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4 months ago

Revista Curinga Edição 12

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

LITERATURA FANTASTICA

LITERATURA FANTASTICA Segundo a Teoria Literária, a fantasia pode ser considerada uma subdivisão do “fantástico”, que abrange ainda a ficção científica e o terror. Inicialmente, todo texto dito fantasioso possui elementos imaginários, que fogem da realidade humana. Neste caso, os exemplos vão desde dragões a discos voadores. O maior poder do “fantástico” reside em poder flutuar entre o real e irreal. Como explica o linguista búlgaro Tzvetan Todorov, em seu livro “Introdução à Literatura Fantástica”, de 1970, “o fantástico é a hesitação experimentada por um ser que só conhece as leis naturais, em face de um acontecimento aparentemente sobrenatural”. Para o escritor argentino Jorge Luis Borges, “a irrealidade é a condição da arte”. Borges fez parte de um estilo latino-americano de literatura do século XX conhecido como “realismo fantástico”. Autores consagrados, como o também argentino Julio Cortázar, além do colombiano Gabriel García Márquez e do brasileiro Murilo Rubião, fizeram parte desse movimento. Nas obras de Borges, por exemplo, há uma intertextualidade em que diversos elementos são usados como “portas/passagens”, que levariam o leitor a redescobrir a realidade em que vive. Uma das principais características do “realismo fantástico” baseia-se na transformação do comum e do cotidiano em uma vivência que inclui experiências sobrenaturais ou extraordinárias. Neste ponto, assemelha-se à fantasia como é apresentada hoje. O ponto de união entre diferentes realidades é o mote da maioria dos livros fantasiosos.

A FANTASIA MUNDIAL É inegável a posição da fantasia como principal representante da literatura atual. Inicialmente, esse panorama pode ser pensado a partir de uma amizade entre dois dos mais consagrados escritores da modernidade. Em 1926, C. S. Lewis chegou a Universidade de Oxford, na Inglaterra, onde J. R. R. Tolkien já trabalhava desde 1921. O constante diálogo entre os dois influenciou diretamente suas produções literárias. No livro “O dom da amizade”, o autor Colin Duriez indica que as trilogias de ficção científica “Ransom”, de Lewis, e “O Senhor dos Anéis”, de Tolkien, surgiram de um desafio decidido no cara-ou-coroa: Lewis escreveria uma obra “viajando” no espaço, e Tolkien no tempo. O resultado dessa aposta influenciou as duas principais vertentes da literatura recente, a ficção científica e a própria fantasia. Esses dois estilos, aliás, herdaram a discriminação atribuída à literatura infanto-juvenil. O empenho dos dois autores para que o conto de fadas pudesse ser consumido também por adultos foi significativo. Tanto que esse cenário passou a se modificar justamente com as obras de Tolkien (a trilogia de “O Senhor dos Anéis”, principalmente) e de Lewis, com a série de sete livros de “As Crônicas de Nárnia”. A literatura da segunda metade do século XX foi fortemente influenciada por essas histórias, que formaram gerações de leitores em todo o mundo. No fim da década de 1990, houve outra “explosão” literária em nível semelhante: a britânica J. K. Rowling lançava o primeiro dos sete livros de Harry Potter. Foram dez anos entre a publicação de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, em 1997, e o lançamento do último livro da série, “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, em 2007. A saga do menino bruxo, que é notadamente inspirada também nas obras de Tolkien e Lewis, influenciou e impulsionou a indústria cultural dos anos 2000. Amostras disso são, por exemplo, a série “Crepúsculo”, de Stephanie Meyer, e a série “Jogos Vorazes”, de Suzanne Collins, além de “Guerra dos Tronos”, de George R. R. Martin. Um fator determinante no alcance de todas essas obras são as adaptações cinematográficas e televisivas, que reforçam ainda mais a capacidade de envolvimento com o público. Essas produções audiovisuais permitem que a literatura de fantasia alcance um novo nível, com capacidade de atingir uma parcela muito maior de consumidores. A saga “Harry Potter” vendeu mais de 400 milhões de exemplares em todo o mundo, traduzida para pelo menos 65 idiomas. “Game of Thrones” é a série de maior audiência da história da emissora americana HBO, com média de 18,4 milhões de espectadores. “Harry Potter e as Relíquias da Morte – parte 2” é o filme com a quarta maior bilheteria da história do cinema mundial: mais de 3 bilhões de reais arrecadados. “Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei”, por sua vez, é a oitava maior bilheteria: arrecadou cerca de 2,7 bilhões de reais. CURINGA | EDIÇÃO 12 21

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