Outubro/2017 - Referência Florestal 190

jota.2016

Visitantes - Grupo Jota Comunicação

PR42

ESTRADA DAS

ARAUCÁRIAS

Projeto planta nativas no

LIGNUM 2017

Cresce presença

de florestais

54 ENTREVISTA

Presidente da Smef,

Gabriel Moreira Junqueira

Performance na

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Máquina florestal para limpeza

de área alia economia e

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SUMÁRIO

ANUNCIANTES

DA EDIÇÃO

Agroceres ................................................................... 76

Bayer ................................................................................ 07

32

Carrocerias Bachiega .............................................. 41

D’Antonio Equipamentos ..................................... 71

Denis Cimaf ................................................................... 04

Dinagro ........................................................................... 02

42

Expoforest 2018 ......................................................... 31

Ferro Extra ..................................................................... 61

FMC .................................................................................. 13

54

H Fort ................................................................................ 19

Himev .............................................................................. 53

J de Souza ........................................................................ 45

Editorial

Cartas

Bastidores

Coluna Ivan Tomaselli

Notas

Alta e Baixa

Biomassa

Frases

Entrevista

Principal

Transporte

Projeto

Pragas

Especial

Artigo

Agenda

Espaço Aberto

08

10

12

14

16

20

22

24

26

32

38

42

48

54

64

72

74

Liebherr Brasil ............................................................. 11

Mill Indústrias .............................................................. 47

Mill Indústrias .............................................................. 59

Multidocker ................................................................. 23

Ponsse ............................................................................. 09

Potenza ........................................................................... 67

Rotary - Ax ...................................................................... 57

Rotobec .......................................................................... 15

TMO ................................................................................. 75

Raptor Florestal .......................................................... 25

Ventura Máquinas .................................................... 69

West Rock ...................................................................... 21

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EDITORIAL

Ano XIX - Edição n.º 190 - Outubro 2017

Year XIX - Edition n.º 190 - October 2017

Quanto mais conhecimento,

menos custo e mais controle

A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product

www.referenciaflorestal.com.br

Ano XIX • N°190Outubro 2017

ESTRADA DAS

ARAUCÁRIAS

Projeto planta nativas no PR42

LIGNUM 2017

Cresce presença

de florestais

Performance na

medida certa

Máquina florestal para limpeza

de área alia economia e

produtividade

54 ENTREVISTA

Presidente da Smef,

Gabriel Moreira Junqueira

Performance in

the right measure

Forest machine for clearing an

area combines economy and productivity

O veículo para trituração de

resíduos e rebaixamento de

tocos da Awassos, empresa

pertencente à canadense Denis

Cimaf, é o destaque da capa

desta edição.

NEM MAIS, NEM MENOS

A mecanização florestal passou por diversas fases ao longo dos anos no Brasil.

No início, a ideia era colocar as máquinas para funcionar, a intenção era substituir

o trabalho manual nas áreas onde era possível. Com a experiência adquirida neste

processo, percebeu-se que o dimensionamento do equipamento era essencial. Não

adianta simplesmente inserir um maquinário no campo que não tenha a capacidade

ajustada para a aplicação, ou seja, fraco demais ou potência muito acima do necessário,

que gere custos. A reportagem de capa trata do tema utilizando como pano de

fundo o lançamento da Awassos, fabricante canadense que pertence a Denis Cimaf.

A empresa acaba de disponibilizar ao mercado uma máquina florestal para trituração

de resíduos, mais eficiente que os tratores agrícolas e, por outro lado, com

menor custo de aquisição e operacional do que máquinas de grande porte. Tenha

uma ótima leitura!

EXPEDIENTE

JOTA COMUNICAÇÃO

Diretor Comercial / Commercial Director

Fábio Alexandre Machado

fabiomachado@revistareferencia.com.br

Diretor Executivo / Executive Director

Pedro Bartoski Jr

bartoski@revistareferencia.com.br

Diretora de Negócios / Business Director

Joseane Knop

joseane@jotacomunicacao.com.br

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Redação / Writing

Rafael Macedo - Editor

editor@revistareferencia.com.br

jornalismo@revistareferencia.com.br

Colunista

Ivan Tomaselli

Depto. de Criação / Graphic Design

Fabiana Tokarski - Supervisão

Fabiano Mendes

Fernanda Maier

criacao@revistareferencia.com.br

Tradução / Translation

John Wood Moore

Cartunista / Cartunist

Francis Ortolan

Colaboradores / Colaborators

Fotógrafo: Mauricio de Paula

Depto. Comercial / Sales Departament

Gerson Penkal

comercial@revistareferencia.com.br

fone: +55 (41) 3333-1023

Depto. de Assinaturas / Subscription

assinatura@revistareferencia.com.br

NEITHER MORE, NOR LESS

Forest mechanization has gone through various phases over the years in Brazil. At first, the

idea was to put the machines to work, where the intention was to replace manual work in the

areas where it was possible. With the experience gained in this process, it was noticed that determining

equipment size was essential. It’s no use simply inserting machinery in the field that

does not have the ability to adjust to its use, i.e., too little power or too much power, more than

needed, which generates added costs. The cover story is about this topic, using as a backdrop

the equipment launch by Awassos, a Canadian manufacturer which is associated with Denis

Cimaf. The Company just made a forestry machine for the mulching of waste available to the

market, which is more efficient than using an agricultural tractor and has a lower acquisition

and operating cost than for large-sized machines. Pleasant reading!

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ASSINATURAS

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GARANTIDA GARANTEED

Veículo filiado a:

A Revista REFERÊNCIA - é uma publicação mensal e independente,

dirigida aos produtores e consumidores de bens e serviços em madeira,

instituições de pesquisa, estudantes universitários, orgãos governamentais,

ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento de base florestal. A Revista REFERÊNCIA do Setor

Industrial Madeireiro não se responsabiliza por conceitos emitidos em

matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes materiais

de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação,

armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos

textos, fotos e outras criações intelectuais da Revista REFERÊNCIA são

terminantemente proibidos sem autorização escrita dos titulares dos

direitos autorais, exceto para fins didáticos.

Revista REFERÊNCIA is a monthly and independent publication

directed at the producers and consumers of the good and services of the

lumberz industry, research institutions, university students, governmental

agencies, NGO’s, class and other entities directly and/or indirectly linked

to the forest based segment. Revista REFERÊNCIA does not hold itself

responsible for the concepts contained in the material, articles or columns

signed by others. These are the exclusive responsibility of the authors,

themselves. The use, reproduction, appropriation and databank storage

under any form or means of the texts, photographs and other intellectual

property in each publication of Revista REFERÊNCIA is expressly prohibited

without the written authorization of the holders of the authorial rights.


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encostas de até 40º graus, tornando a colheita mecanizada possível

onde anteriormente era muito difícil, até mesmo inviável. A agilidade e

simplicidade do uso das máquinas Ponsse e a estabilidade proporcionada

pelas oito rodas aumentam o rendimento e a produtividade no momento da

colheita. O centro de gravidade do harverster PONSSE Ergo 8w permanece

inalterado quando o alcance da grua precisa ser maior, aumentando o

conforto durante a operação, e sem a necessidade de comprometer toda

a potência da máquina.

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Ano XIX • N°189 • Setembro 2017

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POR DENTRO

DA NORMA

As novidades da NR-1252 ENTREVISTA

Winyu Chinthammit, da

Universidade da Tasmânia

Olho do dono

Sistema com dados em tempo real

viabiliza novo modelo de gerenciar

operações florestais

SUGESTÃO

Capa da Edição 189 da

Revista REFERÊNCIA FLORESTAL,

mês de setembro de 2017

REALIDADE

VIRTUAL

Por Jonathan Cardoso

Silva - Três Lagoas (MS)

Gostei da entrevista

com o professor da

Nova Zelândia, Winyu

Chinthammit, sobre o uso

de realidade virtual para o inventário florestal. Parabéns!

Foto: divulgação

Por Marcos da Costa - Rio Negro (SC)

SUCESSO

Minha sugestão são matérias sobre mecanização

florestal. A cada ano as máquinas melhoram, por isso é

importante estar atualizado.

Por Renato Cardoso e Lima - Belém (PA)

Parabéns a toda equipe da Revista REFERÊNCIA

FLORESTAL pela qualidade visual e pelas informações para

nosso setor.

Foto: REFERÊNCIA

Foto: REFERÊNCIA

NR-12

Por Silvia Bittencourt - Curitiba (PR)

Muito importante estar atento para as regras da NR-12.

Gostei da matéria da edição de setembro. Algumas delas

eu nem sabia que existiam.

SAÚDE FLORESTAL

Por Benedito Alves - Lages (SC)

Estou acompanhado todas as reportagens sobre pragas

florestais. É um assunto que me interessa bastante,

continuem abordando o tema.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Leitor, participe de nossas pesquisas online respondendo os e-mails enviados por nossa equipe de jornalismo.

As melhores respostas serão publicadas em CARTAS. Sua opinião é fundamental para a Revista REFERÊNCIA FLORESTAL.

E-mails, críticas e

sugestões podem ser

enviados para redação

revistareferencia@revistareferencia.com.br

Mande sua opinião sobre a Revista do

Setor Florestal ou a respeito de reportagem

produzida pelo veículo.

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BASTIDORES

CHARGE

Charge: Francis Ortolan

REVISTA

CONHECIMENTO E

NEGÓCIOS

O mês de setembro foi

recheado de eventos. A

REFERÊNCIA FLORESTAL

esteve presente em todos

para divulgar o que foi

mostrado, debatido e

apresentado ao setor.

No destaque, o encontro

promovido pela FMC

Agricultural Solutions sobre

pragas florestais e o Mecfor,

evento sobre mecanização

florestal, realizado em

Curitiba (PR).

Foto: divulgação

Rafael Macedo, editor da

REFERÊNCIA FLORESTAL, Fábio

Marques, Gestor de Contas &

Desenvolvimento Florestal da

FMC e Joseane Knop, diretora

de negócios do GRUPO JOTA

Professores Renato

Cesar Robert, da Ufpr

(Universidade Federal

do Paraná) e Eduardo da

Silva Lopes, da Unicentro

(Universidade Estadual do

Centro-Oeste)

Foto: REFERÊNCIA

12

www.referenciaflorestal.com.br


COLUNA

Foto: divulgação

Ivan Tomaselli

Diretor-presidente da Stcp

Engenharia de Projetos Ltda

Contato: itomaselli@stcp.com.br

ESTAMOS EM RECUPERAÇÃO?

Mesmo com crise política, o país parece retomar o prumo econômico

A

mais profunda crise enfrentada pelo Brasil está

sendo superada. É no que apostamos. Por praticamente

três anos, a economia brasileira encolheu:

os investimentos desapareceram, a inflação aumentou, os

juros subiram, o desemprego cresceu e a renda caiu. Tudo isto

associado basicamente a causas internas, incluindo falhas na

condução da política econômica, corrupção, crises políticas,

e gastos públicos desenfreados que levaram a um grande

desequilíbrio fiscal.

A redução na atividade econômica e, especialmente, uma

paralisação da construção civil, teve um forte impacto no setor

florestal brasileiro. A indústria de produtos de madeira sólida,

que a partir do início da década passada se concentrou no

mercado interno, viu a demanda diminuir. A alternativa para

muitos foi retomar as exportações. O cenário mundial, juntamente

com os indícios de recuperação da economia nacional,

leva a considerar uma nova perspectiva.

A economia global deverá ter um novo período de crescimento

com baixas taxas de inflação. Com isto, são esperados

juros baixos, aumentos na demanda e alta na liquidez. Com

resultado, o comércio mundial e os investimentos deverão

crescer, o que deverá favorecer os países emergentes.

No Brasil, como resultado das medidas recentemente

adotadas pelo governo existem indícios de que se inicia um

processo de recuperação econômica, embora ainda haja um

cenário de crise política. O processo deverá ser lento, com um

crescimento em torno de 1% este ano, e de 2 a 3% em 2018.

Os resultados dos últimos dois trimestres indicam, segundo

previsão de vários economistas:

• Uma estabilidade cambial, nos patamares atuais, para

os próximos dois anos;

• Tendência de equilíbrio nas contas externas em função

principalmente do aumento nas exportações;

• Inflação variando entre 3 e 4% nos próximos dois anos;

• Taxa de juros básica (Selic) para os próximos dois anos

entre 6 e 7%;

• Queda na taxa de desemprego e aumento na renda;

• Crescimento dos investimentos diretos nacionais e

estrangeiros.

Estes e outros indicadores são positivos, e deverão levar

o Brasil a um novo período de estabilidade e crescimento.

No entanto tanto a crise fiscal como a política ainda devem

ser resolvidas e deverão afetar a velocidade da recuperação.

Deve ser lembrado que nos últimos 20 anos, ou mais,

os gastos públicos cresceram acima da inflação. Isto levou,

inicialmente, a um crescimento da carga tributária e, finalmente,

a uma crise fiscal. As novas regras de limitação dos

gastos públicos são um alento para o equilíbrio fiscal, mas

não são suficientes.

O Brasil tem um orçamento público engessado, com uma

grande percentagem comprometida com despesas obrigatórias.

O principal problema está nos gastos com a previdência,

que necessita passar por uma reforma profunda. A aposentadoria

no Brasil ocorre aos 55 anos enquanto a média mundial

é de 64 anos. No Japão, onde 30% da população tem idade

superior a 65 anos, o dispêndio com a previdência tem a mesma

participação no PIB que no Brasil, onde 15% da população

está acima de 65 anos.

De qualquer forma a aposta é que as reformas deverão

continuar e que o Brasil vai se recuperar. A velocidade da

recuperação é que poderá variar. É, no entanto, importante

lembrar que a recuperação da economia nacional não deverá

ser um motivo para abandonar o mercado internacional,

como fez parte do setor florestal no passado. Manter um

pé no mercado internacional é um fator importante para a

sustentabilidade do negócio.

A aposta é que as reformas deverão continuar e que o

Brasil vai se recuperar

14

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NOTAS

BANCO QUER

FINANCIAR

AMAZÔNIA

Foto: arquivo

O presidente do Banco Santander no Brasil,

Sergio Rial, declarou que o país deve começar a

buscar fontes de financiamento que não sejam

públicas para preservar a floresta amazônica. O

executivo afirmou que é necessário repensar os

modelos de supervisão da Amazônia e assegurou

que por mais que o Ibama amplie as suas

tarefas de vigilância na Amazônia, sempre será

insuficiente. Ele pediu ajuda para “transformar

o Brasil não só em uma potência de energia

sustentável e renovável, mas em uma verdadeira potência de práticas ambientais e seriedade educacional ambiental,

desde as periferias do Rio de Janeiro e São Paulo até a própria Amazônia.”

SILVICULTURA

SEGURA QUEDA

A pesquisa Pevs (Produção da Extração Vegetal e

da Silvicultura) 2016, divulgada no dia 28 de setembro

pelo Ibge (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),

mostra que, no extrativismo, a produção do carvão

vegetal caiu 31,7%, a da lenha, 7,4%, e a da madeira

em tora, 7%. Segundo o Ibge, a maior fiscalização e a

redução da mão de obra disponível para as atividades

explicam a queda. O valor de produção da extração

vegetal nacional totalizou R$ 4,4 bilhões. Os produtos

madeireiros da silvicultura equilibraram o valor deste

indicador na produção primária florestal brasileira,

que alcançou R$ 18,5 bilhões, em 2016, com aumento

de 0,8% ante o resultado de 2015.

Foto: divulgação

16

www.referenciaflorestal.com.br


USINA DE

ETANOL

USARÁ

EUCALIPTO

Foto: divulgação

A primeira usina de etanol de milho

do país já começou a operar em Lucas

do Rio Verde (MT). Com investimento

de R$ 450 milhões, a FS Bioenergia representa

um marco na história do agronégocio

brasileiro. Serão 200 milhões

de L (litros) de etanol por ano que vai

demandar 600 mil t (toneladas) de milho por safra e, aproximadamente, 12 a 15 mil ha (hectares) de eucalipto para

suprir a demanda por biomassa apenas dessa unidade. A proposta é que os produtores de grãos da região aproveitem

áreas menos produtivas para soja e milho para produzir madeira. De acordo com dados da recém criada Unem (União

Nacional do Etanol de Milho), a previsão é que os projetos em andamento no Brasil demandem, ao todo, de 300 a 400

mil ha de florestas plantadas de eucalipto para geração de vapor.

DIA DE CAMPO

A Abaf (Associação Baiana das Empresas de

Base Florestal) e o Sindicato Rural de Itamaraju

realizaram uma visita à Suzano Papel e Celulose

de Mucuri, na Bahia. A comitiva, composta pelo

prefeito do município, Marcelo Angenica, vereadores,

secretários municipais, produtores rurais

e formadores de opinião, foi convidada pela

empresa para conhecer a cadeia produtiva de

produção de papel e celulose, desde a produção

de mudas em seu viveiro até a unidade fabril

com o objetivo de conhecerem um pouco mais sobre a operação. A visita correspondeu à segunda etapa de um trabalho

iniciado pelo Sindicato Rural de Itamaraju e Abaf que visa levar mais informações sobre a silvicultura à população da cidade.

Foto: divulgação

Outubro de 2017 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

17


NOTAS

FLORESTAL

TECH

Imagem: reprodução

O Cipem (Centro das Indústrias

Produtoras e Exportadoras de Madeira

do Estado de Mato Grosso) realiza

entre os dias 18 a 20 de outubro o 1º

Florestal Tech. O evento vai reunir

representantes do setor florestal de

Mato Grosso e delegações de várias

partes do país e do mundo para

discutir o cenário econômico, as tendências,

oportunidades e novas tecnologias

do setor. O evento contará

ainda com rodadas de negócios entre

empresas e compradores visando o mercado interno e externo. Um dos temas principais dos debates será o uso da madeira

na construção civil, nicho defendido pelo Cipem como o futuro do setor florestal no Estado, já que é crescente a demanda do

mercado por tecnologias ambientalmente sustentáveis. Nesse sentido, serão realizados painéis e mesas redondas sobre as

tecnologias Woodframe e Madeira Laminada Colada, processos construtivos baseados na madeira que têm ganhado espaço

no mercado internacional e já começa a ser implantado no Brasil.

SEM MEDO

DO FRIO

Na fazenda Canguiri da Universidade Federal do

Paraná, em Pinhais (PR) está sendo desenvolvida

uma pesquisa para o cultivo de espécies tolerantes

ao frio. Entre elas está a Cryptomeria japônica. Trazida

da Ásia, a criptoméria se adaptou ao clima do

Sul do país, onde pode alcançar até 50 m (metros) de

altura, rendendo madeira de ótimo aproveitamento

na produção de móveis. Além dela, os pesquisadores

da Emater Paraná (Empresa de Assistência Técnica e

Extensão Rural), Ufpr (Universidade Federal do Paraná)

e Embrapa Florestas estudam: Cunninghamia

lanceolata, Eucaliptus uroglobulus e Araucaria angustifolia.

Foto: divulgação

18

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ALTA E BAIXA

BIODIVERSIDADE DA INDÚSTRIA

Levantamento inédito realizado pela Ibá (Indústria Brasileira de Árvores) junto às empresas associadas demonstraram

que, apesar de ocupar menos de 1% do território brasileiro, aproximadamente 51% das aves

e 33% dos mamíferos registrados no Brasil podem ser encontradas nos espaços conservados por empresas

do setor. Este resultado é fruto da atuação das indústrias de árvores plantadas nestes últimos

50 anos, por meio de iniciativas que demonstram e valorizam o papel do setor corporativo na

conservação dos recursos naturais.

ALTA

OBJETIVO ATINGIDO

Em menos de uma década, os produtores de floresta plantada de Mato Grosso do Sul alcançaram o objetivo

previsto apenas para 2030. Foram mais de 620 mil ha (hectares) plantados no Estado em sete anos.

O setor registrou crescimento da produção em 2017 e bateu a marca de 1,15 milhão de ha de florestas

plantadas. O Estado ainda tem capacidade de expansão de sete milhões de hectares.

DESAPEGO PELA MADEIRA

O Brasil é um país com vocação florestal, possui grandes áreas plantadas e uma das maiores reservas nativas

do planeta. Mas mesmo com esse destaque no cenário mundial, o consumo per capita de madeira

ainda é muito baixo comparado a outros países. De acordo com o arquiteto Ricardo Dias, professor da

UEM (Universidade Estadual de Maringá), em países europeus como Estônia, Letônia, Finlândia e Áustria,

o consumo per capita é de 1,27 m³ (metros cúbicos) por habitante por ano. No Brasil, o número é de 0,108

m³.

BAIXA

SETEMBRO VERMELHO

O mês de setembro foi o recordista em focos de incêndio de toda a série histórica do

Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), iniciada em 1999. Foram 95 mil ao todo.

A explosão de focos de incêndio nos últimos três meses faz de 2017 o 2º ano com o maior

número de queimadas da história se for considerado o período de janeiro a setembro (185 mil).

Porém, ainda teremos mais três meses para fechar essa conta. Dois fatores explicam a alta no dado:

a estiagem prolongada em boa parte dos Estados e a ausência de fiscalização para evitar queimadas.

20

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Foto: REFERÊNCIA

P

ara aproveitar a Semana Internacional da Madeira, que aconteceu em Curitiba (PR) entre os dias 18 e 22 de setembro,

a Câmara Setorial de Florestas Plantadas, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento realizou

a XXXVI reunião na capital paranaense.

O presidente da Câmara Setorial de Florestas Plantadas, Walter Rezende, destacou no momento em que assumiu o

cargo, o grupo tinha uma agenda com 30 itens, mas resolveu reduzir a lista a apenas cinco. Segundo ele, graças à colaboração

de todos os componentes da equipe, a Câmara está conseguindo concluir conquistas importantes nesse setor.

“O Paraná é um Estado que tem uma representatividade muito grande no setor florestal. No contexto nacional, temos

sete milhões e 700 mil ha (hectares) de florestas plantadas. As florestas começaram pelo sul e foram se expandindo para

outros Estados, mas o Paraná é pioneiro. Entretanto, temos um excedente de florestas plantadas em todo o país de um milhão

e 700 mil ha. Nosso papel é arrumar alternativas que atendam aos interesses de cada Estado, que tem suas próprias

características. A Câmara busca trazer soluções para resolver as questões florestais”, comentou.

O dirigente descreveu as ações mais relevantes da Câmara. “A primeira questão foi a geração de energia a partir

da biomassa florestal. Um trabalho incansável que o grupo de trabalho e os componentes da câmara fizeram junto ao

Ministério de Minas e Energia. Essa conquista já está consolidada, já foi inclusa no Plano Nacional de Desenvolvimento

Energético e já teremos leilão nos dias 18 e 20 de dezembro a respeito do A-4 e A-5

da geração de energia a partir da biomassa florestal.”

Rezende destacou também o Plano Nacional de Florestas Plantadas, que foi

apresentado pelo chefe-geral da Embrapa Florestas, Edson Tadeu Iede, durante

a reunião em Curitiba. Outro assunto que está sendo trabalhado pela Câmara é a

aquisição de terras por estrangeiros. “Acredito que estamos atuando de maneira

eficaz e conseguindo cumprir com nosso papel de representar bem o setor florestal”,

avaliou.

PRESIDENTE DA CÂMARA SETORIAL DE FLORESTAS

PLANTADAS, WALTER REZENDE

Foto: divulgação

22

www.referenciaflorestal.com.br


CONFIABILIDADE

24 7 365

Apresentando uma nova gama de máquinas

de pneus entre 45 a 90 toneladas, trazendo

desempenho sem precedentes ao manuseio

de madeira no Brasil!

CH600 // CH800 // CH900

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FRASES

Superar esse

prejulgamento é

uma luta diária que

também enfrento

desde que assumi

a gestão da Sema

(Secretaria de

Meio Ambiente), já

que sou agricultor

de origem. Os

empresários da base

florestal que atuam

de forma correta

merecem todo o

respeito e dignidade

pelo trabalho que

realizam

Vice-governador de Mato Grosso,

Carlos Fávaro, ao admitir que apesar

da importância do setor florestal

para o Estado, a atividade ainda

sofre muito preconceito

A participação do Bndes no segmento de

florestas plantadas tem sido de quase 80%, isso

mostra nossa preocupação com as atividades

silviculturais

Garantiu o gerente do Departamento do Meio Ambiente do Bndes (Banco de

Desenvolvimento Econômico e Social), Marcelo Macedo da Costa

A Engenharia Florestal é uma das mais belas,

importantes e necessárias profissões do planeta,

principalmente aqui neste nosso país com nome

de árvore. Mas que, ao longo dos tempos, ela foi

relegada pelos tomadores de decisão e até mesmo

pelos próprios profissionais

Glauber Pinheiro, presidente da Sbef (Sociedade Brasileira dos

Engenheiros Florestais)

Após quase seis anos de dedicação ao projeto de

construção e desenvolvimento da empresa, sinto

que chegou o momento de minha saída da liderança

desta companhia como diretor presidente

José Carlos Grubisich ao comunicar a renúncia aos cargos de diretor presidente e

diretor de relações com investidores da Eldorado do Brasil

Houve uma expansão surpreendente e muito

acima das expectativas

Foto: divulgação

Coordenador do Plano ABC no Ministério da Agricultura, Agropecuária e

Abastecimento, Elvison Ramos, comemora o incremento de 1.318% no

bimestre julho-agosto nos contratos de concessão de crédito para tecnologias

de baixo carbono

24

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Os melhores implementos

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cuanto su utilización es la forma más eficaz de disminuir la tara

en un equipo y en consecuencia aumentar la rentabilidad de la

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avanço na busca por maior eficiência no transporte florestal, já

que a sua utilização é a forma mais eficaz de diminuir a tara de

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ENTREVISTA

Foto: divulgação

DATA E LOCAL DE NASCIMENTO

25 de novembro de 1977/ Rubim (MG)

November 25, 1977, Rubim (MG)

Gabriel Moreira Junqueira

FORMAÇÃO/ ACTIVITY:

Engenharia Florestal pela Ufrural-RJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro)

Forestry Engineering, Rural Federal University of Rio de Janeiro (UFRuralRJ)

Sou engenheiro florestal

I am a forestry engineer

M

ais informação. É o que falta, segundo o presidente da

Smef (Sociedade Mineira de Engenheiros Florestais),

Gabriel Moreira Junqueira, sobre a atuação do profissional

florestal e dos benefícios que o plantio de árvores traz para

o meio ambiente, comunidade envolvida e geração de renda. Em

entrevista exclusiva, Gabriel aponta caminhos que precisam ser

trilhados para que o engenheiro florestal alcance mais prestígio,

visibilidade e seja reconhecido. Também trata da situação atual

da atividade em Minas Gerais que passa por um processo de

recuperação, depois de constantes quedas na produção.

M

ore information. This is what Gabriel Moreira Junqueira,

President of the Society of Forestry Engineers (Smef),

thinks about the role of the forestry professional and the

benefits that planting trees brings to the environment, the community

involved and income. In an exclusive interview, Forestry

Engineer Gabriel points out what needs to be done for the forestry

professional to receive more prestige, visibility and recognition.

Also he covers the current state of the activity in the State of Minas

Gerais, which is going through a recovery process, after constant

falls in production.

26

www.referenciaflorestal.com.br


Qual é o grande desafio para o engenheiro florestal atualmente?

Qual o principal papel do profissional nos dias de hoje?

O maior desafio é ser mais conhecido e reconhecido. Explico

melhor tal referência: hoje em dia o profissional florestal é

pouco conhecido pelo público em geral, assim são menos

demandados para exercer plenamente as diversas atribuições

profissionais. É necessário darmos mais foco e iluminar nossa

profissão com os devidos holofotes. Desta maneira, prefeituras,

órgãos estaduais e federais demandam menos desses

profissionais. Somos parte de uma cadeia que permeia desde

a educação, economia até a gestão deste país. Sendo de suma

importância para alavancar o Brasil com a produção do setor

em sua totalidade e, a manutenção do meio ambiente para

as futuras gerações. E, para as demandas de nossa sociedade

atual, o maior desafio do engenheiro florestal é conciliar a

produção com a conservação.

Como avalia o desempenho do setor florestal de Minas Gerais

nos últimos anos?

Com a crise mundial, houve queda. Mas isso em todos os

setores. Todavia, algumas demandas foram ampliadas, o que

é o caso do setor de celulose e papel. O desempenho do setor

florestal em Minas Gerais pode ser avaliado sob dois aspectos

principais, quais sejam: a área de florestas plantadas anualmente

e o consumo de carvão vegetal pelas siderúrgicas e

ferroligas. Segundo os dados da AMS (Associação Mineira de

Silvicultura), depois de um crescimento constante até 2008,

quando foram plantadas 199 mil ha (hectares), a área plantada

anualmente reduziu-se a menos da metade em 2013. Em

2014, houve discreto aumento dos plantios que chegaram a

120 mil ha e, embora não haja dados oficiais dos dois últimos

anos, não é provável que os plantios totais tenham superado

os 50 mil ha.

Outro indicativo do baixo desempenho do setor florestal em

Minas é o consumo de carvão vegetal no estado. No ano de

2005, foram consumidos aqui mais de 25 milhões de m³ (metros

cúbicos) de carvão. Em 2015, o consumo total foi pouco

além de 15 milhões. Mas ainda mantém um parque florestal

amplo. Mas ainda tem muito a crescer. Assim, falta incentivo

dos governos estaduais e municipais para a alocação de empresas

e de empreendedores ávidos a movimentar o setor.

No que se refere à legislação ambiental, Minas Gerais vem

trabalhando na renovação de suas legislações as trazendo

mais próximas à realidade dos dias atuais, como é o caso da

Lei 21.972/2016 (que, dentre outros assuntos prevê: A municipalização

e a reformulação do modelo de licenciamento

ambiental) e da reformulação da DN (Deliberação Normativa)

nº 74, de 2004, do Conselho Estadual de Política Ambiental

(ainda em andamento). E a Smef participa ativamente de tais

discussões dentro do Estado e se prontifica sempre em estar

aberta a contribuir.

Today, what is the greatest challenge for the forestry engineer?

What is the main role of the professional these days?

The biggest challenge is to become better known and recognized.

I’ll explain better: nowadays the Forest Professional is

little known by the general public, and, as such, there is less

demand to exercise his various professional attributes. It is

necessary to give more focus to and illuminate our profession,

putting it more in the spotlight. As such, Municipal, State

and Federal agencies demand less from these professionals.

We are part of a chain that permeates from education to the

economy and management of this Country. Being of the utmost

importance to leveraging Brazil with Sector production

from all sources and conserving the environment for future

generations. Thus, as to the demands from our society today,

the greatest challenge for the Forestry Professional becomes

reconciling production with conservation.

How do you see the performance of the Forestry Sector in

the State of Minas Gerais over recent years?

Generally speaking, as a result of the global crisis, there was

a fall in production. But not in all Sectors. In some sectors

there was expansion, which is the case in the Pulp and Paper

Sector. The performance of the Forestry Sector in the State

of Minas Gerais may be evaluated under two main aspects,

namely: the forest area planted annually and the charcoal

consumption by the steel and iron-alloys industry. According

to data from the State of Minas Gerais Association of Forestry

(AMS), after a steady growth to 2008, when 199 thousand ha

were planted, the area planted annually was reduced to less

than half in 2013. In 2014, there was a discreet increase in

plantings, reaching 120 thousand ha and, although there is

no official data available for the last two years, it is not likely

that the total newly planted areas surpassed 50 thousand ha.

Another indicative of the poor performance of the Forestry

Sector in the State of Minas is the charcoal consumption in

the State. In 2005, more than 25 million m³ of charcoal were

consumed. In 2015, the total consumption was little more

than 15 million. But the segment still retains a large forest

area. But it can still grow much further. Thus, there is a lack

of State and local government incentives allocated to companies

and entrepreneurs eager to move into the segment.

With regard to environmental legislation, the State of Minas

Gerais has been working on the renovation of its legislation,

bringing it into line with the reality of the present day, as in

the case of Law 21.972/2016 (which, amongst other things

provides for: the municipalization and the reformulation of

the environmental licensing model) and the reformulation of

Normative Deliberation (DN) No. 74, 2004, of the State Environmental

Policy Council (still in progress). And Smef actively

participates in such discussions within the State and commits

itself to be always open to contribute.

Outubro de 2017 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

27


ENTREVISTA

Acredita que exista muita dependência do segmento da

metalurgia? Como as quedas desta indústria afetam o segmento

florestal e, por consequência, as oportunidades para

os profissionais da área?

Não sei se a palavra dependência se aplica adequadamente ao

caso. Prefiro dizer que é muito significativo o consumo de madeira/carvão

pela metalurgia – aqui incluídas as siderúrgicas e

as ferroligas. Importante também destacar os grandes volumes

consumidos pela indústria de celulose, chapas de aglomerados

e artefatos de madeira, respectivamente, quatro milhões, 832

mil e 143 mil m³ em 2015. E também o uso da madeira para

energia sob a forma de lenha e cavacos que chegou a 3,3

milhões nesse mesmo ano. Mas sim, em Minas Gerais o setor

de siderurgia com a produção de ferro verde (pois usa na sua

produção o carvão vegetal), o gusa, havia demanda maior

dos setores de produção de mudas, de plantio, de condução,

de colheita e de produção de carvão vegetal. A produção

atual de ferro gusa em Minas Gerais está em torno de 60% da

capacidade instalada e equivale a cerca de 50% da produção

nacional, segundo o Sindifer (Sindicato da Indústria do Ferro

no Estado de Minas Gerais) e com essa queda, afetou toda a

cadeia produtiva. Há também o polo moveleiro. Há produção

de óleo essencial. Produção de madeira para energia e para

movelaria rústica. E uma infinidade de serviços florestais e ambientais,

em Minas há por volta de 730 mil propriedades rurais.

Mas precisamos de melhorias da ordem política e econômica.

Acredita que existam caminhos alternativos para a atividade

ampliar a competitividade?

Sim. Veja bem, o setor florestal não é somente floresta. Há

muito mais e essa cadeia produtiva é muito grande. Permeia

desde a pesquisa acadêmica e empresarial, passa pela produção,

navega pelo setor de vendas e prestação de serviços,

culminando nos resultados finais apresentados à sociedade;

assim, pode-se melhorar a competitividade em cada uma

dessas áreas, melhorando formas de apresentação e valores

(sejam eles quais forem: sociais, de processos de implementação/realização

a financeiros), para se chegar ao fim almejado.

Um dos grandes desafios do mundo atual é o combate ao

aquecimento global e o caminho mais curto para esse combate

é a redução dos gases do efeito estufa, sendo o CO2 (Gás

Carbônico) o principal deles. Nesse contexto, a madeira representa

uma grande alternativa de energia limpa e renovável.

Do you believe that there is too much dependence on the

metallurgy segment? As production reductions in this Sector

affect the forest segment and, consequently, the opportunities

for professionals in the area?

I don’t know if the word dependence applies to the case. I

would rather say that the wood/charcoal consumption by

metallurgy is very significant – here I include steelmakers and

iron-alloy producers. Also, it is important to note the large

amounts consumed by the pulp industry, and the particle

board manufacturing and wood artifact segments: 4 million

m³, 832 thousand m³ and 143 thousand m³ in 2015, respectively.

And also the use of wood for energy in the form of

firewood and chips that reached 3.3 million m³ in the same

year. But yes, in the State of Minas Gerais the steel industry

with the production of pig iron, rather "green iron" (because

it uses its own charcoal production), there was a greater demand

in seedling production, forest plantings, harvesting and

management segments, and charcoal production. Current

pig iron production in the State of Minas Gerais is operating

at around 60% of installed capacity and equals about 50% of

total domestic production, according to the State of Minas

Gerais Steel Producer Industry Syndicate (Sindifer) and this

situation has affected the entire production chain. There is

also the furniture producing centers. And essential oil production.

And wood for energy production. And rustic furniture

making. And a plethora of forest and environmental services

in the State of Minas Gerais for about the 730 thousand rural

properties. But we need political and economic improvements.

Do you believe that there are alternative ways to increase

activity competitiveness?

Yes. You see, the Forestry Sector includes not just the forest.

There’s a lot more and this chain is very large. It permeates

from academic and industrial research to production, and

navigates through the sales and service sector, culminating

in the final results presented to society; so, you can improve

the competitiveness in each of these areas, improving ways

of presentation and values (be they: from social to financial

achievement/implementation processes) to reach the desired

end.

One of the greatest challenges for the world today is the

fight against global warming and the shortest path to win

"Floresta plantada não seca solo, não causa malefício e não

acaba com a biodiversidade, se bem planejada e conduzida por

profissionais habilitados, os Engenheiros Florestais"

28

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O setor florestal não é somente floresta. Há muito mais

e essa cadeia produtiva é muito grande

Todos os vegetais em processo de crescimento retiram CO2 da

atmosfera pela fotossíntese. Pela sua grande superfície foliar,

as árvores fazem isso com particular eficiência. Contudo, não

se vê nenhuma proposta realmente incentivadora ao uso da

biomassa. Pelo contrário, o excesso de controle sobre as florestas

plantadas tem forçado os consumidores a substituírem

a madeira pelo gás natural. Em 2008, um produtor rural podia

vender um estéreo de madeira em pé por R$ 30 e hoje ele

não consegue mais do que R$ 20 pelo mesmo estéreo em pé.

Comparando melhor, em 2008, esse produtor rural obtinha

um salário mínimo de R$ 415 com a venda de 14 estéreos de

madeira. Em 2017, ele precisa vender 47 estéreos para obter

o salário mínimo de R$ 937.

Poderíamos ampliar estes conhecimentos para outras espécies?

Por quê somente o eucalipto se desenvolveu tanto?

Primeiro devemos nos ater ao fator genético. Pois, tais avanços

científicos tendem a ser mais lentos devido à complexidade

genética das espécies florestais. Mas claro, ainda há muitas

possibilidades no campo da genética e devemos cada vez

mais incentivar nossas escolas florestais e nossas Empresas

a continuarem os projetos de desenvolvimento de pesquisas.

A grande opção pelos eucaliptos resultou de suas inúmeras

virtudes naturais com destaque para: crescimento rápido, baixa

susceptibilidade a doenças, boa densidade da madeira e boa

adaptabilidade aos mais variados sites, inclusive aqueles de

solos pobres e regiões de baixa pluviosidade.

Em termos industriais, podemos afirmar que a celulose de

fibra curta é uma invenção brasileira. Clones híbridos de eucaliptos

podem apresentar um incremento anual de 35 m³ por

hectare e uma rotação de 7 anos. Com esses rendimentos, o

Brasil apresenta-se imbatível nesse setor e já é o quarto maior

produtor de celulose do mundo com cerca de 18 milhões de

toneladas por ano.

Temos também bons conhecimentos e rendimentos com coníferas

exóticas, sobretudo do gênero pinus. E temos ainda uma

conífera brasileira (pinheiro do paraná (Araucaria angustifolia)

cuja madeira de alta qualidade tem um bom valor de mercado.

Lamentavelmente, a legislação restritiva imposta à espécie

funciona como forte inibidora de seu plantio em larga escala.

Muitas outras essências florestais estão também sendo trabalhadas

com o melhoramento genético tanto para o segmento

this fight is the reduction of greenhouse gases, the main one

being CO2. In this context, wood represents a good alternative

for clean and renewable energy. All vegetable materials

in their growth processes remove CO2 from the atmosphere

through photosynthesis. By its large leaf surface, trees do

this with particular efficiency. However, I see no really supportive

proposal for the use of the biomass. On the contrary,

excessive control over planted forests has forced consumers

to replace wood by natural gas. In 2008, a farmer could sell

standing timber for R$ 30 per stere and, today, he can’t get

more than R$ 20 per stere for the same standing timber. A

better comparison, in 2008, this rural producer received the

equivalent of a minimum wage of R$ 415 selling 14 steres of

standing timber. In 2017, he needs to sell 47 steres to receive

the minimum wage of R$ 937. (One stereo standing timber is

the equivalent of one cubic meter)

Can we extend our knowledge to other species? Why has

only the eucalyptus species been developed so much?

First, we should stick to the genetic factor. Yes, such scientific

advances tend to be slower due to the genetic complexity of

forest species. But of course, there are still many possibilities

in the field of genetics and these should increasingly encourage

our educational and industrial institutions to continue

the development of research projects. The choice for eucalyptus

resulted from its numerous natural virtues with emphasis

on: rapid growth, low susceptibility to diseases, good wood

density, and good adaptability to various "sites", including

those with poorer soils and low regional rainfall.

In industrial terms, we can say that short-fiber pulp is a Brazilian

invention. Eucalyptus hybrid clones can have an annual 35

m³ increment per hectare with a 7 year rotation cycle. With

such a yield, Brazil appears to have become unbeatable in

this segment and is already the fourth largest pulp producer

in the world, with about of 18 million mt per year.

We also have a good knowledge and yields using exotic conifers,

especially of the genus pinus. And we still have a native

Brazilian conifer, the Paraná Pine (Araucaria angustifolia),

whose high quality wood has a good market value. Unfortunately,

the restrictive legislation imposed on the species

works as a strong inhibitor of its being planted on a large

scale.

Outubro de 2017 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

29


ENTREVISTA

dos produtos madeireiros quanto dos não-madeireiros; resistência

à pragas e doenças; tolerância à herbicidas; transferência

genética; inclusive, remoção de poluentes. O caso da

tulipeira (Liriodendron tulipifera) modificada para reduzir o

mercúrio toxico para a sua forma menos tóxica e volátil (Rugh

et al. 1998). Outro exemplo, também, o pequi (Caryocar brasiliensis)

umas das árvores símbolo do Cerrado brasileiro, com

produção de seus frutos sem espinhos por meio de melhorias

genéticas nos cruzamentos realizados a anos por povos indígenas

na região do Xingú.

Como avalia o conceito da sociedade sobre florestas plantadas?

É possível esclarecer melhor alguns mitos e se aproximar

mais do leigo?

Há uma forte tendência a se falar do que não se conhece, e

propagar coisas não verdadeiras, é do ser humano em qualquer

lugar do planeta. Assim, o é aqui no Brasil onde surgem ideais

das mais distantes da realidade. E uma delas é esse pavor que

se cria em volta da produção de florestas plantadas, o que de

longe beira a realidade. Pois qualquer floresta plantada, seja

ela de essências florestais nativas ou exóticas, é muito mais

benéfica do que a terra nua, por exemplo. Sobre biodiversidade,

há sim um aporte menor em florestas plantadas (até

mesmo com árvores nativas), o que não diminui em nada seu

valor ecológico, social e de mitigação de danos. Pois, havendo

essa proteção de cobertura vegetal de floresta plantada:

espécies da biota são mantidas e, há em alguns casos maior

fixação e ampliação de plantel de diversos organismos. E

novamente, é sempre bom frisar, pior seria com a terra nua

exposta e sem função social e ambiental corretas. Sem contar

que, para qualquer produção florestal o proprietário tem que

estar em dia com suas obrigações de manutenção de áreas

verdes, com o CAR (Cadastro Ambiental Rural) mantendo as

áreas de reserva legal e de proteção permanente devidamente

alocadas e protegidas. Em estudo de 2017, realizado pelo Gite

(Grupo de Inteligência Territorial Estratégica) da Embrapa, o

Brasil utiliza somente 9% de seu território para a produção de

florestas plantadas e lavouras (sendo esta maior em extensão).

Para vegetação nativa em todas suas variáveis incluindo-se

também as pastagens nativas (8%), há uma ocupação do

território brasileiro, segundo o estudo, de 74,3% de "áreas

verdes". Sim, devemos sempre primar pela manutenção de

nosso patrimônio para as gerações futuras. Todavia, no Brasil

há pouca transferência de informações corretas ao público.

Assim, floresta plantada não seca solo, não causa malefício e

não acaba com a biodiversidade, se bem planejada e conduzida

por profissionais habilitados, os engenheiros florestais.

Many other forest species are also being studied as to genetic

improvements for use in both the wood and the non-wood product

segments; resistance to pests and diseases; tolerance to herbicides;

gene transfer; including, pollutant removal. The case of

the tulip tree (Liriodendron tulipifera) modified to reduce toxic

mercury to a less toxic and volatile form (Rugh et al., 1998). Another

example is the souari nut (pequi) tree (Caryocar brasiliensis),

the symbol of the Brazilian Cerrado, with production of a

non-thorny fruit through genetic improvements made over years

by the indigenous people in the Xingu Region.

How do you see society’s concept of planted forests? It is possible

to better clarify some of the myths and get closer to those

who don’t really understand the concept?

There is a strong tendency to talk about what you don’t know

much about, and propagate things that are not really true; this

is true of human beings anywhere on the planet. So, it is so here

in Brazil, where ideas arise which are distant from reality. And

one of these is this fear that is created around the production of

planted forests, long from the edge of reality.

Because any planted forest, be it for native or exotic forest species,

is much more beneficial than bare land, for example. As

to biodiversity, yes, there is a smaller contribution by planted

forests (even with native trees), which does not diminish at all

its social and ecological value for damage mitigation. By having

that planted forest vegetation cover protection: biota species

are maintained and, in some cases greater carbon fixation

and an increased variety of organisms. And again, it’s always

worthwhile pointing out that it would be worse to continue with

exposed bare land without any social and environmentally correct

function. Not to mention that, for any forest production, the

property owner has to be up to date with his obligations as to

the maintenance of green areas, with the Rural Environmental

Record (CAR), while retaining legal reserve and permanent protection

areas, properly allocated and protected.

In a 2017 study carried out by the Embrapa Territorial Strategic

Intelligence Group (Gite), Brazil uses only 9% of its territory

for the production of planted forests and crops (this latter being

greater in extent). For native vegetation in all its variables including

native pastures (8%), there is a "green area" occupation

of 74.3% of the Brazilian territory, according to the study. Yes,

we should always prioritize the maintenance of our heritage for

future generations. However, in Brazil, there is little transfer of

correct information to the public. As such, if well planned and

managed by qualified professionals, Forestry Engineers, planted

forests do not dry out the soil, do not cause damage and do not

harm the biodiversity.

*Contribuíram para as respostas toda equipe de gestão da

Smef em especial o engenheiro florestal Dárcio Calais

* Contributing to the answers is the whole Smef management

team, in particular, Forestry Engineer Dárcio Calais

30

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Sob medida

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COMPACTA E

POTENTE, CHEGA AO

MERCADO BRASILEIRO

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ESPECIFICAMENTE PARA

LIMPEZA DE ÁREA

32

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-Measure

COMPACT AND POWERFUL, A MACHINE

THAT HAS BEEN DESIGNED SPECIFICALLY

FOR CLEARING AREAS ARRIVES ON THE

BRAZILIAN MARKET

Outubro de 2017 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

33


PRINCIPAL

Q

uando a maior porte do trabalho na floresta era

feito de maneira manual, a mecanização surgiu

para aumentar a segurança, competitividade e

suprir a falta de mão de obra. De lá para cá as máquinas evoluíram,

aumentaram de tamanho e tecnologia. Depois que

esta nova onda se estabilizou, percebeu-se que era preciso

ajustar o porte da ferramenta de acordo com a aplicação.

A maior disponibilidade de equipamentos possibilitou um

novo conceito, a máquina sob medida. Isto quer dizer, nem

grande demais, tão pouco com potência de menos. Com

esta ideia, a canadense Awassos, empresa que pertence a

Denis Cimaf, acaba de lançar o veículo triturador florestal,

desenhado para limpeza de área e rebaixamento de toco.

A fabricante com sede em Quebec nasceu com o conceito

de produzir máquinas compactas, porém robustas, para

gerar menor impacto ao solo e suprir a ausência do mercado

que não desejava equipamentos grandes e caros, porém necessitava

de produtos essencialmente florestais e não adaptados

do setor agrícola.

“Na América do Norte, assim como em muitos países, as

máquinas florestais foram ficando cada vez maiores, o que

tornou a situação difícil para pequenos e médios produtores

W

hen the largest part of work carried out

in the forest was done manually, mechanization

appeared and increased security,

competitiveness and addressed the lack of manpower.

From then on, machines have evolved, and increased

in size and in the use of technology. After this new

wave stabilized, it was realized that it was necessary to

adjust the size of the tool according to its application.

The increased availability of equipment enabled a new

concept, made-to-measure machines. This means,

not too big, and not too small as to not be powerful

enough. With this in mind, Awassos, a Canadian company

associated with Denis Cimaf, has just launched a

forestry mulcher, designed for clearing areas and reducing

stumps.

The manufacturer based in Quebec was born with

the concept of producing compact but robust machines,

generating less impact to the soil and supplying

an absence in the market that didn’t want large

and expensive equipment, but needed products essentially

designed for use in the forest and not adapted

from those used in the agricultural sector.

CONJUNTO FRONTAL

COM VANTAGEM

PARA TRABALHOS DE

ABERTURAS DE ÁREA,

REBAIXAMENTO DE

TOCOS E TRITURAÇÃO

DE RESÍDUOS EM

TERRENOS PLANOS

A LEVEMENTE

ACIDENTADOS

34

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POTÊNCIA,

ECONOMIA NA

OPERAÇÃO E VALOR

DO EQUIPAMENTO

SÃO OS TRUNFOS

DO VD-170

que queriam mecanizar os processos de colheita e transporte”,

explica Laurent Denis, presidente da Denis Cimaf. Para

atender essas pessoas, em 2005, foi criada a Awassos.

O executivo lembra que muito antes da inauguração da

nova empresa ele já notava que havia espaço para equipamentos

de menor porte. Assim, as primeiras máquinas comercializadas

foram os mini-skidders. Ao longo do tempo,

foi possível avaliar que um dos grandes problemas para a

limpeza de área eram as máquinas base. “Os trituradores

florestais para escavadeiras obtinham uma grande variedade

de equipamentos, mas quando o assunto era cabeçote

para uso frontal a história era diferente”, detalha Laurent.

PERFIL DO VD-170

• Largura: 2,4 m (metros)

• Altura: 2,9 m

• Comprimento: 6,4 m

• Peso total com cabeçote: 9 t (toneladas)

• Motor: Cummins QSB4.5 – 170 hp (125 kW)

• Fluxo de tração: máximo 150 L/m (litros/minuto) (ajustável)

• Fluxo do cabeçote: máximo 208 L/m

“In North American Countries, as well as in many

other countries, forestry machines were getting bigger

and bigger, which made the situation difficult for

small and medium-sized forest producers who wanted

to mechanize their harvesting and transportation

processes,” explains Laurent Denis, President of Denis

Cimaf. In 2005, to meet these needs Awassos was created.

The Executive remembers that well before the

inauguration of the new company, he had already realized

that there was room in the market for smallersized

equipment. Thus, the first machines marketed

were mini-skidders. Over time, it was possible to see

that one of the major problems in the clearing of an

area was the base machine. “There were a wide variety

of forest mulchers to be attached to excavators,

but when it came to heads to be used for frontend use,

the story was different,” details Executive Laurent. On

many occasions, the implement met power and productivity

requirements, but was hampered when coupled

to an agricultural tractor. At the other end, there

were large machines, over 250 hp. “They are very

expensive, which discourages smaller producers, and

generates higher operating costs.”

• Fluxo de função: máximo 27 100 L/m

Outubro de 2017 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

35


PRINCIPAL

MT-70,

MINI-FORWARDER

COM CABEÇOTE

HARVESTER OU

DE GARRA

Em muitas ocasiões, o implemento reunia potência e produtividade,

mas era prejudicado quando acoplado a um trator

agrícola. Na outra ponta estavam as máquinas de grande

porte, acima dos 250 hp (cavalos de força) de motor. “Elas

são muito caras, o que desencoraja os produtores menores,

e geram custos maiores de operação.”

PREENCHENDO A LACUNA DO MERCADO

Para suprir esta necessidade que não estava sendo atendida

pelos fabricantes de máquinas, foi lançado o modelo

VD-170, que utiliza o motor de 170 hp e chassi modificado

do mini-skidder. Desta maneira, o triturador florestal equipado

com o cabeçote Denis Cimaf DAF-225E na configuração

frontal torna a operação mais ergonômica e produtiva.

“Como a máquina é montada sobre pneus, é mais rápida

e flexível do que os equipamentos com esteira, principalmente

porque as máquinas de pequeno porte possuem

limitação de potência de motor, que é ainda mais exigido

quando são tracionados por esteiras”, assegura Laurent. A

empresa aposta nestas qualidades para preencher o espaço

vazio no mercado.

Para o executivo, o modelo VD-170 é a solução sob medida

para a limpeza de área. Na comparação com máquinas

grandes ele leva muita vantagem no valor de aquisição. Há

ainda, diminuição no custo da operação, com menor gasto

de combustível e manutenção. Além disto, supera em produtividade

os tratores agrícolas, que costumam quebrar

com mais frequência e sofrerem com o desgaste de peças

FILLING A CRACK IN THE MARKET

To address this need that was not being met by

machinery manufacturers, the VD-170 model was

launched, which uses the same engine and a modified

chassis from the mini-skidder. In this way, the forestry

mulcher equipped with a Denis Cimaf DAF-225E head

in a frontend configuration leads to a more ergonomic

and productive operation.

“As the machine is mounted on rubber tires, it is

faster and more flexible than the equipment using

tracks, mainly because the small machines have limitations

due to engine power and the use of tracks require

more power,” ensures Laurent. The Company bet

on these qualities to fill a crack in the market.

For the Executive, the VD-170 model is a madeto-measure

solution for the clearing of an area. In

comparison with big machines, it very much has an

advantage in acquisition value. There are even lower

operating costs, with lower fuel consumption and

maintenance costs. In addition, productivity is greater

than that for agricultural tractors as they tend to

breakdown more often and suffer part wear and tear

when they are subjected to this kind of use. This is Denis

Cimaf’s big bet, through Awassos, in the Brazilian

market.

“Another big advantage of this frontend head

model is that operating productivity on flat lands is

very high, even for slightly hilly areas because the set

36

www.referenciaflorestal.com.br


quando são submetidos a este tipo de aplicação. Esta é a

grande aposta da Denis Cimaf, por meio da Awassos, para o

mercado brasileiro.

“Outra grande vantagem deste modelo com cabeçote

frontal é que a produção em terrenos planos é muito alta,

até mesmo em área levemente acidentadas porque o conjunto

é articulado”, aponta Celso Kossaka, diretor comercial

da Denis Cimaf para a América Latina. Por isto, ele acredita

que a máquina será utilizada também em grandes e médias

empresas pela relação produtividade, baixo custo total e

disponibilidade mecânica.

Os cabeçotes da fabricante canadense utilizam facas, o

que, segundo a empresa, torna todo o conjunto ainda mais

produtivo. “Se formos comparar com martelos, o esforço

utilizado é muito menor para realizar o mesmo trabalho,

assim como o impacto ao equipamento”, garante Laurent

Denis.

Como a fabricante de cabeçotes canadense está no

Brasil há muito tempo, Desde 2004 foram iniciadas as atividades

e com filial em Holambra (SP) a partir de 2010, a

estrutura de distribuição, assistência técnica e pós-venda

já está estabelecida. Os equipamentos serão importados e

posteriormente montados por aqui.

Além do modelo para aplicação em limpeza de área e rebaixamento

de tocos, a empresa produz outros equipamentos

compactos com aplicação florestal como mini-skidder e

o híbrido de forwarder com cabeçote harvester. Todos com

o conceito de gerar pouco impacto ao solo e ocupar uma

faixa de desempenho ideal para pequenos e médios produtores.

URSO NEGRO

A DENIS CIMAF, EMPRESA CANADENSE CONHECIDA

NO MERCADO BRASILEIRO PELOS CABEÇOTES

TRITURADORES FLORESTAIS HIDRÁULICOS, TEM A

AWASSOS COMO UM DE SEUS BRAÇOS NO SETOR

DE VEÍCULOS FLORESTAIS. AWASSOS, CUJO NOME

SIGNIFICA URSO NEGRO NO IDIOMA DOS ABENAKIS,

HABITANTES DA REGIÃO DA PROVÍNCIA DO QUEBEC

NO CANADÁ. MAIS INFORMAÇÕES

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BLACK BEAR

DENIS CIMAF, A CANADIAN COMPANY KNOWN IN THE

BRAZILIAN MARKET FOR ITS FORESTRY HYDRAULIC

MULCHER HEADS HAS, AS ONE OF ITS ARMS IN THE

FORESTRY VEHICLE SECTOR, ITS ASSOCIATE AWASSOS.

AWASSOS MEANS BLACK BEAR IN THE LANGUAGE OF

THE ABENAKIS, INHABITANTS OF THE REGION OF THE

PROVINCE OF QUEBEC IN CANADA

MD-80,

MINI-SKIDDER,

OPERAÇÃO DE

COMANDO

BI-DIRECIONAL,

EQUIPÁVEL COM

GARRA OU CABO

articulates, points out Celso Kossaka, Latin American

Sales Director for Denis Cimaf. For this, he believes

that the machine will be used by large and mediumsized

enterprises due to its productivity ratio, low total

cost and mechanical availability.

The heads of the Canadian manufacturer use

knives, which, according to the Company, make the

whole operation even more productive. “If we compare

this with the use of hammers, the force used is

much less for the same work, as well as there is less

impact to the equipment,” points out Denis Cimaf Executive

Laurent Denis.

The Canadian head manufacturer has been operating

in Brazil for a while, since 2004, when activities

were initiated and, since 2010, an office was established

in Holambra (SP) with a distribution and postsale

technical assistance structure. The equipment will

be imported and, subsequently, assembled in Brazil.

In addition to the model for use in clearing areas

and reducing stumps, the Company produces other

compact equipment for forest use such as a forest

mini-skidder and a combo of a forwarder with a harvester

head. All with the concept of generating as little

impact to the soil as possible and occupying a performance

range ideal for small and medium-sized forest

producers.

Outubro de 2017 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

37


TRANSPORTE

38

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MÁQUINAS

TRABALHANDO

ENCONTRO REÚNE

ESPECIALISTAS DA

ÁREA DE COLHEITA

E TRANSPORTE

FLORESTAL

Fotos: divulgação

D

ebate científico sobre mecanização, este foi o

foco do I Mecfor (Encontro Sobre Mecanização,

Colheita e Transporte Florestal), realizado

nos dias 21 e 22 de setembro, em Curitiba (PR). O evento

reuniu professores e pesquisadores de universidades de

diferentes regiões do país, e teve por objetivo, debater

ensino, pesquisa e extensão nas áreas de mecanização,

colheita e transporte florestal. A intenção é fortalecer a

área dentro dos cursos de Engenharia Florestal, padronizar

terminologias, atender demandas de pesquisas científicas

e aproximar universidades de empresas.

O período da manhã do dia 21 foi dedicado ao painel

Ensino, com as palestras ministradas pelos professores

doutores Paulo Torres Fenner, da Unesp (Univer-

Outubro de 2017 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

39


TRANSPORTE

sidade Estadual Paulista), e Carlos Cardoso Machado, da

UFV (Universidade Federal de Viçosa). Em seguida, foram

debatidos assuntos sobre a necessidade dos currículos

dos cursos de Engenharia Florestal serem compostos, no

mínimo, pelas disciplinas obrigatórias: Motores e Mecanização

Florestal, Colheita ou Exploração Florestal, Estradas

e Logística, Ergonomia e Segurança no Trabalho, além

de optativas com cargas horárias e conteúdos modernos,

compatíveis com as necessidades do mercado. Outra demanda

exposta durante os debates foi a de que os concursos

públicos para professores deveriam exigir experiência

profissional do candidato, com dissertação de mestrado e

tese de doutorado desenvolvido na área de atuação.

No período da tarde foi dedicado à pesquisa. As palestras

ficaram a cargo do pesquisador Evaldo Munõz Braz da

Embrapa Florestas e pelo José Artemio Totti, diretor Florestal

da Klabin. Este painel abordou as pesquisas atualmente

desenvolvidas pelas universidades brasileiras. Um

ponto destacado foi a necessidade de maior aproximação

das universidades com o setor privado para o desenvolvimento

de pesquisas aplicadas, tais como: colheita de

precisão; automação; modelagem e desenvolvimento de

sistemas; otimização; descarbonização; seleção, treinamento

e gestão de pessoas; colheita de impacto reduzido

em florestas naturais; tecnologias na colheita de madeira

em áreas declivosas; manutenção mecânica; mecanização

na silvicultura, dentre outros. Foi também consenso

do grupo a impotância da criação de um evento técnico-

-científico na área de colheita e logística, que permita a

divulgação das pesquisas científicas desenvolvidas nas

universidades e centros de pesquisas.

O evento encerrou-se no dia 22, quando o grupo participou

de uma visita técnica à uma área pertencente à

ALÉM DOS DEBATES

E APRESENTAÇÕES, A

PROGRAMAÇÃO INCLUIU

DIA DE CAMPO E TOURS

PELA CAPITAL PARANENSE

40

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Berneck, em Tunas do Paraná. A comissão pode acompanhar

de perto as operações de extração de madeira por

meio de sistemas de cabos aéreos. A empresa é pioneira

neste modelo de colheita de madeira no Brasil.

O I Mecfor foi uma promoção da Ufpr (Universidade

Federal do Paraná) e Unicentro (Universidade Estadual

do Centro), com apoio da Ufes (Universidade Federal do

Espirito Santo), Ufsc (Universidade Federal de Santa Catarina),

Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina),

Crea-PR (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia

do Paraná) e Revista Referência Florestal. Contou com o

patrocínio da BBM Logística, Macedo Forest, John Deere,

Timber Forest, Tajfun e Cenfor ( Centro de Formação de

Operadores Florestais). "O evento foi um grande sucesso,

superou todas as expectativas", apontou o professor Eduardo

da Silva Lopes, da Unicentro. “Agradecemos a participação

e apoio de todos que contribuíram para a realização

do evento, já informamos que o II Mecfor será realizado

em 2018, na cidade de Belém (PA)", afirmou o professor

da Ufpr, Renato Gonçalves Robert. O encontro será promovido

conjuntamente pela Ufra (Universidade Federal

Rural da Amazônia) e Ufac (Universidade Federal do Acre).

OS PARTICIPANTES

DO EVENTO

ACOMPANHARAM

UMA OPERAÇÃO DE

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PROJETO

42

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ESTRADA DAS

ARAUCÁRIAS

PLANTIO COM NATIVA INCENTIVA

RESGATE DA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO E

GERA VARIADO BANCO DE SEMENTES

Fotos: Daniel Derevecki e Katia Pichelli

Outubro de 2017 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

43


PROJETO

O

Projeto Estradas com Araucárias alcançou uma

linha de 100 km (quilômetros) de plantios dessa

espécie florestal em divisas de propriedades rurais

com estradas. São mais de 20 mil árvores plantadas

em linha simples, a um espaçamento de cinco metros, por

68 produtores rurais familiares nos Estados do Paraná e de

Santa Catarina. O trabalho é fruto de parceria entre instituições

públicas e iniciativa privada com o objetivo principal

de preservar a araucária, árvore sob risco de extinção.

A iniciativa surgiu durante o desenvolvimento do projeto

de pesquisa da Embrapa “Uso e conservação da araucária

na agricultura familiar” e as árvores ao longo das rodovias

formam um enorme banco ativo de germoplasma para a

conservação da espécie.

A intensa exploração dessa árvore para fins madeireiros

e a abertura de áreas para a agropecuária provocaram forte

declínio populacional, o que colocou a araucária na lista de

espécies ameaçadas de extinção. “A legislação proíbe o seu

corte, mas infelizmente, a lei que protege a espécie gerou

um efeito negativo. Os produtores rurais, desestimulados,

alegando perda de áreas agrícolas e dificuldade em obter

autorização caso precisassem cortar alguma árvore, passaram

a não plantar araucária e até a evitar o desenvolvimento

de regeneração natural”, conta o idealizador do projeto,

Edilson Batista de Oliveira, pesquisador da Embrapa Florestas

(PR).

O problema fez Oliveira elaborar uma solução. “As

áreas de divisas das propriedades com estradas geralmente

são pouco utilizadas e poderiam servir para abrigar as

araucárias e gerar renda aos produtores, sem prejudicar a

atividade agropecuária,” lembra o cientista. “Para atender

normas de segurança da legislação, os plantios são sempre

realizados fora da faixa de domínio das estradas, mantendo

acostamentos e áreas de escapes totalmente livres”, frisa

Oliveira.

ABSORVENDO CARBONO

Ainda faltava o estímulo para que os produtores aderissem

à ideia. A solução veio de uma parceria público-privada

que remunera pelos serviços ambientais enquanto as árvores

ainda não estão produzindo pinhões. O grupo empresarial

de transporte e logística DSR se interessou em participar

do projeto como forma de compensar gases de efeito

estufa emitidos por sua frota. Por meio dessa parceria, cada

produtor recebe mil reais por ano para plantar e cuidar das

árvores. O PSA (pagamento por serviço ambiental) será efetuado

no período entre 12 e 15 anos, tempo após o qual as

árvores começarão a produzir pinhões, que se tornarão a

44

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nova fonte de renda dos plantadores. Segundo Oliveira, resultados

de pesquisa indicam que, com 25 anos, cada árvore

deve ter acumulado o equivalente a 2,4 t (toneladas) de

carbono (pouco menos de 100 kg por ano). “Trata-se de um

valor alto quando comparado a outras espécies florestais”,

declara o pesquisador.

PROPRIETÁRIOS RURAIS

SÃO INCENTIVADOS A

PARTICIPAR DO PROJETO

E PLANTAR ÁRVORES

ADESÕES VOLUNTÁRIAS

“Hoje, um dos grandes ganhos que temos é a adesão

voluntária de produtores rurais, de diversos tamanhos de

propriedade, que plantam araucárias nas divisas de suas

propriedades com estradas rurais pelos benefícios que as

araucárias promovem, em especial o embelezamento da

paisagem”, comemora Oliveira.

Um dos produtores entusiastas da ideia é Amauri Delponte,

da Lapa. Sua propriedade tem 5,5 alqueires, onde

tem gado de corte consorciado com soja. “As araucárias do

jeito que estão plantadas, em linha, não atrapalham a propriedade

e consigo contribuir com o meio ambiente, além

de poder comercializar o pinhão depois. O pinhão também

pode ser utilizado como alimento pelo gado, que gosta bastante”,

conta o produtor. Com a renda proporcionada pelo

pagamento da empresa, Delponte compra insumos para a

propriedade e conta que conhece outros produtores que

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PROJETO

PROIBIÇÃO DO CORTE

DA ESPÉCIE DIFICULTOU

MANEJO E NÃO IMPEDIU

A EXTRAÇÃO ILEGAL

foram sensibilizados pela ideia e que hoje plantam araucárias

na divisa das propriedades com estradas mesmo sem

participar do projeto. Seu desejo? “Que essas árvores produzam

pinhão, sombra, e mantenham a biodiversidade.

Você tem que ver a quantidade de animais e pássaros que

vêm,” admira-se.

Outra propriedade beneficiada é a área do Colégio Agrícola

da Lapa. Os alunos são envolvidos no plantio e manutenção

das araucárias e usam a experiência prática em seu

aprendizado. O professor Heitor Vidal Leonardi conta que o

projeto foi implantado no Colégio há seis anos e hoje os alunos

são multiplicadores do projeto: “Além de fazer a manutenção,

eles levam a ideia para suas propriedades e para os

vizinhos. Por conta disso, já conseguimos cerca de duas mil

mudas para interessados que não participam do projeto.”

Os alunos aprendem técnicas de plantio e manejo e repassam

as informações aos interessados. “O produtor aqui

da nossa região tem o instinto de preservação, mas precisa

de renda para sobreviver. Portanto, se damos condições de

renda com preservação ambiental, é o ideal para ele”, avalia

o professor. “Nós, como futuros técnicos agrícolas, precisamos

saber como preservar o meio ambiente. O projeto não

prejudica os produtores, não prejudica as culturas. É uma

alternativa ao produtor, pois é plantado na divisa com as

estradas e depois vai gerar renda com o pinhão, além de

preservar a araucária,” analisa a aluna Brydien Mildemberg,

do terceiro ano do curso de Técnico Agrícola.

CAPTURA DE CARBONO

O plantio de espécies florestais é um dos fatores de sucesso

para a mitigação dos gases de efeito estufa para redução

do impacto das mudanças climáticas. Os plantios do

projeto Estradas com Araucárias têm sido acompanhados

com o software SisAraucária, desenvolvido pela Embrapa

Florestas, que simula o crescimento das árvores e calcula o

carbono armazenado. Os algoritmos do software são baseados

em pesquisas com a araucária que acompanharam o

desenvolvimento da espécie ao longo dos anos com dados

de inventários florestais contínuos.

Toda a modelagem do Estradas com Araucárias foi realizada

a partir de estudos e simulações efetuados com o

sistema, que mostraram ser uma estratégia eficaz na mitigação

de gases de efeito estufa.

“As araucárias estão plantadas em linha simples e bem

espaçadas, isso permite um incremento de madeira em

cada árvore e o crescimento de galhos vigorosos, o que amplia

a capacidade de armazenamento de carbono das árvores

do projeto”, afirma Oliveira. “Dessa forma, podemos

informar ao patrocinador a contribuição ambiental de seu

investimento”, explica o pesquisador.

46

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PRESERVAÇÃO GENÉTICA

O projeto tem auxiliado também em ações de pesquisa

científica, em especial as ligadas a melhoramento genético,

conservação da espécie e restauração ecológica. Um programa

eficiente de conservação da araucária depende do

resgate de matrizes locais. Por isso, todas as mudas plantadas

pelo projeto são fruto da coleta de pinhões feitas nas

próprias regiões. Na Lapa, por exemplo, os pinhões foram

coletados pelos alunos do Colégio Agrícola. “Nossa intenção

é preservar a base genética local”, explica Oliveira, “e,

assim, colaborar com a conservação da espécie. As árvores

plantadas hoje são um grande banco ativo de germoplasma.”

Em Irati, por exemplo, foram selecionadas árvores com

características superiores de produção de madeira e pinhão,

consideradas de interesse para conservação, e elas

têm sido acompanhadas em projetos de pesquisa da Unicentro

(Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná).

Em Caçador (SC), foram selecionadas matrizes do Bosque

Modelo de Caçador, uma das regiões de remanescentes

melhor conservadas.

Leandro Piska Albanski, filho de produtor rural, conta

que entraram no projeto em especial para ajudar na conservação

da araucária. “A parte financeira também é importante,

mas a gente quer mesmo é ajudar a conservar essa

espécie tão importante.” A ideia é corroborada por Amauri

Delponte: “Vale a pena preservar, a gente vê o benefício

disso e a quantidade de animais que vêm se alimentar.”

Para o idealizador do projeto, localmente, espera-se

que o pagamento do serviço de sequestro de carbono contribua

para um aumento significativo do número de araucárias,

melhorando a beleza cênica e trazendo benefícios

ambientais e socioeconômicos decorrentes. O cientista pretende

que o projeto estimule a adesão de outras empresas,

possibilitando sua proliferação e formando corredores verdes

de araucárias.

Nacionalmente, os especialistas esperam que o trabalho

contribua com as metas de redução de emissões de

carbono assumidas pelo Brasil e que sirva de modelo para

outros estados com outras espécies também ameaçadas e

de importância socioeconômica e ambiental. Oliveira afirma

que o projeto tem alto poder de replicabilidade com

outras espécies. “Esperamos que o pagamento pelo serviço

ambiental contribua para o sequestro de carbono, como

uma das medidas para a mitigação do aquecimento global,”

almeja o cientista.


PRAGAS

FLORESTA

LIVRE DE

PRAGAS

48

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EVENTO APONTA

NOVIDADES

NO ASSUNTO,

CUIDADOS E

OPORTUNIDADES

PARA AMPLIAR A

RENTABILIDADE

DOS PLANTIOS

O

s inimigos estão menores, porém cada vez mais

devastadores. Felizmente existem meios para

combatê-los. Durante a FMC FlorestALL, especialistas

na área de pragas florestais, principalmente para

o eucalipto, expuseram aos participantes as ameaças mais

importantes e de que forma é possível evitar uma infestação.

O evento promovido pela FMC Agricultural Solutions

aconteceu nos dias 13 e 14 de setembro, em Indaiatuba

(SP).

O setor florestal tem tanta importância para a marca,

que a palestra de abertura do evento técnico foi feita por

Ronaldo Pereira, vice-presidente da FMC América Latina.

Muito bem articulado, ele mandou um recado. “Nosso

foco é a silvicultura, não é genética de grão.”

O professor Pedro Soares da Unesp abordou o comportamento

e combate aos nematóides, pragas que atacam

diversas plantios, inclusive o eucalipto. As culturas

agrícolas possuem enormes prejuízos causados pelo ataque

destes seres, contabilizando perdas de 12 % ao ano.

Soares alertou que, apesar de não ser ainda muito conhecido

no setor florestal, muito das perdas de produtividade

Fotos: REFERÊNCIA

Outubro de 2017 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

49


PRAGAS

da floresta devem-se ao ataque deste inimigo.

Na sequência, o gerente de Pesquisa e Desenvolvimento

da FMC, Giuliano Pauli, mostrou a solução elaborada

pela fabricante de produtos químicos para combater a

praga descrita na apresentação anterior. O Quartzo é um

bionematicida desenvolvido para combater nematoides

em diversas culturas e podendo ser aplicado no momento

do plantio, transplante de mudas, durante o ciclo de

cultivo ou após a colheita. Os principais alvos são o Nematoide-das-lesões

(Pratylenchus zeae e P. brachyurus)

e Nematoides-das-galhas (Meloidogyne incognita e M.

javanica).

O professor Caio Carbonari da Unesp (Universidade

Estadual Paulista) mostrou de que forma age o Clomazone

no controle de ervas daninhas. Entre os destaques

estão: minimiza a interferência com seletividade para a

cultura, reduz propágulos e banco de sementes, garante

segurança ao homem e ambiente e ainda minimiza custos

de controle. Ele ressaltou que o uso do glifosato, apesar

da resistência de algumas pragas, deve ser realizado, porém

de forma consorciada.

Dando continuidade ao assunto, foi a vez do diretor

da Schröder Consultoria. De acordo com Eugênio Passos

Schröder, o Gamit é o herbicida pré-emergente mais utilizado

na cultura do arroz irrigado no Rio Grande do Sul.

A empresa realiza ensaios do produto com aplicação florestal

desde 2005. Segundo os dados levantados nestes

mais de 10 anos de pesquisa, a substância tem ótimo rendimento

no controle da matocompetição.

MITOS E VERDADES

Muitas vezes algumas verdades absolutas acabam se

estabelecendo no setor florestal, mas nem sempre condizem

com a realidade. Rudolf Woch, diretor e consultor

O EVENTO ATRAIU

80 PROFISSIONAIS

DAS PRINCIPAIS

EMPRESAS FLORESTAIS

BRASILEIRAS

50

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“APESAR DE NÃO SER AINDA

MUITO CONHECIDO NO

SETOR FLORESTAL, MUITO DAS

PERDAS DE PRODUTIVIDADE

DA FLORESTA DEVEM-SE AO

ATAQUE DE NEMATOIDES”

PROFESSOR PEDRO SOARES DA UNESP

técnico da Apoiotec, desfez alguns mitos durante sua

apresentação. Ele mostrou como a tecnologia da aplicação

foi ganhando destaque ao longo do tempo e conceitos

errados que se formaram em torno de substâncias químicas

na verdade tinham relação com a falta de conhecimento

e técnica no uso e não com a eficácia do produto.

“Creio que o evento foi um dos melhores do setor.

Foi importante entender que ainda existe oportunidade

de ganhos em função de uma adequação dos sistemas de

produção”, declarou à reportagem da REFERÊNCIA após o

encontro. Ele se refere às eventuais perdas pela presença

de nematoides e também à reavaliação do posicionamento

de produtos para melhorar a gestão de processos e manejo

de plantas daninhas, pragas e doenças.

“Ficou claro que a tendência de aumento da presença

de pragas adaptadas à cultura do eucalipto deve ser uma

realidade nos próximos anos e os planos de manejo devem

se adaptar rapidamente”, alertou.

A primeira apresentação do dia 14 foi do professor

doutor Pedro Christofoletti do Departamento de Produção

Vegetal da Esalq-USP (Escola Superior de Agricultura

Luiz de Queiroz). Entre as mensagens transmitidas pelo

especialista ficou a importância do herbicida residual na

entrelinha. “Há a redução de custos, menor número de

entradas para novas aplicações o que diminui a compactação

do solo, controle da matocompetição, diminuição

no banco de sementes, controle de plantas daninhas resistentes

ao glifosato e menor risco de deriva.

DO JEITO CERTO

Durante o evento, foram apresentados casos de sucesso

de grandes empresas florestais. A Sinobras Florestal,

por meio do engenheiro florestal Henos Carlos Knupler,

apontou a forma com que conseguiu reduzir custos

no plantio de eucalipto. A área florestal da empresa está

localizada em São Bento do Tocantins (TO), com total de

24 mil ha (hectares), dos quais 12 mil com uso comercial.

O coordenador de Nutrição e Manejo da Eldorado,

Sharlles Christian Moreira Dias, detalhou a aplicação do

herbicida residual na manutenção da entrelinha em áreas

da fabricante de celulose localizada no Mato Grosso do

Sul. Para este ano a previsão é alcançar 227 mil ha plan-

Outubro de 2017 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

51


PRAGAS

tados. Adriano Oliveira Ferreira mostrou os resultados do

consórcio entre Glifosato e Spotligth (80 ml e 120 ml). De

acordo com ele, esta solução tem capacidade de controlar

plantas daninhas de folha larga resistentes ao glifosato;

rápida absorção do produto pela planta alvo - principalmente

porque há boa distribuição de chuvas na região -

baixo volume aplicado; aceleração da dessecação e fácil

identificação dos resultados.

O agrônomo e gerente técnico da Labor Solo, Antônio

Felipe Damansky dos Reis, apresentou os resultados

do uso do herbicida Stone. A área escolhida tinha elevada

infestação de Fedegoso (Senna obtusifolia). De acordo

com o especialista, houve aumento de eficiência na dessecação

e efeito residual no controle da germinação das

sementes ao utilizar o herbicida que substituiu o glifosato

com bastante êxito para as condições apresentadas.

Daniel Zommick, gerente de desenvolvimento de produtos

da Sumitomo Chemical, com a ajuda de Rodrigo

Rodrigues, gerente de vendas da empresa no Brasil, detalharam

a elaboração, produção e eficácia pelo mundo

no uso do inseticida biológico DiPel para controle de pragas

desfolhadoras. O produto é altamente seletivo, age

somente nas pragas sendo inofensivo ao meio ambiente,

predadores naturais e pessoas.

O gerente de Tecnologia Florestal da BSC Copener

Marcus Vinícius Masson, mostrou como o uso do produto

biológico obteve sucesso para o controle da lagarta desfolhadora.

A empresa iniciou o uso em 2007 e de lá para

cá ampliou ou reduziu a aplicação conforme indicadores.

O monitoramento de adultos de lepidópteros é realizado

a partir de armadilhas luminosas, alocadas semanalmente

para análise de frequência, constância e pré-surto.

ESPECIALISTAS

MOSTRARAM QUE É

POSSÍVEL ALCANÇAR

RESULTADOS EVOLUÍDOS

UTILIZANDO MELHOR OS

PRODUTOS DISPONÍVEIS

NO MERCADO

52

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Para concluir os trabalhos técnicos, o professor doutor

Edson Luiz Furtado da Faculdade de Ciências Agrônomas

do Campus de Botucatu (SP) da Unesp mostrou os principais

inimigos do eucalipto. Ele detalhou as grandes ameaças

para as mudas no viveiro, no campo e para árvores

adultas. Entre as medidas que vão auxiliar a proteção das

florestas plantadas contra pragas que ainda não possuem

defensivos registrados, mas que causam grande prejuízo,

estão ações para mudanças nas regras do FSC mais adequadas

a países com clima tropical e subtropical.

Para descontrair e fazer uma analogia entre futebol,

foco e gestão de pessoas, subiu ao palco o ex-técnico do

São Paulo Futebol Clube, Muricy Ramalho. A palestra com

o título “Aqui é trabalho, meu filho”, se deve ao bordão de

Muricy que nasceu ao longo das entrevistas coletivas que

concedeu durante a carreira. Isto porque ele se incomodava

muito ao ser seguidamente perguntado se a sorte

ajudou toda vez que ganhava um título.

RESULTADO

A gerente florestal da Sinobras Florestal, Juliane Ellem

Costa, viajou de Tocantins para acompanhar o encontro.

“Parabenizo o Fábio e a FMC pelo evento, durante os dois

dias foi possível interagir com gestores e especialistas do

setor florestal, compartilhar experiências e adquirir conhecimento

sobre proteção florestal, tudo isso promovido

por uma excelente organização e estrutura”, avalia.

De acordo com ela, a apresentação do professor Pedro

Soares sobre Nematoides e seus desafios na agricultura

brasileira foi de extrema importância. “É um assunto

pouco difundido e merece muita atenção. Ainda neste

contexto de proteção florestal, o assunto apresentado

pelo professor Pedro Cristofolleti sobre o Manejo de plantas

daninhas trouxe estudos e proporcionou debate importantíssimo

sobre a eficácia da associação de herbicidas

no controle da matocompetição.”

De acordo com o gestor de Contas e Desenvolvimento

Florestal da FMC, Fábio Marques, o encontro foi uma ótima

oportunidade para discutir temas de extrema importância

com os principais especialistas do segmento. “Estamos

muito satisfeitos com o resultado final, os debates

apresentaram alto nível e contribuíram para mostrar alternativas

para alavancar a rentabilidade e produtividade

do eucalipto”, ponderou.

ecotritus

TRITURADOR

FLORESTAL

O TRITURADOR FLORESTAL ECOTRITUS foi desenvolvido

levando em conta a forte vegetação brasileira, bem como a

severidade do clima predominantemente tropical. Apesar da dureza

das condições de trabalho, o Triturador FLORESTAL ECOTRITUS

apresenta elevada PRODUTIVIDADE aliada a baixa e ECONÔMICA

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ESPECIAL

54 www.referenciaflorestal.com.br


ESPAÇO PARA

FLORESTA

Fotos: REFERÊNCIA

LIGNUM BRASIL OFERECEU OPÇÃO PARA EMPRESAS

MOSTRAREM NOVIDADES AO MERCADO DO SUL

C

om mais representantes do setor florestal que no

ano anterior, Lignum Brasil (Feira de Transformação,

Beneficiamento, Preservação, Energia, Biomassa e

Uso da Madeira) caiu nas graças das empresas do setor, principalmente

daquelas interessadas em ampliar ou fortalecer a

presença na região sul. A segunda edição da feira, que aconteceu

em Curitiba (PR) nos dias 20 a 22 de setembro, fez parte

da II SIM (Semana Internacional da Madeira).

Segundo a organização, a feira cresceu em relação à edição

anterior. Em 2016, foram 71 expositores e 5.100 visitantes,

propiciando negócios avaliados em R$ 53 milhões. Neste

ano, a feira foi realizada paralelamente com a III Expo Madeira

& Construção, juntas elas reuniram 86 expositores e 6.188

visitantes altamente qualificados, gerando mais de R$ 98,2

milhões em vendas e prospecções.

Além das feiras, a programação da II SIM também trouxe

cinco eventos técnicos. Dois deles, o II WoodTrade Brazil e o II

Encontro Brasileiro de Energia da Madeira, fortaleceram conceitos

já trabalhados na edição anterior, ao mesmo tempo

em que trouxeram novos temas e debates atualizados para

os 435 conferencistas presentes.

Outubro de 2017 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

55


ESPECIAL

APRESENTAÇÃO

MOSTROU MODELO

DE PRODUÇÃO

DE CAVACO NA

FLORESTA

Durante o evento três empresas realizaram demonstrações

na área externa do parque de eventos. Os visitantes

puderam acompanhar uma operação de processamento de

madeira e transporte de cavaco. A alimentação do picador

Forest King da Bruno Industrial foi feita pelo autocarregável

T12 da Epsilon Palfinger. Todo o material foi depositado na

carreta com piso móvel da Carrocerias Bachiega.

NOVIDADES

JOHN DEERE

A fabricante de máquinas florestais participou do evento com

dois objetivos. O primeiro foi apresentar a nova estrutura de pós-

-venda para o Sul com a inauguração de duas novas lojas, uma em

Santa Catarina e outra no Rio Grande do Sul. “Como o mercado é

pulverizado, cada Estado tem uma filial, com um gerente regional”,

detalhou Rodrigo Junqueira, diretor de Vendas e Marketing. A empresa

aproveitou o momento para apresentar a máquina florestal

2144G, a primeira fabricada no Brasil. O modelo pode ser utilizado

para baldeio ou processamento de madeira e colheita. “Ela possui

tempo de combustível maior e cabine florestal com melhor visibilidade.”

PALFINGER EPSILON

A empresa destacou o novo Autocarregável Palfinger Epsilon

T12, com 12 t (toneladas). De acordo com Márcio Pinson, consultor

de Vendas Externas, o equipamento trabalha em terrenos acidentados

e tem grande disponibilidade mecânica. O implemento

possui perfil hexagonal, grade frontal reforçada e sistema com fácil

acoplamento.

56

www.referenciaflorestal.com.br


PLANALTO

A Planalto Picadores, já conhecida no ramo de biomassa, destacou

os alimentadores de fornalhas para silos, novo produto da

fabricante. "Acreditamos que será um nicho de mercado que dará

um bom resultado em função do volume de silos que existe no

país e que ainda são alimentados com lenhas e toras", aponta Geri

Alberto Mecabô, gerente comercial. A empresa aposta no crescimento

do uso do cavaco para esta aplicação, porque além de facilitar,

torna o processo mais barato. "A participação na Lignum foi

muito boa. É uma feira direcionada e exatamente o público alvo

que precisávamos", resumiu o gerente comercial.

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TMO FOREST

Com sede em Caçador (SC), a TMO Forest focou nos cabeçotes

harvesters da marca finlandesa Nisula. “Mostramos a mini-escavadeira

de 8 t (toneladas) com cabeçote 425 c, o conjunto é voltado

para primeiro desbaste. Já para segundo e terceiro desbastes

apresentamos o Nisula 555”, explicou Heuro Tortato, diretor

da empresa. Além destes, o estande abriu espaço para mostrar a

linha de garras traçadoras. “Buscamos proporcionar economia na

operação de nossos clientes por meio de equipamentos de pequeno

e médio porte.”

KOMATSU FOREST

A Lignum foi o palco para o lançamento do harvester PC 130.

“Uma máquina para primeiro e segundo desbastes voltada a produtores

de pequeno e médio porte”, explica Lonard Santos, diretor

de Marketing e Vendas. Preparada para uso na floresta, ela tem

como padrão de fábrica o kit florestal e o Komatsu S82, cabeçote

compacto e robusto.

J DE SOUZA

A garra de grande porte GJ 800, com 1.8 m² (metro quadrado),

para movimentação de toras curtas com corrente estabilizadora

de carga chamou atenção no estande da empresa. Outro lançamento

que também foi divulgado durante o evento foi o feller de

tesoura para ser acoplado em carregadeiras e escavadeiras. “O

evento foi positivo para aproveitarmos o momento econômico

que está melhorando e reencontramos nossos clientes”, destacou

Anderson de Souza, diretor comercial e industrial.

58

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BRUNO INDUSTRIAL

A Bruno Industrial mostrou uma grande novidade, o pré-triturador

Tyron XL, com 400 cavalos de força, fruto da parceria com a

Haas. "É um equipamento que já tínhamos no mercado, mas agora

com mais potência e mais torque, atendendo às normas de NR-12

para trabalhar no Brasil e com mais facilidade na manutenção", diz

Angelo Ricardo Henz, diretor administrativo. "Além dos materiais

que processava antes, a novidade é o processamento da casca de

eucalipto, que pode ser obtido com granometria menor, devido ao

novo formato do sistema de trituração."


ESPECIAL

MINUSA FOREST

A Minusa Forest, com sede em Lages (SC), focou as atenções

no material rodante específico para a atividade florestal e nos cabeçotes

da fabricante finlandesa Logset. “Esperamos que a feira

seja um ponto de partida para a retomada da economia no setor”,

afirmou Giuseppe Rosa, coordenador comercial.

TIMBER FOREST

O harvester Ergo 8x8 com grua paralela e cabeçote Ponsse H77

se sobressaiu no espaço da Timber Forest. Foi também o primeiro

evento com a exposição de cabeçotes avulsos da marca finlandesa,

os modelos em destaque foram o H7 e H8HD. “Ano passado

fomos os únicos representantes de máquinas florestais e voltamos

para a segunda edição muito animados com os resultados”, lembrou

Claumar Baldissera, coordenador de vendas

CARROCERIAS BACHIEGA

A expectativa da Bachiega no evento era que mais pessoas conhecessem

a marca, consolidando o nome e fechando negócios.

"Além do estande físico, fizemos uma parceria com a Bruno Industrial:

eles processaram a madeira e depositaram em nosso equipamento",

explicou Sheila Ramos Baldo Bachiega, diretora da empresa.

O objetivo foi demonstrar a caixa de carga, equipada com

piso móvel. Esse dispositivo, que é importado da Europa, funciona

por diferença de área e é capaz de realizar o descarregamento total

entre dez e quinze minutos.

60

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ROTARY AX

A prospecção de novos clientes e a socialização foi o ponto alto

da Lignum, na avaliação de Werner Kruger, diretor da Rotary AX.

"Para concretizar negócios efetivamente não conseguimos, mas

para demonstrar a qualidade e tecnologia foi interessante para

aqueles que não conheciam a nossa linha de produtos. "A Rotary

expôs a linha de sabres garras traçadoras e harvesters, assim como

a linha de dentes para feller. A empresa comercializa também as

ponteiras para sabres com furo especial de lubrificação patenteado.

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ESPECIAL

ROTOBEC

Carro-chefe da empresa, a garra ponta a ponta foi o destaque

no estande da Rotobec durante a Lignum. O implemento de grande

porte agiliza a descarga de caminhões no pátio da indústria. “O

produto é robusto, com baixa manutenção”, assegura Fernando

Strobel, gerente geral da Rotobec no Brasil, ao comentar que a

garra opera no Brasil desde 1996. Para ele, a feira foi muito interessante

porque reuniu diversos atores da cadeia da madeira.

WOOD-MIZER

“Como a feira é mais voltada para o ramo madeireiro e moveleiro,

trouxemos o afiador de serra”, justificou Pedro Luft, vendedor

da empresa. O modelo BMS500 é automatizado, isto quer

dizer, mais segurança ao operador que não tem nenhum tipo de

contato com partes cortantes. “Achei positivo o resultado da feira,

muitas pessoas procuraram nossas máquinas e produtos.” No

espaço da empresa também foi possível encontrar informações

sobre as serrarias portáteis como o modelo LX450 de trilho duplo.

REVISTA REFERÊNCIA

A JOTA EDITORA marcou presença na Lignum com um estande

todo projetado pela Madera Brasil. Os destaques foram o deck

de pinus autoclavado e uma estrutura de quiosque de eucalipto

autoclavado. A editora levou o time completo de publicações que

contempla a cadeia produtiva da madeira: REFERÊNCIA INDUS-

TRIAL, FLORESTAL, PRODUTOS DE MADEIRA, BIOMAIS E CELULOSE

E PAPEL. "A feira é uma excelente oportunidade para encontrar

nossos parceiros e nos atualizarmos dos assuntos relevantes para

o setor", afirma Fábio Alexandre Machado, diretor comercial da

REFERÊNCIA.

62

www.referenciaflorestal.com.br


CONFIRA QUEM PASSOU PELOS

CORREDORES DA LIGNUM 2017!

Fotos: REFERÊNCIA

J de Souza: Anderson de Souza, diretor comercial

e industrial, Julio Cabral, coordenador comercial e

Gabriel Kolrich, departamento de vendas

Palfinger: Márcio Pinson e Leonardo Marca

Rodrigo Junqueira, gerente de vendas e

marketing da John Deere e Thiago Cibim,

gerente geral

Equipe Carrocerias Bachiega durante a Lignum

Alessandro Locatelli, vendedor da Bruno

Industrial e Angelo Henz, diretor comercial

TMO: Deydre Tortato, Heuro Tortato e Claudio

Belarmino

Planalto: Geri Mecabô, Edson de Oliveira,

Avelino Guber e Paulo Miguel

Pedro Luft, vendedor da Wood-Mizer

Joseane Knop e Edson Balloni,

presidente da Apre

Robotec: Rodrigo Silva, Fernando Strobel e

Lucas Silva

Lonard Santos, diretor de marketing e vendas da

Komatsu

Outubro de 2017 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

63


ARTIGO

ESTIMATIVA DO VOLUME

DE MADEIRA PARA

EUCALYPTUS SP. COM

IMAGENS DE SATÉLITE

DE ALTA RESOLUÇÃO

ESPACIAL

64

www.referenciaflorestal.com.br


Fotos: divulgação

FABRÍCIO LOPES DE MACEDO

DOUTOR EM AGRONOMIA PELA UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO

DOURO - PORTUGAL

ADÉLIA MARIA DE OLIVEIRA SOUSA

PROFESSORA AUXILIAR NO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA RURAL DA UNIVERSIDADE

DE ÉVORA / ESCOLA DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA / ICAAM (INSTITUTO DE CIÊNCIAS

AGRÁRIAS E AMBIENTAIS MEDITERRÂNICAS)

ANA CRISTINA GONÇALVES

PROFESSORA AUXILIAR COM AGREGAÇÃO NO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA RURAL.

UNIVERSIDADE DE ÉVORA / ESCOLA DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA / ICAAM

HÉLIO RICARDO SILVA

PROFESSOR ASSISTENTE DOUTOR DO DEPARTAMENTO DE FITOSSANIDADE E

ENGENHARIA RURAL DA UNESP (UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA

FILHO) E FEI (FACULDADE DE ENGENHARIA DE ILHA SOLTEIRA)

RICARDO ANTONIO FERREIRA RODRIGUES

PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE FITOSSANIDADE E ENGENHARIA RURAL DA

UNESP E FEI

Outubro de 2017 REVISTA REFERÊNCIA FLORESTAL

65


ARTIGO

A

estimativa do volume é particularmente relevante

em povoamentos cuja principal produção

é a madeira. O objetivo deste estudo

foi desenvolver funções para estimar o volume total e

comercial com e sem casca, com auxílio de imagens de

alta resolução espacial, para povoamentos de eucalipto.

As funções alométricas foram ajustadas a partir de dois

conjuntos de dados; o volume estimado a partir dos dados

das parcelas de inventário e o valor médio de índices

de vegetação de uma imagem de alta resolução espacial

do satélite Pléiades. As funções alométricas com melhor

desempenho para os volumes total e comercial com e

sem casca são as que apresentam o Índice de Vegetação

Ajustado para o Solo (Savi) como variável independente,

com um coeficiente de determinação ajustado entre

69 e 74%. Para povoamentos em que o fechamento do

copado ainda não ocorreu, o índice de vegetação Savi

originou funções com melhor performance em comparação

com o Ndvi. Estas funções podem ser usadas quer

à escala local quer regional, em regiões com clima e características

locais semelhantes, para as mesmas espécies

de eucalipto.

A tomada de decisão para uma gestão sustentável

das florestas necessita de uma contínua fonte de informações

com alta qualidade sobre os recursos florestais

(Aertsen et al., 2010). As tradicionais medições de

campo em propriedades florestais, normalmente são

realizadas com auxílio de equipamentos de mão (Mohammadi

et al., 2011). No entanto, essas medições são

caras, requerem tempo e um intenso trabalho, além de

serem complicadas de ser realizadas, principalmente em

regiões com difícil acesso, como em montanhas e em

florestas densas (Buckley et al., 1999). Outras limitações

decorrem das alterações das áreas florestais, que exigem

repetidas avaliações em intervalos curtos de tempo

(Mohammadi et al., 2010).

Para Sanquetta e Balbinot (2004), o processo de

determinação do volume de madeira, seja por métodos

diretos e/ou indiretos tradicionais, é normalmente

dispendioso e lento, sendo extremamente dependente

de mão-de-obra qualificada para os trabalhos de campo.

A utilização do método direto, consiste nas derrubadas

das árvores, e na mensuração de seus componentes; já

com o uso do método indireto são empregadas equa-

ESTUDO

AVALIA A

QUALIDADE E

PRECISÃO

DAS

INFORMAÇÕES

SOBRE

VOLUME DE

MADEIRA EM

PLANTIOS

FLORESTAIS

DE EUCALIPTO

66

www.referenciaflorestal.com.br


ções alométricas ou ainda técnicas de sensoriamento

remoto, para realização das suas estimativas.

De acordo com Watzlawick et al. (2009), as implicações

do papel das florestas no ciclo do carbono geraram

uma demanda pelo desenvolvimento de metodologias

não destrutivas para a quantificação da biomassa e do

volume de madeira, elementos essenciais no processo

de modelagem dos ciclos biogeoquímicos. Muitos trabalhos

com intuito de estimar os parâmetros florestais

nas florestas boreais foram realizados desde a década

de 1970, utilizando imagens de satélite, como as do Landsat

TM e SPOT (Häme et al., 1996; Nilsson, 1997; Katila;

Tomppo, 2001). McRoberts e Tomppo (2007) ressaltam

alguns pontos a favor da utilização de dados de sensoriamento

remoto: dados espaciais adquiridos com menor

custo em comparação às fotografias aéreas; possibilidade

de obtenção de estimativas para grandes áreas com

uma adequada precisão; estimativas para pequenas

áreas, quando não existem dados de campo disponíveis;

produção de mapas temáticos, que podem ser utilizados

em estudos ecológicos, na produção madeireira e

alimentação.

Rosenqvist et al. (2003) afirmam que o fundamento

essencial para a obtenção de estimativas de estruturas

vegetais por meio do sensoriamento remoto, consiste na

associação de dados de radiância/reflectância, oriundos

das imagens de satélite com dados aferidos no campo.

A principal abordagem desse tipo de estudo, consiste na

combinação de dados oriundos das imagens de satélite

com dados de campo, ponderados a partir de parcelas

para estimação de variáveis florestais para cada pixel

presente na imagem (Mäkelä; Pekkarinen, 2004). Segundo

Katila e Tomppo (2001), após as estimativas em nível

de pixel, as estimativas para os povoamentos florestais

podem ser obtidas através da média de pixels dentro de

uma determinada parcela de estudo.

De acordo com Peterson e Ruuning (1989), estimações

de parâmetros biofísicos da vegetação, como por

exemplo, o volume de madeira representam uma importante

utilização do sensoriamento remoto. Com base

nessa premissa, podem ser empregados dados oriundos

de diversos sensores de média resolução espacial, como

o sensor TM/Landsat (Fazakas et al. 1999; Krankina et


ARTIGO

al. 2004; Turner et al. 2004) e de muito alta resolução

espacial, como o satélite Quickbird e WorldView (Ozdemir,

2008).

As associações de dados de campo com imagens de

satélite, podem ser realizadas com auxílio de índices de

vegetação. Índices de vegetação são medidas radiométricas

adimensionais, gerados a partir de uma imagem

monocromática por meio da combinação de determinados

canais ou bandas espectrais. O principal objetivo da

utilização de combinação de bandas consiste em destacar

certas características dos alvos propiciando vincular

informações espectrais aos parâmetros florestais, por

meio do desenvolvimento de analogias diretas (Berger

et al., 2014; Cohen et al., 2001; Powell et al., 2010).

Jensen (2009) e Ponzoni e Shimabukuro (2009) apresentam

diversos índices de vegetação, porém alguns

merecem destaque como o Índice de Razão Simples

(SR - Simple Ratio), o Índice de Vegetação da Diferença

Normalizada (Ndvi - Normalized Difference Vegetation

Index), o Índice de Vegetação Ajustado para o Solo (Savi

- Soil Adjusted Vegetation Index), que, por meio da introdução

de uma constante tem como finalidade minimizar

o efeito do solo e o Índice de Vegetação Realçado

(EVI - Enhanced Vegetation Index). Os índices de vegetação

fundamentados em quocientes como o SR e Ndvi,

dentre outros, utilizam bandas espectrais na região do

vermelho e do infravermelho próximo, em virtude do

comportamento da vegetação destas bandas. Baseado

no contexto acima descrito, este trabalho, teve como

objetivo desenvolver funções alométricas para estimar o

volume total e comercial, com e sem casca, cuja variável

independente é um índice de vegetação, calculado com

dados de sensores remotos de alta resolução espacial,

para povoamentos de Eucalyptus sp.

ÁREA DE ESTUDO

A área de estudo é denominada de Fazenda Dois Irmãos

do Buriti, localizada próximo ao município de Selvíria,

no estado do Mato Grosso do Sul propriedade da

empresa Eldorado Brasil. De acordo com a classificação

de Köppen, o clima da região é do tipo Aw, com inverno

seco e ameno e verão quente e chuvoso, com precipitações

médias anuais de 1.370 mm, concentradas no período

de outubro a março, a temperatura média anual

é de 23,5ºC e a umidade relativa do ar variando entre

70% e 80% (Rodrigues et al., 2007). Na área de estudo

os solos pertencem às classes Latossolos Vermelhos e

Argissolos Vermelhos. A altitude média no local é de 335

m (Embrapa, 1999). As tipologias florestais da região são

compostas basicamente de Eucalipto e algumas manchas

de Cerrado e Cerradão.

A área de estudo está dividida em 7 talhões, correspondentes

a plantios de três espécies de eucalipto, em

que foram instaladas 37 parcelas randomizadas: Talhão

1, 2, 4 e 7 com Eucalyptus urophylla plantados em outubro

de 2011; Talhão 3 e 5 com Eucalyptus urograndis

plantados em maio de 2011; Talhão 6 com Eucalyptus

grandis plantado em maio 2011.

DADOS DE SATÉLITE

Os dados de satélite utilizados tem origem na imagem

ortorretificada do satélite Pléiades (27 de Julho de

2013) disponibilizada pela Engesat na forma denominada

“Pan-sharpened” com 0,50 m de resolução espacial,

com quatro bandas mutiespectrais, Azul (A) (430-550

nm), Verde (500-620 nm), Vermelho (V) (590-710 nm)

e Infravermelho próximo (IVP) (740-940 nm) (Figura 1).

ESTIMATIVA DO VOLUME DE MADEIRA EM

ÁREAS DE EUCALIPTO

O inventário florestal foi realizado com base no Método

de área fixa com parcelas circulares, em que as 37

parcelas medidas apresentavam formato circular com

uma área de 400 m2 e raio de 11,24 m. Foram realizadas

medições de CAP (circunferência na altura do peito)

e altura total das árvores (com hipsômetro). Foi usada

a função de Schumacher e Hall (1933) para calcular os

volumes total e comercial de madeira com e sem casca

(equação 1) em que v é o volume (m3); dap o diâmetro

a altura do peito (1,3 m de altura) (cm); h a altura total

das árvores (m); TX - variável binária (se TX = 0, volume

com casca e se TX = 1, volume sem casca); d o diâmetro

superior comercial, com casca (cm); e equivale ao exponencial,

β0...β4 equivale aos parâmetros dos modelos; ε

é o erro aleatório).

Queiroz et al. (2009), obtiveram resultados superiores

para o crescimento e estabelecimento no campo

para as espécies Eucalyptus urophylla, Eucalyptus grandis

e o híbrido Eucalyptus urograndis sendo estas superior

as espécies Eucalyptus camaldulensis, Eucalyptus

saligna, pellita e Corymbia citriodora.

Equação 1

n = b 0

. dap b 1

.h b 2

.e b 1+

3 (TXdap)

. [1 - ( d

b

) 4.d

] . e

dap

68

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DESENVOLVIMENTO DE MODELOS DE

REGRESSÃO

A análise de correlação entre o volume total e comercial

com e sem casca e os índices de vegetação foi

efetuada com o teste de Spearman, dado que as variáveis

não apresentavam distribuição normal, aferida pelo

teste de normalidade de Shapiro Wilk (Shapiro et al.,

1968), para um nível de significância de 95%. Os modelos

de volume foram ajustados com técnicas de regressão

linear, pelo método dos mínimos quadrados (eq.2,

onde é a constante, o declive da reta, V o volume e IV

é o índice de vegetação), como sugerido por vários autores

(Austin et al., 2003; Drake et al., 2002a; Drake et

al., 2002b; Popescu et al., 2003; Rauste; Häme, 1994).

A soma dos quadrados dos resíduos (SQR), o coeficiente

de determinação (R2) e o coeficiente de determinação

ajustado (R2aj) foram usados para aferir as propriedades

estatísticas dos modelos de acordo com o sugerido

por Sousa et al. (2015). A validação de modelos deve ser

preferencialmente efetuada com um conjunto independente

de dados. Quando tal não é possível Clutter (1983)

e Myers (1986) sugerem a utilização dos resíduos Press,

que são obtidos a partir de um processo interativo em

que o modelo é ajustado sucessivamente com todas as

observações menos uma, o que garante a independência

das observações usadas na validação e no ajustamento

(Paulo et al., 2015). A soma dos quadrados dos resíduos

Press (Pressm, eq.3) e a soma dos valores absolutos dos

resíduos estimados (Apressm, eq.4), foram usadas como

teste de validação. O modelo com melhor desempenho

será selecionado com base naqueles que apresentarem

os menores valores de SQR, Press e Apress, e os maiores

de R2 e R2aj. A heteroscedasticidade associada ao termo

do erro dos modelos e a normalidade dos resíduos

studentizados foram avaliadas, na forma gráfica, pela

relação entre os resíduos studentizados e a estimativa

da variável dependente; e dos gráficos de probabilidade

normal e do teste de normalidade de Shapiro Wilk, para

um nível de probabilidade de 99%. A análise estatística

foi implementada no software estatístico R (R Development

Core Team, 2012), pacote Stats.

Os modelos mais modernos e inovadores

de trituradores e picadores florestais que tornam

possível qualquer operação

Equação 2

V = b 0

+ b 1

x IV

Equação 3

Pressm = S (y i

-

^y i,-1

) 2

Equação 4

n

i=1

n

i=1

Apressm = S |y i

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^y

i,-1

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ARTIGO

RESULTADOS E DISCUSSÃO

ANÁLISE DE CORRELAÇÃO

Foi gerada uma matriz de correlação com intuito

de determinar o grau de associação entre variáveis. A

matriz de correlação relacionou as Vtcc (Variáveis Dependentes

Volume Total com Casca), Vtsc (Volume Total

Sem Casca), Vccc (Volume Comercial Com Casca), Vcsc

(Volume Comercial Sem Casca) e como variáveis independentes

foram analisados as respostas espectrais

das diferentes bandas e os índices de vegetação Ndvi,

SR, Savi e EVI das imagens provenientes do satélite. De

acordo com os resultados obtidos observou-se que as

variáveis dependentes apresentam fortes correlações

negativas com todas variáveis independentes.

As altas correlações obtidas para os índices de vegetação

analisados são justificadas devido principalmente

por suas composições que utilizam essencialmente as

bandas espectrais na região do espectro eletromagnético

relacionada ao vermelho e ao infravermelho, respectivamente

considerada como sendo uma região de forte

absorção e de máxima reflectância.

Os resultados obtidos no presente estudo são semelhantes

aos obtidos por Watzlawick et al. (2009) que

analisaram a estimativa de biomassa e carbono orgânico

em plantações de Araucaria angustifólia com índices de

vegetação do satélite Ikonos II.

Berra et al. (2012) e Silva (2014) que avaliaram a

estimativa do volume total de madeira em espécies de

eucalipto e volume de madeira no cerrado com auxílio

de imagens Landsat, porém os valores obtidos pelos autores

diferem no sinal do presente trabalho. Duas hipóteses

podem ter originado essa mudança de sinal. A primeira

faz referência ao aumento do sombreamento das

copas das árvores, que pode ter contribuído para essa

relação. Esse resultado é semelhante ao obtido por Ardö

(1992), que obteve elevada correlação negativa (-0,79)

entre algumas bandas originais do satélite Landsat TM

e o volume, para floresta de coníferas. Outro fato que

pode ter acarretado diferenças no sinal correspondem

ao fechamento do dossel florestal, visto que, de acordo

com Spanner et al. (1990) correlações positivas são encontradas

para áreas florestais com dosséis fechados e

correlações negativas são encontradas para áreas com

dosséis abertos. Como a área de estudo não estava totalmente

fechada devido à idade do eucalipto, isso pode

ter propiciado a mudança do sinal.

VOLUMES DE MADEIRA

Os modelos com o melhor desempenho foram os

que apresentaram como variável independente o Savi

(M1). Os modelos M4, cuja variável independente foi o

EVI, foram os que apresentam os piores resultados. Pode-se

ainda observar que os valores dos resíduos Pressm

e Apressm para Vtcc, Vtsc, Vccc e Vcsc dos modelos

M2 e M1 foram semelhantes. No entanto, os modelos

M1 apresentam menores valores de SQR e maiores

coeficientes de determinação, sendo assim selecionados

como os melhores modelos. A análise dos resíduos

studentizados não apresentou variações sistemáticas,

os gráficos de probabilidade normal se aproximaram

de uma linha reta e normalidade dos resíduos não foi

rejeitada pelo teste de Shapiro-Wilk. Analisando os

resultados referentes aos volumes de madeira, o presente

trabalho apresentou resultados semelhantes aos

obtidos por Xavier (1998) e Berra (2013) em que o SAVI

foi o índice selecionado em seu modelo para estimativa

de volume de madeira em um plantio de Eucalyptus

e Pinus elliottii respectivamente. Como não existia um

fechamento completo das copas do eucalipto no presente

estudo, havia a presença de solo, isso favoreceu

os melhores resultados para o Savi originando melhores

performances dos modelos. Segundo Robinove et al.,

(1981) e Huete et al., (1985) quando o fechamento do

dossel florestal está incompleto, o sinal espectral mais

forte é do brilho do solo ou sub-bosque.

Segundo vários autores (Wang et al., 2005; Ponzoni;

Shimakuburo, 2009; Zanzarini et al., 2013) um aumento

na cobertura do solo (densidade da vegetação, volume

ou biomassa fotossintéticamente ativa) pode não aumentar

o valor do Ndvi, devido à sua rápida saturação;

neste caso, embora tivesse ocorrido aumento na densidade

do dossel ou do volume de madeira, o índice torna-

-se insensível a este aumento.

CASO DE APLICAÇÃO DA FUNÇÃO

DESENVOLVIDA

Com o intuito de realizar o mapeamento dos volumes

de madeira, dividiu-se a área de estudo numa

quadrícula de 20 x 20 m, correspondendo à área das

parcelas (400 m2). Foi calculado o valor médio do Savi

(média arimética de todos os pixels de cada quadrícula

da grelha), e os volumes de madeira foram obtidos com

a aplicação do modelo M1.

Com base nas equações desenvolvidas, foram gerados

quatro mapas correspondendo ao Vtcc, Vtsc, Vccc

e Vcsc. Observou-se uma variabilidade considerável de

desenvolvimento entre talhões. A real diferença de idades

entre os talhões 1, 2, 4 e 7, plantados 5 meses mais

tarde que os talhões 3, 5 e 6 apresentou certa variação

no crescimento. No primeiro grupo o volume obtido foi

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PERSPECTIVAS

Company celebrates its its half half a

century old history and 10 10 years in in Brazil

Disco de corte para Feller

menor, possivelmente devido às diferenças de idade.

Por outro lado, como as árvores do primeiro grupo estão

numa fase inicial de crescimento existe um maior

investimento no desenvolvimento do sistema radicular

e crescimento em altura, o crescimento em diâmetro

ocorre com os fotoassimilados remanescentes. Foi possível

observar ainda que houve uma grande variação de

crescimento dentro de uma mesma espécie (Eucalyptus

urophylla) com relação ao volume de madeira para esse

primeiro grupo, as plantas não apresentaram inicialmente

um padrão homogêneo de crescimento, no entanto

espera-se que esse efeito de desuniforme venha a desaparecer

com o total desenvolvimento da espécie.

O maior tempo de estabelecimento do grupo 2 possibilitou

que as plantas pudessem ter um maior desenvolvimento

e que proporcionou consequentemente um

maior volume de madeira para esse grupo em comparação

com o primeiro.

• Discos de corte com encaixe para

utilização de até 18 ferramentas

• Diâmetro externo e encaixe central

de acordo com o padrão da máquina

Detalhe de encaixe para

ferramentas de 4 lados

• Discos de corte para Feller

conforme modelo ou amostra

• Discos especiais

• Pistões hidráulicos

(fabricação e reforma)

• Usinagem de médio e grande porte

CONCLUSÕES

Por meio da análise estatística foi possível verificar a

existência de uma alta relação entre as variáveis dependentes

com as variáveis independentes. As variáveis que

apresentaram melhores correlações foram o Savi, SR e

Ndvi. A utilização de imagens de satélite de alta resolução

espacial possibilitou a realização da estimativa do

volume de madeira para plantios de Eucalyptus. Com a

utilização dessa metodologia, foi possível ainda realizar

o mapeamento e a análise espacial das áreas de estudo

de maneira mais rápida e econômica. De maneira geral

para os povoamentos em que o fechamento do copado

não ocorre, o índice de vegetação Savi originou funções

com melhor desempenho que os demais índices testados.

Observando os mapas de volume de madeira gerados,

foi possível verificar quanto o desenvolvimento

pode ser desuniforme dentro de uma mesma espécie

e também foi possível obter valores reais do volume

de madeira que poderá ser obtido nos plantios de eucalipto.

Esta metodologia de avaliação do volume tem

como principal vantagem a avaliação de toda área para

Eucalyptus sp. ao contrário das metodologias que recorrem

a inventário florestal e métodos de extrapolação

para a avaliação por unidade de área. Novos estudos

com outras espécies florestais estão sendo elaborados

e os mesmos poderão contribuir para uma maior validação

da metodologia.

O artigo na íntegra pode ser acessado pelo

endereço: www.ipef.br/publicacoes/scientia

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A Revista da Indústria de Biomassa e Energia / The Magazine for the Biomass and Energy Industry

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Ano IV • N°20 • Abril 2017

Geração: resíduos de madeira abastecem mercado de energia renovável

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OPORTUNIDADE ÚNICA

SETOR SUCROENERGÉTICO

EVOLUI TECNOLOGICAMENTE

DANIEL FURLAN

EMIRADOS ARÁBES

PARA O BIODIESEL INVESTE EM ENERGIAS RENOVÁVEIS

Janet Scott, da Universidade de Bath, aponta futuros usos para celulose

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OUTUBRO 2017

OCTOBER 2017

St. Petersburg International Forestry Forum

3 e 4

São Petersburgo (Rússia)

www.spiff.ru

Foresttech 2017

15 e 16

Rotorua (Nova Zelândia)

www.fiea.org.nz/foresttech/

XL Congresso Abtcp

23 a 25

São Paulo (SP)

www.abtcp2017.org.br

Curso de Produção de Mudas

21 e 22

Piracicaba (SP)

www.rragroflorestal.com.br/eventos

I Florestal Tech

18 a 20

Cuiabá (MT)

www.cipem.org.br

Foresttech 2017

21 e 22

Melborne (Austrália)

www.fiea.org.nz/foresttech/

NOVEMBRO 2017

NOVEMBER 2017

Expocorma

8 a 10

Santiago (Chile)

www.expocorma.cl

ABRIL 2018

APRIL 2018

Expoforest

11 a 13

Ribeirão Preto (SP)

www.expoforest.com.br

DESTAQUE

XL CONGRESSO INTERNACIONAL DE

CELULOSE E PAPEL

O evento técnico contará com os principais

especialistas das áreas de papel, celulose

e florestas plantadas do Brasil e de outros

países. Está entre os eventos brasileiros

mais importantes para o setor de base

florestal. Vale a pena conferir as tendências

que serão apresentadas durante os três dias

do encontro, que acontece em São Paulo

(SP), de 23 a 25 de outubro.

Imagem: reprodução

72

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assessoria

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Comunicação inteligente.

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ESPAÇO ABERTO

OS TRÊS "E"S DO

SÉCULO 21

Foto: divulgação

Por Vinicius Carneiro Maximiliano

Advogado corporativo e gestor contábil

N

ão é novidade que o mundo está caminhando para

uma era de maiores desigualdades sociais, colapsos

econômicos e disrupções em praticamente

90% das indústrias e negócios que conhecemos. Dados recentes

demonstram que, ao menos nos EUA (Estados Unidos

da América), mais de 65% dos americanos, nos próximos

anos, irão perder seus empregos e terão de migrar para os

chamados "serviços freelancers". Mas e no Brasil, o que podemos

esperar dessa reviravolta do século 21?

Uma das forças inevitáveis dessas mudanças é a tecnologia

aliada à inteligência artificial e a mecanização avançada

de praticamente todas as atividades repetitivas e mecânicas

desenvolvidas pelo homem. Afinal, um robô pode fazer muito

mais e melhor, com menos custo, do que um ser humano.

Pode ser cruel, mas é efetivo. E o mercado busca efetividade!

A grande questão surge quando começamos a analisar

o impacto dessas mudanças no meio social. A desigualdade

ficou escancarada no mais recente estudo feito no Brasil,

onde os 6 brasileiros mais ricos concentram a renda dos 100

milhões mais pobres... um choque óbvio! Mas um choque...

Porém, quando você, trabalhador, que está endividado,

com bancos participando ativamente do seu orçamento, com

a inflação corroendo seu poder de compra, com aumentos

recorrentes (desde alimentos a combustíveis), que caminho

seguir em um mundo onde o dinheiro está escasso, o desemprego

bate a sua porta e o mercado está tão disperso quanto

todas as inovações que vemos dia a dia?

Minha teoria está na base de aplicação (ou da falência)

dos 3 "es" do século 21: Emprego, Empregabilidade e Empreendedorismo.

Explico: toda economia de mercado baseia-se

fundamentalmente nessa estrutura. Não estou falando

dos teóricos econômicos nem acadêmicos. Estou falando

do mundo real. Afinal, uma economia sem empregos, sem

empregabilidade e sem empreendedores, vai invariavelmente

sucumbir.

O primeiro E de emprego, retrata o que estamos ficando

sem. O termo significa o trabalho que precisa ser feito mediante

remuneração e subordinação de uma pessoa a outra.

A nova economia caminha a passos largos para uma onda de

desemprego jamais vista, que vai obrigar governos a criarem

mecanismos de suporte social nunca antes imaginados para

tantos desempregados. Hoje já somos 14 milhões deles!

O segundo E trata da empregabilidade. A empregabilidade

é aquilo que possibilita que eu tenha aptidões ou capacidades

relevantes para que eu possa atuar em diversas frentes,

ou ser desejado pelo mercado como profissional. Assim,

uma pessoa empregável, dificilmente fica sem emprego. Ser

qualificado para tanto nos parece o maior desafio afinal.

Já o terceiro e último E do empreendedorismo, fecha o

ciclo: é aquela iniciativa que cria oportunidades baseadas nas

carências ou deficiências do mercado, e consequentemente

busca pessoas empregáveis para os empregos criados pela

iniciativa empreendedora. Percebem o ciclo?

Contudo, como estamos enfrentando essa crise institucional

de empregos, estamos com muitos trabalhadores que

não estão sendo empregáveis para o mercado, justamente

em função das iniciativas empreendedoras que, por sua vez,

estão criando um mercado cada vez mais exigente de profissionais

que sejam interessantes, e não meramente executores.

No mundo do século 21, ser empregável significa não ter

apenas uma formação em uma área do conhecimento. Significa

sim, ser multifuncional, conectado, atualizado, humano e

eficiente. Significa voltar para a escola, mas não aquela que

conhecemos e fomos formados, mas sim uma nova escola,

que vem sendo criada por empreendedores! Mas para isso os

trabalhadores precisam de iniciativas que possibilitem a eles

se re-capacitarem a cada novo ciclo, para então retornarem

ao mercado e assim manter a roda da fortuna girando.

As diferenças sociais tendem a ficar cada vez mais gritantes

e escancaradas com as tecnologias. Afinal, quanto mais

eficientes, mais iremos perceber o quanto somos injustos e

focados em manter um sistema de trocas baseado no século

19.

Afinal, gerar empregos parece ter se tornado coisa do

passado, já que, para um mercado altamente informatizado,

os empregáveis teriam seu caminho certo, e os empreendedores

vão investir cada vez mais em soluções que necessitem

mais e mais de empregáveis.

Nos resta saber se, na ponta final dos resultados, os não

empregáveis terão sua chance de se empregabilizar ou se

deverão se sujeitar unicamente a uma distribuição de renda

universal mínima, mais conhecido dos brazucas como bolsa-

-família. Em qual dos "E"s você está agora?

74

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Proteção das

saídas de ar.

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Tubulações hidráulicas

elevadas e protegidas

e com diâmetros

redimensionados.

Bico

prolongador.

Substituição de vidros por

policarbonato (Lexan).

Chapas inferiores

reforçadas.

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----------------------------------------------------

01

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02

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Proteção do

motor de tração.

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Elevação de telhas

da esteira.

----------------------------------------------------

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Opcional - Iluminação em Led.

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prestigiaram durante a

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Proteção das

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superior e frontal.

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com gerenciamento total das operações envolvidas em campo.

Inicia-se no diagnóstico preciso, passa pelo acompanhamento

das operações e finaliza nas análises e indicadores de resultado,

considerando-se cada área como situações diferentes.

Com uma equipe experiente em manejo tecnificado de

cortadeiras, RESULT estabelece maior racionalidade operacional,

otimiza recursos, realiza o treinamento das equipes e ainda

monitora os resultados.

Com RESULT, a reflorestadora sempre obtém a eficácia de controle

esperada, com redução de custos e soluções de manejo mais

eficientes.

ATENÇÃO

Este produto é perigoso à saúde humana, animal e ao meio

ambiente. Leia atentamente e siga rigorosamente as instruções

contidas no rótulo, na bula e receita. Utilize sempre os

equipamentos de proteção individual. Nunca permita a utilização

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