001 - O FATO MANDACARU - JAN 2018 - NÚMERO 1

ofatomandacaru

Ano 01 | Edição 001 | Maringá, dezembro de 2017

Padre Zago

sobre o HU:

“Onde está a atuação de nossos políticos

para que o Hospital Universitário possa

ter uma estrutura decente?” Página 15

Ciclovia do Mandacaru

Ciclistas reclamam de pedestres que reclamam de ciclistas e pedem solução.

Página 4

Editorial

Imagem Ilustrativa

Triste fim

da CLT

Reforma do Trabalho

presenteia o brasileiro

com baixos salários e

risco de ficar sem

aposentadoria.

Trabalho Intermitente

é nome bonito que

governo encontrou

para esconder nossa

entrada na era do

trabalho precário.

Página 2

A concentração

da mídia

no Brasil

No segmento de

televisão, mais de

70% da audiência

nacional é concentrada

em quatro redes.

Página 11

Museu Esportivo

de Maringá

Camisa de Time

do Mandacaru

faz parte do

acervo que

reúne mais de

1000 peças da

história do esporte

da cidade. Página 3

Casa de

Acolhimento para

Imigrantes

A UEM debate

Políticas Públicas

para os Imigrantes.

Eles estão aí, e

querem ser ouvidos.

Página 9


Pág. 2 O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 001 | Maringá, dezembro de 2017

O FATO

Triste fim da CLT

(Editorial Por José Carlos Leonel)

Quem não me entendeu digo que "estamos andando para trás".

A reforma trabalhista aprovada

pelo governo Temer com aval de

Câmara dos Deputados e do Senado

é só o início do maior retrocesso

social da história do Brasil, outras

reformas como a da Previdência e

do SUS piorarão e muito as condições

de vida do povo.

Quem não me entendeu digo

que “estamos andando para trás.”

Em prática, esse governo ao invés

de prosseguir com o processo de cidadania,

coisa que se faz produzindo

justiça social, está a empurrar todos

em direção a um processo de

concorrência, de disputa, de luta pela

sobrevivência.

A medida provisória editada

por Temer após a aprovação da reforma

é só um meio de evitar o choque

social imediato, de evitar que

reajamos e de nos habituar aos poucos

ao processo de escravidão que

teremos no final dos próximos 3

anos, momento em que todos deixaremos

de ser empregados para virarmos

empresas.

EXPEDIENTE:

Ligiane Ciola • DRT-SP 46266

J.C. Leonel • DRT-PR 4678

Fernanda Casal

Ricardo Rennó • Diagramação

Rua Itamar Garcia Pereira, 55

Vila Santa Isabel • Maringá • PR

CEP: 87080-510

TELEFONE: (44) 3246-1769

WHATSAPP: (44) 99713-0030

E-MAIL: ofato_mandacaru@libero.it

IMPRESSÃO: O Diário Maringá

maringa.odiario.com/grafica

O triste fim da CLT,

acontece em meio ao mais completo

silêncio do povo que se acostumou

a seguir as ordens que uma certa

rede de TV dita nos seus criminosos

telejornais. O povo continua

muito ocupado a assistir telenovelas

e futebol, nada de mal se essas

coisas não provocassem nas pessoas

uma “anestesia mental”.

“Tá tudo ruim, tá piorando, estou

sem dinheiro, é culpa dos políticos”,

seria culpa deles sim, se não

fosse culpa nossa. Perdas de direitos

como as que estamos tendo nesse

curto período de Temer provocariam

revoluções em países do primeiro

mundo, mas nós não queremos

entrar no primeiro mundo não

é mesmo?

Se hoje empresários, sobretudo

pequenos e médios vivem em

meio a grandes dificuldades para

manter as portas abertas, não é certo

por culpa de seus empregados ou

pela lei que regula a relação entre

empresas e trabalhadores, mas pela

roubalheira que se constitui o nosso

sistema tributário que faz do

Estado sócio majoritário nas entradas

econômicas dos meios de produção.

Temos visto o dinheiro dos impostos

que pagamos (trabalhadores

e patrões) sumir nas mãos de políticos,

empreiteiras e partidos,

mas ao invés de cobrá-los, de impedi-los

de continuar, preferimos deixá-los

nos fazer pensar que a culpa

é de um e de outro, e não deles.

A corrupção é apresentada na

TV como algo normal. Processos

acusam e condenam alguns sem

provas e absolvem outros com amplas

provas. O egoísmo é sem dúvida

um dos maiores sintomas de ignorância

e o Brasil infelizmente está

infestado de gente que não sabe

dividir, que não compreende o sentido

pleno da palavra democracia

segregando-a ao direito de voto.

Quem pensa assim não compreende

que a democracia plena se completa

com a consolidação dos direitos

previstos na constituição e nas

leis que a permeiam.

A lei que substitui a CLT aos

poucos acabará com os contratos

de trabalho por tempo indeterminado,

anulará quase que totalmente

o trabalho dos sindicatos e

criará um exército de trabalhadores

precários, gente que hoje trabalhará

aqui, amanhã ali, de modo

intermitente e sujeitos às negociações

diretas com os patrões.

Não é exagero dizer que daqui a 10

anos, direitos como férias remuneradas,

décimo terceiro, FGTS e outros

benefícios serão somente recordações

de um passado feliz.

Grupos reacionários e inimigos

do povo querem ver mulheres

grávidas sendo obrigadas a

Imagem Ilustrativa

trabalhar em locais “mediamente”

insalubres, colocando em risco a

própria saúde e a do bebê.

Por que estamos assistindo a

tudo isso em silêncio?

A reforma nas relações trabalhistas

altera mais de cem pontos

da CLT e apesar de dizerem que

acordos entre patrões e empregados

não vão prevalecer sobre

acordos coletivos veremos que

depois da fase de transição o contrário

prevalecerá.

A verdade é que mesmo que

os trabalhadores de uma empresa

se unam contra abusos, a fila de

desempregados será tão grande

que os patrões não terão dificuldades

de substituí-los sem que

ninguém os importune.

É claro que essa é somente a

minha opinião e que você leitor

tem todo direito de discordar.

Aproveite e discorde, de mim e

de quem está a condenar seus filhos

à pobreza, logo talvez não teremos

nem mesmo esse direito e

aí, será tarde demais.■


Ano 01 | Edição 001 | Maringá, dezembro de 2017 | O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá!

Pág. 3

Museu Esportivo de Maringá

Resgatando a história do esporte maringaense.

(José Carlos Leonel)

A inauguração da sede do Museu Esportivo de Maringá, obra do jornalista Antônio Roberto de Paula, é só a concretização

de algo que de fato já existia. Cheguei a essa conclusão já no início da deliciosa conversa que tive com De Paula.

Ele fala do Museu em modo apaixonado e as vezes o percebi emocionado.

Camisa autografada por Itamar Bellasalma

De Paula na sede do Museu Esportivo de Maringá

Me pergunto se algo tão nobre

nasce da evolução que vem de uma

vontade escondida no subconsciente,

mas não falo disso com De Paula,

pois vejo que aquilo que o move

é o amor que ele e sua esposa, a

também jornalista Simone Labegalini

tem pela profissão e pela missão

que abraçaram. O museu de

“De Paula” germinou em 2011

com a produção do vídeo - documentário

“Histórias que a bola pesada

contou”.

De Paula relata que “o documentário

realizado para festejar os

50 anos da gloriosa história do futsal

maringaense (disponível no

youtube) foi o embrião de tudo, a

partir dali criei no facebook o grupo

Amigos do Museu Esportivo e

comecei a receber doações de camisas

e fotografias, e foram as pessoas,

ex-atletas, dirigentes e amantes

do esporte que começaram a me

perguntar se eu queria receber a camisa

de um determinado time, de

um determinado bairro, e eu sempre

disse sim, virei um colecionador.

Logo a quantidade de coisas

era tão grande que resolvi dividir o

acesso ao material. Comecei criando

uma mostra itinerante que chamei

de Exposição Futebol Memória,

que deu vida ao museu itinerante

e a coisa cresceu tanto que o

inevitável aconteceu, hoje estamos

aqui, é incrível”.

Quando o faço observar que a

sede já está ficando pequena tal a

quantidade de itens em exposição,

De Paula mostra seu reconhecimento:

“Eu quero agradecer a confiança

das pessoas, porque esse material

não é meu, pertencem aos doadores

mas acima de tudo ele pertence

a história de Maringá. Muita

coisa de importante ainda vai acontecer,

continuamos a receber muitas

coisas e seguiremos trabalhando

para preservar essa história e

ao mesmo tempo prestando uma

grande homenagem aos atletas e

torcedores não só do futebol mas

de todos os esportes”.

Entre as mais de 1000 peças do

Museu esportivo o destaque vai para

a camisa de Itamar Bellasalma,

autor do gol do título de campeão

paranaense de 1977 ao Grêmio de

Esportes Maringá. A camisa de Itamar

foi uma doação do Professor

Celso Côrrea; De Paula conta que

“foi uma alegria muito grande quando

o Professor telefonou dizendo

que pediria autorização a Itamar para

doar a camisa ao museu”.

Itamar não negou e hoje De Paula

tem em seu acervo uma malha

de valor histórico inestimável, mas

o verdadeiro xodó de De Paula é a

camisa do SERM - Sociedade

Esportiva Recreativa de Maringá,

primeiro time organizado do futebol

amador de Maringá. “A matéria

prima são as nossas lembranças

e eu tive a alegria de entrevistar um

dos primeiros jogadores do time, Lauro

Fernandes Moreira, que na década

de 40 jogava no campo de terra

batida do SERM”, campo que ficava

na Rua Antônio Carniel onde

atualmente estão as sedes do

SENAI E SESI.■

Camisa de Time

do Mandacaru

faz parte do acervo.

Camisa do SERM

Time de Futebol do

Mandacaru é

destaque no

Museu Esportivo

O Clube Esportivo Mandacaru,

um dos times mais importantes

do futebol amador de Maringá também

garantiu direito de ficar registrado

na memória através da camisa

doada pelo Jornalista Angelo Rigon.

A peça segundo De Paula é

dos anos noventa do século passado

e que agora está atrás de uma camisa

dos anos 60. O time do Mandacaru

naquele período era tão forte

que com muita frequência cedia

jogadores ao Grêmio Esportivo

Maringá.■

Local e contatos:

Museu Esportivo de Maringá

Rua Domingos Salgueiro, 1415

(Esq. com Av. Carlos Borges),

Jardim Guaporé.

Telefone: (44) 3029-9674

Facebook (grupo):

Amigos do Museu Esportivo

Aberto para visitação:

• Terça a Sexta das 14h às 18h.

• Domingos das 9h às 12h.


Pág. 4 O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 001 | Maringá, dezembro de 2017

Ciclovia da Mandacaru

Pedestres e ciclista disputam lado a lado um espaço nela.

(Por Ligiane Ciola)

Em outubro de 2008 quando a prefeitura de Maringá inaugurou a ciclovia da Mandacaru,

a administração pública não podia imaginar que a obra fosse agradar mais a pedestres do que a ciclistas.

Os moradores decidiram usar o

trajeto de 4,1km que vai do início

da Avenida Mandacaru e prossegue

até a Praça Vitor Martins como

pista de caminhadas. Nascia assim

um problema que desde então se arrasta

sem solução: Uma disputa de

espaço entre ciclistas e pedestres

que já causou pequenos acidentes.

O açougueiro Idalécio Bispo,

42 anos, conta que já se

envolveu em um acidente.

Nas quase duas horas do fim

do dia que permanecemos

na ciclovia, observamos vários

episódios de tensão entre

os dois grupos.

Mulheres, casais e até quem

aproveita a caminhada para passear

com o cachorro, terminam por

obstruir a passagem de ciclistas

que estão retornando do trabalho

ou simplesmente querem andar de

bicicleta com segurança.

O problema é mais visível no

trajeto da Mandacaru mas há relatos

de casos similares em outros

percursos da periferia. Maringá

tem cinco ciclovias que somam um

percurso de 18 quilômetros.

O açougueiro Idálécio Bispo,

42 anos, já passou apuros com sua

bicicleta. Ele usa a ciclovia todos

os dias para ir ao trabalho e voltar

para casa.

“É muito difícil, os pedestres

deveriam usar as calçadas e como

isso não acontece sempre temos incidentes.

Há cerca de 30 dias eu

mesmo estava descendo com minha

bicicleta e um senhor cruzou

na minha frente, eu consegui frear,

mas mesmo assim o pneu ainda tocou

na perna dele; felizmente não

aconteceu nada de grave.

Aqui as coisas estão invertidas,

às vezes é possível ver bicicletas

nas calçadas e o pessoal na ciclovia

fazendo caminhadas com cachorros

e carrinhos de bebê. Agora

mesmo eu tive que parar e esperar

a passagem de três mulheres

que ocupavam toda a ciclovia. A solução

é consciência, pedestre na

calçada e ciclista na ciclovia.”

O publicitário Anderson Paulim,

40 anos, diz que “caminhar na

ciclovia é ruim porque a gente atrapalha

os ciclistas e eles também nos

atrapalham, eu acho que poderiam

dividi-las; deixar uma das vias para

os ciclistas e a outra para os pedestres.

Penso que seria necessário

uma readequação para atender a

necessidade que se criou, ficaria fácil

para todo mundo. Hoje, do jeito

que está é perigoso, mas é o único lugar

que a gente tem para caminhar.”


Ano 01 | Edição 001 | Maringá, dezembro de 2017 | O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá!

Pág. 5

O engenheiro agrícola Rogério

Mayese, 51 anos, vive nas duas

vestes e diz que “normalmente caminha

pela rua”.

“Tento evitar a pista porque

não é correto, hoje, porém estou caminhando

aqui e creio que poderia

melhorar para todos já que eu também

ando de bicicleta por aqui e o

pedestre atrapalha.

Quando caminho na ciclovia

procuro prestar atenção e quando

aparecem bicicletas eu vou para a

grama, mas normalmente não é isso

que acontece, nem sempre a gente

percebe eles chegando.”

Deryk Ruzon, 27 engenheiro

Vera Maria de Oliveira

Diretora SEMOB

“Prefeitura tentará resolver o

problema com campanha

publicitária”, diz Diretora de Mobilidade.

Vera Maria de Oliveira: As ciclovias, por incrível que pareça, ainda

é uma novidade, mas tudo é uma questão de conscientização, de edu

cação de trânsito.

Redação: Existe um projeto de educação nesse sentido?

Vera Maria de Oliveira: Essa parte de educação de trânsito não bem

atrelada com nossa diretoria; o que a gente está pretendendo da pre

feitura é que haja uma licitação de uma empresa que trabalhe na

área de propaganda, de marketing. A partir dessa licitação nós pode

remos fazer planos para o próximo ano na área de educação de trân

sito, vai ter que ser uma coisa de massa. Não adianta divulgar no

jornalzinho do Mandacaru que o pedestre tem que respeitar o ci

clista, e que o ciclista tem que respeitar o pedestre, se depois tam

bém ciclistas de outra região da cidade farão uso da mesma.■

agrícola é morador da Zona 4 e afirma

que é primeira vez que usa a ciclovia

do Mandacaru. “Gostei muito

da pista mas é complicado, tanto

que há poucos minutos quase esbarrei

em uma mulher que estava

correndo. A solução é difícil e poderia

ir da simples divisão do espaço

ou até mesmo construir as ciclovias

às margens das calçadas deixando

o canteiro central para os pedestres.”

Leandro Tomé, técnico de manutenção

de equipamentos hospitalares,

25 anos, diz caminhar uma

vez por semana e o faz sempre com

o cachorro. “Eu comento sempre

com a minha esposa sobre essa situação.

Observamos que nas praças,

que intercalam as ciclovias, há espaço

para os pedestres e para os ciclistas.

E seria ideal que fosse assim

por todo o percurso da ciclovia.”

Antônio Comejo, motorista, 62

anos usa a ciclovia todos os dias e apesar

de o encontrarmos com sua bicicleta,

diz que na verdade é um assíduo

praticante de caminhadas e que a

ciclovia do Mandacaru é seu local preferido.

“Eu acredito que seja necessário

encontrar uma solução para todos

mesmo porque hoje o número de pedestres

é muito maior do que o de ciclistas,

não tem como proibir o pedestre de

andar aqui, não vai ter jeito.”

O casal Douglas Espinosa e

Ingrid Berriel, editor e gestora de

moda, acredita que seria necessário

informar ao ciclista sobre a necessidade

de consciência e prudência

e confessam ter medo de serem

atropelados. Ingrid relata que preferem

caminhar no lado de fluxo inverso

das bicicletas, “pois assim

podemos enxergar os ciclistas que

estão vindo”.■


Pág. 6 O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 001 | Maringá, dezembro de 2017

E a saúde, tudo bem?

Refluxo Gástrico

24 milhões de pessoas estão queimando sem saber.

Mais de 20% dos brasileiros, cerca

de 24 milhões de pessoas sofrem

com refluxo gastroesofágico e muitos

não sabem identificar.

Refluxo gastroesofágico, é o retorno

do conteúdo do estômago para

o esôfago.

Quando o músculo que fecha o

estômago, impedindo que o ácido

saia do seu interior, deixa de funcionar

de forma adequada, esse líquido

sobe em direção à boca. Nosso

estômago produz cerca de três litros

de suco gástrico por dia.

Esse suco contém água, enzimas

(tais como o pepsinogênio

que, em contato com o ácido clorídrico,

é ativado como pepsina e tripsina),

sais inorgânicos, ácido clorídrico

e uma quantidade mínima de

ácido láctico.

A sua função é atuar sobre o

quimo, proporcionando a digestão

dos alimentos, principalmente das

proteínas. Tudo isso fica no estômago

numa boa e não nos causa

problemas porque ele tem um revestimento

que o protege contra os

efeitos de seus próprios ácidos,

mas o esôfago não possui essas características

e aí, quando esse ácido

sobe provoca a sensação desconfortável

de queimação, chamada

azia.

Se a pessoa estiver deitada ou

for obesa, a força da gravidade e a

pressão da gordura sobre o estômago

e facilita o refluxo gastroesofágico,

piorando a situação. Os sintomas

mais clássicos do problema

são a azia e a queimação, mas há alguns

outros que poucos relacionam

ao desconforto.

A sensação de bola na garganta,

por exemplo, é um sinal da doença.

A dificuldade de engolir, já que

o esôfago parece que fica mais apertado,

é outro. O problema é que o refluxo

causa mais que estes incômodos.

Sem cuidado adequado, as paredes

do esôfago podem ficar tão

agredidas que o tecido é substituído

por outro, o que aumenta as

chances de câncer. Essa mutação

do tecido esofágico chama-se esôfago

de Barret.

Alguns sintomas que podem

ajudar a identificar o problema são:

dor no peito, tosse, náuseas, apneia

(a pessoa para de respirar durante o

sono), dificuldade para engolir,

mau hálito, problemas nos dentes

(o ácido destrói a camada de esmalte

dos dentes), aftas na boca, retração

da gengiva, azia, rouquidão

e pigarro.

Alguns fatores são considerados

de risco, pois aumentam as

chances de uma pessoa ter refluxo:

obesidade, hérnia de hiato, em que

parte do estômago se move acima

do diafragma, tabagismo, ressecamento

bucal, asma, diabetes e esclerodermia.

A alimentação também

está diretamente relacionada à

ocorrência da doença.

Chocolate, pimenta, frituras,

café e bebidas alcóolicas estão entre

os itens que, se consumidos em

excesso, podem contribuir para o

refluxo. Para que o problema não

evolua para um câncer, é preciso

identificar a doença o mais cedo

possível.

Se você tiver alguns destes sintomas,

procure um médico Gastroenterologista

o mais rápido possível.

Ele vai fazer o diagnóstico e te

indicar um tratamento correto.

Enquanto isso você pode ter alguns

cuidados: não se deitar imediatamente

após comer, por exemplo,

ajuda a evitar que o ácido do estômago

retorne pelo esôfago.

O ideal é esperar ao menos duas

horas para dormir. Para outras

pessoas, pode ser necessário elevar

a cabeceira da cama, para que o esôfago

fique mais alto do que o estômago.■

Faça sua pergunta pelo

Whatsapp: (44)-99849-4239

portaldosmedicos.blogspot.com.br

(Por Edmundo Pacheco)

Imagem Ilustrativa

Lençóis através

da janela...

(Por Nilson Pereira - GRAAL)

Toda pessoa tem no coração: o

Amor de Deus, a Sabedoria de Deus

e o Poder de Deus. Essa informação

básica o Mestre repetia para

o discípulo no início de todas as aulas.

Então, dava mais um exercício

para o desenvolvimento da consciência.

E enfatizava: o ensinamento

é: olhe para dentro de você.

Aprenda a olhar/observar fora e

olhar dentro. Os dois mundos: o externo

e o interno. Sempre assim...

Com muita paciência e esperança.

Certo dia, durante o café, o discípulo,

treinado a observar, reparou

através da janela uma vizinha

pendurando seus lençóis em um varal.

Ele, então, falou para o Mestre:

– Nossa, que lençóis sujos a vizinha

está pendurando no varal! É

bem provável que ela está necessitando

de um sabão novo. Caso eu tivesse

intimidade, iria perguntar se

ela quer que eu a ensine a lavar as

roupas ?

O mestre, em silêncio, observou

calado. Não disse nada.

Dias depois, outra vez, durante

o café da manhã, a vizinha pendurava

os lençóis no varal. O discípulo

comenta com o mestre novamente:

– A nossa vizinha continua pendurando

os lençóis sujos! Caso eu

tivesse intimidade, bem que iria

perguntar se ela quer que eu a ensine

a lavar as roupas!

Era uma coisa recorrente. A cada

dois, três, cinco dias, o aluno estudioso

repetia seu discurso, sua observação,

enquanto a vizinha pendurava

suas roupas no varal.

Passou um mês. O discípulo ficou

surpreso ao ver os lençóis brancos,

tão brancos, sendo estendidos.

Cheio de convicção, empolgado,

falou ao mestre:

– Olha lá, veja! Ela agora

aprendeu a lavar as roupas! Será

que outra vizinha a ensinou? Deulhe

algumas dicas...Porque, não

fui eu quem a ensinei.

O mestre respondeu:

– Não. É que hoje eu levantei

mais cedo e lavei os vidros da nossa

janela!

Assim é...

Quando observamos o mundo

através das armadilhas do ego / personalidade,

temos a visão da ilusão,

dos limites e da negatividade.

Com a consciência desperta,

olhando para dentro de nós mesmos,

aprendendo e nos corrigindo,

o Mestre Interior nos ajudará a ver

o caminho, a verdade, aquilo que é

real. O mestre nos ensina a ver a vida

com mais clareza, com discernimento

e justiça. E a ter vida... Vida

em abundância!■

Ensinamentos da

Grande Fraternidade Branca

Contato: (44) 3028-6139


Ano 01 | Edição 001 | Maringá, dezembro de 2017 | O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá!

Pág. 7

Horta Comunitária

do Jardim Tóquio

Ao todo são 29 hortas comunitárias na cidade de Maringá.

(Por Ligiane Ciola)

As 250 toneladas de alimentos

orgânicos que as 29 hortas comunitárias

produzem por ano ajudam

no orçamento de mais de 700

famílias maringaenses.

O alimento produzido pelas

pessoas beneficiadas pelo projeto

é livre de agrotóxicos e em alguns

casos são vendidos a preços inferiores

aos vendidos no mercado.

Cada família tem direito a dois canteiros

na horta. A prefeitura dá o

adubo, as mudas, e o cidadão só paga

uma taxa de 20 reais por mês.

Zilda Barbosa de Souza, secretária e tesoureira da horta do Jardim Tóquio

Zilda Barbosa de Souza, 54

anos, é secretária e tesoureira da

horta do Jardim Tóquio. Zilda conta

com orgulho que foi uma das

primeiras pessoas a serem sorteadas

na ocasião da inauguração da

horta em agosto de 2015 e que “de

lá para cá viu a horta crescer e viu

também muita gente desistir do trabalho

que é diário e pesado, eu porém

quando chego aqui não tenho

nem vontade de ir embora”.

A horta do Jardim Tóquio possui

atualmente mais de 80 canteiros

que são cultivados por 38 famílias.

Existe também uma área reservada

ao cultivo de plantas medicinais.

Para fazer parte do projeto das

hortas comunitárias os moradores

devem colocar seus nomes em uma

lista de espera e torcer para que alguém

desista de seus canteiros.■

Informações sobre as hortas:

Prefeitura de Maringá

(44) 3261-5575 / (44) 3261-5555

Josep - O espanhol

do “pé vermelho”

O comerciante aposentado de nacionalidade

espanhola, Josep Rossel

Figueras, se apaixonou pela terra vermelha

de Maringá e hoje toma conta

de dois canteiros na Horta do Jardim

Tóquio. Josep tem uma produção muito

boa e vende o excedente de seu

consumo para os restaurantes e lanchonetes

da zona norte. O espanhol

conta que no início enfrentou a desconfiança

dos comerciantes, mas que

hoje possui uma boa carteira de clientes

que continua a expandir-se. Mas

como ele chegou até aqui?

“Eu morava em Tàrrega, província

de Lérida, na comunidade autônoma

da Catalunha e lá trabalhei em

uma cooperativa agropecuária e também

fui dono de uma petiscaria. Em

2013 percebi que a crise econômica estava

ficando cada vez mais violenta e

assim decidi colocar minha atividade

comercial à venda, mas acabei perdendo

muito daquilo que investi”.

Desanimado com a situação financeira

do velho continente e desejoso

de uma vida mais tranquila, Josep

resolveu seguir seu coração, deixou

o emprego e os laços afetivos para

embarcar em uma aventura no Brasil.

A tentativa de associar-se com um

brasileiro em um restaurante não deu

muito certo e Josep acabou perdendo

quase todo o dinheiro que havia. “Quase

desisti do Brasil”.

Foi o encontro com Geralda Lima

Candido, guia turístico e cultivadora

profissional de orquídeas que o

endereçou ao encontro da terra vermelha.

O casal dedica muitas horas

diárias no cultivo dos canteiros. Em

apenas dois canteiros eles produzem

Cebolinha, salsinha, rabanete, Manjericão,

Alface, couve, beterraba, pimenta,

rúcula, chicória, almeirão e

até mesmo Catalonia, hortaliça de origem

oriental de gosto amargo, muito

semelhante ao Almeirão. Na prática

diz Josep, “essa planta fortalece ossos

e dentes e ainda é boa para o sangue

e para o sistema nervoso pois tem

muito cálcio e ferro.”

Josep Rossel Figueras, que toma conta de dois canteiros na Horta do Jardim Tóquio

“Eu gosto da natureza, precisava fazer atividades físicas e também precisava

de um trabalho que me ajudasse a melhorar nossa renda familiar, e foi através

de uma assistente social que fiquei sabendo da possibilidade de inscrever-me na

lista de espera. Tive sorte e não precisei esperar muito tempo, logo uma pessoa

perdeu o interesse pelos canteiros e a direção da horta me chamou para começar

esse trabalho que já dura quase dois anos.”

“O trabalho é pesado, eu venho todos os dias de manhã para irrigar os canteiros

e na parte da tarde para carpir, limpar, adubar, plantar e irrigar novamente,

porque em Maringá faz muito calor. É um trabalho contínuo e diário e de fato

muita pessoas querem possuir um canteiro, mas quando conseguem ficam aqui

dois, três meses e depois acabam desistindo. Mas meu trabalho não para por aí,

tenho que colher, lavar, embalar e entregar os pedidos. O ganho é pequeno mas a

satisfação é grande, gosto de ver a vida nascendo da terra que aqui é muito generosa.

Nessa horta somos uma família e todos me tratam muito bem, nunca fui discriminado

pelo fato de ser estrangeiro.”■


Pág. 8 O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 001 | Maringá, dezembro de 2017

Segregação e Crescimento Urbano

Maringá discute sobre esses assuntos.

(Profa. Dra. Ana Lúcia Rodrigues - Professora da UEM e Coord. do Observatório das Metrópoles-Maringá)

O núcleo Observatório das Metrópoles

da UEM/Maringá realizou

nos dias 26, 28 e 29 de novembro,

o V Seminário sobre Segregação

e Crescimento Urbano na Região

Metropolitana. A programação

incluiu apresentação de pesquisas

realizadas por estudantes de

graduação e pós-graduação da

UEM.

A primeira mesa redonda tratou

de responder para quem é o planejamento

urbano, por meio dos seguintes

projetos urbanos: Novo

Centro de Maringá; Parque do Japão;

Parque Industrial 3: e Contorno

Sul Metropolitano.

As outras mesas redondas fizeram

o contraponto entre a cidade

do planejamento e a cidade real e

contaram com a presença das secretarias

municipais de desenvolvimento

econômico e de planejamento

para discutir o projeto econômico

e o projeto urbano para Maringá.

Lançamento do Fórum Metropolitano pelo Direito à Cidade

Foram apresentados dados e informações

sobre o Masterplan, o

IPTU progressivo no tempo, o

transporte coletivo e sobre a população

em situação de rua. Além da

apresentação das pesquisas, aconteceram

também duas importantes

atividades durante o evento.

A primeira foi a presença do coordenador

nacional do Observatório

das Metrópoles, Dr. Luiz Cesar

de Queiroz Ribeiro que

proferiu uma conferência

com o tema “Como se governará

as cidades na inflexão

ultraliberal da ordem

urbana brasileira?”.

Outra significativa ação

para nossa região foi o lançamento

do Fórum Metropolitano

pelo Direito à Cidade,

que surge a partir da

experiência do Fórum Maringaense

pelo Direito à Cidade (existente

desde 2010), com o objetivo

de articular o debate sobre a governabilidade

metropolitana.

Os assuntos tratados são relevantes

para subsidiar a formulação

de projetos regionais que diminuam

as desigualdades entre Maringá

e as cidades vizinhas. Afinal, não é

justo que Maringá concentre todas

as vantagens do desenvolvimento

regional; que tome decisões que

irão afetar as cidades vizinhas sem

consultá-las; que não contribua para

o fomento de ações e projetos regionais

que visem melhorar a vida

da população de toda a região, principalmente

das 70 mil pessoas que

vêm todos os dias a Maringá para

trabalhar.■

Na foto à esquerda Dr. Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro


Ano 01 | Edição 001 | Maringá, dezembro de 2017 | O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá!

Pág. 9

A UEM debate Políticas

Públicas para os Imigrantes

Eles estão aí, e querem ser ouvidos.

(Por Fernanda Casal)

Na sexta-feira, 17 de novembro

de 2017, a UEM abriu a discussão

sobre políticas públicas e imigração.

O evento, que foi durante o dia

todo no auditório do Bloco 33, propôs

o tema para debater a respeito

das políticas de inclusão dos imigrantes

dentro da universidade.

A presença de imigrantes na região

de Maringá e dentro da universidade

alertou os professores da

instituição a trazer o tema para discutir

dentro da academia. Às 9h00

da manhã começou a programação

com a mesa redonda. Os participantes,

o Professor Norai Romeu

Rocco (MEC), a Professora Dra.

Thais Palomino (UFSCAR), o Professor

Dr. Ricardo Gardiollo

(UEM) e a Professora Dra. Sueli de

Castro Gomes (UEM) expuseram

sobre a necessidade de uma política,

específica para imigrantes, dentro

da universidade.

Os palestrantes deram a conhecer

as políticas públicas que existem

a nível nacional e estadual para

dar início o processo de validação

de diplomas. Aliás, explicaram sobre

outros programas de apoio aos

estudantes, como o caso de idiomas

sem fronteiras. Também se

apresentou a experiência de trabalho

com políticas afirmativas para

indígenas e imigrantes da Universidade

de San Carlos. No final das

exposições, a mediadora da discussão

e professora Sueli Gomes, fechou

a mesa convidando os participantes

para as equipes de trabalho

da tarde.

A partir das 14h as turmas se dividiram

por temas de interesse e

após o debate os grupos apresentaram

as propostas. Entre elas se destacam:

a construção de uma casa de

acolhimento para os estudantes imigrantes,

o estabelecimento de um

serviço de acolhida por parte de professores

e veteranos imigrantes, a

permanência de bolsas com duração

de 12 meses, o mapeamento de

ONG que oferecem apoio a imigrantes

e o estabelecimento de parcerias

e trabalho em redes com a

universidade.■

Entrevista com Érick Pérez Ortuño

Presidente da Associação dos Estrangeiros da Região Metropolitana de Maringá

(Por Ligiane Ciola)

Imigrantes

A associação dos estrangeiros da

região metropolitana de Maringá nasceu

da necessidade que migrantes das

várias nacionalidades presentes no território

tem, e que na maioria dos casos

não encontram respostas nos entes públicos

visivelmente despreparados para

oferecer respostas à altura do recente

e crescente processo de migração.

Érick Pérez Ortuño é um Engenheiro

venezuelano, 33 anos, há quase 3

anos no Brasil, é o atual presidente da

associação; enfatiza que os imigrantes

não estão atrás de caridade e podem inclusive

aportar muitos benefícios à comunidade

que os acolhe. “Nossa maior

dificuldade é a saudade de casa só

Érick Pérez Ortuño

depois vem à língua, e sabemos que o

conhecimento dela abre o mercado de

trabalho, para fazer amizades, para

estudar, para nos inserir como novos

cidadãos deste país”.

Mas as dificuldades dos novos cidadãos

não param por aí, para eles tudo é

mais difícil. Alugar uma casa é enfrentar

a desconfiança de quem teme o desconhecido,

e quando a casa em questão

está em mãos de imobiliárias, os obstáculos

burocráticos e a necessidade de fiador

anulam quase que totalmente as

chances de conseguir uma moradia.

Imigrantes e refugiados

duas realidades diferentes

Érick explica que hoje existem duas

realidades sociais diferentes entre

os estrangeiros e que isso não está necessariamente

ligado à proveniência

da pessoa. O primeiro grupo é formado

por imigrantes e o segundo por refugiados.

Os imigrantes procuram munir-se

de toda a documentação possível

para poderem ter acesso aos serviços

públicos e ingressar em escolas, faculdades

e no mercado de trabalho, já

os refugiados são pessoas com necessidades

especiais, gente que está fugindo

de guerras, catástrofes naturais

e até de perseguição política e étnica.

Quem entra no Brasil e se declara refugiado

é aceito em um primeiro momento,

mas para obter todos os benefícios

de um visto de permanência como

o de um imigrante, eles precisam

enfrentar um longo protocolo que investiga

se sua condição está dentro

dos parâmetros e exigências para terem

o status de refugiado reconhecido

definitivamente. O processo pode durar

até 6 anos, “até lá a pessoa está perdida”

explica Érick, “é um viver na incerteza,

é não sabe se será aceito ou

expulso”. Pessoas nessa condição até

conseguem trabalhar, mas com muitas

limitações; muitos deles poderiam colocar-se

no mercado em empregos mais

qualificados ou dar início a uma atividade

produtiva, mas não possuindo

documentos terminam renegados a subempregos

e ficam sujeitos e exploração

de aproveitadores.

Casa de Acolhimento

A associação dos estrangeiros da região

metropolitana apresentou aos representantes

do CERMA - Conselho

Estadual dos Direitos dos Refugiados,

migrantes e apátridas do Paraná, órgão

vinculado à Secretaria de Estado da Justiça,

um projeto de construção de uma casa

de acolhida para os recém-chegados a região

de Maringá. A casa eliminaria situações

de risco que hoje fazem parte da realidade

de vários estrangeiros; há casos de

pessoas que dormem nas ruas quando

não encontram vagas nos albergues.

Érick ressalta que a casa servirá somente

para ajudar o estrangeiro a superar a fase

de transição que inicia no momento da

chegada a cidade e termina quando ele está

apto para finalmente reger a sua própria

vida e de seus familiares. Tempo que

pode variar de um mês para um simples

migrante, até anos para aqueles que

aguardam o reconhecimento do status de

refugiado.

Érick observa que a associação

dos estrangeiros está pronta para encabeçar

ações que possam contribuir

com o governo do Estado. “Já temos o

projeto e podemos arrecadar dinheiro

para construir a casa, afinal estamos

aqui para aportar benefícios à sociedade

e queremos tirar esse preconceito

que estamos aqui só para pedir, nós estamos

aqui para derrubar muros e construir

pontes entre brasileiros e cidadãos

estrangeiros”.■


Pág. 10 O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 001 | Maringá, dezembro de 2017

O posto de saúde do Mandacaru

mantém um grupo de mulheres

que realiza trabalhos artesanais para

doar ao HU de Maringá.

Foi assim que nasceu o projeto

“Pontinho de Amor”, coordenado

pela agente comunitária de saúde

Sirlei Reis Ferreira. “Esse projeto

nasce de meu coração, de um sonho

que eu sempre tive, queria ter

um espaço na unidade que servisse

a terapias, conversações e ações

Pontinho de Amor e

Abraço Quentinho

Fazem doações para unidade pediátrica do HU.

de solidariedade. A ideia começou

a deixar o papel durante a visita

que fiz a uma moradora do Mandacaru

que eu atendia há anos.

A mulher me pediu se por um

acaso eu não conseguiria arrumar

para ela, restos de novelos de lã;

perguntei por quê? Ela me respondeu

que queria fazer toucas para

doar os recém-nascidos no HU.”

Para montar o projeto, Sirlei pediu

ajuda a Cacilda Gasparini, Presidente

de outro grupo, o “Abraço

Quentinho” sediado no Núcleo Social

Papa João XXIII. As atividades

começaram em fevereiro de

2016 com apenas duas pessoas e hoje

somos um grande grupo, mas

tem sempre vaga para quem quiser

nos ajudar.

Esse ano o “Pontinho de

Amor” doou ao HU, 70 polvinhos,

32 sapatinhos, 36 toucas e 16 cachecóis.

Entre as doações o destaque

vai para os polvinhos de crochê,

usados na UTI neonatal e que

ajuda a recuperação dos bebês nascidos

prematuramente.

(Por Fernanda Casal)

Os bebês abraçam instintivamente

o polvinho de crochê, pois

para eles representa as paredes do

útero, já o tentáculo é como se fosse

o cordão umbilical. Essas condições

ajudam a dar segurança ao prematuro

que se senti tranquilo, e se

desenvolve mais rapidamente. A teoria

que parece fantasia, mas é comprovada

através da monitoração

dos sinais vitais dos bebês.■

Telefone para doações:

(44) 3223-3923

Abraço Quentinho

O grupo Abraço Quentinho,

precursor do Pontinho de Amor é

coordenado por Cacilda Gasparini

e tem uma história semelhante:

“No início foi muito difícil por éramos

em poucas voluntárias, hoje,

somos 20 mulheres unidas por uma

causa comum de solidariedade”.

Até julho de 2017, os dois grupos

entregaram 850 peças para bebês

e crianças no HU de Maringá.

“Nosso trabalho é totalmente voluntário,

nos dedicamos muito para

no futuro podermos estender

nosso projeto não só as crianças,

mas as mães também. Eu acredito

que até o fim deste ano vamos entregar

mais de 1.100 peças”.■


Ano 01 | Edição 001 | Maringá, dezembro de 2017 | O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá!

Pág. 11

Para produzir o Monitoramento

da Propriedade da Mídia (Media

Ownership Monitor, ou MOM, na

sigla em inglês), estudo da organização

internacional Repórteres

sem Fronteiras (RSF), o pesquisador

André Pasti explica que era necessário

enviar uma solicitação de

informações sobre os proprietários,

faturamento, lucro, entre outras

questões formais, às empresas avaliadas.

“Foi então que o presidente

de um dos grupos econômicos nos

questionou: 'os outros já responderam?”.

A questão é emblemática quanto

às conclusões da pesquisa, realizada

pela primeira vez em solo brasileiro

pela RSF, em parceria com o

coletivo Intervozes, do qual Pasti é

integrante.

O Brasil foi o primeiro país onde

nenhuma empresa respondeu

aos pedidos de informações - Colômbia,

Peru, Cambodja, Turquia,

Filipinas, Gana, Ucrânia, Sérvia,

Tunísia e Mongólia foram outras

nações alvo da pesquisa.

O cenário motivou uma análise

irônica de Olaf Steenfadt, diretor

global do estudo e integrante da

RSF Alemanha: “O Brasil é o lugar

onde a concentração de mídia

foi inventada”, disse.

A investigação, realizada pela

equipe do Intervozes sob a coordenação

de Pasti, catalogou dados

por conta própria sobre os 50 veículos

de comunicação com maior

audiência no Brasil - divididos entre

mídia impressa, digital, rádio e

TV - e os 26 grupos econômicos

que os controlam.

A pesquisa expõe o nível de

concentração da propriedade dos

meios pelo alcance: no segmento

de televisão, mais de 70% da audiência

nacional é concentrada em

quatros redes. “Nem a tecnologia

“Concentração da mídia

no Brasil foi naturalizada”

Diz pesquisador.

Imagem Ilustrativa

(Por Allan Oliveira - do site: www.oquebracabeca.com.br)

digital nem o crescimento da internet

ou esforços regulatórios ocasionais

limitaram a formação desses

oligopólios”, ressaltam os autores

do levantamento.

A pesquisa aponta ainda a concentração

de meios controlados

por igrejas: segundo o estudo, dos

50 veículos pesquisados, 9 são de

propriedade de lideranças religiosas

- todas cristãs.

Além disso, o MOM Brasil denuncia

a titularidade de veículos de

comunicação por parte de políticos

em exercício do cargo, situação proibida

pela Constituição Federal de

1988 em seu artigo 54. “32 deputados

federais e oito senadores controlam

meios de comunicação, ainda

que não sejam seus proprietários

formais”, contabiliza o levantamento.

Para entender melhor o que

esses números representam

para a sociedade brasileira,

OQUEBRACABEÇA conversou

com o coordenador técnico

da pesquisa André Pasti.

Ele estuda o tema no Brasil desde

que se formou em Geografia pela

Universidade Estadual de Campinas

com monografia sobre o circuito

da informação financeira e hoje

é doutorando em Geografia Humana

pela Universidade de São Paulo.

Quais são os riscos para a sociedade

brasileira com a concentração

de mídia apontada pelo MOM

Brasil? André Pasti: Os riscos são

enormes porque a concentração de

mídia se associa a uma centralização

dos discursos.

Nós acreditamos que não há democracia

possível se não existir a

representação da pluralidade das visões

existentes na sociedade. Para

dar um exemplo: a mesma linha editorial

está presente em todos os

grandes meios de comunicação sobre

as reformas trabalhista e previdenciária.

Todos os grandes veículos são

favoráveis. Então essa concentração

vai se refletir em assuntos muitos

próximos do nosso cotidiano:

que tipo de política vai ser defendida,

quais ideias entrarão ou não em

circulação.

Nós naturalizamos isso. Naturalizamos?

André Pasti: Com certeza.

Porque não conhecemos outro

cenário. Nós crescemos vendo

o mesmo sistema de mídia funcionando.

Essa concentração foi naturalizada.

São grupos familiares que

se apropriaram da proximidade a regimes

ditatoriais para fortalecer os

seus sistemas midiáticos.

Os meios de comunicação brasileiros

de hoje têm uma herança

muito forte do momento da ditadura

civil-militar, quando esses grupos

se fortaleceram, e depois no

momento da redemocratização, em

que as concessões públicas de radiodifusão

foram negociadas em troca

de votos no Congresso Nacional.

O estudo ressalta os números

sobre a questão do controle político

na mídia brasileira. Como isso

ocorre? AP: O controle político sobre

a mídia no Brasil é realizado de

forma direta e indireta. Os 32 deputados

federais e 8 senadores que

nós citamos no estudo são apenas

os proprietários diretos, que agora

têm transferido as titularidades dos

meios para esposas e herdeiros na

tentativa de mascarar essa situação.

Os mesmos políticos proprietários

de veículos de comunicação

mantêm um controle do Congresso

para garantir a continuidade da

aprovação das concessões e também

para garantir que nenhuma lei

no sentido de reverter essa situação

seja aprovada. Por isso que não temos

lei, não é só porque faltou vontade

executiva.

O estudo afirma que a situação

da concentração de mídia no Brasil

não se alterou mesmo com o surgimento

das ferramentas digitais. A

internet se tornou uma utopia? AP:

A internet surgiu como um potencial

de ser uma ferramenta democratizante,

mas hoje, como tudo, a

tecnologia está em disputa na sociedade.

E o nosso projeto de sociedade

atual não é democrático. Ainda podemos

garantir à internet um espaço

de pluralidade, mas o cenário hoje

é um pouco distópico.■

Para sugestões de pautas (matéria de jornal) ou anunciar, entre em contato:

• Telefone: 44 3246-1769

• WhatsApp: 44 99713-0030

• E-mail: ofato_mandacaru@libero.it

• facebook.com/ofatomandacaru

• ofatomandacaru.blogspot.com.br

• YouTube: o fato mandacaru


Pág. 12 O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 001 | Maringá, dezembro de 2017

Dr. Carlos Braga explica a Unidade Básica de Saúde

Dr. Carlos Braga

Fui honrado com o convite para

escrever algumas palavras sobre

a Unidade Básica de Saúde do

Mandacaru.

Enquanto Unidade básica de

saúde está apta a realizar atendimentos

em várias áreas, não sendo,

no entanto o local adequado para

as emergências.

Podemos usufruir de atenção

básica a saúde nas áreas de medicina,

odontologia, psicologia, assistência

social, equipes de saúde

da família e tem também o NAS.

O NAS é um órgão ligado à atividade

social, nutrição e educação

física. A função primordial da Unidade

básica de Saúde é desenvolver

ações de prevenção, tratamento

e acompanhamentos de doenças

comunitárias, aquelas que são

mais comuns na comunidade.

A importância da assistência

global a saúde implica em conhecimento

e utilização adequada dos

recursos disponíveis. “De nada

adianta a gente ter vários recursos

aqui e ninguém procurar”,

portanto, não deixe de realizar visitas

médico-odontológicas regulares,

e utilizar todos os recursos

oferecidos pela Unidade.

Através do UBS você pode ter

acesso a exames laboratoriais, exames

de imagem, fisioterapia e encaminhamento

para serviços especializados.

A interação comunidade

- Unidade Básica de Saúde é ingrediente

indispensável para a

melhora da qualidade dos serviços

prestados.■

Saúde - Secretaria desenvolve sistema online de marcação de consultas

A Secretaria de Saúde de Maringá

vai agilizar o agendamento

de consultas, exames, cirurgias e

procedimentos especializados, por

meio da Central Única de Regularização.

O sistema, já existente, foi modificado

e alterado para melhorar o

modelo de agendamento de consultas

e procedimentos médicos no

Sistema Único de Saúde (SUS). A

novidade está em fase de testes e deve

ser lançada nos próximos dias.

Atualmente, o processo é manual,

o paciente recebe um papel de

encaminhamento, apresenta na recepção

do posto de saúde e dias depois

outro profissional entra em

contato para avisar sobre a consulta.

“O objetivo é garantir agilidade

em todos os procedimentos médicos

e facilitar o controle de dados

das consultas”, disse o secretário

da Saúde, Jair Biatto.

Todo encaminhamento da especialidade

deve ir para a Central Única

de Regularização, localizada na

Secretaria de Saúde, que encaminhara

um SMS informando o local,

data e horário do procedimento ao

paciente.

Outra ideia será colocar painel

de gerenciamento com atualização

a cada 15 minutos. Tudo para conter

informações importantes de controle

como: solicitações de consultas,

consultas encaminhadas, consultas

atendidas, número de consultas

realizadas e quantos pacientes

não compareceram na data agendada.■

Informações: Secretaria de Saúde (44) 3218-3194

Fonte: Assessoria de Imprensa da Pref. de Maringá - PR

Imagem Ilustrativa


Ano 01 | Edição 001 | Maringá, dezembro de 2017 | O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá!

Pág. 13

Foto-Notícia

Posto de Saúde do Mandacaru

Equipe divulga o Programa Saúde do Homem.

Lições do cinema: “O espelho”

(Por Paulo Campagnolo – Coordenador e Curador do Convite ao Cinema)

Do social ao político, do drama

íntimo ao drama coletivo, da ousadia

da forma à intensidade do gênero,

não há tema ou modus que não

tenha sido tratado pelo cinema.

Se ficarmos apenas com aqueles

que conseguiram resultados

consideráveis, já teríamos, pois,

um grande “arsenal” para confrontar,

entre a tela e o real, algumas

das questões mais importantes

que norteiam (ou ao menos deveriam)

a nossa tão falível questão humana:

ética, compromisso e responsabilidade.

Assim como os demais suportes

artísticos, o cinema, na juventude

de seus 122 anos, já nos deu todos

os avisos possíveis.

Se, por motivos óbvios, não devemos

lhe imputar uma função específica,

no mínimo deveríamos

olhar com mais cuidado, para além

da superfície, neste chamado “como”

o cinema tem sido um gigantesco

espelho das nossas mazelas.

Naturalmente, porque faz parte

da natureza humana uma certa crescente

imbecilidade (nestes nossos

tempos de agora, pois que é nele

que se “enquadra” a nossa existência),

até mesmo os filmes imbecis

tornaram-se espelhos. Um espelho

onde muitos se reconhecem e

aplaudem a sua própria ignorância.

Os avisos, como eu disse acima,

já foram dados. O cinema apenas

pede que você olhe. Depois disso

- porque isso não basta - você

precisa enxergar.

Neste grande e vasto mundo, a

miopia parece ser uma constante.-

Junte isso a uma anemia cerebral, e

teremos então o galope alucinado do

autoritarismo e da subserviência.

Ator e diretor Orson Welles em

cena do filme "Cidadão Kane" de 1941.

Nenhum avanço se consegue

com boas intenções. Avanços se

medem pela ousadia e pelo confronto.

E o cinema tem nos dado isso

de forma categórica. Arrisquese.

Confronte-se.■

Imagem Ilustrativa

Joana Firmino da Costa

Moradora da

Vila Santa Isabel

em Maringá - PR


Pág. 14 O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 001 | Maringá, dezembro de 2017

Amigos de fato!

Priscila e Wilson - Kimi Restaurante

Stefano e João - Imobiliária Remax

Motta - Pet Shop Móvel

Equipe da Criativa Modas

Amarildo - Fotomania

Cleber - Relojoaria Mandacaru

Lenita e Weiner - Técnica

Eneli, Igor, Sinei e Fábio - MS Microshop

Dr. Carlos Braga

(Unidade Básica

de Saúde)

Equipe do Laboratorio

Santo Antonio -

Boulevard Mandacaru

Elizabeth -

Gente Miuda

Dra. Sandra Mara

Chrusciak e

Dra. Dayana Altoé

Massar

Fabricia e Alberto - Forros Maringá

Gelson e Marcia - Belo Sono Colchões

Jaqueline, Gisele, Katiléia e Josiane -

Guardiãs Mirins

Equipe da Casa di Nonna

Edson - Carnes e Conveniência Vitória

Equipe da Casa de Carnes Canadá

Reginaldo, Eliane e Jeniffer -

Mercearia JJ Dias

Ariane e Sua Equipe - Padaria Ariane

Paulino, Sandro e João - SDS Celulares

Luzia - JL Tintas


Ano 01 | Edição 001 | Maringá, dezembro de 2017 | O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá!

Pág. 15

“Onde está a atuação

nossos políticos em

dos

relação ao HU?”

(Por Ligiane Ciola)

A pergunta é de Padre Israel Zago. Há 8 anos na Paróquia Santa Isabel de Portugal (Vila Santa Isabel). O encontro da

redação de O FATO MANDACARU com Padre Israel acontece numa manhã de chuva fina e clima quente. Nos posicionamos

sob a cobertura da entrada da Igreja, e antes de começarmos com as perguntas padre Israel nos faz observar o excesso de

velocidade que muitos motoristas exercem na Rua Pioneiro Virgílio Acelino Cardoso, que passa em frente à igreja.

Ligiane Ciola: Como resistir

ao consumismo imposto com maior

intensidade pelo capitalismo

no final do ano? O que deveria

significar para o homem está passagem

de ciclo?

Padre Zago: Infelizmente é a

realidade que vivemos, não dá para

fugir disso. O importante é que

consigamos no meio disso tudo encontrarmos

e darmos destaque ao

aspecto espiritual; primeiramente

voltar-se para si, olhar como foi o

ano que está terminando, quais os

propósitos que foram feitos do início

do ano e como eles foram realizados

durante o ano. A nossa vida

é feita de propósitos, pergunte-se o

que melhorou na sua vida. Outro

aspecto é o voltar-se para o alto, é

necessário entender que o ser humano

é limitado e em tudo aquilo

que ele faz, é necessário ter uma

inspiração que vem do alto; para

nós essa inspiração é a presença

de Deus no nosso meio. Estamos

nos aproximando do natal que para

nós é uma festa que nos faz lembrar

do amor de Deus por nós, ele

que se fez carne e veio viver entre

os humanos porque nós precisamos

dele.

Ligiane Ciola: A paróquia da

Santa Isabel conseguiu realizar

todos os propósitos em 2017?

Padre Zago: Todos não, a gente

sempre vive de utopias, por isso

nem tudo conseguimos realizar como

gostaríamos, mas conseguimos

fazer um bom trabalho. Acolhemos

pessoas que vieram até nós, tentamos,

sobretudo, fazer um trabalho

social voltado para os mais necessitados.

Hoje por causa dessa realidade

social que temos no Brasil,

é necessário fazer isso, e nós temos

muitas demandas de pessoas que

precisam de coisas básicas e indispensáveis

como alimentos, remédios,

assistência e empregos. Além

do material tem também o bom trabalho

de evangelização seguindo a

comunidade nas diversas faixas

etárias das famílias que congregam

nas várias igrejas da paróquia.

Ligiane Ciola: Hoje há um

novo desafio para a sociedade,

acolher e inserir o estrangeiro, o

que a igreja está a fazer?

Padre Zago: Esta realidade migrante

é um grande desafio que

nós temos e há tempo estamos pensando

nisso. A arquidiocese assumiu

como projeto a Pastoral de Serviço

ao migrante e cada paróquia

se organizará a partir da própria

realidade. Na nossa paróquia sabemos

da presença expressiva de haitianos,

mas não sabemos quantos

são. Agora nós estamos organizando

uma equipe para localizá-los e

depois visitá-los e convidá-los a

participar da nossa comunidade.

Sabemos que eles vêm de uma realidade

bastante sofrida e de uma

cultura e costumes diferentes dos

nossos. Queremos dizer a eles que

estamos dispostos a ajudá-los e

não apenas no aspecto religioso, isso

vem depois, primeiro vem o aspecto

humano, no servir ao próximo

naquilo que ele necessita.

Ligiane Ciola: Para 2018 a

Paróquia Santa Isabel está criando

o PASCOM, que é a Pastoral

da Comunicação, nos fale deste

projeto.

Padre Zago: A finalidade da

Pastoral da Comunicação é organizar

através da capacitação de

pessoas. Nós já temos instrumentos

de comunicação, porém não temos

ainda pessoas que possam nos

ajudar a fazer esse trabalho de forma

mais profissional. Nós já iniciamos

a formação desse grupo.

Ligiane Ciola: O Mandacaru

é privilegiado por ter no seu território

o HU, mas o senhor nos dizia

dias atrás, que está preocupado

com a situação difícil que o

Hospital Universitário se encontra.

Nos fale disso:

Padre Zago: Eu penso que no

HU temos que distinguir duas situações:

Eu sempre vou lá para visitar,

para celebrar a missa e digo

que a primeira situação diz respeito

ao pessoal; eu vejo assim uma

dedicação muito grande das pessoas

que ali estão trabalhando, desde

serventes, enfermeiros, auxiliares,

médicos, enfim todos. Vejo um

profissionalismo exemplar de todos

que trabalham em modo extremado

para atender a população de

Maringá e da região que vem ali, e

que normalmente vem das camadas

mais pobres da sociedade não

só de Maringá, mas de toda a região.

Outra coisa é a questão da estrutura

que depende da política.

Nós precisamos de mais atenção

dos nossos políticos em relação ao

HU, não se trata apenas de visitálo

e nos dizer que as condições não

estão boas, nós estamos cansados

de ver políticos passarem por aqui

e depois saírem dizendo que precisa

melhorar, mas não melhora.

Onde está a atuação dos nossos políticos

em relação ao HU? Não se

trata apenas de fazer uma pequena

reforma e fazer uma grande propaganda,

se trata de ver aquilo que realmente

é necessário, de buscar

verbas junto aos governos estadual

e federal para que o HU possa

ter uma estrutura decente para tratar

as pessoas com dignidade. É

uma questão humana acima de tudo.

Ligiane Ciola: “Quando dou

comida aos pobres me chamam

de santo, quando pergunto por

que os pobres tem fome me chamam

de comunista”. Sobre a frase

é de Dom Hélder Câmara queremos

saber: Ainda hoje é assim?

Padre Zago: É assim, Dom Hélder

Câmara disse essa frase no contexto

de regime militar, quando ele

atendia os pobres no Rio de Janeiro

e depois em Olinda e Recife. De

fato é isso; quando a igreja denuncia

muitas pessoas nos criticam,

mas é papel da igreja, o evangelho

nos pede isso, Jesus fez isso. Denunciar

o que está errado e acolher

aqueles que mais precisam. O

Cristo disse: “Tive fome e me destes

de comer, tive sede e me destes

de beber, estava necessitado e fostes

em meu socorro”.■


Pág. 16 O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 001 | Maringá, dezembro de 2017

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