PME Magazine - Edição 6 - outubro 2017
Sandra Correia é a figura de destaque na sexta edição da PME Magazine. Clique para ler!
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Outubro <strong>2017</strong> | trimestral | <strong>Edição</strong> 6<br />
<strong>Edição</strong> Ano ii - Distribuição Gratuita<br />
DIRETORA: MAFALDA MARQUES<br />
WWW.<strong>PME</strong>MAGAZINE.COM<br />
JOSEFINAS<br />
OS SAPATOS QUE DEFENDEM<br />
AS MULHERES<br />
CITYDRIVE<br />
HÁ MAIS CARROS PARA<br />
PARTILHAR EM LISBOA<br />
WEB SUMMIT<br />
<strong>PME</strong> A CAMINHO<br />
DA INOVAÇÃO<br />
sandra<br />
correia<br />
DO ALGARVE PARA O MUNDO DA CORTIÇA
FIGURA de DESTAQUE<br />
p4 | figura em destaque<br />
Sandra Correia, a concretizadora de sonhos<br />
p12 | CASOS DE SUCESSO<br />
Uma marca de sapatos femininos e feministas chamada<br />
Josefinas<br />
p14 | Investimento<br />
Alternativas ao financiamento das <strong>PME</strong>, com António Saraiva<br />
p15 | Internacional<br />
O guia português que está na moda no Brasil<br />
p17 | ambiente<br />
Pavnext, a prevenção rodoviária e o caminho para as cidades<br />
autossustentáveis<br />
p20 | Responsabilidade Social<br />
Fundação Montepio e o trabalho com a economia social<br />
p22 | Empreendedorismo<br />
Citydrive e os planos de mobilidade ecológica em Lisboa e<br />
Porto<br />
p24 | rh<br />
Outsourcing dos serviços de recursos humanos<br />
p25 | OLX tem novo líder em Portugal<br />
p28 | BIG EXPERIENCE<br />
p30 | Medir para gerir<br />
O eneagrama e a aplicação às empresas de sucesso<br />
p32 | Marketing<br />
Vasco Marques e as ferramentas para as <strong>PME</strong> venderem online<br />
p34 | Tecnologia<br />
NOESIS e o caminho das <strong>PME</strong> para a Web Summit<br />
p37 |LISPOLIS e as dificuldades das startups<br />
portuguesas<br />
p39 | Agenda<br />
Millennium BCP organiza corrida solidária<br />
p41 | Opinião<br />
Oportunidade de investimento em Espanha com Eduardo Serra<br />
Jorge<br />
Ficha técnica<br />
DIRETORA: Mafalda Marques<br />
EDITORA: Ana Rita Justo<br />
REDAÇÃO: Denisse Sousa<br />
VÍDEO E FOTOGRAFIA: CN Media e Inês Antunes<br />
DESIGN GRÁFICO: Inês Antunes<br />
DIGITAL MANAGER: Ricardo Godinho<br />
COLABORADORES: Alexandre Rosa, António Saraiva, Eduardo Serra Jorge, Pedro Rebordão e<br />
Vasco Marques<br />
ESTATUTO EDITORIAL (leia na íntegra em www.pmemagazine.com)<br />
DEPARTAMENTO COMERCIAL<br />
EMAIL: publicidade@pmemagazine.com<br />
PROPRIEDADE: Massive Media Lda.<br />
NIPC: 510 676 855<br />
MORADA SEDE ENTIDADE PROPRIETÁRIA/EDITOR:<br />
Urb. Nova do Tereco, 7 – Tourinha<br />
2665-018 Azueira<br />
REDAÇÃO: LisboaBiz - Av. Engenheiro Arantes e Oliveira, n.3 R/C<br />
1900-221 Lisboa<br />
TELEFONE: 211 934 140 | 96 453 31 02 | 934 952 854<br />
EMAIL: info@pmemagazine.com<br />
N. DE REGISTO NA ERC: 126819<br />
EDIÇÃO N.º: 6<br />
DEPÓSITO LEGAL N.º: 427738/17<br />
ISSN: 2183-089X<br />
TIRAGEM: 1000 exemplares<br />
IMPRESSÃO: Ondagrafe – Artes Gráficas Lda.<br />
Rua da Serra Nº.1, A-das-Lebres, 2660-202 Santo Antão do Tojal<br />
DISTRIBUIÇÃO: Massive Media Lda.<br />
Os projetos que nos inspiram<br />
O verão passou, as energias<br />
foram recarregadas e as<br />
empresas retomam o seu<br />
ritmo de trabalho, muitas<br />
vezes frenético. É, contudo,<br />
importante os empresários<br />
refletirem sobre o ano que<br />
quase finda, os objetivos<br />
alcançados, o que correu<br />
bem e mal.<br />
Nem sempre é fácil, mas os<br />
líderes fortes conseguem agarrar uma equipa e levá-la consigo<br />
até ao fim do mundo. Foi exatamente isso que mostrou Sandra<br />
Correia. Algarvia de gema, aprendeu com o pai e com o avô tudo<br />
o que hoje sabe sobre cortiça. Criou a Pelcor, apaixonou-se e<br />
apaixonou-nos, mas não se agarrou ao seu bebé.<br />
Positiva por natureza, Sandra Correia chega aos 45 anos como<br />
uma empresária de sucesso, agora só ligada à Novacortiça,<br />
que lidera. Vê no mindfullness a melhor forma de viver a vida e<br />
traz-nos os seus melhores conselhos sobre como vivenciar o<br />
mundo dos negócios de forma mais calma e feliz.<br />
São estes os projetos que nos inspiram. E outros liderados por<br />
mulheres. Caso da Josefinas, reconhecida marca de calçado<br />
feminino nacional que quer ‘calçar’ as mulheres do mundo, não<br />
só com sapatos, mas com ferramentas de liderança.<br />
Damos a conhecer o Bestripvouchers, guia de Lisboa que<br />
levantou voo até ao Brasil, e António Saraiva, presidente da CIP,<br />
fala-nos das formas alternativas de financiamento para <strong>PME</strong>.<br />
Porque somos sensíveis a novos projetos – também esses nos<br />
inspiram – falámos com a equipa do Pavnext, vencedor do<br />
prémio Big Smart Cities, que vai lançar o piloto em Cascais de<br />
um projeto para prevenir a sinistralidade rodoviária e para gerar<br />
energia.<br />
Não perca a entrevista a Paula Guimarães, diretora da Fundação<br />
Montepio, sobre o apoio à economia social, e a entrevista<br />
ao diretor de marketing da Citydrive, Nuno Cepêda, que quer<br />
tornar Lisboa numa cidade mais verde.<br />
Por seu turno, Paula Pranto explica porque é que todas<br />
as empresas deveriam utilizar o eneagrama para percecionar e<br />
dar melhores ferramentas de desenvolvimento pessoal às suas<br />
equipas.<br />
No âmbito da tecnologia, Alexandre Rosa, CEO da NOESIS,<br />
aborda a importância da Web Summit para alavancar novos<br />
projetos.<br />
Estes e outros temas de interesse, como a opinião de<br />
Eduardo Serra Jorge, da Câmara de Comércio e Indústria<br />
Luso-Espanhola, sobre porque é que as empresas portuguesas<br />
devem internacionalizar-se para Espanha.<br />
Dos projetos que inspiraram a nossa sexta edição, que – fica a<br />
saber – é a segunda em papel, fica a certeza de que não basta<br />
ter ideias, mas apostar nelas de corpo e alma. Aos empresários<br />
que hoje nos leem: esperamos que se inspirem tanto como nós.<br />
Boas leituras e bons negócios!<br />
Editorial<br />
ANA RITA JUSTO | EDITORA<br />
3
“<br />
Figura de destaque<br />
O NETWORKING<br />
ABRE MUITAS PORTAS<br />
Por: Mafalda Marques<br />
Fotos: Pedro Machado, CN Media<br />
sandra<br />
“<br />
Correia<br />
Define-se como uma sonhadora e concretizadora de sonhos, mas é pelo<br />
exemplo que tenta chegar a todas as gerações, transversalmente.<br />
CEO da Novacortiça, quis mudar de vida pois estava cansada de viajar entre<br />
países. Foi no mindfullness, há 11 anos, que se encontrou e, aos 45 anos,<br />
garante que o networking é a fórmula do seu sucesso.<br />
<strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong> – Sandra Correia, 45 anos, mulher e empresária. Como se define?<br />
Sandra Correia – Defino-me como uma sonhadora e concretizadora de sonhos.<br />
Acho que esta é a minha melhor definição, porque é isso que eu faço na vida: sonhar,<br />
concretizar os meus sonhos e ajudar os outros a concretizar os seus. Além disso, sou<br />
resiliente, persistente, lutadora, focada, visionária… essencialmente isto [risos].<br />
<strong>PME</strong> Mag. - Foi distinguida em 2011 como a Melhor Empresária da Europa.<br />
Transformou o prémio num ato de igualdade de género, mas a empresa que<br />
integrava (Pelcor) já tinha boas práticas nessa área. Pode explicar melhor?<br />
S.C.– A Pelcor é uma marca que nasce dentro da empresa mãe Novacortiça que é<br />
uma empresa de família. A Novacortiça, que sobretudo produz discos para as rolhas<br />
de champanhe, é uma indústria, uma fábrica, e nós sempre tivemos mais colaboradores<br />
do género feminino do que masculino. Estando dentro da Novacortiça e sendo<br />
sobretudo uma indústria masculina, tentei também, com a ajuda do meu pai, que é<br />
um homem muito visionário, implementar a igualdade de género dentro da própria<br />
empresa. Nessa altura em que recebi o prémio de Melhor Empresária também a<br />
Novacortiça foi premiada pelo Parlamento Europeu como uma empresa exemplo de<br />
igualdade de género.<br />
<strong>PME</strong> Mag. - A Pelcor, marca portuguesa, passou para mãos angolanas. Qual foi o<br />
valor da transação? Como geriu esta venda?<br />
S.C.– Isso não posso revelar, mas foi todo um processo desenvolvido por mim,<br />
porque a base é muito simples e é esta: sou empreendedora e sou visionária.<br />
Então, nós, os empreendedores, em regra geral, temos uma visão, nós criamos<br />
esse negócio e desenvolvemos esse negócio e a nossa intenção é que ele cresça<br />
e se desenvolva, é vendê-lo, dar-lhe asas para ele seguir o seu caminho. E nós<br />
voltamos a criar um novo, a desenvolver um novo e a voltar a vendê-lo outra vez.<br />
Esse é o verdadeiro empreendedor, pois é um criador, no fundo. O que aconteceu é<br />
que esse processo foi preparado por mim dois anos antes da entrada do investidor<br />
angolano. Eu fiz toda uma série de procura de potenciais investidores, sobretudo<br />
estrangeiros, não em Portugal, fiz pitches sobretudo no mercado americano, e<br />
também com um investidor angolano. No fundo, o melhor negócio foi o que<br />
acabámos por concretizar com o investidor angolano.<br />
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OUTUBRO <strong>2017</strong><br />
WWW.<strong>PME</strong>MAGAZINE.COM<br />
Entrevista decorreu no Cluve VII, ginásio que Sandra Correia frequenta quando está em Lisboa<br />
5
Figura de destaque<br />
<strong>PME</strong> Mag. – Fez preparação durante esses dois anos,<br />
um plano de negócios, ou recorreu ao coaching?<br />
S.C. – Eu fiz, sobretudo, um business plan<br />
em português, traduzido por mim para inglês, tive<br />
a grande sorte de passar cinco dias em Boston com<br />
a Kim Sawyer, que quem a conhece sabe que criou<br />
o [programa] Connect to Success. Nós temos uma relação<br />
quase de irmãs e foi ela que depois me proporcionou<br />
várias reuniões em Boston com potenciais investidoras,<br />
e foi ela que me ajudou a criar e a fazer um pitch.<br />
Não tanto o business plan mas o pitch com o resumo<br />
do negócio e aquilo que eu queria realmente atingir com<br />
a venda do negócio. Um pitch é totalmente diferente<br />
de um business plan e um pitch à americana é totalmente<br />
diferente de um pitch na Europa.<br />
<strong>PME</strong> Mag. – Atualmente é embaixadora da marca<br />
em Portugal e no Mundo, certo?<br />
S.C. – Os meus planos como embaixadora da marca<br />
são apenas continuar a ser, no fundo, o exemplo da<br />
marca, quem criou a marca, porque hoje a marca já não<br />
é minha, a marca tem novos donos, tem outras pessoas<br />
que pensam outras estratégias, portanto, eu apenas<br />
fiquei com o emblema da marca. E sempre que me for<br />
pedido para falar da marca, eu falo da marca. Se bem<br />
que eu já criei um certo distanciamento da própria<br />
marca e do negócio porque estou focada em outras<br />
áreas e noutros produtos. Mas a Pelcor é sempre uma<br />
bandeira minha, naturalmente.<br />
“UM ‘PITCH’ À AMERICANA É TOTALMENTE<br />
DIFERENTE DE UM ‘PITCH’ NA EUROPA”<br />
<strong>PME</strong> Mag. – Atualmente é CEO da Novacortiça. Quais<br />
os planos de futuro para a empresa?<br />
S.C. – A base principal da Novacortiça, desde que foi<br />
criada em 1986, é a produção de discos para rolhas<br />
de champanhe. Esse é o nosso core business e o nosso<br />
grande mercado. Os nossos clientes encontram-se no<br />
norte de Espanha, na zona de Girona, nós produzimos<br />
os discos, eles completam com a rolha de champanhe<br />
e depois vendem ao cliente francês, nosso cliente final.<br />
Moet & Chandon, Dom Perignon, etc, esse é o nosso<br />
core business. Paralelamente a isso, dentro da própria<br />
empresa criámos a Cork Factory Tour, que é um produto<br />
turístico no Algarve, em São Brás de Alportel, em que<br />
temos um percurso turístico, onde o turista chega, visita<br />
a fábrica, assiste a uma sessão sobre o que é a cortiça,<br />
a sua origem, o que fazemos na fábrica e as suas<br />
potencialidades, depois faz toda uma visita pela<br />
preparação, transformação, escolha e quando termina<br />
passa por uma loja que temos de gifts com produtos<br />
Pelcor e outras inovações que criámos para a área da<br />
decoração. Todo este percurso é realizado por duas<br />
guias turísticas. Entre 2015 e 2016 tivemos um<br />
crescimento de 300% a nível de visitantes. Neste<br />
momento, está a ser um negócio dentro de outro<br />
negócio. É interessante ver a procura que temos,<br />
autocarros que diariamente chegam à fábrica.<br />
Então, este é um grande desafio em transformar<br />
a Cork Factory Tour mesmo num produto turístico.<br />
Para além dos discos, depois temos toda a área<br />
de inovação em que desenvolvemos produtos para<br />
decoração, desenvolvemos o azulejo decorativo<br />
feito de um material de cortiça muito leve, que pode<br />
ser aplicado nas paredes e da forma que quisermos.<br />
Pode ser numa floreira, no que quisermos, e já estamos<br />
a exportar para o Brasil, tal como outros produtos.<br />
No fundo, o desafio é muito grande para quem trabalha<br />
com cortiça todos os dias pois é difícil manter a<br />
qualidade e os padrões para que as rolhas de cortiça<br />
saiam da mesma forma, com qualidade. E depois,<br />
todos estes novos desafios de novos produtos,<br />
inovação e o próprio produto turístico Cork Factory Tour.<br />
<strong>PME</strong> Mag. – Afirmou numa entrevista que<br />
“O profissionalismo não se deve avaliar pela forma<br />
de vestir”, mas isso não acontece. Há inclusivamente<br />
workshops e cursos a ensinar pessoas sobre o que<br />
vestir para entrevistas. Pode comentar?<br />
S.C. – A mim faz-me um pouco de confusão, a quem vai<br />
fazer as entrevistas, mas também aos top managers das<br />
empresas e de quem trabalha nas empresas. Porquê?<br />
Se formos aos Estados Unidos da América, isto é claro,<br />
temos uma reunião com o CEO da Apple, por exemplo,<br />
e ele está de camisa e calça. Ele não está de fato<br />
e gravata. Eu sei que faz parte da cultura portuguesa,<br />
mas faz-me um pouco de confusão quando estou<br />
em Portugal, tenho reuniões com empresas<br />
ou simplesmente quando marcam um cocktail com<br />
outros empresários e colaboradores e todos vêm de<br />
fato e gravata. Porquê? Não há necessidade disso.<br />
Porque nós podemos ser iguais só de camisa, bem<br />
vestidos, naturalmente, mas não é preciso estar<br />
naquele sentido formal. Na Europa, e isso deve-se<br />
muito à cultura europeia, somos muito formais.<br />
Se formos para os EUA as pessoas são muito mais<br />
informais. Na minha ótica, o bom desempenho, seja de<br />
um colaborador masculino ou feminino, tem a ver com<br />
a sua meritocracia e não com aquilo que ele veste.<br />
Naturalmente, a visão é o nosso primeiro sentido em<br />
contacto, é o visual que nós temos e aí fazemos logo<br />
um auto julgamento e temos de aprender a mudar a<br />
nossa mentalidade e não fazer auto julgamentos de<br />
outras pessoas e, sim, pelo que a pessoa nos transmite,<br />
pela sua postura, pela sua maneira de estar e não pelo<br />
“A ‘CORK FACTORY TOUR’ ESTÁ A SER UM<br />
NEGÓCIO DENTRO DE OUTRO NEGÓCIO”<br />
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OUTUBRO <strong>2017</strong><br />
WWW.<strong>PME</strong>MAGAZINE.COM<br />
que veste. Acho que éramos muito mais felizes porque<br />
acredito que muitos de nós, as mulheres ou os homens,<br />
seriam muito mais felizes se não tivessem de, todos os<br />
dias, porem as suas gravatas ou elas a aperaltarem-se<br />
todas de saia curta, casaco, etc., como se fosse<br />
um tailleur feminino.<br />
FALTA CRIAR UM LOBBY FEMININO<br />
<strong>PME</strong> Mag. – Como funciona o Women’s Club?<br />
S.C. – O Women’s Club Portugal surge quando<br />
estive nos EUA a desenvolver a Pelcor e a abrir<br />
a internacionalização. Eu passava grande parte<br />
da minha vida em Nova Iorque, sentia-me um pouco<br />
desamparada da diáspora portuguesa, porque os<br />
meus mentores sempre foram americanos, os amigos<br />
eram americanos e quem me ajudou nos EUA foram<br />
americanos. Eu não tinha contacto com portugueses.<br />
Até que um dia alguém me faz um convite: “Sandra,<br />
vai haver um encontro num bar entre portugueses do<br />
Portuguese Circle, queres vir?” E eu fui e a partir daí criei<br />
laços que me permitiram divertir-me muito mais durante<br />
os dias de trabalho que ali estava, isso ajudou-me<br />
bastante, além de me ter aberto outras portas. Então,<br />
como estou em Portugal e agora com mais tempo, a<br />
minha ideia e o que eu sinto é que faz falta criar um<br />
lobby feminino. Ainda estamos longe da igualdade de<br />
género. Quer queiramos quer não, todos nós falamos<br />
de igualdade mas não praticamos essa igualdade no dia<br />
a dia. O género masculino, por todas as razões e mais<br />
alguma, tem o hábito de juntar-se com os seus colegas,<br />
beber um copo ao final do dia de trabalho. O género<br />
feminino não. Ou pelas suas obrigações, ou pelos filhos,<br />
ou por outra coisa qualquer, pois todos nós sabemos<br />
que a mulher tem muitas mais funções do que o homem.<br />
A minha intenção foi criar uma oportunidade de um<br />
momento, uma vez por mês, em várias cidades, em que<br />
as mulheres possam vir beber um copo entre as 18h00<br />
e as 20h00, confraternizar, conhecer outras mulheres,<br />
fazer networking. Os homens também são convidados<br />
porque é na igualdade que está o equilíbrio, e neste<br />
encontro ele será sem estereótipos, em que tanto pode<br />
vir a dona de casa como a dona da empresa. São todos<br />
convidados, porque aqui não há classe social, existem,<br />
sim, seres humanos e a minha intenção é potenciar a<br />
ligação entre o ser humano para que as pessoas<br />
possam também ajudar-se, conhecer no dia a dia. Este<br />
Sandra Correia é a atual CEO da Novacortiça<br />
7
Figura de destaque<br />
Sandra Correia é mestre de Reiki há 11 anos<br />
S.C. – Nenhum evento será igual aos outros eventos.<br />
No primeiro que fizemos, convidei algumas figuras<br />
públicas que são minhas amigas a falarem. Cada uma<br />
falou sobre a importância do Women’s Club e depois<br />
da audiência convidei quem quisesse a falar, e como<br />
ninguém queria, eu nomeei pessoas para falarem<br />
sobre si próprias. Nos outros encontros, há pessoas<br />
que querem falar e eu passo a palavra e dou-lhes<br />
esse tempo, ou então, se pela timidez de falar houver<br />
pessoas que não se cheguem à frente, eu olho e puxo<br />
pelas pessoas. Portanto, acabam todas por falar e por<br />
se apresentar, partilhar ideias, o seu negócio, e há<br />
sempre esta comunicação entre todos.<br />
<strong>PME</strong> Mag. – Diz que deve 100% da sua carreira<br />
ao networking. Quais os erros mais comuns nesta área<br />
e quais os seus conselhos?<br />
S.C. – O networking é, sem dúvida, o meio mais<br />
importante para o nosso crescimento empresarial.<br />
Agora, é preciso saber fazer networking. É importante<br />
realmente conhecermos a pessoa, trocamos contactos<br />
e depois é necessário fazer o follow up quando isso nos<br />
interessa, quando a pessoa tem interesse para o nosso<br />
meio. É importante fazer esse follow up, e depois ver o<br />
que vem a seguir. Muitas vezes, e na hora que conheço<br />
a pessoa, eu não faço o follow up. Mas, de repente,<br />
lembro-me mais tarde: “Mas eu conheci esta pessoa!”.<br />
Então vou ver os meus registos, ligo e pergunto se se<br />
lembra de mim. O networking abre muitas portas. Nós<br />
em Portugal não temos muito essa cultura, talvez as<br />
novas gerações e a geração atual, sim. A minha<br />
geração não tinha essa cultura. O partilhar contactos<br />
e networking nos EUA é o dia a dia, é básico. Por<br />
exemplo, se tivermos um problema, partilhamos<br />
com alguém e esse alguém diz: “Espera que eu tenho<br />
a solução”. Imediatamente pega no telefone, telefona<br />
a outra pessoa - isso aconteceu-me nos EUA - e eu vou<br />
estar com aquela pessoa que não conhecia há cinco<br />
minutos. Isto é networking. São portas abertas. Agora<br />
é necessário saber trabalhar e saber aproveitar, mas<br />
não abusar.<br />
é o Women’s Club. A participação será por autoconvite,<br />
nas redes sociais e no Instagram. Eu divulgo o dia<br />
do evento, a hora e o local e depois estão todos<br />
convidados. Não é preciso perguntar: “Eu Posso Ir?”.<br />
É simplesmente clicar no “Eu Vou” para nós termos<br />
uma ideia do número de pessoas, pois é importante,<br />
e aparecer no local e serão recebidos de braços<br />
abertos e um sorriso.<br />
<strong>PME</strong> Mag. – Vai haver oportunidade para as mulheres<br />
apresentarem os seus projetos?<br />
<strong>PME</strong> Mag. – Como conseguiu chegar a pessoas tão<br />
influentes para divulgar a sua empresa? O vestido da<br />
Lady Gaga, da Hillary Clinton, o catálogo do Museum<br />
of Modern Art (MoMa), a coleira do cão de Barack<br />
Obama, o vestido da Madonna…<br />
S.C. – Vamos falar sobre o caso do MoMa, pois<br />
para mim a nível empresarial é o mais interessante.<br />
Recebi um telefonema do diretor do IA<strong>PME</strong>I do<br />
Algarve a dizer-me que vinha uma equipa do<br />
MoMa a Portugal, que ia fazer uma exposição sobre<br />
Destination for Portugal e se eu queria receber a equipa<br />
na Pelcor em Lisboa. Abri logo a porta e disse logo que<br />
sim. A equipa veio, visitou a Pelcor, adoraram o produto,<br />
conhecemo-nos e a ligação foi extremamente positiva.<br />
No fim combinámos que eu iria enviar as amostras da<br />
Pelcor para serem avaliadas, juntamente com outras<br />
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OUTUBRO <strong>2017</strong><br />
WWW.<strong>PME</strong>MAGAZINE.COM<br />
amostras de outras marcas que iriam pedir.<br />
Coincidência das coincidências, eu sou convidada para<br />
fazer uma palestra na Lehigh University, na Pensilvânia,<br />
nessa altura. O que é que eu penso: já que tenho de ir à<br />
Pensilvânia que é extremamente perto de Nova Iorque,<br />
em vez de enviar as amostras para o MoMa, eu própria<br />
fui ao MoMa. Levei as amostras comigo, marquei a<br />
reunião e fui. E isso fez toda a diferença, porque é saber<br />
aproveitar o contacto, é não ficar sentada na cadeira.<br />
Já que tinha de ir, eu fui. Mesmo que eu não tivesse de<br />
ir até ia daqui de propósito! Resumindo, a Pelcor em<br />
vez de ficar três semanas em exposição, ficou quatro<br />
anos. E fez toda a diferença, pois estabeleci amizades,<br />
e eu faço muitas amizades com este tipo de pessoas.<br />
Noutros casos, como a coleira do cão do Obama, foi<br />
o Governo português na altura que nos pediu alguns<br />
produtos, nós desenvolvemos a coleira e foi assim que<br />
chegou ao presidente Obama. Mais tarde fui<br />
convidada a participar no New Begining e representar<br />
Portugal nessa cimeira nos EUA, resultado desse<br />
trabalho que tenho feito com a Embaixada dos EUA e<br />
com os embaixadores. [Networking] É, no fundo, regar<br />
relações, manter as relações. Somos seres humanos,<br />
não somos um bicho de sete cabeças, portanto, é não<br />
ter medo, é simplesmente ir e fazer. E para mim, esse é<br />
o grande segredo.<br />
O TEU INGLÊS É MELHOR<br />
DO QUE O MEU PORTUGUÊS!<br />
<strong>PME</strong> Mag. – Sentiu barreiras a fazer networking<br />
internacional?<br />
S.C. – Não, não há barreiras e eles até acham graça<br />
porque não falamos o inglês fluente. Sobretudo nos<br />
EUA, eu costumo desculpar-me, pois o meu inglês não<br />
é tão bom quanto o deles, e eles respondem-me:<br />
“O teu inglês é melhor do que o meu português”. A outra<br />
experiência interessante que eu tive vou partilhar<br />
convosco, pois é de uma cultura totalmente<br />
diferente. Foi na China, em Xangai. Nós abrimos<br />
a Pelcor em Xangai em 2016. E o nosso sócio chinês<br />
fez uma grande festa, um grande evento no lançamento<br />
da Pelcor em Xangai. E o interessante foi: nós temos<br />
um corner no centro comercial que é diferente por ser<br />
de arte, é um museu, algo diferente do que temos na<br />
nossa cultura na Europa. Quando acabou a sessão,<br />
chamaram-me, porque as senhoras estavam a comprar<br />
as malas Pelcor e queriam que eu assinasse as malas<br />
todas, com autógrafos e dedicatórias por dentro.<br />
Ali não há língua, é a cultura deles e nós aceitámos.<br />
E eu achei tanta graça a esta personalização que foi não<br />
julgar: “Ah, vocês querem, a mim não me custa”. Então<br />
assinei as malas todas e achei o máximo, pois nós<br />
na Europa não temos essa cultura e foi giro.<br />
Empresária algarvia vendeu a Pelcor mas continua embaixadora da marca<br />
9
Figura de destaque<br />
Women’s Club é o último projeto da empresária<br />
“EM ‘XANGAI’, AS SENHORAS QUERIAM<br />
QUE EU AUTOGRAFASSE AS MALAS<br />
DA PELCOR”<br />
<strong>PME</strong> Mag. – É o follow up que torna o networking mais<br />
eficaz ou será encontrar um ponto em comum para<br />
haver ligação?<br />
S.C. – Depende, há vários fatores, externos e internos.<br />
Depende do local e do meio envolvente onde as<br />
pessoas se encontram. Eu sou naturalmente uma<br />
pessoa simpática, mas se eu não o for não vou<br />
conseguir estabelecer uma relação também. Então,<br />
tem que ver muito com o meio envolvente onde as<br />
relações e o networking acontecem, tem que ver com a<br />
forma como ele se desenvolve e com o dar sem olhar<br />
ou receber, porque se damos com a intenção de receber<br />
não vamos atingir o nosso objetivo. Então, nós damos.<br />
Se mais tarde recebermos, pode até nem ser daquela<br />
pessoa mas de outra pessoa, vai ter um efeito muito<br />
superior.<br />
“FOI ATRAVÉS DO ‘MINDFULLNESS’ QUE<br />
CONSEGUI CENTRAR-ME EM MIM”<br />
<strong>PME</strong> Mag. – Parece uma mulher muito focada em si e<br />
em dar aos outros. Que boas práticas diárias mantém<br />
e que técnicas de mindfullness aconselha a<br />
empresários?<br />
S.C. – Nestes anos todos em que eu vivia fora de casa<br />
- e foi também essa uma das razões que me levou a<br />
vender a Pelcor, exatamente poder fazer uma mudança<br />
de vida e acalmar um bocadinho - eu viajava muito e<br />
vivia praticamente fora. E num stress grande, porque<br />
são as reuniões, os pitches, os business plans, o próprio<br />
negócio em si, a abertura da Pelcor em Xangai,<br />
portanto, isto era uma grande pressão. Eu há 11 anos<br />
que faço Reiki, sou mestre de Reiki e todos os dias<br />
pratico meditação comigo. Então, foi através do<br />
mindfullness que consegui centrar-me em mim.<br />
Naqueles 10 ou 15 minutos que eu faço diariamente,<br />
sejam de manhã ou à noite, em que eu encerro<br />
o mundo à minha volta, volto-me para dentro e vou<br />
ouvir-me a mim própria. Ver, sentir o meu corpo, ver<br />
o que está bem e o que não está bem, limpar, entregar<br />
o dia e tentar, no fundo, renovar a energia. Então, é<br />
esta a prática que eu mantenho comigo que me ajuda a<br />
manter o equilíbrio e que eu aconselho a toda a gente,<br />
porque é fácil, podemos fazer em casa, basta<br />
aprender e também nas próprias empresas têm uma<br />
maior rentabilidade quando isto acontece, tanto com<br />
os seus colaboradores como com os seus managers.<br />
10
OUTUBRO <strong>2017</strong><br />
WWW.<strong>PME</strong>MAGAZINE.COM<br />
MINDFULLNESS NAS EMPRESAS<br />
Mindfulness, em português, traduz-se como atenção plena, mente alerta ou ainda consciência plena. Se formos<br />
rigorosos com a origem da palavra, mindfulness significa a essência da corrente de meditação Vipassana. Enquanto<br />
outros tipos de meditação budistas pretendem esvaziar a mente de qualquer raciocínio consciente ou dirigir<br />
a atenção a uma imagem ou ideia única, os praticantes da Vipassana procuram, de forma não crítica, ganhar<br />
consciência de todos os pensamentos e emoções vivenciados no momento.<br />
Empresas como a Google, General Mills, Genentech, Target e Cargill, por exemplo, desenvolveram programas<br />
de treino para os seus funcionários focando o mindfulness na liderança. Os benefícios esperados (e alcançados)<br />
resumem-se em gestores mais criativos, focados e determinados. A palavra correta é resiliência, mas outros<br />
adjetivos ajudam a colorir o impacto da prática de meditação.<br />
SANDRA<br />
CORREIA<br />
Sandra ganhou vários prémios nacionais e internacionais<br />
Sandra Isabel Correia é uma jovem empreendedora<br />
e mulher de negócios, com um currículo de prémios<br />
nacionais e internacionais relevante e uma carreira<br />
de negócios promissora.<br />
Nasceu no mundo da cortiça em 1971 e representa a<br />
terceira geração, depois do avô e do pai na empresa<br />
industrial familiar Novacortiça.<br />
Criou a sua própria marca, Pelcor, em 2003,<br />
vendendo-a passados 13 anos. Hoje, além de ser<br />
shareholder na empresa Novacortiça, SA, desenvolve<br />
novos projetos e negócios na área do pensamento do<br />
agora mindfulness thinking.<br />
Prémios recebidos:<br />
2016 – “Enterprising Women of the Year Award” por<br />
American Enterprising Women <strong>Magazine</strong>/USA<br />
2016 – “Personalidade Feminina do ano nos Negócios”<br />
por LUX <strong>Magazine</strong>/Portugal<br />
2015 – “Best International Business Women 2015”<br />
por Women’s President Organization/IWEC/USA<br />
2014 – “AmCham Trophy Tribute” for PELCOR por USA<br />
Chamber of Commerce em Portugal<br />
2012 – “Melhor Mulher de Negócios em Portugal”<br />
pela Máxima <strong>Magazine</strong> & Jornal de Negócios.<br />
2011 – “Melhor Empresária da Europa” pela European<br />
Community and European Council of Women Entrepreneurs<br />
2007 – “Empreendedora do Ano” pela ANJE (Associação<br />
de Jovens Empresários)<br />
2006 – “Melhor Empreendedora Jovem” pela UALG<br />
(Universidade do Algarve)<br />
De 2013 a <strong>outubro</strong> de 2015, foi seleccionada entre 91<br />
países para fazer parte da cimeira “A New Beginning:<br />
Entrepreneurship and Business Innovation”, criada pelo<br />
ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com<br />
o objetivo da amplificação do empreendedorismo<br />
português pelo mundo.<br />
11
Casos de sucesso<br />
O MUNDO AOS PÉS DA JOSEFINAS<br />
Criações são inspiradas em mulheres que marcaram a diferença<br />
Em 2013, uma arquiteta, uma gestora e uma relações públicas juntaram-se para fazer renascer a arte dos<br />
sapatos feitos à mão com o toque que o mercado digital hoje oferece. O empowerment das mulheres é a base<br />
deste trabalho que também conta com uma vertente social. O empreendedorismo feminino português em todo<br />
o seu esplendor.<br />
Por: Ana Rita Justo<br />
Foto: Josefinas<br />
“Não sabíamos nada sobre sapatos.” A confidência<br />
de Sofia Oliveira, cofundadora da marca Josefinas,<br />
não deixa transparecer aquilo em que hoje se tornou esta<br />
marca portuguesa de confeção de calçado de senhora.<br />
Com o intuito de fazer renascer a profissão do sapateiro<br />
artesão e com uma inspiração muito feminina, assim se<br />
apresenta a Josefinas, marca criada em 2012 pela Sofia,<br />
a relações públicas, Filipa Júlio, a arquiteta, cuja avó dá<br />
nome a este projeto de sucesso, e Maria Cunha, a gestora.<br />
A inspiração inicial veio do passado de Filipa Júlio como<br />
bailarina. “A avó Josefina tornou a vida da Filipa numa<br />
carinhosa aventura, especialmente quando a levava<br />
às aulas de ballet”, recorda Sofia.<br />
A partir daí foi pôr mãos à obra. Começaram por produzir<br />
sabrinas, mas já se aventuram pelos ténis, calçado para<br />
noivas e, recentemente, numa coleção de glamorosos<br />
chinelos. Cada peça é feita à mão e tem uma história,<br />
sempre inspirada numa mulher que tenha deixado a sua<br />
marca no mundo: “Inspiramo-nos em mulheres fortes e<br />
determinadas, que fizeram algo de extraordinário pelas<br />
mulheres”.<br />
Nada é deixado ao acaso e até a caixa dos sapatos é feita<br />
à mão. Um trabalho detalhado e preciso que, como tal,<br />
potenciou alguns desafios.<br />
“Tínhamos de encontrar os melhores mestres sapateiros<br />
nacionais, que fariam a sabrina perfeita. Aliado a isso, em<br />
poucas quantidades porque, naturalmente, estávamos a<br />
começar. Encontrámos os parceiros perfeitos, com quem<br />
trabalhamos até hoje”, adianta a cofundadora da marca.<br />
RECONHECIMENTO<br />
E UMA LOJA EM NOVA IORQUE<br />
A Josefinas cresceu e, graças ao poder do digital,<br />
rapidamente ganhou fãs além-fronteiras. Para Sofia,<br />
foi mesmo o facto de pouco saberem sobre o setor do<br />
fabrico de calçado que lhes possibilitou encararem o<br />
“negócio sob uma nova perspetiva, mais moderna e digital”.<br />
Na boca das grandes influenciadoras digitais, em 2016 a<br />
marca decide então abrir a sua primeira loja física e não fez a<br />
12
OUTUBRO <strong>2017</strong><br />
WWW.<strong>PME</strong>MAGAZINE.COM<br />
coisa por menos: Nova Iorque foi o destino escolhido, o que<br />
até já valeu elogios da companhia britânica British Airways,<br />
que considerou a loja uma das dez melhores da cidade<br />
também conhecida como Big Apple.<br />
“Quem não conhece a marca e passa pela loja não fica<br />
indiferente: entra e rende-se à Josefinas. Quem conhece<br />
vai à loja de propósito visitar-nos, o que é simplesmente<br />
delicioso. Temos dezenas de portugueses que planeiam<br />
férias em Nova Iorque e reservam algumas horas para<br />
conhecer a loja. Sentir que somos um local turístico<br />
é incrível”, sublinha a relações públicas.<br />
A reputação desta marca portuguesa subiu de tal ordem que,<br />
entre 2015 e 2016, o crescimento de faturação foi superior a<br />
300%. Empregam sete pessoas, sendo apenas uma do sexo<br />
masculino.<br />
No horizonte fica agora a possibilidade de se<br />
internacionalizarem para o Japão, plano que já está a ser<br />
traçado e que deverá trazer novidades muito em breve.<br />
proteção, a WFWI garante-lhes os meios necessários para<br />
começarem um pequeno negócio ou aprenderem um novo<br />
ofício, de modo a tornarem-se independentes”, explica Sofia<br />
Oliveira.<br />
Para tal, a Josefinas criou a edição Women for Women, “feita<br />
de dois pares de Josefinas iguais, de pontas cravadas com<br />
cristais”. Quando as sabrinas se unem “os cristais dão origem<br />
a um círculo perfeito, símbolo do universo exclusivo da<br />
amizade entre mulheres”, adianta a responsável.<br />
A originalidade do conceito chamou, inclusive, a atenção da<br />
ativista Gloria Steinem, que criou a sua própria versão das<br />
Josefinas Women for Women. Assim, por cada dez edições<br />
Women for Women vendidas a marca apoia uma mulher em<br />
risco.<br />
UM PROJETO SOCIAL<br />
A inspiração em mulheres fortes e determinadas não serve<br />
apenas para a criatividade na conceção dos sapatos, mas<br />
também para ajudar outras mulheres em risco.<br />
A marca decidiu, por isso, juntar-se à Women for Women<br />
International (WFWI), associação que apoia mulheres<br />
em países afetados por conflitos.<br />
“Em dois anos, já ajudámos seis mulheres em situação de<br />
risco no Ruanda. Demos-lhes os meios para garantirem a<br />
transformação das suas vidas através da WFWI. As mulheres<br />
apoiadas pela WFWI lutam, diariamente, pela sobrevivência,<br />
necessitam de apoio pois sem meios para se sustentarem<br />
não há futuro nem para elas, nem para os seus filhos. Além de<br />
Sapatos Sisterwood são a última novidade<br />
Equipa da Josefinas posa com a avó que deu origem ao nome da marca<br />
13
investimento<br />
NOVAS ALTERNATIVAS DE<br />
FINANCIAMENTO ÀS <strong>PME</strong><br />
Por: António Saraiva, presidente da CIP<br />
Foto: CIP- Confederação Empresarial de Portugal<br />
Um dos principais problemas das empresas<br />
portuguesas é a dificuldade que têm no acesso<br />
ao financiamento, o que condiciona fortemente as suas<br />
decisões de investimento. As causas desta situação<br />
estão largamente identificadas: do lado das empresas,<br />
estruturas financeiras desequilibradas, com elevados<br />
níveis de endividamento e uma excessiva dependência<br />
de crédito de curto prazo. Do lado da banca, uma<br />
situação de fragilidade, que aumenta a aversão ao risco<br />
e leva a uma postura restritiva na concessão de crédito<br />
às empresas.<br />
Constatamos, assim, que o modelo tradicional<br />
de financiamento se encontra fortemente<br />
comprometido. Esta questão assume uma<br />
importância crucial no caso das <strong>PME</strong>, sendo urgente a<br />
sua recapitalização e a substituição do crédito bancário<br />
por financiamentos de maior estabilidade, ou mesmo<br />
com a natureza de quase capital.<br />
Só através de um financiamento adequado das <strong>PME</strong>,<br />
que assumem um papel preponderante no nosso tecido<br />
produtivo, será possível relançar o investimento e as<br />
bases para um crescimento sustentável.<br />
Uma das vias a seguir passa pelo recurso a entradas de<br />
capital por parte dos sócios ou acionistas. Entre as<br />
medidas a tomar para estimular um maior recurso<br />
a capitais próprios, está a redução do enviesamento<br />
fiscal que favorece o endividamento, através de uma<br />
fiscalidade mais favorável à retenção de lucros<br />
e às entradas de capital. No Orçamento do Estado para<br />
<strong>2017</strong> já foi dado um importante passo neste sentido,<br />
com o alargamento do regime de remuneração<br />
convencional do capital social, esperando-se para o<br />
próximo Orçamento, de acordo com o Programa<br />
Capitalizar, novos progressos neste domínio.<br />
Outra via é o recurso ao capital de risco. Tenho<br />
defendido a este propósito a reorientação do capital<br />
de risco público, sobretudo para <strong>PME</strong> com potencial de<br />
inovação e de criação de emprego, adaptando-o às<br />
diversas etapas da vida das empresas e concentrando<br />
a sua atuação onde se verificarem falhas por parte das<br />
sociedades de capital de risco privadas. Destacaria<br />
também o papel dos Business Angels, que se têm<br />
assumido como investidores de excelência<br />
no financiamento de novos negócios.<br />
Mas, além do estímulo a estas soluções, torna-se<br />
necessário que sejam desenvolvidos e implantados<br />
António Saraiva, presidente da CIP<br />
novos mecanismos especializados no financiamento<br />
das <strong>PME</strong>:<br />
- Novos tipos de intermediários especializados;<br />
- Novos produtos e instrumentos de financiamento de <strong>PME</strong>.<br />
Concretamente, acredito que os fundos especializados<br />
podem dar um contributo importante para um movimento<br />
de modernização do nosso tecido produtivo, na sua função<br />
de agregação de valores mobiliários, de modo a poderem<br />
ser colocados junto de grandes investidores.<br />
De facto, é preciso mobilizar a liquidez disponível<br />
nos investidores institucionais, canalizando-a para<br />
o financiamento do investimento privado.<br />
Para acelerar, reforçar e dar solidez a este movimento é<br />
preciso articular as formas mais tradicionais de financiamento<br />
com o recurso ao mercado de capitais e à ação de novos<br />
intermediários financeiros.<br />
É preciso também dotarmo-nos de um adequado quadro<br />
fiscal, jurídico-administrativo, de regulação e operacional,<br />
para além da utilização corrente de técnicas de rating que<br />
permitam atrair ao mercado especializado no financiamento<br />
de <strong>PME</strong> novos investidores nacionais e estrangeiros.<br />
O Programa Capitalizar já avançou com algumas medidas<br />
neste sentido. Por exemplo, foi recentemente criada a figura<br />
das Sociedades de Investimento Mobiliário para Fomento<br />
da Economia, enquanto veículos cotados detentores<br />
de participações em empresas portuguesas não cotadas,<br />
que possam assim ser objeto de investimento por parte<br />
de Fundos de Investimento e Fundos de Pensões.<br />
Espero que as medidas já tomadas e as que estão previstas<br />
para breve concorram efetivamente para a promoção da<br />
participação no mercado de intermediários financeiros<br />
especializados em <strong>PME</strong>.<br />
14
internacional<br />
OUTUBRO <strong>2017</strong><br />
WWW.<strong>PME</strong>MAGAZINE.COM<br />
GUIA DE LISBOA VOA PELA EUROPA E BRASIL<br />
Projeto conta com Ricardo Pereira como embaixador<br />
Lançado em julho de 2015, o guia de descontos Bestripvouchers Lisboa distinguiu-se da concorrência por<br />
incluir a oferta de transferes de e para o aeroporto aos turistas de visita a Lisboa. A completar três anos de<br />
atividade, José Luz, fundador do projeto, faz o balanço do negócio e da parceria estratégica com o ator Ricardo<br />
Pereira, que potenciou a aventura além-fronteiras.<br />
Por: Mafalda Marques<br />
Foto: Bestripvouchers<br />
<strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong> - Como nasceu o Bestripvouchers<br />
e quando perceberam que tinham de ir para fora?<br />
José Luz - A ideia de melhorar um produto existente no<br />
Alaska, de nome TourSaver. A necessidade de haver um<br />
produto vocacionado para o turista, aliar serviço de transfer<br />
a um guia da cidade e proporcionar descontos até 60% em<br />
diversas categorias, foram as razões chave para o início do<br />
projeto Bestripvouchers.<br />
<strong>PME</strong> Mag. - 2015 foi o ano de lançamento em Portugal.<br />
Qual o balanço da parceria com o Turismo de Lisboa?<br />
J. L. - Como associados da Associação de Turismo de<br />
Lisboa (ATL), conseguimos colocar o guia nos postos da ATL<br />
e chegar ao público alvo do guia com transferes. O posto do<br />
aeroporto, estratégico para a comercialização do guia, dada<br />
oferta do transfere de ida e volta, poderia ter sido aproveitado<br />
e, consequentemente, ter alavancado a venda e divulgação<br />
do guia, algo que acabou por não acontecer, apesar da<br />
formação dada aos colaboradores dos postos e do sucesso<br />
que teve em outros locais de venda. 2015 foi um ano de<br />
divulgação e apresentação da marca pelo que as vendas<br />
foram residuais. Estávamos a contar com mais por via do<br />
Turismo de Lisboa e seus postos de turismo, o que acabou<br />
por não resultar.<br />
<strong>PME</strong> Mag. - Como funciona a parceria estratégica<br />
com a CP?<br />
J. L. - A CP apoia na venda e divulgação da marca. Já<br />
contamos com duas carruagens decoradas, venda dos guias<br />
nas principais estações, concursos online com oferta do guia<br />
e cartazes publicitários nos comboios e gabinetes de apoio.<br />
A parceria está assente na troca de divulgação de serviços<br />
de ambas as empresas e na excelente relação que existe.<br />
<strong>PME</strong> Mag. - A parceria com o ator Ricardo Pereira<br />
potenciou o Brasil. Qual a vossa estratégia nesse país?<br />
J. L. - Sem dúvida… O Ricardo tem imensos contactos no<br />
Brasil, o que nos ajudou a chegar a algumas empresas na<br />
área do turismo e conseguir assessoria de imprensa nesse<br />
mesmo país. O turista brasileiro é estratégico para os<br />
nossos objetivos, não só pela facilidade linguística, mas<br />
também pelo carinho e admiração que tem por Portugal e<br />
15
internacional<br />
pelos portugueses. Em 2016 lançámos o guia nacional,<br />
a marca em blogs e em parceiros no estrangeiro,<br />
maioritariamente no Brasil, por via do Ricardo Pereira,<br />
atingindo 1.500 guias vendidos.<br />
<strong>PME</strong> Mag. - Qual o balanço que fazem da atividade em<br />
Espanha e Reino Unido?<br />
J. L. - Residual, neste momento, face ao elevado custo<br />
do marketing e publicidade para estes países. Temos tido<br />
clientes utilizadores do guia mas por via das empresas<br />
de aluguer de apartamentos e hotéis, que oferecem o guia<br />
como welcome pack, por via do transfer comercializado<br />
no momento da reserva.<br />
<strong>PME</strong> Mag. - Que outros países/cidades estão na mira para<br />
2018?<br />
J. L. - Neste momento estamos a ponderar iniciar o projeto<br />
do Porto, com o lançamento do guia com e sem transferes.<br />
Esperamos que no segundo semestre de 2018 já tenhamos<br />
as maquetes concluídas.<br />
<strong>PME</strong> Mag. - Porquê a mudança no preço, com e sem<br />
transferes?<br />
J. L. - O guia sem transferes é vocacionado para casais,<br />
residentes que pretendam usufruir de mais de 114 vouchers<br />
de descontos, durante todo o ano e em diversas categorias.<br />
A diferença de preço resulta precisamente em não haver um<br />
custo acrescido, neste caso.<br />
José Luz, fundador do projeto<br />
<strong>PME</strong> Mag. - Que novidades traz o guia de 2018?<br />
J. L. - Em <strong>2017</strong>, o guia nacional foi colocado na FNAC e o<br />
internacional a ser oferecido aos clientes nas principais<br />
cadeias de apartamentos de Lisboa, esperando assim um<br />
volume total de 2.500 vendas até final deste ano. Para 2018<br />
vamos incluir mais algumas experiências na cidade de<br />
Lisboa, alargar a oferta de estadia, melhorar a componente<br />
de guia da cidade e incluir um novo separador<br />
de espectáculos e concertos, em parceria com a Ticketline.<br />
<strong>PME</strong> Mag. - Têm outros mercados alvo?<br />
J. L. - Na realidade, todo e qualquer turista que visita a<br />
cidade de Lisboa é um potencial cliente. Estamos a incidir<br />
mais no mercado brasileiro, por via do Ricardo Pereira, mas<br />
o mercado francês é muito atrativo para colocação do nosso<br />
produto, visto ser o país que mais visitantes traz a Lisboa,<br />
neste momento.<br />
16
Ambiente<br />
CIDADES SUSTENTÁVEIS<br />
A PARTIR DO SOLO<br />
OUTUBRO <strong>2017</strong><br />
WWW.<strong>PME</strong>MAGAZINE.COM<br />
Pavnext é a mais recente tecnologia a vencer o prémio Big Smart Cities. Ajuda na prevenção rodoviária e,<br />
ao fazer reduzir a velocidade dos veículos, capta energia para tornar as cidades autossustentáveis.<br />
Por: Ana Rita Justo<br />
Foto: Pavnext e Big Smart Cities<br />
Francisco Duarte e Sílvia Soares, da equipa Pavnext<br />
Chama-se Pavnext e é o sistema 100% português que<br />
permite reduzir a velocidade dos veículos em meios<br />
urbanos e, ao mesmo tempo, gerar energia. Francisco<br />
Duarte é o engenheiro por detrás da tecnologia, que em<br />
2012 se juntou a João Champalimaud, gestor, e Sílvia Soares,<br />
designer, para darem continuidade ao projeto. A inovação<br />
valeu-lhes o primeiro prémio do Big Smart Cities,<br />
um financiamento de dez mil euros, um espaço de trabalho<br />
e um período de aceleração de seis meses para aplicação do<br />
projeto piloto em Cascais, cidade que este ano recebeu<br />
a iniciativa.<br />
Pavnext é o diminutivo para Pavement Energy Efficient<br />
Extractor – em português extrator eficiente de energia do<br />
pavimento. Funciona como um tapete por cima do pavimento<br />
e permite, como o próprio nome indica, extrair energia das<br />
estradas à passagem de um veículo, fazendo com que a<br />
velocidade do mesmo diminua em zonas onde os limites<br />
são controlados. É o caso da aproximação às passadeiras,<br />
radares, rotundas ou portagens. No fundo, uma alternativa<br />
às lombas muito menos agressiva, já que não causa impacto<br />
na condução nem no veículo.<br />
“As lombas dão impacto e obrigam a uma travagem, mas não<br />
reduzem a velocidade; os semáforos obrigam à travagem<br />
mas se a pessoa não travar passa o vermelho. Ou seja, não<br />
é proativo, é passivo. E aqui conseguimos ter uma solução<br />
que combina a promoção da segurança rodoviária, ao reduzir<br />
a velocidade sem a ação do condutor e, depois, com base<br />
na energia que capta gera energia elétrica para alimentar o<br />
local, injetar na rede, carregar veículos elétricos…”, explica<br />
Francisco Duarte à <strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong>.<br />
A investigação desenrolou-se no decorrer do doutoramento<br />
de Francisco Duarte em Sistemas de Transportes, pela<br />
Universidade de Coimbra. Já anteriormente, Francisco<br />
integrava a equipa do projeto Pavenergy - Pavement Energy<br />
Harvest Solutions, projeto da Universidade de Coimbra.<br />
As utilizações da energia que este sistema cria são várias,<br />
uma vez que ligado ao ‘tapete’ redutor de velocidade está<br />
um dispositivo que, não só capta energia, como permite<br />
”saber todos os dados da cidade e otimizar consumos em<br />
tempo real”, adianta o engenheiro.<br />
“OS CARROS, EM VEZ DE REDUZIREM A<br />
VELOCIDADE NOS TRAVÕES, REDUZEM NO<br />
PAVIMENTO”<br />
17
Ambiente<br />
“Por exemplo: durante a noite, quando não há carros não<br />
precisam de estar as luzes todas ligadas, conseguimos<br />
reduzir a iluminação em tempo real e poupar bastante<br />
energia aos municípios. O próprio sistema tem inteligência<br />
própria para gerir o consumo”, concretriza.<br />
CIDADES CARBON FREE<br />
O Pavnext permitirá, de acordo com a investigação realizada,<br />
“poupar 60% a 70% do consumo de energia só com base na<br />
inteligência” do sistema, isto sem considerar as aplicações<br />
que a geração de energia pode ter, sendo “um dos grandes<br />
objetivos – além da segurança rodoviária – tornar o espaço<br />
público autossustentável”.<br />
“Zero consumo energético da rede, 100% de energia<br />
produzida no local e zero emissões. Tornar a iluminação das<br />
cidades carbon free. No fundo, é reciclar: os carros têm de<br />
perder energia ao reduzir velocidade, em vez de reduzirem<br />
nos travões reduzem no pavimento”, alega Francisco Duarte.<br />
Além disso, o sistema permite ainda reduzir o desgaste<br />
dos veículos, uma vez que a energia é reduzida através do<br />
Pavnext e não pela ação do condutor de travar com o próprio<br />
pé. O próprio sistema é amigo do ambiente, pois é feito de<br />
borracha de pneu reciclado e, em dias de chuva, torna o piso<br />
menos escorregadio, logo, menos propenso a acidentes.<br />
A inovação já tem sido altamente reconhecida, tendo<br />
vencido em 2016 o Prémio Inovação e Segurança Rodoviária,<br />
do ACP. O Pavnext foi ainda um dos três vencedores do<br />
ClimateLaunchpad a nível nacional, e está entre os finalistas<br />
da competição a nível europeu, que se realiza em <strong>outubro</strong>.<br />
Dispositivo funciona como um tapete sobre o alcatrão<br />
PILOTO EM CASCAIS<br />
Com o prémio do Big Smart Cities, o projeto dá o salto para<br />
poder constituir-se como empresa, ganha a possibilidade<br />
de fazer o projeto piloto na cidade de Cascais e potenciará a<br />
assim a possibilidade de o modelo vir a ser replicado noutros<br />
municípios.<br />
“É para nós um reconhecimento do trabalho que tem vindo<br />
a ser desenvolvido ao longo dos últimos anos, e um sinal de<br />
confiança no potencial do nosso projeto e do impacto que<br />
este pode vir a ter nas cidades e na sociedade”, refere<br />
Francisco Duante.<br />
“A oportunidade de testar a tecnologia em Cascais irá<br />
permitir avançar para a próxima fase do desenvolvimento<br />
do produto.”<br />
“CONSEGUIMOS REDUZIR A ILUMINAÇÃO<br />
EM TEMPO REAL E POUPAR BASTANTE<br />
ENERGIA AOS MUNICÍPIOS”<br />
Projeto venceu prémio Big Smart Cities<br />
18
JULHO <strong>2017</strong><br />
WWW.<strong>PME</strong>MAGAZINE.COM<br />
19
esponsabilidade social<br />
UM ESTÍMULO À ECONOMIA SOCIAL<br />
Fundação Montepio apoia entidades do terceiro setor<br />
Criada pela Associação Mutualista a 5 de <strong>outubro</strong> de 1995, a Fundação Montepio nasce com o intuito de ajudar<br />
as organizações da sociedade civil que trabalham no setor social em Portugal. Hoje, é a maior organização<br />
para esse fim no país e uma das maiores da Europa. Em entrevista à <strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong>, Paula Guimarães diretora<br />
da Fundação, explica o trabalho e o apoio fundamental que é dado às instituições do terceiro setor.<br />
Por: Denisse Sousa<br />
Foto: Pixabay<br />
Com 20 anos de trabalho feito, a Fundação Montepio tem<br />
alargado o espetro e apostado naquilo que considera serem<br />
respostas inovadoras em setores com pouco apoio público<br />
e no domínio da capacitação das organizações, como<br />
a economia social.<br />
<strong>2017</strong> marca o início do primeiro ano do programa FACES -<br />
Financiamento e Apoio para o Combate à Exclusão Social,<br />
uma nova forma de olhar para o paradigma do apoio às<br />
instituições. No seu primeiro ano, o programa recebeu 215<br />
candidaturas das quais foram escolhidos 18 projetos que<br />
foram objeto de parceria e que terão a duração de cerca de<br />
um ano.<br />
A maior parte dos projetos começa entre julho e setembro<br />
deste ano, mas a expectativa de Paula Guimarães, diretora<br />
da Fundação Montepio, é já muito positiva.<br />
“Tendo apenas em conta os 18 projetos selecionados, temos<br />
entidades que estão a trabalhar bem e preocupadas em<br />
estabelecer parcerias, o que era um fator relevante para nós,<br />
e em incorporar fatores de inovação para a sua atividade.”<br />
O programa FACES serve também como forma<br />
de empoderamento para as pessoas para quem<br />
as instituições trabalham.<br />
“Ainda se desenvolve uma intervenção um pouco<br />
protecionista em relação aos destinatários finais da sua<br />
ação, sejam eles idosos, pessoas com deficiência,<br />
jovens ou famílias que ainda não têm uma participação<br />
efetiva na decisão de gestão das organizações, ou seja,<br />
são muitas vezes beneficiários passivos e não coautores<br />
numa estratégia de mudança”, afirma.<br />
No programa FACES destacam-se os projetos na área da<br />
empregabilidade na deficiência, os projetos que atuam junto<br />
de famílias vulneráveis e pessoas sem-abrigo.<br />
“TEMOS ENTIDADES QUE ESTÃO<br />
A TRABALHAR BEM E PREOCUPADAS EM<br />
ESTABELECER PARCERIAS”<br />
20
OUTUBRO <strong>2017</strong><br />
WWW.<strong>PME</strong>MAGAZINE.COM<br />
CAPACITAR A QUALIDADE NAS<br />
ORGANIZAÇÕES<br />
Mais do que trabalhar para as comunidades, as organizações<br />
do setor social têm também de saber fazer uma<br />
autoavaliação e potenciar-se através da certificação<br />
da qualidade.<br />
Nesse sentido, a Fundação Montepio estabeleceu um<br />
protocolo com a Associação Portuguesa para a Qualidade<br />
(APQ), consubstanciado no financiamento e consultoria<br />
a organizações do setor social para a certificação da<br />
qualidade, no âmbito do Referencial Europeu EQUASS. A<br />
parceria inclui também a Fundação AFID Diferença como<br />
entidade consultora no apoio às instituições.<br />
Para Paula Guimarães, a certificação de qualidade permite<br />
que “as instituições se conheçam melhor, que racionalizem<br />
os seus procedimentos, façam opções estratégicas em<br />
matéria de gestão e, por isso, é um processo extremamente<br />
rico em termos de autoconhecimento e de reorganização<br />
da instituição”.<br />
A responsável adianta que o projeto surge para dar resposta<br />
“à falta de estímulo para a certificação da qualidade por parte<br />
do Estado”.<br />
“A Fundação Montepio entendeu que deveria dar um<br />
estímulo acrescido e deveria suportar os custos da<br />
certificação para promover dentro das organizações este<br />
salto de qualidade, mas é difícil. Só as melhores entre as<br />
melhores é que aceitam este desafio.”<br />
Num processo que dura 18 meses, nuns casos podendo até<br />
durar mais, as instituições fazem um exercício de olhar para<br />
dentro.<br />
“A certificação da qualidade é mais do que um resultado<br />
final, até porque nunca está terminado é preciso renovar<br />
constantemente. É sobretudo um processo de<br />
autoconhecimento das organizações e dos seus<br />
profissionais,” explica.<br />
O selo de reconhecimento é dado às associações seguindo<br />
os critérios de impacto social e regional, recursos humanos,<br />
historial da organização e principais resultados alcançados<br />
e outros indicadores de gestão. Durante um ano,<br />
as associações são acompanhadas num coaching<br />
permanente, precisamente para fazerem todo o processo<br />
de certificação da qualidade do projeto ou da entidade,<br />
dependendo da dimensão. Este ano a APSA – Associação<br />
Portuguesa do Síndrome de Asperger recebeu o seu diploma<br />
de qualidade.<br />
“SUGERIMOS ÀS EMPRESAS QUE<br />
ESCOLHAM ÁREAS DE INTERVENÇÃO QUE<br />
TENHAM A VER COM O SEU ’CORE’”<br />
RESPONSABILIDADE SOCIAL<br />
NAS EMPRESAS<br />
Outro dos pontos considerados fundamentais por Paula<br />
Guimarães é o envolvimento das empresas em projetos<br />
de responsabilidade social e de ações destinadas ao<br />
envolvimento com a comunidade. Neste âmbito, a<br />
diretora defende que as empresas devem apoiar<br />
organizações de economia social dentro da sua área<br />
de intervenção.<br />
“O que sempre sugerimos às nossas empresas parceiras é<br />
que escolham áreas de intervenção que tenham a ver com o<br />
seu core. Isso permite não só tirar retorno evidente, uma vez<br />
que a responsabilidade social não é filantropia, mas também<br />
é uma forma de estratégia e de obtenção de retorno para a<br />
empresa, porque conseguem pôr ao serviço da organização<br />
da economia social o know-how e rentabilização de recursos<br />
que de outra forma não farão.”<br />
A Fundação Montepio aposta também na consciencialização<br />
dos mais jovens para a responsabilidade social. O Prémio<br />
Escolar Montepio sofre agora uma renovação em<br />
parceria com a Porto Editora: “O prémio está num processo<br />
de mudança e de viragem, na qual estabelecemos uma<br />
parceria com a Porto Editora onde o nosso prémio escolar vai<br />
ser dirigido a reforçar a iniciativa da Porto Editora “Literacia<br />
3D.”<br />
Já o Prémio Voluntariado Jovem é para continuar e voltou em<br />
setembro: “Com este prémio procuramos incutir nos mais<br />
jovens o sentido de pertença à comunidade e de cidadania<br />
efetiva. Este ano é provável que trabalhemos com jovens que<br />
estão em organizações destinadas a apoiar crianças e jovens<br />
privados de meio familiar normal, também para perceber até<br />
que ponto eles estão conscientes da mudança que podem<br />
operar e da responsabilidade que têm dentro das próprias<br />
organizações.”<br />
“A CERTIFICAÇÃO DA QUALIDADE É MAIS<br />
DO QUE UM RESULTADO FINAL, ATÉ<br />
PORQUE NUNCA ESTÁ TERMINADO”<br />
Desenvolvimento das instituições sociais é um dos objetivos<br />
21
EMPREENdeDORISMO<br />
HÁ UMA NOVA FORMA DE MOBILIDADE<br />
PARA AS EMPRESAS<br />
Citydrive conta com uma frota de 40 carros em Lisboa<br />
Chama-se Citydrive e é uma das plataformas de partilha de carros em Portugal. Uma solução para as empresas<br />
que pretendam reduzir custos com deslocações, como explica o diretor de marketing, Nuno Cepêda.<br />
Por: Ana Rita Justo e Denisse Sousa<br />
Foto: Citydrive<br />
A Citydrive nasceu em 2014, sendo uma das plataformas de<br />
carsharing a operar em Portugal. O modelo utilizado permite<br />
que o utilizador pegue no carro mais próximo e, no final<br />
da viagem, o estacione onde lhe for conveniente, desde que<br />
dentro da zona delimitada pela empresa em Lisboa.<br />
Atualmente, a Citydrive só funciona na capital, mas os planos<br />
para chegar ao Porto estão para breve, bem como um<br />
aumento da frota, dos atuais 40 veículos para um total<br />
de 250 carros elétricos e a combustível nas duas cidades.<br />
“Queremos crescer exponencialmente para fortalecer<br />
a nossa posição de operadores de carsharing em Portugal”,<br />
sublinha Nuno Cepêda, diretor de marketing da marca.<br />
A marca foi criada em Portugal por uma casa de software, mas<br />
foi adquirida recentemente pelo grupo suíço de investimento<br />
Yo!Car, como forma de “acelerar o processo de<br />
desenvolvimento da empresa”.<br />
O registo é feito online ou através de uma app, na qual<br />
é depois possível localizar o carro, reservá-lo, fazer a viagem<br />
e largá-lo, sem ter de se preocupar com gastos em gasolina,<br />
seguro ou parquímetro dentro de Lisboa.<br />
No fundo, como explica Nuno Cepêda, uma opção que<br />
permite “retirar os carros do centro de Lisboa”, já que<br />
diversos estudos apontam que por cada carro de carsharing<br />
utilizado é possível retirar cerca de oito carros da circulação<br />
nas cidades. A mobilidade é, assim, maior e o meio ambiente<br />
agradece.<br />
EMPRESAS COMO ALVO<br />
Entre os alvos da Citydrive, além da população em geral<br />
e dos turistas, estão também as empresas.<br />
“As empresas têm várias vantagens, nomeadamente<br />
benefícios fiscais, uma fatura única e conseguem na fatura<br />
identificar cada um dos condutores”, explica o responsável.<br />
Segundo dados da Citydrive, a utilização deste serviço de<br />
carsharing permite uma poupança de entre 10 a 15% face<br />
a viatura própria, de 25 a 35% face a outras empresas de<br />
transporte privado e uma poupança de 35 a 50% em relação<br />
ao transporte via táxi.<br />
22
OUTUBRO <strong>2017</strong><br />
WWW.<strong>PME</strong>MAGAZINE.COM<br />
“AS EMPRESAS TÊM VÁRIOS BENEFÍCIOS<br />
FISCAIS E UMA FATURA ÚNICA”<br />
Para as empresas que utilizem o serviço, há isenção da<br />
tributação autónoma de 10% e majoração de 10% das<br />
despesas em sede de IRC por via da Reforma da Fiscalidade<br />
Verde. A redução estimada de custos com deslocações é de<br />
60%.<br />
Para Nuno Cepêda, o grande desafio prende-se com a falta<br />
de conhecimento sobre redes que carsharing, que é preciso<br />
desmistificar.<br />
“No mercado português existe um grande desconhecimento<br />
sobre o que é o carsharing. Existem conceitos errados, que<br />
confundem com o carpooling e com outras formas<br />
de mobilidade que não são o tradicional carsharing”, alerta.<br />
O modelo apresentado pela Citydrive é o free-floating, no<br />
qual a pessoa pega no carro mais próximo e estaciona onde<br />
lhe é mais conveniente, dentro de uma zona delimitada e não<br />
dentro de um parque.<br />
Depois de Lisboa segue-se o Porto, mas esta empresa<br />
espera chegar a um total de 50 cidades no mundo<br />
nos próximos cinco anos.<br />
OS TIPOS DE CARSHARING<br />
Aplicação permite localizar viatura mais próxima do utilizador<br />
Modelo traz benefícios fiscais para as empresas<br />
23
RH<br />
DESAFIOS DAS <strong>PME</strong> NA GESTÃO DE RH<br />
‘OUTSOURCING’: DOR DE CABEÇA OU SOLUÇÃO?<br />
Por: Rui de Brito Henriques, administrador-delegado<br />
da RHmais<br />
Foto: RHmais<br />
Se para algumas empresas terceirizar uma área de<br />
trabalho ainda causa o mesmo tipo de angústia como o<br />
“deixar um bebé entregue a uma ama 10 horas por dia”;<br />
se ainda levanta dúvidas sobre se “vestirão eles a<br />
camisola da empresa”; ou se “a imagem da empresa<br />
não ficará prejudicada?”, para outras, esta já é uma<br />
ferramenta de gestão absolutamente corrente e, na<br />
maioria dos casos, de grande sucesso e de bons<br />
resultados. Porquê? Porque o segundo tipo de empresa<br />
já “aprendeu” a contratualizar esta “entrega” de gestão<br />
de operações ou áreas especializadas a empresas<br />
prestadoras de serviços. Já o tem em conta<br />
no seu planeamento, na sua ação e no seu controlo.<br />
E o que é que isto quer dizer? Quer dizer que já<br />
incorporou no seu processo de gestão, na sua cadei<br />
a de valor interna, uma entidade “externa” que,<br />
nas suas instalações (insourcing) ou nas instalações<br />
do parceiro (outsourcing), desenvolve, de acordo<br />
com processos pré-definidos e com os padrões<br />
de qualidade e de nível de serviço estipulados em<br />
contrato estabelecido, exatamente o mesmo tipo de<br />
atividade que anteriormente era desenvolvido por<br />
colaboradores próprios. Estes passam assim a<br />
dedicar-se a tarefas do core da empresa ou do próprio<br />
controlo operacional e qualidade ou de gestão<br />
de conteúdos, sejam eles de uma área de vendas, de<br />
um contact center ou de um gabinete de planeamento<br />
ou de pesquisa de produto.<br />
Então e o que é que muda? Muda:<br />
- A produtividade, porque os elevados níveis de serviço<br />
contratualizados e a indexação do preço aos mesmos<br />
faz com que a empresa parceira introduza processos de<br />
gestão e de controlo mais rigorosos;<br />
- O custo, porque o aumento da produtividade permite<br />
à empresa prestadora praticar preços mais atrativos do<br />
que os custos de pessoal anteriormente existentes;<br />
- A qualidade, porque, além da especialização<br />
enquanto empresa, a troca de boas práticas que<br />
resulta de experiências diversificadas em vários clientes<br />
e setores enriquece o desempenho do outsourcer e a sua<br />
visão da relação com os clientes;<br />
- A flexibilidade, na medida em que mais facilmente<br />
o outsourcer pode funcionar em regime de “geometria<br />
variável”, podendo proceder a ajustamentos na sua<br />
capacidade, pela possibilidade em gerir os seus<br />
Recursos Humanos por várias operações, ou recorrer a<br />
modelos contratuais mais adequados.<br />
24<br />
Rui de Brito Henriques lidera grupo RHmais<br />
Se estas mudanças são de grande relevância quando se<br />
trata de uma grande empresa, imagine-se a importância que<br />
as mesmas terão quando se trata de uma <strong>PME</strong>!<br />
Regra geral, a gestão de topo de uma <strong>PME</strong> está absorvida<br />
em simultâneo com todas as vertentes da gestão - comercial,<br />
produção, financeira, fiscal, logística, pessoal, etc. -<br />
restando pouco, muito pouco tempo, para melhorar,<br />
desenvolver e otimizar as áreas que não são core da empresa.<br />
É aqui que pode e deve entrar o outsourcing de setores de<br />
suporte, recomendando-se o estabelecimento de uma<br />
relação de parceria que não se cinja a um mero cumprimento<br />
contratual, mas sim que assente em bases de crescimento<br />
e enriquecimento mútuo, superando-se as expectativas<br />
iniciais de contributo para o desenvolvimento do negócio.<br />
Dou um exemplo elucidativo: uma <strong>PME</strong> de produção de<br />
acessórios para casa de banho (torneiras, autoclismos,<br />
toalheiros, etc.), tem por missão a venda desses mesmos<br />
produtos, para reinvestir na inovação e no aumento da<br />
produção, no marketing, exportação, etc. É nessas fases do<br />
ciclo que se tem que concentrar. No limite, todas as<br />
restantes áreas de suporte poderiam ser “externalizadas”,<br />
ainda que desenvolvidas no seu perímetro: o armazenamento<br />
do produto final e a logística; a gestão dos recursos humanos<br />
e o processamento salarial; a contabilidade; o pós-venda<br />
e suporte a clientes, etc.<br />
Imagine-se todas estas áreas a funcionar com mais<br />
produtividade, menor custo e mais qualidade e flexibilidade!<br />
O “segredo” é o saber contratualizar estes serviços e escolher<br />
o parceiro certo.
OUTUBRO <strong>2017</strong><br />
WWW.<strong>PME</strong>MAGAZINE.COM<br />
BI<br />
GIANCARLO BONSEL LIDERA OLX EM PORTUGAL<br />
Por: Denisse Sousa<br />
Foto: D. R.<br />
O Grupo OLX conta com um novo Country Manager<br />
para Portugal, Giancarlo Bonsel, de nacionalidade<br />
holandesa, que irá liderar a empresa detentora<br />
dos portais online OLX, Imovirtual e Standvirtual.<br />
Com experiência de liderança consolidada no Grupo<br />
OLX desde 2014, Giancarlo Bonsel formou-se em<br />
Economia e Econometria na Universidade Tilburgo na<br />
Holanda e iniciou a sua carreia na McKinsey enquanto<br />
consultor, passando ainda pelo Aeroporto Schiphol,<br />
em Amesterdão, e pela Rocket Internet.<br />
Giancarlo Bonsel assume novas funções no Grupo OLX<br />
CLÁUDIA GOYA COMO NOVA CEO DA PORTUGAL<br />
TELECOM<br />
A Altice anuncia Cláudia Goya como CEO da Portugal<br />
Telecom, com efeito imediato, ficando responsável<br />
pelos negócios de telecomunicações da Altice<br />
em Portugal.<br />
SOC. PONTO VERDE COM NOVO PRESIDENTE<br />
António Nogueira Leite é o novo presidente do Conselho<br />
de Administração da Sociedade Ponto Verde, entidade<br />
responsável pela gestão do fluxo específico de resíduos<br />
de embalagens.<br />
ALEXANDRE DUARTE NA GROWIN INNOVATION<br />
A Growin Innovation, unidade de negócio da<br />
tecnológica portuguesa Growin, que opera no Service<br />
Design, anuncia a contratação de Alexandre Duarte<br />
para diretor de New Business.<br />
MARTA ALMEIDA NA DS CRÉDITO<br />
Marta Almeida é a nova diretora coordenadora<br />
nacional da DS Crédito, marca pertencente ao grupo<br />
Decisões e Soluções, especialista em consultoria<br />
financeira e operações de crédito bancário.<br />
25
RH<br />
BI<br />
PATRÍCIA MAGALHÃES JUNTA-SE À MTW<br />
PORTUGAL<br />
Patrícia Magalhães é o novo elemento da equipa da<br />
MTW Portugal – Media Training Worldwide. Licenciada<br />
em Serviço Social, com Pós-graduação em Gestão de<br />
Recursos Humanos, trará para a MTW a sua experiência<br />
em desenvolvimento de projetos de consultoria na área<br />
do Comportamento Organizacional, Saúde, Energia,<br />
Infraestruturas, Transportes, Alimentação e Retalho.<br />
ID LOGISTICS COM NOVO DIRETOR COMERCIAL<br />
PARA PORTUGAL<br />
Licenciado em Management pelo ISCTE Business School,<br />
Gonçalo Roca desenvolveu a sua carreira profissional<br />
nos Grupos Sonae, Sovena, Socinger e IGLO, nos quais<br />
assumiu diversas responsabilidades na área comercial e<br />
de direção.<br />
É agora o novo diretor comercial da ID Logistics para<br />
Portugal.<br />
DIRETOR-GERAL DA JABA RECORDATI<br />
PORTUGAL ACUMULA FUNÇÕES<br />
Nelson Pires, diretor geral da Jaba Recordati,<br />
subsidiária portuguesa da farmacêutica Recordati,<br />
acumula, desde o inicio do ano, o cargo de diretor-geral<br />
para os mercados do Reino Unido e Irlanda.<br />
Licenciado em Direito, com MBA em Gestão de Negócio<br />
do sector Farmacêutico, Pós-Graduação em Marketing<br />
(IPAM) e Especialização em Gestão na Indústria<br />
Farmacêutica da Universidade Católica, Nelson<br />
Ferreira Pires foi ainda coordenador e professor<br />
convidado de várias pós-graduações desde 2010<br />
do IPAM e da Universidade Europeia.<br />
NOVA DIRETORA JURÍDICA NA NOVABASE<br />
Rita Branquinho Lobo acaba de assumir a liderança<br />
do departamento jurídico da Novabase. A jurista integra<br />
a empresa desde 2008, onde desempenhou funções<br />
jurídicas durante nove anos. Do seu percurso<br />
profissional fazem parte a integração em sociedades<br />
de advogados como a ABBC & Associados, a Abreu<br />
Advogados, a Cuatrecasas e a SPS Advogados.<br />
Rita Branquinho Lobo é licenciada em Direito<br />
pela Faculdade de Direito da Universidade Católica<br />
Portuguesa e conta com uma especialização<br />
em Fiscalidade pelo ISCTE.<br />
26
PUBLIRREPORTAGEM<br />
BIG EXPERIENCE<br />
A BIG EXPERIENCE nasceu a 2 de Janeiro de <strong>2017</strong><br />
Por: Nélia Vicente, Paulo Cópio, Alda Neves e Mafalda Isaac<br />
Foto: BIG EXPERIENCE<br />
Era uma vez…assim começam as estórias que se tornam<br />
histórias. Esta é como começou a vontade de quatro<br />
sonhadores.<br />
Sonharam e criaram a BIG EXPERIENCE com<br />
o objetivo de refletir a especialização nas diferentes<br />
áreas do saber e do desenvolvimento das pessoas nas<br />
organizações, através da formação comportamental,<br />
coaching e consultoria.<br />
A empresa BIG EXPERIENCE tem uma história de vida<br />
muito própria. Nasceu no dia 2 de janeiro de <strong>2017</strong> e<br />
como o nome indica tem sido desde o início uma grande<br />
experiência para os seus fundadores e clientes com os<br />
quais têm sido partilhadas experiências únicas.<br />
A ideia de criação deste projeto surgiu da reflexão<br />
profunda dos seus sócios Nélia e Paulo que<br />
ao avaliarem o seu percurso e experiências<br />
profissionais, chegaram à conclusão que, haviam<br />
coisas que não queriam fazer (pelo menos da maneira<br />
como estavam a ser feitas), e haviam outras coisas<br />
que consideravam importantes serem feitas quer ao<br />
nível da gestão interna dos seus recursos humanos,<br />
dos processos internos de trabalho e, acima de tudo,<br />
da forma como se trabalha em Portugal as áreas<br />
do desenvolvimento das pessoas.<br />
Os longos anos de experiência profissional de ambos os<br />
sócios e a partilha de uma visão e sonhos comuns foram<br />
determinantes para o arranque deste projeto ao qual<br />
se veio juntar a B-Training, Consulting que, através da<br />
experiência das suas sócias Alda e Mafalda, permitiu<br />
uma estruturação mais robusta do novo projeto<br />
e a criação de sinergias possibilitando uma maior<br />
satisfação das necessidades dos seus clientes.<br />
Na fase de arranque do projeto, verificou-se também<br />
o apoio por parte de diversas entidades com as quais<br />
os sócios se relacionavam e que fizeram questão de dar<br />
o seu contributo e, acima de tudo, de mostrar<br />
a sua crença quanto ao sucesso futuro do projeto.<br />
Não existe nada mais gratificante do que sentir que<br />
as pessoas à nossa volta acreditam no sucesso<br />
de algo que ainda não se concretizou.<br />
É caso para dizer que os astros estavam alinhados;<br />
estes oito meses de existência da BIG EXPERIENCE têm<br />
A EMPRESA BIG EXPERIENCE TEM UMA<br />
HISTÓRIA DE VIDA MUITO PRÓPRIA<br />
28
OUTUBRO <strong>2017</strong><br />
WWW.<strong>PME</strong>MAGAZINE.COM<br />
sido tão intensos e estimulantes que os clientes ficam<br />
com a ideia de que a empresa já existe no mercado há<br />
mais tempo.<br />
Com uma estrutura acionista sólida e com as ideias bem<br />
definidas acerca da visão e propósito de existência da<br />
empresa, foi possível a criação deste projeto assente<br />
nos seguintes pilares:<br />
- Trabalhar com e para as pessoas;<br />
- Olhar para o que se faz e procurar dar um cunho<br />
pessoal sobre este tema que é o desenvolvimento<br />
de soft skills nas pessoas e nas organizações;<br />
- Acreditar que cada pessoa é responsável pelo seu<br />
desenvolvimento e muitas vezes o que é necessário<br />
é uma experiência diferente para dar o pontapé de<br />
saída;<br />
- Dar o máximo por cada pessoa e empresa com quem<br />
trabalhamos (cada pessoa é única e deverá ser tratada<br />
como tal).<br />
“A BIG EXPERIENCE ESTÁ A DAR MAIS UM<br />
PASSO, LANÇANDO UMA IDEIA PRÓPRIA<br />
DAQUILO QUE DEVERÁ SER A LIDERANÇA<br />
NAS EMPRESAS”<br />
Como o caminho faz-se caminhando,<br />
a BIG EXPERIENCE está a dar mais um passo, lançando<br />
uma ideia própria daquilo que deverá ser a liderança nas<br />
empresas. Acreditamos que para trabalhar a liderança<br />
é preciso:<br />
1.- Olhar para dentro de cada um e percebermos o que<br />
estamos e não estamos a liderar em nós;<br />
2.- Ter noção de como sou visto enquanto líder;<br />
3.- Definir que tipo de líder quero ser;<br />
4.- E… perceber que em cada momento todos somos<br />
líderes de alguma coisa!!!<br />
Nélia Vicente e Paulo Cópio<br />
É neste contexto de mudanças constantes e incertezas<br />
no mercado que a BIG EXPERIENCE se dá a conhecer.<br />
A experiência, motivação e capacidade de inovação<br />
dos seus fundadores e colaboradores são fatores<br />
diferenciadores que vão trazer uma mais valia para<br />
os seus clientes em particular e para o mercado<br />
em geral.<br />
A BIG EXPERIENCE nasceu com o objetivo<br />
de refletir a especialização nas diferentes áreas<br />
do desenvolvimento das pessoas nas organizações.<br />
EXPERIÊNCIAS QUE MARCAM para “desarrumar”<br />
as pessoas e mudar os seus comportamentos.<br />
“EXPERIÊNCIAS QUE MARCAM PARA<br />
‘DESARRUMAR’ AS PESSOAS E MUDAR OS<br />
SEUS COMPORTAMENTOS”<br />
Alda Neves e Mafalda Isaac<br />
A equipa BIG EXPERIENCE<br />
29
Medir para gerir<br />
DIZ-ME O QUE TE MOTIVA, DIR-TE-EI NO QUE ÉS BOM<br />
Conhecer as nossas motivações, competências<br />
e traços de personalidade. A isto se tem dedicado<br />
o estudo milenar do eneagrama, que tem ajudado<br />
cada vez mais empresários a lidar com as equipas de<br />
forma mais eficiente. Paula Pranto, ‘eneagramática’<br />
portuguesa e fundadora da Walk Your Way, explica-nos<br />
as potencialidades desta abordagem.<br />
Por: Ana Rita Justo<br />
Foto: Pixabay e Inês Antunes<br />
Há cada vez mais empresas a apostarem no<br />
desenvolvimento pessoal dos seus trabalhadores. Perceber<br />
a personalidade de cada um, o que os motiva e o que mais<br />
gostam de fazer pode trazer vantagens acrescidas quando<br />
se lida com uma equipa. O eneagrama é, por isso, uma<br />
ferramenta cada vez mais em voga para estudar e melhorar<br />
os relacionamentos dentro das empresas.<br />
O eneagrama existe desde a Grécia Antiga. Contudo,<br />
só nos anos 1950, com a investigação do boliviano Oscar<br />
Ichazo, é que começou a ser associado aos nove tipos de<br />
personalidade. Posteriormente, o chileno Claudio Naranjo<br />
pegou nas teorias de Ichazo para desenvolver programas<br />
de desenvolvimento pessoal. Mais tarde, em 1988, Helen<br />
Palmer, antiga aluna de Naranjo, e David Daniels fundaram<br />
o primeiro programa de formação em eneagrama.<br />
Atualmente, várias grandes empresas e organizações fazem<br />
uso desta ferramenta para potenciar as suas equipas, entre<br />
elas a NASA.<br />
Paula Pranto, autora do livro Eneagrama e Foco e<br />
fundadora da Walk Your Way, empresa de formação e<br />
consultoria em desenvolvimento comportamental,<br />
explica que “este boom surge, porque as pessoas estão num<br />
novo patamar em termos de consciência e conhecimento<br />
delas próprias”, o que faz com que os próprios empresários<br />
estejam mais atentos à importância de conhecer melhor as<br />
equipas.<br />
À luz do eneagrama existem nove tipos de personalidade<br />
[ver esquema]. Uns mais perfecionistas, outros mais<br />
amistosos, outros mais focados. Cada um tem o seu dom e<br />
os seus defeitos, pelo que torna-se necessário percebê-los<br />
para desenvolver equipas de sucesso.<br />
“Os desenvolvimentos pessoal e comportamental são<br />
áreas que as empresas estão aflitas para desenvolver,<br />
porque não são desenvolvidas nas escolas, nem nas<br />
faculdades. Há pessoas brilhantes naquilo que fazem,<br />
mas que depois são péssimos autolíderes. São bons<br />
tecnicamente, mas não são bons na interação com o meio”,<br />
adianta.<br />
O que define o tipo de personalidade não é o comportamento, é a motivação<br />
O eneagrama surge, então, como forma de ajudar a perceber<br />
os tipos de personalidade existentes em cada equipa.<br />
Paula Pranto é especialista em eneagrama, trabalhando<br />
a ferramenta com gestores de topo e equipas de trabalho.<br />
Perceber qual o tipo de personalidade de cada um, diz,<br />
é só o começo.<br />
“ÀS VEZES NÃO VALORIZAMOS COISAS EM<br />
QUE SOMOS EXCECIONALMENTE BONS”<br />
“Quando tu percebes qual é o teu tipo de personalidade não<br />
chegaste a lado nenhum, vais começar um caminho e vais<br />
começar a perceber os automatismos, onde é que resvalas,<br />
o que não desenvolves e que poderias desenvolver… Às<br />
vezes não valorizamos coisas em que somos<br />
excecionalmente bons”, refere.<br />
MOTIVAÇÃO NA BASE<br />
O que define, então, o tipo de personalidade de cada um?<br />
Paula Pranto explica que “é a motivação”.<br />
“Inteligentemente, nós experimentamos comportamentos<br />
diferentes em diferentes áreas e em diferentes momentos<br />
da vida. E o que define o tipo de personalidade não é o<br />
comportamento, é a motivação. Há pessoas que precisam de<br />
mais segurança, há pessoas que precisam de mais liberdade<br />
30
OUTUBRO <strong>2017</strong><br />
WWW.<strong>PME</strong>MAGAZINE.COM<br />
de escolha, há pessoas que funcionam bem com rotinas<br />
e pessoas que não funcionam bem com rotinas, mas a tal<br />
motivação é diferente e isso é que é preciso identificar”,<br />
defende.<br />
O resultado? As equipas conhecem melhor os colegas<br />
de trabalho, os gestores e chefes de equipa compreendem<br />
que a comunicação não é igual para todos: “Os gestores<br />
percebem que há toda uma abertura para chegar à equipa<br />
completamente diferente, até porque eles próprios, como<br />
líderes, começam a trabalhar-se de maneira diferente,<br />
percebem onde são as dificuldades, os potenciais... é um<br />
trabalho contínuo”.<br />
“NÓS EXPERIMENTAMOS<br />
COMPORTAMENTOS DIFERENTES<br />
EM DIFERENTES MOMENTOS DA VIDA”<br />
Por outro lado, a autorresponsabilidade dos trabalhadores<br />
aumenta. Já a questão da premiação, explica a formadora<br />
e consultora, difere de trabalhador para trabalhador:<br />
“Há pessoas que podem ser premiadas com dias extras<br />
de férias e isso para elas é muito mais importante do que<br />
terem mais dinheiro ao fim do ano”.<br />
“TODOS SÃO VÁLIDOS”<br />
Pode dizer-se, então, que há tipos de personalidade<br />
mais ou menos direcionados para determinada tarefa?<br />
Segundo Paula Pranto, o que acontece é que “há tipos<br />
de personalidade que nunca estão numa equipa,<br />
porque nunca vão procurar aquele tipo de atividade”.<br />
“Há tipos de personalidade que provavelmente<br />
não vão aparecer em determinado tipo de trabalho,<br />
porque não se coaduna com o que são muito bons<br />
a fazer”, adianta a eneagramática, acrescentando que,<br />
ao nível do recrutamento, é importante ter uma “descrição<br />
do perfil de cargo bem definida” para depois se passar<br />
ao perfil comportamental que se espera dessa pessoa.<br />
No fundo, não há melhores ou piores perfis, o importante<br />
é que as tarefas estejam alinhadas com o tipo de<br />
personalidade de cada um: “À luz do eneagrama todas<br />
as pessoas são maravilhosamente válidas. Têm é de ser<br />
encaminhadas. Às vezes até acontece dentro de uma<br />
equipa fazer uma troca. Experimentar pôr uma pessoa<br />
a fazer o trabalho de outra e há resultados deliciosos”.<br />
OS TIPOS DE PERSONALIDADE SEGUNDO O ENEAGRAMA<br />
9. O PACIFICADOR<br />
Agradável e afável<br />
Detesta confrontos<br />
Tolerante<br />
Conservador<br />
Solidário e com facilidade em<br />
distrair-se<br />
8. O CONTROLADOR<br />
Forte e confrontador<br />
Intenso e rebelde<br />
Gosta de estar em controlo<br />
Exige a verdade<br />
Facilmente irritável<br />
7. O ENTUSIASTA<br />
Otimista e alegre<br />
Energético e imaginativo<br />
Manipulador<br />
Dificuldade em lidar com sofrimento<br />
Analítico<br />
6. O CÉTICO LEAL<br />
Leal<br />
Trabalhador<br />
Criativo<br />
Gosta de contestar<br />
Alegre e divertido<br />
Gosta de estar em controlo<br />
1. O PERFECIONISTA<br />
Crítico<br />
Altos padrões de exigência<br />
Aparentemente calmo<br />
Autoritário<br />
Gosta de ser respeitado e<br />
é orientado para o trabalho bem feito<br />
2. O PRESTATIVO<br />
Sedutor<br />
Prestável<br />
Amoroso<br />
Confiante<br />
Gosta de agradar o outro<br />
3. O DESEMPENHADOR<br />
Vaidoso<br />
Gentil<br />
Orientado para sucesso e eficácia<br />
Apaixonado pela vida<br />
Talentoso<br />
4. O ROMÂNTICO<br />
Procura o significado da vida<br />
Amoroso<br />
Intenso<br />
Artístico<br />
Autêntico e solidário<br />
5. O OBSERVADOR<br />
Reservado<br />
Intelectual<br />
Focado em objetivos<br />
Perfecionista e cauteloso<br />
Procura minimizar as suas próprias<br />
necessidades<br />
31
Marketing<br />
SABEM AS <strong>PME</strong> VENDER O SEU<br />
NEGÓCIO ONLINE?<br />
Vasco Marques é autor dos livros Marketing Digital 360, Vídeo Marketing e Redes Sociais 360<br />
Por: Vasco Marques, consultor e formador em Marketing Digital<br />
Foto: D. R.<br />
É certo que a maioria das pessoas compra em lojas físicas,<br />
no entanto, as compras online não param de aumentar,<br />
tanto em Portugal como no resto do mundo.<br />
Estamos numa fase de transição onde ainda existem muitas<br />
empresas que estão a entrar no online de forma mais<br />
profissional. Algumas entram com uma estratégia definida<br />
e com objetivos mais ambiciosos, mas uma grande parte<br />
lança-se no mundo online com os recursos limitados de<br />
que dispõe e por vezes com uma estratégia desajustada.<br />
A procura existe, isso é certo. A concorrência é cada vez<br />
maior, também é um facto. Quem não apanhar o comboio<br />
agora, provavelmente o próximo será tarde demais.<br />
Abrir uma loja online não chega, é preciso ir mais longe<br />
e promover junto das pessoas interessadas, através da<br />
criação de conteúdos atrativos, da otimização para motores<br />
de pesquisa (SEO), da publicidade no Google (AdWords)<br />
e também através de campanhas Facebook eficientes<br />
e bem segmentadas.<br />
Se desejar ser ainda mais assertivo poderá criar campanhas<br />
de remarketing para conseguir captar clientes com<br />
determinados comportamentos: que não compraram<br />
um produto e queremos vender-lhes outro mais barato,<br />
ou compraram um produto e queremos vender-lhes<br />
outro complementar.<br />
“QUEM NÃO APANHAR O COMBOIO AGORA,<br />
PROVAVELMENTE O PRÓXIMO SERÁ TARDE<br />
DEMAIS”<br />
Por outro lado, as lojas locais podem fazer muito mais para<br />
atrair clientes ao seu espaço físico. Otimização no Google<br />
para pesquisas locais, bem como campanhas de<br />
32
OUTUBRO <strong>2017</strong><br />
WWW.<strong>PME</strong>MAGAZINE.COM<br />
Marketeer defende “estratégia digital sólida”<br />
publicidade no motor de pesquisa, específicas para atrair<br />
novos clientes para a sua loja. Também devem fazê-lo<br />
no Facebook com o mesmo propósito.<br />
Poderá ainda utilizar todo o potencial do Google<br />
My Business para atrair mais clientes. Recheado<br />
de novidades, permite-lhe agora publicar posts<br />
diretamente no Google, comunicar via chat com<br />
o potencial cliente ou criar um mini-site gratuito.<br />
Além disso, pode publicar fotografias 360 diretamente<br />
no Google Maps sem nenhum custo, aumentando muito<br />
a sua exposição. Nos últimos seis meses publiquei<br />
algumas centenas de fotografias e fotografias 360<br />
no Google Maps/Street View e, surpreendentemente<br />
trouxe mais de meio milhão de visualizações.<br />
Pode usar páginas preparadas para conversão (landing<br />
pages) e vender serviços através dos vários canais<br />
possíveis.<br />
É fundamental definir uma estratégia digital sólida<br />
e diversificada. Comece pelo website e pelo blog,<br />
depois, loja online se fizer sentido e landing pages<br />
de acordo com os produtos ou serviços que deseja<br />
vender. De realçar que este tipo de páginas web<br />
tem de estar otimizado para dispositivos mobile.<br />
Depois, avance para os Social Media que fazem<br />
mais sentido para a sua organização, que será<br />
provavelmente o Facebook, o YouTube e o Instagram.<br />
Crie conteúdos realmente interessantes em texto, em<br />
imagem e, especialmente, em vídeo, para criar atração,<br />
interação e conversão. Otimize a sua presença online<br />
para motores de pesquisa, reforce presença com<br />
publicidade no Google e não se esqueça de<br />
implementar sistema de analítica no seu website<br />
e derivados. Consolide a presença com táticas<br />
de automação, através de um bom CRM, email<br />
marketing e chatbots.<br />
Não se esqueça de pensar primeiro no mobile, nos<br />
diversos micro momentos de ponto de contacto<br />
do consumidor com a sua marca, estabelecidos<br />
em vários dispositivos e com motivações diferentes,<br />
ao longo de todo o Customer Journey. A experiência é,<br />
portanto, alargada a vários canais, e por isso<br />
certifique-se que desde a estratégia, às táticas<br />
e às técnicas, tudo deverá estar em sintonia para<br />
proporcionar uma boa experiência.<br />
Por fim, acompanhe os principais indicadores de<br />
performance, para analisar o retorno de investimento<br />
e reajustar procedimentos neste circulo digital.<br />
Modelo estratégico de Marketing Digital 360, por Vasco Marques<br />
“PODE PUBLICAR FOTOGRAFIAS 360 NO<br />
‘GOOGLE MAPS’ SEM NENHUM CUSTO”<br />
É algo que muitos negócios locais não estão a explorar.<br />
Se precisar de avançar já com um pequeno negócio e<br />
não tem orçamento, isso não é um problema. Pode criar<br />
uma loja nativa no Facebook e adicionalmente uma loja<br />
no Tictail para ficar disponível na web.<br />
Se quer algo mais escalável, então poderá optar pelo<br />
Shopify ou pelo WordPress, e projetar a sua loja para<br />
vender para todo o mundo.<br />
Naturalmente que uma empresa não precisa<br />
obrigatoriamente de uma loja online para vender algo.<br />
33
Tecnologia<br />
UMA OPORTUNIDADE CHAMADA<br />
WEB SUMMIT<br />
Alexandre Rosa defende participação inspirada no Web Summit<br />
Por: Alexandre Rosa, CEO da NOESIS<br />
Fotos: NOESIS e Web Summit<br />
O Web Summit tornou-se, em apenas seis anos, no maior<br />
e mais importante evento de empreendedorismo, tecnologia<br />
e inovação da Europa. Um ponto de convergência para<br />
as empresas que possuem as tecnologias mais disruptivas,<br />
para aquelas que procuram a transformação digital e<br />
para todos os interessados nas principais potencialidades de<br />
transformação que essas tecnologias podem proporcionar.<br />
Com mais de 50.000 participantes de mais de 150 países,<br />
este é um evento de presença obrigatória para as<br />
tecnológicas, não só pela oportunidade de exposição e<br />
consolidação das suas competências, como também pelo<br />
potencial de partilha e de exposição de soluções e produtos<br />
inovadores que contribuem para o desenvolvimento das suas<br />
ofertas.<br />
Em 2016, a transferência do Web Summit para Lisboa<br />
despertou o interesse generalizado das empresas<br />
tecnológicas nacionais, que prontamente marcaram<br />
presença neste evento com o intuito de demonstrar a sua<br />
capacidade para competir num mercado tão global<br />
e competitivo. Desta forma, hoje, o Web Summit trata-se<br />
de um ponto de encontro frutífero para organizações que<br />
queiram direcionar a sua mensagem e posicionamento no<br />
mercado, estabelecendo e reforçando a sua proximidade<br />
com atuais e potenciais clientes e parceiros. Por outro lado,<br />
a diversidade de investidores e profissionais esperados<br />
no evento, entre eles os mais importantes líderes<br />
tecnológicos, é um fator determinante na decisão<br />
de estar presente, tanto para empresas já consolidadas<br />
no mercado, como para empresas mais jovens.<br />
“O WEB SUMMIT TORNOU-SE NO MAIOR<br />
E MAIS IMPORTANTE EVENTO DE<br />
EMPREENDORISMO, TECNOLOGIA<br />
E INOVAÇÃO DA EUROPA”<br />
34
OUTUBRO <strong>2017</strong><br />
WWW.<strong>PME</strong>MAGAZINE.COM<br />
WEB SUMMIT<br />
Data: 6 a 9 de novembro<br />
Local: Meo Arena, Lisboa<br />
Mais em: www.websummit.com<br />
Paddy Cosgrave, fundador do Web Summit<br />
Para as primeiras, a presença no Web Summit passa pela<br />
necessidade de acompanhar a inovação rápida e<br />
constante exigida pelo mercado local e não local, com<br />
soluções e produtos inovadores com valor acrescentado<br />
que vão ao encontro das exigências dos seus clientes. Para<br />
as empresas mais jovens, a presença neste evento torna-se<br />
ainda mais importante, não só para que os seus produtos<br />
e tecnologias ganhem visibilidade, mas para que o potencial<br />
dessas mesmas tecnologias seja apresentado, discutido<br />
e direcionado numa ótica de contribuição para o futuro<br />
da tecnologia. O evento é assim uma oportunidade única<br />
para consolidar a presença no mercado, através de uma<br />
rede de networking global que pode alavancar<br />
investimentos, parcerias, ou partilha de experiências com<br />
o potencial de amplificar fortemente as oportunidades de<br />
negócio de todas as empresas envolvidas.<br />
“O WEB SUMMIT É OPORTUNIDADE ÚNICA<br />
PARA CONSOLIDAR A PRESENÇA<br />
NO MERCADO, ATRAVÉS DE<br />
UMA REDE DE ‘NETWORKING’ GLOBAL”<br />
Mais de 60 mil pessoas são esperadas este ano no Web Summit<br />
O Web Summit é um enorme desafio para qualquer<br />
empresa independentemente da sua dimensão ou setor,<br />
é uma ocasião excecional de partilha e contribuição<br />
para o desenvolvimento da comunidade tecnológica<br />
onde é crucial estar presente. Mas, mais do que<br />
marcar presença, é necessário que as empresas<br />
estejam cientes da responsabilidade que surge<br />
da participação em iniciativas deste cariz. Trata-se<br />
da necessidade de se apresentarem no seu formato<br />
mais inspirador, de forma a estarem preparadas para<br />
contribuir ativamente com os seus conhecimentos e<br />
competências, bem como fazer face aos desafios que<br />
possam surgir.<br />
António Costa deu as boas-vindas na edição de 2016<br />
35
36
Tecnologia<br />
OUTUBRO <strong>2017</strong><br />
WWW.<strong>PME</strong>MAGAZINE.COM<br />
AS DIFICULDADES DAS STARTUPS PORTUGUESAS<br />
LISPOLIS nasceu em 1991<br />
Por: Pedro Rebordão, diretor de Promoção e Inovação do LISPOLIS<br />
Fotos: LISPOLIS<br />
É importante realçar que este artigo se foca em dificuldades<br />
das startups, sendo que uma startup não é uma micro ou<br />
pequena e média empresa, vulgo <strong>PME</strong>, mesmo no caso<br />
daquelas que sejam nascentes, isto é, que tenham sido<br />
constituídas há menos de um ano.<br />
O elenco das dificuldades inerentes às startups implica<br />
a clarificação do que é uma startup. Eric Reies, em “The lean<br />
startup”, define uma startup como “uma instituição humana<br />
concebida para criar novos produtos ou serviços<br />
em condições de extrema incerteza”.<br />
Conceito definido, pode considerar-se que as startups<br />
se deparam, desde logo, com dois tipos de desafios: (i) as<br />
dificuldades inerentes ao desenvolvimento e lançamento<br />
de novos produtos ou serviços no mercado, designadamente<br />
o risco que lhe está associado; e (ii) as dificuldades inerentes<br />
a questões de contexto, como a política fiscal vigente<br />
(impostos sobre o rendimento dos colaboradores;<br />
impostos indiretos sobre as empresas), os procedimentos<br />
administrativos a observar (burocracia) e a<br />
imprevisibilidade (por exemplo imprevisibilidade legislativa<br />
em setores disruptivos).<br />
No presente artigo, focar-nos-emos no primeiro tipo<br />
de problemas, isto é, no desenvolvimento e lançamento de<br />
um novo produto ou serviço.<br />
O primeiro desafio é que não se sabe exatamente o que<br />
se vai vender, como se vai vender, a quem se vai vender e<br />
por quanto se vai vender. A abordagem e resolução destas<br />
questões implica testar e iterar o mais rapidamente possível<br />
porque ainda não se tem clientes, ou apenas se tem early<br />
adopters, cujas compras são insuficientes para manter a<br />
estrutura a funcionar. Assim, o primeiro problema é não se<br />
ter uma proposta concreta claramente definida e o segundo<br />
é dinheiro, por ainda não se ter uma carteira de clientes que<br />
assegure a operação.<br />
“CONSEGUIR SEQUER CHEGAR À FALA<br />
COM INVESTIDORES PODE NÃO SER<br />
TAREFA FÁCIL, SOBRETUDO SE SE TRATAR<br />
DE UMA ‘STARTUP’”<br />
Ultrapassar esta questão passa muitas vezes pela procura<br />
de investidores, cujo investimento inicial, numa fase de<br />
enorme risco, poderá servir para que a startup consiga definir<br />
37
o que vende, a quem vende, como vende e por quanto vende.<br />
No entanto, conseguir sequer chegar à fala com investidores<br />
pode não ser tarefa fácil, sobretudo se se tratar de uma<br />
startup promovida por jovens empreendedores ainda com<br />
poucos contactos – é aqui que entram por exemplo<br />
incubadoras, aceleradoras, concursos de startups,<br />
que facilitam, entre outros apoios, os contactos, seja com<br />
investidores ou potenciais clientes.<br />
Contratar as pessoas certas é cada vez mais difícil, quer<br />
pela escassez de recursos com conhecimento em<br />
determinadas áreas quer pela dificuldade de sedução pelas<br />
startups para um projeto que, apesar de inovador<br />
e desafiante, ainda terá um grande risco associado e pouca<br />
capacidade remuneratória face às expectativas de recursos<br />
humanos diferenciados.<br />
E mesmo quando a startup já tem proposta de produto e<br />
serviços, uma equipa, investidores e contactos para vendas,<br />
é ainda possível que a estrutura possa ruir por não ter sido<br />
devidamente edificada em sólidos alicerces, por exemplo,<br />
pela falta de apoio jurídico quando ele era mais preciso<br />
(mesmo tendo investimento este poderá ser insuficiente para<br />
todas as necessidades).<br />
Em suma, as startups enfrentam todos os problemas com que<br />
outra qualquer empresa se depara e, eventualmente, todos<br />
ao mesmo tempo!<br />
Pedro Rebordão é diretor de Promoção e Inovação do LISPOLIS<br />
Polo Tecnológico de Lisboa alberga desde startups até às grandes empresas<br />
38
Agenda<br />
OUTUBRO <strong>2017</strong><br />
WWW.<strong>PME</strong>MAGAZINE.COM<br />
MILLENNIUM BCP ORGANIZA CORRIDA SOLIDÁRIA<br />
Por: Denisse Sousa<br />
O Clube Millennium BCP realiza a 8 de <strong>outubro</strong> a “Corrida Clube Millennium BCP – Vamos apoiar a Make a Wish”,<br />
no Parque das Nações, em Lisboa, pelas 10h30. A corrida solidária terá organização técnica da Werun.<br />
A corrida é um evento de natureza desportiva e solidária que tem como objetivo não só incentivar, mas também<br />
consciencializar a população para a importância da prática de exercício físico.<br />
Mais informações aqui.<br />
EVENTO: LISBOA DESIGN SHOW <strong>2017</strong><br />
DATA: 18 e 22 de <strong>outubro</strong><br />
LOCAL: FIL - Lisboa<br />
Um meeting-point e plataforma de excelência para<br />
a promoção do design nacional ao dispor de jovens<br />
designers e criadores, instituições de ensino, marcas<br />
emergentes e startups.<br />
Mais aqui.<br />
EVENTO: 17.º CONGRESSO DA ANTRAM<br />
DATA: 20 a 21 de <strong>outubro</strong><br />
LOCAL: Palácio de Congressos - Albufeira<br />
A edição deste ano volta a apostar no debate de ideias<br />
e na troca de experiências entre os vários players que<br />
se dedicam ao transporte rodoviário de mercadorias.<br />
Os interessados podem inscrever-se aqui.<br />
EVENTO: NERSANT BUSINESS<br />
DATA: 23 a 25 de <strong>outubro</strong><br />
LOCAL: Tomar<br />
Uma delegação de empresários da Argentina vai estar<br />
este ano pela primeira vez no NERSANT Business<br />
– Encontro Internacional de Negócios do Ribatejo,<br />
organizado pela NERSANT – Associação Empresarial da<br />
Região de Santarém.<br />
Mais informações em aqui.<br />
39
Agenda<br />
EVENTO: 2.ª EDIÇÃO C-HEALTH<br />
CONGRESS<br />
DATA: 25 de <strong>outubro</strong><br />
LOCAL: Lagoas Park – Oeiras<br />
Saber como gerir a produção, o fluxo e a análise dos<br />
dados, é um desafio vasto que implica critérios de<br />
transparência e equilíbrio, agindo sempre no melhor<br />
interesse do paciente.<br />
Mais informações aqui.<br />
EVENTO: GLOBAL CONTACT CENTER<br />
DATA: 15 e 16 novembro<br />
LOCAL: Lagoas Park – Oeiras<br />
Elevar a experiência do cliente para outro nível: é este o<br />
mote da 19.ª edição do Global Contact Center.<br />
Mais informações aqui.<br />
EVENTO: PORTO RH MEETING<br />
DATA: 23 e 24 novembro<br />
LOCAL: Alfândega do Porto<br />
O PortoRH Meeting nasceu fruto de uma parceria entre<br />
o Grupo IFE e a Câmara Municipal do Porto. Um evento<br />
marcante e diferenciador que aposta no futuro do<br />
capital humano e que leva ao Porto as melhores<br />
referências do setor.<br />
Mais informações aqui.<br />
EVENTO: EXPOTRANSPORTE<br />
DATA: 24 e 26 novembro<br />
LOCAL: FIL - Lisboa<br />
A EXPOTRANSPORTE - Salão Ibérico de Veículos<br />
Pesados e Ligeiros de Mercadorias e de Passageiros<br />
e Logística,decorre em simultâneo com a MECÂNICA<br />
– Salão do Equipamento Oficinal, Peças, Mecânica,<br />
Lubrificantes, Componentes e Acessórios para<br />
veículos ligeiros e pesados, um evento dedicado<br />
a todos os profissionais que se movimentam nestas<br />
áreas de atividade.<br />
Mais informações aqui.<br />
40
Opinião<br />
ESPANHA:<br />
UMA OPORTUNIDADE<br />
DE CRESCIMENTO<br />
OUTUBRO <strong>2017</strong><br />
WWW.<strong>PME</strong>MAGAZINE.COM<br />
Eduardo Serra Jorge defende relações reforçadas entre Portugal e Espanha<br />
Por: Eduardo Serra Jorge, Membro da Comissão Executiva da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola<br />
Foto: CCILE<br />
Desde 1970, ano da sua fundação, que a Câmara<br />
de Comércio e Indústria Luso-Espanhola tem<br />
acompanhado muito de perto a evolução das relações<br />
bilaterais e, nesta condição, constata-se que os dois<br />
países estão cada vez mais próximos desde todos os<br />
pontos de vista, económico, cultural, sociológico, etc.<br />
Em termos económicos e empresariais, principalmente<br />
desde 1986, data da adesão de ambos os países à,<br />
então, CEE, o progresso tem sido enorme com fluxos<br />
comerciais cada vez mais intensos e investimentos<br />
crescentes nos dois sentidos.<br />
São mercados cada vez mais inter-relacionados<br />
e interdependentes entre si, sendo cada vez mais<br />
importante o comércio intra-industrial de produtos<br />
semi-elaborados transaccionados entre empresas dos<br />
dois países para posterior exportação, aproveitando<br />
as vantagens comparativas.<br />
Algumas cifras ajudam-nos a entender a dimensão<br />
desta realidade. Segundo os dados oficiais espanhóis,<br />
o comércio bilateral em 2016 superou os 28,8 mil<br />
milhões de euros e, tendo em conta as últimas cifras<br />
oficiais relativas aos primeiros quatro meses deste ano<br />
(10,0 milhões de euros), tudo aponta que no final deste<br />
ano consigamos superar os 30,0 mil milhões de euros<br />
transacções comerciais. Também os investimentos<br />
mostraram um grande dinamismo nos dois sentidos,<br />
apesar da crise económica que tão duramente<br />
fustigou ambas as economias.<br />
Um dos estudos recentemente publicados indica que<br />
operam em Portugal mais de 1.800 empresas<br />
participadas por capital espanhol que representam,<br />
por sua vez, 77.744 empregos e um volume de negócios<br />
que supera os 15,2 mil milhões de euros e, por sua vez,<br />
um volume de investimento bruto de 90,0 mil milhões<br />
de euros.<br />
Também o investimento português em Espanha é cada<br />
vez mais relevante, inclusive comparativamente maior<br />
que o espanhol em Portugal, com a presença de cerca<br />
de 500 empresas que representam um stock<br />
de investimento superior a 10,0 mil milhões de euros<br />
(18,0% do investimento português no exterior) e que<br />
geram cerca de 22.000 empregos.<br />
Para lá das cifras, a realidade é que os dois países se<br />
conhecem cada vez mais e melhor, com o contributo<br />
muito importante da actividade turística, existindo uma<br />
grande oferta de ligações aéreas e viárias entre<br />
as principais cidades da Península Ibérica. Ambas as<br />
sociedades têm acesso, cada vez mais, aos autores<br />
41
opinião<br />
culturais no campo da literatura ou do cinema,<br />
passando pela arte ou o teatro, etc.<br />
Parece-me, também, importante ressaltar a contribuição<br />
política nestas relações que<br />
se caracterizam pela sintonia e interesses comuns<br />
que os governos dos dois países têm sabido aproveitar<br />
numa base de cooperação e desenvolvimento e estou a<br />
lembrar-me do Tratado de Amizade e Cooperação que<br />
os, então, chefes de governo, português e espanhol,<br />
respectivamente Mário Soares e Adolfo Suárez,<br />
assinaram em 1977, tendo-se iniciado uma nova etapa<br />
de relacionamento bilateral e posteriormente, em 1983,<br />
com o início das Cimeiras Ibéricas das quais têm surgido<br />
importantes iniciativas e acordos bilaterais em áreas<br />
como a energia, infra-estruturas, cooperação na área<br />
do meio ambiente, defesa, tecnologia, cooperação<br />
judicial e aduaneira, saúde, etc.<br />
Neste contexto o mercado espanhol reveste-se<br />
da maior importância tendo em conta todas aquelas<br />
vantagens competitivas em relação a terceiros<br />
mercados (dimensão, proximidade, o grau de<br />
desenvolvimento) e no qual as <strong>PME</strong> portuguesas podem<br />
encontrar excelentes condições para se expandirem<br />
e estas oportunidades estão em qualquer sector e em<br />
qualquer ponto da geografia espanhola, tanto mais<br />
que Espanha vive num período de forte recuperação<br />
económica com boas perspectivas de crescimento.<br />
“O INVESTIMENTO PORTUGUÊS EM<br />
ESPANHA É CADA VEZ MAIS RELEVANTE<br />
COM A PRESENÇA DE CERCA DE 500<br />
EMPRESAS”<br />
Vista da cidade de Madrid<br />
“ESPANHA VIVE NUM PERÍODO<br />
DE FORTE RECUPERAÇÃO ECONÓMICA<br />
COM BOAS PERSPECTIVAS<br />
DE CRESCIMENTO”<br />
Mercado espanhol está em recuperação<br />
Gostaria de finalizar este breve depoimento<br />
transmitindo às <strong>PME</strong> portuguesas que se queiram<br />
expandir no mercado espanhol que tenham estratégia<br />
clara para esse mercado e aconselho-as até<br />
a recorrerem a consultores especializados e,<br />
neste campo, à Câmara de Comércio e Indústria<br />
Luso-Espanhola, entre outras, que poderá apoiá-los,<br />
devendo, igualmente, conhecer e estudar a fundo<br />
as características do mercado espanhol (legislação,<br />
incentivos, etc.), as idiossincrasias e os hábitos<br />
e atitudes do mercado de consumo, os empresários<br />
portugueses têm que ter em conta que apesar das<br />
semelhanças o mercado espanhol é diferente<br />
nalguns aspectos, é mais diversificado, tem outra<br />
dimensão geográfica e demográfica e até níveis de<br />
desenvolvimento diversificados o que exigirá uma<br />
outra abordagem mais cuidada e até o alto grau de<br />
descentralização política e económica que existe em<br />
Espanha, tudo isto são factores que devem ser tidos<br />
em conta.<br />
Creio, por outro lado, que em determinados<br />
produtos e serviços é importante que as<br />
marcas portuguesas se “espanholizem” ou se<br />
internacionalizem ao máximo e que estes<br />
produtos e serviços representem um valor<br />
acrescentado claramente perceptível em Espanha.<br />
42
PT-BIO-03<br />
Agricultura Portugal
ASSESSORIA MEDIÁTICA<br />
Redação e envio de notas de imprensa, visitas<br />
e conferências de imprensa, lançamento de novos<br />
produtos, inaugurações,eventos, serviço de recorte<br />
de imprensa (clipping), planos de situação de crise.<br />
PRODUÇÃO DE CONTEÚDOS<br />
Para redes sociais, websites, newsletters, revistas<br />
corporativas, apresentações, discursos, palestras,<br />
conferências.<br />
DESIGN GRÁFICO<br />
Concepção gráfica, criação de marca,<br />
tratamento de imagem, paginação, redes sociais.