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11 months ago

Revista Curinga Edição 12

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

A imaginação das

A imaginação das crianças vai longe nessas horas. E a dona das ideias, Marina, cada hora pensava em um final diferente. Ficava em silêncio e logo dizia: “tenho uma ideia!” Em seguida ficava quieta e, apontando com os dedinhos: “tenho duas ideias! Tenho três!” Mas mesmo com tantas ideias, nem ela nem ninguém conseguiu adivinhar o final da história. O lobinho adormeceu sem perceber e já estava sonhando quando as ovelhas disseram que estavam cansadas e desistiram de tentar fazê-lo dormir. Ele, com raiva, comeu as cinco ovelhinhas com uma bocada só e logo ficou com muita dor de barriga. Então acordou chorando e sua mamãe foi ver o que estava acontecendo. O lobinho, nervoso, sem entender nada e ainda com muita dor na barriga falou das ovelhinhas pra mamãe lobo. Ela, sendo mãe, entendeu que o que ele sentia era fome e deu uns biscoitinhos para o filhote dormir. Então, com a barriga cheia, o lobinho se acalmou e dormiu tranquilo, sem pesadelos e sem dor de barriga. É visível o interesse das crianças quando a professora lê a história. Eles ficam agitados e ansiosos, mas logo que ela começa a ler e a mostrar as imagens os alunos se acalmam e começam a entrar no mundo dos diálogos e da narrativa. É como se os seus olhos refletissem as imagens das páginas dos livros. O que senti naquela sala de aula foi uma aura de encantamento e magia que tomou conta do lugar e foi possível até fazer com que eu voltasse a me sentir criança, a acreditar no impossível e a habitar vários mundos ao mesmo tempo. ...O príncipe livro Marina diz que adora os livros. Ainda não sabe ler, mas quando pega um livro conta sua própria versão da história. Vai virando as páginas e passando o dedinho por cima das frases, como se estivesse lendo as palavras. Os desenhos abrem caminho para a imaginação, mas os detalhes ficam a cargo dos seus sonhos. Conta também que quer muito aprender a ler e que quando isso acontecer vai ler muitas histórias para seus pais. “Agora são eles que leem para mim, mas eu que vou ler pra eles quando eu aprender”, promete Marina. Quando seus pais leem as historinhas para a pequena dormir, ela diz que não sonha com os personagens que acabou de imaginar, mas sim com o dia em que for princesa. E, com os olhinhos brilhando, conta que vai morar em um castelo gigante, usar lindos vestidos de festa e que se ela não for princesa nessa vida, não vai ser nada mais. O tempo passa, os anos chegam, duas mãos vão se tornando pouco para mostrar quantos anos a gente tem. O interesse pela leitura pode não ser tão grande, como para Gabriel da Silva, 10 anos, que acredita que ler é uma perda de tempo e que os desenhos animados são muito mais legais. Porém, mesmo com pouca idade e pouco gosto pelos livros, as crianças entendem a importância deles. Para Breno Camargo, 13 anos, a leitura é importante para “arrumar serviço” e para Bianca Custódio, 8 anos, a prática ensina muitas coisas, principalmente a fazer os trabalhos da escola. Apesar de, para alguns, o desenho animado ser mais interessante, ninguém pode negar que histórias inspiram a imaginação. Os desenhos prendem a atenção, mas a margem para a criação própria e a “fuga para um outro mundo” é muito mais fácil quando guiadas pelas linhas de um livro. “Quando uma criança tem contato com a leitura, ela está, acima de tudo, brincando”, diz o psicólogo Natanael Soares. Para ele, a relação com os livros pode trazer muitos ganhos para o desenvolvimento da criança. Mas primeiro, é importante pensar que tipo de contato ela tem com a leitura e isso é determinado a partir da faixa etária.

A criança que não sabe ler e apenas ouve a história, ou seja, tem um contato com a história oral, irá desenvolver a formação cognitiva e emocional. “É preciso que ela fundamente o ambiente em que vive, construa um mundo simbólico a partir do que ouve para se encontrar e poder aprender”, explica. As que já leem e possuem uma relação com a história escrita tem uma formação cognitiva mais desenvolvida, já entendem mais o mundo em que vivem e desenvolvem com a leitura a imaginação, pois um livro que só tem palavras e não tem imagens possibilita que a criança imagine e crie muito mais. A professora Jaqueline acredita que o contato com as letras e o alfabeto antes das crianças aprenderem a ler é fundamental. “Todos os dias, em sala de aula, eu leio com eles as letras do alfabeto. Todos repetem e já são capazes de identificar as letras. Além disso trago músicas e poesias. Enquanto passo o dedo pelas estrofes eles vão repetindo comigo. Ao fazer isso as crianças vão se relacionando com as letras desde cedo e ainda brincam enquanto aprendem”. De acordo com Natanael, a criança aprende através do lúdico. Quando pega um livro para ler ou senta para alguém lhe contar uma história, ela passa a participar daquilo. Mergulha no conteúdo e aquilo toca tanto a criança que ela passa a se enxergar, a se ver na narrativa. Vendo seu reflexo na leitura ela amadurece e aprende. “Uma criança que tem dificuldade em falar dos próprios sentimentos consegue se expor quando conta uma história. Ela se expressa através dos seus personagens, elabora seu dilema a partir da fantasia e também aprende a diferenciar o bom do mau, os valores da sociedade, assim como a pensar de forma encadeada, acompanhando o começo, meio e fim que as histórias possuem”, explica o psicólogo. Natanael aponta que querer ser como as princesas é algo normal e natural. É um processo de transição, é quando a criança passa a se apoiar em um personagem fictício para chegar no próprio desenvolvimento. Mas quando isso começa a se tornar uma obsessão e a fugir do controle é sinal de que algo não vai bem no cotidiano daquela criança. É quando a realidade está tão pesada que ela se apoia na fantasia. Se sonhar é saudável, portanto, Marina pode continuar sonhando com seu mundo encantado quando deita a cabeça no travesseiro, fecha os olhos, coloca seus vestidos de festa e dança como princesa nos corredores do seu castelo gigante. CURINGA | EDIÇÃO 12 9

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