aqueles olhos atentos em mim, queria dizer que

nossos consultores e instrutores eram a linha de frente da nossa atuação junto ao cliente.

Quanto mais próxima eu chegava dessa conclusão, mais eu me distanciava de

dizer “linha de frente”. Não conseguia lembrar da expressão e a única coisa que me vinha

em mente era “pano de fundo”. Eu falava, chegando cada vez mais próxima da conclusão:

90 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


vocês são a linha de frente do Sebrae/SC; mas insistia em aparecer, na minha cabeça, a

expressão “pano de fundo”.

Tentei manter a respiração, não perder a concentração, não pressionar meu cérebro

recém- desligado do modo “mãe em tempo integral” e concluir. E concluí. Respirei

fundo, realizada, enfim, feliz por ter conseguido.

Tudo estava ótimo. Missão cumprida. Foi quando eu me sentei e ao meu lado

estava meu amigo Spyros. Não hesitei e fui logo perguntando: Falei certo? Deu para entender?

Não me perdi, não é?

E ele, sorriu, consentiu com a cabeça, mas continuou me olhando. Senti que tinha

algo mais, algo além da expressão que foi tudo bem. Algo do tipo:

- Falo ou não falo para essa pobre criatura.

Continuei olhando para ele, até que me disse:

- Foi bem. Só a expressão “pano de chão” é que não caiu muito bem para os credenciados.

E foi aí que o meu chão caiu, com pano e tudo. Meus braços chegaram a ficar dormentes.

Só conseguia repetir:

- Não! Não! Não!

Olhei para o Paulo Teixeira. Ele haveria de desmanchar aquela brincadeira; me

tranquilizar dizendo ser uma pegadinha do Spyros. E, nesse momento, ele me respondeu

que eu realmente havia dito “pano de chão”.

Imagino o que tenha sido para os credenciados ouvir que eles são o “pano de

chão” da nossa atuação? Passei meses me torturando e torcendo para que não tivessem

ouvido. Era uma conclusão... tempo acabando... ninguém ouviu.

Em maio de 2016, realizamos reuniões com a rede de credenciados em todas as

regiões do estado e iniciamos pela Grande Florianópolis. Eu estava bem, sem histórico de

licença-maternidade, cérebro funcionando bem. Pensei: agora é hora! Vou me redimir.

E assim o fiz, nas duas turmas. Fiz questão de relembrar o fato, contar o que

ocorreu e me desculpar com todos. Foi a melhor coisa que fiz; pois, no almoço, veio ao meu

encontro um credenciado que disse:

- Oi Eliane! Quero te cumprimentar e te dizer que estás desculpada. Eu estava na

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 91


eunião e falei com o Spyros, logo após a tua fala. Perguntei a ele por que disseste “pano

de chão”. Se eu soubesse que estavas retornando de licença-maternidade, teria entendido

perfeitamente, pois vi minha esposa passar por isso três vezes.

Enfim, pude me desculpar. Todos riram muito do fato. Numa das turmas, após

pedir desculpas, os credenciados bateram palmas e eu fiquei aliviada, liberta do erro.

Achei uma história legal de ser contada. Já fica a dica às minhas colegas, gestantes

ou que serão mães um dia, para que, em licença-maternidade, acionem o modo “mãe

em tempo integral com direito a leitura”. Assim, terão a certeza de retornar às atividades

com o cérebro “mais aberto”, digamos assim.

92 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


EXPERIÊNCIAS

E CONQUISTAS

O VALOR DAS PARCERIAS EM UM

NOVO MODELO DE ATUAÇÃO

Eliete Maria De Carvalho

Foram muitas as experiências e conquistas vividas no Sebrae/SC. Ao longo desses

40anos em que aqui trabalhei, pude realizar meus projetos e sonhos profissionais

e pessoais. Mas uma das experiências mais marcantes, e que considero importante

relatar, foi o processo de mudança do Sebrae, em Santa Catarina, no final de 1999.

Por decisão do Conselho Deliberativo, foram fechadas as unidades de atendimento, conhecidas

como Balcão Sebrae, e foi adotado um modelo operacional absolutamente inovador, com ações

integradas às entidades empresariais mais representativas: Associações Comerciais e Industriais,

Associações de Micro e Pequenas Empresas, Câmaras de Dirigentes Lojistas e Sindicatos Patronais.

A instituição deixava de trabalhar no varejo e transferia, para as entidades empresariais,

o ponto de atendimento e venda dos seus produtos e serviços. A interação entre os envolvidos, a

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 93


celebração das parcerias, e quantos instrumentos, ferramentas e competências foram desenvolvidas

para que esse modelo se tornasse viável. Foi uma experiência de trabalho em equipe muito intensa,

de muito aprendizado individual e organizacional.

O Balcão Sebrae era um sistema de atendimento presente em todo o território nacional,

com uma mesma concepção visual, característica e padrão de atendimento. O Sebrae, em Santa Catarina,

possuía 70 unidades de Balcão Sebrae, distribuídas por todo o estado, que atendiam uma média

de 10.000 clientes mês; dos quais 70% eram potenciais empresários e 30% empresários de micro e

pequenas empresas.

O foco do trabalho era orienta-los nas suas dificuldades para abertura e gestão de um negócio.

A cada oportunidade de orientação empresarial, a equipe técnica ampliava seu conhecimento

sobre as micro e pequenas empresas.

No entanto, essas lições aprendidas e esses conhecimentos adquiridos nunca foram registrados

e compartilhados. Neste período, as soluções de atendimento eram dos técnicos; cada um

criava seu jeito de fazer, tinha seus arquivos individuais com seu acervo de informações. Quando o

profissional saía do Sebrae/SC, ou da área de atendimento, levava tudo consigo. Muito pouco, ou

quase nada, havia sobre metodologia de atendimento.

A liderança desse trabalho coube a Gerência de Comunicação e Mercado, que reuniu alguns

dos profissionais que atendiam no Balcão Sebrae e, pela primeira vez, passou a desenvolver um

modelo de atendimento ao potencial empresário e ao empresário de pequenos negócios. A equipe

técnica do Sebrae/SC deixou de atender ao cliente e passou a desenvolver metodologias, identificar

tecnologias, normas e procedimentos para viabilização da parceria.

Robert M. Tomasco (1992, p.176) diz que, segundo a “sabedoria popular” num processo

de reestruturação organizacional em que é necessária a redução de pessoal, é melhor “fazer tudo imediatamente,

o mais rápido possível”, de modo que o moral dos empregados seja restaurado, eles não

fiquem chocados com ondas sucessivas de demissões e sintam-se seguros e confiantes na liderança e

direção da empresa. Em um processo de reestruturação organizacional ideal, a seleção daqueles que

ficam deve ser baseada no desempenho individual, até aquela data, e na consideração do seu potencial

de contribuição para a nova estrutura.

Diz ainda (1992, p.206) que promover enxugamento significa “virar de cabeça para baixo”

algumas organizações. Fazer as coisas acontecerem dependerá, fundamentalmente, da habilidade

em fazer surgir o apoio e a cooperação entre as equipes. Os talentos na negociação se tornarão pontos-chave.

94 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


Este foi o modelo adotado, pela diretoria do Sebrae/SC, para sua reestruturação, em 1999.

As decisões e ações foram rápidas e precisas. Foram dispensados em torno de 30 profissionais, com

experiência, no sistema, que ia de 05 a 20 anos. Pode-se dizer que a entidade “virou de cabeça para

baixo”. Toda a estrutura vigente deixou de existir, de um dia para o outro, sem aviso prévio. Foi um

grande desafio para aqueles que ficaram e que tinham a tarefa de construir o novo modelo.

Para iniciar este processo, o Sebrae/SC contou com o apoio das federações e empresariais,

o que contribuiu para a condução e apresentação da proposta às suas filiadas. Como base para o novo

modelo, o Sebrae/SC criou 25 Agências de Articulação espalhadas pelo estado que, juntamente com

a diretoria e os novos gerentes operacionais, foram responsáveis por um intenso trabalho de articulação

e arregimentação das parcerias.

Naquela oportunidade, foram celebrados convênios com 230 entidades empresariais. A

assinatura do convênio credenciava a entidade empresarial para o atendimento aos clientes Sebrae/

SC e venda de seus produtos e serviços, recebendo, para tanto, comissão e ajuda de custo. Ao credenciar-se,

a entidade passava a usar um selo que a identificava como “Entidade Credenciada”

Foi um período de muito trabalho, muita criatividade, de estruturação e tangibilização dos

conhecimentos. Foi o momento de a equipe técnica utilizar o conhecimento adquirido, até então,

sobre as questões fundamentais dos pequenos negócios, e transformar em produtos, ferramentas e

instrumentos capazes de viabilizar o novo modelo de atuação, dentre os quais:

1. Instruções Normativas:

Para regulamentar o processo de credenciamento, estabelecendo as condições mínimas

e atribuindo responsabilidades e direitos aos envolvidos, foi criada a Instrução Normativa de Credenciamento

e, para normatizar o processo e descrever o fluxo de comercialização de cada produto,

foram criadas instruções normativas de cada um dos produtos do Sebrae/SC.

2 . Teleatendimento Sebrae/SC (atual Central de Relacionamento):

O serviço de teleatendimento (0800483300 – ligação gratuita) foi implantado, logo nos

primeiros dias da mudança, para realizar o atendimento ao público nesse momento de transição.

O cliente que se dirigia às unidades do Balcão SEBRAE, então com as portas fechadas, encontrava

uma indicação para ligar para o 0800. Esse teleatendimento era realizado pelos consultores internos,

atendentes do extinto Balcão, que explicavam ao cliente o que estava acontecendo e respondiam às

suas demandas.

Esse serviço foi sendo construído e estruturado durante sua execução. Após nove meses

de sua implantação, os consultores internos construíram o modelo de teleatendimento, treinaram e

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 95


epassaram o trabalho para uma equipe terceirizada.

3. A Extranet:

Site, com usuário e senha de acesso, criado especialmente para as entidades empresariais

credenciadas. Na extranet, elas têm acesso às ferramentas de trabalho, sistemas e serviços que auxiliam

no relacionamento com o cliente.

4 Linha Comercial:

Sistema personalizado, desenvolvido para internet, com foco na realização de comércio

eletrônico – ou seja, venda e registro das vendas de eventos, produtos e serviços do Sebrae/SC – pelas

entidades empresariais, com acesso por meio de usuário e senha. Além de todo o processo de venda

ao cliente final, permite o acompanhamento financeiro pela própria entidade credenciada, ou Agência

Sebrae, de todas as operações comerciais realizadas pelas mesmas.

5 Programa de Atendimento Segmentado – PAS:

Proposta inovadora e diferenciada de atendimento ao cliente Sebrae, por segmentos, e seguindo

o conceito de educação continuada, no qual as soluções são oferecidas por meio das capacitações:

o Caminho do Candidato a Empresário e o Caminho do Empresário. Desaparece a figura do

atendente, que precisa entender de tudo, e se fazia necessária no Balcão Sebrae. O atendente precisa

ser bom no atendimento e na venda de ideias, pois seu trabalho é sensibilizar o cliente a participar

de um dos eventos de capacitação, que faz parte dos respectivos caminhos.

O Caminho do Empresário – Programa Crescer, possibilita analisar alguns indicadores de

resultados empresariais e perceber dificuldades individuais e sua interferência nas principais causas

dos problemas empresariais. Identificar seus pontos fracos e fortes e fazer o seu Plano Individual de

Capacitação. Os produtos do Programa Crescer são dirigidos a cada necessidade específica.

6. Manual Eletrônico do Programa de Atendimento Segmentado – PAS:

Omanual eletrônico do PAS foi desenvolvido para proporcionar uma fonte de consulta permanente

sobre todas as questões relacionadas à parceria, com vistas à padronização no atendimento

e em função das dificuldades das entidades credenciadas. no acesso a internet e equipamentos de

informática, e, portanto, ao Sistema Integrado de Informações do Sebrae/SC. Foram descritas todas

as regras, direitos e deveres que regem a parceria, todos os produtos e serviços do Sebrae/SC, a

forma de atendimento, procedimentos e orientações. para que o atendente da entidade credenciada

pudesse realizar o atendimento e a venda trabalhando offline. Escrito em linguagem HTML, era instalado

no computador da entidade e as atualizações, baixadas via internet.

O manual orienta, desde a divulgação dos produtos e serviços, a preparação necessária do

96 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


local e do atendente, orientações de venda, organização e prestação de contas ao Sebrae e, principalmente,

sobre a melhor tática de atendimento e venda que deve ser usada para cada tipo de cliente.

Com interface bastante amigável, autoexplicativo, o manual eletrônico do PAS possibilita que um

atendente recém-contratado, que ainda não recebeu treinamento do Sebrae/SC, consiga atender um

cliente sem grandes dificuldades, após consultá-lo.

7. Manual do Facilitador:

Focado em todos os eventos (cursos, palestras e consultoria), permite padronização e manualização

do conteúdo técnico e da metodologia de ensino-aprendizagem para adultos.

8. Treinamento e Capacitação dos Consultores e Atendentes:

Foram desenvolvidos e realizados seminários, com os consultores terceirizados, para comunicação

do novo modelo de atuação do Sebrae/SC. O momento também serviu para o repasse da

nova forma de execução dos eventos e treinamentos de 16 horas, para os atendentes das entidades

credenciadas, tendo como base o manual eletrônico do PAS. Para monitorar o processo de atendimento,

de acordo com o modelo proposto, tirar dúvidas e ajudar de acordo com as dificuldades dos

atendentes, promovendo o treinamento no próprio posto de trabalho. No primeiro ano de implantação

do PAS, foram criadas monitorias regionais.

9. Sistema Integrado de Atendimento - S.I.A.:

O Sistema Integrado de Atendimento - S.I.A., foi fundamental na implantação do novo

modelo. Para tanto, passou a receber incrementos e melhorias, tanto na parte de textos, quanto de

sistema; possibilitando a utilização, cada vez maior, de todos os seus recursos.

10. Página do Sebrae/SC na Internet – Home Page:

Foi incrementada a oferta de informações, via home page que, na época, tinha em torno de

10.000 (dez mil) acessos mensalmente. Também foi implantado processo de acesso especial com o

uso de senha, gerando atendimento personalizado.

11 Ouvidoria Extranet:

Canal de comunicação permanente, da entidade credenciada, com a sede do Sebrae/SC, via

telefone 0800 (ligação gratuita) ou correio eletrônico.

12. Programa Melhores Práticas:

Levantamento e consolidação de indicadores de desempenho relacionados aos serviços

prestados pelas entidades empresariais credenciadas, possibilitando destacar e premiar os melhores

modelos de gestão, para compartilhamento e geração de aprendizado.

Analisando o processo, conclui-se que a parceria gerou alguns bons resultados. Para as

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 97


entidades, pode-se destacar o incremento de recursos financeiros, capacitação da equipe, aumento

do número de associados e melhoria da imagem institucional e presença na mídia.

Pode-se dizer que um dos resultados alcançados, com a parceria, tenha sido a drástica redução

de custos em atividade meio após o fechamento das quase 70 unidades do Balcão Sebrae, no

entanto, não foi possível um estudo conclusivo dessa questão.

Cabe registrar, no entanto, que um dos objetivos do Sebrae/SC, nessa parceria, era proporcionar

o maior número possível de pontos de atendimento; ou seja, fornecimento de informação e

orientação empresarial aos seus clientes. O que aconteceu foi ausência total, em alguns municípios,

e queda na qualidade; principalmente nas maiores cidades. Fatores devidos a pouca formação, qualificação

e alta rotatividade da mão de obra das entidades. A entidade empresarial não demonstra

interesse em fazer atendimento, principalmente para o candidato a empresário. Seu foco é a venda

de produtos e eventos Sebrae, que proporcionam melhores receitas, em comissão e ajuda de custo.

Por essa razão, após um ano de parceria, o Sebrae/SC decidiu retomar o atendimento individual

e transformar 10, das 25 Agências de Articulação, em Agências de Atendimento. Do ponto

de vista institucional, a parceria foi considerada um sucesso para ambos os lados. Embora o Sebrae/

SC já tivesse trabalhado em parceria com algumas entidades empresariais, anteriormente a esta experiência,

e vários de seus representantes façam parte do seu Conselho Deliberativo, ele sempre foi

visto como um concorrente. Com a parceria, passaram a trabalhar unidos, na missão de prestar os

melhores serviços, para atender as necessidades dos empresários e empreendedores.

Do ponto de vista técnico, a parceria foi e tem sido uma alavanca na geração deconhecimento

para a equipe envolvida com a área de atendimento. Além das soluções já concluídas e implementadas

citadas nesse trabalho, outras ferramentas e metodologias estão sendo discutidas e produzidas

com o objetivo específico de buscar a excelência no atendimento e proporcionar o acesso do

empreendedor a informações e orientações para o planejamento e gestão de pequenos negócios. Do

ponto de vista do cliente houve perda de qualidade no atendimento e na efetividade das respostas as

suas demandas, que vem sendo recuperado. Atualmente é um modelo misto, as entidades vendem

as soluções, mas o atendimento ao cliente é realizado pela equipe do Sebrae.

Pode-se dizer que o modelo de atuação do Sebrae/SC é um processo em construção e um

desafio para sua equipe. Muito já se fez, avaliou, melhorou e sempre haverá muito por fazer, já que

nenhum modelo de atuação empresarial poderá ser considerado completo e terminado. Ao contrário,

deve estar constantemente submetido à análise, crítica e avaliação daqueles que são responsáveis

por sua elaboração e de seu público-alvo.

98 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


LEMBRANÇAS

E REFLEXÕES

MINHA TRAJETÓRIA NO SEBRAE/SC

VIABILIZOU A MINHA MISSÃO DE VIDA

Eugênio Souza Martinez

Iniciei a minha vida profissional, na empresa, há 38 anos, de uma forma muito

peculiar. Se alguém acredita no destino, podemos dizer que foi coisa do destino.

Dia primeiro de Janeiro de 1976, cheguei a Florianópolis, vindo do Rio

Grande do Sul, da cidade de Pelotas. Eu acabara de me formar em administração de empresas;

na primeira turma regular do curso que, neste ano, completa 50 anos de regularização,

curso concluído na Universidade Católica de Pelotas.

O meu objetivo, em Florianópolis, era cursar o Mestrado em Engenharia Industrial

e, para isso, precisava participar de um curso de nivelamento, nos meses de janeiro

e fevereiro. Com isso, poderia acessar uma bolsa de estudos para um pequeno número de

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 99


selecionados.

Nesse período em que estive em Florianópolis, realizando o nivelamento para o

Mestrado em Engenharia Industrial, visitei várias instituições, entre elas o Ibagesc - Instituto

Brasileiro de Assistência Gerencial de Santa Catarina. O instituto tinha sido criado,

sob a liderança do BRDE, para servir de apoio na consultoria em gestão empresarial para os

estaleiros navais de Itajaí que recebiam financiamentos e, na hora de sua aplicação, apresentavam

problemas de gestão. Nessa época, era diretor do Ibagesc o doutor João Zanatta,

técnico do BRDE.

Não tendo conseguido uma bolsa de estudos para realizar o mestrado e, com data

marcada para voltar para a minha cidade natal, decidi ir até ao Ibagesc, me despedir do doutor

João Zanatta. Me impressionara a maneira como ele tinha nos recebido, na época em

que fomos conhecer a instituição, no início de fevereiro de 1976. Não imaginava que, com

aquela visita, se iniciaria um relacionamento de trabalho que duraria 38 anos.

Convidado pelo doutor João Zanatta, participei de um teste, na USP, em São Paulo,

na tentativa de uma vaga no Curso de Especialização em Consultoria Comercial (CONPEC),

que era patrocinado, na época, pelo Cebrae – Centro Brasileiro de Apoio a Pequena Empresa.

O centro foi criado em 1972, como instituição ligada ao Ministério do Planejamento, tendo

como objetivo apoiar várias entidades, nos estados, que desenvolvessem ações de apoio às

pequenas e médias empresas.

Passei no teste e fiquei, de março a julho de 1976, participando deste curso de

especialização em tempo integral. Essa época foi muito intensa, pois vivi um longo tempo

longe da minha família e convivi com colegas de várias partes do Brasil, além de ter tido a

oportunidade de estar numa Universidade do porte da USP.

Em 26 de julho de 1976, eu assino a minha carteira de trabalho como empregado,

não mais do Ibagesc, mas sim do CEAG-SC – Centro de Assistência Gerencial do Estado de

Santa. A instituição descendia do Ibagesc e passava, juntamente com outras instituições de

outros estados da federação, a fazer parte de um sistema nacional de apoio às pequenas e

médias empresas; todas elas adotando a sigla CEAG. O CEAG foi sucedido pelo Sebrae/SC,

com a criação por lei do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro Pequenas Empresas.

Ao CEAG, devo minha mais importante formação profissional, pois ali convivi e

100 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


trabalhei com grandes profissionais que pertenciam ao corpo de consultores do CEAG. Também,

nesta época, partipei de vários treinamentos, em nível nacional, voltados à formação

de consultores para atuação nas pequenas e médias empresas.

Nesse período, eu fazia parte do corpo de analistas que iam para as empresas contratantes

dos serviços do CEAG. Realizava-se o diagnóstico empresarial, que era discutido

com os empresários e, na oportunidade, nós vendíamos os trabalhos de consultoria para

a equipe de consultores realizarem. Vale ressaltar que grande parte da receita necessária à

manutenção da instituição, tinha origem nestes trabalhos.

Foi uma época muito marcante, pois viajamos durante a semana para realizarmos

os trabalhos, que eram, em 95%, no interior do Estado. Sexta-feira chegávamos na sede em

Florianópolis, prestávamos conta das nossas despesas, realizávamos uma reunião geral com

todo o corpo técnico, no auditório. Lá, cada um relatava a sua experiência e suas dificuldades

da semana para o nosso gerente operacional, o engenheiro Amilcar Mência, e para os

supervisores; na época, o Hamilton Peluso, Valdemiro e o Théo. Essas reuniões nos proporcionavam

uma intensa troca de experiências, obtendo um grande apreendizado.

Após a reunião geral, tínhamos uma individual com o supervisor, na qual apresentávamos

o relatório de diagnóstico e o que tínhamos negociado com o empresário. Na

oportunidade, também recebíamos orientação referente ao trabalho da próxima semana.

Às 18 horas de sexta-feira, parte do grupo de consultores tinham um encontro

marcado com o Bar da Katicips, na praça do fim da rua Esteves Junior. Ali, a confraternização

durava até por volta das 22 horas. As histórias da semana corriam soltas, regadas

a muita cerveja e aperitivos. Ressaltamos os grandes líderes dessa confraternização, que

eram: Hamilton Peluso, Celso Lino, Luis Carlos Salenave, Luiz Carlos Brasil, Galego Lima e

Januário Corte.

Em meados de setembro, ocorreu um fato importante. A direção do CEAG, sob

a orientação do agora Cebrae, começava a implantar, no estado, a primeira experiência na

capacitação de microempresários. Nesta época, foi a primeira vez que ouvia falar em microempresa.

O CEAG Santa Catarina foi ao CEAG-RS buscar a experiência de treinamento e

consultoria para esse segmento.

Foi constituído um grupo de consultores, do qual fiz parte, para estudarem esse

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 101


material e formatarem um programa de apoio às microempresas para Santa Catarina. Do

trabalho, resultou numa metodologia que contemplava, durante cinco semanas, reuniões,

três noites por semana, nas quais se discutia temas da gestão empresarial, abrangendo todas

as áreas da empresa; e mais uma noite sobre noções de economia.

Durante o dia, visitávamos as empresas participantes, a partir do agendamento

realizado nas noites dos encontros, com o objetivo de ajudar os empresários a implantar os

conteúdos vistos nos treinamentos da noite.

No ano seguinte, 1979, a nossa equipe contava com três consultores e um coordenador.

Éramos eu, o Sergio Oliveira (Carioca) e o Dilceu Colombelli, com a supervisão do

programa a cargo do Hamilton Peluso.

Depois de alguns anos trabalhando neste sistema, o nosso coordenador foi trabalhar

no PROCAPE; instituição crida pelo governo do estado para capitalizar as empresas,

utilizando recursos do ICMS. Na oportunidade, fui convidado para substituir o Sergio Oliveira,

assumindo, então, a coordenação do programa.

Em função dos bons resultados do programa, a equipe foi aumentada, para atender

à crescente demanda. O programa, nos anos 80, já era realizado em vários estados do Brasil.

Em Santa Catarina, agregou valor, com a transformação para Programa Gerencial e Creditícios

às Micro e Pequenas Empresas.

Inicialmente, esse programa teve como parceiro o BADESC e, depois, o BESC, com

a linha de crédito Pequeno Patrão. Tive o privilégio de ser o responsável pela implantação do

projeto, em nível de estado; bem como fui a pessoa que representava o CEAG no relacionamento

com as instituições, quando o assunto era de natureza técnica do programa.

Com esse projeto, tive a oportunidade de ajudar a criar a Associação Comercial de

Pomerode, juntamente com o colega, na época, Rogério Meirelles dos Reis, e os empresários

de Pomerode, Cid Lang e Salvador Rabake.

Com a criação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, em

1990, que incorporou o CEBRAE, em nível federal e nos estados, as instituições CEAG passaram

a contar com uma receita, vinda de uma contribuição social, para realizar as ações de

apoio às micro e pequenas empresas. Esse fato trouxe ao Sebrae uma nova fase de transformação

e desenvolvimento de ações, que iriam contribuir para a nossa consolidação.

102 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


Na era Sebrae/SC várias ações de que tive oportunidade de participar, marcaram

muito a minha vida profissional tais como:

- Estruturar o setor de feiras e eventos do Sebrae/SC, para ser um instrumento de

apoio ao acesso das MPE’s ao mercado nacional e internacional;

- Desenvolver o projeto e coordenar a execução da primeira Feira do Empreendedor

no Sul do Brasil, realizada em julho de 1994 na cidade de Blumenau, tendo sido a segunda

feira, desta natureza, realizada no Brasil.

A Feira do Empreendedor, a partir da edição de Blumenau, se transformaria num

dos maiores projetos do Sebrae Nacional, com a implantação do Circuito Nacional da Feira

do Empreendedor;

- Participar, pela primeira vez, de uma feira internacional; a Feira de Hannover, na

Alemanha;

- Coordenar, juntamente com o Henry Quaresma, da FIESC, durante duas edições,

a participação de empresários catarinense na Feira Internacional do Chile;

- Coordenar a participação das MPE’s em feiras nacionais; como Couro Moda, FE-

NIT, FENAC, entre tantas outras.

- Desenvolver o projeto, implantar e, inicialmente, coordenar, juntamente com o

colega, na época, Julio Moser, a realização do Salão de Negócios de Informática. Nossa equipe

realizava eventos em ginásios e clubes sociais das cidades de Santa Catarina, propiciando,

aos pequenos empresários do setor de informática, apresentarem às empresas e usuários às

tecnologias existentes e proporcionando a realização de negócios.

Tenho convicção de que esta ação foi um forte instrumento para o desenvolvimento

deste setor, para as MPE’s; tanto as que participavam como ofertantes de produtos e

serviços, como para os usuários, pelo acesso a novas tecnologias.

Ser designado para estruturar a Coordenadoria Regional Sul, em Criciúma, e depois

ser nomeado para ser seu coordenador, proporcionou-me grandes momentos de realização

profissional, tais como:

- Inauguração da Coordenadoria Regional Sul, junto à sede da Associação Comercial

de Criciúma, que daria início a uma grande parceria por um longo período. Na mesma

época, ter tido a oportunidade de participar das reuniões de diretoria da ACIC me propor-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 103


cionou uma convivência com grandes empresários da região, com os quais obtive um grande

aprendizado, que pude levar para meus trabalhos com as MPE’s.

- Participar da Comissão Provisória que realizou os estudos de viabilidade e constituiu

a organização de microcrédito, Credisol, em Criciúma, e depois ser eleito, por essa comissão,

de forma unânime, para ser o primeiro presidente do Conselho Deliberativo. O conselho

esse teve a responsabilidade de viabilizar e operacionalizar essa instituição financeira.

Essa vivência foi muito gratificante e, em 17 de dezembro de 2001, ainda fui reconhecido

pelo trabalho voluntário realizado, nesta instituição, pelo governo do estado, na

gestão do Governador Esperidião Amim. Foi um momento singular.

- Participar de uma ação, em conjunto com a Associação Comercial de Criciúma

(ACIC), à região do Vêneto, na Itália, onde articulamos a assinatura de um convenio de

cooperação técnica com a instituição Centero Stero del Venetto. Posteriormente, retorno à

Italía, na localidade de Mestre, junto com a Diretoria do Sebrae e da ACIC, na época, para

a assinatura do termo de cooperação, que muito contribuiu muito para o meu crescimento

profissional.

- Ajudar a desenvolver o polo da moda do extremo sul, juntamente com o consultor

credenciado, Marcelo do Santos, foi um dos trabalhos mais gratificantes na minha carreira,

dentro do Sebrae/SC. Graças à intervenção do SEBRAE/ SC, por meio do projeto em que eu

era o gestor, tivemos a oportunidade de contribuir para o desenvolvimento de toda aquela

região, que se consolidou como um dos mais importantes polos de confecção. Esse trabalho

é reconhecido por autoridades públicas e empresariais da região.

Ter vívido e conquistado amigos, em todos esses anos de contato com colegas do

sistema Sebrae, líderes de entidades de classe, empresários de todos os portes e gestores

públicos, só foi possível porque o Sebrae me proporcionou esta oportunidade. É, com certeza,

um legado que vou carregar para o resto de minha vida.

Ter vívido a emoção do reconhecimento do trabalho feito, por aqueles que, de alguma

forma, foram beneficiados, fazendo com que eu me sentisse útil na comunidade em que

estou inserido, também só foi possível porque o Sebrae me proporcionou essa oportunidade.

Posso declarar, com convicção, que o Sebrae/SC, até esse momento, viabilizou a minha

missão de vida que foi, é, e sempre será ajudar ao próximo.

104 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


ABRACE

O SEBRAE

O DIA EM QUE EU SAIR,

VOU FICAR MUITO EMOCIONADA.

JÁ ESTOU MUITO EMOCIONADA...

Fátima Leontina Ferreira

Meus filhos tinham entre seis e sete anos quando comecei a trabalhar

no Sebrae. Hoje, a minha filha também trabalha no Sebrae. Eu incentivei

muito para ela estudar e trabalhar aqui e, hoje, ela sempre me

agradece por isso.

Sempre fui muito trabalhadora. Limpava tudo com esponja. Na hora do almoço

do pessoal, eu retirava o lixo, as sobras de café e tudo mais. Rapidamente, limpava todas as

mesas, passava álcool onde podia , para ficar tudo pronto para quando o pessoal voltasse

do almoço.

Carreguei malotes com documentos para banco, para correio, tudo a pé; às vezes,

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 105


os malotes eram muito pesados. Foram tempos de muita economia. No prédio que ficava

na Rua Tenente Silveira, eu e a colega de trabalho, Iracema, limpamos tudinho quando o

Sebrae se mudou para lá. Faxina geral.

Comecei a cozinhar no bar da associação dos funcionários, fazia o almoço e o

lanche para os colegas de trabalho. Um dos pratos mais apreciados era o bolo nega maluca.

Houve uma época em que havia pouco leite e, nos supermercados, cada cliente podia

comprar apenas um litro.

Fomos, eu e a Iracema, comprar o leite, cada uma comprou uma caixa de leite.

Saímos do mercado e depois, na rua, trocamos de blusa. Enquanto uma ficou na rua

aguardando, a outra retornou ao mercado para comprar mais uma caixa de leite. Depois

revezamos e assim, conseguimos levar para o Sebrae/SC quatro caixas de leite. A gente se

dedicava muito, parece apenas uma história engraçada, e é; mas também eram tempos

difíceis. A gente fazia cada coisa.

Eu tenho um filho que digo que é filho do Sebrae/SC. Eu tenho a certeza do dia

em que ele foi concebido. Foi um dia depois de uma festa da associação. Eu e meu marido

estávamos alegres, tínhamos bebido um pouco durante a festa; e não deu outra, nove

meses depois, nasceu o meu filho. Até nisso, o Sebrae/SC tem participação na minha vida.

Durante a gravidez, lembro bem de um dia em que fui fazer serviço de banco e,

por causa de uma chuva muito intensa, acabei ficando totalmente molhada. De volta ao

Sebrae/SC, com a roupa toda molhada, acabei tendo que vestir uma das roupas do time de

futebol da associação: calção e camisa de jogo. Acredita!

Já trabalhei em tantas funções, como copeira, cozinheira, almoxarife, fazendo

faxina e até mesmo passando roupa. Aliás, dessa tarefa, também restou uma história interessante.

Um dia, passando roupa, escutei alguém chegando, ouvi passos na escada e,

assustada, me joguei no chão, segurando o ferro de passar na mão. Era a Lurdinha que

vinha subindo, me viu e gritou espantada:

– A Fátima tá grudada no ferro!

E saiu correndo.

Ela achou que eu tinha sido eletrocutada. Eu levantei e continuei a passar a roupa.

Em seguida, chega um bando de gente trazido pela Lurdinha. Todos querendo saber o

106 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


que tinha acontecido A Lurdinha disse:

– Não estavas grudada no ferro? Pensei que estavas morta?

– Se estivesse morta, eu ia estar com o ferro na mão?

Trabalhei, por muito tempo, na central de cópias, tirando cópias e montando as

apostilas para os cursos. Dava muito trabalho e precisava muita atenção. Eu fazia devagar,

para ficar tudo certinho. Sempre procuro prestar muita atenção em tudo o que faço, além

de fazer com muita dedicação.

Para quem chega agora, digo para agradecer e abraçar, abertamente, o Sebrae/SC.

Tem que estudar e melhorar. Eu acabei não conseguindo estudar. O dia em que sair, vou

ficar muito emocionada. Já estou muito emocionada por causa de todas as pessoas que

estão saindo pelo Plano de Demissão Incentiva - PDI.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 107


108 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


JÁ SINTO

SAUDADES

JAMAIS VOU ESQUECER ESTA

TÃO GRATIFICANTE CONVIVÊNCIA

Frederico Mauro Rebhaim

Eu já tinha trabalhado na Epagri (Acaresc) quando recebi um convite do

colega Paulo Ferreira; éramos vizinhos, no bairro Trindade, em Florianópolis.

Nessa época, eu era muito jovem, mexeu comigo. Ainda mais que se

tratava de uma nova atividade, no tal Ibagesc. Morava com meus avós e uma tia, e pedi a

opinião deles. Acabei aceitando o desafio de trabalhar no Ibagesc, além do mais, a remuneração

também era convidativa.

Foi então que começou minha trajetória nos Sebrae’s, com S e com C, e as transferências

de prédio, desde a casa velhinha na Rua Esteves Junior, até este novo prédio, na

Rodovia SC 401. Um fato marcante foi o confisco implantado pela Zélia, Ministra da Eco-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 109


nomia na época. Certa manhã, quando era tesoureiro Cebrae/SC, fui fazer o fechamento

dos saldos dos bancos e, para meu espanto, tudo estava zerado. Mais tarde, recebi a notícia

do confisco, tivemos que colocar trancas e muita chave para não atender os fornecedores

que chegavam para as cobranças.

Neste longo tempo, só tive bons momentos no ambiente Sebrae. Nestes quatro

meses aposentado, sinto saudades do convívio com os colegas do Sebrae/SC. Mas agora é

hora de viver a segunda parte da minha vida, que é aposentadoria. Na minha vida familiar,

foi tudo muito bom. Tive duas filhas e, até os dias de hoje, temos uma ótima convivência,

O Sebrae sempre deu apoio nas horas mais difíceis, como tratamento de saúde por conta

do qual tive que ausentar-me do trabalho.

Trabalhei, ao todo, 44 anos da minha vida. Foram seis anos em outros locais

e 40 anos no Ibagesc/Cebrae/Sebrae, e foi muito gratificante. Agradeço aos diretores e

gerentes, pela atenção que deram ao programa do PDI – Plano de Demissão Incentivada.

Sou grato, também, pela convivência com pessoas como o Moresco, o Schappo, o Jefferson

Marchioratto e os demais colegas do setor. Jamais vou esquecer esta tão gratificante

convivência.

Já estou chorando, só de escrever estas linhas.

O homem não chora, mas tenho que ir embora...

110 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


COMPROMETIMENTO

E APRENDIZADO

UMA SATISFAÇÃO:

FAZER PARTE DESSA HISTÓRIA.

Gilson Alberto dos Santos

Ao longo deste tempo, foram vários estágios, várias situações vividas desde

a época do CEAG, até a instituição tornar-se Sebrae. Penso que a minha

maior satisfação é poder fazer parte dessa história, é ter vivido e

contribuído para esse processo de transformação da empresa. É ter, em algum momento,

deixado uma marca, uma referência do nosso trabalho enquanto agentes de desenvolvimento,

por menor que ela tenha sido.

Em 1979, estabeleci o propósito de vida de ter uma formação superior. Com o

apoio de um primo, hoje Juiz de Direito, saí de Lages, antes de concluir o 2º grau (na época

o curso ginasial), e vim para Florianópolis tentar a vida. Morei com meu primo durante

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 111


cerca de três anos, na época ele ainda não estava formado, mas já tinha família constituída.

Nesse período, ele conseguiu uma vaga para que eu estudasse no Instituto Catarinense,

onde fiz o curso cientifico e conclui o 2º Grau. No ano seguinte, conciliando trabalho e

estudo, comecei a me preparar para o concurso do vestibular da UFSC. Nessa época, havia dois

cursinhos renomados em Florianópolis: Bardal e Barriga Verde. Como a grana era curta, fiz o

Barriga Verde. Meu objetivo era o curso de administração de empresas, como primeira opção,

e engenharia civil como segunda. Passei na primeira opção, em 1982, segundo semestre.

Iniciei o curso de graduação na Universidade Federal de Santa Catarina e foi durante

o curso que tomei conhecimento da existência do Sebrae, na época CEAG – Centro de

Assistência Gerencial às Micro e Pequenas Empresas. Ao conversar com um colega de curso,

Bruno Proschnov, ele mencionou que trabalhava no CEAG/SC. Pedi, então, que ele contasse

mais sobre a instituição, o que ele fazia lá, quais eram as atividades desenvolvidas pela empresa,

etc. Fiquei interessado em conseguir uma vaga e perguntei como era o processo de

seleção, como eu poderia me candidatar ao emprego. Foi então que o Bruno prontamente

marcou uma entrevista para mim com o Luiz Carlos Brasil que, na época, creio, era o gerente

de RH do CEAG/SC.

Lembro que, no dia marcado para a entrevista, o senhor Brasil, como era chamado,

também aplicou um teste de conhecimentos com cerca de cinco questões, abordando a parte

contábil e financeira de uma empresa. Ainda na mesma semana, recebi o retorno dizendo que

eu tinha passado na entrevista e no teste e que poderia iniciar no trabalho tão logo possível.

Foi então que pedi demissão no Banco Bamerindus, onde trabalhava no setor de compensação,

no período da madrugada, para entrar no CEAG/SC. Isso foi em janeiro de 1987. Logo

que fui contratado, participei do curso de formação de consultores, juntamente com o grupo

de recém-contratados de CEAG/PR. Ficamos em imersão durante sessenta dias, no Centro

de Treinamento e Desenvolvimento de Recursos Humanos – CEDRHA, em Canasvieiras.

Assim que terminou o treinamento, fui trabalhar no escritório regional de Lages,

onde atuei por doze meses, antes de conseguir transferência para Florianópolis, em 1988.

Meu maior desafio foi iniciar a atividade de consultoria gerencial individual. Nessa

época, não havia consultores terceirizados. Toda atividade de instrutoria e consultoria era

112 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


ealizada pelos empregados do CEAG/SC. Para tanto, fui um aprendiz de alguns técnicos-

-sêniores do CEAG/SC, tais como o Brasil, Costa, Colombeli, Dagoberto; com os quais tive

a grata satisfação de apreender a atividade na prática.

Porém, antes de iniciar nessa nova atividade de consultoria individual, durante

alguns anos, atuei como instrutor do Promicro, que era um programa de apoio gerencial às

micro e pequenas empresas, o qual consistia basicamente em capacitação, que era realizada

no período da noite, durante três horas. Na consultoria individual, trabalhava durante

o dia, mediante visitas às empresas, para implantação dos controles financeiros.

São muitas as lembranças, até mesmo porque os recursos, de modo geral, naquela

época, eram muito difíceis. Isso desde o processo de elaboração das apostilas, o transporte

dos equipamentos utilizados para realização dos cursos, o fechamento dos grupos, etc.

Neste contexto, um fato muito marcante se deu durante uma atividade de comercialização

de um curso de custos, que fui fazer em Caçador. Foi num período de frio muito intenso.

Lembro que, na semana que fiquei em Caçador, dormi uma noite na casa de um colega da

época de república. No dia seguinte, depois de me aprontar para iniciar as visitas às empresas,

me deparei com o carro coberto de geada, após uma madrugada gelada.

Quando vi aquilo, logo fiquei preocupado, porque o carro era movido a etanol e

corria o risco de não dar partida. Nessa época, não existia o reservatório de gasolina, eu

acho... Dito e feito, depois de três tentativas, o fuscão afogou e quase arriou a bateria em

função da insistência. Decidimos, então, eu e o meu amigo, empurrar o danado ladeira

acima, até que tivéssemos forças, para descer com ele na bangela e tentar fazer pegar no

tranco. Foram várias tentativas que não deram certo.

O último recurso foi encostar o fuscão (verde piscina) na frente da casa, abrir

a tampa do motor, esperar o sol aparecer e aquecer as turbinas do possante. Feito isso,

depois de certo tempo, já por volta de umas dez horas da manhã, fiz uma nova tentativa,

girei a chave da ignição e, para minha felicidade, o motor do fuscão deu sinal de vida. Foi

só o tempo de me recompor e ir à luta. Afinal, o grupo de participantes do curso precisava

ser fechado e o Relatório 21A me aguardava, assim que retornasse a Florianópolis.

Eu costumo dizer que tenho memória autolimpante, geralmente, tenho dificuldades

para lembrar algo que tenha acontecido há muito tempo. Contudo, após um esfor-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 113


ço, lembrei de um fato que aconteceu enquanto eu ainda estava no escritório regional de

Lages, na época do CEAG/SC.

O acontecido foi protagonizado pelo nosso gerente, na época o senhor Pedro Furtado,

irmão do então deputado estadual Juarez Furtado, lá na década de 80. Contam os

colegas que, certa vez, o doutor Pedro foi, ou veio, a Florianópolis para participar de uma

reunião de rotina dos gerentes com a Diretoria Técnica. Era comum, nas reuniões, haver

um debate a respeito das atividades em andamento nas regionais, das dificuldades e propostas

de atuação. O doutor Pedro era uma pessoa simples e de bom coração e conhecia

muito pouco, ou quase nada, a atividade do CEAG/SC; mas era uma pessoa bem relacionada,

a profissão lhe favorecia neste aspecto. Tinha um relacionamento muito forte com

os fazendeiros da região e talvez isso tenha influenciado no seu posicionamento durante

aquela reunião.

Contam os colegas que, no calor do debate, naquela velha busca por receita financeira

(vejam que isso já é antigo no Sebrae), lá pela tantas – durante o “tóro de parpite”,

conhecido também como brainstorming ou tempestade de ideias – o doutor Pedro

se empolgou e sugeriu, para o grupo de gerentes e diretores, o desenvolvimento de um

curso com foco no agronegócio lageano, algo que seria inédito na região. Perguntado pelos

colegas sobre o que seria, ele falou com muita propriedade de quem entendia do assunto:

- Ora essa .... um curso de doma para cavalos.

Foi o fim da reunião.

Posso dizer que, ao longo dessa jornada, foram muitas trocas de experiências e

muito aprendizado. Tenho fortes lembranças da época em que trabalhei em Lages. Aprendi

muito com o colega Leônidas Arruda, um velho amigo da época que eventualmente encontro

por aí. Ele me ensinou muita coisa no tocante à atividade de instrutoria e também

de consultoria.

Outra pessoa que deixou grandes lembranças foi meu amigo Norton Luiz Savi.

Nos conhecemos durante o curso de imersão no CEDRHA e nossa amizade se fortaleceu,

anos depois, no período em que atuei como coordenador estadual do workshop Empretec.

Outras amizades se somaram ao longo dos anos, tornando a família Sebrae um

elemento muito importante no meu processo de desenvolvimento pessoal e profissional,

114 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


ao longo da carreira na instituição. Não há dúvidas quanto a isso! São inúmeras as lembranças

que nos remetem a essa situação de amizade e convivência, aliada a questão do

aprendizado e troca de experiências.

Para aqueles que estão entrando agora e desejam seguir uma carreira na empresa,

penso que o comprometimento e o constante aprendizado é a chave para o sucesso. Neste

sentido, certa vez, li uma frase estampada em uma camiseta, que dizia “não basta mais

vestir a camisa, temos que ter a marca cravada no peito”.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 115


116 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


O SEBRAE

É UMA ESCOLA

ENFRENTAR ALGUNS DESAFIOS

NOS TORNA PESSOAS MAIS FORTES.

Ionita Rosa Lunelli

O

que nos instiga, no Sebrae, é a diversidade de conhecimentos, as oportunidades

de conhecer novos assuntos, a falta de rotina, o acesso às

inúmeras informações. São portas que se abrem, em qualquer lugar, e

oferecem oportunidade de crescer como profissional e como pessoa. Amizades são geradas

e desafios constantes são superados.

Iniciei minhas atividades pelo sistema na cidade de São Carlos, fazendo parte

de uma equipe que auxiliava o consultor do PRODER, na época Balcão CEAG. Após esta

pequena experiência, iniciei no Sebrae, via entidade empresarial, na cidade de Palmitos,

logo após ter me graduado em administração. Após alguns anos trabalhando concomitan-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 117


temente em Palmitos e São Carlos, surgiu a oportunidade de ser contratada pelo Sebrae,

como colaboradora. Nesta época, fui trabalhar na coordenadoria de São Miguel do Oeste.

Permaneci cinco anos naquela cidade; depois trabalhei, por um ano, no Planalto Serrano,

na Coordenadoria de Lages; em seguida, retornei a São Miguel do Oeste. Após este

período, em um processo seletivo interno, pedi transferência para Blumenau, onde me

encontro até hoje.

O maior desafio que vivi foi a transferência de São Miguel do Oeste para Lages,

quando do fechamento da coordenadoria de São Miguel do Oeste. Naquele momento,

toda a minha estrutura profissional e pessoal estava baseada naquela cidade. Saí de um

lugar onde tudo estava aparentemente organizado e parti para o novo. Um sentimento

constante foi a saudade dos familiares. No entanto, fui muito bem recebida e acolhida

naquela coordenadoria e surgiram muitas oportunidades profissionais de aprendizado e

desenvolvimento, o que culminou com o fortalecimento da minha estrutura profissional

e me ajudou a desenvolver e amadurecer como pessoa também.

Enfrentar alguns desafios individuais nos torna pessoas mais fortes para novos e

outros desafios e traz amadurecimento à nossa estrutura emocional.

O Sebrae é a minha segunda família, tenho amigos verdadeiros, muitas pessoas

com as quais tive e tenho eterno aprendizado e gratidão; não apenas como profissional,

mas como ser humano. O Sebrae é uma escola. Para usufruir de tudo o que ele oferece, é

preciso saber aproveitar o conhecimento, as informações, os contatos; gerando aprendizado,

negócios e troca de experiências. E ter humildade para aprender sempre.

De aprendizado são muitas as recordações. Mas vou falar da mais recente, em

2014, quando tive a oportunidade de fazer uma viagem para Orlando, como prêmio do Concurso

Encantar - Atendimento Individual. Fomos conhecer e estudar no Instituto Disney.

Aprendizado incomensurável e uma experiência única em termos de conhecimento, troca

de experiências com empresários, compartilhamento com a equipe e vivência pessoal.

118 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


GOSTO DE

ALEGRAR A VIDA

CRIEI MEUS FILHOS AQUI.

DEI ESTUDOS PARA ELES AQUI.

A MINHA VIDA FOI AQUI.

Iracema Pires Ferreira

N

a época em que comecei, éramos uma grande família. Um ajudava o outro,

havia uma grande solidariedade. Hoje é um pouco diferente. Até

entendo que os tempos mudaram, mudou a forma de trabalhar, de se

relacionar, e fica mais cada um no seu canto.

No início, tinha muita brincadeira entre as pessoas. Tinha até trote para quem

chegava. A gente pedia para os novatos comprarem carbono com pauta, pedrinha de amolar

pincel. Eles corriam o comércio todo e não encontravam. Outra brincadeira corriqueira

era quando a gente deixava um bilhete na mesa da pessoa com o recado:

- Dona Alminha que falar com você, favor retornar neste número.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 119


A pessoa pegava o recado para retornar e a ligação caía lá no cemitério. Era uma

brincadeira muito comum, não apenas no Sebrae/SC, mas em outras empresas. Quem já

estava cansado disso era o pessoal do cemitério, de tanta gente que ligava para lá procurando

a dona Alminha.

Sempre tive um espírito muito alegre, de brincar com as pessoas e de fazer o bem,

o mal nunca. Eu tinha uma amigona e trabalhávamos juntas na lanchonete da associação.

Um dia, juntamente com outros colegas, inventamos para ela uma história de que o estagiário

era o diretor e o diretor era o estagiário.

Ela não conhecia nenhum dos dois. Sendo que os dois envolvidos já sabiam da

brincadeira de antemão, tudo já combinado. Então, eles chegavam até a lanchonete e a

minha amiga ficava nervosa com a chegada do estagiário, que para ela era diretor, e assim

por diante. Até que um dia ela descobriu a verdade e nos divertimos muito.

Depois disso, chegou a época de eleição da diretoria da nossa associação. Em um

dia de votação, eu disse para essa mesma amiga:

– Esse evento é tão chato, tão chato. Vem todo mundo muito chique, de vestido

longo, cabelo e maquiagem. Os homens todos engravatados.

Na verdade, era algo bem simples e isso era tudo mentira minha. E todos os colegas

entraram na brincadeira. Quando ela passava nos corredores e andares,o pessoal

comentava:

– E aí, já escolheu o vestido?

- Com qual roupa você vai?

- Já marcou horário no salão de beleza?

Pois ela andava tão nervosa com o tal evento chique. Ansiosa com a data e preocupada

com tudo. Até que, no dia da votação, ela percebeu que não era nada daquilo, e que

tinha caído em mais uma brincadeira do pessoal. Sempre tive uma amizade muito bonita

com ela, a Anita, que esse ano completou 80 anos. Eu estava lá para comemorar com ela.

Infelizmente, hoje em dia, já não existe mais essa facilidade de brincar.

Comecei como copeira e, hoje, sou telefonista. Quando entrei no Sebrae, éramos

cinco candidatas e lembro bem de uma pergunta que fizeram para a gente, na entrevista.

Se alguém lhe desse um tapa no rosto, o que você faria?

120 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


Eu falei que não iria reagir, pois não era da minha natureza. Outras candidatas

responderam que bateriam de volta. Depois, eu soube que ganhei pontos pela resposta

que dei. É assim que sou, não sei discutir e nem brigar com as pessoas. Acho até que eu

sofro mais, por que levo comigo as situações mais difíceis. Por outro lado, adoro brincar e

me divertir com os colegas. Isso sim, sempre.

É muito difícil alguém me ver mal-humorada, muito difícil. Digo que dá para saber

o humor da pessoa só pela voz ao telefone. Teve uma vez que o Murilo, de Criciúma,

me ligou, já era final do dia. Ele sempre me chamava de garotinha e eu a ele de garotinho.

Nesse dia, eu percebi que o “garotinha” não foi o mesmo e perguntei:

– Murilo, está tudo bem com você

Então ele respondeu;

– Dona Iracema, hoje não estou bem. Fui há vários lugares, encontrei várias pessoas

e a senhora, de tão longe, foi a única que me perguntou se estava tudo bem.

Senti-me feliz em poder ter essa proximidade com ele. Sempre gostei de fazer o

bem para todos.

Para os jovens, digo que devem aproveitar muito a oportunidade que o Sebrae/SC

oferece. Aproveitar ao máximo, tudo o que puderem, porque vale a pena.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 121


122 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


UM INTELECTUAL,

UM CARIJÓ E

UM BAIXINHO.

O TRABALHO NOS FAZ BEM E NOS DEIXA FELIZES PELA

CAUSA E SATISFAÇÃO QUE TEMOS TODOS OS DIAS.

Jaime Arcino Dias

Trabalhando há 20 anos numa empresa, com certeza, passei a fazer parte

de uma grande família, formei grandes amizades e relacionamentos que

levarei para o resto da minha vida. Esse convívio e satisfação tornaram a

missão mais fácil e prazerosa, caso contrário, não acredito que as pessoas ficariam tanto

tempo numa mesma empresa.

Meu início no Sebrae/SC aconteceu no ano de 1995, após ter trabalhado 10 anos

em uma empresa privada. Eu participei de duas entrevistas de trabalho, que aconteceram

em um sábado, com o gerente que me contratou na época. Num primeiro momento, achei

que não tinha dado certo; mas, na semana seguinte, fui chamado para iniciar os trabalhos.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 123


Ao chegar ao Sebrae para o primeiro dia de trabalho, fui apresentado à sala. Nela,

havia quatro mesas, sendo que uma delas a que abrigava o cafezinho. Já entrei tendo que

tirar a mesa do café de lugar. Numa mesa, tinha um japonês com cara de intelectual; na

outra, um carijó mais brincalhão e, na terceira; um baixinho mais bravo.

Na semana seguinte, já me deram um carro para ir a Lages, num treinamento de

uma semana. O ritmo Sebrae de ser e trabalhar. E por aí foi....

Ao longo desses anos, percebi que, desafios, nós enfrentamos todos os dias. Os

desafios marcantes sempre são aqueles que nos trazem oportunidades. Acredito que os

maiores foram as oportunidades de assumir a Agência de Articulação de Joinville e, posteriormente,

a Coordenadoria Regional Norte.

A satisfação que tenho é a certeza de que estamos fazendo um bom trabalho, vencendo

os desafios, contribuindo com a missão da empresa e, principalmente, contribuindo

com as pessoas.

Ao relembrar essa trajetória, um grande aprendizado que o Sebrae me proporcionou

foi o trabalho de campo, em que vamos até o cliente, esteja ele onde estiver. Várias ações

e projetos nos levaram a lugares dos mais inusitados, para realizar eventos e reuniões.

Uma passagem marcante foi a época em que participei do PRODER 126. Esse

projeto foi realizado, na maioria dos municípios da região, com reuniões em tudo quanto

é canto: igrejas, escolas, entidades, associações. As atividades envolviam a comunidade e,

junto com as pessoas, realizávamos o nosso trabalho. Outro fato que ainda é lembrado,

até os dias de hoje, foi a ação “O Sebrae/SC vai às praias”, na qual, com o suporte de uma

unidade móvel, realizamos muitos atendimentos nos municípios litorâneos.

A mensagem que posso deixar, para quem passa a fazer parte do Sebrae agora, é

que saibam aproveitar as oportunidades. Fiquem atentos ao grande nível de informações

que nos é apresentado e aproveitem a grande vitrine em que estão expostos. Uma marca

como o Sebrae engrandece o currículo profissional de cada um de nós.

Ao final de tudo, o principal é que o trabalho faz bem e nos deixa felizes. Por meio

dele, construí relações de confiança e também grandes amizades. O trabalho nos enobrece

pela sua causa e pela satisfação que temos todos os dias com as transformações que promovemos

nas empresas e nas pessoas.

124 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


LIÇÕES

DA JÂNIA

TRABALHAR COM EDUCAÇÃO PARA O

EMPREENDEDORISMO É UM PRIVILÉGIO.

Jânia Maria Campos Schmidt

Quando temos humildade geramos um comprometimento e uma franca

parceria com os colegas. O trabalho integrado é altamente benéfico

para a empresa, pois é por meio dele que se disseminam as informações.

Quem executa suas atividades com o coração é por que tem admiração pela empresa na

qual trabalha. Ser humilde e trabalhar de maneira correta são qualidades importantes

para fortalecer a marca do Sebrae. Precisamos fidelizar nosso cliente externo.

O Sebrae é verdadeiramente um sistema de informações, são ações desenvolvidas

em muitas atividades econômicas. Todos precisam estar conscientes na relação de ajuda

para chegar aos resultados positivos. Quem chega agora, com o perfil mais atual, vem de

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 125


certa forma mais isolado, vive mais no mundo online do que no real. Para estas pessoas reforço

que sem a interação com os colegas de trabalho, muitas vezes não é possível prover aos

clientes as soluções mais adequadas. Só a troca e a parceria permitem fazer isso com excelência.

O conhecimento tácito surge do convívio com os colegas e por meio do relacionamento

profissional e assim é possível resolver os problemas, atualizar e inovar. Precisamos ter em

mente que somos especialistas em pequenos negócios de múltiplo conhecimento.

Outra questão que considero como relevante, tanto para a empresa, como para o

colaborador, é o estímulo de harmonia e alegria. As pessoas que procuram ser honestas

consigo mesmas e buscam ser felizes naquilo que fazem, trabalham melhor. O equilíbrio

entre campo espiritual e profissional é fundamental para um bom ambiente de convivência.

Havendo essa harmonia o trabalho flui melhor, gerando melhores resultados. Para

isso precisamos ter uma ótima saúde mental e física e uma situação econômico/financeira

também equilibrada.

Somos comprometidos no resultado final com os clientes, apesar de não termos

um compromisso de gerar lucros. Quanto melhor nos relacionarmos entre colegas, mais

facilmente alcançaremos o propósito final. Claro que existem momentos em que as pessoas

não estão tão bem, o que é compreensível. Mas o mau humor ou a má vontade acabam

por contaminar um ambiente e afetam outras pessoas. O melhor é procurar sempre cultivar

um equilíbrio nas relações. Trabalhar com ética e com humildade é o segredo chave

para se chegar à gestão de excelência da qualidade.

Um dos benefícios que o Sebrae/SC proporciona é a capacitação da sua própria

equipe. Eu tive a oportunidade de fazer muitos cursos o que contribuiu muito para o meu

aperfeiçoamento, tanto profissional, como pessoal. Os colaboradores devem abraçar essa

oportunidade e nunca deixar para depois. É um momento chave para cada um na busca de

seu crescimento dentro do sistema. Deve ser colocado no topo da lista de prioridades do

seu dia a dia.

No Sebrae/SC passamos por muitos processos de avaliação e eu acredito que muitas

pessoas poderiam colaborar mais. Falo isso no sentido de haver mais abertura e oportunidade

para que todos manifestem suas ideias, que realmente colaborem para tornar as

atividades em melhores práticas. Vale destacar que considero extremamente moderna e

126 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


positiva a prática da liberdade de expressão e de autonomia, pois proporcionam subsídios

para estimular o processo criativo e de inovação. Autonomia com maturidade é lógico.

Eu, quando criança, sonhava em ser professora, acabei não sendo na maneira

tradicional, mas o foco de meu trabalho é na educação, considero um privilégio ter aqui

contribuído desta forma.

Ao longo destes anos de trabalho, o período mais importante foi contribuir para

o empreendedorismo de Santa Catarina. Trabalhei 11 anos no Empretec, posso dizer que

valeram por 30. Acredito que o Empretec transformou e continua transformando a vida

de muitos empresários catarinenses, tanto na vida pessoal, como profissional. Eu e o Gilson,

com nosso pequeno grão de areia, que foi atuar com o Empretec, ao longo desse

tempo, contribuímos para o desenvolvimento do Estado, hoje considerado como altamente

empreendedor. O progresso de nossa atuação, ano após ano, foi crescente, em 2000

realizamos 11 seminários, no segundo ano dobrou, e no final foram 57. Esses grãos são

também méritos dos instrutores e selecionadores credenciados e dos colegas de trabalho

que continuam lutando por melhores resultados. Neste período, também trabalhei com o

Roberto Tavares com o Programa Sebrae Gestão da Qualidade, onde conseguimos alavancar

ótimos resultados em excelência da qualidade em um expressivo número de empresas,

com a importante ação das equipes regionais.

Outro fator que tenho admiração, junto com os colegas do meu tempo é de que

juntos fizemos um grande trabalho para fidelizar a marca Sebrae em Santa Catarina. Nós

fomos e somos, junto aos demais, as pessoas responsáveis por esse processo. O Sebrae

realmente existe por causa das pessoas e do trabalho que estamos fazendo com lealdade,

amor e carinho para com nosso objetivo principal, atender as empresas de pequeno porte.

Aos novos, apenas que entendam que essa é a maneira adequada para a fidelização de uma

marca.

Agradeço a diretoria e colegas que fizeram parte de minha história dentro do

Sistema Sebrae. Como todo encontro tem uma despedida, eu vou, mais levarei todos em

meu coração, já estou vendendo espaço, foi assim que aprendi, estimulando o empreendedorismo...

Grande abraço e beijos a todos!

O homem jamais é uma ameaça, sempre uma promessa...

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 127


128 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


A EXTENSÃO

DA NOSSA CASA

NADA MAIS JUSTO QUE RETRIBUIR

DANDO O MELHOR DE SI.

Jefferson Paulo Gomes Marchiorato

Minha história no SEBRAE começa no ano de 1995. Eu tinha apenas 19

anos e acabara de sair de minha cidade natal, Curitiba, para estudar e

trabalhar em Florianópolis. A necessidade de honrar a minha escolha

fez com que minha rotina fosse muito difícil, no início. Eu estagiava pela manhã em uma

empresa de representações comerciais, na parte da tarde trabalhava em uma empresa de

comércio exterior e estudava à noite, na Unisul, no campus de Palhoça. Em um determinado

momento, não estava satisfeito com o estágio na empresa de comércio exterior. Foi

quando surgiu a oportunidade de estagiar no SEBRAE.

Meu primeiro contrato de estágio foi de seis meses no CDI – Centro de Documen-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 129


tação e Informação, sob supervisão da querida Mônica Guimarães Fontanella. Ali, comecei

a beber da cachaça que é o Sebrae/SC. No momento da renovação do meu contrato de

estágio, fui agraciado com a oportunidade de estagiar na minha área de conhecimento,

que é ciências contábeis. Na contabilidade do Sebrae, tive a oportunidade de crescer, como

profissional e pessoa, além de construir um excelente relacionamento com as pessoas que

por ali passaram e aquelas que até hoje permanecem.

No primeiro momento, meu contrato estava sob a supervisão do competente

Ênio Gentil Vieira que, com todo o seu jeito “delicado” (risos), me ensinou boa parte do

que sei hoje. Na então Gerência de Orçamento e Contabilidade, pude conhecer pessoas

fantásticas que me ensinaram muito; algumas delas já não fazem parte do Sebrae/SC, mas

continuam em minha memória, com outras cultivo uma grande amizade e consideração

até hoje.

A minha contratação se deu em 1997, após dois anos de estágio. O Sebrae/SC

passava por transformações. Os programas nacionais faziam o orçamento crescer em alta

escala e se fazia, então, necessária a contratação de pessoas. Lembro-me que, nesse ano,

foram contratadas diversas pessoas, a grande maioria delas, desconhecidas até então, hoje

ocupam posições de destaque na instituição.

A oportunidade de conviver com pessoas tão queridas, no Sebrae/SC ,fez com que

meu início em Florianópolis fosse mais ameno. Vinha de um berço em que era cercado do

amor de minha mãe, irmãos, e de muitos amigos que tinha construído até então, e aqui

podia contar tão somente com a minha, até então namorada e hoje esposa Patrícia, e sua

família. Sempre fui de fazer muitos amigos e valorizar as amizades e, no Sebrae/SC, pude

botar em prática esse meu jeito de ser. Aqui, encontrei pessoas que vieram a se tornar

grandes amigos, em especial meu amigo e compadre Robson Schappo, o qual hoje tenho a

felicidade de ter como gerente. muitos dirão que estou “puxando o saco”(risos), mas ele é

conhecedor de minha admiração por ele e sinto que a recíproca é verdadeira.

No ano de 2008, surgiu meu maior desafio no Sebrae/SC. Em mais um momento

de mudanças, o senhor Carlos Câmara, que era auditor interno se aposentou e o até então

contador Robson Schappo o substituiu, deixando a vaga de contador em aberto; cargo

para o qual eu tive a felicidade de ser escolhido. Aceitei o desafio e pude contar com a ajuda

130 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


dos colegas no meu amadurecimento profissional. Nesse período difícil, pude contar com

a parceria do Robson e do Frederico.

Como lembrança marcante desse período, levo a crise financeira que o Sebrae/

SC enfrentou, em 1999, e todo aprendizado que ela me oportunizou. Naquele momento,

trabalhei diretamente com o Ênio Gentil Vieira e com o Robson Schappo, na projeção dos

cenários para nos tirar daquela situação, e pude aprender muito. Depois de passar por

um período como esse, me senti mais seguro e preparado para o desempenho de minhas

funções.

Um relato engraçado, dessa situação, foi o dia em que o gerente apresentou à

diretoria executiva o trabalho que havíamos desenvolvido. Passados trinta minutos, meu

telefone toca. Era o Ênio. pedindo para eu deixar o plano “b” pronto, porque ele teria que

apresentar em uma hora. Eu, sem entender nada, respondi:

- Que plano “b”?

Ele disse que estava descendo. Não havia plano “b” nenhum, era apenas o Ênio,

no alto de sua experiência, ganhando tempo para realizar alguns ajustes.

Os momentos que me recordo, com alegria, do Sebrae/SC, como não podia ser

diferente, são as confraternizações. Gosto de estar reunido com os colegas e poder trocar

experiências, beber um “suco” e me divertir. Lembro, com grande alegria e saudosismo, do

tempo do “Coro de Gato”; a banda mais popular do universo Sebrae/SC.

Não foram poucas as vezes que nos reuníamos na casa onde funcionava a Coordenadoria

de Florianópolis, cujo porão tinha um espaço todo estilizado, para que pudéssemos

demonstrar todos os nossos talentos. Local de festas memoráveis e de muita

diversão, onde não havia hierarquia e tratávamos todos como se fossem amigos há anos.

O amigo Sérgio Pereira que o diga. Lembro-me quando um diretor chegou, na portam e o

Sérgio, sem enxergar muito bem, foi logo convidando para entrar:

- Chega aí Po#*% (num tom de amizade e intimidade).

Fiquei atônito no momento, mas rimos muito quando disse a ele de quem se

tratava (risos).

Recentemente, tive a grande alegria de fazer parte do grupo que desenvolveu o

trabalho relacionado ao PDI. Saber que, de alguma forma, participei desse programa que

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 131


proporcionou felicidade a muitos colegas que participaram ativamente de meu desenvolvimento

profissional me deixou realmente muito satisfeito. Um dos agraciados com o PDI

foi meu colega, em toda essa caminhada, o Frederico Rebhaim. No momento da aprovação

do plano, ele foi a primeira pessoa a quem tive o prazer de comunicar. E pude perceber

sua alegria, ao receber a notícia, bem como perceber a alegria dos demais, ao aderirem ao

plano. Essa satisfação e alegria devo a diretoria executiva, que confiou a mim parte desse

projeto histórico para o Sebrae.

Este foi meu primeiro emprego com carteira assinada, somando o tempo de estágio,

lá se vão 20 anos; o que hoje, para mim, é motivo de orgulho. Fico muito feliz

trabalhando aqui e me identifico com a missão. Considero a família Sebrae/SC a minha

segunda família. Graças ao Sebrae/SC, pude realizar meus sonhos, construir minha família,

me tornar homem de verdade. Serei eternamente agradecido a isso e a melhor forma

de retribuir tudo isso é realizar o meu trabalho com a maior competência possível.

Como mensagem para aqueles chegam, só posso dizer que a melhor forma de

realizar um bom trabalho e ser feliz na atividade, é se doando de corpo e alma. O Sebrae/

SC deve ser a extensão de nossa casa e devemos zelar por ele como tal. É daqui que tiramos

nosso sustento e realizamos nossos sonhos. Então, nada mais justo do que retribuir,

dando o melhor de si.

132 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


UM TELEGRAMA

GUARDADO COM

CARINHO

TRABALHAR NO SEBRAE É CUMPRIR

UMA GRANDE MISSÃO DE VIDA.

Jefferson Reis Bueno

Um fato que marcou minha trajetória no Sebrae foi a transferência recebida,

de Tijucas para Caçador, onde assumi a função de agente de articulação.

Ao chegar na cidade, as pessoas me diziam que alguém que viesse

do litoral não acompanharia o ritmo de trabalho dos serranos. Esse tipo de conversa se

dava até mesmo pela forma como se deu a saída do colega que me antecedeu na função, e

talvez, porque, de alguma forma, a comunidade tivesse essa crença.

No primeiro mês de trabalho, realmente tive muita dificuldade de me aproximar

das entidades de representação, prefeituras, entre outros. Me perguntava se o motivo

estava relacionado ao fato de eu vir do litoral, ou se a região era mesmo difícil. Passados

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 133


esses primeiros trinta dias, pensei:

- Preciso fazer algo que seja impactante para toda a região, assim eles abrirão as

portas e poderei cumprir o trabalho para o qual fui designado, como agente articulador.

Todos os dias, a caminho do trabalho, eu passava sobre aquela estrada férrea e

tinha a curiosidade de saber por que estava desativada. Quem sabe poderia criar um projeto

de turismo, tendo a reativação da ferrovia como principal atrativo, ou até mesmo para

transporte de cargas. Quanto a região não ganharia com isso?

Resumindo, comecei a bater nas portas das entidades, das prefeituras, universidade,

levantando essa bandeira de reativar o trecho. Passados dois meses, estava criado

um grande movimento, que ultrapassou as fronteiras da agência de articulação da região,

chegando até mesmo à cidade de Chapecó no oeste do estado.

Com o movimento em ascensão, consegui, por intermédio da minha rede de relacionamentos,

um contato com o Ministro dos Transportes, na época, senhor Eliseu Padilha.

O mesmo atendeu ao convite de receber uma comitiva de líderes da região. Essa

comitiva foi reunida e nossa audiência com o ministro aconteceu em Florianópolis, onde

entregamos os estudos de demanda reprimida de cargas da região que, posteriormente,

também foram enviados ao Ministério dos Transportes. Estes estudos fizeram parte do

embasamento técnico para o projeto de reativação da Ferrovia do Frango, que ligará Dionísio

Cerqueira a Itajaí, e que representa uma obra de infraestrutura importante do atual

governo Raimundo Colombo.

Finalmente havia alcançado o que desejava, ser conhecido e ter as portas da minha

região abertas para o trabalho de articulação. Depois de três meses da minha chegada,

era atendido nas prefeituras da região e por todos os lugares que passava. Na Perdigão,

principal empresa local, era atendido com distinção pelo diretor de operações da época,

senhor Wladimir Paravisi. Com isso, acabei vencendo aquela barreira que inicialmente havia.

Nos principais eventos e reuniões da região, quando o assunto era desenvolvimento,

a presença do Sebrae era indispensável. Essa penetração na sociedade organizada, me permitiu

o fechamento de vários grandes projetos; como exemplo cito o 1º Proder Consenso

pago do estado, na cidade de Caçador.

Minha história, no Sebrae/SC, iniciou no ano de 1993. Eu trabalhava na prefei-

134 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


tura do município de São José quando o prefeito, na época, me chamou à sua sala, dizendo

que havia assinado um convênio com o Sebrae/SC para abertura de um escritório de

atendimento. Ele afirmou que o meu perfil atendia aos requisitos para o preenchimento

da vaga, pois a contrapartida da prefeitura municipal era a cessão de um profissional, na

época com 18 anos.

Para que tomasse uma decisão coerente, caso aceitasse o convite, fui até a sede da

empresa, na área de atendimento, conversar com quem trabalhava. Na semana seguinte,

dentro do prazo que o prefeito havia me dado, disse sim à proposta e afirmei a ele que, um

dia, eu me tornaria funcionário do Sebrae/SC e teria meu trabalho reconhecido a nível de

País. Havia me encantado com a missão de ajudar pessoas e comunidades.

A cada troca de prefeito meu salário diminuía; diziam que aumentariam meus

proventos se eu voltasse à prefeitura. Era uma forma de me pressionar a retornar, mas eu

tinha um sonho, ser funcionário do Sebrae/SC. Cinco anos se passaram, a primeira parte

do sonho foi realizada, fui contratado pelo Sebrae/SC.

Passaram-se, desde então, 22 anos, durante os quais tive privilégio de me destacar

nacionalmente em vários projetos que gerenciei a ainda gerencio, pois faço parte de

comitês nacionais do Sebrae Nacional. Tive a felicidade de realizar a segunda parte do meu

sonho, ao tornar-me referência no País, quando da concepção da metodologia de Centrais

de Negócios. Esta foi nacionalizada para o Sistema Sebrae e tive a oportunidade de falar

sobre o tema em vários fóruns nacionais sobre o assunto.

O Sebrae/SC tem a capacidade de realizar sonhos e nos fazer úteis para as comunidades

nas quais estamos inseridos. Significa muito estar aqui, pois passo mais tempo

com a família Sebrae do que com a família de sangue; por isso, essa escolha deve ter motivos

maiores que somente o financeiro. O meu desafio individual é permanente, me cobro

muito. Sinto a obrigação de ser um profissional melhor do que eu fui no mês passado, e

essa chama não apagou. O dia que este sentimento não existir mais, acredito não estarei

mais à altura da missão do Sebrae/SC.

Essa escolha e a dedicação pelo Sebrae foi retribuída por algo de imenso significado:

ter recebido um telegrama da Diretoria do Sebrae/SC, por ocasião do nascimento

da filha. Foi a primeira manifestação de carinho que recebi depois de tê-la pego em meus

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 135


aços. Guardo o telegrama até hoje, e olha que já se passaram 14 anos. E quer saber: o

guardarei pelo resto de minha vida.

136 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


POSSO DIZER QUE

SOU FÃ DO SEBRAE

NESSES ANOS CONTRIBUI UM POUCO E APRENDI MUITO.

Joel Soares Fernandes

Caros colegas, faz 20 anos que trabalho no Sebrae/SC. Se fôssemos aplicar o

índice NPS (Net Promoter Score), que é uma métrica criada para medir a satisfação

e a lealdade dos clientes das empresas, e que prevê uma nota. de zero

a dez, para indicação da mesma, eu daria nota 9 . Isso significa que eu me enquadraria como um

fã do Sebrae, o que é absolutamente verdade. Nesses anos, contribui um pouco e aprendi muito.

Uma das coisas mais impressionantes de trabalhar no Sebrae, além da causa nobre,

e de colegas sensacionais, é que nossa empresa propicia a seus colaboradores relacionarem-se,

tanto com pipoqueiros (empresários MEI), quanto com prefeitos, governadores e presidentes de

grandes empresas. Tanto com a praça local, quanto estadual, nacional e internacional.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 137


Isso é algo singular e que propicia uma percepção rica de todo o sistema econômico e

social de nosso estado e do País. Raras empresas oferecem algo semelhante, por isso, há uma vantagem

importante em trabalhar em nosso Sebrae; incluindo os que vão sair, pois a experiência

vivenciada fica para sempre no currículo de cada um.

Para esse momento de final de ano, dando um descanso às questões técnicas e, como

esse texto foi escrito numa sexta-feira, dia que batizamos de velocidade mínima e criatividade

máxima, escrevemos um texto leve, que vai muito além das metas, e mostra o lado bem-humorado

de nosso time de colaboradores.

Essa é uma história baseada em fatos reais. Aconteceu em nosso Sebrae/SC. Eu testemunhei!

CUIDADO COM O ESTAGIÁRIO QUE VOCÊ CONTRATA

Henrique, gestor de uma importante área de nosso Sebrae/SC, apaixonado por

mulheres bonitas, estava num grande dilema. Escolher, para estagiária, uma dentre três

candidatas: uma morena, outra loira e a terceira, mulata. Quando tinha decidido pela Gisele,

que não era Bündchen, mas era tão sensacional quanto, apareceu, em sua mesa, um

quarto currículo. Era de um homem. E ele, mentalmente, o excluiu como opção. Decidiu

tão somente cumprir a formalidade de entrevistá-lo.

No dia marcado, lá estava o candidato a estagiário, um jovem alto e magro, corpo

atlético, cabelos cacheados e óculos de aros finos e redondos, de intelectual. Estava vestido

à caráter, de terno preto completo e gravata amarela. O Henrique pensou:

- Que cara estranho.

E fez logo a pergunta que ninguém sabia responder:

O que você sabe sobre o SEBRAE?

O candidato disse, na ponta da língua, a missão da empresa, a visão, os objetivos

estratégicos, e sabia muito mais que o Henrique. Disse que, há meses, estudava o Sebrae,

pois admirava muito sua causa nobre, e seu sonho maior era fazer parte daquela instituição.

Dominava o Word, o Excel, e falava inglês e espanhol. O Henrique ficou embasbacado,

com tamanha competência e dedicação. Pela primeira vez na vida, a custo de muito pesar

e já com uma ponta de arrependimento, permitiu a razão ser maior que o coração e con-

138 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


tratou o candidato homem.

Como era de costume, ele e sua equipe apelidaram o novo estagiário e o batizaram

de “D”, chocados por tamanha dedicação. O tempo passou e, à medida que tarefas

eram dadas ao “D”, o Henrique perguntava:

- Tudo certo ‘D’?.

Ele respondia:

- Tudo certo.

Mas, quando o Henrique lhe virava as costas para cuidar de outro assunto, o ‘D’

emendava:

- Mas nada resolvido.

As tarefas demoravam a ser cumpridas e muitas ficavam inacabadas. ‘D’ chegava

atrasado e, boa parte das vezes, com muito sono. O Henrique, desconfiado, investigou e

descobriu que o ‘D’ tinha uma vida dupla, e também tripla. Sabia inglês e espanhol e dominava

o Word e o Exccel porque seu projeto pessoal era cruzar as Américas de bicicleta e,

para sobreviver, precisava destes instrumentos. Também imaginou que, trabalhando no

Sebrae, teria facilidade em atrair patrocínio para o seu projeto. Trabalhava à noite, como

garçom, para acumular dinheiro para sua viagem.

Henrique decidiu dar uma lição no estagiário ‘D’ e programou uma viagem, levando-o

para um encontro regional do Sebrae, com a presença do superintendente da

empresa. ‘D’ ficou impressionado com o discurso do superintendente, que dizia:

- Nas empresas, existem três tipos de empregados: os burros dinâmicos, que

saem fazendo tudo sem pensar; os sábios estáticos, que tudo sabem, mas nada fazem; e

os sábios dinâmicos, que sabem pensar e agir de maneira certa. Vocês, gerentes e gestores,

vão classificar cada um de suas equipes, incluindo os estagiários, e trazer uma lista para

mim. Na viagem de volta à sede, enquanto Henrique dirigia, ‘D’ estava calado, pensativo

e de braços cruzados. Aquela cena irritou Henrique que disparou “Fala alguma coisa ‘D’.

O que você quer ficando assim, calado? Parecer inteligente?”. “Não, Henrique, eu estava

pensando: como você vai me classificar?...Sábio...” O Henrique não deixou o estagiário

completar e com um grande sabor de vingança em seu coração sentenciou “Isto é fácil,

vou colocar você numa categoria que o Superintendente pensa que não existe em nossa

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 139


empresa: pessoa burra e estática, aquela que não sabe pensar e nem fazer”. Sentiu-se vingado.

‘D’ certamente aprendera a lição, pensou.

Na volta à sede, o gerente de Henrique, Renato, tinha uma surpresa para ele;

convidou-o para ir à São Paulo, num Encontro Nacional de Inovação, no qual ele, Renato,

daria uma palestra. O Henrique levou junto o estagiário, como um agrado, antes de

demiti-lo, na volta da viagem, pois o Henrique tem uma alma gigante. No dia do evento,

lá estavam os três, o Renato, o Henrique e o ‘D’. O auditório estava apinhado, com mais

de mil pessoas de todo o Brasil, incluindo empresários, empregados do Sebrae, diretores,

e até autoridades políticas.

O evento começou e as palestras iam se sucedendo, quando chegou vez do Renato.

De repente, o Henrique olhou para o lado e viu que ele desaparecera. Pensou:

- Já deve estar se preparando para se apresentar.

Tranquilo, aguardou a palestra do chefe. O cerimonialista entra e anuncia:

- Senhoras e senhores, o Doutor Renato, nosso próximo palestrante, teve um

imprevisto e teve que se ausentar às pressas. No entanto, deixou sua palestra para ser

proferida pelo gestor de sua equipe, o senhor Henrique, que chamamos, neste momento,

ao palco.

O Henrique sentiu uma vertigem e o chão sugar o seu corpo. Tudo rodava em sua

cabeça. Mas ‘D’ ajudou-o a se recuperar e, finalmente, ele se dirigiu ao palco, com passos

lentos, muito lentos. Enquanto caminhava, as únicas palavras que lhe vinham à mente

eram:

- Maçã, macieira, macieiral

O pensamento era fruto de um recente curso de oratória que fizera e prometera

serem, estas palavras, a salvação de qualquer apresentação em público. Ao chegar ao centro

do palco e ver mais de mil pessoas, em silêncio, esperando seu pronunciamento, ele

teve um acesso de tremedeira. E tudo que o público teve foi a imagem de um microfone

cilíndrico, com uma bola na ponta, num vai e vem frenético, para baixo e pra cima, em

frente à boca do Henrique, que só conseguiu balbuciar o seguinte:

- Calma pessoal! Calma, que o microfone não vai gozar.

Diante da explosão de gargalhada da plateia, o cerimonial convidou todos para

140 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


um coffee break, e dispensou o Henrique da apresentação. Neste dia, o Henrique aprendeu

que “D” nem sempre significa o dia “D” de vitória, nem “D” de dedicação. “D” também

pode significar o dia “D”, de desmoronamento. Naquele dia, o Henrique desmoronou.

Na volta, sentados lado a lado no avião, o Henrique ensaiou um diálogo com o

estagiário:

- “D”, não precisa espalhar prá todo mundo o que aconteceu, não é? Especialmente

para o Renato. Isto não pode chegar ao superintendente.

- Não sei, Henrique, sabe? Eu não lembro, como você disse que ia me classificar

naquela lista do superintendente?

- Você não sabe, ‘D’? Eu coloquei, e grifei, que você é um sábio dinâmico!

O Henrique teve que engolir o estagiário, e ‘D’ ficou até o último dia do estágio.

Mas esperto como é, o Henrique tirou uma lição: contratar um estagiário não é

uma tarefa trivial e todo cuidado é pouco. Acima de tudo, ficou super desconfiado de estagiários

homens e inteligentes. Assim, o Henrique tornou-se um gestor sábio e dinâmico,

como queria o superintendente. E está feliz, rodeado de belas estagiárias. Sempre estampando,

em seu rosto, um sorriso um pouco mais aberto que o da Mona Lisa del Giocondo.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 141


142 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


DIAS MARCANTES

ACONTECEM

QUE AS BOAS LEMBRANÇAS SEJAM SEMPRE

INFINITAMENTE MAIORES DO QUE AS

DIFICULDADES QUE TIVEMOS QUE SUPERAR.

Juliana Faria Klann Schmitt

Entrei no Sebrae/SC em 1997, como estagiária da Diretoria Executiva. Estava

cursando o último ano da Escola Superior de Administração e Gerência

(ESAG), na Udesc, quando surgiu essa oportunidade de estágio. Num

primeiro momento, até pela falta de experiência profissional, não vi uma ligação direta do

curso que estava fazendo com as atividades realizadas naquele setor. Mas não demorou

muito tempo para que eu me habituasse com as funções de um gabinete.

Aprendi, no dia a dia, algumas técnicas de secretariado, utilizei os conhecimentos

de organização e métodos (esses absorvidos na faculdade de administração) e, obviamente,

exercitei (e exercito) diariamente as habilidades da comunicação oral e escrita (estas

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 143


aprendidas no curso de jornalismo). Depois de um ano de estágio, fui contratada como

terceirizada. Em mais um ano, fui então efetivada no Sebrae/SC, entrando para o quadro

de colaboradores em 1999. Desde janeiro daquele ano, me tornei responsável pela secretaria

da Diretoria Executiva. E, em setembro de 2007, fui designada secretária executiva,

função que exerço até hoje.

No ano de 2011, a Diretoria Executiva me deu a oportunidade de gerenciar interinamente

a Unidade de Gestão de Pessoas por um período de cinco meses. Sem dúvida,

um grande desafio, mas também um período de muito aprendizado e que me trouxe

crescimento profissional, maior segurança, maior interação com os colaboradores e muita

satisfação pessoal e profissional, pelos retornos positivos que tive de vários colegas de

trabalho. Foi um período curto, em termos de tempo, mas intenso em amadurecimento

profissional. E só tenho a agradecer por esse desafio que me foi dado pela diretoria, em

especial ao superintendente, Guilherme Zigelli, pela confiança e por acreditar no meu

potencial.

Neste mesmo ano, tive a missão de coordenar a reunião de encerramento junto

com a equipe da UGP e colegas da Secretaria Executiva. Na palavra dos colegas com mais

tempo de casa, “foi um dia marcante”. Muitos disseram que, há anos, não havia um encerramento

tão bonito. Enquanto os colegas mais novos, que haviam entrado há pouco na

instituição, disseram ter sido “a festa”.

Foi nesse dia, também, que o colega Amauri Emílio Pires entrou de surpresa no

salão, nos momentos finais, vestido de Papai Noel, saudando a todos e deixando a sua mensagem

de Feliz Natal. Recordo, também, que o presidente do Conselho Deliberativo na época,

o saudoso doutor Alcantaro Corrêa, se emocionou com tudo o que viu e fez questão de

relatar, no Conselho Deliberativo, o clima que contagiou a todos no referido evento.

Deste curto período na UGP, vivi mais uma situação de grande aprendizado quando

apresentei uma pauta da unidade na reunião do conselho. Fiquei treinando a apresentação

exaustivamente em casa, especialmente no dia anterior. Tive que pedir à minha

família (meu marido e dois filhos) que saísse de casa naquele dia. para que eu pudesse

ficar treinando, falando sozinha; enfim, repassando toda a apresentação, para não ter o

famigerado “branco” na hora. Quando chegou o dia da reunião, fiz a apresentação e deu

144 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


tudo certo! Assunto aprovado. Quando o profissional se prepara bem e sabe o que está

apresentando, não há o que temer.

Vivia um dilema, quando jovem, entre escolher o jornalismo ou a administração.

Tive a experiência de trabalhar como repórter, antes de ingressar no Sebrae. Foi uma

experiência válida, com certeza, mas sinto-me muito feliz com o trabalho que realizo no

Sebrae/SC. O mais interessante de tudo isso, é que aplico, no meu dia a dia, os conhecimentos

e práticas de ambos os cursos. Não tive que “abandonar” um em detrimento de

outro. São duas áreas que se complementam e me ajudam, todos os dias, a desempenhar

minha função com qualidade e responsabilidade.

A satisfação e alegria vêm do retorno positivo que recebo das pessoas, ou de algum

colega me solicitando revisar um texto, ou me consultando sobre algum procedimento

interno, pedindo uma opinião. Além disso, atuar na Diretoria Executiva permite que

eu me relacione com todas as equipes das unidades, e posso dizer que essa convivência é

muito boa.

Aos que estão entrando agora, meu “recado” é que aproveitem cada dia de trabalho

no Sebrae, pois todo dia aprendemos algo novo, que pode melhorar nosso desempenho

profissional. Aproveitem todas as oportunidades. Tratem a todos com cordialidade,

seja cliente interno ou externo. O tempo que passamos na empresa é bem maior do que o

dedicado a familiares ou amigos. Por isso, é importante fazer um bom uso dele: trabalhar

com seriedade e responsabilidade, relacionar-se bem com os colegas de trabalho e utilizar

o diálogo construtivo. O tempo que vivermos no Sebrae/SC deve agregar coisas boas em

nossas vidas, para que as boas lembranças sejam sempre infinitamente maiores do que as

dificuldades que tivemos que superar.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 145


146 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


ENCONTROS E

REENCONTROS

A VIDA NO SEBRAE É CÍCLICA E DINÂMICA.

Kátia Regina Rausch

Eu entrei na época do Ibagesc, não para trabalhar diretamente no Sebrae,

mas na Junta Comercial, como analista de processos de registros de empresas.

Eles precisavam de uma advogada lá.

Algum tempo depois, o governo do estado rescindiu o contrato com o Sebrae.

Então, todos os funcionários retornaram ao Sebrae e eu fui designada para trabalhar na

Secretaria de Educação do Estado de Santa Catarina, para fazer análise da prestação de

contas de obras e projetos.

Antes de lá chegar, fui instruída a procurar um rapaz, que era engenheiro e que

trabalhava com projetos, pois havia uma prestação de contas de uma contração. O mesmo

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 147


também era do Sebrae, foi então que conheci o Sérgio Pereira. Éramos, no total, cinco pessoa

trabalhando na Secretaria.

Neste período, em que trabalhei na Secretaria de Educação, nosso chefe imediato

era o Senhor Aldo da Rosa, que é o pai da Eliane, hoje também nossa colega de trabalho,

atuando na Unidade Gestão de Pessoas.

Depois dessa atividade na secretaria, retornamos todos para o Sebrae. Nessa ocasião,

fui designada na primeira equipe do Balcão Sebrae: eu, a Telma, o Osni, o Lasmark, a

Margarete, e mais outros colegas.

O que me marcou é que aprendi muito com o Osni sobre contabilidade e, hoje,

depois de ter passado por muitos setores, estou novamente trabalhando com ele.

Mais uma vez, reencontro profissionalmente também a Telma, que me ensinou

a fazer pesquisa. Não havia computador. Fazíamos pesquisas de mercado em listas telefônicas.

Copiávamos e colávamos. Tinha uma funcionária que datilografava tudo e nós

arquivávamos. Dessa forma, quando da solicitação de outro cliente, já estava pronto.

Era muito papel para organizar, todos os dias. Como eu já havia trabalhado na

Junta Comercial e conhecia o processo de registro da empresa, ao vir trabalhar no balcão e

aprender com o Osni e com o Lamarck, conheci o outro lado. Era uma equipe muito bacana.

Os Balcões Sebrae foram sendo abertos em várias cidades de Santa Catarina.

Como nós fomos os pioneiros no atendimento ao público, viajamos por todo o estado,

capacitando as pessoas que iriam assumir a atividade nas cidades.

Além de tudo, prestávamos atendimento ao público até que a equipe local estivesse

formada. Ficávamos uma semana, até quinze dias longe de casa, fazendo este trabalho.

Todos os colegas sempre muito parceiros e comprometidos, muitos permanecem até hoje

no Sebrae.

Depois de alguns anos, passei a trabalhar na unidade do Urandi, reencontrei o

Sérgio e conheci muitas das suas histórias.

Tínhamos o “panquecário” do Gesser na unidade, uma espécie de mural de pérolas.

Ali, colocávamos todas as situações inusitadas, frases e manifestações pitorescas que

aconteciam ao longo dos dias de trabalho. Um exemplo foi o dia em que um diretor chegou

à unidade e o Gesser estava dormindo. O Sérgio, comentando a situação, diz:

148 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


- Melhor fazer silêncio que ele está pensando.

Essa foi um das pérolas que foi para o “panquecário”. Ali, aprendi sobre marcas,

licitações, convênios, e foi um aprendizado muito grande.

Também atuei na área administrativa, justamente na época da reforma do edifício

da Avenida Rio Branco. Uma grande obra, por conta da qual, inclusive, um dia acabei

quebrando o meu pé.

Acompanhar uma obra dá muito trabalho. Percebi que não é uma tarefa para

mim, lidar com cimento, tinta. Eu nunca fiz uma reforma no meu apartamento tamanho

o trauma que que me rendeu ssa obra do Sebrae. Pouco prazo para ficar tudo pronto.

Hoje, estou na coordenadoria, que, em breve, vai retornar para o prédio da Avenida

Rio Branco. Meu receio é ter obra novamente.

A gente percebe que a vida, no Sebrae, é muito cíclica. Hora trabalhamos em um

setor, hora em outro; mas sempre em prol da micro e pequena empresa.

Quando atuei na área de políticas públicas, tema que amo de paixão, conheci muitos

municípios, viajei por todo o estado; visitando prefeituras, entidades, órgãos e outros

parceiros para promover a implantação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. Percebi

o que o empresários passam em cada um destes órgãos.

É muito interessante voltar a trabalhar com atendimento, tendo esta bagagem

de informação para ajudar as empresas. É muito bom atender e ver o empresário sair feliz

com as informações. Essa é a minha missão atual. É gratificante receber um muito obrigado

e saber que pude fazer a diferença para alguém.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 149


150 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


COMPETÊNCIA E

RESPONSABILIDADE

SOMOS UMA EMPRESA QUE FAZ A DIFERENÇA

Luiz Carlos da Silva

Dentre as recordações que têm grande significado, na minha trajetória no

Sebrae, destaco as várias empresas que nasceram pelo atendimento do

Balcão Sebrae, na década de 90, e mais de 20 anos depois, ainda são nossos

clientes, buscando soluções para suas necessidades. Isso demonstra a competência, a

responsabilidade, o comprometimento e a seriedade que o Sebrae carrega na sua essência.

Iniciei minhas atividades no antigo Balcão Sebrae, no ano de 1993. Passei por um

processo de seleção e fui aprovado. Na época, o Sebrae apareceu como um empresa altamente

inovadora e provedora de soluções para as empresas, em todos os sentidos. Uma

missão manifestada desde uma simples informação sobre como conseguir um código de

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 151


arras, até a implantação de instrumentos e métodos administrativos.

O Sebrae sempre dispôs de várias iniciativas e disponibilizou diversos produtos

inovadores que auxiliavam as empresas a serem mais competitivas, bem como elaborava

e implementava projetos de desenvolvimento econômico que impactavam na transformação

das empresas e regiões no estado. Tenho certeza de que éramos a empresa brasileira

que mais investia na capacitação dos atendentes do Balcão Sebrae. Um fato que permitia

termos qualidade e condições de atender os empresários e empreendedores.

Uma preocupação constante foi conseguir atender os clientes com soluções práticas

e que permitissem resolver os problemas de maneira customizada. O que implica a

mim o desafio, também constante, de manter-me atualizado e sempre um passo a frente

das necessidades dos clientes. Por outro lado, ao poder fazer a diferença para as empresas

e empreendedores, é muito gratificante ser reconhecido por isso.

O dinamismo do Sebrae é o seu diferencial. É uma empresa excelente, com uma

missão nobre e que faz a diferença na vida das pessoas. Entendo o Sebrae não apenas

como mais uma empresa. Reforço que é uma instituição que faz a diferença e contribui

para melhorarmos a nossa sociedade. Valorize o Sebrae. Ele abre portas que nem imaginamos

e permite sermos seres humanos melhores.

152 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


PRÓ-ATIVIDADE

PARA ACERTAR

DEDICAÇÃO, COMPROMETIMENTO E

MUITO ORGULHO.

Luiz Roberto Pires

Eu estava há sete meses desempregado, então passei no Sebrae e deixei um

currículo na diretoria; se não me engano a pessoa que me atendeu foi a

Margarete. Havia uma vaga de motorista e fui questionado sobre o interesse

em ocupar esta vaga. Eu dirigia, mas nunca tinha exercido a atividade profissionalmente,

para um diretor. Como tinha minha família para sustentar, aceitei o desafio de

imediato.

Nas viagens, meu receio era errar, não encontrar o local indicado no roteiro preparado

pela secretária. Antes de cada viagem, eu me preparava. Se tivesse que ir para

Criciúma, por exemplo, eu ligava lá, para um colega de trabalho, na época o Ademar, e

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 153


pedia todas as informações sobre como chegar. Ao chegar ao Sebrae, que funcionava junto

com a ACIC, deixava o diretor e já ia buscar informações sobre próximo local. Sempre que

possível, eu fazia o roteiro antes sozinho, para depois levar o diretor; já sabendo onde ir

e como chegar. Nunca fui motorista profissional, mas agradeço pela oportunidade que

abriu as portas do Sebrae.

Em uma das viagens, estávamos retornando de Blumenau ou Brusque, e um dos

diretores me perguntou se eu gostaria de assumir uma vaga no setor administrativo, pois

havia surgido uma oportunidade. Com alegria, disse imediatamente que aceitava; após

oito meses viajando, era uma forma de ficar mais perto da minha família e atuar realmente

na minha área.

Comecei, assim, a trabalhar na área administrativa e financeira. Mais adiante,

as áreas se separaram e acabei ficando no setor financeiro, no departamento de contas a

pagar. Por um curto período de tempo, tive a oportunidade de trabalhar na área de educação.

Foi uma experiência interessante. Mas a minha vocação sempre foi a área financeira e

retornei para este setor que, hoje, é chamado de Unidade de Orçamento e Contabilidade.

Tudo que eu fiz, ao longo de 19 anos, sempre teve dedicação, comprometimento,

pontualidade, assiduidade e muito orgulho. As amizades também são algo especial. Uma

vez, jogando futebol, eu e o Ademar brigamos por algo sem muito sentido, coisa boba.

Chegando em casa, minha esposa perguntou:

– O que você tem?

Então, contei para ela que havia brigado com o Ademar, um grande amigo. No

outro dia, ao chegar ao trabalho, pensei:

- Vou ligar para o Ademar. Não posso ficar com essa sensação ruim.

Liguei, para o Sebrae de Palhoça e quem atendeu foi o Betão. Eu disse:

- É o Pires, quero falar com o Ademar.

Quando ele atendeu e comecei a falar, ele nem deixou, disse logo:

- Deixa isso pra lá.

Isso é amizade que existe até hoje.

Neste ano, fiz a opção pelo Plano de Demissão Voluntária – PDI, apesar de já estar

aposentado pelo INSS há uns cinco anos. Alguns dizem que ainda sou jovem e realmente

154 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


me sinto assim. Justamente por isso, tomei a decisão de aproveitar esta oportunidade, enquanto

ainda me sinto motivado e com energia para fazer cosias novas, além de descansar.

O Sebrae/SC, para mim, representa uma empresa séria, a partir da qual criei a

minha família. Comparado a outras empresas de grande porte, é diferenciada; oferece salários

e benefícios muito bons, além de uma visão de mundo ampliada e da abertura de

campos de trabalho para quem sabe aproveitar.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 155


156 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


EQUILÍBRIO E

PERSEVERANÇA

BUSQUE EQUILIBRAR REALIZAÇÃO PESSOAL

E OS GANHOS FINANCEIROS.

Márcio Paulo Ribeiro

Lá na década de 70, eu já almejava entrar no Sebrae/SC. Fiz um curso de

dinâmicas de grupo, com um consultor renomado, que atuava pelo Sebrae/

SC. Na época, eu trabalhava no BESC, do qual eu saí no ano de 1987, e

decidi entregar um currículo no Sebrae/SC. Não fui contratado de imediato, mas, algum

tempo depois, fui convidado, pelo Sebrae/SC, a fazer parte de um grupo de consultores,

para desenvolver um projeto em parceria com o governo do estado.

Era o Programa Integrado do Desenvolvimento Socioeconômico de Santa Catarina.

Comecei trabalhando, na região de Mafra, realizando o levantamento de dados sócio

econômicos, juntamente com outros consultores que foram para várias regiões do estado.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 157


O trabalho era uma radiografia econômica dos municípios. Além do levantamento dos

dados, elaboramos uma publicação e cada município recebeu um exemplar, no qual era

possível ver os dados, as oportunidades e as dificuldades. Era um subsídio para as administrações

municipais atuarem no desenvolvimento dos municípios.

Essa forma de trabalho serviu de modelo para outras unidades do Sebrae, inclusive

colegas nossos foram convidados a desenvolver a metodologia em outros estados. Eu

retornei ao Sebrae/SC e trabalhei na Unidade de Administração e Finanças. Nesta unidade,

realizei um trabalho em relação ao mapeamento do patrimônio da organização. Viajei

por todo o estado para fazer esse levantamento e registrar os itens do patrimônio.

Depois, trabalhei cedido ao governo do estado, em um projeto ligado ao Banco

Mundial. Essa atividade durou cerca de cinco anos; iniciou no governo e passou para os

cuidados do Badesc. A atividade que desenvolvi, nesse período, consistia em gerenciar

um recurso 50% originário do Banco Mundial, e 50% do vindo do governo do estado. O

principal objetivo era fornecer subsídio financeiro para ajudar os municípios que tinham

sofrido com as enchentes dos anos de 82 e 83. Minha função era desenvolver os estudos

de viabilidade econômica e financeira àqueles que solicitavam o recurso para aplicar em

projetos nas cidades. Além disso, viajávamos pelo estado, para conferir a aplicação dos

recursos solicitados e fazer os monitoramentos necessários.

Foi na época desse projeto que o Badesc foi transformado em agência de fomento.

Até hoje, a instituição financia projetos com este enfoque. Dos 500 milhões de reais

iniciais colocados à disposição, creio que, hoje, devam estar circulando, para este objetivo,

em torno de 350 milhões de reais. Esse recurso alimenta o Fundo de Desenvolvimento

Municipal – FDM.

Em 1995, retornei ao Sebrae/SC e passei a atuar com análise de projetos de liberação

de crédito para os empresários junto aos bancos. Na época do crédito, sofri muita

pressão por parte dos empresários; tanto para pular etapas, quanto para obter acesso ao

crédito de forma incorreta. Foram desde ameaças até ofertas de propina. Nunca deixei me

abater e nunca coloquei em risco o nome da instituição, ou o meu próprio, com esse tipo

de situação.

Tive a oportunidade de trabalhar em diversos setores, inclusive em uma unidade

158 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


localizada no município de São José e depois, por algum tempo, na cidade de Itajaí. O

setor mais diferente que trabalhei foi o teleatendimento do Sebrae/SC, no qual prestava

informação via telefone aos clientes que entravam em contato.

No início do ano 2000, eu já trabalhava na unidade de tecnologia, na qual permaneço

até hoje; passando pela área de marcas, que deixou de existir no ano de 2004. Mesmo

assim, dei continuidade aos processos que já estavam em andamento. Em outubro de

2015 fiz o acompanhamento da última marca, cujo processo estava em andamento pelo

Sebrae/SC desde aquela época. Me orgulha que, em todos estes processos de registro de

marca, e olha que foram mais de 4.000 que acompanhamos, nenhum dos clientes Sebrae/

SC foi lesado ou teve seu prazo perdido.

Atuo, hoje em dia, com os processos de certificação de denominação de origem de

alguns projetos ligados ao Sebrae/SC, junto ao INPI, e no Programa de Alimentos Seguros

– PAS.

Aos jovens que anseiam trabalhar no Sebrae/SC, ou aos que já trabalham, digo

que é preciso retomar conceitos como perseverança e fazer aquilo que gostam. Hoje em

dia, muitos jovens focam apenas no financeiro, mas é preciso equilibrar as duas coisas. O

meu sonho era ser engenheiro agrônomo na área do campo, da agricultura. Hoje, tenho

em casa um pequeno viveiro para criar um pomar.

Eu não concebo a gente viver aqui nesse planeta da maneira como tem sido. O

meu pensamento é de que precisamos fazer a nossa parte, tanto na vida em sociedade,

quanto no ambiente de trabalho. Fica a dica: viva mais a vida real, menos a virtual. Sei que

a tecnologia é importante e trabalho nessa área, mas, muitas vezes, deixamos virar uma

distração ao invés de uma contribuição.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 159


160 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


NOSSAS

ESCOLHAS

UM REFLEXO DAQUILO QUE

SOMOS COMO PESSOA.

Marcondes da Silva Cândido

Quando eu olho para trás, para a minha entrada no Sebrae/SC, eu penso:

- Como eu consegui decidir daquela forma e fazer tal escolha?

Eu trabalhava na WEG, uma empresa espetacular, base sólida

da minha formação profissional. Muitos disseram que fiz uma grande besteira, quando

decidi sair. Ao longo de dois anos que lá estive, construí boas relações e fiz muitos projetos

em engenharia da qualidade, que era a minha área.

A fábrica daqui fechou e levou, para Jaraguá do Sul, 40 dos 140 funcionários. Eu

estava entre esse grupo de selecionados. Na última hora, decidi sair, na esperança de conseguir

uma bolsa de mestrado. Quando tomei essa decisão, minha mulher estava grávida

da nossa primeira filha. Naquele momento, eu trocava a WEG pela promessa de bolsa de

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 161


mestrado, acreditando mesmo naquilo que somos.

Durante algum tempo, me questionei sobre esta decisão; porém, seis meses depois,

eu estava trabalhando no Sebrae. Comecei prestando um serviço como terceirizado e, depois,

fui convidado a fazer parte do quadro de funcionários. Mas a efetivação levou 40 dias para

acontecer; período em fiquei no limbo, aguardando uma confirmação. O gerente que me contratou

disse:

- Estou te contratando porque precisamos muito de alguém com o teu perfil, embora

acredite que você não ficará mais do que dois anos aqui.

Pois bem. Estou aqui há estou a 22 anos!

Nossa empresa mudou muito neste período. Aliás, só sobrevive quem se adapta e

inova para os novos tempos. Tem uma frase que um colega me disse, certa vez, e que, para

mim, representa um pouco desta mudança:

- O Sebrae das antigas tomava chá de rodoviária. O novo toma chá de aeroporto.

Eu não vivi a época mais critica do Sebrae, de atrasos de pagamento e da falta de

recursos. Do meu tempo. eu não sei o que é atrasar, um dia sequer, o pagamento. Atuei em

diversas áreas, e sempre com muita responsabilidade. Sempre procurei fazer o melhor, em

todas elas, e me dedicar ao máximo à nossa missão; tendo ciência de que os recursos sempre

devem ser tratados com muita atenção e cuidado.

Certa vez, até mesmo fui questionado sobre de que lado eu estaria em uma determinada

situação de conflito, e eu respondi:

- Se tem algum lado eu não sei. Mas, se tiver algum, definitivamente, eu estou do

lado do Sebrae/SC. Eu imagino que é por esse lado, o lado do Sebrae, que estamos aqui para

dar o melhor de nós e trabalhar.

Essa frase, esse pensamento pautou muito a minha carreira. Trabalhei em diversas

áreas e diversos projetos, sempre com a convicção de que sou um empregado DO SEBRAE.

Aquele que promove o desenvolvimento e leva conhecimento e informação aos pequenos

negócios, tanto os mais simples quanto os mais sofisticados; e com um mundo de variantes,

de necessidades e expectativas.

Atendemos, de atividades muito simples, a negócios que envolvem alta tecnologia.

Esse é o nosso desafio, atender a todos, indistintamente, e com qualidade. E conseguimos

162 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


fazer isso, porque ao longo do tempo nossa empresa priorizou a qualificação do seu corpo

técnico, que é o caminho pelo qual as coisas realmente acontecem.

Hoje, vivemos um processo de desligamento de 21 colegas que aderiram ao PDI.

Mais um marco, que considero fantástico, graças à liderança da Diretoria Executiva. Um momento

que me emocionou muito, aconteceu quando fui entregar a exoneração para um dos

caras mais espetaculares que conheci no nosso Sebrae, o Urandi. Eu disse a ele:

- Vim aqui trazer a sua exoneração, como gerente.

Ele pegou o papel, olhou e disse:

- Putz, logo você, que é meu amigo, está me fazendo isso?

Então, respondi:

- Pois eu estou fazendo com a maior alegria do mundo! Você não pode imaginar

como eu estou feliz de fazer isso contigo.

Estou perdendo um grande amigo de convivência diária, no meu trabalho. Mas estava

alegre por ele ter a oportunidade de fechar sua longa jornada, de tantas contribuições aos

pequenos negócios, com muita dignidade e no momento em que ele mesmo decidiu.

A gente fica feliz quando os amigos têm esse tipo de oportunidade. Ele chegou ao final

da sua jornada, no Sebrae, íntegro. E que é o mais importante, pôde dizer, missão cumprida.

O que fica é a eterna amizade e uma mistura de sentimentos que, acredito, seja nostalgia.

Situação muito diferente da vivida em 99, quando andei pelo estado, juntamente

com o Sérgio Cardoso, realizando o fechamento das unidades de Balcão Sebrae. Muitas vezes,

tinha que entregar uma carta de desligamento involuntário a um colega que eu sabia que era

pai de família e iria passar dificuldades.

Nestas andanças de encolhimento da estrutura física do Sebrae, um prefeito, grandalhão,

com mais de um metro e noventa de altura, parou em nossa frente, bateu no peito e

disse, muito rispidamente:

- Daqui ninguém tira o Sebrae! Foi então que respondemos:

- Jamais sairemos daqui, prefeito. Vamos apenas retirar os móveis e nos organizar

melhor, para estar cada vez mais presentes e sermos mais efetivos.

Esta ideia deu origem ao PCDRS, (Programa de Desenvolvimento Regional), o qual

tive o prazer de coordenar. Quando eu fiz mestrado, isso não era muito bem valorizado, mas

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 163


contei com o apoio de colegas que me ajudaram e até me deram cobertura para eu poder

estudar. O tema do meu mestrado foi a engenharia da qualidade e, em paralelo, fazendo

o trabalho no Sebrae, tive a oportunidade de selecionar o Anacleto para trabalhar nesse

projeto, que durou em torno de cinco anos.

Depois, ele partiu para atuar na Universidade de São Miguel do Oeste e também

na vida política. A vida nos surpreende e tive a grata satisfação de reencontrá-lo, alguns

anos depois, aqui no Sebrae/SC, onde ele veio a somar na função de diretor técnico. Algo

que me faz rememorar algo que eu falei, quando assumi a função de gerente, e que um

colega me disse nunca ter esquecido:

- Eu só assumirei o cargo porque existe uma equipe muito capaz. na qual eu posso

confiar e com a qual eu posso compartilhar as minhas dificuldades.

Isso o marcou. Algo simples, que fez uma grande diferença. Era um grupo muito

experiente, não caberia a mim, enquanto gerente, direcionar os passos de cada um. mas

sim coordenar o trabalho. E isso incorporou no grupo. Eu estou aqui para apoiar e abrir

portas, para que as pessoas tenham condições de progredir, tanto do ponto de vista técnico,

quanto do pessoal e intelectual.

O Sebrae também me permitiu realizar um doutorado. Não foi fácil. Foi de forma

muito intensa. Ocupou minhas noites, meus finais de semana e ainda um pouco mais.

Sempre incentivei as pessoas a estudarem e se aperfeiçoarem. Isso ajuda, também, na nossa

missão; mas exige muita determinação. Hoje, vivemos uma instituição de conhecimento

em um ambiente muito dinâmico, onde, efetivamente, não materializamos produtos.

Por meio da nossa ação, nós levamos esperança e os clientes, por meio disso, materializam

seu esforço em um produto ou serviço.

Para finalizar, lembro de um fato que aconteceu quando, terminado o mestrado,

eu trouxe o meu diploma e apresentei, orgulhosamente, para a gerente da área de gestão

de pessoas da época; ao que ela respondeu:

- Muito bom! Pena que o Sebrae não é um fábrica de especialistas.

O que eu ia dizer...

Eu pedi licença, tirei uma cópia do diploma e fiz questão de, eu mesmo, colocá-lo

na minha pasta de funcionário. Muitos anos se passaram de lá para cá, mudanças aconteceram,

tanto que o slogan atual do Sebrae é: Especialistas em Pequenos Negócios.

164 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


O SEGREDO:

ACOMPANHAMENTO

INTENSIVO

O DIA A DIA É TODO DEDICADO À

INOVAÇÃO E À TECNOLOGIA

Marcos Regueira

Eu passei a fazer parte do Sebrae/SC quando o mesmo decidiu apoiar a implantação

da Incubadora MIDI Tecnológico. A ideia de criar a incubadora

nasceu fora do Sebrae/SC. Foi um projeto desenvolvido pela Associação

Catarinense de Apoio a Tecnologia – ACATE. Esse projeto foi trazido ao Sebrae/SC pelo

presidente do conselho, na época o senhor Faraco. O assunto foi debatido pelo Conselho

Deliberativo, que concordou com a iniciativa e, então, eu fui contratado. Passei 8 anos trabalhando

dentro da incubadora; era funcionário do Sebrae/SC, mas meu local de trabalho

era a incubadora.

Minha função era acompanhar a gestão da Incubadora, todos os processos de se-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 165


leção de empresas incubadas e, depois da seleção, fazer o acompanhamento dessas empresas

até a sua graduação, momento em que estão aptas a “andar com suas próprias pernas”.

O Sebrae/SC sempre apoiou a incubadora do MIDI, tanto com recursos financeiros,

quanto com equipe técnica, cursos e capacitações. Há uns 7 ou 8 anos, eu fui chamado a trabalhar

novamente dentro do Sebrae/SC. Hoje, essa mesma incubadora é gerida pela ACATE

e eu continuo fazendo o acompanhamento. A equipe de gestão da incubadora desenvolve

relatórios, repassando a mim as informações sobre o andamento das atividades.

É um trabalho interessante. Neste relatório, inclusive, são repassados dados do desempenho

das empresas incubadas; como está o andamento dos processos, das vendas dos

produtos e serviços e do desenvolvimento. São várias questões analisadas para que ocorra

a liberação mensal dos recursos que lá são aplicados. Trata-se de um compromisso com os

resultados das empresas.

Florianópolis, hoje, é referência na área de tecnologia. Eu acompanho esse setor há

mais de 25 anos e pude ver como ele cresceu na cidade e na região. A ACATE, por sinal, foi

fundada há 27 anos, por apenas seis empresas e, hoje, tem mais de 500 empresas associadas.

Isso dá uma pequena noção da importância desse trabalho e dessa evolução.

A gente acompanha tudo, desde o início do trabalho de um incubado. Alguns jovens

chegam com uma ideia na cabeça e acham que está tudo resolvido Pensam que é só encontrar

um espaço para se instalar e, logo, precisarão distribuir senha na porta para atender os

clientes interessados no seu produto. Na verdade, não é bem assim. A experiência mostra

que um bom plano de negócio é fundamental e nada acontece por mágica. É preciso colocar o

pé no chão e refletir. Precisa muita consultoria, muito treinamento, para fazer uma boa ideia

realmente se tornar realizável e lucrativa.

Esse era o trabalho e minha função era fazer a ponte e prover as soluções que o Sebrae/SC

oferece às empresas que estavam nascendo. Na incubadora, existe um diferencial; o

atendimento é intensivo e concentrado, o que faz com que a atuação do Sebrae/SC seja mais

efetiva.

O processo de incubação já começa com uma seleção, como forma de filtrar as melhores

ideias. A gestão da incubadora acontece por meio de uma política de portas abertas. É

166 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


preciso que os empreendedores sintam-se acolhidos, possam apresentar suas agruras, suas

dificuldades. Há quem chore, outros desabafam, outros expõem suas necessidades. Trata-se

de um ambiente e de uma equipe preparada para compreender e auxiliar nesse processo de

criação de um novo produto ou serviço.

Quando internet e telefonia eram serviços caríssimos, ainda havia mais vantagens.

Além do ambiente compartilhado, era um grande benefício ter acesso cooperado a esse tipo

de serviço. Comprar uma linha de telefone era algo muito caro quando foi lançada a incubadora.

Hoje é tudo mais acessível.

Um fato marcante ocorreu quando o MIDI Tecnológico ainda estava na rua Lauro Linhares,

no bairro Trindade. No piso térreo, havia um supermercado e ele pegou fogo durante

a noite. Lembro bem dessa ocasião. Muitas pessoas se mobilizaram para apagar o incêndio.

O grande medo dos incubados era perder todo o trabalho realizado. Hoje, a informação está

na “nuvem”; os projetos podem ser salvos em outros servidores e depois retomados. Naquela

época não tinha isso. Nem os computadores eram como os de hoje.

Lá estavam localizadas umas 30 empresas de inovação e tecnologia. As pessoas ajudavam

os bombeiros. Carregavam mangueiras. Faziam o possível para evitar que o fogo avançasse,

pois poderiam perder o trabalho de meses de muita dedicação.

Hoje, minha atuação é acompanhar os projetos que apoiam dez incubadoras em todo

o estado. Temos projetos focados na gestão das incubadoras, nos quais elas podem demandar

cursos e consultorias para a melhoria do ambiente da incubadora e melhoria de gestão do

processo de incubação.

Além disso, atuo no projeto Sinapse da Inovação, em parceria com a FAPESP, cujo

objetivo é apoiar ideias inovadoras. São 100 projetos selecionados, este ano, para desenvolver

suas ideias com apoio financeiro e apoio do Sebrae/SC, a partir de consultorias técnicas.

Realizo a gestão de uma linha Sebraetec específica para empresas das incubadoras.

O meu dia a dia é todo dedicado às empresas do setor de inovação e tecnologia. Essas

empresas não têm fronteiras geográficas. Muitas delas não estão sentindo tanto a crise deste

ano, pois vendem para outros países. Creio que o setor contribui para que Florianópolis ainda

não sinta tanto essa crise, quanto outras cidades que vivem na dependência de um setor

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 167


industrial. Faz com que se mantenham os empregos e que a região passe mais tranquilamente

por esse momento atual.

168 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


CADA UM DE NÓS

COMPÕE A SUA

HISTÓRIA

UMA PREMISSA: NÃO ADIANTA SABER QUE A

INFORMAÇÃO EXISTE É PRECISO DISSEMINÁ-LA.

Margarete da Silva Becari de Abreu

Quando em sala de aula, no ano de 1977, a coordenadora de estágio, professora

Jesus, falou que o CEAG – Centro de Assistência Gerencial de

Santa Catarina – abrira abriu uma vaga para estágio em biblioteconomia,

imediatamente, me manifestei interessada.

Vim para a entrevista e fui atendida pela secretária executiva, que me pediu que

aguardasse, enquanto ela anunciava minha chegada. Eu nem imaginava quem seria meu

entrevistador. Enquanto aguardava, apareceu na sala um homem e perguntou:

- O que estás fazendo aí?

Respondi:

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 169


- Aguardando entrevista para estágio.

Ele retrucou:

- É o Zanatão que vai te entrevistar.

Respondi:

- Não sei se é ele, mas acho que sim.

Ele falou:

- Vou dar uma espiada, para ver o que está acontecendo, e disse:

- Minha filha! Vais esperar muito. Está rolando alguma coisa ali.

Achei graça, mas fiquei na minha. Logo, a secretária me pediu para entrar e disse:

- É o doutor João Zanata, diretor-executivo do CEAG, quem vai te entrevistar.

Tímida do jeito que eu era, tremi nas bases. Mas logo na entrevista, percebi que

era um homem exigente, prático e sem muitos rodeios, que logo foi testando meus conhecimentos.

Disse que, além da estruturação e organização da biblioteca do CEAG, necessitavam

também organizar diversos materiais que estavam nas gerências como, por exemplo, os projetos

de consultoria caso a caso. De pronto, falei de sistemas de arquivamento que facilitariam

acesso aos materiais, por meio de controles. Acredito que também tenha sido prática

nas respostas.

Fui chamada para o estágio e, novamente, me aparece aquele homem que disse as

“gracinhas” enquanto eu aguardava a entrevista. Ele falou:

- Muito prazer. Meu nome é Celso Lino e, a partir de hoje, vou ser seu chefe. Mas,

por mim, podes ficar o resto da vida no CEAG.

Em seguida, deu-me orientações bem pontuais e, desta forma, iniciei o estágio. Formei-me

em 15 de dezembro de 1977 e fui admitida em 02 de janeiro de1978. Comecei, então,

a estruturação e organização da biblioteca do CEAG, além da disseminação da informação

nas gerências. Devido à falta de espaço, no início, não foi possível organizar os projetos de

consultoria caso a caso. Nas muitas mudanças, foi no prédio da Tenente Silveira que conseguimos

espaço para receber o material e organizar os projetos de consultoria, que foram

muito utilizados pelos consultores da época.

Grávida de seis meses do meu segundo filho, em outubro de 1984, participei do

170 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


Primeiro Encontro de Bibliotecários do Sistema Cebrae. Foi bem interessante conhecer as

colegas dos outros estados, bem como também as propostas de trabalhos coletivos, como

tratamento técnico e memória Cebrae, que efetivamente estão se concretizando, agora, com

o Chronus e o Projeto Memória Sebrae.

Passei por muitos gerentes, com perfis bem diferenciados. Alguns não entendiam

o trabalho, e outros valorizavam e nos desafiavam. Sendo, que neste período, nas gerências,

tivemos muitos momentos marcantes e deixo como exemplo:

- Contratação de mais uma bibliotecária para o CDI – Centro de Documentação e Informação.

Com o aumento das atividades, a gerência informou que iria ocorrer processo seletivo

para contratação de uma nova bibliotecária, com análise de currículo e entrevista, e deliberou

que eu fizesse a entrevista, analisasse o currículo e definisse quem deveria ser contratada.

Fiz o que o gerente pediu, porém ele, que também fez as entrevistas, não concordou

com a minha seleção. Alegou que eu não soube avaliar bem as candidatas e pediu para eu

mudar a minha decisão. Porém, seus argumentos não me convenceram e eu disse que não

mudaria de opinião. Me arrisquei, é claro.

Então, ele mandou contratar a bibliotecária que ele selecionou e a que eu selecionei,

e passou para nós um projeto com definições que exigiam conhecimentos mais aprofundados

de tecnologia da informação. Como não conseguimos fazer o projeto, um pouco antes do término

do período de experiência, ele mandou demitir as duas bibliotecárias.

A bibliotecária que eu havia selecionado era a Mônica Guimarães Fontanella. Uns

dois anos depois, com a saída deste gerente, que se tornou diretor, fui chamada pelo novo

diretor, que me perguntou sobre o ocorrido. Expliquei os fatos e ele me perguntou, no caso da

contratação de mais uma bibliotecária, se eu chamaria a mesma pessoa. Eu afirmei que sim,

e a Mônica foi novamente contratada para o CDI.

- Atender as demandas da Rede Balcão Sebrae

Devido a mídia nacional, com o lançamento do Projeto Rede Balcão Sebrae, recebíamos

demandas de todo estado de Santa Catarina; seja dos Balcões Sebrae, ou das cartas dos

clientes. Estruturamos o Serviço de Resposta Técnica, e contratamos, na época, se não me

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 171


engano, seis estagiárias que nos auxiliavam na busca de informação e resposta aos clientes.

- Descarte dos projetos de consultoria caso a caso – Como íamos mudar para o prédio

próprio, na Avenida Rio Branco, o gerente me informou que, por decisão da diretoria, os projetos

de consultoria deveriam ser descartados. Conversamos, então, sobre microfilmagem e

digitalização; mas, como não tínhamos orçamento, selecionamos os projetos mais consultados

para deixar de modelo, no CDI. Do restante, providenciamos o descarte, já que, nessa

época, o Sebrae/SC não atuava mais com consultoria caso a caso.

- Premiação nacional do Painel de Oportunidades de Negócios na Feira do Empreendedor

Colegas que participaram, em Brasília, do evento de premiação da Feira do Empreendedor

de 2010, de Joinville, me informaram que o stand foi premiado.

Fiquei feliz, pois estruturei as informações das Ideias de Negócios e Classificados de

Negócios, além de receber muitas solicitações do nosso modelo, de outros Sebrae/UF.

Apesar de ser tímida e não gostar de falar em público, em 1998, aceitei o desafio e

assumi a Gerência de Informação, que tinha os seguintes projetos: Rede Balcão Sebrae; Estudos

e Pesquisas; Editoração e Centro de Documentação e Informação – CDI. O maior projeto,

é claro, era a Rede Balcão Sebrae que, se não me engano, tinha mais de 60 unidades no estado,

fruto de parceria com prefeituras e entidades.

E apesar da mídia nacional feita por Lima Duarte, a Rede Balcão Sebrae de Santa

Catarina não tinha acesso a internet. Como novata, deliberei junto aos gerentes, para assinarmos

serviços de acesso discado à internet. Isso sem falar com o diretor técnico. Acabei

ganhando uma bronca, pois o responsável pela TI disse que já havia solicitado e tinha sido

aprovado. Argumentei que, com a mídia nacional dizendo que tínhamos acesso à internet e

nossa atuação como rede, era de vital importância o acesso à internet em todos os balcões

Sebrae de Santa Catarina. E aí, ficou tudo bem.

Na época, o diretor solicitou que fizéssemos um projeto, com a UFSC, para implantação

de um sistema de atendimento online. Em reunião com a UFSC, verificamos que não

teríamos recursos para o desenvolvimento do sistema.

Tomamos conhecimento que o Sebrae/PR tinha desenvolvido um sistema similar

ao que estávamos pensando. Conversamos com a gestora do projeto no Sebrae/PR, Mirela

172 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


Malvestiti, que hoje é gerente da UCE no Sebrae/NA e, prontamente, fizemos um acordo de

cooperação técnica com o Paraná.

Assim, trouxemos a Santa Catarina o Sistema Integrado de Atendimento – SAI, e

todos os colaboradores da sede e Rede Balcão Sebrae foram capacitados a utilizá-lo. Apesar

do tempo, as adequações com novos módulos e versão web feitas, permitem que o sistema

ainda continue ativo e atenda todo o Sebrae/SC.

Neste ano e meio que estive à frente da Gerência de Informação, outras ações que

considero interessantes foram o lançamento do livro História do Sebrae Catarinense, muito

pesquisado até hoje, e também os lançamentos do Balcão Móvel e da versão Balcão Móvel Vai

às Praias. Lembro que, na minha despedida, o diretor técnico, doutor Paulo Ferreira. me falou:

- Obrigado, Margarete, pelo pouco tempo de gerência e o bom trabalho que você fez

pelo Sebrae/SC.

O Sebrae/SC sempre zelou pela capacitação de seus colaboradores e, neste período

que estive no Sebrae/SC, fiz três pós-graduações e muitos cursos. Um dos cursos que, para

mim, foi marcante foi o de neurolinguística, com o professor George. Auxiliou-me muito,

para o atendimento ao cliente, o conceito de ‘rapport’; ou seja, se manter no nível do cliente.

Voltei a atuar no CDI e passei a trabalhar mais com a disseminação da informação,

com a estruturação de informações para o atendimento – soluções Sebrae/SC, legislação e

ideias de negócios. Além do SAI, essas informações eram também acessadas no site do Sebrae/SC.

As ideias de negócios eram organizadas por investimento e disseminadas pela internet;

tivemos, inclusive, matérias jornalísticas publicadas em outros estados.

Pelas estatísticas apresentadas pelo Alexandre, do Setor de Tecnologia da Informação,

tínhamos uma média de 60 mil acessos mensais ao site do Sebrae/SC. E para o atendimento

presencial, nas Oficinas Sebrae e em todas as Feiras do Empreendedor, até 2014,

estruturamos as ideias, por investimento, em painéis, que sempre tiveram uma ótima demanda

de público, durante o evento.

Auxiliei, também, no Projeto de Desenvolvimento de Ideias de Negócios, em nível

nacional. Selecionamos e aprovamos os conteúdos de várias de ideias que estão hoje disponíveis

no Portal do Sebrae Nacional. A ação gerou uma matéria na Revista Pequenas Empresas.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 173


Grandes Negócios, em novembro de 2009, intitulada: “Celeiro de boas Ideias”.

A reportagem destacou as ideias de Santa Catarina: agência de emprego; borracharia;

centro de estética; comercialização de agua mineral; criação de ostras; empresa

de reciclagem; encadernação; fabricação caseira de chocolate; fábrica de gelo; floricultura

home office; Lan house; loja de calçados; loja virtual; microcervejaria; pizzaria; representação

comercial; salão de beleza, serviço para idosos e spa urbano.

Enquanto estive no CDI, a tônica de meu trabalho foi a disseminação da informação.

Como bibliotecária, sei que não adianta saber que a informação existe é preciso

disseminá-la. Sempre pautei meu trabalho por essa premissa, desde que iniciei meus trabalhos

na biblioteca do CEAG, de forma manual; datilografando os boletins e divulgando

nas gerências Nos últimos anos, participei dos Programas de Ensino a Distância - Programa

Faça e Aconteça, Varejo Fácil, Portal Sebrae, Portal de Atendimento e outros.

No início de 2015, sabendo que o PDI estava para ser aprovado, fiz o repasse de

conteúdos para os colegas Mônica e Leandro, que estão dando continuidade e, com certeza,

aprimorando as soluções. Na minha despedida do Sebrae/SC, encaminhei, a todos os

colegas, a mensagem a seguir:

Queridos,

Me aposentar no Sebrae é mais um dos meus sonhos realizados. E a palavra que me

vem à mente, neste meu momento de despedida, é agradecimento.

Agradeço a Deus pela oportunidade da vida, pela família, que sempre me apoiou, e pelo

trabalho no Sebrae em Santa Catarina.

Se me perguntarem quando comecei a trabalhar, não vou saber dizer. Lembro que trabalho

desde criança. Comecei aqui, como estagiária, aos 20 anos, e fui contratada aos 21, agora

com 58 anos de idade e 37 anos no Sebrae em Santa Catarina, sem contar o período de estágio,

sei que tenho mais tempo de casa do que a idade de muitos que estão iniciando nesta empresa que

aprendi amar e admirar, principalmente pela sua nobre missão.

Jamais esquecerei os colegas e amigos que aqui vou deixar e sou grata, também, por

todos os colegas e amigos do Sistema Sebrae que tive o prazer de conhecer. Além de todas as vivências

e oportunidades de troca, aprendizado e acolhimento, sempre fui compreendida em todas

174 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


as situações, o que, com certeza, me tornou uma pessoa melhor.

Com relação à aprovação do PDI – Plano de Demissão Incentivada – agradeço à diretoria

do Sebrae/SC, a equipe do projeto, e fica um agradecimento especial ao empenho do diretor

Sérgio Cardoso, pelo seu otimismo. Ele muito lutou pelo PDI e, sempre que nos encontrávamos,

me dizia:

- Pode aguardar que o PDI vai ser aprovado.

Em homenagem aos colegas e amigos, deixo esta música, “Tocando em frente” cuja letra,

para mim, soa como poesia.

Ando devagar

Porque já tive pressa

E levo esse sorriso

Porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte

Mais feliz, quem sabe

Só levo a certeza

De que muito pouco sei

Ou nada sei

Conhecer as manhas

E as manhãs

O sabor das massas

E das maçãs

É preciso amor

Pra poder pulsar

É preciso paz pra poder sorrir

É preciso a chuva para florir

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 175


Penso que cumprir a vida

Seja simplesmente

Compreender a marcha

E ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro

Levando a boiada

Eu vou tocando os dias

Pela longa estrada, eu vou

Estrada eu sou

Todo mundo ama um dia

Todo mundo chora

Um dia a gente chega

E no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história

Cada ser em si

Carrega o dom de ser capaz

E ser feliz

Abraços a todos e podem continuar contando comigo.

176 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


VI O SEBRAE/SC

ACONTECER

DA MÁQUINA DE ESCREVER, PASSANDO

PELO TELEX, PELA MÁQUINA ELÉTRICA,

ATÉ A ERA DOS COMPUTADORES.

Margareth Wendhausen

Havia uma conhecida que trabalhava no Sebrae/SC. Ela era da cidade de

Tubarão e alugava a casa da minha mãe. Ela estava para casar e disse

que iria sair do CEAG. Na época, eu já trabalhava, há mais de um ano,

na Sul América Seguros. Como o diretor era meu tio, decidi procurar outra empresa, e me

interessei pelo CEAG. Achei que seria um bom emprego e queria fazer algo diferente. Ela

me passou o telefone do CEAG e eu liguei, mas disseram que não havia nenhuma vaga.

Minha colega insistiu para eu marcar um horário com a secretária e consegui.

No dia marcado, fui atendida pelo diretor, na época era João Zanatta. Fui com

a cara e a coragem. Conversei com ele e expus a situação. Ele viu meu nome e disse que

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 177


conhecia o meu tio, que era o Diretor da Sul América Seguros, e me perguntou por que eu

estava saindo de lá. Eu falei que gostaria de fazer algo diferente. Fiz a prova de seleção e um

teste de datilografia. Lembro bem desse dia. Era uma turma de rapazes – entre eles estavam

Claudio Nienkoetter, Renato Rosa Xavier, Frederico Rebhaim, e mais outros colegas – e eu,

ali, no meio deles, fazendo uma prova de datilografia.

Um mês depois, me chamaram. Foram, inicialmente, três meses de experiência e

depois fui admitida. Comecei como datilógrafa, passei para a função de secretária, e em seguida

secretária executiva. Ao longo deste tempo, trabalhei em todas as áreas do Sebrae/SC:

Gerência de Operações, Gerência de Treinamento Empresarial, Promicro, Pronagro; e muitas

outras gerências que já não recordo o nome. Trabalhei com muitas pessoas, vi o Sebrae/SC

acontecer. Desde a máquina de escrever tradicional, passando pela máquina elétrica e, depois,

a era dos computadores.

Lembro bem da época do projeto PIDSE - Programa Integrado de Desenvolvimento

Socioeconômico – um convênio com governo do estado de SC. Foram 103 municípios com

projetos a digitalizar. Na época, estavam começando a surgir os computadores. Tivemos que

aprender muito rapidamente, pois todos os projetos precisavam estar prontos em seis meses.

O CEAG, inclusive, não tinha computadores. Fomos fazer esse trabalho na Secretaria

de Planejamento, utilizando os computadores da secretaria que, na época, ainda estavam

encaixotados.

Uma professora nos ensinou a utilizar a ferramenta, mas o primeiro programa que

aprendemos, não funcionou, porque os relatórios do PIDSE tinham muitos gráficos. Trocamos

de programa, aprendemos tudo de novo; para, então, fazer o trabalho. Digitávamos o dia

inteirinho, de manhã à noite. Foi em tempo integral.

Durante anos, trabalhei com diversas áreas de projetos; depois, fui trabalhar na Gerência

de Administração e Finanças, no setor jurídico, com o objetivo de organizar todos os

documentos de projetos: contratos, convênios, prestações de contas para atendimento às

auditorias internas e externas. Até aí, não existia organização neste setor e eu me envolvi

com todas estas documentações. Fui buscar, nas empresas atendidas, todas as prestações de

contas, organizando todos os processos em pastas coloridas, e também cadastrando tudo no

178 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


computador, para atendimento da auditoria.

Junto com os advogados, organizamos toda a papelada; relatórios, contratos. Foi

um estresse; espalhei documentos por todo o chão e fui organizando tudo, passo a passo. Foi

um trabalho exaustivo, mas muito necessário e gratificante. Sempre gostei de leis e contratos,

meu desejo inicial era cursar direito, mas devido à falta de oportunidade, na época, não

consegui chegar lá. A área jurídica, e também a área de feiras e eventos, foram aquelas em que

tive maior satisfação em trabalhar.

Depois da área jurídica, fui convidada para coordenar o Balcão Sebrae da sede, no

atendimento ao público. Foi também uma atividade maravilhosa, que exigiu muita dedicação

aos nossos principais clientes: o micro e pequeno empresário. Foi muito gratificante. Passávamos

o dia todo conversando com as pessoas e esclarecendo dúvidas, oferecendo produtos

e serviços do Sebrae/SC. Muitas vezes, eu chegava exausta em casa e não queria falar com

ninguém, pois tinha passado o dia todo conversando com os clientes, prestando atendimento.

Foi um período muito bom, conheci muitos empresários, muitas pessoas em busca de

uma oportunidade de negócio. Também nesta época, tive a oportunidade de conhecer nossos

consultores e instrutores credenciados.

Passada a época do Balcão Sebrae, fui para a Gerência de Projetos desenvolvidos por

todo o estado. Auxiliava todos os gestores da área em seus projetos, fazia acompanhamento

das metas, acompanhamento financeiro, pagamentos, organização de feiras e eventos, contratos,

convênios, missões empresariais, e tudo mais. Nesta época, perdi a função de secretária

executiva e rebaixei para assistente, devido ao novo plano de cargos e salários.

Como não tinha formação superior, fui correr atrás e voltei a estudar. Fiz o vestibular.

Meu sonho era fazer direito, mas não consegui; passei para pedagogia e resolvi cursar

pois no plano de recursos humanos estava prevista esta área de atuação. Viajava todas as

noites para estudar na cidade de Itajaí, mas, mesmo assim, nunca me atrasei para o trabalho.

Sempre fui muito exigente comigo mesma, no sentido de cumprir horário e minhas obrigações.

Faz parte do meu perfil

Tanto que, na área em que eu trabalhava, era até conhecida como chata. Afinal, eu

pegava no pé do pessoal, acompanhava a gerência no cumprimento de metas, na entrega

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 179


dos relatórios, das notas, dos pagamentos, e tudo mais. Foram 20 anos trabalhando com

projetos. Sei que, neste tempo, todos confiavam muito no meu trabalho, mas eu tinha

vontade de fazer algo novo; até mesmo de voltar a trabalhar com feiras e eventos, e não

tive a oportunidade.

Destaco a Gerência de Projetos Regionais Setoriais. Trabalhei com um pessoal

maravilhoso, mas não tive muita oportunidade de viajar e fazer diferente. Ficava mais na

sede, com a parte burocrática, o que me fez solicitar para mudar de área.

Antes de irmos para a nova sede, passei para o Setor de Compras do Sebrae/SC,

pois tinha experiência em orçamentos e contratos, em processos licitatórios; permaneci

por pouco tempo e solicitei a saída para outro setor.

O último setor em que atuei foi a área de Gestão de Pessoas, mais especificamente

na qualidade de vida das pessoas. Era uma área muito diferente de tudo o que eu tinha

feito até então, mas foi gratificante.

Finalizando, digo que tudo valeu a pena. Eu realmente aprendi muito no Sebrae/

SC; foi maravilhoso, fiz grandes amigos, que vão ficar guardados no coração. Amigos para

sempre é o que nós iremos ser, na primavera ou em qualquer das estações, nas horas tristes,

nos momentos de prazer. Amigos para sempre.

E você colega, que está chegando ao SEBRAE; seja sempre gentil, prestativo, amigo.

E não esqueça de que nosso principal cliente é aquele pequeno empresário, aquele

cliente que vem ao SEBRAE buscar uma nova oportunidade de negócio e precisa contar

com você!

Sintam-se abraçados por mim.

180 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


MUITA EMOÇÃO

EM UMA DUPLA

FORMATURA

QUANTA COISA VIVI E COMPARTILHEI

COM OS AMIGOS QUE AQUI FIZ.

Maria de Lourdes Heidenreich

A

dedicação ao Sebrae, para mim, significa 38 anos de vida. É muita coisa!

Casei, tive três filhos, separei, fiz faculdade, tive doença grave, perdi irmão,

pai. Tudo isso vivendo e compartilhando com os colegas e amigos

que aqui fiz. A família Sebrae é parte fundamental na minha vida. Foi meu primeiro e

único emprego. Tenho orgulho de fazer parte dessa minha segunda família.

Um dos fatos marcantes e positivos foi o incentivo que tive para fazer um curso

superior. Era a minha vontade desde que casei, porém, meu marido não apoiava. Mas, um

ano após a separação conjugal, eu fiz o vestibular para pedagogia, no formato de ensino à

distância; uma modalidade que estava começando na época. Mesmo sem estudar e fora da

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 181


escola há 18 anos, passei em quinto lugar no meu curso.

Isso me fez acreditar novamente em mim mesma e realizar meu sonho de jovem.

Contudo, não gostei muito do curso e, como ainda estava trabalhando na área financeira, os

colegas me incentivaram a solicitar transferência para o curso de contabilidade. Então, no

segundo semestre, pedi transferência e comecei a cursar o referido curso. Fiz um semestre

desse curso e também não gostei.

Na realidade, meu sonho sempre foi fazer administração e já tinha cursado o segundo

grau técnico em administração. Tentei, mais uma vez, transferência para esse curso, e

consegui. Para minha surpresa, minha filha mais velha fez vestibular neste ano, também para

o curso de administração, e passou.

Nunca esquecerei do dia em que nos formamos juntas. Encaminhamos um ofício

para o reitor da universidade, solicitando receber o certificado juntas, e deu certo. Foi um

momento que me deixa sem palavras para expressar minha felicidade. Sei que todos os pais

e familiares sentem-se felizes e orgulhosos na formatura dos filhos, mas eu tive uma dupla

felicidade: a formatura da filha e a concretização do meu sonho. Minha filha também teve

muito orgulho em passar anos estudando comigo e nos formarmos juntas.

Minha história no Sebrae/SC começou muito antes. Eu estava noiva e fazia estágio

na Secretaria de Finanças da Prefeitura Municipal de Florianópolis, porém, queria ter um

emprego fixo. Foi quando soube de uma vaga no CEAG/SC, por meio de um colega do meu

noivo. Fui ao CEAG/SC, me apresentei a Etel, que era secretária da diretoria, na época, e fazia

os testes admissionais; fiz um teste escrito e de datilografia.

Dois dias depois, me ligaram dizendo que eu havia sido aprovada nos testes e escolhida

para assumir a vaga na área de exportação, que tinha o sogro do Eugênio Martinez

(agora já falecido), como “chefe”. Fiquei bastante tempo nessa área. Após dois anos, entrei

para um curso intensivo de inglês, devido à necessidade de atender ligações internacionais,

ler e redigir cartas em inglês (naquela época usava-se muita correspondência, principalmente,

para o exterior).

Meu maior desafio aconteceu bem na época da minha separação conjugal, quando a

diretoria instituiu uma política de rodízio entre funcionários nas diversas atividades e cargos

182 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


da empresa. Para minha surpresa, um dos diretores, o senhor Aldo Bez, me fez um convite.

Fui chamada a assumir a tesouraria do Sebrae, no lugar do colega Frederico, que já estava

nessa função há muitos anos.

Confesso que na hora fiquei apavorada com o convite, pois nunca tinha trabalhado

na contabilidade, não entendia nada dessa área; enfim, sem qualquer experiência. E foi nesses

termos que respondi ao diretor:

- Me sinto feliz e lisonjeada por ter sido escolhida para assumir uma área tão importante

da empresa e de tanta responsabilidade.

Na época, praticamente todos os pagamentos do Sebrae eram feitos na boca do caixa

da tesouraria, com dinheiro ou cheque; quase não se fazia depósito em banco. Então, era

muita responsabilidade lidar com tanto dinheiro que não era meu.

O diretor, calmamente, me respondeu:

- Lurdinha, sabemos do teu perfil e que você não possui experiência na área; porém,

você tem qualidades que são essenciais para a diretoria e também acreditamos que você fará

jus ao convite. Ou seja, você é uma pessoa confiável para nós, responsável e disposta sempre

a aprender novas atividades. Por isso, acreditamos que você vai “tirar de letra”.

Diante disso, aceitei o desafio e me esmerei para não decepcioná-los. Foi complicado,

pois minha vida estava em turbulência naquele momento, mas consegui e fiquei ali por

dois anos consecutivos.

Ao logo deste tempo, muitas histórias aconteceram e algumas memoráveis brincadeiras

das quais sempre me lembro. Um fato que não esqueço aconteceu quando foi criado o

CEDEH – Centro de Desenvolvimento Hoteleiro – e veio uma equipe de pessoas trabalhar no

Sebrae, sob a coordenação de uma senhora chamada Guerda e de um jovem chamado Marco

Aurélio.

Eu fui designada para secretariar esse centro e dois dos participantes eram nossos

colegas, Wilson Sanches e Roberto Meneses. Era um “casal” diferente, que não devo relatar

detalhes aqui, mas quem conheceu saberá o que estou dizendo (risos).

Eles faziam muita coisa engraçada “por trás dessa senhora”, ou seja, pelas costas.

Ela costumava trazer rosca para seu lanchinho. Quando ela saía da sala, eles sentavam em

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 183


cima da rosca, amassavam, jogavam na parede e depois colocavam o pacote da rosca bem

direitinho, no mesmo lugar que ela tinha deixado. Na hora do lanche, quando ela pegava a

rosquinha para comer, primeiro oferecia um pedaço para todos, mas ninguém aceitava, é

claro; e depois degustava com bastante vontade a sua deliciosa rosquinha (risos).

Outra situação que lembro aconteceu no prédio da Trajano. Eu estava subindo

para a copa, que ficava no último andar; onde a Fátima, a Iracema e a Anita trabalhavam. A

Iracema e a Fátima queriam “pregar uma peça” na colega Anita, quando ela subisse para a

copa, depois de servir o café para os funcionários. A Fátima estaria deitada, com um ferro

de passar na mão, encenando que tinha tomado um choque e caído, eletrocutada.

E assim concretizaram a cena, quando escutaram passos na escada. Mas, para

azar delas, não era a Anita, e sim eu. Quando vi aquela cena, comecei a gritar, a chorar e

pedir socorro. Então, elas “desmancharam” a cena e disseram para eu me acalmar, pois

tudo não passava de uma brincadeira. Depois do susto e de me darem muita água, caímos

todas na gargalhada.

Para finalizar, outro fato inusitado aconteceu com um “faxineiro” chamado Calisto.

As copeiras, faxineiras, eram todos funcionários naquela época, hoje são terceirizados.

Ele tinha uma barba comprida e contava à Iracema que o sonho da mãe dele era que ele

cortasse aquela barba. Num certo dia, haveria eleição da associação e a Iracema, muito

esperta e com toda a sua a criatividade, resolveu ajudar a mãe do Calisto. Falou pra ele que

todos tinham que estar presentes na reunião de eleição; todo o corpo funcional, inclusive

os diretores, pois viria a televisão para gravar. E por esse motivo, todos teriam que vir de

terno e de vestido longo, e que ele teria que fazer a barba; afinal,não ia ficar bem pra ele

aparecer assim na televisão.

A Iracema, em seguida, ainda falou a todos os funcionários da peripécia dela com

o Calisto, para todos confirmarem a mesma versão. E, assim chegou o grande dia. O Calisto

chegou para trabalhar na faxina, de terno branco e de barba totalmente cortada! Depois

que ele descobriu a verdade, contou para sua mãe e ela mandou agradecer a Iracema.

A mensagem que deixo para as novas gerações é que o Sebrae/SC pode ser considerado

uma das melhores empresas para se trabalhar. A causa é nobre, é prazeroso ver os

resultados acontecendo para as Micro e Pequenas Empresas, o ambiente é agradável, as

184 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


pessoas, na sua maioria, são solidárias, amigas, e companheiras. Contudo, é preciso “vestir

a camisa”. É preciso ser ético, responsável, criativo e comprometido,

Aproveitem para aprender tudo o que puderem. O conteúdo é importante e a bagagem

que ganharão será imensa. Levarão para sempre os conhecimentos e muitas lições

de vida.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 185


186 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


O BALOEIRO E

O NOME FANTASMA

ESTAR NO SEBRAE É CONHECER

PESSOAS DIFERENTES A CADA DIA.

Maria Inês Paludo Gregianin

Viver é fazer parte de uma caminhada que é uma legítima aventura. A cada

início de uma jornada de trabalho, temos a oportunidade de incorporar,

na maneira de pensar e na vida das pessoas, nossas ideias e orientações.

Todos os dias, temos a prova prática do quanto podemos fazer a diferença.

Muito providencialmente, justo no dia de hoje, quando parei para escrever este

relato, atendi um cliente que me fez refletir sobre essa jornada. Ele veio em busca de informações

para o irmão, que reside em Florianópolis, e o diálogo foi mais ou menos o

seguinte:

- Olá, bom dia! Em que posso ajudá-lo?

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 187


- Então é o seguinte: eu gostaria de saber o que é preciso para abrir um “baloeiro”?

Por vezes, os clientes nos pegam de surpresa. Mesmo com experiência acumulada,

nos trazem situações nas quais nos perguntamos se entendemos bem ou, se por acaso,

esse negócio é novo e eu ainda não tivemos chance de conhecer. Perguntei novamente,

tentando entender melhor a situação.

-O que o senhor quer iniciar? Com o que o senhor vai trabalhar?

- Vou trabalhar com “balas”!

Ou seja, ele queria ser “baleiro”.

Outro fato ocorrido, neste mesmo dia, e que chama a atenção. Ao fazer o cadastro,

durante o atendimento, perguntei qual era o nome fantasia. O cliente respondeu que não

tinha. Terminei de preencher o restante das informações, como é de praxe, realizei o atendimento

e, já finalizando as informações, o cliente resolveu fazer uma última pergunta:

- E esse nome “fantasma”, como faço para conseguir?

Estar no Sebrae é conviver com pessoas diferentes, de visões diferentes; mas lembrando

sempre dos valores, do respeito ao ser humano e à natureza. É também ter espírito

de equipe, transparência, inovação e comprometimento com todos aqueles que nos procuram

em busca de auxílio.

Lembro-me de outro fato. Fui representar a instituição em um evento de 40 anos

de uma entidade empresarial. Apesar de ter me apresentado na recepção, no momento do

cerimonial o Sebrae/SC não fora citado como entidade ali presente. Qual não foi a minha

surpresa e alegria, quando um empresário, em seu depoimento no palco, faz um agradecimento

emocionado ao Sebrae/SC. Percebi o quanto somos importantes e como nossa

marca é um referiência para muitos. Foi gratificante presenciar aquele momento.

Viver, fazer parte desta caminhada, é um grande aprendizado e nos mostra sempre

uma nova forma de ver a “qualidade de vida”, nos apresenta um novo olhar de “consumidor”

ou de cliente. Obrigada ao Sebrae pela oportunidade de viver esta experiência

gratificante!

188 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


UMA VEZ SEBRAE,

ETERNAMENTE

SEBRAE

É UMA ENTREGA PESSOAL POR UM BEM MAIOR.

Mônica Guimarães Fontanella

Havia me formado há mais ou menos um ano, já tinha estagiado durante

os quatro anos da faculdade e estava trabalhando em outra área. Mas

o meu desejo era trabalhar na minha área, como bibliotecária. Conversando

com uma amiga, fiquei sabendo de uma vaga existente, para essa função, no Sebrae/

SC. Eu busquei informações sobre isso e fui chamada para participar de uma entrevista.

Recordo-me, até hoje, das pessoas que me entrevistaram, foram a Ana Lídia e a Margarete

Beccari.

Durante a entrevista, conversamos, apresentei meu currículo ,e fui informada

de que mais pessoas participariam do processo de seleção. Ao final, eu fui selecionada,

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 189


juntamente com outra pessoa, a Carmen, e iniciamos o nosso trabalho. Pouco tempo depois,

mais ou menos três meses, um gerente me convidou para trabalhar com ele, em outra área.

Como meu objetivo era trabalhar na biblioteca, eu declinei da proposta. Dias depois, tanto

eu, quanto a Carmen, fomos demitidas.

Alguns dias depois, o meu anjo da guarda, que era a Margarete, me indicou para um

trabalho. A função era para ser bolsista do CNPQ, em uma Secretaria do Estado. Foram nove

meses de muito aprendizado, de convívio e muita experiência com uma senhora, a Sônia,

que chamávamos de Soninha, hoje já falecida, e da qual tenho recordações muito carinhosas.

Um dia, a Margarete liga para a referida secretaria, me convidando, novamente,

para trabalhar no Sebrae/SC. A experiência exigida era justamente o programa de computador

com o qual eu havia aprendido a trabalhar na secretaria. Isso aconteceu no ano de 1992.

Digo que foi ali que a minha vida tomou um novo rumo de aprendizado profissional, segurança

financeira e evolução como ser humano. Acredito que as pessoas com as quais passei a

conviver, dali para adiante, foram, para mim, um reencontro de olhares e de vivências.

O Centro de Documentação e Informação, como era chamado o nosso setor, tinha

o objetivo de atender o público interno da organização e, indiretamente, o público externo.

Claro que os clientes externos, em caso de necessidade, podiam entrar neste espaço e eram

atendidos por nós. Comparando com o que temos hoje, podemos dizer que vivemos outro

tempo. Com o apoio da internet, da tecnologia e das redes sociais, o conhecimento é mais

facilmente disseminado. A biblioteca de hoje toma outra proporção, é interativa e acessível

para qualquer pessoa.

É um misto de emoções esses 23 anos vividos. Metade da minha vida foi dentro do

Sebrae/SC. Quando eu paro para pensar nisso, até me emociono. Foram muitas conquistas.

Quanto eu pude crescer e quanto eu vi outras pessoas crescerem. Eu vi minha família surgir,

meus dois filhos nascerem, hoje um tem 21 anos e outro está com 16 anos de idade.

O Sebrae/SC propicia isso para a gente, criar a nossa família, dar segurança a ela.

Mas, mais que isso, ensinar os meus filhos; pois eu aprendi e aprendo muito no Sebrae/SC.

Hoje, quando um filho meu faz uma apresentação, no trabalho dele, por exemplo, e me pergunta

o que eu acho, eu sempre repasso o que aprendi aqui, e digo:

190 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


- Faz assim, melhora aqui, faz assado.

Eu vejo o Sebrae em toda a minha vida. É muito mais do que apenas essas paredes.

Conseguimos levar tudo o que aprendemos aqui e disseminar para as pessoas que convivem

com a gente. Se as pessoas realmente soubessem a importância que isso tem, o valor que se

deve dar para uma organização como essa, com certeza, muita coisa poderia ser melhor ainda.

A organização, sem dúvida, tem alma. Também é um lugar onde muitas almas trabalham

juntas, num dimensionamento que vai além da nossa percepção. Tudo o que aprendo

aqui, eu levo para todos os lugares. Tem um sentimento que é unânime entre os colegas: uma

vez Sebrae, eternamente Sebrae.

É final de semana, evento, até em casamento, quando se fala em ideia, em negócio,

em sonho de vida; a gente sempre pensa logo no Sebrae/SC. A maior missão dessa instituição

é se preocupar com a pessoa. O empreendimento que ela vier a montar pode levá-la ao sucesso

financeiro e à segurança, à realização; bem como pode acontecer o contrário, um fracasso

pessoal e econômico que vai impactar em toda a família dela.

A missão do Sebrae/SC é muito maior do que simplesmente colaborar para o crescimento

econômico de uma comunidade, porque esse “econômico” vai muito além. Interfere

demais na vida de um indivíduo. Essa essência do Sebrae acaba por impregnar a gente. É corrido,

é puxado, é exigente, mas é necessário. O Sebrae/SC nos exige isso por um bem maior.

É uma escola. É uma entrega pessoal. E a gente leva isso para sempre.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 191


192 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


FAÇA ALGO QUE

VALHA A PENA

A MISSÃO DESTA EMPRESA É UM LEGADO

DE VIDA QUE VOCÊ PODERÁ DEIXAR.

Murilo Emanuel Gelosa

Fiz meu TCC no Sebrae, no final da graduação em administração. A Ana

Lídia (Recursos Humanos do Sebrae na epoca), era minha coordenadora

do TCC e, sem pretensões, deixei um currículo na instituição. Na época, eu

era empresário de uma pequena empresa de materiais de segurança, juntamente com meu

irmão, em Florianópolis, e buscava muitas informações no Sebrae. Isso no ano de 1990. A

empresa ficou com meu irmão, devido a incompatibilidade de ideias e administração, e fui

morar na minha cidade natal, Tubarão, onde fui convidado, em 1992, a integrar a equipe

de atendimento do Balcão Sebrae, recém- inaugurado naquela cidade. Dois anos, depois

fui transferido para Criciúma, na época Gerência Regional, onde resido até hoje.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 193


O maior desafio veio com a mudança de diretoria, em 1999, quando assumi a

Agência de Articulação da região de Criciúma. Tive que realizar um trabalho de aproximação

com todas as entidades em 11 municípios, e fazer com que a imagem do Sebrae fosse

reafirmada na região, como uma empresa parceira destas entidades para o atendimento

às MPE’s. A imagem que os empresários tinham do Sebrae, na época, era de empresa que

emprestava dinheiro.

Minha lembrança mais marcante foi fazer todo o trabalho de alianças com estas

entidades, proferir palestras e participar de intermináveis reuniões. Um trabalho solitário,

pois quando houve esta modificação, o Sebrae, de uma gerência com 20 colaboradores

na região, passou a ter um quadro que se resumia a mim e a uma estagiária para realizar

o que seria uma nova forma de atuação. Foi um trabalho bastante intenso e sob muita

pressão, tanto da sociedade quanto da nova diretoria.

Estou aqui há 23 anos, uma vida aqui dentro; um tempo em que construí muitas

amizades. O que mais me atraí neste trabalho, durante todos estes anos, é o reconhecimento

da sociedade empresarial pelo trabalho que realizo. Já ajudei milhares de empresas,

e sou reconhecido, por onde passo, como o “homem do Sebrae”; aquele que traz

soluções, que ajuda pessoas a realizarem seus sonhos. E isto não tem dinheiro que pague.

Teve um ano em que eu e meu colega, Joel Fernandes, realizamos um projeto-piloto

dentro de 12 empresas familiares. O projeto colocava-nos como sócios-proprietários

por um período de tempo, e discutíamos com os proprietários os rumos de cada uma

destas empresas; tendo acesso, para isso, a todas as informações financeiras e estratégicas

de cada uma. Foi um aprendizado sem precedentes, pois vimos como pensava e atuava a

mente destes empresários. O Joel chegou a escrever um livro sobre isto, foi algo inédito.

Para quem está chegando a essa instituição, eu digo:

- Faça da passagem pelo Sebrae algo que valha a pena, pois a missão desta empresa

é um legado de vida que você poderá deixar.

194 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


SEBRAE

GRAVADO NO PEITO:

LITERALMENTE

ALÉM DO CONHECIMENTO ACADÊMICO, NÃO HÁ O QUE

SUBSTITUA A EXPERIÊNCIA NO CHÃO DE FÁBRICA.

Osni Rogério Vieira Branco

Eu saí de casa com 13 anos de idade. Sou da cidade de Cerro Negro, a 80 km

de distância da cidade de Lages. Acho que ainda é, até hoje, o primeiro ou

o segundo município de Santa Catarina com menor Índice de Desenvolvimento

Humano – IDH. Primeiro, fui para Anita Garibaldi e depois, para Abdon Batista,

cursar o ginásio, como era chamado na época.

Depois, mudei para Lages, para cursar o científico, que hoje equivaleria ao ensino

médio. Minha vida foi sempre estudar durante a noite e trabalhar de dia, para poder me

manter. Ao concluir o ensino médio, vim para Florianópolis prestar vestibular, consegui

passar na ESAG, para o curso de administração. Mas as aulas eram durante o dia e fui

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 195


obrigado a trancar a matrícula, pois precisava trabalhar. Passado algum tempo, consegui

transferir para o período da noite.

Era um curso com duração de quatro anos e acabei concluindo em cinco. Eu sempre

trabalhei, paguei meus estudos e consegui me manter. Tudo com muito esforço. Eu

vim do sítio, mas graças a isso, aprendi a ser econômico e a investir bem o meu dinheiro.

Casei, tive dois filhos e hoje já tenho uma neta.

Em Florianópolis, eu trabalhava no BRDE e tinha recém-iniciado o curso de administração.

Certo dia, um professor me falou que o melhor lugar para eu trabalhar seria

no Sebrae/SC. Ele me informou que havia um diretor, o Itagibe, que era da minha terra,

era serrano. Ele me incentivou a procurá-lo para conversar, dizendo que o meu perfil seria

muito adequado para trabalhar no Sebrae/SC.

Eu fui até o Sebrae/SC, conversei com o Itagibe e deu certo. Ele gostou do meu

perfil e me convidou para trabalhar no Sebrae/SC. Isso aconteceu em 1978 e estou aqui

até hoje. São quase 37 anos de dedicação a esta empresa.

Iniciei, lembro bem, na área administrativa, mais especificamente na área de gestão

de pessoal. Ao longo do tempo, fui conhecendo a área técnica e de atendimento direto

ao cliente. Comecei acompanhando alguns consultores mais experientes, para aprender

como era o trabalho e depois, já tendo essa experiência, passei a sair sozinho em campo,

atender as empresas. Foi, mais ou menos, na mesma época em que concluí a graduação.

Foi assim que tudo começou. Trabalhei por mais de dez anos em campo, como consultor,

visitando empresas e prestando atendimento.

Lembro bem de um programa que desenvolvemos nas cidades e que, mais tarde,

deu origem ao que temos hoje, que se chama Administração de Pequenos Negócios - APN.

Deslocávamos-nos até as cidades, realizávamos capacitação durante a noite em escolas,

até mesmo em salões de igrejas, para o pessoal da indústria, do comércio e serviços e, ao

longo dia, fazíamos consultoria individual nas empresas. Esses programas duravam aproximadamente

um mês. Em média, ficávamos quinze dias longe da família, pois muitas

cidades eram distantes. Usávamos um fusca para o deslocamento, era um dia de viagem

de ida, e outro dia de volta.

Depois deste período, surgiram os Balcões Sebrae e a nossa equipe de consultores

196 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


passou a organizar o atendimento nestes locais. E continuamos viajando com esse propósito.

A partir do ano 2000, passei a ficar mais aqui, em Florianópolis, trabalhava na área

de Crédito Orientado. Foi uma área de atuação bem destacada do Sebrae/SC. Foi, inclusive,

formado um grupo nacional de gestores desse programa e nos reuníamosm com frequência,

em vários locais do Brasil. Como gestor dessa área, tive a oportunidade de viajar;

trocávamos experiência e compartilhávamos o que cada um fazia no seu estado.

No ano de 2010, com a experiência que acumulei ao longo do tempo, voltei a

trabalhar no atendimento ao cliente. Além disso, também me formei em contabilidade. O

que contribuiu para fortalecimento do meu perfil técnico. Dos clientes que são atendidos,

posso dizer que 60% têm dúvidas contábeis e financeiras.

O Sebrae/SC é grande parte da minha vida, desde aquele início da universidade,

e, por meio dele ,criei meus filhos e consegui minha estabilidade. Reforço que não é o fato

de uma pessoa fazer faculdade que a faz apta a atender um cliente Sebrae/SC, tirar suas

dúvidas e conseguir ajudá-lo. Além de ler muito e se especializar, não há o que substitua a

experiência prática.

Quem nunca esteve em um chão de fábrica, ou dentro de uma pequena empresa,

vai ter dificuldade de entender o que o cliente precisa. É necessário saber conversar a mesma

linguagem e dar as sugestões que ele aceite e concorde em colocar em prática. A formação

universitária e a realidade vivenciada são mundos diferentes. Lógico que a faculdade é

importante, mas a prática é fundamental.

Tem uma história engraçada, daquele tempo das viagens pelo estado, que envolveu

eu, o Volpato e o Antônio Hélio. Naquela época, a gente não tinha equipamentos de

audiovisual como os que existem hoje. O que a gente tinha era um rádio gravador, chamado

toca-fitas, e algumas fitas cassete, com mensagens que a gente ligava, no cliente, para

que ele pudesse ouvir algumas mensagens gravadas apenas em áudio.

O Volpato estava no banco da frente e andava sempre com aquele gravador na

mão escutando música em fitas cassete. Estávamos atuando na região de Brusque e quem

estava conduzindo o fusca era o Antônio Hélio, que ainda não tinha muita experiência.

Lá pelas tantas, ele perdeu a direção do veículo em uma curva e bateu em um barranco. O

Volpato era um pouco gordo e, com o solavanco do carro, os botões do toca-fitas cravaram

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 197


no peito dele, bem na altura dos ‘peitinhos’ (risos). Essas marcas ficaram por muito tempo

no peito dele. Ele gostava tanto do gravador, que ficou gravado no peito dele.

198 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


COMPROMISSO

COM RESULTADOS

DURADOUROS

HOJE SOMOS UMA ORGANIZAÇÃO MAIS

CRITERIOSA EM SUAS TOMADAS DE DECISÃO.

Paulo Roberto Moresco

Minha história no Sebrae/SC começou assim, trabalhei um período em

uma rádio, achei o ambiente muito ‘louco’ e pedi demissão. Alguns

dias depois encontrei um amigo, conversamos e ele me falou de uma

possibilidade no Sebrae. Vim, fiz uma entrevista, um processo seletivo e fui contratado.

O trabalho era para fazer análise para concessão de crédito no programa Promicro. Os

consultores do programa indicavam quais empresas necessitavam de financiamento e eu,

inicialmente junto com o Colombelli, fazíamos a análise.

Depois desse período trabalhei em campo, no programa Promicro. Permanecíamos

às vezes em uma cidade por três meses, trabalhando as área de comércio, serviço e

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 199


indústria. Geralmente íamos em dois consultores, lembro do Antônio Hélio, do Ricardo

Guedes, do Geraldo, do Eugênio e por aí vai. Era naquela época dos Fuscas e das Belinas,

se furasse pneu a ordem era colocar outro usado. Ficávamos por até quinze dias na cidade,

era mais barato do que voltar. Lembro de trabalhar em Pinhalzinho e retornar de lá em um

dia 22 de dezembro, partindo às 7 horas da manhã e chegando aqui no final do dia. Trabalhamos

nesse dia por que era assim que nos comportávamos e só paramos de trabalhar

por que dia 23 era um sábado, senão, teríamos trabalhado ainda mais. Era assim. Havia o

compromisso com o resultado e com um resultado duradouro.

Isso tinha uma vantagem. Nós tínhamos um nível de conhecimento muito grande

que eu acho que hoje se perdeu um pouco. Conhecíamos de tudo um pouco, desde

processo produtivo, finanças, vendas, máquinas, equipamentos até gestão de pessoas,

trocávamos muita experiência e estávamos no chamado chão de fábrica dos mais variados

tipos de negócios. Hoje a equipe direta está muito mais ligada ao processo de coordenar

projetos, do que de efetivamente fazer. Acredito que deveríamos retomar esse contato

com o cliente final, não na forma de atuar em campo em tempo integral, mas na forma

de exercitar as nossas capacidades e conhecimento sobre as micro e pequenas empresas.

Para estar na frente do empresário ou outro interlocutor e ter a capacidade de discutir o

negócio dele no mesmo nível de entendimento.

Eu fui da área técnica até o ano de 1988. Depois passei um tempo prestando

serviço para o Governo do Estado, junto a CAM – Coordenadoria de Administração de Materiais,

estruturando todo um novo sistema de controle de estoques. Nessa época, começava

o período de maiores dificuldades do Sebrae/SC, de salários atrasados, entre outras

coisas... Lembro bem de uma funcionária a Etel, que trabalhava cedida para a Secretaria

de Administração do Estado e muitas vezes recorríamos (Sebrae) a ela, pedindo sua intervenção

na liberação de recursos para cobrir despesas com a folha de pagamento e assim

podermos pagar os salários das pessoas. Dependíamos do repasse do Estado para custear

algumas despesas.

Um grande ponto crítico para mim foi o ano de 99 para 2000, quando passamos

por uma grande crise e medidas drásticas foram necessárias. Ocorreu a redução das Unidades

de Balcão Sebrae e demissão de pessoas, isso foi muito, muito difícil. Conversar

200 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


com pessoas com grande tempo de casa e dizer para elas que estava encerrando um ciclo.

Essa relação foi a parte mais dolorida dessa minha vivência no Sebrae/SC. O remédio foi

muito amargo. Era algo que me fazia chegar em casa muito mal.

A equipe do Sebrae/SC não é tão grande assim, a gente conhece a todos, inclusive

a família e isso torna tudo ainda mais difícil. Lá se plantou muito do que está se colhendo

agora, uma organização muito mais criteriosa e sólida em suas tomadas de decisão.

Apesar da dimensão do Sebrae/SC e seu volume de atividades, nos comportamos

como um pequena empresa em alguns aspectos, como o contato pessoal, a relação de confiança,

do contato estreito entre as pessoas. E isso se reflete em momentos nos quais é

necessário tomar alguma decisão não tão simpática, o que torna essa tarefa mais penosa.

Quando eu entrei no Sebrae/SC pensei, vou ficar quatro anos, achei legal e vi

muita coisa com as quais eu poderia aprender. E aprendi mesmo. Digo para todos serem

francos consigo mesmos, e, partindo da idéia de que uma organização não é nada mais do

que um conjunto de pessoas e, da intereção delas que se gera todo o resto, é isso que acaba

transformando a empresa naquilo que ela é.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 201


202 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


SEBRAE:

UMA PÓS-GRADUAÇÃO

UMA OPORTUNIDADE DE APRENDER,

NA PRÁTICA, O QUE NÃO SE APRENDE

NA UNIVERSIDADE

Paulo Teixeira do Valle Pereira

Minha história no Sebrae/SC vem de muito tempo, quando ainda se

chamava CEAG. Entrei no CEAG em 1985, portanto, lá se vão 30

anos. Houve um intervalo, quando saí do CEAG, a convite de uma

empresa, numa fase não muito boa para o sistema, em 1990. Retornei em 1998, convidado

por um diretor na época, e já se vão mais 17 anos. Somados os dois períodos, são 22

anos dedicados a causa da pequena empresa.

Entrei no Sebrae, como já relatei, em 1985, por meio de concurso que realizei em

1984. Na época, não sabia o que era a empresa, o que fazia; apenas soube do concurso por

um amigo, avisei outros e prestamos concurso. Ainda em 1984 foram contratadas três

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 203


pessoas, eu estava na quinta colocação e, portanto, não fui chamado. Após um ano, se

não me engano, li num jornal que estava sendo aberto novo concurso para o CEAG. Como

tinha ficado em lista de espera e o concurso valia para dois anos, fui até o CEAG perguntar

por que eles não chamavam os remanescentes do concurso anterior. Então, percebeu-se

que havia pessoas em lista de espera e eu fui contratado. Se não me engano, apenas eu

fui chamado, pois quarto colocado já estava empregado. Naquela época, a instituição era

muito pequena, eram poucas pessoas trabalhando e ainda muito amadoramente.

Comecei, então, a trabalhar num dos programas da época, o Promicro, que era

um trabalho direcionado aos pequenos negócios; aliava curso, consultoria e análise da

situação da empresa para concessão de crédito com juros subsidiados. O trabalho envolvia

um grupo de empresas, por aproximadamente 3 meses, numa única cidade; ministrando

curso sobre gestão em todas as áreas da empresa, realizando consultoria e aprovando linhas

de crédito que eram liberadas pelo Banco do Brasil. Era um trabalho muito interessante,

com uma carga forte de consultoria, em que tínhamos a oportunidade de melhorar

muitas empresas.

Esse começo também foi uma mudança muito grande em minha vida pessoal,

pois, o ano em que entrei no CEAG também foi o do meu casamento. Foi complicado,

estava recém-casado e passava muito tempo fora de casa, viajando por todo o estado;

retornava somente nos finais de semana. De certa forma, atrapalhou um pouco no que

diz respeito a ver crescerem meus filhos, principalmente o primeiro. O que amainava um

pouco a situação era a oportunidade de conhecer todo o estado, muitas pessoas, empresas

diferentes; ver realmente como as empresas trabalhavam. Essa experiência é ímpar.

Entre 1985 e 1990 permaneci no CEAG e passamos muitas situações; algumas

boas, outras nem tanto. Viajávamos com os carros que dispúnhamos, na época, fuscas

velhos, em estradas não muito boas. Era sempre uma aventura. Nem todas as cidades

ofereciam boas opções de hotéis e restaurantes. Mas valia o trabalho e as amizades que

fazíamos. E principalmente o aprendizado. Não dá para negar que foram esses anos que

me proporcionaram um grande aprendizado sobre o funcionamento de uma empresa, as

dificuldades que elas passam, saber como calcular o custo de um produto, quais os controles

são fundamentais para elas, enfim, conhecer a realidade da micro e pequena empresa.

204 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


Esses anos foram a oportunidade de aprender aquilo que não aprendi na faculdade, foi

minha pós-graduação.

Pois bem, em 1990, a situação não era muito boa e, nessa época, muitos colegas

saíram em busca de novas oportunidades. Eu fui um deles, pois havia sido convidado por

uma empresa relativamente grande para gerenciar a área administrativa. Foi a oportunidade

de conhecer uma nova realidade, abrir novos horizontes. Depois me transferi para

outra empresa, um hotel, no qual voltei a falar com colegas do, agora, Sebrae.

Numa das vezes em que o Sebrae fez um evento nesse hotel que eu gerenciava, fui

convidado por um dos diretores a retornar. Nessa época, isso ainda era possível, mas achei

que não era o momento de sair do meu emprego. De qualquer forma, nesse mesmo período,

passei a ministrar cursos para o Sebrae. Passado mais algum tempo, talvez uns dois

anos, voltei a ser convidado e, então, resolvi aceitar. Muitas coisas estavam acontecendo,

na época, e eu achei que seria uma oportunidade interessante. Em abril de 1998, retornei

ao Sebrae, onde estou até hoje; e já se passaram 17 anos.

O retorno não foi fácil, pois foi como entrar numa nova empresa. Muitas pessoas

eram as mesmas, mas havia mais gente, a estrutura estava maior; era tudo diferente. Os

recursos eram maiores, mais gerências, a forma de atuação havia mudado, os processos

eram diferentes; enfim, me senti perdido, como devem se sentir todos as pessoas que entram

no Sebrae hoje em dia. E não é fácil mesmo entender o Sebrae, uma empresa diferente

de todas as outras. Mas seu grande diferencial, e eu posso afirmar pela experiência de

outras empresas por onde passei, é sua equipe. O comprometimento das pessoas, naquela

época, era muito grande. Aliás, continua sendo.

Nesse sentido, o que diferencia a instituição, hoje em dia, daquele período, é que

eram menos pessoas, com muitos anos de casa. Agora, é mais complicado, pois o quadro

de colaboradores é muito maior, as nossas entregas devem ser maiores pelos recursos

envolvidos. Tudo isso nos impossibilita, infelizmente, de uma maior aproximação com

nossos colegas. São outros tempos, e precisamos continuar seguindo, as demandas são

outras, as entregas são diferentes, as exigências são maiores. Mas o prazer de trabalhar na

instituição ainda é o mesmo. A missão nos estimula a continuar nesse ritmo.

Nesses anos todos, fizemos muitas amizades no sistema. Alguns amigos, infe-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 205


lizmente, já não estão mais trabalhando conosco, outros passaram para outro plano. No

entanto, sei que, se um dia precisar de algum apoio em qualquer parte do Brasil, poderei

contar com alguém. Isso o Sebrae possibilita.

Fatos ocorridos, nesses anos todos, são muitos. Vou me ater a dois: um na minha

primeira passagem, no CEAG, e outro, na segunda etapa, no Sebrae. Pois bem, numa das

minhas idas ao interior, para uma cidade do Oeste, eu, o colega Osni – com quem viajei

muito nos tempos do Promicro – e o colega Geraldo – que já saiu faz muito tempo – estávamos

dividindo um carro, o melhor daquela época, uma Parati usada que o CEAG tinha

ganho do estado. Deixaríamos o Geraldo em Videira e seguiríamos para nosso destino.

Fomos pela rodovia recém-aberta, a BR 282. Naquela época, ela era asfaltada apenas

até Alfredo Wagner, depois era estrada de terra até Lages. Bem, no meio do caminho,

estávamos atrás de um caminhão e, dele, veio uma pedra que quebrou o vidro da frente do

carro. Não podíamos voltar, pois o Geraldo tinha reunião marcada para o início da tarde.

Então, precisamos tirar todo o vidro e seguir viagem. Não imaginam a quantidade de pó

que enfrentamos. Passamos por muitos caminhões que estavam carregando troncos de

árvores para as empresas de papel da região. A quantidade de poeira que levantavam não

permitia a visão a mais de 5 metros.

Só sei que quando chegamos a Lages, onde paramos para colocar um vidro novo,

estávamos completamente cobertos de poeira. Não havia nada sem poeira, inclusive dentro

de nossas bagagens. Foi uma viagem muito emocionante, para não dizer outra coisa.

Já naquela época, vivíamos na correria.

O segundo fato que relato ocorreu assim que retornei ao Sebrae. Devia ser 1998

ou 1999, eu coordenava o Projeto de Artesanato e fui fazer uma palestra para artesãos na

cidade de Entre Rios, próximo a Xanxerê. Naquela época, a estrada ainda não estava asfaltada,

eram aproximadamente 40 quilômetros. Pois bem, a palestra seguia; eram umas 30

pessoas, a maioria mulheres, quando, perto do horário do almoço, observei uma senhora

saindo. Achei que não estava gostado, sei lá. Terminada a palestra fomos almoçar no único

restaurante da cidade, e quem encontro lá? A senhora que tinha saído da palestra. Ela

a proprietária/cozinheira/ garçonete/lavadeira, enfim, tudo do único restaurante. Tinha

saído, portanto, para preparar nosso almoço; pois sabia que iríamos para lá depois da pa-

206 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


lestra. E ainda ediu desculpas por ter saído antes. Coisas da vida! A comida era simples,

caseira, mas muito boa.

Não posso também deixar de relatar sobre meu primeiro chefe, quando entrei

no CEAG, o Eugênio. Grande pessoa, colega, parceiro, mas que gostava de colocar os mais

novos nas cidades mais distantes. Enquanto os mais experientes pegavam as cidades mais

próximas ou maiores, com mais estrutura, os mais novos eram deslocados para as cidades

menores, sem tanta estrutura, e mais distantes. Embora tenha passado por essa situação

como recém-casado, não reclamava e não reclamo; sei que a intenção era boa, e o aprendizado

que tive valeu a pena.

Essa é uma parte da minha história no Sebrae. Claro que muitas outras coisas

poderia contar, muitas outras situações passei; boas e não tão boas. Quero aproveitar para

deixar registrado, para aqueles que estão começando: aproveitem a oportunidade de estar

numa empresa diferente de muitas outras. É muito bom trabalhar numa empresa que te

proporciona situações diferentes a cada momento, que te possibilita conhecer pessoas em

todo o Brasil, que te oportuniza ajudar tantas e tantas empresas e futuros empreendedores;

uma empresa que te permite ser o diferencial de muitas pessoas, às vezes, a última

oportunidade.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 207


208 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


VALORIZE E

AGRADEÇA

FOI O MEU PRIMEIRO E ÚNICO

EMPREGO COM CARTEIRA ASSINADA.

Renato Rosa Xavier

A

minha história com o Sebrae/SC vem, na realidade, do Ibagesc, onde

tudo começou; na rua Esteves Júnior, numa casa. Comecei em 4 de maio

de 1976, como office boy. Tinha estudado com o Cláudio Ninkoetter, e

ele me falou que havia uma vaga. Fui ao local, o gerente era o Paulo Ferreira, pediu que eu

fizesse um teste, e eu fui aprovado.

O trabalho era passar pela mesa de cada pessoa e perguntar se queria algo do

centro, do banco. Outras atividades eram passar na caixa postal do correio, na banca para

pegar o jornal, nas caixas postais do BESC e do Banco do Brasil. Todo o dia, eu ia também

ao BRDE, cujo presidente era quem assinava e despachava todos os documentos, na época.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 209


Algum tempo passou e fui promovido a mecanógrafo; gravava e imprimia, à tinta,

todos os formulários. Depois, fui promovido a assistente e trabalhei na contabilidade.

O gerente era o Ênio Gentil Vieira. Aprendi muito, atendia auditores, trabalhei na tesouraria,

fiz faculdade de ciências contábeis e estava me preparando para substituir o Ênio,

como contador, quando, sem esperar, selecionaram outra pessoa e eu fui trabalhar no

Balcão Sebrae, recém-criado, no térreo da Avenida Rio Branco.

A princípio, tive que aprender de tudo para atender os empresários com os quais

sentava e que buscavam informações sobre crédito, abertura de empresas e por aí vai.

Precisei aprender muito, mas foi um período também muito bom. Alguns empresários,

hoje reconhecidos e que eu tive o privilégio de atender, começaram seus negócios com

financiamentos liberados pelo projeto. Dentre eles estão, por exemplo: Ótica Quevedo,

Sorveteria Costeira, Escola Estimoarte, entre outros. Depois fui trabalhar no balcão, no

bairro Kobrasol, junto com a Elena. Era um dos primeiros no ranking do Sistema Sebrae.

Trabalhei também na Gerência de Barreiros, com o gerente João Pinheiro. O diretor

me deu um carro para fazer cobrança de receitas de treinamento e consultoria. E,

então, passei a trabalhar na Gerência Administrativa, com o Carlos Dias, onde estou até

os dias de hoje. Durante muito tempo, eu pegava um cheque na secretaria de administração,

juntava com outros, de órgãos que tinham colegas trabalhando cedidos, e levava o

valor arrecadado ao BESC, para pagarmos a folha.

Sempre gostei de trabalhar no Sebrae. Uma vez fui convidado para trabalhar

numa secretaria de governo e não quis sair. Foi o meu primeiro e único emprego com carteira

assinada. Agradeço muito a Deus, por tudo que o Sebrae me proporcionou. Agradeço

a muitos diretores, gerentes e colegas de trabalho. Dos colegas, teria muitos para citar, dos

chefes gostaria de citar o último e melhor deles, o Carlos José Dias.

A mensagem que gostaria de deixar para os novos é: vistam a camisa do Sebrae,

agradeçam a Deus. Daqui, resulta o nosso sustento. Não foquem no que há de ruim; isso

existe em todo lugar, onde existir o ser humano, vai haver. Pensem no ambiente de trabalho

como um todo. Valorizem a remuneração, as folgas, o plano médico e muitas coisas

boas que a empresa oferece.

Tem muita gente que só da valor às coisas boas quando perde. Valorize o traba-

210 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


lho, mas não esqueça de que, um dia, o Sebrae vai sair da sua vida. Então, lembre-se que

também existe a família e um Deus Todo-Poderoso, que nos dá saúde, que nos dá a vida.

E saiba que, das 24 horas diárias que Deus dá para todos nós, é preciso ter o tempo do

Sebrae, o tempo da família, e o principal, o tempo para Deus. É bom ter crédito, pois um

dia ele cobrará.

Abraços a todos!

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 211


212 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


OS DESAFIOS

DA LIDERANÇA

LIDERAR ENVOLVE MUITA

RESPONSABILIDADE E ABNEGAÇÃO

Ricardo Monguillhott de Brito

Eu acredito que os desafios são diários. Mas o maior deles é o relacionamento

interpessoal, porque os resultados de uma instituição não dependem de

uma única pessoa, mas de uma equipe composta de pessoas de diferentes

personalidades, formação, experiências, culturas e motivações.

Entretanto, há coisas na vida e no trabalho que só em equipe é possível realizar.

Um bom exemplo foi o Projeto Nova Economia, realizado em uma parceria inédita com

o Governo do Estado de Santa Catarina, com investimento de valores expressivos e objetivos

bem delianeados. Como entrega final: melhorar a realidade econômica e social dos

catarinenses.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 213


Neste projeto chamado Nova Economia, atuamos diretamente com 2.500 pequenas

indústrias; contribuímos para o aumento do faturamento delas, bem como para o aumento

de produtividade e ampliação de mercado. Atuamos, também, no desenvolvimento

de 90 municípios de menor índice de desenvolvimento humano, realizando planejamentos

e atendimentos empresariais.

No Sebrae, temos a sorte de reunir pessoas que nos proporcionam muito aprendizado,

motivação, ambiente fraterno e bom astral, é possível realizar projetos com essa

dimensão.

Sobre o meu início do Sebrae, recordo de um fato inusitado. Foi quando o superintendente

recebeu um convite para uma palestra no Encontro Nacional de Empresas Juniores,

em Florianópolis. Este convite foi repassado ao seu assessor, que repassou ao gerente,

o qual repassou a mim; dizendo tratar-se apenas de uma mera presença no evento. Qual

a minha surpresa quando fui chamado para palestrar sobre empreendedorismo, tema que

ainda não dominava, por ter menos de 30 dias de empresa e formação em agronomia.

A palestra era a principal atração do evento para 500 estudantes, que usavam

terno e gravata; e eu, de calça jeans e camisa. Afinal, até então, bastava apenas a presença

num encontro de estudantes universitários. Após ser chamado para a mesa e cantar o

Hino Nacional em pé, fiz um discurso de intermináveis dois minutos, agradeci a todos e

sentei-me à mesa. O constrangimento era maior da plateia que me assistia, do que o meu

próprio. Essa, sem dúvida, foi a grande lição de como o processo de comunicação é primordial

em todas as formas de relação.

Em se tratando de experiências únicas que o Sebrae nos proporciona, destaco a

minha participação na Missão Internacional Empresarial para a China, em 2009, onde conheci

a força econômica da Ásia. De certa maneira, foi um choque cultural participar de

uma viagem como esta. Penso que viagens assim proporcionam aprendizado e mudança de

paradigma, com importante influência no desempenho profissional e pessoal de cada um.

Sobre a minha história no Sebrae, descrevo aqui brevemente. Estava retornado

de Porto Alegre, onde morei por três anos, fazendo mestrado na UFRGS, quando surgiu

a oportunidade de uma entrevista no Sebrae/SC, com o então superintendente, Vinicius

Lummertz. Naquela época se fazia muito projetos de desenvolvimento municipal, justa-

214 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


mente a área onde eu fui trabalhar.

Estávamos no ano de 1998. Quase um ano depois, fui chamado para assessorar

o novo superintendente da instituição, Antonio Carlos Kieling, para o qual eu já havia

trabalhado em outra atividade. Fiquei nesta função por dois anos e, então, retornei para

a área técnica; desta vez formatando um Núcleo de Agronegócios, já que sou graduado

em Agronomia. Fiquei nesta função até 2007, quando, então, fui convidado pelo superintendente,

Guilherme Zigelli a gerenciar a Unidade de Projetos Regionais e Setoriais, hoje

Unidade de Atendimento Coletivo.

Aos novos líderes, digo que a liderança é uma conquista! Ela não é alcançada

individualmente. Até porque envolve histórias, envolve exemplos e atitudes. Envolve doação,

reciprocidade e, acima de tudo, humildade. Não é você que chega até ela, é ela que

chega a você. Todos exercemos a liderança em algum momento; na família, no trabalho,

entre amigos. Ela não está atrelada a cargos. Junto com ela, vem muita responsabilidade

e abnegação. Portanto, a liderança é essencial para qualquer um de nós que deseja evoluir.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 215


216 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


VIVÊNCIAS E

EXPERIÊNCIAS

UMA VISÃO AMPLIADA DAS ATIVIDADES

DA EMPRESA, NA PRÁTICA.

Roberto Tavares de Albuquerque

Meu primeiro contato com o Sebrae foi quando fiz um curso, no ano de

1993, no qual o Paulo Teixeira era o instrutor. Era o curso Administração

de Pequenos Negócios e, na época, eu trabalhava numa empresa

de consultoria com foco em projetos de viabilidade econômica e financeira. Gostei muito

do curso e comecei a prestar atenção no trabalho do Sebrae, já que estava cursando administração

na Universidade Federal de Santa Catarina. As atividades do Sebrae me atraíram

e, um dia, pensei:

- Quero trabalhar nesta empresa.

E assim aconteceu porque eu corri atrás desse sonho. Após muito tentar um es-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 217


tágio no Sebrae/SC, em 94, consegui entrar. De forma paralela, trabalhava na empresa

de consultoria. Comecei como estagiário da área de tecnologia; meu chefe era o Gesser e

meu supervisor de estágio, o Sérgio Pereira. Duas figuras e excelentes profissionais, que

me ajudaram e deram espaço para mostrar o meu trabalho. Fiquei dois anos como estagiário,

já com promessa de que seria contratado. Isso porque ajudei a criar a área de crédito

orientado, que acabou se tornando uma gerência, composta pela gerente e por mim, como

estagiário.

Mas ainda não era o momento e permaneci, por mais um ano e meio, como terceirizado,

conduzindo a operação da unidade de crédito orientado, junto com a gerente. A

minha grande felicidade veio em agosto de 1998, quanto fui chamado pelo superintendente

da época, que me deu a notícia da contratação definitiva.

Tive grandes experiências e passagens por várias unidades no Sebrae/SC. Algo

que indico a todos os iniciantes, pois acho que agregou muito à minha carreira como analista

técnico; pude ter uma visão ampliada das atividades da empresa, na prática. Como

já comentei, comecei como estagiário da tecnologia, depois crédito orientado, ajudei na

criação da gerência de novos produtos e, logo em seguida, fui chamado a compor a Gerência

Regional da Capital.

Ali, acabei virando um consultor de atendimento do antigo Balcão Sebrae na sede,

numa época em que tínhamos filas e utilizávamos senhas para atender o cliente. Fiquei

um ano no atendimento do Balcão Sebrae, até que passei pela primeira “crise” na empresa,

em 1999, quando os balcões foram fechados e várias mudanças aconteceram.

Como estava finalizando uma pós-graduação em orçamento e finanças, tive a grata

satisfação de ser chamado a compor a Gerência de Orçamento, na época gerenciada pelo

excelente profissional Moresco, que me ensinou muitas coisas. Ali, pude, mais uma vez,

conhecer novas atividades da empresa.

Em seguida, fui convidado a ajudar na Gerência de Educação, na qual criamos

diversas soluções que até hoje são executadas, como é o caso da Gestão da Qualidade, Faça

e Aconteça. Também ajudei a criar o Movimento Catarinense para Excelência e fui diretor

administrativo do MCE, como voluntário pelo Sebrae/SC.

Em 2007, além de coordenar soluções de educação, fui desafiado a fazer a coorde-

218 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


nação estadual de projetos de Arranjos Produtivos Locais - APL´s nos setores metalmecânico

e móveis; aceitei imediatamente. A experiência foi muito boa e, logo, tive interesse

em fazer parte da Gerência de Projetos Regionais e Setoriais, que recém tinha mudado de

gerente, com a nomeação do Ricardo Brito.

Foi então que veio o convite para fazer parte da nova composição da gerência, na

qual estou até hoje. Apenas o nome é diferente, Unidade de Atendimento Coletivo. Além

disso, várias passagens por comitês marcam a minha trajetória no Sebrae, tais como: comitê

de licitação, comitê de ética, comitê do SGP, comitê do PREC, comitê do inventário,

comitê de recomposição das gerências, entre outros. A passagem por estes comitês também

agregam conhecimento e trazem muito aprendizado para nossa carreira.

Nestes 16 anos de casa, considero os último como sendo os melhores, já que, no

início, tive dificuldades para o reconhecimento do trabalho, pela falta de um sistema padronizado

de reconhecimento e remuneração; tendo ficado estacionado um bom tempo

na carreira. Tenho orgulho de minha carreira e, aqui, desejo fazer um reconhecimento

público para atual diretoria, que tem nos dado espaço para mostrar todo nosso potencial

e tem valorizado nosso trabalho de forma profissional, com o devido reconhecimento e

avanços na carreira.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 219


220 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


MUITOS JÁ

DEIXARAM SUA

MARCA

TENHA MUITO ORGULHO EM

INGRESSAR NESTA INSTITUIÇÃO.

Robson Schappo

Vou relatar uma história particular, que demonstra a importância que o

Sebrae/SC tem em minha vida; não só profissional, mas sobretudo pessoal.

Estava no Sebrae/SC, como funcionário, há quatro meses, ainda no ano de 1998.

No dia 08 de setembro, teria apenas as duas últimas aulas na Universidade Federal de

Santa Catarina. Lá pelas 19 horas, decidi entrar numa sala de bate-papo do UOL e troquei

algumas palavras com uma mulher, cujo apelido adotado foi Isabela. Fiquei sabendo que

ela era de Videira, tinha a minha idade; na época 23 anos, estudava direito e se formaria

na mesma época que eu. Trocamos nosso endereço de e-mail e ficamos de nos falar mais.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 221


Neste dia, eu não tinha a menor condição de saber do que estaria surgindo naqueles

vinte minutos de conversa: um namoro de três anos, um casamento com 14 anos,

atualmente; um filho de 9 anos, outro de 4. Uma família que é minha fonte de recarga para o

dia a dia corrido, meu porto seguro para enfrentar as dificuldades que a vida nos apresenta.

Costumo dizer que o Sebrae/SC me deu praticamente tudo, a partir dos 23 anos,

tudo que consegui adquirir. A família; pois foi aqui que tive o primeiro contato com minha

esposa, aqui fiz grandes amigos e outros tantos colegas de trabalho, aqui passei praticamente

metade de minha vida, considerando o tempo que fico acordado, produtivo. Olhando para

trás, tenho muito orgulho de tudo que fiz nesta instituição, de minha caminhada aqui, do

crescimento profissional, dos amigos feitos, da entrega realizada no decorrer destes 17 anos.

Mas a minha história no Sebrae começou da seguinte maneira. Sou amigo do Heverton

Luiz Vieira, gestor financeiro do Sebrae/SC, da época do 2º grau, na Escola Técnica

Federal de Santa Catarina. Fizemos também o mesmo curso na Universidade Federal de

Santa Catarina; Ciências Contábeis, porém ele no período da manhã, eu no período da noite.

No ano de 1996, meu estágio na Imprensa Oficial de Santa Catarina estava se encerrando.

O pai do Heverton, senhor Enio Gentil Vieira, era o gerente da Área Contábil do

Sebrae/SC e, ao saber que meu estágio estava vencendo, me convidou para ser estagiário

no Sebrae/SC, uma vez que estava perdendo dois funcionários do setor.

Durante um ano e meio, fui estagiário do Sebrae/SC, sendo convidado, após este

período, a ser terceirizado do Sebrae/SC, por meio da empresa Gelre Recursos Humanos.

Ao final de mais três meses como terceirizado, fui convidado a ser funcionário do Sebrae/

SC, para me tornar parte da equipe desta importante instituição.

No dia 04 de maio de 1998, fui contratado pelo Sebrae/SC. Nesse ano, também

foram contratados os funcionários Ricardo Brito, Paulo Teixeira, Marcos Regueira, Luiz

Carlos da Silva, Jefferson Paulo Gomes Marchiorato, Jefferson Reis Bueno e Roberto Tavares

de Albuquerque; ou seja, uma equipe de muita qualidade para a instituição, o que

me deixa orgulhoso.

Foram vários os desafios enfrentados, no decorrer destes anos. Mas foram momentos

que me fizeram crescer como profissional. O primeiro deles foi o primeiro emprego,

assumir a responsabilidade por processos dentro de uma instituição. Logo ao entrar

222 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


no Sebrae/SC, ainda como estagiário, tive a tarefa de entender sua contabilidade, seu orçamento,

e conseguir fechar o balanço da instituição; uma vez que a área havia perdido os

funcionários que executavam esta função.

No ano de 1999, o Sebrae/SC teve uma séria crise financeira, que culminou com a

demissão de muitos funcionários, um momento difícil na minha carreira; com pouco mais

de um ano como profissional, ver vários funcionários perderem seus empregos não é uma

situação fácil. Um dos funcionários que passou por isso, em decorrência desta crise, foi o

senhor Enio Gentil Vieira, principal responsável por minha contratação, o que me deixou

ainda mais triste com a situação ocorrida.

Uma das justificativas para a crise financeira que aconteceu foi a falta de informações

financeiras para a Diretoria Executiva, que fez com que as decisões não fossem tomadas

da maneira mais correta. Com base nesta informação, iniciei o relatório de análise dos resultados

do Sebrae/SC, me dedicando a fornecer informações sempre atualizadas e corretas à

diretoria, procurando evitar a repetição de tal evento tão traumático para a instituição.

A partir da saída de um grande número de funcionários, passei a ser o responsável

pela assinatura das demonstrações contábeis da instituição, sendo oficialmente seu

contador. No ano de 2000, fui indicado como auditor interno do Sebrae/SC, exercendo as

funções de contador e auditor interno. Nos anos seguintes, acumulei, também, a função

de responsável pelo orçamento da instituição. Com a formatura do funcionário Jefferson

Paulo Gomes Marchiorato, no ano de 2004, este passou a ser o contador do Sebrae/SC.

Outro desafio foi estruturar a área de auditoria interna da entidade, uma vez que

não existia nenhum processo estruturado; aprender o que fazer, como fazer. Como participei

dos grupos técnicos de auditoria interna do Sistema Sebrae, de 2011 a 2014, sempre

sendo o auditor mais votado por seus pares, e como Santa Catarina sempre foi uma das

referências no sistema, em termos de auditoria interna, julgo ter feito um bom trabalho.

Por fim, no ano de 2015, fui convidado a ser o novo gerente de contabilidade e

finanças do Sebrae/SC, o que está sendo um novo tempo de desafios e crescimento, como

pessoa e como profissional. Os principais conhecimentos agregados vêm da área de gestão

de pessoas. Ter funcionários que dependem de sua liderança, de seu apoio, de suas observações

e, até mesmo das “chamadas de atenção”, é uma tarefa das mais importantes para

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 223


um profissional. Como falar, quando falar, como motivar, como “chamar a atenção” sem

desmotivar, tudo é um importante aprendizado.

Algumas lembranças marcantes, do período em que sou funcionário do Sebrae/

SC, são a do momento de minha contratação, quando fui chamado pelo doutor Paulo Ferreira,

para ser comunicado de minha contratação; o momento da demissão do senhor Enio

Gentil Vieira, talvez o momento mais triste em minha vida profissional; o momento de

minha primeira eleição, como auditor mais votado, para compor o grupo técnico de auditores

do Sistema Sebrae; e o convite para assumir a Unidade de Contabilidade e Finanças.

A família Sebrae significa muito para mim, aliás, acho que para todos os funcionários.

Não que esta família substitua nossas verdadeiras famílias de sangue, nossos filhos,

esposa; mas as duas têm sua importância em nossas vidas. A família de casa, de sangue,

é aquela que recarrega nossas energias. Costumo dizer que é em casa que buscamos

novas forças para voltar no dia seguinte, cheios de alegria e vontade; pois, sem sombra

de dúvida, o trabalho, muitas vezes, nos suga estas energias e precisamos estar sempre

muito bem preparados.

A família Sebrae é aquela com a qual passamos nosso dia, aquela com quem, em

primeiro lugar, dividimos nossos sucessos e insucessos. Outra coisa que costumo dizer

à minha equipe é que, como gerente, quero ver todos felizes, satisfeitos, trabalhando de

maneira leve. Acredito que, sempre que fazemos as coisas de maneira feliz, fazemos bem

feito, fazemos as coisas de modo a espalhar alegria, e conectamos uma corrente do bem;

pois, se espalhamos alegria, recebemos alegria de volta.

O trabalho de maneira leve é o primeiro passo para o trabalho com sucesso, para

a vida profissional feliz. Uma equipe que trabalha com alegria, com vontade, é uma equipe

que tem como destino o sucesso profissional.

Em tudo isto, estamos falando do lado profissional. Mas a família Sebrae também

tem seu significado pessoal, de amizade. A família Sebrae me lembra sorrisos, as

brincadeiras, e a alegria em conversar, também, sobre assuntos banais. Nada representa

melhor isto do que as viagens de auditoria pelo interior do estado, sempre acompanhadas

de algum outro funcionário da unidade, como o Luiz Roberto Pires, O Frederico Rebhaim

e o Pedro Grudtner.

224 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


As viagens de auditoria são sempre momentos cansativos fisicamente, afinal de

contas, viajar longas distâncias de carro, visitar clientes no interior do interior das cidades,

encontrar estes clientes; são sempre momentos cansativos. Mas tudo se tornava

sempre muito mais leve com as brincadeiras, com os sorrisos em cada trecho da viagem.

Lembrar de fatos passados, de cada trapalhada de um companheiro de trabalho,

dos momentos de sorriso na sede, de cada caminho errado na estrada; tudo isto fazia

a viagem ficar menos estressante. O sorriso sempre era nosso companheiro e este, sem

dúvida, é um momento que representa, para o Robson Schappo, o que é a família Sebrae.

A família Sebrae é aquela que faz seu dia ser mais leve, aquela com quem você

divide alegrias, que leva você várias vezes ao sorriso durante o dia. É aquela com que você

pode contar nos momentos em que existe uma tarefa urgente; é aquela com quem você

pode conversar assuntos em alto padrão; é aquela que sabe interpretar fatos. Com ela,

podemos crescer ,a cada dia, como ser humano, como profissional, como cidadão.

Várias coisas trazem satisfação em trabalhar no Sebrae/SC. A primeira delas é o ambiente

da empresa, sua cultura. Quando se trata essa instituição como uma grande família,

é porque aqui temos grandes amigos, o ambiente de trabalho é leve, informal; o que proporciona

espaço para brincadeiras, amizades e torna os desafios mais leves e as metas mais atingíveis.

O ambiente não é de disputa e concorrência, mas de amizade e trabalho em equipe.

A possibilidade de crescimento, na carreira que o Sebrae/SC proporciona, é outro

ponto positivo. As pessoas possuem um ambiente propício para adquirir conhecimento,

para aplicar este conhecimento na empresa e, com isto, avançar em suas carreiras.

Outra grande satisfação, em trabalhar no Sebrae/SC, é sua missão. Saber que você

está trabalhando pelo sucesso dos empresários de micro e pequenas empresas é uma grande

fonte de inspiração e motivação para o trabalho do dia a dia. Ter conhecimento de que seu

trabalho reflete na sociedade, na geração de empregos, na economia do estado e do Brasil;

tudo isto inspira, dá confiança para fazer cada melhor que o anterior, pois muita gente depende,

mesmo sem ter conhecimento disto, dos serviços prestados por você no seu dia a dia.

Esta soma de bom ambiente para trabalhar, oportunidade de crescimento profissional,

desafios como pessoa e finalidade institucional da sua organização é o que mais me

traz satisfação em trabalhar no Sebrae/SC.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 225


Para finalizar, vou relatar algo que me deixa com muito orgulho, sempre que tenho

lembrança. No ano de 2011, obtive minha certificação internacional como auditor interno,

momento de grande alegria pelo alcance de mais um desafio profissional e pessoal. No encerramento

do ano, os funcionários que concluíram cursos de graduação e pós-graduação

receberam uma lembrança do Sebrae/SC, por conta desta conquista. Neste momento, fiquei

sabendo que eu também iria receber uma homenagem, mais seria muito especial.

No momento da entrega da homenagem, a Juliana Faria Klan Schmidt, que estava,

interinamente, como gerente da UGP, disse que esta homenagem, ela gostaria de

entregar pessoalmente. Em seu discurso, ao elencar as qualidades do homenageado, foi

as lágrimas; momento em que todos se emocionaram e aplaudiram com entusiasmo. As

palavras da Juliana, suas lágrimas, os aplausos; tudo isto fez com que eu visse um filme,

em minha memória, que me emociona até hoje.

Ser homenageado pela pessoa da Juliana, um ser humano fantástico, ver a emoção

da mesma, sentir o carinho transformado em aplausos. São aspectos que me fazem

observar não apenas o meu lugar nesta organização, mas, sobretudo, me levam a conclusão

de que meu trabalho deve ser sempre melhor, levando em conta o lado humano de

cada pessoa, o lado humano de cada processo. Foi um momento de alegria, de emoção e de

aumento de responsabilidade, uma lembrança, sem sombra de dúvida, muito marcante.

Aos que chegam, eu digo: tenham muito orgulho em ingressar nesta instituição.

Aqui, você terá oportunidade de crescimento, tanto profissional, quanto pessoal, tenha

coragem e vontade de alcançar seus objetivos, pois o Sebrae/SC permite isso.

Lembre-se sempre de quantas pessoas já passaram por aqui e deixaram sua marca,

deram grande parte de sua vida para engrandecer esta instituição. Nossa responsabilidade

é honrar cada uma destas pessoas, fazendo com que o Sebrae/SC se torne cada vez melhor.

Tenha sempre consigo a lembrança da missão da instituição, quando se questionar

a razão de estar aqui. Lembre-se que seu trabalho tem um objetivo, tem uma finalidade

social. Você trabalha para gerar empregos para seus amigos e parentes, para ajudar

os empresários de micro e pequenos negócios de seu bairro, de sua região. Você trabalha

para promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável dos pequenos negócios

e fomentar o empreendedorismo, para fortalecer a economia de Santa Catarina.

226 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


CARINHO

PELAS PESSOAS

VIVEMOS UM BELÍSSIMO MOMENTO DE IMAGEM

PERANTE O EMPRESÁRIO, O QUE É RESULTADO

DO TRABALHO DE TODA A NOSSA EQUIPE.

Sérgio Fernandes Cardoso

Eu entrei no Sebrae/SC no dia 17 de agosto de 1999, numa época em que eu

precisava encontrar um emprego. Eu tinha uma empresa que não estava

muito bem, e por isso, precisava de outra atividade. Inicialmente, fui convidado

para ser diretor técnico do Sebrae/SC, mas um dos dirigentes veio a falecer, o que

mudou um pouco a configuração de funções, e acabei por iniciar minhas atividades como

assessor da diretoria.

Foi o pior tempo que eu vi e vivi.

Era um período de grande dificuldade na Instituição, tanto financeira quanto de

gestão. Para enfrentar essa crise, instalou-se um processo que foi denominado de reenge-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 227


nharia do Sebrae/SC. Foram fechados mais de 100 Balcões Sebrae no estado, além da demissão

muitas pessoas que trabalhavam na empresa. Foi a época mais escura do Sebrae/

SC, que precisa ser esquecida; ou não, para lembrarmos da nossa responsabilidade em que

isso não aconteça mais.

Essa reengenharia prejudicou muitas pessoas. Alguns entraram em depressão,

outros até se separam; afinal, onde falta dinheiro, falta amor. Talvez, para minha sorte,

muitas pessoas desligadas eu ainda não conhecia. Mesmo assim, foi um processo extremamente

doloroso e, de qualquer maneira, eu participei do grupo de trabalho que conduziu

todas essas mudanças.

Eu entrei e, imediatamente, esse processo foi iniciado. Não houve participação

minha na designação do que deveria ser feito, ou de quem seria demitido. Como assessor

da diretoria, coube a mim assessorar e dar prosseguimento as decisões ali tomadas. Foi

muito difícil fazer tudo isso.

Digo até que eu entrei no Sebrae/SC com o pé esquerdo. Era necessário fazer

alguma coisa, pois não havia sequer caixa para pagar as despesas. Foi um passo para trás,

doloroso, mas importante, para chegarmos ao ponto em que estamos hoje. Todos os dias,

quando eu entro no Sebrae, eu relembro tudo o que aconteceu. E mantém em alerta o

nosso compromisso para com as pessoas e a responsabilidade que temos para evitar que

algo assim se repita.

Apesar desse início turbulento, eu digo que sou muito feliz em trabalhar no Sebrae/SC.

Comecei sendo assessor e, quando apareceu uma vaga na minha cidade, Tijucas,

eu pedi para retornar para lá. Alguns até me questionaram dizendo:

- Você está aqui, na diretoria, e quer voltar a trabalhar em campo?

E eu digo que a gente deve trabalhar onde está bem, onde sente-se feliz. Não interessa

o cargo, nem a função e nem quanto ganha. Isso é um pré-requisito para o trabalho

e para a vida.

Assim, fiquei em Tijucas, conheci toda a região e me orgulho de ter feito um bom

trabalho, tanto no Vale do Rio Tijucas, quanto na Costa Esmeralda. Foram muito projetos

como, por exemplo, o Arranjo Produtivo de Calçados, que virou referência nacional, mudou

a região e, até hoje, é reconhecido pela sua transformação.

228 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


Depois de algum tempo, fui novamente convidado para ser assessor, desta vez do

superintendente Carlos Guilherme Zigelli. Aceitei, com a condição de continuar atendendo

dos projetos na região de Tijucas e dividir meu tempo entre as duas cidades.

Depois deste tempo como assessor, lembro bem de um jantar que aconteceu na

cidade de Joinville, em que o Zigelli me convidou para ser diretor administrativo e financeiro.

Aceitei. Estou agora no segundo mandato e feliz, por que faço o que gosto e tenho

participado ativamente da vida das pessoas.

Sempre acordo cedo, procuro resolver todos os compromissos do dia, deixando

muito pouca coisa para o dia seguinte. Eu acredito que o Sebrae/SC vive um belíssimo momento

de imagem perante o empresário, o que é resultado de toda a sua equipe.

Entretanto, sou um homem que trabalha por ciclos. Eu tenho um ciclo no Sebrae/

SC e, esse ciclo, eu vou cumprir. A minha vida é como uma bateria, quando ela vence,

precisa ser trocada (risos). Eu sempre vivi assim, em trabalhos anteriores, na função de

professor, gerente no SENAI, e na minha empresa, que hoje as minhas filhas gerenciam.

Ao longo desse tempo, eu me identifiquei muito com o Sebrae/SC. A nossa causa é uma

das mais nobres que existem. Ela muda a vida das pessoas e das suas famílias, por meio

do trabalho.

Ao falar da equipe, lembrei-me agora do Plano de Demissão Incentivada, pelo

qual batalhei muito e que foi reconhecido como o melhor do Brasil. Ele tem duas funções,

valorizar quem sai e uma demonstração clara da valorização de quem fica e sabe que trabalha

em uma empresa que tem essa postura ética. Sem comentar que muitos continuarão

trabalhando conosco, como credenciados; afinal, não podemos abandonar e nem nos privar

dos conhecimentos acumulados por estas pessoas. Elas têm o DNA do Sebrae.

Essa diretoria valoriza as pessoas, tanto por meio do Sistema de Gestão de Pessoas

– SGP, bem como pelas novas diretrizes destinadas aos credenciados. Nós não construímos

nada físico. Nossa função é repassar conhecimento, e isso só é possível por meio

de pessoas qualificadas, felizes e motivadas. Se vejo alguém com algum problema, sempre

penso em resolver.

O Sebrae/SC não é uma ilha. Também vivemos, aqui, tudo que as outras empresas

vivem. Se houver dificuldades no mercado, nós também sentiremos, da mesma forma

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 229


de que, quando tudo vai bem, nós também iremos. Fazemos parte de uma sociedade viva,

não somos um organismo isolado.

Depois que passou aquele tempo da nuvem negra, no final dos anos 90, veio a bonança.

O Sebrae foi se acertando, resgatando sua imagem, inclusive com os empresários.

Novas pessoas foram contratadas e, as que aqui já estavam, foram estudar, se aprimorar;

formando um quadro técnico de alta qualidade.

A nova sede também tem um grande significado, tanto como reforço de marca

pela imponência que o prédio físico tem, quanto e muito mais pelo conforto e pelo ambiente

com melhores condições que foram oferecidas às pessoas. O SebraePREV é uma

outra grande conquista. Eu considero o Sebrae/SC uma grife, um orgulho para quem veste

essa camisa.

Como diretor, eu sei o nome de toda nossa equipe do Sebrae; inclusive de grande

parte dos credenciados. Faz parte do meu jeito de ser, cumprimentar e saber das pessoas,

inclusive das realidades regionais das coordenadorias. Muitas vezes, um cumprimento ou

um sorriso faz muito bem como fator de motivação e felicidade.

Pensando nisso, me recordei de um momento marcante, por ocasião do meu aniversário,

ainda na antiga sede da Avenida Rio Branco. Lá, o quinto andar, o da diretoria

executiva, era meio intocado. E, nesse meu aniversário, as pessoas preparam, com carinho,

uma surpresa, com cartazes, vídeos e mensagens que invadiram o tal do quinto

andar. Senti-me muito bem acolhido e, de certa forma, foi uma quebra de paradigma. As

pessoas estiveram à vontade e se sentiram mais próximas, até mesmo do ambiente da diretoria.

Eu tenho muito carinho pelos outros, e percebo que isso é recíproco.

Tenha a certeza absoluta de que o Sebrae/SC quer ter um bom ambiente de trabalho,

valoriza a todos e favorece o crescimento. Somos hoje, uma empresa segura, bem regida,

com coerência e assertividade. Uma empresa que pensa nas pessoas, pois elas são o mais

importante patrimônio que temos. Lembre-se: seja feliz naquilo que você faz. Eu sou!

230 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


COMECEI JÁ SENDO

EMPRESTADO...

LEVE A VIDA COM MAIS LEVEZA, RESPEITE AS

DIFERENÇAS QUE SÃO INERENTES ÀS PESSOAS E

NÃO ABRA MÃO DA SUA IDENTIDADE.

Sérgio Henrique Pereira

O

início de minha trajetória no Sebrae não teve nada de histórias emocionantes

ou de superação de dificuldades. Simplesmente fui convidado

para vir trabalhar aqui, numa empresa que eu nem sabia o que fazia.

Estava empregado, trabalhando como engenheiro calculista e havia passado num concurso

para ser funcionário público federal. Três opções de emprego, sendo que, em duas, eu

sabia exatamente o que iria fazer. Optei pela terceira, verdadeiro tiro no escuro. E ai dei

início a uma sucessão de situações daquelas que fazem os autores de livro de autoajuda

buscarem novas soluções.

Comecei já foi sendo emprestado para outra empresa, a Secretaria de Estado dos

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 231


Transportes. Era o engenheiro responsável pela construção de pequenas pontes (pinguelas)

nos municípios. Como não havia muito trabalho, especializei-me em construir aquários

para os colegas, até o dia em que um prefeito me viu fazendo isso e foi fazer queixa

pro secretário. Fiquei sete meses nessa situação. Pensei:

- Isso não é futuro.

Pedi para sair.

Transferiram-me para a Secretaria da Educação, onde fui da equipe de engenharia

responsável por reformas de escolas. Realizei alguns bons trabalhos, mas a parte mais

marcante foi uma reunião onde estavam o diretor da secretaria, vários deputados, um

desenhista e eu; para tratar das condições precárias das escolas públicas. No meio da reunião,

tive um “bode de riso”, impossível de parar. Tive que enfiar a cabeça debaixo da

mesa, como se estivesse amarrando o sapato, e ali fiquei. Só saí quando o diretor parou a

reunião e disse:

- Acho que esse guri é meio tolo.

Nesse momento o riso cessou e adquiri uma cor de siri cozido. Poucas semanas

depois, saí dessa secretaria. Finalmente, depois de um ano e meio emprestado, vim trabalhar,

de fato, nesta empresa (CEAG) e, com duas semanas, lancei-me ao primeiro desafio

profissional.

Meu gerente me chamou, me deu uma folha com algumas poucas linhas sobre o

que era incubadora de empresas. Disse ser um tema moderno e que eu iria participar de

uma reunião em São Miguel do Oeste sobre esse assunto. Orientou-me, também, a anotar

tudo que fosse falado.

Tranquilamente fiz a minha programação de viagem. Entretanto, achei estranho

quando me mandaram de avião, numa época que todo mundo viajava apenas de carro.

Mais estranho ainda foi ter uma pessoa me esperando no aeroporto de Chapecó, para me

levar até São Miguel do Oeste. Apresentamos-nos rapidamente e seguimos viagem, conversando

sobre amenidades, tipo vida de caserna.

Não foi uma viagem tranquila. O cidadão chamava carro de viatura e pessoas de

elemento. Ele também não dirigia, voava. Já tive um pré-enjoo antes da reunião. Depois

de 200 quilômetros de emoção, chegamos ao local. Acho que era um clube, estava cheio de

232 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


carros, muitos prefeitos e secretários municipais. Entramos no auditório e eu, rapidamente,

me instalei na última fileira de cadeiras, como fazia na época de estudante, tranquilão.

Ao meu lado, coincidentemente, conheci um outro colega do CEAG. Fiquei ali, relaxado.

Aquela folhinha sobre incubadoras, um bloquinho e caneta para anotar tudo. De repente,

meu amigo “motorista” dirigiu-se à frente do auditório, pegou o microfone, pediu silêncio,

e fez a abertura do evento. Pensei:

- Pô, esse cara deve ser influente aqui. Todo mundo em silêncio ouvindo-o.

E ele, garboso, fez toda aquela solenidade:

- Senhoras e Senhores, muito boa noite, trago aqui um abraço da nossa diretoria

... blá, blá, blá,.. Este é momento ímpar, de suma importância, um marco para a nossa

região. Por isso, neste instante, e sem muitas delongas, convido-os a ouvirem a palestra

do especialista internacional em incubadora de empresas, o engenheiro Sérgio Henrique

Pereira. Sérgio, por favor, dirija-se aqui à frente!

Meu mundo desabou. Por ínfimas frações de segundo, pensei que pudesse ter um

homônimo naquele recinto, mas, quando vi todos os olhares para o fundo da sala, senti

aquela morte súbita. Instantaneamente parecia que tinham jogado água de cachaça com

areia de praia nos meus olhos. Tudo ficou embaçado. A temperatura corporal despencou,

como se eu tivesse entrado num freezer. Adquiri uma cor verde defunto Levantei-me, com

fraqueza, e me dirigi à frente do auditório, com aquele papelzinho na mão.

Nesse momento, além da visão turva, corpo gelado, começou uma tremedeira nas

mãos, o papelzinho chegava a fazer barulho, de tanto que chacoalhava. As primeiras palavras

balbuciadas foram “incubadora de empresas” com uma voz fraca, tipo hiena hardy.

Depois dessas duas palavras, a minha boca, como num movimento involuntário de fugir

do meu corpo e daquela situação, foi secando e diminuindo, até ficar do tamanho de uma

moeda de cinquenta centavos. Falei por intermináveis 3 minutos e meio, com uma voz

cada vez mais fraca, tudo o que eu sabia sobre o tema, ou seja, quase nada.

Agradeci a todos pela atenção e dei por encerrada a minha “palestra”. A visão

turva deveria ter me poupado de ver a reação do público, que era um misto de piedade e

deboche. Dirigi-me à minha cadeira no fundo da sala, com camisa, cueca e meias suadas,

frio e tremedeira. Enquanto caminhava, as pessoas me olhavam como se eu fosse uma

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 233


aberração. Até hoje me pergunto: por que não fugi pela porta dos fundos quando fui chamado?

Acho que porque minha sina é ser o anti-herói.

Depois dessa traumática experiência, pensei:

- Nunca mais me mandarão para falar em público.

Que nada. Colocaram-me para fazer cursos de oratória e essa praga de falar em

público, volta e meia. me atormenta.

Em determinada situação, fui chamado para fazer uma apresentação na Federação

das Indústrias do Estado de Santa Catarina, com a participação do presidente e tudo

mais. Preparei-me, olhei como se comportavam os palestrantes show e tentei imitá-los.

Passei gel nos cabelos, coloquei uma calça bag (devia ter umas 8 pregas de cada lado), e um

paletó com ombreira, com as mangas dobradas. Fiquei meio estranho, parecia a cabeça do

Dunga, o tronco do Roberto Carlos e as pernas do Getúlio Vargas, mas como era moda,

tudo bem. Preparei as transparências, com canetas coloridas, e levei um dedinho de plástico,

que se colocava em cima das transparências para apontar o que estava falando. Na

época, já existiam as canetinhas laser, mas eu não ousava usá-las, porque tremia tanto que

o pontinho vermelho parecia descrever a trajetória de uma mosca envenenada.

Para minha alegria, quando cheguei ao local, o microfone que usaria era aquele

estilo Sandy & Júnior o que seria perfeito para compor o meu visual. Mas, neste instante,

começou a ruir a minha apresentação show. A bateria e o fiozinho do microfone deveriam

ficar no bolso do paletó, que era novo e tinha os bolsos ainda costurados. Na ânsia de

abri-los discretamente, arrebentei a linha e rasguei um pedaço do forro. Nisso, alguém da

plateia gritou:

- Paletó novo hein?

O resto nem preciso contar.

Noutra ocasião, numa apresentação em São Paulo, tremia muito para segurar o

microfone. Passava o microfone de uma mão para a outra, e nada. Foi quando pedi para

me arrumarem um pedestal, dizendo:

- Porque, se eu continuar segurando o microfone dessa forma, ele vai gozar.

A partir dai ganhei o público e pude falar qualquer coisa que ninguém mais prestava

atenção. Pelo menos saí feliz.

234 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


Como, profissionalmente, nada dava certo, nada era sucesso; passei, juntamente

com outros parceiros, a investir na carreira artística. Lá pelo ano de 2000 e pouco, criamos,

numa noite nada sóbria, a banda Coro de Gato, que era mais do que uma banda, era

um verdadeiro estado de espírito. Sua composição inicial era Joel Fernandes (mentor e doador

de vários instrumentos musicais), Ricardo Brito (voz & violão e pandeiro), Adriano

Cabelo (percussionista de balde de lixo), Denise (voz), Rubens Cunha (backstage - preparador

das bebidas). Depois, juntaram-se, Jefferson Grandão (tantan), Luiz (afoxé) e Fred

(triangulo).

A noite de estreia foi carinhosamente preparada com um churrasco. Muitos comeram

o churrasco e foram embora antes do show, que começou sob pressão e protestos

do tipo “vocês vão tocar ou não?”. Na realidade ainda não estávamos emotivamente preparados,

faltava alguma coisa pra dar o brilho inicial. Para ser sincero, faltava um pouquinho

mais de cachaça. Entretanto, num ato de coragem extrema, puxei o primeiro acorde de

“Tarde em Itapoã” e, na sequência, começou uma batucada desconectada que, junto com

umas vozes trôpegas, materializaram nossa primeira apresentação.

Não demorou para, logo, se formar um backing vocal , destacado pelas vozes agudas

da Margarete e da Vera (era um misto de falsete com lamúria). A partir dai a coisa

deslanchou. Íamos da “Tonga da Mironga do Kabuletê” à “Hotel Califórnia”, passando por

sambas clássicos como “Foi um Rio que Passou em Minha Vida”. Depois, foi só administrar

o sucesso, enraizado no pub “Caverna Del Diablo”, com palco e luzes carinhosamente

construídos pelo Carlos Dias. A apresentação do Coro de Gato era garantia de boas bebedeiras

e, invariavelmente, terminava com uma versão alternativa da Tonga da Mironga e

com o Blues Suicida do Urandi. Foi uma experiência em que a amizade, a confraternização

se sobrepunham a qualidade musical.

E por ai segue essa história de 25 anos de casa que, apesar de registrar fatos pitorescos,

não só comigo, mas com tantos outros colegas (embora muitos não revelem),

considero ter sido uma trajetória de crescimento humano, dedicada a apoiar e ajudar muitas

pessoas e empresas que um dia precisaram de todo o apoio que tive possibilidade e

competência para oferecer. Sugiro a todos que levem a vida com mais leveza, respeitando

as diferenças que são inerentes às pessoas, sem abrir mão da sua identidade.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 235


236 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


TODO DIA UM NOVO

APRENDIZADO

O SEBRAE É UM MARCO NA

VIDA DE QUALQUER PESSOA.

Soraya Tonelli

Comecei minha vida profissional muito cedo. Aos 16 anos, já trabalhava

como vendedora em uma surf shop. Aos 17 anos, passei no vestibular

para administração, na UFSC, e fui trabalhar, como estagiária, na então

Secretaria de Indústria e Comércio de Santa Catarina, órgão ao qual o CEAG, na época,

estava vinculado. Trabalhei como estagiária no Prodec, um programa de apoio ao desenvolvimento

de empresas. Isso foi em 1989.

Em março de 1990, tive informação de que o CEAG estava contratando estagiários

para um programa em parceria com o governo do estado – o PIDSE (Programa Integrado

de Desenvolvimento Socioeconômico Municipal) – e me inscrevi. Minha experiência

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 237


na secretaria e com o Prodec ajudaram, e fui selecionada para trabalhar no CEAG, como

estagiária, em março de 1990. Em junho de 1990, surgiu uma vaga para assistente técnica

na área na qual eu estava trabalhando. O PIDSE estava em expansão e havia necessidade

de pessoal para apoio técnico em pesquisas, tabulação de dados; bem como finalização

e correção dos diagnósticos municipais. Fui, então, contratada. Estava, nesta época, na

quinta para a sexta fase da faculdade.

Foi um divisor de águas trabalhar no CEAG. Aquilo que eu aprendia, na teoria,

nas aulas na universidade; eu via aplicado, na prática, por meio das conversas com os colegas

que, na época, já eram consultores. Lia atentamente os relatórios e, a cada dia, gostava

mais deste trabalho e do sentido de ali trabalhar.

Terminei minha faculdade em dezembro de 1992. Minha banca de conclusão de

curso foi em 13 de dezembro e meu casamento, no dia 18 do mesmo mês. Logo depois, entrei

em férias e, para minha surpresa, ao retornar, no fim de janeiro de 1993, fui recebida,

na porta, pelo diretor técnico da época, com a notícia:

- Seja bem-vinda, você foi promovida e é a mais nova consultora da equipe.

Na época, os analistas técnicos eram chamados de consultores. Foi uma alegria

muito grande. Foi um período de muito aprendizado e, logo depois, foi criado o Sistema

S, o Sebrae/SC.

Em 1994, assumi a coordenação estadual de estudos e pesquisas do Sebrae/SC e

passei a interagir, fortemente, com a área no Sebrae Nacional, compartilhando conhecimentos

e experiências com colegas de outros Sebrae/UF. Foi um momento muito bom, de

aprendizado e capacitação. Nesse ano, em dezembro de 1994, nasceu a minha Gabi. Os

anos passam muito rápido.

Em 2007, eu estava trabalhando como analista técnica, na gerência de comunicação

e mercado, e comecei a sentir a necessidade de novos desafios. Sabia que podia

contribuir mais com o Sebrae. Surgiu a oportunidade de um concurso para analista técnico

do Sebrae Nacional, para trabalhar num projeto internacional, em parceria com o

BID, que envolvia decasséguis, no Japão. Me inscrevi, me preparei muito e, ao final, fiquei

em segundo lugar, com excelente desempenho; apenas alguns décimos atrás do primeiro

colocado.

238 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


Mas havia apenas uma vaga. Decidi me apresentar ao diretor técnico do Sebrae/

NA, mostrar meu desempenho no concurso e descrever rapidamente minha trajetória de

carreira no Sebrae/SC e os resultados de tudo que havia participado. Nesta conversa, fui

convidada a ir para o Sebrae/NA, como coordenadora nacional de inteligência competitiva

para MPE. Seriam dois anos em Brasília.

Fui em abril de 2007, de “mala e cuia” e filha. Em julho de 2007, um dos gerentes

do Sebrae/SC solicitou afastamento e a diretoria do Sebrae/SC, que apoiara minha ida,

me convidou a retornar, como gerente de educação. Foi sensacional, mas pedi dois meses

para concluir a entrega do Termo de Referência para Atuação do Sistema Sebrae em Inteligência

Competitiva para MPE. Em outubro de 2007, eu estava de volta e assumindo

a gerência. Nos dois meses anteriores à minha volta, o Urandi assumiu interinamente e

acumulou a gerência. Brinco que ele guardou o lugar pra mim. Grande amigo e profissional,

meu conselheiro de sempre.

Para os novos colegas, digo que vir trabalhar no Sebrae é um marco na vida de

qualquer pessoa, uma oportunidade incrível de aprendizado e de fazer a diferença na vida

de muitas pessoas.

É isso! Orgulho de fazer parte desta empresa.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 239


240 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


CORAGEM,

INOVAÇÃO E

INICIATIVA

TODOS SEMPRE VERÃO EM NÓS

UMA ESPERANÇA DE ALGO MELHOR.

Spyros Achylles Diamantaras

Entrei no Sebrae aos 20 anos, com a inexperiência que nossos 20 anos podem

nos dar. Passei por um processo de seleção via entrevista, para então iniciar os

trabalhos. O curioso foi que, em minha apresentação para a equipe, o gerente

me colocou como sendo um economista que iria trazer experiência e inovações à área de treinamento.

Hoje, percebo que fiz mais perguntas que afirmações nesse início, pois, na época, apenas

procurava respostas e conhecer esse novo mundo que iria desbravar.

Em relação aos desafios enfrentados nesse período, é quase impossível mencionar um

único. A natureza e o estilo da nossa empresa faz com que nos confrontemos com situações inusitadas

e complexas a todo o momento. Mas destaco pelo menos duas situações distintas: uma

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 241


delas, quando o Sebrae ainda não tinha os recursos, tampouco a visibilidade atual. Eu devia ter

uns 25 anos e era responsável, aqui na região da Grande Florianópolis, por um projeto denominado

PRODER, que tinha como bandeira o desenvolvimento municipal, porém, muito focado

em pesquisa e diagnóstico.

Logo nas primeiras reuniões com a comunidade local, principalmente com empresários,

ficou explícita a necessidade de algo mais prático, que trouxesse resultados tangíveis no

curto prazo e, com base nesse diagnóstico, decidi, então, que tínhamos que fazer algo diferente

e prático. Inspirado em experiências passadas, que se perderam no tempo, pois não havia nada

documentado a respeito, apenas relatos, trabalhei na criação e/ou reconstrução e implantação

da Promoção Coletiva do Comércio Local.

A ação tinha como objetivo estimular a venda dos lojistas dos bairros Picadas do Sul

e Forquilhinhas, em São José. Nessa época, era um técnico, sozinho em campo, frente a frente

com uma comunidade inteira. Em 30 dias, sensibilizamos os 46 lojistas, compramos os prêmios,

preparamos e distribuímos os cartazes, confeccionamos os tíquetes a serem entregues nas lojas

aos consumidores, para, na sequência, fazermos panfletagem e carro de som. Passado o período

de vendas e distribuição dos tíquetes, chegava o dia do sorteio.

Estava quase tudo pronto, faltando apenas três itens do nosso check list: um caminhão

com caçamba aberta, que seria o palco do evento; o globo, para o sorteio; e o “animador”, que iria

cantar os números e levantar o público presente à praça principal do bairro, ansioso pelo sorteio.

Na véspera do evento, conseguimos o caminhão e o globo; faltando apenas o tal “animador”.

Mas todos diziam que o “cidadão” da igreja faria isso, pois já estava acostumado. Chegou

o grande dia, o tal “cidadão” achou 1.800 pessoas amontoadas na praça muita gente e disse que

não iria fazer. Foi aí que sobrou para o rapaz do Sebrae/SC, no caso. eu. Enfim, subi naquele caminhão,

peguei orientações de como funcionavam os sorteios tipo loteria e soltei o gogó. Saí de

lá com uma sensação fantástica de euforia e de ter feito a coisa perfeita.

Talvez essa história tenha me marcado, pois estava em início de carreira e sem nenhuma

estrutura de suporte; o que exigiu de mim algo que o Sebrae/SC sempre exigirá e necessitará

de todos nós. Coragem, inovação e iniciativa sempre.

Sobre um episódio marcante é quase impossível escolher um ou outro ao longo desses

anos, foram tantos: a primeira apresentação em público, a primeira viagem ao Sebrae Nacional,

242 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


a primeira entrevista ao vivo, a primeira apresentação para o conselho, a primeira função de

liderança como agente articulador, o convite para ser gerente, a primeira metodologia desenvolvida

sendo nacionalizada. Enfim, tudo aquilo que significou, de forma explícita, que eu estava

evoluindo na empresa. Esses degraus representavam um indicador de que minha carreira estava

crescendo. Todos nós temos que saber identificar quais são esses marcos.

Sobre o principal legado que o Sebrae me deu, entendo que recebemos uma educação

de nossos pais e um conhecimento no colégio e faculdade. Mas não tenho dúvidas de que minha

maneira de pensar, agir e entender o mundo, devo ao Sebrae/SC. Existe algo intangível que nos

torna muito parecidos e, de certa forma, representa o que somos no nosso dia a dia. O curioso é

que encontramos isso de norte a sul do País.

Se eu fosse me perguntar o que mais me trouxe felicidade na empresa, eu responderia,

sem dúvida nenhuma, que é a missão Sebrae/SC; pois, em todas as situações que interagimos

com a sociedade, sempre levamos o bem e a construção de algo melhor. Isso não tem preço. Você

pode atender um analfabeto, um empresário iniciante, um agricultor, um intelectual, um empresário

bem-sucedido e todos verão em nós uma esperança de algo melhor, que irá incrementar

suas vidas e empresas.

Sobre fatos inusitados que vivi, poderiam compor um livro, mas destaco algumas histórias

hilárias que merecem ser divididas com todos.

Em uma de minhas primeiras apresentações em público, na cidade de Rancho Queimado,

tínhamos que relatar o resultado de uma pesquisa sobre desenvolvimento municipal baseado

nos principais setores. Após intermináveis 45 minutos de abertura e falas do prefeito e

diretor do Sebrae, passaram a palavra a mim. Preparei-me, respirei e dei boa noite.

No mesmo segundo em que terminei de falar a palavra noite faltou luz, ou seja, as tais

lâminas que serviriam de referência para eu me basear se foram. Na mesma hora, sussurrei ao

diretor: “E agora?” E ele disse: “Continua.”

Lá fui eu fazer a primeira, e espero, última apresentação no breu. Imaginem apresentar

algo sem um roteiro, e o pior, sem ver a feição das pessoas, do prefeito e do diretor. Para encurtar

a história, fiz os primeiros 20 minutos no escuro, com a certeza de que iria entrar em um curso

de braile no dia seguinte.

Certa vez, estava numa roda de autoridades, juntamente com um diretor do Sebrae,

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 243


quando fomos apresentados às demais pessoas. Num determinado momento, um deles se apresentou

ao diretor e a mim. Se não me engano, foi mais ou menos assim. Eu disse:

- Prazer, Spyros.

Em seguida, o diretor do Sebrae a esta pessoa:

- Prazer, Lauro.

- Ilseu.

Após dois segundos de silêncio, eu e o diretor, falamos:

- Spyros, Lauro... E ele:

- Ilseu, Spyros, Lauro, Ilseu, Spyros, Lauro, Ilseu.

Lá pelas tantas, nos olhamos e percebemos que o nome do cidadão era Ilseu e que ele

não estava perguntando: e o seu?

Falando, certa vez, em uma reunião institucional, com um ex-diretor do SENAI; após

o término da reunião, já no campo das amenidades, perguntei há quanto tempo ele estava no

CIATE, que eu imagina ser um departamento dentro do SENAI, pois todo mundo o chamava de

Marcos do CIATE. Afinal, eu também sou conhecido como o Spyros do Sebrae, como todos nós

somos chamados. Moral da história: o nome dele era Marcos Dociate mesmo!! Putz!!!

Para encerrar, narro o seguinte fato que passei com o Denilson, depois de uma missão

para o município de São Bonifácio, em busca de levar agricultores para conhecer as vantagens de

montar uma usina de leite em forma de cooperativa. Na volta, após deixá-los em suas propriedades

já à noite, vínhamos conversando sobre a tal missão quando, na descida na BR 282, ficamos

sem gasolina. Assim que o carro parou, bem em frente a um cruzamento, decidimos quem

ficaria no carro e quem iria atrás de um posto de gasolina. Por sorte, na sequência, passou um

ônibus e o colega Denílson embarcou reta à frente. Acompanhei, no horizonte, o ônibus sumir

na estrada e lá fiquei eu, por intermináveis 60 minutos.

Já impaciente, resolvi sair do carro e olhar se via, na penumbra da noite, indícios dele

voltando. Eu nada via à frente quando, de repente, alguém bate no meu ombro. Era o Denilson,

chegando a pé, com um sorriso amarelo no rosto, dizendo que havia percorrido uns 8 km em

busca de gasolina e, após seguir reto e virar aqui e ali, o tal posto em que ele havia ido buscar

gasolina estava, na verdade, a poucos metros de onde estávamos com o carro. E como iríamos

saber, se não existia waze?

244 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


FAZER COM

EXCELÊNCIA E

DEDICAÇÃO

QUANDO SE FAZ O BEM ÀS PESSOAS, O RETORNO SERÁ

TAMBÉM COISAS BOAS: É A LEI DA NATUREZA.

Sueli Vieira Sarmento Bernardi

O

meu início no Sebrae/SC foi muito interessante. Na época, eu trabalhava

na ACIOC e, na sala ao lado, funcionava o CEAG, numa salinha muito

pequena. Na época, trabalhavam, no CEAG, o coordenador regional,

senhor Apolônio, e um técnico. No entanto, ambos atuavam muito em campo e não havia

ninguém para, por exemplo, atender ao telefone.

Ficava angustiada em ouvir o telefone tocando, pois sabia que alguém precisava

falar com o CEAG. Então, eu atendia ao telefone e registrava os recados. O senhor Apolônio,

percebendo ser fundamental que alguém atendesse o escritório nas suas ausências,

começou a me recompensar por esse trabalho, com alguns vales-alimentação. Mais tarde,

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 245


me convidou para trabalhar no Sebrae. Aí, começa a minha história no Sebrae/SC, na época

ainda CEAG, como secretária, contratada dia 05 de março de1990.

O meu maior desafio aconteceu em 1999, quando houve a reestruturação do Sebrae/SC.

Fiquei sozinha para executar todas as tarefas dessa grande mudança: fechar as

unidades de Balcão Sebrae/SC existentes nos municípios da região e instituir um novo

modelo de gestão e operação. Foram muitas reuniões com lideranças empresariais e políticas

que não entendiam o fechamento dos balcões e a retirada de equipamentos dos

escritórios.

Dois fatos, dentre muitos, me marcaram na época. O primeiro deles ocorreu enquanto

eu fazia a retirada de computadores de uma unidade balcão que havia sido fechada

e o secretário da indústria e comércio municipal chegou, solicitando, veementemente,

para deixar os referidos equipamentos. Parecia uma queda de braço interminável. Outro

fato foi ter enfrentado, inclusive, uma sabatina na Câmara de Vereadores, respondendo a

perguntas sobre o fechamento dos balcões.

Realmente, não foi fácil. Porém, tudo isso me fortaleceu e, quando fui convidada

a assumir interinamente a região, como agente de articulação, me senti preparada para o

desafio. Tendo sido, logo após, efetivada no cargo.

Há uns 17 anos, em um sábado à noite, fui apresentar o Programa de Qualidade

Total Rural para um grupo de produtores, no interior de Campos Novos. No retorno,

sozinha, quase meia-noite, o carro do Sebrae, um Escort, deu “pane” total. Para minha

sorte, o carro apagou em frente a um posto de combustível e pedi ajuda a um senhor, que

me emprestou uma bateria. Assim, consegui chegar em casa. No outro dia, domingo pela

manhã, eu, meu marido e meu filho mais velho, na época com quatro aninhos, fomos devolver

a bateria. Eu acredito que, quando se procura fazer o bem às pessoas, o retorno será

também coisas boas. É a lei da natureza.

Com muito trabalho e parcerias conquistadas ao longo do tempo, em 2003, inaugurávamos

a Agência de Atendimento e Articulação, com uma abrangência de 16 municípios.

Em 21 de dezembro de 2009, inaugurávamos a Coordenaria Regional Sebrae Meio

Oeste, com 32 municípios. Hoje, são 07 funcionárias, todas mulheres, e atendemos um

território com 34 municípios.

246 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


O Sebrae significa, para mim, as conquistas pessoais, materiais e profissionais.

Significa também a convivência com pessoas maravilhosas, algumas com mais afinidade,

outras menos; porém, não menos importantes, pois aprendemos mais com quem divergimos.

A satisfação do dever cumprido, fazer sempre o melhor e dar o meu melhor em

prol das pessoas. É trabalhar para aqueles que procuram o Sebrae para abrir um negócio,

ou que apresentam um problema que precisa de solução. É gratificante participar de projetos

nas comunidades, que ajudam tantas pessoas. E deixar algo que ninguém pode tirar:

o conhecimento, a oportunidade de ser melhor e melhorar vidas.

Em especial, gostaria de agradecer e mencionar três pessoas:

Senhor Apolônio Spadini que acreditou no meu trabalho e me convidou para trabalhar

no então CEAG, em 1990;

Meu marido, Josmar Bernardi, pelo companheirismo e apoio incondicional ao

desenvolvimento a minha carreira no Sebrae; e

O Senhor Carlos Guilherme Zigelli, pelo exemplo de liderança inspiradora.

Para encerrar, digo a quem chega a essa instituição, que faça tudo com muito

amor e dedicação, sem esperar algo em troca. A recompensa é o resultado desse trabalho

feito para as pessoas e para o Sebrae. O resultado profissional pode demorar, mas vai ser

alcançado e, quando construído com essa premissa, é duradouro e muito mais gratificante.

Busque sempre a perfeição, mesmo que digam que ser perfeito é impossível. Até pode

ser, mas acredito que a perfeição é o caminho para a excelência.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 247


248 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


MINHA

HISTÓRIA

FUI APRESENTADA AO ACERVO ESPETACULAR

GERADO PELOS ANOS DE TRABALHO DE CONSULTORIA.

Telma Elita Simon

O

ano era 1991. Eu cursava minha segunda faculdade, administração, na

UFSC e nosso grupo de alunos discutia a criação de uma Empresa Júnior.

Viajamos para São Paulo e conhecemos a FGV Jr. e a FAAP Jr. Voltamos e

criamos a UFSC Jr, a primeira Empresa Júnior de Santa Catarina, hoje Ação Júnior.

Queríamos prestar consultoria, mas como fazer, se o curso de administração, até

o momento, ainda não tinha nos dado esta experiência prática? Foi então que surgiu o

CEAG e eu, a gerente de projetos da UFSC Jr., fui me candidatar a uma vaga de estágio no

CEAG. Consegui, com a ajuda da colega Silvia Carvalho. Iniciei minhas atividades no Setor

de Marcas, com a Sandra Márcia Gomes de Andrade e a Cleide Nienkoetter, trabalhando

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 249


na organização das fichas de clientes e arquivos.

Naquele ano, o CEAG passou a ser um serviço social autônomo, o Sebrae/SC; agora

com mais orçamento para executar seus projetos e ações. Em função do novo momento,

no final do meu estágio, fui contratada.

E surgiu um recurso para o CDI, o Centro de Documentação e Informação: dois

computadores. Um ficou no CDI e outro foi para o financeiro, mas ninguém sabia utilizar

o computador do CDI, com exceção de mim. Eu tinha acabado de cursar “Micro Isis versão

2.3”, pela Associação Catarinense de Bibliotecários. Era um software distribuído pela

UNESCO para organização de bibliotecas, e fui ajudar a Margarete Beccari, a bibliotecária,

a organizar o acervo da biblioteca no computador.

Foi quando aconteceu um momento lindo, na minha história no Sebrae/SC. Fui

apresentada ao acervo espetacular gerado pelos anos de trabalho de consultoria de campo

do antigo Ibagesc, e depois CEAG. Cataloguei todos aqueles relatórios de consultoria,

folheei com cuidado e atenção cada um deles. Conheci todos os consultores pelos nomes,

todos os que passaram pelo Ibagesc e pelo CEAG e, a partir daquele momento, eles passaram

a ser meus colegas de trabalho; deste trabalho lindo, a consultoria.

A aluna da UFSC, que tinha recém-fundado a UFSC Jr., foi apresentada para a

história da instituição que era referência em consultoria, naquele momento.

Entrei no dia 5 de Agosto de 1991, fui contratada como assistente administrativo

e concluo minha história como analista técnica. Nestes 24 anos e quatro meses, passei pelas

mais diferentes funções, sendo o atendimento empresarial a principal atividade.

Trabalhei no Balcão Sebrae; na Coordenadoria Regional Sul de Criciúma; no início

do Teleatendimento; na Biblioteca do Empreendedor; na Agência de Atendimento de

Florianópolis; na Gerência de Recursos Humanos, sendo responsável pelo credenciamento

de instrutores e consultores e depois pela qualidade de vida no trabalho; e meu último

posto está sendo na Coordenadoria Regional da Grande Florianópolis, na qual trabalhei

como recepcionista, no atendimento presencial e, por fim, no setor administrativo.

Finalizo aqui minha história, agradecendo a todos, à diretoria do Sebrae/SC e a

todos os colegas de trabalho, pelo apoio e carinho com que sempre me trataram.

Um grande abraço para todos!

250 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


EM TEMPOS DE

OPEN INNOVATION

NAS PALAVRAS DE UM EMPREENDEDOR,

PERCEBO O QUANTO FAZEMOS A DIFERENÇA.

Urandi Flores Boppré

Há alguns anos, a tecnologia era um mito, um tabu. Era coisa da NASA,

de grandes empresas, grandes laboratórios; algo distante e intangível

para as e micro e pequenas empresas. Quando comecei a atuar na área

da tecnologia, tudo era muito embrionário. Nem no estado havia nada neste sentido, como

órgãos, unidades, secretaria ou comitês sobre o tema. Imagina falar a palavra tecnologia,

hoje tão corriqueira, para um pequeno empreendedor, no final dos anos 90 e início de 2000.

Uma das nossas primeiras incumbências era sensibilizar os empresários. Precisávamos

desmitificar, explicando que o simples ato de lavar as mãos é uma tecnologia

para não contaminar processos produtivos. Uma melhoria de layout no local de trabalho é

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 251


uma tecnologia. Aos poucos, começaram a entender o conceito por trás dessa palavra tão

temida.

As primeiras palestras que realizamos, nesse sentido, eram em retroprojetor. Fizemos

cartilhas fáceis de compreender. Falamos de patentes de invenção e de formas de

aperfeiçoamento. De que tecnologia é também melhoria de embalagem e investimento

em design. “Design”, outra palavra a ser compreendida e vivida no dia a dia. As linguagens

acadêmicas, para estes temas, eram dificílimas. O Sebrae/SC levou a tecnologia, o design e

a inovação para dentro da micro e pequena empresa. Isso é fantástico.

Não faz muito tempo, visitei uma empresa na cidade de Caçador. Uma pequena

empresa produtora de puxadores de plástico. Em conversa informal com o empresário, o

mesmo me disse que tinha uma passagem comprada para o final do ano, para participar de

uma feira de inovação na Alemanha. Além disso, falou que estava trabalhando com open

innovation. Ele disse:

- Não sou mais eu que penso sozinho a inovação, eu peço aos meus clientes por

e-mail e telefone que me sugiram inovação. São eles que me ajudam.

Com isso percebi que o objetivo de levar a inovação para todo canto foi cumprido.

Sempre vibrei muito com esses casos de clientes. É emocionante ver marcas que foram

registradas no Sebrae/SC crescerem e se tornarem referência nacional. Sinto-me completo

e realizado ao ajudar as pessoas e seus negócios. É gratificante ter a oportunidade de reencontrar

essas pessoas e perceber que estão crescendo e progredindo.

Mas minha história no Sebrae/SC começou muito antes. Trabalhei por nove anos

na Embrafilme, viajando para fiscalizar os cinemas no estado de Santa Catarina. Eu era

fiscal da Embrafilme. Viajava de ônibus pelas cidades, visitando e fiscalizando os cinemas.

Passados alguns anos, aconteceram cortes de verbas e foram sendo fechadas unidades em

todo o País, inclusive aqui, e acabei perdendo o emprego.

Nesta época, minha esposa estava grávida do primeiro filho. Para não dar a notícia

a ela, pois estava no oitavo mês de gravidez, eu me arrumava, de manhã cedo, fazia a

barba, me vestia e saía de casa; retornando apenas ao final do expediente. Fazia de conta

que ainda estava trabalhando. Mas já havia falado com alguns conhecidos, inclusive com

meu pai, na busca de uma nova colocação. Esta situação durou uns 10 dias; então, fui cha-

252 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


mado para uma colocação no Unibanco e pude contar a verdade a ela.

No decorrer desta situação, outros amigos meus, em uma conversa, falaram a

meu respeito. Nessa época, eu fazia faculdade de direito em Itajaí. Foram cinco anos intensos

e de muita dedicação. Além do deslocamento diário, éramos a primeira turma e,

pode-se dizer, uma turma cobaia da universidade.

Encontrei um desses amigos, que me falou sobre o CEAG e da oportunidade de

uma vaga. Fui fazer uma prova e quem também fez o teste foi o Paulo Ferreira, que viria

a ser diretor do Sebrae mais tarde. Não fui muito bem nessa prova, que era bem extensa e

complexa, voltada para cálculos. Três dias depois, recebi a notícia de que, para o departamento

de pessoal, eu não havia realmente ido bem na prova. Por outro lado, sinalizou-se

uma possibilidade em outro setor, notícia que me deixou muito feliz. Após apenas 40 dias

trabalhando no Unibanco, comuniquei ao gerente que iria sair para iniciar minhas atividades

no então CEAG.

Fui trabalhar no setor administrativo e financeiro do Sebrae/SC. Eu lançava as

horas técnicas dos consultores e dos atendimentos do Sebrae. Era uma folha gigante, do

tamanho de uma mesa. Nela, constavam os nomes dos profissionais que estavam em campo.

Eu recebia os canhotos de atendimento e lançava as horas de cada um deles, para

depois cobrar os valores do serviço prestado para cada empresa. Na época, não havia dinheiro

do governo para pagar as contas do CEAG; eram as próprias empresas que pagavam

pelas consultorias e atendimentos que recebiam. Essa era a fonte de recursos.

Ao falar dos recursos, os mesmos eram muito escassos. O trabalho de campo, de

atendimento às empresas, era realizado utilizando, para o deslocamento, três fuscas velhos.

Já eram comprados usados por causa da falta de recursos. Era com eles que fazíamos

as viagens e prestávamos atendimento os clientes em todo o estado. Caso furasse um pneu

pelo caminho, ou era remendar, ou era comprar outro pneu usado, e olha lá. Houve dias

em que andei com prego e martelo na maleta, para consertar mesas, dias de salários em

atraso ou parcelados. Um cenário bem diferente do que vemos hoje.

Quando me formei em direito fui trabalhar na assessoria jurídica, como assistente

técnico. Permaneci por três anos atuando nessa área, assinando como advogado.

Em seguida, recebi o convite para trabalhar no escritório estadual do INPI – Instituto

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 253


Nacional de Propriedade Industrial, dentro da secretaria do governo, onde permaneci e

gostei muito de trabalhar. Durante este período, auxiliei a implantação do setor de marcas

dentro do Sebrae, com o objetivo de gerar receita própria. Algum tempo depois, retornei

ao Sebrae/SC, trazendo junto o INPI. O Sebrae/SC fazia os processos de registro que eram

recebidos pela representação do INPI onde eu trabalhava. O empresário conseguia fazer

tudo dentro do próprio Sebrae/SC.

Em 1995, o Sebrae/SC decidiu permanecer apenas com o setor de marcas, devolvendo

o escritório do INPI para a Junta Comercial do Estado. No Sebrae/SC chegamos a

ter uma carteira de 4 mil clientes com processos de registro. Já trabalhei como assessor da

diretoria, gerente e, inclusive, novamente no jurídico, atuando sozinho nesta função por

algum tempo.

Em torno do ano de 2003, reassumi a gerência de tecnologia, na qual estou até

hoje; ou seja, até meu último dia, com a adesão ao PDI, esse ano. Digo que foi uma experiência

muito gratificante, principalmente, quando percebo, pelas palavras de um empreendedor,

o quanto fazemos a diferença.

254 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


GRANDES

AMIZADES

O PRAZER DE ESTAR UM POUCO JUNTO DOS OUTROS.

Valmira Maria da Silva

Eu era gerente de um restaurante, localizado no Bairro Estreito. Além de participar

de cursos e capacitações que o Sebrae/SC realizou no meu local de

trabalho, também fornecíamos alimentação para eles, sob demanda. Com o

tempo, fui fazendo amizade com as pessoas.

Um dia, um gerente do Sebrae/SC, que era cliente do restaurante, veio falar comigo e

disse que precisavam de uma cozinheira para a Associação dos Funcionários do Sebrae/SC. Eu

aceitei a proposta de trabalho, pois via a possibilidade de uma estabilidade, e fiquei nove meses

como cozinheira da associação. Depois, o Sebrae/SC mudou-se para o prédio da Avenida

Rio Branco e eu passei a trabalhar como recepcionista. Mais tarde, passei a atuar na função de

telefonista, atividade que desenvolvo até hoje. Neste meio tempo, terminei os estudos do en-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 255


sino médio e estou concluindo minha faculdade, agora, no final deste ano. Pretendo continuar

estudando, mas ainda não sei qual o próximo curso que vou escolher.

Atuando como telefonista, conheço todas as pessoas e procuro estar sempre bem-

-humorada. O meu trabalho é o meu foco. Digo para as outras pessoas que queiram trabalhar

no Sebrae/SC que estudem, conheçam os produtos e estejam focados no seu trabalho. Pois é

preciso conhecer o cliente, conhecer os empresários, seus problemas e o que eles pretendem,

para poder dar um bom resultado ao Sebrae/SC e ao próprio cliente. Esse é o ponto principal.

É importante gostar de trabalhar aqui e conhecer bem a empresa.

Quando vim trabalhar no Sebrae um dos meus objetivos era a estabilidade; coisa que

eu conquistei, tanto adquirindo bens materiais, como imóvel próprio e carro, quanto fazendo

viagens e podendo investir nos estudos. Posso dizer que o Sebrae/SC me proporcionou coisas

muito boas. Posso, inclusive, auxiliar meus pais, que são idosos e precisam de um cuidado

especial, dividindo despesas com os irmãos.

Estou concluindo o curso superior de processos gerenciais e penso em fazer mais

dois anos e concluir o curso de administração. Sempre gostei de estudar, antes da faculdade,

aproveitava os cursos oferecidos pelo Sebrae/SC e chegava a fazer três ou quatro por ano. Já

estou com 56 anos, sei que nem parece (risos), mas nem penso em parar; quero fazer mais um

curso depois, mas ainda não escolhi a área.

Gosto de sempre estar fazendo alguma coisa, não gosto de ficar em redes sociais e tal,

mas gosto de fazer cursos e ler artigos ou livros pela internet. Estou sempre me atualizado,

acho isso muito bom. Meu filho, hoje com 33 anos, está empreendendo e tudo o que aprendo

no Sebrae/SC, procuro compartilhar com ele; apesar de ele já estar bem encaminhado. Sempre

tem algo que vejo, acho interessante e passo para ele.

Do pouco tempo que trabalhei na associação, tenho lembranças muito boas. As pessoas

cultivavam muito a amizade. Havia a turma de cerveja da quarta-feira, após o expediente. A

gente se reunia, tomava uma cervejinha e conversava sobre muito assuntos. Falávamos que éramos

a “nata” do Sebrae/SC. Era algo muito salutar, de amizade mesmo. Lá pelas 8 ou 9 horas da

noite, já íamos para casa. Era questão de tirar um tempo para estar um pouco junto dos outros.

Hoje percebo que isso é um pouco mais difícil; a vida anda mais corrida. Até por mim mesma,

já não faço mais isso com tanta frequência. Mas acho que deveríamos resgatar um pouco esse

tipo de convivência com as pessoas.

256 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


O QUE VIVENCIEI

NO SEBRAE

UM PERÍODO AGITADO, DESAFIADOR E DE PLENA

REALIZAÇÃO QUE GUARDO COM MUITO CARINHO.

Vera Lúcia Concer Prochnow

Sempre gostei de viajar, conhecer pessoas e seu jeito de lidar com seus recursos,

problemas e potencialidades, como uma forma de “criar pontes”.

Desde muito jovem, ficava imaginando o que e como fazer para conhecer

outros estados e países, seus povos, histórias e culturas. Sonhos bastante distantes para a

realidade dos meus 15, 18 anos.

Na universidade, busquei as possibilidades para realizar meu desejo. Conheci e

participei de diversas operações do Projeto Rondon, como integrante e monitora. Oportunidades

que me proporcionaram conhecer os mais recônditos cantos do nosso Brasil,

principalmente do centro-oeste e nordeste, onde pude conviver com as limitações causa-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 257


das pelo clima e solo adversos.

Entrei para o time do Sebrae em março de 1980. Até então, conhecia algumas cidades

de nosso estado, de algumas regiões com as quais tivera contato por questões familiares

e também profissionais; especialmente no sul, de onde sou originária (Urussanga),

serra, oeste e norte.

Nessa época, o Sebrae/SC mantinha o seu próprio quadro de consultores e instrutores.

Todo trabalho era desenvolvido por esse corpo técnico, que ia sendo alocado segundo

suas aptidões e disponibilidades. Em sua grande maioria, fora da sede – Florianópolis

– centro administrativo.

O Sebrae, nessa época, vivia praticamente de recursos gerados, ou por receita

própria – com a grande maioria dos trabalhos sendo demandados por grandes empresas

ou entidades empresariais, em qualquer ponto do estado de Santa Catarina – ou por algumas

poucas parcerias com as Secretarias de Estado, que eram captadas a cada “novo sopro

de vento” e cuidadosamente alimentadas.

Por ofício do novo trabalho a realizar, aquilo que antes era um desejo, passou a

ser o meio de executá-lo: a rotina de viajar, ou seja, não havia rotina. A cada tempo, mudava

o município onde executar um projeto, o grupo, o curso. Por meio desse trabalho,

conheci empreendedores – rurais e urbanos – dos mais variados quilates.

Um dos trabalhos mais desafiadores de que participei, chamava-se Programa Integrado

de Desenvolvimento Socioeconômico. Esse programa fora concebido por colegas,

que eram também professores universitários, e tinha por objetivo identificar as razões

pelas quais um município apresentava baixos índices de desenvolvimento social e econômico.

E era realizado normalmente de forma solitária. Cada consultor/a era responsável

pelo seu município.

O trabalho consistia em levantar todo tipo de dados existentes em entidades públicas,

privadas e bancárias, e que fossem relevantes para a pesquisa em curso. Esses dados

eram tratados e compunham uma parte importante do que se denominava “Diagnóstico

Socioeconômico”. Outra parte, muito esperada, dizia respeito à indicação de oportunidades

de negócios; fruto dos levantamentos dos recursos disponíveis e possibilidades de

usos inexplorados até então, além das necessidades indicadas pela comunidade, local ou

258 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


egional, nem sempre conhecidas por seus moradores. Esses eventos despertavam novas

discussões e interesses, que resultavam em novos relacionamentos, novos investimentos

e novas demandas para o Sebrae ajudar a suprir.

Contávamos com um ou dois estagiários e uma equipe de hábeis datilógrafas a

quem os rascunhos, depois de conferidos, eram entregues para serem datilografados. Na

época, não contávamos com a tecnologia dos microcomputadores e internet de hoje. Então,

tudo era minuciosamente pesquisado, compilado, escrito e datilografado.

Se realizar um trabalho desses já era difícil, imaginemos realizá-lo na totalidade

dos municípios de um estado. Pois foi o que aconteceu conosco. O Sebrae/SC, atravessando

uma considerável crise financeira, em 1990, negociou com o governo do estado, a

realização do Diagnóstico Socioeconômico nos 193 municípios de então.

O estado fora subdividido em macrorregiões e todos os consultores foram proporcionalmente

agrupados. O tempo de execução era exíguo. Mas fomos desafiados e

tínhamos que dar conta da demanda. Eu e outra colega ficamos responsáveis por duas

regiões – Vale de Tijucas e Grande Florianópolis. Houve um dia em que percorremos 549

quilômetros, tal era a corrida para colhermos as informações e depois processá-las.

Participei ativamente da estruturação desse programa estadual como um todo,

pesando muito a favor a minha experiência de execuções anteriores; o que me possibilitou

contribuir significativamente para o repasse da metodologia, implantação dos trabalhos

em campo e auxílio aos colegas não familiarizados com sua execução. Por isso, fui incumbida

de coordenar os trabalhos de toda a equipe técnica e de – agora – digitadores.

Com o tempo apertando, contratamos serviços temporários de digitação, pois

não tínhamos equipamentos e pessoas suficientes para realizar a tarefa dentro do cronograma

previsto. Nossa equipe, a de técnicos da secretaria, outros contratados e eu, passou

a trabalhar na própria secretaria. Eu passei a ser interlocutora entre as duas entidades. Todos

os trabalhos foram por mim revisados, técnica e gramaticalmente, objetivando apresentarem

uniformidade no tratamento das informações a serem prestadas.

Esse trabalho rendeu-me excelentes relacionamentos e reconhecimento; embora

temporários. No Sebrae/SC, assumi interinamente a gerência em que o programa estava

alocado. Na secretaria, reconhecendo o trabalho realizado, ofereceram-me uma bolsa de

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 259


estudos no Japão, da qual tive que abdicar, por coincidir com dois outros grandes e inadiáveis

compromisso já assumidos: a entrega de minha monografia do curso de especialização

em marketing, na Udesc; e a data de meu casamento. Foi um período muito agitado,

desafiador, de plena realização e que guardo com muito carinho.

260 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


GRATIDÃO E

RECONHECIMENTO

VIVA O SEBRAE/SC INTENSAMENTE.

Wanderley Wilmar de Andrade

Este ano, completei 18 anos de casa; motivo de muita emoção. Dentre as

vivências que me foram proporcionadas, neste período, estão o agradecimento

e o reconhecimento a algumas pessoas especiais, que fizeram a

diferença em minha vida.

Iniciei minhas atividades, como parceiro, em agosto de 1995; ficando responsável

pelo atendimento prestado no Balcão Sebrae, localizado da Federação das Indústrias do

Estado de Santa Catarina – FIESC. Nesse período, era funcionário do IEL/SC e estava à

disposição do Sebrae/SC.

Em 1997, me tornei funcionário do Sebrae/SC e passei a realizar atendimento no

Balcão Sebrae localizado na Avenida Rio Branco, em Florianópolis. Um período de apren-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 261


dizado no qual tive alguns professores: Ademir Luiz Bento (in memória) e Paulo Voltolini,

ao qual rendo todos meus elogios. Deste mesmo período, rendo meu respeito para alguns

colegas que foram chefes e parceiros de trabalho: João Pinheiro (meu primeiro gerente),

Elizabete Baesso, Heverton Luiz Vieira, Luciano Silva, Ademar Martins, Januário Raimundo

Serpa Filho e Urandi Flores Boppré

Ao longo deste tempo no Sebrae/SC, existem duas experiências desafiadoras e

gratificantes que gostei muito de ter vivido. Primeiramente, assumir a Agência de Articulação

de Rio do Sul, uma fase significa, para mim, satisfação e respeito profissional. Foi

realmente o meu maior desafio. Eram 28 cidades vinculadas à agência e foram cinco anos

de atividades, com excelente desempenho e várias atividades desenvolvidas para fortalecer,

ainda mais, os empresários da região.

A lembrança mais marcante foram as enchentes que vi de perto em Rio do Sul.

Uma experiência incrível e uma demonstração da força de vontade de um povo que perde

muitas coisas materiais, mas jamais desiste.

A segunda experiência que me marcou foi ser convidado pelo gerente, Urandi Flores

Boppré, para ser coordenador do Núcleo de Educação Unidade de Empreendedorismo

e Inovação – UEI. Isso aconteceu no ano de 2011.

Nesse momento, gostaria de render minha homenagem ao amigo e colega de

trabalho, Urandi. Um ser humano fantástico com quem aprendi a conviver e cujos ensinamentos

me permitiram aprender muito. Ele sempre nos leva a refletir e pensar no

próximo. Com muita paciência e carinho pelas pessoas, nunca se furtou a repassar seus

conhecimentos profissionais e, principalmente, de vida. Agradeço esse carinho e respeito

pelos quase cinco anos de convivência.

Aos demais colegas, digo que tenho todo respeito pelas pessoas que aqui estão

e pelos amigos que estão saindo no Plano de Demissão Incentivada - PDI. O Sebrae/SC é

uma empresa com um clima fantástico de trabalho e com profissionais diferenciados.

262 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


COLOCAR A

MÃO NA MASSA

ESSE É O ESPÍRITO QUE PREVALECE NO SEBRAE/SC.

Wilson Sanches Rodrigues

A

minha história no Sebrae teve um início muito bacana. Eu e minha esposa

viemos, de São Paulo para Florianópolis, em busca de qualidade

de vida. A família dela já era daqui. Eu iniciei como gerente de um hotel

na beira da praia. Ali conheci uma senhora, a Dona Guerda, que tinha muita experiência

em turismo e estava desenvolvendo um projeto, neste sentido, para o Sebrae/SC. Ela me

propôs um teste, para participar da equipe desse projeto, e fui aprovado, junto com mais

três colegas.

Neste projeto, num período entre seis meses e um ano, capacitamos, aproximadamente,

quatro mil pessoas no estado. Foi uma área totalmente nova para o Sebrae/SC.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 263


Tendo vivido esse início, e olhando o que somos hoje, uma referência que agrega parceiros

em prol do turismo, vemos que construímos algo forte. Trabalhamos com muita sinergia

e somos uma equipe técnica de alto padrão.

Quando passamos a ser Sebrae com ‘S”, começaram a chegar novos recursos vindos

do governo federal. O que permitiu o desenvolvimento de muito projetos pelo estado,

em parceria com prefeituras, associações e outros parceiros ligados ao trade turístico. Foi

um marco na história. Nosso projetos também sempre tiverem muita qualidade e muitos

serviram de referência para outros estados do Brasil.

Acredito que colaboramos para que Santa Catarina desse um salto de competitividade

no turismo. Nem imaginávamos que, hoje, atuaríamos com turismo náutico, turismo

de experiência, gastronômico, e tantas outras formas de turismo segmentado que existem

hoje. Nos últimos anos, falou em turismo no estado, o Sebrae sempre está unto. Inclusive

conquistamos um selo da UNESCO, como cidade gastronômica, nos últimos dois anos.

Isso muito se deve ao perfil do profissional que temos no Sebrae. Quando da

participação em feiras, para divulgar nossos destinos e nossos produtos turísticos como

um todo, nunca poupamos esforços. A gente fazia literalmente de tudo; carregava caixas,

materiais e folders, montava o estande, organizava o ambiente todo. Colocava a mão na

massa, como se fossemos os próprios donos da empresa.

A gente sabe da dificuldade do empresário de sair do seu negócio, deixar a sua

cidade, seu processo de trabalho, e ir para uma feira. Muitos não podiam despender esse

tempo, tampouco dinheiro. Assumíamos toda a divulgação, como se o negócio fosse nosso.

Até vender produtos a gente vendia. A satisfação é fantástica, ao ver o resultado de

alguém comprar um produto que foi transformado por um projeto do Sebrae/SC.

Era muito gratificante ligar para o empresário, em Santa Catarina, e dizer:

- Envia mais trinta ou quarenta peças, que está vendendo fácil.

Quando estávamos em um Salão de Turismo, em São Paulo, por exemplo, vendo

o produto ser comercializado e o estoque diminuir naquele ritmo. Lembro do exemplo das

casinhas da cidade de Pomerode, que indicam o clima; se vai fazer chuva ou sol. O artesão

acreditou no nosso aconselhamento e mandou 60 peças para o evento. No segundo dia,

já tínhamos vendido tudo. E a feira durava dez ou quinze dias. Ele começou a produzir

264 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


mais peças e todas estavam já com venda garantida. É algo que materializa todo o nosso

trabalho. Tem dedo da gente, ou no produto, ou na produção.

Lembro também da Denusa Demarchi. Lembro dela, lá no início, quando esticava

o couro do peixe manualmente, de forma bem precária. Tenho fotos desse início, e

ver no que ela se transformou, num processo em que orientamos a mudança do nome, o

desenho da marca, o investimento em design, o apoio para o acesso ao mercado. Hoje, ela

está em grandes lojas em São Paulo. Ver isso se realizar é algo que não tem explicação.

Passei por algumas áreas, no Sebrae/SC, como a área de educação, que me permitiu

conhecer o que é capacitar as pessoas. Também atuei na unidade de São José, depois na

cidade de Palhoça, com projetos aplicados diretamente em campo. Aprendi a questão da

busca de parcerias e as metas de geração de receita própria. Depois, quando da instalação

das Agências de Desenvolvimento Regional, percebemos o quanto poderíamos contribuir

para o desenvolvimento dos municípios. Esses processos serviram de referência em âmbito

nacional. Juntamente com as informações geradas pelo Proder Comcenso, as agências

criaram projetos de desenvolvimento e retornavam ao Sebrae/SC para utilizar nossas soluções

na concretização desses projetos.

Depois atuei como gestor de projetos, no setor de comércio e serviços; envolvendo

varejo, moda, serviços, redes de empresas, entre muitos outros. Elaborava projetos

para buscar recursos nacionais a investir no estado, o que fez crescer muito a carteira de

projetos em andamento. Atuei novamente direto na ponta, na Coordenaria Regional de

Florianópolis e, recentemente, assumi a Gerência de Comunicação e Mercado.

Nessa gerência, muitas coisas foram novidade, como conhecer os grupos de redes

de comunicação, as assessorias de imprensa, o desenvolvimento de materiais de comunicação.

Para isso tudo, de certa forma, me favoreceu ter atuado em campo anteriormente,

pela visão das necessidades que os gestores regionais têm para se comunicarem com o seu

público-alvo.

Para vender cursos, por exemplo, é preciso construir uma comunicação eficaz.

Envolver essas pessoas, construir essa comunicação, ouvir as demandas e entender as

suas necessidades foi fundamental. É um trabalho conjunto, em parceria. Uma via de mão

dupla. Além disso, a gerência tem outras atividades, como acesso a mercado, acesso a cré-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 265


dito, fidelização de entidades de classe, entre muito outras que precisam de atenção.

Uma passagem interessante de qual me recordo é lá da minha chegada aqui;

quando os tempos eram mais difíceis e faltavam recursos financeiros, inclusive para pagar

os salários. Naquela fase, o diretor, Vinícius Lummertz, reuniu os funcionários e disse:

- Ou nós demitimos 30% dos colaboradores, ou reduzimos a jornada e 30% do

salário.

Por unanimidade, todos optaram por reduzir os seus salários, para que ninguém

fosse demitido.

Fomos incorporando a questão da busca de receita, e lembro que eu e o Spyros,

decidimos sair para vender. Fizemos uma programação de visita a clientes e, diariamente,

saímos de porta em porta, realmente como os vendedores que vemos por aí. Os empresários

nos recebiam, acreditavam naquilo que estávamos propondo e voltávamos com

dinheiro, cheques, cheques pré-datados, nominais ao CEAG, e entregávamos ao caixa da

empresa.

Os diretores diziam:

- Esses caras estão vendendo. Estão trazendo recurso para dentro de casa.

E aquilo começou a entrar no dia a dia da gente, até hoje, continuamos com essa

filosofia e acreditamos que temos o perfil e a capacidade de buscar isso no mercado. Cada

dia é uma conquista. Estou há 26 anos do Sebrae, já recebi alguns prêmios e reconhecimentos,

que se devem ao esforço coletivo empreendido no Sebrae/SC.

Lembro, também, de uma feira em Rancho Queimado, em um final de semana.

Lá, tínhamos que montar o espaço do Sebrae do Artesanato. Fomos com a Ducato, um

carro maior, para poder transportar todo o material. Como não tinha hotel na cidade,

a gente dormiu dentro do carro por duas noites. Tomamos banho na casa de algumas

pessoas. Mas o principal era não deixar a peteca cair. Esse é o espírito que prevalece no

Sebrae/SC. Essa é a nossa vida nessa empresa.

266 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


HISTÓRIAS

PITORESCAS

PARA LER E RECORDAR

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 267


268 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


O CORO DE GATO

Sérgio Henrique Pereira

OCoro de Gato foi uma das maiores jogadas de marketing que já vi. Também

não poderia ter sido diferente, pois teve como um dos mentores

o nosso marqueteiro Joel Fernandes. Esse grupo musical conquistou a

fama e manteve-a mesmo entre aqueles que nunca a ouviram tocar, felizmente.

A filosofia implícita inicial do Coro de Gato era “mostre o seu talento”. Entretanto,

percebemos quase que de imediato que não era bem talento o que nos movia. A nova

filosofia implícita então passou a ser “se mostre ao público”. Mas, analisando bem o perfil

do grupo, estava claro que mais da metade era do tipo “forro de guarda-roupa”, ou seja,

que não gostava de aparecer, e nesse grupo incluo eu (Sérgio), Adriano (Cabelo), Rubinho,

Luiz e Fred. A dedução final foi de que não existia filosofia, apenas um estado de espírito,

próprio de cada um, mesmo que esse estado espiritual viesse duma garrafa e um copo.

Dessa democracia espiritual, nasceu a democracia do estilo musical, que tinha

uma variada matiz, indo do reggae do Cabelo, passando pelo rock carioca do Brito, a bossa

nova contida e escondida do Sérgio, os pagodes mela calcinha do Rubinho, e os sambões

de morro do nosso Jamelão Branco, Sr. Carlos Dias. Joel dava o toque intelectual.

A noite de estreia foi carinhosamente preparada com um churrasco. Muitos comeram

o churrasco e foram embora antes do show, que começou sob pressão e protestos

do tipo “vocês vão tocar ou não?”. Na realidade ainda não estávamos emotivamente preparados,

faltava alguma coisa para dar o brilho inicial. Para ser sincero, faltava um pouquinho

mais de cachaça. Entretanto, num ato de coragem extrema puxei o primeiro acorde

de “Tarde em Itapoã” e na sequência começou uma batucada desconectada que junto com

umas vozes trôpegas materializaram nossa primeira apresentação.

Não demorou para logo se formar um backing vocal, destacado pelas vozes agu-

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 269


das da Margarete e da Vera (era um misto de falsete com lamúria). A partir daí a coisa

deslanchou. Íamos da “Tonga da Mironga do Kabuletê” à “Hotel Califórnia”, passando por

sambas clássicos como “Foi um Rio que Passou em Minha Vida”. Depois foi só administrar

o sucesso, enraizado no Pub Caverna Del Diablo, com palco e luzes, carinhosamente construído

pelo Carlos Dias.

Os fãs eram o nosso combustível e, por insistência deles, muitos outros shows

foram realizados. Nosso princípio era ter um público de qualidade e não de quantidade.

Acho que já chegamos a ter umas 30 almas nos ouvindo.

Lembro que numa apresentação tivemos um público de umas cinco estagiárias e

mais três amigas delas, além dos mais ou menos 15 integrantes da banda. Sucesso total.

Outra apresentação memorável foi quando começamos o show apenas com os

próprios integrantes, sabendo que o povo (umas cinco amigas da nossa vocal Denise) inevitavelmente

chegaria depois. Começamos a tocar as 18h30. Lá pelas 21h45 elas ainda

não haviam chegado, mas não perdemos a esperança. Instalamos o Rubinho na janela do

pub Caverna Del Diablo, tal qual um olheiro de cardume de peixe, para que este nos informasse

o momento exato da chegada do público. Eis que, as 22h50, Rubinho avisa com

alegria: “estão chegando”.

Neste momento nossa alma se encheu de energia e passamos a cantar com um

entusiasmo contagiante. Contudo, era um alarme falso. O carro que havia chegado não

era das colegas da Denise, mas sim alguém chegando de viagem e colocando o carro na

garagem que ficava anexa ao pub. A esperança não morreu. Fizemos uma parada técnica

para descansar a voz e molhar a garganta. Era aproximadamente 1h20 do dia seguinte,

quando o olheiro Rubinho anunciou, desta vez com mais alegria e entusiasmo, “agora

são elas!!! Não é o carro do Sebrae que está entrando na garagem!”. Foi uma correria para

pegar os instrumentos e voltar a tocar com todo o brilho e energia que ainda tínhamos.

Mas a esperança se transformou em decepção. Desta vez era um carro que havia entrado

no estacionamento apenas para manobrar e fazer um retorno. Esperança perdida, fomos

tratar de combater a larica que já se abatia há muito tempo em todos nós, raspando os

farelos das caixas de pizza que havíamos comido às 20h.

Nessa curta trajetória, o Coro de Gato, que não tinha repertório próprio, fez algumas

versões impublicáveis como o “Blues da Ni” e a “#onga da #ironga do Kabu#ete.

270 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


O DELEGADO

E A BOMBA

Eugênio de Souza Martinez

Certa vez fomos realizar um trabalho em Mondaí, eu, o Álvaro e o Colombelli.

Estávamos andando pelo Centro da cidade em torno da praça da

igreja matriz. Iríamos começar um treinamento lá. Na época era ainda

um distrito, uma cidade muito pequena, nem município era. A gente caminhando por

ali para conhecer a cidade antes de iniciar o nosso trabalho e dali a pouco avistamos um

senhor. Sisudo, sentado no banco da praça, ele olhou para gente e fez um sinal para nos

aproximarmos.

Era inverno e o Álvaro estava com uma jaqueta enrolada carregando dentro alguns

materiais.

Chegamos em frente a ele que com cara de poucos amigos perguntou:

- Quem são vocês?

- Sim, mas por que o senhor que saber?

- Quero saber porque eu sou o delegado!

O Álvaro mais do que rápido responde:

- Opa, opa, já vou largar a bomba!

Nunca vi um senhor se jogar no chão tão rápido. O delegado simplesmente pulou

do banco, se jogando para trás. Ela achava que éramos assaltantes de banco. E como a cidade

era pequena e nós, estranhos, em um ambiente em que todos se conheciam, ele havia

ficado desconfiado com a nossa presença.

Mais do que depressa nos explicamos, que foi uma brincadeira, que éramos do

CEAG e que estávamos lá para realizar um trabalho com as empresas.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 271


O PASSEIO

DE ESCUNA

Antônio Fernando Rolemberg Aragão

Dentre muitas ações não posso deixar de relatar o nosso grande e inesquecível

passeio de escuna. A ideia era promover uma confraternização.

Contratamos a melhor escuna, com espaço para 120 pessoas, um barco

todo equipado com alimentação, bebidas, entretenimento e música - o melhor que pudemos

encontrar. No itinerário, saída da Baía Sul, passando por um passeio pela Ilha de

Anhatomirin e o retornando ao ponto de partida. Um passeio entre amigos, tanto que

não estava previsto nenhuma parada e nossa rota levaria em torno de três a quatro horas,

entre ida e volta. Esse passeio foi realizado no mesmo dia da festa de confraternização de

fim de ano do Sebrae/SC, pois muitos colegas vinham do interior do Estado para participar

da reunião e da confraternização, então aproveitamos a oportunidade para integrar as

pessoas no passeio de barco.

A saída prevista para o sábado de manhã, do píer do Iate Clube de Florianópolis.

Na véspera, simplesmente, desceu o céu, trovões, trovoadas, relâmpagos e muita chuva.

Nós já havíamos pagado todo o passeio adiantado e perderíamos a oportunidade. Eis que

o sábado amanhece com um belo dia, um pouco de nevoeiro e um expectativa de termos

sol ao longo do dia. Partimos às 9 horas da manhã, com lotação de umas 90 pessoas, todas

muito alegres.

Nossa escuna rumo à Enseada dos Golfinhos, com comidas, bebidas, papo vai,

papo vem e chegamos ao nosso destino. Na Enseada as pessoas poderiam descer um pouco,

apreciar a paisagem, até mergulhar para quem tivesse vontade. A água estava muito

agradável para um banho de mar. Eis que, de repente, não mais que de repente, o vento

muda de rumo. O comandante, estilo velho lobo do mar, põe os olhos no horizonte e diz:

272 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


melhor chamar todos a bordo e partirmos logo, pois esse vento vai agitar o mar. Recolhemos

todos e partimos. Foi então que tudo aconteceu.

Começou uma tormenta e nós todos em alto mar. Os olhos fixos no horizonte. O

caminho que antes parecia tão perto agora era de uma distância aterradora. O mar ensandecido.

Chacoalhava mais que carroça em estrada de chão. A escuna ia lá em cima e descia

ao balanço das ondas. Balanço é apelido. Estava mais para mar em fúria. Depois soubemos

que foi um dos piores dias para a navegação naquele ano.

O grupo de pessoas se dividiu em três grandes facções: os apavorados, os enjoados

e os alienados. Da mesma forma se distribuíram geograficamente dentro da embarcação.Os

apavorados ficaram no andar térreo, de onde era possível ver o horizonte e

acompanhar cada metro navegado. Uniam-se em orações, em olhares esbugalhados, em

expressões de clemência para que tudo terminasse logo.

Os enjoados, agruparam-se no porão da embarcação. Não havia lugar pior para

se aglomerarem, pois é onde mais fortemente se sente o agito do mar. Nem o melhor

argumento os faria sair dali. Igual vespas mesmo sem vespeiro, permaneciam no mesmo

lugar. Faltam palavras para descrever a cena do porão. Náuseas, vômitos, ranger de dentes

e comoção pública. Dentre os enjoados também estava o subgrupo dos em pânico, que

vestiram o colete salva-vidas e viram estátua. Não conseguiam sair do lugar.

Já o grupo dos alienados escolheu por território o ático. A cobertura da embarcação.

O andar mais alto e mais perigoso. Já diz a sabedoria popular que com um copo de

bebida (ou vários), muito covarde fica corajoso, só pode ser. Eram os mais alegres. Penso até

hoje nisso. Continuavam alguns a dançar, outros riam do perigo, outros chegavam bem perto

da borda da embarcação, uma pequena mureta, para dali melhor ver o mar revolto, o que

para eles devia ser algo realmente muito bacana para apreciar. Permaneciam com os copos

na mão a fim de não desperdiçar os gêneros alimentícios e “bebitícios”. Alienados, pois creio

que não perceberam a gravidade da situação, ou então, que perceberam, mas não deram a

mínima, pois como já diz outro ditado: não existe mar feio, foi você que bebeu pouco.

A escuna ia e voltava. Ia e voltava. Passamos por outra embarcação que estava à

deriva, muito menor do que a nossa. Os apavorados ficaram ainda mais apavorados. Os

animados do ático bradavam em cumprimentos ao pessoal da pequena escuna. Pareciam

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 273


saudar um time de futebol que entra em campo. Uivos o gritos. Já os enjoados, não viram

nada. Estes só perceberam a situação, quando pelo rádio nos foi solicitado retornar para

fazer o resgate daquelas pessoas. Aí eles se perceberam que mudamos de rumo e que ficariam

ainda por mais tempo enjoados.

Foi então que se sucedeu o salvamento. Éramos a embarcação mais próxima que

poderia auxiliá-los. Tratava-se de um pequeno grupo de turistas, da cidade de Maravilha,

que viam o mar pela primeira vez. Quando estes começaram a adentrar o nosso barco,

seus semblantes eram pálidos, olhos arregalados e agarravam-se a nós, literalmente com

todas as forças. Tinham as mãos trêmulas e geladas. Agarravam-se com as unhas e não

queriam soltar, tamanho era o medo. Apavorados. Com todos salvos, seguimos viagem.

E nossa escuna continuava a subir e descer, num balanço interminável. Chegamos

todos bem à costa, são e salvos. Alguns nem tão sãos. Entretanto, a festa de confraternização

que aconteceria à noite ficou prejudicada, muitos passaram mal e acabaram

não participando.

A SOMBRINHA

DE PRAIA

Maria de Lourdes Heidenreich

Um dos funcionários costumava usar sempre uma “sombrinha de praia”

como guarda-chuva quando estava chovendo. Chique né. Ou diferente.

Assim, num dia muito chuvoso, seus colegas picaram um monte de papel

e jogaram dentro da sombrinha de praia dele. Ao sair para o almoço, em plena rua Tenente

Silveira (o Sebrae localizava-se nessa rua), ele abriu a “sombrinha” e caiu um “mar de papel

picado” em cima dele. Passou o maior mico.

274 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


45 REAIS POR

UMA SUGESTÃO?!

Alessandra Pinheiro

Em 2012 a Feira do Empreendedor ocorreu na cidade de Blumenau. Todos

os empregados do Estado escalados para trabalhar ficaram hospedados no

hotel Viena. No domingo, último dia de funcionamento da feira, faltando

alguns minutos para o encerramento do evento, os colegas já começaram a combinar o

deslocamento até o local onde ocorreria o jantar de confraternização, promovido para

aqueles que trabalharam na feira. Para os que não residiam na cidade, a programação era

dormir em Blumenau e retornar para a sua cidade na segunda-feira pela manhã. Como eu

precisava estar em Florianópolis na segunda bem cedo, aproveitei o momento para procurar

carona entre os colegas que retornariam naquela mesma noite para a cidade. Logo

fechamos um carro eu, a Cleide, a Denise e a Kátia. O combinado era ir rapidamente ao

hotel após o encerramento da Feira, arrumar as coisas, fazer check-out e nos encontrarmos

em frente ao Viena.

Corri para o hotel, arrumei minha mala e fui para a recepção fazer o meu check-

-out. Olhei para a rua e a Denise já nos esperava dentro do carro, na frente do hotel e a

Kátia caminhava ao encontro dela. Poucos segundos após iniciar o meu check-out a Cleide

apareceu ao meu lado. E ali ficou aguardando o seu atendimento, enquanto acompanhava

atenta a minha conversa com o atendente. Ele foi até a impressora, pegou a folha com o

descritivo da minha despesa e falou:

- Senhora, favor conferir no papel o valor total. É o valor das diárias acrescido de

cinco reais da taxa de informação.

Surpresa, perguntei:

- Taxa de informação? O que seria isso?

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 275


E ele respondeu:

- Senhora, taxa de informação é cobrada sempre que um cliente solicita a um dos

atendentes do hotel uma informação adicional da cidade.

Espantada, pensei por alguns segundos qual informação eu havia solicitado e

lembrei:

- Vocês estão me cobrando cinco reais porque ontem eu perguntei onde ficava a

fábrica da Hering?

A Cleide me olhou com o mesmo ar de surpresa e espanto, e percebi que ela já estava

pronta para argumentar em minha defesa se fosse necessário. Porém imediatamente

o atendente disse:

- Calma senhora, mas essa taxa é opcional. Posso retirar da conta se preferir.

Respondi aliviada:

- Ótimo, por favor, retire.

O atendente imediatamente corrigiu a minha conta, reimprimiu e eu efetuei o

pagamento. Decidi aguardar a Cleide no balcão para irmos juntas até o carro. O atendente

então se dirigiu a ela, perguntou o número do quarto e da mesma forma imprimiu o

demonstrativo de despesa para conferência. Silêncio. A cada segundo que ela olhava os

números no papel, que estavam ao lado do descritivo “sugestão”, mais vermelha ficava. A

Cleide estava indignada. Ela não se conteve e perguntou ao atendente:

- O quê? Que sugestão é essa? Como assim, vocês estão me cobrando 45 reais por

uma sugestão? Mas, que absurdo. Nunca vi isso. Já cobraram 5 reais da menina porque

perguntou onde ficava a Hering e agora esses 45 reais na minha conta? O que é isso?

Nesse momento eu e o atendente olhávamos para a Cleide tentando entender. E

ela continuava argumentando, indignada:

- Eu não pedi sugestão nenhuma, se vocês me deram sugestão foi porque quiseram!

Eu não vou pagar 45 reais por uma sugestão, o que é isso gente?

O atendente tentava explicar a origem da despesa, assim como fez comigo:

- Senhora, constam em nossos registros um pedido de sugestão em seu nome na

quinta-feira.

E a Cleide indignada interrompia:

276 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


- É um absurdo. Eu não vou pagar nada. Por favor, chame o gerente. Eu não pedi

sugestão, se me deram foi porque quiseram (ela repetia).

O atendente sem conseguir ser ouvido e um pouco assustado, foi aos fundos da

recepção e trouxe o gerente. E ela repetia:

- Eu não vou pagar nada. Que sugestão é essa? Eu não pedi sugestão nenhuma, se

me deram foi porque quiseram. Não vou pagar esses 45 reais. Absurdo!

Enquanto ela argumentava, o atendente explicava para o gerente a situação. Então

o gerente calmamente parou na frente dela e perguntou:

- Então a senhora não pediu uma Sugestão do Chef, prato do nosso cardápio, em

seu quarto na quinta-feira?

A Cleide calou. Agora tudo estava mais claro. Todos nós olhamos para ela. E então

veio a resposta:

- Ah, aquele macarrão? Pedi, pedi sim. Pode passar o cartão, é no crédito.

Viemos chorando de tanto rir a viagem toda, de Blumenau até Florianópolis. A

Kátia e a Denise não acreditavam o que tinham perdido. Eu contava e recontava a história

e cada vez riamos mais. A Cleide no maior clima de descontração me ajudava a lembrar da

frase mais cômica que ecoava na recepção do hotel Viena:

- Eu não vou pagar nada. Que sugestão é essa? Eu não pedi sugestão nenhuma, se

me deram foi porque quiseram!

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 277


O ESPECIALISTA

INTERNACIONAL

Sérgio Henrique Pereira

Meu gerente me chamou e me deu uma folha com algumas poucas linhas

sobre o que era Incubadora de Empresas. Disse que era um tema

moderno e que eu iria participar de uma reunião em São Miguel do

Oeste sobre o assunto, e orientou-me a anotar tudo que fosse falado. Tranquilamente fiz

a minha programação de viagem. Entretanto, achei estranho quando me mandaram de

avião, numa época que todo mundo viajava apenas de carro. Mais estranho ainda foi ter

uma pessoa me esperando no aeroporto de Chapecó, para me levar até São Miguel do Oeste.

Apresentamo-nos rapidamente e seguimos viagem, conversando sobre amenidades,

tipo vida de caserna.

Não foi uma viagem tranquila, esse cidadão chamava carro de viatura e pessoas

de elemento. Ele também não dirigia, voava. Já tive um enjoo antes da reunião. Depois

de 200 quilômetros de emoção, chegamos ao local. Acho que era um clube, o local estava

cheio de carros, muitos prefeitos e secretários municipais. Entramos no auditório e eu, rapidamente,

acomodei-me na última fileira de cadeiras (como fazia na época de estudante),

tranquilão. Ao meu lado, coincidentemente, conheci um outro colega do CEAG. Fiquei ali

relaxado. Aquela folhinha sobre incubadoras, um bloquinho e caneta para anotar tudo.

De repente, meu amigo “motorista” dirige-se à frente do auditório, pega o microfone,

pede silêncio e faz a abertura do evento. Pensei: pô, esse cara deve ser influente aqui.

Todo mundo em silêncio ouvindo-o. E ele, garboso, fez toda aquela solenidade: “Senhoras

e senhores, muito boa noite, trago aqui um abraço da nossa diretoria, blá, blá, blá, este

é momento ímpar, de suma importância, um marco para a nossa região. Por isso, neste

278 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


instante, e sem muitas delongas, convido-os ao ouvirem a palestra do Especialista Internacional

em Incubadora de Empresas, o engenheiro Sérgio Henrique Pereira. Sérgio, por

favor dirija-se aqui à frente!”.

Meu mundo desabou. Por ínfimas frações de segundo pensei que pudesse ter um

homônimo naquele recinto, mas quando vi todos os olhares para o fundo da sala, senti

aquela morte súbita. Instantaneamente parecia que tinham jogado água de cachaça com

areia de praia nos meus olhos. Tudo ficou embaçado. A temperatura corporal despencou,

como se eu tivesse entrado num freezer. Adquiri uma cor verde defunto Levantei-me com

fraqueza e me dirigi à frente do auditório com aquele papelzinho na mão. Nesse momento,

além da visão turva, corpo gelado, começou uma tremedeira nas mãos, o papelzinho chegava

a fazer barulho de tanto que chacoalhava. As primeiras palavras balbuciadas foram

“incubadora de empresas” com uma voz fraca, tipo Hiena Hardy.

Depois dessas duas palavras, a minha boca, como num movimento involuntário

de fugir do meu corpo e daquela situação, foi secando e diminuindo até ficar do tamanho

de uma moeda de 50 centavos. Falei por intermináveis três minutos e meio, com uma voz

cada vez mais fraca, tudo o que eu sabia sobre o tema: quase nada. Agradeci a todos pela

atenção e dei por encerrada a minha “palestra”. A visão turva deveria ter me poupado de

ver a reação do público, que era um misto de piedade e deboche. Dirigi-me à minha cadeira

no fundo da sala, com camisa, cueca e meias suadas, frio e tremedeira. Enquanto caminhava,

as pessoas me olhavam como se eu fosse uma aberração. Até hoje me pergunto: por

que não fugi pela porta dos fundos quando fui chamado? Acho que porque minha sina é

ser o anti-herói.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 279


LINHA DE FRENTE

Eliane da Rosa Figueira Costa

Achei interessante contar sobre um fato ocorrido quando retornei da minha

segunda licença maternidade, depois do nascimento da Pietra. Na

semana em que retornei de licença, fui informada que haveria uma reunião

com a Rede de Credenciados da Grande Florianópolis, aqui na Sede, e que eu deveria

fazer uma apresentação.

Logo quando soube, fiquei muito preocupada. As mulheres que já tiveram filhos

sabem bem o motivo, assim como os homens que também já viram suas esposas passarem

por isso. Depois de um período onde a mulher não sai de casa para nada, assiste televisão

no mudo para não acordar o bebê, tem como metas únicas e vitais: trocar fraldas, amamentar,

dar banho e ninar uma criança, ou seja, momento em que o modo “mãe-tempo-

-integral” é o único selecionado, o vocabulário, o encadeamento lógico, o simples diálogo,

do início ao fim, sem esquecer de alguma palavra importante no meio da fala são coisas

quase que inexistentes, depois de sete meses onde o foco era um bebê.

E foi com isso que me deparei no meu retorno da licença maternidade. Sabia que

seria um grande desafio, pois já tinha passado por isso quando retornei da licença da minha

primeira filha, Valentina, em 2012.

E assim ocorreu: Comecei a minha fala com um nível de concentração de 150%.

Nada me tirava o foco de cada palavra que eu dizia. Não podia, em hipótese alguma, perder

meu raciocínio, pois se isso ocorresse, sem dúvida, não saberia nem mais dizer quem eu era.

Enquanto falava e percebia todos aqueles olhos atentos em mim, queria dizer que

nossos consultores e instrutores eram a linha de frente da nossa atuação, junto ao cliente.

Quanto mais próxima eu chegava dessa conclusão, mais eu me distanciava da expressão

“linha de frente”. Não conseguia me lembrar da expressão e a única coisa que me vinha

em mente era “pano de fundo”. Eu falava, chegando cada vez mais próxima da conclusão:

280 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


vocês são a linha de frente do Sebrae/SC, mas insistia em aparecer na minha cabeça a expressão

“pano de fundo”. Tentei manter a respiração, não perder a concentração, não pressionar

meu cérebro recém desligado do modo “mãe-tempo-integral” e concluir. E concluí.

Respirei fundo, realizada, enfim, feliz por ter conseguido.

Tudo estava ótimo. Missão cumprida. Foi quando eu me sentei e ao meu lado

estava meu amigo Spyros. Não hesitei e fui logo perguntando: Falei certo? Deu para entender?

Não me perdi, não é?

E ele, sorriu, consentiu com a cabeça, mas continuou me olhando. Senti que tinha

algo mais, algo além da expressão que foi tudo bem. Algo do tipo: “falo ou não falo para

essa pobre criatura?”. Continuei olhando para ele, até que me disse:

- Foi bem. Só a expressão “pano de chão” é que não caiu muito bem.

E foi aí que o meu chão caiu, com pano e tudo. Meus braços chegaram a ficar dormentes.

Só conseguia repetir: Não! Não! Não!

Olhei para o Paulo Teixeira, ele haveria de desmanchar aquela brincadeira e me

tranquilizar dizendo ser uma pegadinha do Spyros. E nesse momento ele me respondeu

que eu realmente falei “pano de chão”.

Imagino o que tenha sido para os credenciados ouvirem que eles são o “pano de

chão” da nossa atuação? Pano de chão...passei meses me torturando e torcendo para que

não tivessem ouvido...Era uma conclusão...tempo acabando... ninguém ouviu.

Em maio de 2016, realizamos reuniões com a Rede de Credenciados em todas as

regiões do Estado e iniciamos pela Grande Florianópolis. Eu estava bem, sem histórico de

licença maternidade, cérebro funcionando bem. Pensei: agora é a hora! Vou me redimir.

E assim o fiz, nas duas turmas. Fiz questão de relembrar o fato, contar o que

ocorreu e me desculpar com todos. Foi a melhor coisa que fiz, pois no almoço, veio ao meu

encontro um credenciado que disse:

- Oi Eliane! Quero te cumprimentar e te dizer que estás desculpada. Eu estava na

reunião e falei com o Spyros logo após a tua fala. Perguntei a ele por que disseste “pano

de chão”. Se eu soubesse que estavas retornando de licença maternidade teria entendido

perfeitamente, pois vi minha esposa passar por isso três vezes.

Enfim, pude me desculpar. Todos riram muito do ocorrido. Numa das turmas,

após pedir desculpas, os credenciados bateram palmas e eu fiquei aliviada, liberta do erro.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 281


O TOCA-FITAS

Osni Rogério Vieira Branco

Tem uma história engraçada, daquele tempo das viagens pelo Estado, que

envolveu eu, o Volpato e o Antônio Hélio. Naquela época a gente não tinha

equipamentos de audiovisual como os que existem hoje. O que a gente

tinha era um rádio gravador, chamado toca fitas e algumas fitas K7, com mensagens,

que a gente ligava no cliente.

Assim seguíamos os três em viagem. O Volpato estava no banco da frente e andava

sempre com aquele gravador na mão escutando música em fitas K7. Ele adorava aquilo.

Estávamos atuando na região de Brusque e quem estava conduzindo o fusca era

o Antônio Hélio, que ainda não tinha muita experiência e, lá pelas tantas, ele perdeu a

direção do veículo em uma curva e bateu em um barranco.

O Volpato era um pouco gordo e com o solavanco do carro, o toca-fitas cravou no

peito dele, bem na altura dos “peitinhos” (risadas). A marca dos botões ficou por muito

tempo nele. Gostava tanto do gravador, que ficou gravado no peito.

282 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


A DESCOBERTA

DO PAINTBRUSH

Edgar Macedo Júnior

Quando chegou um dos primeiros computadores, ainda quando o Sebrae/

SC ficava na rua Tenente Silveira, o diretor mandou instalar na biblioteca,

que ficava em frente a sala dele e era toda envidraçada. Foi o primeiro

equipamento de uso das pessoas. Ninguém tinha computador na mesa. Claro, tinha uns

computadores no Centro de Processamento de Dados - CPD, mas ninguém tinha acesso.

Esse foi o primeiro computador da casa onde as pessoas podiam mexer.

Nesse mesmo dia, o diretor fez um discurso a todos, com algumas recomendações

para aproveitarmos o horário de almoço ou o horário de intervalo para irmos nos familiarizando

com o equipamento. “Vão treinar. A evolução vai ser por aí e daqui a pouco todos

terão que saber como utilizar um computador. Num futuro próximo cada um terá o seu

computador para trabalhar e tal”, disse na época.

Eu lembro bem que o Sérgio Pereira terminou de almoçar naquele dia e disse:“Vamos

lá mexer naquele troço”. Lá fomos nós cheios de curiosidade. Demoramos um pouco para

descobrir como é que ligava e também como mexer com o mouse. Logo descobrimos o Paintbrush

- espero que alguém lembre desse programa, que existe até hoje.

Começamos a desenhar um monte de palhaçada no computador. Dávamos risada,

imagina moleque com brinquedo novo. Dali a pouco escutamos uns barulhos, era o diretor.

Achamos que ele estava almoçando, mas que nada, estava na sala dele. Então eu disse:

- Sérgio, desliga esse troço ligeiro, olha o diretor aí.

Que sufoco! A gente não sabia como desligar, muito menos como minimizava uma

tela e tudo mais. Suamos frio, aperta daqui, aperta dali e nada. Só restava mesmo puxar da

tomada.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 283


O PALESTRANTE

SHOW

Sérgio Henrique Pereira

Determinada situação fui chamado para fazer uma apresentação na Federação

das Indústrias, onde teria a participação do presidente e tudo

mais. Preparei-me, olhei como se comportavam os palestrantes shows e

tentei imitá-los. Passei gel nos cabelos, coloquei uma calça bag (devia ter umas oito pregas

de cada lado) e um paletó com ombreira, com as mangas dobradas. Fiquei meio estranho,

parecia a cabeça do Dunga, o tronco do Roberto Carlos e as pernas do Getúlio Vargas, mas

como era moda, tudo bem.

Preparei as transparências, com canetas coloridas, e levei um dedinho de plástico

que se colocava em cima das transparências para apontar o que estava falando. Na época

já existiam as canetinhas laser, mas eu não ousava usá-las, porque eu tremia tanto que o

pontinho vermelho parecia descrever a trajetória de uma mosca envenenada.

Para minha alegria, quando cheguei no local, o microfone que eu usaria era aquele

estilo Sandy & Júnior, o que seria perfeito para compor o meu visual. Mas, neste instante,

começou a ruir a minha apresentação show. A bateria e o filzinho do microfone deveriam

ficar no bolso do paletó, que era novo e tinha os bolsos costurados ainda. Na ânsia de

abri-los discretamente, arrebentei a linha e rasguei um pedaço do forro. Nisso alguém da

plateia gritou: “paletó novo hein?”. O resto nem preciso contar.

Noutra ocasião, numa apresentação em São Paulo, tremia muito para segurar o

microfone. Passava o microfone de uma mão para a outra e nada. Foi quando pedi para

me arrumarem um pedestal, porque, disse eu, se eu continuar segurando o microfone

dessa forma ele vai gozar.... A partir daí ganhei o público e pude falar qualquer coisa que

ninguém mais prestava atenção. Pelo menos sai feliz.

284 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


A BARBA

DO CALISTO

Maria de Lourdes Heidenreich

Um fato inusitado aconteceu com um “faxineiro” da casa chamado Calisto

(as copeiras e os faxineiros eram todos funcionários naquela época, hoje

são terceirizados).

Ele tinha uma barba comprida e contava para a Iracema que o sonho da mãe dele

era que ele cortasse aquela barba. Foi contar logo para quem.

Num certo dia, ia ter eleição da Associação e a Iracema, muito esperta e com toda

a sua a criatividade, resolveu ajudar a mãe do Calisto. Falou para ele que todos tinham que

estar presentes na reunião de eleição, todo o corpo funcional, inclusive os diretores,pois

viria a equipe de televisão para gravar.E,por esse motivo, todos teriam que vir arrumados,

os homens de terno e as mulheres de vestido longo e que ele teria que fazer a barba, pois

não ia ficar bem pra ele aparecer assim na televisão.

A Iracema, em seguida, ainda contou para todos os funcionários a peripécia dela

sobre o Calisto para todos confirmarem a mesma versão. E assim chegou o grande dia: o

Calisto chegou para trabalhar na faxina, de terno branco e de barba totalmente cortada!

Depois que ele descobriu a verdade contou para sua mãe e ela mandou agradecer a Iracema.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 285


GRUDADA NO

FERRO DE PASSAR

Fátima Leontina Ferreira

Já trabalhei em tantas funções, como copeira, cozinheira, no almoxarifado,

fazendo faxina e até mesmo passando roupa.Desta tarefa tem uma história

interessante.

Eu tinha combinado com algumas pessoas do meu setor, de fazer uma pegadinha

com a minha colega de trabalho, a Anita. Iria fingir ter sido eletrocutada pelo ferro de

passar. E assim começamos a montar a cena. Deitei no chão com o ferro na mão como se

tivesse caído com um choque elétrico.

Escutei alguém chegando pela escadae fingi estar morta. Mas não era a Anita, era

a Lurdinha de um outro setor que não tinha nada a ver com a história. Ela me viu e gritou:

– Ai Meu Deus, a Fátima está grudada no ferro! E saiu correndo.

Ela achou que eu tinha sido eletrocutada.

Começou a chegar um bando de gente trazido pela Lurdinha, que estava apavorada.

Todos querendo saber o que tinha acontecido.

Mas eu já estava de pé passando roupa como se nada tivesse acontecido.

A Lurdinha ainda atordoada disse:

– Não estavas grudada no ferro? Pensei que estavas morta.

Eu respondi:

– Se estivesse morta eu estaria deitada com o ferro na mão!?

Demos muitas risadas. Mas a Lurdinha precisou de um pouco de água com açúcar

para se acalmar depois do susto.

286 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


EMPURRANDO

O FUSCA LADEIRA

ACIMA

Gilson Alberto dos Santos

Um fato que marcou muito foi durante uma atividade de comercialização

de um curso de custos que fui fazer em Caçador. Foi num período de frio

muito intenso. Lembro que na semana que fiquei em Caçador, um dos

dias dormi na casa de um colega da época de república.

No dia seguinte, depois de me aprontar para iniciar as visitas às empresas, deparei-me

com o carro coberto de geada, após uma madrugada gelada. Quando vi aquilo, logo

fiquei preocupado, pois o carro era movido a etanol e corria o risco de não dar partida.

Nessa época não tinha o reservatório de gasolina, eu acho...Dito e feito: depois de três

tentativas, o fuscão afogou e quase arriou a bateria em função da insistência. Decidimos

então, eu e o meu amigo, empurrar o danado ladeira acima, até onde tínhamos força para

descer com ele na banguela e tentar fazer pegar no tranco. Foram várias tentativas que

não deram certo. O último recurso foi encostar o fuscão (verde piscina) em frente à casa,

abrir a tampa do motor, esperar o sol aparecer e aquecer as turbinas do possante.

Feito isso, depois de certo tempo, já por volta de umas dez horas da manhã fiz

uma nova tentativa, girei a chave da ignição e para minha felicidade o motor do fuscão

deu sinal de vida. Foi só o tempo de me recompor e ir à luta,afinal, o grupo para participar

do curso precisava ser fechado e o Relatório 21A me aguardava assim que retornasse a

Florianópolis.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 287


O BALOEIRO E O

NOME FANTASMA

Maria Inês Paludo Gregianin

Muito providencialmente, justo no dia de hoje que parei para escrever

este relato, atendi um cliente que me fez refletir sobre essa jornada.

Ele veio em busca de informações para o irmão que reside em Florianópolis

e o diálogo foi mais ou menos o seguinte:

- Olá, bom dia! Em que posso ajudá-lo?

- Então, é o seguinte, eu gostaria de saber o que é preciso para abrir um baloeiro?

Por vezes os clientes nos pegam de surpresa, mesmo com experiência, nos levam

a pensar se não entendemos bem ou se por acaso esse negócio era novo e eu ainda não

conhecia. Perguntei novamente tentando entender melhor a situação.

-O que o senhor quer iniciar? Com o quê o senhor vai trabalhar?

- Vou trabalhar com balas!

Ou seja, ele queria ser baleiro.

Outro fato ocorrido neste mesmo dia, ao fazer o cadastro de um atendimento eu

perguntei qual era o nome fantasia. O cliente respondeu que não tinha. Então terminei

de preencher o restante das informações como é de praxe, realizei o atendimento e, já

finalizando as informações, o cliente resolveu fazer uma última pergunta: e esse nome

“fantasma”, como faço para conseguir?

288 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


SEM PARABRISAS,

SEM LENÇO E SEM

DOCUMENTO...

Paulo Teixeira do Valle Pereira

Numa das minhas idas ao interior, fomos para uma cidade do Oeste, eu

e o colega Osni, com quem viajei muito nos tempos do Promicro e o

colega Geraldo, que já saiu faz muito tempo.Estávamos dividindo um

carro, o melhor daquela época, uma Parati usada que o CEAG tinha ganhado do Estado.

Deixaríamos o Geraldo em Videira e seguiríamos para nosso destino. Fomos pela rodovia

recém-aberta, a BR-282. Naquela época ela era asfaltada apenas até Alfredo Wagner, depois

era estrada de terra até Lages.

Bem no meio do caminho, estávamos atrás de um caminhão e dele veio uma pedra

que quebrou o vidro da frente do carro. Não podíamos voltar, pois o Geraldo tinha reunião

marcada para o início da tarde. Então precisamos tirar todo o vidro e seguir viagem.

Não imaginam a quantidade de pó que enfrentamos.

Passamos por muitos caminhões que estavam carregando troncos de árvores

para as empresas de papel da região. A quantidade de poeira que levantava não permitia a

visão a mais de cinco metros. Só sei que quando chegamos em Lages, paramos para colocar

um vidro novo, completamente cobertos de poeira. Imundos. Não havia poros sem poeira,

inclusive dentro de nossas bagagens. Foi uma viagem muito emocionante, para não dizer

outra coisa.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 289


APRESENTAÇÕES

Spyros Achylles Diamantaras

Certa vez estava numa roda de autoridades, juntamente com um diretor do

Sebrae e fomos apresentados às pessoas.Havia o burburinho do evento,

pessoas conversando, música ao fundo. O que por vezes nos atrapalha

de ouvir com clareza. Em determinado momento um senhor se apresentou ao diretor e a

mim. Se não me engano foi mais ou menos assim:

- Prazer, Spyros.

Em seguida o diretor do Sebrae:

- Prazer, Lauro.

E este senhor diz:

- E o seu?Ao qual prontamente respondemos novamente:

- Spyros.

- Lauro, prazer.

E ele tornou a dizer “Ilseu” e mais uma vez repetimos tudo novamente achando

que ele não havia compreendido.

Foi então que calmamente ele falou, como quem faz um contato alienígena, apontando

com os dedos: “Spyros”, “Lauro” e “Ilseu”.

Então olhamo-nos e percebemos que o nome do cidadão era Ilseu eque ele não

estava perguntando “e o seu”?

290 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


AH,

OS NOMES...

Spyros Achylles Diamantaras

Falando em nome, certa vez em reunião institucional com um antigo

diretor do Senai e, após o término, já no campo das amenidades, perguntei:

- Há quanto tempo o senhor está no CIATE?

Eu imaginava ser um departamento dentro do Senai, pois todo mundo o chamava

de Marcos do CIATE, afinal eu também sou conhecido como o Spyros do Sebrae. O que

é muito comum nesse meio.

Moral da história: o nome dele era Marcos Dociate mesmo!!!

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 291


O DESPERTADOR

Maria de Lourdes Heidenreich

Uma colega comprou um despertador novo e estava toda garbosa mostrando

o bem adquirido. Para quê. Todos sabiam o horário em que ela

embarcava no ônibus para ir para casa, que ficava no Sul da Ilha. Os horários

desse itinerário eram restritos e fixos, todo mundo sabia exatamente o horário do

ônibus que ela pegava para ir embora.

Em um momento que ela se distraiu trabalhando, um colega pegou o relógio despertador

e programou para que o mesmo despertasse exatamente quando ela já estivesse

dentro do ônibus, a caminho de casa.

Dito e feito. Na hora exata o relógio começou a despertar.

Todos se agitaram e começaram os burburinhos dentro do veículo para saber de

quem era o tal despertador. Inclusive a própria colega achou estranho um relógio estar

despertando dentro do ônibus. Só depois de algum tempo, que ela percebeu que o relógio

era o dela, que estava dentro da sua bolsa. Apressou-se em abri-la e desligar o “maldito

despertador”.

292 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


NÃO TEM

COMO ADIVINHAR

Spyros Achylles Diamantaras

Esse fato passei com o Denilson, após uma missão para o município de São

Bonifácio, em que levamos os agricultores para conhecer as vantagens de

montar uma usina de leite em forma de cooperativa. Na volta, após deixá-

-los em suas propriedades já à noite, vínhamos conversando sobre a tal missão quando,

na descida na BR-282, ficamos sem gasolina em nossa Tonner. Assim que o carro parou,

bem em frente a um cruzamento, nos pusemos a discutir quem ficaria no carro e quem iria

atrás de um posto de gasolina.

Por sorte, na sequência passou um ônibus e o colega Denílson embarcou reta a

frente. Acompanhei no horizonte o ônibus sumir na estrada. Lá fiquei esperando, na beira

da estrada, por intermináveis 60 minutos. Impaciente, saí algumas vezes do carro para ver

se na penumbra da noite havia indícios dele voltando.

Eu nada via à frente quando de repente alguém bate no meu ombro. Era o Denilson

chegando a pé com um sorriso amarelo no rosto dizendo que ele havia percorrido uns

oito quilômetros em busca de gasolina e após seguir reto e virar aqui e ali o tal posto que

ele havia ido buscar gasolina estava, na verdade, a poucos metros de onde estávamos com

o carro.

Mas como iríamos saber se não existia waze??

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 293


O CARRO

DE SOM

Edgar Macedo Júnior

Um dia aprontaram uma para mim que não esqueço até hoje. Era meu

aniversário e a minha esposa teve a brilhante ideia de mandar um carro

de som para me homenagear. Ela estava um pouco insegura, por ser um

ambiente de trabalho e decidiu ligar para meus colegas para pedir a opinião. E, claro, colocaram

a maior pilha nela. Aquela raça toda se uniu contra mim e diziam: ele vai adorar! Já

fizeram isso aqui para outras pessoas! É muito legal! E por aí foram os incentivos...

Imagina aquele prédio da avenida Rio Branco, 11 horas da manhã, época de inverno.

De repente para aquele carro todo colorido com o som a mil por hora. Eu pensei

comigo: Não pode ser, não comigo.

Dali a pouco o cara chama no microfone:

- Edgar! Parabéns pelo seu aniversário etc. e tal.

Eu não sabia o que fazer, se descia, se não descia. E o pessoal falando: Desce logo!

Anda! Vai lá e cancela esse som logo para a gente trabalhar! E davam risada.

Cheguei lá em baixo com cara de trouxa, sem saber o que fazer. Muito envergonhado.

Olhei para cima no prédio e havia um monte de gente abanando nas janelas.

Era inverno e eu suava. Comecei a tentar dissuadir o cara a desligar o som. Então ele me

disse que não havia acabado ainda e que era obrigado a fazer até o final. E seguia tocando

aquelas músicas bregas. Estavam presentes minha filha (4 anos), minha irmã e minha

cunhada, que dançavam e se divertiam. Era inverno e eu suava frio. Tive que esperar aquilo

acabar. Por fim, acabou, a música cessara, o indivíduo confirmou que não tocaria mais.

Agradeci e como era quase meio dia voltei para pegar as minhas coisas e ir almo-

294 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


çar, para ninguém ficar me zoando. Quando abre a porta automática de vidro do Sebrae/

SC já tinha um bando querendo me cumprimentar. Nisso o infeliz salta do carro e começa

a soltar um monte de foguetes, pensei comigo, justa causa, estou na rua, isso não acaba

nunca!

Fui para casa querendo ficar bravo com a sacanagem, quer dizer homenagem,

mas então minha filha de mãos dadas comigo e toda empolgada perguntou: gostou papai,

ao que respondi: o papai adorou, nunca esquecerei desse dia.

A KOMBI

DA ASSOCIAÇÃO

Maria de Lourdes Heidenreich

AAssociação dos Funcionários programou, num sábado, um jogo de futebol

(não lembro exatamente em que local), mas era um pouco longe e

naquela época nem todos tinham veículo particular. Avisaram o Edgar,

já que ele era novo no Sebrae, que a “Kombi da Associação”, ia passar em alguns locais para

pegar os “jogadores associados”.

Ele combinou com o pessoal que iria esperar a carona da Kombi em frente do

próprio Sebrae/SC, no Centro de Florianópolis. Acordou no sábado bem cedinho e às 8h

da manhã já estava a postos. Pois bem, ficou esperando a manhã toda a Kombi que nunca

apareceu. Na verdade, foi uma grande mentira dos colegas. A Associação nem tinha veículo

próprio na época. Mas como ele iria adivinhar?

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 295


A PERUCA

Maria de Lourdes Heidenreich

Houve no Sebrae, em certo tempo, um diretor alemão de Blumenau, que

usava peruca, mas “ninguém sabia”. Ele tinha uma cadeira grande em

sua sala, que era reclinável. Costumava sempre ficar se balançando e

reclinando bem para trás.

Certo dia, conversando com um funcionário em sua sala e se balançando na cadeira,

ela vira completamente e cai de pernas para o ar. A peruca voa de sua cabeça e o

funcionário não sabia se ria, se acudia o diretor ou se juntava a peruca (risos). Mas, pior

para o diretor, que era careca e não queria que ninguém soubesse.

VENDE-SE PACU

Maria de Lourdes Heidenreich

Uma certa funcionária trouxe uma caixa toda furada e em volta estavam os

dizeres garrafais: “VENDE-SE PACU”. A tal caixa foi posicionada na recepção

do principal andar, onde todos passavam, funcionários e visitantes.

As pessoas, como são muito curiosas, não se contentavam apenas em ler e imaginar

o que tinha lá dentro da caixa para vender. Assim, quando abriam a tampa para ver

os “peixinhos”, deparavam-se com dois rolos de papel higiênico: um rolo grande com os

dizeres: PACU GRANDE e um rolinho bem pequeno, com os dizeres: PACU PEQUENO.

Até um diretor da época abriu a caixa para ver os tais “peixinhos”.

296 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


UM TIJOLO

PARA O PAI

Maria de Lourdes Heidenreich

Havia um funcionário, chamado Edimar, que era de São Bonifácio. Morava

em Florianópolis, mas nos finais de semana ia para a casa dos pais.

Certo dia, o pai dele fez uma encomenda para ele comprar “na cidade”

(não lembro exatamente o produto, mas parece que era algum produto elétrico), pois o pai

estava fazendo uma construção. O Edimar comprou o produto solicitado em seu horário

de almoço e deixou o pacote em cima da sua mesa.

Um dos “queridos colegas de trabalho”, esperou ele sair da sala, pegou o tal pacote,

tirou o produto de dentro e o substituiu por um tijolo. Isso com outros colegas incentivando

a façanha. Fecharam bem direitinho o pacote novamente e colocaram no mesmo

lugar. Ao sair na sexta-feira, às 18h para ir para São Bonifácio, Edimar pegou o pacote,

achou-o mais pesado do que parecia quando tinha comprado, porém de nada desconfiou.

Quando chegou em casa, a primeira pergunta que o pai fez foi se ele tinha comprado

o produto, pois ele queria terminar a obra. Edimar, bem feliz por ter atendido o

pedido do pai, entregou o pacote e foi aí que ele percebeu a bela sacanagem que os colegas

tinham feito.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 297


O PAPAI NOEL

DE PALHOÇA

Wilson Sanches Rodrigues

Fomos acionados para organizar o primeiro Natal Luz em Palhoça. Coube

ao Sebrae organizar toda a parte do artesanato na praça, exposição de produtos

e contratar o Papai Noel que faria a abertura do evento. O objetivo

era fortalecer o comércio local naquele período de véspera de Natal em que as lojas ficam

abertas até mais tarde. Havia músicas natalinas rodando na praça, uma decoração e iluminação

toda especial montadas pelos empresários e Associação Comercial em parceria com

a Prefeitura Municipal. O Papai Noel era o grande dilema e no fim das contas a contratação

do mesmo ficou sob responsabilidade da Associação Comercial.

Chegada a dita noite todos estavam a espera e se perguntavam quem era o Papai

Noel e se ele já havia chegado? Era uma grande ansiedade, perceptível nos rostinhos das

crianças e também nos organizadores de toda a ação.

De repente, o mestre de cerimônias faz aquela onda toda, para deixar a plateia

ainda mais cheia de expectativa. Eis que a cadeira do Papai Noel vira e o que vemos - um

Papai Noel negro - nunca tinha visto. Todos ficamos espantados. Pois tínhamos aquela

visão clássica do velhinho de barba branca. As crianças deram uma lição de moral e brincaram

muito com ele. Depois fomos descobrir que o senhor que fez o papel do Papai Noel, já

era uma pessoa conhecida na cidade e que fazia ação social nas comunidades, entregando

doces e presentes.

298 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


A MALA DE

DINHEIRO

Marcondes da Silva Cândido

Naquele tempo, bem como ainda acontece hoje, muitos clientes procuram

o Sebrae em busca de ajuda e de ideias para abrirem o próprio negócio. Eu

atendi certa vez um senhor com esse mesmo interesse. Nos preâmbulos

do atendimento, o mesmo me relatou ter vendido um bem imóvel com o objetivo de investir

em um negócio lucrativo e que ele tinha ouvido falar que o Sebrae/SC poderia ajudá-lo.

Papo vai, papo vem, ele foi se sentindo mais à vontade até que puxou uma mala

que trazia consigo e havia depositado aos seus pés, abaixo da mesa onde estávamos sentados,

e disse:

- Pois então, eu vim aqui investir em um negócio. Me disseram que o Sebrae é o

lugar certo.

Prontamente eu confirmei.

- Sim, essa é nossa missão, é isso que fazemos.

- Vendi um terreno e quero aplicar o dinheiro, disse ele.

Nisso ele puxa a tal mala, põe em cima da mesa e abre o zíper. Ao meu total espanto

a mala estava cheia de dinheiro. Dentro dela tinha 60 mil reais! Ele queria investir no negócio,

como quem compra um carro ou um produto. Estava vindo do banco onde tinha sacado

o dinheiro para trazer ao Sebrae com esse propósito. Mais que depressa eu gritei:

- Fecha isso daí!

Minha preocupação era que não lidávamos assim com dinheiro, nem tínhamos

segurança para proteger esse tipo de coisa. Feitas as devidas explicações, recomendei que

ele depositasse o dinheiro de volta no banco, o mais depressa possível.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 299


O FUTURO

Wilson Sanches Rodrigues

Certa vez fomos lançar o Proder ComCenso, na cidade de Águas Mornas. A

consultora da casa, Marta, proferiu nesta data uma palestra cujo enfoque

era motivação. Falou sobre questões de como estar motivado, trabalhar

com alegria, ter metas e planos, sobre realização de sonhos, conquistas, elevou a plateia a

um patamar de alegria e motivação.

Lá pelas tantas, já finalizando a sua palestra ela fez uma pergunta aos presentes:

- Então o que vocês visualizam para o futuro?!

Eis que um cidadão sentado na primeira fileira, parecia ser um desses andarilhos

de estrada que a gente encontra mundo afora, responde:

- Eu quero saber que horas será o coquetel, pois o meu futuro imediato é esse:

matar a minha fome!

Silêncio geral no recinto. Não preciso nem comentar que todo o espírito que ela

tentou criar no grupo se desfez naquele momento.

300 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


O BOLETIM

DE OCORRÊNCIA

Alcides Cláudio Sgrott Filho

Eram dias de inverno. Fazia muito frio na nossa Serra Catarinense. Eu e

o colega Spyros nos deslocamos para a cidade de Urupema, para realizar

atividades do Proder ComCenso.

Viajávamos com um carro (Gol), dividindo o tempo com o veículo entre nós dois.

Em um dia eu ficava com o carro em Urupema e no outro o Spyros utilizava ele em Rio

Rufino. Era um dia chuvoso e o Spyros me deixou na Prefeitura de Urupema e saiu para

seu trabalho em Rio Rufino.

Na segunda curva da estrada a pasta com papéis e documentos que estava no

carona cai. O Spyros dirigindo se estica todo para pegá-la, mas com isso perde a direção e

acerta um poste de luz. Era o poste que tinha o único transformador de energia elétrica da

cidade. Resultado: detonou o carro e a cidade ficou sem luz o dia todo.

Ele chegou todo assustado na prefeitura relatando o fato. Fomos fazer o boletim

de ocorrência e o delegado, após consultar os seus arquivos nos disse que era a primeira

ocorrência na cidade.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 301


QUEM COMEU

O BOLO?

Marcondes da Silva Cândido

Certa feita quando eu trabalhava na Gerência de Educação o Peluso, meu

gerente à época, recebeu uma chamada da portaria dizendo que alguém

tinha um bolo para lhe entregar.

- Não pedi bolo algum!! Respondeu ele.

A insistência foi grande e após consulta ao entregador veio a confirmação: é para

o senhor sim. Mandaram lhe entregar o bolo e estou aqui para isso.

- Insisto que não pedi bolo para ninguém e este bolo não é meu. Deve ser de outra

pessoa.

Não satisfeito o entregador subiu até o segundo andar procurando o Sr. Peluso.

- Vim entregar o seu bolo, onde o coloco.

- Já que insiste coloque ali na sala do café. Embora eu não esteja esperando bolo

algum.

Poucos minutos depois, não mais que cinco, alguém pergunta:

- De quem é este bolo? Podemos comer um pedaço?

- Acho que pode. Deixaram o bolo ali mas não é meu.

Não precisa dizer que de pedaço em pedaço o maravilhoso e delicioso bolo de laranja

desapareceu muito rapidamente, como num passe de mágica, restando apenas uma

travessa linda de vidro todo trabalhada.

Foi o bolo desaparecer e chega ao nosso andar um colega muito tradicional e das

antigas, chamado Gilberto, perguntando:

- Peluso, onde está o meu bolo que deixaram contigo?

302 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


- Comigo? Eu disse que o bolo não era meu e deixaram então na sala de café.

- Peluso!!! gritou ele. - O bolo não está lá! Só tem uma travessa vazia. Onde está

meu bolo?

- Não sei. Ele estava naquela travessa. Acho que comeram.

- Não é possível! Parem de brincadeira?!? Insisto em saber onde colocaram o meu

bolo?

- Olha Gilberto! Comeram mesmo o bolo.

Foi então que o colega bradou rispidamente e, espumando de raiva, teve um ataque

de fúria.

Neste momento, todo o segundo andar do prédio da avenida Rio Branco ficou

vazio. Todos os colegas que ali trabalhavam tiveram uma repentina fuga de manada.

Enquanto isto se ouvia gritos dizendo:

- Quero saber quem autorizou a comerem meu bolo? Quero saber quem teve a

coragem de comer o meu bolo? Um bolo especial feito pela minha sogra. Só ela que faz este

bolo. Um bolo que eu adoro e é o meu preferido, meu presente de 50 anos de aniversário

de casamento. Que sacanagem! Falta de consideração! Eu arrebento quem fez isto!

Conta-se ainda que o colega Gilberto foi avistado saindo do prédio aos berros e

com a linda travessa vazia.

Mas, quem comeu mesmo o bolo?

Até hoje, passados 20 anos do ocorrido, permanece a incógnita. Nem a polícia federal

e um detetive especialmente contratado para desvendar os fatos conseguiu elucidar.

Quem participou da divisão do bolo sabe do que estou falando e fez parte de um

momento inocente e hilário da história da nossa empresa.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 303


LISA`S

Joel Soares Fernandes

LLisa, quantos anos você me dá ?” perguntou a tia entusiasmada à sua sobrinha

de 6 anos de idade. “Sei lá tia, tu já tens tanto, prá que queres mais ?”.

Tão novinha e já exposta à neura dos adultos pela idade.

Isso me faz lembrar, que quando o Fitipaldi saiu da fórmula 1 e foi para a Indy,

desabafou dizendo que na Europa já o estavam considerando velho. Nos Estados Unidos,

entretanto, o velho, foi campeão. Na MTV a apresentadora Astrid comandava um dos

programas mais inteligentes da tv brasileira. Era o Barraco MTV. Ela e um bando de uns 15

adolescentes, falavam abertamente de tudo. Sexo, droga, violência, climas de pais e filhos,

desemprego. Era bonito de ver a garotada emitindo opiniões próprias e boas. E a Astrid,

mulher experiente, com conteúdo, fazia tudo fluir com humor e charme. Mas como diria a

canção cantada por Elis Regina “Não confio em ninguém com mais de trinta anos...” . “Elis

o quê, Tio ?”. Pois é. A Astrid saiu. O programa definhou. E acabou.

Nas empresas então, o que contava era a experiência. A partir dos 5 anos de casa

o empregado já era homenageado em festas de final de ano. Entregavam-lhe medalhas. E

quanto mais antigos eram os empregados, mais largos eram os seus sorrisos. Suas auras

brilhavam tanto, que ofuscavam os olhos dos recém-chegados à empresa. Aqueles sábios e

experimentados colegas pareciam lendas inalcançáveis, aos neófitos.

Já nos tempos modernos, pós-terremoto de reengenharias e outras reinvenções

mais, a ruga da experiência, virou sinal de evidente obsolescência. O que era orgulho, virou

preocupação. Feito mulher velha, os mais antigos, escondem suas idades. Perguntar às

Lisa’s de poucos meses de empresa “quantos anos você me dá ?”, nem pensar.

E o assunto é mesmo quente. Ontem vi pela TV um cientista com mais de 96

anos, tentando salvar nosso planeta do aquecimento, sugerir que se fizesse uma corrente

304 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


de espelhos no espaço, ao redor da terra. Assim os raios solares seriam desviados e o aquecimento

se reduziria em uns 2%. Perguntaram a um jovem cientista o que ele achava desta

idéia. De pronto, esnobou: não funciona. Instigado a testá-la, simulou, e descobriu que de

fato a solução proposta baixava a temperatura da terra. Perguntaram-lhe de quanto? E ele:

em 2%.

Ops! Para salvar o mundo, não dá para descartar o velhinho cientista. E quanto

às empresas, sobreviverão só com as jovens Lisa’s ?

Observação: este texto foi escrito pelo Joel Soares Fernades no ano de 2001 e faz parte da série Contos do Joel.

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 305


306 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


FICA A

SAUDADE...

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 307


Em 1972, com o objetivo de organizar e sistematizar o fomento ao desenvolvimento

da pequena e média empresa brasileira, foi instalado o Centro Brasileiro de Assistência

Gerencial à Pequena e Média Empresa - CEBRAE. Como primeiro instituto executivo

deste sistema foi criado, no dia 6 de julho de 1972, o Instituto Brasileiro de Assistência

Gerencial à Pequena e Média Empresa de Santa Catarina – IBAGESC, que iniciou as suas

operações em 1º de agosto de 1972, após ter celebrado o 1º Convênio de Colaboração Financeira

concedido pelo CEBRAE.

Foto tirada durante curso de formação de consultores do IBAGESC -1973

308 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


Foto do Seminário “Como o gerente deve treinar os seus vendedores”, um dos cursos oferecidos

pelo IBAGESC - 1974

Equipe Sebrae/SC

Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 309


Equipe do Sebrae/SC na escadaria da antiga sede do Sebrae/SC na Rua Tenente Silveira, e ao

lado: foto da fachada do prédio sede do CEAG, na Av. Rio Branco - 1975.

Transcorridos quase 20 anos o IBAGESC, já sob a denominação de Centro de

Assistência Gerencial de Santa Catarina - CEAG, por meio da Lei 8.029 de 12 de abril de

1990 e do Decreto 99.570 de 09 de outubro de 1990, foi transformado no atual Serviço

de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Santa Catarina – Sebrae/SC, integrante do

Sistema Sebrae.

310 I Sebrae/SC I Momentos Memoráveis


Sebrae/SC I Momentos Memoráveis I 311


EXPEDIENTE:

Entrevistas, redação, organização do conteúdo, projeto gráfico e diagramação:

Premier Vip Eventos e Publicações Ltda - Rosana Majolo

Revisão ortográfica dos relatos:

Beconn Produção de Conteúdo - Daniela Risson - DF 4422/JP

Revisão ortográfica das histórias pitorescas: Cristini Moritz - JP 4245/SC

Revisão final e aprovação:

Sebrae/SC - Marcondes da Silva Cândido e Alessandra Pinheiro

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