Revista Carta Premium - 5a Edicao

revistacartapremium

Quinta edição da revista Carta Premium traz reportagens exclusivas sobre gins premium nacionais, lista de espumantes premiados, mais de 100 opções de receitas de drinques e coquetéis com cachaça, lançamentos de destilados e de cervejas

Etiqueta

res, quais quesitos avaliam?

Paulo Cesar Corghis: Quando procuro

um bom fornecedor uso como

critérios a distribuição e pronta entrega,

qualidade das cachaças (técnica

de produção e corte), histórico do

alambique, cuidados com assepsia,

a preocupação da produção ser própria,

controle, tradição, região produtora,

equilíbrio no paladar, acidez,

etc. Uma das formas de se organizar

como critério é utilizar de uma classificação

em Cachaças Novas (sem

passar em madeiras) e passadas

(armazenadas ou envelhecidas) em

madeira. Os tipos de cachaça (puras

ou novas, as clássicas passadas

em madeira: Amendoim, Jequitibá

Rosa, Amburana, Bálsamo, Carvalho,

as não-convencionais como Jaqueira,

Jequitibá Vermelho, Frejó, etc.)

são um princípio para se usar como

critério na seleção de fornecedores e

consequentemente para ter uma boa

carta. Os alambiques também influenciam,

como a bem feita cachaça

Princesa Isabel em Linhares, no ES,

ou mesmo a Leblon, de Patos de Minas,

MG, que apesar de uma grande

produção, mantém o caráter de cachaça

de alambique. Mas já temos

cachaças feitas em coluna que neste

ano entraram para a lista de selecionadas

na primeira fase da Cúpula da

Cachaça. Um destaque de fornecedor

e produtor excelente é a impressionante

cachaça Século XVIII, produzida

pela oitava geração de Tiradentes,

pelo competente Nando Chaves, lá

em Coronel Xavier Chaves, MG que

é uma cachaça nova e é armazenada

em pedra. Há quem diz em terroir e

estes se dividem no terroir de Paraty,

Salinas, etc., mas mais importante

também como critério é o história, a

cultura, a técnica, e os costumes envolvidos

na criação da cachaça, das

peculiaridades de cada lugar: seja o

primoroso envelhecimento em Bálsamo

de Salinas, a tradição saborosa

mineira, a herança histórica de Paraty,

a influência européia nas Cachaças

do Sul... Enfim, estes são apenas

alguns exemplos; cada região tem seu

diferencial, e é neles que devemos observar

primeiro como item de critério

de seleção de fornecedores. Iso não

esquecendo de uma boa distribuição

onde bons produtores ainda “patinam”

neste quesito, o que também

pode influenciar em uma futura exportação

da cachaça que tem sido

destaque no mundo em 2017. Uma

das grandes experiências que tive foi

ter ido na Expocachaça de Belo Horizonte

este ano, onde conheci produtos

novos, os fornecedores, conversei

com eles, soube de aperfeiçoamentos

de produção, pude estar com profissionais

da coquetelaria como o Mestre

Derivan e o Zeca Meirelles da

ProDrinks ou ainda o Mauricio Maia,

presidente da Cúpula da Cachaça,

além de, principalmente, beber, e beber

muito! Com todo este princípio de

experiência no universo da cachaça

este ano tive a oportunidade de ser

um dos jurados do Primeiro Campeonato

Brasileiro do Rabo de Galo, organizado

pelo Mestre Derivan, e agora

ser um dos 40 especialistas que participou

da escolha das melhores cachaças

2018 da Cúpula da Cachaça.

Carta Premium: A cachaça é mesmo

um destilado que os bartenders têm

realmente que aproveitar melhor e

tem muito espaço para crescer?

Paulo Cesar Corghis: Acredito que a

cachaça é o futuro. Em 2016 o que

mais cresceu em consumo no mundo

foi o rum e em segundo lugar mescal

e tequila. No Brasil foi o gim e em

segundo lugar o whiskey Bourbon.

A cachaça está crescendo muito no

mundo através de um trabalho muito

interessante das grandes marcas

industriais que estão “abrindo portas

para o produto”. Uma cachaça de

alambique que está fazendo um trabalho

muito bom nos EUA é a Leblon,

que pertence ao grupo Bacardi. Em

abril do ano que vem vai acontecer o

Primeiro Festival da Cachaça em Londres

e fui honrosamente convidado

junto com o Marcio Silva e a Jessica

Sanchez a criar cocktails para eles. A

cachaça é muito versátil e sendo bem

empregada traz notas e contexto para

o cocktail de forma impar. Um exemplo

é o Maria Sanguinária feita com

a cachaça passada em carvalho do

Zé do Caixão que harmonizou muito

bem e deu notas impares a esta releitura

do Blood Mary. Tivemos há pouco

tempo o concurso do melhor Rabo

de Galo onde ganhou o nosso querido

Rafael Welbert do Esquina Mocotó e

despertou em muitos profissionais da

área o interesse pela cachaça. Profissionais

de tarimba como Jean Ponce,

do Guarita, Felipe Leite, do Jiquitaia,

o próprio Rafael Welbert e muitos

outros incríveis estão trabalhando

com cachaça e valorizando nosso

genuíno produto. Estou falando em

alta coquetelaria, em um nível a ser

reconhecido em qualquer lugar do

mundo, como um coquetel que gosto

muito feito pelo Heitor Marin, chamado

Latino, que é feito por cachaça Leblon

Merlet; ou destaque para o inococlástico

coquetel feito pelo Arnaldo,

no Boca de Ouro, o Macunaima. A

receita está no link

57

More magazines by this user
Similar magazines