Revista Setembro 2017final2

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Setembroo /2017

Mariana

Revista Histórica e Cultural


A Mariana - Revista Histórica e Cultural é

uma publicação eletrônica da Associação

Memória, Arte, Comunicação e Cultural de

Mariana. O periódico tem o objetivo divulgar

artigos, entrevistas sobre a cidade de Mariana.

A revista é uma vitrine para publicação de trabalhos

de pesquisadores. Mostrar a cultura de uma

forma leve, histórias e curiosidades que marcaram

estes 321 anos da primeira cidade de Minas.

Mariana - Revista Histórica e Cultural Revista

Belas Artes é um passo importante para a

divulgação e pesquisa de conteúdos sobre a

cidade de Mariana. Esperamos que os textos

publicados contribuam para a formação de uma

consciência de preservação e incentivem a

pesquisa.

Os conceitos e afirmações contidos nos artigos

são de inteira responsabilidade dos autores.

Colaboradores:

Prof. Cristiano Casimiro

Cássio Vinício Sales

Bruna Santos

Thalia Gonçalves

Agradecimentos:

Arquivo Histórico da Municipal Câmara de Mariana

IPHAN - Escritório Mariana

Arquivo Fotográfico Marezza

Museu Paulista / Museu do Impiranga

Fotografias:

Cristiano Casimiro, Fábio Júlio,Vitor Gomes, Arquivo da Cãmara

Arquivo Marrrezza - Marcio Lima

Diagramação e Artes: Cristiano Casimiro

Capa: Brasão das Armas do Império - Câmara Municipal de Mariana

Foto - Cristiano Casimiro

Associação Memória Arte Comunicação e Cultura

CNPJ: 06.002.739/0001-19

Rua Senador Bawden, 122, casa 02


Indice

Marianenses que ajudaram na Independência do Brasil.

O Processo de Independência e a participação de Marianenses.

04

O Legado de Gomes Freire

Politico, Médico, Advogado e Professor

12

Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré

A Matriz de Santa Rita Durão

O último Tropeiro

A História de Sô Mário da Cachoeira

24

28


Independência ou Morte!, também conhecido como O Grito do Ipiranga, 4,15×7,6m, 1888, Museu Paulista

O artista Pedro Américo de Figueiredo e Melo terminou de pintar o quadro em 1888 em

Florença, na Itália (66 anos após a independência ser proclamada). Foi a Família Real que

encomendou a obra, pois ela investia na construção do Museu do Ipiranga (atual Museu

Paulista). A ideia da obra era ressaltar o poder monárquico do recém-instaurado império. A

tela foi encomendada pela família imperial para registrar o momento da independência do

Brasil ou grito do Ipiranga.

04


Marianenses que ajudaram

na Independência do Brasil

Cristiano Casimiro

˝Um povo sem memória é um povo sem futuro˝. A frase não é minha, está escrita no

Estádio Monumental David Arellano, Santiago – Chile, mas ela traduz, com clareza e

simplicidade, a importância da preservação da nossa memória .

A história de Mariana é entremeada por personalidades cuja expressão histórica requer

estudos e menções, sem os quais as novas gerações permanecerão privadas dos elementos

vitais, formadores da consciência cívica e da cidadania.

Em todos os momentos, as circunstâncias da nossa história inspiram homens que se

tornaram emblemáticos, lutando pela liberdade, Igualmente e a fraternidade.

Mariana possui credenciais para ser reconhecida como uma das cidades brasileiras que

tem oferecido ao País um expressivo número de personalidades com inegáveis dimensões

históricas.

A Independência do Brasil, , foi um dos mais importantes fatos históricos da História do

Brasil., tirou o Brasil da situação de colônia portuguesa, possibilitando sua independência

política e econômica. Este fato histórico contou com participação importante de alguns

Marianenses.

O processo de independência do Brasil foi mais complexo e menos apoteótico do que, a

imagem da tela do artista paraibano Pedro Américo, em sua obra mais conhecida, o famoso

quadro Independência ou Morte!, também conhecido como O Grito do Ipiranga.

No final do século XVIII e início do XIX, aumentaram no Brasil as pressões e descontentamento

contra o monopólio comercial imposto por Portugal ao Brasil. As elites agrária e

comercial brasileira desejavam liberdade econômica para poder ampliar o comércio de

seus produtos. Esta liberdade só seria obtida com a independência do país.

Outros movimentos e tentativas anteriores ocorreram e muitas pessoas morreram na luta

por este ideal. Podemos citar o caso mais conhecido: a Inconfidência Mineira (1789), com a

participação do poeta e advogado Marianense Cláudio Manoel da Costa .ardo defensor da

independência do nosso país.

No processo que culminou com a Independência do Brasil, ocorrida em 7 de setembro de

1822, tivemos a participação fundamental de três Marianenses , cuja a história e desconhecida

por muitos em nossa terra. São eles: Capitão-mor José Joaquim da Rocha, João

Severiano Maciel da Costa, Marquez de Queluz e o Felisberto Caldeira Brant Pontes de

Oliveira Horta, Marquez de Barbacena.

05


CAPITÃO-MOR JOSÉ JOAQUIM DA ROCHA

O Capitão-mor José Joaquim da Rocha,

do conselho de Sua Majestade o

Imperador, dignitário da ordem imperial

do Cruzeiro, nasceu na cidade de

Mariana, em Minas Gerais, em 19 de

outubro de 1777; fez seus estudos no

Seminário Nossa Senhora da Boa Morte e

com tanto aproveitamento, que com 16

anos de idade, por escolha de seu mestre

o padre Pascoal Bernardino de Matos,

tornou-se professor de latim. Casou-se

em 25 de abril de 1798.

Serviu vários cargos da governança e

ofícios de justiça, únicos empregos que

então havia em sua cidade natal, e com tal

perícia e bom desempenho que , foi

promovido ao posto de capitão-mor.

Em 1808, quando a família real portuguesa

chegou ao Rio de Janeiro, estabeleceu

como advogado na então capital; logo

se destacou como um dos mais hábeis

advogados de seu tempo, mesmo não

tendo a formação completa, tanto no cível

como no eclesiástico, o seu trabalho foi

sempre prestado gratuitamente aos

homens do foro, aos pobres, e às viúvas

desvalidas; e aos ricos mesmo só exigia o

pagamento de seu trabalho antes pelo

valor da causa do que pelo valor do

mesmo trabalho.

Em 1821, quando se proclamou no Rio de

Janeiro a Constituição de Portugal, o

capitão-mor Rocha aderiu a ela como o

meio mais seguro de manter-se a união

das províncias do Brasil, que por vezes

tinham dado mostras de quererem-se

separar uma das outras; nas primeiras

reuniões para a escolha dos eleitores que

deviam nomear os deputados às Cortes

Constituintes de Portugal foi ele sempre

contemplado; já para compromissário

paroquial, já para eleitor de comarca, e já

para eleitor de província; a província de

Minas o elegeu deputado suplente às

Cortes de Portugal.

No momento que antecedeu o 7 de

setembro 1822, fundou em sua casa o

Clube da Resistência, mais tarde chamado

de Clube da Independência, do qual

tomam parte alguns dos articuladores do

movimento no Rio de Janeiro, como José

Clemente Pereira, Luís Pereira da

Nóbrega de Sousa Coutinho, Luís de

Menezes Vasconcelos de Drummond,

entre

O clube liderado pr o José Joaquim da

Rocha começou a luta pela permanência

do príncipe Dom Pedro no Brasil . A de

José Joaquim da Rocha era conquista o

príncipe na causa da independência e

conseguir o apoio das províncias de

Minas , Rio e São Paulo.

"Agindo, conspirando, falando em clubes

políticos, secretos e até em reuniões, de

público; escrevendo em jornais e panfletos,

ou mantendo-se em constante

entendimento com seus amigos mineiros,

fluminenses e paulistas; estimulando

a formação da consciência nacional e

preparando ambiente favorável ao golpe

final, José Joaquim da Rocha se

multiplicou nessa época numa assombrosa

atividade e teve a seu lado outros

preciosos e destemidos colaboradores

de tão grata causa". Rocha Pombo:

Seu Clube da rua da Ajuda na cidade do

Rio de janeiro, fundado especialmente

para a propaganda da Independência, foi

efetivamente o centro indicador e propulsor,

de toda a ação libertária, e onde tudo

se tramou e movimentou, com segurança

de êxito, desde o regresso da Família

Imperial até a eclosão memorável do DIA

do FICO em 9 de janeiro, e mais tarde,

ainda, para o 7 de setembro de1822.

Após o fechamento da Constituinte por d.

Pedro I, em 1823, acompanha Bonifácio

em seu exílio na França. Eles mantêm

longa e sincera amizade. Morreu em 28

de janeiro de 1868, no Rio de Janeiro.

07


Vitor Gomes

JOÃO SEVERIANO MACIEL DA COSTA

Marquês de Queluz

joão Severiano Maciel da Costa nasceu

em Mariana - MG em 1760.

Formado em Direito pela Universidade

de Coimbra. Pertenceu ao Conselho de

D. João VI .

Ingressou na Magistratura e, em 1808,

alcançou o cargo de Desembargador

do Paço, no Rio de Janeiro. Nomeado

Governador da Guiana Francesa,

permaneceu no cargo de 1809 até

1819. Foi Conselho do Imperador D.

Pedro I, ministro do Império e do

Estrangeiro. Homem dedicado ao

números, período em que exerceu o

cargo de Ministro da Fazenda, entre

outras iniciativas, destacaram-se:

promulgação das primeiras leis orçamentárias,

criação do grande Livro da

Dívida Pública:

“O ministro de Estado da Fazenda,

havendo recebido dos outros ministros

os orçamentos relativos às despesas

das suas repartições, apresentará na

Câmara dos Deputados anualmente,

logo que esta estiver reunida, um

balanço geral da receita e despesa do

Tesouro Nacional do ano antecedente,

e igualmente o orçamento geral de

todas as despesas púbicas do ano

futuro e da importância de todas as

contribuições e rendas públicas”.

instalação da Caixa de Amortização,

Implantou a redução para 5% a cobrança

do quinto do ouro e criação da Em

18 de junho de 1827 criou a Alfândega

em Paranaguá. Alfândega é uma

espécie de Repartição Pública encarregada

de vistoriar bagagens e mercadorias,

além de cobrar os correspondentes

direitos de entrada e saída.

Escreveu vários livros entre os quais se

destacam:

Reflexões sobre a união das três

Guianas: Francesa, Portuguesa e

Hola desa, para formarem um reino

anexo ao governo do príncipe D.

João.

Ÿ Memória sobre a necessidade de

abolir a introdução dos escravos no

Brasil.

Ÿ O Barão do Rio da Prata nu e cru,

Ÿ Projeto de Constituição para o

Império do Brasil.

Foi um dos pilares da consolidação do

Brasil como país independente

08


FELISBERTO CALDEIRA BRANT PONTES

DE OLIVEIRA HORTA Marquês de Barbacena

Felisberto Caldeira Brant Pontes de Oliveira

Horta,Marquês de Barbacena, nasceu

em Mariana, 19 de setembro de 1772 —

13 de junho de 1842) foi um militar, diplomata

e político brasileiro.

Foi para portugal ainda bem jovem, na

capital portuguesa frequentou o Colégio

dos Nobres e, posteriormente, a Academia

de Marinha. Transferiu-se para o Estado-maior

do exército português e foi ajudante

de ordens do governador de Angola.

voltou ao Brasil em 1808 junto com a corte

de Dom João VI. Após a Independência

do Brasil foi nomeado encarregado de

negócios do Brasil em Londres, para tratar

do reconhecimento da independência

do Brasil pelo Reino Unido. Sendo, o primeiro

embaixador do Brasil.

Foi pioneiro da navegação a vapor, introduzindo

este tipo de navegação no Brasil,

também, foi o precursor das ferrovias

coma a máquina à vapor.

Depois ministro da Fazenda, ministro do

Império, deputado geral e senador do

Império do Brasil de 1826 a 1842.

Enviado como comandante-chefe das

tropas brasileiras na guerra Cisplatina.

Já em dezembro lhe coube organizar o

ministério e fez reformas salutares. Por ter

influência sobre D. Pedro I, conseguiu a

partida de Rocha Pinto e do Chalaça, Francisco

Gomes da Silva. Há historiadores

que o elogiam como o mais inteligente dos

auxiliares de D. Pedro.

Foi figura extremanente importante para a

concretização da independência do Brasil.

Este homens forjaram a história do

Brasil. Lutaram para nossa Independência

Seu feitos devem ser lembrados por cada

Marianense com muito orgulho.

Vitor Gomes

09


Obra : O Fico - Minas e os mineiros na Independência(1937)

Autor: Salomão de Vasconcellos

10


O Fico - Minas e os mineiros na Independência

O livro apresenta a participação de Minas Gerais no movimento que culminou na independência

do Brasil, detendo-se no episódio do Fico (janeiro de 1822). O texto destaca a

participação diversos políticos mineiros nas negociações para a permanência de D. Pedro

e coloca em discussão a importância do Fico, atribuindo-lhe centralidade no processo de

ruptura política do país em relação a Portugal. logo no prefácio o autor, Salomão de

Vascioncelos, nos mostra a importãncia dos Mineiros e principalmente do Marianense José

Joaquim da Rocha neste processo.

‟O Brasil republicano tem lamentavelmente relegado para ingrato olvido o nome e a lembrança

de muitos dos seus gloriosos filhos, que, tendo sido magna pars na grandiosa

cruzada da liberdade nacional, não mereceram até hoje, dos homens e da pátria, o mais

singelo preito.

No que se refere, particularmente, à cooperação mineira, deu-se mesmo um salto inexplicável

do episódio da Inconfidência ao 7 de setembro, deixando-se destarte no esquecimento

um longo período de 33 anos, durante o qual, modestos, mas abnegados compatriotas,

no seio das lojas maçônicas, ou ostensivamente, prestaram à causa da pátria os mais

arrojados serviços.

O Conselheiro José Joaquim da Rocha, tido com razão como o primeiro motor da

Independência, o desembargador José Teixeira da Fonseca Vasconcellos (Visconde de

Caeté), Pedro Dias Pais Leme (Marquês de Quixeramobim), o Conselheiro Paulo Barbosa

da Silva, o padre Belchior Pinheiro de Oliveira, o tenente-coronel Joaquim José de

Almeida, Juvencio Maciel da Rocha e Innocencio Maciel da Rocha, mineiros todos, e que

´tão destacado papel desempenharam nos acontecimentos políticos de 1812 a 1822 — tais

são, entre outros, obreiros devotados da formação da nossa pátria, condenados, entretanto,

uns, ao indiferentismo, e outros apenas relembrados como figuras secundárias do

quadro histórico.

A memória de tão beneméritos cidadãos, relembrando-lhes os serviços e a coragem cívica,

que procuraremos, nas páginas singelas deste livrinho; render e prestar o merecido culto.‟

Salomão de Vasconcellos

Belo Horizonte — 1937.

11


Mariana de G


omes Freire

Foto: Fábio Júlio


A Mariana de Gomes Freire

A professora Manuela Costa Areias em na sua tese de mestrado Viva a Republica- Representações

da Banda União XV de Novembro e em sua tese de doutorado A Primeira República

na Cidade dos Bispos nos mostra a dimensão da grandiosidade de Gomes Freire e

sua importante participação do desenvolvimento de Mariana. material abaixo extraido do

trabalho da professora.

A administração do Dr Gomes Freire com presidente da Câmara Municipal de Mariana, nos

primeiros anos da República, foi marcada pela mudança radical na estrutura da cidade.

Houve uma luta homérica para criar uma rede ferroviária local. O forte desenvolvimento

das ferrovias indicava o dinamismo econômico e a modernização da cidade.

O meio de transporte ferroviário, que começou a prosperar, em Minas, no final do século

XIX. Chegaria à Mariana no início do sec XIX. Nas atas das sessões da Câmara Municipal

de Mariana, do final do séc XIX e início do séc XX, podem ser detectadas propostas de

projetos para construção de linhas de bonde a vapor, teatro, jardim, sistema de abastecimento

e escoamento de água e esgoto, eletrificação urbana, hospital e a extensão do sistema

ferroviário.

A expansão da estrada de ferro na região colaborou com o avanço do comércio na cidade

de Mariana. A inauguração do ramal da Estrada de Ferro Central do Brasil, ligando Ouro

Preto a Mariana, em 1914, revela a ansiedade das elites políticas regionais em sintonizar o

espaço urbano do município ao novo modelo de modernização estruturado em outras localidades.

Diante disso, “as estradas de ferro começaram a penetrar no interior de Minas, promovendo

a circulação rápida de produtos, hábitos e ideias . Conforme Cláudia Damasceno

Fonseca, pouco tempo depois, inaugurava-se o prédio da estação rodoviária de Mariana,

no mesmo ano (1921) e no mesmo estilo “moderno” que o da capital Belo Horizonte, para o

assombro da conservadora sociedade marianense .O meio de transporte férreo também

colaborou com a circulação de novas ideias vindas dos grandes centros urbanos. O Germinal,

jornal fundado pelo Dr Gomes Freires, divulgou matéria em 1917: “No interior já estão a

par de tudo quanto ocorre no Rio, especialmente em Mariana, onde a estrada de ferro levou

nestes últimos anos notável progresso” .

Assim a transformação urbana e social implantada pelo Dr Gomes Freire mudou completamente

a Mariana colonial.

Foto: Cristiano Casimiro

Antigo Hospital criado por Gomes Freire e as Irmãs Vicentinas


Dessa maneira, desde fins do século XIX, Mariana passou a absorver diferentes traços que

influenciaram os hábitos e costumes da população. O jornal O Espeto, de setembro de 1928,

chama a atenção para alguns aspectos relacionados ao distrito de Passagem, oriundo de

Mariana:

É iluminado a luz elétrica, tem uma excelente rede de telefonia, telégrafo, correio e é

servido pela Estrada de Ferro Central. É sede da Companhia Minas de Passagem que

explora a extração do ouro e a fabricação do arsênico e, que, em importância na

espécie, é a segunda do Brasil. Este distrito possui um bom cinema, um teatrinho,

importantes sociedades de beneficência, três sociedades recreativas, uma dramática

e literária, duas de Sport, duas de bandas, quatro escolas públicas, sendo uma

noturna, importantes casas comerciais [...] (Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de

Mariana. Jornal, O Espeto. Mariana, 30 de set. 1928, ano I, n° 1, p. s/p).

Em 1918, foi instalada a luz elétrica em Mariana, pelo convênio com a Companhia Ouro Preto

Gold Mines of Brasil. “Este acontecimento era aguardado pela população com impaciência,

pois dela dependia a viabilidade do sonhado processo de industrialização de Mariana,

processo já ocorrido em outras cidades mineiras como Juiz de Fora, desde fins do século

anterior”

Da mesma forma que houve a grande circulação de produtos e ideias, as revistas e os

jornais também se proliferaram no município através do transporte férreo. Essas revistas

traziam notícias diversas sobre moda, política, cotidiano, comportamentos sociais, e

propagavam a imagem de um novo modo de viver frente à época moderna.

Apesar de terem acontecido todos esses esforços para enquadrar o município no projeto de

modernização do país, Mariana, assim como outras cidades históricas, entre elas Ouro

Preto, tiveram dificuldades de acomodar satisfatoriamente valores e “estilos de vida”.

Caixa D´água da Rua Dom Silvério

Foto: Cristiano Casimiro


Dr Gomes Freire - Sala dos Ex- Presidentes da Câmara Municipal de Mariana

16


Gomes Freire de Andrade Médico, Politico e Professor

Nasceu em Mariana (Minas Gerais) em 3

de janeiro de 1865, filho de Antonio

Gomes Freire de Andrade (Totó Barão) e

de Maria Augusta Lebet Freire de

Andrade. Falecido em Belo Horizonte em

9 de fevereiro de 1938, onde o seu corpo

foi sepultado. Neto de Gomes Freire de

Andrade, Coronel do Exército (Regimento

de Minas) e Barão de Itabira.

Menino ainda ficou órfão do pai,

assumindo sua mãe por decisão judicial o

dever de educá-lo. A ele e a seu irmão

Augusto Freire de Andrade. Juntos não

haviam chegado, na ocasião, à casa dos

oito anos de idade. Matriculados no

Seminário de Mariana, ainda hoje

mantido pela Arquidiocese, nele fizeram

os estudos indispensáveis à inscrição aos

exames de admissão dos cursos

superiores de Medicina, o primeiro, e de

Direito, o segundo, na Escola de Medicina

do Rio de Janeiro e na Escola de Direito

do Largo São Francisco em São Paulo,

respectivamente.

Carente de recursos materiais, Gomes

Freire de Andrade contraiu empréstimo

p e c u n i á r i o e m q u e e s t a v a m

discriminadas ano a ano do curso as

parcelas da operação financeira de seis

anos, acrescidas de outros valores

imprescindíveis à sua permanência na

capital federal.

Colou grau em 19 de janeiro de 1888 e

obteve Carta de Doutor em Medicina em

21 de maio de 1890, passando a exercer a

profissão em Mariana.

Quanto a Augusto, conseguiu, no início do

curso, emprego remunerado na imprensa

paulista, sustentando-se assim na capital

daquele Estado.

Gomes Freire de Andrade casou-se em

Mariana com Maria do Carmo Breyner

Freire de Andrade que lhe deu três filhos:

1) Augusto Gomes Freire de Andrade

seguiu a mesma carreira do pai.

2)Henrique Gomes Freire de Andrade

que, feito o curso médio também em Ouro

Preto, concluiu o de Direito na Faculdade

de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio

3) Carmen Freire de Andrade que

frequentou o Colégio Providência a tempo

próprio e faleceu solteira.

Ganhou acento na República Velha a

carreira política que empreendeu, iniciada

pelo mandato de Vereador à Câmara

Municipal da qual se tornou Presidente,

exercido cumulativamente com o de

Chefe do Poder Executivo Municipal de

1908 a 1916, conforme inscrição abaixo

da sua fotografia no salão de entrada do

p r é d i o d o Ó r g ã o L e g i s l a t i v o .

Ardente defensor do ideal republicano, a

favor de cujos princípios se converteu em

arauto de intensa propaganda, se elegeu

Deputado Estadual Constituinte para a

primeira legislatura de 1891, em Ouro

Preto.

.

Fonte: http://www.gomesfreiredeandrade.xpg.com.br/2.html

17


A Sociedade Musical União XV de Novembro nasceu, em 1901, pelar iniciativa do Dr.

Gomes Freire de Andrade: médico, professor, liderança política local e diretor do Partido

Republicano na cidade. O objetivo claro da criação da sociedade musical foi a propaganda

republicana.

Foto Arquivo Márcio Lima


E, em seguida por razões compreensíveis,

Senador em Minas para as quinta ,

sexta e sétima legislaturas (1907 a 1918).

Em virtude de sua eleição para Deputado

Federal, nona legislatura, renunciou ao

restante do mandato de Senador, dedicando-se

integralmente aos desafios do

de Deputado Federal. Primoroso orador.

Integrou o Partido Republicano Mineiro,

havendo assinado com João Pinheiro da

Silva e outros companheiros de credo político,

em 1888, o Manifesto de Ouro Preto.

Com o advento da República Nova caiu

em desgraça dos que assumiram o poder

e m 1 9 3 0 .

No campo do magistério grangeou o respeito

de colegas e alunos da Escola de

Farmácia de Ouro Preto à qual chegou em

1891, por concurso, como catedrático de

Higiene e Microbiologia. Quanto ao cargo

de Professor de Patologia na Faculdade

de Medicina de

Minas Gerais, fundada em Belo Horizonte

em 1911, para o qual foi contratado no ano

seguinte, não pôde assumi-lo diante da

impossibilidade de presença diária na

Capital. Ficam registrados, a propósito, os

dados a seguir: Gomes Freire de Andrade

foi orador da sua turma, paraninfada pela

Princesa Isabel e, para receber o título de

Doutor, defendeu a tese ¨Raiva Hidrofóbica¨,

momentoso assunto do seu tempo.

Depois de permuta de imóveis em Mariana,

devidamente registrada, passou a residir

no sobrado da praça que ainda hoje

tem o seu nome (sede atual do Marianense),

dela fazendo centro de reuniões e convivência

de políticos e líderes dos distritos,

subdistritos e povoados do município,

para discussão e decisão de assuntos pert

i n e n t e s à c o m u n i d a d e .

Certas obras são, na atualidade, retratos

vivos da administração realizada sob o

seu comando com o apoio decisivo da

Arquidiocese: calçamento em seixos rolados

de ruas dos diversos distritos, incluído

o da sede; manutenção e extensão da

rede hidráulica e de esgotamento; Cemitério

de Santana; Instalação da primeira

casa de saúde na rua Nova, hoje Dom Silvério,

coadjuvado pelas irmãs da congregação

local; e extensão da linha ferroviária

d e O u r o P r e t o à c i d a d e .

A peculiaridade mais perceptível de sua

personalidade no tocante à boa saúde da

população está em que, no princípio da

sua atividade médica não dispunha de

meio de transporte rápido, fato que o obrigava

a deslocar-se usando montaria de

animais que mantinha em estrebaria existente

em terreno de sua casa. Mesmo

assim, chamado, não se fazia de rogado,

pondo-se a caminho do endereço do doent

e n e c e s s i t a d o d a s u a a t e n ç ã o .

Transitava bem, ao lado disso, por textos

em grego e latim não fosse ele egresso do

Seminário. Tinha por costume usar nas

viagens no lombo de animais calças cortadas

em tecido caqui e o par de óculos,

quando não o pince-nez, era o seu indisp

e n s á v e l c o m p a n h e i r o .

Nunca dirigiu automóvel, mesmo quando,

premido pela necessidade tecnológica, o

adquiriu como facilitador da sua locomoção.

A leitura era como que sua predileta

opção, se o tempo lhe permitia esse prazer.

Ia dos clássicos, de preferência, à literatura

popular. Amava a poesia e a música.

FONTES

1) Casasanta. Mário, Grandes Vultos de Minas Gerais,

in: Revista Alterosa, Belo Horizonte 4(28), ago, 1942./

ABRANCHES, Dunshee de. Governo e Congresso da

República dos Estados Unidos do Brasil, 1889 a 1917,

Rio de Janeiro. M. Abranches, 1918, v. 2 / Minas Gerais,

Belo Horizonte, 10, fev. l938, p. 18 (apud tomo I de dois

mandados imprimir pela Assembléia Legislativa do Estado

com ligeira biografia de personalidades mineiras que

se destacaram nas duas Repúblicas: a Velha e a Nova,

In: Biblioteca do Órgão Legislativo.

19


Bruna Santos

Há 15 anos, a Câmara de Mariana reconhece os filhos da terra que se destacam em outros

municípios. Criada pela Resolução nº 41 de 2003, a Menção Honrosa Dr. Gomes Freire de

Andrade é uma homenagem aos marianenses que se destacam profissionalmente e em

atividades sociais, culturais, filantrópicas ou religiosas além dos limites municipais, e,

assim, difundem o nome de Mariana em outras cidades.

Na última sexta-feira, dia 15 de setembro, quatorze marianenses receberam a placa que

registra a honraria. A cerimônia foi realizada no Cine-Teatro Municipal Sesi-Mariana e

destacou o expressivo legado do patrono homônimo da comenda: o ex-presidente da

Câmara, médico e professor marianense, Dr. Gomes Freire de Andrade.

Adélia Porto discursou em nome dos homenageados e falou com orgulho da sua trajetória

na cidade. A oradora não poupou elogios às instituições de ensino da cidade que fazem

parte da sua história e destacou como cada uma delas contribuiu para a sua formação. "O

coração fica palpitante. Senti uma grande emoção em retornar para a minha cidade e poder

representar outros marianenses em uma noite tão especial. É muito gratificante e muito

honroso", afirma a homenageada.

.


O vereador Ronaldo Bento foi o orador da cerimônia representando o legislativo. O

parlamentar falou da contribuição de Gomes Freire de Andrade para o desenvolvimento de

Mariana. "Devemos nos inspirar neste marianense. Os marianenses que vivem o dia a dia

da cidade e outros, como os homenageados que estão em outros municípios por

compromissos de trabalho, mas que nunca deixam de ser “gaveteiros” e sempre sentem

orgulho de suas origens", destaca.

Durante a solenidade, o presidente do Legislativo Municipal, vereador Fernando Sampaio,

entregou para a diretora da Escola Estadual Dr. Gomes Freire de Andrade, Renata Coelho

Correia, a revistinha em quadrinhos confeccionada pela Câmara sobre a história do

patrono da Menção Honrosa, da escola e da Banda União XV de Novembro, que encerrou

a cerimônia com um repertório diversificado

Presidente Fernando Sampaio de Castro

e homenageada Marina Fonseca Cotta

Vice-presidente Deyvson de Nazareth Ribeiro e

homenageada Olívia Cristina Silva Ferreira

1º Secretário Antônio Marcos Ramos de Freitas

e homenageado Frederick Ibraim

2º Secretário Juliano Vasconcelos Gonçalves e

homenageada Fernanda de Lima Menezes

MARIANA


Vereador Adimar José Cota

e homenageado Willy Ank de Morais

Vereador Antônio Marcos Ramos de Freitas

e homenageada do Vereador Bruno Mól -

Maria Geralda Dutra Cerceau

Vereador Cristiano Silva Vilas Boas e

homenageado Paulo Henrique de Oliveira

Vereadora Daniely Cristina Souza Alves

e homenageado Marcelo Dias Teixeira

Vereador Edson Agostinho de Castro Carneiro

e homenageado Júnio Quintão Pereira

Vereador Geraldo Sales de Souza

e homenageada Adélia Miranda Porto

Vereador Gerson Teixeira da Cunha

e homenageada Ângela Maria de Oliveira Alvarez

Vereador José Jarbas Ramos Filho

e homenageada Juçara Moreira Teixeira

Verador Marcelo Monteiro Macedo

e homenageada Carolina de Oliveira Souza

Vereador Ronaldo Alves Bento

e homenageado Luciano Gustavo Valentim


EM QUADRINHOS

A revista em quadrinhos registra o legado deste grande marianense com o obje vo de que

possamos ser mul plicadores dos seus feitos. Traduz o reconhecimento e gra dão no intuito que a

sua história Dr Gomes Freire, possa inspirar outros marianenses. E parte do Projeto de Educação

Patrimonial da Câmara Municipal de Mariana. O material foi criado pelo professor Cris ano

Casimiro e pela Jornalista Bruna Santos e tem como público alvo os alunos da Escola Estadual Dr

Gomes Freire.


IGREJA MATRIZ NOSSA SENHORA DE NAZARÉ

“[...], construída de madeira, taipa e adobe, é excepcional pelo seu risco. [...]”

Conego Raimundo Trindade:


Data de construção: Primeira metade

Séc. XVIII tem data que foi benta em 28

de maio de 1729, segundo o Cônego

Raimundo Trindade foi construída pelo

Sargento-Mor Paulo Rodrigues Durão.

Germain Bazan informa que o atual não

é o templo primitivo, acrescentando que

o Livro de Receitas e Despesas da

Irmandade do Santíssimo Sacramento,

faz alusão aos trabalhos executados na

segunda metade do Séc. XVIII por

Domingo Francisco Teixeira. Concedeuse

licença para reedificar a capela-mor

em 1779, tendo sido dadas as condições

e orçamento para essa reedificação em

1780 pelo conhecido construtor Jose

Pereira Arouca. Domingo Francisco

Teixeira executou toda a obra de

carpinteiro e de pedreiro pertencente a

esta Irmandade até 1794, ano em que

ainda trabalhava.

A igreja foi construída de madeira,

adobe, e taipa. Possui duas sacristias

laterais. A nave apresenta uma

disposição muito rara: na entrada o

corredor se abre para a nave por meio de

duas arcadas que se curvam sobre um

pilar, e esta disposição repete-se no

andar das tribunas.

O frontispício tem a composição

habitual, com duas torres sineiras,

cobertas com telhados piramidais,

curvilíneos, com esfera armilar e catavento.

A porta central é almofada, de

verga curvilínea, encimada por uma

c o m p o s i ç ã o a r c a i c a d e g o s t o

renascentista e nicho com imagem.

Apresenta duas janelas rasgadas de

verga curva, almofadadas, com postigo

envidraçado central.

No interior, destacas se nos quatro

cantos em balcões estão os quatro

doutores da Igreja.

Deve ser atribuída a Ataíde. A pintura

parece contemporânea da capela-mor

de Santa Bárbara. Aqui, nos balcões

centrais apoiados sobre as paredes

laterais se apresentam dois anjos

cantores, sobre a parede do coro um só

cantor é sobre o arco cruzeiro, outro com

livros.

Nos balcões-púlpitos vermelhos dos

cantos estão de pé:

Santa Clara com o báculo, Santa

Gertrudes Magna com o báculo, São

Gonçalo de Lagos e

São Jerônimo Emiliano.


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Cássio Vinício Sales

Monumento tombado pelo IPHAN conforme ao processo Nº 356-T-45

Inscrição Nº 240, Livro Histórico, vol.1, fls.40, e

Inscrição Nº 306 Livro de Belas Artes, vol.1, fls.64.

Data: 05.11.1945

INVENTARIO DE BENS MÓVEIS E INTEGRADOS VITAE/IPHAN

IGREJA MATRIZ NOSSA SENHORA DE NAZARÉ

Distrito Santa Rita Durão, Mariana, MG.


Foto Arquivo Nicim Ramos

Sô Mário da Cachoeira

O último Tropeiro

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Na sua forma simples e alegre de ser, o

senhor Mário foi revivendo todo o seu passado.

“A vida dos tropeiros não era fácil. Às

vezes, chegávamos a ficar de 15 até 60

dias fora deixando a nossa casa, família.

Por que tropas? Tropas, porque viajávamos

em vários burros e sempre com um

grupo de amigos.

As panelas levávamos em balaios. Os

alimentos, também. Pois, quem cozinhava

éramos nós.

O maior pesar era deixar o meu pequeno

distrito de Cachoeira do Brumado, - Mariana

MG. Mas não tínhamos opção. Essa

era a luta! Tínhamos que buscar o pão de

cada dia!

O tropeiro era um homem que trabalhava

e não tinha dinheiro, pois as nossas panelas

de pedra-sabão, na maioria das

vezes, eram trocadas por algo. Realizávamos

a permuta.

Viagem seguia..., sempre ao som das marchas

dos cavalos que montávamos: “Pocotó,

pocotó, pocotó...”

Antes às coisas eram difíceis. Hoje nem

tanto. Antes, não era possível comunicar

com a família, não existia celular. Hoje, as

viagens são com transportes de rodas.

Banho não era diário, não! E era o “tradicional

banho de cavalo”, que é quando você

toma banho com um caneco derrubando a

água sobre o corpo.

A nossa alimentação era sempre baseada

em arroz, feijão, torresmo e farinha. Não

levávamos gordura. Poderia derramar!

Então, levávamos o torresmo e o fritávamos.

Com a gordura que sobrava, preparávamos

os alimentos. Também, usávamos

comer muito o “capitão”. O capitão é

feijão com farinha amassados na mão.

Sabe, um dos pratos típicos de Minas, o

“feijão tropeiro”, ganhou esse nome, por

causa de nós, tropeiros, que, na maioria

das vezes, comíamos feijão com farinha e

torresmo.

O café da manhã era gemada. A Receita?

Gema do ovo, rapadura e café. O modo de

fazer: Raspe um pouco da rapadura.

Depois a misture com a gema do ovo e

bata. Em seguida, acrescente café (já coado).

E pronto! Pode beber!Era a gemada

que nos sustentava até a hora do almoço.

Passavam-se dias e dias e nada de chegarmos.

Às vezes, eram tantos, que os

alimentos em casa acabavam e só restava

chuchu. Eu mesmo, quando criança,

cantava para a minha mãe: “Chuchu no

almoço, chuchu no jantar, chuchu na peneira

de coar fubá”.

Não tínhamos fogão. Mas os viajantes de

atualmente, que cozinham, têm fogão.

Usávamos uma trempe, que colocávamos

no chão. Ela tinha uns ganchinhos,

onde pendurávamos os caldeirões.

Não sei se vocês acreditam, mas..., no

meio de todas essas viagens em tropas,

eu encontrei a minha primeira namorada.

Foi lá em São Miguel do Anta. Eu tinha 17

anos. O nome dela era Francisca, mas a

chamava de Chica. Não era Chica da Silva,

mas era Chica e até bonita. Só que ela

foi embora para o Paraná. Meu destino

era Nazinha.

Chegava a noite. Hora de dormir. Então

cada um pegava o seu couro e o abria.

Uns, além do couro, tinham o seu colchão

de palha ou a capa gaúcha. E dizíamos: “

É do couro que sai a correia. ”

Cocoriocó... Cocoriocó..., galo cantando.

Hora de acordar e retornar às nossas obrigações.

E isso até no dia em que as panelas

acabassem.

Quando esse dia chegava, era dia de festa.

Hora de voltar para casa!

Ao avistarmos Cachoeira do Brumado, o

coração começava a bater mais forte e

veloz, de tanta saudade. Os olhos se

enchiam d'água. Eram lágrimas. Lágrimas

de emoção. Lágrimas daqueles que

encontram a família depois de muito tempo.


Thalia Gonçalves

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