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5 months ago

Revista Curinga Edição 13

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

A aventura está lá

A aventura está lá fora Fenômeno de couchsurfing reinventa a maneira de viajar Todos nós somos um pouco viramundos, ou pelo menos trazemos no íntimo uma irrealizada vocação de peregrinos, mas o que nos faz largar um pouso é a procura de Texto: Iago rezende Foto: Fernanda Belo Arte: Mylena Pereira outro pouso. Fernando Sabino

O mundo, de tão pequeno, não comporta tantos sonhos. No cansaço e no descanso eles assumem formas. É aí que voam, nadam, correm e dormem; para então voltar a sonhar e comer diversas vontades não cumpridas. Cada voo, nado ou corrida é importante, sabiamente iguais ao dormir. Por séculos fala-se da peregrinação. Do latim, a palavra quer dizer per agros, ou seja, pelos campos. Os registros das primeiras viagens por lazer são creditados aos gregos, que se dedicavam às movimentações urbanas e suas diásporas, que é o deslocamento de um grande número de pessoas para um lugar de acolhimento. Na união de religião e desportos, a cidade de Olímpia recebia milhares de gregos a cada quatro anos, numa prática realizada até hoje. A atividade, perpetuada pelos romanos, era comummente realizada pelos nobres frequentadores das águas termais, além da constante visita à teatros e viagens corriqueiras à praia. Os cristãos, que deram nome à peregrinação há oito séculos, a descrevia como uma longa e tortuosa jornada realizada por pessoas que buscavam a santidade. As viagens à Roma ou à Terra Santa tinham como motivo principal o encontro com a fé. A rota era, por sua vez, o preço a pagar pelos pecados mundanos ou por tantos erros triviais. O que se descobriu é que, depois de tantos caminhos irreversíveis, a prova de fé não foi encontrada nas terras santas. A real conquista é encontrada nas paradas, também nas idas e nos tropeços. O caminho pode ser mais santo que as terras. A importância da estrada é mais clara para o viajante, que se diferencia do simples turista. De acordo com a turismóloga Isabela Vieira, “o turista é motivado pelo lazer, deseja sair de sua rotina mas não quer encarar a realidade como ela é. Já o viajante não leva muito dinheiro e procura fazer sua viagem da maneira mais simples possível. Isso o aproxima com os locais e acaba causando um intercâmbio cultural muito maior”. As pessoas procuram, cada vez mais, a fuga da rotina. O processo histórico que antecede a viagem é mais uma bagagem para a necessidade de conhecer o desconhecido. “O viajante abre mão do conforto, do prazer, do meio social e da rotina buscando respostas. É um processo que se dá através de uma viagem interna e externa”, ressalta. Hoje, as rotas nacionais inspiram também diversos peregrinos, que veem no caminho a valorização de seus trajetos. Alexsander Olsson, viciado na mudança, nasceu na Suécia e sempre soube que não morreria lá. Ainda novo, conheceu um programa de intercâmbio para o ensino de inglês na Tailândia, onde decidiu se aventurar no Oriente e aprendeu o que é ser turista. Em sua definição original, turista é um viajante que sai de onde mora por própria vontade e passa 24 horas ou mais em algum outro lugar sem motivações financeiras. Para mais de um dia, Alex está há mais de sete anos na estrada. Seu vício na mudança e na viramundice fez com que ele nunca mais parasse. Depois da Tailândia foi para Burma, Nepal, Índia e outros 21 países europeus e asiáticos em menos de um ano. Como os antigos europeus, veio para a América Latina em busca do El Dorado. Morou na capital colombiana, Bogotá, e com uma mochila nas costas, colocou suas botas de chuva para conhecer o sul, ou o nosso norte. Depois da Colômbia, Alex viajou até o Amazonas, cruzou o norte e nordeste brasileiro e ainda passou pelo Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Ouro Preto, Mariana e São Paulo até chegar nas Cataratas do Iguaçu, onde cruzou mais uma borda e hoje visita o Paraguai. A sua mochila contém algumas poucas roupas, um computador e uma câmera potente: o necessário para uma viagem na qual a principal bagagem é abstrata. Em suas andanças, Alex coleciona memórias surpreendentes: sobreviveu a um acidente de motocicleta na Tailândia, ficou por alguns dias desabrigado e sem dinheiro no Japão; viajou pelo deserto do Camboja; nadou com tubarões e tartarugas na Malásia, foi perseguido por uma tribo de crianças em Phonsavan, no Laos e frequentou as festas de repúblicas em Ouro Preto. CURINGA | EDIÇÃO 13 11

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