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11 months ago

Revista Lavoura n.2

Segunda edição da Revista Lavoura, de literatura e artes, editada por André Balbo, Anna Brandão, Arthur Lungov e Lucas Verzola, com capa, projeto gráfico, diagramação e artes por Anna Brandão.

48 Ficções, de Jorge

48 Ficções, de Jorge Luis Borges Borges é um dos meus escritores prediletos. Sou aficionado pelos contos, particularmente. É uma literatura bem diferente daquela de García Márquez, de tal modo que não sei se é possível classificá-lo como um autor latino-americano, como se costuma fazer, porque talvez ele seja muito mais um autor universal. Me fascina sua erudição, sua capacidade de mobilizar saberes atemporais para retratar situações modernas – Borges podia citar de Spinoza até um filósofo grego para falar de uma angústia contemporânea. Lembro de ler “A Biblioteca de Babel” em voz alta para o meu filho, em Brasília, porque fiquei alucinado com esse conto em particular, e precisava mostrar aquilo de qualquer jeito. Tenho bastante coisa do Borges em casa, porque todos sabem que gosto e acabam dando de presente. A revolução dos bichos, de George Orwell Embora pudesse citar 1984, gostei e ainda gosto mais de A revolução dos bichos. Na época em que o li pela primeira vez, eu cursava o mestrado, e já era um crítico do sistema soviético. Nesse sentido, o livro me cativou de pronto, em função da representação do comportamento falacioso de uma parte daqueles que anunciavam um mundo novo, mas de fato estavam em buscam de vantagens bastante palpáveis, por assim dizer.

49 Budapeste e Leite derramado, de Chico Buarque Pensando em autores contemporâneos, os últimos livros que li com mais interesse foram esses dois do Chico. E cito esses porque, na minha visão, Budapeste tem algo de Borges, e Leite derramado tem um quê de García Márquez e de Machado de Assis. As referências talvez sejam um pouco remotas, mas de alguma forma eu as notei, o que fez com que eu me apegasse bastante a esses dois livros. Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez Um tremendo livro. Aquele círculo, aquela espiral de repetição… uma história que não sai do lugar, embora esteja permanentemente se mexendo, como se fosse um mal que infinitamente se repete, no nome dos personagens, nos eventos trágicos. Eu acredito que o fenômeno latino-americano foi maravilhosamente representado nesse livro.