Outubro/2017 - Revista Biomais 23

jota.2016

Visitantes - Grupo Jota Comunicação

Diversificação: Cana ainda domina, mas outras biomassas se destacam

revista biomassa energia

IR ALÉM

A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DE PROJETOS

NA INDÚSTRIA PARA GERAÇÃO DE ENERGIA

RODRIGO LOPES SAUAIA

FOTOVOLTAICAS ESTÃO

MAIS ACESSÍVEIS

HORÁRIO DE VERÃO

ECONOMIA NÃO É A MESMA


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SUMÁRIO

04 | EDITORIAL

Inovar para crescer

06 | CARTAS

08 | NOTAS

14 | ENTREVISTA

20 | PRINCIPAL

26| PELO MUNDO

Muito além de Itaipu

30| BIOENERGIA

Nova fronteira

36 | ECONOMIA

Acertando os ponteiros

40 | CASE

Desenvolvimento

sustentável

44 | FEIRA

48 | ARTIGO

56 | AGENDA

58| OPINIÃO

Prospecção das energias renováveis

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 03


EDITORIAL

INOVAR PARA CRESCER

Uma composição de imagens, com destaque

para o capacete estampando a marca Pro

Holz, ressalta a eficiência da engenharia para a

economia de energia nas indústrias

EXPEDIENTE

A pluralidade do setor de energias renováveis, assim como, sua capacidade

de incentivar o desenvolvimento de novas ideias estão retratadas

nas páginas desta edição da Revista BIOMAIS. Em nossa reportagem

principal, traçamos um panorama do mercado de cana-de-açúcar e sua

importância para a bioenergia. Aliás, falando em bioenergia, também

abordamos o uso de eucalipto para geração de energia no Mato Grosso.

Além disso, aproveitamos está época do ano para trazer ainda uma

reflexão sobre a eficácia do horário de verão e trazemos o que de melhor

aconteceu na XXV Fenasucro & Agrocana em Sertãozinho (SP). Tenha

uma ótima leitura!

JOTA COMUNICAÇÃO

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INNOVATE TO GROW

The diversity of the Renewable Energy Sector, as well as its ability to encourage

the development of new ideas, is depicted in the pages of this issue

of BIOMAIS. In our main story, we outline an overview of the sugarcane

market and its importance to bioenergy. While speaking of bioenergy, we

also tackle the subject of eucalyptus being used for energy generation in the

State of Mato Grosso. In addition, we take advantage of this time of year to

reflect about the effectiveness of daylight savings time, and we provide you

with the best of what happened at the 25th Fenasucro & Agrocana in Sertãozinho

(SP). Pleasant reading!

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A REVISTA BIOMAIS - é uma publicação bimestral e independente,

dirigida aos produtores e consumidores de energias limpas e alternativas,

produtores de resíduos para geração e cogeração de energia, instituições

de pesquisa, estudantes universitários, órgãos governamentais,

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04

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CARTAS

DIVULGAÇÃO

Excelente reportagem sobre opções de financiamento e consórcios que podem contribuir

para expansão da energia solar. É fundamental que toda iniciativa que possa fomentar as energias

renováveis seja divulgada.

Sandro Rossi – Maringá (PR)

Foto: divulgação

INTERCÂMBIO

Parabéns pela entrevista da última edição! Sempre importante termos em mente que a troca de conhecimento é o

principal caminho para o desenvolvimento de toda a sociedade.

Marcus Vicelli – Rio Verde (GO)

COMPROMISSO

Interessante o case da Heineken Brasil, que pretende operar com 100% de energias renováveis até 2025. Ótima

publicação.

Cecília Magnani – Lages (SC)

FUTURO

O desenvolvimento de carros movidos a hidrogênio, ou seja, que não dependam de

combustíveis fósseis é uma ótima alternativa em prol da sustentabilidade do planeta.

Vanderlei Ayres – Americana (SP)

Foto: divulgação

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informação

biomassa

energia

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Publicações Técnicas da JOTA EDITORA

06

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NOTAS

PDE CONTEMPLA O

BIOGÁS

Pela primeira vez na história, o PDE (Plano Decenal de Expansão)

contemplou um valor significativo de biogás como

componente da matriz elétrica. O PDE indica como deverá

se comportar a expansão da matriz energética no Brasil nos

próximos dez anos. Segundo o plano, o segmento energético

– que hoje conta com apenas 127 MW (megawatts) – pode se

destacar como uma das grandes fontes ao lado do fotovoltaica.

O documento se baseou nos dados da Usina Bonfim,

que foi a vencedora do leilão de energia A-5 de 2016. A expectativa

é de que a contribuição desta fonte para o cenário

energético nacional se torne cada vez mais relevante.

Foto: divulgação

ACORDO

ESTRATÉGICO

A Itaipu e a empresa China Three Gorges Corporation

selaram a mais nova parceria do setor elétrico

brasileiro. O acordo de cooperação técnica foi assinado

em Pequim pelo diretor-geral brasileiro de Itaipu, Luiz

Fernando Vianna, e o vice-presidente da Three Gorges,

Lin Chuxue. O acordo amplia o relacionamento entre a

holding chinesa e Itaipu - a Three Gorges Corporation

controla várias usinas, com boa parte do know-how adquirido

pelos chineses em visitas à hidrelétrica de Itaipu

desde o início da sua construção, em 1975.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

ENERGIA

DO DESERTO

Uma maneira de construir um parque solar de 4.5 GW

(gigawatts) no deserto do Saara para abastecer três países

europeus via cabos submarinos está em estudos por uma

companhia de energia da Tunísia, naquele que seria o maior

projeto de exportação de energia em desenvolvimento. Segundo

estimativas da companhia, com torres de até 200 m

(metros) de altura, a energia solar do Saara pode abastecer

até dois milhões de residências europeias. A criação de 20

mil postos de trabalho é outro fator.

08

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TOCANDO O SOL

O deserto de Israel recebe a construção da mais alta torre de energia

solar do planeta. A torre de Ashalim é circundada por 50.600 espelhos

controlados por computador. Eles ficam distribuídos em uma área de 3

km² (quilômetros quadrados). Esses espelhos vão acompanhar a movimentação

do sol e refletir luz sobre uma caldeira localizada no alto da

torre durante o maior tempo possível ao longo do dia. Já a radiação solar

infravermelha capturada pelos espelhos e refletida sobre a caldeira criará

um processo térmico de vapor, que moverá turbinas, gerando energia

elétrica limpa. A obra está prevista para ficar pronta no primeiro trimestre

de 2018 e estima-se que a usina de Ashalim produza 121 MW (megawatts),

quantidade suficiente para iluminar 125 mil casas.

Foto: divulgação

BONS VENTOS

Entre janeiro e julho de 2017, a produção

de energia eólica em operação comercial

no SIN (Sistema Interligado Nacional) foi

25,3% superior ao mesmo período do ano

passado. Os dados são do boletim InfoMercado,

da Ccee (Câmara de Comercialização

de Energia Elétrica). Na comparação, as usinas

da fonte produziram um total de 3.794

MW (megawatts) médios frente aos 3.029

MW médios gerados no mesmo período

de 2016. Ao final de julho deste ano, foram

contabilizadas 446 usinas eólicas em operação

comercial no país; elas somavam 11,3

GW (gigawatts) de capacidade instalada, incremento

de 19,7% frente à capacidade das

371 unidades geradoras existentes em julho

do ano passado. No início de setembro, a

Abeeólica (Associação Brasileira de Energia

Eólica) contabilizou 12,18 GW de capacidade

instalada e 486 parques eólicos. Segundo os

dados de geração da Ccee, o Rio Grande do

Norte permanece como maior produtor de

energia eólica do país: são 1.227 MW médios

em 2017, aumento de 25,6% em relação ao

mesmo período de 2016.

SERTÃO BAIANO VÊ ENERGIA

SOLAR VIRAR REALIDADE

A pequena cidade baiana de Bom Jesus da Lapa se tornou a capital brasileira

da energia solar. Com 63 mil habitantes, o município localizado à beira do Rio

São Francisco, abriga hoje a primeira grande usina solar do país, onde já estão

sendo produzidos 158 MW (megawatts) com a luz do sol. A energia é suficiente

para abastecer uma cidade de 166 mil residências, dez vezes maior que o próprio

munícipio. O projeto representa o primeiro passo para o desenvolvimento de uma

indústria bilionária que não para de crescer no mundo; só em Bom Jesus da Lapa,

a italiana Enel Green Power investiu US$ 175 milhões, algo em torno de R$ 542

milhões. Em pouco mais de um ano, 500 mil painéis solares passaram a cobrir uma

área de 330 ha (hectares), equivalente a 462 campos de futebol.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 09


NOTAS

Foto: divulgação

VINHAÇA PODE

SER USADA PARA

GERAÇÃO DE

ENERGIA

A vinhaça – resíduo do uso da cana-de-

-açúcar para a produção de combustível –

pode ser utilizada para a geração de energia

elétrica. Além disso, ela é capaz de diminuir os

riscos de contaminação do ambiente. É o que

diz uma pesquisa da Faculdade de Economia,

Administração e Contabilidade de Ribeirão

Preto, da USP. No estudo, foi analisada viabilidade

econômica de se empregar a vinhaça

na geração de energia e também a possibilidade

de adotar o resíduo como fertilizante. Já

a geração de energia se daria por meio de um

biodigestor de circulação interna e um motor

de combustão interna; o subproduto teria sua

carga orgânica processada pelo biodigestor,

que produziria biogás, posteriormente queimado

pelo motor, gerando eletricidade.

CONCORRÊNCIA

RUSSA

A agência nuclear estatal da Rússia, Rosatom,

se prepara para ingressar nos mercados internacionais

de energia eólica. Os investimentos planejados

pela companhia na fabricação de turbinas

e no desenvolvimento de parques eólicos quase

dobraram. A Rússia é o maior exportador mundial

de energia; o país vem leiloando o direito para gerar

energia não poluente desde 2013. Até recentemente,

com exceção da Rosatom, ninguém estava

muito interessado; o presidente Vladimir Putin havia

declarado que a abundância de hidrocarbonetos

do país fazia com que a energia de fontes renováveis,

como a eólica e a solar, fosse praticamente

desnecessária. Hoje, porém, desenvolvedores

russos de energias renováveis precisam cumprir

regras de conteúdo local na fabricação de equipamentos.

Essas regulamentações fazem com que

os fabricantes de turbinas não produzam no país,

o que deixa as vastas faixas de terras com uma

capacidade mínima de geração de energia eólica.

ETANOL QUE VEM DA SOJA

A Caramuru, umas das maiores processadoras de grãos do Brasil, deve

investir R$ 115 milhões na ampliação de seu complexo industrial em Sorriso

(MT) – a intenção é trabalhar com uma nova tecnologia que produz

etanol a partir da soja. Ao processar o grão, é produzido por meio de cogeração

energia elétrica, biodiesel e etanol hidratado; tudo minimizando

impactos ambientais.

Foto: divulgação Foto: divulgação

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BIOGÁS CAUSA IMPACTO

POSITIVO

Dados sobre as vantagens e impactos positivos do uso do

biogás e do biometano na matriz energética brasileira foram

apresentados pelo diretor de Estudos do Petróleo, Gás e

Biocombustíveis da EPE (Empresa de Pesquisa Energética),

José Mauro Ferreira Coelho, em palestra no IV Fórum do

Biogás. Segundo o PDE (Plano Decenal de Expansão) 2026,

que fala sobre como deverá se comportar a expansão da

matriz energética no Brasil nos próximos dez anos, ela poderá

ter cerca de 300 megawatts somente em Geração Distribuída;

já o biogás poderia gerar 115 mil GWh (gigawatts-hora) de

energia com o aproveitamento. Somente para o setor sucroenergético,

as projeções da EPE em relação ao biogás é de um

crescimento de 8,4 bilhões de m 3 (metros cúbicos) até 2026.

Foto: divulgação

ENERGIA

DA CANA

A biomassa da cana respondeu por 90% do

volume contabilizado no ano passado. A potência

outorgada na matriz elétrica do Brasil é de 14,3

GW e a quantidade é superior à capacidade instalada

pela Usina Itaipu que é de 14 GW. Segundo

o gerente de bioeletricidade da Unica (União da

Indústria de Cana-de-Açúcar), Zilmar de Souza, a

geração de energia renovável ofertada à rede foi

equivalente a ter provido o atendimento a 11 milhões

de residências ao longo de 2016. Isso evitou

a emissão de 9,3 milhões t (toneladas) de CO2 (Gás

Carbônico).

Foto: divulgação

Foto: divulgação

CAMINHÃO ELÉTRICO

Um caminhão 100% elétrico será vendido pela Volkswagen no Brasil.

A previsão é que ele chegue ao mercado em 2020, voltado para entregas

urbanas. A novidade foi apresentada na Fenatran (Salão Internacional

do Transporte Rodoviário de Cargas), em São Paulo. O protótipo do

primeiro caminhão leve 100% elétrico desenvolvido no Brasil ganhou

o nome de e-Delivery. Ainda em testes, o veículo vai distribuir bebidas

da Ambev, a partir do início do próximo ano. Ainda não há projeção

de quanto o caminhão vai custar no mercado. Segundo o fabricante,

o veículo traz soluções de última geração como sistemas inteligentes

para ajustar a demanda da bateria conforme a operação e também para

recuperar a energia da frenagem com o conceito Kers. Com uma autonomia

que pode chegar a até 200 km (quilômetros), o e-Delivery estará

disponível nos modelos de 9 e 11 t (toneladas).

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 11


NOTAS

INCENTIVO AO GÁS

O governo vai trabalhar para viabilizar contratos

entre a Petrobras e usinas termelétricas de

baixo custo que atualmente estão paradas. A afirmação

é do diretor-geral do ONS (Operador Nacional

do Sistema Elétrico), Luiz Eduardo Barata.

Segundo ele, a medida é uma forma de evitar o

acionamento de térmicas mais caras, que teriam

impacto maior sobre os custos da energia. Luiz

Eduardo disse ainda que os esforços devem se

concentrar neste momento em retomar a geração

nas termelétricas de Araucária (PR), da Copel;

Cuiabá, da Âmbar, e Termonorte II, de um produtor

independente de energia.

Foto: divulgação

NOVA REVOLUÇÃO

Os carros elétricos podem estar prestes a fazer com

as grandes petroleiras a mesma coisa que a Apple fez na

indústria de telefonia celular, com a criação do iPhone.

A perspectiva se deve à ascensão da Tesla e de suas rivais,

e pode ser acelerada por serviços complementares

da Uber Technologies e da Waymo, uma unidade da Alphabet:

carros elétricos autônomos disponíveis sob demanda

poderiam transformar a forma de locomoção das

pessoas. Segundo o chefe de tecnologia da gigante do

petróleo BP, David Eyton, veículos elétricos por si só podem

não somar muito, mas se adicionados a aplicativos

de caronas compartilhadas e serviços de corrida, os números

podem rapidamente se tornar significativamente

maiores e alavancar o segmento.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

DE VENTO

EM POPA

Os aeroportos do grupo holandês Schipol vão funcionar exclusivamente

com energia eólica a partir de 1 de janeiro de 2018. É o que diz um acordo

assinado entre o Schipol e a companhia energética Eneco. A informação é

da agência de notícias holandesa ANP. Os quatro aeroportos usam aproximadamente

200 GWh (gigawatt/hora) de energia a cada ano, o que é comparável

ao consumo de cerca de 60 mil residências. O acordo estabelece que

a Eneco vai fornecer essa energia durante os próximos 15 anos. A energia

para os aeroportos, a princípio, vai proceder em parte das fontes de energia

renovável existente no país. Mas a partir de 2020, serão alimentadas exclusivamente

de parques eólicos em construção.

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OTIMIZAÇÃO

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ENTREVISTA

• RODRIGO

LOPES SAUAIA •

Foto: divulgação

CRESCIMENTO

CONTÍNUO

O

setor de energia fotovoltaica não sofre os efeitos da crise e vem crescendo significativamente ano após ano – fruto

de um trabalho sério, baseado sobretudo na conscientização ao mostrar a importância da diversificação da matriz.

Em entrevista à BIOMAIS, Rodrigo Lopes Sauaia, presidente executivo e um dos fundadores da Absolar (Associação

Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), faz um balanço sobre o ano de 2017 para fontes fotovoltaicas, aborda as

perspectivas para o setor e conta como foi possível atingir um cenário de crescimento constante. Confira:

CONTINUOUS GROWTH

T

he Photovoltaics Sector has not suffered from the effects of the crisis and has been growing significantly year after year – the fruit

of serious work, based mainly on awareness by showing the importance of diversification for the energy matrix. In an interview

with BIOMAIS, Rodrigo Lopes Sauaia, Executive President and one of the founders of the Brazilian Association of Photovoltaic Solar

Energy (Absolar), takes stock of 2017 as to photovoltaic energy sources, discusses the outlook for the Sector, and tells us how it was

possible to achieve a steady growth scenario. Check it out below:

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PERFIL:

PROFILE:

Nome: Rodrigo Lopes Sauaia

Name: Rodrigo Lopes Sauaia

Formação: PhD em Engenharia de

Materiais e Tecnologia pela PUC (RS)

Education: PhD in Materials and Technology

Engineering, PUC-RS

Cargo: Co-fundador e Diretor Executivo da

Absolar (Associação Brasileira de Energia

Solar Fotovoltaica)

Function: Co-founder and Executive Director

of the Brazilian Association of Photovoltaic

Solar Energy (Absolar)

Como tem se desenvolvido a produção da energia

solar no Brasil?

A energia solar fotovoltaica é uma tecnologia que já é

utilizada no Brasil há pelo menos três décadas. Ocorre que,

antes, essa tecnologia era restrita a sistemas isolados, ou

seja, instalados em localidades remotas, que faziam uso

de baterias, principalmente em comunidades ribeirinhas,

na região amazônica e na região nordeste. Desde 2012

ganhou força um novo mercado da energia solar fotovoltaica:

o de sistemas conectados à rede. Significa que essa

energia passou a ser utilizada em residências, comércios,

escolas, hospitais, prédios da administração pública. E a

partir de 2013, começamos a ter a contratação de usinas

fotovoltaicas em leilões de energia solar. Já em 2015, por

exemplo, um ano onde a economia brasileira recuou 3,5%,

o setor solar fotovoltaico teve um crescimento em torno

de 300%. Em 2016, nossa economia novamente tropeçou

e recuou mais 3,5%, e o setor solar fotovoltaico não viu

essa crise: crescemos cerca de 320% em 2016. Para 2017

nossa projeção é um crescimento no número de sistemas

em torno 300% em potência total instalada. Os números

são impressionantes: começamos o ano com 90 MW (megawatts)

de potência solar fotovoltaica conectada à rede,

e projetamos que teremos, até o final do ano, 1000 MW

operacionais.

How has the production of solar energy in Brazil

developed?

Photovoltaic solar energy is a technology that has already

been in use in Brazil for at least three decades. It turns

out that, before, the technology was restricted to isolated

systems, i.e. installed in remote locations, which made use

of batteries, especially in river dwelling communities, the

Amazon Region and the Northeastern Region. Starting in

2012, a new photovoltaic solar energy market began to

gain momentum, with energy grid-connected systems. Meaning

that this energy began to be used in homes, businesses,

schools, hospitals, and public buildings. And starting

in 2013, we began to have photovoltaic plants contracted

for in solar energy auctions. For example, already by 2015,

a year in which the Brazilian economy shrank by 3.5%, the

Solar Photovoltaic Sector grew at around 300%. In 2016,

our economy continued falling and with a reduction of

more than 3.5%, but the Solar Photovoltaic Sector was not

affected by this crisis and grew at around 320%. For 2017,

our projection is for a growth in the number of systems by

around 300% in total power installed. The numbers are impressive:

we started the year with 90 megawatts of photovoltaic

solar power connected to the grid, and we project

that by the end of the year about 1 thousand megawatts of

capacity will be operational.

Por que isso aconteceu?

As usinas de grande porte que foram contratadas em

2013 em um leilão estadual em Pernambuco, e depois

em leilões do governo federal em 2014 e 2015, estão começando

a entrar em operação. Tivemos projetos impor-

How did this happen?

The large power plants that were contracted in the

2013 State of Pernambuco Auction and in 2014 and 2015

Federal Government Auctions are starting to come into

operation. We had important projects coming on-stream

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 15


ENTREVISTA

tantes entrando em

operação na Bahia,

Piauí e outro em

Minas Gerais. Um

desses projetos

deve entrar em

operação até o

final do ano no

Rio Grande do

Norte. Isso mostra

que projetos

de leilão estão

começando a se

concretizar.

Esse desenvolvimento

acompanha

o cenário

mundial?

Na realidade, o

Brasil está nesse momento

recuperando parte do

atraso. Estamos cerca de 15

anos atrasados em comparação

a mercados internacionais. Para

atingirmos o nível de outros países,

há muito trabalho a ser feito.

Os números são

impressionantes:

começamos o ano com

90 MW de potência solar

fotovoltaica conectada

à rede, e projetamos

que teremos, até o

final do ano, 1000 MW

operacionais

in the States

of Bahia,

Piauí and

the other

in Minas

Gerais.

One of

these

projects

should

come into

operation

by the end of

the year in Rio

Grande do Norte.

This shows that

projects contracted

in the auction are starting

to play a role.

Is this development

following the world wide scenario?

In fact, at this moment, Brazil is just catching

up for past delays. We are about 15 years behind

when compared to international markets. To reach

the level of other countries, there is still much

work to be done.

Quais os maiores entraves para o avanço

da energia solar?

O primeiro ponto importante a ser trabalhado

diz respeito à clareza e continuidade de contratação

através de leilões do governo federal. Nesse sentido, o

MME (Ministério de Minas e Energia) lançou o Plano Decenal

de Energia 2026, que faz a projeção da evolução da

matriz elétrica brasileira do momento atual até final de

2026. Foi um passo importantíssimo. O segundo ponto

importante diz respeito à questão tributária. É nessa área

que destaco que existe um convênio chamado de Convênio

Icms (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)

16, de 2015, que é absolutamente imprescindível

para o desenvolvimento de projetos de pequeno e médio

porte da energia solar fotovoltaica; para que a população

de fato tenha condições competitivas para investir nessa

fonte e nessa tecnologia.

What are the biggest obstacles to the

advancement of solar energy?

The first important point to be worked

out relates to the clarity and continuity of

contracting through federal government

auctions. In this sense, the Ministry of Mines

and Energy has launched the 2026

Ten Year Energy Plan, which is the

projection of the evolution of the

Brazilian Electricity Matrix from

the current moment to the end of

2026. This was a very important step. The second important

point concerns the tax issue. It is in this area that I should

note that there is an agreement called the "Icms Convent

16" established in 2015, which is absolutely essential for the

development of small and medium-sized photovoltaic solar

energy projects, so that the population, in general, has

16

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Alguns estados estão em desvantagem?

Paraná e Santa Catarina estão atrasados. Outros estados

brasileiros já fizeram a adesão a esse convênio que

traz mais competitividade para as energias renováveis nos

projetos de pequeno porte. O Paraná está em desvantagem

competitiva para atrair novos investimentos porque

de fato não tem acompanhado esses importantes incentivos

que vêm sendo dados ao redor do Brasil. Outro ponto

importante é o financiamento: as regiões sul e sudeste

não têm acesso a recursos do chamado Fundo Constitucional.

Portanto, é preciso desenvolver novas oportunidades

e opções de financiamento para pessoas físicas e

jurídicas, para que tenhamos mais condições para atrair

investimentos nesse segmento da energia fotovoltaica.

Em quanto tempo se espera que a energia solar

tenha uma adesão significativa tanto nas indústrias

quanto residências?

Existe nesse momento uma boa oportunidade

para esse tipo de atividade.

O mercado continua crescendo

rapidamente, na faixa de

300% por ano, em especial

o setor de sistemas

em residências, que

representam 80%

de sistemas de

Existe nesse momento uma

boa oportunidade para

esse tipo de atividade. O

mercado continua crescendo

rapidamente, na faixa de

300% por ano

pequeno porte

de energia

solar fotovoltaica

conectada

à rede.

Para que

esse cenário

continue

avançando,

há o fator já

mencionado

da questão

tributária e do

financiamento.

Mas outro fator

muito importante

é a educação, para

que possamos moscompetitive

conditions as to investing in this source and in

this technology.

Are some States at a disadvantage?

The States of Paraná and Santa Catarina are behind.

Other Brazilian States have already adhered to this Covenant,

which leads to renewable energies for small projects

being more competitive. The State of Paraná is at a competitive

disadvantage in attracting new investment because

of the fact that it has not accompanied these important

incentives that have been given throughout most of Brazil.

Another important point is financing: the Southern and

Southeastern regions do not have access to the so-called

Constitutional Fund resources. Therefore, it is necessary

to develop new financing opportunities and options for

individuals and legal entities, so that we can have better

conditions in attracting investments in the photovoltaic

segment.

How soon is it expected that solar energy

will have a significant use in both in industry

and residences?

Right now, there is a good

moment for this type of

activity. The market

continues growing

rapidly, in the range

of 300% per year,

in particular in

the residential

systems

segment, which

represents

80% of small

solar photovoltaics

systems

of connected

to the grid. For

this scenario to

continue advancing

there are the above

mentioned factors: the

tax and funding issues.

But another very important

factor is education, such that

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 17


ENTREVISTA

trar para a população

a oportunidade que

essa tecnologia

representa.

Como está o

andamento do

processo de inclusão

da fonte

solar fotovoltaica

no leilão de

energia A-6?

Ela foi a única

fonte renovável

que ficou de fora do

leilão A-6, o que para

nós não faz sentido.

Na medida em que

tivesse sido incluída nesse

leilão, a fonte poderia

oferecer energia renovável

a um preço mais competitivo

e ainda com a possibilidade

de ajudar a diversificar a matriz

hidrelétrica do Brasil. O processo

de inclusão foi realizado pela Absolar

junto ao governo federal, com reuniões

e discussões sobre o tema. Estamos

recomendando ao MME que daqui em diante,

a fonte solar fotovoltaica seja incluída em todos

os leilões a serem realizados pela pasta, de modo

que ela não seja discriminada e nem deixada de fora,

podendo competir para que tenhamos mais segurança no

desenvolvimento dessa tecnologia emergente. Dar um tratamento

isonômico para a fonte solar fotovoltaica é fundamental,

de uma forma que não seja realizado um processo

de escolha de alguma fonte em detrimento de outra.

O Paraná está

em desvantagem

competitiva para atrair

novos investimentos

porque de fato não tem

acompanhado esses

importantes incentivos

que vêm sendo dados ao

redor do Brasil

we need to

show to the

population

the opportunity

that this

technology

represents.

What is

happening

to the inclusion

process

of photovoltaic

solar sources

in the A-6 energy

auction?

It was the only renewable

source that sat out

of the A-6 auction, which doesn't

make sense for us. To the extent that

it had been included in this auction, the source

could have provided renewable energy at a most

competitive price and with the possibility of

helping to diversify Brazil's hydroelectric matrix.

The inclusion process by the Federal Government

was started by Absolar, with meetings and

discussions on the topic. We are recommending

to the Ministry of Mines and Energy that

henceforth, the photovoltaic solar source is

included in all auctions to be conducted by

the Ministry, so that it does not become

discriminated against and left behind,

so that it is able to compete in order

that we can safely invest in the

development of this emerging

technology. Isonomic treatment

for the photovoltaic solar source is

fundamental, in a way that a process is not being carried

out with the choice of one source to the detriment of

another.

18

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PRINCIPAL

ENERGIA

DA CANA

CANA-DE-AÇÚCAR E DERIVADOS

OFERECEM NOVAS OPORTUNIDADES

PARA A BIOELETRICIDADE

FOTOS DIVULGAÇÃO

20

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ENERGY FROM

SUGARCANE

SUGARCANE AND DERIVATIVES

OFFER NEW OPPORTUNITIES FOR

BIOELECTRICITY

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 21


PRINCIPAL

C

om o compromisso brasileiro, estabelecido no

COP21, conferência sobre mudança climática em

Paris, de elevar o uso de energias renováveis de

10% para 23% na geração de energia elétrica até

2030, a busca por fontes de energia renováveis ganha destaque

no mercado nacional. A cana-de-açúcar e seus derivados

apresentam um potencial de liderança no mercado nacional e

oferece novas oportunidades para a bioeletricidade.

“A cana de açúcar destaca-se como principal subsídio, representando

cerca de 80% da produção de biomassa. Porém,

já há uma aposta na diversificação de matérias-primas orgânicas

aproveitadas nas indústrias”, explica Nadma Kunrath,

engenheira florestal da Funtac (Fundação de Tecnologia do

Estado do Acre).

De acordo com dados do BEN (Balanço Energético Nacional)

2016 – ano base 2015 –, divulgado em junho pela EPE

(Empresa de Pesquisa Energética), a participação da biomassa

de cana na matriz energética nacional, em 2015, foi de 16,9%

– isso representa um crescimento em relação ao ano anterior,

que marcou 15,7% do volume nacional.

A energia de biomassa de cana tem participação na matriz

energética nacional maior do que as hidrelétricas (11,3%);

lenha e carvão vegetal (8,2%); solar, eólica e outras fontes alternativas

(4,7%).

Nas regiões sudeste e centro-oeste, que apresentam as

maiores safras de cana-de-açúcar, a geração termelétrica a

partir do bagaço de cana, que é sazonal, representa uma complementaridade

às fontes eólica e hidráulica.

“Esta oferta de energia renovável para o sistema representa

o equivalente a poupar 14% da água nos reservatórios do

submercado sudeste/centro-oeste, justamente porque esta

geração pelas unidades produtoras de cana ocorre em uma

época crítica para o setor elétrico, que sofre com o período

seco do ano que coincide com a colheita canavieira na região

centro-sul do país”, analisa o diretor Técnico da Unica (União

da Indústria de Cana-de-Açúcar), Antonio de Padua Rodrigues.

Já em comparação com a energia de fontes não renováveis,

a cana e seus derivados ficam em segundo lugar, atrás

apenas do petróleo e derivados, que representa 37,3% do

volume de energia ofertado no país em 2015, de acordo com

dados do BEN 2016.

De acordo com dados da Unica, a capacidade instalada

das usinas no país foi de 9.339 MW (megawatt), incluindo o

volume de consumo próprio, naquele ano. Até 2021, a capacidade

instalada das usinas pode chegar a 22 mil MW, segundo

estimativa da Unica.

A biomassa de cana tem papel de destaque na matriz

energética brasileira por aproveitar um insumo que represen-

W

ith the Brazilian commitment to increase the

use of renewable energy from 10% to 23% for

electricity generation by 2030, as set out in

COP21, the Conference on Climate Change in

Paris, the search for renewable energy sources is gaining

prominence in the national market. Sugarcane and its derivatives

present the potential for becoming a leading source

in the national market and providing new opportunities

for bioelectricity.

“Sugarcane stands out as a major element, as it represents

approximately 80% of biomass production. However,

there is already a bet on the diversification of organic raw

material sources being made use of in the industrial area,”

explains Nadma Kunrath, Forestry Engineer for the State

of Acre Technology Foundation (Funtac).

According to data from the National Energy Balance

(BEN 2016 - base year 2015) released in June by the Energy

Research Company (EPE), the participation of sugarcane

biomass in the national energy matrix, in 2015, was 16.9%

– this represents an increase compared to the previous year,

where it represented 15.7%.

Sugarcane biomass energy already has a larger participation

in the national energy matrix than hydro (11.3%),

firewood and charcoal (8.2%), or solar, wind and other

alternative sources (4.7%).

In the Southeast and Central West, which have the

largest sugarcane crops, thermoelectric generation from

bagasse, which is seasonal, represents a complement to

generation from wind and hydraulic sources.

“This supply of renewable energy to the system represents

the equivalent of a 14% in water savings in the

Southeast/Central West submarket reservoirs, precisely

because power generated by cane-producing units occurs

at a critical time in the energy generating cycle, when it

is suffering most from the dry period of the year, which

coincides with the sugarcane harvesting period in the Central

Southern Region of the Country,” analyzes Antonio

de Padua Rodrigues Technical Director for the Sugarcane

Industry Association (Unica).

Compared to non-renewable energy sources, sugarcane

and its derivatives are in second place as to energy generation,

behind petroleum and derivatives, which represented

37.3% of the volume of energy generated in the Country in

2015, according to data from BEN 2016.

According to data from Unica, the installed capacity

of power plants in the Country is 9,339 MW, including the

volume of household generation in that year. By 2021, the

installed capacity of power plants could reach 22 thousand

22

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A CANA-DE-AÇÚCAR

E SEUS DERIVADOS

APRESENTAM UM

POTENCIAL DE LIDERANÇA

NO MERCADO NACIONAL

E OFERECE NOVAS

OPORTUNIDADES PARA A

BIOELETRICIDADE

ta uma parcela considerável do mercado brasileiro. De acordo

com dados da Unica, a produção brasileira na safra 2016 ultrapassou

665 milhões de toneladas. Com esse volume de produção,

a geração de energia a partir da cana e seus derivados

fica na liderança do mercado de energia renovável brasileiro.

“Analisando os dados históricos publicados pela EPE desde

1970, observa-se que a biomassa da cana alternou o posto

de 1º lugar entre as fontes limpas com a hidroeletricidade. Assumiu

a hegemonia a partir de 2007, e hoje já representa 40%

da oferta interna de energias limpas”, aponta Rodrigues.

Nesse sentido, o Brasil tem potencial para ganhar espaço

no mercado mundial, cuja expectativa de crescimento é

de até 40 milhões de toneladas nos próximos cinco anos – o

volume atual produzido mundialmente é de 25 milhões de

toneladas de biomassa. Hoje, o Brasil é o segundo maior produtor

de etanol, e ocupa a liderança do mercado mundial de

cana juntamente com a Alemanha e os EUA (Estados Unidos

da América). Somando-se a isso a tendência cada vez maior de

substituição dos combustíveis fósseis por fontes renováveis,

a expectativa é de um destaque cada vez maior do Brasil no

mercado mundial.

MW, according to Unica.

Sugarcane biomass plays a major role in the Brazilian

energy matrix by taking advantage of an input that represents

a considerable portion of the Brazilian market.

According to data from Unica, Brazilian sugarcane production

in 2016 exceeded 665 million tons. With this volume

of production, energy generation from sugarcane and its

derivatives plays a leading role in the renewable energy

market.

“Analyzing the historical data published by EPE since

1970, sugarcane biomass alternated with hydroelectricity

in 1st place amongst clean source generation. It assumed

supremacy in 2007, and today, already represents 40% of

the domestic supply of clean energy,” points out Unica Technical

Director Rodrigues.

In this sense, Brazil has the potential to gain more space

on the world market, as the growth expectancy is for up to

40 million tons in the next five years – the current volume

produced globally is 25 million tons of biomass. Today, Brazil

is the second largest producer of ethanol, and is leader

in the world market for sugarcane along with Germany and

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 23


PRINCIPAL

“Há uma tendência constante de substituir o carvão e outras

fontes poluidoras por fontes renováveis para geração de

energia”, afirma o presidente da Cosan Biomassa, Mark Lyra.

“Não há como voltar atrás porque as políticas para combater

as mudanças climáticas estão sendo reforçadas ao redor do

globo. Ao usar resíduo da cana-de-açúcar, o Brasil está se posicionando

para se tornar a Arábia Saudita da energia renovável.”

A estimativa é que o sistema elétrico brasileiro cresça 955

MW entre 2018 e 2023, segundo dados da Aneel (Agência Nacional

de Energia Elétrica). Além desse crescimento, o potencial

de geração de energia elétrica do setor sucroenergético é

ainda maior: estima-se que se todo o potencial de geração de

energia elétrica a partir da cana-de-açúcar e seus derivados

fosse aproveitado no Brasil, seria possível agregar ao sistema

elétrico cerca de 11 GW médios até a safra de 2018/2019.

“No caso da biomassa gerada pela cana, poderíamos ter

exportado para a rede elétrica um excedente de 129 mil MWh

(megawatt hora) com a biomassa existente já no ano passado,

sem aumentar o plantio de canaviais e aproveitando ao

máximo a biomassa. Isso representaria 28% do consumo de

energia elétrica do Brasil do ano passado”, afirma Zilmar José

de Souza, gerente de bioeletricidade da Unica.

O crescimento da participação da cana no mercado livre

de energia, sobretudo nos últimos dois anos, já é reconhecida

pelo Bndes (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico

e Social), que lançou em março deste ano disposição em viabilizar

um novo modelo de financiamento de projetos destinados

à expansão da geração, exclusivo para atendimento do

ACL (Ambiente de Contratação Livre).

Nesse cenário, a expectativa para o futuro desse mercado

é de crescimento ainda maior. Segundo o relatório energy

outlook, produzido pela Bloomberg, o setor de biomassa deve

receber 26 bilhões de dólares em investimentos no Brasil até

2040. “Existe uma quantidade de energia muito relevante”,

afirma Lyra. “Pensando 20 anos à frente, com uma estrutura

construída, é possível ter um mercado mais forte, que gere

uma nova commodity em torno dessa energia renovável.”

BAGAÇO

A geração de energia por meio de biomassa de bagaço representa

uma alternativa de alta viabilidade dando destino a

um resíduo industrial de grande volume no cenário brasileiro.

Para a geração de bagaço, cada tonelada de cana moída na

fabricação de açúcar e etanol dá origem a até 250 kg (quilograma)

de bagaço. Essa quantidade de bagaço pode gerar até

75 KWh para a rede elétrica.

A viabilidade desse tipo de biomassa é reforçada pelas

the United States. In addition, with the increasing trend

of replacement of fossil fuels by renewable sources, it is

expected that Brazil will have a growing prominence on

the world market.

“There is a continuing tendency to replace coal and

other polluting sources by renewable sources in energy

generation,” states Mark Lyra, President of Cosan Biomassa.

“There is no turning back because the policies to combat

climate change are being reinforced around the globe.

When using sugarcane residue, Brazil is positioning itself

to become the Saudi Arabia of renewable energy.”

According to Aneel (National Electric Energy Agency),i

is estimated that the Brazilian electric system will grow by

955 MW between 2018 and 2023. In addition to this growth,

the potential for electric power generation in the Sugar

Ethanol Sector is even greater: it is estimated that if the full

potential of electricity generation from sugarcane and its

derivatives were taken advantage of in Brazil, it would be

possible to add about 11 GW of electric power on average

to the system from the 2018/2019 crop.

“In the case of sugarcane biomass, a surplus of 129

thousand MWh could be added to the grid from the biomass

existing last year, without having to increase sugarcane

plantings and making use to the maximum the

biomass produced. This would represent 28% of Brazil's

electric energy consumption last year,” states Zilmar José

de Souza, Bioelectricity Manager for Unica.

The growth in the share of sugarcane in the energy

free market, especially over the last two years, is already

being recognized by the National Development Bank (Bndes),

which, in March this year, launched a new model for

funding projects for generation expansion, exclusively to

meet the Free Contracting Environment Program (ACL).

In this scenario, the expectation for the future of this

market is for even greater growth. According to the Energy

Outlook report, produced by Bloomberg, the Biomass

Sector in Brazil should receive US$ 26 billion in investments

by 2040. “There is a very relevant amount of energy,” said

Cosan President Lyra. “Thinking 20 years ahead, with a

proper structure being built, it would be possible to have a

stronger market, which would generate a new commodity

based around this renewable energy source.”

BAGASSE

Power generation using sugarcane bagasse biomass

residue represents a highly viable alternative for the use of

a high-volume industrial residue on the Brazilian scenario.

As to bagasse supply, every ton of sugarcane milled in the

24

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O POTENCIAL DO

USO DE CANA

PARA GERAÇÃO DE

ENERGIA JÁ COMEÇA

A SER RECONHECIDO

PELOS REPRESENTANTES

DO SETOR

SUCROENERGÉTICO

suas baixas emissões: os pellets de bagaço emitem cerca de

6,25% da quantidade de dióxido de carbono do carvão queimado

no Brasil.

Com o mercado de cana-de-açúcar ultrapassando 665 milhões

de toneladas no último ano, os produtores brasileiros

podem gerar até 80 milhões de toneladas de biomassa de bagaço

de cana.

O potencial do uso de cana para geração de energia já começa

a ser reconhecido pelos representantes do setor sucroenergético.

A expectativa é que o futuro desse mercado passe

pela bioeletricidade, movimento que deve ser impulsionado

pela tendência mundial de redução no uso de combustíveis

fósseis. “Mais uma grande alternativa para a biomassa sucroenergética”,

destaca Dib Nunes, diretor do Grupo Idea. “É uma

questão de tempo para que toda a agroindústria canavieira se

volte para esse segmento que poderá, em pouco tempo, ser o

carro chefe do setor.”

production of sugar and ethanol gives rise to up to 250 kg

of bagasse. This amount of bagasse can generate up to 75

KWh for the electric grid.

The feasibility for using this type of biomass is reinforced

by it low emissions: bagasse pellets emit approximately

6.25% of the amount of carbon dioxide as that from

charcoal burnt in Brazil.

With the sugarcane market surpassing 665 million tons

last year, Brazilian producers can generate up to 80 million

tons of sugarcane bagasse biomass.

The potential of using sugarcane for energy generation

is beginning to be recognized by the representatives of the

Sugar Ethanol Sector. The expectation is that the future of

this market will include bioelectricity, a movement that

should be driven by the worldwide trend in the reduction

in the use of fossil fuels. “Another great alternative for the

sugar biomass energy industry,” notes Dib Nunes, Director

of the Grupo IDEA. “It's a matter of time before all the

Sugarcane Agroindustry Sector becomes involved in this

segment that soon may include its main product.”

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 25


PELO MUNDO

MUITO ALÉM

DE ITAIPU

FOTOS DIVULGAÇÃO

PARAGUAI BUSCA DIVERSIFICAÇÃO DA

MATRIZ PARA PROMOVER DESENVOLVIMENTO

ENERGÉTICO SUSTENTÁVEL

26

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P

araguai anunciou que pretende tomar o primeiro

passo para a adoção de políticas de implementação

de tecnologias para energias renováveis.

A iniciativa posiciona o país juntamente

com líderes mundiais na adoção em larga escala de energia

por fontes renováveis.

A expectativa é que o legislativo do país aprove a sua

primeira lei de energias renováveis até o final deste ano,

a lei já foi aprovada pela Câmara e agora está em fase

de revisão pelo Senado. Segundo estimativas, a legislação

deverá determinar que o órgão de administração de

eletricidade do país, a Ande (Administración Nacional de

Electricidad), estabeleça um percentual mínimo de participação

de energia de fontes renováveis na rede nacional.

A nova lei paraguaia deverá focar na distribuição da

energia renovável para disponibilizar o acesso em regiões

remotas do país. A iniciativa pode estimular a Ande a entrar

nos leilões de projetos para geração energia solar e

eólica juntamente com os países vizinhos da América do

Sul.

GANHOS

A lei pretende estabelecer uma contribuição de 5% de

energia de fontes renováveis na rede nacional. O percentual

é primeiro passo para o país que já tem quase 100%

da sua energia gerada por hidrelétricas e 45% do seu consumo

de energia abastecido por biomassa. Hoje, a maior

parte do abastecimento de energia elétrica no país é feito

pela Usina Hidrelétrica Itaipu, maior produtora de energia

renovável no mundo, localizada no Rio Paraná, na fronteira

com o Brasil.

O objetivo é criar condições para o desenvolvimento

dos primeiros projetos do país para geração de energia solar

e eólica. Como consequência, os novos investimentos

no setor deverão estimular a criação de novas regulações

voltadas para o setor no Paraguai.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 27


PELO MUNDO

“A nova lei criará condições para os primeiros projetos

de energia solar e eólica, e esses investimentos iniciais

provavelmente levarão a novas regulamentações que influenciarão

o mercado de modo favorável”, aponta Lourdes

Aquino Perinetto do escritório de advocacia local GHP.

A lei inicialmente incentivará investimentos na geração

e distribuição de energia e em projetos fora da rede,

em áreas remotas do território paraguaio, e deverá receber

uma lei secundária após a sua introdução.

A NOVA LEI PARAGUAIA

DEVERÁ FOCAR NA

DISTRIBUIÇÃO DA

ENERGIA RENOVÁVEL

PARA DISPONIBILIZAR O

ACESSO EM REGIÕES

REMOTAS DO PAÍS

CRESCIMENTO

Grandes projetos de energia solar deverão ser contemplados

nas fases seguintes da construção de uma legislação

para energia renovável. A expectativa é que esses

tipo de projetos de maior escala sejam regulados por meio

de sistema de leilões administrados pela Ande. “Queremos

segurança energética com base no uso total dos nossos

recursos”, destacou vice-ministro de Minas e Energia, Mauricio

Bejarano.

O vice-ministro ainda destacou a prioridade do país

em diversificar a sua matriz energética, que hoje depende

quase exclusivamente da energia hidrelétrica. Uma das

iniciativas para essa diversificação é o projeto de energia

solar fotovoltaica no distrito de Bahia Negra, que faz fronteira

com o Brasil no nordeste do país.

Na esteira dos esforços a favor do setor de energia

renovável, o Ministério de Minas e Energia criou recente-

28

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mente o Sien (Sistema de Información Energética Nacional),

um banco de dados que ainda está nas suas fases

iniciais e deverá crescer para disponibilizar informações

sobre a matriz energética nacional.

Com essa iniciativa, o Paraguai se junta a outros países

da América do Sul que vêm lançando esforços para o desenvolvimento

de tecnologias voltadas para a geração de

energias renováveis. Um desses países é a Argentina, que

declarou 2017 como o Ano da Energia Renovável e busca

aumentar o conhecimento do público acerca das vantagens

do uso de energia renovável. No Chile, o governo

considera aumentar para 70% a contribuição de energia

renovável para a matriz energética nacional até 2050, graças

a uma queda nos preços de energia renovável e uma

melhoria na infraestrutura da rede.

GRANDES PROJETOS

DE ENERGIA SOLAR

DEVERÃO SER

CONTEMPLADOS NAS

FASES SEGUINTES DA

CONSTRUÇÃO DE UMA

LEGISLAÇÃO PARA

ENERGIA RENOVÁVEL

O seu fornecedor global de tecnologia

de processos para a indústria de biomassa

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mundial de tecnologias, sistemas

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BIOENERGIA

NOVA

FRONTEIRA

EUCALIPTO DO MATO GROSSO

CONSOLIDA DESENVOLVIMENTO

DA BIOENERGIA

FOTOS REFERÊNCIA

30

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 31


BIOENERGIA

F

oi inaugurada neste ano a primeira usina produtora

de etanol de milho no Brasil. A usina

pioneira da FS Bioenergia, instalada no Mato

Grosso, será operada, em seu processo produtivo,

a partir de biomassa de cavaco de eucalipto, o que

representa uma nova oportunidade de negócios em

um mercado ainda carente de oferta dessa matéria-prima

no Estado.

“Iniciamos agora e precisamos da biomassa para

gerar o vapor”, revela Henrique Ubrig, presidente da FS

Energia. “Essa biomassa virá de eucalipto e de outras

fontes, e essa demanda será para 600 mil t (toneladas)

de milho, o que vai requerer muita biomassa.”

O material composto por lascas cisalhadas de eucalipto

obtidas a partir do corte de madeira é hoje um

dos primeiros meios de geração de energia de biomassa

devido às características energéticas e melhor

“INICIAMOS

AGORA E

PRECISAMOS

DA BIOMASSA

PARA GERAR O

VAPOR”

HENRIQUE UBRIG,

PRESIDENTE DA FS

ENERGIA

32

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desempenho, quando comparado a madeiras nativas.

“O eucalipto está institucionalizado, tem uma indústria,

tem genética, tem toda a parte de prática, e aí

vem o lado que consideramos sustentável. Vamos examinar

outras oportunidades, mas o eucalipto é o carro-

-chefe”, destaca Ubrig.

ALTA DEMANDA

A priorização do eucalipto para o abastecimento

da usina representa oportunidades de negócios para

os produtores, uma vez que a posição de destaque da

empresa pioneira na região reflete em altas demandas

e potencial para crescimento.

“Nessa primeira fase, vamos precisar de 6 a 7 mil

ha (hectares) plantados. Quando duplicarmos, isso vai

para 12 a 13 mil, e isso será suficiente para até 80% das

nossas necessidades”, estima Ubrig.

A PRIORIZAÇÃO

DO EUCALIPTO

PARA O

ABASTECIMENTO

DA USINA

REPRESENTA

OPORTUNIDADES

DE NEGÓCIOS

PARA OS

PRODUTORES

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 33


BIOENERGIA

O objetivo é abastecer a planta de Lucas do Rio Verde

com eucalipto produzido localmente. Hoje, a usina

é abastecida em um raio de 300 km (quilômetros), com

biomassa oriunda de madeira nativa e de eucalipto –

este fornecido por grandes empresas instaladas na região,

que apenas vendem o excedente, um volume que

não atende à demanda da planta da FS.

A expectativa para os próximos anos é de crescimento

da demanda. Essa demanda atualmente é de 2

mil ha de eucalipto ao ano, para assegurar de 70 a 80%

da nossa capacidade de densidade de biomassa. Para

os próximos anos, estaremos buscamos mais fornecedores

e investidores.

Atendendo a uma demanda do mercado na região,

a aposta é de crescimento. Isso representa novas possibilidades

para os fornecedores e parceiros, que tem a

O OBJETIVO

É ABASTECER

A PLANTA DE

LUCAS DO RIO

VERDE COM

EUCALIPTO

PRODUZIDO

LOCALMENTE

34

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oportunidade de diversificar seus negócios na esteira

deste crescimento.

A oportunidade de crescimento do mercado de

biomassa de eucalipto no estado é destacado pelo

consultor florestal Celso Medeiros. “Certamente o eucalipto

será o carro-chefe porque a biomassa oriunda

hoje de madeira nativa passa por uma tendência de

decréscimo quase a zero. E consequentemente a madeira

de eucalipto está crescendo exponencialmente

no Mato Grosso.”

ATENDENDO A

UMA DEMANDA

DO MERCADO

NA REGIÃO,

A APOSTA

NA FS É DE

CRESCIMENTO

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 35


ECONOMIA

36

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ACERTANDO

OS PONTEIROS

DISCUSSÃO SOBRE EFICÁCIA

DO HORÁRIO DE VERÃO PARA

ECONOMIA GANHA FORÇA

FOTOS DIVULGAÇÃO

U

ma pesquisa conduzida pelo ONS (Operador

Nacional do Sistema Elétrico) e pelo Ministério

de Minas e Energia apontou que o horário

de verão perdeu a eficácia nos últimos anos.

Segundo o estudo, mudanças no perfil de consumo

levaram a uma redução da economia de energia elétrica

no país, o que faz com que a medida não seja mais uma

alternativa viável para a rede elétrica brasileira.

Mas para os defensores da continuidade do horário

de verão, a medida é cultural e apoiada pela população

das regiões participantes. Porém, o retorno econômico

que era a motivação inicial da adoção não corresponde

mais ao padrão de consumo de hoje.

ALTERNATIVAS

Uma das questões principais levantadas pelo fim

do horário de verão é a possibilidade de aumento da

tarifa da conta de luz para o consumidor final, já que

não haveria mais a economia de energia.

Mas medidas alternativas, como a bandeira tarifária

ou tarifas variáveis durante o dia, pretendem conter

a possibilidade de aumento dos gastos para o consumidor.

“Em termos tarifários não tem impacto algum. Isso

porque já temos o mecanismo das bandeiras tarifárias,

que indicam se está mais caro ou barato gerar energia”,

defende Helder Sousa, gerente comercial e de novos

negócios da TR Soluções, empresa especializada em

cálculo tarifário elétrico.

Ainda no aspecto da economia, a justificativa principal

do governo federal para discutir o fim do horário de

verão é que a medida não estaria trazendo mais economia

de energia para o país. E apesar de continuar valendo

para este ano, a sua eficiência é tópico de discussão.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 37


ECONOMIA

A EXTINÇÃO DO

HORÁRIO DE

VERÃO NÃO VISA

ALTERAR O PERFIL

DE CONSUMO DE

ENERGIA

PANORAMA ATUAL

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a

medida deixou de ser eficiente devido a uma mudança

na característica do consumo de energia ao longo do

dia.

O perfil de consumo de energia passou por uma

mudança em relação ao que ocorria quando a medida

começou a ser adotada continuamente, na década de

1980. Na época, os picos de consumo ocorriam no começo

da noite, quando a maioria dos brasileiros chegavam

em casa e ligavam seus aparelhos elétricos.

Nos últimos anos, surgiu um pico de consumo no

meio da tarde, quando as temperaturas são maiores e

os consumidores costumam ligar o ar-condicionado,

equipamento de alto consumo de energia.

O resultado dessa mudança é uma economia mínima

de energia: entre outubro e fevereiro, meses em que

o Horário de Verão é aplicado, é gerada uma economia

do consumo de energia de apenas 0,5% em todo o país.

A extinção do horário de verão não visa alterar o perfil

de consumo de energia.

“Os resultados dos estudos convergiram para a

constatação de que a adoção desta política pública atualmente

traz resultados próximos à neutralidade para

o consumidor brasileiro de energia elétrica, tanto em

relação à economia de energia, quanto para a redução

da demanda máxima do sistema”, afirmou o Cmse (Comitê

de Monitoramento do Setor Elétrico).

PONTOS POSITIVOS

Apesar de não representar uma economia de energia

para o país, a mudança nos relógios ainda traz o

benefício de distribuir melhor o consumo elétrico ao

longo do dia. Por isso, o fim do horário de verão poderia

exigir investimentos em novas linhas e subestações para

comportar o aumento anual da demanda.

De acordo com estimativas do Ministério de Minas

e Energia, ele permite a postergação de investimentos

para aumento da capacidade da rede de transmissão

e distribuição, que chegariam a R$ 7 bilhões ao ano.

38

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Com a possibilidade do fim do horário de verão, o

governo pretende adotar outras medidas para reduzir

os custos de energia, como a Tarifa Branca, que deve

começar a valer para os consumidores residenciais a

partir de 2020, e criará valores de tarifas diferentes ao

longo do dia e da semana para que o consumidor possa

definir qual hora quer consumir mais energia e planejar

a sua economia na conta de luz.

De acordo com informações da Aneel (Agência

Nacional de Energia Elétrica), a Tarifa Branca terá três

valores de acordo com os horários em dias úteis: ponta,

intermediário e fora de ponta. A tarifa mais barata é a

fora de ponta. Já na ponta e no intermediário, a energia

é mais cara. Nos feriados nacionais e nos fins de semana,

o valor será sempre fora de ponta, o que proporcionaria

economia na conta de luz para os consumidores finais.

UM ESTUDO

CONDUZIDO PELO

ONS E MINISTÉRIO

DE MINAS E

ENERGIA APONTA

QUE O HORÁRIO DE

VERÃO PERDEU A

SUA EFICÁCIA NOS

ÚLTIMOS ANOS


CASE

DESENVOLVIMENTO

SUSTENTÁVEL

ESTADO DO TOCANTINS COLHE

RESULTADOS DE UMA SÉRIE DE

INICIATIVAS PARA FOMENTO DA GERAÇÃO

DE ENERGIA LIMPA NOS ÚLTIMOS ANOS

FOTOS DIVULGAÇÃO

40

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COM NOTA DE 0,608, O

ESTADO É APONTADO

COMO AQUELE EM QUE

AS FONTES LIMPAS

NO ACL SÃO MAIS

COMPETITIVAS EM

RELAÇÃO AO MERCADO

CATIVO

O DESTAQUE DO

TOCANTINS É

RESULTADO DE UMA

SÉRIE DE INICIATIVAS

PARA FOMENTO DA

GERAÇÃO DE ENERGIA

LIMPA NO ESTADO NOS

ÚLTIMOS ANOS

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 41


CASE

L

evantamento realizado pela FDR Energia, empresa

de geração e comercialização de eletricidade, indica

a liderança do Tocantins no ranking de atratividade

do mercado livre para energia limpa. A atualização

de setembro do Índice de Atratividade do Mercado Livre

para Fontes Limpas de Energia aponta que os 23 Estados

brasileiros mantiveram a competitividade em relação ao mês

de agosto – a variação encontrada é de menos de 1%.

A liderança do Tocantins ocorre pelo quarto mês consecutivo.

Com nota de 0,608, o Estado é apontado como aquele

em que as fontes limpas no ACL (Ambiente de Contratação

Livre) são mais competitivas em relação ao mercado cativo.

O índice é calculado de 0,000 para menor atratividade a

1,000 para maior atratividade. A média nacional é de 0,513.

O ranking também é ocupado pelo Pará, em segundo

lugar com nota 0,650, seguido de Santa Catarina, com nota

0,608, Espírito Santo com 0,606 e Rio de Janeiro com 0,604.

Os cinco primeiros lugares indicam estados com boa visibilidade

no mercado livre, com destaque para o Tocantins.

O índice é calculado com base no preço médio comercializado

no mercado livre entre as fontes energia proveniente

de pequenas centrais hidrelétricas e usinas eólicas, solares e

de biomassa, e comparadas com as tarifas de distribuidoras,

que representam 98% do mercado cativo brasileiro.

“Já os que têm entre 0,4 e 0,6 podem ser considerados

com viabilidade moderada e entre 0,6 e 0,8, com boa viabilidade.

Acima de 0,8, com alta viabilidade”, aponta o coordenador

do estudo e sócio diretor da FDR Energia, Erick Azevedo.

O destaque do Tocantins é resultado de uma série de iniciativas

para fomento da geração de energia limpa no Estado

nos últimos anos.

Em 2011, o governo estadual criou a subsecretaria de Produção

de Energia Limpa, por meio da Seagro (Secretaria da

Agricultura, da Pecuária e do Desenvolvimento Agrário), para

impulsionar o setor de energia renovável no Estado. Na ocasião,

o então subsecretário de Produção de Energia Limpa,

Ailton Parente Araújo, apontou o potencial do Tocantins para

desenvolver projetos alternativos na produção de energia

renovável, principalmente, a solar, eólica, hídrica e de biomassa.

Em 2011, o Estado já tinha 45% de fontes renováveis

de energia, índice de destaque mundial na época.

O potencial para geração de energia solar no Estado é

destacado desde a década passada, a partir de um estudo

elaborado pelas Eletrobrás (Centrais Elétricas Brasileiras) e

Ufpe (Universidade Federal de Pernambuco), intitulado Atlas

Solarimétrico do Brasil e publicado em 2000. O documento

incentivou a produção do Atlas Solar do Tocantins, que começou

a ser produzido em 2014 para fornecer informações

O POTENCIAL É APROVEITADO

EM PROJETOS DESENVOLVIDOS

ATUALMENTE, COMO A POLÍTICA

ESTADUAL DE INCENTIVO À

GERAÇÃO E AO USO DA ENERGIA

SOLAR – PRÓ-SOLAR

42

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sobre a irradiação solar no território do Estado e orientar investimentos

em geração de energia solar fotovoltaica.

Esse potencial é aproveitado em projetos desenvolvidos

atualmente, como a Política Estadual de Incentivo à Geração

e ao Uso da Energia Solar – Pró-Solar, instituída pelo governo

estadual e coordenada pela Semarh (Secretaria de Meio Ambiente

e Recursos Hídricos).

A política é instituída pela lei nº 3.179/2017, que determina

a finalidade de aproveitar o potencial do Tocantins e

racionalizar o consumo de energia elétrica, além de prever

investimentos que englobam o desenvolvimento tecnológico

e a geração de energia fotovoltaica e fototérmica pela

iniciativa pública e privada para comercialização e autoconsumo

nas áreas urbanas e rurais.

“Um dos objetivos é estimular a instalação de indústrias

produtoras de equipamentos de geração de energia solar

no estado, gerando emprego e renda. Além disso, a política

pode transformar o Tocantins em um referencial de geração

de energia solar, já que temos todas as condições para isso”,

garante Jânio Washington, diretor de Desenvolvimento Sustentável

da Semarh.

O incentivo a energia solar no Estado já é instituído por

meio de dois decretos (2.912 e 5.338), incluem isenção de

Icms (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)

na compra de equipamentos de energia fotovoltaica e fototérmica

para empresas instaladas no Estado até 2021 e a

título de compensação de energia solar gerada.

Outro destaque é o programa Palmas Solar, da Secretaria

Municipal de Energias Sustentáveis, que oferece desconto de

até 80% do valor do Iptu (Imposto Predial e Territorial Urbano)

para os imóveis que produzem energia solar e nos Issqns

(Impostos Sobre Serviços de Qualquer Natureza) para instalação

e manutenção dos painéis fotovoltaicos.

“UM DOS OBJETIVOS É ESTIMULAR A

INSTALAÇÃO DE INDÚSTRIAS PRODUTORAS

DE EQUIPAMENTOS DE GERAÇÃO DE

ENERGIA SOLAR NO ESTADO, GERANDO

EMPREGO E RENDA”,

JÂNIO WASHINGTON, DIRETOR DE

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FEIRA

FENASUCRO

MOSTRA

FORÇA

FOTOS DIVULGAÇÃO

MAIOR EVENTO DO MUNDO DO

SETOR SUCROENERGÉTICO BATEU

RECORDE DE RESULTADOS

44

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A

XXV Fenasucro & Agrocana superou as expectativas

e confirma o cenário de retomada

para o setor sucroenergético mundial.

Realizado de 22 a 25 de agosto, em Sertãozinho

(SP), maior polo mundial da cadeia canavieira, o

evento registrou números que surpreenderam a organização

e expositores: foram 37 mil visitantes compradores,

número acima dos 35 mil esperados pela organização

e 12% maior em relação ao público da edição

passada.

Os negócios também irão superar os R$ 3,1 bilhões

esperados pelos organizadores, até o final dos próximos

12 meses. Em relação às rodadas internacionais,

foram 626 reuniões com a presença de 60 empresas

nacionais e companhias de 45 países. A captação somente

nos dois primeiros dias de feira foi de US$ 90

milhões. De olho na tecnologia brasileira, Fernando

Rodrigues Garcia, empresário de Honduras, país da

América Central, esteve na Fenasucro & Agrocana pela

primeira vez em busca de maior produtividade em sua

usina. E encontrou. “Buscava produtos químicos para a

produção de açúcar, com o objetivo para ampliar os resultados.

Com as rodadas na feira, foi possível conhecer

as tecnologias do mercado e fazer negócio”, explicou.

Já nas rodadas nacionais, organizadas pelo Ceise Br,

foram 220 reuniões promovidas e as expectativas foram

superadas em 12%. A presença de outros setores

– alimentos e bebidas e papel e celulose – impulsionaram

os negócios das rodadas. Espera-se um aumento

de pelo menos 16% com relação aos negócios no ano

passado.

“A edição histórica da Fenasucro & Agrocana cumpriu

o objetivo de reunir, em um só lugar, novas tecnologias

e conteúdo voltados ao setor sucroenergético.

Foi palco de lançamentos e rodadas de negócios, que

este ano tiveram um aumento na demanda de compradores.

A XXV edição do evento comprovou a tradição

da maior feira mundial voltada ao setor e as expecta-

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 45


FEIRA

tivas estão condizentes com a realidade que o setor está

vivendo”, revela Paulo Montabone, gerente geral da Fenasucro

& Agrocana.

FENASUCRO & AGROCANA

CONFIRMA OTIMISMO

A XXV edição do evento refletiu o otimismo da cadeia

produtiva da cana-de-açúcar. Expositora desde a primeira

Fenasucro & Agrocana, a TGM, maior empresa da América

Latina no segmento de turbinas a vapor, comemora mais

um ano com resultados positivos. “Os clientes vieram e fizemos

ótimos contatos para o fechamento de negócios.

Notamos também melhora no otimismo em relação ao

ano passado”, comparou Adalberto Marchiori, coordenador

de marketing da TGM.

Além dos negócios e relacionamento com clientes,

a empresa de soluções logísticas Sergomel comemora a

ampliação de sua participação da Fenasucro & Agrocana

com os eventos de conteúdo. Pela primeira vez, além de

seu estande, a empresa promoveu um seminário para os

visitantes do evento. “Trouxemos também informação e

tivemos um resultado muito positivo, participando de forma

completa”, reforçou Elaine Cristina Gomes Brasca,

diretora de marketing da empresa

EVENTOS DE CONTEÚDO SE DESTACAM

NA PROGRAMAÇÃO DO EVENTO

A Fenasucro & Agrocana também está se tornando

referência para a capacitação técnica e profissional dos

profissionais do setor sucroenergético. Nos auditórios

onde foram realizados fóruns, encontros, palestras,

conferências e seminários, passaram 5.133 congressistas

durante os quatro dias de realização, com a presença

de 270 palestrantes e personalidades do setor.

A CAPTAÇÃO

SOMENTE NOS DOIS

PRIMEIROS DIAS DE

FEIRA FOI DE US$ 90

MILHÕES

46

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“Essa XXV edição marcou o início de um novo tempo,

em que o desenvolvimento sustentável do país passa

a ser tratado em primeiro plano. O Renovabio, por

exemplo, foi apresentado e amplamente discutido em

diversas oportunidades, demonstrando o interesse e

a necessidade, urgente, de sua aprovação. O setor sucroenergético

é um dos principais meios capazes de

fomentar esse cenário, contribuindo ecologicamente,

além de gerar empregos e renda”, avaliou Aparecido

Luiz, presidente do Ceise Br (Centro Nacional das Indústrias

do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis).

Para o diretor do portfólio de energia da Reed Exhibitions

Alcantara Machado, Igor Tavares, a XXV Fenasucro

& Agrocana se destacou não apenas na plataforma

de negócios, mas também na disseminação de novas

informações e conhecimentos para os profissionais do

setor. “Nossa grade é a maior programação de eventos

de conteúdo de toda cadeia produtiva da cana-de-açúcar.

Tivemos mais de 300 horas de eventos de conteúdo,

promovendo importantes debates que certamente

irão reverberar, tornando o setor cada vez mais capacitado,

atualizado, eficiente e competitivo”, aponta.

FORAM 37 MIL

VISITANTES

COMPRADORES,

NÚMERO ACIMA DOS

35 MIL ESPERADOS

PELA ORGANIZAÇÃO

E 12% MAIOR EM

RELAÇÃO AO

PÚBLICO DA EDIÇÃO

PASSADA


ARTIGO

FOTOS DIVULGAÇÃO

48

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CONCENTRAÇÃO

DE PROPRIEDADE

E DESEMPENHO:

UM ESTUDO

NAS EMPRESAS

BRASILEIRAS DE

CAPITAL ABERTO DO

SETOR DE ENERGIA

ELÉTRICA

NAIARA LEITE DOS SANTOS SANT'ANA,

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS, UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA

NATÁLIA CAROLINA DUARTE DE MEDEIROS

DEPARTAMENTO DE ADMINISTRAÇÃO, CENTRO UNIVERSITÁRIO DE FORMIGA

SABRINA AMÉLIA DE LIMA E SILVA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO, UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

JOÃO PAULO CALEMBO BATISTA MENEZES

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS, UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI

CAIO PEIXOTO CHAIN

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO, UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 49


ARTIGO

A

concentração de propriedade há muito

vem sendo estudada para verificar se impacta

no desempenho das empresas. O

presente artigo tem por objetivo verificar

se a estrutura de propriedade, mais especificamente a

concentração de propriedade, tem algum impacto no

desempenho das empresas do setor elétrico. Embora

sejam numerosos os trabalhos que tratam sobre a relação

de Desempenho e Concentração de Propriedade,

este se propõe a apresentar uma proposta de abordagem

metodológica por meio de uma nova combinação

de variáveis. O trabalho busca reacender a discussão da

concentração de propriedade no Brasil e a identidade

desses acionistas em um cenário peculiar de escândalos

de má gestão, controle de resultados e corrupção

de empresas no Brasil, sob a óptica da relação entre capital

privado e público, com a análise sendo feita no setor

de energia elétrica. O estudo foi realizado por meio

da análise de dados em painel. A amostra compôs-se

de 22 empresas brasileiras de capital aberto do setor

de energia elétrica analisadas nos anos de 2010 a 2014.

Verificou-se melhor desempenho das empresas privadas

em comparação com as públicas, das empresas

com ações ordinários nas mãos de apenas um acionista

majoritário e relação positiva com o lucro líquido. Por

outro lado, as variáveis relativas às ações ordinárias nas

mãos de dois maiores acionistas e ativo total apresentaram

relação negativa com o desempenho.

INTRODUÇÃO

Estudos relacionados com a estrutura de propriedade

vêm sendo desenvolvidos em geral com o intuito

de maximizar o valor da empresa. Este trabalho visa

analisar a concentração de propriedade sob a óptica

da teoria da agência e governança corporativa, com a

finalidade de compreender seu reflexo no desempenho

da firma. Entende-se que a estrutura de propriedade

das empresas é determinada pela concentração

da propriedade e pela identidade do acionista majoritário.

A concentração refere-se à quantidade de ações

que se encontra nas mãos desse acionista majoritário.

A identidade do majoritário pode ser configurada por

uma família, banco ou outra instituição ou o governo

(Campos, 2006; Leal et al., 2002).

As empresas apresentam concentração de propriedade

diversas, o que pode causar diferentes comportamentos

por parte dos já detentores das ações,

dos futuros compradores e dos diversos stakeholders

interessados no controle e propriedade da firma, ou

em suas atitudes perante o ambiente externo. Dessa

forma, a estrutura de propriedade está diretamente ligada

a conceitos envolvendo principalmente a teoria

da agência e governança corporativa, conceitos esses

que, por sua vez, têm impacto direto no desempenho

da firma.

A Teoria da Agência relata, de forma geral, a possibilidade

de divergência de interesses entre acionistas

e gestores, em que cada um almeja maximizar sua utilidade.

De acordo com o Código das Melhores Práticas

de Governança Corporativa, do Instituto Brasileiro de

Governança Corporativa (Ibgc, 2010), ocorre conflito

de interesses quando alguém não é independente em

relação à matéria em discussão e ainda assim pode influenciar

ou tomar decisões motivadas por interesses

SETOR DE ENERGIA ELÉTRICA,

CONSIDERANDO GERAÇÃO,

TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO,

FATUROU EM 2012 O TOTAL DE

R$ 15,3 BILHÕES

50

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distintos daqueles da organização.

Nesse cenário, a Governança Corporativa mostra-se

importante, pois visa reduzir a assimetria informacional,

os conflitos e custos entre agentes, a ocorrência de

erros e fraudes, tornando o ambiente empresarial mais

seguro para os agentes econômicos que interagem

com ele. Sendo assim, o presente artigo tem por objetivo

verificar a influência da concentração de propriedade

no desempenho das empresas brasileiras de capital

aberto do setor de energia elétrica nos anos de 2010 a

2014 sob a óptica da Teoria da Agência e Governança

Corporativa.

Embora sejam numerosos os trabalhos que tratam

sobre a relação de Desempenho e Concentração de

Propriedade, este se propõe a apresentar uma nova

abordagem metodológica por meio de uma nova combinação

de variáveis. O trabalho busca reacender a discussão

da concentração de propriedade no Brasil e a

identidade desses acionistas em um cenário peculiar

de escândalos de má gestão, controle de resultados e

corrupção de empresas, sob a óptica da relação entre

capital privado e público, com a análise sendo feita

no setor de energia elétrica. Não existe um consenso

na literatura sobre o impacto da concentração de propriedade

no desempenho das firmas, assim o presente

estudo buscou contribuir para o entendimento dessa

ambiguidade ao estimar simultaneamente efeitos positivos

e negativos dessa concentração.

A escolha de tal setor justifica-se pela importância

dele no desenvolvimento econômico e na estrutura industrial

do país, principalmente no cenário de escassez

hídrica em uma matriz energética dependente desse

recurso.

Este artigo inicia-se com esta introdução, seguida

pela revisão de literatura, que aborda os subtópicos:

Teoria da agência; Governança corporativa; Estrutura e

concentração de propriedade, Estrutura de propriedade

e desempenho; Setor de energia elétrica; Trabalhos

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 51


ARTIGO

VERIFICA-SE MELHOR

DESEMPENHO DAS

EMPRESAS PRIVADAS EM

COMPARAÇÃO COM AS

PÚBLICAS

semelhantes. Posteriormente apresentam-se os procedimentos

metodológicos, análise dos resultados e considerações

finais.

REVISÃO DE LITERATURA

Teoria da agência

A relação entre a propriedade e o controle da empresa

pode configurar um problema no qual o administrador,

aquele que possui o controle, poderia utilizar-se

de seu poder em favor próprio, não priorizando a empresa

e o interesse dos detentores da propriedade.

Esta situação na qual o administrador (agente) age

maximizando sua utilidade e não maximizando a utilidade

do proprietário (principal), levando, portanto, a

firma a incorrer em gastos por meio de incentivo, monitoramento

(por parte do principal) e concessões de

garantias contratuais (por parte do agente) foi definida

por Jensen & Meckling (1976) como custos de agência,

que advêm justamente do conflito entre agentes.

Essa teoria emergiu dos trabalhos de Alchian e

Demsetz (1972) e Jensen & Meckling (1976), que retrataram

a firma como um nexo de contratos entre fatores

individuais de produção. Na teoria da agência, os

contratos regem a relação entre principal e agente, em

que certos poderes de decisão são delegados ao agente

quando da prestação de serviços ao principal. Ao se

considerar que as partes buscam a maximização de sua

satisfação pessoal, caso o agente não aja no interesse

do principal, esse se cerca de garantias para evitar prejuízo

aos seus interesses.

Para Jensen & Meckling (1976), relacionamento de

agência é “[...] um contrato no qual uma ou mais pessoas

– o principal – engajam outra pessoa – o agente

– para desempenhar alguma tarefa em seu favor, envolvendo

a delegação de autoridade para tomada de

decisão pelo agente”. Conforme os autores, tanto o

principal quanto o agente tenderão a trabalhar na maximização

de sua utilidade, sendo assim não será em

todas as ocasiões que o agente agirá de acordo com o

interesse do principal.

Ainda segundo Jensen & Meckling (1976), as divergências

entre o principal e o agente podem ser amenizadas

por meio de dois tipos de ações efetuadas pelo

primeiro e uma pelo segundo. Em relação ao primeiro,

conclui-se que as duas ações são onerosas a ele e

podem ser efetuadas separadamente ou em conjunto,

quais sejam: a) estabelecer incentivos para que o agente

aja em favor do principal e/ou; b) o monitoramento

52

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das ações do agente. Um tipo de ação que pode ser realizada

pelo agente é a concessão de garantias contratuais.

No entanto, mesmo com essas ações de incentivo

e monitoramento ainda poderão ocorrer divergências

entre as decisões tomadas pelo agente e aquelas que

maximizam o bem-estar do principal, definidas como

perda residual.

Conforme Fama & Jensen (1983), não é possível que

ocorram monitoramento e oferecimento de incentivos

sem que se incorra em custos. Para Eisenhardt (1989), a

teoria da agência trouxe duas contribuições específicas

para o pensamento organizacional: a primeira é o tratamento

da informação. Segundo a autora, a informação

é tratada como commodity dentro da teoria da agência,

tendo um custo e podendo ser comprada. As organizações

devem investir nos sistemas de informação para

controlar o oportunismo dos agentes. A segunda contribuição

diz respeito aos riscos envolvidos com o futuro

da organização. O futuro, controlado apenas parcialmente

pelos membros da organização, pode envolver

prosperidade, falência ou resultados intermediários.

Outros efeitos relacionados ao ambiente da organização,

tais como mudanças nas leis, entrada de novos

concorrentes no mercado e inovações tecnológicas

também podem afetar o futuro da organização. Essas

incertezas são vistas dentro da teoria da agência como

uma troca entre riscos e recompensas. A implicação é

que as incertezas dos resultados relacionadas à disposição

em aceitar riscos devem influenciar os contratos

entre agente e principal.

Para Jensen (1986), os administradores são incentivados

a levar sua firma a um crescimento além do tamanho

ótimo, pois com o acréscimo de recursos sob

seu controle, amplia-se o seu poder e também aumenta

sua remuneração. Esses autores constataram também

que o conflito de agência mais comum, quando

instalado, ocorre entre acionistas controladores e acionistas

minoritários. Nos EUA (Estados Unidos da Amé-

AMOSTRA COMPÔS-SE DE 22

EMPRESAS BRASILEIRAS DE CAPITAL

ABERTO DO SETOR DE ENERGIA

ELÉTRICA ANALISADAS NOS ANOS

DE 2010 A 2014


ARTIGO

rica), onde grande parte das grandes corporações tem

sua propriedade pulverizada entre diversos acionistas,

quando ocorrem conflitos de agência, na maioria das

vezes, o que se observa é a expropriação de riqueza

dos acionistas por parte dos gestores.

Segundo Young et al. (2008), também se deve considerar

que o problema do agente principal é mais

comum em economias desenvolvidas. Segundo esses

autores, em economias emergentes é recorrente o

conflito entre grupos distintos de principais, ou seja,

entre controladores e acionistas minoritários, devido à

concentração de propriedade da firma e à ausência de

mecanismos efetivos de governança externa.

A Teoria da Agência vem sendo repensada constantemente.

Os principais pontos de revisão dessa teoria

estão relacionados com: a visão de que, em determinadas

circunstâncias, pode ser o proprietário que explora

a firma e compromete os interesses de longo prazo, enquanto

os agentes utilizam-se do acesso à informação

para gerar ganhos para a empresa e para os acionistas.

Governança corporativa

Conforme Andrade & Rossetti (2014), não se tem

observado um conceito único sobre Governança Corporativa,

mas sim palavras-chave que ligam a maioria

dos conceitos, tais como: direito dos acionistas, direitos

de outras partes interessadas, conflitos de agência, sistema

de valores, sistema de governo, entre outras.

O primeiro exemplo registrado de uma companhia

não financeira com capital difuso foi a Companhia Holandesa

das Índias Orientais (VereenigdeOostindische-

Compagnie), fundada em 1602, na qual mais de mil

investidores colocaram seu dinheiro e rapidamente se

viram diante de problemas de governança corporativa.

O mundo empresarial foi agitado por crises que

abalaram o mercado financeiro entre 2001 e 2003, especialmente

com os escândalos corporativos que vieram

à tona na Europa e nos EUA, envolvendo grandes

empresas como Adelphia, Aol, Enron, Global Crossing,

Merck, Parmalat, Royal Ahold, Tyco, Vivendi, Warnaco,

Waste Management e WorldCom, entre outras.

Rossoni& Machado da Silva (2010) observam como

a importância da Governança Corporativa evoluiu após

os escândalos corporativos que envolveram grandes

empresas antes respeitadas. Esses escândalos fizeram

desaparecer organizações empresariais de grande importância,

destruindo bilhões de dólares dos acionistas

e milhares de empregos, levando à adoção de medidas

54

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O SEGMENTO É UM

DOS QUE TERÃO SUAS

DEMONSTRAÇÕES

FINANCEIRAS MAIS AFETADAS

PELA CONVERGÊNCIA DAS

NORMAS CONTÁBEIS PARA O

PADRÃO INTERNACIONAL

corretivas, dentre as quais a aprovação da Lei Sarbanes-

-Oxley pelo Congresso Americano.

Houve um desenvolvimento notável a partir da

década de 1980, quando se iniciou um movimento de

investidores institucionais, principalmente de fundos

de pensão norte-americanos, como o Calpers (CaliforniaPublicEmployeesRetirement

System) e o Tiaa-Cref

(Teachers’ Insurance and Annuity Association – College

Retirement Equities Fund) em busca da garantia de que

os gestores das empresas agiriam de acordo com o interesse

de todos os acionistas.

Fentrop (2002) menciona que o Ceps (Centre for

European Policy Studies) tentou explicar o termo, mas

mesmo para pessoas que têm o inglês como primeira

língua não é fácil o entendimento. Para o autor, o termo

tem dois componentes: corporate, que se refere à

corporação ou grandes empresas e governance, que é

definido como o ato, fato ou maneira de governar. O

segundo componente talvez seja o principal aspecto

que gera conflito. Em virtude da correlação da palavra

governance com governo, confunde-se elementos públicos

com algo que é totalmente da iniciativa privada.

Segundo La Porta et al. (1999), governança corporativa

é “um conjunto de mecanismos através dos

quais os investidores externos se protegem contra expropriação

pelos internos”. Segundo a Comissão de Valores

Mobiliários, em sua Cartilha de Recomendações

sobre Governança Corporativa, a Governança pode ser

definida como “[...] o conjunto de práticas que tem por

finalidade otimizar o desempenho de uma companhia

ao proteger todas as partes interessadas, tais como investidores,

empregados e credores, facilitando o acesso

ao capital”.

As boas práticas de Governança Corporativa devem

ser seguidas por todas as companhias. Dentre as boas

práticas de Governança estão incluídos conceitos de

transparência ao divulgar as informações da empresa,

equidade entre as informações prestadas, evitando-se

assim o conflito entre agentes.

Segundo Silva (2006), a partir do momento em que

foi criado o Ibgc (Instituto Brasileiro de Governança

Corporativa), em 1995, esse tema tornou-se mais presente

no Brasil, com isso passou a ser mais discutido.

Conforme Silva & Saes (2007), para que se possa

atingir uma estrutura de governança eficiente deve-se

expulsar as estruturas ineficientes. O tempo que será

gasto e as dificuldades que serão enfrentadas dependerão

das regras da empresa, sejam formais ou informais,

que acabam privilegiando determinadas estruturas.

Almeida & Almeida (2009) comentam que os níveis

diferenciados de Governança Corporativa foram

criados pela BM&FBovespa (Bolsa de Valores de São

Paulo) em 2008, com o objetivo de reduzir a assimetria

informacional e aumentar a transparência das informações

divulgadas e das operações das firmas. Correia et

al. (2009) afirmam que os acionistas desejam que seus

investimentos sejam protegidos pelas empresas. A governança

possui um papel importante nesse sentido,

pois aumenta a proteção dos interesses dos investidores

contra o risco de espoliação por dirigentes oportunistas.

OBS: Artigo parcial, a versão integral

está disponível em: http://www.scielo.br/

scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-

530X2016000400718&lang=pt

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 55


Cuidados no

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System with real-time data enables a new

model for managing forestry operations

New head provides efficiency and

economy to forest management

Atividade foi

regulamentada

Jakob Hirsmark, diretor de

Winyu exposição Chinthammit, da Elmia Wood da

Universidade da Tasmânia

ENTREVISTA - Akemi Ino, especialista em arquitetura de madeira, prevê alta em obras sustentáveis


Aplicação aumenta produtividade e

garante qualidade de portas e painéis


Financiamento: opções ajudam a expandir energia solar no Brasil

CARROS MOVIDOS

PERSPECTIVAS

A HIDROGÊNIO

CLEAN SOURCE OF ENERGY GENERATION

REVEALS BRAZILIAN POTENTIAL

SUGARCANE ELECTRICITY

SECTOR EVOLVES IN TECHNOLOGY

FENASUCRO MOVIMENTA SETOR

Rubens Perez, da Veolia Water Technologies, fala sobre novas tecnologias

Celulose

Technology optimizes the

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Construção • Arquitetura • Design • Marcenaria • Paisagismo • Decoração

ESPECIAL

ENTREVISTA

Michel Otte

AGENDA

OUTUBRO Outubro 2017 2017

Snptee

Data: 22 a 25

Local: Curitiba

Informações: http://xxivsnptee.com.br/

Oil & Gas Chemistry 2017

Data: 6 e 7

Local: Houston (EUA)

Informações: www.macroproworks.org/

Dubai Solar Show

Data: 23 a 25

Local: Dubai

Informações: www.dubaisolarshow.com/views/default.aspx

Fuel And Energy Complex Of Ukraine 2017

Data: 7 a 9

Local: Kiev (Ucrânia)

Informações: www.iec-expo.com.ua/en/

Power Kazakhstan 2017

Data: 24 a 26

Local: Almaty (Cazaquistão)

Informações: www.powerexpo.kz/en/

Windaba

Data: 15 e 16

Local: Cidade do Cabo (África do Sul)

Informações: www.windaba.co.za/

NOVENBRO Novembro 2017 2017

Iran International Electricity Exhibition 2017

Data: 4 a 7

Local: Teerã (Irã)

Informações: http://elecshow.com/English/default.aspx

Mexico Minergy

Data: 27 a 29

Local: Monterrey (México)

Informações: www.mexicominergy.com/

Acesse:

A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product

www.referenciaflorestal.com.br

Ano XIX • N°189 • Setembro 2017

Ano XIX • N°185 • Maio 2017

NA ESTRADA

PENTATREM 48

transporte de madeira 44

reboque

Eye of the owner

More power for thinning

TERCEIRIZAÇÃO

POR DENTRO 62 ENTREVISTA

DA NORMA

As novidades da NR-1252 ENTREVISTA

Olho do dono

Sistema com dados em tempo real

viabiliza novo modelo de gerenciar

operações florestais

Mais potência

no desbaste

Novo cabeçote traz eficiência

e economia no manejo florestal

A Revista A Revista da Indústria da Indústria da Madeira da Madeira / The / The Magazine Magazine for the for the Forest Forest Product Product

www.referenciaindustrial.com.br

Ano XIX • N°185 N°189 • Maio Setembro 2017 2017

ENTREVISTA - Especialista em edifícios feitos de madeira, Joseph Gulden fala sobre o futuro do setor

I N D U S T R I

I

A L

L

Nova geração das

ferramentas

Durabilidade e performance Laminação

são os

diferenciais de serra revestida de cromo

Secagem Especial descomplicada – Investimento público – Detalhes em madeireiras das espécies vira e métodos case de sucesso ideais para na Finlândia secar madeira

interativacom.com

A Revista da Indústria de Biomassa e Energia / The Magazine for the Biomass and Energy Industry

www.revistabiomais.com.br

Ano IV • N°20 • Abril 2017

Geração: resíduos de madeira abastecem mercado de energia verde

revista

revista

biomassa

biomassa

energia

energia

PCHs

FONTE LIMPA DE PRODUÇÃO DE ENERGIA

COMPROVA POTENCIAL BRASILEIRO

OPORTUNIDADE ÚNICA

SHP’s

SETOR SUCROENERGÉTICO

EVOLUI TECNOLOGICAMENTE

AN UNIQUE OPPORTUNITY

FUTURO

DANIEL FURLAN

MUNDO DA CANA

EMIRADOS ÁRABES

PARA O BIODIESEL INVESTEM EM FONTES RENOVÁVEIS

A Revista da Indústria de Celulose e Papel www.celulosepapel.com.br

Ano IX - n. 28 - 2016

Pinc

garantida!

With an eye to

the future

Curta Sincol

movimenta U$S 4

bilhões no Brasil

Abtcp 2016:

traz principais

novidades do setor

De olho no futuro

Tecnologia otimiza processo

na produção de papel

www.sincol.com.br

A Revista Madeireira da Construção www.produtosdemadeira.com.br Ano IX• N.38 • Março 2017

Medida

certa

Móveis planejados

com personalidade

Versatilidade: elementos que transformam o ambiente

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DESTAQUE

Destaque

Snptee

Data: 22 a 25 de outubro

Local: Curitiba

Informações: http://xxivsnptee.com.br

O Snptee, maior e mais importante evento

do setor elétrico brasileiro, é promovido pelo

Cigré-Brasil (Comitê Nacional Brasileiro de

Produção e Transmissão de Energia Elétrica) e,

nesta edição, está sendo coordenado pela Copel

(Companhia Paranaense de Energia). Disseminação

de conhecimento técnico e científico, inovação, networking, os melhores profissionais e as maiores empresas do setor

presentes em Curitiba (PR).

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e por isso muito mais eficaz e direcionado

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OPINIÃO

Foto: divulgação

PROSPECÇÃO DAS

ENERGIAS RENOVÁVEIS:

CONTRIBUINDO COM

A SUSTENTABILIDADE

DO PAÍS

A

eletricidade se tornou essencial para as atividades

da sociedade moderna. Quase toda atividade

que realizamos envolve eletricidade - ou

alguma forma de energia. No entanto, desde a

geração até o seu consumo, toda a cadeia de produção da

energia elétrica causa importantes impactos ambientais,

sociais e econômicos. A magnitude de tais externalidades

vai depender das tecnologias que estamos utilizando para

gerar energia elétrica. Como alternativa já fortemente

presente na Matriz Energética Brasileira estão as Energias

Renováveis.

Nesse cenário de necessidades energéticas, o potencial

brasileiro é gigantesco. Os ventos são diferenciados:

constantes, unidirecionais e com elevado fator de produtividade,

bem superiores aos encontrados na Europa. O

nordeste brasileiro já é abastecido com 60% de energia

eólica necessária para atender à demanda daquela região.

Na geração de energia elétrica fotovoltaica, seja centralizada

ou distribuída, os índices de irradiação solar no Brasil

são excelentes, com maior intensidade no cinturão solar,

área que vai do nordeste ao Pantanal, incluindo o norte

de Minas Gerais, o sul da Bahia e o norte e o nordeste de

São Paulo. É enorme o potencial de geração de energia associado

à biomassa de cana-de-açúcar, reflorestamentos

e resíduos de madeira e, são milhares os pequenos aproveitamentos

hidrelétricos espalhados por todo o território

nacional e ainda não explorados.

Não bastasse a abundância, essas fontes são altamente

complementares em diversas formas de sazonalidade.

Na região sudeste, por exemplo, no período seco, em que

a produção hidrelétrica é reduzida, ocorre a colheita da

cana-de-açúcar e, portanto, uma intensa produção de

energia elétrica advinda da queima do bagaço. Também

complementar ao período seco no sudeste é a produção

de energia eólica no nordeste, época de maior intensidade

de vento nessa região. Na sazonalidade diária, é

comum encontrar regiões onde a velocidade do vento é

maior durante à noite com perfeita associação diurna com

a geração solar fotovoltaica. Existem várias outras formas

de complementariedade que, separadamente ou combinadas,

dão, ao mesmo tempo, flexibilidade e constância

na produção de energia.

Todos esses benefícios, coloridos de realismo sustentável,

terão pela frente enormes desafios: desde o desenvolvimento

tecnológico, passando pela quebra de paradigmas

na operação das redes elétricas de transmissão e

distribuição, chegando até a uma nova regulação. O avanço

das fontes renováveis de energia, mais do que inevitável,

é desejável, dados os inúmeros benefícios agregados

que podem ser sintetizados no desenvolvimento sustentável,

onde se obtém o equilíbrio do crescimento socioeconômico

com a preservação do meio ambiente para as

gerações atuais e futuras. É uma jornada que envolve toda

a sociedade: governo, instituições, setores da economia e

cidadãos.

Por Emerson Alberti

Doutor e Mestre em Engenharia e Ciências dos Materiais. É professor do

curso de Engenharia de Energia da UP (Universidade Positivo)

Foto: divulgação

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