Views
1 year ago

Revista Penha | setembro 2017

O que acontece, quem são as pessoas que marcam a Freguesia e ainda algumas curiosidades sobre a Penha de França. Uma revista editada pela Junta de Freguesia da Penha de França.

NA FREGUESIA POR AMOR

NA FREGUESIA POR AMOR “Olá D. Lola! Como vai?” saúda uma senhora que está a passear o cão. Não podia ser mais natural, já que a D. Leonor – Lola, como é conhecida – e o marido tiveram durante anos uma mercearia na zona do Alto do Pina. A loja já era do marido, que Leonor conheceu quando trabalhava em publicidade. Era promotora de vendas e veio em trabalho ao estabelecimento comercial conhecer o homem com quem casaria “depois de nove meses de namoro”. O seu sotaque não deixa margem para dúvidas, nasceu no Alentejo. Veio para Lisboa na juventude, “para alargar horizontes” e empregou-se em “costura que era o que sabia fazer; costurar e bordar”. Só depois iria para a publicidade. Do Alentejo trouxe também convicções políticas, que nunca abandonou. A sua família era “de simpatizantes comunistas, de opositores à ditadura”. Conta que “foram quase todos presos pela PIDE” por causa das suas opiniões políticas ou por terem sido denunciados. Recorda em especial um tio, que esteve catorze anos preso porque “diziam que uma bomba contra Salazar tinha sido fabricada lá na terra” – Leonor refere-se a um atentado contra o ditador que aconteceu a julho de 1937, em Lisboa. “Eu era pequena, são coisas que marcam muito”, diz. D. Lola manteve as mesmas convicções políticas e admite que perdeu muitos clientes porque não se coibia de lhes manifestar as suas “ideias”. Esta sua maneira de pensar nunca levantou problemas no casal: “Limpávamos os pés à porta e em casa não havia conversas sobre a mercearia”. Enquanto conversamos, fuma um cigarro e não deita a beata para o chão, guarda-a num saquinho que traz consigo. “Não gosto da falta de higiene”, afirma, acrescentando que na Freguesia “está tudo muito mais limpo”. Pensa que a Penha de França foi ficando “muito melhor ao longo dos anos” e recorda com tristeza a antiga Curraleira: “Não conseguia ver as pessoas naquela miséria tremenda, compravam 5 tostões de café, 5 tostões de marmelada, tinham uma carrada de filhos para criar”. Por isso ficou muito contente quando a Câmara Municipal de Lisboa fez os prédios para “realojar quem ali vivia, no tempo de João Soares e do meu camarada Ruben Carvalho”. Agora, gostava que “houvesse mais transporte para idosos, apesar de a Junta de Freguesia já ter feito muita coisa”. E também “era bom que houvesse semáforos sonoros para as pessoas cegas”, acrescenta. 8

DESTACÁVEL INÍCIO GUIA PARA AS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS 2017 1 OUTUBRO

Revista Penha | dezembro 2017
Revista Penha | setembro 2018
Revista Penha | janeiro 2018
Revista Penha | março 2018
Revista Penha | abril 2017
Revista Penha | novembro 2017
Revista Penha | maio 2018
Boletim Informativo Nº 41 - Setembro 2013 - Junta de Freguesia da ...
LeoNewsletter - Setembro 2017
Setembro com olhar nos bairros - Junta de Freguesia de Carnide
Revista Penha | setembro 2016
Revista Penha | junho 2017
Revista Penha |agosto 2017
Revista Penha | março 2017
Revista Penha | fevereiro 2017
Revista Penha | julho 2017
Revista Penha | maio 2017
Revista Penha | janeiro 2017
Revista Penha | abril 2018
Revista Penha | julho e agosto 2018
REVISTA PENHA | NOVEMBRO 2018
REVISTA PENHA | OUTUBRO 2018
Revista Penha | dezembro 2016
Revista Penha | junho 2018
Revista Penha | fevereiro 2018
Revista Penha | maio 2016
Revista Penha | outubro 2016
Revista Penha | julho 2016
Revista Penha | agosto 2016
Revista Penha | junho 2016