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Revista Lavoura n.2

Segunda edição da Revista Lavoura, de literatura e artes, editada por André Balbo, Anna Brandão, Arthur Lungov e Lucas Verzola, com capa, projeto gráfico, diagramação e artes por Anna Brandão.

16 POESIA MÁQUINA DO

16 POESIA MÁQUINA DO MUN- DO Daniele Queiroz Edson Amaro Elisa Andrade Buzzo Laura Torres Matheus Guménin Barreto Jeanne Callegari Nicolas Casal Paulo Ferraz Susana Pereira Teófilo Tostes Daniel

17 Daniele Queiroz CANTIGA Não se roga praga em virada de lua Cantiga de vento vira assobio de coruja E cheiro de madeira velha toma conta do corpo. Do fim da noite ao começo da manhã, Pode ser que eu desaprenda a escrever. . Pode ser que não. . Prendo o cabelo em taquara trançada Cubro de pano o bordado da pele Me enterro. Raiz fina e profunda protege Flor miúda amarela arrisca caçar ar . Ritual de vida no meio do rodamoinho . Na noite vazia do sertão, cuidado: Quem não olha onde pisa desaprende a enxergar. Edson Amaro MADAME SATÃ Vi Madame Satã no carnaval Dançando sem camisa. Que deleite O umbigo apetitoso, cor de azeite De dendê esse corpo escultural! Lábios rubros, bigode fino, qual Folião que seus beijos não aceite? Qual cavalo em que um santo bem se ajeite Girava e se torcia em espiral. Sambou da Lapa à Praça Tiradentes, A pele encharcando de suor, A saia abanando as coxas quentes... As cinzas dessa Quarta já desfeitas Das lembranças me restas a melhor, Travesti que meu bloco bem deleitas...