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Vaticinava o saudoso Leonel Brizola, quando<br />

já octogenário, no ocaso de sua conturbada e polêmica<br />

existência, que certo partido político que<br />

acabara de assumir o poder era como algumas<br />

galinhas que “cacarejam à esquerda, mas guardam<br />

seus ovos à direita”. Infelizmente, o tempo encarregou-se<br />

de atribuir uma boa dose de razão às<br />

impressões do velho caudilho.<br />

Em que pesem os chilreios dos outros bípedes<br />

emplumados que estão ávidos para voltar a infestar<br />

o Palácio do Planalto não representem nenhum<br />

tipo de esperança por dias melhores para os trabalhadores,<br />

já que coerentemente não só cacarejam,<br />

mas também guardam seus ovos à direita, a frase<br />

vem bem a calhar quando se analisa a postura das<br />

instituições de ensino superior nas difíceis negociações<br />

que antecedem a fixação do reajuste salarial<br />

dos professores do ensino superior.<br />

O viés ideológico da quase totalidade desta<br />

categoria econômica volta-se para prestigiar as supostas<br />

“vantagens e maravilhas” do sistema capitalista.<br />

A livre iniciativa, a liberdade de concorrência,<br />

a meritocracia, a constituição de gestões enxutas<br />

capazes de racionalizar os gastos e multiplicar os<br />

lucros e uma suposta “qualidade total” para ser<br />

ostentada perante os alunos consumidores são valores<br />

prestigiados nas considerações retóricas que<br />

se extraem dos posicionamentos diuturnamente<br />

adotados pelas universidades, centros universitários<br />

e unidades isoladas de ensino superior.<br />

Na prática, entretanto, a realidade é outra.<br />

Prova desta incoerência ideológica é a choradeira<br />

provocada pelas novas regras regulamentadoras<br />

do Fies, o famigerado Fundo de Financiamento<br />

Estudantil. Após 12 anos de abundante<br />

dinheiro fácil, grande número<br />

EDITORIAL<br />

Aves de rapina<br />

de estabelecimentos de ensino superior privado<br />

tornou-se totalmente dependente do turbilhão de<br />

verbas públicas sustado no início de 2015.<br />

E uma vez restringidos os valores repassados<br />

pelo governo federal um pouco para coibir abusos<br />

e um pouco por pura incúria governamental, perderam<br />

completamente a capacidade de gestão dos<br />

seus negócios, apostando no arrocho salarial dos<br />

seus professores como o canto da sereia para a sua<br />

sobrevivência e para a permanente multiplicação<br />

dos seus sempre polpudos lucros.<br />

Prova desta visão tacanha e desta incompetência<br />

gerencial é o discriminatório percentual<br />

oferecido para reajuste salarial dos professores:<br />

7,5% a partir de fevereiro de 2015 ao mesmo tempo<br />

em que eram oferecidos reajustes de 8% para<br />

os professores do ensino fundamental e médio e<br />

para os auxiliares de administração escolar em todos<br />

os níveis.<br />

Que capitalistas de araque são esses, que<br />

dependem de verbas públicas para a sobrevivência<br />

e para a manutenção de suas atividades?<br />

Parodiando às avessas o inesquecível Leonel<br />

Brizola, tratam-se de empresários que cacarejam<br />

à direita, mas guardam seus ovos à esquerda,<br />

dependentes viscerais do Estado que<br />

são, ao contrário do que costumam<br />

propalar em verso e prosa.<br />

A Diretoria<br />

NEGOCIAÇÃO<br />

COLETIVA<br />

A luta por respeito e<br />

dignidade<br />

EVANGÉLICA Saída honrosa para<br />

o impasse<br />

FACEL O revoltante atraso no<br />

pagamento dos salários<br />

CLARETIANA Justiça equipara tutor<br />

a professor<br />

ESPÍRITA Vestibular em plena crise<br />

FAEC Onde está o FGTS do professor?<br />

UNIANDRADE Sob intervenção<br />

do MEC<br />

PUCPR Trapalhadas, despedidas<br />

imotivadas e desconfiança<br />

POSITIVO Controle excessivo causa<br />

constrangimentos<br />

UNINTER Abduzidos & contatados<br />

UNICURITIBA Tudo em família<br />

FAPAR Artimanha para burlar<br />

horas extras<br />

SANTA CRUZ Como ludibriar o MEC<br />

DOM BOSCO Reduções de carga<br />

horária a fórceps<br />

SAÚDE Cuidados com medicamentos<br />

E MAIS:<br />

Terceirização<br />

Assédio moral<br />

Opinião


2<br />

abr/15 - set/15<br />

É hora de conquistar na luta o respeito à<br />

profjissão, condições adequadas de trabalho<br />

e remuneração digna<br />

Reunidos em assembleia geral no dia 15 de agosto de 2015, professores do ensino<br />

superior particular de Curitiba e Região Metropolitana disseram um sonoro e<br />

rotundo não à proposta patronal discriminatória apresentada pelo Sinepe.<br />

Em evento bastante concorrido, a categoria apreciou a proposta de reajuste de<br />

7,5% a partir de fevereiro de 2015 levando<br />

em consideração:<br />

e a inflação dos 12 meses anteriores ao<br />

aumento salarial atingiu o patamar<br />

de 7,13%;<br />

nal correspondente, implantação de Código de Ética com a petulância de estabelecer<br />

regras de vestimenta para professoras, abusos no ensino à distância tais como<br />

planos de cargos e salários discriminatórios e tutores sendo tratados como auxiliares<br />

administrativos, manipulações do horário e despedidas coletivas irregulares para<br />

implantação de terceirização selvagem não precedida<br />

por regular negociação coletiva.<br />

Comícios relâmpagos<br />

Como forma de chamar atenção para a mesquinharia<br />

patronal sem precedentes, entre os dias 14 e 18<br />

e o fato de que os salários ajustados<br />

de setembro o Sinpes fará comícios relâmpagos antes<br />

permanecerão imutáveis pelo menos<br />

até janeiro de 2016 e o arrocho<br />

salarial tradicionalmente sofrido pela<br />

categoria;<br />

e o percentual médio de reajuste das<br />

mensalidades escolares acumulado<br />

desde janeiro de 2015;<br />

e o índice de 8% que foi acordado entre<br />

o Sinepe, o Sinpropar e o Saaepar,<br />

Assembleia realizada em 15/08/2015<br />

do início efetivo das aulas e nos horários de intervalo<br />

nas principais instituições de ensino superior em todos<br />

os turnos.<br />

Nessa oportunidade a categoria será convocada<br />

para a nova assembleia geral e serão divulgadas denúncias<br />

pontuais sobre as diversas mazelas constatadas em<br />

cada uma das instituições de ensino.<br />

Por meio de inserções radiofônicas e panfletagem,<br />

aplicável aos professores do ensino fundamental e médio e a todos os auxiliares<br />

de administração escolar do Paraná.<br />

rem denúncias de arbitrariedades que gostariam de ver divulgadas nos caminhões de<br />

os professores serão incentivados a comparecerem à nova assembleia e apresenta-<br />

A postura discriminatória foi rechaçada pelos participantes, que consensualmente<br />

deliberaram pela convocação de nova assembleia para as 11 horas do dia 19 de<br />

som, garantido o sigilo das fontes.<br />

setembro no Hotel Deville Curitiba, na Rua Comendador Araújo, nº 99, Centro,<br />

oportunidade em que será avaliada a possibilidade de ser deflagrado movimento<br />

de retenção de notas ou de greve por tempo indeterminado.<br />

Na última assembleia afloraram múltiplas insatisfações da categoria. As<br />

críticas passam pela junção arbitrária de turmas sem o pagamento do adicio-<br />

Anelize Diandra de Assis Santos<br />

Todos à assembleia geral de 19 de setembro!<br />

11 horas – Hotel Deville Centro<br />

Professor(a):<br />

No novo Portal do Sinpes o professor e a comunidade encontram todas as informações e conveniências sobre questões da categoria de natureza sindical:<br />

ações judiciais, acordos e convenções coletivas, informes sobre assuntos específicos das IES, histórico de lutas e conquistas. Também estão disponíveis informações<br />

institucionais sobre o Sinpes e links úteis para redes sociais, ficha de filiação e contato.<br />

No novo portal pode ser encontrado o Didata em versão digital. Informe-se pelo Portal do Sinpes: http://sinpes.org.br.


3<br />

abr/15 - set/15<br />

Acordo põe fim<br />

ao impasse na Evangélica<br />

O Sinepe não apareceu na mesa redonda<br />

convocada pelo Sinpes, realizada em 10 de<br />

setembro na Seção de Relações do Trabalho<br />

da Superintendência Regional do Trabalho<br />

e Emprego, desperdiçando assim uma<br />

oportunidade de chegar a um acordo para a<br />

celebração da Convenção Coletiva de Trabalho.<br />

Fac-simile<br />

Em audiência de conciliação e instrução realizada na Justiça do Trabalho (TRT da 9ª Região) em 29<br />

de maio, sob a presidência da desembargadora do trabalho e coordenadora do Núcleo de Conciliação,<br />

Ana Carolina Zaina, o Sinpes e a Sociedade Evangélica Beneficente de Curitiba celebraram acordo que<br />

representou uma saída honrosa para o impasse que se instalou na instituição no início deste ano letivo<br />

devido ao fechamento de cursos seguido de demissões.<br />

Foi fixada indenização compensatória pela dispensa coletiva a ser paga em 24 parcelas mensais<br />

líquidas e fixas a partir de 10 de junho do corrente por meio de liberação da receita bloqueada. Os valores<br />

têm por base os salários praticados em fevereiro de 2015: três salários para quem tem até três anos<br />

de tempo de serviço; cinco salários para<br />

quem tem entre três e cinco anos de<br />

tempo de serviço; e sete salários para<br />

quem tem mais de cinco anos de tempo<br />

de serviço. Professores que prestaram<br />

serviços em maio receberam indenização<br />

adicional correspondente aos dias<br />

efetivamente trabalhados. Professores<br />

que lecionavam nos cursos extintos e<br />

prosseguem atuando no curso de medicina<br />

– o único que permanece ativo<br />

na instituição – tiveram rescisão contratual<br />

parcial, com a correspondente<br />

redução de carga horária.<br />

Valéria Prochmann<br />

Katia Yumi Uchimura, Roseli Deolinda Hauer, Bethania Cristiane<br />

Herrmann, Valdyr Perrini, Jean Carlos Selleti e Denise Agostini na<br />

audiência de conciliação entre Sinpes e Faculdade Evangélica do<br />

Paraná no Tribunal Regional do Trabalho – 29/05/15 – Curitiba<br />

O acordo determina também o<br />

pagamento das verbas rescisórias de<br />

despedida sem justa causa e a regularização<br />

dos depósitos de FGTS. Com relação à ação judicial em que o Sinpes pleiteia multa pelo atraso no<br />

pagamento dos salários, os professores do curso de medicina permanecem a ela vinculados enquanto<br />

que os professores dos cursos extintos deverão reclamar tais verbas individualmente.<br />

Para a diretoria do Sinpes, não fosse a firme determinação do Sindicato em conjunto com alguns<br />

abnegados professores na luta pelo direito das centenas de prejudicados pelo precipitado fechamento<br />

dos cursos promovido às vésperas do Natal de 2014, buscando judicialmente e por meio de diversos<br />

atos públicos a reabertura dos mesmos ou ao menos uma indenização que mitigasse os prejuízos sofridos,<br />

por certo as centenas de famílias prejudicadas ainda estariam a ver navios. Aparentemente o pior já<br />

passou, mas o Sinpes permanece alerta. A proximidade dos interventores designados por indicação do<br />

Ministério Público do Trabalho e as administrações que levaram à derrocada da Sociedade Evangélica<br />

Beneficente recomenda a máxima atenção acerca dos próximos capítulos dessa novela.<br />

Na avaliação da diretoria do Sinpes, as velhas raposas que gestaram o término precipitado dos cursos<br />

desastradamente endossado pelo Ministério Público do Trabalho ainda não se conformaram com as<br />

soluções negociadas. Prova disso é a manifestação encaminhada pelo dirigente defenestrado (segundo<br />

suas próprias palavras) João Jaime Nunes Ferreira para alguns desembargadores do Tribunal Regional<br />

do Trabalho da 9ª Região, em que questiona a licitude do acordo entabulado, sustentando que o valor<br />

do precatório existente diz respeito a valores devidos pela União no âmbito da saúde, os quais não poderiam<br />

ser “desviados” em favor do pagamento do FGTS dos professores e auxiliares de administração<br />

escolar da Fepar, conforme acordado.<br />

O Sinpes reitera que, embora formalmente divididas as intervenções no âmbito educacional e<br />

da saúde, a responsabilidade por todas as dívidas da Sociedade Evangélica Beneficente é desta única<br />

pessoa jurídica mantenedora das faculdades e do hospital e das pessoas jurídicas que a integram (as<br />

diversas igrejas que formaram esta pessoa jurídica). O fato do Sinpes ter sido artificiosamente afastado<br />

da assistência no âmbito das irregularidades do hospital – a verdadeira “caixa preta” da SEB – não exclui<br />

a responsabilidade pelos débitos como um todo por parte dessa pessoa jurídica e das entidades que<br />

a integram.<br />

O outro lado<br />

Até o fechamento desta edição, o Didata não recebeu resposta ao pedido de<br />

esclarecimentos enviado em 9 de setembro deste ano.


4<br />

abr/15 - set/15<br />

Sinpes atua para regularizar salários na Facel<br />

Após ficarem sem salários em<br />

fevereiro, março e abril deste ano,<br />

professores da Facel - Faculdade de<br />

Administração, Ciências, Educação<br />

e Letras conseguiram receber esses<br />

pagamentos no início de junho. Em maio<br />

receberam apenas 47% dos valores dos<br />

salários do mês. Os salários de junho não<br />

foram pagos até o fechamento desta<br />

edição. Na primeira semana de agosto,<br />

foram pagos apenas 30% dos salários<br />

de julho. Para a diretoria do Sinpes,<br />

a situação resulta da má qualidade<br />

da administração e reflete o crônico<br />

desrespeito dos dirigentes da Facel pelo<br />

corpo docente e demais empregados prejudicados.<br />

Em assembleia geral realizada em 2 de junho deste ano, o Sinpes sugeriu<br />

que os pagamentos atrasados fossem efetuados de forma proporcional até<br />

serem totalmente regularizados a todos os professores indistintamente, sem<br />

privilegiar alguns em detrimento de outros (como vinha ocorrendo). Tal sugestão<br />

foi deturpada por boatos espalhados pela instituição de ensino, como se<br />

representasse salvo conduto para que a Facel pagasse parte do salário de um<br />

determinado mês sem ter quitado completamente o débito do mês anterior.<br />

Trata-se de uma clara manobra com o intuito de camuflar a situação e assim<br />

confundir a Justiça do Trabalho, que analisa ações judiciais movidas pelo Sinpes<br />

contra a Facel para regularizar os pagamentos.<br />

Curiosamente, ao ser alertada sobre a possibilidade de protestos capitaneados<br />

pelo Sinpes em um caminhão de som nos minutos que antecedem o<br />

início das aulas, a mantenedora conseguiu o numerário necessário para regularizar<br />

os salários dos professores um dia antes da realização da assembleia da<br />

categoria em junho passado. Os protestos só não foram retomados até agora<br />

porque o Sinpes atende ao apelo de alguns professores para quem a iminente<br />

venda da Facel a um grupo educacional interessado poderia ser prejudicada. O<br />

Marcelo Caetano<br />

Sinpes decidiu conceder prazo de 30 dias<br />

a partir de meados de agosto deste ano<br />

para que a venda seja concretizada e os<br />

salários sejam regularizados (com ou sem<br />

venda). Findo este prazo e não colocados<br />

em dia os salários, o Sindicato pretende<br />

retomar a mobilização com a convocação<br />

de uma assembleia geral para decidir sobre<br />

as medidas a serem tomadas.<br />

No âmbito judicial, desde o final de<br />

2014 o Sinpes pleiteia junto à 13ª Vara do<br />

Trabalho de Curitiba a concessão de medida<br />

cautelar para que os valores oriundos<br />

das mensalidades escolares sejam<br />

bloqueados e utilizados prioritariamente para pagamento dos salários atrasados,<br />

a exemplo de medida semelhante conquistada nos casos das faculdades<br />

Evangélica e Espírita. Em audiência realizada em 23 de junho, a Justiça do Trabalho<br />

concedeu prazo para que a empregadora demonstre o efetivo pagamento<br />

dos salários devidos. Representantes da instituição assumiram compromisso de<br />

regularizar tudo somente em outubro, posicionamento que o Sinpes não pretende<br />

endossar.<br />

Desde 2012 tramita outra ação do Sinpes contra a Facel na Justiça do Trabalho.<br />

Sentença proferida pela juíza Anelore Rothenberger Coelho em 8 de maio<br />

deste ano determinou à Facel o pagamento do FGTS e de multa pelos sucessivos<br />

atrasos salariais. Ambas as partes já recorreram da decisão e a palavra final será<br />

dada por uma turma do TRT. O Sinpes manifesta sua contrariedade em relação<br />

ao entendimento da magistrada segundo o qual os autores devem executar a<br />

decisão individualmente.<br />

O outro lado<br />

Até o fechamento desta edição, o Didata não recebeu<br />

resposta ao pedido de esclarecimentos enviado em 9 de setembro deste ano.<br />

Justiça equipara tutor a professor<br />

Em maio deste ano, a juíza da 2ª Vara do Trabalho de Curitiba,<br />

Lisiane Sanson Pasetti Bordin, acolheu pleito de ex-professor da<br />

Ação Educacional Claretiana no sentido de equiparar a função de<br />

tutor à de professor para fins de cálculo de hora-aula, hora-atividade,<br />

aviso prévio, terço de férias, 13º salário e FGTS.<br />

A decisão é considerada importante pelo Sinpes para servir<br />

como referencial às demais instituições de ensino, muitas das quais<br />

insistem em pagar valores inferiores aos professores em funções<br />

de tutoria.<br />

O Sinpes tem recebido denúncias de que nos cursos mantidos<br />

pelo Dom Bosco os tutores vêm sendo enquadrados como auxiliares<br />

de administração escolar, na contramão do que foi definido pela<br />

decisão judicial referida.<br />

O outro lado<br />

Em atenção ao pedido de esclarecimentos do Didata, a Ação Educacional<br />

Claretiana respondeu por meio do advogado José Luiz Mazaron que a lide foi julgada em primeira<br />

instância e já houve recurso ordinário ao Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região. Os tutores do<br />

EaD do Claretiano, em diversos julgamentos, tanto em primeira como em segunda instância, não<br />

foram considerados professores, já que exercem atividade diversa da função de professor. Para a<br />

instituição, “as funções de tutor e professor não são iguais”, citando como exemplo os Referenciais de<br />

Qualidade para a Educação Superior a Distância do Ministério da Educação, que apresentam detalhadamente<br />

o múnus dos profissionais envolvidos no ensino a distância. A instituição menciona ainda<br />

o Instrumento de Avaliação de Cursos de Graduação presencial e a distância, que em seu glossário<br />

apresenta as definições das funções de tutoria a distância e presencial como “exercício de função não<br />

docente”. Além disso, a jurisprudência reconhece a diferença do múnus entre professor e tutor conforme<br />

explicita recente decisão do TST no sentido de que o tutor não exerce o múnus de professor. O<br />

advogado afirma que, em primeira instância, na Comarca de Batatais/SP – sede do Claretiano – nunca<br />

houve uma decisão equiparando tutor a professor, sendo, portanto, prematura qualquer análise:<br />

“Devemos aguardar o pronunciamento das cortes superiores”.


5<br />

abr/15 - set/15<br />

Espírita abre vestibular<br />

em plena crise<br />

Mesmo estando sob intervenção judicial e sendo acionada pelo<br />

Sinpes pelo calote dado nos professores, as Faculdades Integradas Espírita<br />

abriram vestibular e cursos de pós-graduação este ano. A instituição criou<br />

uma página na Internet para anunciar o vestibular, cuja inscrição deveria<br />

ser realizada diretamente na sede “ou por telefone” – (41) 31557120 ou<br />

31557117 – das 10h30 às 21 horas.<br />

Há relatos de que a instituição – apesar de requerer diversos documentos<br />

– não forneceu documentação aos estudantes no intuito de evitar<br />

eventuais transferências. Comenta-se que a instituição abriu vestibular<br />

para impedir o leilão do terreno para honrar suas dívidas. Ao tomar conhecimento<br />

da penhora do imóvel sede das Faculdades Espírita em processo<br />

judicial, o Sinpes protocolou petições em todas as ações de sua autoria<br />

solicitando a reserva de valores remanescentes, a fim de que os professores<br />

sejam incluídos na lista de beneficiados daquela demanda. O bem está<br />

avaliado em R$ 19.000.000,00 e vendido judicialmente por R$ 9.600.000,00.<br />

A exemplo de prática utilizada pelos seus antecessores, o interventor<br />

em exercício Fernando Azevedo embargou a venda do imóvel alegando<br />

preço vil, com mínimas chances de reverter a transação.<br />

No momento, tramitam quatro ações judiciais movidas pelo Sinpes<br />

que tratam da cobrança de direitos trabalhistas tais como multas convencionais<br />

por atraso no pagamento dos salários, danos morais, férias, terço<br />

constitucional, gratificações natalinas (13º salário), diferenças de FGTS e<br />

verbas devidas a professores em face das rescisões dos contratos de trabalho.<br />

Uma vez ratificada pela Justiça a venda do campus universitário, a mais<br />

antiga terá prioridade no recebimento dos créditos existentes.<br />

O Sinpes pleiteia ainda a penhora dos valores dos aluguéis de salas de<br />

aula para pagar as dívidas trabalhistas.<br />

O outro lado<br />

Até o fechamento desta edição, o Didata não recebeu<br />

resposta ao pedido de esclarecimentos enviado em 9 de setembro deste ano.<br />

Faec também atrasa<br />

pagamento de salários<br />

Denúncias recebidas pelo Sinpes apontam que a Faec - Faculdade<br />

Educacional de Colombo tem atrasado o pagamento dos salários de seus<br />

professores. Também foi denunciada a falta de recolhimento regular do<br />

FGTS desde 2010. Nem mesmo os professores que estão sendo desligados<br />

têm recebido esses créditos.<br />

O outro lado<br />

Em resposta ao pedido de esclarecimento enviado<br />

pelo Didata, a diretora de Regulação e Supervisão da Faec, Lindslei<br />

Monteiro Antunes, informou que “os pagamentos dos professores estão<br />

saindo rigorosamente em dia”.<br />

MEC instaura intervenção<br />

na Uniandrade<br />

Em 8 de junho deste ano, a Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior<br />

do Ministério da Educação publicou em Diário Oficial da União a Portaria nº 455, que instaura<br />

processo administrativo em face do Centro Universitário Campos de Andrade com vistas à<br />

aplicação de penalidades devido à conduta de seu representante legal, incompatível com a<br />

mantença de instituição de ensino superior no Sistema Federal de Ensino.<br />

A portaria determina que sejam sobrestados todos os processos de regulação em trâmite<br />

no Sistema e-MEC relativos a autorizações de cursos, aditamentos aos atos de credenciamento<br />

ou recredenciamento que impliquem na expansão do número de vagas, vedando<br />

também a abertura de novos processos com tais finalidades. Durante o período de vigência<br />

da medida cautelar, fica suspenso o ingresso em todos os cursos de graduação, pós-graduação<br />

e sequenciais por meio de processos seletivos para admissão em vagas iniciais, transferências<br />

ou qualquer outra forma. Também foram suspensos novos contratos de Fies (Financiamento<br />

Estudantil) e Prouni (Programa Universidade para Todos), bem como ficou restrita a<br />

participação no Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego).<br />

Para a diretoria do Sinpes, finalmente o MEC toma uma providência com relação à<br />

Uniandrade, que há muitos anos vem desrespeitando estudantes, professores e demais<br />

empregados, bem como a sociedade em geral, com suas práticas abusivas, ofensivas e indignas<br />

para uma instituição de ensino superior.<br />

O outro lado<br />

“Esta questão é passada e já está resolvida. Como bem citado, se trata<br />

da mantenedora e nada interviu no bom andamento da rotina pedagógica da Uniandrade”,<br />

declara o Centro Universitário Campos de Andrade em resposta ao pedido de esclarecimentos<br />

do Didata. A instituição alega ser avaliada com excelentes conceitos pelo Ministério<br />

da Educação e contar com ótimos mestres e doutores gerindo o ensino. Afirma dispor de<br />

uma maravilhosa estrutura e uma biblioteca com notório acervo para uso e capacitação<br />

dos seus acadêmicos: “Além de renomados profissionais, a Uniandrade forma, acima tudo,<br />

cidadãos. A instituição sempre zelou pela comunidade na qual está inserida e por isso desenvolve<br />

grandes trabalhos sociais”. Entre os trabalhos citados estão atividades com moradores<br />

de rua de Curitiba – tais como cortes de cabelos e higienização – e outros serviços<br />

sociais realizados pelo curso de enfermagem. A instituição informa estar com inscrições<br />

abertas para o vestibular agendado a partir de decisão judicial que reconhece a qualidade<br />

da Uniandrade e aponta o não envolvimento nas citações referentes à sua mantenedora.<br />

Finalmente, segundo a instituição, todas as responsabilidades administrativas junto aos<br />

docentes estão em dia e estes estão trabalhando pelo melhor ensino.


6<br />

abr/15 - set/15<br />

PUCPR I<br />

Trapalhadas na folha de pagamento<br />

e no controle do ponto<br />

Ao invés de racionalizar o processo, a terceirização da folha de pagamento da<br />

PUCPR tem gerado diversas trapalhadas, com erros reiterados nos lançamentos<br />

de holerites de professores. Entre os lapsos estão lançamentos em duplicidade<br />

da contribuição previdenciária e referentes aos valores da complementação<br />

pedagógica acordados com a instituição.<br />

Para preservar os direitos do corpo docente, o Sinpes convocou mesa<br />

redonda na Seção de Relações do Trabalho da Superintendência Regional do<br />

Trabalho e Emprego, realizada em 9 de junho. Na oportunidade, denunciou o<br />

descumprimento da legislação trabalhista por parte da PUCPR, que atribuiu os<br />

erros a “mudanças no sistema” e comprometeu-se a regularizar a situação até<br />

agosto. O Sinpes manteve reunião com representantes da PUCPR em 25 de junho,<br />

a fim de solucionar pendências na interpretação dos termos do acordo coletivo<br />

celebrado em dezembro de 2014. Na oportunidade também foram apresentados<br />

protestos com relação às novas regras de distribuição e controle da jornada de<br />

trabalho implantadas pela PUCPR descumprindo o compromisso de discuti-las<br />

previamente com o Sinpes.<br />

O Sinpes tem mantido diversas reuniões com representantes da PUCPR<br />

a fim de solucionar pendências na interpretação dos termos do acordo<br />

coletivo celebrado em dezembro de 2014 e minimizar prejuízos resultantes do<br />

entendimento adotado para algumas das cláusulas por parte da administração<br />

da instituição.<br />

Nesse sentido os interessados podem consultar no sítio eletrônico do Sinpes<br />

(www.sinpes.org) a minuta de termo aditivo ao acordo coletivo celebrado em<br />

dezembro que está em discussão com os professores em assembleia geral e<br />

em rápidas reuniões realizadas nas salas dos professores no curso de setembro.<br />

Ali também há notícia da relação dos professores que serão afetados direta ou<br />

indiretamente por este novo acordo.<br />

Jornada de trabalho<br />

Os protestos reiterados do Sinpes contrários à determinação para que o<br />

ponto fosse assinado no início e no final de cada período letivo surtiram efeitos e<br />

o registro do ponto retornou para a sistemática tradicional neste particular.<br />

Falta ainda a Universidade cumprir o compromisso de formalizar as novas<br />

regras acerca da distribuição e controle da jornada de trabalho com as diversas<br />

sugestões dos professores acatadas pela pró-reitoria de Graduação nas<br />

históricas reuniões de que participou no TUCA com os professores interessados<br />

e nas diversas negociações entabuladas com o Sinpes que tiveram este assunto<br />

como tema.<br />

Entre as reivindicações acolhidas encontram-se:<br />

e a possibilidade do professor trabalhar 10 horas-aulas diárias pela sistemática<br />

de compensação individual de jornadas, desde que não exceda o limite<br />

legal de seis horas-aulas intercaladas e quatro horas-aulas consecutivas;<br />

e a permissão para que o labor extraclasse possa ser desenvolvido entre<br />

7h05min e 7h50min por aqueles professores interessados, desde que<br />

observado o intervalo interjornadas de 11 horas;<br />

e o registro das atividades de orientação de trabalhos de conclusão de curso<br />

e de PIBIC como trabalho externo para todos os cursos, sem controle<br />

específico de jornada, visto que pelas suas peculiaridades pode ser<br />

realizado fora das dependências da Universidade.<br />

Segundo a diretoria do Sinpes, no auge das escaramuças trocadas entre a<br />

Universidade e o Sindicato no que se refere às novas regras de distribuição e<br />

controle da jornada de trabalho implantadas pela PUCPR sem prévia discussão<br />

com a entidade, esta fez o seguinte alerta, em panfleto distribuído perante a<br />

comunidade acadêmica:<br />

“Embora a organização empresarial de controle fidedigno de horários de<br />

expediente seja prerrogativa legal do empregador que, portanto, prescinde da<br />

colaboração sindical, a inconveniência de diversas picuinhas inseridas nas novas<br />

regras desgasta o ambiente organizacional”. Na análise do Sinpes, as draconianas<br />

regras implantadas de forma autoritária, longe de apenas retratar a real jornada<br />

de trabalho do empregado, na verdade pretendiam apenas e tão somente evitar<br />

o registro de quaisquer horas extras porventura prestadas, salvaguardando a<br />

instituição em eventuais ações judiciais.<br />

No curso das extensas negociações entabuladas com a pró-reitoria de<br />

Graduação, o Sinpes teve o cuidado de defender de forma intransigente um<br />

sistema de controle de ponto simples, que respeite os direitos trabalhistas e<br />

retrate com fidelidade a real jornada de trabalho dos professores, conforme a<br />

realidade da vida.<br />

PUCPR II<br />

Transparência nos concursos<br />

Órgão de assessoria da Pró-Reitoria de Graduação, Pesquisa e Pós-<br />

Graduação da PUCPR para assuntos pertinentes à admissão e à ascensão de<br />

professores, a Comissão Permanente da Carreira Docente está debatendo<br />

formas de dar mais transparência e objetividade aos concursos. É composta<br />

por sete membros titulares e sete suplentes.<br />

A promoção de concursos para admissão de novos professores é considerada<br />

pela diretoria do Sinpes uma sistemática imprescindível para combater<br />

práticas como compadrio e tráfico de influência nos processos seletivos.<br />

Na busca de critérios objetivos para evitar manipulações nas admissões e<br />

assegurar que os processos sejam justos, resultando em qualidade do ensino,<br />

a CPCD se debruça sobre as alternativas disponíveis para o aperfeiçoamento<br />

do processo.


7<br />

abr/15 - set/15<br />

PUCPR III<br />

Todo cuidado é pouco<br />

A assinatura de termos aditivos ao contrato de trabalho exigida de alguns<br />

professores que desde há muito trabalham em tempo integral sob o pretexto<br />

de “regularizar” supostas substituições de professores afastados há longo tempo,<br />

constitui forma grosseira e ilegal de redução da carga horária. A convenção<br />

cole tiva de trabalho, ao permitir a redução da carga horária dos professores na<br />

hipótese “de exclusão das aulas excedentes acrescidas à carga horária do docente<br />

em caráter eventual ou por motivo de substituição”, por suposto se refere<br />

a substituições temporárias, não se aplicando a situações consolidadas no tempo<br />

por anos e em alguns casos até décadas.<br />

Situações como essa alimentam a desconfiança de muitos professores da<br />

PUCPR de que a centralização da administração e da distribuição de carga horária<br />

implantada pela administração do Grupo Marista volta-se apenas para evitar condenações<br />

trabalhistas, maquiando situações completamente indefensáveis.<br />

Em relação aos professores licenciados há longo tempo, é louvável que a<br />

PUCPR busque a regularização desses docentes até porque – segundo polêmica<br />

interpretação das normas educacionais e trabalhistas que a Universidade faz –<br />

eles permanecem “ocupando” vagas que impedem a ascensão funcional de<br />

professores da ativa mesmo com seus contratos de trabalho suspensos.<br />

O Sinpes considera evidente ser totalmente ilícito promover tal regularização<br />

à custa das aulas de professores que trabalham pela sistemática de dedicação<br />

integral.<br />

O outro lado<br />

Até o fechamento desta edição, o Didata não recebeu<br />

resposta ao pedido de esclarecimentos enviado em 9 de setembro deste ano.<br />

Vários ex-professores que foram beneficiados pelo acordo coletivo<br />

celebrado entre o Sinpes e a PUCPR ainda não se apresentaram para<br />

receber seus créditos financeiros. Por esse motivo, o Sinpes publica a<br />

relação dos professores, que devem procurar a agência do HSBC da<br />

PUCPR para levantar seus créditos.<br />

Os dependentes previdenciários dos antigos professores já falecidos<br />

ou seus sucessores devem comparecer à sede do Sindicato com a<br />

certidão dos dependentes do professor beneficiado habilitados junto<br />

à Previdência Social ou certidão negativa destes dependentes e comprovante<br />

dos herdeiros existentes de acordo com a lei civil. De posse<br />

destes documentos, o Sinpes providenciará perante o juiz trabalhista<br />

alvará que autorize a liberação dos valores em favor dos credores.<br />

Mardson Freitas de Amorim<br />

Maria Angela Naval Machado<br />

Maria Lucia Wambier Kluppel<br />

Marlise Sapiecinski<br />

Nadia Ines Fontana Bejes<br />

Ney Jose Lins De Alencar<br />

Norimasa Ishikawa<br />

Norton Frehse Nicolazzi<br />

Olivir Sebastiao Malavski<br />

Patricia de Araujo Rodrigues<br />

PUCPR IV<br />

Professores<br />

com créditos<br />

Paulo Fernando da Silva Moraes<br />

Paulo Vinicius Woslki Radtke<br />

Roberta Feijo Ortolani Galon<br />

Robson Seleme<br />

Roggi Attilio Ercole Filho<br />

Salete do Rocio Cavassin Brandalize<br />

Sandra de Fatima Kruger Gusso<br />

Sandra Honorato da Silva<br />

Telma Fontoura<br />

Controle excessivo constrange professores<br />

O Sinpes recebeu reclamações de professores do Centro Tecnológico da<br />

Uni versidade Positivo segundo as quais o NA (Núcleo de Apoio) vem exercendo<br />

controle excessivo e constrangedor sobre a atividade docente.<br />

Segundo relatos, em caso de atraso de dois minutos na chegada, o professor<br />

recebe chamada no celular questionando o motivo. No término do intervalo de<br />

20 minutos, ouve-se um bedel chamando: “Vamos para a sala, professores!” Empregados<br />

da instituição percorrem as salas o tempo todo fazendo inspeções. Se o<br />

professor estiver no fundo da sala, por exemplo, o bedel abre a porta para verificar<br />

o que está acontecendo.<br />

Como se não bastasse, o tal NA deve ser previamente avisado quando houver<br />

alguma possibilidade de os alunos saírem antes do horário quando ocorrem avaliações,<br />

por exemplo. Ou seja: o professor não tem liberdade de cátedra sequer<br />

para aplicar uma avaliação sem o conhecimento do NA! O professor que não avisa<br />

previamente é instado a apresentar uma justificativa. Se algum aluno se retira da<br />

aula mais cedo, um bedel vai bater à porta da sala para questionar o motivo.<br />

Os mecanismos de controle abusivos interferem na liberdade de cátedra e<br />

na autonomia didática do professor. Tratam o docente de maneira infantilizada,<br />

como se não tivesse condições de exercer suas responsabilidades. Tal pressão<br />

tem sido fator de irritação e desmotivação no ambiente de trabalho, gerando<br />

atritos desnecessários.<br />

O Sinpes está colhendo subsídios sobre o assunto e pretende adotar medidas<br />

legais para preservar a dignidade da função docente, a exemplo do que já fez em<br />

passado recente com a PUCPR quando da implantação de controles atentatórios<br />

à dignidade docente por meio de famigerados bedéis.<br />

O outro lado<br />

Até o fechamento desta edição, o Didata não recebeu<br />

resposta ao pedido de esclarecimentos enviado em 9 de setembro deste ano.


8<br />

abr/15 - set/15<br />

PUCPR V<br />

Despedidas imotivadas prejudicam ensino<br />

Irreverência e senso crítico<br />

Doutor com mais de 30 anos de magistério na PUCPR, o professor de filosofia<br />

Cleverson Leite Bastos foi demitido no meio do primeiro semestre deste ano em decorrência<br />

da total incapacidade da instituição para gerenciar conflitos no ambiente<br />

de trabalho. Trata-se de professor amplamente reconhecido por seu talento para a<br />

docência, capacidade intelectual e elevada competência. Sua demissão gerou forte<br />

descontentamento entre os estudantes, que fizeram uma mobilização contra a medida<br />

adotada pela PUCPR.<br />

Irreverente e adepto de estratégias pedagógicas que instigam o aluno a aguçar<br />

o senso crítico e abandonar preconceitos e velhas opiniões, transformando os agentes<br />

do conhecimento em verdadeiras metamorfoses ambulantes, inspirados no velho<br />

filósofo Raul, sua demissão gerou forte descontentamento por parte de estudantes e<br />

também do corpo docente, segundo constatou a diretoria do Sinpes.<br />

Tantas qualificações, aliadas à intensa produção literária, renderam-lhe emblemática<br />

homenagem em 2013 mediante a publicação de livro “Filosofia e Direito: Reflexões<br />

– Um Tributo ao Professor Cleverson Leite Bastos”, organizado pelo professor Gilson<br />

Bonato, em parceria com os seguintes expoentes da área de direito e filosofia:<br />

- José Laurindo de Souza Netto, desembargador junto ao Tribunal de Justiça do<br />

Estado do Paraná;<br />

- Jacinto Nelson Miranda Coutinho, doutor, professor titular da UFPR, advogado<br />

criminalista e procurador do Estado do Paraná;<br />

- Kleber Bez Birolo Candiotto, doutor, decano da Escola de Educação e Humanidades<br />

da PUCPR;<br />

- Bortolo Valle, doutor que já figurou como diretor do curso de direito da PUCPR;<br />

- Leo Peruzzo, doutor e professor do curso de mestrado da PUCPR;<br />

- Carlos Luiz Strapasson, professor de direito constitucional da Fesp e da Faculdade<br />

de Direito Curitiba.<br />

Em maio deste ano o professor envolveu-se em polêmica com alguns alunos, a<br />

qual culminou com a sua despedida em represália a uma carta que encaminhou para<br />

o arcebispo metropolitano Dom José Antônio Peruzzo, grão chanceler da PUCPR, ao<br />

reitor Waldemiro Gremski e a outras autoridades universitárias, denunciando o rigor<br />

com que julgava estar sendo tratado.<br />

Na avaliação da diretoria do Sinpes, em face da centralização administrativa implantada<br />

pelo Grupo Marista, que esvaziou o poder dos decanos e diretores de curso,<br />

nem mesmo a relação fraterna que até então Cleverson mantinha com seus superiores<br />

hierárquicos, conhecedores de seu grande talento, foi suficiente para que fosse poupado<br />

da despedida abusiva que lhe foi impiedosamente infligida. A maior indignação<br />

de Cleverson é o fato de que outros professores se envolveram em polêmicas muito<br />

mais graves no âmbito do curso de filosofia tiveram sua liberdade de cátedra e seu<br />

direito de livre manifestação preservados.<br />

A título de exemplo, Cleverson cita o professor Francisco Boca Verdi, das disciplinas<br />

de psicanálise e história da filosofia, partícipe de técnicas pedagógicas muito mais ousadas<br />

e irreverentes do que as postas em prática por ele. Tal professor certa feita, no afã<br />

de escandalizar e chamar a atenção de seus alunos, procedeu a uma ousada analogia<br />

entre a relação do crente para com a Eucaristia com a do dependente para com a droga.<br />

Algum tempo depois foi mais além: fez alusões de natureza sexual à famosa estátua de<br />

Michelangelo, Pietá, envolvendo ninguém menos do que a Virgem Maria.<br />

Estes fatos polêmicos suscitaram acaloradas discussões na sala de aula e tiveram<br />

até mesmo repercussão internacional, representada por uma carta de desagravo oriunda<br />

de ninguém menos do que o núncio apostólico do Vaticano no Brasil solicitando a<br />

sua sumária demissão. Nesse caso nem a intervenção indireta do Papa foi suficiente<br />

para que o professor, cujos comentários foram interpretados como efetivados dentro<br />

de um contexto pedagógico, sofresse qualquer represália.<br />

No entender de Cleverson sua postura também deveria ser assimilada dentro do<br />

âmbito da livre manifestação e da liberdade de cátedra, não se conformando com o<br />

rompimento de seu contrato em meio ao semestre letivo.<br />

Combatividade<br />

A despedida imotivada do professor de direito penal José Rodrigues da Silva deixou<br />

perplexa a comunidade acadêmica. Trata-se de professor que atuou por 17 anos<br />

na instituição tendo prestado concurso interno para efetivação. A dispensa seguiu-se<br />

à desativação do campus de São José dos Pinhais, apesar do compromisso prestado<br />

publicamente por representantes da PUCPR de que todos os professores seriam migrados<br />

para a sede em Curitiba sem alteração em suas cargas horárias. Em 2014 chegou<br />

a ser sondado pela direção do curso para assumir o escritório modelo de São José dos<br />

Pinhais, a coordenação da orientação de monografias e módulo temático. Porém em<br />

dezembro surpreendentemente o professor foi convocado a assinar sua demissão enquanto<br />

ainda perduravam atividades a realizar em São José dos Pinhais.<br />

Depois de uma trajetória combativa, porém cordial e respeitosa na luta pelos<br />

direitos dos professores da PUCPR, Rodrigues – que também era dirigente da APPUC<br />

– pleiteia agora a reintegração e outros direitos trabalhistas por meio de ação judicial<br />

alegando que sua despedida caracteriza uma postura antiassociativa do Grupo Marista.<br />

Pesquisa desperdiçada<br />

Após receber suspensão disciplinar no período compreendido entre 06 e 10 de<br />

março deste ano, por supostamente ter “apresentando comportamento não condizente<br />

com as normas internas da empresa, sobretudo no que pertine ao descumprimento<br />

de suas atribuições como empregado, apresentando comportamento em desacordo<br />

com os valores da Instituição” não restou ao professor Nei Hassen de Almeida qualquer<br />

alternativa honrosa senão formular solicitação de rescisão indireta de seu contrato de<br />

trabalho, pois a PUCPR agiu com rigor excessivo e descumpriu as mais elementares<br />

obrigações contratuais.<br />

Para a diretoria do Sinpes, como resultado da total ausência de sensibilidade e de<br />

competência por parte dos gestores da PUCPR, lá se vão anos de pesquisas desperdiçadas<br />

no campo do biodiesel. Durante muito tempo o professor Nei exerceu a função de<br />

diretor do curso de engenharia química, sendo responsável por quadruplicar o número<br />

de alunos ali matriculados comparando-se o ano anterior e posterior ao período de sua<br />

gestão. Em 2008 chegou a pontificar em material publicitário publicado pela PUCPR no<br />

jornal Gazeta do Povo, em que foram destacados seus trabalhos científicos e o fato da<br />

Universidade figurar como a “1ª instituição particular em pesquisa e número de pesquisadores<br />

do Paraná”.<br />

Obstinado pela pesquisa científica apesar das péssimas condições que lhe eram<br />

oferecidas, organizou o desenvolvimento de uma série de bem sucedidos projetos<br />

de pesquisa e extensão no âmbito da PUCPR, os quais resultaram na arrecadação de<br />

aproximadamente R$ 2.300.000,00 para a empregadora.


9<br />

abr/15 - set/15<br />

Ultimamente ele vinha atuando com esmero e dedicação em um projeto aprovado pelo<br />

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnologia, apresentado em parceria pela<br />

PUCPR e a UFPR, voltado para validar o biodiesel fabricado na unidade piloto da Universidade,<br />

instalado na Fazenda Gralha Azul, em Fazenda Rio Grande, junto à Agência Nacional do Petróleo.<br />

Para a diretoria do Sinpes, o professor foi carbonizado pela fogueira de vaidades que grassa<br />

entre os responsáveis pela pesquisa na PUCPR e punido por ousar reclamar contra o fato de<br />

que não lhe eram fornecidos nem os materiais nem o pessoal suficiente e especializado para o<br />

regular desenvolvimento desse importante projeto.<br />

A gota d’água ocorreu quando foi comunicado da decisão de que os alunos que colaboravam<br />

com a iniciativa não mais poderiam fazer uso da Kombi da PUCPR para se dirigirem a<br />

Fazenda Rio Grande. Cortados todos os investimentos da instituição em prol do projeto, frustraram-se<br />

os inúmeros compromissos assumidos com a comunidade e com o corpo discente.<br />

Comenta-se nos meios científicos que o fato não passou de perseguição contra posicionamento<br />

por ele sustentado em favor de parceria com o Laboratório de Combustíveis da Universidade<br />

Federal do Paraná, ponto de vista defendido em face da precariedade do material e<br />

da infraestrutura que lhe vinham sendo oferecidos pela PUCPR.<br />

Ata mal redigida<br />

A insistência em ver inserida na ata da reunião do colegiado do curso de odontologia uma<br />

crítica feita contra o uso de um peso e duas medidas na imposição de sanções disciplinares<br />

contra pretensas irregularidades praticadas por docentes, a professora Ana Maria Braga foi<br />

sumariamente demitida no dia anterior à reunião do colegiado que aprovaria ou não a ata da<br />

reunião anterior.<br />

A arbitrariedade ocorreu em meio ao segundo semestre letivo e – para a diretoria do<br />

Sinpes – bem retrata a insegurança e a instabilidade amargadas pelos professores da Pontifícia<br />

Universidade Católica nos últimos tempos.<br />

O outro lado<br />

Até o fechamento desta edição, o Didata não recebeu resposta ao<br />

pedido de esclarecimentos enviado em 9 de setembro deste ano.<br />

APPUC manifestou-se<br />

contrária à demissão<br />

A reportagem do Didata entrevistou o presidente da APPUC e dirigente<br />

do Sinpes, professor de medicina Mauro de Sá Merlin, sobre<br />

os fatos.<br />

Didata: Qual é o posicionamento da APPUC sobre a demissão imotivada<br />

do professor José Rodrigues do quadro do curso de direito da<br />

PUCPR?<br />

Mauro de Sá Merlin: Quando soube da demissão imotivada do<br />

professor José Luiz, membro do Conselho Deliberativo, a APPUC procurou<br />

conversar com o então vice-reitor em exercício, professor Paulo<br />

Mussi, posicionando-se contrária à demissão e tentando, através do<br />

diálogo, revertê-la.<br />

Didata: Antes da demissão ocorrer, representantes da PUCPR (reitoria,<br />

direção do campus SJP e decano) haviam declarado publicamente<br />

em ampla reunião no auditório do campus SJP que os professores<br />

não seriam prejudicados pelo fechamento do curso e seriam migrados<br />

para Curitiba sem alterações nas cargas horárias. Como a APPUC qualifica<br />

essa discrepância entre o discurso e a prática da PUCPR?<br />

Mauro de Sá Merlin: Antes mesmo de acontecer esta reunião, no<br />

dia 21 de agosto de 2012, a APPUC já tinha conversado com o vice–<br />

reitor professor Paulo Mussi. Dessa reunião resultou um documento.<br />

Depois de corrigir o texto, o vice-reitor se negou a assiná-lo juntamente<br />

com a Associação. Apesar de conhecermos a história do “Faça o que eu<br />

digo mas não faça o que eu faço” da Universidade, fomos apanhados<br />

de surpresa com esses atos. Com relação à discrepância entre o discurso<br />

e a prática, qualificamos esta atitude como maléfica à convivência<br />

universitária, pois nenhum órgão – seja a APPUC ou qualquer Sindicato<br />

– pode se basear em promessas e acordos alinhados verbalmente com<br />

a PUCPR.<br />

Didata: Na sua opinião, qual foi a contribuição dada pelo professor<br />

José Rodrigues ao curso de direito da PUCPR durante os 17 anos em<br />

que lecionou (1997-2014)?<br />

Mauro de Sá Merlin: Conheço o trabalho do professor José Luiz<br />

e, por ser seu amigo, não relatarei minha opinião pessoal. Só relatarei<br />

que, como membro da Comissão Permanente da Carreira Docente da<br />

PUCPR, as avaliações institucionais do professor José Luiz – seja através<br />

da auto avaliação docente ou da avaliação discente – sempre foram<br />

extremamente positivas, não havendo em nenhum momento reclamações<br />

a seu respeito. Ademais, no âmbito da diretoria da APPUC, este<br />

professor sempre agiu de forma independente e aguerrida, oferecendo<br />

importantes contribuições para as lutas levadas a cabo pelos dirigentes<br />

da Associação no curso dos últimos anos. A APPUC, ao contrário<br />

das associações que existem por aí, não restringe seu trabalho apenas<br />

e tão somente à recreação e ao entretenimento do professor. Vai bem<br />

mais além, atuando para preservar e ampliar os direitos trabalhistas de<br />

seus associados. Justamente neste campo de atuação o professor José<br />

Rodrigues é um companheiro e tanto.<br />

Didata: O que a APPUC tem feito para prevenir demissões imotivadas<br />

de professores?<br />

Mauro de Sá Merlin: Infelizmente a APPUC não tem poder legal<br />

de anular ou questionar juridicamente as demissões imotivadas, poder<br />

este exclusivo dos sindicatos. Em vista disto, tentamos reverter a<br />

situação através do diálogo – na maioria das vezes ignorado pela instituição.<br />

A APPUC procura apoiar o professor e orienta-o a procurar seus<br />

direitos trabalhistas junto ao Sinpes.


10<br />

abr/15 - set/15<br />

A volta do bom astral?<br />

Professores e alunos da Unicuritiba respiravam aliviados no início do semestre<br />

letivo com a notícia da queda do pró-reitor acadêmico professor Adriano Rogério<br />

Goedert, aquele que – conforme denunciou o Sinpes – implantou a vigilância sobre<br />

os professores inspirado no macarthismo de Walt Disney e seus personagens.<br />

Quem conhece, como o Sinpes, as trapalhadas que o sucessor André Gontijo<br />

Resende promoveu na FAE, por enquanto não tem motivos para comemorações.<br />

O Sinpes adverte: não se iludam aqueles que acreditaram na estória da “profissionalização”<br />

da Unicuritiba. Poucas mudanças devem ser esperadas com a propalada<br />

“profissionalização”!<br />

Segundo o Sinpes, os ilustres integrantes da família Vianna continuam reunindo-se<br />

todas as semanas às segundas ou terças-feiras e aos domingos ao sabor<br />

de uma suculenta macarronada – com direito a palpites da matriarca – para gestar<br />

as diretrizes da instituição de ensino. E mesmo fisicamente distantes nos demais<br />

dias da semana, não deixaram de acreditar que o gado cresce mesmo é com o<br />

olho do dono.<br />

O outro lado<br />

Até o fechamento desta edição, o Didata não recebeu<br />

resposta ao pedido de esclarecimentos enviado em 9 de setembro deste ano.<br />

Picler profere palestra para<br />

abduzidos e contatados<br />

Fapar usa artimanha<br />

para burlar horas extras<br />

“A história de quem esteve frente a frente com eles” foi o tema geral do III<br />

Fórum Mundial de Contatados, realizado de 12 a 14 de junho em Porto Alegre<br />

(RS). A página oficial na Internet define o evento como “o maior encontro de<br />

abduzidos, testemunhas e contatados do mundo”.<br />

Entre os 16 conferencistas estava ninguém menos que o empresário Wilson<br />

Picler, proprietário do Grupo Uninter - Centro Universitário Internacional. O tema<br />

apresentado por ele foi “Os contatos de humanos com extraterrestres devem<br />

receber tratamento científico”. Na descrição da conferência consta que “a ufologia<br />

há pelo menos quatro anos passou a ser considerada assunto de segurança<br />

nacional em vários países que mantêm programas governamentais de pesquisas<br />

ufológicas”. Segundo a resenha, “aqui e ali membros da ciência acadêmica<br />

têm se interessado pelo tema, mas ainda de maneira pouco ativa e desconexa”.<br />

O conferencista propõe promover a mais ampla aceitação possível da ufologia<br />

como área científica, tendo a pesquisa das abduções alienígenas como canal e<br />

por meio da conscientização da presença alienígena na Terra.<br />

Na tentativa de burlar o pagamento de horas extras, a Faculdade<br />

Paranaense - Fapar adota duas inscrições no CNPJ – uma para cada campus,<br />

ambos em Curitiba – para celebrar dois contratos de trabalho com um<br />

mesmo professor. A artimanha foi detectada pelo Sinpes por ocasião das<br />

homologações das rescisões de contratos de trabalho.<br />

Na avaliação do Sinpes, a manobra pode ser facilmente invalidada na<br />

Justiça do Trabalho em ações individuais com base no artigo 9º da CLT, que<br />

considera nulos todos os atos praticados com a finalidade de fraudar os<br />

direitos trabalhistas dos empregados.<br />

O evento também ofereceu um “workshop especial sobre abduções alienígenas<br />

em rituais xamânicos”. As inscrições ao Fórum custaram entre R$ 240,00 e<br />

R$ 360,00.<br />

Enquanto isso, Pelé continua sendo o garoto propaganda dessa instituição<br />

de ensino superior ao propiciar a divulgação da imagem do dirigente da Uninter<br />

que – na avaliação do Sinpes – se utiliza dessa estratégia para burlar as regras eleitorais<br />

e promover-se com vistas à eleição para prefeito municipal no próximo ano.<br />

O outro lado<br />

Até o fechamento desta edição, o Didata não recebeu<br />

resposta ao pedido de esclarecimentos enviado em 9 de setembro deste ano.<br />

O outro lado<br />

A Faculdade Paranaense - FAPAR respondeu ao pedido<br />

de esclarecimentos do Didata informando ter apenas uma inscrição no<br />

CNPJ. A outra inscrição pertence à Faculdade Curitibana - FAC. Ambas as<br />

faculdades têm mantenedoras distintas. Há professores que lecionam na<br />

FAC e também na FAPAR, tendo portanto registros em cada uma dessas instituições,<br />

conforme prevê a legislação. A instituição considerou descabida e<br />

improcedente a pergunta quanto a “burlar horas extras”.


11<br />

abr/15 - set/15<br />

“Me engana que eu gosto”<br />

Denúncia recebida pelo Sinpes em maio deste ano indica que as<br />

Faculdades Santa Cruz divulgaram informações falsas sobre a contratação<br />

de professores a fim de ludibriar o MEC na avaliação.<br />

Listas de professores foram afixadas em edital nos campi Mansur e Bonat<br />

informando suas respectivas formações acadêmicas, titulações, cursos em<br />

que ministram e regimes de contratação. Porém, em muitos casos, o regime<br />

informado – parcial e integral em sua maioria, com pouquíssimos horistas<br />

– não corresponde à realidade, pois quase a totalidade do corpo docente é<br />

formada por horistas.<br />

A situação leva a crer que a intenção da instituição era obter a aprovação<br />

na avaliação do MEC, sob pena de não poder abrir novos vestibulares devido<br />

a pendências diversas. Efetivamente houve a visita do MEC e a consequente<br />

renovação dos cursos da instituição.<br />

Professores denunciantes ficaram revoltados com o uso indevido<br />

de seus dados para ludibriar o MEC, prática considerada como ofensa à<br />

dignidade do trabalhador.<br />

A presença do Sinpes<br />

na audiência pública<br />

sobre terceirização<br />

Assembleia Legislativa<br />

do Paraná – 19/06/15<br />

Claudio Henrique de Castro<br />

A audiência pública foi uma falastrice completa – só teve o nome de<br />

“audiência pública”. Apenas discursos emocionados e contrários à terceirização,<br />

coisas que todos sabem e do senso comum. O projeto é frontalmente<br />

contrário ao interesse dos trabalhadores.<br />

Não houve possibilidade de inscrições para a audiência chamada, erradamente,<br />

de “pública”. Foi uma audiência de compadres, um conjunto de<br />

compadrios do partido que tomou o poder com o discurso da moralidade<br />

e da ética e em defesa dos trabalhadores, mas que de fato se esqueceu das<br />

promessas sociais e eleitorais e mergulhou fundo na corrupção da Petrobrás<br />

e do Mensalão.<br />

Todas as falas estavam previamente acertadas e ninguém – absolutamente<br />

ninguém de fora ou alheio aos partidos políticos ou centrais sindicais<br />

poderia falar.<br />

O outro lado<br />

Até o fechamento desta edição, o Didata não recebeu<br />

resposta ao pedido de esclarecimentos enviado em 9 de setembro deste ano.<br />

Fórceps<br />

Notícias do curso de direito da Faculdade Dom Bosco evidenciam reduções de<br />

carga horária em massa com “concordâncias” extraídas a fórceps dos professores.<br />

A indignação é tamanha a ponto de diversos excelentes profissionais estarem<br />

cogitando promover a rescisão indireta do seu contrato de trabalho.<br />

“Ganham” os acionistas no curto prazo, mas no médio e no longo prazo todos<br />

perdem com a precarização da educação<br />

O outro lado<br />

Até o fechamento desta edição, o Didata não recebeu<br />

resposta ao pedido de esclarecimentos enviado em 9 de setembro deste ano.<br />

À parte do caráter profundamente antidemocrático do evento, resumimos<br />

abaixo o que falaríamos acaso houvesse verdadeiramente uma<br />

“audiência pública” como resultado de uma análise global do Projeto nº<br />

4330 de 2004:<br />

e fragiliza profundamente as relações de trabalho;<br />

e gera um vazio jurídico quanto às convenções coletivas e os sindicatos<br />

que irão representar os terceirizados;<br />

e retira a possibilidade de acordos ou convenções coletivas pela<br />

transito riedade das terceirizações;<br />

e precariza as relações terceirizadas com a real possibilidade de<br />

quarteiri zações e assim por diante;<br />

e retira a possibilidade de progressão na carreira dos trabalhadores<br />

tercei rizados;<br />

e maximiza o lucro dos contratantes exonerando-os de responsabilidades<br />

jurídicas diversas;<br />

e desterritorializa as empresas e os trabalhadores;<br />

e aliena os trabalhadores do processo produtivo e da possibilidade de<br />

rei vindicações trabalhistas e sociais;<br />

e reduz substancialmente o poder sindical ou de ajuste em convenções<br />

co letivas ou acordos coletivos;<br />

e garante a interrupção de trabalho fragilizando a relação de trabalho<br />

de forma a irromper a terceirização a qualquer tempo;<br />

e retira direitos constitucionais fundamentais dos trabalhadores.<br />

Em resumo, o Sinpes é frontalmente contrário ao Projeto nº 4330/2004,<br />

que na maior parte dos seus dispositivos é inconstitucional e fere os<br />

princípios do pleno emprego e da dignidade da pessoa humana.


12<br />

abr/15 - set/15<br />

Terceirização – quem ganha e quem perde<br />

Valdyr Perrini*<br />

A terceirização foi inserida na “Agenda Brasil” pelo presidente do Senado Renan<br />

Calheiros como uma das medidas salvadoras contra a atual crise econômica.<br />

Soa eufemístico o jogo de palavras adotado pela velha raposa que hoje preside<br />

o Senado da República: “Regulamentar o ambiente institucional dos trabalhadores<br />

terceirizados melhorando a segurança jurídica face ao passivo trabalhista<br />

potencial existente e a necessidade de regras claras para o setor.” Será???<br />

Crítico na primeira hora da forma açodada com que Eduardo Cunha levou<br />

o tema à votação na Câmara Federal, breve reflexão sobre o seu currículo leva à<br />

percepção das razões que motivaram metamorfose tão radical. Trata-se de político<br />

que já foi:<br />

e constituinte nota 10 segundo o DIAP;<br />

e defensor do plano Collor, que confiscou a poupança dos trabalhadores e<br />

inimigo de Fernando Collor no ocaso de seu governo;<br />

e aliado de José Sarney e base de apoio a Fernando Henrique Cardoso, inclusive<br />

votando favoravelmente à reeleição sem desincompatibilização.<br />

Sob o aspecto jurídico e econômico a terceirização é um excelente negócio<br />

para alguns poucos setores empresariais, tais como bancos e montadoras de automóveis.<br />

Neles normas legais e negociadas com os sindicatos representativos<br />

garantem tratamento diferenciado aos trabalhadores, o que torna vantajoso para<br />

os empresários fragilizar estas categorias profissionais.<br />

Para os demais ramos da economia, para o setor público e para os trabalhadores<br />

é sempre um mau negócio. Trata-se de velho e desgastado canto da sereia<br />

voltado para a pretensa obtenção de lucro fácil e para uma abstrata e hipotética<br />

contenção de custos, estimulada por alguns poucos vivaldinos que se aproveitam<br />

pessoalmente desta situação para ludibriar incautos.<br />

Exemplifique-se com a recente terceirização selvagem promovida pelo<br />

Grupo Marista em suas instituições hospitalares e educacionais. A suposta “economia”<br />

que deveria ser obtida pela substituição de empregados que ganham<br />

pouco por trabalhadores com salários miseráveis desaparece diante da lucratividade<br />

da empresa constituída para implementar a precarização do trabalho<br />

humano fermentando a insatisfação social.<br />

Basta que se contrate um técnico de boa fé para fazer as contas. Inequívoca<br />

a conclusão de que os poucos reais poupados com a contratação de novos trabalhadores<br />

terceirizados com salários de fome são absorvidos pela mais valia obtida<br />

por parte da empresa prestadora de serviço.<br />

É curioso que – se não fosse a política de terra arrasada que caracteriza o<br />

Grupo Marista, habituado a descartar integralmente os integrantes de sua própria<br />

administração anterior, não deixando ninguém para contar a história – os atuais<br />

administradores estariam cientes de que quando da última frustrada experiência<br />

de terceirização dos estacionamentos da PUC, os resultados ficaram no vermelho!<br />

Quanto à maior eficiência dos serviços de higiene e de segurança – cantada<br />

em prosa e versos pelos gigolôs da terceirização – não passa de mais uma falácia.<br />

Basta que se adentre com os narizes desentupidos nos banheiros do campus do<br />

Prado Velho para se concluir que se trata de mais um belo sofisma!<br />

É evidente que trabalhadores ainda mais mal remunerados que os 1.500 que<br />

foram defenestrados em julho, na calada da noite das férias escolares, sem qualquer<br />

experiência nem treinamento acerca das atividades para as quais foram contratados,<br />

não poderiam prestar serviços mais eficientes!<br />

Para complementar este sinistro quadro representado pela abrupta supressão<br />

de salários que representavam a principal fonte de renda de mais de 1.500<br />

famílias dois fatos causam ainda maior apreensão:<br />

e o silêncio obsequioso representado pela omissão dos dirigentes sindicais<br />

responsáveis por evitar ou pelo menos minimizar o massacre representado<br />

pelas demissões coletivas, que segundo jurisprudência predominante<br />

do TST não são válidas senão precedidas pela negociação de indenização<br />

compensatória (a exemplo da forma ruidosa como atuou o Sinpes no episódio<br />

do fechamento dos cursos da Evangélica);<br />

e a revelação feita por importante personagem vinculado à administração<br />

anterior da PUC/PR, em recente reunião dos docentes do Eixo Humanístico,<br />

de que são antigas e insistentes as sugestões de importantes assessores<br />

administrativos para a terceirização do corpo docente da PUC!<br />

Isto representa sepultar toda a evolução conquistada por sucessivos acordos<br />

coletivos que regulamentaram o plano de cargos e salários dos professores bem<br />

como as progressões e ascensões funcionais desses docentes em troca de 30<br />

dinheiros!<br />

Oxalá o fantasma da terceirização, irmão sedutor xifópago da precarização<br />

do ensino e do trabalho, mantenha-se afastado das instituições de ensino superior<br />

senão pelos efeitos funestos que causa à dignidade da pessoa humana, ao<br />

menos porque suas fantasiosas vantagens são fictícias no cotidiano econômico e<br />

jurídico da maior parte dos setores da economia.<br />

Valdyr Perrini é vice-presidente do Sinpes, professor de direito do trabalho<br />

da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e advogado trabalhista militante


DICA CULTURAL<br />

13<br />

abr/15 - set/15<br />

O que é assédio moral?<br />

É todo tipo de ação, gesto ou palavra que atinja, pela repetição, a autoestima<br />

e a segurança de um indivíduo, fazendo-o duvidar de si e de sua competência,<br />

implicando dano ao ambiente de trabalho, na evolução da carreira profissional<br />

ou na estabilidade emocional e física do assediado. A humilhação repetitiva e de<br />

longa duração interfere na vida do trabalhador de modo direto, comprometendo<br />

sua identidade, dignidade e relações afetivas e sociais, ocasionando danos à saúde<br />

física e mental, constituindo um risco invisível, porém concreto, nas relações e<br />

condições de trabalho.<br />

Como se caracteriza o assédio moral?<br />

Comportamentos negativos – O assédio é expresso por meio de atos negativos<br />

que podem ser desde ataques verbais ou físicos, ou mais sutis, dissimulados<br />

e não declarados abertamente, mas capazes de causar sérios danos psicológicos<br />

à pessoa assediada.<br />

Os atos negativos frequentemente identificados como assédio podem ser:<br />

deterioração proposital das condições de trabalho, ataques às relações sociais da<br />

vítima com isolamento, ataques à vida pessoal, violência verbal, física ou sexual.<br />

Comportamento repetitivo – Para haver assédio moral é necessário que as<br />

condutas negativas sejam repetitivas. Um ato isolado não é considerado assédio<br />

moral, embora possa haver exceção, quando o comportamento é tão severo que<br />

leva a vítima ao estado permanente de medo, por exemplo, no caso de violência<br />

ou ameaça física.<br />

Comportamento duradouro – Os comportamentos de assédio tendem a<br />

durar longo tempo, de meses até vários anos. Em alguns casos, o assédio moral<br />

pode ser resolvido em sua fase inicial por meio de intervenção organizacional ou<br />

iniciativa dos envolvidos ou outras partes interessadas.<br />

Para ser vítima de assédio moral, a pessoa precisa estar em condição de inferioridade<br />

ou incapacidade de defesa.<br />

O assédio pressupõe intenção?<br />

Nem sempre o assédio é intencional. Os atos podem causar efeitos negativos,<br />

mesmo quando o assediador afirme não ter desejado fazê-lo. Nesse caso,<br />

o agressor pratica o assédio, embora ignore a extensão dos efeitos provocados<br />

pelo seu comportamento.<br />

O assédio ocorre apenas entre superior e subordinado?<br />

Não. Embora a situação mais comum seja a do assédio moral partir de um superior<br />

para um subordinado, muitas vezes pode ocorrer entre colegas de mesmo<br />

nível hierárquico ou mesmo partir de um subordinado ou grupo de subordinados<br />

para um superior.<br />

O que não é assédio moral?<br />

É importante diferenciar entre o que é assédio moral e o que não é. Não<br />

é considerado assédio:<br />

conflitos de ideias, opiniões, interesses, quando há igualdade entre os debatedores;<br />

estresse profissional provocado por eventuais picos de trabalho;<br />

más condições de trabalho, excetuando-se quando forem direcionadas a<br />

um único trabalhador;<br />

mudanças ou transferência de função, desde que não tenham caráter puni<br />

tivo ou configurem perseguição;<br />

críticas ou avaliações sobre o trabalho executado desde que sejam fundamentadas<br />

e comunicadas de forma construtiva e respeitosa;<br />

exigência de produtividade, dentro dos parâmetros da razoabilidade;<br />

controle administrativo dos chefes sobre os empregados, desde que<br />

este poder disciplinar do superior hierárquico seja exercido de maneira<br />

adequada.<br />

má organização do trabalho e falta de comunicação, embora possam vir a<br />

favorecer a ocorrência do assédio moral.<br />

Como identificar casos de assédio moral?<br />

Para identificar se o caso constitui-se, efetivamente, em assédio, algumas<br />

perguntas norteadoras devem ser feitas:<br />

O comportamento é importuno ou ofensivo?<br />

O comportamento é considerado inaceitável pelos padrões éticos de conduta?<br />

O comportamento difamou, rebaixou ou causou humilhações ou vergonha<br />

para a pessoa a quem foi dirigido?<br />

O comportamento é prejudicial à saúde ou ao ambiente de trabalho?<br />

A resposta positiva a pelo menos uma dessas perguntas indica a necessi dade<br />

de investigação mais aprofundada da situação.<br />

É possível prevenir o assédio moral?<br />

Sim, através da divulgação de informações sobre o assunto, ressaltando os<br />

valores éticos e sociais que devem ser adotados no ambiente de trabalho, os direitos<br />

e deveres de gestores e trabalhadores.<br />

Importante: a prova do assédio moral deverá ser produzida pela vítima ou<br />

denunciante.


14<br />

abr/15 - set/15<br />

OPINIÃO<br />

A FACE OCULTA DOS PLANOS<br />

DE ENSINO<br />

Aloísio Surgik<br />

De uns tempos para cá, planos e projetos parecem ter virado moda. É plano<br />

daqui, plano de lá; plano anual, plano bienal; plano de economia, planos, planos...<br />

Não importa o resultado; o que importa é planejar.<br />

Desta forma, em tempos de miséria intelectual da privatização do ensino – só<br />

tem acesso ao saber quem pode pagar –, até mesmo o direito natural do conhecimento<br />

passou a ser subordinado à síndrome dos planos, como se as exigências<br />

do mercado consumidor garantissem a boa qualidade da educação.<br />

E assim, a obrigatoriedade da elaboração de minuciosos planos de ensino, a<br />

cada início de semestre, vem atormentando a vida dos pobres professores, como<br />

se não tivessem mais o que fazer.<br />

O que estaria por trás desses planos? Não seria mais uma forma de bisbilhotar<br />

a atividade do professor, já controlado por todos os lados?<br />

Tudo pode parecer normal num mundo em que nem a presidência da República<br />

do Brasil escapa da espionagem internacional em seu telefone utilizado no<br />

avião presidencial.<br />

É certo que a imposição dos planos de ensino vem diretamente das autoridades<br />

ministeriais da educação, que criam suas normas para balizar critérios de<br />

aprovação e avaliação dos cursos.<br />

Porém, nesse clima de controle dos subordinados, cabe lembrar a famosa<br />

fábula do guizo, isto é: quem controlará o controlador?<br />

Afinal, os donos da educação, mais preocupados com os números do que<br />

com a qualidade, não ousam colocar o guizo no pescoço da fera para se alertarem<br />

quando ela estiver chegando, muito menos atacar a fera. Preferem acomodar-se<br />

ao liberalismo econômico burguês do século XIX (hoje, neoliberalismo): Laissez<br />

faire, laissez passer.<br />

E assim, deixam fazer, deixam passar...<br />

Sejamos francos e claros. O verdadeiro educador, aquele que atua na linha de<br />

frente, no convívio direto com os alunos em sala de aula, ciente, portanto, das diretrizes<br />

curriculares de sua competência, conhece melhor do que os pedagogos<br />

de gabinete a forma de proceder, compartilhando com os próprios educandos a<br />

tarefa prioritária de ajudá-los a pensar e a despertar aptidões, ao invés de submetê-los<br />

a fórmulas feitas, em bitolas ou plataformas impositivas.<br />

É impossível imaginar uma turma inteiramente igual à outra. Daí o absurdo<br />

da imposição de regras padronizadas para todos.<br />

Quem já teve a oportunidade de se ocupar com duas ou mais turmas da mesma<br />

série não pode ignorar a responsabilidade de tratá-las diferentemente. Assim,<br />

jamais um mesmo plano de ensino pode servir a todos. Este, aliás, é o pressuposto<br />

dialético da educação, já ensinado pelo filósofo grego Heráclito: “Um homem<br />

não toma banho duas vezes no mesmo rio”.<br />

Em suma, o mundo evolui e o professor deve acompanhá-lo, sempre atento<br />

à reflexão do cotidiano.<br />

É claro que um plano de aulas se faz necessário para que os alunos conheçam<br />

antecipadamente os temas básicos a serem abordados. Porém, jamais se<br />

pode admitir o aprisionamento desses temas numa espécie de camisa de força,<br />

dimensionada minuciosamente em dias, horas e minutos, rigorosamente impostos<br />

como dogmas de fé. O engessamento do ensino nessa forma, por si só, já se<br />

revela absolutamente antipedagógico.<br />

Nem se poderia justificar sua imposição a pretexto de adequar os planos de<br />

ensino ao projeto pedagógico institucional. Afinal, nenhum projeto pedagógico<br />

pode estar acima dos preceitos constitucionais, que asseguram ao professor a<br />

autonomia didática e a liberdade de cátedra.<br />

Pressupondo-se que o professor tenha sido recrutado sob critérios básicos de<br />

capacitação profissional – pois infelizmente o ensino privado dispensa o concurso<br />

público –, a figura do educador deve merecer o maior respeito da sociedade.<br />

Deixem de sobrecarregar o mestre com tarefas burocráticas, alheias à sua<br />

nobre vocação. Ofereçam-lhe condições dignas de trabalho e boa remuneração.<br />

Estimulem-no a crescer intelectualmente. Congratulem-se com seus sucessos,<br />

oferecendo-lhe apoio na participação espontânea em eventos culturais próprios<br />

de sua especialidade, ao invés das discutíveis semanas pedagógicas em pleno<br />

período de recesso escolar.<br />

Lamentavelmente, o ensino privado, cada vez mais, vem reduzindo o professor<br />

a mero funcionário da escola, tungando-lhe gradativamente as férias,<br />

impondo-lhe tarefas incompatíveis com seu elevado papel de educador e<br />

equiparando-o em sua jornada de trabalho ao já explorado trabalhador braçal.<br />

Só falta, nessa onda de espionagem que ronda o mundo, a instalação de<br />

câmeras em salas de aula, com o sugestivo apelo: “Sorria, seus passos e pensamentos<br />

estão sendo vigiados”.<br />

Aloísio Surgik é professor de história do direito, doutor em direito pela USP,<br />

membro fundador da Academia Paranaense de Letras Jurídicas e presidente do Sinpes


Diretoria eleita será<br />

incansável<br />

Entre os dias 24 e 28 de agosto foram realizadas eleições diretas para renovação da<br />

diretoria do Sinpes. Votaram 248 professores, sendo 126 votos regulares válidos e 122 em<br />

sobrecarta. Estes últimos acabaram sendo anulados, pois os votantes não preenchiam o<br />

requisito de se encontrarem filiados há mais de seis meses. Dos 126 votos válidos, 125 apoiaram<br />

a chapa “União e Mobilização” e apenas um voto foi reputado nulo.<br />

O grande número de professores que fizeram questão de votar mesmo não se encontrando<br />

entre os associados da entidade revela a postura participativa dos integrantes da categoria<br />

e a solidariedade existente para com o esforço do grupo que dirige o Sinpes nestes<br />

últimos anos.<br />

Alertados de que o pagamento anual da contribuição sindical não transforma automaticamente<br />

o trabalhador em associado da entidade representativa de sua categoria<br />

profissional, os professores fizeram questão de se filiar em massa.<br />

O Sinpes é a única entidade sindical do Paraná em regular funcionamento que não<br />

cobra mensalidades nem taxas de reversão salarial dos integrantes de sua categoria. Daí<br />

porque os professores da PUCPR que contribuem mensalmente para um sindicato dos professores<br />

estão colaborando com a manutenção do Sinpropar, entidade que não representa<br />

há mais de 20 anos os professores do ensino superior de Curitiba e Região Metropolitana.<br />

Para se livrar deste encargo devem encaminhar com urgência telegrama com cópia confirmatória<br />

de inteiro teor para o Sinpropar solicitando imediata desfiliação e requerer junto<br />

ao Setor de Recursos Humanos da Universidade que cessem esses descontos anexando ao<br />

pedido cópia deste telegrama.<br />

Os dirigentes eleitos para o Sinpes tomaram posse no dia 10 de setembro de 2015 com o<br />

compromisso de dar prosseguimento à luta pelo respeito à profissão, condições adequadas<br />

de trabalho e remuneração digna, à altura da importância do magistério superior.<br />

Representativa do conjunto de IES de Curitiba e Região, a nova diretoria ficou assim<br />

constituída:<br />

Presidente<br />

Vice-Presidente<br />

Secretário Geral<br />

Primeira Secretária<br />

Tesoureiro<br />

Primeiro Tesoureiro<br />

Diretor de Negociações Coletivas<br />

Primeiro Suplente da Diretoria<br />

Segundo Suplente da Diretoria<br />

Terceiro Suplente da Diretoria<br />

Quarta Suplente da Diretoria<br />

Quinto Suplente da Diretoria<br />

Sexta Suplente da Diretoria<br />

Sétimo Suplente da Diretoria<br />

CONSELHO ADMINISTRATIVO<br />

Primeiro Titular<br />

Segundo Titular<br />

Terceira Titular<br />

Primeiro Suplente<br />

Segunda Suplente<br />

Terceira Suplente<br />

Aloísio Surgik (PUCPR/Unicuritiba/Tuiuti/Facinter)<br />

Valdyr Arnaldo Lessnau Perrini (PUCPR/Unicuritiba)<br />

Claudio Henrique de Castro (Tuiuti)<br />

Maria Helena Leviski Alves (PUCPR)<br />

Luiz Alberto de Souza Alves (PUCPR)<br />

Bernardo Kestring (Unibrasil/São Basílio Magno)<br />

Carlos Alberto Adão (PUCPR)<br />

Sérgio Rogério Azevedo Junqueira (PUCPR)<br />

Maurício Galeb (Positivo)<br />

Fredy Stupiñan Carranza (Positivo)<br />

Ivone Maria Ratiguieri (PUCPR)<br />

Carlos Augusto do Nascimento Berkendorf<br />

(Santa Cruz/Anchieta)<br />

Ilda Lopes Witiuk (PUCPR)<br />

Mauro de Sá Merlin (PUCPR)<br />

CONSELHO FISCAL<br />

Carlos José Gomes (PUCPR/Bagozzi)<br />

Luiz Alexandre Carta Winter (PUCPR/Unicuritiba/IEL)<br />

Sandra Nodari Romano (Positivo)<br />

Edson Francisco Stein (Unibrasil)<br />

Darli de Fátima Sampaio (PUCPR)<br />

Clesi Elisa Albiero (Unibrasil/Bagozzi)<br />

Recentes notícias<br />

sobre a intolerância<br />

religiosa no Brasil<br />

No dia 01 de junho de 2015<br />

repetiu-se o episódio da morte<br />

de mais uma honorável mãe de<br />

santo no Brasil por intolerância<br />

religiosa.<br />

Desta triste feita foi a<br />

mãe Dede de Iansã. Outrora,<br />

em condições semelhantes<br />

faleceu mãe Gilda, em 21 de<br />

janeiro de 2000 (Dia da Intolerância<br />

Religiosa no Brasil).<br />

A repetição de ataques<br />

contra pessoas humildades,<br />

Claudio Henrique de Castro<br />

indefesas e idosas caracteriza-se grave afronta<br />

aos princípios da liberdade religiosa, à igualdade e à dignidade<br />

da pessoa humana.<br />

A pregação do ódio dentro das religiões seja de que forma<br />

se apresentar: contra as opções sexuais; contra as outras formas<br />

de pensar o divino; contra outras religiões ou contra determinados<br />

segmentos sociais não tem nenhum amparo na Constituição<br />

brasileira (art. 5º, VI, VII e VIII da Constituição Federal) e deve ser<br />

punida nos termos da legislação penal em vigor (Lei 9.459/1997).<br />

Oferecermos flores brancas aos que pregam o ódio pode ser<br />

uma opção pacífica e de serenidade. Perdoá-los por tais atos de<br />

ódio e covardia deve ser a solução mais recomendada para que<br />

não se instaure a guerra entre religiões, que pode trazer eventos<br />

muitos mais graves.<br />

Contudo, apesar da posição ecumênica de paz, a legislação<br />

vigente deve ser aplicada com rigor, as indenizações devem ser<br />

julgadas de forma exemplar e devemos exigir novas leis que realmente<br />

combatam a disseminação do ódio, do extremismo e do<br />

fanatismo religioso. As leis devem ser aplicadas – e não termos<br />

leis apenas de fachada. Do contrário, estamos descumprindo<br />

frontalmente a Constituição brasileira e deixando de lado as suas<br />

garantias e direitos fundamentais.<br />

Olhando para a foto anexa, percebemos a ternura e o sentimento<br />

de amor que esta irmã devotou nos anos que serviu como<br />

mãe de santo. Recebendo todos com profundo carinho e amor,<br />

para no final da sua vida, do alto de seus 90 anos, ter a tristeza de<br />

ser perseguida e difamada de forma covarde e profundamente<br />

injusta.<br />

Preguemos a paz. O fundamento básico de qualquer religião<br />

é o amor.<br />

OPINIÃO<br />

15<br />

abr/15 - set/15<br />

Claudio Henrique de Castro é advogado,<br />

professor de direito e secretário geral do Sinpes


16<br />

abr/15 - set/15<br />

SAÚDE<br />

Como cuidar<br />

dos medicamentos<br />

Para que os medicamentos surtam efeito, devem ser conservados e armazenados<br />

de forma adequada de modo a preservar sua qualidade e eficácia.<br />

O local deve ser seguro, arejado e protegido da luz direta, do calor e da<br />

umidade. Calor e umidade podem causar alterações na composição do medicamento,<br />

reduzindo sua eficácia ou provocando efeitos tóxicos mesmo no prazo<br />

de validade. Por esse motivo, deve-se evitar que os medicamentos fiquem por<br />

muito tempo no interior de carros. Também é importante mantê-los fora do<br />

alcance de crianças e animais domésticos e jamais guardá-los em cima da geladeira,<br />

embaixo de pias, perto de materiais de limpeza ou junto a cosméticos.<br />

Por falar em limpeza, os medicamentos devem ser mantidos livres de poeira<br />

e mofo. O uso de embalagens contendo sílica pode ajudar. É preciso prestar<br />

atenção à temperatura de conservação informada nas bulas ou nos rótulos dos<br />

produtos, pois alguns – como a insulina – devem ser conservados em geladeira,<br />

outros em temperatura ambiente. As embalagens originais devem ser mantidas<br />

com seus rótulos e as bulas arquivadas, evitando assim a perda de informações<br />

como identificação, validade, indicação e modo de uso.<br />

Produtos com validade expirada não devem ser utilizados em hipótese alguma<br />

e devem ser descartados de forma responsável, preferencialmente em<br />

coletores instalados em estabelecimentos farmacêuticos. Os frascos usados vazios<br />

não devem ser reaproveitados a fim de evitar uma intoxicação acidental.<br />

Antes de ingerir sobras de medicamentos, é importante conferir sempre o<br />

prazo de validade. Este pode ser alterado em alguns casos depois que o medicamento<br />

foi aberto – daí a necessidade de consultar a bula.<br />

Em caso de dúvidas, o farmacêutico é o profissional indicado para prestar<br />

esclarecimentos e orientações.<br />

Fontes de consulta:<br />

Portal Anvisa<br />

Ministério da Saúde<br />

Cebrim – Centro Brasileiro de Informações sobre Medicamentos<br />

Schenkel, E.P., Mengue S.S., Petrovick P.R. Cuidados com Medicamentos. Porto Alegre: Ed. da UFRGS; 1998.<br />

Prospecto da Panvel

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