Agosto/2017 - Revista Biomais 22

jota.2016

Visitantes - Grupo Jota Comunicação

Financiamento: opções ajudam a expandir energia solar no Brasil

revista biomassa energia

OPORTUNIDADE ÚNICA

SETOR SUCROENERGÉTICO

EVOLUI TECNOLOGICAMENTE

AN UNIQUE OPPORTUNITY

SUGARCANE ELECTRICITY

SECTOR EVOLVES IN TECHNOLOGY

FUTURO

CARROS MOVIDOS

A HIDROGÊNIO

MUNDO DA CANA

FENASUCRO MOVIMENTA SETOR


TRANSPORTE

OTIMIZAÇÃO

RESULTADO

EXCELÊNCIA NA INDÚSTRIA DE BIOMASSA

Sistemas Especiais

de Manuseio

• Mesas elevadoras

• Manipulação

• Soluções customizadas

Linhas de Acabamento

para Painéis de Madeira

• Resfriamento de chapas

• Manipulação

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Preparação de

Partículas & Reciclagem

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• Sistemas de alimentação

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Tecnologia de Prensagem

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Rua General Potiguara, 1115 | CIC | Curitiba | PR | Brasil | CEP 81050-500

Fone +55 41 3347 2412 | +55 41 3347 4545 | indumec@indumec.com.br


SUMÁRIO

04 | EDITORIAL

Segurança com

produtividade

06 | CARTAS

08 | NOTAS

16 | ENTREVISTA

20 | PRINCIPAL

26| PELO MUNDO

Alemanha mostra o caminho

30| TECNOLOGIA

Na era dos Jetsons

34 | ECONOMIA

Vendemos Sol no boleto

38 | EVENTO

Movidos a energia verde

42 | CASE

46 | FEIRA

Mundo da cana

50 | ARTIGO

56 | AGENDA

58| OPINIÃO

Carros elétricos

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 03


EDITORIAL

SEGURANÇA COM PRODUTIVIDADE

Implemento com piso móvel produzido pela

Carrocerias Bachiega, ilustra a capa da edição

JOTA COMUNICAÇÃO

EXPEDIENTE

Diretor Comercial / Commercial Director: Fábio

Alexandre Machado (fabiomachado@revistabiomais.

com.br) • Diretor Executivo / Executive Director: Pedro

Bartoski Jr (bartoski@revistabiomais.com.br) • Diretora

de Negócios / Business Director: Joseane Knop

(joseane@jotacomunicacao.com.br)

Um dos setores que mais acompanha as mudanças tecnológicas que

surgem diariamente, inegavelmente, é o de energias renováveis. Por isso

é preciso estar sempre atento a todo e qualquer avanço para ficar por

dentro das novas tendências. Nesta edição da BIOMAIS trazemos uma

reportagem especial sobre o mercado de cana-de-açúcar, inserindo

uma tecnologia desenvolvida pela Carrocerias Bachiega, que permite o

descarregamento em terrenos inclinados ou galpões sem risco de tombamentos

e dispensando máquinas adicionais. Além disso, falamos sobre

o case da Heineken Brasil, que promove a sustentabilidade em suas

unidades nacionais e a cobertura da última edição do Cibio (Congresso

Internacional de Bomassa), que movimentou Curitiba (PR) no último mês

de junho. Tenha uma excelente leitura!

JOTA EDITORA

Diretor Comercial / Commercial Director: Fábio

Alexandre Machado (fabiomachado@revistabiomais.

com.br) • Diretor Executivo / Executive Director: Pedro

Bartoski Jr (bartoski@revistabiomais.com.br) • Redação

/ Writing: Rafael Macedo - Editor, Murilo Basso,

(jornalismo@revistabiomais.com.br) • Dep. de Criação

/ Graphic Design: Fabiana Tokarski - Supervisão,

Fabiano Mendes, Fernanda Maier (criacao@

revistabiomais.com.br) • Tradução / Translation: John

Wood Moore • Dep. Comercial / Sales Departament:

Gerson Penkal, Wanderley Ferreira, (comercial@

revistabiomais.com.br) • Fone: +55 (41) 3333-1023

• Dep. de Assinaturas / Subscription: (assinatura@

revistabiomais.com.br).

A REVISTA BIOMAIS é uma publicação da

JOTA Editora - Rua Maranhão, 502 - Água Verde -

Cep: 80610-000 - Curitiba (PR) - Brasil

Fone/Fax: +55 (41) 3333-1023

www.jotaeditora.com.br

Veículo filiado a:

SECURITY WITH PRODUCTIVITY

Undeniably, one of the sectors that most accompanies technological

change that emerges daily is renewable energy. As such, we must always be

attentive to all and any advances so not to lose the opportunity to accompany

these new trends. In this issue of BIOMAIS, we bring you a special story

about the sugar cane market, using a technology developed by Carrocerias

Bachiega, which allows unloading on slopes or in storage sheds without risk

of rollovers and eliminating additional machines. In addition, we talk about

the case of Heineken Brasil that promotes sustainability in their Brazilian

units, and we provide coverage of the latest International Biomass Congress

(Cibio), which took place in Curitiba (PR) during last June.

Pleasant reading!

A REVISTA BIOMAIS - é uma publicação bimestral e independente,

dirigida aos produtores e consumidores de energias limpas e alternativas,

produtores de resíduos para geração e cogeração de energia, instituições

de pesquisa, estudantes universitários, órgãos governamentais,

ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS não se responsabiliza por

conceitos emitidos em matérias, artigos, anúncios ou colunas assinadas,

por entender serem estes materiais de responsabilidade de seus autores.

A utilização, reprodução, apropriação, armazenamento de banco de

dados, sob qualquer forma ou meio, dos textos, fotos e outras criações

intelectuais da REVISTA BIOMAIS são terminantemente proibídas sem

autorização escrita dos titulares dos direitos autorais, exceto para fins

didáticos.

REVISTA BIOMAIS is a bimonthly and independent publication, directed

at clean alternative energy producers and consumers, producers of residues

used for energy generation and cogeneration, research institutions, university

students, governmental agencies, NGO’s, class and other entities, directly and/

or indirectly linked to the Segment. REVISTA BIOMAIS does not hold itself responsible

for concepts contained in materials, articles, ads or columns signed

by others; these are the responsibility of their authors. The use, reproduction,

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purposes.

04

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sustentabilidade

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ENERGIA

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CARTAS

INICIATIVA

Parabéns para toda a equipe da REVISTA BIOMAIS pela reportagem de capa, trazendo grandes e

curiosos projetos que, mesmo sendo superlativos, incentivam a sustentabilidade.

Marcos Moser – Goiânia (GO)

Foto: divulgação

ABRANGÊNCIA

Ótima entrevista com o professor Emerson Alberti, traçando o panorama sobre o cenário nacional e internacional para as

energias renováveis.

Ana Henning – Curitiba (PR)

BOM EXEMPLO

Ótimo exemplo a história da BioCiclo, que faz a coleta, processamento e destinação correta de resíduos verdes.

Marília Castro – Vinhedo (SP)

POSSIBILIDADES

É fundamental levar ao máximo de pessoas possíveis novidades sobre linhas de

financiamento para energias renováveis. Que a BIOMAIS continue neste caminho!

Irineu Baptista – Porto Velho (RO)

Foto: divulgação

REVISTA

na

mídia

www.revistabiomais.com.br

www.facebook.com.br/revistabiomais

informação

biomassa

energia

www

Publicações Técnicas da JOTA EDITORA

06

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NOTAS

BANHO

ECONÔMICO

O uso do chuveiro elétrico representa 24% do custo

total da energia consumida em uma casa com quatro

pessoas. É o que aponta o Procel (Programa Nacional

de Conservação de Energia Elétrica). Se forem

consideradas as tarifas de água, luz e gás do mês de

julho, na prática, um banho utilizando chuveiro elétrico

é 20,6% mais caro do que um banho com aquecimento

a gás natural: enquanto oito minutos em um

chuveiro a gás natural custam R$ 0,58, a mesma atividade

em um chuveiro elétrico chega à casa dos R$

0,70. Outra vantagem é que, com o gás natural, o consumidor

conta com apenas uma tarifa fixa. Já quando

utilizado o chuveiro elétrico, o preço varia durante o

dia e o banho tomado no horário de pico, entre 17h30

e 20h30, pode sair ainda mais caro.

Foto: divulgação

BIODIESEL GERA

EMPREGOS NO PARANÁ

O Paraná vai ampliar a capacidade de produção de biodiesel.

A fábrica da Bsbios, que fica no município de Marialva, recebeu

autorização da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás

Natural e Biocombustíveis) para ampliar as operações. A empresa

informou em nota que o aumento de capacidade será

de 38%: serão produzidos 288 milhões de L (litros) de biodiesel

por ano, contra 208,4 milhões de L atualmente. O investimento

em equipamentos e tecnologia na unidade gira em torno de

R$ 20 milhões. A conclusão das obras deve ocorrer até o fim de

agosto. Depois disso, será necessária ainda uma aprovação de

nova licença de operação por parte da ANP.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

COMBUSTÍVEL DO MILHO

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi,

acredita que o Brasil precisa começar a fabricar etanol em escala

a partir do milho. Maggi defendeu a ideia durante palestra no

Fórum Mais Milho, em Castro (PR). “Precisamos buscar alternativas

para essa cultura. No centro-oeste, grande produtor do grão do país,

os produtores estão avaliando a possibilidade de ter um programa

de etanol produzido com milho”, disse. O ministro lembrou que a

safra brasileira de milho deve ser de 93 milhões de t (toneladas)

neste ano, segundo estimativa da Conab (Companhia Nacional de

Abastecimento). “É uma cultura que cresce no país, não só porque

precisamos do produto, mas também porque a nossa agricultura

necessita dela”, acrescentou.

08

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Gerando energia para o mundo


NOTAS

CHINA AMPLIA PRODUÇÃO DE

PAINÉIS SOLARES

A indústria chinesa de energia solar deverá produzir 25% mais painéis em

2017 do que em 2016. De acordo com uma associação da indústria do setor,

essa produção maior é apoiada por vendas domésticas e pela demanda dos

EUA (Estados Unidos da América) e de mercados emergentes. O secretário-

-geral da associação da indústria fotovoltaica chinesa, Wang Bohua, informou

que o país deve produzir painéis solares com uma capacidade instalada total

de 60 GW (gigawatts) neste ano. A China atingiu um total de 101,82 GW em

capacidade instalada de energia solar em junho, após adicionar 24,4 GW no

primeiro semestre de 2017; a capacidade deverá em breve atingir 110 GW, a

meta que Pequim estabeleceu para ser atingida até 2020.

Foto: divulgação

CRÉDITO

FACILITADOA

PEQUENAS E

MÉDIAS EMPRESAS

O Bndes (Banco Nacional de Desenvolvimento

Econômico e Social) tem trabalhado

no aumento da transparência sobre o acesso

às linhas de crédito voltadas para pequenas e

médias empresas. Foi o que declarou o presidente

interino do banco, Ricardo Ramos, em

sua participação no Fórum de Investimentos

Brasil 2017, em São Paulo (SP). Segundo Ramos,

o incentivo à pequena e média empresa

está entre as três grandes áreas do banco, que

incluem também infraestrutura e inovação. De

acordo com ele, o banco disponibiliza na internet

as linhas de financiamento para as empresas

de menor porte. “É uma tentativa de dar

mais acesso ao crédito, dar mais transparência.

“Estamos com foco bastante preciso nesse público”,

disse. “Assim, o próprio empresário consegue

entender as possibilidades que ele tem”,

completou.

ENERGIA RENOVÁVEL REPRESENTA

25% DO CONSUMO DA VIVO

A Telefônica, dona da marca Vivo, anuncia o avanço da companhia no consumo

de energia renovável no Brasil. Atualmente, 25% da energia consumida

pela empresa é proveniente de fontes renováveis, obtida no mercado livre,

contra os 22% registrados em 2015. Segundo a meta global da companhia, espera-se

que pelo menos 50% da energia consumida tenham origem em bases

renováveis até 2020; o desafio é chegar a 100% até 2030.

Foto: divulgação Foto: divulgação

10

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NOTAS

BIBLIOTECA

SUSTENTÁVEL

Foi lançada a nova Biblioteca Digital do Cibiogás

(Centro Internacional de Energias Renováveis-Biogás).

A intenção é reunir os principais artigos, livros, fotos

e vídeos sobre pesquisas na área de energias renováveis,

com enfoque em biogás. Como o portal é colaborativo,

é possível enviar conteúdo para fazer parte

do acervo digital. No ar desde maio, o site ainda está

em modo de teste para avaliação das funcionalidades

- durante o primeiro mês recebeu 21 publicações, 9

artigos e somou 72 usuários cadastrados. O conteúdo

inovador da página atraiu usuários de países como

Argélia, Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Nova

Zelândia, Paraguai, Portugal, África do Sul e Uruguai.

O endereço é www.biblioteca.cibiogas.org.

Foto: divulgação

SÃO PAULO ESTUDA A

INTRODUÇÃO DE ENERGIA

SOLAR NOS PRESÍDIOS

Os detalhes das instalações da usina solar fotovoltaica do Parque

Villa-Lobos/Cândido Portinari foram apresentados aos técnicos

da SAP (Secretaria Estadual de Administração Penitenciária). A

intenção é que seja estudada a possibilidade de geração de energia

solar nas penitenciárias de São Paulo. “Os presídios paulistas estão

localizados em áreas de boa irradiação solar e contam com grandes

áreas nos tetos das construções, que são perfeitos para a instalação

de placas solares”, disse o subsecretário de Energias Renováveis da

Secretaria de Energia e Mineração, Antonio Celso de Abreu Junior.

O sistema prisional paulista conta com 168 unidades, entre centros

de progressão, de detenção provisória, de ressocialização, hospitais

e 84 penitenciárias. Em 2016 o sistema atendeu uma população

prisional de 228.815 pessoas e consumiu 129.523 MWh, a um custo

de mais de R$ 59 milhões.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

VEÍCULOS ELÉTRICOS

ACELERAM VENDAS

Os veículos elétricos serão responsáveis pela maioria das vendas de

automóveis novos em todo o mundo. Até 2040, eles devem representar

33% de todos os veículos leves de passeio. A previsão é da equipe de transportes

da Bloomberg New Energy Finance. Para atingir essa estimativa, o

órgão se baseou em análises detalhadas das prováveis futuras reduções no

preço das baterias de íon de lítio e em perspectivas para os outros componentes

de custo; foram considerados também os crescentes compromissos

com veículos elétricos das montadoras e ao número de novos modelos

que elas planejam lançar. A equipe também estima que os veículos elétricos

vão representar 54% de todas as novas vendas de veículos leves de

passeio. Até 2040, eles vão remover 8 milhões de barris de combustível de

transporte por dia e adicionar 5% ao consumo global de eletricidade.

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NOTAS

ENERGIA SUSTENTÁVEL EM ESCOLAS

DA AMAZÔNIA

Uma escola do município de Lábrea (AM) será eletrificada, passando a contar

com fornecimento de energia ininterrupto. Isso será possível por meio do projeto

Resex Produtoras de Energia Limpa, uma iniciativa da WWF Brasil em parceria com

a Fundação Mott e a Schneider Eletric. O projeto visa promover o uso de energias

renováveis em reservas extrativistas (Resex) da Amazônia. Antes da eletrificação na

escola de Cassianã, eram necessários em média 3 L (litros) de diesel para o gerador,

com um gasto médio de R$ 450 por mês. Outra questão era o barulho do motor,

que também atrapalhava as aulas. A partir disso, a Schneider Electric, disponibilizou

as tecnologias solares com desconto social. Ela também doou materiais didáticos e

práticos para a capacitação em Sistemas de Energia Solar Fotovoltaica para Qualidade

de Vida e Produção Sustentável, ministrada pelo Instituto Mamirauá.

Foto: divulgação

CASCA DE ARROZ

VIRA ELETRICIDADE

NO RIO GRANDE

SUL

O uso da casca do arroz como combustível

para UTE (usinas termelétricas) de biomassa

está crescendo, sobretudo no Rio Grande do

Sul. O Estado é um dos principais produtores

do insumo no país. Desde a década de 90, já são

12 usinas gerando energia a partir da queima

da casca do grão dentre as 2.924 UTEs em operação

no país. Os dados são da Aneel (Agência

Nacional de Energia Elétrica). Atualmente, há

31 termelétricas sendo construídas no país, incluindo

a Usina de São Sepé (RS). Além de gerar

energia renovável, as usinas de biomassa que

usam a casca de arroz como combustível ajudam

a dar destino ao resíduo da produção do

grão. Projeto de R$ 48,6 milhões, a UTE de São

Sepé teve o financiamento de R$ 35,3 milhões

e terá potência instalada de 8 MW (megawatts),

podendo abastecer perto de 31 mil casas, ou de

100 mil a 120 mil pessoas.

EFICIÊNCIA UNIVERSITÁRIA

Um projeto visa economizar energia nas 38 unidades da Unesp (Universidade

Estadual Paulista) espalhadas por São Paulo. Juntas, elas têm um gasto anual

de conta de luz estimado em R$ 26 milhões. Com consumo anual de 55 GWh

(gigawatts), os primeiros estudos mostram a viabilidade técnica de migração da

Universidade para o mercado livre de energia. A expectativa é que somente com

essa mudança a Unesp tenha uma economia de 25% na conta, o que representaria

cerca de R$ 6,5 milhões. Os estudos também irão contemplar a possibilidade de

instalação de placas fotovoltaicas no teto dos 38 prédios e fazendas experimentais

que estão distribuídas em 24 municípios paulistas. A análise inicial é de que a

Unesp consiga alcançar uma economia anual de R$ 10 milhões.

Foto: divulgação

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ENTREVISTA

• KRISTALA L. J.

PRATHER •

Foto: divulgação

EVOLUÇÃO

DE BILHÕES

DE ANOS EM

MESES

A

Mitei (Iniciativa de Energia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts) trabalha para desenvolver e

expandir colaborações entre os pesquisadores, a indústria e o governo norte-americano para o avanço

das pesquisas em áreas tecnológicas críticas para a mudança climática. A engenheira e codiretora

do Centro de Biociência de Energia de Baixo Carbono da Mitei, Kristala L. J. Prather, reflete sobre o

futuro do sistema de energia e as promessas da biociência de energia.

T

A BILLIONS OF YEARS OF

EVOLUTION OF IN MONTHS

he MIT Energy Initiative (Mitei) works to develop and expand interdisciplinary collaboration among researchers, industry,

and government to advance research in technology areas critical to addressing climate change. The engineer and director

of the MITEI's Energy Bioscience Low-Carbon Energy Center, Kristala L. J. Prather, discusses on the future of the energy

system and the promise of energy bioscience.

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PERFIL:

Nome: Kristala L. J. Prather

PROFILE:

Name: Kristala L. J. Prather

Formação: Engenheira Química

Education: Chemical Engineering

Cargo: Codiretora do Centro de Biociência

de Energia de Baixo Carbono da Mitei

Function: Codiretora do Centro de Biociência

de Energia de Baixo Carbono da Mitei

Como a pesquisa em biociência ajuda o mundo a

atingir o objetivo de reduzir as emissões de carbono?

Por bilhões de anos, a biologia utilizou uma abordagem

para a geração de energia e a síntese de materiais e elementos

químicos para atender as necessidades dos organismos

com uma produção mínima de resíduos que são nocivos

ao ambiente. A biociência entra nesse grande conjunto de

ferramentas para a transformação dos sistemas de energia

centrados em carbono por meio da criação de novas estruturas,

dispositivos e materiais que têm uso menos intenso

de energia e são menos nocivos ao ambiente em comparação

com as tecnologias dominantes atualmente. O que é

empolgante é que, enquanto a biologia precisou de quatro

bilhões de anos de tentativas e erros para desenvolver sistemas

com uma eficiência extraordinária, as técnicas modernas

de biociência permitem aos pesquisadores conduzirem

um bilhão de experimentos em questão de meses. Como

resultado, o campo de biologia sintética, que tem apenas 15

anos de idade, já produziu resultados surpreendentes.

Como as pesquisas desenvolvidas no centro podem

ser aplicadas nos setores de energia e biocombustíveis?

No Mitei, pesquisadores que estão trabalhando em

aplicações relacionadas à energia conseguiram desenvolver

com sucesso micro-organismos para produzir biocombustível

de uma série de substratos e utilizaram vírus para

construir baterias, sensores e células solares mais eficientes.

How can bioscience research help the world reach

its goal of reducing carbon emissions?

For billions of years, biology has employed an approach

to energy generation and the synthesis of materials

and chemicals that meets the needs of organisms with

minimal production of byproducts that are poisonous to

the environment. Bioscience is tapping into this vast toolset

to transform today’s carbon-centric energy systems by

creating new structures, devices, and materials that are

significantly less energy-intensive and less harmful to the

environment than today’s dominant energy technologies.

What’s exciting is that, while it took biology 4 billion years

of trial and error to develop its extraordinarily efficient systems,

modern bioscience techniques enable researchers to

conduct a billion experiments in a matter of months. As a

result, the field of synthetic biology, which is only about 15

years old, has already produced startling results.

How the innovations developed in the center can

be applied in the energy and biofuels sectors?

At MIT, researchers working on energy-related applications

have successfully engineered microorganisms to

make biofuel from an assortment of starting substrates and

used viruses to build batteries, sensors, and more efficient

solar cells.

How will the new Center for Energy Bioscience Re-

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 17


ENTREVISTA

Como o novo Centro

de Pesquisa em

Biociência de Energia

identifica e trata

os maiores desafios

nessa área?

O centro tem

parceria com um

grupo diverso de

instituições privadas,

entidades governamentais

e organizações

não governamentais

para garantir

que o Mitei desenvolva

soluções biológicas e

inspiradas em biologia que

sejam práticas e se adequem

a uma vasta gama de desafios

– desde o desenvolvimento de

fontes de combustível limpo a aumentar

as opções de armazenamento,

de abastecer novas alternativas de

transporte a tirar poluição do ambiente.

A partir da grande capacidade de

pesquisa já existente no Mitei sobre biologia

sintética, engenharia metabólica de micróbios,

novas tecnologias de DNA e evolução direcionadas,

o centro planeja teorizar, modelar, desenvolver e sintetizar

novos materiais com fidelidade biológica para utilizar

o poder da biologia com o objetivo de construir um futuro

com baixa emissão de carbono.

Que tipo de pesquisas estão sendo feitas atualmente

no centro?

Um projeto promissor é a geração biológica de combustíveis

líquidos a partir de gás natural. Estima-se que as

reservas de gás natural (metano) nos EUA (Estados Unidos

da América) podem abastecer o setor de transporte desse

país pelos próximos 50 anos. Entretanto, a baixa densidade

energética do metano torna-o insustentável para uma integração

com a intraestrutura atual. Pesquisadores do Mitei

estão investigando os processos biológicos de baixo custo

para conversão de metano em moléculas de combustível líquido

com muito mais densidade energética. Por exemplo,

pesquisadores desenvolveram um novo bioprocesso de

conversão de syngas (obtido a partir de metano) ou outros

Um projeto

promissor é a

geração biológica

de combustíveis

líquidos a partir

de gás natural

search identify

and address

the major

challenges in

this area?

The center

partners with

a diverse

set of private

companies,

government

entities, and

non-governmental

organizations to ensure

that MIT develops

practical biological and

biologically inspired energy

solutions to a wide range

of concerns — from developing

cleaner fuel sources to enhancing storage

options, and from fueling new transportation

alternatives to cleaning up the environment.

Drawing upon MIT’s extensive existing research

capability in synthetic biology, microbial metabolic

engineering, new DNA technologies, and directed

evolution, the center plans to rapidly screen,

model, design, and synthesize new materials

with biological fidelity to harness the power of

biology to shape a low-carbon future.

What kind of research is currently

under way at the center?

One promising development is

the biological generation of liquid

fuels from natural gas. It has been

estimated that the proven reserves

of natural gas (methane) in the United States could sustain

the transportation sector of this country for the next 50 years.

However, methane’s low energy density makes it unsuitable

for integration into current infrastructure.

MIT researchers are investigating biological processes

for the low-cost conversion of methane to liquid fuel molecules

with much higher energy density. For example, researchers

have developed a novel bioprocess for converting

syngas (obtainable from methane) or other waste gases

containing carbon dioxide and a reducing gas such as hydrogen

or carbon monoxide into biofuel. The process uses

18

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gases residuais contendo dióxido de carbono e redução de

gases como hidrogênio ou monóxido de carbono em biocombustível.

O processo usa bactérias para converter os

gases residuais em ácido acético – vinagre – que é então

convertido em óleo por um fungo artificial.

Como essas inovações podem ser aplicadas no

mercado atual?

Pesquisadores do Mitei também desenvolveram um

vírus que pode melhorar a eficiência de painéis solares em

quase um terço e demonstraram uma técnica que pode

aumentar significativamente a atividade fotossintética

de plantas. Esse aumento da atividade pode resultar em

produção mais rápida de biomassa e biocombustível,

levando a uma captura e fixação mais rápida de dióxido

de carbono para a atmosfera. Em maior escala, os pesquisadores

do Mitei desenvolveram recentemente uma

linguagem de programação para bactérias que torna mais

fácil e mais rápido a criação de DNA para partes

genéticas, como sensores, interruptores

de memória e relógios biológicos.

Essas partes podem então ser

combinadas para modificar

funções celulares

existentes e adicionar

novas funções. Esse

trabalho promete

ser útil para uma

vasta gama de

aplicações de

energia, como

o desenvolvimento

de fungos

que podem

fermentar

biomassa em

etanol sem resíduos

tóxicos.

Pesquisadores

conseguiram

desenvolver

micro-organismos

para produzir

biocombustível

de uma série

de substratos

bacteria to convert waste gases into acetic acid — vinegar

— which is subsequently converted to oil by an engineered

yeast.

How those innovations can be applied in today’s

market?

MIT researchers have also developed a virus that can

improve solar cell efficiency by nearly one-third and demonstrated

a technique that can significantly increase the

photosynthetic activity of plants. Such increased activity

could result in faster production of biomass for biofuel production,

leading to faster capture and fixation of carbon

dioxide from the atmosphere. On a broader scale, MIT researchers

have recently developed a programming language

for bacteria that makes it quicker and easier to create designer

DNA for genetic parts such as sensors, memory switches,

and biological clocks. Such parts can then be combined

to modify existing cell functions and add new ones.

This work promises to be useful in a wide range of energy

applications, such as designing yeast that could ferment

biomass into ethanol without toxic byproducts.

“Reimpresso com permissão do

MIT News”

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 19


PRINCIPAL

CRESCIMENTO

OPORTUNO

FOTOS DIVULGAÇÃO

20 www.REVISTABIOMAIS.com.br


DIANTE DAS PERSPECTIVAS

ANIMADORAS, O SETOR

SUCROENERGÉTICO PRECISA

SE ADEQUAR ÀS NOVAS

TECNOLOGIAS PARA

APERFEIÇOAR PROCESSOS

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 21


PRINCIPAL

O

mercado brasileiro é o maior produtor de cana-de-açúcar

no mundo. De acordo com dados

da Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar),

a produção brasileira na safra 2016 ultrapassou

665 milhões de t (toneladas). Com o grande volume

de produção de cana, o país pode gerar até 80 milhões de

t por ano de biomassa de bagaço, volume suficiente para

abastecer toda a indústria.

A biomassa de bagaço é uma alternativa sustentável

para geração de energia por dar finalidade a um resíduo produzido

por uma das maiores indústrias do mercado brasileiro.

Cada tonelada de cana moída na fabricação de açúcar e

etanol gera, em média, 250 kg (quilogramas) de bagaço que

pode ser utilizado para geração de energia.

Além disso, as baixas emissões colocam o bagaço do material

como uma alternativa de alta viabilidade – os pellets

emitem cerca de 6,25% da quantidade de dióxido de carbono

do carvão queimado no Brasil.

Para o mercado nacional, a expectativa é que o bagaço

possa substituir a queima de carvão em indústrias de cimento

e de aço do Brasil. Nesse cenário, o aumento estimado do

volume de geração de energia a partir de biomassa de bagaço

de cana, que pode chegar a 80 milhões de t por ano,

poderia atender à demanda energética da indústria.

OPORTUNIDADE

Com o crescimento da busca por alternativas limpas de

geração de energia, a expectativa é que o mercado mundial

cresça para até 40 milhões de t nos próximos cinco anos - o

volume atual produzido mundialmente é de 25 milhões.

Nesse contexto, a participação da cana cresce a cada

ano. De acordo com dados do BEN - 2016 (Balanço Energético

Nacional) - ano base 2015, divulgado em junho pela EPE

(Empresa de Pesquisa Energética), em 2015 a participação

da oferta interna de biomassa de cana na matriz energética

nacional foi de 16,9% – no ano anterior, esse tipo de energia

representou 15,7% do volume nacional.

Essa participação a coloca na liderança do ranking das

fontes renováveis no Brasil. Esse tipo de energia fica à frente

das hidrelétricas (11,3%); lenha e carvão vegetal (8,2%); solar,

eólica e outras fontes alternativas (4,7%). Já em comparação

com a energia de fontes não renováveis, a cana e seus

derivados ocupam a segunda posição no ranking, ficando

atrás apenas do petróleo e derivados, que representa 37,3%

do volume de energia ofertado nacionalmente em 2015, de

acordo com dados do BEN 2016.

Naquele ano, a capacidade instalada das usinas era de

TIMELY GROWTH

WITH ENCOURAGING PROSPECTS,

THE SUGAR-ENERGY SECTOR

NEEDS TO ADAPT TO NEW

TECHNOLOGIES IN ORDER TO

IMPROVE PROCESSES

B

razil is the largest producer of sugarcane in the

world. According to data from the União da

Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), the 2016

Brazilian cane crop exceeded 665 million tons.

With this large cane production volume, the Country can

generate up to 80 million tons per year of cane bagasse

biomass, enough to supply energy for the entire industry.

Bagasse biomass is a sustainable alternative for use

in power generation for the purpose of providing a use

for the residue produced by one of the biggest industries

in Brazil. On average, for every ton of sugarcane milled in

sugar and ethanol production, 250 kg of cane bagasse is

produced that can be used for power generation.

In addition, its low emission level makes cane bagasse

a highly feasible alternative - bagasse pellets emits about

6.25% of the amount of carbon dioxide as that from coal

burned in Brazil.

For the domestic market, the expectation is that cane

bagasse can replace the burning of coal in Brazilian cement

and steel industries. In this scenario, the estimated

increase in the volume of power generation from bagasse

biomass could reach 80 million tons per year and could

meet the energy demand of the industries.

OPPORTUNITY

With the growth in the search for clean energy generation

alternatives, the expectation is that the world

market will grow to up to 40 million tons over the next five

years - the current volume produced globally is 25 million.

In this context, the participation of sugarcane in the

Brazilian Biomass Sector grows every year. According to

data from the 2016 National Energy Balance (BEN 2016,

base year 2015) released in June by the Empresa de Pesquisa

Energética (EPE), in 2015, cane biomass in the national

energy matrix accounted for 16.9% – in the previous year,

it represented 15.7%.

22

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9.339 MW (megawatt), incluindo consumo próprio, de acordo

com dados da Unica. Até 2021, a capacidade instalada

das usinas poderia atingir 22 mil MW, estima a Unica.

ADEQUAÇÃO A UMA NOVA REALIDADE

Neste contexto em que a procura por uma evolução

constante se mostra quase diária, é necessário buscar apoio

em novas tecnologias, sobretudo aquelas que otimizem o

processo produtivo e evitem desperdícios.

“Ter um equipamento que lhe proporciona mais segurança

no processo de carga e descarga é fundamental”, diz

Sidnei Zotele, diretor da Zotele Transportes. “Você ganha

tempo, eficiência e tem um acréscimo de 20% a 30% no faturamento

do transporte do bagaço”, completa, em referência

ao piso móvel Hyva, fornecido pela Bachiega em território

brasileiro.

A tecnologia proporciona uma segura alternativa para

movimentação – carga e descarga – de produtos de baixa

densidade, como o próprio bagaço de cana-de-açúcar, além

de carvão vegetal, casca de madeiras, cavaco, pó de serra,

silagem, milho em espiga, palha de arroz, amendoim, grãos,

This participation puts it at the top of the renewable

source ranking in Brazil. This kind of renewable energy

is ahead of hydroelectric (11.3%); fire wood and charcoal

(8.2%), solar, wind and other alternative sources (4.7%).

Already when compared to non-renewable energy sources,

sugarcane and its derivative products occupy the

second position in the ranking, behind only that of petroleum

and its derivative products, which represented

37.3% of the volume of energy offered domestically in

2015, according to data from BEN 2016.

In that year, the installed capacity of power plants

was 9,339 MW, including individual supply, according to

data from Unica. By 2021, installed power plant capacity

could reach 22 thousand MW, according to Unica.

ADAPTING TO A NEW REALITY

In this context in which the search for a constant evolution

is being shown almost daily, it is necessary to seek

support from new technologies, especially those that optimize

the production process and avoid waste.

“Having equipment that gives you more security

O BAGAÇO

SUBSTITUI A

QUEIMA DE

CARVÃO EM

INDÚSTRIAS

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 23


PRINCIPAL

moinhas, briquetes, paletes e pellets, resíduos industriais e

domésticos, dentre outros.

“É uma tecnologia que proporciona muita satisfação aos

nossos clientes, sobretudo por minimizar os riscos de acidentes,

além dele não precisar do auxílio de mão de obra

adicional durante o processo”, analisa José Valdir Granelli,

diretor-presidente da Usina Granelli.

“Investir para economizar” – essa é a fórmula do sucesso

do piso móvel, segundo Fábio Bachiega, diretor da Carrocerias

Bachiega – principal distribuidora Hyva de piso móvel

no mercado nacional.

Outra grande empresa que utiliza a tecnologia é a Citrosuco.

Ela informa que na safra 2016-2017 passou por fase de

implantação um novo processo de transporte e recepção de

biomassa, com a utilização de carretas com sistema de descarga

automático. "O objetivo é reduzir em cerca de 10% o

consumo de diesel, além de obter melhor performance operacional

e conferir mais segurança aos motoristas e operadores",

argumenta em seu relatório anual.

SUPERANDO BARREIRAS

O piso móvel permite o descarregamento em terrenos

inclinados ou galpões e a Bachiega disponibiliza diversos

modelos de caixa de carga, que podem ser desenvolvidas de

forma personalizada, sempre buscando o melhor aproveitamento

do produto e otimizar aplicações.

“Certamente a procura pelo piso móvel aumentou significativamente,

o que pode estar relacionado a essa diversificação

do uso do bagaço de cana, que não se limita ao setor

de energia”, avalia Gilmário Ricardo de Araújo, que presta

serviços para diversas empresas do setor sucroenergético.

Outro ponto levantado é a segurança. “Quando você

trabalha com o piso móvel, o risco na descarga, como por

exemplo, acidentes de trabalho na abertura de portas laterais

se torna inexistente e o processo que, normalmente

ocorre em 40 minutos com auxílio de máquinas, com o piso

móvel diminui para até 15 minutos. E, consequentemente

aspectos como produtividade e economia também crescem”,

diz Janerson José Furlan proprietário JDF Transportes

Rodoviários.

“O processo de descarga se torna mais fluído, ágil e seguro.

O principal ganho é a satisfação do cliente: o serviço

se torna mais rápido, não há dependência de outros maquinários

e, bem, não há mais preocupações desnecessárias. Todos

que usam estão satisfeitos”, conclui Valter Tebom Júnior,

diretor da Tebom Transportes.

in the loading and unloading process is critical,” says

Sidnei Zotele, Director of Zotele Transportes. “You gain

time and efficiency with an increase of 20% to 30% in

bagasse transport revenue,” he adds, in reference to the

Hyva truck trailer moving floor bed, provided by Bachiega

throughout Brazil.

The technology provides a safe alternative to handling

- loading and unloading - low density products,

such as sugarcane bagasse, itself, as well as wood charcoal,

tree bark, wood shavings, sawdust, silage, corn on

the cob, rice straw, peanuts, grains, milled products, briquettes

and pellets, pallets, and industrial and domestic

waste, amongst others.

“It is a technology that provides a lot of satisfaction to

our customers, mainly by minimizing the risk of accidents,

as well as not needing the assistance of additional labor

during the process,” analyzes José Valdir Granelli, CEO

of Usina Granelli.

“Invest to save” – this is the formula of success for moving

floor beds, according to Fábio Bachiega, Director of

Carrocerias Bachiega – main distributor of Hyva moving

floor beds on the Brazilian market.

OVERCOMING BARRIERS

The mobile floor bed allows unloading on slopes or in

sheds and Bachiega offers several trailer models, which

can be custom developed, always seeking out the best use

of the product and optimizing applications.

“Certainly the demand for moving floor beds has increased

significantly, which may be related to diversification

in bagasse use, which is not limited just to the energy

sector,” says Gilmário Ricardo de Araújo, who provides

services to various companies in the Sugar-energy Sector.

Another point raised is security. “When you work with

a movable floor bed, the risk at the unloading stage, such

as for example, work accidents while opening side panels

becomes non-existent and the process that normally occurs

in 40 minutes with the aid of machinery, moving floor

beds decreases this to up to 15 minutes. And, therefore

issues such as productivity and savings increase,” says Janerson

José Furlan, owner of JDF Transportes Rodoviários.

“The unloading process becomes more fluid, flexible

and secure. The main gain is customer satisfaction: the

service becomes faster, one is no longer dependent on

other equipment and, well, no more unnecessary concerns.

Everyone who uses them is very satisfied,” concludes

Valter Tebom Júnior, Director of Tebom Transportes.

24

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NOVAS TENDÊNCIAS

Uma das novas perspectivas para o uso de bagaço de

cana é a fabricação de carvão ativo, material utilizado principalmente

para descontaminação ambiental. Além das vantagens

ambientais em utilizar uma matéria-prima renovável

no processo produtivo, a produção de carvão ativo a partir

de bagaço de cana ainda apresenta vantagens competitivas

quanto ao seu rendimento e capacidade de absorção. Para

produção de carvão ativo, 1 kg de bagaço de cana pode ser

convertido em até 250 g (gramas) de carvão ativado, com

capacidade de absorção até 2,5 vezes maior do que os carvões

ativos comercializados atualmente no mercado.

A inovação representa mais uma possibilidade de expansão

para o mercado de cana-de-açúcar no Brasil. Hoje,

existe uma dependência do país do mercado exterior para a

obtenção de carvão ativo. Com a produção nacional a partir

de bagaço de cana, é possível eliminar os altos custos de

importação desse produto, que é geralmente produzido a

partir de matérias-primas mais caras, como casca de coco,

ossos, bambu e madeira.

Para aqueles que estão migrando seus equipamentos

para piso móvel, a Bachiega transforma o equipamento de

descarga lateral em piso móvel e ainda, oferece a locação de

semirreboques com piso móvel, facilitando assim o investimento

inicial do cliente.

NEW TRENDS

One of the new perspectives for cane bagasse use is

the manufacture of activated charcoal, a material used

primarily for environmental decontamination. In addition

to the environmental benefits of using a renewable

raw material in the production process, the production

of activated charcoal from bagasse still has competitive

advantages regarding performance and absorption capacity.

For production of activated charcoal, 1 kg of bagasse

can be converted into up to 250 g of activated charcoal

with an absorption capacity up to 2.5 times higher than

other activated charcoals currently on the market.

Innovation represents another possibility for sugar

cane expansion in the Brazilian market. Today, the Country

is dependent on the foreign market for activated charcoal.

With domestic production from sugarcane bagasse,

you can eliminate the high product import costs, which

are generally produced from more expensive raw materials,

such as coconut shell, bone, bamboo and wood.

For those who are migrating their equipment to moving

floor beds, Bachiega transforms side unloading

equipment into moving floor bed equipment and even

offers leasing of semi-trailers with moving floor beds, thus

facilitating any customer’s initial investment.

PROCESSO DE

DESCARGA SE

TORNA MAIS FLUÍDO,

ÁGIL E SEGURO;

PRINCIPAL GANHO

É A SATISFAÇÃO DO

CLIENTE

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 25


PELO MUNDO

ALEMANHA

MOSTRA O

CAMINHO

FOTOS DIVULGAÇÃO

26

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NA DÉCADA DE

90, APENAS 3%

DA ENERGIA

CONSUMIDA

NO PAÍS ERA

ORIGINÁRIA

DE FONTES

RENOVÁVEIS. HOJE

ELA REPRESENTA

MAIS DE 30%

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 27


PELO MUNDO

A

Alemanha aumentou a conversão de seu consumo

de energia de fontes renováveis para 35%

no primeiro semestre de 2017. O percentual representa

um crescimento em relação ao ano anterior,

que chegou a 33%, de acordo com dados da BEE (Federação

Germânica de Energia Renovável). O crescimento é

parte de um plano do país de chegar a, pelo menos, 80% do

seu consumo de energia por fontes renováveis até 2050 e eliminar

suas usinas nucleares até 2022.

O consumo de energia renovável vem crescendo na Alemanha

desde o final da década de 1990. Essa mudança é

consequência, em grande parte, da Lei de Energia Renovável,

que foi reformada neste ano para diminuir os custos repassados

para o consumidor final.

De acordo com relatório da BEE, o primeiro semestre deste

ano marcou uma soma de 35% de energia renovável eólica,

hidrelétrica e solar. Com um grande número de sistemas

fotovoltaicos no país, a sua rede já é abastecida em até 85%

por energia renovável em dias mais ensolarados.

A expectativa é que o percentual cresça nos próximos

anos. O governo alemão estabeleceu a meta de ter 80% da

sua demanda de energia abastecida por fontes renováveis

até 2050, além de migrar para uma economia carbono neutra

até o mesmo ano. O objetivo é um dos mais ambiciosos já

traçados no mundo.

As medidas são parte de um plano do governo alemão

chamado Energiewende, apresentado em 2010, com o objetivo

de tornar a economia do país carbono neutra por meio

do aumento da contribuição de fontes renováveis de energia,

como eólica, solar e biomassa, ao mesmo tempo em que diminui

a participação de carvão e energia nuclear.

EVOLUÇÃO HISTÓRICA

Com o anúncio, no último mês, do plano de conversão de

80% da sua energia para fontes renováveis, o país estabeleceu

uma meta que o coloca na linha de frente das políticas de

sustentabilidade no mundo. Em 1990, apenas 3% da energia

consumida na Alemanha eram originárias de fontes renováveis

– em maior parte, a matriz energética era alimentada por

usinas de carvão. Em comparação com 1990, a Alemanha diminuiu

suas emissões de carbono em 27%, mesmo com a dificuldade

de eliminar as usinas de carvão. Um dos problemas

O CONSUMO DE ENERGIA

RENOVÁVEL VEM CRESCENDO

NA ALEMANHA DESDE O

FINAL DA DÉCADA DE 90

MEDIDAS ANUNCIADAS PELO

GOVERNO DA ALEMANHA

SÃO INCENTIVADAS POR MAIS

DE 80% DA POPULAÇÃO

28

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O DESAFIO PARA OS

PRÓXIMOS ANOS É DIMINUIR

AS TARIFAS DE ENERGIA PARA

O CONSUMIDOR

META OUSADA COLOCA

ALEMANHA NA LINHA DE

FRENTE DAS POLÍTICAS DE

SUSTENTABILIDADE

NO MUNDO

centrais para essa transição são os empregos gerados pelas

minas, que ainda não têm possibilidade de serem substituídos

em curto prazo. Esse problema, no entanto, tende a ser

resolvido com a criação de mais usinas de geração de energia

limpa, uma vez que estudos indicam que estas geram mais

empregos diretos e indiretos em longo prazo.

Atualmente, as usinas de carvão são responsáveis por

40% da geração de energia do país europeu, com as minas

empregando cerca de 20 mil pessoas na região leste da Alemanha.

Apesar disso, o plano de sustentabilidade do governo

alemão tem apresentado resultados consistentes. Um dos

principais motivos para isso, segundo especialistas, foi o rápido

processo de melhoria da mão de obra especializada no

país nos últimos anos.

CONTRAPONTO

O desafio para os próximos anos é diminuir as tarifas de

energia para o consumidor. Hoje, as empresas grandes consumidoras

de energias têm direito a abono na sua tarifa, o

que repassa esse custo para os consumidores domésticos.

Como resultado, a taxa de energia elétrica para consumidores

domésticos na Alemanha é a segunda maior da Europa,

atrás apenas da Dinamarca.

Em contrapartida, os consumidores alemães estão entre

os que mais economizam energia no mundo, quando comparados

a outros países desenvolvidos, como o Japão e os

EUA (Estados Unidos da América). Nesses países, a tarifa por

quilowatt-hora é mais baixa, mas os domicílios consomem

mais energia, em média, o que resulta em uma média de custo

mensal similar na conta de luz.

As medidas anunciadas pelo governo da Alemanha são

incentivadas pela população. De acordo com especialistas

do país, mais de 80% dos alemães apoiam a ideia de eliminar

gradativamente as usinas nucleares e as emissões de carbono,

e até mesmo acreditam que o plano poderia ser mais

ambicioso.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 29


TECNOLOGIA

30

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NA ERA

DOS

JETSONS

FOTOS DIVULGAÇÃO

TOYOTA FOCA NO DESENVOLVIMENTO DE

CARROS MOVIDOS A HIDROGÊNIO

A

Royal Dutch Shell Plc, em parceria com a Toyota

Motor Corp, anunciou a construção de sete

postos de abastecimento para carros movidos a

hidrogênio no estado da Califórnia, nos EUA (Estados

Unidos da América). A iniciativa é uma aposta das duas

empresas no fim do modelo de automóveis movidos a motores

de combustão interna.

A Toyota estima aumentar o uso de hidrogênio gradativamente,

até encerrar a produção de todos os seus automóveis

movidos a motores de combustão interna até 2050. Para

atingir essa marca, surge a necessidade de suprir a falta de infraestrutura

de abastecimento para carros livres de emissões.

“Quando a queima de combustíveis não for mais permi-

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 31


TECNOLOGIA

tida, o hidrogênio será uma das maiores fontes de combustível,

nós temos confiança nisso”, diz Kiyotaka Ise, presidente

de pesquisa e desenvolvimento avançado e engenharia da

Toyota.

A aposta da Toyota é baseada no perfil do Mirai, automóvel

movido a hidrogênio lançado em 2015. A expectativa é

que esse tipo de carro seja a preferência dos consumidores

nas próximas décadas, no lugar dos elétricos, uma vez que

o modelo tem desempenho superior e pode ser abastecido

em até três minutos, contra as horas necessárias para recarregar

um automóvel elétrico. Além disso, o carro a hidrogênio

é uma opção mais limpa do ponto de vista ambiental, já que

seu resíduo é a água.

PRIMEIROS PASSOS

Dois anos depois do Mirai chegar ao mercado, os carros a

hidrogênio ainda estão no estágio inicial da produção comercial,

mas a Toyota foca no futuro do mercado automobilístico

– o nome do seu primeiro modelo a hidrogênio, aliás, significa

futuro em japonês.

“Essa não é uma transição linear, é uma revolução”, diz

Larry Burns, ex-chefe de pesquisa e desenvolvimento da General

Motors. Segundo Burns, a aposta da empresa japonesa

no novo modelo automobilístico tem grande potencial para

o futuro da sua posição no mercado mundial.

A expectativa da Toyota é de vender três mil carros a hidrogênio

em 2017. Até 2020, o número deve ser dez vezes

DENTRO DO MIRAI

ESTÃO PRESENTES

DOIS TANQUES

DE HIDROGÊNIO

REVESTIDOS POR UMA

FIBRA EXTREMAMENTE

RESISTENTE

32

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A CONSTRUÇÃO DO

MIRAI É ALTAMENTE

ESPECIALIZADA

E, POR ISSO,

TOTALMENTE MANUAL

maior. Com esse aumento, a empresa estima que o preço em

2025 seja próximo ao dos híbridos.

EXEMPLO SEGUIDO

A tendência também é defendida pela Shell, que está

trabalhando em estratégias para se desvincular totalmente

do petróleo nas próximas décadas. “Hidrogênio é limpo. É

flexível e tem muitas aplicações. Como não gostar?”, destaca

Oliver Bishop, gerente geral de hidrogênio da Shell. “A Shell

quer estar na linha de frente dessa tecnologia.”

Outras empresas também estão se alinhando à estratégia

da Toyota. No começo deste ano, 13 empresas – entre elas,

Total SA, Air Liquide SA, Linde AG, além da Shell – se uniram

para a formação de um conselho global de hidrogênio. O grupo

pretende investir um total de US$ 10,7 bilhões em produtos

relacionados a hidrogênio nos próximos cinco anos.

Com o aumento de investimentos em hidrogênio, espera-se

que a produção dos veículos alcance um processo mais

rápido e mais barato. Hoje, a construção do Mirai é altamente

especializada e, por isso, totalmente manual, sem a presença

dos robôs que automatizam a linha de produção.

Dentro do Mirai estão presentes dois tanques de hidrogênio

revestidos por uma fibra resistente até mesmo a tiros

de rifles de alta precisão. Embaixo dos dois bancos dianteiros

do Mirai estão localizadas 370 células, revestidas por redes de

titânio com 0,2 milímetros de espessura e perfuradas por cerca

de 40 mil furos. Quando o hidrogênio e o oxigênio passam

por esses furos, uma reação química cria eletricidade, que

alimenta a bateria e o motor, e água, que é dispensada pelo

escapamento do veículo.

Cerca de doze veículos são produzidos a cada 24 horas. O

número mostra um aumento representativo, uma vez que a

linha de produção começou em 2013 com capacidade para

produzir apenas três unidades por dia.

“Tenho certeza que, nesse volume atual, até mesmo os

nossos amigos e parceiros não acreditam totalmente na realização

do objetivo”, diz Ise. “Mas até 2020 nós vamos convencê-los”.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 33


ECONOMIA

VENDEMOS

SOL NO

BOLETO

FOTOS DIVULGAÇÃO

34

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OPÇÕES DE FINANCIAMENTO

E CONSÓRCIO CONTRIBUÍRAM

PARA EXPANSÃO DA ENERGIA

SOLAR

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 35


ECONOMIA

O

número de instalações de painéis solares no

Brasil não para de crescer. Segundo dados da

Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica),

até abril deste ano foram instalados mais

de 10 mil painéis solares de microgeração de energia em

todo país, o dobro em comparação aos últimos seis meses.

Alguns motivos que chamaram atenção dos brasileiros

para esse tipo de energia foram a redução da conta de

luz no médio e longo prazos e também o fator ambiental,

já que a energia solar está entre as fontes mais limpas disponíveis

atualmente. O que ainda pesa contra a instalação

de painéis solares é o custo, que pede um investimento

inicial mais alto.

De acordo com uma pesquisa divulgada em 2016, em

que se analisaram os valores de várias empresas de energia

solar no Brasil, o investimento para obter essa tecnologia

varia de acordo com o local e tamanho do telhado,

com custo inicial a partir de R$ 10 mil.

Para facilitar esse investimento e garantir um futuro

mais sustentável, o Sicredi desenvolveu uma linha de crédito

específica para a compra de equipamento de geração

de energia elétrica solar, com possibilidades de financiamento

ou então consórcio. “As fontes alternativas de ener-

INVESTIMENTO

PARA OBTER A

TECNOLOGIA

VARIA DE

ACORDO

COM LOCAL E

TAMANHO DO

TELHADO

36

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gia devem acompanhar a necessidade das pessoas e é

uma tendência pensarmos mais em soluções que sigam a

tecnologia, preservando o meio ambiente”, afirma Adriana

Zandoná França, gerente de Desenvolvimento de Negócios

da Central Sicredi.

Um bom exemplo da aplicação de fontes alternativas

de energia vem do Sudoeste do Paraná. A indústria

de confecções Lunegil, do município de Barracão, investiu

em um sistema de geração de energia solar, que lhe

propiciará uma economia de mais de R$ 7 mil por mês. A

instalação do equipamento foi possível graças a uma linha

de financiamento.

“O mundo precisa disso, pois a sociedade caminha

para um maior cuidado com questões ambientais e as empresas,

através de seus gestores preocupados com o uso

consciente dos recursos naturais, buscam investir em sistemas

alternativos. O Sicredi é parceiro dessas boas práticas,

que preservam o meio ambiente, estimulam o fortalecimento

econômico e proporcionam maior rentabilidade

para as empresas”, explica José César Wunsch presidente

da Sicredi Fronteiras.

NÚMERO DE

INSTALAÇÕES

DE PAINÉIS

SOLARES NO

BRASIL SEGUE

TENDÊNCIA DE

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EVENTO

MOVIDOS A

ENERGIA

VERDE

FOTOS DIVULGAÇÃO

NA CAPITAL PARANAENSE, EVENTO PROMOVE

SETOR DE BIOENERGIA COM VISTAS PARA O QUE

PODE SER FEITO AGORA E NO FUTURO

38

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R

ealizado entre os dias 20 e 22 de junho, o Cibio (2º

Congresso Internacional de Biomassa) consolidou

seu papel fundamental para a nova fase da matriz

energética brasileira, trazendo as últimas tendências

e novas alternativas para geração de energia limpa.

A edição de 2017 do congresso contou com a participação

dos principais especialistas do setor nacional e internacional.

Os especialistas presentes fomentaram discussões

sobre o atual cenário da matriz energética nacional e lançou

debate de temas ligados a geração de energia a partir de

biomassa no Brasil e no contexto mundial.

O evento realizado na Fiep (Federação das Indústrias do

Estado do Paraná), em Curitiba (PR), contou com a presença

das principais entidades ligadas ao setor de biomassa no

Brasil e no exterior, estabelecendo diálogos sobre inovações,

soluções, tecnologias e informações para impulsionar

o crescimento da participação da energia de biomassa na

matriz energética brasileira.

A edição de 2017 do Cibio superou as expectativas da

organização, com mais de 400 trabalhos submetidos para

apresentação, de congressistas que compõem o meio acadêmico

de pesquisas e inovações ligadas ao setor de biomassa

e energias renováveis.

Juntamente com o congresso, foi realizada a Expobiomassa

(Feira Internacional de Biomassa e Energia), em forma

de bienal, onde mais de 70 expositores mostraram as atividades

e soluções de suas empresas. Na feira, os visitantes

tiveram a oportunidade de conhecer parceiros em potencial,

ter uma visão dos principais agentes do mercado e fechar

negócios e parcerias.

O resultado foi uma sinergia entre teoria e prática, com

contribuições valiosas para fortalecer o mercado de biomassa

brasileiro e a sua participação na matriz enérgica do país.

Um dos destaques do Cibio 2017 foi a área de exposição e

demonstração de peletizadoras, picadores e trituradores e

secadores de biomassa e grãos. No espaço, os congressistas

puderam ver de perto algumas das principais soluções para

o trabalho com biomassa, trocar ideias e observar as últimas

inovações tecnológicas utilizadas pelos principais nomes

do mercado.

Primeiro e único evento especializado do setor no Brasil,

a edição de 2017 do Cibio consolida o evento como um dos

mais importantes congressos internacionais com foco em

biomassa para geração de energia no mundo.

DEPOIMENTOS

ESTAMOS CONHECENDO ESTE MERCADO

DE MAIOR PROPORÇÃO, QUE SÃO OS

AMPLIFICADORES FLORESTAIS, AS EMPRESAS

DE PAPEL E CELULOSE, EM UM PROJETO

QUE COMEÇA A SE DESENVOLVER AGORA

DIEGO VIEIRA, DIRETOR DA DRV

O MERCADO DE BIOMASSA É UM

DOS NOSSOS FOCOS HÁ QUASE 10

ANOS E CONTINUARÁ TENDO UM

OLHAR ESPECIAL DA EMPRESA

HERBERT WALDHUETTER, DIRETOR DA VERMEER

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 39


EVENTO

É UM EVENTO PLURAL, COM

REPRESENTANTES DE DIFERENTES

SETORES. UMA BOA OPORTUNIDADE

PARA DESENVOLVER PARCERIAS E

CRIAR CADEIAS PRODUTIVAS

JUAN MESA PEREZ, SÓCIO-DIRETOR DA BIOWARE

TEMOS BOAS EXPECTATIVAS

PARA OS PRÓXIMOS MESES, NOVOS

PROJETOS, ALGUNS DESENVOLVIDOS

ESPECIFICAMENTE PARA ALGUNS CLIENTES,

ALÉM DE NOVAS ÁREAS DE ATUAÇÃO

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CARROCERIAS BACHIEGA

ESTAMOS HOJE COM UM PICADOR FIXO

PARA LINHA DE SERRARIA, PARA GERAÇÃO

DE BIOMASSA E OUTRO PICADOR ACOPLADO

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40

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 41


CASE

GELADA

SUSTENTÁVEL

FOTOS DIVULGAÇÃO

HEINEKEN BRASIL TRAÇA META OUSADA:

OPERAR COM 100% DE ENERGIAS

RENOVÁVEIS ATÉ 2025

42

www.REVISTABIOMAIS.com.br


A

Heineken Brasil anunciou que pretende utilizar

energia 100% renovável até 2025, tanto em

energia elétrica quanto térmica. Com a meta, a

empresa pode se tornar uma das primeiras fabricantes

de bebidas do país a fazer a conversão completa

para energia de fontes renováveis.

A sustentabilidade é parte da identidade do grupo

no contexto global, que conta com programas como o

Brewing a Better World, criado em 2015 para estabelecer

metas de desenvolvimento sustentável para os anos seguintes.

“Sustentabilidade é vista muitas vezes como algo

complexo e inacessível para os consumidores”, diz Mark

van Iterson, diretor global de design. “Mas a sustentabilidade

está no cerne de tudo o que fazemos, e nós queremos

encontrar um jeito de envolver os nossos consumidores

e todos os nossos parceiros.”

PANORAMA NACIONAL

O grupo utiliza, nas suas operações no Brasil, uma

combinação de fontes limpas que inclui energia eólica,

biomassa, biogás e óleo vegetal. Além do uso de energia

gerada a partir de fontes renováveis no seu processo

produtivo, algumas cervejarias do grupo tem toda sua demanda

de energia suprida pela compra de energia renovável

no mercado livre.

Além disso, algumas unidades do grupo já geram a sua

própria energia, como as de Jacareí (SP) e Pacatuba (CE); a

geração da energia nas unidades produtoras, em um ano,

seria suficiente para abastecer por um mês mais de 230 mil

residências.

A meta estabelecida pela companhia está em concordância

com o Acordo de Paris, segundo a coordenadora

de sustentabilidade da Heineken Brasil, Beatriz de Sá. Nos

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 43


CASE

últimos cinco anos, o grupo reduziu gradativamente seus

índices de emissões de carbono, passando de 6,8 kg (quilogramas)

CO2 (Gás Carbono) por hl (hectolitro) de cerveja

produzido em 2012 para 3 kg CO2/hl em 2017.

“O índice brasileiro é 30% mais baixo que a média global

da Heineken. As cervejarias de Araraquara e de Ponta

Grossa já são consideradas as duas melhores cervejarias

da Heineken do mundo no que diz respeito à emissão de

CO2”, afirma. Para essas reduções, o uso de energias renováveis

é aplicado, em sua maioria, nas caldeiras, que são

abastecidas por biomassa.

Segundo Beatriz, a empresa já demonstra reduções

nas suas emissões de carbono, mas ainda há espaço para

ir mais além, o que contribuiria ainda mais para o cumprimento

das metas brasileiras assumidas na COP21. Uma das

inovações adotadas para isso é a instalação de um parque

eólico, que será inaugurado em breve.

“O uso de biomassa além de ser uma fonte renovável

legalmente certificada, gera reduções dos custos de pro-

HEINEKEN UTILIZA NO

BRASIL UMA COMBINAÇÃO

DE FONTES LIMPAS QUE

INCLUI ENERGIA EÓLICA,

BIOMASSA, BIOGÁS E ÓLEO

VEGETAL

MUNDIALMENTE, O GRUPO

ESTIMA REDUZIR AS

EMISSÕES DE CARBONO

EM 27% ATÉ 2020

dução, o que pode tornar nossos preços mais competitivos”,

diz. “Além disso, com essas iniciativas, conseguimos

diminuir significativamente nossas emissões, reduzindo

nosso impacto, o que é bom para o meio ambiente e ainda

contribui com a reputação da companhia.”

OLHAR ECOLÓGICO

A sustentabilidade no processo produtivo da Heineken

Brasil não se limita às energias renováveis. A empresa também

participa do Comitê de Bacias Hidrográficas nas regiões

em que atua. Uma das medidas resultantes é o tratamento

de efluentes em 92% das suas cervejarias. A soma

da capacidade de tratamento instalada nas oito fábricas

brasileiras seria o suficiente para tratar o esgoto doméstico

gerado por uma população superior a 300 mil habitantes.

O consumo de água na produção de cerveja também

é menor do que a média: enquanto as demais cervejarias

utilizam, em média 6 L (litros) de água para a produção de

44

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cada litro de cerveja, a Heineken limita seu consumo a 4,9 L

de água para cada litro de cerveja. O resultado é uma economia

equivalente a 38 piscinas olímpicas cheias por ano.

Os planos da Heineken Brasil são ainda mais ambiciosos

do que o panorama global da companhia. Mundialmente,

o grupo estima reduzir suas emissões de carbono

em 27% até 2020. Parte do programa Brewing a Better

World, a meta foi traçada em 2015, depois de atingir uma

redução de 36% das emissões globais desde 2008.

“Eventos como a COP21 e a introdução dos Objetivos

de Desenvolvimento Sustentável da ONU ofereceram

perspectivas adicionais para o programa Brewing a Better

World, que é a nossa abordagem para criação de um modelo

de negócio sustentável”, diz Jean-François van Boxmeer,

chefe executivo da Heineken. “Temos confiança no

progresso que fizemos e temos consciência dos desafios

que estão pela frente.”

O CONSUMO DE ÁGUA NA

PRODUÇÃO DE CERVEJA

TAMBÉM É MENOR DO

QUE A MÉDIA: MENOS DE 5

LITROS PARA CADA LITRO

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FEIRA

46

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MUNDO

DA CANA

FOTOS DIVULGAÇÃO

EDIÇÃO 2017 DA

FENASUCRO &

AGROCANA DEVE

MOVIMENTAR

O SETOR

SUCROENERGÉTICO

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 47


FEIRA

A

edição de 2017 da Fenasucro & Agrocana

comemora os 25 anos do evento reforçando

seu papel propagador de novos conhecimentos

e tendências, além da fomentação

de negócios em toda cadeia produtiva do setor.

Nesta edição da maior feira mundial do setor sucroenergético,

a expectativa é que cerca de 35 mil visitantes

vindos do Brasil e de mais 43 outros países possam

conferir mais de mil marcas em uma área de 70 mil m2

(metros quadrados) para trocas sobre as novidades do

setor, ideias para o mercado e estabelecer parcerias,

além de compra e venda de produtos e serviços.

Nos Eventos de Conteúdo da feira, uma série de

palestras e debates somarão mais de 300 horas de programação

voltadas ao aperfeiçoamento técnico e profissional

de toda a cadeia produtiva da cana-de-açúcar.

Entre as novidades desta edição, destaque para o

Fórum dos Produtores de AgroEnergia, onde mais de

500 produtores de 40 países poderão trocar experiências

sobre produções, processos, suas convergências,

divergências e desafios no mercado de geração de energia

a partir da cana.

NO ESTANDE DA

CTBE, OS VISITANTES

TERÃO CONTATO

COM TECNOLOGIAS

DE ÚLTIMA GERAÇÃO

PARA ANÁLISE DE

MATÉRIAS PRIMAS E

SUBPRODUTOS DO

SETOR DE BIOENERGIA

48

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Dividido em cinco painéis, com a participação de palestrantes

estrangeiros, o fórum abordará temas como a

otimização da produção pelos sistemas de plantio MPB

(muda pré-brotada) e meiosi (técnica que possibilita um

planejamento rentável na implantação de um viveiro);

inovações na colheita mecanizada; gestão de custos sucroenergéticos;

políticas públicas para o setor de açúcar

e biocombustíveis, entre outros. Os subprodutos do milho

e a geração de energia e diversidade de biomassas

também foram apresentados durante o fórum.

Um dos destaques será a participação do Ctbe

(Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol),

apresentando soluções e pesquisas em um

workshop sobre Bioeconomia. O laboratório, que integra

o Cnpem (Centro Nacional de Pesquisa em Energia

e Materiais) contará ainda com um estande para exposição

de equipamentos. Já no stand da Ctbe, os visitantes

terão contato com tecnologias de última geração para

análise de matérias-primas e subprodutos do setor de

bionergia.

CERCA DE 35

MIL VISITANTES

VINDOS DO BRASIL

E DE 43 PAÍSES

SÃO ESPERADOS

EM UMA ÁREA DE

70 MIL METROS

QUADRADOS

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 49


ARTIGO

POTENCIAL DE USO

DA BIOMASSA

FLORESTAL DA

CAATINGA,

SOB MANEJO

SUSTENTÁVEL, PARA

GERAÇÃO DE

ENERGIA

FOTOS DIVULGAÇÃO

50

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POR MARTHA ANDREIA BRAND

*ENGENHEIRA FLORESTAL, DOUTORA, UDESC

(PROFESSORA DO DEPARTAMENTO DE

ENGENHARIA FLORESTAL DA UNIVERSIDADE DO

ESTADO DE SANTA CATARINA)

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 51


ARTIGO

ORESUMO

objetivo deste trabalho foi analisar o plano

de manejo sustentável de uma área de

caatinga, de forma a sugerir as melhores

estratégias de tratamento da biomassa

para geração de energia. O trabalho foi desenvolvido

em um empreendimento privado, com área de 114.755

ha (hectares), na região sul do Piauí. A análise do plano

de manejo, elaborado por Toniolo, Leal Junior e Campello

(2005), foi feita pelo autor deste trabalho em três

etapas. A primeira consistiu em um levantamento florístico

e inventário florestal. O segundo estudo consistiu na

quantificação e qualificação da biomassa florestal a ser

destinada para geração de energia, incluindo a coleta de

galhos no potencial total de biomassa. O terceiro estudo

consistiu em realizar testes de estocagem da biomassa

em campo e em pátio, para estimar a melhoria da qualidade

da biomassa para geração de energia. Os resultados

obtidos indicaram que a vegetação analisada apresenta:

alta diversidade florística; muitos indivíduos por unidade

de área; árvores de porte pequeno a médio; a maior

parte dos indivíduos com diâmetro pequeno e alta produtividade

de biomassa por unidade de área. Quanto à

qualidade energética da biomassa da caatinga: o teor de

umidade e o teor de cinzas das árvores recém derrubadas

foram baixos e o poder calorífico líquido foi alto. Quanto

à estocagem: o corte das árvores na época de chuva e a

sua manutenção em campo para a queda das folhas, por

10 dias, proporcionou um aumento significativo no teor

de umidade da biomassa. Quinze dias de estocagem em

pilhas, no pátio, foram suficientes para troncos e galhos

de árvores da caatinga atingirem alta qualidade energética

da madeira. As melhores estratégias de tratamento

da biomassa consistiram em: realizar a colheita e coleta

de toras e galhos manualmente, com o uso de motosserras.

A colheita deve ser realizada de forma diferenciada

nas estações de seca e chuva. Na estação seca, o máximo

de material dos galhos deve ser retirado da área no

momento da colheita das toras. No período das chuvas,

os galhos não devem ser removidos do campo antes da

queda das folhas, com posterior uso da estocagem em

pilhas, em pátio, para a redução do teor de umidade. A

massa específica; estrutura anatômica da madeira; morfológica

das árvores e presença de cupinzeiros devem ser

levados em consideração durante o planejamento de tratamento

da biomassa para o uso na geração de energia,

principalmente no dimensionamento dos picadores florestais

e industriais. A estocagem das toras e dos galhos

deve ser realizada separadamente, devido ao comportamento

diferenciado da secagem da biomassa em função

das dimensões e forma da mesma. A estocagem de toras

e galhos de árvores da caatinga pode ser utilizada como

ferramenta para o manejo da biomassa para geração de

energia, de forma a melhorar a qualidade energética da

madeira.

INTRODUÇÃO

A vegetação de caatinga recobria, originalmente,

quase todo o semiárido nordestino, equivalendo a pouco

mais da metade dos 1,5 milhão de km2 (quilômetros quadrados)

da região (Sampaio, 1995). Atualmente, segundo

o Sistema Nacional de Informações Florestais, a área de

caatinga no Brasil, levantada pela Fundação Ibge (Instituto

Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2009, era de

844.453 km2, representando 9,92% da área territorial do

Brasil (Brasil, 2012).

A caatinga é um mosaico de arbustos espinhosos e

de florestas sazonalmente secas, com mais de 2.000 espécies

de plantas vasculares, peixes, répteis, anfíbios, aves

e mamíferos (Leal et al, 2005). Rodal e Sampaio (2002)

analisaram as implicações das diferentes descrições e delimitações

de caatinga e identificaram três características

básicas, na maioria dos escritos: (i) a vegetação que cobre

uma área grande e mais ou menos contínua, no Nordeste

do Brasil, submetida a um clima semiárido, bordejada

por áreas de clima mais úmido; (ii) a vegetação desta área,

com plantas que apresentam características relacionadas

à adaptação da deficiência hídrica (caducifólia, herbáceas

anuais, suculência, acúleos e espinhos, predominância de

arbustos e árvores de pequeno porte, cobertura descontínua

de copas, e (iii) a vegetação com algumas espécies

endêmicas a esta área semiárida e com algumas espécies

que ocorrem nesta área e em outras áreas secas mais distantes,

mas não nas áreas circunvizinhas.

Porém, segundo Sampaio (2010) a conceituação de

caatinga como uma vegetação exclusivamente regional

deixa em aberto sua ligação com classificações mais gerais.

Sem dúvida, a diversidade de fisionomias presentes

no domínio das caatingas dificulta o enquadramento em

qualquer tipologia e sempre haverá áreas de exceção.

A exploração da caatinga ocorre basicamente sob três

52

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formas: (i) desmatamento legal, autorizado pelos órgãos

competentes, para fins de uso alternativo do solo (agricultura,

pastagem); (ii) manejo florestal sustentável, autorizado

pelos órgãos competentes, para fins de produção

madeireira, e (iii) desmatamento ilegal, para fins de uso

alternativo do solo e produção madeireira (Pareyn, 2010).

Neste contexto, no Brasil, a mudança de uso do solo,

ou seja, a conversão de terras florestais em terras agropecuárias

é a causa principal do desmatamento. Acontece

ainda a degradação florestal, que implica na redução dos

estoques de biomassa das florestas e a diminuição de sua

taxa de crescimento, gerando importantes emissões de

CO2 (Gás Carbônico) e reduzindo sua capacidade para

fixar CO2 atmosférico, tanto na biomassa viva quanto na

biomassa morta e como carbono no solo (Benatti, 2007).

Com relação à utilização da vegetação, as mais importantes

categorias de uso de espécies da caatinga são

para: construção (70,49% das espécies), medicamentos

(65,57%) (santos et al, 2008), e combustível (54,91%)

(Francelino et al, 2003; Figeuiroa et al, 2006; Ramos et al,

2008). Outra parte da vegetação é usada como pastagem

nativa, com os animais consumindo a vegetação herbácea

presente na época de chuvas e as folhas de árvores e

de arbustos na estação seca (Schacht et al, 1989). Como

combustível, a lenha pode ser utilizada como fonte energética

para indústrias, comércio e domicílios, além de carvão

vegetal (Pareyn, 2010).

Considerando apenas a demanda industrial e comercial,

a produção de lenha e carvão gera aproximadamente

9.000 empregos diretos e outros 9.000 empregos indiretos,

todos na zona rural, demonstrando o potencial

de contribuição do setor florestal na redução da pobreza.

Esses empregos incluem trabalhadores sem-terra (lenhadores),

pequenos e médios produtores, transportadores,

entre outros (Pareyn, 2010).

Porém, apesar do uso intensivo da caatinga como

combustível, pouco se sabe sobre as quantidades de biomassas

que são retiradas e recicladas nas partes das plantas

utilizadas para este fim (Silva; Sampaio, 2008). Assim, a

gestão atual da terra na caatinga está se tornando insustentável,

porque não existem protocolos adequados para

refletir condições locais que assegurem a gestão susten-

CAATINGA REPRESENTA CERCA

DE 10% DA ÁREA TERRITORIAL

DO BRASIL

MANEJO SUSTENTÁVEL

CONSOLIDA ESTRATÉGIAS DE

TRATAMENTO DA BIOMASSA

PARA GERAÇÃO DE ENERGIA

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 53


ARTIGO

CAATINGA É UM BIOMA

FLORESTAL DO SEMIÁRIDO

CARACTERÍSTICO DE UM CLIMA

MARCADO POR FORTES SECAS E

QUEIMADAS RECORRENTES

MANEJO PERMITE A

SUSTENTABILIDADE PRODUTIVA,

EVITANDO PROCESSOS DE

DEGRADAÇÃO E REDUZINDO OS

RISCOS DE DESERTIFICAÇÃO

tável dos recursos (Figeuiroa et al, 2006).

Por outro lado, segundo Riegelhaupt (2010), a caatinga

é uma das florestas secas com melhores condições

para se inserir no futuro mercado mundial de energéticos

florestais por vários motivos, entre eles: o bioma esta

localizado muito próximo do Atlântico Central, a curtas

distâncias dos maiores polos mundiais consumidores de

energéticos; a região da caatinga tem densidade populacional

relativamente alta e boa infraestrutura viária, portuária

e de comunicações; a sustentabilidade da produção

está bem demonstrada e seus impactos ambientais

são mínimos; 10% da área poderia estar disponível para

manejo, podendo fornecer uma produção sustentável

três a quatro vezes maior que a demanda atual, oferecendo

assim um superavit considerável.

Além disso, é impossível pensar no desenvolvimento

sustentável com base na energia fóssil que, por definição,

é não renovável. É necessário iniciar uma transição

energética para fontes renováveis de energia. Portanto, o

manejo florestal da caatinga tem muito a oferecer neste

sentido.

O Manejo Florestal, entendido como o conjunto de

intervenções efetuadas em uma área florestal, visando à

obtenção continuada de produtos e serviços da floresta,

mantendo sua capacidade produtiva e a diversidade biológica,

é uma atividade relativamente recente no bioma

caatinga, assim como sua investigação (Gariglio, 2010).

Segundo Riegelhaupt (2010), o manejo florestal da

caatinga vem sendo questionado por diversos públicos

no que diz respeito a sua sustentabilidade, e lamentavelmente

confundido com o desmatamento puro e simples,

provavelmente porque os tipos de corte aplicados na caatinga,

ao contrário dos utilizados nas florestas tropicais

úmidas, são bastante intensivos, geralmente cortes rasos.

Esta opinião pouco informada sobre os impactos do manejo

na caatinga omite duas considerações necessárias:

(i) cada tipo de vegetação tem características peculiares e

(ii) uma técnica vantajosa em determinado tipo florestal

pode não ter iguais valores ou impactos em outra floresta.

A caatinga é um bioma florestal do semiárido característico

de um clima marcado por fortes secas e queimadas

recorrentes. Sob essas condições, as espécies arbóreas

dominantes têm desenvolvido adaptações como: alta

capacidade de regenerar por brotação de tocos e cepas;

rápida resposta e alta taxa de crescimento em períodos

úmidos; caducifólia e redução significativa do metabolismo

em períodos secos (Riegelhaupt et al, 2010).

Essas características, já bem conhecidas, e os resultados

de 25 anos de pesquisas e aplicação prática do manejo

florestal da caatinga demonstram que: o manejo tem

viabilidade e sustentabilidade técnica além do esperado;

54

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as taxas de crescimento são altas, quando comparadas

com outras florestas; a recuperação dos estoques ocorre

em prazos relativamente curtos, principalmente devido

à alta capacidade de regeneração e rápido crescimento

inicial da rebrota (de tocos e raízes); a não utilização de

maquinário pesado, de agrotóxicos e do fogo levam à

boa conservação do solo; os grupos biológicos estudados

apresentam níveis de diversidade praticamente iguais

nas áreas manejadas e nas áreas conservadas, além do

que a diversidade de habitat criada em áreas manejadas

(talhões de idades distintas) permite ainda o aparecimento

de novas espécies (Riegelhaupt et al, 2010).

Além disso, existem três grandes beneficiários do manejo

florestal da caatinga: (i) o produtor rural: por ter o

manejo como uma alternativa produtiva na sua propriedade

para gerar renda em base sustentável; (ii) o consumidor

(indústria ou comercio): para obter a sua fonte de

energia de forma legalizada e regularizada (abastecimento

contínuo de origem conhecida); e (iii) o Estado: para

exercer a gestão sustentável das florestas, gerando emprego

e renda e legalizando a produção e o consumo de

produtos florestais (Pareyn, 2010).

Finalmente, o manejo permite a sustentabilidade produtiva,

evitando processos de degradação e reduzindo os

riscos de desertificação, com impacto direto na viabilidade

das propriedades rurais e manutenção do homem no

campo, impedindo processos de pobreza rural e urbana

(Pareyn, 2010).

Diante da crescente demanda global por energia renovável,

a capacidade do manejo florestal da caatinga

para fornecer combustíveis lignocelulósicos e carvão vegetal

com sustentabilidade, com mínimos investimentos,

reduzidos efeitos nocivos para o ambiente e contribuindo

para a conservação da biodiversidade, deve ser considerada

como uma vantagem competitiva e uma sólida

base para o desenvolvimento da região nordeste (Riegelhaupt

et al, 2010). No semiárido, o manejo florestal da

vegetação nativa caatinga surge como uma alternativa

sustentável que alia a conservação dos recursos naturais

com a geração de renda para as comunidades. Já existem

disponíveis na região, sistemas de manejo florestal

desenvolvidos e testados para garantir a produção sustentável

de lenha, carvão e outros produtos madeireiros

e não madeireiros, permitindo ainda a integração com a

pecuária extensiva. Portanto, o objetivo deste trabalho

foi analisar os estudos realizados para a elaboração do

plano de manejo sustentável em uma área de caatinga,

no sul do Piauí, de forma a sugerir as melhores estratégias

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AGOSTO Agosto 2017 2017

Guangzhou Power Expo

Data: 16 a 18

Local: Guangzhou (China)

Informações: www.bspexpo.com

SETEMBRO Setembro 2017 2017

Fenasucro & Agrocana

Data: 22 a 25 de agosto

Local: Sertãozinho (SP)

Informações: www.fenasucro.com.br/

Green Expo

Data: 5 a 7

Local: Cidade do México (México)

Informações: www.thegreenexpo.com.mx/2017/

Bolivia Gas & Energia

Data: 23 e 24

Local: Santa Cruz de La Sierra (Bolivia)

Informações: www.boliviagasenergia.com/

Power Nigeria

Data: 5 a 7

Local: Lagos (Nigéria)

Informações: www.power-nigeria.com

Expo Eficiencia Energética

Data: 23 a 25

Local: Monterrey (México)

Informações: http://expoeficienciaenergetica.com/

Solar Power International

Data: 10 a 13

Local: Las Vegas (EUA)

Informações: www.solarpowerinternational.com/

Brasil WindPower

Data: 28 a 31

Local: Rio de Janeiro (RJ)

Informações: www.brazilwindpower.org/

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Data: 22 a 25 de agosto

Local: Sertãozinho (SP)

Informações: www.fenasucro.com.br

Evento promove tecnologia e o intercâmbio comercial entre usinas

e profissionais do Brasil e de outros 40 países, além de ser um

importante encontro de negócios para os principais produtores e

usuários de equipamentos, produtos e serviços do setor de cultivo

da cana, produção de açúcar e álcool.

Imagem: reprodução

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OPINIÃO

Foto: divulgação

CARROS ELÉTRICOS SÃO

ESSENCIAIS PARA O FUTURO

DA ENERGIA LIMPA

O

s VEs (Veículos elétricos) são uma parte importante

de como reduziremos as emissões,

poluição atmosférica e consumo de petróleo.

Esse é o único meio que reduziremos a poluição

no transporte? Claro que não. VEs são críticos, mas

também precisaremos ser estratégicos no uso de design

urbano, tráfego e mobilidade para reduzir o uso de todos

os veículos. Entretanto, um artigo recente da U.S. News &

World Report coloca os VEs em uma competição falsa com

essas outras estratégias, enquanto repete mitos sobre o impacto

ambiental de VEs.

Em média, os VEs em circulação hoje produzem menos

emissões de gases do efeito estufa do que a média de carros

movidos a gasolina.VEs são responsáveis por menos emissões,

mesmo quando consideramos a energia adicional e os

materiais necessários para a manufatura das baterias que

alimentam VEs. Essas emissões adicionais são compensadas

rapidamente durante o uso; em média, entre 6 e 18 meses

de uso.

Há outras ressalvas, como o impacto da mineração de

matérias-primas utilizadas nas baterias. Mas os impactos

negativos da extração desses materiais são em grande parte

devido a regulações e podem ser resolvidos por meio de

melhores políticas e responsabilidade corporativa.

Para componentes como cobalto e metais raros, todas

as empresas que fabricam produtos de alta tecnologia

precisam garantir que tem cadeias de produção ambientalmente

responsáveis que protegem os direitos e a saúde

dos indivíduos impactados pela mineração. Esse é o caso da

Apple e Samsuns e dos fabricantes de VE.

Ao mesmo tempo, precisamos considerar os impactos

negativos da produção de gasolina, desde violações de direitos

humanos e desastres ambientais durante a extração

de óleo, até a poluição atmosférica do refinamento e queima

de gasolina nos nossos carros. Todos os combustíveis

dos nossos meios de transporte pessoais – gasolina, diesel,

biocombustível ou eletricidade – podem ser mais limpos se

os produtores de combustíveis tomarem a responsabilidade

pelas emissões.

O futuro dos automóveis é elétrico. Não é só a minha

opinião; tanto as empresas automotivas quanto os governos

reconhecem que os VEs são o futuro. Os CEOs da Ford

e da VW anunciaram previsões de um grande volume de

vendas de VEs. E países como França, Noruega e Índia são

alguns que estabeleceram objetivos impressionantes para

transição a VEs.

Mas os VEs sozinhos não são suficiente para alcançar os

nossos objetivos climáticos. Também é importante reduzir

o número de quilômetros rodados, mesmo em carros elétricos.

Transporte coletivo, seja via transporte público, caronas

ou novos serviços de compartilhamento, também serão

importante para fazer reduções significativas na poluição.

Mas isso não é competição com os VEs. Pelo contrário, VEs

são complementares a muitas dessas opções de transporte

coletivo.

Por David Reichmuth

Engenheiro sênior do Clean Vehicles Program

Foto: divulgação

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