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11 months ago

Revista Curinga Edição 06

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Ilustração: Ester

Ilustração: Ester Louback ( baseada em intervenção realizada por alunos da Faculdade de Belas Artes da UFMG) Contemporâneo 36

Copa pra quem? Privatização, repressão policial, legislação de exceções e remoções forçadas caracterizam a preparação dos Megaeventos Texto: Ana Malaco Edição Gráfica: Kleiton Borges 100 mil pessoas no Rio de Janeiro, 20 mil em Belo Horizonte, 65 mil em São Paulo foram às ruas e 10 mil ocuparam o Congresso Nacional em Brasília. No terceiro dia da Copa das Confederações sediada no Brasil, 17 de junho, 12 capitais foram tomadas por manifestações e cerca de 230 mil pessoas foram protestar. Após violenta reação e repressão da PM contra as manifestações do Movimento Passe Livre na cidade de São Paulo, a adesão aos protestos, que já acontecia nas cidades-sede da Copa, tomou proporções nacionais. Segundo o Dossiê publicado pela Articulação Nacional dos Comitês Populares dos Atingidos pela Copa e Olimpíadas (Ancopac), o processo violento protagonizado pelo Estado e pelas entidades responsáveis é um exemplo de descaso com os cidadãos. A população questiona gastos com os Megaeventos enquanto educação, saúde, moradia e outros serviços públicos possuem investimentos precários. Já foram gastos 27,4 bilhões de reais de recursos públicos e a previsão atual é de que o custo total seja de 33 bilhões de reais, segundo a Articulação. Essa quantia se aproxima do orçamento federal em educação este ano: 38 bilhões de reais. Além deste dinheiro, foi aprovada a isenção de impostos para as construtoras dos estádios e dos campos de treinos nas outras cidades, que atuarão como apoio à Copa. A Ancopac é composta por diversos movimentos sociais, universidades e entidades da sociedade civil que se mobilizaram nas 12 cidades-sede da Copa. Cada Comitê local das cidades-sede demonstra, através de pesquisas e levantamentos, irregularidades na preparação desses Megaeventos esportivos. A falta de transparência dos gastos aponta para a repetição do que ocorreu durante os Jogos Panamericanos de 2007, quando se assistiu ao desperdício de recursos públicos (de acordo com o Tribunal de Contas da União, mais de R$ 3,4 bilhões foram gastos de forma indevida, como, por exemplo, atrasos em obras). Os estádios superfaturados “se transformarão em elefantes brancos.”, afirma Renato Cosentino do Copac – Rio, já que após o término desses eventos eles terão pouca utilidade pública. Se forem contabilizados os recursos investidos para a realização da Copa e das Olimpíadas, “o país poderia diminuir o déficit habitacional, ampliar o acesso aos serviços urbanos básicos, promover melhorias socioambientais, programas de trabalho e renda, investir na saúde pública e na educação”, destaca Cosentino. Além disso, poderia construir uma política esportiva que promovesse o esporte amador, visando não apenas o esporte de alto rendimento. 37

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