E-Vista - Ed. 01/Ano 01

seloee

Primeira edição da revista E-Vista. Nesta edição temos: Matérias, Entrevistas, Dicas, Contos, Divulgações e mais...

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EDITOR-CHEFE

FERNANDO LIMA

REVISOR-CHEFE

HENRIQUE SANTOS

REVISORA-GERAL

REGINA VASCONCELLOS

PARTICIPAÇÕES

E-Vista SUA

NOVA REVISTA

EDITORIAL

NESTA EDIÇÃO

Participam nesta edição:

FERNANDO LIMA,

HENRIQUE SANTOS,

REGINA VASCONCELLOS,

TIAGO TOY,

FABY CRYSTALL,

ANA ROSENROT,

MICHELLI LOUISE PARANHOS,

PATY FREITAS,

C. B. KAIHATSU,

SIDNEY SANTBORG,

GABRIEL ZANATA,

JORGE EDUARDO MACHADO

E-Vista

Site: e-vista.net

E-mail: contato@e-vista.net/revistaevista@gmail.com

Instagram Oficial: @revistaevista

Twitter Oficial: @revistaevista

Facebook Página: @revistaevista

Toda a diagramação e editoração desta revista foi realizada

por Fernando Lima, as revisões de textos internos e

revisão final da revista foram feitas por Henrique Santos e

Regina Vasconcellos.

Ed. 01 Ano 1

E-Vista é uma revista inicialmente digital que

visa trazer em seus conteúdos e informações

relevantes no setor editorial independente.

Seja para um escritor iniciante ou a um editor

de coletânea, passando pelo designer que trabalha

em capas para atender a grande demanda

de “novos” escritores, até chegar ao leitor que

apenas quer usufruir de uma boa leitura.

Traremos matérias escritas por quem conhece

o assunto, teremos divulgações de escritores,

sendo elas com textos, lançamentos, degustações

e promoções. Mostraremos anúncios, como Blogs

literários, Sites para publicações entre outros.

Todo o nosso conteúdo está voltado para a literatura, podendo sim ser expandido para

as demais artes. O nosso forte é oferecer conteúdo que o faça crescer seja como autor,

editor, “designer” ou leitor.

E-Vista sua nova revista digital.​

Todos os elementos aqui utilizados assim como imagens e

fontes são de livre utilização ou cedidas por seus detentores

de diretos autorais para tais reproduções. Elementos vetos e

alguns itens, foram obtidos no site Freepik. As imagens são

dos sites: Pixabay e Unsplash e seus autores serão citados

sempre que possível.

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-

-SemDerivações 4.0

Esta é uma revista publicada pelo selo Elemental Editoração

de modo independente. Para realizar qualquer tipo de reprodução,

por favor entre em contato via e-mail: contato@e-vista.net

ou diretamente com o selo no e-mail: seloee@outlook.

com. Isso se faz necessário para manter o respeito com os artistas

aqui apresentados.

Todo o conteúdo aqui representado é de responsabilidade

de quem os enviou à revista, ficando o selo Elemental Editoração

e a revista E-Vista, disponíveis para esclarecimentos

posteriores.

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Editorial

Caro leitor.

É com o coração aberto e bombeando o melhor da emoção e da ansiedade que

dou a todos Boas vindas à revista E-Vista.

Pode parecer algo simples e até desnecessária tamanha adrenalina em ter um

projeto como este publicado, mas acredite, só quem possui algo semelhante sabe o

quão importante e gratificante é ter um espaço para agradecer e dar as boas vindas.

Este é um projeto audacioso, não somos e não seremos apenas mais uma revista

simples e repetitiva onde mostraremos apenas contos e poemas de escritores que nos

enviarem seus trabalhos para serem publicados.

Esta é a sua nova revista digital, uma revista real e focada no espaço literário, mas

com conteúdos, em sua maioria, voltados para os escritores e editores indes. Queremos

transmitir o máximo possível de tudo o que há por trás dos serviços editoriais e tentar

trazer opções para o *faça você mesmo* do meio editorial.

Teremos conteúdos de divulgação, assim como entrevista e dicas das mais variadas

para seu momento entretenimento.

Seja esta sua leitura pela manhã ou durante e após o almoço, seja esta sua leitura

para a noite ou ao finalzinho dela antes de dormir. Seja esta a sua mais nova fonte de

entretenimento alternativo e autenticada. Seja esta a sua nova casa.

Seja também o convite mais do que especial para deixar-nos entrar em suas mídias

digitais e sociais.

Que seja esta simples carta, o motivo do seu

comentário ou compartilhamento antes, durante

e após sua leitura.

E por fim, que seja a E-Vista a sua nova visão

da era eletrônico.

Seja bem-vindo(a) a primeira publicação da

revista E-vista.

Desejo de coração aberto que tenha uma boa

leitura e que nos deixe seu feedback, seja por

e-mail ou redes sociais.

Sinta-se em casa.

Fernando Lima

Editor-chefe

CONECTE-SE À E-VISTA ATRAVÊS DOS ICONES:

5


P. 08

CAPA: Confira uma matéria sobre o artista

Jonny Lindner e suas imagens gratuitas. P. 08

MATÉRIA: Ana Rosenrot; autora, diretora e editora

da revista Literalivre, nos conta mais sobre

seu lado artistico e nos dá dicas valiosas para

escritores. P. 38

P. 38

ENTREVISTA: E-Vista entrevistou o escritor

Tiago Toy, autor de Terra Morta. P. 24

DIVULGAÇÃO: A Sociedade dos Corvos.

P. 24

Leia a sinopse dessa antologia. P. 36

E-Vista

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CONTEÚDO

P. 46 P. 20

MATÉRIA: Escrevemos uma matéria especial sobre o selo

Elemental Editoração e como ele atua nas publicações. P. 20

DICA: Você conhece e usa o Canva? Confira nossa dica e

saiba como ele pode te ajudar. P. 46

E ainda tem mais... DICAS - ENTREVISTA - CONTOS e +...

P. 36

GOTAS DE SUOR (conto)

ENTREVISTA: Henrique Santos

O AMANTE (conto)

PRESENTE DE NATAL (conto)

ENTREVISTA: Regina Vasconcellos

DICA: Moon+ Reader

7 E-Vista


Jonny

Lindner

Você pode até não reconhecer este nome, mas suas imagens com

certeza você já viu ou usou. Estamos falando do artista que assina como

ComFreak.

Matéria de Fernando Lima, fotos de Jonny Lindner

E-Vista

8


Q

uando as palavras não

são o suficiente para

uma expressão, nada

mais justo que o uso de

imagens para garantir

que a mensagem seja transmitida.

O mundo continua o mesmo, mas

as pessoas mudaram a forma de

comunicação e as imagens estão

sendo o maior meio de comunicação

nesta era digital.

O ser humano sempre fez papel de

designer gráfico, de pinturas recém

descobertas a gravuras em tantas

cavernas. O homem acha que sabe

demais, mas ainda estamos longe

de descobrir o motivo de sermos

assim, apaixonados por imagens.

E é aqui que entra o autor de

tantas imagens por nós utilizadas.

Seu nome é Jonny Lindner

o qual assina essas imagens com

o nickname de Comfreak no site

Pixabay.

9 E-Vista


Estas são algumas de

suas imagens que foram

utilizadas por: Fernando

Lima (autor desta matéria),

para diversas ilustrações sendo as

de maiores destaques usadas nas

capas do projeto A Arte do Terror

tanto nas edições nacionais quanto

nas em Espanhol.

Cada imagem está sendo representada

em seu formato publicado

pelo artista e em miniaturas estão

as artes finais de Fernando Lima.

Sempre mantendo o cuidado

para não alterar os originais de

Comfreak, os resultados chamam

a atenção devido ao grau de detalhes

e fantasia que o artista utiliza

em suas imagens.

Tanto as imagens aqui apresentadas

(mesmo as utilizadas nas artes

finais), quanto as disponíveis no

site pelo perfil do artista, são completamente

gratuitas e livres para

serem utilizadas em projetos pessoais

ou comerciais como as capas

da coletânea A Arte do Terror e dos

álbuns musicais do DInside Project

e Tiu Don.

E-Vista

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Caso esteja procurando imagens

basicamente prontas para uma capa

de livro, CD ou Newsletter e qualquer

outro tipo de divulgação que use

imagens, ComFreak é com certeza

um dos melhores artistas no quesito

free royalties seja você um designer

experiente ou um autor que não

pode pagar por uma capa bonita e de

qualidade, deixamos essas pequenas

amostras dos trabalhos de Comfreak

para sua apreciação.

Lembrando que estas imagens não

necessitam de atribuição ao serem

utilizadas, mas não lhe custará nada

deixar o nome do artista nos créditos

ou sempre citar quando for possível.

Para conferir os livros e álbuns

apresentados, basta clicar em suas

artes para ser redirecionado ao site

dos arquivos.

E para acessar todas as imagens

do ComFreak no Pixabay, clique no

botão a seguir.

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E-Vista

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E-Vista

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O amor é uma espécie de loucura

ou o único caminho para a sanidade?

Um trauma sofrido. Uma emoção

reprimida. Um pai distante.

Aos 34 anos, após seus sentimentos

serem diagnosticados e definidos

como fora dos padrões aceitos pela

sociedade, Ricardo decide buscar ajuda

psicológica. O que ele não sabia é

que toda sua história seria investigada

e suas feridas expostas em uma profunda

ANAMNESE. Seu coração teria

enlouquecido desde a infância, quando

descobriu uma paixão avassaladora

e transformadora, ou na chegada

de Kamilah e o despertar para o verdadeiro

amor?

Uma história de amor e de intensos

desafios reconstruída por meio de

uma ANAMNESE.

Sidney Santborg nasceu em Coroatá-MA, atualmente

mora no Rio de Janeiro. É um sonhador, um pensador...

Um escritor, compositor e advogado. Autor dos livros

“ANAMNESE – Um Louco Coração”, “Escola de um

Destino” e do conto “O Brilho do Pássaro Celestial” que

foi publicado em uma coletânea de contos. Tem participado

de vários eventos literários e palestras em escolas.

Mantém um Blog onde escreve seus pensamentos, sonhos

e devaneios.

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GOTAS DE SUOR

FABY CRYSTALL

NÃO ERA APENAS O QUARTO QUE ESTAVA QUENTE;

MEU CORPO ESTAVA EM CHAMAS, MAS, MINHAS

MÃOS ESTAVAM FRIAS.

CHEIRO DOCE E GOSTO APIMENTADO,

MÃOS, BOCA, OLHOS, PELE

TOQUE

ARDOR E DOR, PENETRAÇÃO

EXCITAÇÃO

FORTE E INTENSA

DELÍRIOS, GEMIDOS, SUSSURROS E GRITOS

POSSESSÃO

POSSUIR OU SER POSSUÍDA?

PASSO MINHA MÃO NO PESCOÇO, LEVEMENTE

SINTO GOTAS, GOTAS DE SUOR ESCORREM,

ABRO OS OLHOS E TENHO A CERTEZA

TUDO NÃO PASSOU DE UM SONHO!

19 E-Vista


Elemental

Editoração

Ao contrário do que muitos pensam, o selo EE (sigla para o selo) não

é uma editora convencional e nem o selo de uma editora.

Foto: Gabriel Beaudry, Matéria: Fernando Lima

E-Vista

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Havia um tempo...

Em que fazer uma publicação,

mesmo que digital era algo confuso,

complicado e em certos casos bem

caro. Os motivos eram os mesmos

de hoje: plataformas gratuitas, mas sem qualquer orientação

para o autor.

Com exceção de alguns sites hoje em dia, ainda

é complicado para um escritor iniciante publicar

seu livro de forma 100% gratuita. Por um lado

é compreensível que os sites (chamados de

plataformas), cobrem por inúmeros serviços ao

escritor que está publicando sua obra de forma

independente. Mas, na maior parte do tempo, é

incompreensível o fato de algumas plataformas não

oferecerem o básico para o escritor e sua obra.

Como dito em minhas biografias (Donnefar Skedar

e Jay Olce), público na internet de modo indie desde

2009 e para quem também começou neste período,

sabe que era tudo mais difícil para nós escritores.

As plataformas de hoje já existiam, como o caso da

Amazon que está disponível há mais tempo. Porém,

o sistema de publicação e suporte eram diferentes.

Em sua maioria, era preciso dominar o idioma

Inglês, sim, até os tradutores eram mais falhos do

que os atuais.

Em alguns casos não tínhamos certas regalias

como as de hoje, na verdade era bem simples, ou

você divulgava seu trabalho de forma torta e de

baixa qualidade ou simplesmente pagava por um

serviço profissional que tinha um valor acima dos

atuais.

Não existia a abundância de freelances em serviços

editoriais como hoje, além disso, raros eram os sites

ou programas gratuitos para fazer sua própria

editoração.

No meu caso, escolhi o modo torto da coisa.

Nunca possuí dinheiro suficiente para me dedicar

aos meus trabalhos, e também, nunca tive vergonha

o suficiente para criá-los e deixá-los na gaveta.

Então tive que aprender o pouco que sei na raça.

Meus trabalhos ainda estão longe de serem

profissionais e nem vou dizer que os mesmos

são, pois não possuo diploma que comprove meu

21 E-Vista


profissionalismo em tais quesitos. Mas, ainda assim com todos os seus erros (no caso dos mais antigos), eles são sim o

melhor do meu portfólio.

Posso muito bem pedir que comparem meus trabalhos de 2009 ao último de 2016 com alguns dos novos e velhos escritores

indies de mesma categoria. Será nítido que muitos ainda estão parados no tempo e outros ainda precisam aprender muito,

mesmo tendo certo talento para algumas coisas no meio editorial.

E é após essa breve apresentação que entra o selo editorial, Elemental Editoração.

Foto: Galymzhan Abdugalimov

Ao contrário do que muitos pensam, o selo EE (sigla

para o selo) não é uma editora convencional e nem o selo

de uma editora. O mesmo também não pertence a um

prestador de serviços editoriais, ficando assim no meio

de ambas as coisas, sendo então definido como “facilitador

editorial” e o motivo é bem simples.

A visão do selo não é a de competir com editoras ou

selos editoriais, não é cobrar do escritor valores altos por

serviços básicos e principalmente, não é julgar o escritor

e sua obra.

É claro que nos dias atuais, deparamo-nos com 8 em

cada 10 pessoas que se dizem escritores. Sim, todo ser

alfabetizado deve ser considerado escritor, afinal sabe

escrever, certo?

Certo! Mas, voltando aos 8 de cada 10, a maioria diz

escrever por hobbie e é neste ponto que deve ser separado

os escritores dos então aspirantes.

De um modo bem literal é basicamente isso: o aspirante

a escritor em sua maioria sempre paga por todo o

serviço editorial, da capa à revisão passando pelo ISBN

até a ficha catalográfica. Estes são os principais clientes

das editoras que cobram ao escritor para publicar sua

obra.

Por outro lado, temos o clássico escritor. Aquele que

suspeita de tudo e todos, mas que não abre mão de uma

oferta de leitura para sua obra. Aquele que não coloca a

qualidade editorial da mídia em primeiro lugar, mas sim

a qualidade da criação e imaginação em primeiro lugar.

É claro que toda obra deve sim passar por revisão e

todos os demais detalhes para ser considerada uma boa

obra. Ainda encontramos pessoas que mesmo utilizando

dos graciosos aplicativos digitais, escrevem “plobema,

probema, poblema” e todos os demais erros da vida.

Mas isso é sempre questão de ansiedade e falta de

orientação junto ao escritor.

Nos últimos anos, não apenas os números de autores

aumentaram como o número de empresas e selos ou editoras

que cobram pela publicação triplicou.

E-Vista

Chega a ser engraçado que em um país como

o nosso, tenha tantos escritores para tão poucos

leitores. Afinal, quantos leitores você tem em sua

lista que não sejam escritores?

Pensando nestes e em tantos detalhes, foi

finalmente decidido neste ano de 2017 que o selo

editorial Elemental Editoração iria finalmente

receber novos autores de modo oficial para fazer

parte do seu portfólio de publicações.

Criado no ano de 2013, o selo EE manteve até

2017, apenas os trabalhos de Donnefar Skedar,

Jay Olce (ambos pseudônimo que utilizo já que

possuo apenas uma publicação com meu nome),

além de “Adeline Seress”. Com a obra “Felícia”

que trata-se de um livro onde um caso real se

mistura à ficção.

Como o selo criou o projeto A Arte do

Terror em 2015 onde em suas coletâneas passou

22


a receber novos escritores, a solicitação de publicação

pelo selo aumentou de modo que após dois

anos de projeto e mais de 100 escritores que por

ele passaram, foi aceito o desafio de ajudar aos

novos escritores a serem publicados nos mais

diversos sites e de modo internacional.

Quem estreou essa nova fase do selo, foi

o autor e organizador do projeto A Arte do

Terror, Carlos H. F. Gomes, que até então, não

havia publicado nenhum livro.

Seu conto publicado pelo selo “Olhos

Apagados”, pode ser adquirido de forma gratuita,

basta fazer uma busca pelo título em sua

loja preferida.

Atualmente (final de 2017), o selo conta

então com os escritores oficialmente publicados

por seu modelo de publicação:

Donnefar Skedar/Jay Olce

Carlos H. F. Gomes

Larissa Prado

Ed S. Junior

E para o ano de 2018, mais alguns nomes

estão para serem confirmados. Já de modo liberal,

contamos com mais de 100 nomes participantes

do projeto A Arte do Terror que podem ser conferidos

no próprio site do projeto: aartedoterror.weebly.com na

página Biografias.

Os modelos de publicação do selo indie Elemental

Editoração estão disponíveis no site e por esta

apresentação em PDF que traz todas as informações,

incluindo meios de cobrança e modos de publicação no

modelo gratuito. Basta clica na palavra “Apresentação”

para fazer o Download ou ir direto ao site para conhecer

melhor e submeter seu trabalho. Acesse: seloee.weebly.

com.

Dos principais diferenciais do selo EE para os outros,

ele é o único que não avalia a obra para julgar se ela pode

ou não ser publicada, o que facilita muito para quem

escreve gêneros que não são aceitos por outros selos ou

editoras.

O escritor não é obrigado a ter seu trabalho revisado

por um profissional e ainda recebe recomendações de

profissionais caso deseje.

Em casos como na publicação gratuita, o escritor

terá um trabalho editorial que conta com a criação de

capa, ISBN para ebook, diagramação, formatação e

conversação para o formato final em Epub e PDF. O

arquivo final é testado para ser aceito nos sites mais

rigorosos como da Apple Store. E o escritor não precisa

pagar absolutamente nada pelo serviço no modo gratuito.

Os valores quando cobrados pelo selo, conforme

mostrado na apresentação, são completamente simbólico

se comparado com outros sites de publicação e qualidade

de serviço oferecidos.

Este com certeza é um meio seguro e viável para

quem está iniciando ou para aqueles que não querem

pagar para ter sua obra publicada por sites que visam

apenas o dinheiro do escritor, e não um meio dele ser

lido por leitores todo o mundo.

Vale ressaltar aqui que o selo Elemental Editoração

não é indicado para escritores fantasiosos que não

entendem como funciona a auto publicação. O objetivo do

selo não é ceder noites de autógrafos ou ter participações

nas Bienais ou eventos do gênero. O selo tem como

objetivo fazer com que o escritor e sua obra sejam

liberados de forma internacional e a baixo custo, ficando

assim o escritor ciente de que o selo não é uma editora,

mas sim um facilitador para que sua obra seja vista como

ela deve ser.

23 E-Vista


ENTREVISTA co

EVa: Breve apresentação. Você é..?

T. T.: Simpático, estúpido, artista, arteiro, insensível, sensível,

piadista, taciturno, humilde, arrogante, mutável. Acima de todas as

inconstâncias, genuíno. O quê? Você queria aquele velho texto de

autobiografia? Não vai rolar. É deveras tedioso.

EVa: Qual sua visão quando o assunto é Literatura no

mundo atual? A tecnologia nos deixa mais sábios ou ainda é

preciso usar de meios “não” eletrônicos para fins literários?

T.T.: Sabiedade é construída pela forma como você absorve o

que lhe é entregue, não a plataforma pela qual isso chega. Pode vir

talhado em pedra. Acredito que a Literatura expande a mente, desconstrói

paradigmas. Um diário pessoal é Literatura. Uma carta de

amor escrita na solidão do quarto é Literatura. Uma ameaça de

morte enviada através de palavras é Literatura. Literatura carrega

sentimentos, e cada sentimento é recebido por aquele que estásuscetível

ao respectivo sentimento. Uma vez dentro do leitor ele

vai grelar, modificar ou fortalecer. Assim foi no passado, assim é no

presente, e só vai perdurar se assim continuar sendo. Do contrário, qual

seria a razão da Literatura?

EVa: Como você lida com a crescente massa de novos autores

que utilizam de inúmeras formas para publicarem suas obras?

Você costuma descobri-los por conta própria ou é sempre os

amigos e colegas que lhe indicam um novo autor?

T.T.: Lido da mesma forma que todos deveriam: entendendo que

cada um merece seu espaço e respeitando quando esse espaço é

conquistado. Se o foi, merecimento teve. Não defendo a bandeira

do autor iniciante, assim como não defendo a do já consolidado. Se

chega ao meu conhecimento, via indicação ou via acaso, e se se prova

bom ao que me agrada, a chance é dada. Não importa se é a primeira

publicação ou a décima. Tenho sim meus gêneros eleitos prediletos (e

um segredo que meu gosto varia com o mudar dos humores), mas

não sigo currículos, e sim histórias bem contadas. Ademais, sou eu

quem decide se ela está sendo ou não bem contada. Autopromoção

não me atrai. Sou mais inclinado a dar uma chance ao texto

indicado por um amigo do que pelo próprio criador.

EVa: A rivalidade existente entre autores independentes,

selos e até mesmo editoras de pequeno porte é visto como algo

bom? Você acha que essa competição é necessária por se tratar

E-Vista

24


m TIAGO TOY

de um negócio como qualquer outro?

T.T.: Competição na Literatura é, na minha visão, esclarecedora.

Ao testemunhar os lutadores (autores, selos e editoras, não importa se

pequenos ou grandes) se estapeando por um espaço, fica claro para

mim que a valia dada ali é aos responsáveis pelo livro existir, e não

ao conteúdo dele. Um texto bom, forte é o único vencedor em uma

briga que não existe. Há espaço para todos, bons e medíocres, e

nem só os bons permanecem nele. Lamentavelmente há público

para ambos. Se é apenas um negócio, deixe-os brigar pelo próprio

pão. O livro que de fato vale a pena está ali, quietinho na prateleira,

esperando para ser descoberto ou sendo falado pelos que souberam

apreciá-lo.

EVa: Qual o verdadeiro motivo ou incentivo para realizar suas

atividades?

T.T.: Se a atividade em questão for a escrita, a inspiração me motiva

e o dinheiro a incentiva. Não admiro Poe por ter morrido sem um

puto no bolso, delirante, dominado pelo vício. Admiro King por ter

vencido o vício e construído um império, conquistado seu público

com seu estilo tão criticado e aclamado. Não admiro aquele autor

iniciante com muito potencial, mas pouca disposição a esperar.

Admiro aquele autor que está há 10 anos no mercado e dois livros

lançados nesse ínterim, ainda sendo falado, vendido, elogiado

e criticado. Arrogância certificadamente excita. Prepotência porosa me

broxa.

EVa: Autopromoção: você utiliza alguma? Como você divulga

seu trabalho ou atividade?

T.T.: Eu deixo meu trabalho falar por si. Tudo o que eu

tinha que dizer foi dito, impresso e publicado. Eu sou péssimo

em marketing. Até já tentei fazê-lo e entendê-lo, mas não

funcionou. Não passo meus dias tentando bolar sacadas geniais

para conseguir curtidas, ou me esforçando para socializar com contatos

que me trarão centenas de seguidores. Publico o que sinto

necessidade de publicar. Me relaciono com quem me identifico.

Não meço palavras, não sou apaixonado por edição, sou impaciente

quanto a maquiar. Entrego o cru. Que comam meu cru.

Se gostarem, fascinante, então não sou tão mau. Se detestarem ou

(pior) não sentirem nada, joguem no lixo e partam para o próximo.

O livre-arbítrio ainda não nos foi negado.

EVa: Literatura é um mundo à parte? Deveria ser uma

religião mesmo estando presente em todos os assuntos do

mundo? Ou Literatura é apenas uma obrigação para o ser

humano?

T.T.: Literatura é, apenas isso. Não aconselharia torná-la uma

religião no sentido manifesto da palavra. Religião julga. Religião

mata. Em contrapartida, Literatura preenche, dá vida, se

debate, faz pensar, traz a curiosidade, o interesse em descobrir

mais, entretém, faz sentir, mascara a solidão, silencia a algazarra,

faz crescer. Não julgo os que não leem, mas sinto por eles. Conheço

o lado bom de cada mundo. Cuido do corpo assim como cuido

da mente, e estou em paz com isso. Se você também está, siga seu

caminho. Para mim e para você há frutos a serem colhidos à frente.

Os sabores, no entanto, serão diferentes, de acordo com as experiências

vividas.

EVa: Mulheres na Literatura. Você respeita ou há algum

preconceito?

T.T.: Quando o tema é Literatura não há fragilidade nenhuma

no sexo feminino. Há uma perspicácia elegante, e delicadeza

é diferente de fragilidade. Homens, por mais delicados que

alguns pareçam, especialmente quando falamos de escritores,

ainda são truculentos em suas ideias. Quem inventou a guerra?

Um homem. Quem pregou que há raças superiores apenas levando

em consideração a cor da pele? Um homem. Quem domina

massas de ovelhas temerosas e ignorantes? Um homem, e, por

mais incrível que pareça, sem nem mesmo existir. Mulheres são

25 E-Vista


ENTREVISTA com TIAGO TOY

o equilíbrio para um mundo que, a cada evoluir, é desequilibrado

pelo homem. A visão delas é diferente da nossa. Não

deveria haver preconceito algum para com a escrita de uma

mulher. Se o texto é bom, não pode ser rotulado como tão

bom quanto o (texto) de um homem. É bom e pronto, sem

adendos. Eu respeito o texto com voz própria, voz que não se deixa

ser calada, não importa se o timbre é Soprano ou Tenor. O que

vale é o conteúdo e o respeito que ele dá a si próprio.

EVa: Quais autores você admira, e como eles te influenciaram

a se tornar um escritor melhor?

T.T.: Eu admiro feitos de autores. Admiro como Rodrigo de

Oliveira (autor da série As Crônicas dos Mortos) provou que o

subgênero zumbi tem força para conquistar uma legião de fãs que

tinham como única forte referência os nomes grandes vindos

de fora. Admiro como Cesar Bravo (autor de Ultra Carnem)

mostrou que um autor independente precisa apenas de dedicação

e lapidação do talento para chegar onde muitos sonham, e

graças a um trabalho duro e apaixonado foi o primeiro autor

brasileiro a ser contratadopela Darkside Books. Admiro como Marcus

Barcelos (autor de Horror na Colina de Darrington) não

desistiu de sua história online até atingir seu primeiro milhão

de leituras e atrair atenção da Faro Editorial, uma das maiores

editoras do país, e hoje vem consolidando sua imagem no

mercado. Admiro como Marcos DeBrito (autor de O Escravo de

Capela) respeita o próprio trabalho e junta palavras de uma

forma que as torna verdadeiras obras de arte, onde você não

vê apenas alguém tentando te assustar, mas um profissional que

pesquisa, estuda, lapida e só entrega o trabalho final quando

tem a certeza de que atingiu a perfeição, resiliência, perseverança.

Abnegação. Inconformismo. São essas as influências que cada

um desses caras tem em minha vida.

lho duro para chegar onde se deseja. Não confie cegamente

em quem você não conhece. Não siga seu instinto, porque, melhor

do que ninguém, você já devia saber como ele é falho. Amplie

a visão e considere os detalhes. O diabo está escondido neles.

Uma vez que você decida que é nesse barco que vai escolher subir,

olhe só pra frente. Tenha foco, apegue-se a um objetivo. O

caminho será longo, mas será cada vez mais sempre que você sair

da rota. Você é dedicado, envolvido, talentoso, esperto, sensível,

adaptável. Use essas armas para vencer. Não se abale pelas

críticas, mas considere-as como alertas para fortalecer pontos

fracos. Cedo ou tarde isso vai acontecer, mas quanto antes

melhor: abandone os livros físicos, compre um Kindle (Você

acredita se eu disser que você vai ler 43 livros em 1 ano graças a

um Kindle?) e conheça outros gêneros. Você não faz ideia de como

livros como O Sol É Para Todos, ou autores como Bukowski podem

mexer com suas ideias. Terror é excitante, mas não é o

único gênero que vai te dar tesão. Vai por mim. Ah, e um último

conselhoantes de eu voltar para a máquina do tempo: exclusividade

em um contrato não é tão bom quanto o som da palavra faz parecer.”

EVa: O que você diria hoje ao seu eu, antes de se

tornar autor considerando o que aprendeu desde sua

entrada no mercado literário?

T.T.: “Tiago, antes de continuar, entenda que nada do que

você imagina vai acontecer tão rápido quanto espera. Você não

vai se tornar best seller da noite para o dia, e não há nada de

errado com isso. Segura essa marimba porque é preciso traba-

E-Vista

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DICA - apps para leitura

E-Vista

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Quer ler um eBook em seu Smartfone ou Tablet, mas não quer usar o leitor

padrão do aparelho? Então nossa dica é o App “Moon+ Reader” para dispositivos

Android. Quem está acostumado a ler em dispositivos móveis, sabe o quão

difícil é achar um App que atenda as expectativas e que se ajuste ao gosto do

leitor. Seja pelas fontes, passar de páginas, cores e até mesmo a iluminação, sem

falar no que possuem anúncios irrelevantes. Então para iniciar nossa seção de

Dicas, nada mais justo do que falar deste App que está no mercado desde 2011.

Sim, ele ainda está firme e forte na Google Play e fora dela também. Das principais

características do App, estão as opções de mudar a iluminação, tema, os

formatos aceites, marcação de texto entre outros. Segundo o próprio site:

• Leia dezenas de milhares de livros de graça, oferece suporte a vários sites

de livros on-line.

• Leia livros locais para uma experiência agradável com rolagem suave em

tempo real e toneladas de funções de inovação.

• Suporte txt, html, epub, pdf, mobi, umd, fb2, chm, cbr, cbz, rar, zip ou

OPDS

O App chega a ser bem-parecido com os dispositivos de leitura digital como

o Kindle o Kobo, embora sejam para aparelhos Android é bem fácil deixá-lo

mais parecido com um leitor digital. Basta fazer alguns ajustes no aparelho antes

de cada leitura, coisas como desligar o Wi-fi ou notificações (Whatsapp e Facebook

principalmente), isso ajudará a manter sua leitura como se fosse em outro

aparelho.

É difícil indicar uma configuração para o App já que ele vem pronto para ler,

ou seja, você só precisa ter um eBook em seu dispositivo ou usar um site pelo

próprio App e baixar um livro gratuitamente ou não e já começar a ler. Mas, é

recomendado que acesse as configurações do App e faça várias alterações até

deixa-lo perfeito para você.

O App é gratuito e possui uma versão Pro. Na Pro, mais funcionalidades são

liberadas. Incluindo a opção de leitura em voz alta que funciona muito bem com

opção de mudar a voz e idioma facilitando assim a vida de muitos que podem

ouvir um livro enquanto realizam alguma tarefa. Para conferir o App, basta clicar

no ícone ao final deste texto ou acessar o site em Inglês:

http://www.moondownload.com/

29 E-Vista


Presente de Natal

Patty Freitas

O cheiro do papelão que logo ao entrar impregnou-me as narinas, tornava-se mais forte e denso.

Sentada com meus pés vacilantes no sofá da casa ao lado da minha, meus olhinhos de criança brilhavam

cada vez que pairavam sobre a grande caixa.

Eu sabia exatamente o que era. Mas tinha que fingir não saber.

Meu pai passara onze meses economizando pra comprar o que para mim seria o melhor presente que

eu havia ganhado em toda a minha pouca existência. Queria me fazer uma

surpresa.

Mal sabia, que eu ouvira comentar com minha mãe, certa ocasião enquanto

ela o servia de uma xícara de café antes de uma jornada de trabalho.

Sempre pela madrugada eu percebia quando levantavam e dirigiam-se a humilde

mesa que havia no centro da cozinha. Ligavam o rádio para não se embaraçarem

com o horário, e depois de tomar um gole do café e saciar a fome

com o pão com manteiga, tipicamente brasileiros, papai saía para o trabalho

e retornava só no fim da tarde.

Mas eu tinha que ser firme. Não poderia decepcioná-lo. Eram onze meses

economizando, e eu não poderia pôr tudo a perder. Embora a emoção

contida parecesse que ia extrapolar a qualquer momento, entregando-me.

Transbordava pelos olhos ou pelos pés que de tão pequena, eu não conseguia

tocar o chão e insistiam em balançarem no imenso sofá.

Seu Rudge era conhecido de meu pai há muitos anos. Haviam trabalhados

juntos numa antiga montadora e agora, abrigava meu presente algumas

semanas antes do Natal. Punha dessa forma, fim o que para mim havia se

tornado um mistério, pois eu sabia que já havia comprado, mas certo era que

não estava em casa, logo eu perceberia nos apertados cômodos do quarto e

cozinha que morávamos aos fundos da casa dos meus avós.

A medida que a conversa se desenrolava, ficava mais e mais difícil disfarçar

a emoção e consequentemente o ar de surpresa que eu deveria fazer.

Naquele dia pela manhã, ele havia dado dicas que eu ganharia um

presente. Logo ao entrarmos na casa de seu Rudge já fui indagada sobre

o que eu ganharia de Natal, o que veementemente tive que dizer

que não sabia.

Homem simples e humilde, não era acostumado a fazer muita cerimônia

nos assuntos, já tivera sido grande milagre ter guardado segredo por tanto

tempo. Levantou-se do sofá, interrompendo a conversa que já estava com

fim marcado, pegou a grande caixa e depositou-a à minha frente.

Vendo minhas frustradas tentativas de abri-la com minhas mãozinhas de dedos finos, pôs-se a me ajudar.

Retiramos juntos aquela máquina dos sonhos. Linda, brilhante tanto quanto meus olhinhos, toda azul

com detalhes verdes.

Não pude mais conter a emoção. Lágrimas copiosas caiam em meu colo, que quem visse julgaria se

tratar de uma grande surpresa para a menina de cinco anos que naquela época eu era.

Azul com detalhes verdes, mal importava-me. Poderia ser preta com bolinha laranjas, o importante era

sair pedalando pelas ruas do bairro. Ah! naquele tempo ser criança ainda nos era permitido.

E-Vista

30


MENINO PASSARINHO

Apesar de seguir os mesmos padrões

dos outros três livros infantis

da autora, levando em consideração

a facilitação da aprendizagem e

leitura, se difere por ser um livro de

livre versejar.

Deliciosamente poético, o livro

aborda a pureza e simplicidade de

ser livre e desprovido de embaraços,

o que não significa dizer, ser

desprovido de laços, sentimentos,

maiormente, amor e carinho. Exatamente

como crianças e pássaros!!!

Patty Ciorfi Freitas

Série Vidas

Com a temática que gira em torno do Tráfico Internacional

de Mulheres a Série Vidas composta por esses dois

volumes, traz muita emoção, paixão, superação e amor.

No primeiro livro Sophie tem uma promessa e uma

missão a cumprir, ligadas intimamente a desvendar crimes

relacionados ao Tráfico de Mulheres, por isso leva

uma vida dupla (advogada durante o dia e dançarina à

noite).

Seu destino esbarra em Jonathan Collins, que por sua

vez vê sua vida desestruturada ao conhecer a bela moça.

Em Vidas Entrelaçadas, Jess, uma das moças traficadas

e sujeita aos piores intempéries da vida conhece Henry

(seu salvador), ex-militar acostumado à práticas não convencionais

para se satisfazer, mas que terá que se adaptar

para viver o Amor ao lado da mulher que julga ser a Mulher

da sua vida.

31


ENTREVISTA com H

EVa: Breve apresentação. Você é..?

H.S.: Meu nome é Luiz Henrique Cardoso dos Santos, tenho 26

anos, moro em Fortaleza, Ceará. Sou formado em Letras: Português e

Literaturas pela Universidade Federal do Ceará.

Atualmente sou especialista em ensino de Literatura e trabalho como

professor do Estado do Ceará, como professor de Literatura e Artes.

Nesse ano de 2017 tive meu primeiro livro de mistério publicado com o

título de O Segredo do Cemitério São João Batista. Ainda nesse ano tive

meu conto Almas da Lua contemplado na antologia de contos A Arte

do Terror Vol. 04 – Cartas.

EVa: Qual seu envolvimento com a Literatura?

H.S.: Meus primeiros contatos com a literatura aconteceram no

Ensino Médio quando tive boas aulas sobre essa arte e quando comecei

a escrever pequenos contos regionalistas e até mesmo ensaiar romances.

Como me apaixonei por essa arte, acabei escolhendo seguir a carreira

de professor de Literatura. Há alguns anos atrás, quando já estava

terminando minha graduação, retomei o hábito de escrever literatura,

criando romances, contos e até tragédias.

A partir de 2016 tomei coragem para divulgar meu trabalho e começar a

me considerar como escritor. Hoje escrevo contos e romances, participo

de concursos literários, sou membro fundador da Academia de Letras

Tecla Ferreira, projeto que criei na escola em que trabalho, sou revisor

do projeto A Arte do Terror e colaborador da revisa digital E-Vista.

EVa: No seu Ramo atual, é constante a ligação com a Arte em

geral?

H.S.: Considero-me uma pessoa privilegiada, pois trabalho diretamente

com o que sou apaixonado: literatura e as outras artes. Além

disso, ainda no tocante à minha profissão, creio que tenho como missão

fazer com que outros se apaixonem pela literatura ou que pelo

menos vejam o como ela pode ser fascinante e importantes em nossas

vidas. Sendo professor de Literatura e Artes tenho a responsabilidade

de não deixar que essas manifestações do espírito humano sejam negligenciadas,

subestimadas ou mesmo esquecidas, e além disso, tentar

de todas as formas fazer com que meus alunos consigam despertar seu

espírito criativo e comecem a criar arte.

Desde quando comecei a ensinar tais disciplinas, já descobri diversos

talentos, jovens que mudaram o rumo de sua vida por meio da arte.

EVa: Qual sua visão quando o assunto é Literatura no mundo

atual? A tecnologia nos deixa mais sábios ou ainda é preciso usar

de meios “não” eletrônicos para fins literários?

H.S.: Há anos atrás eu seguia os mesmos cacoetes de muitos

E-Vista

universitários que afirmavam que o brasileiro não lia e nem escrevia.

porém, quando me dei conta que na cidade em que moro (Fortaleza)

há diversos escritores desconhecidos, diversas academias de letras e

que geralmente as livrarias da cidade sempre estão cheias (pelo menos

nos fins de semana), vi que eu estava sendo no mínimo injusto ao

generalizar a questão da leitura e escrita. Hoje, eu tendo conhecimento

dos inúmeros grupos virtuais de leitura e escrita pelo país, além de

diversos ambientes na rede em que você pode compartilhar suas

produções literárias com os outros, posso afirmar que hoje muitos

brasileiros leem, assim como muitos escrevem, e escrevem bem.

As novas tecnologias são ferramentes importantes para quem escreve. A

arquitetura, por exemplo, faz uso de diversos programas que ampliam as

possibilidades de trabalho.

Por que a literatura não pode fazer uso de ferramentas que ampliem

suas possibilidades?

É inevitável que um escritor de hoje saiba usar ferramentas básicas

de escrita e pesquisa virtuais. Mesmo assim, é inquestionável do fato de

que escrever à moda antiga, com as próprias mãos, escrevendo em um

papel em uma escrivaninha tem muito mais charme e cheiro de arte no

sentido em que se produz algo concreto e real. Todo o escritor merece

passar por essa experiência: ver folhas e mais folhas serem preenchidas

com sua caligrafia até que se finde a obra. Seria um crime falar para um

pintor para que ele só pinte virtualmente, porque pintar à moda antiga

é antiquado. Da mesma forma, o escritor deve ter esse momento de

escrita real, concreta, sentindo seus dedos firmes no lápis ou caneta,

assoprando a folha, batento a ponta do lápis na mesa quando está com

dúvida ou mesmo usando-o para coçar sua cabeça nesses mesmos

momentos, e por fim, ter a satisfação de pôr o ponto final, erguer a folha

na direção da luz e contemplar sua obra finalizada.

EVa: Como você lida com a crescente massa de novos autores

que utilizam de inúmeras formas para publicarem suas obras?

Você costuma descobri-los por conta própria ou é sempre os amigos

e colegas que lhe indica um novo autor?

H.S.: Os meios de divulgação virtual de livros e textos literários fizeram

com que surgisse um novo fenômeno, ante-impossibilitado pelo

marcado editorial: a proliferação do que chamo de “proto-autores” no

sentido de que muitos que divulgam seus textos ainda estão numa primeira

fase, no início de sua formação, ou seja, ainda não criaram pelo

menos a essência de seu estilo. Não estou pregando o exílio desse tipo

de autor do meio virtual, mas sim uma reflexão para esse público. Muitas

vezes, o proto-escritor não domina nem as noções básicas de escrita,

nunca leu um livro na vida ou tem referências artísticas. Não há

32


ENRIQUE SANTOS

como ser um músico, por exemplo sem essas três coisas: domínio do

instrumento, leitura de composições que te precederam e referências, ou

seja, grandes artistas que servem como ícones ou mesmo ídolos, como

um ponto de chegada, uma meta de excelências para atingir. Da mesma

forma, creio, o escritor deve ter essa tríada consigo, como pilares estruturais

da sua carreira literária, sem eles, seu templo desmorona. Enfim,

não há como querer ser conhecido pelos outros como escritor, quando

nem você sabe quem quer ser ou mesmo que você já é.

EVa: Você acredita que Literatura pode ser vista como uma terapia

alternativa? Sem pensar em livros de Autoajuda, você acha

que toda a literatura pode ser válida?

H.S.: Sim, a literatura é um remédio para diversos males, assim como

é inegável que cantar ou dançar alegra o espírito, da mesma forma a

literatura tem esse poder, pois todas são artes, manifestações do espirito

humano capaz de estruturar ou desestruturar uma pessoa. Por mais

que critiquem a autoajuda, tal gênero tem a capacidade de motivar uma

pessoa, mudar sua forma de ver o mundo, as pessoas ao seu redor ou

a si mesma. Muitos quando estão aflitos com problemas amorosos se

rendem à música; outros à literatura, pois são formas de alimentar o espírito.

São nos momentos difíceis que vemos que precisamos de coisas

imateriais: ouvir uma música, cantar ou escrever um poema. Se partimos

do pressuposto que a literatura afeta os nossos sentimentos, então

é evidente que pode ter sim finalidade, mesmo que sem fundamentos

acadêmicos, terapêutica.

EVa: A rivalidade existente entre autores independentes, selos

e até mesmo editoras de pequeno porte, é visto como algo bom?

Você acha que essa competição é necessária por se tratar de um

negócio como qualquer outro?

H.S.: Sem dúvida. A rivalidade é essencial, pois faz com que os artistas

criem em si o sentimento de superação, coloca em suas mentes um

ponto de excelência que se deve alcançar. É claro que a concorrência é

desleal, não nego, mas é preciso encarrá-la e usar isso como motivação

para se superar. Na Grécia Antiga era a rivalidade que motivava os antigos

tragediólogos a escreverem verdadeiras obras-primas. Seja admiração

ou inveja, tais sentimentos irão nutrir o autor da vontade de superar

o invejado ou o admirado. Não é algo bonito de se dizer, mas é a mais

pura verdade. Hoje o que temos é uma verdadeira guerra entre editoras,

selos e autores. Isso é mais do que bom, é excelente! É esse sentimento

de guerra que faz com que se mantenha um bom nível. Se você é escritor,

e não quer rivalidade, escreva só para si e nunca ouse divulgar sua

obra.

Capas dos

livros de

Henrique

Santos

33 E-Vista


ENTREVISTA com H

EVa: Você participa ou já participou de algum projeto? Coletânea

ou Antologia, o que foi importante para você? Se não participou,

no que acha que isso lhe ajudaria?

H.S.: Eu fundei uma academia de letras na escola em que trabalho

onde diversos alunos encontram suporte e apoio para escrever e publicar

suas obras literárias. Além disso, participei da antologia A Arte do

Terror Vol. 4 e agora, do vol 5. Tais experiências são de grande valia na

medida em que contribuem para o amadurecimento do escritor.

EVa: Já realizou alguma publicação (que não fosse antologias)

da qual teve que pagar por ela? Se sim, o que lhe motivou a fazer

isso?

H.S.: Não.

EVa: Na sua opinião, porque as editoras ficaram menos acessíveis

e porque tantas outras surgiram com a opção de publicar

novos autores onde o mesmo pague pela tiragem?

H.S.: Não tenho muita intimidade com o mercado editorial, entretanto,

como escritor eu entendo os desejos e sonhos de outros escritores

em ter seus textos publicados por uma grande editora com a qual faria

um lucrativo contrato. Por outro lado, as editoras se tornaram menos

acessíveis devido à grande quantidade de literatura de massa, geralmente

criada e divulgada pela internet, locadoras virtuais ou TV (por assinatura).

Você pode ser um jovem grande escritor, com uma obra fantástica

e inovadora, mesmo assim, você terá menos chances de lançar seu livro

do que um jovem youtuber com algumas centenas de milhares de seguidores.

Se o objetivo das editoras fosse lançar obras de qualidade, a

realidade seria outra. Sabemos que os interesses do mercado são financeiros

(aqui falo sem entrar com uma retórica marxista ou mesmo de

esquerda), isso é fato.

EVa: Você acha válido pagar para ter seu livro publicado? Mesmo

que para muitos isso não seja uma publicação oficial? Você

acha que esta forma de publicação se iguala a qualquer outra?

Afinal, o que seria uma publicação para você?

H.S.: Pagar pela publicação do próprio livro é um meio encontrado por

quem não passou pelas peneiras editoriais ou mesmo que não quis se submeter

a elas. É viável e interessante para quem pode pagar, mas é óbvio afirmar

que não se iguala, no tocante à divulgação, a uma publicação tradicional.

Diante das possibilidades que temos hoje, dependendo do gênero que

você produz, há diversas formas de publicar seu texto de forma gratuita

ou mesmo a baixo custo. Publicação é publicação: seja oficial ou

não, seja publicação virtual ou material, seja em grande escala ou em

pequenas tiragens. Creio que o importante é a divulgação da obra, claro

que sem desmerecê-la, pois falo de divulgação séria, independente dos

E-Vista

meios escolhidos pelo autor, pois estamos falando de uma produção

artística, o resultado de um trabalho de espírito.

EVa: Você usa programas voltados para editoração? Se sim,

pode divulgar?

H.S.: Sou quase um “analfabyte”. Para escrever uso o Word e quando

me aventuro a fazer minhas próprias capas, uso o Phixr.

EVa: Na era digital, você deixou de lado à publicação tradicional?

Ainda utiliza dela ou ambas são válidas para o seu dia-a-dia?

H.S.: Meu primeiro livro foi publicado por meio de um concurso literário

realizado pela Secretaria de Educação do Estado do Ceará. Tive

meu livro impresso publicado pela editora da Universidade Federal do

Ceará. Meu primeiro conto foi publicado em forma digital. Creio que

ambas as formas podem e devem ser exploradas, pois são experiências

diferentes, válidas e que contribuem para o amadurecimento do autor.

EVa: Fazer promoções no meio editorial é algo que ainda vale à

pena ou isso gera mais custos do que marketing?

H.S.: Quanto a isso, sou bem pragmático: não participo, pois não

convém gastar tempo e dinheiro com algo que parece uma estratégias

para captar desesperados.

EVa: Qual o verdadeiro motivo ou incentivo para realizar suas

atividades?

H.S.: Assim como eu não conseguiria viver sem música, eu não conseguiria

viver sem ler e escrever literatura. É uma demanda de meu espírito.

O que me incentiva a escrever é o sentimento de ter criado algo que

me orgulho, algo que outros possam gostar. Não é a pretensão de ficar

34


ENRIQUE SANTOS

conhecido no mundo dos escritores ou a intensão de ganhar dinheiro,

deixo isso para os que na verdade não são artistas, mas, mercenários.

EVa: Autopromoção, você utiliza de alguma? Como você divulga

seu trabalho ou atividade?

H.S.: Minha auto promoção são pequenas e modestas postagens

na minha rede social em que mostro um pouco do meu trabalho,

além de divulgar meu trabalho a amigos mais próximos ou a outros

escritores.

EVa: Possui algum projeto literário próprio ou deseja criar algum?

Qual?

H.S.: Criei uma academia de letras na escola em que trabalho, chamada

Academia de Letras Tecla Ferreira que tem o objetivo de descobrir

e divulgar os talentos dos alunos e professores da escola. Além

desse projeto, participo do projeto A Arte do Terror e da revista digital

E-Vista, iniciativas que acredito e apoio com muita consideração.

EVa: Quais os cuidados ou focos que os novos autores, editores,

devem ter na atualidade onde a era digital pode ser a melhor

aliada para realização dos objetivos?

H.S.: Uma parcela dos novos autores brasileiros devem ter a noção

de que estão escrevendo no Brasil e para brasileiros. Digo uma

parcela, pois há inúmeros bons autores com estilo próprio e com

tramas muito bem elaboradas. Porém, Já li dezenas de livros de jovens

escritores por alguns sites de escrita que jurei estar lendo uma

Fanfic de algum filme ou seriado americano. Tal fato, claro, deve-se a

falha formação literária destes e da avalanche de besteirol americano

que os jovens consomem todos os dias e acabam por terem essas produções

como únicas referências. Hoje dispomos de uma internet rica

de conteúdos que podem ser explorados e usados como fundamentos

para um bom livro, evitando assim, os clichês e niilismo nas tramas.

Quanto às editoras é crucial que desçam de seus pedestais construídos

pelas vendas de literatura de massa de muitos pseudo-autores, como os

autores mirins com suas autobiografias ou youtubers que culturalmente

não produzem nada, e que depois de descerem desse altar de bobagens,

mergulhem nos autores presos no mundo virtual da internet, pois muitos

são verdadeiros mestres na arte literária. As editoras devem entender

que é no fundo do mar que se encontra as pérolas. Claro que tudo isso

seria possível se o objetivo das editoras fosse a qualidade literária. As

ferramente já existem para essa descoberta, falta a intenção.

EVa: Qual seu recebimento por trabalho realizado? O dinheiro

recebido? O prazer de fazer arte? A alegria do próximo? Qual o

seu maior pagamento por cada gesto realizado em seu trabalho

ou por você?

H.S.: O meu maior recebimento é o prazer de concluir uma obra, de

apreciá-la e vê-la sair de minha casa para o mundo. Não tenho pretensões

financeiras ou egocêntricas. Meu único objetivo é dar vida a minhas

obras e divulgá-las para que sejam apreciadas pelos outros. A cada obra

feita ganho mais ânimo de espírito para criar outra e dessa forma propagar

a arte.

EVa: Literatura é um mundo à parte? Deveria ser uma religião

mesmo estando presente em todos os assuntos do mundo? Ou

Literatura é apenas uma obrigação para o ser humano?

H.S.: A literatura faz parte do espírito humano. Tudo veio dela: a

mitologia, a religião, a ciência. Nosso mundo ocidental é construído por

livros e seus ensinamentos: A Bíblia, o direito romano; e a filosofia Grega.

Não há como fugir dela, pois a praticamos sempre quando sonhamos,

mentimos, declaramos nossos sentimentos, praguejamos contra

alguém, confessamos algo, dentre outras infinitas ocasiões. Literatura é

fantasia, é realidade, é o meio desses dois termos. Se pudéssemos compará-la

com uma religião, ela seria uma religião universal, interior e sem

dogmas, a essência criadora presente em todos as pessoas que pode se

manifestar em todos os lugares e tempos e nunca findará, pois ela é em

si o próprio espírito humano.

35 E-Vista


“A Sociedade dos Corvos” é uma antologia de contos de

mistério organizada pela autora C. B. Kaihatsu, publicada

pela editora Coerência.

Esta antologia é o resultado do projeto literário “Sociedade

dos Corvos”, idealizado por C. B. Kaihatsu. É um grupo

de autores e ilustradores, apreciadores da literatura de

mistério, terror, fantasia, ficção policial, suspense e drama.

São fãs do autor Edgar Allan Poe, cujo poema “O Corvo”,

serviu como inspiração para batizar o grupo.

A autora criou este projeto devido à necessidade de divulgar

o trabalho de autores e ilustradores brasileiros, ela

acredita que juntos somos mais fortes e que nós, profissionais

do meio literário, devemos nos ajudar. Cooperar e não

competir.

Deste livro, além da autora C. B. Kaihatsu, também participam

os autores: Alfredo Alvarenga, Br. Godoi, Marielle

Pereira Cardoso, Mateus Herpich, Natanael Otávio, Rafael

Danesin (que também possui ilustrações na obra), Verena

Cavalcante e W. F. Endlich; e os ilustradores: Claudinei Fernandes

de Oliveira, Eder Modanez, Haniel de Farias Luiz e

J. A. Nalon.

A publicação conta ainda com a ilustre participação do

Mestre do Horror R. F. Lucchetti que além de prefaciador,

possui um conto como autor convidado.

A Sociedade Dos Corvos

C. B. Kaihatsu

C. B. Kaihatsu é escritora, poetisa, engenheira de controle e automação,

bailarina clássica e de jazz e colunista cultural do Jornal Tribuna de Paulínia,

do site CultEcléticos e das revistas literárias Amazing e Clube dos Navegantes.

Coautora do livro “Retalhos: Almas em Versos” (Editora Empíreo), vencedor

do Prêmio Brasil Entre Palavras na categoria Melhor Livro de Poesia

de 2016, também participou das antologias: Mais Amor, Por Favor (Editora

Coerência), Arquivos do Mal (Editora Coerência), A Arte do Terror – Cartas

(Elemental Editoração), A Arte do Terror – História (Elemental Editoração).

É organizadora da antologia de contos de terror e suspense “A Sociedade dos

Corvos” publicada pela Editora Coerência. O

Mestre do Horror, R. F. Lucchetti, participa como prefaciador e autor

convidado. Ainda em 2017, possui participação nas antologias: Vampiro: Um

Livro Colaborativo (Editora Empíreo), Playlist – Contos Musicais (Editora

Rouxinol) e Noite

Natalina (Editora Skull).

Idealizadora do projeto Sociedade dos Poetas Vivos que busca promover

um resgate da poesia no Brasil. Fã de Fórmula 1, já colaborou com artigos

para o blog F1 – Fórmula 1.

36


O Amante

Michelle Louise Paranhos

“Muito cedo foi tarde demais em minha vida”.

A frase de Marguerite Duras incrusta em meu pensamento.

Vida e forma definidas.

É isso.

Eu me assemelho, recorro a ela, introjeto-a em minha alma.

Muito cedo, já era tarde demais.

Pedro dorme ao meu lado.

Seu sono é interrompido por sons guturais, murmúrios, assovios,

palavras desconexas. Queria sonhar, mas diante de

meus olhos abertos, a realidade me assombra.

Muito cedo.

Eu tinha dezoito anos quando o conheci.

Victor era mais novo que eu e talvez por isso, fosse mais

ousado, não sei dizer.

Sei que ele saiu do final do corredor do alojamento dos estudantes

universitários, lá onde ficava o banheiro.

E veio assim, torso nu. Enrolado numa toalha branca a esconder-lhe

o quadril másculo.

Era bonito, que Diabo.

Olhos cor de amêndoas, cabelos anelados domados pela

água, magreza típica da juventude naqueles dias.

Era um tempo diferente. Não tinha isso de corpo sarado,

músculos definidos, nada disso.

A beleza era assim, natural, sem máscaras ou porquês.

Eu estudava, sentada à mesa do alojamento, esperando por

meu namorado que poderia retonar em algum momento, ao

término do dia letivo da faculdade.

Mas foi ele quem chegou primeiro em minha vida.

— Prazer, meu nome é Victor.

Levantei meus olhos do texto.

Olhei para aquele que me dirigia a palavra.

O rosto anguloso, gotículas de água sobre o ombro, a toalha.

— Meu nome é Camila. Mas meu namorado não gostará

disso, pode ter certeza.

Abaixei os olhos para o caderno sobre a mesa de madeira —

aquele que era o maior móvel do quarto.

Ao fundo, encostados às paredes, beliches e na outra extremidade,

um armário de três portas.

— E daí? Nem sei quem ele é e não me interessa, — repondeu

— Posso me sentar?

— Desde que não me interrompa, por favor, sente-se.

Tem certeza de que está alojado nesse quarto?

— Com certeza. Mas aqui é alojamento masculino. Você que

não deveria estar aqui, não acha?

— Tem razão, desculpe.

Voltei a me concentrar na leitura, mas se assim o fiz, de nada

resultou.

Sequer lembro-me do que estudava na ocasião, mas recordo-

-me das pernas dele, cruzadas, à minha frente, no vão revelado

pela toalha.

— Posso pegar uma folha de papel?

Não vou olhar, não quero olhar.

— Pegue.

E, alguns minutos depois, ele voltou a me interromper.

— É seu.

— O que?

Ele me entregou a folha.

Contrafeita, analisei o objeto que ele insistia em me entregar.

Era minha imagem ali, no tracejar do grafite. Linhas firmes.

Contínuas. Precisas.

Sim. Era eu.

Aquela continua sendo eu mesma. Naquele desenho e aqui,

em meu coração.

Não sei que fim levou aquele desenho de minha alma, mais

de trinta anos depois.

Pedro resmunga ao meu lado.

— Apaga a luz desse abajur e vai dormir.

— Estou lendo.

— Nem livro tem em mãos, apaga essa luz, por favor.

— Estava lendo no tablet, em e-book, sabe?

— Por isso mesmo, Camila, apague essa luz, ao menos. Deixe-me

dormir, pelo amor de Deus, Camila! Está tarde.

É verdade.

Já é tarde demais em minha vida.

Nunca mais o vi, saí da faculdade e nos perdemos no mundo.

Até reecontrá-lo anos depois. Por acaso.

Quando foi que ele me deu o livro O Amante, de Marguerite

Duras?

Nem faço ideia. Nem que fim levou o exemplar. Faz tanto

tempo.

Aquela edição especial em Capa de Cartão possuía uma contracapa

extra onde, na ilustração, os amantes trocavam um

beijo.

Dentro do livro, acima do título impresso, estava escrito à

caneta esferográfica, em letras firmes, contínuas, precisas.

“Quero cordões do infinito na imensidão do tempo, para

que possamos nos alcançar sempre que um do outro se lembrar”.

Quando rompemos, eu estava na casa de meus pais e a campainha

tocou.

— Vim entregar suas coisas que estavam em minha casa.

Ele devolveu o pôster imenso, que fiz para ele, de presente,

num estúdio fotográfico.

Ficava no interior de uma moldura dourada, pendurada na

parede.

Abaixo da moldura, a cama dele, onde nos encontramos e

nos perdemos tantas vezes.

Esse pôster de mim mesma ainda o tenho comigo, embora

nunca mais me pertença.

Sempre será dele.

— Não devolvo fotos e livros. São meus — retruquei.

Vitor sorriu condescendente. Não esperava que eu dissesse

o contrário.

Perdemo-nos e nos reencontramos por trinta anos.

A última vez, anos atrás, ele se despediu de mim.

— Por favor. Ao menos, me abrace uma última vez — murmurou

em súplica.

Muito cedo era tarde demais em nossas vidas.

Apago a luz do abajur, deixo o tablet sobre o criado mudo e

decido continuar amanhã a leitura.

O Amante.

Fecho os olhos e sonho que estou descendo de balsa, na travessia

sobre o Rio Mekong, em Saigon.

E Victor está do outro lado do rio, me esperando.

Conto inspirado no livro O Amante de Marguerite Dumas

37 E-Vista


Minhas

Artes

Iniciei minha jornada artística bem cedo, assim que aprendi a escrever

(aos 5 anos, copiando páginas de jornal) e ganhei meu primeiro concurso

literário aos sete anos de idade, a partir daí, a luta começou.

Máteria: Ana Rosenrot (Participação Especial)

E-Vista

38


SER artista no Brasil é um desafio constante;

não bastasse a falta de apoio e

de recursos, também lutamos contra o

desrespeito pela profissão que escolhemos.

Trabalho com múltiplas artes desde sempre e já

senti na pele todos os tipos possíveis (e impossíveis) de

dificuldades.

Iniciei minha jornada artística bem cedo, assim que

aprendi a escrever (aos 5 anos, copiando páginas de

jornal) e ganhei meu primeiro concurso literário aos

sete anos de idade, e a partir daí, a luta começou.

Eu participava de todo tipo de seleção (gastei uma

fortuna com selos) e o retorno era mínimo, então, acabei

desistindo e voltando minha atenção para o teatro,

que me ensinou muito. Como viver de arte no Brasil é

(praticamente) impossível, entre os estudos eu comecei

a trabalhar como professora de “datilografia” (sim vocês

leram direito).

A partir do teatro foi que me interessei por cinema

e percebi como todas as artes andam juntas, apesar de

infelizmente existir um enorme preconceito dentro da

própria arte. Comecei a pesquisar cinema e o prazer de

escrever voltou com tudo. Oficialmente eu trabalhava

com coordenação e tesouraria de campanhas políticas,

onde comecei também a criar vídeos institucionais; em

paralelo, retomei a carreira literária ganhando alguns

concursos e participando de antologias. Como a maioria

dos escritores iniciantes, recebi muitos “nãos”, fui

enganada por editoras, carreguei incansavelmente livros

debaixo de braço, tentando vendê-los num país “quase”

sem leitores, participei de projetos coletivos de pseudoacadêmicos

onde era considerada “jovem demais” ou

“progressista demais”…tudo isso numa época anterior

a popularização da Internet (aquela que veio ao mundo

para nos divulgar).

A Internet e a criação das redes sociais e dos sites de

divulgação proporcionaram novo fôlego aos artistas em

geral: a oportunidade de se autopromover e descobrir

novos caminhos, como concursos e festivais. Seguindo

essa nova tendência eu consegui mostrar meu trabalho

de várias formas e para um público bem maior…Pude

exibir meus curtas em festivais do mundo todo, ganhar

prêmios de cinema e literatura e o mais importante: assinar

uma coluna numa revista internacional, a revista Suíça

“Varal do Brasil”. A coluna, que se chama CULTíssimo,

39 E-Vista


é especializada em cinema e universo cult e além de correr

o mundo todo, participou de uma exposição de 20 dias no

Consulado Brasileiro em Genebra (Suíça), com a edição

sobre a atriz e inventora do wi-fi “Hedy Lamarr”, durante o

evento “Dia da Mulher no Consulado” em 2016.

Acredito que todas as experiências que vivenciamos são

válidas e a maior de todas para mim, foi conhecer pessoas

incríveis que me ensinaram como a arte pode ser importante

como forma de ativismo, ajudando nas lutas sociais e em

causas humanitárias, levando paz, apoio, conhecimento

e esperança através da cultura. Desde então eu venho

participando de vários projetos nacionais e internacionais,

tentando levar a cultura e sua capacidade única de inclusão

e formação de consciência ao máximo de pessoas possíveis.

Hoje, minha arte é basicamente dedicada ao Ativismo

Cultural e ao Cinema, e em 2016, quando a revista Varal

do Brasil encerrou suas atividades, resolvi criar uma revista

digital nos mesmos moldes do Varal, totalmente voltada

para a divulgação de autores publicados ou não, valorizando

a Literatura e a Língua Portuguesa e dando espaço e

oportunidades iguais a escritores do mundo todo. Com o

lema “Literatura com Liberdade”, as edições da revista tem

conseguido juntar os mais variados gêneros e estilos de escrita,

bem como fotos, desenhos, a volta da Coluna CULTíssimo

e também matérias sobre lançamentos de livros, entidades e

eventos gratuitos que contribuem com a inclusão social; tudo

isso sempre prezando o respeito e a liberdade de expressão. A

experiência com a revista tem sido incrivelmente gratificante,

devido a repercussão na comunidade literária e do carinho

demonstrado por autores e leitores.

Mas o melhor de tudo isso, é poder acompanhar a realidade

dos autores e compartilhar suas dificuldades e sonhos, bem

como dos propósitos de cada um. E observando de perto

várias situações deste vasto mundo literário, resolvi, para

finalizar a narrativa, trazer algumas dicas que, com certeza,

ajudarão os amigos escritores a melhorar ainda mais seus

projetos e ampliar o alcance e a assertividade na hora da

divulgação.

Não existe fórmula mágica para o sucesso, mas sim

coragem para lutar, vontade de aprender e empreender, força

para continuar e principalmente, paciência para conquistar!!

DICAS PARA ESCRITORES:

Seja criativo!!

Recebo centenas de textos para a seleção da revista todos

os meses e sempre acompanho o trabalho dos autores. Uma

coisa que eu noto é que tem escritor que pensa que texto é

igual música: os cantores gravam uma música e ela se torna

a “música oficial de trabalho”, repetida incessantemente em

shows, programas e no youtube...mas texto é diferente: evitem

enviar o mesmo texto para todas as seleções disponíveis ao

mesmo tempo, separe alguns e envie de forma diversificada,

alternando os trabalhos; assim você mostra que tem conteúdo,

talento criativo e pode fazer uma divulgação mais distinta.

Olha a etiqueta!!

Gente, divulgar seu trabalho nas redes sociais é maravilhoso

e proporciona um bom retorno; mas é necessário ter um

pouco de discernimento e etiqueta: postar e repostar todos

os dias (marcando seus 5.000 amigos) sobre o lançamento

do seu livro é cansativo (uma contagem regressiva fica muito

mais elegante); enviar mensagens padrão inbox sobre o livro

(com links, fotos e preços) sem ao menos dizer um “olá” ao

E-Vista

40


destinatário, é uma completa falta de educação. Falar sobre

isso em todos os posts ou comentários que fizer (até em

notícia de falecimento), é ridículo e te desmerece. Pensem

bem, essa demonstração de “desespero” pode causar um

efeito contrário do esperado: seus possíveis leitores ficarão

“cansados” e perderão o interesse por seu trabalho, por

melhor que ele seja.

Leia!!

Muitos autores esquecem disso, mas a leitura para um

escritor é fundamental, portanto, leia e não fique só nisso,

pesquise, converse, participe, interaja!!

Cuidado com o plágio!!

Plagiar além de crime é horrível e pode significar o fim

para qualquer artista. Ser plagiado é tão horrível e destrutivo

quanto; passei por isso 3 vezes somente com a Revista

LiteraLivre e digo por experiência que ninguém ganha com

isso; então, cuide-se: registre suas obras, tenha arquivos

guardados em nuvem ou papel e evite, de todas as formas

possíveis, usar qualquer coisa que não te pertença!! Tenho

visto ebooks e até livros físicos utilizando fotos de artistas

famosos em suas capas e isso pode trazer um transtorno

incrível no futuro. Todo o cuidado é pouco!

Divirta-se!!

Pode ter certeza de que seu processo criativo não vai

melhorar se você ficar horas e horas sentado, sorvendo

litros de café. Saia um pouco, ouça música, veja um filme,

converse com os amigos, conheça as histórias que o mundo

tem para contar… Lembre-se do belíssimo texto de Clarice

Lispector, “Ato Gratuito” e sua narrativa sobre os benefícios

do improviso salvador. Em pouco tempo você notará a

diferença!!

REVISTA LITERALIVRE

A Revista LiteraLivre é uma publicação brasileira

independente de periodicidade bimestral, com distribuição

eletrônica em PDF e totalmente gratuita.

Nossa missão principal é dar espaço aos escritores

de todos os lugares, amadores ou profissionais, publicados

ou não, que desejam divulgar seus escritos

e mostrar seu talento de forma independente e livre,

valorizando a grandeza da Língua Portuguesa e a diversidade

de estilos. Criada em 2016 pela escritora,

cineasta e ativista cultural Ana Rosenrot, a publicação

nasceu para dar continuidade aos anos literários

da revista Suíça Varal do Brasil, que por sete anos

divulgou a Língua Portuguesa pelo mundo e deu

oportunidade a centenas de escritores.

O lançamento da 1ª edição foi em janeiro de 2017

e contou com mais de 200 inscritos de todo o Brasil

e de outras partes do mundo, com ótima receptividade

dos leitores; repetimos o sucesso na 2ª edição,

onde passamos a aceitar também tirinhas, imagens,

fotos autorais e desenhos, dando oportunidade

para mais artistas; atualmente contamos com quase

10.000 assinantes e recebemos mais de 500 textos

por edição para nossas seleções bimestrais.

Nossa equipe conta com somente três pessoas e

muito carinho e é composta por Ana Rosenrot, Alefy

Santana e Julio Cesar Martins.

Com o lema: “Literatura com Liberdade”, pretendemos

levar até o público obras de todos os gêneros

literários e também proporcionar aos autores visibilidade,

confiança e incentivo, utilizando a enorme

capacidade de alcance das mídias digitais, numa

grande união literária e cultural, trazendo oportunidades

e entretenimento de qualidade.

anarosenrot

literalivre

41 E-Vista


ENTREVISTA com REG

EVa: Breve apresentação. Você é..?

R.V.: Celia Regina de Vasconcellos Oliveira, amante dos livros,

formada em Pedagogia, Especialista em Necessidades Especiais, Língua

Portuguesa e atualmente cursando Pós Graduação em “Revisão Prática

de Textos”.

EVa: Qual seu envolvimento com a Literatura?

R.V.: A leitura faz parte do meu cotidiano. Não consigo me enxergar,

sem pelo menos um livro na minha cabeceira.

Iniciei minhas atividades como escritora nos anos 70. Tudo ficou

guardado. Em meados do ano de 2016, resolvi apresentá-los aos amigos,

e na sequência numa página do facebook.

Sou revisora de textos, na “Vasconcellos Revisa”, de minha propriedade.

(Facebook - @cvasconcellos2016). Escritora de poemas, poesias, prosas

poéticas, microcontos e contos.

Faço parte da “Sociedade dos Poetas Vivos, onde lançaremos uma

Antologia de Poemas, no início de 2018 e colaboradora no Projeto “A

arte do terror”, como revisora de textos.

EVa: No seu Ramo atual, é constante a ligação com a Arte em

geral?

R.V.: Sim, claro!

Dentro da Arte como um todo, existem várias vertentes.

Procuro sempre estar a par dos acontecimentos, pois isso abre novos

horizontes, para quem escreve, compoe ou mesmo para os que são apenas

expectadores. O teatro o cinema, por exemplo, são fontes riquíssimas

de apendizado, para autores e escritores. De uma obra de arte, pode

“nascer” um belo poema.

E assim por diante...

EVa: Qual sua visão quando o assunto é Literatura no mundo

atual? A tecnologia nos deixa mais sábios ou ainda é preciso usar

de meios “não” eletrônicos para fins literários?

R.V.: A tecnologia ajuda muito, não só na Literatura, como em todos

os ramos de atividades.

Confesso que ainda uso aquele bloquinho de anotações, para as

pimeiras estrofes dos meus versos. Sinto falta, muitas vezes, desse

contato direto do autor com a escrita vinda de seus próprios punhos.

Mas o que seria de nós sem um PC, para finalizar uma obra?

EVa: Como você lida com a crescente massa de novos autores

que utilizam de inúmeras formas para publicarem suas obras?

Você costuma descobri-los por conta própria ou é sempre os amigos

e colegas que lhe indica um novo autor?

R.V.: Como Revisora de Textos, sempre estou pesquisando novos

autores, através da mídias sociais, livros físicos em livrarias, com

indicações de conhecidos e amigos; até mesmo pelos próprios autores

que me procuram, por conta do meu trabalho.

EVa: Você acredita que Literatura pode ser vista como uma terapia

alternativa? Sem pensar em livros de Autoajuda, você acha

que toda a literatura pode ser válida?

R.V.: Sim.

Eu mesma sou um exemplo disso.

Fui acometida pela depressão e encontrei na escrita, algo que me

acalmasse, onde todo sentimento ruim, fosse colocado no papel,

aliviando a minha dor. Nos momentos felizes, escrevo de maneira mais

tenue, buscando levar a minha alegria, aos meus leitores.

EVa: A rivalidade existente entre autores independentes, selos

e até mesmo editoras de pequeno porte, é visto como algo bom?

Você acha que essa competição é necessária por se tratar de um

negocio como qualquer outro?

R.V.: Na verdade, toda rivalidade é positiva, desde que não exista a

intenção de prejudicar os demais profissionais.

Não parece, mas no mundo da revisão, existe muito disso.

Creio que essa profissão deveria ser mais valorizada, pois sem a revisão,

não existiria a obra final.

EVa: Você participa ou já participou de algum projeto? Coletânea

ou Antologia, o que foi importante para você? Se não participou,

no que acha que isso lhe ajudaria?

R.V.: Atualmente participo da Antologia de Poemas, da “Sociedade

dos Poetas Vivos”, que deverá ser lançado em fevereiro/2018, pela Editora

Coerência.

Creio que todo tipo de projeto, vem para engrandecer o trabalho dos

autores, fazendo ainda, com que eles saiam do anonimato..

EVa: Já realizou alguma publicação (que não fosse antologias)

da qual teve que pagar por ela? Se sim, o que lhe motivou a fazer

isso?

R.V.: Ainda não tive oportunidade.

EVa: Na sua opinião, porque as editoras ficaram menos acessíveis

e porque tantas outras surgiram com a opção de publicar

E-Vista

42


INA VASCONCELLOS

novos autores onde o mesmo pague pela tiragem?

R.V.: Não importa a maneira e onde as obras de um autor é publicada;

desde que as editoras estejam hábeis para isso.

Acho justo o autor pague pelas tiragens, pois de uma forma ou outra,

recuperarão esse valor, na venda de suas obras.

EVa: Literatura é um mundo à parte? Deveria ser uma religião

mesmo estando presente em todos os assuntos do mundo? Ou

Literatura é apenas uma obrigação para o ser humano?

R.V.: Literatura é arte...é vida!

Não importa onde ela se encontre, nos jornais, livros, escritas por

historiadores ou não, ou apenas num pequeno pedaço de papel.

Faz Arte, quem tem o dom para isso.

Nada é obrigatório!

Tudo na vida é irrestrito, mutável e criativo.

Faça parte dessa história!

“A imaginação é mais importante que a ciência,

porque a ciência é limitada, ao passo que a

imaginação abrange o mundo inteiro.”

Albert Einstein

BIOGRAFIA

Regina Vasconcellos, nasceu em 26/05/1956, no bairro da Aclimação

em São Paulo, onde morou e cresceu.

Formou-se em Pedagogia, com Especializações em Magistério, Orientação

Educacional e Vocacional, pela FMU.

Alguns anos depois, fez uma nova Especialização, desta vez em Necessidades

Especiais; saindo das escolas “tradicionais”, começando assim,

a trabalhar na APAE – SP, onde viu de fato, que o magistério teria

sido uma escolha acertada. “Trabalhar com crianças especiais, é algo que

engrandece a alma e o coração.”

Começou a esboçar alguns poemas, na década de 70, que foram guardados

por muitos anos.

Casou-se e teve três filhas.

Divorciou-se em 1991, o que a deixou muito abalada e triste; foi quando

sua inspiração aflorou e então os versos, começaram a fazer parte de

sua vida, até como uma terapia e continua com força total.

Em 2009, nasceu João Victor, seu neto, agora com oito anos.

Ele também a inspira e lhe traz muita alegria. Sempre gostou da Língua

Portuguesa, como um todo.

Após aposentar-se, começou a estuda-la com afinco.

Passou a dar aulas particulares de Português e fazer revisões de textos.

Em 2017, iniciou uma Pós-Graduação em “Revisão Prática de Textos”,

pela Faculdade Unyleya.

Criou a “Vasconcellos Revisa” – Revisão de Textos, na qual trabalha

como autônoma, em vários segmentos da área.

Participou, como colaboradora da Arte do Terror.

Faz parte do Grupo “Sociedade dos Poetas Vivos”, onde publicará,

juntamente com outros autores, uma Antologia de Poemas.

Considera-se uma pessoa batalhadora, sonhadora, romântica e determinada.

Acredita que tudo é possível, à medida que, realmente nos empenhamos

para realizarmos.

“Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia.”

Vinicius de Moraes

REGINA VASCONCELLOS

(11) 99238.0066

43 E-Vista


Vizinhos

Todo mundo tem vizinhos, mas o que

eles realmente fazem dentro de seus lares

ninguém sabe. Nesse livros vamos descobrir

o que vizinhos de apartamentos fazem,

o que escondem e quem realmente

são. Descubra de forma aterrorizante o

que pode se passar dentro do apartamento

ao lado. Você realmente conhece seu

vizinho?

Divulgue Conosco

contato@e-vista.net

44


O carioca Jorge Eduardo Machado, de

38 anos, é jornalista formado pela UFRJ,

em 2002. Repórter com passagens pelos

jornais O Globo, Extra e Folha Dirigida,

além da Rádio Nacional, foi, ainda,

revisor da Empresa Municipal de Multimeios

da Prefeitura do Rio (Multirio).

Também bacharel em Direito, atualmente

é analista judiciário do Tribunal

Regional do Trabalho do Rio de Janeiro.

Premiado em diversos concursos literários,

publicou obras em antologias de

contos. Agora, lança seu primeiro livro

solo.

O DIABO MORA NESTA CASA E OUTRAS HISTÓRIAS

A coletânea reúne 22 contos e microcontos escritos pelo autor entre 2004 e

2016. Sem aderir ao horror gratuito regado a tripas e sangue, as narrativas entrelaçam

dramas humanos e conflitos sobrenaturais, como na obra-título, O

diabo mora nesta casa, na qual, ao relembrarem o exorcismo de uma menina,

seus familiares deixam emergir segredos inconfessáveis. A presença demoníaca

é recorrente nos relatos (como em Amarga dádiva e Natal sombrio), mas

há outras entidades mitológicas que aterrorizam os protagonistas (a exemplo

de Trinta moedas e 13 meninos). Em Statu quo, o mito do vampirismo é usado

como metáfora para a crítica socia l. Há, ainda, textos que, apesar de não

apresentarem o elemento supernatural, mortificam pela construção de um

suspense que conduz à supremacia da violência, seja física ou psicológica (casos

de Yin-Yang e Primeira vez). Um traço marcante em todos os contos são

os finais surpreendentes, à moda do cineasta M. Night Shyamalan, de quem o

autor é fã.

45


CANVA

Vamos

falar de

“designer”?

S

abemos que a Propaganda

é a alma do negócio, mas

sabemos que nem todos

temos a sabedoria de lidar

com imagens e fontes, piorou

com “softwares” de edição e derivados. E se o

assunto for criatividade para propaganda, fica

mais difícil. Isso é compreensível já que muitos

são bons em alguns setores e não existe regra

para isso. Mas, se você é daqueles que não

têm dinheiro o suficiente para pagar “designer”

que crie tudo da forma que você deseja ou se

não sobrou dinheiro para a propaganda, eis que

temos essa pequena e preciosa Dica.

Iremos falar brevemente sobre o Canva.

Muitos já conhecem o site e recentemente lançaram

seu App para dispositivos móveis o que é mais uma

mão na roda para quem não possui um PC disponível o

tempo todo. Embora a diferença entre PC e dispositivos

móveis para esse tipo de site seja grande, é possível

lidar muito bem com a criação de projetos pelo aparelho móvel.

Canva é uma espécie de site kit media (por assim dizer), nele

todo o trabalho de “marketing” pode ser realizado seja com modelos

prontos (onde você apenas edita as informações), ou você pode

criar seu próprio projeto com o formato escolhido.

O que podemos criar no Canva? Coisa simples e fundamental

para o dia a dia na divulgação do seu livro, por exemplo, mas o

Canva não se limita aos livros ou autores, no site é possível criar

“marketing” para praticamente tudo, dos principais estão:

— Posts de redes sociais

— Documentos (Oficio, Apresentação, Currículo, Anuário,

Papel timbrado, Certificado, etc.)

— Blogs e eBooks (Capa de livro, Imagem de fundo de tela,

Infográfico, Capa de CD, Banner online e para blog, etc.)

— Materiais de Marketing (Cartaz, Menu, Panfleto, Logotipo,

Cartão de visita, etc.)

— Cabeçalhos de e-mail, social media, Eventos e Anúncios.

Estes são os destaques, mas são imensas as opções quando

o assunto é imagem e texto.

Para usar o Canva é bem simples. Ele possui o idioma

Português, além de disponib

como quase tudo hoje em d

Gratuita: esta oferece in

e é ultra indicada para que

algo pré-criado. Caso você

coisa, também é recomen

salvam naquele momento

anunciar uma promoção. Po

na criação de pastas para

fontes, o mesmo disponibiliz

usar suas próprias. Ao pesq

terá como resultados mais v

não são lá aquelas coisas.

dos PNG, você não terá tran

quando precisamos apenas

Versão Paga: Ao fazer

300.000 fotos e ilustrações

uploads em pastas, além de

poderá salvar as cores, fonte

os melhores modelos. Esta

E-Vista

46


ilizar um breve tutorial no início. As opções

ia, são:

úmeros modelos gratuitos, porém, básicos

m já sabe o que quer e precisa apenas de

queira apenas conhecer ou usar pouca

dado, afinal os modelos gratuitos sempre

de adrenalina ao terminarmos um livro ou

r outro lado, na versão gratuita o site limita

salvar imagens próprias e na utilização de

a apenas algumas fontes e você não poderá

propaganda ou que faça serviços para outros, aumentando assim

a produtividade e claro a qualidade, já que o Canva utiliza de boas

imagens e não tem limites de resolução ou coisas do tipo.

Enfim, se precisa criar uma capa para seu livro seja Wattpad

ou Kindle ou quer apenas atualizar sua página no Facebook ou até

mesmo fazer uma postagem no Instagram, o Canva com certeza

é o primeiro site que você deve testar.

Então, após ler tudo isso, clique no ícone ao final deste texto e

conheça o site, faça login com sua rede social ou crie seu cadastro

e divirta-se com seu lado Designer.

uisar por imagens, na versão gratuita você

etores do que imagens e as que aparecem

O salvamento também é limitado, no caso

sparência no salvamento o que é um tédio

da arte sem fundo.

Imagens criadas no site Canva,

exceto a com o logo que é imagem

reprodução do próprio site.

o Upgrade da conta, você terá acesso a

gratuitas, poderá organizar seus projetos e

compartilhar com outras pessoas (equipe),

s e incluir sua marca além é claro de liberar

versão é indicada para quem utiliza muita

47 E-Vista


Conheça nossos Serviços e saiba como

participar das próximas edições

Saiba como divulgar o seu trabalho conosco com vários tipos de serviços e todos

com a mesma atenção e qualidade que procura.

Seja você um autor, editor, revisor, capista, designer, blogueiro, colunista, jornalista,

etc.

As nossas páginas são indicadas para todos ligados ao setor editorial, em geral.

Para tirar dúvidas, envie-nos um e-mail com o serviço de seu interesse para servicos@e-vista.net.

ENTREVISTA

Em nossa Entrevista Comum, o participante

irá responder a 10 perguntas

sendo 3 delas escolhidas pelo próprio

participante. Além das 10 perguntas,

a entrevista contará com uma minibiografia

e imagem de divulgação.

Também terá um link e um e-mail

para contato. Para saber os limites de

caracteres, por favor nos enviar um

e-mail. O Valor desta entrevista é de

R$30,00 e já conta com revisão profissional.

Na Entrevista Premium, o participante

responderá a 20 perguntas sendo

10 delas feitas pelo próprio participante.

Além dos itens da entrevista

comum, nesta versão será acrescentado

até 5 links e 3 imagens para divulgação.

O Valor desta entrevista é de

R$50,00 e já conta com revisão profissional.

Obs. Caso não queira incluir

as 10 perguntas, iremos realizar mais

10 perguntas fechando o total de 20

perguntas.

E-Vista

48


Textos - Contos - Amostras

Seu texto, conto, capítulo ou aquela degustação do seu livro. Temos lugar na revista

também. Não importa o gênero literário, do conto de terror ao poema, do capítulo de

um romance a um singelo verso. Criaremos uma arte especifica para seu texto caso não

tenha uma e ainda iremos realizar a revisão profissional para a publicação. O Valor para

esta modalidade é de R$20,00 por texto, caso seja um texto longo, você não precisará

contratar o mesmo serviço duas vezes, iremos calcular antes da publicação, caso o texto

ultrapasse uma página, será cobrado o valor de R$5,00 por página excedida. Simples

e interessante, não é mesmo? Aproveite e divulgue seu texto. Para saber limites e obter

dicas de como divulgar seu texto conosco, envie-nos um e-mail para servicos@e-vista.

net.

Contribuição

Para contribuir com a revista, você poderá nos enviar matérias ou dicas que sejam

voltadas para o setor editorial. Seja uma matéria sobre uma editora ou sobre um site de

publicação ou dicas sobre como criar aquela capa perfeita para um eBook ou até mesmo

como usar um aplicativo para aumentar as leituras de livros ou blogs. Seja qual for sua

contribuição, estando dentro do setor editorial, será muito bem-vinda. O Valor para este

serviço é totalmente gratuito. Precisamos apenas que os textos estejam revisados para

serem publicados, também será necessário o fornecimento de imagens para compor a

matéria ou a dica. Caso necessite, oferecemos a revisão do texto à parte. Em caso de dúvidas,

envie-nos um e-mail para servicos@e-vista.net e para contratar revisão, usar a página

Contato em nosso site.

Divulgação

Para o serviço de Divulgação e demais informações, acesse nosso site: e-vista.net ou envie um

e-mail para servicos@e-vista.net ou revistaevista@gmail.com.

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