Revista Business Portugal Agosto

iva.ledesma

ÍNDICE

58

Especial Toiro Bravo

As melhores ganadarias do país!

82

Ramos & Pereira

A cadeia de distribuição por excelência

102

Adega Cooperativa da Lourinhã

É aguardente! É DOC! E é da Lourinhã

06 - GRUPO J.SILVA

112

Nichos Urbanos

Uma equipa jovem e formada onde impera a inovação

144

Capital Leiloeira

Onde melhor investe o seu capital

12 - AMGEN

EDITORIAL

Quando chega o período de férias,

quase que instantaneamente

entramos em período de reflexão.

Ainda não é o final do ano, não é a

época de balanços por excelência,

mas o peso da necessidade de repensar o que

fizemos durante este período é-nos inerente.

É esse balanço que começámos igualmente a

fazer nos nossos artigos. Além de que os projectos

para o final de 2017 começam também

a surgir no papel. E são estes projectos que

pode começar a conhecer nesta nova edição da

Revista Business Portugal.

Tornámos a trazer os melhores exemplos na

temática da inovação. São empresas nacionais

que têm apostado com veemência em novos

projectos, em prol de todos, nomeadamente na

indústria farmacêutica e na produção de novos

componentes electrónicos.

Abordamos ainda os investimentos imobiliários

que têm ganho relevo em Portugal, muito

também pelo turismo que tem crescido exponencialmente,

tornando-se num investimento de

retorno garantido aos investidores.

As regiões da Lourinhã, Santarém, Setúbal, Ponte

de Lima, Viana do Castelo e Braga merecem

também destaque nesta nossa edição. Além

disso, damos um forte destaque ao toiro bravo,

o um dos ex-libris do Alentejo.

Resta-me deixar-lhe o convite para folhear esta

nova edição e conhecer um país que vale a

pena.

A direção editorial da Revista Business Portugal

FICHA TÉCNICA | Propriedade: Guidetarget, Lda | Diretor: Fernando Silva | Direção Editorial: Diana Ferreira (diana.ferreira@revistabusinessportugal.pt) | Direção Gráfica: Tiago Rodrigues, Vanessa Martins | Corpo Redatorial: José Miguel Dias Lopes, Laura Azevedo,

Sílvia Pinto Correira, Tânia Pacheco | Outros Colaboradores: Joana Capinha, Joana Quintas, Melanie Alves, Teresa Teixeira | Fotografia: Henrique Casinhas | Secretariado: Paula Assunção (paula@revistabusinessportugal.pt) | Direção Comercial: José Moreira | Dep.

Comercial: António Matos, António Santos, Fernando Lopes, Filipe Amorim, Luís Silva, Manuel Fernando, Paulo Padilha, Pedro Ribeiro, Rui Moreira, Vítor Santos (geral@revistabusinessportugal.pt) | Redação e Publicidade: Rua Engº Adelino Amaro da Costa nº15, 9ºandar,

sala 9.4 4400-134 – Mafamude / +351 223 754 806 | Distribuição: Distribuição gratuita com o jornal Público / Dec. regulamentar 8-99/9-6 artigo 12 N.ID | Depósito Legal: 374969/14 | Periodicidade: Mensal | Edição de agosto de 2017

6 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


tema de capa | grupo j. silva

Uma história de sucesso

em várias frentes

Em entrevista à Revista Business Portugal, os irmãos João e Francisco Barreiro da Silva dão a conhecer o Grupo J. Silva e, mais particularmente,

as atividades, ambições e projetos da empresa Rico Gado – em Portugal e lá fora.

Francisco Barreiro da Silva e João Barreiro da Silva Administradores

Afirmando-se “de portas abertas ao mundo ”, o Grupo J.

Silva é um projeto empresarial que se pode orgulhar de

mais de quatro décadas de um percurso com tanto de

heterogéneo quanto de marcante. Atualmente na terceira

geração – representada pelos irmãos João e Francisco

Barreiro da Silva, esta é a história de um negócio que

começou com Joaquim Silva, avô dos atuais administradores.

De facto, ainda criança, o futuro empresário descobriu que

“tinha uma vocação especial para a venda ao público de

cereais e outros produtos alimentares” que a mãe adquiria

junto de agricultores locais. Este espírito empresarial foi

transmitido de geração em geração e a prova disso foi o

excelente trabalho de desenvolvimento do negócio por parte

de Joaquim Barreiro da Silva, pai dos atuais administradores

do grupo, que transformou uma empresa focada num só

negocio, num grupo empresarial de sucesso presente em

várias atividades económicas. Sendo assim, formados na

melhor escola que algum gestor pode ter, a transmissão de

experiências e conhecimentos, João e Francisco Barreiro da

Silva seguem hoje o desenvolvimento do grupo J.Silva, com

dinâmica, modernidade e em constante reinvenção de forma

8 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


grupo j. silva | tema de capa

a poderem responder aos desafios cada vez

Leiria, a empresa possui ainda Entrepostos

empresa especialmente vocacionada para a

âmbitos de atividade, conseguindo alcançar

mais exigentes dos mercados internacionais.

Comerciais nos concelhos de Évora,

exploração e comércio de produtos agrícolas

um raro sucesso e mérito.

Foi desta forma que nasceu, há mais de

Portalegre Fundão, e Funchal aos quais

e frutícolas, com especial destaque para a

40 anos, o negócio que estaria na origem

se alia uma extensa rede de distribuição,

pera Rocha. “Hoje em dia, esta também é

Internacionalização

da Rico Gado – Nutrição. Desde cedo, “o

garantindo-se desse modo a proximidade

uma atividade com alguma expressão, já

Mediante o seus continuado processo de

nosso avô percebeu que o futuro estaria

para com os produtores e clientes

que temos uma produção anual na casa

consolidação nacional, parece natural que

no consumo de alimentos compostos”,

propagados de norte a sul do país.

das 800 toneladas”, atesta João Barreiro da

o Grupo J. Silva eventualmente começasse

constatam os nossos entrevistados, numa

Silva. Mas engane-se quem pensasse que a

a apostar, com cada vez maior afinco, no

alusão ao modo como os produtores

Diversificação de setores

visão do Grupo se circunscreveria apenas ao

seu potencial além-fronteiras. “Em relação

agropecuários “já não se contentavam

Ao mesmo ritmo com que o negócio foi

mundo do setor primário.

à empresa Rico Gado Nutrição, entendemos

com produtos únicos, mas sim com uma

crescendo, deu-se a necessidade de

Se há, efetivamente, projeto que começou

que precisávamos de internacionalizar a

alimentação composta, que dá rendimentos

diversificar o âmbito de atuação, numa

numa perspetiva de mero investimento,

nossa capacidade de produção, visto que

diferentes no crescimento” dos animais de

lógica de mercado que, volvidas quatro

mas que cedo se revelou um motor de

este era um setor que não está muito

produção. Hoje – escusado será dizer – a

décadas, se afigurou decisiva . Foi, por isso,

desenvolvimento e de internacionalização de

vocacionado para a exportação, devido ao

Rico Gado corresponde a uma incontornável

de forma atempada que o Grupo estendeu a

todo o Grupo, tal corresponde ao Bloco B.

grande impacto dos custos de transporte na

referência nacional no setor.

sua presença a outras atividades do universo

Dedicada à transformação e comercialização

competitividade dos produtos exportados ”,

A sua diferenciação está, por seu turno,

agropecuário. Poderemos destacar, como

de pedras mármores e calcárias, mas

atesta Francisco Barreiro da Silva.

garantida pela conjugação de uma série de

exemplo, a exploração de vacas aleitantes

também a serviços voltadas para a

“Na altura, o caminho mais fácil parecia ser

fatores que vão da elevada especialização

em regime extensivo para produção de

construção civil, esta corresponde a uma

ir para Angola ou Moçambique e, de facto,

dos técnicos que compõem a sua equipa, à

vitelos de carne e a exploração de produtos

empresa de forte vertente exportadora, cujos

acreditávamos em África, mas não queríamos

grande variedade e qualidade dos produtos

cinegéticos e florestais (Agrofalco – Soc.

méritos acabariam por levar o Grupo J. Silva

entrar nestes mercados por diferentes

aqui desenvolvidos e comercializados. Nesse

Agropecuária) e a produção de carne de

à abertura de uma segunda firma – B Explore

razões”, recorda o administrador. “Decidimos

âmbito, encontramos não apenas os já

bovino (Rico Gado Agro-Pecuária)

– dedicada à exploração de pedreiras, tendo

que queríamos apostar num país com maior

referidos alimentos compostos para animais,

A aposta no setor primário acabaria, no

em vista a posterior transformação da pedra

dinâmica agrícola e Industrial e começámos

mas também os cereais, ou as misturas

entanto, por se intensificar ainda mais

extraída. Está feita, pois, a apresentação de

a fazer um estudo de diversas economias

de alimentos naturais e os legumes secos.

através do desenvolvimento da Integra –

um Grupo empresarial que, como poucos, se

africanas”, prossegue o porta-voz, antes de

Com a sua unidade de produção sediada em

Integração e Gestão Agropecuária, uma

soube afirmar numa miríade de diferentes

sublinhar que foi na Nigéria – “um dos países

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 9


tema de capa | grupo j. silva

mais apetecíveis devido às elevadas taxas de

crescimento” que a Rico Gado acabaria por

se instalar em 2012, fundando assim a Rico

Gado Nutrition Nigeria.

Contando presentemente com uma

população de quase 190 milhões de

habitantes, o país africano “tinha um setor

agrícola algo rudimentar, mas já com alguma

sensibilização para a necessidade da

nutrição”. Posto isto, e mediante “dois anos

muito difíceis a quebrar barreiras culturais”,

a empresa deu início à construção de uma

unidade fabril na cidade de Yola, inserida no

estado de Adamawa. A aposta neste projeto

revelou-se de tal modo positiva que, neste

momento, a empresa encontra-se a ultimar

a construção de uma segunda fábrica, desta

feita em Abuja, na capital do país, que terá

nada mais, nada menos do que o dobro da

capacidade do empreendimento localizado

em Yola.

Uma equipa com ADN português

Assumindo, desde a primeira hora, a

finalidade de se afirmar como “um player

líder no mercado dos alimentos compostos

para animais na Nigéria”, a Rico Gado

Nutrition procura estabelecer verdadeiras

parcerias de valor com todos quantos

solicitem o seu serviço. A comproválo,

refira-se a elevada especialização

não apenas dos quadros superiores –

constituídos por elementos expatriados

– mas também da crescente equipa de

colaboradores locais.

“A nossa intenção sempre foi ter uma

empresa com ADN português”, salientam

os nossos entrevistados. Significa isto que

entre as pedras basilares que compõem

a filosofia da Rico Gado Nutrition Nigeria

encontraremos a aposta numa equipa

expatriada exclusivamente portuguesa e em

máquinas fabricadas em Portugal, “porque

acreditamos que quer em termos de knowhow,

quer em termos de capacidade de

produção de máquinas, existem empresas

nacionais que nos dão a garantia das

melhores marcas internacionais, com preços

mais competitivos”, considera João Barreiro

da Silva.

Reinventar o futuro

Contando com uma assinalável presença nos

diversos continentes, que se justifica pela

grande heterogeneidade do seu leque de

atividades e empresas, o Grupo J. Silva não se mostra alheio

à “grande necessidade de reinventar os negócios”, numa

altura em que todo o projeto se encontra a cargo da terceira

geração de administradores. O desafio que se colocou

perante os irmãos João e Francisco Barreiro da Silva tem sido

assumido com um impassível “trabalho de equipa”. “Temos

muita consciência dos nossos pontos fortes e fracos e

penso que nos conseguimos equilibrar muito bem”, sublinha

Francisco Barreiro da Silva. “Temos também conseguido

potenciar as diferentes formas de ser e de gerir, sempre

respeitando a cultura da empresa”, acrescenta por sua vez o

irmão, João Barreiro da Silva. Saber conciliar as diferenças,

respeitando o potencial intrínseco a cada elemento parece

corresponder, sem surpresa, a uma filosofia também utilizada

pelos administradores na sua relação com a equipa de

colaboradores.

“Não temos prémios para as pessoas que ficam a trabalhar

mais horas, mas temos prémios para os colaboradores que

vestem a camisola”, sublinham os nossos entrevistados,

que se orgulham de ser “uma empresa com rosto” e onde

o contacto próximo com todos e “a componente humana”

constituem uma verdadeira prioridade. Até porque “mais de

50 por cento do nosso sucesso tem a ver com as equipas de

colaboradores que foram criadas, ao passo que o restante

está ligado às ideias, a um bocadinho de sorte e ao timing

dos negócios”. Já relativamente ao futuro, os empresários

revelam estar “a delinear os projetos para os próximos seis

a sete anos”. Prometida para o porvir está “uma renovação

do que é a Rico Gado Nutrição em Portugal”, mas os projetos

do Grupo prometem ir mais longe. No que concerne, por

exemplo, à empresa sediada na Nigéria existe a expectativa

de ter, até 2020, três unidades industriais em completo

funcionamento, de forma a garantir uma completa rede

de produção e distribuição nacional, o que quantifica um

acréscimo de investimento na ordem dos 6 milhões de

dólares aos 11 já investidos nas primeiras duas unidades

industriais. Ainda dentro do setor Agro-Industrial e também

na frente internacional, os próximos anos serão marcados

por uma aposta forte na empresa Rico Gado Agritec,

recentemente constituída com o intuito de dar resposta às

várias solicitações recebidas oriundas dos mais diferentes

países procurando a incorporação do ‘know-how Rico Gado’

em soluções integradas para projetos ligados à Agricultura,

Agro-Indústria e Pecuária.

No que concerne ao setor dos mármores, contam finalizar até

fevereiro de 2018 um investimento de 4,6 milhões de euros

que irá permitir ficar com uma das mais avançadas unidades

de transformação de mármores da Península Íberica. Contam

ainda com a aquisição de duas pedreiras nos últimos dois

anos, o que consolida o acesso ininterrupto à matéria-prima.

Acima de tudo, e independentemente das direções tomadas,

existe a garantia de – tal como há 40 anos – este será um

projeto que continuará fiel àquilo que o viu nascer: a vontade

de fazer diferente, mas sempre assegurando um crescimento

sustentado.

10 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


MAIS SAÚDE, MAIS INOVAÇÃO

Vivemos numa era onde é impossível travar o avanço tecnológico e onde, cada vez mais, a população quer estar informada ao segundo

sobre tudo aquilo que se descobre, desenvolve ou reinventa. Os temas saúde e inovação são um dos melhores exemplos destes movimentos

frenéticos onde impera a novidade e atualidade sendo, por isso, temas frequentes nos diferentes órgãos de comunicação social, quer pelo seu

valor notícia, quer pelo elevado interesse público que carregam.

A saúde tem sido um dos setores proeminentes e com desenvolvimento acelerado nas últimas duas décadas. Assim como não imaginamos

o nosso dia a dia sem eletricidade, meios de transporte e aparelhos digitais como telemóveis, tabletes ou computadores é inconcebível

pensarmos a atualidade sem serviços de saúde disponíveis para atender às necessidades da população. A aposta na inovação é por isso

uma estratégia constante em empresas públicas e privadas do setor nos quatro cantos do mundo.

Também em Portugal, a saúde tem assumido um papel de relevo nos principais palcos de investigação. Inúmeras empresas nacionais têm

sido galardoadas e são mundialmente reconhecidas pela qualidade dos seus produtos e serviços inovadores. Fármacos, dispositivos médicos

e novos métodos de diagnóstico e tratamento têm sido alvo de estudos, desenvolvidos e distribuídos por várias empresas portuguesas ou de

grandes grupos empresariais com representatividade no nosso país.

Portugal respira num ambiente de Investigação & Desenvolvimento constante, representado por instituições e cientistas de renome

internacional. Nas próximas páginas, apresentamos-lhe alguns exemplos de empresas e edilidades que têm marcado esta onda de inovação

na saúde em Portugal.

12 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


Traduzimos a

linguagem da vida

em medicamentos vitais

Na Amgen, acreditamos que as respostas aos desafios colocados pelos

medicamentos estão escritas na linguagem do nosso ADN. Como pioneiros em

biotecnologia, utilizamos o nosso profundo conhecimento dessa linguagem para

criar medicamentos vitais que vão ao encontro das necessidades dos doentes,

no combate às doenças graves, melhorando de forma decisiva as suas vidas.

Para mais informações sobre a Amgen, visite www.amgen.pt ou contacte a Amgen Biofarmacêutica Lda.,

Edifício Dª Maria I (Q60), Piso 2 A, Quinta da Fonte – 2770-229 Paço d’Arcos, Portugal.

NIPC: 502 942 959

Pioneering science delivers vital medicines

©2016 Amgen Inc. All rights reserved.


mais saúde, mais inovação | AMGEN

A inovação como cultura e filosofia

A Amgen tem como missão servir os doentes transformando a promessa da ciência e da biotecnologia em terapêuticas capazes de restabelecer a

saúde e salvar vidas. Em tudo o que faz aspira alcançar a sua missão, sendo, a cada passo, guiada pelos valores que a definem. Em entrevista à

Revista Business Portugal, Tiago Amieiro, diretor-geral da Amgen Portugal, fala deste percurso na vanguarda do desenvolvimento e de como a

inovação ditou a expansão da empresa.

Tiago Amieiro Diretor-geral

Applied Molecular Genetics - AMGEN. A Amgen foi oficialmente criada em abril de 1980 em

Thousand Oaks, Califórnia e George Rathmann foi o primeiro CEO. Foi um presidente com

background científico, visão empresarial e elevado carisma. A história da Amgen tornou-se

um caso de sucesso, ainda hoje é analisado nas aulas dos cursos de gestão de empresas em

todo o mundo.

Tendo sido pioneira no desenvolvimento de medicamentos inovadores, a Amgen

introduziu-se paulatinamente a novos desafios. A vossa história avançou lado a

lado às necessidades e oportunidades, ou a inovação determina grande parte desta

expansão?

A Amgen foi uma das primeiras companhias de Biotecnologia a descobrir, desenvolver e

fabricar com sucesso medicamentos com base em proteínas. Dedicámo-nos sempre ao

desenvolvimento de terapêuticas em múltiplas áreas, à investigação e desenvolvimento

de medicamentos inovadores. Os nossos fármacos são de uso exclusivamente humano

e o nosso objetivo foi e será sempre o de responder em primeiro lugar a necessidades

médicas não colmatadas com as terapêuticas disponíveis. Respondendo à sua questão, o

que referi anteriormente representa simultaneamente uma potencial oportunidade de maior

sucesso do ponto de vista económico-financeiro. A indústria farmacêutica é um setor de

extraordinárias necessidades de capital, a par com elevado risco de insucesso dos seus

projetos de R&D, logo se não existir retorno do enorme investimento necessário para R&D de

novos medicamentos, o ciclo de inovação tem que ser interrompido. Pensar que já não existe

atualmente lugar para a inovação terapêutica radical ou substancial é completamente errado,

pois continuam a existir patologias sem tratamento efetivo e seguro, muitas vezes doenças

raras ou ultra-raras, para as quais é urgente a descoberta de novas terapêuticas. A Amgen

está muito atenta a esta realidade e continua em investir em novas soluções. Posso assim

terminar, dizendo que a nossa história avançou quer por determinação das necessidades e

oportunidades, sem dúvida, mas é a inovação que determina também a nossa expansão.

A Amgen, estando na vanguarda do desenvolvimento de produtos originais baseados

em tecnologia de ADN recombinante e biologia molecular, explora há 30 anos o poder

da inovação científica. Como é que todo este percurso começou?

Nos anos 70 foi descoberto o ADN recombinante, o método de amplificação genética que

permitiu produzir proteínas em grande quantidade, e iniciou-se a sequenciação genética e

proteica. Neste contexto de enorme riqueza científica, tudo começou quando um economista

visionário chamado Bill Bowes que, após vinte e cinco anos de experiência na bolsa em S

Francisco, teve a ideia de se aventurar por conta própria em Silicone Valley. Bill apercebeu-se

desde o início que a biotecnologia seria o futuro e criou com alguns amigos da sua confiança

um grupo de companhias Applied Companies. Uma dessas companhias veio a tornar-se a

Tendo em conta que a Amgen iniciou as suas atividades em Portugal com a perspetiva

de vir a conquistar o primeiro lugar no sector farmacêutico nacional, entre as

companhias dedicadas à comercialização de medicamentos obtidos por biotecnologia,

como é que observa todo o trajeto que tem vindo a ser traçado?

Ao longo de todos estes anos, tem sido um trajeto muito interessante pois iniciámos a

nossa atividade na terapêutica de suporte ao doente oncológico a fazer quimioterapia e ao

doente insuficiente renal em hemodiálise. Todavia, há uns anos, evoluímos para a terapêutica

de tratamento/curativa na oncologia, com medicamentos para o carcinoma colorectal

metastizado e na área das metástases ósseas. Atualmente, através da tecnologia BiTe e de

vírus geneticamente modificados, atuamos numa área ainda mais inovadora e promissora

que é a da imuno-oncologia. A AMGEN tem nos seus genes a Inovação Terapêutica e a

Biotecnologia e este será sempre o nosso caminho principal. Todavia, no próximo ano, e

precisamente porque possuímos o Know-how de tantos anos e pioneirismo e a capacidade

biotecnológica e de fabrico instaladas, vamos ter também os primeiros Biossimilares

produzidos nas nossas fábricas AMGEN. Até 2020 teremos 10 Biossimilares no mercado

nacional em áreas terapêuticas diversas.

14 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


Sabe-se que a biotecnologia está na linha da frente da

investigação nos países mais desenvolvidos. Como é

que esta área tão abrangente se tem desenvolvido ao

longo dos anos?

O desenvolvimento tem sido muito rápido em todos os

sectores da tecnologia mas o ritmo da biotecnologia tem

sido alucinante. A Amgen por exemplo, produz anticorpos

inteiramente humanos, pequenas moléculas, pepticorpos,

anticorpos bi-específicos que reconhece as células malignas

destruindo-as. Manipulamos a genética de vírus para

reconhecerem células do melanoma a as eliminarem ao

mesmo tempo que ativam o sistema imunológico. Numa

visão mais abrangente, a Amgen tem acompanhado os

mais recentes avanços científicos. A estratégia tem sido

a de desenvolvermos e produzirmos os nossos próprios

fármacos, mas também a de adquirirmos outras companhias

com projectos promissores, como foi o caso da aquisição

da ONIX, que nos levou ao lançamento de um inibidor do

proteassoma de segunda geração, o Carfilzomib, para o

tratamento de doentes com Mieloma Múltiplo (doença rara),

o qual esperamos que esteja disponível para os doentes

portugueses ainda este ano.

A Amgen tem um compromisso ético que é crucial para

a relação que se estabelece entre os profissionais de

saúde e os doentes. Quais são as áreas de tratamento

mais recentes e que pensam que poderá vir a mudar a

vida das pessoas?

As áreas de tratamento são as da Nefrologia, Cardiologia,

Oncologia, Hemato-oncologia e a Osteoporose. As moléculas

que desenvolvemos, já fizeram a diferença na vida de

milhões de doentes, e continuamos a querer fazer mais e

melhor. Concretamente neste últimos 2 anos, com potencial

clínico para alterar a vida dos doentes, podemos dizer que é

na área da hemato-oncologia e da cardiologia que trazemos

a inovação mais radical ou substancial. Temos investido

em Ensaios Clínicos trazendo aos doentes portugueses a

possibilidade de serem tratados precocemente com fármacos

inovadores. Temos muito orgulho em ter centenas de

doentes em Portugal a participar nos nossos ensaios clínicos

internacionais nas áreas da Cardiologia, Oncologia, Hematooncologia,

Nefrologia, Inflamação e Neurociências.

Uma das áreas que acaba por estar fortemente

conectada à biotecnologia é a farmacologia. Quais os

benefícios que se podem retirar da junção destes dois

campos?

O objetivo é o de conseguir melhores resultados clínicos para

os doentes, prolongar a sua vida, aumentar o tempo livre

de progressão de doença e melhorar a qualidade de vida

com fármacos com mecanismos de ação inovadores que os

tornem mais eficazes e cada vez mais seguros.

O medicamento certo à hora certa pode fazer toda

a diferença, mas que outros avanços para a saúde

humana se podem alcançar quando a biotecnologia é

aplicada à medicina?

Tratar o doente certo, no tempo certo com o medicamento

mais efetivo e seguro para a sua patologia é a ambição de

qualquer profissional de saúde e está na base de todo o

investimento realizado em Investigação e Desenvolvimento

da Industria Farmacêutica. Isso não é diferente para os

medicamentos de biotecnologia ou químicos e o risco

associado ao fracasso dos passos de investigação é

elevado em ambas as situações. A mais valia relaciona-se

muitas vezes com a maior especificidade potencial dos

amgen | mais saúde, mais inovação

medicamentos de biotecnologia e/ou do seu potencial para

fazerem com que seja o próprio organismo do doente a reagir

contra a doença, como é o caso da imuno-oncologia.

Durante o século XX a física era considerada a mais

poderosa das ciências, no final desse século atribuíram

esse caráter à biologia. Sente que o caminho que

outrora separava a ficção da realidade científica é cada

vez mais ténue? Quais as perspetivas que a Amgen

reserva para o futuro?

Na Amgen, costumamos dizer que a inovação está no

nosso coração em tudo o que fazemos. Temos um pipeline

muito interessante em termos de inovação e não menos

promissora uma bateria de biossimilares. Estamos cientes

da necessidade de contribuir para a sustentabilidade dos

sistemas de saúde e para a nossa própria sustentabilidade

em termos de manter a produção de moléculas inovadoras.

A Amgen ao longo destes anos tem criado parcerias muito

fortes com os profissionais de saúde, com as Sociedades

Científicas e seus grupos de trabalho. Temos contribuído para

a formação de médicos, farmacêuticos e enfermeiros através

de programas educativos com acreditação pelas sociedades

e ordens profissionais. Apoiamos a participação dos nossos

investigadores nacionais em Ensaios Clínicos Internacionais

Multicêntricos, mas também apoiamo-los em investigação

científica com projetos da sua iniciativa. Neste ultimo caso,

atribuímos em Junho de 2017 uma Bolsa de Investigação

em Mieloma Múltiplo no valor de 15.000 Euros a um grupo

de investigação do norte de Portugal, em parceira com a

Sociedade Portuguesa de Hematologia e a APCL. Temos

principalmente algo na nossa mente e no nosso coração que

é a nossa Missão de Servir os Doentes.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 15


sanofi | mais saúde, mais inovação

Líder mundial na

indústria farmacêutica

A Sanofi é um dos líderes mundiais na indústria farmacêutica, com forte representação em Portugal. Numa edição com destaque à saúde e

inovação, entrevistamos Victor Marques, o rosto principal da unidade de negócio Diabetes Franchise Lead.

Victor Marques Diabetes Franchise Lead Portugal

A Sanofi já opera num mercado de 100 países, sendo um dos maiores líderes mundiais na área da

saúde. Sendo um profissional a operar neste grupo reconhecido, como avalia a sua experiência na

empresa?

A Sanofi tem no seu código genético uma forte componente de inovação e diversidade. Isto significa

investigar, produzir e distribuir medicamentos que sejam soluções para os problemas de saúde em diferentes

realidades políticas, económicas e sociais, nas diferentes geografias onde operamos. Continuamos a apostar

em ultrapassar fronteiras, não só as físicas ou geográficas, mas as que se podem traduzir em abrir novos

caminhos na investigação e desenvolvimento de medicamentos e no contributo para a melhoria da qualidade

de vidas das populações. Enquanto profissional, tem sido fantástico trabalhar numa companhia como a

Sanofi. É muito gratificante e sinto um orgulho imenso por fazer parte desta companhia cheia de excelentes

profissionais que todos os dias fazem um enorme esforço, muitas vezes em detrimento da sua vida pessoal e

familiar, para poderem dar o seu melhor em benefício de milhões de pessoas em todo o mundo.

A aposta do grupo em I&D é representativa em Portugal, nomeadamente no que diz respeito à

diabetes?

A Sanofi é uma das companhias que mais investe em I&D e em Portugal estamos claramente focados em

continuar a investir. Desde 2014, o nosso país aumentou 10 vezes a sua participação em processos de

feasibility tendo vindo a conquistar um número crescente de ensaios clínicos, o que possibilita aos nossos

investigadores e doentes o acesso a medicamentos inovadores. Temos um pipeline robusto e estabelecemos

parcerias globais para a investigação e desenvolvimento de novos

medicamentos, soluções em diabetes e também em doenças genéticas,

oncologia e imunologia os quais esperamos que cheguem ao nosso país

brevemente.

A diabetes afeta quase um milhão de portugueses. Como é que a Sanofi

tem contribuído para fazer face a esta realidade? Quais os principais

avanços que pode destacar que foram ou estão a ser desenvolvidos

pela Sanofi, neste campo?

A diabetes é uma epidemia crescente a nível mundial e levanta enormes

desafios à sociedade. Cerca de 415 milhões de pessoas vivem hoje com

diabetes em todo o mundo, de acordo com dados da IDF, prevendo-se que

aumente para 642 milhões em 2030. Em Portugal, os números apontam

para cerca de 13 por cento de prevalência, ou seja mais de um milhão

de pessoas com diabetes. De acordo com os dados do INE, estima-se em

quatro mil o número de mortes diretamente atribuíveis à diabetes, por ano,

em Portugal. Face a estes números, para além de tratar acreditamos que

apostar na prevenção, educação e formação é fundamental. Na Sanofi,

temos contribuído, através de diversas parcerias com programas de alerta


mais saúde, mais inovação | sanofi

e de educação em diabetes. Lançámos recentemente no mercado uma App

que é um jogo divertido e inovador com mensagens educativas adaptadas

a crianças (MISSION T1D) em colaboração com a Sociedade Portuguesa

de Endocrinologia e Diabetologia Pediátrica (SPEDM). Trabalhamos com

a SPEDM num programa de desenvolvimento de competências ‘Para

além da Universidade’ destinado a jovens especialistas de endocrinologia.

Desenvolvemos também com a Sociedade Portuguesa de Diabetologia

(SPD) um programa de formação centrado no uso da insulina para médicos

e enfermeiros dos cuidados primários. Em Portugal, o racio de utilização

de insulina é muito baixo quando comparado com a média europeia e

temos apostado em desmistificar, educar e melhor utilizar as insulinas, de

forma a permitir que as pessoas com diabetes obtenham níveis de controlo

glicémico e possam diminuir o risco de complicações a médio ou longo prazo.

Globalmente destacamos a parceria com a Google (OnDuo) para a procura de

novas soluções em diabetes.

em dia, muitas multinacionais a operar em Portugal deslocaram os seus órgãos de decisão e concentraram a

compra de serviços em empresas sedeadas noutros países, tendo diminuído de forma sensível o headcount

em Portugal, através de reorganizações e reestruturações para garantir a sustentabilidade futura. Nunca é

demais lembrar que em Portugal temos preços ao nível dos mais baixos na Europa e que existe um sistema

de preços de referência que assegura uma contínua e anual revisão desses preços.

No que diz respeito à diabetes, o mercado dos genéricos é viável para o utente e sustentável para a

Sanofi?

A Sanofi é em Portugal um dos principais players, sendo a companhia líder no mercado ambulatório e tendo

uma posição de grande destaque no mercado hospitalar. No que diz respeito aos genéricos a Sanofi está

presente em Portugal com a Zentiva, a nossa unidade de negócios de genéricos que é um dos principais

players neste segmento. A Zentiva tem vindo a crescer no mercado dos genéricos com uma forte aposta na

expansão e diversificação do seu portefólio incluindo moléculas na área da diabetes. Adicionalmente a Sanofi

tem vindo a seguir uma estratégia de criar sinergias internamente entre as suas cinco unidades de negócio,

de modo, a proporcionar um valor agregado aos profissionais de saúde e à sociedade.

Viveram-se anos de forte tensão entre o Governo e as empresas

farmacêuticas, com cortes fortíssimos na despesa pública com

medicamentos. Na sua opinião, de que forma o setor foi abalado? Quais

as principais consequências para os utentes?

A indústria farmacêutica tem sofrido, sob diferentes perspetivas, o impacto

das medidas implementadas para controlar a despesa com medicamentos.

Estas medidas e as suas consequências têm levado a algumas decisões de

desinvestimento. Temos assistido a uma diminuição da autonomia de gestão

em Portugal, traduzida no agrupamento de companhias em ‘clusters’ de

países, com um impacto directo e imediato na diminuição do emprego e na

diminuição do investimento e da contratação de serviços em Portugal. Hoje

Qual é, no seu ponto de vista, o maior problema da indústria farmacêutica em Portugal?

Eu diria que a indústria farmacêutica necessita de transparência e previsibilidade. É frustrante sentir que

não temos tido a capacidade de lançar em Portugal a inovação, nomeadamente na área da diabetes. A

indústria tem feito um enorme esforço de cooperação com as autoridades da saúde e com o governo para

contribuir para um Sistema Nacional de Saúde sustentável, mas tem simultaneamente sofrido com decisões

imediatistas, não previsíveis e de grande impacto para a garantia de sustentabilidade das companhias em

Portugal. Estou confiante que conseguiremos encontrar mecanismos que garantam um equilíbrio entre a

pressão dos orçamentos e o desenvolvimento científico e tecnológico. A indústria farmacêutica é um parceiro

que deve ser visto como um contribuidor chave para a economia e para o desenvolvimento e bem-estar da

sociedade.

18 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


mais saúde, mais inovação| medtronic

Líder mundial em

tecnologia médica

Luís Pereira, general manager da Medtronic, revela à Revista Business

Portugal como se alcança a liderança mundial em tecnologia médica.

Uma entrevista obrigatória numa edição com especial enfoque à saúde.

Luís Pereira General Manager

A Medtronic é uma empresa com mais

de 60 anos, líder mundial em tecnologia

médica. Qual a vossa missão e valores?

Na Medtronic trabalhamos diariamente, de

forma ética e responsável, para garantir

que todos os doentes têm igual acesso

à inovação terapêutica, que lhes são

disponibilizadas as melhores soluções de

tratamento de acordo com a sua condição,

e que os profissionais de saúde têm o

conhecimento e a experiência necessárias

para lidar com as mais recentes técnicas

em saúde. Também é para nós fundamental

que os decisores e governantes nacionais

nos vejam como parceiros na procura por

um sistema de saúde mais eficiente. E é

nesse sentido que queremos ser pioneiros

na concretização de projetos de valor

acrescentado, assentes nos resultados

dos nossos produtos. Temos no nosso

ADN o conhecimento, a experiência e a

vontade para desenvolver as técnicas

mais inovadoras em cada uma das áreas

terapêuticas para as quais apresentamos

soluções. Paralelamente também temos um

forte compromisso com os doentes e é por

isso que buscamos as melhores opções de

tratamento passíveis de lhes ‘aliviar a dor,

restabelecer a saúde e prolongar a vida’. São

estes valores que fazem da Medtronic uma

empresa líder em Portugal e um dos maiores

fornecedores hospitalares – em volume e na

capacidade de gerar inovação –, com um

crescimento acima do mercado, um sucesso

do qual muito nos orgulhamos.

Como estão organizadas as soluções

terapêuticas e quais os vossos produtos?

A Medtronic está atualmente organizada em

quatro grandes grupos de áreas de negócio,

para as quais disponibiliza vários produtos

e soluções terapêuticas: o CardioVascular

Group (CVG), que reúne terapêuticas como

o pacing, eletrofisologia, hemodinâmica,

cirurgias cardíacas e vasculares, entre

outras; o Restorative Therapeutic Group

(RTG), do qual fazem parte, por exemplo,

a neurocirurgia, a cirurgia à coluna, o

tratamento de dor, a incontinência gastro

urológica, a ORL, a navegação, o tratamento

de AVC. Temos ainda o Minimum Invasive

Therapies Group (MITG), que engloba todas

as técnicas avançadas e convencionais

de cirurgia, material essencial ao bloco

operatório, e outras; e a área da Diabetes,

que foi iniciada apenas com a diabetes tipo

I (disponibilização de bombas de insulina

e sistemas de monitorização da glicose no

sangue) mas que atualmente apresenta

soluções inovadoras também para a

diabetes tipo II. Paralelamente, estamos

ainda a desenvolver a Integrated Health

Solutions (IHS), uma área de serviços que

visa ajudar a tornar efetiva a qualidade dos

procedimentos e a eficiência hospitalar.

Todos os nossos produtos são importantes e

alcançam excelentes resultados. No entanto,

penso que é importante salientar alguns dos

nossos mais recentes casos de sucesso:

a CoreValve, uma válvula cardíaca que se

implanta no coração através de um cateter,

sem necessidade de cirurgia cardíaca,

evita, desta forma, os efeitos secundários

e agressivos que uma intervenção desta

natureza acarreta para os doentes. A Activa,

um gerador de estimulação cerebral

profunda que reduz os sintomas de

distonia, torna os doentes mais autónomos

e possibilita-lhes caminhar e movimentarse

de forma equilibrada e segura. O Micra

é o pacemaker mais pequeno do mundo.

O LinQ, que faz o registo de eventos

cardíacos, é injetável subcutaneamente e

por isso não requer intervenção cirúrgica.

O LigaSure é o nosso sistema de energia

bipolar modificada para selar vasos que

garante altíssima qualidade e segurança

durante a cirurgia. O-Arm é um sistema de

navegação de raio-X a três dimensões. As

bombas de insulina MiniMed, em conjunto

com sistemas de monitorização contínua da

glicose, constituem uma real substituição

do pâncreas. O Sistema BIS controla a

profundidade anestésica dos doentes

durante a cirurgia, e é por isso uma inovação

indispensável para a qualidade cirúrgica.

Qual é o acesso que os portugueses têm

à tecnologia da Medtronic?

A maior parte dos produtos da Medtronic

são de utilização hospitalar e, por isso, são

os profissionais de saúde e especialistas

das áreas para as quais temos soluções

terapêuticas os prescritores das nossas

técnicas. São estes profissionais que têm o

conhecimento e a competência profissional

para o fazer mas também são os próprios

que reconhecem a eficácia e impacto positivo

que as nossas opções de tratamento têm

na promoção de uma melhor saúde e de

uma maior qualidade de vida dos doentes.

Contudo, a decisão da compra depende

sempre dos orçamentos hospitalares,

sujeitos aos processos legais de contratação

20 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


medtronic | mais saúde, mais inovação

pública e privada, que como sabemos têm

ao doente investigar, saber filtrar, questionar

que se propõem. Esta avaliação contínua das

o doente, ou seja, que cada euro gasto

bastantes restrições orçamentais, tornando

e sentir-se confiante com a solução apontada

tecnologias de saúde é um grande desafio

representa mais valor de saúde para o

o processo de escolha relativamente às

pelo clínico. O doente deve perceber

para todos os intervenientes. Paralelamente,

doente. Temos presente que os modelos de

opções tecnológicas muito mais criterioso.

claramente qual é a especialidade médica

e tal como é do domínio público, existe

negócio terão de evoluir no sentido do Value

Cremos que os profissionais de saúde e os

mais adequada, quer para acompanhar a sua

um grave problema no financiamento

Based Health Care, conceito preconizado por

sistemas de saúde em Portugal caminham

condição, quer para lhe indicar os melhores

da saúde. No geral dos países da União

Michael Porter.

no sentido de encontrarem sempre opções

tratamentos disponíveis no mercado. Este

Europeia, o cidadão português é dos que

terapêuticas ajustadas a cada doente. E,

conceito de patient empowerment não

mais contribui diretamente no co-pagamento

Quais são as suas preocupações

em conjunto com eles, procuramos sempre

é somente o direito que doente tem de

dos seus cuidados de saúde e o Estado

relativamente à saúde em Portugal?

garantir que o acesso é o mais universal

exigir o acesso aos melhores cuidados de

Português é dos que menos percentagem

Discute-se muito sobre a sustentabilidade

possível. Desta forma, oferecemos o treino

saúde, é também o compromisso de seguir

do seu orçamento reserva para a saúde

do SNS, mas é preciso ter presente que para

necessário aos profissionais de saúde, para

criteriosamente o tratamento que lhe é

pública. O desafio é encontrar o equilíbrio

que o SNS seja sustentável deve garantir-

que as tecnologias sejam sempre o mais

prescrito e abster-se de comportamentos

sem esquecer, claro, a procura pela maior

se também a sustentabilidade de todos os

eficazes possível. Em Portugal existem

que comprometam a sua saúde.

eficiência possível.

agentes na área da saúde, nomeadamente

grande profissionais, quer na prestação de

a dos fornecedores. Em termos económicos,

cuidados, quer na gestão da saúde, mas

Relativamente ao estado da saúde no

Quais os projetos delineados no sentido

Portugal parece estar bastante longe da

temos ainda um caminho a percorrer se

nosso país, quais são os principais

de potenciar as soluções da Medtronic?

realidade grega, mas é um facto que na área

queremos alcançar as mesmas taxas dos

desafios que enfrenta atualmente e que

A Medtronic está disponível para desenvolver

da saúde, só estes dois países apresentam

países mais desenvolvidos em termos de

poderá enfrentar?

mais parcerias no sentido de ajudar as

prazos de pagamento tão dilatados, acima

tecnologia de ponta.

Dado o curto ciclo de vida que as tecnologias

unidades hospitalares a serem mais

dos 250 dias. As empresas têm conseguido

É também fundamental que os portugueses

médicas têm, todo o processo de entrada de

eficientes porque acreditamos que este

manter em Portugal o reconhecimento das

estejam informados sobre a sua doença

mercado tem que ser célere, caso contrário

caminho favorece uma maior eficácia das

suas vendas, mas esta fotografia tem de

e quais as melhores soluções disponíveis

o país corre o risco de não acompanhar

tecnologias. E é por esta razão que estamos

melhorar rapidamente. Diretamente ligado

para o tratamento da mesma. O doente

o desenvolvimento tecnológico da saúde.

a trabalhar no sentido de introduzir nos

a esta realidade está o subfinanciamento

desempenha cada vez mais um papel crucial

Mas as empresas e os prestadores de

processos contratuais formas de partilha

público da saúde, um problema que requer

na promoção da sua saúde porque existe,

saúde terão também de ser capazes de

de risco em troca do aumento do tempo

análise célere porque é necessário que, com

atualmente, muita informação disponível em

ir demonstrando o valor das tecnologias,

contratual. Esta solução permitirá uma

urgência se dedique uma maior percentagem

qualquer canal ou plataforma. Também cabe

através da medição do resultado clínico a

melhor avaliação do valor aportado para

do Orçamento de Estado à saúde.

NINGUÉM PODE

RESOLVER SOZINHO

OS DESAFIOS DE SAÚDE

A NÍVEL MUNDIAL.

VAMOS TRANSFORMAR OS

CUIDADOS DE SAÚDE.

JUNTOS, MAIS LONGE.

Os desafios para o sector da saúde - como o aumento dos custos,

o envelhecimento da população, as doenças crónicas e as barreiras ao

acesso aos cuidados de saúde – têm impacto em todos nós. Por isso,

estamos a criar parcerias com todas as entidades que acreditem, como

nós, que só trabalhando arduamente e em conjunto podemos encontrar

formas de melhorar, não apenas os nossos sistemas de saúde, mas a

qualidade dos cuidados prestados.

Para nós, isso significa sermos pioneiros disponibilizando tecnologia

inovadora. Tomar medidas corajosas para tornar os cuidados de saúde

mais acessíveis e comportáveis. E fazer tudo o que estiver ao nosso

alcance para apoiar as entidades envolvidas na gestão e prestação desses

cuidados.

VAMOS TRANSFORMAR OS CUIDADOS DE

SAÚDE. JUNTOS, MAIS LONGE.

Saiba mais em medtronic.com/furthertogether

UC201603642 PT © 2016 Medtronic. All Rights Reserved.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 21


hmed | mais saúde, mais inovação

Oferta de serviços

médicos diversificados

A HMED é uma empresa jovem e dinâmica que deriva do know-how de vários profissionais da área da saúde. A sua principal missão é a oferta

de serviços médicos, paramédicos e de diagnóstico. A Revista Business Portugal faou com Paulo Ferreira, administrador da HMED Saúde.

Começo por lhes pedir que apresentem a HMED aos nossos leitores.

Somos uma empresa de serviços globais de Médicos, Paramédicos e de Diagnóstico.

Dinamismo e foco na excelência. Eis o que nos define. Somos uma empresa ainda

jovem, nascida para aglutinar o enorme conhecimento técnico de vários profissionais,

já com carreiras de relevo em diferentes valências da área da saúde, incluindo a gestão

de unidades. A HMED começou por abrir uma unidade clinica na zona do Marco de

Canaveses. Passado pouco tempo da conclusão dessa unidade, outras nasceram.

Nos anos que levamos de atividade, enfrentamos algumas dores de crescimento, mas

que, felizmente e mercê do muito empenho e dedicação, não chegaram nem perto do

sucesso global alcançado, sendo muitas e merecidas as vitorias que já ostentámos.

O segredo está obviamente na equipa. Desde cedo uma das nossas principais

preocupações foi com a seleção e contínua formação dos nossos recursos humanos,

contamos com um corpo clinico de elevada qualidade, dando-nos e, principalmente,

dando aos milhares de utentes que utilizam as nossas clínicas total confiança de que

estão em boas mãos. A saúde é o maior bem para a qualidade de vida do ser humano.

Para a HMED trabalhar nesta área significa que nunca poderemos exigir de nós menos

do que a melhor performance para o melhor resultado.

É este mote que nos permitirá prosseguir com a consolidação e crescimento da HMED.

A HMED, desde a sua criação, tem privilegiado a abertura de unidades clínicas

de proximidade. Esta é uma das vossas principais preocupações, uma rede de

saúde acessível a todos?

A HMED foi criada tendo como base uma estratégia de crescimento orgânica que

privilegia a abertura de unidades clinicas de proximidade. A estratégia adotada revelouse

correta e eficaz. Contrariamente ao que é comum no mercado da saúde, a HMED

apostou em regiões mais desfavorecidas, beneficiando desta forma populações que

dificilmente teriam acesso a cuidados de saúde com este grau de qualidade, perto dos

seus locais de residência.

Com quantas unidades já contam?

Detemos presentemente 10 unidades clinicas próprias e participações sociais em mais

três unidades. Também adquirimos recentemente a ACTIMÉDICO, uma empresa de

medicina no trabalho que vem reforçar a nossa oferta nesta valência cada vez mais

importante para a modernização do tecido empresarial e para o garante do bem-estar

dos profissionais.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 23


mais saúde, mais inovação | Hmed

As diversas parcerias com outras entidades ligadas à área da

saúde são também uma das vossas mais-valias…

Sempre colocamos entre os pontos primordiais da nossa estratégia, o

estabelecimento contínuo de parcerias para incrementar continuamente

a nossa capacidade. Durante 2015 e 2016, celebrámos vários acordos

de cooperação com grupos congéneres do setor da saúde, que nos

possibilitam um crescimento seguro e concertado perante um mercado

cada vez mais exigente.

As redes de serviços médicos estão em franco crescimento. Hoje e

mais do que nunca, os mercados são dinâmicos e é necessário apostar

na flexibilidade e complementaridade empresarial.

Que serviços podem os utentes encontrar nas unidades HMED?

Nos nossos serviços médicos, paramédicos e de diagnóstico,

executamos Analises Clinicas, exames de Cardiologia, Imagiologia

Consultas de diversas especialidades médicas, Medicina Do Trabalho,

Medicina Dentaria e Medicina Desportiva. Aliás, este último campo

da nossa atuação está a ter um crescimento exponencial, sendo a

HMED atualmente fornecedora oficial de serviços médicos de várias

federações desportivas nacionais, eventos internacionais como a Volta

a Portugal e a Volta ao Algarve em Bicicleta, o Campeonato Europeu

de Jet Ski e Motas de Água, e a UCI MTB Marathon Series. Somos

responsáveis pelos serviços Médicos e Paramédicos de equipas

profissionais de ciclismo, clubes de futebol, de btt e de triatlo, sendo

quase diária a procura das nossas valências por parte das instituições

ligadas ao fenómeno desportivo.

Trata-se provavelmente da maior e mais dura prova desportiva de Verão realizada

em Portugal, onde durante 11 dias observamos em direto a verdadeira essência

humana na perspetiva da superação de objetivos. Esta é uma experiencia única e

deve ser vista pelo mundo empresarial como um exemplo a seguir.

Estaremos lá munidos de uma equipa especializada, de equipamentos de ponta e

dos melhor material para intervir rápida e eficazmente.

Que elementos identificaria como diferenciadores? O que torna a

HMED diferente das restantes redes de saúde em Portugal?

Claramente a nossa aposta na proximidade e na colocação de algumas

das nossas unidades fora dos habituais grandes centros urbanos.

A HMED aposta predominantemente nessa politica de proximidade,

levando até aos cidadãos, empresas e instituições, serviços médicos de

qualidade.

Os nossos utentes são a razão de ser do projeto HMED!

Quais são os vossos Parceiros e qual a relação com os Mesmos?

Como é Publico temos uma parceria Exclusiva com a UNILABS Líder Europeia

nos meios complementares de diagnóstico que detêm a Medicina Laboratorial Dr.

Carlos Torres, o Laboratório Dr Hilário de Lima e a Cardiologia Dr João Guimarães.

Agradeço a confiança dos nossos parceiros que nos fornecem e queria destacar

o apoio da Augus Moto & Car que nos proporcionou carrinhas de apoio ao nosso

staff, bem como da Prio que nos fornece o combustível e Suplementos 24

(Nutrend).

Vão estar presentes na Volta a Portugal em Bicicleta. Este é mais

um voto de confiança?

Se não tivéssemos uma postura de qualidade, inovação, capacidade

de trabalho e de enfrentar condições adversas nunca seriamos

parceiros oficiais dos serviços médicos da 79.ª VOLTA PORTUGAL.

Por onde passa o futuro da HMED?

Focalização na excelência, diariamente, desde que abrirmos as portas das

nossas unidades, logo às 7 da manhã. Em cada momento e em cada um dos

colaboradores, temos de ter sempre presente o motivo da nossa existência: cuidar

muito bem da saúde dos nossos utentes!

24 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


A tecnologia da

nova geração,

para a sua

pressão arterial.

NOVOS

MEDIDORES DE PRESSÃO ARTERIAL

Linha RAPID

Um resultado rápido e confortável devido à tecnologia RAPID TECH .

Uma tecnologia inovadora da Pic, que faz a medição na fase da insuflação.

Rapidez

Experiência de conforto

easyRAPID

Para quem mede serenamente

a pressão arterial. Toda a tecnologia

Pic em 3 teclas. Simples e intuitivo.

5

ANOS DE GARANTIA

YEARS WARRANT Y

Anos - Years

clearRAPID

Tranquilidade e conforto para quem efetua

uma medição cuidadosa e frequente.

Com letras, números e um visor retroiluminado

de tamanho grande. Claro, completo e rápido.

www.picsolution.com | picsolutionportugal

À venda em Farmácias e Parafarmácias.

Os medidores de pressão arterial da linha Rapid são dispositivos médicos.

Antes da sua utilização, deve ler cuidadosamente a rotulagem e as instruções

de utilização.

Rev Dez/2016

É fácil com Pic!


mais saúde, mais inovação | artsana

É fácil com Pic!

Há mais de 50 anos que são a marca de autocuidados mais conhecida em Itália, um exemplo da excelência

e do know-how italiano. Um reconhecimento que exibem com grande orgulho, mesmo a nível internacional,

inclusivamente em Portugal. A Revista Business Portugal conversou com Patrícia Nunes Coelho, marketing

director Health and Beauty.

Em que especialidades, a marca Pic Solution é um

aliado fiável na promoção da saúde pública?

A PiC Solution é, há mais de 50 anos, a marca de

autocuidados mais conhecida em Itália, um exemplo da

excelência e do know-how italiano. Um reconhecimento que

exibimos com grande orgulho, mesmo a nível internacional.

Tornar simples o que não era antes: para nós na PiC, é muito

mais do que uma missão, é o nosso ADN autêntico. Pois

acreditamos que não basta resolver pequenos problemas

de saúde diários, é necessário fazê-lo do modo mais fácil e

confortável.

Sendo PiC, uma marca cross-category abrangente e capilar,

pronta a perceber as necessidades de uma sociedade em

evolução contínua, para as converter depois em respostas

fiáveis, eficientes e fáceis de usar. São essas, soluções

avançadas para a saúde das vias respiratórias, para o

tratamento de qualquer tipo de ferida, para uma gestão mais

livre das patologias, tais como a hipertensão e a diabetes.

A simplicidade da solução, desenvolvida tendo sempre por

base, ouvir e observar as necessidades das pessoas, torna

as suas vidas mais fácil, contribuindo naturalmente para a

promoção da saúde pública, principalmente em áreas como a

hipertensão e a diabetes.

A Pic Solution aposta na investigação e desenvolvimento

de novos produtos e aparelhos baseando-se nas

necessidades da população?

Como já referi anteriormente, é o nosso ADN tornar simples

o que não era procurar dar ao consumidor respostas fiáveis,

eficientes e fáceis de usar.

Inventámos a agulha descartável, ‘indolor’, ‘niente male’

(nada de dor), o primeiro passo da investigação Indolor

Experience para oferecer injeções cada vez mais rápidas

e indolores, e graças a uma excelente capacidade técnica

em atualização contínua, o know-how da Pic tem crescido e

agora os nossos laboratórios projetam muito mais além.

A PiC nasce da investigação constante de mulheres e

homens que trabalham todos os dias com paixão e dedicação

à marca e, acima de tudo, com vontade de ouvir as pessoas

e as suas necessidades, observar os comportamentos, ler

nos seus hábitos diários a solução mais simples para as suas

necessidades.

A operação ‘Pic it easy!’ é uma mostra atual da vossa

qualidade e inovação. Qual o balanço que fazem deste

projeto?

Com a operação ‘Pic it easy!”’, (em Portugal ‘É fácil com

PIC!’), e com a entrada nas redes sociais, a marca consegue

dialogar diretamente com as pessoas, sugerir-lhes conselhos

simples de bem-estar e resolver com um sorriso os pequenos

problemas quotidianos, alertando de forma muito positiva,

como podem melhorar a sua vida. Cada vez mais as pessoas

procuram a solução para o seu problema na internet, e há

muita informação incorreta. O nosso objetivo, inclusive com

www.picsolution.com/pt, é esclarecer o consumidor nas

várias áreas. O digital ajuda a marca a estar mais próxima,

sendo muito positivo para a mesma.

26 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


artsana | mais saúde, mais inovação

Defendem que automedicação pode ser

experiência!!! Experiência de pessoas que

e desconhecidas do grande público, como é

Têm de momento algum aparelho ou

uma boa forma de controlar problemas

todos os dias criam valor para a marca.

o caso da hipertensão, a doença silenciosa, e

tratamento a ser testado? Se sim, para

de saúde?

da necessidade de haver uma monotorização

quando está previsto o seu lançamento

A automedicação é a prática através da qual

Em que medida é importante para a

da pressão arterial, em todas as pessoas

no mercado?

um indivíduo seleciona e autoadministra

marca estabelecer protocolos e ser

independentemente de terem alguma

Temos algumas novidades para breve,

medicamentos com vista a tratar sinais,

reconhecida por entidades científicas?

patologia diagnosticada.

entrando numa área muito mais digital.

sintomas ou doenças por si identificados.

As sociedades portuguesas da área

E é através desta união com vista ao bem

Não consideramos que esta prática

da saúde estão abertas a esse tipo de

comum, que as entidades portuguesas estão

Cada vez mais a população procura

seja eficaz no controlo de problemas de

parcerias? Como classifica a relação da

recetivas ao apoio das marcas que atuam

levar uma vida salutar recorrendo a

saúde uma vez que, e numa frequência

marca com entidades públicas e privadas

com o mesmo objetivo.

tratamentos e produtos que permitam

extremamente considerável, esta

do setor?

o bem-estar e a qualidade de vida que

automedicação pode trazer efeitos adversos

O reconhecimento das entidades científicas

Desenvolvem investigação em Portugal?

desejam. É fácil conseguirem-no com a

ao doente ou conduzir a problemas de saúde

são muito importantes naturalmente, pois

Como fazem a comercialização dos

Pic Solution?

pública. Assim, ao identificar esses sinais ou

ajuda no desenvolvimento de produtos

vossos produtos?

Procuramos que Pic Solution seja

sintomas, o doente deverá procurar apoio

tendo em conta as necessidades das

A inovação provém de todo o mundo, de todo

efetivamente um sinónimo de vida

profissional para o diagnóstico e tratamento.

classes médicas, que diariamente enfrentam

o know how humano e precioso que a PIC

mais salutar. Apostamos em produtos,

Não obstante, a automedicação encontra-

dificuldades no tratamento, mas também

detém, mas também dos próprios doentes.

comunicamos mensagens e promovemos

se legalmente prevista. O Infarmed tem

na prevenção de doenças. Somos mais um

Foram assim criados diversos dispositivos

iniciativas que ajudam a população a manter-

listadas as situações clínicas passíveis de

braço para ajudar e tentar tornar a vida de

médicos. A comercialização dos nossos

se saudável e ativa. É fácil com Pic!

automedicação, pese embora a necessidade

cada um mais salutar!

produtos é feita através das farmácias e das

desta administração ter de ser feita segundo

Juntos, conseguimos melhor, passar

parafarmácias.

as recomendações inscritas no medicamento

mensagens que por vezes, são fundamentais

e de forma consciente e informada. Em caso

de dúvida, o doente deverá recorrer à rede

de profissionais de saúde, seja nos cuidados

de saúde primários, farmácias ou através da

Linha Saúde 24.

O lema da marca é simplificar a

resolução de pequenos problemas de

saúde. Como conseguem tornar tudo

tão simples e manter uma qualidade de

excelência?

Problemas simples devem requerer soluções

simples. Esta visão promove uma aposta no

desenvolvimento de produtos centrados e

desenhados para o utente. É ele que irá lidar

diariamente com o produto e que exigirá

essa simplicidade e qualidade de excelência.

É por isso que utilizamos materiais de

qualidade, processos bem desenhados

e recursos humanos qualificados. Por

sabermos que nos cabe a missão de fazer

tudo o que está ao nosso alcance para

satisfazer as necessidades que o utente

sente ao querer cuidar de si e dos que lhe

são próximos.

A aposta na gestão de recursos humanos

altamente qualificados é um instrumento

de trabalho que contribui para que a Pic

Solution seja uma marca de referência a

nível mundial?

Todas as marcas são feitas por pessoas,

e a PIC Solution é prova disso. 50 anos de

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 27


teva | mais saúde, mais inovação

Improving health, making people feel

better

Num trabalho sobre a saúde, é perentório uma entrevista à empresa farmacêutica com um dos maiores portefólios de medicamentos em termos

mundiais. Assim, a Revista Business Portugal esteve à conversa com Mário Madeira, diretor geral da TEVA no nosso país.

O Grupo TEVA está no Top 10 mundial das companhias farmacêuticas e

é líder mundial em medicamentos genéricos. Qual é a chave do vosso

sucesso?

A TEVA combina medicamentos genéricos e inovação, estando totalmente orientado

para o seu propósito: “Improving Health, Making people feel better”. O facto de

termos um dos maiores portfólios de medicamentos em termos mundiais (1.800

moléculas), bem como o modelo hibrido que nos caracteriza, são claramente fatores

impulsionadores de sucesso. Porém, na TEVA, acreditamos, que as pessoas são e

serão sempre a chave do sucesso da nossa organização. Estamos hoje presentes

em cerca de 80 países, empregamos perto de 57.000 colaboradores e a produção

mundial, só de comprimidos e cápsulas, ronda os 120 biliões por ano, projectando

aquela que é uma empresa israelita fundada em 1901, para o núcleo das maiores

farmacêuticas em termos globais.

Quais são as vossas áreas de negócio?

Em termos globais o peso da área de negócio de genéricos, representa

sensivelmente 50 por cento do total de vendas. A área de inovação tem quatro

pilares: Neuroscience, Respiratory, Oncocare e Woman Health, sendo os dois

primeiros os mais estratégicos e onde a TEVA mais tem investido em I&D nos

últimos anos. Em particular, na área de Neuroscience, a TEVA é reconhecida

mundialmente pelas soluções iInovadores no tratamento da Esclerose Múltipla e

mais recentemente há um foco particular em I&D na área da enxaqueca e doença

de Huntigton.

De que forma se posiciona a TEVA em Portugal comparativamente com os

departamentos do mesmo grupo noutros países?

Em cada país a estrutura TEVA global é replicada e nesse sentido Portugal não é

exceção. Assim, contamos com cerca de 116 colaboradores nas áreas de genéricos

e especialidades, bem como em todas as outras funções de suporte à organização.

Porém, em Portugal como resultado das aquisições da ratiopharm (2010) e Mepha

(2011), o peso do negócio de genéricos é maior, quando comparado com a TEVA

no mundo. Lideramos o mercado de medicamentos génericos com cerca de 20 por

cento de Market Share em volume e estamos entre as cinco maiores farmacêuticas

em valor, para o mercado total de ambulatório. Na área da inovação a TEVA é

reconhecida em Portugal, em particular na Esclerose Múltipla, Asma e DPOC e,

mais recentemente, na Fibrose Quistica, apresentado soluções terapêuticas, que

são hoje reconhecidas por todos os profissionais de saúde e doentes.

Mário Madeira Diretor geral da TEVA Portugal

Em 2010, seis anos após a vossa instalação em Portugal, o grupo cresceu,

com a integração da ratiopharm, Cephalon e Mepha. De que forma a

integração destas empresas veio estimular o negócio?

Efetivamente as aquisições da ratiopharm em 2010 e da Cephalon/Mepha em

2011 transformaram por completo a TEVA. Nessa altura a ratiopharm já liderava

o mercado de medicamentos genéricos de ambulatório e a Mepha estava no Top

10 deste segmento. Com estas integrações a TEVA em Portugal iniciou um novo

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 29


mais saúde, mais inovação | TEVA

ciclo, que lhe permitiu consolidar a sua liderança no mercado de medicamentos genéricos,

diversificar o seu negócio nas áreas de inovação a avançar para uma estrutura organizacional

que beneficiou de todas as sinergias de três culturas, onde se colocou no centro as

competências das pessoas que integraram esta nova etapa.

Estudos revelam que a política de medicamentos genéricos introduzida no início

do século XXI veio impulsionar o mercado português. Este foi um dos motivos que

motivou a instalação do grupo em Portugal?

A TEVA tem uma presença no continente europeu muito significativa e na prática o seu

estabelecimento em Portugal advém no essencial deste posicionamento de cariz Regional.

Apesar de todas as políticas de incentivo ao desenvolvimento de medicamentos genéricos,

o mercado português representa ainda uma oportunidade significativa neste segmento, em

particular no mercado ambulatório. Continua, na nossa opinião, a ser crítico que todos os

agentes do setor foquem a máxima atenção nas muitas oportunidades que ainda existem

para dinamizar o consumo de medicamentos genéricos, fazendo aproximar Portugal do nível

de consumo médio da União Europeia e em particular dos países do Norte da Europa, onde

os consumos são muito significativos, quando comparados com os do Sul. Existem ainda

muitos doentes que podem beneficiar de terapêuticas com custos significativamente mais

baixos e com todas as garantias da mesma eficácia e segurança do medicamento original.

Acreditamos, que no contexto nacional, a TEVA pode ser um parceiro de excelência do

Governo, no contributo que pode dar para a sustentabilidade do SNS.

O Grupo TEVA é líder em quota no mercado de medicamentos genéricos de

ambulatório. Porque razões acreditam ser a escolha dos portugueses?

Naturalmente que a combinação de três marcas de medicamentos genéricos, ratiopharm,

Teva e Mepha, que hoje compõem o Grupo TEVA em Portugal, permitiu-nos alcançar esta

posição de liderança. Porém, devemos ter em conta que a marca ratiopharm, foi uma das

primeiras a ser lançada no mercado nacional no início dos anos 90, quando o conhecimento

e aceitação dos medicamento genéricos era ainda praticamente inexistente. Em suma, nesta

história de mais de 25 anos, com cada uma das nossas marcas, tendo a ratiopharm sido a

pioneira, construímos uma forte relação de confiança com todos os profissionais de saúde

e doentes. Entre consumo ambulatório e hospitalar em Portugal, são milhões de pessoas

que beneficiam dos nossos medicamentos genéricos. Só no mercado ambulatório, 1/5 dos

medicamentos genéricos consumidos são do Grupo TEVA, o que muito nos orgulha e motiva a

fazer mais e melhor.

Que vantagens oferecem os medicamentos genéricos? Os métodos de verificação

de qualidade, segurança e eficácia destes medicamentos são os mesmos dos

medicamentos ‘de marca’?

Os medicamentos genéricos, cumprem um papel primordial, na relação de equilíbrio entre

acessibilidade/estimulo à contínua inovação por parte da empresas farmacêuticas. Estes

medicamentos são avaliados exatamente pelas mesmas instituições que aprovam os

medicamentos inovadores, cumprindo um rigoroso processo de avaliação, que legitima a

sua comercialização a custo mais acessível para os doentes, já que as empresas produtoras

destes não têm de fazer os investimentos em I&D. Os medicamentos genéricos têm

obrigatoriamente de cumprir os períodos de protecção de patente do medicamento inovador,

e só depois podem ser comercializados. Este ciclo permite que os doentes possam beneficiar

das mesmas terapêuticas, mas com um custo mais baixo. Por sua vez, as empresas de

inovação mantêm ativo o seu foco em encontrar novas alternativas terapêuticas e voltar a

beneficiar da comercialização num novo período de proteção de patente, que lhes permite

ter o legítimo retorno do esforço de investigação. Em Portugal, se considerarmos apenas o

mercado em ambulatório, há ainda um caminho importante a fazer em matéria de consumo

de medicamentos genéricos. De acordo com os dados mais recentes o consumo em volume

está nos 47 por cento, ainda abaixo da média europeia que está nos 62 por cento, havendo

países como a Alemanha ou a Polónia que já atingiram os 80.

Como classificam a adesão dos hospitais e profissionais de saúde aos medicamentos

biossimilares desenvolvidos pelo vosso grupo?

Na nossa opinião há ainda um caminho importante a percorrer, por parte de todos agentes

relativamente aos medicamentos biossimilares. Importa desde logo esclarecer que estes

são medicamento biológicos, mas que só podem ser comercializados, após o fim da patente

do original. Apesar, do conceito base ser similar ao dos medicamentos genéricos, os

biossimilares são aprovados através de um novo conceito científico, denominado por ‘exercício

de comparabilidade’, que visa assegurar que entre diferentes medicamentos biológicos

existe a mesma garantia de qualidade, eficácia e segurança. Naturalmente, que a exigência

e esforço de investimento para produzir biossimilares, é superior à dos medicamento

tradicionais, o que obrigará a um enquadramento mais adequado, que viabilize os equilíbrios

necessários à disponibilização dos mesmos; já que as terapêuticas biológicas têm custos I&D

mais elevados.

Como descrevem e classificam o atual panorama nacional no setor farmacêutico em

Portugal? Quais os maiores desafios que o Grupo TEVA enfrenta em solo nacional?

Parece-nos que os desafios do setor farmacêutico em Portugal estão muito alinhados

com os desafios no contexto europeu. O lançamento de terapêuticas inovadoras, aliado ao

envelhecimento acelerado da população europeia, irão desencadear desafios de significativos

aos Estados Membros da União Europeia, na perspetiva da manutenção dos equilíbrios

necessários entre disponibilizar os melhores cuidados de saúde às populações, sem

necessariamente desencadear um aumento significativo das despesas associadas. Esta

questão terá invariavelmente, um impacto significativo para qualquer empresa farmacêutica.

Neste contexto, a TEVA tentará através do seu modelo hibrido – genéricos e inovação – ser

uma opção relevante e transversal, desde os pagadores aos doentes, que já hoje reconhecem

os benefícios do equilíbrio entre a maior acessibilidade e a inovação terapêutica, que o nosso

vasto portfólio proporciona.

Qual o crescimento esperado para 2018 ao nível do mercado, da inovação e

desenvolvimento de novos fármacos?

É difícil prever neste momento as dinâmicas de mercado, já que são múltiplos os factores,

que as influenciam. Desde logo a aprovação de novas terapêuticas por parte das Autoridades,

tem um impacto muito significativo. Depois, se essas terapêuticas representam opções

de consumo hospitalar ou Ambulatório. Se considerarmos, como referência a dinâmica

do mercado de inovação em ambulatório, este cresce cerca de um por cento no primeiro

semestre do corrente ano e esta poderá ser uma tendência a manter. Neste contexto,

esperamos na TEVA continuar a lançar opções terapêuticas que acrescentam valor, quer na

área Respiratória, quer na área das neurociências, no que diz respeito ao nosso segmento de

inovação.

30 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


empresa | tema

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 31


mais saúde, mais inovação | janssen

A colaborar com o mundo

para a saúde de todos

A propósito da investigação e inovação na área da saúde, pela qual a Janssen é internacionalmente conhecida, e numa edição onde esta temática

merece destaque, conversámos com Filipa Mota e Costa, diretora geral da JanssenPortugal.

Filipa Mota e Costa Diretora geral

Poderíamos começar por uma breve apresentação da

Janssen enquanto companhia farmacêutica. Qual a

sua grande missão e que valores caracterizam a sua

atuação em todo o mundo?

A Janssen é a companhia farmacêutica do grupo

Johnson&Johnson, que é uma companhia já centenária com

valores sólidos, claramente expressos no nosso Credo, um

documento de referência com mais de 70 anos. A nossa

prioridade é para com os médicos e enfermeiros e todos os

que usam os nossos produtos; tudo o que fizermos deve

ser de alta qualidade. Trabalhamos em prol dos doentes,

transformando vidas e a forma como as doenças são

encaradas e geridas. É esta a nossa missão global. Para

a sua concretização, é incontornável o papel da inovação.

Acreditamos que a inovação vai para além dos laboratórios

e a Janssen inova também na forma como contribui para

a ciência, através da colaboração com stakeholders de

diferentes latitudes, com especial ênfase na academia,

governo, associações de doentes e profissionais de saúde.

Colaboramos com o mundo para a saúde de todos. Este mote

da Janssen faz sentido em qualquer local onde estejamos

presentes porque se prende com a filosofia e o modus

operandi da Janssen.

Quando e em que contexto a Janssen entrou no mercado

português? E que balanço podemos fazer da presença

desta companhia farmacêutica no nosso país?

A Janssen opera em Portugal desde 1983, na altura com

o nome Janssen Farmacêutica Portugal. Uma década mais

tarde, a qual ficou marcada por várias fusões internacionais

na indústria farmacêutica, a fusão entre a companhia

belga Janssen e a suíça Cilag, ambas detidas já na altura

pelo grupo Johnson & Johnson, originam a Janssen-Cilag

Portugal. Nos anos noventa, a Janssen-Cilag constrói

uma nova e moderna unidade de produção em Queluz, a

qual seria posteriormente vendida a um parceiro nacional,

a Lusomedicamenta, em 2004. Atualmente, a empresa

continua sedeada em Queluz, juntamente com todo o grupo

Johnson&Johnson e, após mais de 30 anos de atividade

32 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


janssen | mais saúde, mais inovação

no nosso país, o balanço é muito positivo: continuamos a

apresentar uma grande dinâmica de inovação em Portugal,

seja nos produtos que disponibilizamos seja em projetos que

implementamos ou apoiamos em Portugal, com parceiros

locais, e contamos com uma equipa diversa e altamente

qualificada.

Quais as vossas áreas de foco?

A Janssen aposta em cinco áreas terapêuticas de foco:

Infeciologia, Imunologia, Oncologia, Neurociências e Doenças

Cardiovasculares e Metabólicas. Apostamos em áreas

com necessidades médicas não preenchidas e que são

consideradas prioritárias pela Organização Mundial de Saúde.

Desenvolvemos vários tratamentos dentro destas áreas

que dão resposta a doenças como o VIH/SIDA, o cancro da

próstata, a leucemia linfocítica crónica, o mieloma múltiplo,

psoríase, doença de Chron ou a esquizofrenia, apenas para

nomear algumas delas. Os medicamentos que oferecemos

nesta área pretendem conter ou curar doenças, algumas das

quais consideradas muito graves e incapacitantes, trazendo

resultados com um impacto significativo na vida dos doentes

e seus cuidadores.

A Janssen assume-se como uma empresa inovadora,

incentivando a investigação e o desenvolvimento

científico através de parcerias com os mais variados

agentes, sejam eles outras empresas, laboratórios

ou instituições de ensino, entre outros. Quais são os

principais parceiros da Janssen em Portugal?

A nível nacional estabelecemos importantes parcerias

com entidades de reconhecido mérito na área da Saúde,

seja ao nível da academia, de entidades governamentais,

profissionais e associações de doentes ou outros

institutos ligados à Investigação e Desenvolvimento. Estas

parcerias visam contribuir para o avanço da medicina e da

Investigação e Desenvolvimento de medicamentos – até

porque consideramos que só com o mundo como nosso

laboratório é que conseguiremos inovar mais e melhor. Estas

colaborações são também uma forma de nos relacionarmos

com diversas partes interessadas na Saúde, no seu futuro, na

sustentabilidade dos sistemas, trocarmos opiniões, criarmos

network, trabalharmos em prol de uma sociedade com mais

e melhor Saúde.

A Janssen desenvolveu, em parceria com as Faculdades

de Medicina de Lisboa, Porto, Coimbra e Açores um

projeto pioneiro: as Salas de Educação Virtual Dr. Paul

Janssen. O que nos pode dizer sobre esta iniciativa e de

que forma poderá ser revolucionária para o ensino em

Portugal?

As Salas de Educação Virtual Dr. Paul Janssen resultam de

uma parceria entre a Janssen Portugal e as Faculdades de

Medicina referias através da qual estas quatro instituições de

ensino passaram a estar dotadas com salas de telepresença

com tecnologia de ponta. Esta tecnologia contribui para

facilitar e fomentar uma network nacional e internacional

de académicos, profissionais de saúde e investigadores

partilhar boas práticas e contribuir para a melhoria do ensino

da medicina. Após um ano de balanço, as faculdades são

unânimes no reconhecimento das oportunidades trazidas

pelas salas no âmbito do ensino da medicina. Desde a

transmissão em direto de cirurgias em Lisboa, ao estreitar

de ligações com a academia brasileira como é o caso do

Porto, ou a aproximação dos Açores e Coimbra contribuindo

para a poupança de custos com deslocações, de tempo dos

professores e de uma melhoria do ensino para os alunos

que já não precisam de ter agora algumas aulas teóricas

condensadas num curto espaço de tempo.

Considera que os incentivos e apoios proporcionados

pelas entidades governamentais à investigação

científica têm sido adequados em Portugal?

Se pensarmos numa fase muito visível da investigação

científica, constatamos que necessitam de um quadro

legislativo e regulamentar eficiente e adequado e de

infraestruturas preparadas para o rigor que exigem. Em

grande parte devido a dificuldades de organização, o nosso

país tem perdido competitividade neste setor, quando

comparado, por exemplo, com alguns países emergentes.

Reconhecendo que o nível de investimento em ensaios

clínicos em Portugal tenha crescido significativamente

desde 2012, estes estão ainda entre os mais baixos da

Europa Ocidental. Nesta área, a Indústria Farmacêutica é

um parceiro fundamental, tendo promovido 93 por cento dos

ensaios clínicos em Portugal, em 2016. Note-se que este

investimento se traduz em poupança da despesa pública em

medicamentos e meios complementares de diagnóstico, além

de permitir ainda o acesso a novas tecnologias em Saúde,

a adoção das melhores práticas de acompanhamento dos

doentes e a qualificação de profissionais de saúde e criação

de emprego.

Um dos grandes valores que a Janssen defende é a

importância de garantir que os pacientes se encontrem

devidamente informados e munidos de poder de

decisão. De que forma a empresa contribui, no dia a dia,

para o alcance deste objetivo?

É para os doentes que trabalhamos e continuaremos a

trabalhar para que possam viver mais e melhor. O mundo

sempre esteve e estará em constante transformação.

Mudam-se mentalidades e culturas. Inova-se na tecnologia.

Aumentam-se os padrões de tratamento, de qualidade e de

exigência. Hoje é inegável que as sociedades estão cada vez

mais informadas e os doentes não são exceção. É positivo

e construtivo que assim seja: que os doentes sejam ouvidos

e que se façam ouvir, que a sua opinião seja tida em conta.

Para este efeito é muito importante o papel desempenhado

pelas Associações de Doentes. A Janssen apoia a visão de

um sistema de saúde centrado no doente. Trabalhamos de

perto e acompanhamos o trabalho de várias Associações

de Doentes que desenvolvem ações em áreas terapêuticas/

doenças comuns, numa lógica de colaboração. Apoiamos

e participamos em ações destas associações e vice-versa

e temos ainda um projeto criado especificamente para as

Associações de Doentes, o projecto INFOCARE. Este projeto

foi criado no final de 2014 e o seu objetivo é capacitar

as associações de doentes, dando-lhes ferramentas para

o seu trabalho diário e, simultaneamente, partilhar boas

práticas entre as associações. Este programa junta diferentes

associações com diferentes origens e propósitos, mas que

acabam por ter necessidades semelhantes no seu dia a dia

e que reconhecem que estas sessões, as quais acontecem

duas vezes por ano e tratam de temáticas identificadas pelas

próprias associações como relevantes são uma mais-valia

para o trabalham que desempenham.

O que nos pode dizer relativamente ao consumidor/

paciente português? Considera que ele já se encontra

devidamente informado sobre as suas doenças e

respetivos métodos de tratamento, ou acredita que

ainda existe um trabalho de sensibilização a fazer?

Tem havido cada vez mais entidades a trabalhar ativamente

na sensibilização/consciencialização dos cidadãos em geral

na área da Saúde. Governo, entidades da sociedade civil

e empresas privadas estão empenhadas nestas áreas. É

importante que assim seja pois a prevenção e a literacia em

saúde têm ainda um amplo caminho a percorrer no nosso

país para que os cidadãos sejam potenciais consumidores,

doentes, informados e/ou capacitados para lidar com a sua

doença, saber onde procurar informação.

A Janssen procura, diariamente, encontrar mecanismos

e produtos que permitam atenuar, curar ou prevenir

algumas das doenças mais marcantes da nossa época,

desde o Alzheimer ao VIH, sem esquecer o cancro ou a

diabetes. Acredita que, nas próximas décadas, a ameaça

subjacente a estas mesmas doenças terá diminuído? Ou

considera, pelo contrário, que o seu combate está longe

de ficar consolidado?

Na Janssen trabalhamos todos os dias para dar mais

e melhores respostas a algumas das doenças mais

devastadoras e complexas da atualidade. Faremos a nossa

parte, e acredito que teremos um papel importante nas

áreas onde operamos. Algumas destas doenças têm visto

avanços extraordinários em poucas décadas: por exemplo, o

VIH passou de doença mortal nos anos 80/90 para doença

crónica na atualidade e acredito que chegaremos à vacina

na próxima década. Na área da Oncologia, conseguiramse

também ganhos de sobrevivência muito significativos,

acelerados nos últimos anos com os avanços no

conhecimento da genética. O próximo paradigma é entender

os fatores que contribuem para a doença e conseguir

interceptar o seu desenvolvimento. O combate à doença é

uma missão de todos, a começar no cidadão comum, bem

informado, que é capaz de prevenir algumas doenças através

de bons hábitos de vida.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 33


mais saúde, mais inovação | lean health portugal

“Lean” no sistema de saúde português

Rui Cortes, Healthcare Improvement Expert, foi o porta-voz da Lean Health Portugal, numa entrevista que nos permitiu conhecer um pouco mais

sobre esta empresa e sobre a atividade que esta desempenha.

A Lean Health Portugal já conta com 4 anos de

existência. Qual o balanço que faz do trabalho até aqui

realizado?

O balanço ao fim deste tempo é bastante positivo, não

obstante o muito que ainda está por fazer, sobretudo ao nível

da capacitação dos profissionais, por forma a permitir que

sejam eles os dinamizadores de uma cultura de melhoria

contínua na saúde, essencial para a sustentabilidade das

melhorias introduzidas. Acima de tudo, sentimos que todos

os dias podemos contribuir de alguma forma para melhorar a

qualidade dos serviços prestados aos doentes, desafiando os

profissionais a terem um olhar crítico sobre a sua atividade,

e entenderem como podem colocar os doentes no centro dos

processos.

Desde que começámos até hoje desenvolvemos projetos

de diferentes dimensões e complexidades em mais de

10 hospitais desde distritais a centrais. Hoje estamos em

simultâneo em 3 hospitais, um deles o Centro Hospitalar

Lisboa Central, uma ULS e um Especializado, em áreas como

“Percurso do doente cirúrgico”, Farmácia de Ambulatório,

Hospital de Dia de Oncologia, Risco Nutricional e mesmo no

processo de compras.

Quais os principais constrangimentos/adversidades que

encontraram no exercício deste projeto?

Como constrangimentos destaco o facto inerente ao ciclo de

resistência à mudança que está associado a metodologias

como o Lean, acrescentando ainda a dificuldade de

os processos estarem desenhados na sua maioria em

torno dos profissionais e não em torno do doente. Outro

constrangimento é incutir nas organizações e nas pessoas

que não devemos desperdiçar uma pequena melhoria, à

espera da melhoria ideal. Apesar destes constrangimentos,

o facto de termos estreita e forte ligação ao

Virginia Mason Institute, faz com que nos

associem a uma entidade de referência, e de

alguma forma isso tem sido um cartão-devisita

junto dos Conselhos de Administração

(CA) e de outras entidades. Por exemplo, no

curso do Virgínia Mason, tive de realizar um

caso prático e o Dr. Pedro Beja Afonso, na

altura presidente do CA do Hospital Distrital

da Figueira da Foz, permitiu-me que fizesse

o projeto do curso no Bloco Operatório. Esse

foi sem dúvida um passo crítico no nosso

jovem percurso, onde introduzimos melhorias

simples, mas de impacto no percurso do

doente, e até agora contabilizamos 7 BO. A

adicionar a esta passo inicial, e realçando

que a grande maioria dos profissionais

se entusiasma por poder melhorar os

processos, temos tido o privilégio de

encontrar excelentes profissionais com quem

aprendemos todos os dias, e sem desprimor

para todos os outros, deixo aqui uma

referência aos projetos que nestes últimos

14 meses temos desenvolvido no CHLC. Em

todos eles, uma variável comum: um forte

envolvimento e proximidade dos CA.

Em que consiste a marca Lean Health

Portugal?

A Lean Health Portugal dedica-se ao

desenvolvimento de projetos de melhoria

de processos na saúde, norteado pelos

princípios do Virginia Mason (1º hospital

Rui Cortes Healthcare Improvement Expert

34 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


lean health portugal | mais saúde, mais inovação

a aplicar Lean) em que se procura, com o

Existe cada vez mais interesse no

Desafiam constantemente o futuro,

qualidade em tempo real na saúde, ao invés

envolvimento dos profissionais, desenhar

conhecimento sobre o conceito Lean e a

através da inovação, investigação e

da qualidade retrospetiva, que é o que existe

processos que assegurem, de um modo

sua aplicação na saúde?

desenvolvimento científico. Quais as

tradicionalmente” e isso só se consegue com

gradual, a melhor experiência possível dos

Portugal iniciou cedo, julgo que em 2004,

etapas para se conseguir realizar o “Zero

um olhar atento e contínuo dos profissionais,

doentes ao longo do seu trajeto no sistema

a aplicação de Lean na Saúde, no H. Sto.

Defect” na saúde?

numa perseguição constante da perfeição.

de saúde.

António, mas não sei porquê acabámos

Na abordagem Lean, o erro é algo que pode

Como fator distintivo, destaco um foco na

por estagnar. No início era muito focado na

sempre acontecer, e o defeito é um erro que

Quais as considerações finais que

melhoria da qualidade dos processos, obtida

logística mas hoje assiste-se a uma maior

não é detetado a tempo e acaba por atingir o

pretende deixar esclarecidas sobre a

através da constante redução dos diversos

preocupação na eficiência e qualidade dos

doente; perante isso, o defeito zero é obtido

Lean Health Portugal e o que gostaria

desperdícios que existem nas organizações

processos na ótica do doente; parafraseando

através de processos em que qualquer

de ver desmistificado no seu ramo de

em que trabalhamos, tendo como base o

um dos Diretores Clínicos com quem

profissional possa e deva identificar algum

atividade?

respeito pelos doentes e os profissionais.

trabalhamos, “Não basta que o comboio

erro com que se cruze. Para isso temos

Apenas realçar dois pontos finais: A

É recorrente a solicitação de mais recursos

parta a horas, é essencial que ele parta só

que criar paragens forçadas nos processos

metodologia Lean na saúde não é uma

humanos, mais sistemas de informação

quando tiver as condições de segurança

e, para estas existirem, temos que ter

invenção nem do nosso país nem do

ou ampliação de instalações como base

reunidas”.

lideranças fortes.

nosso projeto, existindo uma preocupação

de um processo de melhoria; no entanto,

O interesse pelo tema tem realmente

O “Zero Defect” é algo que se constrói

crescente na transformação da saúde,

não menosprezando essas potenciais

aumentado, junto dos CA e, diga-se também,

dia-a-dia em que temos que assegurar

através do combate ao desperdício; por outro

necessidades, o nosso trabalho é acima de

dos Administradores Hospitalares, o que é

a transparência total na identificação do

lado este movimento foi reforçado no início

tudo identificar formas de aumentar o grau

de destacar, pois são uma peça-chave na

erro como a melhor forma de melhorar,

deste ano pelo relatório da OCDE “Tackling

de eficiência e qualidade dos processos com

implementação destas metodologias.

acompanhado por uma cultura de não

the waste in healthcare” onde afirma que um

os recursos de que dispomos. Conseguimos

Paralelamente é essencial balancear entre

culpabilidade.

quinto dos orçamentos da saúde não têm

isso observando cada processo em detalhe,

melhorias em áreas estratégicas, e “Quick

No Virginia Mason ou na Clínica Mayo, a

valor, e que um em cada dez doentes sofrem

com os seus intervenientes e identificando os

Wins”, indo estas permitir a desejada adesão

preocupação é quando o número de erros

um erro evitável.

desperdícios. Perante a nossa abordagem se

pelos profissionais de saúde de um modo

detetados diminui, pois defendem que um

Em novembro irá realizar-se um novo Lean

não alterarmos nada num processo, seja ele

global.

hospital capaz de detetar os erros é um

Health Meeting, em que um dos destaques

qual for, mas reduzirmos os desperdícios, a

hospital que protege os doentes.

é o papel dos CA na transformação

qualidade irá seguramente aumentar.

Segundo o Dr. Gary Kaplan, CEO do Virginia

organizacional.

Mason, “a metodologia Lean assegura uma

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 35


mais saúde, mais inovação | trueclinic

Um gestor de saúde é o melhor gestor

desportivo

Coma ambição de ser líder em Portugal e referência na comunidade portuguesa na prestação de serviços clínicos, a Trueclinic a atua em várias

áreas, nomeadamente na sinistralidade desportiva, o seu ex-libris de atuação. A Revista Business Portugal, numa entrevista a Miguel Gouveia de

Brito, presidente do conselho de Administração da Trueclinic, mostra a dinâmica da empresa que diariamente procura ser a melhor no mercado e

um contributo para todos.

Quais as vossas áreas de especialidade? E por que razão optou por estas?

A Trueclinic está vocacionada para gerir toda as áreas de sinistralidade, especialmente no

desporto e em acidentes de trabalho. O desporto é uma área muito específica e que exige

um forte conhecimento da atividade, entendemos ser uma área onde a nossa capacidade

diferenciadora faria mais sentido. Estamos em outras áreas como o dano corporal no acidente

automóvel ou na ajuda à criação de planos de saúde e cartões, como o caso do cartão da

União das Misericórdias. Estamos também na área dos check-up, acima de tudo estamos na

saúde, devido ao forte conhecimento na área de todos os fundadores e sócios da empresa.

E no que concerne aos valores que regem a TrueClinic?

O nosso lema é “a qualidade ao serviço do doente, a eficiência ao dispor dos clientes”.

Este lema assenta num conjunto de valores, tais como integridade, rigor, espírito de equipa,

progresso, inovação, rentabilidade e competência.

Afirmam ter uma postura inovadora no mercado nacional com claros benefícios

económicos para os vossos clientes e com ganhos de saúde para todos. Como se

alcança tal?

O posicionamento da Trueclinic é único em Portugal e temos sido desafiados para exportar

o modelo para outros países, quer europeus, quer Brasil e PALOPS. Existem outras grandes

empresas portuguesas especializadas na gestão de redes de saúde mas nós gerimos saúde,

estamos focados na componente clínica e dispomos de uma equipa clínica e com uma vasta

experiência. Os nossos clientes diretos, seguradoras, beneficiam deste nosso vasto knowhow

na área da saúde para otimizarem custos clínicos e melhorarem processos e fluxos

administrativos. A nossa estrutura clínica e administrativa permite estar mais próxima do

doente/sinistrado, atuando de forma mais célere na resolução das suas necessidades e na

reposição do seu bem estar.

Pedia-lhe que nos apresentasse cada um dos serviços que disponibilizam, de modo a

Miguel Gouveia de Brito Presidente do Conselho de Administração

Poderíamos começar por uma breve apresentação da TrueClinic. Como surge a clínica

e qual a sua missão?

A Trueclinic é uma empresa de gestão e auditoria clínica e que emerge devido à necessidade

de controlar e gerir a sinistralidade na área do desporto, nomeadamente no futebol. A nossa

missão é contribuir para a melhoria da saúde através da prestação de serviços com a mais

alta qualidade, eficiência, inovação e personalização, por forma a obter a satisfação dos

clientes.

36 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


trueclinic | mais saúde, mais inovação

elucidar os nossos leitores sobre as vossas áreas de atuação.

Nós somos especialistas na gestão de sinistros, seja na área de acidentes

pessoais, de trabalho ou no dano corporal. Estamos, igualmente, na área dos

check-up e dos exames. A área da gestão de planos de saúde é um foco

mais recente da Trueclinic e está em andamento. Por último, mas não menos

importante, temos a área de desenvolvimento de produtos ligados à saúde,

quer sejam cartões, quer sejam planos de saúde corporativos, quer sejam

redes de saúde.

Que previsões, objetivos e ambições reserva a TrueClinic para

a próxima década? Que alterações preveem ou esperam ver

consolidadas neste setor?

Somos líderes, em Portugal, na gestão de sinistros desportivos e queremos

exportar este know-how. Estamos muito bem cotados em alguns mercados

externos e queremos potenciar essa vertente. Queremos ser líderes na

gestão de sinistros e de planos de saúde em Portugal, a partir de 2020. Um

outro nosso objetivo, mais aliciante, é contribuir para a criação de projetos

inovadores no acesso aos cuidados de saúde em Portugal e nos PALOPS.

Achamos que a criação do cartão da União das Misericórdias foi um passo

diferenciado e inovador no mercado e nós estivemos diretamente envolvidos

na sua génese. temos know-how e competência para podermos ser um

agente ativo no desenvolvimento e criação de novas formas e processos de

acesso e proximidade na saúde.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 37


mais saúde, mais inovação | clínica oftalmológica Prof. dr. j. salgado-borges

Os cuidados que os seus olhos merecem

A Clínica Oftalmológica Professor Doutor J. Salgado-Borges é um centro especializado no diagnóstico e tratamento de doenças oculares. Há 25

anos a prestar os cuidados que os seus olhos merecem, aposta fortemente na sua equipa de profissionais, criação de novas áreas de abordagem e

aquisição de equipamentos com a mais alta tecnologia.

J. Salgado-Borges Administrador

Fundada em 1992, pelo Professor Doutor José Salgado Borges, a Clinsborges é uma

referência no diagnóstico e tratamento de doenças do foro ocular, que lhe oferece um serviço

global, integrado e de qualidade. Localizada em pleno coração da cidade Invicta, a Clinsborges

foi mudando as suas formas de atuar e aumentando a sua área física, ao longo do tempo,

para maior conforto e bem-estar daqueles que procuram os seus serviços. Sita na Avenida

Rodrigues de Freitas, é uma excelente alternativa aos caóticos hospitais, oferecendo rapidez e

eficácia para a resolução do seu problema ocular.

Em entrevista à Revista Business Portugal, o Prof. Dr. José Salgado Borges refere que a

pedra de toque, desde a génese da clínica, foi “torná-la num espaço acolhedor familiar,

onde a humanização e o acolhimento são os pilares fundamentais para um atendimento

de qualidade.” Para o especialista não basta oferecer um vasto leque de valências sendo

também imperativo proporcionar aos seus pacientes as melhores condições. É por esse

motivo, que na Clinsborges os seus olhos e o seu bem-estar são prioridade.

Relação de proximidade

Falar de bem-estar implica, intrinsecamente, falar de atendimento de qualidade, uma peça

que não ficou de fora deste puzzle. “Na Clinsborges preocupamo-nos com as pessoas, são

elas que estão em primeiro lugar. O nosso atendimento é personalizado, fazendo prevalecer as

relações humanas que aliamos a uma equipa especializada. Mantemos o cariz de humanidade

e acrescentamos-lhe o da modernidade, onde oferecemos os tratamentos mais recentes e

eficazes.”

Tratamento e diagnóstico

Na Clínica Oftalmológica Prof. Dr. J. Salgado-Borges é disponibilizado um atendimento diário

no âmbito da Oftalmologia geral e da resolução de situações oftalmológicas urgentes. Ao

longo da semana realizam-se consultas específicas em áreas importantes como Córnea e

Cirurgia Refrativa, Glaucoma, Diabetes Ocular e Oftalmologia Pediátrica.

No espaço pode encontrar os equipamentos mais avançados e atuais imprescindíveis para

diagnóstico e tratamento de todas as patologias do segmento anterior e posterior. “Todos

os exames estão disponíveis para os nossos doentes mas também poderão ser solicitados

externamente por qualquer colega”, refere o entrevistado.

Desses métodos de diagnóstico, destacamos a Perimetria Computorizada - um exame

imprescindível para o diagnóstico e seguimento de uma grande variedade de situações

patológicas, entre as quais se destacam pela sua frequência e importância, o Glaucoma e

diversas patologias Neuroftalmológicas; a Ecografia Ocular; a Laserterapia; a Paquimetria

Corneana; a Tomografia - exame fundamental na avaliação pré-operatória e no “follow-up”

dos doentes candidatos a cirurgia refrativa Lasik e cirurgia de catarata com Lentes Premium;

e o OCT - exame de elevada resolução que permite obter imagens de cortes anatómicos

das estruturas do olho, entre outros meios de diagnóstico. É possível ainda usufruir de um

Gabinete de Ortóptica, que permite o diagnóstico e tratamento dos distúrbios da motilidade

ocular, da visão binocular e de anomalias associadas.

Equipa altamente especializada

Composta por seis médicos oftalmologistas, duas técnicas, médicos anestesistas e um

38 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


clínica oftalmológica Prof. dr. j. salgado-borges | mais saúde, mais inovação

médico de cirurgia plástica, a equipa médica

da Clinsborges cuida da sua saúde da sua

visão oferecendo um serviço, que engloba

outras áreas complementares à oftalmologia.

Explica o especialista desta temática, que a

“oftalmologia não é nem deve ser entendida

como especialidade única no diagnóstico

e tratamento de doenças da visão”. É por

esta razão que fundamental existir uma

relação muito marcada com outras áreas

da medicina, tais como a medicina interna,

dermatologia, nutricionismo e reumatologia.

“Atualmente não funciona como há 25 anos,

hoje a oftalmologia não pode atuar sozinha.

Só com a intervenção de médicos de outras

especialidades é que é possível obter uma

resposta global nos tratamentos dos olhos

das pessoas”, fundamenta. As intervenções

cirúrgicas são efetuadas pelos elementos da

Salgado Borges é o diretor clínico da

e córnea/refrativa). Nos últimos 20 anos

736 trabalhos em Reuniões Científicas

Cinsborges eletivamente no Hospital Privado

Clinsborges (Clínica Oftalmológica Professor

realizou mais de 2000 procedimentos

Nacionais e Internacionais. Participou como

da Boa Nova, Ordem da Lapa, Hospital

Doutor J. Salgado-Borges) e, desde 2015, o

refrativos, cerca de 800 transplantes

conferencista ou moderador em 71 Cursos,

da Misericórdia de Lousada e na Clínica

Coordenador dos Serviços de Oftalmologia

de córnea e aproximadamente 10000

Simpósios ou Mesas Redondas, 21 dos

Oftalmológica das Antas (Cirurgia Refrativa).

dos Hospitais Privado da Boa Nova e de Dia

cirurgias de catarata e glaucoma. Recebeu

quais de âmbito Internacional. Publicou até

Em suma, nos últimos 25 anos, a

da Maia.

29 Prémios Nacionais e Internacionais e

à data 146 trabalhos, dos quais 35 foram

Clinsborges tem sido uma forte aliada

Licenciou-se em Medicina pela Faculdade

apresentou sob a forma de comunicação

publicados em Revistas Internacionais

na cura e prevenção das mais variadas

de Medicina do Porto, em 1978, efetuou um

oral, poster ou vídeo, até ao momento

Indexadas.

patologias direta ou indiretamente

“Fellowship” de dois anos na Universidade

relacionadas com a visão. Conta com uma

de Illinois (Chicago) e doutorou-se em

equipa de excelência e parceiros na área

Oftalmologia na Faculdade de Medicina

da saúde, tudo para que o utente possa

do Porto, em 1990. Desde 1976 até 1998

beneficiar de um serviço de qualidade a cem

exerceu funções docentes na Faculdade de

porcento. Por ano, em média, realizam-se

Medicina do Porto, acumulando entre 1990 e

mais de mil procedimentos cirúrgicos. Agora

1998 com funções de Assistente Hospitalar

preparam-se para ampliar o foco de atuação

de Oftalmologia, no Hospital São João. Foi

em todos aqueles necessitem dos seus

o Diretor do Serviço de Oftalmologia do

cuidados. “Queremos ser os seus parceiros

H. S. Sebastião (CHEDV), Santa Maria da

de confiança na saúde visual”, finaliza o

Feira, entre 1998 e 2013. É ainda Professor

médico especialista.

Convidado da Universidade Fernando Pessoa,

desde 2005.

Curiosidades biográficas

Dedica-se de modo especial à cirurgia do

Nascido no Porto em 1955, José Manuel

segmento anterior (cirurgia da catarata

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 39


Rua Ascensão Guimarães, 25

8004-038 Faro

tel: 289 880 050

tlm: 926 530 440

prove@nata.pt

www.nata.pt

Siga-nos:


INOVAÇÃO E EMPREENDEDORISMO

Portugal é um dos países da União Europeia onde a inovação e o empreendedorismo

mais cresceram na última década. Incubadoras de empresas surgem a olhos vistos, assim

como novas ideias, novos produtos e novas necessidades. A criatividade sempre fez parte

do ADN português, contagiando cada vez mais jovens que decidem pôr mãos à obra

e lutar pelos seus sonhos, criando negócios inovadores que lhes permitem singrar no

mercado de trabalho, com sucesso e potencializando as suas capacidades. Aliados da mais

recente tecnologia – e criando, muitas vezes, nova tecnologia – ultrapassam fronteiras

e levam o nome de Portugal mais longe, sendo verdadeiros embaixadores nacionais.

Ao mesmo tempo, podem melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas, descobrindo

soluções para problemas que antes seriam de difícil resolução. Testemunhos afirmam

que um inovador é um bom observador. Há que analisar o dia a dia e perceber onde há

a possibilidade de criar algo de novo ou melhorar algo já existente. Esta é a génese da

inovação e do empreendedorismo: ideias que podem mudar o mundo. Nas páginas seguintes

mostramos-lhe exemplos do que de melhor se faz no nosso país, no que à inovação e ao

empreendedorismo diz respeito. Inspire-se e, quem sabe, até descubra o empreendedor que

há em si. Até porque, como diz Vikas Shah, “qualquer grande desenvolvimento quer seja

social, cultural e económico é proveniente de três grupos de pessoas: empreendedores, artistas

e cientistas”.


inovação e empreendedorismo | pão real

pão real | inovação e empreendedorismo

UMA EMPRESA DE FAMÍLIA

QUE PÔS AS MÃOS NA MASSA!

Os

Os

fundadores

fundadores do

do

Pão

Pão

Real,

Real,

experientes

experientes

na

na

arte

arte

de

de

fazer

fazer

e vender

vender

pão,

pão,

bons

bons

conhecedores

conhecedores das

das

tradições

tradições

que

que

estão

estão

na

na

raiz

raiz

do

do

Pão

Pão

de

de

Mafra,

Mafra,

são

são

uma

uma

parte

parte

fundamental

fundamental desta

desta

história.

história.

História do Pão Real

História do Pão Real

O nascimento do Pão Real não se pode dissociar da história e do contexto da própria região de Mafra, terra

nascimento do Pão Real não se pode dissociar da história do contexto da própria região de Mafra, terra

de moinhos de vento, de moleiros e, naturalmente, de bom pão.

de moinhos de vento, de moleiros e, naturalmente, de bom pão.

A aventura do Pão Real começa, formalmente, em 1980, com a abertura da sua primeira padaria na aldeia

aventura do Pão Real começa, formalmente, em 1980, com a abertura da sua primeira padaria na aldeia

do Carvalhal.

do Carvalhal.

Mas a história em si começa há várias décadas, com Leonel Acúrcio e a mulher, Maria Gertrudes, também

Mas história em si começa há várias décadas, com Leonel Acúrcio e a mulher, Maria Gertrudes, também

conhecida por “Quitas”.

conhecida por “Quitas”.

O Pão Caseiro

Pão Caseiro

Desde os doze anos que “Quitas” cozia pão. Numa altura de escassos recursos e de muitas bocas para

Desde os doze anos que “Quitas” cozia pão. Numa altura de escassos recursos e de muitas bocas para

alimentar, nesta região, tradicionalmente, existia em cada casa um forno de lenha.

alimentar, nesta região, tradicionalmente, existia em cada casa um forno de lenha.

4 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

Cozer pão em casa era atividade rotineira e necessária, e a jovem “Quitas”

Cozer pão em casa era atividade rotineira e necessária, e a jovem “Quitas”

cedo aprendeu a amassar e a cozer. Primeiro porque era preciso alimentar

cedo aprendeu a amassar e a cozer. Primeiro porque era preciso alimentar

uma casa com mais nove irmãos; e depois, porque o pão que cozia começou

uma casa com mais nove irmãos; e depois, porque o pão que cozia começou

a ganhar fama na região.

a ganhar fama na região.

Tratava-se de pão de trigo e centeio, feito com as farinhas que vinham dos

Tratava-se de pão de trigo e centeio, feito com as farinhas que vinham dos

pequenos moinhos de vento que encimavam os montes das aldeias saloias.

pequenos moinhos de vento que encimavam os montes das aldeias saloias.

Na Década de 1960

Na Década de 1960

Foi um cunhado de Maria Gertrudes, dono de uma mercearia em Mem-

Foi um cunhado de Maria Gertrudes, dono de uma mercearia em Mem-

Martins, que estreou o negócio da venda de pão na família, na década de 1960.

Martins, que estreou o negócio da venda de pão na família, na década de 1960.

Tratava-se então de uma atividade semi-clandestina, devido à proibição de venda

Tratava-se então de uma atividade semi-clandestina, devido à proibição de venda

de pão proveniente de fornos sem alvará sanitário e feito com farinha artesanal

de pão proveniente de fornos sem alvará sanitário e feito com farinha artesanal

vinda dos moinhos.

vinda dos moinhos.

Mas foi para este cunhado que “Quitas” começou a cozer pão em maior

Mas foi para este cunhado que “Quitas” começou a cozer pão em maior

quantidade: o chamado pão caseiro, também conhecido fora do concelho de

quantidade: o chamado pão caseiro, também conhecido fora do concelho de

Mafra por “pão saloio” ou “pão de Mafra”. Quem comprava o pão, lá para os

Mafra por “pão saloio” ou “pão de Mafra”. Quem comprava o pão, lá para os

lados de Sintra, gostava e perguntava onde era feito. Sendo Carvalhal uma

lados de Sintra, gostava e perguntava onde era feito. Sendo Carvalhal uma

pequena aldeia desconhecida da maior parte, por afinidade começou a

pequena aldeia desconhecida da maior parte, por afinidade começou a

ganhar fama o nome Pão de Mafra.

ganhar fama o nome Pão de Mafra.

Uma padaria com saber e sabor

Uma padaria com saber e sabor

Alguns anos mais tarde, já o 25 de abril se tinha dado, “Quitas” e o marido,

Alguns anos mais tarde, já o 25 de abril se tinha dado, “Quitas” e o marido,

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 45


inovação e empreendedorismo | pão real

pão real inovação e empreendedorismo

pão real | inovação e empreendedorismo

Cláudio Cláudio Luz, Luz, neto neto de de Leonel Leonel Acúrcio

Acúrcio

Leonel, Leonel, decidiram decidiram entrar entrar também também na na venda venda de de pão. pão. Regressados de mais de uma

década década de de vida vida em em França França com com as as duas duas filhas, aventuraram-se na criação de uma

padaria. padaria. Começaram do do zero. zero. Mas Mas tinham em em casa todo o saber que era necessário: a

habilidade e e a experiência de de “Quitas” nas artes de amassar e cozer o pão tradicional

da da região.

Por Por essa essa altura, Leonel Acúrcio sabe que tem nas mãos um produto vencedor. O pão

era era de de qualidade, e as as capacidades comerciais de Leonel levaram-no ainda mais longe.

Nas Nas suas voltas para entregar pão ia ia pelas mercearias da região e oferecia o pão a

provar a a quem entrava. Assim foi, pelo paladar, cativando as pessoas e gerando mais

encomendas.

De De geração em geração

Tendo começado com apenas dois fornos a lenha, ao longo das últimas décadas a

Pão de Mafra em forno a lenha

46 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

padaria padaria foi foi sendo sendo aumentada aumentada e e modernizada modernizada para para corresponder corresponder à à crescente crescente procura.

procura.

Hoje, a marca marca Pão Pão Real Real conta conta com com cerca cerca de de 60 60 trabalha-dores, e e continua continua a a ser ser uma uma empresa

empresa

familiar, agora feita feita de de várias várias gerações. Começou com com Leonel Leonel e e “Quitas” “Quitas” e, e, mais mais tarde, tarde, a a gestão

gestão

passou para um um dos dos genros.

Os netos também metem a mão na na massa. Até Até os os moleiros continuam a a ser ser os os mesmos desde

desde

há mais de três décadas, fornecendo as as farinhas artesanais que que caracterizam o o Pão Pão Real Real e

e

garantem que o pão se se mantém fiel fiel às às suas origens.

Tradição e inovação

O sucesso do Pão Real passa, sem dúvida, pela qualidade das das farinhas usadas, por por conhecer e

e

entender os ingredientes, e por respeitar os os tempos da da natureza, apurando a a arte arte de de fazer fazer um

um

pão equilibrado e pleno de sabor.

Sendo um dos pães mais emblemáticos da da cultura Portuguesa, qual a a origem do

do

genuíno Pão de Mafra?

O Pão de Mafra começou por ter uma origem caseira, mas foi foi a a partir de de 1974 que que a a sua

sua

fama se alastrou e começou a ganhar a a preferência dos lisboetas, começando a a ser ser vendido

em grande escala. Inicialmente o pão era feito nas aldeias da da região e e depois levado para

para

vender na capital, onde era muito apreciado pelo seu sabor e e aspeto rústico. Para além do

do

pão que era cozido em casa, na década de de 1950 começaram a a surgir na na região de de Mafra as

as

primeiras padarias que se dedicavam a a produzir pão para comercializar. Ao Ao longo dos dos anos

anos

seguintes estas padarias ganharam um certo protagonismo, pois devido às às greves de de padeiros

e à escassez de pão na capital, os os padeiros começaram a a levar o o Pão Pão de de Mafra em em maior escala

para os mercados de Lisboa. Foi aqui que o o Pão de de Mafra começou a a ganhar mais mais visibilidade.

No final da década de de 1960 surge, porém, uma regulamen-tação governamental que que proíbe

proíbe

a comercialização de de pão proveniente de de fornos sem sem alvará sanitário. Esta Esta lei lei faz faz com com que que a

a

venda de pão caseiro, feito com farinha artesanal proveniente dos dos moinhos, seja seja proibida.

Apenas se se podia usar farinha proveniente das das grandes moagens nacionais e e as as grandes

grandes

padarias industriais tiveram assim oportunidade de de de crescer, produzindo pães pães pães como como como o “pão o o “pão “pão

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 55


inovação e empreendedorismo | pão real

pão real | inovação e empreendedorismo

“Utilizamos no nosso Pão de Mafra, de forma exclusiva, farinhas que

provêm da moagem de cereais em mós de pedra, fornecidas localmente.

“Utilizamos Permitimos tempos no nosso de Pão fermentação de Mafra, longos de forma das exclusiva, nossas massas farinhas e criamos que

provêm o nosso da próprio moagem fermento.

de cereais em mós de pedra, fornecidas localmente.

Permitimos tempos de fermentação longos das nossas massas e criamos

o nosso próprio fermento.

Leonel Acúrcio, fundador do Pão Real

de cabeça” e o “papo-seco”. Mas a conhecida “esperteza saloia” contornava

esta proibição. Estamos numa altura em que chegar a Sintra e a Lisboa era

de cabeça” e o “papo-seco”. Mas a conhecida “esperteza saloia” contornava

já relativamente rápido, tanto de carro como de comboio, e muitas eram as

esta proibição. Estamos numa altura em que chegar a Sintra e a Lisboa era

pessoas que, cozendo pão em casa com farinhas artesanais, o transportavam

já já relativamente rápido, tanto de carro como de comboio, e muitas eram as

depois escondido com artimanha para o vender, nos mercados e até junto às

pessoas que, cozendo pão em casa com farinhas artesanais, o transportavam

estações depois escondido de comboio. com É artimanha já depois para do 25 o vender, de abril nos de 1974, mercados com e o até fim junto da ditadura às

imposta estações pelo de comboio. Estado Novo, É já depois que o do comércio 25 de abril de de pão 1974, de mistura com o fim é completamente

da ditadura

liberalizado imposta pelo e Estado o Pão Novo, de Mafra que o passa comércio a poder pão ser de mistura vendido é completamente

livremente noutras

regiões. liberalizado O Pão e o de Pão Mafra de Mafra já havia passa conquistado a poder ser clientes vendido quando livremente era noutras levado às

escondidas regiões. O Pão para de os Mafra mercados já havia de conquistado Lisboa, e o clientes seu sabor quando e qualidade era levado passam às

a

ser escondidas cada vez para mais os reconhecidos.

mercados de Lisboa, e o seu sabor e qualidade passam a

ser cada vez mais reconhecidos.

A tradição encontra a inovação do Pão Real. Quais os vários tipos de pães

que A tradição

fabricam?

encontra a inovação do Pão Real. Quais os vários tipos de pães

que fabricam?

Todo o tipo de pão tradicional português, sendo o nosso produto de referência

Todo o tipo de de pão tradicional português, sendo o nosso produto de referência

o Pão de Mafra, que já é marca registada. Produzimo-lo em vários tamanhos

o Pão de de Mafra, que já já é marca registada. Produzimo-lo em vários tamanhos

e formas, desde pequenas unidades redondas de 80 gramas, ao formato

e formas, desde pequenas unidades redondas de 80 gramas, ao formato

tradicional alongado e com cabeça característica que conhecemos, a um pão

tradicional alongado e com cabeça característica que conhecemos, a um pão

bastante grande de 2 quilos que vendemos ao peso. Recentemente criámos um

bastante grande de de quilos que vendemos ao peso. Recentemente criámos um

novo

novo novo produto, produto, o

Pão Pão Pão

de de de Mafra Mafra em em Forma. Forma. Mantivemos Mantivemos todas todas as características as características

do

do do nosso pão pão

de de de Mafra e e colocámos numa numa forma forma de de modo modo a ser a ser mais mais prático prático

Leonel Acúrcio, fundador do Pão Real

para sandes e tostas. O feedback dos nossos consumidos tem sido bastante positivo e já é um dos

nossos produtos de destaque. Produzimos também Pão Redondo Saloio, Broa de Milho, Pão de Isco

para sandes e tostas. O feedback dos nossos consumidos tem sido bastante positivo e já já é um dos

(com fermentação muito longa com massa mãe), Pão Integral, Pão de Leite, Pão de Hambúrguer

nossos produtos de destaque. Produzimos também Pão Redondo Saloio, Broa de Milho, Pão de de Isco

artesanal, Pão com Chouriço, Papo-seco, as tradicionais bolinhas de água, entre outros…

(com fermentação muito longa com massa mãe), Pão Integral, Pão de Leite, Pão de de Hambúrguer

O Pão de Mafra é uma marca registada, regulada pela Secção de Panificação da ACISM.

artesanal, Pão com Chouriço, Papo-seco, as tradicionais bolinhas de água, entre outros…

O Pão de Mafra é uma marca registada, regulada pela Secção de Panificação da da ACISM.

Quais são as exigências que esta entidade impõe?

Quais O são uso as da exigências designação que “Pão esta de entidade Mafra” implica, impõe?

pois, obedecer a um rigoroso processo de certificação, que

O uso significa da designação cumprir “Pão todos de Mafra” os parâmetros implica, pois, definidos obedecer no a Caderno um rigoroso de Especificações processo de de certificação, do Pão de que

Mafra, criado

significa em cumprir 2010 pela todos ACISM. os parâmetros O nome definidos Pão no Mafra Caderno é uma de marca Especificações registada do do pertencente Pão de de Mafra, à criado ACISM e está em

em 2010 curso pela o ACISM. processo O nome de certificação Pão de Mafra IGP é (Indicação uma marca Geográfica registada pertencente Protegida). à Este ACISM processo e está em de em candidatura

curso foi o processo iniciado de em certificação 2010 pela IGP Câmara (Indicação Municipal Geográfica de Protegida). Mafra em Este conjunto processo com de de as candidatura

empresas produtoras

foi iniciado Pão em de 2010 Mafra pela da Câmara região. Municipal Para que de o pão Mafra possa em conjunto obter esta com certificação as as empresas é obrigatório produtoras

cumprir um

do Pão conjunto

de Mafra de

da critérios

região. na

Para confeção:

que o pão utilizar

possa farinhas

obter esta moídas

certificação em mós

é obrigatório

de pedra e

cumprir de moleiros

um um da região

conjunto de critérios na confeção: utilizar farinhas moídas em mós de de pedra e de de moleiros da da região

de Mafra, ser cozido em fornos de lenha, ter uma hidratação superior a 80% e respeito pelos tempos

de Mafra, ser cozido em fornos de lenha, ter uma hidratação superior a 80% e respeito pelos tempos

de fermentação, não utilizar qualquer tipo de aditivos e ser produzido dentro dos limites do concelho

de fermentação, não utilizar qualquer tipo de de aditivos e ser ser produzido dentro dos dos limites do do concelho

de Mafra.

de Mafra.

Quem procura o Pão Real encontra facilmente, ou não fosse a vossa embalagem identificativa.

Quem procura o Pão Real encontra facilmente, ou ou não não fosse a vossa embalagem identificativa.

O que O nos que podem nos podem dizer acerca dizer acerca disso? disso?

Estamos Estamos a apostar a apostar na na modernização na modernização da da nossa da imagem, nossa imagem, com com o objetivo com o de objetivo

de comunicar de de comunicar

de forma forma mais de forma mais

mais

clara com clara o com consumidor o consumidor final final sobre final quem sobre nós quem

nós somos nós

somos e sobre somos

sobre as e

as características sobre as características dos dos nossos dos

nossos pães. nossos

pães. Pães pães. Pães

Pães

artesanais, artesanais, produzidos produzidos e entregues e entregues nas nas lojas lojas

nas todos todos

lojas os os dias, todos

dias, no no

os mesmo mesmo

dias, no dia dia

mesmo de de confeção confeção

dia de e confeção que que seguem seguem

e que a a

seguem a

verdadeira verdadeira tradição tradição portuguesa.

portuguesa.

Onde

Onde Onde podemos

podemos podemos encontrar

encontrar encontrar o vosso

vosso o pão?

pão? vosso pão?

Atualmente

Atualmente Atualmente em

em

toda

toda em a Grande

Grande toda a Grande Lisboa,

Lisboa,

toda

toda Lisboa, a região

região toda Oeste,

Oeste, a região Ribatejo

Ribatejo Oeste, e Ribatejo margem

margem

Sul e Sul margem até

até

Sesimbra.

Sesimbra. Sul até Na

Na Sesimbra. nossa

nossa Na nossa

padaria

padaria padaria

e pastelaria

pastelaria e pastelaria

“Pão

“Pão

Real”,

Real”, “Pão

na

na Real”,

Rua

Rua

da

na da

Bela

Rua Bela

Vista,

da Vista, Bela

Nº13,

Nº13, Vista,

em

em Nº13,

São

São

Marcos,

Marcos, em São

Sintra.

Sintra. Marcos,

Nas

Nas Sintra.

lojas

lojas

que

que Nas lojas que

apostam

apostam

na

na

qualidade

qualidade

dos

dos

seus

seus

produtos,

produtos,

tanto

tanto

em

em

mercados

mercados

tradicionais,

tradicionais,

como

como

em

em

supermercados,

apostam na qualidade dos seus produtos, tanto em mercados tradicionais, supermercados,

como em supermercados,

nomeadamente

nomeadamente

nos

nos

Supermercados

Supermercados

“Pingo

“Pingo

Doce”.

nomeadamente nos Supermercados Doce”. “Pingo Doce”.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL

6 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 47


inovação e empreendedorismo | ageas

Um mundo para proteger o seu

A missão da Ageas é ser uma seguradora reconhecida pela sua capacidade de acrescentar valor sustentado, conseguindo antecipar e superar as

necessidades dos clientes, parceiros, colaboradores e comunidades onde se insere, proporcionando uma experiência de seguros emocional e significativa

na vida das pessoas. Esta experiência deve ser pautada pela confiança, transparência e uma conduta adequada, elementos chave também para a boa

reputação da empresa. Conversámos com Mariana Coruche, Human Capital Director.

Mariana Coruche Human Capital Director

48 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


ageas | inovação e empreendedorismo

Hoje, as organizações passam por mudanças

constantes, principalmente no que se diz respeito ao

capital humano. A retenção de talentos deverá fazer

parte da estratégia competitiva de uma empresa?

Sim, claro. Não só a retenção como a atração dos talentos.

A Ageas Portugal tem uma estratégia muito clara na forma

como queremos posicionar a nossa empresa perante as

novas gerações. Queremos desmistificar que trabalhar nesta

área é aborrecido e cinzento. Na verdade, há poucas áreas

de negócio aonde podemos ter o privilégio de trabalhar com

digital, inovação, data science ou “internet das coisas”. Na

verdade, a área seguradora está na vanguarda de muitos

destes temas por isso somos cada vez mais procurados pelas

gerações mais novas.

Para além de que, se pensarmos bem, a nossa área está

presente em todas as situações do dia a dia. Desde o

nascimento até à idade mais avançada, desde a nossa

viagem de férias ao conforto da nossa casa. Toda a

informação que recebemos no dia a dia, todas as conversas

ao nosso redor podem ser relacionadas com o nosso

trabalho, e isso torna-se fascinante.

O que distingue a cultura da Ageas Portugal e que

poderá ser interessante para as gerações de que fala?

A Ageas Portugal é constituída por empresas que têm no

seu ADN a inovação e o empreendedorismo e queremos

manter este espirito que permite aos jovens que entram na

nossa empresa questionar livremente os processos para

abrirmos a porta a novas ideias e conceitos. Distingue-nos

a informalidade e a abertura para a mudança. Na Ageas

Portugal os colaboradores têm a oportunidade de estarem

envolvidos em projetos com o CEO, independentemente

da sua função ou idade, respeitamos todos os contributos

e valorizamos a heterogeneidade porque sabemos que na

diferença vamos criar a nossa singularidade.

à Universidade conhecer o talento também trazemos a universidade para a empresa dando a possibilidade aos nossos

colaboradores de assistirem a intervenções motivacionais (key note speakers), aulas de grupo em finanças ou round tables

aonde são discutidas tendências do negócio com vários especialistas. As estratégias de retenção passam igualmente por

colocar os nossos potenciais perto do conhecimento ao mais alto nível. É uma situação “win-win”, pois se por um lado

trazemos know-how para a empresa, por outro, damos acesso às nossas pessoas a atividades premium com os melhores

especialistas no mercado.

Os colaboradores são o cartão de visita de qualquer empresa. Como descreveriam os colaboradores que compõem

a vossa equipa?

Colaboradores que se preocupam em cuidar dos nossos clientes com dedicação, em serem embaixadores da Ageas em

Portugal. Há uma preocupação genuína na forma como falamos e apresentamos as empresas do grupo, fruto de uma

ligação emocional com as várias marcas. Para além disso, tendemos para uma cultura aonde queremos ser a solução e

não o problema. A ideia que todos devem ser ouvidos, que a opinião de todos conta para o resultado final é também uma

característica comum, bastante valorizada. As diferentes cores da Ageas representam as nossas diferenças, alinhadas num

mesmo objetivo. É esta a nossa força.

Que projetos estão previstos no futuro da Ageas Portugal?

A consolidação de uma cultura única é um dos projetos chave, mas também sermos uma referência como empresa

para trabalhar em Portugal. Ficámos bem posicionados no ano passado no Indice de Excelência – segundo lugar para

empresas com mais 1000 colaboradores, mas queremos acima de tudo ser consistentes na oferta de valor que oferecemos.

Apostamos no desenvolvimento e na inovação, criámos uma academia de talento digital que permite ao colaborador gerir

a sua carreira desde a entrada na empresa, à sua avaliação de desempenho, plano de desenvolvimento e estratégias de

retenção ou bem estar, como workshops de mindfullness, aulas de balance, entre outros. Este ano vamos lançar o primeiro

hackaton, entre outras novidades que refletem bem a nossa cultura.

Existem áreas de negócio mais atraentes para os

talentos de hoje?

Tradicionalmente havia áreas de negócio mais procuradas,

contudo hoje em dia não é tão evidente. Por exemplo no

caso da Ageas Portugal temos vários casos de colaboradores

que se juntam a nós após ouvirem testemunhos do que

fazemos e como fazemos as coisas na nossa empresa e que

nos dizem que nunca imaginariam que a área seguradora

tinha este dinamismo. Este é um tema importante quando

falamos na proposta de valor e como a apresentamos. A

nossa estratégia passa igualmente por colocar talentos a

falar com talentos. Trazemos a Universidade à empresa e

vice-versa, numa parceria estreita que temos com algumas

Universidades, nomeadamente com a Universidade Nova de

Lisboa.

Em que consiste essa parceria?

A nossa ideia é aproveitar este ecossistema entre a

educação e o mundo empresarial. Se por um lado vamos

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 49


inovação e empreendedorismo | Quinta do paúl

um sabor inesquecível,

um momento único

Caro leitor, no seu roteiro pelo centro do país poderá encontrar, a poucos minutos de

Leiria, a Quinta do Paul. Um espaço único que conjuga uma envolvente paisagística

relaxante e um ambiente requintado. Pelo seu ambiente natural, a Quinta do Paul

oferece a serenidade do som da água e o chilrear de passarinhos como base para um

vasto leque de opções para desfrutar ao máximo cada momento e cada evento.

A origem da Quinta do Paul

O projeto nasceu em 1985, no dia 28 de setembro com o Restaurante

‘Saloon’ – espaço-mãe do que é hoje a Quinta do Paul. A iniciativa foi

do ainda atual gerente e proprietário, Fernando Vieira Cardoso, natural

da freguesia de Gondomaria – Ourém, na altura com os seus 25 anos

apenas. Todo o projeto só em 1994 é chamado de ‘Quinta do Paul’. Este

visa proporcionar um serviço diferenciador a todos os níveis, conjugando a

excelência de bem servir com sabores inesquecíveis e momentos únicos.

Tudo começou com o renascer de um antigo lagar de azeite transformado

em restaurante, com um serviço de excelência. É conhecido ainda hoje

pelas suas entradas vistosas e recheadas de iguarias. É um espaço com

decoração arrojada que proporciona um ambiente de luxo e requintado e ao

mesmo tempo recatado e tranquilo. Na ambição de querer acompanhar a

evolução do mercado, sentiu-se a necessidade de aumentar a amplitude do

negócio. Nascia então a primeira sala para a realização de eventos junto ao

Restaurante ‘Saloon’ que atualmente tem capacidade para 120 pessoas. Esta

sala tem hoje o nome de ‘Sala dos Espelhos’. Após nove anos de atividade

com sucesso e de forma a dar resposta ao maior número de clientes e de

festas solicitadas, foi construído um espaço amplo com vista para os espaços

ajardinados que permitiam, e permitem, iluminar a sala com a luz natural.

Este espaço, flexível, é todo ele equipado com climatização, livre de qualquer

degrau e pilar e com capacidade, atualmente, para 1.300 pessoas. No

entanto, devido a enormes divisórias em painéis de madeira, torna-se possível

dividir este espaço até quatro salas de diferentes dimensões e decorações. Ao

longo destes anos e do uso das mesmas, estas salas têm sofrido alterações,

sempre com a intenção de se diferenciarem com a introdução dos melhores

e atuais equipamentos e decorações. Foi em 1999 criado um edifício

independente com um serviço de bar inovador, mantendo o mesmo registo de

ambiente, já criado e reconhecido como sendo de glamour e requinte e pelo

leque de animação que proporciona aos seus clientes. Este espaço tem ainda

hoje o nome de ‘Bar Cantigas d’Amigo’. Em 2004, a Quinta do Paul aumentou

uma vez mais a sua abrangência e diversidade de negócio com a inauguração

de mais um edifício/restaurante, com um serviço de buffet, que na altura foi

um serviço inovador por se tratar de um conceito de refeição pouco explorado

na região. De encontro com a política de gestão, também este edifício sofre

esporadicamente remodelações várias, ao nível de equipamentos de topo

e de estrutura com cores e decoração atuais. De facto, a preocupação em

acompanhar o mercado e as novas tendências é uma constante na Quinta

do Paul, sendo o empreendedorismo uma das principais características da

gestão deste espaço.

Caracterização do espaço e das instalações

A Quinta do Paul é um espaço multifacetado que congrega em si: Restaurante

Saloon, espaço premimum, Restaurante Atrium Buffet, Bar Cantigas d’ Amigo

e várias salas para eventos, estando sobretudo vocacionada para casamentos

e grandes eventos (sejam empresariais, teambuilding, corporativos, etc). Para

além destes espaços, a Quinta dispõe de zonas exteriores ajardinadas e de

esplanadas que completam a oferta ao cliente. Para além disso, o restaurante

Saloon dispõe de uma garrafeira de vinhos de excelência que o cliente pode

usufruir. Todos estes espaços apresentam condições de excelência para os

mais variados eventos.

Serviços mais requisitados

Os Restaurantes Saloon e o Restaurante Atrium são espaços que se

encontram abertos diariamente, ao almoço e jantar, pelo que são escolhas

preferenciais de quem visita esta quinta, bem como o Bar Cantigas d’ Amigo.

50 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


quinta do paúl | inovação e empreendedorismo

As salas de eventos são espaços mais procurados para

festas exclusivas e muito personalizadas, como casamentos,

batizados e grandes eventos, pelo que o fim de semana são

os dias mais procurados para este propósito.

Projeto diferenciador a funcionar o ano inteiro

A Quinta do Paul é um projeto singular na região, que,

para além de contribuir para a sua dinamização turística,

apresenta condições de excelência para a realização dos

mais diversos eventos. Para além disso tem a mais-valia de

ser um espaço aberto diariamente, onde o contacto com o

cliente e do cliente com o produto é diário, o que traz uma

rotatividade de produtos e serviços que diferenciam esta da

restante oferta. A Quinta do Paul abre as suas portas todos

os dias, 365 dias por ano, ano após ano, já lá vão 32 anos.

A equipa da Quinta do Paul

A Quinta do Paul tem uma equipa de 15 colaboradores

diários, que é reforçada ao fim de semana, para a realização

dos eventos. Como em qualquer outra área de atuação, a

área da restauração/turismo exige bons profissionais, bons

seres humanos, pelo que a formação é uma ferramenta

fundamental para acompanhar as alterações constantes do e

no mercado que este setor enfrenta. Esta é uma das ‘armas’

utilizadas na Quinta do Paul para uma evolução crescente e

sustentada em prol do cliente que se quer encantado.

O setor, nos dias de hoje, pelos olhos de Fernando Vieira

Cardoso

“O setor da restauração/turismo, se por um lado é dos

setores que apresenta, em Portugal, um nível crescente no

impacto na economia do país, é, por outro lado, um setor

muito ‘massacrado’ burocraticamente falando. A carga fiscal

e normativa que rege esta atividade, e este negócio em

concreto, e o nosso negócio em particular, é de tal forma

brutal que, muitas vezes, sentimos que o investimento

não compensa. A luta neste setor é diária. Para além do

encantamento e da excelência de produtos e serviços que

temos de proporcionar aos nossos clientes, temos a máquina

Estado, que de tão pesada, e por vezes tão ‘mecanizada’,

acaba por nos fazer sentir que somos apenas mais um neste

setor e que a distinção que criamos todos os dias, o querer

sempre proporcionar mais e melhor aos nossos clientes,

acaba não por nos premiar, mas por nos ‘derrotar’ por um

sistema burocrático que premeia e inatividade. Sentimos, de

facto, diariamente, a motivação e a desmotivação, num setor

de atividade tão potenciador de riqueza para o nosso país e

que muitos querem derrotar”.

O futuro da Quinta do Paul passa por…

Existe um projeto em aprovação que contempla diversas

áreas de negócio a fim de complementar os serviços já

existentes na Quinta do Paul. A hotelaria é um projeto a cinco

anos e encontra-se em fase de elaboração.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 51


inovação e empreendedorismo | lar vicentino de santa quitéria

Servir com qualidade e amor

O Lar Vicentino de Santa Quitéria situa-se no pitoresco e agradável Monte de Santa Quitéria, em Felgueiras. Abriu as portas em 2001 e conta

atualmente com uma equipa de trabalho vasta, experiente e qualificada. Sob o lema ‘servir com qualidade e amor’, um elemento da direção revela à

Revista Business Portugal que os responsáveis trabalham diariamente para que os seus residentes se sintam em casa e em família.

Como surgiu o lar Vicentino de Santa Quitéria?

Fruto de uma espiritualidade do acontecimento. Em

linguagem corrente: trata-se de uma resposta objetiva a uma

necessidade humana, que contou com o auxílio de pessoas

generosas e com a ajuda do Espírito de Deus.

Estar situado num local mais isolado é uma forma de

oferecerem a tranquilidade e sossego aos utentes?

Sem dúvida que estamos num local privilegiado da cidade,

onde impera o sossego e a tranquilidade, mas também

o ar puro e saudável do monte e esta é uma mais-valia

relativamente às restantes instituições. Frequentemente

os nossos utentes passeiam na Alameda e fazem o seu

um acompanhamento total na saúde dos

utentes?

Para além dos serviços gerais e próprios de

um lar, existe o serviço de saúde, que conta

com uma médica, especializada em medicina

geral e familiar, duas enfermeiras, com

vertente profissional geriátrica e ainda uma

nutricionista, especializado em alimentação

comunitária. Estes serviços trabalham

em articulação perfeita e em constante

proximidade com os demais setores. Existe

ainda a possibilidade de realizar tratamentos

de fisioterapia na instituição.

cada um o mais semelhante possível ao ambiente familiar das suas

casas. Todas as atividades e meios implementados, bem como toda a

organização logística e humana em torno deste Lar orientam-se para um

propósito: atender às necessidades biopsicossociais da pessoa idosa e

ao seu bem-estar, proporcionando o equilíbrio destas virtudes da forma

mais adequada e salutar. O Lar Vicentino é uma resposta que permite

combater a solidão que muitos idosos sentem quando estão em casa,

por vezes sozinhos todo o dia. A integração e a vida dos utentes no Lar

passa, sem dúvida, por ser um meio de combate à solidão.

Quais os principais desafios e dificuldades da instituição?

Os principais desafios do Lar Vicentino são a criação de estratégias de

comunicação que nos permitam passar a ser conhecido e reconhecido

como uma referência de excelência na prestação de cuidados ao serviço

da população mais envelhecida.

Quais as atividades que desenvolvem para ocupar os tempos livres

dos mais idosos e para comemorar datas festivas?

A animadora socio-cultural é também um elemento fundamental para

a dinâmica do Lar, sendo responsável por todas as atividades que se

realizam fora e dentro da instituição. Todos os anos o calendário de

atividades é reestruturado e atualizado em parceria com as instituições

locais e onde se promovem diversas atividades, desde encontros

temáticos a passeios no concelho. O Lar Vicentino é ainda responsável

pela organização de um destes encontros e recebe na Alameda de Santa

Quitéria todas as instituições que trabalham com a terceira idade em

Felgueiras – a Peregrinação dos Frágeis – por ocasião da festividade em

honra de Santa Quitéria. Todos os aniversários dos residentes são ainda

comemorados no dia correspondente. O envelhecimento ativo é, sem

dúvida, uma prioridade para nós.

exercício físico praticamente em casa. A Alameda de Santa

Quitéria é um local muito procurado para esse efeito mas

também, no verão, para piqueniques e convívios de amigos e

familiares. Não poderíamos estar situados num local melhor.

Que tipo de serviços oferecem agregados ao lar? Há

Qual a missão do lar Vicentino de Santa

Quitéria? Sentem que são um meio de

combate à solidão dos mais velhos?

O lema principal do Lar Vicentino de Santa

Quitéria é servir com qualidade todos os

utentes, tornando o espaço e a vida de

Quais os principais projetos e ambições para o futuro do lar?

À semelhança de outras instituições locais e regionais, o nosso desejo é

servir mais e melhor todos os que nos procuram. Os projetos passam por

dotar as instalações de equipamentos modernos promotores de melhor

qualidade de vida, sem descurar a formação dos nossos colaboradores.

Promover um envelhecimento saudável, com qualidade e dignidade.

52 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


INVESTIMENTO, INOVAÇÃO E INVESTIGAÇÃO

Coimbra: a simples prenuncia da palavra traz-nos, à memória, a Universidade de Coimbra, Alta e Sofia, uma das mais antigas da Europa e das

maiores de Portugal. Este monumento identifica, de forma inequivocável, este concelho capital de distrito, localizado na Região Centro Norte de

Portugal.

Porém, Conhecimento não é a única palavra pela qual se reconhece Coimbra. Recentemente, o Investimento tem sido alvo de atenções várias pelas

entidades que reconhecem as potencialidades desta cidade (nomeadamente a Câmara Municipal de Coimbra, a Comunidade Intermunicipal

Região de Coimbra e CoimbraMaisFuturo) e se preocupam na divulgação de apoios. Apenas ultrapassada pelas áreas urbanas de Lisboa e

Porto, o concelho de Coimbra encontra-se em terceiro lugar no ranking de importância económica. As milhares de empresas que constituem o tecido

empresarial regional têm vindo a registar um aumento na competitividade, digna da cidade que alberga a melhor incubadora de empresas do mundo,

premiada internacionalmente.

Para além das zonas industriais, Coimbra está equipada com um parque de ciência e tecnologia: Coimbra iParque, apto a receber unidades

industriais, empresariais e abastecida com espaços de escritório, auditórios, salas de formação e de reuniões. Posto isto, será importante referir

as perspetivas existentes de criação de novas áreas de localização empresarial. De tal forma o foco da cidade se manteve relacionado com a

Universidade, será de esperar que os formados que de lá saem contribuam, com o seu potencial, para a criação e desenvolvimento de novas empresas

e, possivelmente, start-ups, capazes de motivar o investimento, benéfico para as várias partes nele incluídas. A Revista Business Portugal apresentalhe

várias organizações capazes de potencializar o investimento na região e desenvolvê-la, tal como o seu potencial o exige.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 53


investimento, inovação e investigação - expofacic| sargaço & cruz

Palavras de ordem: qualidade

e confiança

Sediada em Cadima, Cantanhede, a Sargaço e Cruz Lda surgiu com o intuito de ser uma empresa especializada em oferecer um serviço de

qualidade e confiança para os compradores de máquinas mais exigentes.

Para além do comércio - de máquinas, tratores, motosserras ou alfaias

agrícolas – e da reparação e assistência de máquinas agrícolas, a Sargaço

e Cruz Lda dispõe do serviço de entrega dos produtos comprados no seu

espaço. Aqui pode encontrar peças para todas as marcas e mecânicos

especializados em mecânica de motores, caixa, eletrónica, serrilharia e

pintura.

O que marca a diferença nesta firma é a seriedade e a disponibilidade para

todos os clientes, um aspeto que o Manuel Sargaço considera importante

para se fazer um bom trabalho e para satisfazer quem procura apoio. É

importante que os clientes vejam a empresa como uma entidade capaz

de apresentar as melhores e personalizadas soluções ao prestar um apoio

técnico contínuo.

Apesar de ser uma referência na zona centro, a verdade é que já se estende

para outros pontos do país, nomeadamente Lisboa e Chaves. “Já percorremos

um bocado o país” afirma Manuel Sargaço. Esta extensão de território é

marcada em termos percentuais pela grande área agrícola e florestal que

caracteriza o nosso país.

A Sargaço e Cruz é uma empresa de base familiar e por isso mesmo o

Manuel Sargaço, Marisa Sargaço e Maria Idália Administradores

Com 40 anos de atividade, a empresa nasceu com o

compromisso de ser uma empresa de referência no Baixo

Mondego. Manuel Sargaço, sócio-gerente da Sargaço e

Cruz Lda começa por contar a evolução do seu negócio: “a

empresa começou em 1977 com a dedicação à agricultura,

ciclismo e botas. Em 1985, virou-se para as máquinas

agrícolas. E em 1995 começámos a trabalhar com tratores

de importação”. Com o crescimento, houve uma necessidade

de mudança, há cerca de dois anos, para as novas

instalações (ao lado das antigas) com o objetivo de melhorar

as condições em termos de espaço.

Numa perfeita localização, o processo de mudança para

o novo espaço foi, sem dúvida, uma aposta ganha no

crescimento do negócio. Para além de dar mais visibilidade

pelo amplo espaço, também aumenta

a relação com o cliente ao estar mais

apto (muito melhor e mais rápido) para

a assistência, seja dentro ou fora da sua

oficina. Como refere Manuel Sargaço “tudo

isto se deve a um elevado investimento

em equipamentos necessários para essa

assistência” ou seja, há uma preocupação

por parte da gerência em dar os meios

necessários para as pessoas serem rentáveis

influenciando a qualidade do trabalho e

satisfação. A juntar a esta equação o sóciogerente

adianta que o crescimento da

empresa ronda os 20 a 30 por cento.

futuro está pensado para passar o negócio para a sua filha, “continuando o

legado” como diz Manuel Sargaço. Neste caso, continuar significa manter o

negócio sempre com a flexibilidade de adaptação ao mercado e se possível

aumentar o volume de negócios. Esta empresa tem como motivação o apoio

aos clientes, afinal são eles os seus parceiros de negócio. Num futuro mais

próximo o importante é apostar continuamente na inovação com o objetivo

de poder prestar sempre um serviço de qualidade e confiança aos clientes/

parceiros, “fazendo o melhor possível e o mais rápido possível”.

54 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


investimento, inovação e investigação |gráfica simões

“O limite é a imaginação do cliente”

A atuar no mercado das artes gráficas desde 1976, a Gráfica Simões desde cedo se desmarcou por conseguir tornar cada cliente único. Com o lema

‘fazer acontecer’, nesta empresa de família o limite é a imaginação do cliente.

João Oliveira, Rita Simões, Madalena Silva e Adriano Simões

Com uma grande experiência no setor das artes gráficas,

Adriano Simões, sócio-gerente, sentiu necessidade de criar

o seu próprio negócio nesta área. Foi assim que surgiu, a 18

de agosto de 1976, a Gráfica Abreu & Simões. Inicialmente

com um sócio que, mais tarde, acabou por se afastar.

Este percalço não fez os Simões baixar os braços e deram

seguimento à atividade. Assim, em 1998, a empresa passou

a ser um negócio de família e passou a ser conhecida

apenas por Gráfica Simões. Foi aí que se deu o boom

da gráfica. Devido a uma evolução rápida do número de

clientes houve a necessidade de apostar num crescimento

em dimensão e em equipamentos. É importante referir que,

com o desenvolvimento ao longo dos anos, a Gráfica Simões

conseguiu a distinção de PME Líder e de PME Excelência em

2012.

Atualmente, a empresa afirma-se no mercado gráfico como

uma marca resistente e sólida pelo serviço de qualidade,

pela diferenciação dos projetos elaborados e pelo rigor

na sua execução. Para além disso, o seu atendimento é

personalizado onde a premissa é saber dar resposta de forma

rápida à solicitação do cliente. Só assim é possível consolidar

a sua identidade no mercado e conservar os clientes

fidelizados.

A empresa localiza-se em Cabaços, uma localidade pacata

do concelho de Alvaiázere, mas estrategicamente localizada.

Perto das duas grandes metrópoles de Portugal, permite-lhes

um fácil acesso a qualquer parte do país, garantindo rapidez

na entrega dos trabalhos e no contacto com os clientes.

Durante a entrevista, a Revista Business Portugal é

surpreendida quando Adriano Simões, um pai orgulhoso,

apresenta o novo projeto da sua filha Rita Simões. Diz-nos

com tamanha felicidade que “a Rita foi o passo seguinte

da gráfica. Foi assim que o negócio teve um crescimento

exponencial”. Este mais recente negócio surgiu depois do

pai questionar a Rita se ela se revia no projeto da gráfica.

Com a confirmação, começou por estudar gestão e, mais

tarde, artes gráficas. O seu conhecimento teórico e o avanço

da prática que tinha desde pequena levou-a a pensar numa

nova perspetiva para integrar no negócio do pai Adriano.

56 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


gráfica simões | investimento, inovação e investigação

O projeto Ritta Make a Different Day foi

pensando e desenvolvido em contexto

académico, mas acabou por ser adaptado

dentro do negócio da família. Neste projeto

tudo pode ser imaginado e concretizado,

desde artigos para decorar, aos de utilidade,

e sem esquecer os produtos pensados para

oferecer. Inovação, criatividade e diversidade

dão a assinatura que leva o nome Rita

Simões. O conceito do Make a Different Day

passa por tornar os dias mais importantes da

sua vida em momentos inesquecíveis com

propostas diferentes de algo para oferecer.

Basta deixar-se levar pela magia feita à base

de pormenores que fazem toda a diferença.

No entanto, neste momento, Rita Simões

sente que é um projeto ainda “um pouco

confinado aos convites de casamentos,

batizados e eventos, e tudo o que lhes está

associado, porque aqui à volta não há nenhum

serviço deste género”. No entanto, só assim

consegue crescer pois todos os seus clientes

são à base da recomendação. Questionada

sobre a sua afirmação no mercado, percebemos

que esta é uma empresa capaz de “fazer

acontecer” tudo. O processo parte de uma base

que a pessoa pode personalizar da forma que

quiser. Tudo é diferente para cada cliente, não

há nenhum catálogo. “Só assim faz sentido,

visto que cada pessoa é uma pessoa e é preciso

adaptar o produto a cada necessidade”, sublinha

a designer. O lado bom é saber que este projeto

não é apenas para particulares, mas também

direcionado para todas as empresas.

Rita Simões afirma que “o projeto da Ritta

não faz sentido sem a gráfica”. São duas

entidades que trabalham numa relação perfeita.

O importante nesta parceria é desenvolver

produtos e serviços gráficos inovadores, criativos

e de elevada qualidade, de forma a garantir

a confiança e fidelização dos clientes. Por

outro lado, é uma parceria aberta para receber

com espírito de equipa todos os parceiros

estratégicos e manter uma relação estável e de

mútua confiança com os fornecedores.

Para o futuro, a família Simões espera ter muito

sucesso com a sua marca. “Vamos trabalhar

para que todos os objetivos sejam cumpridos

e as pessoas aceitem o nosso trabalho para

poderemos crescer e continuar a oferecer

soluções sempre diversificadas nos dias

especiais”.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 57


investimento, inovação e investigação |captemp

Inovação made in Portugal

Sediada em Pombal, a principal atividade da CapTemp, Lda é proporcionar soluções inteligentes que aliem a qualidade e eficiência à inovação.

Considerada uma marca de prestígio 100 por cento made in Portugal a sua aposta mais recente passa por alargar os horizontes do seu negócio à

escala mundial.

Carlos Domingos Sócio-gerente e fundador

No mercado há quatro anos, a CapTemp, Lda surgiu de um flash de Carlos Domingos, sócio-gerente

e fundador, quando previu a potencialidade do projeto. Começa por nos explicar que a “empresa é

100 por cento nacional pensada com o objetivo de oferecer sistemas de monitorização, supervisão

e soluções de controlo remoto”. Tendo em conta este conceito, facilmente percebemos há uma

forte ligação à tecnologia capaz desenvolver e produzir soluções simples, inovadoras e duráveis. O

reconhecimento de uma marca e a credibilidade que aporta no mercado são fatores essenciais para

o seu sucesso. A CapTemp é exemplo desse paradigma, que com a evolução natural do negócio tem

ganho uma posição cada vez mais vincada no mercado, sendo hoje reconhecida como uma empresa

de referência.

“Começámos num nicho, mas rapidamente alargámos horizontes”, afirma Carlos Domingos.

Inicialmente, o produto que ofereciam era um software de supervisão ambiental nas câmaras

frigoríficas que media o nível da temperatura e da humidade. Resultado da resposta às necessidades

exigidas pelos clientes, hoje oferecem soluções com altos padrões de qualidade e sistemas capazes

de monitorizar toda a empresa - para além do enquadramento legal. Neste seguimento, a grande

mais-valia da oferta de serviços da CapTemp é poder dar uma solução que compreenda uma

empresa total. Isto é, apresenta-se no mercado com um leque variado de soluções e serviços que vão

desde a componente hardware até à componente software, capazes de concentrar toda a informação

de uma empresa num só ponto através de um coletor de dados. O seu dispositivo consegue agregar

todos os dados numa base de dados recolhidos em tempo real. Apesar de ser um serviço standard,

a empresa está aberta a novas soluções na medida que acabam, muitas vezes, por se tornar em

soluções uniformes.

A empresa tem a particularidade de desenvolver tudo internamente, tanto a nível de software como

de hardware. A CapTemp mantém sólidas relações de parceria e não depende “de terceiros para

desenvolver equipamentos”, salienta Carlos Domingos. Por isso, a equipa estabelecida é formada

em programação. Há um equilíbrio entre a equipa e Carlos Domingos que parece funcionar na

perfeição: “tudo é fruto da minha experiência: idealizo um produto, depois lanço o desafio aos

programadores e mais tarde apresentam um modelo a funcionar”. Toda a equipa, supervisionada por

Luís Silva, também sócio fundador, está preparada para ter como objetivo uma política de qualidade,

eficiência e a satisfação total do cliente, de forma a melhorar continuamente os resultados. Para que

isso aconteça é preciso conhecer o cliente, perceber as suas necessidades e apresentar soluções

58 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


captemp | investimento, inovação e investigação

eficazes, que só é possível porque há um acompanhamento desde o primeiro

momento. Numa era onde tudo é realizado à velocidade da luz é preciso ter

em linha de conta nada é lançado no mercado sem ser testado e avaliado

até à exaustão. É importante que os clientes vejam a empresa como uma

entidade capaz de apresentar as melhores e personalizadas soluções ao

prestar um apoio técnico contínuo.

Quanto ao mercado, há uma maior maturação dos serviços no mercado

nacional.

Lançar uma marca de confiança, uma marca reconhecida num mercado tão

tradicional é no mínimo um desafio. Apesar do grau elevado de penetração

no mercado nacional, o futuro da CapTemp está definido: apostar na

internacionalização e na exportação. Com um espírito empreendedor, Carlos

Domingos tem consciência que a sua empresa nacional tem capacidade para

se adaptar à escala mundial. Apostar na internacionalização corresponde

não só à alternativa mais adequada à realidade concreta da CapTemp, mas

também, parece ser a única opção que possibilitará alcançar um nível de

crescimento económico mais sustentável. Desta forma, já está a expandir

a tecnologia para a Austrália (distribuidor local e instalações piloto) e

recentemente foi fundada a CapTemp USA, com sede em Windham no New

Hampshire, que ficará com a operação logística e distribuição internacional.

Não existe qualquer dúvida de que os mercados são mutáveis, e por isso

é fundamental ter a consciência para saber acompanhar os mesmos. A

CapTemp sabe que para continuar o seu sucesso tem de antecipar o próprio

mercado e o que este quer. Os grandes desafios do futuro passarão por

manter a qualidade, a rápida capacidade de dar resposta e a aposta de uma

forma constante e sustentada na inovação.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 59


ALENTEJO - TOIRO BRAVO

RAÇA BRAVA – A RAÇA ECOLÓGICA POR EXCELÊNCIA

Por Joaquim Grave

Signo de virilidade, fecundidade e vigor de vida para os nossos antepassados, ainda

hoje mantém uma aura de poder genésico, para os que com ele jogam ou lidam, seja

numa arena ou nos bastidores do campo. Toiro e homem, condenados a colaborar

numa aventura eterna, pagam ambos com o seu sangue, um tributo de lealdade num

espectáculo que permite a sobrevivência do primeiro enquanto raça e a exaltação do

segundo pela arte do toureio.

O toiro bravo tem uma vida privada no campo que dura quatro ou cinco anos e uma

vida pública numa arena que dura vinte minutos. No campo, tem uma hierarquia

social bastante vincada. Há sempre um leader, mas também sempre algum aspirante

a leader. E esta é a razão das lutas frequentes que acontecem.

A raça brava é de pequeno porte, consegue sobreviver com muito menos recursos

que outras. É explorada num sistema extensivo. Para cada vaca destinam-se 3 a

4 hectares. A defesa da raça brava, representa a defesa do frágil ecossistema de que

faz parte. Depois, não menos importante, salvaguardando a raça brava, estamos a

defender espécies em vias de extinção que coabitam com ela. Portanto, temos uma

defesa de uma biodiversidade sempre actual e desejada.

Se algum rótulo devia ostentar esta raça, é a de raça mais ecológica de quantas raças bovinas existem em Portugal. O toiro bravo e a

festa dos toiros estão, assim, radicalmente do lado da ecologia. O ecologista consequente não pode deixar de ser um defensor da corrida de

toiros. O que acontece frequentemente é que se confunde “animalismo” com ecologia e, no entanto, um é o oposto do outro.

Não se pode ao mesmo tempo salvar a espécie “leopardo” e preocupar-se com o sofrimento das gazelas. Da mesma maneira que

não se pode salvar a espécie “lobo” e preocupar-se com o sofrimento das ovelhas. O que conta é a espécie, não é o indivíduo. Se para

salvaguardar a espécie, se têm que sacrificar alguns indivíduos, pois seja. Há que escolher: ecologia ou animalismo. O animalismo não é

uma extensão dos valores humanistas. É a sua negação.

É uma pena que a nossa sociedade urbanizada, cada vez mais afastada das questões e dos valores do campo, desconheça este animal

fantástico, que se cria com tanta dedicação, com tanto amor e ao qual se disponibilizam todas as atenções para que nada lhe falte,

tendo a possibilidade de alcançar o indulto se em praça manifestar toda a bravura que encerra, depois de uma vida em liberdade. Ao

toiro bravo é-lhe dada a possibilidade de manifestar toda a sua “animalidade” sem preconceitos de humanizar o que não deve ser

humanizado.

Como declaração final direi que a festa dos toiros é um fenómenos que desenterra as suas raízes numa tradição milenar da culturra

mediterrânica herdada pelos povos latinos e que, portanto, reflete a sensibilidade específica de cada um dos povos que a compartem.

Esta Festa está baseada no respeito ao toiro e ao meio ambiente, uma vez que as ganadarias onde se criam os toiros bravos constituem

reservas ecológicas exemplar.

* Por opção do seu autor, Joaquim Grave, este artigo não segue o novo acordo ortográfico.


alentejo - toiro bravo | associação portuguesa de criadores de toiros de lide

40 anos em defesa da raça brava

Valorizar o toiro bravo e dinamizar o espetáculo tauromáquico são os principais propósitos da Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de

Lide (APCTL). A completar o quadragésimo aniversário, a organização afirma que a atividade continua a atingir bons resultados, assinalando o

aumento da exportação do toiro bravo para o estrangeiro.

João Santos Andrade Presidente

Constituída a 15 de julho de 1977, a APCTL foi fundada por

um grupo de criadores, que sentiu a necessidade de se unir

e lutar pela preservação da raça brava. “Estávamos no pós

25 de Abril e era importante uma associação que defendesse

os interesses das ganadarias bravas. Hoje, temos 103

associados, representando quase a totalidade dos ganadeiros

a nível nacional”, revela o presidente da associação João

Santos Andrade.

Hoje, a APCTL tem como principais valências: a gestão

corrente do livro genealógico, com a execução dos registos e

a certificação das informações fornecidas pelos criadores; e o

acompanhamento da preparação, execução e implementação

da legislação que rege o regulamento tauromáquico. Nesse

sentido, a associação procura essencialmente defender o

toiro de lide e promover o espetáculo tauromáquico.

A área de dispersão da raça brava é transversal a quase

todo o país, existindo explorações na Beira Litoral e Interior,

Estremadura e Ribatejo, Lisboa e Setúbal, Alentejo, Algarve e

Região Autónoma dos Açores.

No que diz respeito ao espetáculo tauromáquico, este

está vivo e com força em Portugal. Aliás, a época 2016

apresentou resultados positivos, à semelhança dos anos

anteriores. “Se não houvesse a festa brava, com certeza

que esta raça já estaria extinta. Por outro lado, o toiro bravo

tem uma vertente ecológica, pois revaloriza os recursos

do pastoreio em virtude da sua maior rusticidade e o seu

maneio, necessitando de amplas terras de pastagem,

favorece o desenvolvimento de plantas silvestres. A

Ganadaria Brava faz um aproveitamento racional dos

recursos, mantendo o ecossistema e contribui para o

equilíbrio do meio ambiente, protegendo os campos, pois

limita o acesso do animal mais depredador que existe, que

é o ser humano. Embora exista crítica, nós iremos continuar

a defender a nossa tradição, o nosso espetáculo, porque é

um evento que nos agrada e nos orgulha, lutando pelo seu

desenvolvimento”, completa João Santos Andrade.

Prova disso mesmo, é a sondagem realizada em 2011

pela Eurosondagem, em conjunto com a PROTOIRO, à

qual na pergunta “Qual é a sua postura em relação a este

espetáculo?”, se apuraram os seguintes resultados: 32,7

por cento era aficionado ou apreciador; 11 por cento era

contra a realização de atividades com toiros; e uma grande

percentagem era respeitante às pessoas que são indiferentes

a estas atividades, ou que não gostam, mas respeitam a

liberdade de quem gosta de assistir a atividades com toiros.

Relativamente ao rácio importação/ exportação, nos últimos

anos houve um excesso na produção de toiros, o que

provocou alguns problemas dentro das ganadarias, embora

essa situação já tenha sido ultrapassada. Aliás, no ano

transato foram exportados cerca de 700 toiros e importados

sete. “Isto só dignifica o trabalho do ganadeiro e mostra a

valorização do toiro português nas praças internacionais”,

completa João Santos Andrade.

Olhando para o futuro, o presidente da associação revela

que “a estratégia passa por continuar a valorizar o toiro

bravo, conseguindo um animal cada vez mais apto para

a corrida. Por outro lado, gostaria que surgissem novos

toureiros, jovens com qualidade para dinamizar o espetáculo

tauromáquico”.

“Um recado importante: Pedir ao poder político que não tenha

medo de ser aficionado. Sabemos que existem exceções,

mas de uma maneira geral após a campanha eleitoral, os

políticos têm medo de vir ter connosco e de revelar que são

taurinos”, termina o presidente.

Rua Branquinho da Fonseca - Lote 9

Porto Alto

2135-105 Samora Correia

Tel: 263 650 790

E-Mail: apctlide@gmail.com

62 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


ganadaria manuel calejo pires | alentejo - toiro bravo

Dar voz à paixão pelo toiro bravo

A divisa azul, verde e ouro apresenta a ganadaria Manuel Calejo Pires, que se estreou em praça em 2013. Ao percorrer este campo

bravo da Herdade de Cabreiros que cria toiros de lide, percebemos a paixão, a entrega e a enorme ‘afición’ do seu ganadeiro.

“Eu sou aficionado há muitos anos, e sempre

descobriu esta oportunidade única, dentro

emoção que o toiro transmite ao espetador.

os bastidores da raça brava, o carinho e o

tive este sonho, mas nunca pensei que o

da conceção do que pretendíamos criar,

“Após a escolha das mães, procuramos os

cuidado com que os animais são tratados no

concretizasse. Em 1973, com 12 anos de

conseguimos adquirir este núcleo de vacas,

pais, um processo ainda mais complicado,

campo.

idade, vim para o Alentejo e apaixonei-me

procedente de uma das ganadarias mais

pois os toiros apenas podem ser toureados

Assim, o principal propósito da Calejo Pires

por esta terra e pela festa brava. Quando o

importantes do mundo”, completa Manuel

uma vez, se forem tentados já não podem

para o futuro é criar toiros que proporcionem

meu filho Francisco se formou em Agronomia

Calejo Pires.

ser lidados em praça, pelo que, em Portugal,

aos espetadores e aos toureiros o mesmo

e veio trabalhar comigo, apercebi-me que

Uma vez selecionado o encaste, começa um

normalmente, os sementais são escolhidos

prazer e o mesmo gosto que têm tido ao

ele era tão ou mais aficionado do que eu.

longo processo que culmina ao fim de quatro

em praça, quando estão a ser lidados, não

criá-los, sempre procurando melhorar.

Portanto, como se diz ‘juntou-se a fome à

anos, na praça, quando o toiro é lidado pela

podendo o ganadeiro, como é óbvio, dar

vontade de comer’. A partir daí, tem sido um

primeira e única vez.

instruções aos toureiros, para melhor ver as

sonho construído a dois, com muito gosto e

No campo, em plena comunhão com a

suas qualidades, como faz com as vacas,

muita paixão”, recorda o ganadeiro Manuel

natureza, sem qualquer perturbação do

no tentadeiro. Além disso, um toiro tem, por

Calejo Pires, acerca do início deste percurso,

mundo exterior, começa a ser idealizado

norma, muitos mais descendentes que uma

e acrescenta: “eu tenho a mesma conceção

o toiro bravo, na mente do seu ganadeiro.

vaca, espalhando muito mais os seus genes

que o meu filho. Por outras palavras, o

Todos os anos, as fêmeas com dois anos

do que elas, para o bem e para o mal. Mais

Francisco tem uma ideia muito precisa do

são toureadas no tentadeiro, de forma a

uma vez estamos a apurar comportamentos,

toiro que quer fazer e eu apaixonei-me pelo

escolher as futuras mães. E, essa é a parte

a parte mais complicada e subjetiva de

toiro que ele procura criar. Tudo isto é um

mais interessante do modo de produção, pois

uma ganadaria. Aqui ainda temos outra

trabalho de gerações, razão pela qual foi

o criador de toiros de lide procura na mãe

particularidade, pois o nosso principal

necessário o meu filho e a sua ‘afición’, para

podermos iniciar este longo caminho. Hoje, o

as características que quer ver refletidas

nos filhos. Logo, existe um conjunto de

objetivo é que a Calejo Pires se destine, no

futuro, principalmente, ao toureio a pé, o que

https://www.facebook.com/manel.calejopires

Francisco é a alma e o futuro da ganadaria”.

qualidades que cada ganadeiro procura e

implica uma selecção ainda mais exigente”,

Na raça brava existem diferentes famílias,

considera fundamental. Na conversa com

diz o ganadeiro.

denominadas encastes, a ganadaria Calejo

Manuel Calejo Pires percebemos que o mais

Embora a falta de rentabilidade seja uma das

Pires procede inteiramente da ganadaria

importante é a bravura. Na tenta procuram

adversidades enfrentadas pela ganadaria, a

Nuñez del Cuvillo, por sua vez formada a

a “fijeza”, a prontidão na investida, o ritmo,

paixão pelo campo e pelos animais fala mais

partir de vários ramos do encaste Domecq,

o recorrido, a nobreza e a humilhação que

alto. Daí, Manuel Calejo Pires considerar

nomeadamente, Osborne, Sayalero y

são, no seu entender, os principais requisitos

o taurismo, uma hipótese importante a

Bandrés, Juan Pedro y Marqués de Domecq.

da bravura. Por último, a transmissão, a

considerar, para rentabilizar as ganadarias

“Foi o nosso amigo Joaquim Grave que nos

característica mais subjetiva, ou seja, a

e, ao mesmo tempo, mostrar ao público

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 63


alentejo - toiro bravo | ganadaria fernando palha

Do sonho à realidade

Ao chegar a Vil Figueiras percebemos que chegamos a uma ganadaria diferente. Neste local defende-se a preservação de um encaste, que teve as

suas origens na época da monarquia. Graças ao romantismo, à força e à paixão do ganadeiro Fernando Palha, este encaste perdurou até aos nossos

dias, dando forma a um quadro deslumbrante em campo aberto.

Data de 1963 a fundação desta ganadaria, na Herdade

do Paúl da Vala, por Fernando de Castro Van-Zeller

Pereira Palha com reses de Branco Teixeira, Silva

Lico e Ribeiro Telles, estas procedentes de Norberto

Pedroso e também da antiga linha ‘Vasqueña’ de Palha

Branco.

Esta vacada de casta Vasqueña teve então a sua

origem na vacada real de D. Miguel, originária

do Infantado, que em 1831, o rei D. Fernando VII

havia oferecido a seu sobrinho, um aficionadíssimo.

Entretanto, o irmão D. Pedro, vencedor das anteriores

lutas e por certo pouco aficionado, entendeu repartir

alguns bens do Infantado. É assim que surgem

reses de casta Vasqueña no Marquês de Belas e no

comendador Damaso Xavier dos Santos, vendendo

este, por sua vez, a Estêvão d’Oliveira, Máximo Falcão

e José Veloso Horta, através do Marquês de Ponte de

Lima.

Pois bem, estes nomes estão na génese da ganadaria

Palha, fundada por António José Pereira Palha, trisavô

de Fernando Palha. Portanto, é a partir desta ganadaria

com larga percentagem de Vasqueño que seu filho

José Pereira Palha Branco, inicia a primeira seleção

ganadera em sério que se efetuou em Portugal, em

1873. Esta casta foi perdurando em Portugal até

1942, altura em que os gémeos Palha – Francisco

e Carlos dão outro rumo à ganadaria. Aquelas reses

são enviadas ao matadouro e apenas fica como

relíquia uma vaca – a célebre ‘Chinarra’, a qual viria a

procriar algumas gerações na posse de Ribeiro Telles.

Desaparecendo assim as estampas dos toiros de

beleza inconfundível que acompanharam a infância de

Fernando Palha e motivaram a sua paixão ganadeira.

Entretanto, em 1973, a ganadaria é vendida aos

herdeiros de D. Maria do Carmo Palha que a instalam

na Quinta da Foz, em Benavente, adotando novo

ferro e divisa. Nessa altura Fernando Palha que havia

perseguido o sonho de sua infância de reativar a casta

Vasqueña já tinha adquirido toda a descendência

da vaca ‘Chinarra’ a David Ribeiro Telles. A partir

daqui, começou o trabalho de expandir a notável obra

zootécnica, cruzando várias proveniências na busca

do fenótipo do antigo Vasqueño. Assim, com aquelas

vacas, e ainda sementais de morfologia semelhante

Luís Palha Ganadeiro

64 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


ganadaria fernando palha |alentejo - toiro bavo

Padre nuestro,

Que estais en el Cielo!

Senhor, que todo lo sapes

E todo lo comandas!

Tu Senhor que tambien fuiste

ganadero,

Puesto que nasciste en un pesebre

Junto à lá vaca e al burrico!

Permite Senhor,

Que yo pueda continuar tu servidor

Con mi santa aficion

e com el encanto por mis toros!

Senhor

que se acha tu voluntad

en el Cielo, e en lá tierra!

Gracias DIOS mio,

Gracias Senhor...

Amén!

Fernando Pereira Palha

ao Vasqueño, como Cabral Ascensão, Saltillo, Palhas de

Pedajas, Cunha e Carmo, Simão Malta e Conde Cabral, viria

a consumar o seu sonho, na recriação de uma descendência

do antigo Vasqueño, variada e até exótica na sua pelagem.

Indiferente à tendência da evolução ganadeira, com a

introdução de monoencastes, Fernando Palha conseguiu

recriar uma ganadaria Vasqueña no tipo de pelagens, mas

igualmente no trapio, bravura e condições de lide.

No entanto, em 2002, a orientação administrativa da Quinta

da Foz resolve terminar com a ganadaria ali sediada.

Então, entre as soluções possíveis, pesou uma vez mais o

romantismo, a força e a paixão de Fernando Pereira Palha,

que adquiriu a totalidade da ganadaria e a transferiu para a

Herdade de Vil Figueiras, através de um acordo estabelecido

com a Companhia das Lezírias, que disponibilizou uma

propriedade de charneca pobre de que são rendeiros.

Assim, a partir de 2005 o ferro é modificado, passando a

vigorar um trevo de quatro folhas circundando a cruz dos

Pereira Palha. “Com esta decisão o meu pai acabou por

recuperar este encaste, que perdura desde o tempo do meu

trisavô, a antiga linha de Palha Branco. Hoje a especificidade

deste encaste é notória, com a presença de diferentes

pelagens e tons, que tornam esta linha genética muito

apetecível para cientistas e estudiosos, que vêm de todo o

mundo para pesquisar mais sobre a linha Vasqueña, visto que

é um dos últimos a prevalecer tanto em Portugal, como em

Espanha”, sublinha o ganadeiro Luís Palha.

Atualmente, a Ganadaria Fernando Palha apenas faz criação

de vacas, uma decisão necessária para garantir uma gestão

eficaz e a manutenção do efetivo, prevalecendo a vontade

de preservar e continuar o legado da família e a luta pela

preservação da raça brava.

Aqui os bezerros são desmamados entre setembro e outubro,

sendo encaminhados para a Herdade de Vil Figueiras onde

são alimentados à mão até fevereiro, altura da ferra. “Nos

últimos anos temos vendido todos os machos para Espanha

após a cerimónia da ferra. Estes novilhos são destinados aos

recortadores”, completa o ganadeiro.

Assim continuar a ganadaria é um passo natural, depois

do falecimento do pai há cerca de um ano. Desde tenra

idade que o campo e o toiro fazem parte da sua educação

e marcam a sua vida. Portanto, com muita luta e dedicação

este ganadeiro procura manter o legado de Fernando Palha,

mantendo vivo o trabalho de uma vida.

www.facebook.com/Ganaderia-Fernando-

Palha-351262364915107/

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 65


alentejo - toiro bravo | ganadaria josé luís cochicho

“Sou o que sou graças ao toiro bravo”

“Dedicamo-nos diariamente com toda a nossa alma à criação do animal que para nós é o mais belo deste mundo, o toiro de lide. Esta nossa paixão

está patente em tudo o que fazemos, nunca esquecendo o campo e os ensinamentos que este animal extraordinário nos incute permanentemente”,

descreve Luís Filipe Cochicho.

primeiros passos como criadores de toiros de lide, tendo por base a sua forma de pensar e

o toureio apeado. “Embora seja filho de um conceituado cavaleiro tauromáquico, sempre tive

um enorme carinho pelo toureio a pé, e é por esse caminho que procuro levar a ganadaria”,

reitera Luís Filipe Cochicho, acrescentando: “Em 2004 modificamos a base da ganadaria

com reses procedentes das ganadarias de Juan Pedro Domecq, Jandilla e Torrestrella. Mais

recentemente, adquirimos um lote de vacas procedentes da ganadaria de Salvador Domecq

‘El Torero’, completando assim as quatro ramas que atualmente compõem a estrutura da

ganadaria”.

Francisco José Cochicho e Luís Filipe Cochicho

Para o ganadeiro o toiro bravo é como um membro da família. Nas suas palavras, os toiros

acabam por ser como filhos para o ganadeiro, porque ao longo do período que constituiu a

sua criação se imprimiu no animal características da sua própria personalidade, daí cada

ganadaria ter uma determinada linha de seleção.

O respeito e a dedicação para com o toiro manifesta-se, portanto no dia a dia, pois todos os

momentos traduzem-se numa aprendizagem constante, ao perceber a forma como o toiro

bravo se comporta, como convive com a sua camada, não fazendo qualquer sentido para o

criador a vida sem o campo e o toiro. Embora “o toiro de lide seja uma criação do Homem,

também não deixa de ser um animal selvagem, por isso afirmo que sou o que sou graças ao

toiro bravo, pois aprendo a lidar e a perceber aspetos reais da minha vida com ele”.

Luís Filipe Cochicho representa a terceira geração da família ligada a esta atividade, como nos

revela: “O meu avô Francisco José Cochicho era uma pessoa muito aficionada e apaixonada

por este mundo, surgindo dessa forma o gosto que levou o meu pai a construir uma carreira,

enquanto cavaleiro tauromáquico”. Uma emoção que se sente na arena, quando o espetáculo

tauromáquico se inicia. Nesse momento o ganadeiro atinge o seu objetivo, o motivo pelo qual

luta pela preservação desta raça. Durante a lide o toiro mostra toda a sua bravura e nobreza,

perante o toureiro que procura construir uma faena onde está patente a beleza, o ritmo e a

profundidade, quase como se de um bailado se tratasse.

Logo, falar da família Cochicho é enveredar pela história da enorme paixão pelo mundo

taurino, pois está conectado a todo o clã esta vontade clara de dar voz à enorme dedicação

pelo toiro bravo.

A ganadaria acabaria assim por surgir em 1992, concretizando a vontade da família de dar os

A importância da seleção

Durante a entrevista à Business Portugal quisemos perceber junto do ganadeiro, quais as

principais características que se exigem na escolha do toiro de lide.

“Parte-se do princípio que o toiro bravo quer alcançar tudo o que se movimenta à sua frente,

mas seguindo determinadas normas. Portanto, o animal tem de responder aos estímulos do

toureiro com nobreza, ou seja, obedecendo aos mesmos. Outra característica importante

é a humilhação, ou seja, manter a cara baixa perto do chão, durante todo o momento da

investida, e a fixidez, quando o toiro está fixo na sua missão durante a investida, sem nunca

perder de vista o objeto. Por outro lado, procuramos que o seu recorrido, ou seja, o trajeto

percorrido pelo animal durante a investida, tenha profundidade e largura”, explica Luís Filipe

Cochicho. Para o ganadeiro estas são as propriedades fundamentais, tendo em conta a forma

como se executa atualmente o toureio, não esquecendo a componente da transmissão, que

tem como principal propósito garantir a emoção a quem assiste à faena, pois o toiro, como

animal selvagem que é, e apesar do perigo ser eminente de maneira constante para quem

está perto dele, deve sempre transmitir ao espetador a sensação de que se trata de um

animal perigoso, que em qualquer momento pode ferir ou inclusive matar a pessoa que tem

por diante, que é o toureiro.

Em cima: João Blanco

Em baixo: José Luís Cochicho, Maria Inês Cochicho, Andrés Roca Rey e Luís Filipe Cochicho

66 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


ganadaria josé luís cochicho |alentejo - toiro bavo

Mas a seleção do toiro de lide não se define

apenas na análise comportamental. Muito

pelo contrário, cada ganadeiro tem de ter

ainda em atenção a componente morfológica,

pois trata-se de uma componente

fundamental para o desenvolvimento do

comportamento deste animal na praça,

tal como um atleta de alta competição. No

laboratório da ganadaria, que é o tentadeiro,

Luís Filipe Cochicho seleciona os animais

que irão fazer parte do efetivo no futuro.

Devido a determinadas circunstâncias

e, em paralelo, por opção começaram a

lidar novilhadas em Espanha, deixando as

praças portuguesas, o que lhes coloca uma

dificuldade do ponto de vista da escolha do

semental. Por esse motivo, a seleção dos

machos é feita no tentadeiro, onde se avalia

a morfologia, o comportamento de cada

animal e ainda as notas atribuídas à família.

Na Herdade do Alcalate criam-se toiros

destinados ao toureio a pé, o que segundo o

ganadeiro acarreta uma maior exigência. “No

nosso entender deve ser um animal baixo;

com pescoço comprido; estreito de sene,

atleta é necessário acompanhar diariamente

Homem, continua a ser um animal selvagem,

uma corrida com toiros de quatro anos, mais

ou seja, que caiba na muleta sem perder

a vida do toiro e o seu contacto com os

logo o contacto com o Homem tem de ser

propriamente em 2011 no Campo Pequeno.

a seriedade; e estreito de peito para não

irmãos de camada, o que normalmente não

o mínimo possível, preservando os seus

A partir daí têm lidado exclusivamente

perder a flexibilidade”, completa.

é fácil. Paralelamente a alimentação também

instintos.

novilhadas, com o intuito de conseguir

Depois da seleção morfológica e

é pensada em função do desempenho do

uma seleção cuidada, como nos retrata

comportamental, é fundamental que a saúde

animal durante a lide. Por fim, torna-se

Pensar o futuro

Luís Filipe Cochicho, “a tauromaquia é

do animal acompanhe todo o processo. Visto

primordial que o maneio tenha sempre em

Desde a reestruturação em 2004 que a

um evento cultural que tem evoluído ao

que o toiro bravo deve ser tratado como um

linha de conta que o toiro como criação do

Ganadaria José Luís Cochicho apenas lidou

longo dos tempos. Comparativamente

com épocas anteriores, hoje a faena tem

um nível superior no que diz respeito a

profundidade e estética, promovida pelo tipo

de toureio que se executa atualmente. Tendo

todos esses elementos em consideração,

o nosso objetivo passa por encontrar um

animal que tenha aptidões sobretudo para

o toureio a pé, que concentra uma enorme

expressão em Espanha. Por isso mesmo,

procuramos aumentar o efetivo e a idade

da nossa ganadaria tendo por base esses

pressupostos, que nos permitam garantir

uma maior qualidade ao espetáculo

tauromáquico”, termina.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 67


alentejo - toiro bravo | ganadaria falé filipe

Preservar a ‘afición’ pelo toiro bravo

Antes da tourada impera o sentido de responsabilidade na mente do ganadeiro, pois está exposto na praça todo o seu trabalho, dedicação e empenho

na criação do toiro bravo. Ao fim de quatro anos chega o momento da verdade, em que se espera que o toiro e o toureiro, numa união perfeita,

proporcionem uma faena de triunfo.

Carlos Falé Filipe Ganadeiro

Há vários séculos que o toiro de lide é um animal criado e

selecionado com o propósito de ser lidado numa praça de

toiros, razão pela qual se mantém o investimento na raça

brava. Esta é uma arte secular que continua graças à força e

à vontade das ganadarias, que procuram preservar este valor

cultural do país.

Natural de Alenquer, Carlos Falé Filipe sempre teve um

enorme gosto pela criação de bovinos, algo que lhe foi

transmitido pelos avós. Embora, tenha feito o seu percurso

profissional na área da construção civil, o ganadeiro nunca

esqueceu as suas origens, criando ao longo da sua vida a

expectativa de vir a ter uma propriedade ligada à atividade

pecuária. Em 1997 acaba por comprar a Herdade das Covas,

no concelho do Redondo, onde criou uma exploração de gado

manso. Quatro anos mais tarde viria a adquirir um lote de

novilhas bravas, até à altura em que começou a olhar para a

criação da raça brava como uma séria realidade.

“Desde miúdo que gostava de assistir às

largadas de toiros, muito devido aos meus

avós que eram aficionados. Mas no meu

íntimo já tinha uma enorme ‘afición’, atraíame

a criação de bovinos e cavalos”, revela

Carlos Falé Filipe e prossegue: “acabou por

começar como uma brincadeira, mas quando

as atenções se voltaram para mim, encarei

esta atividade com muita seriedade. A partir

daí, comecei a eliminar o antigo efetivo,

substituindo-o por outro encaste, que me

desse maior garantia do tipo de animal que

procuro apresentar nas praças de toiros”.

Aquando da compra da propriedade, o

efetivo desta ganadaria tinha reses Palha

Botelho, mas hoje o encaste predominante é

o Parladé Domecq, com derivações Santiago

Domecq e Torrestrella.

“Fundamentalmente procuro um toiro com mobilidade, humilhação e

transmissão, aliado à sua bravura. No fundo, um toiro com galope franco e

contínuo, que venha por seu caminho e não atropele o toureiro. A emoção e

a transmissão têm de existir durante a lide, começando desde logo pelo toiro,

este tem de responder às solicitações do toureiro. Este encaste, em particular,

tem-me dado bons resultados, assim como muita vontade de trabalhar,

porque é uma linhagem que eu gosto em especial”, atenta o ganadeiro,

e acrescenta: “ao longo deste percurso a ganadaria tem melhorado

consideravelmente, tendo em conta os meus objetivos, apresentando mais

raça e um maior índice de bravura. Por outro lado, noto que os toiros têm

sido bastante requisitados. Aliás, nos últimos anos, todos têm sido lidados

em Portugal. O que procuro fundamentalmente é que proporcionem um bom

espetáculo, mas esse é um binómio que assenta sobretudo no equílibrio entre

o toiro e o toureiro. Logo, só no fim de cada lide podemos tirar as devidas

ilações”.

68 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


ganadaria falé filipe |alentejo - toiro bravo

Cuidados no maneio

Aqui, na Herdade das Covas, procura-se selecionar as vacas e apurar os sementais, com vista a encontrar

o melhor toiro para o toureio apeado, que segundo o ganadeiro é muito mais exigente tanto no processo de

seleção, como no momento da lide.

Após a desmama dos bezerros, estes são separados das mães, sendo encaminhados para um parque

específico, onde ficam até ser realizada a fase de seleção. Depois das fêmeas serem tentadas, as que são

selecionadas passam à vacada principal. A partir daqui, inicia-se um processo longo e demorado, tendo

sempre por objetivo criar o melhor animal possível.

“Estabeleci um processo dentro da propriedade, para que todos os anos as vacas sejam cobertas por

sementais diferentes. O meu intuito é testar as diferentes famílias, procurando que o filho desse semental seja

o mais aproximado possível ao nosso conceito, o que nem sempre acontece”, sublinha Carlos Falé Filipe.

Como o toiro de lide é considerado um atleta, a sua alimentação e o seu bem-estar são duas das principais

preocupações durante o período de criação, que demora quatro anos, como nos explica o ganadeiro. “Para

que possamos tirar o melhor proveito possível dos animais e da sua pujança natural, há que ter cuidados

começando pelas fêmeas. Numa fase inicial, a alimentação dos bezerros é suportada pelo leite da mãe,

o que é uma importante mais-valia e torna-as mais fortes. Para as vacas terem leite, têm de ser bem

alimentadas para terem crias fortes e saudáveis. Após o desmame aos oito meses passam para um parque

onde começamos a dar um complemento vitamínico e ração especial. Todos estes cuidados se prolongam ao

longo da sua vida até saírem da herdade para a praça. Por outro lado, as azinheiras e sobreiros presentes na

propriedade são muito importantes para o maneio, pois proporcionam abrigos naturais para o animal durante

o período de inverno e verão. Para além da bolota, uma ração natural, que é um ótimo suplemento vitamínico

para o toiro”.

Quanto às expectativas de futuro centram-se, sobretudo, na continuidade deste trabalho, mantendo a mesma

dedicação e paixão que tem pautado o percurso de Carlos Falé Filipe

enquanto ganadeiro. Um futuro assegurado pela família que já demonstra um

sério interesse na preservação da tradição tauromáquica.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 69


alentejo - toiro bravo | Ganadaria silva herculano

“Quando a lide resulta, estamos

perante arte”

Mário Vargas Llosa escreveu “O toiro é um animal privilegiado, tratado com muito amor”. Podíamos começar assim o nosso retrato da

Ganadaria Silva Herculano, que acaba por ir um pouco mais além, pois para Henrique Herculano, a sua principal motivação é ver a

vacada no campo, onde tudo na realidade começa.

Henrique Herculano Ganadeiro

A Ganadaria Silva Herculano foi fundada em

A Ganadaria Silva Herculano recomeçaria a

maneira como tudo começa, e percebemos

acerca desta concessão de perdão. “As lutas

1986 a partir da antiga Ganadaria de D.ª

lidar em 2006, tendo pouco tempo depois

a atenção e o cuidado dado ao toiro. Com

entre os machos de camada são naturais,

Maria do Rosário Infante da Câmara. Após

o ganadeiro comprado novamente o ferro

menos de um ano de idade, os bezerros são

para estabelecer a hierarquia do grupo. Este

dez anos de inatividade, volta, em 2006,

registado em nome de Silva Herculano,

desmamados e após alguns meses ferrados.

toiro, em particular, esteve muito próximo de

a ser lidada nas praças nacionais, como

voltando a conferir-lhe a sua forma original.

Com a ferra são separados da vacada e

ser morto pelos colegas de camada, tendo

nos recorda Henrique Palma Herculano. “A

Para o ganadeiro voltar a reconstruir a

passam a andar em grupos de machos, nas

um processo de recuperação difícil. Tudo isto

história desta ganadaria remonta ao meu

história desta casa nunca esteve posto em

diversas camadas etárias. Em todo este

aconteceu cerca de três, quatro meses antes

avô e ao meu pai, ambos já falecidos, que

causa, sendo um trabalho notável por parte

percurso, os toiros vivem em liberdade, longe

de ser lidado. Mas, acabou por recuperar

tinham o sonho de ter uma exploração

deste jovem criador de toiros de lide.

do contacto com o homem, desfrutando da

totalmente e quando chegou ao dia da

dedicada à criação de toiros de lide. Em

Hoje, os efetivos da ganadaria pastam no

paz e serenidade do campo. Até aos quatro

lide, os toureiros mostraram-se reticentes,

meados da década de 80 adquirem essa

Monte dos Valhascos, na Amareleja. Para

anos, quando no auge da sua plenitude física

porque era o toiro maior da sua camada.

ganadaria. Porém, em 1993, por questões

além da linha original, Infante da Câmara,

são lidados na praça, expressando toda a

No entanto, durante o toureio, o toiro foi

diversas, a ganadaria acabou por ter de

foram introduzidas vacas Cabral Ascensão,

sua bravura e nobreza.

fantástico e acabou por voltar para o campo,

ser vendida. Nessa altura, fiquei com cinco

vacas José Manuel Andrade, mais tarde

Quando a lide na praça corre bem, e esse

sendo que atualmente é um dos nossos

vacas e um novilho. Mais tarde, esse efetivo

complementadas com novilhas de São

é o principal orgulho do ganadeiro, o toiro

sementais. Hoje, tem oito anos e os seus

reprodutor seria reforçado com novilhas de

Martinho e Simão Malta, e sementais Varela

regressa ao campo, desfrutando do resto da

filhos vão começar a ser lidados esta época.

São Martinho e Simão Malta, em cobrição

Crujo e Silva Herculano.

sua vida em liberdade, o chamado indulto.

Uma posição conquistada naturalmente pelo

com sementais de Varela Crujo”.

Ao chegar ao campo tomamos nota da

Henrique Herculano recorda uma história

seu desempenho e bravura, e amplamente

70 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


ganadaria silva herculano | alentejo - toiro bravo

respeitada”.

sua essência e bravura. Mas, se voltarmos à

tudo começa. “Quando vemos os bezerros

Se falarmos no toiro ideal, para este

história e à tradição tauromáquica, podemos

apenas com dias, já conseguimos observar

ganadeiro existem duas premissas

observar que o toiro era escolhido para

sinais da sua bravura, porque eles investem

essenciais: a seriedade e a transmissão.

defesa de propriedades, nomeadamente

desde pequenos, ou seja, têm noção do seu

“Eu procuro um toiro sério que transmita

abadias e mosteiros, passando mais tarde

território e defendem-no. Logo, essa bravura

emoção. Logo, para mim é mais importante

a ser utilizado para o treino de cavalos para

e nobreza é notável desde o seu nascimento.

que o toiro invista e leve o público a sentir

a guerra. Por isso mesmo, é necessário

Depois o tentadeiro será o nosso laboratório,

algo, ou seja, que o facto de ser toureável

continuar a preservar o animal e a sua

onde selecionamos as futuras mães”,

seja uma consequência disso e não o

essência.

completa o ganadeiro.

contrário. Procuramos comportamentos que

“A partir do nosso trabalho, dos toureiros e

Ao vislumbrar o futuro, Henrique Herculano

proporcionem momentos de arte e boas lides

dos forcados – no caso de Portugal, que é

assegura que o objetivo é simples. Por

na praça. Assim, posso concluir que o nosso

conceito consiste num toiro sério e bravo”,

um dos símbolos da tradição tauromáquica

nacional –, a lide sendo um momento de

outras palavras, o ganadeiro procura apurar

o seu toiro, atingindo as três características

www.facebook.com/ganadariasilvaherculano

transmite o ganadeiro.

competição, de uma certa forma, quando

primordiais: seriedade, presença e

Aliás, a raça brava só continua, porque

resulta estamos perante arte, tanto no

transmissão. “Quero estar presente nas

cada ganadeiro tem uma enorme paixão

toureio a cavalo, como no toureio apeado,

melhores praças, ver os meus toiros serem

pelo toiro de lide e por esta arte. Logo, a

como na pega. Nesse momento, assistimos

toureados pelos melhores, mas sobretudo

corrida acaba por ser a forma de tornar

a um espetáculo belo e emocionante”, revela

quero que o público reconheça a corrida

a exploração sustentável. Estes animais

Henrique Herculano. Por isso mesmo, o

com toiros Silva Herculano pela passagem

vivem em estado praticamente selvagem,

ganadeiro reforça que o retrato que gosta

de emoções. Esse é o meu sonho enquanto

transmitindo nesses 15-20 minutos toda a

de observar é a vacada, porque é ali que

ganadeiro”, termina.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 71


alentejo - toiro bravo | Ganadaria pontes dias

Garantir a continuidade

da arte tauromáquica

Situada em Portalegre, esta ganadaria brava apresenta uma paisagem onde predomina o montado de azinho e o traçado irregular das suas encostas,

proporcionando um ambiente propício à criação do toiro de lide. Na família Pontes Dias está presente diariamente o amor por este animal, que

procura mostrar toda a sua bravura no momento da lide. Aliás, esta herança genética está presente na vida do neto do ganadeiro Manuel Pontes

Dias, que escreve a sua própria história na tauromaquia, ao ser um reconhecido matador de toiros português.

Nessa altura, a ganadaria tinha uma camada

de novilhos, que promoveu a estreia da

ganadaria apenas dois anos depois, na

Malveira, em 1974. Assim, se iniciava o

sonho de lidar nas praças principais de

Portugal e de Espanha, já com o ferro da

casa Pontes Dias.

Hoje, as suas filhas seguem as pisadas da

ganadaria, demonstrando que a ‘afición’

corre nas veias da gente desta casa,

preservando dessa forma a raça brava, única

no país. De salientar ainda, o facto da filha

Maria Fernanda Dias Tavares ter estado

na origem do processo de certificação da

carne de toiro bravo, que numa primeira

fase tinha apenas a denominação de origem,

adquirindo em 2009 a DOP, conseguindo

assim a proteção comunitária e assegurando

que esta é de facto uma carne de qualidade.

Mas, igualmente o seu neto Manuel Dias

Gomes, o mais recente matador de toiros

português, que tirou a alternativa em França,

demonstra que a paixão por esta arte está

presente em todos os momentos da vida

Família Pontes Dias

Aos 81 anos, Manuel Pontes Dias é um

exemplo do amor que lhe corre nas veias

pelo toiro bravo desde criança. Embora, as

suas origens familiares remontem a Mafra,

mais precisamente à Malveira, o ganadeiro

cresceu num ambiente de aficionados, que

lhe incutiu esta enorme ‘afición’ pelo toiro de

lide e o conduziu à intenção de adquirir uma

ganadaria brava.

Tal sucedeu em 1971, quando o seu pai

decidiu arrendar uma herdade no Alentejo.

Apesar da distância geográfica, o desejo era

mais forte e Manuel Pontes Dias começou

a dar forma à sua vontade de gerir uma

ganadaria, que tivesse o seu cunho e o seu

ideal.

“O meu avô era de origem humilde, mas

era efetivamente um enorme aficionado,

comprando todos os anos os refugos

das vacas em algumas propriedades de

Coimbra”, recorda Manuel Pontes Dias.

Portanto, em 1972 acaba por comprar

efetivamente uma ganadaria brava,

atualmente a Herdade da Pelica, em Fortios,

dando forma à sua enorme ‘afición’ e ânsia

por enveredar por esta atividade.

72 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


ganadaria pontes dias | alentejo - toiro bravo

Manuel Dias Gomes

desta família. “A primeira vez que o meu neto toureou foi aos

três anos no meu colo, começando dessa forma a despertar

o interesse e a vontade nele de seguir uma carreira ligada ao

toureio apeado, do qual eu também gosto particularmente”,

completa o ganadeiro.

Na ganadaria Pontes Dias trabalha-se com o encaste

Parladé com origem Pinto Barreiros. Na altura da fundação

a ganadaria foi iniciada com vacas de Guilherme da Almeida

Barroso, provenientes dos irmãos Alves (Soler) e sementais

de João Reis Malta (Soler e Barreiros), tendo vindo a ser

selecionada ao longo do tempo.

Para o ganadeiro o toiro de lide tem essencialmente que

manifestar bravura na investida, procurando selecionar o

animal tanto a nível morfológico, como comportamental para

o toureio apeado, correspondendo dessa forma às exigências

das praças e da festa brava.

“Podemos afirmar que o processo de seleção das futuras

mães e pais de uma ganadaria é muito subjetivo. Claro que

na tenta procuramos apurar os comportamentos que melhor

se adequam ao nosso objetivo, mas não deixa de ser uma

tarefa que resulta do nosso sentimento e intuição, da nossa

opinião por aquele animal. No entanto, no que se refere às

mães procuramos uma vaca que vá várias vezes ao cavalo,

revelando assim condições que nós acreditamos que possa

vir a ser uma boa mãe. Pois, quanto mais vezes for ao cavalo,

humilhando na investida, maiores argumentos apresenta

para a podermos selecionar”, afirma Manuel Pontes Dias

e continua: “Relativamente aos sementais tenho escolhido

toiros que mostraram a sua bravura durante a lide. Portanto,

voltam para casa depois da lide em praça, onde são curadas

as feridas, seguindo-se depois um teste, que confirma ou não

a sua bravura efetiva”.

Embora a criação da raça brava seja uma atividade

dispendiosa, pois o toiro de lide demora quatro anos a ser

criado até poder ser lidado em praça, para o ganadeiro a vida

não faz sentido sem a ganadaria, pois toda a sua ‘afición’,

paixão e desejo estão patentes em cada canto da casa.

“Existe um entusiasmo muito grande quando temos uma

corrida brava, em que o diretor da corrida chama o ganadeiro

para dar a volta à arena. Esse momento é de enorme

emoção, porque de facto é um reconhecimento muito grande

do nosso trabalho durante esses quatro anos, que dedicamos

à criação do toiro de lide. É para isso que se luta e vive

estes momentos, portanto é muito gratificante quando a

festa resulta e podemos viver esses momentos”, sublinha o

ganadeiro.

Relativamente aos cuidados a ter no maneio, estes são muito

exigentes e especificos desta raça, garantindo o seu bemestar,

uma alimentação de qualidade e a preservação do seu

habitat natural, estando longe do contacto com o Homem.

Devido ao relevo natural desta região do país, o toiro bravo

tem ainda as condições ideais na propriedade para se

exercitar naturalmente, um aspeto crucial para aguentar a

carga física durante o tempo de lide em praça.

Para o futuro próximo, Manuel Pontes Dias tem como

principal sonho lidar uma novilhada na principal praça do país

vizinho, em Madrid. “Tenho sorte porque as minhas três filhas

são muito aficionadas e tenho um neto, que é atualmente

matador de toiros, portanto penso que no futuro a ganadaria

irá prevalecer, mantendo-se esta luta pela conservação da

raça brava”, finaliza o ganadeiro.

Tlm: 962 905 344

Email: mapontesdias@gmail.com

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 73


alentejo - toiro bravo | Ganadaria joão dias coutinho

“Nós queremos bravura e casta”

Bem no interior do Alentejo, para lá das águas do Guadiana, encontrámos a Herdade do Pico, onde pasta a ganadaria brava de

João Dias Coutinho. Neste campo onde a bravura e a nobreza se manifestam, a par com a serenidade do montado alentejano, o

toiro bravo, de encaste Parladé Puro, é um animal sagrado, que desperta emoções, que se teme e admira na praça.

“Em 1963 toureei uma vacada, por convite de amigos.

Na altura, gostei e com o suporte dos meus pais, iniciei

uma tímida ‘carreira’ amadora. Para apoio – treino, o

meu pai comprou algumas novilhas bravas a Manuel

César Rodrigues de Alverca”, recorda João Dias Coutinho,

acrescentando: “mais tarde, o meu tio-avô Marquês de Rio

Maior providenciou-me mais algumas novilhas. Ambas as

ganadarias eram Parladé puro, sendo que serviam somente

para treino. Algum tempo depois, o meu querido amigo

Samuel Lupi emprestou-me um semental. Foi assim que

nasceu a ganadaria, de um processo totalmente natural, sem

ter desde o início qualquer intenção do mesmo”.

Assim, com reses provenientes de Rio Frio, Marquês de Rio

Maior e César Rodrigues, foi esta ganadaria iniciada por D.

Luís Dias Coutinho, ocorrendo a sua estreia no Montijo em

1972.

Em 1983 passou a anunciar-se em nome de João de Almeida

Dias Coutinho, por falecimento do titular.

Um dos maiores vultos da cultura espanhola, o poeta Garcia

Lorca descreveu “as duas coisas mais belas do Mundo

são uma bailarina bailando e um toureiro toureando”.

Na conversa com o ganadeiro percebemos que esse é o

momento mais esperado, ou seja, a lide, quando o toiro está

a falar com o homem, numa luta “honrada e dedicada”.

Nessa altura “o toiro representa o perfil do aristocrata

mais puro que existe na terra. Sobressai a nobreza e a

grandeza do animal, a par com a valentia, a humildade e a

honestidade”, sublinha João Dias Coutinho.

Na história vemos que as origens da relação do homem

com o touro se perdem no tempo. Desde a sociedade

mediterrânica ao Médio Oriente, que podemos ver na arte e

na cultura da civilização ocidental, diversas manifestações e

retratos do enfrentamento do touro pelo homem. Seguindo

esta linha de pensamento, João Dias Coutinho remonta

ao passado para contradizer os efeitos negativos da

consanguinidade, afirmando “que as raças extremamente

puras prevalecem no tempo”. Por isso mesmo, valoriza o

facto de ser uma das únicas ganadarias verdadeiramente

puras do país, tendo mantido desde a sua génese a mesma

linha, melhorando apenas as características que procura

levar para a praça. Bravura e casta são deste modo as

duas premissas que ganham destaque na Ganadaria Dias

Coutinho. Para o ganadeiro é essencial manter esses

parâmetros, juntamente com a continuidade da linhagem.

Atualmente, a ganadaria corre nas principais praças

espanholas, como a Real Plaza de Toros de El Puerto de

Santa Maria, como nos confirma o ganadeiro. “Nos últimos

anos, os meus toiros têm sido lidados em Espanha, porque

procuramos o toureio apeado. Aliás, no nosso último festival

tirámos oito orelhas e dois rabos. Embora, goste muito de ver

os meus toiros nas praças nacionais. No entanto, a questão

do toureio no país vizinho tem como principal adversidade

a escolha dos sementais, pois necessitámos de manter a

linhagem da ganadaria e em Espanha como são touros de

morte, ou seja, não regressam ao campo, temos de fazer

uma seleção interna”.

Manter a génese da ganadaria é o principal objetivo de João

Dias Coutinho, que salienta a naturalidade da sua história,

garantindo a prevalência da raça pura.

Telefone: 268 323 273

Email: diascoutinho@sapo.pt

74 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


alentejo - toiro bravo | Gold stone

O jovem cavaleiro do ouro branco

“O verdadeiro grande talento descobre as suas maiores alegrias na realização”. Influenciado pela sua família, João Maria Branco cresceu no

ambiente taurino e desde cedo mostrou grande paixão pela arte tauromáquica. Percebendo que esse seria o seu futuro, entregou-se a esta tão nobre

arte. Mas, o seu espírito jovem e empreendedor levou-o a constituir uma empresa de sucesso na área do mármore. Hoje, este jovem empresário e

cavaleiro tauromáquico demonstra que com muita dedicação e empenho se consegue atingir o sucesso em áreas tão distintas.

João Maria Branco cresceu numa família aficionada, desde sempre ligada ao

campo, em especial aos cavalos. Desde tenra idade que se deslocava para ver

corridas de toiros e frequentava a casa de alguns toureiros conceituados, o

que lhe despertou uma grande paixão pela arte tauromáquica. A partir desse

momento dedicou-se a aprender as bases e as boas regras da equitação, tendoas

como base para a formação de toda a sua quadra até aos dias de hoje.

“Comecei a montar aos dez anos, iniciando a minha formação na arte de andar

a cavalo, procurando aprofundar os meus conhecimentos enquanto cavaleiro

tauromáquico, atividade que tenho desenvolvido até agora. Sempre fui ambicioso,

logo tudo o que me propunha fazer procurava que fosse bem feito. A partir do

momento em que comecei a estudar e a treinar, percebi que realmente queria

fazer carreira, tendo como principal objetivo ser cavaleiro tauromáquico de

alternativa”, recorda o cavaleiro.

Apresenta-se em público pela primeira vez, como cavaleiro amador, em 2008

na praça de toiros Palha Blanco, em Vila Franca de Xira. Em 2010, tira a prova

de praticante na praça de toiros do Redondo. A partir daqui todo o percurso de

praticante foi em crescendo, começando logo a compartilhar cartel com grandes

figuras do toureio, tendo triunfado nas principais praças nacionais.

Este, ainda, curto percurso haveria de culminar na tomada da alternativa, que

ocorreu na primeira praça do país, no Campo Pequeno. O cavaleiro teve como

padrinho Joaquim Bastinhas e como testemunha Pablo Hermoso de Mendoza.

Mas, João Maria Branco sempre teve como intenção ser um jovem empresário,

criando o seu próprio negócio. Assim, nasceu a Gold Stone em Vila Viçosa, uma

empresa dedicada à comercialização de pedra natural.

“Esta empresa resulta do profundo know-how geracional que adquiri neste

domínio. Sei que nem sempre é fácil conciliar a gestão da empresa com a

preparação para a temporada taurina mas, com muita disciplina, força de

vontade e com o suporte da minha família e da minha equipa, tenho tido

condições para concretizar o meu sonho e em paralelo gerir a Gold Stone”,

explica João Maria Branco.

Dedicada à produção, transformação e comercialização do mármore, a Gold

Stone tem como principal propósito dar a conhecer a excelência da pedra natural

da região de Estremoz e Vila Viçosa, divulgando-a a nível internacional. “Tenho

conseguido fazer desta empresa um caso de sucesso, implementando a minha

visão de negócio e a minha estratégia empresarial passo a passo. No último ano

conseguimos entrar nos mercados que pretendíamos e estabelecemos parcerias

importantes”, completa o empresário.

João Maria Branco Cavaleiro tauromáquico

Persistência e dedicação

João Maria Branco é, hoje, uma certeza no caminho de ser figura no toureio, mas

igualmente um jovem empresário que começa a dar cartas no setor marmorista.

“Ao longo da minha vida procuro alcançar da melhor forma os propósitos para

que me disponho. Logo, na componente tauromáquica quero representar o

melhor que conseguir a minha terra, nas diversas praças por onde passo. Quanto

ao setor industrial, procuro ser rigoroso, criando uma marca de sucesso, que

76 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


gold stone | alentejo - toiro bravo

defenda o bom nome desta região e do setor que representamos”, sublinha o

empresário.

Na arte tauromáquica são necessárias muitas horas de treino, de modo

a aperfeiçoar as linhas que o toureiro pretende incutir durante a sua lide.

Logo, as principais dificuldades são diárias e passam por se adaptar aos

cavalos, trabalhá-los, para assim conseguir atingir a máxima performance,

proporcionando um bom espetáculo ao público.

“Quando se pretende estar integrado nesta atividade com o objetivo de ter

uma carreira longa marcada pelo sucesso, temos de estar 100 por cento

focados nesta situação. Por outro lado, um bom toureiro tem de ter uma

quadra o mais vasta e completa possível, de modo a ter o cavalo adequado

a cada momento da lide, que se enquadre também em função de cada

toiro”, reforça João Maria Branco. É esta simbiose entre cavaleiro e cavalo

que projeta a carreira de um toureiro. Contudo, “sem matéria-prima também

não é possível concretizar a arte de tourear, ou seja, sem um bom toiro

não se consegue construir uma faena. Penso que é importante os toureiros

partilharem as suas experiências junto dos ganadeiros e vice-versa, essa

ligação é positiva e acarreta valor acrescentado de parte a parte”, acrescenta.

Assim como no dia a dia enquanto cavaleiro torna-se imprescindível treinar

e aperfeiçoar a técnica, também enquanto empresário é fundamental traçar

uma estratégia que projete a empresa nos diferentes mercados.

O último ano representa a afirmação da Gold Stone no setor do mármore,

mas ao mesmo tempo um enorme desafio, pois torna-se primordial manter

o nível de qualidade que tem demarcado a empresa no mercado nacional

e internacional. Hoje, a Gold Stone exporta para o Médio Oriente, mas

também comercializa os seus produtos em mercados como a China ou Índia.

“Esta região é claramente procurada pela qualidade e especificidade desta

riqueza natural que é o mármore. Por esse motivo procuramos mostrarnos

ao mundo, estando presentes nos principais certames do setor a nível

internacional, como a feira de Verona”, indica João Maria Branco.

Futuro promissor

“Tourear no Campo Pequeno é sempre marcante,

principalmente no dia em que tomámos a alternativa. Esse

é o dia da realização, a concretização de um sonho. Mas,

existem outras praças onde já triunfei e pelas quais tenho um

carinho especial, como Évora, Alcochete ou Moita. Para mim

é um privilégio ter toureado nas primeiras praças do país”,

recorda o cavaleiro.

Relativamente a esta temporada o cavaleiro

ainda irá estar presente nas corridas de

Portalegre e Vinhais, tendo também corridas

programadas para Espanha e França.

“Quero continuar a fazer o melhor, mas

acima de tudo quero chegar a figura de

toureio. A minha carreira ainda é curta,

portanto com esforço e dedicação, irei

lutar para alcançar esse objetivo. Gostaria

também de consolidar a carreira de cavaleiro

em Espanha e França, porque para um

toureiro é um prestígio enorme conseguir

estar no melhor dos dois mundos”, salienta

o cavaleiro.

Da mesma forma, João Maria Branco

procura implementar a Gold Stone no

mercado como uma marca de referência,

apostando na qualidade, inovação e

criatividade. “Somos uma empresa jovem,

mas estamos preparados para responder a

um mercado muito exigente e concorrencial,

logo queremos manter este índice de

crescimento”.

Por fim, este jovem empreendedor está a

iniciar um novo projeto em estreita ligação

com a sua atividade. João Maria Branco

está a dar os primeiros passos na criação

do cavalo puro-sangue lusitano, uma raça

portuguesa, única no mundo, que terá como

principal destino a exportação.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 77


alentejo - toiro bravo | grupo sulregas

Orgulhosamente Português

Fundada em 1985, a Sulregas sempre se demarcou no mercado da comercialização e montagem de sistemas de irrigação, que conduziu à formação

do Grupo Sulregas. Com sede na região do Alto Alentejo, em Évora, a empresa aposta fortemente na qualidade do produto, do serviço e da

assistência pós-venda. Há cerca de 15 anos nasceu a marca Sunpor, que se dedica à construção e desenvolvimento tecnológico de pivots.

Há cerca de 30 anos atrás, Alfredo Barrambanas dava os

primeiros passos para a constituição da Sulregas no Alentejo.

Formado em Engenharia Eletrotécnica, o empresário decidiu

aprofundar os seus conhecimentos e enveredar pela área

dos sistemas de irrigação. Inicialmente, a Sulregas era

representante e distribuidora de outras marcas, até evoluir

para a área de produção.

Hoje, o Grupo Sulregas é composto pela sede em Évora e

por uma filial em Beja, a que se junta a Sulregas Ribatejo,

responsável pelo fabrico e comercialização dos equipamentos

na zona Centro do país. O Grupo agrega ainda a sucursal

Riegos Y Canalizaciones Sulregas, uma sociedade

estabelecida com uma empresa espanhola, que está

localizada a norte de Caceres.

Nos dias de hoje, a empresa dedica-se ao fabrico,

comercialização, instalação e assistência técnica de sistemas

de rega. As práticas intensivas da agricultura exigem que

todo o sistema de irrigação funcione de uma forma fiável

para maximizar a produtividade da cultura. Logo, a irrigação

eficiente é um dos fatores mais importantes na produção

agrícola, garantido pelos pivots Sunpor. Esta marca tem

equipamentos estudados para pequenas, médias e grandes

áreas, adaptados e calculados para qualquer tipo de terreno.

“Continuamos a apostar no desenvolvimento tecnológico,

proporcionando aos agricultores a possibilidade de controlar

os seus equipamentos a partir do escritório. Desenvolvemos

um software que a partir do telemóvel ou PC permite

controlar o pivot remotamente. Este equipamento possibilita

a análise de dados essenciais para o aumento da eficiência

e rentabilidade do pivot, mas também informa o agricultor

permanentemente sobre o estado do equipamento”, assegura

o sócio-gerente Nelson Barrambanas.

Nesse sentido, o próximo objetivo do Grupo passa por criar

um quadro de precisão de dados, que aumente os níveis de

eficiência e economia da máquina. Por outro lado, estão a

trabalhar no desenvolvimento de um programa de prestação

de serviços online, em que por regime de avença anual, o

agricultor não precisa de se preocupar com a gestão dos

pivots, pois esse trabalho é garantido pela empresa.

Com uma equipa composta por 70 colaboradores, o Grupo

Sulregas pretende aumentar os níveis de exportação,

com a entrada em novos mercados, nomeadamente no

mercado sul-americano e africano. “Cerca de 20 por cento

do nosso volume de negócios representa vendas para o

mercado angolano. Neste mercado, em particular, estamos

a desenvolver um projeto para o maior perímetro de rega

privada do mundo, no qual iremos fornecer cerca de 400

pivots, que irão permitir regar cerca de 20 mil hectares dos

110 mil hectares de área de irrigação previstos. Quanto a

Portugal também estamos a desenvolver projetos de elevado

interesse económico nesta área. A nossa intenção é continuar

a manter a qualidade, a competência e o profissionalismo,

apostando na inovação e no melhoramento da nossa marca”,

garante Alfredo Barrambanas.

78 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


alentejo - toiro bravo | herdade do portocarro

‘Loverice’ - Arroz com Origem

Em Alcácer do Sal, na Herdade do Portocarro, cresce um arrozal único, acarinhado por quem cultiva o amor pela terra, a sustentabilidade do

ecossistema e a preocupação com o meio ambiente. Um arroz orgulhoso das suas origens, com uma identidade e uma personalidade próprias, que

marcam a sua diferença. Aqui encontrámos o Loverice, um arroz de verdade.

José Mota Capitão Administrador

em nichos de mercado, nomeadamente lojas gourmet, hotelaria e restauração.

Outra das diferenças desta propriedade prende-se com o facto de possuir 3 Ha de terrenos

destinados a testes e experiências de arroz, que servem para selecionar as melhores espécies

que chegam ao consumidor. “Todos os anos são plantadas 32 variedades de arroz, que se

perderam no tempo. Cedi este espaço ao Instituto Nacional de Investigação Agrária, que está

à procura dos arrozes que melhor se adaptem às nossas condições climatéricas, de forma

a recuperar variedades originárias do nosso território. Por outro lado, procuram desenvolver

variedades que se adaptem aos tempos modernos e às exigências atuais do mercado. No

próximo ano serão lançados dois arrozes de origem portuguesa, o Ceres – arroz carolino,

e o Maçarico - arroz agulha, que foram desenvolvidos na Herdade do Portocarro”, revela o

produtor.

Mais do que uma empresa de produtos alimentares, a Loverice propõe-se mudar a forma

como se olha para o arroz. Continuar a fazer mais e melhor, produzindo de forma consciente

e agindo em conformidade com as boas práticas do setor agrícola e alimentar é a principal

missão da empresa. Apresentar produtos de excelente qualidade é o propósito de José

Mota Capitão, que continuará a produzir um arroz que sabe de onde vem e que cultiva uma

identidade própria.

Rodeada pela ribeira do Sado e pelas suas vinhas, a Herdade do Portocarro serve de berço

a 60 HA de arrozais, que produzem cerca de 300 toneladas por ano de várias qualidades de

arroz carolino.

Produtor de arroz há mais de 25 anos, José Mota Capitão tem como principal objetivo

fazer chegar diretamente aos consumidores mais exigentes, qualidades de arroz únicas e

exclusivas. “Desde o início que optei por procurar variedades de arroz que não existem no

mercado, mas que são mais resistentes, mais adaptáveis ao clima e, paralelamente mais

amigas do meio ambiente. Assim, apresentamos arrozes destinados à confeção dos melhores

pratos de risotto, paelhas ou sushi”, completa o produtor.

As espécies Ronaldo, Fúria ou Centauro dão expressão a uma marca de arroz que inspira

variadas receitas, muito para além do simples acompanhamento e que ao sabor da época vai

criando edições limitadas capazes de proporcionar experiências originais. “Estes 60 Ha estão

distribuídos com várias variedades, conseguindo desse modo um produto completamente

diferente em Portugal. Um arroz com origem, com sabor e aroma homogéneo, que assume

o compromisso com o consumidor, proporcionando-lhe uma alimentação saudável e

experiências gastronómicas de excelência. Por outro lado, asseguramos a sustentabilidade,

a autenticidade e a transparência ao longo de todo o processo de produção, pois estamos

em modo de produção integrada. Por fim, garantimos a continuidade das variedades mais

antigas”, enumera José Mota Capitão.

O arroz Ronaldo apresenta um bago uniforme, com uma capacidade extraordinária para

absorver a água, sendo óptimo para risottos. Quanto ao Fúria proporciona a confeção de

pratos versáteis, podendo adaptar-se aos pratos tradicionais portugueses de peixe, carne

ou marisco. Já o Centauro é o arroz do momento e o arroz do antigamente. Graças à

sua permeabilidade, esta variedade é adequada à confeção de sushi, paelhas ou arroz à

Valenciana.

Hoje, os produtos da Loverice são exportados para a Alemanha e Dinamarca, surgindo apenas

WWW.LOVERICE.PT

80 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


SANTARÉM

É na margem direita do Tejo que se situa o concelho de Santarém, que o limita a leste, e a Sul do

Maciço Calcário Estremenho de Porto de Mós (serras de Aire e Candeeiros).

Elevada a cidade em 1868, a cidade de Santarém é considerada a rainha do Ribatejo. É rica em

património histórico-cultural e, mesmo a nível concelhio, é possível vislumbrar várias e abundantes

estruturas monumentais, bem como vestígios da ocupação romana e árabe que atestam a riqueza histórica

desta região.

De ressalvar também, os vários pontos espalhados pelo concelho com vistas dignas de destaque que

permitem observar a cidade no seu esplendor e os seus lugares mais emblemáticos, como são exemplo, o

Cabeço da Guarita (Abrã), o Castelo medieval de Alcanede e Alto dos Chões.

Em termos de ensino, o ensino superior público ganha destaque, estando o concelho bem suportado

nesta área. A existência do Instituto Politécnico de Santarém, que inclui a Escola Superior Agrária de

Santarém, a Escola Superior de Educação de Santarém, a Escola Superior de Gestão e Tecnologia de

Santarém, a Escola Superior de Desporto de Rio Maior e a Escola Superior de Saúde de Santarém,

são exemplos disso, para além do Instituto Superior de Línguas e Administração (ISLA), a única

instituição de ensino superior privado existente em Santarém.

Também a cultura ganha destaque na cidade, através dos vários eventos organizados ao longo do ano

e são vários os espaços culturais de visita obrigatória, como a Casa do Brasil/ Casa Pedro Álvares

Cabral, o Centro Cultural “Fórum Mário Viegas, o Palácio Landal, o Teatro Sá da Bandeira e o

Teatro Taborda - Círculo Cultural Scalabitano.

O turismo é também uma realidade crescente na região e a Adega de Alcanhões e o Complexo Aquático,

são dois pontos cruciais para quem pretende conhecer Santarém. Para quem pretende ficar, a nível

hoteleiro e de restauração a oferta é vasta e adequada a todos os gostos. Os arrepiados de Almoster, os

celestes de Santa Clara, o ensopado de enguias, a lapardana, a sopa de peixe, os pampilhos, o naco de

touro bravo avinhado, são alguns dos pratos e doces tradicionais mais característicos da região.

Estes são algumas das razões para visitar Santarém e conhecer esta terra repleta de potencialidades.


hortícolas casal d’avó | santarém

As frutas e os legumes

mais frescos do Ribatejo

Hortícolas Casal D´Avó, uma casa de produção agrícola que tem atravessado gerações. Criada

em 1953 por Manuel Jorge Gomes, que iniciou a atividade com a produção de cereais e, mais

tarde, com a junção dos filhos ao negócio, surgiram novas culturas como frutas e legumes. Os

produtos são direcionados para o mercado nacional e a qualidade é reconhecida, sendo PME

Líder desde 2014. A inovação faz parte da filosofia desta empresa que tem investido na

maquinaria para melhorar e aumentar a produção.

O nome Casal D´Avó surge das terras herdadas a Manuel

Jorge Gomes em 1953. Com mais de 60 anos de atividade,

a Hortícolas Casal D´Avó é atualmente gerida pelos filhos do

fundador que têm impulsionado as frutas e os legumes mais

frescos do Ribatejo. “Começamos a produzir trigo, cevada e

milho e decidimos aproveitar as terras para novas culturas de

hortícolas e frutas”. Atualmente produzem e comercializam

algumas variedades de fruta e legumes tais como, melancia,

meloa, beterraba, alho francês, couve lombarda, coração e

portuguesa, pimento, entre outras, sendo o nabo que mais se

destaca.

Os sócios afirmam que a evolução tem sido positiva e o

crescimento gradual. “Passamos algumas fases menos boas,

como qualquer empresa, com a diminuição da procura e

os preços mais baixos. Temos feito alguns investimentos

na parte produtiva com o objetivo de melhorar a produção

e satisfazer as necessidades dos nossos clientes”. Com o

crescimento da empresa, esta sentiu assim a necessidade de

evoluir e modernizar os seus equipamentos, “Aproveitamos

para evoluir na maquinaria, tornando a produção mais

rápida e reduzindo custos. A inovação tem de ir ao encontro

das nossas necessidades. Temos técnicos especializados

que nos acompanham nas culturas e cumprimos todas as

exigências no que diz respeito aos produtos de cada cultura.

Respeitamos sempre os intervalos de segurança”. Com o

estatuto PME Líder desde 2014, a Hortícolas Casal D´Avó

é reconhecida pelos seus produtos de qualidade a nível

nacional, sendo assim uma empresa em crescimento que

olha para um futuro prometedor.

O mercado nacional é o grande foco da empresa que

conta com armazenistas da zona de Lisboa para escoar as

produções e marca presença no Mercado Abastecedor da

Região de Lisboa (MARL). Para além de terem distribuição

própria, são ainda produtores do Programa Origens do

Intermarché, onde entregam uma grande quantidade de fruta

com marca própria. Uma forma de não perder identidade e

de levar a frescura e variedade de frutas e legumes até mais

pessoas. Para já não sentem a necessidade de apostar ainda

no mercado externo, mas não descartam essa possibilidade.

O negócio tem sido construído de forma sustentada mas

já conta com cerca de 40 funcionários nas alturas em que

se acentua a produção. “Apesar de sentirmos o efeito da

sazonalidade e estarmos limitados pela produção e pelo

clima, temos trabalhadores que estão cá 11 meses por ano.

Este ano começamos a colher com maior antecedência e

a escoar para encomendas”, afirma Paulo Gomes, um dos

sócios.

Em 2013, a família Gomes construiu um novo armazém a

pensar no futuro e nas melhorias inerentes. O objetivo é

continuar a renovar as máquinas e aumentar a capacidade

de produção, com a expectativa de continuar a crescer dentro

do mercado . Apostar na exportação faz ainda parte dos

planos a médio prazo desta empresa certificada que prima

pela segurança e eficácia. “Queremos continuar a inovar e

criar uma posição sólida no Ribatejo”, concluem.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 83


santarém | ramos & Pereira

a cadeia de distribuição por excelência

Dino Ramos, diretor geral da Ramos & Pereira, uma empresa de comércio e distribuição de produtos alimentares, pretende ser um exemplo

de esforço e dedicação. Trabalhando numa área geográfica considerada como pouco atrativa - o interior de Portugal – a Ramos & Pereira tem

conseguido ser um caso de sucesso. Tem como ambição ser uma empresa atrativa apostando na excelência do serviço prestado, apoiando-se na

relação de proximidade com os seus colaboradores e clientes, pois o exemplo “tem que vir de dentro para fora”.

O conceito da Ramos & Pereira

Dino Lauro Neiva Ramos, de 32 anos, desde 4 de fevereiro

de 2013 assume a função de diretor geral da Ramos &

Pereira, vivendo o seu sonho “de ser como o seu pai e gerir

os negócios da sua família”.

Aos 12 anos, durante as férias de verão, começou a dar os

primeiros passos na empresa do pai, passando por várias

funções e experiências (desde ajudante de distribuição

até passar à função que ocupa hoje). Atualmente, assume

um cargo de grande responsabilidade na sua empresa,

cujos resultados destes últimos quatro anos superaram

Dino Ramos Diretor geral

as melhores expectativas. Ambiciona num futuro próximo,

continuar a garantir um crescimento sustentável melhorando

a qualidade do serviço, apostando numa relação de

proximidade com todos os stakeholders, e consolidar a

capacidade de resposta ao mercado.

Consciente de que “não o conseguiriamos fazer, se os nossos

clientes não nos dessem essa oportunidade”.

O percurso da Ramos & Pereira

A Ramos & Pereira foi criada em 1988, por Albino Ramos, em

Sines, nas suas horas pós-laborais, com duas pessoas num

espaço de 30 m2, com a distribuição de alguns vinhos, no

concelho de Sines e Santiago Cacém.

O crescimento da Ramos & Pereira esteve desde sempre

alicerçado nas fortes parecerias que criou, nomeadamente

com o ínicio da Parceria com a Iglo - Olá, em 1992,

tendo sido um marco muito importante no negócio e

crescimento, abrindo uma porta de oportunidades e desafios

(nomeadamente obrigando a empresa a criar uma rede

de distribuição de produtos congelados), ficando com

a responsabilidade de representar a marca em alguns

concelhos dos distritos de Setúbal e Beja.

Mais tarde em 2004, fazendo jus à vontade de

desenvolvimento e crescimento de negócio é adquirida uma

nova área de concessão no distrito de Évora.

Após alguma conturbação e reogarnização do mercado,

sentida pela empresa no ano de 2012, foi necessário

repensar a estratégia e definir um novo posicionamento para

o negócio.

Em 2013, a Ramos & Pereira faz um forte investimento, e

adquire novas áreas de concessão da Olá, passando a estar

também presente na maioria dois concelhos dos distritos de

Santarém, Portalegre, Castelo Branco, Guarda e Viseu.

Com a entrada de Dino Ramos (seu filho), para os ‘comandos’

da empresa, gerindo a filial em Abrantes, a empresa começa

fortemente a investir na diversificação do negócio.

Atualmente, contam com uma equipa de 82 colaboradores,

com uma frota de mais 60 viaturas (carros de distribuição e

de vendas), dois armazéns, três entrepostos que ajudam a

assegurar uma cobertura de distribuição em mais de 60 por

cento da área geográfica do país.

No final de aril deste ano, foi apresentada a nova imagem da

Ramos & Pereira que pretende, essencialmente, comunicar

para dentro e para fora o novo ADN da empresa, bem como a

forma de se posicionar no mercado.

Com o objetivo de fazer do ‘&’ o elo de ligação entre as

várias partes que criam o verdadeiro valor da empresa

que é a sua diversidade (estar presente no Alentejo ‘&’

Beiras, vender gelados ‘&’ vinhos, peixe ‘&’ pastelaria, etc,

etc), numa relação de proximidade com os colaboradores

e clientes, baseada nos grandes pilares da organização:

sustentabilidade, otimização de recursos e não perder a

identidade de uma empresa familiar.

84 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


amos & Pereira |santarém

Sulpasteis (salgados).

Por fim, nos não-congelados destaque para as marcas Gorila e Trident

(chicletes), Kinder, Ferrerro, Mars (chocolates); Halls (rebuçados); Lactogal,

Planta e Becel (produtos lácteos); Gallo e Cargill (azeite e óleos); Nobre e El

Pozo (charcutaria) e Sogrape (vinhos).

O modelo estratégico: parceiros e clientes

O objetivo de tornar a empresa sustentável conduziu a

uma diversificação do portefólio de produtos, ajustados aos

vários segmentos do mercado onde a empresa está inserida

“ligando sinergias, com o objetivo de aproveitar a cadeia

de distribuição já existente, acreditando que é possível

dessazonalizar o negócio. “Esta estratégia tem-se vindo a

revelar um sucesso permitindo aumentar a rentabilidade da

empresa, criar mais postos de trabalho e motivar a equipa

ao longo de todo o ano, transmitindo confiança e solidez

no desenvolvimento do nosso trabalho”. É com orgulho

que Dino Ramos, enaltece todo o seu grupo de trabalho -

colaboradores e parceiros, afirmando que “a Ramos & Pereira

só trabalha com marcas líderes de mercado”, esforçando-se

por oferecer uma gama variada de produtos para todo o

canal horeca e para o “canal instituições” (lares, creches,

escolas, etc).

Além da distribuição dos produtos Olá,

a empresa conta com mais de 2.500

referências de produtos. Nos produtos

congelados comercializa peixe, bacalhau,

mariscos, moluscos, carne, vegetais,

produtos pré-cozinhados, padaria e

pastelaria. Ao nível dos produtos refrigerados

trabalha com charcutaria, laticínios,

confeitaria e, também, tem produtos de

mercearia (azeite, óleos de alto rendimento,

enlatados). Nos congelados, a Ramos &

Pereira tem parcerias que se destacam como

a Iglo, Dr.Oetker (pré-cozinhados); Brasmar

e Riberalves (em peixe e marisco); Valente e

Marques e Irmãos Monteiro (carnes); CSM e

Casa dos Profiteroles (padaria e pastelaria);

Gelcampo (produtos hortícolas e frutícolas);

Mensagem final

Para Dino Ramos, o seu grande objetivo é passar todo o ADN que aprendeu

ao lado do seu pai e que os 29 anos de empresa falam por si. “Quando

compreendemos a história da empresa, ficamos mais conhecedores do

presente e com possibilidade de sair vencedores no futuro, esta tem sido

uma linha de raciocínio que nos tem guiado e que não abdicamos. Aproveito

esta entrevista para endereçar algumas palavras de agradecimento ao meu

pai (Albino Ramos), por tudo o que me tem ensinado e partilhado ao longo

de todo este tempo, a minha mulher e ao meu irmão que colaboram neste

projeto e a toda a minha família por todo o apoio e confiança”.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 85


santarém | indaver

Onde a sustentabilidade

é a palavra de ordem

A Indaver foi fundada na Bélgica (nos anos 80) com o objetivo de tratar os resíduos perigosos

das indústrias químicas e farmacêuticas. Posteriormente segmentou o mercado e expandiu-se como

referência Europeia, graças aos 30 anos de experiência, grandes instalações e parcerias. Presente

na Bélgica, Alemanha, Irlanda, Reino Unido, Holanda, Itália, Espanha e, em Portugal, desde

2001, oferece soluções de Gestão Total de Resíduos, com Sandra Freitas como General Manager.

Qual a motivação e razão pessoal para

liderar este projeto?

É um desafio motivador e um privilégio,

liderar esta equipa e projeto. O ADN

da Indaver tem por base estes valores:

preocupação com as pessoas, segurança

e sustentabilidade ambiental, relações e

parcerias confiáveis, transparência, obtenção

de resultados e melhoria contínua.

Como está estruturada em Portugal?

A Indaver tem instalações em Abrantes

e escritórios no Porto e em Lisboa que

inclui uma equipa de serviços partilhados a

nível internacional e a gestão da atividade

comercial a nível Ibérico.

Sobre serviços prestados: Na Indaver aplica-se o termo

sustentabilidade?

Na Indaver sustentabilidade é a missão. Matérias primas e

energia são a base da prosperidade do planeta e necessitam

de ser conservados permitindo um futuro sustentável para

as todas as gerações presentes e futuras. Contribuímos para

a economia circular. Somos um exemplo onde é possível

conciliar sustentabilidade ambiental e económica.

Como é gerido o manuseamento de resíduos perigosos?

Em resumo, recuperamos os resíduos sob forma material,

caso não seja viável, valorizamos energeticamente,

sempre na lógica da eliminação efetiva dos componentes.

Infelizmente existem empresas que oferecem soluções em

que o tratamento dos resíduos perigosos não elimina os

compostos químicos tóxicos. São falsos tratamentos pois

ao não destruir os componentes químicos, as substâncias

acabam por se libertar novamente no ambiente, podendo

reentrar na cadeia alimentar. Por exemplo, resíduos perigosos

de natureza orgânica não devem ser depositados em aterro

porque acabarão por lixiviar e dispersar-se novamente nos

solos ou na água.

O que torna a Indaver líder face às empresas do ramo?

A sustentabilidade. Ganhar dinheiro depressa à custa da

má gestão de resíduos não é futuro. Os nossos clientes são

empresas com visão a longo prazo que não querem estar na

origem de passivos ambientais. Oferecemos segurança. Na

Indaver fechamos os ciclos dos materiais de forma segura,

eficiente (reduzindo o impacte carbono e energia). É o

caminho para a prosperidade e sustentabilidade. Nos nossos

relatórios evidenciamos este caminho de sustentabilidade e

de melhoria contínua da organização.

Qual o número de funcionários? É difícil

encontrar mão de obra qualificada?

Somos uma equipa de 17 pessoas

(aumentará para 23 no final deste ano). Mas

o grupo Indaver possui 1640 colaboradores.

Há boa formação de base em Portugal (como

competências na utilização de computadores

e de inglês). A nível técnico específico

relacionado com a gestão de resíduos é

mais escassa, daí na contratação de novos

colaboradores, investirmos bastante na

formação inicial e na formação contínua.

Quais as considerações finais que pretende deixar

claras?

Oferecemos aos nossos clientes soluções sustentáveis.

A qualificação profissional é importante mas é preciso

motivação. Promover a aprendizagem e o desenvolvimento

pessoal para que a relação empresa e colaboradores

cresça mutuamente. Tendo a Europa como área geográfica

queremos consolidar a posição nos países presentes,

destacando a construção da primeira unidade de tratamento

francesa: IndaChlor, em 2018. Em Portugal, pretendemos

consolidar a posição Ibérica, investindo em unidades de

recuperação material e/ou energética de resíduos.

86 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


estaurante A Gralha |santarém

No Gralha,

sinta-se em

casa

Gilda Ferreira Proprietária

Foi numa conversa animada que a Revista

Business Portugal conheceu a já afamada

Gilda Ferreira. Dona do restaurante A

Gralha, cedeu-nos uma entrevista onde

apresenta o seu espaço, serviço e equipa.

São 44 anos a satisfazer o apetite de quem passa pelas

grutas de Santo António, em Alvados, no município de Porto

Mós. Gilda Ferreira é a atual administradora - herdou o

restaurante do seu pai, um antigo emigrante que decidiu

investir num local que era muito visitado. A própria Gilda

Ferreira auto caracteriza-se como “uma mulher lutadora que

não baixa os braços” e assim, a seu pulso, foi reinvestindo

na qualidade das instalações. Atualmente, o restaurante A

Gralha dispõe de um amplo espaço capaz de albergar até

750 pessoas, tem também um grande jardim embelezado

pela forma como está arrebatadamente arquitetado. Para

além do serviço de restaurante, detém também um amplo

café, serviço de alojamento e a capacidade de receber

grandes eventos. Aqui podem se realizar casamentos únicos,

com um espaço completamente preparado para receber

toda a cerimónia. É disponibilizado também um serviço de

catering na casa dos noivos para receber os preparativos

pré-matrimonial.

Na mesa, o bacalhau à gralha e o cabrito no forno são as

especialidades da casa, pratos confecionados de forma única

que envolvem em si um sabor inesquecível. Também o polvo

à serrana, o naco na pedra e o bife de touro à portuguesa

são referências entre uma variada oferta gastronómica. Entre

a qualidade dos ingredientes, execução dos pratos e preços

acessíveis, o atendimento personalizado é prioritário. “Temos

de apostar na qualidade, de forma a que as pessoas possam

sentir que estejam na própria casa”, explicou Gilda Ferreira

com a mesma simpatia e qualidade de sempre que habituou

os clientes. Aqui o paladar da tradição é a referência, e tem

ajudado A Gralha a crescer e a manter os seus clientes.

“Os jovens procuram cada vez mais os pratos tradicionais”

e esse fator ajuda a que o restaurante consiga abranger

um leque maior de clientes. O equilíbrio entre a cozinha e

a sala é primordial para garantir o sucesso do restaurante,

a decoração do interior é um misto de modernidade com a

peculiaridade da decoração inspirada nas próprias grutas de

Santo António. Muito mais que um local para apenas comer,

no restaurante A Gralha, todos os fins de semana, os clientes

podem usufruir de música ao vivo, o que “faz com que a

pessoa almoce e fique mais um bocado, pode dançar, pode

juntar-se aos eventos que realizamos”, explicou a gerente.

Localizado num local turístico apetecível pela paisagem e

pela proximidade, Gilda Ferreira explicou que há um sentido

de responsabilidade em dinamizar a oferta e a visita às

grutas de Santo António. “Vindo aqui almoçar, oferecemos

um desconto na visita das grutas. É uma forma de dar um

incentivo para as pessoas irem visitar as grutas. Há pessoas

que lá foram há 20 ou 40 anos atrás e querem voltar a

recordar essa visita”.

A servir a gastronomia do Ribatejo há 44 anos, Gilda Ferreira

concluiu: “há ambições para novos investimentos, novos

espaços e expandir com novos serviços. Na parte de hotelaria

e na parte de bar. No verão vamos realizar música à noite -

dinamizamos a região e movimentamos A Gralha”.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 87


santarém | vale de ferreiros

Turismo em espaço rural com Centro

Equestre para os amantes dos cavalos

O Turismo Rural Vale de Ferreiros é ideal para quem procura contacto com a natureza, com total privacidade e conforto em espaço rural.

Localizado no concelho de Abrantes, numa das ruas mais antigas da Aldeia do Pego, dispõe também de um Centro Equestre ao longo da margem

sul do rio Tejo.

no concelho para que as pessoas conheçam a nossa cultura”. A quinta de

Vale dos Ferreiros está preparada, também, para receber eventos como

acontecem, essencialmente no âmbito do hipismo – concursos nacionais e

internacionais de obstáculos e de dressage. O balanço positivo dos primeiros

anos, trouxe uma maior amplitude de investimento. Brevemente será

edificada uma sala multiusos como suporte dos eventos e existe também

um projeto para a construção de uma eco village, numa perspectiva de

segmentação de clientela e de alavancagem do Centro Equestre, aumentando

a sua dimensão nomeadamente através de clientes estrangeiros de turismo

equestre.

Vale de Ferreiros é um empreendimento recente, erguido

apenas há quatro anos. Um projeto familiar que devido

à sua localização na aldeia do Pego é considerado como

‘turismo de aldeia’, um conceito que associado ao turismo

equestre torna esta unidade de turismo rural um destino

distinto e inovador. Este conceito é ideal para quem procura

alguma proximidade com a casa tradicional de aldeia e

com a natureza, num ambiente de grande privacidade e

conforto. Para lá da certeza dum refúgio amplo e seguro,

onde não chega a poeira da tensão do dia-a-dia nem o ar

corrompido, aqui, o cliente esbarra a cada momento com a

figuração do homem que desejaria ser, simples, livre e feliz.

Para além de uma enorme quinta, o espaço é composto por

várias casas. A ‘Casa das janelas Verdes’ é composta por

cinco quartos: Quarto Tejo, Quarto Castelo, Quarto Aldeia,

Quarto do Feitor e Quarto Prado - todos eles com vista para

a natureza e para os locais que os denominaram. A ‘Casa

do Equitador’ e a ‘Casa do Ferreiro’ são duas casas de

tipologia T1, tipicamente rurais e tradicionais, mas totalmente

recuperadas e equipadas. Vale de Ferreiros

conta também com um Centro Equestre

associado disponibilizado para hóspedes ou

para qualquer pessoa que pretenda aprender

ou melhorar a técnica na equitação ou opte

por um passeio a cavalo.

A atual gerente, Filipa Pereira, não deixou

de destacar toda a comodidade dos

serviços que oferecem, “tentamos fazer

com que as pessoas se sintam em casa”.

O acompanhamento pela satisfação do

cliente é constante, sendo-lhe disponibilizado

os serviços de qualidade e os devidos

aconselhamentos gastronómicos da região

e principais locais a visitar. Os produtos da

região são aqui servidos, apresentando e

deleitando os clientes com as qualidades

da região, essencialmente vinhos e azeite.

“Tentamos mostrar o melhor que nós temos

Turismo Equestre

Para além da qualidade de serviço oferecida e da excelência do espaço das

tradicionais casas rurais da região, o principal fator referenciador de Vale

dos Ferreiros é o centro equestre. Nesse contexto o turismo equestre tornase

numa aposta natural. “Portugal é um destino que está muito na moda

tal como o cavalo Lusitano. Esta é a grande mais-valia da qual tentamos

tirar partido. Aqui os clientes nacionais ou estrangeiros podem ter aulas de

saltos, de dressage ou um mix de ambas, ou usufruir de óptimos passeios

a cavalos ao longo do rio Tejo”, explicou Filipa Pereira. Este tipo de oferta é

disponibilizada a todos os que nos queiram visitar e não exclusivamente a

hóspedes. O centro equestre conta com 16 cavalos e instrutores totalmente

dedicados ao acompanhamento e desenvolvimento da técnica dos alunos,

ao nível da formação e em passeios a cavalo. Esta valência tem sido um dos

principais motivos da grande procura actualmente existente, nomeadamente

por parte de clientes estrangeiros, oriundos das mais diversas partes do

mundo.

88 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


enagro |santarém

“O Ribatejo é a melhor região do país

para fazer agricultura”

A viver um período próspero e de grande crescimento, a agricultura atinge nos dias de hoje uma relevância preponderante na economia nacional. Em

Benavente, a Cooperativa Agrícola de Benavente – a Benagro - é a entidade responsável por dinamizar uma das regiões agrícolas mais importantes

do país. O diretor Joaquim Cabeças falou à revista Business Portugal, o papel que a cooperativa tem desenvolvido na região.

Joaquim Cabeças Diretor

A instituição nasceu no ano de 1980, aquando a extinção dos

antigos grémios lavoura. A necessidade de uma cooperativa

ganhou força e criou-se assim a Benagro. O papel desta

cooperativa é simples: “servir todos os agricultores da região

e de todo o país”, prestando serviços e apoios na área

agrícola. Nesse sentido, o enfoque é feito, naturalmente,

nas duas grandes culturas da região ribatejana – o arroz

e o tomate. Joaquim Cabeça é o atual diretor e um dos

responsáveis por impulsionar a agricultura da região. “Estou

aqui há 12 anos. Quando comecei a trabalhar aqui, era

uma cooperativa completamente desorganizada com muitos

problemas” explicou o diretor. Criou-se então uma politica de

organização de agricultores e um trabalho de “rigor”. Com

essa base criada, a agricultura ribatejana começou então a

ter um novo valor: “atualmente temos o nosso património e já

faturamos cerca de 16 milhões de euros”.

A Cooperativa dispõe aos seus associados um leque

amplo de serviços reforçado pelos 4 técnicos que fazem o

trabalho de campo. O aconselhamento agrícola é constante

oferecendo um acompanhamento técnico na produção

reforçado por uma unidade de inspeção de equipamentos

agrícola. Para além disso, “um agricultor que queira iniciar

a sua atividade, tem o nosso apoio para realizar o projeto e

candidaturas a apoios. Fazemos recomendações, análises

de solo e contratos com as industrias”, explicou Joaquim

Cabeça. No campo da inovação e de manter todos os

colaboradores atualizados das mudanças pelas quais a

agricultura atravessa de ano para ano, a Benagro realiza

mais de 500 formações durante o ano. Na promoção, estão

presentes em feiras e realizam eventos, como foi o caso

do ‘Primeiro Festival do Arroz Carolino’. A área cientifica

é também um reforço e um alicerce de referência para o

desenvolvimento da cultura do arroz: “Temos a casa do

arroz que trabalha também na investigação da variação

de sementes. Tínhamos o problema de não ter variedade

nossas e que não eram adaptadas ao nosso clima. Com

a investigação conseguimos já duas variedades de arroz

portuguesa - o arroz carolino serez e o arroz agulha

maçarico” referiu o diretor.

Projetando o futuro, a Cooperativa tem um projeto pronto

a iniciar para construir uma unidade de secagem e

armazenagem de arroz, com capacidade para 16 milhões de

quilos. Um investimento de grande relevância para o futuro

da cooperativa, no âmbito de valorizar os seus associados, a

região e o arroz que se produz no ribatejo.

Orizicultura Ribatejana

Portugal é atualmente um dos grandes consumidores de

arroz. É no ribatejo que está situada a grande quota de

produção de um produto tão frequentemente servido nas

refeições portuguesas. O arroz português por excelência

é o carolino. Ainda por cima, absorve melhor os sabores

dos temperos e tem sido procurado pelos grandes chefs

internacionais. Joaquim Cabeça reforçou a ideia de que é

necessário haver uma maior organização para valorizar este

produto tão tipicamente português.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 89


LOURINHÃ, CAPITAL DAS HORTÍCOLAS

Localizada no litoral da sub-região do Oeste, a Lourinhã é uma vila sede de um concelho

muito turístico graças aos seus 12 quilómetros de praias, mas também pelo seu património

natural e arquitetónico

Caracterizada pela ruralidade da paisagem e harmonia das suas cores, a vila dispõe de

excelentes condições para umas férias tranquilas e repousantes.

No seu património, salienta-se a Igreja de N.ª Sr.ª da Anunciação (também conhecida

por Igreja de Santa Maria do Castelo), a Igreja da Misericórdia, o Convento e Igreja de

Santo António, o Forte de Paimogo, o Parque da Fonte Lima, o Museu da Lourinhã

ou ainda, entre outros, o Padrão Comemorativo da Batalha do Vimeiro. O lugar da

Praia da Areia Branca, é também um dos pontos de visita obrigatória e uma das praias

mais conhecidas da região do Oeste, onde se localiza a Pousada de Juventude da Praia da


Areia Branca e várias residências turísticas.

Conhecida até ao final da década de 80 do século passado pelas suas potencialidades hortícolas,

a Lourinhã projetou-se como a “Capital dos Dinossauros” e um dos locais paleontológicos mais

ricos do mundo após o achado, em 1993, de um ninho de dinossauros, o maior e com os mais

antigos embriões até então encontrados.

No centro da vila, é possível visitar o célebre Museu da Lourinhã, onde está exposta uma

das maiores coleções ibéricas de fósseis de dinossauros do Jurássico Superior e uma das mais

importantes a nível mundial. Este museu recebe cerca de 16 000 visitantes por ano e vários

cientistas de todo o mundo.

Para além deste espaço, será também construído o Parque Jurássico da Lourinhã, previsto

para uma área de 25 hectares no Pinhal dos Camarnais, onde se localizava a antiga lixeira

municipal, e vai ser composto por um museu ao ar livre, onde serão exibidos os modelos de

dinossauros em escala real (cerca de 250 modelos), uma zona coberta para a exposição dos

achados paleontológicos e ainda uma zona lúdico-pedagógica com atividades de ciência viva para

as escolas. O início da sua construção está previsto para este ano e a sua abertura ao público

para 2018.

Estes são alguns dos motivos que diferenciam esta vila, repleta de potencialidades e projetada

para o futuro.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 91


lourinhã, capital dOS DINOSSAUROS E hortÍCOLAS | primefresh

Experiência e inovação em sintonia

Sediada na Lourinhã e com cerca de quatro anos de atividade, a PrimeFresh é uma empresa especializada no transporte rodoviário de mercadorias

frutícolas e hortícolas, em termos de exportação. Em entrevista à Revista Business Portugal, Nélson Vieira, gerente da PrimeFresh, apresenta-nos

esta empresa, que apesar de bastante jovem, conta com a vasta experiência dos profissionais que diariamente trabalham no sentido de a potenciar na

área em que atua.

Nélson Vieira Gerente

“Trabalhei durante 15 anos numa empresa como diretor

comercial, que se dedicava à exportação de pera rocha.

Durante este período de tempo fui também gerente de uma

empresa de transportes, que tinha como linha de trabalho, o

transporte nacional e internacional”, começa por nos contar

Nélson Vieira.

No entanto, o empresário, com destreza

e vontade de atingir outros patamares,

decide criar a sua própria empresa, a

PrimeFresh há cerca de quatro anos, aliando

os conhecimentos adquiridos nas duas

empresas.

“No entanto, sempre tive muita vontade que

a empresa crescesse, se modernizasse e

que investisse nesse sentido, mas senti que

na empresa onde me encontrava não tinha

autonomia para o fazer, e então decidi criar a

PrimeFresh em conjunto com a minha irmã,

Tânia Vieira. Entretanto achei importante que

o Nuno Brito, o chefe de tráfego se juntasse

a nós, pois possui bastante experiência a

nível de exportação”, destaca.

Neste momento, com uma frota composta

por quatro viaturas, o objetivo passa por

crescer de forma sustentável e, para isso,

a boa ligação estabelecida com outros

empresários do setor, tornou-se um fator

determinante.

“Hoje, temos duas vertentes: as nossas

viaturas, os nossos clientes, mas também

estamos a conseguir criar várias parcerias

com colegas transportadores, porque, por

vezes, temos cargas para determinados

lugares onde não temos uma viatura

própria e conseguimos esta articulação.

Está a conseguir-se estabelecer parcerias

muito boas, o que é benéfico para todos.

Temos que trabalhar com empresas

sérias, responsáveis e criar este filtro é

fundamental”.

Porém, aliado a uma gestão cuidada e a

uma vasta experiência na área, é também

na qualidade dos equipamentos adquiridos,

que reside grande parte do sucesso alcançado da PrimeFresh, que tem

como principal linha de negócio Inglaterra, Bélgica, Holanda e, este ano,

com um novo mercado que é Itália, tanto a nível de exportação, como de

importação.

“Temos carros frigoríficos e já temos dois com bi-temperatura, o que nos

permite estabelecer cargas com dois tipos de tempertura controlada.

Um dos nossos principais objetivos passa por sermos cumpridores em

termos de entregas. As nossas viaturas possuem equipamentos de topo e

GPS, que nos permite acompanhar a viatura em todo o seu percurso, ao

momento, o que tentamos que seja uma mais-valia para conhecimento

do próprio cliente. Conseguimos também ter controlo no escritório sobre

a temperatura do próprio reboque frigorífico e alarmes que nos permitem

saber todas as movimentações que são exercidas na viatura. Consideramos

que este tipo de equipamento é muito importante para completar os

serviços que prestamos”, acrecenta o nosso entrevistado.

Para o futuro, o empresário mostra-se confiante e faz um balanço positivo

do trabalho realizado até então.

“O importante neste negócio, é que as viaturas não percam tempo, ou seja,

quando descarregam, já tem que estar tudo pronto para voltar a arrancar

com uma nova carga e criar esta rotação é essencial. Considero que

estamos no bom caminho e que a área dos hortícolas e frutícolas está em

forte crescimento, o que certamente nos ajudará no nosso crescimento nos

próximos anos”, finaliza.

92 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


lourinhã, capital dOS DINOSSAUROS E hortÍCOLAS | SIMPLES & FRESCAS

“O nosso ideal é o de

preservar a natureza”

Localizada em Ribamar, Lourinhã, a Simples & Frescas é uma empresa de

comércio por grosso de fruta e produtos hortícolas que trabalha para o mercado

nacional e estrangeiro. O cuidado com os produtos, desde a colheita e embalamento

até ao transporte é o que marca e diferencia este projeto.

João, Anabela, João Pedro, Adriana e Nádia Família Fernandes

“Os nossos produtos têm que chegar ao cliente com a qualidade e frescura acima da desejada”, começa

por explicar João Fernandes, sócio-gerente da Simples & Frescas. Se hoje dá cartas no mercado nacional e

internacional, a empresa começou por ser familiar, tendo aí ganho bases sólidas para se manter e diferenciar

no mercado. A empresa começou por produzir para um pequeno mercado da margem sul, e aos poucos,

com muito trabalho e empenho, foi crescendo. Esse trabalho prosperou e evidenciou-se pela qualidade que

alcançou num curto espaço de tempo. Foi isso que proporcionou a ascensão através da ligação com a cadeia

de hipermercados Jumbo. Convidado para fornecer as lojas da cadeia o gerente explicou: “na altura ainda

hesitei, mas decidi arriscar e aceitar”. E tal aposta não poderia ter sido mais certeira. Assim, em 2006, a

Simples & Frescas ganha nova vida. A ideia de João Fernandes passava por ir diretamente do agricultor para

a loja, servindo como intermediário e garantindo a maior qualidade. A couve coração branco começou por ser

o produto de referência, mas rapidamente expandiram a produção para uma variada extensão de hortícolas e

frutos.

Crescimento sustentado

Depois do Jumbo, seguiu-se a parceria com a Emergosol, empresa de comercialização de produtos frutícolas

e hortícolas, sediada em Torres Vedras. Esta parceira marcou um novo crescimento e, consequentemente, a

necessidade de escoar outros produtos, como o caso dos corações brancos. “O nosso ideal é o de preservar

a natureza e, como tal, usar menos químicos e menos tratamentos. Temos que fazer o melhor pela saúde

do ambiente e pela nossa própria saúde”, refere João Fernandes. Esta política levada a cabo pela Simples

& Frescas foi notada na Holanda. “Um holandês percebeu que podia ser realizado um bom trabalho na zona

Oeste e agarrou o mercado dos corações brancos. Começamos por fazer 200 toneladas, hoje produzimos

94 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


SIMPLES & FRESCAS | lourinhã, capital dOS DINOSSAUROS E hortÍCOLAS

duas mil”, congratula-se o empresário.

Ao mesmo tempo, a Simples & Frescas é especialista em vários tipos de abóboras e

hortícolas. Cerca de 12 produtos são direcionados para o Jumbo, todo o ano. O coração

branco destina-se exclusivamente para a Holanda. Há ainda alguns tipos de abóboras que têm

Inglaterra, França e Itália como destino.

A nível nacional, o Jumbo é o cliente exclusivo da Simples & Frescas, representando cerca de

40 por cento da produção. Para João Fernandes, o sucesso do trabalho deve-se apenas à

qualidade que exige em todas as etapas de produção. “Sou um negociante que não procura

o dinheiro, mas sim um trabalho bem feito. Quando prestamos um bom trabalho aos nossos

colegas, a seguir teremos a mesma resposta. Eu penso assim. Considero que trabalhar com

honestidade e respeito é uma vantagem. A lei da oferta e da procura faz baixar ou aumentar o

preço do produto e é esta a relação que queremos cultivar. O mercado está a crescer, temos

que trabalhar e acompanhá-lo. Daí a importância dos nossos parceiros. Temos que perceber

muito bem o mercado, seja a nível internacional, nacional e regional, bem como a nós

nossos clientes é fundamental para nós e é com esse objetivo que trabalhamos todos os

dias”, conclui João Fernandes.

O futuro é próspero, assente num crescimento sustentado com uma base familiar. Foi através

disso e de investimentos precavidos que alcançou a dimensão que tem atualmente. Hoje,

segundo Nádia Fernandes, administradora da empresa, o futuro passa por manter a carteira

de clientes que tem e aumentar ainda mais a qualidade dos seus produtos. Certo é, que a

qualidade é imperativa em todas as hortícolas e frutos produzidos pela Simples & Frescas.

próprios”, salienta João Fernandes.

Com 60 por cento da produção a ter como destino os mercados estrangeiros, o sócio-gerente

da Simples & Frescas mostra-se orgulhoso: “por ano, faturamos cerca de quatro milhões de

euros. Temos produtos com qualidade, certificados, que são colhidos das nossas terras, são

consumidos fora do país e procurados pelos consumidores, o que nos deixa muito contentes”,

acrescenta.

“Consuma aquilo que é nosso”

O empresário aproveita para deixar uma mensagem de incentivo ao consumo dos produtos

portugueses, produtos de elevada qualidade e com muito potencial. “A economia de Portugal

seria muito melhor se aproveitássemos o que de melhor o país tem, nomeadamente os

produtos hortícolas, as frutas, o vinho, entre outros”. João Fernandes acredita que deveriam

existir mais apoios e mais regulamentação, de forma a potenciar o que é português.

Com a empresa a passar por uma conjuntura feliz, os desejos do responsável passam pela

continuidade do projeto, de forma séria e realista, como até aqui. A principal dificuldade

de João Fernandes passa pela lei laboral, que acredita não se adequar ao seu trabalho. “A

grande dificuldade que temos é em termos da lei laboral, que é muito complexa e não se

adequa ao nosso trabalho. Trabalhamos com seres vivos, que se não forem regados, tratados

ou colhidos na hora certa, não haverá nada. Esta lei laboral é feita apenas no papel, sem

qualquer conhecimento do terreno e isso é muito complicado”, desabafa.

Em termos de mão de obra, a Simples & Frescas só consegue contratar estrangeiros

e, por vezes, a mão de obra qualificada é escassa. No entanto, a empresa conta com o

acompanhamento constante de engenheiros, essencial nas certificações e planeamentos

necessários. “Temos tudo para garantir a qualidade dos nossos produtos. A confiança dos

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 95


lourinhã, capital dOS DINOSSAUROS E hortÍCOLAS | Luís Lourenço- Sociedade Agrícola

Abóbora do Oeste conquista mercados

externos

Luís Lourenço- Sociedade Agrícola Unipessoal, Lda. é uma empresa familiar

especializada no cultivo de abóboras. Fundada em 2001, tem 150 hectares de

produção na Lourinhã e no Ribatejo, exporta a 100 por cento e prepara-se para

aumentar as instalações de armazenamento.

noutro produto premium desta empresa..

Ambas as variedades representam no estrangeiro elevados

níveis de comercialização. Contudo, em Portugal ainda é

pouco comercializada . “Há muitas variedades de abóbora

que a população portuguesa ainda desconhece” refere

o empresário. Apesar do pouco conhecimento de outras

variedades, a pouco e pouco, a abóbora tem vindo a ganhar

adeptos em Portugal, mas segundo Luís Lourenço “ainda

falta incutir alguns hábitos alimentares junto da população

portuguesa”. Mas, tal como há uns anos, “não se consumia

curgete em Portugal e hoje tem um consumo abismal,

pode ser que o mesmo suceda com o fruto da abobreira”,

comenta.

Luís Lourenço Administrador

A região Oeste de Portugal reúne condições climatéricas e solos excecionais para o setor agrícola. As qualidades dos produtos

que brotam das suas terras diferenciam-nos pelas suas características únicas, nos mercados nacionais e internacionais. A

empresa Luís Lourenço é um excelente exemplo da dinâmica desta região na horticultura, que representa 74 por cento da

produção nacional de abóboras. Sediada na Lourinhã - Capital da Abóbora - é uma empresa de cariz familiar, gerida por Luís

Lourenço, pela sua esposa Purificação Lourenço e pelo filho, João Lourenço. Com 16 anos de existência, a empresa tem

crescido de forma sustentada, assumindo uma importância ascendente no mercado internacional.

Iniciaram a cultura da abóbora num hectare de terreno, comercializando posteriormente o fruto com recurso a uma empresa

de prestação de serviços. Parcerias com várias empresas permitiram um crescimento exponencial na área cultivada,

resultando em cerca de 150 hectares de terreno, repartidos entre a produção própria e produtores associados. Esta produção

destina-se exclusivamente à exportação para países como Inglaterra, Irlanda, França e Holanda.

Abóbora Musqueé de Provence e Butternut

Estas duas variedades são os produtos de excelência da empresa Luís Lourenço, bastante apreciadas pelos mercados

internacionais. Refere o entrevistado, que iniciou a produção com a Musqueé de Provence, uma variedade que praticamente

não existia em Portugal, em 1997. Este fruto tem formato arredondado, polpa consistente, o seu peso ronda os oito

quilogramas e tem um excelente nível de conservação - uma vantagem para o negócio de Luís Lourenço.

A segunda aposta foi a introdução da abóbora Butternut, uma variedade que também tem pouca representatividade em

Portugal, mas que é muito valorizada noutros países. Com sabor suave e formato em forma de pêra, esta variedade tornou-se

Estratégia de mercado

Devido à fraca aposta dos portugueses na compra do

fruto, a estratégia de mercado da empresa voltou-se

para a exportação, com várias empresas parceiras.

“Não trabalhamos com mercado nacional. Tudo o que

comercializamos é exportado, essencialmente, para

Inglaterra, Irlanda, França e Holanda. Temos também alguma

representatividade no mercado suíço ”, fundamenta o

entrevistado.

Outra aposta chave na estratégia da empresa foi a

especialização em apenas duas variedades de abóbora - as

mais procuradas pelos mercados com os quais trabalham.

“Tivemos que optar e a escolha recaiu sobre a aposta

em variedades que o mercado externo procura. Acredito

o sucesso da produção passa pela especialização dos

produtores num determinado produto, ao invés de produzir

pequenas parcelas de vários produtos ou variedades do

mesmo. Só a especialização leva a uma qualidade de cinco

estrelas e nós, em conjunto com os nossos produtores e

colaboradores, temos essa qualidade”, afirma Luís Lourenço.

Quanto ao preço pago pelo produto, garante que esse é

“discutido ao cêntimo”. Trabalham sobretudo com mercados,

onde “os preços são relativamente estáveis”. Acredita que é

a qualidade do produto lhe permite ter este benefício e ter

como receita um montante que considera justo.

Investimento gera lucro

A qualidade gera receita, mas Luís Lourenço também sabe

96 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


Luís Lourenço- Sociedade Agrícola | lourinhã, capital dOS DINOSSAUROS E hortÍCOLAS

que “só com elevado volume de negócio é

que se consegue ter lucro”. Motivo que leva

o empresário a investir constantemente, para

fazer crescer o seu negócio.

A produção de abóbora na região Oeste e,

em especial, na Lourinhã tem tido um forte

crescimento nos últimos anos. . Neste caso

em particular, informa Luís, que em um ano

passou de 30 toneladas para 100 toneladas,

por sua vez com a introdução de produtores

de qualidade foi possível um crescimento

exponencial da quantidade comercializada,

requerendo um investimento constante para

armazenar este fruto desde a sua colheita

(Julho – Setembro), até ao fim da fase de

embalamento (Fevereiro). No que respeita à

sua produção própria e dos seus produtores,

afirma que este ano e reforçando a tendência

de crescimento, pretende , aumentar em

25% o volume de comercialização do ano

anterior. E garante que a maior dificuldade

não é esta. O problema do negócio está no

armazenamento do produto colhido, pois

é um fruto que exige ser armazenado num

local de temperatura constante. Para dar

resposta a este problema, Luís Lourenço

tem em mãos um projeto ambicioso de crescimento, com

a construção de novas instalações de armazenamento e

embalamento, dando resposta ao constante crescimento da

procura por parte dos mercados externos.

Por último, Luis Lourenço destaca que o sucesso obtido

deve-se não só a ele, mas também à sua família, Purificação

Lourenço (esposa) e João Lourenço (filho) . “Os resultados

positivos são fruto de parcerias sólidas e trabalho árduo.

,Sem dúvida que o futuro passa pelas gerações futuras,

como tal investimos com pulso firmo para fazer a máquina

avançar.. O mercado existe, por isso os passos podem ser

dados”, remata o empresário.

João Luís e Luís Lourenço Administradores

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 97


lourinhã, capital dOS DINOSSAUROS E hortÍCOLAS | biofrade

A apostar na agricultura biológica e

sustentável desde 1998

A Biofrade está localizada no Concelho da Lourinhã, na região Oeste de Portugal, região esta propícia à produção de hortícolas de alta qualidade.

Para garantir uma oferta diversificada todo o ano a Biofrade, para além da produção própria, tem parcerias com outros produtores nacionais,

recorrendo à importação quando não existe produção nacional. Henrique Gomes é um dos quatro proprietários desta empresa e foi com ele que

estivemos à conversa por forma a conhecermos melhor o que nela é produzido e por ela comercializado.

Henrique Gomes Administrador

pilar muito importante que merecem o apoio

e a atenção desta entidade: “a produção ‘bio’

tem sempre que ser certificada na origem,

ou seja, todos os produtores têm que ser

certificados. Nós auxiliamos na programação

das culturas e com informações técnicas”.

Para além disso, a Biofrade exerce um papel

muito importante no crescimento de negócio

dos produtores, incentivando e facilitando

o contacto direto entre estes e os clientes

estrangeiros, levando-os à exportação do

seu produto: “Tratam-se, muitas vezes, de

pessoas que deixaram os seus empregos

e vidas nas cidades para se dedicarem ao

campo. Têm áreas de produção pequenas e,

por conseguinte, difíceis de rentabilizar. Nós,

conhecendo esta realidade fazemos tudo

para os ajudar a fazer vingar os seus projetos

e produtos”. Outro exemplo disso, é a

A Biofrade é uma empresa familiar, que

iniciou o modo biológico em 1991. Mais

tarde, a partir 1998, passou a produzir e

comercializar só produtos de Agricultura

Biológica: “Sempre fomos muito preocupados

com os resíduos e conseguíamos fazer

uma agricultura tradicional, sustentável

e responsável”, começou por contar. Em

grupo Auchan.

Atualmente esta empresa é gerida por uma

sociedade de quatro irmãos, mas apenas

dois se dedicam a ela a tempo inteiro:

Henrique e Vítor Gomes.

Responsáveis por cerca de 50 diferentes

espécies de produtos hortícolas, frutícolas e

ervas aromáticas, a Biofrade foi pioneira, por

durante todo o ano e alguma da sua

produção é destinada à exportação.

Um apoio importante aos produtores

Para além de contar com uma equipa que

está em constante crescimento até porque,

neste momento, encontram-se em fase de

recrutamento, a Biofrade é uma empresa

adequação do preço dos produtos, mediante

a quantidade de produção, levando a que

estes preços sejam mais elevados quando há

quebra na produção e mais baixos quando

isso não acontece: “Gostaríamos que todas

as pessoas compreendessem esta medida

que não é mais que uma medida de apoio

aos produtores”, defendeu Henrique Gomes.

2002 iniciaram a comercialização nos

supermercados e lojas da região e em 2004

entraram na grande distribuição através do

exemplo, na produção de ovos biológicos.

Trabalham com mais de 100 produtores

nacionais, produzem todo o tipo de produtos

que se dedica à sustentabilidade, não só

na produção, mas, também, na gestão da

empresa. Desta forma, os produtores são um

As lojas Biofrade e a importância da

grande distribuição

Se, por um lado, a Biofrade fornece a grande

98 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


distribuição, considerada por esta empresa como um parceiro fundamental que

consegue chegar a um maior número de pessoas, ao mesmo tempo que escoa

o produto, por outro lado, verificou-se a necessidade de aglomerar, num local de

venda ao público, todos os produtos Biofrade. Tratam-se de duas lojas, uma na

Lourinhã e outra em Parede – chamadas de “A loja da horta” – que, para além

da venda a granel de todo o tipo de produtos, oferecem um serviço de cafetaria

onde se pode desfrutar de uma refeição vegetariana ou de um lanche saudável:

“As lojas são uma montra para os nossos produtos e para o que é a agricultura

biológica”, frisou, ao mesmo tempo que nos deu conta de que a grande aposta

da Biofrade é na região Oeste porque “queremos tentar levar os produtos ‘bio’

onde não os há”.

O conceito ‘bio’ tem sido adotado por cada vez mais portugueses. De facto,

denota-se uma mudança de mentalidades e uma maior preocupação com a

saúde e bem-estar. Para além disto, a Lourinhã, atrativa pela prática de surf, é

um bom local onde desenvolver esta atividade. E, ainda outra grande vantagem,

é a enorme variedade de produtos existente: “Com as cafetarias conseguimos

com que as pessoas provem e essa é uma forma de divulgarmos os nossos

produtos”, confidenciou.

O futuro da Biofrade passa por continuar a crescer, sempre sustentavelmente,

apoiando a biodiversidade e preservando os recursos naturais. Isto porque, como

objetivo principal, apresenta-se a necessidade de reduzir a importação deste tipo

de produtos, tornando o nosso país o mais autossustentável possível neste setor.

Por fim, fica a mensagem: na produção biológica os agricultores utilizam

atualmente técnicas muito avançadas, com excelente rendimento, e ao mesmo

tempo contribuem para o equilíbrio dos ecossistemas e para a redução da

poluição. A Biofrade, por seu turno, encontra-se num forte processo de promoção

e desenvolvimento desta atividade.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 99


lourinhã, capital dOS DINOSSAUROS E hortÍCOLAS | josé francisco alfaiate & filhos

O Melhor da Terra

A José Francisco Alfaiate e Filhos iniciou a sua atividade no ramo dos produtos hortícolas em 1990, porém, o seu fundador já a exercia desde a

sua juventude na pequena localidade de Capelas, na Lourinhã.

‘Batatas de qualidade são a nossa especialidade’

Mas além disso, a José Francisco Alfaiate e Filhos tem

à sua disposição uma vasta gama de alhos, cebolas e

outros hortícolas, tratados com seriedade pelas mãos

de agricultores experientes, que nos dão ‘O Melhor da

Terra’.

José Francisco Alfaiate Administrador

“José Francisco Alfaiate deixou uma marca, é até hoje

recordado com saudades, pois tinha uma relação muito

próxima com as pessoas. Foi um homem integro, honesto e

propulsor da atividade agrícola na nossa região. Um orgulho

para nós”, referiu Clara Alfaiate, filha.

Aposta na especialização e na qualidade

A empresa tem vindo a desenvolver-se de forma consistente

e harmoniosa, pois os seus produtos são tratados de forma

responsável e seletiva.

“Contamos com alianças valiosas, no plano nacional e

internacional, um processo continuo de amadurecimento

dos nossos meios e produtos”, afirma categoricamente Luís

Costa, genro.

A JFA e Filhos, conta ainda com um grande potencial de

armazenamento, distribuição para revenda e serviço de

entrega para restaurantes e pequenos comerciantes.

Os responsáveis da empresa não pretendem para já apostar

na exportação e têm como intenção continuar a cimentar a

atual atividade da JFA.

“Nós queremos continuar com uma empresa familiar de

excelência. Por isso, planeamos especializarmo-nos cada vez

mais no sentido de trabalhar com poucas variedades, mas

que tenham qualidade”, concluem.

A tradição que vai da produção ao consumidor

O amor pela terra e pelos seus frutos fez desta sociedade,

então fundada por José Francisco Alfaiate e apoiada pelos

seus filhos e genro, um ponto de referência na região oeste

de Portugal.

Hoje, passados mais de 27 anos e já sem a presença do

fundador, a José Francisco Alfaiate e Filhos tem orgulho em

olhar o passado e dar continuidade ao seu trabalho, sempre a

respeitar a terra.

100 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


lourinhã, capital dOS DINOSSAUROS E hortÍCOLAS | carlos dos leitões

“É um orgulho imenso ouvir os

clientes dizer que a Lourinhã

já merecia uma casa destas”

O restaurante Carlos dos Leitões é um espaço único, criado pelas mãos do empreendedor Carlos Sousa, que decidiu, depois de muito pensar, dar à

terra que o viu nascer o que fazia falta: um local onde pudessem ser apreciados, degustadas as mil e uma formas de confecionar leitão. O Carlos dos

Leitões vai muito além do nome e afirma-se como um destino de grande qualidade, sofisticação e apelo gastronómico. Difícil, difícil é resistir a provar

o leitão. Que dilema…

Carlos Sousa Gerente

O Carlos dos Leitões foi fundado em dezembro de 2016, por Carlos Sousa, um empreendedor

ligado à produção suinícola há 32 anos. A aventura “começou em 2003, no aniversário do

meu filho, era uma festa com mais de 45 pessoas a almoçar e pensei em assar uns leitões.

As coisas saíram e a partir daí fui aperfeiçoando. Já fazia almoços com grupos de mais de

100 pessoas. As pessoas começaram a incentivar-me, diziam que nem na Mealhada comiam

um leitão assim e foram dizendo que devia abrir um restaurante”, explicou Carlos. Assim

foi, começou à procura de um lugar para fazer erguer a sua ideia, encontrou a casa onde

agora está localizado o Carlos dos Leitões, em Nadrupe na zona da Lourinhã. Remodelou

todo o espaço e recriou o edifício à sua imagem. Atualmente, o restaurante oferece um

ambiente fresco, com muita luz, decorado a partir de um conceito regional com um toque de

modernidade. Não é difícil de decifrar os encantos que fazem deste restaurante uma tentação

sempre presente. O leitão é o rei da ementa com vinhos de excelência para o acompanhar.

Estaciona-se no parque espaçoso, entra-se numa sala ampla e bem iluminada, com

mesas postas com esmero. Logo na mesa, encontra-se uma panóplia de bondades e, se

o solicitarmos, ainda vão chegando mais. Boas entradas, queijo fresco, uma variedade

tradicional, excelentes pães, leves e deliciosos, para acompanhar com manteigas e azeitonas

- cada uma, uma tentação diferente. O prato tradicional é naturalmente o leitão, servido à

moda da Bairrada, mas com um toque dado pela tradição da casa, o molho torna o recheio

inconfundível e envolve-se na tradição – aqui o molho preparado de forma única faz toda a

diferença, mas também o próprio leitão e a sua confeção. “Os clientes costumam dar-me

102 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


carlos dos leitões| lourinhã, capital dOS DINOSSAUROS E hortÍCOLAS

os parabéns principalmente por causa do molho”, explica

o gerente. “O assado é feito num forno tradicional com

um segredo na lenha que é utilizada que também dá o

sabor tradicional” continuou. Aqui, para além do leitão, são

servidas outras alternativas, entre peixes e carnes, todos

confecionados à base de grelhados. Esta é uma forma de

garantir, permanentemente, um leque abrangente na oferta

aos clientes. “Esta carta tornou-se imprescindível com a

fidelização dos clientes, que nos visitam regularmente.

Temos pessoas que vem três e quatro vezes por semana ao

restaurante”. À mesa, os produtos da região estão sempre

presentes “damos sempre prioridade aos produtos da região,

é uma parceria que se faz com todos. Queremos promover a

região” explicou. Existe também o serviço de take away, para

quem queira levar a especialidade do Carlos dos Leitões para

ser servida na própria casa ou num outro espaço desejado,

uma alternativa implementada pelo empreendedorismo de

Carlos Sousa.

Uma das grandes valias do restaurante é a produção dos

leitões, isto é, a produção é feita por uma outra empresa de

Carlos Sousa, a Agro-Pecuária do Tardete que complementa

o serviço de restauração. A produção do leitão é feita ao

rigor para que tenha a qualidade desejada “a qualidade

é controlada e aí sinto-me na responsabilidade de ter um

produto diferente. Eu sei o que estou a dar ao cliente”

destacou. Este é um pormenor diferenciador, que permite a

que a casa tenha permanentemente o controlo da qualidade

do produto e o possa servir sempre fresco. “Todos os dias

assamos para o almoço e para a noite. Usamos um leitão

pequeno, que não tem gordura, para não enjoar. Há muitos

clientes que entraram sem gostar de leitão e saíram a

gostar. Temos uma produção necessária e a matéria-prima

produzida por nós e isso permite controlarmos a qualidade do

que servimos”.

A carta de vinhos é também uma das referências do

restaurante. Vindo de um costume empiricamente lusitano,

o acompanhamento de uma refeição com um copo de vinho

é essencial e aqui, no Carlos dos Leitões, essa tradição é

servida com primazia. A aposta é na região, como os vinhos

da quinta do Rol e a Aguardente da Lourinhã. No entanto há

uma vasta oferta de diferentes gamas de vinhos de várias

regiões. Um dos principais destaques é o vinho frisado da

casa, uma bebida fresa e “ideal para acompanhar o leitão”.

essencialmente, em festas e feiras. “O conceito é a venda de

leitão, de sandes, rissóis e croquetes e uma parte de marisco.

Teremos um modulo montado e depois iremos vender em

vários eventos. Vai já tudo confecionado em caixas já pronto

a comer”, explicou o gerente.

Futuro

A ambição e responsabilidade chegaram a novos patamares

em apenas sete meses desde que o restaurante abriu.

“As expectativas foram superadas”, o negócio tem estado

em gradação, com uma base de clientes construída pelas

qualidades da gastronomia e do atendimento. Existe um

forte apoio e reconhecimento da região. O aumento do

turismo no panorama nacional também se tem sentido, bem

como o aumento do turismo interno. Certo é que ninguém

passa no Carlos dos Leitões sem por lá voltar. O leitão da

Bairrada desceu à Lourinhã e em breve, com a criação do

Bora a Buxa, chegará a todo o país marcando presença,

principalmente, em feiras e eventos. Um empreendimento

presente a pensar no futuro, com o principal objetivo de

suster e entregar o projeto para a próxima geração da família.

A arte de cozinhar é, no Carlos dos Leitões, uma certeza.

Sabores excecionais, texturados e saborosos, a desfazerse

na boca. Vinhos refrescantes, encorpados, frutados. A

qualidade servida é uma certeza, bem como o futuro do

restaurante. A melhor conclusão é que a este restaurante

apetece voltar muitas vezes. Seja para um leitão exemplar,

seja para divergir e percorrer a lista variada e tentadora, aqui

tem-se confiança numa refeição excepcional, que se deduz

a partir do cuidado visível em cada pormenor de tudo o que

se passa à mesa. O Carlos dos Leitões oferece um caso de

estudo de como um restaurante tradicional se pode converter

num restaurante de referência, com liderança e bom gosto

aliados a uma criatividade moderada pelo bom senso.

Bora a Buxa, serviço de Catering

O lado de inovar e de procurar novas formas de investir a arte

de confecionar o leitão, leva Carlos Sousa a procurar novas

alternativas para expandir o seu negócio. Recentemente

criou a marca Bora a Buxa, uma marca que terá o

serviço de catering. O objetivo é ter um ponto de vendas,

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 103


tema | empresa

É aguardente! É DOC!

E é da Lourinhã!

O solo da Lourinhã esconde segredos bem guardados. Como os vestígios da era dos dinossauros ou as uvas que dão origem à única aguardente vínica

portuguesa com região demarcada exclusiva.

Fundada em 1957, a Adega Cooperativa da Lourinhã atingiu

proeminência no mercado vinícola devido às suas famosas

aguardentes. Tendo iniciado a sua atividade com a produção

de vinho, anos mais tarde passa a produzir a aguardente, que

atingiu o seu auge quando os pequenos produtores da região

passaram a comercializar as suas aguardentes para as caves

de Vinho de Porto. Hoje em dia a Adega Cooperativa da

Lourinhã atingiu um patamar de excelência, equiparando-se

ao Armagnac e ao Conhaque.

Mas a história deste produto de excelência estará sempre

ligada ao vinho do Porto. A necessidade do mercado aguçou

a necessidade deste produto e foi o início de uma revolução

no setor vitivinícola da região. A Lourinhã apresentava

as melhores qualidades de aguardente, algo que ainda

atualmente se mantêm em Portugal, e os produtores de

Vinho do Porto rapidamente se apercebem deste facto. Criase

assim uma marca neste território.

Essa mesma qualidade ficaria, anos mais tarde, comprovada

cientificamente. Estudos científicos, com o auxílio da

Estação Vitivinícola Nacional sediada em Dois Portos,

João Pedro Catela Presidente

104 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


adega cooperativa da lourinhã| lourinhã, capital dOS DINOSSAUROS E hortÍCOLAS

vieram comprovar este mesmo predicado. E este processo

fundamentou, há sensivelmente 25 anos, a criação de uma

região demarcada. Motivados por este marco, e o sucesso

a ele adjacente, a Adega Cooperativa da Lourinhã terminou

a sua produção própria de vinhos, nomeadamente leves, e

reforçou, de forma definitiva, a sua aposta nas aguardentes.

Segundo João Pedro Catela, presidente desta instituição, “a

fraca rentabilidade económica destes mesmos vinhos face

aos preços praticados pelo mercado levou a esta tomada de

posição”.

Atualmente, a Adega Cooperativa da Lourinhã produz

aguardentes DOC. A cifra de produção situa-se, anualmente,

em 6.500 litros de aguardente. No interior das galerias

escuras onde se alinham dezenas de barricas com milhares

e milhares de litros de aguardente, oscila na atmosfera

um subtil, mas envolvente, odor a álcool. O silêncio é rei

que corteja a sua rainha, como quem diz a aguardente que

envelhece nas centenas de cascos de carvalho francês e

português. Aqui só se limpa o chão e só se acendem as

luzes quando o trabalho e as visitas de turistas o exigem.

De resto, as portas das caves desta adega cooperativa

mantêm-se fechadas à chave e a bebida que tanta fama dá

à Lourinhã fica vetada à escuridão e à conversa do tempo.

À data, encontram-se em barricas cerca de 96 mil litros de

aguardente, com uma média entre os sete e os 20 anos.

A comercialização é feita em todas as grandes superfícies,

nomeadamente, através das cadeias Pingo Doce, Continente,

Jumbo e Corte Inglês. Cerca de 350 lojas espalhadas

pelo país. Além disso, a Cooperativa da Lourinhã tem

distribuidores próprios e vende, de forma direta, ao mercado

de restauração. Existe, também, alguma venda a clientes

particulares nas instalações da própria Cooperativa. Esta

metodologia garante a presença destes icónicos produtos

em todo o país. No setor da exportação, neste momento, não

existe uma aposta sólida. Apesar de algumas experiências

em Macau, o mercado internacional, devido a diversos fatores

económicos, não se revela benéfica. Existem, ainda, parcerias

com empresas e clientes privados que procuram criar

marcas próprias, com rotulagem e garrafas personalizadas,

utilizando a aguardente da Adega Cooperativa da Lourinhã,

serviço que tem sido prestado de forma absolutamente eficaz

e competente, criando já um legado dentro deste nicho de

mercado.

Existem outros produtos e projetos que se tornam

embaixadores desta aguardente. Bombons com aguardente,

pastéis com aguardente ou pera rocha descascada com

calda de aguardente são projetos de empresas da região

e que utilizam este sabor de referência para aumentar,

de forma substancial, a qualidade dos seus produtos e

transformando a aguardente num embaixador e marca da

Lourinhã.

Mas não são só os clientes que reconhecem o sabor único

e a qualidade de excelência destes produtos. A CVRL

- Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa - promove

concursos especializados, e os resultados têm sido sempre

brilhantes. Desde de 2010 têm sido agraciados, anualmente,

com medalhas de ouro.

Nos dias de hoje, a Adega Cooperativa da Lourinhã é uma

referência em todo o setor vinícola português. Estabelecidos

de forma absoluta no mercado nacional e com um sucesso

permanente, os associados mantêm, ainda assim, um espírito

empreendedor e a vontade de continuar a criar um legado

na história do nosso país. O futuro, a curto e médio prazo,

passa pela construção de uma adega e destilaria, de forma

a estabelecerem-se de forma independente. Um projeto de

grande dimensão, criando infraestruturas que se coadunam

com a qualidade desta tão característica aguardente. Um

garante de qualidade com um sabor inesquecível.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 105


lourinhã, capital dOS DINOSSAUROS E hortÍCOLAS | café avenida

Ofertas gastronómicas

diferenciadoras na Lourinhã

O Café Avenida e a mais recente Hamburgueria da Vila são duas das ofertas mais características da Lourinhã. Nasceram pela mão de Jorge

Lopes, com quem estivemos à conversa por forma a conhecer melhor estes conceitos e os seus planos futuros.

verificado na evolução pela procura dos hambúrgueres em

Portugal. “Ainda é um conceito novo aqui na Lourinhã, mas, a

pouco e pouco, as pessoas têm vindo experimentar”, afirmou

orgulhoso Jorge Lopes. Nesta hamburgueria também são

servidos crepes e gelados soft e a decoração foi pensada em

estilo vintage, onde a geleira de sobremesas (feita a partir de

uma cabine telefónica inglesa) é a peça mais exemplificativa.

O serviço de atendimento prestado, seja no Café Avenida,

seja na Hamburgueria da Vila é um serviço rápido e muito

próximo do cliente: “Gostamos de servir os outros como

gostamos de ser servidos. Temos um ambiente jovem, com

pessoal jovem a trabalhar, que celebra as festividades a rigor

e contagia os clientes com boa disposição”, garantiu-nos

o proprietário destes dois estabelecimentos. De facto, é no

ambiente muito natural e simples aqui experienciado que

reside a diferença destas casas que resulta numa ótima

aceitação por parte das gentes da Lourinhã e não só: “Tenho

clientes que vêm de Lisboa para comer aqui na Avenida”,

confidenciou-nos. A razão é simples: “Aqui encontram uma

qualidade fantástica a preços muito acessíveis”.

Carolina e Jorge Lopes Administrador ( à direita ) e filha

Empreendedor por natureza, resolveu comprar um espaço

(há 10 anos), que remodelou e tornou numa casa de petiscos

onde o ‘belo do bitoque’ era rei. O reinado deste petisco

foi um sucesso e cedo houve a necessidade de alargar o

espaço, com uma esplanada e mais tarde com a mudança

de instalações. Atualmente contam com cerca de 90 lugares

no Café Avenida, o café mais conhecido da Lourinhã. O ‘belo

do bitoque’ é apresentado de forma diferente do bitoque

tradicional. É apresentado num prato, servido com bastante

molho e com batatas fritas à parte. Mas, para além deste

petisco, os clientes do Café Avenida contam com uma oferta

muito distinta e de qualidade de onde se salientam: o polvo

à avenida, feito na chapa com alho e servido com batata

frita, o polvo na caçarola, as lapas à moda dos Açores e os

mariscos. A cozinha do Café Avenida abre, todos os dias, das

12h às 23h para melhor poder servir todos os que quiserem

petiscar, seja a que horas for. E a decoração rústica, mas

acolhedora, torna o espaço diferente e agradável para umas

horas em convívio. Jorge Lopes divide a gestão das duas

casas com a sua esposa, Rita Henriques, e sobre a oferta,

contou: “Não temos uma carta muito extensa, porque eu não

pretendo isso. Quero ter poucos pratos, mas que sejam muito

bons”.

A Hamburgueria da Vila

Surgiu já neste ano e conta com cerca de 50 lugares. Foi

criada por Jorge Lopes por forma a cativar “outros públicos

mais jovens”, acompanhando a tendência que se tem

O turismo na Lourinhã e os projetos futuros

Com a criação de um novo Parque Jurássico na Lourinhã,

o fluxo de turistas a visitar esta vila portuguesa aumentará

em grande número. Por isso, Jorge Lopes já pensa em

novos projetos que passarão pela criação de uma oferta

de alojamento diferente e atrativa: “A segurança que

oferecemos, as praias e a calma são atrativos muito fortes

de que dispomos. Cabe-nos a nós criar infraestruturas que

deem resposta ao número de turistas que nos procuram”,

explicou o nosso entrevistado. Este projeto pretende-se

concluído daqui a três anos.

Por fim, ficou o convite: “Fazemos o apelo a que as pessoas

venham conhecer o nosso espaço e venham desfrutar da

nossa amizade e alegria. Venham por bem que serão bemrecebidos”,

finalizou.

106 REVISTA BUSINESS PORTUGAL

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 106


lourinhã, capital dOS DINOSSAUROS E hortÍCOLAS | stoptrans

Um parceiro de excelência,

da Lourinhã para o mundo

A Stoptrans é o caso raro de uma empresa que desde cedo procurou marcar-se pela diferença. Apostando numa frota moderna, em mão de obra

especializada e numa notável heterogeneidade de serviços, é já uma referência no Reino Unido.

Luís Silva Administrador

Assente num conjunto de valores onde se inclui a flexibilidade, a dedicação ou a disciplina – sem esquecer,

claro, a qualidade de serviço – a Stroptrans, S.A. é bem mais do que uma empresa portuguesa de

transporte de mercadorias. Falar desta firma implica, desde logo, a alusão a um admirável percurso de 26

anos, mediante o qual se evidencia o espírito empreendedor e a coragem de Luís Silva. Natural de Moledo

(Lourinhã), o nosso interlocutor começou por trabalhar enquanto funcionário de uma outra empresa do setor,

que lhe permitiu “aprender a profissão”. A vontade de fazer diferente acabaria, no entanto, por falar mais alto.

“Há cerca de 25 anos comprei um camião velho, que já tinha cerca de dez anos”, recorda Luís Silva, numa

referência ao nascimento, em 1991, da sua própria empresa. Os primeiros tempos da Stoptrans foram

efetivamente marcados por uma dinâmica de rápido crescimento, à medida que ao aumento do número

de viaturas se fez corresponder um crescimento também nos quadros que compunham a empresa. Mas,

acima de tudo, foi uma arrojada visão do mercado que permitiu ao gerente cimentar o seu estatuto enquanto

player de excelência. “Fiz questão de começar desde cedo a trabalhar com

empresas estrangeiras”, salienta o porta-voz, uma vez que “a rentabilidade e

os pagamentos eram muito maiores desta forma”.

A aposta, escusado será dizer, traduziu-se numa inegável mais-valia

que ainda hoje reflete o vigor dos seus frutos. Hoje, a Stoptrans é

uma incontornável referência portuguesa no setor dos transportes,

caracterizando-se não apenas pela qualidade do seu serviço, mas também

pela internacionalização do seu trabalho, fator que melhor a diferencia das

restantes congéneres com sede na região Oeste. Mas se todo este projeto

se iniciou com apenas um elemento a bordo de um camião antigo, importa

salientar que, volvidos 26 anos, a empresa tem ao seu dispor uma média de

108 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


stoptrans | lourinhã, capital dOS DINOSSAUROS E hortÍCOLAS

250 viaturas, contando ainda com a dedicação de cerca de 120 motoristas.

Diferenciação além-fronteiras

Estes são números assinaláveis, mas que não surgem por mero acaso. Por detrás de um

projeto com a sustentabilidade da Stroptrans existe, efetivamente, um posicionamento que a

diferencia das demais. “Há muitas empresas da área que se concentram no transporte de frio

ou noutro tipo de produto”, exemplifica Luís Silva, antes de ressalvar que a sua empresa optou

por não se especializar em nenhum setor de atividade, operando para fins tão díspares quanto

a indústria aeronáutica, o setor têxtil ou o transporte de cargas sob temperatura controlada.

“Normalmente, nos períodos de crise, quem fica com problemas são os que só fazem aquilo

que toda a gente quer fazer”, constata o nosso entrevistado. Por outro lado, “as empresas

que procuram fazer o mais difícil são as que ficam melhor sustentadas, porque não há grande

concorrência”. Não admira, nesse âmbito, que a heterogeneidade da Stoptrans tenha sido boa

conselheira: “Quando a crise chegou a Portugal, deveríamos ter cerca de 40 camiões e fomos

aumentando e crescendo, porque não estávamos demasiado expostos ao ramo automóvel”,

lembra o porta-voz.

Outra pedra basilar por detrás do sucesso desta empresa sediada na Lourinhã (mas com

instalações também em Lisboa, no Porto e em Múrcia) reside na sua metodologia de trabalho.

“As empresas desta região normalmente transportam carga para o estrangeiro e procuram

regressar logo a Portugal, mas nós tentamos fazer com que o camião fique ativo durante um

mês antes de regressar”, explica Luís Silva. Não admira, neste âmbito, que para além de uma

presença consolidada nos mercados europeus, este seja um player de verdadeira relevância

em países como o Reino Unido.

A sustentabilidade como lema

Mais do que numerosa, importa referir que a equipa que compõe a Stoptrans se distingue

pela particularidade do seu espírito jovem. “A média de idades dos nossos colaboradores deve

ser inferior a 30 anos”, constata Luís Silva. Mas, à já mencionada juventude alia-se um amplo

e moderno know-how que é cuidadosamente transmitido a todos os elementos da empresa,

quer através de iniciativas de formação interna (através da qual os trabalhadores mais antigos

transmitem o seu conhecimento e experiência aos mais jovens), quer através de programas

patrocinados pelas próprias marcas.

Mas o “serviço de qualidade” que caracteriza a Stoptrans não se fixa apenas nestes

elementos. Para além do estrito cumprimento de todos os prazos, e da preocupação em

proporcionar soluções feitas à medida das necessidades e expectativas de cada cliente, a

empresa faz da sustentabilidade outros dos seus grandes lemas. “Seremos das empresas

com equipamento mais moderno em Portugal”, na medida em que “os carros são todos de

categoria Euro 6, ou seja dos que menos poluem”. Já em termos de veículos-trator, “trocamos

os carros ao fim de três anos”, tendo em que conta que “os veículos mais novos não só

poluem menos, como consomem menos combustível”, argumenta o sócio-gerente.

Um alerta para o setor

Pese embora o inusitado sucesso da sua empresa, Luís Silva faz questão de se manter

especialmente atento ao seu setor de atividade, antecipando novos desafios a curto prazo.

A seu ver, um crescente número de governos europeus tem vindo a optar por um cada vez

maior quantidade de políticas protecionistas que poderão trazer novas dificuldades para as

empresas transportadoras estrangeiras. A fim de combater este mesmo problema, o nosso

entrevistado não esconde a intenção de desenvolver uma empresa congénere em solo inglês,

naquele que corresponde ao seu maior mercado.

Mas, perante um cenário internacional que obrigará a novas adaptações, o gerente faz

também questão de salientar alguns dos entraves sentidos pelas empresas em solo nacional.

“Infelizmente, o Estado tem dificultado”, constata Luís Silva, numa alusão ao facto de “os

órgãos fazerem uma caça à multa e nem se aperceberem que a sua função deveria ser

a de apoiar as empresas a ganhar mais dinheiro e garantir maior crescimento”. A esse,

acrescenta-se o problema da falta de mão-de-obra disponível, que se estende a muitos

países da Europa e que, na opinião de Luís Silva, não tem sido devidamente combatido em

Portugal.

Sempre atenta à realidade que a rodeia, a Stoptrans faz questão de se manter dinâmica e “à

procura de outros caminhos”, na tentativa de se manter como uma incontornável referência

no setor dos transportes, aliando o know-how e a qualidade do seu serviço a outro dos

elementos que melhor a caracterizam: a sua inconfundível paixão por esta arte feita sobre

rodas.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 109


SETÚBAL, REGIÃO DE ELEIÇÃO - OURO SOBRE AZUL

Serra, rio, mar, excelente gastronomia, praias de eleição e uma das mais belas baías do

mundo. Estes são alguns dos principais atrativos de uma região voltada para o futuro que

tem sabido preservar e valorizar a cultura e a história de uma região onde diversidade e

qualidade são substantivos do quotidiano.

A aposta em modernos equipamentos culturais trouxe uma nova dinâmica no mundo das

artes, tornando Setúbal palco de grandes eventos nos mais diversos campos artísticos.

Se, de um lado a serra, o mar e o reboliço da cidadã marcam o ritmo, do outro, o

sossego campestre de Azeitão, terra de grandes vinhos e de afamados queijos premiados

internacionalmente, atrai também, anualmente, milhares de visitantes.

A apenas 40 quilómetros de Lisboa, Setúbal faz também fronteira com o Alentejo,

estabelecendo uma importante ponte de ligação com o sul de Portugal.

Servido de excelentes acessibilidades, o concelho dispõe de soluções de transportes ao nível

rodoviário, ferroviário e marítimo-fluvial.

Alguns dos principais itinerários rodoviários nacionais, como o IP1, o IP7, a EN10,

a A2 e a A12, bem como o Aeroporto Internacional de Lisboa, a apenas 40 minutos

de viagem, garantem ligações rápidas e cómodas ao resto do país, assim como a toda a

Península Ibérica.

No âmbito do setor do turismo, Setúbal dispõe igualmente de um serviço regular de

transporte fluvial, que inclui o recurso a ferryboats de ligação à Península de Troia, área

que foi alvo recente de uma aposta ambiciosa orientada para o turismo de luxo.

Num contraste singular entre a serra e o rio, Setúbal recebe de braços abertos quem a

visita.

110 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


Setúbal, o canto azul de Portugal

Líder do executivo municipal desde setembro de 2006, Maria das Dores Meira é o rosto do desenvolvimento crescente da cidade de Setúbal, bem

como a principal responsável pela aposta na preservação e valorização da cultura e história da região, onde o mar, o rio, a serra se conjugam na

perfeição. Em entrevista à Revista Business Portugal, a autarca apresenta-nos este que é o “canto azul de Portugal”.

Maria das Dores Meira Presidente

“Tem sido um desafio muito entusiasmante, porque

realmente esta terra cativa imenso as pessoas. Costumo

dizer que é um diamante que estava escondido, que não

brilhava. Setúbal já tinha a serra, o rio, o mar, os golfinhos

(roazes corvineiros), o moscatel, o queijo, o choco frito,

mas não tinham a visibilidade e o protagonismo devido

que hoje têm”, acrescentando que “Setúbal possui 172

km2 e dois terços do território está ocupado com reservas

naturais. A nascente existe a Reserva Natural do Estuário do Sado, onde podemos encontrar cerca

de 2 000 espécies de aves distintas, onde se destacam os nossos flamingos, e temos ainda um

observatório de aves no Moinho da Mourisca. A poente temos o Parque Natural da Arrábida, com a

Serra da Arrábida, que é uma pérola nacional, candidata a Património da Unesco. Depois, o nosso

rio, que nasce de norte para sul, ao contrário de outros, e as nossas praias. A praia de Galapinhos

foi classificada como a melhor da Europa, mas temos muitas outras praias de referência, como a

praia da Figueirinha, Portinho da Arrábida, Galapos, Albarquel, entre outras. Por fim, o nosso centro

histórico único, com uma sala de visitas, que se chama Avenida Luísa Todi e que tudo faremos para

manter e renovar e a zona ribeirinha, que é de facto excepcional, com a lota dos pescadores e onde

a população de Setúbal está em comunhão com o rio. Não sou natural de Setúbal, mas é como se

fosse. Amo esta terra”, começa por nos apresentar.

O turismo é um dos principais focos e a aposta passa por fomentar as potencialidades que Setúbal,

naturalmente, possui.

“Reabilitamos toda a zona ribeirinha, a avenida Luísa Todi, e incentivamos empresários dligados à

restauração a investirem nesse local. Reabilitamos equipamentos culturais, como o Forúm Municipal

Luísa Todi, a Biblioteca Municipal, o Mercado do Livramento, a Casa da Baía, um dos mercados mais

bonitos do mundo, o Forte de S. Filipe, todos os nossos equipamentos desportivos, o Convento de

Jesus, compramos ao Estado o Regimento de Infantaria 11, que estava praticamente em ruínas,

e fizemos parceria com o Turismo de Portugal para ali ser construída uma escola de hotelaria.

Compramos também o edifício do Banco de Portugal, que deu lugar à nossa Galeria Municipal,

ou seja, reabilitamos edifícios que já existiam e que fazem parte da identidade da cidade e não

construímos novos edifícios, sempre tendo em conta o património, a cultura, a parte ambiental, as

escolas, as acessibilidades e a mobilidade”.

A aposta na cultura é também uma realidade, criando uma nova dinâmica no mundo das artes e

tornando Setúbal palco de grandes eventos artísticos.

“A nossa atividade cultural é impressionante, com várias iniciativas promovidas ao longo do ano

e no ano passado fomos considerada a Cidade Europeia do Desporto, o que nos enche de orgulho.

Brevemente, de 22 de julho a 6 de agosto irá realizar-se a Feira de Sant’iago, uma feira com mais de

400 anos de existência”.

Para o futuro, Maria das Dores Meira mostra-se confiante e desvenda os projetos de continuidade no

sentido de potenciar Setúbal nos próximos anos.

“Os projetos são de continuidade, de transformação desta terra. Ligar o parque de Albarquel com

a praia através de um passadiço sobre a água, reabilitar a praça de touros, que será um auditório

multiusos, o Parque Urbano da Várzea, que irá ser a obra de retenção de águas pluviais, com dois

lagos, o que resolverá o problema das cheias nessa zona e que será um parque verde lindíssimo.

Vamos também reorganizar os serviços municipais com a aglutinação dos mesmos no edifício da

EDP, vamos criar duas estações intermodais e iremos construir parques de estacionamento, pois é

uma falta e uma preocupação constante”, conclui.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 111


setúbal, região de eleição, ouro sobre azul | pérola da mourisca

a perfeição dos petiscos

com sabor a mar

Na Mourisca, uma pequena localidade de Setúbal, encontramos a Pérola gastronómica da Mourisca. Uma boa opção para quem procura a

diferença, a qualidade e uma variedade na carta.

Amândio Almeida, Maria dos Anjos e Miguel Almeida Proprietários

Com as portas abertas há cerca de 38 anos, a Pérola da Mourisca começou por ser um

pequeno café com uma mercearia. Inicialmente quem estava à frente do negócio era Manuel

Almeida, pai dos atuais proprietários, Amândio e Miguel Almeida. Caracterizado como

um senhor visionário e muito à frente para a época, desde sempre mostrou interesse em

explorar oportunidades no sentido de fazer crescer o negócio. Com o tempo, deixou de lado

a mercearia e depressa se tornou famoso pelo que atraia os clientes até à sua casa: os

petiscos. Após o falecimento de Manuel Almeida em 2014, os filhos e a sua mulher, Maria dos

Anjos, tomaram o comando deste conceituado espaço e transformaram o café em restaurante

e cervejaria.

O conceito atual do restaurante apela ao bom gosto do tradicional português e propõe

uma filosofia baseada em dois pilares essenciais: os petiscos e o marisco. A carta é tão

diversificada que aumenta a dificuldade em saber escolher entre tantos pratos. Num pequeno

exercício desafiamos Amândio e Miguel Almeida a surpreender-nos desde a entrada até à

saída. Começam por trazer para a mesa, como forma de entreter o estômago,

um prato de manteiga de ovelha com pão cozido no forno. Esta forma de

entretenimento apenas resulta porque os clientes sabem que os pratos são

confecionados no momento - o que, por vezes, pode demorar, mas é o que

garante a perfeição que o paladar exige. Chegam os primeiros petiscos: uns

deliciosos pimentos recheados com sapateira e ovos estrelados de codorniz

no pão (dois dos petiscos mais pedidos). Apresentam uma morcela com

queijo de cabra, uns camarões fritos e uma pequena travessa de pica-pau

parar contrabalançar com o sabor do mar. Quanto ao acompanhamento

de bebidas é interessante perceber que aqui se dá mais importância à

verdadeira imperial gelada com o logótipo da Pérola da Mourisca estampado

no copo (pequenos detalhes que fazem a diferença). A ementa de petiscos é

tão variada que pode muito bem servir para encher a barriga. Mas se quiser

112 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


pérola da mourisca | setúbal, região de eleição, ouro sobre azul

optar por algo mais substancial, tem os pratos do dia ou até mesmo qualquer

prato que a ementa apresenta – além do petisco. Por fim, a sobremesa, a dúvida

fica entre um delicioso pudim de queijo ou folhado de queijo fresco com doce de

figo.

Qualidade é a primeira palavra de ordem. Depois vem a intensidade do sabor. No

fim o preço. Só tendo em conta este triângulo, qualidade, sabor e preço, é que se

torna possível surpreender os clientes. Qualquer preço é justificado pelo elevado

nível de exigência da qualidade e sabor dos pratos, que pode variar entre os 25 e

os 30 euros.

A Pérola da Mourisca é sem dúvida um dos melhores restaurantes de petiscos em Setúbal. Apesar

de estar fora do circuito turístico e um pouco longe do centro da cidade é de fácil acesso e tem

estacionamento. O ambiente é descontraído e familiar que prima pela simplicidade requintada. Está livre

de fumo de tabaco nas três salas que o constitui, mas caso queira fumar há uma esplanada fantástica

à entrada do restaurante. Para além da simpatia e disponibilidade total dos irmãos, chefes de sala, há o

cuidado de deixar os clientes à vontade para saborear cada prato e conviver sem pressas. O foco deste

restaurante é a satisfação do cliente. E assim foi, saímos mais que satisfeitos e felizes.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 113


setúbal, região de eleição, ouro sobre azul | nichos urbanos

Uma equipa jovem e formada onde

impera a inovação

A Nichos Urbanos nasceu em Setúbal com a missão de se tornar uma empresa de referência nas áreas de arquitetura e engenharia. Sempre atenta

ao mercado, o seu principal foco é proporcionar soluções de especial eficiência e inovação.

Pedro Cristina, Jorge Ramos, André Domingos, Teresa Gonçalves e João Lopes Administrador ( 2º a contar da esquerda ) e equipa

114 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


nichos urbanos | setúbal, região de eleição, ouro sobre azul

No mercado há 11 anos, “a Nichos urbanos surgiu com o objetivo de marcar pela diferença”, começa por nos

contar Jorge Ramos, gerente da empresa, projetista e engenheiro eletrotécnico. A aposta na diferenciação

confere-lhe um carácter distintivo e de confiança num mercado saturado de ideias. Com a evolução natural

do negócio tem ganhado uma posição cada vez mais vincada no mercado e hoje é considerada uma empresa

de referência que se distingue pela qualidade dos seus serviços de consultoria especializada em áreas como

a arquitetura e engenharia (civil, eletrotécnica e mecânica). “Para quem procura uma solução é aqui que

encontra um espaço capaz de dar resposta a todos os projetos necessários para um investimento imobiliário”,

desde a elaboração de projetos, acompanhamento e fiscalização de obras, afirma o engenheiro eletrotécnico.

Com um nome que fica no ouvido, a Nichos Urbanos é constituída por uma “equipa jovem e normalmente

formada na zona de Setúbal, com tendência para aumentar num futuro próximo” refere Jorge Ramos.

Acompanhado pela arquiteta Teresa Gonçalves reforça que “esta equipa tem de ter a capacidade de dar

respostas rápidas e prontas ao cliente”. Para a empresa o importante é o cliente: a sua perspetiva da teoria e

a sua visão da prática do projeto. Pensar no cliente é pensar num compromisso. É preciso conhecer o cliente,

perceber as suas necessidades e apresentar soluções eficazes. Por isso mesmo há um acompanhamento

desde o primeiro momento. Numa rápida compreensão do processo, primeiro está o contacto, depois o

esboço da estratégia e por fim o projeto final. Teresa Gonçalves ressalva que durante este processo “o que

marca a diferença é o interesse pelo pormenor”. O cliente é o principal foco, para isso, cada projeto contem

características e premissas específicas, que devem ser analisadas e desenvolvidas ao detalhe. Esta é uma

empresa procurada tanto pelo cliente estrageiro como pelo cliente nacional.

A inovação aliada à preocupação de oferecer um serviço rápido e de qualidade é considerado um valor

estratégico para o crescimento da empresa. Apesar do nome estar consolidado no mercado, a empresa

procura constantemente ir desenvolvendo novas competências para sustentar a maior oferta de serviços.

Neste sentido, faz questão de posicionar-se numa trajetória de constante evolução dos serviços de eficiência

sustentável e evolução tecnológica, procurando acompanhar os

diferentes progressos adotados para as suas áreas.

Para Jorge Ramos e Teresa Gonçalves as palavras que caracterizam

a Nichos Urbanos são “seriedade, profissionalismo, inovação e

proximidade”. Nada mais importa do que continuar a trabalhar de

forma séria e profissional. Jorge Ramos ainda mostra que “o principal

desafio que a equipa atravessa todos os dias é o cumprimento de

prazos. “ O tempo é imperador, mas também é importante acreditarem

no que fazem. Por isso mesmo, esta equipa unida procura sempre

fazer mais e melhor.

Com o crescimento de zona de Setúbal, da sua baía e das praias,

fez com que se desse um boom no negócio. A dupla confidenciou

que neste momento “é uma boa aposta investir na cidade.” Por isso

mesmo, o balanço da empresa até agora foi muito positivo e o futuro

parece risonho. Ressalva-se a ideia de que daqui para a frente é

importante procurar crescer a Nichos Urbanos de forma sustentada

com a visão de um reconhecimento global.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 115


setúbal, região de eleição, ouro sobre azul | centro óptico de setúbal e visual click

Uma ÓTICA para cada

ESTILO DE VIDA

A nossa viagem pelo distrito de Setúbal levou-nos até Nelson Silva, CEO de duas óticas com estratégias completamente distintas. A sua rotina

divide-se entre o centro de Setúbal, onde se localiza a Visual Click e a zona oeste do concelho, no Centro Óptico de Setúbal- local escolhido pelo

CEO para receber a Revista Business Portugal. Nas próximas linhas damos-lhe a conhecer uma ótica clássica e outra vanguardista, duas apostas

que mudaram o posicionamento desta empresa familiar no mercado setubalense.

Nelson Silva, Carlos Silva (pai) e equipa Proprietários

O Centro Óptico de Setúbal foi constituído em 1984, na Rua

Celestino Alves (Setúbal), local onde ainda hoje permanece. O

negócio de cariz familiar nasceu com o avô de Nelson Silva,

antigo sócio da fábrica de lentes Zeiss. O interesse pelo setor

estendeu-se até Carlos Silva, pai do nosso interlocutor, que

iniciou a sua atividade profissional numa ótica em Lisboa.

É ele, que anos mais tarde regressa a Setúbal, no papel de

empresário e abre o seu próprio negócio- o Centro Óptico de

Setúbal.

Enquanto narra a história, Nelson Silva, afirma que o desejo

do seu pai sempre foi fazer crescer a empresa e diferenciá-la

das restantes. Para tal, contou com a ajuda da sua esposa,

Maria Lezita, que aos nossos olhos realizou um excelente

trabalho na decoração da loja uma das mais antiga do

concelho. Assim que entramos saltam à vista as peças de

arte; estatuetas e quadros que preenchem meticulosamente

os espaços. As vitrines fechadas expõem as centenas de

óculos, separando-os por gama, estilo e marca. Com esta

aposta na decoração e exposição do produto, quiseram dar

um ambiente familiar e acolhedor à loja. “Procuramos acima

de tudo o bem-estar dos nossos clientes. Queremos que

entrem e disfrutem de um serviço de qualidade, no espaço

intimista que criamos para eles”, diz Nelson.

Atendimento técnico e personalizado

Entre, sente-se, diga o que pretende e a equipa tratará do

resto. É mesmo assim o modelo de atendimento do Cetro

Óptico de Setúbal. Neste estabelecimento operam cinco

funcionários e dois médicos oftalmologistas (terças e quintasfeiras

de tarde), disponíveis para encontrar a solução mais

adequada para o seu caso.

Neste estabelecimento encontrará uma equipa de

profissionais prestável e experiente, pronta para lhe

apresentar as melhores marcas, tendências e aquilo que

melhor condiz com o seu estilo e formato do rosto. Diz

Nelson Silva, que “no final do dia são mais de duas centenas

de óculos para voltar a colocar nas vitrines”, tudo isto

porque o cliente recebe um atendimento de excelência.

“Damos ao cliente a possibilidade de experimentar várias

opções, propomos marcas mais alternativas que não são do

conhecimento geral, para que saibam que existem marcas

a fazer a diferença quer na qualidade quer no design do

produto”, explica o CEO.

“A nossa estratégia passa por conciliar a qualidade

com o preço. Conseguimos ter preços muito atrativos,

principalmente nas marcas que os nossos clientes mais

gostam de ter”.

Ao estilo self-service

O Visual Click abriu portas no ano de 2015, com uma

localização privilegiada, bem no centro da cidade, próxima da

Avenida Luísa Todi. Esta loja é o oposto da anterior e nasceu

precisamente com essa intenção. “A abertura da Visual Click

com um conceito completamente distinto do Centro Óptico

permitiu-nos alcançar um outro tipo de público”, afirma

Nelson Silva.

Paredes pintadas de branco, mobiliário com linhas simples

116 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


centro óptico de setúbal e visual click | setúbal, região de eleição, ouro sobre azul

estão bem visíveis e as marcas com mais

saída são as de baixo custo. Nelson Silva

acredita que este espaço se adequa ao tipo

de cliente que prefere pagar menos e ter

mais do que um par de óculos na gaveta.

“Hoje os óculos, tanto os de sol como os

de ver são entendidos por muitos como

um acessório de moda. Por esse motivo

preferem gastar menos e ter mais variedade.

Na Visual Click temos o produto que este tipo

de cliente procura”.

e estantes com milhares de óculos em exposição prontos a

serem experimentados são as características deste espaço.

À disposição estão duas funcionárias e dois oftalmologistas

(terças e quintas-feiras de manhã), mas segundo o jovem

empresário, o público da Visual Click prefere fazer a sua

compra de forma independente.

A franja da sociedade que visita este espaço são sobretudo

os jovens, que preferem simplicidade e rapidez. Os preços

Inovação e desenvolvimento

A visão estratégica da família Silva permitiu

a consolidação e crescimento da empresa ao

longo de 33 anos. Primam pelo atendimento

de excelência, num mercado que dominam

e que se adequa aos diferentes públicos.

Apesar do sucesso, a procura pela inovação

e desenvolvimento são uma constante, no dia

a dia do CEO Nelson Silva.

Entrou no negócio da família pelo gosto que

tinha em realizar ensaios para lentes de

contacto, “processos demoram cerca de um

mês, onde é avaliado o estilo de vida, horas

de utilização da lente em cada utente”-,

atualmente é o principal responsável pela

seleção dos produtos e de toda a tecnologia

médica, de ambas as lojas. “Juntamente com

as funcionárias seleciono o produto que quero ver nas lojas. Estamos atentos

às tendências, mas o know-how que detemos, permite-nos saber os produtos

que vão fazer sucesso junto dos nossos clientes”, refere Nelson.

Há modelos de óculos que são eternos, mas também há atualmente muita

inovação no que toca ao design. Das armações em massa ou metal, às lentes

coloridas ou espelhadas, a panóplia que hoje encontra numa destas óticas é

de perder de vista. Qualquer que seja a sua escolha, o foco continua a ser o

bem-estar do seu olhar.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 117


setúbal, região de eleição, ouro sobre azul | lallemand

Inovação como base de sucesso

Em Setúbal desde 2009, a Lallemand é uma empresa especializada na comercialização, desenvolvimento e fabricação de leveduras, bactérias e

produtos relacionados, com o objetivo de conduzir, reproduzir e otimizar os processos de fermentação natural para deles beneficiarem as indústrias

agroalimentares. Em entrevista à Revista Business Portugal, Maria do Carmo Amaral, diretora comercial da Lallemand, apresenta-nos esta

empresa, líder mundial no setor em que atua.

Maria do Carmo Amaral Diretora Comercial

“A Lallemand começa com a história de um emigrante da Alsácia, na altura ainda pertencente

à Alemanha, que emigrou para o Canadá para a região de Montreal no Québec francófono

onde o seu sotaque lhe valeu o apelido de “o alemão”, Lallemand, em francês. Do seu

empreendedorismo resultou uma empresa familiar na área alimentar e que em 1932

iniciou a produção de levedura para panificação no lugar de Prefontaine, onde ainda hoje

existe a fábrica de levedura de Montreal. No final dos anos 30, a empresa passou por uma

reestruturação e em 1952 a família Chagnon comprou a empresa que se mantém na sua

posse até aos dias de hoje”, começa por nos contar Maria do Carmo Amaral.

A partir dos anos 70 do século passado, iniciou-se uma forte expansão da companhia,

que hoje está presente em mais de 35 países à volta do mundo. “A Lallemand procura

em qualquer parte do mundo onde faz investimentos, encontrar oportunidades para

prosperar o negócio. Para isso, necessita basicamente de bons profissionais no terreno

desde os trabalhadores fabris, até aos colaboradores que promovem e vendem os nossos

produtos nos mercados onde atuamos. As nossas equipas definem-se pela flexibilidade,

cooperação e competência em cada área de especialização”, explica a nossa entrevistada.

Atualmente líder mundial na produção e comercialização de leveduras e bactérias destinadas

aos mercados de especialidade, como nutrição humana e animal e bebidas alcoólicas, a

Lallemad é uma empresa muito focada na inovação. Resultado disso, foi o desenvolvimento

da levedura com vitamina D, a Activa Vita D. “A biotecnologia é uma área da ciência e da

indústria que permite utilizar os recursos de uma forma menos agressiva que os processos

químicos mais tradicionais. Podemos obter produtos naturalmente ricos em vitaminas e

nutricionalmente muito interessantes, usar bactérias ou leveduras para melhorar a condição

de saúde dos animais ou das plantas ou mesmo de florestas. Também permite optimizar

processos tradicionais melhorando a qualidade do processo e dos produtos finais. Falamos

de vinho, pão, cerveja, whisky, rum, álcool combustível, bactérias para melhorar a flora

intestinal e proteger o organismo e também para produção de queijo, entre outros. Sabemos

que na parede celular da levedura existem precursores de vitamina D semelhantes aos que

existem na nossa pele e que nos permitem sintetizar a vitamina D se nos expormos o sol,

sem proteção. Nesta questão, existe um défice generalizado desta vitamina na população

mundial e por isso, decidimos desenvolver este “suplemento”, através da colocação desta

levedura como fonte de vitamina D, no pão”. Sendo uma área onde se verifica um forte

desenvolvimento, a importância de novas tecnologias é como em quase tudo, fundamental

e constitui um ponto fulcral na atividade da Lallemand, bem como a existência de inúmeras

parcerias com universidades e pontos de investigação por todo o mundo, nomeadamente

em Portugal. “Possuímos protocolos com Institutos públicos e também com Universidades

em Portugal onde desenvolvemos projetos ou colaboramos em programas de mestrado

e doutoramento, como a Universidade de Biotecnologia do Porto e Instituto de tecnologia

Química e Biológica, o que é essencial, pois a inovação faz parte da nossa filosofia”, frisa.

Para os próximos anos, Maria do Carmo Amaral, mostra-se visivelmente confiante, com fortes

perspetivas de crescimento. “A Lallemand é uma empresa familiar, mas sabemos que se

nos focarmos onde somos especialistas, ou seja, nas as leveduras e bactérias, podemos

continuar a ter sucesso porque inventamos e reinventamos aplicações novas e inovadoras

para todos os processos naturais onde uma fermentação pode ter lugar”, conclui.

118 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


setúbal, região de eleição, ouro sobre azul | litoralfish

O pescado que marca a diferença

Localizada a pouco mais de 3km do Porto de Sines, a LitoralFish leva até à mesa dos apreciadores de peixe, os produtos mais frescos e

diferenciadores do mercado. Especializada na transformação e comercialização do pescado, esta empresa integra o grupo familiar Vasco Louro

desde Maio de 2015. Em entrevista à Revista Business Portugal, a administradora Cláudia Louro revelou-nos o percurso desta indústria que

diariamente aposta na qualidade e inovação, certificada com a norma ISO 22 OOO e os requisitos adicionais FSSC 22000.

Cláudia Louro Administradora

A LitoralFish é uma empresa familiar. Como nasceu?

Tudo começou com o grupo Vasco Louro, que sempre comercializou peixe fresco. Nunca

trabalhamos com peixe congelado e a LitoralFish foi a primeira experiência neste segmento.

Tinhamos algum excedente de peixe fresco e resolvemos transformá-lo e apostar no peixe

congelado. Surgiu a oportunidade de comprar esta fábrica e foi assim que começou, em Maio

de 2015.

Surge assim como complemento às empresas do grupo. Como descreve a vossa

atividade?

Além do peixe congelado, também trabalhamos com peixe fresco. O peixe tanto chega até nós

já congelado para comercializarmos ou então pode chegar fresco e nós congelamos. Estamos

muito perto do mar, numa zona portuária por excelência, o Porto de Sines, aproveitamos

esse benefício para a comercialização do peixe da nossa costa. Seja para as empresas do

grupo como para outras empresas. Contamos com frota própria para fazer a distribuição e

chegar aos mercados onde estamos inseridos e por vezes também contratamos empresas de

transportes. Tudo depende da quantidade de pescado.

Que apresentação faz dos vossos produtos?

O nosso peixe é proveniente da costa e algum é proveniente de Marrocos e da Mauritânia

porque temos lá barcos a pescar. É importante ter alguma diversidade e peixes que só existem

nessas zonas. Depois temos produtos que nos diferenciam como a caldeirada, a corvina

selvagem em posta, o polvo SEM ENGORDA, que não se vê muito no mercado. Preferimos não

ter perca porque todos os fornecedores têm e apostamos num peixe diferenciado, selvagem,

apreciado pelos consumidores.

120 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


litoralfish | setúbal, região de eleição, ouro sobre azul

Em que mercados estão presentes?

A nossa área de atuação abrange todo

o país. Fornecemos grandes superfícies,

nomeadamente o Lidl e o grupo Auchan, com

peixe congelado. E também outros clientes

com peixe fresco, como sendo a cadeia de

lojas A Nossa Peixaria, que também pertence

ao grupo. Estamos a iniciar agora uma parte

mais direcionada para os armazenistas e

retalhistas mais pequenos. E contamos ainda

com o mercado externo, exportamos muito

para países como Marrocos, Cabo Verde,

Moçambique, entre outros.

Quantos colaboradores integram a

LitoralFish?

Neste momento, 35 pessoas, 60% são

senhoras e 40% homens. Eu faço parte

da administração, depois temos a área

administrativa e comercial. Na fábrica

encontra-se o departamento de produção

e qualidade e os restantes colaboradores;

e temos ainda uma equipa na Lota de

Sines que compra o pescado fresco. Temos

alguma dificuldade em encontrar pessoas

qualificadas para trabalhar nesta área. Esta

é uma atividade que se aprende e executa

com facilidade, o problema é a falta de

assiduidade e manter os níveis de produção.

Estamos a fazer algumas mudanças internas

e um dos objetivos é conseguir organizar o

pessoal de uma forma melhorada.

Como caracteriza a relação qualidadepreço?

Penso que os produtos que nós fornecemos

não são caros, dada a qualidade

apresentada. Por exemplo, a nossa

caldeirada é totalmente diferente da dos

nossos concorrentes. Enquanto a deles é

composta por muito marisco de casca, a

nossa tem cinco variedades de peixe em

posta. Não utilizamos restos ou aparas de

peixe para fazer peso. E só por aí se vê a

diferença e a qualidade do produto. Temos

um leque de produtos mais pequeno mas

diferenciado.

De que forma evoluiu a LitoralFish ao

longo do tempo?

Criamos esta empresa recentemente e para

um nicho de mercado específico. Como

era um negócio novo, tivemos algumas

dificuldades devido à falta de conhecimento

nos processos de produção e congelação.

Mas a evolução tem sido gradual e estamos

satisfeitos. Podemos afirmar que 2016

foi um ano positivo, tendo em conta que

tínhamos começado há um ano e foi difícil

perceber como funcionava o negócio e

construir uma equipa apta e competente.

Ultrapassamos essas dificuldades iniciais

e ficamos satisfeitos com os resultados

obtidos em 2016. Prevemos uma melhoria

significativa em 2017.

O que distingue esta empresa de outras

concorrentes?

Tentamos que tudo o que se faça na

LitoralFish seja caracterizado pela qualidade

e inovação. Temos produtos de excelência

e queremos diversificar a oferta. Para

isso precisamos de contar com uma

equipa disponível e produtiva para atingir

determinados objetivos. Este ano, fazemos

parte das Tasquinhas, na marginal de Sines

e temos a oportunidade de expor os nossos

produtos e dar a provar aos visitantes. É uma

mostra de divulgação dos nossos produtos

porque queremos ser mais do que uma

marca. Por isso, as Tasquinhas constituem

uma boa aposta para evidenciar a qualidade

dos produtos. Queremos atingir mercados

que os outros ainda não alcançaram e

temos a facilidade de ter os nossos próprios

barcos a pescar e conseguirmos assegurar o

transporte da Origem até Sines.

Por onde passa o futuro da LitoralFish?

Quais os principais projetos?

A nossa prioridade é a inovação. Queremos

comercializar produtos novos que nos

diferenciem. Existem muitos fornecedores

de peixe congelado e quase todos têm o

mesmo produto, como redfish ou a pescada

do Chile. Nós não queremos ser mais um, a

nossa filosofia assenta em ter um produto

com mais qualidade e diferenciado. Vamos

lançar em breve os lombos de corvina e

ainda a posta de pampo, algo que não existe

ao alcance dos consumidores de pescado

congelado. Iremos abrir uma loja de venda ao

público na entrada da empresa. É uma forma

de vender os nossos produtos diretamente e

ter contacto com os clientes. Vamos ter não

só peixe como também marisco congelado

para que as pessoas possam comprovar a

qualidade.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 121


PONTE DE LIMA, A VILA MAIS ANTIGA

Em pleno coração do Vale do Lima, a beleza castiça e peculiar da vila mais antiga de

Portugal esconde raízes profundas e lendas ancestrais. Foi a Rainha D. Teresa quem,

na longínqua data de 4 de março de 1125, outorgou carta de foral à vila, referindo-se à

mesma como Terra de Ponte. Anos mais tarde, já no século XIV, D. Pedro I, atendendo

à posição geoestratégica de Ponte de Lima, mandou muralhá-la, pelo que o resultado final

foi o de um burgo medieval cercado de muralhas e nove torres, das quais ainda restam

duas, vários vestígios das restantes e de toda a estrutura defensiva de então, fazendo-se o

acesso à vila através de seis portas.

Herdeira de um vasto património, quer no seu centro histórico multissecular, quer na

paisagem milenar que a rodeia, Ponte de Lima bem se pode orgulhar dos 46 monumentos

classificados que se encontram no seu atual território concelhio. São ao todo três

Monumentos Nacionais, 38 Imóveis de Interesse Público e cinco Imóveis de Interesse

Municipal, que traduzem a riqueza e diversidade do seu património arqueológico e

arquitetónico, bem como a sua importância histórica.

As características únicas de Ponte de Lima fazem deste vale um jardim natural e

espontâneo. Junto ao rio Lima, os choupos e os salgueiros formam autênticas bordaduras.

Nas veigas, para além das culturas, os campos enchem-se de flores silvestres, compondo os

mais belos ‘tapetes’ floridos de cores limianas: amarelo e roxo. Nas encostas, entre o verde

da floresta, sobressaem os tons amarelo e branco da mimosa, da giesta e do tojo e o tom

roxo da urze lilás, rosa e púrpura.

Em Ponte de Lima a gastronomia, suculenta e saborosa, tem o seu ex-libris no Arroz de

Sarrabulho, servido com rojões de porco, um prato rico em sabores e tradição. A lampreia

do Rio Lima também é muito apreciada. Esta iguaria pode ser cozinhada de diversas

formas, com destaque para o Arroz de Lampreia e para a Lampreia à Bordaleza.

Uma palavra de realce para o Bacalhau de Cebolada, prato tradicional estimado a nível

popular, confecionado nas tascas e nos restaurantes limianos, tornando-se num pitéu

afamado e muito procurado. Os mais gulosos, os que gostam de doces, não podem deixar de

saborear a textura do leite-creme queimado.


ponte de lima, a vila mais antiga | município de ponte de lima

Para viver, investir e visitar

Já conhecida pela maioria dos portugueses, sendo muitas vezes o destino de eleição para férias, Ponte de Lima tem vindo a crescer. Banhada pelo

Rio Lima e munida de uma arquitetura medieval sem igual, esta vila faz de todos os limianos orgulhosos do que é seu. Esta vila tem-se lançado

na modernização, para que assim sejam cada vez mais os que procuram este local para viver. Estivemos à conversa com Victor Mendes, atual

presidente da Câmara, que falou desta terra com um grande orgulho e conhecimento.

e nessa tradição que faz de Ponte de Lima um território

diferente”, como afirma Victor Mendes.

Mas Ponte de Lima procura mais, e tem tentado ao longo

dos anos conquistar o património e com o avanço dos

tempos colocar a vila “quer no contexto regional, nacional e

internacional, ao mais alto nível. É, aliás, esse equilíbrio entre

história, cultura e património e o que é desenvolvimento que

faz de Ponte de Lima um concelho diferente”.

Victor Mendes Presidente

Um passado histórico rico

Como muitos sabem, Ponte de Lima parte do reino de Leão,

o reino que formou Portugal. Pela vila ainda se encontram

pedaços históricos. O império romano fora deixando rasto,

“fonte de uma excelente localização estratégica.” Foi até por

esta importância que D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques,

entregou o foral em 1125 a 4 de Março, fazendo desta terra

uma referência. É muito assente nessa história, localização

Viver em Ponte de Lima

“Ponte de Lima distingue-se pelo ambiente e qualidade

de vida. Ponte de Lima está no centro do Alto Minho, com

um conjunto de acessibilidades que nos faz estar perto

dos centros urbanos, somos atravessados por duas autoestradas,

a A3 e a A28, e de Viana a Ponte de Lima a A27,

estamos relativamente perto da fronteira. Estamos a três

quartos de hora do Porto. Estamos perto tanto do aeroporto

de Vigo como o de Sá Carneiro.. Temos, felizmente, um

conjunto de equipamento de utilização coletiva, do ponto de

vista público ou privado. Nomeadamente na área da saúde,

temos um hospital central, com um bom serviço de urgência

básica e vários centros de saúde que é muito importante para

o dia a dia, para viver. É um concelho seguro, é o segundo

concelho do distrito mais seguro. Possuímos uma rede de

equipamentos escolares desde o pré-escolar até ao ensino

126 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


empresa | tema

superior, temos uma escola secundária que

acabou de ser requalificada, temos quatro

EB 2/3 que estão a ser objetos de obras

de requalificação, completamos a rede

do pré-escolar e do primeiro ciclo com a

construção de 12 novos Centros Educativos”.

Fala também do ensino superior, munido da

Escola Superior Agrária de Ponte de Lima

do Instituto Politécnico de Viana do Castelo,

bem como a Universidade Fernando Pessoa,

estando também a Universidade do Minho

perto desta vila”. O desporto, bem como a

cultura, não passam despercebidos, Ponte

de Lima está sempre cheia de eventos

que animam a população, mas sempre em

espaços adequados que têm sido objeto

de renovação, como a construção do novo

pavilhão de feiras e exposições. “Temos um

conjunto de rede de equipamentos culturais

e uma excelente programação cultural,

possuímos muitos equipamentos desportivos,

temos um rácio de excelência de m2 por

espaço útil desportivo, ultrapassamos já

os cinco m2 de espaço útil por habitante.

Todas as escolas equipadas por pavilhões

gimnodesportivos, alguns já com relvado

sintético. Não basta fazer os eventos em

quantidade, é preciso qualidade”.

Este concelho é dotado também de vários

equipamentos ligados ao ambiente, à cultura,

à paisagem, ao lazer, bem como 150 km

de trilhos. Quanto ao desemprego várias

medidas são encetadas para que ninguém

fique de fora. “Há também uma questão

importante que é dar emprego aos nossos

cidadãos. O último mandato concentrouse

em atrair empresas para atrair mão de

obra de qualidade”. O IMI no concelho está

muito perto da taxa mínima, o preço da água

e saneamento são reduzidos, e há muita

gente a querer vir viver Ponte de Lima – “

queremos aumentar a taxa de natalidade”.

Estão criadas, assim, todas as condições

para se viver neste local da história, sendo

que existem oportunidades para os jovens,

que têm apostado no setor agro-florestal. Há

vários espaços comerciais e equipamento

da área social abrangidos. “É um território

onde vale a pena viver, investir e, portanto,

é um caminho que nunca tem fim. Todos

os dias trabalhamos para que os nossos

concidadãos tenham as melhores condições.

Há uma política de desenvolvimento que

tem uma estratégia, tem havido estabilidade

dentro dessa estratégia, os objetivos tem

sido cumpridos.”

Um bom limiano

Segundo Victor Mendes a participação ativa

no concelho é imprescindível. Felizmente,

Ponte de Lima conta com 104 associações,

nas variadas áreas e são largas centenas

de limianos que estão envolvidos nessas

associações a título gratuito, solidário e

participativo. “Temos procurado ao longo

dos anos desde a infância até à idade adulta

estimular esse orgulho de ser limiano, e

isso é determinante para a construção do

presente e do futuro”.

O desporto

Com condições terrenas e aquáticas

inigualáveis, Ponte de Lima recebeu o

Campeonato Europeu de Canoagem,

sendo considerada a capital da canoagem

portuguesa, tendo como base o centro

náutico Fernando Pimenta. A Feira do Cavalo

é também bastante conhecida, distinguida

como o melhor do desporto e turismo

equestre.

Com ‘pernas para andar’, Ponte de Lima

tenta deixar presente nos limianos o orgulho

de o ser, quer pela história quer pelo que

se faz no desenvolvimento, e os cidadãos

mostram-se agradados, fazendo o balanço

entre a história e o desenvolvimento.

Para quem não pensa viver em Ponte

de Lima, saiba que este é um ótimo sítio

para visitar, nomeadamente as estruturas

medievais, o rio que se deixa levar por praias

e a sua grande gastronomia. Estes são

apenas exemplos que fazem deste concelho

um expoente para quem quer conhecer o

que de melhor se faz em Portugal.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 127


ponte de lima, a vila mais antiga | arte do lima

A casa do Folar Limiano

Ponte de Lima está bem representada na gastronomia pasteleira no estabelecimento Arte do Lima, onde o

Folar Limiano faz as delícias dos visitantes.

Vítor Lima Administrador

O ramo da pastelaria estava-lhe no sangue.

O pai trabalhava no setor desde 1983 e

idealizou este projeto para o início da vida

profissional independente do filho. “Nasci

no meio da farinha”, narrou Vítor Lima, que

desenvolveu paixão pela pastelaria ao longo

do tempo. Com 18 anos frequentou o Centro

de Formação Profissional Alimentar do Porto,

no qual se formou, e passou os quatro anos

que se seguiram a trabalhar em pastelarias

em Viana do Castelo.

No fim deste período, o pai achou que teria

as bases necessárias para dar o salto, não só

como resposta às necessidades de trabalho

de Vítor Lima, mas principalmente como

oportunidade de negócio, face à escassez de

oferta a nível de pastelaria na região. Corria o

ano de 2001 quando a Arte do Lima viu a luz

do dia. Desde o início que a esposa se juntou

ao projeto.

No princípio desta aventura, a formação

já adquirida não era suficiente para

corresponder às expectativas criadas pelo

próprio. Assim, com a curiosidade própria de

quem faz o que gosta, pretende a excelência

e após pesquisas elaboradas sobre a

pastelaria internacional, surgiu a vontade

de experimentar e desenvolver o seu estilo

próprio como pasteleiro. Nesse sentido, em

2011, surge uma oportunidade de emprego

em França. Durante quatro anos trabalhou

com grandes chefes pasteleiros franceses,

que lhe deu a possibilidade de aprender,

crescer profissionalmente e a oportunidade

de criar novas receitas e conjugações de

sabores.

Em 2015 regressa e retoma a pastelaria

com um novo conceito: nunca descurando

o tradicional, aposta em novos sabores e

paladares. O facto de ter trabalhado com

as melhores matérias-primas em França,

devido à facilidade no acesso às mesmas,

criou-lhe o gosto por ingredientes como o

chocolate belga, que usa em vários bolos.

“O meu objetivo é sempre a qualidade.

Aos poucos estou a tentar incutir novos

paladares, ciar novos sabores, mudar os

hábitos, ter qualquer coisa além disso do

bolo habitual”, expõe. Entretanto a aposta na

formação mantém-se, tendo frequentado, no

entretanto, cinco novas formações, de forma

a aperfeiçoar a arte e melhorar a oferta.

“Trabalho o produto de raiz, é o mais difícil”,

admite.

De referir que a Arte do Lima foi agraciada

como cliente premium pelas boas práticas na

utilização do chocolate belga.

O certo é que no Arte do Lima os produtos

são de excelente apresentação e o sabor

tem, obrigatoriamente, de corresponder à

expectativa criada pelo aspeto. A exigência

estende-se aos colaboradores, que têm de

conhecer o produto que estão a servir e no

atendimento aos clientes, que “merecem

absoluto respeito e todos são tratados da

mesma forma. Há, até, quem venha de longe

de propósito a este estabelecimento”, afirma,

orgulhoso, Vítor Lima.

Folar Limiano

Eis o produto embaixador da Arte do Lima:

o Folar Limiano, marca registada, com selo

‘100 por cento Alto Minho’, além de ser um

produto certificado com produtos regionais.

O Folar nascou na época da Páscoa,

128 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


empresa | tema

em 2015 e o nome foi escolhido como

homenagem à terra. A massa fofa, que assim

se mantém durante vários dias, é regada

com vinho verde durante a sua confeção, o

que se traduz numa certa acidez na altura de

saborear. Este Folar é o resultado da melhor

junção de enchidos e vinho verde endógenos.

Atualmente, é fabricado todos os dias

devido à procura e aceitação no mercado.

O objetivo será, eventualmente, vendê-lo a

nível nacional, via online. “Esperamos que

o Folar Limiano venha a tornar-se, num

futuro próximo, num ex-libris de Ponte de

Lima, a par do sarrabulho, por exemplo.

Para tal, contamos com a ajuda de todos

os conterrâneos, assim como do Município,

para uma divulgação mais abrangente do

produto”.

Outro dos produtos de excelência é o Viúva

Negra, um bolo baseado em chocolate que

conta com o limão como um dos ingredientes principais.

Em relação à restante oferta na pastelaria Arte do Lima,

existe um cuidado em diferenciar a confeção de acordo

com as estações do ano. No verão, por exemplo, a aposta

recai maioritariamente na fruta fresca e nos purés de frutas,

paladares mais citrinos e numa versão estival do Viúva

Negra: o Viúva Branca, que resulta da conjugação de sabores

tropicais.

Essencialmente, faz a diferença uma boa seleção das

matérias-primas, sem as quais o produto final desta

qualidade não é possível. A mesma é difícil de encontrar

em terras lusas, ao contrário do que acontecia em França,

e quando é encontrada é dispendiosa. Porém, esse é um

investimento que Vítor Lima está disposto a fazer para que o

resultado final corresponda às suas expectativas.

O nosso entrevistado está numa “fase de experimentação”

com bebidas e doçaria: “estou a testar um produto regional:

bombom de vinho verde e bombom com aguardente velha

de Ponte de Lima. Bebidas é uma aposta que faço pouco

a pouco. É regional e é identitário. Ponto de Lima não é só

gastronomia”, remata.

A empregar seis colaboradores (contando com a esposa), o

empreendedor refere não se incomodar com a concorrência.

De facto, até recomenda os seus colegas quando sabe que

estes serviriam melhor um cliente. O importante é a união

pela divulgação dos vários produtos de qualidade que Ponte

de Lima tem para oferecer.

O futuro da Arte do Lima ainda não está bem definido. O

proprietário tenciona abrir outro espaço mais pequeno,

com um conceito diferente, “mais gourmet e com produtos

regionais”.

Para concluir a nossa conversa, Vítor Lima convida os leitores

a visitar Ponte de Lima, a vila mais antiga de Portugal, e

conhecer a gastronomia e todas as outras ofertas. “Venham

à Arte do Lima, experimentem um conceito de pastelaria

diferente, que aposta em matérias primas inovadoras e de

excelente qualidade. Experimentem o Folar Limiano, provem,

façam a degustação e dêem-nos a sua opinião, boa ou, o

que só por pura hipótese se coloca, má, que é assim que nós

crescemos”, terminou.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 129


ponte de lima, a vila mais antiga | instituto britânico de ponte de lima

“Orgulhamo-nos de ter contribuido

para que vários alunos estejam agora

em cargos muito importantes”

A trabalhar diariamente por uma melhor formação da comunidade na língua inglesa, Helena Távora assume a direção pedagógica do Instituto

Britânico de Ponte de Lima. Com alunos de várias faixas etárias, desde jovens até aos adultos, o instituto privilegia o ensino do inglês de forma

diferente do que é efeito nas escolas, onde a base principal é a estrutura gramatical. Em entrevista à Revista Business Portugal, Helena Távora fala

do início deste projeto e das bases que pretende lançar para o futuro.

deixavam-na desmotivada em relação às suas funções.

“O ensino oficial não me dizia nada, estava desmotivada.

Naquele momento surgiu a oportunidade de concretizar o

meu sonho de ter uma escola de línguas. Muitos alunos

aqui em Ponte de Lima, que queriam ir para a universidade,

passavam um ano a preparar-se para exames, e um deles

era de língua inglesa. Eles não tinham as bases nem faziam

ideia do que esperar do exame. Então fui convidada para

ajudar. Quando surgiu esta oportunidade, pela Associação

de Pais da Escola Técnica de Ponte de Lima, não hesitei.

Entretanto, houve uma comunicação com o Instituto Britânico

de Braga para abrir aqui uma seção em Ponte de Lima. Como

tinha sido aluna lá e depois de ter concluído vários cursos no

estrangeiro, fui convidada”, explica a diretora pedagógica do

instituto.

Com a vontade de ajudar a fazer a diferença na sua área de

vocação, desde cedo Helena Távora tentou fazer do Instituto

Britânico de Ponte de Lima uma referência.

“O Instituto Britânico e a Associação Luso

Britânica de Ponte de Lima remontam a

1979. Tentamos sempre gerir isto da melhor

forma, estão aqui muitas horas pessoais. E

os bons resultados compensam este esforço.

Somos a única escola de Ponte de Lima

oficial ligada a Cambridge. Em 2011 e 2012

participamos num concurso de Cambridge,

onde mandamos várias fotos daqui da escola

e do que estávamos a fazer, e fomos a única

escola do Instituto Britânico a nível nacional

a participar na revista da Universidade de

Cambridge, que circula em todo o mundo. A

partir daí, já recebemos mais dois prémios,

por termos os melhores resultados em vários

níveis. É isto que nos motiva”, afirma.

Helena Távora Diretora pedagógica

Num mundo em que o inglês é cada vez mais uma permissa base para um

futuro no mercado de trabalho, são também cada vez mais os interessados

em aprender ou desenvolver conhecimentos da língua. No Instituto Britânico

de Ponte de Lima têm essa oportunidade, em moldes que vão para além

do que é feito no ensino corrente nas escolas. “Neste momento, temos 256

alunos aqui em Ponte de Lima e mais 30 na secção de Arcos de Valdevez.

Temos vários níveis e faixas etárias aqui”.

O início do projeto, pela mão de Helena Távora

Ligada desde sempre à aprendizagem e ensino de línguas, Helena Távora

chegou naturalmente ao lugar de professora. No entanto, os métodos usados

130 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


instituto britânico de ponte de lima| ponte de lima, a vila mais antiga

O sucesso e resultados

Com a preocupação de oferecer aos alunos uma formação

de qualidade na língua inglesa, o Instituto Britânico de Ponte

de Lima orgulha-se de ter feito parte do percurso de alunos

que atingiram o sucesso nas suas carreiras profissionais.

“Orgulhamo-nos de ter contribuído para que vários alunos

estejam agora, espalhados pelo mundo, em cargos muito

importantes. E foi o inglês que lhes abriu as portas. Sintome

muito orgulhosa porque para além de fazer o que gosto,

contribuo para a comunidade, para que outros arranjem

trabalho”, esclarece Helena Távora.

Reconhecidos pelo trabalho que desenvolvem, vão vendo

com satisfação as alterações que já se vão tentando fazer no

ensino oficial. “Felizmente, os programas nas escolas já estão

a mudar, mas ainda se mantém errado o facto de o programa

não estar adaptado aos alunos, porque as turmas são muito

grandes e o professor não consegue chegar a todos. É um

programa que se baseia muito na estrutura gramatical. Mas

creio que, felizmente, muitos professores já levam para a

escola outras ideias e tentam impô-las. Aqui, para além da

preocupação com o ensino, também nos esforçamos por

gerir os nossos horários de acordo com as necessidades dos

alunos, para que eles tenham tempo para estudar para outras

disciplinas, se for necessário, e para que possam fazer outras

atividades, de deporto e lazer, porque é importante que eles

se sintam bem, sem isso, não têm motivação suficiente para

se aplicarem”, explica a diretora pedagógica.

Com um passado e um presente de sucesso, com bons

resultados reconhecidos em Portugal e no estrangeiro, o

Instituto Britânico de Ponte de Lima pretende continuar

a fazer a diferença na formação de jovens e adultos.

“Felizmente, tenho pessoas que estão já ligadas aqui,

que poderão continuar o trabalho, que passa pela

certificação acima de tudo, pelo preparar alunos para terem

conhecimento da língua num nível avançado. O meu receio

é que isto fuja um pouco deste âmbito. A associação foi

fundada com muito amor e queremos encontrar uma pessoa

que a dirija também com esse amor”, conclui Helena Távora.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 131


VIANA DO CASTELO

Quem veraneia por Viana do Castelo depara-se com uma

cidade que é o encontro entre o rio Lima, o oceano Atlântico

e a natureza. Nas ruas circulam os amistosos vianenses, aos

quais é fácil dirigir a palavra. Neste concelho, capital de

distrito, encontra-se boa gastronomia, locais de visita turística e

estabelecimentos hoteleiros, cuja qualidade fazem o hóspede perder

a vontade de lá sair.

Cada vez mais são os turistas que se atrevem a visitar esta

localidade, atraídos inicialmente, talvez, pela segunda capital do

país, mas que se apercebem, rapidamente, das potencialidades das

cidades que a circulam. Este crescimento de visitantes mobiliza

a economia local e desenvolve-a, beneficiando a cidade e os seus

habitantes.

Nestes meses em que o bom clima impera, a qualidade de vida de

Viana do Castelo é ainda mais óbvia, sentida na segurança do

viver urbano, no ar que se respira límpido (ou não fosse o Anel

Viário que circunda o centro antigo da cidade e os vários parques

de estacionamento subterrâneos, que contribuem enormemente para

a organização dos automóveis, desimpedindo a superfície e dando

lugar à mobilidade pedonal) e na paisagem verdejante envolvente.

O património natural, monumental e histórico é paragem

obrigatória. Aos visitantes recomenda-se o Convento de São

João do Monte, o Chafariz que se situa no centro da Praça da

República, a Ponte Eiffel, o Forte de Santiago da Barra, o

Elevador de Santa Luzia que o levará ao Santuário da Santa

Luzia, o qual se ergue imponente no alto do monte e de onde se

vislumbra toda a magnífica cidade. De referir, ainda, o Navio-

Hospital Gil Eannes e o Porto de Viana do Castelo, o qual

ainda projeta a sua influência como um dos principais portos

portuenses da pesca do bacalhau do século XX.

Os espaços culturais foram cuidadosamente mantidos e

modernizados (teatros, cinemas, biblioteca e museus), atos justos

para a capital do folclore português, onde a louça e os bordados

fazem as delícias daqueles que procuram artesanato original.

Viana do Castelo é recomendável para viver, visitar e trabalhar.


viana do castelo | sambiental

“Ajudar na construção de um ambiente

saudável”

A Sambiental tem como filosofia de trabalho a prestação de um serviço de qualidade, com a maior segurança e ao melhor preço, visando a máxima

satisfação dos clientes. No mercado há mais de 20 anos, apresenta-se como empresa líder nos setores de limpeza de saneamento, recolha de resíduos e

desentupimentos. Ao longo dos anos tem vindo a acumular experiência, investindo na formação dos colaboradores e na constante renovação da frota.

Localizada em Viana do Castelo, estende a sua atividade à zona norte do país e tem a decorrer o processo de implementação do sistema de gestão

da qualidade, tendo em vista a sua certificação, de acordo com a NPEN ISO 9001:2015.

Administração

Manuel Ribeiro iniciou o seu percurso

profissional ainda jovem. Passou por

vários setores de atividade e atualmente

é o administrador de uma das empresas

líderes no mercado da área da limpeza de

saneamento, desentupimentos e recolha

de resíduos. Com mais de 20 anos, a

Sambiental reúne a experiência, rapidez e

técnica para executar serviços de prevenção,

manutenção e reparação na área do

saneamento a nível doméstico e industrial.

Situada em Viana do Castelo, abrange a

região norte do país e conta com parceiros

noutros locais. “Fazemos a manutenção,

limpeza e desobstrução de infraestruturas

de drenagem de águas residuais e pluviais,

transporte de resíduos para a ETAR e

estações elevatórias a nível industrial.

Quando há alguma obstrução ou outro

problema de saneamento a nível doméstico,

nós vamos resolver”, adianta Manuel Ribeiro.

Com clientes particulares, empresas e

entidades, destacam-se os municípios que

solicitam os serviços da Sambiental pela

eficiência e confiança. “A nossa principal

política é manter os clientes e executar as

tarefas, não interferindo no trabalho dos

parceiros”, defende.

134 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


sambiental | viana do castelo

Equipa disponível para emergências

Numa área em que os imprevistos são constantes, a

Sambiental encontra-se preparada para atuar rapidamente.

A experiência acumulada ao longo de duas décadas, o

investimento na formação dos meios humanos e a constante

renovação da frota tem garantido a fórmula de sucesso.

“Tudo isto implica uma logística muito grande, temos que

ter profissionais qualificados e todos os equipamentos

necessários. Quando surgem várias urgências no mesmo

dia, temos que mobilizar equipas rapidamente, apesar das

distâncias físicas. A frota deve ser adequada a determinado

serviço, por isso atualmente contamos com mais de 15 hidro

aspiradores entre outras viaturas”, avança o administrador.

A procura e escolha dos serviços da Sambiental é explicada

pela resposta rápida e eficiente e ainda pela disponibilidade

dos meios, mesmo em situação de emergência.

Uma equipa empenhada faz toda a diferença, por isso,

Manuel Ribeiro acredita que é essencial reunir todas as

condições para atender as necessidades dos que solicitam os

seus serviços. Atualmente conta com 24 técnicos experientes

apesar da dificuldade em contratar mão de obra qualificada.

“Temos que dar formação internamente e adequar os meios

para responder às necessidades dos clientes. Alguns já

estão cá desde o início e tentamos manter os postos de

trabalho, com um bom ambiente e espírito de entre ajuda”,

explica o administrador. Os profissionais passam por um

processo de aprendizagem constante e exigente para que

consigam executar um bom trabalho, sendo acompanhados

por técnicos de engenharia e segurança que contribuem para

uma evolução gradual.

A saúde em primeiro lugar

O empresário vianense é elogiado por todos os colaboradores

pela sua transparência, simplicidade e preocupação

com as condições de segurança e saúde em que estes

operam. Desta forma, destaca-se como o primeiro e

único em Portugal a lutar pelos direitos e saúde daqueles

que diariamente correm o risco de serem infetados pela

Leptospirose. Esta é uma doença infeciosa causada por uma

bactéria, a Leptospira, transmitida ao ser humano através

de uma picadela de um rato ou contacto com a urina. “Nos

serviços de saneamento é muito provável os trabalhadores

terem contacto com este tipo de epidemia e contraírem a

doença. Existe uma vacina que após administrada previne

este tipo de doença. No entanto, ao contrário do que

acontece em outros países, não é possível aceder a ela

em Portugal”, denuncia Manuel Ribeiro. Esta realidade já

foi relatada nos meios de comunicação social e a luta do

empresário já dura há alguns anos, porém os medicamentos

para o tratamento da Leptospirose continuam inacessíveis

no mercado nacional. Em países como França ou Espanha,

as empresas desta área são obrigadas a vacinarem os seus

trabalhadores, correndo o risco de encerrarem por falta de

condições de higiene e segurança no trabalho.

“Tenho lutado por esta causa que é já uma obrigação em

alguns países mas ainda não conseguimos que a enviassem

para cá. Foi-nos comunicado pela entidade responsável

local que esta vacina não está contemplada

no Sistema Nacional de Saúde e que para

já não é possível. Sugeriram a empresa

a levar os trabalhadores até estes países

para receberem o tratamento”, esclarece.

Só em Viana do Castelo já foram registadas

mortes devido a esta epidemia que preocupa

empresários e colaboradores. Numa

profissão como esta, o risco é constante e a

segurança deve ser privilegiada, por isso a

luta continua até serem obtidos os resultados

pretendidos. Para já, a empresa faz os

possíveis e fornece todos os equipamentos e

vestuários adequados aos trabalhadores.

Preocupação com o ambiente

Um dos lemas da Sambiental é “contribuir

hoje para um futuro ambiental sustentável”.

Uma preocupação constante que obriga a

empresa a cumprir certos requisitos como

reencaminhar os resíduos para destinos

autorizados, como as ETAR. A importância de

atribuir um fim adequado a estes resíduos

é partilhada por vários clientes particulares

e empresas. Desde indústrias até aos

particulares nota-se que existe preocupação

com o destino final dos resíduos que são

recolhidos nas suas instalações. Esta é

uma obrigação legal e o contributo de todos

é relevante para a preservação do meio

ambiente.

A empresa dispõe ainda de vários

equipamentos tecnologicamente

desenvolvidos no âmbito da limpeza,

desobstrução e inspeção de vídeo de

tubagens domésticas e industriais. Além

de eficazes, garantem o melhor preço aos

clientes que reconhecem a qualidade e o

profissionalismo.

Perspetivas futuras

Com a ambição de se tornar líder no seu

setor de atividade, a Sambiental continua a

investir em tecnologias de última geração e

na formação contínua e desenvolvimento da

força de trabalho para prestar um serviço

de excelência. “Estamos num processo de

certificação, o que é muito importante porque

além de obtermos mais conhecimentos

transmitimos isso aos clientes. É uma maisvalia

e damos mais garantia, qualidade e

confiança”, asseguram.

O filho dos administradores, com apenas 16

anos, já demonstra interesse em seguir as

pisadas do pai e associar-se a esta empresa

que se encontra num bom caminho para o

crescimento.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 135


viana do castelo | cunha bastos

inovação e excelência

Fundada em 1984, por Guilherme da Cunha Bastos, a Cunha Bastos é hoje uma empresa de

sucesso gerida por Maria da Conceição Ramos, e seu filho João Guilherme Bastos.

É em 1996, que Maria da Conceição Ramos toma as rédeas do negócio

quando o seu marido, Guilherme Cunha Bastos, falece, vítima de um brutal

acidente de viação. Assim a professora de química que não tinha até ao

momento qualquer ligação à empresa, apresenta o seu plano para lhe dar

continuidade.Todos os seus colaboradores se mantêm com ela, e, logo no ano

seguinte, a empresa apresenta um dos melhores resultados de sempre!

Com o passar dos anos, a empresa tem vindo a implementar-se no mercado,

diversificando cada vez mais a sua atividade e apostando, fortemente,na

inovação e na formação dos seus colaboradores, o que lhe tem valido a

atribuição de vários prémios e o reconhecimento no seu mercado de trabalho.

Por todo este percurso de reconhecido mérito, Maria da Conceição Ramos,

é galardoada com o Prémio Empreendorismo no Feminino do Alto Minho

Business Awards 2017.

Já com João Guilherme Bastos na administração da empresa, e continuando

a ter como princípios a competência, o profissionalismo e o compromisso,

a Cunha Bastos tem vindo a realizar obras de referência, no âmbito

da eficiência energética, como é o caso da reconversão de luminárias

convencionais por LED’s em várias cidades, nomeadamente, Porto, Viana do Castelo,

Valença e Esposende, iluminação monumental com tecnologia LED, no convento de Cristo

em Tomar, no Castelo de Palmela e no Escadório da Senhora dos Remédios em Lamego,

entre outras.

Atualmente, tem em execução uma obra da qual muito se orgulha por toda a sua

especificidade e valor, enquadrada no Programa Polis Litoral Norte, em Esposende.

No âmbito da sua atividade, esta empresa assegura o seu compromisso no cumprimento

de todas as disposições do Sistema de Gestão da Qualidade e Ambiente, bem como os

requisitos estatutários e os regulamentares.

Assim, está certificada desde 1999 na NP EN ISO 9001 e encontra-se em processo de

certificação na NP EN ISSO 14001, reforçando assim as suas preocupações ambientais.

Prémio Empreender no Feminino Alto Minho Business Awards 2017

Maria da Conceição Ramos Administradora, junto ao busto do fundador

136 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


solicitadora cláudia cerqueira | viana do castelo

“A nossa profissão é indissociável da

palavra responsabilidade”

No ano em que comemorou nove décadas de existência, a Ordem dos Solicitadores e dos Agentes de Execução (OSAE), outrora designada de

Câmara dos Solictadores, realizou em Viana do Castelo, o seu VII Congresso, que reuniu meio milhar de profissionais. Por entre a multidão

estava Cláudia Cerqueira, uma jovem solicitadora vianense, que considera este tipo de eventos uma mais-valia para os profissionais da área e para

a população.

Cláudia Cerqueira Solicitadora

Entramos nas instalações de Cláudia Cerqueira onde fomos

amavelmente recebidos. Passamos da sala com balcão

para a sala de reuniões, um espaço mais recatado, onde

a solicitadora nos recebeu de sorriso rasgado no rosto.

Sentamo-nos e demos início à entrevista.

Cláudia Cerqueira, natural de Nogueira, Viana do Castelo

frequentou a licenciatura de solicitadoria na Escola Superior

de Tecnologia e Gestão (IPP), que lhe permitiu o ingresso no

estágio, findo o qual se inscreveu como solicitadora. Antes

de ingressar no curso e de ter a certeza de que esta era a

profissão que queria exercer revela que durante alguns anos

ponderou seguir psicologia, mas no momento da candidatura,

“o gosto pela vertente jurídica da vida quotidiana”, levou-a a

colocar solicitadoria no topo da lista. “Foi uma escolha que

tomei, da qual nunca me arrependi”, acrescenta.

Tornou-se solicitadora generalista e em 2015 abriu as portas

do seu escritório, colocando-se ao serviço da população. No

seu percurso já fez de tudo um pouco, mas reconhece que

os serviços que mais gosta de trabalhar são os registos e

notariado, uma vertente que considera “complexa, mas muito

motivadora”. A carteira profissional é alargada: contratos,

procurações, requerimentos, certificação de fotocópias,

autenticação de documentos, reconhecimento de assinaturas,

doações, compras e venda, partilhas, registos prediais,

comerciais e automóveis, constituição de sociedades

comerciais e cobranças de dívidas são alguns dos serviços

que presta.

Questionada sobre a importância das formações e

congressos - mais precisamente sobre o VII Congresso dos

Solicitadores e dos Agentes de Execução, organizados pela

OSAE, Cláudia Cerqueira reconhece o valor deste tipo de

eventos quer para os profissionais, quer para a população

em geral. “Ainda há falta de consciencialização sobre aquilo

que é a carteira de serviços de um solicitador. Somos muitas

vezes esquecidos no meio de notários e advogados, duas

profissões que embora tenham alguns serviços em comum

com os solicitadores, são entidades profissionais distintas”,

comenta a interlocutora. Considera que a OSAE tem vindo

a fazer um esforço muito grande para informar a população

sobre o papel da profissão e que este encontro foi a prova

viva de que está a agir nesse sentido. Para Cláudia Cerqueira,

o congresso veio abrir a oportunidade à população de

intervir, de colocar questões e de ouvir respostas da boca de

profissionais. Para além disso, entende que todos os eventos

que permitam a junção e colaboração de profissionais da

área acrescentam valor a todos os participantes. “É salutar

percebermos que podemos aprender uns com os outros e

ter a perceção de que existem formas de trabalhar distintas.

Neste congresso tomaram-se decisões importantes e

fomentou-se um espírito de colaboração e de partilha de

experiências. Uma mais-valia para todos nós”. Outra medida

que apontou sobre o Congresso foi o local escolhido para a

sua realização. Entende que é importante descentralizar este

tipo de eventos dos grandes centros urbanos e levá-los até

outros pontos do país.

O balanço que faz do seu percurso é positivo. Garante que

enquanto profissional nada lhe traz maior satisfação do

que “ver os olhos de um cliente a brilhar no culminar de

um processo, isso a par com a entrada de um novo cliente

no escritório que chega por recomendação de um outro”.

Finaliza dizendo que a profissão de solicitador “é indissociável

da palavra responsabilidade e do bem-fazer em prol da

população”.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 137


viana do castelo | henry service e baú das marias

Um caminho traçado com

inovação e trabalho

Henrique da Fonte e Nazaré Vieira são um casal que partilha a mesma visão empresarial e a vontade de inovar nos negócios. Deste interesse

comum nasceram dois investimentos em áreas distintas, mas complementares no que toca ao espírito empreendedor: a empresa de apoio eletrónico,

venda e reparação de equipamentos fitness, Henry Service e o Baú das Marias, uma loja de produtos étnicos.

Henrique da Fonte iniciou a Henry Service há 15 anos,

quando acabou o curso. Contudo, só quando ficou sem

emprego é que se dedicou de forma afincada a desenvolver

a empresa. Atualmente, a firma está direcionada para

a prestação serviços de apoio nas áreas da eletrónica

e da mecânica, sendo especializada na reparação

de equipamentos fitness. “Fazemos instalação de

videovigilância, alarmes e montagem de automatismos.

Mas a nossa principal ‘fonte de alimentação’ é o fitness.

Prestamos serviços de venda, reparação e manutenção a

ginásios e particulares. Somos agente comercial da empresa

BH fitness”, referiu o responsável. A empresa foi crescendo

a um ritmo cadenciado, mas sustentável, fruto do muito

trabalho de Henrique e Nazaré e também das parcerias

estabelecidas com outras entidades. “Temos

protocolo, atualmente, com a Vianamatic,

na área da automação, com a Eletrilevo no

mercado de vigilância e segurança e com

a Eletroborlido na área da eletricidade. São

os nossos parceiros diretos que nos deram

trabalham e sustentaram a Henry Service

enquanto davamos os primeiros passos na

área de fitness ”, explicou. Já com clientes

espalhados por todo o país, a Henry Service

destaca-se da concorrência, segundo os

seus fundadores, pela abrangência de

marcas com que trabalha, por ser celere a

dar uma resposta ao cliente e por ter uma

logística pequena, que permite cumprir os

prazos definidos.

Artigos ecléticos e alternativos

O outro projeto desse casal é o Baú das

Marias. O estabelecimento, localizado em

Viana do Castelo, foi inicialmente idealizado

para a comercialização de vestuário

reutilizado. “A loja tem três anos e meio e

foi criada para dar vida a um projeto que já

estava em mente há vários anos, embora

sem certezas de que daria certo . Estive

uns anos a gerir duas lojas de usados e

daí trouxe a vontade de aliar o conceito do

usado a um espaço de decoração vintage,

idealizado e elaborado por nós. Reutilizamos

todos os móveis e objetos que tinhamos

nos sotãos de familia”, referiu Nazaré Vieira.

“Passados três anos, deixamos para trás o

conceito vintage e damos uma nova vida ao

Baú das Marias, focando-nos mais em produtos étnicos, como roupa boho/

hippie indiana, cristais e minerais, incensos e outros artigos de aromoterapia.

Temos bijuteria étnica, candeeiros de sal dos himalaias e decoração

budista. Comercializamos também material de apoio a terapeutas de reiki,

cristaloterapia e meditação. Em cima da mesa, temos alguns projetos para

um futuro próximo que passam pela criação de um espaço de terapias e uma

maior aposta em vendas online com a criação de uma loja virtual.

Novas perspetivas de desenvolvimento

Embora satisfeitos com o atual estado de desenvolvimento das duas marcas,

Nazaré Vieira e Henrique da Fonte já traçaram alguns planos de futuro. No

que toca à Henry Service, os responsáveis gostariam de poder criar uma rede

de técnicos com representantes em todo o país. “Neste caso, o que faltam

são contactos com pessoas que queiram desenvolver o próprio negócio,

em que lhes é disponibilizada a plataforma e a imagem. O nosso objetivo é

alcançar um grande volume de clientes e alargar o nosso campo de ação, o

que implicará a contratação de técnicos que serão formados e orientados por

nós, visando a prestação de serviços a outras empresas/marcas da área”,

referiram. Já no caso do Baú das Marias, os passos futuros passam por focar

ainda mais o negócio na área das terapias e produtos holísticos e passar do

espaço físico para uma loja exclusivamente digital.

138 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


Da proximidade com o cliente

à construção

José António Parente Lda | viana do castelo

Raquel Parente é Engenheira Civil e responsável pela empresa José António Parente Lda.- empresa da qual fala com muito amor, não fosse mesma

criada pelo pai, José António Parente. Numa entrevista à Revista Business Portugal, afirma que gosta do contacto direto com o cliente, pois é assim

que se chega aos bons resultados e se pode colmatar qualquer falha, até porque a qualidade do resultado final das obras depende muito do cliente.

O que distingue a José António Parente

ambições futuras?

Lda. das restantes empresas do setor?

Felizmente, a construção civil está a crescer

A nossa humildade é o nosso cartão de

de novo. Contudo, às vezes queremos

visita. Trabalhamos muito a nível familiar, não

um subempreiteiro e não se arranja,

é em vão que temos pessoas empenhadas

contrariamente ao que acontecia há uns

Raquel Parente Administradora

e um sócio gerente sempre presente no

terreno. Medida que consideramos de

extrema importância, pois cada vez há

verbas mais apertadas e se não estivermos

a par de tudo, só teremos prejuízo. Portanto,

acompanhamos todas as obras do início ao

fim.

tempos. As pessoas têm vontade de investir,

mas ainda com algum receio devido à

conjuntura atual do país, por isso investimos

com precaução.

No futuro queremos continuar a desenvolver

um bom trabalho, crescer com razoabilidade

e ponderação, mas sempre nesta base, ou

seja, nunca indo além do que o nosso alvará

Gostaríamos que começasse por nos

dizer como nasce a empresa e qual é a

A construção civil enfrentou em Portugal

uma fase de enorme recessão. Como foi

Como se afigura a construção civil

de momento e quais são as vossas

e estrutura nos permitem.

vossa principal atividade.

ultrapassar esse período de crise?

A empresa surge, primeiramente, pelas mãos

Foi bastante difícil, como em todas

de uma sociedade com mais elementos.

as empresas do ramo que felizmente

Mais tarde, o meu pai, José António

sobreviveram. Mas a nossa arte e engenho,

Parente funda uma nova empresa em nome

aliada ao espírito empreendedor que nos

individual, por entender que estava na altura

move, permitiu-nos “ajustar as velas e remar

certa de se lançar por sua conta e risco.

contra a maré”.

A nossa principal atividade insere-se no

mercado das obras públicas e particulares

Que obras realizadas pela José António

ao largo de todo o território nacional.

Parente Lda. podemos conhecer?

Atualmente a nossa estratégia tem-se focado

Temos inúmeras obras realizadas de norte

na realização de obras públicas. Construímos

a sul do país, cada uma delas com a sua

e reconstruímos habitações, urbanizações e

importância. Contudo, por uma questão de

infraestruturas.

respeito e salvaguarda da privacidade dos

nossos clientes, não vamos de forma alguma

É Engenheira Civil de formação. O

citar nomes ou mencionar edifícios, que

que a fez ingressar por este caminho

todos nós conhecemos e até utilizamos no

profissional?

nosso dia-a-dia. Aquilo que nos importa não

Eu nasci, vivi e cresci no seio da construção

é que seja do conhecimento público a autoria

civil, setor pelo qual me apaixonei e que me

da obra, mas que a satisfação do nosso

fascinou desde o primeiro instante. Quando

cliente esteja sempre garantida.

no meu percurso académico chegou o

momento de escolher um rumo, optei pela

Qual o projeto que mais gostou de

engenharia civil. Decisão da qual nunca me

concretizar?

arrependi e que me tem trazido ao longo

É difícil responder a isso, os projectos têm

dos tempos realização pessoal e progressão

muito a ver com as pretensões de quem

profissional. Por vezes, o trabalho exige

está do outro lado, portanto é muito difícil

muito de mim, mas no final é compensador.

responder a essa questão.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 139


viana do castelo | entreportas

Serviço de qualidade e proximidade

em prol do cliente

Fruto de um estudo intensivo e uma análise extensiva do mercado imobiliário em Portugal, um grupo de investidores, liderado por Ricardo Costa,

decidiu, em 2004, criar a EntrePortas - grupo de mediação imobiliária. Este projeto único, sediado na zona norte do país, nomeadamente em

Viana do Castelo, procura oferecer aos seus clientes um atendimento único, personalizado e com a capacidade de aconselhar e acompanhar todos

os processos intimamente ligados as necessidades do mercado imobiliário. Ou seja, o objetivo da ENTREPORTAS é, desde a sua fundação, ser

empresa líder na área da mediação imobiliária, dentro dos mercados em que atua, oferecendo um serviço de qualidade e inovador.

E a visão de mercado em que assenta

toda esta postura é, na realidade, bastante

simples e eficaz. Analisar o mercado de

ativos imobiliários, de forma transparente

e objetiva, no quadro legal em vigor,

estabelecendo uma relação de confiança

com o cliente assente em elevados padrões

de competência. Todo este processo é

alicerçado numa estrutura extremamente

bem preparada, com colaboradores

munidos, permanentemente, com todas

as ferramentas essenciais para poderem

responder, de forma imediata, a todas

as necessidades dos potenciais clientes.

Destaca-se, neste quadro de mais-valias,

a formação de todos os elementos que

constituem a ENTREPORTAS. Com um

modelo de sucesso estabelecido, com

bases sólidas - fruto de um conhecimento

partilhado – e a motivação inerente à forte

expansão e capacidade de progressão de

carreira, todos os elementos que compõe

a ENTREPORTAS estão capacitados para

levar a bom porto todas as oportunidades de

negócio em que estão envolvidos, garantido,

sempre, os melhores resultados para as

partes envolvidas. Com a segurança de

saber que dentro de portas a hierarquia

estabelecida permitirá, sempre, conciliar

todas as vertentes deste trabalho com o selo

140 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


entreportas | viana do castelo

de qualidade pretendido. E neste sentido,

existem dois detalhes fundamentais em todo

o processo. A existência de uma diretora

processual, que acompanha e forma os

clientes em todos os trâmites burocráticos.

Existe a consciência que grande maioria

dos clientes procura uma primeira casa,

ou seja, o maior bem pessoal que podem

adquirir. E é necessário ter a capacidade de

saber guiar os potenciais compradores em

todas as tarefas até à escritura. O facto de

a empresa empregar uma formadora nos

seus quadros é também um ponto-chave

em todo este processo. Todos os elementos

comerciais são submetidos a um período

de formação e adaptação. Permite, não

só, uma adaptação a todas as vicissitudes

inerentes a este trabalho, como é garantia

que todos os elementos da equipa terão um

comportamento idóneo e de encontro ao

que a marca veicula. Tal como nos afirma

Hugo Pinto, diretor da ENTREPORTAS, “os

comerciais são os verdadeiros embaixadores

da empresa e o primeiro contacto com os

novos clientes”. E é esta preocupação e

dedicação constante que garante o sorriso

de todos os clientes.

E o sucesso desta aposta tem sido

retumbante. Desde 2004, a ENTREPORTAS expandiu a sua área de

abrangência de forma constante, fruto de uma estratégia de consolidação

da marca e proximidade dos seus clientes. Em 2006, surge uma segunda

loja em Viana do Castelo - ENTREPORTAS Viana Centro. Em 2007, o grupo

continua a sua expansão na região norte de Portugal com a abertura de uma

nova agência imobiliária, no concelho de Marco de Canaveses. Em 2008,

regista-se mais uma inauguração. Desta feita, a ENTREPORTAS abre mais

uma agência imobiliária na região norte, na cidade da Póvoa de Varzim. Em

2011, a aposta recai em Caminha. E, em 2015, a ENTREPORTAS chega a

Vila do Conde. Mas não só. Com uma forte aposta no mercado online, o

site www.entreportas.pt/ tem à sua disposição um vasto leque de oferta

imobiliária. Atualmente encontram-se cerca de 3.000 imóveis

disponíveis para consulta.

Um retrato fiel de uma empresa empreendedora e próativa

que se afirmou de forma clara e inequívoca no

mercado e que promete não ficar por aqui. Com cerca de

20 colaboradores só nas duas lojas em Viana do Castelo, a

ENTREPORTAS é uma empresa em franca expansão, com

uma presença abrangente em toda a zona Norte e fiel aos

seus princípios e valores, desde o primeiro dia. Tudo para que

a “Nossa casa seja a sua casa”!

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 141


BRAGA

Com mais de dois mil anos de história, Braga alia a tradição à

inovação e a memória à juventude. Nesta cidade minhota, não

deixe de visitar o Santuário do Sameiro, o Bom Jesus e a Falperra,

importantes espaços religiosos rodeados de amplos espaços verdes e

belas paisagens para a cidade.

O legado romano é outro dos fatores atrativos de Braga,

frequentemente apelidada de ‘Roma Portuguesa’, fruto da sua origem

na cidade romana de Bracara Augusta. A cidade é conhecida pelas

suas muitas igrejas, pelas imponentes casas do século XVIII, jardins,

parques e espaços de lazer. Visitar Braga é fazer uma viagem no

tempo dentro da modernidade. Cidade antiga e de religiosidade

tradicional - sempre imponente na sua riqueza - Braga vive de mãos

dadas com o empreendedorismo e espírito jovem em áreas tão vitais

como a cultura, o comércio, a gastronomia, a indústria e os serviços.

A beleza natural e o património edificado são o cartão de visita da

capital minhota, mas Braga também se tem destacado pelo afluxo

de investimentos e fixação de empresas dos mais variados setores. A

cidade tem criado oportunidades de investimento, melhorado as suas

infraestruturas e incentivado empresários a investirem e sediarem as

suas empresas no coração do Minho.

O plano estratégico adotado parece estar a surtir o efeito pretendido:

desenvolver Braga e torná-la num ponto de referência empresarial no

mapa de Portugal. Nos últimos três anos têm-se criado sinergias onde

o empreendedorismo tem sido valorizado, em prol da dinamização

económica do concelho. Também ao nível dos serviços é uma cidade

que concentra em si a excelência e qualidade.

Jovem, inovadora e surpreendente, Braga espera por si!


aga | aijm - agentes de execução

“Somos muito mais que apenas agentes

de execução”

A AIJM – Agentes de Execução, tem-se vindo a afirmar no mercado. É por muitos tida como uma profissão fria e calculista, no entanto, nesta

entrevista Júlio Reis, Agente de Execução da empresa em parceria com Isabel Miranda e Marta Pinheiro, desmistifica todo este ‘estigma’ que existe

à volta da mesma. Afirmam-se como uma marca de prestígio, com uma estratégia e uma visão ampla do mercado e da sociedade em geral. Como tal,

têm agora vários projetos em vista, projetos esses que o leitor ficará já a conhecer. São profissionais informados e com um sentido humano apurado,

empenhando-se, por isso, a cada projeto e a cada pessoa.

Isabel Miranda e Júlio Reis Agentes de execução

O agente de execução – “Não é estigma, é

desconhecimento”

Pode parecer a qualquer cidadão que um agente de

execução (mais conhecido como o profissional que faz as

penhoras) é alguém frio e como o próprio diz, em tom de

brincadeira, “uma pessoa sem coração”. No entanto, estes

profissionais agindo no interesse da justiça são também um

motor económico, como intervenientes principais na recuperação de créditos, credibilizando o sistema jurídico/económico. A

celeridade, competência e honestidade são essenciais para o desenvolvido económico, para o investimento e, essencialmente,

para que as pessoas acreditem no sistema judicial. No mundo em que hoje se vive, uma grande parte da sociedade perdeu a

objectividade e o discernimento por falta de cultura e, sobretudo, por desconfiança nas Instituições estatais e governamentais.

Assim, o papel destes profissionais, para além da cobrança coerciva que é o fim principal da execução, passa também por

uma actuação humana, informando os devedores sobre os seus direitos, de modo a que cada um possa preservar a dignidade

e, na medida do possível, resguardar os bens. “Não corresponde à verdade a imagem construída por quem está de fora.

144 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


aijm - agentes de execução | braga

O alcance é muito maior que isso. A nossa missão é levar o conforto social possível aos deserdados da

fortuna nacional, não a defesa stricto sensu mas a informação para que não morra o desejo de satisfazer os

credores e não nasça o estigma da culpa. A informação é a melhor defesa. Ao credor, o Direito, ao devedor,

a obrigação”, explicação esta proferida por Júlio Reis que, de seguida, mostrou o seu agrado e realização

profissional quanto ao caminho que escolheu para a sua vida, pois exerce uma profissão que torna a justiça

eficaz e possui humanidade – “às vezes a palavra certa é fundamental ao recomeço da uma vida”.

As instalações e o novo anfiteatro – “Da discussão nasce a luz”

Chegada às instalações da AIJM, a equipa da Revista Business Portugal deparou-se com um espaço amplo,

de cores fortes, onde todos os elementos que compõem esta equipa gozam de condições excelentes.

Instalações estas que são o reflexo das pessoas e das mentes que as habitam. “Inicialmente tinham um

aspecto mais austero, amplo e impessoal. Depois, reformamos os espaços e pintamo-los com as cores que

nos definem, de modo a torna-los uma extensão de nós próprios, do coletivo.”

Destaca-se o seu papel interventivo, com opiniões formadas e vincadas sobre a conjuntura sócio-económica e

cultural. Assim, projectam a construção brevemente de um anfiteatro que dê corpo a uma ideia já muito antiga

de realização de colóquios, reuniões e formações, ou, como diz Isabel Miranda, “para tudo o que caiba no

anfiteatro e que gere discussão. A discussão de assuntos é fundamental, para desenvolver o sentido crítico de

cada um e fazer com que cada pense individualmente”.

Júlio Reis reitera ainda que estão abertos a qualquer tipo de discussão, desde “um livro, a um prato... Somos

muito ativos na nossa classe, criticamos, escrevemos, e também o queremos ser na sociedade civil. Um

anfiteatro é um espaço que nos dá outra dimensão e nos põe com outro à vontade.”

A sociedade bracarense, segundo o nosso interlocutor, é bastante ativa, com muitos grupos de discussão

sobre variadíssimos temas e dando às pessoas motivos e espaços próprios para incitar e fomentar o

conhecimento, as pessoas acabarão por aderir.

A AIJM – “O nosso trabalho falou sempre por nós”

A AIJM nasce depois de muito trabalho e de uma visão ampla que se dirigia a todos. “Trabalhávamos 14 a 16

horas por dia, a empresa não nasceu do pé para a mão”, explica Júlio Reis, alicerçou-se na competência e

determinação, investimento humano e financeiro: “tivemos

visão estratégica e muita resiliência, sabíamos o que

queríamos e acreditámos. Mas mesmo assim todos os dias

renovamos e inovamos, porque nada é perfeito. O erro faznos

crescer. ”

A empresa conta com cerca de 30 elementos, entre agentes

de execução, administrativos e advogados. Têm capacidade

técnica e humana para trabalhar no país inteiro, incluindo as

ilhas, que lhes permite acompanhar o processo do princípio

ao fim, sem recurso a delegação de actos.

“Agir e trabalhar com total independência, granjeou-nos

respeitabilidade e confiança dos agentes económicos”.

A comunicação pronta com os intervenientes processuais

é outra das características. “É a nossa maneira de estar.

Evitam-se problemas e fomenta a confiança. Estas regras

que são simples e eficazes fizeram-nos progredir, tornandonos

grandes mas não enormes”, diz convicto.

Como pessoas informadas, sempre com uma palavra, a

entrevista à Revista Business Portugal, passou também

por um manancial de temas que surgiram com a conversa,

deixando a vontade de voltar e, quem sabe, frequentar o tão

aguardado projecto cultural. Esta é uma profissão bastante

abrangente e com uma utilidade social incomensurável. Da

discussão nasce a luz. As portas da AIJM estão abertas a

todos, são um horizonte para lá da execução.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 145


tema | empresa

Onde melhor investe o seu capital

Com um ano e meio de existência e sede na cidade de Braga, esta leiloeira abrange processos de todo o país e oferece transparência, rigor e

profissionalismo a todos os que nela confiam o seu capital. Foi numa visita às instalações desta empresa que mais ficamos a saber sobre ela e sobre

esta atividade.

para os negócios particulares. Sendo uma leiloeira que trabalha com a devida

autorização da Direção Geral das Atividades Económicas, esta empresa

consegue trabalhar com mercados de todo o país, tornando-se encarregada

de venda de determinado produto e tendo como objetivo principal a sua

promoção e venda no mais curto espaço de tempo.

Leiloeira acreditada

A Capital Leiloeira surgiu como uma oportunidade de negócio quando se depararou com a realidade de

na zona norte do país ainda não existirem empresas a colmatar esta necessidade. Desta forma, a Capital

Leiloeira presta aos seus clientes diversos serviços na recuperação e liquidação de ativos, nomeadamente,

inventariação e avaliação de bens, divulgação dos bens e organização e realização da venda. Promove vendas

judiciais ou extrajudiciais através das modalidades de leilões presenciais, leilões online, carta fechada e/

ou negociação particular de imóveis, veículos automóveis, equipamentos industriais e agrícolas, mobiliário

habitacional, comercial e industrial. De referir que, pese embora o aconselhamento por parte da Capital

Leiloeira, a modalidade de venda é escolhida normalmente pelo cliente.

Na visita realizada à Capital Leiloeira percebemos que esta trabalha muito com liquidações e insolvências

(cerca de 80 por cento do trabalho é realizado com administradores de insolvência) mas que também há lugar

Isenção, transparência e bons negócios

São os três pilares basilares desta organização. Aqui existe atendimento

personalizado onde todas as necessidades dos clientes em termos de tempo

de ação e dificuldades específicas são atendidas, oferecendo a melhor e

mais eficaz solução para se atingir um determinado objetivo. A aposta na

transparência também é uma realidade, visto que é sempre apresentada

toda a informação disponível sobre os bens e oportunidades de negócio que

esses bens podem gerar, ou seja, todos os intervenientes são inteirados do

bem em questão. Para garantir um melhor e mais consciente ambiente de

compra e venda, a Capital Leiloeira organiza grande parte dos seus leilões

públicos nos locais onde se encontram os respetivos produtos. Aqui o objetivo

é sempre dar dinâmica à venda, isto porque, os bens por vender resultam

em grande prejuízo para os credores, seja pelo pagamento de impostos, seja

pela constante degradação a que estão sujeitos. Por questões de estratégia, a

Capital Leiloeira tenta sempre vender os seus produtos por lotes e, a verdade,

é que existem diversos investidores profissionais nesta área de atividade, que

veem nestes negócios uma forma de rentabilizarem o seu capital.

146 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


empresa | tema

Menos processos, maior valor em investimentos

Com a recuperação económica e financeira do país, tem-se assistido a um fenómeno neste

setor de atividade: o número de liquidações e insolvências diminuiu, no entanto, denota-se

mais procura para investir e confirmam-se as vendas de bens por valores superiores aos

praticados em tempo de austeridade. A Capital Leiloeira que também vende estabelecimentos

comerciais na sua totalidade, permite a recuperação de uma empresa através de novos

investimentos, permitindo a não desvirtualização da sua atividade. Para esta leiloeira um bom

negócio acontece quando alguém investe dinheiro e consegue a curto ou médio prazo realizar

mais-valias. Para isso, a estratégia passa por tentar atribuir um valor acrescido aos bens em

leilão, mostrando aos seus potenciais compradores as mais-valias de o adquirir. Num local

onde existem dois tipos de clientes distintos: o que compra e o que vende e percebendo

que ambos têm que sair satisfeitos depois da negociação, a divulgação é um patamar

importantíssimo e a Capital Leiloeira sabe que os diversos órgãos de comunicação social são

uma ferramenta muito útil para o sucesso da sua atividade. Por fim, resta apenas dizer que

a Capital Leiloeira se assume como uma aposta de confiança para tratar da venda de todo e

qualquer tipo de bens.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 147


aga | nka - new knowledge advice

Desenvolvimento de soluções

tecnológicas inovadoras

A NKA – New Knowledge Advice é uma empresa tecnológica que concebe e desenvolve soluções globais orientadas para transformar os negócios

dos seus clientes, tornando-os mais aptos a responder às crescentes exigências dos mercados. António, Manuela, João Magalhães e Nuno Gomes são

sócios fundadores desta empresa. Foi com António e Manuela Magalhães que a nossa revista esteve à conversa por forma a conhecer os projetos que

estão a ser desenvolvidos pela NKA.

António e Manuela Magalhães Administradores

António e Manuela Magalhães para além de sócios são

também um casal. Autoconsiderado um ‘produto da

Universidade do Minho’, ele é formado em Engenharia de

Sistemas e Informática e ela em Gestão. Depois de 25 anos

a trabalhar numa empresa (também fundada por António

Magalhães, juntamente com três sócios), decidiram investir

num projeto próprio, inovador e que fosse ao encontro do

que ambos pretendiam da sua vida enquanto empresários.

Depois de uns meses em viagem pelo mundo, regressaram e

fundaram a NKA.

Do iAdministration à Economia Digital

Os produtos e serviços que a NKA projeta e instala focalizamse

na otimização dos recursos humanos e materiais das

organizações públicas e privadas com quem colabora,

desenvolvendo-os em função das necessidades dos clientes,

de forma personalizada e em ambiente amigável. Exemplo

disso é o primeiro projeto a ser desenvolvido por esta

organização: o iAdministration. Este projeto foi pensado para

colmatar uma necessidade evidenciada na Administração

Pública local que, ao contrário da Administração Central,

não possui uma plataforma de apoio online que facilite a

sua utilização. Este projeto foi desenvolvido em conjunto

com a Universidade do Minho e está em processo de

implementação em Angola e no Brasil (São Paulo).

A par disso, e em cooperação com empresas e instituições

de reconhecida qualidade que alargam o leque da sua

oferta, a NKA dedica-se ao desenvolvimento de software, à

implementação de sistemas e à consultoria e formação. A

Economia Digital é uma das grandes apostas atuais da NKA

e o desenvolvimento de marketplaces uma solução inovadora

que tem sido adotada por municípios como Braga (I Shop

Braga), Barcelos (Barcelos Plaza) e Porto (LivingGaliza). Estes

projetos são desenvolvidos em conjunto com associações

representativas do comércio. Curiosamente, a União Europeia

fez um inquérito sobre boas práticas realizadas em Portugal

em 2017, na área da economia digital, e este projeto foi

considerado um dos mais interessantes, nesta área tendo

sido objeto de análise. Por isso mesmo, a NKA encontra-se

a tentar implementar esta ideia em mais cidades do país (e

também no estrangeiro, como em França, Itália e Bélgica),

uma vez que o comércio tradicional é um setor que necessita

148 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


nka - new knowledge advice | braga

deste tipo de iniciativas e modernização para recuperar a sua sustentabilidade e continuar a

dar vida aos centros comercias urbanos.

Aposta na promoção dos produtos típicos das regiões e na promoção turística

Apesar de a NKA ser um projeto recente alicerçado em elementos de larga experiência e

formação na área da TI e Gestão de Projetos, a NKA também desenhou um conceito inovador

na área da promoção digital de produtos típicos regionais (sejam eles agroalimentares ou de

artesanato). Com este enquadramento, ganhou um concurso internacional para a promoção

dos produtos típicos do Algarve - Algarve Store Business Online - plataforma de negociação

e venda, num modelo de negócio B2B e B2C, direcionada para a concretização de negócios

e venda direta aos consumidores finais e empresas. Esta plataforma surge assim como um

novo instrumento de apoio às PME da Região do Algarve, através da implementação

de uma estratégia que estimule a procura e o alargamento dos mercados, nacional

e internacional, através de modelos de negócio ancorados na economia digital,

implementados pela NKA.

Welcome Braga é o nome de um portal que também se encontra em fase de

desenvolvimento e que oferecerá um conjunto de ações que terão como objetivo

final a consolidação de uma marca turística para a cidade de Braga e na promoção

turística da oferta da citada, nas diversas tipologias da oferta. Aqui, todas as

atividades e roteiros disponíveis na cidade, estarão acessíveis por forma a facilitar

a experiência de turistas e visitantes. Conseguir uma agregação da oferta, no

mesmo portal, é a essência deste projeto que também já foi proposto no estado

de Pernambuco (Brasil), estando neste momento em fase de análise, para possível

implementação.

De destacar que a NKA se encontra numa fase de implementação de uma nova

imagem e de uma nova estratégia de promoção, onde o seu futuro passa por

“potenciar todos os projetos que temos criado e desenvolvido (os que foram

referenciados e outros que ainda estão para ser lançados em 2017). Será de

referenciar que apesar dos investimentos internacionais efetuados nos mercados de

língua portuguesa (Angola, Moçambique, Brasil e Timor) não estarem a ter o retorno

devido a conjunturas difíceis e algumas com previsões prolongadas de duração, a

NKA, está a tentar mercados europeus, mais difíceis e competitivos, estando já a ter

alguns resultados, nomeadamente no mercado Suíço.

Durante os últimos três anos tivemos que adquirir muito know-how e investir

muito, agora queremos procurar a “estabilização”, concluíram os entrevistados que

garantiram, em entrevista, ser o desafio constante, inerente a esta profissão, a razão

que os motiva a continuar: “Procuramos, todos os dias, para além de melhorar,

transformar”, finalizaram.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 149


aga | one imo - new knowledge advice

One Imo – 2 anos a vender

casas com paixão

O Grupo One foi fundado, há dois anos, por Carlos Dantas e pela sua esposa Regina Sousa. Por um lado, temos a One Imo, dedicada à mediação

imobiliária. Por outro lado, temos a One Eventos. Falamos-lhe, nesta página, da One Imo, dos serviços prestados e do estado do setor imobiliário

no distrito de Braga (onde se encontra sedeada esta empresa).

Carlos Dantas, responsável pela One Imobiliária, é um

profissional com larga experiência na área da mediação

imobiliária. No seu currículo conta com uma vasta experiência

em marcas nacionais e internacionais e, após 10 anos num

grupo reconhecido, decidiu apostar numa marca própria.

Sobre esta sua decisão o empresário esclareceu-nos:

“As marcas são boas para quem quer internacionalizar e

expandir. Para quem quer trabalhar o mercado local e dedicar

mais tempo à família, esta empresa chega”.

Este é um negócio de pessoas. Quem o diz é Carlos Dantas,

nosso entrevistado para esta edição: “Nós não vendemos

nada, nós mediamos a venda entre uma pessoa e outra”,

acrescentou.

Para além dos clientes vendedores e dos clientes

compradores, a verdade é que o proprietário da One Imo

tem vários exemplos de pessoas que entraram na sua

loja como potenciais clientes e saíram como amigos. Isto

devido à sua postura, bem como da sua equipa, perante o

mercado: “Quando os imóveis são angariados faço questão

que os meus colaboradores os conheçam bem, de trás para

frente. Não admito que nenhum comercial não conheça o

produto. É necessário conhecer muito bem o produto por

forma a conseguir garantir todas as mais-valias aquando de

uma abordagem de um possível cliente comprador. A nossa

abordagem pretende ser diferente, nós não gostamos de ser

persistentes”, garantiu.

Braga em constante crescimento

O mercado imobiliário em Braga está em forte expansão.

Por vários motivos, mas principalmente porque Portugal está

na moda. O nosso país é constantemente procurado por

cidadãos estrangeiros e, no caso de Braga, por brasileiros.

“Tudo o que há neste momento vende-se. Há mais procura

do que oferta. Tem entrado muita gente em Braga nos vários

domínios: académico, empresarial e industrial”. As razões

são simples: Braga é uma cidade barata, segura, jovem e,

portanto, muito atrativa para viver ou para investir.

Segundo o nosso entrevistado este é um bom momento

para comprar casa, visto que voltaram em força os apoios

bancários. Já o mercado de arrendamento, para além de ser

mais difícil e exigente, encontra-se numa má fase: “bateu no

fundo”, afirmou Carlos Dantas.

Esta imobiliária, que trabalha o distrito de Braga, pretende

diferenciar-se das demais e, por isso, para garantir uma

maior proximidade com os seus clientes, são organizados

diversos eventos na loja de atendimento ao público, localizada

em Braga, que pretendem a promoção de convívio e de bemestar

entre a equipa da One Imo e os seus parceiros.

“Vender casas com paixão” é o lema desta casa que se

encontra a recrutar 3 colaboradores para integrar a equipa.

No que diz respeito ao futuro: “Quero arranjar um espaço,

para atendimento ao público, no centro da cidade, e este

funcionará como back office. A longo prazo, pretendo que

este seja um legado para os meus filhos. O meu objetivo é

proporcionar-lhes boas condições de vida e deixar-lhes um

legado a funcionar bem. Depois cabe-lhes a eles decidir o

que fazer”, finalizou.

150 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


one psicomotricidade e one eventos | braga

One Psicomotricidade e One Eventos

– Duas respostas essenciais em Braga

Também pertencentes ao Grupo One, encontram-se a One Psicomotricidade e a One Eventos. Duas respostas inovadoras e essenciais para o distrito

de Braga. Regina Sousa é a responsável por estas duas entidades e foi com ela que a Revista Business Portugal esteve à conversa por forma a

perceber quais os serviços disponibilizados e promovidos.

A One Eventos é uma empresa profissional fundada pela

paixão na área dos eventos, com uma equipa dedicada,

bem preparada e muito versátil baseada em três vetores:

o profissionalismo, o sentido de responsabilidade e a

diferenciação. Para além dos tradicionais casamentos e

batizados, aqui também se organizam diferentes e animadas

festas de aniversário: “Só fazemos festas em locais com

espaço exterior. As festas são temáticas e nós fornecemos

o mobiliário e a decoração bem como o serviço de catering.

Temos parcerias com vários locais: como o Externato Paulo

VI e o Solar do Areal, por exemplo”, explicou-nos a nossa

entrevistada.

Ainda sobre as festas de aniversário, Regina Sousa,

aproveitou a conversa com a nossa revista para desmistificar

o valor que está por detrás destes eventos: “O valor é

acessível a todos e ronda entre os 8€ e os 11€ por criança”,

revelou. Os menus bem como toda a decoração são

personalizados e os próprios pais podem usufruir da festa,

ao mesmo tempo que se mantêm “de olho nos pequenos”.

De acrescentar que toda a comida que sobra é entregue aos

pais do aniversariante.

Um apoio-extra nas escolas

Na área da psicomotricidade, o Grupo One trabalha

diretamente com as Câmaras, dando formação aos

professores e acompanhando todo o processo de ensino e

aprendizagem. Fornece, também, todo o material para que

as aulas decorram como o planeado, garantindo que todas

as escolas, mesmo as das aldeias mais afastadas, tenham

acesso ao material necessário para estas aulas. A par disso,

esta entidade acompanha a organização das festas escolares,

dando apoio na preparação dos espetáculos temáticos

próprios dos dias festivos: “A minha equipa desloca-se às

escolas por forma a ensaiar as coreografias com os alunos”,

confidenciou a ex-professora de Educação Física.

A primeira Câmara Municipal a aderir a este serviço inovador

foi a de Famalicão: “Desenvolvi o meu projeto em 72 escolas,

dando formação aos professores mensalmente. Agora

também trabalho com outras câmaras”, adiantou.

Segundo Regina Sousa este serviço veio colmatar algumas

lacunas existentes no ensino: “A Educação Física, no

pré-escolar, ainda é vista como um “entreter meninos” e

nós damos mais seriedade a esta disciplina”, garantiu a

empresária que se assume feliz e realizada com este projeto:

“Adoro o que faço. Dei o grande passo de sair do ensino

para assumir este projeto e desde então que é como se

tivesse deixado de trabalhar. Neste mês temos 18 festas para

realizar”, contou orgulhosa.

De acrescentar o serviço de insufláveis prestado, também,

pelo Grupo One. Esta empresa dispõe de insufláveis que

utiliza nos eventos que organiza ou aluga individualmente:

“Apostamos em insufláveis diferentes, tanto em tamanho

(médios, grandes e gigantes) como em atividades e cores.

Dispomos até de uma discoteca insuflável para os mais

pequenos”, finalizou Regina Sousa.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 151


egião do ave | ourivesaria confiança

A tradição e a arte por terras do ouro

Decidimos visitar o Minho. Desta vez foi Póvoa de Lanhoso – terra do ouro – o nosso destino. E, para representar o ouro da região, estivemos com

Sérgio e Ângela Mendes, proprietários da Ourivesaria Confiança, localizada em plena Avenida 25 de Abril. A Revista Business Portugal dá-lhe

a conhecer a história deste casal, a sua ligação ao ouro, as novas decorações da loja, bem como os desejos futuros.

Sérgio e Ângela Mendes Proprietários

Sérgio Mendes nasceu numa família de

ourives e cedo seguiu as pisadas do pai ao

juntar-se a ele na Ourivesaria Confiança: já

lá vão 17 anos. O negócio atravessou várias

fases e até algumas crises, “principalmente

quando fecharam algumas empresas

importantes da região, da área da confeção

por exemplo, e quando deslocalizaram

a universidade. Tudo isso nos abalou”,

recordou o empresário.

A zona, conhecida e reconhecida pelo

trabalhar da filigrana, já não tem o número

de ‘artistas’ que tinha outrora. O trabalhar do

ouro resume-se a alguns persistentes que

não abandonaram a arte para se dedicar à

prata ou a outros artigos de moda.

Ouro: será sempre uma boa aposta

O casal – Sérgio e Ângela Mendes – possui

uma pequena unidade de produção, que

funciona apenas por encomenda ou para

reposição de stock. Entendidos neste ramo

de atividade garantem que investir em ouro

compensa. “Essencialmente a longo prazo,

porque é um investimento que valoriza

com o tempo”. Ainda durante a entrevista,

o casal deu-nos conta de que o ouro “está

novamente na moda”, depois de a prata o

ter ultrapassado nos tempos mais austeros

da crise económica atravessada nos últimos

anos.

A tradição da filigrana mantém-se viva na

região graças à aposta que tem sido feita

pela Câmara Municipal na sua promoção.

“A Sala de Interpretação da Filigrana, que

foi inaugurada há pouco, é uma maisvalia

para esta tradição”, reconheceu o

nosso entrevistado ao mesmo tempo que

confidenciou que a tradição da filigrana

também tem acompanhado a evolução dos

tempos com “peças mais arrojadas”, sempre

respeitando a natureza tradicional das peças

em filigrana.

Aspeto renovado e marca própria

17 anos depois da abertura ao público, a

Ourivesaria Confiança sofreu, no início deste

ano, remodelações por forma a conseguir

adquirir um aspeto mais clean, moderno,

amplo e atrativo aos mais jovens. “O nosso

objetivo foi conseguir atrair a população

mais jovem, agradando a todos ao mesmo

tempo. Temos agora uma imagem mais

clara e jovial”, explicaram, orgulhosos, os

proprietários do espaço.

Também nesse seguimento, as marcas que

representam são diversificadas e respondem

a diferentes públicos. Falamos, a título de

exemplo, na área de relojoaria: da Seiko,

da Pulsar, da Lorus, da Watx, da Tous e da

Gant. Também o atendimento é todo ele

personalizado e individual. “Temos sempre

um mimo (pequeno desconto) para todos os

nossos clientes”, confidenciaram-nos.

Os vários anos dedicados à produção e

comercialização de artigos de ourivesaria

levou à criação de uma marca própria:

a Moments. Trata-se de uma marca de

alianças, em ouro ou em prata, que pretende

dar resposta aos pedidos e desejos de

todos quantos as queiram adquirir. “Não são

fabricadas por nós, são fornecidas através

152 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


ourivesaria confiança| região do ave

de uma parceria. Mas nós

personalizamos as alianças

à medida do que os clientes

querem”, explicou o casal.

No que diz respeito à

segurança, “esta é sempre

uma incógnita”, disseram.

“Mas não podemos viver

com esse receio constante.

Tentamos minimizar os

riscos recorrendo aos

métodos convencionais

neste tipo de atividades”,

concluiu Sérgio Mendes.

A iniciar agora uma das

épocas altas do ano – o

verão –, o casal deixou o

seu desejo para que esta

seja uma fase boa para os

comerciantes do concelho.

“Esperamos mais turismo

e mais movimento”,

finalizaram os nossos

entrevistados, mostrando-se

prontos e dispostos para,

pelo menos, mais 17 anos

nesta área de atividade.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 153


154 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


egião do ave | município de vieira do minho

Terra de encantos

Situado geograficamente numa zona de transição entre o Minho e Trás-os-Montes, Vieira do Minho é um concelho rural que possui um património

rico e um conjunto de usos e costumes tradicionais, resultado de uma herança com mais de 500 anos. Este pequeno concelho minhoto beneficia ainda

de um cenário natural invejável criado pela Serra da Cabreira, os rios, as cascatas e as albufeiras.

António Cardoso Presidente

A gastronomia vieirense é tão variada quanto o património natural e

cultural. Existem várias propostas tipicamente regionais. A vitela de

gado barrosã, o cabrito, o cozido local couves com feijões, o cozido à

portuguesa, o presunto, os enchidos, a broa de milho, os barquilhos,

o mel da Serra da Cabreira, são algumas propostas deliciosas e

tentadoras que Vieira do Minho tem para oferecer. Graças a toda esta

variedade, o concelho é o destino de eleição para quem gosta de

relaxar e de desfrutar da tranquilidade e dos prazeres da ruralidade.

Considerada o ex-líbris do concelho, é imprescindível descobrir a

Serra da Cabreira de forma a gozar de momentos únicos, desfrutar

da beleza paisagística e contactar com as várias espécies da fauna e

flora da região. Viva e plural, esta serra pode ser percorrida a pé ou

de BTT graças aos percursos pedestres e roadbooks que o visitante

pode adquirir na Loja Interativa de Turismo. Nos vales, as albufeiras

da Caniçada, Ermal, Salamonde e Venda Nova rasgam a paisagem

e estendem o seu manto azul por entre o verde da vegetação. As

suas águas calmas e cristalinas permitem a prática de um conjunto

diversificado de atividades náuticas. As lagoas de água límpida do

Rio Ave, bem como o espelho de água da Praia Fluvial do Ermal

são local de eleição para quem gosta de desportos náuticos. O

Teleski é uma estrutura invulgar e única no país. Em plena Albufeira

do Ermal, esta infra-estrutura oferece a possibilidade de praticar

wakeboard, mono-ski e kneeboard. Ainda de olhos postos na água,

há para descobrir os encantos da Albufeira da Caniçada a bordo do

barco de recreio ‘O Brancelhe’. Vieira do Minho é um concelho que

através da sua ligação às montanhas e ao rio se torna um paraíso

para aqueles que amam a natureza. Vieira do Minho orgulha-se de

possuir a Casa Museu Adelino Ângelo, um antigo solar emblemático,

símbolo da riqueza patrimonial ao serviço da comunidade local.

António Cardoso, presidente da Câmara Municipal desde outubro

de 2013 orienta a sua gestão tendo como premissa essencial o

bem-estar dos Vieirenses e para isso, tem como linha orientadora do

desenvolvimento do concelho a aposta na agricultura,

na floresta, e no turismo, permitindo, assim, o

crescimento da economia local e a criação de

emprego. Para promover estas três áreas, o Município

aposta em quatro grandes eventos anuais:

• A Agro Vieira é uma feira de agricultura, realizada

no primeiro fim de semana de junho, que valoriza

o setor primário e o mundo rural nas suas mais

variadas vertentes;

• A Feira da Ladra que decorre no primeiro fim de

semana de outubro é considerada um marco na

região e do programa de atividades constam as

chegas de bois, as corridas de cavalos, os concertos,

o folclore, as bandas filarmónicas, as concertinas, o

cortejo etnográfico, o espetáculo de pirotecnia, entre

outras atividades agrícolas, lúdicas e comerciais;

• O Mercado da Castanha é evento que se realiza

no fim de semana anterior ao 11 de novembro, e

tem por objetivo dar a conhecer as potencialidades

económicas da região, valorizar os produtos

característicos da época e aproximar quem produz

de quem consome, potenciando negócios para os

pequenos produtores do concelho;

• A Feira do Fumeiro é um evento que se realiza

no penúltimo fim de semana anterior ao Carnaval.

A par da comercialização do fumeiro produtos

da terra e artesanato, o certame conta ainda com um

vasto programa de atividades e muita animação musical.

Sob o lema ‘Presidente de Confiança’, António Cardoso

apresenta-se novamente como o candidato às próximas

eleições autárquicas, justificando a decisão no facto de ter

apresentado um “programa ambicioso, do qual me orgulho

ter cumprido”. António Cardoso enumera as diferentes

apostas ganhas nos últimos quatro anos, salientando,

desde logo, a realidade de ter construído “uma Câmara

mais próxima e aberta a todos, vocacionada para o ‘real

emprego’ e para o crescimento sustentado do concelho e

melhoria da qualidade de vida das populações e, acima de

tudo, sempre voltada para a economia local”. A bandeira da

criação de emprego,foi um marco deste mandato autárquico,

e António Cardoso confessou “ter feito uma aposta muito

grande no emprego garantindo mais de 400 postos de

trabalho, com a criação de dois Call Centers no concelho, e

a venda de todos os lotes no parque Industrial de Pepim”.

Não querendo levantar muito o véu para o próximo programa

eleitoral, António Cardoso expressa com firmeza, vontade

e confiança, “que o trabalho iniciado deve ter continuidade,

que os projetos ainda não estão terminados, e que Vieira

do Minho não pode parar motivos que me levam novamente

a apresentar-me com o mesmo objetivo de ver Vieira a

Crescer”.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 155


MUNICÍPIOS EM DESTAQUE

Nesta edição destacaremos três municípios empreendedores e

com fortes potencialidades de crescimento: Pampilhosa da Serra,

Proença-a-Nova e Castelo de Vide. E é pelas palavras dos líderes

de cada executivo municipal, que passaremos a conhecer melhor

os pontos de interesse em termos turísticos de cada município,

os projetos desenvolvidos no sentido de potenciar as mais valias

inerentes a cada património histórico único e que caracteriza

cada região, as iniciativas desenvolvidas ao longo do ano e que

dinamizam cada município em áreas distintas, como a cultura, a

gastronomia e/ou o artesanato, e que mobilizam toda a população,

sobre as dificuldades ultrapassadas e maiores desafios, bem como

os projetos e perspetivas de futuro para potenciar Pampilhosa da

Serra, Proençpa-a-Nova e Castelo de Vide nos próximos anos.

Motivos não faltam para visitar cada uma destas regiões e ninguém

melhor que os seus presidentes de câmara para o explicarem e o

deixarem seduzir pelos pontos que consideram cruciais nas suas

terras.

Nas páginas seguintes, conhecerá um retrato real desta realidade,

que o fará certamente querer conhecer cada um dos cantos

mais emblemáticos destes municípios, caracterizados pelo seu

empreendedorismo e inovação.

Leia, disfrute, faça as malas e visite estes pontos turísticos e

históricos únicos e de referência nacional.


municípios em destaque | município de proença-a-nova

Proença-a-Nova

no centro do encanto

Mais de 80 cento da área do concelho de Proença-a-Nova é ocupada por floresta,

constituindo um dos seus principais atrativos, potenciando o turismo de natureza

e atividades económicas ligadas a este sector, e sendo também uma preocupação

constante nos meses em que as temperaturas ultrapassam os 30º.

que haver disponibilidade de todos”.

A mancha verde que é marca do concelho de Proença-a-Nova é um

importante recurso, quer do ponto de vista empresarial, quer turístico, quer

ambiental. No primeiro caso, há hoje empresários que estão a criar riqueza

a partir da floresta, por exemplo com a extração de óleos essenciais de

pinheiro, eucalipto ou esteva, ou com a coleta e exportação de vários tipos

de cogumelos que aqui têm condições preferenciais de desenvolvimento.

Na área do turismo, as praias fluviais são um dos principais atrativos,

destacando-se a praia fluvial do Malhadal que tem um novo equipamento:

o Parque Aquático Fluvifun. “Estamos a inovar relativamente àquilo que foi

a construção desta represa e damos um carácter inovador às nossas praias

fluviais. Durante este ano vamos ter este equipamento que é diferenciador

e potenciador da nossa atratividade, quer para os nossos jovens e famílias,

quer para todos os que nos visitam”, considera João Lobo. Destaque ainda

para a praia fluvial da Fróia, que recebeu o galardão praia com Qualidade de

Ouro, da Quercus, a praia fluvial de Aldeia Ruiva, com oferta de Parque de

Campismo e Bungalows junto ao espelho de água, e para as zonas balneares

de Cerejeira e Alvito da Beira.

No mesmo entorno natural estão marcados e homologados sete percursos

pedestres de pequena rota, que cruzam os principais cursos de água do

concelho e monumentos históricos e culturais, e está em fase de marcação a

GR39: Grande Rota da Cortiçada, uma grande rota com 130 quilómetros que

alia a divulgação do território à passagem pelos alojamentos e restaurantes

do concelho. Paredes de escalada, saltos tandem de paraquedas, Centro

Ciência Viva da Floresta e o programa de animação de verão são apenas

outros dos motivos para visitar Proença-a-Nova, no Centro do Encanto.

João Lobo Presidente

Recentemente, o Município e a GNR dinamizaram um conjunto de ações de sensibilização sobre incêndios

florestais, proteção de pessoas e bens, com o objetivo de alertar a população para as exigências do Decretolei

n.º 124/2006, de 28 de junho. “Se pelo menos nos perímetros urbanos tivermos a condição de ter a gestão

do combustível tratada, libertamos o esforço do combate ao incêndio para a zona florestal”, salienta João

Lobo, presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, que defende que “com os últimos acontecimentos

é possível convocar motivação, reunindo condições, para se fazer uma efetiva reforma florestal”. Um dos

problemas prende-se com o abandono do território, havendo muitas propriedades negligenciadas. “Nos

últimos 40 anos, não tivemos a capacidade nem a condição de fazer uma efetiva gestão territorial e isso

vai ter que mudar. Ninguém vai apropriar-se do terreno do outro, mas a gestão tem de ser feita de forma

organizada por associações de produtores florestais, pelos proprietários de forma organizada ou por outras

entidades. Se não houver capacidade de intervenção pública, daqui a cinco anos, daqui a dois anos ou ainda

este ano vamos estar a lamentar-nos episodicamente de situações idênticas. É um projeto a médio prazo

porque não se conseguirá fazer num ano o que não se fez em quatro décadas, com a consciência de que tem

158 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


municípios em destaque | município de Pampilhosa da serra

“Pampilhosa da Serra,

inspira natureza”

Situado na zona centro do país, afastado da costa litoral, o concelho da Pampilhosa da Serra está mergulhado na natureza. Se para muitos o

interior é cada vez mais sinónimo de isolamento e desertificação, aquele que é o concelho com maior área do distrito de Coimbra aposta nesta

envolvência como o seu principal cartão de visita. Em entrevista à Revista Business Portugal, o vice-presidente da Câmara Municipal, Jorge

Custódio, fala do investimento feito nas áreas sociais, no aproveitamento e desenvolvimento do turismo e nas atividades realizadas para atrair mais

visitantes e dinamizar Pampilhosa.

Jorge Custódio Vice-presidente

O que distingue Pampilhosa da Serra? Qual o seu cartão

de visita?

Para quem não conhece, Pampilhosa da Serra é o concelho

com maior área do distrito de Coimbra. Geograficamente,

estamos entre Coimbra e Castelo Branco, tocando a norte

com a Serra da Estrela e a sul com o distrito de Leiria.

Pampilhosa da Serra tem um lado muito particular e nós,

em jeito de brincadeira, costumamos dizer que temos aqui

a cápsula do tempo, porque por aqui a natureza tem-se

mantido no seu estado puro. Claro que a nossa localização

tem um lado negativo, o de não estarmos tão juntos a uma

cidade, mas também é isso que nos diferiencia. Convidamos

as pessoas para virem cá porque, para além da natureza,

temos a qualidade das nossas águas: das cerca de 25 praias

de bandeira azul do interior, três estão aqui. O nosso cartão

de visita tem a ver com a natureza e com a qualidade, da

água e do ar. Aliás, o nosso slogan é “Pampilhosa da Serra,

inspira natureza”.

E a nível social, de que forma se distinguem?

Na área social ganhamos já um prémio de melhor sítio para

viver. Temos que criar condições para que quem cá vive ou

quer viver saiba que somos diferenciadores. Temos algumas

políticas a nível social que abrangem e apoiam muitas

pessoas: o apoio à natalidade que, embora já haja muitos

concelhos a fazer isso, nós fomos dos primeiros, o apoio na

educação, onde oferecemos os manuais escolares a todos

os alunos até ao 12º ano e isso acaba por ser um alívio no

160 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


empresa | tema

orçamento dos pais, que têm assim menos despesas, e o

apoio no envelhecimento ativo, que foi a alavanca que nos fez

ganhar esse prémio. Criamos um programa, o ‘Conversas de

Avós’, onde tinhamos o objetivo de tirar as pessoas de casa,

várias vezes por mês, para lhes dar aulas de informática,

aulas de alfabetização, convívio entra elas, intercâmbios

com pessoas de outras freguesias... se as nossas pessoas

mais idosas estão conosco, devemos dar-lhe condições para

estarem bem.

A questão do turismo é uma alavanca aqui para a

região?

Relativamente ao turismo, desde sempre estivemos

conscientes e entendemos que a natureza tinha que ser um

ponto de destaque, um aspeto para nos podermos diferenciar.

É certo que todos os concelhos têm natureza, mas não é só

ter, é preciso aproveitar o que ela dá e tirar partido dela sem

estragar. A nossa estratégia no turismo passa muito por aqui,

nomeadamente com percursos pedestres, sendo que neste

momento temos o festival das caminhadas, no qual a cada

ano que passa temos mais participantes e no qual temos

workshops também. Neste momento temos nove percursos

homologados, quatro percursos de BTT, com um centro

de BTT preparado para dar apoio aos praticantes. Muito

cientes de que este é o caminho, o que temos feito é uma

aposta na divulgação, nomeadamente com a BTL, na qual

já há cerca de seis ou sete anos que marcamos presença.

Neste momento já ganhamos dois prémios enquanto stand

e conteúdo, o que é muito significativo para o concelho. É

significativo também porque muitos dos postos de trabalho

criados nos últimos anos foram criados precisamente com a

questão do turismo, não só com o hotel, mas também com o

alojamento local e empresas de animação turística.

No que diz respeito às prais, temos três com bandeira

azul, três com bandeira acessível, que é mais um fator

de inclusão para todas as pessoas que têm dificuldades

de movimentação e que sabem que vão chegar aqui e ter

acesso à agua, e duas com bandeira dourada, qualidade de

ouro atribuída pela Quercus. Numa das praias que nós temos,

a da barragem de Santa Luzia, algumas análises que são

feitas lá, em água parada, têm o resultado de água potável.

Apostam também em atividades recreativas e de

lazer. Em relação a esta vigésima edição da Feira do

Artesanato, o que podemos esperar?

A Feira do Artesanato é coincidente com as festas do

concelho, o que significa que todos os caminhos vêm dar

aqui à Pampilhosa da Serra. Nós dividimos isto em três

setores, temos a feira de artesanto, que de ano para ano têm

tido mais procura por parte de artesãos, a da gastronomia,

na qual tentamos sempre ter todos os pratos típicos locais

e temos a parte da animação, com alguns nomes de cartaz

muito significativos. Este ano temos o André Sardet, que vai

fazer um concerto que esperamos que seja único, porque vai

tocar com a nossa banda filarmónica, o Emanuel, os HMB e

os Xutos e Pontapés. Isto tudo com entrada livre.

Outro dos nossos projetos é o sunset. Este festival aconteceu

para dar motivo aos mais jovens para cá virem, onde podem

ver grandes DJ’s nacionais e internacionais, e podem

ao mesmo tempo estar em convívio, com um parque de

campismo junto à praia, e que também é gratuito. Queremos

dar a conhecer à juventude a magia da natureza. Não tenho

dúvidas que este festival é único no país com este conceito,

desenvolve-se todo numa plataforma em cima do rio, de uma

das nossas praias. Durante os dias, temos várias animações,

com aulas de dança, fitness, jogos sem fronteiras, para terem

sempre o que fazer.

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 161


municípios em destaque | município de castelo de vide

“Um lugar mágico

que fica na memória”

A vila portuguesa de Castelo de Vide foi um dos pontos de paragem da nossa

viagem pela região alentejana. Junto do presidente da Câmara Municipal,

António Pita procuramos saber quais as estratégias da autarquia na promoção,

desenvolvimento e dinamização do concelho.

António Pita Presidente

Encontrando-se a terminar o primeiro mandato à

frente do concelho de Castelo de Vide importa saber

duas coisas. Em primeiro lugar: o que motivou a sua

candidatura à Câmara Municipal de Castelo de Vide?

E, em segundo lugar: O que podemos esperar de um

segundo mandato?

As razões que me levaram a candidatar encontram

justificação em dois motivos essenciais, o primeiro prendese

com o facto de ter sido vice-presidente da autarquia nos

mandatos anteriores, os quais foram fundamentais para

Castelo de Vide definir uma estratégia de desenvolvimento

global assertiva e em fase de consolidação. Hoje são

bem evidentes os benefícios daí advindos e o patamar de

responsabilidade que Castelo de Vide alcançou. O Concelho

ocupa um lugar de destaque no território regional onde

está inserido e é igualmente uma referência nacional

enquanto destino turístico. Ora, a experiência capitalizada, o

conhecimento profundo dos dossiers e a determinação para

que Castelo de Vide possa continuar a prosseguir o rumo

certo são outras razões fundamentais para a assunção da

responsabilidade da liderança do concelho.

Para o segundo mandato está em causa um conjunto de

obras estruturantes e de enorme responsabilidade financeira.

Nas áreas da reabilitação urbana, da cultura, do turismo e do

ensino, estão lançados desafios superiores a quatro milhões

de euros, facto que certamente será devidamente ajuizado

pelos eleitores do concelho.

Quais os principais projetos que foram desenvolvidos

pela Câmara Municipal de Castelo de Vide neste

mandato? Quais os que ficaram por fazer e serão

levados a cabo caso assuma um segundo mandato à

frente deste município?

Durante os últimos anos, Castelo de Vide tornou-se símbolo

de qualidade de vida – quem o refere é a Marktest, que

considerou Castelo de Vide como o concelho com melhor

qualidade de vida do país em 2016. Tal deve-se às suas

qualidades naturais e à estratégia de desenvolvimento do

município.

Uma das temáticas que tem sido responsável por muita da

dinamização turística de Castelo de Vide é a da memória

judaica, uma temática que a breve prazo ganhará dois novos

projetos: o Centro de Interpretação Garcia d’Orta e a Casa

da Inquisição, os quais entendemos serem determinantes no

reforço e complementaridade da oferta turística e cultural no

âmbito do turismo histórico e religioso.

Ainda no âmbito do turismo, a oferta será reforçada com dois

novos equipamentos museológicos: o Centro de Interpretação

do Megalitismo, a instalar em Póvoa e Meadas; e a Casa

da Cidadania Salgueiro Maia, um projeto que permitirá,

simultaneamente, a recuperação de património histórico

(uma vez que será instalado no Castelo), mas também a

preservação da memória do Capitão de Abril, que deixou em

voto testamentário o seu legado militar com o intuito de que

fosse musealizado. Neste âmbito, importa também considerar

que o investimento efetuado no domínio do turismo de

natureza, materializado na vasta rede de percursos pedestres

e em outros equipamentos desportivos associados a este

segmento, será complementado com a criação do Ecoparque

da Barragem de Póvoa e Meadas.

Neste mandato desenvolveu-se uma estratégia assertiva

e consolidada em torno da programação regular, a qual se

reflete numa agenda anual preenchida por eventos que lhe

trazem um grande afluxo de visitantes, tais como o Festival

Andanças, o Castelo de Vide Cup ou inúmeros eventos

desportivos e culturais.

Por outro lado, a Câmara Municipal encetou um conjunto de

obras em torno da regeneração urbana, seja na valorização

do espaço público ou ao nível da reabilitação de edifícios

e equipamentos, permitindo uma substancial melhoria da

imagem urbana.

A aposta no turismo tem sido uma realidade. Quais os

principais locais a visitar em Castelo de Vide? Quais as

162 REVISTA BUSINESS PORTUGAL


município de castelo de vide | municípios em destaque

pedestres (cinco pequenas rotas e uma grande rota) que permite contactar de perto com as

características naturais do concelho, mas que também potenciam a passagem por elementos

do nosso património.

Eventos de destaque também são notícia todos os anos.

vantagens turísticas deste concelho?

Castelo de Vide é um autêntico postal ilustrado. É uma vila incrivelmente bonita, com

património histórico-arquitetónico de grande valor: os monumentos megalíticos (antas e

menires) que atestam a antiguidade do lugar, o Castelo e o Burgo Medieval (séc. XIV), um

conjunto vasto de templos religiosos cristãos, dos quais se destaca a Igreja de Santa Maria

da Devesa (séc. XVIII), uma diversidade de fontes e fontanários, cuja Fonte da Vila (séc. XVI)

é considerada o ex-libris da vila. Porém, o elemento diferenciador de Castelo de Vide é o

seu legado judaico, refletido na Judiaria Medieval, onde é possível visitar a Sinagoga, hoje

transformada em museu, que nos permite saber mais sobre a comunidade judaica que aqui

habitou até ao séc. XVI.

Por outro lado, grande parte do concelho de Castelo de Vide está inserida no Parque Natural

da Serra de S. Mamede, facto que lhe confere características muito interessantes do

ponto de vista da fauna e da flora, bem como da paisagem. Existe uma rede de percursos

Encontrando-nos perto do festival Andanças 17 – que irá ser realizado entre os dias 8

e 11 de agosto, o que é importante dizer nesta altura?

O Festival Andanças é um dos vários eventos que integram o calendário anual do município.

Em 2017 será realizado na vila de Castelo de Vide, deixando, temporariamente, o espaço

privilegiado que é a Barragem de Póvoa e Meadas, onde o festival tem decorrido nos últimos

quatro anos. Terá uma dimensão menor, embora mantenha o espírito e a matriz diferenciadora

que carateriza este festival: promoção da dança e música tradicionais, conceito de família e

defesa dos valores da sustentabilidade ambiental.

Este ano o Festival tira um maior partido da proximidade e integração na comunidade local,

o que reforça a aproximação entre festivaleiros e residentes. O espaço de programação do

evento localiza-se num ponto geográfico da vila, que permite panorâmicas incríveis sobre

a região, bem próximo de um elemento do nosso património histórico-militar: o Forte de S.

Roque (séc. XVIII), aliando-se o lazer à fruição do património e da envolvência natural do sítio.

Qual a mensagem que pretende deixar aos seus munícipes? E qual o convite que

pretende fazer aos restantes leitores da Revista Business Portugal?

Aos munícipes deixo uma mensagem de agradecimento pela prestimosa colaboração,

essencial para ter elevado o nome de Castelo de Vide aos superlativos patamares onde hoje

nos encontramos. Este sucesso deve-se ao esforço, trabalho e dedicação que, ano após ano,

todos juntos temos vindo a realizar. Os visitantes que já conhecem sabem quais as belezas,

os sabores e os prazeres que o concelho oferece, pelo que uma revisitação traz sempre novas

e agradáveis descobertas. Aos novos visitantes deixo o convite para conhecerem um lugar

mágico que ficará na memória.

嘀 椀 瘀 攀 爀 愀 䠀 椀 猀 琀 爀 椀 愀

䴀 攀 爀 挀 愀 搀 漀 䴀 攀 搀 椀 攀 瘀 愀 氀

䌀 愀 猀 琀 攀 氀 漀 搀 攀 嘀 椀 搀 攀

倀 爀 愀 愀 䐀 ⸀ 倀 攀 搀 爀 漀 嘀

アパート 搀 攀 愀 最 漀 猀 琀 漀 愀 アパート 搀 攀 猀 攀 琀 攀 洀 戀 爀 漀 ㈀ 㜀

REVISTA BUSINESS PORTUGAL 163

More magazines by this user
Similar magazines