World_of_Metal__Outubro_2017

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World of Metal

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João Pedro Silva

EDITORIAL

Sonhos

Certamente é especial para mim, como amante da música, estar aqui a escrever estas

linhas numa edição que traz os Septicflesh, vinte anos após ter sido introduzido à banda

através do genial ainda que pouco acessível "Esoptron", um álbum que desafia o teste

do tempo e representativo da primeira fase da carreira da banda grega. Um álbum que

também foi a principal inspiração para o conto deste mês, a segunda parte na saga

"Pesadelos", embora toda a discografia da banda tenha servido como referência. Vinte

anos depois, com um novo álbum cá fora e com um pequeno hiato, a banda revela estar

em pico de forma. É engraçado como as coisas mudam. Obviamente que vinte anos

é muito tempo mas quantas vezes vimos que nada muda por mais tempo que passe?

Neste caso, não há razão para a nostalgia amarga. Septicflesh está melhor que nunca,

majestoso e poderoso assim e ficámos a saber sobre tudo na banda exclusiva que a banda

nos deu, que é o grande destaque deste mês.

A sua música sempre puxou ao lado mais onírico da arte e tal como com Cradle Of

Filth no mês passado, sempre foi inspiradora para que pudéssemos criar algo nosso.

É essa a inspiração necessária para estarmos aqui todos os meses, para tentarmos

expandir a World Of Metal cada vez mais. Novas parcerias - Metal Keeper Fest, Black

Kactus Booking e Records e ainda Vagos Metal Fest - um novo site e ainda a vontade

de fazer mais. Sonhar mais. É o poder dos sonhos. Além de não pagarem impostos,

são inesgotáveis. Se não perdermos aquela inocência, aquela loucura que nos diz para

seguirmos o coração e irmos atrás das nossas paixões.

Ninguém está livre disso e pode acontecer a qualquer um. Acomodar-nos à segurança

e lentamente morrermos ao som da conformidade. É a inspiração de bandas como

Septicflesh, Belphegor ou Satyricon, que não desistem e continuam a seguir a sua paixão

e coração, ano após ano, álbum após álbum. Essa é a lembrança para nós, humildes

apreciadores de música, de que as paixões, as verdadeiras, são eternas. Tal como a

música em si. O sonho existe para ser vivido e tornado realidade.

Fernando Ferreira – Outubro 2017

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Indice

5 - Sempre A Partir

6 - Veinless

10 - Manilla Road

14 - Mandragora Malevola

16 - Korpiklaani

18 - Avatarium

20 - In Vein

22 - eluveitie

24 - Affäire

30 - Satyricon

32 - Belphegor

36 - Septicffllesh

40 - Especial Steven Wilson

44 - PEsadelos - Cap 2

50 - Artwork Insights

52 - Top 20 1956

55 - Reviews

74 - ÁAlbum do Mêes

75 - Máaquina do Tempo

78- Cavaleiros da Tavola Triangular

80 - Metal Missionaries

81 - WOM Live Report

99 - Agenda

Foto na 4Contracapa

por Sónia Ferreira

Foto Cradle Of Filth por

Artūrs Bērziņš


Sempre A Partir

Por Conan, o Barbeiro

Porque é que as pessoas não se contentam com o que têm? Porque é que a sua felicidade não depende

apenas dos seus feitos, das suas conquistas e façanhas? Porque é que na ausência de alguma das anteriores

faz com que se procure a derrota dos outros para preencher esse vazio? Não é chegar a um ponto triste

da existência humana quando o nosso valor depende unicamente daquilo que se passa na vida anterior?

Que tipo de pessoas patéticas são estas que se alimentam da forma como colocam entraves na vida dos

outros? E porque é que não percebem que esse alimento que nunca as satisfaz? Que vão contiuar a viver

de forma mesquinha, de sabotagem em sabotagem, à espera da felicidade?

Isto são perguntas sem resposta, embora não sejam apenas pura retórica. È comum encontrarmos invejas

daqueles que por qualquer motivo concentram-se noutras pessoas do que neles próprios. É também

comum termos aqueles que culpam os outros pelos seus desastres. A culpa não é deles mesmos. É mais

fácil viver assim. É fácil, perante os outros, dizer que se foi vítima das patifarias daqueles de quem não

gostamos. Todos temos os nossos próprios e é impossível gostarmos de todos aqueles que encontramos

no caminho, assim como é impossível todos gostarem de nós. Nem é isso que está em questão.

É um círculo vicioso, usar o que nos aconteceu como desculpa para nos deitarmos abaixo, para sermos a

vítima e depois para fazer o mesmo aos outros (que provavelmente nem têm nada a ver com o assunto).

Como se tudo o que tivessemos seria a necessidade de encontrar uma justificação para nos sentirmos

vingados - "Já que me fizeram a mim...". O que é algo igualmente tão parvo. A verdade é que quem

tem inveja, vai sempre ter inveja. Vai sempre puxar para baixo aqueles que de alguma forma estão no

seu caminho e encontram-se felizes ou pelo menos demonstram isso. Haverão sempre aqueles que vão

considerar isso como uma ofensa pessoal.

Agora a pergunta mais importante que podemos fazer é... Será que pessoas como estas merecem sequer

que se gaste energia a pensar nelas? Falar é fácil, principalmente quando se sente que se está a tentar

andar para a frente e só se sente é mãos a agarrem-nos e a puxar para trás e pés a rasteirar. É fácil perder a

calma e desanimar perante este tipo de situações, mas não estamos a falar do que é fácil. Estamos a falar

do que é correcto.

Portanto, cambada de invejosos e sarnentos, filhos dum tinhoso coxo e zarolho com pústulas no trombil,

metam-se na vossa vida e deixem a inveja para os outros. Se alguma coisa tem sucesso e isso vos faz

comichão no pelo, podem bem empregar a vossa energia e atenção para aquilo que gostam. Não foquem

o que vos faz comichão no pelo porque isso é pedir que mais cedo ou mais tarde o vosso pelo seja coçado

por um poste de madeira de dois metros com pregos ferrugentos que a vida se vai encarregar de vos

espetar pelas nalgas adentro. Ou alguma vez viram um invejoso a triunfar na vida a longo prazo ou a

morrer feliz?

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eNTREVISTA

Os Veinless são um dos bons valores da música pesada nacional. Após alguns anos de

ausência dos registos de estúdio, regressam com "IX", o segundo álbum. Dinâmico e com

um espectro bastante alargado, "Ix" é um álbum que muda o jogo para a banda e mostra

um novo caminho que a mesma irá seguir no futuro. Fomos falar com os Veinless, aqui

representados por António Boeiro (vocalista), Roger (guitarrista), Kronos (guitarrista) e Alex

(baixista

Fernando Ferreira

Grande álbum de estreia.

Começamos já assim à bruta.

É um sinal de perseverança e

dedicação “IX” estar cá fora?

Como é que o sentem?

António – Este álbum sinto-o...

acho que o sentimos, com, acima

de tudo, um grande orgulho

porque foi um trabalho que não

foi conseguido de repente. Foi

um trabalho que foi feito ao

longo de algum tempo, não só

de composição para o álbum mas

tudo antes, tudo o que aconteceu

antes. Tínhamos o primeiro

álbum e depois de concertos...

mesmo antes, decidimos que

precisávamos de fazer coisas

novas. Houve perspectivas novas

que surgiram na banda. Abordei

a banda a propósito do que

eles achavam de fazer músicas

em português, a cantar em

português. Daí o álbum ser um

bocado híbrido, digamos assim,

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porque já tínhamos músicas em

inglês que não queríamos perder,

eram fortes. E daí introduzirmos

músicas em português que penso

que resultaram. Mas é um álbum

que vemos com muito carinho e

muita vontade de marcar a nossa

posição no mundo da música

portuguesa.

Qual tem sido o feedback

que têm tido até agora deste

álbum?

Roger – Infelizmente ainda

não tivemos uma grande

oportunidade de o apresentar ao

vivo, por inúmeras situações,

algumas pessoais. Aliás, já

tivemos que dar um concerto com

um músico convidade porque

infelizmente o nosso grande

Kronos, o guitarrista, está com

um problema chato na perna e de

maneira que tivemos que parar

um bocadinho com a divulgação

do nosso álbum. O que foi uma

pena porque perdemos uma

altura muito boa, que foi a parte

do Verão mas tencionamos voltar

à estrada o mais rapidamente

possivel porque além de nos

darmos todos muito bem a

nível de composição e para nós

estarmos dentro do estúdio é

um dia muito bem passado, seja

a compôr, seja a gravar seja

a confraternizar (risos) mas a

verdade é que gostamos muito

dos palcos e do público que nos

acompanha. Também fizemos

algumas experiências antes

da gravação do álbum que foi

tocar algum dos temas ao vivo.

Tivemos uma recepção muito

boa principalmente com temas

como “Outra Vez” que as pessoas

se revêem muito com aquele

tema, a nível lírico. Temas como

“Land Of Dust”, “Wake Up”

que fazem as pessoas viverem

a nossa música de maneira um

bocadinho diferente, porque

estavam habituados a uns

Veinless mais contidos, penso

eu, e nós neste álbum tivemos

uma abordagem um bocadinho

diferente. Não só por tentarmos

os temas em português, mas

também a nível da especifidade

e de tentarmos de alguma forma

termos um álbum um bocadinho

excêntrico a nível de estilos e de

performance e de tudo mais.

Apesar de no Metal Archives

estarem catalogados como

thrash metal, esse é um rótulo

que não serve para vos definir,

certo? Há bastante variedade

em “IX” que vai bem mais

além do que apenas thrash. Se

tivessem que vos definir, qual

seria o género onde se sentem

mais confortáveis?

Roger – Este é um problema que

temos desde o início da nossa

banda: nunca nos conseguimos

definir. Penso que falo por

todos porque para já temos

elementos de vertentes musicais

completamente diferentes na

banda, que felizmente se juntaram

e conseguem fazer temas coesos

e que têm sentido. Mas a nível de

estilo, de música para música, é

uma coisa que se veio a ter. Não

nos queremos descaracterizar


com nada. Não queremos nos prender

com nenhum estilo de música mas isso

é algo que veio de forma natural. Não é

algo que digamos ou que se imponha a

nós próprios. É algo que vem de forma

muito natural, é assim, é o que é. Temos

alguma dificuldade em caracterizar-nos,

é verdade mas de certa maneira isso para

nós é bom porque não nos prendemos a

estilo nenhum.

Em termos de influências, também

parecem ser bastantes e variadas.

Se pudessem eleger bandas que vos

inspirem directamente quais seriam?

Kronos – Todos nós temos algumas,

diferentes umas das outras. Passámos por

projectos diferentes até, a nível musical.

Por mim, por exemplo é Faith No More

António – Tenho um espectro musical

sempre muito abrangente e acho que a

música deve ser vista de uma maneira

abrangente e não limitada mas em

relação aos Veinless, as bandas que

provavelmente mais me influenciaram

na voz – tento fazer uma voz que seja

única em português, o que não é fácil –

são os Ministry e Nine Inch Nails, são

duas bandas que aprecio para além de

outros espectros musicais.

Roger – Pessoalmente preferia não falar

em bandas. Acho que não só eu como

toda a banda houve todos os estilos

de música que possamos imaginar. A

minha influência a nível de composição

na banda se calhar tem mais a ver com

o rock alternativo, um pouco de música

gótica, um pouco de metal alternativo,

thrash. Eu ouço de tudo um pouco e as

composições vêm um bocadinho daí.

Não de bandas em particular mas de

estilos. Todas as músicas de todas as

bandas que mexem comigo acabam por

ficar cá. Mas a ter de mencionar uma

banda, uma que me influencia desde

pequeno, Paradise Lost.

A opção de usarem tanto o português

como o inglês nas vossas músicas foi

uma decisão pensada ou sentida?

António – As duas coisas.

Kronos – Sim, as duas coisas porque já

falávamos disso já há bastante tempo.

António – Foram exactamente as duas

coisas. Fui eu que abordei, volto a

repetir. Foi sentido... é mais fácil para

mim se surgir a cantar de improviso,

por exemplo, alguém a tocar uma

malha, o que surge é mais fácil cantar

em inglês. Mas como gosto de desafios

e o português para mim é uma língua

em que eu me movimento com alguma

facilidade através da poesia... e por outro

lado, comecei a achar e haviam pessoas

que diziam que devíamos apostar no

português... e de facto é que no mercado

dentro deste género – Veinless não tem

género mas dentro de um género mais

pesado e metal – há pouca gente a

cantar em português e a fazer este tipo

de música que fazemos e foi também

apostarmos ir por aí.

Roger – Obviamente que teve que

ser um pouco pensado. As músicas,

infelizmente não se adaptam todas. Ou

seja a nível de rock, a nível de metal,

o português é um bocado complicado

soar bem. Felizmente o Tó tem essa

facilidade e nós como músicos tivemos

que nos adaptar a nível de composição.

Isso é notório nas músicas cantadas em

português.

Kronos – E foi pensado no sentido que foi

uma aposta, uma abordagem diferente.

Todas as componentes

das letras falam de

experiências físicas,

espirituais, emocionais.

Falam da natureza, do

mundo que nos rodeia

e das experiências que

vamos tendo ao longo da

nossa vida.

Ainda em relação às letras, as mesmas

são bastante fortes e dramáticas,

quase que convidam a uma

componente teatral que supomos que

tenha uma outra vida em cima dos

palcos. Quando escrevem (ou quando

escreveram estas músicas) têm em

conta essa componente?

António – Sim, sem dúvida. Claro

que sim. Todas as componentes das

letras falam de experiências físicas,

espirituais, emocionais. Falam da

natureza, do mundo que nos rodeia e das

experiências que vamos tendo ao longo

da nossa vida. Não são reduzidas a uma

só coisa. É um espectro enorme de

emoções tanto físicas como espirituais,

como extra-espirituais, como quiserem

tirar proveito disso. Como tal, muitas

vezes são coisas que me são intrínsecas,

mas muitas vezes são coisas que

também me são partilhadas por quem as

ouve. De alguma maneira sente que já

viveu alguns momentos daqueles e que

se identifica.

Roger – Inclusive tivemos algumas

situações de concertos de pessoas que

vieram ter connosco de propósito por

causa das letras por se identificaram

com determinados temas.

António – Normalmente quando

escrevo, escrevo para mim mas sempre

com a preocução de que alguém vá ler.

Com a preocupação de partilha, de não

deixar que fique na gaveta. Se escrevi

tenho que partilhar.

Kronos – Para finalizar a ideia, nota-se

quanto quando estamos a tocar vivo.

Sinto que as pessoas estão a sentir as

letras e as músicas.

A par disso também tiveram um vídeo

a ser premiado com um segundo

lugar no Festival internacional de

Curtas-Metragens de 2017, o que é

sempre gratificante. A storyline para

o video-clip partiu da banda ou da

equipa que produziu o video?

António – Partiu da letra. O realizador

é meu amigo, eu abordei-o, o João

Pina, e ele pediu-me a letra. Portanto o

storyboard do “Outra Vez” é a letra. Foi

através dela que o João Pina concebeu

todo o principio do vídeo. O João Pina

não é um realizador, é uma coisa que já

não existe muito no mundo do cinema.

É um cinematógrafo. É um gajo que faz

tudo. Realiza, produz, filma. É a equipa

de filmagem toda (risos). Um grande

bem haja ao João Pina, desde já um

grande obrigado

Quanto a concertos, o que têm

planeado para divulgar “IX”?

Roger – Neste momento temos duas

agências para fazer principalmente a

divulgação do álbum tanto em Portugal

como no estrangeiro do álbum e não só.

Essas agências, em principio, a ideia é

marcar-nos uma digressão em Portugal

e depois para irmos lá fora, caso a

aceitação do álbum for boa, a nossa

ideia é fazermos umas viagenzinhas,

passearmos um poucquinho pela

Europa principalmente. (risos) Termos

uma experiência que nunca tivemos

em Veinless. Alguns dos membros de

Veinless já tiveram oportunidade de

tocar no estrangeiro mas Veinless é uma

banda muito territorial. Os nossos fãs

são muito da nossa zona mas por culpa

nossa porque nunca nos aventurámos

muito longe, nunca nos mandámos

para fora de pé, mas isso é totalmente

culpa nossa porque nunca tivemos uma

agência. Por sermos parvos porque

é mesmo assim, porque precisamos

de alguém que nos ajude. Queremos

que certa maneira esse erro seja

colmatado com uma agência a trabalhar

com Veinless. É muito importante.

Chegámos a essa conclusão passados

quinze anos (risos).

António – Não é nada que não tenha dito

já desde início (risos) mas finalmente as

mentes mais conservadoras finalmente

se abriram. (risos)

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A ligação à editora NBQ Records,

como surgiu e como tem sido

até agora? Está previsto terem

distribuição internacional?

Alex – A distribuição internacional

existe. Fizemos mil cópias do CD,

ficámos com quinhentas para vendermos

a nível nacional e o Fernando (Roberto,

da NBQ Records) ficou incumbido de

vender a nível internacional. Isto surgiu

através de um contacto da Loja do

Rock, eles já tinham o disco gravado

(eu não participei na gravação) e falouse

com o Fernando que eu conhecia

pessoalmente e uma coisa levou à outra.

Foi bastante fácil e ele está a ajudar-nos

bastante.

Roger – Sim e uma coisa que facilitou

realmente foi o Fernando ter gostado

do nosso som. Para nós foi muito

bom, porque uma pessoa como ele que

trabalha com muitos músicos, querer

apostar, querer ajudar uma banda que

não conhece de lado nenhum, ou melhor

por apenas conhecer um elemento

que nem sequer participou no álbum e

quando o ouve diz “ok, eu quero ajudar

estes malucos” para nós foi um motivo

de orgulho. Podemos dizer até que ele

nos ajudou monetariamente a colocar

este álbum cá fora, algo que não faria se

não acreditasse na banda.

Aquilo que podemos notar ao longo

dos anos no underground é que

as bandas têm grande dificuldade

em chegar ao primeiro álbum e

que depois essa dificuldade parece

acrescer ainda mais para lançar

os seguintes, sendo comum termos

bandas com vinte anos de carreira

com apenas dois álbuns lançados.

No vosso caso, já estão a pensar no

futuro em termos criativos?

Kronos - Nós temos neste momento o

terceiro álbum a mais de meio. Ideias,

coisas já estruturadas. Falta fazer o

processo que fizemos com este.

Roger – Fazer a nossa pré-produção

e arrancar para estúdio novamente.

Queremos acreditar que este álbum não

vai demorar tanto tempo a sair como

o anterior e principalmente como o

primeiro (risos).

António - E vou ser audaz e dizer que o

próximo é todo em português.

Roger – Isso é segredo!

António – Não é.

Roger - Para mim era. (risos)

António - Agora deixou de ser.

Kronos – Uma coisa que é inerente a

todos nós. Já tocamos juntos há muitos

anos. Já a meio do processo (do álbum)

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nos conhecíamos bem, agora ainda mais

nos conhecemos, a nível musical como

pessoal e uma coisa que ajuda é ser fácil

fazermos música juntos.

Roger – Acho que Veinless teve um

problema desde o início que foi arranjar

o elemento certo na voz. Todos os outros

têm sido os mesmos, além do Eddie

que resolveu deixar-nos por questões

pessoais e agora temos o Alex que

felizmente que nos caiu literalmente do

céu. É uma pessoa com quem muito é

fácil trabalhar.

Alex – Pá, obrigado.

Kronos – O Alex parece que sempre fez

parte da banda.

Roger – Parece, sem dúvida, que fez

sempre parte da banda.

António – Este é um tema que está

relacionado com a pergunta. Com o facto

de ter demorado tanto tempo a gravar o

segundo álbum. A banda tem quinze ou

dezasseis anos de existência e muitos

desses anos não são verídicos digamos

assim...

Roger – Cinco vocalistas diferentes.

Em Portugal, infelizmente,

ainda se acha que os

artistas vivem do ar. Não

pagam contas, não pagam

água, não pagam luz.

António - ... Muitos desses anos a banda

não tinha uma formação estável e sólida

e como tal não produzia coisas que

pudessem ser gravadas ou postas em

palco. Essa solidez surgiu quando me

convidaram e eu aceitei. Quando o Eddie

que já tinha saído da banda e voltou

outra vez. Decidimos que já tinhamos

uma formação sólida, já tinhamos coisas

sólidas que podíamos apresentar e

avançar. Fizemos, como costumo dizer,

deixar de brincar às bandas e marcar a

nossa posição no panorama musical.

Roger – E acho que o facto de que

quando o Tó entrou, a banda já tinha

muitos anos e já tínhamos muitas ideias

e muitas músicas compostas. Muitas das

coisas já estavam feitas e a verdade é que

o Tó teve uma facilidade enorme...

António – Não foi, foi um desafio. Tive

que criar refrões em sítios onde não

existiam...

Roger – Estarmos a criar músicas sem

voz é muito complicado. Optámos

pelo feeling, optámos por imaginar

refrões. Obviamente quem vem de fora

vê a música estruturalmente de forma

diferente. Mas ele conseguiu, felizmente

e por isso é que o nosso primeiro álbum

saiu muito rapidamente logo o Tó entrou.

A nível lírico, nós sabemos como é o

Tó a escrever, tem sempre muita coisa,

muito material. Muita coisa foi escrita

logo na altura...

António – Todas.

Roger – Todas, não é? Foi um processo

muito simples mal se deu a entrada do

Tó.

Qual é a vossa maior ambição, como

banda?

Kronos – Conquistar o mundo. (risos)

António - Acho que é a ambição de

qualquer artista em Portugal. É uma

pergunta muito interessante porque

em Portugal, infelizmente, ainda se

acha que os artistas vivem do ar. Não

pagam contas, não pagam água, não

pagam luz. Não têm filhos ou se têm o

ar é que os alimenta (risos) o ar é que

paga as contas. Como dizia há bocado

é deixar de brincar aos músicos. Tenho

felizmente projectos em que o faço

profissionalmente, não só de música mas

também de poesia e teatro, mas ainda não

consigo viver da arte em Portugal. Vou

tentando e o meu sonho é precisamente

esse, fazer aquilo que melhor sei e gosto

de fazer e que trabalho arduamente

porque não se esqueçam que ser artista

não é simples. Existe um trabalho e não

é nada fácil. Muito difícil e árduo. É

passar horas e horas em estúdio, horas

e horas a queimar as pálpebras como o

Roger que foi ele que gravou o primeiro

álbum e passou noites em branco porque

havia um som que não estava bem... é

um trabalho muito duro e tem que ser

dignificado e pago por isso. As pessoas

têm que perceber que os artistas têm que

ser pagos e viver da sua arte.

Kronos – Fazer valer aquilo fazemos.

Roger – E não esquecer que os músicos

têm que conciliar as bandas com os seus

trabalhos porque infelizmente a música

é patrocinada pelos nossos trabalhos. O

dinheiro que ganhamos é para investir

em amplificadores, em salas de ensaio,

em concertos que não nos pagam e que

temos que investir no transporte. Existe

uma conciliação muito grande a nível de

trabalho, tempo, família

Kronos – Eu diria que é a fusão de duas

coisas. O tentar fazer com que as pessoas

dêem valor ao trabalho que estamos

a realizar. E ao mesmo tempo tentar

abranger o maior número de pessoas

com o nosso trabalho.

António – Subscrevo.


9


eNTREVISTA

NTREVISTA

UP THE HAMMERS

& DOWN THE

NAILS

10

40 anos ao serviço do heavy metal

Há 40 anos os Manilla Road, tomavam forma no Wichita, Kansas, decorria a década de 70, partindo

para aquilo que seria uma viagem pelo que vinha mais tarde a ser denominado de metal épico, digna

de registo, numa longa jornada marcada pela loucura dos altos e baixos do panorama heavy metal

dos anos 90, que quase colocaram ponto final na banda. Foram resistindo contando sempre com

uma legião de fans bastante fieis ao seu estilo e aos seus princípios., o que ainda hoje os faz correr

mundo! Em tempo de aniversário marcado com a estreia de um novo trabalho, de nome To Kill A

Kinge de mais uma tournée, os Manilla Road, com o seu mestre, fundador,compositor, guitarrista e

vocalista Mark the Shark Shelton no leme, Bryan Hellroadie Patrick, voz, Andreas Neudi Neuderth,

bateria e Phil Ross, no baixo, parecem mais fortes do que nunca. Do nosso país guardam excelentes

memórias e aqui pretendem voltar novamente em breve. A WOM foi à conversa com Mark 'The

Shark' Shelton e Bryan 'Hellroadie' Patrick, onde falou sobre, passado, presente e planos futuros. 40

anos de Manilla.

Miguel Correia

Foto por Richard Cathey


Altos e baixos até ao momento?

Shark - Houve muitos

pontos altos ao longo do

caminho. Aprender música

era provavelmente o primeiro.

Seguido por muitos eventos ao

longo dos anos, como encontrar

outros músicos que queriam

formar uma banda comigo, o

primeiro dos sonhos dos Manilla

Road, era conseguir chegar pela

primeira vez a um estúdio, para

assim poder gravar, encontrando

um negócio de rótulos,

chegando a fazer shows com

outras grandes bandas que eu

idolatrado, podendo viajar pelo

mundo. Estes são apenas alguns

dos pontos altos e eu gostaria de

acrescentar que este ano inteiro

foi talvez como um ponto alto

para mim. No que diz respeito

aos pontos baixos, penso que

talvez o nível mais difícil tenha

sido o meio do final da década

de 1990. Era uma conquista

apenas para continuar sendo um

músico de metal naqueles dias e

para passar por esses momentos

e realmente levar a banda de

volta à vida no olho do público

foi com certeza um dos maiores

altos.

Em algum momento naquele

inicio sentiste que poderiam

chegar até aqui?

Shark - Claro, era um sonho,

eu sempre sonhei e esperava

que chegar ao nível em que os

Manilla Road estão agora. E

acho que eu teria que dizer, que

eu sabia porque eu mantive fé na

música e nunca desisti, mesmo

quando parecia infrutífero

continuar. Então eu acho que

sempre acreditei que deixaria

pelo menos alguma forma de

pegada musical nos livros de

história. Tenho a sorte de estar

vivo e poder fazer o que faço e ter

uma base de fãs incrivelmente

fiel que me permite continuar

a fazer música, o que é outro

ponto alto fantástico para minha

carreira, uma vez que se não

fossem eles e se não fosse para

eles, os Manilla Road, nunca

teriam sido o que somos.

Em meados dos anos

90, a cena do metal

estava quase morta.

Acho que a maioria das

pessoas pensa que os

Manilla Road foram

dissolvidos, ou parou

por quase 9 anos, mas

isso não é verdade.

Shark, o que aconteceu

durante os anos 90?

Sobreviveram, mas não foi

fácil!

Shark - Em meados dos anos

90, a cena do metal estava quase

morta. Acho que a maioria das

pessoas pensa que os Manilla

Road foram dissolvidos, ou parou

por quase 9 anos, mas isso não

é verdade. A única vez em que

os Manilla Road não estiveram

juntos de alguma forma foi

por um período de 2 ou 3 anos

enquanto eu estava envolvido

com outra banda que formei

chamada Circus Maximus. Nós

ainda fizemos um álbum, mas a

editora decidiu que ele deveria

ser lançado como um álbum

dos Manilla. Depois disso,

Randy Foxe e Harvey Patrick,

juntaram-se a nós e mantivemos

essa formação por alguns anos

trabalhando localmente na nossa

cidade natal de Wichita. Não

conseguimos encontrar uma

editora à qual nos pudéssemos

juntar e o mercado do nosso

estilo de música, mesmo em

nosso próprio pais, estava

desaparecendo. Nós estávamos

à beira da popularidade séria

com lançamentos como Crystal

Logic, Open The Gatese The

Deluge, mas foi de curta

duração, pois tudo parecia virar

numa direção desfavorável para

nós. E sim, houve algumas

perdas que você pode dizer

quando se trata de membros

da banda indo e vindo. Mas

está tudo bem, porque sempre

pretendi que a Manilla Road

fosse uma entidade em evolução

de qualquer maneira, então, na

realidade, todas as mudanças

ao longo dos anos ajudaram

a manter essa evolução em

andamento.

Foi essa a principal razão para

que a banda se mantivesse?

Shark - Essa é a mais simples das

perguntas para eu te responder.

O amor pela música e pelos

nossos fãs, foram o grande foco.

Como eu disse antes, nossos

fãs são realmente a razão pela

qual aos Manilla Road ainda

estão hoje aqui e, enquanto

houver esse tipo de apoio e

amor, continuarei a fazer o meu

melhor para manter a banda viva

enquanto os fãs desejarem.

No início, as tuas influências

levaram a que a tua música

fosse descrita como rock ou

metal espacial. Como surge

um som assim, quais são as

principais influências?

11


Shark - Naquela época eu

estava realmente na onda

Hawkwind, Pink Floyd, UFO

na sua fase inicial, Scorpions

etc. Eu, para além disso também

fui influenciado pela música

sintetizadora de nomes como

Vangelis, Tangerine Dream,

Synergy entre outros. Então, a

abordagem do acid rock estava

meio embutida em mim. A

minha primeira grande influência

de guitarra foi Jimi Hendrix, e

ele era aquele tipo de material,

de guitarra espacial. Eu tenho

muitas influências ao longo de

todos os anos começando com

compositores clássicos para

Black Sabbath, Deep Purple,

Uriah Heep, Return To Forever,

King Crimson, Judas Priest,

Iron Maiden e uma infinidade

de outros que ajudaram a moldar

meu estilo de escrever e tocar.

Há realmente muitos mais, o que

torna difícil de nomeá-los todos.

Nós estaríamos aqui todo o dia e

noite fazendo essa lista.

Quem são os teus guitarristas

favoritos?

Shark - Toni Iommi, Michael

Schenker, Hendrix, Al Dimiola,

Robert Fripp, Glen Tipton and

K.K. Downing, Dave Murray and

Adrian Smith, Billy Gibbons,

Brian May, Alex Lifeson, e mais

uma vez estariamos aqui muito,

muito tempo para completar esta

lista.

Um novo álbum! Agora que

"To Kill A King" está na rua,

como vocês se sentem, comesse

trabalho e quais são as reações

dos fãs e da imprensa até

agora?

Shark - Olha, eu adoro o álbum.

Acho que é um dos nossos

12

melhores esforços de produção

no Midgard Sound Labs e estou

muito orgulhoso disso. Adoro

as músicas e performances e as

obras que Paolo fez são incríveis

como sempre. Quanto à resposta,

tudo bem que eu ouvi de nossos

fãs? Quanto à imprensa parece

que é 95% sim e 5% não. Eu

geralmente não me concentro

nas críticas, mas devo admitir

que é bom quando a maioria

deles é favorável, naturalmente.

Bryan - Eu estou muito animado

e orgulhoso com as reações dos

fans e até de grande parte da

imprensa. Tudo muito positivo

e na mouche para aquilo que

foram os objetivos que o Mark

estava a tentar alcançar. Cada

um dos álbuns tem sua própria

identidade e este não é diferente.

Grande composição e letras

misturadas com a bateria de

Neudi e nosso novo baixista Phil

Ross...

Comparado com o material

dos anos 80?

Shark - Espero que existam mais

semelhanças do que diferenças,

porque nós só podemos ter esta

opinião depois de ter passado

e experimentado tudo o que

ficou. Há muitas semelhanças

que eu ouço em To Kill A King

com Out Of The Abyss, The

Delugeaté com Mystification

em algumas passagens. Mas,

na maioria das vezes, não tento

acompanhar as comparações. Eu

costumo ir na direção que meus

próprios escolhas me levam. Eu

gosto de deixar a inspiração da

música conduzir o processo de

criação, mais do que a precisão

da premeditação. Eu não gosto

de aderir à equação da música

normal e amo experimentar com

os estilos de fusão juntos. Este

tem sido um padrão desde a

década de 80 que ainda continua

até hoje.

Bryan - As semelhanças são

simples...Mark Shelton! As

diferenças também são simples...

Mark Shelton, mais antigo e

mais sábio! (risos) Eu posso

entender os fãs na tentativa

de comparar o novo material

com o dessa época. Sabes, está

estruturadoem músicas com

longos anos de estilo, solos e riffs

que hipnotizam melodicamente

sua mente, está tudo aí!

Shark, como é o trabalho de

dividir as vozes com o Bryan.

A chegada dele alterou alguma

coisa no teu processo de

composição?

Shark - Na verdade não. Ele

pode cantar algo mais do que eu

posso nesta altura. Seu alcance

vocal é mais alto do que o meu,

desde que eu possa cantar, ele

também pode. Nós decidimos

quem irá cantar determinada

música após o processo de

criação e acabou. Embora

existam algumas músicas que

eu tenho especificamente para o

Bryan ou mesmo a voz dele em

mente ao trabalhar nelas. Mas eu

não diria que mudou o processo

de escrita...

Bryan, o teu papel na banda

mudou, eras roadie, road

manager, entre outras papeis

que desempenhaste. O ano

2000 trouxe nova mudança,

mas agora mais visível. Dividir

as vozes com Mark...esta

mudança mudou alguma coisa

em ti, mudou a forma como

olhavas para a banda, estando

agora num papel diferente?


Bryan - Olha, só isto, desde ai

estou a viver a melhor fase da

minha vida e não mudaria nada!

Mark tem feito isso há muito

tempo e estou feliz em fazer parte

da jornada junto com ele todos

esses anos, de diferentes formas...

Para vocês para além das

vossas influências musicais,

quais são as bandas que mais

vos impressionam nestes

últimos dez anos?

Shark - Quanto às novas

bandas de metal, seria uma lista

bastante longa, mas deixo alguns

bastante interessantes como

Argus, Ironsword, BattleRam,

BattleRoar, Etrusgrave, Mist,

Castle, Firebrand Superrock,

Orchid, Night Demon... poderia

estar aqui a noite toda (risos).

Bryan - Ah, só bandas metal....

Night Demon! Visigoth, Eternal

Champion, estas três para mim

são fantásticas!

Concordam com a afirmação

de Gene Simmons de que O

Rock Morreu?

Shark - Ah não!

Bryan - Olha...fácil, acima

de tudo que se foda o Gene

Simmons! O rock pode estar

morto “BUT METAL IS ALIVE

AND KICKING ASS!” Olha

para Portugal, Ironsword! “They

kick ass”, digo o que sinto de

todo o coração, só a verdade!

Há projetos paralelos em

curso?

Shark - Agora, estou já a trabalhar

no próximo álbum dos Manilla

Road. Eu já tenho um projeto

gravado com Rick Fisher chamado

Riddlemaster, que será lançado

em dezembro deste ano e também

terminei um álbum eletrónico, só

meu, que será lançado digitalmente

em algum momento num futuro

próximo também. Por enquanto,

acho que é suficiente considerando

todas as turnês que fazemos nos

dias de hoje.

Bryan - Sim, sim, gostava de um

dia fazer qualquer coisa a solo...

Duas visitas a Portugal. O

nosso país em duas palavras.

Em duas palavras. Pensam um

dia regressar?

Shark - Olha, nós contamos voltar

assim que for possível. Fiquei

estupefacto quando atuamos no

Metal Keeper festival este ano

e claro agradecemos a todos os

nossos fans o carinho e atenção.

Up The Hammers and Down

The Nails.

Bryan - Espero regressar muito

em breve! Amo Portugal, sem

dúvida! Os nossos fans são

apaixonados e inteligentes,

sempre com um sorriso...adorei

Para todos vocês...Up the Super

Bock to the North And Up the

Sagres to the South! (risos)

Cheers..... Felicidades!

13


eNTREVISTA

NTREVISTA

O black metal nacional está longe de estar estagnado. O álbum de

estreia dos Mandragora Malevola, "Awakening The Impvre" é só

mais uma prova. No entanto, a banda vai mais além do black metal e

é uma força completa no que à música extrema diz respeito. A banda

é composta pelo duo Kaos e Igniferum e ambos receberam-nos para

uma conversa esclarecedora sobre o mundo negro dos Mandragora

Malevola.

Fernando Ferreira

Olá pessoal. Muitos

parabéns pelo vosso

álbum de estreia, que

é uma excelente obra

de black metal, bem

dinâmico. Calculo que

estejam satisfeitos com o

resultado final.

Kaos – Boas! Antes de

mais, obrigado pelo apoio

fornecido pela World of

Metal e parabéns pelo

vosso trabalho! Sim,

eu pessoalmente estou

bastante satisfeito com

o trabalho! Claro que

poderia estar muito melhor,

mas essa autocrítica é

sempre normal depois de

se terminar um trabalho,

existe sempre algo que

poderia ser melhorado

14

ou ter sido feito de outra

forma. Tento nem sequer

pensar nisso, está feito

e lançado, agora não há

muito a fazer, não vale

pena nos lamentarmos.

Quais têm sido as reacções

que têm recolhido até

agora de “Awakening

The Impvre”.

Kaos – Até ao momento,

com apenas o álbum em

formato digital e em edição

de autor, as reacções

têm sido satisfatórias.

Curiosamente, penso

que tenhamos tido mais

alcance com a Demo de

2015 do que propriamente

com o álbum até ao

momento, mas assim é

a vida… Vamos ver se

com o lançamento em

formato físico este Outono

pela Throats Productions

se rompemos algumas

barreiras e se chegamos a

um público maior.

É possível notar uma

evolução da demo “Black

Flame Ov Illumination”

para “Awakening The

Impvre”. Foi algo

pensado, o caminho

que queriam seguir?

Principalmente no que

diz respeito à variedade

e abrangência nos

arranjos.

Igniferum – Desde que

fundámos a banda em

2013 que o nosso objectivo

foi sempre a criação do

álbum "Awakening the

Impvre". A composição e

escrita de todas as músicas

e letras para o álbum ficou

terminada em 2014. No

entanto, passado dois

anos desde a fundação de

Mandragora Malevola,

ainda não tinhamos nem

uma amostra do nosso

trabalho nem consciência

de como este seria recebido,

e por isso decidimos

lançar a demo "Black

Flame Ov Illumination"

em 2015. Esta demo é

essencialmente uma versão

menos trabalhada de duas

músicas do álbum, e contém

uma faixa exclusiva,

"Mandragora Malevola",

que serve o propósito de

apresentar os ideais da

banda. A evolução que se

deu entre o lançamento

da demo e do álbum

deve-se essencialmente

à regravação de alguns

instrumentos e a uma

mistura mais paciente.

O formato duo tem ganho

bastante adeptos na cena


lack metal. No vosso caso,

como funciona? O Igniferum

trata de todas as composições

e depois Slade Von Kaos trata

das letras ou ambos têm igual

impacto no processo de escrita?

Igniferum – Basicamente é

isso, eu trato da composição e o

Kaos das letras, e cada um revê

e critica o trabalho do outro.

Para o "Awakening the Impvre"

começámos por decidir o tema do

álbum e como é que este deveria

ser abordado musicalmente,

em quantas músicas deveria ser

dividido, e como elas deveriam

fluir entre si ao longo de toda

a duração do álbum. Tomadas

as decisões gerais, passei à

composição das músicas. Ao

terminar as músicas, apresenteias

ao Kaos para ele criticar e fui

fazendo as alterações necessárias

até estarem "aprovadas". À

medida que as músicas foram

sendo terminadas, começou ele

a escrever as letras, as quais

também critiquei ou "aprovei".

O "formato duo" provavelmente

ganha tais adeptos porque permite

que o trabalho de composição e

de estúdio corra com muito mais

fluidez e perfeição, ao contrario

de bandas com mais membros,

onde quase que inevitavelmente

surgem mais dificuldades e

problemas de comunicação

e organização, o que resulta

ou no atraso ou até mesmo na

impossiblidade de terminar um

projecto.

Que tipo de inspiração mais

próxima têm os Mandragora

Malevola? E é mais nacional

ou internacional?

Kaos – Pessoalmente não

sigo de perto o movimento

nacional. Conheço os principais

representantes do género em

Portugal, até porque não são

muitos, mas não nos identifico

com eles. É no panorama

internacional, Escandinavo

e Polaco, que Mandragora

Malevola mais se identifica mas

tentamos não nos comprometer

ou nos limitar a seja o que for em

termos de influencias. O nosso

objectivo, aliás como penso

de qualquer banda, é ter uma

sonoridade própria e honesta.

Ponderam dar concertos ao

vivo e em ampliar a formação

para o efeito?

Igniferum – Temos a

possibilidade de tocar ao vivo

em aberto, mas se trabalhar a

dois tem um defeito é mesmo

esse: duas pessoas não fazem o

trabalho de cinco em cima de

um palco. Não só não temos de

momento músicos suficiente

disponiveis e interessados para

trabalhar connosco, como a

nossa própria disponibilidade

não permite tocar ao vivo.

Cada vez são menos os

concertos em Portugal com

bandas nacionais de Black

Metal. Aparentemente

existe hoje uma preferência

pela mesma formula já

repetida do Thrash/Death/

Core.

Em relação à cena de black

metal nacional, como é a

vossa visão da mesma? Desde

concertos até às bandas em si.

Kaos – Como já tinha respondido

anteriormente, actualmente não

sigo a cena nacional de perto.

Segui nos anos 90 e princípios

de 2000, mas depois deixei

de ter interesse, até porque o

movimento morreu um pouco.

Existem boas bandas em Portugal

que são as que sobreviveram

desde essa altura mas no que diz

respeito a sangue novo estou um

pouco desactualizado. Também

reparo que cada vez são menos

os concertos em Portugal com

bandas nacionais de Black Metal.

Aparentemente existe hoje uma

preferência pela mesma formula

já repetida do Thrash/Death/Core.

É isso que observo em Portugal,

o cenário é igual de norte a sul

do país, sempre com as mesmas

bandas e praticamente sempre o

mesmo género musical. O Black

Metal está vivo em Portugal e

existe público, simplesmente não

se vê! E se calhar é assim mesmo

que deve de ser, estar restringido

a um Underground dentro do

próprio Underground.

Segundo a vossa página do

facebook, onde se pode ler e

passo a citar “Mandragora

Malevola é um manifesto de

liberdade moral, o caminho

esquerdo da independência

espiritual, o local onde o

Homem se ergue no Centro

do Universo. Mandragora

Malevola não tem o propósito

de descarregar energias ou

exorcizar demónios, mas sim

conhece-los e aceitá-los como

parte essencial da natureza

Humana.” Mais do que apenas

black metal, do que a soma

de letras e riffs, a essência

dos Mandragora Malevola é

fundamentalmente filosófica,

não? Essa é uma componente

que falta no black metal hoje

em dia?

Kaos – Para mim o Black Metal

passa por ser mais filosofia do

que propriamente a música. O

que tentamos com Mandragora

Malevola não é transmitir um

Satanismo Medieval de adoração

ao Demónio, até porque isso para

mim não faz qualquer sentido e

me é extremamente contraditório

em muitos sentidos. O que

tentamos é mostrar um estado

de revolta a qualquer sistema

mandatário que nos impeça de

pensar ou agir como realmente

temos necessidade de o fazer,

e obviamente o nosso alvo é a

religião que nos tornou escravos

e nos limitou o pensamento ao

longo dos séculos com ideais

que não fazem rigorosamente

sentido nenhum, especialmente

nos dias de hoje. Para mim é

esta a essência na mensagem do

Black Metal, seres o teu próprio

Deus e seguires as tuas próprias

ideias. Obviamente a música

é um factor importante mas

podemos encontrar os mesmos

blastbeats, guitarras rasgadas,

teclados ou gritos em outros

géneros musicais no metal, mas

a filosofia do Black Metal é

única! É isso que, para mim, faz

o Black Metal ser tão genuíno e

magnífico!

15


eNTREVISTA

eNTREVISTA

Korpiklaani são uma das bandas mais queridas do folk metal. Como foi possível comprovar no

concerto meses atrás no Vagos Metal Fest, grande parte dessa adoração vem das actuações

festivas da banda. Por isso mesmo, o lançamento do primeiro álbum/DVD ao vivo da banda é um

acontecimento. Fomos falar com Sami Pertulla para ficarmos a saber mais sobre este lançamento

e sobre os planos futuros da banda.

João Coutinho

16


Finalmente os Korpiklaani têm

um álbum/DVD ao vivo. É esse o

sentimento dos vossos fãs. É também

o vosso?

Sim, claro! Já queríamos fazer um

dvd à muito tempo, mas finalmente

conseguimos fazê-lo desta vez e

nesta ocasião. Tentamos numa tour

na America do Sul mas houve uns

problemas técnicos que levaram a que

não fosse possível mas, finalmente,

juntamos material suficiente para o

fazer.

Porquê agora? É a altura perfeita

pra lançar este tipo de álbum?

Sim, penso eu. O nosso último álbum

de estúdio foi lançado em 2015 e por

isso acho que esta é uma boa altura para

este lançamento. Primeiro de tudo, não

é assim tão fácil fazer um álbum ao

vivo. O nosso vocalista misturou ele

mesmo o álbum. Leva sempre o seu

tempo pra lançar o DVD.

Não há qualquer trabalho de estúdio

por de trás do “Live At Masters Of

Rock”. Tiveram vários concertos

para considerar qual seria o melhor

para lançar ou sabiam desde o

começo que o concerto no Masters

of Rock seria ideal?

No DVD estarão 2 concertos. Ambos

do Masters of Rock! Acho que o tempo

é certo, como já te disse. Já andamos há

muito tempo a tentar arranjar material

mas ainda não tínhamos sido capazes

de o fazer. Tudo leva o seu tempo.

Quando as bandas têm um certo

número de anos de carreira, é

inevitável ter uma certa fórmula

quando tocam ao vivo, há muitas

que têm de tocar. Tentam não tocar

sempre as mesmas músicas e mudar

a setlist?

Claro que há clássicos que não

podemos deixar de fora. Músicas como

“Vodka”, por exemplo. Não mudamos

de setlist muito frequentemente, sendote

franco. Quando lançamos um álbum

novo claro que tentamos introduzir

músicas novas mas à parte disso não

costumamos mudá-la.

Qual foi o local mais exótico onde já

tocaste?

Penso que uma das memórias mais

exóticas que tenho é nos Cárpatos,

num festival lá. É no meio do nada mas

é extremamente bonito e o festival é

no topo de uma montanha. Tem uma

vista tão bonita e sentia me como se

estivesse no paraíso.

Vão fazer algumas promoção ao vivo

do DVD?

Sim, estamos a fazer isso e a Nuclear

Blast está a ajudar nos. É sempre bom

termos vídeos a saírem de modo a

cativar Ainda mais os fãs a comprarem

o nosso DVD e estarem atentos ao

lançamento.

O “Noita” foi lançado à dois anos.

Novidades em relação ao ovo álbum?

Quando o podemos esperar?

No próximo ano. Estamos a trabalhar

nele para que no próximo ano esteja cá

fora.

Considerando que estamos a falar

porque há um álbum ao vivo que

vocês estão a lançar, eu tenho

que perguntar ... quando estás a

escrever músicas novas, tentas

levar em consideração como elas

vão soar ao vivo, ou o vosso foco

é apenas escrever o melhor que

conseguirem? Já te deparas-te com

algumas músicas que ao vivo não

têm a mesma sensação que na sala

de ensaios?

Claro. É uma pergunta difícil. Algumas

musicas soam melhor no álbum, é

verdade. Acho que, por exemplo, não

tocamos o “Noita” todo ao vivo porque

sentimos que algumas musicas não

são tão boas ao vivo e, mesmo por

esse motivo, decidimos que não as

deveríamos tocar.

17


eNTREVISTA

Avatarium surpreenderam tudo e todos com a sua estreia e têm

vindo a solidificar o seu percurso com um crescimento musical

impressionante. "Hurricano and Halos" junta-se a esse propósito

e é a razão de mais uma digressão. Fomos falar com Marcus

Jidell, guitarrista, e ficámos a conhecer mais sobre o mundo dos

Avatarium

João Coutinho

18


Pronto para mais uma

digressão? Ansioso por

tocar?

Sim, estou extremamente

entusiasmado! Vai ser a

primeira vez com os novos

membros da banda! São

músicos extremamente

talentosos e não posso

esperar por tocar com

eles! Estou extremamente

entusiasmado para tocar as

novas músicas, sabe muito

bem.

Nos próximos concertos,

vão trazer mais músicas

“Hurricane And Halos”

para a setlist?

Sim, claro! Acho que

finalmente temos a

possibilidade de fazer a

setlist que sempre quisemos

fazer. Há tantas musicas

diferentes, muitas com

imensa energia, o que é

muito bom. Adoramos

as pesadas e calmas mas

também é excelente ter

músicas enérgicas. Por isso

sim, vai haver muita energia

no alinhamento!

O Leif Edling vai tocar

com vocês nesta digressão?

Não, não. Ele não toca no

álbum. Ele é como se fosse

um mentor, Ainda escreve

algumas coisas para a banda

mas não, não vai connosco

em digressão. Neste

momento o nosso baixista

é considerado dos melhores

das Suécia e mal posso

esperar para tocar com ele,

tem muita energia ao vivo, o

que será ótimo para a banda.

Sobre o próprio álbum,

isto realmente demonstra

que vocês já possuem a

vossa própria identidade.

Vocês sempre tiveram

isso, mas percorreram

um longo caminho desde

ser apenas doom metal

com voz feminina. Agora

parece muito difícil rotular

o vosso som - que na minha

opinião é um elogio por

conta própria. Esse foi

o objetivo ao escrever

"Hurricane And Halos”?

Muito Obrigado! Fico muito

feliz por teres gostado do

álbum! Acho que é uma

coisa natural para nós seguir

este caminho. Claro que

adoramos bandas doom como

os Sabbath mas também

é importante a energia e

as músicas acousticas!

Tentamos sempre encontrar

a nossa própria voz e o nosso

próprio estilo.

Ainda sobre o vosso som,

tu e a banda têm sempre

uma ideia clara do que

fazer criativamente?

Sim, acho que nós temos

sempre uma ideia clara do

que pretendemos atingir.

Quanto mais tocas, mais

facilmente encontras o

teu som. É um processo

natural. Tentamos explorar

o nosso som de modo a

torná-lo pessoal e único. Há

demasiadas bandas em que

um membro quase “ordena”

os outros a tocar um estilo de

música. Nós não queremos

estar incluídas nesse lote de

bandas.

Não importa o som, parece

que a Jennie está cada vez

mais à vontade com seu

papel como frontwoman,

não concordas?

Sim, ela cada vez melhora

mais e mais. Cada vez que

tocamos ao vivo ela está

melhor. Tornou-se uma

excelente frontwomen. Ela

segura tudo, musicalmente e

em termos de concertos. Ela

é muito confiante. A coisa

mais impressionante nela

é que consegue ser frágil e

poderosa ao mesmo tempo.

Podemos esperar os

Avatarium em Portugal

num futuro próximo?

Adoraria! Neste momento

não tenho a certeza. Não

sei a razão pela qual não

tocarmos aí. Desta vez

vamos ter uma pequena

tour, de 15 dias, que é o que

podemos fazer no momento,

devido a motivos familiares

e pessoais. Felizmente no

próximo ano iremos tocar aí,

espero eu!

Vou terminar com uma

sugestão, Avatarium e The

Doomsday Kingdom. O

que achas? Provavelmente

terias de tomar esteroides

mas seria um grande

alinhamento.

(Risos). Seria um conjunto

de bandas bastante bom

mas não tenho a certeza se

conseguiria tocar por duas

bandas(risos). Acho que o

King Diamond fez isso com

os Mercyful Fate mas não

tenho a certeza (risos).

19


eNTREVISTA

Da cena underground nacional, os In Vein são uma das

bandas de destaque e que mais têm tocado ao vivo. Numa

pausa entre descarregar material e subir ao palco para mais

um concerto, tivemos uma curta conversa com o Paulo

Monteiro, um dos guitarristas da banda, que demonstrou

muita animação por poder tocar cada vez para mais pessoas.

João Coutinho

20


O vosso primeiro álbum

de estúdio é intitulado

“Ressurect”.Como têm

sido as reações não só do

público mas também da

imprensa?

O público gostou e comprou

o disco. A imprensa pareceme

que estava à espera de

mais da nossa parte. Fica

aqui prometido à imprensa

que o próximo álbum será

melhor e que os In Vein

tentarão demonstrar, Ainda

mais, a sua identidade.

Falando um pouco mais a

fundo do álbum, há algum

tema que liga todos as

faixas ou são elas apenas

vivências dos membros da

banda?

Todas elas são vivências do

nosso vocalista. A ligação

entre elas é o António visto

que são todas vivências dele.

Ele quis contar a história da

infância e da adolescência

dele através das nossas letras

e penso que foi algo muito

bem conseguido.

Antes de começarem

a trabalhar no álbum

tinham uma ideia clara do

que pretendiam atingir? Se

sim, conseguiram-No?

Conseguimos atingir o

máximo de nós. Em termos

de som superamos, sem

duvida, tudo aquilo que nós

pensamos no início. Para

nós era incapaz fazer algo

tão bom a nível de som,

mas chegamos lá e estamos

extremamente orgulhosos

do que atingimos. Mesmo a

nível de produção.

Houve alguma razão em

específico para a escolha

da Raising Legends para o

lançamento do vosso álbum

de estreia? Há planos para

distribuição lá fora?

Simplesmente por ser a

melhor escolha no norte de

Portugal. Trabalhamos muito

para isto mas felizmente

conseguimos e aqui estamos.

Claro que há planos para

distribuição lá fora, há

sempre. Mas para o próximo

já está quase garantido.

Temos conseguido

ter quase sempre o

mesmo panorama

de reações, havendo

sempre festa.

Além de vários concertos

que têm dado um pouco

por todo lado para

promover o “Resurrect”

foram confirmados como

primeiro nome do Vagos

Metal Fest. Como te sentiste

quando contactaram a

banda e como surgiu a

oportunidade? Devem

tudo ao vosso fã que levou

o cartaz para o recinto?

Devemos grande parte a esse

mítico cartaz. 80% ou até

mais foi devido ao facto de

eles quererem e acreditarem.

O resto penso que foi o

trabalho que já andamos a

desenvolver desde o início

da banda, que nos levou a

tocar num festival de nome

como o Vagos.

Como tem sido a

experiência da digressão

do “Resurrect” até ao

momento?

A experiência tem sido

satisfatória. Temos conseguido

ter quase sempre o

mesmo panorama de reações,

havendo sempre festa. E

enquanto houver festa nós

estamos feliz e queremos

sempre mais (risos).

Em termos de ofertas para

tocar no estrangeiro, já

tiveram? Várias bandas

underground no nosso

país como os Analepsy têm

tido ofertas para tocar no

estrangeiro. Para os In Vein

isto é possível ou Ainda é

uma realidade longínqua?

Sem ser uma ida a Almada

não (risos). É margem sul,

não é bem Portugal (risos).

Não é algo tão longínquo mas

não é fácil para uma banda

fazer esses quilómetros

todos. Mas vamos tentar

melhorar para em breve

estarmos a tocar lá fora!

21


eNTREVISTA

NTREVISTA

Os Eluveitie sofreram uma pesada mudança no seu alinhamento

- que veio a resultar no nascimento dos Cellar Darling - e os fãs

temeram que a banda não conseguisse recuperar. Com a segunda

parte de "Evocation", um ábum inteiramente acústico, a banda

renasce e cala as bocas de preocupação. Fomos confirmar com

Chrigel Glanzmann, líder e membro fundador da banda, como está a

ser este momento de renovação.

João Coutinho

22


Aqui estamos nós com o novo

álbum dos Eluveitie, após um

difícil período. Como te sentes

com o álbum lançado?

Sinto-me muito, muito feliz!

Com uma transformação tão

grande no alinhamento deves

ter passado um momento

difícil. Esperavas que isto

acontecesse?

Bem... (risos) estivemos juntos

por mais ao menos dez anos, e

isso pode ser considerado um

logo período de tempo,

por isso sim. As pessoas

desenvolvem-se e os

grupos também. É algo

natural. Claro que se

me dissesses isto há

cinco anos atrás eu não

acreditaria. Isto não é

algo que esperas que

acontece mas sim, pode

acontecer e neste caso

aconteceu. O último ano

foi muito difícil. Como

banda e mesmo a nível

pessoal.

De qualquer maneira,

aqui estás tu, com

o “Evocation II:

Pantheon”. Podes nos

dizer se esta segunda

parte fora planeada

para ser lançada

agora? E tiveram

os novos membros

impactos nas novas

composições?

Sim, ambos. A decisão

foi tomada já há algum

tempo. A maioria da

escrita de letras foi feita

nos últimos meses e

sim, os novos membros

tiveram impacto.

Sempre foi assim

e sempre será. Nos

últimos 12 meses e com os novos

membros a atmosfera na banda

tem sido excelente. Crescemos

todos como um grupo de pessoas

e músicos! É uma atmosfera

muito familiar mas muito

dedicada!

Escrever exclusivamente

material acústico é mais

desafiador não achas? Com

distorção podes esconder

algumas falhas mas em

acústico não há espaço para

errar. Sentes alguma pressão

extra ou é normal para ti?

Eu não sinto a pressão e acho que

nenhum de nós a sente. Não acho

que este é o caso. Nós estamos

a produzir um álbum e queremos

que seja bom, seja em acústico

ou não.

Podemos esperar uma digressão

completamente em acústico

para promover o “Evocation

II”? Ou vão misturar as vossas

duas faces?

Nunca digas nunca. Mas para já

não vamos dar uma digressão

completamente acústica. Para

já, ir em digressão pela Europa

está confirmada e vamos com

uma digressão completamente

metálica. Isto não quer dizer

que não tocaremos músicas

do álbum. Tu podes colocar

algumas musicas do álbum num

Set metálico, na minha opinião!

“Evocation” como o nome

sugere, invoca a natureza,

as maneiras e as crenças

antigas. Consideras que os

tempos antigos eram mais

saudáveis que o tempo que

vivemos ultimamente? E que

a preocupação com a natureza

caiu no esquecimento?

Por um lado, temos de admitir

que infelizmente já está no

esquecimento. Na minha opinião,

é mais saudável do que o que

temos hoje em dia. Eu escrevo

as letras para mim mesmo e

não gosto muito de

pregar as ideias das

minhas letras, são

apenas as minhas

ideias pessoais.

Sentes que agora

tens uma união

forte dentro da

banda? E podes

nos falar um pouco

mais dos novos

membros?

Tenho de dizer

que quando os

membros antigos

saíram da banda

nós percebemos

que tínhamos de

procurar bem por uns

novos integrantes.

Sabíamos que

tínhamos tempo

para escolher mas

ao mesmo tempo

tínhamos muitas

digressões marcadas

e concertos em

festivais que

dissemos, desde

o início que não

iríamos cancelar.

Todos são

excelentes músicos

e contribuíram para

o melhoramento dos

Eluveitie como um todo!

Vieram a Portugal e foram bem

recebidos. Sabes se vão voltar

em breve? Está algo planeado?

Como deves calcular não somos

nós que marcamos as digressões

e não sei as datas em particular

das digressões! Mas sim, espero

que seja possível voltar a tocar

em Portugal!

23


THE NEON GODS

“Ao contrário daquilo que as modas e a ditadura da

indústria musical dos 1990’s tentaram estabelecer, o

Rock n Roll não tem de ser lamechas, inocente e pálido.”

24


“Infelizmente, o panorama nacional nunca foi fértil em bandas inspiradas na faceta glam do hard rock

mas, à primeira vista, parece que estamos agora bem representados com os AFFÄIRE ” - Revista Loud!

“Melhor banda portuguesa do ano” Programa de rádio "On The Rocks"

“It’s always a good sign if within a few seconds, you know you are going to like a band. AFFÄIRE play the kind

of ’80s friendly glam and/or sleaze metal music that is easily what I want to hear.” - Sleaze Roxx (Canadá)

“Band of the week” - Rock Or Die (Japão)

Foi desta forma que “At First Sight”, primeiro álbum dos portugueses AFFAIRE foi acolhido na imprensa

especializada, a nível nacional e mundial! Depois partilharem palcos com nomes como Paul Di Anno e os

House Of Lords, surgem agora, com o EP “Neon Gods”, mais recente trabalho. A WOrld of Metal foi à conversa

com J.P. Constanza, baterista da banda lusa e tentou saber quem são e para onde vão...

Miguel Correia

25


Como e em que contexto

surgiram os Affaire? Quem

são os Affaire?

Demo-nos a conhecer no

verão de 2011, altura em que

aparecemos aparentemente do

nada com o single “Born Too

Late” (lançado apenas em vinil),

com a estreia ao vivo e com uma

personalidade já traçada. Para

trás tinha ficado cerca de um

ano com algumas experiências

de line-up, composição e

preparação da identidade da

banda. E ainda mais para trás

fica o acumular de ideias durante

anos que não faziam sentido na

minha banda anterior. Quando

essa banda acabou, abriu-se

naturalmente uma janela para os

Affäire ganharem forma. Desde

a fundação estamos eu (J.P.

Costanza, baterista) e o Rick

Rivotti (guitarrista). A formação

completa-se com o D.D. Mike

na voz e o Tawny Rawk no

baixo.

Quais as vossas influências

musicais?

O grandioso hard rock dos 80s

é o grande responsável pelo

som que fazemos, não há que

negá-lo, antes pelo contrário,

é a principal e assumidíssima

influência. Mas não é a única.

Sempre tivemos no sangue

o gosto pelo heavy metal

tradicional e pelo punk rock.

Sem entrar em demasiados subgéneros,

é correcto dizer-se que

estes são os ingredientes que

estão na base do que fazemos.

Foi o início de um sonho?

Todos nós já passámos por outras

bandas e não partimos para os

Affäire a sonhar com contos de

fadas. Também temos noção do

26

contexto em que vivemos, tanto

no que diz respeito à época

como à localização geográfica.

Mesmo assim, esta é a nossa

identidade e acreditamos nela.

O meu sonho é no fim do ano

a banda ter subido mais uns

degraus relativamente a um

ano atrás, não parar de crescer

ainda que a velocidade não seja

meteórica. Poder fazer o som que

queremos, com credibilidade,

ir lançando trabalhos novos

com regularidade e ir gerando

interesse de novas pessoas já

é uma recompensa valiosa.

Se chega? Não, não chega.

Acho que seremos sempre

eternos insatisfeitos. Importa é

transformar essa “inquietude”

em produtividade e fazer com

que, no fim do dia, a banda

ganhe com isso.

Poder fazer o som

que queremos, com

credibilidade, ir

lançando trabalhos

novos com regularidade

e ir gerando interesse de

novas pessoas já é uma

recompensa valiosa. Se

chega? Não, não chega.

Certamente marcante foi a

experiência de abrir para

nomes como Paul Di Anno

e House of Lords, como foi

a receção dos diferentes

públicos, até porque estamos a

falar de nomes com sonoridade

algo distinta.

Talvez estejamos a meio

caminho entre Paul Di Anno

(NWOBHM e punk rock) e

House of Lord (melodic hard

rock/AOR). Talvez por isso não

destoamos completamente de

nenhum, o que ajuda a explicar

termos sido bem recebidos,

até com alguma curiosidade.

Não é que sejamos famosos

agora, mas esses concertos

aconteceram ainda no primeiro

ano de actividade dos Affäire e

certamente 90% de quem lá foi

não fazia ideia de quem éramos.

Foi um passo para conseguirem

se juntar à Demon Doll

Records? Foi fácil chegar ai?

Penso que o interesse da Demon

Doll se deveu claramente a

terem ouvido um advance do

nosso álbum de estreia. No dia

seguinte enviaram-nos logo

uma proposta de contrato. Dito

assim, parece que foi fácil, mas

o que lhes chegou às mãos não

nos caiu do céu. Foi importante

termos lançado o nosso álbum

de estreia por uma editora de

culto deste género, para mais

sediada na histórica “capital”

do Hard Rock, Los Angeles.

Abriu-nos algumas portas, algo

que de outra forma dificilmente

aconteceria.

Ai então surge “At First

Sight”, vosso primeiro longa

duração oficial. A critica não

podia ter sido melhor. O que

sentiram?

Está quase a fazer dois anos

que saiu o “At First Sight” e a

sensação é que já foi há mais.

A verdade é que foi uma estreia

sólida, onde nada foi deixado ao

acaso. Se o álbum saísse hoje,

continuaria muito satisfeito com


o resultado final. Aconteceu

muita coisa entretanto e,

modéstia à parte, constatamos

que esse álbum colocou-nos

no mapa deste género musical

no underground internacional e

deixou uma marca no Hard Rock

nacional. A excassez de bandas

portuguesas assumidamente

deste género também ajuda, é

um facto.

Acham que tudo isso elevou

ainda mais a fasquia para os

objetivos da banda?

Sem dúvida, mas penso que

respondemos bem a isso. O

novo disco “Neon Gods” está

aí e, mais do que o que nós

achamos, importa as pessoas

ouvirem e darem a sua sentença

quanto a essa fasquia. Apesar da

edição em digipack, facilitámos

a audição disponibilizando as

músicas todas nas plataformas

digitais, à medida de cada um...

Olhando para o passado, anos

80....acham que seria mais

fácil vingar nessa altura?

Porquê?

Em Portugal teria sido

bastante difícil, mas teríamos

mais hipóteses, dada a maior

popularidade deste género

na época e a maior abertura

de grandes editoras para

lançamentos de rock. Nos

E.U.A., as hipóteses seriam

outras, mas também é verdade

que havia uma competitividade

extrema. Para cada banda

que rompia, 999 falhavam na

sombra. Mas tudo estava em

aberto, tudo podia acontecer. E

ao menos estaríamos a viver o

sonho, a acreditar que iria durar

para sempre e sem fazer ideia

de que iria aparecer uma nuvem

negra chamada grunge! Sem

dúvida que trocava.

Diferenças para o que se vê

atualmente?

Incomparável. Só podemos falar

do conhecimento “histórico”

que temos, porque nos anos 80

nenhum de nós tocava ainda em

bandas. Falando de Portugal,

agora existem melhores

condições para haver uma

gravação decente e para uma

banda ter uma “carreira” mais

sólida. A nível global, tenho

obivamente de mencionar a

música na era digital como um

pau de dois bicos: por um lado,

permite um acesso mais livre para

uma divulgação sem barreiras

do ponto de vista das bandas e a

um poço sem fundo para quem

quer conhecer mais música,

seja ela recente ou antiga. Por

outro, banaliza e desvaloriza o

produto musical. Ninguém quer

saber dos músicos que gravaram

e lançaram algo com esforço

e baseado nas suas poupanças

pessoais, é como se até a autoria

da música tivese passado a ser

uma ideia descabida ou virtual.

Além de que a facilidade de

acesso conduziu a uma oferta

extremamente saturada.

Quais as maiores dificuldades

com que uma banda se depara

de hoje em dia, pois são poucos

os artistas nacionais que

conseguem, vá lá sobreviver,

só da música?

Talvez comece na falta de

abertura dos principais meios

de divulgação para sair do

círculo restrito dos lobbies/

grupos económicos/editoras/

promotores que insistem em

promover os mesmos de sempre,

em preferir manter a postura de

carneirinho que ouve o que lhe

impingem e promove o que lhe

mandam promover. E porque o

fazem? Para tentarem provar-se

relevantes, desesperadamente

jovens ou simpelsmente para

garantirem a continuidade

desses círuclos de interesses.

Sem divulgação nos maiores

canais, as bandas que fogem

ao “mais do mesmo” ou que

não estão inseridos nessas

correntes de favores estão

de certa forma confinadas ao

underground. Falando do lado

financeiro, é uma conversa já

um pouco gasta mas penso que

existe uma relação directa entre

a ausência de incentivos e o

desconhecimento generalizado

no exterior sobre música

portuguesa, exceptuando o

fado. Em muitas das críticas

que lemos ao nosso trabalho,

temos de levar com a cassete do

“Portugal é conhecido pelo seu

sol e praias mas não por uma

tradição de bandas de rock ou

metal”...

Lembro neste seguimento dos

Moonspell, com toda a certeza

o nome mais consagrado

mundialmente da cena metal

nacional. Sons diferentes, mas

ambições iguais, é assim com

os Affaire?

Os Moonspell tiveram a sorte

de surgir no timing certo – o

boom do gothic metal nos 90s

- mas também tiveram mérito

no trabalho consistente que

os mantem no topo da cena

nacional há mais de 20 anos.

Mas há bandas portuguesas com

as quais me identifico mais e que

mereciam mais algum tempo

de antena. A cena nacional

27


não pode ser vista como, de

um lado, os reis Moonspell

como um eucalipto e, o resto,

a plebe, mera paisagem para

encher o cenário. Compreendo

que tenham mais destaque, mas

considero desmesurado que, das

raras vezes que o conservador

mainstream nacional espreite

no hard’n’heavy, veja sempre

os mesmos. Seria um bocado

forçado dizer que ambicionamos

chegar ao nível de notoriedade

deles. As probabilidades jogam

contra nós e, como disse atrás, a

ambição é fazer por ir crescendo

e logo se vê onde conseguimos

chegar.

Como veem o panorama

nacional? Bandas de

referência para vocês?

Sinceramente, nós preocupamonos

sobretudo em fazer bem a

nossa parte. E daí parte o nosso

contributo. Sabemos que há

bandas interessantes, mas não

somos propriamente ávidos

conhecedores da actualidade

do panorama nacional. Isto

explica-se em parte com o

facto de sermos totalmente

influenciados a nível musical, de

ética de trabalho e da forma de

pensar a banda com exemplos

vindos de outros países. Por

isso, é natural que não exista

nenhuma banda nacional que

seja uma referência para nós:

nenhuma nos influenciou. O

que não quer dizer que não

gostemos de bandas nacionais.

As minhas preferências vão

para Tarantula, Midnight Priest

e o álbum de 1992 dos Joker,

“Ecstasy”. Acho que a única

banda nacional consensual nos

Affäire e presença certa quando

estamos na estrada são os

28

míticos Ena Pá 2000!

Sendo o nosso meio algo curto,

digo isto no sentido de sentir

e perceber que a imprensa

escrita é reduzida, abundam

claro as publicações digitais,

que implicam menores custos,

mas para as quais nós sentimos

muitas das vezes o fechar da

porta por parte de grandes

promotores, a rádio está

há muito “comprada” para

determinadas divulgações, e

grande parte dos concertos vai

funcionando um pouco como

underground, arrastando

“minorias”, devido aos espaços

também eles não oferecerem

as melhores condições para

outros voos. Não estou a

menosprezar, estou só a

tentar perceber, qual a vossa

sensibilidade e o que acham

que falta para que tudo fosse

diferente, mais motivante

para o vosso lado, enquanto

músicos, compositores?

Essas são perguntas que também

fazemos a nós próprios. Para

bandas da nossa “divisão”, não

acho que haja falta de espaços

com condições razoáveis. Talvez

haja alguma falta de amor à

música e à cultura rock n roll.

Em querer ajudar a manter viva

uma cena e ajudá-la a crescer.

Há obviamente excepções e,

falando pelos Affäire, sempre

tivemos bastante airplay nas

principais rádios nacionais

ligadas ao rock. Em programas

de autor, é certo, onde “políticas”

não entram, mas também é

nesses que se vê o amor à

camisola. Sentimento que já

falta quando existem inúmeras

casas com nomes pomposos -

fica sempre “cool“ usar e abusar

da palavra rock, mas depois não

ter a integridade de fazer jus

ao nome. Seja por preferirem

apostar consecutivamente em

bandas de covers ou por uma

atitude de quem faz um favor

em receber bandas para tocar ao

vivo. Infelizmente, esse amor

à camisola também falta no

público que diz gostar de rock.

Tirando uma restrita minoria,

quase ninguém tem coragem de

sair de casa para ver concertos

que não sejam as romarias ao

Parque Marítimo de Algés...

O EP “Neon Gods”, surge este

ano com 4 temas originais uma

cover, “I Saw Her Standing

There”, dos The Beatles, que

eu particularmente acho

fantástica e aproveito para vos

dar os parabéns pelo trabalho.

Qual o próximo passo?

Obrigado pelas palavras e pelo

interesse! O novo disco é muito

recente e ainda há muita gente

que precisa de nos conhecer,

só que ainda não sabe! Essa

é a nossa tarefa constante e

quero aproveitar para agradecer

a todas as pessoas que têm

perdido o seu tempo a partilhar

a nossa música por aí e a darnos

a conhecer, a troco de nada!

Isto seria muito mais crítico sem

esse apoio e é uma das razões

que nos faz continuar aqui.

Ainda nos continuam a chegar

críticas ao disco vindas de todo

o lado, que vamos partilhando

nas redes sociais. Neste outono

vai sair o primeiro videoclip

oficial retirado de “Neon

Gods”. Paralelamente, estamos

a trabalhar em músicas novas

e não escondo que em 2018

vamos querer dedicar-nos a um

segundo álbum.


29


eNTREVISTA

"Deep Calleth Upon Deep" é provavelmente um dos discos mais

aguardados do ano. Depois das notícias sobre o tumor de Satyr e

a incerteza acerca do futuro da banda - afinal este poderá muito

bem ser o seu último álbum - fizeram com que as atenções se

concentrassem ainda mais. Frost recebeu-nos para um simpática

conversa acerca do actual momento da banda, o novo álbum e para

além dele.

João Coutinho

30


Como é ter mais um álbum

e começar a montanha

russa de entrevistas outra

vez?

É sempre entusiasmante

começar mais um ciclo de

entrevistas com o novo álbum

“Deep Calleth upon Deep”.

Já não lançávamos um álbum

desde 2013 e estou ainda

mais entusiasmado com o

que ainda há por vir. Espero

que os nossos fãs estejam tão

entusiasmados como eu e o

Satyr por começar mais uma

jornada!

O álbum anterior foi sentido

como que se mostrasse toda

a vossa carreira, e ainda

foi capaz de trazer de volta

alguns fãs antigos. Esse

facto constituiu um desafio

extra para escrever "Deep

Calleth upon Deep"?

Sim, claro. Já andamos por

aí a fazer música há algum

tempo e sempre quisemos

melhorar cada vez mais

de álbum para álbum.

Sempre tentámos inovar e

desenvolver um pouco o

estilo de música que tocamos.

Sentimos que realmente

atingimos o objectivo que

nos auto propusemos com o

“Deep Calleth Upon Deep”!

E é um sentimento excelente

quando as coisas correm

como desejamos.

Para ti qual é o melhor ponto

do "Deep Calleth Upon

Deep"? Achas que terá um

papel preponderante na

vossa música como o vosso

álbum auto-intitulado?

Sim, apesar de para mim

este ser um álbum muito

diferente que nos leva para

outro patamar. Tem sido uma

jornada longa. Este álbum

é um passo Ainda mais em

frente dos Satyricon.

Podes falar-nos um pouco

mais do processo de escrita

do álbum? Ensaiaste muito

com o Satyr e as ideias

saíram daí?

Claro, ensaiamos muito.

Fomos ensaiar e sentimos que

tínhamos imensa criatividade

em nós que deveria ser

explorada. Queríamos

depositar Ainda mais de

nós no “Deep Calleth Upon

Deep” do que havíamos feito

em trabalhos anteriores. É

um processo muito dinâmico

e orgânico compôr e ensaiar.

Tudo o que nos fizemos

vem realmente do fundo

do nosso coração, desde o

primeiro dia.

A condição do Satyr (tumor

do cérebro), vai afetar os

planos para digressões?

Temos muitos planos para

digressões! Temos planos

para praticamente todo o

mundo. Europa, América. O

álbum vai sair e vamos andar

em digressão por todo o

mundo durante 2018. Não me

lembro se vamos a Portugal

mas seria ótimo!

Os Satyricon têm agora uma

longa e diversa carreira.

Há algum momento na

carreira dos Satyricon que

hoje em dia não aprecies

tanto como antes?

Tudo o que nos fizemos vem

realmente do fundo do nosso

coração, desde o primeiro

dia. Por isso acho que

não. Estou extremamente

satisfeito com toda a carreira

dos Satyricon e penso que

ainda temos muito mais

por onde explorar, tentando

sempre evoluir Ainda mais

como banda.

Estás em duas bandas que

tocam Black Metal mas são

muito diferentes uma da

outra. Como sentes o género

hoje em dia, especialmente

toda a diversidade nele?

Não penso muito sobre isso.

Temos a nossa identidade

e uma voz muito clara

na maneira como nos

expressamos. Acho que isso

é mais que suficiente.

Os Satyricon têm uma

carreira rica, onde sentimos

que alcançaram tanto, mais

do que a maior parte sonha.

O que falta alcançar? O

que ainda há para fazer?

Acho que deve haver algo que

ainda não atingimos e que

falta fazer. Mas está na nossa

natureza ser impressivieis,

mesmo para nós próprios.

Temos respirado e vivido

este álbum, mas mais álbuns

virão e teremos oportunidade

de fazer Ainda mais!

31


Belphegor, pioneiros do metal extremo e uma das bandas mais poderosas e enraivecidas do momento. Com "TotenRitual"

como novo trabalho, não podíamos deixar de ter uma conversa com Helmut, o verdadeiro filho de satanás. Uma conversa

intimista na qual o vocalista nos fala do seu recente problema de coração e de todos os excessos na vida da banda.

João Coutinho

“TotenRitual” é o nome do vosso novo lançamento . É um registo escuro e pesado dos Belphegor. O tens a

dizer sobre isso?

O nosso objectivo principal foi criar a oferta mais brutal e pesada que consagramos até agora. Os tambores são

extremamente explosivos e muito técnicos com blastbeats, "fills", mudanças de tempo. O baixo é como um tanque

panzer que atravessa o terreno. As quatro guitarras rítmicas são agressivas e com um tom demoníaco obscuro. Também

acho que esta é a minha mais variada e melhor performance vocal até ao momento. Tenho grunhidos, gritos, spoken

32


word, cantos e até coros de monge como em “Apophis - Black Dragon" e "Embracing A Star“. Estou realmente

orgulhoso deste álbum e mal posso esperar até que ele seja lançado. Ele leva aos limites de tudo o que fizemos

anteriormente.

Como foi o processo de gravação e composição do álbum?

“TotenRitual” é a representação perfeita dos Belphegor numa encarnação ainda mais intensa e possuída. Faixas

como "The Devil's Son", "Swinefever - Regent Of Pigs", "Baphomet" são provavelmente o melhor exemplo de como

queríamos tocar no ano de 2017. A parede de som é simplesmente brilhante e impressionante, forjada na Flórida

/ E.U.A. por Jason Suecof e Mark Lewis nos estúdios Audiohammer. O feedback tem sido impressionante até ao

momento.

33


"não diria que estou mais forte, uma operação de

Vocês consideram o “Totenritual” o álbum mais ambicioso da vossa

carreira? Puxando os limites do que vocês fizeram no passado?

Sim, considero este o mais ambicioso. Esse foi o plano principal, com esta

linha mais forte que já tivemos para um registo Belphegor até agora. Parece

ótimo e estou muito orgulhoso deste novo LP. Deve notar-se que gravei todas

as guitarras para o álbum, mas contratamos sempre um guitarrista de sessão

experiente para apresentações ao vivo. O Serpenth faz tatuagens quando não

está ocupado com os Belphegor e é verdade que ele gravou o logotipo original

no estômago do baterista. Essa exibição de dedicação tornou mais claro que

queríamos assumir o baterista dos monstros alemães Bloodhammer na banda

como um membro permanente. Ele possui um estilo muito dinâmico e técnico.

Com ele na banda, conseguimos trazer todos os aspectos do nosso som para

o próximo nível de extremidade. Tudo parece mais brutal, mais possuído e

alcançou a vibração ritualista que imaginamos desde o início deste projeto.

Mesmo que este seja mais um álbum de metal extremo, não parece

previsível ou, como algo que já tenhamos ouvidoo antes. Como é

que conseguem fazer um registo que se sente fresco, mas também

permanecendo completamente fiel às origens do metal extremo?

Primeiro, as tuas palavras são muito apreciadas. Bem, a razão principal é

definitivamente que sintonizamos as nossas guitarras ainda mais baixas, de

modo a obter uma vibração mais baixa e mais ritmada. Temos muitas afinações

neste álbum: ajustes muito baixos em Si e Lá sustenido. Esse foi um grande

desafio para mim e para o Serpenth, o baixista. As duas afinações diferentes

demoraram muito tempo extra a estabelecer com cordas novas e mais espessas

e diferentes configurações de guitarra. Ele mostrou-me um novo mundo, foi

emocionante com todo o processo de composição / gravação do “Totenritual”.

E foi a decisão certa, então o nosso som desenvolveu-se novamente, ficou

fresco e aumentamos a dinâmica e a intensidade completamente dedicadas à

34

música extrema

Após a infecção pulmonar, voltaste

poderosa do que antes. Achas que est

para fazeres música ainda melhor p

melhores concertos ao vivo?

Eu não diria que estou mais forte, uma o

feridas irreversíveis. A banda é mais f

fazer um concerto tão bruto como actu

pouco mais sábio e mais focado hoje em

operação e nós estávamos cercados de

ou tocássemos. Tudo foi excesso por m

mal: eu não quero perder esses tempo

suicida”, mas se o meu corpo não tiv

estaria morto agora ou mesmo num h

um pouco de sorte, porque eu sei que

forma. Fiquei apaixonado por aquilo,

importante como comer. De qualquer

quando estas próximo da morte. O m

trouxe um novo tipo de loucura de vol

banda.

De volta ao dia em que vocês co

misturar tão bem ambos os géneros

que nunca tinha sido feita antes?

Sim, estávamos entre as primeiras b

simbiose perfeita de ambos os estilos e

estivessem a fazer isto. A cena extrem

Death Metal. Para nós, foi natural, já


coração faz sempre algumas feridas irreversíveis."

ainda mais forte e com a voz mais

a foi uma espécie de motivação extra

ara os fãs quando voltaste? E fazer

peração de coração faz sempre algumas

orte hoje em dia, nunca conseguimos

almente. Para mim, talvez eu seja um

dia. Eu era viciado em álcool antes da

excessos, onde quer que estivéssemos

ais de quinze anos. Não me interpretem

s, foi ótimo viver este “estilo de vida

esse que parar, tenho certeza de que

ospital psiquiátrico. Então, sim, tive

nunca teria parado o excesso de outra

muito apaixonado e na época, era tão

forma, há um tipo especial de loucura

eu coração não estava a trabalhar. Eu

ta comigo, que certamente melhorou a

meçaram, como foram capazes de

de metal extremo de uma maneira

andas da Europa que criaram uma

xtremos. Não havia outras bandas que

a do metal foi dividida em Black and

que o nosso antigo guitarrista Sigurd

[1993-2006] era mais o maníaco do Black Metal, enquanto eu estava mais no

Death Metal, e nós éramos os principais compositores, então, sim, é isso que

fizemos, tentando fundir esses sons majestosos arcaicos juntos , e criamos o

nosso som desde então.De qualquer forma, somos pioneiros no Metal extremo

e nós trabalhamos muito para chegar a este ponto.

Vocês anunciaram uma digressão européia e Portugal não está na lista.

Algum motivo especial ou não havia interesse dos promotores? Vocês

acham que podem voltar cá para tocar no SWR Barroselas metal Fest

Tal como fizeram em 2013?

Sabes que não somos promotores. Está na hora de voltar a Portugal. Já faz

um tempo e esperamos ter a oportunidade em 2018. Um festival ao ar livre

seria excelente, nós entraríamos com um ritual completo para dar às pessoas

uma performance diferente. É mais uma cerimónia de morte e magia do que

um concerto de metal típico. Assim que ouço a introdução, cheiro o incenso,

a minha mente muda para outra realidade e eu desço para outro reino. Eu

adoro deixar espiritualmente o meu corpo num mundo demoníaco por mais

de uma hora. Cada concerto tem o seu próprio sentimento, cada cerimónia é

desafiadora, não importa se tocamos para 200 ou 20.000 pessoas.

Obrigado pelo teu tempo e muita sorte com o álbum e as digressões!

Espero ver-te em breve em Portugal!

Obrigado pelo espaço na World Of Metal, João. Além disso, eu quero agradecer

às pessoas que ouvem os nossos CDs, compram merch nos concertos e todos

os que frequentam os rituais ao vivo dos Belphegor. Bem, espero que as

pessoas não possam esperar para ter o novo álbum, intitulado “Totenritual”,

e apoiar-nos para que possamos continuar a marchar com a máxima força em

todo o mundo! Voltar a Portugal em 2018 é o plano. O inferno espera-nos!

35


Os Septicflesh foram mais uma daquelas bandas da vaga dos anos 90 que “explodiram” completam

a banda assumiu um papel de destaque no panorama da música extrema mundial, fazendo digressõ

pelos seus artworks idealizados por Seth Siro, que também já trabalhou para bandas nacionais com

conversa via Skype com um dos gênios por detrá

36


ente pelo mundo. Com a sua mistura inegavelmente estonteante de Death Metal e orquestrações,

es por todo o mundo e vendendo milhares e milhares de discos. Além da sua música, são conhecidos

o Moonspell. Com o “Codex Omega” sempre bem presente nas nossas mentes tivemos uma excelente

s da máquina, Christos Antoniou. - João Coutinho

37


O “Codex Omega” é totalmente diferente

do “Titan” ou de outros álbuns dos

SepticFlesh.

O “Codex Omega” aparece após

27 anos de carreira e está a ser

considerado um dos vossos discos

mais consistentes. Partilhas da

mesma opinião?

Sim, o “Codex Omega” destaca-se

como sendo o nosso melhor e mais

maduro trabalho. Tem elementos

de todas as eras dos SepticFlesh.

Trabalhamos arduamente para

este álbum, estávamos muito

concentrados a fazer várias

experiências. Foram diversas

coisas que fizemos, de modo a

que o novo trabalho soasse a algo

fresco. Até agora pela crítica e pela

recepção que já tivemos parece

que o “Codex Omega” será o disco

de maior destaque em toda a nossa

discografia. Estamos ansiosos por

38

ouvir Ainda mais opiniões sobre o

nosso novo álbum!

A parte orquestral é, como

de costume, um dos melhores

pontos da vossa música. Onde se

inspiram para as escrever?

Sabes, somos todos fãs de bandas

sonoras e música clássica. E isso é

muito importante, visto que assim

partilhamos todos as mesmas

influências. Ouvimos muita música

moderna e diversos compositores

mundiais e usamos esta “arma” à

nossa maneira. Nunca temos de

contratar ninguém. É algo bastante

simples de fazer para nós porque

temos todos os mesmos interesses

e conseguimos criar as diferentes

partes de orquestra, o que é

extremamente importante para

uma banda como nós.

Quando pensamos que vocês não

conseguem escrever um álbum

melhor, vocês vão lá e escrevemno.

Como é que conseguem

escrever música tão complexa

e fazê-la parecer tão simples ao

mesmo tempo? E fazer sempre

melhor do que haviam feito

anteriormente?

Para nós cada um dos nossos álbuns

é especial. Ficamos nos nossos

estúdios privados, a pensar em

algumas ideias. Fazemos sempre

um “brainstorming” com algumas

das ideias para composições e

vamos sempre à procura de algo

que tenha qualidade e que nos


satisfaça. Para os SepticFlesh estes

processos são todos extremamente

importantes. O processo de

composição, as letras, o artwork.

Nós levamos o nosso tempo. Não

tentamos apressar demasiado as

coisas e damos sempre o nosso

melhor. Vamos fazer isso sempre.

Quando sentirmos que não temos

nada para oferecer a quem nos

ouve paramos a banda, é simples.

Nos álbuns dos Septicflesh o que

vem primeiro, as orquestrações

ou os riffs?

Bem, tudo é igual. Porque, na

verdade, nós tocamos metal. E

mesmo sendo a parte orquestral

importante para nós e sendo

também uma maneira de nos

distinguirmos dos outros, o metal

é também muito importante. Posso

dizer que as partes orquestrais

são fundamentais na banda, tendo

exatamente o mesmo peso que a

parte dos riffs.

Falando sobre o novo produtor

neste álbum. O que é que o Jens

Bogren trouxe aos Septicflesh?

Foi recomendado pelos

vossos amigos portugueses, os

Moonspell?

O Jens Bogren é um produtor muito

ativo. Ele já trabalhou com tantas

bandas grandes e nós tentamos

sempre mudar de produtor, de

modo a não soarmos igual ao

nosso lançamento anterior. O Jens

é um produtor excelente e acho

que ele fez o melhor trabalho até

ao momento em todos os álbuns

de SepticFlesh. Aprendemos

certas coisas com ele. Aprendemos

como combinar e, especialmente,

encontrar o equilíbrio entre as

partes orquestrais e as partes de

metal, e adoramos o facto de ele

ter feito a mixagem também. É um

prazer ter este tipo de produtores.

Adoramos tê-lo como produtor do

“Codex Omega”.

Consideras que a mudança no

som em termos de atmosfera do

“Titan” para o “Codex Omega”

é devido ao produtor, à banda ou

aos dois?

É um som completamente diferente.

O Jens traz um som muito diferente

aos discos. Claro que o produtor

não é suficiente para fazer um bom

álbum. Como eu já tinha dito, tu

tens de encontrar a tua maneira,

pois a música vem do teu coração,

dos teus dedos. Não é só o som. O

som é muito importante mas vem

depois. Primeiro tens de ter uma

visão da maneira como te queres

expressar. Temos de experimentar,

temos de nos concentrar, temos

de nos dedicar aquilo em que

acreditamos. O “Codex Omega” é

totalmente diferente do “Titan” ou

de outros álbuns dos SepticFlesh.

De onde veio o nome “Codex

Omega”?

Bem, “Codex Omega” é o 3º

testamento. É uma música

extremamente anti-religiosa que

defende que todas as Bíblias foram

concedidas por mentes humanas e

a maneira mais eficiente de liderar

as ações e os pensamentos de

alguém.

Como todos nós sabemos o

Seth Siro é o responsável pelo o

artwork nos SepticFlesh e este

novo álbum não foi exceção. No

processo, ele vem com uma capa

final e mostra ao resto da banda,

ou vocês discutem algumas

ideias para que ele depois possa

trabalhar?

Nós temos algumas conversas

no início mas primeiro, como é

óbvio, vem a música e só depois

vem o visual e as letras. Nós

temos a nossa opinião mas nós não

interferimos muito no trabalho do

Seth. Ele faz o design à maneira

dele. Nós confiamos uns nos outros

e sabemos sempre que o Seth traz

o melhor trabalho possível, bem

como eu nas orquestrações. É uma

química que já funciona à tantos

mas tantos anos.

Também gostaríamos de vos

congratular por terem batido o

recorde de pre vendas da Season

Of Mist. Deve ter sido uma

grande sensação. Como foi a tua

reação?

Ficamos extremamente satisfeitos.

Só demonstra que o álbum foi

devidamente apreciado por parte

dos nossos ouvintes e demonstra

que nos expandimos, de certa

forma, para um conjunto de novos

fãs. É sempre receber este tipo

de notícias mas nós continuamos

a trabalhar. Pretendemos sempre

alcançar mais e melhor.

Em termos de digressões,

sabemos que vão andar em

digressão com os FleshGod

Apocalypse em Breve. Têm

outros planos que incluam

Portugal?

Nós vamos fazer uma digressão

europeia e outra norte americana

mas é demasiado cedo para

mencionar algo sobre essa

descrição. Vamos à América

Latina com os FleshGod, depois

temos alguns concertos no Dubai,

África do Sul. Depois vamos

nos concentrar nas digressões na

Europa e Estados Unidos!

39


Steven Wilson

O Senhor Progressivo

Por Filipe Ferreira

40


Algures no final dos anos 80 e influenciado

pelo som de bandas de rock progressivo

dos anos 70 como Pink Floyd, Steven

Wilson começou a fazer experiências

num estúdio caseiro sendo autodidata

em vários instrumentos como guitarra,

teclados, baixo, flauta entre outros.

Eventualmente essas experiencias

tornaram-se nos Porcupine Tree ao uma

das bandas mais importantes no rock

progressivo dos anos 90 em diante. Além

da carreira com os Porcupine Tree e muitos

outros projectos como Blackfield ou No-

Man, Wilson ganhou também fama como

engenheiro de som tendo feito misturas

para álbuns de Anathema, Jethro Tull ou

King Crimson, e como produtor, tendo

por exemplo produzido e participado em

vários álbuns de Opeth incluindo a obraprima

da banda sueca “Blackwater Park”.

Em 2010 depois de terminar a tour do álbum

dos Porcupine Tree “The Incident” Wilson

decidiu colocar a banda na gaveta durante

algum tempo e dedicar-se á carreira a solo

já que os vários membros dos Porcupine

Tree tinham ideias diferentes para o rumo

a seguir. Ao longo dos anos a banda

britânica passou por várias fases, desde

o som mais progressivo e psicadélico até

ao álbum de 1996 “Signify” ao prog mais

acessível de “Stupid Dream”e “Lightbulb

Sun”, e por fim desde a entrada do

baterista Gavin Harrison no álbum “In

Absentia” (ainda hoje o meu preferido),

os Porcupine Tree tornaram o som mais

pesado aproximando-se mais do metal.

Em 2008 Steven Wilson já tinha editado um

álbum a solo como forma de experimentar

sonoridades diferentes do que fazia nos

Porcupine Tree. Agora ao decidir dedicarse

totalmente á carreira a solo, Wilson

acabou por continuar a abordagem de

experimentação com o lançamento de

álbuns bastante diferentes entre si, desde o

jazzy “Grace for Drowning”até ao regresso

ás grandes influencias das bandas dos 70s

em “The Raven that refused to Sing (and

other stories)”e “Hand. Cannot. Erase.”,

ao som pop de “To The Bone”.

Se por um lado é uma pena uma banda

como Porcupine Tree estar parada,

também é verdade que desde 2011 esta

nova liberdade criativa permitiu a Wilson

lançar alguns dos melhores trabalhos

da sua já longa carreira. Aproveitando o

lançamento do novo álbum “To The Bone”,

fazemos aqui uma retrospetiva da carreira

a solo de Steven Wilson, incluindo esse

mesmo álbum.

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“Insurgentes”

2008 - Kscope

“Grace for Drowning”

2011 - Kscope

“The Raven that Refused to

Sing (and other stories)”

2013 - Kscope

O álbum de estreia a solo de Steven

Wilson, a fundador e a principal

mente por trás dos Porcupine

Tree, é uma homenagem às

bandas de shoegaze do final dos

anos 80. Os elementos prog rock

estão lá mas embrulhados num

manto de rock indie bem visível

na primeira música (e grande

destaque do álbum) "Harmony

Korine", também o tema mais

direto. Temos ainda as mais

ambientais "Abandoner", "Veneno

Para Las Hadas" ou as baladas

"Insurgentes" e "Significant

Other". Vemos ainda já uma pista

para a direção em que o músico

inglês irá no futuro a solo na muito

jazzy "No Twilight Within the

Courts of the Sun".

42

7.5/10

Depois de "The Incident" dos

Porcupine Tree, Steven Wilson

decidiu por a banda inglesa na

gaveta por algum tempo enquanto

se concentrava no trabalho a

solo. O resultado foi este "Grace

for Drowning", um trabalho bem

diferente do som quase metal

progressivo que os Porcupine

Tree tinham vindo a fazer nos

últimos anos. Neste álbum duplo

a abordagem é mais soft em

termos musicais, as músicas são

mais ambientais e progressivas

com as influências de jazz muito

salientes especialmente em

temas longos como "Sectarian",

"Remainder The Black Dog" ou

"Raider II". Existe ainda espaço

para uma melancolia suave

em "Deform to Form a Stare

Postcard", ou para temas mais

experimentais "No Part of Me",

"Track One" ou a perturbadora

"Index". Um álbum suave no som,

pesado no sentimento e com uma

aura bizarra que talvez não seja

tão fácil de ouvir como outros

trabalhos do britânico, mas tem

uma qualidade enorme.

9/10

Se em "Grace for Drowning Steven

Wilson tinha ido buscar influencias

mais progressivas com uma boa

dose de jazz, neste "The Raven

that Refused to Sing (and other

stories)" o som do rock progressivo

dos anos 70 foi abraçado na sua

totalidade. Para isto Wilson contou

com a ajuda de Alan Parsons na

qualidade de engenheiro de som,

função que tinha já desempenhado

no clássico "Dark Side of the

Moon" dos Pink Floyd. Luminol

com a sua longa intro instrumental

pautada pelo forte baixo e os

teclados funciona desde logo

como um mergulho neste ambiente

proggy. Não sendo este um álbum

conceptual existe no entanto um fio

comum a todas as músicas, cada

uma conta uma história envolvendo

elementos sobrenaturais e morte

de alguma forma. Na melancólica

"Drive Home" um homem que

perdeu a parceira num acidente

de viação, o relojoeiro que mata a

mulher e a enterra em casa em "The

Watchmaker" ou um idoso as portas

da morte que pede a um corvo que

cante para recordar a irmã á muito

desaparecida na emocional "The

Raven That Refused to Sing". Este

álbum é a perfeita demonstração

de rock progressivo á moda dos

anos 70 com um som e produção

perfeitos, com a sensibilidade

muito particular de Steven Wilson.

9.5/10


“Hand. Cannot. Erase.”

2015 - Kscope

“4 ½ ”

2016 - Kscope

“To the Bone”

2017 - Caroline International

"Hand. Cannot. Erase" é um álbum

conceptual inspirado na história de

Joyce Carol Vincent, uma jovem

mulher londrina que após se isolar de

família e amigos viria a morrer no seu

apartamento e apenas foi descoberta

dois anos mais tarde. Musicalmente

estamos ainda na esfera do rock

progressivo totalmente influenciado

pelas grandes bandas dos anos 70

com Pink Floyd a vir á mente mais que

uma vez, particularmente em Regret

#9. Ainda assim ao contrário do álbum

anterior, "Hand. Cannot. Erase." tem

uma sonoridade mais moderna ao

mesmo tempo. O tema do isolamento

está sempre presente, mas este

álbum acaba por ser musicalmente

menos negro que o anterior "The

Raven that Refused to Sing (and other

stories)" e com temas que apesar de

serem melancólicos têm uma certa

luz como "3 Years Older" ou "Happy

Returns". A grande excepção a essa

luz é o tema "Routine" um dos mais

deprimentes que Steven Wilson já

escreveu, mas ao mesmo tempo

incrivelmente belo. Este álbum acaba

por estar polvilhado por momentos

instrumentais de enorme qualidade

como em Home Invasion a já referida

"Regret #9" ou "Ancestral". O tema

mais semelhante a um single é a

música titulo que é simplesmente

perfeita. "Hand. Cannot. Erase." é

um álbum extremamente sólido que

flui de forma perfeita consegue ser

um álbum que ganha muito em ser

ouvido todo de seguida, mas todas

as musicas sobrevivem sozinhas.

Steven Wilson está aqui na sua

melhor forma, e entregou um álbum

que facilmente se tornou num dos

meus preferidos de sempre.

10/10

Como o próprio nome indica 4 ½

é o ponto intermédio entre o 4º

álbum a solo de Steven Wilson

"Hand. Cannot. Erase." e o 5º "To

The Bone". Este EP contém várias

músicas vindas das sessões

de "Hand. Cannot. Erase." mas

que não entraram no álbum. Os

temas contêm o mesmo estilo

que o 4º álbum do britânico

destacando-se "My Book of

Regretse Happiness III" que é

bem mais alegre que qualquer

coisa em "Hand. Cannot. Erase.".

Temos ainda vários instrumentais

com destaque para o excelente

"Vermillioncore" com destaque

para o excelente trabalho do

baterista Craig Blundell. Para

o fim temos ainda uma versão

do clássico de Porcupine Tree,

"Don’t Hate Me" em dueto com a

cantora israelita Ninet Tayeb que

assenta que nem uma luva na

música. Um EP interessante para

fãs de Steven Wilson.

8/10

Desde que se voltou a concentrar

no projecto a solo que Steven

Wilson tem abraçado o papel

de porta-estandarte do rock

progressivo, tendo vindo a lançar

dos melhores álbuns da carreira.

Agora com este "To The Bone"

o multi-instrumentista foi buscar

inspiração às suas influências

de tendência mais prog pop

vindas dos anos 80 como Peter

Gabriel, Kate Bush ou Talk

Talk. O resultado foi um álbum

orientado às canções, em que

os vários temas são mais curtos

e imediatos com um tom mais

feliz. O expoente máximo disto

é "Permanating" facilmente a

musica mais alegre e comercial

que Wilson fez em toda a carreira.

Mas antes dos fãs de prog rock

entrarem em pânico, há que dizer

que em To The Bone continuamos

no universo do progressivo com

o toque característico do músico

inglês. Bem prova disso são

temas como "Refuge", "Song of

Unborn" ou "Blank Tapes". Entre

os vários temas destacam-se

o tema titulo, "Nowhere Now",

"The Same Asylum As Before" ou

"Song of I". "To The Bone" não

é o trabalho de um musico que

se rendeu ao mundo da música

comercial, é apenas mais um local

que Wilson visita, e um álbum

sólido que pode agradar aos fãs

mais antigos, e conquistar novos.

9/10

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44

Pesadelos

por Fernando Ferreira

Capírtulo II - Os Lugares Místicos da Madrugada

-Calma Ana.

-Calma?! Calma?! Eu acabei de perder o meu filho e quase perdi o meu segundo esta noite!

Como podes esperar que esteja calma?!

-Eu posso compreender o que...

-Não, não compreendes! Tu não viste o teu filho a mergulhar num coma que dura há meses!

Nem tiveste o teu filho mais novo a acontecer o mesmo esta noite!

-Sim, é verdade mas não fui eu que fui ter contigo. Foste tu que vieste ter comigo, lembras-te?

-Mas o André... não foram vocês...

-É o que estou a tentar explicar-te desde que chegaste... eu nunca iria iniciar o André no

programa sem a tua autorização. Eu nem queria que o Diogo entrasse. Foste tu.

Ana perde as forças nas pernas e Jones ampara-a, sentando-a na cadeira.

-Então, como é que ele...?

-Não sei. Temos estado a tentar perceber o que se passou com o Diogo, a comparar os dados

com o que temos de todos os que caíram no sono sem chegar a qualquer conclusão. O único

avanço que tivemos foi a noite passada quando...

-Quando o André entrou no programa.

-Eu não sei como ele o fez mas não posso ignorar o que outros chamam de coincidências.

Já sabes que acredito que não existem coincidências. Porque é que tu sugeriste que o Diogo

entrasse no programa?

-Tu sabes bem porquê!

-Faz-me a vontade, é importante.

Ana suspira.

-Sugeri porque ele demonstrou-me ter uma capacidade incomum para controlar os sonhos.

Por chegar até a chamar-me aos sonhos dele. Fui idiota e condenei o meu filho, foi o que eu fiz!

-Foi esse sentimento de culpa que fez com que te afastasses do teu filho. Mas sabes o que eu acho?

Acho que foi esse afastamento que levou a que o André quisesse ir à procura do irmão. - Ana

prepara-se para protestar mas Jones levanta a mão, pedindo-lhe para acabar - Aquilo que não sabes

é que as habilidades do Diogo não são exclusivas a ele. Na verdade, talvez o André seja até mais

poderoso que ele. Aquilo que tu fizeste acabou por despertar exactamente esse poder latente. O

rapaz continuou onde o Diogo ficou, chamou-te ao sonho e conseguiu seguir em frente.

-Como é que sabes que ele seguiu em frente...? Ele assinou um contrato com o diabo!

-Ok, primeiro, ambos sabemos que o diabo que tu viste não é, não pode ser visto como o

diabo literalmente. Apenas aquilo que o diabo representa. Aquilo que não te podes esquecer


é que ele pegou onde o Diogo ficou, ou seja, ele não está a combater o seu subconsciente,

está a combater o subconsciente do irmão. São os nossos próprios medos que nos deixam

paralisados, os dos outros são mais fáceis de superar.

-Tenho tanto medo de o perder a ele também...

-Eu sei. Não te vou dar falsas esperanças. Continuamos a não saber como chegar ao sono,

continuamos a não saber o que acontece lá. No entanto, o que sabemos é que o teu filho não caiu

no sono. Os sinais vitais dele indicam apenas que está a dormir. O que também sabemos é que tu

entraste no sonho, ou seja, continuamos a ter uma perspectiva daquilo que aconteceu lá dentro.

-Mas eu não fiz nada!

-Eu sei, foi ele que te chamou. E se o fez uma vez, vai fazê-lo novamente. Aliás, o teu

subconsciente poderá estar lá neste momento, sem te aperceberes. Mas temos forma de saber

tudo, não te preocupes. Os teus sonhos serão tão vívidos como um filme. Neste momento o

André é a melhor hipótese que tens de recuperar o Diogo.

As chamas extinguem-se e tudo desaparece, como que sugado por um furacão. Um urro

infernal luta contra o inevitável mas não há como escapar à inevitabilidade. Palavras de ódio,

juras de vingança e maldições lançadas que não surtem o efeito desejado. O demónio sabe

disso e isso só faz com que o seu ódio aumente ainda mais. Apenas a mulher fica.

-O que aconteceu... a tudo?

-Desapareceram.

-Onde estamos?

-Não sei. Algum lugar sossegado...

A luz brilha fazendo com que o branco pulse e cores comecem a jorrar dele. Cores que pintam

paisagens de civilizações há muito esquecidas. As correntes do tempo são cortadas e manipuladas

ao sabor dos seus desejos. Lemuria, Pnath e Sarnath. Os segredos do Universo estão ao seu alcance.

Se ele mantiver os olhos abertos para eles. Esse é o seu desafio. A sua mãe, que continua atrás de si,

sabe disso. Também sabe que a sua posição é fácil. Que os seus próprios demónios, os seus próprios

receios conscientes podem afastá-la daquele lugar privilegiado. Enquanto isso, André mergulha

num mar de letargia perigoso. Onde as distracções surgem subtilmente. Instalam-se iludindo o

seu verdadeiro propósito. Assim como a sua própria mãe poderia ser levada a puxar o capuz do seu

manto para cima e a abrir o portal para a serpente assumir o seu lugar. Não é algo voluntário, ela

não tem escolha, mas ainda assim pode tentar usar isso a seu favor.

- "Prova o fruto do conhecimento, bebe o sumo da sabedoria e verás o que os teus olhos não

conseguem ver. E aí chegarás à Utopia!"

André está mergulhado numa doce dormência, num sono dentro do sono. Numa morte letárgica

que o vai envolvendo. À sua revelia vai crescendo um jardim à beira-mar, com pilares a cercá-lo.

Enquanto passeia dormente pelo jardim, encontra uma pequena estátua de uma Fénix dourada. O

céu cobriu-se de nuvens púrpura que choraram lágrimas de cristal, enlameando a pequena estátua.

-" A explicação correcta de símbolos depende de unicamente de ti. Não tenho muito tempo, o falso sol

vai mandar-me embora". - A figura encapuzada pega no ídolo e limpa-o, fazendo com que o mesmo

brilhe um dourado intenso. Do lugar de onde saiu nasce uma flor que germina rapidamente -Tu és

o senhor dos sonhos. Não permitas que... - a voz muda para um tom mais sibilante - ... durmasssss.

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A luz vai desvanescendo. "A visão invertida da alma é absorvida pelo turbilhão do ego caótico,

nu pela companhia familiar e quente da matéria". André não sabe mas é aqui onde "os desejos

e os medos são moldados, multiplicados sem controlo ao ritmo do êxtase, reunidos sob a

ameaça de futuras aflições". Ele tem apenas doze anos, não pode compreender o sítio onde

está nem o perigo que está a correr. Este é o local de todas as possibilidades, onde tudo é real

e irreal simultaneamente. Onde "futuros paralelos que possam nunca acontecer bloqueiam a

entrada ao refúgio sagrado interno." Apesar de se pensar que os sonhos são o portal para o

subconsciente, na verdade eles são o portal mais puro para todas as realidades, para todos os

mundos. Onde se pode chegar a todo o lado... e onde todos podem chegar até si.

A dormência é crescente o que faz com que a inquietação da sua mãe para controlar a figura

encapuzada seja descontrolada mas esse é precisamente o caminho para abrir o caminho para o

demónio. André alterou o contrato que assinou com o demónio porque aqui ele pode fazer tudo

o que quer. O segredo para triunfar é precisamente esse: querer. Pequenas sugestões, largadas

de forma subtilmente fazem com que o caminho desejado pelo caminho seja seguido. No entanto

existem outras sugestões. Deixadas pela sua mãe antes do demónio se apoderar do seu espaço.

Conforme a noite vai cobrindo os olhos de André, apenas uma luz permanece brilhante: a Fénix.

A estátua ganha vida e as pequenas mas poderosas asas batem, soltando faíscas pela escuridão.

E voa em redor de André até a escuridão ser total e apenas o dourado fogo restar.

-Cansssssado... porque mão dessscansssasss? Desssscansssa. Sssó por um bocado...- as palavras

são proferidas suavemente, mais baixo que um pensamento mas mesmo assim André obedece

e cai prostrado no chão.

A Fénix tenta continuar a voar mas é cada vez mais difícil até que volta até à posição inicial. O

dourado é substituído por um azul gelo que começa a espalhar-se pelo chão, pelas árvores e por

tudo o que encontra pela frente. O negro é vencido pelo castelo de gelo que se formou. Vazio de

vida, um tesouro sem preço para as crianças do sonho da serpente. Elas estão no grande pátio.

Imóveis, estéreis, estátuas sem vida. O corpo de André começa aos poucos a empalidecer. A perder

a cor. Tal como a Fénix. Seduzido como um bebé pelo sono onde toda e qualquer resistência

é inútil. A dormência canta-lhe aos ouvidos como as sereias encantavam os marinheiros, com

histórias de luxúria e promessas de riqueza. O demónio não sabe que André vai usar o canto das

sereias para encontrar o caminho de volta, como pequenas migalhas no chão.

O demónio deixa cair o manto e ri. A sua gargalhada ecoa pelos corredores frios do castelo

de gelo.

-Rapazinho, pensaste mesmo que poderias triunfar sobre mim? Eu desprezo toda a vida e toda a

humanidade. Os teus sentimentos, tão nobres, são um festim em minha honra. O teu medo, um

banquete pelo qual me delicio. Mas não é mais do que um aperitivo para o prato principal: a tua alma.

O seu corpo jaz gelado no chão duro e transparente. As sereias cantam abaixo de si, circulando-o,

como os tubarões circulam a sua presa. O seu canto atravessa a grossa camada de gelo e leva-o

a afundar-se naquilo que mais deseja. Em seu redor múltiplas estacas de gelo nascem do

chão, enquanto ele continua a ser alimentado pelo seu objectivo. Aquilo que mais deseja é o

seu irmão de volta e é ele que se materializa ao seu lado. Simultaneamente, André desperta e

quando verifica que conseguiu finalmente chegar a Diogo, abraça-o com toda a sua força.

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- Calma rapaz, estamos a sonhar mas ainda sinto as minhas costelas a ceder e os pulmões a

apertar. - André afrouxa o abraço por segundos, sorri e volta a apertar o irmão de igual forma

- Ok, ok rapagão. Vamos lá sair daqui.

- Sabes como sair daqui?

- Não faço ideia. Tu é que tiveste que vir buscar-me, lembras-te? Como é que chegaste até

aqui?

- Não sei... fui andando.

- Bem, já vemos isso. Agora é que temos sair daqui. Se bem me lembro, era tudo uma questão

de vontade... - conforme profere estas palavras - as estacas de gelo descem, tal como tinham

subido - Bem, e agora? Esquerda ou direita?

-Eu também tenho truques, mano - o castelo começa a derreter e um grande mar é formado a

seus pés e à frente de ambos, uma porta eleva-se da água - Vamos embora?

- Onde é que essa porta vai dar?

- A casa. A mãe vai-se passar quando te vir.

- A casa? Não podemos ir para casa.

- Como assim? Temos que ir para casa. Tu andas fugido ou quê?

- Nada disso, miúdo. Isto são cenas de adultos.

- Epá chega dessa coisa de adultos! A mãe andou dois meses a chorar pelos cantos sem me

dizer nada, como se eu fosse um monte de lixo. Cada vez que eu perguntava o que se passou

ela dizia que era uma criança, que eu não percebia. Mas eu estou aqui agora, não estou?!

- Ok, miúdo, e eu estou-te grato por isso, mas há aqui muito mais em jogo do que apenas o teu

maninho aqui. Por isso, segue pela porta que a mãe já deve estar preocupada.

- A mãe não se preocupa comigo, só contigo.

- Não sejas tótó, pá. Tu és a luz dos olhos dela.

- Nunca senti isso...

- Ouve, maninho, a mãe trabalha num sítio onde fazem investigações... digamos, científicas. E

eu ofereci-me como voluntário. É algo que tenho de fazer, não posso desistir.

- Então eu vou contigo!

Antes que Diogo consiga protestar, a porta abre-se e de lá saem uma hora de demónios alados

que voam na direcção dos irmãos que mal têm tempo para se baixar.

- Eles encontraram-nos! - diz Diogo.

- E nós temos que sair daqui. Tu disseste que tinhas que fazer qualquer coisa. FAZ QUALQUER

COISA!

- Mergulha!

André obedece ao irmão e tenta não demonstrar o medo que sente por estar a mergulhar na

água. Neste reino, aquilo que ganha vida é aquilo a que é dado atenção. E no momento em que

o seu corpo irrompe pelas águas geladas, as mesmas aquecem para uma temperatura tropical.

Uma temperatura que convida a aproximação de...

-"Tubarões!" - a palavra ecoa na mente de André e faz com que o seu corpo congele, algo que

não passa despercebido ao seu irmão que consegue ouvir os seus pensamentos.

-"André! Não te esqueças, isto é um sonho! Agora mete-me uma ventoinha nesse cu e mexe-te"!

- apesar da mensagem enviada, não adiantou. André estava imóvel e prestes a ser dilacerado

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por um tubarão branco. Como um torpedo, Diogo vai na direcção do irmão e pega nele, levando-o

para longe. Apesar de estarem debaixo de água, a sensação é como se estivessem a voar, com a

água a oferecer a mesma resistência que o ar oferece. Entram numa caverna aquática e passam

por um labirinto aquático até que chegam finalmente a uma câmara onde têm ar e terra firme.

- Estás bem, miúdo? - André cospe água enquanto tenta recuperar o fólego, algo que ainda

demora alguns longos minutos - Estás bem? - o irmão responde afirmativamente com um

aceno de cabeça - Não podes ter medo. Neste sítio, os teus medos voltam-se contra ti. Nunca

te tinha acontecido antes?

- Não... não pensei em coisas que tinha medo. Pensei apenas em ir ter contigo.

- Faz sentido. Não te preocupes, eu tropecei tantas vezes que é um milagre estar aqui.

- Como é que te apanharam?

- Não vamos pensar nisso... vamos antes concentrar-nos no nosso objectivo.

- Ir para casa!

- Não, meu. Ir em frente!

- Mas como é que eu hei-de saber concentrar-me no objectivo se não sei qual é o objectivo?

- Maninho, nem eu sei. Ninguém sabe. Ninguém chegou tão longe como nós dois.

- Então, como é que sabes para onde tens que ir?

- Pistas. Pequenas pistas. Tal como na vida, tens que saber em quem confiar, em que direcções

deves seguir.

- Ainda acho que há algo que não me estás a dizer.

Antes que pudesse elaborar mais, um grupo solene de encapuzados entra na câmara.

-"Este é o nosso tempo. Aqui está encerrado o conhecimento de toda a nossa civilização.

Vivemos muitos anos antes de vós. Ascendemos e desaparecemos e a nossa herança ficou

perdida. Até agora. Abram a vossa mente, fechem os olhos e aprendam."

Um turbilhão de informação é transmitida para os irmãos. Segredos do Universo. Da vida na

Terra, das civilizações perdidas da Lemúria e Atlântida . Conhecimento milenar, segredos de

como atravessar dimensões, controlar o tempo e desafiar as leis da física. Quando abrem os

olhos estão no espaço sideral. Constelações de estrelas, buracos negros e supernovas.

"Não tenham medo. Relaxem. Abrimos os nossos portais do conhecimento para que percebam o

que têm de fazer. Percebam de onde vieram. E percebam quem são. Esta é uma ligação que vão

ter sempre. Poderá ser sentido como um caos na vossa mente durante alguns momentos mas é

um instante de habituação. O nosso conhecimento vai ser a vossa estrela de iluminação. A vossa

estrela caótica. O vosso caminho para se reinventarem. Para se recriarem. Vocês podem ser tudo o

que quisrem. Não há limites. Apenas aqueles que quiserem impor a vós próprios. Vejam. Ouçam.

Sintam. Tudo o que é agora. Tudo o que foi. Agora vejam tudo o que está para além disso."

Do vazio do espaço, passam novamente para a caverna húmida mas o grupo de encapuzados

já lá não está. Diogo toma a dianteira e sobe o conjunto enorme de escadas que os levam até

à superfície. À sua frente, um enorme deserto. Vazio. Desolador. Uma brisa suave sopra grãos

de areia que fazem com que se forme uma figura de manto com capuz, uma figura que André

associa à sua mãe mas ele sabe que é outro ser que ali está.

- "Bem vindos. Contemplem... a terra prometida. Suméria!" - atrás da entidade revela-se uma

porta, tal como aquela conjurada pelo André anteriormente. Tal como antes, ela abre-se e

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sai de lá novamente o bando de demónios alados que encobrem o céu de negro. Com uma só

entidade, descem dos céus tomando uma forma de uma mão que com unhas bem pontiagudas

pegam na figura encapuzada e a atiram para os pés dos irmãos que ficam com o seu sangue

gelado quando vêem que é o rosto da sua mãe que é revelado.

- Fujam antes que sejam... - o seu rosto contorce-se como se pele estivesse a ser esticada como

plasticina até que surge o rosto do demónio - ...todos consumidos, sacos de carne!

- Mãe! - André grita e vai na direcção da figura que está caído no chão.

- André! Vamos embora!

- É a mãe!

- Nada é o que parece e isto não é mais que uma distracção! Temos que ir!

- Para onde é que vamos, estamos no meio do deserto!

- Puto, estás a ficar burro, ou quê?! Pensa!

Mais uma vez, as emoções de André levam a melhor em relação ao seu instinto e às suas

capacidades de manipular os sonhos. Era esse o intento do demónio. Instigado pelo irmão,

André volta à frieza. O medo de perder a mãe continuava bastante presente mas ele sabe que

não pode ceder o controlo do seu poder. Não neste momento.

- Corram rapazinhos, corram. Tornem este momento ainda mais saboroso. Tal como a vossa

mãe o torna ainda mais prazeiroso a tentar resistir ao inevitável. Não há como escapar, tal

como vocês não conseguem escapar das vossas fraquezas.

- Tretas! - diz André desafiador - Para quem não gosta de sacos de carne, andas com muita

vontade de te meteres dentro de um.

- Puto, o que é que...? - Diogo não acaba a questão quando André lhe pisca o olho. Aquele

sinal de confiança é totalmente novo para ele, afinal, o seu irmão sempre transmitiu dúvida e

sempre quis estar escondido do centro das atenções, mas havia algo que lhe diz que este era

um lado do seu irmão totalmente novo para si.

- "As minhas veias são negras do sangue de Tiamat. Os meus olhos espalham-se como as rodas

do tempo e do espaço. A minha vontade é forte como um golpe da espada de Marduk. Eu não

sou humano porque eu escolho saber". Eu escolho o conhecimento acima da fraqueza! Viver

como um deus. Todos nós somos deuses que vos permitimos viver com as nossas migalhas.

Nós viemos aqui para viver para sempre. Nós cheiramos a vossa carne e o vosso medo!"

- E mesmo assim, ainda querem passar para o nosso corpo... cheira-me a tretas.

- Rapaz insolente! Vais pagar caro pela tua insolência! Vou comer a tua alma!

Das areias atrás do demónio algo parece elevar-se. Uma montanha de areia que vai escorrendo

até revelar olhos e uma boca, que começa a sugar ar como se fosse o alimento de um esfomeado.

- Estás com fome? Ele também! - André volta-se para o irmão - Vamos embora?

- O que é aquilo? - pergunta Diogo

- Um Titã. Ou melhor, O Titã. Cronos. O gajo que gosta de comer deuses ao pequeno-almoço.

Um lanche com demónios também deve ser bom.

Diogo sorriu. Sempre achou que o seu irmão era um fechado no seu mundo, agarrado aos

livros. Um marrão. Curiosamente tudo aquilo que o fez invejar na altura é aquilo que está

agora a fazê-lo aproximar dele.

Uma porta nasce do chão e abre-se. André pergunta:

- Vamos para o próximo nível?

49


Artworks Insights

Spiros não só é o baixista e vocalista dos

Septicflesh desde o início da carreira da banda

como também o responsável pelas capas da

banda. Para não nos focarmos exclusivamente

no universo da banda grega, vamos destacar

algumas das mais impressionantes obras de

Spiros, fora dos Septicflesh (voltaremos a eles

definitivamente num futuro próximo). Podemos

dividir o seu trabalho em duas vertentes - pinturas

e as fotomanipulações, onde usa uma série de

estilos e formas diferentes de arte apenas como

um só. Para este artigo, vamos pegar-nos neste

último estilo por ser aquele que Spiros usa nos

últimos tempos. Algumas capas não vamos

conseguir reproduzir por falta de espaço - e

aquele reservado peca por ser inferior ao que as

obras em si mereceriam.

Se pegarmos numa capa como "Antibody" dos

Before The Fall (primeira imagem da coluna),

temos um exemplo do seu estilo. A figura

50


deformada/alterada no centro da capa, a sujidade do cinza mas ainda

assim um certo brilho. No entanto também temos outras formas, onde

ainda é possível notarmos elementos chave do seu estilo, mas com umas

cores mais apelativas como "Pestapokalypse VI" dosBelphegor (segunda

imagem da coluna). O bizarro e até uma certa dose de desconforto ao

olhar parece ser o elemento chave. Poderá sentir-se que é um estilo

algo limitado mas se olharmos para uma capa como o último trabalho

dos já mencionados Belphegor. O "Totenritual" é um daquelas capas de

álbum que merece ser apreciada em vinil, tal como os clássicos, cheia de

detalhes. Aliás, merece ser apreciada em poster gigante. O anterior álbum

da banda austríaca, "Conjuring The Dead" também não se fica atrás como

poderão ver nesta mesma página.

Os Dagoba, que também vêem o seu álbum a ser analisado nesta edição,

"Black Nova", têm direito a uma grande capa, representativa do talento

do artista grego. Uma clássica, que todos já a viram algures - mesmo

que tenha mais impacto que a própria música da banda que representa,

é a capa de "Ageing Accelerator" dos Defect Designer. Temos outras

obras de arte como o trabalho para "A Step Beyond Divinity" dos Embryo

ou "Caligvla" dos Ex Deo, ou até mesmo a emblemática "The Atrocity

Exhibition: Exhibit A" dos Exodus.

Como um acesso constante aos nossos sonhos mais tenebrosos (que capas

como "At The Gate Of Sethy" dos Nile, "In Requiem" dos Paradise Lost ou

"Extinct" dos Moonspell") Spiros apresenta-nos personagens invulgares,

aberrações que não admitimos existir a não ser nos nossos pesadelos

mais profundos. Confronta-nos com essas visões que normalmente nos

dariam medo e faz com que fiquemos irremediavelmente atraídos. Um

mundo infindável a explorar, sem dúvida.

51


Top 20 1956

ELVIS PRESLEY

“Elvis Presley”

RCA Music

O primeiro

álbum do

Rei. Se houve

um nome

que tenha

influenciado

o rock'n'roll,

Elvis Presley foi

provavelmente

o primeiro. Não

que tenha sido pioneiro nas músicas que

tocava, ou sequer fosse um compositor,

mas o seu estilo marcou toda uma

geração, chocou outra e influenciou um

mundo inteiro de músicos, incluindo uns

certos The Beatles..." Blue Suede Shoes"

tornou-se um clássico incontornável.

se ter um novo capítulo e apesar de não

beliscar os trabalhos anteriores, revelanos

o quanto já tínhamos saudades destes

narco-traficantes. Esperemos que não seja

necessário esperar tanto tempo desta vez.

DUKE ELLINGTON

“Ellington At Newport”

Columbia Records

Os álbuns ao vivo só se notabilizaram

no rock décadas mais tarde mas o

jazz já tinha deixado o exemplo e este

álbum é um dos exemplos maiores.

Este álbum ao vivo foi apontado pela

crítica como a melhor performance

de sempre de Duke Ellington , nome

imortal do género, e é um dos

melhores álbuns de sempre no geral e do jazz em particular.

A magia do jazz a acontecer em tempo real

CHARLES MINGUS

"Pithecanthropus Erectus"

Atlantic Records

Charles

Mingus

foi um dos

n o m e s

grandes

do Jazz.

Baixista,

pianista e um

dos grandes compositores do jazz

tem aqui uma das suas grandes

obras primas em nome próprio.

O primeiro álbum em que o Angry

Man Of Jazz ensina aos seus

músicos as suas composições

por ouvido, sem pauta, resultou

num dos maiores clássicos do jazz

moderno.

52

RAVI SHANKAR

"Three Ragas"

His Master's Voice

Raga é um modo da música clássica

indiana e este álbum, o primeiro de

Ravi Shankar (o expoente máximo da

música indiana no ocidente), pode ser

visto como um dos maiores clássicos

da World Music e claro, para quem

aprecia sitar está aqui uma das obras

primordiais do instrumento. Uma década mais tarde, os

The Beatles, mais concretamente George Harrison traria o

interesse pela sua sonoridade de forma mais generalizada.


JOHNNY BURNETTE AND THE ROCK 'N ROLL TRIO

"Johnny Burnette and the Rock 'n Roll Trio"

Coral

Es t a

banda foi

responsável

por um dos

primeiros

grandes

álbuns do

rockabilly.

Claro que

naqueles

tempos não

era muito comum lançar LPs. Vivíamos na

era dos singles e este álbum funciona quase

como uma compilação desses singles. Seja

como for é um tesouro do género que deve

ser pesquisado.

GENE VINCENT

FATS DOMINO

"Fats Domino Rock And Rollin'"

Imperial

Fa t s

Domino,

um dos

maiores

nomes do

rhythm

and blues

(género

usado para

catalogar

a música

afro-americana e que teve diversas

formas com o passar do tempo) movido

a piano e a introdução do rock'n'roll ao

instrumento de forma mais activa. Fats

Domino tem aqui uma colecção dos seus

primeiros clássicos.

B.B. KING

“Singin' The Blues”

Crown Records

Primeiro

álbum

de B.B.

King, O

grande

guitarrista

blues do

século XX.

Se a noção

de guitar

hero ainda

era desconhecida, o trabalho de B.B. King

fala mais alto e a sua eterna devoção ao

blues reservou-lhe um lugar espacial na

história da música popular. E aqui começa

a sua carreira discográfica.

BILL EVANS

"New Jazz Conceptions"

Riverside Records

Primeiro álbum de Bill Evans

em nome próprio, um dos

grandes nomes do jazz. Pianista,

compositor e revolucionário, aqui

temos o início de uma carreira

brilhante. Este álbum foi um flop

de vendas mas aclamado pela

crítica na altura. Não é o seu

melhor álbum mas é um embrião

que se viria a revelar mais tarde.

BIG JOE TURNER

"The Boss Of The Blues”

Atlantic Records

Big Joe

Turner

poderá não

ser um dos

nomes em

que se pensa

quando

se fala em

rock'n'roll

mas é um dos

fundadores

do rock'n'roll. Apesar de ter lançado muitos singles

desde a década de quarenta, o seu primeiro álbum

só chegou em 1956. Mais tarde muitos músicos

brancos pegariam nos seus êxitos e levariam as

suas composições a um leque mais alargado de

público.

THAD JONES

“Bluejean Bop!”

Capitol Records

Outro

d o s

grandes

influenciadores

do

rock'n'roll

foi Gene

Vincent.

Em 1956, o

rock'n'roll

era a mais

recente sensação e as editoras começavam

à procura da próxima sensação. Gene

Vincent foi um dos pioneiros. Um álbum

cheio de boas malhas de rock'n'roll,

recomendado para quem se interessa

pelas raízes do rock.

“The Magnificent Thad Jones”

Blue Note

Podemos

só dizer

que Thad

Jones é

consider

a d o

um dos

melhores

trompetistas

de

sempre e

seria razão suficiente não só para justificar

o título algo arrogante do álbum como

para também fazer com que se fique

curiosidade em ficar a conhecer este

grande músico.

CECIL TAYLOR QUARTET

“Jazz Advance”

Transition

Primeiro álbum de Cecil Taylor,

apontado como um dos

pioneiros do free jazz e este

álbum é considerado como um

dos grande álbuns de estreia do

género. Mesmo que o free jazz

não seja um estilo fácil de ouvir, é

representativo do arrojo que o rock

e o metal iriam incorporar anos

mais tarde.

53


BUDDY JOHNSON

“Rock'n'Roll Stage Show”

Wing

Apesar de ser uma reedição,

é importante referir este

trabalho. Buddy Johnson e a sua

orquestra ficaram conhecidos pela

sua fusão do jazz com o blues,

pavimentando assim o caminho

para o chamado Rhythm & Blues.

Fazendo a transição do período

das big bands para o blues e

rock'n'roll, a sua banda foi das

poucas a conseguir sobreviver.

A razão está exemplificada neste

álbum.

CLIFFORD BROWN AND MAX ROACH

“At Basin Street”

EmArcy

Clifford

Brown

foi uma

promessa

do jazz,

um grande

trompetista

enquanto

Max Roach

um dos

grandes

bateristas do século XX tendo brilhado tanto

no jazz como noutros géneros. Este seria o

último trabalho deste quinteto já que Brown

e Richie Powell viriam a falecer com apenas

25 e 24 anos no final de 1956 num acidente

de carro onde a mulher de Powell também

faleceu.

MARTY ROBBINS

“Rock'n Roll'n Robbins: Marty Robbins Sings”

Columbia Records

E quando

temos

um cantor,

compositor,

multiinstrumentista,

actor e até

condutor

de carros

da Nascar,

que se notabilizou no country mas decide

dar o seu pezinho no rock'n'roll e blues?

Não é dos seus álbuns mais conhecidos

(ele que gravou mais de cinquenta) mas

sem dúvida que merece ser conferido

pelos fãs de rock'n'roll).

BILL HALEY & HIS COMETS

“Rock'n'Roll Stage Show”

Decca

Ad

pesar

e

não ter

um tema

que se

destaque

ou que

t e n h a

ficado

tanto na

memória

c o m o

os seus

grandes

êxitos anteriores, este álbum foi o primeiro

que a banda editou ou não foi repescar

singles previamente lançados. Apesar

de ter vários temas que resultaram em

singles, ainda têm outros sete temas

originais. Também é marcado pela tentativa

de variar, com alguns temas instrumentais.

BIG BILL BROOZY

CLIFFORD BROWN

“Memorial”

Prestige

Já falámos neste top de

Clifford Brown e do seu génio.

Desaparecido cedo demais, este

álbum recupera duas sessões

de gravação do grande músico,

anos antes de morrer. Uma

representação de um dos grandes

valores do jazz que desapareceu

cedo demais.

54

DAVE BRUBECK

“Brubeck Plays Brubeck”

Columbia Records


falám

o s

de como

o Jazz foi

o género

m a i s

livre e ao

mesmo

tempo que

puxava

até ao

limite as habilidades técnicas dos seus

músicos. Este álbum é uma experiência

por parte de Dave Brubeck, um dos

grandes impulsionadores do chamado

cool jazz, onde cada tema apresenta-se

como inacabado, sendo esboços de uma

ideia, de uma emoção surgida através de

improvisação. Um espírito que o rock'n'roll

viria a beneficiar muito.

THE PLATTERS

“Big Bill Blues”

Disques Vogue

Big

Bill

Broozy

foi um dos

grandes

compositores,

cantores e

guitarristas

de

blues da

primeira

metade do século 20 além de ter sido uma

das principais figuras do desenvolvimento

do género. Este álbum é um dos que

marcou o regresso às raízes mais folk

do género e uma excelente introdução à

carreira deste influente músico.

“The Platters”

Mercury

Os

The

Platters

f o r a m

uma das

primeiras

representações

do

rock'n'roll,

fazendo

a ponte

entre o prérock'n'roll

(principalmente pelas harmonias

vocais) com aquilo que o rhythm and

blues viria a trazer de novo. Apesar deste

trabalho não ter dois dos seus grandes

êxitos, lançados no ano anterior - "Only

You" e "The Great Pretender", é uma óptima

representação do seu estilo


Reviews do mes

ACROSS THE ATLANTIC AEGRUS ALAZKA

“Works Of Progress ” “Thy Numinous Darkness” “Phoenix”

Sharptone Records Saturnal Records Arising Empire

Descobrimos a pólvora.

Poderá parecer (e é parvo!)

mas temos que encontrar

maneiras de enganar o

nosso preconceito. Para

cada nova banda que

nos surge e que tresanda

a metalcore, queremos

evitar aquele pensamento

"ok, lá vamos nós outra

vez", porque é muito condicionante e por muito que

queiramos ter uma visão de fã, queremos ter uma visão

de fã aberta. Sabem, daqueles porreiros, contentes

com a vida e a vida contentes com eles. E mediante

isso tudo, ao ouvir os Across The Atlantic e o seu

segundo álbum "Works Of Progress", finalmente nos

apercebermos que a forma que o metalcore nos soa

bem (isto é apesar de todos os seus lugares comuns)

é quando é associado a sonoridades mais punk rock

(ou punk pop) que é precisamente o que a banda

faz aqui em quase todo o álbum. Não negamos que

as melodias são as mesmas de sempres, que temos

refrães com vozinhas bonitinhas e os breakdowns

espalhados com fartura, mas o que é certo é que no

final a coisa resulta e este é um álbum que se ouve

bem. Nunca é tarde para ver a luz.

Se dissermos

que uma banda

toca black metal,

pouco fica deixado

à imaginação. Se

dissermos que essa

banda é finlandesa,

mais apertado

fica o cerco. Os

Aegrus não fogem aos lugares comuns

neste seu trabalho com uma produção

primitiva mas ainda assim com o toque

certo de ambiente para que sintamos

que nos sintamos cativados. A tradição

finlandesa e a sua sombra andam muito

por aqui mas não o suficiente para ocultar

a sua própria identidade, já firmada com

trabalhos anteriores, sendo que a melodia

inesperadamente catchy é sem dúvida o

seu traço mais reconhecível. Cru mas bom.

[8/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira

Anteriormente

conhecidos como

Burning Down Alaska,

os Alazka mudaram o

alinhamento e o seu

foco e este é o seu

álbum de estreia. Para

os fãs de metalcore

mais melódico, estas

até são boas notícias,

já que a banda apresenta uma sonoridade

interessante, acessível a quem gosta de coisas

mais melódicas, não deixando de ter a sua voz

gritada e alguns breakdowns. O seu grande

trunfo reside, todavia, na capacidade da banda de

apresentar interessantíssimos leads de guitarra

que fazem com que os temas não se tornem

tão banais quanto se esperaria. Outra grande

vantagem surge na voz limpa e cheia de emoção

de Kassim Aule, que fazem com que o som

consiga superar todas os defeitos normalmente

associados ao género. E para quem aprecia a

vertente mais leve do metalcore, então este é

definitivamente um dos álbuns do ano.

[8/10] Fernando Ferreira

ALPHA TIGER

“Alpha Tiger”

Steamhammer

Podemos dizer que

os Alpha Tiger tocam

power metal. Afinal têm

todos os elementos que

fazem parte do género.

No entanto, ouvindo

o seu som com um

pouco mais de cuidado

facilmente notamos

influências mais

clássicas. E nem é pegar na escola neoclássica

iniciada pelo Ritchie Blackmore e propagada até

ao infinito por Yngwie Malmsteen. É um feeling

de hard rock clássico que poderá confundir

alguns - principalmente pelos ocasionais

arranjos de orgão hammond (curiosamente não

têm um teclista entre a formação) mas que sem

dúvida conquistará todos aqueles que gostam

de heavy metal clássico. Apesar de ser o quarto

álbum da banda, este trabalho auto-intitulado

poderá surgir como uma surpresa para muitos

fãs do género. Uma excelente surpresa.

[8/10] Fernando Ferreira

ALTER BRIDGE

“Live At O2 Arena + Rarieties”

Napalm Records

Os Alter Bridge

sempre me

passaram ao lado.

Afinal a primeira

introdução com a

banda foi a frase

"são os Creed

sem o vocalista".

Confessemos que não é o melhor

argumento de marketing para um

metalhead. O lado bom de estarmos

neste meio é que muitas vezes somos

confrontados com coisas que na

nossa vida pessoal não iríamos pegar

e foi desde o momento em que tive a

oportunidade de analisar o último álbum

de originais da banda que comecei a vêlos

de uma forma diferente que apenas

uma banda que tinha um vocalista

que tinha um timbre arraçado de

Eddie Vedder e que tocavam músicas

catitas para passar na rádio. O seu

espírito é alternativo, sem dúvida, mas

apresentam-se bem mais pesados. Isto

tudo para dizer que é graças a esse cair

de preconceito que é mais fácil apreciar

este álbum ao vivo. Longe daquilo que

são os álbuns actualmente, bonitinhos,

limpinhos. "Live At O2 Arena" apresenta

a banda em excelente momento de

forma, a passar um pouco por toda a

sua carreira, com momentos acústicos,

momentos bem pesados (como a "The

Other Side" e "Isolation") e ainda um

CD bónus cheio de raridades que a

banda foi coleccionando ao longo da

sua carreira. É um pacote que agradará

definitivamente aos fãs mas também

recomendamos aqueles que, tal como

eu, tinha algum tipo de preconceito. De

certeza que depois disto caem por terra.

[8.5/10] Fernando Ferreira

55


AMERICAN WRECKING COMPANY

“Everything and Nothing”

Pavement Entertainment

Logo aos primeiros

segundos de

"Everything And

Nothing", o tematítulo

deste álbum dos

American Wrecking

Company, ficámos logo

impressionados pela

potência do mesmo.

Estão a ver aquele

crossover que é bem bruto, tão bruto que

quase parece death metal? Foi essa a sensação

que tivemos quando ouvimos Pro-Pain pela

primeira vez e foi exactamente o que sentimos

aqui. A diferença é que em relação a Pro-Pain

ainda conseguem ser mais brutos, muito graças

à prestação vocal de T.J. Cornelius. Também

temos no entanto bons riffs e boas malhas,

ficando no entanto a faltar um pouco mais de

dinâmica. Ainda assim este é um álbum para

lembrar à malta de hoje como se misturava

hardcore com metal. À homem!

AN ASSFULL OF LOVE

“Monkey Madness”

Edição de Autor

Além do nome sugestivo

e bem colorido, os An

Assfull Of Love também

nos trazem um som

interessante que parece

disparar em várias

direcções acertando

quase em todas. Temos

um espírito rock aliada

a músicas tipicamente

rock (ou hard rock) e até tiques hardcore

(nomeadamente os refrães gritados como

palavras de ordem). Junta-se isto tudo com

uns bons solos, melodias cativantes e está-se

lançado. Não é preciso muito para fazer um

grande disco, apenas boas músicas e talento,

claro. Uma boa surpresa para quem gosta de

coisas mais alternativas. E também mais velha

guarda. Para quem gosta de boa música, pronto.

ANTARKTIS

“Ildlaante”

Agonia Records

Quando se fala

em pós-rock, não

esperamos nada de

novo. Quando se fala

em pós-metal, igual.

No entanto, quando

temos uma banda

que mistura os dois

mundos e ainda

lhe junta aquele feeling doom cavernoso,

então são razões mais que suficientes

para estarmos interessados. E o facto dos

Antarktis contarem com membros e exmembros

de In Mourning e October Tide é um

extra. Dos bons. O resultado é um dos álbuns

de estreia mais entusiasmantes que ouvimos

nos últimos tempos, pesado, com uso

inteligente (e não exagerado) de atmosferas

e ambiências. Em suma, fantástico, que nos

obriga a dizer que esta é mais uma banda a

que queremos estar atentos no futuro.

[7.2/10] Fernando Ferreira

[7.5/10] Fernando Ferreira [9/10] Fernando Ferreira

ANUBI'S SERVANTS

“Duat”

Edição de Autor

A capa mete medo ao

susto - boa candidata

para os nossos

Artwork Insights - pelo

que o som tem que

fazer uma bela figura

em compensação. E

por acaso... até faz!

Thrash metal cru,

bruto e raçudo com umas pitadas de death

metal, principalmente pela abordagem vocal.

Reza a história da banda que inicialmente

eram para ser uma banda de punk

instrumental, mas depois flui para terem voz

e chegarem ao thrash metal. Talvez não seja

algo que se possa notar no som da banda,

apesar de terem um som primitivo, mas

de qualquer forma é uma boa amostra do

potencial que a banda tem - relembrandonos

o potencial que vimos em bandas como

Painstruck. Veremos se chegam a algo mais

concreto e sólido.

[6.5/10] Filipe Ferreira

ASTRAROT

“We Can't Win”

Straight from the Heart Records

Os Astrorot são

uma banda recente

(começaram em 2015)

que têm em "We Can't

Win" o seu álbum

de estreia. Podemos

achar que é demadiado

tempo para editar já

um álbum no entanto,

como bem sabemos,

os tempos são outros e não há propriamente

um livro de regras. Com um som moderno,

apoiado na tradição metalcore, "We Can't Win"

não surpreende mas também essa não deveria

ser esse o objectivo. Temos vozes limpas, vozes

gritadas, alguns breakdowns (não muitos,

felizmente), e bons temas. Aliás, são os bons

temas que fazem com que passemos por cima

daquilo que já ouvimos muitas vezes noutros

lados. Esta estreia não surpreende e até tem

uma falta de dinâmica como um todo mas (e

este é um grande "mas") consegue mostrarnos

talento que poderá ver a desabrochar de

maneira (mais) convincente no futuro.

[6/10] Fernando Ferreira

ATROX

“Monocle”

Dark Essence Records

Já se devem ter

esquecido dos Atrox.

Afinal a banda esteve

calada durante quase

dez anos. Tempo

suficiente para mudar

algumas coisas no

seu som, que por

si só já era volátil.

Experimentalismo foi

aquilo pelo qual a banda se notabilizou. A sua

mistura de sonoridade industrial com ambientes

góticos e progressivos é também o que domina

"Monocle". Não vamos mentir, este é um trabalho

que não vai entrar à primeira. É desafiador, tão

desafiador como a primeira vez que ouvimos

os trabalhos mais ousados dos King Crimson.

Também é inqualficável, mas não deixa de nos ir

prendendo aos poucos. Se houve paciência para

este processo, poderá compensar o esforço.

[7/10] Fernando Ferreira

56

AYO RIVER

“Failed State”

Edição de Autor

É bom no final

do dia sair da

metalurgia pesada

e entrar no mundo

do rock indie para

apreciar o mundo de

maneira diferente.

Pessoalmente, é para

esse efeito que muita

da música que não ouvimos regularmente

é usada. No entanto, justiça seja feita

a este projecto Ayo River que tem aqui

a sua estreia, não é apenas música para

ouvir de fundo. Temos uma boa produção,

sem grandes exageros digitais, orgânicas

e muito low profile. Depois - e é a parte

que interessa, temos grandes músicas.

Daquelas que apesar de não serem

imediatamente coladas ao cérebro, são

agradáveis de ouvir. Este é um projecto

muitissimo interessante que para quem

gosta de música indie gostará de certeza.

[7/10] Fernando Ferreira

AYREON

“The Source”

Music Theories Recordings

O novo álbum do

projecto da opera

metal progressivo

Ayreon é também

uma prequela ao

álbum “01011001”

(Y em ASCII) de

2008. Mais uma

vez a escolha de vozes é excelente

contando com James LaBrie (Dream

Theater), Hansi Kürsch (Blind Guardian),

Simone Simons (Epica), Floor Jansen

(Nightwish), Tommy Karevik (Kamelot),

Tobias Sammet (Edguy, Avantasia),

Russell Allen (Symphony X) e Tommy

Rogers (Between the Buried and Me)

para referir só alguns. Em “The Source”

é contada a história de como o planeta

“Alpha”foi destruído por tecnologia e os

sobreviventes seguiram numa nave até

ao planeta Y (planeta de onde são as

personagens de “01011001”), e como

são obrigados a consumir “a fonte”

uma solução química que lhes muda o

físico para poderem sobreviver no novo

planeta. Um dos pontos que menos

gostei é a repetição de temas nos últimos

álbuns de Ayreon, o tema da dependência

tecnológica, autodestruição por causa

da tecnologia já foi muito abordado por

Arjen Lucassen e volta aqui a sê-lo, o

que infelizmente dá uma sensação de

deja-vu. Também em termos musicais

Lucassen não se desvia muito da matriz

ainda assim não ficamos reduzidos

ao sentimento de “mais do mesmo”,

estamos perante um álbum mais pesado

e diria mesmo com uns toques de

Power Metal (“Run! Apocalypse! Run!”)

que mantem ainda assim os elementos

mais folk. Depois de não ter apreciado

o anterior “The Theory of Everything”,

este é um regresso á forma.

[8.5/10] Filipe Correia


BLACK STONE CHERRY

“Black To Blues”

Mascot Records

Que grande som!

Nada como o blues a

fundir-se com o rock

pesado para termos

consciência de como

tudo começou no

blues - algo que

temos vindo a focar

na nossa rúbrica de

tops e no nosso programa da Máquina do

tempo. Enquando os Black Stone Cherry

não lançam nada, a banda optou por

lançar este EP de covers onde reinterpreta

clássicos de Muddy Waters, Howlin' Wolf

e Albert King entre outros. Malhoões como

"Hoochie Coochie Man" e "Born Under

A Bad Sign" são clássicos imortais que

recebem uma roupagem moderna mas

sem trair as suas verdadeiras identidades.

Grande vício, grande EP.

[9/10] Fernando Ferreira

BLOODSTRIKE

“Execution Of Violence”

Redefining Darkness Records

Este álbum abre com

um excelente conjunto

de riffs, sonantes

num estilo Death

Metal moderno, com

excelente composição

de guitarra, e com voz

feminina em formato

grunhido que mantém

sempre o mesmo

estilo. Os arranjos de guitarra são muito bem

executados, com momentos, em alguns temas,

de riffs cativantes e melódicos, havendo sempre

os momentos de Death Metal mais clássico. A

produção está bem conseguida, as guitarras estão

bem equilibradas e soam bem; o baixo preenche; a

bateria tem também um bom equilíbrio dentro do

som, estando com uma sonoridade moderna e com

um belo som dos seus componentes; a voz poderia

estar ligeiramente mais destacada, fica um pouco

baixa em alguns momentos. O álbum deste projecto

dos Estados Unidos da América tem a duração de

38minutos onde destaco os tema Procreating of

Death, Detest Mortality e Hell's Wasteland.

[7.2/10] David Carreto

BLEEDING

“Elementum”

Pure Steel Records

Confirmo de

Elementum tudo o

que a biografia da

banda traz como

referência. Estamos

perante um trabalho

interessante

marcado por

estruturas complexas, onde o trabalho

do grupo parece ganhar em espaços

à demarcação individual. Não encaixo

com a voz, para mim parece algo fora

do contexto da sonoridade criada, não

tirando mérito a Haye Graf, mas é o que

ressalta. Tudo o resto, apresenta típicas

mudanças de tempo no seu ritmo, sendo

estas o ingrediente para um resultado

instrumental digno de registo. O álbum

tem passagens pesadas, com riffs metal

bem agradáveis...mas só isso!

BOOL

“Fly With Me”

Edição de Autor

[6.5/10] Miguel Correia

Nem sempre temos

bandas apostadas em

recriar as sonoridades

da década de setenta.

Os alemães Bool

focam-se numa

época mais recente:

a década de noventa.

O que temos aqui

é uma sonoridade tipicamente alternativa

que só muito raramente coloca o pé no

pedal do peso. Esta colecção de músicas é

interessante e até consegue trazer-nos algum

tipo de nostalgia mesmo não traga nenhuma

lembrança dos grandes do género (Nirvana,

Soundgarden, Alice In Chains e Pearl Jam) e

tenha uma vibe mais rock tradicional. Vale a

pena conferir.

[6.9/10] Fernando Ferreira

BLOOD GOD

“Rock'N'Roll Warmachine”

Massacre Records

Já falámos aqui algumas

vezes dos Blood God, como

uma proposta peculiar

por estar associada aos

Debauchery, tanto por ter

a mesma mente criativa

- Thomas Gurrath - e por

ambas as bandas terem-se

juntado numa espécie de

split ("Thunderbeast) onde

a única diferença era a voz. Do lado dos Debauchery, a

voz típica do death metal. Do lado dos Blood God, uma

voz descendente de AC/DC (Brian Johnson) e Accept

(Udo Dirkschneider). É precisamente com os Blood God

que nos focamos nesta compilação que reúne os três

álbuns da banda já editados. Começamos pelo último, o

já mencionado "Thunderbeast" e acabamos o primeiro,

"No Brain But Balls", ficando o "Blood Is My Trademark"

no meio. Se gostam das duas influências atrás citadas

e não conhecem a banda, esta é uma boa forma (e

barata!) de ficar com toda a sua discografia, tendo

ainda muitas faixas bónus como brinde - "Painkiller"

dos Judas Priest, "Fast As A Shark" dos Accept, "Hail

Caesar" dos AC/DC, "Heavy Duty" dos Judas Priest e

ainda os originais "Rock'N'Roll Warmachine", "Demon

Lady", "Riff Hit" e "Hard Rocking".

[7.5/10] Fernando Ferreira

BREAKING SAMSARA

“Light Of A New Beginning”

Edição de autor

Os riffs de rock

tradicionais de Light

Of A New Beginning

não serão certamente

os mais emocionantes

que irão ouvir, mas os

vocais fortes e os solos

de guitarra que soam

implacáveis, deixam

definitivamente a sua

marca. Em todo o trabalho. Restless Nightsaté

consegue deixar água na boca, com um hard and

heavy style, mas depois a banda parece abrandar

a velocidade com que nos deixa no final desta

primeira faixa. Dai em diante continuam as batidas

rockeiras melódicas, até momentos onde soa um

piano, Light Of A New Beginning, que deixa um

ambiente muito interessante de se ouvir e onde

o solo também é arrasador! Não conhecia os

alemães aqui apresentados, mas honestamente

apesar de esperaralgo mais, tendo em conta a

abertura, não fiquei desencantado e é um trabalho

que tive o gosto de voltar a ouvir!

[8/10] Miguel Correia

BRIQUEVILLE

“II”

Pelagic Records / Cargo

Dentro de um

estilo mais post

metal, com muitas

partes dignas de

uma banda sonora,

guitarradas pesadas

e distorcidas

com variações de

ritmo e tempos que não chamam o

aborrecimento; a bateria soa excelente e

que enche o som proporcionando uma

enorme variedade; a ausência da voz na

maior parte do álbum, aparecendo de

uma forma mais declamatória. Um álbum

que a cada audição parece proporcionar

novas camadas, sons que não nos

apercebemos numa única audição, é

sem duvida um ambiente pesado mas

de âmbito mais ambiental, no sentido

de que o som é maioritariamente

instrumental. Um projecto belga, com

momentos muito bem conseguidos

em apenas 3 temas, todos acima dos

10 minutos, totalizando 42 minutos de

ambientes por vezes algo misteriosos,

com cadência arrastada variando com

momentos de agressividade rítmica.

De destacar o inicio de "AKTE V" é

claramente um momento headbanging

quer pelo ritmo de uma das guitarras

quer pela bateria, faz algo que seria

típico de um final de tema num concerto

ao vivo. Face ao estilo e ao som que

apresentam este projecto faz-me

lembrar Russian Circles ou Pelican, mas

com a sua marca individual. Em suma

um som para degustar com tempo.

[7.1/10] David Carreto

CANNABIS CORPSE

“Left Hand Pass”

Season Of Mist

Já estamos fartos de

dizer isto mas não nos

cansamos. Somos fãs

dos Cannabis Corpse.

Até admitimos que o

"gimmick" de termos

títulos de músicas de

death metal clássico

adulterado esgota-se

rapidamente, mas há muita música boa por

trás deste gimmick. Entombed, Bolt Thrower,

Nile, Suffocation (entre muitos outros) e

charros. E funciona. Continua a funcionar

ao quinto álbum. Se os títulos puxam à

brincadeira, o death metal é de alta qualidade.

O quarto álbum poderá não ter convencido

todos os que os continuam a ver apenas

como um gimmick, mas temos aqui grandes

malhas de death metal clássico: "

The 420th Crusade" inicia o trabalho da

melhor forma e outros grandes temas

("In Battle There Is No Pot" e "Effigy of the

Forgetful" asseguram a restante qualidade.

Uma banda a sério!

[9/10] Fernando Ferreira

57


58

CENTURIES OF DECAY

“Centuries Of Decay”

Edição de Autor

O Canadá continua a

trazer-nos boas bandas,

desta feita no pós-metal

embebido de death metal

- ou será o inverso?.

Os Centuries Of Decay

lançam o seu álbum de

estreia e deixam uma

boa impressão com

o mesmo. Temos um

poder que apenas podemos encontrar paralelo

com os nossos Process Of Guilt, embora aqui

não tenha tanto foco no peso do groove e opte

por soluções mais próximas da violência sónica

do death metal. Mas será redutor qualquer tipo

de rótulo e quando assim é, é porque temos

músicas que nos deixam marcas profundas.

Abordagem única e bem interessante, onde

a influência hardcore (metal, death, pós) se

une a elementos progressivos e até a tiques

tradicionais do metal fazem com que este álbum

seja obrigatório conhecer por todos aqueles que

temem pela continuidade da boa música extrema.

Have no fear, Centuries Of Decay are here!

[9/10] Fernando Ferreira

COMEBACK KID

“Outsider”

Nuclear Blast

Ainda me recordo da

primeira vez que ouvi

Comeback Kids, num

EP editado por volta

do início do milénio.

Era a face de uma cena

hardcore latente e cada

vez mais evidente. Acabei

por não acompanhar a

carreira deles mas ei-los

que surgem novamente à minha frente, desta feita

quando editam este seu sexto trabalho de estúdio

"Outsider". Daquilo que nos lembramos, permanece

igual. Poderá ser um mau início de análise, afinal já

passaram mais de quinze anos, mas não preocupai.

Não se trata de dizer que a banda não evoluiu

ou mudou. Apenas a sua essência permanece

inalterada, o que, pessoalmente, é extremamente

positivo. No seu som, temos uma produção

poderosa que só faz com que as dinâmicas ora

hardcore, ora mais punk ora metal ainda surjam

com mais força. É um regresso em grande que

para muitos será uma introdução. Complete-se

apenas que é uma introdução que fará a pena já

que a paixão pelo hardcore poderá nascer de

álbuns assim.

[8/10] Fernando Ferreira

CREMATORY

“Live Insurrection”

Steamhammer

Os Crematory são A

banda de metal gótico

alemã. Não há nenhuma

que tenha uma história

tão ilustre e mais antiga.

Podemos discordar da

relevância de alguns dos

seus trabalhos mas o seu

valor não poderá estar

em disputa. Mesmo

quando os álbuns ao vivo já não têm grande

impacto comercialmente não deixa de ser a melhor

forma de comemorar a carreira, principalmente

quando acompanhado da componente visual - a

qual não tivemos acesso. Temos um alinhamento

com um foco no último álbum de originais mas

ao qual não escapam também outros momentos

fortes da sua discografia, como a "Fly" e a

inevitável "Tears Of Time", que é brindada com um

belo solo de guitarra. É um excelente prémio para

os fãs e também uma forma de se introduzir ao

seu som, mesmo que por vezes nos pareça tudo

um pouco certinho demais (exceptuando pelo tal

solo de guitarra), mas esse já é um mal geral e não

exclusivo aos Crematory.

[7.7/10] Fernando Ferreira

CIRCUS MAXIMUS

“Havoc In Oslo”

Frontiers Records

Os noruegueses

Circus Maximus não

são exactamente

profícuos, afinal têm

quase duas décadas

de existência e apenas

quatro álbuns editados,

sendo que o último é

"Havoc", precisamente

o trabalho onde a

banda se apoiou para este trabalho ao vivo,

com seis escolhas, não negliciando também o

resto de catálogo, embora tenha sido o terceiro

álbum,"Nine", o outro maior beneficiado. Não

podemos dizer que tenhamos grande diferença

nestas representações em relação aos temas

de estúdio, mas sem dúvida que se sente toda

a energia da banda a tocar ao vivo - isso hoje

em dia é algo assinalável. Metal progressivo

perfeito mas com alma e poder, numa banda

que apesar de não conquistar propriamente as

atenções generalizadas dos fãs do género, tem

sem dúvida valor. Esta é mais uma prova.

[9/10] Fernando Ferreira

CRADLE OF FILTH

“Cryptoriana - The Seductiveness of Decay”

Nuclear Blast

Fazer uma review de um

álbum de Cradle Of Filth

é uma missão delicada.

É uma banda cujo

universo se marca pela

falta de consensos, seja

pelo seu controverso

historial de saídas e

entradas de membros,

ou pelo fosso enorme

entre aqueles que a dispensam como um acto

de circo e aqueles que a respeitam por aquilo

que é: uma banda de Metal cujo auspicioso

início de carreira a condenou a ter de conviver

com a sombra de um passado repleto de

autênticos clássicos do Metal extremo. Tentar

suplantar trabalhos como VEmpire, Dusk and

Her Embrace e Cruelty and the Beast é tarefa

ingrata, para não dizer impossível - essa foi e

será sempre a grande cruz dos Cradle Of Filth.

Eis que, depois de um marasmo que teve o seu

ponto baixo talvez com o álbum Thornography,

os britânicos dão mais um passo certo em

direcção ao patamar de excelência que já foi,

outrora, deles.

O que dizer então sobre a música em si? Muito

resumidamente, podemos afirmar que este

álbum é, na sua essência, uma continuação

do seu antecessor, mas melhorado em quase

todos os aspectos possíveis. Ademais, o

que é bastante e agradavelmente notório é

a capacidade demonstrada em ir beber às

velhas malhas memoráveis muitas daquelas

nuances que tanta fama deu aos velhos Cradle

of Filth - os riffs intricados, imprevisíveis, que

vão desde o mais selvaticamente brutal aos

ganchos mais sonantes, aqui e ali pautados

pelas harmonias á là Iron Maiden que todos,

de alguma forma, apreciamos; o dom de

deambular entre a brutalidade e a melodia...

Aliás, se podemos afirmar que estes Cradle Of

Filth têm, neste ponto no tempo e no espaço,

um grande trunfo, esse é o de que são um

excelente conjunto de músicos, cheios de

imaginação e técnica (e claramente fãs dos

primeiros álbums da banda), que no seu todo

perfazem uma máquina perfeitamente oleada.

Por outro lado, se podemos indicar algo que

ainda os separa daquele passado glorioso, de

uma forma muito específica e arriscadamente

injusta, é a tendência para as orquestrações

excessivamente floreadas quando estas eram,

em outros tempos, aplicadas no sentido de

criar uma atmosfera mais negra, sinistra,

sedutoramente erótica, épica.

Ainda assim, malhas como Exquisite Torments

Awaits, Wester Vespertine, Death and the

Maiden e You Will Know the Lion By It's Claw em

nada ficam abaixo do brilhante, sendo cada uma

CODE RED

“Incendiary”

AOR Heaven

Um grande álbum de

AOR!!!! Para os fans

do género musical,

deixo aqui um alerta

vermelho, estamos

perante um excelente

trabalho, cheio de

talento criativo!

Sahara, lembram-se?

Ok, se não, aqui vai,

este projeto conta com a presença de Ulrick

Lönnqvist, vocalista dessa mesma banda, que

se limitou a um único trabalho, mas que deu

cartas, se não estou em erro por volta do ano

2000 ou 2001 e agora com este Incendiary

deixa um rasto de fogo cheio de rock melódico

puro, com performances majestosas ao longo

das dez faixas que o compõem. Não sendo o

meu género favorito, aprecio, contudo, toda a

qualidade, num pare de músicas que me dão

a ouvir e é sempre com muito entusiasmo que

escrevo sobre algo tão único! Destacar uma ou

outra faixa seria certamente injusto perante um

trabalho tão equilibrado.

[10/10] Miguel Correia

CRAWL

“This Sad Cadav’r”

Black Bow Records

Os primeiros quatro

minutos e meio de

I a primeira faixa de

This Sad Cadav’r são

preenchidos apenas

por um som ambiente

inquietante digno de um

filme de terror, cortado

ocasionalmente pelo

som de passos. A

partir daí segue-se cerca de mais 7 minutos

de distorção e sons guturais. O som dos Crawl

é sujo, arrastado e lembra caves cobertas

de fungos e sangue ressequido funcionando

muito bem como som ambiente para um filme

de gore. Infelizmente quase não existe uma

estrutura musical ou algo que se assemelhe

a um riff para acompanhar este ambiente

medonho construído pela banda. As restantes

IIe III são quase tiradas a papel químico tendo

um tempo ligeiramente mais rápido. Isto faz de

This Sad Cadav’r bom para fãs do estilo noise/

doom ou para quem quer ruido de fundo meio

assustador, mas falha como álbum.

[4/10] Filipe Ferreira

delas (à excepção da primeira) uma espécie de

microcosmos onde existe espaço para os mais

variados momentos de dinâmica expressiva.

Não de menor importância, a própria prestação

de Dani, que parece não só ter aprendido a

jogar com as cartas que tem, gerindo melhor

os momentos em que passa de um lower pitch

para o registo alto seu trademark, como parece

também ter recuperado alguma daquela potência

e crueza vocal de outrora, denotada em alguns

momentos que se tornam verdadeiramente

arrepiantes (a parte final de You Will Know the

Lion By It's Claw deixará qualquer velho fã com

um sorriso na cara).

Em suma, vindo de uma banda como Cradle

Of Filth, com o enorme, variado e controverso

legado que carrega, não podemos exigir mais

do que isto. Por outro lado, e dado o evidente

crescendo de forma evidenciado por Dani e

pela excelente equipa que reuniu à sua volta,

nunca se sabe se o futuro não nos reserva um

regresso definitivo e inequívoco a um trono

que já lhe pertenceu. Basta esperar que a velha

maldição - a da incessante saída e entrada de

músicos - não venha a destruir aquilo que tem

vindo a ser construído nestes últimos tempos.

Com muito mérito.

[8.5/10] Jaime Nôro


CRIPPER

“Follow Me: Kill”

Metal Blade Records

Os Cripper estão de

volta com o seu quinto

trabalho. Para quem

não sabe, esta é uma

banda de death/thrash

metal potente que tem

na voz Britta "Elchkuh"

Görtz o seu destaque.

No entanto, nem só

de voz bruta por parte de uma mulher vivem

os Cripper, há por aqui mérito instrumental

suficiente para manter o interesse durante

todo o trabalho. É pena é que esse interesse

não seja mantido de forma mais convincente.

Por outras palavras faltam aqui malhões,

daqueles que nos deixem espantados e

boquiabertos. Claro que existem bons riffs e

solos, no entanto, nada que nos deslumbre.

Para quem se esteja a sentir menos exigente

e apenas quer ganga da forte, este é o disco

a ouvir

[6.9/10] Fernando Ferreira

DARK AVENGER

“The Beloved Bones: Hell”

Rockshots Records

Nos tempos em que

a Rock Brigade ainda

era distribuída em

Portugal lembro-me do

lançamento do primeiro

álbum dos brasileiros

Dark Avenger. Na altura

não tinha acesso à

internet para ir logo

atrás de nomes para

comprovar as boas críticas mas ficaram sempre

as boas palavras deixadas para esse trabalho que

me levariam a adquiri-lo assim que o encontrei.

Entretanto a Rock Brigade deixou de ser distribuída

por cá, a banda lançou mais um álbum em 2001 e

viria a cessar funções poucos anos depois. Voltaria

ao activo na presente década com um álbum

de estúdio e este é o seu quarto. E o que temos

aqui? Heavy/power metal de excelente qualidade

que não se limita aos lugares comuns do género

e até se arma em bruto e vai um pouco mais longe

por vezes com guturais e ritmos que não soariam

deslocados num álbum de death/thrash metal.

Não só a banda voltou com a garra toda como

está disposta a evoluir e a arriscar. Como é que

podemos não gostar disso?

[9/10] Fernando Ferreira

DAGOBA

“Black Nova”

Century Media Records

Ainda me lembro da

primeira vez que ouvi

falar dos Dagoba.

Uma altura em que o

metal moderno, soava

realmente moderno,

graças a alguns.

Apesar da banda não

ter impressionado o

mundo do metal por

aí além, a sua qualidade permaneceu ao longo

dos anos mesmo sem deslumbrar. No mundo

cínico em que vivemos, pensamos que uma

banda com este historial já não nos consegue

surpreender. Bem... surpresa! "Black Nova"

é um grande disco de metal moderno de

retinques industrial. Não soa como se andasse

atrás de uma moda qualquer e soa fresco. Mais

que isso, não é uma lista de lugares comuns,

é um conjunto de grandes temas, melódicos,

pesados e até, pasme-se, memoráveis. Como

já dissemos muitas vezes, o preconceito é um

atraso de vida.

DARKFLIGHT

[8.7/10] Fernando Ferreira

“The Hereafter”

Symbol Of Domination Prod.

Depressão, here we

go. Estando num lugar

particularmente feliz da

nossa vida, chegamos

a temer que possamos

perder a capacidade

de analisar a bela

da proposta doom

depressiva. Como não

viramos as costas aos

desafios foi satisfação que mergulhamos na

depressão musical dos búlgaros Darkflight.

Este é já o seu quarto álbum (a banda tem

atravessado algumas peripécias na sua carreira

o que não admira que ganhem motivações para

tocar música depressiva) e traz-nos seis longos

temas, onde o ritmo não passa do downtempo

mas é cheio de dinâmicas, principalmente ao

nível da voz e da guitarra solo. Bons arranjos

e no geral bons temas, que fazem com que este

trabalho seja um dos grandes destaques do ano

no que ao black/doom diz respeito.

[8.5/10] Fernando Ferreira

DANIELE MYLES

“Euphoria's Haze”

Daniele Myles Records

"Euphoria's Haze"

é interessante e ao

mesmo tempo deixa-nos

perplexos. Não reinventa

a roda - até pega

num género bastante

explorado, o hard'n'heavy

- mas mistura diversos

tiques que até nem

costuma aparecer juntos.

Temos uma voz que remonta ao hard rock mais

glam, uma produção caseira mas que até resulta, e

pormenores de baixo e guitarra bem interessantes

(a bateria parece-nos programada mas com um

óbvio esforço em disfarçar esse facto). É um álbum

de estreia promissor pelo talento evidenciado mas

que nos indica vários pormenores a ter em conta,

principalmente na mistura. A voz de Daniele é

característica e parece-nos que a mistura não a

favorece, expondo-a demasiado. A bateria está

demasiado alta, principalmente o pedal. São

detalhes mas que acabam por deixar o pé atrás,

principalmente nas primeiras audições. Bons

temas, e muito potencial. Agora é preciso uma

mistura mais equilibrada para salientar os pontos

fortes e minimizar os fracos.

[6.7/10] Fernando Ferreira

DAWN OF DISEASE

“Ascension Gate“

Napalm Records

O death metal melódico

parece mesmo estar

na ordem do dia o

que só nos prova de

que quando as modas

passam, só fica mesmo

a boa música. E por

death melódico, falamos

daquele tradicional, que

além da brutalidade

do death metal, lhe junta leads de guitarra bem

atractivo e as harmonias que são reminiscentes

de uns Iron Maiden e Judas Priest. Ou por outras

palavras, não há aqui sombras de metalcore. Os

Dawn Of Disease já nos habituaram à qualidade e

este quarto álbum surge apenas como surpresa por

ser lançado tão pouco tempo depois de "Worship

The Grave", de 2016. Um conjunto bastante forte

de músicas que vai para além do gimmick retro.

Isto é a clássico, metal clássico intemporal. E por

muito que seja entusiasmo imediato causado por

malhões como "Perimortal" ou o épico "Mundus

Inversus", temos fé que vamos voltar a ele muitas

mais vezes no futuro e com igual entusiasmo.

[9/10] Fernando Ferreira

DEAD LORD

“In Ignorance We Trust”

Century Media Records

Confesso que

à primeira este

trabalho irritoume.

Não por ser

assumidamente

retro, nem por ter

uma voz, melodias

e harmonias de

guitarras à la Phil

Lynott/Thin Lizzy, até porque seriam

razões para gostar logo à partida. Não,

foi mesmo por parecer-nos apático. Sem

força. Algo que consequentes audições foi

desaparecendo embora fiquemos com a

noção de que um pouco mais de pujança

não fariam mal a estas músicas, no entanto,

se isso acontecesse provavelmente o seu

charme iria à vida também. Soa vintage

mas sem grande pretensões, este é um

álbum que para quem tem saudades

de Thin Lizzy e da sua fórmula de fazer

música fará todo o sentido conhecer.

[7/10] Fernando Ferreira

DEAD RIDER

“Crew Licks”

Drag City

Este som é estranho.

Já ouvimos sons

estranhos antes

e por norma até

gostamos mas este...

deixa-nos perplexos.

Desconcertante

música electrónica

que começa por soar

ambient passando depois para um blues rock

inspiradissimo, com bons solos, passando

a trip hop, voltando ao rock, desta feita até

bem clássico, mergulhando no rock industrial

típico da década de noventa (onde os Nine

Inch Nails são a principal referência) e é por

esta altura que nos declaramos oficialmente

perdidos. A faceta rock é bem interessante,

seja pelo groove seja pelo trabalho da guitarra

solo. A componente electrónica também nos

soa nostalgicamente bem. O problema é que

tudo isto junto, não soa a um produto coeso.

Interessante mas poderia ser bem mais que

isso.

DER WEG EINER FREIHEIT

“Finisterre”

Season Of Mist

Os Der Weg Einer

podem não ser a

proposta típica de black

metal - pelo menos

a avaliar pelas suas

fotos promocionais

- mas depois de se

ouvir chega-se à

conclusão daquilo

que já sabemos - a imagem vale o que vale

e é melhor sempre comprovar do que confiar

em julgamentos preconceituosos. Ao quarto

álbum a banda demonstra já ser bem veterana

na arte de compor grandes temas de black

metal épico e melódico e aqui apresentam

mais cinco longos temas (os mais curtos têm

cerca de cinco minutos cada) onde a melodia

andam de mãos dadas com a agressividade,

sem ser necessário recorrer às tendências

mais recentes do pós-black metal (não que

exista algo de errado com isso). Melancólico,

pesado e épico são apenas algumas das suas

características. Surpreendentemente viciante

é aquela que mais nos fica em mente.

[5.5/10] Fernando Ferreira [9.2/10] Fernando Ferreira

59


DIE APOKALYPTISCHEN REITER

“Der Rote Reiter”

Nuclear Blast

Confessamos que os

Die Apokalyptischen

Reiter foi uma banda

que nos cativou no

seu início de carreira

mas que depois

foi caindo numa

fórmula demasiado

previsível para que

mantivessemos esse interesse. E foi com

esse estado de espírito que avançámos para

este álbum. Qual não foi a nossa surpresa

que "Der Rote Reiter" bate-nos de frente

como o comboio de Chelas. Num sentido

positivo! Pesado, com blastbeats, melodias

imprevisíveis e bem caçadas e longe de

qualquer tipo de moda, este é um álbum que

nos faz querer olhar para trás para termos

a certeza de que não houve mais a passarnos

despercebido. Uma excelente surpresa,

indicado para todos os que gostam de

melodia no seu metal extremo.

DIMMAN

“Guide My Fury”

Inverse Records

E que saudades do

bom e velho death

metal melódico

vindo da Finlândia!

Principalmente daquele

mais clássico (ou

seja, nada na onda de

Children Of Bodom). Os

Dimman estão a seguir

o percurso clássico de

carreira, lançando EPs de preparação para o

primeiro trabalho de originais. Nesse percurso,

"Guide My Fury" é o segundo EP da conta mas

se tivesse mais umas músicas nem se punha

em causa ser um álbum. A fórmula não é nova

mas quando bem feita, é uma que nunca nos

cansa. Guturais de death metal junto com leads

melódicos e de extremo bom gosto assim como

um noção rítmica bem sólida. Se tivesse surgido

uns anos atrás poderíamos dizer que o sucesso

era inevitável. Hoje em dia as coisas não são

assim tão claras mas ainda assim as indicações

que deixam são muito, muito boas.

[8.6/10] Fernando Ferreira [9/10] Fernando Ferreira

DISFIGURED HUMAN MIND / INSOMNIA ISTERICA

“Morbid Schizophrenic Minds In The Cabaret Noisecore”

Murder Records

Os Disfigured

Human Mind são

impressionantes. Tudo

bem que a nossa média

de avaliação do seu

trabalho não é acima da

média mas temos que

dar a mão à palmatória

que neste momento

no underground não

existe banda mais trabalhadora - este é um

dos nove lançamentos que a banda lançou até

agora. Sempre no limiar caótico que separa o

grindcore do noise, o que podemos esperar

da banda são sete temas em pouco mais de

oito minutos que até têm um ambiente necro

bastante interessante. Os seus companheiros

de split são os Insomnia Isterica, do qual não

temos muitas mais informações mas por

aquilo que apresentam aqui, temos algo que se

assemelha a um ensaio dos Brutal Truth e que

sinceramente não nos convence. Neste split, os

Disfigured Human Mind ganham claramente e

carregam-no às costas.

[6.7/10] Fernando Ferreira

60

Disfigured Human Mind / New York Against The Belzebu

“Só Queremos Dizer Merda e Meter Nojo”

Murder Records

Disfigured Human Mind

strikes back! Desta feita

com um dos nomes

clássicos do grindcore

brasileiro, os New York

Against The Belzebu.

Comecemos pelos

Disfigured Human

Mind que apresentam

uma dose cavalar de

noise onde a distorção é de tal forma que tudo

o resto parece imperceptível. Aliás, nos quase

treze minutos que duram as dezasseis músicas

(a contar com a intro), é difícil perceber quando

começa uma e quando acaba outra. No lado

dos New York Against The Belzebu, temos

um ensaio que a banda registou em 1996,

com o som típico de algo do género. Serve

como curiosidade a raridade e no geral é bom

lançamento underground para quem aprecia a

barulheira.

ELA

[6.5/10] Fernando Ferreira

“Second Reality”

Massacre Records

Quem é Ela? Poderão

achar que não faz

muito sentido esta

pergunta já que se

trata, aparentemente

de forma óbvia,

de uma banda. É

efectivamente uma

banda, liderada pela

amiga Ela, vocalista com uma carreira já

considerável, tendo passado por vários

projectos. Ao que tudo indica, este é o

segundo trabalho com esta designação e

o que apresenta é power metal melódico

que não surpreende por aí além mas

consegue cativar o suficiente para que se

lhe dedique algumas boas audições. Faltalhe

no entanto um pouco mais de fogo e

de malhas marcantes, como a "Welcome

To Zombieland". Nada que nos impeça de

mantê-los debaixo de olho.

DIVINITY COMPROMISED

“Terminal Qumran”

No Dust Records

D i v i n i t y

Compromised é

uma banda de metal

progressivo fundada

em 2009. “Terminal”,

de 2017, é o seu

segundo full length,

sucedendo a “A

World Torn” de 2013.

Com um prog que se aproxima, umas

vezes, de Dream Theater, principalmente

nos vocais, e outras de Symphony X, nas

riffs mais heavy, Divinity Compromised

consegue fazer arranjar espaço para

algo seu. Apesar de apresentar uma

sonoridade que revela rapidamente as

suas influências, a banda consegue

surpreender e entreter com a sua

composição. Os momentos mais pesados

e os mais suaves estão bem intercalados,

nunca caindo no redundante e no

aborrecido. Um dos melhores momentos

é o último par de minutos da faixa “The

Definition of Insanity”. Com samples de

discursos de políticos (em destaque, de

Donald Trump) a combinação da cadência

do instrumental com as vozes cria um

ambiente singular, em que crítica e arte

se combinam perfeitamente. O vocalista,

Lothar Keller, apresenta uma voz que tanto

sobe e desces escalas com facilidade e

doçura, como também consegue adquirir

a rispidez e a agressividade para conferir

o peso que o instrumental por vezes pede.

De notar o excelente uso das teclas, por

vezes quase impercetível, que confere

uma profundidade ao som desta banda

que, sendo independente, supera muitos

lançamentos de grandes gravadoras.

Para não falar das riffs e dos solos,

perfeitamente executados. Um grupo

de músicos excecionais que faz deste

trabalho um grande álbum que, como uma

montanha-russa musical, leva o ouvinte

por paisagens épicas, planícies suaves,

e montanhas ameaçadoras e rochosas

(neste caso, metálicas). Um 8 em 10,

com um grande respeito por músicos

excelentes que merecem uma visibilidade

muito maior.

EAGLEHEART

“Reverse”

Scarlet Records

Não começa nada

mal...Until The Fear Is

Gone, arranca logo a

seguir a uma pequena

e majestosa intro de

nome "Awakening" trata

de mostrar o que ai vem

sem grandes rodeios.

Depois é um desfilar de

temas arrepiantes! Ainda

hoje, falava sobre os naturais clichés que nos

soam pelos diversos estilos musicais e aqui não

fugimos à regra: power metal, e tudo o que está

associado à sua sonoridade...Reverse, Eagleheart,

sim estes mesmos, eles combinam tudo isso e

recriam algo que vai deixar os fans do género de

boca aberta e certamente vão apreciar esta obra

de arte. Vocais potentes e melódicos, solos de

guitarra memoráveis e uma batida de vitorioso

combate. Cada faixa contem uma tonalidade de

outras bandas que já aprendemos a apreciar pela

sua grandiosidade e rapidez, mas os Eagleheart dão

um toque muito sui generis ao seu som e com toda

a certeza estão no caminho para se juntar às lendas

do género. Força, porque estes Checos vão arrasar!

ELUVEITIE

[9/10] Miguel Correia

“Evocation II - Pantheon”

Nuclear Blast

Muita expectativa

para esta segunda

parte de "Evocation".

Não pelo álbum em si

mas principalmente

pela fase em que

os Eluveitie se

encontram. Com

uma mudança

profunda de alinhamento, a banda surge

renovada e reformulada, mostrando que

o seu folk metal ainda continua a ser

temível para a concorrência. Não sabemos

como é que a coisa vai ser no futuro já

que este álbum acústico não nos mostra

exactamente como a banda soa em todo

o seu esplendor mas achamos que pelo

menos para aqueles que estavam mais

preocupados poderão ficar descansados.

Temos aqui quase vinte músicas que são

ideais para festejar e celebrar aos deuses

antigos.

[7/10] Fernando Ferreira [8/10] João Freitas

[8.7/10] Fernando Ferreira


ENSIFERUM

“Two Paths”

Metal Blade Records

Os Ensiferum poderão

não ser a escolha mais

óbvia no que ao folk

metal diz respeito,

principalmente pelo

seu som mais épico e

próximo do death metal

melódico. Categorias

e rótulos aparte, esta

é uma banda que já

conquistou o seu espaço na cena da música

extrema. Ao sétimo álbum e após uma compilação

o ano passado, aquilo que esperamos é aquilo

que sempre tivemos: metal melódico e muitos

gancho melódicos, feitos para serem entoados

ao vivo. Poderão haver vozes críticas que refiram

que a música da banda finlandesa não passa

disso mesmo e que tal como outras bandas que

surpreenderam no início de carreira (como uns

Rhapsody, Children Of Bodom e Sonata Arctica),

chega a um ponto em que não têm nada de novo

para apresentar. Efectivamente não há nada de

novo, apenas mais onze músicas novas que nos

trazem o melhor que a banda sabe fazer. "Apenas"

que já é muito.

[8.6/10] Fernando Ferreira

EPICA

“The Solace System”

Nuclear Blast

Após um excelente "The

Holographic Principle",

era inesperado termos

notícias de estúdio tão

depressa por parte

da banda holandesa

Epica, mas aqui estão

eles, após (menos de)

um ano com este "The

Solace System", um EP que nos traz seis temas

de natureza mais condensada do que aquilo

que a banda faz normalmente. Não se trata de

material de refugo, já que há por aqui grandes

malhas - "Fight Your Demons" é de uma potência

avassaladora, isto já sem falar do tema título.

Será um trabalho que deverá estar associado

ao último álbum de estúdio e que serve como

complemento do mesmo - daí a razão, talvez,

de ter sido lançado tão pouco tempo depois. Na

nossa opinião é indispensável para quem gostou

de "The Holographic Principle".

[8.7/10] Fernando Ferreira

ESHTADUR

“Mother Gray”

Bleeding Music Records

Depois de analisado o

single do tema Cornered

At The Earth numa

edição anterior, temos

finalmente em mãos o

álbum deste projecto

Colombiano, onde o

tema referido se destaca,

mas vários outros temas

acompanham a mesma

sonoridade e execução durante os 49 minutos

do álbum de Black Metal Melódico com cheiro a

Blackened Death Metal, com produção moderna e

excelentes variações. A voz não é tipicamente Black

Metal, como momentos mais graves quase Death

Metal/Metalcore, o que dá talvez a identidade de

estilo são as guitarras e a bateria, que procurando

criar melodias pesadas e sonantes. Apresentandose

com belas composições e solos cativantes

na guitarra, e a bateria tem um som cheio e

extremamente agradável, quer pela composição

apresentada como pela sonoridade individual dos

seus componentes. Com alguns pormenores de

sintetizadores ora a introduzir, ora a realçar ou

complementar alguns momentos.

[8.3/10] David Carreto

ESKIMO CALLBOY

“The Scene”

Century Media Records

FIVE THE HIEROPHANT

FROM THE HELLMOUTH / MUTILATRED

“Over Phlegethon”

“Split”

Dark Essence Records

Redefining Darkness & Seeing Red Records

Aquilo que cada vez

Quando a apresentação

Apesar de não haver

mais temos a impressão

é feita com a frase

grandes expectativas

é que o metal moderno

"Paisagens sonoras

quando nos aparece um

está cada vez mais

ritualistas fundidas

split entre duas bandas

convencional. Em vez

de trazer surpresa e

com black metal, jazz,

pós-metal e ambient,

de death metal em cima

da mesa, é bom ver que

revolução, agarrase

é impossível não

ainda nos conseguem

a uma série de

ficarmos logo rendidos

surpreender. Não que

lugares

que

comuns

infelizmente

- e até acrescentamos o

doom à conta e o rock

psicadélico. Para já quando logo na primeira

música (a épica e hipnótica "Queen Over

Phlegethon") se ouve o saxofone nos primeiros

momentos é paixão à primeira vista. Este

primeiro trabalho do trio britânico poderá não

ser daqueles que chamará a atenção dos fãs de

black metal mas sem dúvida que todos os fãs de

sonoridades cheias de psicotrópicos da década

de setenta que vão ficar apaixonados tal como

nós. É um daqueles sons que é difícil de explicar

e sobretudo de memorizar mas enquanto se

está a ouvir, não se consegue sair dele. No final

fica apenas a mensagem gravada: "ouvir de

novo". Sim, nós obedecemos, amo.

exista aqui algo de

transcendente e que

fure as regras mas sem dúvida que temos o estilo

a ser tratado de forma muitíssimo competente.

Os Mulitrated talvez sejam um pouco menos

interessantes, com uma abordagem menos

cativante ao seu death metal brutal, no entanto,

apresenta-nos oito minutos de noise bruto a

fechar a sua participação no split. Por outro lado

os From The Hellmouth chegam-nos cheios de

pujança e com um extremo bom gosto em riffs e

ganchos memoráveis - sim, continuamos a falar

de death metal. Surpreendente e recomendado.

[5/10] Fernando Ferreira [9.5/10] Fernando Ferreira

[8/10] Fernando Ferreira

são sempre os mesmos. E apesar de todo o

entusiasmo e capacidade para fazer músicas e

(principalmente) refrões atractivos, o que temos

aqui é mais do mesmo. São o mesmo tipo de

ritmos, breakdowns, arranjos electrónicos,

efeitos na voz. Tudo aquilo que já andamos

a ouvir desde 2005 e que já estamos um

bocadinho fartos. Esta banda tem tido imenso

sucesso na Alemanha quer em vendas quer em

digressões e o que apresentam não contradiz

que o continuem a tenter. O problema é mesmo

nosso, já estamos cansados.

GAEREA

“Gaerea ”

Everlasting Spew Records

Black Metal negro,

agressivo e por vezes

decadente que produzem

uma dinâmica e variedade

ao som que é de destacar

pela positiva face ao

produto final conseguido.

A composição mantém

uma raiz nas guitarras

executadas em tremolo

picking, com boas variações e momentos que

provocam sensações mais introspectivas, muito

inspiradas nas letras interessantes, executadas

numa voz arranhada e gritada; na bateria bem

agressiva quando é momento mas também versátil

e muito bem executada; e por fim no baixo que

preenche a muralha de som. A produção é moderna

e bem conseguida onde todos os instrumentos

soam agradáveis e estão equilibrados, fazendo

com que todos sejam audíveis na medida certa.

De notar que este é um projecto nacional recente,

que pela qualidade apresentada abre o apetite

para o que podem produzir a seguir, e deixam-me

pessoalmente alguma expectativa para ouvir como

será o seu primeiro álbum, pois para primeira

impressão este EP merece audição.

GLOOMY GRIM

“Fuck The World, War Is War!”

Symbol Of Domination Prod.

Como dissemos

aquando o lançamento

do "The Age Of

Aquarius", os Gloomy

Grim eram uma banda

bastante diferente

daquilo que se

apresentam agora. Esta

compilação das suas

primeiras demos é a

prova que precisamos para sustentar a nossa

afirmação. Nestes primeiros trabalhos é

visível uma abordagem bem peculiar, quase

industrial - a bateria era programada sem

grandes esforços para esconder o facto - e

com músicas desconfortáveis (literalmente) e

que não iam nem ao encontro da abordagem

melódica/sinfónica das referências da altura

(Cradle of Filth e Dimmu Borgir) nem estavam

perto do lado mais extremo do black metal.

Curiosamente esse era um dos seus atractivos.

Como as demos já estão esgotadas há já muito

tempo, esta é a única oportunidade para colocar

as mãos neste temas.

GRANT THE SUN

“Grant The Sun”

Mas-Kina Recordings

Quando vimos os

títulos em castelhano

pensámos que

iríamos ouvir algo

para quebrar o ritmo

anglo-saxónico.

Só depois nos

apercebemos que

estávamos perante

música instrumental, o que para nós é

ainda melhor. Aliás, é perfeito. Consoante

a música ser boa. Felizmente é. Os

nuestros hermanos Lodo apresentamse

com um pós-metal que não foge ao

sludge para nos trazerem seis longas

tapeçarias sonoras (média de duração

é de seis minutos e meio) que são do

mais viciante que poderíamos ter. Um

grande álbum de estreia e uma enorme

surpresa, daquelas que gostamos que nos

surgem de nenhures. Neste Lodo não nos

importamos de afundar.

[8.6/10] David Carreto [7/10] Fernando Ferreira

[9.3/10] Fernando Ferreira

61


HATE MOON

“The Imprisoning War”

Folkvangr Records

Da Pennsylvania

(EUA) chega-nos

uma proposta

bem interessante

dentro do Black

Metal sinfónico.

Intitulada Hate

Moon, a banda

formada pelos dois membros Tuathail

(guitarra/teclado/bateria) e Tohmar

(vocais/baixo/guitarra) presenteianos

com um trabalho que explora as

origens culturais dos dois músicos

americanos de descendência

irlandesa.

Apostando numa sonoridade

com contornos bastante épicos,

a sonoridade de The Imprisoning

War vai alternando com extrema

agressividade e um lado mais

sinfónico com elementos sonoros

sintetizados, que proporcionam uma

excelente ambiência sonora, tanto em

temas mais curtos, como “Storm the

Gates”, como em faixas mais longas,

como “The Skeleton Forest”. Contudo,

todo o trabalho dos Hate Moon é

um conjunto de brutalidade épica e

anciã, a recordar os tempos antigos

que misturam a história e fantasia da

mitologia nórdica e celta.

Pese embora os vocais não serem os

mais tradicionais no género, fazendose

notar uma espécie de influência do

screamo mais moderno, na realidade,

a sua junção com a parte instrumental

cria um ambiente bem interessante

dentro do Black Metal que a banda

propôs. Em suma, The Imprisoning

War é uma proposta a ter em conta em

um dos lançamentos do underground

metálico que os fãs deveriam dar uma

oportunidade.

HEAT

“Night Trouble”

This Charming Man Records

De Berlim, os

classic rockers

Heat, apresentam o

seu terceiro longa

duração Night

Trouble, que sai

no próximo dia 13

de outubro. O que

esperar? Bem, velho

estilo rock, bem rasgadinho, solos e ritmos

vibrantes compondo musicas simples e

por vezes algo melancólicas, mas quando

o ouvimos ficamos com a ideia de um

enorme esforço da banda germânica, uma

vez que comparativamente com trabalhos

anteriores se nota uma melhoria na

produção com um som mais profissional.

A ouvir, claro que sim!

HUMANITY ZERO

“Withered In Isolation”

Satanath Records

HENRY METAL

“So It Hath Begun”

Edição de Autor

Um passo, o primeiro,

de um projeto de hard/

heavy rock, que para

os fãs ou apreciadores

do género não deixará

ninguém desapontado.

São faixas como a

brilhante "Butthead

Maven" que me faz

ter esta opinião, pois

trata-se de um tema incrível, que serve para

demonstrar que Henry Metal é um artista que

realmente sabe como dar o que os outros

querem. “Henry's Saga” tem o som da guitarra

Thin Lizzy, bem ao estilo de Gary Moore e

até mesmo as influências de John Sykes.

Outras passagens revelam uma aparente raiva

forçosamente escondida, “Squeeze You” e

“Boss Of Me”, por exemplo.A globalidade do

álbum é o sangue que corre nas veias de quem

o construiu, cheio de excelentes musicas rock,

fáceis de aceitar e cantar.

[8/10] Miguel Correia [7.5/10] Miguel Correia

Os Humanity Zero

surgem-nos da

Grécia, já com um

longo historial, com

"Withered In Isolation"

a ser o oitavo álbum

lançado desde 2008,

o que é uma média

bem alta. A dúvida que

nos assalta será de verificar se a média no

que diz respeito à qualidade também é alta.

Conforme mergulhamos neste trabalho,

percebemos que o seu foco é o death/doom

clássico, lembrando-nos os primórdios de

bandas como Anathema, Paradise Lost ou

My Dying Bride. Arranjos simples e melodias

de guitarra solo bastante convincentes

fazem com que este álbum surja como uma

agradável surpresa. De tal forma que nos

dá vontade de verificar o resto da já longa

discografia da banda grega.

IGNOMINIOUS

“The Throne And The Altar”

Hidden Marly Production

Black metal hungaro

poderá não ser uma

grande referência

mas os Ignominious

até nem se dão nada

mal. Após seis anos

de silêncio sob a

estreia "Death Walks

Amongst Mortals",

a banda apresenta o seu segundo álbum

sobre a forma deste "The Throne And The

Altar". Não surpreendendo na forma - black

metal tipicamente escandinavo próprio

do underground da década de noventa -

acaba por cativar pelo seu entusiasmo e

pela sua melodia, mesmo sem ter arranjos

de teclados. Produção crua e uma certa

mística que faz com que se ouça muito

bem. Para quem procura uma viagem ao

passado no seu black metal, este é um

bom destino.

[7.5/10] Fábio Pereira [8.7/10] Fernando Ferreira

[7/10] Fernando Ferreira

IN TORMENTATA QUIETE

“Finestatico”

My Kingdom Music

Necrot são o

puro Death Metal

oldschool em Pleno

século 21. Puro e

cru, completamente.

Começa logo com

o pedal duplo que,

apontado a nós

como uma pistola,

oferece momentos de destruição aos

nosso ouvidos. Os riffs são gordos e

densos, como que criando uma sólida

parede de som quase impossível de

derrubar. A agressividade como palavra

de ordem não é algo que nos tenha sido

apresentado propriamente ontem. Ao

longo que os minutos vão passando,

somos confrontados com mais do mesmo,

tornando difícil de digerir o álbum na sua

totalidade.

INTEGRAL

“Resilience”

Ghastly Music

Quando referimos

que o metalcore e o

deathcore já pouco de

novo têm a oferecer,

são bandas como os

Integral que nos dão

razão. Não por evitarem

os ditos géneros mas

por os incorporarem

com outros géneros,

neste caso, o death metal técnico. Até julgamos

que, sem ser oficialmente, o death metal

técnico é a tábua de salvação do deathcore.

Como generalizar é o ponto de partida para o

preconceito, vamos continuar a analisar caso a

caso. Os italianos Integral conseguem conciliar

de forma perfeita breakdowns e solos de

extrema inspiração, que fazem com que temas

como "Collapsed Cubes" e "Mechanical Existence

Construction" nos soem extremamente

interessantes. Este é um daqueles álbuns que

nos vemos a voltar muitas mais vezes no futuro

- o que já diz muito do seu impacto.

JOHN STEVEN MORGAN

“Solo Piano Works”

Dark Martha Records

Bem pessoal da

metalada pura e dura.

Podem ir descansar.

Não há aqui para nós. O

resto do pessoal que até

gosta de outras coisas

podem permanecer

que isto até é capaz de

vos interessar. John

Steven Morgan é um

compositor e pianista conhecido no circuito de

jazz. "Então e o que é que isto tem a ver com

o mundo do metal?" Bem, o senhor também é

compositor para o projecto Wreche, black metal

experimental? Interessante, não? É como a

música aqui. Pequenas peças ao piano, cruas

e puras e bastante emocionais. Algo que ficaria

bem num filme qualquer onde as relações e

emoções fossem um dos grandes tópicos.

O resultado é um álbum zen que sabe bem

ouvir para limpar o sistema das toxicidades do

quotidiano. E não, não é música para dormir.

Acreditem.

62

[6/10] João Coutinho [8.4/10] Fernando Ferreira

[8/10] Fernando Ferreira


JORN

“Life On Death Road”

Frontiers Records

Jorn Lande

não precisa de

apresentações, toda

o seu percurso e

reputação adquirida

enquanto vocalista

e compositor o

precede. São muitos

anos de metal, quase

30, se não estou em erro, e este “Life On

Death Road” marca o seu nono trabalho

original de estúdio, trazendo mais uma

vez o peso do metal, navegando para

sonoridades AOR, ao nível elevado a que

Jorn já nos habituou e mais uma vez

acompanhado por nomes sonantes e de

peso no panorama musical: Matt Sinner

(baixo), Francesco Jovino (bateria), Alex

Beyrodt (guitarra), complementados

por Alessandro Del Vecchio nas teclas.

Recomendo!

KA BAIRD

“Sapropelic Pycnic”

Drag City

Já estamos habituados

a que nos chegue

da Drag City as

propostas musicais

mais inesperadas

mas mesmo assim

ainda nos consegue

surpreender. Ka Baird

é difícil de definir. Este

projecto poderá inserirse

na vertente mais experimental da música

ambient e avantgarde, onde sons estranhos,

alguns orgânicos, outros fruto de sintetizadores

se juntam a uma voz angelical que aparece de

vez em quando. O resultado é desconcertante

tanto como hipnótico. Definitivamente não é

algo para ouvir todos os dias mas tem um efeito

estranhamente calmante - compreendemos

que possa irritar também. Um álbum de estreia

que não nos deixa indicações para o que possa

vir no futuro - a dificuldade para compreender

o presente já é difícil - mas sem dúvida que

uma obra que vai crescer com consequentes

audições.

KING PARROT

“Ugly Produce”

Agonia Records

Os King Parrot já têm

dado nas vistas desde

o lançamento do álbum

de estreia em 2012

mas foi com "Dead

Set", lançado pela

editora de Phil Anselmo

(Housecore Records)

nos E.U.A e na Europa

pela Agonia Records

que as portas se abriram verdadeiramente.

"Ugly Produce" pega nisso e eleva tudo um

pouco. Qualidade, potência e intensidade, num

álbum que apesar de unidimensional, não deixa

de impressionar. Talvez o grande defeito é não

oferecer uma faixa que seja que se destaque.

Por outro lado, todas se equivalem por uma

qualidade acima da média. Um álbum ao qual

teremos ainda que dedicar mais audições mas

que só esse facto - ser unidimensional mas

mesmo assim puxar-nos para ouvir mais - é

razão para ficarmos impressionados.

[9/10] Miguel Correia [7/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira

KORPIKLAANI

“Live At Masters Of Rock”

Nuclear Blast

Nada como vir do Vagos

Metal Fest e recordar uma

das grandes actuações

do festival com este "Live

At Masters Of Rock",

embora aqui tenhamos

direito a muitas mais

músicas do que aquelas

que ouvimos na meca

metaleira nacional. Dois

CDs com duas actuações da banda, uma registada

em 2016 e outra em 2014. Já sabemos o que

estão a pensar - duas actuações, provavelmente

dois espectáculos bastante semelhantes. Também

estavamos cépticos e embora a música dos

Korpiklaani não seja das mais surpreendentes

que possa existir e realmente exista a repetição

de alguns temas, a verdade é que os espectáculos

são diferentes o suficiente para que compense

a compra. Tal como compensaria ir ver a banda

com o intervalo de dois anos a um festival como o

Masters Of Rock. Além de ser o primeiro trabalho

ao vivo da banda finlandesa (e também DVD/Blu

Ray), deverá ser valorizado por não ter qualquer

tipo de overdubs. What you heard is what you get.

Para fãs e curiosos, recomendado.

KRYPTONITE

“Kryptonite ”

Frontiers Records

Estamos perante um

projeto, reunidos por

uma editora. Quando

nomes como Jakob

Samuel, voz de The

Poodles, conheceu

Alessandro Del

Vecchio, produtor

interno da Frontiers

Records e um escritor

á altura dos seus gostos chamado Neal

Schon, Fergie Frederiksen, Steve Lukather e

muito mais, o resultado é este KryptoniteO

projeto também apresenta o guitarrista

Michael Palace, o baixista Pontus Egberg e o

baterista Robban Bäck com resultados algo

impressionante. Bom, vamos lá, Chasing

Fire, Across The Watere Get Out Be Gone, são

musicas carregadas de ambiente típico AOR e

claro recheado de conceitos líricos profundos e

inteligentes, com uma grande energia. Será que

apesar de tudo haverá espaço para um segundo

trabalho destes Kryptonite?

[8/10] Fernando Ferreira [7/10] Miguel Correia

LENG TCH'E

“Razorgrind”

Season Of Mist

Os Leng Tch'E são um

dos nomes maiores do

grindcore da Bélgica

a par dos Agathocles,

embora sejam uma

banda (um pouco)

mais recente. Quando

partimos para a

audição de um álbum

de grindcore, é fácil

esperarmos algo específicamente, no entanto,

com este "Razorgrind" podemos esperar

algumas surpresas. Para já, e graças a uma

produção bem potente, há por aqui um espírito

death metal bem acentuado. Depois existem

por aqui dinâmicas e pormenores excelentes

que ajudam a que não se sinta que este é

apenas mais um álbum grindcore. Se pegarmos

num malhão como "Ginea Swine" onde até

teclados vintage temos, é fácil perceber ao que

nos referimos. "Razorgrind" é praticamente

inesgotável, dadas as vezes que lhe queremos

dedicar audições e um regresso (após sete anos

de ausência) muito bem acolhido por todos os

que gostam de música extrema.

[9/10] Fernando Ferreira

LEPROUS

LONEWOLF

“Malina”

InsideOut Music

pdoemos classificá-lo como trip hop,

até à forma como progride sendo que os

momentos emocionais tendem a sobreporse

à intensidade que a banda já nos tinha

“Raised On Metal

Massacre Records

Os Leprous já habituado. E este poderá ser o grande

Estes franceses,

deixaram de ser uma desafio para quem gostava principalmente

trazem-nos um

novidade há já algum dessa componente. No entanto, apesar da

álbum cheio de

tempo. Nem memso nítida mudança de direcção, não se pode

metal pesado reto

uma promessa. Já dizer que a identidade da banda tenha

e intransigente; As

são uma confirmação sido renegada. Melodias fáceis de fixar,

músicas são rápidas

e uma força a ter em alguma complexidade nos ritmos mas no

com coros atraentes.

conta no espectro do geral estruturas das músicas mais simples

Com isso, e também

metal progressivo. e fáceis de assimilar, assim como um

devido à voz muito

Depois de um "The Congregation" que ambiente quase pop. Curiosamente será característica do guitarrista / vocalista

lhes trouxe sucesso e digressões por todo por essa facilidade de assimilação que o Jens Börner, a banda desenvolveu

o lado (que nos brindou com um grande álbum talvez se torne algo difícil de digerir. totalmente um som que é imediatamente

concerto no Lisboa Ao vivo) a expectativa "Malina" marca um ponto de viragem mas reconhecível. 'Raised On Metal' não é uma

era grande e nem teve que ser alimentada não compromete, fazendo com que apesar exceção e é outro registro Lonewolf típico

muito porque dois anos depois cá está o da mudança, continuamos a caminhar que irá satisfazer seus desejos de heavy

sucessor. Ainda assim, o que temos é um com eles.

metal mais profundos e irá especialmente

trabalho substancialmente diferente de

tudo o que a banda apresentou até agora.

Para já está bastante mais acessível. Desde

agradar os fãs de Grave Digger e Running

Wild. O verdadeiro metal pesado, os picos

e o couro ainda são a lei! Soltem os lobos...

a forma como começa com "Bonneville",

um tema que na maior parte da sua duração

[8/10] Fernando Ferreira [8/10] Miguel Correia

63


MANILLA ROAD

“To Kill A King”

Golden Core Records

Depois do brilhante

The Blessed Curse,

os lendários reis

do metal épico

Manilla Road, que

celebram 40 anos

de existência, estão

de volta com este

To Kill A King. Mark

the Shark Shelton, Bryan Hellroadie

Patrick e Andreas Neudi Neuderth,

acompanhados à data por Phil Ross no

baixo, projetam neste trabalho aquilo que

é a imagem destes Manilla: riffs e solos

bem melódicos e muito característicos,

projetados num ritmo muito próprio, os

duelos nas vozes de Patrick e Shelton, e

a sólida secção rítmica, numa batida bem

progressiva, tudo traduzido em 10 faixas

bem consistentes e plenas de criatividade,

passando por momentos de demonstração

de metal bem furioso, rasgado, The Arena

é disso um bom exemplo, que ao mesmo

tempo serve para elevar a melancolia

trazida da faixa anterior. A longa abertura

deixa antever a boa forma do quarteto

do Wichita, Kansas, e ao longo de todo o

trabalho faixas como Castle of the Devile

Ghost Warriors, trazem logo à memória os

bons velhos tempos, que os tornou uma

das bandas de culto da cena heavy metal

e que ainda hoje são respeitados por todo

o seu percurso. Shelton é um mestre do

metal, queiramos ou não, o percurso da

banda fala por si e quem desenha hinos

como The Talismane The Other Side

não precisa de outro reconhecimento se

não o dos seus fans. Estamos perante

um trabalho nada antiquado, muito

bem pensado e também ele capaz de

demonstrar o som constante e evolutivo

da banda, que se percebe sempre fiel às

suas raízes. Os Manilla continuam a elevar

os seus padrões criativos e a demonstrar

que velhos são os trapos!

MIDNITE CITY

“Midnite City”

AOR Heaven

Ai está mais uma

nova banda que

tem na sua formção

Midnite City o líder

dos Tigertailz,

Rob Wylde, Pete

Newdeck (Newman

/ Eden's Curse,

Blood Red Saints),

o guitarrista Miles Meakin e Shawn

Charvette em teclados. O som de Midnite

City é basicamente o rock duro melódico

dos anos 80 com algumas pinças fortes

da cena Hair Metal. São musicas muito

surpreendentes de tirar o folego com

guitarras bem fortes, com vocais cheios de

atitude, criando grandes melodias! Notase

o à vontade para compor musica dentro

desta sonoridade, sendo uma estreia

muito bem conseguida. A não perder de

vista! Grande trabalho!

[10/10] Miguel Correia [10/10] Miguel Correia

64

MIDNITE HELLION

“Condemned To Hell ”

Witches Brew

Considerando

as inúmeras

mudanças de

formação nos

últimos seis

anos (pelo

menos quatorze

guitarristas, baixistas e vocalistas

diferentes já não estão na banda),

o que sempre provoca alguma

instabilidade, Condemned To Hell é um

punhado de nove faixas de excelência

que que cruzam linhas thrash e

metal clássico. A formação atual está

reduzida a um trio, mas onde a base é

composta pelo baterista Drew Rizzo e

o baixista / vocalista Rich Kubik. Bom,

voltando ao álbum, as duas primeiras

faixas, podem-nos deixar de pé atrás,

não causando muito impacto e ouvir

nessa fase de interlúdio a passagem

sonora de Michael Jackson Black Or

White seguido de um...wait a minute,

this is not heavy metal...arrancando

de punho erguido para um conjunto

de riffs bem duros e pesados bem old

school, mas como disse atrás, que

não impressionam! Daí em diante as

coisas aquecem e bem! Cross The

LIne, é mesmo um atravessar de linha,

para algo então muito, mas muito

thrasher, com grandes solos e ritmos

rasgados. Para a banda de New Jersey,

fica o conselho: estabilidade, porque

as ideias estão aí, mas precisam de ser

mais equilibradas. Vamos aguardar

por futuro lançamentos.

[7/10] Miguel Correia

MIST OF MISERY

“Shackles Of Life”

Black Lion Records

O duo sueco

conhecido como Mist

Of Misery (entretanto

ampliado a quarteto)

deu nas vistas com

o segundo álbum de

originais editado no

ano passado. Quem

gostou nem teve que

esperar muito tempo por nova música já que

aqui está este EP que nos traz três temas

novos acompanhados de três interlúdios

e uma outro. A fórmula do seu black metal

sinfónico e melancólico continua bem

acutilante e eficaz. A fugir ao pós-black

metal, abraçando o género mais tradicional

mas ainda assim a não fugir à melodia, este

é um EP indicado para quem gosta música

orquestral e emocional, sem esquecer,

obviamente o peso. Um bom momento da

banda para se introduzir ao seu som.

MITOCHONDRION

“Antinumerology”

Krucyator Production

De vez em quando

falamos do poder

terapeutico da música

indie ou ambient,

como desintoxicação.

Não só da metalda

como do próprio

stress. É um ponto

válido no qual

acreditamos ser fundamental à sanidade

humana. Outro bastante válido para o

mesmo fim é precisamente ouvir algo como

este EP dos Mitochondrion, banda canadiana

de black/death metal que espalha porrada a

torto e direito como se fosse um cruzamento

do Stallone com o Schwarzenegger.

Daquela que até nos faz sugar toda a nossa

agressividade depois de a puxar ao de cimo

e sentir uma libertação como se tivessemos

cinco horas no ginásio. Aliás, se esta música

estivesse no ginásio era garantido que os

treinos passavam de uma hora para meia.

[8/10] Fernando Ferreira [8.3/10] Fernando Ferreira

MOONLIGHT DESIRES

“Just The Hits: 1981-1985”

Edição de Autor

Esta é uma ideia

fantástica que já

anda na nossa

mente desde...

sempre? Não, não

nos roubaram a

ideia, até porque não

registámos patente mas como bons filhos

da década de oitenta, não há nada mais

que nos encante que pegar em músicas

pop da nossa infância e adolescência e

vê-la transportada para o universo rock.

Imensas bandas já o fizeram no passado

- os Atrocity são uma das mais ilustres

- pelo que os Moonlight Desires não são

revolucionários. Nem pretendem sê-lo

mas o que fazem, fazem-no com uma

mestria assinalável. Este é o segundo

trabalho (a estreia veio na forma de

"Frankie Goes To Hamilton", onde se

dedicaram a reiventar músicas clássicas

de amor) e é um mimo. Principalmente

pela forma como músicas pop da década

de oitenta são transformadas em temas

rock moderno. Temos Duran Duran, Rod

Stewart, Kim Carnes, Simply Red, Frankie

Goes To Hollywood, entre outros. Esta

é uma viagem no tempo que nem se dá

conta que se está a ter, o que só demonstra

tanto a qualidade das músicas como a

capacidade da banda em reinventar temas.

Só falta referir que os impulsionadores da

banda são os mesmos por trás da série

"Sons Of Butcher" (uma espécie de Spinal

Tap canadiano), cujo tema é o genérico do

nosso program Entrevista Estapafúrdia.

Brilhante!

[9/10] Fernando Ferreira


MOULDERED

“Chronology Of A Rotten Mind”

Satanath Records

Não queremos saber

se nos estamos a

repetir. Gostamos da

fruta sul-americana.

Os tempos já não são

o que eram e hoje em

dia é possível termos

um underground

pulsante vindo de

países como a Colômbia de onde nos surge

esta estreia dos Mouldered. Em abono da

verdade, não é nada que não tenhamos já

ouvido antes. Death metal brutal a convidar

ao slam - algo que apanhámos um fartote

no início do milénio. Mas há algo neste

conjunto de faixas que faz com que o que

nos surge consiga cativar sem grande

dificuldade. Bom death metal, a fugir à

falta de dinâmica do slam - ouçam lá a

"Mind Control" e digam lá se conseguem

resitir a todos aqueles solos adoráveis.

[7.5/10] Fernando Ferreira

MR. BIG

“Defying Gravity”

Frontiers Records

Estamos perante

uma banda que não

desperdiça o seu tem

em estúdio. Uma vez

envolvidos no processo

de criação e gravação,

o resultado tem de ser

sempre surpreendente,

não fossem os Mr.

Big, uma das bandas

que também marcou uma época, mas que

atualmente também se preocupa em manter o nível

conquistadonesses tempos. Riffs pesados, onde a

guitarra e o baixo soam num sincronismo perfeito,

as harmonias vocais são ricas e bem melódicas

e pontualmente lá surgem umas brincadeiras de

Gilbert que continua um mestre nas seis cordas,

compondo um punhado de musicas muito bem

estruturadas, mas um senão, acho a mistura

perfeita, mas a produção poderia ter sido um pouco

mais trabalhada, pois sonoramente o disco perde

alguma intensidade. Se és um fan dos Mr. Big,

Defying Gravity não vai desapontar, pois trata-se

de um clássico som hard rock, tocado por mestres

numa singularidade que os torna especiais e se

destacam, provando que ainda têm muito para dar.

[8.5/10] Miguel Correia

MYRKUR

“Mareridt”

Relapse Records

Não conseguimos

perceber todo o ódio

a esta banda/projecto

ou à pessoa que dá

vida a Myrkur. Parece

que veio mexer com

algumas sensibilidades

e caiu no goto falar

mal. A razão de não

conseguir perceber é

principalmente pela música ser boa. Não, não

traz nada de novo. Não, não é revolucionário.

Sim, é bastante melódico e sim, por vezes até

se aproxima do pop (como na "Crown" que nos

remete para terrenos da Enia e da música da

década de oitenta), mesmo que o folk esteja

sempre presente. E a música é boa! Era boa em

"M" e é boa aqui em "Maredit". Não é a salvação

do black metal nem o seu futuro, mas também

não é a hecatombe de satanás que muito

apregoam. Da nossa parte... aprovado!

[8.7/10] Fernando Ferreira

NATIONAL SUICIDE

“Massacre Elite”

Scarlet Records

Thraaaaaaaaaaaaaaaash!

Os National Suicide são

um daqueles nomes

que mesmo sem ser

grande - comparado

com pesos pesados

como Havok e Harlott -

entre os novos nomes

do thrash, não deixa de

ser um dos mais interessantes. Riffs galopantes e

tocados à velocidade da luz, uma intensidade old

school ao qual se junta a voz de Stefano Mini que

parece um Udo Dirschneider (ex-Accept e actual

U.D.o.) vitaminado, assim como a própria música

tem muitos elementos de heavy metal tradicional

principalmente nas guitarras solos. É um álbum

curto e grosso mas que não nos cansamos

de ouvir. Nós não nos cansamos de thrash, é

verdade, mas quando nos é apresentado nesta

forma, ficamos sem resistências para o quer que

seja a não ser para gritar... thraaaaaaaaash!

[9/10] Fernando Ferreira

NECROPHOBIC

“Pesta”

Century Media Records

Já estava na altura

dos Necrophobic

deitarem qualquer

coisa cá para

fora. Uma das

mais ilustres (e

subestimadas)

bandas do death

metal sueco regressa

com um EP após quatro anos de silêncio

do anterior trabalho, o ambicioso "Womb

Of Lilithu". E o que é que podemos

esperar? Death metal blasfemo como a

banda já nos habituou a fazer e em grande

forma. Com apenas duas faixas, este EP só

peca mesmo por curto. Ainda assim, a sua

qualidade faz com que queiramos ouvir

várias vezes "Pesta" e "Slow Asphyxiation",

os dois temas em questão.

NECRYTIS

"Countersigns"

Pure Steel Records

Estamos perante um

mix de elementos

metal tradicionais e

prog....construindo

um som moderno e

bem trabalhado. É

um álbum de estreia,

mas já vem cheio

de intenção!Então o

que esperar? A banda tem no seu line up

Toby Knapp, veterano guitarrista da cena

norte americana de heavy / power metal,

logo não poderia estar mais bem entregue

a construção das linhas de guitarra:

bastante melódicas, riffs power-house,

que levam som deste álbum a um nível

bem elevado e com um ritmo tremendo

do principio ao fim. Acho que fica aqui a

dica para os apreciadores, é um trabalho

surpreendente! Vamos lá ouvir!

[8/10] Fernando Ferreira [8/10] Miguel Correia

NEMECIC

“The Deathcantation"

Inverse Records

Mais uma banda

finlandesa a estrear-se

mas se esperam algo

extremamente polido

e melódico, podem

desenganar-se. Os

Nemecic apresentamse

com uma mistura

de thrash e death

metal que têm vindo a aperfeiçoar há mais

de uma década. A banda passou por diversas

fases e encarnações (esta é a sua terceira)

mas agora parece que acertaram em cheio.

Som dinâmico, cheio do melhor que o estilo

mais clássico e old school e também a

vertente moderna tem para oferecer. Não são

os elementos que a compõem que fazem a

diferença mas a forma como eles são usados

e como vão desaguar a um excelente álbum

de originais e uma excelente estreia.

[8.4/10] Fernando Ferreira

NETHERBIRD

“Hymns From Realms Yonder"

Black Lodge Records

Um álbum de

compilação pode

ser uma faca

de dois gumes.

Enquanto que, por

um lado, pode ter

um inquestionável

valor na forma

como homenageia

e revolve o percurso de uma banda, por

outro, pode ser nocivo na forma como

denuncia incoerências, imaturidades

e inconsistências que não raramente

mancham esses mesmo percursos,

pelo simples facto destas crescerem e

evoluírem nos seus trilhos artísticos.

Hymns From Realms Yonder é uma

compilação de b-sides, covers, músicas

lançadas em formato digital que não

conseguiram chegar aos lançamentos

discográficos originais, entre outros

"restos". Assumido o risco, os Netherbird

ganham, apesar de tudo, esta aposta.

É que apesar de termos as expectáveis

mudanças de tom incontornáveis num

trabalho deste género - onde passamos

por fases variadas, onde ora temos uma

vibe viking, épica, guerreira, ora temos

uma atmosfera mais sinistra e ameaçadora

e orelhuda, de riffs mais austeros e

orquestrações com cheiro a gótico - existe

uma argamassa coerente que consegue

unificar esta disparidade: aquele espírito

Black "Metalesco" melódico tradicional

dos anos 90 cujas influências radicam no

Heavy Metal.

Não é um trabalho de encher o olho, mas é

certamente um bom cartão de visita para,

a partir daqui, melhor indagar nas ofertas

musicais destes suecos. Assim sendo,

"restos" talvez não seja, de todo, a palavra

mais justa para descrever as malhas que

o compõem.

[7/10] Jaime Nôro

65


NOSELF

“Human-Cyborg Relations Episode 1”

Zombie Shark Records

Os NoSelf inseremse

naquilo que é

chamado como

revivalismo nu metal.

É verdade, há por aí um

revivalismo nu metal,

felizmente passou-nos

despercebido. Com o

conhecimento de que

os NoSelf fazem parte

do movimento limita logo a nossa boa-vontade.

Felizmente o som não nos apresenta todos

aqueles tiques que aprendemos a odia. Apenas

alguns. Com uma compomente e conceito

electrónico bastante presente que até apontam

mais para o metalcore do que propriamente

nu metal, este é um EP interessante e que não

se distancia dos géneros citados atrás e até os

abraça. É isso que acaba por nos conquistar,

mesmo que o interesse não perdure muito.

[6/10] Fernando Ferreira

NOSTOC

“Ævum”

Edição de Autor

Os Nostoc chegam

pela calada e levam

tudo à frente. "Ævum"

é o álbum de estreia

da banda embora não

seja o seu primeiro

lançamento - a banda

conta com uma demo e

um single no currículo

- mas soa de forma

tão poderosa que parece que já andam nisto há

décadas. Temos death metal bruto com cariz

progressivo. Temas longos e complicados que

se enrolam em nosso redor e vão tecendo uma

teia que nos deixa irremediavelmente presos.

Este é um álbum contra a corrente do tempo.

Mesmo que possa ter um efeito imediato (em

nós teve) vai exigir muito mais do ouvinte

do que aquilo que ele/a está provavelmente

habituado. Tal como nós gostamos. Complexo,

pesado, intenso. Não é preciso mais, mas eles

ainda entregam mais. Profundidade, solos

mirabolantes e uma voz cavernosa. Encerramos

o nosso caso.

NOVAE MILITIAE

“Gash’khalah”

Edição de autor

O álbum começa

com uma introdução

sintetizada muito

etérea, que introduz um

black metal decadente,

voz grave e demoníaca

brilhantemente

executada, som amplo

extremo e repleto de

frequências que eu chamaria ambientalmente

negras. A produção está bem equilibrada e

deixa que a muralha de som nos mergulhe no 2ª

álbum deste projecto francês onde o ambiente

de terror e desespero complementado com

excelente black metal nos remete para

outros produtos da imaginação. Repleto de

agressividade e onde todos os sons têm o

seu espaço, um excelente trabalho baseado

na devastação sem grandes pausas, apenas

nos ritmos deambulantes que continuam a ser

pouco lentos apesar de embalantes. São cerca

de 55 minutos de caos para os apreciadores.

[9.3/10] Fernando Ferreira [9/10] David Carreto

NOVELISTS

“Noir”

Edição de Autor

Coisas como o rótulo

metalcore progressivo

deixam qualquer

um desconfiado,

certo? Como que se

de alguma forma se

tivesse a intenção

de se afastar do

metalcore, colocando

outro elemento em cima da mesa. Talvez seja

apenas teoria da conspiração ou mau feitio

contra o metalcore. No entanto e em defesa

do segundo álbum dos franceses Novelists, a

música aqui não é má de todo. Não notamos

qualquer influência progressiva. Parece tocar

em todos os botões habituais do metalcore,

no entanto fazem-no de forma que não nos

importamos que o façam - ou seja, não

enjoa. Melódico e cativante este é um álbum

ao qual queremos voltar no futuro e que

tem hipótese de crescer ainda mais após as

primeiras audições.

NUKLEAR WARFARE

“Empowered By Hate”

Edição de autor

Thrash directo e

sem rodeios é o que

os alemães Nuclear

Warfare nos propõem

com este quinto

álbum de originais.

Existe um sentimento

revivalista da era

dourada do thrash

em Empowered by Hate bem presente

em musicas como After the Battle, Let

the Hate Reign ou A Nice Day. Sendo esta

uma banda alemã acaba por ser curioso

a existência de uma música como Mata

Com Faca, fruto da presença do baterista

brasileiro Alexandre Brito. A produção

contribui muito para o feeling old school, a

simplicidade da execução assenta bem no

que os Nuclear Warfare sendo a voz como

ponto mais fraco. Para quem sente falta de

uma boa thrashada á moda antiga esta é

uma boa sugestão.

[8/10] Fernando Ferreira [7.5/10] Fernando Ferreira

OCCASVS

“Nocturnal Majestic Mysteria”

Unspeakable Axe Records

"Nocturnal Majestic

Mysteria" não

engana ninguém. É

black metal. É black

metal com toques

melódicos graças a

arranjos de teclados.

É black metal diverso

e dinâmico. Soa

vintage mas sem soar propriamente retro,

nem tem uma colagem a qualquer cena em

específico. A banda é chilena mas vai para

além do estereotipo do metal extremo sularmericano,

sem recair na solução fácil do

metal escandinavo embora englobe aqui

muitas das suas características. Não, há mais

aqui. Há algo mais. Um desconforto, uma

finesse e ao mesmo tempo uma brutalidade

que junta death metal ao thrash metal,

mistura tudo no mesmo prato e apresenta-o

de forma bem atraente. Occasvs lança o seu

álbum de estreia e uma grande promessa em

relação ao seu futuro. Uma promessa que

vamos querer cobrar.

[8.3/10] Fernando Ferreira

66

OMINOUS SHRINE

“Ο Δρόμος Της Αποθεώσεως”

Edição de autor

Projecto francês

de blackened

death metal com

muitas influências

de doom, no seu

álbum de estreia

composto por 7

temas, sendo um

deles uma introdução de 3minutos

de ambiente negro e percussão

muito tribal. Este foi um álbum que

precisou de mais de uma audição para

percepcionar o seu ambiente, pois

apesar de algum caos na produção

que se nota principalmente nas partes

onde todos os instrumentos mais a

voz se fazem sentir por períodos mais

longos, acaba por criar um ambiente

próprio e até interessante. Com partes

agressivas, outras mais doomish,

com voz dentro do estilo death metal,

bateria sempre a guiar o ritmo, com

momentos ritualistas e excelentes

pormenores de criatividade. O ponto

mais negativo será a produção, que

apesar de captar os instrumentos

em perfeitas condições, perde um

pouco no equilíbrio entre eles em

momentos mais agressivos, quando

todos se apresentam para fazer parte

da musica em questão, por outro

lado cria o seu próprio ambiente e

por escolha pode ser preferível uma

produção mais suja. Para o ambiente

negro e decadente que apresenta, é

perfeitamente aceitável, e acaba por

estar presente na diversidade de estilo

que a banda apresenta.

OMRADE

“Nade”

My Kingdom Music

O termo Avantgarde

Metal poderá induzir

muitos em engano.

Passamos a explicar.

Qualquer que seja o

subgénero do metal

que tenha lá metal no

meio, tudo o resto é

ignorado. O que poderá

levar a que se tenha algum choque quando se

repare que a componente metal é pouca ou

praticamente inexistente e a existir é na vertente

Paradise Lost, entre o "One Second" e "Host"

com algumas excepções. No entanto isso não é

o mesmo que dizer que seja má música. Muito

pelo contrário. Para quem gosta de relaxar num

ambiente (quase) chillout, trip hop, de arranjos de

clarinete e saxofone, então tem aqui um viagem

em grande. Este trabalho consegue agarrar sem

se colcar a nenhum género em específico, o que

só faz com que soe ainda mais refrescante. Agora

atenção, metal... não há muito por aqui.

[7.1/10] David Crreto [7/10] Fernando Ferreira


ON TOP

“Top Dollar”

Horror Pain Gore Death Productions

Diretamente de Filadélfia,

Pensilvânia, o trio

formado por Jaron

Gulino, vocais, Danny

Piselli, bateria e a sua

mais recente aquisição

Ric Haas, guitarra e

vocais, dão corpo a um

som bem Hard Rock,

de fazer corar os seus

antepassados dos sagrados anos 80’s, mesmo que

inspirados por eles. Os On Top, não pretendem

deixar os seus créditos por mãos alheias e de

forma alegre e bem divertida rasgam quatro

malhas bem fortes que arrasam os mais corajosos,

sim digo isto porque de hoje em dia temos de ter a

coragem de dar uma oportunidade a novos nomes.

Lovin The Devil, Walk This Walk, This Waye

Everything são realmente 4 faixas muito, muito

boas, preenchidas por riffs e solos de guitarra bem

rasgados equilibrados por umas batidas de nos

fazer saltar da cadeira. Ok, eles causaram muito

boa impressão e a cena metal está a precisar de

som assim, tocado sem rodeios

PORTRAIT

“Burn The World

Metal Blade Records

Aos poucos os Portrait

têm andado a ficar

com um reputação

no meio do heavy

metal tradicional

bem considerável.

Ao ouvir "Burn The

World" é fácil perceber

que essa reputação

é completamente

merecida e que ainda não chega para ser feita

justiça no mundo. Quando falamos do espírito

da década de oitenta e em como o heavy

metal tinha algo que entretanto se perdeu em

produções digitais e inócuas de alma, é eesse

espírito que vive aqui. Verdadeiro heavy metal

que vicia mesmo. Para quem acha que o

metalcore é a única forma de tentar introduzir

o género às novas gerações, apresentamos

malhões como o tema-título, "Martyrs" e "Pure

Of Heart". Um dos grandes álbuns do ano senão

mesmo o melhor álbum de heavy metal de

2017!

PABST / AUTISTI

“Split 7"”

Crazy Sane Records

Quando duas

grandes bandas do

rock alternativo/

psicadélico se

juntam, obviamente

que ficamos logo

interessados. De um

lados os Pabst e o

seu rock alternativo

vintage que nos remonta à década de

noventa, àquilo que os Oasis e os The

Smashing Pumpkins deveriam ter feito

num tema, "Exciter" que soa mesmmo. Do

outro os Autisti, vêm do mesmo sítio (rock

alternativo) mas vão desaguar a àguas

mais psicadélicas e até noise. Para quuem

não passa sem propostas destas, este split

é obrigatório.

PARADISE LOST

“Medusa”

Nuclear Blast

É engraçado ver

como a vida dá

voltas. Os Paradise

Lost são um bom

exemplo em como

seguir o coração

compensa. Do

death/doom, ao

metal gótico,

passando pelo rock electrónico de

tendências góticas e desde aí voltando

lentamente ao início. Cada álbum tem um

espírito diferente e, no geral, não há nada

de escandalosamente mau. Apenas alguns

álbuns menos conseguidos. "Medusa"

está no espectro oposto, como um dos

álbuns mais bem conseguidos por parte

da banda. É que conseguir recuperar

o peso de outrora, as raízes, de forma

completamente fluída e natural, não é algo

fácil de encontrar. Agora que falamos,

talvez não exista nenhum caso, portanto

[8.5/10] Miguel Correia [7/10] Fernando Ferreira podemos dizer que a banda fez algo que

nunca ninguém tinha feito antes: fez o

impossível. Mas em relação ao álbum em

si. Tudo é clássico. O ambiente negro e

PROCESS OF GUILT

melancólico, as melodias típicas da banda

“Black Earth”

(e daí o dizermos que é um álbum que

Bleak Recordings

flui naturalmente, não é um regresso ao

passado ignorando tudo o que está para

Finalmente novo trás. É um regresso ao passado que passa

álbum de Process pela contínua evolução da banda que nunca

Of Guilt! Esta

deixou de ter em toda a sua carreira), uns

guturais impressionantes de Nick Holmes

banda, e não e a banda toda compenetrada em fazer um

dizemos isto por dos seus mais sólidos trabalhos desde

ser portuguesa, é

sempre. Ainda é cedo para vermos como

se posiciona na sua discografia, mas pelo

uma das melhores impacto que tem quase que arriscamos

bandas de sempre. A música que que está entre os seus melhores três

fazem não é acessível mas ainda

álbuns, ao lado de "Draconian Times" e

"Icon" - claro que é sempre uma questão

assim é daquela que fala directamente de opinião...

ao coração do ouvinte. Mais do que

palavras, notas musicais, sons e

ritmos, eles transmitem sentimentos

e emoções e muitas vezes não são

sentimentos e emoções com as quais

queiramos lidar. Pelo menos foi isto

[9.6/10] Fernando Ferreira que nos foram apresentando ao

longo de uma carreira sólida. Cinco

anos passaram desde "Fæmin" e nem

[9.6/10] Fernando Ferreira

o split com os Rorcal apaziguou a PSY:CODE

coisa. "Black Earth" é tudo aquilo que

“Morke”

esperávamos: doom pintado a pós

Pavement Entertainment

Projecto de Black metal, com o poderio em termos

Os Psy:Code, apesar

metal experimental rítmicos (a um nível apocalíptico) onde

de se inserirem no

dos Estados Unidos

as faixas se vão sucedendo, fluindo

espectro metalcore,

da América com

demonstram não

influências de naturalmente como se a divisão entre

estar atados pelas

shoe-gaze, e rock

elas fosse apenas um mero detalhe.

limitações do género.

psicadélico, este é o seu

Para já, estão bastante

ultimo EP com 3 temas Não é um álbum que entre à primeira,

mais próximos da

de aproximadamente

não é um álbum para celebrar a vida,

vertente moderna

é uma viagem aos nosso cantos mais

obscuros da alma. Se as actuações da

banda são inesquecíveis, é de esperar

que no disco um impacto fosse menor.

Aqui temos mais uma prova que não.

PROSTITUTION

“Egyptian Blue”

Edição de Autor

20minutos. Ao iniciar a

audição do álbum a primeira coisa a se notar é

a produção, está abafada na voz; a bateria tem

uma som de tarola ligeiramente alto, timbalões

um pouco baixos, na minha opinião poderia

ser encontrado outro equilíbrio na sonoridade;

as guitarras e o baixo soam agradáveis e

escapam ao defeito de produção. Quanto à

composição, a voz demonstra bons gritos, as

guitarras apresentam ritmos adequados ao

estilo mais experimental com bons momentos

de composição, e o baixo acompanha. Destaco

o tema Elevated Droves como o tema que mais

me cativou e do qual gostei mais.

[6.4/10] David Carreto [9.7/10] Fernando Ferreira

do metal extremo que teve a sua génese no

início do milénio (ou pelo menos na transição

para o mesmo) onde os elementos e arranjos

electrónicos têm um papel importante. A

banda já tinha provado o seu valor com os

dois bons álbuns anteriores e este não é

excepção embora também peque por não

conseguir dar o desejado (por nós) passo

em frente. Restam-nos um bom conjunto

de temas, ora mais melódicos, ora mais

agrestes mas que no geral não desiludem

para quem procura um metalcore a fugir ao

banal.

[7.3/10] João Coutinho

67


PROMETHEUS

“Consumed In Flames”

Katoptron IX Records

Vindos de terras de

Alexandre, o Grande,

os Prometheus

trazem-nos aqui uma

bela compilação de

malhas. "Compilação"

não será aqui uma

palavra escolhida por mero acaso, ainda

que não seja para se interpretar na sua

forma típica. É que embora possamos

"catalogar" este conjunto de músicas como

pertencentes à grande família do Blackened

Death Metal, num exercício generalizante,

é inequívoca a miscelânea de influências

díspares que se sentem ao ouvirmos

um álbum como Consumed by Fire. De

Mayhem na era Grand Declaration of War

ao exotismo oriental/mediterrânico de uns

Melechesh, e oscilando entre a violência

rítmica (e as temáticas mitológicas ) de uns

Behemoth e as profundezas dissonantes

á là Deathspell Omega, encontramos

aqui um pouco de tudo, organizado com

competência técnica e coerência q.b.,

numa entrega que no global se torna muito

própria e respeitável. A originalidade da

fórmula, portanto, reside, no fundo, na

forma como compila todas estas fórmulas

já pouco originais. E se é isso que, por

um lado, torna este trabalho um trabalho

"seguro" e de qualidade consensual, é

também isso que o impede de atingir um

estatuto de "marco indispensável" que,

neste momento, com tanta e tanta música

disponível, apresenta uma face cada

vez mais invisível. A produção - densa,

potente e organizada - merece aqui um

bom destaque ao coroar um bom álbum

com uma imagem sonora à altura.

QUIET RIOT

“Road Rage”

Frontiers Records

Os Quiet Riot são um

nome desconhecido

hoje em dia a não

ser para aqueles

que se lembram

da excelente malha

"Metal Health",

retirada do álbum com o mesmo nome

que foi um dos grandes sucessos do heavy

metal no mainstream (embora este heavy

metal esteja mais próximo do hard rock

mas não sejamos tão picuinhas). Também

se poderão lembrar do facto de ser a banda

de Rhandy Rhoads antes de ir tocar com

Ozzy Osbourne e ficar imortalizado como

um dos melhores guitarristas de sempre.

A banda não conseguiu repetir o feito e

mais de trinta anos já passaram mas nunca

desistiu e este álbum é representativo dessa

perseverança. Cru, bem mais próximo do

hard rock do que propriamente do heavy

metal, este álbum foi regravado com o

vocalista James Durbin (do concurso

American Idol) após o vocalista anterior,

Seann Nicols, ter saído. O resultado não

é particularmente memorável mas não

podemos dizer que seja um mau álbum.

Tem feeling (um feeling primitivo de blues

e rock), tem raça e é bastante (demasiado)

orgânico. A própria voz de Durbin parecenos

demasiado aguda para aquilo que a

música nos traz. Mas ainda assim, não

deixa de ser um bom álbum rock.

[8/10] Jaime Nôro [6/10] Fernando Ferreira

RAGE

“Seasons Of The Black”

Nuclear Blast

Inesperadamente não só

os Rage recuperaram da

mudança de alinhamento

com um bom álbum,

como passado um ano

depois voltam para mais.

"Seasons Of The Black"

pega onde "The Devil

Strikes Again" ficou. Mais

directo, heavy/power/

thrash à semelhança do que a banda fazia no

início da carreira. Foi uma viagem ao passado bem

sucedida como poucos conseguem fazer embora

a faceta mais melódica e sinfónica também façam

parte da identidade da banda. Não sabemos se vai

alguma vez vai voltar mas até agora não sentimos

muita falta. Temas sólidos com aqueles refrães

marcantes continuam presentes e no final acaba

por ser tão bom como o anterior. Ainda assim

talvez não chegue a ser um álbum tão marcante

como outros no passado, mas como tantos

trabalhos lançados já ninguém espera isso. Os

Rage continuam vivos e de óptima saúde e é isso

que interessa.

[8/10] Fernando Ferreira

REQUIEM LAUS

“Last Winter”

Edição de Autor

Pouco tempo depois

de terem lançado o EP

"A Higher Claim" no

final do ano passado e

de reeditarem a demo

de "For The Ones Who

Died", os Requiem

Laus, mítica banda

madeirense, lança o seu

quarto EP, este "Last

Winter" que é uma excelente amostra de todo

o seu poderio actual, aliás, como já tinha sido

"A Higher Claim". A mistura entre o black/death

metal mais melódico com alguma da melancolia

do doom nacional resulta numa boa colecção

de temas. Como sempre, temos direito a intro,

outro e a interlúdio - como manda a tradição

da década noventa. Poderia ser algo que nos

fizesse pensar que estavam a encher chouriços

mas como este EP, sentimos nós, deve ser

encarado como um único tema de vinte e dois

minutos, tal facto deixa de ter peso. Na nossa

opinião só falta materializar todo este poder

num terceiro álbum de originais.

[8/10] Fernando Ferreira

68

RIDING PANICO

“Rabo de Cavalo”

Edição de autor

Os Riding Panico são já

um dos grandes nomes

do rock nacional.

São-no sem fazer

concessões comerciais,

em aparecer programas

da manhã de televisão.

São porque construiram

uma carreira sólida com

excelentes concertos

e excelentes trabalhos de estúdio. Como este

Rabo de Cavalo. Temos aqui mais um grande

álbum onde o rock instrumental desconcertante

junta-se a uma fluidez melódica que se instala. É

dar a razão àquela máxima: primeiro estranhase

e depois entranha-se. Em alguns momentos

como no single "Rosa Mota", podemos dizer

que é o inverso. Primeiro entranha-se, depois

estranha-se, e depois ainda se entranha mais.

É sem dúvida um álbum indispensável para os

amantes não só do rock instrumental mas da

música desafiante.

[8.7/10] Fernando Ferreira

ROUGH GRIND

“Four for the Road”

Inverse Records

A banda finlandesa

de rock / metal

Rough Grind lançou

seu novo EP "Four

for the Road". Rough

Grind serve uma

mistura interessante

de hard rock e heavy

metal com algumas

influências clássicas do rock. E eles

entregam o seu som com uma energia e

atitude rebelde, bem tipica do rock'n'roll.

Riffs pesados e ritmos rasgados, que

lhes podem abrir portas a uma nova vaga

de fans, provando que destas bandas

também surgem outras sonoridades

com qualidade, num som de certa forma

simples e limpo que agrada e agarra de

imediato! São só quatro temas, mas ficam

debaixo de olho para futuros lançamentos.

[8.5/10] Miguel Correia

ROW OF ASHES

“Let The Long Night Fade”

Third I Rex

Este não é um trabalho

de fácil assimilação. "Let

The Long Night Fade"

é o trabalho de estreia

da banda britânica dos

Row Of Ashes e remetenos

para quando o póshardcore

estava a dar

os primeiros passos.

Como um novo sentido

de desconforto, da forma de lidar com questões

interiores que até então não nos tinha passado pela

frente, aliada à música mais abrasiva possível. Essa

era a nossa sensação e foi algo que revisitámos

agora, perante músicas como "Gravesend" e "Mass

Strandings". Tal como na altura, a primeira reacção é

de perplexidade. Sem saber como reagir. Não é um

género preferencial mas não lhe somos indiferentes.

É nesse ponto que entram as audições consequentes,

onde temos oportunidade para melhor absorver uma

série de dicotomias sonoras, ora doces ora amargas,

que compõe este álbum de estreia. Confessamos que

ainda estamos a meio deste processo - alguns álbuns

exigem de nós tempo que não temos para dar - mas o

que podemos dizer até agora é que a média é positiva.

Com tendência a crescer com o passar do tempo.

[7/10] Fernando Ferreira


RUBY THE HATCHET

“Planetary Space”

Tee Pee Records

Sabem aquele feeling

orgânico que a

música da década de

setenta tem? Aquele

feeling mágico, onde

temos mais do que

instrumentos a serem

tocados. Em que temos

sensações a serem

transmitidas. É esse

feeling que temos aqui, para aliar ao facto de

temas como "Killer" e Symphony Of The Night"

serem autênticas naves espaciais, tal não é o

seu poder nos transportar para outro mundo.

O (hard) rock psicadélico tem tendência a ser

extravagante e a afastar as pessoas com a mente

mais fechada, mas no caso dos Ruby Hatchet

temos uma série de ganchos que nos puxam

logo desde riffs que soam a clássico assim

como a voz de Jillian Taylor que ainda dá um ar

mais místico à coisa. Um álbum hipnótico.

SATYRICON

“Deep Calleth Upon Deep”

Napalm Records

Os Satyricon vão ser sempre

um dos nomes

grandes do black

metal, mesmo que

andem afastados

do género há

quase vinte anos.

A banda de Satyr e Frost não desvia

do caminho que tem feito nos últimos

anos. E isto significa que sim, é um

passo em frente e não o tão ansiado

regresso às raízes por alguns fãs.

Ainda assim, é capaz de ser o álbum

dos últimos anos onde temos alguns

riffs que relembram os primeiros

tempos mas sem fugir ao que são

actualmente. E o que é que são

actualmente? É difícil de explicar. Não

é o black n'roll de "Volcano" e nem é os

ambientes industrializados do "Rebel

Extravaganza", não é taxativamente

algo que a banda já tenha feito mas

soa exactamente ao que esperaríamos

por parte da banda. Produção bem

orgânica - faz-nos sentir que estamos

a ouvir o ensaio da banda - e músicas

que não entram à primeira mas

deixam o bichinho para que voltemos

a elas não muito mais tarde. Desde os

toques de sax na "Dissonant" até às

estruturas mais progressivas de "To

Your Brethren In The Dark", este é um

álbum que mostra os Satyricon como

uma entidade viva e capaz de progredir.

Mesmo que essa progressão não seja

imediatamente apelativa.

SANGUE NERO

“Viscere”

Third-I-Rex

[7/10] Fábio Pereira

SATELLITE MODE

“Wild Excuses”

Edição de Autor

Da Toscânia cheganos

o Black Metal

Os Satellite Mode

são um duo invulgar

de aparecer aqui nas

experimental e

páginas da World Of

caótico dos Sangue

Metal. A sua sonoridade

encaixa-se no indie

Nero. Lançado no

pop/rock, com ênfase

decorrer do mês

no pop. Ainda assim

de Julho de 2017,

a forma invulgar e

atractiva com que

Viscere insere-se no que podemos designar conseguem tornar músicas (aparentemente)

como a vertente melódica do Black Metal, descartáveis memoráveis não deixa de

mas associada a uma experimentação nos impressionar. Apesar de ser acessível,

duvidamos que este seja um trabalho que

de ritmos e variações sonoras capazes chegue às rádios, já que toda a genialidade

de criar uma atmosfera tensa, instável e parece passar ao lado de tudo o que é

capaz de suscitar um certo temor na sua mainstream - esperamos estar errados, claro.

Apesar dos originais se colarem na cabeça,

audição. O caos sonoro recorre muito a é a emocional versão da "Wicked Game",

ritmos alucinantes de tremolo na guitarra original de Chris Isakk, que realmente brilha,

e a blast beats desenfreados, em conjunto principalmente pela voz de Jess Carvo. Alma.

Se quiserem ver como é ouvir alma a cantar,

com uma proposta vocal completamente peguem nisto meus amigos.

rasgada e visceral, que mantém também

[8.5/10] Fernando Ferreira ela um ritmo intenso.

[8.8/10] Fernando Ferreira

Abordando temas relacionados com o

misticismo, magia e o próprio caos em

si, Viscere é uma proposta que incorpora SECRET RULE

elementos do tradicional Black Metal,

“The Key To The World

mais cru e rasgado, com outros mais

Pride & Joy Music

modernos, como a produção e a forma

Os Secret Rule foram

como vai experimentando recorrer a

formados no início de

mudanças de ritmo, seja na velocidade

2014 com a intenção de

se criar um som especial

e no peso, que transformam este longa

com ritmos poderosos

duração dos Sangue Nero em algo

e melodias cativantes.

mais difícil de assimilar numa única

A banda é liderada pela

poderosa voz de Angela

audição. A incorporação de alguns

Di Vincenzo (Kyla Moyl) e

instrumentos e sonoridades tribais, como

pelo guitarrista principal

Andy Menario (Martiria), que é conhecimdo por

o didjeridu, associada à nova vaga do ter trabalhado com grandes nomes como Vinny

experimentalismo no Black Metal, podem Appice (Black Sabbath, Dio), Jeff Pilson (Dokken,

Foreigner) e Carlos Cavazo (Quiet Riot). O line-up

facilitar a que o novo trabalho dos italianos é fechado pelo baixista Michele Raspanti (Graal) e

possa ter algum sucesso e ser descoberto pelo baterista Nicola Corrente (Enemynside, Stick

por vários ouvintes.

the out, Starkiller Sound).O novo álbum "The Key

to the World" será lançado pela Pride & Joy Music

em 10 de novembro de 2017. Henrik Klingenberg

(Sonata Arctica) e conta com dois novos Henning

Basse (Firewind e MaYan) e Ailyn Giménez (ex

Sirenia) e será pelo que nos foi dado a ouvir mais

um momento incrível bem, com uma composição

muito cativante, cheia de elementos rock prog,

góticos e power metal bem poderosos para os

nossos ouvidos!

[7.5/10] Fernando Ferreira

SCANNER

“The Galactos Tapes”

Massacre Records

Depois das reedições

que os Scanner

tiveram no passado

ano, temos agora para

comemorar o trigésimo

aniversário da banda,

esta "The Galactos

Tapes" que consiste

numa compilação que

abrange seis álbuns de

originais e que está divida entre 2 CDs. De um

lado (ou seja no primeiro CD) temos músicas

escolhidas pelos fãs da banda, retiradas da sua

discografia. Do outro temos o segundo CD que

nos traz uma série de clássicos regravados

pela banda pelo actual vocalista (que já está na

banda há mais de uma década). O resultado é

uma colecção essencial para tanto se introduzir

ao som da banda como para velhos fãs. E as

regravações são uma actualização bem vinda

ao seu som de metal clássico já vintage. É a

excepção que comprova a regra e que nos diz

que esta compilação é recomendada.

[8/10] Fernando Ferreira

SECRET SPHERE

“The Nature Of Time”

Frontiers Records

[9/10] Miguel Correia

Passado é isso mesmo,

passado e começo a

falar dos Secret Sphere,

desta forma porque

nunca foram um abanda

muito reconhecida no

panorama metal mundial!

Os motivos? Não sei,

nem é o importante, se

a banda teve a sua quota

de culpa, com “The Nature Of Time” parece terem

aprendido os erros e demonstram capacidade em

se relançar e reclamar pela devida oportunidade.

Trabalho muito ambicioso, numa linha power

metal, rock progressivo, com elementos sinfónicos

bem presentes e totalmente cheio de confiança.

Demonstram uma habilidade nata na conjugação

e equilíbrio dos estilos utilizados, nunca soando

esgotados, parece que estamos sempre a descobrir

pequenos pontos ao longo de todo o trabalho,

que nos prendem na audição. A produção, ajuda

em muito, resultando num punhado de musicas

memoráveis, com arranjos dramáticos, melódicos

e muito técnico. Candidato a álbum favorito de

power metal deste ano de 2017!

[9/10] Miguel Correia

69


SEPTICFLESH

“Codex Omega”

Season Of Mist

"Codex Omega" é

um dos álbuns mais

aguardados para 2017

e não são necessárias

muitas audições

para verificarmos

que não se tratavam

de expectativas

infundadas. Se Titan

era um colosso bruto

de metal sinfónico extremo, "Codex Omega"

é grandioso e recupera grande parte da

atmosfera e requinte sacrificado no último

trabalho, principalmente pelas vozes limpas

que surgem no ponto ideal. Místico, poderoso

e até assombroso, este é um álbum que vai para

muito além do que se lhe era exigido. Apesar

de exigir algumas audições, e ao contrário dos

seus antecessores, facilmente concedemos

mais umas rodagens, sem qualquer de enfado.

Sem dúvida que o mais grandioso trabalho da

banda nesta segunda encarnação.

SIFTING

“Not From Here”

Eclipse Records

O som dos Sifting

é bem refrescante.

Começando assim

supõe-se logo que

vamos afirmar

como é a salvação

do rock e como

nos mostram algo

esplendorosamente

novo. Nem por isso. É o problema de hoje

em dia, esperamos que seja tudo ou muito

bom ou muito mau. Ou revolucionário ou

experimental. Os Sifting apresentam-nos

várias facetas ao longo deste álbum, sendo

que o rock é aquela que está presente

em todas elas. Ora mais alternativo ora

até progressivo (progressivo a um nível

de Threshold por exemplo) este álbum é

um autêntico desfilar de surpresas. Bem

conseguido e um poço de talentos, uma

banda que já devíamos ter encontrado à mais

tempo.

SILIUS

“Hell Awakening”

Massacre Records

Trabalho de estreia

dos austríacos Silius

que apresentam

um thrash metal a

lembrar aquele que

nos ia surgindo na

década de noventa

(na segunda metade)

e que apesar dos

altos níveis de energia, fica a sensação de

que falta algo. Temos riffs, temos fulgor

mas parece não ser suficiente para que

fiquemos totalmente convencidos. Por outro

lado, existem indicadores que a banda talvez

possa apresentar algo bem mais interessante

no futuro -a mais melancólica "Kingdom

Of Betrayal" e a pujante "Evol Monument"

são excelente indicadores. Como álbum

de estreia não podemos dizer que seja um

mau trabalho (não é!), no entanto falha em

impressionar-nos em relação à competição

fortíssima.

[9.5/10] Fernando Ferreira [7.9/10] Fernando Ferreira [6.5/10] Fernando Ferreira

SINICLE

“Angels & Demons”

Edição de Autor

O trio oriundo de

Los Angeles, Sinicle,

formados por Drew

Zaragoza, (voz e

guitarra), Justin Miller,

(Baixo) e Diego Patino,

bateria, combinam

um groove Metal,

patenteado num rock

angustiante, mas

enérgico, colocando-os num mundo próprio,

mas bem comprometidos com os seus

objetivos de dominar o seu espaço e estilo.

Metal pesado e arrojado capaz de rebentar com

os tímpanos de qualquer um que se proponha

a ouvi-los. Tendo sido um dos elementos do

cartaz do Ozzfest Meets Knotfest de 2016, a sua

última versão de Still In Mind obteve um bom

reconhecimento na imprensa mundial, levando

à participação em outros festivais, gigs com

monstros como os Exodus, Allegaeon e Rex

Brown entre outros.

SKEIN

“Deadweight”

Inverse Records

Segundo álbum de

originais da banda

finlandesa Skein que

apresenta um bom

equilíbrio entre o metal

moderno e o som mais

alternativo. Na teoria

poderá não parecer

grande coisa, não muito

diferente do som metalcore que recebemos

todos os dias mas na prática as coisas revelamse

algo diferente. Temos alguma atmosfera que

torna o seu som mais peculiar do que aparenta.

Sem ir por caminhos pós-metal mas também

sem se afastar muito de alguns dos seus

ambientes, este é um trabalho dinâmico que

confundirá os vossos preconceitos enquanto se

instala aos poucos. Pesado, melódico, sensível

e intenso. Um daqueles álbuns que poderá ser

desprezado à primeira mas que depois fica

gravado.

[7/10] Miguel Correia [8/10] Fernando Ferreira

SOCIAL CRASH

“Burn Out”

Wormholedeath

Por vezes é bom

ouvir música sem

expectativas. As

mesmas poderão

tapar-nos aos olhos

acerca de qualidades

mais subtis. Foi sem

expectativas que

avançámos para "Burn

Out", o álbum de estreia dos Social Crash. No

entanto, não foi devido a elas que notámos as

qualidades mais subtis. Não as conseguimos

encontrar porque elas são mesmo raras.

Temos algumas melodias boas aqui e ali -

aquele solo da "Alive" soa a rock clássico -

mas não muito mais. Supostamente a banda

toca punk rock experimental e quanto a

isso só podemos dizer que provavelmente a

experiência será esconder essa faceta da sua

música. Falta pulso e ganchos para que estas

músicas fiquem na memória.

[410] Fernando Ferreira

SONS OF TEXAS

“Forged By Fortitude”

Spinefarm Records

O que dá som brito,

moderno com aquele

cheiro sulista que vai

do southern rock até ao

que os Pantera fizeram?

Os Sons Of Texas. A

banda já tinha deixado

boa impressão com

"Baptized In Blood", o

seu álbum de estreia

editado dois anos atrás e este segundo trabalho

reforçam essa impressão. Metal sulista que faz

lembrar Lamb Of God e Pantera na voz mas

que tem muito do poder do metal moderno que

tem intenções de actualizar o hard rock. É uma

descrição que não elucida mas poderá ajudar.

Não é heavy, não é rock nem é thrash. É de tudo

um pouco. A ideia é manter as coisas simples

e o feeling a mil e é isso que conseguem fazer.

Um bom álbum para quem gosta do som do

deserto.

SORCERER

“Sirens”

Metal Blade Records

Os Sorcerer são um

bom exemplo de

como a Suécia deve

ter qualquer coisa

na água. Aliás, toda

a Escandinávia mas

isso já divagamos.

Depois de um

excelente álbum de

estreia em 2015 (e também um EP), a

banda de heavy metal épico e tradicional

volta à carga com este single dois anos

depois. Single com dois temas mas que

são uma óptima introdução ao próximo

álbum de originais, "The Crowning Of The

Fire King" além de cativar qualquer um que

ainda não conheça o som da banda. Para

quem gosta de coleccionar vinil, esta será

uma escolha obrigatória.

SORCERER

“The Crowning Of The Fire King”

Metal Blade Records

Quando dissemos a

propósito do single

"Sirens" que esta

banda é obrigatória

para os amantes do

som da velha guarda

não estávamos

a brincar. "The

Crowning Of The

Fire King", o segundo álbum de originais

da banda sueca é uma lição de como

fazer heavy/doom clássico. E claro que é

impossível não fazermos comparações

com os Candlemass, mas os Sorcerer não

são simples cópias. E é possível notar a

evolução da banda desde o álbum anterior.

Este é mais um álbum clássico que vemos

a desafiar o teste do tempo, mais um

clássico cortesia da Metal Blade.

70

[8/10] Fernando Ferreira

[9/10] Fernando Ferreira

[9.3/10] Fernando Ferreira


SPACE VACATION

“Sing The Night In Sorrow”

Tee Pee Records

Ao receber este trabalho

Os Sweet Apple são

fiquei curioso de o ouvir,

uma congregação

até porque já tinha tido

de pessoal que faz

feedback positivo desta

boa música. Temos

banda austríaca, mas

J. Mascis (Dinosaur

sinceramente nunca de

Jr., Witch, Heavy

me dei ao trabalho de

Blanket), Tim Parnin

tentar dar os devidos

(Cobra Verde, Chuck

créditos à mesma. Bom,

então, o novo álbum

Mosley), John Petkovic

"Anywhere We Dare" traz as lendas legítimas e

(Cobra Verde, Death

pesadas austríacas de nome Speed Limit de volta of Samantha, Guided By Voices) e Dave

aos circuitos do metal. Formados em 1979, em Sweetapple (Witch, Eerie, Dusty Skull). E como

1994 sofreram o revés de uma paragem indefinida, se não bastasse, ainda temos Mark Lanegan

mas em 2008, os pioneiros de metal melódico (Screaming Trees, Queens of the Stone Age),

voltaram, e pelos vistos continuaram a oferecer Robert Pollard (Guided by Voices), Rachel

qualidade nas suas musicas, violentos golpes de Haden (Haden Triplets) e Doug Gillard (Guided

guitarra, que soam algo trabalhadas e sofisticadas, by Voices, Nada Surf) a participaram. E quase

temperadas por emoções profundas nas linhas que chegámos ao final da review sem sidzer o

vocais. Os cinco roqueiros oriundos do berço de que realmente temos. E o que temos? Rock.

Mozart nunca perderam o seu foco, em variedade, Orgânico. Arraçado de folk. Arraçado de

aspetos melódicos e harmonia, todos dentro de alternativo. Com vida e alma. Cru, visceral mas

seu próprio estilo. Os verdadeiros fãs de metal vão com sensibilidade. Sweet Apple é mais que uma

com toda a certeza ficar satisfeitos por "Anywhere

super-banda. É uma super-banda que lança

We Dare" ser a porta de retorno.

super-discos. Este é o último deles. Vão ouvir.

[10/10] Miguel Correia [8.5/10] Miguel Correia [8/10] Fernando Ferreira

“Lost In The Black Divide”

Pure Steel Records

Heavy metal que

nos faz recordar os

anos 90 de Ozzy

Osbourne. Este

quarteto que conta

na sua formação

com o ex-guitarrista

dos Vicious Rumors,

Kiyoshi Morgan e

o vocalista Scott Shapiro, reproduz um

metal verdadeiro, rápido e melodioso...

com influências de Enforcer e Skullfist

Thin Lizzy, Iron Maiden e Diamond Head,

para além do já referido Ozzy. As faixas são

globalmente cheias de ritmo de guitarra e

soam bem pesadas, mas os vocais soam

um pouco AOR, limpas, mas seguras. Na

minha opinião abusam das harmonias

vocais, mas Stay Away, por exemplo traz

uma mudança ao que globalmente se ouve

no seu ritmo. Space Vacation...heavy metal

como deve ser!

SPEED LIMIT

“Anywhere We Dare”

Pure Steel Records

SWEET APPLE

TARANTIST

“Not A Crime”

Edição de Autor

Mais uma capa

tenebrosa. Como é

possível levar a música

a sério quando a capa

mete medo à noite

escura? A imagem não

é tudo mas certamente

ajuda e é um indicativo

para o que podemos

encontrar. Neste caso

concreto temos uma espécie de rock/metal

industrial com origem em Teerão, no Irão.

Admiramos a perseverança da banda que tinha

que tocar às escondidas e que passando o

seu som de boca em boca começou a ganhar

algum conhecimento além fronteiras e que os

levou a irem para os E.U.A. onde encontraram

outro tipo de problemas. No entanto, o som

que apresentam, que é isso que interessa, não

é nada atractivo. Não cativa, não inova e chega

até a ser aborrecido. Consegue até ser pior do

que aquilo que a capa sugere, o que à partida

parece impossível.

TEMPERANCE

“Maschere”

Maschere - A Night At The Theater

Posso estar errado, mas é

dos poucos registos ao vivo

que ouço que foi gravado

e ok, o que se recolheu

e como se recolheu,

assim fica, com todos os

ingredientes de um concerto

ao vivo! Os Temperance

foram fundados em

dezembro de 2013 e, desde

então, ano após, os italianos

lançaram três álbuns completos e permanecem bastante

ativos, chegando a partilhar inclusive os palcos com

nomes como Within Temptation, Rhapsody de Luca

Turilli e Nightwish e por aqui já dá para entender

a veio musical que influência estes italianos. Com

um excelente som, que não é de modo algum inferior

às produções realizadas em estúdio, e onde a voz de

Chiara Tricarico prova ao vivo soa tão poderosa e clara

- e também pode lidar com notas extremas com facilidade.

Além disso, os instrumentos e os vocais são misturados

habilmente com as cordas e o coro ampliando

ainda mais o som. O resultado é realmente fascinante e

envolvente, desde que se goste do género que o quarteto

interpreta. Tudo está perfeitamente gravado, com

sons completos, poderosos e claros. A execução está em

níveis muito bons.

[3/10] Fernando Ferreira [8/10] Miguel Correia

TERRIBLE OLD MAN

“Fungi From Yuggoth”

Edição de autor

H.P. Lovecraft!!!

Quem se recorda?

Ok, esta famoso

escritor foi a fonte

de inspiração deste

segundo trabalho

dos TOM. Todas as

faixas são baseadas

no mesmo ciclo de

poemas de H.P. Lovecraft acompanhados

de um som heavy metal de boa qualidade

atraente e poderoso e com passagens

bem sombrias e tensas! O álbum até que

é divertido de ouvir, lá está, parafraseando

assuntos místicos-melodramáticos, que

num todo acaba por ser bem-sucedido,

mesmo que não seja nada de inovador.

[7.5/10] Miguel Correia

THE HAUNTED

“Strength In Numbers”

Century Media Records

Depois de toda

a confusão com

os The Haunted,

parece que as

coisas voltaram a

entrar nos eixos.

"Exit Wounds" foi

um bom regresso mas não convenceu

todos os que tinham presenciado a

cisão que houve no seio da banda.

Quatro anos já passaram desde a

confusão e três desde o álbum de

regresso. E "Strength In Numbers"

coloca um ponto final em tudo

isso definitivamente. É certo que

pega na fórmula do disco anterior

e apenas a aperfeiço-a. Para quem

estava habituado a ter discos da

banda diferentes, este poderá ser

uma desilusão. No entanto, em

compensação temos um grande

álbum que não cansa ouvir. Grandes

riffs, Marco Aro em excelente forma

e boas músicas que nos vemos a

fazer headbang ao vivo - "Tighten The

Noose" é definitivamente uma delas.

"Strength In Numbers" pode ser visto

como uma oportunidade perdida ou

como um grande álbum. No nosso

caso, optamos pela segunda.

[8.3/10] Fernando Ferreira

THE HIRSCH EFFEKT

“Eskapist”

Long Branch Records / SPV

A matemática nunca foi o

nosso forte. Admitimos

a sua importância num

mundo cada vez mais

informatizado, mas

sinceramente nunca

nos cativou o suficiente.

Talvez seja o nosso

espírito preguiçoso

mas a verdade é que é

muita confusão para a nossa cabeça. E foi essa

a primeira impressão com este trabalho dos

alemães The Hirsch Effekt, "Eskapist". Há por

aqui aquele espírito endiabrado do mathcore que

já reconhecemos em bandas como The Dillinger

Escape Plan, mas "Eskapist" traz- nos mais do

que apenas mathcore. Traz-nos ambiência,

capacidade de cativar com padrões reconhecíveis

e traz-nos canções, que são mais do que

espasmos e contracções de cinco em cinco

segundos cujo objectivo é desafiar o ouvinte.

O efeito é positivo e faz com que digamos com

orgulho que gostamos de mathcore. Mesmo

sendo preguiçosos.

[7.8/10] Fernando Ferreira

71


72

THE LURKING FEAR

“Out Of The Voiceless Grave”

Century Media Records

Prontos para mais

uma uma super-banda

sueca? Se calhar por

esta altura já estão

cansados de superbandas,

sueca ou não.

Compreendemos isso

mas... só pedimos que

se abra uma excepção,

afinal estamos a falar

de uma banda (e é verdadeira banda e não

projecto) que junta membros e ex-membros

de At The Gates, God Macabre, Crippled Black

Phoenix, Infestdead, Marduk, The Haunted,

Embalmed, Skitsystem, entre muitos outros.

Sim, sim, já sabemos. Nomes não são nada

se a música não trouxer qualidade. E esta traz.

E muita. Death metal de qualidade tipicamente

sueco. Não é retro. Não é revolucionário. Nem

é prepotente, é simplesmente boa música

extrema made in Gothenburg. É preciso dar

mais argumentos?

THE RADIO SUN

“Unstoppable”

Pride & Joy Music

É o quarto álbum

desta banda

australiana. Hard

Rock melódico

AOR no seu mais

puro contexto.

O vocalista Jase

Old e o guitarrista Stevie Janevski

escreveram um monte de novas

canções de rock melódico com a ajuda

do produtor Paul Laine (Dark Horse,

The Defiants). Vozes melodiosas e

solos contagiosos são uma grande

parte do som da banda, reforçada pelo

baixista Anthony Wong e pelo baterista

Gilbert Annese. Curiosamente, estive

perante um punhado de reviews

de bandas desta sonoridade e não

sendo a minha preferida, tal feito

permitiu uma pequena comparação

e concluiu que em todos os projetos

que foram dados a ouvir, a grande

qualidade é uma marca em todos

eles. Os Radio Sun, querem que este

Unstoppable seja imparável e eu faço

mesma pergunta que deixei no ar em

outros momentos: e se este trabalho

fosse lançado na década de 80? Não

existe uma receita para isto, e estes

australianos demonstram-no tocando

musica que se sente feita com paixão

e de forma simples.

THE NEW ROSES

“One More For The Road”

Napalm Records

No meio de tanta

coisa retro, chega

a uma altura que o

preconceito parece que

fala mais alto do que a

boa música. E depois

temos bandas como

os The New Roses que

nos trazem hard rock

clássico que parece

que está atrasado uns trinta anos. Esta poderia

ser uma machadada mas a verdade é que se

ainda hoje ouvimos álbuns como "Apetite For

Destruction" é porque o hard rock não foi uma

moda passageira. "One More For The Road"

poderá não ter o impacto do álbum de estreia

dos Guns N' Roses mas é um desfilar de

grandes malhas, raçudas, com grande feeling

rock, que acreditamos que possa ser ouvido

daqui a trinta anos com o mesmo prazer que

ouvimos hoje. E a soar tão actual como tal.

[9.3/10] Fernando Ferreira [8.8/10] Fernando Ferreira

THRESHOLD

“Legends Of The Shires”

Nuclear Blast

Os Threshold são

uma das bandas

mais interessantes

que o metal

progressivo tem.

Ponto. Não têm o

sucesso dos Dream

Theater nem são tão imediatos mas

têm um nível qualitativo invejável -

esta malta é incapaz de lançar um

álbum mau. E não foi desta. Com

troca de vocalista - regressa Glynn

Morgan (que saiu da banda depois

de "Psychedelicatessen" de 1994) -

até poderíamos ter alguma dúvida

em relação ao que viria mas a banda

nem regressa ao passado nem se

desvia do caminho que tem trilhado.

A sua voz é mais melódica e faz-nos

aproximar por vezes dos momentos

mais acessíveis do art rock. Ainda

assim isso não disvirtua o resultado.

Temas longos e complexos que vão

exigir segundas audições, a veneração

dos deuses do rock progressivo inglês

(Marillion, Pink Floyd, Genesis, Yes

e por aí fora) sem desvirtuar a sua

própria identidade. Este é um álbum

que vai ao contrário da tendência de

hoje em dia, onde tudo é discartável.

Aqui, o ouvinte terá de parar para

ouvir e absorver quer a música, quer o

conceito que fala do crescimento e da

forma como o ser humano muda a sua

perspectiva da vida conforme cresce.

Mais um grande álbum de uma grande

banda.

[9/10] Miguel Correia [9.5/10] Fernando Ferreira

THE NIGHTS

“The Nights ”

Frontiers Records

Finlândia!!! Ya, a

velha escola do

hard rock está viva,

e bem, por aqueles

lados! Simples,

rock melódico

que se sente foi

tocado com paixão, com as raízes

bem patentes no que se fazia nos anos

80, é verdade, mais uma banda que se

estreia e vai beber as suas influências

a essa época, mas sente-se algo

de muito genuíno neste trabalho

de estreia. Criaram algo brilhante...

sim posso dizer isso! Este álbum

se fosse lançado nessa época teria

sucesso assegurado! Não duvido!

A estrutura musical é fantástica,

linhas de guitarra bem rockeiras,

teclados que preenchem os espaços

sem mácula e solos que aumentam

o nível do que se ouve a claro a voz

bem polida e adequada ao estilo...que

posso dizer mais? Os rapazes não

estão a inventar ou a reinventar

algo, mas tiveram a capacidade de

fugir aos sons algo macios e melosos

que se ouviam nessa altura. Estão

equilibrados e gostava que poder ouvir

mais alguma coisa deles no futuro!

[10/10] Miguel Correia

THY ART IS MURDER

“Dear Desolation”

Nuclear Blast

Thy Art Is Murder é um

daqueles nomes que

convida à porrada e os

primeiros instantes de

"Slaves Beyond Death"

prova isso mesmo.

Quando todos fogem

do deathcore como

diabo da cruz - menos

bandas novas que chegam cheias de lugares

comuns - é bom ver que veteranos como os

australianos Thy Art Is Murder (com uma

carreira superior a dez anos, já lhes podemos

chamar isso, principalmente num género

que ninguém crê ter futuro) não fogem ao

que são e principalmente, não se deixam

limitar pelas limitações do género musical

que abraçaram. Esta desolação cativa e vicia,

algo que não esperávamos, sinceramente.

Potente e sobretudo dinâmico, ora aí aqui

está um bom exemplo de como fazer bom

deathcore.

[8.5/10] Fernando Ferreira


VERTHEBRAL

TRAVELIN JACK USNEA

“Commencing Countdown” “Portals Into Futility”

“Regeneration”

Steamhammer

Relapse Records

Satanath Records

Os Blues Pills foram

Quem é que já

Mais fruta sulamericana?

Venha

uma revolução.

tinha saudades da

Conseguiram capturar

boa dose de metal

ela. Com o crivo de

o amor que sempre

cavernoso dos norteamericanos

Usnea?

Records, temos aqui

qualidade da Satanath

tivemos dentro de nós

ao hard rock clássico.

Nós definitivamente

esta estreia por parte

E não é dizer que todas

tivemos. A banda

dos Verthebral que

as bandas que surgiram

norte-americana é um

apresentam um death

entretanto são uma

dos poucos exemplos

metal bruto mas cheio

cópia daquilo que eles

que consegue tornar

fazem. Mas há lá aquele espírito, de liberdade, o funeral doom num género verdadeiramente

de potencial. É um álbum que pega no género

de pureza. Espírito que nos remonta a quando interessante, sendo essencial para isso a forma tal como era feito na década de noventa

a música era feita e sobretudo sentida de outra como mistura influências e sobretudo ambientes e transporta-o para os dias de hoje. Sem

forma. É precisamente esse espírito que temos black metal. O resultado? Verdadeiras peças exageros técnicos, com grande feeling nos

aqui na perfeição. E não é retro. Não é pegar em claustrofóbicas que nos agarram do primeiro solos e com uma voz profunda e clássica. É

algo que já foi feito e reciclar como numa linha ao último instante. Quando estamos a falar de um daqueles trabalhos que não temos razão

de montagem. É música orgânica, viva, que cinco longos temas, ainda mais impressionante para destacar de todos os outros mas que

respira e é imperfeita tal como deve de ser. Para é o feito. Sem dúvida que um dos grandes também não nos dá nenhuma razão para não

quem não passa sem recordar Scorpions antigo álbuns doom de 2017 e ameaça ser - apenas o fazer. O que no balanço final é o que o faz

ou todo aquele espírito (e não estamos a falar o tempo o pode provar - o melhor da banda até com que seja obrigatório para todos os fãs

de identidades semelhantes) de bandas de hard agora.

de death metal, tornando as coisas bastante

rock clássico, aqui é uma forma de fazer esse

simples.

processo mas com música nova. Um autêntico

vício.

[8.5/10] Fernando Ferreira [9.4/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira

VON JUSTICE

“Bret Hart”

Edição de Autor

Por momentos veiome

à memória os

tempos MOD ou SOD

em todas aquelas

paródias musicais.

Von Justice e “Bret

Hart EP” não vai

mais longe do que

isso, uma pequena

paródia punk de vocais abafados, dedicada

não só a Bret Hart conhecido wrestler, mas

também a Hulk Hogan, Jimmy Hart e Ric

Flair. Eles partilham o gosto à modalidade,

em formato EP, numa sonoridade

punkólica, que se torna bem divertido de

se ouvir.

WAND

“Plum”

Drag City

Segundo consta,

e apesar de ser o

quarto álbum da

banda desde que

começou em 2013,

"Plum" é o primeiro

trabalho em dois

anos, onde a banda

sentiu a necessidade

de parar, refocar e apontar baterias a novas

formas de fazer música. Novos membros

e uma nova forma de sentir a música, que

agora surgiu muito de improvisações. O

resultado é sem dúvida positivo, onde o

seu garage rock surge tão próximo dos

momentos mais clássicos dos The Beatles

assim como se aproxima de terrenos

mais psicadélicos. Para quem já se tinha

esquecido deles, aqui está uma boa forma

de se relembrar.

[6/10] Miguel Correia [8/10] Fernando Ferreira

ZORNHEYM

“Where Hatred Dwells And Darkness Reigns”

Non Serviam Records

O black metal

sinfónico não é um

género que precise

necessariamente de

novo sangue mas

até que não fica mal

servido com este

álbum de estreia dos

suecos Zornheym.

Aliando o death metal

às vertentes mais sinfónicas do death metal,

o resultado é um trabalho dinâmico e forte

mesmo que não consiga surpreender - afinal

o estilo já não encerra grandes segredos. O

que contam são mesmo as malhas fortes,

as influências old school que nos chegam

através das melodias das guitarras (não ficando

confinadas aos arranjos orquestrais) e aquele

feeling banda-sonora que sempre foi o sempre

nos conquistou no género mais sinfónico. Uma

estreia em grande, sem dúvida.

[8.6/10] Fernando Ferreira

ZURVAN

“Gorge Of Blood”

Satanath Records

De vez em quando

falamos de uma banda

que nos chega do Médio

Oriente. Normalmente

são sempre bandas que

acabam por se mudar

para outro país - algo

que é compreensível

ainda para mais quando

se fala de música

extrema. É exactamente o caso dos Zurvan,

agora localizados na Alemanha e com este seu

segundo álbum de originais. Inserindo-se no

género do black/death metal, a banda apresenta

fortes argumentos em termos de potência

mas descura o campo da dinâmica, sendo

que "Gorge Of Blood" é enorme (mais de uma

hora) e tem demasiadas músicas (treze), o que

faz com que a fórmula se esgote rapidamente.

Umas tesouradas aqui e ali e estaríamos perante

um álbum poderoso. Como não é o caso,

esperemos pelo próximo.

XANTHOCHROID

“Of Earth And Axen - Act I”

Erthe and Axen Records

Quando temos

uma banda que

se refere a si

própria ou ao

seu som como

"cinematic black

metal" é porque ou

temos uma grande bomba a caminho

ou um fracasso monumental. Não

nos devemos prender aos rótulos,

é uma lição que já aprendemos (e

continuamos a aprender sob diversas

formas) e este é mais um exemplo.

Sem dúvida que a intro "Open The

Gates, O Forest Keeper" é um bom

indicador de que a banda tem um

grande apoio nas orquestrações

enquanto o primeiro tema com voz, "To

Lost and Ancient Gardens" remete-nos

para algo progressivo, acústico. De

black metal, só mesmo em "To Higher

Climes Where Few Might Stand" e é

por momentos. Isto poderá parecer

que nos estamos a queixar mas não é

o caso. Mais que black metal e mais do

que metal sinfónico, o que temos é um

impressionante metal progressivo que

vai exigir bastante do ouvinte, mas que

vai devolver o dobro. Um ambicioso

álbum conceptual que pega na história

do álbum de estreia e funciona como

uma espécie de prequela. E atenção de

que este é o primeiro acto. O segundo

sai em Outubro e esperamos que seja

igualmente analisado aqui porque

este é sem dúvida uma das grandes

surpresas desta segunda metade de

2017.

[5.3/10] Fernando Ferreira [9.3/10] Fernando Ferreira

73


album do mêes

20

19

The Nights

“The Nights ”

Frontiers Records

Midnite City

“Midnite City”

AOR Heaven

14

13

Antarktis

“Ildlaante”

Agonia Records

Space Vacation

“Lost In The Black Divide"

Pure Steel Records

08

07

Sorcerer

“The Crowning Of The Fire

King”

Metal Blade Records

Xanthochroid

“Of Earth And Axen - Act I”

Erthe and Axen Records

18

Novae Militiae

“Gash’khalah ”

Edição de Autor

12

Manilla Road

“To Kill A King”

Golden Core Records

06

Usnea

“Portals Into Futility”

Relapse Records

17

National Suicide

“Massacre Elite”

Scarlet Records

11

Steven Wilson

“To the Bone”

Caroline International

05

Five The Hierophant

“Over Phlegethon”

Dark Essence Records

16

Centuries Of Decay

“Centuries Of Decay”

Edição de Autor

10

Der Weg Einer Freiheit

“Finisterre”

t

Season Of Mist t

04

Septicflesh

“Codex Omega”

Season Of Mist

15

Cannabis Corpse

“Left Hand Pass”

Season Of Mist

09

The Lurking Fear

“Out Of The Voiceless Grave”

Century Media Records

03 Portrait

02 Paradise Lost 01

“Burn The World

“Medusa“

Nuclear Blast

Metal Blade Records

74

Process Of

“Black Earth”

Bleak Recordings


,

Maquina do tempo

ACE FREHLEY

“Anomaly”

Steamhammer

Em 2009, Ace Frehley

lançou Anomaly. E a

receção pela critica

daquele que seria o

primeiro trabalho lançado

pelo guitarrista ex-kiss

desde o lançamento de

Trouble Walkin, de 1989,

não poeria ter sido

melhor. Afinal, o álbum

permitiu ao The Spaceman espaço para demonstrar

sua própria proeza musical como músico solo no

século XXI. Desde então, Frehley também lançou

Space Invader em 2014 e, mais recentemente,

Origins, Vol. 1, um álbumque permitiu a Frehley

assumir os seus gostos em clássicos de bandas

como os Cream e Jimi Hendrix. Agora, Frehley

reeditou este Anomaliy com um bónus de três novas

músicas inéditas demonstrando toda a sua energia e

que ainda está aí para as curvas. Puro rock ‘n ‘roll,

recheado de excelentes performances vocais e de

guitarra de Frehley, muito inspirado nos clássicos

do rock da década de 1980, e onde músicas

como o "Foxy & Free", "Space Bear" (com nova

roupagem e muito bem-vinda) e "Outer Space" estão

entre os mais fortes de Frehley em sua carreira solo.

[9/10] Miguel Correia

CENTINEX

“Bloodhunt”

Repulse Records

Os Centinex são um

dos nomes clássicos

do death metal

sueco sem nunca

ter atingido os níveis

de brilhantismo de

uns Entombed ou

Dismembered. Dános

ideia, e sendo

um pouco mauzinhos, que se trata de uma

das bandas de culto apenas porque estavam

lá. Deixando de lado o veneno, a banda tem

realmente a qualidade do seu lado quando o

assunto é death metal, mesmo que nunca se

sobressaia muito diante da sua concorrência

mais directa. Este EP acaba por reflectir um

pouco isso. Para quem gosta de death metal,

não tem defeitos - e atenção que foi lançado

numa altura em que o death metal (sueco ou

não) não era moda, ou pelo menos não tinha

a procura de uns anos antes ou uns anoes

depois. Tendo isso em conta, temos seis

músicas bem directas, mostrando a faceta

mais violenta da banda, tal como gostamos.

ATARAXIA

“Il Fantasma Dell'Opera”

Avantgarde Music

Os Ataraxia foram

uma daqueles amores

à primeira vista, um

dos primeiros que tive

dentro do género neoclássico,

mas tenho

que confessar que este

álbum não foi aquele

mais impacto teve em

mim. Ainda assim,

e pegando nele de vez em quando, os seus

méritos são inegáveis. Aquilo que mais me

desiludiu foi pelo facto do álbum acentar em

grande parte na sonoridade de sintetizadores,

um pouco mais própria da música da década de

oitenta, dando a sensação de que se trata de um

trabalho datado, em vez de ter uma base mais

acente nos instrumentos neo-clássicos.

Esta é a forma, mas o conteúdo, esse, é de

uma beleza inquestionável. Este é um álbum

para apreciar no sentimento contrário daquilo

que temos hoje em dia, ou seja, num mundo

de música descartável, este é um álbum para

ouvir com calma, concentrado apenas nela, um

álbum que é dedicado a esse amor pela música

onde temos prestações inacreditáveis por parte

de Francesca Nicoli - ouvir a versão do tema

de Kate Bush "Wutering Heights" - aliado a um

conceito que hoje em dia poderá ter sido já

muito explorado mas que aqui soa fresco.

Não é definitivamente um álbum para todos,

mas sem dúvida que quem gosta de música,

verdadeiramente, não poderá ficar indiferente

a este trabalho que, repito, não é dos meus

favoritos da longa discografia da banda.

[8/10] Fernando Ferreira

Também temos aquela melodia tipicamente

sueca, mas na dose certa, ficando com

um agradável trago metálico e que ajuda

a que este trabalho, que não tem grandes

dinâmicas, acabe por não soar repetitivo,

talvez um dos males que a banda enfrenta

nos álbuns longa-duração. Embora seja

um EP recomendado para os fãs da banda,

qualquer fã de death metal não encontrará

dificuldades em fazer headbang a isto.

BEWITCHER

“Bewitcher”

Diabolic Might Records

Grande álbum! Começamos

já assim. Lembram-se

quando os

Bewitched (nome

semelhante, curioso)

apareceram e apelavam

ao fã de metal tradicional

não só por ser mais um

projecto de Blackheim

(também conhecido

como Anders Nyströmdos dos Katatonia)? O

que temos é bastante semelhante, mas se o foco

dos Bewitched era mais no thrash, aqui temos

um saudável espírito heavy metal underground

como se de repente os Venom começassem

a tocar música ainda mais interessante que

aquela que fizeram no início de carreira. Ok, não

temos malhas inesquecíveis como "Black Metal"

ou "Countess Bathory" mas o espírito blasfemo

de "Rip Ride" e "Bloodlust" tresanda para estes

lados. Um grande álbum de estreia, obrigatório

para quem não é fã propriamente de black metal

mas consegue passar por cima de algumas

características do género. Nomeadamente a voz.

COGNIZANCE

[9/10] Fernando Ferreira

“Illusory”

Edição de Autor

Os Cognizance são

um dos bons nomes

do deathcore

que tenta fugir ao

deathcore. Como

é que o fazem?

Acrescentando em

cima uma boa dose

de técnica e de

tiques próprios do death metal técnico

tradicional. O resultado é bem interessante

e faz com que queiramos conhecer mais.

Mais que isso, é uma banda que queremos

ouvir num álbum. A banda editou dois

singles no presente ano e podemos

dizer que a evolução deles é promissora,

principalmente o tema "The Foreboding

Impasse", que poderão ouvir a passar na

nossa WOM Radio e que ainda eleva mais a

fasquia do que este EP.

[7/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira

75


CRADLE OF FILTH

“Damnation And A Day”

Edição de Autor

Quinto álbum dos

Cradle Of Filth numa

altura em que a banda já

estava descaracterizada

e já tinha alienado

grande parte dos seus

fãs. Há quem afirme

que foi "Dusk And Her

Embrace" o último

trabalho que gostaram,

há quem aponte "Cruelty And The Beast" e há

quem tenha até resistido até ao "Midian", mas

para muitos foi aqui que começaram a perder

interesse pela banda britânica. Na nossa

humilde opinião, este trabalho é bastante

superior ao "Midian", quer em conceito

quer musicalmente falando, sendo bastante

ambicioso, principalmente tendo em conta

que foi aqui que a banda mudou-se para a

gigante Sony através da sua subsidiária - uma

ligação que não iria durar muito tempo. Como

curiosidade fica o facto de actualmente a editora

só ter uma banda no seu catálogo, a espanhola

Rosa Negra, tendo despachado todas as outras.

Uma coisa admitimos e dando a palmatória

aos críticos, "Damnation And A Day" é enorme

e parece interminável. Em número de músicas

assim como na duração do trabalho em si -

quase oitenta minutos. Esse factor faz com

que não seja propriamente um álbum fácil de

assimilar. Outra coisa que admitimos também

é que a mística dos primeiros álbuns, daqueles

citados atrás, já não sobreviveu para aqui, no

entanto, se formos a ver, essa mística também

já não estava presente no "Midian". Pelo lado

positivo temos o facto de ser uma excelente

obra de metal extremo, por estas alturas já não

vale a pena continuar a afirmar que tocam black

metal melódico.

É um álbum com uma grande atmosfera -

mesmo que seja bastante distante daquela que

a banda transmitia no início da carreira - tendo a

contribuição para isso da componente sinfónica

ter sido mesmo registada pela The Budapest

Film Orchestra e pelo Budapest Film Choir e

com grandes músicas, que parece-nos que não

sobreviveram para além da digressão deste

álbum para serem representadas em palco.

Poderá não ser o álbum que escolheríamos para

dar a conhecer a banda, mas é, mesmo assim,

um álbum que corresponde às expectativas que

temos sobre a banda, que continua a seguir a

mesma tendência desde o início da sua carreira:

metamorfose a cada trabalho, tanto a nível de

imagem, como de música e até música e se a

mudança nem sempre nos traz coisas boas,

neste caso, trouxe-nos algo único.

[8/10] Fernando Ferreira

CULT OF THE HORNS

“Chapter I - Domination“

Symbol Of Domination Prod.

Álbum de estreia da

one-man band francesa

conhecida como Cult Of

Horns que foi lançado o

ano passado de forma

independente e que

agora é reeditado pela

Symbol Of Domination.

Apesar do black metal

estar gravado no seu

código genético, há por aqui uma grande dose

de death metal envolvido. De tal forma que o

black metal parece estar confinado ao nome,

à capa (e corpsepaint de Mephisto, o homem

responsável por tudo) e ao conceito lírico.

Independentemente do género, o que temos

é um trabalho de metal extremo odioso que

poderia ter um pouco mais de dinâmica. No

entanto, sem a mesma, consegue cativar os

menos exigentes. Até faz prever que seja capaz

evoluir a partir daqui.

[6.6/10] Fernando Ferreira

EARTHQUAKE 55

“Earthquake”

Edição de Autor

Viagem no tempo

gratificante, onde

vamos até um

passado recente para

conhecer o trabalho

de estreia da banda

de Cascais, este EP

"Earthquake". O que

podemos encontrar

é um thrash metal como aquele que nos

chegava na década de noventa. Nomes

como Pantera, Criminal, Sepultura (fase

"Chaos A.D.") ou até os nossos Painstruck

surgem-nos em mente com um potencial

que deverá ser ampliado e explorado

para além daquilo que estes cinco temas

apresentam, principalmente em termos de

dinâmica. Uma apresentação promissora e

uma banda a acompanhar no futuro.

[7/10] Fernando Ferreira

DIKTATUR

“La Voie Du Sang”

Melancholia Records

Diktatur é um duo de

black metal que se

estreou em 2010 com

"La Voie Du Sang"

lançado em edição

de autor. Sete anos

depois, a Melancholia

Records decide pegar

no álbum e reeditálo

com duas novas

músicas, gravadas no presente ano. E quase

que a carreira toda dos Diktatur se resume

a estes dois eventos, exceptuando pelo EP

editado em 2015. Com um som de black metal

cru mas que não dispensa um toque de melodia

de dinâmicas inesperadas para o género mais

primitivo, o que só faz com que o impacto seja

maior. Esta é uma excelente surpresa que para

muitos será como uma novidade, já que será

fácil ter passado despercebido o lançamento

independente que a própria banda fez limitado

a cem unidades.

ENTOMBED

“Hollowman”

Earache Records

[8/10] Fernando Ferreira

É por aqui que o mítico

death'n'roll começa a tomar

forma, com o regresso de

L-G Petrov à voz depois da

ausência em "Clandestine".

Não podemos dizer que esta

influência venha do azul

até porque se formos bem

a ver os álbuns anteriores

já davam indicações de

algo assim, embora aqui

seja mesmo muito mais acentuada. De uma forma

inteligente, acaba por abrir o caminho até ao próximo

álbum, o clássico "Wolverine Blues", cujo tema-título

surge aqui com uma espécie de descrição do animal em

si em vez das letras que surgiriam no álbum resultando

numa curiosidade interessante. O que é fascinante neste

EP é a forma como se sente o género embrionário, em

como o death metal encaixa perfeitamente com aquele

género bem roqueiro típico do rock sulista dos E.U.A.

Temos duas covers (na versão original tínhamos apenas

uma) sendo a primeira uma adaptação do tema do filme

"Hellraiser", cujo compositor é Christopher Young, com

alguns samples a acompanhar e a segunda a já clássica

rendição da "God Of Thunder", original dos Kiss. Um EP

destinado aos coleccionadores, mas que mesmo assim

têm a sua importância histórica na carreira da banda.

[7.5/10] Fernando Ferreira

76

EXTERMINATOR

“Total Extermination”

Greyhaze Records

Esta é uma

viagem no tempo

inesperada. "Total

Extermination" é um

clássico obscuro da

música extrema e é

quando o ouvimos

que percebemos

o porquê de ser

obscuro. Editado em 1987, numa altura

em que os Sarcofago e os Sepultura

dominavam o underground brasileiro, vêse

que os Exterminator tentaram seguir

por um caminho semelhante. No entanto a

qualidade sonora é tão má, assim como as

composições são ingénuas demais, ainda

mais que os próprios primórdios dos

Sepultura. Este trabalho, agora reeditado

em vinil, é aconselhado apenas a puristas

da música extrema. Para todos os outros é

coisa para fugir a sete pés. A exterminação

promete ser total para os mais sensíveis.

[2/10] Fernando Ferreira

JUDAS PRIEST

“Point Of Entry”

Columbia

E os Judas Priest

entraram oficialmente

nos anos oitenta

depois da declaração

metálica que foi "British

Steel" e por entraram

oficialmente na década

de oitenta queremos

dizer que nos trazem um

álbum a piscar o olho ao

pop descaradamente. No entanto, ao contrário de

bandas como Queen, o foco continuou a estar nas

guitarras, embora com melodias bem acessíveis.

No entanto, será que isso é o suficiente para

condenar este trabalho. Não propriamente, até

porque temos aqui grandes músicas, imortais,

sendo que a abertura com "Heading Out To The

Highway" é um clássico indiscutível e a "Desert

Plains" ainda surge nos alinhamentos dos

concertos da banda britânica de vez em quando.

Em termos de composição, este é um álbum

estupidamente mais simples de que qualquer

coisa que a banda tenha feito e músicas como

"Don't Go" e "You Say Yes" dificilmente poderemos

chamar de heavy metal. Pensando bem,

dificilmente conseguimos chamar a qualquer

música deste álbum de heavy metal. Não sabemos

bem o que motivou a banda a seguir esta direcção,

mas provavelmente terá algo a ver com o sucesso

dos dois singles do álbum anterior, "Living After

Midnight" e "Breaking The Law", dois temas bem

simples. A questão é que ambos, até mesmo

"Living After Midnight" tem uma aura metal por

trás, o mesmo não podemos dizer de nenhum

destes temas.

Ainda assim, não é um mau trabalho. É hard rock

com um toquezinho pop que embora tenha alguns

momentos não tão conseguidos e até irritantes,

não tem nada de declaradamente mau. Apenas é

uma pálida amostra em relação ao que a banda

fez e é capaz de fazer. Este é um dos álbuns um

pouco esquecidos dentro da discografia da banda

e com alguma razão já que apresenta muito pouco

material que se sobressaia. Esta reedição além

de trazer todos os temas remasterizados ainda

traz mais dois temas bónus, "Thunder Road" (das

sessões de "Ram It Down" e que por isso não se

percebe lá muito bem o que raio está aqui a fazer) e

uma versão ao vivo de "Desert Plains". Para quem

é coleccionador, obviamente que este álbum já foi

adquirido mas para quem não é ou para quem não

conhece, não se deverá começar por aqui. É capaz

de se ficar desanimado.

[6/10] Fernando Ferreira


KASHGAR MONSTER MAGNET MONSTER MAGNET

“Kashgar ” “Tab“ “Spine Of God”

Symbol Of Domination Prod. Napalm Records Napalm Records

O metal flui das mais

"Tab" foi lançado

Reedição do primeiro

diversas localizações.

antes de "Spine Of

álbum dos Monster

Os Kashgar

God", o segundo

Magnet, uma banda

apareceram no mapa

EP da banda e

que mesmo sem

do metal com o seu

que é ainda mais

ter hoje em dia a

álbum de estreia autointitulado

e lançado

a estreia que

que teve anos atrás

aventureiro que

expressão comercial

originalmente o ano

seria lançada no

não deixa de ter o seu

valor. No que nos diz

passado. A banda

mesmo ano, 1991,

respeito, o seu início de carreira sempre nos

surge do Quirguistão ou República Quirguiz e aqui nesta revista analisado. Aos três

pareceu mais interessante quando a banda

que não é dos sítios mais esperados para temas originais junta-se "Spine Of God" tinha um forte cheiro a rock psicadélico. É

se ter metal extremo. Uma mistura entre o registado ao vivo. Tal como o álbum de precisamente esse ponto que faz com que o

death metal (em termos instrumentais) e o estreia, este é um EP que soa a álbum e interesse neste álbum seja redobrado. Aquela

black metal (em termos de abordagem) o que tem uma qualidade bem acima da "Black Mastermind" é uma viagem para fora

som da banda nota-se precisar claramente média. Principalmente o primeiro tema, deste sistema solar, daquelas que até dá

de amadurecer, mas para um primeiro tema-título, que nos embala por mais de gosto, mas não é o único tema que tem esse

trabalho, o resultado é sem dúvida positivo. meia hora. Não é para todos, mas é sem efeito. Esta reedição traz uma versão demo

Falta talvez alguma dinâmica acrescida aos dúvida um trabalho arrojado e um clássico do tema "Ozium" e é uma boa forma de reapresentar

o passado ilustre da banda a uma

temas para assegurar que resultados ainda intemporal que recomendamos que esteja

superiores mas o que apresentam aqui não na audioteca de todo o fã de música que nova geração de fãs.

os envergonha em nada.

se preze.

[6.6/10] Fernando Ferreira [9.5/10] Fernando Ferreira

[9/10] Filipe Ferreira

NETHERBIRD

“The Ghost Collector”

Black Lodge Records

"(...) passamos por

fases variadas, onde

ora temos uma

vibe viking, épica,

guerreira, ora temos

uma atmosfera

mais sinistra e

ameaçadora e

orelhuda, de riffs

mais austeros e orquestrações com cheiro

a gótico (...)". Estas palavras, usadas

na review feita ao ultimo trabalho dos

Netherbird - a compilação Hymns From

Realms Yonder - servem de bom mote para

a presente apreciação ao álbum debutante

destes suecos. E porquê? Porque basta

ouvir as primeiras notas de The Ghost

Collector para perceber que este primeiro

álbum cai directamente na última categoria

referenciada na citação.

Lançado em 2004, numa altura em que o

Black Metal melódico já estava mais que

batido no mundo do Metal, este The Ghost

Collector é um trabalho bastante genérico,

caracterizado por um pretensiosismo

e de uma ingenuidade tão própria

daquelas bandas do Black Metal que se

pautavam pelos tiques melodramáticos

característicos de um filme de terror da

Hammer e orquestrações repletas de

elementos clássicos e que fizeram deste

um estilo tão popular, de onde brotaram

milhentas bandas que procuraram (e

raramente conseguiram) pegar na fórmula

dos Cradle of Filth, Dimmu Borgir ou Old

Man's Child e elevá-la a novos patamares,

acabando assim por cair numa imensidão

de nada.

Tivesse este álbum sido lançado 10-15

anos antes e estaríamos a falar de uma

"quasi-masterpiece". Como não foi, cai

na dualidade de ser considerado, por

uns, um álbum com cheiro a azeite ou,

por outros, um álbum de Black Metal

melódico bastante apreciável. Acontece

que pertenço à segunda estirpe.

[7.2/10] Jaime Nôro

RAPTORE

“Rage 'N' Fever”

Witches Brew

A Argentina sempre

demonstrou ter uma

devoção ao heavy

metal clássico e

tradicional admirável

mesmo que nunca

tenha apresentado

propostas capazes

de cruzar as próprias

fronteiras de forma convincente, tirando

algumas honrosas excepções. Os Raptore

apresentam neste álbum de estreia motivos

para contrariar esta tendência com um

heavy metal cru, vitaminado e cheio de

tomates que é impossível de ignorar. Não

é perfeito - e uma das imperfeições que

encontramos é alguma falta de dinâmica

entre alguns temas que soam demasiado

semelhantes - mas sem dúvida que é tudo

aquilo que o heavy metal precisa para

continuar fiel a si próprio.

V/A

“Return Of The Mountain King - A Tribute to Savatage”

Underground Symphony

[9/10] Fernando Ferreira

Como já dissemos

muitas vezes

antes. Gostamos

de covers. Como

consequência,

gostamos de

álbuns de covers.

Provavelmente não estão recordados

mas cerca de dezoito anos atrás, os

álbuns de covers tornaram-se uma

praga. Pequenas editoras aproveitavam

essa forma mais barata de fazer

alguns cobres - houve uma até que se

especializou nela (a Dwell Records). A

febre acabou por se comer a ela própria

com bandas desconhecidas a fazerem

versões manhosas de clássicos das

bandas em questão. É tendo isto em

SUTEKH HEXEN/BLSPHM

“Split”

Sentient Ruin Laboratories

Originalmente

lançado em 2014,

em cassete, este EP

é a prova de como

o black metal se

pode apresentar

das mais diversas

formas e feitios.

Claro que não era

preciso apresentar formas disso mas é

apenas uma forma de dizer que este split

junta duas entidades que têm abordagens

distintas ao género mas ainda assim

similares na forma como transcendem as

fronteiras. De um lado os Sutekh Hexen,

com uma abordagem caótica e barulhenta.

De outra os BLSPHM, com um feeling

mais industrial e que chegam até a cruzar

o drone. O resultado? Um vinil que devem

adquirir se são fãs do experimentalismo na

música extrema.

[8/10] Fernando Ferreira

conta que começamos e acabamos com

esta análise a "Return Of The Mountain

King - A Tribute to Savatage". Com uma

série de bandas desconhecidas italianas

e norte-americanas (exceptuando pelos

Cage, o único nome que se destaca

aqui) as versões até poderiam ser algo

memoráveis mas não o são. É o típico

caso em que o nosso amor às versões

foi posto à prova. E levou uma tareia

descomunal. Ter um álbum de versões

em que a sua melhor qualidade é fazernos

ouvir o original não é propriamente

um investimento recomendado

[4/10] Fernando Ferreira

77


Os Cavaleiros da Tavola Triangular

Esta rúbrica visa em reunir os colaboradores da World Of Metal para conversas descontraídas. Trocas

de ideias, debates, análises de álbuns. Tudo o que surgir em cima da nossa mesa triangular. Este mês

fomos tocar numa questão eterna: Sepultura (pós-Max) Vs Soulfly. Analisámos álbum a álbum e

chegámos a uma conclusão. The Game is On! Relembramos que se tratam de duas opiniões, válidas e

nem mais nem menos que isso. Por João Coutinho e Fernando Ferreira

FF-Este mês então temos Sepultura vs Soulfly. Antes de irmos ao

detalhe e da conclusão final entre nós dois, na tua opininão, qual

é o favorito?

JC-Bem, a minha opinião em relação ao favorito é bastante

simples. Sepultura, sem dúvida. São uma banda com um legado

histórico mas que continua a produzir discos fenomenais, como

é o caso do mais recente "Machine Messiah". Qual é a tua

opinião?

FF-Concordo. Sem pensar muito no assunto, Sepultura têm-me

impressionado mais nos últimos álbuns,mesmo que ainda esteja

distante daquilo que fizeram antes da saída do Max, mas esse

período também fica cada vez mais sobrevalorizado conforme o

tempo passa. Vamos então o detalhe

Round 1 - Sepultura - "Against" Vs Soulfly - "Soulfly"

JC-Em comparação entre esses dois o grande campeão é o

Against, na minha opinião. Não é que seja um dos melhores

lançamentos de Sepultura mas consegue superar, sem dúvida, o

disco de estreia dos Soulfly.

FF-Concordo. "Against" não é perfeito mas é o álbum possível

após uma mudança tão profunda como foi a saída de Max. Apesar

de na altura ter ouvido bastante o primeiro de Soulfly, é um

trabalho que não envelheceu tão bem.

Round 2 - Sepultura - "Nation" vs Soulfly - "Primitive"

JC-Apesar de Sepultura ser uma das bandas que mais aprecio, seja

qualquer fase, com ou sem Max, tenho de dizer que o "Primitive"

está bastante consistente. Mostra um Max disposto a fazer algo

com pés e cabeça, enquanto que os Sepultura pareciam estar um

pouco perdidos no tempo.

FF-"Nation" para mim prometia muito. Álbum conceptual

- o primeiro da carreira e o primeiro a mostrar que a banda

conceptualmente pretendia ir bem mais longe. No entanto na

prática foi um álbum fraquíssimo, com a banda a ceder às pressões

do nu metal. Embora "Primitive" também seja bastante nu metal,

78

parece-me bem mais sólido e "ameaçador" digamos assim.

Round 3 - Sepultura - "Roorback" Vs Soulfly - "3" /

Sepultura - "Roorback" Vs Soulfly - "Prophecy"

JC-O "Roorback" é um álbum que, apesar de não ser brilhante,

não atingiu o patamar que merecia. Foi esquecido e desprezado

por completo e esquecido das setlists do grupo brasileiro. No

que toca a um duelo com o "3", o "RoorBack" acaba por levar a

melhor. Nesta altura tanto os fãs como a RoadRunner pareciam

desprezar um pouco a banda. Apesar do álbum ter alguns toques

extremamente modernos (demasiado por vezes) não deixa de levar

a melhor de um "3" que nunca me disse nada. Comparando com

o "Prophecy" já temos precisamente o contrário. O "RoorBack"

já fica para trás. O "Prophecy" continua a linha dos anteriores

de Soulfly, bastante moderno. Mesmo assim, mas não por uma

marguem muito extensa, é melhor que "Roorback".

FF-Concordo em parte. "Roorback" marcou o início de uma

nova fase da carreira dos Sepultura, onde andaram sem contrato

depois da Roadrunner não ter renovado e após lançarem o EP

de covers, acabaram por lançar "Roorback" pela SPV (onde uma

edição especial viria a trazer o dito EP de bónus). Concordo com

o que dizes que Roorback é um pouco desprezado na carreira da

banda mas também não é o tal regresso às raízes apregoado (e

que o título sugere). É mais directo mas continua a ter o problema

de "Nation", faltam malhas. Quanto a "3", não é perfeito mas

é superior ao "Primitive", que era fraquinho (o que já dá para

ver o valor dado a "Nation"). É um álbum que tem algumas das

músicas que a banda ainda toca hoje em dia. E concordo em

relação ao "Prophecy", é um álbum maduro dos Soulfly que

estavam a começar a soltar-se das amarras do nu-metal, muito

graças à entrada de Marc Rizzo. Portanto, dois pontos para

Soulfly da minha parte.

Round 4 - Sepultura - "Dante XXI" Vs Soulfly - "Dark

Ages"

JC-O "Dante XXI" prometia muito. Como outros de Sepultura,

era um álbum conceptual sobre a obra de Dante, Divina Comédia.

É super intenso e é extremamente pesado, o que logo por si


costuma ser um bom ponto. A produção é fraquinha, muito

fraquinha. Em relação ao "Dark Ages" parece que o Max voltou

aos seus tempos áureos de Sepultura e entregou aqui um álbum

sem espinhas e muito forte. Por esse motivo leva a melhor do

"Dante XXI" que prometia muito mas não conseguiu cumprir o

prometido.

FF-Nesta fase parecia que cada álbum de Sepultura sofria desse

mal. Muita parra, pouca uva. Mais uma vez, como disseste,

conceito interessante e prometedor, resultado final aquém das

expectativas. Não é que seja um mau álbum, apenas não consegue

corresponder à grandeza do nome da banda. Já "Dark Ages" é uma

bomba de todo o tamanho. Se "Prophecy" já se notava a diferença

devido à entrada de Marc Rizzo, "Dark Ages" é triturador, um

grande álbum onde Soulfly é olhado com outros olhos perante a

comunidade metaleira - aliás, acho que foi devido a esse álbum

que os Soulfly entraram para o Metal Archives.

Round 5 - Sepultura - "A-lex" Vs Soulfly - "Conquer"

JC-Mais um álbum de Sepultura, mais um álbum conceptual.

Começa a ser algo extremamente repetitivo e que simplesmente

cansa mas "A-Lex" consegue ser um bom trabalho da banda

brasileira, aproximando-se muito do "Roots", na minha opinião.

"Conquer" é a bujarda das bujardas, com um som cristalino

que não tira a brutalidade ao som, temos o melhor trabalho de

Soulfly até à data. É uma vitória sem espinhas, mesmo estando

os Sepultura a demonstrar que estão a "acordar" aos poucos, de

modo a voltarem a ser o que haviam sido.

FF-É verdade e "A-Lex" passou praticamente despercebido para

estes lados. Mesmo que seja um álbum subestimado, continuam a

faltar aquelas malhas de referência. "Conquer" é a continuação da

potência de "Dark Ages". Não considero que seja superior mas é

sem dúvida um dos melhores álbuns da banda e ganha claramente

este duelo.

Round 6 - Sepultura - "Kairos" Vs Soulfly - "Omen" /

Sepultura - "Kairos" vs Soulfly - "Enslaved"

JC-O "Kairos" ganha facilmente aos dois. Podemos dizer que o

"Kairos" é, finalmente, o regresso dos poderosos Sepultura. É

algo que os fãs ansiavam e que foi entregue com a mestria de

Andreas Kisser. O "Omen" e o "Enslaved" não deixam de ser

álbuns consistentes mas estão a anos luz da potência do "Kairos".

FF-Pessoalmente não esperava nada de "Kairos" e foi uma surpresa

muitissimo agradável. É um álbum low profile mas que é

muito sólido, conseguindo ir buscar um pouco da força do "Chaos

A.D." e "Against". "Omen" é um álbum forte mas começa a

acusar o cansaço da fórmula. "Enslaved" já é mais fraco e apesar

de ser competente, não impressiona.

Round 7 - Sepultura - "The Mediator Between Head and

Hands Must Be the Heart" Vs Soulfly - "Savages"

JC-O "Savages" acaba por ser uma melhoria em relação a algum

dos trabalhos anteriores dos Soulfly, demonstrando que, tal como

Sepultura, são uma banda de altos e baixos. Em relação ao disco

de Sepultura podemos dizer que um dos fatores que me leva a

escolhê-lo é a entrada do novo baterista, Eloy Casagrande. Para

mim é um génio da bateria e trouxe um peso enorme a este disco.

FF-Para mim o Savages passou-me completamente ao lado.

Sem ser mau, é um álbum que não me trouxe aquelas malhas

destruidores dos trabalhos anteriores. Foi uma decepção por ser

verdadeiramente mediano. Quanto ao "Mediator" foi um álbum

que cumpriu o que "Kairos" prometeu. Ambicioso e com grandes

malhas. Para mim foi o álbum reconciliador (oficialmente, já que

"Kairos" já tinha deixado boa impressão) dos Sepultura.

Round 8 - Sepultura - "Machine Messiah" Vs Soulfly -

"Archangel"

JC - "Machine Messiah" é, para mim, um dos melhores

trabalhos de Sepultura de sempre. Num ano de 2017 recheado

de promissores trabalhos este consegue saltar à nossa vista como

um dos melhores. Com energia, peso e letras extremamente bem

pensadas só fica mesmo atras de alguns trabalhos de Sepultura.

Mesmo "Archangel" sendo bom nada comparável com a primazia

e a sapiência de Andreas Kisser e companhia, que demonstram

estar na melhor forma possível.

FF-Para mim Archangel seja mais uma desilusão na forma em

como se instala numa mediania irritante, tal como o anterior

trabalho. Não apresenta nada de novo e não tem nenhum

momento marcante. Por outro lado"Machine Messiah" é um

álbum brutal, dinâmico, potente e praticamente inesgotável. É

realmente um álbum de sonho e um dos melhores da sua carreira.

Inesperado para quem já não esperava nada da banda.Resumindo

e verificando a pontuação temos 11 para Sepultura e 9 para

Soulfly. Justo vencedor na minha opinião. O que é que tu achas?

JC- Concordo plenamente. São sem dúvida um justo vencedor.

79


Metal Missionaries - The Documentary

Brutally Delicious Productions

É sempre bom termos documentários sobre metal.

Não só para espalhar a mensagem para aqueles

que não sejam propriamente receptivos ao estilo de

música mas, principalmente, para educar um pouco

mais aqueles que gostam e amam metal. A premissa

deste "Metal Missionaires" é promissora. A questão

do cristianismo no metal. Polémico à partida - afinal

o cristianismo é o bombo da festa oficial do metal,

principalmente extremo - embarcamos nesta viagem

com bastante curiosidade.

Realizado por Bruce Moore e produzido pela Brutally

Delicious Productionsk, "Metal Missionaries" é um

interessante documentário mas que acaba por soar a

pouco. E por ser uma realidade muito local. Não é

que não existam bandas cristãs no resto do mundo que

toquem metal - devem existir de certeza. A questão é

que não há propriamente uma cena de metal cristão

fora dos E.U.A. e, talvez, Canadá. Na América do

Norte existem tops específicos e existe uma cena

de rock cristão bastante forte. No entanto é algo

incompreensível para o resto do mundo. Afinal, rock

é rock. Metal é metal. Independentemente da cor, raça

ou credo. Longe vão os tempos da separação entre

o death metal e black metal (das ameaças de morte

aos Deicide quando tocaram na Noruega e das cartas

enviadas a Christofer Johnsson dos Therion), pelo que

esta é uma realidade que não nos faz muito sentido.

Podemos dizer que "Metal Missionaries" está dividido

em duas partes. Na primeira temos um desfilar de

testemunhos acerca da questão da religião (cristã) e

das suas próprias experiências onde se destacam Vorph

dos Samael (que afirma que independentemente da

ideologia, é a música que fala sempre mais alto) e Ben

Falgoust dos Goatwhore (que diz algo semelhante e

que desde que a música seja boa, de que se justifique

a mensagem e que faça sentido, tudo é válido) - que

basicamente é a forma como nós também vemos a

80

música. Na segunda parte, que é a que ocupa mais

espaço, temos uma série de bandas cristãs que contam

as suas dificuldades e em grande parte são todas de

alguma forma ostracizadas. E é neste ponto que a

coisa se perde um pouco na nossa opinião.

Por alguns momentos parece que estamos a ser

evangelizados, pela forma como se tem algumas

passagens da bíblia ou pela forma apaixonada como

expressam as suas próprias crenças. Este factor faz

com que o entusiasmo vá diminuindo conforme o

documentário se vai desenrolando. Outra questão

menos conseguida é a repetição de algumas imagens

no início que parece que estamos a ver um clip de

publicidade genérico (neste caso sobre metal).

Mesmo sabendo a pouco e sentido que poderia ter sido

muito mais aprofundado, conseguimos tirar algumas

conclusões acerca deste "Metal Missionaries".

Primeiro, nos E.U.A., nem as bandas cristãs se livram

de serem ostracizadas. Depois, a música deverá ser

sentida sobretudo. Independentemente das letras, do

credo. E é o que estas bandas fazem. É o que qualquer

banda deve fazer. Parece uma conclusão óbvia, não é?

Foi neste ponto em que se perdeu uma oportunidade

de apresentar algo diferente. Temos o testemunho de

bandas em que vivem mesmo aquilo que acreditam,

em como a sua mensagem foi importante para alguns

fãs mas a pergunta primordial se o cristianismo e

metal combinam ou não acaba por não ser totalmente

esclarecedora. Ficamos com uma percepção de como

as bandas entrevistadas "sofrem" devido às suas

crenças mas faltou o confronto com outros pontos de

vista seculares, como os focados no início.

Apesar de não ser aquilo que se esperava e de ser

algo superficial, não deixa de ser um documentário

interessante.


WOM Live Report

Don't Fall Asleep, Aiko, In Vein

08/09 - Metalpoint, Porto

Texto por João Coutinho | Fotos por Inês Faria | Agradecimentos Metalpoint e Don't Fall Asleep

Em mais uma noite de Metal no famoso

Metalpoint, no Porto, foi tempo de celebração de

peso onde foram reunidas as bandas Don't Fall

Asleep, Aiko e In Vein, isto após o cancelamento

da banda Ashes And Waves.

Com o seu metalcore/hardcore bem estruturado e

com muita energia, os Don't Fall Asleep subiram

ao palco de uma sala bem composta que os recebeu

com muito entusiasmo e euforia. Com um set

curto onde foram debitando novos temas do seu

EP, o público apresentava-se bastante receptivo e

a comunicação com o vocalista era evidente. Nas

últimas músicas, "Betrayed" e "Martyr" o nível

de envolvimento do público chegou a um patamar

impressionante, com o vocalista Carlos Silva a

demonstrar uma presença de palco ao nível dos

melhores do género.

Seguiram-se os AIKO, nome já mais conhecido

que contaram com um metalpoint com uma

excelente casa. Começando logo por pedir ao

público que se chegassem à frente e tentando

motivar os presentes, incendiaram uma sala

e prepararam um caldeirão que, no fim desta

atuação, se tornaria verdadeiramente explosivo.

Passando por malhas como “A Place For My

Head”, “Venom” e “Carry the Crown” que tiveram

uma recepção otimista por parte dos fãs, “Karma

War” foi uma das faixas mais cantadas e com uma

importância fulcral no Set. Para terminar houve

tempo para a música tema do anime Deathnote

que foi, indubitavelmente, o culminar de uma

atuação quase perfeita por parte dos portuenses.

Por motivos pessoais, infelizmente não nos foi

possível assistir ao concerto dos In Vein. As

nossas sinceras desculpas.

81


Casaínhos Fest 2017

26/08 - Casaínhos, Loures

Texto por Fenando Ferreira | Fotos por Sónia Ferreira | Agradecimentos: Casaínhos Fest

Tínhamos uma boa expectativa para esta sexta edição

do Casaínhos Fest, principalmente pela reverência

que era feita ao festival o underground nacional.

Reverência essa que consideramos ser totalmente

merecida pelo que pudemos constatar.

O início deu-se cedo (três da tarde) e como era algo

expectável, a afluência do público ainda era bastante

baixa. Foi com a banda de punk/hardcore lisboeta

Not Enough que se deu início às hostilidades. Micro

descargas acompanhados de muito movimento,

principalmente pelo Félix, vocalista, que estava

constantemente aos saltos – que nem sempre corriam

bem. O som esteve sólido e a prestação da banda

também, mesmo estando numa posição algo ingrata

mas que cumpriu o seu propósito. Uma abertura

adequada para uma longa maratona de sonoridades

punk, hardcore e metal.

82

Not Enough

O primeiro aspecto positivo que notámos desde cedo

foi a forma como o horário foi cumprido (e em alguns

casos até adiantado) e como a espera foi tudo menos

dolorosa. Algo de salutar e que muitos festivais mais

mainstream poderiam levar como exemplo. Antes

da hora prevista subiram ao palco a banda de Aveiro

Soul Of Anubis. Este power trio com uma sonoridade

de metal progressivo impressionou pela positiva,

principalmente pelas suas capacidades técnicas. Talvez

a banda não fosse indicada para aquela hora, mas tal


como os Not Enough, os Soul Of Anubis cumpriram

na perfeição o seu papel. Normalmente em géneros

mais exigentes como o metal progressivo, poderíamos

esperar que o som final sofresse mas não foi de todo

o caso. Ainda por cima um metal progressivo bem

bruto. Apesar de por momentos sentirmos que uma

segunda guitarra poderia beneficiar o seu som em

termos de dinâmicas, a actuação baseada no seu álbum

de estreia (nome do álbum) deixou-nos com água na

boca e com o desejo de voltar a vê-los novamente.

mais adequada noutro horário mas ainda assim,

foram a primeira a juntar uma assistência já muito

composta à frente do palco. Actuação irreprensível,

com um excelente som – não nos cansamos de

referir esta parte, que foi mais ou menos constante

de todo o festival – e da qual destacamos “Cabaret”

e “Absolution”. A experiência da banda é cada vez

mais notória e este foi mais um exemplo, sendo

sempre um prazer revê-los em cima do palco.

Soul Of Anubis

Ainda dentro do metal, chegou a vez dos Burned

Blood de Sintra que iniciaram a sua actuação com

uma intro cinematográfica bastante épica e que

chamou o ainda pouco público para a frente do

palco. “Uprising”, “Existence” e “Killing Spree”

foram excelentes exemplos do seu poder destrutivo

que também beneficiaria de uma segunda guitarra -

principalmente para alguns leads por cima do ritmo.

Movimento e acção foi coisa que não faltou e a entrega

da banda equivalia a intensidade da sua música.

Também de salientar os constantes agradecimentos à

organização e ao público pelo apoio ao underground

– algo que TODAS as bandas, sem excepção, fizeram.

A cada banda que subia ao palco, mais o ambiente de

festa se adensava.

Legacy of Cynthia

Por falar em experiência, o que dizer dos Grankapo? A

banda lisboeta já tem um currículo de impôr respeito

na arte de espalhar hardcore e as suas actuações são

sempre recheadas de poder e acção, tanto em cima

em do palco como entre a assistência, com muitos

circle pits a se formarem. “Left For Dead”, “Filthy

Head”, “Won’t Fall Down” e “We’ll Never Die” foram

apenas algumas das bombas de diversão maciça que

provocaram muito movimento num concerto onde

não havia nem tempo para respirar, embora tivesse

havia oportunidade para cantar os parabéns ao

baterista Ivan, curiosamente a primeira de duas vezes,

como veremos de seguida.

Grankapo

Burned Blood

Também de Sintra (de nome e tudo) seguiram-se os

Legacy of Cynthia com o seu metal alternativo de

cariz mais progressivo, outra banda que talvez fosse

Banda irmã, os For The Glory sucederam aos

Grankapo e mantiveram o nível altíssimo no que diz

respeito à qualidade do hardcore. Começando com

“All The Same”, foi um desfilar de classe e experiência

por um dos grande valores nacionais da música

pesada. Não faltaram outros temas como “Survival Of

83


as hostilidades com um dos seus hinos, “Face Off ”? A

intensidade atingia novos patamares, como apenas a

banda da margem sul sabe fazer.

The Fittest” e “Some Kids Have No Face” e não faltou

também a segunda vez que se cantou os parabéns a

Ivan, o baterista que toca tanto nos For The Glory

como nos Grankapo, numa actuação em ambiente de

festa, onde a banda revelou não ter setlist definida e

ir tocando conforme o feeling – o que já diz muito

acerca do à-vontade e traquejo que têm e também

do ambiente descontraído e familiar que se tinha no

palco do Casaínhos, algo que não afectou em nada

na apreciação tanto nossa, World Of Metal, como do

público presente.

Destroyers Of All

Tal como os For The Glory, os Switchtense tocaram

sem setlist pré-definida e foram decidindo as malhas

no momento, revelador do seu entrosamento e

experiência. Não faltaram os discursos por parte de

Hugo Andrade sobre o underground e a cena nacional.

Se normalmente a visão da banda apresentada pelo

seu vocalista é fácil com que nos identifiquemos com

ela, neste contexto, era o reflexo daquilo que estava

no ar. Uma união que era bonita de se sentir e que

se assume como o espírito do festival. Espírito esse

metido ao rubro com “The Right Track”, “State Of

Resignation”, “Into The Words Of Chaos”, “Monsters”

(a música Napalm Death da banda) e “Infected Blood”,

entre outros clássicos.

For The Glory

Nova virada estilística do hardcore para o metal, com

os coimbrenses Destroyers Of All a subir ao palco

numa posição que lhes é merecida pelo excelente

álbum de estreia “Bleak Fragments”, editado o ano

passado. A actuação da banda baseou-se neste

lançamento e no EP que o antecedeu, onde o principal

problema era o som algo pouco definido que fez com

que alguns detalhes, principalmente de guitarra e por

vezes na voz, se tivessem perdido. Ainda assim, foram

bem recebidas malhas como “From Ashes Reborn”,

“Hollow Words”, o tema-título do já mencionado

álbum de estreia e uma potente “Into The Fire”. Foi

um regresso aos palcos bem recebido pelo público e

bem vivido pela banda que mostra que o seu lugar é

ali mesmo.

Se até então, Casaínhos navegou entre os mares

do punk/hardcore e do metal, a próxima banda

é daquelas que junta os dois como ninguém.

Embora o potente thrash metal dos Switchtense

seja metálico até à medula, há um grande espírito

hardcore principalmente na forma como encaram

o underground e como são uma banda que dá tudo

em palco e que puxa o seu público para retribuir em

igual medida. Como tal, que melhor forma de abrir

84

Switchtense

Devil In Me é um dos nomes grandes do hardcore

nacional, a par dos Grankapo e For The Glory – uma

celebração à parte, ter estes nomes mais Swtichtense

todos juntos no mesmo cartaz, facto referido por

Hugo Andrade na actuação da sua banda. Um nome

que, tristemente, distinguiu a sua actuação de todas as

outras. Foi o último concerto da banda e por isso teve

um impacto ainda maior do que o normal – que por si

só já era considerável.

Seria difícil suceder a estes níveis de intensidade, por isso a

melhor coisa a fazer é mesmo trazer algo completamente


diferente. Os Blowfuse não são completamente diferentes

ao punk/hardcore mas fazem-no de um ponto de vista

mais acessível do rock. Mas acessível não quer dizer que

seja menos explosivo. Com muito movimento mas sem

provocar o mesmo tipo de entusiasmo entre o público, o

punk rock da banda gozou de um som poderoso – um

dos melhores do cartaz – que em muito ajudou a que a

sua performance fosse tão boa.

seja tarde para o quer que seja, a banda provou estar

num momento de forma demolidor, destilando thrash

metal clássico de extremo bom gosto.

Devil In Me

Curiosidade para o facto da banda ter agradecido aos

Not Enough por terem emprestado os instrumentos

precisamente quando tocaram a música... “Not

Enough”. Destacamos ainda da sua actuação a “House

Of Laugh”, “Man Of Opportunities”, “Ripping Out”,

“Radioland” e a cover com que acabaram o concerto:

anunciada como uma música dos Sonic Youth, tocaram

com o início da “In Bloom”, a “Territorial Pissings”,

ambas dos Nirvana. A banda espanhola também foi

a primeira de duas escolhas internacionais escolhidas

para fechar esta terceira edição do Casaínhos Fest,

não deixando de agradecer à sua editora no nosso

país, a Infected Records, responsável pelas visitas da

banda ao nosso país.

Dust Bolt

Foi um desfilar de malhões que começou na “Violent

Abolition” e terminou na “Agent Thrash” (com o vocalista/

guitarrista Lenny B. a ir para o meio do público) já em

regime de encore e pelo meio com “Awake The Riot – The

Final War”, “Soul Eraser”, “Blind To Art, “Distant Scream

(The Monotonous)” – dedicada a Tiago Fresco, da

organização, por trazer a banda a Portugal, entre outras.

Foi uma actuação que impressionou como a banda se

dispôs em palco, não parando o headbanging por um

segundo e não sacrificando em nada os muitos detalhes

que as músicas exigiam.

Dust Bolt

Blowfuse

A segunda banda internacional do cartaz e também

pela primeira vez em Portugal, eram os alemães Dust

Bolt, que deram um concerto de ficar na memória dos

presentes. Com uma banda com já três (bons) álbuns

editados, fica difícil de perceber como ninguém os

tinha trazido cá antes. Como não acreditamos que

Para quem viveu a cena anos atrás, este alinhamento

do Casaínhos poderia soar estranho. Afinal tínhamos

bandas hardcore, punk e metal (de subgéneros

variados) a sucederem-se e a serem apoiadas da

mesma forma. As tribos deixaram de ter o peso que

tinham e ainda bem porque separações provocadas

por barreiras estilísticas é algo que deixou de fazer

qualquer tipo de sentido há já muito tempo. O facto

de todas as bandas terem enaltecido, como já foi dito

atrás, o espírito underground do festival e de união ao

som nacional.e também do próprio apoio do público

presente é representativo da magia e mística que

este festival, apesar de jovem, já possui. Que cresça

e venham muitos mais, sendo representativo do

crescimento e sobretudo da união da nossa cena.

85


ADM Metal Fest

26/08 - Andam, Leiria

Texto e Fotos por Nuno Bacharel | Agradecimentos: ADM Metal Fest

O ADM Metal Fest é um novo festíval na região centro,

localizado na freguesia de Andam, concelho de Porto de

Mós, distrito de Leiria e que decorreu no último fim de

semana de Agosto, dias 25 e 26, sexta e sábado. Infelizmente

a World of Metal apenas pôde estar presente no sábado,

não assistindo assim às sempre excelentes actuações de

Switchtense e Midnight Priest, já que os Gwydion tiveram

que cancelar devido a um problema de saúde do baterista.

Grankapo, Secret Chord e Tri Rex eram as outras ofertas

para sexta.

Chegados ao festival a meio da tarde de sábado, entrámos

num recinto construído de propósito para o evento, mas

que ainda estava a quarto de gás. Surpreendentemente, e

comparando com o horário previsto (mesmo depois do

anúncio do cancelamento dos algarvios Anarchy Machine),

ainda apanhámos meia actuação dos 74. Punk rock com

boa disposição dentro e fora das curtas musicas tocadas.

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74

Fuzzil

Antes dos Fuzzil começarem a debitar o seu Stoner


Rock, havia que garantir que as condições de som

estivessem a 100%. Entre “Mais guitarra aqui”, “Mais voz

ali” e “Mais baixo acolá”, os ponteiros não perdoavam e

o tempo ia passando. Condições favoráveis alcançadas,

uma excelente performance de bom Sludge/Stoner destes

moços de Alcobaça. Com o EP “Molten” a ser promovido,

“Boiling Pot” não foi esquecido e assim se passou meia

hora bem sonorizada.

“Lightbringer”.

Humanart

Waterland

Entre mudanças de instrumentos, fez-se noite e finalmente

Waterland subiram ao palco. Vindos de Barcelos, ofereceram-nos

uma boa dose de Power Metal bem articulado.

A vocalista, Patricia Loureiro, espalhou voz de excelente

qualidade, charme e boa disposição pela audiência que

finalmente ia engrossando nos números. Com álbum novo

“Signs of Freedom” editado este ano, ainda foram exitos

Hora de aquecer novamente e levantar muito pó com Prayers

of Sanity. Vindos de Lagos, o experiente power trio debitou

o seu thrash old school com muita sabedoria. “Face of the

Unknown” é o álbum novo, destaque para “Someday” mas

“Confrontations” não foi esquecido e muito menos o trabalho

de estreia “Religion Blindness”. Nada a dizer, são grandes.

E como o tempo passa rápido quando nos divertimos,

bateram as doze badaladas da meia noite. Se originalmente,

deveríamos estar a finalizar a actuação de Holocausto

Canibal, ainda os Primal Attack não tinham entrado,

contabilizando um atraso de mais de duas horas na

previsão inícial. A que horas entraram os Grog, nunca

saberemos pois a World of Metal teve que abandonar

o festival pois a sua boleia iria trabalhar no dia seguinte

bem cedinho e ainda havia uma longa viagem pela

frente. Ficou assim outro grande nome do thrash metal

para ser apreciado (Primal Attack), assim como duas

icónicas bandas de grind (Holocausto Canibal e Grog).

Shadowmare

antigos a marcar diferença, como “Fire Burning”.

Mas o que se quer num festival é movimento, e nada como

o bom e velho thrash metal para mexer com as hostes, e foi

isso que os algarvios Shadowmare porporcionaram com o

seu death/thrash. Depois do EP de estreia “From Hell to

the Future”, há mais canções novas a tocar e apanharam

o melhor som até à altura. Assim sendo, muito bem soou

o hino “Mad Executioner” e toda a capacidade destes

promissores jovens ficou bem patente nesta noite.

Avançaram as horas, esfriou a temperatura e também no

palco, com a entrada do black metal dos Humanart. Com

este concerto, celebraram a sua sexagésima actuação e

mostraram toda a sua experiência, especialmente com

a prestação de “Lines of Knowledge” tirado do álbum

Prayers Of Sanity

Esta humilde organização deu o seu melhor, de certeza

absoluta, mas ainda há muitas arestas por limar. Uma

média de 300 pessoas terá passado pelo recinto e resta-nos

esperar que os dissabores não impeçam uma nova edição

em 2018. A ideia está lá, a vontade também, e há lugar na

zona centro para um festival mais undergroud como este.

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Reverence Santarém 2017

Dia 1 - 08/09/17 - Parque da Ribeira, Ribeira de Santarém

Texto por Fenando Ferreira | Fotos por Sónia Ferreira | Agradecimentos: Reverence Santarém

A quarta edição do Reverence estava envolta de

grande expectativa. Não só pelos nomes anunciados

mas principalmente pela mudança de local, passando

de Valada para a Ribeira de Santarém, um pouco mais

a norte. As expectativas foram algo desafiadas ao

encontrarmos condições mais humildes em relação

ao passado. Um recinto mais pequeno, dois palcos e

menos oferta em termos de comida e comércio. Seria

algo suficiente para ficar com uma opinião negativa

sobre o festival. Isso e os atrasos que vamos explicar

de seguida. No entanto, há algo que o Reverence

tem, seja qual for o sítio onde se realiza: excelente

música. Esta quarta edição não foi excepção.

Pouco depois da hora anunciada, deu-se início às

hostilidades com os F'rrugem, banda de Ribeira de

Santarém que continua a tradição do festival em dar

voz às bandas locais. A sua sonoridade insere-se no

espectro do punk rock português, ao bom estilo Mata

Ratos. Talvez estivesse deslocada da sonoridade do

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festival, mas o ecletismo musical sempre foi um dos

seus trunfos e neste contexto, até foi uma boa abertura,

apesar do pouco público presente e de alguma apatia.

Destacamos um tema que cheira a clássico: "Tou de

Caganeira" cujo riff inicial faz lembrar muito a "The

March Of The S.O.D." dos S.O.D..

F'rrugem


Os concertos foram sendo alternados entre o palco

Tejo e o palco Sabotage e a primeira banda a subir a

este último palco foram os Pretty Lightning, um duo

num formato que o rock alternativo tem encontrado

muitas formas criativas de dar muita boa música

ao mundo. Numa vertente que ia beber água tanto

ao rock psicadélico como ao espírito do blues mais

cru, o seu som foi encantando a plateia ainda algo

despida - a banda agradeceu aos presentes por terem

comparecido cedo o suficiente para verem a sua

actuação e ao convite para o festival. Um bom nome

que mostram que é possível fazer muito com pouco.

Como foi dito atrás, os Quentin Gas E Los Zíngaros

substituíram os Dead Rabbits e passaram para palco

principal. O seu som tinha tudo para nos chamar a

atenção, afinal quem é que se lembra de cruzar rock

psicadélico com o flamengo? Uma mistura vencedora

que conseguiu chamar a atenção do público, causando

a reacção automática e involuntária nas pernas, pés

e pescoço, aquela que indica que estamos perante

boa música. A primeira saiu satisfeita com o seu

primeiro concerto em solo português e nós também.

Não fossem as falhas de som no final da actuação, que

terminou abruptamente, e teria sido perfeito.

Pretty Lightning

Devido ao cancelamento dos Dead Rabbits, tiveram

que acontecer algumas alterações no alinhamento

previsto, sendo a primeira a mudança dos Quentin

Gas E Los Zíngaros para o palco Sabotage e no

seu lugar no palco Tejo subiram os Iguana. Um dos

problemas que assolou esta edição do Reverence foi

sem dúvida o problema de som que algumas bandas

tiveram. No caso dos Iguana, não foi o suficiente para

abalar muito a sua prestação, onde as longas jams e

o feeling entre o stoner e o doom foi o fio condutor.

Uma banda que sabe sempre bem ver ao vivo, em que

condições forem.

Quentin Gas & Los Zíngaros

Uma intro com uma versão de "Alfred Hitchcock

Apresenta" foi a forma de apresentar os Cut, trio de

Almeirim que nos trouxe a dinâmica dos duos, ou

seja bateria, guitarra e voz (e que voz). O resultado

é um espírito stoner/doom cujo único problema é

alguma falta de dinâmicas - apesar da ausência de

baixo, a guitarra acabou por preencher o espaço

vazio dos graves. Ainda assim pudemos presenciar

um crescendo de intensidade conforme a actuação

decorreu que nos fez ouvir mais deste projecto.

Iguana

Cut

89


O rock psicadélico

tem muitas formas

de manifestar e

neste primeiro dia

teve-se a sorte de

encontrar várias

formas vencedoras

do género. Os The

Gluts foram sem

dúvida uma delas.

O rock psicadélico

cheio de groove (em parte ajudado pela percussão

tocada por Nicolò, o vocalista) permitiu que fosse

aberta a pista para levantar voo em direcção ao

espaço sideral. A emotividade demonstrada pela

banda, principal-mente pelo já mencionado Nicolò

que parecia que estava a ter um ataque epiléptico em

palco, era proporcional à qualidade da sua música.

Um excelente concerto.

muito interessante que mesmo podendo ser mais

valorizado num outro ambiente, não deixou de ter um

impacto positivo.

Desert Mountain Tribe

No palco Sabotage, subia um power trio de impôr

respeito: Desert Mountain Tribe Apesar de um falso

arranque, em que o vocalista Jonty Balls se apercebeu

graças ao público que a sua voz não se estava a fazer

ouvir - sintomático dos muitos problemas relacionados

com o som que o festival e as bandas que actuaram

nele foram afligidos. Com um registo próximo de Jay

Ashton dos Gene Loves Jezebel, na sua vertente mais

pós-punk, foi uma actuação hipnótica onde até se teve

direito a uma música que sairá no próximo álbum em

que a banda se encontra a trabalhar neste momento.

The Gluts

Gossamers foi o projecto que se seguiu, uma oneman-band

que junta no mesmo tacho ambient e drone.

Talvez não tenha sido a actuação mais interessante

para se ver... mas para se ouvir foi uma revelação e

teve um efeito viajante que se enquadra perfeitamente

na atmosfera cool e relaxada do festival. Um projecto

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Gossamers

Tren Go! Sound System

Por esta altura não não seria caso para nos admirarmos

mas quem diria que apenas uma pessoa conseguiria

fazer um chavascal tão grande? Foi o caso com os

Tren Go! Sound System que provou que um músico,

uma guitarra e vários pedais de efeitos valem quase

como uma orquestra inteira resultando em verdadeiras

tapeçarias sonoras que tanto abrangeram o pós-rock

como o rock psicadélico indo até ao trip-hop. São este

tipo de propostas que fazem com que o Reverence


seja o festival especial que é.

groove foi contagiante. Diferente do esperado mas

por isso mesmo adoravelmente viciante. Boa surpresa

para o público presente.

Oathbreaker

E foi neste momento em que a coisa descambou.

O atraso que se ia acumulando de alguns minutos

superou a hora quando os Oathbreaker se preparavam

para subir ao palco. Um soundcheck para lá de

demorado - dolorosamente demorado - fez com que

o público estivesse em peso a aguardar pelo início

da actuação enquanto assistia ao soundcheck. O que

nos leva a uma questão... as coisas já estão atrasadas,

o público está todo presente. Então... porquê sair do

palco? Sabemos que faz parte do espectáculo mas

mesmo assim... Em relação à actuação propriamente

dita e tirando alguns problemas de som que apesar do

longo soudcheck teimaram em persistir, foi sublime.

Em excelente forma e com um som desconcertante

na forma como fundem black metal, shogaze e o

pós-metal mais caótico, sem dúvida um dos grandes

concertos deste primeiro dia.

Amenra

Hora de voltar ao palco Sabotage e mais um atraso

gigantesco ao que já tinha sido angariado até então.

Era a vez dos Amenra e compreendemos que o som

estivesse que estar perfeito, no entanto, esta demora só

fez com que o público e as bandas seguintes saíssem

prejudicadas. Claro que tudo isso ficou esquecido

quando mais estes membros da temível Church Of

Ra subiram ao palco. Se o apocalipse interior tivesse

alguma banda-sonora, forçosamente teria de passar

por temas como "The Pain It Is Shapeless" e "Am

Kreuz".

Wildnorthe

Zarco

Os Zarco subiram ao palco Tejo e começaram por

agradecer aos Oathbreaker (provavelmente de forma

irónica) antes de começar a debitar o seu rock próximo

do punk e colorido por uma harmónica endiabrada e

por grandes solos de guitarra, onde o ritmo cheio de

A partir daqui foi somar atraso atrás de atraso. Se de

um lado (palco Sabotage) o soundcheck demorava, do

outro (palco Tejo) as bandas demoravam a começar

as suas actuações de forma incompreensível. A boa

música foi a constante que nos deu força perante o

desânimo e cansaço que era crescente. Como foi o

caso dos Wildnorthe, um duo lisboeta que toca um

darkwave bem clássico, a relembrar o som da vanguarda

da década de oitenta. A sonoridade talvez soa-se

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desfazada encaixada

no meio de Amenra

e Moonspell, no

entanto ainda assim,

o público presente

estava satisfeito.

Mais um longo e

exaustivo soundcheck

e os minutos

e horas a passar.

A expectativa era muita para ver os Moonspell a

na banda um dos seus maiores embaixadores no

mundo. Mesmo sem surpresas de maior, soube bem

ouvir temas descobertos mais de duas décadas atrás

e que raramente são reinterpretados como a trilogia

"Wolfshade (A Werewolf Masquerade)"/"Love

Crimes"/"...Of Dream And Drama (Midnight Ride)",

"Trebaruna" do "Wolfheart" ou "For A Taste Of

Eternity" e "A Poisoned Gift" de "Irreligious",

principalmente quando interpretados com a ajuda das

Crystal Mountain Singers (a já mencionada Carmen

Simões dos Earth Electric e Silvia Guerreiro, ex-

Sarcastic e The Godspeed Society).

Moonspell

tocarem na íntegra os seus dois primeiros álbuns,

"Wolfheart" e "Irreligious", embora este não fosse um

entusiasmo generalizado. Talvez por serem uma das

poucas bandas assumidamente metal deste primeiro

dia, uma sonoridade que todavia o Reverence sempre

incorporou, ou então talvez por todos os atrasos e

alguma falta de paciência. No entanto a banda da

Brandoa foi alheia a tudo isso, dando um concerto

irrepreensível, não fossem alguns problemas de som

nomeadamente do microfone de Carmen Simões.

Nevoa

Após Moonspel acabar, deu-se o êxodo para o

palco Tejo onde mais uma vez houve uma demora

incompreensível para a banda subir ao palco quando o

som já estava preparado - pelo menos era essa a nossa

impressão. Sendo a segunda vez que vimos os Névoa

em pouco mais de um mês (a primeira foi no VOA),

podemos dizer que não foi propriamente uma surpresa

assim como não foi o seu poder, que abalou qualquer

sentimento de déjà vú que se tivesse. Também nos

parece que a banda aqui gozou de um melhor som do

que aquele que teve direito em Corroios. Não houve

comunicação com o público mas também não seria

necessário, a música preencheu todo esse espaço

vazio. Consegue-se sentir a evolução de actuação para

actuação.

Moonspell

Foram momentos de celebração e comunhão não

só por aqueles dois pedaços da história da banda

mas como do próprio metal português que tem

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Bo Ningen


O contingente japonês também estava presente

no Reverence e neste primeiro dia teve como

representação os Bo Ningen que, infelizmente, não

fugiram à tendência dos atrasos devido a longos

soundchecks. Estavam agendados para a uma e

quarenta da manhã e subiram depois das três. Ainda

assim, haviam muitos resistentes (não só ao atraso

em relação ao horário como também em relação ao

crescente frio que se fazia sentir) que queriam ser

embalados pelo rock psicadélico extravagante dos Bo

Ningen que conseguiram agarrar bem o público desde

o início.

para uma plateia reduzida de resistentes que fizeram

questão de esperar por ela - "Boa noite Reverence

ou madrugada" foi a primeira coisa que a banda,

através de Patrícia, disse ao público. Uma intensidade

assinalável que significou o nosso fim da linha para

este primeiro dia, que não conseguimos aguentar mais.

Sinistro

Melancholic Youth Of Jesus

Conforme as bandas iam-se sucedendo, o público ia

dimuindo, algo que ia sendo cada vez mais visível.

Ainda assim, os portugueses Melancholic Youth Of

Jesus deram um concerto bem sólido onde, mais uma

vez, o grande inimigo foi mesmo o som com alguns

ruídos e feedbacks a surgirem. E não, não fazia parte

da sonoridade final.As energias já começavam a faltar

(já eram doze horas seguidas) mas fica a vontade revêlos

em melhores condições físicas da nossa parte.

Infelizmente não conseguimos ouvir os Two Pirates

And A Dead Ship e os 10000 Russos cujas actuações

prolongaram o festival até quase às sete da manhã.

Seria impossível ficar até ao fim e ainda estar presente

no segundo dia. O balanço musical foi sem dúvida

possível, mas o grande inimigo foram, como já foi

dito muitas vezes, as longas esperas por soundchecks.

E depois... o segundo dia!

Sinistro

Quase duas horas depois do previsto, finalmente

sobem ao palco os Sinistro. Com um som brutalmente

poderoso e definido e com uma Patrícia Andrade

on fire, a banda não acusou o toque de estar a tocar

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Reverence Santarém 2017

Dia 2 - 09/09/17 - Parque da Ribeira, Ribeira de Santarém

Texto por Fenando Ferreira | Fotos por Sónia Ferreira | Agradecimentos: Reverence Santarém

O primeiro dia foi duro. Vinte bandas, das quais só

conseguimos ver dezoito devido aos atrasos no horário,

e mais de catorze horas de música. Mas o saldo musical

do Reverence Santarém é para lá de positivo - por muito

que as condições não sejam as mesmas, vamos todos

para lá por causa da música, certo? Para este segundo

dia, a expectativa de igualar ou superar era alta.

banda, os I Am The Gost Of Mars mereciam sem dúvida

um maior número de pessoas na assistência. Donos

de uma sonoridade bastante experimental que nos dá

a ideia de que estamos perante temas improvisados

que vão desde o rock psicadélico até ao stoner/doom.

Gostámos bastante do pormenor de afinar / mudar de

afinação durante os temas que nos remete para momentos

clássicos de álbuns como o "Made In Japan" dos Deep

Purple.

I Am The Gost Of Mars

Sendo uns dos primeiros a entrar no recinto, não muito

tempo antes do início dos concertos, pudemos constatar

que o cansaço do dia anterior faria com que o público

tardasse a aparecer. O que foi uma pena já que a primeira

nonn

Era a vez dos Nonn no palco Sabotage e mais um regresso

ao passado. O projecto de Christian Eldefors dos The

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Orange Revival mostra-nos que a música electrónica

também pode ser orgânica. Interessante viagem ao som

da vanguarda que tem uma base ritmica electrónica e

depois é adornada com duas guitarras e um sintetizador.

Apesar desta descrição não ser propriamente atractiva, o

som era bem interessante.

Não fosse o horário e até gostaríamos de os ouvir mais

- e foi o que aconteceu. Quando os The Underground

Youth deveriam estar a subir ao palco, os Chinaskee &

os Camponeses perguntaram se ainda dava para tocar

mais uma. E assim (re)começou a saga dos atrasos.

Royal Bermuda

The Janitors chamou todos ao palco Sabotage quando

o vento ameaçava tornar a noite ainda mais fria e

desagradável que a noite anterior. Grande feeling que as

músicas da banda foram deixando. Já sabemos que o rock

psicadélico gosta de libertar os nossos corpos do fardo

da alma e de nos levar para longe em viagens astrais, mas

quando se junta ao shoegaze é caso para ser quase uma

viagem sem retorno. Não se pense que por isso a banda

estava bastante apática no palco. O contrário, bastante

dinâmica que só tornou a sua actuação ainda melhor.

Chinaskee & os Camponeses

Os The Underground Youth fazem uma mistura deliciosa

de música de vanguarda, rock psicadélico e até um

certo espírito rockabilly. A sua apresentação em palco é

suigeneris. Sem bateria - apenas uma tarola e timbalão

a cargo de Olya Dyer que ia conseguindo imprimir uma

dinâmica assinalável ao som. A banda estava nitidamente

a gostar do concerto e isso só serviu para envolver ainda

o público.

The Underground Youth

The Janitors

No palco Tejo, os Chinaskee & os Camponeses

demonstraram logo que queriam trocar-nos as voltas

com a primeira vez que se dirigiram ao público: "Olá

Chinaskee, nós somos o Reverence". Efectivamente

trocaram-nos as voltas de uma forma positiva. Por

um lado com a doçura do seu dream pop, por outro

os trejeitos do rock psicadélico onde o orgão dava um

ar único e ainda mais alucinado ao som final. Temas

longos, com passagens instrumentais bastante alargadas.

Os senhores que se seguiam eram um dos grandes

destaques deste segundo dia na nossa opinião: Asimov

& The Hidden Circus. Se os Asimov por si só já são

excelentes, desde que iniciaram este ciclo de colaborações

com os músicos que compõe o denominado Hidden

Circus conseguiram elevar ainda mais a fasquia. Som

e groove hipnótico ao qual o violoncelo provocou um

colorido especial. Quando se assiste a uma jam fica-se

com a sensação de que estamos a presenciar magia e foi

o que pudemos presenciar no palco Tejo.

Melhor do que termos expectativas cumpridas foi

95


termos surpresas

que nos deixaram

maravilhados. Já

sabíamos que os

Siena Root eram

uma grande banda,

mas depois de os ver

no palco Sabotage

ficámos com essa

confirmação. E mais

que isso, ficámos

com vontade de ouvi-los muito mais e noutros contextos.

mas que acerta mesmo no alvo. Assim como o próprio

som da banda. Uma amálgama de ideias e géneros que

vão desde o psicadélico até a uma certa aura progressiva.

Um grande som, ao melhor espírito jam, num regresso

ao Reverence (a banda esteve na primeira edição do

festival) festejado por todos os que apreciaram a sua

actuação.

Conjunto!Evite

Asimov & The Hidden Circus

Com uma entrada à la "Hit The Lights", com um som ao

melhor que a década de setenta tem para oferecer e com

uma voz à la Janis Joplin, o resultado foi um blues rock

explosivo, orgânico e muito boa onda que deixou toda a

assistência rendida. A sua actuação passou num instante

e a banda estava disposta a mais mas infelizmente teria

que se tentar não acontecer o que tinha acontecido

na noite anterior - nesta altura já estavamos com um

atraso de mais de dez minutos em relação ao horário.

Fica a nota que esta banda precisa de voltar a Portugal

urgentemente.

Infelizmente o problema dos atrasos voltou a verificar-se

com um soundscheck, desta vez com os Träd Gräs Och

Stenar, Traden, um dos nomes mais clássicos do rock

progressivo sueco. Uma demora que até quase tornou

imperceptível se a banda estava a ainda a testar o som

ou se já estava a tocar. Só quando o baterista entrou em

palco e se posicionou no seu lugar atrás do kit, depois

de um longo momento de drone de baixo distorcido, é

que se teve a certeza que a banda já estava a tocar. Uma

enorme viagem, um enorme concerto onde o toque de

flauta fazia com que pensássemos que estávamos perante

uma jam de Ian Anderson dos Jethro Tull com os Pink

Floyd. Enorme concerto, único.

Träd Gräs Och Stenar

Conjunto!Evite, já dissemos antes nestas páginas e

voltamos a dizer, é um grande nome. Estranho, peculiar

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Siena Root

A excelência musical não fica limitada às propostas

estrangeiras. Os Cows Caos provaram que a extravagância

também é possível unir-se à excelência. Uma actuação

excêntrica como já é hábito por parte desta banda que

junta o rock psicadélico às guitarradas e ritmos próprios


do surf rock. Juntando isto a uma bailarina exótica que

parecia estar ligada a uma bateria de alta voltagem,

temos a receita para uma actuação de qualidade ímpar.

Cows Caos

Quando os Gang Of Four subiram ao palco já so

pensava... "malditos soundchecks!". Quase uma hora

de atraso colocaram os nervos em franja que foram

acalmados pelo som clássico do pós-punk da banda

que já não visitava o nosso país há sensivelmente três

décadas. Não é do som mais imediato que já passou pelo

palco Sabotage mas coadunou-se bem com a noite que

se tornava fria.

Pás de Probléme

se aguardou por uma das grandes atracções do festival,

os Mono. A música é sem dúvida diferente e algo que

obriga (ou pelo menos sugere) a contemplação e aquelas

condicionantes não eram de todo favoráveis. Cansaço,

frio, ligeira irritação por todos os atrasos e depois de um

autêntico furacão na forma dos Pás de Problème.

Mono

Gang Of Four

Para aquecer o ambiente vieram os Pás de Problème.

Não há palavras para descrever uma actuação desta

banda lusa que mais parece extra-terrestre. Poderíamos

dizer que são uma espécie de Kosturika on drugs mas

se calhar a melhor descrição é aquela que eles próprios

fazem: a real porrada! Ritmo exuberante e uma qualidade

musical excepcional que permitiram tudo, desde uma

wall of death (a primeira que vimos a ser feita por uma

banda que NÃO toca metal) mosh capaz de fazer levantar

poeira. Esta é uma banda obrigatória ver! Seja onde for!

Tudo coisas que a banda era alheia e que não teve

influência no grande concerto que deram, onde passearam

um pouco pela sua discografia onde o destaque vai para

o excelente "Requiem For Hell", um dos nossos álbuns

do ano de 2016. Um excelente concerto por parte de

uma banda que é mestre em conseguir tocar o coração

de quem os ouve.

Com mais de uma hora de atraso, junta-se mais um

longo soundcheck. Depois do gás todo dos Pás de

Problème, o entusiasmo morre lentamente enquanto

Mono

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Para despertar a multidão de melodias mais

épicomelancólicas, vieram os Is Bliss, que apesar de

não serem estranhos ao pós-rock, gozam de um groove

próprio do rock alternativo. Ritmos fortes que se tornaram

hipnóticos por parte de uma banda que tem atraído e

recolhido muita atenção e boas críticas. Apesar da hora

avançada, o público correspondeu positivamente ao seu

som.

alguma parafernália electrónica e é esse espírito que faz

com que cada sua actuação seja imperdível. A do palco

Tejo não foi excepção.

Is Bliss

Com os Hills aconteceu o mesmo com os Träd Gräs Och

Stenar, Traden: começaram por tocar uma longa jam

quando se ainda pensava que estavam no soundcheck,

inclusive por parte do P.A. que só após longos minutos é

que ligaram as luzes, É este tipo de som que preferimos.

Aquele que nos faz abstrair e desligar das coisas à nossa

volta. E a própria banda parecia estar mergulhada nesse

espírito, onde os três guitarristas teciam verdadeiras teias

sonoras que iam em todas as direcções e ligavam tudo a

todos. Ficámos com a ideia que nem era preciso termos

músicas, apenas jams. Belas e longas jams.

Löbo

A finalizar a nossa noite (infelizmente por não

aguentarmos mais) estiveram os Esben And The

Witch, uma das mais interessantes bandas dentro do

espectro doom/folk, onde a mística que a sua música

evoca é quase como um quarto integrante. A banda

entrou começando por agradecer ao público por ainda

estar acordado para vê-los. Estávamos acordados

mas já estávamos no limite. O que vale é que o

power trio consegue embalar-nos como ninguém.

Esben And The Witch

Como um azar nunca vem só... neste caso, um atraso

nunca vem só. Os Löbo tiveram muitos problemas

técnicos que atrasaram dolorosamente o início da sua

actuação. Quando finalmente começou, tudo ficou

esquecido. Duas baterias, som poderoso, bem definido

e bem alto - e de vez em quando com as malditas

interferências nas colunas. A músicas dos Löbo é outra

que é orgânica como o espírito jam exige apesar da

98

Hills

Já passavam das cinco da manhã e estavamos

oficialmente de rastos. Para muita pena nossa não

tivemos mais energias para ver a joint venture entre

Dr. Space e Luis Simões e os Throw Down Bones.

Apesar de ter sido uma edição que sofreu com algum

desinvestimento notório e afligido com muitos

problemas devido ao som, não podemos dizer que

tenha sido uma decepção. Boa música, boa comida

(excelente oferta em termos de comida que só teve

o problema de fechar muito cedo em relação aos

horários do festival) e o bom espírito do Reverence

que continua vivo e bem vivo, independente da forma.

Que não fique por aqui e para o ano tenhamos mais

uma maratona de concertos.


Agenda

Outubro

04 - Melancholic Youth Jesus - Hard Club, Porto

04 - Apresentação "Black Earth" - Process Of Guilt,

Thyrant - Music Box, Lisboa

05 - Mother Engine, Flask- A9, Santarém

06 - Apresentação "Black Earth" - Process Of Guilt, Fere

- Cave 45, Porto

06 - UHF - Sabotage Club, Lisboa

06 e 07 - Festival Bardoada e Ajcoit - Mata Ratos, Shivers,

Holocausto Canibal, Hills Have Eyes, For The Glory,

Primal Attack, Viralata, Fitacola, New Mecanica,

Steal Your Crown, Grog, The Temple, Ash Is A Robot,

Terror Empire, Legacy Of Cynthia, To All My Friends,

Nameless Theory - Rua da Lagoa da Palha, Pinhal Novo

06 e 07 - Faro Alternativo - Switchtense, Wako, Albert

Fish, Terror Empire, Artigo 21, Medo, Mata Ratos,

For The Glory, Minority Of One, Broken Distance,

Challenge, Somber Rites - Associação Recreativa e

Cultural de Músicos, Faro

07 - Música na Aldeia - Hyubris, Serrabulho, Cryptor

Morbious Family, Congruity, Earth Drive, Mournkind -

Casa do Povo de São Miguel do Rio Torto, Santarém

07 - Apresentação do álbum "Reditum" - Dogma, Inner

Blast - Another Place, Almada

07 - Apresentação do EP "Tzak' Sotz" - Sotz mais

convidados - Metalpoint, Porto

07 - UHF - Sabotage Club, Lisboa

07 - Estado Sónico, The Dowsers Society - Texas Bar,

Leiria

07 - As They Come, Burned Blood, Paranoid - Le Baron

Rouge, Lisboa

07 - Tav Falco´s Panther Burns - Cave 45, Porto

11 - Bush - Coliseu dos Recreios, Lisboa

12 - Brant Bjork, Sean Wheeler - Cave 45, Porto

12 - Mayhem, Dragged Into The Sunlight, The

Ominous Circle - Corroios

12 - Blood Incantation, Spectral Voice - Metalpoint,

Porto

13 - Blood Incantation, Spectral Voice, Festering -

Another Place, Almada

13 - Brant Bjork, Sean Wheeler - RCA Club, Lisboa

13 - Skyforger, Gwydion, Air Raid, Evil Killer, Salduie

- RCA Club, Lisboa

14 - Skyforger, Gwydion - Cave 45, Porto

14 - Mad stock - Artigo 21, Sunya, Lesados, Bala Verde

- Sede U.D.C.A., Vila Franca de Xira

14 - Meu General, Yellow Dog Conspiracy - Cave 45,

Porto

14 - The Psycho Tramps, Zurrapa, Facto Macaco -

Fora de Rebanho, Viseu

17 - Papa Roach - Coliseu dos Recreios, Lisboa

20 - Soen, Madder Mortem - Hard Club, Porto

20 - Sacred Sin, Prayers Of Sanity - Bafo de Baco, Loulé

20 - Our Last Night, Blessthefall, The Color Morale,

Your Life And Mine - RCA Club, Lisboa

21 - Soen, Madder Mortem - RCA Club, Lisboa

21 - Our Last Night, Blessthefall, The Color Morale,

Your Life And Mine - Hard Club, Porto

21 - Sacred Sin - Marginália Bar, Portimão

21 - For The Glory, Destroyers Of All - Drac, Figueira

da Foz

27 - Apresentação CD "Ecos da Selva Urbana" - Rasgo - RCA

Club, Lisboa

28 - CTX Metal Fest - Decayed, Bruma Obscura, Invoke,

Karbonsoul, Dawn of Ruin - Centro Cultural do Cartaxo,

Cartaxo

28 - Deathmania Pt 2 - Unleashed, Unfleshed, Cape

Torment - Hard Club, Porto

28 - Royal Blood - Campo Pequeno, Lisboa

29 - Alter Bridge, As Lions - Coliseu dos Recreios, Lisboa

29 - Backflip, No Hope, Fear The Lord - A9, Santarém

30 - Shields - Stairway Club, Cascais

30 e 31 - Apresentação Novo Álbum - Moonspell - Lisboa

Ao Vivo, Lisboa

Novembro

01 - Apresentação Novo Álbum - Moonspell - Hard Club,

Porto

02 - Omnium Gatherum, Skálmöld, Stam1na - Cave

45, Porto

02, 03 e 04 - Infected Fest IV - Sam Alone And The

Gravediggers, The Amsterdam Red-Light District,

Dope Calypso, Trevo, Artigo 21, Pestox, The

Parkinsons, Anarchicks, Shut Up! Twist Again -

Popular De Alvalade, Lisboa

03 - Omnium Gatherum, Skálmöld, Stam1na - RCA

Club, Lisboa

04 - Band Of Holy Joy, Quiet Affair - Cave 45, Porto

04 - Oeste Underground Fest II - Acranius, R.D.B., Dead

Meat, Sacred Sin, Bleeding Display, F.P.M., Heid,

Enzephalitis, Revolution Within, Steal Your Crown,

Humnart, Ravensire, Trepid Elucidation, Konad, Yar -

Pavilhão Multiusos da Malveira, Malveira

04 - Blindagem Metal Fest - Biolence, Blame Zeus, Karbonsoul,

Infrahumano - Origens Caffé, Vagos

05 - Stray From The Path, Capzise, Renounce - RCA

Club, Lisboa

06 - The Goddamn Gallows - Stairway Club, Cascais

10 - Moonspell - Teatro Aveirense, Aveiro

10 - Cro-Mags - RCA Club, Lisboa

11 - Master, Omission, Dehuman, Scum Liquor,

Booze Abuser - RCA Club, Lisboa

11 - Sunburst Stoner Fest - Miss Lava, Füzz, Desert

Mammooth, Iguana - Cine Incrível Alma Danada, Almada

11 - Apresentação Álbum "The Awakening" - Wrath Sins,

Demon Dagger - Metalpoint, Porto

11 - Porto Gothic Fest II -Aeon Sable, Phantom Vision -

Heaven's Bell, Porto

12 - Dying Fetus, Psycroptic, Beyond Creation - Lisboa

Ao Vivo, Lisboa

12 - Porto Deathfest III - Master, Dehuman, Pestifer, Voyance -

Metalpoint, Porto

14 - Death Before Dishonor, Last Hope, Challenge -

Popular de Alvalade, Lisboa

16 - The Picturebooks - Sabotage Club, Lisboa

17 - Theriomorphic, Okkultist, Oppidum Mortum -

A062, Caldas da Rainha

18 - Mosher Fest Coimbra Chapter VI - Massas Club, Coimbra

18 - Freedom Call, Mindfeeder, Leather Synn - RCA

Club, Lisboa

18 - Sinistro, Pigball, Lamina - Le Baron Rouge, Barcarena

18 - Alvalade Arise - Mata-Ratos, Grankapo, Mindtaker,

Prayers Of Sanity, Disthrone, Legacy Of Cynthia,

Cryptor Morbious Family,Shredded To Pieces, Medo

- Antigo Centro Social da Mimosa, Alvalade

18 - Lançamento Novo Álbum: "Chapter III: Songs From The

Vault" - Low Torque, The Ramble Riders, Daniel's Bird,

Red Line - Metalpoint, Porto

18 - The Ominous Circle, Névoa, Ascetic - Cave 45,

Porto

18 - The Sonic Dawn - Drac, Figueira da Foz

21 - Epica, Vuur, Myrath - Meo Arena, Lisboa

22 - Epica, Vuur, Myrath - Hard Club, Lisboa

25 - Graveyard - Lisboa Ao Vivo, Lisboa

25 - Crim, Acromaníacos, Albert Fish - A9, Santarém

30 - Porto Metal Convention - Tarantula, Grunt, Sonneillon

BM, Nihility - Cave 45, Porto

30 - Ducking Punches, We Bless This Mess, To All My

Friends - Stairway Club, Cascais

30 - Under The Doom - Earth Electric, Painted Black,

When Nothing Remains, Mourning Sun - RCA Club,

Lisboa

Dezembro

01 - Insano Fest - Coimbra

01 - Under The Doom - Lacuna Coil, Liv Kristine, Green

Carnation, The Foreshadowing, Cellar Darling,

Inhuman - Lisboa Ao Vivo, Lisboa

02 - Under The Doom - In The Woods, Ahab, Novembers

Doom, Acherontas, Gold, Funeralium - RCA Club, Lisboa

02- Lacuna Coil, Cellar Darling, Blame Zeus - Hard

Club, Porto

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