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Revista Curinga Edição 13

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Habitar Ao longo dos

Habitar Ao longo dos tempos, a maneira de contar segredos e fazer diário se popularizou e nos anos 2000 eles foram parar na rede de todas as redes, a internet. Com isso, “o diário palpável se tornou um diário de rede, assumindo o formato de blog, que ainda é muito usado no Brasil”, afirma a pesquisadora Claudia Quadros. No ano em que o Facebook comemora 10 anos de existência, o criador da rede, Mark Zuckerberg, projeta nesta plataforma a possibilidade de ampliar ainda mais os caminhos da comunicação. O aprimoramento das formas de compartilhamento das experiências surgem a cada inovação da rede. Hoje em dia, já podemos contar como nos sentimos, o que estamos assistindo, o livro que estamos lendo, para onde estamos viajando, qual a música estamos ouvindo, entre outras tantas possibilidades de interações. De acordo com pesquisa realizada por neurocientistas da Universidade de Harvard em 2010, compartilhar nossos pensamentos é uma forma de nos satisfazer assim como as sensações produzidas pelo dinheiro e por comida. Os pesquisadores afirmam que aproximadamente 80% das postagens publicadas nas redes sociais narram experiências pessoais. Os efeitos dessas interações provocadas pelo Facebook ainda não são muito claras. Segundo o psicólogo capixaba Wildson Sartori, “existe uma dificuldade em analisar as relações interpessoais mediadas pelas redes. Não dá para categorizá-las como melhores ou piores”. Mas o psicólogo afirma que algumas características destas interações podem ser destacadas pelo fato delas produzirem um senso de coletividade e pertencimento na internet. “Ao ver as publicações de amigos e conhecidos, sobre temas de seu interesse, os sujeitos tendem a se sentir parte de um todo ao perceber que outras pessoas também possuem vivências similares às suas”, completa. Laços compartilhados Diagnosticada com câncer de mama em outubro de 2012, a ex-modelo Flávia Flores, é conhecida no Brasil como uma das pioneiras em usar o recurso da página do Facebook no formato de diário. Ela criou a página “Quimioterapia e Beleza” que, de acordo com ela, era apenas um projeto com o intuito de quebrar o gelo com seus amigos que não sabiam lidar com a descoberta da doença. Entretanto, a iniciativa acabou se tornando referência para mulheres que enfrentam o diagnóstico e o tratamento de diversos tipos de câncer. “Quimioterapia é punk. Quero compartilhar dicas de beleza, receitas, truques, makes e cosméticos para passar essa barra com estilo e sem tristeza, né?” é a descrição da página da ex-modelo. Atualmente somando mais de 82 mil curtidas, o espaço conta com dicas de amarrações de lenços, alimentação para evitar perda de peso e conselhos sobre como superar alguns efeitos colaterais da quimioterapia. Flávia, que hoje está curada, também aproveita a sua página para narrar histórias de outras mulheres que estão enfrentando ou já superaram a luta contra o câncer com autoestima e usando a vaidade como forte medicamento para seguir em frente com o tratamento. O psicólogo Wildson ressalta que este tipo de interação proporciona um estreitamento de laços afetivos entre usuários que muitas vezes não se conhecem. “É uma reação em cadeia na qual uma pessoa curte um compartilhamento de um amigo por se identificar com o conteúdo e acaba se aproximando daquele que postou pela primeira vez”. Seguindo esse fluxo, novas curtidas são trocadas todos os dias e os leitores se tornam cúmplices das histórias narradas. Entre relatos de alegrias, frustrações, medos, relações interpessoais e lembranças, um post curtido possui um significado que vai muito além de um clique. “Há pessoas que transformam uma dor individual numa solução coletiva”, destaca o jornalista Gilberto Dimenstein, no prefácio do livro que conta a trajetória de Flávia Flores. De acordo com estudo sobre a conversação nas redes sociais, feito em 2014 pela pesquisadora Raquel Recuero, o ato de curtir uma postagem é entendido como uma forma de dar apoio e visibilidade a uma determinada publicação. As curtidas legitimam a narrativa proposta por seu autor e, em 32% das respostas captadas, elas podem ser entendidas como uma forma do leitor agradecer pela informação que ele considera relevante. Assim, compartilhar uma dificuldade, seja em segredo ou de forma pública, é uma atitude corajosa. Narrar a vida para si e para o outro pode não atenuar o destino, mas conforta as angústias diárias, estejam elas impressas ou escritas em plataformas virtuais.

Status Foto Check In Revista Curinga Agora mesmo Alice, um caso de amor Esta não é a história da Alice de Lewis Carrol, mas poderia ser. É uma história de sonhos, do lugar fantástico (sem ilusões) criado depois do nascimento da pequena Alice Rosa, compartilhado com outras tantas pessoas e que hoje habita o coração da sua mãe, a jornalista mineira Mariana Rosa. A Alice dos cabelos cacheados nasceu prematura, sofre de paralisia cerebral e da síndrome de West, uma forma rara de epilepsia que se inicia na infância. “Diário da Mãe da Alice” é uma página do Facebook criada pela Mariana, nove meses após o nascimento da sua filha, e que foi feita com o simples propósito de narrar a história de amor vivida por elas. Como a personagem do país das maravilhas, os relatos sobre as aventuras de Alice e sua contagiante vontade de descobrir o mundo e a si mesma, conectam-se com as várias outras histórias de mães e filhos, que não só curtem o diário escrito por Mariana na rede, mas que também compartilham suas dificuldades e conquistas, desabafam e narram suas alegrias. E foi assim, através dos relatos sobre a filha, divididos na rede, que “Diário da Mãe da Alice” soma hoje mais de duas mil curtidas e ainda ganha espaço no mundo real. Graças à sua página, Mariana conseguiu unir um grupo de mães e pais de crianças com histórias distintas, pessoas que ela chama de “escutadores” por juntos partilharem coragem e ouvirem uns aos outros com respeito. A autora do diário afirma em sua postagem sobre o terceiro encontro do grupo que essa é uma possibilidade de conhecer, reconhecer e validar uns nos outros a confiança das relações humanas. Diário da Mãe da Alice Blog Pessoal 2340 curtidas 777 pessoas falando disso CURINGA | EDIÇÃO 13 15

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